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Numero do processo: 10510.002229/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 248 1 247 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.002229/200929 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.219 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de abril de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SERGIO SOUZA SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3a Turma da DRJ/SDR (Fls. 199), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O interessado impugna auto de infração do imposto de renda onde foram tributados rendimentos omitidos do trabalho sem vínculo empregatício pagos em 2004 pela empresa Tyresoles de Sergipe Ind. Com. Ltda., que somaram R$ 447.510,31, e rendimentos recebidos em 2005, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, no total de 142.708,00. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .0 02 22 9/ 20 09 -2 9 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10510.002229/200929 Resolução nº 2201000.219 S2C2T1 Fl. 249 2 De acordo como o relatório fiscal, o contribuinte havia declarado os rendimentos pagos pela Tyresoles como dívidas e ônus reais, evidenciando o intuito de eximirse da obrigação tributária. Por esta razão, foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre o imposto daí resultante. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: 1. Depósitos bancários não são fato gerador do imposto de renda, pois podem ser resultado de diversas operações e transferências de recursos não tributáveis; nem podem ser usados para a presunção de .rendimentos omitidos sem que o Fisco comprove variação patrimonial a descoberto. Cita súmula 182 do TFR. 2. Os depósitos são transferências de pessoa jurídica da qual é sócio. 3. Os valores pagos pela Tyresole foram recebidos a título de empréstimo, que está devolvendo mês a mês sob a forma de serviço. 4. Não houve dolo ou máfé, porque não houve pagamento de imposto a menor que o devido. 5. A multa qualificada (150%) não pode ser aplicada sobre infração meramente regulamentar. 6. Houve cerceamento do direito de defesa na aplicação da multa, porque não lhe foi dado o direito de contestála. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumemse rendimentos omitidos os depósitos de origem não comprovada. Cientificado em 19/10/2009 (Fls. 204), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 17/11/2009 (fls. 203 a 224), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Em 29 de Junho de 2012, (Fls. 227) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Encerrado o sobrestamento, o processo voltou à pauta de julgamento, sendo distribuído a este conselheiro. É o Relatório. Voto. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10510.002229/200929 Resolução nº 2201000.219 S2C2T1 Fl. 250 3 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Compulsando os autos, verifico que parte do lançamento versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Em análise aos documentos acostados ao processo verifico que as contas que embasaram a autuação são conjuntas. Também verifico que a fiscalização imputou apenas 50% dos valores depositados ao recorrente, tendo em vista tratarse de contas conjuntas. Ocorre que, ainda assim, imprescindível se faz a intimação do cotitular para que igualmente comprove a origem de seus depósitos. O CARF já manifestou entendimento, o qual encontrase pacificado por meio de súmula, de que em se tratando de conta conjunta deve ser também intimado o cotitular para a comprovação da origem dos depósitos realizados. Neste sentido a Súmula CARF nº 29 assim dispõe: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Contudo, não consta nos autos intimação, ou indícios de sua existência, da co titular das contas bancárias para justificar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informe se houve a intimação da cotitular das contas bancárias, para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos, e faça juntada de documentos hábeis a comprovar tal intimação. Ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar o contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, assegurandolhe prazo para sua manifestação. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722823/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE.
Na determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações de que trata o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718, de 1998.
EVENTOS OCORRIDOS.
Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações, correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, estende-se ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
Ementa:
DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE.
Na determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações de que trata o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718, de 1998.
EVENTOS OCORRIDOS.
Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações, correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, estende-se ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Numero da decisão: 3302-003.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao Recurso de Ofício.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009 DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações de que trata o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. EVENTOS OCORRIDOS. Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações, correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, estende-se ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 Ementa: DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações de que trata o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. EVENTOS OCORRIDOS. Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações, correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, estende-se ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-05-10T12:51:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-05-10T12:51:49Z; Last-Modified: 2016-05-10T12:51:49Z; dcterms:modified: 2016-05-10T12:51:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:3a65f41b-42d1-481d-aa82-20fff6cf395d; Last-Save-Date: 2016-05-10T12:51:49Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-05-10T12:51:49Z; meta:save-date: 2016-05-10T12:51:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-05-10T12:51:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-05-10T12:51:49Z; created: 2016-05-10T12:51:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2016-05-10T12:51:49Z; pdf:charsPerPage: 2165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-05-10T12:51:49Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722823/201341 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302003.181 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INTERMÉDICA SISTEMA DE SAÚDE S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações de que trata o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. EVENTOS OCORRIDOS. Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações, correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, estendese ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 Ementa: DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações de que trata o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 23 /2 01 3- 41 Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 2 EVENTOS OCORRIDOS. Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações, correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, estendese ao total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de recurso de ofício, advindo de autos de infração, sendo que eles se originaram a partir de um Mandado de Procedimento Fiscal MPF com o objetivo de apurar as contribuições ao PIS e à COFINS no período de janeiro a dezembro de 2009. Do termo de verificação fiscal, extraemse trechos importantes, fls. 2032/20391: Comparamos a escrituração contábil e fiscal do ano calendário de 2009 e conforme dados, informações e documentos apresentados a esta fiscalização, apuramos diferenças, observáveis para os saldos das contas registradas na DIPJ apresentada à SRFB, em comparação com o que serviu de base de cálculo das contribuições. (...) Assim, o contribuinte foi intimado a demonstrar e justificar as exclusões do Faturamento Bruto declarado para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme 1 A numeração referenciada no voto é a contida no eprocesso. Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19515.722823/201341 Acórdão n.º 3302003.181 S3C3T2 Fl. 3 3 Termos Fiscais lavrados, ou seja, as exclusões referentes aos Eventos Pagos, Cancelamentos e Provisões Técnicas. (...) Desta feita, lavramos o Termo de Intimação de 25/02/2013, com ciência em 28/02/2013, no qual solicitamos ao contribuinte, dentre outras providências, "apresentar a composição analítica dos valores indicados no Demonstrativo da Base de Cálculo do PIS e da COFINS como "Eventos Pagos", deduzidos da respectiva base de cálculo para apuração dos valores a pagar. Na intimação de 27/03/2013, com ciência em 01/04/2013, o contribuinte foi instado a apresentar relatório identificando e descrevendo a natureza dos respectivos valores descritos como "Eventos Pagos", realizados por diversas outras empresas e também pessoas físicas, como e quais serviços são executados, existe formalização contratual, quais os documentos fiscais são emitidos, etc, anexando a documentação de suporte regular dos lançamentos de constituição e especialmente da dedução desses saldos. Pela intimação de 28/05/2013, com ciência em 03/06/2013, solicitamos que apresentasse os contratos de prestação de serviços mais significativos celebrados e outros documentos necessários (relatórios, guias, autorizações) para comprovar o exposto no relatório já encaminhado à esta fiscalização, conforme valores descritos como eventos pagos, realizados por diversas outras empresas e também pessoas físicas. (...) Em suma, em resposta às intimações, o contribuinte apresentou missiva de esclarecimentos por escrito e assinado pelo representante da fiscalizada (seu procurador), bem como documentos pertinentes. Os esclarecimentos são os descritos e comentados a seguir. "O relatório apresentado anteriormente referese a serviços prestados por Clínicas, Laboratórios, Hospitais, Médicos autônomos, que fazem parte da Rede Credenciada de atendimento aos usuários do plano de Saúde. Para esses eventos, são formalizados contratos de prestação de serviços, e os mesmos apresentam juntamente com os relatórios, guias, autorizações, etc. a Nota Fiscal ou recibo correspondente a esta prestação destes Serviços". (...) O inciso III do parágrafo 9o do artigo 3o da Lei n° 9.718, de 1998, autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde, deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS, o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 4 pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Porém, o contribuinte deduz da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS, os valores referentes a serviços prestados por fornecedores que fazem parte de Rede Conveniada de atendimento aos usuários de Planos de Saúde, em seus próprios clientes, o que não é permitido excluir, por falta de previsão legal. Assim, a partir da fiscalização, houve a lavratura de dois autos de infração, um referente à contribuição ao PIS, fls. 2047/2053, e outro, referente à COFINS, fls. 2040/2046, acrescido de multa agravada, 150%, totalizando um valor de R$ 79.121.038,04. A contribuinte teve ciência do auto de infração em 17 de janeiro de 2014, fls. 2055, em face do qual apresentou impugnação em 14 de fevereiro de 2014, fls. 2063/2127, que arguiu em síntese: i) Preliminarmente: i.i) Que houve erro na fundamentação do lançamento, visto que não há omissão de receitas no presente caso, pois, em nenhum momento do auto, a fiscalização apontou qualquer omissão de receitas por parte da contribuinte. A omissão de receitas ocorre, quando a contribuinte deixa de declarar valores à Receita Federal ou não contabiliza receitas em seus registros contábeis, o que não ocorreu no caso e evidencia que a fiscalização deve comprovar por indícios na escrituração ou por outros elementos de prova a caracterização da infração. Além disso, argumenta que a mera falta do pagamento de tributo ou o recolhimento a menor não pode caracterizar omissão de receita; i. ii) Que houve erro na apuração da base de cálculo, com a inclusão indevida de valores pagos a congêneres e credenciados no atendimento de clientes de outras operadoras. Além disso, que o auto de infração não possui liquidez e certeza, citando, posteriormente, diversos entendimentos doutrinários; i.iii) Como pedido sucessivo, argumenta sobre a legitimidade da dedução dos pagamentos efetuados a congêneres. A contribuinte faz uma diferença entre o pagamento realizado a credenciados e o pagamento realizado a congêneres. O pagamento efetuado a congêneres, segundo a contribuinte, estaria fundamentado no art. 3º, § 9º, inciso I, da Lei nº 9.718/1998 e explica que as congêneres são Operadoras de Plano de Assistência à Saúde ("OPS") contratadas para prestação de serviços à OPS contratante, onde há uma assunção de responsabilidade. A contribuinte transcreve trechos dos contratos com as congêneres. ii) No mérito, aduziu que: ii.i) Em primeiro lugar, faz uma análise da evolução legislativa e regulatória, analisando o porquê das exclusões do art. 3º, § 9º e seus incisos, da Lei nº 9.718/1998. Depois, explica que, fls. 2083: (...) as OPS podem prestar serviços aos beneficiários com a utilização da Rede própria ou com a contratação de terceiros. De fato, uma OPS somente pode ceder ou transferir a responsabilidade pela assistência médica prestada a uma pessoa jurídica de gênero semelhante, ou seja, uma congênere, em atenção às normas da ANS. Portanto, a congênere é uma outra OPS contratada para atuar em nome próprio, e prestar Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19515.722823/201341 Acórdão n.º 3302003.181 S3C3T2 Fl. 4 5 atendimento a determinados clientes ou beneficiários indicados pela OPS contratante. Destarte, aplicandose o inciso I, do § 9o, do artigo 3o, da Lei n° 9.718/98 ao presente caso concreto, temse que é permitido à Intermédica (Impugnante) excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, a totalidade dos valores pagos a congêneres contratadas para prestar assistência médica a seus beneficiários. Isto porque, as congêneres são remuneradas justamente em razão da assunção da responsabilidade (ou compartilhamento do risco). Não restam dúvidas, portanto, que ao referenciar "co responsabilidades cedidas", o legislador trata exatamente da usual relação jurídica entre uma OPS e uma congênere, circunstância em que se a primeira (contratante ou cedente) remunera a outra pela assunção da responsabilidade pela cobertura assistencial à saúde (contratada ou cessionária) Por fim, alega uma semelhança entre a legislação das seguradoras e das operadoras, defendendo que as indenizações previstas no art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei 9.718/1998 correspondem a pagamentos realizados pelas operadoras de plano de saúde para dar amparo à cobertura médica oferecida aos usuários, ou seja, seriam as remunerações aos profissionais da saúde pelos atendimentos médicos e hospitalares realizados, sendo tal entendimento o esposado pela Agência Nacional de Saúde em ofício; ii.ii) Posteriormente, analisa a atividade econômica praticada pela contribuinte e as formas de atendimento aos usuários do plano de saúde, que pode ser por rede própria, rede credenciada e congêneres; ii.iii) Analisa os pagamentos efetuados à rede credenciada e as suas deduções conforme previsão da legislação; ii.iv) Colaciona jurisprudência do CARF e explica a inclusão do §9ºA, no art. 3º, da Lei 9.718/1998 e demonstra que, como se trata de uma norma interpretativa, ela retroage à data dos fatos; ii.v) Esclarece que não houve sonegação e, portanto, não deve subsistir a cobrança da multa agravada, pois a fiscalização não apontou qual a conduta da contribuinte que poderia ser considerada como uma conduta que encadeasse a premissa de sonegação; ii.vi) Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Foi apensado ao processo em curso, os autos sob nº 19515.722825/201330, fls. 2057. Sobreveio, então, a decisão da DRJ/São Paulo I, fls. 2363/2369, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 6 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações de que trata o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. EVENTOS OCORRIDOS. Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. DEDUÇÕES. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir o valor referente às indenizações de que trata o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. EVENTOS OCORRIDOS. Conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19515.722823/201341 Acórdão n.º 3302003.181 S3C3T2 Fl. 5 7 Com fundamento no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, foi interposto recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Do conceito de indenizações correspondentes aos eventos, contido no art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei 9.718/1998 A controvérsia da lide é sobre o quão abrangente ou não é o conceito do termo "indenizações correspondentes aos eventos", previsto no art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei 9.718/1998, que prevê: Lei 9.718/1998 Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) § 9oNa determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Na visão da fiscalização, o conceito de indenizações correspondente aos eventos seria somente para a dedução de valores, decorrentes de atendimento a beneficiários/clientes, pertencentes a outras operadoras de planos de assistência à saúde, assim, considerou indedutíveis os valores de atendimento relativos aos próprios clientes da contribuinte, apesar de na planilha ter incluído valores de congêneres sem mencionar no termo. Diferentemente, é o que argumenta a contribuinte, que entende, por sua vez, que é um conceito abrangente, similar ao da legislação prevista para as seguradoras. Quando se fala em saúde, estáse diante de um serviço público, previsto na Constituição Federal em seus artigos 196 e seguintes: Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 8 igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. Por mais que a assistência à saúde seja livre à iniciativa privada, como se trata de um serviço público, ela é regulamentada por meio da Agência Nacional de Saúde Suplementar, que é a agência reguladora de planos de saúde no Brasil, conforme prevê na Lei nº 9.961, de 28 de janeiro de 2000: Art. 1o É criada a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS, autarquia sob o regime especial, vinculada ao Ministério da Saúde, com sede e foro na cidade do Rio de Janeiro RJ, prazo de duração indeterminado e atuação em todo o território nacional, como órgão de regulação, normatização, controle e fiscalização das atividades que garantam a assistência suplementar à saúde. Por meio da IN nº 08, de 28 de dezembro de 2006, há um anexo chamado "Plano de contas padrão operadoras de planos privados de assistência à saúde", tratase de regulamentação da própria ANS com o objetivo de estruturar a contabilidade das operadoras de planos de saúde. Portanto, no capítulo II, do anexo da referida instrução normativa, há uma explicação quanto aos eventos/ sinistros indenizáveis: Eventos/Sinistros Indenizáveis A apropriação da despesa deverá ser efetuada, considerandose a data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, correspondente aos eventos/sinistros ocorridos. É importante observarse que, o fato gerador da despesa não deve ser confundido com a data em que ocorrer o atendimento aos beneficiários dos planos de assistência à saúde, pois, nestes casos, as operações, via de regra, tratamse de eventos/sinistros ocorridos e não avisados, passíveis portanto, do reconhecimento como provisão técnica específica (PEONA), nos moldes da regulação em vigor. (grifos não constam no original) A referida instrução fala em beneficiários dos planos de assistência à saúde, não fazendo qualquer tipo de segregação, como aduziu a fiscalização. A contribuinte demonstra na impugnação, fls. 2096/2097,que possui diversas modalidades de atendimento: Além de se proporcionar assistência à saúde por meio da Rede Própria, a OPS também disponibiliza serviços com o auxílio de duas modalidades de "Terceiros", denominados (i) credenciados e (ii) congêneres. 1. Rede Própria: tratase da disponibilização de extensa gama de serviços para assistência integral à saúde dos beneficiários nas instalações próprias da Impugnante, com profissionais por ela contratados. (....) 2. Rede Credenciada: é a rede composta por profissionais autorizados/habilitados contratados para prestar serviços em nome e sob responsabilidade da Impugnante, ou seja, não há transferência de responsabilidade à Rede Credenciada. Os Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19515.722823/201341 Acórdão n.º 3302003.181 S3C3T2 Fl. 6 9 profissionais credenciados recebem os pagamentos da Impugnante pelos "eventos ocorridos", ou seja, no exato limite dos serviços prestados; e (....) 3. Congêneres: tratase da contratação de outra OPS para a prestação de serviços. Neste caso, há transferência de responsabilidade a esta operadora contratada ("compartilhamento do risco"). Ainda, diferentemente dos terceiros identificados acima, devese esclarecer que as congêneres recebem pagamentos fixos mensais, de acordo com a quantidade de beneficiários por ela assistidos, tenham ou não, recorrido aos serviços de assistência à saúde por ela disponibilizados: E elucida mais adiante, fls. 2102: Conforme exposto, a Impugnante realiza pagamentos aos credenciados em duas hipóteses distintas: (i) pela prestação de serviços de assistência à saúde aos clientes da própria Intermédica; e (ii) em razão da assistência prestada a associados de outras OPS, que a contratam como congênere. Em ambos os casos, os pagamentos pelos serviços contratados são efetuados em razão da efetiva ocorrência do evento (atendimento de assistência à saúde). Ocorre que o termo de verificação fiscal não fez a referida análise quanto ao pagamento dos credenciados em relação aos clientes da própria Intermédica e em relação aos associados de outras operadores de plano de saúde, quando ela atua como congênere. O acórdão da DRJ/São Paulo I, fls. 2369 , demonstra isso: Se outras questões eventualmente impactaram os valores lançados de PIS e Cofins, isto não é dito e abordado pela Autoridade Lançadora, de tal sorte que todas as contribuições lançadas neste processo, relativamente a todos os períodos de apuração, devem ser tomadas como resultante do critério da Autoridade Fiscal em favor da desconsideração de despesas da operadora de saúde com seus próprios beneficiários/clientes. O critério da fiscalização foi a desconsideração de despesas da operadora de saúde com seus próprios clientes/beneficiários. Em relação à legislação em vigor, a Lei nº 12.873/2013 trouxe um acréscimo no art. 3º, da Lei nº 9.718/1998, trazendo o § 9ºA, com a finalidade de acabar com qualquer tipo de divergência hermenêutica: Lei nº 9.718/1998 Art. 3º. (...) (...) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA 10 trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (grifos não constam no original) Assim, diante do previsto, não há qualquer dúvida de que as indenizações, correspondentes aos eventos ocorridos, estendese tanto aos custos de beneficiários da própria operadora, como aos beneficiários de outra operadora, atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Por se tratar de uma lei interpretativa, aplicase aos fatos pretéritos em conformidade com o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Por tal motivação, mantémse o que foi decido pela DRJ/São Paulo I. 2. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso de ofício, mas nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 24/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Numero do processo: 19515.000981/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS. OBSCURIDADE. OMISSÃO.
