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Numero do processo: 10880.725391/2017-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014
AQUISIÇÕES. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO VEDADO.
Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS/Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL.
Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO.
Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 AQUISIÇÕES. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO VEDADO. Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS/Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 AQUISIÇÕES. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO VEDADO. Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS/Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 53 91 /2 01 7- 11 Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 882 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 835 a 877) interposto pelo Contribuinte, em 26 de setembro de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 12101.406 (fls. 775 a 824), de 12 de setembro de 2018, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) – DRJ/RJO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a Impugnação (fls. 631 a 682) apresentada pelo Contribuinte, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado e homologando parcialmente a DCOMP até o limite do crédito reconhecido. Com intuito de contribuir na elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase da análise do Pedido de Ressarcimento no 35063.72175.121114.1.5.19 5839, referente a créditos da Cofins nãocumulativa vinculados ao mercado externo do 1º trimestre de 2014, no valor total de R$ 41.488.277,73. Os créditos a ressarcir foram objeto de compensaca̧õ através das Declarações de Compensação (DCOMP). Preliminarmente, parte do crédito, R$ 10.685.982,62 (dez milhões, seiscentos e oitenta e cinco mil, novecentos e oitenta e dois reais e sessenta e dois centavos), foi antecipado através de procedimento especial previsto na Portaria MF no 34/2014, regulamentada pela Instruçaõ Normativa no 1.497/2014, conforme consta do processo no 12585720.024/201448, que se encontra apensado e diretamente vinculado a este. A autoridade fiscal emitiu Despacho Decisório, fls. 597 a 619, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, no montante total de R$ 11.170.700,96 (onze milhões, cento e setenta mil, setecentos reais e noventa e seis centavos), e conseqüentemente, homologando as DCOMP até o limite do valor reconhecido (descontado da antecipação efetuada). Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 883 3 Resumidamente, relacionamos a seguir as principais considerações levantadas pela autoridade tributária na análise do direito creditório pleiteado: 1. Importante consignar que as regras que versam sobre o crédito do PIS/PASEP e da COFINS nãocumulativos, pela natureza exoneratória, representam uma excecã̧o à regra geral de tributação, devendo ser interpretadas de modo literal, restritamente, porquanto compreendem um incentivo fiscal ou benefício fiscal implementado pelo Estado. Esse princípio está expressamente inserido no Código Tributário Nacional CTN, Lei 5.172 de 1966, em seus artigos 111 e 176; 2. O processo produtivo consiste na industrialização e comercializacã̧o feitas principalmente de produtos agrícolas das espécies soja em grãos, caroços de algodão e pluma de algodão, além grãos de café. Não somente os estabelecimentos industriais adquirem os insumos, como diversas outras filiais localizadas próximos aos produtores rurais, servindo como postos de compras, também compram insumos e os transferem para as unidades industriais ou os vendem diretamente ao adquirente (comprador), sem a intermediacã̧o de uma filial funcionando como centro de distribuicã̧o, no mercado interno ou exportam, conforme a demanda dos mercados interno e externo; 3. No presente caso, o interessado apura receitas tributadas no mercado interno, receitas não tributadas (NT) no mercado interno, além da receita de exportacã̧o. Com base nos batimentos entre os arquivos SPED NFe e SPED EFDC do ano de 2014 foram glosadas as exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportacã̧o (CFOP 7501), as quais foram consideradas pelo contribuinte quando do cálculo do rateio proporcional das receitas. As exportacõ̧es de mercadorias adquiridas com fim específico de exportacã̧o não podem compor as receitas de exportacã̧o para fins de cálculo dos índices de rateio, uma vez que não geram direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep e à COFINS, conforme §4º do art. 6º da lei nº 10.833/2003; 4. Portanto, se sobre as operações realizadas com CFOP 7501 não se pode apurar crédito, por conseguinte, elas também não podem compor as receitas de exportacã̧o para fins de cálculo dos índices de rateio. Assim, quando adquire mercadorias com fim específico de exportação, estaria atuando como empresa comercial exportadora, para qual a apuração de créditos é vedada; 5. Cabe salientar que ao serem glosadas da receita de exportacã̧o foram, consequentemente, excluídas da receita bruta total, para cálculo do percentual de rateio entre as receitas; 6. De acordo com o artigo 3º, inciso I, das Leis 10.637/2002 e n° 10.833/2003, o contribuinte pode descontar créditos de PIS e COFINS sobre as aquisições de bens adquiridos para revenda. A maior parte das aquisições corresponde a compras de pluma de algodão e milho efetuadas majoritariamente de cooperativas. As cooperativas dispõem de permissão legal para excluir de sua base de cálculo os valores repassados a seus cooperados, nos termos do inciso I do art. 15 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001; Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 884 4 7. Logo, concluise que devem ser glosados os créditos apurados pelo contribuinte, relativos às aquisicõ̧es de cooperativas que tenham realizado a exclusão dos valores da sua base de cálculo, consoante previsão legal; 8. Foram efetuadas consultas ao sistema DCTF da Receita Federal e aos arquivos da EFD Contribuicõ̧es, onde foram verificadas as receitas informadas, a base de cálculo apurada pela cooperativa e eventuais pagamentos. Observouse que na maior parte dos casos, as receitas tributadas e as bases de cálculo do PIS e da COFINS na EFDC encontram se completamente zeradas ou com algum valor apurado para receita tributada no mercado interno, porém na informação referente à base de cálculo oferecida à tributação, a mesma encontrase zerada, ou seja, apesar de ter apurado receita decorrente de venda tributada no mercado interno, a cooperativa não ofereceu esse valor a tributacã̧o, efetuando a exclusão da base de cálculo. Do mesmo modo, a DCTF encontrase zerada ou com recolhimento apenas do PIS/PASEP sobre folha de salários. Com base nessas informacõ̧es, foram localizadas as cooperativas que efetivamente excluem da base de cálculo os valores repassados aos associados e que por consequência apresentavam base de cálculo para PIS e COFINS zerada ou praticamente zerada; 9. Além das aquisições já citadas, foram glosadas também aquisições de paletes, big bag e bulk line, uma vez que foi constatado, em consultas efetuadas nos arquivos de NFe, notas de entrada e saída, que o contribuinte não comercializa tais produtos. As aquisicõ̧es são efetuadas nos CFOP correspondentes a compras para industrialização e não compras para comercialização. Como tal, são utilizadas como embalagens de transporte, não se incorporando ao produto, e, por conseguinte, não geram direito a crédito como insumos; 10. Do ponto de vista das Leis nº 10.637/2002 e no 10.833/2003, somente geram créditos no regime não cumulativo os gastos com insumos diretos, cuja previsão está expressa no art. 3o, inciso II de ambas as leis e os insumos indiretos, restritos àqueles previstos nos demais incisos do mesmo artigo. No que tange ao conceito de insumo do inciso II do art. 3o das leis citadas, existem certas limitacõ̧es impostas, que vincularam a caracterização de insumo à sua aplicação direta no processo produtivo; 11. Foram glosados valores referentes a materiais de embalagem de transporte, conforme detalhamento fornecido pelo interessado após intimação. Os materiais de embalagem que não são incorporados ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados, não geram crédito; 12. É nesse contexto, que os denominados "big bags", comumente utilizados pelos segmentos alimentício, agrícola, de fertilizantes etc, se caracterizam como embalagem específica para movimentação, armazenagem e transporte de produtos. Também foram glosados valores referentes a "pallets", tela de aniagem e outros que o interessado informou utilizar apenas para transporte; 13. GRAXAS. Tratase de insumo indireto de produção. Embora seja mercadoria com propriedades lubrificantes, difere dos óleos lubrificantes. As graxas são uma combinação de um fluido com um espessante, com Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 885 5 consisten̂cia semissólida, resultando em um produto homogêneo com qualidades lubrificantes, porém diferentes do óleo lubrificante. Aqui cabe esclarecer que como insumos indiretos, os lubrificantes e combustíveis só geram crédito por previsão legal. Desse modo, no caso das graxas, por ausen̂cia de previsão legal, não há direito ao crédito. Além das graxas, foram glosados também valores referentes às aquisições de aditivos, anticorrosivos, os quais não se enquadram no conceito de lubrificantes e combustíveis, não gerando créditos por falta de expressa previsão legal; 14. MATERIAIS DE LIMPEZA e KITS DE ANÁLISES LABORATORIAIS/TESTES. Nesse caso, aplicase o disposto para as graxas. Uma vez que são insumos indiretos e não estão literalmente dispostos na legislacã̧o pertinente, não geram crédito de PIS e COFINS. Insumos glosados: querosene de limpeza, solução de limpeza, kit de análises, kit de proteínas etc.; 15.PEÇAS DE REPOSIÇÃO UTILIZADAS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Caso as peca̧s estejam incluídas no ativo imobilizado, não poderão gerar crédito. Contrariamente, não estando incluídas no ativo imobilizado, podem gerar crédito desde que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas e sejam utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda. Com base nos memoriais de cálculo apresentados e descricã̧o do processo produtivo não restou claro a caracterizacã̧o dessas condições. Assim, não havendo certeza e liquidez do direito ao crédito foram glosados os créditos. Insumos glosados: correia, disco serra, engrenagem, pinos, rolamentos etc.; 16. No caso em concreto além das questões acima tratadas, o interessado adquire esses e outros itens sob CFOP 1556, 2556,1407 e 2407. Em relação aos CFOP 1556 e 2556, tratase de material de uso e consumo e, que pela descrição do processo produtivo do contribuinte e pelos memoriais de cálculo apresentados não foi possível a comprovação de que se seriam insumos empregados diretamente na producã̧o. Já no caso dos CFOP 1407 e 2407 (Compra de mercadoria para uso e consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituicã̧o tributária), independentemente da natureza do bem adquirido, não haveria direito ao crédito, pois as Leis no 10.637/2002 e n° 10.833/2003, ambas no art. 3º, §2°, vedam a tomada de créditos das contribuições a partir de aquisicõ̧es de bens e servico̧s não sujeitos ao pagamento da contribuição; 17. Para dar efetiva aplicação ao regime da nãocumulatividade a que passaram a estar sujeitos o PIS e a COFINS, as Leis no 10.637/02 e n° 10.833/03, ao lado de garantir créditos sobre as aquisições de insumos feitas junto a pessoas jurídicas, asseguraram, em seu artigo 3º, parágrafos 10º e 5º, respectivamente, às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal e vegetal, crédito presumido calculado sobre as aquisicõ̧es de matériasprimas ou servico̧s adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; 18. CAROÇO DE ALGODÃO. A empresa apresentou as planilhas com todas as aquisicõ̧es de caroço de algodão que geraram o crédito presumido apropriado. No entanto, como já citado anteriormente, a lei permite que apenas as compras de caroço de algodão utilizado como insumo possam gerar crédito presumido, sendo vedada a sua apuracã̧o no caso de aquisições para simples comercialização; Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 886 6 19. SOJA. A partir de 10/10/2013, a metodologia de apuração do crédito presumido vinculado a soja sofreu alteracã̧o, conforme art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Foram feitos batimentos entre os arquivos do SPED NFe e da EFDC e os valores constantes dos memoriais de cálculos apresentados, sendo constatado que os valores apropriados pela empresa estão compatíveis com os constantes nos arquivos SPED. Assim, foram mantidos os valores apurados para o crédito presumido de soja; 20. CAFÉ. No caso em concreto do café, a metodologia de apuração sofreu modificações a partir de 1o de janeiro de 2012, com base no Art. 5o da Lei no 12.599 de 2012 e arts. 5o, 7o e 9o da Instrução Normativa RFB no 1.223/2011. Para fins do crédito presumido, considerase exportação a venda direta ao exterior ou a empresa comercial exportadora com fim específico de exportacã̧o. É considerada mera revenda aquela em que o produto é revendido sem passar por processo que lhe imponha alteracã̧o física, como descascamento, moagem, mistura (blend), entre outros. Portanto, no caso em concreto, o contribuinte faz jus ao crédito presumido apropriado, pois efetua o beneficiamento do café para a exportacã̧o, conforme resposta ao Termo de Intimação n° 01/2017; 21. O legislador permitiu o creditamento de aquisições de serviços utilizados tanto na producã̧o ou fabricação de insumos quanto na prestacã̧o de serviços e enquadrou ambas as hipóteses no inciso II, do art. 39 das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; 22. Assim é que, em que pese o servico̧ ser relevante no que concerne às atividades da empresa, não há como reconhecer créditos referentes a servico̧s que não sejam empregados diretamente na industrializacã̧o de produtos. Aqui, aplicase o conceito de insumo, tal qual empregado para os bens utilizados como insumos e o serviço deve estar diretamente inserido na cadeia produtiva. De tal modo que, foram aceitos serviços de industrialização de óleo de soja, arroz, entre outros com CFOP 1124 ou 2124; 23. Consoante os memoriais de cálculo apresentados foram glosados diversos serviços de CFOP 1933 e 2933, os quais não guardam relação direta com o processo produtivo da empresa e para os quais não há previsão legal de creditamento, que não apresentam qualquer relação com as atividades da empresa ou ainda, não foi possível comprovar a sua utilização direta no processo produtivo da empresa, com base nas descricõ̧es dos memoriais apresentados e nas notas fiscais. Serviços glosados: serviços portuários (fumigação e outros não especificados); manutenção elétrica; lubrificação e conserto: instalacã̧o e montagem de aparelhos e máquinas; serviços de caster; consultoria jurídica; execução, por administracã̧o, empreitada; serviços de coleta; remessa ou entrega de correspondência; restauracã̧o e recondicionamento; de dedetização e desinfecção: recrutamento, agenciamento e seleção: serviços de transporte de funcionários: planos de medicina em grupo: funilaria e lanternagem: recauchutagem ou regeneração; perícias e laudos; varrição e coleta; instrucã̧o e treinamento; sondagem; hospedagem; fornecimento ou emissão de atestados; corretagem; aquisicã̧o de telefonia. Foram glosados também serviços com a seguinte descrição: "00000040001079 SERVIÇO DE INDUSTRI". Neste caso não é descrito o tipo de servico̧ especificamente e com base nas descricõ̧es do item e na razão social dos fornecedores informada nas planilhas não é possível inferir que tais serviços são aplicados diretamente na produção de bens, muitos são serviços de manutenção Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 887 7 elétrica, não sendo possível identificar em que local e/ou equipamento foi empregado o serviço; 24. Com o advento da Lei n° 10.833/2003, que instituiu o regime de apuracã̧o nãocumulativa da Cofins, passou a ser admitido também o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei. 25. No intuito de esclarecer quais os tipos de fretes informados nos memoriais de cálculo, o contribuinte foi intimado a apresentar planilha segregando os tipos de frete, que foram separados em fretes de compras, vendas e transferência de produtos acabados conforme a planilha apresentada; 26. Observese que há a hipótese de creditamento de custos com serviços de frete, além das hipóteses expressamente previstas na legislacã̧o acima colocadas. Esta se verifica quando o custo deste serviço, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, quando o valor do serviço de frete passa a integrar o valor de aquisição de tal bem; 27. Integrando os fretes sobre compras ao custo de aquisição, o crédito calculado deve ser dividido em três tipos: insumos ou mercadorias com direito a crédito integral, com direito a crédito presumido e sem direito a crédito. O contribuinte em questão adquire mercadorias e/ou insumos nas três modalidades; 28. Assim, essencial no caso dos fretes de compras em questão, a informacã̧o do CNPJ ou CPF do fornecedor, acompanhado do CFOP da operação e do n9 da nota fiscal de compra, além da NCM da mercadoria, para que se possa confirmar ou não o direito ao crédito; 29. Outro ponto, é que grande parte desses fretes está vinculada a mercadorias que também são adquiridas com fim específico de exportacã̧o, para as quais não é possível o creditamento, por vedação legal, conforme já tratado anteriormente no tópico "Método de Apuração dos Créditos". O contribuinte não efetua a segregacã̧o dos fretes de compras vinculados às aquisicõ̧es de mercadorias com fim específico de exportação dos demais fretes, e estas últimas compõem um percentual significativo das aquisições; 30. Não obstante, em relacã̧o a compra de soja em grãos, a partir de 10 outubro de 2013, o crédito presumido da soja passou a ser calculado sobre as vendas de determinados produtos resultantes da industrializacã̧o da soja e não mais sobre as compras de soja em grãos, como já tratado anteriormente no presente despacho. Assim, passou a inexistir também a possibilidade do creditamento do frete vinculado às aquisições de soja em grãos a partir dessa data. O mesmo ocorreu com o café, os créditos passaram a ser apurados apenas sobre a receita de exportacã̧o, não havendo creditamento na entrada e, por conseguinte, não gerando mais a possibilidade de creditamento dos fretes sobre compras; 31. Outra questão, seriam os fretes de compras de bens para revenda adquiridos de cooperativas, como milho em grãos e pluma de algodão. No Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 888 8 caso das cooperativas que efetuam a exclusão da base de cálculos dos valores repassados aos associados, não há direito ao crédito relativo a mercadoria (conforme tópico "Bens para Revenda"), assim como não há, consequentemente, direito ao crédito relativo ao frete na aquisição; 32. Assim sendo, o interessado deveria efetuar a segregação dos fretes por tipo de insumos e a finalidade da aquisição para assim permitir a apuração correta dos créditos. O procedimento correto seria a apuração dos créditos de fretes de compras junto dos insumos ou bens adquiridos, para que possam ser aferidas as condicõ̧es do creditamento. Portanto, com base na argumentacã̧o acima, diante da ausência de certeza e liquidez do crédito, foram glosados integralmente os valores relativos aos fretes de compras; 33. Os fretes sobre transferências de produto acabado foram glosados integralmente, uma vez que inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuicã̧o para o PIS/PASEP e da COFINS a partir de dispen̂dios com serviços de fretes de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da pessoa jurídica; 34. As despesas com frete nas operacõ̧es de vendas encontram amparo na legislação, como já citado anteriormente. No entanto, primordial a comprovação de que o ônus foi efetivamente suportado pelo contribuinte; 35. No caso em concreto, o interessado efetua vendas nas modalidades CIF e FOB, conforme se verifica na EFD C. Assim, faz jus ao crédito apenas quando efetua as vendas na modalidade CIF; 36. Outra questão seriam as mercadorias adquiridas com fim específico de exportacã̧o. Nesse caso, os fretes de vendas vinculados não poderiam gerar crédito. Como já tratado anteriormente em relação aos fretes de compras, a empresa em questão não efetua a segregação desses fretes dos demais; 37. Com base nos memoriais de cálculo e nas notas de serviços apresentadas foram efetuadas glosas parciais nos valores apropriados, conforme planilha "ALUGUÉIS DE MÁQUINASGLOSAS; 38. Álvaro Antônio Esteves ME CNPJ 02.065.523/000141: locacã̧o de Munck ou Guindaste. A descrição dos itens glosados não demonstra que estes sejam empregados em qualquer das atividade normalmente desenvolvidas pela empresa, sejam produtivas ou não, podendo remeter à alguma atividade não rotineira da empresa, eventualmente aplicada na montagem de alguma instalação ou equipamento da empresa; 39. Auto Peca̧s São Lourenço de Paraguaçu Ltda CNPJ 06.198.060/000147: os recibos apenas mencionam locação de bens (não especificando qual o tipo de bem) e caminhão, para o qual não é permitido o creditamento, por tratar se de veículo, não se enquadrando na hipótese de locacã̧o de máquinas e equipamentos; 40. Além dos servico̧s de armazenagem e frete, o interessado apropriou diversas despesas de serviços descritos como: "serviço: serviços portuários: ferroportuários; execução pro administração, empreitada ou subempr: revisão de câmera de segurança; serviço de consultoria jurídica: perícias e laudos: honorários de registro de importação: servico̧s de supervisão de embarque; agenciamento e recrutamento: reprografía e microfilmagem: instalação e montagem; produto genético biogenium: assistência técnica; Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 889 9 lubrificação; desembaraço aduaneiro: serviço de caster". Tais serviços foram glosados; 41. A fundamentacã̧o é a mesma apresentada no tópico "Serviços Utilizados como Insumos". As glosas se referem a servico̧s que não guardam relacã̧o intrínseca com atividade produtiva e/ ou não foi possível comprovar tal relacã̧o mediante a descricã̧o e/ou nota fiscal apresentada; 42. Além dos serviços, foram apropriados alguns valores referentes a fretes. No memorial de cálculo não foi informado se os fretes se referem a venda, compra ou transferência, bem como não foi informado o NCM da mercadoria transportada. 43. (...) Em que pese a previsão legal para creditamento dos fretes sobre vendas, no caso em concreto, o interessado adquire mercadorias com fim específico de exportacã̧o, não sendo possível o creditamento dos valores pagos a título de frete, devido a vedação legal existente, como já discutido anteriormente nos tópicos "Método de Apuração de Créditos" e "fretes". Por isso, a necessidade de separacã̧o dos fretes vinculados a essas operacõ̧es dos demais ou, pelo menos, a informação do NCM da mercadoria para separação das que não são exportadas nessa modalidade e que permitem o creditamento; 44. Abaixo, apresentamos quadro sintético com os valores reconhecidos a título de crédito da COFINS, inciden̂cia nãocumulativa, do 1º trimestre de 2014: Cientificado eletronicamente do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 631 a 683, a qual destacamos resumidamente as seguintes alegações: 1. (...) as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/03 estabelecem dois critérios para a quantificação e apropriação dos créditos. (...) No entanto, referida norma é silente quanto às receitas de exportação. (...) Isto porque para fins do rateio tais receitas foram elencadas em artigo próprio, qual seja o artigo 6º da Lei 10.833/20003 (5º da Lei 10.637/2002); 2. Fica claro, portanto, que as receitas de exportação devem ser enquadradas conjuntamente com aquelas sujeitas ao regime da não cumulatividade, visto que ambas dariam direito ao crédito (artigo 6º); 3. Entender que as receitas de exportacã̧o ligadas a operacõ̧es com fins específicos de exportacã̧o não deveriam ser consideradas para fins do rateio proporcional significaria: (i) negar o impulso à balanca̧ comercial que referidas operacõ̧es representam para o país e (ii) tolher o direito legal das empresas comerciais exportadoras de ter suas exportações incentivadas; 4. Desta feita, não se identifica qualquer vedação legal quanto à inclusão, no cálculo do rateio proporcional, das receitas de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação (CFOP 7501), como pretendido pela fiscalização; Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 890 10 5. A Recorrente realizou aquisicõ̧es de mercadorias de sociedades cooperativas, tendo sido o seu crédito glosado pela Autoridade Fiscal sob a alegação de que as mesmas teriam efetuado a exclusão dos valores repassados aos associados da sua base de cálculo; 6. Da análise da sistemática de nãocumulatividade instituída por essas leis, notase que, ao contrário do que ocorre com o ICMS e o IPI (Método de Crédito), foi adotado outro método de neutralidade tributária, denominado Método Indireto Subtrativo; 7. Assim, muito embora o caput do artigo 3o das Leis 10.833/03 e 10.637/02, faça referência ao termo “crédito”, constatase que não se está diante do Método de Crédito, utilizado para o IPI e ICMS, mas sim do Método Indireto Subtrativo; 8. Portanto, quando a norma dispõe “não sujeito ao pagamento” deve ser entendida qualquer causa legal que livre o contribuinte, integralmente, das contribuições em apreço, ou seja, o crédito só é vedado quando há ausen̂cia de tributação, salvo nas hipóteses previstas na legislacã̧o; 9. A Nota Técnica no 13 da Cosit, ao esclarecer as razões que a levaram ao entendimento expresso na Solucã̧o de Consulta no 65, de 2014, coloca com muita propriedade o assunto dizendo que a vedação de creditamento prevista no inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637, de 2002, e no 10.833, de 2003, ocorre quando a receita decorrente da operação de compra e venda não está sujeita ao pagamento das contribuições; 10. (..) a legislação de regência do PIS e da COFINS não traz qualquer tipo de definição especial do conceito de insumos. Limitase a dizer que ensejarão créditos os insumos utilizados na fabricação de bens destinados à venda ou na prestacã̧o de serviços; 11. Ora, Instrução Normativa não pode albergar conceito mais restrito do que aquele contido nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, em clara ofensa ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária previsto no artigo 150, I da CF, violando ainda o próprio conceito de insumo eleito por institutos de direito privado previsto no artigo 110 do CTN; 12. Com efeito, na interpretação das normas devese atentar para os preceitos legais que estão integrados no sistema de regras e princípios, pois a presunção de legalidade, que legitima a atividade administrativa, deve ser considerada à luz das normas positivas, dos princípios gerais do Direito, dos bens e valores juridicamente tutelados e das garantias fundamentais; 13. Ora, cabe à lei dar os contornos esclarecedores do tema, nos limites estabelecidos pelo constituinte derivado. Porém, não pode o legislador, a pretexto de regulamentar a nãocumulatividade, restringila a ponto de torná la exceção na ordem jurídica, tal como sustenta a Receita Federal notadamente quanto ao conceito de “insumo”; 14. O conceito de insumo adotado para PIS e COFINS deve ser amplo a ponto de abranger utilidades disponibilizadas por meio de bens e serviços, desde que relevantes à operação da empresa; 15. No caso dos autos, temos que a Autoridade Fiscal glosou diversos materiais que são indispensáveis ao funcionamento das máquinas como, Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 891 11 por exemplo a graxa, alegando a autoridade fiscal que muito embora tratar se de mercadoria com propriedade lubrificante não daria crédito por ausen̂cia de disposição legal, entendimento na contramão do que vem decidindo o CARF, conforme decisões acima; 16. Temos ainda glosa de diversos materiais que pela sua própria natureza são peças de reposição de máquinas que sofrem desgaste na sua utilização tais como correia, disco serra, engrenagem, pinos, rolamentos etc. 17. Outras glosas, apesar de insumos não empregados diretamente na producã̧o também se revelam essenciais as atividades da Recorrente tais como abraca̧deira, aneís, arruelas, correias, buchas, parafusos, brocas, bujões, cadeados, cantoneiras, ventiladores, lâmpadas, máscaras de solda, luvas, rolamentos, eletrodos, alicates, barras, cabos, caixas etc.; 18. Em suma, todas as despesas relacionadas as atividades da Recorrente são passíveis de credito das contribuições ao PIS e à COFINS, eis que indispensáveis, seja direta ou indiretamente ao bom funcionamento da empresa e da sua produção; 19. A Autoridade Fiscal glosou o crédito presumido referente ao Caroco̧ de algodão com a alegacã̧o de que parte das aquisicõ̧es de pessoa física foi efetuada com a finalidade de comercialização (revenda), sendo glosadas as notas fiscais correspondentes nos meses em que as aquisições ocorreram; 20. A Recorrente adquire Caroço de Algodão classificado na NCM 1207 cujo resultado de sua industrialização é o Farelo de Algodão na NCM 2306 e óleo de Algodão na NCM 1512; 21. Acostase aos autos planilha contendo a totalidade das notas fiscais de saída que comprovam o crédito da Recorrente (doc.02), bem como notas fiscais por amostragem (doc.03), comprovando tratarse de notas fiscais de saída, conforme CFOP das mesmas; 22. Alega a Autoridade Fiscal que Integrando os fretes sobre compras ao custo de aquisição, o crédito calculado deve ser dividido em três tipos: insumos ou mercadorias com direito a crédito integral (direito do contribuinte ao credito integral sobre o frete), com direito a crédito presumido (direito do contribuinte ao credito com alíquota reduzida sobre o frete) e sem direito a crédito (sem direito do contribuinte ao credito sobre o frete); 23. (...) no presente caso, entendeu a Autoridade Fiscal que não poderia haver a manutencã̧o integral dos créditos relacionados às despesas de frete na aquisição de insumos sujeitos ao crédito presumido ou aqueles adquiridos com fins específicos de exportacã̧o, uma vez que em ambos os casos a possibilidade de apropriação de créditos do frete estaria vinculada a possibilidade de apropriacã̧o de crédito das mercadorias transportadas; 24. Vejase, no tocante o disposto ao artigo 6o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o fato do § 4o do referido dispositivo vedar a apuração de créditos vinculados à receita de exportação, não importa, via de consequência, que os mesmos não possam se apropriar de créditos oriundos das despesas e custo; Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 892 12 25. Desta feita, inquestionável que a única interpretação do §4o do artigo 6o da Lei 10.833/03, em consonância com a diretriz constitucional no sentido de incentivar as exportações, bem como com o próprio princípio da não cumulatividade, é que tal dispositivo não impede as empresas de apropriarem os créditos da contribuição ao PIS e da COFINS relativamente às despesas com frete; 26. Assim, resta claro ser legítima a apropriacã̧o de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS relacionados ao frete contratado nas operações de aquisição, independentemente da existen̂cia de cred́itos a serem apropriados em razão da aquisicã̧o da mercadoria transportada, nos termos do artigo 3o, inciso II das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, devendo o r. Despacho Decisório ser reformado, nessa parte; 27. (...) o custo dos estoques das matériasprimas e produtos em elaboracã̧o englobam, sem sobra de dúvidas, os custos dos servico̧s de transportes de movimentações destes produtos no curso do processo produtivo. E por essa razão a Receita Federal tem garantido o direito ao crédito do frete incidente no transporte nas aquisições de insumos quando suportado pelo comprador; 28. Da mesma forma, também o frete entre as unidades do mesmo contribuinte, seja de insumos (matériaprima, produtos intermediários, materiais de embalagens, ou mesmo de transportes de funcionários) seja de produtos acabados a serem colocados no ponto em condições de venda, deve gerar o direito ao crédito, pois que tais dispêndios ainda estão dentro do ciclo de “producã̧o e fabricacã̧o” compondo esses custos, sendo que tolher esse direito de crédito significaria manter uma lacuna que deixaria um custo relevante na incidência cumulativa, nem lógica e nem juridicamente sustentável; 29. Ora, se no caso de fretes relacionados à compra de mercadorias o crédito é passível de creditamento, no caso de vendas maior ainda é a certeza. No entanto, no presente caso, mais uma vez entendeu a Autoridade Fiscal que não poderia haver a manutenção dos créditos relacionados às despesas de frete na venda vinculadas a aquisição de insumos adquiridos com fins específicos de exportação, uma vez que a possibilidade de apropriação de créditos do frete estaria vinculada a possibilidade de apropriação de crédito das mercadorias transportadas; 30. Também as despesas decorrentes de armazenagem, utilizados nas atividades da empresa conferem o direito ao crédito do PIS e da COFINS, conforme determinação expressa do artigo 3o, IX das Leis 10.637/2002 e 10.833/03; 31. O mesmo princípio deve ser aplicado às demais despesas incorridas nas atividades da Recorrente também, glosadas pela Autoridade Fiscal, (...),eis tratarse todos de serviços relacionados diretamente com a atividade da Recorrente, na forma dos incisos, II e IX das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; 32. As despesas com locação de imóveis, máquinas e equipamentos pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa conferem o direito ao crédito do PIS e da COFINS, conforme determinação expressa do artigo 3o, IV das Leis 10.637/2002 e 10.833/03; Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 893 13 33. A autoridade fiscal glosou os valores apropriados sob diversos argumentos como “tratase de veículo não havendo previsão legal” ou que “a descrição dos itens glosados não demonstra que estes sejam empregados em qualquer das atividades desenvolvidas pela empresa”; 34. No presente caso, conforme se verifica dos processos de industrializacã̧o acostados aos autos, todas as despesas com maquinários, sejam eles veículos de carga, de levantamento de peso, de transporte de mercadorias etc, devem ser passíveis de creditamento; 35. É sabido que quando se fala em ressarcimento de crédito tributário, não há previsão legal a atualizacã̧o monetária do crédito, uma vez que não se trata de apropriacã̧o indevida de valores pelo Fisco, quer seja por pagamento indevido, quer seja por pagamento a maior do tributo; 36. É certo que no presente caso também não se trata de atualizacã̧o do crédito a ser ressarcido pela Selic. A pretensão da Recorrente se funda na correção monetária do período relativo à demora da autoridade pública em viabilizar o ressarcimento no âmbito administrativo; 37. Ademais, havendo glosa, como no presente caso, estará a Recorrente a merce ̂ novamente da administração pública para julgamento e prosseguimento do moroso processo administrativo, não podendo seu crédito ficar desguarnecido de atualizacã̧o, sob pena de enriquecimento ilícito do poder público em detrimento do contribuinte; Ao fim, a empresa pleiteia a reforma do Despacho Decisório com o reconhecimento da totalidade do crédito pleiteado, ou caso seja o entendimento, que o julgamento seja convertido em diligência, e ainda, a juntada de novos documentos que se façam necessaŕios à comprovação do alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 12101.406 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A interposição do recurso visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 894 14 No regime nãocumulativo, somente são considerados insumos, para fins de creditamento, os combustíveis e lubrificantes, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. AQUISIÇÕES. