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Numero do processo: 13839.900720/2012-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou do cerceamento do direito de defesa.
Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade.
SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE
A legislação que disciplina o processo administrativo fiscal não prevê o sobrestamento do andamento dos autos, quando ausentes os pressupostos legais .
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS A RESSARCIR OU COMPENSAR. GLOSA.
Reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, restando demonstrada a inexistência de crédito a compensar, deve-se proceder às glosas correspondentes.
Numero da decisão: 3001-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou do cerceamento do direito de defesa. Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE A legislação que disciplina o processo administrativo fiscal não prevê o sobrestamento do andamento dos autos, quando ausentes os pressupostos legais . PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS A RESSARCIR OU COMPENSAR. GLOSA. Reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, restando demonstrada a inexistência de crédito a compensar, deve-se proceder às glosas correspondentes.
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CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA Recorrente MACCAFERRI DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou do cerceamento do direito de defesa. Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE A legislação que disciplina o processo administrativo fiscal não prevê o sobrestamento do andamento dos autos, quando ausentes os pressupostos legais . PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS A RESSARCIR OU COMPENSAR. GLOSA. Reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, restando demonstrada a inexistência de crédito a compensar, deve se proceder às glosas correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 07 20 /2 01 2- 16 Fl. 178DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Por retratar fielmente a discussão objeto destes autos, adoto e transcrevo o bem elaborado relatório que norteou o v. acórdão recorrido (fls. 122/123), verbis. Tratase de manifestação de inconformidade por meio da qual se busca a reforma do Despacho Decisório Eletrônico às fls. 18 a 20, que recebeu o nº de Rastreamento 023609687, por meio do qual não foi homologada a compensação declarada na Dcomp 35483.82267.150508.1.3.017950, que pretendeu utilizar créditos oriundos de pedido de ressarcimento formulado por meio do PER 20059.73321.150508.1.1.014795. Os fundamentos para a nãohomologação foram descritos nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 153.565,05 Valor do crédito reconhecido: R$ 102.156,07 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 35483.82267.150508.1.3.017950 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13839.900720/201216 Acórdão n.º 3001000.840 S3C0T1 Fl. 3 3 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 20059.73321.150508.1.1.014795 Analisando, o demonstrativo à fl. 18, verificase que os créditos apontados como passíveis de ressarcimento foram parcialmente glosados. Regularmente intimada, a interessada apresenta sua manifestação de inconformidade às fls. 21 a 52, onde pleiteia a decretação da nulidade do despacho decisório e a homologação integral das compensações declaradas ou, alternativamente, o sobrestamento do presente processo até o julgamento do processo administrativo 11065.720582/201258. Sinteticamente, as razões de inconformidade são, preliminarmente, violação aos princípios da motivação, da ampla defesa e do contraditório. A violação aos princípios mencionados, segundo argúi, residiria no fato de que o despacho decisório que é objeto do presente litígio lhe foi entregue desacompanhado de qualquer documento que esclarecesse o motivo pelo qual os créditos teriam sido glosados. Ou seja, lhe teria sido entregue apenas uma página contendo o Despacho Decisório com os dizeres já transcritos acima, indicando o nº de rastreamento e informando que maiores informações poderiam ser obtidas na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet. Aduz que o despacho encontrarseia carente de motivação e cita legislação e doutrina acerca do tema. Sustenta, ademais, que, diante da alegada obscuridade da fundamentação, restara cerceado seus direitos ao contraditório e à ampla defesa. Cita legislação, jurisprudência e doutrina. No mérito, reitera as mesmas razões suscitadas por ocasião da impugnação às conclusões assentadas no processo administrativo 11065.720582/201258. Na sequência, foi juntada aos autos cópia do acórdão nº 11044.774 6ª Turma da DRJ/REC, exarado também em 30 de janeiro de 2014, no Processo nº 13839.00072 /201216 da mesma empresa (fls. 121/128), assim ementado (fls. 121), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 NULIDADE. HIPÓTESES. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou cerceamento do direito de defesa. Fl. 180DF CARF MF 4 Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MACLINE®. NCM 3920.1099. O produto comercialmente denominado MacLine®, empregado na impermeabilização de reservatórios, tanques, aterros sanitários, lagoas de tratamento, aterros industriais, canais de adução, etc., classificase no subitem 3920.10.99 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, que prevê a aplicação da alíquota de 15%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. O princípio da autonomia dos estabelecimentos preconiza que, para efeito da apuração do IPI, cada estabelecimento seja considerado um contribuinte autônomo. Demonstrado que o Fisco analisou separadamente a escrita de determinado estabelecimento, apurando os débitos e créditos isoladamente, não há que se falar em violação ao referido princípio. Assim, a lavratura de auto de infração indicando como contribuinte um estabelecimento que já havia sido baixado quando da conclusão da ação fiscal ao invés da matriz, alegadamente sua sucessora, caracterizaria, no máximo, violação a formalidade não essencial, que nada prejudica a higidez da ação fiscal. Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Os demonstrativos elaborados pela autoridade autuante demonstram que, nos períodos em que a contribuinte deixou de lançar o imposto devido na nota fiscal, mas que havia saldo credor, foi lançada multa isolada. Nos demais, ou seja, naqueles em que o saldo passou a ser devedor, multa de ofício. Restando evidenciado que a multa isolada não foi imposta concomitantemente com a multa de ofício e que ambas foram corretamente aplicadas, não há que se falar em ilegalidade da autuação. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13839.900720/201216 Acórdão n.º 3001000.840 S3C0T1 Fl. 4 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O v. Acórdão recorrido negou guarida à Manifestação de Inconformidade da empresa e manteve o Despacho Decisório, através do Acórdão nº 1144.772 6ª Turma da DRJ/REC, julgado em 30 de janeiro de 2014 (fls. 111/119), pelos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 105), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A nulidade do procedimento é medida excepcional, que só se justifica quando se está diante da incompetência do agente ou do cerceamento do direito de defesa. Se não demonstrada pelo menos uma dessas hipóteses, não há como decretar a nulidade. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE A legislação que disciplina o processo administrativo fiscal não prevê o sobrestamento do andamento dos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS A RESSARCIR OU COMPENSAR. GLOSA. Reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, restando demonstrada a inexistência de crédito a compensar, deve se proceder às glosas correspondentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente foi cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, de forma eletrônica, através da Intimação SEORT/Nº 522/2014HLOA, emitida em 07.11.2014 (fls. 136), aberta 14 de novembro de 2014 (fls. 138), e com certidão de termo de que o contribuinte teve ciência por decurso de prazo em 22 de novembro de 2014 (fls. 140). Em 16 de dezembro de 2014, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário para este Conselho (fls. 144/181), em que, após historiar os fatos, reiterou suas razões impugnatórias, insistiu com as preliminares de nulidade por falta de motivação (fls. 147158), e por erro na identificação do sujeito passivo (fls. 162/163), e de cerceamento ao direito de defesa ao fundamento de que o lançamento foi feito pela DRF de Novo Hamburgo RS, e o domicílio fiscal do contribuinte fiscalizado ficava no município de sapucaia do Sul/RS (fls. 163/164); e, no mérito, insistindo com os mesmos argumentos impugnatórios. Fl. 182DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Tempestividade Considerando a certidão eletrônica de que a empresa foi notificada do teor da decisão recorrida, por decurso de prazo, em 22 de novembro de 2014 (fls. 140), e o apelo veio aos autos no dia 16 de dezembro daquele mesmo ano, e encontravase assinado por advogado habilitado nos autos, considero tempestivo o apelo do contribuinte. Aspectos introdutórios Consta expressamente dos autos, mencionado pela própria recorrente, que "as glosas que motivaram a não homologação da compensação que é objeto do presente processo decorrem da reconstituição da escrita levada a efeito no processo nº 11065.720582/201258, julgado na mesma sessão e anteriormente ao presente processo, dada a evidente conexão entre os dois" (fls. 124). Ao rejeitar os argumentos do contribuinte, a decisão recorrida negou guarida ao pedido de sobrestamento para que este processo fosse julgado concomitantemente com o Processo nº 11065.720582/201258, do mesmo contribuinte, por que ambos foram julgados na mesma sessão, inclusive com a adoção dos mesmos fundamentos para ambas as demandas, recomendando que "sejam adotadas as medidas necessárias à garantia de que o presente processo, caso seja alvo de recurso voluntário, seja julgado em conjunto com o de nº 11065.720582/201258" acima referenciado. Consultando o sitio do CARF, verificase que o Processo nº 11065.720582/201258 foi julgado em 29 de agosto de 2017, poela 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, desta 3ª Seção, através do Acórdão 3401003.953, quando foram rejeitadas todas as questões preliminares e negado provimento aos aspectos de mérito, pelos fundamentos resumidos na seguinte ementa, verbis. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade competente, observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário, e não demonstrado minimamente o óbice ao pleno exercício do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. GEOMEMBRANA. MACLINE®. NCM 3920.1099. O produto comercialmente denominado geomembrana MacLine®, empregado na Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13839.900720/201216 Acórdão n.º 3001000.840 S3C0T1 Fl. 5 7 impermeabilização de reservatórios, tanques, aterros sanitários, lagoas de tratamento, aterros industriais, canais de adução, etc., classificase no subitem 3920.10.99 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, que prevê a aplicação da alíquota de 15%. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI NA NOTA FISCAL. LEI Nº 4.502/1964. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. Cabimento da aplicação concomitante das multas calculadas sobre valores distintos de base cálculo, consistentes nas parcelas do IPI não lançados nas notas fiscais com e sem cobertura de crédito. Aspectos preliminares Por comungar inteiramente dos robustos fundamentos constantes do brilhante voto condutor do mencionado Acórdão 3401003.953, peço vênia ao ilustre Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO para transcrever, parcialmente, as razões do seu voto condutor do mencionado acórdão, como parte integrante deste voto, relativamente às questões preliminares, quanto segue. 1. VÍCIO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO 8. A contribuinte alega, em primeiro lugar, nulidade do auto de infração lavrado, em 02/05/2012, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que o estabelecimento indicado pela autoridade fiscal foi encerrado em 05/12/2011 na Junta Comercial do Estado de São Paulo, mesma data em que consta a baixa voluntária do CNPJ no cadastro da Secretaria da Receita Federal, uma vez que o correto deveria ter sido a lavratura contra a matriz, e não contra pessoa inexistente. 9. A decisão de primeira instância administrativa afastou a alegação de nulidade com fundamento na regra de autonomia dos estabelecimentos corporificada, entre outros, nos arts. 24 e 313 do RIPI/2002, acrescentando, ainda, que os débitos e créditos analisados se referem ao CNPJ contra o qual foi lavrado o auto de infração, tendo sido ele, ademais, quem "(...) promoveu a industrialização e deu saída aos produtos que são objeto do presente litígio", nos seguintes termos: "(...) Não vejo como reconhecer o alegado erro na identificação do sujeito passivo. Sabese, com efeito, que um dos princípios norteadores da arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é o da Fl. 184DF CARF MF 8 autonomia dos estabelecimentos, regulamentado, à época dos fatos geradores litigiosos, dentre outros dispositivos, pelo art. 313 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), citado expressamente da peça impugnatória, que assim se encontrava redigido: Art. 313. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57). No mesmo sentido, o inciso II do caput e o parágrafo único art. 24 do mesmo regulamento, dispõe: Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte (...) II o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); (...) Parágrafo único. Considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei nº 5.172, de 1966, art. 51, parágrafo único). Entretanto, após analisar os elementos carreados aos autos, concluise que não se está diante de qualquer violação ao referido princípio. De fato, os débitos e créditos apurados dizem respeito exclusivamente às operações realizadas pela filial inscrita no CNPJ sob o código 43.876.960/001013, que, indubitavelmente, assumia a condição de contribuinte do IPI, nos termos do inciso II do caput e do parágrafo único do art. 24, do mesmo RIPI/2002, já transcritos. Dito estabelecimento, com efeito, promoveu a industrialização e deu saída aos produtos que são objeto do presente litígio e as diferenças imputadas dizem respeito a essas operações. Registrese, outrossim, que a apuração do crédito tributário seguiu adequadamente a legislação de regência, na medida em que se analisou, exclusivamente, fatos atinentes a um determinada filial da pessoa jurídica Maccaferri do Brasil. Por outro lado, não há dúvida de que o patrimônio onerado pelo lançamento, em última análise, será sempre o da Pessoa Jurídica como um todo, que pelos débitos de todas as suas filiais, estejam elas ativas ou não. Sabidamente, não há separação entre o patrimônio da matriz e o das filiais. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13839.900720/201216 Acórdão n.º 3001000.840 S3C0T1 Fl. 6 9 Assim sendo, a orientação extraída do sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil nada mais faz do que confirmar esse raciocínio: a baixa da filial depende exclusivamente da análise formal do ato, uma vez que as pendências que onerem o patrimônio serão sempre, em última análise, débitos da pessoa jurídica e não da filial. De qualquer sorte, ainda que se identificasse ato normativo que ratificasse a opinião defendida pela autuada, ou seja, de que o lançamento deveria ser formalizado contra a matriz, supostamente “sucessora e devedora solidária” da filial contribuinte, estarseia diante de uma falha formal, que só afetaria a higidez do lançamento se caracterizasse cerceamento do direito de defesa, o que definitivamente não ocorreu no caso em tela" (seleção e grifos nossos). 10. De nossa perspectiva, não há que se falar em nulidade do lançamento, sobretudo porque não se verifica, ao longo do processo, qualquer óbice ao direito de defesa da contribuinte que, regularmente cientificada de cada etapa deste processo administrativo, e também durante o procedimento de fiscalização, apresentou, de maneira tempestiva, a sua defesa e se manifestou regulamente e sem qualquer prejuízo ao exercício do contraditório. ...............................(omissis)......................................... a) Acórdão n° 10809.832, de 05 de fevereiro de 2009: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE FORMAL ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO Não configura erro na identificação do sujeito passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da recorrente. A irregularidade no preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do lançamento quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. b) Acórdão n.° CSRF/0105.504, de 18 de setembro de 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO — INEXISTÊNCIA: Não há nulidade em auto de infração lançado em nome de empresa liquidada se, durante toda a ação fiscal, na ciência do auto de infração e, Fl. 186DF CARF MF 10 principalmente, na impugnação, participaram, realizando todos os atos e defendendose amplamente, os sócios responsáveis" (seleção e grifos nossos). 11. Assim, pelos fundamentos da decisão recorrida, não reconheço a nulidade do auto de infração e voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. 2. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 12. A contribuinte alega, ainda, em suas razões, ter havido cerceamento do direito de defesa, uma vez que os autos foram disponibilizados, mediante agendamento, na DRF de São Leopoldo ao invés da DRF de Novo Hamburgo, sendo que o estabelecimento se localiza em Sapucaia do Sul. Tampouco se vislumbra, neste caso, a alegada ofensa à garantia fundamental em referência, uma vez que não demonstra a recorrente qualquer prova ou mesmo indício de que não pudesse comparecer ao local e data agendados, e não há notícia nos autos de que tenha solicitado o reagendamento, cabendo ressaltar, ademais, que tais fatos ocorreram durante momento anterior à instauração do litígio. 13. Diversa sorte não deve ter a alegação de que, quando da ciência, por parte da recorrente, o auto de infração e seus anexos foram entregues sem que se franqueasse à contribuinte o acesso à cópia dos elementos que subsidiaram a elaboração dos anexos I e II, pois se referem a documentos entregues pela própria empresa fiscalizada. 14. Por fim, quanto ao argumento de não ter a autoridade fiscal apresentado os subtotais mensais decorrentes da recomposição da escrita fiscal, em que pese o desconforto causado à contribuinte, não se vislumbra a configuração de qualquer prejuízo, pois o ônus de realizar operações aritméticas de somar e subtrair não é suficiente para caracterizar o alegado cerceamento de direito de defesa. Assim e como acima já referido, valhome dos mesmos argumentos alhures reproduzidos, extraídos do brilhante voto do Conselheiro Relator do Acórdão 3401003.953, julgado na sessão de 29 de agosto de 2017, para rejeitar as preliminares de nulidade por falta de motivação (fls. 147/158), por erro na identificação do sujeito passivo (fls. 162/163); e, de cerceamento ao direito de defesa ao fundamento de que o lançamento foi feito pela DRF de Novo HamburgoRS e o domicílio fiscal do contribuinte fiscalizado ficava no município de Sapucaia do Sul/RS (fls. 163/164). Aspectos de mérito Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13839.900720/201216 Acórdão n.º 3001000.840 S3C0T1 Fl. 7 11 3. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA 16. Concerne à questão de fundo deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (3925.10.00), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (3920.10.99): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado. 17. Para a contribuinte recorrente, a mercadoria deve ser classificada no Capítulo 39 ("Plástico e suas obras"), Posição 3925 ("Artigos para apetrechamento de construções, de plástico, não especificados nem compreendidos noutras posições"), Subposição, Item e Subitem 3925.10.00 ("Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300l"), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI. 18. Por outro lado, a autoridade fiscal, em que pese concordar com a classificação quanto ao Capítulo 39 ("Plástico e suas obras"), discorda quanto aos seus sucedâneos, reputando como correta a Posição 3920 ("Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plástico não alveolar, não reforçadas nem estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias"), Subposição 3920.10 ("De polímeros de etileno"), Item e Subitem 3920.10.99 ("Outras"), submetida, portanto, a uma alíquota de 15% de IPI. 19. Cabe, portanto, se conceber se a geomembrana "MacLine®" se trata de um plástico ou uma de suas obras entendido como: (i) um artigo para apetrechamento de construções, de plástico, não especificado em outras posições, consistente, mais especificamente, em reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros, como defende a e lâminas, de plástico não alveolar, não reforçadas nem estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias de polímeros de etileno, não especificada em outros itens e subitens, como defende a autoridade fiscal. 20. Para se responder à indagação acima, recorrese, em primeiro lugar, à definição de geomembrana extraída das razões da decisão recorrida, entendida como "(...) uma classe de geossintéticos de reduzida permeabilidade" utilizada para "(...) compor sistemas de impermeabilização da base de aterros e resíduos e de lagoas de efluentes, bem como sistemas de impermeabilização de cobertura de aterros".1 Fl. 188DF CARF MF 12 21. Necessário se ressaltar, todavia, que, por meio de consulta ao site da contribuinte,2 verificase a existência de uma multiplicidade de geomembranas "MacLine®", comercializadas sob os seguintes epítetos: (i) MacLine® SDH (Smooth Density High – Lisa de Alta Densidade); (ii) MacLine® TDH (Texture Density High – Texturizada de Alta Densidade); (iii) MacLine® R (Reinforcement – Reforçada); (iv) MacLine® GCL (Geo Clay liner –Geocomposto de argila), acompanhados dos acessórios: MacFix®, descrito como "um aporte (filamento) fabricado em polietileno virgem de alta densidade, utilizado para execução de solda de geomembranas por extrusão" e MacLock®, voltado "para atender as necessidades de instalação de geomembranas (...) em superfícies de concreto onde não é possível executar a ancoragem convencional comumente utilizada nas lagoas de tratamento e demais aplicações". __________________________ 1 "Acerca das características das geomembranas e suas finalidades, confirase, ainda, excerto de artigo publicado na Revista Minerva, editada pela Fundação para o Incremento da Pesquisa e do Aperfeiçoamento Industrial (FIPAI) (original não destacado): 'O uso de geossintéticos em obras geotécnicas de proteção ambiental tem crescido muito nos últimos anos. Em especial, as geomembranas, que compõem uma classe de geossintéticos de reduzida permeabilidade, prestamse a compor sistemas de impermeabilização da base de aterros de resíduos e de lagoas de efluentes, bem como sistemas de impermeabilização de cobertura de aterros'". 2 Disponível em: <https://www.maccaferri.com/br/produtos/geomembranasmaclin e/>, último acesso em 28/02/2016. ...............................(omissis)......................................... 24. Em que pese a afirmação, no link acima transcrito, de que, em alguns países, a recorrente fornece outros serviços, pelo que se depreende da leitura dos documentos que instruem os presentes autos administrativos, o labor da contribuinte no estabelecimento e período fiscalizados se limitou à fabricação de geomembrana que, após a saída de seu estabelecimento, será utilizada em obras de construção civil. Neste sentido, como bem pontuou a decisão recorrida, em especial com base no catálogo de fls. 447 e 448, a contribuinte tampouco industrializa reservatórios, tanques, aterros sanitários, canais de adução, entre outros, o que se confirma com o fato de que a totalidade das notas fiscais traduz unicamente a venda de mercadorias produzidas pelo estabelecimento, sob os CFOP 5101 ou 6101 ("venda de produção do estabelecimento"). ...............................(omissis)......................................... O brilhante voto condutor do Acórdão 3401003.953, após tecer considerações técnicas, ilustradas com fotografias extraídas do sitio da própria recorrente, Fl. 189DF CARF MF Processo nº 13839.900720/201216 Acórdão n.º 3001000.840 S3C0T1 Fl. 8 13 desenvolve longas considerações e demonstra que o produto industrializado pela empresa recorrente e discutido na presente demanda, tem sua classificação correta e adequada no Capítulo 39 ("Plástico e suas obras"), Posição 3920 (outras chapas, folhas, películos, tiras e lâminas, de plástico não alveolar, não reforçadas nem estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias"), Subposição 3920.10 ("De polímeros de etileno"), Item e subitem 3920.10.99 ("Outros"), submetido, portanto, a uma alíquota de 15% de IPI, e arremata sobre o tema, verbis. 31. É possível se afirmar, ainda, que se trata da NCM nº 3920.10.99, i.e., Item e Subitem 3920.10.99 ("Outras"). Isto porque as demais opções que fazem menção a este material podem ser afastadas com relativa facilidade, com subsídio nas informações presentes nos presentes autos, sem a necessidade de qualquer diligência, conforme se expõe: (i) não se trata da NCM 3920.10.10 [de densidade superior ou igual a 0,94, espessura inferior ou igual a 19 micrômetros (mícrons), em rolos de largura inferior ou igual a 66 cm], uma vez que as geomembranas apresentam largura entre 4,80 e 5,80 metros, superior, portanto, a 66 cm; e (ii) não se trata tampouco da NCM 3920.10.91 [de densidade inferior a 0,94, com óleo de parafina e carga (sílica e negrodecarbono), apresentando nervuras paralelas entre si, com uma resistência elétrica superior ou igual a 0,030 ohms.cm2 mas inferior ou igual a 0,120 ohms.cm2, em rolos, dos tipos utilizados para a fabricação de separadores de acumuladores elétricos 3920.10.99 Outras], pois se trata de polímero de polietileno de alta densidade. 32. Por fim, o que se depreende da leitura dos autos é que se trata de um produto elaborado em polietileno ("polímero de polietileno") de alta densidade, "(...) sem qualquer menção ao fato de se caracterizar como plástico alveolar, reforçado, estratificado ou associado a outra matéria, o que afasta o enquadramento na posição 3921" e, pelo contrário, atrai a classificação para o seguinte código NCM: "39 Plástico e suas obras. 39.20 Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias. 3920.10 De polímeros de etileno. 3920.10.99 Outras". 33. Conforme se extraem das regras gerais para a interpretação do sistema harmonizado, a classificação deve ser determinada de acordo com os textos das posições e das notas de seção ou de capítulo desde que não sejam contrárias aos textos das posições e notas. Assim, alguns produtos, como é o caso da geomembrana MacLine®, podem ser classificados na nomenclatura sem que seja necessário o recurso às demais RGI não há, por exemplo, dúvida entre duas posições, situação em que a posição mais específica deve prevalecer sobre as mais genéricas, vez que não reside controvérsia ou dúvida quanto ao fato de se tratar de um polímero de polietileno. Ressaltese que, como se demonstrou, Fl. 190DF CARF MF 14 inexiste contrariedade, mas verdadeira convergência, com relação aos textos das notas, o que conduz à conclusão de que correta, portanto, a classificação adotada pela autoridade fiscal, devendo o auto de infração ser mantido neste ponto. ...............................................(omissis)......................................... Referindose ao item intitulado como acumulação das multas isoladas e de ofício, prossegue o brilhante voto acima referenciado, verbis. 4. CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO 34. Alega a contribuinte, ainda, que a multa isolada de 75% por falta de lançamento do imposto com cobertura de crédito e a multa de ofício de 75% por falta de pagamento do imposto apurado teriam sido aplicadas concomitantemente sobre os mesmos fatos geradores, o que conduziria à aplicação de uma multa efetiva de 150%. 35. Não assiste razão à recorrente neste raciocínio. 36. Na verdade, a multa prevista no art. 80 da Lei nº 4.502/1964 é proporcional ao IPI não lançado na nota fiscal e, logo, não guarda relação com a reconstituição da escrita fiscal. Tratase de mera rubrica diversa da multa de ofício, lançada sobre o IPI não lançado com e sem cobertura de crédito, totalizando, assim, o percentual de 75% do imposto não lançado/destacado das notas fiscais de saída, não havendo que se falar em bis in idem, cumulação ou concomitância, o que se denota da leitura do seguinte trecho do Parecer CST nº 39/1976: "(...) a multa, por falta de lançamento, apurada pela fiscalização, é sempre aplicável, independentemente do imposto não lançado estar ou não coberto por eventuais créditos": ........................................(omissis)......................................... 38. A questão não é nova a este Conselho, como se depreende da leitura do Acórdão CARF nº 3402003.181, proferido em sessão de 21/07/2016 pela 2ª Turma desta Câmara, sob a relatoria da Conselheira Thais De Laurentiis, que entendeu, de maneira acertada, estar "correta a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída (imposto não lançado), mesmo havendo créditos para abater parcela desse imposto". 39. Em idêntico sentido, o Acórdão CARF nº 3102002.211, proferido em sessão de 27/05/2014 pela 2ª Turma da 1ª Câmara desta Seção, sob a relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento: MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI NA NOTA FISCAL. PERCENTUAL NORMAL. CABIMENTO. A falta de lançamento do IPI nas respectivas notas fiscais de venda configura infração sancionada com a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13839.900720/201216 Acórdão n.º 3001000.840 S3C0T1 Fl. 9 15 BIS IN IDEM. MULTA CALCULADA SOBRE BASE CÁLCULO DISTINTAS. INOCORRÊNCIA. Inexiste bis in idem se as multas aplicadas foram calculadas sobre valores distintos de base cálculo, consistentes nas parcelas do IPI não lançados nas notas fiscais com e sem cobertura de crédito. Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares suscitadas e, quanto ao mérito, nego provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator ...................................... Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 13736.000953/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. SÚMULA CARF Nº 68.
