Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19647.010781/2006-77
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1803-002.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19647.010781/2006-77
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398236
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.340
nome_arquivo_s : Decisao_19647010781200677.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 19647010781200677_5398236.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5709663
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252417642496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 144 1 143 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.010781/200677 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.340 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente TELEPISA CELULAR S/A (TIM NORDESTE S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 81 /2 00 6- 77 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 145 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 37900.64064.300104.1.3.045466, em 30.01.2004, e 08532.74624.300104.1.3.043556, em 30.01.2004, fls. 0514, utilizandose do pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, código 2484, no valor de R$12.042,95 recolhido em 30.06.2002, referente ao período de apuração de maio de 2002, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. No Relatório de Informação Fiscal, fls. 1516, consta: 1. Consiste o presente processo de Declaração(ões) de Compensação (DCOMP) impetrada(s) pela empresa interessada, de supostos créditos de Pagamento Indevido ou , a Maior de CSLL no valor R$12.042,95 [...]. 2. Na(s) Declaração(ções) de Compensação — DCOMP, constantes do Anexo III do processo n.° 19647.004738/200591, estão discriminado(s) o(s) débito(s) compensados com o referido crédito. 3. Pelo que cabe a esta fiscalização, buscamos diligenciar a contabilidade da empresa com vistas a informar no presente processo o montante do crédito a ser acatado pela SRF. [...] 4. Como podemos observar no item "1" acima, o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. 5. Conforme preceitua o artigo 10 IN SRF n° 600 de 28.12.2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de CSLL, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do CSLL devido ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. 6. Portanto, o valor dito como sendo de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, referido no item "1" acima, não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR" para compensação de débitos. [...] 7. Em face do exposto, entendemos INEXISTENTE o direito creditório pleiteado pelo contribuinte para ser utilizado nas compensações dos débitos fiscais do contribuinte informados nas Declarações de Compensações, discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal CSLL do Mês de maio de 2002 (parte B), em anexo. Está registrado no Despacho Decisório, fl. 19: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 146 3 No uso da competência delegada pelo inciso XXI do art. 250 do Anexo da Portaria MF n.° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e concordando com os fundamentos expostos no Relatório de Informação Fiscal [...], que passa integrar este ato, conforme o artigo 5º, § 1º, da Lei n.° 9.784/99: 1. NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas através das DCOMP’s discriminadas no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal CSLL do mês de maio de 2002, que encontrase anexo ao referido Relatório de Informação Fiscal; 2. DETERMINO a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 2436, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas (não havia nenhuma informação, fundamento, documento ou prova para embasar as exigências), o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. Por tal razão, excluíra do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento do contribuição social sobre o lucro líquido CSLL maior, em 28.02.02, referente ao período de apuração de 31.01.02, no valor de R$143.219,01. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de CSLL e COFINS. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou as compensações efetuadas, com fundamento em Relatório de Informação Fiscal, [...]. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de CSLL, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devida ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 147 4 Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizado como crédito em DCOMP. Por essa razão, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Ocorre que as razões apresentadas pela DRF/Recife não representam o melhor direito e merecem ser reformadas pela Delegacia Regional de Julgamento. I Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de IRPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 148 5 IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. II Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. Assim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do artigo 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas IN’s. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...]. O tratamento dado pelo Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 149 6 artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. Se não fosse realizada a compensação da CSLL de janeiro de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Por fim, mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Conforme os termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados [...]. Portanto, foi exatamente o que ocorreu, pois o CSLL de janeiro de 2002 recolhido a maior foi transformado em, saldo negativo de CSLL, informação essa, prestada na DIPJ, e, passível de compensação com qualquer tributo a partir do ano calendário subsequente, ou seja, janeiro do ano de 2003. Neste caso, haveria apenas um erro na informação, da origem do crédito, pois o saldo negativo apurado no final ao ano seria suficiente para suportar as compensações efetuadas. Possivelmente — o Despacho Decisório não contém nenhuma fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico — tal decisão não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, a, o final do ano, teria saldo negativo de CSLL inferior ao apurado pela contribuinte. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento da presente Manifestação de Inconformidade — decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará a dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a Impugnação apresentada pela contribuinte. Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento desta Manifestação de Inconformidade será um imperativo. Desse modo — insistase: somente na hipótese de discordância com as razões anteriormente expostas —, requerse que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à Impugnação apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. II Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 150 7 administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela solução de consulta interna n° 18. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo ° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 151 8 Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico — que representa um aumento na carga tributária global — para um contribuinte em relação a fatos geradores passados isso não ,pode ser aceito. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebido s pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. III — A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores Mesmo que se entenda que a Secretaria da Receita Federal poderia estabelecer a restrição contida no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05, a interpretação adotada pela DRF/Recife a essa regra está equivocada. Com efeito, o Despacho Decisório não guarda consonância com a interpretação da própria Secretaria da Receita. O artigo 10 da INSRF 600/05, quando muito, impediria (contrariando a Lei n° 9.430/96) a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do períodobase anual com outros tributos distintos deles próprios. Assim, não poderia haver compensação com a COFINS, a contribuição par o PIS ou IPI, por exemplo. Todavia, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses o mesmo períodobase anual. Entender de modo diverso levaria a uma espécie de empréstimo compulsório disfarçado: teria ocorrido um recolhimento indevido/equivocado, mas o contribuinte nada poderia fazer, se não aguardar o final do ano, para que tal recolhimento compusesse o IRPJ ou a CSLL de todo o ano, gerando um saldo negativo que poderia, então, ser restituído ou compensado. Tal compreensão, por absurda e assistemática, não pode prevalecer. A compensação do recolhimento de IRPJ ou CSLL indevido ou a maior pode ser feito ao menos com os valores desses mesmos tributos devidos nos meses seguintes, o que é vedado pela IN 600/05. Esse, inclusive, é o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal. É o que se pode verificar da resposta à pergunta , n° 606, do "Perguntas & Respostas" relacionado ao contribuinte pessoa jurídica ("DIPJ 2006 — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica"), constante do "site" desse órgão. Estes os termos da resposta, verbis: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 152 9 "606 Como pode ser compensada a parcela do imposto pago ou retido na fonte excedente ao apurado com base na estimativa no respectivo mês? No caso em que o valor retido na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo ou pago pelo contribuinte for maior que o imposto a ser pago no período de apuração mensal pela estimativa, a diferença a maior pode ser compensada com o imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. Ora, as compensações requeridas pela contribuinte, no presente processo, foram do valor recolhido a maior de CSLL referente ao período de maio de 2002, pago em junho, com a CSLL de junho a julho e de setembro a novembro de 2002, ou seja, o que ocorreu foi justamente um caso que a resposta transcrita procurou alcançar: IRPJ ou CSLL pago com uma diferença a maior, que pode ser compensada com o mesmo imposto ou contribuição relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. A DRF/Recife, todavia, insurgiuse contra a própria orientação da Receita Federal contida em seu "site", por meio de informativo amplamente conhecido e que serve de parâmetro para os atos dos contribuintes, por conter o entendimento desse órgão. Bem se vê, portanto, que mesmo entendendose legal o artigo 10 da II Normativa n° 600/05 — o que se admite para argumentar —, o Despacho D proferido no presente processo não se sustenta e deve ser cancelado, para homologar compensação realizada pela contribuinte. IV — Se não fosse realizada a compensação da CSLL de maio de 2002 recolhida a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Conforme os termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados "(..) ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período". Portanto, foi exatamente o que ocorreu, pois a CSLL de maio de 2002 recolhida a maior foi transformado em saldo negativo de CSLL, informação essa, prestada na DIPJ, e, passível de compensação com qualquer tributo a partir do anocalendário subseqüente, ou seja, janeiro do ano de 2003. Neste caso, haveria apenas um erro na informação a origem do crédito, pois o saldo negativo apurado ao final do ano seria suficiente par suportar as compensações efetuadas. Possivelmente — o Despacho Decisório não contém nenhuma fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico — tal decisão não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, teria saldo negativo de CSLL inferior ao apurado pela contribuinte. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 153 10 Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento da presente Manifestação de Inconformidade —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a Impugnação apresentada pelo contribuinte. Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, provimento desta Manifestação de Inconformidade será um imperativo. Desse modo — insistase: somente na hipótese de discordância com as razões anteriormente expostas —, requerse que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, homologando a compensação realizada, na medida em que seja d do provimento à Impugnação apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. V Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio ocorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação adotada pela solução de consulta interna n° 18. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a r1 visão de ofício seria indispensável (item 2). Assim, foi apartado do processo administrativo n° 19647.009690/200699 arte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada em processos específicos objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELI . Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria supostas compensações indevidas, com a cobrança de valores a título de IRPJ, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de oficio que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado e que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 154 11 momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face uma revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valor total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 dá CTN, que justificassem a alteração no lançamento. Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração de procedimento com base em um solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior ao Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRF'/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico — que representa um aumento na carga tributária global — para um contribuinte em relação a fatos geradores passados. Isso não pode ser aceito. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa e critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, p ra que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VI Conclusão O Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente a compensação realizada pois: a) A previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei. b) Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 155 12 c) A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior com o débito desses mesmos tributos nos meses posteriores. d) Se a compensação da CSLL de maio de 2002 recolhida a maior não fosse realizada, haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensa o com outros débitos fiscais e suficiente para suportar as compensações efetuada. e) O Despacho Decisório da DRF/Recife é fruto de uma revisão de oficio do lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando são considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela DRF), o que configura uma violação ao artigo 149 do CTN. Por todos esses motivos, deve ser dado provimento à presente Manifestação dei Inconformidade, para homologar integralmente as compensações realizadas pelo contribuinte. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 28.525, de 16.12.2009, fls. 9099: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução da CSLL devido ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONAL1DADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 156 13 Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 12.03.2010, fl. 102, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.04.2010, fls. 103120, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal [...]. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. [...] Por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento de CSLL a maior em junho de 2002. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor r colhido a maior com débitos de CSLL. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou a compensação efetuada, com fundamento em outro Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de CSLL, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor da CSLL devida ou para compor a base de cálculo negativa do período. [...] Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizálo como crédito em DCOMP. Assim, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Apresentada a competente manifestação de inconformidade, houve por bem a DRJ não homologar a compensação efetuada, ratificando o procedimento da DRF/Recife de cobrar os débitos. Entretanto, a exigência fiscal em tela não pode subsistir, devendo ser integralmente cancelada. É o que se passa a demonstrar. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 157 14 I A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de CSLL pelo contribuinte em 2002, passível de compensação com os débitos Preliminarmente, a despeito dos termos do Relatório de Informação Fiscal anteriormente transcrito [...], tornase necessário ressaltar o entendimento adotado pela DRJ, que refuta qualquer influência do processo administrativo n° 19647.009690/200699 no presente pleito de compensação. Aceitandose essa premissa — ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 — o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de CSLL, no valor de R$2.628.838,20 apurado pela contribuinte no anocalendário de 2002 (conforme a ficha 12A da DIPJ/2003 [...]). Isso porque, de acordo com o posicionamento adorado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do CSLL do anocalendário de 2002 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado. Assim, a apuração do saldo negativo de CSLL, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. No caso concreto, portanto, percebese a licitude do procedimento efetuado pela contribuinte, que utilizou apenas parte do saldo negativo de CSLL de 2002 para compensar com os débitos em questão. Por outro lado, no que se refere aos óbices opostos pela Fiscalização para a compensação ora em análise, os mesmos não podem prosperar, sendo fruto de uma interpretação equivocada da legislação. Senão vejamos. II Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de 1RPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 158 15 Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Ademais, não se deve alegar, como fez o acórdão recorrido, que se trata de arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, o que impediria a DRJ de apreciar os argumentos apresentados. No caso em tela, impõese a apreciação da questão, pois, diferentemente do entendimento exposto pela DRJ, esta envolve apenas a impossibilidade de mera Instrução Normativa inovar na ordem jurídica, estipulando vedações não previstas em lei. A DRJ tergiversa sobre o assunto e afirma que o disposto no artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 guarda consonância com o quanto disciplinado por atos infra legais. Equivocase a DRJ. Em primeiro lugar, devese esclarecer que o dispositivo legal que disciplina a compensação de tributos administrados pela atual RFB é o art. 74 da Lei nº 9.430/96 e não os dispositivo citados pela DRJ, que tratam da forma de pagamento apuração do imposto calculado por estimativa. Ora, conforme já demonstrado, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/9(, podem ser compensados os tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou de ressarcimento. Assim, o procedimento adotado pela contribuinte guarda consonância também com o quanto Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 159 16 disciplinado pelos citados atos infralegais, na medida em que houve o recolhimento a maior de CSLL em junho de 2002 (portanto, passível de restituição) e que foi compensado c m débitos de CSLL. Ou seja, os citados dispositivos infralegais, quando interpretados em conjunto com o art. 74 da Lei n° 9.430/96, como devem sêlo, ao invés de serem contrários ao procedimento efetuado pela contribuinte, na verdade o corrobora, reafirmando a impossibilidade de a Administração Fiscal restringir o direito de compensação ora em comento com base em mera instrução normativa da antiga da SRF (atual RFB). Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. III A Secretaria da Receita Federal aceita a compensação de IRPJ/CSLL recolhido indevidamente ou a maior nos meses posteriores Mesmo que se entenda que a Secretaria da Receita Federal poderia estabelecer a restrição contida no artigo 10 da Instrução Normativa no 600/05, a interpretação adotada pela DRF/Recife a essa regra está equivocada. Com efeito, o Despacho Decisório não guarda consonância com a interpretação da própria Secretaria da Receita Federal. O artigo 10 da INSRF 600/05, quando muito, impediria (contrariando a Lei no 9.430/96) a compensação do IRPJ e da CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo dos meses do período base anual com outros tributos distintos deles próprios. Assim, não poderia haver compensação com a COFINS, a contribuição para o PIS ou IPI, por exemplo. Todavia, o IRPJ ou a CSLL eventualmente recolhidos indevidamente ou a maior poderiam ser compensados com eles próprios, em outros meses do mesmo período base anual. Entender de modo diverso levaria a uma espécie de empréstimo compulsório disfarçado: teria ocorrido um recolhimento indevido/equivocado, mas o contribuinte nada poderia fazer, se não aguardar o final do ano, para que tal recolhimento compusesse o IRPJ ou a CSLL de todo o ano, gerando um saldo negativo que poderia, então, ser restituído ou compensado. Tal compreensão, por absurda e assistemática, não pode prevalecer. A compensação do recolhimento de IRPJ ou CSLL indevido ou a maior pode ser feito ao menos com os valores desses mesmos tributos devidos nos meses seguintes, o que é vedado pela IN 600/05. Esse, inclusive, é o entendimento adotado pela Secretaria da Receita Federal. É o que se pode verificar da resposta à pergunta n° 606, do "Perguntas & Respostas" relacionado ao contribuinte pessoa jurídica ("DIPJ 2006 — Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica"), constante do "site" desse órgão. Estes os termos da resposta, verbis: "606 Como pode ser compensada a parcela do imposto pago ou retido na fonte excedente ao apurado com base na estimativa no respectivo mês? No caso em que o valor retido na fonte sobre receitas que integraram a base de cálculo ou pago pelo contribuinte for maior que o imposto a ser pago no período Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 160 17 de apuração mensal pela estimativa, a diferença a maior pode ser compensada com o imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. Ora, as compensações requeridas pela contribuinte, no presente processo, fora l do valor recolhido a maior de CSLL referente ao período de maio de 2002, pago em junho, com a CSLL de junho a julho e de setembro a novembro de 2002, ou seja, que ocorreu foi justamente um caso que a resposta transcrita procurou alcançar: IRPJ ou CSLL pago com uma diferença a maior, que pode ser compensada com o mesmo imposto ou contribuição relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes. A DRF/Recife, todavia, insurgiuse contra a própria orientação da Receita Federal contida em seu "site", por meio de informativo amplamente conhecido e que serve de parâmetro para os atos dos contribuintes, por conter o entendimento desse órgão. Bem se vê, portanto, que mesmo entendendose legal o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/05 — o que se admite para argumentar —, o Despacho Decisório proferido no presente processo não se sustenta e deve ser cancelado, para homologar essa compensação especifica realizada pela contribuinte. IV Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. A.sim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do art go 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas INs. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 161 18 Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...] O tratamento dado pelo artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, 1 uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. V Se não fosse realizada a compensação do CSLL de maio de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Ora, o CSLL de maio de 2002 recolhido a maior foi utilizado, como já visto, em compensação com débitos de CSLL e COFINS. A decisão proferida pela DRF/Recife é arbitrária, pois, à partir dos termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de CSLL ou de CSLL do período. No máximo, portanto, haveria uma antecipação na utilização de um direito de crédito previsto pelo próprio artigo 10 da IN SRF n° 600/05, pois o CSLL de maioo de 2002 recolhido a maior transformarseia em saldo negativo, passível de compensação com qualquer tributo a partir do final desse ano. Com a devida vênia, o indeferimento procedido pela DRJ não pode prosperar, tendo em vista que não pode ser nega o um direito de crédito que se materializou no tempo. Ademais, o que importa é o reconhecimento de que aquela parcela tratada como um recolhimento a maior na escrituração fiscal do contribuinte em determinado período veio a se confirmar como um indébito no futuro (saldo negativo de CSLL), a materializar um efetivo direito de crédito. Isso leva à conclusão de que é irrelevante o fato do crédito de CSLL ter sido utilizado antes do encerramento do anocalendário de 2002, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração. VI Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 A DRJ refuta a existência de qualquer vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699. Assim, o presente argumento, bem como o seguinte, sustentase apenas na hipótese desse Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 162 19 Conselho de Contribuintes entender de forma contrária e confirmar a vinculação entre os processos. Com efeito, a decisão pelo reconhecimento de que ao final do anocalendário de 2002 houve recolhimento a maior de CSLL, passível de compensação com os débitos em questão, não foi adotada em parte em razão da DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, não teria saldo negativo de CSLL. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. Desse modo, requerse que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa ad/ninistrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Quando menos, a cobrança decorrente do presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.00690/200699. VII Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Conforme já demonstrado com a transcrição de trecho do Relatório de Informação Fiscal [...], referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela Solução de Consulta Interna n° 18. Essa Solução de Consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 163 20 Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/2006 99 é de R$4.229.642,21, em relação à Telepisa, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal [...]. Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos para contribuinte é de R$5.719.025,18 (conforme planilha preparada pela contribuinte [...]. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em, razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRJ não se manifestou sobre o assunto, pois supostamente ele seria pertinente a um outro processo administrativo não interferindo na presente lide. Tratase, entretanto, de alegação que não enfrenta o cerne da questão. Conforme já comentado, a ora recorrente teve auto de infração lavrado contra si, em 2006, por intermédio do qual foram feitas cobranças relacionadas as compensações Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 164 21 realizadas pela empresa sucedida pela Recorrente. Após, tais valores foram excluído do PA derivado do AI e transferidos para o presente processo. [...] Ademais, existe uma pertinência lógica entre os fatos (atos cronologicamente concatenados), a comprovar a vinculação entre os processos: as declarações de compensação foram transmitidas em 2003 e 2004 e, posteriormente, em 2006, houve a lavratura do auto de infração do ágio, o que acarretou o indeferimento das compensações efetuada (os despachos decisórios são datados de 2007). Assim, demonstrase a fragilidade do argumento da DRJ, que não enfrenta o mérito da questão. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previsto pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação, leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VIII Conclusão Ante todo o exposto, o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Preliminarmente, tem cabimento examinar a alegação da Recorrente de que há nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e os presentes autos. O instituto da conexão está originalmente previsto no Código de Processo Civil, que prevê: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Há conexão pelo objeto quando existe identidade de pedido mediato, ou seja, afirmação de um direito, que é o bem da vida pleiteado em dois ou mais processos. O objeto é Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 165 22 o pedido, a pretensão material deduzida pelo sujeito passivo. Por outro lado, são conexos pela causa de pedir, dois ou mais processos, quando lhes são comuns os fundamentos de fato e de direito. A causa de pedir constitui premissa para o correto entendimento do pedido e deve estar com ela correlacionada em circunstância de causa e efeito. Surge portanto a necessidade da narração dos fatos e da fundamentação jurídica das situações que ocorreram em determinado período de tempo causando determinadas consequências jurídicas e que foram projetados para o processo. Sobre a matéria, o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos acrescentados) Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consultando o eprocesso, temse que contra a Tim Nordeste S/A foram formalizados, no processo nº19647.009690/200699, os Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, fls. 424463 (numeração daquele processo), referentes aos anoscalendário de 2001 a 2004, que se encontram pendentes de julgamento na 2ª TO/4ª Câmara/1ª Sejul/CARF1. Ressaltese que a referida pessoa jurídica é decorrente da incorporação da Telasa Celular S/A, da Teleceará Celular S/A, da Telern Celular S/A, da Telepisa Celular S/A, da Telpa Celular S/A e da Telpe Celular S/A, de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 482538 (numeração daquele processo). Ainda, naquele processo em que foram apuradas infrações consolidadas e acompanhadas com demonstrativos referentes a cada pessoa jurídica incorporada, também foram analisados todos os fatos que as circunstanciam, inclusive os créditos utilizados para 1 Disponível em:<http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProces suais.jsf>. Acesso em: 21 afo. 2014. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 166 23 extinção de débitos mediante Per/DComp da Telepisa Celular S/A, em conformidade com as Tabelas abaixo. Tabela 1 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [AnoCalendário 2001] Jan 786.291,52 335.741,71 22.481,46 1.144.514,69 Fev 191.119,93 335.741,71 22.481,46 907.566,27 Mar (178.575,67) 335.741,71 22.481,46 896.093,84 Abr (165.474,45) 335.741,71 22.481,46 1.267.418,23 Mai (73.922,84) 335.741,71 22.481,46 1.717.193,01 Jun 4.261.866,50 335.741,71 22.481,46 6.411.205,52 Jul 4.857.980,09 335.741,71 22.481,46 7.365.542,28 Ago 5.580.128,09 335.741,71 22.481,46 8.445.913,45 Set 7.007.956,00 335.741,71 22.481,46 10.231.964,53 Out 7.367.257,71 335.741,71 22.481,46 10.949.489,41 Nov 7.837.703,15 335.741,71 22.481,46 11.778.158,02 Dez 8.112.338,49 335.741,71 22.481,46 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.377.422,05 335.741,71 269.777,51 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.232,501,24 335.741,71 22.481,46 1.590.724,41 Fev 2.225.713,41 335.741,71 22.481,46 2.942.159,75 Mar 3.643,483,71 335.741,71 22.481,46 4.718.153,22 Abr 4.468.895,52 335.741,71 22.481,46 5.901.788,20 Mai 5.465.943,78 335.741,71 22.481,46 7.257.059,63 Jun 6.250.062,16 335.741,71 22.481,46 8.399.401,18 Jul 7.862.905,69 335.741,71 22.481,46 10.370.463,88 Ago 8.468.686,75 335.741,71 22.481,46 11.334.472,11 Set 9.851.955,08 335.741,71 22.481,46 13.075.963,61 Out 11.583.674,57 335.741,71 22.481,46 15.165.906,27 Nov 15.933,181,74 335.741,71 22.481,46 19.873.636,61 Dez 13.183.531,88 335.741,71 22.481,46 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 972974 (eprocesso) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 167 24 Tabela 2 Demonstrativo do IRPJ e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [A] IRPJ Devido [B] [IRPJ Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 284.128,67 204.524,82 39.801,93 Fev 907.566,27 (61.237,10) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (66.105,21) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 24.725,88 0,00 12.362,94 Mai 1.717.193,01 110.443,70 0,00 55.221,85 Jun 6.411.205,52 1.171.503,13 882.664,00 144.419,57 Jul 7.365.542,28 236.584,19 152.648,76 41.967,72 Ago 8.445.913,45 268.092,80 184.157,36 41.967,72 Set 10.231.964,53 444.512,76 397.518,30 23.497,23 Out 10.949.489,41 177.381,22 93.445,79 41.967,72 Nov 11.778.158,02 205.167,15 121.231,72 41.967,72 Dez 12.411.016,52 156.214,63 72.210,24 42.002,20 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 216.388,79 216.388,79 0,00 Fev 2.431.985,09 188.603,43 188.603,43 0,00 Mar 4.426.633,17 373.530,32 373.530,32 0,00 Abr 6.422.880,33 344.420,46 344.420,46 0,00 Mai 7.558.411,55 167.101,96 167.101,96 0,00 Jun 8.835.800,72 52.372,61 52.372,61 0,00 Jul 9.421.279,16 56.492,06 56.492,06 0,00 Ago 10.975.053,49 192.506,71 192.506,71 0,00 Set 13.397.733,78 358.272,43 358.272,43 0,00 Out 15.232.055,22 312.504,31 312.504,31 0,00 Nov 17.398.480,95 317.084,92 317.084,92 0,00 Dez 16.676.100,08 0,00 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 261.919,05 (261.919,05) 0,00 Fev 2.942.159,75 245.837,00 245.837,00 0,00 Mar 4.718.153,22 251.508,73 251.508,73 0,00 Abr 5.901.788,20 236.002,13 209.689,47 17.156,33 Mai 7.257.059,63 241.400,21 (44.744,88) 98.327,67 Jun 8.399.401,18 85.299,68 0,00 42.649,84 Jul 10.370.463,88 258.707,57 0,00 129.353,79 Ago 11.334.472,11 216.958,14 (5.425,48) 105.766,33 Set 13.075.963,61 289.086,21 (97.716,79) 95.684,71 Out 15.165.906,27 383.621,88 0,00 191.810,94 Nov 19.873.636,61 623.326,70 (245.124;,60) 189.101,05 Dez 17.482.209,92 (675.468,67) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 168 25 Tabela 3 Demonstrativo do Saldo a Pagar de IRPJ Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 IRPJ Devido 3.078.754,13 4.145.025,02 4.346.552,48 () Incentivos Ficais (0,00) (1.838.659,44) (1.928.353,85) () IRRF (0,00) (52.745,51) (168.659,61) () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (1.506.106,02) (2.579.278,00) (1.361.966,00) (=) IRPJ a Pagar Calculado de Ofício 1.572.648,11 (325.657,93) 887.573,02 IRPJ Declarado (DCTF) 0,00 0,00 0,00 IRPJ a Restituir Glosado (67.375,42) (2.303.180,35) (899.434,37) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 4 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 19542.92958.221203.1.3.023306 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 23436.76063.221203.1.7.023999 Compensação Admitida Totalmente Saldo Negativo 18426.59977.261203.1.3.029710 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$14.506,65 [AnoCalendário 2003] 17015.64529.251104.1.3.026930 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 06862.83890. 151204.1.3.028699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 5 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 169 26 21225.67935.291203.1.3.047407 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$67.046,91 Janeiro 32706.28238.150104.1.3.040130 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 32208.16963.150104.1.3.048068 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$166.356,90 20526.53890.150104.1.3.040956 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$12.825,71 25933.61227.290104.1.3.042601 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 11479.90392.130204.1.3.040761 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 30792.09958.130204.1.3.049400 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$29.710,44 Abril 37661.02703.250204.1.3.045331 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40686.21854.250204.1.3.04 2061 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96) Maio 08799.47925.120304.1.3.049770 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Junho 19229.48833. 120304.1.3.046328 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96 Julho 01020.51908.120304.1.3.049703 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Agosto 35683.30933.120304.1.3.048676 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$234.310,91 32497.99089.120304.1.3.041202 Compensação Admitida Totalmente Setembro 03378.18349.140404.1.3.042791 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$148.899,04 34345.60137.140404.1.3.046200 Compensação Admitida Totalmente Outubro 26001.93432.111104.1.3.040208 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$147.434,15 Novembro 02424.80411.111104.1.3.042461 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$10.785,31 [AnoCalendário 2003] 05649.33488.300104.1.3.049906 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$73.339,12 Janeiro 22301.19695.300104.1.3.042420 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 32105.03389.300104.1.3.040477 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$103.647,82 Fevereiro 01316.48575.300104.1.3.048740 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 13938.02879.300104.1.3.04 6325 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$28.046,84 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 170 27 35705.65852.300104.1.3.046240 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40787.06362.300104.1.3.045692 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 21453. 03816.151204.1.3.040941 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 6 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo da CSLL Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do CSLL Apurada [AnoCalendário 2001] Jan 788.991,48 335.741,71 19.781,50 1.144.514,69 Fev 196.519,85 335.741,71 19.781,50 907.566,27 Mar (170.475,79) 335.741,71 19.781,50 896.093,84 Abr (154.674,61) 335.741,71 19.781,50 1.267.418,23 Mai (60.423,04) 335.741,71 19.781,50 1.717.193,01 Jun 4.278.066,26 335.741,71 19.781,50 6.411.205,52 Jul 4.876.879,81 335.741,71 19.781,50 7.365.542,28 Ago 5.601.727,77 335.741,71 19.781,50 8.445.913,45 Set 7.032.255,64 335.741,71 19.781,50 10.231.964,53 Out 7.394.257,31 335.741,71 19.781,50 10.949.489,41 Nov 7.867.402;71 335.741,71 19.781,50 11.778.158,02 Dez 8144.738,05 335.741,71 19.781,50 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.409.821,61 335.741,71 237.377,95 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.235.201,20 335.741,71 19.781,50 1.590.724,41 Fev 2.231.113,33 335.741,71 19.781,50 2.942.159,75 Mar 3.651.583,59 335.741,71 19.781,50 4.718.153,22 Abr 4.479.695,36 335.741,71 19.781,50 5.901.788,20 Mai 5.479.443,58 335.741,71 19.781,50 7.257.059,63 Jun 6.266.261,92 335.741,71 19.781,50 8.399.401,18 Jul 7.881.805,41 335.741,71 19.781,50 10.370.463,88 Ago 8.490.266,43 335.741,71 19.781,50 11.334.472,11 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 171 28 Set 9.876.254,72 335.741,71 19.781,50 13.075.963,61 Out 11,610.674,17 335.741,71 19.781,50 15.165.906,27 Nov 15.962.881,30 335.741,71 19.781,50 19.873.636,61 Dez 13.215.931,40 335.741,71 19.781,50 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10811083 (eprocesso) Tabela 7 Demonstrativo da CSLL e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do CSLL Apurada [A] CSLL Devida [B] [CSLL Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 103.006,32 74.348,94 14.328,69 Fev 907.566,27 (21.325,36) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (22.357,87) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 11 .061,32 0,00 5.530,66 Mai 1.717.193,01 11.061,32 0,00 20.239,87 Jun 6.411.205,52 422.461,13 29.817,77 196.321,68 Jul 7.365.542,28 85.89031 55.673,56 15.108,38 Ago 8.445.913,45 97.233,40 34.296,34 31.468,53 Set 10.231.964,53 160.744,60 13.171,44 73.786,58 Out 10.949.489,41 64.577,21 0,00 32.288,62 Nov 11.778.158,02 74.580,17 30.627,27 21.976,45 Dez 12.411.016,52 56.957,37 26.565,50 15.195,89 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 116.185,51 85.968,75 15.108,38 Fev 2.431.985,09 102.693,15 72.312,84 15.190,16 Mar 4.426.633,17 179.518,33 148 .972,46 15.272,94 Abr 6.422.880,33 179.662,34 148.987,96 15.337,14 Mai 7.558.411,55 102.197,81 83 936,69 9.130,56 Jun 8.835.800,72 114.965,02 83.888,50 15.538,26 Jul 9.421.279,16 52.693,06 21.199,14 15.746,96 Ago 10.975.053,49 139.839,69 113.575,10 13.132,30 Set 13.397.733,78 218.041,23 186.332,70 15.854,27 Out 15.232.055,22 165.088,93 132.745,29 16.171,82 Nov 17.398.480,95 194.978,32 162.383,99 16.297,17 Dez 16.676.100,08 (65.014,28) 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 143.165,20 112875,80 15.144,70 Fev 2.942.159,75 121.629,18 91.359,77 15.131,71 Mar 4.718.153,22 159.839,41 129.378,77 15.330,32 Abr 5.901.788,20 106.527,15 76.251,25 15.137,95 Mai 7.257.059,63 121.974,43 0,00 60.987,22 Jun 8.399.401,18 102.810,74 0,00 51.405,37 Jul 10.370.463,88 102.810,74 0,00 88.698,00 Ago 11.334.472,11 86.760,38 0,00 13.380,19 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 172 29 Set 13.075.963,61 156.734,23 0,00 15.998,55 Out 15.165.906,27 188.094,84 0,00 94.047,42 Nov 19.873.636,61 423.695,73 0,00 198.000,51 Dez 17.482.209,92 (215,228,40) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 8 Demonstrativo do Saldo a Pagar de CSLL Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 CSLL Devida 1.116.991,49 1.500.849,01 1.573.398,89 () Incentivos Ficais (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Retida na Fonte (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (264.500,82) (1.240.303,42) (562.297,45) (=) CSLL a Pagar Calculada de Ofício 852.490,67 260.545,59 1.011.101,44 CSLL Declarada (DCTF) 0,00 0,00 0,00 CSLL a Restituir Glosado (23.188,08) (124.384,28) (247.225,49) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 9 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 29766.65071 .201203.1.3.037904 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 26783.96027.201203.1.3.039636 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 01638.29859.201203.1.3.030593 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Saldo Negativo 02451 .41354.151204.1.3.034073 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10931121 (eprocesso) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 173 30 Tabela 10 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de CSLL Determinada Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 37900.64064.300104.1.3.045466 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Maio 08532.74624.300104.1.3.043556 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Janeiro 41857.05167.300104.1.3.040699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 37551.63064.300104.1.3.040887 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 37992.53567.30010.1.1.3.043087 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 05501.34033.300104.1.3.040293 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 05750.76066.151204.1.3046840 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10921121 (eprocesso) Caracterizado está o nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e o presente processo conexo. Superada essa preliminar, tem cabimento examinar o argumento da Recorrente no sentido de que tem aplicação ao presente caso o enunciado da Súmula CARF nº 84. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 174 31 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 175 32 proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Na decisão de primeira instância de julgamento afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, código 2484, no valor de R$12.042,95 recolhido em 30.06.2002, referente ao período de apuração de maio de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010781/200677 Acórdão n.º 1803002.340 S1TE03 Fl. 176 33 com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906338/2012-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/05/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/05/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.906338/2012-21
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5389662
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.636
nome_arquivo_s : Decisao_10935906338201221.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10935906338201221_5389662.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5664221
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252460634112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906338/201221 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.636 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 18/05/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/05/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 38 /2 01 2- 21 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.786, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 19180.65497.110209.1.2.040149, rastreamento nº 041906783, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 15.355,92, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 30/04/2007, efetuado em 18/05/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906338/201221 Acórdão n.º 3802002.636 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 18/05/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906338/201221 Acórdão n.º 3802002.636 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906338/201221 Acórdão n.º 3802002.636 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906338/201221 Acórdão n.º 3802002.636 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10410.003866/2009-41
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/07/2009 a 31/07/2009
ARQUIVOS DIGITAIS. AUSÊNCIA DE ENTREGA NO LEIAUTE DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO
A falta de entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 12, I, parágrafo único da Lei nº 8.218/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.675
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/07/2009 a 31/07/2009 ARQUIVOS DIGITAIS. AUSÊNCIA DE ENTREGA NO LEIAUTE DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO A falta de entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 12, I, parágrafo único da Lei nº 8.218/91. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10410.003866/2009-41
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384125
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-002.675
nome_arquivo_s : Decisao_10410003866200941.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10410003866200941_5384125.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5643197
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252474265600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.003866/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.675 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de setembro de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente CIA ALAGOANA DE RECURSOS HUMANOS E PATRIMONIAIS CARHP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/07/2009 a 31/07/2009 ARQUIVOS DIGITAIS. AUSÊNCIA DE ENTREGA NO LEIAUTE DETERMINADO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO. CONFIGURAÇÃO A falta de entrega de arquivos e sistemas de informações em meio digital caracteriza infração à legislação tributária federal, consoante artigo 12, I, parágrafo único da Lei nº 8.218/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 38 66 /2 00 9- 41 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10410.003866/200941 Acórdão n.º 2803002.675 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10410.003866/200941 Acórdão n.º 2803002.675 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a falta de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei n. 8.218, de 29.08.91,art. 11, parágrafos 3. e 4., com redação da MP n. 2.158, de 24.08.01. O r. acórdão – fls 154 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Multa com efeito confiscatório. Depreendese da transcrição do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que o constituinte vedou expressamente a utilização de tribirtos para fins nitidamente de confisco. Protegese, com isso, o direito à propriedade, em face da tributação abusiva. Compulsando atentamente o vergastado auto de infração, verificase que foi aplicada uma multa de 0,5% (zero vírgula cinco por cento) sobre o faturamento da empresa, perfazendo o total de R$ 171.680,78 (cento e setenta e um mil seiscentos e oitenta reais e setenta e oito centavos). · Ressalta que o órgão administrativo competente para julgar o presente auto de infração também detém competência para apreciar a (in)constitucionalidade da lei, por força dos comandos constitucionais que garantem o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, bem como a legalidade. · Requer que o Recurso Voluntário seja conhecido e provido, no sentido de determinar a nulidade do vergastado Auto de Infração, ante o efeito confiscatório da multa aplicada em desfavor da empresa. . É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10410.003866/200941 Acórdão n.º 2803002.675 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA MULTA APLICADA O recorrente se insurge contra a multa aplicada, entendendo que lhe é vedado o caráter confiscatório. A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 12, I, parágrafo único. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento no dispositivo legal retrocitado e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Sobre a matéria, o regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009 veda aos membros a possibilidade de apreciação de constitucionalidade de decreto ou lei, senão vejamos. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10410.003866/200941 Acórdão n.º 2803002.675 S2TE03 Fl. 6 5 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Do que exposto, a matéria sob exame não se encontra nas exceções elencadas, afastando assim sua análise sob o prisma da constitucionalidade. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do presente recurso e negarlhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000270/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA.
SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. Os serviços contratados de pessoa jurídica contribuinte do PIS/COFINS, aplicados no processo produtivo, geram direito ao crédito de que trata o art. 3º das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03.
INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/COFINS.
OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal específica, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins outros custos que não se enquadrem no conceito de insumos de produção e/ou serviços utilizados no processo produtivo. Despesas com a atividade comercial, salvo aquelas específicas referenciadas na legislação de regência, não geram direito ao crédito de que se cuida.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes à compra de indumentária empregada como equipamento de proteção individual e às despesas com locação de mão-de-obra empregada na produção.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator.Ad Hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama..
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. Os serviços contratados de pessoa jurídica contribuinte do PIS/COFINS, aplicados no processo produtivo, geram direito ao crédito de que trata o art. 3º das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/COFINS. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal específica, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins outros custos que não se enquadrem no conceito de insumos de produção e/ou serviços utilizados no processo produtivo. Despesas com a atividade comercial, salvo aquelas específicas referenciadas na legislação de regência, não geram direito ao crédito de que se cuida. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13053.000270/2005-60
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5394845
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-000.784
nome_arquivo_s : Decisao_13053000270200560.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 13053000270200560_5394845.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes à compra de indumentária empregada como equipamento de proteção individual e às despesas com locação de mão-de-obra empregada na produção. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator.Ad Hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama..