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO VEDADO. Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS/Cofins vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referentes a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação. SERVIÇOS APLICADOS OU CONSUMIDOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Serviços, em que pese poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade do contribuinte, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de produto quando realizados anterior, posterior ou paralelamente à fabricação de produtos em si mesma, não dando azo a creditamento. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços destinados à venda geram créditos do regime de apuração não cumulativa. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGENS. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não geram direito ao creditamento relativo às suas aquisições. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CRÉDITO. As partes e peças de reposição, usadas em máquinas e equipamentos utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumo para fins de crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Cofins, desde que não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas e sofram alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 895 15 propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, não há possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, em relação aos dispêndios com serviços de transporte suportados pelo adquirente na aquisição de matériaprima. Tais dispêndios, em regra, devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens e a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação aos bens adquiridos, e não em relação ao serviço de transporte isoladamente considerado. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa disposição legal, não incide atualização monetária sobre créditos de Cofins e de PIS/Pasep objeto de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Diante de Pedido de Ressarcimento e da apresentação de Declarações de Compensação (PER/DCOMP), referente a créditos de COFINS nãocumulativa mercado externo do 1º Trimestre de 2014, a autoridade administrativa fiscal, por intermédio de Despacho Decisório, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, sendo que na decisão proferida pela DRJ, fezse reconhecimento de valor adicional concernente ao direito creditório, homologandose assim, parcialmente as DCOMPs até o limite reconhecido. Assim ficou consignado na decisão ora recorrida acerca do reconhecimento de valor adicional referente a direito de crédito: Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 896 16 11. CONCLUSÃO Em síntese, a tabela abaixo demonstram o valor total das glosas revertidas e o valor do crédito de Cofins a ser ressarcido à interessada neste processo: PA Base de Cálculo* Valor adicional reconhecido neste Acórdão Janeiro/2014 12.892.446,76 934.271,55 Fevereiro/2014 1.807.011,29 137.332,86 Março/2014 107.917,13 8.493,20 TOTAL 14.807.375,18 1.080.097,61 * Aquisicõ̧es de cooperativas (bens para revenda) e Graxas e lubrificantes (bens utilizados como insumo). Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade apresentada, RECONHECENDO PARCIALMENTE o direito creditório pleiteado no valor adicional de R$ 1.080.097,61, e em conseqüência, homologando parcialmente as DCOMP até o limite do crédito reconhecido. O Contribuinte se insurge em seu recurso 1) quanto ao método de apuração dos créditos; 2) quanto as glosas dos bens utilizados como insumo; quanto as glosas dos serviços como insumos, em específico, 3) dos fretes decorrentes da compra de insumos; 4) dos fretes decorrentes de transferência de mercadoria; 5) dos fretes sobre vendas de mercadorias e serviços de armazenagem; 6) de diversos serviços utilizados como insumos; 7) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; e, 8) da correção monetária pela mora administrativa. Finaliza seu seu recurso requerendo o reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado, devidamente atualizado pela taxa selic. Em seguida passarseá a tratar de forma específica de cada ponto. 1) Quanto ao método de apuração dos créditos O Contribuinte alega em seu recurso e sustenta que não se pode excluir das receitas decorrentes de operações com fim específico de exportação do cômputo do rateio proporcional. Cito trechos do recurso para precisar o entendimento do Contribuinte: 05. Ora, as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 prevendo que determinadas pessoas jurídicas, em razão da natureza de sua atividade, teriam suas receitas submetidas a um regime misto, isto é, parte tributada pelo regime cumulativo e parte pelo regime não cumulativo, disciplinou a questão sobre a forma de apropriacã̧o e da quantificaca̧õ dos créditos. (...) 08. Portanto, para a apuração parcial dos custos e despesas que ensejariam direito a créditos a serem descontados dos valores da contribuição ao PIS e COFINS apurados no regime não cumulativo, o contribuinte poderá optar entre dois métodos: Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 897 17 (i) apropriação direta, quando o contribuinte dispõe de sistema contábil de custos integrado que permite identificar exatamente qual a parcela dos custos e despesas que referese à parcela da receita não cumulativa; ou (ii) rateio proporcional, aplicando aos custos e despesas o percentual referente entre a receita não cumulativa e a receita total. Este percentual deverá ser recalculado todos os meses, quando da apropriação dos créditos do período. 09. No entanto, referida norma é silente quanto às receitas de exportacã̧o. Isto porque para fins do rateio tais receitas foram elencadas em artigo próprio, qual seja o artigo 6º da Lei 10.833/20003 (5º da Lei 10.637/2002): (...) 10. Fica claro, portanto, que as receitas de exportação devem ser enquadradas conjuntamente com aquelas sujeitas ao regime da não cumulatividade, visto que ambas dariam direito ao crédito (artigo 6º). 11. Com efeito, é notório que exportacõ̧es são (e sempre foram) incentivadas no país, a fim de impulsionar a própria balanca̧ comercial. Nesse sentido, dar incentivos à exportação significa incentivar a produção local. 12. Entender que as receitas de exportação ligadas a operações com fins específicos de exportação não deveriam ser consideradas para fins do rateio proporcional significaria: (i) negar o impulso à balanca̧ comercial que referidas operações representam para o país e (ii) tolher o direito legal das empresas comerciais exportadoras de ter suas exportações incentivadas. 19. Nesse sentido, fica claro que não há que se falar em exclusão das receitas decorrentes de operacõ̧es com fim específico de exportação do cômputo do rateio proporcional. Entendo não assistir razão ao Contribuinte, visto que além dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, requer direito de crédito vinculado às receitas de exportação, na apropriação de créditos na aquisição de mercadorias que estão sujeitas à suspensão das contribuições. Cito trechos da decisão ora recorrida, que bem precisa a matéria, a posição do Contribuinte e o entendimento da administração fiscal, como razões para decidir: 1. MÉTODO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS Segundo consta do Despacho Decisório, foram glosadas as receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação (CFOP 7501), constantes dos memoriais de cálculo apresentados pelo contribuinte, porque essas receitas não geram direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep e à COFINS. A empresa entende que teria direito a crédito vinculado às receitas de exportação, além dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. A referida glosa realizada, calcada no § 4º do artigo 6º, e art. 15, inciso III, da Lei nº 10.833/2003, vedaria apenas a apropriacã̧o de créditos na aquisiçaõ de mercadorias (que está sujeita à suspensão das contribuicõ̧es), de modo que os demais créditos seriam passíveis de apropriação. Defende ainda que negar o direito ao crédito das receitas de exportação para fins do rateio proporcional significaria: (i) negar o impulso à balança comercial que Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 898 18 referidas operações representam para o país e (ii) tolher o direito legal das empresas comerciais exportadoras (como no caso a ora Requerente) de ter suas exportações incentivadas. (consertar tudo parágrafo) A despeito das consideracõ̧es apresentadas pela empresa, no presente caso a vedação à apropriacã̧o de créditos sobre as receitas de mercadorias adquiridas com fim específico de exportacã̧o é expressa: Lei nº 10.833/2003 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestacã̧o de servico̧s para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportacã̧o. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensacã̧o com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relacã̧o a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportacã̧o, observado o disposto nos §§ 8oe 9o do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuracã̧o de créditos vinculados à receita de exportacã̧o (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 899 19 III nos §§ 3 e 4º do art. 6º desta Lei;. Tal vedaçaõ se assenta no fato de que tal crédito já foi apropriado em etapa anterior da cadeia nãocumulativa, e permitir nova apropriação geraria distorções na mesma. Inclusive, nas legislacõ̧es que regulam a apuração de créditos presumidos de produtos como café e soja, tal vedaca̧õ é replicada, senão vejamos: (...) Por sua vez, alegações quanto a possíveis ofensas a princípios constitucionais não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que esta naõ dispõe de competen̂cia legal para examinar hipóteses de violação à Constituiçaõ, ou a outro dispositivo legal, relativas às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. A apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Assim, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois ao julgador é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional. Concluíse, portanto, que não pode ser aceita a utilização desses créditos por expressa vedação legal. Também de acordo com a DRJ em relação aos argumentos expostos pelo Contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade e também no Recurso Voluntário no que tange a possíveis ofensas a princípios constitucionais. Neste sentido estabelece a Súmula CARF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste ponto, quanto ao método de apropriação do crédito, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte, mantendo a decisão ora recorrida. 2) Quanto as glosas dos bens utilizados como insumo Neste ponto o Contribuinte tece considerações acerca do conceito de insumo, da IN 247/2002 e IN 404/2004, das posições jurisprudenciais administrativas e judiciais e aduz ainda: 54. Nessa forma de se conceituar insumo, devese determinar, no caso concreto, se o bem ou serviço e ́ essencial à atividade da empresa e, portanto, a despesa a ele vinculada integra os créditos das contribuições. 55. No caso dos autos, temos que a Autoridade Fiscal glosou diversos materiais que são indispensáveis ao funcionamento das máquinas, entendimento na contramão do que vem decidindo o CARF, conforme decisões acima. 56. Temos ainda glosa de diversos materiais que pela sua própria natureza são peças de reposição de máquinas que sofrem desgaste na sua utilização tais como correia, disco serra, engrenagem, pinos, rolamentos etc. 57. Outras glosas, apesar de insumos não empregados diretamente na produçaõ também se revelam essenciais as atividades da Recorrente tais como abraçadeira, anéis, arruelas, correias, buchas, parafusos, brocas, bujões, cadeados, cantoneiras, Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 900 20 ventiladores, lâmpadas, máscaras de solda, luvas, rolamentos, eletrodos, alicates, barras, cabos, caixas etc. 58. Vale aqui ainda mencionar a Solução de Divergência nº 7 – Cosit, de 23 de agosto de 2016: (...) 59. Em suma, todas as despesas relacionadas as atividades da Recorrente são passíveis de credito das contribuições ao PIS e à COFINS, eis que indispensáveis, seja direta ou indiretamente ao bom funcionamento da empresa e da sua produção. O Contribuinte não faz em seu recurso o apontamento do que foi especificamente glosado, sem fundamentar que cada um dos bens glosados se insere no processo produtivo de forma essencial. Apenas requer que “todas as despesas relacionadas as atividades da recorrente são passíveis de crédito das contribuições ao PIS e à COFINS, eis que indispensáveis, seja diretamente ou indiretamente ao bom funcionamento da empresa e da sua produção”. Na decisão ora recorrida assim constou no voto, no final do ponto “bens utilizados como insumos”: Diante do exposto, entendese não ser possível conceder o crédito pretendido, pois a interessada não demonstrou, em relação às glosas especificamente feitas, se e quais os bens são partes e peca̧s de reposição utilizadas na manutenção de equipamentos industriais que produzem mercadorias destinadas à vendas, assim como não provou que os créditos pretendidos dizem respeito a bens que não foram incorporados ao ativo imobilizado da empresa (CFOP 1556 e 2556). Além disso, constatouse na relação apresentada, mercadorias adquiridas sob regime de substituica̧õ tributária (CFOP 1407 e 2407), para as quais não seria possível o creditamento por força do §2o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendese, portando como corretas as glosas efetuadas sobre os itens desse tópico, exceto em relação às graxas e aos lubrificantes. Não há como, por falta de especificação e de fundamentação por parte do Contribuinte, em relação aos bens que considera insumos, apreciar se estes são ou não essenciais nas atividades produtivas. Não o fez quando da Manifestação de Inconformidade, bem como, não o fez quando da interposição do Recurso Voluntário. Neste sentido voto por negar provimento neste ponto. 3) Dos fretes decorrentes da compra de insumos Na parte do recurso do Contribuinte, em que trata dos serviços como insumos, recorre apenas sobre a questão dos fretes, sem adentrar na decisão da DRJ sobre o item “Serviços Utilizados como Insumos”. Assim, diante do recurso, tratarseá do alegado em relação ao frete, neste ponto, sobre o frete decorrente da compra de insumos. O Contribuinte salienta que: 63. Com efeito, embora somente haja previsão expressa para o crédito relativo a “frete nas operações de venda”, quando o ônus for suportado pelo vendedor, há que se observar que, na compra de bens, o frete, quando pago pelo adquirente, consoante a boa técnica contábil, integra o custo de aquisição desses bens, o que está consagrado no art. 289, § 1o, do RIR/1999 (“o custo de aquisição de mercadorias Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 901 21 destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte”). 64. Assim, também na forma de servico̧s estipulados no inciso II do artigo 2o, poderá o valor do frete compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins nãocumulativos. 65. No entanto, no presente caso, entendeu a Autoridade Fiscal que não poderia haver a manutenção integral dos créditos relacionados às despesas de frete na aquisição de insumos sujeitos ao crédito presumido ou aqueles adquiridos com fins específicos de exportacã̧o, uma vez que em ambos os casos a possibilidade de apropriação de créditos do frete estaria vinculada a possibilidade de apropriaçaõ de crédito das mercadorias transportadas. 66. Esse entendimento não merece prosperar, pois, ao contrário da tributação das mercadorias adquiridas, o frete é um negó cio jurídico autônomo, adquirido de pessoa jurídica desvinculada do fornecedor e sujeito, portanto, à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, sendo possível, portando, o creditamento integral das contribuições sobre tais pagamentos. (...) 73. Ou seja, ao interpretar a norma, o intér prete deve levar em conta o coeficiente axiológico e social nela contido, baseado no ato concreto, já que a norma geral em si deixa em aberto várias possibilidades, dei xando esta decisão a um ato de produção normativa, sem esquecer que, ao aplicar a norma ao caso concreto, deve fazêlo atendendo à sua finalidade social e ao bem comum. (...) 80. Assim, resta claro ser legítima a apropriação de créditos da contribuição ao PIS e da COFINS relacionados ao frete contratado nas operações de aquisicã̧o, independentemente da existência de créditos a serem apropriados em razão da aquisição da mercadoria transportada, nos termos do artigo 3o, inciso II das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, devendo o r. Despacho Decisório ser reformado, nessa parte Com a devida vênia ao entendimento do Contribuinte, neste ponto assiste razão a autoridade administrativa fiscal. Cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: 7.1 FRETES SOBRE COMPRAS DE INSUMOS A autoridade fiscal afirma que quando o custo do serviço de frete, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, o valor do serviço de frete passa a integrar o valor de aquisição de tal bem. Assim, integrando os fretes sobre compras ao custo de aquisica̧õ, o crédito calculado deve ser dividido em três tipos: insumos ou mercadorias com direito a crédito integral, com direito a crédito presumido e sem direito a crédito. O contribuinte em questão adquire mercadorias e/ou insumos nas três modalidades. Analisando as planilhas e informações prestadas pela empresa quando das intimações efetuadas, a fiscalizaçaõ detectou as seguintes inconsistências: Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 902 22 1) Não foi possível identificar se o crédito é oriundo de aquisição de pessoa física ou pessoa jurídica. Nas aquisições de pessoa física só é permitido o crédito presumido, e ainda assim, quando os bens são utilizados como insumo na produção, não sendo permitido para aqueles que sejam destinados à revenda; 2) Grande parte dos fretes está vinculada a mercadorias que são adquiridas como fim específico de exportaca̧õ (na condição de comercial exportadora), para as quais não é possível o creditamento (vide tópico “Método de Apuraçaõ dos Créditos”). No caso, a empresas não efetua a segregação dos fretes de mercadorias destinadas diretamente á exportação dos demais fretes. 3) Nas compras de soja e café, em virtude das alterações legislativas ocorridas (Leis nºs 12.599/2012 e 12.865/2013), passou a não mais existir a possibilidade de creditamento nas compras, e seus fretes, passando o crédito a ser apurado sobre as receitas de venda. 4) Os fretes de compras de bens para a revenda adquiridos de cooperativas, caso estas efetuem a exclusão da base de cálculo dos valores repassados aos associados, não permitem o crédito relativo à mercadoria, e conseqüentemente, também não permitem o crédito do frete relativo a ela. Com base nos argumentos apresentados, a autoridade fiscal afirmou não ser possível inferir a certeza e liquidez do crédito relativo a parte dos créditos das compras. Para a empresa, a despeito de o produto adquirido estar sujeito a crédito presumido, a prestação do servico̧ de transporte (frete) não o é, visto ser um “negócio jurídico autônomo”, o qual comporta a incidência integral do PIS e da COFINS, tendo em vista a hipótese imponível do tributo. Não seria plausível equiparar a sistemática de tributação que envolve a aquisica̧õ mercadoria àquela referente ao encargo do frete incorrido no seu respectivo transporte. Em sua defesa, alega que o objetivo da legislaçaõ é desonerar as exportações, e que se não fosse assim, as empresas exportadoras acumulariam um enorme ônus da contribuição ao PIS e à Cofins, o que fere o princípio da não cumulatividade e a regra de desoneraçaõ das exportações prevista na Constituição Federal. E assim, em relação à regra restritiva do § 4º do art. 6 da Lei nº 10.833/2003 (acima transcrito) deveria ser buscada uma interpretação teleológica – ou finalística – do dispositivo legal. Nos termos do artigo 111 do CTN, interpretase literalmente a legislaca̧õ tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, não podendo a Autoridade Fiscal, por força vinculante do parágrafo único do art. 142 do mesmo CTN buscar outra forma de interpretação. Como já informado anteriormente, não cabe discutirmos constitucionalidade, ou qual deveria ter sido a intenca̧õ do legislador, nessa esfera administrativa, pois a administraçaõ tributária vinculase aos textos legais vigentes. Em relação aos demais fretes sobre compras, quando o valor do frete for suportado pelo adquirente de mercadorias para revenda e de insumos para a producã̧o, este deve integrar o custo de aquisição e gerar créditos do PIS e da Cofins não cumulativos, nos termos do art. 289 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR); e art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003: Decreto nº 3.000/1999 Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 903 23 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuracã̧o (DecretoLei no 1.598/1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisicã̧o ou importacã̧o (DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Nessa linha de entendimento, quando o valor do frete integra o valor dessas aquisições segue a forma de tributação do insumo. Somente haverá crédito sobre o valor do frete se as aquisições dos insumos ou mercadorias forem passíveis de apuração de crédito. Assim, devem ser segregados em fretes de insumos: com crédito integral; com crédito presumido; e sem direito a crédito (não tributado, isento ou sujeito à alíquota zero). Considerando que a legislação das contribuições em estudo cuidou expressamente dos gastos com transporte suportados pelo vendedor e silenciou acerca dos gastos com transporte suportados pelo adquirente, e que não há qualquer razão que justifique tratamento diferenciado conforme o custo do transporte seja suportado por um ou por outro, parece mesmo que a referida legislaçaõ considerou que os dispêndios com transportes na aquisição de bens suportados pelo adquirente devem integrar o custo de aquisiçaõ de tais bens. Diversas normas, ao longo dos anos, têm tratado do tema(...) Vêse que a regra geral é que os gastos com servico̧s de transportes sejam tratados como integrantes (ou componentes) do custo de aquisição dos bens movimentados. O direito ao crédito proveniente às despesas de frete com aquisição de insumos, quando assumidos pelo comprador, integra a base de cálculo das referidas mercadorias e dela é parte integrante. Na relação dos fretes de compras apresentada pelo interessado foram detectadas compras que não dão direito ao crédito como: aquisições de pessoas físicas para revenda; café e soja (credito apenas sobre vendas); e aquisicõ̧es de cooperativas que promovem a exclusão das receitas repassadas aos associados. Além, é claro, das mercadorias com fim específico de exportação, cujo crédito também é vedado, como já abordado acima. Não houve segregação do tipo de frete de aquisição por parte da empresa. Em se tratando de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação exigese a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Dessa forma a ausência de escrituração correta das operações que se pretende aproveitar, além de contrariar as boas técnicas contábeis, inibe a certeza daquilo que se pretende comprovar, na medida que não permite aos órgãos fiscais verificarem a utilização da despesa para os fins a que se destina, ou mesmo para que se evite o aproveitamento em duplicidade. Dessa forma, entendemos como correta as glosas efetuadas neste item. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 904 24 Com estas razões, voto por negar provimento ao recurso no que tange aos fretes na aquisição de insumos. 4) Dos fretes decorrentes de transferência de mercadoria Contra a glosa dos fretes decorrentes de transferência de mercadoria, o Contribuinte salienta que: 86. Daí, por óbvio, a decisão empresarial de trazer para si esta gestão do transporte entre suas unidades, assumindo os custos pertinentes, os quais, em última análise, são repassados ao produto, servindo à incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, e, como se trata de não cumulatividade por certo que deve garantir o direito ao crédito. 87. Assim, a toda semelhança que os fretes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, quando pagos pelo adquirente, concedem o direito ao crédito pelo fato de que compõem o custo do produto, e do mesmo modo, também dão direito ao desconto de crédito o gasto com fretes nas operações de venda, quando são “arcados” pelo vendedor. (...) 91. Assim sendo, passíveis de creditamento as despesas com relação aos servico̧s de transportes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A manutenção da glosa sobre os fretes decorrentes de transferência de mercadoria foi assim fundamentado na decisão recorrida: 7.2 FRETES SOBRE TRANSFERÊNCIAS Para a autoridade fiscal os fretes sobre transferências de produto acabado foram glosados integralmente, uma vez que inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuica̧õ para o PIS/PASEP e da COFINS a partir de dispen̂dios com serviços de fretes de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da pessoa jurídica. A Requerente entende que o custo dos estoques das matériasprimas e produtos em elaboracã̧o englobam, sem sobra de dúvidas, os custos dos serviços de transportes de movimentações destes produtos no curso do processo produtivo. E por essa razão a Receita Federal tem garantido o direito ao crédito do frete incidente no transporte nas aquisições de insumos quando suportado pelo comprador. Ainda segundo ela, “também o frete entre as unidades do mesmo contribuinte, seja de insumos (matériaprima, produtos intermediários, materiais de embalagens, ou mesmo de transportes de funcionários) seja de produtos acabados a serem colocados no ponto em condicõ̧es de venda, deve gerar o direito ao crédito, pois que tais dispen̂dios ainda estão dentro do ciclo de “produção e fabricação” compondo esses custos, sendo que tolher esse direito de crédito significaria manter uma lacuna que deixaria um custo relevante na incidência cumulativa, nem lógica e nem juridicamente sustentável”. Como a transferência de mercadorias não se trata de venda de mercadorias com transferência de propriedade, não há que se falar em tributação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Conseqüentemente, não geram crédito de PIS e COFINS os recebimentos de mercadorias em transferência. E havendo despesas de fretes nessas transferências, esses valores naõ darão direito a crédito de PIS e Cofins, pois não Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 905 25 decorrerão de venda. Portanto, não há que se aplicar por analogia os incisos I e IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003 acima citados. As transferências de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais para comercialização possuem natureza diversa da venda (transferência de propriedade), uma vez que continuam em propriedade da empresa, inclusive possuem CFOP próprio: 1.152 Classificamse neste código as entradas de mercadorias recebidas em transferência de outro estabelecimento da mesma empresa, para serem comercializadas. A Cosit já se manifestou, por exemplo, acerca da impossibilidade de creditamento, na modalidade aquisiçaõ de insumos, em relação a gastos com transporte de produtos acabados ou em elaboraca̧õ entre estabelecimentos diferentes da própria pessoa jurídica (Soluçaõ de Divergência no 2, de 24 de janeiro de 2011) e em relação a transporte de produto acabado de e para centro de distribuicã̧o da pessoa jurídica (Solucã̧o de Divergência no 26, de 30 de maio de 2008), entre outras. (...) Estão corretas portanto, as glosas efetuadas sobre os créditos de fretes entre estabelecimentos da empresa. Com ressalvas ao entendimento da DRJ no que tange ao crédito decorrente dos fretes sobre transferências de produto acabado entre estabelecimentos da pessoa jurídica, entendo também não assistir razão ao Contribunte, mas por outra motivação, ou seja, foi constatado nos autos, de acordo com as planilhas e informações prestadas pela empresa, diversas inconsistências, como visto no item anterior, e a principal delas, de que os fretes não foram segregados de forma a comprovar o seu alegado direito. Portanto, voto por negar provimento ao recurso neste ponto, mantendo as glosas quanto aos fretes sobre transferência de produtos entre os estabelecimentos do Contribuinte. 5) Dos fretes sobre vendas de mercadorias e serviços de armazenagem O Contribuinte aduz em seu recurso que deve ser afastada a glosa sobre as despesas sobre vendas de mercadorias e serviços de armazenagem. Desta forma alega: 94. Ora, se no caso de fretes relacionados à compra de mercadorias o crédito é passível de creditamento, no caso de vendas maior ainda é a certeza. 95. No entanto, no presente caso, mais uma vez entendeu a Autoridade Fiscal que não poderia haver a manutenção dos créditos relacionados às despesas de frete na venda vinculadas a aquisição de insumos adquiridos com fins específicos de exportacã̧o, uma vez que a possibilidade de apropriação de créditos do frete estaria vinculada a possibilidade de apropriaçaõ de crédito das mercadorias transportadas. (...) 