A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2401-006.690
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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DIRF. SÚMULA CARF Nº 68. A omissão de rendimentos apurada com base em DIRF da fonte pagadora determina a tributação do rendimento omitido. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Trata-se de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física - IRPF, fls. 24/27, ano-calendário 2003, que apurou imposto a restituir inferior ao declarado, no valor de R$ 1.246,78, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$ 12.636,00, recebidos da fonte pagadora Comando da Marinha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 09 53 /2 00 8- 81 Fl. 87DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.690 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13736.000953/2008-81 Em impugnação apresentada às fls. 2/4, o contribuinte afirma que no comprovante de rendimentos emitido pela Marinha do Brasil, foi indevidamente incluído como rendimento tributável o Adicional por Tempo de Serviço e a Compensação Orgânica, tendo-os informado como rendimentos isentos e não tributáveis. Cita a Lei 8.852/94, art. 1º, III, requerendo a desconsideração dos valores não tributáveis. A DRJ/RJOII, julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão 13-20.557 de fls. 49/53, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OM1SSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Lançamento Procedente Cientificado do Acórdão em 7/11/08 (Aviso de Recebimento - AR de fl. 60), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/11/08, fls. 62/63, que contém, em síntese: Repete o argumento apresentado na impugnação de que no comprovante de rendimentos emitido pela Marinha do Brasil, foi indevidamente incluído como rendimento tributável o Adicional por Tempo de Serviço e a Compensação Orgânica, tendo-os informado como rendimentos isentos e não tributáveis. Requer a desconsideração dos valores não tributáveis relativos ao adicional por tempo de serviço. Cita a Lei 8.852/94, art. 1º, III, 'n', e afirma que foi reconhecido a ilegalidade da incidência do adicional por tempo de serviço. Conclui que não pode incidir imposto de renda nas seguintes parcelas dos vencimentos dos Militares/Servidores Civis, entre outras: Gratificação por tempo de serviço, gratificação ou adicional natalino, compensação orgânica e salário família. Requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II - outorga de isenção; [...] Fl. 88DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.690 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13736.000953/2008-81 A Lei 7.713/88, no art. 6º, enumera os rendimentos percebidos por pessoas físicas, inclusive provenientes do trabalho, que são isentos. Dentre os vários incisos do referido art. 6º, não há qualquer menção à denominada Compensação Orgânica, nem ao Adicional por Tempo de Serviço. A Lei 8.852/94, citada pelo recorrente, define o que é remuneração para aplicação de seus dispositivos. Contudo, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto de renda. Mesmo porque, não poderia fazê-lo, pois a lei que concede isenção deve ser específica, nos termos da CR/88, art. 150, § 6º. Sendo assim, não havendo lei ou decisão que vincule o CARF, excluindo as verbas Compensação Orgânica e Adicional por Tempo de Serviço da base de incidência do imposto de renda pessoa física, não há como serem acatados os argumentos do contribuinte nesse sentido. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 68 dispõe: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Logo, correto o procedimento fiscal que apurou as diferenças de IRPF devidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720192/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008
ENTREGA DE PRODUTO RURAL A COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO.
O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão, as receitas, serem apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa.
PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE.
É imune, nos termos do art. 149 da Constituição Federal, a receita do cooperado que entrega sua produção à cooperativa para que providencie a exportação.
Numero da decisão: 2301-006.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO.
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 ENTREGA DE PRODUTO RURAL A COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão, as receitas, serem apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. É imune, nos termos do art. 149 da Constituição Federal, a receita do cooperado que entrega sua produção à cooperativa para que providencie a exportação.
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ATO COOPERATIVO QUE NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização e deverão, as receitas, serem apropriadas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. É imune, nos termos do art. 149 da Constituição Federal, a receita do cooperado que entrega sua produção à cooperativa para que providencie a exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO. João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 92 /2 01 1- 13 Fl. 414DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.052 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720192/2011-13 Trata-se de auto de infração, Debcad nº 37.049.702-3, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas de exportação (indireta) da produção agroindustrial, por intermédio de cooperativa, em operações ocorridas entre 04/2008 e 12/2008. Impugnado o lançamento, a impugnação foi dada por improcedente. Foi interposto recurso voluntário no qual o recorrente arguiu: 1)as operações realizadas entre cooperativa e cooperado, com o fim de exportação, não podem ser consideradas operações de mercado interno, mas como venda direta ao exterior, em face da natureza do ato cooperativo; 2)as exportações realizadas por via de cooperativa, mediante ato cooperativo, gozam de imunidade constitucional; 3)as cooperativas não podem ser consideradas trading companies e, ainda que o fossem, as exportações estariam fora do campo de incidência tributária em razão da imunidade; 4) a Instrução Normativa 3, de 2005, é inconstitucional, por ferir os princípios da legalidade estrita e da isonomia tributária, e também ilegal, por afrontar o Código Tributário Nacional e o Decreto-Lei nº 1.248, de 1972, 5)o fato de haver coincidência de acionistas não é suficiente para se estender a responsabilidade tributária à Usina Iacanga; 6)deve ser aplicado a retroatividade de lei mais benéfica para reduzir a multa ao percentual de vinte por cento. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Por tempestivo, conheço do recurso, exceto quanto à alegação de inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 3, de 14 de julho de 2005, em face da Súmula Carf nº 2. O recurso enfocou apenas as questões de mérito, sem questionamento preliminar. Equiparação da exportação por intermédio da cooperativa à exportação direta O recorrente foi autuado com base no art. 22-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. As bases de cálculo foram informadas pela própria empresa (e-fls. 78 a 100) e correspondem à receita bruta apurada nos termos do Parecer Normativo CST nº 66, de 25 de agosto de 1986, que estabelece: O Parecer Normativo CST nº 77/76, publicado no D.0. de 09. 11.76. ao pronunciar-se sobre o momento da apropriação da receita operacional no caso de faturamento por ato Fl. 415DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.052 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720192/2011-13 cooperativo, expendeu o entendimento de que "a computação como receita operacional, para efeito de imposto de renda, deve basear-se na emissão da "nota fiscal" de saída do produto da cooperativa". Não obstante os termos dessa orientação administrativa, há sociedades que, excepcionalmente compondo o quadro associativo de cooperativas de venda em comum, sob alegação de inexistência de disciplinamento específico, registram as receitas das vendas de seus produtos no exercício em que sua produção é entregue às cooperativas, mesmo nos casos em que a efetiva comercialização ocorra no exercício subseqüente. 2. A legislação do imposto sobre a renda adota, em regra, o regime econômico ou de competência na apuração de resultados das pessoas jurídicas, como o determina o art. 67, XI, do Decreto-lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (art. 172 e par. único do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 85.450/80 - RIR/80), em combinação com o art. 18 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e o art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 3. Conforme esclarece o citado Parecer Normativo CST nº 77/76, a entrega da produção do associado à sua cooperativa nada mais significa que a outorga de poderes. Em conformidade com o parágrafo único do art. 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, aquele ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, sendo, pois, a venda no mercado o ato de que deriva a respectiva receita. (Grifei.) 4. O desatendimento ao regime de competência, como analisado pelo Parecer Normativo CST nº 57/79 (D.O. de 18.10.79), configura inexatidão contábil capaz de caracterizar infração fiscal. 5. Por conseguinte, deve-se esclarecer, em complemento ao Parecer Normativo CST nº 77/76, que as empresas excepcionalmente associadas a cooperativas (art. 6º, I, da Lei nº 5.764/71) devem apropriar as receitas por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa singular ou central encarregadas da venda em comum, segundo o regime jurídico dessas sociedades. (Grifei.) Como se percebe da leitura do Parecer Normativo CST nº 66, de 1986, a entrega da produção do cooperado à cooperativa nada mais é do que uma outorga de poderes e as receitas das empresas cooperadas devem ser apropriadas quando da venda realizada pela cooperativa. Ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, não entendo que a aplicação do Parecer Normativo CST nº 66, de 1986, contraria a Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005, que estabelece: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplica-se o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. (Grifei.) § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. (Grifei.) Fl. 416DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.052 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720192/2011-13 De acordo com o parágrafo único do art. 79 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, a operação ocorrida entre cooperado e cooperativa, embora não tenha sido uma exportação, também não foi venda da produção, o que exclui as hipóteses dos §§ 1º e 2º, que aludem à comercialização. No caso do ato cooperado, a comercialização somente se dará pela cooperativa, que a faz em nome dos cooperados. Como, no caso destes autos, a venda foi efetuada diretamente pela cooperativa ao adquirente no exterior, sem o intermédio de trading company, está-se diante da norma inserta no caput do art. 245. Ao equiparar as cooperativas às empresas, o parágrafo único do art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991 1 , obviamente pretendeu estender a elas os direitos e deveres inerentes às empresas, o que certamente inclui a imunidade tributária sobre a receita de exportação direta. A finalidade das cooperativas é exatamente substituir e representar seus cooperados na comercialização da sua produção, sem auferir qualquer lucro nessa atividade, sendo que o resultado é repartido com os cooperados. Entendo, pois, que a venda ao exterior da produção dos cooperados, obtida por ato cooperativo, realizada sem intermediários e promovida pela cooperativa equivale à exportação direta dos próprios produtores cooperados. Este entendimento é endossado por várias decisões do Carf na máteria 2 . Por fim, embora não seja o caso deste processo, ressalto que, ao contrário do que argumentou o recorrente, no meu entendimento as operações de exportação por intermédio de trading companies não se equivalem à exportação direta e, portanto, não são imunes. Dou, pois, provimento ao recurso. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO. João Maurício Vital - Relator 1 Parágrafo único. Equiparam-se a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual e a pessoa física na condição de proprietário ou dono de obra de construção civil, em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. 2 Precedentes: 2401.005.730, 2401-003.153, 2401-005.598, 2403-001.063, 2301-003.018, 2301-003.019 e 2401- 005.730. Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.971457/2016-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2015
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE.
Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
Numero da decisão: 3401-006.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2015 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 14 57 /2 01 6- 61 Fl. 98DF CARF MF 2 (...) EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está vinculada à expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REPETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não há de ser homologada declaração de compensação utilizando repetidamente o mesmo crédito, que já foi integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida para declarar a nulidade do despacho decisório que deixou de homologar a compensação por ausência de motivação, pois a autoridade administrativa teria agido discricionariamente ao não indicar os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a decisão. Requer ainda não seja aplicada a multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que deixe de homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.487, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.971455/201672. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.487): "Estáse diante de recurso que se insurge contra acórdão que manteve decisão denegatória de homologação de compensação. Não consta da matéria recorrida qualquer alegação acerca do mérito do direito creditório, mas tão somente a alegação de nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, além de requerimento no sentido de não ser aplicada multa isolada antes de proferida decisão administrativa definitiva acerca da compensação. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.971457/201661 Acórdão n.º 3401006.508 S3C4T1 Fl. 3 3 Verifico que o despacho decisório atacado trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível. Indicou ainda os números dos PER/DCOMP’s relativos às compensações em que já haviam sido anteriormente alocados os mesmos créditos que a Recorrente agora pretendia levar à compensação. Ademais, estão indicados os dispositivos legais em que se baseou a decisão, de modo que não vislumbro a ausência de nenhum pressuposto de fato ou de direito que venha a impedir o perfeito conhecimento das razões em que se baseou a decisão. Ressalto que a Recorrente, ao longo do processo, silenciou absolutamente quanto ao fato de ter alocado o mesmo crédito repetidamente a várias compensações, limitandose a atacar o ato decisório com alegações genéricas de nulidade, apegandose a trechos do texto padrão constante do despacho decisório emitido de forma eletrônica, sem pronunciarse acerca tabela que indicou inexoravelmente a inexistência de crédito. Assim, tenho por incontroversos os fatos em que se basearam a negativa de homologação e entendo não merecer acolhida a alegação de nulidade. Consta ainda da peça recursal pedido no sentido de a Recorrente não seja sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que venha a negar a compensação. Ora, trata se de matéria estranha aos autos, visto que deles não consta o lançamento da multa isolada de 50% prevista no §17 da Lei n° 9.430/1996, além de ser despiciendo o pedido ante à expressa previsão de suspensão da exigibilidade da multa nos casos de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme dicção do §18 do mesmo dispositivo. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 100DF CARF MF 4 Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.909592/2016-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. PALETES. ESTRADOS. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. A respeito de paletes, estrados e semelhantes encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esses insumos, quais sejam: i) a importância para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito.
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. TRANSPORTE DE CARGA. DIREITO AO CRÉDITO.
Estão aptos a gerarem créditos das contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de transporte de carga e resíduos, passíveis de serem enquadrados como custos de produção.
PIS/COFINS. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA.
A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa.
PIS/COFINS. FRETE. LOGÍSTICA. MOVIMENTAÇÃO CARGA.
Os serviços de movimentação interna de matéria-prima durante o processo produtivo da agroindústria geram direito ao crédito.
PIS/COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA- PRIMA. POSSIBILIDADE.
Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matéria-prima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda.
PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA.
Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção.
CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.
Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo.
Numero da decisão: 3201-005.065
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer os créditos sobre (da tabela ao final do voto condutor do acórdão): a) No item 1: serviços de almoxarifado e conserto de ferramentas elétricas; b) No item 2: bens de uso e consumo (apenas das fases produtiva e industrial - ferramentas); c) No item 3: peças de reposição de automóveis, lavagens de automóveis (apenas os veículos integrados no processo produtivo, excluídos os veículos da área administrativa), serviços de tratamento de resíduos, serviços de construção civil (limitados aos encargos de depreciação), Manutenção de elevadores (limitados aos encargos de depreciação) e ar condicionados ou outros equipamentos (limitados aos encargos de depreciação). Vencidos, apenas quanto ao serviço de vigilância florestal, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes; d) No item 4: serviços com descrição não identificável (deve-se considerar a natureza do serviço e não o CNAE do prestador, de modo que o serviço vinculado ao processo produtivo e industrial gera direito ao crédito, nos termos da análise efetuadas no voto), montagem e desmontagem de andaimes e movimentação de cargas; e) No item 6: despesas utilizadas para transporte de mercadorias; f) No item 8: gastos com limpeza, equipamentos de segurança e equipamentos de proteção individual (EPIs); g) No item 9: os insumos vinculados à silvicultura; h) No item 10: os insumos para fabricação do dióxido de cloro; i) No item 11: os fretes (com exceção do transporte de pessoal); j) No item 14: locação e arrendamento de bens; k) No item 15: bens do ativo imobilizado (limitados aos encargos de depreciação); l) No item Outros: permitir o ressarcimento dos créditos de PIS/Cofins sobre a importação vinculados à receita de exportação.
(documento assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente
(documento assinado digitalmente)
LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. PALETES. ESTRADOS. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. A respeito de paletes, estrados e semelhantes encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esses insumos, quais sejam: i) a importância para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 95 92 /2 01 6- 72 Fl. 11089DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. TRANSPORTE DE CARGA. DIREITO AO CRÉDITO. Estão aptos a gerarem créditos das contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de transporte de carga e resíduos, passíveis de serem enquadrados como custos de produção. PIS/COFINS. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. IMPOSIÇÃO NORMATIVA. A utilização de E.P.I. é indispensável para a segurança dos funcionários. Imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. PIS/COFINS. FRETE. LOGÍSTICA. MOVIMENTAÇÃO CARGA. Os serviços de movimentação interna de matéria-prima durante o processo produtivo da agroindústria geram direito ao crédito. PIS/COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA- PRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matéria- prima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22-A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matéria-prima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matéria-prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. “Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Fl. 11090DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer os créditos sobre (da tabela ao final do voto condutor do acórdão): a) No item 1: serviços de almoxarifado e conserto de ferramentas elétricas; b) No item 2: bens de uso e consumo (apenas das fases produtiva e industrial - ferramentas); c) No item 3: peças de reposição de automóveis, lavagens de automóveis (apenas os veículos integrados no processo produtivo, excluídos os veículos da área administrativa), serviços de tratamento de resíduos, serviços de construção civil (limitados aos encargos de depreciação), Manutenção de elevadores (limitados aos encargos de depreciação) e ar condicionados ou outros equipamentos (limitados aos encargos de depreciação). Vencidos, apenas quanto ao serviço de vigilância florestal, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes; d) No item 4: serviços com descrição não identificável (deve-se considerar a natureza do serviço e não o CNAE do prestador, de modo que o serviço vinculado ao processo produtivo e industrial gera direito ao crédito, nos termos da análise efetuadas no voto), montagem e desmontagem de andaimes e movimentação de cargas; e) No item 6: despesas utilizadas para transporte de mercadorias; f) No item 8: gastos com limpeza, equipamentos de segurança e equipamentos de proteção individual (EPIs); g) No item 9: os insumos vinculados à silvicultura; h) No item 10: os insumos para fabricação do dióxido de cloro; i) No item 11: os fretes (com exceção do transporte de pessoal); j) No item 14: locação e arrendamento de bens; k) No item 15: bens do ativo imobilizado (limitados aos encargos de depreciação); l) No item Outros: permitir o ressarcimento dos créditos de PIS/Cofins sobre a importação vinculados à receita de exportação. (documento assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 10665/10869, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 14-76.144 - 14ª Turma da DRJ/RPO, e-fls. 10398/10466, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcreve-se a seguir o referido relatório: Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado por meio do Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 21305.51701.230514.1.1.08-3738, relativo a crédito de PIS Não Cumulativo vinculado à receita de Exportação, apurado no 3º trimestre de 2013 no montante pleiteado de R$ 13.205.964,41, bem Fl. 11091DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 como homologou parcialmente as compensações que a ele foram vinculadas. Tendo em vista o pleito formalizado pela interessada, foi iniciado procedimento fiscal com o objetivo de analisar a legitimidade do crédito objeto do PER. No curso dos trabalhos, constatou a auditoria que a contribuinte descontou créditos não cumulativos em valores superiores aos legítimos acarretando, assim, a inexistência de valores a ressarcir além da insuficiência de recolhimento da contribuição, o que motivou a lavratura de auto de infração controlado no processo administrativo nº 10580.726949/2017-60, também examinado nessa sessão de julgamento. As constatações resultantes do procedimento de auditoria estão descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 9.723/9.755. No documento, a autuada é identificada como fabricante de celulose e outras pastas para a fabricação de papel que está submetida à apuração do imposto de renda pelo lucro real e à sistemática não cumulativa de incidência do PIS e da Cofins. Informa a auditoria que os mencionados pedidos de ressarcimento cuja necessidade de análise iniciou a ação fiscal têm por objeto saldos credores vinculados à receita de exportação, referentes aos terceiro e quarto trimestres de 2013. A hipótese de utilização desses créditos, por meio de pedido de ressarcimento, estaria prevista nos artigos 3º e 5º, §2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS), e artigos 3º e 6º, §2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (Cofins). O Termo de Verificação passa então a detalhar o resultado da auditoria executada nas diversas rubricas relacionadas à apuração das contribuições não cumulativas. As irregularidades podem ser assim resumidas: - diferença no percentual de rateio para fins de repartição dos custos e encargos comuns às receitas de exportação e às receitas do mercado interno; - apropriação de créditos não cumulativos sobre serviços e bens que não se classificam no conceito de insumo formatado pela legislação tributária; - apropriação de créditos não cumulativos sobre bens e serviços destinados à formação e manutenção de recursos florestais, por falta de previsão legal para a apuração de créditos sobre encargos de exaustão; - apropriação de créditos sobre insumos utilizados na fabricação própria do Dióxido de Cloro, utilizado na fase de branqueamento da celulose (insumo do insumo); - apropriação de créditos calculados sobre fretes tendo em vista a falta de apresentação de documentação indicativa da modalidade de frete contratada (aquisição de insumos, transferência interna ou operação de venda); Fl. 11092DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 - apropriação de créditos sobre combustíveis tendo em vista a falta de apresentação de documentação indicativa da alocação dos dispêndios com combustíveis na cadeia produtiva; - apropriação de créditos sobre despesas com transporte de pessoal, lanches e refeições, itens que não se enquadram no conceito de insumo; - apropriação de créditos sobre locação de veículos, porque não se vinculam diretamente a processos de produção, seja porque veículos automotores utilizados em transporte de pessoas, nas atividades administrativas da empresa e na venda de bens não se confundem com máquinas ou com equipamentos; - apropriação de créditos na aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição; - inclusão, no pedido de ressarcimento, de créditos de PIS/CofinsImportação vinculados a receitas de exportação, uma vez que o aproveitamento desses créditos se dá exclusivamente por meio de desconto da contribuição apurada. Finalizando, o relatório destaca alguns pontos do resultado da auditoria: • Os valores demonstrados nas planilhas apresentadas na resposta à intimação divergiram daqueles informados no DACON. Houve aproveitamento de crédito em algumas rubricas informadas no DACON, que não foram utilizadas como crédito nos memoriais apresentados, pois não constavam nas planilhas apresentadas na resposta à intimação. Uma vez que o próprio interessado negou a existência desses créditos, eles foram glosados por essa auditoria; • Os valores consolidados dos pagamentos efetuados relativos a Pis/CofinsImportação foram extraídos do DW Arrecadação (Anexo VII). Nos termos do art. 15 da Lei n° 10.865, de 2004, já transcrito acima, as pessoas jurídicas sujeitas à apuração não-cumulativa do Pis e da Cofins passaram a descontar crédito, relativo às importações de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda sujeitas ao pagamento do Pis e da Cofins-Importação, a partir do momento em que esta for efetivamente paga. Desta forma, os valores de pagamentos não confirmados foram glosados por essa auditoria; • Os valores de Pis/Cofins arrecadados na importação, confirmados conforme transcrito no item anterior, foram apropriados através do rateio proporcional demonstrado no anexo IV; • Após efetuadas as glosas e ajustes nos valores de créditos descontados no DACON (Fichas 13A e 23A), constatou-se que os Pedidos de Ressarcimento analisados por essa auditora, devem ser integralmente indeferidos, restando ainda valores de PIS e COFINS a descoberto, que serão lançados mediante lavratura de Auto de Infração, conforme demonstrado no Anexo V - Demonstrativo de Saldo de Crédito passível de desconto e Anexo VIII. Fl. 11093DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Diante desse contexto, a unidade local emitiu o mencionado Despacho Decisório de fls. 9.951, reconhecendo em parte o direito de crédito e homologando parcialmente as compensações que lhe foram atadas. Cientificada do teor do despacho em 16/10/2017, em 13/11/2017 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 22/156 em que contesta o decidido no despacho em foco. Refere que o direito creditório discutido é o mesmo dos autos do Processo Administrativo nº 10580.726949/2017-60. Citado processo recebeu o auto de infração de exigência de crédito tributário decorrente das constatações a que chegou a auditoria ao fim do procedimento aberto para verificar a legitimidade do presente PER. O crédito lançado no referido auto de infração, prossegue, estaria com sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do CTN, pela apresentação de impugnação. Nesse contexto, requer a suspensão do julgamento do presente processo administrativo até o julgamento definitivo da discussão travada nos autos do citado Processo Administrativo nº 10580.726949/2017-60. Na seqüência, a manifestação de inconformidade, invocando o princípio da eventualidade, reproduz integralmente a impugnação apresentada nos autos do processo administrativo nº 10580.726949/2017-60. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 14-76.144 - 14ª Turma da DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2013 a 31/09/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica que efetivamente sejam aplicados ou diretamente consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. GLOSA. MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Combustíveis e lubrificantes podem gerar créditos da não cumulatividade se empregados como insumos da produção ou dos serviços prestados. Cancela-se a glosa que a fiscalização operou sobre todos os créditos calculados sobre combustíveis e lubrificantes indicados como insumo sob o único fundamento de falta de apresentação de laudo técnico específico do emprego desses itens no processo produtivo, quando o memorial descritivo do processo fabril entregue à auditoria no curso da fiscalização já indicava em que etapas os combustíveis e lubrificantes são utilizados. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 11094DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS CALCULADOS COM BASE NO CUSTO DE AQUISIÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS. A Lei nº 11.774, de 2008, estabeleceu a possibilidade de desconto de créditos calculados diretamente sobre o custo de aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços. Essa possibilidade não se aplica a serviços. A glosa fiscal de créditos calculados sobre custos de aquisição de bens deve estar motivada, afastando-se a recusa fiscal que se ressente de fundamentação nesse aspecto. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não gera créditos a aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota zero ou não tributados. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Correta a glosa quando a contribuinte não faz a comprovação da modalidade dos fretes sobre os quais pretendeu apurar créditos. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE COFINS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em dinheiro, dos créditos de Cofins apurados em decorrência de operações de importação restringe-se aos custos, despesas e encargos vinculados às vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não se estendendo aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITOS. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÕES VINCULADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Constatada a inexistência de saldo de créditos não cumulativos passível de aproveitamento por ressarcimento/compensação adicionada à constatação de indevido aproveitamento de créditos resultando em falta de pagamento de contribuição devida, objeto de auto de infração, correto o despacho decisório que não reconhece o direito de crédito e não homologa as compensações vinculadas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 11095DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Preliminarmente II – DA NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DA ANÁLISE E JULGAMENTO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO E OS A ELE VINCULADOS 10580.726949/2017-60 12. Como já salientado anteriormente, o pedido de ressarcimento e as compensações apresentadas pela Manifestante por meio das PER/DCOMPs indicados no documento “PER/DCOMP Despacho Decisório - PER/DCOMP Vinculados ao Processo”, que é parte integrante do despacho decisório ora combatido, estão intrinsicamente vinculados à discussão travada nos autos do Processo Administrativo nº 10580.726949/2017-60. III.1 – DA NÃO APLICAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO ADOTADO PELOS TRIBUNAIS PÁTRIOS A recorrente alega que a Fiscalização não tomou como base o conceito de insumos fixado de forma unânime pelos Tribunais Superiores III.2 – DA AUSÊNCIA DE ANÁLISE DO PROCESSO PRODUTIVO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE PARA A GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS A recorrente argumenta que a fiscalização deveria ter obedecido aos parâmetros e limites do art. 142 do CTN para a atividade de lançamento. Discorre sobre o princípio da verdade material. III.3 – DAS INCONSISTÊNCIAS DO TRABALHO FISCAL A recorrente discorre sobre supostas inconsistências do trabalho fiscal. IV – DO MÉRITO IV.1 - DO CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE CREDITAMENTO DE PIS E COFINS Fl. 11096DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 No mérito a recorrente contesta o trabalho da fiscalização que glosou diversos créditos de PIS e COFINS e defende seu direito. Argumenta que a fiscalização utilizou o conceito equivocado de insumo constante nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Cita legislação e jurisprudência do STJ que trata da interpretação do conceito de insumo. Sustenta que “o conceito de insumo abrange todo bem e serviço que represente custo de produção, aquisição ou despesas de venda e/ou que, sem sua presença, interfira na qualidade do produto final.” IV.2 - BREVE RESUMO DO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE Em continuação, a recorrente faz um resumo do seu processo produtivo citando, dentre outros, os seguintes processos: a) produção de mudas; b) silvicultura; c) fabricação da celulose; e d) venda de dos produtos. IV.3 – DAS INDEVIDAS GLOSAS DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS APROPRIADOS PELA RECORRENTE A recorrente defende quanto a total improcedência das glosas dos créditos de PIS e COFINS apropriados, em vista do conceito de insumos e da legislação aplicável. IV.3.1 - DOS BENS E SERVIÇOS TIDOS COMO AUXILIARES A recorrente discorre sobre diversos bens e serviços que seriam essenciais a sua atividade. Cita como exemplo o almoxarifado. IV.3.2 - BENS DE USO E CONSUMO (CFOPS 1556 E 2566) A recorrente argumenta que os bens de uso e consumo, classificados no CFOPs 1556 e 2566, são considerados insumos, no contexto da legislação vigente. IV.3.3 – SERVIÇOS TIDOS COMO NÃO ENQUADRADOS NO CONCEITO DE INSUMOS Ao contrário da fiscalização, a recorrente entende que peças de reposição de automóveis, lavagens de automóveis, serviços de tratamento de resíduos, serviços de construção civil, manutenção de elevadores, ar condicionados, serviços de despachante e serviços de vigilância, entre outros deveriam ser considerados dentro do conceito de insumos. IV.3.4 – SERVIÇOS COM DESCRIÇÃO NÃO IDENTIFICÁVEL A recorrente argumenta que mesmo os serviços prestados por empresas (participantes) com CNAE não relacionados com o processo produtivo do contribuinte, como construção civil, informática, locação/reparo de automóveis, movimentação de cargas devem ser considerados dentro do conceito de insumo. IV.3.5 – GASTOS COM COMISSÃO DE AGENTES A recorrente defende que os gastos incorridos com a comissão de agentes na venda de produtos, ocorridos em momento posterior à fabricação dos produtos, são indispensáveis para a consecução de suas atividades, e estão em sintonia com o conceito de insumos. IV.3.6 – DESPESAS UTILIZADAS PARA TRANSPORTE DE MERCADORIAS Fl. 11097DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 A recorrente entende que as despesas relacionadas ao transporte de mercadorias, dentre os quais os gastos com embalagens, pallets, caixas de papelão e outros seriam essenciais e, portanto, dentro do conceito de insumos. IV.3.7 – DESPESAS COM CONSULTORIA E PLANEJAMENTO A recorrente alega que as despesas com consultoria e planejamento, mesmo que executadas anteriormente a fabricação de celulose, seriam insumos e ensejariam os créditos de PIS/COFINS. IV.3.8 – GASTOS COM LIMPEZA, EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA E EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO (EPI´S) A recorrente defende que os gastos incorridos com limpeza, equipamentos de segurança e de proteção, por enquadrarem-se dentro do conceito de insumo, dariam direito ao crédito de PIS/COFINS. IV.3.9 – DOS INSUMOS VINCULADOS À SILVICULTURA A recorrente argumenta que os gastos com insumos empregados na primeira etapa do seu processo produtivo, ou seja, na formação das florestas de eucalipto (silvicultura), dariam direito ao crédito de PIS/COFINS. IV.3.10 – DOS INSUMOS PARA FABRICAÇÃO DO DIÓXIDO DE CLORO A recorrente defende que os insumos adquiridos para a fabricação do dióxido de cloro também dariam direito aos créditos de PIS/COFINS. IV.3.11 – DOS FRETES A recorrente sustenta que os fretes nas modalidades de: a) aquisição de insumos e pago pelo adquirente na compra de mercadorias destinadas à revenda; b) venda de mercadorias produzidas; e c) fretes de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo; todos dariam direito aos créditos de PIS/COFINS. IV. 3.12 – DOS COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMOS A glosa já foi revertida na decisão de primeira instância. A argumentação da recorrente é apenas para evitar qualquer reversão. IV.3.13 – ALIMENTAÇÃO, TRANSPORTE E FARDAMENTO A recorrente defende que, considerando o conceito de insumo aplicado pelos Tribunais Pátrios, é evidente que os gastos incorridos com transporte de pessoa, alimentação e fardamento seriam insumos. IV.3.14 – LOCAÇÃO E ARRENDAMENTO DE BENS A recorrente entende que mesmo nos casos de locação e arrendamento de bens para a execução do seu processo produtivo teria direito aos créditos de PIS/COFINS. IV.3.15 – BENS DO ATIVO IMOBILIZADO A recorrente entende que poderia descontar créditos de PIS e COFINS, de uma única vez (a partir de julho de 2012) calculados sobre a aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros Fl. 11098DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, bem como de edificações e benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros. IV.3.16 – DOS BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES A recorrente defende que a aquisição de insumos sujeitos a alíquota zero dariam direito aos créditos de PIS/COFINS. IV.3.16 – DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS SOBRE A IMPORTAÇÃO VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO A recorrente entende ter direito ao desconto dos créditos de PIS/COFINS- Importação da apuração das bases de cálculos das Contribuições de PIS e COFINS apuradas nos termos das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. IV.4 – DA INDEVIDA REVISÃO DO RATEIO PROPORCIONAL A recorrente alega que a fiscalização entendeu de forma indevida que estariam incorretos os índices de rateio da receita bruta para fins de determinação do crédito objeto de pedido de ressarcimento de PIS/COFINS para posterior compensação com outros tributos federais. A recorrente utilizou no cálculo apenas receitas que compõem a receita bruta, enquanto a fiscalização considerou outras receitas, que não compõem a receita bruta. V - DA NECESSIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIA PARA EFETIVA ANÁLISE DOS INSUMOS CORRELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE A recorrente sustenta quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de que se busque no caso resguardar o princípio da verdade material. VI – DO PEDIDO A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: 26. Ante todo o exposto, requer a Recorrente que seja determinada a suspensão da análise e julgamento do presente processo até o julgamento definitivo do Auto de Infração consubstanciados no Processo Administrativo nº 10580.726949/2017-60 uma vez que ambos os processos tratam do mesmo crédito de PIS, apurado pela Manifestante no 3º trimestre de 2013, utilizado para as compensações ora questionadas. 27. Outrossim, caso assim não entendam V.Sas., requer a Recorrente o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, objetivando a reforma parcial da decisão em comento, de forma que seja reconhecido integralmente o seu direito creditório pleiteado por meio do PER/DCOMP 21305.51701.230514.1.1.08-3738 e, consequentemente, sejam integralmente homologadas as compensações vinculadas a este crédito, objeto deste processo administrativo, relacionadas no documento “PER/DCOMP Despacho Decisório – PER/DCOMP Vinculados ao Processo” anexo ao despacho decisório em questão. Fl. 11099DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 28. Ainda, a Recorrente requer, de forma antecipada, que lhe seja concedido o direito de sustentação oral, nos termos do art. 58 do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Preliminares Conexão dos Processos Conforme solicitação da recorrente houve o reconhecimento da identidade fática dos processos e foi feita a conexão aplicando-se o disposto no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno deste CARF (RICARF), que assim dispõe: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. (...) Assim, considerando o disposto no RICARF e que os processos tratam de exigência de crédito tributário ou de pedido de ressarcimento do sujeito passivo, fundamentados em fatos idênticos, os processos foram distribuídos para a mesma relatoria com julgamento na mesma data. Da Nulidade Fl. 11100DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 A recorrente pugna pela nulidade do lançamento tendo em vista a inconsistência do trabalho fiscal. No entanto, a alegação de nulidade é desprovida de fundamento tendo em vista que não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Decreto n.º 70.235/1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, cito jurisprudência que trata dos pressuposto da nulidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. (Acórdão 1402-001.756 – 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento – Sessão de 29 de julho de 2014) Tendo em vista a falta de fundamento do pedido, nega-se provimento a alegação de nulidade. Mérito No mérito, em apertada síntese, a recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo; c) realizou um levantamento fiscal precário; e d) revisou o método de rateio proporcional em desconformidade com a legislação. De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 11101DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, trata-se de analisar se os insumos atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Para fins didáticos passaremos a análise das exclusões/glosas seguindo a mesma estrutura utilizada pela fiscalização. Análise das Exclusões/Glosas 1) bens e serviços tidos como auxiliares (exemplo: almoxarifado, hospedagem, despesas com viagens, conserto de ferramentas elétricas) Serviços complementares: serviços de almoxarifado, custos com programas de formação profissional, conserto de ferramentas elétricas, despesas com agências de viagem, hospedagem de empregados, mensalidade de órgãos de classe, propaganda e publicidade dos produtos e serviços e despesas. 1.1) Serviços de almoxarifado: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 1.2) Custos com programas de formação profissional: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 1.3) Conserto de ferramentas elétricas: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 1.4) Despesas com agências de viagem: faltam elementos para provar que os serviços foram prestados como insumos de produção/fabricação da agroindústria. No presente caso, restam dúvidas quanto ao momento das despesas. Também restam dúvidas quanto a essencialidade das despesas. Manter a glosa. 1.5) Hospedagem de empregados: faltam elementos para provar que os serviços foram prestados como insumos de produção/fabricação da agroindústria. No presente caso, restam dúvidas quanto ao momento das despesas. Também restam dúvidas quanto a essencialidade das despesas. Manter a glosa. 1.6) Mensalidade de órgãos de classe: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Manter a glosa. 1.7) Propaganda e publicidade dos produtos e serviços e despesas: os serviços com propaganda e publicidade não são essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa. 2) bens de uso e consumo (CFOPs 1556 e 2566) Bens adquiridos para uso e consumo: bens adquiridos pela Impugnante e classificados nos Códigos Fiscais de Operações e Prestação – CFOPs 1556 e 2566. Fl. 11102DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Para fins de se tomar créditos de PIS/COFINS, no regime não-cumulativo por meio dos chamados insumos não se torna necessário que os bens sejam consumidos ou desgastados no contato direto com o processo produtivo, mas que tenham uma relação direta com o mesmo. Os bens de uso e consumo listados nos autos me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Nesse sentido, cito como exemplo dos autos: ponta de eixo, engate, pino fusível, suporte enxada e pneu. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Voto por reverter a glosa dos bens de uso e consumo (apenas das fases produtiva e industrial - ferramentas.) 3) serviços tidos como não enquadrados no conceito de insumos (serviço de tratamento de resíduos dentre outros) Bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo: peças de reposição de automóveis, lavagens de automóveis, serviços de tratamento de resíduos, serviços de construção civil, manutenção de elevadores, ar condicionados ou outros equipamentos, serviços de despachante e serviços de vigilância. 3.1) peças de reposição de automóveis: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 3.2) lavagens de automóveis: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa (apenas os veículos integrados no processo produtivo, excluídos os veículos da área administrativa). 3.3) serviços de tratamento de resíduos: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 3.4) serviços de construção civil: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 3.5) manutenção de elevadores: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação). 3.6) ar condicionados ou outros equipamentos: atrelado a existência de produção/fabricação da agroindústria, portanto, atende aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação). 3.7) serviços de despachante: os serviços não são essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa. 3.8) serviços de vigilância: os serviços não são essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa. 4) serviços com descrição não identificável (construção civil, informática, locação/reparo de automóveis e movimentação de cargas dentre outros) Fl. 11103DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Serviços com descrição não identificável: serviços prestados por empresas (participantes) com CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) não relacionados com o processo produtivo do contribuinte, como construção civil, informática, locação/reparo de automóveis, montagem e desmontagem de andaimes, limpeza de prédios, movimentação de cargas. Para fins de se tomar créditos de PIS/COFINS, no regime não-cumulativo por meio dos chamados insumos não se torna necessário que os bens sejam consumidos ou desgastados no contato direto com o processo produtivo, mas que tenham uma relação direta com o mesmo. Deve-se considerar a natureza do serviço e não o CNAE do prestador, de modo que o serviço vinculado ao processo produtivo e industrial gera direito ao crédito, nos termos da análise aqui efetuada. Os serviços listados nos autos nessa categoria que parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria são os de montagem e desmontagem de andaimes e movimentação de cargas. Assim, entendo que tais serviços atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa para montagem e desmontagem de andaimes e movimentação de cargas. 5) gastos com comissão de agentes na venda de produtos Comissão de agentes: gastos com comissão de agentes de venda e produtos Da mesma forma que a propaganda e publicidade, entendo que os gastos com comissão de agentes na venda de produtos não são essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa. 6) despesas utilizadas para transporte de mercadorias (embalagens, pallets e outros); Embalagens para transporte: despesas com embalagens utilizadas para o transporte de mercadorias. Sob essa categoria foram glosados valores referentes a aquisições de embalagens, pallets e outros, cuja utilização destes, é servir de acessório para o transporte de produtos, na acomodação ou manuseio da carga. Neste caso, os requisitos para a tomada do crédito do PIS/COFINS são atendidos tendo em vista: i) a importância dos mesmos para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar os produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; e ii) o consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte. As despesas listadas nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa das despesas utilizadas para transporte de mercadorias. 7) despesas com consultoria e planejamento Serviços de Consultoria: despesas com consultoria e planejamento Fl. 11104DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Da mesma forma que as despesas com propaganda e publicidade, entendo que os serviços de consultoria e planejamento que podem ser ocorrer de previamente ou posteriormente a produção/fabricação, não são essenciais. Manter a glosa. 8) gastos com limpeza, equipamentos de segurança e equipamento de proteção (EPI´s); Serviços de limpeza e equipamentos de segurança e de proteção individuais (EPI`s) A glosa dessa trata de itens que possuem relação com equipamentos de E.P.I, envolvendo a segurança individual dos funcionários envolvidos na produção. A utilização de E.P.I. é indispensável, sendo uma imposição prevista na legislação trabalhista, incluindo acordos e convenções firmados pelo sindicato das categorias profissionais dos empregados da empresa. Trata-se de insumos de fácil identificação de essencialidade ou relevância para a produção. Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa dos gastos com limpeza, equipamentos de segurança e equipamentos de proteção individual (EPIs). 9) dos insumos vinculados à silvicultura (agroindústria - florestas como ativos biológicos) Insumos empregados na silvicultura: calcário, fertilizantes, formicidas, fungicidas, herbicidas, adubos, além dos respectivos custos de fretes destes bens, assim como os serviços silviculturais, como de adubação, controle de formiga, irrigação, limpeza inicial do terreno, plantio, vigia florestal, de terraplanagem e manutenção de estradas, todos relacionados com a formação e manutenção de plantas florestais As glosas dessa categoria referem-se a insumos vinculados à silvicultura. Ou seja, trata-se de insumos diretamente relacionadas com o cultivo de mudas de eucalipto, cujo destino dessa madeira é servir de insumo (matéria prima) para a produção de papel e celulose, que é o objeto principal da recorrente. Por cultivo de eucalipto, entenda-se como todo o processo produtivo da mesma, desde o plantio até o corte. O CARF tem jurisprudência onde entende que tais dispêndios integram o processo produtivo de uma agroindústria. Assim, no caso da agroindústria, admite-se o creditamento não só dos bens e serviços qualificados como insumos na própria industrialização, mas também daqueles insumos utilizados na fase agrícola que lhe precede. Ver acórdãos: CARF - Acórdão nº 3402-002.811; CARF - Acórdão nº 3302.003.155; CARF - Acórdão nº 3301-002.270; CSRF - Acórdão nº 9303-002.630; CSRF - Acórdão nº 9303-002.630; CSRF - Acórdão nº 9303-003.069; CARF - Acórdão nº 3301- 002.270; CARF - Acórdão nº 3402-002.811; CARF - Acórdão nº 3403-002.8244; CARF - Acórdão nº 3302-003.155; CARF - Acórdão nº 3402.003.076; CARF - Acórdão nº 3402.003.041; CARF - Acórdão nº 3403.002.319; e CARF - Acórdão nº 3403.002.318. Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa dos insumos vinculados à silvicultura. Fl. 11105DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 10) dos insumos para fabricação do dióxido de cloro (produzido pela própria empresa a partir de insumos de terceiros) Insumos para fabricação do dióxido de cloro: insumos para fabricação de dióxido de cloro (Peroxido de Hidrogênio (H2O2), Clorato de Sódio (NaClO3) e o Ácido Sulfúrico (H2SO4)) Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 11) fretes (diversos tipos – transferência de insumos, madeira, produto acabado, transporte coletivo, transporte produtos para clientes e outros) Fretes: fretes contratados para aquisição de insumos, para a venda de mercadorias e transferências de insumos e produtos acabados entre os estabelecimentos da Impugnante A glosa refere-se a prestações de serviços de diversos tipos como transferência de insumos, madeira, produto acabado, transporte coletivo, transporte produtos para clientes e outros. O CARF tem jurisprudência onde entende que as atividades de logística e movimentação interna integram o processo produtivo de uma agroindústria. Ver acórdãos: CARF - Acórdão nº 3403-001.597; CARF - Acórdão nº 3302-003.097; e CARF - Acórdão nº 3402-002.881. Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa dos fretes (com exceção do transporte de pessoal). 12) combustíveis utilizados como insumos (reversão da glosa na DRJ); Combustíveis: GLP utilizado em empilhadeiras, GLP a granel, óleo diesel, álcool, gasolina, óleo lubrificante, óleo biodiesel marítimo e óleo biodiesel A glosa já havia sido revertida no julgamento de primeira instância. Mantida a decisão da DRJ. 13) alimentação, transporte e fardamento Gastos com alimentação, transporte e fardamento Os gastos com vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por agroindústria não parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Manter a glosa, sendo que os fardamentos especiais caracterizados como EPI dão direito a crédito conforme o item de EPI. 14) locação e arrendamento de bens Locação e arrendamento de bens Os gastos listados nos autos nessa categoria me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa. 15) bens do ativo imobilizado Fl. 11106DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Bens do ativo imobilizado Os gastos listados nos autos nessa categoria incluem diversos bens incorporados ao ativo imobilizado, tais como cabo elétrico, lâmpada vapor metalizado alta pressão, tubo flexível utilizado em máquinas e outros. Tais gastos me parecem essenciais a produção/fabricação da agroindústria. Assim, entendo que atendem aos parâmetros de essencialidade, relevância ou imprescindibilidade. Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação). 16) bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero) Bens e serviços não sujeitos às contribuições do PIS e da COFINS É vedada a apropriação de créditos de PIS/COFINS em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessa contribuição, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. Manter a glosa. Outros Dos créditos de PIS/COFINS sobre a importação vinculados à receita de exportação. Créditos PIS e COFINS-Importação vinculados às receitas de exportação Sobre o assunto, adoto a mesma linha da decisão de primeira instância, cujo trecho reproduzo a seguir: Ao contrário do que afirma a interessada, não houve "glosa" dos mencionados créditos de PIS Cofins-Importação. A fiscalização barrou apenas sua utilização por meio de pedido de ressarcimento ou compensação a partir da interpretação da legislação que trata da possibilidade de utilização de créditos da não cumulatividade. (DRJ Acórdão) (...) Dessa forma, a possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em dinheiro, dos créditos de PIS ou Cofins apurados em decorrência de operações de importação restringe-se aos custos, despesas e encargos vinculados às vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não- incidência, não se estendendo aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. No caso dos autos, como visto, compunham o saldo de crédito decorrente de exportação veiculado no PER os valores da contribuição paga sobre importações. Como visto, tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou de compensação, mas apenas de desconto da contribuição apurada. Portanto, correto o ajuste promovido pela autoridade fiscal. Dou provimento para permitir o ressarcimento dos créditos de PIS/Cofins sobre a importação vinculados à receita de exportação. Fl. 11107DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Do rateio proporcional A recorrente contesta a revisão do rateio proporcional efetuado pela fiscalização. 378. Como já salientado anteriormente, além de glosas indevidamente créditos apropriados pela Recorrente de acordo com a legislação aplicável, a D. Autoridade Fazendária, sem indicar qualquer base legal, entendeu por revisar o cálculo do rateio proporcional aplicado pela Recorrente. Após tal revisão, a D. Autoridade entendeu por rever os percentuais aplicados pela Recorrente. 379. Isso porque, por meio do Termo de Verificação Fiscal, em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência n° 05.1.01.00-2106-00547-9, a D. Autoridade Fiscalizadora concluiu que estariam incorretos os índices de rateio da receita bruta para fins de determinação do crédito objeto de pedido de ressarcimento de PIS e COFINS para posterior compensação com outros tributos federais. Alega que a fiscalização utilizou para fins de rateio valores de Receitas Isentas e demais Receitas sem Incidência da Contribuição apresentados no DACON, o que não é permitido pela legislação. Defende os percentuais de rateio que eram utilizados. Sobre o assunto, adoto a mesma linha da decisão de primeira instância, cujo trecho reproduzo a seguir: Entretanto, a interessada não faz a comprovação de que os valores de RECEITAS ISENTAS E DEMAIS RECEITAS SEM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO por ela empregados nos seus cálculos sejam de fato diversos dos utilizados pela fiscalização e que por sua vez foram retirados do DACON. A alegação de que as diferenças entre os valores preenchidos naquele Demonstrativo de Contribuições e os empregados no cálculo seriam explicados pelos dados constantes dos registros M400 e M800 da EFD não é suficiente, por si só, para que se acolham seus números em desprestígio ao informado na DACON, na medida em que os citados registros M400 e M800 são registros não automáticos preenchidos pela própria contribuinte segundo sua interpretação da legislação. Haveria de ser, no caso, apresentada documentação que comprovasse a existência e a dimensão dos valores excluídos da receita bruta. Desse modo, mantém-se os índices de rateio fixados pela auditoria. De forma conclusiva, voto por negar provimento para manter os índices de rateio fixados pela fiscalização. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário na forma da tabela a seguir: Item Categoria/Natureza dos Créditos Voto 1 Bens e serviços tidos como auxiliares # Fl. 11108DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 1.1 Serviços de almoxarifado Reverter a glosa 1.2 Custos com programas de formação profissional Manter a glosa 1.3 Conserto de ferramentas elétricas Reverter a glosa 1.4 Despesas com agências de viagem Manter a glosa 1.5 Hospedagem de empregados Manter a glosa 1.6 Mensalidade de órgãos de classe Manter a glosa 1.7 Propaganda e publicidade dos produtos e serviços e despesas Manter a glosa 2 Bens de uso e consumo Reverter a glosa parcialmente (apenas das fases produtivas e industrial – ferramentas) 3 Serviços tidos como não enquadrados no conceito de insumos # 3.1 Peças de reposição de automóveis Reverter a glosa 3.2 Lavagens de automóveis Reverter a glosa parcialmente (apenas os veículos integrados no processo produtivo, excluídos os veículos da área administrativa) 3.3 Serviços de tratamento de resíduos Reverter a glosa 3.4 Serviços de construção civil Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação) 3.5 Manutenção de elevadores Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação) Inciso VII do Art. 3. 3.6 Ar condicionados ou outros equipamentos Reverter a glosa (limitados aos encargos de depreciação) Inciso VII do Art. 3. 3.7 Serviços de despachante Manter a glosa 3.8 Serviços de vigilância Manter a glosa (maioria) A divergência (perdedora) foi em relação aos serviços de vigilância de floresta. 4 Serviços com descrição não identificável Deve-se considerar a natureza do serviço e não do CNAE do prestador de serviço, desse modo o serviço vinculado ao processo produtivo e industrial, geram direito ao credito. Nos termos da Fl. 11109DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 análise efetuadas no voto. 4.1 Informática Manter a glosa 4.2 Limpeza de prédios Manter a glosa 4.3 Montagem e desmontagem de andaimes Reverter a glosa 4.4 Movimentação de cargas Reverter a glosa 5 Gastos com comissão de agentes na venda de produtos Manter a glosa 6 Despesas utilizadas para transporte de mercadorias Reverter a glosa 7 Despesas com consultoria e planejamento Manter a glosa. 8 Gastos com limpeza, equipamentos de segurança e equipamento de proteção (EPI´s) Reverter a glosa 9 Dos insumos vinculados à silvicultura Reverter a glosa 10 Dos insumos para fabricação do dióxido de cloro Reverter a glosa 11 Fretes Reverter a glosa, com exceção do transporte de pessoal. 12 Combustíveis utilizados como insumos Mantida decisão DRJ de reverter a glosa. 13 Alimentação, transporte e fardamento Manter a glosa. Sendo que os fardamentos especiais caracterizados como EPI dão direito a crédito conforme o item de EPI. 14 Locação e arrendamento de bens Reverter a glosa. Inciso IV, Art. 3 15 Bens do ativo imobilizado Reverter a glosa. Limitados aos encargos de depreciação. 16 Bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições Manter a glosa Outros Dos créditos de PIS/COFINS sobre a importação vinculados à receita de exportação Dar provimento ao RV para autorizar o ressarcimento conforme o Art. 16, inciso II, da Lei 11.116/2005 (Acórdão 3302 004 599 / Solução de Consulta COSIT 70 14/06/2018) Outros Do rateio proporcional Negar provimento ao RV É como voto. (documento assinado digitalmente) LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO Fl. 11110DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3201-005.065 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.909592/2016-72 Fl. 11111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919911/2017-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Exercício: 2017
"DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES.
