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Numero do processo: 10805.901079/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1201-000.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, João Carlos de Lima Júnior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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CHRISTOVÃO DA GAMA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, João Carlos de Lima Júnior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 10 79 /2 00 8- 41 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos próprios, relativos à base negativa da CSLL, anocalendário 2003. As questões de fato atinentes ao processo foram bem descritas no relatório da decisão recorrida, abaixo reproduzido: 1. Tratase do Despacho Decisório nº 763964314, emitido em 20/05/2008, pela DRF Santo André/SP, à fl. 42, NÃO HOMOLOGANDO a compensação formalizada pela contribuinte em epígrafe, na DCOMP nº 20661.13218.290404.1.3.032082 (cópia às fls. 45/53), na qual fora indicado crédito relativo ao saldo negativo de CSLL apurado no exercício 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 204.077,85, e os débitos abaixo demonstrados: PER/DCOMP n. 20661.13218.290404.1.3.032082 Exercício – 2004 Valor do Saldo Negativo R$ 204.077,85 Crédito utilizado na DCOMP R$ 203.729,29 Débitos Compensados: Código do Tributos Período de Apuração Valor Principal 6773 Jan a Dez/2003 114.897,45 2484 Jan/2004 44.545,84 2484 Fev/2004 37.919,51 2482 Mar/2004 11.154,13 2. Nos sistemas informatizados da RFB verificase que, em 28/02/2007, foi emitida intimação (nº de rastreamento 672996082) vinculada à DCOMP referida, porque constatado que o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ (fl. 57), solicitandose a retificação da DIPJ ou a apresentação de DCOMP retificadora. A ciência do interessado se verificou em 09/03/2007. 3. Nada sendo feito e subsistindo tais inconsistências, foi emitido despacho decisório de nãohomologação das compensações (fl. 42), conforme exposto: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 4 3 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com Demonstrativo de crédito: R$ 204.077,85 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 89.180,39.” 4. Em função de tal divergência não foram homologadas as compensações declaradas dos débitos, sendo exigido o saldo devedor a seguir consolidado: Principal Multa Juros Total 208.516,93 41.703,37 125.959,23 376.179,53 5. Cientificada do ato de não homologação das compensações, em 27/05/2008, e discordando da cobrança dos débitos compensados, em 26/06/2008, a contribuinte, por meio de seu representante legal, apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 02/05, na qual registra ter incorrido em equívoco quando da apresentação da DCOMP em litígio. 6. Informa a manifestante que o crédito pleiteado, na verdade, referirseia ao valor devidamente declarado em DIPJ, ou seja, o crédito de R$ 89.190,39, segundo ela jamais questionado pela RFB. 7. Pelo exposto, requer a homologação parcial de sua DCOMP, até o limite do crédito constante da DIPJ/2004 válida. 8. Em 16/04/2009, apresenta a manifestante petição complementando as razões de defesa, afirmando, em apertada síntese, que parte do débito constante da DCOMP em análise não seria devido. 9. Explica que o débito relativo ao ajuste anual do ano calendário 2003, no valor de R$ 114.897,46 já teria sido quitado através dos valores recolhidos no período, restando, por este motivo, crédito de saldo negativo de R$ 89.180,39. 10. Dessa forma, requer não só o reconhecimento do crédito de saldo negativo constante da DIPJ ativa (R$ 89.180,39), como pugna também pela extinção do débito declarado, de R$ 114.897,46, por inexistente. 11. Em apenso ao presentes autos, encontrase o processo nº 10805.720666/200831, onde controlada a DCOMP nº 09386.22521.240807.1.3.038540, buscando o mesmo crédito ora tratado (saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003). 12. Através do despacho decisório de fls. 75/76, emitido em 30/09/2008, a DRF Santo André estendeu a decisão exarada no processo nº 10805.901079/200841 (presente), despacho decisório nº de rastreamento 763964314, também à DCOMP referida, restando não homologadas as compensações nela declaradas. 13. Cientificada em 27/10/2008, a contribuinte, por meio de seu representante legal, aduz a ocorrência de erro quando da Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 5 4 transmissão da DCOMP nº 09386.22521.240807.1.3.038540, posto que dela constariam débitos e crédito de valores coincidentes com aqueles informados na DCOMP nº 20661.13218.290404.1.3.032082, pelo que, requer seu cancelamento. 14. Em 27/08/2012 fora recebido nesta DRJ/ Campinas Ofício nº 555/2012, de lavra do Excelentíssimo Sr. Juiz da 1ª Vara Federal de Santo André26 ª Subseção Judiciária de São Paulo, emitido em 04 de julho de 2012, nos seguintes dizeres: Em 04 de outubro de 2012, a 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, por unanimidade, decidiu JULGAR IMPROCEDENTES as manifestações de inconformidade, NÃO CONHECER dos pedidos de retificação, NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado e NÃO HOMOLOGAR as compensações trazidas a litígio. As ementas abaixo sintetizam a razão de decidir daquela instância de julgamento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE DIPJ E DCOMP. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 6 5 Superada a inconsistência detectada pelo sistema entre os valores do saldo negativo apontado na DIPJ e na DCOMP em questão, deve o órgão julgador prosseguir na análise do direito creditório apurado com base nas informações constantes dos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual, em suma, repete os mesmos argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade, ao combater a decisão prolatada com a apresentação de tabelas que demonstrariam, em tese, o direito creditório. Alegou, ainda, que parte do saldo remanescente da compensação que não foi homologado está sendo quitado por meio de parcelamento enquanto outra parte teria sido quitada mediante pagamento de DARF. Contudo, não apresentou os documentos comprobatórios de tais alegações. Os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. O tema central debatido nos autos diz respeito aos procedimentos adotados pela Recorrente para a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP 20661.13218.290404.1.3.032082, originalmente no valor de R$ 204.077,85, montante que, posteriormente, foi reduzido para R$ 89.180,39, como reconhece a própria interessada, em razão de erro no preenchimento da declaração. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 7 6 Ocorre que consta dos autos que a Recorrente foi intimada a retificar suas declarações ou apresentar créditos compatíveis com os valores informados à Receita Federal. Só que a interessada simplesmente não atendeu a tal solicitação. Nesse sentido, embora seja inquestionável que a interessada, como qualquer contribuinte, tem direito à compensação, também é evidente que a existência desse direito exige comprovação, a cargo da empresa, sobre a certeza e liquidez dos créditos pleiteados, o que há de ser demonstrado por meio de documentos ou provas hábeis, que não são encontrados nos autos. E foi justamente com base nessas premissas legais que o despacho decisório se baseou para não homologar a compensação, exercendo a prerrogativa que lhe confere o artigo 74, § 2o, da Lei n. 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (grifamos) Como salientado na decisão recorrida, cabe ao contribuinte zelar pelo cumprimento de suas obrigações acessórias, de modo a oferecer à Secretaria da Receita Federal informações fidedignas e compatíveis com os seus demonstrativos contábeis, devidamente suportadas por provas hábeis e idôneas. Isso porque a legislação autoriza a Receita Federal do Brasil a regulamentar os procedimentos de compensação, sendo que, à época dos fatos (transmissão da primeira PER/DCOMP), verificamos que a Instrução Normativa n. 460/2004, como outras que a precederam ou lhe foram posteriores, tratava da questão da retificação das informações nos seguintes termos: Art. 55. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 8 7 juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 56. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58. Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. De se notar que o contribuinte foi regularmente intimado a retificar suas declarações, mas não o fez, de modo que tanto o despacho decisório como a decisão recorrida se basearam nas informações presentes nos sistemas da Receita Federal para analisar os créditos. A verificação sobre a origem, pertinência e possibilidade de compensação dos créditos pleiteados se fundamenta no artigo 170 do CTN, que exige, para fins de extinção do crédito tributário por meio de compensação, que os valores declarados sejam líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante desses comandos, a decisão recorrida procedeu, no meu entender, de forma criteriosa, à verificação dos créditos, que culminou na elaboração das planilhas e conclusões a seguir reproduzidas: Adiante são reproduzidos os valores constantes da Ficha 16 da DIPJ/2004 válida, bem como aqueles declarados na DCTF, e suas vinculações com compensações com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, conforme Dcomp nº 04425.24093.230703.1.03.035088 e Dcomp nº 31647.84560.050204.1.3.031814 e parcelamentos liquidados: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 9 8 Registrese que, conforme informado no quadro acima, todos os débitos resultantes de estimativas do anocalendário 2003 declaradas em DCTF, com exceção de pequena parcela de R$ 8.523,92 da estimativa referente a DEZEMBRO, devidamente recolhida, foram quitados por meio de transmissão das Dcomp nº 04425.24093.230703.1.3.035088 e 31647.84560.050204.1.3.031814 ou por parcelamento constante do processo nº 10805.720152/201181. Digase que ambas as DCOMP encontramse controladas no processo nº 10805.901090/200640, tendo sido a primeira homologada e a segunda apenas parcialmente homologada pela DRF Santo André, devido à insuficiência de crédito, não sendo o remanescente do crédito nela pleiteado objeto de manifestação de inconformidade. Pelo exposto, considerarseia a existência de antecipações de CSLL efetuadas durante o anocalendário 2003 no montante de R$ 189.575,96. Entretanto, com base nos valores constantes da planilha acima, resta patente a inconsistência dos débitos de CSLL apurados pela contribuinte durante o anocalendário 2003. (grifamos) Conforme se extrai das informações apostas em DIPJ, os valores apurados de estimativas no período perfariam o montante de R$ 173.773,13. Em contraste a tais informações, consta das DCTF transmitidas à RFB, instrumento de confissão de dívida, elaboradas supostamente com base nos mesmos balanços de suspensão ou redução que embasaram a DIPJ, estimativas devidas no período no montante de R$ 204.077,85, como se segue: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 10 9 Ora, tal dissonância põe em cheque a veracidade das declarações trazidas aos autos, repercutindo diretamente no ajuste anual do período, não havendo como se considerar líquido e certo o crédito apurado quando não logrou a contribuinte demonstrar que seus pagamentos, compensações e parcelamentos se mostrariam suficientes para quitar os débitos de ajuste anual efetivamente existentes. Inclusive, o valor de ajuste anual do anocalendário 2003, declarado em DCOMP como débito no período (código 6773CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal ajuste anual), no valor de R$ 114.897,46, somente corrobora ao entendimento aqui esposado. Se a própria empresa declara restar em aberto, após consideradas as antecipações supostamente recolhidas durante o anocalendário, débito de ajuste anual de CSLL, não há como considerar sustentável o crédito ora pleiteado. Assim, entendo que a decisão original analisou adequadamente os fatos, bem como fundamentou juridicamente seu entendimento, no sentido de que o crédito a compensar era incompatível com o declarado à Receita Federal, sem qualquer dano ou prejuízo aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, nem tampouco ao consagrado princípio da verdade material, inerente aos processos administrativos. Penso que, no caso dos autos, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar o seus argumentos, no sentido de contrariar o que fora decidido nas instâncias anteriores. Aliás, a necessidade de prova e o respectivo ônus do contribuinte já foram extensamente discutidos na esfera judicial e no âmbito deste Conselho. No Superior Tribunal de Justiça o tema já foi debatido, entre tantos outros julgados semelhantes, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 11 10 A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007 Seguindo igual raciocínio, podemos encontrar inúmeros julgados no CARF, inclusive da lavra desta Turma, nos quais se decidiu que no caso de compensação, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido (Acórdãos 110200432, 110200443, 110200438, entre tantos outros). Portanto, caberia à Recorrente trazer aos autos documentos hábeis a comprovar seus argumentos, como cópia dos livros contábeis, balanços ou balancetes de suspensão ou redução, além dos comprovantes dos pagamentos efetuados e dos parcelamentos porventura concedidos. Em razão disso, entendo que não merece reparos a decisão recorrida, que deve ser mantida integralmente. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 12 11 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.005408/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2010
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa.
Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN.
O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizando-se dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude.
ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA.
A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interpostas pessoas jurídicas.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa. Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 54 08 /2 01 0- 12 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizandose dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interpostas pessoas jurídicas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela desses segurados, não recolhida em época própria, para as competências 10/2005 a 06/2010. O Relatório Fiscal (fls. 27/54) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são oriundos das remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços às pessoas jurídicas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Isso porque, em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas referidas empresas, todas optantes pelo SIMPLES, constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, que foram instituídas com o propósito de abrigar a mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes desta. Dessa forma, a autuada deixou de recolher a contribuição previdenciária patronal devida, incidente sobre a remuneração dos segurados, pois 95% dos empregados foram registrados nos CNPJ das empresas vinculadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/12/2010 (fls. 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 68/115), alegando, em síntese, que: 1. a fiscalização, na tentativa de vincular a impugnante às empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, inscrita no SIMPLES, se se apegou a algumas questões, valendose de parcas provas, sem se atentar à realidade das operações de natureza têxtil, onde é muito comum a abertura de empresas por antigos empregados, para regularmente atender aos antigos patrões, algumas vezes com caráter de exclusividade e outras não. Os depoimentos colhidos pela fiscalização não se prestam ao fim pretendido, pois são fruto de perguntas direcionadas e tendenciosas, tudo com o objetivo de montar uma realidade inexistente de fato; 2. ela mantém contratos de prestação de serviços com as empresas Patrick Malhas e Novatextil, a teor de tais instrumentos a contratada é responsável por todos os encargos trabalhistas, previdenciários e sociais, relativos aos empregados utilizados na execução dos serviços objeto deste contrato, tampouco estabelecem qualquer vínculo empregatício em relação ao pessoal que a contratada empregar para execução dos serviços ora contratados; 3. quanto às alegadas transferências de empregados de uma empresa para outra, afirma que as mesmas se deram conforme as conveniências de cada uma das empresas envolvidas, sendo que a Fl. 353DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 ausência de pagamento das verbas rescisórias decorre, única e tão somente, da relação de confiança instalada entre elas, no sentido de que os trabalhadores não terão os seus direitos preteridos. O fato de a contabilidade de todas as empresas ser de responsabilidade do Sr. Raul de Oliveira é irrelevante, pois é dado aos profissionais desta área atender a vários clientes simultaneamente; é perfeitamente possível que a sociedade outorgue procuração para que um estranho ao quadro societário a represente; 4. no tocante as despesas, pretensamente suportadas pela impugnante, cumpre dizer que, além de não comprovadas as referidas alegações, ainda que esta situação fosse verdade, isto seria facilmente explicável, vez que as terceiras empresas, por conta das industrializações procedidas, têm créditos contra a impugnante, que poderiam ser parcialmente compensados com estas despesas; 5. no tocante ao maquinário, aduz é muito normal à cessão de uso, a título gratuito, por empresas que encomendam industrialização de terceiros, para que estes o operem; em muitos casos há máquinas "encalhadas" de um lado e pessoas interessadas em utilizálas de outro, havendo empréstimos apenas por questões de amizade ou relações comerciais; tanto isto é verdade que a Patrick Malhas, por ex., recebeu em comodato máquinas da empresa Erdeck Comércio e Representações; além disso, consoante documentos anexos 6, comprovam que as referidas empresas também o adquirem, em seu nome, máquinas e equipamentos, o que obviamente desqualifica a pretendida vinculação patrimonial; 6. no ramo de confecções é comum a montagem apenas de um setor administrativo, para conduzir a industrialização procedida por terceiras empresas. O que vale, em tais negócios, é o knowhow dessas pessoas; o envio de insumos, para terceiros os transformarem em produtos acabados é uma atividade tipicamente industrial e licita, não havendo motivos para lhe aplica a pecha de fraude; ao contrário do alega a fiscalização não há em ordem de serviços, mas, sim, “direito a exigir eficiência e qualidade na fabricação dos produtos”; 7. inexiste prova material de pessoalidade, nãoeventualidade, subordinação e nem de onerosidade entre a impugnante e os funcionários/sócios das terceiras empresas, não havendo, ao contrário do que pretende a fiscalização, como se falar em relação de emprego; 8. no que tange ao levantamento das contribuições incidentes sobre os supostos valores pagos por fora da folha de pagamento cumpre registrar que, diante da falta da lavratura do termo de apreensão dos recibos que serviram de base para a fiscalização, não foram respeitadas as formalidades inerentes ao processo previstas no art. 9º, do Decreto 70.235/1972, logo, os referidos documentos não podem ser convalidados e conseqüentemente, o levantamento padece do vício de nulidade; nos termos da teoria dos frutos podres, toda e qualquer pretensa evidência, colhida de uma prova inválida, também deve ser tida por improcedente; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 4 5 9. na base de cálculo das contribuições em análise foram incluídas diversas verbas indevidas, tais como: auxiliadoença, salário maternidade, terço constitucional de férias, férias indenizadas, aviso prévio indenizado, 13 ° salário auxilio creche e adicionais noturno, de insalubridade, de periculosidade e de horasextras, devendo eles ser excluídos, mas como não é possível proceder de tal forma, forçosamente se conclui pela incerteza e iliquidez do débito reclamado, impondo como medida de justiça o seu cancelamento por completo. Caso não se repute totalmente nulas as notificações fiscais, então deverão ser excluídos os valores acima mencionados, mediante a formalização das diligências necessárias e reabertura de prazo para defesa; 10. o agente fiscal cometeu um grande equivoco ao fundir as duas espécies de penalidade aplica (multa isolada + multa de oficio), mediante aplicação retroativa da Lei 11.941/2009. Enquanto a multa em tese cabível neste auto de infração decorre do não recolhimento de tributo, o ilustre fiscal alterou a natureza da penalidade, tratando da multa isolada e da multa de oficio como se fossem uma única coisa, o que não subsiste, frente às regras vigentes ao tempo dos fatos geradores; assim, na remota hipótese de se entender pela subsistência de alguma das penalidades, deve ser aplicada ao caso em concreto as disposições contidas no art. 35, da Lei 8.212/1991, que como se sabe tem sua multa iniciada em 12%, progressiva no tempo, podendo chegar a até 100%; 11. o pressuposto para a aplicação da multa de oficio majorada, tanto na redação original do art. 44, da Lei 9.430/1996, como na redação atual, dada pela Lei 11.488/2007, é que esteja configurada ao menos uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, todos da Lei 4.502/1964; da leitura dos referidos dispositivos se colhe que todas as condutas neles descritas somente podem ser consideradas como efetivamente ocorridas nos casos em que se observe ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte, no intuito de encobrir o surgimento da obrigação tributária. Imprescindível, portanto, a prova da prática dolosa dos crimes de sonegação, fraude e/ou conluio, eis que o dolo é elemento ínsito a essas condutas, sendo certo que o dolo não se presume, se prova, o que não ocorreu no caso em comento, inconcebível, portanto a sua aplicação; 12. afirma que as contribuições apuradas na competência 11/2005 e anteriores restam fulminadas pelo instituto da decadência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0731.809 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 238/253) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas na caracterização do fato gerador e na aplicação da multa. Assim, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo o lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador e das multas lançadas. Tratandose de lançamento de ofício, a multa a ser aplicada é a de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, ou a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, conforme determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, dependendo da data do fato gerador da contribuição, haja vista as alterações da legislação pertinente, introduzida pela MP nº 449 de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Esses fundamentos legais foram devidamente registrados nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) e nas planilhas de cálculos comparativos da aplicação da multa. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/230) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Fl. 357DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 27/54) e seus anexos (fls. 01/26 e 55/230) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Discriminativo Sindético de Debito (DSD); planilhas de cálculos comparativos de aplicação da multa; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/230) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Dentro desse contexto, a Recorrente alega que a decisão de primeira instância não examinou os itens 145 a 161 da sua peça de impugnação e, com isso, deixou de apreciar, no cálculo da multa, as GFIP’s apresentadas pelas terceiras pessoas. Tal alegação não será acatada, já que a decisão de primeira instância mencionou que “(...) os argumentos apresentados pela defendente não desqualificam o procedimento fiscal, ou porque são irrelevantes, ou porque não trouxeram aos autos nenhuma prova de suas alegações, ou porque tais não podem ser analisados isoladamente como pretende. O que prevalece, no presente caso, é o somatório de fatos importantes, que se fossem analisados isoladamente seriam apenas indícios, mas é o conjunto probatório, harmônico entre si e no mesmo sentido, que conduz à inevitável conclusão de que as empresas estão intimamente interligadas, fato que não acontece em simples relações comerciais”. Além disso, a decisão de primeira instância registrou que apreciou as folhas de pagamento das terceiras pessoas no momento em que mencionou que “(...) os valores constantes dos levantamentos FO, FF, FS e F7 e desdobramentos, foram extraídos das folhas de pagamento das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA. ME e Confecções Sevem LTDA. ME, sendo por elas declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Fl. 358DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 6 9 Informações à Previdência Social GFIP, observadas as peculiaridades devidas das rubricas declaradas”. E, nesse caminhar, percebese que o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n. 799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, segundo a doutrina, entendese que há distinção entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, o julgador deve enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, não estando obrigado a enfrentar todas as alegações feitas pela parte a respeito dessa questão – no caso em tela a utilização de terceiras pessoas na contratação de mão de obra –, bastando que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008). Com relação à alegação de que os recibos de pagamentos por fora (extrafolha) não foram entregues pela Recorrente e nem houve o termo de apreensão desses recibos, cumpre esclarecer que a Recorrente foi devidamente intimada para a apresentação das pastas referentes aos documentos dos empregados, e, junto a estes documentos, encontravam se tais recibos de pagamentos. Os valores constante dos recibos de pagamentos não constavam da folha de pagamento, tampouco foram declarados em GFIP, conforme cópias de fls. 250/356 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 (processo 13971.005406/201023). Com isso, esses valores foram lançados como salário de contribuição (base de cálculo), sendo, portanto, correto o procedimento adotado pelo Fisco e não será acatada a alegação da Recorrente de nulidade desse procedimento. Também não se pode esquecer que a nulidade do lançamento fiscal e da decisão de primeira instância está diretamente ligada à ocorrência de prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, observandose o princípio do pás de nullité sans grief, o que não foi demonstrado nos autos. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal e da decisão de primeira instância são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega que seja declarada, em parte, a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os créditos apurados até a competência 11/2005 teriam sido atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 7 11 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento fiscal em tela referese às competências 10/2005 a 06/2010 e foi efetuado em 08/12/2010, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 02). Contudo, no caso ora em análise, verificase que a conclusão fiscal foi de que a empresa simulou ou fraudou uma situação que não aparenta a realidade dos fatos contábeis, eis que o Fisco evidenciou que, do ponto de vista formal, havia apenas uma empresa, a Recorrente, conforme os fatos delineados no Relatório Fiscal (itens 9 a 11, fls. 70/95, processo 13971.005406/201023). Tais fatos evidenciaram que a escrituração contábil da Recorrente não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, escampando para uma Fl. 361DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 simulação na contratação da mão de obra por meio de interpostas pessoas jurídicas (empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA ME e Confecções Sevem LTDA ME), e serão enumerados no item seguinte. Ao contrário do afirmado pela Recorrente e considerando que o próprio art. 150, § 4º, do CTN, excetua a sua aplicação na ocorrência dessa situação (simulação ou fraude), entendese pela aplicação da regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que nenhuma competência lançada foi abrangida pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a alegação de decadência não será acatada, eis que as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência e o lançamento fiscal referese ao período de 10/2005 a 06/2010, fora do período decadencial, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. Diante disso, rejeito a alegação de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame das demais questões. Com relação à caracterização da relação jurídica material dos segurados empregados, constatase que o Fisco concluiu que, durante o período fiscalizado, havia apenas uma única empresa, qual seja, a Vog Comercial Têxtil Ltda (Recorrente). E, afirma que essa relação material dos empregados era distinta da relação formal estabelecida com as empresas: Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, todas optante pelo SIMPLES a época dos fatos geradores. No presente caso analisado, os elementos informativos apontam que não há três empresas, relativamente aos trabalhadores remunerados, mas apenas uma, a saber, a Recorrente (Vog Comercial Têxtil Ltda), pelos seguintes motivos: 1. a Recorrente iniciou suas atividades em 01/10/2002, com o nome de Novatêxtil Ltda, tendo como sócios o casal Odete e Vilmar Glasenapp (sócio da Villa Confecções Ltda., até 01/10/2002), ambos com 50% de participação e objeto social o ramo de indústria e comércio e representação de confecções em malha, com sede na Rua: Gustavo Zimmermann, número 4.075, Bairro Itupava, Blumenau/SC. Em janeiro de 2003 o sócio Vilmar foi substituído na sociedade pela sua filha menor, representada pelo pai. Odete Glasenapp passou a responder pela empresa. E em sua 5ª alteração alterou o nome empresarial para VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda., e o seu objeto social passou a ser "desenvolvimento de produtos da moda em malha, show room, indústria, comércio e exportação de artigos do vestuário em geral, tendo como atividade secundária o fornecimento de alimentos através de seu próprio refeitório"; 2. a Novatêxtil Ltda – ME, iniciou suas atividades em 01/08/2003, tendo como sócios Alirio José Nardeli (administrador) – exfuncionário de Villa Confecções Ltda., no período de 02/05/2000 a 30/08/2003 –, e Gisela de Souza também era funcionária da Villa Confecções Ltda. até 03/2003, e objetivo social de explorar o ramo de "indústria, comércio e facção de artigos do vestuário em geral. Em 20/07/2004, Alirio José Nardeli foi substituído na sociedade por Raul de Oliveira (contador) e a partir de 01/08/2004, foi registrado na própria empresa como encarregado do setor de costura. Enquanto que Gisela de Souza, Fl. 362DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 8 13 além de fazer parte do quadro societário da empresa Novatêxtil Ltda. – ME, a partir de 01/05/2008 foi registrada pela Recorrente como inspetora de qualidade de produtos oriundas das facções. Várias foram as alterações contratuais relativas à mudança de endereço, todas no sentido de acompanhar as mudanças de endereço da VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda. Atualmente os segurados empregados de ambas empresas trabalham juntos no mesmo endereço; 3. a Patrick Malhas Ltda ME iniciou suas atividades em 01/08/2003. Seu objetivo era a "industrialização de artigos têxteis, corte de malhas, estampa e embalagem de artigos em malha, tendo como sócios Nelson Stolb (administrador) que até 01/08/2003 também era funcionário da Villa Confeccções Ltda., Lorimar Rohweder e René Beck. Na 3º alteração contratual (abril de 2010), o seu objeto social passou a ser "fabricação de tecidos de malha por conta e ordem de terceiros" e novos sócios Renaldo Testoni e Bianca Testoni assumiram a sociedade. A maioria dos seus empregados também no mesmo endereço que os empregados das empresas Novatêxtil Ltda. – ME, e VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda; 4. A Confecções Sevem Ltda – ME, foi constituída em 01/05/1997, tendo como sócios Nilson Nivaldo de Oliveira e Rosane Fiedier de Oliveira exfuncionária da Villa Confecções Ltda. Mas, apesar de manter 45 empregados registrados e trabalhando em um endereço fora da sede da autuada, em entrevista Rosane Fiedier de Oliveira declarou “que o Sr. Vilmar Glasenapp é responsável pelo pagamento de salário dos seus empregados, todas as despesas, tributos, processos trabalhistas, etc..., inclusive paga um salário” pra ela na condição de sócia gerente. Ou seja, eles são “sócios” mas não correm nenhum risco econômico; 5. as despesas como água, luz, telefone, refeitório, matérias de consumo, matéria prima, despesas operacionais e as demandas trabalhistas, incorridas pelas contratadas são todas suportadas pela Recorrente; 6. apesar de cada uma das empresas vinculadas possuírem conta em banco, existem procurações envolvendo todos os “supostos sócios”, o contador, a financeira e Vilmar Glasenapp, dando plenos poderes para estes movimentarem as referidas contas. Algumas dessas procurações são públicas e outras não, de acordo com a relevância do compromisso de modo que as contas são pagas conforme a disponibilidade do caixa e quando não pela transferência entre as contas bancárias como se pode ver nos lançamentos contábeis e extratos da autuada em anexo. Os documentos de caixa apresentados pelas empresas vinculadas em todo o período fiscalizado não enchem uma caixa de arquivo e se restringem a comprovante de contas pagas de fato pela impugnante. Dentre os poucos papéis se pode ver que o carimbo "novatêxtil" nos recibos de pagamentos é o mesmo usado para as despesas de todos os CNPJ envolvidos, seja para pagamento de advogado, padaria, oficina, combustível, vale transportes, aluguéis, Fl. 363DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 dentre outros. Os pagamentos de tributos, FGTS das empresas do Simples são identificados com o telefone 33386362 da Recorrente como responsável. Os recados da contabilidade para os pagamentos e fluxo de caixa são encaminhados para a Iracema Baer responsável pelo setor financeiro e para Vilmar Glasenapp e envolve todos os empregados. Independente de onde estejam registrados, as informações leva a marca "novatêxtil"; 7. o contador deixou de apresentar a contabilidade das empresas vinculadas, justificandose que as mesmas são optante pelo Simples. Apresentou apenas o razão da conta caixa, o qual, haja vista a discrepância existente entre os dados apresentados e as contas pagas, não serve para qualquer análise. As referidas empresas apresentam as contas como pagas por ela, sem, no entanto, registrar esses pagamentos porque na verdade foram pagos pelo caixa/financeiro da Recorrente; 8. as máquinas e equipamentos são de propriedade da Recorrente, os quais, por meio de um Contrato de Comodato e Prestação de Serviços foram transferidos para o imobilizado da empresas “simuladas”, sem qualquer garantia ou fiador. No referido contrato, as empresas deixam claro que o objetivo do contrato é a prestação de serviços (locação de mão de obra para confecção) "na fabricação e risco, infesto, corte, costura, bordado, estamparia, embalagem e expedição de malha em geral". Ou seja, frise – se novamente, os empregados registrados nas empresas optante pelo SIMPLES fazem toda a parte industrial (o trabalho bruto), usando os equipamentos e as máquinas cedidas a título de comodato para a confecção dos artigos solicitados enquanto que os registrados na autuada cuidam do desenvolvimento do produto, compra, venda e administração do negócio; 9. no período fiscalizado, da análise do demonstrativo de resultado das empresas, fls. 88 e 89, verificase que faturamento das interpostas pessoas jurídicas não era suficiente para cobrir as despesas com as suas respectivas folhas de pagamento, enquanto que a folha de pagamento da Recorrente não chegou a 3% do seu faturamento. A Recorrente é o único cliente destas, para quem as mesmas fornecem toda a mão de obra através de contrato de prestação de serviço com exclusividade. A requerente encaminha toda a matériaprima por meio de nota de remessa para industrialização por encomenda enquanto que as supostas prestadoras de serviço devolvem as mercadorias como serviço prestado; 10. entrevistas realizadas com os segurados das empresas arroladas e informações extraídas do sistema informatizado CNIS, extratos de fls. 214/237 demonstraram o movimento de registro de empregados entre as empresas, os quais na maioria das vezes permaneceram executando as mesmas funções no mesmo local. Esses elementos fáticos probatórios apontados acima, no meu entendimento, caracteriza a fraude objetiva ou simulação objetiva da relação empregatícia em decorrência da relação obrigacional com as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME ser apenas formal e não material. E, estando presentes os Fl. 364DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 9 15 requisitos da relação de emprego (pessoalidade, subordinação, não eventualidade, onerosidade e alteridade – art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, e arts. 2º e 3º da CLT), numa determinada prestação ou relação de trabalho, é indiferente para a relação empregatícia a presença ou não do consilium fraudis (elemento subjetivo a máfé, o intuito malicioso de prejudicar) entre as partes ou mesmo da conscientia fraudis (elemento subjetivo com a consciência ou vontade de fraudar) por parte do empregador, com o consequente afastamento dos atos fraudulentos e o reconhecimento da real relação obrigacional tributária entre as partes: segurados empregados e a Recorrente. Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação “(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica (“pejotização”) pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes” (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, n. 36, 2010; pág. 170/171). Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que “(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor” (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). A Recorrente alega que o Fisco não poderia desconsiderar a constituição da empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, nem poderia aplicar os artigos 116 e 149 do CTN. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco poderá descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, a relação real entre as empresas, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária, desde que haja elementos probatórios apontado o real sujeito passivo da obrigação tributária, que foi o caso dos autos. De mais a mais, a legislação tributária, expressamente, confere atribuição à autoridade fiscal para impor “sanções” sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, conforme regras previstas nos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar o Fl. 365DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ......................................................................................................... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) Para tanto, o Fisco informa que o lançamento fiscal tem como fundamento o fato de que as empresas vinculadas estão sendo utilizadas pela VOG Comercial Têxtil Ltda com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada por ela, e delineia, dentre outros, os seguintes motivos: “[...] CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS 9. Introdução 9.1. A VOG mantém em torno de 280 empregados alocados nessas empresas vinculadas, constituídas para serem optantes pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. Tais empresas estão em nome de seus empregados e operam exclusivamente para a VOG em suas instalações ou em tomo dela, usando seus próprios maquinários e equipamentos, sendo administradas por ela através do seu financeiro, ou seja, ela paga todas as despesas desses CNPJ vinculados como energia elétrica, água, telefone, alimentação, tributos, folhas de pagamentos etc. (...) DA CONTABILIDADE BLUMECON 0 contador Raul de Oliveira é outro parceiro do Sr. Vilmar desde a Villa Confecções. É dele a responsabilidade de constituir essas ME e "sócio" da Novatêxtil. E o assessor direto do proprietário e tem procuração para administrar a VOG e as firmas vinculadas. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 10 17 Curioso é que a Blumecon paralisou as suas atividades previdenciárias de abril de 2004 até fevereiro de 2010. Simplesmente não registrou ninguém, não declarou nada e não contribuiu com nada para o INSS (nem mesmo sobre o pró labore). Mas como assessorar um negócio do tamanho da VOG, envolvendo vários CNPJ e outros pequenos terceirizados sozinho. Simples. Utilizando a mão de obra de empregados registrados em outras ME. Alessandro Muller (o Sandro), conhecido no bairro como "sócio" do sr. Raul e responsável por todas as folhas de pagamento e GFIP geradas pela Blumecon Sandra Helena de Oliveira (esposa do sr. Raul) eram registrados na Stolle de fevereiro/2005 até março/2010;e Fabiana Jensen registrada na Confecções Seven. Só a partir de abril de 2010, esses empregados foram registrados na Blumecon. Sobre o trabalho de Sandra Helena na Representada, na entrevista com o encarregado do setor Sr. Nelson Stolb , que era o "sócio" dessa firma até o final de 2009, declarou desconhecer essa empregada e que jamais trabalhou na estamparia. (...) DA ESTRATÉGIA DE MARKETING Como se pode observar no organograma, no setor industrial/produção (na base da pirâmide) estão os colaboradores registrados no CNPJ das firmas do SIMPLES (que abrigou os funcionários vindos da Novatêxtil e sua filial e da Stolle) e no setor administrativo, que comprovadamente mantém o controle empresarial, estão os registrados na VOG. Enquanto que a Contabilidade Blumecon, sob a supervisão do sr. Raul de Oliveira, é a responsável pelo departamento pessoal, RH, controle de ponto, seleção e admissão do pessoal sob as ordens do Sr. Vilmar, direcionando o pessoal selecionado para os CNPJ convenientes. Recordo que até o inicio de 2010, a Blumecon exerceu suas atividades com a colaboração de empregados, cujos registros se deram nos CNPJ dessas firmas do Simples. (...) Os empregados são jogados de uma pessoal jurídica para outra, a maioria deles sem saber de nada, haja vista que não ocorre a rescisão do contrato de trabalho quando da mudança, mantendo a mesma data da sua primeira admissão. Esta prática é permitida conforme a CLT para transferências de empregados de mesmo grupo econômico, cisão e fusão de empresas. A família administra o negócio de forma única, com certeza. A partir da central telefônica – a mesma para todos os empregados –, email, material de expediente, marketing, centro administrativo, loja da fábrica, mesmo endereço, mesmo refeitório, RH, financeiro, contabilidade, enfim, única empresa, Fl. 367DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 cujos diretores estão no topo do organograma e se chamam Vilmar e Odete Glasenapp – VOG. (...) DO REFEITÓRIO e ANIVERSARIANTES DO MÊS Em fevereiro de 2007 quando da 4a . alteração contratual da empresamãe para incluir um segundo objetivo social "fornecer alimentação aos colaboradores..." a VOG formalizou o fornecimento de refeição para todos os seus colaboradores, registrados em diversos CNPJ (Novatêxtil e filial , Stolle, Seven e VOG), incluindo em seu mobilizado todo o mobiliário da cozinha, sendo que o registro do pessoal da cozinha sempre esteve na Representada. Refeições à parte, toda a despesa com alimentação do pessoal (supermercado, padaria, lanchonete etc) como podemos ver nos documentos de caixa sempre foi pago pela VOG. A lista de consumo mensal nas padarias da região vem discriminada nos valores dos recibos o nome do responsável de cada firma, por ex., Rosane da Seven, Bernadete da filial, Odete da Novatêxtil, Nelson da Estamparia (Stolle) com os recibos em nome da empresamãe (carimbo padrão da empresa – era Novatêxtil). É no restaurante que a empresa também comemora o aniversário de todos os empregados que trabalham no mesmo local, cuja lista de aniversariantes é de responsabilidade da recepcionista (registrada na VOG) e que mensalmente é exposta ali. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS e PROCURAÇÕES Apesar dessas empresas vinculadas terem conta em banco, entre eles existem as procurações envolvendo todos os "supostos sócios", o contador, a financeira e o sr. Vilmar para eles movimentarem as contas. Algumas dessas procurações são públicas e outras não, de acordo com o relevância do compromisso de modo que as contas são pagas conforme a disponibilidade do caixa e quando não pela transferência entre as contas bancárias como se pode ver nos lançamentos contábeis e extratos da VOG. Os documentos de caixa apresentados pelas firmas vinculadas em todo o período fiscalizado não enchem uma caixa de arquivo e se restringem a comprovante de contas pagas de fato pela empresamãe. Mesmo dentro destes poucos papéis se pode ver que o carimbo "novatêxtil" nos recibos de pagamentos é o mesmo usado para as despesas de todos os CNPJ envolvidos, seja para pagamento de advogado, padaria, oficina, combustível!, vale transportes, aluguéis, etc. Os pagamentos de tributos, FGTS das empresas do Simples são identificados com o telefone 33386362 da VOG como responsável. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 11 19 Os recados da contabilidade para os pagamentos e fluxo de caixa são encaminhados para a sra. Iracema e para o Sr. Vilmar e envolve todos os empregados. Independente de onde estejam registrados, as informações levam a marca "novatêxtil". DOS PAGAMENTOS POR FORA (EXTRAFOLHA) (...) Solicitado a pasta de documentação dos empregados, foi constatado através de recibos de pagamentos que os funcionários de destaque recebem "por fora" quantias muito superiores às declaradas em GFIP. Esses recibos são assinados e arquivados mensalmente em suas pastas no RH. Os valores não sofrem o desconto do INSS e o FGTS vem somado a mais nos recibos. Assim são os ordenados dos seguintes funcionários: 1. Iracema Baer – financeira – registrada na Novatêxtil e na VOG. 2. Manfredo Baer (esposo de Iracema) – chefe do PCP – registrado na VOG. 3. Gisela Krueger – inspetora de qualidade das facções – registrada na VOG e sócia da Representada. 4. Astrid Litzenberger – encarregada de corte – registrada na Novatêxtil. 5. Ledir Lunelli – carregada da talhação – registrada na VOG. 6. Renaldo Testoni – encarregado da fiação – registrado na Stolle. DO CONTROLE DO VALE TRANSPORTE, DOS ALUGUEIS e VÍCIOS / ERROS SEMELHANTES Outro exemplo que a VOG administra os empregados registrados em seus diversos CNPJ é o controle de pagamento do vale transporte encontrado nos documentos de caixa da empresamãe: cada qual com a guia de pagamento em cada CNPJ (em nome do Consórcio Siga) e a relação nominal discriminada acompanhando o boleto de cobrança emitido pela administração da empresa. Assim também o pagamento de quem usa o transporte por Vans. Não é diferente o pagamento do aluguel, ele vem em planilha para a VOG, discriminando a firma, mas controlado e quitado pela VOG, embora a contabilidade procure encaminhar para o registro contábil de cada uma delas. Os "sócios" dessas firmas de fato são empregados da VOG. Tiramos por ex. os pagamentos dos 13o salários de todo o período fiscalizado. Embora sob o titulo de prólabore, a empresa faz questão de pagar o salário do "sócio Fl. 369DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 empregadores" e é lançado na folha de pagamento de cada um desses CNPJ como para os demais funcionários. Mais um detalhe semelhante: o contador deixou de encaminhar a GFIP e pagar o INSS do 13o salário de 2006 de todas essas firmas do SIMPLES (da Novatêxtil e sua filial, da Stolle e da Seven). Ou seja, na condição de que o que faz para uma dessas firmas, faz para as demais; quando paga um documento, paga para todas as outras, quando deixa de pagar para uma, deixa para todas. São erros (ou vícios) semelhantes de quem administra todo o negócio de forma única. DO RELATÓRIO DE PAGAMENTO DE DUPLICATAS e OPERADOR DA CONTA A VOG emitia um relatório apenas para controlar as duplicatas a pagar em ordem de vencimento em nome dela e no final da página anotava à mão (manuscrito) o valor do material consumido em cada um de seus CNPJ. Outra prova da administração da VOG pelo sr. Vilmar Glasenapp são os vários protocolos de autorização de movimentação da conta Rail Bankline da empresa como sendo ele próprio o operador do sistema para o pagamento das despesas de todas as firmas. DO COMODATO DOS EQUIPAMENTOS E MAQUINAS e PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Como tudo é administrado pela empresamãe, a opção encontrada para "simular' a operação de empresa independente dando transparência de legalidade ao ato de transferir o imobilizado para os CNPJ vinculados, sem cobrar aluguel dele mesmo , foi o uso de "CONTRATO DE COMODATO e PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS", onde a VOG entra no negócio com todos os equipamentos, as máquinas, o pagamento de todos os custos industriais e os encargos e a Representada registra os empregados para a mão de obra da produção. Sequer garantia as empresas firmam entre elas nem fiador. No contrato, as empresas deixam claro que o objetivo do contrato é a prestação de serviços (locação de mão de obra para confecção) "na fabricação e risco, infesto, corte, costura, bordado, estamparia, embalagem e expedição de malha em geral" (no ex. do contrato com a Novatêxtil). Significa, portanto, que os empregados registrados nessas ME fazem toda a parte industrial (o trabalho bruto), usando os equipamentos e as máquinas cedidas pela empresamãe a titulo de comodato para a confecção dos artigos solicitados enquanto que os registrados na VOG cuidam do desenvolvimento do produto, compra, venda e administração do negócio. Numa rápida análise, percebese que o faturamento dessas fumas do Simples não é o suficiente para cobrir a folha de pagamento. O comodato justificaria o não pagamento dos equipamentos e das máquinas: imobilizados fundamentais para a execução dos serviços. Ou seja, os CNPJ dessas empresas vinculadas existem exclusivamente para o registro de cerca de Fl. 370DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 12 21 95% dos empregados do grupo na prestação de serviço de mão de obra, apenas. DA TRANSFERÊNCIA DE EMPREGADOS Entrevistas realizadas com os funcionários e documentos do FGTS/CNIS demonstram o movimento de registros entre as empresas e esses empregados permaneceram, em sua maioria, executando suas funções no mesmo local. 