Verificada omissão em relação a determinado tema no acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. In casu, os aclaratórios opostos devem ser admitidos e providos parcialmente, tão somente, para sanar a omissão do acórdão embargado quanto à questão da "Compensação de Prejuízos de Anos Anteriores", com os devidos esclarecimentos e retificação.
Numero da decisão: 1301-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, dar-lhes provimento parcial para retificar o resultado do julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista.
Nome do relator: Relator
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DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO E COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CAMARGO CORREA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS. OBSCURIDADE. OMISSÃO. Verificada omissão em relação a determinado tema no acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. In casu, os aclaratórios opostos devem ser admitidos e providos parcialmente, tão somente, para sanar a omissão do acórdão embargado quanto à questão da "Compensação de Prejuízos de Anos Anteriores", com os devidos esclarecimentos e retificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer dos embargos para, no mérito, darlhes provimento parcial para retificar o resultado do julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 81 /2 00 9- 60 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão 1301001.178, de 09 de abril de 2013, por meio do qual, acordaram os membros desta Primeira Turma de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar os lançamentos dos autos de infração, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. Da decisão foi prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL NA HIPÓTESE. A presunção legal de distribuição disfarçada de lucros de que tratam os art. 464 e seguintes do RIR/99 somente se pode verificar na transferência de patrimônios que se efetiva no sentido da empresa investida para a sua respectiva investidora, não se podendo admitila no sentido inverso. PESSOA LIGADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE BENEFÍCIO. Sendo a transferência de patrimônio (participações acionárias) realizadas entre empresas de um mesmo grupo econômico e pelos respectivos valores constantes na contabilidade para fim específico de integralização e/ou aumento de capital, não se verifica o “benefício” a ser auferido pela apontada “pessoa ligada”, sendo, portanto, inaplicável a hipótese do art. 466 na espécie. A Embargante sustenta no presente pleito dois pontos de obscuridade e omissão: (i) com relação à matéria de compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores, pois, no caso, somente no voto vencido tal assunto é tratado, restando, desta maneira, obscuridade entre a parte dispositiva do acórdão e o constante no voto vencido. Afirma da necessidade de se esclarecer se o voto vencedor resolveu cancelar a autuação também no que toca a esta matéria; (ii) Esse Eg. Colegiado concluiu, por maioria de votos, não estar configurada a hipótese de Distribuição Disfarçada de Lucros – DDL, de que tratam os arts. 464 a 466 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, mas, verificase, no caso, que há plena subsunção dos fatos narrados no termo de verificação fiscal à norma insculpida no art. 466 c/c art. 464, I, do RIR. Este relator se manifestou no sentido da admissão dos presentes embargos, a qual foi acatada pelo Presidente desta Terceira Câmara. É o relatório. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.933 S1C3T1 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e deles conheço. Como visto, aponta a embargante que o lançamento sob discussão, no que toca à Distribuição Disfarçada de Lucro/DDL, se escudou nos arts. 464 a 466 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, com plena subsunção dos fatos narrados no termo de verificação fiscal à norma insculpida. Não obstante, ao decidir sobre a matéria, o Colegiado através do voto vencedor (maioria de votos), decidiu por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos entendendo inviabilizada a possibilidade de configuração das hipóteses da Distribuição Disfarçada de Lucros – DDL de que tratam os art. 464 a 466 do RIR/99 ao caso que se apresenta nos presentes autos. Um outro ponto apontado pela autoridade embargante é com relação à matéria de compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores, pois, no caso, somente no voto vencido tal assunto é tratado, restando, desta maneira, obscuridade entre a parte dispositiva do acórdão e o constante no voto vencido. Afirma da necessidade de se esclarecer se o voto vencedor resolveu cancelar a autuação também no que toca a esta matéria. Assim, sustenta a Fazenda Nacional que tais fatos resultam em contradição e omissão, capazes de ensejar os presentes embargos declaratórios. Pois bem. No primeiro ponto, constatase que o decidido pelo Colegiado (voto vencedor), consistiu em analisar a situação concreta da autuação que é representada, pela integralização de capital feita pela autuada (Camargo Correa S/A – CCSA) em sua controlada Camargo Correa Cimentos – CCC, a partir da transferência de participações acionárias por ela mantida nas empresas ITAÚSA e USIMINAS, pelo valor contábil dos referidos direitos e não pelo seu respectivo valor de mercado. Aduz, mais, a caracterização da DDL, conforme apontado no Termo de Verificação Fiscal, decorreria do fato de que, o valor do registro contábil das referidas participações seria substancialmente inferior ao valor de mercado, o que acarretaria, então, segundo a visão da fiscalização, um “favorecimento” da empresa Participações Morro Vermelho – PMV (sócia majoritária da CCSA), na aplicação da hipótese conferida pelo art. 466 do RIR/99. Neste ponto, por esclarecedor convém transcrever os seguintes excertos do voto vencedor: Em que pese os fundamentos adotados pelo ilustre Sr. Relator, com a devida vênia ouso discordar, sobretudo porque, a meu sentir, ao contrário do que apontado pelos ilustres agentes da fiscalização, a hipótese de Distribuição Disfarçada de Lucros somente se mostra possível – ao menos em tese, no sentido único que é o da transmissão de bens e/ou direitos da investida a seus investidores, especificamente, e não no sentido reverso (do investidor para a investida). Fl. 949DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 A situação desenhada na hipótese aqui apresentada é curiosa, especificamente porque, conforme se verifica, com a utilização da presunção apontada, acabase por configurar uma ilicitude formada, exclusivamente, a partir de atos perfeitamente lícitos e admitidos pelo ordenamento jurídico pátrio. Ora, as participações mantidas pela empresa CCSA nas investidas ITAUSA e USIMINAS configuramse como bens e direitos componentes de seu patrimônio, cuja utilização, para fins de integralização e/ou aumento de capital em empresas por ela controladas (Ex: CCC), pode, perfeitamente, ser realizada pelo seu valor contábil OU pelo seu respectivo valor de mercado. A empresa Camargo Correa Cimentos CCC, é empresa controlada pela Camargo Correa S/A, tendo dela recebido, como se verifica, a transferência – para fins de acréscimo patrimonial – das participações acionárias acima referenciadas, operação que, para a manutenção de sua completa e total neutralidade, foi realizada pelo seu exclusivo valor contábil, não possuindo, por isso, qualquer efeito fiscal. O ponto de fundamental destaque é que, sendo presunção, a configuração da Distribuição “Disfarçada” de Lucros somente seria possível como destacado, nas hipóteses em que a distribuição regular de lucros se mostrasse ao menos abstratamente possível, sendo presumida ante a verificação e o afastamento dos ardis legal e objetivamente apontados. Ora, nessa linha, a empresa Camargo Correa S/A – CCSA nunca “distribuiria lucros” à Camargo Correa Cimentos – CCC, o que, como destacado, somente poderia ser verificado no sentido especificamente contrário, que seria a CCC para a CCSA, não se verificando, com esse cenário, qualquer possibilidade de configuração da hipótese legal da DDL, da forma como apontada pela fiscalização. Assim sendo, penso que a decisão majoritária no sentido de desqualifcar a possibilidade de configuração das hipóteses da Distribuição Disfarçada de Lucros – DDL de que tratam os art. 464 a 466 do RIR/99 ao caso concreto se mostrou coerente com seus fundamentos. De se observar que a contradição e omissão que ensejam a interposição de embargos é aquela verificada entre a decisão e seus fundamentos, conforme disciplina do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Da mesma forma dispunha o RICARF anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Como se viu, não é a situação verificada nos autos. Nessa linha, voto pela rejeição dos embargos declaratórios em relação a este primeiro ponto. Quanto à segunda questão, em que pese, o voto vencedor concluir pela completa e total insubsistência do lançamento efetivado, de fato, não tece nenhuma consideração em relação à "Compensação de Prejuízos Fiscais de Anos Anteriores", mesmo porque a discordância resulta, tão somente, em relação a exação "Distribuição Disfarçada de Lucros", como já visto. Compulsando os autos, constatase que do Termo de Verificação Fiscal de fls. 129/136 que compõe Auto de Infração de que trata, o seguinte texto: "COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL Embora o Contribuinte possuísse, no anocalendário de 2004, um estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$ 2.898.789,24, conforme Fl. 950DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.933 S1C3T1 Fl. 13 5 Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — SAPLI (anexo), abateu de seu Lucro Real o valor R$ 3.431.917,70 (Ficha 09A — Linha 44). Assim, o valor compensado a maior (R$ 533.128,46) será glosado para efeito da correta apuração da base de cálculo do período." Aqui, como já dito, em que pese a discordância do relator do voto vencedor se referir, tão somente, a matéria, Distribuição Disfarçada de Lucro (DDL), importa transcrever a conclusão do seu voto (vencedor): "Diante dessas considerações, com a devida e necessária vênia ao ilustre Sr. Relator, entendo inviabilizada a possibilidade de configuração das hipóteses da Distribuição Disfarçada de Lucros – DDL de que tratam os art. 464 a 466 do RIR/99 na hipótese apresentada nos presentes autos, razão porque DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo, com isso, a completa e total insubsistência do lançamento efetivado." Neste caso, admitese parcialmente os embargos com o intuito dos esclarecimentos quanto a matéria "Compensação de Prejuízos Fiscais de Anos Anteriores" em relação ao resultado do julgamento constante de ata. Importa, no caso, transcrever os termos do Voto Vencido quanto a matéria: "DA GLOSA DOS PREJUÍZOS FISCAIS DITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. A autuada recorre neste ponto aduzindo que a Fiscalização procedeu à glosa de parte dos prejuízos compensados em 31/12/2004, no montante de R$ 533.128,46, de forma equivocada. Alega que o valor dos prejuízos por ela apurado no ano calendário de 2001 e objeto da glosa, estava correto. A retificação da apuração do lucro real relativo ao ano calendário de 2001, por meio do processo administrativo fiscal no. 19515.000543/200659, decorreu de erro cometido pela própria Receita Federal, a qual não poderia ter compensado novamente o mesmo saldo de estoque de prejuízos fiscais já utilizado por ele. Compulsando os autos do presente processo extraio as seguintes informações: "Embora o contribuinte possuísse, no ano calendário de 2004, um estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor de R$2.898.789,24, conforme Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais SAPLI (anexo), abateu de seu Lucro Real o valor de R$3.431.917,70 (Ficha 09A Linha 44). Assim, o valor compensado a maior (R$533.128,46) será glosado para efeito da correta apuração da base de cálculo do período. A Delegacia de Julgamento manteve na r. Decisão recorrida a glosa de prejuízos fiscais compensados em 31/12/2004, sob a alegação de que a redução de prejuízos fiscais inerentes ao ano calendário de 2001 foi legitimamente levada a efeito perante o estoque de Prejuízos Fiscais da Recorrente, mediante autuação formalizada através do Processo Administrativo n°. 19515.000543/200659, consoante se depreende das informações consignadas às fls. 280/289.” Neste passo, constatase que a discussão a respeito do prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 2001 encontrase no PAF Fl. 951DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 no.19515.000543/200659, o qual fora instaurado em razão das infrações constatadas pela Fiscalização à época, e que segundo relatório de fl. 280, envolve basicamente a dedução indevida de despesas pelo sujeito passivo na apuração do lucro real. Ressaltese, por pertinente, que o citado processo administrativo encontrase, atualmente, arquivado na Procuradoria da Fazenda Nacional/SP. Assim, se o recorrente discordasse do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal quanto à retificação do lucro real apurado no ano calendário de 2001, deveria ele ter apresentado as correspondentes razões de sua insurgência naquele processo (19515.000543/200659). Neste, o que se discute é o reflexo da autuação fiscal promovida naquele primeiro processo. Constatase do Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais — SAPLI — de fls. 140/154, que a autoridade fiscal aferiu o estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores a 2004 desde o ano de 1996, transferindo de um ano para outro o saldo de prejuízo a compensar até o ano calendário de 2004. Analisando o demonstrativo de fl. 289 e o extrato do PAF no 19515.000543/200659 de fls. 280/281, concluise que o lucro real do ano calendário de 2001 apurado pelo contribuinte à época (prejuízo fiscal de R$ 7.542,85) fora alterado pela Autoridade Fiscal em outubro de 2008 (para lucro real de R$ 1.751.952,05). Tal alteração decorreu do fato de parte das glosas discutidas naquele processo ter se tornado definitiva no âmbito fiscal (trânsito em julgado administrativo). Portanto, correta a adoção dos valores nele estipulados pelo lançamento. Ao contrario do que aduzido pelo recorrente, o prejuízo fiscal acumulado no ano calendário de 2004 adotado pelo fiscal não decorreu da primeira glosa efetuada pela Receita Federal no PAF no. 19515.000543/200659, assim como não fora compensado qualquer saldo em duplicidade. 0 Auditor Fiscal calculou corretamente o prejuízo acumulado até o ano de 2004 com base no lucro real do ano de 2001 determinado definitivamente por meio de outro processo administrativo fiscal. Neste ponto, pelos motivos acima e calcados nos documentos citados, demonstrase que o recorrente efetivamente compensou no ano calendário de 2004 estoque de prejuízos fiscais de períodos anteriores em montante superior ao devido." Ou seja, evidente, que no processo ora em exame, a matéria "Compensação de Prejuízos Fiscais de Anos Anteriores", em resumo, diz respeito a estoque de prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores, não se referindo, portanto, ao ano calendário de 2004, objeto dos autos de infração de que trata o presente processo. Constatase que o valor acumulado no montante de R$2.898.789,24, conforme Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais SAPLI e, foi compensado neste ano (2004) de seu Lucro Real o valor de R$3.431.917,70 (Ficha 09A Linha 44). Assim, o valor compensado a maior (R$533.128,46) foi glosado para efeito da correta apuração da base de cálculo do período (ajuste). Nesse passo, deixar claro, que mesmo diante da exoneração (voto vencedor) do auto de infração em relação a matéria "Distribuição Disfarçada de Lucros" o valor glosado deve ser mantido. Em conclusão, diante da inexistência da omissão apontada no item precedente (Distribuição Disfarçada de Lucros), admito parcialmente os embargos para os Fl. 952DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19515.000981/200960 Acórdão n.º 1301001.933 S1C3T1 Fl. 14 7 esclarecimentos que se fizeram necessários em relação ao segundo ponto "Compensação de Prejuízos Fiscais de Exercícios Anteriores". Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de conhecer parcialmente os embargos interpostos para retificar o resultado do julgamento constante de ata da Sessão de 09 de abril de 2013, conforme a seguir: De: "Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar os lançamentos constantes dos autos de infração, nos termos do voto Vencedor. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro, Carlos Augusto de Andrade Jenier." Para: Acordam os membros do colegiado, POR MAIORIA DE VOTOS, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento com relação a matéria "Distribuição Disfarçada de Lucros". Vencidos, neste item, os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator) e Wilson Fernandes Guimarães. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO em relação as demais matérias. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 953DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001763/00-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
ARBITRAMENTO
O arbitramento é medida extrema. Só pode ser adotado, quando comprovado que a autoridade fiscal, apesar de ter envidado esforços significativos, não foi atendida pelo contribuinte. Se os representantes do sujeito passivo foram intimados a comparecer à repartição e comprovam que o fizeram, sem que fossem atendidos pela autoridade fazendária, a intimação por edital para a apresentação de documentos não dá azo ao arbitramento.