97. Novamente citamos o artigo 6º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, pelo que o fato do § 4º do referido dispositivo vedar a apuracã̧o de créditos vinculados à receita Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 906 26 de exportaçaõ, não importa, via de consequência, que os mesmos não possam se apropriar de créditos oriundos das despesas e custos. (...) 100. Também as despesas decorrentes de armazenagem, utilizados nas atividades da empresa conferem o direito ao crédito do PIS e da COFINS, conforme determinação expressa do artigo 3º, IX das Leis 10.637/2002 e 10.833/03: 101. O mesmo princípio deve ser aplicado às demais despesas incorridas nas atividades da Recorrente também, glosadas pela Autoridade Fiscal, tais como: “serviço; serviços portuários; ferroportuários; execução pro administração, empreitada ou subempr; revisão de câmera de segurança; serviço de consultoria jurídica; perícias e laudos; honorários de registro de importação; servi ços de supervisão de embarque; agenciamento e recrutamento; reprografia e micro filmagem; instalacã̧o e montagem; produto genética biogenium; assistência técnica; lubrificacã̧o; desembaraço aduaneiro; serviço de caster”, eis tratarse todos de servi ços relacionados diretamente com a atividade da Recorrente, na forma dos incisos, II e IX das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No que tange aos fretes sobre vendas de mercadorias e serviços de armazenagem assim se entendeu no acórdão recorrido: 7.3 FRETES SOBRE VENDAS Para a fiscalizaçaõ, apesar das despesas com frete nas operações de vendas encontrarem amparo na legislação, como já citado anteriormente, devese comprovar que o ônus foi efetivamente suportado pelo contribuinte. No caso em concreto, o interessado efetua vendas nas modalidades CIF e FOB, conforme se verifica na EFDC. Assim, faz jus ao crédito apenas quando efetua as vendas na modalidade CIF. Verificouse ainda, que os fretes de vendas vinculados às mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não poderiam gerar crédito. Porque como já tratado anteriormente em relaçaõ aos fretes de compras, a empresa em questão não efetua a segregação desses fretes dos demais. Foram glosados os valores de fretes vinculados às operações com mercadorias para os quais o interessado realiza exportacã̧o com CFOP 7501, tais como algodão pluma e milho em grãos, pois não foi possível efetuar a segregação das vendas que permitem o creditamento daquelas que não permitem. No entendimento da empresa, “se no caso de fretes relacionados à compra de mercadorias o crédito é passível de creditamento, no caso de vendas maior ainda é a certeza”. Da mesma forma quando das compras, a empresa entende o frete como um negócio jurídico autônomo, desvinculado do fornecedor, e que estaria sujeito à incidência da contribuição ao PIS e da Cofins, sendo possível o creditamento integral das contribuições sobre tais pagamentos, ainda que sejam insumos com fins específicos de exportação. A empresa defende o creditamento com base no art. 3º, inciso IX c/c art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 907 27 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relacã̧o a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operacã̧o de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; Porém, há vedação expressa para apuração de créditos relativamente às despesas de frete vinculados aos produtos exportados, considerando que se trata de prestaçaõ de serviço de frete de produtos com o fim específico de exportaçaõ. As despesas com frete integram o custo de exportação dos produtos nos termos dos incisos I e III, e §§ 1º e 4º, do art. 6° da Lei n° 10.833 de 2003, e considerando o disposto no § 6°A do art. 40 da Lei n° 10.865/2004. Lei nº 10.833/2003 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportacã̧o. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensacã̧o com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuracã̧o de créditos vinculados à receita de exportacã̧o. Lei nº 10.865/2004 Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 908 28 Art. 40. A inciden̂cia da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (...) § 6º A. A suspensão de que trata este artigo alcanca̧ as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei no 11.774, de 2008) I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei no 11.488, de 2007) II produtos destinados à exportacã̧o pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. § 7º Para fins do disposto no inciso II do § 6oA deste artigo, o frete deverá referirse ao transporte dos produtos até o ponto de saída do território nacional. § 8º O disposto no inciso II do § 6oA deste artigo aplicase também na hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportacã̧o. Na época da transmissão das PER/DCOMP se encontrava vigente a Instrução Normativa RFB no 1.300/2012, que previa no § 1º de seu artigo 27, vedaca̧õ para ressarcimento desses créditos: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3o da Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisicõ̧es. Os elementos comprobatórios carreados na presente manifestação atestam que a contribuinte adquiriu mercadorias com o fim específico de exportação e dessa forma, o frete que pretende utilizar como crédito no presente Pedido de Ressarcimento vinculado a Declarações de Compensação está atrelado a mercadorias adquiridas com benefício fiscal que não possibilita o referido creditamento, como trata a legislação pertinente à não cumulatividade. Foi expressamente vedado, em relaçaõ às empresas comerciais exportadoras que tenham adquirido mercadorias com o fim específico de exportaca̧õ, o direito de apurar créditos de PIS e COFINS vinculados à receita de exportaçaõ originados de Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 909 29 outras operacõ̧es; é dizer, o inciso III do art. 15, combinado com o § 4o do art. 6o, ambos da Lei n.o 10.833/2003, ampliou a vedação imposta pelo regime da não cumulatividade do PIS, desde a vigência da Lei n.o 10.637/2002, impedindo, em relação às empresas comerciais exportadoras, não apenas a apuraçaõ de créditos de PIS e COFINS em relação à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportacã̧o, mas, inclusive, impedindo a apuração de créditos das contribuicõ̧es em relação a custos, despesas e outros encargos vinculados à receita de exportação. Em relação às vendas sob a modalidade FOB (Free on Board), não pode a empresa pleitear créditos sobre fretes que foram arcados pelo adquirente no exterior. Fazendo, de fato, jus apenas às vendas sob a modalidade CIF (Cost, Insurance and Freight), onde o frete fica a cargo do vendedor, como determina o art. 3o, inciso IX c/c art. 15 da Lei no 10.833/2003. Pelo exposto, está correta a glosa sobre os valores de frete das mercadorias adquiridas com fins específico de exportação e sobre as vendas na modalidade FOB. (...) 9. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE SOBRE VENDAS Segundo o Despacho Decisório, além dos serviços de armazenagem e frete, o interessado apropriou diversas despesas de servico̧s descritos como: “serviços portuários; ferroportuários; execução pro administraçaõ, empreitada ou subempr; revisão de câmera de segurança; serviço de consultoria jurídica; perícias e laudos; honorários de registro de importação; serviços de supervisão de embarque; agenciamento e recrutamento; reprografia e microfilmagem; instalacã̧o e montagem; produto genética biogenium; assistência técnica; lubrificação; desembaraço aduaneiro; serviço de caster”. Tais serviços foram glosados por não guardarem relação intrínseca com atividade produtiva da empresa e/ou não ser possível comprovar tal relação pelas notas fiscais apresentadas. A empresa defende a pertinência de todos os serviços informados no emprego de suas atividades, adotando o conceito amplo de insumos, como já aqui reproduzido anteriormente. Já exaustivamente exposta nesse voto a posiçaõ defendida pela RFB, destacamos também os seguintes trechos da Solução de Divergência no 07 de 23 de agosto de 2016 da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da RFB, anteriormente citada, que abordam a definição do conceito de insumo prevista na legislaçaõ das contribuições (PIS/Cofins) e as comparacõ̧es com as legislações do IRPJ e do IPI, a seguir: (...) constatase que não procede a interpretacã̧o defendida por alguns de que o termo insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins abrangeria todos os custos de produção da pessoa jurídica, pois, como visto, os custos de produção a que a legislação das contribuições pretendeu conceder creditamento foram expressamente listados. Outro ponto que merece destaque é que se mostra equivocada a afirmação de que a adocã̧o da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 910 30 Conforme se demonstrou acima, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes desta mesma legislação e não da adaptacã̧o da legislação de qualquer outro tributo. Sem embargo, o ponto comum entre a legislacã̧o da Contribuicã̧o para o PIS/Pasep e da Cofins, acerca do conceito de insumo, e a legislação do IPI é a exigen̂cia, “mutatis mutandis”, de relação direta e imediata entre o bem ou serviço em relação ao qual se pretende apurar crédito e o produto ou serviço final disponibilizado ao público externo. Ademais, no que tange aos serviços aduaneiros e a todos os demais encargos relativos ao embarque e desembarque de mercadoria ou insumo no porto, a despeito de poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade da requerente, não oferecem ensejo à tomada de créditos, posto que não são consumidos ou aplicados na producã̧o ou fabricacã̧o de produto, sequer sendo utilizados na linha de produção da empresa, visto que pertencem à etapa anterior ou posterior à da fabricaçaõ de produtos e ao do transporte propriamente dito do porto até a empresa, e viceversa. A autoridade fiscal também glosou da relação de serviços apresentada pela interessada, valores de fretes cuja descricã̧o não estava clara, por ausen̂cia do NCM, e também a que tipo de frete se referia. Os fretes relativos a remessas de/para depósitos ou de/para armazenagem aplicase similar entendimento àquele exposto acima, relativo ao transporte entre estabelecimentos da mesma empresa, já que tais fretes não se referem a remessas por operações de venda, o que não enseja creditamento nos termos da legislaçaõ de regência (Leis 10.637 e/ou 10.833) e tampouco não se referem a remessas relativas a aquisições, o que não enseja creditamento com auxílio do art. 289, § 1o, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), que trata do custo das mercadorias e das matériasprimas vinculado à criacã̧o do estoque da pessoa jurídica. A Lei no 10.833/2003, ao instituir o regime de apuraçaõ nãocumulativa da COFINS, admitiu o aproveitamento de crédito calculado sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operaçaõ de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece no caput e no inciso IX de seu artigo 3º, que assim dispõe: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relacã̧o a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operacã̧o de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art.15. Aplicase à contribuição ao PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) II – nos inciso VI, VII, e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art.3o desta Lei” Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 911 31 No caso em análise, ao contribuinte cumpre o ônus de trazer os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descriçaõ da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterizaçaõ do negócio. É de se observar que as fases que culminam com o despacho decisório são regidas pelo princípio do inquisitório, nos termos do art. 14 do Decreto no 70.235/72, e que na fase recursal, quando ocorre a instauração do contraditório, a Recorrente tem o direito de exercer o contraditório de maneira irrestrita, quer pela apresentaçaõ da peça impugnatória, quer pela oportunidade de trazer à colaçaõ documentaca̧õ que julgue pertinente à tentativa de combate ao deliberado no despacho decisório. Por sua vez, o § 4º, do art. 16, do Decreto no 70.235/72, com as alteracõ̧es promovidas pelo art. 67 da Lei no 9.532/97, dispõe que: (grifei) Art. 16........... § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Os elementos constantes nos autos não comprovam a ocorrência de qualquer uma das hipóteses previstas nas alíneas a, b e c do dispositivo legal supratranscrito, o que inviabiliza a possibilidade de juntada de novos documentos e/ou argumentos ao recurso inicial, uma vez precluso esse direito. Além disso, o pedido de juntada de novos documentos aos autos, para ser viável, deve vir acompanhado do rol de documentos cuja juntada pretende se que seja realizada, fato que não se verificou no caso em análise. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operacõ̧es por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é lícito ao julgador dispensar a autoridade lançadora ou o contribuinte, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 912 32 probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauracã̧o do litígio, às partes componentes da relaçaõ jurídica. Dessa forma, entendemos como corretas as glosas efetuadas nesse item. Diante do entendimento acima exposto no voto, o Contribuinte, também em sede de recurso, não apresenta os documentos necessários para comprovar o alegado direito a crédito. Como se sabe, cabe a quem alega a existência de crédito fazer a sua devida comprovação. Portanto, com as razões expostas no voto do acórdão ora recorrido, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte no que tange aos fretes de venda de mercadoria e serviços de armazenagem. 6) Diversos serviços utilizados como insumos O Contribuinte aduz em dois parágrafos pelo afastamento das glosas sobre diversos serviços utilizados como insumos: 102. Ainda, a Autoridade Fiscal glosou diversos servico̧s de CFOP 1933 e 2933 da Recorrente empregados na consecução das atividades da empresa, tais como serviços portuários (fumigação e outros não especificados); manutenção elétrica; lubrificacã̧o e conserto; instalação e montagem de aparelhos e máquinas; serviços de caster; consultoria jurídica; execução, por administração, empreitada; serviços de coleta; remessa ou entrega de correspondência; restauração e recondicionamento; de dedetização e desinfecção; recrutamento, agenciamento e seleção; serviços de transporte de funcionários; planos de medicina em grupo; funilaria e lanternagem; recauchutagem ou regeneração; perícias e laudos; varrição e coleta; instrução e treinamento; sondagem; hospedagem; fornecimento ou emissão de atestados; corretagem; aquisição de telefonia, dentre outros. 103. Remontamos aos mesmos fundamentos utilizados nos tópicos anteriores (bens e serviços utilizados como insumos). Todos os serviços relacionados a atividade da empresa, representam despesas indispensáveis ao funcionamento e consecuçaõ das atividades da Recorrente, devendo conceder direito ao crédito, na forma do inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Já o entendimento da administração fazendária e da DRJ é o seguinte acerca dos diversos serviços utilizados como insumos e que foram glosados: 6. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS A fiscalização, aplicando o conceito de insumos como aquele diretamente empregados na industrialização de produtos, reconheceu os créditos de servico̧s de industrialização de óleo de soja, arroz, entre outros com CFOP 1124 ou 2124. Consoante os memoriais de cálculo apresentados foram glosados diversos serviços de CFOP 1933 e 2933, os quais não guardam relação direta com o processo produtivo da empresa e para os quais não há previsão legal de creditamento, que não apresentam qualquer relação com as atividades da empresa ou ainda, não foi possível comprovar a sua utilização direta no processo produtivo da empresa, com base nas descrições dos memoriais apresentados e nas notas fiscais. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 913 33 Servico̧s glosados: serviços portuaŕios (fumigação e outros não especificados); manutenção elétrica; lubrificação e conserto: instalaca̧õ e montagem de aparelhos e máquinas; servico̧s de caster; consultoria jurídica; execução, por administração, empreitada; serviços de coleta; remessa ou entrega de correspondência; restauração e recondicionamento; de dedetizacão e desinfecção: recrutamento, agenciamento e seleção: servico̧s de transporte de funcionários: planos de medicina em grupo: funilaria e lanternagem: recauchutagem ou regeneração; perícias e laudos; varrição e coleta; instrucã̧o e treinamento; sondagem; hospedagem; fornecimento ou emissão de atestados; corretagem; aquisica̧õ de telefonia A recorrente defende a tese ampla e irrestrita do conceito de insumos, já relacionada anteriormente. Para ela, todos os servico̧s relacionados representam despesas indispensáveis ao funcionamento e consecução das atividades da empresa. No presente caso, como já abordado no item 2 deste voto (“Conceito de Insumo”) não podemos aceitar, por expressa disposição legal, que despesas administrativas e outras não relacionadas diretamente à produção sejam aproveitadas para a geração de créditos da nãocumulatividade das contribuições, previstas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto ou na prestação de servico̧ e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado ou à prestação de servico̧s. Registrese, ainda que, como a utilização desses créditos resulta em reduçaõ da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, devese obedecer ao comando do art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), que obriga à interpretaca̧õ literal da legislacã̧o que trata dessa matéria, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos. Estando claramente delimitadas na legislação que rege a matéria as condicõ̧es a serem observadas para que os bens e serviços adquiridos possam ser considerados aptos a gerar créditos a serem deduzidos dos valores apurados mensalmente da Cofins e do PIS, cabe à autoridade administrativa, ao constatar o aproveitamento indevido de créditos não autorizados por lei, efetuar os ajustes necessários à correta determinação da contribuicã̧o a ser exigida ou do saldo de crédito a ser ressarcido. Neste aspecto, corretas as glosas efetuadas pela fiscalização. Discordo do entendimento da DRJ de que o conceito de insumo fica restrito àqueles bens e serviços que foram diretamente empregados na industrialização. Entretanto, como o Contribuinte não cuida em seu recurso de forma individualizada dos serviços, sem demonstrar e comprovar a sua essencialidade no seu processo produtivo, fica prejudicada a análise necessária para o afastamento da glosa e a concessão do crédito pleiteado. Como visto acima, o Contribuinte se refere a esta questão, dos diversos serviços utilizados como insumos em dois parágrafos apenas. Com isso, voto por negar provimento neste ponto. 7) Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos Como disciplina a legislação, art. 3º, IV, da Lei nº 10637/2002, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios, máquinas e Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 914 34 equipamentos que foram pagos a pessoa jurídica e que foram utilizados nas atividades da empresa. Foram glosados os valores referentes a estes itens sob alegação de que não ficou demonstrado que estes sejam empregados nas atividades produtivas do Contribuinte. Assim, argumenta e requer: 106. Ora, conforme alhures exposto, todas as despesas inerentes a Atividade da empresa são passíveis de tomada de crédito pela empresa, eis que indispensáveis a consecução se seu objeto social, conforme se depreende de julgados das delegacias regionais de julgamento e do CARF: (...) 107. Ora, tratandose de empresa multinacional líder no setor, a quantidade de bens e serviços necessários a consecução de suas atividades engloba pesado maquinário necessário ao carregamento, embalagem, transporte e diversos seguimentos os quais a mão de obra necessita auxílio. 108. No presente caso, conforme se verifica dos processos de industrializacã̧o acostados aos autos, todas as despesas com maquinários, sejam eles veículos de carga, de levantamento de peso, de transporte de mercadorias etc, devem ser passíveis de creditamento. (...) 110. Com efeito, denotase que são imprescindíveis os alugueres de equipamentos e máquinas, em todas as suas formas, meios e tamanhos para consecução dos objetos da Recorrente, de modo que todos devem ser passíveis de crédito das contribuições ao PIS e a COFINS. Em que pese os argumentos do Contribuinte de que todas as despesas inerentes a atividade da empresa são passíveis de tomada de crédito, incluído todos os aluguéis de equipamentos e máquinas, há que se comprovar, por quem alega a existência do direito creditório, de que essas despesas são de itens essenciais nas atividades produtivas. No recurso o que fica claro é o entendimento do Contribuinte de que são todas as despesas passíveis de tomada de crédito, mas não consta, inclusive quando do recurso, de que forma essas despesas se justificam no processo produtivo e também as não comprova. Neste sentido entendo correta a glosa efetuada e cito trechos do acórdão ora recorrido para fundamentar tal possição: 8. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Neste item a autoridade fiscal glosou despesas com aluguéis de máquinas e equipamento por não se enquadrarem no conceito previsto na legislacã̧o, e também os casos em que não foi documentalmente comprovada a despesa informada. A seguir as inconsistências detectadas pela fiscalização: a) Álvaro Antônio Esteves ME CNPJ 02.065.523/000141. JN Locação de Munck CNPJ 12.810.098/000121 e Cesar Transportes, Guindastes e Equipamentos Ltda CNPJ 00.148.726/000338: locacã̧o de Munck ou Guindaste. A descrição dos itens glosados não demonstra que estes sejam empregados em qualquer das atividade normalmente desenvolvidas pela empresa, sejam produtivas ou não; podendo remetera alguma atividade não rotineira da empresa, eventualmente aplicada na montagem de alguma instalação ou equipamento da empresa; Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 915 35 b) Auto Peças São Lourenço de Paraguaçu Ltda CNPJ 06.198.060/000147: os recibos apenas mencionam locacã̧o de bens (não especificando qual o tipo de bem) e caminhão, para o qual não é permitido o creditamento, por tratar se veículo, não se enquadrando na hipótese de locação de máquinas e equipamentos; A empresa defende que todas as despesas glosadas são inerentes às atividades da empresa, e indispensáveis a consecuçaõ de seu objeto social, e que estaria amparada em recentes julgados do CARF. E complementa que “tratamse de toneladas de insumos que necessitam passar por diversas fases de industrialização”, sendo o maquinário indispensável ao seu processo produtivo. Como citado anteriormente, a legislaca̧õ de regência não assegura o direito de apurar crédito sobre todo e qualquer custo, despesa e encargo que venha a ser necessário às atividades da pessoa jurídica, mas apenas sobre os taxativamente discriminados nos arts. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Quanto à despesa com movimentação de cargas, o simples transporte de produtos em elaboração entre filiais, ou a alocação deste produtos no interior dos estabelecimentos, obviamente, não produzem alterações a estes produtos, impedindo que os mesmos adquiram as características necessárias para serem conceituados como insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Quanto aos itens descritos acima, não foram apresentados os documentos fiscais pertinentes (apenas recibos), ficando prejudicada qualquer análise da pertinência dos mesmos no processo produtivo. No âmbito do Código do Processo Civil (CPC), tanto o anterior (Lei n° 5.869/73) quanto o atual (Lei no 13.105/2015), encontrase no artigo 373 um importante preceito que define uma regra fundamental para a compreensão do sistema adotado pelo legislador nacional: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em se tratando de pedido de ressarcimento ou declaração de compensaca̧õ, como é o caso desses autos, cabe a empresa demonstrar cabalmente a certeza e liquidez do seu direito creditório. Visto que, apenas assim, poderia operacionalizarse a compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei no 5.172/1966). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Desta forma, o direito aos créditos da nãocumulatividade, utilizados para desconto da contribuicã̧o devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislaçaõ, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 916 36 Exigese, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Com efeito, devese salientar, ainda, que as decisões do CARF, apresentadas pela Manifestante, fazem coisa julgada administrativa entre as partes, não vinculando a Receita Federal do Brasil às decisões ali manifestadas. Os créditos das despesas pleiteadas neste item carecem de comprovação documental, além de que, não se enquadram como diretamente relacionadas à produca̧õ de bens da empresa, assim, devem ser mantidas as glosas respectivas. Com as ressalvas em relação ao conceito de insumo restritivo da DRJ, a questão é a não comprovação documental do crédito alegado, ônus do Contribuinte, voto, portanto, em negar provimento quanto as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos. 8) Da correção monetária pela mora administrativa Em relação a correção monetária incidente sobre o crédito tributário objeto de pedido de ressarcimento, devido pela mora administrativa, o Contribuinte aponta: 111. É sabido que quando se fala em ressarcimento de crédito tributário, não há previsão legal a atualização monetária do crédito, uma vez que não se trata de apropriação indevida de valores pelo Fisco, quer seja por pagamento indevido, quer seja por pagamento a maior do tributo. 112. É certo que no presente caso também não se trata de atualização do crédito a ser ressarcido pela Selic. A pretensão da Recorrente se funda na correção monetária do período relativo à demora da autoridade pública em viabilizar o ressarcimento no âmbito administrativo. 113. A Lei 11.457/2009 em seu artigo 24, fixa o prazo de 360 dias para a conclusão, com o efetivo pagamento, do procedimento administrativo, sob pena de a demora caracterizar abuso de poder. (...) 115. Dessa forma, tendo o tempo decorrido entre os protocolos de requerimento e o efetivo ressarcimento extrapolado o prazo previsto legalmente para a efetiva disponibilização do crédito à Recorrente, resta evidenciada a mora da Fazenda, modo pelo qual deve a administração pública proceder a atualização monetária e respectivo pagamento do crédito do contribuinte devidamente corrigido. Argumentos procedentes em relação a demora entre o pedido de ressarcimento e a efetiva disponibilização dos valores creditórios do Contribuinte, mas no presente caso a legislação não lhe assiste. O art. 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003 veda tal pretensão pois o crédito de PIS/COFINS, no regime da nãocumulatividade não sofre incidência de atualização monetária. Assim dispõem: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualizaçaõ monetária ou inciden̂cia de juros sobre os respectivos valores. (...) Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10880.725391/201711 Acórdão n.º 3301006.132 S3C3T1 Fl. 917 37 Art. 15. Aplicase à contribuicã̧o para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º, e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. Assim, voto por manter a decisão ora recorrida no que tange a não incidência de atualização monetária sobre pedido de ressarcimento de crédito tributário PIS/COFINS não cumulativo. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação aplicável, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000265/2007-29
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, André Severo Chaves e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
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ANOCALENDÁRIO 2005 A entrega de DIRF somente estará sujeita ao pagamento de multa quando comprovado o atraso na entrega da obrigação acessória. Se o contribuinte não estava obrigado à entrega e o fez indevidamente (fora do prazo) é de cancelarse a penalidade. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, André Severo Chaves e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 188.987, da 1a Turma da DRJ/STM, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 02 65 /2 00 7- 29 Fl. 40DF CARF MF 2 Notificação de Lançamento (fl 2) que exigiu o pagamento de multa por atraso na entrega da DIRF correspondente ao anocalendário de 2005.. Resumo, a seguir o relatório: Regularmente intimado da exação (tempestividade, fl. 22), mas irresignado, o interessado formulou a reclamação da(s) fl(s). 1, subscrita por representante legal (ata da AGO nas fl. 3) e instruída com os documentos das fls. 4 a 19. Em síntese, alega que, pretendendo entregar a DIRF referente ao AC2004, em 23/08/2007, equivocadamente, apresentou a DIRF 2006, referente ao AC2005. Esclarece que, na mesma data, retificou a referida declaração, anulando os seus valores, e apresentou outra, desta feita referindose ao AC correto. A recorrente foi cientificada da decisão em 28/07/2008 (fl 31) e apresentou o seu recurso voluntário em 08/08/2008 (fl 32). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ, decidiu que: Constatase que, efetivamente, o caso concreto se subsume ao disposto no inc. II do § 30 do art. 1° (IN 197/2002), acima transcrito (omiti), vez que está cabalmente comprovado, o autuado é optante pelo regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Tratase, portanto de caso de aplicação da multa mínima de R$ 500,00. Além disso, o autuado faz jus redução de 50% da penalidade, direito já reconhecido no Auto de Infração. 3.3 O conjunto probatório é suficiente para corroborar a alegação de erro na apresentação da DIRF/2006 (AC2005). Todavia, mesmo que se releve tal erro, e se considere que, materialmente, a declaração apresentada se referia ao AC 2004, o atraso no cumprimento da obrigação acessória não desaparecerá. Ao contrário, o atraso, que é de 18 meses, passará a ser ainda maior (30 meses), já que o prazo de entrega da DIRF/2005, AC2004, expirou em 28/02/2005. (grifei) A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação requerendo que: A recorrente, em seu recurso, apresenta uma preliminar que se confunde com a descrição dos fatos. No mérito, solicita que este CARF proceda ao cancelamento da DIRF do anocalendário de 2006, pois teria sido indevida, posto que não obrigada a tal obrigação acessória, naquele período, conforme resumo a seguir: Parece que não ficou claro de que não estamos questionando a DIRF 2005 (ano calendário 2004), pois a mesma era devida e a respectiva multa já foi paga. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13052.000265/200729 Acórdão n.º 1001001.314 S1C0T1 Fl. 3 3 O que estamos SOLICITANDO é o CANCELAMENTO DA DIRF 2006 (ano calendário 2005) E DA MULTA ORIGINARIA, POIS A EMPRESA NÃO ESTAVA OBRIGADA A ENTREGÁLA. A DRJ admite que o conjunto probatório é suficiente para corroborar a alegação de erro, conforme reproduzo (novamente): 3.3 O conjunto probatório é suficiente para corroborar a alegação de erro na apresentação da DIRF/2006 (AC2005). Todavia, mesmo que se releve tal erro, e se considere que, materialmente, a declaração apresentada se referia ao AC 2004, o atraso no cumprimento da obrigação acessória não desaparecerá. Ao contrário, o atraso, que é de 18 meses, passará a ser ainda maior (30 meses), já que o prazo de entrega da DIRF/2005, AC2004, expirou em 28/02/2005. Vêse que a DRJ acabou por se confundir. A multa por atraso na entrega da DIRF do anocalendário 2004 foi paga, conforme comprovado pelo documento à fl 33. Portanto, se houve erro na apresentação, pareceme ser a multa, de fato, indevida. Assim, voto por dar provimento ao recurso, cancelandose a multa por atraso na entrega da DIRF. O cancelamento da DIRF é da responsabilidade da Unidade de Origem e não deste CARF. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720075/2017-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
DECADÊNCIA.
A o termo inicial para contagem da decadência é o do pagamento e não da provisão do pagamento da participação nos lucros e resultados ou da participação estatutária de administradores. Não há que se falar em decadência do lançamento perfectibilizado dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto na legislação tributária.
PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores pagos pela empresa aos administradores, sob a denominação Participação Estatutária integra o salário de contribuição e compõe a base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, pois não se enquadra nas hipóteses excluídas da tributação pela Legislação Previdenciária.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS.