dt_sessao_tdt : Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2010
id : 5693131
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252482654208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 475 1 474 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13053.000270/200560 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102000.784 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 1 de outubro de 2010 Matéria Cofins Ressarcimento Recorrente DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. Os serviços contratados de pessoa jurídica contribuinte do PIS/COFINS, aplicados no processo produtivo, geram direito ao crédito de que trata o art. 3º das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/COFINS. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal específica, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins outros custos que não se enquadrem no conceito de insumos de produção e/ou serviços utilizados no processo produtivo. Despesas com a atividade comercial, salvo aquelas específicas referenciadas na legislação de regência, não geram direito ao crédito de que se cuida. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes à compra de indumentária empregada como equipamento de proteção individual e às despesas com locação de mãodeobra empregada na produção. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator.Ad Hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 02 70 /2 00 5- 60 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 476 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama.. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 18 10.371, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: Trata o presente processo de controle e análise de PERDCOMP transmitido em 02/02/2006 relativo ao quarto trimestre de 2005 (COFINS nãocumulativa), totalizando o valor de R$ 8.809.670,43 (fls. 01/05), tendo a contribuinte apresentado, também, a cópia de DACON de fls. 06/12 e os demonstrativos de fls. 13/15. A Seção de Fiscalização diligenciou no sentido da confirmação do direito ao ressarcimento pleiteado, tendo produzindo o Relatório da Ação Fiscal de fls. 29/36, onde relata ter constatado irregularidades fiscais relativas a receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros que não foram incluídas na apuração da base de cálculo da contribuição, bem como o desconto indevido de créditos na aquisição de bens e serviços sem previsão legal (capatazia, serviços de guincho, indumentárias, locação de mãode obra e elaboração de projetos). À fl. 40 consta o Despacho Decisório DRF/NHO/2006, de 17/02/2006, onde o Sr. Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (RS) reconheceu direitos creditórios em favor da interessada relativamente a saldo credor de COFINS, com incidência nãocumulativa, passível de ressarcimento/compensação, tendo autorizado a adoção dos procedimentos cabíveis para ressarcimento/compensação dos valores pleiteados até o limite do saldo credor a ressarcir/compensar (R$ 8.516.255,15). Foi anexado PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 10/03/2006 (fls. 42/47), tendo sido juntados tela de controle, Extratos de Processo e documentos relacionados ao Mandado de Segurança no 2006.71.08.0029122. A seguir houve nova verificação pela Fiscalização com a produção do Relatório da Ação Fiscal de fls. 75/77, onde foi verificada a possibilidade de ressarcimento de créditos presumidos da COFINS, entendendo a autoridade fiscal que os mesmos somente seriam passíveis de dedução do débito da contribuição no período. A DRF de origem emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2006, de 06/04/2006 (fl. 80), onde o Sr. Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 477 3 em Novo Hamburgo (RS) revisou de oficio o Despacho Decisório proferido anteriormente e reconheceu direitos creditórios constantes do Relatório Fiscal, que aprovou, em favor da interessada, relativamente a saldo credor de COFINS não cumulativa, passível de ressarcimento/compensação, tendo autorizado a adoção dos procedimentos cabíveis para ressarcimento/compensação dos valores pleiteados até o limite do saldo credor a ressarcir/compensar (R$ 8.251.755,81). Novamente foram anexados documentos relativos à situação fiscal e cadastral da empresa, tendo sido apurado débito para com a SRP, sendo autorizado o ressarcimento do montante de R$ 7.739.626,20 (fl. 102). A contribuinte foi cientificada em 24/04/2006 (fls. 104/105) e, não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou, através de procuradora, em 23/05/2006 — fls. 106/115 — sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa apresentou Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS nãocumulativa, relativo ao 4° trimestre de 2005 (exportações), no valor de R$ 8.809.670,43, sendo que a RFB procedeu à verificação da legitimidade dos créditos, tendo decidido não reconhecer a totalidade do pleito, sob a alegação da existência de supostas irregularidades fiscais. Registra quais as irregularidades constatadas pela Fiscalização; • por não concordar com o decidido administrativamente, a empresa passa a expor suas razões, que comprovarão a sua boa fé e licitude dos procedimentos que adotou. Salienta que não irá se manifestar a propósito da glosa referente às receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros, bem como a relativa ao crédito presumido da contribuição, tendo em vista que a matéria será submetida à discussão judicial. DO DIREITO AOS CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS • a pessoa jurídica que efetuar exportações, inclusive aquela que efetuar vendas à comercial exportadora com fim específico de exportação, poderá solicitar o ressarcimento de créditos de COFINS que remanescerem em sua escrita fiscal após a dedução dos débitos da própria contribuição e da compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB; • a normatização da incidência nãocumulativa da COFINS é prevista pela Lei n° 10.833, de 2003. Por sua vez, a IN 543, de 2005, alterada pela IN SRF 600, de 2005, regulamenta o ressarcimento de créditos do PIS e da COFINS; Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 478 4 • com base nàs regras em vigor, a empresa entende que não merecem substituir as supostas glosas apontadas pela Fiscalização. DA SUPOSTA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS • a empresa entende ilegal a pretensa tributação da COFINS. Registra parcialmente as Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (arts. 3 0, 5° e 6°), além da IN SRF n° 404, de 2004 (art. 8°), dizendo ser insofismável que as empresas devem aproveitar os créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; • a RFB, através da IN SRF n° 404, de 2004, definiu o que se deve entender por insumo, instituto que abarca matéria prima, produto intermediário, material de embalagem, outros bens que sofram alterações, além de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, quando utilizados na fabricação ou produção de bens destinado à venda. Da mesma forma, o conceito de insumos compreende os bens aplicados ou consumidos na prestação dos serviços, além dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, quando utilizados na prestação de serviços; • é indubitável que a autoridade fiscal agiu ao arrepio da legislação federal que dispõe acerca do direito ao creditamento de PIS ou COFINS pela sistemática não cumulativa, a qual, inclusive, possui IN regulada pela própria RFB; • especifica, a seguir, os itens acerca dos quais se operou a glosa. Entende que a empresa possui direito ao ressarcimento. ESPECIFICAÇÃO DAS CONTAS COM GLOSAS ESTIVAS E CAPATAZIA • a empresa se utiliza de estivas e capatazia nas suas operações portuárias de vendas para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como insumos, nos termos da IN SRF n° 404, de 2004. Também se caracterizam como custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior; • a decorrência destes custos é o direito ao respectivo crédito, com base na regra do inciso II do § 3° do art. 30 das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que reproduz; • considerandose que a empresa tomou créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos, decorrentes do custo incorrido por força da sua atividade, entende, na forma da legislação em vigor, que merece ser afastada a glosa, por falta de previsão legal. SERVIÇOS DE GUINCHO Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 479 5 • no exercício de suas atividades produtivas, a empresa, não raras vezes, se sujeita à aquisição de serviços de guincho, sendo tais serviços prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como insumos, nos termos da IN SRF n° 404, de 2004. Também se caracteriza como custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e logística; a decorrência destes custos é o direito ao respectivo crédito, com base na regra do inciso II do § 3° do art. 3° das Leis IN 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que reproduz; • considerandose que a empresa tomou créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos, decorrentes do custo incorrido por força da sua atividade, entende, na forma da legislação em vigor, que merece ser afastada a glosa, por falta de previsão legal. DESPESAS COM INDUMENTÁRIAS • para atender as exigências contidas na legislação editada pela ANVISA, a empresa adquiriu vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens para a indumentária de seus empregados, usada em sua atividade produtiva, realizando despesas cujos créditos podem ser descontados, na forma do art. 3º, inciso II, das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que reproduz. Entende que a glosa não pode subsistir. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TERCEIRIZADA • da mesma forma que as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, a empresa entende que a locação de mãodeobra aplicada na sua produção configura custo, o que legitima o ressarcimento dos respectivos créditos. Requer, com base nos arts. 30 das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, sejam afastadas as glosas. ELABORAÇÃO DE PROJETOS • para o desenvolvimento de suas atividades e produção, à empresa é indispensável a contratação de serviços de 6 elaboração de projetos executados por pessoas jurídicas, os quais são utilizados como insumo e caracterizam custos incorridos na atividade, garantido, assim, o ressarcimento dos respectivos créditos; • a decorrência destes custos é o direito ao respectivo crédito, com base na regra do inciso II do § 3° do art. 30 das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que reproduz; • considerandose que a empresa tomou créditos decorrentes do custo incorrido por força da sua atividade, entende, na forma da legislação em vigor, que merece ser afastada a glosa, por falta de previsão legal. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 480 6 DAS PROVAS • a empresa pretende provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, em especial pela produção eficaz de provas documentais. DO PEDIDO • a empresa requer seja recebida a manifestação de inconformidade, ordenandose, de imediato, a reforma do Despacho Decisório guerreado, para o fim do deferimento do crédito que foi pleiteado, haja vista a comprovação da sua legitimidade; • pede deferimento. Após a manifestação de inconformidade estão anexados os documentos de fls. 116/134. A seguir o processo foi encaminhado à DRJ/Porto Alegre (RS), tendo retornado à DRF/Santa Cruz do Sul (RS) para cumprimento do Mandado de Segurança n° 2006.71.08.008375 0/RS. Foi, então, expedido o Termo de Intimação Fiscal de fl. 150, recebido pela empresa em 12/07/2007 (cópia de AR de fl. 151), tendo sido anexada informação apresentada pela mesma à fl. 153. Posteriormente foi proferido o Despacho de fl. 154 encaminhando o processo a esta DRJ. Atendendo solicitação, esta DRJ devolveu o processo à DRF/Santa Cruz do Sul (RS) que anexou novo PER/DCOMP (fls.159/162) e o documento de fl. 163. A seguir foi emitido o Despacho Decisório de fl. 165, que não admitiu o PERDCOMP retificador, tendo a contribuinte sido cientificada em 30/10/2007 (AR de fl. 167). Foi emitido o Despacho Decisório DRF/SCS/RS n° 41/2008 (fl. 170) e anexados documentos, além da autorização de pagamento de fl. 192. O processo retomou a esta DRJ (fl. 197). Ao enfrentar o tema, a 2ª. Turma da DRJ de Santa Maria/RS entendeu por manter o despacho decisório, reafirmando que os custos glosados não estão aptos a gerarem créditos para PIS ou a COFINS, na apuração não cumulativa, por não se enquadrarem no conceito legal de insumos disposto nas Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03 (arts. 3ºs.), respectivamente, e na Instrução Normativa SRF n.º 247/2002 (art. 66). Finalmente no Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, a empresa epigrafada se indispõe contra o acórdão a quo, pugnando pela sua reforma para que sejam admitidos os créditos reclamados de PIS sobre os seguintes insumos: a) serviços de estivas, capatazia e guincho, aplicados nas operações portuárias de vendas para o exterior; b) despesas com indumentárias (vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens, inclusive exigidos pela ANVISA); c) locação de mão de obra aplicada na produção; e, d) custos com projetos elaborados por pessoas jurídicas e necessários ao desenvolvimento da atividade de produção. Como motivação, em nada inova a Recorrente em relação a sua manifestação de inconformidade. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 481 7 Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator ad hoc. Reproduzo o voto lido em sessão, que foi acompanhado pela unanimidade dos presentes: Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Previamente à análise recursal, devese esclarecer que muito embora no curso do presente feito administrativo algumas questões prejudiciais (como o cumprimento de decisões judiciais emanadas enquanto do seu trâmite, pedido de retificação do Pedido de Ressarcimento e inclusão do ICMS na base da contribuição), estas já foram devidamente equacionadas. Remanesce, então, o que consiste no objeto do presente julgamento, a análise quanto viabilidade jurídica, ou não, da Recorrente tomar créditos do regime de apuração não cumulativa da contribuição ao PIS/PASEP, na forma do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 e alterações, em relação aos seguintes custos com: a) serviços de estivas, capatazia e guincho, aplicados nas operações portuárias de vendas para o exterior; b) despesas com indumentárias (vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens, inclusive exigidos pela ANVISA); c) locação de mão de obra aplicada na produção; e, d) custos com projetos elaborados por pessoas jurídicas e necessários ao desenvolvimento da atividade de produção. Pois bem. Passemos a análise recursal, então. Segundo a Recorrente, a exceção daqueles indicados no item ‘a’ acima, que segundo ela seriam custos relacionados à venda de seus bens de produção própria, os demais custos estariam relacionados e seriam necessários à sua atividade de produção, o que lhe facultaria a apuração do crédito em debate na forma do art. 3º, inciso II, da Lei n.º 10.833/2003 Insta observar que, valemse, Recorrente e DRJ, dos mesmos dispositivos legais (art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/2003) para firmarem suas premissas, que levaram exatamente a conclusões contraditórias. O cerne da controvérsia, portanto, reside na interpretação do citado dispositivo que, de fato, é o ponto de partida para o Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 482 8 exame dos custos sobre os quais o legislador autorizou à apuração de créditos da contribuição ao PIS, em sua apuração não cumulativa. Atentese para sua respectiva redação: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (omissis) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) É de relevo atentar para a norma regulamentar, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa n.º 404/2004, que por seu art. 8º regulamenta o acima reproduzido art. 3º. Observemos a redação daquele dispositivo: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; II das despesas e custos incorridos no mês, relativos: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 483 9 a) a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; b) a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; c) a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos tomados de pessoa jurídica, exceto quando esta for optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples); d) a contraprestação de operações de arrendamento mercantil pagas a pessoa jurídica, exceto quando esta for optante pelo Simples; e e) a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor; III dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos: a) a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; b) a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados na atividade da empresa; e IV relativos aos bens recebidos em devolução, no mês, cuja receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior, e tenha sido tributada na forma desta Instrução Normativa. Conhecida a norma inaugura e a regulamentar do direito ao crédito de que ora se cuida, passemos à análise pontual dos custos sobre pretende a Recorrente ver assegurado seu direito ao crédito. a) serviços de estivas, capatazia e guincho, aplicados nas operações portuárias de vendas para o exterior: Os custos em referência, e não deixou de pontuar a Recorrente em seu recurso, “Tratamse de serviços utilizados pela Recorrente nas suas operações portuárias de vendas para o exterior, que são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e correspondem a custos que são arcados pela empresa pára o envio de suas mercadorias para o exterior e logística.” (fl. 227). Enfim, são custos de venda, não de produção, de modo que não encontra respaldo em quaisquer das hipóteses ventiladas nos incisos do art. 3º da Lei n.º 10.637/2002. A exegese do citado dispositivo, e seus incisos, não abrem espaço à conclusão de que despesas relacionadas exclusivamente com a venda, no caso, como verdadeiros serviços acessórios a esta, são aptas a gerar créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Chamo a atenção ao fato de que, ao assim pretender o legislador, o fez expressamente, Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 484 10 conforme se observa do inciso IX da Lei n.º 10.833/03, quando o frete suportado na operação de venda permite a apuração de crédito sobre o respectivo custo. b) despesas com indumentárias (vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens): As despesas com indumentárias igualmente não podem ser vistas como insumos de produção. Ademais, a restrição à apuração de créditos sobre os custos em questão pode ser aferida, a contrario sensu, da permissão exclusiva que o legislador federal conferiu pelo inciso X do art. 3º da Lei n.º 10.637/02, as empresas prestadoras de serviços de limpeza, conservação e manutenção, quanto à apuração de créditos sobre as despesas com fardamento. Por outro lado, desde que se trate de equipamentos de proteção individual – EPI, com uso na atividade de produção da Recorrente, entendo razoável que se reconheça o direito de se apurar créditos da sistemática não cumulativa do PIS, considerando que não se pode deles prescindir, sendo, aliás, o respectivo uso exigido pela legislação. Diferem, então, e nesta medida, do simples fardamento e/ou vestimentas, sobre os quais a legislação de regência do PIS apenas reconheceu a possibilidade de se apurar créditos em relação a atividades específicas e devidamente indicadas. Nesta linha estão alguns acórdãos da 2ª. Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes, entre os quais destacamos a ementa do Acórdão n.º 20181.731, de 05 de fevereiro de 2009: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA.INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/COFINS. (...) Recurso voluntário provido em parte. Convém transcrevermos passagem do respectivo voto, aonde são externadas as motivações que levaram as conclusões consignadas na ementa: “Quanto às despesas com indumentárias, concordo com a recorrente quando afirma que representam produtos intermediários, necessários à produção por força de exigência de autoridade sanitária. A indumentária usada pelos operários na fabricação de alimentos não se confunde com fardamento/uniforme, este é de livre uso e escolha de modelo pela empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público.” Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 485 11 Somos então levados a reconhecer o direito ao crédito do PIS/COFINS, em sua sistemática não cumulativa, sobre os equipamentos exigidos pela legislação pertinente, pois entendidos como insumos de produção. c) locação de mão de obra aplicada na produção: No que se refere à locação de mão de obra utilizada na produção, considerando que em instante algum restou no Despacho Decisório da DRF de Santa Maria/RS, que indeferiu respectivos créditos da Recorrente, a aplicação dos serviços sobre a atividade produtiva, tenho eles como passíveis de gerar os créditos reclamados. É o que se infere da norma do §4º, inciso I, alínea ‘b’, da IN SRF n.º 404/03, cujo texto segue abaixo: Art. 8º. (omissis) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Tenho por estas razões por admitilos. d) custos com projetos elaborados por pessoas jurídicas e necessários ao desenvolvimento da atividade de produção. Da análise empreendida sobre os enunciados normativos que disciplinam o regime de créditos da COFINS não cumulativa, não encontramos condições para enquadrar os projetos, ainda que confeccionados por pessoas jurídicas contribuintes da exação, como partícipe da atividade de produção, ou processo produtivo. De mais a mais, pela linha argumentativa da Recorrente os projetos estariam relacionados a modelos industriais ou tecnologias (de outro modo não veríamos relação com a Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000270/200560 Acórdão n.º 3102000.784 S3C1T2 Fl. 486 12 produção), e, nesta qualidade, estariam mais afetos à categoria dos ‘direitos’, a que a lei da COFINS não cumulativa não traz qualquer permissão a crédito. Isto posto, conheço do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, no sentido de admitir os créditos reclamados tão somente sobre serviços contratados de pessoas jurídicas, contribuintes da COFINS, e os referentes aos custos com indumentárias exigidas pela legislação pertinente, ambos aplicados na atividade produtiva, devendo a autoridade de origem promover a respectiva análise. Sala das Sessões, em 1 de outubro de 2010 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000358/2010-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇAS APURADAS PELO SUJEITO PASSIVO. DISPENSA CONSTITUIÇÃO FORMAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Diferenças de tributos sujeitos a lançamento por homologação apuradas pelo próprio sujeito passivo da obrigação e declarado, elide a necessidade da constituição formal por meio de procedimento administrativo fiscal, pois é o contribuinte com sua declaração torna a situação impositiva.
EXTINÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO.
Confirmado em diligência a existência de pagamento por meio de DARF e compensação do débito com crédito informado em DCOMP e DCTF, extingue o crédito tributário.
MULTA DE MORA.
