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Numero do processo: 15165.000801/2004-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 02/02/2000 a 31/08/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DRAWBACK SUSPENSÃO. INCLUSÃO NO REGIME. IMPORTAÇÕES DESEMBARAÇADAS. POSSIBILIDADE.
As normas mencionadas pela fiscalização não são adequadas para caracterizar a preclusão da contribuinte para requerer a inclusão no regime de Drawback Suspensão das importações já desembaraçadas, mas realizadas durante o prazo de fruição desse regime.
Diante da comprovação na diligência no sentido de que, para parte das importações apontadas pela requerente, houve o adimplemento do compromisso de exportar com o atendimento do princípio da vinculação física do insumo importado ao produto exportado em conformidade com o Ato Concessório, tem-se que a suspensão da exigibilidade do tributo aplicável a essas importações transformou-se em isenção, cabendo a restituição proporcional do montante do tributo recolhido por ocasião do registro dessas Declarações de Importação no Siscomex.
DRAWBACK INTEGRADO. ART. 17 DA LEI 11.774/2008. EFICÁCIA. REGULAMENTAÇÃO. VIGÊNCIA. ATOS CONCESSÓRIOS ANTERIORES. NÃO APLICAÇÃO.
A fungibilidade adotada para o regime aduaneiro de Drawback Integrado não se aplica retroativamente aos regimes de Drawback concedidos sob a sistemática anterior.
O art. 17 da Lei nº 11.744/2008 não era autoaplicável, estando sua eficácia condicionada à regulamentação da Receita Federal e da Secex, que veio ocorrer com a publicação da Portaria Conjunta RFB/Secex nº467,de25 de março de 2010, publicada no DOU de 26/03/2010, alterada pela Portaria Conjunta RFB/Secex nº 1.618, de 02 de setembro de 2014, que estabeleceu o novo regime de Drawback Integrado somente para importações ocorridas a partir de 28 de julho de 2010 com o cumprimento dos demais requisitos do novo regime de Drawback Integrado.
Recurso Voluntário Provido em parte
Numero da decisão: 3402-004.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento parcial em maior extensão. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, na parte em que convergiu com a Relatora, votou pelas conclusões. Declarou-se impedido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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DRAWBACK SUSPENSÃO. INCLUSÃO NO REGIME. IMPORTAÇÕES DESEMBARAÇADAS. POSSIBILIDADE. As normas mencionadas pela fiscalização não são adequadas para caracterizar a preclusão da contribuinte para requerer a inclusão no regime de Drawback Suspensão das importações já desembaraçadas, mas realizadas durante o prazo de fruição desse regime. Diante da comprovação na diligência no sentido de que, para parte das importações apontadas pela requerente, houve o adimplemento do compromisso de exportar com o atendimento do princípio da vinculação física do insumo importado ao produto exportado em conformidade com o Ato Concessório, temse que a suspensão da exigibilidade do tributo aplicável a essas importações transformouse em isenção, cabendo a restituição proporcional do montante do tributo recolhido por ocasião do registro dessas Declarações de Importação no Siscomex. DRAWBACK INTEGRADO. ART. 17 DA LEI 11.774/2008. EFICÁCIA. REGULAMENTAÇÃO. VIGÊNCIA. ATOS CONCESSÓRIOS ANTERIORES. NÃO APLICAÇÃO. A fungibilidade adotada para o regime aduaneiro de Drawback Integrado não se aplica retroativamente aos regimes de Drawback concedidos sob a sistemática anterior. O art. 17 da Lei nº 11.744/2008 não era autoaplicável, estando sua eficácia condicionada à regulamentação da Receita Federal e da Secex, que veio ocorrer com a publicação da Portaria Conjunta RFB/Secex nº467,de25 de março de 2010, publicada no DOU de 26/03/2010, alterada pela Portaria Conjunta RFB/Secex nº 1.618, de 02 de setembro de 2014, que estabeleceu o novo regime de Drawback Integrado somente para importações ocorridas a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 08 01 /2 00 4- 00 Fl. 1090DF CARF MF 2 partir de 28 de julho de 2010 com o cumprimento dos demais requisitos do novo regime de Drawback Integrado. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento parcial em maior extensão. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, na parte em que convergiu com a Relatora, votou pelas conclusões. Declarouse impedido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 02/02/2000 a 31/08/2001 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. RECONHECIMENTO DO REGIME. RESTITUIÇÃO. Indeferese o pedido de restituição de Imposto de Importação, protocolado depois de decorridos mais de 2 anos do vencimento do prazo do Ato Concessório, tendo em vista estar superada a oportunidade, definida legalmente, de enquadramento das referidas operações de importação no Regime de Drawback. Solicitação Indeferida Versa o processo sobre pedido da contribuinte de restituição de Imposto sobre a Importação, que teria sido pago indevidamente, no montante de R$16.459.550,00, atualizados pela SELIC desde a data do requerimento até o momento da restituição, sob os seguintes fatos e fundamentos: A contribuinte obteve em 02/02/2000 junto a Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil o Regime Aduaneiro Especial de DrawbackSuspensão, através do Ato Concessório n° Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.091 3 284100/0000107, visando à importação de matériasprimas, conjuntos, peças e partes, bem como outros insumos, destinados à fabricação de veículos modelo Golf. Após alguns aditamentos ao Regime inicialmente concedido, o valor compromissado de exportações foi fixado em R$1.210.060.000,00, tendo a beneficiária direito de importar, com suspensão dos tributos aduaneiros, 50% do montante total das exportações, até a data de 08/03/2002, prazo final de validade do Ato Concessório. A requerente cumpriu o compromisso de exportação assumido, com a venda para o exterior de veículos modelo Golf e quadros auxiliares no valor de US$1.097.482.155,63, encerrandose, assim, o Regime Especial concedido, conforme atestou o Banco do Brasil, mediante correspondência. Ocorre, entretanto, que das importações beneficiadas pelo Regime de Drawback, cujo valor total alcançou a quantia de US$ 456.365.526,00, conforme informado no Relatório Unificado das Importações, parte substancial, no montante de US$ 220.755.378,00, foi indevidamente oferecida à tributação, com o recolhimento do Imposto de Importação. Por conseguinte, a requerente entende que pagou, antecipada e equivocadamente, o tributo que só seria devido caso descumprida a condição do "Drawback", o que não ocorreu, visto que efetivamente efetuou as exportações necessárias ao cumprimento do Regime, caracterizandose o recolhimento indevido do Imposto de Importação, assistindolhe o direito à restituição destes valores, a teor do art. 2°, inc. I, da IN/SRF n° 210/2002. Para comprovar os fatos alegados, apresenta Certidão emitida pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior da Secex, a qual atesta que foram realizadas importações, fora do Regime de Drawback, durante o prazo de validade do mesmo, no valor acima referido, tratandose de mercadorias de natureza semelhante àquelas utilizadas na fabricação dos veículos e conjuntos exportados. Mediante o Despacho Decisório n° 64/2004, a autoridade administrativa indeferiu o pedido da contribuinte, com base nas razões expostas no documento denominado "Análise e Informação IRF CTA SARAT nº 125/2004", nos seguintes termos (fls. 89 a 95): (...) 10. Ora, supondo que esses bens importados pudessem ter sido incluídos sob o benefício oferecido pelo Ato Concessório Drawback suspensão citado, vejo que eles já não mais o podem ser, pois o interessado a está requerendo a destempo, para uma fase processual já superada, para exercitar uma prerrogativa que ele já havia exercido validamente naquele Ato Concessório, e, também, porque ele vem requerer algo que já havia decaído. O Ato Concessório venceu em 08/03/2002 e o interessado esta vindo requerer em 07/05/2004. Ou seja, houve, além da decadência, preclusão temporal, lógica, consumativa. E o requerente não apresentou qualquer justa causa que possa afastar tal limite. (...) DA NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS BENS PLEITEADOS ESTIVESSEM ACOBERTADOS PELO ATO CONCEDENTE CITADO. 11. O contribuinte, ao contrário do que argumenta e insinua em sua petição, não demonstra que esses bens estivessem acobertados efetivamente pelo Regime Suspensivo patrocinado pelo Drawback que exercitou. Ele também não demonstra que esses bens pudessem estar acobertados por aquele ato. (anexos à petição apenas: relação de bens importados, fls. 24/71, e de DI's, fls. 73/84, todos não abrangidos pelo Ato Concessório). Fl. 1092DF CARF MF 4 DA NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE A AUTORIDADE CONCEDENTE DO DRAWBACK SUSPENSÃO TENHA INCLUÍDO OS BENS PLEITEADOS NESSE REGIME. 12. A Certidão do DECEX de fls. 73, em favor do estabelecimento em epígrafe (não menciona outros), deixa claro que houve outras importações ocorridas no mesmo período das acobertadas pelo Ato Concessório, MAS QUE: (A) ESTAS ESTAVAM FORA DO REGIME DRAWBACK SUSPENSIVO; (B) SE REFERIAM A BENS DE NATUREZA SEMELHANTE AOS USADOS NA FABRICAÇÃO DOS BENS EXPORTADOS. Ou seja, esses bens não estavam protegidos por aquele Ato Concessório e a autoridade concedente (o DECEX/SECEX) não declara que eles passaram a estar incluídos naquele Ato. DA NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO E DO ATENDIMENTO DAS CONDIÇÕES PREVISTAS EM LEI PARA AS CONCESSÕES DE CARÁTER ESPECIAL. 13. Da mesma forma, não consigo, data vênia, vislumbrar que as importações em tela estivessem amparadas pelo regime de drawback suspensão partir do Ato Concessório n. 2841 00/0000107) de modo a ensejar providências neste âmbito por parte desta IRF. Esse regime é dependente de concessão cuja efetividade se inicia na previsão e na autorização concedidas pela SECEX/DECEX através da emissão do Ato Concessório e das Licenças de Importação e se aperfeiçoa no atendimento dos requisitos e providências na fase do despacho de importação junto à autoridade aduaneira. (...) (...) E esta é a situação no presente caso, pois a requerente não demonstra ou comprova que teria tornado eficaz seu pretenso direito à suspensão para essas importações. Logo, não há como falar em pagamento indevido dos tributos em tela. (...) 16. Ademais, não há prova nos autos de que esses bens em discussão tenham sido efetivamente incorporados nos que foram exportados em cumprimento ao Ato Concessório em comento. (...) Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou sua defesa, alegando, em síntese: o disposto no art. 165 do CTN combinado com as prescrições contidas no art. 28 do Decretolei n ° 37/66, e ainda com a IN/SRF 210/2002, aplicamse ao caso, pois ocorreu erro de direito em relação à isenção, enquanto parcela excluída do campo de incidência da norma tributária, obrigando a Administração Pública a restituir, inclusive de ofício, o tributo pago indevidamente; não subsiste a argumentação do Fisco, quanto à falta de comprovação de que o beneficiário fazia jus ao Regime, pois nas datas de registro das DI's havia Ato Concessório em aberto, conforme declarado pela própria Secretaria do Comércio Exterior Secex, tendo havido exportação dos insumos importados e o fiel cumprimento do pacto celebrado com a Secex, entretanto, não utilizou o incentivo que lhe cabia por puro descontrole operacional, deixando de vincular as DI ao respectivo Ato Concessório; é também insubsistente o argumento do Fisco de que não há provas capazes de atestar que os bens em discussão tenham sido efetivamente incorporados nos que foram exportados, pois é fabricante de veículos e costuma importar partes e peças para fabricação destes e posterior exportação, o que comprova que os bens são utilizados nos bens exportados; Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.092 5 o Laudo apresentado em anexo especifica quais os componentes necessários para a fabricação do veiculo Golf, demonstrando que são justamente estes os componentes trazidos por intermédio das DI relacionadas no pedido inicial de restituição, e cuja destinação foi atestada pelo próprio Decex; assim, traz como fundamento apto a sustentar o seu direito o Principio da Verdade Material, segundo o qual a Administração Pública deve perscrutar o caso concreto, não se atendo somente à verdade formal; O Superior Tribunal de Justiça decidiu que, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial para o requerimento de restituição só se inicia quando da homologação tácita do lançamento; não prevalecem as assertivas do Despacho Decisório, de que se está requerendo algo já decaído ou maculado pela preclusão, pois, se tratando de Imposto de Importação, dispõese de 10 anos, contados do pagamento indevido, para pleitear a restituição. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Conforme estabelece o art. 338 do Regulamento Aduaneiro 2002, o direito de suspensão dos tributos aduaneiros pela aplicação do Regime de Drawback somente se efetiva por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação, em que a autoridade aduaneira tem a oportunidade de efetuar as necessárias verificações, e atestar que a importação atende aos requisitos do Ato Concessório. Assim, não se trata de decadência do direito de pleitear a restituição, mas de haver sido completamente superada a oportunidade de exercício do direito, tendo em vista, inclusive, que todas as exportações foram realizadas antes da apresentação do pedido de restituição, configurandose a preclusão da faculdade de utilização do incentivo fiscal. Mesmo na hipótese de DrawbackRestituição é estipulado prazo para o exercício do direito, de 90 dias, contados da data da exportação, restando evidente que o presente requerimento é intempestivo, ainda que se tratasse da modalidade ora examinada. A requerente não está amparado pelo art. 165 do CTN, tendo em vista que não se configuraram as hipóteses de pagamento de tributo indevido ou ainda erro na identificação do sujeito passivo, na alíquota aplicada ou no cálculo do montante devido. Na verdade, a interessada promoveu a importação das mercadorias, sem invocar o Regime de Drawback ou qualquer outro incentivo ou benefício, sendo absolutamente devido o pagamento dos impostos. O argumento da interessada, no sentido de que a verdade material deve se sobrepor às formalidades, não lhe socorre, pois a alegada verdade material está calcada somente em indícios de que os produtos importados pela interessada foram aplicados na exportação. O Laudo juntado ao recurso, arrolando os componentes necessários para a fabricação do veiculo exportado, não serve como prova, pois no Regime de Drawback é fundamental a certeza, não apresentada no Laudo, de que os insumos importados não entraram no ciclo econômico do País. Cientificada em 11/02/2005, a interessada apresentou seu recurso voluntário em 07/03/2005, aduzindo, em síntese: III) DO DIREITO III a) DO DIREITO À RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS INDEVIDAMENTE PAGOS Sobre a subsunção dos casos de tributos isentos pagos, ao art. 165, I do CTN, são bastante elucidativos os ensinamentos do Parecer Normativo CST nº 13/75, de caráter mandamental: "5.(...) Ora, se a regra posterior, com força de norma complementar a Constituição, admite a restituição do tributo sempre que o pagamento tiver sido indevido ou maior que o devido, ainda que espontâneo, Fl. 1094DF CARF MF 6 evidenciase a sua incompatibilidade com o dispositivo com o dispositivo do Decretolei n° 300/38 que vedava o deferimento do pedido de restituição do imposto de importação quando o contribuinte não houvesse invocado, à época do despacho, isenção então existente. (...)" O art. 165, inciso I do CTN deve ser combinado com as prescrições contidas no art. 28 do Decretolei nº 37/1966 (art. 109, III do Regulamento Aduaneiro/2002), específico para as relações decorrentes dos tributos que gravam as operações de comércio exterior. A IN/SRF 210/2002 não extrapola a determinação geral do CTN, ao arrolar como fundamento da restituição a HIPÓTESE DE ERRO, seja quanto à aliquota, seja quanto ao cálculo do montante devido. A Recorrente não se utilizou do incentivo drawback sem que houvesse nenhum ato impeditivo pelo Fisco, devido a HIPÓTESE DE ERRO no preenchimento das DIs. Tanto é verdade que, nas datas das DIs HAVIA ATO CONCESSÓRIO EM ABERTO para amparar o regime, portanto, não pode subsistir as argumentações, do fisco e do acórdão recorrido, de que não há provas que o beneficiário fazia jus ao regime. Indubitavelmente no caso presente é imperativa uma interpretação teleológica do drawback, de forma a que uma visão sistêmica permita concluir que exportações e ganho de divisas devem ser os fatos jurídicos a serem demonstrados pelo beneficiário. III b) DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Trazse como fundamento apto a sustentar o direito da Recorrente o Princípio da Verdade Material, que determina que, mormente em respeito ao Principio da Estrita Reserva Legal no Direito Tributário, em que se deve apurar no mundo do ser a efetiva ocorrência dos fatos, como fator detonador ou não da incidência da norma tributária, a Administração Pública deve perscrutar o caso concreto, sempre se atendo aos limites de seus poderes vinculados e discricionários, de aplicador do ordenamento jurídico, não se atendo à verdade formal tão somente. III c) DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA Cabe ao Poder Público não atentar contra o Principio do enriquecimento sem causa, dando o mau exemplo aos administrados, tendo em vista que lhe compete velar pelo seu cabal cumprimento, e não apoderar se dos tributos incidentes sobre bens com relação aos quais pairava o direito à isenção, conforme demonstrado. IV DA INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA OU PRECLUSÃO NO CASO PRESENTE Não há que se falar outrossim em preclusão e/ou decadência do direito da Recorrente de incluir as DT's objeto do presente pleito no incentivo exportação em cotejo. Em momento algum a Recorrente requereu a alteração formal do regime de tributação lançado nas DI's. O que restou desde o inicio evidenciado é que houve um recolhimento indevido de Imposto de Importação, e como tal, passive! de restituição. Partindose da incontroversa premissa segundo a qual o Imposto de Importação é daqueles cujo lançamento se opera por homologação, não há que se falar em decadência no caso presente, já que a Recorrente disporia de 10 ( dez ) anos, contados da efetivação do pagamento indevido, para pleitear a restituição. V DA FRAGILIDADE DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA RECORRIDO Em confusas tergiversações o Acórdão recorrido se emaranha no sentido de que o Pedido de Restituição realizado pela ora Recorrente seria um suposto pleito de "drawback modalidade restituição". Não é absolutamente o que ocorre no caso presente !!! A Recorrente sempre deixou claro que o regime especial que lhe foi deferido tratase de um drawback na modalidade suspensão, submodalidade genérico. O que ocorreu foi que a Recorrente à época, ofereceu indevidamente à tributação as importações vinculadas a este regime. