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Numero do processo: 10830.001267/2003-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 491DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1723.605, proferido pela 3ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 422), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento realizado com suporte no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários sem origem comprovada do anocalendário de 1998, a metade dos créditos efetuados na conta corrente n° 22.5881.01, do Bank Boston Banco Múltiplo S.A, mantida em conjunto com sua cônjuge. O resumo da peça impugnatória, de fls. 342/363, foi redigida na decisão de primeiro grau nos seguintes termos: 1 a sua esposa é cotitular da conta corrente n° 22.5881.01, do Bank Boston Banco Múltiplo S.A, e apresentou declaração de ajuste do ano em referência em separado, assim deverá ser aplicado o art. 1°, §2°, da IN 246/2002; 2 o acesso às contas bancárias estava sob a denominada reserva de jurisdição, o que significa que o alcance dessas informações só podia ser autorizado pelo Poder Judiciário; 3 não se pode alegar que o acesso às informações bancárias encontra apoio na LC 105/2001, já que isto significaria dar curso retroativo à referida lei; 4 a irretroatividade das leis se insere no contexto das garantias individuais asseguradas pela Constituição Federal, em seu art. 5°, XXXVI; 5 não foram atendidos os requisitos enumerados no art. 3°, do Decreto 3.724/2001, os quais referemse à indispensabilidade de exames nos extratos para que possa ser requisitado pela SRF as informações bancárias dos contribuintes; 6 houve erro na determinação do momento de ocorrência do fato gerador, pois, segundo o §1°, do art. 42, da Lei 9.430/96, os valores apurados deveriam ser considerados mensalmente e este não foi o procedimento adotado, na medida em que foi fixado um único fato gerador em 31/12/1998, tendo por vencimento 30/04/1999; 7 em relação à presunção utilizada no lançamento, ela não pode ser utilizada, pois se trata de resultado da iniciativa criativa e original do legislador, uma vez que deveria sempre estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre dois fatos considerados, o conhecido (indiciário) e o desconhecido (provável); 8 no que tange às pessoas físicas, a presunção contida no art. 42, da Lei 9.430/96, é inadequada, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura; 9 é inquestionável que movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda, vez que não é a operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial; 10 quanto à comprovação dos depósitos: (1) alienação de participação societária por três pagamentos de R$ 27.000,00; (2) mútuo celebrado com a Zornig Agrícola e Participações Ltda, tendo sido admitido pela autoridade fiscal apenas dois recebimentos de R$ 10.200,00, quanto ao terceiro, apresenta na impugnação cópia do cheque; (3) apresenta comprovantes da aplicação financeira de R$ 361.279,61, decorrente de sucessivas aplicações; (4) mútuo celebrado com a Sul Mineira Alimentos, no valor de R$ 250.000,00; 11 requer, ainda, que, se alguma dúvida remanescer a respeito das provas apresentadas, a realização de diligência fiscal junto às pessoas jurídicas e físicas indicadas. Fl. 492DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 10830.001267/200356 Acórdão n.º 2101001.233 S2C1T1 Fl. 486 3 A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: PRELIMINAR SIGILO BANCÁRIO. Quando é o próprio contribuinte quem entrega à fiscalização os extratos bancários contendo sua movimentação financeira, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO COM BASE EM REGISTROS DA CPMF LEGISLAÇÃO POSTERIOR APLICADA A FATOS PRETÉRITOS. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. O lançamento com base em depósitos bancários deve ter a base tributável dividida pelo número de titulares da conta conjunta nos casos em que tiverem rendimentos próprios e declarem em separado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM EMPRÉSTIMO. A alegação de que depósito em sua conta é decorrente de pagamento de empréstimos deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário do contribuinte para o mutuário. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 439/453, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo, e acresce pedido pela decadência em relação aos períodos de janeiro e fevereiro de 1998, tendo em vista que o artigo 42, § 4º, da Lei nº 9.430, de 1996, manda considerar os depósitos não comprovados como rendimentos auferidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 493DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Deixo de examinar as preliminares e de determinar o sobrestamento do julgamento do recurso – nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, em face da Lei complementar nº 105/2001, que trata do sigilo bancário transferido compulsoriamente ao Fisco matéria com repercussão geral reconhecida pelo STF (RE 601314) – tendo em vista a aplicação da Súmula CARF nº 29 ao presente caso. MÉRITO A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 494DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 10830.001267/200356 Acórdão n.º 2101001.233 S2C1T1 Fl. 487 5 § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (conforme arestos colacionados no recurso) e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88, que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Como a presunção representa uma prova indireta, partindose de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, os procedimentos estabelecidos em lei para que a presunção possa ser validamente aplicada deve ser rigorosamente observada pela fiscalização, por ser matéria de ordem pública que objetivam o controle da legalidade do lançamento. O § 6º da Lei nº 9.430, de 1996, determina que na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. É claro que tal divisão deve ser precedida da intimação de todos os titulares da conta bancária, pois a relação tributária obrigacional não pode ser dirigida contra quem não foi previamente intimado para comprovar a origem dos depósitos. O comando da lei tributária é específico para a presunção em comento. Se não houve a intimação prévia de todos os titulares, conforme determina o caput do referido artigo, também não poderá haver a divisão determinada no § 6º, sendo inválida a exigência Fl. 495DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 6 relacionada à conta cotitulada sem a comprovação da intimação destes. De se notar que a hipótese de haver declaração em conjunto ou separadamente se aplica justamente a pessoas com relações de dependência econômica, por isso a cautela da lei em mandar observar se há declaração em conjunto. Cada pessoa física é contribuinte do imposto de renda e, portanto, passível de ser questionado a respeito da origem dos créditos que transitaram por sua conta bancária. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). A falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, exige para que a presunção possa ser validamente aplicada. Este entendimento já é pacífico no âmbito deste Conselho, nos termos dos Acórdãos de nºs 10419988, 10247453, 10248.880, sendo que deste último transcrevo do voto vencedor o seguinte excerto: Divirjo do ilustre relator apenas quanto ao seu entendimento no que diz respeito à contacorrente conjunta, qual seja: Caixa Econômica Federal Agência 143 nº 243791. Nesse sentido, devese examinar a aplicação do parágrafo 6º do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, no presente lançamento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. O dispositivo acima transcrito foi acrescentado ao art. 42 pelo art. 58 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Como se vê, o citado parágrafo já se encontrava em vigor desde 29/08/2002, portanto, deveria ter sido observado pela autoridade fiscal quando da lavratura do presente Auto de Infração. Como sabido, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados é uma presunção legal. No entanto, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento devese conformar aos moldes da lei. Reza o caput do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos depositados. Logo, é óbvio, que no caso de contacorrente conjunta, tornase imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Fl. 496DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 10830.001267/200356 Acórdão n.º 2101001.233 S2C1T1 Fl. 488 7 Nas contascorrentes mantidas em conjunto, presumese, obviamente, que os titulares possam utilizarse das mesmas para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Desta forma, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser imputada a todos os titulares da contacorrente. Dos extratos das contascorrentes, que motivaram o lançamento, acostados aos autos, verificase que esta circunstância (conta corrente mantida em conjunto) era conhecida pela autoridade fiscal. Entretanto, mesmo conhecendo o fato, deixou a autoridade administrativa de intimar o outro titular da conta corrente em questão. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. Assim, não poderia o agente fiscal ter deixado de intimar o outro titular daquela contacorrente, pois não tem o poder discricionário para agir em desacordo com a lei, sob pena de macular o lançamento. É bem verdade que existe um estreito relacionamento entre o Recorrente e o outro titular (são cônjuges), mas tal circunstância não permite presumir que a intimação contra um deles tenha plenos efeitos em relação ao outro. Ou seja, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Ora, a falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal. Banco Caixa econômica Federal De sorte que, no que se refere aos valores creditados na contacorrente Agência 143 nº 243791, mantida em conjunto, devese afastar a presunção de omissão de rendimentos. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula nº 29 deste CARF, de aplicação obrigatória por este Colegiado: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na Fl. 497DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 8 presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Pois bem. o voto condutor da decisão recorrida, com suporte nos fatos e na legislação que rege a matéria, faz as seguintes colocações: Quanto à alegação de que por ser seu cônjuge cotitular da conta corrente n° 22.5881.01, do Bank Boston Banco Múltiplo S.A, e tendo apresentado declaração de ajuste do ano em referência em separado, deveria ter sido aplicado o art. 1 0, §2°, da IN 246/2002, ou seja, imputar a cada titular a metade dos créditos, é de se dar guarida a tal entendimento apresentado pelo impugnante. Apesar de a lei 10.637/2002 ter introduzido o parágrafo 6°, no art. 42, da Lei 9.430/96, dispondo que, na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares, este já era o entendimento esposado pelos tribunais administrativos, mesmo antes da entrada em vigor de tal lei, conforme se pode verificar pela jurisprudência antiga formada no 1° Conselhos de Contribuintes e reproduzida abaixo: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS LEI 9.430, DE 1996 CONTA CONJUNTA PROCEDIMENTO O lançamento com base em depósitos deve ter a base tributável dividida pelo número de titulares da conta conjunta, nos casos em que tiverem rendimentos próprios e declarem em separado. (Acórdão 104 19068 de 05/11/2002) A Lei 10.637/2002 só veio corroborar o entendimento que já havia se solidificado na jurisprudência. O fato de o caput do art. 42, da Lei 9.430/96, referirse a titular da conta corrente não quer dizer que somente um dos titulares irá sofrer, solitariamente, a imputação da omissão de rendimentos. A norma, embora esteja no singular, referese a todos que se encontram nesta situação.Assim, não é o caso de aplicação retroativa e não há razão para não aplicar a presunção de omissão em todos os titulares, devendo ser considerada a metade dos créditos nesta conta para fins da presunção de omissão. Como o total considerado para esta conta foi de R$ 506.763,88, devese reduzilo à metade: R$ 253.381,94. Considerandose que não houve a prévia intimação da esposa do autuado, co titular da conta corrente n° 22.5881.01, mantida no Bank Boston Banco Múltiplo S.A, para comprovar a origem dos depósitos bancários, e que ela não apresentou declaração de rendimento em conjunto com o marido, a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser validamente aplicada para os valores creditados na referida conta, no montante de R$506.763,88. A decisão a quo excluiu da base de cálculo da omissão a metade desse valor (R$253.381,94). A exclusão da outra metade justifica a totalidade dos depósitos não comprovados, mantidos na decisão recorrida. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 498DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 10830.001267/200356 Acórdão n.º 2101001.233 S2C1T1 Fl. 489 9 Fl. 499DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 9/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
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Numero do processo: 10140.000173/2001-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1995
ITR.VALOR DA TERRA NUA VTN. LAUDO EXTEMPORÂNEO. IMPRESTABILIDADE. SÚMULA CARF N° 23. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria e, bem assim, jurisprudência administrativa consolidada na Súmula no 23 do CARF, de observância obrigatória, a revisão do Valor da Terra Nua-VTN lançado de ofício pela autoridade administrativa, relativamente aos exercícios de 1994 a 1996, condiciona-se à apresentação de Laudo Técnico, emitido por
entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, acompanhado da ART devidamente anotada no CREA, demonstrando inequivocamente a legitimidade da alteração pretendida, devendo se reportar, ainda, à época da ocorrência do fato gerador.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.921
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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VALOR DA TERRA NUA VTN. LAUDO EXTEMPORÂNEO. IMPRESTABILIDADE. SÚMULA CARF N° 23. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria e, bem assim, jurisprudência administrativa consolidada na Súmula no 23 do CARF, de observância obrigatória, a revisão do Valor da Terra NuaVTN lançado de ofício pela autoridade administrativa, relativamente aos exercícios de 1994 a 1996, condicionase à apresentação de Laudo Técnico, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, acompanhado da ART devidamente anotada no CREA, demonstrando inequivocamente a legitimidade da alteração pretendida, devendo se reportar, ainda, à época da ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (conselheira convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório HÉLIO MAGDALENA JÚNIOR, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, com vencimento em 31/01/2001, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1995, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Marupa” localizado no município de São Felix do Xingu/PA, cadastrado na RFB sob o nº 29884080, conforme peça inaugural do feito, às fls. 18, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Recife/PE, Acórdão nº 04.211/2003, às fls. 29/32, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 20/05/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30335.329, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 1995 ITR/1995 VTN VALOR DA TERRA NUA LAUDO TÉCNICO E DISCREPÂNCIA VALORES TRIBUTADOS IN DUBIO PRO REU. Laudo Técnico juntado aos autos se mostra suficiente para demonstrar o Valor da Terra Nua, em que pese referirse a exercício diverso, haja vista a discrepância entre o valor apontado pela fiscalização e o valor demonstrado pelo laudo, bem como tributados em outros anos. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10140.000173/200176 Acórdão n.º 920201.921 CSRFT2 Fl. 193 3 Na impossibilidade do contribuinte juntar novo laudo, “in dúbio pro réu”, devendo ser mantido o VTN consoante declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 166/173, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 30130.275 e 20304.684, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, uma vez imporem que, para fins revisão do VTN, o Laudo Técnico deverá obedecer às regras da ABNT e ser acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, devidamente registrado no CREA, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida, a qual admitiu Laudo sem ART. Em defesa de sua pretensão, infere que o Acórdão recorrido, igualmente, malfere a jurisprudência deste Colegiado, representada pelo paradigma de n° 30130.275, bem como a própria Súmula CARF n° 23, a qual exige Laudo que se reporte à época do fato gerador em discussão. Neste sentido, assevera que, ao revés do entendimento esposado no Acórdão guerreado, o Laudo apresentado pelo contribuinte, referente ao exercício de 1997, não se presta a infirmar o VTN arbitrado pela fiscalização relativamente ao exercício de 1995, impondo seja reformado o decisum recorrido, sob pena de afronta à Súmula do CARF, de observância obrigatória pelos julgadores deste Colegiado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno. Defende que o Laudo de Avaliação constante dos autos, além de não estar acompanhado da respectiva anotação de responsabilidade técnica junto ao CREA da região, não se encontra revestido de todas as formalidades legais que a legislação de regência impõe, sobretudo em relação às normas prescritas na NBR 8.799/85, desatendendo, portanto, os requisitos mínimos da ABNT. Contrapõese ao Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que o nobre subscritor do voto condutor, deixou de observar que o Laudo de Avaliação colacionado aos autos pelo contribuinte não demonstrou a escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação; a homogeneização dos elementos pesquisados, de acordo com o nível de precisão da avaliação; a pesquisa de valores, abrangendo avaliações e/ou estimativas anteriores, produtividade das explorações, transações e ofertas, bem como outros fatores que implicariam em um Valor da Terra Nua diferente do adotado pela fiscalização. Assim, conclui que o Laudo de Avaliação não tem o condão de modificar o VTN tributado, conforme se extrai da legislação de regência e jurisprudência administrativa transcrita na peça recursal. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 21010134/2010, às fls. 181. Instado se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 185/188, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que o Laudo carreado aos autos pelo contribuinte não se presta a justificar a modificação do VTN relativo ao imóvel de sua propriedade para fins de apuração do ITR devido. A fazer prevalecer seu entendimento, pontuou a fundamentação de seu recurso na evidência de julgamento contrário a jurisprudência administrativa, consolidada na Súmula Vinculante n° 23 do CARF, a qual impõe que o contribuinte deverá apresentar Laudo em consonância com os requisitos essenciais à sua validade, especialmente acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, bem como ser pertinente à época da ocorrência do fato gerador. Em defesa de sua pretensão, assevera que o decisum recorrido, ao acolher Laudo relativo ao exercício de 1997, desacompanhado da devida ART e desprovido das formalidades intrínsecas exigidas para referido documento, malferiu flagrantemente os Acórdãos n°s 30130.275 e 20304.684, ora adotados como paradigmas, além da Súmula do CARF retromencionada. Por sua vez, o voto condutor Acórdão atacado, pelo que se vislumbra de seu bojo, acolheu a tese do contribuinte e concluiu que o Laudo apresentado, em que pese se referir a exercício distinto do objeto da presente demanda e estar desprovido da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, associado ao conjunto probatório constante dos autos, especialmente à discrepância entre os VTN’s do ano anterior e subsequente ao sob análise, e à demonstração da impossibilidade de apresentação de outro Laudo pertinente à época do fato gerador, seria capaz de oferecer proteção ao pleito do autuado, razão pela qual deuse provimento ao recurso voluntário, de maneira a acolher o VTN por ele pretendido. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10140.000173/200176 Acórdão n.º 920201.921 CSRFT2 Fl. 194 5 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da prestabilidade do Laudo apresentado pelo contribuinte, associado com os demais elementos de prova colacionados ao processo, para fins de revisão do Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela fiscalização, mormente em confrontação com a jurisprudência administrativa transcrita na peça recursal e, bem assim, Súmula CARF n° 23. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, encontrando guarida na farta e mansa jurisprudência deste Eg. Conselho. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido, inobstante as sempre bem fundamentadas razões de direito do ilustre Conselheiro relator, apresentase em descompasso com o entendimento consolidado neste Colegiado e dispositivos legais que disciplinam a matéria, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 3º, § 4°, da Lei nº 8.847/94, vigente à época, que assim estabelecem: “Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. § 1º O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I Construções, instalações e benfeitorias; II Culturas permanentes e temporárias; III Pastagens cultivadas e melhoradas; IV Florestas plantadas. § 2º O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. § 3º O VTN aceito será convertido em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) pelo valor desta no mês de janeiro do exercício da ocorrência do fato gerador. § 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte.” (grifamos) Extraise da norma legal encimada que o Valor da Terra Nua mínimo – VTNm será estabelecido pela Receita Federal do Brasil, após os devidos procedimentos e pesquisas para se aferir aludido valor. Por sua vez, o contribuinte poderá se insurgir ao valor arbitrado pelo Fisco, devendo, porém, apresentar os documentos necessários a comprovar as bases por ele pretendidas. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 6 Na esteira do dispositivo legal retro, a revisão do VTN por parte da autoridade fiscal fica condicionada à apresentação de Laudo emitido por profissional habilitado e acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, além da necessidade de alinhavarse com as normas procedimentais mínimas ditadas pela ABNT, mais especificadamente aquelas relativas à avaliação de imóveis rurais. Outro não é o entendimento levado a efeito por este Conselho Administrativo, ao tratar da matéria, como se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ITR/94. VALOR DA TERRA NUA VTNm. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REVISÃO. O laudo técnico de avaliação para que tenha validade e produza efeitos pretendidos através da revisão do VTNm, além de ser elaborado por profissional habilitado e acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, deve revestirse de formalidades e exigências técnicas mínimas, que corroborem para a sua eficácia, não devendo limitarse a ser um mero documento informativo. A base de cálculo do imposto é o valor da terra nua – VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. A data registrada no laudo técnico o torna inservível, por encontrarse em desacordo com a lei de regência sobre a matéria. Recurso especial provido.” (3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 325.167 – Acórdão nº CSRF/0304.255 – Sessão de 21/02/2005) (grifamos) “TR – EXERCÍCIO 1994. VALOR DA TERRA NUA. A revisão do VTN mínimo é condicionada à apresentação de laudo técnico de acordo com as exigências legais, especialmente as referentes ao valor e às fontes de sua pesquisa. JUROS DE MORA Os juros de mora têm caráter compensatório e são exigidos pela não disponibilização do valor devido à Fazenda Pública. Sua fluência só se interrompe se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário considerado devido. MULTA DE MORA Nos lançamentos de ITR em que não exista a obrigação de antecipação do imposto, havendo impugnação, a multa de mora só é cabível após o vencimento do prazo de intimação de decisão final administrativa. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR UNANIMIDADE” (1a Câmara do 3o Conselho – Recurso nº 326.064, Acórdão nº 30130761, Sessão de 11/09/2003) “ITR/95. VTN. REVISÃO. LAUDO. PROVA INSUFICIENTE. Laudo Técnico de Avaliação que não atenda às exigências legais, especialmente as relativas à pesquisa e comprovação das fontes, é prova insuficiente para a revisão do lançamento em que se adotou o VTNm. CNA. LEGALIDADE. As contribuições lançadas com o ITR têm natureza tributária e fundamento nos art. 149 e 8º, inc. V, parte final, da CF/88, e art. 10, § 2 º do Ato das Disposições Constitucionais transitórias. MULTA DE MORA. A multa de mora só é exigível, na vigência da Lei 8.847/94, após a constituição definitiva do crédito tributário. JUROS DE MORA. A fluência dos juros de mora só é interrompida se a impugnação for acompanhada do depósito integral do crédito tributário contestado. Recurso parcialmente provido por unanimidade.” (1a Câmara do 3o Conselho – Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10140.000173/200176 Acórdão n.º 920201.921 CSRFT2 Fl. 195 7 Recurso nº 322.872, Acórdão nº 30130534, Sessão de 25/02/2003) Com mais especificidade, contemplando os exercícios de 1994 a 1996, a jurisprudência administrativa fora consolidada na Súmula CARF n° 23, com o seguinte Enunciado: “Súmula CARF nº 23: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas.” Constatamse da legislação de regência, jurisprudência e, principalmente, da Súmula CARF acima transcrita, as formalidades necessárias à validade do Laudo Técnico a ser emitido com a finalidade de revisar o VTNm presumido para cada região. Na hipótese dos autos, afora as questões do conteúdo do Laudo Técnico, que no entendimento da Procuradoria, igualmente, não foram observadas, nos fixaremos em confrontar dois requisitos básicos exigidos para conferir validade ao documento em debate. De início, basta uma simples análise do Laudo Técnico de fls. 08/17, para verificar estar desprovido da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, pressuposto uníssono para atribuição da força probante ao Laudo, na forma que a jurisprudência administrativa contempla de maneira remansosa. Aliás, o próprio Relator do Acórdão recorrido confirma tal constatação em Despacho de fls. 156/160, que rejeitou os Embargos opostos pela Fazenda Nacional. Não bastasse isso, com a finalidade de espancar qualquer dúvida em relação à matéria, mister destacar que o Lauto Técnico ofertado pelo contribuinte data de Novembro de 1997, ou seja, não se reporta à época do fato gerador do tributo lançado, requisito entabulado na Súmula CARF n° 23. E, de conformidade com o artigo 72, § 4º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas são resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, e de aplicação obrigatória por este Conselho, inexistindo razão para maiores discussões nos presentes autos, in verbis: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 8 Diante dos fatos acima elencados, inobstante sensibilizar e conferir certa plausibilidade nos fundamentos utilizados como esteio ao voto condutor do Acórdão recorrido, notadamente em relação à discrepância dos VTN’s dos anos anterior e posterior, c/c com a impossibilidade de se apresentar Laudo pertinente ao fato gerador em debate, o certo é que tais fatos não passam de meros indícios, os quais não são suficientemente capazes de afastar o VTNm presumido pelo Fisco, nos termos da legislação de regência e na linha da jurisprudência administrativa. Destarte, perfunctória análise das normas legais que regulamentam o tema, bem como da Súmula CARF n° 23, nos conduz a conclusão de que a prova a ser admitida para revisão do VTNm presumido não é a indiciária, escorada em simples presunções. A rigor, o próprio nobre Relator do Acórdão guerreado compartilhou com esse entendimento ao converter o julgamento em diligência, conforme Resolução n° 303 01.311, às fls. 95/102, datada de 23/05/2007, ao assim se manifestar: “[...] Ressaltese, entretanto, que a revisão do lançamento precisa encontrar respaldo em prova categórica, a fim de que seja reconhecido eventual erro cometido pela autoridade administrativa, sendo vedado a esta agir por mera presunção. [...]” Partindo dessas premissas, o fundamento utilizado como esteio ao Acórdão recorrido (indício de incorreção do VTNm), em verdade, oferece guarida à pretensão da Fazenda Nacional, uma vez que a possibilidade concedida ao contribuinte de se contrapor ao VTN admitido pela fiscalização, somente terá validade quando arrimada em prova hábil e idônea, em observância aos pressupostos legais que regem o tema, o que não se vislumbra na hipótese vertente. Em outras palavras, inobstante o esforço despendido, o contribuinte não logrou se desincumbir do ônus de comprovar o contrário presumido, em contraposição ao Valor da Terra Nua mínimo arbitrado pelo Fisco para Região do imóvel rural. Nessa linha de raciocínio, resta claro que o v. Acórdão recorrido decidiu a questão em contrariedade à mansa e pacífica jurisprudência administrativa trazida à colação, corroborada pela Súmula CARF n° 23, bem como à legislação de regência, uma vez admitir para revisão do VTNm Laudo Técnico desacompanhado da devida ART e pertinente a outro exercício, merecendo, portanto, o devido reparo no sentido de acolher o pleito da Fazenda Nacional. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, restabelecendo a exigência fiscal nos termos da peça vestibular do feito, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10140.000173/200176 Acórdão n.º 920201.921 CSRFT2 Fl. 196 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903182/2009-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP Eletrônica De Pagamento A Maior Ou Indevido.