Integra o salário de contribuição o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pago em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
Numero da decisão: 2201-005.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em votação realizada na sessão 07 de maio de 2019, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, em votação realizada na sessão de 04 de junho de 2019, decidiu-se, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões, quanto ao mérito, o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Houve alteração na composição do colegiado nas sessões de julgamento em que foram analisadas a preliminar de decadência e o mérito do recurso voluntário. Na votação levada a termo em 04 de junho de 2019, com base nos disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II RICARF, manteve-se o voto proferido, em 07 de maio de 2019, pela Conselheira Fernanda Melo Leal, que participou daquele julgamento na condição de suplente convocada. Assim, quanto à questão preliminar, não votou, na sessão de 04 de junho de 2019, o Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Fernanda Melo Leal (Suplente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. A o termo inicial para contagem da decadência é o do pagamento e não da provisão do pagamento da participação nos lucros e resultados ou da participação estatutária de administradores. Não há que se falar em decadência do lançamento perfectibilizado dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto na legislação tributária. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa aos administradores, sob a denominação Participação Estatutária integra o salário de contribuição e compõe a base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, pois não se enquadra nas hipóteses excluídas da tributação pela Legislação Previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS. Integra o salário de contribuição o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pago em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em votação realizada na sessão 07 de maio de 2019, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, em votação realizada na sessão de 04 de junho de 2019, decidiu-se, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões, quanto ao mérito, o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Houve alteração na composição do colegiado nas sessões de julgamento em que foram analisadas a preliminar de decadência e o mérito do recurso voluntário. Na votação levada a termo em 04 de junho de 2019, com base nos disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II RICARF, manteve-se o voto proferido, em 07 de maio de 2019, pela Conselheira Fernanda Melo Leal, que participou daquele julgamento na condição de suplente convocada. Assim, quanto à questão preliminar, não votou, na sessão de 04 de junho de 2019, o Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Fernanda Melo Leal (Suplente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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A o termo inicial para contagem da decadência é o do pagamento e não da provisão do pagamento da participação nos lucros e resultados ou da participação estatutária de administradores. Não há que se falar em decadência do lançamento perfectibilizado dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto na legislação tributária. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa aos administradores, sob a denominação “Participação Estatutária” integra o salário de contribuição e compõe a base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, pois não se enquadra nas hipóteses excluídas da tributação pela Legislação Previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS. Integra o salário de contribuição o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pago em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em votação realizada na sessão 07 de maio de 2019, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, em votação realizada na sessão de 04 de junho de 2019, decidiu-se, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões, quanto ao mérito, o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Houve alteração na composição do colegiado nas sessões de julgamento em que foram analisadas a preliminar de decadência e o mérito do recurso voluntário. Na votação levada a termo em 04 de junho de 2019, com base nos disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 75 /2 01 7- 14 Fl. 2658DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 RICARF, manteve-se o voto proferido, em 07 de maio de 2019, pela Conselheira Fernanda Melo Leal, que participou daquele julgamento na condição de suplente convocada. Assim, quanto à questão preliminar, não votou, na sessão de 04 de junho de 2019, o Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Fernanda Melo Leal (Suplente), Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 1210/1231 de decisão de fls. 1798/1821 que manteve o Auto de Infração lavrado. Peço a vênia para transcrever parte do relatório produzido pela decisão recorrida. No Relatório Fiscal (fls. 140/246), a autoridade lançadora presta informações acerca da ação fiscal, bem assim no tocante à lavratura dos autos de infração supra-referidos. Em tal relatório é esclarecido que: A sociedade CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A, com sede na cidade de São Paulo, tem como objeto social a "prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito imobiliário e de crédito, financiamento e investimento), inclusive de câmbio e de comércio exterior, de acordo com as disposições legais e regulamentares aplicáveis", conforme definido no Capítulo II, artigo 4° - Objeto Social - do seu Estatuto Social. É sociedade por ações, regida pelas disposições da Lei n° 6.404/76. Período do lançamento do crédito: Participação nos Lucros dos Administradores - abril de 2012; Participação nos Lucros dos Empregados - fevereiro a dezembro de 2012; Diferença de Contribuições relativas ao RAT ajustado pelo FAP - janeiro a dezembro de 2012. Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas: (i) As remunerações pagas aos Administradores a título de Participação nos Lucros (Participação Estatutária), sobre as quais não foram recolhidas as devidas Contribuições Previdenciárias; Fl. 2659DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 (ii) As remunerações aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros dos Empregados, pagas em desacordo com a legislação específica, sobre as quais não foram recolhidas as devidas Contribuições Previdenciárias; (iii) As remunerações pagas aos empregados durante o exercício de 2012, sobre as quais não foram recolhidas, de forma completa, as Contribuições relativas ao RAT ajustado pelo FAP. A autoridade fiscal prossegue no relato dos fatos, detalhando cada fato gerador da obrigação tributária. Da participação nos lucros dos administradores (estatutária) Narra que a sociedade é administrada por um Conselho de Administração e uma Diretoria, conforme disposto no Estatuto Social. Por ser uma sociedade anônima, paga participação nos lucros aos diretores com base na Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações. Na referida lei há dispositivo que faculta à Companhia que estabelecer em seu estatuto dividendo obrigatório de no mínimo 25% do lucro líquido e o atribuir aos acionistas, pagar participação nos lucros aos administradores, desde que observado o limite. Todavia, não desvincula da remuneração tal verba e não cita que sobre ela não haverá incidência de contribuição previdenciária, pois não é o diploma legal que regulamentou a CF/88 e a Lei n° 8.212/91 no tocante à participação nos lucros ou resultados. No curso da auditoria fiscal realizada, foi constatado que o contribuinte efetuou pagamentos a seus Administradores sob o título de "Participação Estatutária". Todavia, referidos pagamentos devem sofrer a incidência das contribuições previdenciárias correspondentes porque: A MP n° 794/94, convertida na Lei n° 10.101/00, desvinculou da remuneração, não integrando o salário de contribuição, a participação nos lucros ou resultados recebida somente pelos segurados empregados. Sendo assim, sobre a participação paga aos diretores não empregados e aos membros do conselho de administração (segurados contribuintes individuais) incide contribuição previdenciária. Então, a participação nos lucros paga aos Administradores nos moldes previstos na Lei n° 6.404/76 integra o salário de contribuição, ficando, pois, sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Acosta precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que se subsumem a sua argumentação. Da participação nos lucros ou resultados dos empregados Quanto à participação nos lucros ou resultados dos empregados da sociedade, é regida por diferentes instrumentos, a saber: Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos e Acordos Coletivos de Trabalho de Participação nos Resultados. As Convenções Coletivas de Trabalho foram celebradas entre os Sindicatos dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, representados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro - CONTRAF e a Federação Nacional dos Bancos (FENABAN) e demais Sindicatos dos Bancos. Os Acordos Coletivos de Trabalho para Regulamentar o Programa de Participação nos Resultados (PPR), complementar à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) prevista na Convenção Coletiva da categoria bancária foram Fl. 2660DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 celebrados entre CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A e Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo/CONTEC - Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito. A autoridade fiscal faz um extenso arrazoado sobre a participação nos lucros ou resultados dos empregados da impugnante à luz das convenções/acordos e legislação de regência. Traça um breve histórico da participação nos lucros ou resultados da empresa no arcabouço legal brasileiro. Junta precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e doutrinadores que corroboram com a sua linha argumentativa, quando defende o procedimento adequado para que a participação não integre o salário de contribuição, conforme excerto do Relatório Fiscal, verbis: A participação nos lucros ou resultados da empresa não integra o salário de contribuição se realizada na forma da lei específica. Nesse sentido, dispõe a alínea "j", do § 9°, do art. 28, da Lei n° 8.212, de 1991. Portanto, deve a empresa cumprir as exigências da lei específica, que no caso é a Lei n° 10.101/2000, sendo a observância dos requisitos da lei indispensável para a caracterização da participação nos lucros ou resultados como parcela desvinculada da remuneração. Após analisar a farta documentação apresentada pela empresa, aponta que: Pelo fato de os pagamentos da PLR/PPR, das suas antecipações e de seus adicionais terem sido realizados em desacordo com a legislação vigente (Lei n° 8.212/91 e Lei n° 10.101/2000), conforme explicado neste Relatório Fiscal, devem, sobre os respectivos valores, incidir as contribuições previdenciárias e as contribuições sociais destinadas aos terceiros (INCRA e Salário Educação). Em resumo, foram descumpridos os seguintes aspectos legais: - Existência de Instrumentos Concomitantes para o Pagamento da PLR/PPR; - Ausência de regras claras e objetivas; - Ausência de incentivo à produtividade (previsão de trabalhos rotineiros, inerentes ao contrato de trabalho); - Retroatividade dos instrumentos utilizados para pagamento da PLR/PPR. Da contribuição relativa ao RAT ajustada pelo FAP A autoridade lançadora faz um extenso relato sobre a legislação que rege o RAT e o FAP e aponta que "para o exercício de 2012, o FAP atribuído ao CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A, foi de 0,8010. Desta feita, seu RAT Ajustado é igual a sua alíquota básica RAT, qual seja 3%, multiplicada pelo FAP, isto é, 3% x 0,8010, resultando em 2,4030% (alíquota final RAT a ser observada no exercício de 2012)". No entanto, "entre janeiro e dezembro de 2012, incluindo o 13° salário, o CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A declara em GFIP a alíquota básica RAT de 3% e FAP de 0,79, ou seja, um RAT Ajustado de 2,3700%". Relata que a autuada foi questionada em relação ao FAP utilizado no exercício de 2012 a qual respondeu que protocolizou "Formulário de Contestação Online do FAP em 30/11/2011, cujo indeferimento foi publicado somente no Diário Oficial da União de 13/12/2013, portanto em data posterior aos fatos geradores do ano de 2012". Fl. 2661DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Considerando o indeferimento total da contestação, foram lançadas as diferenças de contribuições sociais resultantes da aplicação das alíquotas de 2,4030% e 2,3700% incidentes sobre as remunerações dos empregados que prestaram serviços junto ao CHINA CONSTRUCTION BANK BRASIL BANCO MÚLTIPLO S/A durante exercício de 2012. O autuado foi cientificado do AI, em 31 de janeiro de 2017, pessoalmente (fls. 1648/1649). Impugnação O autuado foi cientificado do AI e apresentou impugnação (fls. 1658/1709) alegando, em apertada síntese, o que se relata a seguir. Em sua defesa, inicia com um resumo dos fatos e aponta a tempestividade da peça impugnatória. Na sequência informa que realizou o pagamento da diferença de GILRAT decorrente do indeferimento de Contestação Online do FAP relativa ao exercício de 2012, posto que efetivamente devida tal exigência e destaca que discutirá apenas as exigências decorrentes do pagamento de PPR/PLR no ano de 2012 supostamente em desacordo com a Lei n° 10.101/2000, que no entender da autoridade fiscal autorizaria o lançamento das contribuições sociais, contribuições a terceiros (INCRA e salário-educação) e GILRAT. Preliminar Da ocorrência de decadência Alega que há questão prejudicial a ser enfrentada antes de se adentrar o mérito da obediência ou não do PPR/PLR em questão à legislação, de modo a afastar a incidência das contribuições previdenciárias: a decadência do PPR/PLR devido em 31/12/2011, mas pago somente no ano de 2012. Traz textos legais e argumenta que deles é possível extrair que o momento de ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias em relação ao segurado empregado ou a trabalhador avulso em decorrência da prestação de serviço, é no mês em que for paga, DEVIDA ou creditada a remuneração, o que ocorre primeiro. Acosta Soluções de Consulta da Cosit que corroboram com sua linha argumentativa. Então, "devido o PPR/PLR do ano de 2011 em 31/12/2011; o 1° dia do exercício subsequente para fins do art. 173, Inciso I, do CTN, foi o dia 1°/01/2012, de maneira que a D. Autoridade Fiscal teria até 31/12/2016 para promover o lançamento de ofício contra a Impugnante". E assevera que a notificação de lançamento ocorreu no dia 01/02/2017 (sic), por conseguinte as contribuições sociais devidas desde 31/12/2011 estão alcançadas pela decadência. Mérito Da participação nos lucros e resultados No mérito, inicia a defesa dizendo que, a fim de impugnar os pontos específicos que a autoridade fiscal afirma que teriam sido violados, tecerá alguns comentários gerais sobre a legislação aplicável ao PPR/PLR e o seu tratamento tributário. Assevera que, com isso: Irá demonstrar que (i) a participação nos lucros ou resultados da empresa é um direito assegurado constitucionalmente a todos tipos de trabalhadores, Fl. 2662DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 inclusive os empregados e os contribuintes individuais; (ii) essa participação é regulamentada pela Lei n° 10.101/2000 em respeito aos empregados, e pela Lei das S.A. em respeito aos administradores da empresa (contribuintes individuais); (iii) a legislação previdenciária assegura a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as participações de lucros ou resultados de todas as classes de trabalhadores, inclusive empregados e contribuintes individuais; e, por consequência, o Auto de Infração apurado sobre tais ganhos deve ser anulado. Da participação nos lucros dos administradores Defende que a participação nos lucros e resultados é um direito garantido constitucionalmente aos trabalhadores em sentido amplo (empregados e contribuintes individuais) já que ambos igualmente contribuem para o alcance dos objetivos definidos pela empresa. Tais valores são desvinculados da remuneração quando pagos ou creditados de acordo com lei específica que vier a regulamentar a referida participação. Relata que a participação do PPR/PLR ocorreu inicialmente por meio da Medida Provisória nº 794/94, reeditada várias vezes até a sua conversão na Lei nº 10.101/2000 e deverá será objeto de negociação entre a empresa e seus trabalhadores (empregados ou administradores), registrado em documento que traz as regras sobre a participação. Aduz que o entendimento da fiscalização quanto ao oferecimento à tributação da participação auferida pelos administradores amesquinha o conceito de trabalhador previsto na Constituição Federal posto que o conceito de trabalhador deve ser interpretado de forma mais ampla e comum possível, "de modo a abranger todos aqueles que vivem do trabalho, incluídos os administradores". Defende que, no caso dos administradores, a lei específica mencionada no art. 28, § 9º, alínea "j" da Lei 8.212/911 é a Lei 6.404/76, a Lei das S/A. Destaca que: Por isso, é irrelevante o fato do administrador ou membro do conselho de administração da sociedade ser enquadrado na categoria de contribuinte individual. O fato é que o trabalhador recebe, sob a ótica da legislação cível, uma participação nos lucros; não se trata de remuneração pelo trabalho, mas pelo resultado que ele gerou. Traz doutrina e precedentes do CARF que se subsumem à sua linha argumentativa. Prossegue, dizendo que: A interpretação que fundamenta o lançamento ora atacado, viola de maneira frontal o disposto no artigo 110 do CTN2, na medida em que pretende alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressamente no inciso XI, do artigo 7° da Constituição Federal, com o intuito de definir competência e exigir a contribuição previdenciária ora impugnada. Ato contínuo, defende que, caso se conclua pela incidência das contribuições previdenciárias sobre a participação nos lucros e resultados, a despesa efetuada será dedutível na determinação do lucro real, já que: A Impugnante entende que os pagamentos têm a natureza jurídica de PLR e, por isso, considerou-os indedutíveis da base de cálculo do IRPJ; porém, Fl. 2663DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 passará a considerá-los dedutíveis, na hipótese de prevalecer a tese segundo a qual tais pagamentos teriam a natureza jurídica de remuneração pelo trabalho. Da participação nos lucros dos empregados Relata que a autoridade fiscal apontou que o autuado teria descumprido os seguintes preceitos legais: existência de instrumentos concomitantes para pagamento de PLR/PPR; ausência de regras claras e objetivas no PPR/PLR; ausência de incentivo à produtividade (previsão de trabalhos rotineiros, inerentes ao contrato de trabalho) nos instrumentos de PPR/PLR e retroatividade dos instrumentos utilizados para pagamento de PLR/PPR. Em relação ao primeiro preceito - existência de instrumentos concomitantes para pagamento de PLR/PPR -, defende que "não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados, não podendo o PPR/PLR ser desconsiderado o pagamento de PLR/PPR baseado em mais de um instrumento, e exigência de cumprimento do quórum do art. 612 da CLT para aprovação do Acordo Coletivo". Em relação à vigência futura do PPR/PLR, sustenta que "o instrumento de negociação foi celebrado em ano anterior ao ano de 2012, não havendo que se falar em desvirtuamento da rubrica pela vigência retroativa, ou pagamento de remuneração mascarado de PPR/PLR". Quanto à ausência de regras claras e objetivas, diz que a PPR sempre se vincula a metas e objetivos concretos, não se relaciona com o lucro da empresa. Assim, mesmo apurando prejuízo, se a meta for atingida o empregado terá a sua remuneração no resultado alcançado. Destaca que "não assiste qualquer razão à D. Autoridade Fiscal ao pretender descaracterizar o pagamento do PPR em questão, pois não está condicionado ao lucro da empresa, mas ao cumprimento de meta". Aduz que, existindo previsão de pagamento de valor fixo vinculado ao atendimento de meta, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o PPR. Quanto à remuneração dos executivos (gerentes comercial, superintendente de agência, superintendente regional e executivo regional) que ocorreria de forma totalmente discricionária, supostamente a critério da diretoria estatutária do banco, destaca que é necessário estabelecer a premissa de que a presente discussão se restringe aos cargos em comento, excluindo-se os demais funcionários. Defende que a fiscalização quer tomar parte pelo todo a fim de desqualificar todo o PPR/PLR. Argumenta que na lei não há regras detalhadas sobre os critérios e as características dos acordos celebrados. Ademais, havendo concordância quanto aos métodos de aferição entre a classe de trabalhadores não pode a fiscalização interferir na livre negociação das partes. E "ainda que assim não se entenda, o que se admite apenas por amor ao argumento, devem-se baixar os autos em diligência para segregar os valores pagos com base na avaliação, dos pagamentos feitos com base na avaliação objetiva prevista na Cláusula 3.1.2 do Anexo I". Da ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Aduz que "nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias". Então, em sendo mantido o lançamento combatido, não há que se admitir a incidência de juros sobre a parcela da multa de ofício. Do pedido Fl. 2664DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Ao final, requer que seja julgada procedente sua impugnação para o fim de considerar totalmente legítimo o PPR/PLR do impugnante, determinando-se o cancelamento dos autos de Infração. Alternativamente, pede que se considere decaídos os pagamentos devidos em 31/12/2011, ainda que pagos ao longo do ano deu 2012 e na "remota hipótese de as verbas pagas aos administradores serem consideradas remuneração (caráter contraprestacional), que esses pagamentos sejam declarados dedutíveis da base de cálculo do IRPJ". Por fim, "caso se entenda procedente a autuação em relação ao PPR/PLR pago no ano de 2012 aos ocupantes dos cargos de gerente comercial, superintendente de agência, superintendente regional e executivo regional, requer-se sejam baixados os autos em diligência para segregar os valores pagos com base na avaliação, dos pagamentos eitos com base na avaliação objetiva prevista na Cláusula 3.1.2 do Anexo I, do Acordo Coletivo". Foi proferida decisão de fls. 1798/1181. Da Decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS) Sobreveio acórdão proferido pela 7ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS), que manteve a autuação tal como lavrada, conforme se constata da ementa abaixo transcrita (fls. 1798/1799): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A rubrica paga pela empresa aos administradores, sob a denominação “Participação Estatutária” integra o salário de contribuição, base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, uma vez que não está incluída nas hipóteses liberadas de tributação pela Legislação Previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EMPREGADOS. Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pago em desacordo com a legislação correlata e sobre ele incidem as contribuições devidas à Seguridade Social. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DILIGÊNCIA. A diligência requerida pela impugnante pode ser indeferida pela autoridade julgadora se esta considerá-la desnecessária, por constarem dos autos os elementos suficientes para a análise conclusiva. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2665DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DECADÊNCIA. Não há que se falar em decadência do lançamento perfectibilizado dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto na legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão acima mencionado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário fls. 1883/1919, praticamente repetindo os argumentos apresentados em sede de impugnação. Após a apresentação do Recurso Voluntário a Recorrente apresentou laudo pericial contábil a fim de demonstrar a procedência de seus pedidos fls. 1971/2010. O presente processo foi distribuído a este Relator em sessão pública. Na sessão de julgamento do dia 7 de maio do ano corrente, constou em ata a seguinte decisão: Vista para o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, relator, votou por rejeitar a preliminar de decadência, no que foi acompanhado pela unanimidade da Turma. No mérito, votou por negar provimento ao recurso voluntário. Não votaram, no mérito, os demais conselheiros. Através de petição datada de 31 de maio deste ano, o recorrente junta memoriais reforçando a questão da decadência (fls. 2645/2649) e junta ainda, solução de consulta COSIT nº 250 de 23 de maio de 2017 (fls. 2651/2657), na tentativa de ver reconhecida a decadência. É o relatório do necessário, passo ao Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Da Decadência O Recorrente alega que as contribuições sociais em discussão nos presentes autos estariam decaídas, tendo em vista que o PPR/PLR devido em 31/12/2011, pago em 2012 e por isso, o lançamento deveria ter sido feito até 31/12/2016. Ainda de acordo com o Recorrente, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial Apesar de alegar decadência de parte do crédito, esta alegação não merece prosperar, isso porque, como alega, se de fato fosse um plano para pagamento de PLR efetivo, tivemos a celebração do Acordo Coletivo em 19/11/2011, com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2011 e término em 31 de dezembro de 2011. Conforme restou alegado pela Recorrente, os valores que eram devidos desde 31/12/2011 ter-se-ia extinto o direito do Fisco de constituir o crédito tributário em 31/12/2016. Fl. 2666DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 De acordo com suas alegações, a decadência, seria contada a partir do momento em que reconhecida a despesa, nos termos do disposto na a Instrução Normativa RFB nº 971/2009, que estabelece: Art. 52. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos: I - em relação ao segurado: a) empregado e trabalhador avulso, quando for paga, devida ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, quando do pagamento ou crédito da última parcela do décimo terceiro salário, observado o disposto nos arts. 96 e 97, e no mês a que se referirem as férias, mesmo quando recebidas antecipadamente na forma da legislação trabalhista; b) contribuinte individual, no mês em que lhe for paga ou creditada remuneração; [...] III - em relação à empresa: a) no mês em que for paga, devida ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, a segurado empregado ou a trabalhador avulso em decorrência da prestação de serviço; § 2º Para os órgãos do Poder Público considera-se creditada a remuneração na competência da liquidação do empenho, entendendo-se como tal, o momento do reconhecimento da despesa. Ocorre que, o disposto no parágrafo 2º da Instrução Normativa nº 971/2009 é norma específica para os órgãos do Poder Público e não se aplica às instituições privadas. Tanto é assim, que as soluções de consulta COSIT (nº 9/2016 e 250/2017) mencionadas, são específicas para os órgãos do Poder Público. Apesar de haver tais dispositivos, a melhor interpretação, a meu ver é a de que o prazo inicial da decadência é o do pagamento e assim, se interpreta as normas que dispõem sobre as contribuições previdenciárias, no âmbito das pessoas jurídicas privadas. Sendo assim, não há que se falar em decadência. Valores pagos a diretores a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR Com relação a este ponto, trago à baila, trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, a quem rendo homenagens, no acórdão de nº 2201-004.404, julgado em 17/05/2018, nos autos do processo nº16539.720002/2017-37: Sustenta o recorrente que o dispositivo constitucional que trata de PLR não limita tais valores aos empregados, já que prevê que a benesse alcança os trabalhadores em geral. Afirma que, ao contrário das conclusões da Autoridade fiscal, a não aplicabilidade da Lei nº 10.101/00 aos lucros e resultados pagos a diretores não empregados e/ou administradores em razão de preceito específico contido na Lei 6.404/76, leva à consequência de incidir tributação previdenciária sobre uma base fora do campo de incidência, por não ser rendimento decorrente do trabalho. Fl. 2667DF CARF MF https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/ Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Não sendo este o entendimento, ainda assim não haveria incidência de tributação, já que se trata de valor pago de forma eventual. Ora, o que está em debate no presente tema é a velha discussão sobre a incidência da contribuição previdenciárias sobre a Participação no Lucros concedida a administradores. Há quem entenda, por questões de isonomia, que não. Afinal, o administrador seria uma espécie do gênero trabalhador. Há quem entenda que sim, em razão da existência de regramento próprio para tais profissionais. Sobre o tema, relevante tratarmos da legislação correlata: A Lei 8.212/91 Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Como se vê, a alínea J do art. 28 limita a exceção à previsão em lei específica, que, neste caso, é a Lei 10.101, de 19/12/2000, que regula o disposto no art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, assim dispondo: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2 º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) Art. 3 º A participação de que trata o art. 2 o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Pela leitura dos excertos acima, constata-se que a exclusão do conceito de salário de contribuição alcança apenas aqueles que mantenham vinculo de emprego com a empresa, não beneficiando os contribuintes individuais. Por outro lado, a Lei 6.404/76, lei das sociedades por ações, assim dispõe: Art. 152. A assembléia-geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Fl. 2668DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#7XI http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#7XI http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#7XI Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Assim, vê-se que os administradores têm suas possibilidade de participação nos lucros definidas em lei específica para as sociedades por ações e para a sua condição de dirigente da instituição. Desta forma, estender aos administradores o benefício da Lei 10.101/2000, ao contrário de impor algum tratamento igualitário, importaria a criação de tratamento ainda mais desigual, pois os empregados não têm direito à participação nos lucros ou as benesses contidas no art. 152 da 6.404/76. Ademais, dar a estes profissionais a possibilidade de definir, sem qualquer controle prático, aquilo que terão direito de receber a título de PLR, seria extirpar a força normativa e reconhecer sem qualquer utilidade os termos e limitações estabelecidos pelo art. 152 da Lei das SA, que visa, em particular, proteger os acionistas da empresa e o interesse público, representado pela estabilidade e confiança do mercado de capitais, um dos pilares da economia do país. Ainda, com relação à alegada legitimação da desoneração da participação nos lucros com base na Lei 6.404, a lei específica mencionada na Constituição e na alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212 é unicamente a Lei 10.101, que tratou, efetivamente, com especialidade própria acerca da participação nos lucros e resultados, exigindo prévia negociação, não podendo ser invocar o art. 152, § 1.º, da Lei das S/A. Aliás, a Lei 6.404 trata com especialidade acerca das Sociedades por Ações não tendo viés previdenciário ou trabalhista. Deveras, a meu ver a natureza jurídica da disciplina da participação nos lucros da Companhia para os Administradores na forma do art. 152, § 1.º, da Lei 6.404, não se confunde com a natureza jurídica da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos trabalhadores, pois esta tem natureza de direito social e aquela de direito societário regulando os interesses que poderiam ser conflitantes dos Administradores, da própria Companhia, dos Acionistas e de modo geral de quaisquer prestador de serviço. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), já se debruçou sobre o assunto: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. LEI 10.101/2000. 1. A jurisprudência do STJ é de que a parcela que não sofre a incidência de contribuição previdenciária, no que se refere aos valores pagos a título de participação nos lucros, é aquela paga nos moldes da Lei 10.101/2000. Nesse sentido: REsp 1.216.838/RS, Rel. Ministro Castro Meira, DJe 19/12/2011. 2. Na jurisprudência invocada para rejeitar a pretensão da empresa, o voto condutor do acórdão hostilizado afirma que o simples pagamento de parcela remuneratória, em favor de diretores estatutários, de parcela denominada "participação nos lucros", feito nos termos do art. 152 da Lei 6.404/1976, é insuficiente para comprovar que a empresa tenha adotado uma política efetiva de implantação de participação nos lucros por parte de todos os seus empregados, o que somente poderia ser feito mediante o regime instituído pela Lei 10.101/2000. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 1.650.783/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 19/12/2017) Fl. 2669DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 No caso, não merece reparos a decisão de piso, quanto a este ponto. Pagamento de PLR Melhor sorte não assiste à Recorrente quanto a este tópico, uma vez que, para fazer jus à isenção quanto a este pagamento, deveria cumprir à risca o que determina a Lei nº 10.101/2000. Vejamos o que dispõe a Lei nº 10.101/2000: Art. 2 o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) II - convenção ou acordo coletivo. § 1 o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2 o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Analisando-se a Convenção Coletiva de Trabalho 2010/2010 (fls. 567/589) nota- se apenas a previsão de ajuste e implementação de PLR até 1º de setembro de 2010 (fl. 571). Por outro lado, mencionada convenção coletiva não cumpriu com os requisitos da legislação, quais sejam: - ser um instrumento de integração entre capital e trabalho; - servir como incentivo à produtividade; - ter regras claras e objetivas, podendo ser considerados como critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade, b) programa de metas, resultados e prazos previamente pactuados; c) não constitui base para qualquer encargo trabalhista ou previdenciário; e d) a periodicidade do pagamento não poderá ser inferior a um semestre. Em outros termos, conforme trabalho feito pela autoridade lançadora, que analisou exaustivamente a documentação que teria sido utilizada como base para o pagamento da participação nos lucros ou resultados" e as conclusões e apontamento foram relatados Fl. 2670DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12832.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12832.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12832.htm#art3 Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 minuciosamente, nos itens 7 e 8 do do Relatório Fiscal (fls. 150/213). Em resumo, aduz que foram descumpridos os seguintes aspectos legais: - Existência de Instrumentos Concomitantes para o Pagamento da PLR/PPR; - Ausência de regras claras e objetivas; - Ausência de incentivo à produtividade (previsão de trabalhos rotineiros, inerentes ao contrato de trabalho); - Retroatividade dos instrumentos utilizados para pagamento da PLR/PPR. Cotejando o que fora relatado pela autoridade fiscal (itens 7 e 8 do Relatório Fiscal - fls. 150/213) e as contrarrazões apresentadas pela impugnante (item III.3 da Impugnação - fls. 1.688/1.706), por maior esforço que a defesa faça para defender a legitimidade dos documentos/procedimentos, resta evidente que os valores pagos ou creditados, pela impugnante, a título de PLR, aos segurados empregados a seu serviço, foram efetuados em desacordo com a Lei n.º 10.101, de 2000. Veja-se: Existência de Instrumentos Concomitantes para o Pagamento da PLR/PPR A autuada utiliza-se de instrumentos concomitantes para pagamento da participação sobre lucros ou resultados e faz a leitura da lei específica de forma diversa àquela da fiscalização. No entanto, a interpretação da lei é literal, já que se trata de outorga de isenção tributária6. O art. 2º da Lei nº 10.101/2000 não admite pluralidade de procedimentos para fins de negociação entre as partes no tocante à participação, mas a eleição de apenas um entre aqueles nela previstos. Ausência de regras claras e objetivas e ausência de incentivo à produtividade a fiscalização aponta que: Os acordos utilizados não incentivam a produtividade, vez que não preveem regras claras e objetivas para o pagamento da participação, as metas a serem atingidas pelos beneficiários, nem seus mecanismos de aferição e critérios de avaliação, além de estabelecerem a existência de uma parcela mínima obrigatória de PLR de igual valor para todos os empregados e sem relação com qualquer plano de metas. Os objetivos são compostos de encargos regulares decorrentes dos contratos de trabalho, não contendo a especificação de qualquer fim extraordinário a exigir o esforço adicional dos trabalhadores, sendo ainda de caráter subjetivo em alguns casos. Ademais, os mecanismos de aferição e critérios de avaliação, encontrados somente nas Avaliações de Desempenho e não nos Acordos de PLR, apresentam caráter eminentemente subjetivo. A defesa diz que o PPR "sempre se vincula a metas e objetivos concretos, não se relacionando com o lucro da empresa", "não está condicionado ao lucro da empresa, mas ao cumprimento de meta". Também, reduz parte da discussão aos cargos dos executivos. Ora, satisfeito o seu conceito jurídico, a PLR deve ser um recurso extra que é pago ao empregado em virtude da obtenção de um ganho de produtividade que empregador e empregado, previamente, se comprometeram a alcançar. No entanto, a tal PLR promovida pela autuada coaduna-se como reposição do valor real do salário, ou parte dele, ao não cumprimento dos encargos sociais correspondentes, já que nos documentos apresentados pela impugnante não constam quaisquer regras objetivas para o atingimento de metas de produtividade de modo a ensejar o pagamento da PLR disciplinada na forma da Fl. 2671DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 Lei n.º 10.101, de 2000, e muito menos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do que foi acordado. Retroatividade dos instrumentos utilizados para pagamento da PLR/PPR A fiscalização demonstra cabalmente que os instrumentos utilizados para pagamento da PLR/PPR do ano-calendário 2011 são retroativos. Os Acordos Coletivos foram celebrados em 19/11/2011 com vigência retroativa a 01 de janeiro de 2011 e término em 31 de dezembro de 2011. A defesa argumenta que os acordos foram assinados em ano anterior ao de 2012 e que a fiscalização pretende, na verdade, descaracterizar o PPR/PLR da impugnante do ano de 2011 para fazer incidir as contribuições previdenciárias já decaídas desde 01/01/2017. No entanto, a defesa equivoca-se. A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito, para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2º da Lei nº 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento. Além disso, veja-se que a Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2011 juntada às fls. 342/350 não tem valor jurídico, já que não foi assinada por nenhuma das partes. Pelo exposto, tais verbas não aproveitam a isenção estabelecida no parágrafo 9.º, alínea “j”, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, integrando a base de cálculo (salário de- contribuição) das contribuições previdenciárias patronais, objeto do presente lançamento. Quanto ao pedido de diligência, entendo esta desnecessária para a resolução da lide, já que se mantém como fatos geradores a totalidade dos valores pagos a título participação nos lucros ou resultados dos empregados, o que faço com supedâneo no artigo 187 do Decreto 70.235, de 1972. Sendo assim, não há que se falar em preenchimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000, de modo que não procedem as alegações da Recorrente quanto a este ponto. Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Sustenta a Recorrente que não deveria haver a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário junto com o tributo. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2° O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito'não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário e de acordo com o CTN esse decorre da obrigação principal, na qual Fl. 2672DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.168 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.720075/2017-14 estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, por sua vez, preconiza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto n° 7.212, de 2010) §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei n° 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetiva-se descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. Entretanto, esta questão já se encontra pacificada neste Egrégio Tribunal, consoante o disposto na Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Conclusão Pelos motivos expostos, rejeito a preliminar de decadência e voto por conhecer e negar provimento Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 2673DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000557/2002-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos.
LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3o do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permite o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 2301-006.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3o do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permite o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3o do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permite o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 57 /2 00 2- 49 Fl. 227DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 197/221 ) interposto em face do Acórdão nº 5.116 (e-fls 176/190), prolatado pela DRJ Santa Maria, em sessão de julgamento realizada em 06 de janeiro de 2006. 2. Faz-se a transcrição do relatório inserto na decisão recorrida (início da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 5.116/2006) O contribuinte acima qualificado foi autuado, exigindo-lhe o crédito tributário no montante de R$ 42.202,51, nele compreendidos imposto, multa de ofício e juros de mora, relativo ao ano-calendário 1998, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. O autuado, às fls. 107 a 137, impugna total e tempestivamente o auto de infração, juntando os documentos de fls. 138 a 151, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Preliminarmente 1. Vício do auto de infração. O Sr. Agente Fiscal somente considerou os valores depositados na conta corrente do contribuinte para fundamentar o referido auto de infração, ignorando o fato de que a mesma conta corrente apresentava débitos, o que afasta a possibilidade de considerar todo o valor creditado na conta corrente do impugnante como renda, passível de ser tributado pelo imposto de renda. A incorreção por parte do Sr. Agente derruba a presunção de legitimidade, certeza e principalmente liquidez do auto de infração. 2. Do cerceamento do direito de defesa e da ausência dos pressupostos de validade do ato administrativo. O direito constitucional à ampla defesa do autuado restou totalmente prejudicada na autuação, pois, além de não guardar correlação lógica entre a capitulação legal, da infração e da multa, com a descrição dos fatos, não foi demonstrado inequivocamente a suposta omissão apontada, o que sem dúvida alguma prejudica a apresentação de defesa pelo contribuinte. Os artigos 9 o e 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, dispõem sobre os requisitos obrigatórios do auto de infração. Não restou provado objetivamente que os valores levantados pelo Fisco constituem suporte suficiente para a formalização do crédito tributário. Transcreve ementas de decisões de tribunais, que nulificaram o auto de infração que não preenche os seus requisitos. Conclui que o auto de infração deve ser declarado nulo. Fl. 228DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 3. Falta de fundamentação adequada - Não atenção aos preceitos da Lei n° 9.784, de 1999. A Fiscalização deixou de mencionar e mesmo de atender aos preceitos da Lei n° 9.784, de 1999, a nova lei dos procedimentos administrativos, mormente seu artigo 50, limitando-se a informar artigos do Decreto n° 70.235, de 1972. Este é mais um motivo de nulidade do AL Mérito. 1. Da inconstitucionalidade da exigência tributária com base em lançamento presuntivo. Segundo o artigo 153, III, da CF, o imposto deve incidir sobre rendas e proventos de qualquer natureza. A hipótese de incidência tributária correspondente a esse permissivo constitucional é definido pelo artigo 43 do CTN. Assim, certo é que o imposto não deve incidir sobre todos os créditos havidos na conta corrente do contribuinte, como ocorreu no presente caso, mas apenas sobre os valores decorrentes de renda e proventos. O conteúdo da hipótese de incidência é delimitado pela CF e não pode ser manipulado pelo legislador ou pelo intérprete de acordo com a sua conveniência, pois, está rigidamente traçado pelo constituinte. Não se afigura a hipótese de incidência do tributo a mera presunção de renda percebida. O ônus de provar que os rendimentos são tributáveis é somente do Fisco. Nesse sentido, como não ficou provado pela Fiscalização as supostas omissões, o AI não pode prevalecer. 2. Necessidade de apuração do resultado. A alegação de que se trata de créditos bancários não justificados não procede, haja vista que, conforme esclarecimento feito pelo impugnante, tais valores decorrem da economia de anos de trabalho conjugado com o valor oriundo da rescisão de seu contrato de trabalho. 3. Manutenção patrimonial. Não houve qualquer alteração no patrimônio do contribuinte, permanecendo o mesmo de anos atrás. Assim, ausente está o fato jurídico que enseja a incidência do imposto de renda. 4. Da multa indevida e abusiva de 75%. A multa imposta caracteriza-se abusiva e confiscatória, o que é vedado pela CF. Poderia ser aplicada a multa de 20%, prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996. O próprio CTN, artigo 106, II, c, determina a aplicação da lei que comine pena menos severa ao contribuinte. Fl. 229DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 5. Da irretroatividade do artigo 1° da Lei n° 10.174, de 2001. O disposto na Lei n° 10.174, de 2001, que permite a quebra do sigilo bancário independente de autorização judicial, não poderá, em hipótese alguma, retroagir para abarcar situação ocorrida em 1998, quando vigia lei em sentido contrário a essa. 6. Da impossibilidade de efetuar lançamento com base em depósitos bancários. Traz a jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 7. Da inconstitucional quebra do sigilo bancário. O AI foi baseado em informações obtidas de forma inconstitucional, violando direito resguardado por cláusula pétrea, impossível de ser alterado, inclusive por emenda constitucional. 8. Dos juros. Não consta do auto, o percentual utilizado pelo agente para correção do crédito, muito menos seu embasamento legal, impossibilitando ao sujeito passivo exercer seu direito de defender-se. 9. Da jurisprudência. Enquanto a legislação dispensa autorização judicial para efetuar a quebra do sigilo bancário, o Supremo Tribunal Federal defende a imprescindibilidade de ordem judicial para obtenção de informações sobre a movimentação bancária. A Justiça Federal do Estado de São Paulo vem decidindo no mesmo sentido, conforme decisões que transcreve. 10. Das declarações de renda. Foi demitido em 1991, deixando de apresentar a declaração de imposto de renda, simplesmente por vislumbrar a desnecessidade, ante a inexistência de rendas. Há que se esclarecer que, atendendo à intimação da SRF, o contribuinte entregou as declarações do IR, referente aos anos 1996, 1997, 1998 e 1999. Conclusão Requer que sejam acatadas as preliminares, declarando-se a nulidade do auto de infração, ou, se superadas, seja julgado improcedente o auto de infração. (final da transcrição do relatório contido no Acórdão nº 5.116/2006) 3. Ao julgar a impugnação improcedente, a decisão tem a seguinte ementa: Ementa: NULIDADE. São somente duas as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal: a incompetência do agente e o cerceamento do direito de defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física -IRPF Fl. 230DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3 o do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permite o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe apreciação na esfera administrativa da arguição de inconstitucionalidade. 4. Interposto o recurso voluntário (e-fls 197/221), após manifestar incoformismo com o teor da decisão de primeira instância, sobretudo na apreciação das questões preliminares, repisa os mesmos argumentos articulados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 5. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, CERCEAMENTO DE DEFESA E INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 6. Nesta parte da peça recursal, o Recorrente se cinge a manifestar inconformismo com a decisão de primeira instância ao apreciar as questões preliminares suscitadas ao tempo da impugnação. 7. Não assiste razão ao Recorrente. A decisão de primeira instância procedeu a correta abordagem da matéria, fundamentando a decisão no artigo 59 do Decreto 70.235/72 (e-fls 181/183). Assim, rejeitam-se as preliminares suscitadas em sede recursal. MMÉÉRRIITTOO 8. No que respeita às demais questões de mérito, não tendo sido deduzidas novas razões em sede recursal, adotam-se os fundamentos da decisão de primeira instância. (início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 5.116/2006) Preliminarmente. Nulidade do auto de infração. Fl. 231DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 Sobre a nulidade do auto de infração, os incisos I e II do artigo 59 do Processo Administrativo-Fiscal, aprovado pelo Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, dispõem: Art. 59 - São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; I I - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do texto acima reproduzido depreende-se que, no processo administrativo fiscal, o cerceamento do direito de defesa resulta de despachos e decisões. Assim, não pode ocorrer previamente à lavratura de atos ou termos, entre os quais se inclui o auto de infração. Após a lavratura do auto de infração e de sua ciência é aberto o prazo para o contribuinte impugnar a exigência fiscal, sendo-lhe proporcionado devidamente o contraditório e a ampla defesa, pois, é só com a impugnação do auto de infração, que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. É na fase da impugnação que o autuado tem a oportunidade de apresentar os esclarecimentos que julgar necessários e os documentos que comprovem suas alegações a fim de ser proferida, apreciando-se todos os seus argumentos e provas e, à luz da legislação tributária, o acórdão de primeira instância administrativa. No caso em tela, tendo sido facultado ao contribuinte impugnação na qual o autuado demonstra de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal e, apresenta seus argumentos de defesa, ora apreciados, não procede a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ademais, é totalmente infundada a alegação do autuado de que não há correlação lógica entre a capitulação legal e a descrição dos fatos do auto de infração, conforme se verificará na apreciação do mérito. Da mesma forma, equivocado é o argumento de que não consta do auto de infração o percentual e o embasamento legal dos juros lançados. Consta no demonstrativo de folha 102 que foi aplicado, a título de juros de mora, o percentual de 54,42%, equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC acumulada mensalmente, com base no artigo 61, § 3 o , da Lei n° 9.430, de 1996. Quanto à utilização das informações obtidas por intermédio da CPMF para o lançamento de outras contribuições e impostos, para esclarecer tal matéria, vale observar o que dispõe a Lei n° 9.311, de 1996, em seu artigo 11: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § I o . No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2 o . As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações Fl. 232DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3 o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, (grifado). De acordo com o parágrafo 3 o do artigo 11, supracitado, a Secretaria da Receita Federal não poderia constituir crédito tributário relativo a outros impostos ou contribuições, com base nas informações prestadas pelas instituições responsáveis pela retenção da CPMF. Assim, qualquer constituição de crédito tributário relativa a imposto sobre a renda de pessoa física, com a utilização de dados oriundos da CPMF, seria inadmissível. Posteriormente, em 10/01/2001, a Lei n° 10.174, alterou o § 3 o do artigo 11 em análise, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. I o O art. 11 da Lei n"9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 11 (...) § 3 ° . A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e vara lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (NR) (grifos nossos). (...) Art. 2 o . Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Então, a partir de 10/01 /2001, data em que a Lei n° 10.174, de 2001, entrou em vigor, as informações relativas à movimentação financeira, obtidas por intermédio da CPMF, passaram a poder ser utilizadas na constituição de outros impostos e contribuições. O procedimento fiscal em tela iniciou-se já na vigência da mencionada lei. Inconstitucionalidade Quanto à alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade, saliente-se que não são suscetíveis de apreciação na via administrativa quaisquer arguições de inconstitucionalidade de leis tributárias ou fiscais, isso porque as autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o Legislador tenha editado leis Fl. 233DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 compatíveis com a Constituição Federal. Noutras palavras, as autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário (art. 102 da Constituição Federal, de 1988). Como bem ensina Luiz Henrique Barros de Arruda, in Processo Administrativo Fiscal - Manual, 2 a edição, Editora Resenha Tributária, páginas 85 e 86, no que se refere às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade levantadas pelo interessado, tem-se que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de possíveis inconstitucionalidades ou ilegalidades das normas vigentes, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do CTN. A autoridade tributária, tanto a lançadora quanto a julgadora, encontra-se cingida aos estritos termos da legislação fiscal, estando impedida de ultrapassar tais fronteiras para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em tela, uma vez que às autoridades tributárias cabe apenas cumprir e aplicar a lei. A presente autoridade julgadora, portanto, não possui a prerrogativa de pronunciar-se acerca da constitucionalidade de um dispositivo legal. Excluídos os casos em que há sentença judicial determinando a não aplicação da norma especificamente para o contribuinte, a autoridade administrativa tributária só poderá deixar de exigir o cumprimento de uma lei quando esta tiver sua aplicação suspensa por ato do Senado Federal (Constituição Federal de 1988, art. 52, X), ou quando existir ato do Secretário da Receita Federal dispensando sua aplicação, nos casos previstos pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 77, disciplinada pelo Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Os mecanismos de controle de constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. E inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois a presente autoridade julgadora não pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar as normas cuja validade está sendo questionada pela defesa, em observância ao artigo 142, parágrafo único, do CTN. Mérito Transcreve-se, a seguir, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que embasou o lançamento referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, com a alteração do inciso II do § 3 o do artigo 42, dada pelo artigo 4 o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela insituição financeira. Fl. 234DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3 o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil reais). § 4 o Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. " A lei estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5o, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, a seguir reproduzidos, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montante: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam, (grifado) Fl. 235DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 As presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividem-se em absolutas (júris et jure) e relativas {júris tantum). Denomina-se presunção júris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrário nem impugnação; diz-se que a presunção é júris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade. Conclui-se, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo júris tantum (relativa). Caberia, portanto, ao contribuinte apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas contas-correntes. Corroborando com tal entendimento, nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira in "Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas", JUSTEC - RJ - 1979 - pág. 806: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o falo econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não são meros indícios de omissão, razão por que não há que estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. E função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tão-somente a inquestionável observância da legislação. A título de ilustração, transcreve-se, a seguir, jurisprudência administrativa ratificando o entendimento de que se considera ocorrida a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, pontificando que cabe ao contribuinte comprovar a origem dos referidos depósitos para afastar esta presunção legal. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - Fl. 236DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 ARTIGO 42 DA LEIN°9.430, DE 1996-Caracteriza como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Ac. I o CC 10418307/2001) De acordo com a legislação que embasa o lançamento a título de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários não justificados, já transcrita neste acórdão, a comprovação dos depósitos bancários deve ser com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devendo ser indicada a origem de cada depósito individualmente. O autuado, quando intimado pela fiscalização, não comprovou a origem dos depósitos bancários que deram origem ao lançamento. Os elementos trazidos com a impugnação referem-se somente a notícias da imprensa sobre sigilo bancário e lançamento com base em extratos bancários. Quanto à jurisprudência administrativa, invocada pelo impugnante, transcreve- se a seguir parte do Parecer Normativo CST n° 390, de 1971, que trata da matéria: (...) 3. Necessário esclarecer, na espécie que, embora o Código Tributário Nacional, em seu artigo 100, inciso II, inclua as decisões dos órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos conselhos de contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limita-se especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 4. Entenda-se aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte do processo de que decorrea a decisão daquele colegiado. (...) Com relação à jurisprudência judicial, esclarece-se que o entendimento administrativo sobre a matéria é o supra exposto e a eficácia dos acórdãos dos tribunais limita-se especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte do processo de que decorreu o acórdão. Fl. 237DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 Multa de ofício Quanto à multa de 75%, esclarece-se que essa é devida sempre que houver lançamento de ofício, conforme o que estabelece o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1 " A s multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; I I I - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8 o da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; I V - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2 o , que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente; V - isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...) O princípio da vedação da utilização de tributo com efeito de confisco se dirige ao legislador, que deve observá-lo na feitura das leis. Não viola referido princípio a aplicação de leis cuja constitucionalidade não foi recusada. O conceito de confisco está previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. Aceitar discutir se tal princípio se faz presente em determinada lei, seria aceitar a análise de questão constitucional. Por conseguinte, nada há a alterar no lançamento em litígio. (final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 5.116/2006) Fl. 238DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.214 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000557/2002-49 9. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2), para rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002526/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
IRPF. RENDIMENTO DO TRABALHO.TRANSPORTADOR AUTÔNOMO.
São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, no percentual de quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga.
Numero da decisão: 2401-006.753
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para alterar o imposto suplementar apurado para R$ 1.502,50, que deverá ser acrescido de juros e multa.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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RENDIMENTO DO TRABALHO.TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, no percentual de quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para alterar o imposto suplementar apurado para R$ 1.502,50, que deverá ser acrescido de juros e multa. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Trata-se de auto de infração de imposto de renda pessoa física - IRPF, fls. 4/8, ano-calendário 2002, que apurou imposto suplementar no valor de R$ 5.189,45, acrescido de juros e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas: Proton Granito Ltda no valor de R$ 14.214,29 e Itabira Agroindustrial no valor de R$ 11.232,41. Foi incluído o imposto de renda retido na fonte de R$ 12,30. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 25 26 /2 00 6- 15 Fl. 260DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.753 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.002526/2006-15 O contribuinte apresentou impugnação às fls. 2/3, na qual afirma que os valores recebidos da empresa Proton Granito Ltda foram declarados como isentos e que os valores recebidos da empresa Itabira Agroindustrial foram tributados em 60%, quando a legislação determina que a base de incidência do IRRF sobre rendimentos de transporte seja de 40% do valor. Conclui que o Saldo do Imposto a Pagar é de R$ 1.040,73. A DRJ/STM, julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão 18-9.822 de fls. 31/34, assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA- IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTO RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA Constitui infração a legislação tributária a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica na Declaração de Ajuste Anual do IRPF. Todas as informações declaradas são passíveis de comprovação enquanto não decadente o direito da Fazenda Pública lançar e constituir seus créditos. Lançamento Precedente Cientificado do Acórdão em 15/7/09 (Aviso de Recebimento - AR de fl. 39), o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 40/41, em 12/8/09, que contém, em síntese: Cita o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, art. 47, e afirma que é seu direito oferecer à tributação somente 40% dos seus serviços de transporte de carga, não reconhecendo o erro das empresas para as quais prestou serviços. Admite que errou ao não informar os rendimentos recebidos da Itabira Agroindustrial SA. Solicita que seja observado o pagamento do Imposto de Renda que entende devido no valor de R$ 1.040,73, com as devidas atualizações, que sequer foram deduzidas no acórdão recorrido. Guia juntada à fl. 42. Requer seja acolhido o recurso, demonstrada a insubsistência ou improcedência parcial do lançamento. Conforme DIRFs das fontes pagadoras (fls. 27/29), disponíveis nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verifica-se que os rendimentos brutos declarados pela Proton foram de R$ 9.476,19 e deduções de R$ 14.214,29, a Itabira Agroindustrial declarou R$ 11.232,41 e a Torres & CIA LTDA declarou rendimentos brutos pagos de R$ 8.549,85 e deduções de R$ 2.226,00. Conforme DIRPF, fls. 22/23, o contribuinte informou, exatamente como consta nas DIRFs, os rendimentos tributáveis recebidos das empresas Proton e Torres. A empresa Itabira Agroindustrial foi intimada (fl. 56) para esclarecer a divergência apontada pelo contribuinte. Em resposta à intimação, fls. 63/256, a empresa Itabira Agroindustrial declara que o valor total pago ao contribuinte em 2002 foi de R$ 23.536,00 e o valor tributável foi de R$ 11.232,41. Os pagamentos foram por serviços (descarga de cimento) e transporte/fretes, conforme cópias de recibos. É o relatório. Voto Fl. 261DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.753 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.002526/2006-15 Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Da análise dos autos, vê-se que o contribuinte é um transportador rodoviário autônomo, que presta serviços de transporte de carga e carga e descarga de mercadorias. Quanto ao transporte de carga, o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, art. 47, na redação vigente à época dos fatos geradores, assim dispõe: Art.47.São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária, nos seguintes percentuais (Leii nº 7.713, de 1988, art. 9º): I-quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga; II-sessenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de passageiros. §1ºO percentual referido no inciso I aplica-se também sobre o rendimento total da prestação de serviços com trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º, parágrafo único). §2ºO percentual referido nos incisos I e II constitui o mínimo a ser considerado como rendimento tributável. §3ºSerá considerado, para efeito de justificar acréscimo patrimonial, somente o valor correspondente à parcela sobre a qual houver incidido o imposto. No caso, a fiscalização não alterou os valores recebidos da empresa Torres. Quanto à empresa Proton, a fiscalização considerou como tributáveis 60% do valor recebido pelos fretes/carretos (R$ 9.476,19 + R$ 14.214,29 = R$ 23.690,48), informados em DIRF da empresa na coluna deduções, sem descrever o motivo do lançamento e porque foram desconsiderados os valores informados como rendimentos tributáveis na DIRF da fonte pagadora e declarados pelo contribuinte (40% do valor dos fretes = R$ 9.476,19). A decisão recorrida afirma que por não se tratar de rendimento isento, ele deve ser tributado. A Instrução Normativa – IN SRF nº108/01, vigente à época dos fatos geradores, determina que: Art. 15 - A Dirf deve conter as seguintes informações quando os beneficiários forem pessoas físicas: I - nome; II - número de inscrição no CPF; III - relativamente aos rendimentos tributáveis: a) os valores dos rendimentos pagos durante o ano-calendário, discriminados por mês de pagamento e por código de retenção, que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ou não tenham sofrido retenção por se enquadrarem abaixo do limite de isenção; b) o valor das deduções; c) o respectivo valor do imposto de renda retido na fonte; [...] Fl. 262DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.753 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.002526/2006-15 § 5º - Nos casos a seguir, deve ser informado como rendimento tributável: I - quarenta por cento do rendimento decorrente do transporte de carga e de serviços com trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados; No caso, a informação do valor restante (60% do valor do frete) como rendimento isento não determina que tal montante é tributável. De qualquer forma, a despeito de eventual informação equivocada da fonte pagadora, não há como ser mantido esta parte do lançamento, por falta de motivação, pois a fiscalização não explica no auto de infração o motivo de ter considerado o valor informado como rendimento isento, como rendimento tributável. No que se refere à empresa Itabira Agroindustrial, o contribuinte reconhece que não informou os valores recebidos. Contudo, não procede seu questionamento sobre a tributação de 60% do valor dos fretes ao invés de 40%, pois como informado pela empresa, houve os serviços de frete, mas também foram prestados serviços de descarga de mercadorias. Desta forma, restabelecendo a situação apresentada pelo contribuinte em DIRPF com relação aos rendimentos tributáveis recebidos da empresa Proton e mantendo a autuação quanto aos valores recebidos da empresa Itabira Agroindustrial, refazendo-se a planilha de fl. 7, tem-se o Demonstrativo de apuração do imposto devido, conforme tabela 1. Tabela 1 - Demonstrativo de apuração do imposto devido Descrição Valores em reais 1)Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados R$ 18.026,24 2) Omissão de Rendimentos Apurada R$ 11.232,41 3) Total dos Rendimentos Tributáveis R$ 29.258,65 4) Deduções declaradas R$ 5.814,00 5) Base de Cálculo Apurada (3-4) R$ 23.444,65 6) Imposto Apurado Após Alterações (Tabela Progressiva Anual) R$ 1.612,30 7) Total de Imposto Pago R$ 109,80 8) Imposto a pagar Apurado após Alterações R$ 1.502,50 O contribuinte alega que pagou o valor de R$ 1.040,73, com as devidas atualizações. Guia juntada à fl. 42. Desta forma, se confirmado os valores recolhidos em DARF relativos ao IRPF ano-calendário 2002, tais valores, se disponíveis, deverão ser apropriados ao presente lançamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para alterar o imposto suplementar apurado para R$ 1.502,50, que deverá ser acrescido de juros e multa. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 263DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.753 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11543.002526/2006-15 Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902277/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.187
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem identifique a metodologia utilizada pelo contribuinte para apurar o valor do crédito e sua liquidez e certeza, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que entenderam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que entenderam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 27 7/ 20 12 -1 4 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 3 2 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão para que seja homologado o pedido de restituição objeto do PER/DCOMP. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 4 3 i) A Recorrente no ano de 2002 estava sujeita ao recolhimento da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98, calculada à alíquota de 3%; ii) Além de ser contribuinte da COFINS, a Recorrente também está sujeita à incidência do ICMS sobre o valor das operações, de acordo com a LC nº 87/96; iii) O crédito cuja restituição a Recorrente pleiteou é resultado da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, resultando, portanto, em um recolhimento a maior e indevido no valor de R$ 8.396,73; iv) O valor do ICMS destacado nas notas fiscais de circulação de mercadoria não pode ser considerado receita ou faturamento da Recorrente para fins de incidência destas Contribuições, então o imposto estadual não deve ser incluído no cômputo das respectivas bases de cálculo; v) Em julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785/MG em outubro de 2014, em controle concentrado de constitucionalidade, o Pleno do Supremo Tribunal Federal entendeu que o valor retido a título de ICMS não refletiria a riqueza obtida com a realização da operação, pois constituiria ônus fiscal e não faturamento; vi) Referendando o mesmo entendimento, em 15 de março de 2017, o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário nº 574.706 em sede de repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; vii) Por outro lado, tratandose de mero erro no preenchimento da declaração, deve prevalecer a verdade material dos fatos, não havendo que se falar em constituição definitiva dos créditos tributários indicados em DCTF, como equivocadamente afirma a DRJ; viii) Sucessivamente, pede pela conversão do julgamento em diligência para que seja comprovada a apuração original da base de cálculo da COFINS; os lançamentos nas contas de ICMS; e, consequentemente, o direito creditório apurado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.174, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.902278/201251. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.174): "2. Do objeto deste processo. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 5 4 Como relatado, alega a Recorrente que recolheu a COFINS no valor de R$ 245.616,36 apurada no período de agosto de 2002 e, desse valor, faz jus ao crédito de R$ 8.396,73, conforme pedido de restituição. Com isso, pede pela reforma da decisão para que seja homologado o pedido de restituição objeto do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, referente a valores recolhidos indevidamente a título de COFINS por ter incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. O Despacho Decisório nº 017674001 (efls. 5) indeferiu o pedido por considerar que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Por sua vez, em julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ de origem negou provimento à defesa, em síntese, pelas seguintes razões: i) A empresa apresentou não apresentou DCTF retificadora, conforme apurado pela pesquisa nos sistemas informatizados da Receita Federal. Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o valor do crédito o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito refletindo as informações declaradas pelo contribuinte e, com isso, o ato administrativo da autoridade foi legítimo e pautado em declaração e em documentos formulados pelo próprio interessado; ii) No mérito, aplicamse os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, bem como art. 1º da Lei nº 10.637/2002, e art. 1º da Lei nº 10.833/2003; iii) Com isso, ficou estabelecido que a base de cálculo das contribuições devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica e a classificação contábil adotada para as receitas, consideradas as exclusões, deduções e isenções permitidas pela legislação; iv) O faturamento inclui todas as receitas de vendas, e o ICMS faz parte dele, por integrar o preço de venda das mercadorias; v) As exclusões elencadas nos referidos dispositivos legais não contemplam a exclusão do ICMS incluído nos preços de venda. Assim, não há dispositivo legal que permita a exclusão desse imposto da base de cálculo do PIS e da COFINS; vi) O interessado deixou de apresentar os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem e aproveitamento do suposto indébito. Dos fatos acima, resta delimitada a controversa do presente caso na discussão sobre os seguintes argumentos: 1) O direito creditório da Contribuinte em razão da inclusão dos valores relativos ao ICMS na base de calculo da COFINS; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 6 5 2) Desnecessidade de retificação da DCTF e possibilidade de comprovação através da documentação apresentada; 3) Liquidez e certeza do crédito em análise. 3. Da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Argumenta a Recorrente que o mais recente posicionamento da Suprema Corte considera como inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, uma vez que o valor do imposto estadual não se enquadra no conceito de receita ou faturamento. De fato, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, em sede de repercussão geral1, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, conforme Ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) 1 TEMA 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 7 6 Após a publicação do acórdão do RE nº 574.706/PR em 02/10/2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios requerendo a modulação temporal dos efeitos da decisão, dentre outras matérias pendentes, os quais aguardam análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal2. Diante do julgamento em sede de repercussão geral, a Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial (COCAJ) proferiu a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, pela qual considerou a aplicação da decisão proferida no Recurso Extraordinário em questão, o que fez com o objetivo de esclarecer sobre o procedimento a ser adotado. Transcrevo a justificativa utilizada pela própria Receita Federal para aplicação do julgado: "13. A legislação aplicável a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, no regime cumulativo (Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998) e no regime não cumulativo (Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente), define os elementos constitutivos da base de calculo das referidas contribuições, na qual se incluem, nas duas modalidades de incidência, os tributos sobre ela (a receita mensal) incidentes, conforme insculpido no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, abaixo transcrito: (...) 14. Todavia, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, finalizado em 15.3.2017, e submetido ao rito de repercussão geral, conforme definido no Art. 543 B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (antigo Código de Processo Civil), sob a relatoria da ministra Carmen Lucia, definiu que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 15. Após a publicação do acórdão do RE no 574.706/PR em 2.10.2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão em foco, em 19.10.2017, nos quais requereu a modulação temporal dos efeitos da decisão e a definição de outras questões pendentes. Fica aqui o registro de que, ate a presente data da edição desta solução de consulta interna, os referidos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional aguardam sua analise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. 16. Em paralelo, deve ser consignado que nas matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral reconhecida, como e o caso tratado na presente consulta interna, a Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, em seu art. 19, estabelece todo um rito próprio a ser observado, para fins de vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil a decisão desfavorável. Conforme estatuído na referida lei, a vinculação automática da Secretaria da Receita Federal do Brasil ao entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, no tocante a 2 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2585258 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 8 7 constituição de credito tributário e as decisões administrativas sobre a matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, só se formaliza apos a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Razão de que, ate o presente momento, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não editou parecer normativo delimitando a extensão e o alcance do julgado em referencia pelo Supremo Tribunal Federal, o qual definiu nova tese de ajuste na base de calculo das referidas contribuições sociais. 17. Todavia, em face da profusão de decisões judiciais transitadas em julgado, na esteira do precedente do Supremo Tribunal Federal e com fundamento na tese nele firmada de que trata a presente consulta, urge disciplinar a aplicação, a operacionalidade, o alcance e efeitos da decisão dessa Corte, no sentido não só de nortear os sujeitos ativo (Secretaria da Receita Federal do Brasil) e passivo (Contribuinte) da relação jurídicotributária das referidas contribuições sociais, como também de fornecer toda uma fundamentação estruturada e normativa para fins de subsidiar os cálculos relativos a matéria em lide, no plano do contencioso judicial e administrativo." Consignase, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706, a exemplo do AgInt no AREsp 282.685/CE3. Não obstante a tramitação perante o STF ainda pendente de trânsito em julgado e, sem prejuízo do posicionamento que será adotado por este Colegiado, entendo que, antes de dar prosseguimento ao julgamento do presente recurso, são importantes esclarecimentos adicionais sobre a base de cálculo da COFINS, bem como sobre a certeza e liquidez do crédito invocado pela Contribuinte, como abaixo demonstrado. 4. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Em pedido de diligência, observa a Recorrente pela possibilidade de análise fiscal para confirmação da correção da base de cálculo da COFINS informada em DIPJ e dos lançamentos nas contas de ICMS do Razão Analítico. 3 "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto,independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 9 8 Com relação à ausência de retificações em suas declarações tributárias (DIPJ e DCTF) para evidenciar o alegado pagamento indevido, a Contribuinte invoca decisões deste Tribunal Administrativo e argumenta que, tratandose de mero erro no preenchimento da declaração, deve prevalecer a verdade material dos fatos, não havendo que se falar em constituição definitiva dos créditos tributários indicados em DCTF, como equivocadamente afirma a DRJ. Com efeito, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados, apresentando comprovação que possa ao menos demonstrar o direito creditório perseguido e afastar mero erro formal nas informações prestadas em declarações obrigatórias. A busca pela verdade material vem sendo aplicada pelo CARF, como já decidido por este Colegiado em situações análogas, bem como por outras Turmas, a exemplo do Acórdão nº 3201002.518, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2º Câmara da 3ª Seção, cuja Ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/08/2014 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS. TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. CRÉDITO EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A COFINS apurada e recolhida sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de COFINS a pagar, segundo esta sistemática foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. Da análise dos autos, verifico que a Recorrente instruiu a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 59 com os seguintes documentos: i) Comprovante de arrecadação no valor total de R$ 245.616,36; ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ; iii) Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF original e iv) Planilha de cálculo desconsiderando o ICMS na base de cálculo da contribuição. Já o Recurso Voluntário foi instruído com os mesmos documentos acima mencionados, bem como com o Razão Analítico com respectivos lançamentos nas contas de ICMS. Aplicando o ônus da prova sobre o crédito perseguido e, diante da necessária busca pela verdade material, entendo que, antes do julgamento do presente processo, é importante que seja analisado o Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 10 9 direito creditório através da documentação apresentada nestes autos pela Contribuinte, possibilitando a identificação da metodologia utilizada na apuração da base de cálculo da COFINS por ocasião da transmissão do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, bem como os respectivos lançamentos nas contas de ICMS e, por fim, comparando este levantamento com a metodologia considerada em Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018. Com isso, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: Analise os documentos comprobatórios apresentados nestes autos pela Contribuinte; Intime a Recorrente para informar a metodologia utilizada na apuração do valor do crédito, oportunizando a apresentação de documentos adicionais que entender necessários; Elabore parecer conclusivo sobre o valor, liquidez e certeza do crédito, avaliando a metodologia utilizada pela Contribuinte na transmissão do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.04 2635, bem como comparando com a metodologia orientada através da Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018. Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de Resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: 1. Analise os documentos comprobatórios apresentados nestes autos pela Contribuinte; Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.902277/201214 Resolução nº 3402002.187 S3C4T2 Fl. 11 10 2. Intime a Recorrente para informar a metodologia utilizada na apuração do valor do crédito, oportunizando a apresentação de documentos adicionais que entender necessários; 3. Elabore parecer conclusivo sobre o valor, liquidez e certeza do crédito, avaliando a metodologia utilizada pela Contribuinte na transmissão do PER/DCOMP, bem como comparando com a metodologia orientada através da Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018; 4. Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. 5. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.733913/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2009
PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado.
BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor Indevidamente compensado.
Numero da decisão: 1301-003.958
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009 PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor Indevidamente compensado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-19T21:59:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-19T21:59:08Z; Last-Modified: 2019-07-19T21:59:08Z; dcterms:modified: 2019-07-19T21:59:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-19T21:59:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-19T21:59:08Z; meta:save-date: 2019-07-19T21:59:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-19T21:59:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-19T21:59:08Z; created: 2019-07-19T21:59:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-19T21:59:08Z; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-19T21:59:08Z | Conteúdo => S1-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12448.733913/2011-05 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301-003.958 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2019 Recorrente SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009 PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor Indevidamente compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 39 13 /2 01 1- 05 Fl. 625DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-003.958 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.733913/2011-05 Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) - DRJ/RJ1 (fls. 1282 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve as exigências fiscais. Do Lançamento Trata-se de autos de infração de IRPJ e CSLL, calculado com base no lucro real, do ano-calendário de 2009, exigindo o crédito tributário no valor global de R$ 4.565.303,16, com aplicação de multa de ofício de 75%, acrescidos de juros de mora, em razão da glosa de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL de períodos-base anteriores compensados indevidamente, uma vez que insuficientes no ano-calendário de 2009, no montante de R$13.497.950,53 cada. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram: - insuficiência foi resultado do auto de infração objeto do processo nº 11052.001125/2010-48, referente ao ano-calendário de 2006, que alterou o valor do prejuízo apurado pela interessada, de R$ 10.291.813,07 para R$ 7.285.618,60, que, somando ao prejuízo de R$ 8.309.222,83 no ano-calendário de 2007, resultou em saldo de prejuízos compensáveis de R$ 18.382.612,37, dos quais R$ 5.514.783,71 foram utilizados no ano de 2008, restando, portanto, ao final daquele ano, o saldo de R$ 10.080.057,72. Como a interessada utilizou-se de R$ 23.578.008,25 de prejuízos a compensar no ano-calendário de 2009, foi então glosada a diferença de R$ 13.497.950,53, que originou o auto de infração de IRPJ, objeto do presente processo. Enquadramento Legal: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Quanto à CSLL, a insuficiência foi resultado dos mesmos ajustes, pelo auto de infração objeto do processo nº 11052.001125/2010-48, no ano-calendário de 2006, que resultou na glosa da diferença de base de cálculo negativa de CSLL de períodos-base anteriores compensada a maior, no igual montante de R$ 13.497.950,53, que originou o auto de infração de CSLL, também objeto do presente processo. Enquadramento Legal: Art. 2º e §§, e 3º (com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/2008) da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Da Impugnação Fl. 626DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-003.958 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.733913/2011-05 Nos termos da decisão da DRJ, foi apresentada impugnação do contribuinte, fls. 64 e ss, em que foram aduzidos os seguintes argumentos: Que à exceção do art. 926 do RIR/1999, todo o enquadramento legal dos autos de infração de IRPJ e CSLL, que transcreve, corrobora os lançamentos por ela efetuados em sua contabilidade e ampara a sua absorção de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL. Que apresentou Declaração de Informações da Pessoa Jurídica-DIPJ/2007 retificadora, mas ainda estava processando as dos anos-calendário de 2007 a 2009. Admite que, em face de fiscalização, teve seu prejuízo apurado no ano de 2006 ajustado de R$ 10.291.813,07 para R$ 7.285.618,60, reclamando que o valor correto seria R$ 10.043.363,15, conforme DIPJ retificadora apresentada. Alega que apurou prejuízo de R$ 18.463.002,43 em 2007, mas que não pôde apresentar a DIPJ retificadora por ter entrado em novo processo de fiscalização, e que compensou no ano-calendário de 2008 apenas R$ 4.298.357,33, concordando que compensou R$ 23.578.008,25 em 2009, tendo a fiscalização considerado apenas os registros constantes na base de dados da RFB sem se preocupar em avaliar a origem dos prejuízos. Discorre sobre as razões da existência de diferença entre a fiscalização e a contabilidade, como sendo os ajustes por ela efetuados com relação à contabilização de despesas de contrato de aluguel de equipamentos importados para emprego nas obras de construção desenvolvidas para o grupo Petrobrás. Encerra pedindo a reforma dos autos de infração e a extinção do crédito tributário. Em julgamento realizado em 14 de março de 2014, a 2ª Turma da DRJ/RJ1, considerou improcedente parcialmente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 12- 63.930, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 Ementa: PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2009 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações Fl. 627DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-003.958 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.733913/2011-05 apuradas em procedimentos de ofício anterior, mantém-se a glosa do valor Indevidamente compensado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 414 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, e pede a improcedência do lançamento por: - Da procedência dos Prejuízos Fiscais/Saldo Negativo utilizados pela recorrente; - Discute-se todos os pontos já colocados no Recurso Voluntário do PA 11052.001125/2010-48. Da Resolução - 1301-000.290 Em 09 de dezembro de 2015, esta Turma converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 1301-000.290, para que se aguardasse a decisão definitiva dos autos do PA 11052.001125/2010-48, que tratam de auto de infração referente ao ano de 2006, que implica diretamente no ano de 2008, onde havia prejuízo fiscal a ser utilizado. Do Despacho de Saneamento - fls. 620/623 Em 21 de setembro de 2018, mediante o despacho de saneamento de fls. 620 e ss, adequou-se o fluxo recursal do processo, já que aquele processo não possuía andamento, onde considerou: - que os processos devem ser vinculados por decorrência (§1º, inc. II), tendo em vista que o deslinde deste depende do julgamento do processo nº 11052.001125/2010-48; - que ambos os processos são de competência da 1ª Seção, ou seja, não há conflito de competência entre Seções (§§2º e 7º); - que ambos os processos se encontram no CARF; - que o processo nº 11052.001125/2010-48 encontra-se na Divisão de Sorteio e Distribuição e, a princípio, encontra-se apto distribuição e julgamento; E determinou-se a vinculação deste processo com aquele. Recebi os autos, por sorteio, em 22/01/2019. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. Fl. 628DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-003.958 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.733913/2011-05 Já que atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Conforme se verifica do despacho de saneamento de fls. 620 e ss, determinou-se a vinculação destes autos com o PA 11052.001125/2010-48, uma vez que a autuação destes autos depende diretamente da conclusão daqueles autos. E como já decidido na Resolução 1301-000.290, de 09 de dezembro de 2015, esta Turma converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 1301-000.290, para que se aguardasse a decisão definitiva dos autos do PA 11052.001125/2010-48, que tratam de auto de infração referente ao ano de 2006, que implica diretamente no ano de 2008, onde havia prejuízo fiscal a ser utilizado. Diante da vinculação esta Relatora também julgou o Recurso Voluntário apresentado, e o entendimento foi o de negar provimento e manter os lançamentos. Dessa forma, nos termos do que diz o RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Bem como nos termos do decidido no Ac. 9101-003.957, não há necessidade desses autos serem sobrestados, assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 629DF CARF MF
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Numero do processo: 12326.003994/2010-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR.
Considera-se como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Considera-se como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente.
IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO
A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência.
Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A..
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Considera-se como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considera-se como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. Afasta-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.. Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA OFICIAL. INSTRUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPENSAÇÕES. IRRF. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Considerase como não impugnada a matéria lançada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase como não recorrida a matéria julgada com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO A dedução com dependentes na apuração do imposto de renda devido é permitida quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. Afastase a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial somente é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 39 94 /2 01 0- 11 Fl. 68DF CARF MF 2 judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A.. Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 14.397,35, referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2009, anobase de 2008, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de (fls. 07/19): 1. omissão de rendimentos de pessoa jurídica, decorrente de ação trabalhista na quantia de R$ 34.316,49, com IRRF de R$ 9.215,31; 2. dedução indevida de previdência oficial no valor de R$ 11.175,37; 3. dedução indevida com dependentes no valor de R$ 6.623,52; 4. dedução indevida com despesas de instrução no valor de R$ 2.592,29; 5. dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 17.205,47; 6. dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 6.494,25; 7. compensação indevida de IRRF no valor de R$ 252,30; 8. compensação indevida de Imposto Complementar no valor de R$ 9.215,31; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 69 3 Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que (fls. 03/04): 1. não houve omissão de rendimentos, pois os rendimentos recebidos do trabalho com vínculo empregatício e da aposentadoria do INSS são tributados na fonte; 2. o INSS não informou os rendimentos do reclamante, não podendo ser penalizado pela falta de terceiros; 3. o lançamento deve ser cancelado pois a documentação apresentada prova sua improcedência. Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em juiz de Fora, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os seguintes fundamentos (fls. 37/41): 1. não procede a alegação do insurgente no sentido de que referida omissão ocorreu, porque o INSS não havia informado seus rendimentos, pois tais valores foram indicados na DIRF da fonte pagadora e na DAA do impugnante, sendo a reportada omissão decorrente de ação trabalhista; 2. embora ausente manifestação contestando expressamente a glosa da dedução com dependentes, tendo em vista a apresentação das certidões de nascimento e da certidão de casamento, entendese que tal matéria foi impugnada tacitamente; 3. as certidões de nascimento apresentadas comprovam a paternidade por parte do notificado de RUDSON OLIVEIRA AMORA e de EVERTON DE OLIVEIRA AMORA. Contudo, esta não basta para estabelecer a condição de dependência, pois, dentre outros, os filhos devem estar sob a guarda daquele que pleiteia tal benefício; 4. verificase que o insurgente alega apresentar, embora não tenha sido encontrada nos autos, certidão de averbação de divórcio; 5. o impugnante informa pagamento de pensão alimentícia a RUTE MARIA DE OLIVEIRA, mãe dos aludidos dependentes, indicando como cônjuge ou companheira WANDA LEITE DE JESUS AMORA; 6. estando os pais separados, deveria comprovar a quem pertencia a guarda dos filhos no anocalendário em análise, o que não ocorreu; 7. a certidão de casamento apresentada, com RUTE MARIA DE OLIVEIRA, não faz prova da relação de dependência; 8. as demais infrações encontradas não foram objeto de impugnação por parte do notificado, restando, portanto, incontroversas nos termos do art. 17, do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Fl. 70DF CARF MF 4 Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que (fls. 46): 1. concorda com a omissão de rendimentos apurada; 2. as certidões de nascimento comprovam a relação e dependência de Everton de Oliveira Amora, Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora; 3. comprova o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 8.263,16 a Rute Maria de Oliveira Amora, por meio da documentação do divórcio; 4. comprova a despesa com instrução dos dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora no valor de R$ 2.880,00. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 24/11/2014 (fls. 42), e a Peça recursal foi recebida em 12/12/2014 (fls. 46), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Não há argüição de qualquer preliminar no Recurso interposto, pois os argumentos dispostos no tópico qualificado como "Preliminares" são, em verdade, de mérito, os quais serão analisados na sequência. Documentação apresentada em fase recursal É pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 70 5 o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Mérito Matéria não recorrida 0 ora recorrente discorda parcialmente da Decisão recorrida, não se insurgindo contra a omissão de rendimentos apurada no valor de R$ 34.316,49, com IRRF de R$ 9.215,31. Logo, tal parte se torna incontroversa e definitiva administrativamente. Mais precisamente, segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), contados da ciência de decisão da DRJ que lhe foi parcial ou totalmente desfavorável. Nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Tendo em vista o cenário apontado, consoante mandamento presente no inciso I e parágrafo único do art. 42 do citado Decreto, a preclusão temporal da pretensão interposta pelo sujeito passivo se revela irrefutável, especialmente por lhe faltar argumentos que supostamente pudessem elidir manifestada constatação. Confirase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (grifo nosso) Arrematando o que está posto, conforme se vê na transcrição dos arts. 21, § 3º, e 43 do mesmo Ato, caracterizada a definitividade da decisão de primeira instância, resolvido estará o litígio, iniciandose o procedimento de cobrança amigável: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. [...] Fl. 72DF CARF MF 6 § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (grifo nosso) Como se viu no Relatório, a lide estabelecida se restringe às deduções com dependentes e pensão alimentícia judicial. Posta assim a questão, passo à análise da presente contenda. Dedução com dependentes A decisão de piso manteve a glosa sob o fundamento de que o recorrente não comprovou a relação de dependência nos termos preceituados na legislação vigente. Assim sendo, vale consignar que o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, contém o rol exaustivo dos dependentes para fins da dedução do IRPF. Confirmase: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12326.003994/201011 Acórdão n.º 2003000.117 S2C0T3 Fl. 71 7 § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. § 5o Sem prejuízo do disposto no inciso IX do parágrafo único do art. 3o da Lei no 10.741, de 1o de outubro de 2003, a pessoa com deficiência, ou o contribuinte que tenha dependente nessa condição, tem preferência na restituição referida no inciso III do art. 4o e na alínea “c” do inciso II do art. 8o. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência) Oportuno ressaltar que o autuante glosou e a decisão de piso manteve a dedução com dependentes referente aos seguintes dependentes: Everton de Oliveira Amora; Ana Cláudia Leite Amora; Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus. Na impugnação, embora o contribuinte tenha comprovado a paternidade de Everton de Oliveira Amora, a decisão recorrida manteve reportada glosa, sob o fundamento de que faltou a comprovação de que referido filho estava sob a sua guarda, já que os pais estavam separados. No recurso, o recorrente junta: a certidão de casamento com a Sra. Wanda Leite de Jesus Amora e as certidões de nascimento dos filhos (fls. 47 a 53): 1. obtidos com o atual cônjuge, Sra. Wanda Leite de Jesus Amor: Ana Cláudia Leite Amora e Beatriz Leite de Jesus Amora, nascidas em 2004 e 1999 respectivamente; 2. obtido com o excônjuge, Sra. Rute Maria de Oliveira: Everton de Oliveira Amora, nascido em 1996. Diante do exposto, o recorrente logrou comprovar o preenchimento dos requisitos legais exigidos para a dedução pleiteada somente quanto aos dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. Portanto, mantémse mencionada glosa quanto ao filho Everton de Oliveira Amora,, cuja guarda ficou com o excônjuge, Sra. Rute Maria de Oliveira, beneficiária de pensão alimentícia judicial (fls. 58/65). Dedução com pensão alimentícia judicial A decisão de origem manteve a glosa integralmente, sob o fundamento de que não restaram atendidos os requisitos da comprovação do pagamento e do atendimento às normas do Direito de Família. Nesse sentido, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo Fl. 74DF CARF MF 8 homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Confirmase: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Quanto a isso, é de registrar que embora o recorrente tenha atestado o cumprimento das normas do Direito de Família, faltou a comprovação do efetivo pagamento da citada pensão, pois a documentação apresentada constando o dispêndio de R$ 8.263,16 a tal título se refere ao anobase 2009, e não ao períodobase sob litígio, que é 2008 (fls. 56/65). Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso interposto, afastando a glosa da dedução com os dependentes Ana Cláudia Leite Amora, Beatriz Leite de Jesus Amora e Wanda Leite de Jesus Amora. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720174/2011-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Numero da decisão: 9303-008.258
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Redator designado
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 74 /2 01 1- 97 Fl. 135470DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.451 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Redator designado (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3402002.979, 16 de março de 2016, de (fls. 135.231 a 135.250 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, alterado pelo acórdão nº 3402004.088, 27 de abril de 2017, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento protocolado pelo Contribuinte em 31.01.2008, o direito ao ressarcimento corresponderia a créditos apurados segundo o regime nãocumulativo da Cofins e estariam vinculados à receita de exportação auferida no 1º trimestre de 2005. Também foram apresentados pedidos de ressarcimento e declarações de compensação com base em crédito de mesma natureza em relação ao PIS e à própria Cofins apurado em outros períodos, compreendendo, ao fim, todos os trimestres dos anos de 2005 a 2010. Assim, abriuse procedimento fiscal com o objetivo de verificar a legitimidade do direito de crédito pleiteado e a regularidade das compensações. Os resultados do trabalho fiscal estão expostos no Parecer SEFIS/DRF/VIT n.º 303/2011. Fl. 135471DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.452 3 O citado parecer enumera uma série de irregularidades que comprometem o direito de crédito, objeto dos Pedidos de Ressarcimento e aproveitados nas Declarações de Compensação. Em suma, o parecer conclui que o Contribuinte lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo com ramificações em outros estados da Federação que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadistas empresas de fachada para dissimular as vendas de café de pessoa física (produtor rural/maquinista) para as empresas exportadoras, indústrias e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos de PIS/COFINS na sistemática da nãocumulatividade que de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis. O parecer acima mencionado foi integralmente adotado pelo titular da unidade de fiscalização, mediante Despacho Decisório nº 181/2011. Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: as provas do esquema de fraude apontado no Parecer que fundamentou o Despacho Decisório vieram como desdobramento da Operação Broca, diversas vezes referidas pela autoridade como argumento da máfé da contribuinte; no entanto, os documentos coligidos pela fiscalização não são capazes de afastar a boafé da Rio Doce Café, empresa que sequer foi citada na midiática operação Broca, não havendo tampouco formalização de denúncia contra quaisquer de seus diretores e muito menos ordem de prisão; o mercado capixaba de café é complexo, nele atuando o agricultor, que produz o café desta ou daquela qualidade, os maquinistas, personagens que detém toda a logística de armazéns e caminhões com o fim de reunir a produção de dezenas e centenas de produtores; os corretores, assim como os maquinistas conhecem os produtores rurais e aqueles que dispõem de café para venda e entram em contato com os compradores (atacadistas, exportadoras e indústrias); os atacadistas, que se multiplicaram após o advento do regime da não cumulatividade diante da possibilidade de apuração de créditos integrais de PIS e de Cofins Fl. 135472DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.453 4 no caso de aquisições de café de pessoas jurídicas, atuam como elo entre os maquinistas ou produtores e os compradores finais; ofereciam preços de compra muito superiores aos que sugeriam as exportadoras e dominaram o mercado de compra de café; por fim há os compradores finais que são a ponta da cadeia, não possuem contato direto com pequenos produtores ou maquinistas, mantendo algum contato com grandes produtores e maquinistas e contando essencialmente com o auxílio dos corretores de café; a fiscalização, mesmo sabendo desses fatos desde o final de 2007, nada fez, por muitos anos, para coibir o ato ilícito pela suspensão do CNPJ dos envolvidos; é absurdo dizer que a recorrente se beneficiou desse suposto esquema; na ausência desses atacadistas compradores com preços irresistíveis, os produtores rurais seriam obrigados a vender para as exportadoras, como sempre fizeram; não se desincumbiu o Fisco do ônus legal de reunir as provas que evidenciassem a ação dolosa da contribuinte; os documentos reunidos pela auditoria são produto unilateral de terceiros considerados fraudadores pela fiscalização e portanto, não poderiam ser usados para afastar a boafé da interessada que sequer foi citada na Operação Broca; os controles internos mantidos por atacadistas e corretores não provam o envolvimento de diretores da interessada no esquema; todas as aquisições feitas da empresa Colúmbia Comércio de Café, por exemplo, foram pagas, contabilizadas e a mercadoria foi entregue; a Colúmbia estava ativa à época das compras como comprovam os dados extraídos dos sites da Receita Federal (CNPJ) e da Fazenda Estadual (SINTEGRA); a mesma situação se verifica com todas as pessoas jurídicas de quem a contribuinte comprou café; a inaptidão cadastral das empresas citadas somente se deu posteriormente às aquisições; algumas empresas inclusive, ainda estão ativas; algumas das empresas consideradas fictícias pela fiscalização para efeito de glosar parte dos créditos apurados pela contribuinte foram, por outro lado, autuadas pela Receita Federal pelos tributos não recolhidos sobre suas operações; ora, ou as empresas operaram e são devedoras de tributo ao Fisco e devem prosseguir os processos fiscais de cobrança ou as mencionadas pessoas jurídicas são imaginárias e todos os arrolamentos, autos de infração, etc, devem ser cancelados; algumas empresas atacadistas (a contribuinte apresenta listagem juntada ao processo) – reputadas inexistentes pela fiscalização para fins de apuração de crédito pela Fl. 135473DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.454 5 contribuinte – estão sendo cobradas pelos tributos devidos nas operações de venda de café, o que demonstra incoerência da administração; há excessivo uso da presunção de máfé pela auditoria; há alguns poucos documentos vinculados a determinadas empresas, que nada provam, mas, em relação à maioria das empresas, simplesmente não há prova nenhuma; são suspeitos para fins de uso como prova, os depoimentos dos gestores das grandes atacadistas e dos corretores envolvidos na interposição de pessoas jurídicas, já que os depoentes tem interesse em imputar responsabilidade exclusiva pelas supostas fraudes às empresas exportadoras de café com o fim de encobrir suas próprias culpas; ocorreu a decadência de o Fisco exigir os créditos tributários cujos fatos geradores se deram em 2005 e 2006, por força do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN); assim, a totalidade do Imposto de Renda e da Contribuição Social dos anos de 2005 e 2006 foi alcançada pela decadência, uma vez que a recorrente tomou ciência do auto de infração em 2012; cabe ao Fisco reunir as provas do ilícito e, no case em foco, as provas reunidas pela fiscalização não são suficientes para afastar a boafé da contribuinte; ademais, os depoimentos invocados pela fiscalização não suprem a necessidade de prova dos fatos neles declarados; não há provas de que os diretores da empresa sabiam ou participavam do suposto esquema das empresas noteiras; na verdade, nenhuma empresa exportadora sabia das supostas irregularidades praticadas por corretores ou maquinistas (comerciantes) ou por atacadistas, uma vez que apenas corretores e maquinistas (comerciantes) lidavam com os produtores e com as atacadistas; de todos os depoimentos colhidos dos produtores rurais, jamais se afirma que os diretores da interessada sabiam da interposição fraudulenta de pessoas jurídicas na cadeia de comercialização de café com o fim de inflar artificialmente os créditos não cumulativos de PIS e Cofins; sobre algumas empresas não há prova nenhuma nem de boa e nem de má fé; contudo a fiscalização glosou os créditos da recorrente sem comprovar nenhum liame entre ela e essas empresas; o contribuinte não pode ser penalizado com a glosa dos créditos sobre as notas fiscais de compra em razão da inadimplência de suas fornecedoras, situação que caberia ao Fisco evitar; a contribuinte verificou à época a situação dos CNPJ e do cadastro SINTEGRA das empresas com as quais negociava, o que comprova o cuidado que Fl. 135474DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.455 6 dispensava ao negociar com os atacadistas que tinham sua situação cadastral regular; também há provas do pagamento das mercadorias e dos correspondentes registros contábeis; ademais, o direito ao crédito sobre os insumos está na base do regime da não cumulatividade; é infundada a glosa de créditos calculados sobre as aquisições de sociedades cooperativas agropecuárias; erra a autoridade fiscal quando afirma que o contribuinte se enquadra nos requisitos impostos pelo art. 4º da IN/RFB nº 660/06, para fins de obrigatoriedade da suspensão de PIS e de Cofins nas operações de venda das Cooperativas agropecuárias para as pessoas jurídicas de que trata o citado artigo; a Rio Doce não utiliza o produto adquirido das cooperativas como insumo na fabricação de produtos, porque a Rio Doce não é empresa industrial; os produtos adquiridos tem o fim de revenda e neste caso não se aplica a citada suspensão do PIS e da Cofins; nos termos da Lei nº 12.350, de 2010, em seu art 56A e parágrafos, as empresas que possuem direito a créditos presumidos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, na forma do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, podem utilizálos para a quitação de outros tributos administrados pela Receita Federal ou, em caso de sobra, requerer seu ressarcimento; caso seja mantida a glosa de créditos como definida no despacho decisório, a Administração Fiscal deve promover a apuração e restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda da pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidentes sobre os créditos que, apurados pela contribuinte, influíram na base de cálculo desses tributos; isto porque, nos termos das orientações contábeis divulgadas pelo IBRACON, os créditos não cumulativos deveriam ser contabilizados como contas redutoras da receita bruta no registro das operações de venda, e como redutores dos valores das compras, reduzindo a dimensão contábil dos estoques e aumentando, por consequência, o lucro apurado; é necessária a realização de procedimento de diligência fiscal para que sejam novamente ouvidos os produtores rurais e para que respondam as perguntas formuladas às fls. 4689; as questões, basicamente, indagam dos produtores rurais a respeito da venda direta do café por eles produzido à Rio Doce; as multas propostas pela auditoria resultam em dupla imposição de penalidade sobre um mesmo fato gerador, situação que tem sido afastada pelo CARF; incabível a qualificação da multa, pois não há intuito de fraude, uma vez que os valores Fl. 135475DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.456 7 devidos foram incluídos em DCTF; a multa isolada de 50% sobre o crédito não ressarcido e/ou não compensado é inconstitucional por violar o exercício do livre direito de petição; no caso em tela, ainda, sua aplicação foi retroativa; as despesas com armazenagem são despesas com serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda; isto porque o blend é executado nos armazéns e porque os armazéns são os locais onde o café já selecionado aguarda o embarque; os dispêndios assim se enquadram no conceito de insumo para efeito de apuração de créditos da não cumulatividade. Ao final, o Contribuinte detalha seu pedido e informa a juntada aos autos da documentação que entendeu pertinente. A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial para reverter as glosas relativas às despesas de armazenamento, que não estejam listadas na tabela de fl. 135.200., conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL ¬ COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. A realização de transações com pessoas jurídicas sobre as quais pairam evidências de terem sido inseridas na cadeia produtiva com único propósito de elevar a geração de créditos na sistemática da não cumulatividade, compromete a liquidez e certeza do pretenso crédito, o que autoriza a sua glosa. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. GLOSA. As vendas de café cru por sociedades cooperativas a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuará o rebeneficiamento do grão devem Fl. 135476DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.457 8 ser feitas com suspensão da incidência de PIS e de Cofins. À adquirente cabe o direito de apurar o crédito presumido, sendo correta a glosa do crédito apropriado em desrespeito aos parâmetros legais. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. DESCONTO. Os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de café de pessoas físicas, cerealistas e cooperativas só podem ser aproveitados mediante desconto da contribuição devida, não podendo ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas a operações de venda. A ausência de prova do beneficiamento/rebeneficiamento em parte das despesas de armazenagem autoriza o creditamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. A realização de transações com pessoas jurídicas sobre as quais pairam evidências de terem sido inseridas na cadeia produtiva com único propósito de elevar a geração de créditos na sistemática da não cumulatividade, compromete a liquidez e certeza do pretenso crédito, o que autoriza a sua glosa. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. GLOSA. As vendas de café cru por sociedades cooperativas a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuará o rebeneficiamento do grão devem ser feitas com suspensão da incidência de PIS e de Cofins. À adquirente cabe o direito de apurar o crédito presumido, sendo correta a glosa do crédito apropriado em desrespeito aos parâmetros legais. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. DESCONTO. Fl. 135477DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.458 9 Os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de café de pessoas físicas, cerealistas e cooperativas só podem ser aproveitados mediante desconto da contribuição devida, não podendo ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas a operações de venda. A ausência de prova do beneficiamento/rebeneficiamento em parte das despesas de armazenagem autoriza o creditamento. Foram opostos embargos de declaração pelo Contribuinte (fls. 135.259 a 135.282) e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (135.284 a 135.286), sendo que ambos foram rejeitados, conforme despacho de fls. 135.293 a 135.295. O Contribuinte opôs novos embargos de declaração (fls. 135.308 a 135.316) em face do despacho que negou a admissibilidade dos embargos, argumentando que o acórdão embargado apresentaria omissão sobre a análise da possibilidade de manutenção pela embargante do crédito integral de PIS/COFINS de 9,5% nas aquisições de café das cooperativas. O Acórdão nº 3402004.088 (fls.135.353 a 135.359) reconheceu o direito de crédito integral nas aquisições de cooperativas de café beneficiado, conforme ementa do acórdão com efeitos infringentes in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 COFINS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ. Verificandose que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadrase a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 135478DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.459 10 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2010 PIS. REGIME DE SUSPENSÃO. EXCEÇÃO. SOCIEDADE COOPERATIVA QUE REALIZE ATIVIDADE DE PRODUÇÃO DE CAFÉ Verificandose que a sociedade cooperativa vende tanto café cru quanto café beneficiado por ela, enquadrase a mesma na exceção ao regime de suspensão das contribuições sociais previsto no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, a saída deverá ser tributada normalmente, fazendo jus a adquirente ao crédito integral” O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 135.367 a 135.385) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à interpretação do artigo 23, da Lei n° 12.995/2014 (artigo 7º a da Lei nº 12.599/2012) referente a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido de modo amplo. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de nº 3102002.344. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão paradigma – documento de fls. 135.386 a 135.434. O Recurso Especial foi admitido, conforme despacho de fls. 135.439 a 135.442, sob o argumento que acórdão recorrido decidiu que a única possibilidade de aproveitamento de crédito presumido seria por meio de desconto das contribuições devidas conforme expressamente estabelecido pela IN SRF no 660/06 em seu art. 7º, §3º. Impossibilitada a extensão das possibilidades de sua utilização além dos limites impostos pela legislação, qual seja, ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação. Por sua vez, o acórdão paradigma decidiu que o art. 23 da Lei no 12.995/14 ampliou as possibilidades de aproveitamento do crédito presumido, apurado em relação às aquisições do café in natura e que, neste caso, reconheceuse em favor da recorrente a possibilidade de utilizar tais créditos por meio de ressarcimento ou compensação. Fl. 135479DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.460 11 Ainda, que estaria diante de circunstâncias fáticas semelhantes relacionadas ao aproveitamento de crédito presumido oriundos da aquisição de mercadorias por sociedades exportadoras de café em períodos anteriores à edição da Lei nº 12.995/2014. Com essas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 135.444 a 135.447 manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls. 135.439 a 135.442. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Do Mérito Fl. 135480DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.461 12 O Contribuinte suscita em sede de Recurso Especial a divergência em relação interpretação do art. 23 da Lei n.º 12.995/2014 (art. 7A da Lei n.º 12.599/2012) referente a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de modo amplo. Entende a fiscalização que não há previsão legal para o aproveitamento do crédito presumido sob as formas de compensação com outros tributos ou sob a forma de ressarcimento em dinheiro. O acordão assim decidiu: “os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de café de pessoas físicas, cerealistas e cooperativas só podem ser aproveitados mediante desconto da contribuição devida, não podendo ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação.” No primeiro acórdão citouse ainda a legislação antiga e afirmouse que “a única possibilidade de aproveitamento de tais créditos presumidos é por meio do desconto das contribuições devidas conforme expressamente estatuído no §3°, art. 7° da IN SRF ° 660, de 2006, texto acima transcrito, não cabendo à esfera administrativa estender as possibilidades de utilização para além dos limites impostos pela legislação.” E em sede de embargos a decisão (fl. 135294) mencionou que: “Alega o Embargante que não houve manifestação acerca da lei nº 12.995/2014 que trata da compensação e ressarcimento dos créditos presumidos de PIS e COFINS, matéria esta que foi alegada em petição avulsa posterior. Tal legislação não se aplica retroativamente ao período analisado (20052010), por não se tratar de sanção tributária, logo, não há omissão alguma no acórdão, que analisou o pedido à luz da legislação de regência das compensações.” Assim, o acórdão recorrido entendeu pela impossibilidade de aproveitamentos dos créditos presumidos, como determinado pela lei n.º 12.995/2014. Fl. 135481DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.462 13 Já o contribuinte fundamenta seu pleito no art. 7A da Lei n.º 12.599, de 23/03/2012, incluído pela Lei n.º 12.995, de 18 de junho de 2014, que garantiria o direito de aproveitar o crédito presumido sob as modalidades de compensação ou de ressarcimento. Vale ressaltar que com o passar do tempo o legislador foi aumentando o rol de setores beneficiados com a tríplice forma de aproveitamento do crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. Em 2012 chegou à vez do setor cafeeiro, mas tríplice forma de aproveitamento do crédito presumido da agroindústria veio acompanhada de uma ruptura do regime jurídico ao qual estavam submetidos os exportadores de café. Em 26/6/2014, foi publicada a Lei n.º 12.995/2014, que, no seu art. 23, acrescentou o art. 7A à Lei n.º 12.599/2012. O novo preceito legal ampliou as possibilidades de aproveitamento do referido crédito presumido, apurado em relação à aquisição de café in natura, que passou a poder ser utilizado, observado a legislação específica aplicável à matéria, para fins de compensação e ressarcimento, conformese infere do texto a seguir transcrito: Art. 23. A Lei nº 12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7A. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1' de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” (grifos não originais) Fl. 135482DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.463 14 Da analise do art. 7A, o dispositivo se e refere ao saldo apurado até 1º de janeiro de 2012. Em outras palavras, apenas o saldo credor que foi se acumulando na escrita até 1º de janeiro de 2012 é que pode ser aproveitado na compensação ou no ressarcimento em dinheiro e não o saldo credor existente em cada um dos trimestres calendário anteriores. Assim, verificase que os créditos presumidos reconhecidos no citado Despacho Decisório referemse ao período de 2005 a 2010, obviamente, tais créditos enquadramse nas condições fixadas no novo comando legal, logo devese reconhecer o direito de utilizar tais créditos, em compensação ou ressarcimento, em conformidade com o citado comando legal. E isso é assim porque a partir de 2012, em relação aos exportadores, o legislador vedou o aproveitamento de crédito "cheio" nas aquisições de café, uma vez que ao mesmo tempo em que instituiu a suspensão da incidência das contribuições não cumulativas sobre o café (art. 4º da Lei n.º 12.599/2012), instituiu também um novo crédito presumido específico para o setor (artigos 5º e 6º da Lei n.º 12.599/2012). Em outras palavras: em relação aos exportadores de café, a partir da Lei n.º 12.599/2012, houve uma ruptura em relação ao regime jurídico anterior, pois o legislador substituiu o crédito "cheio" de PIS e COFINS por um crédito presumido específico para o setor, autorizando a tríplice forma de aproveitamento desse novo crédito presumido e estendendo a mesma possibilidade de aproveitamento ao saldo de crédito presumido da agroindústria que estava acumulado na escrita em 01/01/2012. O dia 01/01/2012 é um marco para o setor de exportação de café, pois foi o dia em que desapareceram o crédito cheio e o crédito presumido da agroindústria e nasceu o direito ao crédito presumido específico do setor. E como consequência dessa ruptura, o legislador permitiu que o saldo de crédito presumido da agroindústria existente em 01/01/2012 fosse utilizado da mesma forma que o novo crédito presumido que acabara de criar. Destacase que o referido art. 7A não estabelece qualquer limitação quanto aos créditos presumidos passíveis de aproveitamento mediante compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro. Pelo contrário, o referido dispositivo legal é claro ao afirmar se tratar do “saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei n.º 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012”; ou seja, referese ao saldo de crédito presumido existente em 01.01.2012. Fl. 135483DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.464 15 Esse é também, é o posicionamento que vem sendo adotado no Carf, senão vejamos: Acórdão (Visitado): 3402004.144 Número do Processo: 16366.000285/201050 Data de Publicação: 31/05/2017 Contribuinte: EXPORTADORA E IMPORTADORA MARUBENI COLORADO LTDA Relator(a): ANTONIO CARLOS ATULIM Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos credores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. Acórdão: 3301003.099 Número do Processo: 15578.000142/201090 Data de Publicação: 19/10/2016 Contribuinte: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR Relator(a): VALCIR GASSEN Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. De acordo com o Art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012, incluído a Lei nº 12.995, de 18.06.2014, o saldo do crédito presumido de que trata oart. 8oda Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1ode janeiro de 2012 em Fl. 135484DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.465 16 relação à aquisição de caféin naturapoderá ser utilizado pela pessoa jurídica para compensação ou ressarcimento Acórdão (Visitado): 3102002.344 Número do Processo: 15586.720228/201114 Data de Publicação: 19/11/2015 Contribuinte: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR Relator(a): JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010. CRÉDITO PRESUMIDO PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE CAFÉ IN NATURA. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO E NO RESSARCIMENTO. POSSIBILDADE. O saldo do crédito presumido proveniente da aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou mediante ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Fl. 135485DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.466 17 Ouso discordar da ilustre relatora. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da possibilidade do credito presumido de PIS e Cofins da agroindústria, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ser objeto de pedido de compensação com outros tributos administrados pela SRF ou de pedido de ressarcimento. A decisão recorrida adotou os seguintes fundamentos de forma a permitir a compensação de créditos referentes ao crédito presumido das agroindústrias com outros tributos e contribuições administrados pela SRF: i) que IN SRF 606/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004 extrapolou o conteúdo da lei e, portanto, seria ilegal, não podendo servir de base para a não homologação da compensação declarada; e ii) que a compensação seria possível por se tratar de crédito referente a exportações, o que em tese se enquadraria na exceção prevista no §9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Em que se preze os argumentos trazidos pelo i.Relatora, entendo que os fundamentos apresentados na decisão recorrida estão equivocados e a decisão deve ser revista, conforme requer a Recorrente. O fundamento dos pedidos de ressarcimento e compensação dos créditos presumidos formulados pela Recorrida é o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que assim dispõe: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, Fl. 135486DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.467 18 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) O referido dispositivo legal permitiu deduzir do valor devido das contribuições um crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física. Esse é o alcance da norma. Os outros dispositivos legais que permitem o aproveitamento de créditos em compensações e ressarcimento (art. 5° da Lei n° 10.637 e art. 6° da Lei n° 10.833) referemse, expressamente, aos créditos básicos apurados na forma dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e não ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Da mesma forma, a possibilidade de compensação e ressarcimento trazida pelo art. 16 da Lei n° 11.116/2005 também se refere expressamente ao “saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004”, e não ao crédito presumido em questão. A IN SRF 606/2006, que regulamentou a o crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004, não extrapolou o conteúdo da lei, mas apenas regulamentou o dispositivo legal, que já previa a impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensações ou ressarcimento. O mesmo podemos afirmar do ADI SRF nº 15/2005, que apenas interpretou a norma que tratava do crédito presumido e da possibilidade de compensação: Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Fl. 135487DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.468 19 No mesmo sentido temos o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em diversos precedentes, acerca da legalidade da IN 660/2006 e da validade do ADI SRF nº15/2005 (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010; e REsp nº 1.240.954/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe: 21/6/2011). Também não pode prosperar o fundamento de que a compensação pleiteada poderia ser deferida em razão da exceção contida no §9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, por se tratar de empresa exportadora. Em primeiro lugar, tratase de dispositivos introduzidos pelas MP 552 e 556 de 2011, portanto, em momento posterior aos fatos analisados no presente processo. Inclusive tais alterações não foram convertidas em lei, ficando sem efeito as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados com base nos referidos atos, conforme Decreto Legislativo 247/2012. Em segundo lugar, os parágrafos §8º e 9º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não ampliaram as possibilidades de compensação previstas nas normas de regência. Tratamse apenas de permissão para as empresas exportadoras utilizarem tal crédito para pagamento de PIS e COFINS não cumulativos devidos, ainda que não sofressem a incidência das contribuições. Portanto, o crédito presumido a que se refere o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 apenas pode ser usado para fins de dedução da COFINS e da Contribuição para o PIS apuradas conforme o regime da nãocumulatividade, não podendo ser objeto de compensação ou ressarcimento com outros tributos, razão pela qual a decisão recorrida deverá ser mantida. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial. (assinatura digital) Rodrigo da Costa Pôssas – Redator Designado Fl. 135488DF CARF MF Processo nº 15586.720174/201197 Acórdão n.º 9303008.258 CSRFT3 Fl. 135.469 20 Fl. 135489DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.003233/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/05/2005
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO INDIRETO.
Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e ao trabalhador avulso, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. Lançamento mantido.
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
A Administração Pública subsome-se integralmente à prescrição Legal. A atividade administrativa de lançamento, legalmente prevista, é vinculada e obrigatória..
Numero da decisão: 2202-005.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO INDIRETO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e ao trabalhador avulso, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. Lançamento mantido. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE A Administração Pública subsome-se integralmente à prescrição Legal. A atividade administrativa de lançamento, legalmente prevista, é vinculada e obrigatória.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 32 33 /2 00 7- 42 Fl. 127DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls 113/118), interposto contra o Acórdão 15- 15.110 - 7 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA – DRJ/SDR (e-fls. 100/111), que considerou improcedente, por unanimidade de votos, Impugnação da contribuinte apresentada diante de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD que apurou contribuições previdenciárias devidas apuradas no período de 01/09/2004 a 31/05/2005, com valor principal original de R$ 115.166,93. 2. A seguir reproduz-se, em sua essência, o relatório do Acórdão da DRJ/SDR, por retratar adequadamente os fatos ocorridos. Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD n° 37.016.350-8), lavrada pela fiscalização em face da empresa Casa das Tintas Comércio e Representação Ltda, refere-se, de acordo com o Relatório Fiscal às fls. 28/31, às contribuições previdenciárias, relativas à cota patronal e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, bem como as destinadas a outras entidades (terceiros). 0 crédito foi lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta com base nos valores nominais das notas fiscais de serviço emitidas pela Empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda, CNPJ: 66.844.754/0001-36, e apresentadas pelo Sujeito Passivo, os quais foram confrontadas com os lançamentos contábeis no período de 09/2004 a 05/2005, registrados na contabilidade, na Conta n° 4.2.1.01.120, denominada de "Serviços de terceiros". Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados empregados por meio do cartão de premiação, denominado "performance one". Os saques dos prêmios eram efetuados no Unibanco. 0 contrato n° 2004.92-002/185 foi celebrado, em 01 de setembro de 2004, entre a empresa contratante Casa das Tintas Comércio e Representação Ltda e a empresa contratada Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. Conforme reza o contrato, a contratante depositava na conta da contratada — CC: 131516-3 da Agência 0243 do Unibanco — o valor total a ser repassado para os funcionários premiados, com a denominação de: "reembolso referente campanha para aumento de performance e produtividade" até "48 horas antes da data estabelecida para a premiação" e, concomitantemente, a comissão para a fornecedora do cartão, denominada: "serviços de marketing", de 5,5% dos créditos concedidos a cada participante. Cada participante assinava um Termo de adesão, onde concordava em empenhar-se para "alcançar as metas estabelecidas". A condição de pagamento estabelecida no Termo de adesão era "mensal e proporcional ao atingimento de meta". 0 contrato destaca que a premiação não tem qualquer critério "baseado na sorte ou azar dos participantes". A contratante decidirá sobre ocasiões, datas, valores e indicação dos premiados". Isto é, a contratante acompanhava a produção de cada participante e a respectiva premiação, todavia, deixava a cargo da contratada o repasse desta gratificação (salário de contribuição), omitindo essas informações da Folha de pagamento e GFIP. Considera-se reembolso, expressão contida nas notas fiscais, o valor, efetivamente, destinado aos participantes como prêmio, excluindo-se, o valor da comissão destinada à empresa prestadora. Os valores foram apurados com base nas Notas Fiscais apresentadas pela empresa fiscalizada, considerando como base de cálculo da contribuição previdenciária os valores denominados de reembolso, pagos, mensalmente, através de cartão, aos beneficiários. Fl. 128DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Dessa forma, o presente crédito tributário foi apurado num montante de R$ 192.313,02 (cento e noventa e dois mil e trezentos e treze reais e dois centavos), consolidado em 17/07/2007. A empresa não informou esses fatos geradores nas Guias de Recolhimento de FGTS e Informação A Previdência Social (GFIP), acarretando a lavratura do Auto de Infração n° 37.016.352-4. Esse fato configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, tendo sido objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. (...) A autuada apresentou impugnação, em 23/08/2007, às fls. 37/42, alegando, em síntese, que: i. Tempestividade. (...). ii. Relação com outras impugnações. "Esta impugnação é apresentada juntamente com outras três, ao AI — Auto de Infração DEBCAD: 37.016.353-2, ao AI — Auto de Infração DEBCAD: 37.016.352-4 e A NFLD — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD: 37.016.351-6. Por isso, sugere-se o julgamento em conjunto, para evitar decisões conflitantes e para agilizar o trâmite administrativo, salvo melhor entendimento deste órgão". iii. Considerações iniciais. (...) Para aumentar as vendas, a impugnante contratou uma consultoria que pudesse promover uma campanha com colaboradores dela, não somente seus empregados, mas também outros com os quais mantém relacionamento, tais como arquitetos, decoradores, pintores, etc. "Os clientes da contribuinte impugnante que desta adquiriam produtos, quando o faziam por indicação de um terceiro, geravam estas compras para este terceiro um prêmio, em dinheiro, que era pago pela empresa Salles, Adan & Associados Marketing e Incentivos S/C Ltda. Os critérios utilizados para esta premiação era todos estabelecidos pela empresa contratada. A apuração, da mesma forma era esta que fazia. A entrega dos prêmios, também. Em nada interferia a contribuinte impugnante, apenas pagava à empresa contratada o valor total dos prêmios, acrescido do valor cobrado pela execução destes serviços". "Com relação aos empregados da contribuinte impugnante, o mesmo se observava, pois estes tinham o incentivo de procurar clientes que fizessem compras, o que fazia com que os funcionários recebessem prêmios, também, pagos pela empresa contratada". (...) v. Razões de mérito. "Tratou a campanha, desenvolvida pela empresa contratada, de uma prestação de serviços de criação, planejamento e implantação, por conta da contribuinte impugnante, com o objetivo de motivar e incentivar pessoas, sejam empregados da contribuinte impugnante ou colaboradores que com esta não mantêm qualquer vinculo, notadamente empregatício". "Há, portanto, duas relações jurídicas distintas, com características próprias que acarretam a submissão a regimes jurídicos também distintos. Inicialmente, a relação entre a contribuinte impugnante e a empresa contratada é relação jurídica civil, de natureza contratual (prestação de serviços). Outra relação é a que une a contribuinte impugnante e o beneficiário da campanha, relação esta intermediada pela empresa contratada, pois que esta engendra e operacionaliza a campanha, sem, contudo, integrar a dita relação". "A legislação civilista em vigor afirma que esta espécie de contrato não está sujeita as leis trabalhistas, ou seja, não se enquadra no conceito legal de trabalho. Não preenchem Fl. 129DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 os requisitos caracterizadores da relação empregatícia, por exemplo, a inexistência de subordinação, dentre outros. Por isto, mas não somente por isto, os serviços são executados livremente, prevalecendo o principio da autonomia da vontade". "Entre a contribuinte impugnante e os beneficiários da campanha, que eram funcionários ou terceiros sem qualquer vinculo, a relação jurídica é de declaração unilateral de vontade, pois ao contratar a empresa para desenvolver a campanha que premiaria algumas pessoas, comprometeu-se a contribuinte impugnante a pagar recompensas, prêmios, assim como um concurso". "No caso, é indiferente para a promessa de recompensa que a proponente, que é a contribuinte impugnante, e alguns dos beneficiários mantenham relação de emprego. Se estão presentes os elementos configuradores da promessa, tal ato obrigacional passa a submeter-se automaticamente à aplicação de regras próprias, pertinentes". "Ainda no caso, a empresa contratada, em nome da contribuinte impugnante, prometeu a quem agenciasse e possibilitasse vendas, prêmios que seriam pagos pela empresa contratada a aquelas pessoas que preenchessem as condições previstas, condições estas". "Tem-se como um verdadeiro pressuposto para incidência da contribuição a repercussão que os valores pagos ao trabalhador terão no seu futuro de beneficiário da seguridade social. Os valores percebidos pela multi citada campanha em nada repercutirão quando estiver doente ou se aposentar, por exemplo, não havendo por que se falar em contribuição, portanto. É caso, conclui-se, de não incidência fiscal". "Não havia, não houve habitualidade na percepção das verbas analisadas, pois habitual é o que ocorre repetidas vezes ao longo do tempo. Na premiação em questão, não se pode identificar qualquer liame com o futuro da proteção social a ser implementada pelo sistema previdenciário em favor do trabalhador que a este se sistema se encontra filiado". Transcreve o art. 28, § 9°, alínea e, número 7. "No caso dos empregados da contribuinte impugnante que receberam a premiação, receberam-na como incentivos conferidos por simples liberalidade daquela e tais verbas não se tratam de remuneração pelo trabalho. Como dito, trata-se de negócio unilateral, oferecido por tempo certo e condições especificas muito bem definidas, desenvolvido pela empresa contratada a mando e encomenda da contribuinte impugnante, nada mais". Transcreve jurisprudências dos tribunais trabalhistas. "Claramente, não se pode situar o prêmio dentre as bases de cálculo da contribuição social porque o legislador instituiu um tipo fechado, uma rígida catalogação das situações que dão lugar à incidência. É caso, como já dito, de não incidência. 0 poder público, mormente a autarquia responsável pela arrecadação e pela administração não podem alargar a definição, ou mesmo fixar critérios de base de cálculo, pois somente a Constituição Federal e a lei, em sentido estrito, podem fazê-lo. De outra forma, é desvio de poder". vi. Conclusões. "Os prêmios pagos foram adimplemento de promessa de recompensa, definida na lei civil, não integraram a base de calculo da contribuição previdenciária por absoluta falta de previsão, pois nenhuma das hipóteses legais se verifica tal incidência. Ao contrário, há expressa exclusão. Não havendo incidência, não ha que falar em responsabilidade, até porque não há lei que regule a matéria, também não sendo possível a responsabilização por presunção ou por analogia". "Por todos estes motivos, pede seja declarado insubsistente o auto de infração para nenhuma consequência gerar em desfavor da contribuinte impugnante". 3. Destaquem-se também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/SDR: Fl. 130DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Voto (...) Cumpre esclarecer que não há necessidade desta NFLD ser julgada em conjunto com o auto de infração n° 37.016.353-2, já que eles tratam de obrigações tributárias autônomas. Independentemente do resultado do julgamento do referido AI, persistirá a obrigação da empresa de recolher as contribuições aqui apuradas. 0 que há é a conexão do presente processo com a NFLD n° 37.016.351-6 e com o AI n° 37.016.352-4, já que o resultado do presente julgamento pode interferir no julgamento desses processos, motivo pelo qual estão sendo julgados, em conjunto, nesta sessão de julgamento. Defende a impugnante que pactuou com a empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. campanha de aumento de performance e produtividade, objetivando premiar colaboradores da contratante, não somente seus empregados, mas também outros com os quais mantém relacionamento, tais como arquitetos, decoradores, pintores, etc. Com efeito, o contrato celebrado entre a impugnante e a empresa contratada objetiva a premiar, a titulo de incentivo, os participantes da campanha de aumento de performance e produtividade. Ocorre que o pagamento do prêmio está vinculado ao alcance de metas pré-estabelecidas, conforme pode se depreender da leitura do objeto do contrato de prestação de serviços, o que caracteriza a sua natureza remuneratória, já que se destina a retribuir o trabalho, estando, portanto, sujeito à tributação previdenciária. Consta no contrato celebrado que: A contratante decidirá livremente sobre as ocasiões, datas, valores bem como sobre a indicação dos premiados. Para tanto, a contratante disponibilizará as quantias necessárias a serem enviadas para a Instituição Financeira responsável, cujo pagamento dará através de nota fiscal fatura emitida pela contratada. De modo que sejam concedidos os créditos a todos os contemplados na forma e nos prazos convencionados, sendo que nos períodos que não houver premiação, nenhum valor será devido a contratada a titulo de prestação de serviços. Percebe-se no trecho do contrato transcrito acima que a impugnante que decidia quando os prêmios deveriam ser pagos, a indicação dos premiados, as datas das premiações, bem como os valores que deveriam ser pagos, restando apenas para a empresa contratada a função de repassar tais prêmios. Dessa forma, não assiste razão à impugnante quando afirma que os critérios utilizados para a premiação eram todos estabelecidos pela empresa contratada e que em nada interferia a contribuinte impugnante Ressalta-se que o ônus probatório do fisco, no momento do lançamento, foi devidamente exercido, na medida em que foram colacionadas aos autos, a titulo de amostragem, nota fiscal, seu respectivo lançamento na contabilidade, Termo de Adesão do participante Reginaldo Sá Santos, bem como o contrato que embasou os pagamentos efetuados a titulo de cartão premiação, comprovando os fatos constitutivos de seu direito de lançar o crédito tributário. Ademais, todos os beneficiários, que assinaram o Termo de Adesão da campanha, foram considerados segurados empregados, já que trabalhavam para a contratante, conforme Folha de Pagamento e GFIP. Contudo, tentando elidir a lavratura fiscal, o contribuinte, apesar de fazer inúmeras alegações contrárias ao direito do fisco, não trouxe nenhuma prova aos autos que pudesse atestar a tese de premiação a pessoas estranhas a seu corpo funcional, tais como arquitetos, pintores, etc. Nesse sentido, com relação ao ônus probatório, coube a adoção pelo fisco da regra contida no art. 33, §§3° e 6°, da Lei n.° 8.212/91, conforme a lição dos doutrinadores Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez López, na obra Processo administrativo fiscal federal comentado, Ed. Dialética: (cita doutrina no sentido de que no auto de infração a obrigação de provar o fato gerador tanto é do agente fiscal quanto do contribuinte que o contesta) A celebração do referido contrato para emissão dos cartões premiação se traduz na ocultação de fato gerador, hipótese na qual estaria configurada a evasão fiscal. Evasão esta formalizada através de uma operação simulada, entre a impugnante e a Salles, Adan Fl. 131DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda., cujo objetivo final, era a retribuição do trabalho executado pelos segurados empregados da notificada. Procedimento este refutado pela doutrina de escola, conforme leciona Luciano da Silva Amaro, em IR: Limites da Economia Fiscal. Planejamento Tributário, em Revista de Direito Tributário n.° 71): (cita doutrina que diferencia economia de imposto e evasão) A impugnante argumenta que os valores objeto do levantamento não estão incluídos no conceito de remuneração e de salário de contribuição, pois, não são ganhos habituais, sendo concedidos em função do cumprimento de metas, tratando-se de incentivo produtividade. Transcreve o art. 28, §9°, alínea "e", numero 7. Insta salientar que a Constituição da República de 1988 dispõe, em seu art. 195, as fontes de financiamento para a seguridade social. Dentre elas, temos a contribuição do empregador incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, bem como, no art. 201, § 11, estabelece que os ganhos habituais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária. Por seu turno, a Lei n° 8.212/91, que trata do custeio da seguridade social, em seu inciso I do art. 22, prescreve a incidência de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. Já o art. 28, inciso I, do mesmo diploma legal n° 8.212/91 define o salário-de-contribuição, in fine: "Art. 28— Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;" Como pode ser observado, a legislação previdenciária ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, utilizou, para o conceito de salário-de- contribuição, um critério amplo, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados, a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Dada a sua natureza retributiva ou contraprestacional, in casu, os pagamentos efetuados pela impugnante por meio do cartão premiação integram a base de cálculo das contribuições por ela devidas à Seguridade Social. Não resta dúvida de que os pagamentos efetuados por meio de "Cartão de Premiação" revestem-se de habitualidade, já que foram pagos por meses consecutivos, conforme Discriminativo Analítico de Débito (DAD) as fls. 04/05, que abrange as competências 09/2004 a 05/2005. Ficando comprovado que a impugnante utilizou tais pagamentos para oferecer uma vantagem econômica aos seus segurados empregados através de prêmios habituais, não havendo previsão na legislação previdenciária de exclusão de tais pagamentos da base de cálculo das contribuições (hipóteses taxativas previstas no §9°, do artigo 28, da Lei no 8.212/91), estando caracterizados, portanto, como incluídos no conceito legal de salário-de-contribuição acima transcrito. Não assiste razão A impugnante ao afirmar que o prêmio pago pela campanha não integra a remuneração, conforme art. 28, §9°, alínea "e", número 7. Os prêmios pagos não são ganhos eventuais, conforme já demonstrado, nem muito menos abonos expressamente desvinculados do salário. 