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Numero do processo: 11020.901578/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 IRPJ. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. O imposto de renda retido na fonte só pode ser compensado no ano- calendário em que a receita correspondente foi declarada e tributada. Para a compensação de imposto sobre a renda retida na fonte em outros anos- calendário, o sujeito passivo deve comprovar de forma inequívoca que as respectivas receitas foram declaradas e tributadas em outros períodos.
Numero da decisão: 1302-000.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. O imposto de renda retido na fonte só pode ser compensado no ano calendário em que a receita correspondente foi declarada e tributada. Para a compensação de imposto sobre a renda retida na fonte em outros anos calendário, o sujeito passivo deve comprovar de forma inequívoca que as respectivas receitas foram declaradas e tributadas em outros períodos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.901578/200829 Acórdão n.º 130200.632 S1C3T2 Fl. 7 2 Relatório TRAMONTINA CENTRAL DE ADMINISTRAÇÃO LTDA, empresa inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas sob n° 90.114.299/000106, inconformada com a decisão de 1° grau proferida pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre(RS), apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma da decisão recorrida. O litígio diz respeito à compensação de IRPJ no anocalendário de 2004, utilizandose de saldo credor de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 (DIPJ/2004) e que foi exposto pela recorrente na seguinte planilha: LINHA DISCRIMINAÇÃO VALOR R$ 01 Imposto de Renda Apurado da DIPJ 7.375,54 13 Imposto de Renda Retido na Fonte (100.883,68) 17 Imposto de Renda Pago por Estimativa (75.552,34) 19 Imposto de Renda a Pagar/Recuperar (169.060,48) No Despacho Decisório de fls. 08, a DRF/Caxias do Sul homologou parcialmente a compensação solicitada e tendo em vista que o montante do imposto de renda retido na fonte informado pelo sujeito de R$ 176.549,22 poderia ser aceito apenas a parcela de R$ 100.883,68, retido o imposto e receita declarada no anocalendário de 2003, e, por conseqüência, a parcela de R$ 75.665,54, por se referirem aos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999 e, também porque as respectivas receitas não foram apropriadas no anocalendário de 2003, ano em que se pretende realizar a compensação. O mesmo Despacho Decisório determinou a cobrança de IRPJ de R$ 81.822,24, acrescido da multa de mora de R$ 16.364,43 e juros moratórios de R$ 45.666,80, referente ao anocalendário de 2004. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/2002, 10.838/2003 e 11.051/2004, está expressa nos seguintes termos: Art. 74 – O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuições administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 2º A compensação declarada a Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (destaquei) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.901578/200829 Acórdão n.º 130200.632 S1C3T2 Fl. 8 3 Conforme disposição expressa, a compensação declarada extingue o crédito tributário, com condição resolutória de sua ulterior homologação, mas no caso dos autos a homologação foi parcial e, portanto, a parcela não homologada foi cobrada, posto que a apresentação da declaração de compensação tem o efeito de confissão espontânea. A Manifestação de Inconformidade, de fls. 01 a 03, foi examinada pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre(RS) e foi julgada improcedente e consubstanciada na seguinte ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IRRF. PERÍODO DE APURAÇÃO EM QUE PODE SER APROVEITADO NA DIPJ. O IRRF só pode ser utilizado para compor o saldo negativo do IRPJ no período de apuração em que as respectivas receitas foram contabilizadas; quando se tratar de IRRF de anos anteriores ao da DIPJ, incumbe ao sujeito passivo comprovar que a receita foi contabilizada no período de apuração a que se refere a DIPJ. Contra esta decisão de 1º grau, o sujeito passivo apresentou o recurso voluntário, de fls.61/66, instaurando a fase litigiosa dos autos. A recorrente esclarece que parcela de Imposto de Renda declarada como retida na fonte e correspondente aos anos calendário anteriores referemse às seguintes parcelas, como consta às fls. 63: FONTE PAGADORA CNPJ AC IR FONTE Tramontina S/A – Cutelaria 90.050.238/000114 1997 19.500,00 Tramontina Garibaldi S/A 90.049.792/000181 1997 450,00 Tramontina S/A – Cutelaria 90.050.238/000114 1998 24.900,00 Tramontina Farroupilha S/A 87.834.883/000113 1998 16.650,00 Tramontina Garibaldi S/A 90.049.792/000181 1998 6.525,00 Tramontina Multi Ferramentas S/A 88.037.668/000154 1998 2.325,00 Forjasul Eletrik S/A 88.674.080/000101 1998 1.206,00 Banrisul 92.702.067/000196 1998 1.859,54 Tramontina S/A – Cutelaria 90.050.238/000114 1999 2.250,00 TOTAL DO IMPOSTO RETIDO 75.665,54 Sustenta a recorrente que as receitas correspondentes aos impostos retidos na fonte foram declaradas nos anoscalendário correspondentes e face às informações constantes do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apresentado pela fonte pagadora dos rendimentos estaria comprovada a retenção e por este motivo estaria assegurado o direito à compensação pleiteada. Em reforço a sua tese, transcreve a ementa do Acórdão nº 10708.890, de 25 de janeiro de 2007, onde ficou decidido que uma vez comprovado o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte pelas informações prestadas pelas fontes pagadoras nas respectivas Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.901578/200829 Acórdão n.º 130200.632 S1C3T2 Fl. 9 4 DIRFs, é direito do contribuinte a utilização dos valores como crédito no procedimento de apuração do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica. Com estas considerações, a recorrente solicita seja acolhido o recurso voluntário para cancelar o débito fiscal exigido. É o relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade devendo ser conhecido. A decisão recorrida está conforme com a legislação tributária vigente porquanto entre outros argumentos, a autoridade julgadora de 1º grau deu o seguinte veredicto: No caso,temos um pleito de aproveitamento, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ, de retenções de imposto incorridas entre 1997 e 1999, isto entre quatro e seis anos antes do anocalendário em questão – 2003. A interessada foi alertada para essa divergência entre o ano de retenção e o de dedução, bem como para o fato de que a dedução do IRRF só é possível no período em que as receitas correspondentes compuseram a base de cálculo do IRPJ, conforme previsto no art. 2º, § 4º, III, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Ela teve ainda trinta dias para se manifestar a esse respeito, inclusive para a juntada de provas de que seriam de 2003 as receitas do imposto retido nos anos de 1997 a 1999. No entanto, deixou de fazêlo. Como se vê, a autoridade fiscal deu todas as oportunidades para o sujeito passivo comprovar a legitimidade do pleito, principalmente quanto ao oferecimento das receitas de períodos anteriores e correspondente ao imposto de retido na fonte. Entretanto, a requerente não tomou quaisquer providências a respeito e limitouse a anexar o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, de anos calendários de 1997, 1998 e 1999 que poderiam ser aproveitados nos respectivos anoscalendários. O inciso III, do § 4º, do artigo 2º da Lei nº 9.430/96, determina expressamente que para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.901578/200829 Acórdão n.º 130200.632 S1C3T2 Fl. 10 5 Esta é a determinação legal e não comporta alegações de que as receitas foram declaradas em outros períodos, sem a comprovação da tributação das respectivas receitas naqueles períodos. Diante de disposição expressa de lei, qualquer situação que confronte com o texto legal, deve ser demonstrada e comprovada documentalmente, de forma a não restar qualquer dúvida sobre os fatos ocorridos, ou seja, de que as receitas foram oferecidas a incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e que o imposto retido na fonte não foi compensado nas respectivas DIPJs. Esta prova não foi realizada pelo sujeito passivo e o seu comportamento foi de meras alegações de que foram declaradas as respectivas receitas. As receitas informadas com retenção dos respectivos impostos na fonte, conforme comprovantes anexados aos autos são as seguintes: FONTE PAGADORA CNPJ AC IR FONTE RECEITAS Tramontina S/A – Cutelaria 90.050.238/000114 1997 19.500,00 1.300.000,00 Tramontina Garibaldi S/A 90.049.792/000181 1997 450,00 30.000,00 Tramontina S/A – Cutelaria 90.050.238/000114 1998 24.900,00 1.660.000,00 Tramontina Farroupilha S/A 87.834.883/000113 1998 16.650,00 1.110.000,00 Tramontina Garibaldi S/A 90.049.792/000181 1998 6.525,00 435.000,00 Tramontina Multi Ferramentas S/A 88.037.668/000154 1998 2.325,00 155.000,00 Forjasul Eletrik S/A 88.674.080/000101 1998 1.206,00 80.400,00 Banrisul 92.702.067/000196 1998 1.859,54 9.461,55 Tramontina S/A Cutelaria 90.050.238/000114 1999 2.250,00 150.000,00 Tramontina S/A Cutelaria 90.050.238/000114 2003 45.750,00 3.050.000,00 Tramontina Farroupilha S/A 87.834.883/000113 2003 30.750,00 2.210.000,00 Tramontina Garibaldi S/A 90.049.792/000181 2003 7.560,00 504.000,00 Tramontina Multi Ferramentas S/A 88.037.668/000154 2003 7.545,00 503.000,00 Forjasul Eletrik S/A 88.674.080/000101 2003 2.052,00 136.800,00 Forjasul Madeiras S/A 93.682.854/000186 2003 1.080,00 72.000,00 Banrisul 92.702.067/000196 2003 6.146,68 30.767,11 RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 168.543,00 11.396.200,00 RECEITAS FINANCEIRAS 8.006,22 40.228,66 TOTAL GERAL 176.549,22 11.436.428,66 De acordo com o disposto no art. 2º, § 4º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, para apropriarse para compensação da parcela de R$ 176.549,22, o sujeito passivo deveria ter declarado o montante da receita de R$ 11.436.428,66, correspondente a R$ 11.396.200,00, de receita de prestação de serviços e de R$ 40.228,66, de receitas financeiras. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11020.901578/200829 Acórdão n.º 130200.632 S1C3T2 Fl. 11 6 Entretanto, a DIPJ/2004 apresentada pela recorrente e cuja cópia está anexada aos autos consta, às fls. 85, uma receita de prestação de serviços de R$ 6.315.800,00 e outras receitas financeiras de R$ 32.641,07. Diante desta constatação, resultam duas hipóteses: a primeira a de que foi omitida parte da receita de prestação de serviços no montante de R$ 5.080.400,00 (R$ 11.396.200,00 – R$ 6.315.800,00), e de receitas financeiras de R$ 7.587,59 (R$ 40.228,66 – R$ 32.641,07), no anocalendário de 2003, ou a de que o sujeito passivo apropriouse apenas do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem as correspondentes receitas. Ora, se houve omissão de receitas de R$ 5.080.400,00 este receita deveria ser adicionada a receita declarada e tributada no anocalendário de 2003, para ter direito à compensação do Imposto sobre a Renda, presumivelmente retido na fonte. A segunda hipótese, ou seja, a de que o sujeito passivo apropriouse apenas do Imposto de Renda Retido na Fonte, é a mais plausível porquanto, é duvidoso que o sujeito passivo tenha declarado e tributado apenas as receitas recebidas em 1997, 1998 e 1999, e tenha esquecido de compensar o imposto retido na fonte. Outrossim, pelo nome da maioria das pessoas jurídicas que efetuaram os pagamentos para a recorrente e efetuaram a retenção do imposto de renda na fonte, parecem coligadas ou interligadas da recorrente e, portanto, seria extremamente difícil de acreditar que a recorrente tenha cometido erro tão primário. Diante destes fatos, entendo que a autoridade julgadora de 1º grau examinou o litígio com racionalidade e deu boa aplicação da legislação tributária vigente e por esta razão, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. Sala das Sessões, “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI Assinado digitalmente em 19/07/2011 por IRINEU BIANCHI, 20/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720160/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE.
Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.
Numero da decisão: 2402-006.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. Quanto às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 01 60 /2 00 7- 84 Fl. 168DF CARF MF 2 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento para constituição de ITR, exercício 2004, no valor principal de R$ 164.490,07, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 5.310.2010 FAZENDA ARCO IRIS. Foram apuradas as seguintes infrações: 1 Área de Reserva Legal não comprovada; e 2 VTN declarado não comprovado. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 128/141, tão somente para reconhecer a área de reserva legal de 7.837,0 há, em oposição a de 7.832,0 há, reconhecida pela Fiscalização. Em seu Recurso Voluntário de fls. 146/159, aduz, em resumo: 1 O Imóvel objeto do Auto de Infração, é uma reserva florestal, criada pelo Estado de Rondônia, através da Lei Complementar n° 52/91, que instituiu o Zoneamento Sócio Econômico e Ecológico do Estado de Rondônia, que transformou o imóvel do contribuinte ora impugnante numa reserva florestal, onde 82,84% da área do imóvel ficou inserida dentro da reserva florestal do Estado de Rondônia, conforme se comprova com a Certidão da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Rondônia SEDAM, documento incluso do processo. 2 Que a reserva legal corresponderia a 80% da área do imóvel, por se situar na Amazônia Legal; e 3 Que a alíquota aplicada pela Fiscalização, de 20%, configuraria confisco da propriedade privada. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 27.07.2009 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 21.08.2009. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Aproveitamento de área não declarada na DITR, objeto do procedimento fiscal: Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, às fls. 55, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca à Área de Reserva Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10240.720160/200784 Acórdão n.º 2402006.560 S2C4T2 Fl. 3 3 Legal e ao VTN declarado. Não fez qualquer alteração, dentre outras, na Área de Preservação Permanente declarada pelo recorrente. Vejamos: Considerando que o contribuinte não se insurgiu, em seu recurso voluntário, contra o VTN utilizado pela Fiscalização, tenho por precluso tal ponto. É de se notar, que autuado não declarou, em sua DITR, qualquer área de interesse ecológico. No mesmo sentido, os ADA supostamente apresentados em 12.04.2000 e 17.06.2004 não continham tal informação, o que, por si só, inviabilizaria o aproveitamento de tais áreas para fins de dedução na apuração do imposto. Confirase: Datado de 12.04.2000 Fl. 170DF CARF MF 4 Datado de 17.06.2004. Há de se destacar que são áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10240.720160/200784 Acórdão n.º 2402006.560 S2C4T2 Fl. 4 5 Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Todas as demais alegações, no sentido de que a reserva legal seria de 80% em função da localização do imóvel e que o mesmo estaria situado em uma reserva florestal criada pelo Estado de Rondônia, através da Lei Complementar n° 52/91, tornaramse despiciendas em função da inobservância dos requisitos legais para o aproveitamento de tais áreas na seara tributária. É dizer, sequer foram declaradas no ADA. A titulo meramente de reforço, trago à colação excerto do acórdão recorrido, com o qual concordo, que concluiu pela impossibilidade da dedução da área inserida na reserva florestal criada pelo Estado de Rondônia, por entender que tal circunstância não dera ensejo à ampliação das restrições de uso que se tem nas áreas de preservação permanentes e nas áreas de reserva legal. Fl. 172DF CARF MF 6 Da glosa da ARL. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN1, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: Assim sendo, o artigo 10 da Lei 9.393/96 disciplina os contornos da apuração do ITR, verbis. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10240.720160/200784 Acórdão n.º 2402006.560 S2C4T2 Fl. 5 7 federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; Fl. 174DF CARF MF 8 h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.2 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. 2 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10240.720160/200784 Acórdão n.º 2402006.560 S2C4T2 Fl. 6 9 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. Fl. 176DF CARF MF 10 É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 3 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas por floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 4 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; 3 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. 4 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10240.720160/200784 Acórdão n.º 2402006.560 S2C4T2 Fl. 7 11 § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E Fl. 178DF CARF MF 12 II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10240.720160/200784 Acórdão n.º 2402006.560 S2C4T2 Fl. 8 13 E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel existam rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de circunstâncias diferentes. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do Fl. 180DF CARF MF 14 prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .5 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao coso sob análise, como bem registrado no acórdão de piso, a autoridade julgadora de primeira instância considerou, como reserva legal, tão somente a área que se encontrava averbada junto à matrícula do imóvel e que, concomitantemente, constou no ADA aceito pela Fiscalização, qual seja, 7.837,00 há. Vale ressaltar, que a ARL de 12.539,2 ha teria sido averbada, como assenta a decisão de piso, somente em 01.12.2004, após a data do fato gerador aqui tratado (01.01.2004) Não há reparos quanto ao procedimento e conclusão adotados. Da alíquota. Por fim, quanto à alegação de que a Fiscalização utilizouse de uma alíquota de 20% para o cálculo do imposto, em flagrante ofensa ao princípio constitucional do não confisco, cumpre tecer algumas considerações. Conforme se percebe do quadro "Cálculo do Imposto", do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO acima colado, a autoridade autuante utilizouse da alíquota de 20%, a teor do artigo 11 da Lei 9.393/96. Nesse rumo, uma vez observadas as disposições legais, não cabe a este colegiado afastar sua aplicação (art. 62 do RICARF), tampouco pronunciarse acerca de sua constitucionalidade (art. 72 do RICARF c/c Súmula CARF nº 2). Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti 5 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10240.720160/200784 Acórdão n.º 2402006.560 S2C4T2 Fl. 9 15 Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722794/2014-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 27/01/2014
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Face ao princípio da retroatividade benigna, cancela-se a penalidade prevista em lei revogada antes da decisão administrativa final.