Numero da decisão: 1401-001.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para ANULAR a autuação por vício formal.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 ARBITRAMENTO O arbitramento é medida extrema. Só pode ser adotado, quando comprovado que a autoridade fiscal, apesar de ter envidado esforços significativos, não foi atendida pelo contribuinte. Se os representantes do sujeito passivo foram intimados a comparecer à repartição e comprovam que o fizeram, sem que fossem atendidos pela autoridade fazendária, a intimação por edital para a apresentação de documentos não dá azo ao arbitramento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para ANULAR a autuação por vício formal. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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Só pode ser adotado, quando comprovado que a autoridade fiscal, apesar de ter envidado esforços significativos, não foi atendida pelo contribuinte. Se os representantes do sujeito passivo foram intimados a comparecer à repartição e comprovam que o fizeram, sem que fossem atendidos pela autoridade fazendária, a intimação por edital para a apresentação de documentos não dá azo ao arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para ANULAR a autuação por vício formal. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 17 63 /0 0- 38 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório No presente feito, já foi proferido o acórdão nº 10808.739 pela Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, em 02 de fevereiro de 2006. Naquela oportunidade o Conselho deixou de conhecer o recurso por ausência do depósitos recursal. O crédito chegou inclusive à ser inscrito em dívida ativa. Nada obstante, a declaração de inconstitucionalidade da condição recursal, consolidada pela Súmula Vinculante STF nº 8 "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo" , impõe a análise do mérito do recurso voluntário originalmente oferecido. Por bem retratar o feito até o recurso voluntário, reproduzo o inteiro teor do relatório daquela decisão: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10735.001763/0038 Acórdão n.º 1401001.652 S1C4T1 Fl. 270 3 É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A partir de agora, faremos referência exclusivamente às folhas do processo eletrônico. No termo de diligência fiscal (fl. 08), a autoridade fiscal consigna que não localizou o contribuinte no endereço registrado perante a Receita Federal (Av. Getúlio de Moura, 1070, Centro, Nova Iguaçu RJ). Fl. 271DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 O termo é assinado por apenas uma autoridade fiscal. Ato contínuo, a autoridade fiscal intima por via postal a Senhora Maria Jane Pavan Piorotti (fl. 10) e o senhor Jorge Luiz Piorotti (fl. 12), responsáveis pela pessoa jurídica ora autuada, para comparecerem à repartição. Abaixo, reproduzo os termos das duas intimações (aliás, que são idênticos nas duas): Na fl. 13, consta edital com a intimação para a apresentação dos livros e com a advertência acerca do arbitramento. A seguir, é lavrado o auto de infração com uma descrição integrada em que a autoridade fiscal relata os atos acima (comparecimento ao domicílio da pessoa jurídica, intimação dos sócios e intimação editalícia). A ciência do auto de infração é dada à empresa e aos dois sócios (fls. 6167) por via postal. Apesar da assinatura aposta no AR da pessoa jurídica, ela foi cientificada também por edital (fl. 68). A pessoa jurídica, representada por seu sócio, o Sr. Jorge, apresentou o recurso voluntário às fls. 6970, em que basicamente aduz ter a Sra. Maria comparecido à repartição no horário designado pela autoridade fiscal, conforme sua intimação, mas não a encontrou. Apresenta como prova do comparecimento o registro no próprio termo de intimação (fl. 71). Aduz que deixou telefones para a autoridade fiscal entrar em contato e que retornou à repartição outras vezes, mas sem conseguir contato com o fiscal. Assim, impugna a exigência por se considerar prejudicado pelo arbitramento. A DRJ manteve a exigência ao afirmar que o fato de a representante da empresa não ter encontrado a autoridade fiscal na repartição é irrelevante, pois a Sra. Maria poderia ter se informado do teor da intimação com outros funcionários. Abaixo, reproduzo o trecho pertinente da decisão: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10735.001763/0038 Acórdão n.º 1401001.652 S1C4T1 Fl. 271 5 O recurso repisa os argumentos da impugnação. Ora, o argumento apresentado pela decisão recorrida para desconsiderar o comparecimento da representante da empresa é claramente equivocado. Em primeiro lugar, dificilmente outros funcionários teriam conhecimento acerca da ação fiscal. As ações fiscais são geralmente conduzidas de forma individual pelas autoridades fiscais ou em parceria, o que aparenta não ter ocorrido no presente caso. Além da autoridade fiscal, só o supervisor e, nem sempre, conhece o andamento dos procedimentos fiscais. Em segundo lugar, mesmo que considerássemos a possibilidade de haver funcionários com o conhecimento acerca do procedimento de fiscalização, era ônus do servidor que recebeu a senhora conduzila a quem poderia lhe dar essa informação. Em terceiro lugar, mesmo que houvesse algum servidor com conhecimento acerca do procedimento fiscal, este possui natureza formal. Seria necessário que a senhora fosse intimada por escrito disso e o documento fosse carreado aos autos. Ora, se os representantes foram intimados para comparecer à repartição "às cegas", poderiam perfeitamente ter sido intimados com o teor do edital publicado, ou seja, para apresentarem a documentação exigida. Como é de amplo conhecimento, o arbitramento é medida extrema. Só pode ser adotado, quando comprovado que a autoridade fiscal, apesar de ter envidado esforços significativos como, no mínimo, uma intimação e uma reintimação de igual teor para a apresentação de documentos não foi atendida pelo contribuinte. O procedimento nem de longe cumpriu esses requisitos. Assim, só nos resta considerar improcedente o arbitramento e afastar a exigência. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para anular a autuação por vício formal. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.732821/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 07/08/2009 a 28/10/2010
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE.
Conforme art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.
O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento").
Numero da decisão: 3401-003.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) respeitante à possibilidade de revisão do lançamento tributário - por maioria, negou-se provimento, vencido o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que dava provimento, sendo que o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanhou pelas conclusões; e, ii) quanto à alíquota aplicável e a faculdade da opção por regime especial de apuração - por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o advogado Marco Antonio Meneguetti, OAB/DF no 3.373, representante do responsável solidário COPAPE Produtos de Petróleo LTDA.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 07/08/2009 a 28/10/2010 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE. Conforme art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento").
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AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 07/08/2009 a 28/10/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 73 28 21 /2 01 3- 51 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE. Conforme art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: i) respeitante à possibilidade de revisão do lançamento tributário por maioria, negouse provimento, vencido o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que dava provimento, sendo que o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira acompanhou pelas conclusões; e, ii) quanto à alíquota aplicável e a faculdade da opção por regime especial de apuração por unanimidade, negouse provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o advogado Marco Antonio Meneguetti, OAB/DF no 3.373, representante do responsável solidário COPAPE Produtos de Petróleo LTDA. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida (suplente), Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração lavrados em 26/12/2013 (fls. 2 a 97)1, com ciência dos autuados em 03/01/2014 fls. 135 e 138, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação, respectivamente, nos valores originais principais de R$ 7.521.088,22 e R$ 34.779.169,88, acrescidos de juros de mora e multa de ofício (75%), por falta de pagamento em importações de "nafta para formulação de gasolina", sujeita a alíquota específica, conforme § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004. No Relatório Fiscal de fls. 17 a 39, narra a fiscalização que: (a) verificou as importações de "nafta para formulação de gasolina" realizadas de julho de 2009 a outubro de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 296DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.732821/201351 Acórdão n.º 3401003.136 S3C4T1 Fl. 296 3 2010, pela filial de CNPJ no 05.889.885/000307, da empresa Centro Oeste Exportadora e Importadora Ltda (Centro Oeste), concluindo que foram utilizadas indevidamente as alíquotas gerais das contribuições (à exceção das DI no 09/09927230 e no 10/14862568), quando o cálculo deveria ter sido efetuado com base nas alíquotas específicas estabelecidas em lei, por ser a "nafta para formulação de gasolina" uma corrente de gasolina (aplicandose o art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004); (b) sendo as importações da realizadas na modalidade por conta e ordem, o adquirente Copape Produtos de Petróleo LTDA (Copape) é responsável solidário, por expressa disposição legal (art. 6o, I da Lei no 10.865/2004); (c) nas importações, à exceção de duas (DI no 10/11127336 e no 10/11429545), a mercadoria é descrita como "correntes de hidrocarbonetos para formulação de gasolina"; (d) o recolhimento de CIDE/Combustíveis, nas importações, foi feito com admissão de que as mercadorias se tratavam de correntes de gasolina; e (e) nas operações, é irrelevante, para efeito da tributação das importações pelas contribuições, que a empresa tenha optado pelo regime especial de que trata o art. 23 da Lei no 10.865/2004. A empresa Centro Oeste apresenta Impugnação em 25/01/2014 (fls. 142 a 154), alegando que: (a) a opção pela alíquota geral foi correta, tendo sido a exigência efetuada por analogia, sendo que, "em caso de ambiguidade ou dúvida quanto à incidência do critério normativo de alíquota, a questão essencialmente de direito deve ser resolvida em prol da regra jurídica geral do critério normativo ad valorem e não da exceção ad rem"; (b) a expressão "independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido", na parte final do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004 não rege a obrigatoriedade do critério da alíquota específica, mas da alíquota geral; e (c) é impossível, juridicamente, a revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, conforme já decidiu o STJ (REsp no 65858/RS, AgRg no 1422444/AL e Súmula no 227TFR). A empresa Copape, por sua vez, apresenta Impugnação em 31/01/2014 (fls. 187 a 202), basicamente com os mesmos argumentos externados pela empresa Centro Oeste, acrescentando que os efeitos tributários da carga fiscal efetiva arrecadada pelo fisco são rigorosamente semelhantes, demandando conversão em diligência para conferência do procedimento de tomada de crédito. A decisão de primeira instância, proferida em 18/01/2014 (fls. 239 a 253) é pela improcedência da impugnação, considerando prescindível a realização de diligência, e que: (a) não houve alteração de critério jurídico, devendo ser considerada, na leitura da Súmula TRF no 227, a alteração efetuada em 1988 no DecretoLei no 37/1966, e a criação de canais de conferência aduaneira; (b) as contribuições devidas na importação são distintas daquelas incidentes no mercado interno, devendo cada obrigação ser cumprida a seu tempo e de acordo com as regras que disciplinam cada matéria; e (c) a Lei no 10.865/2004 expressamente prevê a alíquota específica para as importações de gasolinas e suas correntes, em qualquer hipótese, independente de opção. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 272) em 28/11/2014, a empresa Copape apresenta o recurso voluntário de fls. 277 a 290 (em 22/12/2014), reiterando as alegações de impossibilidade de revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, com menção à jurisprudência do STJ, de correção da alíquota adotada, e de equivalência da carga fiscal para as diferentes alíquotas. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Frustrada a tentativa de intimação pela via postal (AR devolvido à fl. 274), a empresa Centro Oeste é cientificada por edital (fl. 292), em 30/12/2014, não tendo havido interposição de recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado da empresa Copape atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta, assim, revel a empresa Centro Oeste. São dois, basicamente, os temas contenciosos: (a) a existência ou não de alteração de critério jurídico na revisão aduaneira efetuada; e (b) a alíquota aplicável ao caso (ad rem ou ad valorem). Traz, ainda, a recorrente, uma terceira discussão aos autos, sobre os efeitos tributários da carga fiscal efetiva. Da "revisão" aduaneira Alega a recorrente que é impossível, juridicamente, a revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, conforme já decidiu o STJ (v.g., REsp no 65858/RS, AgRg no 1422444/AL e Súmula no 227TFR). Sobre o tema, já tivemos a oportunidade de externar entendimento em artigo publicado em 2012. Aproveitase para reproduzir excerto de tal estudo, plenamente aplicável ao caso aqui analisado (ainda que não verse sobre classificação de mercadorias):2 “O art. 638 do Regulamento Aduaneiro, com base no art. 54 do DecretoLei no 37, de 1966, com a redação com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, estabelece que revisão aduaneira “é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”. A revisão aduaneira assume crescente importância, na medida em que se está selecionando para conferência aduaneira, no despacho, um percentual cada vez menor de declarações de importação. Chegase até a cogitar a impropriedade da denominação do instituto, visto que o termo “revisão” sugere que já tenha havido uma primeira análise, o que nem sempre ocorre nas importações. No canal verde, por exemplo, sequer 2 A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros. Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 341376. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.732821/201351 Acórdão n.º 3401003.136 S3C4T1 Fl. 297 5 houve verificação da mercadoria ou exame documental; no amarelo, não ocorreu a verificação da mercadoria; e, mesmo no vermelho, pode ser que a verificação, feita por amostragem, não tenha abarcado especificamente o tópico que venha a ser discutido futuramente em procedimento de “revisão” aduaneira. Assim, a revisão aduaneira (cuja denominação fica cada vez mais inadequada), em verdade, tornase frequentemente a primeira oportunidade em que as informações prestadas pelo importador na declaração de importação são checadas pelo fisco. São numerosas as reclassificações de mercadorias desembaraçadas em canal verde (ou seja, sem qualquer intervenção humana).” (op. cit, p. 364) Também já efetuamos considerações sobre o tema em julgamentos anteriores, com acolhida unânime da turma: "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias, não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita)." (Acórdão n. 3403002.555, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 23.jan 2013; e Acórdão n. 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25.fev 2014) (grifo nosso) É de se acrescentar que nos presentes autos sequer se menciona em quais canais de conferência foi a mercadoria desembaraçada, e tal matéria não é objeto de controvérsia específica, alegando a recorrente (fl. 283), simplesmente, em referência a todas as operações, que: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Equivocado, de qualquer modo, o argumento generalizado de que a autoridade conhecia os fatos, sendo o erro de direito, ocasionando "alteração de critério jurídico" o que remeteria à jurisprudência utilizada na peça recursal. As contribuições devidas na importação, assim como o imposto de importação, são tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. O sujeito passivo (em regra, o importador) detalha em uma DI (declaração de importação) as mercadorias que está importando, suas classificações e seus valores, entre outras informações (como a alíquota, se ad rem), e paga os tributos devidos segundo seus cálculos, independentemente de qualquer ato administrativo. A declaração é, então, sujeita a conferência, podendo ser desembaraçada em canal verde (sem qualquer ato da autoridade fiscal), amarelo (com verificação apenas dos documentos), vermelho (com verificação dos documentos e da mercadoria, por amostragem), ou cinza (com procedimento especial de controle aduaneiro). É míope e desconectada da realidade do comércio internacional a visão de que o desembaraço aduaneiro é um ato cujo objetivo central seja o lançamento de crédito tributário, ou sua homologação. O crédito tributário é coadjuvante nesse processo, exatamente porque pode ser exigido a posteriori, mediante "revisão" aduaneira. Em zona primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira), a principal preocupação é com o cometimento de fraudes (como a importação de mercadoria proibida), especialmente se houver possibilidade de que um procedimento de fiscalização posterior seja frustrado (v.g., pela própria inexistência de fato do importador ou do real adquirente da mercadoria). É essa a realidade, hoje, no Brasil e em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento do mundo, que passaram a adotar, para não obstaculizar o comércio e para não entravar os portos, aeroportos etc., parâmetros de seletividade, fiscalizando efetivamente baixo percentual de cargas importadas, restringindo a análise àquelas que apresentem efetivo potencial de risco, não sendo o tema tributário, repitase, protagonista nessa discussão (em face de o crédito poder ser exigido a posteriori).3 Assim, aquele que invoca a Súmula no 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), no Brasil, para tratar de "revisão" aduaneira, está meio século atrasado na análise da questão, pois está a raciocinar na realidade da redação original do DecretoLei no 37/1966, e no contexto em que todas as mercadorias e todos os documentos de todas as declarações de importação eram (ou, ao menos, deveriam ser) examinados, quando hoje, a regra é a ausência de exame. Não é preciso muito esforço para perceber que a Aduana brasileira mudou em relação àquela que existia há meio século, à época em que se consolidou o entendimento expresso na súmula no 227, inadvertidamente mantido em realidade diversa, inclusive pelo STJ, como se depreende dos precedentes colacionados pela recorrente. 3 Como não é possível (nem efetivo) fiscalizar um percentual elevado das cargas que chegam ao País ou dele saem, investese em mecanismos de seleção fundados em parâmetros objetivos previamente cadastrados, permitindo que se verifiquem em despacho as mercadorias sobre as quais recai o mais alto grau de risco, ou as mercadorias com indícios de prática de fraude para a qual a fiscalização a posteriori seja improdutiva. Algumas infrações, como as relativas a propriedade intelectual, a saúde, ou que possam resultar em contrabando, devem ser tratadas em tempo de despacho. Outras, como o simples erro de classificação fiscal, ou o simples preenchimento incorreto de campo, poderiam ser objeto de fiscalização a posteriori (a menos que haja elementos que levem à convicção de que a empresa infratora é inexistente de fato, ou não disporá de patrimônio para saldar a dívida a posteriori, v.g.). Assim, a exemplo do que ocorre em diversos países, o Brasil prioriza, em despacho, o tratamento de um quantitativo reduzido de declarações, dando maior fluidez ao comércio internacional. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.732821/201351 Acórdão n.º 3401003.136 S3C4T1 Fl. 298 7 Basta uma olhadela no sítio web da RFB para que vejamos quais as preocupações da aduana, hoje:4 "Aumento na Fluidez no Comércio Exterior Na importação, a fluidez é medida pelo percentual de declarações que são desembaraçadas com menos de 24 horas (Indicador do Grau de Fluidez). No primeiro semestre de 2015, 84,73% do total dos despachos de importação registrados foram liberados pela Aduana em menos de um dia. Isto representa uma melhora da fluidez na importação de 1,4% em relação ao primeiro semestre de 2014 e de 1,9% em relação ao primeiro semestre de 2013. (...) Mais rapidez dos tempos no despacho O tempo médio bruto de despacho na importação (DI), o qual computa do registro da declaração até o seu desembaraço, tem o tempo médio de 1,60 dias no período de janeiro a junho de 2015, o qual representa a redução de 2,43% no comparativo 2015 x 2014. (...) Declarações de Importação e Exportação No primeiro semestre de 2015, a Aduana do Brasil desembaraçou 1,71 milhões de declarações de operações de comércio exterior, sendo 1,159 milhões de despachos de importação e aproximadamente 560 mil despachos de exportação. (...)" Lamentavelmente, neste último relatório disponível, de 2015, a Aduana brasileira não divulgou o número de declarações por canal de conferência. Mas no anterior, de 2014, é possível acessar os números, inclusive de forma gráfica:5 "A capacidade de conferência no despacho e a gestão de risco evoluíram nos últimos 12 anos, de forma a permitir a maior fluidez ao comércio, conforme mostram os dois gráficos seguintes e, ao mesmo tempo, a aumentar o grau de eficácia na seleção e a efetividade da atuação da Receita Federal no combate às irregularidades nas operações de importação e exportação. O Brasil hoje tem um nível de seletividade, na importação, da ordem de 11,02%, índice menor que o de 2013 (11,21%) e 9,28% na exportação. Um dos indicadores do Custom Assessment Trade Toolkit – CATT, utilizado pelo Banco 4 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2015", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana#, acesso em 01 mar.2016. 5 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2014", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana/arquivoseimagens/balancoaduaneiro2014.pdf, acesso em 01 mar.2016. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Mundial, relacionado ao nível de seletividade para controle do despacho aduaneiro, estabelece como parâmetro ideal 3% de seletividade. É a essa realidade que se pretende aplicar o art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN), imaginando que tenha sido efetuado no procedimento aduaneiro aqui descrito uma revisão como a malha do imposto de renda, ou uma fiscalização de IPI realizada na empresa. Atentese que a área em verde do gráfico corresponde ao percentual de declarações de importação para as quais não foi verificada nem a mercadoria importada nem os documentos que ampararam a importação (ou seja, declarações para as quais não houve qualquer intervenção humana). E a área em amarelo, às importações para as quais foram verificados apenas os documentos, cabendo destacar que, mesmo nas áreas vermelhas, foram verificados documentos e mercadoria por amostragem. Em síntese, a realidade e a própria legislação aduaneira hoje existentes são distintas do contexto tributário e aduaneiro do qual foram extraídas as conclusões que se informa serem amoldadas à Súmula no 227 do extinto TFR. Aliás, o período em que eram atuais e pertinentes tais discussões foi a década de 80 do século passado. E tais discussões levaram justamente à alteração do DecretoLei no 37/1966, em 1988. O Capítulo III do DecretoLei no 37/1966 (referente a "Normas Gerais de Controle Aduaneiro das Mercadorias") era originalmente subdividido em quatro seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 47; ‘conferência’, arts. 48 a 52; ‘desembaraço’ art. 53; e ‘revisão’ art. 54), estabelecendo este último artigo (54), único a compor a Seção IV, que: "Seção IV Revisão Art 54. A revisão para apuração da regularidade do recolhimento de tributos e outros gravames devidos à Fazenda Nacional será realizada na forma que estabelecer o regulamento, cabendo ao funcionário revisor 5% (cinco por cento), das diferenças apuradas, revogado o art. 4º do Decreto lei nº 8.663, de 14 de janeiro de 1946." (grifo nosso) O Decretolei no 2.472/1988, porém, deu nova redação a todo o Capítulo III do DecretoLei no 37/1966, que passou a contar com apenas duas seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 53; e ‘conclusão do despacho’ art. 54), dispondo, a partir de então, o artigo 54: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.732821/201351 Acórdão n.º 3401003.136 S3C4T1 Fl. 299 9 "Seção II Da Conclusão do Despacho Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei." (grifo nosso) Percebase que o legislador, em 1988, não desejou somente retirar dos funcionários o percentual das diferenças apuradas, mas também libertarse da tradicional visão eminentemente tributária do despacho. E desejou ainda deixar claro que o despacho não termina com o desembaraço. Por isso intitulou o antigo artigo que tratava da "revisão", na nova redação, como "da conclusão do despacho".6 Assumese, com tal comando normativo, ainda vigente, que a fiscalização não se esgota com o desembaraço, e que a "apuração da regularidade" (sem utilizar mais o texto de estatura legal a palavra "revisão") da declaração desembaraçada não é efetuada fora, mas dentro do despacho, que ainda não está concluído até que haja manifestação expressa (com a "revisão") ou tácita (com o decurso do prazo para sua realização). O termo "revisão" aduaneira, inexistente na nova redação do art. 54, continuou a ser usado pelas normas de hierarquia inferior (v.g., Regulamentos Aduaneiros de 2002 e 2009), mas deve se advertir que não se está, de fato, naquilo que ficou conhecido como "revisão aduaneira", revisando algo, mas simplesmente apurando, em continuidade das verificações efetuadas (se efetuadas) antes do desembaraço, a regularidade da operação, em seus aspectos tributários ou aduaneiros, inclusive no que se refere a restrições/proibições à importação. Estava o Brasil cada vez mais se adequando à regulação aduaneira internacional, e se distanciando da visão à época externada pelos tribunais, que ainda pareciam imaginar que nos portos, aeroportos e pontos de fronteira tudo se verificava (ou tudo se presume que teria sido verificado), e que a discussão aduaneira era, em verdade, tributária (embora se possa relacionar substancial lista de temas que podem ser objeto de revisão aduaneira e sequer produzem consequências tributárias: importação de bens sem autorização do órgão competente, contrabando, importação de bens com falsidade na documentação de amparo etc.). E, de lá para cá, com o surgimento de canais de conferência (em 1997), que expressamente dispensaram a verificação em alguns casos, tornouse absolutamente dissociado da realidade o entendimento de que se estaria, em um desembaraço, promovendo uma verdadeira homologação de lançamento (ainda mais quando em cerca de 90% deles sequer se verificou nada). Mas o posicionamento em alguns julgados do STJ, de forma aparentemente cômoda, acabou congelado no tempo, a parecer que ainda se verifica efetivamente 100% das cargas nos portos, aeroportos e pontos de fronteira brasileiros. 6 Para deixar ainda mais claro que o despacho aduaneiro não termina com o desembaraço, tal Decretolei, ao dar nova redação ao art. 102, § 1o do Decretolei no 37, de 1966, dispôs que “não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ...". Fl. 303DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 É certo que tal posicionamento, pela impossibilidade de revisão, poderia perigosamente levar o Brasil de volta à década de 60 do século passado, quando as cargas demoravam semanas (hoje, diante da relação funcionário / declarações de importação, seriam certamente meses) para serem verificadas, pois tal visão imporia efetivamente o dever de fiscalização de 100% da mercadoria importada e dos documentos correspondentes. E aí se poderia falar que o que ocorre depois do desembaraço seria uma efetiva "revisão". Estamos certos de que o problema não reside na Súmula no 227, mas em sua extensão a hipóteses em que não houve homologação alguma, mas simples liberação de mercadorias sob condição de posterior apuração de regularidade para conclusão do despacho. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Ademais, se o julgador do CARF está a analisar matéria aduaneira, deve tomar como vigente o art. 54 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 2.472/1988, e que não apresenta a restrição defendida pela recorrente e por julgados do STJ, não podendo o julgador administrativo negar vigência ao referido artigo 54, ainda que por afronta a dispositivo do CTN ou da própria Constituição, por determinação da Súmula CARF no 2 (que, por certo, não se refere somente a "lei tributária", mas também a lei "aduaneira, ou mesmo de outro ramo jurídico). A Súmula no 227, do TFR, tem teor irretocável: em nome da segurança jurídica, não há argumento que fragilize a afirmação de que “a mudança de critério jurídico não autoriza a revisão do lançamento”. O problema é aplicar tal súmula em casos nos quais não houve necessariamente lançamento nem homologação, como o presente. No presente processo, parece a recorrente entender que o teor da Súmula no 227 do TRF e dos julgados colacionados do STJ (que não vinculam este tribunal administrativo, salvo sistemática excepcional) lhe favorecem, mesmo tratando os autos de declarações de importação para as quais a recorrente sequer faz prova de que foram efetivamente verificadas por uma autoridade aduaneira. Deveria a recorrente ter apresentado ao menos uma declaração de importação onde o fisco efetivamente analisou a matéria aqui discutida. Afinal, todas as declarações de importação foram por ela registradas e está em sua posse a documentação de amparo. No presente caso, a fiscalização é que detecta que a empresa mudou seu comportamento, por duas vezes, nas declarações de importação registradas de julho de 2009 a outubro de 2010 (fl. 31/34): "Não obstante a descrição da mercadoria ser sempre a mesma, o recolhimento do PIS/PASEPImportação e da Cofins Importação com base nas alíquotas específicas fixadas no Decreto 5.059/2004 ocorreu apenas nas importações datadas de Fl. 304DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.732821/201351 Acórdão n.º 3401003.136 S3C4T1 Fl. 300 11 31/07/09 e 26/08/10 (data de registro), sendo que, nas demais, sempre utilizou as alíquotas ad valorem de 1,65% e 7,60%, respectivamente. (...) A tabela supra evidencia que, conforme já mencionado, em apenas duas importações, DIs de números 0909927230 e 1014862568, a empresa fez uso das alíquotas específicas" (grifo nosso) Não consta no presente processo informação de que nas duas DI que a empresa adotou o posicionamento que hoje ela própria questiona, de uso das alíquotas específicas, o fisco tenha reformado o entendimento. Afinal de contas, se era o "critério" da fiscalização que a alíquota aplicável era ad valorem (como parece defender a recorrente), não deveriam ter sido desembaraçadas as citadas DI. Resumemse, assim, os esforços da recorrente, em tecer considerações sobre revisão de critério jurídico, e sobre a jurisprudência do STJ, olvidandose a defesa de conectar tais temas a contento com o caso que se está a analisar. Afinal de contas, qual era o critério jurídico adotado pela fiscalização no caso concreto, se ambas as declarações (com alíquotas ad valorem e específicas) eram igualmente desembaraçadas sem ressalvas? Simples: o "critério" é de que os temas tributários que não demandam verificação in loco, nem ação imediata, como aqui se tratou, não são, em regra, analisados antes do desembaraço, mas sim em procedimento de "revisão" aduaneira. Por isso não se homologou nada, nem se efetuou lançamento, não havendo que se falar em alteração de critério jurídico "adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento", na letra do art. 146 do CTN. A defesa não traz, no caso, nenhum elemento que indique que houvesse efetivamente uma orientação (ou um critério) da fiscalização para aplicação da alíquota ad valorem. E não colaciona nenhum despacho no qual tenha enquadrado a mercadoria em alíquota específica e houvesse o fisco determinado o reenquadramento para a alíquota ad valorem. Fracassa, então, na tentativa de indicar que efetivamente teria havido alteração de critério pela fiscalização, e não meros atos administrativos de desembaraço / liberação de mercadorias no curso do despacho. Desnecessário, assim, qualquer procedimento de baixa em diligência para agora checar informação sequer ventilada nos autos de que poderia ter havido um caso, no período, para o qual a fiscalização determinou a aplicação de alíquota ad valorem, procedimento que a autuação condena. Afinal de contas, a própria fiscalização informa os dois casos em que a empresa enquadra as mesmas mercadorias em alíquotas específicas, sem noticiar qualquer ressalva efetuada no despacho. Ademais, esta turma vem manifestando entendimento majoritário de que somente naqueles casos em que tenha efetivamente havido verificação, com exigência efetuada ao importador para adequarse ao entendimento do fisco, e posterior exigência (em autuação) cobrando do mesmo importador entendimento diverso é que se poderia falar propriamente em Fl. 305DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 "revisão de critério jurídico" (Acórdãos no 3401003.107 e no 3401003.111)7. Não havendo vestígios da ocorrência de tal hipótese no presente processo, endossase a desnecessidade de diligência, que não se prestaria a impactar a conclusão do colegiado. Improcedentes, assim, as alegações de alteração de critério jurídico. Da alíquota aplicável nas importações de nafta É incontroverso, nos autos, que a empresa estava a importar "nafta para formulação de gasolina", uma corrente de gasolina, residindo o contencioso somente na aplicação ou não de dispositivos da Lei no 10.865/2004 (arts. 8o, § 8o e 23). Iniciemos nossa análise pelo que dispõe o texto do artigo 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004: "§ 8o A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido." (grifo nosso) E busquemos, na sequência, a análise lógica em conjunto com o texto do artigo 23 da mesma lei: "Art. 23. O importador ou fabricante dos produtos referidos nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e no art. 2o da Lei no10.560, de 13 de novembro de 2002, poderá optar por regime especial de apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados, respectivamente, em: I R$ 141,10 (cento e quarenta e um reais e dez centavos) e R$ 651,40 (seiscentos e cinqüenta e um reais e quarenta centavos), por metro cúbico de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (...) § 5o Fica o Poder Executivo autorizado a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas neste artigo, os quais poderão ser alterados, para mais ou para menos, ou extintos, em relação aos produtos ou sua utilização, a qualquer tempo." (grifo nosso) Resta inequívoco, pelo artigo 23, que os optantes pelo regime especial de apuração e pagamento devem recolher as contribuições com o emprego de alíquotas específicas. E o artigo 8o, § 8o, por sua vez, esclarece cristalinamente que no caso de importação de gasolina e suas correntes (e é disso que trata o presente processo) devem ser aplicadas as alíquotas específicas, independente da opção referida no art. 23. 7 Nos referidos acórdãos, proferidos em julgamentos efetuados em fevereiro de 2016, a turma entendeu majoritariamente no sentido aqui exposto, sendo vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que entendia haver efetiva revisão de critério jurídico apenas nas declarações de importação desembaraçadas em canal vermelho, e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10314.732821/201351 Acórdão n.º 3401003.136 S3C4T1 Fl. 301 13 Não resta margem a dúvida. Para aplicação da alíquota específica, basta que as importações sejam de gasolina e suas correntes, sendo irrelevante a opção pelo regime especial. Busca, assim, a recorrente, distorcer a leitura dos dispositivos aqui discutidos, ao afirmar (fl. 288) que: Não há, nos comandos normativos analisados (arts. 8o, § 8o e 23 da Lei no 10.865/2004), nenhuma ambiguidade ou contradição, e a única possibilidade de leitura conjunta é a aqui efetuada, que garante regra geral (de opção por regime especial) e regra específica (para gasolina e suas correntes). A empresa que importa gasolina e suas correntes pode até não exercer a opção pelo regime especial, mas isso não prejudica a obrigatoriedade de aplicação da alíquota específica, no caso. Aliás, a leitura efetuada pela recorrente é que tornaria a lei contraditória, pois ao fazer prevalecer a opção do art. 23 da Lei no 10.865/2004, negaria vigência ao texto do art. 8o, § 8o da mesma lei. E, ao menos neste tribunal administrativo, é vedado ao julgador negar vigência a dispositivo legal, conforme assentou a Súmula CARF no 2. Improcedentes, assim, as alegações de defesa em relação à matéria. Considerações finais Cabe um comentário derradeiro sobre a alegação de que os efeitos tributários da carga fiscal efetiva arrecadada pelo fisco seriam rigorosamente semelhantes, utilizandose a alíquota específica ou ad valorem. Isso porque tal alegação não é uma contraposição à argumentação exposta na autuação, mas simples conjectura, desacompanhada de cálculos demonstrativos específicos, sendo que a documentação e as alegações apresentadas pela recorrente estão bem distante de comprovar a equivalência de carga tributária em ambas as hipóteses. E a conversão em diligência para checagem do alegado seria absolutamente irrelevante, visto que se trata de matéria que não exerce qualquer influência na autuação, que decorre da aplicação de dispositivos legais que não podem ser afastados por este CARF, ainda que em nome de isonomia, ou de manutenção de carga tributária equivalente. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 307DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11040.720153/2011-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 01 53 /2 01 1- 88 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720153/201188 Acórdão n.º 9202003.922 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O presente processo envolve a lavratura dos Autos de Infração de Obrigações Principais e Acessória, em desfavor do recorrente, que tem por objeto as autuações, conforme descrito a seguir: a) AI n.º DEBCAD 37.329.0462, no valor de R$ 3.357.123,03 (três milhões, trezentos e cinqüenta e sete mil, cento e vinte e três reais e três centavos), consolidado em 21 de março de 2011, relativo ao lançamento de (a) contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, nas competências novembro de 2008 a dezembro de 2009, inclusive gratificações natalinas de 2008 e 2009 (competências 13/2008 e 13/2009); e (b) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, nas competências novembro de 2008 a dezembro de 2009; b) AI n.º DEBCAD 37.329.0470, no valor de R$ 840.664,07 (oitocentos e quarenta mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e sete centavos), consolidado em 21 de março de 2011, relativo ao lançamento de contribuições destinadas a terceiros, no caso, ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação), ao Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, ao Serviço Social do Transporte SEST, ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, nas competências novembro de 2008 a dezembro de 2009, inclusive competências 13/2008 e 13/2009; e c) AI n.º DEBCAD 37.281.1027, no valor de R$ 15.235,70 (quinze mil, duzentos e trinta e cinco reais e setenta centavos), consolidado em 14 de março de 2011, relativo ao lançamento de multa por haver apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs da competência novembro de 2008 sem os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Código de Fundamento Legal CFL 68). Examinado o Relatório Fiscal, verificase que os lançamentos em apreço decorreram do fato de a empresa haver declarado, em suas GFIPs, “ser optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 NACIONAL, quando na verdade não era optante pelo referido sistema.” O lançamento compreende fatos geradores e multa para o período compreendido entre 11/2008 a 12/2009, inclusive 13 º salário. A autoridade lançadora presta também, esclarecimentos acerca dos critérios que nortearam a aplicação das multas incidentes sobre as contribuições lançadas, inclusive quanto à sua qualificação, bem assim daquela concernente ao descumprimento de obrigações acessórias, tendo em vista, por uma parte, o disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN; e, por outra, os novos percentuais de multa estabelecidos com a entrada em vigor da Medida Provisória n.º 449, de 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009. As multas aplicadas, na competência novembro de 2008, vêm demonstradas na planilha de fl. 37. Em sessão plenária de 14/08/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302002.671 (fls. 235 a 250), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. Precedentes recentes do STF: RE 635.682 e RE 382.474, ambos de 2013. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) sempre que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, busque defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. A falta de complexidade ou de sofisticação do ardil não é elemento suficiente para afastar a intenção de defraudar o fisco. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720153/201188 Acórdão n.º 9202003.922 CSRFT2 Fl. 4 5 REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 04/11/2013, fls. 251. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 07/11/2013, o Recurso Especial. Em seu recurso visa restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, considerando que a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, devese considerar o disposto no art. 35A da Lei 8.212/91, porquanto houve lançamento de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 264 a 268. O recorrente traz como alegações: · Com o advento da MP 449/2008, instituiu‑ se uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32‑ A e artigo 35‑ A, ambos da Lei 8.212/91. · A leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). · Por certo, deve‑ se privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, tem‑ se que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão‑ somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. · Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35‑ A da Lei 8.212/91. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Devidamente cientificado, o sujeito passivo interpôs recurso especial, ao qual não foi dado seguimento conforme despacho fls272 a 278. Apresentou tbm contrarazões fls, 279 a 284, alegando que a multa no percentual de 100% é confiscatória, fato vedado pela CF/88. Assim, pede a transformação da multa qualificada para multa básica, estendendo o pleito para redução da multa a 100% do valor ICMS porventura devido. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720153/201188 Acórdão n.º 9202003.922 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. DO MÉRITO APLICAÇÃO DA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Primeiramente, quanto as alegações trazidas pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões acredito que o mesmo não tenha compreendido os termos do presente lançamento, considerando ter alegado simplesmente que o caráter confiscatório de multa, requerendo inclusive seja afastada a multa do ICMS, digase fato totalmente estranho a presente lançamento, que referese a multa pela omissão em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que razão assiste ao recorrente. No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório, fls. 18 e seguintes, que foram efetuados cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35 A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720153/201188 Acórdão n.º 9202003.922 CSRFT2 Fl. 6 9 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório decorrente da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o comparativo foi lavrada multa de 24% e o AIOA, justamente por que no comparativo das multas, chegouse a conclusão que a sistemática anterior, para algumas competências era a mais favorável ao contribuinte. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24% e No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. Notese que a aplicação do somatório das multas para efeitos de apuração da multa mais benéfica, impossibilita a aplicação da regra vertida no art. 32A, pois se essa fosse a sistemática adotado pelo auditor, teriam sido lançada multa em relação a todas as competências anteriores, o que na tese aqui descrita implica bis in idem. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10768.100292/2002-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
RETIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. VALORES TRIBUTADOS EM DUPLICIDADE.