O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado.
No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos.
Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-007.157
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-22T13:29:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-22T13:29:30Z; Last-Modified: 2019-07-22T13:29:30Z; dcterms:modified: 2019-07-22T13:29:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-22T13:29:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-22T13:29:30Z; meta:save-date: 2019-07-22T13:29:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-22T13:29:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-22T13:29:30Z; created: 2019-07-22T13:29:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2019-07-22T13:29:30Z; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-22T13:29:30Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.919911/2017-54 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-007.157 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Exercício: 2017 "DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 99 11 /2 01 7- 54 Fl. 158DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 Relatório Trata-se de processo administrativo no qual discute-se a tributação dos valores recebidos pela recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes. O reconhecimento do direito creditório foi requerido por meio de Pedido de Restituição Eletrônico – PER/DCOMP, no qual é alegado pagamento indevido e/ou a maior de contribuições, apontando-se o DARF correspondente. Conforme Despacho Decisório Eletrônico, o direito creditório não foi reconhecido com o fundamento de que o pagamento apontado foi integralmente utilizado, seja em alocação a débito confessado em declaração entregue pela contribuinte, seja em DCOMP transmitida pela contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, onde observa que tomou ciência de um total de 48 despachos decisórios de não homologação de indébitos de PIS e Cofins com a mesma fundamentação. Pede o reconhecimento da conexão e interdependência dos processos administrativos correspondentes e julgamento conjunto, de forma a evitar decisões conflitantes. Argumenta que os créditos de PIS/COFINS foram aproveitados de forma extemporânea pela requerente e decorrem do pagamento a maior de PIS/COFINS, em virtude da indevida inclusão na base de cálculo de tais contribuições de valores referentes a receitas de outras operadoras, relacionadas à interconexão de redes, o que motivou o pedido de restituição/compensação. Esclarece que, para a prestação dos serviços de telecomunicação a seus clientes, as prestadoras de serviços de telecomunicação, invariavelmente, têm que se valer da rede de outras prestadoras de telecomunicação, na forma denominada “interconexão de rede”, prevista nos dispositivos que menciona integrantes da legislação que rege os serviços de telecomunicações no âmbito da Anatel. Registra que a disponibilização da rede de telecomunicação para a Requerente é compulsória, por imposição legal e regulatória. Cita previsão legal de que as redes sejam interconectadas e de que haverá preço justo e adequado para esse uso da rede alheia. Nos casos em que a prestação do serviço de telecomunicação por parte da requerente envolve a cessão de meio de redes de um terceiro (doravante denominada genericamente de “interconexão de redes”), uma parte dos valores recebidos pela requerente dos seus clientes será necessariamente transferida a esse terceiro, como forma de remuneração por esse uso da rede. Portanto os valores recebidos pela requerente dos usuários a título de interconexão de rede não podem integrar a base de cálculo das contribuições, uma vez que esses valores não configuram receita da requerente, mas sim das outras operadoras que cederam as suas redes. Todavia, no entender da fiscalização, os valores pagos pela “interconexão de redes”, nada mais são do que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, havendo duas relações jurídicas distintas no caso, uma entre a requerente e os usuários e outra entre a requerente e as operadoras. Ou seja, os usuários não teriam relação jurídica com as operadoras cedentes, mas apenas com a requerente. Assim, os valores recebidos pela requerente dos usuários a título de interconexão de rede, ainda que repassados às operadoras cedentes, configurariam receita da requerente. Fl. 159DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 Na sequência, procura fazer a distinção entre receitas e meros ingressos patrimoniais, para concluir que valores como aqueles recebidos e repassados a título de interconexão de redes, que não incrementam o patrimônio da empresa, que simplesmente é obrigada, por lei ou por acordo, a arrecadar e a transferir tais valores para outra empresa, havendo um mero trânsito de numerário pelo caixa da empresa que arrecada. Tais valores, portanto, não podem ser considerados como receitas próprias, para fins de incidência das contribuições. Discorre também acerca de seu entendimento de que as receitas de interconexão configuram repasse a terceiros, sobre os quais não incidem tributos, não havendo necessidade de previsão legal para exclusão da base de cálculo. Cita decisões do CARF e decisão judicial do TRF da 4ª Região, bem como invoca, como discussão análoga, decisão acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, no RE 574.706, com repercussão geral. Também defende a ocorrência de dupla tributação de uma única prestação de serviço o que entende caracterizar bis in idem, invocando a sujeição das receitas decorrentes de prestação de serviço de comunicação à sistemática cumulativa (art. 8º, VIII, da Lei 10.637, de 2002, e art. 10 da Lei 10.833, de 2003). Em suas palavras há tributação pelo PIS/Cofins da receita total auferida pela requerente pela prestação do serviço de telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/Cofins pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada. Finaliza reprisando seus argumentos e pedindo a integral procedência do pedido de restituição. Após a análise do processo a DRJ não reconheceu o crédito pleiteado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consignando que receitas auferidas por empresas de telecomunicação (ainda que utilizem redes interligadas de outras operadoras) não têm sua exclusão prevista na determinação da base de cálculo estabelecida pela Lei nº 9.718, de 1998. Observou ainda que a interessada não trouxe aos autos qualquer documento que comprove a existência do crédito que pretende ver reconhecido. Registra que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ser restituído. Conforme consignado no acórdão, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito passível de restituição, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na fase em que aconteceu a conferência eletrônica do Pedido de Restituição e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nessa fase de contestação do despacho resultante. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de que se trata de um mero ingresso patrimonial e não uma receita, bem como que, ao contrário do entendimento esposado pela DRJ, não há necessidade de previsão legal para a exclusão da base de cálculo. Fl. 160DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.140, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.919888/2017-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.140): O Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual dele conheço. A discussão em torno da qual gravita o presente processo é sobre a composição da base de cálculo das contribuições, especificamente se os valores recebidos a título de interconexão telefônica a integram, ou não. Em ocasiões anteriores, a última dela em 31 de janeiro de 2018 Acórdão 3302-006.530 exarado no processo 10880.919894/2017-55, de Relatoria do Conselheiro Jorge Lima Abud, tive a oportunidade de votar no sentido de que os referidos valores não integram a referida base de cálculo, em harmonia com o entendimento de outras Turmas deste Colegiado. Contudo, atualmente este entendimento é isolado, como se infere do julgamento do processo 10768.906953/200669, acórdão 3301005.669 proferido por unanimidade pela Primeira Turma desta mesma Câmara também no dia 31 de janeiro de 2019, Por esta razão, em homenagem à colegiabilidade, adoto e transcrevo o voto do Conselheiro Jorge Lima Abud, no qual restei vencido em 31 de janeiro de 2019, nesta Turma, ainda que com composição diversa, para admitir a inclusão da "Receita de Interconexão de Rede" na base de cálculo do PIS e da COFINS. "Para o adequado deslinde da questão é necessária uma abordagem a respeito da forma como as redes são organizadas como vias integradas de livre circulação. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. A organização dos serviços de telecomunicações está regulada pelo art. 146 da Lei n o 9.472, de 16 de julho de 1997, que assim estabelece: Art. 146. As redes serão organizadas como vias integradas de livre circulação, nos termos seguintes: - é obrigatória a interconexão entre as redes, na forma da regulamentação; - deverá ser assegurada a operação integrada das redes, em âmbito nacional e internacional; - o direito de propriedade sobre as redes é condicionado pelo dever de cumprimento de sua função social. Parágrafo único. Interconexão é a ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo que os usuários de serviços de uma das redes possam comunicar-se com usuários de serviços de outra ou acessar serviços nela disponíveis. Fl. 161DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. Essa regra decorre das disposições contidas nos arts. 2 o e 3 o da Lei n~ 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, editadas, portanto, após a publicação da Lei n° 9.472, de 1997, que assim dispõe: Art. 2° As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1° Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluem-se da receita bruta: (Grifou-se) I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita;- revogado pela alínea “b” do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991-18, de 09 de junho de 2000, atual Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001; III - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 4° Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considera-se receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: I - no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; deságio na colocação de títulos; perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; Fl. 162DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II - no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III - no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV - no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. § 7° As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6° restringem-se aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: I - imobiliários, nos termos da Lei n° 9.514, de 20 de novembro de 1997; II - financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I - co-responsabilidades cedidas; II - a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III - o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (NR) Não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços”. Nesse sentido, as Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que tratam da incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, em seus art. 8°, inciso VIII e art. 10, inciso VIII, assim dispõem: - Lei n° 10.637, de 2002. Art. 8° Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 6°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; (...) - Lei n ° 10.833, de 2003. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; Fl. 163DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 (...) Transcreve-se os itens 13 a 16 da Solução de Consulta da COSIT de nº 06, de 31/03/2004: Assim sendo, deve ser ressaltado que, em matéria de exclusão e dedução de base de cálculo, a interpretação deve ser estrita, afastando-se a possibilidade de uma interpretação que permita, por via de uma abordagem mais restritiva do conceito de receita bruta, excluir valores da base de cálculo não expressamente autorizados por lei. Logo, analisada a legislação transcrita que trata da matéria sob exame, chega- se ao entendimento de que não há qualquer dispositivo legal que autorize as concessionárias prestadoras de serviços ao usuário demandante a excluir ou deduzir de seu faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os valores pagos ou repassados a outras operadoras pela “co-prestação dos serviços”. Desta forma, conclui-se que o legislador entendeu que os valores pagos pela “co-prestação de serviços”, nada mais é que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, uma vez que se não fossem utilizados os serviços de outras concessionárias para a conclusão do serviço solicitado, a empresa operadora teria que possuir instalações próprias, equipamentos, empregados etc., nas diversas localidades para executar o serviço requerido pelo usuário do sistema, o que implicaria, sem dúvida alguma, para a operadora que atendeu o seu cliente, incorrer em novos custos e despesas próprios para a obtenção daquela mesma receita. Cabe registrar ainda, por ser oportuno, que as notas fiscais/faturas emitidas, recentemente pelas concessionárias de serviços de telecomunicações aos usuários finais de seus serviços, deixam claro e evidente, e sem qualquer equívoco, que sobre os valores totais das contas/telefônicas faturadas aos usuários, incluem-se os custos das mencionadas contribuições. Ademais, cabe esclarecer que outros setores da economia nacional devido à natureza de suas atividades também se sujeitam a disciplinamentos e regulamentos baixados pelo Poder Público, tais como: o de produção, transmissão e comercialização de energia elétrica, o de seguros, o de saúde, o de exploração de petróleo (onde existe o pagamento obrigatório de royalties), o de combustíveis líquidos gasosos, o de transportes coletivos (que se obriga ao pagamento de taxas de embarques). Sendo certo que os valores do PIS/Pasep e da Cofins são recolhidos sobre os 100% da receita bruta arrecadada. E, por fim, a conclusão: Conclusão 17. Diante do exposto, ... os valores pagos pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres, a título de “co-prestação de serviços”, por serem considerados despesas das operadoras, não podem ser excluídos do faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No mesmo sentido, a Solução de Consulta DISIT / SRRF da 7 a Região, de n° 329, de 22 julho de 2004, está assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins RECEITA. CONCEITO. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÃO. CUSTOS COM USO DE REDE ALHEIA PARA COMPLEMENTAÇÃO DE LIGAÇÃO TELEFÔNICA. roaming .Receita, que não se confunde com o lucro, significa o preço recebido pela prestação de serviço contratado de modo bilateral com o cliente, sem qualquer consideração a respeito dos custos e despesas necessários à prestação. Se o ajuste de vontade dá-se única e exclusivamente entre a operadora de telefonia e seu cliente, que não conhece e nem se relaciona com Fl. 164DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 eventuais empresas cujas redes são necessárias para o complemento da ligação, o valor pago pelo segundo é receita exclusiva da primeira. Não é lícito às prestadoras de serviços de telecomunicações excluir da base de cálculo da contribuição os custos conhecidos como roaming . (destaques incluídos) - A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS E AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES - A DISTINÇÃO ENTRE RECEITA E MEROS INGRESSOS PATRIMONIAIS. É alegado nos itens 19 e 20 do Recurso Voluntário: 19. Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não se configuram como receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não são "receitas" da Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. 20. Do ponto de vista jurídico, para que possa ser qualificada como "receita", a entrada de recursos no patrimônio da pessoa jurídica não deve ser meramente transitória, mas sim em caráter definitivo, como que se integrando e aumentando o patrimônio da entidade. E prossegue nos itens 24 a 27 do Recurso Voluntário: No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação. Em suma, os valores de interconexão são cobrados ou arrecadados por conta e ordem dos terceiros titulares efetivos desses ingressos, pois foram esses terceiros que viabilizaram uma parte do serviço de telecomunicação e deverão auferir e tributar a receita correspondente a essa parcela que executaram. Não se trata de equiparar receita a lucro, mas saber distinguir entre receitas verdadeiras e meros ingressos patrimoniais transitórios. Como dito no tópico anterior, não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços”. Nesta matéria, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge Fl. 165DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecê-la. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Previamente, cabe esclarecer que, na legislação tributária, não se encontra a definição do conceito de receita. Por se tratar de um conceito eminentemente contábil, utilizado pela legislação tributária, a definição que melhor representa o conceito de receita, inequivocamente, é que aquele veiculado pelas normas contábeis editadas pelo CFC, de obediência obrigatória por todo o profissional que atua na área contábil. E no âmbito das referidas normasn contábeis, a definição de receita encontra-se estabelecida no item 7 da Resolução CFC 1.412/2012 1 , que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”, com os seguintes dizeres: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. No “Apêndice A - Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 47 2 , de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita passou ter a seguinte redação: Aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil, originado no curso das atividades usuais da entidade, na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumento no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. Com mais detalhes, a referida definição também encontra-se estabelecida na Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro (NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL), aprovada pela Resolução CFC 1.374/2011 3 , a seguir reproduzido: 70. Receitas e despesas são definidas como segue: (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade; e (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incremento em passivos, que resultem em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade. 1 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1412.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 2 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG47.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 3 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1374.pdf> Acesso em 21 mar. 2017. Fl. 166DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 71. As definições de receitas e despesas identificam os seus aspectos essenciais, mas não especificam os critérios que precisam ser satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado. Os critérios para o reconhecimento das receitas e despesas são comentados nos itens 82 a 98. 72. As receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do resultado de diferentes maneiras, de modo que prestem informações relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte de uma receita é relevante na avaliação da capacidade que a entidade tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo, receitas oriundas de atividades eventuais como a venda de um investimento de longo prazo normalmente não se repetem numa base regular. Nessa distinção, deve-se levar em conta a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades ordinárias de uma entidade podem ser incomuns em outras entidades. 73. A distinção entre itens de receitas e de despesas e a sua combinação de diferentes maneiras também permitem demonstrar várias formas de medir o desempenho da entidade, com maior ou menor abrangência de itens. Por exemplo, a demonstração do resultado pode apresentar a margem bruta, o lucro ou prejuízo das atividades ordinárias antes dos tributos sobre o resultado, o lucro ou o prejuízo das atividades ordinárias depois desses tributos e o lucro ou prejuízo líquido. Receitas 74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual. 76. Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não- correntes. A definição de receita também inclui ganhos não realizados; por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos negociáveis e os que resultam de aumentos no valor de ativos a longo prazo. Quando esses ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de tomada de decisões econômicas. Esses ganhos são, na maioria das vezes, mostrados líquidos das respectivas despesas. 77. Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, mercadorias e serviços recebidos em troca de mercadorias e serviços fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo. [...] (grifos não originais) Com base nos textos transcritos, pode-se afirmar que as receitas se caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i) aumento de ativos com a entrada de recursos, ou (ii) diminuição de passivos sem a saída de recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de recursos aportados pelos proprietários da entidade. O conceito amplo (lato sensu) de receita compreende o conceito estrito (stricto sensu) de receita ou receita propriamente dita e os Fl. 167DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 ganhos. As receitas propriamente ditas incluem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária, enquanto que os ganhos compreendem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não. No mesmo sentido a abalizada doutrina de Solon Sehn, para quem: [...] O dispositivo [art. 1º, § 1º, da Lei 10.833/2003]deve ser interpretado conforme a Constituição, de modo que por receita se entendam apenas os ingressos de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Daí resulta que não podem ser incluídos na base de cálculo da Cofins, os ingressos que não se enquadram no conceito de receita, como as simples entradas de caixa, os reembolsos, as cauções, depósitos, os empréstimos contraídos ou amortizações dos concedidos, enfim, todas as demais somas escrituradas sob reserva de serem restituídas ou pagas a terceiro por qualquer razão de direito e as indenizações (por dano emergente) 4 . (os últimos destaque não constam dos originais). Com base nesse entendimento, chega-se à conclusão de que o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços” representam ingressos de valores no ativo sem correspondência no passivo, o que implica aumento do patrimônio líquido. Dessa forma, se o referido valor representa ganho não decorrente da atividade principal, ele representa receita da atividade não ordinária, sob a forma de incremento do ativo e do patrimônio líquido, portanto, receita integrante da base de cálculo das contribuições. E como não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização. - AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO E O REPASSE A TERCEIROS - A NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO E A DESNECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. É alegado nos itens 34 a 37 do Recurso Voluntário: Cabe destacar que não há, no caso da interconexão de redes, uma duplicidade de relações jurídicas: uma primeira, entre a Recorrente e o seu cliente, e uma segunda, entre a Recorrente e outras operadoras de telecomunicação. O que existe é uma única relação jurídica incindível relativa à prestação do serviço de telecomunicação, que, para ser executada, depende da intervenção de um terceiro - outra operadora - que deve necessariamente ceder os meios de rede para que a prestação de telecomunicação se aperfeiçoe. Não há propriamente uma prestação do serviço de telecomunicação entre a Recorrente e a outra operadora. Na verdade, a outra operadora tem que compartilhar a sua rede para que a Recorrente possa prestar o serviço de telecomunicação. E será devidamente remunerada por esse uso. Considerar a interconexão de redes uma prestação de um serviço é, data venia, admitir que, quando a rede de mais de uma prestadora é acionada na prestação de um serviço de telecomunicação, tem-se não a prestação de um único serviço de telecomunicação, mas tantas prestações de serviços quantas forem as redes utilizadas. Esse raciocínio não faz qualquer sentido, tendo em vista que a prestação do serviço de telecomunicação se estabelece para que uma pessoa 4 SEHN, Solon. PIS-COFINS: Não Cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 230. Fl. 168DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 consiga transmitir uma mensagem a outra, por meio de um terceiro, que é o prestador do serviço. (Grifo e negrito próprios do original) Repisa-se: O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. (...) - A DUPLA TRIBUTAÇÃO DE UMA ÚNICA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO - O BIS IN IDEM TRIBUTÁRIO. É alegado no item 63 do Recurso Voluntário: Na prática, a tributação pelo PIS/COFINS das receitas de interconexão de rede implica um bin in idem tributário, isto é, a dupla imposição dessas contribuições sobre um único fato gerador consubstanciado na receita oriunda da prestação do serviço de telecomunicação. E prossegue nos itens 68 e 69 do Recurso Voluntário: Isso significa, portanto, que a receita da prestação do serviço de telecomunicação é tributada sem que haja a possibilidade de desconto de créditos decorrentes do tributo incidente sobre prestações de serviço necessárias àquela prestação do serviço de telecomunicação. Não há, pois, qualquer desconto de crédito sobre eventuais valores repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes. Daí porque se verifica que a tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica uma dupla incidência tributária de PIS/COFINS sobre uma mesma prestação de serviço. A argumentação de bis in idem não procede. Isso porque a empresa TIM CELULAR S.A. assume com outras operadoras uma dívida por utilização de redes interconectadas e esse fato não guarda qualquer relação com o pagamento da conta individual pelo cliente. Os dois fatos se revelam independentes. Mesmo que o cliente não pague ou atrase o pagamento de sua conta, a empresa TIM CELULAR S.A. permanece devedora da outra operadora cuja rede foi utilizada por seu cliente. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. Entendimento análogo foi adotado pela Primeira Turma da Terceira Câmara dessa Terceira Sessão, que também nega a pretensão da Recorrente de retirar as receitas de interconexão da base de cálculo das contribuições sociais, acórdão 3301005.669 proferido nos autos do processo 10768.906953/200669, verbis. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. DESPESAS DE INTERCONEXÃO Fl. 169DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.157 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919911/2017-54 TELEFÔNICA - INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. A remuneração recebida dos usuários é preço do serviço de comunicação e as despesas incorridas pelas operadoras de telefonia para interconexão telefônica, utilizando-se de infraestrutura de telecomunicações de outra concessionária de serviço para a adequada prestação de seu serviço é despesa operacional da prestação de serviços, não podendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Do preço do serviço cobrado dos consumidores, a parcela repassada para outras empresas de telefonia compõem a receita bruta, não se tratando de mero ingresso financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Ari Vendramini, Marco Antônio Marinho Nunes e Valcir Gassen, votaram pelas conclusões, para negar provimento em razão da aplicação do art. 62 do Regimento Interno do CARF que determina a reprodução nos julgados das decisões do STJ em repetitivo. Julgou-se suspeita a Conselheira Semírames de Oliveira Duro e não participou do julgamento. Desta feita, concordando com tais argumentos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008862/2002-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DCTF. AUDITORIA INTERNA. POSSIBILIDADE.
A exigência de diferenças decorrentes de pagamento a menor de tributo em relação aos valores constantes em DCTF poderiam ser exigidas por meio de lançamento de ofício, no período em que vigorou os procedimentos previstos no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por preliminar rejeitada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
Numero da decisão: 1001-001.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação à tempestividade e ao não conhecimento da impugnação e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, determinando o retorno do processo à DRJ que proferiu o acórdão em questão, para que seja examinado o mérito em sua íntegra.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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DCTF. AUDITORIA INTERNA. POSSIBILIDADE. A exigência de diferenças decorrentes de pagamento a menor de tributo em relação aos valores constantes em DCTF poderiam ser exigidas por meio de lançamento de ofício, no período em que vigorou os procedimentos previstos no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por preliminar rejeitada em sede de recurso voluntário, devese retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação à tempestividade e ao não conhecimento da impugnação e, no mérito, em darlhe provimento parcial, determinando o retorno do processo à DRJ que proferiu o acórdão em questão, para que seja examinado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 88 62 /2 00 2- 24 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11080.008862/200224 Acórdão n.º 1001001.297 S1C0T1 Fl. 157 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 101/103) que não conheceu da impugnação contra o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração às folhas 11/12, com anexos às folhas 13/17 (ciência em 10/06/2002, AR à folha 68), relativo a falta de recolhimento de valores informados nas DCTF correspondentes ao terceiro e quarto trimestres de 1997, de IRRF código 0561 RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO do período de apuração 0509/1997, no valor de R$ 7.390,86, bem como do período de apuração 0311/1997, no valor de R$ 536,79, o que gerou uma autuação de IRRF código 2932 LANÇAMENTO DE OFÍCIO no montante de R$ 7.927,65, multa de ofício de R$ 5.945,74 e juros de mora de R$ 7.396,82, no valor total de R$ 21.270,21. Em sua impugnação (folhas 02/04), a contribuinte alega, em síntese, que pagou os referidos débitos por meio dos DARF de R$ 7.390,86 e R$ 536,79 cujas cópias anexa às folhas 05/06. Às folhas 69/74 constam documentos referentes à revisão do referido lançamento. O pagamento relativo ao débito de R$ 536,79 foi localizado e o referido débito, cancelado, juntamente com a multa de ofício referente ao seu suposto não recolhimento, de R$ 402,59, restando na lide o débito de R$ 7.390,86 e a correspondente multa de ofício. Á folha 76 consta despacho da DRJ solicitando esclarecimento sobre a disponibilidade dos pagamentos apresentados e determinando que se desse ciência à contribuinte da revisão de lançamento procedida, concedendo à autuada prazo de 30 dias para manifestação. À folha 94, a DRF Porto Alegre informa em despacho que o pagamento informado na impugnação, relativo ao período de apuração 0509/1997, código de receita 0561, no valor de R$ 7.390,86, encontrase alocado ao débito de IRRF declarado em DCTF no período de apuração 0110/1997, conforme extrato à folha 93. A contribuinte foi notificada de tal despacho (folhas 95/96), não tendo se manifestado no prazo concedido (folha 97). No acórdão a quo, a impugnação foi não conhecida, tendo em vista que "a autuada não nega a existência desses créditos tributários, limitandose a afirmar que já foram pagos, compensados ou parcelados", fazendo com que o crédito tributário não tenha sido impugnado, e as alegações da autuada configurem desistência do processo, em conformidade com o art. 26 da Portaria MF nº 58, de 17/03/2006, devendo, portanto, ser declarada a definitividade desse lançamento no âmbito administrativo. O acórdão também cancela a multa de ofício aplicada tendo em vista que o art. 18 da Lei nº 10.833, de 30/10/2003, veio a restringir a aplicação do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, limitando o lançamento da multa de ofício aos casos de nãohomologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, constituindo norma penal mais benéfica, aplicável, por força do art. 106, II, "a", do CTN, aos casos ainda pendentes de julgamento. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11080.008862/200224 Acórdão n.º 1001001.297 S1C0T1 Fl. 158 3 Ciência do acórdão DRJ em 27/04/2010 (folha 125). Recurso voluntário apresentado em 27/05/2010 (folha 130). A recorrente, às folhas 130/136, alega, em síntese, que o pagamento, em 08/10/1997, do débito lançado no auto de infração em questão, do qual foi cientificada em 10/06/2002 (folha 68), está comprovada pelo DARF que anexou em sua impugnação, e que o acórdão recorrido julgou antecipadamente a lide, rejeitando as provas apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo. No entanto, como a manifestação de inconformidade não foi conhecida pela DRJ, não se pode conhecer das razões preliminares e de mérito do recurso. Assim, dele conheço em parte, portanto, por tempestivo. O lançamento tributário foi efetuado na vigência do art. 90 da MP nº 2.158 35/2001, o qual previa a exigência de ofício das diferenças apuradas em declaração do sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos administrados pela SRF. A teor do que dispõe o art. 144 do CTN, “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. O lançamento em questão, portanto, tem como objeto a insuficiência ou não comprovação de pagamento face ao valor do débito declarado em DCTF. Contra este tipo de lançamento, uma forma obviamente legítima de impugnar é a alegação e comprovação de que houve, sim, ou é suficiente, o pagamento que é apontado como inexistente ou insuficiente. Em seu acórdão, a DRJ Porto Alegre entende por não conhecer da impugnação, tendo em vista que a alegação de pagamento assim não se configuraria, em conformidade com o art. 26 da Portaria MF nº 58, de 17/03/2006, que determina que o pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importam a desistência do processo. Com a devida vênia, a impossibilidade de se contestar um lançamento cujo objeto é a falta de pagamento com uma alegação de pagamento obviamente não faz sentido. É evidente a inaplicabilidade do dispositivo retrocitado ao caso. O pagamento a que se refere o art. 26 da Portaria MF nº 58, de 17/03/2006, correspondente a desistência do processo, é aquele efetuado posteriormente à autuação, no intuito de solucionála. O pagamento que a contribuinte tenta discutir nos autos é justamente o prévio, que tornaria a autuação insubsistente. Desta forma, inadequado o não conhecimento da impugnação por parte da DRJ, rejeitando a apreciação de uma impugnação legítima para o caso. Acresçase que, mesmo declarando não ter conhecido, a instância julgadora decidiu exonerar, de ofício, multa de ofício Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11080.008862/200224 Acórdão n.º 1001001.297 S1C0T1 Fl. 159 4 lançada, demonstrando ter conhecido, ao menos em parte, da lide e de seus limites, para efetuar revisão de ofício do lançamento, sem provocação neste sentido por parte sujeito passivo. A revisão em questão, cabe dizer, não é relativa a matéria de ordem pública, tampouco processual, mas de competência da autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal, conforme Parecer Normativo COSIT nº 8/2014 e dispositivos normativos anteriores ali mencionados. Assim, para que não haja supressão de instância no julgamento, deve o processo retornar à DRJ que proferiu o acórdão em questão para que, afastada a preliminar de não conhecimento da impugnação, seja o mérito analisado na íntegra naquela instância julgadora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para determinar o retorno do processo à DRJ que proferiu o acórdão em questão, para que seja ali examinado o mérito em sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001793/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF.
Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, nos termos da Súmula CARF 63.
IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR.
Para que o portador de moléstia grave tenha direito à isenção é necessário que esteja aposentado pela previdência oficial e que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou reforma, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da lei 7.713/88. O benefício de previdência complementar, recebido isoladamente, cujo regime tem natureza facultativa, nos termos do art. 202 da Constituição, não se enquadra nessa hipótese de isenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-006.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wilderson Botto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gabriel Tinoco Palatnic, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic.
Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)".
(assinado digitalmente).
João Maurício Vital - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
(assinado digitalmente)
Reginaldo Paixão Emos - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, nos termos da Súmula CARF 63. IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. VALORES DA PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. Para que o portador de moléstia grave tenha direito à isenção é necessário que esteja aposentado pela previdência oficial e que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria ou reforma, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da lei 7.713/88. O benefício de previdência complementar, recebido isoladamente, cujo regime tem natureza facultativa, nos termos do art. 202 da Constituição, não se enquadra nessa hipótese de isenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Wilderson Botto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Gabriel Tinoco Palatnic, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 93 /2 01 0- 92 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 3 2 Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF)". (assinado digitalmente). João Maurício Vital Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). O conselheiro Wilderson Botto, Suplente convocado, integrou o colegiado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ORIDES AMANCIO TESORE, contra o Acórdão de julgamento n.º 1673.733 (efls. 101/105), que julgou a impugnação improcedente. O Acórdão recorrido, assim dispõe: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado, em 13/07/2010, o Auto de Infração de fls. 50/57, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal – IRPF, de fls. 48/49, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anoscalendário 2005 e 2006, com a exigência de crédito tributário no montante de R$ 34.433,30, sendo os valores de R$ 16.057,11 a título de imposto, R$ 6.333,37 a título de juros de mora, calculados até 30/06/2010, e de R$ 12.042,821 a título de multa proporcional. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 52/53) e nos demonstrativos de apuração do imposto, multa e juros (fls. 54/56), bem como no citado Termo de Verificação (fls. 48/49), que integram a autuação em foco, foi constatada a OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO, perfazendo os montantes a seguir: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 4 3 Com o objetivo de sustentar suas teses de defesa, o contribuinte cita acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina que entende virem ao encontro de seus argumentos". Cientificado do Auto de Infração em 21/07/2010 (fl. 44), o contribuinte interpôs a impugnação de fl. 46, protocolada em 13/08/2010, em que protesta pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, requerendo o cancelamento do débito fiscal reclamado, sob as alegações a seguir sintetizadas: · Informa que em função de Laudo Pericial emitido Instituto de Medicina Social e Criminologia de São Paulo ficou comprovado que é portador de Moléstia grave (inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88) com direito à isenção do Imposto de Renda sobre seus rendimentos recebidos do Banesprev. · Foi informado que deveria fazer declarações retificadoras dos anos 2004 a 2008 e que deveria zerar o valor dos rendimentos tributáveis recebidos, para gerar valor a restituir. · Alega que o que está sendo exigido no Auto de Infração já havia sido analisado pela própria Receita Federal que considerou procedente o pleito. · Pediu, ainda, a devolução dos valores referentes ao 13º salário do mesmo período, por se tratar de tributação exclusiva na fonte, o que foi negado parcialmente por meio do Despacho Decisório 572/2009. · Acrescenta que o motivo da negativa foi o decurso de prazo de 5 anos para a entrada do pedido e não por não se enquadrar na lei em questão". Após o julgamento de não indeferimento da sua defesa, o recorrente interpõe Recurso Voluntário (efls. 112 e seguintes) reiterando as argumentações de primeira instância, acrescentando o seguinte: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 5 4 Pede o cancelamento da exigência fiscal. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisálo. Inicialmente, cumpre registrar que o artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com a redação da Lei n.º 11.052, de 2004, dispõe sobre as moléstias consideradas isentas: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei). Para que seja deferido o benefício da isenção, na constatação da moléstia grave acometida, esse Tribunal exige que seja realizado por meio de laudo médico oficial, emitido por órgão público, conforme súmula n.º 63, in fine, de aplicação obrigatória pelos julgadores: "Súmula CARF nº 63. "Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Grifei. Alega duas situações o recorrente: i) que a origem dos valores lançados decorrem de pagamento de previdência privada; e ii) que é portador de moléstia grave, passível de deferimento do benefício da isenção do IR. Nesse sentido, sobre a os valores oriundos da previdência privada complementar cumulada com a moléstia grave, são também objeto de isenções, conforme consta do art. Art. 39. inciso XXXIII, do regulamento do imposto de renda 3.000/99, in verbis: "Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 6 5 XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. A Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, ao detalhar o disposto no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, assim esclarece: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: II – proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por pessoas físicas com moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids), e fibrose cística (mucoviscidose), comprovada mediante laudo pericial emitido por Fl. 131DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 7 6 serviço médico oficial, da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial no caso de moléstias passíveis de controle, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma, observado o disposto no § 4º; (...) § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, observado o disposto no § 7º do art. 62, aplicamse: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1869, de 25 de janeiro de 2019) I aos rendimentos recebidos a partir: a) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a moléstia for preexistente; b) do mês da emissão do laudo pericial, se a moléstia for contraída depois da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; ou c) da data, identificada no laudo pericial, em que a moléstia foi contraída, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; Assim, a previdência paga por entidade complementar, possui o benefício da isenção. A matéria já foi decidida de forma pacífica nesse CARF, conforme decisão in verbis: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DECORRENTES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. RESGATE. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. CABIMENTO. O art. 6º, XIV, da Lei n. 7.713/88 estipula isenção de imposto de renda à pessoa física portadora de doença grave que receba proventos de aposentadoria ou reforma. O regime da previdência privada é facultativo e se baseia na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, nos termos do art. 202 da Constituição Federal e da exegese da Lei Complementar 109 de 2001. Assim, o capital acumulado em plano de previdência privada Fl. 132DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 8 7 representa patrimônio destinado à geração de aposentadoria, possuindo natureza previdenciária. (Processo 13900.000188/2011 55 , Acórdão 2401005.165 , julgado em 6 de dezembro de 2017). Assim, a questão do processo gira em torno das provas aos autos. Segundo se depreende dos autos o requerente "zerou" os valores declarados ao fisco, conforme consta das informações de efl. 5, assim transcrita: "REPRESENTAÇÃO Em função de análise realizada no processo n° 11610.004107/200821, relativo ao Pedido de Restituição do imposto de renda retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria/pensão/reforma de portador de moléstia grave, constatouse que: Embora o inicio da aposentadoria, condição básica indispensável ã concessão da isenção, tenha se dado em 04/10/2007, pesquisas aos sistemas da SRF revelam que o interessado apresentou declaração retiticadora para os exercícios 2004 a 2007, através das quais "zerou" o valor de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica nos respectivos anos calendário, quando ainda não fazia jus isenção. Diante do exposto, PROPONHO, s.m.j., o envio da presente representação para a Dipac/Defis/SPO para as providencias que aquela unidade entender cabíveis a fim de que sejam resguardados os direitos da Fazenda Nacional". O documento que indica o início da aposentadoria pelo regime geral da previdência do recorrente está descrito na efl. 12, e informa que foi requerida em 04/10/2007 e o início Benefício se deu em 04/10/2007. Os valores exigidos nesse processo dizem respeito aos anos calendário de 2005 e 2006. Já nas efls. 59 está atestado pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo, da Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania, que o interessado foi acometido por moléstia grave, desde o período de março de 2001, e que essa está arrolada pelo dispositivos legais para permitir a concessão da isenção. Entretanto, o auto de infração se refere à omissão de rendimentos, consideradas isentas pelo recorrente, da previdência privada complementar, e não da previdência sob o regime geral. A declaração que informa os resgates da previdência privada, único até então que se tem conhecimento, consta na efl. 13, e que menciona que o recorrente realiza aportes de resgates para aposentadoria desde 2002. Dentro, portanto, do período fiscalizado. Porém, os rendimentos pagos pelas previdências, tanto públicas quanto privadas, que tenha natureza jurídica de auxílio doença são isentos de Imposto de Renda das Pessoas Físicas. A doença foi identificada em 2001, e os rasgastes de 2002, estando, portanto, dentro do período da moléstia grave acometida, e dos requisitos legais para a concessão do benefício da isenção. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 9 8 CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para no mérito darlhe provimento, cancelando a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 134DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Reginaldo Paixão Emos Redator Designado. Permitome divergir do Conselheiro Relator. A regra de interpretação da legislação que trata de isenção é a literal, por força do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional, lei 5.172/66: Por sua vez, a isenção de imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem seu fundamento legal no art. 6º da lei 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (grifei) A norma legal é clara. Não basta ter moléstia grave. É necessário estar aposentado para ter direito à isenção fiscal. E essa aposentadoria é a oficial. O benefício de previdência complementar, recebido isoladamente, cujo regime tem natureza facultativa, nos termos do art. 202 da Constituição, não se enquadra na hipótese de isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da lei 7.713/88. Vejase que o artigo 8º da lei complementar nº 109/2001, conceitua como "assistido, o participante ou seu beneficiário em gozo de benefício de prestação continuada". Não se trata, pois, de uma aposentadoria. O próprio Fundo Banespa de Seguridade Social (Banesprev) esclareceu que os rendimentos recebidos pela recorrente desde 08/05/2002 tratavamse de complementação antecipada de aposentadoria. Ou seja, não havia ainda aposentadoria e não havia a possibilidade de isenção nessas circunstâncias. Assim, somente está isento do imposto sobre a renda o rendimento relativo a provento de aposentadoria percebido por portador de doença grave a partir do mês da concessão da aposentadoria pela previdência oficial, desde que atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 19515.001793/201092 Acórdão n.º 2301006.079 S2C3T1 Fl. 11 10 No caso, a aposentadoria oficial teve início em 04/10/2007, conforme documento do INSS de efls. 12. Assim, não assiste razão à recorrente, sendo procedente o lançamento efetuado. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000115/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. LANÇAMENTO REALIZADO NA VIGÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL. VIOLAÇÃO DA REGRA INSCRITA NO ART. 62 DO DECRETO Nº 70.235/1972. INOCORRÊNCIA.
A existência de processo judicial não transitado em julgado, com medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o lançamento de ofício cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN.
Diante da interpretação do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, o art. 62 do Decreto nº 70.235/1972 não veda a formalização do lançamento de débitos com exigibilidade suspensa por medida judicial, limitando-se a proibir-lhe a cobrança enquanto vigorar a ordem de suspensão.
CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO EM DISCUSSÃO. PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa.
Diante desta concomitância aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não tem competência para se manifestar sobre alegações de inconstitucionalidade das leis, de acordo com a Súmula nº 2.
LANÇAMENTO REALIZADO NA VIGÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 5 DO CARF.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula nº 5 do CARF)
TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A utilização da Taxa SELIC decorre de expressa determinação legal. Aplica-se a Súmula º 4 do CARF.
Numero da decisão: 3301-006.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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LANÇAMENTO REALIZADO NA VIGÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL. VIOLAÇÃO DA REGRA INSCRITA NO ART. 62 DO DECRETO Nº 70.235/1972. INOCORRÊNCIA. A existência de processo judicial não transitado em julgado, com medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o lançamento de ofício cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. Diante da interpretação do art. 63 da Lei nº 9.430/1996, o art. 62 do Decreto nº 70.235/1972 não veda a formalização do lançamento de débitos com exigibilidade suspensa por medida judicial, limitandose a proibirlhe a cobrança enquanto vigorar a ordem de suspensão. CONCOMITÂNCIA AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO COM O MESMO OBJETO EM DISCUSSÃO. PREVALÊNCIA DA ESFERA JUDICIAL SOBRE A ADMINISTRATIVA EM RESPEITO AO PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DAS DECISÕES JUDICIAIS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da discussão na esfera administrativa pressupõe a sua concomitância, tendo como consequência a desistência da discussão na esfera administrativa, por respeito ao Princípio da Supremacia das Decisões Judiciais, estabelecendo a prevalência da esfera judicial sobre a esfera administrativa. Diante desta concomitância aplicase ao caso a Súmula CARF nº 1, a qual estabelece que importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 15 /2 01 0- 59 Fl. 951DF CARF MF 2 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não tem competência para se manifestar sobre alegações de inconstitucionalidade das leis, de acordo com a Súmula nº 2. LANÇAMENTO REALIZADO NA VIGÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 5 DO CARF. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula nº 5 do CARF) TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A utilização da Taxa SELIC decorre de expressa determinação legal. Aplica se a Súmula º 4 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o recurso voluntário e na parte conhecida, negar provimento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Reproduzo o relatório constante do Acórdão DRJ+RIO DE JANEIRO : Em decorrência da ação fiscal, foi lavrado auto de infração para exigir da interessada a CIDE – Remessas ao exterior, sobre fatos geradores ocorreram no ano de 2006, no valor de R$ 1.514.276,68, acrescido de juros de mora. DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 181 a 188 e Termo de Verificação fiscal (fl.173 a 180), foram feitos lançamentos fiscais relativos à falta/Insuficiência de pagamentos de CIDE, sendo apurados os fatos descritos a seguir. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CIDE Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 951 3 REMESSA DE VALORES PARA O EXTERIOR O contribuinte foi intimado a apresentar alguns esclarecimentos e documentos, Bem como planilha demonstrativa contendo relação dos valores remetidos ao exterior. A referida planilha deveria conter: data do pagamento, nome do beneficiário, nome dos pais, identificação da conta contábil, valor pago em moeda estrangeira, valor pago em reais, razão do pagamento, valor do IRF e valor da CIDE. Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados. A fiscalizada foi intimada a apresentar cópias de documentos relativos a ações judiciais demandadas. Foram solicitadas cópias de contratos de serviços feitos durante os anos calendário fiscalizados. A fiscalizada afirmou que os contratos anteriormente apresentados, embora sejam datados de 2009, estabelecem em sua cláusula 10 que as relações de prestação de serviços objeto de tais contratos tiveram início em 01/01/2005 (fls. 043/046). Do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.0206864 (Anexo II) Este Mandado de Segurança discute a exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos feitos à SAP AG como contraprestação pela cessão de direitos de uso e comercialização de software, sem a transferência da correspondente tecnologia. A Lei n° 11.542, de 28 de fevereiro de 2007 modificou a Lei n° 10.168/00, acrescentando ao art. 2° o parágrafo 1°A, que diz textualmente: "A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia", produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006. Há outras ações que se referem aos Mandados de Segurança 2001.61.00.0244423 e 2004.61.00.0208390, pelos quais se discute a exigibilidade do IRRF e da CIDE incidentes sobre remessas ao exterior realizadas pelo contribuinte como pagamento pela prestação de determinados serviços relacionados ao software licenciado ao contribuinte pela SAP AG. Do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390 (Anexo III) No Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390, o contribuinte questiona a incidência da CIDE sobre as remessas decorrentes dos contratos de prestação de serviços relacionados ao software licenciado ao mesmo e desenvolvido pela sociedade alemã SAP AG. Em síntese, alega que na prestação de tais serviços não lidam com transferência de tecnologia, estando por tanto, fora do campo de incidência da CIDE. Existem dois tipos de contratos firmados entre o contribuinte, e a SAP AG. O primeiro, referese ao Contrato de Distribuição de Software (o "Contrato de Distribuição") para a comercialização, distribuição e manutenção de determinado software da SAP AG para usuários finais no território brasileiro, onde não há transferência da tecnologia. O segundo tipo referese ao contrato de prestação de serviços de software ("Contrato de Prestação de Serviços de Software"), em vigor desde 1° de janeiro de 2003, no qual a SAP Brasil e a SAP AG concordam em prestar determinados serviços de urna parte A outra mediante solicitações. Com base neste "Contrato de Prestação de Serviços de Software", foram firmados diversos contratos de serviço, entre a SAP Brasil e as demais subsidiárias da SAP, tendo em comum, a vigência a partir de 01 de janeiro de 2005, e o teor, que é basicamente o mesmo. Da leitura do art. 3º dos contratos (fl. 060/158), a contratada concorda Fl. 953DF CARF MF 4 em fornecer serviços especializados, dentre os quais: RH e gerenciamento e suporte); de consultoria; marketing. A fiscalização entende que os serviços têm a natureza de "serviços técnicos especializados". Dessa forma, ao efetuar as remessas para pagamento dos serviços descritos, o contribuinte está sujeito a retenção do Imposto de Renda com alíquota de 15% e da CIDE com alíquota de 10%. Apesar de a fiscalizada não demonstrar ter dúvidas em relação à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), pelo fato da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — CIDE, instituída pelo art. 2° da Lei n° 10.168, de 2000, estar intrinsecamente ligada ao referido imposto na medida em que a alíquota do IRRF é reduzida para 15% (quinze por cento) quando ocorre pagamento da CIDE. A partir de 1° de janeiro de 2002, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior a titulo de royalties ou pela remuneração de contratos que tenham por objeto: fornecimento de tecnologia; prestação de assistência técnica (serviços de assistência técnica e serviços técnicos especializados), serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; cessão e licença de uso de marcas; e cessão e licença de exploração de patentes, ficaram sujeitos ao pagamento da referida contribuição, calculada a alíquota de 10% (dez por cento), ainda que tais contratos não tenham sido averbados no INPI e registrados no BACEN. Analisando as alterações introduzidas pela Lei n° 10.332, de 2001 (regulamentadas pelo Decreto n° 4.195, de 2002), verificase que a partir de 1° de janeiro de 2002 sobre a remuneração de quaisquer serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhante, prestados por residentes ou domiciliados no exterior, passou a incidir a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pelo art. 2° da Lei n° 10.168, de 2000, ficando a alíquota do imposto de renda na fonte reduzida para 15% (quinze por cento) apenas para as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a titulo de remuneração de "serviços de assistência administrativa e semelhante", já que a redução de alíquota para "serviços técnicos e de assistência técnica" está prevista no art. 30 da Medida Provisória n° 2.06263, de 23 de fevereiro de 2001 (atualmente Medida Provisória n°2.15970, de 24.08.2001). Na legislação tributária relativa a CIDE não há definição do que se entende por "serviços de consultoria". Mas a legislação relativa ao Imposto de Renda na Fonte (intrinsecamente vinculado a CIDE), ao tratar da sua retenção nos casos de prestação de serviços de natureza profissional (assessoria e consultoria técnica), por meio do Parecer Normativo CST n° 37 de 26 de junho de 1987 (publicado no DOU de 30.08.1987), define como serviços os que configuram alto grau de especialização, obtido através de estabelecimentos de nível superior e técnico, vinculados diretamente A capacidade intelectual do indivíduo, concluindo que os serviços de assessoria e consultoria técnica alcançados pela tributação restringemse Aqueles resultantes da engenhosidade humana, tais como: especificação técnica para fabricação de aparelhos e equipamentos em geral; assessoria administrativoorganizacional; consultoria jurídica etc. Pela descrição dos serviços a serem prestados pela empresa estrangeira, constantes dos itens 3 dos respectivos contratos, anexados por cópias As fls. 060/158, é de se concluir que se trata de uma consultoria e/ou assessoria administrativoorganizacional, ou seja, devem ser considerados "serviços de natureza profissional". Para efeito de incidência da CIDE, os serviços acima mencionados devem ser enquadrados como "serviços técnicos especializados", sendo irrelevante a forma como são executados. De acordo com os art. 16 e 17 da IN SRF 252/2002, a prestação de serviços em geral, cuja remuneração sujeitase incidência do Imposto de Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 952 5 Renda na Fonte à alíquota de 25%, aquela cuja execução não depende de pessoas que detenham conhecimentos técnicos especializados. Por outro lado, se a execução dos serviços depender de pessoas que detenham conhecimentos específicos, estarseia diante da prestação de serviços técnicos especializados, em relação aos quais, pelo fato de a remuneração estar sujeita incidência da CIDE, a alíquota do Imposto de Renda na Fonte fica reduzida para 15%. A fiscalizada efetuou depósitos judiciais referentes a CIDE no período fiscalizado (fl. 159 a 169), porem, sem informálos em DCTF. A base de cálculo da C1DE é o valor efetivamente pago, creditado, entregue, empregado ou remetido a residente ou domiciliado no exterior, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do Imposto de Renda Retido na Fonte, o que não ocorreu uma vez que a fiscalizada efetuou as retenções e remeteu o valor liquido, tendo a empresa estrangeira suportado o encargo do IRRF. Os valores totalizam R$ 1.514.276,68, sendo objeto de lançamento de oficio, com status de "exigibilidade suspensa", sem acréscimo de multa. 2. Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada em 14/06/2010 (fl. 191) a interessada apresentou em 27/01/2009 a impugnação de fl. 196 a 223, na qual alega, em síntese que: A Requerente tem por objeto social a prestação de serviços na área de informática, especialmente a distribuição e sublicenciamento de programas de computador (software). O software é desenvolvido pela SAP Akitiengesellsschaft System, Aplications and Products in Data Processing ("SAP AG"). A aplicação do software e seu correto funcionamento dependem do acompanhamento da instalação e execução do programa e tais serviços são prestados à Requerente e aos usuários finais. A tecnologia não é transferida. A Requerente celebrou contratos de prestação de serviços com a sociedade alemã SAP AG (doc. n° 4). O objeto dos contratos é a prestação de determinados serviços aos usuários finais do software e também aos próprios funcionários da Requerente, tais como os serviços de consultoria. Os créditos tributários encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional ("CTN"), em razão do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.020839o (doc n° 5) e da existência de depósitos judiciais efetuados em tais autos. A requerente impetrou referido Mandado de Segurança, por meio do qual pleiteia a nãoincidência da CIDE sob as remessas feitas a SAP AG a titulo de pagamento pela prestação de serviços (sem transferência de tecnologia) ligados ao software. Atualmente, aguarda publicação do julgamento dos embargos de declaração opostos contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3a Região que manteve a sentença contrária à Requerente. Ainda assim, a D. Fiscalização lavrou indevidamente o presente Auto de Infração de forma a constituir o pretenso credito tributário e prevenir a decadência do direito de fazêlo. Nulidade: ausência de descrição precisa. A D. Fiscalização menciona o Mandado de Segurança no 2004.61.00.0208390, e indica na apuração da base de cálculo, montantes correspondentes aos depósitos judiciais. Fl. 955DF CARF MF 6 No entanto, o Termo de Verificação Fiscal e o Acórdão recorrido não são suficientemente claros a indicar exatamente qual é a relação jurídica/contratual sobre a qual está sendo exigida a CIDE, o que obrigou a recorrente a apresentar sua defesa sem mesmo ter a certeza de quais fatos estão sendo alegados em seu desfavor, sendo que neste sentido, o Conselho de Contribuintes já reconheceu, em situações análogas, a nulidade da atuação.. A presunção da qual a recorrente teve que se valer para formular os argumentos de defesa ora expendidos teve por base única e exclusivamente a comparação entre os valores constantes do item 5 do Termo de Verificação Fiscal e aqueles constantes das DARF relativas aos depósitos judiciais da CIDE ocorridos nos autos do Mandado de Segurança no 2004.61.00.0208390, em claro cerceamento do direito de defesa da recorrente, sendo que a descrição insuficiente dos fatos objeto do auto de infração e do Acórdão combatido deve ensejar a decretação de sua nulidade, que a recorrente requer. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a ofensa ao artigo 62 do Decreto n° 70.235/72. A D. Fiscalização desrespeitou o artigo 62 do Decreto 70.235/72. Vale conferir a interpretação dada pela própria SRF. Assim, face o teor do artigo 62 do Decreto no 70.235/72, a D. Fiscalização Federal não poderia ter lavrado o Auto de Infração em referência. Assim sendo, tendo em vista a discrepância entre o procedimento adotado pela D. Fiscalização Federal e o disposto no artigo 62 do Decreto n° 70.235/72 o auto é improcedente, na medida em que os termos da medida liminar concedida pelo Poder Judiciário e os depósitos judiciais suspendem a exigibilidade tributária (artigo 151, II e IV do CTN). Ausência de infração. A Autoridade Administrativa apenas tem competência para lavrar o Auto de Infração quando verificar a infração. Assim, não pode, alguma, alterar a natureza do Auto de Infração, tão somente para prevenir a decadência. No caso em tela, não há que se falar em infração, pois, antes mesmo de qualquer ato procedimental do Fisco tendente à efetivação do lançamento, a Requerente antecipouse e obteve perante o Poder Judiciário medidas liminares, seguidas da realização de depósitos judiciais no montante integral dos supostos créditos tributários que suspenderam sua exigibilidade, impedindo a lavratura de Auto de Infração. Resta claro, que o Auto de Infração não merece prosperar, pois, como ato administrativo, deve ser utilizado conforme a estrita legalidade, tendo como condição de existência a infração e a penalidade, o que não ocorreu in casu. DA INAPLICABILIDADE DA CIDE NO CASO CONCRETO. Contratos de prestação de serviços: A ausência de transferência de tecnologia e a materialidade da CIDE. Na medida em que sua matriz constitucional é o artigo 149 da CF/88 que prevê tratarse de instrumento de atuação do Estado em determinada área e que referida área encontrase definida no artigo 218, a CIDE criada pela Lei n. ° 10.168/2000 não pode ir além das fronteiras balizadas pelos referidos ditames constitucionais. Em outras palavras, por tratarse de instrumento da área de ciência e tecnologia, a CIDE não pode alcançar bens, pessoas ou relações que não digam respeito à ciência ou tecnologia. Em dos artigos 149 e 218 da CF/88, bem como do artigo 10 e do caput do artigo 2° da Lei n. ° 10.168/2000, abaixo transcritos, que o aspecto material (materialidade) da hipótese de incidência da CIDE é a Fl. 956DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 953 7 transmissão de conhecimentos tecnológicos provenientes do exterior, o que não ocorre no presente caso. A Fiscalização busca justificar a incidência da CIDE sobre os pagamentos ao exterior pela prestação dos serviços em questão sob o argumento de que tais serviços se tratam de "uma consultoria e/ou assessoria administrativoorganizacional, ou seja, devem ser considerados "serviços de natureza profissional", que conseqüentemente devem ser considerados "serviços técnicos especializados”. A D. Fiscalização busca arrimo para o posicionamento descrito no item 33 acima nos termos do Parecer Normativo CST n° 37 de 26 de junho de 1987 ("Parecer 7; CST 37/87) — doc n°50). E embora não afirme textualmente, pela forma como seus argumentos foram articulados, a Requerente supõe que a D. Fiscalização tenha tido a intenção de se vales dos itens três e 4 do referido parecer. A Fiscalização deixou de considerar o Parecer Normativo CST n° 8, de 17.4.1986 que é a base do Parecer CST 37/87 e define os critérios em função da incidência do imposto de renda na fonte, nos casos de prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional, que correspondem aos serviços atualmente constantes do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR" — Decreto n° 3.000/99). O Parecer CST 8/86 delimita em seu item 11 o âmbito de incidência da retenção na fonte instituída pelo artigo 52 da Lei n° 7.450/85 e explica que "É importante assinalar o objetivo da lei ao utilizar a expressão serviços caracterizadamente de natureza profissional; dentro desse comando legal está imp lícita a pretensão do legislador de submeter à incidência do imposto de renda na fonte as remunerações auferidas por serviços que, por sua natureza, se revelem inerentes ao exercício de quaisquer profissões, sendo irrelevante, na forma do novo disciplinamento legal, que se trate de profissão regulamentada por lei ou lido." De acordo com a linha utilizada pela D. Fiscalização, os serviços descritos no item 6 da presente Impugnação devem ser entendidos como sendo inerentes ao exercício de alguma profissão especifica. A despeito disso, é importante destacar que não há, em nenhuma passagem ou trecho do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal em questão, qualquer indicação de qual seria a profissão que estaria sendo exercida na prestação dos referidos serviços e que justificaria a aplicação do tratamento legal que a D. Fiscalização pretende ver reconhecido no caso concreto. Há, portanto, uma inegável deficiência no referido argumento pois, incumbe a quem alega comprovar suas alegações. A D. Fiscalização aparentemente ignorou os termos do item 16 do Parecer CST 8/86 (“Assim, não sera exigida a retenção do imposto quando o serviço contratado englobar, cumulativamente, várias etapas indissociáveis dentro do objetivo pactuado como é o caso, por exemplo, de um único contrato que, seqüencialmente, abranja estudos preliminares, elaboração de projeto, execução e acompanhamento do trabalho". A própria legislação estabelece a exceção em razão da desnaturação da característica de serviços profissionais nas hipóteses em que se verifica a prestação de vários serviços indissociáveis previstos em um mesmo contrato. O contrato prevê a prestação de vários serviços de forma indissociada uns dos outros, o que, nos termos do item 16 do Parecer CST 8/86, o que afasta qualquer possibilidade de que os serviços considerados como de natureza profissional. Os serviços descritos não se confundem com serviços técnicos e de assistência técnica, muito menos com serviços de assistência administrativa e semelhantes, previstos no parágrafo 2° do artigo 2° da Lei n° 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei n° Fl. 957DF CARF MF 8 10.332/2001, na medida em que tais serviços implicam, necessariamente, na transferência de tecnologia. O INPI, no item 2 do Ato Normativo n. ° 135, de 15.4.1997, do então Ministério da Indústria, do Comercio e do Turismo, averbará ou registrará os contratos que impliquem em transferência de tecnologia. A prestação de serviços deve resultar, na transferência de tecnologia, como ocorre com os serviços técnicos e de assistência técnica, bem como com os serviços de assistência administrativa e semelhante (§ 3º do art.355 do RIR/99). Os contratos em questão têm por escopo a prestação de serviços relacionados à execução das atividades usuais de âmbito administrativo/gerencial que de forma alguma ensejam a transferência de tecnologia Prova disso e a anexa certidão negativa de averbação expedida pelo INPI. Nos termos do artigo 211 da Lei n° 9.279/96, o INPI deverá registrar apenas os contratos que impliquem transferência de tecnologia. O artigo 150 da CF/88 estabelece, em seu inciso I, que nenhum tributo poderá ser exigido ou aumentado sem lei que o estabeleça. Dessa forma, é evidentes a inaplicabilidade e inexigibilidade da CIDE sobre as remessas efetuadas. O fato de o artigo 10 do Decreto n. ° 4.195/2002 ter suprimido o artigo 80, parágrafo único, do Decreto n. ° 3.949/2001, que estipulava a averbação do contrato no INPI como condição para a incidência da CIDE, não permite afirmar que é legitima a sua incidência em quaisquer contratos, já que a função do Decreto é meramente regulamentar a lei e jamais introduzir nova incidência, especialmente nesse caso, que exige transferência de tecnologia. O parágrafo único do artigo 8°, do Decreto n° 3.949/2001, ao dispor que os contratos a que se refere este artigo deverão estar averbados no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (...)", não teve o condão de estabelecer obrigação ao contribuinte da CIDE de averbar os contratos no INPI. Essa conduta já é exigida pela própria lei da propriedade intelectual. O fato de o Decreto n° 3.949/2001 ter feito menção à averbação no INPI não indica qualquer obrigatoriedade nova, pois qualquer contrato que possua em seu escopo a transferência de tecnologia deve ser averbado no INPI, não em virtude da disposição do Decreto, mas sim em função da Lei n° 9.279/96. Admitir raciocínio diverso implicaria assumir que o Decreto n° 4.195/2002, que revogara o Decreto no 3.949/2001, também revogou o artigo 211 da Lei de Proteção à Propriedade Intelectual e as disposições materiais da lei instituidora da CIDE. A inclusão ou a posterior supressão do parágrafo único do artigo 8° do Decreto n° 3.949/2001 em nada altera o aspecto material da hipótese de incidência da CIDE. A uma, porque originalmente não estabelecera qualquer obrigação nova ao contribuinte; a duas, porque o alcance de decreto regulamentar deve limitarse As disposições legais. Não poderiam as Autoridades Fiscais entenderem que a CIDE é devida sobre quaisquer remessas ao exterior, independentemente da existência de transferência de tecnologia nas relações contratuais em referência, somente pelo fato de inexistir menção no Decreto n° 4.195/2002 acerca da averbação dos contratos no INPI. A CIDE somente pode alcançar bens, pessoas ou relações que digam respeito à ciência ou tecnologia. Os limites da atuação da contribuição de intervenção no domínio econômico: Referibilidade e Intervenção temporária. Admitindose que a instituição da exação de que ora se cuida foi válida convém ainda analisar quais são os limites da atuação do Estado em determinada área ou setor econômico. A incidência somente seria legitima se fosse possível verificar um beneficio especifico para o sujeito passivo. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 954 9 A CF/88 delineou também o universo de fatos e pessoas que podem ser atingidos e beneficiados pela CIDE, ou seja, serão apenas aqueles que pertencerem à respectiva área de forma a se concretizar o requisito da referibilidade, necessário para a caracterização contribuição de intervenção no domínio econômico. A ausência de beneficio especifico e de proporcionalidade na cobrança da CIDE das empresas signatárias de contratos de serviços como estes ora apresentados pela Requerente, desvirtua a natureza da exação como uma contribuição de intervenção no domínio econômico nos moldes do artigo 149 da CF/88. A exação é de duvidosa constitucionalidade e legalidade, uma vez que os benefícios advindos da sua arrecadação não são direcionados aos seus sujeitos passivos, e sim a toda sociedade. A CIDE visa tão somente corrigir imperfeições e desequilíbrios em determinada área ou setor econômico, atuando na Área/setor durante o tempo em que perdurarem as distorções. Tal exação é inaplicável na presente relação jurídica e que não pode ser considerada uma contribuição de intervenção no domínio econômico, em razão da ausência do beneficio especifico, bem como da temporariedade da sua exigência. Aspecto formal da CIDE: Instituição por lei complementar. A análise sistemática dos textos constitucionais permite afirmar que a CF/88 inovou ao fixar a necessidade de lei complementar para a instituição dos tributos previstos no artigo 149, exceção ás contribuições de seguridade social do artigo 195, tal afirmativa decorre da remissão expressa feita pelo artigo 149 da CF/88 ao inciso II do artigo 146, que trata das matérias cuja disciplina obrigatoriamente devem ser regidas por lei complementar. A CIDE em discussão, ao arrepio da norma constitucional, foi instituída por lei ordinária (Lei nº 10.168/2000), tal fato, por si só, já basta para comprovar a inconstitucionalidade da exação. Natureza da CIDE: Imposto. A CIDE não foi instituída por lei complementar, e sim pela Lei n. ° 10.168/2000, o que de plano já a torna inconstitucional, em nítida violação ao artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Fato gerador e base de cálculo idênticos ao do Imposto de Renda na Fonte ("IRF) Vedação à tributação bis in idem (fl. 219). A CIDE possui o mesmo fato gerador e base cálculo do IRF, conforme se depreende da redação da alínea "a" do inciso II do artigo 685 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), e dos artigos 708 e 710 do RIR/99. O tipo tributário é composto pela hipótese de incidência e base de cálculo. A identidade desses elementos gera ou a bitributação, na hipótese de o tributo ser cobrado por diferentes autoridades, ou a tributação bis in idem na hipótese de o sujeito ativo ser o mesmo. A tributação bis in 'idem é repelida pelo sistema tributário nacional (artigo154; inciso I, da CF/88). A CIDE possui a mesma hipótese de incidência e base de cálculo do IRF e sua cobrança gera a tributação bis in idem, expressamente proibida pela CF/88. Tal conclusão pode ser extraída do confronto entre os artigos 685, 708 e 710 do RIR/99 e do parágrafo 2° do artigo 2° da Lei n° 10.168/2000, alterado pela Lei n° 10.332/2001. Conflito material com a Emenda Constitucional n. ° 33/01. Fl. 959DF CARF MF 10 A base de cálculo da CIDE conflita com o disposto no artigo 149, parágrafo 2°, inciso III, da CF/88, introduzido no ordenamento pátrio com a publicação, em 12.12.2001, da Emenda Constitucional n° 33 ("EC 33/01"), que prevê a base de cálculo aplicável ás contribuições de intervenção no domínio econômico. O referido dispositivo constitucional, ao prever que as contribuições de intervenção no domínio econômico podem ter alíquota ad valorem, restringiu também outro aspecto material da sua hipótese de incidência, ao dispor que este tributo poderá ter como base de cálculo somente o faturamento, a receita bruta, o valor da operação e/ou o valor aduaneiro. Há um conflito material entre o disposto no parágrafo 2° do artigo 2° da Lei n. ° 10.168/00 e o artigo 149, parágrafo 2°, inciso III, da CF/88, razão pela qual referida exação não poderia ser considerada uma contribuição de intervenção no domínio econômico. Por conseguinte, concluise que o artigo 2°, parágrafo 2°, da Lei n. ° 10.168/00, foi tacitamente revogado pela EC 33/01, bem como que a Lei n. ° 10.332/01, publicada posteriormente à EC33/01, e inconstitucional. Impossibilidade de vinculação de receita a fundo (artigo 167,IV, da CF/88). A CIDE ainda afronta ao inciso IV do artigo 167 da Constituição Federal, que proíbe a vinculação de receita de imposto a fundo, órgão ou despesa. A Lei n. ° 10.168/2000 determina, em seu artigo 40, que o produto da arrecadação da CIDE será destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico. Diante disso, e evidente a inexigibilidade da CIDE, tendo em vista a ausência de referibilidade da exação e a utilização de base de cálculo distinta daquela prevista pela CF/88, o que impede sua caracterização como uma das contribuições do artigo 149 da CF/88, denotando sua natureza de imposto, nos termos do artigo 4 0 do CTN. Ademais, ainda que a CIDE seja considerada imposto, sua inexigibilidade subsiste, tendo em vista a inobservância dos artigos 154, inciso I, e 167, inciso IV, ambos da CF/88. Ofensa às normas do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (GATS). A exigência da CIDE viola o artigo XVII do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (“GATS’), internalizado e regulamentado no direito brasileiro através do Decreto n. ° 1.355, de 30.12.1994”. O Brasil não poderá tributar serviço proveniente do exterior 'de forma distinta daquela aplicável ao serviço similar nacional. Todavia, enquanto os pagamentos efetuados pela Requerente às subsidiárias do grupo SAP no exterior estão atualmente sujeitos A incidência da CIDE, à alíquota de 10%. Há um tratamento discriminatório menos favorável As empresas estrangeiras em nítida violação ao artigo XVII do GATS. Portanto, é inexigível a CIDE. ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DOS JUROS DE MORA. 0 artigo 161 do CTN prevê o acréscimo de juros de mora aos créditos não integralmente pagos no vencimento. Os juros de mora são, portanto, um ônus ao contribuinte que, pelo retardamento culposo da obrigação tributária, possui debito exigível pela Fazenda Publica. A Requerente nunca esteve em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais, tendo em vista que, amparada por decisões judiciais e depósitos judiciais, não incorreu em atraso, impontualidade ou violação do dever de cumprir a obrigação no tempo devido. A virtude da suspensão da exigibilidade do credito tributário consiste fundamentalmente na descaracterização da mora, por não haver qualquer Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 955 11 omissão do contribuinte quanto ao pagamento do tributo. Ora, se a mora e uma conseqüência da exigibilidade não pode logicamente haver mora em relação pretensões inexigíveis. O artigo 161, §2º, do CTN, estabelece que o contribuinte que formular Consulta aos órgãos da Receita Federal, antes do vencimento do tributo, poderá pagálo sem a incidência dos juros. Ora, se a própria legislação privilegia a boa fé e a conduta do contribuinte que formular consulta dentro do prazo com muito mais razão não incidem os juros de mora nos casos em que o contribuinte busca a tutela do Poder Judiciário, por entender como ilegal e inconstitucional determinada exigência fiscal. TAXA SELIC. Outra evidente ilegalidade cometida na cobrança de juros de mora no caso em tela e a utilização da taxa SELIC. Sob pena de violação ao artigo 150, inciso I do CTN, não pode ser aplicada a taxa SELIC na constituição do pretenso credito tributário, uma vez que a mesma (i) não foi criada por lei para fins tributários e (ii) não possui caráter moratório, sendo uma mera "taxa de referência" calculada e divulgada unilateralmente pelo BACEN, com base na variação do custo do dinheiro e na flutuação desse custo no mercado financeiro, sistemática que lhe confere nítida natureza remuneratória do capital alheio. É o relatório 3. A DRJ/RIO DE JANEIRO exarou o Acórdão de nº1274.184, que assim restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2014 DA NULIDADE. DESCABIMENTO Descabe a decretação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2006 MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura da ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, afasta o pronunciamento da autoridade administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia administrativamente o seu mérito, não se conhecendo da impugnação apresentada, salvo naquilo que tratar de matéria diversa da(s) questionada(s) na referida ação. LANÇAMENTO POSTERIOR À AÇÃO JUDICIAL E ART. 62 DO DEC. 70.235/1972. A suspensão prevista nos incisos II e IV do art. 151 do C.T.N. não ilide o direito de a Fazenda Pública constituir seus créditos, atividade mandatória, nos termos do art. 142 do mesmo código. Impede, sim, que fisco exerça qualquer ato que vise constranger o sujeito passivo ao pagamento AUTUAÇÃO APÓS A CONCESSÃO DE LIMINAR. POSSIBILIDADE. A concessão de liminar em mandado de segurança apenas suspende a exigibilidade do crédito não impede o lançamento tributário com exigibilidade suspensa. Fl. 961DF CARF MF 12 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC decorre de expressa determinação legal. Não cabe à autoridade administrativa a análise de argüições de inconstitucionalidade, por fugir à sua competência DOS JUROS DE MORA. COBRANÇA. O caput do art. 161 do CTN dispõe que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. Irresignada, a impugnante apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, repisando as matérias já discutidas em sede de impugnação, alega : I A TEMPESTIVIDADE defende a tempestividade do recurso voluntário II A PENDÊNCIA DOS AUTOS E O V. ACÓRDÃO RECORRIDO A recorrente tem por objeto social a prestação de serviços na área de informática, especialmente a distribuição e sublicenciamento de programas de computador (software). O software é desenvolvido pela SAP Akitiengesellsschaft System, Aplications and Products in Data Processing ("SAP AG"). A aplicação do software e seu correto funcionamento dependem do acompanhamento da instalação e execução do programa e tais serviços são prestados à recorrente e aos usuários finais, para que possam aprender a operar o programa de computador. A tecnologia do programa é detida exclusivamente pela SAP AG e não é transferida ao Brasil ou a qualquer ente licenciado. A recorrente celebrou contratos de prestação de serviços com a sociedade alemã SAP AG (doc. n° 4 da impugnação). O objeto dos contratos é a prestação de determinados serviços aos usuários finais do software e também aos próprios funcionários da Requerente, tais como os serviços de consultoria, suporte e outros. A recorrente foi supreendida com a lavratura de auto de infração Os créditos tributários encontramse com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, incisos II e IV, do Código Tributário Nacional ("CTN"), em razão do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390 (doc n° 5) e da existência de depósitos judiciais efetuados em tais autos. A requerente impetrou referido Mandado de Segurança, por meio do qual pleiteia a nãoincidência da CIDE sob as remessas feitas a SAP AG a titulo de pagamento pela prestação de serviços (sem transferência de tecnologia) ligados ao software. Atualmente, aguarda publicação do julgamento dos embargos de declaração opostos contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3a Região que manteve a sentença contrária à recorrente. Ainda assim, a D. Fiscalização lavrou indevidamente o presente Auto de Infração de forma a constituir o pretenso credito tributário e prevenir a decadência do direito de fazêlo. a recorrente apresentou sua impugnação contra a autuação, sendo que a autoridade julgadora considerou procedente o lançamento por não concordar com a exigência, pois a DRJ não levou e4m consideração elementos de fato e de direito essenciais á discussão travada no presente processo, a recorrente interpõe o recurso voluntário, no qual demonstrará os fundamentos que levam a total improcedência do Acórdão recorrido, pelo que deve o auto de infração ser cancelado III QUESTÕES PRELIMINARES a Nulidade ausência de descrição precisa Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 956 13 A D. Fiscalização menciona o Mandado de Segurança no 2004.61.00.0208390, e indica na apuração da base de cálculo, montantes correspondentes aos depósitos judiciais. No entanto, o Termo de Verificação Fiscal e o Acórdão recorrido não são suficientemente claros a indicar exatamente qual é a relação jurídica/contratual sobre a qual está sendo exigida a CIDE, o que obrigou a recorrente a apresentar sua defesa sem mesmo ter a certeza de quais fatos estão sendo alegados em seu desfavor, sendo que neste sentido, o Conselho de Contribuintes já reconheceu, em situações análogas, a nulidade da atuação.. A presunção da qual a recorrente teve que se valer para formular os argumentos de defesa ora expendidos teve por base única e exclusivamente a comparação entre os valores constantes do item 5 do Termo de Verificação Fiscal e aqueles constantes das DARF relativas aos depósitos judiciais da CIDE ocorridos nos autos do Mandado de Segurança no 2004.61.00.0208390, em claro cerceamento do direito de defesa da recorrente, sendo que a descrição insuficiente dos fatos objeto do auto de infração e do Acórdão combatido deve ensejar a decretação de sua nulidade, que a recorrente requer. b a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a ofensa ao artigo 62 do Decreto nº 70.235/72 Ao lavrar o auto de infração, a fiscalização desrespeitou o artigo 62 do Decreto 70.235/72, pois este determina que durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo, não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente á matéria sobre o que versar a ordem de suspensão. Assim, em face do teor do artigo 62 do Decreto no 70.235/72, a Fiscalização Federal não poderia ter lavrado o Auto de Infração em referência. Assim sendo, tendo em vista a discrepância entre o procedimento adotado pela Fiscalização Federal e o disposto no artigo 62 do Decreto n° 70.235/72 o auto de infração é manifestamente improcedente, na medida em que os depósitos judiciais realizados nos autos do Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0208390, suspendem a exigibilidade do crédito tributário (artigo 151, II do CTN), impedindo a lavratura do auto de infração. c ausência de infração A Autoridade Administrativa apenas tem competência para lavrar o Auto de Infração quando verificar a infração. Assim, não pode, em hipótese alguma, alterar a natureza do Auto de Infração (penalizar), tão somente para prevenir a decadência. No caso em tela, não há que se falar em infração, pois, antes mesmo de qualquer ato procedimental do Fisco tendente à efetivação do lançamento, a recorrente antecipouse e obteve perante o Poder Judiciário medidas liminares, seguidas da realização de depósitos judiciais no montante integral dos supostos créditos tributários que suspenderam sua exigibilidade, impedindo a lavratura de Auto de Infração. Resta claro, portanto, que o Auto de Infração não merece prosperar, pois, como ato administrativo, deve ser utilizado conforme a estrita legalidade, tendo como condição de existência a infração e a penalidade, o que não ocorreu in casu. Fl. 963DF CARF MF 14 não sendo suficientes tais argumentos, a recorrente passa a demonstrar, no tocante ao mérito da questão, a total improcedência da exigência fiscal. III2 INAPLICABILIDADE DA CIDE NO CASO CONCRETO Em que pese o Acórdão recorrido ter reconhecido a concomitância entre o mérito da presente exigência fiscal e o objeto da discussão travada no Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0208390 e, por conseguinte, não ter sequer conhecido da impugnação quanto ao referido mérito, a recorrente entende importante ressaltar novamente os motivos pelos quais a exigência da CIDE, no caso concreto, não deve prosperar. III.2.1 CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA E A MATERIALIDADE DA CIDE A CIDE foi instituída com base no artigo 49 da CF/88, que delega competência á União Federal para a instituição de tres tipos de contribuições, como instrumento de atuação do Estado nas respectivas área, as contribuições de intervenção no domínio econômico devem servir como instrumento de atuação do Estado em determinada área ou setor econômico, com finalidade específica A atuação interventiva do Estado, contudo, não é ilimitada, depende de justificado motivo, decorrente da necessidade de atuação da União Federal para organizar determinada área ou setor econômico e afastar as distorções, sempre dentro dos limites estabelecidos na Constituição Federal Na medida em que sua matriz constitucional é o artigo 149 da CF/88 que prevê tratarse de instrumento de atuação do Estado em determinada área e que referida área encontrase definida no artigo 218, a CIDE criada pela Lei n. ° 10.168/2000 não pode ir além das fronteiras balizadas pelos referidos ditames constitucionais. Em outras palavras, por tratarse de instrumento da área de ciência e tecnologia, a CIDE não pode alcançar bens, pessoas ou relações que não digam respeito à ciência ou tecnologia. Em razão da redação dos artigos 149 e 218 da CF/88, bem como do artigo 1º e do caput do artigo 2° da Lei n. ° 10.168/2000, que o aspecto material (materialidade) da hipótese de incidência da CIDE é a transmissão de conhecimentos tecnológicos provenientes do exterior, o que não ocorre no presente caso. Mesmo diante do exposto, a Fiscalização busca justificar a incidência da CIDE sobre os pagamentos ao exterior pela prestação dos serviços em questão sob o argumento de que tais serviços se tratam de "uma consultoria e/ou assessoria administrativoorganizacional, ou seja, devem ser considerados "serviços de natureza profissional", que conseqüentemente devem ser considerados "serviços técnicos especializados”. Conforme se verifica nos itens 4.2.15 a 4.2.17, do TVF, a Fiscalização busca arrimo para o posicionamento descrito, nos termos do Parecer Normativo CST n° 37, de 26 de junho de 1987 ("Parecer CST 37/87). Embora não afirme textualmente, pela forma como seus argumentos foram articulados, a recorrente supõe que a Fiscalização tenha tido a intenção de se vales dos itens três e 4 do referido parecer ( (3. Pela natureza do disposto no texto transcrito, evidenciase a pretensão de fazer incidir o imposto de renda na fonte somente em relação aos serviços, listados no item 6 da Instrução Normativa nº 23/86 – Assessoria e consultoria técnica (exceto o serviço de assistência técnica prestado a terceiros e concernente a ramo de indústria ou comércio explorado pelo prestador do serviço , que configurem alto grau de