Numero da decisão: 3401-005.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Face ao princípio da retroatividade benigna, cancelase a penalidade prevista em lei revogada antes da decisão administrativa final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório constante do acórdão recorrido: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 27 94 /2 01 4- 37 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10980.722794/201437 Acórdão n.º 3401005.305 S3C4T1 Fl. 316 2 Trata o presente processo de Auto de Infração, fls. 07/10, a título de multa regulamentar no valor de R$ 12.491.874,83, tendo como enquadramento legal o §15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (introduzido pelo art. 62 c/c art. 139, inciso I, alínea “d” da Lei nº 12.249/2010), em virtude de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, apresentado pela contribuinte. A multa corresponde a 50% sobre o valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Nos termos da Informação Fiscal de fls. 02/05, o Despacho Decisório relativo ao pedido de ressarcimento indeferido ou indevido ocorreu no processo administrativo de nº 10935.720200/201407, atualmente apensado ao presente processo. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 250/262, contestando a imposição da multa, assim resumida ao final: “III DO PEDIDO 24 Com o exposto e pelo muito mais que será suprido pelo elevado saber jurídico de Vossas Senhorias, a Impugnante requer, com o devido respeito, seja reconhecida a improcedência total do crédito tributário, com o arquivamento dos autos, por ser uma medida de inteiro direito e justiça, declarandose: a) a nulidade do lançamento constituído à revelia da ordem judicial exarada pelo Egrégio TRF da 4ª Região, nos autos de MS n° 504035632.2012.404.7000, em trâmite na 11ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, pela qual a SRFB foi proibida de lançar a multa de que trata o parágrafo 15, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, sob pena de atentado à dignidade da Justiça, na forma do art. 14, parágrafo único do CPC; b) em caráter sucessivo, seja extinto o crédito tributário e determinado o arquivamento do feito, procedente interpretação conforme a constituição, ao art. 74, §15, da Lei 9.430/96, de modo a que não incida no caso dos autos, em que houve mero indeferimento de pedido de ressarcimento, prestigiando, assim, a efetividade das garantias constitucionais da razoabilidade/proporcionalidade, princípio da estrita legalidade penal, do direito de petição e devido processo legal, conforme o precedente da Egrégia 3ª Turma Especial da 1ª Sessão de Julgamento do CARF, no Processo 13116.001037/201080. Pede deferimento.” Posteriormente, a contribuinte apresentou o requerimento de fls. 295/298, onde requer em síntese o cancelamento do lançamento objeto do presente Auto de Infração, garantindo a retroatividade benigna (art. 106 do CTN), tendo em vista a revogação do §15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória nº 656/2014. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10980.722794/201437 Acórdão n.º 3401005.305 S3C4T1 Fl. 317 3 A impugnação foi julgada pela DRJ Ribeirão Preto procedente por unanimidade de votos, exonerando o crédito tributário exigido, Acórdão 1465.756, de 26 de abril de 2017, restando assim ementado: MULTA ISOLADA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE. A multa isolada de ofício, no percentual de 50% do valor do pleito de ressarcimento indevido ou indeferido, foi extirpada do ordenamento jurídico, sendo apenas aplicável, nesse mesmo percentual, sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. RETROATIVIDADE BENIGNA. Face ao princípio da retroatividade benigna, cancelase a penalidade prevista em lei revogada antes da decisão administrativa final. Deste ato, RECORRESE DE OFÍCIO à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Após acesso ao documento eletrônico a empresa não apresentou Recurso Voluntário. Deve ser analisado o Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, relatora. A DRJ recorreu de ofício por ter exonerado a totalidade do crédito tributário no valor histórico de R$ 12.491.874,83, conforme Portaria MF nº 63/2017, que estipulava a remessa necessária quando o total exonerado excedesse em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Deste ato, RECORRESE DE OFÍCIO à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10980.722794/201437 Acórdão n.º 3401005.305 S3C4T1 Fl. 318 4 Conforme Súmula CARF nº 103 deve ser aplicado o valor de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo assim conheço do recurso de ofício interposto e passo a analisálo. Conforme decidido pela DRJ no acórdão recorrido: O lançamento da multa isolada de que trata o presente auto teve por fundamento legal o § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, cuja redação era a seguinte: “§ 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido.” À época, nada mais fez a autoridade fiscal que levar a efeito aludido comando legal. Não obstante, o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 foi extirpado do ordenamento jurídico, através da edição da Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014. A Medida Provisória citada em epígrafe tornouse a Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, hoje substituída pela Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015, sacramentando a revogação do § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, fundamento da autuação. Assim, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II “c”, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN – há que se proceder à exoneração da multa de ofício aplicada sobre hipótese de incidência que a legislação vigente não mais enquadra como passível de imposição de penalidade. “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Pelo exposto, voto por considerar procedente a impugnação, devendo a autuação ser cancelada e o crédito tributário exonerado. Acompanho o voto da DRJ em face do princípio da retroatividade benigna, por entender que o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 foi extirpado do ordenamento jurídico, através da edição da Medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, que tornouse a Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, hoje substituída pela Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015, sacramentando a revogação do § 15 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, fundamento da autuação. Voto por conhecer do recurso de ofício e no mérito por negarlhe provimento. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10980.722794/201437 Acórdão n.º 3401005.305 S3C4T1 Fl. 319 5 Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720862/2016-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DEVOLUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. OPÇÃO FISCAL.
A devolução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Aprovada a deliberação pela devolução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995. Trata-se de uma opção fiscal franqueada pelo legislador ao contribuinte, e não de planejamento tributário.