Verificada a existência de valores tributados em duplicidade, cumpre retificar a base de cálculo, a fim de que se apure o imposto efetivamente devido.
EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.VARIAÇÕES CAMBIAIS.
A variação positiva ou negativa do valor do investimento em empresa controlada ou coligada situada no exterior, apurada pelo método de equivalência patrimonial na investidora, não tem impacto nas bases de calculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1401-001.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini Carvalho e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 RETIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. VALORES TRIBUTADOS EM DUPLICIDADE. Verificada a existência de valores tributados em duplicidade, cumpre retificar a base de cálculo, a fim de que se apure o imposto efetivamente devido. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.VARIAÇÕES CAMBIAIS. A variação positiva ou negativa do valor do investimento em empresa controlada ou coligada situada no exterior, apurada pelo método de equivalência patrimonial na investidora, não tem impacto nas bases de calculo do IRPJ e da CSLL.
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VALORES TRIBUTADOS EM DUPLICIDADE. Verificada a existência de valores tributados em duplicidade, cumpre retificar a base de cálculo, a fim de que se apure o imposto efetivamente devido. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.VARIAÇÕES CAMBIAIS. A variação positiva ou negativa do valor do investimento em empresa controlada ou coligada situada no exterior, apurada pelo método de equivalência patrimonial na investidora, não tem impacto nas bases de calculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Aurora Tomazini Carvalho e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 02 92 /2 00 2- 31 Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.100292/200231 Acórdão n.º 1401001.618 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 25062513: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro – DEINF/RJ, foi lavrado contra a empresa ICATU HOLDING S/A ― sucessora da empresa ICATU PARTICIPAÇÕES S/A, que sucedeu, por sua vez, o BANCO ICATU S/A ― o Auto de Infração de fls. 1689/1693, para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: As infrações que deram causa à exigência fiscal encontramse descritas no Relatório de Atividade Fiscal de fls. 1653/1688, podendo ser resumidas conforme segue: 001 – GANHOS E PERDAS DE CAPITAL – ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Em dezembro de 1997, o Banco Icatu S/A computou uma perda de R$ 4.084.045,23, a titulo de “amortização do diferido resultante da incorporação da Icatu Direct n/data”. Os valores amortizados pelo Banco Icatu S/A referemse a despesas préoperacionais da empresa Icatu Direct (incorporada), relacionadas com a captação de recursos vinculados a venda do produto “Invest Caro". De acordo com o protocolo de incorporação, o motivo da reorganização societária foi o fato de a Icatu Direct haver suspendido as operações de venda do produto “Invest Caro", não se justificando manter a empresa em funcionamento apenas para acompanhar os resultados futuros gerados pelos recursos captados dos clientes. O primeiro ponto a ser questionado é o fato de os gastos com a captação de recursos relacionados com a venda do produto "Invest Caro” haverem sido classificados como despesas pré operacionais. Com efeito: ― se a Icatu Direct captou recursos objeto de sua atividade operacional (venda do produto “Invest Caro”), e porque já se encontrava em operação, descabendo, neste caso, a ativação dos referidos gastos. Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 De todo modo, ainda que se tratasse realmente de despesas pré operacionais, a sua amortização deveria ter sido efetuada pela Icatu Direct, e não pelo Banco Icatu S/A. Se assim procedesse, a Icatu Direct apuraria um prejuízo fiscal, que não poderia ser transferido para a incorporadora (art. 514 do RIR/99). Por esta razão, a amortização registrada pelo Banco Icatu S/A deve ser considerada indedutível. ENQUADRAMENTO: arts. 193, 194, 266, 267, 268, 369 e parágrafos, 418 e 509 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/94. 002 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NO LUCRO REAL – LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR A tributação em bases mundiais foi introduzida, no Brasil, pela Lei no 9.249/1995. Em consequência disso, a partir do ano calendário de 1996, os lucros auferidos no exterior por intermédio de coligadas e controladas passaram a ser tributados pela investidora brasileira, na proporção de sua participação societária, computandose o seu valor nos balanços levantados em 31 de dezembro de cada ano. No intuito de compatibilizar a nova norma com a definição do fato gerador do imposto de renda, contida no art. 43 do Código Tributário Nacional, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa no 38/1996, estabelecendo a interpretação segundo a qual os lucros auferidos no exterior por intermédio de coligadas e controladas seriam adicionados ao lucro liquido, para fins de determinação do lucro real, no anocalendário em que tivessem sido disponibilizados. Segundo apurado na ação fiscal, o Banco Icatu S/A possuía, em 01/01/1996, uma participação societária na empresa Icatu Bank Cayman Co., com sede em Georgetown Ilhas Cayman. Esta participação lhe assegurava o controle da referida sociedade. Aqui, cabe uma explicação preliminar sobre algumas operações realizadas pelo Banco Icatu S/A em 1995 e 1996, envolvendo as ações do Icatu Bank Cayman Co. Em 29/08/1995, o Banco Icatu S/A e a Icatu Empreendimentos e Participações S/A, únicos sócios da pessoa jurídica Rio Bonito Participações Ltda., deliberaram aumentar o capital social dessa empresa em R$ 56.629.281,00 ― este aumento foi totalmente subscrito e integralizado pelo Banco Icatu S/A, mediante incorporação ao capital social das ações de sua controlada Icatu Bank Cayman Co. [cfr. 3a Alteração Contratual, fls. 234/238]. O objetivo da referida operação, segundo os envolvidos, era colocar uma pessoa jurídica não financeira entre o Banco Icatu S/A e a sua subsidiaria financeira no exterior, para fins de não computação de determinados limites operacionais. Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.100292/200231 Acórdão n.º 1401001.618 S1C4T1 Fl. 4 5 Posteriormente, todavia, com o advento da Resolução Bacen no 2.302, de 25/07/1996, que impôs a consolidação das demonstrações das instituições financeiras no exterior, as partes entenderam que a motivação inicial da operação teria ficado prejudicada. Como o Banco Central do Brasil ainda não havia se manifestado sobre a nova estrutura societária, os sócios da Rio Bonito Participações Ltda. resolveram, em 19/12/1996, retificar a alteração contratual de 29/08/1995, a fim de que a estrutura da empresa deixasse de espelhar o aumento de capital social realizado naquela data, deliberando, em função disso, estornar os resultados da equivalência patrimonial decorrentes da participação societária no Icatu Bank Cayman Co. [cfr. 6a Alteração Contratual, fls. 239/243]. Diante da referida alteração contratual, é de se concluir que o controle societário do Icatu Bank Cayman Co. não saiu do Banco Icatu S/A, sendo este o titular do referido investimento em 01/01/1996. Pois bem. Ate novembro de 1999, o Banco Icatu S/A avaliou a sua participação no Icatu Bank Cayman Co. pelo Método da Equivalência Patrimonial, conforme determina a legislação pertinente. Por conta disso, vinha excluindo do lucro liquido, para fins de apuração do lucro real, os resultados positivos da equivalência patrimonial, incluída a variação cambial [cfr. Lalur, fls. 0201/0220 e 0225]. Ocorre que, em 06/12/1999, o referido investimento foi baixado pelo Banco Icatu S/A. Nesta data, as ações da controlada Icatu Bank Cayman Co. foram utilizadas para integralizar o capital social da empresa Tahoma Participações S/A [cfr. Razão Contábil, fl. 0152]. A operação se deu da seguinte maneira: ― a empresa Tahoma Participações S/A aumentou seu capital social em R$ 159.358.000,00; o Banco Icatu S/A, que era seu único acionista, subscreveu este aumento e integralizouo com as ações do Icatu Bank Cayman Co. [cfr. Ata da AGE e Boletim de Subscrição, fls. 0176/0178 e 0184]. Considerandose que, em 06/12/1999, as ações do Icatu Bank (Cayman) Co. foram transferidas para a empresa Tahoma Participações S/A, e indiscutível que ocorreu, nesta data, uma verdadeira alienação de participação societária, hipótese de disponibilização de lucros prevista no art. 2o, § 9o da Instrução Normativa SRF nº 38/1996, e compatível com o texto da Lei no 9.532/1997. Por conta disso, serão adicionados ao lucro liquido do Banco Icatu S/A, para fins de determinação do lucro real do ano calendário de 1999, os resultados positivos líquidos de equivalência patrimonial da controlada Icatu Bank Cayman Co., apurados desde janeiro de 1996 ate a data da alienação do investimento [cfr. Demonstrações de Equivalência Patrimonial, fls. 496/502 e 506/537]: Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.100292/200231 Acórdão n.º 1401001.618 S1C4T1 Fl. 5 7 Cientificada do lançamento em 27/12/2002 (fl. 1692), a Interessada apresentou, em 24/01/2003, impugnação dirigida a esta Delegacia de Julgamento (fls. 1702/1746), alegando, basicamente, o seguinte: I – Amortização de Despesas PréOperacionais Registradas no Diferido Matéria não litigiosa Conforme explicado no curso da ação fiscal, a Icatu Direct decidiu suspender a venda do produto “Invest Caro”, que, contudo continuaria gerando receitas. Por ter se tornado desnecessária a subsistência da referida empresa, a mesma foi incorporada pelo Banco Icatu S/A. A decisão do Banco Icatu S/A de dar baixa no ativo diferido, com relação às despesas préoperacionais da Icatu Direct, ocorreu num segundo momento, quando a administração da sucessora constatou que as receitas do produto “Invest Caro” não permitiriam a recuperação das mencionadas despesas pré operacionais. Isto não obstante, a Impugnante admite que essa constatação poderia ter sido feita pelos administradores da Icatu Direct antes da incorporação, razão pela qual considera este item do Auto de Infração como matéria não litigiosa. II Lucros Auferidos no Exterior As operações realizadas pelo Banco Icatu S/A, no que diz respeito a participação societária que possuía no Icatu Bank (Cayman) Co., foram corretamente descritas no Relatório Fiscal, não havendo nenhum reparo a fazer. A discordância dáse apenas quanto aos efeitos tributários que o AuditorFiscal atribuiu às operações em causa. O Relatório Fiscal apontou, como fundamentos legais da autuação: o art. 25, § 2o, inciso II, da Lei no 9.532, de 10/12/1997; o art. 1o da Lei no 9.532, de 10/12/1997; e o art. 2o, §§ 1o, 2o e 9o da Instrução Normativa SRF no 38, de 27/06/1996. Ora, o regime de tributação em bases universais criado pela Lei no 9.249/1995 já nasceu com vicio insanável. Com efeito: — ao determinar a tributação dos lucros da controlada no exterior Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 independentemente de sua distribuição, o referido regime contrariou o conceito de fato gerador do imposto de renda, previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. Em função das críticas lançadas sobre esta sistemática de tributação, a Secretaria da Receita Federal baixou a Instrução Normativa SRF no 38/1996. A ideia era, supostamente, regulamentar os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249/1995, que tratavam do regime de bases universais. O que aconteceu, todavia, foi a criação de um novo regime de tributação, incompatível com o da lei que se pretendia regulamentar. De fato: ― sob a égide da Lei no 9.249/1995, a tributação dos lucros se dava no momento de sua apuração, ou seja, independentemente de sua distribuição; já no regime da Instrução Normativa SRF no 38/1996, os lucros passaram a ser tributados a partir da sua disponibilização. Não é valido, portanto, dizer que a Instrução Normativa SRF nº 38/1996 simplesmente interpretou a Lei no 9.249/1995. O que houve foi uma vã tentativa da Receita Federal de legitimar a referida lei, ajustandoa ao conceito de fato gerador do imposto de renda, previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. Não bastasse isso, algumas hipóteses de “disponibilização” previstas na Instrução Normativa SRF no 38/1996 constituíam verdadeiras ficções, que não poderiam, de modo algum, ser criadas por ato administrativo, mas somente por lei, em razão do principio da estrita legalidade em matéria tributária (art. 150, inciso I, da Constituição Federal; e art. 97 do Código Tributário Nacional). A invalidade dos arts. 25 a 27 da Lei no 9.249/1995, e da própria Instrução Normativa SRF nº 38/1996, acabou sendo reconhecida pelo art. 1º da Lei no 9.532/1997. Este dispositivo, vale lembrar, confirmou que os lucros auferidos por meio de coligadas e controladas no exterior só poderiam ser tributados com a sua disponibilização, mas não repetiu as ficções criadas pela Instrução Normativa SRF no 38/1996 (exceto uma, referente a hipótese de capitalização de lucros ou reservas). Ora, se a Lei no 9.532/1997 consagrou o regime de tributação previsto na citada Instrução Normativa, e se este regime era incompatível com o da Lei nº 9.249/1995, então há de se concluir que esta lei teria sido revogada. Percebase, por outro lado, que a Lei no 9.532/1997 repetiu apenas uma das hipóteses de "disponibilização ficta” que constavam da Instrução Normativa SRF nº 38/1996 ― a da capitalização dos lucros e reservas. Isto conduz à conclusão de que as outras hipóteses não mais prevalecem, inclusive aquela prevista no art. 2º, § 9º, da referida instrução (alienação da participação societária). Assim, podese concluir que, no regime de tributação instituído pela Lei no 9.532/1997, a alienação de participação societária de controlada no exterior não representa disponibilização de Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.100292/200231 Acórdão n.