Período de Apuração: 01.11.2000 a 30.11.2000
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Ementa: DCOMP. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS.
Pedido de compensação transmitido antes da decisão judicial não surte
efeitos jurídicos, implica na inexistência do reconhecimento do direito
creditório.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.229
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: DCOMP Eletrônica De Pagamento A Maior Ou Indevido. Período de Apuração: 01.11.2000 a 30.11.2000 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ementa: DCOMP. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS. Pedido de compensação transmitido antes da decisão judicial não surte efeitos jurídicos, implica na inexistência do reconhecimento do direito creditório. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve o indeferimento de compensação de crédito tributário decorrente de pagamento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, período de apuração de novembro de 2000, com débito do IRPJ, conforme se extrai do Despacho Decisório. Narra à peça inicial que a contribuinte ajuizou ação perante a 1ª Vara da Justiça Federal de Piracicaba – SP visando à declaração de ilegalidade do aumento da alíquota de 2% para 3% e a incidência sobre outras receitas auferidas além do faturamento, pleiteando também a restituição dos valores recolhidos em razão da majoração e ampliação da base de cálculo nos molde da Lei nº 9.718/98. Ação judicial perante a Primeira Vara tomou o número 2000.61.09.0026744, cuja sentença prolatada em 22 de setembro de 2004 lhe foi desfavorável. No entanto, em grau de recurso de apelação obteve êxito, cujos autos perante o Egrégio Tribunal Federal tomou o número 2002674.35.2000.4.03.6109, transitando em julgado em 17 de novembro de 2008. A DCOMP teria sido transmitida em 25 de janeiro de 2006 objetivando compensar possível crédito relativo ao pagamento a maior do que o fato gerador do período de apuração de 01 a 30.11.2000. A Recorrente informou que teria cometido lapso em deixar de informar a origem do crédito, que esse decorria de decisão judicial. Cuidou, a título de prova, trazer à colação cópia da inicial, da sentença e da decisão do recurso de apelação, assim como, informação extraída do sitio do Tribunal Regional informando a data da baixa definitiva dos autos. O indeferimento deuse em razão de ausência de prova da certeza e liquidez dos créditos tributários, e, o fato de ter sido pleiteado antes do transito em julgado da decisão judicial, tomando como data da solicitação a transmissão da DCOMP, que ocorreu em 28.11.2005, quando o transito em julgado só teria acontecido em 17 de novembro de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e encontra atendidos os demais pressupostos necessários ao conhecimento. A irresignação da contribuinte encontra fulcrada na negativa do direito de compensar crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903182/200922 Acórdão n.º 340301.229 S3C4T3 Fl. 2 3 Restou evidente que a solicitação da restituição e compensação ocorreu antes da prolatação da sentença, que só ocorreu em 17 de novembro de 2005 indeferindo o pleito, êxito com a decisão do Tribunal Federal em março de 2007, bem como, pela ausência de prova em relação à certeza e liquidez dos créditos tributários. O direito relativo ao recolhimento a maior teria decorrido da ampliação da base de cálculo, o que restou reconhecido pelo Poder Judiciário tempos depois da transmissão do pedido de compensação. De modo que, a DCOMP teria sido transmitida antes da decisão judicial que veio a beneficiar a Recorrente. No caso em exame o pedido de compensação ocorreu antes da sentença, se o pedido de compensação tivesse como fonte a decisão judicial, a compensação de indébito antes do trânsito em julgado da decisão judicial comporta duas análises. A compensação de créditos depende de solicitação por meio próprio, DCOMP. A extinção de crédito que advém da compensação está prevista no Código Tributário Nacional – CTN, pelo seu art. 156, II, tendo tal possibilidade detalhada no art. 170 do mesmo diploma legal, nos seguintes termos: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Em 1996 foi editada a Lei n. 9.430, estabelecendo em seus arts. 73 e 74: “Art. 73”. Para efeito do disposto no artigo 7º do Decretolei n. 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretária da Receita Federal, observado o seguinte: I – o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II – a parcela utilizada para a quitação do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74 – Observado o disposto no artigo anterior, a Secretária da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. ”(negrito acrescido)”. Com a instituição da Dcomp, tornouse o instrumento legal para que se registrassem as compensações efetuadas pelo contribuinte, passando a ser exatamente as Declarações de Compensação (Dcomp), nos termos do art. 21, parágrafo 1º, da IN SRF 210/2002: “Art. 21 – O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de Fl. 97DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. Parágrafo 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da “Declaração de Compensação”. Segundo a doutrina o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Pela sistemática vigente é dispensável procedimento administrativo prévio, ficando a iniciativa e realização de compensação sob a responsabilidade do contribuinte, sujeito o controle posterior do fisco. Portanto, cabe ao contribuinte a apuração e realização da compensação, submetendose a posterior fiscalização. No entanto, no caso deste caderno processual administrativo, a sentença reconhecendo o direito creditório só aconteceu muito tempo depois do pedido de compensação ter sido transmitido, o que implica em reconhecer que no momento da transmissão da DCOMP não existia qualquer crédito que se pretendia compensar com débito próprios. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Com razão a Administração em não reconhecer o referido crédito. AUSÊNCIA DE PROVA. O deferimento da compensação também deuse em decorrência da ausência da demonstração cabal da exitência do crédito que se desejava compensar. Examinando os autos verifico que a Interessada deixou de trazer à colação prova conclusiva dos créditos que pretende ver compensados. A cópia da inicial, da sentença e demonstração do transito julgado, não configura documento hábil para aferir a certeza e a liquidez do indébito. Exigese demonstração real da existência do crédito no sentido de aquilatar a certeza e a liquidez, é preciso proporcionar meios capaz de permitir Autoridade Administrativa examinar em toda a sua extensão se o pleito atende esses dois pressupostos essenciais, inexistindo comprovação, impõe em negar o direito de compensação. No caso dos autos constando que a contribuinte apresentou a DCOMP, e, estabelecido o contraditório em razão da negativa, se fazia necessário que a Interessada demonstrasse a origem dos créditos que visava a restituição ou compensação, pois o Fl. 98DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903182/200922 Acórdão n.º 340301.229 S3C4T3 Fl. 3 5 reconhecimento do direito em si só foi reconhecido judicialmente muito tempo após a transmissão do pedido de compensação. Nesse caso a incumbência da prova passou a ser da Recorrente, deixando de fazela, obstacularizou a Administração Pública em aferir o quanto e a certeza do crédito, motivo pelo qual deve deixar de reconhecer o direito creditório do contribuinte, direito esse reservado ao fisco. Do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 99DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10640.004185/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366,
sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055,
sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824,
sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697,
sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação
de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; e houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; e houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie. Recurso negado.
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HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102 001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; e houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 153DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte LUIZ FERNANDO GERVASON MACEDO, CPF/MF nº 019.186.48620, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 25/08/2008, auto de infração (fls. 16 e seguintes), com ciência postal em 1º/09/2008 (fl. 118). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.442,87 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.582,15 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, no ano calendário 2003, com a seguinte motivação (fls. 18 e 19), verbis: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ ********27.065,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) 1.Através do Termo n° 205/2008, o contribuinte foi intimado a comprovar a efetividade da prestação dos serviços informados em sua declaração a titulo de despesas médicas, mediante a apresentação de fichas ou laudos médicos, hospitalares, odontológicos ou assemelhados e/ou outro meio de prova disponível, bem como a efetividade da entrega dos recursos despendidos para este fim, através de documentação bancária (cópia de cheques nominais microfilmados, extratos bancários em que constem saques com compatibilidade de datas e valores, ordens de pagamento ou transferências eletrônicas), declarados como pagos a: Vanda Fernandes Queiroz, dentista (R$5.085,00), Daniela Martins de Oliveira, fisioterapeuta (R$5.800,00), Maria Aparecida Araújo, psicoterapeuta (R$3.200,00), Marcia Mathias de Miranda, psicoterapeuta (R$2.900,00), Carlos Lemes, dentista (R$2.580,00) e Alice Matilde Malatesta (R$7.500,00). 2.No entanto, além de não comprovar a efetiva prestação dos serviços nem os respectivos pagamentos através da documentação mencionada no item 1, o Sr. Luiz Fernando Gervason de Macedo, em resposta ao citado Termo de Intimação (cópia anexa ao dossiê), omitiu qualquer referência aos serviços Fl. 154DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004185/200813 Acórdão n.º 210201.467 S2C1T2 Fl. 2 3 médicos utilizados como dedução em sua Declaração Anual do AnoCalendário de 2003. 3.Ressaltese que não foram apresentados os extratos bancários que poderiam comprovar os suposto saques destinados aos pagamentos dos recibos apresentados e nem sequer um único cheque, embora o declarante receba seus rendimentos de pessoas jurídicas, depositados em conta bancária. 4.Diante do exposto, por falta de comprovação do efetivo pagamento, todas as despesas declaradas como pagas aos referidos profissionais, no valor total de R$ 27.065,00, foram glosadas. 5.Vale ainda destacar que o contribuinte deixou de apresentar os recibos correspondentes à Despesa Médica no valor de R$7.500,00, declarada como tendo sido paga a Alice Matilde Malatesta, CPF 497.310.41672, no AnoCalendário de 2003, embora tenha sido convocado a fazêlo, conforme Termo de Intimação n' 205/2008. 6.Tal procedimento encontra guarida no §1º do art. 73 do Decreto n ° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), que determina que se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. O Acórdão 10244.658, de 21/03/2001, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do MF corrobora este entendimento, ao decidir que a autoridade fiscal pode e deve perquerir se os serviços efetivamente foram prestados ao declarante ou a seus dependentes, rejeitando de pronto aqueles que não identificam o pagador, os serviços prestados ou não identificam na forma da lei os prestadores de serviço ou quando esses não são considerados como dedução pela legislação. O documento por si só não autoriza a dedução, mormente quando não há prova efetiva de que os serviços foram prestados. Compulsando os autos, apreendemse os seguintes dados e informações: § declaração e recibos emitidos pela fisioterapeuta Daniela Martins de Oliveira, atestando a prestação de serviços no anocalendário 2003 (fls. 21 a 27); § recibos emitidos pela psicóloga Maria Landim Araújo, nos valores individuais de R$ 1.740,00 e R$ 1.730,00, atestando a prestação de serviço ao contribuinte em todo o ano de 2003 (fl. 28); § recibo e declaração da psicóloga Márcia Mathias de Miranda atestando a prestação de serviço ao contribuinte no último trimestre de 2003 (fls. 29 e 30); § declaração e recibos emitidos pela odontóloga Alice Malatesta, atestando a prestação de serviço no ano de 2003 ao contribuinte (fls. 31 a 33); Fl. 155DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 § troca de emails com o odontólogo Carlos Leme de Sant’ana, com recibos e extratos bancários, estes para identificação dos cheques emitidos em favor do prestador (fls. 34 a 42); § declaração e recibos emitidos pela Odontóloga Vanda Fernandes Queiroz, atestando a prestação de serviço ao contribuinte no ano calendário 2003 (fls. 43 e 44); § Portaria do Ministério da Saúde que defere a aposentação ao fiscalizado, que é médico, por invalidez (fl. 45); § justificativas do contribuinte para os tratamentos acima (fl. 46); § histórico patológico feito pelo contribuinte a respeito de uma hérnia de disco lombar, dirigido à Junta Médica, no ano de 2006 (fls. 47 e seguintes); § exames e atestados médicos que atestam as doenças lombares do fiscalizado (fls. 55 a 62); § o contribuinte ofertou à tributação um montante de rendimentos tributáveis e de outras naturezas – R$ 65.758,48 (fl. 66) + R$ 39.651,26 (fl. 70), pugnando dedução de despesas médicas de R$ 28.512,81 (fl. 66); § justificativa para o pagamento em espécie das despesas, a partir do recebimento de aluguéis em espécie (fl.116). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma de Julgamento da DRJJFA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0932.147, 28 de dezembro de 2010 (fls. 120 e seguintes). A decisão acima restabeleceu parcialmente as despesas com o odontólogo Carlos Leme de Sant’ana, no montante de R$ 1.760,00. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 18/11/2010 (fl. 126). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 15/12/2010 (fl. 127). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que comprovou com documentos hábeis e idôneos as despesas médicas, na forma da legislação de regência da matéria, inclusive desnudando sua privada situação médica, quando trouxe recibos, declarações ratificadoras dos prestadores, exames, atestados médicos e documentos oficiais que atestam sua aposentadoria por invalidez no ano fiscalizado, não havendo qualquer motivação para as glosas perpetradas, pois não há qualquer obrigatoriedade do pagamento de tais despesas via cheques ou documentos bancários, como fez crer as autoridades autuante e julgadora, ou seja, aqui se trata de exigência feita ao arrepio da lei, lembrando que era ônus da autoridade fiscal confrontar com documentos as provas trazidas pelo fiscalizado, o que inocorreu na espécie. Ademais, as despesas são compatíveis com as rendas do contribuinte, que efetivamente incorreu nelas para restabelecer sua saúde, não havendo qualquer razão para rejeitar os recibos e as declarações dos prestadores, sendo as despesas pagas em espécie, não Fl. 156DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004185/200813 Acórdão n.º 210201.467 S2C1T2 Fl. 3 5 havendo, na legislação, qualquer restrição a esse proceder. Insiste que em nenhum momento ficou demonstrada a falsidade dos recibos ou das declarações, ressaltando que máfé não se presume, mas se prova cabalmente. Alfim, pugna pelo restabelecimento das despesas. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 18/11/2010 (fl. 126), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 15/12/2010 (fl. 127), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 20/12/2010, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, aqui no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie. Nas hipóteses acima, a autoridade fiscal pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o pagamento da despesa, com documentação bancária, ou mesmo a efetiva prestação do serviço com documentário médico (receitas, cópias de exames etc.). Especificamente, no caso de profissionais para os quais tenha sido emitida a súmula Fl. 157DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 administrativa de documentação tributariamente ineficaz, a jurisprudência administrativa, inclusive, autoriza a glosa e a exasperação da multa de ofício para o percentual de 150% sobre o imposto lançado (Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício). Apreciando agora o caso concreto, vêse que houve uma glosa de R$ 27.065,00, referente aos profissionais Vanda Fernandes Queiroz, dentista (R$ 5.085,00), Daniela Martins de Oliveira, fisioterapeuta (R$ 5.800,00), Maria Aparecida Araújo, psicoterapeuta (R$ 3.200,00), Marcia Mathias de Miranda, psicoterapeuta (R$ 2.900,00), Carlos Leme, dentista (R$ 2.580,00) e Alice Matilde Malatesta (R$7.500,00), sendo que a decisão recorrida restabeleceu a despesa com o profissional Carlos Leme, pois entendeu comprovado o efetivo pagamento. Efetivamente, causa espécie que, para um rol elevado de profissionais, com despesas expressivas, o contribuinte tenha apenas logrado comprovar o efetivo pagamento da despesa mais modesta, incidindo na segunda das hipóteses antes discriminadas. Outro ponto que chamou a atenção deste julgador foi a elevada proporção entre as despesas médicas declaradas – R$ 28.512,81 (ou mesmo as glosadas – R$ 24.485,00) os rendimentos tributáveis e de outras naturezas – R$ 65.758,48 (fl. 66) + R$ 39.651,26 (fl. 70) –, da ordem de 27% rendimentos tributáveis (ou, consideradas apenas as glosadas, da ordem de 23% dos rendimentos), ou seja, tratase de uma proporção expressiva, a incidir na primeira das hipóteses acima. Com as considerações acima, visto que as despesas são excessivas, vultosas, em sua relevante parte pretensamente pagas em espécie, entendo que as despesas somente podem ser restabelecidas com a efetiva comprovação do efetivo pagamento, como se viu com o profissional Carlos Leme, implicando que agiu com acerto a autoridade fiscal, devendo ser mantida intocável a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 158DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004185/200813 Acórdão n.º 210201.467 S2C1T2 Fl. 4 7 Fl. 159DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000080/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1997 a 30/06/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA.
RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do
contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE.
O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ELEMENTOS CARACTERIZADORES.
Entende-se como cessão de mão de obra a colocação à disposição do
contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE.
Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente
obrigado.
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.325
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 30/06/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ELEMENTOS CARACTERIZADORES. Entende-se como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 514 1 513 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000080/200762 Recurso nº 263.410 Voluntário Acórdão nº 230201.325 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 30/06/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ELEMENTOS CARACTERIZADORES. Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 605DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 606DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 515 3 Relatório Período de apuração: 01/12/1997 a 30/06/1998 Data de lavratura da NFLD : 29/09/2003. Data da Ciência da NFLD : 29/09/2003. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, decorrentes da responsabilidade solidária da empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, pela empresa Ultratec Petróleo Comércio e Serviços Ltda, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 28/31. Informa a Autoridade Lançadora que a empresa contratante, ora recorrente, não logrou comprovar o cumprimento das obrigações da empresa contratada para com a Seguridade Social, eis que não fez prova do recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída nas notas fiscais/faturas correspondentes aos serviços executados. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o responsável solidário apresentou impugnação a fls. 46/52. Por sua vez, a empresa prestadora ofereceu defesa administrativa a fls. 55/62. A Gerência Executiva Rio de Janeiro – Centro lavrou DecisãoNotificação a fls. 222/232, julgando procedente o presente lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Devidamente cientificado da decisão de 1ª Instância, o devedor solidário ofereceu Recurso Voluntário a fls. 244/250. O contribuinte, por seu turno, recorreu da decisão em apreço a fls. 252/258. Decisão da 2ª CaJ, a fls. 315/318, anulou a decisão de 1ª Instância acima referida, fazendo baixar o feito em diligência para que fossem realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias por parte da cedente de mãodeobra, de modo a se certificar da procedência de sua imputação ao responsável solidário. A fiscalização emitiu Relatório Fiscal Aditivo a fls. 345/348. Devidamente cientificada dos procedimentos fiscais levados a efeito, a notificada ofereceu impugnação a fls. 354/361, e o contribuinte a fls. 370/377. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – Rio de Janeiro I lavrou Decisão Administrativa a fl. 390/425, julgando plenamente procedente a lançamento em tela, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 607DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O Sujeito Passivo e a empresa prestadora foram cientificados da decisão de 1ª Instância no dia 27/12/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 426 e 429, respectivamente. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o responsável solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 472/485, e o contribuinte, a fls. 488/499, deduzindo inconformismo em face da decisão guerreada em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Decadência quinquenal do direito da fazenda pública de constituir o crédito tributário em questão; • Que a fiscalização, ignorando que o Acórdão da 2ª CaJ havia anulado a DN nº 17.401.4/606/2004, aditou seu relatório fiscal para ratificar e acrescentar algumas informações, apoiandose no Enunciado nº 30 do CRPS, cuja edição se deu em data posterior à conclusão da questão. Pugna pela irretroatividade do Enunciado nº 30 do CRPS; • Nulidade do lançamento pela ausência dos requisitos mínimos eis que a Notificação Fiscal não fez menção onde estaria caracterizada a responsabilidade solidária do contratante; • Cerceamento de defesa, eis que a NFLD apenas apontou a legislação de forma genérica, sem qualquer critério objetivo e vinculado aos fatos e a norma dita infringida, impossibilitando o Recorrente de exercer, de forma plena, o seu direito ao contraditório e a ampla defesa; • Pugna pela irretroatividade do Enunciado nº 30 do CRPS; • Que houve descumprimento da decisão do CRPS; • Que o Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 determina que a fiscalização lavre apenas uma NFLD, somente contra o efetivo contribuinte (originário) ou contra o responsável solidário; • Que os serviços prestados não foram executados mediante cessão de mão de obra. Aduz que, para a caracterização da cessão de mão de obra é necessário que os serviços sejam contínuos e que os empregados estejam à disposição do contratante; • Que a previsão legal de responsabilidade solidária passiva não confere ao fisco competência para, diretamente, cobrar do devedor solidário o pagamento um crédito ainda não configurado em face do devedor originário. Aduz que não basta somente a existência desse dispositivo legal autorizador para conferir legalidade a essa cobrança, fazendose necessário que a fiscalização verifique, primeiramente, a existência de débitos previdenciários contra o contribuinte originário; quantifique o seu exato montante para constituílos e, então sim e somente após, cobrar esse crédito do responsável solidário; • Que o Art. 195, I, "a" da Constituição da República fixou a base de cálculo da contribuição previdenciária, não estando o legislador infraconstitucional autorizado a determinar novas bases, seja por leis, decretos, simples ordens de serviço ou instruções normativas, sob pena de Fl. 608DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 516 5 violar o principio constitucional da hierarquia das normas. Aduz não haver qualquer cabimento incidir contribuições previdenciárias sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose alíquotas sobre um percentual das notas fiscais. Ao fim, requer a extinção do crédito tributário. A empresa contratada Ultratec Petróleo Comércio e Serviços Ltda , por seu turno, interpôs recurso voluntário a fls. 488/499, concentrando sua irresignação nos termos a seguir: • Decadência quinquenal do direito da fazenda pública de constituir o crédito tributário em questão; • Que a fiscalização, ignorando que o Acórdão da 2ª CaJ havia anulado a DN nº 17.401.4/606/2004, aditou seu relatório fiscal para ratificar e acrescentar algumas informações, apoiandose no Enunciado nº 30 do CRPS, cuja edição se deu em data posterior à conclusão da questão. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 609DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 25/01/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. A empresa prestadora, por seu turno, tomou ciência da decisão de 1ª instância no mesmo dia 27/12/2007, quintafeira, consoante Aviso de Recebimento a fl. 429, iniciando se pois o decurso do prazo recursal na sextafeira seguinte imediata, digase, 28/12/2007. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria no sábado, 26 de janeiro de 2008, sendo portanto o prazo recursal prorrogado até o primeiro dia útil seguinte, in casu, a segundafeira, 28 de janeiro de 2008, inclusive. Sendo certo que, no caso de solidariedade, os prazos somente são contados a partir da ciência da intimação do último coobrigado, e que as ciências do sujeito passivo e do devedor solidário se deram igualmente no dia 27/12/2007, cumpre reconhecer que tal evento marca, para todos os efeitos jurídicos, o dia 28 de janeiro de 2008 como o dies a quo do trintídio para o oferecimento de recurso voluntário no vertente processo. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário oferecido pela empresa prestadora protocolizado no dia 31 de janeiro de 2008, conforme resta consignado no Carimbo de Protocolo a fl. 488, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente haver sido cerceado o seu direito constitucional à ampla defesa, em razão de a NFLD ter, apenas, apontado a legislação de forma genérica, sem qualquer critério objetivo e vinculado aos fatos e a norma dita infringida, impossibilitando o exercício do o seu direito ao contraditório e a ampla defesa. Aduz, em ádito, que a Notificação Fiscal não fez menção onde estaria caracterizada a responsabilidade solidária do contratante. A rogativa do Recorrente não merece acolhida. Fl. 610DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 517 7 A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu o discrimen entre as obrigações definidas como principais e aquelas conceituadas como acessórias, estas decorrentes da legislação tributária, assim entendidas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, ostentando por objeto tal espécie de obrigação tributária as prestações, positivas ou negativas, fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O marco primitivo da fundamentação legal em que se sustentam as obrigações tributárias estabelece, outrossim, que a ocorrência de violação a qualquer obrigação acessória tem natureza objetiva, sendo bastante e suficiente para a sua caracterização a mera inobservância de seus preceitos. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura da presente NFLD, estabeleceu que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento Fl. 611DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Malgrado a norma legal acima transcrita se refira expressamente ao descumprimento de obrigação principal, o mesmo esmero na discriminação clara e precisa dos fatos geradores e dos períodos a que se referem deve ser observado em relação ao descumprimento de obrigação acessória, em atenção ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. No presente caso, mediante a lavratura da NFLD nº 35.605.8999 foi efetuado lançamento tributário de contribuições previdenciárias decorrentes da solidariedade da empresa contratante com o prestador de serviços executados mediante cessão de mão de obra, prestados pela empresa Ultratec Petróleo Comércio e Serviços Ltda. A imputação do lançamento diretamente em nome do responsável solidário decorreu do fato de a empresa contratante, ora recorrente, não ter logrado comprovar o cumprimento das obrigações da empresa contratada para com a Seguridade Social, eis que não fez prova do recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluídas nas notas fiscais/faturas correspondentes aos serviços executados. Todas as informações postadas no parágrafo precedente encontramse devidamente relatadas no Relatório Fiscal, a fls. 28/31, em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem, conforme assim se depreende: 5 Foi verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratou com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços mediante cessão de mãode obra, em cumprimento ao(s) contrato(s) n°: 101.2.019.926, cujo(s) objeto(s) era(m): Operação com nitrogênio liquido e/ou flexitubo. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigações da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados atacados no serviço. 11 A empresa contratante deixou de apresentar os seguintes documentos: Contrato de Prestação de Serviço; Cópia de Guias de Recolhimento (GRPS) e respectivas Folhas de Pagamento da Prestadora de Serviço. Fl. 612DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 518 9 12 Os dados para o presente levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Boletins de Medição de Serviço e Notas Fiscais de Serviço. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 04/06, de forma discriminada por rubricas, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência e estabelecimento, de molde que suas correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 10/12 o qual descreve, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias e à responsabilidade solidária do contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Malgrado as alegações apostas nesta preliminar de mérito, a empresa demonstrou, tanto em sua impugnação ao lançamento como no recurso em face da decisão de primeira instância, ter compreendido como perfeição os motivos ensejadores da vertente notificação de lançamento. Com efeito, os Diplomas Jurídicos e os preceitos normativos sobre os quais se alicerça a exação ora atacada foram enfrentados pelo Recorrente com precisão cirúrgica, da mesma forma que o fora a descrição dos fatos jurígenos tributários apurados pelo fisco, não se vislumbrando nos instrumentos de bloqueio acima delineados qualquer argumentação desvinculada ou alheia ao lançamento que tornasse verossímil a alegação de que, concretamente, houve por cerceado o direito de defesa do sujeito passivo recorrente, fato que revela terem os relatórios fiscais integrantes deste Processo Administrativo Fiscal cumprido fielmente o papel que lhe fora atribuído pela lei. Não há, portanto, qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. Como visto, verificase que a Notificação Fiscal em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária principal Fl. 613DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 violada, os fatos jurígenos não adimplidos, a subsunção à hipótese legal de responsabilidade solidária, a composição pecuniária das bases de cálculo, obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao notificado. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa assim arguida, razão pela qual impende repelir peremptoriamente tal preliminar, tão veementemente sustentada pelo Recorrente. 2.2. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 614DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 519 11 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 29 de setembro de 2003, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/1997, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, considerando que a vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD promoveu o lançamento tributário relativo a fatos geradores ocorridos nas competências de dezembro de 1997 a junho de 1998, fácil é concluir que não foram atingidas pela fluência do prazo decadencial quaisquer das obrigações tributárias objeto do presente lançamento. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Alega o Recorrente que a previsão legal de responsabilidade solidária passiva não confere ao fisco competência para, diretamente, cobrar do devedor solidário o pagamento um crédito ainda não configurado em face do devedor originário. Aduz que não basta somente a existência desse dispositivo legal autorizador para conferir legalidade a essa cobrança, fazendose necessário que a fiscalização verifique, primeiramente, a existência de débitos previdenciários contra o contribuinte originário; quantifique o seu exato montante para constituílos e, então sim e somente após, cobrar esse crédito do responsável solidário. Pondera que o Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 determina que a fiscalização lavre apenas uma NFLD, somente contra o efetivo contribuinte ou contra o responsável solidário. Fl. 615DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 A razão não sorri ao Recorrente. Mostrase virtuoso, de antemão, enveredar sobre algumas digressões acerca do instituto da solidariedade no ramo do Direito Previdenciário. A pedra fundamental sobre a qual se edifica a doutrina atinente à responsabilidade solidária encontrase assentada na Constituição Federal de 1988, cujo art. 146, topograficamente inserido no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, fixou a competência da lei complementar para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente, dentre outros, sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários, e contribuintes, conforme se vos segue: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Bailando em sintonia com os tons alvissareiros orquestrados pelo Constituinte Originário, sob a batuta do seu regente Ulisses Guimarães, o art. 121 do CTN, em performance pa de deux normativa harmônica com o regramento acima ponteado, ao escolher os atores da obrigação tributária principal, reservou o papel do sujeito passivo à figura do contribuinte ou, a critério da lei, do responsável tributário. Código Tributário Nacional Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Imerso em tal contexto constitucional, o instituto da solidariedade alicerçou suas sapatas de escoramento no art. 124 do CTN, o qual reconheceu a existências de duas modalidades de solidariedade aplicáveis ao direito tributário, a saber, a solidariedade de fato, verificada entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e a solidariedade legal, a qual se avulta nas hipóteses taxativamente previstas na lei. Código Tributário Nacional CTN Fl. 616DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 520 13 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Em ambos os casos acima ponteados, o CTN honrou estatuir que o instituto da solidariedade tributária não se confunde com o da subsidiariedade, eis que excluiu expressamente, de maneira peremptória, o beneficio de ordem. No plano infraconstitucional, no ramo do direito previdenciário, a matéria sob foco foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 31, na redação que lhe fora outorgada pela Lei nº 9.032/95, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, com o executor do labor, pelas obrigações tributárias legais, em relação estrita aos serviços prestados, enfatizando, até de forma desnecessária, eis que já prevista no CTN, a não incidência, em nenhuma hipótese, do benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (grifos nossos) §1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. §2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). §3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). (grifos nossos) Fl. 617DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 §4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Sem ultrapassar os umbrais que lhe foram erguidos pelo CTN, a Lei nº 8.212/91 estatuiu, sem vias laterais de escape, que a responsabilidade solidária em realce somente seria elidida na exclusiva hipótese em que o executor dos serviços comprovasse o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Mas não parou por aí o Legislador Ordinário. Disse mais. Sem deixar margens a dúvidas, a lei pavimentou o caminho a ser seguido pelos contratante e contratado na persecução da elisão em tela, ao impor à empresa cedente de mão de obra o dever jurídico tributário de elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas e individualizadas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Inúteis se revelam, portanto, qualquer outro meio diverso, eventualmente engendrado pelos atores em foco, contribuinte e responsável solidário, para se elidir do instituto da solidariedade ora em apreciação, eis que a lei define, de maneira cristalina, ser aquela a única hipótese aceitável para que se proceda à elisão tributária em realce. Nesse panorama, verificando o auditor fiscal a ocorrência de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela lei, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre prestador e tomador, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a eleição do sujeito passivo a figurar no polo passivo da obrigação tributária, na ocasião do lançamento, é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, consoante dessai das letras que conformam o art. 142 do codex: Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 618DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 521 15 A solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia que colima, como objetivo precípuo, assegurar a arrecadação e a auxiliar a administração tributária na satisfação de seus interesses. Conferese dessarte, poder ao Fisco de exercer sua ação fiscalizatória diretamente sobre aquele que melhor lhe aprouver, pautandose, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. O Instituto da solidariedade justificase, portanto, pelo propósito de resguardar o adimplemento do crédito tributário, criando mecanismos para que o Estado Arrecadador possa indicar, com exclusividade, em face de quem promoverá o lançamento tributário, não havendo que se falar em benefício de ordem e nem em condições para o exercício desse direito, que não estejam previstas em lei. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 31, culminou por atribuir ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas prestadoras dessa modalidade de serviços, fazendo com que aquele exija deste cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Não se mostra despiciendo salientar que as obrigações acessórias têm por objeto prestações, positivas ou negativas, estabelecidas pela legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, a teor do art. 113, §2º do CTN. Nessa perspectiva, da fiel observância das obrigações assim impostas pela solidariedade resulta que tanto a cedente de mão de obra quanto a tomadora passam a ter, à sua disposição, toda a documentação indispensável e necessária para fiscalização sindicar, pelos meios ordinários, o efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias referentes aos serviços assim contratados. Com efeito, o arcabouço normativo dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Nesse particular, como fruto do mecanismo fiscalizatório da solidariedade, a empresa tomadora passa a dispor da folha de pagamento dos trabalhadores cedidos e as GPS correspondentes, situação que somente não ocorrerá caso a contratante se descuide da obrigação acessória em realce, explicitamente imposta pela lei. Tal inobservância frustra os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, obrigandoos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos destacados no parágrafo precedente, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, etc. Como consequência, nas ocasiões em que o conhecimento fiel da ocorrência de fatos jurígenos tributários e/ou do montante tributável a eles associado não for viável pelo exame direto dos documentos específicos ad hoc indicados pela lei, o ordenamento jurídico admite e legitima o emprego excepcional da aferição indireta da base de cálculo, transferindo Fl. 619DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 se para os ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrário, conforme previsão taxativa expressa no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Salientese que o próprio CTN prevê a prerrogativa do agente fiscal de arbitrar, mediante processo regular de aferição indireta, o valor ou preço de bens, direitos, serviços e atos jurídicos, sempre que estes sejam tomados por base para o cálculo do tributo, e sejam omissas, ou não mereçam fé, as declarações ou esclarecimentos prestados ou documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 620DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 522 17 Registrese que o poder conferido pela lei ao contratante de exigir do prestador de serviços executados mediante cessão de mão de obra cópias autenticadas das folhas de pagamento e das guias de recolhimento acima pontuadas não se consubstancia numa mera faculdade do tomador, mas, sim, num ônus que lhe é avesso, o qual lhe assegurará a elisão da comentada responsabilidade solidária. Diante de tal cenário jurídico, revelamse órfãs de embasamento jurídico as alegações de que “a previsão legal de responsabilidade solidária passiva não confere ao fisco competência para, diretamente, cobrar do devedor solidário o pagamento um crédito ainda não configurado em face do devedor originário”, ou de que seria “necessário que a fiscalização verifique, primeiramente, a existência de débitos previdenciários contra o contribuinte originário; quantifique o seu exato montante para constituílos e, então sim e somente após, cobrar esse crédito do responsável solidário”. Isso porque tanto a Lei de Custeio da Seguridade Social quanto o próprio CTN estatuíram, com clareza solar, que a solidariedade tributária não comporta o benefício de ordem. Com efeito, sob a ótica da garantia, da eficiência e da agilidade da atuação da Administração Tributária na recuperação de créditos previdenciários, exigirse a fiscalização conjunta do tomador e do cedente de mão de obra ou o lançamento primeiramente em face deste e, subsidiariamente, em face daquele, configurase como um contrassenso, esvaziando por completo o sentido teleológico do instituto em análise, tornandoo inócuo. De outro eito, sob a ótica legal, tal procedimento representaria negativa de vigência aos preceitos inscritos no art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pelas leis nº 9.032/95 e 9.528/97, ferindo os mais comezinhos princípios de Direito. Tal compreensão não se atrita com as orientações pautadas no Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000, tão veementemente defendido pelo Recorrente, de cuja redação deflui não haver impedimentos legais para se constituir o crédito tributário tanto em face do contribuinte, como em desfavor do responsável tributário, conforme se depreende dos excertos transcritos a seguir, para uma perfeita compreensão de seus fundamentos. Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 (...) 10. No caso em tela, com a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder o lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário, obviamente, pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário. Pode ser feito em relação ao contribuinte e depois em relação ao responsável, ou ainda, somente em função do responsável tributário. 11. Isto porque o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Cabe, portanto, ao credor escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E obviamente poderá fazêlo em relação a todos os co obrigados, ou em relação a apenas um deles. (grifos nossos) 12. Havendo responsabilidade solidária, o INSS deve cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Deve negar a expedição de CND para os dois e deve Fl. 621DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 inscrever o nome de um e do outro no cadastro de inadimplentes, pois ambos são responsáveis solidários pelo valor total da obrigação. 13. Por outro lado, a lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação à mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Por outro lado, pode ainda ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Pode ainda constituir um crédito contra o responsável e um outro contra o contribuinte, pois o crédito tributário não se confunde com a obrigação tributária que, neste caso, será sempre a mesma. 14. O que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada, ou seja, se um dos sujeitos passivos do tributo extinguir a obrigação pelo pagamento ou se ocorrer uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo. 15. Vejase, portanto, que sobre uma mesma obrigação tributária podem existir diversos créditos tributários, sem que com isso se possa afirmar que esteja havendo bis in idem. Este só ocorreria se houvesse duplicidade de pagamento. Até a ocorrência deste, ou a negociação da dívida, através de um contrato de parcelamento, por exemplo, não há que se falar em bis in idem. 16. Desta forma, temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. 17. Nos casos de responsabilidade solidária, o credor pode escolher, dentre os coresponsáveis solidários, contra quem irá exigir a satisfação da obrigação. A escolha de um deles não exclui a responsabilidade dos demais até mesmo quando a Certidão de Dívida Ativa não contempla o nome do responsável tributário. Nestes casos, a Jurisprudência vem admitindo que a execução fiscal seja direcionada ao responsável, mesmo quando o nome deste não esteja na CDA. 18. Vejamos a propósito o seguinte precedente do Eg. Superior Tribunal de Justiça: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE FRAUDE À EXECUÇÃO CARACTERIZAÇÃO. Sóciogerente que dissolve irregularmente a sociedade, deixando de recolher os tributos devidos, infringe a lei e se torna responsável pela dívida da empresa. Mesmo não constando da CDA o nome dos diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado, podem ser citados, e ter seus bens penhorados para o pagamento de dívidas da sociedade da qual eram sócios. Fl. 622DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 523 19 Para a caracterização da fraude à execução basta que a alienação seja posterior à existência de pedido de executivo despachado pelo juiz, não sendo necessária e efetivação da citação. (STJ, 1ª Turma, REsp 193226/SP, Relator Min. GARCIA VIEIRA, julgado em 14.12.1998, publicado no DJ de 08.03.1999). 19. Portanto, não há "bis in idem". O que há é a possibilidade, para o credor, de escolher, dentre os devedores solidários, contra qual deles irá forçar o cumprimento da obrigação tributária. Esta cobrança, portanto, pode se dar em relação a um dos coobrigados, em relação a todos ou em relação apenas ao responsável. Não há, portanto, nenhuma vedação legal a isso e nem haverá cobrança em duplicidade. Conforme demonstrado, não procede a ponderação arguida pela empresa de que o Parecer CJ/MPAS n° 2.376/2000 determina que a fiscalização lavre apenas uma NFLD, somente contra o efetivo contribuinte ou contra o responsável solidário, conforme se verifica no item 11, in fine, do Parecer acima transcrito. O Egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãode obra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. Fl. 623DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente tópico, podese asselar categoricamente que o procedimento adotado pela fiscalização, consistente no lançamento direto em face do devedor solidário, não se encontra eivado de qualquer vício de legalidade. 3.2. DA NATUREZA DOS SERVIÇOS PRESTADOS Pondera o Recorrente que os serviços por ele prestados não foram executados mediante cessão de mão de obra. Aduz que, para a caracterização da cessão de mão de obra é necessário que os serviços sejam contínuos e que os empregados estejam à disposição do contratante. Tal rogativa não reflete as provas dos autos. O conceito de cessão de mão de obra engastado na Lei de Custeio da Seguridade Social é de uma clareza meridiana ao se apresentar como “a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Conforme muito bem defendido pelo Recorrente, avulta na definição legal da cessão de mão de obra a natureza contínua do serviço a ser prestado, e a disponibilidade de pessoal colocada pelo prestador em pro do tomador. Preambularmente, mostrase valioso salientar que a natureza contínua dos serviços contratados deve ser entendida cum grano salis. Serviços contínuos são aqueles necessários e indispensáveis ao desempenho do objeto social da empresa, cuja interrupção possa comprometer a continuidade de suas atividades. Não significa, de maneira alguma que, por serviços contínuos devase entender aqueles executados durante toda a jornada de trabalho. De fato não é assim. A complexidade de certas atividades econômicas, máxime na indústria do petróleo, exige a execução de determinados serviços de natureza eminentemente técnica, de forma sequenciada, sem os quais inviabilizada restaria a consecução do objetivo final da atividade. Na atividade da produção de petróleo, tal segmentação revelase flagrante, eis que o resultado final do processo – petróleo no tanque , somente é alcançado após o encadeamento de um sem número de processos intermediários, executados de forma sequenciada e ordenada, os quais, como um elo de uma corrente, não podem ser excluídos do processo global de produção. Fl. 624DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 524 21 Os serviços relacionados à sísmica, perfuração, cimentação, estimulação, completação, produção, recuperação secundária e terciaria, dentre tantos outros, constituemse a todo saber atividades contínuas de empresas dedicadas à produção de petróleo, como é o caso da Petrobras, muito embora não sejam executados todos os dias em um determinado poço ou campo. No caso presente, o contrato em realce tem por objeto a mão de obra para a operação de unidades de bombeamento e gaseificação de nitrogênio e operação de unidade injetora de coluna de flexitubo, dispositivo utilizado em grande escala pela indústria de petróleo, em virtude da facilidade de se perfurar poços com elevadas inclinações, inclusive horizontais, propiciando o maior aproveitamento dos reservatórios. Em reforço à qualificação da natureza contínua dos serviços registrese que o contrato a fls. 121 prevê a duração por 1095 dias (três anos), podendo ser prorrogado por igual período. Registrese que as operações de injeção de nitrogênio não podem ser realizadas a qualquer hora, havendo que aguardar o seu momento oportuno de intervenção no poço, em regra, até que se conclua a operação anterior. Por tais razões, a execução de serviços de tal natureza submetese ao regime de chamada, podendo ser executados em qualquer dia da semana e a qualquer hora do dia, eis que as unidades de produção operam de forma ininterrupta 24 horas por dia, demandando que os trabalhadores da contratada fiquem à disposição da contratante, para que entrem em operação, precisamente, no momento preciso e determinado, evitando assim, qualquer atraso no cronograma de perfuração e produção do poço. O regime de chamada há pouco citado é exatamente o que consta na cláusula 7.1. do Contrato celebrado entre a Petrobras e a Ultratec, rememorado adiante. 7.1 DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS Os serviços objeto do presente Contrato, em regime de chamada,. poderão ser executados em quaisquer dias da semana, podendo, a CONTRATADA, modificar o número de horas do turno, para atender às peculiaridades da área e do serviço a ser executado, sendo que os pagamentos Pelos serviços realizados e aceitos pela Fiscalização e os reembolsos devidos serão efetuados, p ela PETROBR4S, de acordo, respectivamente, com a Planilha de Preços ANEXO E, consideradas as definições desta Cláusula, e com as condições de reembolso estabelecidas nas Cláusulas Quarta e Quinta e no ANEXO K, deste Contrato. Compulsando o contrato de prestação de serviços celebrado entre as partes em questão, verificamos que suas cláusulas não deixam qualquer margem de dúvida quanto à natureza dos serviços prestados, não sendo outra que não a execução mediante cessão de mão de obra, eis que destinado ao fornecimento da força de trabalho, a continuidade e a submissão às determinações da contratante, sendo prevista a manutenção de trabalhadores à disposição da contratante, em suas dependências, de forma contínua, conforme celebrado em suas cláusulas 4.3.1; 4.3.2, 4.3.4; 4.3.7; 6.1.4; 7.1 e 13.4, dentre outras. Fl. 625DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Corrobora o entendimento acima esposado o fato de os serviços contratados ostentarem requintes de exclusividade, só podendo a empresa contratada prestar os serviços objeto do contrato em tela a terceiros mediante autorização expressa, por escrito, da contratante, conforme dessai da cláusula 13.4, assim redigida: 13.4 A CONTRATADA, utilizando seu pessoal, material e equipamentos, vinculados a este Contrato, poderá prestar os serviços citados no item 1.1, da Cláusula Primeira, a terceiros, desde que autorizada, por escrito, Pela PETROBRAS, e sem prejuízo do cumprimento das obrigações ora ajustadas. O local da prestação dos serviços encontrase determinado na cláusula 1.1 do Liame Formal, a saber : “em poços de petróleo, de gás e de água, e ainda dutos, linhas, vasos e plantas de processo, com utilização de equipamentos da CONTRATADA, na Plataforma Continental Brasileira”. Do que se coligiu até o momento, consideramos restar superado qualquer controvérsia acerca da existência da cessão de mão de obra, a qual restou perfeitamente caracterizada. 3.3. DO CUMPRIMENTO DA DECISÃO DO CRPS Pondera o Recorrente ter havido descumprimento da decisão do CRPS, afirmando que a reabertura do contencioso administrativo, no âmbito do presente processo fiscal, não teria qualquer cabimento, visto que a fiscalização teria deixado de realizar a diligência fiscal que lhe foi determinada. Razão não lhe assiste. Visou a diligência comandada pela 2ª CaJ do CRPS a se evitar eventual cobrança em duplicidade de contribuições previdenciárias já adimplidas, quer por ocasião do recolhimento mensal de contribuições previdenciárias; ou através de fiscalização total por parte do INSS; ou, ainda, através de inclusão de débitos em parcelamento, consoante expressamente destacado na decisão em realce, assim redigida: Assim, cabe à Secretaria da Receita Providenciaria verificar a existência do crédito tributário que se quer imputar ao responsável tributário, evitandose a cobrança, em duplicidade de obrigações já adimplidas pelos cedentes de mãodeobra, seja por ocasião do recolhimento mensal de suas contribuições previdenciárias; ou através de fiscalização total por parte do INSS; seja através de inclusão de seus débitos em parcelamento (REFIS). (...) Assim sendo, determino que seja anulada a Decisão Notificação, para que sejam cumpridas as seguintes exigências: Fl. 626DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 525 23 Verificar se a prestadora teve fiscalização total no período ainda cobrado na NFLD ou se aderiu ao REFIS, em período concomitante com o lançamento fiscal da NFLD em apreço. A existência de uma das situações, fiscalização total, ou adesão ao REFIS, por si só, já leva à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do "bis in idem". Na execução das demandas comandadas pela 2ª CaJ, foram efetuadas pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Previdenciária, ocasião em que foram examinadas informações disponíveis relativas à empresa contratada e prestadora dos serviços em tela, sendo constatado não existir, à época, qualquer ação fiscal com exame da contabilidade, tampouco emissão de CND de baixa, e nem débitos lançados em desfavor do prestador no período de apuração em apreço. Verificouse dessarte, que a constituição do crédito referente às contribuições previdenciárias ora em debate foi objeto de lançamento unicamente em face do responsável solidário, mas, não, em desfavor do devedor principal, restando por cumprida, pois, o comando orientador da 2ª CaJ, restando assim afastada qualquer possibilidade de cobrança em duplicidade. Cabe ressaltar que, para o deslinde da lide que ora se nos apresenta, se mostra despicienda a análise da contabilidade da prestadora, uma vez que, conforme expressamente estatuído no art. 31 da Lei nº 8.212/91, à responsabilidade solidária do contratante não se aplica, em nenhuma hipótese, o beneficio de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. §2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). §3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura Fl. 627DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). (grifos nossos) §4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (grifos nossos) Ademais, a busca não legalmente autorizada de outros meios de elisão da solidariedade em estudo, que não a comprovação pelo executor do recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, representaria negativa de vigência ao comando taxativamente encartado no §3º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. O dispositivo normativo acima mencionado estabelece, como meio idôneo de elisão da solidariedade em pauta, a elaboração, pelo prestador, de folha de pagamento e GPS distintas e individualizadas para cada tomador, cujas cópias autenticadas devem ser exigidas pelos contratantes quando da quitação das notas fiscais/faturas correspondentes. 3.4. DO ENUNCIADO 30 DO CRPS. Alega o Recorrente não ser cabível a retroatividade do Enunciado nº 30 do CRPS. A tal alegação não se reserva aplausos. Reza o Enunciado 30 do JR/CRPS, publicado no DOU de 05/02/2007, que “Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços”. Equivocase o Recorrente na crença de que a imputação do lançamento em seu nome haja decorrido na aplicação retroativa do mencionado Enunciado 30 do CRPS. Não o foi. O lançamento em destaque foi constituído diretamente em face do devedor solidário em razão da mera incidência dos preceitos legais insculpidos no art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pelas leis nº 9.032/95 e 9.528/97, conforme já fartamente esclarecido no tópico 3.1. deste voto. Alias, citese, que o próprio Enunciado 30 há pouco referido decorre, igualmente, da interpretação pacificada das normas encartadas no dispositivo legal acima aludido. Fl. 628DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 526 25 De outro eito, não é demais enaltecer que o Verbete do CRPS em tela registra a interpretação pacífica ou majoritária adotada pelo Conselho de Recursos da Previdencia Social, hoje CARF, a respeito de um tema específico, com a dupla finalidade de tornar pública a jurisprudência para a sociedade bem como de promover a uniformidade entre as decisões, ostentando, dessarte, natureza meramente interpretativa, sendo aplicada a todos os casos não definitivamente julgados. 3.5. DA BASE DE CÁLCULO Alega o Recorrente que o Art. 195, I, "a" da Constituição da República fixou a base de cálculo da contribuição previdenciária, não estando o legislador infraconstitucional autorizado a determinar novas bases, seja por leis, decretos, simples ordens de serviço ou instruções normativas, sob pena de violar o princípio constitucional da hierarquia das normas. Aduz não haver qualquer cabimento incidir contribuições previdenciárias sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose alíquotas sobre um percentual das notas fiscais. Os argumentos expendidos pela empresa não merecem o albergue pretendido. Conforme já esclarecido à exaustão no tópico 3.1 deste voto, o art. 146 da CF/88 outorgou à Lei Complementar a competência para ditar normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre fatos geradores, obrigação e crédito tributários e contribuintes, dentre outras. No exercício de tal competência, louvou o art. 148 do CTN prescrever que, nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Inserido no escopo iluminado no parágrafo precedente, o art. 33 da Lei nº 8.212/91 honrou estabelecer, de forma hialina, imune a qualquer questionamento, que nas hipóteses de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos Fl. 629DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, valor presumido de mão de obra empregada em serviços executados mediante cessão de mão de obra, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. No caso ora em apreciação, o Recorrente não logrou ilidir a responsabilidade solidária que lhe fora imputada pela lei, decorrente da contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Não tendo o Recorrente apresentado à fiscalização as folhas de pagamento dos segurados que executaram os serviços em tela, valeuse a autoridade lançadora, escudada pelo permissivo legal há pouco revisitado, do critério de apuração das contribuições previdenciárias devidas via aferição indireta da base de cálculo, conforme os procedimentos estabelecidos para esse fim na Ordem de Serviço MPS/INSS/DAF nº 83/1993, aplicandose para a apuração da remuneração os percentuais estabelecidos de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa prestadora de serviço constantes em seu subitem 7.2. No caso presente, em conformidade com a legislação acima citada, foi adotado como salário de contribuição, o produto da incidência do percentual mínimo de 40% sobre os valores contidos nas notas fiscais de serviços. Entretanto, tratandose da prestação de serviços em que haja fornecimento de material, desde que estabelecido contratualmente, ainda que não discriminado na nota fiscal, fatura ou recibo, o valor do serviço corresponderá a, no mínimo, 50% do valor bruto dos documentos fiscais, representando a mão de obra, consequentemente, percentual nunca inferior a 20% do valor bruto, que foi o percentual adotado na presente aferição, conforme assim relatado pelo agente do fisco em seu Relatório Fiscal. A matéria em relevo já foi bater às portas da Suprema Corte, em precedente específico sobre o tema, proferido quando do julgamento do RE nº 579.281/PR, da lavra do eminente Ministro Cezar Peluso, DJe de 14/3/08, assim ementado: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA ANULATÓRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. Não padece de vício de legalidade a Ordem de Serviço nº 083/93, que estabelece percentuais a incidirem sobre o valor bruto de nota fiscal de serviço ou fatura, na hipótese de aferição indireta do salário de contribuição. Tratase de regulamentação do procedimento de arbitramento, a estabelecer critérios para Fl. 630DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.000080/200762 Acórdão n.º 230201.325 S2C3T2 Fl. 527 27 tanto. Do contrário, não existiriam parâmetros objetivos para o Fisco proceder ao levantamento do débito nos casos em que não dispusesse de elementos concretos para fazêlo, ante a imprestabilidade ou inexistência de escrita contábil relativa a mãodeobra empregada pelo contribuinte’ (fl. 308). A recorrente, com fundamento no art. 102, III, a, alega violação ao disposto nos arts. 5º, II; 37; 146, III, a; e 150, I, da Constituição Federal. Inadmissível o recurso. Conforme evidenciado, restam improcedentes as alegações desfiladas pelo Recorrente, não carecendo a decisão de Primeira Instância, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário interposto pelo Responsável solidário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Não será conhecido o recurso oferecido pela empresa contratada em razão de sua intempestividade. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 631DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/10/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11831.006418/2002-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA E DE OPERAÇÕES DE SWAP. Frente a parecer fiscal que, examinando a escrituração contábil do sujeito passivo, conclui pela regularidade do oferecimento, à tributação, das receitas
financeiras auferidas, não prevalecem as inferências feitas pela autoridade administrativa a partir das informações prestadas em DIPJ e, pelas fontes pagadoras, em DIRF.