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.093 7 Não há que se falar, desta feita, de "prazo de 90 dias contados da data da exportação", já que não se trata de pleito de drawbackrestituição. O único prazo a ser observado pela Recorrente no caso presente e o decadencial, como de fato o foi. Não é o fato de não haver a Recorrente, à época, vinculado burocraticamente as importações ao Drawback que faz a incidência do Imposto de Importação devida! Erros não podem jamais ser fatos geradores de tributo. Se reconhecidamente o drawbacksuspensão estava em aberto e, posteriormente, o respectivo compromisso de exportação foi cumprido, o pagamento do imposto na importação é, ABSOLUTAMENTE INDEVIDO! A Recorrente possuía o ato concessório drawback em aberto, cumpriu com as exportações nas quantidades e prazos assinalados, bem como demonstrou que os insumos importados são os efetivamente utilizados no produto exportado. Mesmo assim alegase que tudo isso não passa de "indícios" de que as importações deveriam ser operacionalizadas com a suspensão da tributação. Ora, se estes indícios não são suficientes para satisfazer o convencimento do julgador, que aponte este julgador as provas que entende serem necessárias para que seu convencimento seja plenamente satisfeito! Os insumos importados foram efetivamente utilizados no produto exportado, e, "ad argumentandum", mesmo se assim não o fosse, o fato é que as exportações ocorreram nas quantidades e prazos assinalados no Ato Concessório. Por amor à argumentação resta à Recorrente invocar o principio da fungibilidade, perpetrado pelo Ato Declaratório 20/96 do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação (DOC 02), e transcrever um dos inúmeros julgados deste Conselho de Contribuintes, que admitem que a vinculação física dos insumos aos produtos exportados não é condição "sine qua non" para comprovação do cumprimento do "drawback". Mediante a Resolução nº 30301.427, de 20 de maio de 2008, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos: (...) Portanto, entendo como únicos aspectos relevantes para o deslinde dessa questão perquirir o adimplemento do compromisso de exportação, seja sob o aspecto da tempestividade, seja sob o aspecto da suficiência. Assim, com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade competente: a) intime a interessada a demonstrar que as "matériasprimas, conjuntos, subconjuntos, pecas, partes e outros insumos destinados à fabricação de veículos e conjuntos" importados por intermédio das declarações de importações relacionadas nas folhas 74 a 84, foram efetivamente aplicados na produção dos veículos e conjuntos de quadro auxiliar exportados sob o amparo do Ato Concessório 284100/0000107 e de seus respectivos aditivos; b) indague ao Decex se todas as importações amparadas nas declarações relacionadas nas folhas 74 a 84 foram consideradas na baixa final do Ato Concessório 284100/0000107 e de seus respectivos aditivos; e c) emita juízo de valor acerca do relatório de auditoria de produção apresentado pela ora recorrente bem como a respeito da resposta fornecida pelo Decex. Fl. 1096DF CARF MF 8 A demonstração referida na alinea "a" deve ser levada a efeito mediante a apresentação de detalhado relatório de auditoria de produção, assinado, no mínimo, por profissionais qualificados nas áreas de contabilidade e de engenharia mecânica, acompanhado das necessárias anotações de responsabilidade técnica. Posteriormente, providenciar o retorno dos autos a esta câmara. (...) A Inspetoria da Receita Federal em Curitiba (IRF/CTA) efetuou a diligência solicitada e emitiu o Relatório de Diligência Fiscal das fls. 948/954, consignando, contudo, que a falta de resposta pelo DECEX do Ofício daquela IRF impossibilitou a ratificação de quais foram as Declarações de Importação efetivamente aceitas pelo MDIC, nestes termos: (...) Preliminarmente, ressaltamos que o Regime Aduaneiro Especial de Drawback foi concedido à empresa VOLKSWAGEM DO BRASIL LTDA, CNPJ n° 59.104.422/010384 (filial de São José dos Pinhais — Parana), em 02 de fevereiro de 2000 pelo Ato Concessório n° 284100/0000107. O referido AC tem como prazo final de validade a data de 8 de março de 2002, o direito de importar, até 8 de março de 2002, com suspensão dos tributos aduaneiros, 50% do montante total das exportações e compromisso para exportar determinado veiculo no valor total de R$ 1.210.060.000,00. Nesse contexto, INFORMAMOS que adotamos os procedimentos de verificações solitidadas pelo CARE, visando o global cumprimento do AC ou seja em sua totalidade. Isto porque tomamos conhecimento que, como este PAF, existem protocolados mais 03 PAFs sobre o mesmo assunto e referente a este mesmo AC. Sao eles os seguintes: 10907.000898/200406; 10814.000615/200457 e 11128.000769/200440. Assim, nossas análises e conclusões, não se reportam apenas aos valores, quantidades e informações especifico deste PAF n. 15165.000801 200400, e sim para o AC total, abarcando TODAS as RE e DI vinculadas, e, portanto abrangendo a solicitação elaborada pela VW em 4 processos formalizados em unidades da RFB distintas e sobre esse mesmo AC. O estabelecimento da empresa detentora deste AC é a planta de São José dos Pinhais — PR, jurisdição da IRE — Curitiba PR. (...) Sabendose a quantidade de produtos que foram exportados foi possível quantificar o quanto de insumos, mercadorias importadas, participaram no processo de industrialização. Feito os devidos cruzamentos dos dados e analisada as informações apresentadas, constatouse incompatibilidades no quantitativo de mercadorias importadas empregadas nos produtos exportados. No computo geral — após auditoria verificamos que houve sobras de mercadorias importadas as quais não foram destinadas à exportação através deste AC. (...) Os dados mostram claramente quais mercadorias foram importadas e por alguma razão não foram incorporadas ao produto final exportado ao abrigo do Ato Concessório 2841 00/0000107. Portanto, tais mercadorias relacionadas na Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.094 9 planilha, fls. 930 e 931, devem ser excluídas do pedido formulado. O critério adotado por esta fiscalização, para valorar a sobra das mercadorias não incorporadas aos produtos exportados, atenta para o fato de que o estoque obedece ao principio PEPS/FIFO, i.e., a primeira mercadoria que entra no estoque será a primeira a ser empregada no processo produtivo e, portanto, as mercadorias não utilizadas na industrialização devem ter sido as últimas a adentrarem ao estoque. Corn isto, os valores adotados para as mercadorias não empregadas nos produtos para exportação foram os últimos que adentraram aos estoques. A glosa a ser realizada é de: R$ 4.150.011,27 para os valores de Imposto de Importação, já considerando a redução de 40%, MP 1939 de 06 de janeiro de 2000 ( art. 5° da Lei n° 10.182/2001), da qual o contribuinte era benficiário, planilha em anexo a este relatório; fls. 930 e 931. (...) CONCLUSÕES 1 O Imposto de Importação recolhido por intermédio das declarações de importações relacionadas nas folhas 74 à 84 foi de R$ 52.459.091,57. Deste montante, o valor de R$ 4.150.011,27 deve ser glosado, pois não houve a vinculação física da mercadoria importada ao produto exportado sob o amparo do Ato Concessório n° 284100/0000107 e de seus respectivos ADITIVOS. (...) 2.2. Foram importadas, ao amparo do Ato Concessório em questão, mercadorias no valor de US$ 218.133.019,00 com suspensão de tributos, tendo ainda a interessada importado, fora do mencionado regime e durante o prazo de validade do mesmo, expirado em 08.03.2002, mercadorias no valor de US$ 220.755.378,00, de natureza semelhante aquelas utilizadas para a fabricação dos veículos e conjuntos exportados, ao amparo das 4.910 (quatro mil e novecentas e dez) Declarações de Importação relacionadas nas 11 (onze) paginas do anexo, fls. 74 a 84. A extração de dados através do sistema da RFB DW aduaneiro, cujo parâmetro de filtragem foi o número do Ato Concessório n° 284100/0000107, traz o valor CIF de US$ 226.677.787,56 para as importações; valor ligeiramente superior àquele constante da Certidão DECEX, item 2.2 3 Lembramos que, como não houve atendimento total conforme estipulado no Ato Concessário, seria prudente utilizarse do principio da proporcionalidade do DRAWBACK. Uma segunda glosa seria cabível desta feita observando o compromisso financeiro (valor de exportação contratado) acordado e não atingido. (...) Os autos retornaram ao CARF em 04/06/2009. Posteriormente, mediante o Oficio n.° 303/2009 GAB/IRF/CTA, de 7 de julho de 2009, a IRF/CTA encaminhou o expediente do DECEX, contendo a identificação das Declarações de Importação vinculadas, para avaliação da necessidade de retificação do Relatório e/ou encaminhamento dos 8 volumes do Relatório Unificado de Drawback. Fl. 1098DF CARF MF 10 Em análise do presente processo, indicado para a pauta de julgamento de 27 de julho de 2017, observou esta Relatora que a situação do processo merecia saneamento antes da submissão à julgamento, razão pela qual solicitou ao Presidente do Colegiado a retirada do processo da pauta, o que foi acatado. Assim, mediante despacho de 02 agosto de 2017, determinouse o retorno dos autos à IRF/CTA para os seguintes saneamentos: i) complementação do Relatório de Diligência Fiscal, em resposta ao item "c" da Resolução nº 30301.427 e, se for o caso, demais retificações e/ou ratificações necessárias no Relatório das fls. 948/954 em face das informações supervenientes do DECEX; e ii) ciência da recorrente do resultado final da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Em RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Complementar, informou a Inspetoria da RFB em Curitiba o que se segue: (...) 1 Com a resposta do DECEX, efetuada através do ofício nº 2009/658 (fls.957), tomamos conhecimento que apenas 1.704 Declarações, das 4.910 relacionadas na Certidão DECEX/CGME2003/593, foram consideradas para baixa do Ato Concessório nº 284100/0000107. As 1.704 DIs constam dos 08 volumes do Relatório Unificado de Drawback (RUD), onde estão relacionadas por produtos envolvidos, quantidade e valores – volumes estes ainda disponíveis nesta unidade. 2 Diante das informações prestadas pelo DECEX e da documentação disponibilizada, efetuamos as conferências e constatamos que NENHUMA das mercadorias relacionadas/vinculadas às Declarações de Importação, objeto do pedido de restituição do presente processo (doc. fls. 28 a 75), foram consideradas para fins de baixa do Ato Concessório em questão. (...) Em sua manifestação em face da diligência, aduziu a recorrente o que se segue: (...) Neste ponto, cumpre observar que a mera falta de vinculação das Declarações de Importação ao Ato Concessório nº. 2841 00/0000107, obrigação acessória, não tem o condão de impossibilitar o reconhecimento do regime especial de drawback, nem tampouco a restituição do crédito tributário a que faz jus a Requerente. Assim, data venia, totalmente irrelevante para o deslinde da questão a diligência de verificação se as DI’s foram ou não vinculadas ao AC, até mesmo porque não cabe à SECEX, mas sim à SRFB, a retificação de DI após o desembaraço aduaneiro e término do Ato Concessório. Após estes, conforme a então IN 210/2002, art . 12, parágrafo único, cabe à Receita Federal a restituição dos valores recolhidos a título de imposto, no momento do registro da DI, quando pagos indevidamente ou em valor maior que o devido e objetos de retificação da DI . Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.095 11 Aliás, a corroborar o bom direito da Requerente, é o entendimento exarado pelo então Conselho de Contribuintes, conforme se depreende do acórdão 30334.888, proferido nos autos do Processo Administrativo 10907.000898/200406, cujas operações referemse ao mesmo Ato Concessório nº. 2841 00/0000107. (...) Relevante observar que o acórdão supra foi mantido pela CSRF, consoante a decisão 9303001.938. E nem se alegue que o julgado acima não poderia ser utilizado para balizar a decisão a ser proferida nestes autos. Além da jurisprudência, como é sabido, ser uma das fontes de Direito, servindo de norte ao entendimento a ser adotado sobre determinada matéria, é de se observar que neste caso ocorre, ainda, o instituto da continência, nos termos do art. 56 do NCPC, in verbis: “Art. 56. Dá se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir , mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais.” (...) Outrossim, é de se ressaltar que esse Serviço de Fiscalização, ao analisar estes autos em junho de 2009, exatamente em atenção à Resolução 30301.427, reconheceu que 92% dos insumos foi utilizado nos produtos exportados ao amparo do AC 2841 00/0000107, concluindo que dos R$ 52.459.091,57 pleiteados pela Requerente nos processos ali analisados, devem ser glosados R$ 4.150.011,27, por não haver vinculação física da mercadoria importada ao produto exportado, como se depreende do Relatório de Diligência Fiscal de f ls . 948 a 954. Desta forma, por mais essa razão, deve ser reconhecido o direito da Requerente à restituição do Imposto de Importação pago indevidamente, com os acréscimos legais cabíveis. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Os regimes aduaneiros especiais surgem como exceções legais ao regime comum de importação, no qual, em regra, é exigível o recolhimento integral dos tributos sobre o comércio exterior no momento do registro da Declaração de Importação. Os regimes aduaneiros especiais acarretam a isenção ou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por prazo certo e sob determinadas condições. No caso do Drawback Suspensão, a suspensão da exigibilidade do tributo perdurará durante o prazo de Fl. 1100DF CARF MF 12 fruição do regime e, após a verificação pela fiscalização do adimplemento pela beneficiária do compromisso de exportar, a exoneração se torna definitiva com transformação numa verdadeira isenção. O Regime Aduaneiro Especial de Drawback foi concedido à contribuinte em 02/02/2000 pelo Ato Concessório n° 284100/0000107, com prazo final em 08/03/2002 para realizar as importações com suspensão dos tributos aduaneiros no volume de 50% do montante total das exportações de R$ 1.210.060.000,00. O presente processo trata de pedido de restituição do Imposto sobre a Importação em relação a outras Declarações de Importação, que não foram, obviamente, objeto de pleito no processo nº 10907.000898/200406, embora se refiram ao mesmo Ato Concessório, de forma que o pedido de um processo não abrange o outro. Por essa razão não não há que se falar em "continência" entre os dois processos, nem relação de conexão ou decorrência. Sustenta a recorrente o seu direito à restituição relativamente aos tributos recolhidos por ocasião dos registros das importações no art. 165, inciso I do CTN combinado com o art. 28 do Decretolei nº 37/1966, bem como no art. 2º, II da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, abaixo transcritos: Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Decretolei nº 37/1966: Art.28 Concederseá restituição do imposto, na forma do regulamento: I quando apurado excesso no pagamento, decorrente de erro de cálculo ou de aplicação de alíquota; II quando houver dano ou avaria, perda ou extravio. § 1º A restituição de tributos independe da iniciativa do contribuinte, podendo processarse de ofício, como estabelecer o regulamento, sempre que se apurar excesso de pagamento na conformidade deste artigo. § 2º As reclamações do importador quanto a erro ou engano, nas declarações, sobre quantidade ou qualidade da mercadoria, ou no caso do inciso II deste artigo, deverão ser apresentadas antes de sua saída de recintos aduaneiros. Instrução Normativa SRF nº 210/2002: Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.096 13 I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Argumenta a recorrente que "não se utilizou do incentivo drawback sem que houvesse nenhum ato impeditivo pelo Fisco, devido a HIPÓTESE DE ERRO no preenchimento das DIs, tal como determina a legislação retro mencionada. Tanto é verdade, sempre é bom repetir, que nas datas das DIs HAVIA ATO CONCESSÓRIO EM ABERTO para amparar o regime, portanto, não pode subsistir as argumentações, do fisco e do acórdão recorrido, de que não há provas que o beneficiário fazia jus ao regime". Como bem ensinou Luiz Henrique Travassos Machado1, na importação a "obrigação acessória é cumprida por preenchimento e da entrega de um formulário próprio, quase sempre executado de maneira eletrônica, por meio do Siscomex, em face do qual a Administração Tributária toma ciência de vários aspectos da operação", valendo ressaltar que "todas essas iniciativas são tomadas pelo importador, ou por alguém em nome deste, indicando os elementos necessários para perfeita identificação da operação de importação, bem como para o eventual cálculo dos gravames incidentes". In casu, ocorreu que as importações objeto do presente pedido de restituição foram realizadas, melhor dizendo, foram submetidas a despacho de importação e depois desembaraçadas, sem que a importadora tivesse prestado previamente, por ocasião do preenchimento das Declarações de Importação respectivas, as informações necessárias para o conhecimento da fiscalização aduaneira, no curso do despacho, de que se trataria de regime tributário com suspensão do pagamento de tributos em face da aplicação do regime aduaneiro de drawback suspensão concedido mediante algum Ato Concessório. Dessa forma não se pode dizer que se trataria, como afirmado pela recorrente, de "HIPÓTESE DE ERRO, seja quanto à alíquota, seja quanto ao cálculo do montante devido", mas de erros relativos ao devido enquadramento das operações de importação no regime de drawback suspensão, em especial, quanto ao regime tributário que deveria constar como de suspensão do pagamento de tributos. O montante dos tributos devidos cuja exigibilidade seria suspensa em face da eventual aplicação do regime de drawback seria exatamente o mesmo que constou em cada Declaração de Importação e que foi objeto de recolhimento pela recorrente. Assim, não prospera o pedido de restituição no que concerne à fundamentação no art. 165, II do CTN ou no art. 2º, II da Instrução Normativa SRF nº 210/2002. Nos termos do art. 165, I do CTN, para o deferimento do pedido de restituição da recorrente fazse necessária a comprovação de que o pagamento espontâneo do tributo foi indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. 1 MACHADO, Luiz Henrique Travassos. Drawback e os princípios da fungibilidade e da vinculação física. In: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. I Prêmio CARF de monografias em direito tributário 2010. Brasília: Edições Valentim, 2011, p. 333377 Fl. 1102DF CARF MF 14 No caso, não consta que tenha havido qualquer vício de legalidade nos atos administrativos relativos aos despachos de importação, os quais foram conduzidos em estrita observância com as informações prestadas pela contribuinte/importadora nas Declarações de Importação por ela registradas. Dessa forma, o que poderia, em tese, caracterizar o pagamento do Imposto sobre a Importação como indevido e, consequentemente, gerar o direito à restituição para a recorrente, seria a aceitação, pela fiscalização ou pelos órgãos julgadores: i) de que seria legítimo requerer, após a prazo final de validade do Ato Concessório do regime de Drawback Suspensão, a inclusão de importações já desembaraçadas; bem como ii) que a suspensão da exigibilidade do tributo nessas importações em face da aplicação do regime teria se transformado em isenção em face do adimplemento do compromisso de exportar. Relativamente ao item i), a fiscalização assim se pronunciou: (...) A PRECLUSÃO E A DECADÊNCIA OCORRIDAS 7. Primeiramente, entendo que não há o direito pranteado por força da ocorrência do fato da preclusão. (...) (...) 9. Além disso, o entendimento da peremptoriedade dos prazos não se circunscrevia à Doutrina, mas, também, está expressa no artigo 324, parágrafo único do Regulamento Aduaneiro, aprovado em 1985, vigente à época, e que reproduzia o artigo 12 do Decreto n. 68.904, de 1971, especifico ao tema: Regulamento Aduaneiro,aprovado em 1985: Artigo 324 — A Comissão de Política Aduaneira estabelecerá prazos para a habilitação ao benefício. Parágrafo Único. ESGOTADOS OS PRAZOS ESTABELECIDOS DECAIRÁ O DIREITO AO BENEFÍCIO. Regulamento Aduaneiro, aprovado em dezembro de 2002: Artigo 340 — o prazo de vigência do regime será de um ano, admitida uma única prorrogação, por igual período, salvo nos casos de importação de mercadorias destinadas à produção de bens de capital de longo cilco de fabricação, quando o prazo máximo será de cinco anos (Decretolei n. 1.722, de 3 de dezembro de 1979, artigo 4° e parágrafo) Parágrafo único — Os prazos de que trata o caput terão como termo final o fixado para o cumprimento do compromisso de exportação assumido na concessão do regime. 10. Ora, supondo que esses bens importados pudessem ter sido incluídos sob o beneficio oferecido pelo Ato Concessório Drawback suspensão citado, vejo que eles já não mais o podem ser, pois o interessado a está requerendo a destempo, para uma fase processual já superada, para exercitar uma prerrogativa que ele já havia exercido validamente naquele Ato Concessório, e, também, porque ele vem requerer algo que já havia decaído. O Ato Concessório venceu em 08/03/2002 e o interessado está vindo requerer em 07/05/2004. Ou seja, houve, além da decadência, preclusão temporal, lógica, consumativa. E o requerente não apresentou qualquer justa causa que possa afastar tal limite. (...) Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.097 15 A eventual preclusão do direito de requerer a inclusão de importação no regime de drawback somente poderia prosperar com fundamento em alguma norma legal ou regulamentar. Em comentário ao art. 324 do Regulamento Aduaneiro/85, Roosevelt Baldomir Sosa2, esclarece que: "A norma do art. 324 está voltada à determinação de prazos para que o beneficiário se habilite ao benefício Drawback. Não deve ser confundido com o prazo de fruição do benefício. A autoridade competente é atualmente a SECEX (sucessora da CPA), sabendose que este órgão responde pela administração das modalidades "suspensão e isenção". [negritei] A Portaria Secex nº 4, de 11 de junho de 1997, publicada no D.O.U. de 12/06/97, vigente à época, assim dispunha acerca da habilitação: "Art. 12 – A habilitação ao Regime de Drawback farseá mediante requerimento da empresa interessada, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX)". 