0 RH e a contabilidade são os mesmos para todas as firmas e usam o mesmo sistema de informação/software da VOG e trabalha com os dados de todos os empregados ao mesmo tempo como se fosse uma única empresa, dividida em departamentos (inclusive para os funcionários da Seven). Portanto tudo é gerado ali. De fato, única empresa. Foram mais de 40 entrevistas com empregados registrados em todos esses CNPJ citados e a praticamente 100% afirmaram que "os donos disso tudo são o casal Vilmar e Odete" Glasenapp e eles quem administram. (...) DA ADMINISTRAÇÃO E GERENCIAMENTO FINANCEIRO A gestão administrativofinanceira da VOG e dessas ME é exercida pelos proprietários do negócio. Seus parentes, amigos e empregados estão no contrato social dessas empresas apenas como parte figurativa do processo, isto 6, a sociedade possui um único comando, independentemente de onde estejam registrados os trabalhadores. Tudo é feito na sua administração: o atendimento, a compra, a venda, o expediente, a produção, a execução do serviço tem a marca VOG / NOVATEXTIL e são realizados sob o comando dos srs. Vilmar e Odete Glasenapp. Esses CNPJ na verdade foram utilizados para simular a terceirização de serviço de mão de obra com exclusividade. O sr. Vilmar (e os mentores do negócio) tem procuração entre si com poderes ilimitados para gerir as firmas vinculadas e a VOG e assim movimentar suas contas conforme as suas necessidades como podemos ver nos pagamentos feitos via internet onde ele paga as contas ao mesmo tempo de todas as empresas ou nos extratos bancários onde aparecem pagamentos, DOC, TED e transferência entre as contas para todos os CNPJ envolvidos. O objetivo da utilização dessas firmas é desenvolver a atividade com várias empresas paralelas: nas do SIMPLES estão registrados 95% dos empregados e contabilizadas os custos da mãodeobra e na VOG (lucro presumido) registra poucos empregados e é usada exclusivamente para o faturamento. Essas ME de fato só existem para registrar os empregados, no papel. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Ela não dispõem de patrimônio e capacidade operacionais necessários à realização de seu objetivo. Tratase de uma "simulação" quando comprovadamente uma empresa optante pelo SIMPLES não cumpre o seu objeto social; tem massa salarial incompatível com seu faturamento; "desenvolve" suas atividades utilizando bens constantes no ativo permanente da empresamãe sem nenhum vínculo jurídico justificador dessa utilização; igualmente possui despesas operacionais referentes a pagamentos da manutenção desses bens etc. Concluise que esses CNPJ vinculados estão sendo utilizados pela VOG Comercial Têxtil Ltda com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada por ela. [...]”. (Relatório Fiscal, fls. 70/95, processo 13971.005406/201023) Além da outorga de poderes explícitos ao Fisco para identificar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, nos termos do art. 142 do CTN, supõe que se reconheça, ainda que por implicitude, à autoridade responsável pelo lançamento fiscal a titularidade de meios destinados a viabilizar a concretude da regra prevista no art. 149, inciso VII, do CTN, permitindo, assim, que se confira efetividade aos fins legais nessa empreitada de caracterizar a real sujeição passiva da obrigação tributária decorrente de fraude ou simulação objetiva. Se assim não fosse esvaziarseiam, por completo, as atribuições legais expressamente concedidas ao Fisco em sede de lançamento fiscal de ofício oriundo do fato de que o sujeito passivo agiu com fraude ou simulação, já que os elementos informativos acostados aos autos apontam para a inexistência das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, e para a efetiva contratação dos segurados empregados pela Recorrente. Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil –, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. Cumpre esclarecer que as alegações da Recorrente, registradas na peça recursal e na peça de impugnação, não estão consubstanciadas em documentos probatórios e sim em meros relatos de que o Fisco não poderia desconsiderar a constituição da empresa Candói Indústria de Pasta e Papel Ltda nem aplicar os artigos 116 e 149 do CTN. Essas alegações da Recorrente, desacompanhadas de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar, não constituem, por si só, elementos de prova. Além disso – visando comprovar a fidedignidade dos registros contidos nos seus documentos declaratórios do pacto firmado entre a Recorrente e as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, expostos na sua tese de defesa –, caberia à Recorrente apresentar documentos, contemporâneos à prestação de serviços, contábeis e fiscais que demonstrassem o contrário do que foi apontado e comprovado pelo Fisco como a real inexistência das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual entendo que foi materializado no Relatório Fiscal (fls. 70/95, processo 13971.005406/201023) e nos documentos acostados aos autos de fls. 96/420 –, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 13 23 Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Assim, uma vez ausente a autonomia organizacional das empresas intermediárias Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, e sem assunção ativa (propriedade dos meios de produção) e passiva (responsabilidade pelos riscos do empreendimento), acrescida do fato de serem os sócios da empresa Vog Comercial Têxtil Ltda (Recorrente) procuradores dessas empresas intermediárias, estáse diante de típica relação de fraude ou simulação objetiva, o que invoca a aplicação dos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN. É importante frisar que, para fins tributários, a comprovação da relação obrigacional não depende exclusivamente da demonstração da ocorrência de dolo, culpa ou fraude no ato de constituição das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que originou a relação jurídica tributária. A obrigação da empresa é recolher a contribuição social previdenciária decorrente dos segurados empregados, devidamente relacionados e caracterizados diante da realidade fática evidenciada pelo Fisco, não cabendo a este analisar os motivos subjetivos do não recolhimento dos tributos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Na peça recursal, a Recorrente alega que o Fisco não pode desconsiderar a personalidade jurídica das empresas intermediárias Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA ME e Confecções Sevem LTDA ME, que foram legalmente constituídas, e apurar as pretensas contribuições sociais previdenciárias. Tal argumento é impertinente ao presente processo, eis que restou demonstrado nos autos que não houve desconsideração da personalidade jurídica, sendo que a apuração das contribuições lançadas decorre dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e da realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços, já que houve a demonstração de que as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME não tinham quaisquer relação empregatícia com os segurados empregados. Com efeito, o Fisco tem competência para afastar os efeitos de negócios jurídicos formalizados com aparência de licitude tributária, quando, de acordo com os elementos fáticos evidenciados no procedimento de auditoria fiscal, revelarem que foram celebrados com o objetivo de não possibilitar a incidência da contribuição social previdenciária no real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, haja vista que relativamente ao plano da eficácia, tais negócios não são oponíveis ao Fisco. Nesse sentido, deve o auditor fiscal Fl. 373DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 efetuar o lançamento, constituindo o crédito tributário, como determinam os artigos 142 e 149, inciso VII. Com relação à base de cálculo, a Recorrente afirma que houve a inclusão de verbas com caráter indenizatório e solicita a exclusão de tais verbas dos valores lançados. Tal alegação não será acatada, eis que não houve a comprovação de que as verbas mencionadas pela Recorrente compuseram a base de cálculo dos valores lançados, tratandose apenas de afirmações sem a devida comprovação. Acrescentase a isso que as verbas pagas aos segurados empregados a título de saláriomaternidade, horasextras, bem como os adicionais noturno, de periculosidade e de insalubridade, possuem natureza salarial e compõem a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, a teor do art. 28 da Lei 8.212/1991. Por sua vez, as verbas oriundas do auxíliodoença (15 primeiros dias), do terço constitucional de férias, do avisoprévio indenizado, das férias indenizadas e do auxílio creche possuem natureza indenizatória e, caso houvesse a comprovação nos autos de que tais verbas compuseram a base de cálculo, elas poderiam ser excluídas dos valores lançados, fato este não evidenciado nos autos. Além disso, as remunerações (verbas) lançadas no presente Auto Infração foram declaradas em GFIP pelas empresas vinculadas, exceto o levantamento PF “salário por fora”. Logo, rejeitase a pretensão recursal. No que tange à multa qualificada de 150%, entendo que houve a demonstração dos fundamentos fáticos e jurídicos da multa agravada pelo Fisco. A multa qualificada no percentual de 150% foi aplicada sobre os valores lançados para as competências 12/2008 a 06/2010. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência a regra do art. 44 da Lei 9.430/1996 para as multas oriundas da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Aplica se a multa qualificada nos casos de evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Esses fundamentos jurídicos foram esposados nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) e no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] 15. Da Multa Qualificada Nos próximos parágrafos, abordaremos os aspectos relacionados A aplicação da multa de oficio prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Em suma, demonstraremos que no presente caso, é de se aplicar a multa em seu percentual duplicado, 2 x 75% = 150%, por restar caracterizada a prática de fraude prevista no art. 72 a Lei 4.502/64. 15.1. A aplicação da multa qualificada se dará a partir da competência 12/2008, tendo em vista que os dispositivos acima citados aplicamse as contribuições previdenciárias a partir da edição da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008. (...) Fl. 374DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 14 25 15.4. Devemos verificar se os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta da fiscalizada, se encaixam em uma das definições estampadas nos arts. 71, 72 e 73, acima transcritas. A conduta a ser analisada no presente caso 6: simular a contratação de empregados pela VOG Comercial através de interpostas pessoas jurídicas (as três empresas vinculadas), constituídas em separado para ser optante pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. 15.5. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela VOG Comercial através de interpostas pessoas jurídicas com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento na definição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito. 15.6. Desta forma, a multa de oficio de 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas será duplicada na forma do artigo 44, §1o da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) para as competência 12/2008 a 06/2010.[...]” Assim, entendese que a multa aplicada de 150% foi tipificada legalmente nos Fundamentos Legais do Débito (FLD), conforme os tipos abstratos do art. 44 da Lei 9.430/96 combinados com os arts. 71, 72, 73 da Lei 4.502/1964. Nesse caminhar, o Relatório Fiscal delineou que o negócio jurídico estabelecido entre a Recorrente e as empresas intermediárias (Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME) ocorreu com a finalidade de simular a realidade fática, concluindo que esta foi constituída com o fim de absorver a mão de obra empregada no processo produtivo da própria Recorrente, para obter os benefícios do “Simples” na redução dos encargos tributários. Esse raciocínio decorre dos elementos fáticos registrados nos itens 9 a 11 do Relatório Fiscal (fls. 70/95), que também foram devidamente registrados na decisão de primeira instância nos seguintes termos: “[...] Para melhor descrever a situação de fato antes transcrita vale transcrever a conclusão do auditor fiscal “os empregados são jogados de uma pessoal jurídica para outra, a maioria deles sem saber de nada, haja vista que não ocorre a rescisão do contrato de trabalho quando da mudança, mantendo a mesma data da sua primeira admissão. Esta prática é permitida conforme a CLT para transferências de empregados de mesmo grupo econômico, cisão e fusão de empresas. A família Glasenapp administra o negócio de forma única, com certeza. A partir da central telefônica – a mesma para todos os empregados, email, material de expediente, marketing, centro administrativo, loja da fábrica, mesmo endereço, mesmo refeitório, RH, financeiro, contabilidade, enfim, única empresa, cujos diretores estão no topo do organograma e se chamam Vilmar e Odete Glasenapp” [...]”. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Percebese, então, que a Recorrente utilizouse das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME para simular a realidade fática evidenciada pelo Fisco, visando esconder o fato gerador da contribuição previdenciária, já que ficou demonstrado que a Recorrente utilizouse de interpostas pessoas jurídicas para absorver a mão de obra empregada no seu processo produtivo. Logo, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada que houve a prática de interpostas pessoas na contratação da mão de obra. O mesmo entendimento, apenas sendo distinta a espécie de tributos, foi manifestado no enunciado da Súmula CARF nº 34: “Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Em relação ao pretenso aspecto confiscatório da multa lançada, melhor sorte não socorre a Recorrente, a teor do art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988 que positivou o princípio do nãoconfisco. Constituição Federal de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Como estampado no art. 3° do Código Tributário Nacional (CTN), tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratandose de multa pecuniária, não há que falar em princípio nãoconfisco. Vêse, claramente, que o CTN extrema os conceitos de tributo e de multa, não havendo identidade entre estes. O princípio do não confisco (art. 150, IV) somente se aplica a tributos. Com isso, rejeitase a pretensão recursal. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). 1 Lei 8.212/1991: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 15 27 De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 16 29 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000283/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003
RECURSO PROTOCOLADO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. OCORRÊNCIA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário dentro do prazo legal.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003 RECURSO PROTOCOLADO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. OCORRÊNCIA. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário dentro do prazo legal. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 83 /2 00 7- 36 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de notificação de débito constituída em 19/09/2007 para exigir contribuição previdenciária cota patronal, GILRAT e contribuições de terceiros, no período de 01/1997 a 12/2003. A Recorrente apresentou impugnação pleiteando a total insubsistência da autuação (fls. 428/462). A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente (fls. 465/479), sob os argumentos de que: (i) o prazo para a constituição de créditos previdenciários é de 10 anos; (ii) a NFLD foi devidamente motivada; (iii) não houve cerceamento do direito de defesa; (iv) a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação; (v) a simples negativa geral do sujeito passivo em relação ao fato constitutivo do lançamento não provoca o seu cancelamento; (vi) não se considera o pedido de perícia quando este é formulado sem os quesitos referentes aos exames desejados e nem indica o perito; e (vii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 498/515) alegando que: (i) o recebimento da intimação da decisão recorrida foi dado por pessoa que não tem poderes para receber notificações, o que resultou na impossibilidade de apresentação do recurso dentro do prazo legal; (ii) deve ser realizada perícia, pois somente dessa forma seria possível conferir todo o trabalho fiscal, notadamente pelo fato de a fiscalização ter durado mais de dois meses; e (iii) os débitos se encontram parcialmente decaídos. É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16024.000283/200736 Acórdão n.º 2402004.361 S2C4T2 Fl. 690 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pela Recorrente, verificase que o mesmo não preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, a Recorrente tomou ciência da decisão de 1ª instância em 28/02/2008 (fl. 484) e protocolou o recurso voluntário em 18/06/2008 (fl. 498), ou seja, após o prazo fatal, que ocorreu em 31/03/2008. Como é cediço, o prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, contados do primeiro dia subsequente à data da ciência da decisão, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Assim, resta evidente que a Recorrente interpôs o referido recurso depois do transcurso do prazo de 30 dias, motivo pelo qual a r. decisão recorrida se torna definitiva, nos termos do art. 42, inc. I, do Decreto nº 70.235/1972: “ Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...)” Diante disso, entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido, por não preencher a todos os requisitos de admissibilidade. Por fim, destacase que existem competências que se encontram em períodos abarcados pela decadência, considerando o exposto na Súmula Vinculante nº 08 do STF, devendo as autoridades administrativas tomar as providências cabíveis antes de proceder com a exigência, dado este assunto ser de ordem pública. Ante todo o exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909590/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 90 /2 01 2- 51 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010642/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004
PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
É dever da autoridade julgadora zelar pelo cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa nos procedimentos administrativos sob a sua direção, intimando às partes para se manifestarem quanto aos atos praticados pela autoridade administrativa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2402-004.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É dever da autoridade julgadora zelar pelo cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa nos procedimentos administrativos sob a sua direção, intimando às partes para se manifestarem quanto aos atos praticados pela autoridade administrativa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 06 42 /2 00 7- 69 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10980.010642/200769 Acórdão n.º 2402004.364 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 27/09/2006 (fl. 118) para exigir contribuição previdenciária da empresa, contribuição dos segurados e GILRAT, no período de 01/1999 a 03/2004. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 119/140) requerendo a extinção dos débitos exigidos. O serviço do Contencioso Administrativo determinou que a fiscalização esclarecesse a apropriação realizada do salário da servidora Silvana de Assis G. Lacerda no mês de 05/1999, pois de acordo com o lançamento estaria sendo computado o salário duas vezes no mesmo mês (fl. 143). O serviço de Fiscalização apresentou informação fiscal (fls. 185/187) retificando o lançamento, por ter a Recorrente comprovado que os comissionados Gerson Luiz Ferreira, Marlize Terese Eggers Jorge e Jussara de Carvalho são servidores estatutários efetivos da Prefeitura Municipal de Curitiba, cedidos para a Suderhsa. Pontuou também que o salário de 04/1999 da servidora Silvana estava equivocadamente lançando no período de 05/1999, por ter sido pago em atraso. A d. DRJ em Curitiba/PR julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 193/207), propondo a retificação do lançamento conforme informação fiscal. A Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 211/279), alegando que: (i) não foi considerada a solicitação de apropriar para o mês de 01/2001, os servidores Alexandre Rodrigues e Rudi Celso Fischer, pois foi recolhido o atrasado no mês de 03/2001; (ii) os valores exigidos nas competências de 01/1999, 02/1999, 03/1999, 07/1999, 01/2011, 02/2002, 06/2002, 08/2002, 04/2003 e 12/2003 não são devidos; (iii) o Regime Geral da Previdência Social não oferece nenhuma contraprestação aos ocupantes de cargos comissionados, configurando a exigência ofensa ao princípio do não confisco. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Como se pode verificar no presente caso, a Recorrente não foi intimada do resultado da diligência que resultou na retificação do débito, tendo o processo sido encaminhado diretamente para julgamento da DRJ. Portanto, não lhe foi oportunizado o direito de defesa, em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo imprescindível que a r. decisão recorrida seja anulada. Nesse sentido, esta Corte Administrativa assim já se manifestou: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO. INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO. I É dever da autoridade julgadora, observar o princípio do contraditório nos procedimentos administrativos sob a sua direção, oportunizando a parte se manifestar nos autos sempre que a outra o fizer, eis que do contrário, implica em flagrante desprestígio ao principio constitucional acima indicado, impondo a anulação de sua decisão. Processo Anulado.”(CARF, 2º CC, 6ª Câmara, PAF nº 353.011658/200631), RV nº 142.085, Acórdão nº 20601.354, Sessão de 07/10/2008) Diante do exposto, voto no sentido de anular a decisão de 1ª instância para que a Recorrente seja devidamente notificada acerca do resultado da diligência de fls. 185/187, oportunizandolhe o contraditório, devendo a d. DRJ realizar novo julgamento do processo após manifestação do contribuinte. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10950.904959/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 59 /2 01 2- 82 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10467.720133/2011-33
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ESTABILIDADE. RETIFICAÇÃO DE DIPJ
A retificação de DIPJ realizada após a ciência do lançamento tributário não afeta a situação jurídica do autuado na época da ação fiscal e não é causa suficiente para a alteração do lançamento realizado.
DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA.
O sujeito passivo deve demonstrar a dedutibilidade das despesas, por meio de informações coesas e embasadas em documentos, as quais foram perquiridas pela fiscalização, cabendo a manutenção das glosas naquilo em que tal mister não foi cumprido.
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. JUROS PASSIVOS.
Não é dedutível da base de cálculo do IRPJ despesa com juros passivos devidos a empréstimo cujos recursos não estão à disposição da empresa, em razão de bloqueio determinado em decisão judicial contrária ao credor do empréstimo.
Numero da decisão: 1801-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca e Alexandre Fernandes Limiro que deram provimento em parte por exonerar a glosa das despesas a título de juros por mútuo com sócio.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ESTABILIDADE. RETIFICAÇÃO DE DIPJ A retificação de DIPJ realizada após a ciência do lançamento tributário não afeta a situação jurídica do autuado na época da ação fiscal e não é causa suficiente para a alteração do lançamento realizado. DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA. O sujeito passivo deve demonstrar a dedutibilidade das despesas, por meio de informações coesas e embasadas em documentos, as quais foram perquiridas pela fiscalização, cabendo a manutenção das glosas naquilo em que tal mister não foi cumprido. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. JUROS PASSIVOS. Não é dedutível da base de cálculo do IRPJ despesa com juros passivos devidos a empréstimo cujos recursos não estão à disposição da empresa, em razão de bloqueio determinado em decisão judicial contrária ao credor do empréstimo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca e Alexandre Fernandes Limiro que deram provimento em parte por exonerar a glosa das despesas a título de juros por mútuo com sócio. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Presumese a omissão de receitas quando o registro de suprimento de numerário, efetuado por sócio da empresa, não for comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA. O sujeito passivo deve demonstrar a dedutibilidade das despesas, por meio de informações coesas e embasadas em documentos, as quais foram perquiridas pela fiscalização, cabendo a manutenção das glosas naquilo em que tal mister não foi cumprido. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. JUROS PASSIVOS. Não é dedutível da base de cálculo do IRPJ despesa com juros passivos devidos a empréstimo cujos recursos não estão à disposição da empresa, em razão de bloqueio determinado em decisão judicial contrária ao credor do empréstimo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ESTABILIDADE. RETIFICAÇÃO DE DIPJ A retificação de DIPJ realizada após a ciência do lançamento tributário não afeta a situação jurídica do autuado na época da ação fiscal e não é causa suficiente para a alteração do lançamento realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 01 33 /2 01 1- 33 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 238 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca e Alexandre Fernandes Limiro que deram provimento em parte por exonerar a glosa das despesas a título de juros por mútuo com sócio. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório SINAL MOTOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1142.041 (fl. 174), pela DRJ Recife, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2007, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (75%) TOTAL FLS. IRPJ 85.913,42 29.948,95 64.435,04 180.297,41 124 PIS/PASEP 7.544,73 2.699,52 5.658,54 15.902,79 135 COFINS 34.751,49 12.434,37 26.063,61 73.249,47 143 CSLL 39.568,83 13.776,67 29.676,61 83.022,11 151 A empresa foi autuada por três infrações: (i) omissão de receita por suprimento de numerário; (ii) glosa de custos não comprovados e (iii) glosa de despesas desnecessárias. Conforme a narrativa contida no Relatório de Fiscalização (fl. 118), a empresa mantinha conta do grupo do Ativo Realizável a Curto Prazo denominada Empréstimos a Sócios, que funcionava como um conta corrente entre a empresa e o então sócio Rafael Roberto Furtado. As retiradas eram registradas a título de empréstimos e os ingressos a título de pagamento dos empréstimos. Ao longo do ano fiscalizado, os ingressos totalizaram R$ 457.256,55. A empresa foi intimada a comprovar a origem e a efetiva entrega desses ingressos (fls. 17/20). Em sua resposta, afirma que os valores foram aportados no caixa da Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 239 3 empresa e apresenta como comprovação cópia de recibos assinados pela sua diretora financeira (fls. 23/44). A fiscalização entendeu que os recibos de pagamento apresentados pela fiscalizada não se prestavam a demonstrar que os valores saíram da esfera de patrimônio do sócio supridor e que, efetivamente, entraram no patrimônio da empresa. Por isso, realizou o lançamento por omissão de receita presumida por suprimento de numerário. A glosa de despesas indedutíveis foi assim motivada pela fiscalização (fl. 120): No termo de intimação lavrado em 06.01.11 (fl. 22), a empresa foi intimada a explicar a origem do valor de R$ 4.000.000,00 contabilizado em conta do Passivo Exigível a Longo Prazo denominada JOSÉ ROBERTO SOBRINHO, cód. 2220201001 (cópia do balancete à fl.103). Em sua resposta, a empresa alegou que esse valor se refere a um empréstimo feito pelo então sócio José Roberto Sobrinho em 2004 e que esse recurso havia sido bloqueado por ordem judicial. Para comprovar, foram apresentadas uma cópia de contrato de mútuo assinado pela fiscalizada e pelo citado sócio e cópia do acórdão do Tribunal de Justiça da Paraíba na apelação cível 200.2004.0023281/ 001 9 (fls. 47 a 53). Como contrapartida à apropriação da obrigação registrada no Passivo Exigível a Longo Prazo, o valor aportado pelo exsócio na SINAL MOTOS LTDA encontrase investido em aplicações financeiras contabilizadas no Ativo Realizável a Longo Prazo, no grupo de contas denominado BLOQUEIO JUDICIAL – Aplicações de Longo Prazo, conta sintética 1220401 (cópia do balancete à fl. 101) Da leitura dos documentos apresentados, verificase que JOSÉ ROBERTO SOBRINHO era sócio tanto da SINAL MOTOS LTDA como de uma empresa chamada Nordeste Brasil Representações Ltda de cujo quadro social se retirou em 2004. Logo após sua saída da Nordeste Brasil Representações Ltda, JOSÉ ROBERTO SOBRINHO, segundo consta do citado acórdão, retirou indevidamente da empresa a quantia de R$ 4.000.000,00 e a depositou em conta bancária da fiscalizada. Dos fatos acima expostos constatase que, na realidade, não houve empréstimo e que o contrato de mútuo apresentado apenas intenta dar uma aparência de legalidade a uma operação que o Judiciário imputou ilegal. Ou seja, o fato que o contrato de mútuo tenta eclipsar é que o aporte do valor na fiscalizada era, na verdade, uma tentativa de ocultação de recursos retirados irregularmente de outra empresa. Observese que JOSÉ ROBERTO SOBRINHO assina o suposto contrato de mútuo tanto pela mutuante como pelo mutuário. Não há sequer testemunhas no contrato. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 240 4 Como a corroborar esse entendimento de que o valor de R$ 4.000.000,00 é estranho ao patrimônio da empresa, a própria fiscalizada não oferece à tributação as receitas financeiras decorrentes de sua aplicação em produtos financeiros. Essas receitas estão sendo apropriadas em Resultado de Exercícios Futuros (Grupo de contas 24). Até por uma questão de coerência, se as receitas financeiras decorrentes da aplicação desses R$ 4.000.000,00 não são oferecidas à tributação, as correspondentes despesas com juros do suposto empréstimo não poderiam ser deduzidas do lucro A glosa de custos deveuse ao fato de o contribuinte não ter apresentado três notas fiscais de entrada: nº 147723, de 01/06/07, no valor de R$ 23.495,34; nº 151096, de 15/06/07, no valor de R$ 23.495,34 e nº 000188, de 26/12/07, no valor de R$ 1.943,00. O autuado apresentou impugnação, cujas razões foram assim resumidas, no relatório da decisão recorrida (fl. 178): I. no tocante aos suprimentos de caixa pretensamente não comprovados, a própria escrituração do contribuinte denuncia a origem dos recursos, oriundos de empréstimos tomados pelo sócio Rafael Furtado junto à empresa fiscalizada, com posterior pagamento dos mútuos, conforme recibos acostados aos autos, não havendo falar na presunção do art. 282 do Decreto nº 3.000/99, inclusive porque não houve qualquer acréscimo patrimonial a justificar a incidência do IRPJ e da CSLL; II. a fiscalizada tomou o empréstimo junto a exsócio, para incremento de suas atividades, à taxa de juros inferiores à praticada no mercado, para formação de capital de giro, devendo, assim, ser deferida a dedução da despesa com juros passivos da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Devese frisar que a decisão judicial que bloqueou os recursos não é definitiva, aguardando o trâmite da via judicial; III. Já no tocante à glosa de custos, “A não apresentação dos documentos remanescentes deveuse exclusivamente a um caso fortuito de depreciação de parte do arquivo da empresa. Não obstante a situação fortuita verificada, para atender à solicitação da auditoria foi reconstruído junto a fornecedores e arquivos auxiliares, o que denota de pronto, o interesse da empresa fiscalizada em atender fielmente as intimações recebidas. Noutro norte, a documentação apresentada indica que a escrituração espelha fielmente sua movimentação contábil e fiscal. Dessa forma, utilizando a auditoria de análises das contas inerentes à movimentação dos estoques da empresa autuada, seria possível verificar a propriedade da escrituração desta, restando evidente a correta apropriação dos custos quando cotejados com as respectivas saídas. Assim, a autuação pela glosa dos custos não comprovados na forma do item 3.3. do Fl. 240DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 241 5 relatório de fiscalização decorre exclusivamente de exacerbado formalismo a ser elidida pela escorreita contabilização analisada” (fl. 167). A DRJ considerou a impugnação improcedente. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SUPRIMENTO DE CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. MEROS RECIBOS QUE BUSCAM ATESTAR MÚLTIPLOS SUPRIMENTOS AO CAIXA, SEM QUALQUER DOCUMENTAÇÃO ADICIONAL DE SUPORTE. IMPOSSIBILIDADE DO AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS PLASMADA NO ART. 282 DO DECRETO Nº 3.000/99. Meros recibos emitidos pela fiscalizada, sem quaisquer outros documentos de suporte, não são meios hábeis a comprovar a entrega e a origem dos recursos supridos ao caixa da empresa, quando feitos por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, presumindose, assim, receitas omitidas, na forma do art. 282 do Decreto nº 3.000/99. DESPESAS DE JUROS. MÚTUO. DESNECESSIDADE PARA A ATIVIDADE DA EMPRESA OU MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA DAS RECEITAS. INDEDUTIBILIDADE. Efetivamente, não há qualquer comprovação nos autos de que o mútuo em debate seria necessário à atividade da empresa fiscalizada e à manutenção de suas operações, pois os recursos permanecem bloqueados pela justiça. Parece claro que a fiscalizada funcionou como um porto seguro dos recursos transferidos de terceira empresa, quer porque não há qualquer comprovação da necessidade deles para o giro ou inversão nos negócios da fiscalizada, quer porque o instrumento que formalizou o pretenso mútuo foi subscrito pela mesma pessoa, por parte do mutuante e do mutuário, sem testemunhas, o que enfraquece sua força probante. CUSTOS GLOSADOS. NOTAS FISCAIS NÃO APRESENTADAS. HIGIDEZ DA GLOSA. Era ônus do fiscalizado, quando intimado, comprovar com documentação de suporte seus registros contábeis. Se por qualquer motivo tivesse havido o extravio das notas fiscais comprobatórias dos custos, deveria ter envidado esforços junto aos fornecedores, com o fito de trazer aos autos tais notas (ou, em caso de insucesso, as providências que tomou), e não simplesmente alegar, como alegou, que seus registros contábeis Fl. 241DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 242 6 representavam fielmente sua contabilidade ou que a fiscalização deveria fazer uma auditoria de estoque. Não era ônus da fiscalização produzir prova para o contribuinte, auditando seu estoque, para daí concluir que seria indevida a glosa de custos, porque não cabe à fiscalização produzir provas para o contribuinte. Cientificado dessa decisão em 29/08/2013, por via postal (fl. 196), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 197), em 11/09/2013, trazendo os argumentos sintetizados a seguir. i) em relação à infração de omissão de receitas presumidas pelos suprimentos de numerário, o recorrente insiste que os ingressos foram pagamentos de empréstimos anteriormente tomados pelo seu sócio, conforme registrado em sua contabilidade, o que não pode ser caracterizado como aumento patrimonial; ii) em relação à glosa de despesas não dedutíveis (juros passivos), o recorrente afirma que os referidos juros não compuseram a base de cálculo do IRPJ, conforme apurado em sua DIPJ retificadora. Ademais, ainda que houvessem diminuído a base de cálculo do imposto, mesmo assim a empresa teria apurado prejuízo fiscal no período, não sendo devida a exigência realizada; iii) em relação à glosa de custos não comprovados, o recorrente afirma que, mesmo glosando se os referidos custos, a empresa teria apurado prejuízo fiscal no período, conforme apurado em sua DIPJ retificadora, não sendo devida a exigência realizada. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO O recorrente afirma que realizou múltiplos empréstimos de dinheiro ao sócio Rafael Furtado e que os ingressos apontados pela fiscalização correspondem a pagamentos desses empréstimos. Reclama que apresentou recibos de pagamento que comprovam o efetivo ingresso dos numerários em seu caixa e que eles foram devidamente contabilizados. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, nos termos do artigo 9º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou Fl. 242DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 243 7 esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Contudo, cabe ao Fisco verificar os lançamentos contábeis e a idoneidade dos documentos que o comprovam. A fiscalização entendeu que os recibos apresentados pelo contribuinte não eram suficientes para demonstrar o efetivo ingresso dos recursos e esse entendimento é combatido pelo recorrente. A questão reside na valoração das provas apresentadas. Os recibos em questão foram assinados pela diretora financeira da empresa, Lorena Furtado Roberto, que atesta o recebimento de numerário do sócio Rafael Furtado Roberto (fls. 24/44). Destaco os nomes porque eles evidenciam o próximo parentesco entre as pessoas envolvidas. Ou seja, além da relação de subordinação direta entre o sócio administrador e a diretora financeira, há uma relação de parentesco evidente. Entendo que essa relação enfraquece demasiadamente o valor probante dos recibos apresentados. Esses recibos não foram aceitos como prova desde a ação fiscal. Após transcorrido todo o processo fiscal, o autuado não se dignou de apresentar outras evidências em seu favor, embora tenha tido múltiplas oportunidades de acrescer provas. Diante do exposto, entendo que não há nos autos prova suficiente par demonstrar o efetivo ingresso do numerário apontado, devendo ser mantida a correspondente exigência. GLOSA DE DESPESA A fiscalização glosou despesa com juros passivos, por considerála não dedutível na apuração do IRPJ. Em sua defesa, o recorrente afirma que os referidos juros não compuseram a base de cálculo do IRPJ, conforme apurado em sua DIPJ retificadora (fl. 200). Ademais, ainda conforme a referida DIPJ, a empresa apurou prejuízo fiscal no período superior ao valor lançado, não sendo devida a exigência realizada. Todavia, a DIPJ retificadora supracitada foi entregue apenas no dia 20/11/2010 (fl. 201), meses após a ciência dos autos de infração, ocorrida em 11/02/2010 (fl. 161). Portanto, a nova declaração não tem o condão de alterar a situação jurídica pretérita do contribuinte, quando este foi submetido à regular ação fiscal e foi constatada infração tributária, mediante ato de ofício. Esse entendimento tem como fundamento a inalterabilidade do lançamento tributário, insculpida no artigo 145 do Código Tributário Nacional. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 244 8 Esse entendimento foi pacificado no âmbito desta corte administrativa mediante a Súmula Carf nº 33: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Até mesmo a possibilidade de compensação de prejuízos acumulados foi verificada pela autoridade autuante, conforme se verifica nas fls. 114/117, considerando a situação fiscal encontrada naquela época. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. GLOSA DE CUSTOS A fiscalização glosou custos operacionais em razão da falta de comprovação da aquisição de mercadoria. Em sua defesa, o recorrente afirma que a empresa apurou prejuízo fiscal no período superior ao valor lançado, conforme apurado em sua DIPJ retificadora (fl. 200), não sendo devida a exigência realizada. Conforme o que já foi exposto no item anterior, a DIPJ retificadora supracitada foi entregue apenas no dia 20/11/2010 (fl. 201), meses após a ciência dos autos de infração, ocorrida em 11/02/2010 (fl. 161), não sendo suficiente para alterar a situação jurídica pretérita do contribuinte. Portanto, aqui também não assiste razão ao contribuinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 244DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15868.720194/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Fez sustentação oral a Dra. Carolina Hamaguchi, OAB/SP 195.705, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Júnior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não geram créditos no regime da não cumulatividade dispêndios com bens e serviços sem a efetiva comprovação. O ônus da prova de que os dispêndios se enquadravam como insumos é da empresa interessada nos créditos das contribuições. Provados nos autos que a fiscalização tentou obter a comprovação dos créditos das contribuições, sem obter êxito, correta está a glosa efetuada. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não geram créditos no regime da não cumulatividade dispêndios com bens e serviços sem a efetiva comprovação. O ônus da prova de que os dispêndios se enquadravam como insumos é da empresa interessada nos créditos das contribuições. Provados nos autos que a fiscalização tentou obter a comprovação dos créditos das contribuições, sem obter êxito, correta está a glosa efetuada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 94 /2 01 2- 82 Fl. 5178DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas lançadas, compondo o valor do crédito tributário constituído, que acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Entendimento do STJ reproduzido por determinação do art. 62A do RICARF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade em auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Fez sustentação oral a Dra. Carolina Hamaguchi, OAB/SP 195.705, advogada do sujeito passivo. Fl. 5179DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 4 3 Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Júnior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados em nome da empresa JBS S/A, em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para a COFINS, no período de 01/10/2008 a 31/12/2008, com o lançamento das contribuições, da multa de ofício e juros de mora. Conforme consta do competente Termo de Verificação de Infração Fiscal, o procedimento fiscal iniciouse com a análise dos pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e declarações de compensações, efetuados pela empresa Bertin S/A, CNPJ 09.112.489/000168, que foi incorporada pela empresa JBS S/A, CNPJ 02.916.265/000160, relativos ao período de apuração de outubro de 2007 a dezembro de 2008, e posteriormente estendido ao ano de 2009. A análise dos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, relativos ao quarto trimestre de 2008, estão consubstanciadas nos processos administrativos 12585.000033/201095 (Ressarcimento de COFINS – 4º trimestre de 2008) e 12585.000038/201018 (Ressarcimento de PIS – 4º trimestre de 2008). 15868.720194/201282 De acordo com o relato fiscal, o sujeito passivo, apesar de reiteradamente intimado, não apresentou nenhuma planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não apresentou os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. A autoridade fiscal elaborou planilhas com a discriminação das aquisições de gado bovino de pessoas físicas e jurídicas, bem como de demais insumos que dariam direito à apuração de crédito presumido da agroindústria, e procederam à apuração dos créditos a que teria direito o contribuinte com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo próprio sujeito passivo e também nos Dacon apresentados. Fl. 5180DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Inconformada, a interessada apresentou a impugnação, na qual argumenta, em síntese: a) nulidade em razão da ilegitimidade da d. Autoridade Fiscal (DRF Araçatuba) para promover a fiscalização dos pedidos de ressarcimento da Recorrente, determinando a realização de nova fiscalização, pela Delegacia da Receita Federal competente para tanto, localizada no Município de São Paulo, seja em razão da incompetência da Autoridade de Araçatuba, seja em razão do cerceamento de defesa; b) nulidade em razão de não existir responsabilidade da Recorrente pelos débitos compensados, atrelados ao presente pedido de ressarcimento, haja vista a responsabilidade pessoal dos administradores da época; c) nulidade em razão do descumprimento do “múnus” atribuído à autoridade fiscal, que deveria exaustivamente obter informações perante os administradores da Bertin S/A à época dos fatos, em busca da efetivação do princípio da verdade material; d) direito ao reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado pela Bertin S/A(incorporada pela Recorrente), vez que: (i) a glosa dos créditos não deve prosperar, vez que a fiscalização não conseguiu afastar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela Bertin S/A; (ii) A Recorrente faz jus ao crédito presumido, à ordem de 60% (sessenta por cento) sob as aquisições de gado, nos moldes do artigo 8º da Lei 10.925/2004; (iii) As demais "glosas" são ilegais, vez que ausente qualquer justificativa, limitandose a autoridade fiscal a elaborar meras planilhas para justificar a glosa; e) subsidiariamente, determinar a realização de diligência pela unidade fiscal situada em São Paulo, seja em razão da incompetência da Delegacia fiscal de Araçatuba, seja em razão da imparcialidade de seus Auditores Fiscais. f) subsidiariamente, caso todos os argumentos anteriores sejam afastados, seja acatada, ao menos, a impossibilidade da Impugnante responder pelas multas e juros moratórios, pois, nos moldes do art. 132 do CTN, somente há responsabilidade por eventuais “tributos”, ou, ainda, resta indevida a responsabilidade pela multa e juros em razão do despacho decisório ter sido proferido em data posterior à incorporação, conforme amplamente exposto. A 4ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1442.451, referente a sessão de julgamento ocorrida em 13 de junho de 2013, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos Fl. 5181DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 5 5 intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. A multa de ofício e os juros de mora integram a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário. SUCESSÃO DE EMPRESAS. GUARDA DE DOCUMENTOS E LIVROS DAS EMPRESAS SUCEDIDAS. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Caracterizada a sucessão de empresas, na forma do art. 133 do CTN, a guarda de todos os documentos e livros pertencentes às empresas Fl. 5182DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 sucedidas para futura exibição ao Fisco é de responsabilidade da empresa sucessora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, neste, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 70.235/72. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Fl. 5183DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 6 7 Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Das preliminares Da nulidade em razão da incompetência do Auditor Fiscal A Recorrente alega a nulidade do procedimento fiscal ante a incompetência do AuditorFiscal lotado na Delegacia da Receita Federal de Araçatuba, sendo que a sede da empresa era na cidade de São Paulo. Também alega que inexistia autorização para emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em jurisdição diversa da originária. Não assiste razão a Recorrente. Não há que se falar em nulidade no procedimento fiscal, pela sua execução por AuditorFiscal lotado em outra delegacia fiscal. A matéria encontrase sumulada neste órgão julgador: Súmula CARF nº 27 É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A ação fiscal, que resultou na lavratura dos autos de infração em questão, encontravase autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002011034024 emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, do Estado de São Paulo. As questões acerca de possíveis irregularidades na emissão do MPF também não tornam nulo o procedimento fiscal em questão, por se tratar o Mandado de Procedimento Fiscal de um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não mais do que isso. A jurisprudência deste Conselho pacificou entendimento segundo o qual eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem à nulidade, vez que o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. A autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme definido pelo art. 6º da Lei nº 10.593, de 2002 (com redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, 2007), e o procedimento fiscal é válido mesmo quando formalizado por AuditorFiscal de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, conforme dispõe o § 2° do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade em razão da incompetência do AuditorFiscal. Fl. 5184DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Do cerceamento do direito de defesa em razão da localização da unidade da RFB que executou o procedimento fiscal A Recorrente alega também o cerceamento de seu direito de defesa em razão da localização da unidade da Receita Federal que executou o procedimento fiscal, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araçatuba. Não assiste razão a Recorrente. Nenhum prejuízo foi causado pela execução regular do procedimento fiscal em Araçatuba, e não na cidade de São Paulo. Todas as formalidades legais essenciais previstas em lei e regulamento foram cumpridas, inclusive a lavratura de atos, identificação da autoridade competente, prazos, motivação No Termo de Verificação de Infração Fiscal encontrase detalhado todo o procedimento fiscal realizado, com a descrição dos fatos e apurações feitas pela fiscalização, bem como ao contribuinte foram entregues os demonstrativos de apuração dos créditos e dos saldos remanescentes das contribuições para o Pis e da Cofins. Inclusive a interessada foi intimada em várias oportunidades durante o procedimento fiscal e não apresentou todos os esclarecimentos necessários ou as comprovações requeridas. Posteriormente, na ciência dos Autos de Infração, a interessada teve acesso aos documentos constantes dos autos, não se constatando qualquer empecilho relativo à produção de provas, caracterizando cerceamento de seu direito de defesa. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade em razão do cerceamento do direito de defesa. Do Mérito Da apuração e glosa dos créditos A Recorrente alega a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela empresa sucedida Bertin S/A, e que a fiscalização não logrou êxito em desqualificálos, sem a devida comprovação. Não assiste razão a Recorrente. Não foram apresentados, nem durante o procedimento fiscal, nem no curso do julgamento administrativo, planilha ou qualquer outro documento equivalente contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não foram apresentados os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. De acordo com o relatado no Termo de Verificação de Infração Fiscal, não restam dúvidas que a interessada não conseguiu demonstrar a exatidão dos valores requeridos, e coube à fiscalização, com base nos arquivos digitais dos registros fiscais que foram apresentados pelo próprio sujeito passivo, elaborar as planilhas juntadas no processo, com as notas explicativas constantes no final das referidas planilhas, apurar os valores dos créditos da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 5185DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 7 9 Conforme exposto no acórdão recorrido, as reiteradas intimações comprovam o esforço da autoridade fiscal em coletar informações e cotejar os fatos com a norma, para então concluir pelo acerto nos lançamentos e pagamentos dos tributos pelo contribuinte ou proceder à exigência fiscal de ofício. Caberia à Recorrente apresentar prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, através da juntada aos autos de demonstrativos dos valores pleiteados juntamente com os lastros documentais, o que não ocorreu. De outro lado, a Fazenda apresentou seus demonstrativos, lastreados nos registros fiscais da empresa, que dão suporte ao lançamento efetuado. Desta forma, como a Recorrente não trouxe qualquer documento contábil ou fiscal anexo à peça recursal para desconstituir o lançamento do crédito tributário, o mesmo deverá ser mantido. Do crédito presumido da agroindústria Outra questão controversa nos autos referese à discussão da alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais. De um lado, o fisco alega que a alíquota aplicável sobre os insumos adquiridos para a agroindústria, prevista no art. 8º, §3º da Lei nº 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido, ou seja, a alíquota de 35% sobre as aquisições de bovino vivo, classificado no capítulo 1 da NCM, posição 01.02. De outro lado a Recorrente entende que o percentual a ser aplicado é 60%, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. No caso, a empresa sucedida deu saída a produtos do capítulo 2 da NCM. Neste caso, assiste razão a Recorrente, tendo em vista uma recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O artigo 33 da Lei nº 12.865/13 acresceu enunciado interpretativo ao artigo 8° da Lei nº 10.925/04, verbis: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ........................................................................ § 1º ............................................................................... I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); ............................................................................................. § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) Fl. 5186DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do parágrafo 10 incluído pela Lei nº 12.865/13. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Da responsabilidade pelas multas e juros A Recorrente alega que, na hipótese de manterse o indeferimento do pedido de ressarcimento, não deverá ser responsabilizada pelas multas e juros aplicáveis aos débitos compensados, porquanto a responsabilidade estabelecida no art. 132 do CTN não abrangeria multas decorrentes de infração. Alega também a responsabilidade pessoal dos diretores, gerente e representantes da empresa sucedida, com base no art. 135, III do CTN. Inicialmente, cabenos destacar que, nos lançamentos de ofício, é devida a multa de ofício, pois tal multa integra o lançamento. O valor total lançado, composto do principal, multa e juros, corresponde ao valor do crédito tributário constituído. O artigo 129 do CTN trata da responsabilidade dos sucessores, aplicável ao presente caso, que transcrevemos abaixo: Art. 129 – O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Depreendese da redação do artigo e de seu posicionamento dentro do CTN, ou seja, de uma interpretação sistemática, que a responsabilidade dos sucessores referese aos créditos tributários, nos quais se incluem as multas de ofício. O STJ, em decisão sob o regime do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que a pessoa incorporadora é responsável não só pelo tributo devido pela incorporada, como também, pela multa moratória e outros encargos. Reproduzimos abaixo trecho da ementa do REsp 923.012/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 09/06/2010, cujo entendimento reproduzimos no presente voto, de acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. Fl. 5187DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 15868.720194/201282 Acórdão n.º 3101001.706 S3C1T1 Fl. 8 11 MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, Dje 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) ... 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 923.012/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Com relação à incidência dos juros moratórios, de acordo com o artigo 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento devem ser acrescidos os juros moratórios. Desta forma, encontrase amparo legal a incidência de juros moratórios, inclusive nas sucessões. Portanto, a Recorrente responde pela totalidade do crédito tributário, inclusive a multa de ofício lançada e os juros moratórios incidentes. Do pedido de diligência Também não assiste razão a Recorrente na necessidade de diligência para a apuração dos valores dos créditos. As provas porventura existentes, deveriam ter sido apresentadas durante o procedimento fiscal ou mesmo na fase recursal. Nenhum elemento foi apresentado. Fl. 5188DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 Portanto, não cabe diligência com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas apenas para elucidar questões controversas mesmo em face dos documentos trazidas pela interessada, o que não foi o caso. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 5189DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/10 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11516.003294/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. TERMINAL INTELIGENTE. UNIDADE FUNCIONAL.
Os terminais inteligentes são projetados para melhorar o funcionamento das centrais PABX (maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela) e foram desenvolvidos para serem utilizados somente com esses aparelhos de comutação para telefonia, formando com estes uma unidade funcional, devendo, assim, serem classificados na posição 8517.30.13 ou 8517.30.14, conforme concluiu o Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT nº 239/99, emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Somente depois do Decreto nº 3.801, de 2001, é que os terminais inteligentes passaram a se enquadrar como uma espécie de aparelho elétrico para telefonia, previsto no código 8517.19.99.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. TELEFONE COM IDENTIFICADOR DE CHAMADAS. BENEFÍCIO FISCAL HABILITADO.
O Processo nº MCT 01200.004567/2001, da Portaria Interministerial nº 816/2001, emitido pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, habilitou telefone com identificador de chamadas sem fio ISF490 no regime do benefício fiscal de redução do IPI.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Natanael Martins, OAB/SP nº. 60.723.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Relator
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Recorrente INTELBRAS S/A INDÚSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRÔNICA BRASILEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. TERMINAL INTELIGENTE. UNIDADE FUNCIONAL. Os terminais inteligentes são projetados para melhorar o funcionamento das centrais PABX (maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela) e foram desenvolvidos para serem utilizados somente com esses aparelhos de comutação para telefonia, formando com estes uma unidade funcional, devendo, assim, serem classificados na posição 8517.30.13 ou 8517.30.14, conforme concluiu o Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT nº 239/99, emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Somente depois do Decreto nº 3.801, de 2001, é que os terminais inteligentes passaram a se enquadrar como uma espécie de aparelho elétrico para telefonia, previsto no código 8517.19.99. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. DIFERENÇA DE ALÍQUOTAS. TELEFONE COM IDENTIFICADOR DE CHAMADAS. BENEFÍCIO FISCAL HABILITADO. O Processo nº MCT 01200.004567/2001, da Portaria Interministerial nº 816/2001, emitido pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, habilitou telefone com identificador de chamadas sem fio ISF490 no regime do benefício fiscal de redução do IPI. Recurso voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 32 94 /2 00 4- 70 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Natanael Martins, OAB/SP nº. 60.723. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Auto de Infração, contendo lançamento de IPI, no valor de R$ 5.006.525,81, lavrado em decorrência de a autoridade fiscal entender que, em 2001, a empresa cometeu erro de classificação fiscal em relação a dois de seus produtos: i) terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes), classificados pela contribuinte nas posições 8517.30.13, 8517.30.14, com alíquota de 2%; e ii) aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, classificados pela contribuinte na posição 8517.80.90, com alíquota de 2%. Para a fiscalização, todos os referidos produtos deveriam estar classificados no código 8517.19.99, tributados a alíquota de 10%. Confirase o teor da autuação: 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produto(s) tributado(s), com falta, insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, em relação ao(s) produto(s) TERMINAIS TELEFÔNICOS PARA CENTRAIS DE COMUTAÇÃO RARA TELEFONIA PRIVADA e APARELHOS TELEFÔNICOS COM IDENTIFICADOR DE CHAMADAS, classificados no código da TIPI 8517.19.99, tributados a alíquota de 10%, conforme detalhado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e no Relatório de Diferenças de IPI Apuradas Terminais Telefônicos para Centrais de Comutação para Telefonia Privada Classificação Fiscal 8517.19.99 e Relatório de Diferenças de IPI Apuradas Aparelhos Telefônicos com Identificador de Chamadas – Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 906 3 Classificação Fiscal 8517.19.99, que fazem parte integrante deste Auto de Infração. No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 576/ss.), a autoridade fiscal expôs que os terminais inteligentes são classificados no código 8517.19.99, na forma da Portaria nº 816/2001 e da resposta dada pela Receita Federal à contribuinte ora autuada, em relação ao modelo TERMINAL ADVANCED TI 400, no Processo de Consulta n° 10983.003439/9600, às fls. 155 a 172. A autoridade fiscal acrescentou, ainda, que a própria empresa, a partir de 2002, havia alterado a classificação fiscal dos terminais inteligentes para o mesmo código 8517.19.99, indicado como correto pelo auto de infração. Confirase (fls. 576/ss.): Em 2001, quando a empresa não usufruiu o incentivo da Lei de Informática, a classificação adotada foi, para todos os produtos acima mencionados, nos códigos 8517.30.13, 8517.30.14, ou 8517.80.90, tributados a alíquota de 2%, prevista no Decreto n° 3.686, de 13/12/2000. A partir de 05/02/2002, até a presente data, a classificação adotada pela empresa para todos os terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada foi e está sendo no código 8517.19.99, tributados a alíquota de 10%, com as reduções da Lei n° 10.176/2001 e não mais nos códigos 8517.30.13, 8517.30.14, ou 8517.30.90, cujas alíquotas a partir de janeiro de 2002 passaram a ser de 15%. Na verdade, esta é a classificação que também consta na Portaria n° 816/2001, para os terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada. Em resposta ao Termo de Intimação, datado de 10/12/2004 (fls. 116 a 118), a empresa justifica que, em 2001, exercício no qual não usufruiu do incentivo à Lei de Informática, manteve a classificação fiscal 8517.30.13, para os terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes, mesas operadoras e telefone premium 30 digital), pois a referida classificação estava de acordo com o Parecer Técnico n° MCT/SEPIN/CGIM/DAT 239/99 e Portaria Interministerial n° 108/2000. Justifica que adotou este procedimento na vigência do Decreto 3.686/2000, que foi editado exclusivamente para dar guarida às empresas até então beneficiadas com a Lei de informática. Esclarece, ainda, que a mudança de classificação fiscal para os exercícios de 2002, 2003 e 2004 do código 8517.30.13 para 8517.19.99, foi efetuada, pois pela primeira vez um documento legal (Decreto 3.801/2001) passou a vincular os terminais inteligentes a uma classificação fiscal, que ocorreu ao excetuar os terminais dedicados a centrais privadas de comutação do item 8517.19.9, desta forma, acolheu estes terminais nesta classificação (8517.19.9). Na verdade, a classificação fiscal de um produto na TIPI é determinada em função das disposições legais e o órgão Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 competente para dirimir dúvidas quanto à classificação fiscal dos produtos sujeitos ao IPI é a Secretaria da Receita Federal (parágrafo 1° do artigo 48 e artigo 50, da Lei n° 9.430/96). Abaixo, transcrevemos os artigos do Decreto n° 2.637, de 25/06/98, que definem as regras para fins de classificação fiscal: [...] Assim, independente da justificativa apresentada e do procedimento adotado pela empresa, ou de constar na Portaria n° 816/2001, o entendimento da Receita Federal, já foi externado, em consulta formulada pelo próprio contribuinte em relação ao modelo TERMINAL ADVANCED TI 400, (cópia do processo n° 10983.003439/9600 fls. 155 a 172), onde a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a classificação pretendida pela empresa como centrais telefônicas, e sim como aparelhos telefônicos. O referido processo foi arquivado sem julgamento do recurso interposto pela interessada, tendo em vista o disposto no art. 48, parágrafo 1°, inciso II e parágrafo 13, c/c art. 50 da Lei n° 9.430/1996. Não houve a renovação da consulta, conforme lhe facultou a Lei n° 9.430/1996. [...] Como podemos observar, hoje a empresa não mais discute quanto ao enquadramento dos terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada no código da TIPI 8517.19.99. Tanto é verdade que vem adotando a referida classificação, para todos os produtos descritos no quadro acima, a partir de 05/02/2002, sendo que para alguns modelos da tabela acima, adota a referida classificação desde 03/01/2002. No entanto, para o exercício de 2001, a classificação para todos os terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada também, continuou seguindo os mesmos dispositivos legais acima mencionados, ou seja, continuou sendo classificado no código 8517.19.99 e não na classificação adotada pela empresa (8517.30.13, 8517.30.14 ou 8517.30.90). E, para a referida posição à alíquota correta é de 10% (extrato do sistema SISCOMEX — LEGISLAÇÃO CONSULTA fls. 149 a 151). Logo, esta fiscalização está lançando através de auto de infração a diferença entre a alíquota correta (10%) e a alíquota adotada pela empresa (2%), conforme Relatório de Diferenças de IPI Apuradas — Terminais Telefônicos para Centrais de Comutação para Telefonia Privada — Classificação Fiscal 8517.19.99 (fls. 173 a 334), por infração ao disposto nos artigos 15, 16 e 17 e 117 do Decreto n° 2.637, de 26/06/98, que Regulamenta a Cobrança do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RIPI/98). Quanto aos telefones com identificador de chamadas, a fiscalização aduziu que a função principal do aparelho telefônico identificador de chamadas é a de servir como telefone, devendo, assim, ser classificados no código 8517.19.99, com fundamento na RGI 1 (texto da posição 8517 e Nota 3 da Seção XVI); RGI6 (texto da subposição 8517.19); e RGI 3 b, NESH (Notas Explicativas da posição 85.17). Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 907 5 No mesmo sentido, de acordo com a autuação, foi proferida a Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n° 100, de 20 de abril de 2004, formulada pela própria empresa, no Processo de Consulta nº 1654.000019/200409 (fls. 168 a 172). Eis suas palavras (fls. 576/ss.): Os aparelhos telefônicos com identificador de chamadas vinham sendo classificados, pela fiscalizada, no ano de 2000, na posição 8517.19.99, cuja alíquota na TIPI era de 10%, os quais gozavam da isenção do IPI até 31/12/2000 (Lei n° 10.176/2001 e Portaria n° 108/2000). Em 2001, quando a empresa não usufruiu o incentivo da Lei de Informática, a classificação adotada foi a mesma até 19/04/2001 (8517.19.99), porém, com a alíquota incorreta de 2%, para todos os produtos acima mencionados e a partir de 20/04/2001, no código 8517.80.90, tributados a alíquota de 2%. Em resposta ao Termo de Intimação, datado de 10/12/2004, a empresa justifica que, em 2001, exercício no qual não usufruiu o incentivo à Lei de Informática, mudou sua classificação fiscal para os aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, que na Portaria Interministerial n° 108/2000 (Parecer Técnico n° MCT/SEPIN/CGIM/DAT 239/99) era 8517.19.99, para a classificação 8517.80.00, pois constatou que na NVE NCM 8517.80.00 consta nas especificações identificador de chamada telefônica sem sinalização MFC (fls. 120), bem como nas Normas Gerais de Classificação, posicionamento este posteriormente ratificado no Laudo Técnico elaborado pelo Departamento de Engenharia Elétrica da UFSC(fls. 119), com base em solicitação realizada pela Inspetoria da Receita Federal de Itajaí. Observese que a empresa não manteve a mesma coerência para justificar a manutenção da classificação fiscal com base no Parecer Técnico n° MCT/SEPIN/CGIM/DAT 239/99 e Portaria Interministerial n° 108/2000. Assim, para terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes, mesas operadoras e telefone premium 30 digital); o Parecer Técnico se prestou para dar validade ao procedimento adotado pela empresa e, para os aparelhos telefônicos com identificar de chamadas, não. Ademais, o Laudo Técnico (fls. 119) além de não trazer maiores detalhes sobre o produto, não é instrumento hábil para definir a classificação fiscal ou validar o procedimento adotado 2 anos antes de sua emissão, em relação a outros produtos fabricados pelo contribuinte. E ainda, na Portaria n° 816, de 14/12/2001, os produtos acima mencionados estão descritos apenas como identificadores de chamadas classificados na NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) no código 8517.80.00, sendo especificados os vários modelos. O contribuinte informou que descreveu assim os referidos produtos, inclusos os aparelhos telefônicos com Fl. 897DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 identificador de chamadas, pois entende que a característica principal dos produtos é de identificador de chamadas. Em consulta sobre classificação fiscal de mercadoria formulada pela própria empresa, processo 1654.000019/200409 — Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n° 100, de 20 de abril de 2004 (fls. 168 a 172), o produto denominado pela fiscalizada de "Aparelho Identificador de Chamadas Telefônicas ISF 900ID", cuja pretensa classificação fiscal era no código da TIPI 8517.80.00, foi dado como solução no código da TIPI 8517.11.00 (Aparelho telefônico por fio, conjugado com aparelho telefônico portátil sem fio, apresentando funções acessória como identificador de chamadas no aparelho portátil). Abaixo, transcrevemos os fundamentos legais da referida solução de consulta: "2.0 aparelho em questão apresenta uma série de funções, podendose citar a função de telefone, de identificador de chamadas, de agenda de telefones e de discagem rápida. 