Numero da decisão: 1301-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 DEVOLUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. OPÇÃO FISCAL. A devolução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Aprovada a deliberação pela devolução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995. Trata-se de uma opção fiscal franqueada pelo legislador ao contribuinte, e não de planejamento tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720862/201685 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.370 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente GREEN CAPITAL PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DEVOLUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. OPÇÃO FISCAL. A devolução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Aprovada a deliberação pela devolução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995. Tratase de uma opção fiscal franqueada pelo legislador ao contribuinte, e não de planejamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 62 /2 01 6- 85 Fl. 914DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 3 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para a cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, bem como multa de ofício de 75% e juros de mora. Conforme o relatório fiscal de fls. 571583, o fundamento da autuação foi a realização de operações sucessivas com a finalidade de reduzir ilegalmente a tributação incidente sobre o ganho de capital na apuração do IRPJ e CSLL: Os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação especifica, que no caso seria a tributação do ganho de capital na companhia que vendeu a participação: Pulsar Investimentos S/A. Isso porque a tributação na PJ é mais onerosa, 25% IRPJ e 9% de CSLL, comparada com a tributação de ganho de capital na pessoa fisica. Na realidade, o verdadeiro ato praticado foi a venda da participação na GPS Invest Financ, de propriedade da companhia Pulsar Investimentos S/A, para empresa JB Participações. Cabe ressaltar que quando os atos e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a verdadeira realidade do negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Uma vez que os atos formais são apenas aparentes e diferem do negócio efetivamente praticado, tais atos trazem prejuízo ao fisco, e nessa situação é devido o tributo incidente sobre o ganho de capital obtido com a alienação do investimento na pessoa juridica Tratamse de operações estruturadas, realizadas em prazo ínfimo, integralização, cisão e alienação de quotas, constituemse simulação relativa, cujo ato verdadeiro dissimulado foi a alienação de 30% da participação na companhia GPS Investimentos de propriedade da Pulsar Investimentos ( atual Green Capital) para a empresa JB Participações S/A. Notificado, o Contribuinte apresentou Impugnação aduzindo: a) a autoridade fiscal não identificou qual seria a infração cometida, mas baseou a sua autuação em mero inconformismo com a operação realizada; b) a autoridade fiscal desconsiderou o negócio jurídico, mas em nenhum momento fundamentou a existência de simulação, a qual entende o Impugnante não ter ocorrido, nos termos do art. 167 do Código Civil; c) Tampouco houve qualquer referência ao art. 116 do CTN, apontando ausência de motivação de fato e de direito, implicando na nulidade do auto. Fl. 915DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 4 3 d) Que a competência para verificar a regularidade das operações societárias pertence à JUCESP, conforme lei nº 8934/94, e não à autoridade fiscal, e que a operação realizada não contraria qualquer dos dispositivos da Lei nº 6.404/76; e) Alega decadência do crédito tributário, pelo fato da cisão parcial ter ocorrido em 28/02/2011, e o auto de infração foi lavrado em 21/12/2016; f) Menciona jurisprudência do CARF sobre a devolução de capital social aos sócios pelo valor contábil, para posterior alienação, e destaca o art. 22 da Lei nº 9.249/95, que estabelece uma opção legal; g) Alega que, mesmo com a manutenção da exação, deveria ser feita a compensação com os tributos já recolhidos pelos acionistas pessoas físicas, quando da alienação das ações e oferecimento à tributação, com cancelamento proporcional da multa; h) Impossibilidade de manutenção da multa de ofício, com base no art. 112 do CTN; i) ilegalidade da cobrança de juros sobre multa de ofício; A DRJ julgou improcedente a Impugnação, através do Acórdão nº 1466.908 (fls.765 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 FALTA DE INDICAÇÃO DE LEGISLAÇÃO. AUSÊNCIA DE EMBASAMENTO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é exigível da Autoridade Fiscal a citação expressa de dispositivos legais pertencentes ao Direito Privado, quando não os utilizar, visto que o termo é de amplo conhecimento. Não pode a Autoridade alterar a definição de instituto para impor a obrigação tributária não prevista em lei, o que não ocorreu no presente caso. GANHO DE CAPITAL. SIMULAÇÃO. O negócio jurídico realizado entre partes, sem propósito negocial e com o único intuito de reduzir tributos, pode ser desconsiderado para efeitos tributários pela autoridade administrativa, dando lugar ao lançamento de ofício sobre o fato jurídico tributário efetivamente ocorrido. A elisão fiscal abusiva, consistente no planejamento de tributação mais benéfica, desviandose dos objetivos da legislação, prejudica todo o sistema tributário nacional, organizado com base nos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 5 4 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. Em não havendo qualquer declaração de débitos por parte de quem de direito, somada à ocorrência de simulação no negócio jurídico, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário de cinco anos é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COMPENSAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL APURADO NA PESSOA JURÍDICA COM PARTE DO GANHO DE CAPITAL DECLARADO E RECOLHIDO NA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há permissivo legal para compensação do ganho de capital de pessoa jurídica, não declarado no devido tempo, com os tributos já recolhidos pelos acionistas pessoas físicas a título também de ganho de capital. A legislação em vigor não possibilita a compensação de tributos entre pessoas diferentes, pois o patrimônio de uma não se confunde com o de outra. TAXA SELIC SOBRE A PARCELA DE MULTA. LEGALIDADE. A multa de ofício aplicada sobre os tributos não recolhidos e não declarados é decorrente de tributos e contribuições administrados pela RFB, razão pela qual correta é a exigência dos juros moratórios sobre as multas de ofício aplicadas, calculados com base na taxa Selic. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando os fundamentos de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Passa à análise dos pontos suscitados no Recurso Voluntário. I) Preliminares a) Ausência de fundamento jurídico para a cobrança do crédito tributário Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 6 5 Aduz o Recorrente que no relatório fiscal não é identificada nenhuma infração de lei, mas sim uma discordância da fiscalização com a operação realizada, com menção a dispositivos genéricos sobre a apuração da base de cálculo do IPRJ e da CSLL. Com a devida vênia, entendo que a fiscalização trouxe nos autos, ainda que sem maiores digressões ou desenvolvimento, os fundamentos fáticos e jurídicos da autuação, descrevendo as operações e indicando a seu juízo que se tratavam, na prática, de outro negócio jurídico, tratandoo como tal e apurando o IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital apurado sobre a realidade fática que considerou ter ocorrido efetivamente. Nos autos de infração (fls. 561566) constam todos os dispositivos legais invocados para a apuração da base de cálculo, estando explicitada as razões jurídicas da autuação. Ao mencionar que o Fiscal desconsiderou o negócio jurídico mas em nenhuma passagem fundamentou, com base em dispositivos legais (art. 167 do CC/02), a existência de suposta simulação, pretende o Recorrente a anulação. Entretanto, em rigor, não houve de fato desconsideração de negócio jurídico nos mesmos moldes da legislação civil os negócios jurídicos entre os particulares que o realizaram continuam válidos entre eles, não se permitindo o Fisco anulálos, mas a fiscalização optou por lhe negar os efeitos tributários próprios, por vislumbrar que a operações dissimulou outro negócio. O relatório fiscal é expresso sobre isto no trecho de fls. 580: Cabe ressaltar que quando os atos e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a verdadeira realidade do negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Uma vez que os atos formais são apenas aparentes e diferem do negócio efetivamente praticado, tais atos trazem prejuízo ao fisco, e nessa situação é devido o tributo incidente sobre o ganho de capital obtido com a alienação do investimento na pessoa jurídica Vislumbrase nos autos todos os elementos exigidos pelo art. 10 do Decreto 70.235/72, razão pela qual entendemos que não deve ser pronunciada a nulidade por vício de motivação de fato e de direito. Como já defendemos em outras oportunidades, há que se distinguir, naturalmente, duas situações diferentes: o juízo preliminar, acercar do atendimento aos requisitos de lavratura do auto de infração, incluindo aí as exigências probatórias, através do qual se pode concluir pela nulidade da autuação; e o juízo meritório, no qual se efetuará a valoração das provas existentes, para verificar o atendimento integral de todos os ônus probatórios envolvidos e a verificação da procedência ou não das alegações fiscais. Neste momento, cabe fazer apenas o juízo preliminar, cabendo a análise das provas e das operações em questão a um momento posterior. Sob este prisma, verificase que estão presentes os fundamentos da fiscalização, no relato e no auto de infração, estando atendido a exigência mínima para manutenção formal da autuação. Como aduziu a decisão recorrida: Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 7 6 Os fundamentos fáticos, ou descrição do fato, encontramse na narrativa dos acontecimentos que desencadearam na conduta final de supressão dos tributos por parte do contribuinte, envolvendo todo o histórico necessário ao perfeito entendimento de como se deu a prática do atos. Os fundamentos de direito, ou disposição legal infringida, foram citados no tópico “enquadramento legal” acima transcritos. Importante notar que o dispositivo legal referente a simulação, art. 267 do CC02, não foi a norma infringida. As normas desrespeitadas pelo contribuinte foram aquelas que previam um tipo de comportamento, no caso, o cálculo do lucro real de determinada forma. Diante disso, voto por rejeitar as preliminares de nulidade arguidas. II) Do mérito Para expor adiante os fatos ocorridos, bem como as operações que fundamentaram a autuação, cabe inicialmente uma ressalva terminológica, por conta das alterações na "razão social" das empresas envolvidas: Pois bem, vamos aos fatos: a) em 2010, as ações da GPS Planejamento Financeiro Ltda. (“GPS PLANEJAMENTO”) e da CFO Administração de Recursos Ltda. (“CFO ADMINISTRAÇÃO”), sociedades atuantes no setor de wealth magament, eram detidas diretamente pela Recorrente (à época, KAPENA Participações S/A), que, por sua vez, era controlada por diversos acionistas pessoas físicas: b) Em 2011, a Recorrente transferiu ações da GPS PLANEJAMENTO e da CFO ADMINISTRAÇÃO para uma terceira sociedade, SYHSPE, constituída pelos acionistas pessoas físicas da Recorrente. Deste modo, em 31/01/2011, deliberouse um aumento do capital social da SYHSPE, que foi integralmente subscrito e integralizado pela Recorrente, por meio da contribuição da totalidade das quotas que detinha na GPS PLANEJAMENTO e na CFO ADMINISTRAÇÃO: Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 8 7 c) Posteriormente, decidiuse pela cisão parcial da Recorrente, em 28/02/2011, com a versão da parcela cindida à SYHSPE, equivalente a parte das ações detidas pela Recorrente no capital social desta última sociedade: d) Em razão da cisão, 84.068 ações ordinárias nominativas, de emissão da SYHSPE, foram atribuídos diretamente aos acionistas pessoas físicas da Recorrente, na proporção da participação detida por eles na Recorrente, passando a deter participação direta na SYHSPE, consistente em 30% do capital social da referida sociedade (Cláusula 1ª, fl.748): Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 9 8 e) Em 02/05/2011, após a devolução de capital aos sócios, mediante a operação de cisão parcial da Recorrente, foi celebrado um contrato de compra e venda de ações (fls. 384439), por meio do qual o GRUPO JB adquiriu dos acionistas pessoas físicas 30% das ações de emissão da SYHSPE, pagando, em contrapartida, R$ 94.600.000,00, conforme comprovantes de fls. 206214: f) Em razão da devolução do capital aos sócios, através da operação de cisão, ter se dado com base no valor contábil do acervo vertido (cláusula 4ª do ajuste), e por ser o valor da alienação superior ao custo de aquisição dessas ações, as pessoas físicas apuraram ganho de capital, o qual foi oferecido à tributação, à alíquota de 15%. A fiscalização teve um juízo distinto sobre a operação, descrito por ela nos seguintes termos: Os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação especifica, que no caso seria a tributação do ganho de capital na companhia que vendeu a participação: Pulsar Investimentos S/A. Isso porque a tributação na PJ é mais onerosa, 25% IRPJ e 9% de CSLL, comparada com a tributação de ganho de capital na pessoa fisica. Na realidade, o verdadeiro ato praticado foi a venda da participação na GPS Invest Financ, de propriedade da companhia Pulsar Investimentos S/A, para empresa JB Participações. Antes disso, ainda sobre a operação de cisão, a autoridade fiscalizadora chega a traçar algumas linhas, aduzindo que a mesma não obedeceu às regras previstas na Lei nº 6.404/76, pelo fato do patrimônio líquido da SYHSPE ter permanecido inalterado na operação de cisão parcial da KAPENA: Verificase que a “clausula 10” do Protocolo firmado, determina que a Cisão Parcial não ocasionara aumento de capital social da SHYSPE, tendo em vista que a parcela cindida do patrimônio líquido da Kapena é formada integralmente pelas ações que a Kapena detém no capital social da SHYSPE. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 10 9 Ou seja, o patrimônio liquido da SHYSPE permaneceu inalterado na operação de Cisão Parcial da Kapena com versão da parcela cindida de seu patrimônio liquido para SHYSPE, porque não houve aumento do capital social da SHYSPE no valor da parcela cindida transferida pela Kapena: (...) Analisando a Lei 6.404/76 que rege as operações de Transformação, Incorporação, Fusão e Cisão de companhias, percebese que não existe previsão para operações de cisão sem aumento do patrimônio liquido da companhia que recebe o acervo cindido. Em rigor, a operação envolve basicamente três passos, conforme a documentação acostada aos autos: i) cisão da KAPENA em duas companhias, uma das quais era composta por exclusivamente 30% das ações da SYHSPE; ii) ato contínuo, essa parcela cindida foi incorporada à própria SYHSPE; e iii) em decorrência dessa incorporação da parcela cindica, as ações incorporadas foram entregues diretamente aos acionistas da KAPENA, na proporção de suas participações. Não há, nessa operação, nada que justifique aumento do patrimônio líquido da SYHSPE, haja vista que o que há, de fato, é simplesmente a devolução das ações aos sócios da KARPENA, pelo valor contábil, que passam a ser diretamente proprietários de ações correspondentes a 30% do capital social da SYHSPE. O que há, e esse foi o fundamento da autuação, é a devolução das ações da SYHSPE para os sócios, para sua posterior alienação para o GRUPO JB, sujeitandose a uma carga tributária menor sobre o ganho de capital apurado. Segundo a fiscalização, tal operação não teria propósito negocial, razão pela qual não teria eficácia perante o Fisco. Com a devida vênia, discordamos diametralmente da premissa do fiscal. Na temática do planejamento tributário utilização de atos e negócios jurídicos com a finalidade de buscar meios lícitos de pagar menos tributos é preciso, antes de tudo, segregar as situações que não podem se enquadrar como tal, sendo esse contraste essencial para evitar confusões metodológicas, aplicandose instrumentos de análise de planejamentos a outros tipos de situações. Marco Aurélio Greco, em sua clássica obra sobre o tema1, identifica três conjuntos de situações que não se enquadram como planejamento tributário: a) condutas repelidas aquelas condutas alçadas à categoria de atos ilícitos pelo legislador, e sujeitas a sanções a exemplo de atos de evasão tributária; b) condutas desejadas (induzidas) aquelas assumidas em razão de estímulos decorrentes da utilização extrafiscal do tributo ou de um regime fiscal diferenciado, como a opção por instalar uma fábrica em determinada região, por estar sujeita a uma carga tributária menor. c) condutas positivamente autorizadas pelo ordenamento são as chamadas opções fiscais, alternativas criadas pelo ordenamento jurídico, propositalmente formuladas e 1 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário, 2ªed. São Paulo: Dialética, 2008, p.8386. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 11 10 colocadas à disposição para que o contribuinte delas se utilize, conforme sua conveniência, a exemplo da opção pela apuração do IRPJ pelo Lucro Presumido, para algumas empresas. No presente caso, o contribuinte fiouse na redação expressa do art. 22 da Lei nº 9.249/95, que dispõe expressamente: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil OU de mercado. O referido dispositivo autoriza a devolução do capital através da entrega dos bens (ações) a valor contábil ou de mercado, ficando a escolha a cargo da pessoa jurídica, e com consequências fiscais próprias, para a escolha que for realizada. Tratase de uma opção dada ao contribuinte expressamente pela ordem jurídica, cabendo a este balizarse pelo grau de vantagens que aufira a partir da cada escolha possível. A prática das opções é absolutamente cediça na legislação tributária brasileira uma empresa, a depender de seu porte, pode optar por recolher seu IRPJ sobre o Lucro Real ou Presumido, ou mesmo aderir ao Simples Nacional, pela simples redução de encargos tributários; da mesma forma, e pelas mesmas finalidades, pode optar por remunerar o capital de seus sócios através do pagamento de dividendos ou de JCP, pode optar pela apuração trimestral do IRPJ ou o pagamento mensal por estimativas; a pessoa física pode optar pela declaração completa ou simplificada de rendimentos etc. São inúmeras opções que o contribuinte tem, criadas pelo legislador, e com regimes tributários próprios, que podem ser eleitas sem que se tenha que cogitar de finalidades extratributárias subjacentes à escolha. Em breve histórico pode esclarecer a situação: inicialmente, com o advento do DecretoLei nº 1.598/77, o seu art. 60 estabeleceu expressamente que a entrega de um bem do ativo de uma empresa, a pessoa ligada (sócio), por um valor inferior ao valor de mercado, se enquadraria na hipótese de distribuição disfarçada de lucros nessas hipóteses, o efeito jurídico era a cobrança do IRPJ sobre a transação, levandose em conta o ganho de capital entre o custo de aquisição do ativo e o seu valor de mercado. Com a introdução da Lei nº 9.249/95, criouse duas exceções ao regime de DDL, em seus arts. 22 e 23, que acabaram sendo consolidados no RIR/99, no art. 464: Art.464.Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; II adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada; III perde, em decorrência do não exercício de direito à aquisição de bem e em benefício de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição; Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 12 11 IV transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão de companhia; V paga a pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. §1º O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). §2º A hipótese prevista no inciso II não se aplica quando a pessoa física transferir a pessoa jurídica, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante na respectiva declaração de bens (Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, §1º). §3ºA prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, §2º). Portanto, nos casos expressamente tratados no §1º do art. 464 do RIR/99, não há que reconhecer o ganho de capital na devolução do capital ao sócio ou acionista, por mais que se tenha absoluta ciência e certeza de que o valor de mercado é superior ao do registro contábil tratase de uma exceção expressamente posta ao regime de DDL. Uma vez reconhecido que o legislador deu essa expressa faculdade à Recorrente, não há que causar espécie a opção pela devolução, para que a alienação se dê sob uma carga tributária menor. Não se trata de um desvio da normalidade, mas uma opção do contribuinte à luz do instrumental operacional que a legislação tributária lhe deu como precisamente pontuado pelo Conselheiro Antônio José Praga de Souza, no Acórdão CARF nº 1402001.341, "a distorção está nas próprias normas tributárias que estabelecem alíquota de 15% para o ganho de capital na pessoa física e de até 34% de IRPJ/CSLL sobre os ganhos de mesma natureza das pessoas jurídicas.". É dizer, não pode a fiscalização, por estar em desacordo com a distorção na tributação do ganho de capital na pessoa física e na pessoa jurídica, pretender sanála através da desconsideração de uma opção fiscal legítima do contribuinte. Como apontado pelo Conselheiro Waldir Veiga Rocha, no Acórdão 1301 001.865, tratase de uma opção fiscal não apenas sobre a carga tributária sobre o ganho de capital, mas também sobre o momento em que essa renda será tributada: Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 13 12 Tenho que essa faculdade, outorgada à pessoa jurídica, de promover a devolução de capital em bens aos sócios, avaliandoos pelo valor contábil ou pelo valor de mercado, traz consigo o entendimento de que é também outorgado aos interessados definir em que momento se dará a tributação do ganho de capital sobre esses bens, se no momento da devolução aos sócios (avaliação a valor de mercado) ou no momento de uma futura alienação a terceiros (avaliação a valor contábil). A lei não estabelece qualquer limitação temporal para essa futura alienação a terceiros. A opção do contribuinte por uma ou outra via é, a meu ver, planejamento tributário válido, porque expressamente previsto em lei. Nesse sentido, também há diversos precedentes no âmbito deste CARF, mormente neste Colegiado, onde o acato da matéria se tem se dado de forma unânime, conforme as ementas colacionadas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. AUSÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa. (Acórdão 1301003.023, relatora Cons. Amélia Wakako Morishita Yamamoto, julgado em 16/05/2018) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2010 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembléia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa.Aprovada a deliberação pela redução do capital social, a entrega de bens e direitos a acionistas, em devolução de capital, pode ocorrer em conformidade com o que dispõe o artigo 22 da Lei nº 9.249, de 1995. (Acórdão nº 1301002.582, relator Cons. José Eduardo Dornelas Souza, julgado em 16/08/2017) Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16327.720862/201685 Acórdão n.º 1301003.370 S1C3T1 Fl. 14 13 Tampouco há que se falar em simulação no presente caso, haja vista que toda a operação restou materialmente comprovada, com todos os atos constitutivos devidamente depositados e aprovados pela JUCESP. A operação ocorreu exatamente como descrito pela fiscalização e pelo contribuinte, com a finalidade de se utilizar de uma opção fiscal para reduzir a carga tributária sobre o ganho de capital na alienação de ações da SYHSPE. Por fim, também devese consignar que por se tratar de opção fiscal, e não de planejamento tributário, sequer há que se considerar a existência ou não de propósito negocial na operação, visto que tal discussão é despicienda ao deslinde do feito. III) Conclusão Ante o exposto, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 926DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907099/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 09 9/ 20 11 -9 6 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10930.907099/201196 Resolução nº 3402001.433 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10930.907099/201196 Resolução nº 3402001.433 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10930.907099/201196 Resolução nº 3402001.433 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000040/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 04 0/ 20 10 -4 6 Fl. 477DF CARF MF Processo nº 12571.000040/201046 Resolução nº 3301000.742 S3C3T1 Fl. 478 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 478DF CARF MF Processo nº 12571.000040/201046 Resolução nº 3301000.742 S3C3T1 Fl. 479 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 479DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.933460/2009-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Numero da decisão: 1002-000.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 67 1 66 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.933460/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.414 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 02 de outubro de 2018 Matéria SIMPLES COMPENSAÇÃO Recorrente EQUIPE DE ASSISTÊNCIA PSICOPEDIÁTRICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de liquidez e certeza, eis que fora objeto de compensação em outro PER/DCOMP válido, transmitido pelo próprio sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 34 60 /2 00 9- 12 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.933460/200912 Acórdão n.