Numero da decisão: 1101-000.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA E DE OPERAÇÕES DE SWAP. Frente a parecer fiscal que, examinando a escrituração contábil do sujeito passivo, conclui pela regularidade do oferecimento, à tributação, das receitas financeiras auferidas, não prevalecem as inferências feitas pela autoridade administrativa a partir das informações prestadas em DIPJ e, pelas fontes pagadoras, em DIRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 322 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 323 3 Relatório ACCOR PARTICIPAÇÕES S A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição e não homologou declarações de compensação – DCOMP, que tinham por objeto direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ apurado no 3o trimestre de 2001, no valor original de R$ 4.147.045,98. Em 18/10/2002 a contribuinte apresentou pedido de restituição de IRPJ, no valor atualizado em R$ 4.652.985,39, informando que ele se referiria a apuração do ano calendário 2001 e indicando, como demonstrativo de cálculo, DIPJ retificadora relativa ao 3o trimestre de 2001, bem como já esclarecendo que o presente pedido será objeto de compensação com débitos de tributos federais vencidos e vincendos (fl. 01). O documento de fl. 02 reitera que o crédito se referiria a saldo negativo de IRPJ apurado no 3o trimestre de 2001. Às fls. 29 a 51 consta DIPJ apresentada em 17/10/2002 (conforme recibo de entrega), a qual indica, na ficha destinada à apuração de IRPJ devido, no 3o trimestre/2001, imposto de R$ 968.484,00, adicional de R$ 639.656,00, IRRF de R$ 5.755.185,98 e saldo negativo no valor alegado de R$ 4.147.045,98. A interessada também juntou aos autos DARF de recolhimentos pertinentes a períodos de apuração de 2001 (fls. 76/82) e comprovantes de retenção de imposto de renda emitidos pelas fontes pagadoras de rendimentos (fls. 83/104). Às fls. 107/125 foram juntados extratos da DIRF com informações nas quais a contribuinte figura como beneficiária, seguidas das DCOMP vinculadas ao crédito aqui tratado, quais sejam: a) DCOMP nº 07027.02941.300503.1.3.02.4322, na qual a contribuinte apontou débito de IRPJ relativo ao 4o trimestre/2002, no valor de R$ 1.046.965,30, o qual não teria sido declarado em DCTF (fls. 132/134), ensejando representação à autoridade competente para seu lançamento de ofício (fl. 140/143); b) DCOMP nº 13222.34101.300503.1.3.029578, na qual a contribuinte apontou débito de IRPJ realtivo ao 1o trimestre/2003, no valor de R$ 964.780,40 (fls. 135/139). Outras compensações constam de processos apensados, conforme quadro resumo contido na decisão recorrida: Processo P.A. ENTREGA TRIBUTO VALOR PLEITEADO 11831.001353/200311 31/12/2002 26/02/2003 CSLL Trimestral R$ 116.888,74 11831.007479/200219 30/09/2002 31/10/2002 CSLL Trimestral R$ 1.423.157,67 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 324 4 Processo P.A. ENTREGA TRIBUTO VALOR PLEITEADO 11831.000738/200361 31/12/2002 31/01/2003 CSLL Trimestral R$ 1.024.840,87 A análise destes elementos, e a inconformidade manifestada pela interessada, estão assim relatadas na decisão recorrida: [...] 5. Analisando o pleito, a Autoridade Administrativa competente proferiu o Despacho Decisório de fls. 127 a 131, indeferindo o Pedido de Restituição e não homologando as compensações, nos seguintes termos: .... no que se refere à apuração de eventual saldo negativo (saldo credor) de IRPJ no 3º trimestre de 2001, constatase que o mesmo resultou, exclusivamente, da dedução de IRRF, a título de antecipação do devido no ajuste trimestral, no montante de R$ 5.755.185,98 (vide cópia da Ficha 12A, linha 13, à fl. 49). Observase, com base nos Informes de Rendimentos Financeiros apresentados às fls. 83 a 104 e nas DIRF’s fornecidas pelas fontes pagadoras em que conste a requerente como beneficiária (estas “baixadas” a partir de consulta no Sistema SIEF, conforme docs. de fls. 107 a 125), que o imposto de renda retido na fonte (IRRF) incidiu basicamente sobre aplicações financeiras, e em particular sobre ganhos auferidos no mercado de renda variável (operações de SWAP, código de retenção: 5273). O Quadro abaixo retrata os valores consolidados para o período compreendido entre julho e setembro de 2001 (3º trimestre/2001) no que tange às aplicações financeiras, observadas as informações constantes nas DIRF’s de fls. 107 a 125. Vejamos: CÓDIGO RENDIMENTOS IRRF FLS. 5273 22.574.847,08 4.514.969,34 107 a 111 3426 4.521.914,45 904.382,85 112 a 121 6800 30.051,48 6.010,28 125 TOTAL 27.126.813,01 5.425.362,47 Entretanto, conforme já anteriormente consignado, para que o imposto de renda retido na fonte (IRRF) seja passivo de dedução do imposto devido no ajuste trimestral, a receita que lhe deu origem deve obrigatoriamente ter sido oferecida à tributação. Todavia, o contribuinte declarou como receita financeira apenas o montante de R$ 5.296.427,71 (vide linha 24 da Ficha 06A – Demonstração do Resultado, à fl. 42). Assim sendo, o IRRF dedutível está na razão direta da receita declarada, ou seja, da receita oferecida à tributação. Vejamos: CÓDIGO (*) 3426/5273/6800 RECEITA FINANCEIRA DECLARADA 5.296.427,71 ALÍQUOTA APLICÁVEL 20% IRRF DEDUTÍVEL 1.059.285,54 (*) Rendimentos financeiros sujeitos ao IRRF na alíquota de 20% Procedendose aos ajustes necessários, apurase imposto de renda a pagar ao invés de saldo negativo relativamente ao 3º trimestre de 2001: DIPJ/2002, 3º TRIMESTRE de 2001. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 325 5 FICHA 12A – CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL (fl. 49) IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01. A ALÍQUOTA DE 15% 968.484,00 03. ADICIONAL. 639.656,00 .DEDUÇÕES 13. ()IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) 1.059.285,54 14. () IRRF POR ÓRGÃO PÚBLICO 0,00 16. () IMPOSTO DE RENDA MENSAL PG POR ESTIMATIVA.. 0,00 18. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 548.854,46 Por conseguinte, não restou consignada a apuração de saldo negativo (saldo credor) de IRPJ relativo ao 3º trimestre de 2001. CONCLUSÃO Diante do relatório e da fundamentação apresentada, e de tudo mais que no processo consta, PROPONHO o INDEFERIMENTO do pedido de restituição do crédito requerido (utilizado) na forma de saldo negativo de IRPJ referente ao 3º trimestre de 2001 por falta de liquidez e certeza. PROPONHO, ainda, a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas nos processos a este juntados por apensação. (...) DE ACORDO. No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP nº 54, de 10/10/2001, INDEFIRO o pedido de restituição do crédito requerido (utilizado) na forma de saldo negativo de IRPJ referente ao 3º trimestre de 2001 por falta de liquidez e certeza. E, ainda, DECIDO NÃOHOMOLOGAR as compensações declaradas nos processos a este juntados por apensação. 6. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 15/07/2004 (fl. 144, verso), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 146 a 155), em 16/08/2004 (fls. 226 a 234 e 241), com as seguintes alegações, em síntese: 6.1. de acordo com o texto da decisão guerreada, e tendo por base as informações contidas na linha 24 da Ficha 06A da DIPJ, a manifestante teria apurado e oferecido à tributação, a título de receitas financeiras, o valor de R$ 5.296.427,71, do que resultaria um imposto de renda na fonte de apenas R$ 1.059.285,54, valor menor do que o indicado como tal na referida declaração, da ordem de R$ 5.755.185,98 e do qual resultou o crédito declarado de R$ 4.147.045,98; 6.2. a simples verificação da linha 20, da Ficha 06A – Demonstração do Resultado, indica que a manifestante apurou, declarou e ofereceu à tributação, além dos R$ 5.296.427,71, lançado na linha 24, o valor de R$ 18.271.032,44, referente às receitas de variações cambiais ativas auferidas naquele período e que, embora tenham a natureza de receitas financeiras, devem ser declaradas em item específico, como exige o formulário da mencionada DIPJ; 6.3. a legislação conceitua as receitas de variações cambiais ativas como receitas financeiras (art. 9º da Lei nº 9.718, de 1998); 6.4. diante disso, a manifestante auferiu e ofereceu à tributação um total de R$ 23.567.460,15, referente a receitas financeiras do período; 6.5. tais receitas sujeitaramse à retenção do imposto de renda pelas fontes pagadoras, conforme se encontra informado na Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte da DIPJ, verificandose que todas as receitas Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 326 6 financeiras foram levadas corretamente à tributação e que o montante de IR retido superou o valor do IR devido no período, resultando saldo credor conforme demonstrado na Ficha 12A; 6.6. se procedente a decisão da autoridade fiscal, deveria ter sido promovido um lançamento contra a manifestante, exigindo o imposto de renda e outros tributos, sobre o montante das receitas financeiras não reconhecidas, haja vista a suposta omissão praticada, o que não ocorreu; 6.7. a legislação pátria exige que a atividade do lançamento seja feita com estrita aderência do procedimento adotado pelo auditorfiscal ao texto da lei, e como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral da situação legalmente prevista, impõese concluir que a falta de verificação integral, por parte da autoridade administrativa, das normas legais aplicáveis, no cálculo do montante tributável e, conseqüentemente, da penalidade cabível, afeta a liquidez e certeza dos lançamentos realizados, elementos esses indispensáveis para que os autos de infração possam prosperar; 6.8. ainda que desconsiderados os argumentos jurídicos expostos, o cálculo do imposto de renda, com relação às supostas infrações verificadas, foi realizado sem a observância dos ditames legais que regem a matéria, devendo ser declarada a nulidade do lançamento; 6.9. o auditorfiscal utiliza, para cálculo do valor tributável, a título de juros de mora, a Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, que possui natureza jurídica de remuneração de capital, podendo ser utilizada única e exclusivamente no mercado financeiro; 6.10. como a lei ordinária não tratou de definir novos critérios para cobrança de juros moratórios, estes devem ser limitados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); 6.11. a aplicação sobre tributos das variações da taxa SELIC não pode vingar, por significar real e efetivo aumento da carga tributária, acarretando verdadeiro confisco; 6.12. requer seja reconhecido o direito creditório, declarandose a extinção dos créditos tributários liquidados por meio da compensação. Esclareçase que houve uma discussão inicial quanto a tempestividade da manifestação de inconformidade, solucionada após a comprovação da data da postagem da correspondência por meio da qual ela foi encaminhada à Receita Federal (fl. 241). Após isto, os autos foram encaminhados em 22/11/2004 à DRJ/São PauloI com o seguinte esclarecimento: Nos termos da NTC SRRF08/Difis/Divat/Disit n° 01/2004, o débito fiscal cadastrado através do PAF nº 13807.004807/200410 foi encaminhado a DEFIC para lançamento de oficio (fls. 143 e 237); os demais débitos objeto da compensação estão regularmente constituídos (confessados em DCTF). Às fls. 243/244 consta que em 20/06/2006 foi juntado a estes autos o processo administrativo nº 13807.004807/200410 e às fls. 245/248 consta que os autos principais e seus apensos foram encaminhados à DERAT/SP, por solicitação desta. Seguiuse, então, a desapensação do processo administrativo nº 13807.004807/200410 (fl. 251) e a juntada, a estes autos, de documentos pertinentes a procedimento fiscal de revisão interna iniciado em 14/07/2005, especialmente o Demonstrativo Receita Financeira de fls. 253/255, elaborado pela interessada, no qual estão individualizadas Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 327 7 as aplicações financeiras por data de aplicação e resgate, indicandose para cada uma delas os rendimentos apropriados aos três primeiros trimestres de 2001, os quais totalizaram, no 3o trimestre/2001, objeto deste processo administrativo, o montante de R$ 22.702.267,37. Às fls. 256/260 consta cópia de Relatório Fiscal lavrado nos autos do processo administrativo nº 13807.004807/200410, no qual a autoridade fiscal descreve que, em razão do pedido de restituição do saldo negativo apurado no 3o trimestre de 2001, solicitou se à interessada demonstração da declaração das receitas financeiras na DIPJ/2002, bem como dos lançamentos contábeis de sua apropriação. A contribuinte indicou que os valores foram inseridos nas linhas 20 e 24 da Ficha 06A, da DIPJ/2002 e, novamente intimada, apresentou o Demonstrativo Receita Financeira como documentação que serviu de base para os lançamentos constantes dos Livros Diário e Razão no ano calendário de 2001, referentes às receitas financeiras constantes da DIPJ/2002 – ficha 06A, páginas 11, 12, 13 e 14, linhas 20 e 24. Examinando este demonstrativo, a autoridade fiscal constatou que nele foram identificados resgates de aplicações financeiras, os quais encontramse inseridos na DIPJ/02, conforme abaixo: [...] 3o Trimestre – R$ 22.702.267,37. Analisando as informações pertinentes aos três primeiros trimestres de 2001, e comparando as informações do referido demonstrativo com as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras – as quais, para o 3o trimestre/2001, apontavam rendimentos de R$ 22.572.849,08 (código 5273) e R$ 4.521.924,45 (código 3426), e retenções de imposto de R$ 4.519.969,34 e R$ 904.382,82, respectivamente –, a autoridade fiscal admitiu a informação da contribuinte de que as receitas financeiras foram indicadas nas fichas 20 e 24 da Ficha 06A, da DIPJ/2002, e assim concluiu: Os valores inseridos na DIPJ/02 como acima demonstrado, estão superiores aos valores apontados nas respectivas DIRF's das fontes pagadora; em virtude da empresa apropriar suas receitas pelo regime competência, uma vez que não poderia ser de outra forma, visto que a empresa apresenta sua declaração de rendimentos, pela forma de r. tributação pelo lucro real. Assim, a vista das informações expostas, nosso entendimento é que o pleito do contribuinte,poderia ser apreciado, levandose em consideração os três primeiros trimestres do ano calendário de 2001. Os autos do processo administrativo nº 13807.004807/200410 foram, então, encaminhados à DRJ/São PauloI com o seguinte despacho (fl. 261): Considerando os relatórios de fls. 49 a 53; os documentos coletados pela AFRF durante a revisão interna determinada pelo RPF/RI n° 2005018551 e a diligência realizada conforme o MPF/D nº 2004018191, constantes nos anexos I a IV; que o contribuinte já foi cientificado da nãohomologação da compensação e apresentou manifestação de inconformidade e, finalmente, que o presente processo trata de assunto relativo ao processo 11831.006418/200234, que está em fase de julgamento na Segunda Turma da DRJ/São PauloI, encaminhese o presente à DRJ/SPO I (Cód. 01111930) para juntada e análise conjunta com aquele processo. Se, após o julgamento do contencioso, restar comprovado que a empresa efetivamente não tinha direito aos créditos pleiteados, o presente processo deve retornar a esta DEFIC/SPO para lançamento dos valores eventualmente compensados e não declarados em DCTF. Às fls. 262/276 foram juntadas, pela autoridade julgadora, cópias de demonstrações financeiras do anocalendário 2001, de documento intitulado Extrato Analítico Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 328 8 de Contrato no Período de 01/01/1995 até 31/12/2004 vinculado a operação financeiras de CDB PRÉ FIXADO X SWAP CDI junto ao Banco Bradesco S A, e de páginas do Livro Diário Geral de julho/2001, extraídas dos autos do processo administrativo nº 13807.004807/200410. Analisando os argumentos de defesa e a documentação acima citada, a Turma julgadora negou razão à interessada aduzindo que, embora o saldo negativo configure hipótese de pagamento indevido cogitado no art. 165 do CTN, a dedução do IRRF, na apuração do saldo negativo, somente é possível se as receitas correspondentes tiverem integrado a base de cálculo do imposto devido no encerramento do período de apuração, consoante dispõem os arts. 37 e 76 da Lei nº 8.981/95, bem como o art. 2o, §4o, inciso III da Lei nº 9.430/96. Destacando que, na apuração do 3o trimestre/2001, a contribuinte informou, em DIPJ, o cômputo, no resultado do período, de Variações Cambiais Ativas no valor de R$ 18.271.032,44, e de Outras Receitas Financeiras R$ 5.296.427,71, consignou que a Autoridade local apurou que a contribuinte faria jus ao valor de R$ 1.059.285,54 (20% de R$ 5.296.427,71), a título de IRRF, dedutível no cálculo do IRPJ, e ressaltou que as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, cujas informações constam no sistema SIEF/DIRF apontam os rendimentos totais de R$ 27.126.813,01 e IRRF total de R$ 5.425.362,47 (fls. 107 a 125). Transcreveu instruções de preenchimento da DIPJ/2002, para firmar que os rendimentos de aplicações de renda fixa, correspondentes aos códigos de receita 3426 e 6800, constantes da DIRF, deveriam ter sido incluídos na linha 06A/24 – “Outras Receitas Financeiras”: Linha 06A/24 – Outras Receitas Financeiras Indicar as receitas auferidas no período de apuração relativas a juros, descontos, lucro na operação de reporte, prêmio de resgate de títulos ou debêntures e rendimento nominal auferido em aplicações financeiras de renda fixa, não incluídas nas Linhas 06A/20 e 06A/23. As receitas dessa natureza, derivadas de operações com títulos vencíveis após o encerramento do período de apuração, serão rateadas segundo o regime de competência. Ressaltou que as receitas correspondentes ao IRRF cujo código de retenção é 5273 referemse a operações de swap que, de conformidade com as instruções de preenchimento da DIPJ/2002, deveriam ter sido incluídas na linha 21 da Ficha 06A – “Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto DayTrade” Linha 06A/21 – Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto Day Trade Indicar nesta linha: a) (...) b) (...) c) os rendimentos auferidos em operações de swap e no resgate de quota de fundo de investimento cujas carteiras sejam constituídas, no mínimo por 67% (sessenta e sete por cento) de ações no mercado á vista de bolsa de valores ou entidade assemelhada (Lei nº 9.532, de 1997, art. 28, alterado pela MP nº 1.636, de 1998, art. 2º, e reedições).(grifouse) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 329 9 E acrescentou que as perdas em operações de swap deveriam ser informadas na linha 06A/33 da DIPJ, conforme prevêem as instruções de preenchimento já mencionadas: Linha 06A/33 – Perdas Incorridas no Mercado de Renda Variável, exceto daytrade Indicar nesta linha: a) (...) b) (...) c) as perdas em operações de swap e no resgate de quota de fundo de investimento que mantenha, no mínimo, 67% (sessenta e sete por cento) de ações negociadas no mercado à visita de bolsa de valores ou entidade assemelhada (Lei nº 9.532, de 1997, art. 28, alterado pela MP nº 1.636, de 1998, art. 2º e reedições). Considerando a alegação da interessada de que houve erro no preenchimento da DIPJ, a autoridade julgadora concluiu pela inexistência de prova incontestável neste sentido, aduzindo que: 17.1. Primeiramente, no presente processo, a manifestante não apresenta qualquer comprovação de que os valores de receitas financeiras constantes do sistema SIEF/DIRF foram efetivamente incluídas nas linhas 20 e 24 da Ficha 06A da DIPJ/2002. 17.2. Além disso, no processo de nº 13807.004807/200410 que estava apensado ao presente e foi desapensado para prosseguimento , originado de representação efetuada pelo órgão preparador visando ao lançamento de ofício do débito não declarado em DCTF, também não se comprovou, de forma cabal, o valor das receitas financeiras oferecidas à tributação. Em tal processo constam: “DEMONSTRATIVO RECEITA FINANCEIRA” (fls. 253 a 255), totalizando, por trimestre os valores de receitas financeiras apropriadas, relacionadas no “Extrato Analítico de Contrato no Período de ... até ...”, cuja cópia exemplificativa é anexada às fls. 263 a 266. Tratase de documentos elaborados pela contribuinte. Cópias de folhas do livro Diário, contendo os lançamentos referentes ao ano de 2001 (cópias exemplificativas, referentes ao mês de julho/2001, anexadas às fls. 267 a 275), o Balanço Patrimonial levantado em 31/12/2001 (fl. 276) e a Demonstração de Resultados do período de 01/01/2001 a 31/12/2001 (fl. 262). 17.3. O valor de receitas financeiras referentes ao 3º trimestre de 2001, obtido no referido “DEMONSTRATIVO RECEITA FINANCEIRA”, seria de R$ 22.702.267,37 (fl. 255). 17.4. Entretanto, não há comprovação de que as apropriações diárias de tais receitas, demonstradas nos “Extratos Analíticos” acima mencionados, tenham sido escrituradas, uma vez que não foi apresentada pela contribuinte a correspondência entre a escrituração contábil e tais apropriações. 17.5. Ainda, não está comprovado nos autos se os valores incluídos na DIPJ como variações cambiais ativas, de R$ 18.271.032,44, corresponderiam a parte do valor totalizado pela contribuinte, com base nos demonstrativos de apropriações efetuadas, de R$ 22.702.267,37. 