º 1401001.618 S1C4T1 Fl. 6 9 lucros. Corrobora esse entendimento o fato de o atual Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto no 3.000, de 26/03/1999) não mencionar, em seu art. 394, a referida hipótese de disponibilização ficta. E bem verdade que a alienação de investimentos em coligadas e controladas no exterior representa uma forma de realização dos ganhos reconhecidos pela investidora brasileira em decorrência do Método da Equivalência Patrimonial. A realização de tais ganhos, todavia, não se confunde com disponibilização de lucros. Vale observar que nem a Lei no 9.249/1995 nem a Lei no 9.532/1997 tributam ganhos de equivalência patrimonial relativos a investimentos no exterior, quando realizados financeiramente pela investidora brasileira. Poderiam têlo feito, mas optaram por outra sistemática, que consiste na tributação dos lucros, quando auferidos (no regime da Lei nº 9.249/1995) ou quando disponibilizados (no regime da Lei nº 9.532/1997). Afirma, ainda, a autoridade lançadora que as variações cambiais deveriam ser tributadas. Tratase, todavia, de mais um equívoco. Os ganhos cambiais atrelados aos investimentos refletemse, na investidora, como resultados positivos de equivalência patrimonial, e estes, conforme já explicado, escapam à tributação. Questão que também não foi considerada pelo agente fiscal foi a da existência de um outro Auto de Infração lavrado contra a Impugnante, versando sobre a tributação de lucros gerados pela controlada Icatu Bank Cayman Co., no período de 29/08/1995 a 19/12/1996. Conforme se depreende do Relatório Fiscal que acompanha o presente Auto de Infração, o autuante negou efeito à integralização de capital realizada em 28/09/1995, por meio da qual o Banco Icatu S/A transferiu para a empresa Rio Bonito Participações Ltda a totalidade das ações que possuía no Icatu Bank Cayman Co. E desconsiderou, da mesma forma, os efeitos do desfazimento da operação, acordado em 19/12/1996. Firme no seu raciocínio, entendeu que o Banco Icatu S/A manteve a titularidade das referidas ações no período de 29/08/1995 a 19/12/1996. Ocorre que, em 29/03/2000, foi lavrado contra a empresa Rio Bonito Participações Ltda (então controlada pela Impugnante) um Auto de Infração tratando, exatamente, da tributação de lucros gerados pelo Icatu Bank Cayman Co. referentes ao período de 01/01/1996 a 19/12/1996 (Processo no 16327.000574/0072). Ora, se a operação realizada em 19/12/1996 foi eficaz, para fins de tributação dos lucros disponibilizados em favor da Rio Bonito Participações Ltda., então o Banco Icatu S/A só pode ser tributado em relação aos lucros gerados pelo Icatu Bank Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 Cayman Co. a partir de 19/12/1996, pois só nesta data é que readquiriu as ações da referida controlada. Ou seja, com relação ao periodo de 01/01/1996 a 19/12/1996, estáse exigindo da Impugnante um imposto referente a lucros que não lhe foram disponibilizados, mas sim a Rio Bonito Participações Ltda. III – Taxa Selic A utilização da taxa Selic, para fins de calculo dos juros de mora sobre tributos pagos fora da data do vencimento, extrapola os limites impostos pelo Código Tributário Nacional. O art. 161 do CTN estabelece que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora incidentes sobre os tributos nao pagos no seu vencimento serão calculados à razão de 1% ao mês, sendo esta a taxa máxima permitida nas relações entre Fisco e contribuinte. A finalidade da referida norma e desincentivar a postergação do pagamento pelo sujeito passivo, ressarcindo, ao mesmo tempo, o credor pela indisponibilidade dos recursos correspondentes. A fixação de percentuais superiores a 1% conferiria aos juros de mora um cunho que não meramente ressarcitório, mas sim punitivo (a justificar, portanto, a sua não aplicação em conjunto com outras penalidades ou medidas de garantia). Alem de importar em descabida extrapolação do limite imposto pelo CTN, a incidência da taxa Selic sobre o crédito tributário, a titulo de juros de mora, carece de respaldo legal. Criada pela Resolução Bacen no 1.124, de 15/05/1986, a taxa Selic passou a ser utilizada, para fins tributários, a partir da Medida Provisória no 947, de 22/03/1995 (convertida, posteriormente, na Lei nº 9.065, de 20/06/1995). Notese, todavia, que a lei em questão não define o que seja a taxa Selic, nem estabelece qualquer critério para o seu cálculo. Ou seja: a adoção da referida taxa decorreu de uma autêntica delegação legislativa para definir encargos tributários, medida que ofende não apenas o principio da legalidade, mas também o da indelegabilidade de funções entre os Poderes da Republica. O crédito tributário relativo à matéria não litigiosa teve sua cobrança transferida para Processo Administrativo nº 10768.000555/200394 (cfr. extrato, fl. 1794). Com relação à matéria em litígio, as razões da Interessada não foram acolhidas pelo órgão julgador de primeira instância, tendo sido o lançamento julgado procedente, nos termos do Acórdão DRJ/RJOI nº 4.550, de 28/11/2003 (fls. 1799/1822): [...] Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 15/03/2004 (fl. 1824), a Interessada interpôs, em 06/04/2004, recurso voluntário (fls. 2156/2177), alegando, entre outras, as seguintes questões: ― (i) cerceamento do direito de defesa, pelo Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.100292/200231 Acórdão n.º 1401001.618 S1C4T1 Fl. 7 11 fato de o órgão julgador de primeira instância não haver se manifestado sobre o pedido de retificação da base de cálculo, para que fossem tributados apenas os lucros disponibilizados, e não os ganhos de equivalência patrimonial; e (ii) decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1996. O recurso foi examinado pela 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que rejeitou a preliminar de decadência, mas acolheu a arguição de cerceamento de direito de defesa, declarando consequentemente nula a decisão recorrida, nos termos do Acórdão nº 10197.026, de 13/11/2008 (fls. 2276/2282): “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Anocalendário: 1999. Ementa: DECADÊNCIA. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. FATO GERADOR. A simples apuração de lucros por empresa controlada situada no exterior não implica, por si só, em disponibilização de lucros para a controladora no Brasil, condição necessária para caracterização da ocorrência do fato gerador do IRPJ no regime implantado pelo art. 25 da Lei 9.249/95. Descabido falarse em decadência do direito de constituir o credito tributário quando não ocorreu fato gerador. Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Anocalendário: 1999. Ementa: NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula a decisão que não enfrenta todas as questões relevantes suscitadas na impugnação, por cerceamento do direito de defesa.” Entendendo que o acórdão em questão havia deixado de se pronunciar sobre a natureza da nulidade, condição supostamente necessária para a feitura de novo lançamento, a Divisão de Programação, Avaliação e Controle da Ação Fiscal da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro – I ofereceu embargos de declaração, a fim de obter os esclarecimentos necessários (cfr. despacho, fl. 2435). Os embargos foram rejeitados pela 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sob a justificativa de que o acórdão embargado reconheceu a nulidade da decisão de primeira instância, e não do lançamento tributário ― cfr. Acórdão nº 1103000.908, de 06/08/2013 (fls. 2443/2448). A 15ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por maioria de votos: a) considerou definitivamente constituída a parcela do crédito tributário referente à matéria não litigiosa ("Amortização Indevida de Valores Registrados no Ativo Diferido”), no valor de R$ Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 1.021.011,30, acrescido de juros de mora; b) julgou procedente em parte a exigência referente à matéria em litígio (“Tributação dos lucros auferidos no exterior”), reduzindo assim, o imposto de renda devido para R$ 13.429.190,26, valor este a ser acrescido de juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Houve apresentação de recurso de ofício, em obediência ao disposto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excedia o limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Devidamente cientificado do retrocitado Acórdão em 04/08/14 (v. fls. 2537), a contribuinte apresentou o documento de fls. 25412542, por meio do qual apresentou desistência parcial da discussão objeto do presente processo, em relação à parcela que lhe foi desfavorável no Acórdão nº 12067.137, de 24/07/2014. É o relatório. Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.100292/200231 Acórdão n.º 1401001.618 S1C4T1 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual merece ser conhecido. Valores tributados em duplicidade Conforme relatado, em 29/08/1995, o Banco Icatu S/A transferiu suas ações do Icatu Bank Cayman Co. para a empresa Rio Bonito Participações Ltda., com vistas à integralização do capital desta última. A referida operação foi desfeita em 19/12/1996, no entanto a Fiscalização desconsiderou os efeitos retroativos do cancelamento e lavrou um Auto de Infração contra a Rio Bonito Participações Ltda., tributando os lucros “disponibilizados” pela controlada Icatu Bank Cayman. Co., referentes ao período de 29/08/1995 a 19/12/1996 (Processo Administrativo nº 16327.000574/0072). Estes mesmos lucros estão sendo tributados no presente processo, o que, na opinião do colegiado a quo, configura uma duplicidade de cobranças. O colegiado julgador a quo examinou o referido Processo Administrativo nº 16327.000574/0072 e constatou que efetivamente se que tratava do Auto de Infração lavrado contra a empresa Rio Bonito Participações Ltda.. A Fiscalização efetivamente tributou em nome daquela sociedade os lucros gerados pelo Icatu Bank Cayman Co. no aludido período, conforme revela o Termo de Verificação Fiscal que consta do referido processo (cópia às fls. 2484/2486). O colegiado julgador a quo destacou que a autuação em apreço foi julgada improcedente pela extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão nº 101 97.025, de 13/11/2008 (cópia às fls. 2488/2501). No entanto, tal fato não interfere com o raciocínio acima formulado, uma vez que as razões do cancelamento da exigência nada têm a ver com a titularidade dos lucros disponibilizados pelo Icatu Bank Cayman Co. no período de 29/08/1995 a 19/12/1996. Tais lucros efetivamente pertenceram à empresa Rio Bonito Participações Ltda. Pelas razões acima expostas, a decisão de piso acolheu o pedido da impugnante, para afastar a tributação sobre os lucros gerados pelo Icatu Bank Cayman Co. no período de 01/01/1996 até 19/12/1996, conforme tabela abaixo, extraída do voto condutor da decisão de piso (v. fls. 2523): Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Concordo inteiramente com o entendimento adotado pelo colegiado de piso, razão pela qual, em relação ao presente tema, nego provimento ao recurso de ofício. Tributação da variação cambial A decisão de piso cancelou a parcela do lançamento referente à tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial na empresa investidora. No entender da decisão de piso, a Fiscalização agiu em desacordo com as disposições da Lei nº 9.249, de 1995, e da Lei nº 9.532, de 1997, ao tributar os resultados de equivalência patrimonial, ao invés dos lucros auferidos no exterior. Tal entendimento foi assim expresso no voto vencido da decisão de piso, fls. 2520: [...] Analisando a planilha de cálculo elaborada pelo Auditor Fiscal autuante (fl. 1681/1682), e confrontandoa com os demonstrativos apresentados pela Interessada (fls. 499/537), verifico que a base tributável corresponde, precisamente, à soma algébrica dos resultados da equivalência patrimonial. Ora, o art. 23 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, que trata dos efeitos tributários decorrentes da aplicação do Método da Equivalência Patrimonial dispõe, expressamente, que as contrapartidas do ajuste de equivalência, seja por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não devem ser computadas na determinação do lucro real: DECRETOLEI nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 Ajuste do Valor do Investimento e Dividendos Art 22 O valor do investimento na data do balanço (art. 20, I), depois de registrada a correção monetária do exercício (art. 39), devera ser ajustado ao valor de patrimônio liquido determinado de acordo com o disposto no artigo 21, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. (...) Contrapartida do Ajuste no Valor do Investimento Art. 23 A contrapartida do ajuste de que trata o artigo 22, por aumento ou redução no valor de patrimônio liquido do investimento, não será computada na Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.100292/200231 Acórdão n.º 1401001.618 S1C4T1 Fl. 9 15 determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decreto lei no 1.648, de 1978). Importante destacar que esta regra não sofreu alterações com o advento do regime de tributação em bases universais. O art. 25, § 6º, Lei nº 9.249, de 1995, deixa claro que “os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente ...”. Errou, portanto, o AuditorFiscal autuante, ao tributar os resultados da equivalência patrimonial. O procedimento correto teria sido tributar os lucros. Esclareço, por oportuno, que o aludido voto vencido pretendia cancelar integralmente o presente lançamento, em função do equívoco acima descrito, cometido pelas autoridades autuantes. No entanto, por ampla maioria de votos, prevaleceu o entendimento de que o presente lançamento não deveria ser cancelado, mas simplesmente retificado, para que efetivamente se proceda a tributação do lucro disponibilizado pela empresa investida, situada no exterior. Vejamos como tal entendimento foi justificado pelo voto condutor da decisão de piso, fls. 2523: [...] o Douto Colega entende que a fiscalização errou ao tributar os resultados da equivalência patrimonial, pois o procedimento correto teria sido tributar os lucros, aduzindo ainda que os ajustes ao valor de patrimônio líquido, referentes ao investimento no Icatu Bank Cayman Co., não refletem apenas os lucros apurados, mas além disso as variações cambiais, também estas indevidamente tributadas. Levando assim em conta o equívoco conceitual cometido pelo autuante, propõe ao fim de seu voto, que se julgue improcedente o lançamento efetuado. É quanto a esta conclusão que divirjo. Tais lucros, todavia, estão consignados às fls. 499 a 537, razão pela qual não vejo razão para cancelar a autuação como um todo, mas sim para retificar a base de cálculo e apurar o valor correto do IRPJ devido, por força do princípio da legalidade. Quanto ao mérito, em sintonia com o Relator, de fato, a tributação dos lucros auferidos por empresas controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, foi instituída pelo art. 25 da Lei 9.249/1995, em vigor desde 1/1/1996, onde se encontra determinado que os lucros são tributados no balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Considero relevante, também, transcrever o seguinte trecho extraído do voto condutor da decisão de primeira instância, fls. 25262527: 44 Em 31/12/2004 foi editada a MP nº 232/2004 que determinou, no art. 9º, a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial, tanto para o IRPJ como para a CSLL. Em 31/3/2005, foi editada a MP nº 243/2004, revogando o art. 9º Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 16 daquela MP. A MP nº 232/2004 foi convertida na Lei 11.119/2005 sem o citado art. 9º. 45 Se o primeiro comando legal para tributar a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial surgiu na MP nº 232/2004, com vigência para o ano de 2005, notase que no anocalendário de 2002 não havia base legal para tributar a citada variação cambial. Nesse sentido, assim se pronunciou a 9ª RF da SRRF na solução de consulta nº 55/2003: “A contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real.” Concordo inteiramente com o entendimento adotado pela decisão de piso. De fato, na data de ocorrência dos fatos geradores objeto do presente processo, inexistia base legal para tributar a parcela da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial. Vale dizer que tal matéria já foi apreciada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme revela o seguinte julgado: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. A variação positiva ou negativa do valor do investimento em empresa controlada ou coligada situada no exterior, apurada pelo método de equivalência patrimonial na investidora, não tem impacto nas bases de calculo do IRPJ e da CSLL. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (v.g., REsp 1.211.882/RJ). (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Primeira Seção de Julgamento – 1º Câmara – 2ª Turma Ordinária Acórdão nº 110200.672, de 14 de marco de 2012 Assim sendo, também em relação ao presente tema, nego provimento ao recurso de ofício. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10768.100292/200231 Acórdão n.º 1401001.618 S1C4T1 Fl. 10 17 Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10805.722581/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PIS E COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO.