3.A Nota 3 da Seção XVI estabelece o critério para a classificação das máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes: [...] 4. No caso em tela, a questão é definir a função principal da máquina. O interessado afirma que o aparelho seria um identificador de chamadas telefônicas sem fio, sugerindo que a função de telefone seria meramente auxiliar. Sustentando essa posição, ele anexa ao processo dois laudos técnicos. No primeiro deles, à fl. 25 do processo, a CRP Telecom & IT Solutions conclui que "o Identificador de Chamada Telefônica — modelo ISF900ID tratase, inequivocamente, de um bem de informática, pois utiliza dispositivos eletrônicos essencialmente digitais e programas computacionais residentes". No segundo laudo, à fl.35 do processo, a Imatel Competence Center declara que "o produto ensaiado tem como circuitos principais a parte identificação de chamadas e o circuito de RF, sendo acrescido alguns circuitos adicionais para a função de telefone". 5. Há que se esclarecer, no entanto, que, pelo fato de os circuitos referentes ao identificador de chamadas serem a parte principal em termos de complexidade e de desenvolvimento tecnológico, eles não necessariamente irão representar a principal função que o aparelho executa. Como exemplo de que complexidade não é fator decisivo à classificação temse a Solução de Consulta da Coordenação de Administração Aduaneira referente ao sensor de presença acompanhado do interruptor para lâmpadas que, apesar deste constituir elemento mais simples e tecnologicamente menos sofisticado, a classificação é realizada de acordo com a sua função, ou seja, a de interruptor, in verbis: [...] 6. Quanto ao fato de tratarse de bem de informática, conforme declarado pelo laudo, isso não significa que a classificação deva ser realizada em um código ou outro, pois uma série de Fl. 898DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 908 7 aparelhos incorporam dispositivos de processamento de dados, inclusive máquinas automáticas de processamento de dados (computadores). Define a Nota 5.E) do Capitulo 84 que as máquinas com função própria e que incorporem uma máquina automática de processamento de dados devem ser classificadas na posição correspondente à sua função, in extenso: [...] 7. Examinandose as funções desempenhadas pelo aparelho, observase que, apesar de o identificador de chamada e a agenda serem tecnologicamente mais complexos, a função principal é claramente desempenhada claramente pelo telefone, pois é ele que cumpre a principal atividade para quem utiliza o aparelho. O identificador de chamada e a agenda fornecem funções complementares ao uso do aparelho, ou seja, identificam quem liga para essa linha e facilitam a discagem a partir dele. Essas mesmas funções são igualmente desempenhadas por grande parte dos aparelhos para telefonia celular que, apesar disso, não deixam de ser aparelhos transmissores e receptores de telefonia celular (telefones celulares). Além disso, o "design" do aparelho, conforme se pode visualizar na imagem obtida na "Internet", lembra em muito um aparelho telefônico sem fio. 8. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992, e alteradas pela Instrução Normativa SRF n° 157, de 10 de maio de 2002, que se constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do Sistema Harmonizado, referentes à posição 85.17, citam a possibilidade de os aparelhos telefônicos poderem incorporar alguns dispositivos, senão vejamos: [...] 9. Assim, como as Notas Explicativas admitem a possibilidade da classificação na posição 85.17 dos aparelhos telefônicos de qualquer tipo, citando, inclusive, aqueles que incorporam um dispositivo que assegura a transmissão de uma mensagem gravada e a gravação de chamada, podese concluir que o identificador de chamadas também não impede a classificação desses aparelhos como aparelho telefônico, confirmando a sua classificação na posição 85.17, mais especificamente na subposição de 10 nível 8517.1 "Aparelhos telefônicos; videofones:". [...] 11.Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado/ RGI/SH 1 (textos da Nota 3 da Seção XVI e da posição 85.17) e 6 (textos das subposições 8517.1 e 8517.11), da Tabela de Incidência do IPI/T'ipi, aprovada pelo Decreto n° 4.542/2002 e alterações posteriores, e em subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, aprovadas pelo Decreto n° 435/1992 e atualizadas pela Fl. 899DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Instrução Normativa SRF n° 157/2002, CONCLUO que a mercadoria consultada é classificada no código 8517.11.00." Na Solução de Consulta SRRF/6° RF/DIANA n° 1, de 08 de janeiro de 2001, processo 10660.001076/9919, transcrevemos abaixo parte dos fundamentos legais que entendemos aplicáveis aos produtos listados no subitem 5.2.1.2: [...] Assim, os aparelhos telefônicos com identificador de chamados fabricados pelo contribuinte, listados no subitem 5.2.1.2, por não serem aparelhos telefônicos com fio conjugado com um aparelho telefônico portátil sem fio, estão abrangidos na subposição 8517.19 "outros", que é a adequada por se tratar de aparelhos telefônicos diversos daqueles descritos pela subposição de 2° nível 8517.11. Os referidos aparelhos telefônicos têm acoplado, no mesmo corpo, o identificador de chamadas, portanto, o correto é classificar no código 8517.19.99, com fundamento na RGI 1 (texto da posição 8517 e Nota 3 da Seção XVI). RGI6 (texto da subposição 8517.19). RGI 3 b, NESH (Notas Explicativas da posição 85.17), tributados à aliquota de 10%. Logo, esta fiscalização está lançando através de auto de infração a diferença entre a alíquota correta (10%) e a alíquota adotada pela empresa (2%), conforme Relatório de Diferenças de IPI Apuradas — Aparelhos Telefônicos com Identificador de Chamadas — Classificação Fiscal 8517.19.99 (fls. 335 a 541), por erro de classificação fiscal, infringindo ao disposto nos artigos 15, 16 e 17 e 117 do Decreto n° 2.637, de 26/06/98, que Regulamenta a Cobrança do Imposto Sobre Produtos Industrializados (RI P1/98). Os valores do IPI a serem lançados, por decêndio, do Relatório de Diferenças de IPI Apuradas — Terminais Telefônicos para Centrais de Comutação para Telefonia Privada — Classificação Fiscal 8517.19.99 e Relatório de Diferenças de IPI Apuradas — Aparelhos Telefônicos com Identificador de Chamadas — Classificação Fiscal 8517.19.99, estão consolidados, conforme quadro abaixo, sendo discriminado na coluna "A", o decêndio; na coluna "B", os totais de IPI a serem lançados dos Aparelhos telefônicos com Identificador de Chamadas; na coluna "C", os totais de IPI a serem lançados dos Terminais Telefônicos para Centrais de Comutação para Telefonia Privada e na coluna "D", o totais de IPI a serem lançados por decêndio: [...] Contra a referida autuação, a empresa apresentou impugnação, pedindo que fosse julgado nulo ou improcedente o auto de infração (fls. 592/ss.). A contribuinte defende, em síntese, que sua classificação fiscal, dada aos terminais inteligentes, no ano de 2001, estava lastreada no Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT nº 239, de 1999; e na Portaria nº 108, de 2000 (fls. 645/ss.), a qual isentou tal produto do pagamento do IPI, conforme previsto do art. 4º da Lei nº 8.248, de 1991. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 909 9 Narra, ainda, a empresa, que, em virtude da suspensão dos efeitos da referida isenção do IPI pelo Supremo Tribunal Federal, o Poder Executivo editou o Decreto nº 3.686, de 2000, estabelecendo a alíquota de 2% de IPI para os mesmos produtos outrora isentos. Para a autuada, essa classificação foi mantida até a publicação do Decreto nº 3.801, de 2001, a partir do qual passou a ser correta a classificação das mercadorias no código 8517.19.99, defendida pelo Fisco. Com respeito aos telefones com identificador de chamadas, a impugnante esclarece que mudou sua classificação na TIPI, que, na Portaria nº 108, de 2000, era 8517.19.99, para a última posição do código 8517.80. Segundo a empresa, essa classificação era a mais correta, pois se aplicava aos produtos com as seguintes especificações: identificador de chamada telefônica incluindo sinalização MFC; identificador de chamada telefônica sem sinalização MFC; outros. Ressaltou que a DRJ de Florianópolis já teria julgado um caso da empresa nessa mesma linha, no Proc. nº 10921.00.0648/200307 (fls. 773/ss). Na ótica da autuada, outro aspecto importante a ser ressaltado e levado em consideração é a sistemática utilizada para a classificação de produtos, onde a regra que se tem por máxima é a que determina que as mercadorias devem ser classificadas por sua característica principal, que nesse caso, sem sombra de dúvidas, é a identificação de chamadas. A par disso, o interessado diz que a multa de ofício é inexigível, com base no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997, porque a mercadoria foi corretamente descrita. A DRJ, porém, julgou improcedente a impugnação, ratificando as razões da fiscalização, nas palavras abaixo transcritas (fl. 751): Terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada Sobre a classificação fiscal dos "terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada", no código 8517.19.99 da TIPI, devese ter presente a já mencionada solução dada em consulta formulada pelo próprio contribuinte, em relação ao modelo "Terminal Advanced TI 400", no Processo ri' 10983.003439/9600, segundo os documentos reproduzidos nas fls. 155 a 172 (vol. 1) deste processo. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a classificação pretendida pela empresa, como "centrais telefônicas", determinando a classificação fiscal, no caso da consulta, como "aparelhos telefônicos", próprios para serem conectados a uma central automática de comutação do tipo PABX (Private Automatic Branch Exchange). Tais aparelhos telefônicos foram classificados no código 8517.10.0200, vigente na época da Orientação NBM/DISIT 9 RF 51/96, das fls. 159 a 161 (vol. 1). Na fundamentação do referido ato, foi dito que o aparelho objeto da consulta não executa a conexão entre as linhas telefônicas, função que é realizada por aparelho distinto, de comutação automática, comumente denominado PABX, ao qual o terminal telefônico se encontra interligado por fios, raciocínio aplicável aos terminais fabricados pelo impugnante, motivo pelo qual não podem ser considerados centrais telefônicas. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 À vista disso, está correta a autuação, no sentido de que, em 2001, classificação dos "terminais telefônicos para central de comutação para telefonia privada" se dá no código 8517.19.99 da TIPI, e não na classificação adotada pela empresa (8517.30.13, 8517.30.14 ou 8517.30.90). E, para o referido código, a alíquota correta é de 10%, conforme consta nas fls. 149 a 151 (vol. 1). Deve, portanto, ser mantida a exigência da diferença entre a alíquota correta (10%) e a alíquota indevidamente aplicada pelo contribuinte (2%). Aparelhos telefônicos com identificador de chamadas Quanto à classificação fiscal dos "aparelhos telefônicos com identificador de chamadas" no código 8517.19.99 da TIPI, a controvérsia pode ser solucionada nos moldes do que ficou resolvido na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/Diana nº 100, de 20 de abril de 2004, reproduzida nas fls. 168 a 172 (vol. 1), mencionada no TVEAF. Os aparelhos em questão apresentam uma série de funções, em especial, as funções de telefone e de identificador de chamadas. A Nota 3 da Seção XVI da TIPI, a seguir transcrita, estabelece o critério para a classificação das máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes: "3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto." (sublinhado na transcrição) No caso em tela, a questão é definir a função principal da máquina. O interessado afirma que o aparelho seria um identificador de chamadas telefônicas, sugerindo que a função de telefone seria meramente auxiliar. Ficou esclarecido na mencionada solução de consulta que, pelo fato de os circuitos referentes ao identificador de chamadas serem a parte principal em termos de complexidade e de desenvolvimento tecnológico, eles não necessariamente irão representar a principal função que o aparelho executa. Como exemplo de que complexidade não é fator decisivo à classificação o mesmo ato cita uma solução de consulta da Coordenação de Administração Aduaneira, referente ao sensor de presença acompanhado do interruptor para lâmpadas que, apesar deste último dispositivo constituir elemento mais simples e tecnologicamente menos sofisticado, a classificação é realizada de acordo com a sua função, ou seja, a de interruptor. Quanto ao fato de se alegar que o identificador de chamadas é um bem de informática, a Solução de Consulta SRRF/9 RF/Diana nº 100 explica que isso não significa que a classificação deva ser realizada em um código ou outro, pois uma série de aparelhos incorporam dispositivos de processamento de dados, inclusive máquinas automáticas de Fl. 902DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 910 11 processamento de dados (computadores). Define a Nota 5, "E", do Capítulo 84 da TIPI, transcrita abaixo, que as máquinas com função própria e que incorporem uma máquina automática de processamento de dados devem ser classificadas na posição correspondente à sua função: "E) As máquinas que exerçam uma função própria que não seja, processamento de dados, incorporando uma máquina automática para processamento de dados ou trabalhando em ligação com ela, classificamse na posição correspondente à sua função ou, caso não exista, em uma posição residual." Das funções desempenhadas pelo aparelho em causa, observa se que, apesar de o identificador de chamadas ser tecnologicamente mais complexo, a função principal é claramente desempenhada pelo telefone, pois é ele que cumpre a principal atividade para quem utiliza o aparelho. O identificador de chamada fornece função complementar ao uso do aparelho, ou seja, identifica quem liga para essa linha. A solução de consulta em comento ressalta que essa mesma função é igualmente desempenhada pelos aparelhos para telefonia celular que, apesar disso, não deixam de ser aparelhos transmissores e receptores de telefonia celular (telefones celulares). As Nesh, aprovadas pelo Decreto n' 435, de 28 de janeiro de 1992, e alteradas pela Instrução Normativa SRF 157, de 10 de maio de 2002, que constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do Sistema Harmonizado, referentes à posição 8517, citam a possibilidade de os aparelhos telefônicos poderem incorporar alguns dispositivos, conforme transcrição que segue: "Entre os outros dispositivos que às vezes fazem parte dos aparelhos telefônicos, podem citarse os que permitem guardar em memória um número de chamada, interromper uma conversação sem cortar a linha, para estabelecer comunicação com uma outra linha, ou ainda os que permitem ligar com outras linhas pq escutar conversações, e tomar parte nelas ou se . (r o caso interrompêlas, etc. Classificamse aqui os aparelhos telefônicos de qualquer tipo, incluídos aqueles aos quais se incorporam um aparelho telefônico (que possui um seletor e um transmissorreceptor) e um dispositivo que assegura a transmissão de uma mensagem gravada e, às vezes, a gravação de uma chamada." (sublinhado na transcrição). Assim, como as Notas Explicativas admitem a possibilidade da classificação na posição 8517 dos aparelhos telefônicos de qualquer tipo, citando, inclusive, aqueles que incorporam um dispositivo que assegura a transmissão de uma mensagem gravada e a gravação de chamada, podese concluir que o identificador de chamadas também não impede a classificação desses aparelhos, como aparelho telefônico, confirmando a sua classificação no código 8517.19.99, com fundamento na RGI 1 (texto da posição 8517 e Nota 3 da Seção XVI), RGI 6 (texto da Fl. 903DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 subposição 8517.19), RGI 3h e Nesh da posição 8517, produtos esses tributados à alíquota de 10%. Deve, portanto, ser mantida a exigência da diferença entre a alíquota correta (10%) e a alíquota indevidamente aplicada pelo contribuinte (2%). Multa de ofício Sobre a alegação do impugnante, de que a multa de ofício seria inexigível, com base no Ato Declaratório Normativo Cosit n' 10, de 1997, porque a mercadoria foi corretamente descrita, cabe dizer que o referido ato, conforme transcrição que segue, é especifico para o despacho aduaneiro de importação, hipótese completamente distinta verificada no presente caso, motivo pelo qual esse argumento é ineficaz, para refutar a multa de ofício, que resta mantida: "(.) não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei n' 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento, para manter integralmente a exigência formalizada no Auto de Infração, das fls. 559 a 563 (vol. 3). Não resignada com o acórdão acima transcrito, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando suas razões de defesa quanto à classificação fiscal; não houve recurso quanto à inaplicabilidade da multa de ofício (fls. 767/ss.). Iniciada a apreciação do recurso voluntário, a Turma julgadora do CARF decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos do Voto do Ilmo. Relator MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA (fl. 809 e ss.): Entendo que não há nos autos provas suficientes e clareza da matéria em exame que autorize o correto e justo julgamento da lide, portanto, VOTO, por converter o julgamento em diligência para que a delegacia a que está submetido o recorrente, obtenha laudo técnico oficial que responda aos seguintes quesitos: 1) Favor informar a correta descrição dos produtos objeto do presente recurso, informando se são (i) partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou para várias máquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição, no caso, de uma central telefônica; ou (ii) se são aparelhos, instrumentos ou dispositivos auxiliares de controle, comando, medida, regulagem Fl. 904DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 911 13 ou verificação apresentados com as máquinas em que são normalmente utilizados; ou (iii) se são aparelhos, instrumentos ou dispositivos auxiliares destinados à medida, controle, comando ou regulação de várias máquinas (incluído o caso de máquinas idênticas); ou (iv) se constituem uma máquina ou combinação de máquinas de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada; ou ainda, (v) alguma outra descrição não enumerada acima. 2) Favor informar se os produtos em questão são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificando, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. 3) Favor informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. 4) Favor informar se os produtos funcionam como telefones ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. 5) Favor acrescentar os comentários e informações que no entender do técnico responsável são importantes para a correta classificação fiscal do produto ou sua identificação não abrangidas nos quesitos anteriores. Juntado aos autos a resposta aos quesitos acima, a autoridade preparadora deverá intimar o recorrente a se manifestar sobre o resultado da diligência, no prazo de 15 (quinze). Após, retornem os autos a este Conselho, que deverá providenciar a intimação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, para manifestação, no prazo de 15 (quinze) dias e, por fim, retornem a este relator para continuidade do julgamento. É como voto. Em resposta à diligência solicitada pelo CARF, foi produzido o laudo pelo Laboratório de Estatística, Engenharia e Gestão da Informação/Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), nos seguintes termos (fls. 825/ss.): CodProd: 4030044 Descrição: TERM ADVANCED TI 400 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no Fl. 905DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 14 caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 150, 210 (ambos PABX permitem a conexão de até 5 terminais inteligentes TI 400) e 416 (PABX que permitem a conexão de até 16 terminais inteligentes TI 400). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O terminal inteligente TI 400 tem como função ser um aparelho que agrega à função normal de um aparelho telefônico a uma série de facilidades operacionais do PABX ao qual está ligado tornando mais fácil a operacionalização do equipamento. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar o atendimento de chamada dirigida a outro ramal, habilitação do modo conferência entre ramais, sinalização através de led quando terminal ligado ou quando há problemas referentes a bilhetagem/tarifação, permissão de acesso a linha externa, utilização de rediscagem do último número e uso da agenda, interrupção da transmissão de voz através de tecla especifica, permissão do atendimento simultâneo de duas chamadas, possibilidade de abertura de porteiro eletrônico, acesso direto ao ramal desejado, rechamada do ramal, retorno a ligação solicitada para o ramal e função sigame para transferência automática de chamadas dirigidas entre ramais programados. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi projetado para funcionamento com as centrais 150, 210 e 416 Intelbras. ****** CodProd: 4030060 Descrição: TERM ADVANCED TI 1610 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 1040 Scope ou 1664 Lithe (capacidade máxima de 24 Terminais para cada PABX). Fl. 906DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 912 15 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O Terminal 1610 é um aparelho microprocessado que tem como função principal permitir agregar à função normal de um telefone a uma série de facilidades que tornam mais confortável e prática a operação das diversas funções disponíveis nos PABX 1040 e 1664. Como funções secundárias ou acessórias podemos dizer o display de cristal líquido, 20 teclas programáveis com sinalização de estado, tecla para acesso à memória, para programação de cadeado eletrônico, para programação de rechamada, para utilização do serviço chefesecretária, para pêndulo, para captura de chamada, para retorno de chamada: flash, mute, alta voz para monitoração de chamada, volume do alta voz, discagem MF, troca de mensagens entre Terminais 1610, monitoração do número discado, calendário, hora, informação do número interno que chamou mesmo antes do atendimento, monitoração do tempo da ligação em curso, mensagens de advertência, programação de ramal com auxílio do display e sinalização de estado de todas as linhas ou de até 16 ramais. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi projetado exclusivamente para os PABX 1040 Scope e 1664 Lithe. **** CodProd: 4030206 Descrição: TERN/ ADVANCED TI 630 II 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais Modulare (PABX com capacidade de até 4 linhas e 12 ramais), 4015 (PABX com capacidade de até 4 linhas e 15 ramais), 6020 (PABX com capacidade de até 6 linhas e 20 ramais), 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). Fl. 907DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 16 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. . O terminal advanced TI 630 tem como função principal ser um aparelho que agrega à função normal de um aparelho telefônico a uma série de facilidades operacionais do PABX a que está conectado garantindo mais agilidade, conforto, praticidade e economia no diaadia. Como funções secundárias 'e acessórios podemos dizer que o terminal possui display de cristal liquido informando as tarefas em execução, viva voz para monitoração de chamadas, teclas para navegação no display, leds para sinalização do estado das teclas, agenda telefônica (interna e externa), página para anotação, lembrete para compromissos, identificador de chamadas (requer placa de identificador na central), discagem MF, monitoração do número discado, calendário e hora, monitoração do tempo de chamada em curso, mensagens de advertência, bloqueio de teclado para limpeza, funcionamento na falta de energia elétrica se for ramal com acoplamento direto, ajuste do volume de bips e envio de mensagens personalizadas para outros terminais. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às Micro Centrais Modulare, 4015, 6020 e às Centrais 10040 e 16064. **** CodProd: 4030400 Descrição: TERM ADVANCED TI 530 CodProd: 4039424 Descrição: TERM ADVANCED TI 530 TELEFONICA 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais Modulare i (PABX com capacidade de até 4 linhas e 12 ramais), 4015 (PABX com capacidade de até 4 linhas e 15 ramais), 6020 (PABX com capacidade de até 6 linhas e 20 ramais), 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). Fl. 908DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 913 17 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O terminal inteligente 530 tem como função principal ser um aparelho que agrega à função normal de um aparelho telefônico a Uma série de facilidades operacionais do PABX ao qual está ligado. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer as teclas para operação e programação, led para sinalização do estado das teclas, discagem MF, opção de operação com fone de cabeça, funcionamento como telefone comum na falta de energia elétrica se for ramal com acoplamento direto, tecla de conferência, tecla chefesecretária, 25 teclas programáveis com sinalização de estado, teclas para pêndulo e captura, flash, mute, retenção de chamada e correio de voz, alta voz para monitoração de chamada e volume do alta voz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede publica na falta de energia elétrica se for ramal com acoplamento direto, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às Micro Centrais Modulare i, 4015, 6020 e às Centrais 10040 e 16064. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. **** CodProd: 4031008 CodProd: 4039076 CodProd: 4039181 CodProd: 4039220 CodProd: 4039297 Descrição: TERN/ INTELIGENTE 3130 DIGITAL Descrição: TERM ADVANCED TI 3130 DIG MATEC Descrição: TERN/ INTEL BR 3130 DIG Descrição: TERM ADVANCED BR TI 3130 MATEC Descrição: TERM TI 3130 BR TELEFONICA 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para ser utilizado com a central Intelbras 95 digital (PABX com capacidade 45 troncos digitais, 1 tronco analógico e 48 ramais analógicos e/ou digitais) e 141 digital (PABX com Fl. 909DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 18 capacidade de até 45 troncos digitais e 96 ramais analógicos e/ou digitais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O Terminal Inteligente 3130 Digital é um aparelho desenvolvido para agregar à função normal de um aparelho telefônico a uma série de facilidades operacionais do PABX ao qual está ligado. Desta forma, através do terminal é mais fácil e prática a operação das diversas funções do PABX. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o terminal possui teclas com indicação luminosa configuráveis as necessidades do diaadia, agenda para 254 números externos e 100 internos, monitoração de ambiente, teclas de discagem rápida e correio de voz, podendo o operador visualizar no visor de cristal líquido a identificação da chamada. Além destes, o terminal tem teclas de navegação que facilitam a programação e operação e permite utilizar fone de cabeça. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi projetado para ser utilizado com a central Intelbras 95 e 141 digital. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. ***** CodProd: 4033000 Descrição: TERM INTEL ONE TOUCH INTELBRAS 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para ser utilizado com as centrais Intelbras 4015 (PABX com capacidade para até 4 linhas e 15 ramais) e 6020 (PABX com capacidade para até 6 linhas e 20 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O Terminal ONE TOUCH é um aparelho desenvolvido para agregar à função normal de um aparelho telefônico a uma série Fl. 910DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 914 19 de facilidades operacionais do PABX a qual está ligado. Desta forma, através do terminal é mais fácil e prática a operação das diversas funções do PABX. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o terminal possui oito teclas para gravação de números telefônicos ou facilidades do PABX na memória, teclas de função mute, vivavoz, programa, flash, pêndulo, linha, rechamada, monitoração de ambiente, porteiro, principal, chefesecretária, correio de voz, retenção, sinalização luminosa, volume de campainha ajustável em 3 níveis, três tipos de sons de campainhas e ajuste do volume do vivavoz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi projetado para ser utilizado com as centrais Intelbras 4015 e 6020. **** CodProd: 4039149 CodProd: 4039254 CodProd: 4039289 Descrição: TERM TI 630i INTELBRAS Descrição: TERM ADVANCED TI 630i MATEC Descrição: TERM TI 630i BR TELEFONICA 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais Modulare/Modulare i (PABX com capacidade de até 4 linhas e 12 ramais), Conecta (PABX com capacidade para até 3 linhas e 8 ramais), 4015 (PABX com capacidade de até 4 linhas e 15 ramais), 6020 (PABX com capacidade de até 6 linhas e 20 ramais), 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais), Lobby 640i (PABX com capacidade de até 4 linhas e 64 ramais) e Lobby 200i (PABX com capacidade de até 2 linhas e 20 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 20 O terminal inteligente 630i tem como função principal ser um aparelho que agrega à função normal de um aparelho telefônico a urna série de facilidades operacionais que garantem mais agilidade, conforto, praticidade e economia no diaadia, pois conta com agenda telefônica, página para anotação e lembrete para compromissos, além da segurança do identificador de chamadas (requer placa de identificador na central). Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o terminal possui display informando as tarefas em execução, vivavoz, teclas para navegação no display, 25 teclas programáveis com sinalização através de leds, tecla com sinalização (led) para vivavoz, tecla com sinalização (led) para correio de voz, tecla com sinalização (led) para sigilo/mute, tecla flash, tecla ligou/alterar, tecla prog/desligar, tecla anotar/gravar, tecla apagar/ag. interna, tecla limpar/ag. externa, tecla ajuda/reter, tecla #/rechama, ajuste do volume do vivavoz, ajuste do volume do ring (2 níveis), chave para seleção de discagem (pulso / tom), trava de teclado para limpeza do terminal, operação com fone de cabeça, avisos sonoros (bips) de alerta, agenda de ramais, agenda de números telefônicos, consulta a ligações não atendidas e atendidas, lembrete, correio de mensagens, mensagens padrão e programação das facilidades do PABX. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às Micro Centrais Modulare/ Modulare Conecta, 4015, 6020 e às Centrais 10040 e 16064, Lobby 640i e Lobby 200i. Observação: Os modelos aciffla possuem as mesmas funcionalidades *** CodProd: 4060016 Descrição: TELEFONE Premium 30 DIGITAL INTELBRAS CodProd: 4060032 Descrição: Premium 30 DIGITAL MATEC 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com a central Intelbras 126 digital (PABX com capacidade de 30 linhas, 96 ramais Fl. 912DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 915 21 utilizando tronco El ou de até 32 linhas, 48 ramais utilizando tronco analógico). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Premium 30 digital tem como função principal agregar a função normal de ser um aparelho telefônico a uma série de facilidades operacionais do PABX a qual está conectado. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o Premium 30 possui teclas flash, mute, controle de volume de áudio, rediscagem do último número discado, controle de intensidade da campainha, tecla de acesso direto ao correio de voz e indicação de mensagem no correio de voz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado somente com a central 126 digital. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. *** CodProd: 4300017 Descrição: MESA OPERADORA 0P1610 PLUS INTELBRA CodProd: 4302010 Descrição: MESA OPERADORA T01610 PLUS MATEC 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. A função da mesa operadora 0P1610 plus é agilizar o serviço de distribuição do tráfego dando total controle sobre o PABX a telefonista, maximizando assim o uso das linhas e ramais Fl. 913DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 22 comandados por ela. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar o display de cristal líquido, teclas para operação e programação através do display, indicação luminosa para sinalização do estado das teclas, calendário, horário, módulo de ramais para acesso direto, tempo da chamada, envio de mensagens de advertência, agenda telefônica para facilitar as ligações, página para anotação, lembrete para compromissos e identificador de chamadas mediante aquisição de placa de identificador vendido como opcional. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às centrais 10040 e 16064. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. *** CodProd: 4303008, CodProd: 4303024, CodProd: 4303075 CodProd: 4303083, Descrição: MESA OPERADORA 0P3610 DIGITAL, Descrição: MESA OPERADORA T03610 DIGITAL MATEC, Descrição: MESA OPERADORA 0P3610 BR INTELBRAS, Descrição: MESA OPERADORA BROP3610 DIG MATEC 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com a central Intelbras 80 digital (PABX com capacidade de atender até 16 linhas e 48 ramais) e 126 digital (PABX com capacidade de atender até 32 linhas e 96 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. A função da mesa operadora 0P3610 Digital é agilizar o serviço de distribuição do tráfego dando total controle sobre o PABX a telefonista, maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar além do melhor desempenho para a telefonista, a visualização de comandos e situação dos ramais, Fl. 914DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 916 23 acompanhamento de todo o tráfego das ligações, teclas de navegação para facilitar a programação e operação, controle de volume das ligações, luminosidade do visor, identificação de chamadas (opcional), permite utilizar o fone de cabeça (opcional) e conexão com computador pessoal permitindo utilizar aplicativos para CTI (Computer & Telephony Integration) e serviços de Call Center. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às centrais Intelbras 80 digital e Intelbras 126 digital. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. *** CodProd: 4303202 Descrição: MESA OPERADORA BRINT OP1610i 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. A função da mesa operadora OP1610i é agilizar o serviço de distribuição do tráfego dando total controle sobre o PABX a telefonista, maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar o display de cristal líquido, teclas para operação e programação através do display, indicação luminosa para sinalização do estado das teclas, calendário e horário, módulo de ramais para acesso direto, tempo da chamada, envio de mensagens de advertência, agenda telefônica para facilitar as ligações, página para anotação, lembrete para compromissos, identificador de chamadas mediante aquisição de placa de Fl. 915DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 24 identificador (opcional) e software versão 8.1 ou revisão superior para compatibilidade com outros produtos Intelbras. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às centrais 10040 e 16064. *** CodProd: 4039033 Descrição: TELEFONE BINA DTMF SMD INTELBRAS 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Bina DTMF SMD tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia com sistema DTMF. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui capacidade para armazenar 1.500 ligações (750 recebidas e 750 originadas), memória para números telefônicos, chave para ajuste do volume da campainha com indicações de volume máximo e volume mínimo, chave de seleção para o modo de discagem PULSE e TONE, chave de seleção com dois diferentes sons de campainha: F 1 e F2, rediscagem para o último número discado pelo telefone, compatibiliade com companhias telefônicas e centrais do tipo CPA, teclas: FLASH, STORE, MEMO, LND/P, El, E2, E3 e ANULA, identifica o número telefônico antes que a ligação seja atendida, registra o horário, dia e duração das ligações recebidas e originadas, indicação luminosa para ligações recebidas que não foram atendidas, indicação luminosa sinalizando que o aparelho está sendo usado ou que uma extensão está ocupando a linha telefônica, utilização de alimentação de 9V através do adaptador 110/220V, possui compartimento para bateria 9V (não • acompanha o equipamento) para permitir que o telefone armazene os números das ligações recebidas e originadas durante a falta de energia elétrica, além de identificador de chamadas operando no sistema DTMF segundo norma Telebrás SDT 220250713. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 917 25 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. *** CodProd: 4039050 Descrição: TELEFONE BINA DUAL II INTELBRAS 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Bina Dual II tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia com sistema DTMF ou MFP. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui capacidade para armazenar 1.500 ligações (750 recebidas e 750 originadas), pode ser ligado a extensão telefônica, possui chave para ajuste do volume da campainha localizada na lateral esquerda com indicações de volume máximo e volume mínimo, chave de seleção para o modo de discagem PULSE e TONE , chave de seleção com dois diferentes sons de campainha: F 1 e F2, rediscagem para o último número discado pelo telefone, compatibiliade com Companhias Telefônicas e centrais do tipo CPA, teclas: FLASH, STORE, MEMO, LND/P, El, E2, E3 e ANULA, identifica o número telefônico antes que a ligação seja atendida, registra o horário, dia e duração das ligações recebidas e originadas, indicação luminosa para ligações recebidas que não foram atendidas, indicação luminosa sinalizando que o aparelho está sendo usado ou que uma extensão está ocupando a linha telefônica, utilização de alimentação de 9V através do adaptador 110/220V, possui compartimento para bateria 9V (não acompanha o equipamento) para permitir que o telefone armazene os números das ligações recebidas e originadas durante a falta de energia elétrica, além de identificador de chamadas operando no sistema MFP e DTMF segundo norma Telebrás SDT 220250713. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 26 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. *** CodProd: 4032004 Descrição: TERM ELET VOZ CALLER ID PR 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo CALLER ID PR tem como função principal ser um aparelho telefônico normal com identificador e bloqueador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui identificador de chamadas no sistema MFP e DTMF, registro de 100 ligações recebidas, bloqueio de ligações a cobrar, bloqueio de ligações originadas com capacidade de até 20 números/prefixos, controle de data e horário, senha corri até quatro dígitos para segurança das informações registradas, bateria recarregável de 9V para armazenamento de dados e funcionamento do equipamento, circuito de alta voz alimentado pela energia elétrica, display LCD para visualização de informações, templo de flash programável pelo teclado, funções controladas por processador digital de sinais e adaptador externo de alimentação de energia. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. *** CodProd: 4032012 Descrição: TERM ELET VOZ CALLER ID MF PR Fl. 918DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 918 27 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo CALLER ID MF PR tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia com sistema DTMF. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui capacidade para armazenar 1.500 ligações (750 recebidas e 750 originadas), memória para números telefônicos, chave para ajuste do volume da campainha, localizada na lateral esquerda com indicações de volume máximo e volume mínimo, chave de seleção para o modo de discagem PULSE e TONE , chave de seleção com dois diferentes sons de campainha: F1 e F2, rediscagem para o último número discado pelo telefone, compatibiliade com Companhias Telefônicas e centrais do tipo CPA, teclas: FLASH, STORE, MEMO, LND/P, El, E2, E3 e ANULA, identifica o número telefônico antes que a ligação seja atendida, registra o horário, dia e duração das ligações recebidas e originadas, indicação luminosa para ligações recebidas que não foram atendidas, indicação luminosa sinalizando que o aparelho está sendo usado ou que uma extensão está ocupando a linha telefônica, utilização de alimentação de 9V através do adaptador 110/220V, possui compartimento para bateria 9V (não acompanha o equipamento) para permitir que o telefone armazene os números das ligações recebidas e originadas durante a falta de energia elétrica, além de identificador de chamadas operando no sistema DTMF segundo norma Telebrás SDT 220250713. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. *** CodProd: 4039114 CodProd: 4039130 CodProd: 4039319 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 28 Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDBR, Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDAZ e Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDGF 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Intelbras ID tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui identificador de chamadas DTMF, registro de 90 ligações recebidas e 60 originadas com data, hora e duração, função discar (discagem automática para os números registrados chamadas recebidas/originadas), led indicativo de novas chamadas, 2 volumes de campainha, visor com as informações das operações solicitadas/realizadas, tecla `,`#" (configuração das funções "sigame", "chamada em espera" e "conferência") se a linha a qual o aparelho está conectado for multifreqüencial e tecla mute para interrupção na transmissão de voz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. A sigla após o hífen representa a cor do aparelho (BR de branco, AZ de azul e GF de grafite). Intimada, a recorrente manifestouse sobre as conclusões do Laudo, reafirmando que a classificação fiscal defendida por ela seria a mais correta (fls. 857/ss.). Em duas novas petições, a empresa pediu a juntada de procuração e da cópia do Parecer Técnico n.° MCT/SEPIN/CGIM/DAT/239/99, de 23 de novembro de 1999. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 919 29 Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O cerne da controvérsia é saber a correta classificação fiscal dos terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes) e dos aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, para, então, decidir se foi correta ou não a exigência do IPI, inserta no auto de infração. Terminais telefônicos inteligentes Os terminais telefônicos para centrais de comutação para telefonia privada (terminais inteligentes) foram classificados pela contribuinte nas posições 8517.30.13 ou 8517.30.14, cuja descrição segue abaixo: Ao seu turno, para o acórdão recorrido, todos os referidos produtos deveriam estar classificados no código 8517.19.99, cuja descrição é importante transcrever: CÓDIGO NCM EX DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO IPI (%) 8517.30 Aparelhos de comutação para telefonia e telegrafia 8517.30.1 Centrais automáticas para comutação de linhas telefônicas, exceto de videotexto 8517.30.13 Privadas, de capacidade inferior ou igual a 25 ramais Alíquota dada pelo Decreto n° 4.056/01, vigorando a partir de 1°/01/2002 Alíquota anterior era de 2%, de acordo com o Decreto nº 3.686/2000. 15 8517.30.14 Privadas, de capacidade superior a 25 ramais e inferior ou igual a 200 ramais Alíquota dada pelo Decreto n° 4.056/01, vigorando a partir de 1°/01/2002 Alíquota anterior era de 2% de acordo com o Decreto nº 3.686/2000. 15 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 30 CÓDIGO NCM EX DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO IPI (%) 8517 Aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia, por fio, incluídos os aparelhos telefônicos por fio conjugado com um aparelho telefônico portátil sem fio e os aparelhos de telecomunicação por corrente portadora ou de telecomunicação digital; videofones 8517.1 Aparelhos telefônicos; videofones: 8517.11.00 Aparelhos telefônicos por fio conjugado com um aparelho telefônico portátil sem fio 10 8517.19 Outros 8517.19.10 Interfones 10 8517.19.20 Públicos Alíquota dada pelo Decreto n° 4.056/01, vigorando a partir de 1°/01/2002 Alíquota anterior era de 2%, de acordo com o Decreto nº 3.686/2000. 