A extinção do crédito tributário acompanhado de juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo fiscal libera o sujeito passivo da penalidade pela multa de mora.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3403-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira, OAB/SP 225.008.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇAS APURADAS PELO SUJEITO PASSIVO. DISPENSA CONSTITUIÇÃO FORMAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Diferenças de tributos sujeitos a lançamento por homologação apuradas pelo próprio sujeito passivo da obrigação e declarado, elide a necessidade da constituição formal por meio de procedimento administrativo fiscal, pois é o contribuinte com sua declaração torna a situação impositiva. EXTINÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. Confirmado em diligência a existência de pagamento por meio de DARF e compensação do débito com crédito informado em DCOMP e DCTF, extingue o crédito tributário. MULTA DE MORA. A extinção do crédito tributário acompanhado de juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo fiscal libera o sujeito passivo da penalidade pela multa de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16327.000358/2010-70
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395134
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.231
nome_arquivo_s : Decisao_16327000358201070.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 16327000358201070_5395134.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira, OAB/SP 225.008. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5695775
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252498382848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 7 1 6 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000358/201070 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.231 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS Recorrente BANCO ITAULEASING S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇAS APURADAS PELO SUJEITO PASSIVO. DISPENSA CONSTITUIÇÃO FORMAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Diferenças de tributos sujeitos a lançamento por homologação apuradas pelo próprio sujeito passivo da obrigação e declarado, elide a necessidade da constituição formal por meio de procedimento administrativo fiscal, pois o contribuinte com sua declaração torna a situação impositiva. EXTINÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. Confirmado em diligência a existência de pagamento por meio de DARF e compensação do débito com crédito informado em DCOMP e DCTF, extingue o crédito tributário. MULTA DE MORA. A extinção do crédito tributário acompanhado de juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo fiscal libera o sujeito passivo da penalidade pela multa de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇAS APURADAS PELO SUJEITO PASSIVO. DISPENSA CONSTITUIÇÃO FORMAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Diferenças de tributos sujeitos a lançamento por homologação apuradas pelo próprio sujeito passivo da obrigação e declarado, elide a necessidade da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 58 /2 01 0- 70 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 constituição formal por meio de procedimento administrativo fiscal, pois é o contribuinte com sua declaração torna a situação impositiva. EXTINÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO. Confirmado em diligência a existência de pagamento por meio de DARF e compensação do débito com crédito informado em DCOMP e DCTF, extingue o crédito tributário. MULTA DE MORA. A extinção do crédito tributário acompanhado de juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo fiscal libera o sujeito passivo da penalidade pela multa de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira, OAB/SP 225.008. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Paulo Roberto Stocco Portes, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratamse nos presentes autos de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário, o primeiro relativo à desoneração parcial da multa de ofício decorrente de pagamento por meio de DARF e de compensação, e, o segundo referente à manutenção parcial da multa de ofício relacionado a crédito tributário apurado em março de 2007. O Auto de Infração foi lavrado para exigir diferença de crédito tributário declarado à menor do que o devido para o PIS e COFINS do período de apuração de março de 2007. O contribuinte informou inicialmente como sendo devidos R$ 906.489,05 e 5.578.395,16 para o PIS e COFINS respectivamente. Recolheu por meio de DARF os valores de R$ 1.069.141,44 e 6.579.331,95 para o PIS e COFINS respectivamente. A fiscalização apurou como sendo devido para o PIS o montante de R$ 2.522.392,17 e a título de COFINS o total de R$ 15.522.413,38, calculado sobre o total da receita operacional decorrente das atividades típicas, regulares e habituais de uma instituição financeira. Ao tempo da apuração e pagamento a contribuinte tinha obtido provimento judicial em sede de mandado de segurança autorizando o recolhimento somente sobre venda de mercadoria e prestação de serviços, posteriormente veio a desistir da ação judicial e quitar o Fl. 436DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 3403003.231 S3C4T3 Fl. 8 3 total do débito, o que aconteceu em 26 de fevereiro de 2008 por meio de crédito declarado em DCOMP, antes de qualquer procedimento fiscal. O crédito tributário, segundo o entendimento da Recorrente, teria sido extinto com acréscimo de juros de mora sem contemplar a multa de mora em razão do entendimento da contribuinte de que se tratar quitação espontânea, art. 138 do CTN. Sustenta também não caber multa de mora em decorrência da inexigibilidade do crédito (art. 151 do CTN) por força da liminar judicial. De modo que, a irresignação demonstrada em sede de Recurso Voluntário se atém a manutenção da exigência multa de mora. A decisão hostilizada manteve os valores principais do tributo e deixou para abater os pagamentos quando da cobrança, exonerando proporcionalmente ao valor pago a multa de ofício. Em relação à multa de mora caminhou no sentido de manter, sustentando que a suspensão da exigibilidade obtida judicialmente não alcança as receitas a que se refere o caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, receitas bruta da pessoa jurídica em razão de que a decisão judicial teria sido nos termos seguinte: “... DEFIRO A LIMINAR conforme requerida para afastar a incidência dos tributos a título de PIS e COFINS nos termos do parágrafo primeiro do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, devendo os mesmos serem apurados com inciso V do art. 72 da ADCT, com o artigo 1º da Lei nº 9.701/98 e com o art. 2º da Lei Complementar nº 70/91, observando se, ainda a legislação vigente e as demais alterações da Lei nº 9.718/98”. Assim, para o Julgador de piso, o valor de R$ 579.397,55 e 3.565.523,10 do tributo devido para o PIS e a COFINS, não estavam debaixo do manto da inexigibilidade, receitas essas oriundas da atividade típicas, regular, habituais de uma instituição financeira, isto é, receitas operacionais, motivo pelo qual não assistia o direito de extinção do crédito tributário sem contemplar a multa de mora. Na seção de julgamento realizada em 20 de março de 2013, decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse apurado: “A matéria não demanda complexidade, no entanto, por questões fáticas trazidas no bojo deste caderno administrativo em relação ao montante compensados pela contribuinte e os valores deduzidos pela Administração tributária, impõe em converter o julgamento em diligência para que a unidade informe se as diferenças de PIS e COFINS se referem a juros de mora ou não, e, se as Dcomp foram homologadas ou não. Em verdade buscase a saber, se os valores apontados a título de principal no montante de R$ 89.662,26 ref. PIS e 226.378,99 a COFINS conforme relatório de fls. 205, diz respeito à diferença de juros, em caso negativo dizerem de que se refere, entre cálculo realizado pelo contribuinte e a Administração Tributária. Seja noticiado o estágio das Declarações de Compensações de números: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Nº 00213.24963.260208.1.3.04.9092; Nº 03544.55351.260208.1.3.04.8998; Nº 04254.76233.260208.1.3.04.3005; Nº 01729.91256.260208.1.3.04.9620; Nº 08432.57629.260208.1.3.04.0944. “Em sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que sejam esclarecidos os pontos acima anotados”. Estes autos retornam a julgamento com o parecer do auditor encarregado, que concluiu no sentido de: “Com efeito, dos elementos aqui examinados, podese concluir que os débitos do PIS e da COFINS de março de 2007 conforme devidos, nos moldes da Lei nº 9.718/98, inclusive a parcela objeto de questionamento no mandado de segurança nº 2006.61.00.011.8294 encontramse extintos por pagamento e/ou compensação pendente de homologação, ressaltandose, em respeito ao que dispõe o § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que os PER/Dcomp controlados nos processos administrativos analisados no quadro 04 são meios suficientes para a exigência do débitos neles informados”. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual impõe o seu conhecimento. A discussão gira em torno da extinção do crédito tributário por meio de pagamento de DARF antes do procedimento fiscal e a compensação realizada após a lavratura do auto de infração e declarada em DCTF, bem como, a exigência da Multa de Mora. Atendendo a Resolução de Diligência o auditor encarregado informa que os créditos decorrentes de pagamento e compensação são suficientes para a extinção das exigências dos débitos neles informados. Diante dessa afirmação, restou certo que não há débito a ser exigido. No entanto, a diligência era para saber se os valores lançados tratavam de juros e se decorriam de divergência de cálculo entre o elaborado pelo Contribuinte e a Fiscalização. Outra indagação é se os débitos foram extintos pelo pagamento e compensação sem a multa de mora. Esse é o assunto travado neste caderno. A discussão, em que pese, o julgado ter mantido o crédito condicionando extinção quando da homologação do pedido contido nas DCOMP apresentadas, o contribuinte debate contra a exigência da multa de mora, os assuntos estão vinculados, pois só há de se falar em afastamento da multa de mora se efetivamente houve o pagamento. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 3403003.231 S3C4T3 Fl. 9 5 Compulsando os autos pode certificarse da inexistência de dúvida quanto aos pagamentos realizados por meio de DARF para o PIS e COFINS. Também não há discussão em relação à base de cálculo, portanto, o crédito tributário apontado no lançamento se tornou definitivo, de modo que, a contenda está restrita a extinção a exigência de multa de mora. É de conhecimento geral que a compensação entre crédito e débito tributária efetivase por iniciativa do contribuinte, que assume o risco, pois compete apurar seu crédito e efetuar a compensação na sua contabilidade. Cabe ao Fisco a verificação de que se trata de créditos compensáveis. Dois requisitos básicos são necessária aceitação do pedido de compensação, que o crédito seja certo e líquido. A legislação vigente não condiciona a compensação à prévia manifestação do Fisco quanto ao crédito que se deseja utilizar em extinção de débito, independentemente de verificação anterior da Administração Fiscal, essa é a lição que se extraí dos ensinamentos de Estevão Horvath, Compensação e Autolançamento, Revista de Direito Tributário nº 67, Ed. Malheiros, p. 344/345. Como se sabe no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do débito pelo fisco, pois é o próprio sujeito passivo quem, com sua declaração, torna certa a situação impositiva. A autorização para o sujeito de a obrigação efetivar compensação de seu crédito encontra insculpida na norma do art. 74 da Lei nº 9.430/96 com as modificações introduzidas posteriormente. “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (“Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002”. O crédito tributário apurado pela Fiscalização para o PIS foi da ordem de R$ 2.522.392,17 e R$ 15.522.413,38 para a COFINS. A Recorrente efetuou a título de pagamento por meio de DARF R$ 1.069.141,44 e R$ 1.453.250,73 a título de compensação para o PIS, totalizando o montante de R$ 2.522.392,17. O mesmo ocorreu em relativamente a COFINS, R$ R$ 6.579.331,95 em DARF e R$ 8.943.081,43 em compensação, o soma a R$ 15.522.413,38. É curioso que a constituição do crédito tributário quando da lavratura do auto de infração já tinha sido reconhecido em autolançamento, o que por si só implica no cancelamento do lançamento, tendo sido informado o tributo devido pelo próprio sujeito Fl. 439DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 passivo da obrigação, em lançamento sujeito a homologação, tornase imprescindível a homologação formal, vez que, passa ser exigível independentemente de notificação ou da instauração de procedimento fiscal. De modo a vislumbrar a extinção do crédito tributário exigido em lançamento, mesmo que nesse caderno inexiste informação em relação aos pedidos formulados em DCOMP, alinhado ao fato de que o lançamento era desnecessário em razão do auto lançamento que possui o condão de afastar a possibilidade de o fisco lançar. A extinção do hipotético crédito tributário restou confirmada pela diligência. Da Multa de Mora. Denúncia Espontânea. A única razão para manter a multa de mora é de que parte da receita da Recorrente, segundo o entendimento expressado no voto, não estaria albergada pela suspensão concedida em medida judicial, e, quantificou a receita incluída à base de cálculo em R$ 579.397,55 para o PIS e R$ 3.565.523,40 para a COFINS reduzindo a penalidade ao valor da contribuição proveniente desses montantes. Como se sabe a multa moratória constitui em penalidade por ausência de cumprimento da obrigação tributária no vencimento. A denúncia espontânea de débito tributário em atraso exige certos requisitos para ser aceita, entre esses o pagamento ou compensação acompanhado dos juros de mora, inexistência de declaração de confissão antes do efetivo recolhimento e de que incorreu qualquer ato de fiscalização que antecedesse a denúncia. É certo que a liminar judicial impede a reivindicação do direito por parte da Fazenda Pública, consequentemente dilata o prazo de vencimento da obrigação impedindo formação do estado de mora. No caso concreto o crédito tributário só foi constituído em 09 de março de 2010. Sendo que a homologação da desistência da ação mandamental aconteceu em 22 de fevereiro de 2008. Em 26 de fevereiro de 2008 a contribuinte extinguiu o crédito por ela reconhecido espontaneamente por meio de crédito declarado em DCOMP, antes de qualquer procedimento fiscal, isto é, aproximadamente dois anos antes do lançamento. A querela está cingida a definir se o fato da Recorrente desistir da ação cível onde discutia a inexistência de relação jurídica quanto a contribuições PIS e a COFINS sobre o total da receita operacional permitia usufruir do benefício do art. 138 do CTN. A liminar em mandado de segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário e tem eficácia até a sentença. Denegada a segurança os efeitos da mesma são ex tunc. Ao renunciar o direito de discutir a legalidade da exigência, expressou concordância de que a exação fiscal estendesse sobre o total da receita operacional, retornou assim ao estado de antes da impetração do mandado de segurança. O fato é de que até ali inexistia declaração confessando o débito, agora reconhecido, sobre o total da receita operacional e diante da total ausência de procedimento fiscal capaz de obstacular a espontaneidade. A denúncia espontânea se configura por meio da confissão acompanhada de pagamento ou compensação de crédito com o montante do débito reconhecido pelo sujeito passivo e dá ensejo à aplicação da regra ínsita no art. 138 do CTN. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.000358/201070 Acórdão n.º 3403003.231 S3C4T3 Fl. 10 7 Há prova robusta nos autos indicando a confissão e a extinção do débito ora confessado por meio de compensação de crédito com o total do débito, assim como, das DCOMP transmitidas. Fazse necessário lembrar que parte do débito antes confessados foram objeto de extinção pelo pagamento de DARF, a quitação decorrente de compensação referese sobra dos DARF pagos e a maior parte de crédito. Há de sobrelevar que na extinção foram contemplados com os juros de mora. Assim, a extinção do crédito tributário deuse antes de qualquer procedimento fiscalizatório, de modo que, a renúncia do direito de discutir a matéria perante o judiciário, no caso em exame, não veda o beneficio da denúncia espontânea. Do Recurso de Ofício. Em razão da desoneração da multa de ofício superar o limite fixado de alçada, impõe conhecer. Verificado a existência de pagamento parcial do crédito tributário por meio de DARF para o PIS e a COFINS, implicava fazer incidir a multa de ofício tãosó em relação à parte não declarada. Assim, cabe conhecer do recurso de ofício e negar provimento. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e voto no sentido de dar provimento para reconhecer a extinção do crédito tributário efetivado por meio de pagamento de DARF e de compensação de crédito com débito e afastar a exigência de multa de mora. E em relação ao Recurso de Ofício negar provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 441DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002066/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
RESSARCIMENTO. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), é vedado o acréscimo de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, em relação aos créditos escriturais básicos da Cofins apurados no regime não cumulativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 RESSARCIMENTO. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), é vedado o acréscimo de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, em relação aos créditos escriturais básicos da Cofins apurados no regime não cumulativo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.002066/2007-91
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391336
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.280
nome_arquivo_s : Decisao_10920002066200791.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10920002066200791_5391336.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5673306
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252515160064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 305 1 304 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.002066/200791 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.280 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente DOHLER S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 RESSARCIMENTO. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), é vedado o acréscimo de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, em relação aos créditos escriturais básicos da Cofins apurados no regime não cumulativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Antonio Mario de Abreu Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 20 66 /2 00 7- 91 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário – fl. 01) de R$ 35.784,93, relativo a atualização monetária sobre créditos de Cofins, objetos de ressarcimento (o pedido, originalmente protocolizado em 25/05/2007 no processo nº 10920.002022/200761, e que se refere a PIS, Cofins e IPI, é de R$ 674.000,83). Às fls. 02/09, a contribuinte esclarece, em síntese, que ressarcimento é espécie de restituição e que, consoante legislação, é cabível a atualização monetária pela taxa Selic dos valores ressarcidos, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco. Instruem o pedido os documentos de fls. 10/46 (cópia de procuração, cópia de documentos societários, planilha demonstrativa do crédito pleiteado, cópia de demonstrativo dos créditos pleiteados no ressarcimento e cópia de declarações de compensação apresentadas em 2004 e 2005). Em 31/05/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC, despacho decisório às fls. 47/49, em face da existência de vedação legal de atualização monetária e de incidência de juros sobre ressarcimentos (no aludido despacho decisório consta que, por questões relacionadas à competência para o julgamento, o presente processo cuida apenas dos juros sobre os ressarcimentos de Cofins, no montante de R$ 35.784,93, tendo essa parte sido apartada do pleito original, constante do processo nº 10920.002022/200761). Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 04/06/2007 (fl. 50), a interessada interpôs, em 03/07/2007, manifestação de inconformidade, fls. 51/57, instruída com os documentos de fls. 58/61 e 63 (procuração, cópia de documentos societários e cópia de documentos pessoais da mandatária), cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após breve relato dos fatos, esclarece que o litígio, nos presente autos, está restrito aos juros sobre os ressarcimentos de Cofins (R$ 35.784,93). Lista os processos que teriam dado origem aos créditos e declarase surpresa com o indeferimento do pedido. Após, esclarece que ressarcimento é uma espécie do gênero restituição e que a própria Receita Federal tem dado tratamento semelhante a ambos (cita o exemplo do Decreto nº 2.138/97 e jurisprudência do CARF). Afirma que a taxa Selic destinase a corrigir os valores nos casos de restituição, ressarcimento e compensação tributária (art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995) e que mencionada atualização deve incidir sobre todo e qualquer crédito da Fazenda (lembra que a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997, prevê a atualização e que o art. 52 da IN SRF nº 600, de 2005, também o faz). Fl. 306DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.002066/200791 Acórdão n.º 3102002.280 S3C1T2 Fl. 306 3 Transcreve jurisprudência judicial acerca da necessidade de atualização monetária, informa que se trata de crédito líquido e certo e pede o deferimento do pleito. Sobreveio a decisão de primeira instância (flS. 68/72), em que, por unanimidade de votos, as razões contidas na manifestação de inconformidade não foram acolhidas, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. A legislação de regência veda, expressamente, a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimentos de créditos de Cofins. Em 17/5/2010, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 74). Inconformada, em 25/5/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 75/84, no qual reafirmou as razões de defesa suscitadas em sede de manifestação de inconformidade. Na Sessão de 25 de abril de 2012, por meio da Resolução nº 3102000.204 (fls. 171/174), o julgamento foi convertido em diligência para que o órgão de jurisdição do contribuinte informasse o atual andamento dos autos do processo nº 10920.002022/200761, bem assim processe translado das cópias do pedido de ressarcimento do contribuinte, de eventual despacho decisório, manifestação de inconformidade, acórdão da DRJ, recurso voluntário, acórdãos do CARF e de outros atos decisórios proferidos. Em atendimento à solicitação consignada referida Resolução, a unidade de origem procedeu a juntada aos autos das peças processuais citadas (fls. 176/301), conforme explicitado na informação de fls. 302/303. Nos termos do despacho de fl. 304, na Sessão de 24/7/2014, mediante sorteio, os presentes autos forma redistribuídos para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inicialmente, cabe esclarecer que o processo nº 10920.002022/200761, trata da análise do pedido ressarcimento da atualização monetária, calculada com base na variação da taxa Selic, dos valores ressarcidos sem correção dos créditos presumido do IPI, conforme informado no Despacho de Decisório de fls. 276/280, proferido no âmbito do referido processo. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Por sua vez, o presente processo trata do pedido de atualização monetária, calculada com base na variação da taxa Selic, dos valores dos créditos ressarcidos da Cofins, sem correção, tendo essa parte sido apartada do pleito original, encartado no processo nº 10920.002022/200761, pelas razões declinadas no Despacho Decisório de fls. 48/50. No caso, a controvérsia está restrita à questão atinente ao direito de a corrente se apropriar da parcela da atualização monetária, calculada com base na variação da taxa Selic, sobre os valores dos créditos da Cofins anteriormente ressarcidos à recorrente sem a pretendida correção. O titular da unidade da Receita Federal de origem indeferiu o pleito da recorrente, sob o fundamento de que atualização monetária pleiteada pela recorrente era expressamente vedada pelo art. 13 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3o, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6o, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Por sua vez, a recorrente alegou fazia jus ao valor da atualização monetária pleiteado, sob o argumento de que o ressarcimento era uma espécie do gênero restituição e que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a jurisprudência deste Conselho tem dado tratamento semelhante a ambos. Não procede a alegação da recorrente. A uma porque, diferentemente do alegado pela recorrente, há determinação expressa da RFB proibindo a incidência de juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, sobre o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, conforme expressamente determinado no art. 83, § 5º, I, da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, a seguir transcrito: Art. 83 .O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: [...] § 5º Não incidirão juros compensatórios de que trata o caput: I no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e relativos ao Reintegra, bem como na compensação de referidos créditos; e [...] (grifos não originais) A duas porque, a jurisprudência deste Conselho citada pela recorrente refere se ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, matéria estranha à lide, e que, aliás, encontra se parcialmente superada, em face da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no regime do artigo 543C do CPC, proferida no julgamento do Recurso Especial (Resp) nº 1.035.847 RS, que admitiu a atualização de crédito escritural (não decorrente de pagamento de tributo indevido) somente no caso de comprovada “oposição constante de ato estatal, administrativo Fl. 308DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.002066/200791 Acórdão n.º 3102002.280 S3C1T2 Fl. 307 5 ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade”. E o referido entendimento deve ser reproduzido nas decisões deste Conselho, por força do disposto no art. 62A do Anexo II do seu Regimento Interno. Aliás, no âmbito do STJ, a matéria encontrase sumulada, nos termos do enunciado da Súmula nº 411, in verbis: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A três porque o ressarcimento é diferente de restituição. Esta tem origem no fato jurídico do pagamento de tributo indevido, enquanto que o ressarcimento tem origem escritural, decorrente da aplicação do princípio da não cumulatividade ou da concessão de benefício ou incentivo fiscal. Também não procede a alegação da recorrente de que a taxa Selic destinase a corrigir os valores nos casos de restituição, ressarcimento e compensação tributária (art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995) e que mencionada atualização deve incidir sobre todo e qualquer crédito da Fazenda. Primeiro, porque a atualização independe da forma de devolução do crédito, que pode ser em dinheiro (ressarcimento ou restituição) ou mediante extinção de outro débito tributário do titular do crédito (compensação). Segundo, porque há previsão de atualização monetária com base na variação da taxa Selic somente para o crédito oriundo de pagamento de tributo indevido ou indébito tributário, independentemente da forma de devolução (restituição ou compensação). Com efeito, tanto o § 3º do art. 661 da Lei nº 8.383, de 1991, que previa a atualização monetária, quanto o § 4° do art. 392 da Lei nº 9.250, de 1995, que prevê a incidência da taxa Selic, tratam exclusivamente da restituição do indébito tributário decorrente do pagamento tributo indevido ou a maior que o devido. No caso de ressarcimento de créditos escriturais da Cofins, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme explicitado no referido art. 13 da Lei 10.833/2003, anteriormente transcrito. 1 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...)" 2 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Fl. 309DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Dessa forma, por se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no caput do art. 26A3 do Decreto 70.235/1972, é vedado a este Colegiado afastar a sua aplicação. Tal vedação somente não se aplica diante das hipóteses prevista no § 6º do citado preceito legal, situação que não se vislumbra no caso em tela. Além disso, no âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase expressamente determinada no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reafirmada no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 3 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" Fl. 310DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10920.002066/200791 Acórdão n.º 3102002.280 S3C1T2 Fl. 308 7 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001680/2010-89
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 04/02/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/02/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10314.001680/2010-89
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393295
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.558
nome_arquivo_s : Decisao_10314001680201089.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10314001680201089_5393295.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5684989
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252524597248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 314 1 313 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.001680/201089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.558 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria II/IPIIMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOC BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/02/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/02/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 80 /2 01 0- 89 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001680/201089 Acórdão n.º 3803006.558 S3TE03 Fl. 315 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 04/02/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 17/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 01/11/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001680/201089 Acórdão n.º 3803006.558 S3TE03 Fl. 316 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001680/201089 Acórdão n.º 3803006.558 S3TE03 Fl. 317 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001680/201089 Acórdão n.º 3803006.558 S3TE03 Fl. 318 9 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento, quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000248/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DESPESAS INDEDUTÍVEIS. PREJUÍZO DECLARADO
A matéria tributável apurada em ação fiscal somente pode ser compensada com prejuízo fiscal declarado de período anterior, desde que não tenha sido utilizado antes da época da autuação.
OMISSÃO DE RECEITAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS
A receita auferida a título de variações cambiais ativas sujeita-se à tributação pelo imposto de renda. Inexiste receita de variação cambial em relação jurídica de mútuo computado em reais e ocorrido inteiramente no território nacional.
LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL. PIS e COFINS
O decidido para o lançamento do IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, quando não há razão de ordem jurídica para lhes conferir julgamento diverso.