18. Havendo dúvidas quanto ao valor e aos tipos de receitas financeiras que efetivamente teriam sido tributadas, faltam os requisitos de liquidez e certeza na quantificação de qualquer saldo negativo de IRPJ a ser reconhecido. Concluído o julgamento, os autos do processo administrativo nº 13807.004807/200410 foram devolvidos à DEFIS/SP para lançamento do débito referente a Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 330 10 IRPJ, período de apuração 4o trimestre de 2003, vencimento em 31/01/2003, no valor original de R$ 1.046.965,30, dada a nãohomologação da compensação do débito em questão (fl. 22 do processo administrativo nº 19515.008440/2008707). Em 23/12/2008 a contribuinte foi cientificada de débito correspondente ao período acima mencionado, face a manutenção da decisão da não homologação da compensação declarada através do PER/DCOMP N° 07027.02941.300503.1.3.024322, relativo ao IRPJ do 4o trimestre de 2002, e, do que consta no processo administrativo n° 13807.004807/200410, mas no valor principal constante da DIPJ posteriormente entregue (R$ 1.345.782,59), conforme fls. 86/85 do processo administrativo nº 19515.008440/2008707. Também cientificada em 23/12/2008 da decisão de primeira instância proferida nestes autos (fl. 287), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 22/01/2009 (fls. 292/312). Relata que, tendo apurado saldo negativo no 3o trimestre do anocalendário 2001, requereu sua restituição nestes autos, e formulou declarações de compensação tratadas nos processos administrativos nº 11831.001353/20031, 11831.007479/200219 e 11831.000738/200361. Cientificada do indeferimento de seu pedido de restituição em 16/07/2004, e intimada a recolher os débitos compensados acrescidos de multa de mora e juros SELIC, dado que teria declarado, como receita financeira, apenas R$ 5.296.427,71, como consta na linha 24 da Ficha 06A Demonstração do Resultado da DIPJ, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade esclarecendo o equívoco cometido, por ter sido declarado e oferecido à tributação o valor de R$ 18.271.032,44 referente a receitas de variações cambiais ativas, de sorte que foram submetidos à tributação R$ 23.567.460,15. Incidindo no mesmo erro da autoridade fiscal, a autoridade julgadora rejeitou estes argumentos, externando conclusão incorreta, resultante de análise superficial e incompleta da declaração apresentada. Tivesse a autoridade fiscal analisado com maior atenção a referida Declaração de Informações EconômicoFiscais da Recorrente (DIPJ), que foi elaborada sob a égide da legislação vigente e de acordo com as normas administrativas correspondentes, teria proferido conclusão totalmente diferente da decisão ora recorrida. Reafirma que a simples verificação da LINHA 20 da mesma FICHA 06A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO, INDICA QUE A RECORRENTE APUROU, DECLAROU E OFERECEU À TRIBUTAÇÃO, ALÉM DOS R$ 5.296.427,71 LANÇADOS NA LINHA 24, O VALOR DE R$ 18.271.032,44 (CONFORME O DOC. 03 Do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO), referente às receitas de variações cambiais ativas oriundas de contratos de swap, auferidas naquele período e que, embora tenham a natureza de receitas financeiras, devem ser objeto de declaração em item específico, como exige o formulário da mencionada DIPJ. Acrescenta que tais receitas ficaram sujeitas à retenção do imposto de renda pelas fontes pagadoras, conforme se encontra INFORMADO NA FICHA 43 DEMONSTRATIVO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DA DIPJ, NA QUAL SE VERIFICA QUE AS RECEITAS FINANCEIRAS DECLARADAS FORAM, TODAS ELAS, LEVADAS CORRETAMENTE À TRIBUTAÇÃO E QUE O MONTANTE DE IR RETIDO SUPEROU O VALOR DO IR DEVIDO NO PERÍODO, O QUE RESULTOU NO SALDO CREDOR DE IMPOSTO DE RENDA, CONFORME DEMONSTRADO NA FICHA 12A, Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 331 11 evidenciandose, assim, a arbitrariedade da decisão ora recorrida, que rejeitou a restituição e a correspondente compensação do crédito. Discorda do fundamento adotado na decisão recorrida, quanto à necessidade de declaração das receitas decorrentes de operações de swap na Linha 21 da Ficha 6A da DIPJ e à ausência de prova do erro, pois bastaria a autoridade julgadora atentar em que o valor que reputa como não comprovado, está lançado uma linha acima daquela que a autoridade entende como correta para lançar a receita de swap. Destaca, também, a farta documentação comprobatória do oferecimento das receitas em testilha à tributação, juntada a estes autos, e consistente em informes de rendimento e DIPJ. Acrescenta que o IRRF sobre operações de swap, no valor de R$ 4.514.969,34 está confirmado no sistema da própria Receita Federal, SIEF/DIRF, sendo inegável que o IMPOSTO DE RENDA SOBRE AS OPERAÇÕES DE SWAP CHEGOU AOS COFRES PÚBLICOS. Em conseqüência, os argumentos adotados pelas autoridades administrativas apenas se prestam a IMPEDIR O EXERCÍCIO DO DIREITO SUBJETIVO DA RECORRENTE DE REPETIR O QUE PAGOU INDEVIDAMENTE AOS COFRES PÚBLICOS. Aborda a excessiva carga tributária existente no país, e aduz: 22. E quando, finalmente, a Impugnante acreditou ter findado o espetáculo dantesco da fiscalização, toma ciência da notificação nos autos do processo administrativo fiscal nº 19515.008440/200807, relativo à exigibilidade do débito de IRPJ do 4° trimestre de 2002, que perfaz o montante de R$ 1.345.782,59, compensado através da DCOMP n. 07027.02941.300503.1.3.0214322, acompanhado da confiscatória multa de ofício de 75% e de juros de mora, que acabaram por redundar na cobrança do crédito tributário de R$ 3.539.004,47! Invoca o disposto no art. 5o da Lei nº 9.779/99 e no art. 770 do RIR/99, bem como as disposições da Instrução Normativa SRF nº 25/2001, acerca da possibilidade de dedução do IRRF na apuração definitiva do lucro real, e da caracterização do informe de rendimentos como prova do imposto retido. Menciona, também, as disposições do RIR/99 acerca da DIRF (art. 941) e da Instrução Normativa SRF nº 109/2001 e conclui: 27. Portanto, não há justificativa plausível, muito menos jurídica, para a completa desconsideração das declarações e documentos entregues, até PORQUE O NOSSO DIREITO CONFERE EFICÁCIA CONSTITUTIVA A. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, QUE IMPLICA A SUA PRESUNÇÃO DE VERACIDADE, E SOMENTE PODERÁ SER DESCONSTITUÍDA POR PROVA CONTRÁRIA DA ADMINISTRAÇÃO. [...] Transcreve jurisprudência administrativa neste sentido, e argumenta que a fragilidade da decisão administrativa é tão evidente que, conforme anteriormente frisado, caso tivesse procedência a sua alegação, deveria ter sido promovido lançamento contra a Recorrente, de modo a exigir o Imposto de Renda e outros tributos sobre o montante das receitas financeiras não reconhecidas, haja vista a suposta omissão praticada, o que, como antes comprovado, não ocorreu. Destaca que, nos termos do art. 142 do CTN, o lançamento não é um ato discricionário. Mencionando que a autoridade entendeu que houve ingresso de receita, que, por sua vez, não teria sido oferecida à tributação, reafirma que É PRESSUPOSTO Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 332 12 INARREDÁVEL DESSE RACIOCÍNIO CONSTRUÍDO PELA AUTORIDADE DE AUTUAÇÃO, O LANÇAMENTO, SOB PENA DE RESPONSABILIDADE FUNCIONAL. Assim, seria falacioso o argumento da fiscalização, tendo a Administração plena ciência de que os valores das receitas em apreço foram devidamente oferecidos à tributação, conforme claramente demonstrado na DIPJ da Recorrente e no próprio sistema SIEF/DIRF. Em seu entendimento, a pergunta que não se cala é: e o valor total de R$5.425.362,47, efetivamente recolhido a título de IRRF, conforme acusa o próprio sistema SIEF/DIRF?! Daí, porque, a atuação administrativa, no caso em tela, em nenhum momento foi norteada pelo bom senso ou razoabilidade, nem mesmo, pelos ditames da lei, em especial o art. 37 da Constituição Federal, e o art. 2o da Lei nº 9.784/99. Aduzindo que a autoridade pública deve acatar plenamente as determinações da autoridade que lhe é hierarquicamente superior, complementa: 43. Assim, se a Lei n 9.779/99 estabelece em seu artigo 16 que "compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável", e o Secretário, por sua vez, editou instrução normativa conferindo eficácia da DIRF para fins de comprovar a tributação de receitas decorrentes de aplicações financeiras de renda variável, indubitavelmente a autoridade administrativa que indeferiu a homologação da compensação desrespeitou a hierarquia administrativa. Transcreve doutrina e conclui ser cristalina a ofensa a diversos princípios vetores da Administração Pública, de sorte que deve ser desconstituída a presente decisão atacada. Defende a prevalência da verdade material, conforme jurisprudência administrativa e judicial que cita, e também em razão do disposto no art. 142 do CTN, e pede a desconstituição do lançamento (sic), em face da documentação carreada aos autos. Ao final, pede que seja admitido e provido o presente recurso, para a reforma da decisão que deixou de homologar o pedido de restituição, reconhecendose o direito creditório da ora Recorrente, declarandose, por conseqüência a extinção dos créditos tributários liquidados por meio da compensação objeto do processo administrativo ns 19.515.008440/200807, que veicula a exigência de IRPJ devido 4° trimestre de 2002, objeto da DCOMP 07027.02941.300503.1.3.024322, bem como aqueles objetos dos Pedidos de Compensação, consubstanciados nos processos administrativos ns. 11.831.001353/20031, 11.831.007479/200219 e 11.831.000738/200361. E protesta pela juntada de provas, especialmente documentais, corroborando a improcedência das exigências formuladas, com fundamento no artigo 17 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações promovidas pela Lei n° 8.748/93, bem como nos artigos 3o, inciso III, e 38 da Lei n° 9.784/99, além de diligências suplementares, apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito. Em consulta ao sistema Eprocesso, constatase que os autos do processo administrativo 19515.008440/200807 foram digitalizados pela DERAT/SP e encaminhados à 1a Seção do CARF em 04/08/2011, mas ainda aguardam recebimento na Equipe de Gestão de Processos Fiscais –GEPAF do Serviço de Controle de Julgamento – SECOJ. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 333 13 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Na primeira página do recurso voluntário, às fls. 292, consta anotação manuscrita de que não foi verificada a legitimidade dos representantes da recorrente, possivelmente porque o recurso voluntário não foi acompanhado do instrumento de procuração. Todavia, dos três signatários do recurso voluntário José Edson Carneiro, Claudia de Castro Calli e Ana Clarissa Masuko Santos Araújo – apenas esta última não consta do instrumento de procuração que acompanhou a manifestação de inconformidade, o qual conferiu àqueles mandatários o poder de representar a autuada perante o Ministério da Fazenda e/ou qualquer de seus órgãos, no que tange ao Processo Administrativo nº 11831.006418/200234, outorgandolhes, para tanto, os poderes da cláusula “ad judicia" e os de transigir, confessar, desistir, acordar, assinar termo e compromissos, receber e dar quitação, substabelecer, requerer, recorrer, receber intimações, tomar vista e dar ciência, enfim, praticar todos os demais atos necessários ao cumprimento daquele mandado. Assim, além de ser tempestivo, o recurso voluntário preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Como relatado, a nãohomologação da compensação decorreu da falta de comprovação do oferecimento, à tributação, de grande parte das receitas que deram ensejo ao IRRF deduzido na apuração do IRPJ devido no 3o trimestre/2001. Observase, nos autos, que a contribuinte, ao pleitear a restituição do saldo negativo apurado no 3o trimestre/2001, juntou comprovantes de retenção de imposto de renda na fonte que entendeu correlacionados ao crédito, e apontou a DIPJ apresentada em 17/10/2002 como prova da apuração do IRPJ naquele período de apuração. O exame da autoridade administrativa restringiuse a estes elementos e às DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras à Receita Federal, e resultou na constatação de retenções em valor inferior ao indicado pela contribuinte na DIPJ (somando as retenções informadas sob os códigos 5273, 3426 e 6800 a autoridade administrativa chega ao montante de R$ 5.425.362,47, ao passo que a contribuinte utilizou, em sua apuração, retenções de R$ 5.755.185,98), bem como na inferência de que, daquelas retenções, apenas a parcela de R$ 1.059.285,54 seria dedutível na apuração do IRPJ devido no 3o trimestre/2001, na medida em que declarado, apenas, o montante de R$ 5.296.427,71 a título de receita financeira auferida naquele período. Frente a este contexto, a defesa da interessada centrouse, no campo fático, na afirmação de que o valor de R$ 18.271.032,44, informado na linha 20 da Ficha 06A, também corresponderia a receitas financeiras daquele período de apuração, por se tratar de variações cambiais ativas. Invocou, ainda, as informações contidas na Ficha 43 da referida DIPJ, na qual tais receitas estariam indicadas como sujeitas ao imposto de renda retido na fonte. De início cumpre observar que, como ressaltado pela autoridade julgadora, os rendimentos auferidos pela contribuinte no período de apuração em questão, segundo a Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 334 14 natureza indicada pelos códigos de retenção adotados pelas fontes pagadoras – 6800 e 3426 correspondentes a aplicações financeiras em fundos de investimento de renda fixa, e 5273 correspondente a operações de swap previstas no art. 74 da Lei nº 8.981/95 – deveriam ser declarados nas linhas 21 e 24 da DIPJ, destinadas ao registro de ganhos auferidos em Mercado de Renda Variável, exceto DayTrade, e a outras receitas financeiras distintas de ganhos em operações DayTrade, de juros sobre capital próprio e de variações cambiais ativas, que deveriam ser indicadas nas linhas 22, 33 e 20, respectivamente. Especificamente no que se refere aos rendimentos sob o código de retenção 5273, destinado a operações de swap, embora expressamente classificados nas instruções de preenchimento da DIPJ como Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, há nelas contornos específicos que podem ser visualizados a partir da Resolução do Banco Central nº 2873/2001, a qual permitiu às instituições financeiras realizar essas operações no mercado de balcão: Art. 1º Facultar aos bancos múltiplos, aos bancos comerciais, à Caixa Econômica Federal, aos bancos de investimento, às sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários e às sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários a realização, no mercado de balcão, por conta própria ou de terceiros, de operações de swap, a termo e com opções não padronizadas, referenciadas em ouro, taxas de câmbio, índices de moedas, taxas de juros, mercadorias, índices de preços, índices de taxas de juros, ações de emissão de companhias abertas, índices de ações, debêntures simples ou conversíveis em ações e notas promissórias de emissão de sociedades por ações, destinadas a oferta pública. Parágrafo 1. Para os efeitos desta Resolução: I – são definidas como operações de swap aquelas realizadas para liquidação em data futura que impliquem na troca de resultados financeiros decorrentes da aplicação, sobre valores ativos e passivos, de taxas ou índices utilizados como referenciais; II considerase realizada em mercado de balcão a operação cuja contratação não seja efetivada por meio de leilão ou apregoamento (negrejouse) O Manual de Tributação no Mercado Financeiro, editado em 2011 sob a coordenação de Paulo Marcelo de Oliveira Bento (São Paulo: Editora Saraiva), esclarece que o investidor que aplica em uma operação de swap tem por principal objetivo neutralizar o risco de uma posição ativa (credor) ou passiva (devedor), por meio de troca de fluxos financeiros. Mencionase, ali, que os swaps mais comumente utilizados são os de taxas de juros, câmbio, indicies e commodities e citase, como exemplo de swap de câmbio, o Swap de Dólar x Reais, no qual trocamse fluxos de caixa indexados ao Dólar por fluxos de caixa indexados em Reais (p. 112/113) Neste contexto, seria compreensível um interpretação que resultasse no registro, como variações cambiais, de resultados auferidos em operações de swap câmbio, e assim os indicasse na linha 20 da Ficha 06A da DIPJ, cuja instrução de preenchimento é assim veiculada pela Receita Federal: Linha 06A/20 – Variações Cambiais Ativas Indicar, nesta linha, os ganhos apurados em razão de variações ativas decorrentes da atualização dos direitos de crédito e obrigações, calculados com base nas variações nas taxas de câmbio. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 335 15 Atenção: 1) As variações cambiais ativas decorrentes dos direitos de crédito e de obrigações, em função da taxa de câmbio, serão consideradas como receita financeira, inclusive para fins de cálculo do lucro da exploração (Lei nº 9.718, art. 9º c/c art. 17). 2) Nas atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, as variações cambiais ativas serão reconhecidas como receita segundo as normas constantes da IN SRF nº 84/79, de 20 de dezembro de 1979, da IN SRF nº 23/83, de 25 de março de 1983, e da IN SRF nº 67/88, de 21 de abril de 1988 (IN SRF nº 25/99, de 25 de fevereiro de 1999). A recorrente não aprofunda sua defesa neste sentido. Apenas afirma que as variações cambiais são receitas financeiras, o que é pacífico no âmbito do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99: Variações Monetárias Variações Ativas Art 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). [...] Variações Passivas Art. 377. Na determinação do lucro operacional poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e perdas cambiais e monetárias na realização de créditos, observado o disposto no parágrafo único do art. 375 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 18, parágrafo único, Lei nº 9.249, de 1995, art. 8º). Variações Cambiais Ativas e Passivas Art. 378. Compreendemse nas disposições dos arts. 375 e 377 as variações monetárias apuradas mediante: I compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; II conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; III atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e determinada no encerramento do período de apuração em função da taxa vigente. (negrejouse) Ou seja, a interessada não faz prova em sua manifestação de inconformidade, ou em seu recurso voluntário, da forma de contabilização dos rendimentos auferidos nas operações de swap, nem esclarece porque teria computado os questionados rendimentos na linha destinada a variações cambiais ativas. Todavia, o procedimento adotado pela autoridade Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 336 16 administrativa e os demais elementos presentes nos autos não permitem que seja imputado à interessada o ônus desta prova. De fato, como relatado, a contribuinte juntou aos autos os comprovantes de retenção de imposto de renda na fonte e, destes, extraise praticamente os mesmos valores apurados pela autoridade preparadora no exame das DIRF: Fonte Pagadora Fl. C.Receita Mês Rendimento IRRF Banco ABN Amro Real S A 83 3426 Agosto 473.602,96 94.720,59 Banco Bilbao Vizcaya Arg Brasil S A 87 3426 Setembro 244.457,47 48.891,48 Banco BNP Paribas Brasil S A 90 3426 Setembro 407.227,50 81.445,50 Bank Boston Banco Múltiplo S A 91 6800 Agosto 5.892,83 282,25 Bank Boston Banco Múltiplo S A 91 6800 Setembro 38.189,81 5.727,43 Banco Brascan S A 92 3426 Agosto 191.578,86 38.315,77 HSBC Bank Brasil S A 93 5273 Agosto 3.196.780,84 639.356,18 HSBC Bank Brasil S A 96 5273 Setembro 244.507,55 48.901,51 Banco Citibank S A 94 5273 Julho 2.089.400,37 417.880,06 Banco Citibank S A 94 5273 Agosto 171.836,92 34.367,38 Banco Citibank S A 94 5273 Setembro 431.929,38 86.385,94 Banco Itaú S A 97 3426 Agosto 29.119,68 5.823,93 Banco Itaú S A 97 5273 Agosto 4.752.207,90 950.441,57 Banco Itaú S A 97 5273 Setembro 399.175,69 79.835,13 Banco Santander S A 100 3426 Julho 502.954,43 100.590,88 Banco Sudameris S A 101 3426 Julho 193.167,20 38.633,44 Banco Sudameris S A 101 3426 Setembro 944.469,27 188.893,84 Banco Sudameris S A 101 5273 Julho 4.421.360,74 884.272,16 Banco Sudameris S A 101 5273 Agosto 5.931.186,53 1.186.237,28 Banco Sudameris S A 101 5273 Setembro 678.765,94 135.753,19 Banco Votorantim S A 102 3426 Setembro 325.891,56 65.178,31 Banco Bradesco S A 103 3426 Julho 830.190,81 166.038,16 Banco Bradesco S A 103 3426 Setembro 134.747,16 26.949,43 Banco Bradesco S A 103 5273 Julho 181.872,55 36.374,51 Banco Bradesco S A 103 5273 Setembro 320.330,02 64.065,99 Totais 27.140.843,97 5.425.361,91 De outro lado, a autoridade administrativa, para glosar a dedução de boa parte destas retenções, limitouse a inferir o imposto que teria sido retido sobre as receitas financeiras informadas na linha24 da Ficha 06A, sem exigir esclarecimentos da contribuinte, ou mesmo cogitar que rendimentos das operações de swap poderiam ter natureza assemelhada a variação cambial ativa e, assim, terem sido informados em outra linha da DIPJ. Para além disso, antes do julgamento de 1a instância, a DEFIS/SP desenvolveu procedimento fiscal em face da contribuinte e, examinando sua escrituração, bem como analisando os rendimentos auferidos no conjunto dos três primeiros trimestres de 2001, concluiu pela compatibilidade entre as informações das DIRF, a escrituração e a informação dos valores correspondentes em DIPJ. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 337 17 O quadro abaixo resume o contexto identificado pela autoridade fiscal naquele procedimento: 1º trim/2001 2º trim/2001 3º trim/2001 Receitas Auferidas 11.913.037,88 9.862.870,98 22.702.267,37 DIRF 5273 Rendimento 295.137,90 6.574.068,36 22.574.849,08 3426 Rendimento 2.045.951,50 2.293.895,64 4.521.924,45 5273 IRRF 59.027,57 1.314.813,67 4.514.969,34 3426 IRRF 409.190,27 458.779,08 904.382,85 DIPJ 12.805.378,81 14.982.507,93 23.567.460,15 Claro está que a autoridade lançadora não identificou qualquer irregularidade no descompasso entre o registro contábil dos rendimentos e a sua informação pelas fontes pagadoras, mormente tendo em conta que no 1o trimestre de 2001 a apropriação de receitas auferidas foi muito superior ao informado pelas fontes pagadoras. Importante recordar que as informações acima indicadas como receitas auferidas foram prestadas pela contribuinte quando intimada a apresentar a documentação que serviu de base para os lançamentos constantes dos livros Diário e Razão no anocalendário de 2001, referentes às receitas financeiras constantes da DIPJ/2002, e depois de ter apresentado à Fiscalização”caderno” contendo as fichas 06A, páginas 11, 12, 13 e 14 linhas 20 e 24 da DIPJ/2002, em que foram inseridas as receitas financeiras do anocalendário 2001, assim como as fls. dos livros Diário e Razão em que estão efetuados os lançamentos contábeis de apropriação das receitas financeiras. Quanto ao descompasso entre o momento no qual as receitas financeiras são submetidas à incidência do imposto de renda pelas fontes pagadoras, e o seu registro contábil, a Instrução Normativa SRF nº 25/2001 evidencia que tal pode ocorrer, ao confirmar a incidência do imposto no momento do pagamento ou crédito do rendimento: Aplicação em Títulos e Valores Mobiliários de Renda Fixa Art. 17. Os rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa, auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte por cento. § 1º A base de cálculo do imposto é constituída pela diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do IOF, quando couber, e o valor da aplicação financeira. § 2º Para fins de incidência do imposto de renda na fonte, a alienação compreende qualquer forma de transmissão da propriedade, bem assim a liquidação, o resgate, a cessão ou a repactuação do título ou aplicação. § 3º A transferência de título, valor mobiliário ou aplicação entre contas de custódia não acarreta fato gerador de imposto ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, nem enseja a obrigatoriedade de que trata o art. 16 da Lei nº 9.311, de 1996, desde que: I não haja mudança de titularidade do ativo, nem disponibilidade de recursos para o investidor; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 338 18 II a transferência seja efetuada no mesmo sistema de registro e de liquidação financeira. § 4º Os rendimentos periódicos produzidos por título ou aplicação, bem como qualquer remuneração adicional aos rendimentos prefixados, serão submetidos à incidência do imposto de renda na fonte por ocasião de seu pagamento ou crédito. § 5º No caso de debênture conversível em ações, os rendimentos produzidos até a data da conversão serão tributados nessa data, observado o disposto no § 6º do art. 25. § 6 º As aplicações financeiras de renda fixa existentes em 31 de dezembro de 1997 terão os respectivos rendimentos apropriados pro rata tempore até aquela data e tributados à alíquota de quinze por cento. § 7º Relativamente à alienação de aplicações realizadas até 31 de dezembro de 1995 serão obedecidas as normas sobre determinação da base de cálculo e a alíquota previstas na legislação correspondente aos períodos em que os rendimentos foram produzidos. § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, aos rendimentos produzidos por títulos ou valores mobiliários de renda fixa negociados em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas. [...] Operações de swap Art. 32. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de vinte por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1º A base de cálculo do imposto nas operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap, inclusive quando da cessão do mesmo contrato. § 2º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação ou da cessão do respectivo contrato. § 3º Para efeitos de apuração e pagamento do imposto mensal sobre os ganhos líquidos, as perdas incorridas em operações de swap não poderão ser compensadas com os ganhos líquidos auferidos em outras operações de renda variável. § 4º As perdas incorridas nas operações de que trata este artigo somente serão dedutíveis na determinação do lucro real, se a operação de swap for registrada e contratada de acordo com as normas emitidas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil. § 5º Na apuração do imposto de que trata este artigo, poderão ser considerados como custo da operação os valores pagos a título de cobertura (prêmio) contra eventuais perdas incorridas em operações de swap. § 6º Quando a operação de swap tiver por objeto taxa baseada na remuneração dos depósitos de poupança, esta remuneração será adicionada à base de cálculo do imposto. § 7º No caso de que trata o parágrafo anterior, o valor do imposto fica limitado ao rendimento auferido na liquidação da operação de swap.(negrejouse) E, como demonstração material desta ocorrência, temse o documento de fls. 263/266, juntado a estes autos pela autoridade julgadora, que o extraiu dos autos processo administrativo nº 13807.004807/200410. Tratase ali de um demonstrativo possivelmente elaborado pela contribuinte para controle da evolução de operação denominada CDB PRÉ FIXADO X SWAP CDI, junto ao Banco Bradesco S A, contratada em 10/07/2001, com Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 339 19 vencimento em 15/04/2002, cujo valor principal de R$ 6.613.419,80 evolui com o acréscimo de receitas apropriadas diariamente, e está associado a registros mensais de imposto de renda provisionado, que se distingue dos registros de imposto de renda retido na fonte, apontado apenas quando há resgate, como o anotado em 25/10/2001. O referido demonstrativo aponta que, ao longo do período encerrado em 11/03/2002, foram apropriadas receitas de R$ 799.968,53, com provisão de imposto de renda no valor total de R$ 45.341,96, enquanto a retenção efetiva ficou limitada a R$ 24.619,48, por ocasião do resgate antes mencionado, no valor de R$ 98.477,93. Diante deste contexto, não é possível desqualificar a prova coletada durante o procedimento fiscal, e que instruiu o processo administrativo nº13807.004807/200410, tão só em razão da insuficiência de elementos ali presentes. A autoridade fiscal intimou a interessada a apresentar elementos de sua escrituração e, examinandoos, concluiu por sua regularidade. Se não juntou àqueles autos todas as informações que teve em conta, sua apreciação somente poderia ser desconstituída, em desfavor da interessada, com a prestação de novos esclarecimentos exigidos pela autoridade julgadora. De outro lado, frente à possibilidade de erro no preenchimento da DIPJ, como antes explicitado, não se vislumbra, aqui, a necessidade de qualquer outro esclarecimento a ser prestado pela autoridade fiscal que desenvolveu o procedimento demonstrado às fls. 252/261. As conclusões ali firmadas são coerentes com a alegação da recorrente de que informou os rendimentos questionados na linha 20 da Ficha 06A da DIPJ, e também não destoam das informações prestadas pelas fontes pagadoras nos comprovantes de retenção e na DIRF, quando considerada a possibilidade de os rendimentos terem sido apropriados em período de apuração diferente daquele no qual se verificou a retenção. Diante, portanto, do parecer da autoridade fiscal que concluiu pela regularidade da apuração do IRPJ do 3o trimestre/2001, e ante a insuficiência dos elementos reunidos pela autoridade administrativa que examinou o pedido de restituição e as correlatas compensações, o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, no valor original de R$ 4.147.045,98, deve ser reconhecido à interessada. Esclareçase, apenas, que esta Relatora não tem competência para apreciar o litígio presente nos autos do processo administrativo 19515.008440/200807 – formalizado para exigência de ofício de débito compensado com o crédito aqui tratado, mas não declarado – pois este não lhe foi distribuído. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado e determinar sua imputação aos débitos compensados, com eventual restituição do saldo remanescente à contribuinte. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 11831.006418/200234 Acórdão n.º 110100.572 S1C1T1 Fl. 340 20 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13855.001334/2003-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO DE DIVERGÊNCIA A divergência jurisprudencial, necessária à admissibilidade do recurso especial
de que se trata, não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas.
Numero da decisão: 9101-001.071
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso da Fazenda Nacional, vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner que conhecia do recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso da Fazenda Nacional, vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner que conhecia do recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13855.001334/200342 Acórdão n.º 9101001.071 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão n° 30239.987, que se encontra assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 ATIVIDADE IMPEDITIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. A pessoa jurídica não pode ser excluída do SIMPLES sem que tenha sido buscada ao longo do procedimento fiscal a comprovação da efetiva prática das atividades vedadas por lei. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. O voto do relator do acórdão recorrido conclui que apesar de constar no contrato social da empresa a possibilidade de exercício de atividade vedada, não restou comprovada a efetiva prestação destes serviços pela fiscalização, não impedindo a opção pelo SIMPLES. A recorrente asseverou que a referida decisão não merece prosperar, pois em situação análoga, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes concluiu no sentido inverso, qual seja, a previsão no objeto social da pessoa jurídica de qualquer das atividades vedadas pela Lei 9.317/96 é suficiente para excluíla do SIMPLES, ainda mais quando o contribuinte, sobre o qual recai o ônus da prova, não logrou comprovar que não exerce efetivamente a atividade impedida. É a seguinte a ementa do acórdão paradigma Ac. nº 30134.390: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002. PROVAS. O recurso deve vir acompanhado das provas ou da solicitação daquelas que se pretende produzir. A recorrente não atendeu à intimação visando à produção de provas. Apresentou argumentos em sede de recurso desacompanhados dos meios de prova. EXCLUSÃO. SIMPLES. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13855.001334/200342 Acórdão n.º 9101001.071 CSRFT1 Fl. 3 3 Cabível a exclusão da sistemática do SIMPLES quando consta do contrato social que a pessoa jurídica exerce atividades vedadas pela Lei n.s 9.317/2006. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF deu seguimento ao recurso, por atendidos os pressupostos que o legitimam. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13855.001334/200342 Acórdão n.º 9101001.071 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Conforme se depreende dos autos, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, assim situou o dissídio jurisprudencial, a reclamar uniformização: Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. O voto do relator do acórdão recorrido conclui que apesar de constar no contrato social da empresa a possibilidade de exercício de atividade vedada, não restou comprovada a efetiva prestação destes serviços pela fiscalização. Em sentido inverso é o entendimento do acórdão paradigma, qual seja, a previsão no objeto social da pessoa jurídica de qualquer das atividades vedadas pela Lei 9.317/96 é suficiente para excluíla do SIMPLES, ainda mais quando o contribuinte, sobre o qual recai o ônus da prova, não logrou comprovar que não exerce efetivamente a atividade impedida. O dissídio apontado pela autoridade que admitiu o recurso giraria em torno da previsão, no objeto social da pessoa jurídica, de atividade impeditiva da opção pelo Simples, precisamente, se esse fato é ou não suficiente para determinar a exclusão do sistema. Bem analisados os julgados confrontados, vêse, contudo, que a divergência se deu, exclusivamente, em função das provas. A conferir: No paradigma, analisavase situação em que a exclusão deuse com base, exclusivamente, no contrato social que previa atividade impeditiva, tendo a empresa alegado não exercêla, sem, contudo nada trazer para demonstrálo. A Câmara, para verificar a procedência da alegação, determinou diligência que resultou infrutífera. Dando continuidade ao julgamento, foi mantida a exclusão por falta de prova de que a empresa não exercia a atividade vedada. Constou do voto do Relator: “Dessa forma, a repartição de origem retornou o processo a esta 1•" Câmara sem a realização da diligência, conforme Resolução nº 3011.551. A outra questão é se a mera formalidade de constar no contrato social atividade vedada é suficiente para excluir a contribuinte do SIMPLES. Penso que sim, pois se não poderia ter optado pelo SIMPLES, e sequer ter sido cadastrada como optante, presente situação de exclusão, ainda que formal, cabe a exclusão da sistemática do SIMPLES. No caso em tela, o contraditório e a ampla defesa são Fl. 138DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13855.001334/200342 Acórdão n.º 9101001.071 CSRFT1 Fl. 5 5 assegurados a partir do ato de exclusão de ofício, conforme preceito insculpido no § 3º. do artigo 15 da Lei n. 9.317/1996, verbis: § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Acrescido pelo art. 3º da Lei nº 9.732/98) Todavia, é de se admitir que a presunção é juris tantum, admitindose prova em contrário. É que no processo administrativo deve ficar em relevo, sempre, o princípio da verdade material. Por óbvio, a recorrente poderia ter carreado aos autos provas de que não exerceu a atividade vedada, ou simplesmente ter contribuído para que a diligência requerida pela Colenda 1ª Câmara fosse levada a bom termo. Tal não ocorreu. Atualmente, o acompanhamento dos processos administrativos fiscais pode ser realizado através dos sistemas informatizados disponíveis, sem a necessidade de deslocamento até a repartição fiscal. O não atendimento ao esforço da autoridade administrativa para cumprir com a diligência não encontra qualquer justificativa plausível. Salvo melhor juízo, credito à inércia da recorrente ou à falta de vigilância da mesma a não realização da diligência. No direito pátrio, culpa in vigilando. O direito de produzir provas, provido pelo julgador de 2ª instância administrativa, foi solenemente desprezado pela recorrente, tendo sido fulminado pela preclusão. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Como se vê, não foi simplesmente porque constava do contrato social atividade vedada que a 1ª Câmara do extinto Terceiro Conselho manteve a exclusão. O voto condutor diz expressamente que se trata de presunção juris tantum, ou seja, que poderia ser elidida mediante apresentação de prova de que a atividade não é exercida. Contudo, manteve a exclusão por falta de prova. Aliás, sobre essa questão, a Administração Tributária tem o entendimento de que, em relação à previsão, no contrato social, de atividades impeditivas e não impeditivas, a vedação não é absoluta, e o fundamento da proibição é que seja efetivamente realizada a atividade impeditiva. É o que se depreende do Boletim Central n.° 55/97, por meio do qual a Coordenação do Sistema de Tributação Cosit esclareceu diversos aspectos do SIMPLES. Quanto às atividades impeditivas, se previstas no contrato social da empresa juntamente com atividades permitidas, o ato esclarece: “7) Se constar do contrato social que a PJ pode exercer alguma atividade que impeça a opção pelo SIMPLES, ainda que não venha a obter receita dessa atividade, tal fato é motivo que impeça sua opção por esse regime de tributação? Fl. 139DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13855.001334/200342 Acórdão n.º 9101001.071 CSRFT1 Fl. 6 6 Se no contrato social constarem unicamente atividades que vedam a opção, a pessoa jurídica deverá alterar o contrato para obter a inscrição no SIMPLES, valendo a alteração para o ano calendário subseqüente. Excepcionalmente, será admitida a alteração do contrato social, para adaptálo ao SIMPLES, até 31/03197, desde que, neste ano de 1997, não tenha obtido receitas de atividades impeditivas. Admitirseá, no entanto, a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, condicionandose neste caso, porém, a possibilidade de opção e permanência no SIMPLES, ao exercício tão somente das atividades não vedadas. De outra parte, também estará impedida de optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social. (negrito acrescido) A ilustre representante da Fazenda Nacional salienta que (...) a decisão de 1ª instância excluiu a contribuinte do SIMPLES não somente pelo fato de constar no contrato social o exercício de atividade vedada nem por considerar insuficiente a prova apresentada pelo contribuinte, mas utilizouse ainda das provas trazidas aos autos pela representação administrativa feita pelo INSS e suficientes à comprovação da locação de mãodeobra. Notase do Contrato particular de prestação de serviços sem vínculo empregatício firmado com a empresa Usina de Açúcar e Álcool MB Ltda., a comprovação da locação de mãodeobra, especialmente em decorrência do previsto na cláusula 64 do mesmo (Da Responsabilidade). Foram apresentadas ainda notas fiscais de Prestação de Serviços de n9s 000022 a 000028 com a finalidade de caracterizar continuidade dos serviços, outra característica da locação de mãodeobra.” (negritos acrescentados) Contudo, esses fatos foram analisados no voto condutor do acórdão vergastado, que assentou: Ao meu sentir, não é isso que se depreende dos termos contratuais em que a prestação de serviço foi pactuada. O fato de toda a responsabilidade pelos empregados que realizam o serviço, "do ponto de vista jurídico", ficar a cargo da empresa contratada, não admite a presunção de que esta esteja locando mãodeobra, apenas delimita os termos em que o serviço será contratado e se destina a dispensar a contratante de responsabilidades de natureza trabalhista. Houvesse qualquer evidência de vinculação hierárquica entre os empregados e a contratante e, aí sim, poderseia pensar nesta direção, mas não há. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13855.001334/200342 Acórdão n.º 9101001.071 CSRFT1 Fl. 7 7 O recurso especial manejado busca uniformizar divergência de interpretação da legislação, e não de apreciação da prova. Assim já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF 0104.592, assim ementado: "GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS. COMBUSTÍVEIS. MATÉRIA DE PROVA. A divergência jurisprudencial, necessária à admissibilidade do recurso especial de que trata o artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas. Recurso especial não conhecido." Dessa forma, não me é dado, nesta instância, manifestarme quanto à avaliação, por parte do Colegiado recorrido, da prova em que se baseou a fiscalização (o contrato e as notas fiscais) para excluir a empresa do Simples. Em síntese, são confrontados dois julgados com as seguintes características: 1 Acórdão guerreado: a) A fiscalização, considerando a previsão de atividade impeditiva no contrato social, e à vista de contrato de prestação de serviços firmado pela empresa e notas fiscais correspondentes, concluiu que ela exercia atividade impeditiva e a excluiu do Simples; b) A 3ª Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, à vista dos mesmos elementos em que se baseou a fiscalização, concluiu não serem eles suficientes para comprovar que a empresa exercia atividade impeditiva. C) O ACORDÃO GUERREADO AFIRMOU COM BASE NOS ELEMENTOS DOS AUTOS QUE O CONTRIBUINTE NÃO DESENVOLVE ATIVIDADES IMPEDITIVAS. 2 Acórdão paradigma: a) A fiscalização, exclusivamente à vista da previsão de atividade impeditiva no contrato social, excluiua do Simples; b) A 1ª Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes determinou diligência para apurar se efetivamente a empresa exercia a atividade impeditiva (eis que a exclusão deuse apenas com base no contrato social), mas essa prova não foi obtida por culpa exclusiva da contribuinte, o quê implicou manutenção da exclusão. Em conclusão, entendo que, à falta de identidade fática entre os julgados, não se concretizou a necessidade de uniformização de entendimentos. Isto posto, não conheço do recurso. Sala das Sessões, em 28 28 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 141DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 13855.001334/200342 Acórdão n.º 9101001.071 CSRFT1 Fl. 8 8 Fl. 142DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/07/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000972/2002-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1998
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR.ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES
AÇÃO FISCAL.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em
observância ao princípio da verdade material.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA.