15 8517.19.9 Outros 8517.19.91 Não combinados com outros aparelhos 10 8517.19.99 Outros 10 Como se percebe dos autos, a autoridade fiscal e a DRJ aplicaram para os terminais inteligentes, objeto do presente processo, o mesmo raciocínio acerca da classificação do produto da recorrente, Terminal Advanced TI 400, proferido pela SRRF da 9ª Região Fiscal, Proc. nº 10983.003439/9600 (fls. 164/ss.). De acordo com a citada solução de consulta, o terminal inteligente “não executa a conexão entre linhas telefônicas. Essa função é realizada por um tipo de aparelho de comutação automático, comumente denominado PABX, ao qual se encontra interligada através de fios” (fl. 166). Assim, os terminais inteligentes não se enquadrariam como aparelhos de comutação para telefonia (8517.30.13 ou 8517.30.14), porque não executam conexão entre linhas telefônicas, sendo esse o motivo essencial da classificação fiscal encartada no auto de infração, mantido pela DRJ, que classificou o terminal inteligente como sendo outros aparelhos elétricos para telefonia (8517.19.99). Entretanto, interpreto diversamente os fatos apurados, tanto na solução de consulta da SRRF da 9ª Região Fiscal quanto no Laudo Técnico de fls. 825/840, elaborado a pedido do CARF. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 920 31 É que, embora os mencionados produtos não sirvam para conexão de linhas telefônicas, restou também comprovado que os terminais inteligentes são projetados para melhorar o funcionamento das centrais PABX (maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela) e foram desenvolvidos para serem utilizados somente com esses aparelhos de comutação para telefonia. É que se verifica da Resposta do Perito aos quesitos formulados pelo CARF: CodProd: 4303202 Descrição: MESA OPERADORA BRINT OP1610i 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Produto concebido para transmissão ou recepção de voz para uma máquina. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. Este produto foi projetado para funcionamento com as centrais 10040 (PABX com capacidade de até 10 linhas e 40 ramais) ou 16064 (PABX com capacidade de até 16 linhas e 64 ramais). 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. A função da mesa operadora OP1610i é agilizar o serviço de distribuição do tráfego dando total controle sobre o PABX a telefonista, maximizando assim o uso das linhas e ramais comandados por ela. Como funções secundárias ou acessórias podemos considerar o display de cristal líquido, teclas para operação e programação através do display, indicação luminosa para sinalização do estado das teclas, calendário e horário, módulo de ramais para acesso direto, tempo da chamada, envio de mensagens de advertência, agenda telefônica para facilitar as ligações, página para anotação, lembrete para compromissos, identificador de chamadas mediante aquisição de placa de identificador (opcional) e software versão 8.1 ou revisão superior para compatibilidade com outros produtos Intelbras. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto não funciona como telefone diretamente conectado a rede pública, pois foi desenvolvido para ser utilizado junto às centrais 10040 e 16064. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 32 A meu ver, pois, os terminais inteligentes constituem uma unidade funcional com os aparelhos de comutação para telefonia (centrais PABX), devendo seguir a classificação destes, tal como fez o contribuinte. Unidade funcional, na classificação de mercadoria, é entendida como um conjunto de máquinas que operam com um único objetivo definido. O exato conceito de unidade funcional vamos encontrar na Nota 4 da Seção XVI, do Sistema Harmonizado, nestes termos: 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Sendo incontroverso que os terminais inteligentes maximizam as utilidades dos aparelhos de comutação para telefonia, não vejo como deixar de reconhecer a unidade funcional entre ambas as máquinas. No mesmo sentido ora articulado, há precedente oriundo do CARF, em caso semelhante, no qual foi mantido acórdão da DRJ. Com base no conceito de unidade funcional, julgouse improcedente autuação, que exigia diferença do II e do IPI (fruto da reclassificação para o código 8517.80.90), pois se constatou que a mercadoria era parte de uma central automática de comutação, e, como tal, constituía uma unidade funcional com esta. Confirase as ementas do CARF e da DRJ, respectivamente: Processo nº 10314 003418/200188 Recurso nº 138,955 De Oficio Acórdão nº 310200227 — 1° Câmara / 2º Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 Relator: Ricardo Paulo Rosa ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/07/2001 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. UNIDADE FUNCIONAL, CENTRAL AUTOMÁTICA DE COMUTAÇÃO DE PACOTES. Ponto de Transferência de Sinalização de alta performance STP Signalling Transfer Point, identificado como Central de Comutação de Pacotes, classificase no código NCM 8517.30.41, Recurso de Oficio Negado. **** CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA, UNIDADE FUNCIONAL. CENTRAL AUTOMÁTICA DE COMUTAÇÃO DE PACOTES Fl. 924DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 921 33 Restando demonstrado nos autos que os aparelhos importados se enquadram no conceito de unidade funcional correspondendo a uma central automática de comutação de pacotes, com velocidade de tronco superior a 72 Kbits/segundo e de comutação superior a 3,600 pacotes/segundo, sem multiplexação determinística, é correta a classificação tarifária pleiteada pela contribuinte, no código NCM 8517.30.41. Corroborando o mesmo entendimento ora propalado, o Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT/239/99 (fls. 873), emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, classificou os terminais inteligentes da recorrente nos códigos 8517.30.13 e 8517.30.14 para fins de isenção do IPI. Leiase: 1.PROCESSOMCT/SEPIN.nº: 067370/997, de 31.68.99 Desmembramento nº:.80177/999 [...] 3.ASSUNTO: O interessado requer a isenção do IPI, de acordo com o que estabelece o art. 4º da Lei 8.248/91. [...] 6. CONSIDERAÇÕES As tarifas aplicadas para os produtos aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, terminal inteligente híbrido, mesa operadora, micro PABX, no Brasil, são as seguintes: NCM II IPI 8517.19.99 23 10 8517.30.13 31 10 8517.30.14 31 10 8517.90.10 20 10 Efetivamente, observo que somente depois da publicação do Decreto nº 3.801, de 2001, é que houve uma inequívoca mudança na classificação dos terminais inteligentes, os quais, a partir daí, foram enquadrados como uma espécie do item 8517.19.9. In verbis: CÓDIGO NCM EX DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO IPI (%) 8517 Aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia, por fios e os aparelhos de telecomunicação por corrente portadora ou de telecomunicação digital; exceto os aparelhos classificados na subposição 8517.11, no subitem 8517.19.10 e no item 8517.19.9, salvo os terminais dedicados de centrais privadas de comutação. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 34 Por tudo isso, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido, julgando improcedente o auto de infração, uma vez a recorrente não cometeu equívoco quanto à classificação fiscal dos terminais inteligentes. Aparelhos telefônicos com identificador de chamadas Quanto aos telefones com identificador de chamadas, a fiscalização aduziu que a função principal do aparelho telefônico identificador de chamadas é a de servir como telefone, devendo, assim, ser classificados também no código 8517.19.99, seguindo sua função principal, com fundamento na RGI 1 (texto da posição 8517 e Nota 3 da Seção XVI); RGI6 (texto da subposição 8517.19); e RGI 3.b, NESH (Notas Explicativas da posição 85.17). Ipsis litteris: 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a. A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b. Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c. Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Para a empresa, entretanto, os telefones com identificador de chamadas ou possuem função predominante a identificação de chamada ou não possuem uma função predominante, razão pela qual defende que essa mercadoria classificase, nos termos da RGI 3.c, NESH, na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, isto é, na última posição do código 8517.80. Eis os seus termos: CÓDIGO NCM EX DESCRIÇÃO ALÍQUOTA DO IPI (%) 8517 Aparelhos elétricos para telefonia ou telegrafia, por fios e os aparelhos de telecomunicação por corrente portadora ou de telecomunicação digital; exceto os aparelhos classificados na subposição 8517.11, no subitem 8517.19.10 e no item 8517.19.9, salvo os terminais dedicados de centrais privadas de comutação. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 922 35 8517.80 Outros aparelhos 8517.80.90 Outros. Destaca, ainda, a recorrente, que tal entendimento teria sido corroborado pela publicação da IN SRF nº 98, de 24 de outubro de 2000, que, no seu Anexo, classificou o “identificador de chamada telefônica”, no Subitem 8517.80.90. Observese: Subposição 2 8517.80 Outros aparelhos Subitem 8517.80.90 Outros Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo AA ITEM Especificações: 0001 Identificador de chamada telefônica incluindo sinalização MFC 0002 Identificador de chamada telefônica sem sinalização MFC 9999 Outros Outrossim, o recorrente defende que a Portaria Interministerial nº 816, emitidas pelos Ministros da Ciência e Tecnologia e da Fazenda teria classificado o aparelho telefônico com identificador de chamadas na mesma posição da contribuinte. Ao seu turno, no Laudo elaborado pela Universidade Federal de Santa Catarina, foi apresentada a seguinte resposta ao questionamento do CARF sobre qual seria a função principal dos aparelhos com identificador de chamadas (resposta essencialmente a mesma para todos os aparelhos desse tipo): CodProd: 4039114 CodProd: 4039130 CodProd: 4039319 Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDBR, Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDAZ e Descrição: TELEFONE IDENT INTELBRAS IDGF 1) Informar a correta descrição dos produtos objeto da presente solicitação. Aparelho para transmissão ou recepção de voz. 2) Informar se os produtos são vendidos separadamente ou sempre em conjunto com uma central de comutação ou PABX ou alguma outra máquina ou equipamento, especificado, no caso Fl. 927DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 36 afirmativo, o tipo de máquina ou equipamento e a funcionalidade da mesma. O produto pode ser vendido separadamente. 3) Informar qual a função principal dos produtos em exame e quais as funções secundárias ou acessórias. O modelo Intelbras ID tem como função principal ser um aparelho telefônico normal e identificador de chamadas no mesmo produto com funcionamento direto na rede pública de telefonia. Como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui identificador de chamadas DTMF, registro de 90 ligações recebidas e 60 originadas com data, hora e duração, função discar (discagem automática para os números registrados chamadas recebidas/originadas), led indicativo de novas chamadas, 2 volumes de campainha, visor com as informações das operações solicitadas/realizadas, tecla `,`#" (configuração das funções "sigame", "chamada em espera" e "conferência") se a linha a qual o aparelho está conectado for multifreqüencial e tecla mute para interrupção na transmissão de voz. 4) Informar se os produtos funcionam como telefone ou com alguma outra função se ligados diretamente à rede pública de telefonia. Em caso negativo, informar as razões e que outros produtos devem ser adicionados para possibilitar a funcionalidade principal dos produtos em exame. O produto funciona como telefone diretamente conectado a rede pública. Observação: Os modelos acima possuem as mesmas funcionalidades. A sigla após o hífen representa a cor do aparelho (BR de branco, AZ de azul e GF de grafite). Como se verifica da resposta apresentada pelo Sr. Perito, afirmase que “como funções secundárias e acessórios podemos dizer que o modelo possui identificador de chamadas DTMF...”. Todavia, em posterior petição, a Recorrente juntou esclarecimento realizado pelo assinalado Perito, de que houve erro na confecção da resposta, contida no Laudo, e que, na verdade, o identificador de chamadas seria a função principal do aparelho. Leiase: com relação ao "item 3", todos os produtos abaixo identificados, Por seus códigos e *descrições, possuem como função principal ser um identificador de chamadas e aparelho telefônico no mesmo produto, sendo que dentre as , duas, a que confere a característica principal ao produto 6 • IDENTIFICAÇÃO DE CHAMADAS. Portanto, as referências realizadas a identificação de chamadas como uma função secundária ou acessória, não estão corretas e decorreram da cópia equivocada e integral das funções do produto, retiradas há época de um material de apoio utilizado para a realização do Laudo, já que os produtos não foram apresentados pela Receita Federal do Brasil para a sua elaboração. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.003294/200470 Acórdão n.º 3202001.300 S3C2T2 Fl. 923 37 Não obstante a excelência técnica do Experto, entendo que seu laudo não procede nessa parte, sendo possível não seguir suas conclusões, como autoriza o art. 30 do Decreto nº 70.235/1972: “os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres”. A meu ver, a autoridade se desincumbiu de demonstrar a improcedência da classificação adotada pela contribuinte, pois resta claro que a existência de identificador de chamadas no telefone não pode ser considerada característica essencial desse aparelho, uma vez que a identificação de chamadas se dá em função da sua operação como telefone, sendo certo que a RGI 3.b, NESH, estabelece que o produto se classifica pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial Destaco, ainda, que o Parecer Técnico MCT/SEPIN/CGIM/DAT/239/99 (fls. 873), emitido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, também classificou os aparelhos telefônicos com identificador de chamadas da recorrente no código 8517.19.99 para fins de isenção do IPI. Quanto ao Anexo da IN SRF nº 98, de 24 de outubro de 2000, que alterou o Anexo do art. 3º da IN nº 80/1996, houve classificação para o identificador de chamada telefônica, no Subitem 8517.80.90, e não do aparelho telefônico com identificador de chamadas. Porém, a despeito de tudo isso, não posso deixar de verificar o teor do Processo nº MCT: 01200.004567/2001, da Portaria Interministerial nº 816/2001, dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, que habilitou o telefone com identificador de chamadas sem fio ISF490 no regime de benefício fiscal. Confirase (Fl. 662): CNPJ da Empresa lncentivada: 82.901.000/000127 Processo MCT: 01200.004567/2001 Portaria: 816, de 14/12/2001 DOU 17/12/2001 NCM: 8517.80.00 Produto: Identificadores de Chamadas Modelos: Identificador de Chamadas intelbras ID, Identificador de Chamadas Intelbras 1D com Agenda, Identificador de Chamadas sem Fio ISF490 ID, Identificador de Chamadas Mini ID com Agenda, Identificador sem fio digital, Identificador, sem fio digital para extensão e Mini IDQuem é. Consultando a internet, verifico também que o aparelho em questão é telefone com identificador de chamadas sem fio ISF490 (http://www.americanas.com.br/produto/288084/telefonesfio25canaisisf490intelbras): Fl. 929DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 38 Assim, é inegável que, independente da classificação que se queira atribuir, é inequívoco que os aparelhos telefônicos com identificador de chamadas, objeto do Processo nº MCT nº 01200.004567/2001 (fl. 662), foram beneficiados pela redução de alíquota do IPI, não sendo correta ipso jure a autuação. Forte nessas razões, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 930DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.730122/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial..
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de exigibilidade, liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas.
MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO.
Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostra-se correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-004.161
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior acompanharam a votação por suas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Pires, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO PARCIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de exigibilidade, liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostra-se correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostra-se correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91.
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CONHECIMENTO PARCIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de exigibilidade, liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostrase correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Estando comprovada a falsidade da declaração com a conduta dolosa do sujeito passivo, mostrase correta a aplicação da penalidade disposto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 01 22 /2 01 2- 37 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 recurso, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior acompanharam a votação por suas conclusões. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Pires, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Tratase de processo administrativo o qual congrega dois Autos de Infração, a saber: AI DEBCAD 51.025.1544 – valor de R$ 4.967.921,42, referente às glosas de compensação indevidamente declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informaçöes à Previdência Social GFIP pelo contribuinte no período de 01/2010 a 02/2012; e AI DEBCAD 51.025.1552 – valor de R$ 5.380.863,63 referente à multa isolada pelas compensações indevidas declaradas em GFIP no período de 01/2010 a 02/2012. Segundo o relatório fiscal a autuada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2009.34.00.0403258 (anexo ao relatório fiscal) por meio do qual discute a inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre os 15 primeiros dias pagos pela empresa a título de auxílio doença; saláriomaternidade; férias e 1/3 constitucional de férias. Ainda, segundo o Fisco, foram proferidas decisões judiciais as quais determinaram a suspensão da exigibilidade das contribuições previdenciárias sobre os 15 primeiros dias pagos pela e 1/3 constitucional de férias (em sede de liminar) e, posteriormente, reconheceram o direito à compensação, respeitado o artigo 170A do CTN, dos valores pagos indevidamente a esse título. Logo, na visão do Fisco a compensação é indevida eis que realizada antes mesmo do trânsito em julgado e, portanto, em desrespeito às decisões judiciais, o que ensejou a aplicação da multa isolada prevista no artigo 89 da Lei 8.212/91. O sujeito passivo apresentou impugnação alegando, em breve síntese, o direito à compensação, bem como a inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre as rubricas ora em comento. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.730122/201237 Acórdão n.º 2301004.161 S2C3T1 Fl. 547 3 A DRJ manteve integralmente o auto de infração, o que motivou a interposição de recurso voluntário, o qual repisa os argumentos suscitados anteriormente, bem como a ilegitimidade da multa aplicada. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério Conhecimento Conheço parcialmente o recurso voluntário apresentado pela recorrente apenas no que diz respeito à multa isolada, uma vez que as demais matérias, tais como aplicação ou não do artigo 170A na compensação e a inexigibilidade das contribuições previdenciárias sobre os 15 primeiros dias pagos pela empresa a título de auxíliodoença; saláriomaternidade; férias e 1/3 constitucional de férias estão submetidos ao crivo do Poder Judiciário, fazendo incidir a Sumula CARF 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Mérito A questão a ser dirimida no caso concreto diz respeito apenas no que diz respeito aos fundamentos para aplicar a multa agravada de 150%, decorrente da glosa de compensação, a qual, exige a presença de atitude dolosa para sua configuração, isto é, a inserção de informação conhecidamente falsa em declaração objetivando reduzir ônus fiscal. No mérito, insurgese o recorrente contra a aplicação da multa no percentual de 150%, por entender que a D. fiscalização não teria logrado em provar a falsidade na declaração GFIP, de modo a fazer incidir a regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, antes de ser alterado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse diapasão, transcrevese a redação original do invocado dispositivo: “Art. 89. "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Da leitura do artigo supramencionado, não há qualquer dúvida de que, no caso de prestação de informação falsa na declaração da GFIP, o contribuinte fica, por fazer o artigo acima reproduzido remissão ao inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, sujeito à multa isolada de 75%, a qual é aplicada em dobro, por conta da gravidade da infração. Analisando a função social dessa norma, verificase que ela tem por finalidade inibir, aplicando multa elevada, a prática infracional de prestação de informações falsas, com o claro intuito de reduzir a carga tributária, o que inevitavelmente acarreta lesão direta aos cofres públicos. Pois, especificamente no caso de compensação, o contribuinte deixa de desembolsar valores a título de pagamento do tributo, por possuir créditos contra a Fazenda Pública. Assim, se na GFIP, o sujeito passivo insere na declaração ser possuidor de direito creditório sabendo que tal fato não corresponde à realidade, sem dúvida, constitui clara hipótese do artigo supra. A falsidade a que se refere o artigo em debate, está atrelada à ideia de que a informação prestada na declaração deve necessariamente não corresponder à verdade dos fatos. No caso concreto essa conduta restou evidenciada pelo Fisco, pois conforme as decisões judiciais proferidas nos autos do Mandado de Segurança movido pela recorrente, a compensação só poderia ser realizada após o trânsito em julgado da ação. Isto é, a norma individual e concreta dirigida ao recorrente foi desrespeitada na medida em que foi inserida em GFIP crédito cuja exigibilidade somente seria alcançada com a coisa julgada. Logo, o sujeito passivo estava ciente de que o crédito objeto de compensação não gozava de exigibilidade, liquidez e certeza à época do encontro de contas e, ainda assim, de forma deliberada, lançouo na declaração competente, diminuindo o valor das contribuições a recolher em época própria, o que faz incidir a penalidade agravada do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.730122/201237 Acórdão n.º 2301004.161 S2C3T1 Fl. 548 5 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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