º 1002000.414 S1C0T2 Fl. 68 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE (in verbis): A contribuinte acima qualificada apresentou, em 11/01/2006, declaração de compensação numerada 20118.77025.110106.1.3.049026, informando pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 1.501,99, relativo a tributo do código 6106 e período de apuração 30/09/2003 (fls. 14/22). A compensação não foi homologada pela autoridade jurisdicionante, sob o alegação de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos informados na DCOMP nº 41722.93686.221205.1.3.040949, conforme Despacho Decisório a fl. 3. Ciente da decisão em 20/10/2009 (fl. 23), a contribuinte apresentou, em 10/11/2009, a fl. 2, sua manifestação de inconformidade, em que alega o seguinte: Que a empresa acima qualificada teve a sua exclusão do Simples no Ano de 2003 e que antes de ser excluída recolheu os seus tributos com base no Simples; e que a mesma neste mesmo ano retificou a declaração para Lucro Presumido de acordo com o faturamento do Simples; e ao mesmo tempo foi feito o DCTF do mesmo período de 2003 e sendo assim o imposto recolhido no Simples foi locado para Lucro Presumido; foi feito o PERD/COMP de acordo com a compensação e foi apurado um crédito maior no ano de 2003, superior ao débito de acordo com DCTF e o PERD/COMP. Sendo assim, anexa as guias pagas no SIMPLES e o DCTF, PERD/COMP assim demonstrado e que seja compensado o processo acima. Assim sendo pede que seja considerada a declaração entregue com base no Lucro Presumido e o cancelamento dos débitos. Instruem a manifestação de inconformidade, entre outros documentos, DarfSimples a fl. 4. A manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0235.753, de 27 de outubro de 2011 (efl. 35), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 Ementa: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.933460/200912 Acórdão n.º 1002000.414 S1C0T2 Fl. 69 3 A compensação declarada pelo sujeito passivo não será homologada quando todo o crédito apurado já tiver sido utilizado em outra declaração de compensação. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 43), no qual, oferece os argumentos abaixo. Sustenta que (sic)"a empresa verificou que não foi compensado através do PERDCOMP a totalização do crédito que a empresa tinha referente ao Simples" e que "ficaram alguns meses tais como, 03/2003,04/2003,08/2003,11/2003 e 12/2003 não foi efetuada a compensação e por isso gerou um débito no Ano de 2003". Solicita (sic)"que seja feita a compensação assim demonstrado abaixo: >Total do débito (saldo remanescente) pelo Lucro Presumido R$ 7.378,74 (valor liquido),valor de crédito a qual não foi compensado R$ 7.582,27 (valor liquido) saldo de crédito R$ 204,13 (valor liquido)". Ao final, requer o acolhimento da Manifestação de Inconformidade. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, observo que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 20118.77025.110106.1.3.049026, sob a alegação de que o crédito nele informado já havia sido integralmente utilizado no PER/DCOMP nº 41722.93686.221205.1.3.040949, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo (observações e grifos do original): Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.933460/200912 Acórdão n.º 1002000.414 S1C0T2 Fl. 70 4 Examinando o processo, constato que em 22/12/2005 o Recorrente efetivamente transmitiu o PERDCOMP nº 41722.93686.221205.1.3.040949, no qual informou crédito de R$ 1.501,99 decorrente de recolhimento indevido de tributo de código 6106 Simples (efls. 25/29) e, posteriormente, em 11/01/2006, voltou a informar o mesmo crédito no PERDCOMP 20118.77025.110106.1.3.049026 (efls. 15/21), o que deixa claro que a não homologação deste último PERDCOMP pelo Despacho Decisório eletrônico foi acertada, pois, do contrário, estarseia admitindo indevidamente compensação de crédito em duplicidade a favor do Recorrente. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações extraídas da base de dados da RFB e constantes de declarações prestadas pelo próprio Recorrente, o qual não apresentou qualquer contestação ou elemento de prova no recurso com o propósito de desconstituílas. A ausência do requisito de liquidez e certeza do crédito pleiteado inviabiliza a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, entendo que não há reparos a fazer no acórdão recorrido, devendo ser mantida a decisão de piso. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.933460/200912 Acórdão n.º 1002000.414 S1C0T2 Fl. 71 5 Conclusão Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o crédito de R$ 1.501,99 de período de apuração de 30/09/2003 já foi integralmente utilizado na quitação de débitos informados no PERDCOMP nº 41722.93686.221205.1.3.040949; que não consta dos autos que esta declaração tenha sido invalidada ou substituída; e, ainda, que o Recorrente não traz nenhum elemento adicional de prova contrário aos fatos aqui narrados, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909854/2011-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 20/04/2007
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 54 /2 01 1- 86 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909854/201186 Acórdão n.º 9303007.218 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.506, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/04/2007 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909854/201186 Acórdão n.º 9303007.218 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909854/201186 Acórdão n.º 9303007.218 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909854/201186 Acórdão n.º 9303007.218 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909854/201186 Acórdão n.º 9303007.218 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.978143/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 81 43 /2 00 9- 61 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.978143/200961 Acórdão n.º 1401002.871 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 1.344,24 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 01111.42309.081205.1.3.043100, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 1.792,32, código 2089, recolhido em 31/07/2002, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.978143/200961 Acórdão n.º 1401002.871 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.978143/200961 Acórdão n.º 1401002.871 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.978143/200961 Acórdão n.º 1401002.871 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720055/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Numero da decisão: 9202-007.175
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 00 55 /2 00 7- 61 Fl. 297DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2005, haja vista a conclusão fiscal pela ocorrência de subavaliação do imóvel. Conforme consta do lançamento, a infração foi assim resumida: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi alterado, tendo como base os valores informados pelo contribuinte no atendimento a intimação. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. ... Complemento da Descrição dos Fatos: Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 05103/00022/2007, o contribuinte apresentou Laudo de Avaliação do Imóvel Rural, confeccionado pelo Eng. Agrônomo e Florestal Paulo Renato de Oliveira Macedo, CREA l30.644D (folhas 06 a 19). Neste Laudo, verificase, à folha 18 do processo, a informação do valor real da terra nua do imóvel de NIRF 5.712.3950. Depois de apurada avaliação, o profissional acima citado determinou o valor do hectare de terra nua (VTN/ha) em R$ 27,96. Desta forma, chegase a R$ 476.357,31 como valor total de terra nua do imóvel fiscalizado. Comparando este valor com o de outras propriedades recentemente vendidas na região, que também foram informados no laudo, notase que ele está ligeiramente abaixo da média. Com base neste VTN/ha e considerando a área total do imóvel informada na DITR, procedeuse a este lançamento de oficio. Após o trâmite processual, a 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária negou provimento ao recurso voluntário. Na parte que nos interessa, que se limita a exigência do imposto sobre terras invadidas por terceiros, o Colegiado assim se manifestou nos fundamentos do Acórdão 2201001.569: "CONTRIBUINTE. PROPRIETÁRIO. POSSEIROS. INVASÃO DE TERRAS. Contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer titulo (art.31 do Código Tributário Nacional). Considerando que proprietário é quem tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10540.720055/200761 Acórdão n.