3 Dessa forma, como habilitação não se trata da apresentação da importação para inclusão no regime de drawback, tal artigo não poderia ser conjugado, como fez a fiscalização, com outro dispositivo que estabeleceria o prazo para fruição do regime, mormente quando este veicula norma do Regulamento Aduaneiro/2002, ainda não vigente à época em que foram realizadas as importações. Mesmo porque, é incontroverso que as importações sob análise foram todas realizadas dentro do prazo de fruição do regime (08/03/2002), embora nas respectivas Declarações de Importação não houvesse informação acerca da aplicação do regime de Drawback Suspensão, que já havia sido concedido à recorrente. Na verdade, a questão aqui tratada bem se assemelha a pedido de "Restituição Decorrente de Cancelamento ou Retificação de DI", tratado na Instrução Normativa nº 210/2002, em seus arts. 11 e 124, vigente à época do pedido, mas não foi esse o 2 SOSA, Roosevelt Baldomir. Comentários à Lei Aduaneira. São Paulo: Aduaneiras, 1995, p. 277. 3 Posteriormente, a Portaria Secex nº 11, de 25 de agosto de 2004, que substituiu a Portaria Secex nº 4/97, veio dispor que: " Art. 15. A habilitação ao Regime de Drawback farseá mediante requerimento da empresa interessada, sendo: I na modalidade suspensão por intermédio de módulo específico Drawback do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX); (...) 4 Art. 11. Na hipótese de registro de mais de uma Declaração de Importação (DI) para uma mesma operação comercial, as declarações excedentes poderão ser canceladas pelo titular da unidade da SRF responsável pelo despacho aduaneiro da mercadoria, de ofício ou a requerimento do importador ou de seu representante legal, eleito com poderes específicos. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da DI deverá ser formalizado mediante o "Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito" . Art. 12. Os valores recolhidos a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, por ocasião do registro da DI, que, em virtude do cancelamento da declaração por multiplicidade de registros, tornaremse indevidos, poderão ser restituídos ao sujeito passivo ou à pessoa autorizada a receber a quantia, observado o disposto nesta Instrução Normativa. (Retificado(a) no DOU de 04/10/2002, pág 40) Art. 12. Os valores recolhidos a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, por ocasião do registro da DI, que, em virtude do cancelamento da declaração por multiplicidade de registros, tornaremse indevidos, poderão ser restituídos ao sujeito passivo observado o disposto nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. O disposto no caput também se aplica às hipóteses de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido em virtude de retificação de declaração de importação. Parágrafo único. O disposto no caput também se aplica às hipóteses de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido em virtude de: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003) Fl. 1104DF CARF MF 16 tratamento dado pela requerente na formulação de seu pleito ou pela autoridade administrativa no despacho decisório. 5 Assim, não obstante se tenha preocupação com o devido controle do regime de drawback, especialmente porque grande parte dele se dá de forma informatizada, a partir dos dados inseridos pelo importador nas Declarações de Importação, as normas mencionadas pela fiscalização não são adequadas para caracterizar a preclusão da contribuinte para requerer a inclusão no regime das importações realizadas durante o prazo de fruição do regime. Também no Regulamento Aduaneiro/85 inexiste norma que imponha tal restrição ao pedido da contribuinte. No que concerne ao segundo ponto, relativo ao adimplemento do compromisso de exportar, a diligência solicitada laborou nesse sentido, tendo concluído pela necessidade de duas glosas no montante pleiteado pela requerente, quais sejam: 1 O Imposto de Importação recolhido por intermédio das declarações de importações relacionadas nas folhas 74 à 84 foi de R$ 52.459.091,57. Deste montante, o valor de R$ 4.150.011,27 deve ser glosado, pois não houve a vinculação física da mercadoria importada ao produto exportado sob o I retificação de declaração de importação; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003) II demais hipóteses de cancelamento de ofício de declaração de importação. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003) 5 Nos dias atuais, conforme consta no sítio da RFB, a retificação do regime tributário, de recolhimento integral ou com redução para "suspensão de tributos" em face do Drawback, demandaria autorização prévia do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX), nestes termos: (...) Retificação de DI Sujeita a Licenciamento Caso a retificação implique a necessidade de alteração de licença de importação (LI) já concedida ou de concessão de novo licenciamento, o importador terá que solicitar a manifestação do órgão anuente. A solicitação de manifestação poderá ser feita por meio de pedido de LI substitutiva ou através de outro documento estabelecido pelo órgão anuente (art. 27 da Portaria Secex nº 23/2011). Neste caso, previamente ao registro da retificação no Siscomex, o importador deverá anexar ao dossiê vinculado à DI, o extrato da respectiva LI substitutiva ou a correspondente manifestação do órgão anuente. Conforme orientação contida na Notícia Siscomex Importação nº 13/2017, em caso de LI substitutiva, seu deferimento irá corresponder à manifestação formal do órgão anuente em relação à retificação pleiteada. Nas situações listadas abaixo, nas quais não é possível o registro de LI substitutiva, a manifestação do órgão anuente deve necessariamente ser solicitada por meio de documento específico: i) importação vinculada a ato concessório de Drawback; ii) importação que, no momento da solicitação de retificação, não esteja mais sujeita a licenciamento; iii) importação que não foi originalmente objeto de licenciamento, mas a LI é exigida em face da retificação requerida. São órgãos anuentes os relacionados na lista divulgada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, também disponível na Tabela "Órgãos Anuentes" da Função "Tabelas Importador". Em relação ao Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX), a manifestação somente deve ser requerida quando houver alteração das seguintes informações (art. 28, §1º da Portaria Secex nº 23/2011): Código NCM; CNPJ do importador; País de origem Fabricante/produtor; “Condição da Mercadoria” “Material Usado”; Regime tributário do imposto de importação; Fundamento legal do imposto de importação; (...) http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachodeimportacao/topicos1/declaracaode importacao/retificacaodadi/retificacaodediaposodesembaraco Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.098 17 amparo do Ato Concessório n° 284100/0000107 e de seus respectivos ADITIVOS. (...) 3 Lembramos que, como não houve atendimento total conforme estipulado no Ato Concessório, seria prudente utilizarse do princípio da proporcionalidade do DRAWBACK. Uma segunda glosa seria cabível desta feita observando o compromisso financeiro (valor de exportação contratado) acordado e não atingido. Anteriormente, no Relatório de Diligência Fiscal, assim constou sobre esta segunda glosa: (...) PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE O Ato Concessório n° 284100/0000107 demonstra o compromisso do contribuinte importar deteterminado quantitativo de mercadorias e de exportar outro quantitativo de produtos que agreguem as mercadorias importadas. A tabela a seguir mostra aquilo que foi acordado pelo Ato Concessório , fl. 72, e o efetivamente implementado: O contribuinte deixou de cumprir o acordo em: 27,1% em termos de unidades de automóvel Golf produzidas, 37,1% em termos de unidades de quadro auxiliar e 7,3% no computo do compromisso financeiro assumido. (...) Na complementação da diligência, de posse das informações prestadas pelo Decex, constatouse que nenhuma das mercadorias relacionadas/vinculadas às Declarações de Importação, objeto do pedido de restituição do presente processo, foram consideradas para fins de baixa do Ato Concessório em questão, o que se era de esperar, vez que tais importações foram realizadas sem as informações de praxe do regime de drawback suspensão. Em sua manifestação em face da diligência, a recorrente nada aduz acerca das glosas apontadas pela fiscalização no montante pleiteado de restituição. Quanto ao Ato Declaratório nº 20/96 do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação (fl. 212), sua aplicação é restrita ao benefício concedido em caráter especial a setores específicos, nos termos do art. 315, §2º do Regulamento Aduaneiro/85, o que não é o caso do regime concedido à recorrente. Em meu entendimento não se aplica ao caso as disposições supervenientes do art. 17 da Lei nº 11.774/08, que possibilitam atualmente a substituição de mercadorias da mesma espécie para a averiguação do cumprimento do compromisso de exportação em regimes aduaneiros suspensivos, in verbis: Fl. 1106DF CARF MF 18 Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) [negritei] Posteriormente veio a regulamentação do art. 17 da Lei nº 11.774/08, disciplinando o regime especial de Drawback Integrado, mediante a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467, de 25 de março de 2010, publicada no DOU de 26/03/2010, depois alterada pela Portaria Conjunta RFB / Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014, nestes termos: (...) Art. 1º A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado poderá ser realizada com suspensão do pagamento do Imposto de Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. § 1º As suspensões de que trata o caput: I aplicamse também à aquisição no mercado interno ou à importação de mercadorias para emprego em reparo, criação, cultivo ou atividade extrativista de produto a ser exportado; II não alcançam as hipóteses previstas nos incisos IV a IX do art. 3º da Lei Nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III a IX do art. 3º da Lei Nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e nos incisos III a V do art. 15 da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004; e III aplicamse também às aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantes intermediários, para industrialização de produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final a ser exportado. § 2º O regime especial de que trata este artigo denominase Drawback Integrado. § 3º A modalidade do Drawback Integrado, prevista no inciso III do § 1º, denominase Drawback Intermediário. Art. 2º A pessoa jurídica será habilitada no Drawback Integrado por meio de ato concessório expedido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.099 19 § 1º A habilitação no regime especial deverá ser solicitada por meio de requerimento específico no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), módulo Drawback web, disponível na página do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no endereço http://www.desenvolvimento.gov.br. (...) § 3º É permitida a conversão de ato concessório de Drawback VerdeAmarelo em Drawback Integrado, quando o primeiro foi concedido antes da vigência desta Portaria, sendo vedada a conversão nos casos das operações de que trata o art. 90 da Portaria SECEX Nº 25, de 27 de novembro de 2008. Art. 3º A mercadoria admitida no Drawback Integrado não poderá ser destinada à complementação de processo industrial de produto já amparado por regime de drawback concedido anteriormente. (...) Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) (...) Art. 6ºA Para fins de fiscalização do cumprimento do compromisso de exportação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) levará em consideração as operações cursadas ao amparo do regime segundo o critério contábil de ordem primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS). (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) Parágrafo único. O beneficiário do regime deverá prestar, na forma e nos prazos estabelecidos pela RFB, informações adicionais relativas às operações conduzidas ao amparo desta Portaria. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) Art. 7º Para os efeitos do disposto nesta Portaria, entendese por produto a ser exportado aquele que é diretamente destinado ao exterior ou vendido diretamente a empresas comerciais exportadoras com fim específico de exportação para o exterior. Art. 8º Aplicamse ao regime especial de que trata esta Portaria, no que forem compatíveis, as demais disposições sobre drawback. Fl. 1108DF CARF MF 20 (...) Art. 10. A RFB e a Secex poderão editar normas complementares às dispostas nesta Portaria, em suas respectivas áreas de competência. Art. 11. Esta Portaria entra em vigor no prazo de 30 (trinta) dias, a partir da data de sua publicação. [negritei] (...) Assim, pelo que se vê, o art. 17 da Lei nº 11.774/08 juntamente com a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010, alterada pela Portaria Conjunta RFB/Secex nº 1618/2014, instituíram uma nova modalidade de regime de drawback, qual seja, o Drawback Integrado, que não se confunde com os regimes de Drawback Suspensão já concedidos sob a sistemática anterior. Milita também no sentido de que o novo regime de Drawback Integrado não se mistura com os regimes já concedidos às beneficiárias o disposto no art. 3º da Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010, acima transcrito, que proíbe a utilização de mercadoria importada pelo regime de Drawback Integrado para complementação do processo industrial relativo a outro ato concessório autorizado anteriormente. Ainda mais importante é que a regulamentação do Drawback Integrado, no art. 5ºA, §6º da Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010, acima transcrito, dispõe expressamente sobre sua aplicação somente para fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, ou seja, somente para importações cujos registros da Declaração de Importação ocorreram a partir desta data. In casu, todas as importações são anteriores a 08/03/2002. Nessa esteira, diante da comprovação na diligência no sentido de que, para parte das importações apontadas pela requerente, houve o adimplemento do compromisso de exportar com o atendimento do princípio da vinculação física do insumo importado ao produto exportado em conformidade com o Ato Concessório, temse que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aplicável a essas importações em face do regime de Drawback Suspensão transformouse em isenção, cabendo a restituição proporcional do montante do tributo recolhido por ocasião do registro dessas Declarações de Importação no Siscomex. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela recorrente, subtraindose do seu montante, na proporção das importações objeto do presente processo, as duas glosas mencionadas pela fiscalização na diligência, acerca da não vinculação física de parte do insumo importado ao produto exportado e do inadimplemento parcial do compromisso de exportar. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15165.000801/200400 Acórdão n.º 3402004.961 S3C4T2 Fl. 1.100 21 Fl. 1110DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.000625/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002
INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Se nos autos não há comprovação da existência do direito creditório informado pelo contribuinte, mantém-se a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, por inexistência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se nos autos não há comprovação da existência do direito creditório informado pelo contribuinte, mantémse a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte, por inexistência de crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 25 /2 00 6- 15 Fl. 200DF CARF MF 2 Tratase das Declarações de Compensação (DComp) nºs 33075.72244.130204.1.3.014003 (fls. 11/14) e 20266.49309.130204.1.3.010394 (fls. 15/18), transmitidas em 13/2/2004, em que informadas as compensação de parcela do crédito presumido IPI do 4º trimestre 2002, no valor de R$ 2.126.128,09, com débitos, respectivamente, da Cofins do mês de janeiro de 2004, no valor de R$ 662.606,48, e da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de janeiro de 2004, no valor de R$ 1.463.521,61. Por meio do Despacho Decisório de fls. 19/21, o titular da Unidade da Receita Federal de origem não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que não existia a parcela do crédito utilizado nos respectivos procedimentos compensatórios, pois o pedido de ressarcimento do total do crédito presumido do IPI do 4º trimestre 2002, analisado nos autos do processo administrativo nº 10907.002131/200411, fora integralmente indeferido, com base nos fundamentos exarados no Despacho Decisório colacionado aos autos (fls. 3/10). Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 24/27), a interessada solicitou o sobrestamento do julgamento deste processo, sob o argumento de que havia interposto manifestação de inconformidade contra a decisão de indeferimento do direito creditório, proferida no processo nº 10907.002131/200411, o qual ainda se encontrava pendente de julgamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 45/51), que, por unanimidade de votos, manteve a não homologação da compensação, por falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito compensado, sob o fundamento de que, naquela instância julgadora, a manifestação de inconformidade, apresentada no citado processo do crédito, fora indeferida. Em 30/7/2009, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância. Inconformada, em 27/8/2009, protocolou o recurso de fls. 54/57, em que alegou a impossibilidade do julgamento deste processo antes que fosse proferida a decisão definitiva no âmbito do processo nº 10907.002131/200411, posto que a decisão a ser proferida no citado processo podia mudar o destino das compensações não homologadas neste. No final, pediu o sobrestamento do julgamento do recurso até que fosse prolatada a decisão definitiva no processo do crédito, cujo recurso voluntário nele interposto ainda se encontrava pendente de julgamento. Na Sessão de 24 de julho de 2013, por meio da Resolução nº 3102000.273, este Colegiado converteu o julgamento em diligência perante a unidade da Receita Federal de origem, para que fosse aguardado e atestado o resultado da decisão definitiva prolatada no processo nº 10907.002131/200411, bem como juntada a cópia do respectivo julgado, o que foi plenamente atendido, conforme documentos de fls. 163/197. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitavase a questão processual atinente à impossibilidade de julgamento deste processo de compensação antes da decisão definitiva, na esfera administrativa, a ser proferida no julgamento do processo nº 10907.002131/200411, onde fora Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10907.000625/200615 Acórdão n.º 3302005.247 S3C3T2 Fl. 201 3 pleiteado e julgado, por decisão definitiva na esfera administrativa, o direito creditório utilizado na presente compensação. Com efeito, a não homologação da compensação em apreço foi motivada pela não comprovação da existência parcela do crédito presumido do IPI do 4º trimestre 2002, objeto do pedido de ressarcimento formulado no âmbito citado processo, cuja decisão foi integralmente mantida pelo julgamento de primeira instância, que foi ratificado pela decisão definitiva proferida por este Colegiado, por meio do acórdão nº 3302002.638, de 29 de maio de 2014, cujo enunciado da ementa restou assim redigido, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DA ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete a Autoridade Administrativa se manifestar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96, PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS, SIMPLES REVENDA, RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA, EXCLUSÃO EM AMBAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não industrializados pela beneficiária deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), nos termos RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002), vigente à época dos fatos. Recurso Voluntário Negado. Assim, uma vez atestado nos autos que a decisão definitiva proferida no âmbito do citado processo manteve o indeferimento integral do crédito utilizado na compensação em apreço, não resta outra alternativa a este Colegiado que não a de manter incólume a decisão de primeiro grau que manteve a não homologação da compensação objeto dos presentes autos, por falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito compensado. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Fl. 202DF CARF MF 4 José Fernandes do Nascimento Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011566/2003-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A TERCEIROS. ATIVIDADE INCLUÍDA ENTRE AQUELAS DE COMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS.
A autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Ela não só pode como deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária, tanto na condição de contribuinte, quanto na condição de responsável.
APURAÇÃO DE RECEITAS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL.
A informação prestada ao Fisco Estadual pode perfeitamente servir como base para apuração das receitas auferidas, porque diz respeito a vendas realizadas pela empresa. Não há necessidade de regra de presunção legal para isso. Essa informação configura prova direta do auferimento de receitas, que, no caso concreto, é corroborada por todas as especificidades que motivaram a autuação fiscal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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(Responsáveis Solidários: LUIZ FERNANDES VALENTE, ADELINO FERNANDES VALENTE e RAMIRO ALVES COSTA) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A TERCEIROS. ATIVIDADE INCLUÍDA ENTRE AQUELAS DE COMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS. A autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Ela não só pode como deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária, tanto na condição de contribuinte, quanto na condição de responsável. APURAÇÃO DE RECEITAS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL. A informação prestada ao Fisco Estadual pode perfeitamente servir como base para apuração das receitas auferidas, porque diz respeito a vendas realizadas pela empresa. Não há necessidade de regra de presunção legal para isso. Essa informação configura prova direta do auferimento de receitas, que, no caso concreto, é corroborada por todas as especificidades que motivaram a autuação fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 15 66 /2 00 3- 85 Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelos sujeitos passivos acima identificados (responsáveis tributários), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto às seguintes matérias: 1 imputação de responsabilidade solidária pelo Auditor Fiscal no momento de lavratura do auto de infração; 2 impossibilidade de se constituir crédito tributário federal com base em informações prestadas pelo Fisco Estadual; e 3 sobrestamento do feito até que o STF/STJ se pronuncie sobre a possibilidade de quebra do sigilo bancário durante o processo administrativo sem a necessidade de autorização judicial para tanto. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas em relação à matéria constante do item "1" acima indicado. Houve negativa de seguimento em relação às matérias tratadas nos itens "2" e "3", conforme os despachos exarados em 27/07/2015 e 01/02/2017 pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (efls. 871/875 e 897/905). Na sequência, os sujeitos passivos apresentaram agravo contra o exame de admissibilidade, e esse agravo foi parcialmente acolhido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que deu seguimento ao recurso também para a matéria tratada no item "2", mas confirmou a negativa de seguimento para a matéria do item "3", em caráter definitivo, conforme o despacho exarado em 22/06/2017 (efls. 941/948). Os recorrentes insurgemse contra o Acórdão nº 1301000.433, de 11/11/2010, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário anteriormente apresentado. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 4 3 Anocalendário: 1999, 2000, 2001 NÃO OBRIGATORIEDADE DE MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE NA FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE LANÇADORA. Não é obrigação da fiscalização permitir que o sujeito passivo se manifeste na fase preparatória do lançamento, ato de competência privativa do AFRFB (art. 142 do CTN). Se nessa fase o sujeito passivo não foi chamado a se manifestar, não se configura cerceamento ao direito de defesa, que será exercido na fase do contencioso fiscal. SOLIDARIEDADE PASSIVA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124 do CTN). INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a apreciação, por autoridade julgadora da esfera administrativa, de arguição de inconstitucionalidatle de lei, por tratarse de matéria inserta na competência privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento à preliminar de não conhecimento do recurso argüida de oficio, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Valmir Sandri. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. No recurso especial, os sujeitos passivos afirmam que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto às matérias admitidas do recurso, foram apresentados os seguintes argumentos: IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PELO AUDITOR FISCAL NO MOMENTO DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO pedese vênia, para facilitar a demonstração da divergência exigida como pressuposto de admissibilidade do presente recurso, a transcrição da ementa e dos fundamentos do v. acórdão recorrido: [...]; nos acórdãos paradigmas, exarados nos processos administrativos n° 19647.012380/200571 e n° 13603.720077/200656, cujas cópias de inteiro teor seguem anexas, outro foi o entendimento deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a questão posta em análise, como se infere das ementas a seguir transcritas: Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 5 4 "TERMO DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE NULIDADE Compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional, nos casos da responsabilidade prevista nos artigos 128 a 138 do CTN imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva. A imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização é nula por sua incompetência para praticar tal ato..." "TERMO DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE — NULIDADE— Compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional, nos casos da responsabilidade prevista nos artigos 128 a 138 do CTN, imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva. A imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização é nula por sua incompetência para praticar tal ato...." Por sua pertinência para a presente argumentação, são apresentados abaixo trechos do voto exarado no julgamento do v. acórdão paradigma processo administrativo n° 19647.012380/200571: [...]; E, ainda, trechos do voto exarado no julgamento do acórdão paradigma processo administrativo n° 13603.720077/200656, também com ementa destacada mais acima: [...]; Verificase de imediato que ambos os casos abordam a mesma questão. Por outro lado, a decisão ora recorrida diverge das decisões proferidas nos acórdãos paradigmas ora destacados, autorizando o presente recurso especial; em que pese o Auditor Fiscal tenha concluído que os Recorrentes tentaram ocultar a constituição societária com a interposição fraudulenta de terceiros no contrato social da empresa autuada, ainda assim, o referido Auditor Fiscal não poderia ter imputado aos Recorrentes a responsabilidade solidária, como de fato o fez, pois este não possui competência para tanto; como já trazido nestes autos, a Fiscalização deveria ter lavrado o Auto de Infração apenas em face da Contribuinte Vale Blanco Ltda., o qual teria seu trâmite normal até a fase judicial, onde, se fosse de interesse da PGFN, esta deveria requerer o redirecionamento da cobrança para os terceiros, ora Recorrentes, mediante a juntada de provas que entendesse necessárias; assim, tendo em vista que a decisão proferida quando do julgamento do Recurso Voluntário interposto diverge do entendimento destacado nos paradigmas acima destacados, requerse a Vossas Senhorias, desde já, seja declarada a nulidade do ato de imputação de responsabilidade solidária aos Recorrentes, haja vista que a matéria é de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, jamais do Auditor Fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração; DA IMPOSSIBILIDADE DE SE CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO FEDERAL COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO FISCO ESTADUAL Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 6 5 apesar dos Recorrentes alegarem no Recurso Voluntário que para apuração dos créditos tributários federais lavrados a I. Fiscalização baseouse unicamente em informações obtidas junto ao Fisco Paranaense, tal matéria sequer foi analisada por este E. Conselho quando do julgamento do referido Recurso Voluntário, razão pela qual os ora Recorrentes opuseram Embargos de Declaração visando sanar a referida omissão; no julgamento dos referidos Embargos de Declaração, o I. Conselheiro fundamentou que o r. acórdão não teria sido omisso, pois procedeu ao arbitramento dos valores lançados com base na receita bruta conhecida, verificada a partir das informações constantes em DIPJ e na receita de vendas informada ao Fisco Estadual; ocorre Ilustres Julgadores que é entendimento deste E. Conselho (Acórdão nº 1401000.807 anexo) que a divergência entre as informações prestadas ao Fisco Estadual para fins de apuração do ICMS e aquelas apresentadas na DIPJ ao Fisco Federal consiste apenas em indício de omissão de receitas, que deve ser objeto de investigação por parte da Fiscalização; a Fiscalização não pode tomar como verdadeiras as declarações entregues ao Fisco Estadual para fins de apuração do ICMS e afastar aquelas outras apresentadas ao Fisco Federal, sem maiores confrontações ou investigações; o entendimento acima destacado é claro e precisa ser respeitado, pois como já trazido no fundamento dos embargos de declaração opostos, se tomarmos por base as mesmas GIA´s utilizadas pela Fiscalização, podemos constatar que o valor das compras realizadas no anocalendário de 1999, no importe de R$ 18.647.315,38 é maior do que o valor das vendas no mesmo período R$ 16.043.106.12, o que pressupõe que as vendas não foram suficientes para cobrir os custos e, assim, que provavelmente a empresa teve prejuízo no referido anocalendário; ora, se teve prejuízos, e era optante pelo lucro real, não haveria base de cálculo para a apuração de IR e CSLL. No entanto, tomando por base apenas os documentos fornecidos pelo Fisco Paranaense, a I. Agente Autuante constituiu créditos vultosos de IR e CSLL para o período em questão; ademais, apenas para que não se alegue a inexistência do cotejo analítico, conforme previsão do Regimento Interno deste E. CARF, os Recorrentes transcrevem abaixo trecho do voto do julgamento dos Embargos de Declaração destes autos e trechos do acórdão paradigma, os quais, em situação semelhante, apresentaram decisões diferentes, vejamos: [...]; assim, com base nesta conclusão, e ante a inexistência de presunção legal que tome como suficiente as informações prestadas ao Fisco Estadual para fins de lançamento dos tributos federais, bem como pela inexistência de investigação acerca da efetiva omissão das receitas por parte da Contribuinte Vale Blanco, necessário se torna a reforma da r. decisão ante a ausência de elementos suficientes para a imputação de omissão de receitas; desta forma, tendo em vista que a decisão proferida quando do julgamento do Recurso Voluntário e dos Embargos de Declaração opostos divergem do entendimento destacado no acórdão paradigma acima mencionado, necessário que seja proferida uma decisão para cancelar integralmente os lançamentos efetuados, em que os ora Recorrentes foram incluídos como responsáveis tributários. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 7 6 Em 31/07/2015 e 22/11/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência dos despachos que trataram da admissibilidade do recurso especial em questão, e em 06/08/2015 e 23/11/2017, respectivamente, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, que no seu conjunto apresentam os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO os recorrentes alegam que não cabe à autoridade fiscal indicar responsável solidário pelo crédito tributário, sendo esta atribuição exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, no momento da execução fiscal; conforme a descrição contida no termo de sujeição solidária, temse configurada a responsabilidade tributária consubstanciada na regra do art. 135, III do CTN, à medida que os autuados representavam a empresa devedora, cuja constituição societária da empresa não ocorreu de forma regular, como também regulares não foram suas atividades; logo, no caso, não existe dúvida quanto à responsabilidade do autuado, limitandose à discussão se tal responsabilidade poderia ter sido imputada pela Fiscalização no presente processo administrativo; os recorrentes entendem que como o art. 135, III, do CTN se refere à responsabilidade subsidiária, a respectiva imputação somente poderia ser feita pela Procuradoria da Fazenda Nacional no processo executivo, após o esgotamento das tentativas de receber o crédito tributário do contribuinte na fase de cobrança; contudo, data maxima venia, a aludida norma não se refere à subsidiariedade, mas à solidariedade. A doutrina mais abalizada confirma o vínculo de solidariedade contido no art. 135 do CTN, tal como se observa das lições do Dr. Emanuel Carlos Dantas Cordeiro de Assis, membro do Segundo Conselho de Contribuintes, em brilhante artigo de sua autoria: [...]; no caso, tanto a empresa como seus representantes respondem pelo pagamento pelo tributo em regime de solidariedade, sem, inclusive, benefício de ordem, nos termos do art. 124, que, aliás, é também o fundamento legal do termo de sujeição passiva questionado nestes autos; logo, ao constatar situação que caracterize a responsabilidade tributária do representante da empresa devedora, a Fiscalização deve lavrar o respectivo termo, com a devida ciência aos responsáveis, tal como ocorreu no presente feito administrativo. Assim, a autuação agiu corretamente, conforme ensina o renomado doutrinador Leandro Paulsen, que assim discorre sobre o assunto: [...]; nesse contexto, independentemente de sua natureza, a responsabilidade tributária é clara hipótese de sujeição passiva, que permite a autoridade lançadora efetuar a constituição do crédito em face não só do contribuinte, como também do responsável, cuja autuação é plenamente regular no presente caso, no qual ficou caracterizada a responsabilização dos representantes da empresa; basta ser obrigado ao pagamento do tributo para integrar a polaridade passiva da relação tributária, sendo indiferente as diversas classificações atribuídas ao responsável por grande parte da doutrina, para os efeitos da sujeição passiva. Esta é a lição Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 8 7 ministrada pelo festejado doutrinador Leandro Paulsen, que assim se manifesta sobre o art 121 do CTN: [...]; sendo assim, são plenamente válidos os termos de sujeição passiva solidária lavrados em face dos representantes da empresa, que, na condição de responsável tributário no período da autuação, ostentam a qualidade de sujeito passivo, independentemente da natureza de sua responsabilidade, razão pela qual não merece reparo o respectivo lançamento, cujo procedimento se destina, dentre outras finalidades, à identificação do devedor; por fim, a autoridade lançadora agiu em conformidade com a legislação, quando lavrou o aludido termo, tendo em vista a constatação da hipótese de incidência da norma do art. 135, III, do CTN, cuja aplicação pode se efetivar na seara administrativa, sem a necessidade de atuação da Procuradoria da Fazenda Nacional na fase de cobrança judicial; o acórdão recorrido deve ser mantido, pois encontra fundamento nos artigos 121, II, 124 e 135, III, do CTN, que disciplinam a responsabilidade tributária, plenamente imputável no presente caso, uma vez verificada diante constatação de seus elementos; relativamente à impossibilidade de se constituir crédito tributário com base em informações prestadas pelo Fisco Estadual alegada, sem razão os recorrentes; as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real devem dispor de escrituração contábil completa e atualizada, com obediência à legislação vigente e aos princípios e convenções geralmente aceitos em contabilidade. Já as pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro presumido, como disposto no art. 45 da Lei nº 8.981, de 1995, poderão manter, em vez da escrituração contábil nos termos da legislação comercial, a escrituração do livro caixa contendo toda a movimentação financeira no decorrer do ano calendário; a escrituração contábil e toda documentação que a ensejou são imprescindíveis para demonstrar a apuração dos lucros ou prejuízos; assim, quando intimado pela Fiscalização, o sujeito passivo deve exibir os documentos e os livros comerciais e fiscais solicitados, e estes devem estar em boa ordem, escriturados contendo dados atualizados. Caso não o faça ou não tenha condições de fazêlo, ou o faça com vícios, erros ou deficiências de maneira que se torne essa documentação imprestável à apuração dos valores tributados, ensejará o arbitramento do lucro por parte do agente fiscal; o arbitramento do lucro fundamentase no art. 47 da Lei n° 8.981, de 1995 e não se trata de uma opção do agente fiscal, ao contrário, é o cumprimento expresso de disposição legal decorrente da impossibilidade de apuração dos resultados tributáveis; também não há qualquer ilegalidade no arbitramento levado a efeito pela Fiscalização, utilizandose de dados informados nos Livro de Apuração do ICMS ou nas declarações ao Fisco Estadual para materializar o lançamento. E não há que se falar em aproveitamento da prova emprestada do Fisco Estadual; ante todo o exposto, pugna a Fazenda Nacional para que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela eg. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 9 8 Turma a quo por seus próprios fundamentos, bem como com fundamento nas razões expendidas acima. É o relatório. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001. O relatório constante do acórdão recorrido esclarece as razões da autuação fiscal: A empresa, regularmente intimada a apresentar os seus livros e documentos fiscais (fls. 80 e 101), deixou de fazêlo. A fiscalização procedeu ao arbitramento dos lucros dos períodos com base na receita bruta conhecida, verificada a partir das informações constantes em DIPJ e na receita de vendas informada ao Fisco Estadual. Os valores de receita omitidos deram base à exigência de PIS e Cofins. Foi aplicada a multa de oficio qualificada por ter sido constatada a interposição fraudulenta de terceiros à frente da gestão da empresa. Com base em declarações de testemunhas, informações prestadas por instituições financeiras e procurações da pessoa jurídica, a fiscalização concluiu que os Srs. Adelino Fernandes Valente, Luiz Fernandes Valente e Ramiro Alves Costa são os verdadeiros sócios da empresa, razão pela qual foram cientificados do lançamento na condição de solidários responsáveis pelos débitos (ciência às fls. 416 a 418, na data de 05.12.2003). O lançamento foi mantido tanto na primeira quanto na segunda instância administrativa. E a controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito a duas matérias para as quais foi reconhecida a ocorrência de divergência jurisprudencial: 1 IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PELO AUDITOR FISCAL NO MOMENTO DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os sujeitos passivos (responsáveis tributários) alegam, em síntese, que o Auditor Fiscal não podia ter imputado a responsabilidade solidária aos recorrentes, porque não possui competência legal para tanto; e que somente na fase judicial, se fosse de interesse da PGFN, é que esta poderia requerer o redirecionamento da cobrança para os terceiros, ora Recorrentes, mediante a juntada de provas que entendesse necessárias. O primeiro despacho de admissibilidade exarado pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF aponta bem a divergência jurisprudencial a ser dirimida neste julgamento: Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 11 10 O voto proferido no acórdão recorrido foi claro ao admitir a imputação de responsabilidade tributária solidária a terceiras pessoas, que não o próprio contribuinte, pela auditoria fiscal, validando os termos de sujeição passiva solidária emitidos em face de FERNANDES VALENTE, LUIZ FERNANDES VALENTE e RAMIRO ALVES COSTA. Em sentido oposto, os acórdãos paradigmas firmaram o entendimento de que não cabe à auditoria fiscal indicar responsável solidário pelo crédito tributário, atribuição que seria de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional, no momento da execução fiscal. Verificase, assim, que relativamente a um mesmo fato, a atribuição de responsabilidade solidária a terceiros pelo crédito tributário, que não o próprio contribuinte, as câmaras deste Conselho proferiram conclusões diferentes. Não há qualquer vício de nulidade nos termos de sujeição passiva, gerado em razão de falta de competência da autoridade fiscal para discriminar os responsáveis tributários. De acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, compete à autoridade fiscal “identificar o sujeito passivo”, dentre outras medidas próprias ao exercício da atividade de lançamento. O art. 121 do mesmo código, por sua vez, define os sujeitos passivos da obrigação tributária como sendo: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Portanto, não há dúvidas de que a autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Ela não só pode como deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária, tanto na condição de contribuinte, quanto na condição de responsável. Aliás, é justamente o exercício desta competência legal que garante aos responsáveis a possibilidade de exercício de direito de defesa na esfera administrativa, e que, posteriormente, possibilita a formação de título executivo contra eles. O que às vezes é motivo de crítica é a posição defendida pelos Recorrentes, ou seja, mover execução fiscal contra alguém que em nenhum momento foi chamado para compor o pólo passivo da obrigação tributária. Importante ressaltar que a jurisprudência administrativa no Brasil fez nos últimos tempos um grande aprofundamento nas questões envolvendo a identificação do sujeito passivo já no momento do lançamento fiscal. Antigamente, nem mesmo existia a figura do "Termo de Sujeição Passiva Solidária", e a fiscalização passou a adotar esse tipo de procedimento para que a execução judicial dos créditos lançados tivesse mais êxito. Os órgãos julgadores, por sua vez, relutavam em analisar as questões sobre responsabilidade tributária, entendendo que era assunto para o Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 12 11 momento da execução fiscal (assunto próprio da PGFN), mas esse entendimento hoje em dia está totalmente superado. Tudo isso está diretamente relacionado à formação do título executivo fiscal contra alguém, e foram justamente as questões sobre esse tema que motivaram a referida evolução dos procedimentos fiscais e da jurisprudência administrativa. A matéria está tratada até em Súmula do CARF que, ao assegurar o direito amplo de impugnar e recorrer para os arrolados como responsáveis tributários (inclusive em relação ao próprio crédito tributário, e não apenas ao vínculo de responsabilidade), reconhece implicitamente a validade dos termos de sujeição passiva e a competência da autoridade fiscal para imputar o vínculo de responsabilidade tributária já no ato de lançamento: Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Assim, cabe NEGAR provimento ao recurso especial dos sujeitos passivos (responsáveis tributários) em relação a essa primeira divergência. 2 IMPOSSIBILIDADE DE SE CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO FEDERAL COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO FISCO ESTADUAL Os recorrentes alegam, em síntese, que a divergência entre as informações prestadas ao Fisco Estadual para fins de apuração do ICMS e aquelas apresentadas na DIPJ ao Fisco Federal consiste apenas em indício de omissão de receitas, que deve ser objeto de investigação por parte da Fiscalização; que inexiste presunção legal que tome como suficiente as informações prestadas ao Fisco Estadual para fins de lançamento dos tributos federais; que as mesmas GIA´s utilizadas pela Fiscalização indicam que o valor das compras foi maior que o valor das vendas no ano de 1999; que a empresa provavelmente teve prejuízo nesse período; e que, sendo ela optante pelo lucro real, não haveria base de cálculo para a apuração de IR e CSLL. Por outro lado, a PGFN, em sede de contrarrazões, sustenta que se o contribuinte não apresenta os livros comerciais e fiscais solicitados, ou os apresenta com vícios, erros ou deficiências que torne essa documentação imprestável à apuração do lucro real, caberá o arbitramento do lucro; que não há qualquer ilegalidade no arbitramento levado a efeito pela Fiscalização, utilizandose de dados informados nos Livro de Apuração do ICMS ou nas declarações ao Fisco Estadual; e que não há que se falar em aproveitamento da prova emprestada do Fisco Estadual. Primeiramente cabe esclarecer que a divergência jurisprudencial que foi caracterizada pelos recorrentes não coloca em questão o arbitramento dos lucros, motivado pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais da empresa, até porque o paradigma não aborda em nenhum momento esse tipo de situação. O que está em questão nessa segunda divergência é a possibilidade de se apurar as receitas auferidas pela empresa a partir das informações que ela prestou ao Fisco Estadual, quando essas receitas possuem valores superiores aos informados ao Fisco Federal. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 13 12 Como já mencionado, essa divergência só foi admitida em sede de agravo, por despacho do presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em momento anterior, no despacho de exame de admissibilidade, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF havia entendido que as distintas situações que foram examinadas pelo acórdão recorrido e pelo paradigma justificavam as conclusões divergentes entre aquelas decisões: Do cotejo entre as decisões verificase que ambas não guardam identidade fática. Com efeito, no caso do paradigma apresentado, a auditoria fiscal intimou o sócio de fato e de direito de empresa extinta por liquidação voluntária, para que apresentasse o distrato da empresa, o livro de apuração do ICMS, o livro de registros de entradas e saídas, o livro caixa ou Diário e Razão, e todos esses elementos foram prontamente apresentados pelo intimado, além das DIPJ contendo informações sobre os faturamentos mensais, obtidas a partir dos sistemas internos da RFB. Em razão disso, o colegiado a quo entendeu que a auditoria fiscal não poderia ter ignorado as informações constantes dos elementos apresentados pelo intimado, e ter se utilizado, unicamente, das informações prestadas pelo Fisco Estadual, o que levou a afastar a exigência assim lavrada. Observese: [...] Situação fática diferente foi aquela apreciada pelo acórdão recorrido. No presente caso, não foi apresentado um único elemento da escrita contábil e fiscal da empresa. Além disso, foi constatada a interposição fraudulenta de terceiros os chamados "laranja" no quadro societário da pessoa jurídica, com o intuito de dificultar a identificação dos sócios de fato. Assim, diferentemente, do caso do paradigma, no caso do recorrido a auditoria fiscal não dispôs de outros elementos ou dados, além daqueles fornecidos pelo Fisco Estadual. As situações contrapostas são, portanto, distintas, o que justifica as conclusões divergentes. Assim, neste ponto, ao Recurso Especial manejado deverá ser negado seguimento. Realmente, há diferenças entre as situações examinadas pelas decisões cotejadas. Contudo, penso que essas diferenças não comprometem a caracterização da divergência jurisprudencial, na mesma linha do que foi decidido no julgamento do agravo contra o referido despacho de exame de admissibilidade do recurso especial: Argumentam os Agravantes que a discussão é se o Fisco Federal poderia se valer unicamente das informações obtidas junto ao Fisco Estadual, quando detinha outras informações da autuada, especificamente aquelas que constavam da DIPJ apresentada. Nesse sentido, insistem em que o paradigma apresentado considerou as informações do Fisco Estadual Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 14 13 como simples indícios de omissão de receitas, que deveriam ser objeto de investigação por parte da fiscalização, decisão diversa do acórdão recorrido. Por relevante, de se observar que os interessados embargaram o acórdão nº 1301000.433 alegando omissão exatamente quanto a este ponto. Os embargos, entretanto, não foram admitidos, constando do despacho de efl. 748 o seguinte (grifos não constam do original): [...] Ao ser rejeitada a alegação de omissão do acórdão embargado, deve se entender que foi validado o procedimento do Fisco no lançamento, de constituir o crédito tributário com base nas informações constantes na DIPJ e na receita de vendas informada ao Fisco Estadual. Em outras palavras, o acórdão recorrido considerou que as informações prestadas ao Fisco Estadual são suficientes para a constituição de crédito tributário de tributos federais, sem a necessidade de aprofundamento das investigações ou de provas adicionais, rejeitando, ainda que tacitamente, a alegação que constava do recurso voluntário (efls. 705/707). E isso, na presença de informações divergentes que constavam na DIPJ, conforme se depreende do excerto transcrito. Em sentido contrário, o acórdão paradigma nº 1401000.807 estabeleceu a impossibilidade do procedimento acima. Confirase (efl. 853, grifos não constam do original): No caso dos autos, a Autoridade Fiscal, sem qualquer cuidado adicional, tomou as receitas declaradas para fins de apuração do ICMS como verdadeiras, afastando aquelas outrora apresentadas ao Fisco Federal, sem maiores confrontações com os livros fiscais da empresa ou com as informações de outras entidades. Assim, por entender que não existe presunção legal que tome como suficiente as informações prestadas ao Fisco estadual, para fins de lançamento dos tributos federais, e ante a ausência de qualquer investigação acerca da efetiva omissão de receitas por parte da empresa contribuinte, entendo não estarem caracterizados os elementos suficientes para a imputação de omissão de receitas constantes dos autos. O Agravo deve ser acolhido, quanto a esta matéria "impossibilidade de se constituir crédito tributário com base em informações prestadas pelo Fisco Estadual". Novamente, o que está em questão nessa segunda divergência é a possibilidade de se apurar as receitas auferidas pela empresa a partir das informações que ela prestou ao Fisco Estadual, quando essas receitas possuem valores superiores aos informados ao Fisco Federal, e quanto a isso as decisões são mesmo divergentes, independentemente do contexto específico de cada um dos casos. Nesse passo, entendo que o recurso também deve ser conhecido em relação a essa segunda divergência. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 15 14 De acordo com o paradigma, e com a argumentação dos recorrentes, "não existe presunção legal que tome como suficiente as informações prestadas ao Fisco estadual, para fins de lançamento dos tributos federais". Ocorre que a questão em pauta não envolve apuração de receita por aplicação de regra de presunção legal. Os valores que a contribuinte informou ao Fisco Estadual são valores de vendas, e, portanto, configuram prova direta das receitas auferidas. Aliás, este tipo de infração tributária, que consiste em informar ao Fisco Federal valores de receitas inferiores àqueles informados ao Fisco Estadual, é bastante comum em determinadas situações/atividades, porque a Fiscalização Estadual, por monitorar o trânsito de mercadorias, acaba sendo mais presente que a Fiscalização Federal. O contexto de cada caso concreto obviamente afeta a avaliação que se faz das divergências entre os valores de receitas constantes das DIPJ (informados ao Fisco Federal) e os que constam das GIA (informados ao Fisco Estadual). Mas a análise das especificidades do caso concreto acabaria implicando na retomada do debate sobre a própria caracterização da divergência jurisprudencial a partir do paradigma apresentado. Vêse que no caso paradigma houve dois votos "pelas conclusões". Esse alinhamento com o voto do relator ("pelas conclusões"), que condenou a apuração de receitas a partir de informações prestadas ao Fisco Estadual, decorreu provavelmente das particularidades daquele caso, particularidades que também serviram para o não reconhecimento da divergência jurisprudencial num primeiro momento, nos termos do despacho de exame de admissibilidade proferido nos presentes autos pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (acima transcrito). Não obstante, apesar das particularidades daquele caso, o voto que orientou o paradigma acabou defendendo uma posição mais ampla, posição que serviu para caracterizar a divergência jurisprudencial sob exame, mas que não se sustenta em relação a seu mérito, em razão da generalização que pretendeu defender. A informação prestada ao Fisco Estadual pode perfeitamente servir como base para apuração das receitas auferidas, porque diz respeito a vendas realizadas pela empresa. Não há necessidade de regra de presunção legal para isso. Essa informação configura prova direta do auferimento de receitas, que, no caso concreto, é corroborada por todas as especificidades que motivaram a autuação fiscal. Desse modo, também NEGO provimento ao recurso especial dos sujeitos passivos (responsáveis tributários) em relação a essa segunda divergência. Em resumo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial dos sujeitos passivos (responsáveis tributários) para as duas divergências examinadas. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10980.011566/200385 Acórdão n.º 9101003.427 CSRFT1 Fl. 16 15 Fl. 993DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901860/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 18 60 /2 00 9- 40 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10835.901860/200940 Acórdão n.º 1302002.598 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1431.916, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 12646.79656.140105.1.3.043072, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de maio de 2002, com débito(s) relativo(s) à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) , período de apuração de 3º trimestre de 2005. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10835.901860/200940 Acórdão n.º 1302002.598 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10835.901860/200940 Acórdão n.º 1302002.598 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10835.901860/200940 Acórdão n.º 1302002.598 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10835.901860/200940 Acórdão n.º 1302002.598 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10835.901860/200940 Acórdão n.º 1302002.598 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 08 de fevereiro de 2011, e o recurso voluntário foi apresentado em 09 de março de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002535/2006-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1990 a 31/01/1996
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PLEITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO.