Numero da decisão: 1401-001.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar a infração relacionada à variação cambial. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Lincoln de Souza Chave - OAB/RJ nº 34.990.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros JORGE CELSO FREIRE DA SILVA (Presidente), MAURICIO PEREIRA FARO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, KAREM JUREIDINI DIAS, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, ANTONIO BEZERRA NETO, MARCELO BAETA IPPOLITO.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. PREJUÍZO DECLARADO A matéria tributável apurada em ação fiscal somente pode ser compensada com prejuízo fiscal declarado de período anterior, desde que não tenha sido utilizado antes da época da autuação. OMISSÃO DE RECEITAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS A receita auferida a título de variações cambiais ativas sujeita-se à tributação pelo imposto de renda. Inexiste receita de variação cambial em relação jurídica de mútuo computado em reais e ocorrido inteiramente no território nacional. LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL. PIS e COFINS O decidido para o lançamento do IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, quando não há razão de ordem jurídica para lhes conferir julgamento diverso.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.000248/2003-41
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401461
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.333
nome_arquivo_s : Decisao_18471000248200341.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : KAREM JUREIDINI DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 18471000248200341_5401461.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar a infração relacionada à variação cambial. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Lincoln de Souza Chave - OAB/RJ nº 34.990. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros JORGE CELSO FREIRE DA SILVA (Presidente), MAURICIO PEREIRA FARO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, KAREM JUREIDINI DIAS, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, ANTONIO BEZERRA NETO, MARCELO BAETA IPPOLITO.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5735502
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252529840128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2109; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000248/200341 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.333 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente VENBO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida 1ª TURMA DA DRJ NO RIO DE JANEIRO I (RJ)I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DESPESAS INDEDUTÍVEIS. PREJUÍZO DECLARADO A matéria tributável apurada em ação fiscal somente pode ser compensada com prejuízo fiscal declarado de período anterior, desde que não tenha sido utilizado antes da época da autuação. OMISSÃO DE RECEITAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS A receita auferida a título de variações cambiais ativas sujeitase à tributação pelo imposto de renda. Inexiste receita de variação cambial em relação jurídica de mútuo computado em reais e ocorrido inteiramente no território nacional. LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL. PIS e COFINS O decidido para o lançamento do IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, quando não há razão de ordem jurídica para lhes conferir julgamento diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso apenas para cancelar a infração relacionada à variação cambial. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Lincoln de Souza Chave OAB/RJ nº 34.990. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 48 /2 00 3- 41 Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 3 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros JORGE CELSO FREIRE DA SILVA (Presidente), MAURICIO PEREIRA FARO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, KAREM JUREIDINI DIAS, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, ANTONIO BEZERRA NETO, MARCELO BAETA IPPOLITO. Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário, interposto em face de decisão prolatada pela 1ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro RJ, contida no acórdão nº 1211.521 de 25 de Agosto de 2.006, que manteve os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS, e COFINS. Os autos retornaram de diligência. Adotase, assim, o relatório já elaborado quando da solicitação de diligência. Em face do sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 86/89), no valor de R$ 110.391,15, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls.90/93), no valor de R$ 339,66; à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 94/97), no valor de R$ 43.005,17 e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 98/101), no valor de R$ 1.045,11, com multa de 75% e demais encargos moratórios. 2.Quanto ao lançamento relativo ao IRPJ, de acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 83/85 e 87, foram apuadas as seguintes irregularidades 0fiscais: 2.1.Omissão de Receitas /Devolução de Mercadorias Vendidas (item 001). 2.1.1. Caracterizada pela não comprovação de devolução de mercadorias vendidas. O contribuinte, embora intimado e reitimado através dos termos de fls. 80/81, não comprovou as devoluções de vendas contabilizadas à débito da conta 3.1.2, em fevereiro de 1998, no montante de R$ 52.256,00, conforme fl. 476 do diário 074, à fl. 107. 2.1.2. Enquadramento Legal: Art. 195, inc. II, 197 e § único, 225, 226 e 227 do RIR1997; Art. 24 da Lei nº 9.249/95.. 2.2. Despesas Indedutíveis (item 002). 2.2.1. O contribuinte, em 31/12/98, levou a débito do Resultado do Exercício, através da conta 711224 (Outras Despesas não Operacionais), e a título de anistia em contrato, o montante de R$ 65.500,00. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 4 3 2.2.2. Enquadramento Legal: Art. 193, 195, inc. I, 197, § único e 242 do RIR/94.. 2.3.Omissão de Variações Monetárias Ativas / Variações Cambiais (item 003). 2.3.1. Omissão de receita financeira, caracterizada pela falta de contabilização de variação cambial dos créditos da empresa junto à controladora estrangeira Brazil Fast Food Corporation, conforme razão da conta 1.2.8.01 (fl.108), no valor de R$ 419.808,63 (Demonstrativo de fl. 85). 2.3.2. Enquadramento Legal: Art. 193, 194, 197 e § único, 224, 320 e 323, do RIR/94; Art. 8º da Lei nº 9.249/95. 3.Inconformado com as exigências, o contribuinte apresentou as impugnações de fls. 131/143(IRPJ), 273/274(PIS), 320/321(CSLL) e 368/369(COFINS), argumentando, em síntese, que: a suposta falta de provação de devolução de mercadorias somente teria sido constatada pela autuante em fevereiro de 1998, época em a Impugnante teria aderido a um regime especial no carnaval de 1998, através de 53 pontos de vendas e 75 vendedores ambulantes pertencentes ao seu quadro de funcionários; . o regime especial ao qual a Impugnante aderiu previamente às vendas que seriam realizadas com a utilização de tíquetes devidamente numerados, sendo que, ao final do dia, seria emitida uma única nota fiscal que registrasse o total das vendas diárias, com base no somatório dos tíquetes utilizados nas vendas de seus produtos. Por sua vez, as vendas realizadas por vendedores ambulantes seriam controladas por um Mapa de Controle de Vendas, que permitiria apurar a diferença entre as mercadorias que lhe foram entregues daquelas negociadas; a devolução de mercadorias vendidas, tidas por incomprovadas, são, geralmente, dedutíveis, representando receitas não realizadas decorrentes do exercício da atividade da Impugnante em evento festivo; a lavratura do auto de infração atacado decorre do desprezo pela “lógica do razoável”, pois exige, para que a despesa seja qualificada como dedutível, que haja a adoção de procedimentos fiscais completamente inadequados à realidade; a Fiscal Autuante não revelou os motivos que a lavaram a concluir que a Impugnante possuía créditos em moeda estrangeira. Os créditos apontados no auto de infração são empréstimos concedidos em moeda nacional, para cumprimento de obrigações de sua controladora aqui no Brasil; segundo a sistemática de apuração adotada pela Fiscal Autuante, retratada no “Demonstrativo de Variação Cambial em Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 5 4 1998”, os valores a serem oferecidos à tributação decorreriam de créditos acumulados dos anos anteriores (US$ 2.354.919,39) e de uma operação realizada em março de 1998 (US$ 2.837.827,20); o saldo acumulado apurado pela Fiscal Autuante é resultado de vários pagamentos realizados pela Impugnante para cumprimento de obrigações de sua controladora no Brasil. Por certo, é muito mais fácil a sua controladora possuir um débito maior com uma única empresa, a Impugnante, do que efetuar vários pagamentos de valores menores, a inúmeras pessoas físicas e jurídicas, necessitando, para cada uma, efetuar operações de câmbio, registros no Banco Central, enfim, cumprir todas as exigências para remeter tais valores para o Brasil. Os comprovantes de pagamentos em anexo e a perícia a seguir requerida comprovam a realização das operações apontadas no livro fiscal da Impugnante; o crédito de março de 1998 tem origem no contrato de compra e venda que a controladora da Impugnante celebrou com a Bob’s Indústria e Comércio Ltda, em fevereiro de 1998, através da qual restou obrigada a pagar o preço ajustado aqui no Brasil, por meio de cheque administrativo, que, a pedido da credora, foi emitido em nome da Vendex do Brasil Ind. e Com. Ltda; segundo a doutrina e a jurisprudência, a variação cambial ativa que, cabe recordar, não existe na presente hipótese apenas será apropriada quando efetuado o pagamento das obrigações a que as mesmas se referem; nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, requer a produção de prova pericial para que, através de seus livros fiscais, seja comprovado que as operações de empréstimo apontadas pela Fiscal Autuante foram realizadas em moeda nacional, com a origem e a destinação dos valores devidamente escrituradas, indicando perito e formulando quesitos; a ação fiscal, deveria ter levado em conta os prejuízos fiscais apurados pela Impugnante no exercício de 1998, procedendo a retificação de seus valores, já que a falta atribuída à Impugnante importa na alteração do resultado do exercício; admitida a retificação do prejuízo fiscal e a conseqüente inexistência de tributo a recolher, revelase sem fundamento a cobrança de quaisquer encargos acessórios; considerando a improcedência dos itens questionados da ação fiscal sob exame, requerse a desconstituição parcial do auto de infração; requer seja efetuada a retificação do prejuízo fiscal apurado no exercício de 1998, tendo em vista a glosa das despesas mencionadas no item 2 da presente autuação fiscal, excluindo Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 6 5 se, evidentemente, os encargos acessórios indevidamente cobrados. Levado a julgamento de 1ª Instância em 25 de agosto de 2.006, a 1ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro decidiu por unanimidade de votos rejeitar o pedido de pericia e manter os lançamentos com os argumentos que podem ser resumidos na ementa abaixo transcrita. PERÍCIA. INDEFERIDA A perícia ou a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS VENDIDAS A falta de documentação que embase o registro contábil da devolução de mercadorias caracteriza omissão de receitas. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. PREJUÍZO DECLARADO A matéria tributável apurada em ação fiscal apurado na ação fiscal somente pode ser compensada com prejuízo fiscal declarado de período anterior desde que não tenha sido utilizado antes da época da autuação. OMISSÃO DE RECEITAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS A receita auferida a título de variações cambiais ativas sujeitase à tributação pelo imposto de renda. LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL. PIS e COFINS O decidido para o lançamento do IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, quando não há razão de ordem jurídica para lhes conferir julgamento diverso. Inconformada com a decisão proferida a empresa através do seu procurador apresentou o recurso voluntário de folhas 458 a 470, argumentando em síntese o seguinte. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Argumenta a nulidade da decisão de primeira instância em virtude da mesma ter carreado aos autos documento que comprovaria a utilização total do prejuízo em 1.999, o que diz não ser verdade pois teria utilizado prejuízos apurados entre 1.993 e 1995, no valor de R$ 5.000.000,00 não tendo se utilizado do prejuízo apurado em 1.998, no valor de R$ 7.729.306,90.(item V do RV). OMISSÃO DE RECEITAS VARIAÇÃO CAMBIAL. Repete as argumentações da inicial, de que não houve empréstimo em moeda estrangeira, que os valores foram emprestados à sua controladora em reais para pagamento da Bob’s Indústria e Comércio Ltda, adquirida no Brasil pela sua controladora e que a pedido da credora o cheque foi emitido para Vendex do Brasil Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 7 6 Ind. E Com. Ltda. Afirma que o ARFB presumiu que o contrato seria em moeda estrangeira sujeito a variação cambial. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Insiste no pedido de perícia para demonstrar que o empréstimo foi realizado em moeda nacional com origem e destinação dos valores devidamente escriturados. Indica a perita e formula quesitos. Em sessão de julgamento realizada em 20 de maio de 2010, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolveram converter o julgamento do recurso em diligência, pois existiam as seguintes dúvidas e contradições nos autos que precisavam ser solucionadas: · A Auditora Fiscal, no Termo de Verificação e Constatação, fl. 84 item 03, fez a acusação de omissão de receitas pelo não reconhecimento de variação cambial no empréstimo feito à controladora da autuada simplesmente com base no lançamento na conta 1.2.2.8.01, razão fl. 118. Não questionou a Auditora qual o documento que dera origem àquele lançamento e nem juntou qualquer documento que comprovasse ter sido o empréstimo feito em moeda estrangeira ou mesmo em moeda nacional sujeito à variação cambial. · A contribuinte por seu turno apenas atestou através do documento de folha 79 o não reconhecimento de receitas financeiras nos empréstimos feitos à controladora, nada revelando também quanto ao contrato que poderia solucionar a questão. · Em relação ao aproveitamento, ou não da totalidade dos prejuízos em 1.999, de um lado a administração diz que foram totalmente utilizados em 1.999, de outro o contribuinte que diz ter se utilizado de prejuízos apurados de 1.993 a 1.995 ficando intacto o valor apurado em 1.998. Diante disso, foram formulados quesitos para que a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil autuante, ou outro, que a administração designasse, se manifestasse, verificando os livros e documentos fiscais da empresa. Após, assim foram respondidos os quesitos no Relatório de Encerramento de Diligência de fls.980/983: 01 Quanto ao empréstimo feito pela autuada a sua controladora: 01.01 Qual o documento que deu origem aos lançamentos contábeis relativos ao empréstimo? Juntar contratos e outros documentos comprobatórios. São 02 (dois) os documentos que originaram obrigações de pagar da controladora BFFC, cujas liquidações por conta e ordem feitas pela VENBO geraram saldo de créditos por mútuos entre as empresas: 01.01.01Contrato de Cessão e Transferências de Quotas e Outras Avenças, celebrado em 19031996 entre Trinity Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 8 7 Américas Inc. (atual Brazil Fast Food Corp BFFC), controladora da Venbo e Bobs Indústria e Comércio Ltda (Bobs Indústria) anexo. 01.01.02 Contrato de Permuta, celebrado em 24071996 entre BFFC e Bigburger Ltda e outras (anexo). 01.02 Qual ou quais índices de atualização monetária e de remuneração empréstimo? Ficamos na impossibilidade de resposta, esclarecendo que a obrigação da controladora foi feita pela empresa nacional em dólar e convertida para reais. 01.03 Qual o valor que deveria ser reconhecido e a que título em 31121998? Do mesmo modo, não há como informarmos em virtude de a empresa não ter apresentado contrato de mútuo, nem comprovantes de quitação de súa obrigação, apesar de intimada para tal em 18/10 e 24/10/2011. Aqui, vale esclarecer que, de acordo com o contrato assinado em 19 de março de 1996, consta o seguinte: Cedentes: Bobs e Bisoni. Cessionária: Trinity Americas Inc; Intervenientes: Vendex do Brasil Ind. E Com. Ltda. Shampi Investmentet, A E C. A Bob's e Bisoni, representam todo o Capital da VENBO, sendo possuidores de 3.202.566.797 de quotas e 1 quota, respectivamente. O preço de compra das quotas é o equivalente, em moeda nacional, a US$ 19.200.000,00 (Dezenove milhões e duzentos mil dólares norte americanos. O Item II2.1 do contrato, explica o preço de compra das quotas. O preço de compra será pago no Brasil, em moeda nacional, convertido à taxa de câmbio correspondente à média entre o preço de compra e venda para a moeda norte americana em operações PTAX 800, determinado pelo BACEN no dia útil anterior a cada data de pagamento, do seguinte modo: Item (a) O valor equivalente a US$ 100.000,00 (cem mil dólares norte americanos) já pagos à Bobs (Cessionária) quando da assinatura do referido protocolo de entendimentos. Item (b) O valor de R$ 16.374.240,00, equivalente a US$ 16.600.000,00 é neste ato pago pela Cessionária à Bobs, mediante cessão e transferência das quotas e entrega à Bobs de cheque administrativo, emitido pelo Banco Bradesco S. A . Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 9 8 Item ( c ) O valor em moeda nacional equivalente a US$ 2.500.000,00 será devido e pagável pela cessionária à Bobs em 04/03/1998. As cláusulas 2.2, 2.3 e 2.4 do contrato de Cessão e Transferência de Quotas, estabeleciam as condições de correção para pagamento do valor citado no item (c). A cláusula 2.3 estabelecia juros sobre a parcela prevista (item c) à taxa libor, mais 1 e 1/8 % a.a. Em 04/03/1998, a VENBO pagou através de cheque administrativo ( fls. 265 / 266), o valor equivalente a US$ 2.729.163, 63, ou seja, R$ 3.084.500,74 (Três milhões, oitenta e quatro mil, quinhentos reais e setenta e quatro centavos). 02 Quanto aos prejuízos e bases negativas da CSLL: 02.01 Quais os valores dos prejuízos e bases negativas da CSLL existentes em 31121998? Foram apurados no calendário de 1998, prejuízo fiscal de R$ 7.729.306,45 (Sete Milhões, Setecentos e Vinte e |Nove Mil, Trezentos e Seis Reais e Quarenta e Cinco Centavos) e valor acumulado de: ( R$ 17.932.273,34 + R$ 7.725.506,16) = R$ 25.657.779,50. Quanto à CSLL, foi apurado prejuízo no ano de 1998 de R$ 7.791.106,89 e ficando um saldo de Base Negativa em 31/12/1998 de R$ 28.778.862,76 02.02 Quando e quanto dos referidos valores foram compensados no REFIS e nas apurações de resultados posteriores ao ano objeto da exigência e anteriores à autuação? No ano de 1999, a empresa compensou no REFIS, prejuízo fiscal com débitos próprios no valor de R$ 32.312.730,13 (Trinta e dois milhões, trezentos e doze mil, setecentos e trinta reais e treze centavos (anexo). O mesmo procedimento foi verificado com relação à CSLL. Em 1999 foram compensados R$ 35.074.430,20 (Trinta e Cinco Milhões, Setenta e Quatro Mil, quatrocentos e trinta Reais e vinte centavos), com débitos próprios (anexo). É o relatório. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 10 9 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Inicialmente, esclareço que os autos foram distribuídos a esta Conselheira como relatora ad hoc, vez que o Relator original não integra mais este Conselho. Esclareço que, devidamente intimado, conforme fls. 985/986, o contribuinte se manifestou sobre o resultado da diligência. De se consignar que o Auto de Infração lavrado contra a Recorrente possui três itens: 001) omissão de receitas resultante de devolução de mercadorias não comprovadas; 002) apropriação de despesas indedutíveis; e 003) não oferecimento à tributação de variações cambiais ativas. A esse respeito, a Recorrente apenas enfrentou a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em relação aos itens 002 e 003. Isentouse, conforme fl. 459, de questionar a decisão quanto ao item 001. Em relação ao item 002 Despesas Indedutíveis, alega a Recorrente que não existiria tributo a recolher, visto que existem prejuízos fiscais acumulados. A Recorrente fundamenta tal alegação na premissa de que em 1998 teve prejuízo de R$ 7.729.306,90 (sete milhões e vinte e nove mil, trezentos e seis reais e noventa centavos). Acrescenta, ainda, que desse valor nada foi utilizado para compensação no REFIS. Na visão da Recorrente, somente teria utilizado para compensação no REFIS prejuízos apurados em 1993, 1994 e 1995, totalizando cerca de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), não utilizando o apurado em 1998. Para comprovar essa alegação, a Recorrente juntou, na fl. 500, declaração do REFIS. A despeito disso, em resposta à diligência, a Fiscalização concluiu que no ano de 1999, a empresa compensou no REFIS, prejuízo fiscal com débitos próprios no valor de R$ 32.312.730,13 (Trinta e dois milhões, trezentos e doze mil, setecentos e trinta reais e treze centavos (anexo). Ademais, o mesmo procedimento foi verificado com relação à CSLL. Em 1999 foram compensados R$ 35.074.430,20 (Trinta e Cinco Milhões, Setenta e Quatro Mil, quatrocentos e trinta Reais e vinte centavos), com débitos próprios Tal conclusão foi possível mediante a análise do Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI), fl. 419. Assim, de acordo com o SAPLI, a despeito de existência de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL suficiente à absorção do anocalendário de 1998, verificase, no mesmo SAPLI, que no ano de 1999, tais prejuízos e bases negativas foram compensados em razão de declaração REFIS com débitos próprios. O resultado da diligência não foi contestado pelo contribuinte. Concluo, assim, que não assiste razão à Recorrente nesse ponto, como comprovado pela diligência realizada. Posto isso, nego provimento ao recurso quanto a esse item do Auto de Infração. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 11 10 No tocante ao item 003 do Auto de Infração Omissão de variações cambiais, alega a Recorrente que os empréstimos concedidos em moeda nacional foram para cumprimento de obrigações de sua controladora no Brasil. Segundo a Recorrente, o saldo acumulado (US$ 2.354.919,39) se refere ao resultado de vários pagamentos realizados pela Recorrente para cumprimento de obrigações de sua controladora no Brasil. Já o crédito de março de 1998 teria como origem o contrato de compra e venda que a controladora da Recorrente celebrou com a Bob´s Indústria e Comércio Ltda., em fevereiro de 1998, através do qual teria sido obrigada a pagar o preço ajustado no Brasil, o que teria sido feito mediante cheque administrativo (fl. 300). Conforme diligência formulada pelo Relator originário, a fiscalização foi questionada a respeito de quais documentos originaram os lançamentos contábeis relativos ao empréstimo, quais os índices de atualização monetária e de remuneração de empréstimo foram utilizados e qual o valor que deveria ser reconhecido e a que título. Em resposta, a diligência afirmou que as obrigações se originaram de dois contratos: o Contrato de Cessão e Transferências de Quotas e Outras Avenças, celebrado em 19031996 entre Trinity Américas Inc. (atual Brazil Fast Food Corp BFFC), controladora da Venbo e Bobs Indústria e Comércio Ltda (Bobs Indústria) e o Contrato de Permuta, celebrado em 24071996 entre BFFC e Bigburger Ltda e outras (anexo). Esclareceu, ainda, que a obrigação da controladora foi feita pela empresa nacional em dólar e convertida em reais. Não conseguiu responder qual o valor deveria ser reconhecido e a que título, justificando para tanto o fato de que a empresa não apresentou contrato de mútuo, nem comprovantes de quitação de sua obrigação. Analisando os autos, aliado ao resultado da diligência, verifico que de fato não houve operações das quais resultasse receitas de variação cambial. Esclareceu a Recorrente que efetuou pagamentos em reais no Brasil, por conta e ordem de sua controladora. Tais pagamentos foram feitos a credores situados no país e tiveram origem em mútuos entre a Recorrente e sua controladora (BFFC). Embora não tenha sido apresentado contrato, a comprovação se dá por meio da contabilização de transações financeiras – o que foi demonstrado tanto na Recorrente quanto na controladora. Neste passo, temse que os pagamentos feitos por conta e ordem da controladora foram em reais, para credores também situados no Brasil, razão pela qual não haveria que se falar em receita de variação cambial neste ponto. Ficou demonstrado que a Recorrente não foi parte dos contratos feitos entre sua controladora e terceiro, efetuando meramente os pagamentos por conta e ordem, o que não gerou variação cambial. Ademais, restou igualmente comprovado que houve mútuo entre a controlada (Recorrente) e a controladora, restando verificar se haveria alguma variação cambial decorrente dessa operação. O que se verifica novamente é que não há receita de variação cambial, o que, de alguma forma, é inclusive reconhecido na resposta da diligência fiscal, ao descrever que houve pagamento da dívida em real. Portanto, tanto os pagamentos feitos pela Venbo (por conta e ordem) quanto os pagamentos recebidos pela Venbo (mútuo) são todas computadas em reais e não geram variação cambial. Neste passo, esclareceu o contribuinte, o que não foi infirmado pela fiscalização: (i) os contratos que originaram os mútuos, embora previssem obrigações à controladora da Venbo indexadas em dólar, Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 12 11 foram quitadas pela empresa por ordem de sua controladora em território nacional e em reais. Talvez o Sr. Fiscal autuante, à época, tenha se impressionado com o fato de que a obrigação original fora atrelada a um montante equivalente em dólares, mas tal se passou entre as partes daquele contrato, sem qualquer repercussão para a Venbo, que apenas efetuou o pagamento posterior de uma das parcelas em reais por solicitação de sua controladora, tornandose credora de mútuo em reais no Brasil. (ii) é possível se verificar da evolução do Livro Razão Analítico da Venbo o histórico de movimentações da Conta Corrente entre a Venbo e a BFFC, onde fica claro que todos os valores que ingressaram foram lançados em Reais, tal como efetivamente pagos pela Venbo aos credores da BFFC, não sofrendo qualquer alteração até o momento da liquidação (que seguiu o valor histórico lançado dos mútuos), que começou a ocorrer somente em 2001. Tais documentos seguiram anexados à última manifestação da Venbo. Ou seja, pelo que se verifica nos autos, não há que se falar em variação cambial no tocante à Recorrente, vez que demonstrado que tanto os pagamentos por conta e ordem da controladora, quanto o mútuo com a controladora foram todos feitos e quitados em reais. Não se pode confundir a relação jurídica entre a Recorrente e sua controladora, com a relação jurídica de sua controladora com terceiros. Neste passo, entendo que correta está a contribuinte neste ponto, pelo que DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para cancelar o item 03 do lançamento (variações cambias). Sala das Sessões, em 21 do outubro de 2014. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 18471.000248/200341 Acórdão n.º 1401001.333 S1C4T1 Fl. 13 12 Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 13639.720040/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ERRO DE FATO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Demonstrado e comprovado que o contribuinte incorreu em erro material no preenchimento da sua Declaração de Ajuste Anual, o lançamento deve ser retificado, mesmo após a notificação do lançamento, como supedâneo no princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2201-002.536
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 ERRO DE FATO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Demonstrado e comprovado que o contribuinte incorreu em erro material no preenchimento da sua Declaração de Ajuste Anual, o lançamento deve ser retificado, mesmo após a notificação do lançamento, como supedâneo no princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13639.720040/2011-88
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393268
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.536
nome_arquivo_s : Decisao_13639720040201188.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NATHALIA MESQUITA CEIA
nome_arquivo_pdf_s : 13639720040201188_5393268.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5684962
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252535083008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13639.720040/201188 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.536 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ALDO RIBEIRO FERREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 ERRO DE FATO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Demonstrado e comprovado que o contribuinte incorreu em erro material no preenchimento da sua Declaração de Ajuste Anual, o lançamento deve ser retificado, mesmo após a notificação do lançamento, como supedâneo no princípio da verdade material que norteia o processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 72 00 40 /2 01 1- 88 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório O Recorrente acima identificado recebeu Notificação de Lançamento de fls. 34/41, em 21/02/2011, relativa ao exercício 2010, tendo sido apurado crédito tributário no montante de R$ 16.905,47 decorrente de: (i) omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, (ii) dedução indevida de previdência oficial relativa aos rendimentos de pessoa jurídica e (iii) dedução indevida de despesas médicas. O Recorrente apresentou, em 14/04/2011, Impugnação de fls. 3/4 onde concordou com as duas primeiras infrações – (i) omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais e (ii) dedução indevida de previdência oficial relativa aos rendimentos de pessoa jurídica – entretanto, para a dedução indevida de despesa médica, contestou o lançamento argumentando erro no preenchimento na sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), por não ter informado sua esposa como dependente, beneficiária das despesas médicas glosadas, fato que alega já estar procedendo correção através de declaração retificadora. Neste contexto o crédito tributário no montante de R$ 5.593,77, referente às duas primeiras infrações foi transferido para o processo nº 13639720.041/200122, fls. 49. A 4º Turma da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora acordou, por unanimidade de votos, manter o lançamento, nos termos do Acórdão nº 09.35.384 de 03/06/2011 de fls. 52/56, com seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. A dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao tratamento de dependentes relacionados em sua Declaração de Ajuste Anual. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. Incabível a retificação das informações consignadas na declaração de ajuste anual, após o contribuinte haver sido notificado do lançamento de ofício. O Recorrente intimado através de Aviso de Recebimento de fls. 60 datado de 27/06/2011 apresentou, em 12/07/2011, Recurso Voluntário de fls. 62/63, argumentando que a Declaração Retificadora foi entregue antes do início do processo de lançamento de ofício, requerendo a exclusão do crédito tributário. Em 18/06/2013, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF decidiu, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência (fls. 68 a 71) para que a autoridade lançadora verifique se a cônjuge do Recorrente, Sra. Maria José Gomes Ferreira, inscrita no CPF/MF sob o número 937.901.20634 apresentou Declaração de Ajuste Anual em nome próprio referente ao exercício de 2010 e caso tenha apresentado, se houve aproveitamento das despesas médicas aqui pleiteadas como dedutíveis pelo Recorrente, bem como que seja dada ciência ao Recorrente do resultado da diligência para eventual manifestação. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13639.720040/201188 Acórdão n.º 2201002.536 S2C2T1 Fl. 3 3 A DRF de Juiz de Fora por despacho de fl. 78 concluiu que a esposa do Recorrente não entregou Declaração de Ajuste Anual em separado para o exercício de 2010: Sr. Chefe: Em atendimento ao que me foi solicitado, tenho a informar que, conforme tela do Portal IRPF ora anexada, a contribuinte Maria José Gomes Ferreira, CPF 937.901.20634, não apresentou Declaração de Ajuste Anual própria referentemente ao exercício 2010, anocalendário 2009. Acrescento que nos exercícios 2008, 2009, 2011, 2012 e 2013 ela figurou como dependente na Declaração de Ajuste Anual apresentada por Aldo Ribeiro Ferreira, CPF 019.394.08687. O Recorrente foi devidamente intimado do resultado da diligência (fl. 81) e decorrido o prazo regulamentar, não se manifestou. Desta feita, o processo foi reencaminhado a essa Corte para apreciação. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso preenche as condições de admissibilidade, portanto dele conheço. O pressuposto da decisão da DRJ/JFA decorre da não inclusão da esposa do Recorrente como dependente da Declaração de Ajuste Anual (DAA) exercício 2010, beneficiária das despesas médicas glosadas. Logo, como a cônjuge não fora reportada como dependente da despesa médica incorrida em seu benefício, tal montante não poderia ser aproveitado para fins de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A decisão da DRF/JFA ainda complementa que a retificação da Declaração de Ajuste Anual para inclusão da cônjuge fora efetuada quando já iniciado o procedimento de fiscalização. A DRJ/JFA justifica sua decisão no sentido que a inclusão dos dependentes é uma faculdade do contribuinte e, se o contribuinte não declarou a cônjuge como sua dependente quando da entrega da DAA, a faculdade não foi exercida, afastando a possibilidade de abatimento das despesas médicas da base de cálculo do IRPF. Com essa alegação, a DRJ/JFA refuta a alegação feita pelo Recorrente de erro material. Verificase que em momento algum é questionada a veracidade e ocorrência das despesas médicas, por isso entendo que não há contestação quanto a sua validade. Essas de fato foram incorridas, e, em princípio são potencialmente dedutíveis da base de cálculo do IRPF. Porém, além do requisito da existência da despesa médica, para fins de possibilitar o seu abatimento da base de cálculo do IRPF, é necessário que outro requisito seja atendido, qual seja, que a despesa médica tenha sido incorrida em benefício do próprio contribuinte ou de seu dependente legal. Pois bem. Ao analisar a documentação apensada nos autos do referido processo, verificase que as despesas médicas foram de fato incorridas em benefício da cônjuge do Recorrente, que em conformidade com a legislação tributária atual pode ser considerada como Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 dependente legal do Recorrente para fins de IRPF. Além disso, importante pontuar que foi feita prova de que a beneficiária das despesas médicas é de direito cônjuge do Recorrente. Assim, têmse os requisitos necessários para que a despesa médica incorrida em benefício de sua cônjuge seja abatida para fins da base de cálculo do IRPF do Recorrente. Entretanto, o Recorrente ao preencher e entregar a sua DAA acabou por não incluir sua cônjuge como dependente. Mas, declarou as despesas médicas incorridas em benefício da mesma. Alega o Recorrente que houve erro material de preenchimento da DAA. Diante dos fatos, verificase que a intenção do Recorrente, desde a entrega da DAA, foi de fazer jus ao abatimento das despesas médicas incorridas pela sua esposa. Ou melhor, o Recorrente sabe que é seu direito, assegurado por Lei, abater as despesas médicas de seus dependentes. Porém, por razões de descuido acabou por preencher de forma equivocada sua DAA. Aqui, cabe pontuar que o Recorrente é uma pessoa de idade, aproximadamente 83 anos que reside em uma cidade interiorana e não possui vastos conhecimentos tecnológicos para fins de preenchimento da declaração. Esses fatos, apesar de não poderem ser considerados com vistas a afastar aplicação da lei, servem para temperar a aplicação da mesma. Assim, entendo ser um erro escusável que uma pessoa nas condições do Recorrente se olvide de incluir sua cônjuge como dependente na Declaração de Ajuste Anual, mesmo porque o padrão do programa da declaração é que tais informações não sejam diretamente importadas da declaração do ano anterior. Se o Recorrente não quisesse declarar sua esposa como dependente, utilizando a faculdade alegada pela DRJ/JFA, não iria informar as despesas médicas da mesma. Ao informar as despesas médicas incorridas em benefício da sua esposa, o Recorrente reafirma o interesse em reportála como dependente legal para fins de IRPF. Ademais, resta ainda mais caracterizado um equívoco do Recorrente, pois se esse tivesse informado sua esposa como dependente legal à época da entrega da DAA, o Recorrente ainda se beneficiaria de um maior abatimento na base de cálculo do IRPF. Sendo assim, com vistas a assegurar a dedutibilidade das despesas médicas incorridas pela cônjuge do Recorrente, importante aferir se a cônjuge apresentou Declaração de Ajuste Anual já aproveitando as referidas despesas. Por tal, o presente processo foi convertido em diligência pela Resolução nº 2201000155 do CARF justamente para se aferir a situação descrita anteriormente. Como resultado da diligência, a autoridade fiscal concluiu que: Sr. Chefe: Em atendimento ao que me foi solicitado, tenho a informar que, conforme tela do Portal IRPF ora anexada, a contribuinte Maria José Gomes Ferreira, CPF 937.901.20634, não apresentou Declaração de Ajuste Anual própria referentemente ao exercício 2010, anocalendário 2009. Acrescento que nos exercícios 2008, 2009, 2011, 2012 e 2013 ela figurou como dependente na Declaração de Ajuste Anual apresentada por Aldo Ribeiro Ferreira, CPF 019.394.08687. Desta feita, verificase que a cônjuge do Recorrente sempre fora reportada como sua dependente em exercícios passados e futuros ao de 2010. Além disso, verificase que, de Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13639.720040/201188 Acórdão n.º 2201002.536 S2C2T1 Fl. 4 5 fato, o Recorrente retificou sua DAA do exercício de 2010, com vistas a incluir a sua cônjuge como dependente. No tocante ao argumento de que a DAA fora retificada posteriormente ao início da fiscalização, e, portanto restando precluso o direito do Recorrente em retificála e com isso fazer uso das despesas médicas como abatimento de imposto devido, entendo que essa interpretação não é a melhor ao caso em questão. Em princípio o § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN) veda a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte após a notificação do lançamento: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Entretanto, não se pode olvidar que o art. 145, I, do mesmo Código, prevê a modificação do crédito tributário e a alteração do lançamento mediante impugnação do sujeito passivo e o inciso III do susomencionado dispositivo combinado com o art. 149, IV estabelecem que o lançamento pode ser revisto de ofício quando se comprove erro na declaração prestada. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Possibilidade autorizada inclusive pelo § 2º do art. 147 do CTN: § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Ainda que em fase posterior à retificação da declaração, que se encerra com a notificação do respectivo lançamento, se pode admitir a retificação em face de impugnação apresentada, na qual se comprove o erro cometido. Outra não deve ser a compreensão do tema sob pena de violação, não só, do princípio da verdade material como do princípio da estrita legalidade, que tem por embasamento o fato de que, sendo a obrigação tributária uma obrigação “ex lege”, não se pode Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 pretender que, pela simples razão de ter sido ultrapassada a fase de retificação da declaração, se mantenha um lançamento no qual se comprove a existência de erro a favor ou contra o sujeito passivo, o que acarretaria em questionamentos judiciais futuros redundando em prejuízo aos cofres públicos. Diante do dever da presente Corte Administrativa de controlar a legalidade não se pode admitir que este órgão, tendo em vista sua função, julgue procedente lançamento fundado em erro material constatado no curso do processo administrativo tributário. Tal conduta faria tábua rasa do princípio da economia processual, uma vez que exigiria que o contribuinte buscasse o Judiciário para rever lançamento fundado em erro já cristalizado em todas as instancias administrativas. Desta feita, uma vez comprovado o erro cometido no preenchimento da DAA/2010 pelo Recorrente, por não ter sido incluído no campo de dependente a sua cônjuge, que sempre fora reportada como tal nas DAAs dos demais exercícios e cujas despesas médicas foram incluídas na DAA, entendo que a cônjuge deve ser considerada como dependente para fins de IRPF em relação ao exercício 2010 e suas despesas médicas abatidas da base de cálculo do referido imposto. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000447/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
ENTIDADE BENEFICENTE. REMUNERAÇÃO PAGA A EMPREGADO.
A vedação legal ao pagamento de remuneração atinge diretores, conselheiros, sócios, instituidores, relacionados no inciso I, do artigo 29 da Lei 12.101/2009 ou mesmo do anterior inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91.
VANTAGEM. NEGOCIAÇÃO RELATIVA A CANAL DE TELEVISÃO.
Não houve recebimento de vantagem do sujeito passivo a fazer incidir a regra do inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, pois as partes não estão vedadas pela norma em adquirir conjuntamente canal de TV.
ISENÇÃO. REQUISITOS. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI 8.212/1991. OBSERVÂNCIA.
A Constituição Federal (CF/1988) determina, § 7º, Art. 195, que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
O Código Tributário Nacional (CTN), em seus Arts. 9º e 14, referem-se à imunidade tributária quanto a impostos, espécie do gênero tributo assim como as contribuições.
Consequentemente, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas na Lei 8.212/1991.
Com a vigência da Lei 12.101/2009, nas competências posteriores, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas nesta Lei.
A partir da vigência da Lei 12.101/2009 os motivos para o cancelamento da isenção devem constar nos lançamentos efetuados em data posterior a esse diploma legal, devido à determinação contida.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO.
Os requisitos para conhecimento do recurso voluntário estão de acordo com a legislação.
ISENÇÃO. VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. COMPROVAÇÃO.
Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto de vantagens ou benefícios a qualquer título.
Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado.
No presente caso, não há a demonstração pela fiscalização de vantagem (privilégio) concedida a suposto dirigente.
No presente caso, não há como conceituar como vantagem a percepção de direito existente antes da data de posse como dirigente.