especialização, obtido através de estabelecimentos de nível superior e técnico, vinculado Fl. 964DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 957 15 diretamente á capacidade intelectual do indivíduo) (4. Assim, podemos concluir que os serviços de assessoria e consultoria técnica alcançados pela tributação restringemse áqueles resultantes da engenhosidade humand, tais como : especificação técnica para fabricação de aparelhos e equipamentos em geral, assessoria administrativoorganizacional, consultoria jurídica, etc.) ). Entretanto, a Fiscalização deixou de considerar a existência do Parecer Normativo CST n° 8, de 17.4.1986 que é a base do Parecer CST 37/87 e define os critérios a serem observados em função da incidência do imposto de renda na fonte, nos casos de prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional, que correspondem aos serviços atualmente constantes do artigo 647 do Regulamento do Imposto de Renda. O Parecer CST 8/86 delimita, em seu item 11, o âmbito de incidência da retenção na fonte instituída pelo artigo 52 da Lei n° 7.450/85 e explica que "É importante assinalar o objetivo da lei ao utilizar a expressão serviços caracterizadamente de natureza profissional; dentro desse comando legal está implícita a pretensão do legislador de submeter à incidência do imposto de renda na fonte as remunerações auferidas por serviços que, por sua natureza, se revelem inerentes ao exercício de quaisquer profissões, sendo irrelevante, na forma do novo disciplinamento legal, que se trate de profissão regulamentada por lei ou não." Portanto, de acordo com a linha de raciocínio utilizada pela Fiscalização, os serviços descritos no item 6 do presente recurso voluntário devem ser entendidos como sendo inerentes ao exercício de alguma profissão especifica. A despeito disso, é importante destacar que não há, em nenhuma passagem ou trecho do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal em questão, qualquer indicação de qual seria a profissão que estaria sendo exercida na prestação dos referidos serviços e que justificaria a aplicação do tratamento legal que a Fiscalização pretende ver reconhecido no caso concreto, havendo, portanto, como é cediço em Direito, uma inegável deficiência no referido argumento pois, incumbe a quem alega comprovar suas alegações. Há, ainda , que se considerar que a Fiscalização aparentemente ignorou os termos do item 16 do Parecer CST 8/86 (“Todavia, é importante transparecer o objetivo genérico, em relação ás atividades listadas no ato normativo citado, de que a hipótese de incidência sob exame somente ocorre relativamente aos serviços isoladamente prestados na área das profissões arroladas. Assim, não sera exigida a retenção do imposto quando o serviço contratado englobar, cumulativamente, várias etapas indissociáveis dentro do objetivo pactuado como é o caso, por exemplo, de um único contrato que, seqüencialmente, abranja estudos preliminares, elaboração de projeto, execução e acompanhamento do trabalho". ) A própria legislação estabelece a exceção descrita em razão da desnaturação da característica de serviços profissionais nas hipóteses em que se verifica a prestação de vários serviços indissociáveis previstos em um mesmo contrato. Vale destacar que o contrato prevê indiscutivelmente a prestação de vários serviços de forma indissociada uns dos outros, o que, nos termos do item 16 do Parecer CST 8/86, afasta qualquer possibilidade de que os serviços em questão venham a ser considerados como’ caracterizadamente de natureza profissional”. Cumpre também notar que os serviços descritos não se confundem com serviços técnicos e de assistência técnica, muito menos com serviços de assistência administrativa e semelhantes, previstos no parágrafo 2° do artigo 2° da Lei n° 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei n° Fl. 965DF CARF MF 16 10.332/2001, na medida em que tais serviços implicam, necessariamente, na transferência de tecnologia, aspecto material da hipótese de incidência da CIDE.. é importante mencionar, que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, determina, no item 2 do Ato Normativo n. ° 135, de 15.4.1997, do então Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, que “ O INPI averbará ou registrará, conforme o caso, os contratos que impliquem em transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes e marcas) e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica) e os contratos de franquia”. Assim, para fins de caracterização da materialidade da CIDE, a prestação de serviços deve resultar, obrigatoriamente, na transferência de tecnologia, como ocorre com os serviços técnicos e de assistência técnica, bem como com os serviços de assistência administrativa e semelhantes, conforme determina o § 3º do art.355 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Os contratos objeto do presente processo têm por escopo a prestação de serviços relacionados à execução das atividades usuais de âmbito administrativo/gerencial da recorrente, que de forma alguma ensejam a transferência de tecnologia Prova disso e a anexa certidão negativa de averbação expedida pelo INPI, órgão competente que, nos termos do artigo 211 da Lei n° 9.279/96, o INPI deverá registrar apenas os contratos que impliquem transferência de tecnologia. Portanto, podese concluir que, se os contratos de prestação de serviços firmados pela recorrente, que são objeto do auto de infração combatido, de fato envolvem serviços de assistência administrativa e semelhantes, nos termos definidos em lei e, pois, transferência de tecnologia, tais contratos, uma vez apresentados ao INPI, deveriam ter sido obrigatoriamente averbados/registrados pelo referido órgão. Ocorre que o INPI, ao examinar os contratos, recusouse a registrá los/averbálos. Assim, diante do fato de o INPI não ter averbado os contratos, resta evidente que tais serviços não podem ser considerados como ‘serviços técnicos, de assistência técnica”, ou mesmo como “serviços de assistência administrativa e semelhantes”, mas sim como serviços puros, que não envolvem transferência de tecnologia. Assim, os pagamentos feitos pela recorrente, em contrapartida aos serviços em questão, não podem estar sujeitos á incidência da CIDE. A exigência da CIDE sobre as remessas efetuadas pela recorrente , a título de pagamentos pela prestação de serviços puros, é manifestamente inaplicável, já que nestes contratos de prestação de serviços não há transferência de tecnologia, aspecto material de incidência da exação. O artigo 150 da CF/88 estabelece, em seu inciso I, que nenhum tributo poderá ser exigido ou aumentado sem lei que o estabeleça. Dessa forma, é evidente a inaplicabilidade e inexigibilidade da CIDE sobre as remessas efetuadas. A esse respeito cumpre ressaltar o fato de o artigo 10 do Decreto n. ° 4.195/2002 ter suprimido o artigo 8º, parágrafo único, do Decreto n. ° 3.949/2001, que estipulava a averbação do contrato no INPI como condição para a incidência da CIDE, sendo que tal aspecto não permite afirmar que é legitima a sua incidência em quaisquer contratos, já que a função do Decreto é meramente regulamentar a lei e jamais introduzir nova incidência, especialmente nesse caso, que estaria destoando do conceito legal, que exige transferência de tecnologia para legitimar a incidência da CIDE. O parágrafo único do artigo 8°, do Decreto n° 3.949/2001, ao dispor que “os contratos a que se refere este artigo deverão estar averbados no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (...)", não teve o condão de estabelecer obrigação ao contribuinte da CIDE de averbar os contratos no Fl. 966DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 958 17 INPI. Essa conduta já é exigida pela própria lei da propriedade intelectual. Portanto, o fato de o Decreto n° 3.949/2001 ter feito menção à averbação no INPI não indica qualquer obrigatoriedade nova, pois qualquer contrato que possua em seu escopo a transferência de tecnologia deve ser averbado no INPI, não em virtude da disposição do Decreto, mas sim em função da Lei n° 9.279/96. Admitir raciocínio diverso implicaria assumir que o Decreto n° 4.195/2002, que revogara o Decreto no 3.949/2001, também revogou o artigo 211 da Lei de Proteção à Propriedade Intelectual e as disposições materiais da lei instituidora da CIDE. Diante disso, é evidente que a inclusão ou a posterior supressão do parágrafo único do artigo 8° do Decreto n° 3.949/200,1 em nada altera o aspecto material da hipótese de incidência da CIDE. Primeiro, porque originalmente não estabelecera qualquer obrigação nova ao contribuinte; segundo, porque o alcance de decreto regulamentar deve limitarse ás disposições legais, sob pena de inconstitucionalidade. A Lei nº 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001, vincula o recolhimento da CIDE á existência de transferência de tecnologia nas relações contratuais relativas ás remessas efetuadas ao exterior, os regulamentos posteriores, por estarem adstritos ao texto de lei em função do princípio constitucional da legalidade, não poderiam modificar o aspecto material da hipótese de incidência da CIDE e pretender afastar a necessidade de existência de contratos com empresas estrangeiras que impliquem transferência de tecnologia, para legitimar a cobrança da exação. A atividade administrativa está adstrita aos termos da lei, a discricionariedade da Administração Pública, portanto, deve ser operada dentro do campo de alternativas que a própria lei dispõe, razão pela qual não poderiam as Autoridades Fiscais entenderem que a CIDE é devida sobre quaisquer remessas ao exterior, independentemente da existência de transferência de tecnologia nas relações contratuais em referência, somente pelo fato de inexistir menção no Decreto n° 4.195/2002 acerca da averbação dos contratos no INPI. Tendo em vista que a CIDE objetiva incentivar o desenvolvimento da tecnologia nacional, sua incidência, se considerada válida, deverá se ater ás hipóteses de efetiva transferência de tecnologia do exterior, em respeito á materialidade da exação, nos termos da lei nº 10.168/2000. Assim, por tratarse de instrumento de intervenção da União na área de ciência e tecnologia, a CIDE somente pode alcançar bens, pessoas ou relações que digam respeito à ciência ou tecnologia. A hipótese da recorrente é diversa, pois nos serviços prestados á recorrente não há transferência de tecnologia, portanto não há que se falar na incidência da CIDE no caso concreto da recorrente em decorrência do pagamento desses serviço. III.2.2 OS LIMITES DA ATUAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO REFERIBILIDADE E INTERVENÇÃO TEMPORÁRIA Admitindose que a instituição da exação de que ora se cuida foi válida convém ainda analisar quais são os limites da atuação do Estado em determinada área ou setor econômico. Convém lembrar que o Programa de Estímulo á Interação Universidade Empresa para Apoio á Inovação, financiado pelos recursos advindos da CIDE, nos termos da Lei nº 10.168/2000, objetiva incrementar o desenvolvimento tecnológico nacional. A promoção, o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica estão presentes no Fl. 967DF CARF MF 18 artigo 218 do T ítulo VIII da Constituição Federal, que trata da Ordem Social. Ainda que se admita a incidência de contribuição de intervenção no domínio econômico em área ou setor delimitado no contexto constitucional da Ordem Social, tal incidência somente seria legítima se fosse possível verificar um beneficio especifico para o sujeito passivo, ou seja, caso se concretizasse a denominada referibilidade. A CF/88 delineou também o universo de fatos e pessoas que podem ser atingidos e beneficiados pela CIDE, ou seja, serão apenas aqueles que pertencerem à respectiva área de forma a se concretizar o requisito da referibilidade, necessário para a caracterização do tributo como espécie de contribuição de intervenção no domínio econômico. Inequívoca, portanto, a ausência de beneficio especifico e de proporcionalidade na cobrança da CIDE das empresas signatárias de contratos de serviços como estes ora apresentados pela recorrente,o que desvirtua a natureza da exação como uma contribuição de intervenção no domínio econômico nos moldes do artigo 149 da CF/88. A exação é de duvidosa constitucionalidade e legalidade, uma vez que os benefícios advindos da sua arrecadação não são direcionados aos seus sujeitos passivos, e sim a toda sociedade. A CIDE visa tão somente corrigir imperfeições e desequilíbrios em determinada área ou setor econômico, atuando na Área/setor durante o tempo em que perdurarem as distorções. Tal exação é inaplicável na presente relação jurídica e que não pode ser considerada uma contribuição de intervenção no domínio econômico, em razão da ausência do beneficio especifico, bem como da temporariedade da sua exigência. III.2.3 ASPECTO FORMAL DA CIDE INSTITUIÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR A análise sistemática dos textos constitucionais permite afirmar que a CF/88 inovou ao fixar a necessidade de lei complementar para a instituição dos tributos previstos no artigo 149, exceção ás contribuições de seguridade social do artigo 195, tal afirmativa decorre da remissão expressa feita pelo artigo 149 da CF/88 ao inciso II do artigo 146, que trata das matérias cuja disciplina obrigatoriamente devem ser regidas por lei complementar. A CIDE em discussão, ao arrepio da norma constitucional, foi instituída por lei ordinária (Lei nº 10.168/2000), tal fato, por si só, já basta para comprovar a inconstitucionalidade da exação. III.2.4 NATUREZA DA CIDE IMPOSTO a ausência de referibilidade o tributo criado pela lei nº 10.168/2000 não pode ser configurado como uma contribuição de intervenção no domínio econômico, pois os frutos advindos de sua arrecadação promovem vantagem para toda a coletividade e não para os seus contribuintes. desta foram, não existindo um benefício individual e mensurável, a denominada referibilidade, aso contribuintes da CIDE, não há que se falar na espécie tributária delineada no artigo 149 da CF/88, o que denota tratarse de um possível imposto. b a necessidade de lei complementar Assim, se configurada a natureza da exação como verdadeiro imposto, a sua cobrança somente será válida se preenchidos todos os requisitos do artigo 154, inciso I, da CF/88. A CIDE não foi instituída por lei complementar , e sim pela Lei nº 10.168/2000, o que de plano já a torna inconstitucional, em nítida violação ao artigo 154, Inciso I, da CF/88. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 959 19 c fato gerador e base de cálculo idênticos ao do imposto de renda na fonte (IRF) vedação a tributação e bis in idem A CIDE possui o mesmo fato gerador e base cálculo do IRF, conforme se depreende da redação da alínea "a" do inciso II do artigo 685 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), e dos artigos 708 e 710 do RIR/99. O tipo tributário é composto pela hipótese de incidência e base de cálculo. A identidade desses elementos gera ou a bitributação, na hipótese de o tributo ser cobrado por diferentes autoridades, ou a tributação bis in idem na hipótese de o sujeito ativo ser o mesmo. A tributação bis in idem é repelida pelo sistema tributário nacional (artigo154; inciso I, da CF/88). A CIDE possui a mesma hipótese de incidência e base de cálculo do IRF e sua cobrança gera a tributação bis in idem, expressamente proibida pela CF/88. Tal conclusão pode ser extraída do confronto entre os artigos 685, 708 e 710 do RIR/99 e do parágrafo 2° do artigo 2° da Lei n° 10.168/2000, alterado pela Lei n° 10.332/2001. d conflito material com a Emenda Constitucional nº 33/01 A base de cálculo da CIDE conflita com o disposto no artigo 149, parágrafo 2°, inciso III, da CF/88, introduzido no ordenamento pátrio com a publicação, em 12.12.2001, da Emenda Constitucional n° 33 ("EC 33/01"), que prevê a base de cálculo aplicável ás contribuições de intervenção no domínio econômico. O referido dispositivo constitucional, ao prever que as contribuições de intervenção no domínio econômico podem ter alíquota ad valorem, restringiu também outro aspecto material da sua hipótese de incidência, ao dispor que este tributo poderá ter como base de cálculo somente o faturamento, a receita bruta, o valor da operação e/ou o valor aduaneiro. Há um conflito material entre o disposto no parágrafo 2° do artigo 2° da Lei n. ° 10.168/00 e o artigo 149, parágrafo 2°, inciso III, da CF/88, razão pela qual referida exação não poderia ser considerada uma contribuição de intervenção no domínio econômico. Por conseguinte, concluise que o artigo 2°, parágrafo 2°, da Lei n. ° 10.168/00, foi tacitamente revogado pela EC 33/01, bem como que a Lei n. ° 10.332/01, publicada posteriormente à EC33/01, e inconstitucional. e impossibilidade de vinculação de receita a fundo (artigo 167, inciso IV , da CF/88) A CIDE ainda afronta ao inciso IV do artigo 167 da Constituição Federal, que proíbe a vinculação de receita de imposto a fundo, órgão ou despesa. A Lei n. ° 10.168/2000 determina, em seu artigo 40, que o produto da arrecadação da CIDE será destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico. Diante disso, e evidente a inexigibilidade da CIDE, tendo em vista a ausência de referibilidade da exação e a utilização de base de cálculo distinta daquela prevista pela CF/88, o que impede sua caracterização como uma das contribuições do artigo 149 da CF/88, denotando sua natureza de imposto, nos termos do artigo 4 0 do CTN. Ademais, ainda que a CIDE seja considerada imposto, sua inexigibilidade subsiste, tendo em vista a inobservância dos artigos 154, inciso I, e 167, inciso IV, ambos da CF/88. III.2.5 OFENSA ÁS NORMAS DO ACORDO GERAL SOBRE O COMÉRCIO DE SERVIÇOS (GATS) Fl. 969DF CARF MF 20 A exigência da CIDE viola o artigo XVII do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (“GATS’), internalizado e regulamentado no direito brasileiro através do Decreto n. ° 1.355, de 30.12.1994”. O Brasil não poderá tributar serviço proveniente do exterior 'de forma distinta daquela aplicável ao serviço similar nacional. Todavia, enquanto os pagamentos efetuados pela Requerente às subsidiárias do grupo SAP no exterior estão atualmente sujeitos A incidência da CIDE, à alíquota de 10%. Há um tratamento discriminatório menos favorável As empresas estrangeiras em nítida violação ao artigo XVII do GATS. Portanto, é inexigível a CIDE. IV A LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DOS JUROS DE MORA 0 artigo 161 do CTN prevê o acréscimo de juros de mora aos créditos não integralmente pagos no vencimento. Os juros de mora são, portanto, um ônus ao contribuinte que, pelo retardamento culposo da obrigação tributária, possui debito exigível pela Fazenda Publica. A Requerente nunca esteve em mora no cumprimento de suas obrigações fiscais, tendo em vista que, amparada por decisões judiciais e depósitos judiciais, não incorreu em atraso, impontualidade ou violação do dever de cumprir a obrigação no tempo devido. A virtude da suspensão da exigibilidade do credito tributário consiste fundamentalmente na descaracterização da mora, por não haver qualquer omissão do contribuinte quanto ao pagamento do tributo. Ora, se a mora e uma conseqüência da exigibilidade não pode logicamente haver mora em relação pretensões inexigíveis. O artigo 161, §2º, do CTN, estabelece que o contribuinte que formular Consulta aos órgãos da Receita Federal, antes do vencimento do tributo, poderá pagálo sem a incidência dos juros. Ora, se a própria legislação privilegia a boa fé e a conduta do contribuinte que formular consulta dentro do prazo com muito mais razão não incidem os juros de mora nos casos em que o contribuinte busca a tutela do Poder Judiciário, por entender como ilegal e inconstitucional determinada exigência fiscal. V CONCLUSÃO E PEDIDO Conforme amplamente demonstrado e comprovado, a autuação sofre de vício material ao descrever erroneamente a relação jurídicocontratual que dá base aos pagamentos sobre os quais a CIDE é supostamente devida, devendo então ser anulada em razão de tal vício materialidade Em que pese o mérito da exigência já estar submetida ao Poder Judiciário, por meio do Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0208390 e, portanto, que a decisão final a ser proferida em tal processo judicial deverá prevalecer em relação aos fatos or em discussão, a recorrente entende ter comprovado que : I) a CIDE é inexigível sobre as remessas efetuadas pela recorrente, na medida em que o contrato de prestação de serviços não reúne as condições fáticas necessárias á configuração do aspecto material da hipótese de incidência do tributo, II) os depósitos judiciais realizados nos autos do MS nº 2004.61.00.0208390 suspendem integralmente a exigibilidade dos créditos tributários e impedem a lavratura de auto de infração e a cobrança de juros de mora. Por fim, a recorrente pleiteia seja integralmente acolhido o recurso voluntário para o fim de que seja reconhecida a nulidade e/ou a improcedência da presente autuação, bem como das exigências fiscais impugnadas, incluindo a CIDE e os juros de mora, determinand0se o cancelamento dos supostos débitos fiscais constantes do auto de infração e o consequente arquivamento do presente processo administrativo. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 960 21 5. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini ADMISSIBILIDADE 1. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço na parte não concomitante com as ações judiciais. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 2. Cabe, preliminarmente, delinearse a lide. 3. A recorrente possui dois contratos em vigor á época a autuação, firmados entre a própria recorrente, SAP BRASIL, e a SAP AG (empresa alemâ): 1 O primeiro, referese ao Contrato de Distribuição de Software (o "Contrato de Distribuição") para a comercialização, distribuição e manutenção de determinado software da SAP AG para usuários finais no território brasileiro, onde não há transferência da tecnologia. 2 O segundo tipo referese ao contrato de prestação de serviços de software ("Contrato de Prestação de Serviços de Software"), em vigor desde 1° de janeiro de 2003, no qual a SAP Brasil e a SAP AG concordam em prestar determinados serviços de urna parte A outra mediante solicitações. Com base neste "Contrato de Prestação de Serviços de Software", foram firmados diversos contratos de serviço, entre a SAP Brasil e as demais subsidiárias da SAP, tendo em comum, a vigência a partir de 01 de janeiro de 2005, e o teor, que é basicamente o mesmo. Da leitura do art. 3º dos contratos (fl. 060/158), a contratada concorda em fornecer serviços especializados, dentre os quais: RH e gerenciamento e suporte); de consultoria; marketing. 4. A recorrente possui as seguintes ações judiciais relacionadas ao tema tratado nestes autos : 1 – MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2002.61.00.0206864 este Mandado de Segurança discute a exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos feitos à SAP AG como contraprestação pela cessão de direitos de uso e comercialização de software, sem a transferência da correspondente tecnologia. A Lei n° 11.542, de 28 de fevereiro de 2007 modificou a Lei n° 10.168/00, acrescentando ao art. 2° o parágrafo 1°A, que diz textualmente: "A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo Fl. 971DF CARF MF 22 quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia", produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006. 2 MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2004.61.00.0208390 – a recorrente questiona a incidência da CIDE sobre as remessas decorrentes dos contratos de prestação de serviços relacionados ao software licenciado ao mesmo e desenvolvido pela sociedade alemã SAP AG. Em síntese, alega que na prestação de tais serviços não lidam com transferência de tecnologia, estando por tanto, fora do campo de incidência da CIDE. 3 – OUTRAS AÇÕES JUDICIAIS Há outras ações que se referem aos Mandados de Segurança 2001.61.00.0244423 e 2004.61.00.0208390, pelos quais se discute a exigibilidade do IRRF e da CIDE incidentes sobre remessas ao exterior realizadas pelo contribuinte como pagamento pela prestação de determinados serviços relacionados ao software licenciado ao contribuinte pela SAP AG. DAS PRELIMINARES 6. A recorrente alega que haveria nulidade : a) do lançamento por ter descumprido decisão judicial que expressamente determinou que a fiscalização se abstivesse de exigir a CIDE sobre as remessas ao exterior a título de roaming internacional ; b) falta de precisão na autuação e no julgamento, pois, o TVF e o Acórdão recorrido não são suficientemente claros ao indicar exatamente qual é a relação jurídica/contratual sobre a qual está sendo exigida a CIDE, obrigando a recorrente a apresentar sua defesa sem mesmo ter a certeza de quais fatos estão sendo alegados em seu desfavor e, c) que o Acórdão da DRJ também seria nulo por não ter ocorrido a concomitância, defendida pelo Acórdão, entre o processo administrativo e os processos judiciais titularizados pela recorrente. 7. Entendo não proceder as alegações da recorrente. 8. Quanto ao lançamento, agiu correto a fiscalização ao lavrar o auto de infração para prevenir a decadência do crédito tributário, pois em sendo o tributo devido, até que decisão judicial transitada em julgado o defina como não devido, há que ser constituído o crédito a ele referente, por expressa determinação legal contida no artigo 142 do Código Tributário Nacional Lei nª 5.172/1966, sendo dever de ofício da autoridade fiscal o fazer , sob pena de incursão em crime de responsabilidade funcional. 9. A decisão judicial não proibiu a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário pelo lançamento, mas sim de exigílo, por tal motivo o crédito foi constituído com sua exigibilidade suspensa, nos moldes do artigo 151 do mesmo códex tributário. 10. Foram impetrados, pela interessada, na 17º Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo os Mandados de Segurança nº 2002.61.00.0206864 e 2004.61.00.0208390, objetivando suspensão da exigibilidade da CIDE sobre pagamentos à SAP AG no exteriror, Fl. 972DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 961 23 sendo concedidas inicialmente liminares e feitos os depósitos dos montantes integrais, o que suspendeu a exigibilidade do crédito tributários na forma do art. 151, II e IV do CTN. No MS 2002.61.00.0206864 a interessada solicita que se reconheça inexigibilidade da CIDE nas hipóteses de remessas de valores ao exterior já efetuada e a serem efetuadas pelo pagamento de licença de uso de software, albergadas nos contratos de distribuição de software (fl.646). Conforme consta na fl.654, a 6ª Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal denegou a segurança e revogou a liminar concedida. Atualmente o feito encontrase no STJ. 11. No MS 2004.61.00.0208390 o contribuinte pleiteia a suspensão da contribuição relativa as remessas ao exterior de valores que não digam respeito a royalties ou assistência técnica relativa a transferência de tecnologia (fl.729). Conforme consta na fl.796, a 4ª Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região deu provimento parcial à apelação da impetrante. O processo encontrase no citado tribunal. 12. Desta forma, a autoridade fiscal não descumpriu a ordem judicial, como alega a recorrente, da mesma forma a DRJ não deixou de observar tal questão, como alega a recorrente. 13. Portanto, rejeito tal preliminar de nulidade. 14. Quanto á falta de precisão na descrição do auto de infração e no acórdão DRJ, entendo não prosperar tal alegação pois desde que a recorrente pôde apresentar seus argumentos de defesa de foram clara e precisa, elencando os seus pontos de discordância, tanto em impuganaçãõ como na fase de recurso voluntário, não ocorreu a nulidade suscitada. 15. Além disso, no TVF, no item Dos Fatos, a autoridade fiscal lista os documentos solicitados, inclusive os contratos fornecidos pela própria recorrente, que afirmou que os contratos anteriormente apresentados, embora sejam datados de 2009, estabelecem em sua cláusula 10 que as relações de prestação de serviços objeto de tais contratos tiveram início em 01+01+2005, ainda no item 4,2,2 deste mesmo TVF a autoridade descreve detalhadamente que da a leitura dos contratos anexados, por cópia, constatase que a contratada concorda em fornecer serviços especializados. Conclui a autoridade fiscal que : “ 4.2.6. Diferentemente do contribuinte, esta fiscalização entende que os serviços descritos no item 4.2.4 tem a natureza de "serviços técnicos especializados", 4.2.7. Dessa forma, ao efetuar as remessas para pagamento dos serviços descritos no item 4.2.4, entendemos que o contribuinte está sujeito a retenção do Imposto de Renda com alíquota de 15% e da CIDE com alíquota de 10%.” 