Prescreve em cinco anos da data do trânsito em julgado da sentença o direito de pleitear administrativamente a compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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PLEITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. Prescreve em cinco anos da data do trânsito em julgado da sentença o direito de pleitear administrativamente a compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre (efl. 536 e ss): A contribuinte supracitada solicitou créditos de PIS da ação judicial em mandado de segurança nº 2000.71.07.0060210, para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 35 /2 00 6- 05 Fl. 575DF CARF MF 2 fins de compensação de débitos de PIS (PA: 09/2002 a 05/2003 e 10/2003 a 12/2003) conforme PER/Dcomps, originais e retificadas, de fls.02/211. Posteriormente, foram anexados aos autos: a) cópias do processo administrativo judicial nº 11020.002309/0041, que trata dos documentos e cálculos da restituição dos valores de PIS dos período em análise, de fls.42/165; b) DCTF´s sem processo administrativo, que tratam do crédito da ação em mandado de segurança em análise com débitos de PIS (PA: 09/2002 a 12/2002), conforme fls.166/176; c) cópia do despacho decisório do processo de restituição do processo 11020.002495/200189, no qual a contribuinte havia requerido a restituição de PIS dos períodos de apuração de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, conforme fls. 183/190; e d) declaração de compensação de débitos de PIS dos meses de janeiro a março de 2003, contido no processo administrativo nº 11020.001328/200382, conforme fls.191/193. Diante deste fatos e após análise da decisão judicial e dos demais documentos contidos nos autos, a DRF de origem fez a apuração do valor da ação judicial nos demonstrativos de fls.160/163, tendo excluído os valores de restituição de outubro e novembro de 1995, pois já estavam no processo administrativo 11020.002495/200189, e reconheceu o direito creditório de R$ 112.528,45, em 01/01/1996. Este foi utilizado para compensação com os débitos juntados aos autos, exceto o período de apuração de janeiro a março de 2003, pois já estavam controlados/pleiteados no processo administrativo nº 11020.001328/200382, tendo havido a homologação das compensações pleiteadas e sobrado um valor residual de crédito. Estas conclusões e determinações se encontram no Despacho Decisório DRF/CXL nº 407, de 23/10/2006, de fls.194/196. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório DRF/CXL nº 407, de 23/10/2006, de fls.194/196, em 12/12/2006, conforme A.R. de fl.225 Após, fez uma série de compensações com o valor residual da restituição reconhecida no despacho acima, datadas de 15/12/2006 a 21/05/2010, conforme PER/Dcomps de fls.227/349 e 358/389. Apreciando estas novas PER/Dcomps, a DRF de origem fez uma nova análise dos fatos. Desta, conclui por emitir o Despacho Decisório 296 – DRF/CXL, de 25/05/2010, de fls.402/403. Neste, homologou as compensações transmitidas até 09/08/2009, não homologando após esta data, pois haveria a prescrição do direito de utilizar o crédito da ação judicial transitada em julgado em 09/08/2004, que é de 5 anos após o trânsito em julgado. Posteriormente, os débitos dos períodos de apuração de janeiro a março de 2003, do processo administrativo nº 11020.001328/200382, foram transferidos para este processo em análise (11020.002535/200635), que outrora tinham sido excluídos, conforme Informação DRF/CXL/Seort nº 50, de 16/11/2010, de fl.404. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 11020.002535/200605 Acórdão n.º 3001000.181 S3C0T1 Fl. 3 3 Também posteriormente, mas antes de ser cientificada do Despacho Decisório 296 – DRF/CXL, de 25/05/2010, de fls.402/403, a contribuinte fez uma série de novas compensações, datadas de 02/06/2010 a 17/01/2011, conforme PER/Dcomps de fls.406/429 e 470/472. Cientificada do Despacho Decisório 296 – DRF/CXL, de 25/05/2010, de fls.402/403, em 14/02/2011, conforme A.R. de fl.476, apresenta manifestação de inconformidade, de fls. 477 a 483. Nesta inconformidade, preliminarmente, argumenta que a ação judicial em mandado de segurança nº 2000.71.07.0060210 lhe concedeu o direito creditório de PIS e que o período de compensação fundamentado nesta ação compreendia os débitos de PIS dos meses de janeiro a março de 2003, devendo ser imputado o crédito deferido neste processo administrativo a estes débitos. No mérito, alega que a matéria da prescrição e da decadência está adstrita ao Código Tributário Nacional, que foi recepcionado como lei complementar pela Constituição, pois estas matérias não podem ser reguladas por lei ordinária ou decreto, segundo o art.146 da Constituição. Por conseguinte, a matéria em litígio deveria ser regulada pelo art.168 do CTN, o qual, em suas hipóteses legais, não prevêem a prescrição para o caso em concreto. Isto porque a decisão no mandado de segurança nº 2000.71.07.0060210 lhe concedeu o direito creditório de PIS e que este foi utilizado após ao trânsito em julgado (art.170A do CTN). Não há razão para aplicar o prazo de cinco anos após o trânsito em julgado da ação judicial, pois a compensação foi realizada mês a mês, desqualificando a hipótese de inércia do contribuinte no prazo de cinco anos, conforme entendimento de doutrina. Após esta manifestação de inconformidade, a DRF de origem prolatou um outro despacho decisório, mais especificamente o Despacho Decisório 328 – DRF/CXL, de 13/05/2011, de fls.502/503, para apreciar as compensações, datadas de 02/06/2010 a 17/01/2011, conforme PER/Dcomps de fls.406/429 e 470/472, anteriormente citadas. Neste, não homologou as compensações transmitidas após 09/08/2009, que envolve todas as enviadas pela contribuinte no período em análise nesta decisão, pois haveria a prescrição do direito de utilizar o crédito da ação judicial transitada em julgado em 09/08/2004, que é de 5 anos após o trânsito em julgado. Cientificada do o Despacho Decisório 328 – DRF/CXL, de 13/05/2011, de fls.502/503, em 24/05/2001, conforme A. R. de fl.506, apresenta manifestação de inconformidade, de fls.508/514. Nesta inconformidade, preliminarmente, repete que a ação judicial em mandado de segurança nº 2000.71.07.0060210 lhe Fl. 577DF CARF MF 4 concedeu o direito creditório de PIS e que fez as compensações fundamentadas nesta ação. No mérito, repete a alegação pertinente à prescrição e da decadência anteriormente alegada. No voto, a DRJ/Porto Alegre fez as seguintes considerações: Cabe observar que, ainda que a manifestante possa discordar, o sujeito passivo tem a seu dispor o lapso temporal de cinco anos, sem hipótese de interrupção ou suspensão, para promover a ação de cobrança de seus créditos contra a Fazenda Nacional. Assim, esse é o prazo que tem ele para se ressarcir do indébito tributário, podendo isso ser exercido mediante o ajuizamento de ação de execução ou pelo ingresso de solicitação via instância administrativa, pleiteando a compensação de valores recolhidos a maior com débitos tributários próprios. Tal entendimento também decorre dos art. 165 e 168 do CTN, que dispõem prescrever em cinco anos, a contar da data do trânsito em julgado, o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional decorrente de sentença judicial. Finalmente, a DRJ/Porto Alegre apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1990 a 31/01/1996 DIREITO CREDITÓRIO SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS DO TRÂNSITO EM JULGADO INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO OU INTERRUPÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Contase a partir da data do trânsito em julgado o prazo prescricional para que o sujeito passivo exerça o direito de compensação de débitos na via administrativa com o crédito reconhecido em título executivo judicial, sendo que inexiste hipótese de suspensão ou interrupção do prazo prescricional na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Outros Valores Controlados Insatisfeita com a decisão do tribunal a quo, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual, em síntese, repete a argumentação anteriormente trazida ao p.p. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator Fl. 578DF CARF MF Processo nº 11020.002535/200605 Acórdão n.º 3001000.181 S3C0T1 Fl. 4 5 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O valor em litígio é de R$ 11.901,92 (efl. 551), dentro do limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF, de sessenta salários mínimos, atualmente R$ 56.220,00, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. A Recorrente inicia sua argumentação alegando que matéria referente a prescrição e decadência no direito tributário só podem ser definidas por lei complementar, e não por lei ordinária (efl. 557 e ss.), segundo o art. 146, III da Constituição Federal. Segundo seu entendimento, então, não teria havido prescrição porque "a Manifestante compensou o seu crédito todos os meses, afastando, indubitavelmente, a ocorrência de prescrição" (efl. 560). Ocorre, entretanto, que o próprio CTN, recepcionado como Lei Complementar com a vigência da CF 1988, estabelece que prescreve em cinco anos, a contar da data do trânsito em julgado, o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional decorrente de sentença judicial. In verbis: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Além disso, a sentença judicial definitiva prolatada em ação declaratória é título executivo, tendo o titular do direito o prazo de 05 anos para a sua execução, administrativa ou judicial (art. 206, § 5º, inciso I, do CC). No mesmo caminho, não há na legislação nenhuma hipótese interruptiva do prazo prescricional contra a Fazenda Nacional nos casos de direito a compensação. No mesmo sentido, vemos a jurisprudência do próprio CARF: INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PLEITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. Prescreve em cinco anos da data do trânsito em julgado da sentença o direito de pleitear administrativamente a Fl. 579DF CARF MF 6 compensação (Acórdão nº 20180.215 da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Sessão de 25/04/2007). Assim por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904804/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.284
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 80 4/ 20 11 -1 1 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.904804/201111 Resolução nº 3402001.284 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0256.940, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904804/201111 Resolução nº 3402001.284 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904804/201111 Resolução nº 3402001.284 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904804/201111 Resolução nº 3402001.284 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904804/201111 Resolução nº 3402001.284 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000803/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁ-FÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA.
Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontrava-se ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má-fé e tornando legítima a glosa dos créditos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁ-FÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontrava-se ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má-fé e tornando legítima a glosa dos créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado
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CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁFÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontravase ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a máfé e tornando legítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 08 03 /2 00 9- 43 Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 3 2 Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 12059.676 da DRJ Rio de Janeiro I/RJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo Contribuinte para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem que, inicialmente, indeferira o pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa (PIS ou Cofins). Anteriormente, o contribuinte havia impetrado mandado de segurança e obtido liminar determinando que a repartição de origem procedesse à análise e proferisse decisão, no prazo de 30 dias, quanto aos pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas (PIS/Cofins) por ele formulados. Quando da análise do pedido de ressarcimento, a autoridade administrativa intimou o contribuinte a comprovar o crédito pleiteado, tendo sido constatadas diversas discrepâncias e inconsistências nos documentos apresentados, decorrendo daí a decisão denegatória do pleito, prolatada no prazo de 30 dias fixado pela decisão judicial. A decisão da Delegacia de Julgamento foi no sentido de não conhecer em parte a Manifestação de Inconformidade, em virtude da opção do contribuinte pela via judicial (relativamente à preliminar de nulidade e ao pedido de reexame dos autos pela repartição de origem), e, na parte conhecida, indeferir o pedido de diligência requerido. Cientificado da decisão de primeira instância, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Enquanto isso, na esfera judicial, o Contribuinte interpôs agravo de instrumento, em razão do seu entendimento de que o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, sem exame do mérito, deturpara a determinação judicial transitada em julgado, agravo esse provido, com a determinação de que o processo administrativo fosse devidamente instruído. Em atendimento à ordem judicial, a repartição de origem procedeu à realização de diligência, tendo solicitado ao interessado a apresentação de livros, planilhas e outros documentos necessários à análise e, ao final, decidido por reconhecer em parte o direito creditório pleiteado. No Parecer da autoridade fiscal, registrouse o seguinte: a) em 2009, a repartição de origem analisara diversos processos de ressarcimento, no prazo de 30 dias estabelecido em decisão judicial, análise essa ocorrida anteriormente à conclusão da operação fiscal denominada "Tempo de Colheita" (robustecida, posteriormente, pela “Operação Broca”), quando se detectou o uso de empresas laranjas para fins de geração de créditos fictícios, créditos esses utilizados pelo Contribuinte com base em notas fiscais emitidas por essas empresas, usadas como intermediárias na compra de café junto a produtores/maquinistas; Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 4 3 b) dentre os supostos fornecedores de café, Relacafé e Triscafé eram controladas pelo Contribuinte; c) a motivação da Operação "Tempo de Colheita" foi o flagrante descompasso entre as movimentações financeiras e os valores insignificantes das receitas declaradas pelos envolvidos, tendo sido detectado que a imensa maioria das pessoas jurídicas diligenciadas encontravase omissa na apresentação da DIPJ ou, mais comumente, inativa; d) ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupavam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispunham de funcionários para operar como atacadistas; e) os documentos apreendidos junto ao Contribuinte, bem como na outra empresa do Grupo (Realcafé), durante a aludida Operação, não deixavam a menor dúvida de que os dirigentes da empresa tinham total conhecimento da existência do esquema fraudulento, que proporcionava vantagens tributárias de créditos ilícitos do PIS/Cofins; f) algumas da empresas diligenciadas demonstraram o modus operandi do esquema; g) declarações prestadas por corretores e documentos apreendidos demonstraram a participação do Contribuinte na prática fraudulenta; h) os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudoempresas atacadistas usadas para guiar o café, pois negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança (corretores, maquinistas e empresas da sua região), sendo que, no momento da retirada do café, surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; i) a fraude e o seu modus operandi foram corroboradas nas oitivas colhidas no curso das investigações perante os produtores/maquinistas e corretores, juntamente com a vasta documentação apresentada por eles, inclusive documentos apreendidos durante a “Operação Broca” no próprio estabelecimento do Contribuinte e de outra empresa do grupo; j) o controle eletrônico do Contribuinte, intitulado “folha de compra”, extraído da mídia eletrônica apreendida durante a "Operação Broca", comprovava que ele tinha total controle e domínio do que compravam de cada produtor/maquinista e por qual empresa de fachada a negociação era falsamente documentada; k) as confirmações de pedidos anexadas identificam o maquinista por meio de anotação manuscrita em venda para o Contribuinte por meio de empresas laranjas. A Tristão exigia que os produtores/maquinistas, verdadeiros vendedores do café, assinassem as confirmações dos corretores, conforme comprovam os emails extraídos das mídias apreendidas na Tristão e reproduzidos; l) anexa tabela “Relatório de Vendas para Entrega Futura – TRISTÃO Cia de Comércio Exterior”, onde constam os dados das confirmações de pedidos e os dados das notas fiscais; m) são citados diversos depoimentos de corretores de café confirmando que as empresas do Grupo Tristão tinham conhecimento de que nas suas compras de café havia a interposição fictícia de empresa laranja; Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 5 4 n) no mesmo sentido foram citados depoimentos de produtores rurais contendo esclarecimentos sobre o esquema de troca de notas fiscais e outros detalhes da operação; o) Ricardo Schneider, comprador da Tristão, comunicava por email as compras diárias de café para os diversos setores do GRUPO TRISTÃO. Para cada pedido de compra, indicava, entre outros dados, o nome da empresa laranja seguido do nome do produtor/maquinista e o corretor. Foram dezenas de emails extraídos das mídias apreendidas, com data desde 2004. Alguns exemplos foram reproduzidos no parecer; p) os representantes da Colúmbia, Acádia, L&L e Do Grão, respondendo às indagações dos AuditoresFiscais, asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas dessas empresas laranjas eram operadas por exfuncionário das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências efetuadas em MG; q) foram efetuadas diligências nas cidades de Manhuaçu, Manhumirim, Divino e Espera Feliz, de MG. Repetindo o quadro constatado no ES, o que se viu foram hipotéticas empresas ocupando espaços acanhados situadas uma ao lado da outra, desprovidas de patrimônio e capacidade operacional necessários ao seu objeto, tentando transparecer atacadistas de café, só que próximas, às vezes lado a lado, dos escritórios de compras das grandes exportadoras e torrefadoras, o que tornou a moldura mais emblemática; r) o mesmo modus operandi foi constatado em diligências efetuadas em Varginha e outros municípios no sul de MG; s) a prática rotineira que consiste em guiar café do produtor para o comprador utilizando uma empresa fictícia é corroborada nos emails trocados pela direção da própria TRISTÃO, reproduzidos em parte no Parecer, demonstrando a verdade irrefutável de que era também de conhecimento da alta direção da empresa o esquema fraudulento de intermediação fictícia de empresa laranja na compra de café de produtor; t) os emails transcritos comprovam de forma incontestável o esquema montado no mercado de café que foi a inserção de empresas laranjas como intermediárias fictícias entre o produtor e o exportador; u) a verdade é que o modus operandi era sempre o mesmo, qualquer que fosse a região do país. TRISTÃO, portanto, tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento, como dele se beneficiou, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas, gerados por empresas atacadistas de fachada, o que afastava por completo a alegação de adquirente de “boafé” ; v) os AuditoresFiscais constataram, na escrituração contábil da TRISTÃO, infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas PIS (1,65%) e Cofins (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos pelas aquisições diretamente de pessoas físicas, produtores rurais, ou cerealistas; Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 6 5 w) foram elaboradas tabelas a partir das planilhas de memória de cálculo apresentadas pela TRISTÃO, consolidando as tais aquisições, cujos valores compõem a base de cálculo mensal para a glosa dos créditos integrais indevidamente apropriados; x) a TRISTÃO preenchia os requisitos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004; y) em sua resposta, a TRISTÃO reconheceu ter se apropriado indevidamente, por equívoco, de crédito presumido sobre operações de aquisições com fim específico de exportação (CFOP 1501), bem como notas fiscais de simples faturamento (CFOP 1922), conforme tabela no Parecer. Em relação às notas fiscais da Exprinsul Comércio Exterior e da Cocamar – Cooperativa agroindustrial, referentes a 12/2006 e 03/2008, tais valores deviam ser excluídos da base de cálculo do crédito integral, conforme memória de cálculo; z) analisando a Memória de Cálculo apresentada pela TRISTÃO, verificouse que a empresa incluiu indevidamente na base de cálculo do crédito presumido operações de venda com fim específico de exportação; aa) após análise da cópia das