0 valor pago mediante o cartão premiação constitui uma forma de incentivo e de participação, enquanto de um lado, estimula o trabalhador a fornecer uma maior quantidade e/ou uma melhor qualidade de trabalho, de outro lado, interessa ao bom andamento da gestão empresarial, tendo natureza salarial. Assim, estes valores pagos Fl. 132DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 integram o contrato de trabalho dos segurados empregados, não podendo ser suprimidos, segundo inteligência do art. 444, da Consolidação das Leis do Trabalho. Cabe transcrever o magistério do juslaboralista Mauricio Godinho Delgado sobre a diferença entre a gratificação e o prêmio (Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Ed. LTR, 2005, págs. 739/742 e 747/749): (transcreve doutrina esclarecendo a diferença entre gratificações, que possuem caráter objetivo, mesmo unilateral, e prêmios, com caráter subjetivo e salarial) Por fim, cabe ressaltar o Parecer n.° 1.797/1999, da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, concluindo que os prêmios possuem natureza salarial e integram o salário-de-contribuição, vinculando, desta forma, este julgador, à tese jurídica fixada, nos termos do art. 36, parágrafo único, da Portaria n.° 10.875, de 16 de agosto de 2007, que regulamenta o contencioso administrativo fiscal relativo as contribuições sociais de que tratam os art. 2° e 3°, da Lei n.° 11.457/2007. Transcreve-se, abaixo, ementa deste parecer, in fine: "Parecer/Cj/MPAS/N . 1797, aprovado em 21/06/1999 EMENTA .DIREITO PREVIDENCIÁRIO E DO TRABALHO. PRÊMIO DE PRODUÇÃO. 1. Os prêmios terão natureza salarial e integrarão o salário-de-contribuição, desde que remunerem um trabalho executado e sejam pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada (...)." No mesmo sentido, as seguintes decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ): (transcreve jurisprudência indicando o sustentado) Assim, conclui-se que os valores pagos aos segurados empregados através do "Cartão de Premiação", retribuem efetivamente um trabalho prestado, constitui ganho efetivo dos empregados, integrando o conceito de remuneração para fins da legislação previdenciária, portanto, sendo base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do disposto nos art. 22, inciso I e art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91. Conseqüentemente, verifica-se a total obediência ao comando do art. 142, do Código Tributário Nacional, uma vez que outra atitude não poderia ser adotada por parte do Auditor Fiscal, pois, a atividade tributária, relação jurídica e não simples relação de poder, nos moldes do Estado Democrático de Direito, é vinculada ao principio da legalidade. Em face das razões expendidas e à luz da legislação previdenciária, rejeito as alegações suscitadas na peça de Impugnação e concluo que o presente crédito tributário, consubstanciado na NFLD, n° 37.016.350-8, foi corretamente lavrado, votando no sentido de sua PROCEDÊNCIA. Recurso Voluntário 4. Inconformada após cientificada da decisão a quo, a ora Recorrente apresentou seu recurso, basicamente repisando seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, os quais são extraídos e, em síntese, apresentados a seguir. - apresenta apertada síntese dos fatos ocorridos, acima já expostos, e não apresenta questionamentos preliminares; - em suas razões de mérito, inicia sustentando que premiou pessoas empregadas ou mesmo sem vínculo empregatício que se destacaram em atividades distintas das que são desenvolvidas com habitualidade, com o objetivo de motivá-las e incentivá-las; - indica a existência de duas relações jurídicas distintas; uma prestação de serviços de natureza contratual, entre a recorrente e a empresa contratada, e outra relação que une a contribuinte recorrente e o beneficiário da campanha, relação esta intermediada pela empresa contratada; Fl. 133DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 - defende que esta espécie de contrato não está sujeita às leis trabalhistas, não preenche os requisitos caracterizadores da relação empregatícia, inexiste subordinação, os serviços são executados livremente, prevalecendo o principio da autonomia da vontade; - para a recorrente, a relação jurídica seria de declaração unilateral de vontade, pois comprometeu-se a pagar recompensas, prêmios, assim como um concurso (cita doutrina sobre recompensa e o artigo 854 do Novo Código Civil); - aduz que sua promessa dirige-se as pessoas indeterminadas, que podem manter com a proponente um vinculo, de amizade, de colaboração, de contrato regido pelo direito civil, de emprego, etc; - assim, para a recorrente seria indiferente que alguns dos beneficiários mantivessem relação de emprego e presentes os elementos configuradores da promessa, tal ato obrigacional passa a submeter-se automaticamente à aplicação de regras próprias, e o vinculo obrigacional estabelecido entre si e o beneficiário da campanha, intermediado pela contratada, assume a característica de adimplemento de recompensa, o que não seria fato gerador de contribuição previdenciária; - considera que custear benefícios substitutivos da remuneração é característica fundamental da contribuição previdenciária, e assim sendo, esta não pode tomar por base valores que, pela sua natureza essencialmente transitória, e que não possuem qualquer liame com o futuro da proteção social, não se incorporam aos ganhos do trabalhador; - entende, por consequência, que a recompensa é caso de não incidência fiscal; - discorre sobre remuneração, destacando a habitualidade, através de doutrina em do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho, e afirma que não houve habitualidade na percepção das verbas analisadas; - sustenta ser base legal de seu entendimento sobre o premio pago não compor o salário de contribuição a Lei n. 8.212/91, artigo 28, § 9 o , alínea e, número 7 (ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário) e cita jurisprudência do TRT e do TST; - sustenta ainda que o legislador instituiu uma rígida catalogação das situações que dão lugar à incidência, e assim, a autarquia responsável pela arrecadação não pode alargar a definição da base de cálculo, pois somente a Constituição Federal e a lei, em sentido estrito, podem fazê-lo, sob pena de desvio de poder; - conclui que os prêmios pagos foram adimplemento de promessa de recompensa, definida na lei civil, e assim não integrariam a base de cálculo da contribuição previdenciária por absoluta falta de previsão, e, ao contrário, haveria expressa exclusão; e - complementa indicando que, não havendo incidência, não há que falar em responsabilidade, até porque não há lei que regule a matéria, também não sendo possível a responsabilização por presunção ou por analogia. 5. Seu pedido final é para que seja declarada insubsistente a notificação fiscal de lançamento de débito, a fim de que nenhuma consequência seja gerada em seu desfavor. 6. Foi lavrada representação fiscal para fins penais, uma vez que a empresa não informou os fatos geradores em pauta nas Guias de Recolhimento de FGTS e Informação à Previdência Social (GFIP), fato que configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária. 7. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator. 8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresenta-se tempestivo. Portanto dele conheço. 9. A impugnante argumenta que os valores objeto do levantamento não estão incluídos no conceito de remuneração e de salário de contribuição, pois não são ganhos habituais, sendo concedidos em função do cumprimento de metas, tratando-se de incentivo produtividade. Transcreve o art. 28, §9°, alínea "e", numero 7, da Lei n. 8.212/91. Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) 9 o Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário, (...) 10. Mas não se pode deixar de destacar que a Constituição Federal de 1988 dispõe, em seu art. 195, as fontes de financiamento para a seguridade social, e entre elas tem-se a contribuição do empregador incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, bem como, no art. 201, § 11, estabelece que os ganhos habituais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária. 11. E também a Lei n° 8.212/91 (Lei de custeio da Seguridade Social), em seu inciso I do art. 22, prescreve a incidência de contribuições previdenciárias, a cargo do empregador, sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços. Já o art. 28, inciso I, do mesmo diploma legal n° 8.212/91, define o salário-de-contribuição da seguinte forma: "Art. 28— Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;"(grifei) 12. Para que não haja incidência, a verba remuneratória deve constar no rol taxativo do art. 28, §9°, da Lei n. 8.212/91: se não estiver relacionada em tal rol, não há que se falar em exclusão da base de cálculo, como o caso dos prêmios à época do lançamento. Por outro lado, o Decreto 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) faz expressa previsão em relação Fl. 135DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 a incidência de contribuições previdenciárias sobre o valor total recebido pelo trabalhador, senão vejamos: Art.214. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; 13. Como pode ser observado, a legislação previdenciária definiu a base de cálculo das contribuições sociais através de um conceito de salário-de-contribuição com critério amplo, e não restrito, ao contrário do que sustenta a recursante, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados, a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Assim, dada a sua natureza retributiva ou contraprestacional, os pagamentos efetuados pela recursante por meio do cartão premiação devem integrar a base de cálculo das contribuições por ela devidas à Seguridade Social, como veremos a seguir. 14. Como bem ressaltado no Relatório Fiscal e no Acórdão da DRJ, não resta dúvida de que os pagamentos efetuados por meio de "Cartão de Premiação" revestem-se de habitualidade, já que foram pagos por meses consecutivos, abrangendo as competências 09/2004 a 05/2005. Ficando comprovado que a impugnante utilizou tais pagamentos para oferecer uma vantagem econômica aos seus segurados empregados através de prêmios habituais, não havendo previsão na legislação previdenciária de exclusão de tais pagamentos da base de cálculo das contribuições (as hipóteses de exclusão são taxativas e previstas no §9°, do artigo 28, da Lei n o 8.212/91; são hipóteses restritas, também ao contrario do sentido amplo de exclusão sustentado pela ora recorrente), estando caracterizados, portanto, como incluídos no conceito legal de salário-de-contribuição acima transcrito. 15. Não assiste razão à impugnante ao afirmar que o prêmio pago pela campanha promovida não integra a remuneração conforme o definido no art. 28, §9°, alínea "e", número 7, da Lei n o 8.212/91. Isso porque os prêmios pagos não foram ganhos eventuais, conforme já demonstrado, uma vez que foram pagos ao longo de todo o período, e não foram pago com desvinculação total do salário. Embora alegado que o prêmio seria para qualquer interessado, a contribuinte não demonstra nos autos ter pago tais prêmios a nenhum beneficiário que não fosse seu empregado. 16. Como destacado ainda pela DRJ/SDR, o valor pago mediante o cartão premiação constitui uma forma de incentivo e de participação, enquanto de um lado, estimula o trabalhador a fornecer uma maior quantidade e/ou uma melhor qualidade de trabalho, de outro lado, interessa ao bom andamento da gestão empresarial, tendo natureza salarial. Assim, estes valores pagos, após assinatura de "termo de adesão" (exemplo à e-fl. 27) pelos funcionários interessados, integram o contrato de trabalho dos segurados empregados, não podendo ser suprimidos, segundo inteligência do caput do artigo 444, da Consolidação das Leis do Trabalho. Art. 444 - As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. Fl. 136DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 17. Do relatório fiscal extraem-se claramente os aspectos que trazem a certeza da consideração de tais pagamentos como integrantes do salário de contribuição: i) a condição de pagamento estabelecida no Termo de adesão era "mensal e proporcional ao atingimento de meta"; ii) o contrato de prestação de serviço assinado pela autuada como contratante destaca que a premiação não tem qualquer critério "baseado na sorte ou azar dos participantes" e "a contratante decidirá sobre ocasiões, datas, valores e indicação dos premiados", iii) a contratante acompanhava a produção de cada participante e a respectiva premiação, pagava à prestadora os valores dos prêmios a serem repassados e o da prestação de serviço, de forma proporcional, e deixava a cargo da contratada apenas o repasse dos prêmios, omitindo essas informações da folha de pagamento e da GFIP. 18. Sem o devido atendimento às solicitações das intimações da Fiscalização, já que não foi apresentado pela contribuinte claro detalhamento dos valores pagos a cada beneficiário, e sem esclarecimento documental dos critérios de cálculo das premiações, o Agente Fiscal considerou então como Base de Cálculo da contribuição previdenciária o valor informado em cada Nota Fiscal com a denominação de reembolso, pagos mensalmente através de cartão, aos beneficiários. Ou seja, houve necessidade de arbitramento através de informações prestadas por terceiros. 19. Quanto à Jurisprudência consolidada sobre o tema neste Conselho, como bem observado no Acórdão 2301-005.194, Seção de 20/03/2018, nas palavras do Relator, o i. Conselheiro João Maurício Vital, "Essa modalidade de remuneração já foi, reiteradas vezes, objeto de análise no CARF, que coleciona vasta jurisprudência (a exemplo dos acórdãos nº 9201003.044, 2401003.921 e 2301004.955) no sentido de considerar os cartões de premiação, exatamente como na espécie dos autos, como componente do salário-de-contribuição e, portanto, como elemento da base de cálculo da contribuição previdenciária, porquanto tratam- se de rendimentos auferidos pelo trabalho, compondo, assim, a remuneração do empregado." 20. Assim, diante do exposto, entende-se que os créditos em discussão foram pagos aos segurados, com habitualidade, no período de 09/2004 a 05/2005, em função do resultado do trabalho de seus empregados junto à interessada, sendo evidente que não se tratou de distribuição de premiação sem causa, mas sim de pagamentos com caráter tipicamente remuneratório, formalizados impropriamente por intermédio de cartões de incentivo, devendo sujeitar-se então à incidência de contribuição previdenciária. 21. Para aquilatar a construção do convencimento deste julgador, pode-se ainda citar inúmeros Acórdãos do Conselho no mesmo sentido, conforme ementas colacionadas a seguir. (...) SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO DE INCENTIVO ATRAVÉS DE CARTÕES. Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades se atingidas determinadas condições, a título de incentivo ao aumento da produtividade. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contra prestativo e integra o salário de contribuição por possuir natureza remuneratória. (Acórdão 2201-004.579, Seção de 03/07/2018, Conselheiro Redator Designado Daniel Melo Mendes Bezerra) (...) SALÁRIO INDIRETO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, a qualquer título, ao empregado e trabalhador avulso destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a Fl. 137DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 forma. O pagamento de valores a título de prêmio de produtividade, por meio de cartão de premiação, integra o salário de contribuição. (Acórdão 2202-004.635, Seção de 05/07/2018, Conselheira Redadora designada Rosy Adriane de Silva Redatora) (...) SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de prêmios e incentivos, vinculados ao desempenho. (Acórdão 2202-004.718, Seção de 09/08/2018, Conselheiro Relator Martin da Silva Gesto) (...) SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. NÃO EVENTUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo. Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador. Logo, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sempre que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo trabalhador. (Acórdão 2301-005.609, Seção de 12/09/2018, Conselheiro Presidente e Relator João Bellini Júnior) 22. Indispensável torna-se destacar que o acima referido Acórdão 2202-004.635, de redatoria da i. Conselheira Rosy Adriane de Silva, envolve justamente idêntica situação de pagamento de funcionários através de cartões de premiação emitidos pela mesma empresa prestadora de serviços. Colacionemos o excerto a seguir: (...) Arrazoa o i. Relator que esses benefícios não foram pagos com habitualidade o que configura sua eventualidade e que a autoridade fiscal não indicou que houvesse vinculação dessa verba à contraprestação ou a trabalho dos segurados empregados. Nesse ponto tenho que discordar, pois a descrição da auditoria, no próprio trecho transcrito pelo i.. Relator, é clara ao afirmar que a premiação se trata de espécie remuneratória, em cujas notas fiscais emitidas pela empresa Salles Adan, consta a descrição “reembolso referente campanha para aumento de desempenho e produtividade". Ora, resta claro que referida verba foi paga aos segurados empregados, em função de sua relação de emprego com a recorrente, e como incentivo ao desempenho e produtividade. Quanto à questão de não ter sido paga com habitualidade e por isso ser eventual, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 9202003.044, que explica com acerto, a confusão que tem sido feita entre os conceitos de não eventualidade e habitualidade para fundamentar, a meu ver erroneamente, a não incidência de contribuição previdenciária: (...) Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28,1 da Lei n° 8.212/91 e do art. 201, § 1o do RPS, que somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao "salário in natura", por incluir, expressamente, no conceito de remuneração, os "ganhos habituais sob a forma de utilidades", sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontram-se: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, Fl. 138DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura) Pode-se, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9o , alínea "e", item "7" prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: "Não integram o salário-de-contribuição (remuneração) para os fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...)" Assim sendo, pode-se afirmar que "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho ", independentemente de serem ou não habituais, encontram-se no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Entretanto, "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais " encontram-se excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: i) Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. ii) Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: i) Habitualidade. De habitual, entende-se a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. ii) Eventualidade. De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o salário-de- contribuição, diz respeito a freqüência da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9o , alínea "e", item "7", ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. (...) Portanto, por entender que o requisito da habitualidade não se aplica a pagamentos ocorridos em razão do trabalho, e/ou não efetuados in natura, como no caso da verba em discussão, não há que se discutir se houve ou não habitualidade. Assim, o lançamento deve ser mantido nessa parte. 23. Não deve ser desprezado o fato de que já ocorreu novação legal sobre o tema, conforme recente reforma trabalhista, e pode ser verificada a abordagem dobre o tema em recentíssimos Acórdãos com razões de decidir notadamente similares, como o de número 2301- 005.636, Seção de 12/09/2018, da i. Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato, e o de número 2402-006.820, Seção de 05/12/2018, do i. Conselheiro Relator Jamed Abdul Nasser Feitoza, dos quais colaciono as respectivas ementas: (...) PAGAMENTOS HABITUAIS. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO PRÊMIO. SALÁRIO INDIRETO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados, mesmo que habituais, à título de prêmio, não incide contribuição previdenciária, conforme modificação da legislação, sendo necessário, entretanto, que a Contribuinte especifique, de forma antecedente, como se caracteriza o desempenho acima do regularmente esperado. Não comprovado. Lançamento mantido. (...) Fl. 139DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 PRÊMIO. HABITUALIDADE. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Verbas pagas a título de prêmio, com habitualidade e em retribuição pelo trabalho prestado integram o salário de contribuição. (...) 24. Verifica-se em ambos o permeio à alteração legal, mas, além da não vigência legal à época de lavratura do Auto de Infração em análise, verifica-se a falta de condição fática para beneficio, qual seja, a prova documental, antes do ocorrido, da forma como seria computado e trabalhado o acompanhamento do direito e do pagamento do prêmio. Muito esclarecedora a transcrição de trechos de interesse do acima referenciado Acórdão 2301-005.636, por mais antigo, com pedido de licença à i. Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato. (...) Como a empresa não indicou a lista dos beneficiários, apesar de intimada e reintimada e, sendo o valor pago bem superior à folha de pagamento, podendo ser ainda, os beneficiários, conforme citado na cláusula primeira do contrato, qualquer pessoa física ou jurídica indicada pela contratante, a fiscalização considerou que os pagamentos foram realizados a autônomos que prestaram serviço a Contribuinte. Na cláusula primeira dos contratos firmados (...), constata-se que o produto a ser utilizado pela contratada para premiação das pessoas físicas e jurídicas indicadas pela contratante (...), consistente em um cartão magnético com crédito em dinheiro a ser fornecido aos indicados (...), para saques de valores a título de prêmio de incentivo junto à rede credenciada ou para efetuar compras (...). De acordo com a Clausula segunda, o contrato tem o seguinte objeto: "objeto desse contrato decorre das considerações iniciais (Cláusula primeira), segundo os critérios regulamentares estabelecidos pela CONTRATANTE, que não poderão ter por fundamento sorteio e/ou jogos de sorte ou azar, mas, desempenho, esforço e outras características pessoais do premiado em relação à CONTRATANTE". Sobre o tema, destaca-se a modificação da legislação trabalhista e previdenciária sobre a não incidência de Contribuição Previdenciária aos Prêmios pagos, mesmo com habitualidade. Antes da modificação da legislação, que será vista adiante, este Conselho tinha e ainda têm as seguintes jurisprudências consolidadas no que consiste o pagamento de prêmios aos segurados: PRÊMIOS PAGOS AOS EMPREGADOS POR TERCEIROS ALHEIOS AO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GUELTAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos aos empregados por terceiros alheios ao contrato de trabalho visando incrementar as vendas dos seus produtos em detrimento aos de seus concorrentes integram o conceito de remuneração e também o de salário de contribuição, nos termos do art. 22, I c/c art. 28, I e §9º da Lei nº 8.212/91. Acórdão nº 9202003.880 – Sessão de 12 de abril de 2016 (...) SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. Acórdão nº 2301004.222, Sessão de 06 de novembro de 2014. A reforma trabalhista estipulada pela Lei n. 13.467/2017 trouxe nova redação ao artigo 457 da CLT, restando a seguinte previsão legislativa: Art. 457 Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber: Fl. 140DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 § 2º As importâncias, ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio- alimentação, vedado seu pagamento em dinheiro, diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. § 4º Consideram-se prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. A Legislação Previdenciária (Lei 8.212/1991) também modificou, sendo que o Art. 28, §9º, inciso “z” fez questão de incluir os prêmios como não incidentes de contribuição previdenciária: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: z) os prêmios e os abonos Portanto, com a reforma trabalhista e a inclusão desta (alínea) na legislação previdenciária, retirou(-se) dos prêmios a incidência de contribuição previdenciária. Assim sendo, segundo entendimento literal da legislação os valores pagos aos empregados, mesmo que habitualmente e mesmo que em dinheiro, serão considerados prêmios e não incorporam o salário contribuição, desde que o pagamento se dê diante de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. Trata-se de modificação legislativa, cujo entendimento deste Conselho também deverá ser modificado, visto que as Jurisprudências consolidadas, trazidas acima, identificam a habitualidade para a incidência da contribuição. A nova legislação é clara ao determinar que os prêmios podem ser pagos habitualmente. Entretanto, esta não era a exigência da legislação na época em que se lavrou o Auto de Infração analisado nestes Autos, sendo que o pagamento habitual era considerado salário indireto e enseja a incidência de contribuição previdenciária. Portanto descabida a pretensão da Contribuinte, sendo devida a exigência do tributo lançado. Mesmo que se fosse aplicada a nova legislação trabalhista/previdenciária, constata-se que a Contribuinte não faria jus a reforma do lançamento, visto que não restou comprovado que os valores pagos faziam parte da política de prêmios da mesma, sendo os pagamentos efetuados em desrespeito à legislação. Isto, pois a nova legislação trouxe como único requisito para a caracterização do prêmio e, conseqüentemente não incidência de contribuição previdenciária, a necessidade de identificar que os pagamentos, mesmo que habituais, são a retribuição ao empregado pelo desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. Desta feita, mesmo se fosse aplicada a nova legislação trabalhista/previdenciária, a Contribuinte deveria ter comprovado nos autos que os supostos prêmios pagos (...) são de fato prêmios e não salário indireto, ou seja, deveria ter comprovado qual a forma que a empresa utiliza para constatar quando o empregado teve desempenho superior ao ordinariamente esperado. Como não há entendimento jurisprudencial consolidado deste Conselho sobre prêmios depois da ocorrência da modificação legislativa, entendo pela utilização do entendimento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), em que as regras para desempenho superior ao ordinariamente esperado devem ser claras e prévias ao contrato de trabalho, da mesma forma como se exige da PLR para não incidência da contribuição previdenciária: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLR. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. MOMENTO DA CIÊNCIA DOS EMPREGADOS. As regras claras e objetivas às quais se refere a Lei 10.101/2000 devem ser conhecidas pelo empregado antes dos pagamentos relativos ao exercício ao qual se referem. Precedentes da Câmara Superior. Acórdão: 9202- 003.638 01/06/2015 (...) Fl. 141DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E ART. 28, § 9º, J, LEI 8212. NATUREZA SALARIAL As exigências legais para que o pagamento de PLR esteja desvinculado do salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou seja, compete a empresa demonstrar o cumprimento da lei 10.101/2000, devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais. O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições". As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumpra-se o mesmo rito para sua formalização, que é a trabalhadores na composição desses critérios. Acórdão nº 2401003.487, Sessão de 15 de abril de 2014. (...) Não se sabe como se davam os pagamentos tidos como premiações. Não se sabe quem era os contemplados, nem como se dava a apuração do desempenho superior ao ordinariamente esperado. Há apenas a comprovação de que houve o pagamento. A contribuinte foi intimada para apresentar a lista dos beneficiários, a forma como supostamente premiava os mesmos, mas se manteve inerte. Diante de sua omissão, necessária a permanência do lançamento diante da constatação do fato gerador, visto que os pagamentos efetuados foram de fato salário indireto. 25. Prosseguindo à análise do feito, percebe-se que a contribuinte, em seu recurso, claramente confunde e inverte a natureza da legislação que define a base de cálculo com a natureza da legislação que concede a isenção. A legislação previdenciária, ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, utilizou um critério amplo para o conceito de salário-de-contribuição, considerando como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados, a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Dada a sua natureza retributiva ou contraprestacional, neste caso, os pagamentos efetuados pela recursante por meio do cartão premiação integram a base de cálculo das contribuições por ela devidas à Seguridade Social. 26. Tais pagamentos revestem-se de habitualidade, já que foram pagos por meses consecutivos, abrangendo as competências de 09/2004 a 05/2005. E fica deveras comprovado que a autuada utilizou tais pagamentos para oferecer uma vantagem econômica habitual aos seus empregados, não havendo previsão na legislação previdenciária vigente à época da exclusão de tais pagamentos da base de cálculo, já que as hipóteses de exclusão consideradas eram taxativas e previstas no §9°, do artigo 28, da Lei no 8.212/91). Dessa forma, não ocorreu alargamento da definição da base de cálculo, legalmente embasada, e portanto, afasta-se qualquer alusão a desvio de poder. 27. Da identificação do fato gerador na conduta da autuada, caracterizada também está sua responsabilidade da pela omissão no recolhimento da contribuição. Há claríssima subsunção de tais pagamentos à previsão legal, a fim de integrarem a base de cálculo da contribuição previdenciária, e com a identificação da conduta omissiva, não há como a responsabilidade legal da recursante ser afastada. Fl. 142DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 28. Neste diapasão, justifica-se o entendimento e a postura da Autoridade Autuante ao verificar a omissão e a responsabilidade, uma vez que seus atos são adstritos à legalidade, como também determina o Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, em seu artigo 142, caput e § único, abaixo transcrito: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 29. Já foi ressaltado anteriormente que a empresa não comprova ter pago prêmios a pessoas que não sejam seus funcionários. Mas mesmo que tal hipótese se confirmasse, em nada alteraria a incidência de contribuição previdenciária sobre tais pagamentos. Enquanto o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, aplica-se tanto para o empregado quanto para o trabalhador avulso, para os trabalhadores contribuintes individuais será o art. 28, III, da mesma referida lei, que dispõe que o salário-de-contribuição para o contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo. Ou seja, a definição de "prêmios" dada pela recorrente se coaduna com a de parcelas pagas em razão do exercício de atividades, tanto ao empregado quanto ao não empregado. 30. Neste sentido, os prêmios adquirem caráter estritamente contraprestativo, em função do alcance de metas e resultados. Mesmo que fruto de uma vontade unilateral da fonte pagadora, não têm por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas sim atribuir um incentivo ao empregado, e assim compõem a base de cálculo da contribuição devida. 31. A legislação previdenciária vigente à época dos fatos é clara quando destaca, em seu art. 28, §9°, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias em razão de sua natureza indenizatória ou assistencial e apenas estas não comporão o cálculo futuro de um eventual benefício previdenciário. E não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. O texto legal como um todo não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. 32. Não vislumbro portanto razões para reforma do Acórdão da DRJ e deve permanecer subsistente a notificação fiscal de lançamento de débito. Conclusão 33. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 143DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-005.245 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10510.003233/2007-42 Fl. 144DF CARF MF
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