Aplica-se o regime cumulativo do PIS e da Cofins às pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. Aplicase o regime cumulativo do PIS e da Cofins às pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 PIS E COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. Aplicase o regime cumulativo do PIS e da Cofins às pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 25 81 /2 01 1- 93 Fl. 62971DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.972 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido: Tratase de contencioso fiscal referente a dois autos de infração (Cofins e PIS), fls. 497 a 512, devidamente impugnados, pertinentes ao anocalendário de 2007, no montante de R$775.995.172,84 (incluindo as contribuições, multa agravada e juros)). A origem dos autos de infração reside no fato de que a Autoridade Fiscal decidiu glosar todos os créditos da nãocumulatividade registrados no Dacon da contribuinte porque, conforme alega no Termo de Verificação Fiscal, não teve acesso à escrituração contábil e/ou documentos fiscais que permitissem aferir os montantes apurados e informados no mencionado demonstrativo pela contribuinte. Além disso, e pela mesma razão alegada, incorporou à base de cálculo de cada tributo (PIS e Cofins) receitas declaradas no Dacon pela contribuinte como sujeitas à alíquota zero. A Autoridade Fiscal, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 472 e ss) esclareceu que: 1. o procedimento teve início em 04/02/2011 com a ciência do Contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal através de Aviso de Recebimento AR dos correios, tendo em vista que ao comparecer à empresa à Avenida Dulcídio Cardoso n° 2000 foi informado que não havia qualquer funcionário com procuração para representála; 2. as solicitações efetuadas no Termo de Início de Fiscalização não foram atendidas no prazo concedido de 20 (vinte) dias, nem houve qualquer manifestação por parte da empresa em dirimir dúvidas ou mesmo solicitar uma prorrogação de prazo para a apresentação das informações e documentos solicitados; 3. o contribuinte foi reintimado (Intimação n° 004/2011) a apresentar as informações e documentos já solicitados no Termo de Início de Fiscalização, foram ainda informados ao contribuinte os dispositivos legais que previam as sanções e as penalidades no caso de não atendimento ao fisco das informações solicitadas em sede de procedimento fiscal; 4. mais uma vez não houve qualquer manifestação da empresa, apesar de terem sido informados em todos os Termos lavrados por esta fiscalização os telefones de contato com a Receita Federal, inclusive o telefone celular da Auditora responsável pela fiscalização; 5. Em julho de 2011 a empresa alterou seu domicílio fiscal, pois transferiu sua matriz para cidade de São Caetano do Sul São Paulo, o que não impede que o procedimento fiscal seja finalizado pela DEMAC/RJO, tendo em vista a prorrogação Fl. 62972DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.973 3 de competência prevista legalmente e também pelo fato desta Especializada possuir jurisdição em todo território nacional; 6. os valores apurados na DACON estão em conformidade com os valores confessados em DCTF, ocorre que sem a apresentação da escrituração contábil da empresa tornase impossível aferir a veracidade das despesas apresentadas na DACON na Ficha 7. não há como comprovar se os valores informados como custo de aquisição de produtos para revenda, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, despesas de frete e armazenagem na operação de venda, despesas de contraprestações de arrendamento mercantil, encargos de amortização de edificações e benfeitorias, para citar alguns exemplos, são realmente os informados; 8. o contribuinte informou em alguns meses do ano de 2007, outros créditos calculados a alíquotas diferenciadas, sem no entanto ser possível identificar a que se referem, frente a falta da documentação contábil; 9. a Fiscalização observou ainda, que nos meses de janeiro, fevereiro e setembro a dezembro, o contribuinte declarou receitas tributadas à alíquota zero, pelos motivos já exaustivamente expostos estes valores foram integrados à base de cálculo das contribuições; 10. tendo em vista que o contribuinte mantevese propositalmente silente em todo procedimento da Ação Fiscal, cabe, conforme os dispositivos legais, o agravamento multa de 75% na autuação, em 50%, perfazendo um total de 112,5%. Devidamente cientificada, em 16/12/2011, conforme fl. 498, a autuada apresentou, em 16/01/12, a correspondente Impugnação (fls. 679 e ss), na qual alegou que: 1. todo presente processo administrativo é arbitrário e injustificado, e a postura da Sra. AFRFB afrontou os princípios mais elementares de moralidade administrativa, razoabilidade e proporcionalidade; 2. na mais generosa das análises, podese dizer que o presente processo é fruto da opção pelo caminho mais fácil e cômodo em detrimento da investigação séria e do comprometimento com a verdade material que devem nortear os trabalhos dos bons servidores públicos; 3. no caso em apreço, não houve recusa da Impugnante em prestar esclarecimentos, pois, a única Intimação eficaz produzida pela Sra. AFRF foi a do Termo de Intimação para ciência da lavratura dos Al's, ora impugnado; 4. a Sra. AFRFB procura induzir essa D. Delegacia de Julgamento a ter a impressão de que tentou exaustivamente contato com a Impugnante, tal fato não ocorreu; 5. mesmo tendo pleno conhecimento de que toda a estrutura administrativa da Impugnante não mais se encontrava no Rio de Janeiro, insistiu no procedimento de enviar Intimações via correio para endereço no qual, sabidamente, já não mais abrigava os profissionais legalmente habilitados para atendêla; 6. a Sra. AFRFB, ardilosamente, contabiliza, no rol das 5 (cinco) Intimações supostamente não atendidas, 3 (três) Intimações que, segundo ela própria admite, vinculamse a Mandado de Procedimento Fiscal cancelado por vício de nulidade; 7. é muito importante deixar consignado que o efetivo Termo de Início de Fiscalização que originou os Al's data de 05/06/2011, e foi enviado, via correio, para Fl. 62973DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.974 4 o endereço da filial da Impugnante Rio de Janeiro, quando deveria ter sido enviado para o endereço de São Paulo; 8. igual procedimento adotou com relação ao segundo e ÚNICO Termo de Intimação que endereçou à matriz da Impugnante, em São Caetano do Sul, antes de lavrar os Al's que geraram o presente processo: enviouo pelo correio em 22/09/2011; 9. tal Intimação, absolutamente nula, por também se referir a MPF já cancelado e distinto daquele a que deveria se vincular (conforme se comprovará mais adiante), teve sua ciência validada por AR na portaria da Impugnante em 29/09/2011; 10. após o envio dessa única intimação a Sra. AFRFB julgou ter elementos suficientes para impor medidas extremas à Impugnante como a de arbitrar os seus lucros para fins de IRPJ e de CSLL, e presumir, pela sua suposta recusa em não apresentar a escrituração contábil (i) que todos os seus créditos de PIS e COFINS poderiam ser glosados e (ii) que as receitas declaradas como sujeitas à alíquota zero passariam a ser consideradas como tributáveis (além de aplicarlhe as mais severas multas); 11. para proceder à citação da lavratura dos Al's propriamente ditos, a Sra. AFRFB não encontrou quaisquer dificuldades em intimar pessoalmente o Gerente do Departamento Jurídico da Impugnante em São Caetano do SulSP; 12. as informações divulgadas pela Impugnante ao mercado de capitais estavam de acordo com aquelas prestadas nas diversas obrigações acessórias exigidas pela Receita Federal do Brasil (DIPJ, DACON, DCTF), logo, não procede a alegação da Sra. AFRFB de que não tinha "como verificar a veracidade das informações prestadas quando da apuração das Contribuições fiscalizadas"; 13. a apuração do PIS/COFINS na atividade da Impugnante é de uma simplicidade conceituai atroz! No seu caso, 92% (sim, noventa e dois por cento) de todos os créditos apropriados no anocalendário de 2007, tal como consta dos DACON's, referiamse a bens adquiridos para revenda, cujo direito de creditamento é absolutamente inquestionável; 14. convenhamos, o que é mais fácil? Analisar efetivamente um colossal volume de documentos, ou aplicar a alíquota de 9,25% sobre uma receita anual de R$ 4.016.311.319,52, presumindo que toda ela deve ser inteiramente tributada, sob o pretexto de que houve recusa em apresentar a "escrituração contábil"? 15. uma vez que a não entrega da escrituração contábil decorrente do não atendimento à Fiscalização legitima a Sra. AFRFB a se valer da medida extrema de lançamento conhecida como Arbitramento, então este ato necessariamente a obriga a se desvincular da escrituração contábil e lançar o PIS e COFINS de acordo com as regras do próprio Arbitramento, que impõem a apuração cumulativa de tais contribuições; 16. considerando que o presente processo decorre dos mesmos elementos de prova contidos no Processo Administrativo nº 16682.721057/201115 (por meio do qual a Impugnante teve o seu lucro arbitrado para fins de IRPJ e CSLL), e que ambos os processos decorrem do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal, devem eles ser julgados conjunta e simultaneamente; Fl. 62974DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.975 5 17. a incompetência da DEMAC/RJ para fiscalizar a Impugnante, após a alteração de sua sede para São Caetano do Sul SP, e a impossibilidade de prorrogação de uma competência que não mais existia, após o encerramento do MPF nº 07.1.85.002011000621, são confirmadas pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil; 18. a Delegacia da Receita Federal de Santo André SP lavrou, em 18/11/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.14.002011003348, em face da Globex Utilidades S.A., CNPJ/MF n$ 33.041.260/065290, endereço R. João Pessoa, nº 83, São Caetano do Sul SP (Doc. 05); 19. a Impugnante recebeu, no endereço de sua Matriz, intimação para apresentar os mesmos documentos que lhe haviam sido solicitados no Termo de Início d Fiscalização expedido pela DEMAC/RJ com base no MPF 07.1.85.002011 006344 (Doc. 06), demonstrando que a fiscalização levada a efeito pela Sra. AFRFB, que culminou nos Al's ora impugnados, passou a ser realizada, também,.pela Delegacia da Receita Federal de Santo André SP; 20. portanto, aos olhos da própria Receita Federal do Brasil, a partir da alteração da sede da Impugnante para São Caetano do Sul SP, sua Processo 10805.722581/201193 Acórdão n.º 1277.567 DRJ/RJ1 Fls. 62.954 6 fiscalização deveria ter sido feita pela Delegacia da Receita Federal de Santo André SP, não havendo que se falar em "prorrogação" de competência da DEMAC/RJ, até porque sua competência foi extinta com o encerramento do MPF nº 07.1.85.00201100062 1; 21. sendo assim, é certo que a autoridade fiscal que lavrou os Al's ora impugnados era incompetente, e, por conseguinte, tais lançamentos fiscais devem ser considerados nulos, nos exatos termos do artigo 59, inciso I, do Decreto n$ 70.235/72; 22. a Portaria RFB nº 2.466, de 28/12/2010, que dispõe sobre a jurisdição fiscal das Unidades Descentralizadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, destaca expressamente que a DEMACRJ jurisdicionará, apenas e tãosomente, contribuintes cujo estabelecimento matriz esteja localizado no Município do Rio de Janeiro RJ; 23. se a Sra. AFRFB não considerasse as 3 (três) citadas intimações como válidas e eficazes, a sustentação de sua tese de que poderia arbitrar o lucro com base art. 530, III do RIR/99, e presumir a não comprovação de TODOS créditos de PIS/CFINS ficaria demasiadamente enfraquecida; 24. no estabelecimento do CNPJ/MF nº 33.041.260/000164, ou seja no estabelecimento da Av. Automóvel Clube, nº 7.453, Duque de Caxias RJ, não seria possível cumprir as determinações da Sra. AFRFB, razão pela qual o MPF nº 07.1.05.002011000621 é nulo de pleno direito, por vício insanável; 25. além de ter encaminhado para endereço distinto daquele determinado no respectivo MPF, a Sra. AFRFB encaminhou o Termo de Início 1/2011 para endereço no qual não mais funcionava a Matriz da Impugnante, mesmo tendo pleno conhecimento deste fato, conforme ela própria esclarece (vide Termo de Verificação Fiscal, folha 488); 26. a Sra. AFRFB solicitou documentos e informações relacionados aos anos de 2008 e 2009, que não estavam contemplados no MPF nº 07.1.85.00201100062 1; Fl. 62975DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.976 6 27. mesma sorte tem a Intimação 4/2011, que, pelos vícios insanáveis descritos é nula de pleno direito, pois fora Encaminhado para o CNPJ da filial, para endereço distinto daquele apontado no MPF que lhe fundamenta, para o endereço onde não mais funcionava a matriz , e solicitara documentos e informações de período não abrangido pela fiscalização (2008 e 2009); 28. a Intimação 6/2011 está repleta de vícios insanáveis que implicam em sua nulidade, pois fora Encaminhado para o CNPJ da filial, para endereço distinto daquele apontado no MPF que lhe fundamenta, para o endereço onde não mais funcionava a matriz , e solicitara Processo 10805.722581/201193 Acórdão n.º 12 77.567 DRJ/RJ1 Fls. 62.955 7 documentos e informações de período não abrangido pela fiscalização (2008 e 2009); 29. outros vícios maculam as intimações subseqüentes; 30. foi o lançamento tributário originado a partir da aplicação das alíquotas do regime não cumulativo (sem considerar quaisquer créditos), em detrimento das alíquotas do regime cumulativo, que seriam aplicáveis como decorrência reflexa do lançamento principal de IRPJ e CSLL, em face da imputação do regime do Lucro Arbitrado; 31. o cometimento de tal erro material é mais um indício além dos outros apontados anteriormente que revelam que a Sra. AFRFB não conduziu o procedimento fiscal com a isenção que se espera de um servidor público; 32. mais do que isto: uma vez que se trata de erro material grosseiro, resultante da aplicação de norma legal equivocada, a única solução para o caso é o cancelamento integral dos lançamentos tributários, por inequívoco vício de nulidade; 33. os créditos relacionados com a aquisição de produtos para revenda representaram, em média, 92% do valor total da base de créditos de PIS e COFINS apropriados no DACON, cujas informações são presumidamente espelhadas nas demonstrações contábeis publicadas pela Impugnante; 34. se o procedimento de fiscalização tivesse sido conduzido com vistas a privilegiar a busca da verdade material, a Sra. AFRFB teria à sua disposição, portanto, outros meios para validar parcela relevante dos créditos de PIS e COFINS relativos às aquisições de produtos para revenda; 35. majorou significativamente a exação fiscal ora impugnada a ilegal presunção de que, ante a falta de apresentação da escrituração contábil, as receitas declaradas como sujeitas à alíquota zero, nas Fichas 07A e 17A do DACON, Linha 04 "Receitas Sujeitas à Alíquota Zero", passariam a ser automaticamente tributáveis; 36. as receitas acima ou eram de natureza financeira, ou foram auferidas com a venda de produtos, que, segundo disposições expressas da legislação foram tributados à alíquota zero do PIS e da COFINS, mais especificamente os aqueles conhecidos como "car/áudío" e os "computadores"; 37. a conclusão de que as receitas declaradas como alíquota zero adquiriram status de tributáveis, sob a singela alegação de que não dispunha da escrituração contábil para confirmálas, portanto, não se sustenta, razão pela qual os AI's devem ser cancelados; 38. a Sra. AFRFB no mesmo procedimento, surpreendentemente e sem qualquer justificativa, conseguiu a façanha de apurar 03 (três) bases de cálculo distintas para efetuar os lançamentos tributários e, por conseguinte, as respectivas cobranças; Fl. 62976DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.977 7 39. os procedimentos e as atitudes da Sra. AFRFB, perpetradas no âmbito da fiscalização de que trata dos presentes, ofendem frontalmente os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como o artigo 2º da Lei nº 9.784/99, tendo em vista que é do bom senso que a Impugnante, no exercício da atividade varejista, adquire mercadorias para revenda, sobre cujas aquisições o registro de créditos de PIS e de COFINS é autorizado; 40. se, por hipótese (não aceita pela Impugnante seriamente), esta D Delegacia de Julgamento desconsiderar todos os argumentos acima, a Impugnante, diante do surreal montante das referidas autuações, acosta aos presentes autos documentos comprobatórios de que, tanto a glosa da totalidade dos seus créditos, quanto à indevida tributação das receitas sujeitas à alíquota zero, foram absolutamente descabidas; 41. também repudia a constituição de multa de lançamento de ofício no valor equivalente a 112,50% dos valores lançados a título de PIS e COFINS, em decorrência do seu agravamento. 42. de toda forma, pela ausência de indicação de fundamento legal, multa agravada é nula de pleno direito, além disso, um Termo de Intimação nulo não se caracteriza como tal, de forma que o não atendimento de uma intimação nula não é hipótese de agravamento de multa, de que tratam os incisos I a III do parágrafo 2º do artigo 44 da Lei n9 9.430/96; 43. tendo em vista que a Sra. AFRFB glosou os créditos de PIS e de COFINS da Impugnante, constituindo desta forma a matéria tributável, não cabe o agravamento da multa de lançamento de ofício, uma vez que a fiscalização não sofreu nenhum prejuízo em face da suposta negativa da Impugnante em responder as Intimações enviadas pela fiscalização, considerando, por exercício de argumentação, que referidas Intimações produziram seus efeitos legais; 44. a utilização da referida Taxa SELIC, para fins de exigência de juros moratórios, denota uma cobrança extorsiva, em completa desproporção com o próprio conceito de indenização, pois expressa uma verdadeira punição; 45. não são devidos juros moratórios, calculados de acordo com a variação da Taxa SELIC, sobre os valores constituídos a título de multa, entretanto, caso venha a ser decidido pela cobrança que sejam calculados de acordo com o fato de 1% ao mês; 46. se faz indispensável a realização de diligência, tendo em vista a total inexistência do débito; 47. inadmitir tal procedimento significa afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material, que lastreiam o processo administrativo fiscal. A Impugnante cita legislação, doutrina e jurisprudência; junta prova documental e, com base na argumentação expedida, pede (1) reconhecimento da conexão e a reunião do presente processo com o Processo Administrativo nº 16682.721057/201115; (2) que sejam julgados nulos os AI's ora impugnados; ou, caso assim não se entenda, (3) que seja a exigência Fiscal cancelada na sua totalidade a título de PIS e de COFINS, multa, juros e demais acréscimos, em razão dos argumentos de mérito; ou, ainda, (4) que seja convertido o julgamento em diligência para averiguação e comprovação de que não de que não houve falta de recolhimento do tributo. Fl. 62977DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.978 8 A diligência solicitada pela Impugnante fora deferida, por meio da Resolução nº 12.000.165/17ª Turma da DRJ/RJ1 (fl. 62.611), onde o Relator assinalara: Quanto à diligência esta se impõe dado que, independentemente do motivo, não houve qualquer auditoria na escrita fiscalcontábil, que, suscitando o contraditório, pudesse levar à convicção do julgador em relação aos alegados créditos inexistentes para a Fiscalização e suficientes para compensar os débitos segundo a impugnante , e também quanto às receitas que estariam, ao entendimento da Contribuinte, como sujeitas à alíquota zero. A DEMAC/RJO (fl. 62.764 e ss) apresentou Relatório, onde firmou os seguintes pontos: 1. Existiram planilhas com operações referentes a devoluções de compras. O respectivo valor deve ser utilizado para reduzir a base do crédito, já que referente a aquisições que, posteriormente, foram desfeitas e a linha respectiva de "() Ajustes Negativos de Créditos" está com valor zero em todos os períodos; 2. constaram operações referentes a bonificação, doação ou brinde (CFOP: 1.910 e 2.910), tais operações, apesar de se caracterizarem como forma de aquisição da propriedade em conformidade com o Código Civil, não geram direito a crédito; 3. constaram operações de compras de autopeças constantes dos Anexos I e II da Lei 10.485/2002 (autopeças Código da TIPI 8527.2xxx), fato já alertado pela diligenciada em sua resposta, sendo vedado a apropriação de créditos das contribuições relativos a tais operações; 4. Foram observadas operações relativas a aquisições de fornecedores da ZFM. Neste item, apuramos a base de compras líquida das devoluções à alíquota básica por exclusão daquelas líquidas apuradas em relação à alíquota diferenciada (fornecedores oriundos da ZFM); 5. calculamos, ainda, o crédito à alíquota diferenciada, aplicando sobre as compras líquidas oriundas da ZFM a alíquota em conformidade com o item anterior (1%Pis; 4,6% Cofins). 6. A fiscalização concordando com a alegação de segregação contábil, e considerando dar crédito nas operações de frete sobre vendas, apenas em relação às operações com despesa reconhecida onde no histórico apareceu a expressão "Frete confrontado", ELABOROU a consolidação dos valores de "Despesa de Frete sobre vendas" que daria crédito na linha 7 das fichas de crédito das contribuições; 7. como o contribuinte, em resposta ao TIF4 dada em 27/01/2015, alegou ter incorrido em erro ao atribuir alíquota zero às vendas de produtos classificados na TIPI nas subposições 8518.2x, incluímos tais operações no cômputo das receitas tributadas. Cientificada (fl. 62.782) do Relatório de Diligência, em 19/03/15, a Inconformada apresentou Manifestação, em 17/04/15 (fl. 62.786), onde reiterou razões formuladas em sua contestação original, concluindo que: I. A Diligência pretende corrigir vícios insanáveis do lançamento, que apurou as contribuições por regime inaplicável no caso em concreto, pelo que deve ser decretada a nulidade do lançamento, por vício material insanável. Fl. 62978DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.979 9 II. Ainda que fosse possível revisar o lançamento (ou, como pretendeu a Diligência, refazêlo), teria que ser respeitado o prazo decadencial, nos termos do que estabelece o art. 149, parágrafo único, do CTN e como já decidiu o STJ. III. Ad argumentandum, caso superada a nulidade e a decadência, as conclusões da Diligência em relação aos créditos reapurados, recalculandose o valor dos créditos relativos às operações de aquisição para revenda de produtos fabricados na ZFM e a glosa de créditos referentes às despesas de frete não podem ser mantidas, conforme sustentado nas razões acima. IV. De todo modo, inaplicável a multa agravada, haja vista a inexistência de dolo em não atender à fiscalização, da impossibilidade de aplicação de multa agravada nas situações decorrentes de arbitramento e quando tenha sido aplicada multa específica por falta de atendimento à fiscalização. Pediu, ao final, o cancelamento da exigência fiscal na sua totalidade. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRF/RJ1 considerou a impugnação procedente em parte com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 PIS/COFINS. Lucro Arbitrado. Regime Cumulativo. Aplicase o regime cumulativo do PIS/Cofins às pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado. Impugnação Procedente em Parte Conforme previsto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 c/c Portaria MF nº 03, 03/01/2008, houve Recurso de Ofício ao CARF. É o relatório. Fl. 62979DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.980 10 Voto O recurso de ofício é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. O acórdão recorrido não reconheceu a conexão entre o presente processo e o processo nº 16682.721057/201115, que tratou do arbitramento do lucro da recorrente. Entretanto, recomendou: À DEMAC para ciência ao interessado e demais providências, inclusive encaminhar ao CARF com sugestão de julgamento em conjunto e simultâneo com o Processo Administrativo nº 16682.721057/201115, onde o arbitramento deverá ser apreciado e a solução poderá repercutir nestes autos. O presente processo decorre dos mesmos elementos de prova contidos no Processo Administrativo nº 16682.721057/201115, por meio do qual a recorrente teve o seu lucro arbitrado para fins de IRPJ e CSLL. O processo 16682721057201115 se encontra em análise de Recurso Especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. A decisão que considerou inválido o arbitramento do lucro é praticamente definitiva tendo em vista que existe despacho do presidente da câmara negando seguimento ao recurso especial. Entretanto, entendo que a solução do processo 16682721057201115 em nada influencia na decisão que deve ser tomada no presente processo. No presente processo, a recorrente questiona o regime aplicado de não cumulatividade ao caso, pois teve seu lucro arbitrado para efeito de apuração do IRPJ. No Processo nº 16682.721057/201115, do anocalendário de 2007, foram lavrados os Autos de Infração, decorrentes do mesmo MPF nº 0718500/00634/11, para exigência do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, tendo por base o arbitramento do lucro. Como bem dito no acórdão recorrido, o principal efeito legal do procedimento adotado, isto é, o arbitramento do lucro, no que se refere ao PIS/Cofins é a adoção do regime cumulativo para fins de apuração destas contribuições, conforme determinam as Leis nº 10.637/02, que trata do PIS e 10.833/03 que trata da Cofins, e que introduziram o regime nãocumulativo para tais tributos, mas excepcionaram casos especiais: Lei nº 10.637/02 (PIS): Fl. 62980DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10805.722581/201193 Acórdão n.º 3301002.875 S3C3T1 Fl. 62.981 11 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...) Lei nº 10.833/03 (Cofins) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Tendo sido o lançamento do IRPJ e CSLL feito pelo lucro arbitrado, essa situação vincula a autoridade lançadora em acompanhar o lançamento do PIS e da Cofins na modalidade cumulativa. Assim, os autos de infração presentes neste processo não podem subsistir, em razão de ter sido aplicado regime de tributação diverso do que determina a Lei para o caso. Portanto, pelos fundamentos expostos, voto para negar provimento ao recurso de ofício, cancelando os autos de infração. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 62981DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 11075.001377/96-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1991 a 31/03/1992
FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO
Não se conhece do recurso especial, quando os fundamentos considerados no acórdão indicado como paradigma não se presta a demonstrar a divergência jurisprudencial.