notas fiscais, constatouse que havia outras operações de venda com fim específico de exportação para as quais a empresa apropriara indevidamente de crédito integral, conforme citada Memória de Cálculo apresentada pela TRISTÃO. Foram relacionados os valores levantados pela fiscalização; bb) foi elaborado o Demonstrativo de Cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, anexo ao Parecer; cc) foram efetuadas as seguintes glosas de crtéditos: a) NF de empresas de fachada; b) aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido; c) apropriação indevida de crédito sobre NF emitida sem incidência de PIS/Cofins – fim específico de exportação; dd) o rateio dos créditos a descontar foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços: receita mercado interno (tributada) e receita de exportação; ee) demonstrouse que o Saldo de Crédito de Meses Anteriores sobre aquisições no mercado interno vinculado à receita de exportação era zero tanto para o PIS quanto para a Cofins; ff) a fiscalização limitou o valor do pedido de ressarcimento ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do mercado externo (crédito passível de ressarcimento); gg) conforme mostrado no demonstrativo de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, a recomposição dos créditos a descontar resultou no reconhecimento parcial do valor dos créditos pleiteados no pedido de ressarcimento. Cientificado do Parecer Fiscal e do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 7 6 1) o direito creditório objeto das DComps somente foi analisado em virtude da decisão proferida pela egrégia Turma do TRF da 2ª Região, no Agravo de Instrumento 2012.02.01.0070963. A ciência do Impugnante se dera em 05/07/2013, quando já decorridos mais de cinco anos, resultando na homologação tácita de parte dos créditos compensados; 2) não fora indiciado na denominada “Operação Broca”, o que retificava que as investigações realizadas não alcançaram suas operações, uma vez que não traduziam os atos comerciais praticados por ele rotineiramente; 3) na qualidade de adquirente de boafé, era exclusivamente o destinatário das mercadorias, não sendo provada a sua participação na prática de introdução de pseudo pessoas jurídicas na cadeia de comercialização; 4) em nenhum momento foi citado nos depoimentos colhidos na Operação Broca como estando envolvido na criação ou manutenção das pseudo pessoas jurídicas, mas apenas como destinatária do café, o que ratificava a sua boafé; 5) inexiste prova robusta e inequívoca nos autos, mas apenas meras alegações e conjecturas difusas e contraditórias entre si; 6) a conduta da fiscalização revelou a busca pelo acesso irrestrito às informações internas e gerenciais do impugnante, sem amparo em nenhuma autorização judicial para tal procedimento, o que transgride o direito fundamental ao sigilo de dados, insculpido no art. 5º, X e XII, da CF/88; 7) também não se verifica a aptidão das provas testemunhais juntadas aos autos, pois referidos testemunhos não comprovam qualquer vínculo do Impugnante, seus diretores, ou mesmo funcionários, nas práticas ilícitas imputadas às empresas consideradas como de fachada; 8) o art. 112 do CTN faz eco ao princípio universal do in dubio pro reo; 9) trouxe os seguintes elementos de prova que atestam a sua boafé: certidões que atestam a ausência de indiciamento em decorrência da Operação Broca; ação de cobrança por parte da W.G. Azevedo – Brazil Coffee; emails que comprovam a preocupação em realizar operações apenas com empresas em situação regular perante o Fisco; 10) cabe ao fisco o ônus da prova do fato tributário como também o da suposta conduta ilícita; 11) em momento algum a autoridade administrativa outorgou ao impugnante o direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, como legítimo exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa; 12) o conhecimento acerca da origem do café não é indício de que o Impugnante tenha agido de comum acordo com as empresas de fachada, mas sim a necessidade de que se tenha ciência do produtor rural e da região em que foi colhido o grão, para se atestar a qualidade do café adquirido; 13) o Impugnante sempre adotou todas as providencias legalmente exigidas para proceder aos créditos de PIS e Cofins decorrentes das aquisições de café; Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 8 7 14) devia ser considerado o que dispõe o parágrafo único do art. 82 da Lei 9.430/96. No caso, não restou qualquer dúvida quanto ao recebimento e pagamento das mercadorias por parte da Recorrente; 15) a boafé foi demonstrada pelo zelo de se fazerem consultas ao Sintegra e ao próprio banco de dados da RFB, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; 16) nesse sentido, a 5ª Turma da DRJ/RJOII já se pronunciou em situação idêntica, no processo 13771.000356/200315, Acórdão 1324.918, de 25/05/2009; 17) os atos que declararam as empresas como inapta, baixada ou nula ocorreram posteriormente às compras realizadas pelo Impugnante, sendo que para algumas das empresas sequer foi localizado qualquer procedimento neste sentido; 18) os lançamentos contábeis das operações também fazem prova em favor do Impugnante; 19) a atuação do fisco é contraditória, em afronta à segurança jurídica, uma vez que num primeiro momento assumiu a existência das agora “pseudo” empresas interpostas, inclusive cobrandoas, através da instauração de procedimentos administrativos fiscais e, agora, inovando sua ótica, questiona os seus documentos fiscais de venda de café para terceiros; 20) trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos. O direito fundamental do estado de inocência proíbe a antecipação dos resultados finais do processo criminal; 21) os mesmos auditores fiscais que prolataram o despacho decisório também lavraram o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, processo 15586.000956/201025, em face de outra empresa do Grupo Tristão, no caso a Realcafé Soluvel do Brasil, no qual afirmaram a possibilidade de crédito integral do PIS e da Cofins nas aquisições de cooperativas. Ao examinarem a mesma hipótese no presente pleito, adotaram posicionamento completamente oposto; 22) o Impugnante revende o insumo café cru em grão no mercado externo e, em alguns casos, também realiza o processo de rebeneficiamento. A atividade de revenda é preponderante; 23) em se tratando de compras para posterior revenda, o Recorrente apurou créditos integrais do PIS e da Cofins; 24) o impugnante sempre adquiriu o insumo de sociedade cooperativa que exercia a produção agroindustrial e a compra foi sempre feita com a incidência do PIS e Cofins; 25) nas aquisições de café cru em grão pelo Impugnante não há a suspensão obrigatória do PIS e Cofins, visto que as sociedades cooperativas fornecedoras exerceram atividade agroindustrial, na forma do § 6º do art. 8º da Lei 10.925/2004 e, portanto, estas é que possuem o direito ao crédito presumido, relativo à compra de café in natura; Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 9 8 26) não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da contribuição em duas etapas da cadeia produtiva do café; 27) por fim, requereu fosse reconhecida a homologação tácita de parte das compensações e, se superada a preliminar, requereu fosse reconhecido o direito creditório de modo integral com a homologação das compensações formalizadas nos autos. Em sua decisão, a DRJ Rio de Janeiro I/RF fundamentou o não reconhecimento do direito creditório (i) na desconsideração dos negócios fraudulentos, em decorrência da comprovação da ocorrência de fraude e dissimulação por meio de interpostas pessoas, (ii) na inocorrência de desqualificação do regime de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, beneficiadas com o crédito presumido, (iii) na inocorrência de homologação tácita da compensação e (iv) na preclusão das matérias não contestadas. No Recurso Voluntário, o Contribuinte reiterou os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.414, de 26/02/2018, proferido no julgamento do processo 15578.000805/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.4141): O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) Inicialmente, cumpre pontuar que o presente feito tem por objeto 3 (três) grupos de glosas: a) NF de empresas de fachada. Os valores consolidados mensalmente pela fiscalização constam das tabelas mostradas no item II.7.1; b) Aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido, conforme listado no item II.7.2; c) Apropriação indevida de crédito sobre NF emitida sem incidência de PIS/COFINS – fim específico de exportação. Valores consolidados no item II.7.3; 1 A decisão do acórdão paradigma reproduzida na sequência é composta da parte do voto da relatora originária que restou mantida, por unanimidade, no julgamento do Recurso Voluntário e do voto elaborado pelo redator designado, que se restringe à preliminar suscitada pelo Recorrente, afastada pelo voto de qualidade. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 10 9 O Recurso apresentado é bastante extenso e dividido em diversos tópicos. Tendo em vista que as razões expostas em cada tópico repetemse e confundemse, passo a analisálos de acordo com a correlação existente entre estes, e não necessariamente na ordem apresentada pela recorrente. (...) "DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO, ACERCA DAS AVENTADAS OPERAÇÕES QUE ALEGA TEREM SIDO "AUSPICIADAS" PELA RECORRENTE" "DA ILEGÍTIMA INOVAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA GLOSA CONSUBSTANCIADA ATRAVÉS DA DECISÃO ORA RECORRIDA" "DA INSUBSISTÊNCIA DAS PROVAS APRESENTADAS PELA FISCALIZAÇÃO" "DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO ACERCA DA PARTICIPAÇÃO CONJUNTA DA RECORRENTE COM AS DENOMINADAS "EMPRESAS DE FACHADA"." "DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DE VALIDADE E CORREÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS AUFERIDOS PELA RECORRENTE" "A CONTABILIDADE (AQUISIÇÕES DEVIDAMENTE REGISTRADAS) COMO MEIO DE PROVA EM FAVOR DA RECORRENTE A ESSÊNCIA SOBRE A FORMA" "DAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS SOB A "OPERAÇÃO TEMPO DE COLHEITA". DA AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE PARA COM AS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA RECORRENTE" "DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO EM FACE DA RECORRENTE DOS EFEITOS DOS ATOS PRATICADOS NO ÂMBITO DA DENOMINADA "OPERAÇÃO BROCA"." Como relatado, a questão dos autos se refere à possibilidade de tomada de créditos integrais de PIS e COFINS sobre as aquisições de pessoas jurídicas tidas por fictícias, conforme operações Tempo de Colheita e Broca, realizadas de forma conjunta pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. Assim resume a DRJ: A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos integrais calculados pelo contribuinte em relação a aquisições de café de pessoas jurídicas. O cerne da controvérsia, com base no que os auditores afirmam pode ser resumido em dois pontos: (1) existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias indevidas, consistentes em creditamento ilícito de PIS e Cofins; (2) participação da contribuinte, ora manifestante, nesse esquema. Preliminarmente a interessada contesta os elementos de prova trazidos aos autos junto ao Parecer Fiscal. Argumenta que as provas são ilícitas porque as interceptações telefônicas e de dados só podem ser realizadas com autorização judicial, que as provas Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 11 10 testemunhais não são aptas e não comprovam vínculo da empresa interessada com o suposto esquema. Assim, a controvérsia se resume, efetivamente, à existência ou não de provas nos autos acerca da participação da Recorrente na criação das pessoas jurídicas fictícias vendedoras de café. Em diversas oportunidades já me manifestei acerca de situações bastante similares à presente, sempre no sentido de que, para que o contribuinte possa ser penalizado em razão das supostas fraudes identificadas, é necessária a comprovação de que esta participou das operações tidas por fraudulenta. Com base em jurisprudência já pacificada no âmbito do STJ, não vejo como imputar a terceiros quaisquer consequências advindas de operações fraudulentas das quais não participou. Até porque, é princípio básico constitucional que a pena jamais poderá ultrapassar a pessoa do condenado. O entendimento supra já foi por mim formalizado em sede de Declaração de Voto Vencido (Acórdão nº 3201.002.083, de 25/02/2016), em Voto Vencedor por unanimidade (Acórdão 3201003.038, de 25/07/207) e, mais recentemente, na condição de Relatora Designada para o Voto Vencedor (Acórdãos 3201003.202, 3201003.203 e 3201003.204, todos de 24 de outubro de 2017). Neste último, a mim incumbiu apresentar o entendimento vencedor da Turma quanto à questão: Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, fui designada para a redação do voto vencedor quanto às glosas dos créditos correspondentes às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inaptas, baixadas ou suspensas. Como já salientado pelo Relator, é sabido que, comprovada a efetividade das operações, o contribuinte, agindo de boafé faz jus a manutenção dos créditos fiscais. E como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça por meio da Súmula nº 509. Em outras palavras, a boa fé é sempre presumida, cabendo àquele que alega a existência de má fé a comprovação nesse sentido. Na hipótese dos autos a divergência se instaurou quanto à afirmação fiscal de que não teria sido comprovada a efetividade das operações realizadas junto às pessoas jurídicas tidas como inaptas, baixadas ou suspensas, em face das alegações e documentos trazidos aos autos pela Recorrente no intuito de comprovar as aquisições realizadas Entendeu a Turma Julgadora, por sua maioria, que, em fato, na logrou a Fiscalização demonstrar que a Recorrente teria qualquer participação nos atos que levaram às declarações de inidoneidade das Pessoas Jurídicas vendedoras das mercadorias passíveis de geração de crédito no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Desse modo, não se pode manter as glosas efetuadas pela Fiscalização, na hipótese específica dos autos, uma vez que ausente demonstração fiscal quanto à participação da Recorrente em qualquer ato ensejador da pretendida descaracterização das aquisições realizadas, devendo se manter a presunção de boa fé do adquirente. Assim, entendo que, para que a glosa pretendida pela Fiscalização tenha suporte, é necessário não apenas comprovar a existência de fraude na criação das empresas vendedoras de café o que efetivamente foi realizado por meio das Operações Tempo de Colheita e Broca. Se faz imprescindível que se comprove a ciência da Recorrente acerca desses fatos e a sua participação no dito "esquema". Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 12 11 Isso porque, não obstante a aparência de legalidade das operações, como alega a Recorrente, em razão de que (1) todas as empresas citadas como fictícias possuíam CNPJ válidos no momento da aquisição do café; (2) fora verificada a regularidade dessas empresas no CNPJ e no SINTEGRA, e nenhuma tinha sido declarada inapta; (3) as mercadorias adquiridas entraram no estoque da recorrente e foram pagas diretamente aos emitentes das notas fiscais, uma vez comprovada a máfé na realização desses negócios jurídicos, é plenamente válida a sua desconstituição. É o que dispõe o parágrafo único do art. 116 do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) E, não obstante o Relatório Fiscal não tenha mencionado expressamente o referido dispositivo legal, citado apenas no Acórdão da DRJ, não há falar em inovação. Os fundamentos de fato e de direito que levaram à desconsideração dos negócios jurídicos são os mesmos e deles decorre logicamente a aplicação do referido dispositivo legal. Não houve qualquer tentativa de alteração quanto à fundamentação legal do lançamento. Ademais, não compete a este CARF afastar a aplicação de disposição expressa de lei. Não obstante, entendo que a ausência de regulamentação do referido dispositivo legal não impede a sua aplicação. O dispositivo legal é autoaplicável, embora passível de regulamentação pela legislação ordinária. E, nesse sentido, tenho que a legislação processual tributária vigente no âmbito federal cumpre a necessária regulação do tema. Em conclusão desse aspecto, manifesto minha integral concordância com a tese defendida pela Recorrente no sentido de que, uma vez comprovada a ocorrência da operação de compra e venda, sendo que essas revestiamse da aparência de legalidade, o adquirente de boafé não pode ser penalizado pela posterior desconsideração do negócio jurídico. Todavia, a hipótese dos autos, como se verá, afasta a presunção de boafé da Recorrente. Não basta que a operação tenha a aparência de legalidade para que seja válida. Uma vez comprovado nos autos que a Contribuinte possuía ciência do fato de que as pessoas jurídicas eram criadas de modo fraudulento tão somente para legitimar a geração do crédito de PIS e COFINS, resta caracterizada a máfé do adquirente. Quanto ao argumento de que os emails que comprovam que a Tristão questionava a origem do café apenas para fins de averiguar a qualidade do produto, tenho que não prospera. Existem emails e mensagens trocadas que demonstram claramente a exigência de que as pessoas jurídicas estivessem regulares tão somente em razão da possibilidade de geração de crédito. Tanto é assim que em determinado momento, o comprador da Tristão se Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 13 12 nega a efetuar o pagamento de determinada compra exclusivamente em razão da irregularidade do CNPJ da empresa vendedora. Adentrando, portanto, ao cerne da controvérsia instaurada, entendo ser desnecessário tecer maiores comentários acerca da existência e funcionamento dos chamados esquemas de triangulação, criação dos "maquinistas". Nesse sentido, me reporto ao bem detalhado relatório fiscal e ao próprio acórdão proferido pela DRJ, que demonstram o funcionamento de tais empresas de fachada com o fito exclusivo de garantir ao adquirente a tomada de créditos de PIS e COFINS em valor integral, ao substituição ao crédito presumido que seria gerado na aquisição direta da pessoa física. É imprescindível, outrossim, analisar de forma detida as provas apresentadas de modo a averiguar a efetiva ciência e participação da Recorrente. Para tanto, remetome ao extenso Parecer Fiscal (...). Como de costume, o Parecer Fiscal relata de forma detalhada a criação e operacionalização dos esquemas, trazendo diversas informações e provas relativas aos Maquinistas, comprovando a existência do esquema. O Parecer Fiscal, ainda, cuidou de demonstrar diversos dados extraídos da operação e que tem ligação direta com a Recorrente, tais como: depoimentos de maquinistas que alegam ter vendido o café à Tristão com a ciência desta; registros de mensagens trocadas com dirigentes da Tristão; cópias de emails trocados com sócios, diretores e empregados da Tristão; Pedidos de Compra da Tristão com o nome das pessoas físicas produtoras, embora com notas fiscais emitidas pelas Pessoas Jurídicas fraudulentas, dentre outros. Ademais, a Tristão, na condição de adquirente, foi uma das empresas fiscalizadas durante a Operação Tempo de Colheita. Assim, grande parte dos elementos colhidos durante a operação, o foram diretamente obtidos da Recorrente. Logo, vêse que, na hipótese dos autos, há, efetivamente, robusta prova documental que comprova a participação, ou, quando menos, a plena ciência da Recorrente quando ao fato de que o café era adquirido de pessoas jurídicas inexistente de fato, criadas com o fim exclusivo de geração de crédito de PIS e COFINS. Nesse aspecto, pontuo, quanto às alegação da Recorrente no sentido de que não haveria prova da sua participação na Operação Broca, sendo que não foi indicada criminalmente no âmbito da referida, o que tornaria insubsistente toda a autuação fiscal. Com efeito, a maior robusteza probatória é relativa à Operação Tempo de Colheita. E, quanto à esta, a Recorrente não trouxe qualquer alegação. Não obstante, consta, sim, nos autos, provas de que a Recorrente estava ciente que nas operações descortinadas por meio da Operação Broca, o modus operandi era exatamente o mesmo daquelas objeto da Operação Tempo de Colheita. Existe nos autos cópia de nota fiscal guiada e emails trocados por funcionários da Tristão com corretores sabidamente operadores do esquema fraudulento, inclusive com a expressão "Como sabemos os cafés são guiados com nota de firma" (fl. 1251), dentre outros elementos. Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 14 13 Ademais, é cediço que a instrução criminal se dá de forma diversa da investigação tributária. Ainda que ambas devam se pautar no princípio da legalidade estrita, seus escopos são bastante distintos. E, nesse seara, cabe averiguar se os elementos apresentados pela Fiscalização são suficientes para fundamentar o lançamento tributário, o que, a meu ver, logrouse. Se, no âmbito criminal, entendeuse não haver elementos caracterizados de ilícito penal, não há influência direta no lançamento tributário. Os elementos do tipo penal são distintos dos elementos do tipo tributário. Ainda assim, as decisões judiciais trazidas aos autos como justificativa de invalidar o lançamento dizem respeito à ilegitimidade de colheita de prova testemunhal, e quando esta é o único meio de prova admitido na denúncia. Na hipótese dos autos, as provas testemunhais são apenas indiciárias. Há outros elementos que comprovam a ciência da Recorrente acerca das operações fraudulentas. E, quanto à alegação de que tais provas documentais foram obtidas com base em colheita ilegal, com a devida vênia às razões esposadas, compete ao Poder Judiciário a eventual declaração de ilegalidade na obtenção das provas. Inexistindo tal declaração, falece competência a este órgão administrativo para tal. Assim, o fato de a Recorrente não ter participado do processo investigativo realizado no âmbito das Operações Tempo de Colheita e Broca não contaminam o devido processo legal tributário, com o pleno exercício da ampla defesa. Com efeito, a ampla defesa no processo administrativo tributário é exercida a partir da apresentação da defesa (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), Recurso Voluntário e Recurso Especial. Ressalto, ainda, que, na hipótese dos autos, a ampla defesa foi inclusive assegurada por decisão judicial que determinou o refazimento do lançamento tributário original, que deixou de fundamentar a glosa de créditos. Quanto à alegação de que a Fiscalização não poderia ter equiparado as compras realizadas de cooperativas às compras procedentes de pessoas físicas, também não assiste razão à Recorrente. Não houve uma alteração acerca da forma de se apropriar os créditos oriundos de compras realizadas de cooperativas. Ou ainda, não houve a glosa dos créditos pelo fato de as vendedoras serem cooperativas. O que efetivamente ocorreu, e valido nesse voto, foi a exclusão da figura do "atravessador", seja este constituído na forma de sociedade comercial ou cooperativa, uma vez que se comprovou que sua criação se deu com o fim exclusivo de simular um negócio jurídico. A Recorrente ainda alega violação ao princípio da segurança jurídica pelo fato de a Fiscalização, alegadamente, ter pronunciado entendimento diverso em processos decorrentes da mesma operação, contudo em face de pessoas jurídicas distintas. Tal fato, a meu ver, apenas corrobora todo o exposto com relação à existência de prova efetiva em face da Recorrente. Não há como se pretender vincular esta decisão à processo formalizado em face de pessoa jurídica diversa, notadamente quando este é decorrente essencialmente de material probatório. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 15 14 "DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA. DO RESTABELECIMENTO INTEGRAL DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA RECORRENTE" Nesse tópico aduz a Recorrente que a decisão recorrida teria declarado uma preclusão inexistente. Contudo, nesse mesmo tópico, reconhece que deixou de impugnar determinadas glosas visando dar celeridade ao procedimento. Desse modo, não vejo como prover qualquer alteração no acórdão recorrido nesse sentido. (...) Voto Vencedor O Presidente da Turma designoume para redigir o voto vencedor quanto ao afastamento da preliminar suscitada pela recorrente, relativa à homologação tácita de parte da compensação. A Conselheira Relatora entendeu que o primeiro Despacho Decisório restara nulo, porque o Poder Judiciário determinara a prolação de novo Despacho Decisório, e também, porque não haveria a devida motivação e fundamentação. E porque o primeiro seria nulo, o segundo Despacho Decisório seria posterior ao prazo hábil, de 5 anos, tendo como consequência a homologação tácita dos pedidos de compensação anteriores. Todavia, não se vislumbra a nulidade do primeiro Despacho Decisório. Com efeito, tratase de ato administrativo com todas os requisitos de validade, inclusive a motivação, a qual foi a falta de apresentação de arquivos digitais corretos, que fossem coerentes com as informações do Dacon e com as notas fiscais físicas. Vejase excerto do referido documento (...): De posse da mesma [documentação intimada], a primeira providência foi aferir a correção e consistência dos arquivos magnéticos e planilhas de apuração em confronto com os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) e livros fiscais. Desta verificação constatouse que as diferenças existentes entre eles são enormes, inviabilizando por completo o estabelecimento de um parâmetro de conferência. Observouse em cotejo perfunctório que os arquivos magnéticos também possuem inconsistências frente aos documentos fiscais que os maculam indelevelmente, ou seja, o arquivo eletrônico contendo rol de notas fiscais de aquisição não reflete com correção os dados constantes dos documentos físicos. Como exemplo, citemse as notas fiscais de venda com o fim específico de exportação, que não geram crédito da não cumulatividade, registradas como aquisição para revenda/insumo; aquisições de cooperativas, que tem tratamento tributário diferenciado a partir de abril/2006, registradas como efetuadas de pessoas jurídicas comuns; o arquivo eletrônico exigido pelo termo de intimação impunha a entrega da relação de toda as notas fiscais de entrada, independente de gerar crédito ou não, com a marcação daquelas aproveitadas no cálculo, todavia o arquivo apresentado não trouxe a integralidade de tais documentos; há casos em que constam aquisições no arquivo magnético e não foram apresentadas as notas fiscais, como exigido no termo; grande quantidade de notas fiscais de cerealistas e pessoas jurídicas agropecuárias com informação, em seu corpo, de saída com suspensão, entretanto, arroladas na relação eletrônica como garantidoras de crédito com cômputo integral; notas fiscais de Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 15578.000803/200943 Acórdão n.º 3201003.426 S3C2T1 Fl. 16 15 retorno de mercadoria computadas como aquisição de produtos; o arquivo apresentado não trouxe a indicação da filial onde ocorreu a operação. Ressalte se que todos os vícios detectados e acima apontados impedem a validação das informações perante os livros fiscais e o próprio DACON. Portanto, os arquivos digitais diferiam em grande medida das informações do Dacon, e assim, impedido de analisar o detalhamento dos créditos, e ainda, impedido de conceder prazo maior para que o contribuinte corrigisse tais arquivos, em vista da comando judicial no âmbito do Mandado de Segurança 2009.50.01.0049781, o qual determinara o prazo de 30 dias para conclusão da decisão, o Fisco, corretamente, não homologou as compensações. Verifico que essa decisão foi revista pelo Poder Judiciário, que determinou o aprofundamento da análise de mérito dos créditos. Não há, desse modo, a anulação do primeiro Despacho Decisório, mas o retorno do processo para sua correção. Tal procedimento é assaz comum em decisões do Carf, quando se ultrapassam questões preliminares e se determina a análise do mérito. Com esses fundamentos, afastei a preliminar suscitada, tese que restou vencedora por voto de qualidade. Registrese que os fatos apurados no processo paradigma correspondem aos mesmos fatos constantes dos processos dos recursos repetitivos, fato esse que possibilita o julgamento em conjunto. Além disso, destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar a preliminar de decadência parcial, relativamente à homologação tácita de parte da compensação declarada, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1509DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901066/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/11/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.170
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/11/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 66 /2 01 2- 58 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.901066/201258 Acórdão n.º 3301004.170 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.504. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901066/201258 Acórdão n.º 3301004.170 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901066/201258 Acórdão n.º 3301004.170 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.004861/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Deixa-se de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2401-005.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS Recorrente MOACIR NELSON ZUNINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Deixase de apreciar o recurso voluntário interposto fora do prazo estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 48 61 /2 01 0- 10 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13971.004861/201010 Acórdão n.º 2401005.245 S2C4T1 Fl. 176 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0734.116, de 20/02/2014, cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 153/164): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PRESCRIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A prescrição que fulmina o direito de ação da Fazenda Pública para executar judicialmente a exigência fiscal só ocorre depois de expirado o prazo de cinco anos contados da constituição definitiva do crédito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. BENFEITORIAS. VALOR DE MERCADO. ATUALIZAÇÃO. Cabe à impugnante o ônus de apresentar documentos relativos a benfeitorias que alega ter realizado nos imóveis alienados e, bem assim, comprovar que procedeu à atualização do custo dos imóveis vendidos pelo valor de mercado, por meio da competente declaração de rendimentos. Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 66/72, que o processo administrativo é, na origem, composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário de 2007, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente de ganho de capital em duas operações imobiliárias a seguir discriminadas: (i) alienação a prazo de terrenos localizados na Praia Brava, correspondentes às matrículas 15.712 e 15.714 do 1º Ofício de Registro de Imóveis da cidade de Itajaí (SC), recebido o valor em parcelas nos meses de ago/2007, out/2007 e dez/2007; e (ii) alienação à vista do terreno urbano situado à Rua Nereu Ramos, com recebimento do valor pactuado no mês de dez/2007. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13971.004861/201010 Acórdão n.º 2401005.245 S2C4T1 Fl. 177 3 2.1 De acordo com os autos, o contribuinte é casado com Marli Terezinha Rubick Zunino, pelo regime de comunhão universal de bens, cujos cônjuges apresentaram, relativamente ao anocalendário de 2007, a declaração de ajuste anual em separado. 2.2 Tratandose de alienação de bens comuns do casal, a fiscalização apurou os rendimentos produzidos na venda dos terrenos na proporção de 50%, isto é, os valores tributáveis restaram divididos igualmente entre os cônjuges. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 74/79. 3. Com ciência via postal do auto de infração em 16/11/2010, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 80, 83/86 e 109/113). 4. Antes do julgamento em primeira instância, foi determinada diligência fiscal para avaliação dos documentos juntados na impugnação pela contribuinte e o seu efeito na apuração do crédito tributário. Na hipótese de proposta de retificação do lançamento, recomendouse a elaboração de uma planilha com os valores remanescentes da exigência fiscal (fls. 120/122). 4.1 Em resposta à determinação da autoridade julgadora, o agente lançador manifestouse pela possibilidade de retificação do débito, a partir da alteração do custo de aquisição e do recálculo do ganho de capital na alienação dos terrenos localizados na Praia Brava (fls. 125/131). 4.2 Oportunizado o contraditório, o sujeito passivo defendeu o abatimento no custo de aquisição de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), a título de benfeitorias, ou, alternativamente, a designação de perícia para a avaliação dos imóveis pelo valor de mercado, de maneira a permitir a comprovação da existência de benfeitorias úteis e necessárias efetuadas pelo autuado, levando, desse modo, à redução do ganho de capital apurado pela autoridade tributária (fls. 144/150). 5. Intimado em 11/03/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 165/167, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 11/04/2014, em que alega as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 168/170): (i) a cobrança da exigência fiscal foi atingida pela prescrição, uma vez que transcorrido mais de cinco anos após a constituição do crédito tributário; (ii) o custo de aquisição dos imóveis deve ser atualizado pelo valor de mercado, conforme Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física do anocalendário de 2007, não estando condizente com o montante apurado em procedimento fiscal; e (iii) ainda com respeito ao custo de aquisição, deverá ser acrescido o valor de R$ 50.000,00, a título de benfeitorias úteis e necessárias introduzidas no imóvel situado na Praia Brava. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13971.004861/201010 Acórdão n.º 2401005.245 S2C4T1 Fl. 178 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário dentro de trinta dias, contados da ciência do acórdão. Nesse sentido, prescreve o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, "in verbis": Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 7. O recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 11/03/2014, terçafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição de recurso. Com isso, o termo do prazo recursal iniciouse em 12/03, quartafeira, e finalizou no dia 10/04/2014, quintafeira (fls. 167). 8. Todavia, o recorrente protocolou seu recurso somente em 11/04/2014, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação (fls. 168). 9. Suplantado o permissivo legal, resta ausente o requisito extrínseco da tempestividade necessário à admissibilidade recursal. Portanto, reputo inadmissível o recurso voluntário de fls. 168/170 e dele não tomo conhecimento. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, por intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900728/2013-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário, para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábil e fiscal e os documentos a ela inerentes e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto com o fim de guerrear a decisão de piso cujo enredo a ser tratado, cingese à manutenção de negativa de homologação de compensação sob fundamento de ausência de entrega de DCTF retificadora anteriormente à entrega da DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 72 8/ 20 13 -1 7 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10850.900728/201317 Resolução nº 3001000.049 S3C0T1 Fl. 141 2 Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade A recorrente, em breve síntese, alega ter ocorrido pagamento a maior de Cofins, motivo pelo qual compensou com débito posterior. Em sua defesa, socorrese ao argumento de haver enviado DCTF retificadora, inserindo, portanto, a informação sobre a operação tributária efetuada, ressaltando, ter sido entregue anteriormente à emissão do Despacho Decisório. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade teve a seguinte ementa: Acórdão 0737.347 4ª Turma COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 28512.44809.070313.1.3.040152, transmitida em 07 de março de 2013, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 4.316,83, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, mediante Darf código 2172, em 23 de abril de 2010, no valor de R$ 44.517,99, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP pela homologação parcial da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 04 de abril de 2013, reconhecendo somente o valor de R$ 17,23, uma vez que o valor recolhido já havia sido parcialmente utilizado para extinção de (a) débito relativo ao período de apuração a que se referia, no valor de R$ 41.789,07, e (b) no PER/Dcomp nº 08187.99631.070313.1.7.040300, restando crédito disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados na Dcomp. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10850.900728/201317 Resolução nº 3001000.049 S3C0T1 Fl. 142 3 Inconformada com a homologação parcial da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que transmitiu a Dcomp em 07 de março de 2013 e a DCTF retificadora, com o valor correto do débito de Cofins, relativo ao período de apuração de 31 de março de 2010, em 28 de março de 2013. Ressalta a interessada que a transmissão da Dcomp e da DCTF retificadora ocorreram antes da emissão do Despacho Decisório, em 04 de abril de 2013. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da Dcomp (em 07 de março de 2013), não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF foi correta. Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF (em 28 de março de 2013), esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp Recurso Voluntário O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Recurso Voluntário Em sede de seu peça recursal, a recorrente narra o histórico processual destacando tratarse o tema, de compensação de pagamento a maior de Cofins, cuja decisão de piso considerou legítima, sob o argumento: só se pode homologar a compensação, independentemente de outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da Dcomp, retifica regularmente a DCTF. Neste sentido, contrapõe a decisão sob vergasta sob o fundamento de ter efetivado retificação de DCTF, posteriormente à Dcomp, mas anteriormente ao Despacho Decisório. DCTF Retificadora Alega a recorrente que, mesmo tendo ocorrido a mencionada retificação, mediante transmissão da DCTF retificadora, alega não ter sido reconhecido pelo sistema da Receita Federal, incitando, em seu favor, a IN 1.110/2010, cujo parágrafo primeiro traz conteúdo normativo autorizando à retificadora, ter a mesma natureza da declaração enviada. Traz jurisprudência desta casa em seu benefício. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10850.900728/201317 Resolução nº 3001000.049 S3C0T1 Fl. 143 4 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário no qual foram satisfeitos todos os pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. O cerne discutido relacionase com o tema da possibilidade de alterarse a DCTF, para fins de corrigir o montante apurado, mediante transmissão de retificadora, após a prolação do despacho decisório. Ainda, de entenderse como legítimos os valores lançados anteriormente em DACON. Com o brilhantismo que lhe é peculiar, o presidente desta Turma Extraordinária vem sustentando corrente, na qual compreende em profundidade, a necessária oportunização, ao contribuinte, de momentos adequados à formação probatória, nos casos em que, consistentemente, descreveu na proposta de Resolução 3001000.043: Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10850.900728/201317 Resolução nº 3001000.049 S3C0T1 Fl. 144 5 Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao terceiro trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 27809.10301.300508.1.3.118906, no Per/Dcomp 29057.71509.300508.1.3.117985, no Per/Dcomp 19492.01379.130809.1.7.116941 e no Per/Dcomp 11873.46918.120809.1.7.118359. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Por fim, arremata no sentido de haver a possibilidade de o contribuinte instruir os autos nesta fase recursal: É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábil fiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10850.900728/201317 Resolução nº 3001000.049 S3C0T1 Fl. 145 6 da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao terceiro trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Tal entendimento, exposto pelo ilustre conselheiro Orlando Rutigliani, encontra larga aceitação na jurisprudência desta Conselho, a exemplo, do acórdão abaixo transcrito, ao qual acato e cuja ementa espelha caso análogo: Acórdão 380201.111 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO NA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ APENAS NA FASE RECURSAL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Homologase a compensação declarada quando, na fase recursal, forem comprovados os requisitos da certeza e liquidez do crédito utilizado no respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA FASE RECURSAL. CONTRAPOSIÇÃO DE ARGUMENTO NOVO SUSCITADO NA DECISÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, não está alcançada pela preclusão, a prova documental apresentada na fase recursal, destinada a contrapor argumento novo suscitado somente na decisão recorrida. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS A EMISSÃO E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. ORIGEM DO CRÉDITO COMPENSADO. ADMISSIBILIDADE. No âmbito do processo de compensação, inaugurado com a prolação do Despacho Decisório, uma vez comprovada, com documentação adequada, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do citado Despacho, a parcela do Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10850.900728/201317 Resolução nº 3001000.049 S3C0T1 Fl. 146 7 débito reduzida deve ser Conclusão Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o despacho decisório por vício material. Conclusão Do exposto, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon e DCTF retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a unidade de origem. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 138DF CARF MF
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