No presente caso, não está demonstrado nos autos que a função de integrante da assembleia geral tenha poder de decisão para a obtenção de vantagem.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja limitada a prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente; c) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente ; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Onofre Guilherme dos Santos Filho), nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à canal de televisão, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB: 25.858/GO. Redator: Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente e Redator
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ENTIDADE BENEFICENTE. REMUNERAÇÃO PAGA A EMPREGADO. A vedação legal ao pagamento de remuneração atinge diretores, conselheiros, sócios, instituidores, relacionados no inciso I, do artigo 29 da Lei 12.101/2009 ou mesmo do anterior inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91. VANTAGEM. NEGOCIAÇÃO RELATIVA A CANAL DE TELEVISÃO. Não houve recebimento de vantagem do sujeito passivo a fazer incidir a regra do inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, pois as partes não estão vedadas pela norma em adquirir conjuntamente canal de TV. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI 8.212/1991. OBSERVÂNCIA. A Constituição Federal (CF/1988) determina, § 7º, Art. 195, que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. O Código Tributário Nacional (CTN), em seus Arts. 9º e 14, referem-se à imunidade tributária quanto a impostos, espécie do gênero tributo assim como as contribuições. Consequentemente, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas na Lei 8.212/1991. Com a vigência da Lei 12.101/2009, nas competências posteriores, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas nesta Lei. A partir da vigência da Lei 12.101/2009 os motivos para o cancelamento da isenção devem constar nos lançamentos efetuados em data posterior a esse diploma legal, devido à determinação contida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. Os requisitos para conhecimento do recurso voluntário estão de acordo com a legislação. ISENÇÃO. VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. COMPROVAÇÃO. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto de vantagens ou benefícios a qualquer título. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado. No presente caso, não há a demonstração pela fiscalização de vantagem (privilégio) concedida a suposto dirigente. No presente caso, não há como conceituar como vantagem a percepção de direito existente antes da data de posse como dirigente. No presente caso, não está demonstrado nos autos que a função de integrante da assembleia geral tenha poder de decisão para a obtenção de vantagem. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10120.000447/2010-56
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5399130
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-004.131
nome_arquivo_s : Decisao_10120000447201056.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO
nome_arquivo_pdf_s : 10120000447201056_5399130.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja limitada a prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente; c) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente ; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Onofre Guilherme dos Santos Filho), nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à canal de televisão, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB: 25.858/GO. Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Redator (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5725514
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047252543471616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 792 1 791 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.000447/201056 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301004.131 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria Auto de Infração Contribuições previdenciárias Recorrente SOCIEDADE GOIANA DE CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ENTIDADE BENEFICENTE. REMUNERAÇÃO PAGA A EMPREGADO. A vedação legal ao pagamento de remuneração atinge diretores, conselheiros, sócios, instituidores, relacionados no inciso I, do artigo 29 da Lei 12.101/2009 ou mesmo do anterior inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91. VANTAGEM. NEGOCIAÇÃO RELATIVA A CANAL DE TELEVISÃO. Não houve recebimento de vantagem do sujeito passivo a fazer incidir a regra do inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, pois as partes não estão vedadas pela norma em adquirir conjuntamente canal de TV. ISENÇÃO. REQUISITOS. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI 8.212/1991. OBSERVÂNCIA. A Constituição Federal (CF/1988) determina, § 7º, Art. 195, que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. O Código Tributário Nacional (CTN), em seus Arts. 9º e 14, referemse à imunidade tributária quanto a impostos, espécie do gênero tributo assim como as contribuições. Consequentemente, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas na Lei 8.212/1991. Com a vigência da Lei 12.101/2009, nas competências posteriores, são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas nesta Lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 04 47 /2 01 0- 56 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 A partir da vigência da Lei 12.101/2009 os motivos para o cancelamento da isenção devem constar nos lançamentos efetuados em data posterior a esse diploma legal, devido à determinação contida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO. Os requisitos para conhecimento do recurso voluntário estão de acordo com a legislação. ISENÇÃO. VANTAGENS OU BENEFÍCIOS A DIRETORES, CONSELHEIROS, SÓCIOS, INSTITUIDORES OU BENFEITORES. COMPROVAÇÃO. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que não conceda a diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração ou usufruto de vantagens ou benefícios a qualquer título. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado. No presente caso, não há a demonstração pela fiscalização de vantagem (privilégio) concedida a suposto dirigente. No presente caso, não há como conceituar como vantagem a percepção de direito existente antes da data de posse como dirigente. No presente caso, não está demonstrado nos autos que a função de integrante da assembleia geral tenha poder de decisão para a obtenção de vantagem. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que a multa seja limitada a prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente; c) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que entenderam que é vedada à contratação, em qualquer hipótese, de empresa de dirigente ; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Onofre Guilherme dos Santos Filho), nos termos do voto do Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 793 3 Relator; b) em dar provimento ao recurso, no que tange à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à canal de televisão, nos termos do voto do Relator. Sustentação: Antônio Fernando dos Santos Barros, OAB: 25.858/GO. Redator: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.267.4127 o qual exige contribuições sociais destinadas aos terceiros sobre os valores pagos a segurados empregados e segurados contribuintes individuais. De acordo com o relatório fiscal a isenção que gozava o sujeito passivo foi cancelada por meio de Ato Cancelatório de Isenção, que culminou com a instauração do processo administrativo nº 10120.006427/200955. Fazendo transcrição do Despacho Decisório nº 1225/DRF/GOI de 16/12/2009 que cancelou a isenção, o Fisco aponta que houve violação ao artigo 55, inciso IV da Lei nº 8.212/91, atual artigo 29, inciso I da Lei 12.101/09, uma vez que os Srs. Onofre Guilherme dos Santos Filho e Leonardo Cairo Rizzo obtiveram vantagens ou benefícios a qualquer título da entidade. Diante dessa autuação o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando, basicamente, a nulidade do ato cancelatório de isenção; que o artigo 55 da Lei 8.212/91 fora revogado pela Lei 12.101/09; e que não houve a concessão de remuneração ou vantagens a diretor da entidade. A DRJ de Brasília julgou a impugnação improcedente, mantendo, assim, o crédito tributário, sendo que dessa decisão o contribuinte foi intimado em 02/06/2010. Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou recurso voluntário, sustentando a inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei 8.212/91, atual artigo 29 da Lei 12.101/09, bem como que não teria havido qualquer pagamento ou vantagem conferida a diretor da entidade. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 794 5 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Mandado de Segurança nº 2010.35.00.0032417 Durante a análise dos autos constatei que a autoridade administrativa de jurisdição do contribuinte fez menção ao processo judicial acima, bem como anexou cópia da petição inicial, por meio da qual o sujeito passivo contesta a perda da isenção. Consultando o sitio da Justiça Federal de Goiás, perante a qual foi distribuída a ação supra, verifiquei que os autos foram extintos sem julgamento de mérito e encontramse arquivados, razão pela qual não vejo o óbice da Súmula CARF 01. Inconstitucionalidade do artigo 55 da Lei 8.212/91 e posterior artigo 29 da Lei 12.101/09. Nessa questão incide a Sumula CARF nº 02 segundo a qual não compete ao órgão dizer acerca da inconstitucionalidade das leis. Portanto, afasto essa preliminar suscitada em sede de recurso voluntário. Mérito No tocante ao mérito, entendo que para melhor análise e compreensão do caso, devemos separar as situações referentes a cada uma das pessoas físicas, cuja acusação fiscal, afirma terem recebido vantagens do sujeito passivo. Sr. Onofre Guilherme dos Santos Filho Nesse ponto, alega o Fisco que o Sr. Onofre Guilherme dos Santos Filho recebe remuneração e que este ocupa cargo de direção na medida em que é secretário geral da Sociedade Goiana de Cultura (“SGC”), um dos cargos que compõe a Presidência. Analisando os artigos 24, 28 e 29 do Estatuto da SGC, compilados pelo Fisco no Relatório Fiscal, os quais versam sobre as funções da Secretaria Geral e do respectivo Secretário, verifico que: i) a Secretaria Geral é órgão de assessoria das atividades administrativas do Gabinete da Presidência; ii) nesse sentido, compete ao secretário geral assessorar o presidente e os dirigentes; administrar, de acordo com o Presidente, os recursos humanos, materiais e financeiros da Secretaria Geral; dar apoio à Assembléia Geral etc. Como se vê, a atividade exercida pelo secretário geral é meramente de gestão administrativa, de apoio à Presidência e à Assembléia Geral, não detendo poderes para dar as diretrizes da entidade, tais como diretores, conselheiros, sócios, instituidores, relacionados no inciso I, do artigo 29 da Lei 12.101/2009 ou mesmo do anterior inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 O cargo de direção da entidade deve ser comprovado mediante documentos que demonstrem os poderes inerentes a esse cargo, o que não foi o caso. O estatuto da SGC não nos leva a concluir dessa forma, mas tão somente que compete à secretaria geral e respectivo secretário cuidar de assuntos de organização interna, administrativa da entidade e não de determinar os seus objetivos, suas funções enquanto pessoa jurídica, o que compete à sua Assembléia Geral, órgão máximo da SGC, conforme artigo 30 do seu estatuto, a qual é formada apenas pelos associados efetivos. Sr. Leonardo Cairo Rizzo Em relação ao Sr. Leonardo Cairo Rizzo a primeira acusação fiscal é no sentido de que este, conselheiro da SGC, teria obtido vantagem na aquisição do canal 24 de TV, na medida em que este deteria 10% do canal televisivo. De acordo com o Contrato de Transação de Direitos Para a Exploração dos Serviços de Radiodifusão firmados entre a SGC e o Sr. Leonardo Cairo Rizzo, fls. 222/223 do Processo Administrativo conexo nº 10120.000446/201010, ambos adquiriram o canal de TV, sendo que a primeira pagou por 90% e o segundo por 10%. Nesse Contrato ambos acordam em firmar com a empresa SISTEMA LAGEADO DE COMUNICAÇÃO LTDA um contrato de comodato 'para uso e exploração dos Serviços de Radiofusão de sons e imagem (TV) para a localidade de Goiânia, Estado de Goiás. Às fls. 224 e 225 do referido Processo Administrativo nº 10120.000446/201010, as partes acordam em fazer a resilição contratual referente aos direitos televisivos, sendo que a SGC se oferece a comprar a parte que detém o Sr. Leonardo de acordo com os valores ajustados às fls. 225. Nesse cenário, não vejo que o Sr. Leonardo tenha recebido qualquer vantagem do sujeito passivo a fazer incidir a regra do inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, pois as partes não estão vedadas pela norma em adquirir conjuntamente canal de TV. O Sr. Leonardo, de acordo com a documentação acostada não recebeu qualquer montante ou vantagem para a aquisição do canal de TV. O fato de posteriormente as partes, de comum acordo, encerrar o contrato existente e a SGC adquirir a participação de 10% que detinha o Sr. Leonardo, mediante a combinação de preço, foi efetuado nos moldes da legislação civil. Aponta o Fisco, outrossim, que ao Sr. Leonardo teria sido concedida a administração do estacionamento pago pela clientela da entidade, bem como a administração, comercialização e recebimento de três loteamentos de terrenos urbanos da entidade. Acerca da administração do estacionamento, este foi firmado entre a SGC (via Universidade Católica de Goiás) e a L & R Estacionamento Ltda., da qual faz parte o Sr. Leonardo Rizzo, fato este incontroverso nos autos, sendo que às fls. 226 a 228 dos autos do Processo Administrativo nº 10120.000446/201010 as partes tratam dos valores devidos em razão de demandas trabalhistas movidas por exempregados. Às fls. 229 a 234 dos autos do Processo Administrativo nº 10120.000446/201010 está o contrato firmado entre a SGC e a Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda., por meio do qual esta se incumbe a comercializar 237 lotes do loteamento denominado Jardim das Acácias, sendo que por esta obrigação receberá 13% de comissão sobre a venda financiada de lotes, mais o valor de sinal do negócio que será de 7% do valor de venda. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 795 7 Às fls. 236 a 238 dos autos do Processo Administrativo nº 10120.000446/201010 está o contrato firmado entre a SGC e a Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda., por meio do qual esta se incumbe a comercializar lotes do loteamento denominado Parque Trindade, sendo que por esta obrigação receberá 10% de comissão sobre a venda dos lotes. Às fls. 239 a 241 dos autos do Processo Administrativo nº 10120.000446/201010 está o contrato firmado entre a SGC e a Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda., por meio do qual esta se incumbe a administrar carteira de créditos gerada em decorrência da venda financiada de 1.154 lotes urbanos do empreendimento Parque Trindade, sendo que por esta obrigação receberá 16;5 % sobre o valor das prestações efetivamente recebidas. A meu ver, o Sr. Leonardo Cairo Rizzo, ainda que de forma indireta, recebeu vantagem da recorrente, na medida em que as empresas em que é sócio foram beneficiadas com negócios jurídicos que lhe permitiram receber valores relativos a comissões, pagamentos. Não é necessário, a meu ver, como pretende a recorrente, que a vantagem seja efetuada diretamente à pessoa física do Sr. Leonardo, enquanto conselheiro, pois essa distinção não fazia o inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicado ao caso concreto (lançamento do crédito previdenciário compreendido no período de 01/2005 a 13/2006). Assim, a meu ver, nas situações supra descritas houve violação ao inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Multa Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Contudo, deixo de aplicar a novel disposição do artigo 35 caput da Lei 8.212/91, uma vez que, de acordo com o Discriminativo de Débito anexado aos autos, a multa foi fixada em montante menor, qual seja, 12%, inferior, portanto, a 20% previsto no citado dispositivo. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que não houve violação ao inciso IV, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91 em relação ao Sr. Onofre Guilherme dos Santos Filho e em relação ao Sr. Leonardo Cairo Rizzo somente no tocante às negociações empreendidas em relação a aquisição do canal de TV, sendo que houve descumprimento à legislação na questão relativa aos negócios jurídicos firmados em relação ao estacionamento e venda de loteamentos. (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério – Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 796 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento e, conseqüentemente, de sua decisão para o caso, pelos motivos abaixo. A imunidade da contribuição patronal previdenciária, para as entidades de assistência social está prevista, na Constituição Federal, de 1988. CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Como claramente prevê a Lei Magna, a isenção de contribuição para a seguridade social – como é a contribuição previdenciária – só deve ser concedida para as entidades “que atendam as exigências estabelecidas em lei”. Na legislação pátria, a lei que estabelece as exigência para a isenção é a Lei 8.212/1991, até as competências anteriores à vigência da Lei 12.101/2009. Importante destacar – apesar de não estar em debate no presente processo – que não se aplica ao caso o Código Tributário Nacional (CTN). O CTN, em seu art. 14, disciplina a isenção a ser dadas a entidades, mas em outro tipo de tributo, os impostos. CTN: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... IV cobrar imposto sobre: c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. ... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Destaquese que o CTN está de acordo com o que determina a Constituição Federal, que veda – em seu Art. 150 – instituir imposto sobre patrimônio, renda e serviços de instituições de assistência social. CF/1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: .. VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 797 11 instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Por fim, que a própria Constituição Federal diferencia – como é correto fazer – imposto e contribuição, espécies do gênero tributo. CF/1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Importante salientar a posição firma do Poder Judiciário sobre a questão, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já se posicionou, por diversas vezes, que só é exigível Lei Complementar quando a Constituição expressamente assim determina. Portanto, pelas decisões reiteradas do STF, quando a CF/1988 determina no § 7º, Art. 195, que "são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”, sem exigir “lei complementar” essa lei pode ser ordinária, como o é a Lei 8.212/1991. Seguem, abaixo, decisões nesse sentido: "EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE A TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7° DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI 9.732/98. PROCEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO” (STF, MI, 616, 17/06/2002, Relator: Nelson Jobim) ... Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não prequestionado a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta o agravante que a questão suscitada no RE não é a inexistência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicado o artigo 55 da L. 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4a Região que, em razão do disposto no artigo 195, § 7º da Constituição, reconheceu a inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchidos os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da L. 8.212/91, com as alterações da L.9.732/98; entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: “CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1ºA, do C.Pr.Civil). Brasília, 2 de outubro de 2006. Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE Relator ... RECURSO EXTRAORDINÁRIO MATÉRIA FÁTICA INVIABILIDADE — DESPROVIMENTO DO AGRAVO. 1. O Tribunal Regional Federal da 5 ' Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folha 46 a 55,assim resumido: ... Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 798 13 TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÉNCIA. 1. O § 7° do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei n°8.212/91. 2. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. 3. Ocorre que, in casu, há regra especifica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7°, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica a "lei", não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. 4. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na citada lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). 5. Apelação improvida. 2. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atua se em sede excepcional a luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacifica a respeito, devendose ter presente o Verbete n°279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise,.conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folha 49). 3. Conheço do agravo e o desprovejo. 4. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 Assim, pelos mandamentos constitucionais, claro está que a Lei 8.212/1991, nas competências até a vigência da Lei 12.101/2009, é a regra que disciplina, de forma constitucional, as exigências para a isenção das entidades de assistência social, no que tange às contribuições para a seguridade social. Na Lei 8.212/1991, na época dos fatos geradores (01/2005 a 12/2007), as exigências para o gozo da isenção estavam disciplinadas em seu Art. 55, conforme corretamente esclarece o Relatório Fiscal (RF), fls. 029. Lei 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 799 15 § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Também de extrema relevância destacar que na época da lavratura do lançamento, 27/01/2010, fls. 01, já vigorava a lei 12;101/2009, que “dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social; altera a Lei no 8.742, de 7 de dezembro de 1993; revoga dispositivos das Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida Provisória no 2.18713, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências”, com destaque para a nossa análise que: 1. Em seu Art. 44, revogou o art. 55 da lei 8.212/1991, citado acima; e 2. Os artigos 29 a 32 disciplinaram nova lista de requisitos, exigências para o gozo da isenção do tributo constante neste lançamento (Art. 29 e 30) e nova forma para a exigência das contribuições (Art. 31 e 32). Lei 12.101/2009: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 16 IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. § 1o A exigência a que se refere o inciso I do caput não impede: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I a remuneração aos diretores não estatutários que tenham vínculo empregatício; (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II a remuneração aos dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo federal. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 2o A remuneração dos dirigentes estatutários referidos no inciso II do § 1o deverá obedecer às seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) I nenhum dirigente remunerado poderá ser cônjuge ou parente até 3o (terceiro) grau, inclusive afim, de instituidores, sócios, diretores, conselheiros, benfeitores ou equivalentes da instituição de que trata o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) II o total pago a título de remuneração para dirigentes, pelo exercício das atribuições estatutárias, deve ser inferior a 5 (cinco) vezes o valor correspondente ao limite individual estabelecido neste parágrafo. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o não impede a remuneração da pessoa do dirigente estatutário ou diretor que, cumulativamente, tenha vínculo estatutário e empregatício, exceto se houver incompatibilidade de jornadas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 2013) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 800 17 Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Seção II Do Reconhecimento e da Suspensão do Direito à Isenção Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Esclarecendo, até a vigência da lei 12.101/2009 havia a exigência – para o cancelamento de isenção – que a fiscalização lavrasse ato administrativo intitulado “Informação Fiscal”, que poderia gerar ato administrativo intitulado “Ato Cancelatório de Isenção”, conforme as determinações abaixo: Lei 8.212/1991: Art. 55. ... ... § 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei 9.732, de 1998) Decreto 3.048/1999: Art. 206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (Revogado pelo Decreto nº 7.237, de 2010). Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 18 I seja reconhecida como de utilidade pública federal; II seja reconhecida como de utilidade pública pelo respectivo Estado, Distrito Federal ou Município onde se encontre a sua sede; III seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação da pelo Decreto nº 4.032, de 2001) IV promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, relatório circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro Social; e VI não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social. VII esteja em situação regular em relação às contribuições sociais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 1º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem destes necessitar. § 2º Considerase pessoa carente a que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção, nem têla provida por sua família, bem como ser destinatária da Política Nacional de Assistência Social, aprovada pelo Conselho Nacional de Assistência Social. § 3º Para efeito do parágrafo anterior, considerase não possuir meios de prover a própria manutenção, nem têla provida por sua família, a pessoa cuja renda familiar mensal corresponda a, no máximo, R$ 271,99 (duzentos e setenta e um reais e noventa e nove centavos), reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento do benefício de prestação continuada da assistência social. § 4º Considerase também de assistência social beneficente a pessoa jurídica de direito privado que, anualmente, ofereça e preste efetivamente, pelo menos, sessenta por cento dos seus serviços ao Sistema Único de Saúde, não se lhe aplicando o disposto nos §§ 2º e 3º deste artigo. § 5º A isenção das contribuições é extensiva a todas as entidades mantidas, suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil da pessoa jurídica de direito privado Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 801 19 beneficente, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 6º A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva e nem abrange outra pessoa jurídica, ainda que esta seja mantida por aquela, ou por ela controlada. § 7º O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. § 8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: I se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, EMITIRÁ INFORMAÇÃO FISCAL na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de quinze dias, contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) § 9º Não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social da decisão que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput. § 10. O Instituto Nacional do Seguro Social comunicará à Secretaria de Estado de Assistência Social, à Secretaria Nacional de Justiça, à Secretaria da Receita Federal e ao Conselho Nacional de Assistência Social o cancelamento de que trata o § 8º. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 20 § 11. As pessoas jurídicas de direito privado beneficentes, resultantes de cisão ou desmembramento das que se encontram em gozo de isenção nos termos deste artigo, poderão requerêla, sem qualquer prejuízo, até quarenta dias após a cisão ou o desmembramento, podendo, para tanto, valerse da mesma documentação que possibilitou o reconhecimento da isenção da pessoa jurídica que lhe deu origem. § 12. A existência de débito em nome da requerente, observado o disposto no § 13, constitui motivo para o cancelamento da isenção, com efeitos a contar do primeiro dia do segundo mês subseqüente àquele em que a entidade se tornou devedora de contribuição social. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) § 13. Considerase entidade em débito, para os efeitos do § 12 deste artigo e do § 3º do art. 208, quando contra ela constar crédito da seguridade social exigível, decorrente de obrigação assumida como contribuinte ou responsável, constituído por meio de notificação fiscal de lançamento, autodeinfração, confissão ou declaração, assim entendido, também, o que tenha sido objeto de informação na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social.(Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 2001) Já a partir da Lei 12.101/2009, os fatos para o cancelamento da isenção devem estar presentes no lançamento, conforme as determinações abaixo: Lei 12.101/2009: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil LAVRARÁ O AUTO DE INFRAÇÃO RELATIVO AO PERÍODO correspondente e RELATARÁ os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 802 21 De forma correta, pois todos sabemos que, em relação à matéria processual, a regra é que as novas regras já se aplicam aos processos que estão em trâmite, a fiscalização lavrou o lançamento com todas as informações sobre os motivos que em seu entender levaram ao cancelamento da isenção, fls. 031 a 033. Por fim, de forma diversa do que já se decidiu em outros processos, como discutido e decidido, o presente lançamento foi lavrado de forma correta, como determina a legislação, tanto no direito material com a análise e aplicação do Art. 55, da Lei 8.212/1991, como no direito processual com a aplicação da forma determinada na Lei 12.101/2009. Quanto à admissibilidade, conforme analisado e discutido, concordo com o Relator quanto á tempestividade do recurso, pois; “o recorrente foi intimado do acórdão da DRJ em 02/06/2010. No dia 03/06/2010 foi feriado nacional (Corpus Christi), sendo que o prazo recursal iniciouse em 04/06/2010, uma sextafeira. Assim, protocolado o recurso voluntário em 1º de julho de 2010, foi atendido o trintídio legal”. Sobre a existência de “Ato Cancelatório de Isenção” (10120.006427/2009 55), em trâmite, já analisamos, acima, que, devido a data de ciência do lançamento, 27/01/2010, após a vigência da Lei 12.101/2009, os motivos para a exigência das contribuições, devido ao cancelamento da isenção, devem estar descritas no lançamento, como corretamente está, possibilitando sua análise, aliás, como corretamente fez a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que analisou e decidiu a questão, sem prevalecer dependência entre processos. Por fim, quanto à existência de Mandado de Segurança, nº 2010.35.00.0032417, não há a concomitância entre processo administrativo e judicial: a) pelos pedidos constantes da ação judicial; b) pelas razões expressas na decisão de primeira instância e; c) pelo motivo constante do voto do Relator. Esclarecemos, em primeiro lugar, só há concomitância entre processos administrativo e judicial quando seus pedidos, suas solicitações, seus objetos, o direito que se busca forem idênticos. No presente processo discutese a exigência, ou não, de obrigações tributárias principais, por descumprimento de regras isentivas. Já no processo judicial citado, o sujeito passivo busca conforme pleitos constantes da ação judicial acostada aos autos. fls. 0556 – objetivos diversos da exigência, ou não, de obrigações tributárias principais, por descumprimento de regras isentivas: “Em face pois, de todo o exposto, estando presentes todos os pressupostos exigidos para a propositura do presente Mandamus, requer a concessão de liminar Inaudita altera part para determiner aos Impetrados: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 22 a) suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente do Processos Administrativos na forma do art. 151, V, do CTN, de acordo com as modificações introduzidas pela Lei Complementar n. 104/2001; b) exclusão, junto aos registros dos imóveis acima citados, do arrolamento de bens, expedindose em conseqüência notificação ao Cartório de Registro de Imóveis da 4ª Circunscrição de Goiânia — Go; c) que os Impetrados se abstenha de negar a expedição da CND quanto à divida ativa da União (CTN, art. 205), com efeitos de negativa (CTN, art. 206); d) que se abstenham de inscrever o nome da Impetrante junto ao CADIN, enquanto perdurar a discussão judicial do débito objeto do presente. DOS REQUERIMENTOS Por todo o exposto, a Autora requer: a) sejam os Impetrados notificados dos termos do presente, para, querendo, no prazo legal, prestarem as informações que julgarem necessárias; b) a oitiva do Ministério Público Federal; c) Ao final, seja concedida a segurança pleiteada por ser medida de justiça, confirmando assim a liminar pleiteada que, acredita, será concedida. Atribuise à presente para efeito de pagamento de custas, o valor de R$ 200,00(duzentos reais). Termos em que, P. Deferimento.” Assim, está claro – pelos pleitos constantes nos processos administrativo e judicial – que não há renúncia à instância administrativa, pois os objetos constantes das ações são distintos. Em segundo lugar, concordo com a análise e solução feita e dada pela decisão de primeira instância, fls. 0566, que não verifica à renúncia e decide que a ação citada busca a suspensão do crédito tributário. Em terceiro e último lugar, sobre a concomitância, concordo com o nobre Relator que decidiu que, “consultando o sitio da Justiça Federal de Goiás, perante a qual foi distribuída a ação supra, verifiquei que os autos foram extintos sem julgamento de mérito e encontramse arquivados, razão pela qual não vejo o óbice da Súmula CARF 01”. Portanto, pelo exposto, conheço e admito o recurso interposto. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 803 23 Quanto ao mérito, esclareço que o colegiado concordou, de forma unânime, com o Relator, pelas razões e provas analisadas, que se deve dar provimento ao recurso quanto à suposta remuneração de dirigente (Onofre Guilherme dos Santos Filho) e à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à canal de televisão. Discordei do Relator em três pontos: 1. suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento; 2. suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis; e 3. aplicação de retroatividade benigna (Art; 106, CTN), nas multa, para aplicação do disposto no Art. 61, da Lei 9.430/1996, se mais benéfica à recorrente. Devo, conseqüentemente, fazer o voto vencedor somente quanto aos dois primeiros pontos, que acarretam o provimento do recurso voluntário do sujeito passivo, pois o voto do Relator, foi vencedor – dentre as posições que não concordei – somente em relação ao terceiro (multa). Pois bem, quanto ao primeiro ponto, suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa ao estacionamento, já me manifestei em outros processos e mantenho minha convicção que, em síntese, a determinação legal veda que diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, percebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título, ou seja, não obtenham “privilégios”,em razão de sua posição na organização. As razões do Fisco constam do RF, fls. 033: “ 38) Foi concedido ao Sr. Leonardo Rizzo a administração do estacionamento pago pela clientela da UCG, o que configura também uma vantagem financeira.” Para o sujeito passivo, em sua impugnação, fls. 0564, e em seu recurso, fls. 0590, em síntese, não ficou evidenciado em nenhum momento, que os associados, conselheiros, mantenedores, diretores, benfeitores tenham recebido remuneração, em razão de funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo Estatuto Social, ou que tenham usufruído de dividendos ou vantagens.. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 24 Pois bem, no entender de nossa análise, a legislação veda o recebimento de privilégios por parte de diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, o que não foi demonstrado e comprovado no presente lançamento, motivo do provimento do recurso neste ponto. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado e, em nosso entender, esse privilégio no contrato está demonstrado. Questão semelhante já foi analisada antes pelo colegiado, que chegou – neste ponto – a mesma decisão. “Portanto, pela determinação da legislação, os diretores, conselheiros, sócios instituidores ou benfeitores da entidade beneficente de assistência social, para a entidade usufruir da isenção, não podem perceber, auferir: 1. Remuneração; 2. Vantagens; e 3. Benefícios a qualquer título. A legislação, portanto, não veda contratos entre empresas e as entidades beneficentes, para parceria e terceirização de serviços, o que a legislação determina é que não pode haver benefícios ou vantagens para o diretor, conselheiro, sócio, instituidor ou benfeitor. Em nosso entender, nesse caso, a vantagem, o benefício à empresa do diretor está claramente demonstrada, pois não há ressarcimento aa recorrente quando este encaminha seus pacientes para serem atendidos pela empresa do diretor. Já o contrário ocorre. Vantagens e benefícios são características de algo privilegiado e, em nosso entender, esse privilégio no contrato está demonstrado. Portanto, caso a entidade desejasse manter sua isenção, ela poderia realizar negócio com empresa que possui como sócio um de seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, mas não poderia conceder vantagens ou benefícios, como demonstrado pelo Fisco e presente nos contratos.. Por fim, não há ilegalidade alguma na parceira, contrato, o que há é o claro benefício a uma empresa de um diretor, o que configura motivo relevante para o cancelamento da isenção, pelo que determina a legislação. Assim, há razão no argumento do Fisco nesta questão. Já na empresa que atua em oftalmologia, fls. 035, o Fisco verificou, em síntese, que: 1. A empresa do diretor presta serviços ao hospital para atendimento de empregados de empresa que contratou hospital; e Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 804 25 2. A empresa do diretor é responsável pelo atendimento oftalmológico em área de checkup. Destaquese, preliminarmente, pois importante, para respeito à Sumula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal (STF), que há notas fiscais de pagamentos a empresa do diretor a partir do ano de 2005, fls. 0343 em diante. Portanto, como a IF foi lavrada em 2006, fls. 039, os fatos não foram afetados pela decadência qüinqüenal determinada pelo STF, na Súmula citada, expressa no CTN. Já neste ponto, analisando de forma total as informações do Fisco, fls. 035 a 037, não encontramos demonstração cabal do Fisco de que ocorreram vantagens ou benefícios. Há, até, item que busca demonstrar, talvez, uma remuneração, mas não de forma taxativa, mas sim de forma duvidosa: 194. A utilização genérica da expressão "Serviços Médicos Prestados" não se faz suficiente para comprovar especificamente os serviços que realmente foram prestados. Assim não pode ser excluída a hipótese de ser este um artifício para encobrir a remuneração d diretor em questão. Foi solicitado então esclarecimentos a entidade conforme TIAD anexo. 195. A entidade informou que o HIAE celebrou um contrato com a empresa Rhodia Brasil Ltda. para a realização de exames, inclusive oftalmológicos, (contrato não anexado por tratar de assuntos confidenciais da empresa) e que o diretor C. L. L. foi o médico escolhido para realizar estes exames em função do seu horário no consultório ser compatível aos horários escolhidos pela contratante. Examinandose o contrato entre esta empresa e o HIAE não se encontra nenhuma menção ao horário em que as consultas oftalmológicas deveriam ser realizadas, portanto, em tese, podese considerar que foram concedidas VANTAGENS ao diretor em questão.” Com todo respeito ao excelente trabalho do Fisco, não entendemos o motivo da ausência de horário em contrato ser considerado um benefício, uma vantagem. Acusações fiscais não podem ser caracterizadas “em tese”, devem possuir certeza absoluta. Em respeito ao devido processo legal. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Em outro argumento da fiscalização para a configuração de vantagens ou benefícios a diretores, item 0199 o Fisco informa, ao final, que a empresa não conseguiu provar a “não remuneração” ao seu diretor, em contrato para a realização de checkups. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 26 Novamente, com todo respeito, quem tem que provar a remuneração, o benefício, a vantagem é a fiscalização e não a recorrente. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Por fim, a fiscalização argumenta que “é de se estranhar e refutar que empresas de diretores sejam contratadas para prestarem serviços que, em principio, deveriam ser prestados pelo Corpo Clínico Aberto” (item 0201). E conclui: “202. Em tese, podese afirmar que estas empresas são contratadas como forma de encobrir a remuneração dos diretores da SBIBHAE o que fere o inciso IV do art. 55 da Lei 8212 de 1991.” Novamente, com todo respeito à fiscalização, a acusação fiscal, não pode concluir “em tese”. Na atividade do Fisco ou o descumprimento da legislação ocorreu, ou não, sem espaço algum para qualquer subjetividade. Por essa razão, nesse ponto, não ficou demonstrado o descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. Assim, vantagens, benefícios somente ficaram demonstrados na contratação com empresa de diretor que atua na área de oncologia, o que acarreta a demonstração descumprimento ao IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991. (Processo 44023.000017/2007 59) Para o nobre Relator, a fiscalização tem razão, pois: “Acerca da administração do estacionamento, este foi firmado entre a SGC (via Universidade Católica de Goiás) e a L & R Estacionamento Ltda., da qual faz parte o Sr. Leonardo Rizzo, fato este incontroverso nos autos, sendo que às fls. 226 a 228 dos autos as partes tratam dos valores devidos em razão de demandas trabalhistas movidas por exempregados. ... A meu ver, o Sr. Leonardo Cairo Rizzo, ainda que de forma indireta, recebeu vantagem da recorrente, na medida em que as empresas em que é sócio foram beneficiadas com negócios jurídicos que lhe permitiram receber valores relativos a comissões, pagamentos. Não é necessário, a meu ver, como pretende a recorrente, que a vantagem seja efetuada diretamente à pessoa física do Sr. Leonardo, enquanto conselheiro, pois essa distinção não fazia o inciso IV do artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicado ao caso concreto (lançamento do crédito previdenciário compreendido no período de 01/2005 a 13/2006).” Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 805 27 Concordo com o Relator quando este afirma que a vantagem pode ser conceituada quando pessoa jurídica que o dirigente faz parte recebe a vantagem, mas essa vantagem tem que ser demonstrada pelo Fisco. O sujeito passivo sempre afirmou que não houve vantagem, privilégio, e esses não foram comprovados, por indícios ou provas, nos autos, ponto que concordo e motivo para o provimento do recurso neste ponto. Quanto ao segundo ponto suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis – não há razão nos argumentos da fiscalização. A fiscalização fundamenta sua acusação, neste ponto, da seguinte forma, fls. 033: “35) Conforme consta da própria defesa da SGC, o Sr. Leonardo Cairo Rizzo passou a integrar o plenário na mantenedora — SGC em 04/07/2002, inicialmente, na condição de conselheiro e, posteriormente, em face das alterações estatutárias, na condição de associado. 36) Nada tem a ver o primeiro contrato celebrado entre SGC e Sr. Leonardo Rizzo ser anterior a sua posse no cargo de conselheiro. Não há esta previsão legal. Faltou cautela a SGC quando concedeu vantagens ao seu conselheiro e posteriormente associado. O inciso IV do art. 55 da Lei n° 8.212/91 é claro ao exigir que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores não percebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo para que a entidade possa usufruir da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n°8.212/91. Voltamos a transcrever o inciso IV do art. 55 da Lei n°8.212/91, para que não pairem dúvidas sobre a controvérsia: ... 38) ... . O Sr. Leonardo Rizzo foi também beneficiado com o repasse da administração, comercialização e recebimento de três loteamentos de terrenos urbanos da SGC — Loteamentos São José, Acácias e Trindade. Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda é remunerada com o percentual de 20% a 26,5 % dos valores pagos pelos adquirentes, desde 1996 até o ano de 2010. 1001 a 1029. 39) Portanto, dúvida não resta pela própria documentação anexada aos autos pela Autoridade Fiscal que o Sr. Leonardo Rizzo se beneficiou, usufruiu de vantagens, o que impede a SGC de usufruir do beneficio da isenção de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n° 8.212/91 a partir de 04/07/2002, data em que o Sr. Leonardo Rizzo se tornou conselheiro da SGC.” Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 28 A impugnação defendese da acusação, fls. 0432: “Esclareceu que a Empresa Leonardo Rizzo Participações Imobiliárias Ltda., por ser uma das mais antigas empresas de intermediação e administração de Imóveis de terceiros estabelecida nesta Capital, e por não possuir contra a mesma, nada que venha desabonar a sua conduta no trato com os negócios imobiliários, foi a escolhida pela Sociedade Goiana de Cultura para intermediação da venda de alguns imóveis de sua propriedade. Afirmou e documentou que o primeiro contrato firmado com a empresa LEONARDO RIZZO PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIAS LTDA., o foi em mesmo de 1995, portanto há quase 15(quinze) anos, para a venda de lotes urbanos do empreendimento PARQUE TRINDADE. E que em face da qualidade, competência e seriedade com que os serviços foram prestados pela empresa em questão, em maio de 2000 foi firmando novamente novo contrato com a mesma, desta feita para a venda de lotes no empreendimento JARDIM DAS ACÁCIAS. E em agosto de 2003, pelos mesmos motivos acima, novo contrato foi firmado para intermediação na venda do empreendimento Loteamento Parque São José.” O acórdão de primeira instância não dá razão às razões da defesa, fls. 0565 a 0574. O sujeito passivo reafirma seus argumentos em seu recurso, fls. 0592. Em primeiro lugar, de extremo destaque, é o fato incontroverso nos autos que a maioria dos contratos de estacionamento, dois, Loteamentos Acácia e Trindade, foram celebrados antes da posse do dirigente citado na acusação. O Fisco afirma que a posse como dirigente ocorreu em 04/07/2002 e esses dois contratos foram celebrados entes da posse do dirigente, pois o Trindade foi em 1995, fls. 236, e o Acácias foi em 2000, fls. 0229, como demonstram as provas, contratos. Portanto, não há que se falar em percebimento, obtenção de vantagem, benefício, privilégio (IV, Art. 55, Lei 8.212/1991) em relação há direito que já se possuía antes da data da suposta posse como dirigente. Assim, por essa razão, totalmente descabida a razão do Fisco em relação a esses dois loteamentos (Acácias e Trindade), motivo do provimento do recurso neste ponto. Em segundo lugar, novamente de grande destaque, é que o sujeito passivo e a pessoa jurídica citada já possuíam relação comercial antes da posse do dirigente. Ou seja, já existia um histórico comercial entre as duas pessoas jurídicas, o que é um forte indício de que o contrato para a comercialização do outro loteamento (São Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 806 29 José), em agosto de 2003, não foi resultado de uma vantagem, privilégio, obtido, percebido pelo suposto dirigente, mas sim resultado de uma parceria comercial histórica, devido a resultados obtidos por ambas as partes, como por exemplo, confiança. Somase a esse forte indício a total ausência de comprovação por parte do Fisco de que houve algum privilégio no contrato e de que este resultou da ocupação do suposto cargo de direção por parte da pessoa física. Como já citamos acima, a comprovação da vantagem, do privilégio percebido é obrigação para que o Fisco acuse o sujeito passivo de descumprimento do IV, Art. 55, da Lei 8.212/1991, o que não restou comprovado na acusação. Assim, pelos motivos citados neste segundo tópico, também damos razão ao recurso do sujeito passivo, neste tópico. Em terceiro lugar, e igualmente relevante, ou até mais, para que a fiscalização motive sua acusação, é a necessidade de comprovação de que a função, cargo, ocupado pela pessoa física tenha poder e seja determinante para a obtenção, percepção, da vantagem, do privilégio. Como já citamos, a fiscalização afirma, em seu relatporio: “35) Conforme consta da própria defesa da SGC, o Sr. Leonardo Cairo Rizzo passou a integrar o plenário na mantenedora — SGC em 04/07/2002, inicialmente, na condição de conselheiro e, posteriormente, em face das alterações estatutárias, na condição de associado”. O estatuto do sujeito passivo, fls. 0113, define os cargos, funções e suas competências, poder, na organização “Art 23 A Administração da SGC é constituída dos seguintes órgãos' a) Presidência; e b) Assembléia Geral. Art. 24 A Presidência da SGC é composta pelo: a) Presidente; b) VicePresidente; c) Secretário Geral. Art 25O Presidente da SGC é o Arcebispo Metropolitano de Goiânia, que tem as seguintes atribuições, além das que forem admitidas pelo direito e conferidas por outros dispositivos deste Estatuto ou pela Assembléia Geral: a) dirigir a SGC, segundo os dispositivos das leis civis e canônicas e deste Estatuto; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 30 b) convocar e presidir a Assembléia Geral, com poder de decidir nas situações de empate; c) supervisionar a administração superior das Instituições da SGC; d) presidir as reuniões das Instituições Mantidas a que comparecer; e) homologar o Estatuto e o Regimento Geral da SGC; f) representar a SGC e suas Instituições Mantidas em juizo e fora dele, por si pó por delegado seu; g) convocar e presidir as reuniões do Conselho Consultivo; h) definir o documentos que asseguram a orientação, a supervisão e a manutenção das atividades das suas Instituições Mantidas; i) aplicar os dispositivos que regem as relações entre a Mantenedora e suas Instituições; j) propor à Assembléia Geral o orçamento da SGC necessário para a manutenção de suas finalidades e objetivos institucionais; k) escolher, nomear e dar posse ao Reitor, ao ViceReitor e aos PróReitores da UCG, os dirigentes das demais Instituições Mantidas, bem como receber dos mesmos o compromisso de fidelidade eclesial e institucional; l) aprovar em última instância os pianos de ação das Instituições Mantidas e suas propostas orçamentárias, acompanhando sua execução, por intermédio de relatórios da própria administração, enviados ao Presidente da SGC pelos Dirigentes das Instituições Mantidas pela SGC; m) deliberar sobre as propostas para a alienação de bens, aceitação de legados e doações; n) deliberar sobre a assembléia de encargos financeiros que onerem, direta ou indiretamente, o patrimônio confiado is mesmas; o) decidir sobre a criação, incorporação e extinção de Instituições Mantidas de educação, cultura, bemestar social, saúde e comunicação; p) decidir sobre o afastamento e destituição de membros da Administração Superior das Instituições Mantidas, no caso de infidelidade e discordância de procedimentos e objetivos da SGC; q) vetar as decisões de &silo colegiado ou singular das Instituições Mantidas sobre matéria institucional que contrariem este Estatuto, o Estatuto e/ou o Regimento Geral das Mantidas, as normas da Doutrina Cristã, as orientações publicadas pela Santa Sé, pela Congregação da Educação Católica, o Código de Direito Canônico, as diretrizes da Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10120.000447/201056 Acórdão n.º 2301004.131 S2C3T1 Fl. 807 31 Igreja pata as instituições educacionais, emanadas pela CNBB, bem como as Diretrizes Pastorais da Arquidiocese de Goiânia; r) aprovar as políticas de salário e preços de bens e serviços prestados pelas Instituições Mantidas; s) homologar, inclusive exercendo poder de veto, os Estatutos e Regimentos das Instituições Mantidas; t) deliberar sobre a extinção ou cessação das atividades das Instituições Mantidas; u) supervisionar as atividades beneficentes de assistência social, de concessão de bolsas de estudo, incentivos e beneficias a saem concedidos pelas Instituições Mantidas, bem como o controle contábil das mesmas. ... Art. 30 A Assembléia Geral, composta pelos Associados Efetivos, é o órgão superior de deliberação da SGC e se reúine: a) ordinariamente, uma vez por ano, em data marcada pelo Presidente b) extraordinariamente, por convocação do Presidente ou por um quinto dos Associados Efetivos e c) em sessões plenárias, por convocação do Presidente, segundo critérios estabelecidos no Regimento Geral. ... Art. 32 Compete à Assembléia Geral: a) aprovar o Estatuto e o Regimento Geral da SGC, exigindo, para tanto, voto favorável de 2/3 dos Associados, em Assembléia especialmente convocada para tal fim; b) deliberar sobre a alteração do presente Estatuto e dos Estatutos das Instituições Mantidas; c) deliberar sobre pianos de gestão, proposta do orçamento, prestação de contas da SGC, bem como os relatórios da Presidência e, quando cabíveis, sobre os relatórios apresentados pelo Reitor e pela Administração das demais Mantidas, dando as orientações qtie julgar convenientes a respeito; d) deliberar sobe os limites da administração ordinária do patrimônio da SGC e os poderes a ela inerentes, necessários para o cumprimento das finalidades da suas Instituições Mantidas; e) deliberar, em grau de recurso, sobre as sanções aplicadas pelo Presidente aos Associados; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 32 f) decidir sobre incorporação, fusão, cisão, dissolução e extinção da Entidade, nos termos do presente Estatuto, exigindo, para tanto, voto favorável de 2/3 dos Associados, em Assembléia especialmente convocada para tal fim. Pela análise do Estatuto do sujeito passivo, não concordamos com o Relator em sua afirmação de que a a direção da entidade é exercida pela assembléia geral pois esta possui poderes para tanto. Como se nota no estatuto do sujeito passivo, até pelo extenso rol de atribuições, quem administra o sujeito passivo é a Presidência, pois ali estão as atividades com poder de decisão na administração da organização. Portanto, para que o Fisco afirme que a entidade descumpriu o IV, Art. 55 da Lei 8.212/1991 é obrigatória a demonstração cabal de que o cargo, a função ocupada pela pessoa física possuía atribuições capazes de definir ações para a obtenção de sua vantagem, de seu privilégio. Como não há na acusação fiscal demonstração cabal de que o cargo, a função ocupada pela pessoa física possuía atribuições capazes de definir ações para a obtenção de sua vantagem, de seu privilégio, deve ser dado provimento ao recurso, também por essa razão. Assim, pelas razões expostas, deve ser dado provimento ao recurso no item relativo à suposta remuneração de dirigente (Leonardo Cairo Rizzo), em relação à negociação relativa à comercialização de imóveis, nos termos acim.a Em relação à aplicação de multas, pela aplicação do voto do Relator, que foi vencedor, não concordo com sua decisão, que não prevalece, pelo recurso ter, pela conjugação de votos, obtido provimento integral nas questões de mérito relativas à exigência de obrigação tributária principal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, conheço e dou integral provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