º 9202007.175 CSRFT2 Fl. 298 3 possua ou detenha (art.1.228 do Código Civil), quando houver áreas em litígio e sendo a ocupação um ato transitório, aquele cabe entregar a DITR e se responsabilizar pelo imposto devido, caso esteja adotando providências judiciais ou extrajudiciais para recuperar a posse." Inicialmente devese consignar que a Constituição Federal de 1988 atribuiu ao legislador a competência para instituir tributo sobre a propriedade rural, o que por si só afastaria a tese sustentada pelo contribuinte. Ademais, a tributação da posse ou domínio útil deve ter em mente a cessão voluntária da posse estabelecida por uma relação estável entre possuidor e proprietário, bem como a individualização do contribuinte. No presente caso a relação jurídica estabelecida entre possuidor e proprietário é efêmera, precária e involuntária. Ademais, sempre é resguardado ao proprietário o direito regressivo contra o possuidor. A Contribuinte, proprietária do bem em questão, traz prova incontestável de sua vontade de se manter proprietária, lançando mão dos instrumentos processuais que entendeu adequados à proteção do seu direito, contradizendo os seus próprios argumentos. Intimada da decisão a Contribuinte apresentou embargos de declaração que foram rejeitados por inexistência de contradição ou omissão. Ato contínuo, com base nos acórdãos paradigmas 30237511 e 30333263, é apresentado recurso especial ao qual foi dado parcial seguimento devolvendo a este Colegiado a discussão acerca da "impossibilidade de exigir ITR do proprietário que não detém a posse em virtude de ocupação por terceiros, relativamente à parte do imóvel que está ocupada". Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Antes de apreciar o mérito, entendo ser necessário tecer algumas considerações sobre o conhecimento do Recurso. Conforme informado o recurso possui como objeto a discussão acerca da melhor interpretação a ser dada ao artigo 31 do Código Tributário Nacional na parte que prevê como sujeito passivo do ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. No entendimento da Recorrente, por não estar na posse da Fl. 299DF CARF MF 4 totalidade do bem quando da ocorrência do fato gerador, a quantidade total da área deveria ser reduzida, reduzindo por consequência o valor do imposto apurado. Embora de fato exista entre os Colegiados deste Tribunal uma divergência interpretativa sobre a tese delimitada no despacho de admissibilidade "impossibilidade de exigir ITR do proprietário que não detém a posse em virtude de ocupação por terceiros, relativamente à parte do imóvel que está ocupada", entendo que no presente caso as situações fáticas analisadas nos acórdãos indicados como paradigmas possuem diferenças relevantes impossibilitando a realização do 'teste de aderência'. No presente lançamento temos a cobrança do ITR do exercício de 2005 haja vista o entendimento pela subavaliação do imóvel, no lançamento o fiscal não faz qualquer ressalva quanto às áreas apontadas pelo Contribuinte na sua declaração do imposto. Na verdade, a ação fiscal parte exatamente de declaração retificadora apresentada pelo Contribuinte em 25.07.2006 (fls. 02/05 e 27). Em sua peça de impugnação a Contribuinte defende que os documentos acostados aos autos comprovariam ser de apenas 7.161,41 ha a área em sua posse efetiva, vejamos parte da peça de defesa: A área total do imóvel que o auditor fiscal utilizou para recalcular o imposto devido foi de 17.037,10 hectares, sendo esta área declarada pela empresa, quando da apresentação da retificação da DITR/2005, apresentada em 25/07/2006, que alias é a área de matricula e georeferenciada do imóvel. A DITR/2005 original, entregue em 26/09/2005 (DOC. 05) , depois retificada, descrevia como área total, a área de 5.500,00 (cinco mil e quinhentos) hecatares, que era a área efetiva de posse do declarante. A Autuada, ora Recorrente, a fim e exercer o seu total direito sobre a área, impetrou em 18/01/2005 (2004), sob o número 001/2004, perante ao Fórum da Comarca de Coribé, uma AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE COM PEDIDO DE LIMINAR, em face destes diversos posseiros que se encontravam na área da "Fazenda Onça e Cascavel", nos termos da peça inicial (DOC 06). Esta ação foi contestada pelos posseiros, conforme se comprova através da petição datada de 29/09/2004 (DOC. 07). Decorre que nesta ação, houve um acordo celebrado pela empresa com a grande maioria do posseiros, no dia 14/09/2005 (cópia na integra anexa DOC 08), já homologado pelo Juizo daquela Comarca (fls. 619), ficando de resto apenas área do posseiro Sr. Leomar Gomes de Oliveira, o qual permanece na posse do imóvel. Assim, no presente caso temos o seguinte cenário: proprietário de terra que após celebrar acordo judicial apresenta declaração retificadora junto ao Fisco declarando o valor total da área em sua propriedade, declaração essa que foi utilizada pela fiscalização para lavratura do auto de infração que possui como objeto exclusivamente a cobrança da diferença do imposto em razão do valor apurado para o VTN. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10540.720055/200761 Acórdão n.º 9202007.175 CSRFT2 Fl. 299 5 Analisando a lide o acórdão recorrido entendeu que a Contribuinte, proprietária do bem em questão, traz prova incontestável de sua vontade de se manter proprietária, lançando mão dos instrumentos processuais que entendeu adequados à proteção do seu direito, contradizendo os seus próprios argumentos. Entendeu que a relação entre a Recorrente e 'invasores' era efêmera, provisória. Nos acórdãos paradigmas os fatos envolvidos possuem contornos bem distintos. Ambos os acórdãos 30237511 e 30333263, embora proferidos por Colegiados distintos, discutem a incidência do ITR sobre um mesmo imóvel, sendo que naqueles casos foi afastada a cobrança do imposto com a conclusão de haver nos autos provas irrefutáveis de que o contribuinte foi esbulhado da posse em razão da invasão de integrantes do Movimentos dos Sem Terras. Vejamos as razões de decidir que levou o Colegiado do acórdão 30333.263, concluir pela improcedência do lançamento: Depreendese de inúmeras partes do processo em epígrafe, que o, "proprietário" ora recorrente, não usa, nem goza, muito menos dispõe de sua terra, porquanto, há mais, de 17 (dezessete) anos, pois desde Outubro de 1987, a mesma foi invadida por 14 (quatorze) famílias dos grupos denominados de "sem terras", fato este amplamente comprovado no processo, através de documentação hábil e idônea, reconhecida pela própria Procuradoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, em seu pedido de desapropriação, do voto do Sr. Relator e condutor do Acórdão e do próprio Supremo Tribunal Federal. Além do mais, concluise pelo exame do caso que o proprietário não deverá mais reaver suas terras, em vista da total falta de interesse dos representantes do Poder Executivo do Estado Paraná para com o caso, no qual os mesmos demonstram de forma inequívoca que resistirão ao cumprimento da ordem de despejo dos "sem terras", inclusive a exarada liminarmente pelo Juízo da Comarca de Teixeira Soares PR registrada sob o n° 07/89, e confirmada pelos tribunais superiores. Para ver cumprido a sua reintegração de posse, o recorrente se obrigou a solicitar Intervenção Federal com o intuito de fazer cumprir a decisão judicial de despejo. Comprovase às fls. 106/107, onde se encontra apenso o Acórdão, do Supremo Tribunal Federal (ou Superior Tribunal de Justiça) que deferiu o pedido de Intervenção federal, bem como, o oficio que comunica ao Senhor Presidente da República o deferimento da intervenção, entretanto, não obteve qualquer êxito. Percebemos pela manifestação do Colegiado que no caso do paradigma era fato incontroverso que a mais de 17 anos o autuado não tinha, mesmo após longa discussão judicial, qualquer direito inerente à posse ou à propriedade do bem a perda da posse e, consequentemente, da propriedade se deu de forma definitiva. Tal conclusão, a meu ver, se distância dos elementos do presente lançamento que, como definido pelo acórdão recorrido, se baseou em um breve conflito travado entre a Recorrente e os terceiros, conflito esse solucionado de forma amigável pelas partes por meio de acordo judicial. Fl. 301DF CARF MF 6 Assim, diante do distanciamento fático existente não tenho como concluir que os Colegiados paradigmáticos ao analisarem a situação posta no presente processo concluiriam pela improcedência do lançamento. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 302DF CARF MF
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