No presente caso, a compensação dos créditos em discussão do sujeito passivo foi acatada, considerando a Lei 8.383/91 e por ter sido feita em sua escrita contábil anteriormente a IN 21/97, não tendo sido considerada se foi ou não informada em DCTF; diferentemente dos fundamentos demonstrados no acórdão paradigma, que condicionou a compensação sem a prévia autorização da administração à declaração em DCTF.
Numero da decisão: 9303-003.841
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1991 a 31/03/1992 FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO Não se conhece do recurso especial, quando os fundamentos considerados no acórdão indicado como paradigma não se presta a demonstrar a divergência jurisprudencial. No presente caso, a compensação dos créditos em discussão do sujeito passivo foi acatada, considerando a Lei 8.383/91 e por ter sido feita em sua escrita contábil anteriormente a IN 21/97, não tendo sido considerada se foi ou não informada em DCTF; diferentemente dos fundamentos demonstrados no acórdão paradigma, que condicionou a compensação sem a prévia autorização da administração à declaração em DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO Não se conhece do recurso especial, quando os fundamentos considerados no acórdão indicado como paradigma não se presta a demonstrar a divergência jurisprudencial. No presente caso, a compensação dos créditos em discussão do sujeito passivo foi acatada, considerando a Lei 8.383/91 e por ter sido feita em sua escrita contábil anteriormente a IN 21/97, não tendo sido considerada se foi ou não informada em DCTF; diferentemente dos fundamentos demonstrados no acórdão paradigma, que condicionou a compensação sem a prévia autorização da administração à declaração em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 13 77 /9 6- 53 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 310100.127 exarado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1991 a 31/03/1992 Preliminar. Nulidade FINSOCIAL LANÇAMENTO COMPENSAÇÃO NA CONTABILIDADE ANTES DA IN 21/97, DEVIDAMENTE VERIFICADA PELO FISCO. Os valores constantes do lançamento estão corretos. A fiscalização deveria ter considerado a compensação dos valores lançados realizada na contabilidade. Procedente o lançamento no que tange aos valores constituídos, mas extinta a relação obrigacional tributária pela compensação, nada sendo devido pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Insatisfeita com o referido acórdão, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, manifestando, entre outros, o que segue (Grifos meus): “0 colegiado aceitou a compensação realizada na contabilidade do contribuinte, sob o argumento de que a aludida compensação foi realizada antes da IN 21/97, que previa o correspondente procedimento na via administrativa. Este entendimento esta consignado no voto da relatora, que, em seu voto condutor, manifestouse nos seguintes termos: "Em razão deste fato que foi requerida a diligencia a fim de ser verificado, nos livros contábeis da Recorrente, se efetivamente houve Fl. 817DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11075.001377/9653 Acórdão n.º 9303003.841 CSRFT3 Fl. 817 3 referida compensação, uma vez que todos estes fatos ocorreram após a edição da Lei n° 8.383/91 que permitia a compensação de tributos, em seu art. 66, mas antes da IN 21/97 que disciplinou o procedimento para a compensação, (...)" Vêse, portanto, que, na espécie, foi admitida a compensação na escrita contábil, por ter sido antes da disciplina normativa sobre o procedimento para a realização de compensação. Contudo, antes da IN 21/97, foi editada a IN 67/92, que previu forma especifica para se compensar os créditos e débitos fiscais, conforme segue abaixo: "Art. 22 A compensação de débitos vencidos a partir de 1º de janeiro de. 1992 poderá ser efetuada por iniciativa do próprio contribuinte, independentemente de prévia solicitação A unidade da Receita Federal, ressalvado o disposto no art. 3º incisos II e III. Art. 32 Dependerá de solicitação à unidade da Receita Federal jurisdicionante do domicilio fiscal do contribuinte, cabendo à projeção local do Sistema de Arrecadação analisar a procedência do pedido e realizar os procedimentos necessários, quando a compensação referirse aos seguintes casos: I se o vencimento do débito objeto da compensação ocorreu antes de 1 2 de janeiro de 1992: II se o débito ou o Crédito, ou ambos, tiverem origem em processo fiscal. III se o crédito resultar de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. 0 pedido de Compensação previsto neste artigo deverá descrever os fatos que lhe deram origem e será instruído com os elementos que comprovem o crédito e identifiquem o débito a ser compensado." Esta instrução normativa, no entanto, não foi analisada pelo colegiado em sua decisão. Verificase, portanto, omissão sobre importante ponto para o deslinde da questão, porquanto o acórdão se fundamentou na ausência de previsão sobre procedimento especifico para a compensação, quando já havia sido editada a IN 67/92, que disciplina o assunto. 0 acórdão embargado também incorreu em omissão quando não se manifestou sobre o art. 170 do CTN, importante para o deslinde da Fl. 818DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 questão, pois, ao tratar da compensação tributária, estabelece as seguintes exigências: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada atribuir a autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Como se vê, a lei exige que o sujeito passivo compense créditos fiscais líquidos e certos para extinguir seus débitos junto a Fazenda Nacional. Se a compensação foi realizada na contabilidade de 1991/1992, o contribuinte se valeu de créditos ilíquidos e incertos, pois oriundos de decisão que somente transitou em julgado em 11/03/1996, conforme anota o contribuinte em seu recurso voluntário As fls. 661. Por último, verificase contradição entre a ementa do julgado e suas razões de decidir. De um lado, temse consignado que nada é devido pelo contribuinte, conforme consta na ementa, cuja redação é a seguir reproduzida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1991 a 31/03/1992 Preliminar: Nulidade FINSOCIAL — LANÇAMENTO — COMPENSAÇÃO NA CONTABILIDADE ANTES DA IN 21/97, DEVIDAMENTE VERIFICADA PELO FISCO. Os valores constantes do lançamento estão corretos. A fiscalização deveria ter considerado a compensação dos valores lançados realizada na contabilidade. Procedente o lançamento no que tange aos valores constituídos, mas extinta a relação obrigacional tributária pela compensação, nada sendo devido pelo contribuinte." De outro lado, o voto condutor conclui que autuação foi extinta parcialmente pela compensação. Sendo assim, em sentido contrário à conclusão expressa na ementa do julgado, o acórdão, em sua fundamentação, apresenta entendimento de que ainda remanesce crédito tributário no lançamento efetuado. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11075.001377/9653 Acórdão n.º 9303003.841 CSRFT3 Fl. 818 5 Demonstradas omissões sobre questões importantes ao deslinde do caso sob análise, bem como contradição entre a decisão e suas razões, o acórdão embargado merece ser integrado nesta via recursal. Ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração, para sanar os vícios acima apontados. Nestes termos, Pede deferimento.” Os Embargos foram apreciados pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial aos Embargos Declaratórios, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1991 a 31/03/1992 Preliminar. Nulidade FINSOCIAL LANÇAMENTO COMPENSAÇÃO NA CONTABILIDADE ANTES DA IN 21/97. DEVIDAMENTE VERIFICADA PELO FISCO. Os valores constantes do lançamento estão corretos. A fiscalização deveria ter considerado a compensação dos valores lançados realizada na contabilidade. Procedente o lançamento no que tange aos valores constituídos, mas extinta a relação obrigacional tributária PARCIALMENTE pela compensação, nos limites do relatório de fiscalização de fls. 703 a 709. Embargos de Declaração Parcialmente Providos.” O Colegiado deu provimento parcial aos embargos para rerratificar o acórdão, sem efeitos infringentes, para julgar “procedente o lançamento no que tange aos valores constituídos, mas extinta a relação obrigacional tributária parcialmente pela compensação, no limite do relatório de fiscalização de fls. 703 a 709. Entendeu aquele colegiado, quanto: Fl. 820DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 · À primeira omissão alegada, que o voto condutor do acórdão embargado não se omitiu quanto à IN 67/92, pois estava revogada na data do julgamento, não mais se aplicando e a IN 21/97 · À segunda omissão alegada, falta de manifestação sobre o artigo 170 do CTN, que essa análise não é matéria pertinente ao caso, pois a compensação foi feita pelo contribuinte em sua contabilidade, de tributo considerado inconstitucional, houve diligência para instrução do processo, para a verificação da materialidade da compensação e ficou provado que todos esses fatos ocorreram, os valores foram apurados, o contribuinte concordou com os valores apurados, a decisão reconheceu a compensação e o lançamento veiculado em auto de infração foi extinto; · À contradição entre a ementa do julgado e suas razões de decidir do voto condutor e suas razões de decidir do voto condutor, considerou ser importante observar que a compensação se fará nos limites do relatório de fiscalização de fls.703 a 709 – Demonstrativo de Apuração de Débitos (resultado da diligência solicitada pela 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes). Irresignada, assim, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face do acórdão exarado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção, requerendo sua reforma, alegando, entre outros, que, embora não exija requerimento nos casos de tributos da mesma espécie, em nenhum momento há dispensa a declaração da compensação efetuada pelo contribuinte, cuja obrigação de comunicála ao Fisco se revela patente, pelos próprios efeitos produzidos tanto na esfera do devedor, quanto na do credor. E, uma vez não realizada na forma legal, a compensação não tem o condão de extinguir o tributo apurado e regularmente lançado pela autoridade autuante. O Apelo da Fazenda foi admitido, nos termos do Despacho de fls. 797/798. Contrarrazões ao recurso especial, então, foram apresentadas pelo sujeito passivo, requerendo, pela ordem: · Que não seja conhecido o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional; Fl. 821DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11075.001377/9653 Acórdão n.º 9303003.841 CSRFT3 Fl. 819 7 · Caso seja conhecido, que o mesmo seja improvido, com base nas razões de direito elencadas no subitem 3.2 supra, mantendose o que restou no acórdão recorrido, no sentido de que a fiscalização deveria ter considerado a compensação dos valores lançados, realizada na contabilidade. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, apesar de tempestivo, tenho que não deva ser admitido, eis que as fundamentações e fatos considerados no acórdão recorrido e acórdão paradigma não condizem para demonstrar a divergência de entendimento. Vêse que o acórdão recorrido demonstra através de sua ementa e voto que os valores compensados antes da IN 21/97 e sob a égide da Lei 8.383/91 permitia a compensação de tributos pela própria contabilidade, não trazendo qualquer menção a declaração dos valores compensados em DCTF: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1991 a 31/03/1992 Preliminar. Nulidade FINSOCIAL LANÇAMENTO COMPENSAÇÃO NA CONTABILIDADE ANTES DA IN 21/97. DEVIDAMENTE VERIFICADA PELO FISCO. Os valores constantes do lançamento estão corretos. A fiscalização deveria ter considerado a compensação dos valores lançados realizada na contabilidade. Procedente o lançamento no que tange aos valores constituídos, mas extinta a relação obrigacional tributária PARCIALMENTE pela compensação, nos limites do relatório de fiscalização de fls. 703 a 709. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 Embargos de Declaração Parcialmente Providos.” Enquanto o acórdão paradigma traz que: 1. O regime da Lei 8.383/91 possibilitou a realização da compensação entre tributos da mesma espécie, sem a necessidade de autorização prévia da administração pública; 2. A alegação do contribuinte, de que procedeu à compensação na forma da legislação referenciada não o isenta do cumprimento da obrigação de declarar o procedimento em DCTF. E ainda o Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial contempla sua admissibilidade com os seguintes dizeres: “O confronto das decisões comprova a divergência. Na decisão recorrida acatouse a compensação realizada na escrita contábil do contribuinte, para deduzir dos valores exigidos, de ofício, mesmo sem ter sido informada em DCTF. Já no acórdão paradigma o colegiado não acatou a compensação realizada na escrita do contribuinte, em virtude de não ter sido declarada em DCTF, mantendo o lançamento nos valores originalmente exigidos. Notese que os dois julgados analisaram compensação com amparo na Lei 8.383/91.” Vêse claro, dessa forma, que houve equívoco na análise da admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda – eis que a compensação dos créditos em discussão do sujeito passivo foi acatada, considerando a Lei 8.383/91 e por ter sido feita em sua escrita contábil anteriormente a IN 21/97. Não tendo sido considerada nesse julgamento se foi ou não informada em DCTF. Diferentemente dos fundamentos demonstrados no acórdão paradigma – que condicionou a compensação sem a prévia autorização da administração à declaração em DCTF. Dessa forma, não resta demonstrada a divergência com a indicação dos pontos no paradigma colacionado que divirja de pontos específicos tratados no acórdão recorrido. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11075.001377/9653 Acórdão n.º 9303003.841 CSRFT3 Fl. 820 9 Ademais, cabe também trazer que o auto de infração lançado contra o sujeito passivo considerou as compensações realizadas no período de junho de 1991 a março de 1992 – nesse período as compensações realizadas pelo sujeito passivo se encontravam desobrigadas de serem informadas na DCTF, conforme IN SRF 129/86 – diferentemente do caso tratado no acórdão paradigma que contemplou o período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002 – para os quais, por conta da IN SRF 73/96 (art. 7º, inciso XI)– tal declaração passou a ser obrigatória. A IN SRF 129/86 – observada pelo sujeito passivo no presente caso, não faz qualquer menção a campo que deveria constar a informação da compensação feita em escrita contábil pelo sujeito passivo. Tal obrigatoriedade de se informar as compensações feitas pelos contribuintes somente surgiu com a IN SRF 73/96: “Art. 7º A DCTF deverá conter as seguintes informações, relativas ao trimestre de competência: [...] XIcompensações; [...] § 1º No caso de compensação deverá ser informado o código da receita, a data do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor utilizado para compensação. § 2º No caso de compensação de tributos ou contribuições de espécies diferentes deverá ser indicado o número do correspondente ato autorizativo da Receita Federal. [...]” Sendo assim, entendo que, nos termos do art. 67, Anexo II, da Portaria MF 343/2015 – RICARF/2015, não há como conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 10930.000526/91-53
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IUM - ISENÇÃO DE QUE TRATA 0 ARTIGO 10, INCISO II DO RUIM (DECRETO N° 92.295/86). Fatos geradores ocorridos anteriormente a vigência da Constituido Federal de 1988. Provado,, através de declarações,, que as substâncias minerais foram empregadas na construção e/ou conservação de estradas, e de ser provido o recurso, nessa parte, Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-69.242
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Sergio Gomes Velloso
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ementa_s : IUM - ISENÇÃO DE QUE TRATA 0 ARTIGO 10, INCISO II DO RUIM (DECRETO N° 92.295/86). Fatos geradores ocorridos anteriormente a vigência da Constituido Federal de 1988. Provado,, através de declarações,, que as substâncias minerais foram empregadas na construção e/ou conservação de estradas, e de ser provido o recurso, nessa parte, Recurso provido em parte.
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