16. Desta forma, rejeito esta preliminar de nulidade. 17. Com relação á concomitância relatada no Acórdão DRJ, será tratada em tópico seguinte, mas, em preliminar, a alegação da recorrente de que o Acórdão da DRJ também seria nulo por não ter ocorrido a concomitância, defendida pelo Acórdão, entre o processo administrativo e os processos judiciais titularizados pela recorrente, entendo ter realmente ocorrido a concomitância, portanto, correto o Acórdão DRJ quando, em sua ementa, traz a seguinte informação : MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. : A propositura da ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, afasta o pronunciamento da autoridade administrativa sobre a matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se aprecia administrativamente o seu mérito, não se conhecendo da impugnação apresentada, salvo naquilo que tratar de matéria diversa da(s) questionada(s) na referida ação. Fl. 973DF CARF MF 24 18. Portanto, rejeito tal preliminar de nulidade. NO MÉRITO A EXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA 19. Afastadas as alegações preliminares, passemos á análise do mérito da contenda. 20. Quanto á concomitância, entendo que esta realmente existe, em função da identidade de objeto entre as ações judiciais impetradas e as razões de impugnação interpostas, como bem delineou a decisão de piso, ao esclarecer que : Destaquese que o auto de infração se destinou a lançar, de ofício, valores relativos a CIDE que estão sendo questionados judicialmente pela interessada, ou seja, a exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos feitos a SAP AG como contraprestação pela cessão de direitos de uso e comercialização de software, sem a transferência da correspondente tecnologia (Mandado de Segurança n° 2002.61.00.0206864) e a CIDE sobre as remessas decorrentes dos contratos de prestação de serviços relacionados ao software licenciado ao mesmo e desenvolvido pela sociedade alemã SAP desenvolvidos pela sociedade alemã desenvolvidos pela sociedade alemã SAP desenvolvidos pela sociedade alemã SAP AG (Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390). Ora, não é possível que a empresa que impetrou as ações judiciais não conheça o teor das mesmas. Observese que a fiscalização apresentou planilha com os valores devidos de CIDE em várias datas, os valores das remessas de recursos ao exterior e muitos outros detalhes, dirimindo qualquer dúvida sobre os valores autuados. tendo a recorrente efetivado depósitos judiciais para se proteger da exigibilidade do tributo. Do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.0206864 (Anexo II) Este Mandado de Segurança discute a exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos feitos à SAP AG como contraprestação pela cessão de direitos de uso e comercialização de software, sem a transferência da correspondente tecnologia. A Lei n° 11.542, de 28 de fevereiro de 2007 modificou a Lei n° 10.168/00, acrescentando ao art. 2° o parágrafo 1°A, que diz textualmente: "A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia", produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006. Do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390 (Anexo III) No Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0208390, o contribuinte questiona a incidência da CIDE sobre as remessas decorrentes dos contratos de prestação de serviços relacionados ao software licenciado ao mesmo e desenvolvido pela sociedade alemã SAP AG. Em síntese, alega que na prestação de tais serviços não lidam com transferência de tecnologia, estando por tanto, fora do campo de incidência da CIDE, conforme CERTIDÃO DE OBJETO E PÉ ás fls.26 a 29 destes autos digitais. Outras ações judiciais Há outras ações que se referem aos Mandados de Segurança 2001.61.00.0244423 e 2004.61.00.0208390, pelos quais se discute a exigibilidade do IRRF e da CIDE incidentes sobre remessas ao exterior realizadas pelo contribuinte como pagamento pela prestação de determinados Fl. 974DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 962 25 serviços relacionados ao software licenciado ao contribuinte pela SAP AG. OS CONTRATOS EXISTENTES Á ÉPOCA DA AUTUAÇÃO Existem dois tipos de contratos firmados entre a recorrente, SAP BRASIL, e a SAP AG. (fls. 61/ 159 dos autos digitais) O primeiro, referese ao Contrato de Distribuição de Software (o "Contrato de Distribuição") para a comercialização, distribuição e manutenção de determinado software da SAP AG para usuários finais no território brasileiro, onde não há transferência da tecnologia. O segundo tipo referese ao contrato de prestação de serviços de software ("Contrato de Prestação de Serviços de Software"), em vigor desde 1° de janeiro de 2003, no qual a SAP Brasil e a SAP AG concordam em prestar determinados serviços de urna parte A outra mediante solicitações. Com base neste "Contrato de Prestação de Serviços de Software", foram firmados diversos contratos de serviço, entre a SAP Brasil e as demais subsidiárias da SAP, tendo em comum, a vigência a partir de 01 de janeiro de 2005, e o teor, que é basicamente o mesmo. 21. Ainda a própria recorrente nos traz as seguintes informações, quando anexa aos autos consulta realizada ao aclamado Marco Aurélio Greco, conforme fls. 368/369 dos autos digitais : A Consulente relata, que: 1. Em 11.9.2002, a SAP Brasil, Ltda. ("SAP") impetrou Mandado de Segurança para afastar a incidência da Contribuição de Intervenção, no Domínio Econômico ("CIDE"), instituída nos termos da'' Lei re, 10.168, de 29 de dezembro de 2000 ("Lei 10.168/2000"),om modificações ;instituídas pela Lei n° 10.332, de 29 de dezembro de 2001 ("Lei' , 10.332/2001"), em relação às remessas ao exterior, para a sua controladora ("SAP AG"), da remuneração paga pela licença de uso e distribuição de software, instrumentalizada em contratos de distribuição de software. 2. Ao analisar o pedido inicial, a MMa. Juiza Federal houve por bem deferir a medida liminar. As razões que ensejaram o deferimento da medida liminar decorrem, basicamente, (i) da ausência de previsão legal para a incidência da exação nas remessas ao exterior em decorrência do pagamento pela licença de uso de software; e (ii) da impossibilidade de se verificar o aspecto material de incidência da CIDE no caso especifico da SAP. 3. Posteriormente, a União Federal interpôs Agravo de Instrumento ao Tribunal Regional Federal da Terceira Região; com pedido de efeito suspensivo. Sustentou a União Federal que (i) não haveria que se falar em ausência de previsão legal para a incidência da CIDE, já que a SAP efetua pagamentos relativos a concessão de marcas e patentes a empresa alemã. 4. A Desembargadora Relatora houve por bem atribuir efeito suspensivo ao Agravo, com base nas seguintes premissas : (i) licença de uso é fato gerador da CIDE, nos termos da lei 10.168/2000; e (ii) os rendimentos obtidos pelo uso ou exploração de direito autoral configuram royalties, desde que não percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra, o que também acarretaria a incidência da CIDE. 5. A SAP interpôs Agravo Regimental. Em 12 de março de 2003, contudo, a Turma, por maioria de votos decidiu que: (i) licença de uso e fato gerador da CIDE; e (ii) os pagamentos efetuados pela SAP a SAP AG constituem pagamento de royalties e não de remuneração pelo uso de um direito de autor. Fl. 975DF CARF MF 26 22. Por tais motivos, entendo haver concomitância entre os motivos de impugnação, repisados no recurso voluntário ( III2 INAPLICABILIDADE DA CIDE NO CASO CONCRETO, III.2.1 CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA E A MATERIALIDADE DA CIDE, III.2.2 OS LIMITES DA ATUAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO REFERIBILIDADE E INTERVENÇÃO TEMPORÁRIA, III.2.3 ASPECTO FORMAL DA CIDE INSTITUIÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR, III.2.4 NATUREZA DA CIDE – IMPOSTO ( a ausência de referibilidade, b a necessidade de lei complementar , c fato gerador e base de cálculo idênticos ao do imposto de renda na fonte (IRF) vedação a tributação e bis in idem, d conflito material com a Emenda Constitucional nº 33/01, e impossibilidade de vinculação de receita a fundo (artigo 167, inciso IV , da CF/88)), e os processos judiciais titularizados pela recorrente. 23. Quanto ás alegações da recorrente quanto ao ferimento ás normas do GATS (( III.2.5 OFENSA ÁS NORMAS DO ACORDO GERAL SOBRE O COMÉRCIO DE SERVIÇOS (GATS) A exigência da CIDE viola o artigo XVII do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (“GATS’), internalizado e regulamentado no direito brasileiro através do Decreto n. ° 1.355, de 30.12.1994”, o Brasil não poderá tributar serviço proveniente do exterior 'de forma distinta daquela aplicável ao serviço similar nacional, todavia, enquanto os pagamentos efetuados pela Requerente às subsidiárias do grupo SAP no exterior estão atualmente sujeitos á incidência da CIDE, à alíquota de 10%., há um tratamento discriminatório menos favorável ás empresas estrangeiras em nítida violação ao artigo XVII do GATS, portanto, é inexigível a CIDE e constatase que a exigência da CIDE, na hipótese em discussão, constitui ainda um óbice ao comercio de serviços internacional, na medida em que trata discriminatoriamente os serviços e prestadores de serviços estrangeiros, violando notadamente o artigo XVII do GATS, em contrariedade ao artigo 5º, parágrafo 2°, da Constituição Federal de 1988, e ao artigo 98 do CTN.), além de trazer discussão sobre a constitucionalidade da CIDE, o que já impediria este colegiado de apreciar tais alegações, por respeito ao comando inserto na Súmula CARF nº 2, também são idênticas ás razões de pedir na inicial do Mandado de Segurança de nº 2004.61.00.0208390 (fls. 313/314 dos autos digitais), impetrado pela recorrente junto á 17ª Vara Federal de São Paulo/SP, o que também impede este colegiado de apreciar tal matéria submetida ao Poder Judiciário, por respeito ao comando inserto na Súmula CARF Nº 1. 24. Portanto, clara está a coincidência dos objetos dos pedidos, tanto na esfera administrativa, como na esfera judicial. 25. Desta forma, devese obediência ao Princípio Constitucional da Supremacia das Decisões Judiciais e da Prevalência da Esfera Judicial sobre a Administrativa, ambos insculpidos no Inciso XXXV do Artigo 5ª da Constituição Federal : Art.5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ………………………………. XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. 26. Para tanto, este CARF emitiu a Súmula nº 1 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria nº 227, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 976DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 963 27 27. Portanto, em razão da matéria em julgamento por este CARF encontrarse contida na matéria submetida á análise do Poder Judiciário, é de se aplicar ao caso concreto em exame a Súmula CARF nº 1. 28. Quanto aos efeitos da concomitância, deixase de conhecer as alegações relativas á matéria objeto das ações judiciais, declarandose formalmente a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, cabendo á Unidade Administrativa de origem (DEMAC/SP) a verificação do atual andamento das ações judiciais e os efeitos das suas decisões sobre a matéria em questão, para seu cumprimento.´ QUESTÕES CONSTITUCIONAIS 29. A recorrente alega questões constitucionais, nos seguintes itens do recurso voluntário : III.2.2 OS LIMITES DE ATUAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO REFERIBILIDADE E INTERVENÇÃO TEMPORÁRIA, III.2.3 ASPECTO FORMAL DA CIDE INSTITUIÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR, III.2.4 – NATUREZA DA CIDE – IMPOSTO (a) ausência de referibilidade; b) a necessidade de lei complementar; c) fato gerador e base de cálculo idênticos ao do imposto de renda na fonte (IRF) – vedação á tributação e bis in idem; d) conflito material com a Emenda Constitucional nº 33/01; e) impossibilidade de vinculação de receita a fundo (artigo 167, inciso IV, da CF/88), III.2.5 OFENSA ÁS NORMAS DO ACORDO GERAL SOBRE O COMERCIO DE SERVIÇOS (GATS).(constatase que a exigência da CIDE, na hipótese em discussão, constitui ainda um óbice ao comercio de serviços internacional, na medida em que trata discriminatoriamente os serviços e prestadores de serviços estrangeiros, violando notadamente o artigo XVII do GATS, em contrariedade ao artigo 5º, parágrafo 2°, da Constituição Federal de 1988, e ao artigo 98 do CTN.) 30. Não cabe a esse colegiado manifestarse a respeito de tais argumentos, portanto, aplicase ao caso a Súmula nº 2 deste CARF : SÚMULA CARF nº2 : O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA EXIGÊNCIA DA CIDE NO AUTO DE INFRAÇÃO LEGALIDADE 31. É lastreada em fundamento legal a exigência da CIDE segundo os ditames do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29/12/2000 (DOU 30/12/200 extra), com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.332, de 19/12/2001 (DOU de 20/12/2001), fundamentos utilizados para autuação pela autoridade fiscal. 32. Para maior comodidade transcrevese a seguir: “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem Fl. 977DF CARF MF 28 transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.(Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (introduzido pela Lei nº 10.332/2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (redação dada pela Lei nº 10.332/2001) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (redação dada pela Lei nº 10.332/2001) § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador.” (incluído pela Lei nº 10.332/2001) Conforme se pode verificar no dispositivo legal acima, a redação original da Lei nº 10.168/2000 realmente previa a incidência da contribuição apenas sobre pagamentos de obrigações estipuladas em contratos que envolvessem a transferência de tecnologia (§ 1º). 33 Entretanto, com o advento da Lei nº 10.332/2001, foi incluído o § 2º que ampliou a hipótese de incidência para outros pagamentos efetuados em contratos que não necessariamente envolvam a transferência de tecnologia, como os contratos de assistência administrativa e os royalties remetidos "a qualquer título". 34. Na regulamentação, o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 estabeleceu o seguinte: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I – fornecimento de tecnologia; II – prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III – serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV – cessão e licença de uso de marcas; e V – cessão e licença de exploração de patentes. 35. A redação do § 2º do texto legal e a redação do art. 10 do Decreto nº 4.195/2002 (Regulamento), autorizam a interpretação oficial da Administração Tributária no sentido de que a hipótese de incidência da CIDE REMESSAS/TECNOLOGIA abrange pagamentos relativos a contratos que não envolvam a transferência de tecnologia, isso porque no art. 10 do Fl. 978DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 964 29 Regulamento o Poder Executivo discriminou cinco categorias de contratos, sendo que os contratos incluídos nos incisos III, IV e V não envolvem a obrigatoriedade de transferência de tecnologia. 36. Reforça este entendimento a inclusão do § 1ºA ao artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, pela Lei nº 11.452/2007, posteriormente ao advento do Regulamento, por meio do qual o legislador ressalvou da incidência a remuneração pela licença ou direitos de comercialização e uso de programas de computador, quando o contrato não envolva a transferência de tecnologia. 37. Em outras palavras, até a inclusão do referido § 1ºA, qualquer remuneração relativa a contrato relativo a licença ou direito de comercialização de software deveria ser tributado pela CIDE, situação que só se alterou com a ressalva introduzida pelo § 1ºA. 38. Aplicase a este fato a Súmula CARF nº 127 :/ Súmula CARF nº 127 A incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. 39. No que concerne à caracterização de serviço técnico especializado, consideramos que o serviço de consultoria e assistência técnica, prestado pela SAP AG (empresa alemã) à recorrente, preenche os requisitos da definição de serviço técnico estabelecido no art. 17, II, "a" da IN 252/2002, expedida pela Secretaria da Receita Federal: (...) II – considerase a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; 40. A questão da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE REMESSAS/TECNOLOGIA também entendo estar abarcada na questão da discussão interposta na esfera judicial, quanto á constitucionalidade do tributo, pois ai está contida a base de cálculo, em todas as suas nuances, cabendo esta decisão ao poder judiciário, como já aventado anteriormente neste voto.. DA EXIGÊNCIA DOS JUROS DE MORA 41. Como informa o Ilustre Julgador da DRJ/RIO DE JANEIRO I : A fiscalizada efetuou depósitos judiciais referentes a CIDE no período fiscalizado (fls. 159 a 169), porém, sem informálos em DCTF. A base de cálculo da CIDE é o valor efetivamente pago, creditado, entregue, empregado ou remetido á residente ou domiciliado no exterior, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do Imposto de Renda Retido na Fonte, o que não ocorreu, uma vez que a fiscalizada efetuou as retenções e remeteu o valor líquido, tendo a empresa estrangeira suportado o encargo do IRRF . Fl. 979DF CARF MF 30 42. Constam cópias de guias de depósitos judiciais ás fls. 319/ 362 dos autos digitais. 43. Consta, também dos autos (fls. 803 dos autos digitais), o Ofício PRFN3ª Região SP/DIDE2/UVIP/FAL nº 2/2012, datado de 13/09/2012, da Sra. Procuradora da Fazenda Nacional FLAVIA DE ARRUDA LEME, dirigido ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em São Paulo/SP, onde, entre outras informações a respeito do Mandado de Segurança nº 2002.61.00.0206864, destacamos : Para as providências pertinentes, encaminhamos a anexa cópia integral dos autos do mandado de segurança em epigrafe, bem como da NOTA JUSTIFICATIVA/PRFN3/DIDE2 N2 58/2012 (controle 14.683), para ciência da decisão que deferiu o levantamento de parte dos depósitos judiciais informados nos autos. Tratase de autos de Mandado de Segurança em que se questiona a incidência da CIDE instituída pelo artigo 2° da Lei 10.168/20001 , com a redação dada pela Lei 10.332/2001, quando a licença de uso/comercialização/distribuição de software se dá sem transferência de tecnologia. Defende, também, o contribuinte, a inconstitucionalidade da referida CIDE. Houve concessão de liminar suspendendo a exigibilidade da CIDE em questão,em primeira instância. No entanto, foi deferido efeito suspensivo ao agravo de instrumento da Fazenda Nacional, suspendendo, assim, os efeitos da liminar. Por tal motivo, o contribuinte solicitou autorização judicial para efetuar depósitos a fim de suspender a exigibilidade da CIDE questionada. Informa, o impetrante, que os depósitos foram realizados até 31/01/2007, quando o contribuinte deixou de fazêlo por força da Lei 11.452/07. (….) Após interpor recurso de apelação, o contribuinte esclareceu que descontinuaria a realização de depósitos, tendose em vista que a Lei 11.452/07 isentou, da referida CIDE, as operações objeto dos autos, ao acrescentar o § 1°A ao artigo 2° da Lei 10.168/2000. Tendose em vista, ainda, que o artigo 21 da Lei 11.452/07 estabeleceu que o comando legal acima transcrito produziria efeitos a partir de 1.2 de janeiro de 2006, o contribuinte requereu o levantamento dos depósitos realizados entre 10/01/2006 até 31/1/2007 (fl. 559/562). Referido pedido foi indeferido pelo Relator, desafiando a interposição de Agravo Regimental. O agravo regimental foi julgado em conjunto ao recurso de apelação do contribuinte, sendo que: A apelação do contribuinte foi improvida, por não haver inconstitucionalidade na lei questionada, bem como ser irrelevante a ocorrência de transferência de tecnologia para a cobrança da CIDE sobre a licença de uso e comercialização de software, sob a égide do artigo 2° da Lei 10.168/2000, com a redação dada pela Lei 10.332/2001; e O agravo regimental do contribuinte foi provido, para deferir o levantamento dos depósitos realizados sob a égide da Lei 11.452/2007 (1°/01/2006 até 31/1/2007), tendose em vista que "a partir de janeiro de 2006, a referida contribuição não incidiria sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador, exceto quando envolverem a transferência da respectiva tecnologia." (F1.665) Assim, o contribuinte interpôs recurso especial e recurso extraordinário quanto ao improvimento do recurso de apelação e a Fazenda Nacional Fl. 980DF CARF MF Processo nº 16643.000115/201059 Acórdão n.º 3301006.128 S3C3T1 Fl. 965 31 interpôs recurso especial contra o deferimento do levantamento do depósito, formulando, ainda, pedido de atribuição de efeito suspensivo ao recurso. No recurso especial da Fazenda Nacional, interposto pela alínea "a" do permissivo constitucional, alegouse ofensa ao artigo 1°, §3°, da Lei 9.703/98, defendendose que os depósitos judiciais somente podem ser levantados após o trânsito em julgado. O recurso especial da Fazenda Nacional restou inadmitido, dentre outros motivos, por não atacar o fundamento da decisão recorrida, qual seja, a não incidência da CIDE sobre as operações objeto dos autos (a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador, sem a transferência da respectiva tecnologia) a partir de 1º/1/2006. Tendose em vista que tal fundamento não restou enfrentado pelo recurso especial, houve aprovação da Nota Justificativa, anexa, de não interposição de recurso (agravo de despacho denegatório de recurso especial), aprovada pela D. Chefia de Defesa da Segunda Instancia e pela D. Chefia de Defesa da PRFN3. Assim, quanto ao deferimento do levantamento dos depósitos referentes aos fatos geradores corridos a partir de 1°/1/2006 operouse a preclusão. 44. Não consta nos autos, informação de que tais depósitos tenham sido efetivados em montante integral do valor discutido judicialmente, além da informação da D. PRFN de que a impetrante, no caso aqui a recorrente, interrompeu os depósitos judiciais por entender que, a partir de 01/02/2007, em função de as operações objeto dos autos teriam sido isentadas por lei. 45. Assim, quanto aos juros de mora, aplicase ao caso a Súmula nº 5 deste CARF : Súmula CARF nº 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A TAXA SELIC 46. Correta a aplicação da Taxa SELIC, por expressa determinação legal contida no artigo 13 da Lei nº 9.065/1995. 47. No âmbito deste CARF aplicase a Súmula nº 4 : Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Conclusão 48. Por todo o exposto, CONHEÇO parcialmente o recurso voluntário, na parte não concomitante com as ações judiciais,e , na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO, para manter o lançamento e o Acórdão DRJ/RIO DE JANEIRO em sua integralidade. Fl. 981DF CARF MF 32 É o meu voto. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 982DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903874/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.149
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.903874/201317 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402002.149 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de junho de 2019 Assunto PIS/COINS Recorrente COOPERATIVA DOS AGRICULTORES DE PLANTIO DIRETO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 87 4/ 20 13 -1 7 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11080.903874/201317 Resolução nº 3402002.149 S3C4T2 Fl. 3 2 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A restituição e/ou ressarcimento de créditos tributários está condicionado à comprovação da sua respectiva certeza e liquidez. A falta de comprovação do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, impossibilita o seu deferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão. a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão pelas seguintes razões: i) Preliminarmente: Nulidade da decisão recorrida por ausência de fundamentação, desvio de finalidade, prejuízo ao Contraditório, Ampla Defesa e ao Devido Processo Legal; ii) No mérito, o cerne da questão se detém à análise da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos (soja) adquiridos pela Contribuinte e equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa Recorrente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; iii) Não exerce atividade agroindustrial ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; iv) Tem sido aplicada equivocadamente a norma suspensiva; v) Aplicase o Princípio da Verdade Material; vi) Cabe o retorno dos autos à origem para a realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.137, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.903871/201383. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.137): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11080.903874/201317 Resolução nº 3402002.149 S3C4T2 Fl. 4 3 A empresa acima identificada transmitiu o PER/DCOMP, pelo qual solicitou o ressarcimento de créditos vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo a PIS/Cofins. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre emitiu Despacho Decisório Eletrônico reconhecendo parcialmente o direito creditório. Não foram admitidos créditos da Contribuição referente às aquisições de mercadorias destinadas à revenda, efetuadas pelos fornecedores com alíquota zero, com o fim específico de exportação ou com suspensão nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004 e art. 2º, § 2º da IN 660/2006. Como relatado, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos de defesa: Foram equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa efetivamente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; Não exerce atividade agroindustrial e não utiliza ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; Os créditos solicitados decorrem, principalmente, das aquisições de soja de pessoas jurídicas para revenda (mercado interno e exportação), sendo que tais aquisições seriam parte das operações que realiza e que decorreriam da disponibilidade de grãos durante a safra e da sua capacidade de armazenagem, uma vez que sua estrutura não atende a demanda existente, surgindo a necessidade de operações de venda imediata do produto por incapacidade de escoamento (interno e externo). A Lei n.º 10.925/2004 dispõe sobre a suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, condicionandoa ao processo industrial, como prevê o artigo 9º, abaixo colacionado: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11080.903874/201317 Resolução nº 3402002.149 S3C4T2 Fl. 5 4 cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (sem destaque no texto original) Observo que a improcedência do pedido pela DRJ de origem teve por principal motivação a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito invocado. O Ilustre julgador de primeira instância consignou que em nenhum momento a Contribuinte comprovou suas alegações, tampouco acostou qualquer documentação para demonstrar que as operações glosadas de fato não teriam ocorrido com suspensão. No entanto, o Recurso Voluntário foi instruído com Notas fiscais de Entrada e Saída, reiterando a Recorrente que as operações se referem à revenda de mercadorias adquiridas de terceiros. Da análise de tais documentos, de fato constam as operações classificadas pelos seguintes códigos fiscais: CFOP 5102: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Também serão classificadas neste código as vendas de mercadorias por estabelecimento comercial de cooperativa destinadas a seus cooperados ou estabelecimento de outra cooperativa. CFOP 5117: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, quando da saída real da mercadoria, cujo faturamento tenha sido classificado no código "5.922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura". CFOP 5922: Classificamse neste código os registros efetuados a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Diante de tais documentos anexados com o Recurso Voluntário, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca do direito creditório, imperando a necessária busca pela verdade material para possibilitar a correta apreciação das provas e averiguação do direito invocado, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11080.903874/201317 Resolução nº 3402002.149 S3C4T2 Fl. 6 5 Com isso, fazse necessário verificar se as mercadorias adquiridas dos fornecedores não foram objeto de recolhimento das contribuições, bem como comprovar a efetiva atividade exercida pela Recorrente, de forma a avaliar o cumprimento dos requisitos da IN SRF 660/2006. Para tanto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11080.903874/201317 Resolução nº 3402002.149 S3C4T2 Fl. 7 6 bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 603DF CARF MF
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