De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção
do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL.
Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se
as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório AMBRÓSIO OLEGÁRIO DE LIMA, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 25/11/2002, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1998, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda São Bento”, localizado no município de Lambari D’oeste/MS, inscrita na RFB sob nº 10813608, conforme peça inaugural do feito, às fls. 35/43, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 4.179/2004, às fls. 102/109, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 25/01/2007, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30334.046, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR EXERCÍCIO: 2000 Ementa: ITR. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Constatado de forma inequívoca erro no preenchimento da DITR, mediante a apresentação da matrícula Fl. 327DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 3 3 do imóvel, há que ser procedida a revisão do lançamento pela autoridade administrativa. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E DE RESERVA LEGAL (ARL) A teor do artigo 100, §7° da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10, INCISO II, ALÍNEA "A", DA LEI N° 9.393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ITR. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) E DE RESERVA LEGAL (ARL). Constatandose das alegações do contribuinte, comprovadas por meio de Laudo Técnico, Ato Declaratório Ambiental — ADA, e averbação junto à matrícula do imóvel, que as áreas de preservação permanente e de reserva legal são inferiores às inicialmente declaradas, é de se adequar o lançamento à dimensão da área efetivamente comprovada.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 157/174, com arrimo no artigo 5º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito das mesmas matérias, conforme se extrai do Acórdão nº 30236.278, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovadas às divergências arguidas. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel e requisição atempada do ADA, respectivamente, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição do ADA, e Leis nºs 7.803/89 e 9.393/1996, relativamente à exigência da averbação tempestiva da área de reserva legal. Infere que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel. Fl. 328DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 4 4 Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no art. 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF/nº 43/1997, (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Aduz que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente a esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas a assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Relativamente à área de Preservação Permanente, defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento e a protocolização atempada do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Fl. 329DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 5 5 Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre então Presidente da 3ª Câmara do 3o Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito das mesmas matérias, conforme Despacho n° 383/2007, às fls. 194/197. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 212/224, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua pretensão. Igualmente, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 225/253, inovando os argumentos aduzidos em sede de recurso voluntário, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada no que tange aos requisitos de admissibilidade, o que ensejou o não conhecimento de sua peça recursal em face da ausência de préquestionamento, nos termos do Despacho n° 235/2008, às fls. 289/291, da lavra da ilustre Presidente da Câmara recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela nobre Presidente da 3ª Câmara do 3o Conselho a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação da averbação tempestiva da reserva legal à margem da matrícula do imóvel e, bem assim, o protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação da reserva legal e requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida malferiu o regramento inserto no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações) e as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, bem como a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Fl. 330DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 6 6 Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do Fl. 331DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 7 7 direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que Fl. 332DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 8 8 frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, e que fora determinante para os demais Conselheiros que acompanharam o presente voto pelas conclusões, é que o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta, inclusive, que a averbação fora procedida, ainda que intempestivamente (posteriormente ao fato gerador), mas antes do início da ação fiscal, em 13/04/1998, como a própria autoridade julgadora de primeira instância reconhece em seu decisum, às fls. 107. Nesse sentido, afora entendimento pessoal a propósito da matéria acima alinhavado, destacase que a averbação à margem da escritura do imóvel, ainda que intempestiva, associada ao Laudo Técnico, às fls. 08/18, e ao ADA, às fls. 20, se prestam a comprovar a existência da área de reserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional. 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 333DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 9 9 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – INEXIGÊNCIA – EXERCÍCIO 2000 Por outro lado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se vislumbra na hipótese vertente (Exercício 1998). Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou Enunciado da Súmula, contemplando o tema, afastando qualquer dúvida quanto à matéria, nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Neste sentido, em que pese o contribuinte ter trazido à colação documentos comprobatórios da existência da área de preservação permanente admitida pelo Acórdão recorrido, inclusive ADA, ainda que intempestivo e Laudo Técnico, de fls. 08/18, o certo é que à época da ocorrência do fato gerador do tributo em comento (1998), não se poderia exigir o ADA tempestivo ou não para fins de gozo do benefício fiscal sob análise, reforçando a tese levada a efeito do decisório guerreado. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento, exclusivamente, a requisição atempada do ADA e à averbação tempestiva da reserva legal junto a matricula do imóvel, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a Fl. 334DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 10 10 interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 3ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 335DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 13161.000972/200273 Acórdão n.º 920201.783 CSRFT2 Fl. 11 11 Fl. 336DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 11516.002630/2004-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-001.740
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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CUMULATIVIDADE Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado ALI KASSEM NAJMEDINNE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres. HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Fl. 297DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Marcelo Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hofmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonett Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.002630/200467 Acórdão n.º 920201.740 CSRFT2 Fl. 284 3 Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade interposto pela digna Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), contra acórdão que, no mérito, reconheceu se ser indevida a cobrança da multa isolada instituída pelo III, § 1°, Art. 44, da Lei n° 9.430/96, quando já lançada a multa de ofício pelo não pagamento do tributo. O acórdão traz as seguintes ementa e decisão, com destaque da parte recorrida: PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de • defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — PRORROGAÇÃO — Não há que se falar em nulidade do auto de infração se as prorrogações do "MPF" foram efetuadas dentro dos prazos previstos pela Portaria SRF n° 3.007/2001, não sendo cabível alegar a extinção do Mandado de Procedimento Fiscal e muito menos a nulidade dos procedimentos fiscais. IRPF DOAÇÃO ISENÇÃO Deve ser reconhecida a isenção legalmente prevista, da doação de recursos provenientes do exterior, quando restar comprovada por documentação hábil e idônea, inclusive com reconhecimento de validade por autoridade estrangeira. No processo administrativo é imprescindível que seja alcançada total segurança e certeza da ocorrência dos fatos e também respeito à verdade material. O princípio da informalidade dispensa ritos e formas rígidas. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – COMPROVAÇÃO DE RECURSOS PROVENIENTES DA VENDA DE IMÓVEL – A escritura pública de compra e venda é o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel. O simples contrato de promessa de compra e venda de imóvel, desacompanhado de quaisquer outras provas não é capaz de respaldar recursos não considerados no demonstrativo de evolução patrimonial. EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte a comprovação do efetivo ingresso dos recursos obtidos por empréstimo. Inaceitável a prova de empréstimo, feita somente com declaração firmada pelo mutuante, sem qualquer outro meios, como comprovação da efetiva transferência de numerário, capacidade financeira do credor, ou ainda, Fl. 299DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 regularmente declarado pelos contribuintes, devedor e credor, nas declarações de rendimentos apresentadas no prazo legal. MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de oficio normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ALI KASSEM NAJMEDDINE. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a exigência a titulo de "omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior" e a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acompanha o Relator, pelas conclusões, o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka em relação à omissão de rendimentos. Vencido o Conselheiro Bernardo Augusto Duque Bacelar (Suplente Convocado) que mantém a multa isolada. Alega a recorrente que a decisão contrariou a legislação: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: §1° As multas de que trata esse artigo serão exigidas: (...) III isoladamente, no caso de pessoa fisica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8" da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Seguem alguns trechos do recurso especial: 5 Com efeito, o recorrido deve pagar a multa disposta no art. 44, §1°, inc. III, da Lei 9.430/96, pois não se configura, no presente caso, hipótese que dispense a exigência. 6 A teor art. 44, §1, "III", da Lei 9430/96, a "multa isolada" é devida em função do não pagamento mensal do imposto. 7 No caso, não há dúvida de que o recorrido deixou de observar o carnêleão. 8 A e. Câmara a que aduz que não poderia ser exigida a multa isolada porque "o dispositivo legal é bastante claro quando diz que a multa cabível no caso de pessoa física que não efetua o pagamento mensal por carnêleão somente será aplicada de forma isolada, sendo indevida e ilegal a cumulação". Fl. 300DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.002630/200467 Acórdão n.º 920201.740 CSRFT2 Fl. 285 5 9 Data maxima venia, há equivoco na afirmação de que o Fisco estaria exigindo duas multas sobre uma única infração. 10 Com efeito, as infrações apenadas pela chamada "multa de oficio" e pela "multa isolada" são diferentes. A multa de oficio decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento da formalidade exigida no preenchimento do carneleão. ... 13 Por outro lado, a multa isolada e a multa de oficio não estão incidindo sobre a mesma base de cálculo, o que se constata em fl. 101 dos autos. 14 Em suma, as multas de oficio e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem. Cabe ressaltar que o recurso especial também visava ao reexame da omissão de ganho patrimonial advindo do exterior, considerado como doação e, portanto, isento do imposto; no entanto, decidiuse, fls. 0280, após agravo, fls. 0264, que fosse mantida a decisão que negou seguimento, nessa parte, ao recurso especial, sob fundamento de que a divergência não fora comprovada. Regularmente notificado do Acórdão, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou requerimento onde solicita o trâmite imediato dos autos, a fim de providenciar o pagamento da parte remanescente. É o Relatório. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Sendo tempestivo, comprovada a contrariedade e atendidos os demais pressupostos conheço do recurso especial. Quanto à alegação da recorrente sobre a contrariedade à Lei, devido a exclusão da multa isolada por impossibilidade da concomitância com a multa de ofício prevista no 44, I e II, da Lei nº 9.430/96, devemos verificar a legislação. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; Em nosso entendimento demonstrase com clareza a existência de duas multas, que dependem para sua definição de aplicação da conduta do sujeito passivo. Nesse sentido, correto o entendimento presente no esclarecedor voto do Conselheiro José Raimundo Tosta Santos (Processo: 10950.003984/200275), que utilizaremos como razões de decidir: “No que tange à exigência concomitante da multa de oficio e da multa isolada, decorrente do mesmo fato — omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas — entendo não ser possível cumularse as referidas penalidades. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: "Art. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 302DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11516.002630/200467 Acórdão n.º 920201.740 CSRFT2 Fl. 286 7 I — de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento – ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ... § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II — isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III — isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8' da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste,. Não se quer, nesta esfera administrativa, proclamar a inconstitucionalidade do § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996. Tratase, sim, de interpretála de forma sistemática, em harmonia com o ordenamento jurídico onde está inserida, do qual, a toda evidência, faz parte e deve ser incluída até mesmo (e principalmente) a Constituição, bem assim as leis complementares dela decorrentes. Não é o caso, por conseguinte, de se afastar por completo a aplicação da multa isolada. Será ela pertinente quando a autoridade tributária, valendose da prerrogativa de fiscalizar o contribuinte no próprio anocalendário (RIR/99, art. 907, parágrafo único), ou mesmo em momento posterior a este, detectar a falta de recolhimento mensal. Aí a multa terá lugar, mesmo que o autuado não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Verificado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (CarnêLeão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento de oficio, ou seja, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo, a multa isolada não deve prevalecer. A multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão resulta da glosa das deduções do livro caixa (que integra o item 003 do lançamento em exame), conforme esclarece o Termo de Verificação Fiscal às fls. 418 (final) e 419. Nesse sentido é a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1', do art. 44, da Lei n" 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo." (Câmara Superior do Fl. 303DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Portanto, por entender – como no voto citado e na decisão da Câmara Superior citada – tratarse de multas diversas e por não ser possível a concomitância da multa sobre a mesma base de cálculo, nego provimento às razões da recorrente, na forma do voto. CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da nobre Procuradoria da Fazenda Nacional, pelas razões de fato e de direito acima expostas. Marcelo Oliveira Relator Fl. 304DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13830.000047/2001-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1997
INSTRUMENTOS PARTICULARES PROVA.
A transcrição de instrumentos particulares no Cartório de Títulos e Documentos e outras formalidades, prevista no art. 128, I da Lei de Registros Públicos, não são imperativas para que eles possam produzir efeitos tributários, eis que a obrigação tributária é ex lege e não decorre diretamente do negócio jurídico celebrado por instrumento particular, mas dos enunciados
legais que fazem considerar tal negócio como elemento integrante da hipótese de incidência tributária.
O contrato de arrendamento, mesmo que por instrumento particular, pode ser elemento integrante do conjunto probatório dos autos, criando presunção iuris tanto de utilização do imóvel que, se não infirmada pela autoridade fiscal, deve prevalecer.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.614
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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A transcrição de instrumentos particulares no Cartório de Títulos e Documentos e outras formalidades, prevista no art. 128, I da Lei de Registros Públicos, não são imperativas para que eles possam produzir efeitos tributários, eis que a obrigação tributária é ex lege e não decorre diretamente do negócio jurídico celebrado por instrumento particular, mas dos enunciados legais que fazem considerar tal negócio como elemento integrante da hipótese de incidência tributária. O contrato de arrendamento, mesmo que por instrumento particular, pode ser elemento integrante do conjunto probatório dos autos, criando presunção iuris tanto de utilização do imóvel que, se não infirmada pela autoridade fiscal, deve prevalecer. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator (assinado digitalmente) EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Ardevino de Paiva foi lavrado o auto de infração de fls. 02/04, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1997, em decorrência da alteração do grau de utilização do imóvel Fazenda São Mateus, Ribeirão Alegre. A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 30332.556, que se encontra às fls. 90/92 e cuja ementa é a seguinte: “IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. O contrato de arrendamento da terra, mesmo por instrumento particular, acarreta presunção júris tantum de sua utilização na forma da lei.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 16/03/2006 (fls. 93) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 95/100, em que sustenta divergência entre o v. acórdão e o acórdão nº 30130.478 proferido pela 1ª Câmara do antigo 3º Conselho de Contribuintes, no tocante à documentação hábil para comprovar a utilização do imóvel. Ao Recurso Especial foi dado seguimento como recurso de divergência, conforme Despacho nº 117/2006, datado de 31 de março de 2006 (fls. 105/106). Fl. 134DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13830.000047/200131 Acórdão n.º 920201.614 CSRFT2 Fl. 2 3 Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 112/120. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. O acórdão recorrido (Acórdão nº 30332.556), exarado pela C. 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, concluiu que a apresentação do contrato de arrendamento é suficiente para comprovação de utilização do imóvel para o plantio, nos termos como pactuado entre as partes no referido instrumento. Visando à rediscussão da matéria a recorrente indicou como paradigma para demonstrar a divergência de interpretação o Acórdão nº 30130.478. O acórdão citado como paradigma pela Procuradoria da Fazenda Nacional claramente analisou situação em que a ausência de registro no Cartório de Títulos e Documentos de de contrato de arrendamento por instrumento particular o torna imprestável para comprovação da utilização do imóvel, como se verifica das transcrições abaixo: “ITR/95. GRAU DE UTILIZAÇÃO DO IMÓVEL. REBANHO. A retificação do cálculo do tributo em função do alegado rebanho depende da apresentação de provas consistentes da existência dos animais na propriedade, não sendo suficiente, para isso, a apresentação de contrato de arrendamento.” O entendimento da decisão apontada como paradigma foi no sentido de que o contrato de arrendamento não é suficiente para comprovar a utilização do imóvel. Entendo assim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Passo ao exame do mérito. A Recorrente pleiteia a reforma do v. acórdão recorrido sustentando que o contrato particular, sem o registro competente, não opera efeitos perante terceiros, sendo insuficiente para comprovar a utilização do imóvel e o conseqüente Grau de Utilização declarado pelo contribuinte. Entendo, no entanto, que a posição da Procuradoria da Fazenda Nacional não merece prosperar no caso em exame. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O contrato de arrendamento apresentado comprova o negócio jurídico a que se refere, sendo que eventual registro em cartório de títulos e documentos ou averbação na matrícula do imóvel não são imperativos para que os documentos possam produzir efeitos tributários, ou seja, para que o fato (arrendamento) se subsuma à regramatriz da incidência tributária, eis que a obrigação tributária é ex lege, não havendo como o sujeito ativo ou passivo da obrigação tributária determinarem o momento da criação desta obrigação. Dessa forma, não há como aceitar a afirmação genérica constante das razões de recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional de que instrumentos particulares “não se operam perante terceiros”. Com efeito, a transcrição de instrumentos particulares prevista do art. 128, I da Lei n. 6.015/1973 e no art. 221 do Código Civil de 2002, são necessárias para que o ato possa produzir efeitos diretos perante terceiros, nas situações em que se pretenda que a estes se imputem direitos ou obrigações diretamente decorrentes do ato. Não é o caso da prova de atos jurídicos que estejam no antecedente da regra matriz de incidência tributária, eis que a atribuição de direitos ao Fisco não decorre, neste caso, do ato jurídico praticado, mas de norma legal que estabelece que atos jurídicos daquela classe constituem o suporte fático para o nascimento da obrigação tributária. Em outras palavras, por ser a obrigação tributária necessariamente decorrente de lei, não tem o contribuinte o condão de determinar, com a prática do ato qualificado em lei como “fato gerador”, o poder de decidir se quer ou não que ele produza efeitos perante o Fisco. Sua única opção quanto aos efeitos fiscais é praticar ou não o ato, ou praticar ato de natureza diversa, não colhido como “fato gerador” pela lei. No caso dos autos, a utilização do imóvel foi objeto de análise pelo v. acórdão recorrido, tendo sido consignado pelo Relator (fls. 92), in vebis: “A área cuja utilização é disputada tem sólidas evidências de ser efetivamente plantada com canadeaçúcar, já pelo contrato de arrendamento, cuja duração se alongou com sua renovação, já pela declaração solene do arrendatário. Ambas as peças criam, em bona fide, uma suposição de veracidade do alegado. Trata se, claro está, de suposição juris tantum, que poderia ser derrubada por uma ação fiscalizatória simples — digamos, uma visita do agente do Fisco à propriedade, se houvesse qualquer desconfiança quanto ao que informa o sujeito passivo. Entretanto ninguém se dá a esse trabalho, optandose por decretar a inverdade do declarado apenas porque o instrumento particular de arrendamento não foi levado ao competente registro. Ou antes, tratase de uma postura ainda mais nociva: a de considerar que a verdade factual é irrelevante se não for registrada em cartório. Entendo que, em face dos elementos de convicção, perfeitamente aceitáveis, oferecidos pelo recorrente, competiria à autoridade exatora, que conta com os instrumentos legais para fazêlo, demonstrar a falsidade das alegações. Por assim considerar, dou provimento ao recurso.” Fl. 136DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13830.000047/200131 Acórdão n.º 920201.614 CSRFT2 Fl. 3 5 Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Gustavo Lian Haddad (assinado digitalmente) Fl. 137DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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