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Numero do processo: 13558.000938/2002-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR.
BASE DE CALCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO.ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que re tornou imprescindível a informação em ato de aleatório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.138
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Linn Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes
Hoffmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CALCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.. EXCLUSÃO.. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 28/12/2000 é que re tornou imprescindível a informação em ato deelaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Linn Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. 4 4.4 Julio s \a rt" Gomes Relator o citas Ban - Car o lbe o – Presidente EDITADO EM: 0 7 0E7. 2_010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Atruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da area do imóvel correspondente h reserva legal, embora à época dos fato gerador não houvesse a averbação do registro de imóveis. Consta dos autos ADA tempestivo, fls 15. Seguem transcrições do acórdão recorrido: Ementa: ITR — EXERCICIO 1998— ARE DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE MANTIDA. Mantem-se decisão de pi inieb a instância administrativa eis que não foram juntadas aos autos provas de sua efetiva existência nem mencionada em • Recurso Voluntário. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL), A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende • exclusivamente de seu reconhecimento por meio de ADA e de prévia averbação à margem da matricula de registro do imóvel no cartório competente, uma vez que sua efetiva existência pode ser comprovada pot meio de Laudo Técnico e outras provas docunientais idôneas, RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE On seja, conclui-se *que a comprovação da área de reserva legal, para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, não dependem exclusivamente de seus reconhecimentos poi meio de ADA e/ou de prévia averbação à mai gem da matricula de registro do imóvel no cartório competente, uma vez que suas efetivas existências podem ser comprovadas por Mel() de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas 2 Processo n° 13558 000938/2002-45 CSRF-T2 Acórdiio n ° 9202-01.138 Fl 2 E do indicado corno paradigma: 302-36585 e 302-36.539: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - HR. ÁRE4 DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada margem da inscrição de matricula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior a da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Nos casos de 'posse' o Teimo de Compromisso de Averbação e Preservação de Florestas, celebrado com órgão ambiental estadual, substitui a averba cão daquela area, nos termos supra-indicados, sujeitando-se, contudo, ao mesmo limite temporal da referida averbação, NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO PELO VOTO DE QUALIDADE". (Acórdão n.2 302-36.585, Relatora Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto, negtito inexistente no original) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - IT]?. EXERCÍCIO DE 1997. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL Para que as áreas de Pre.servação Permanente e de Reserva Legal sejam consideradas para efeitos de exclusão da área tributária e aproveitável do imóvel, é preeis-o que elas preencham os requisitos legalmente estabelecidos, seja rio que tange a averbação da área de Reserva Legal à margem da matricula do imóvel, no Registro de Imóveis competente (em data anterior a da ocorrência do fato gerador da obrigação (ributária), seja no que diz respeito á contribuição inequívoca da existência da área de Preservação Permanente (inclusive por meio de Laudo Técnico .) No caso de áreas de interesse ecológico, as mesmas devem assim .ser declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, em obediência ao art. 10, da Lei n 2 9.393/1996. NEGADO PROVIMENTO RECURSO POR MAIORIA". Segue trecho do recurso especial que sintetiza os fundamentos pelo reconhecimento da exigência de averba0o: A exigência da averbação da área de utilização limitada/reserva legal á maigem do seu registro imobiliário está prevista, originaricunente, no § 22 do art. 16, da Lei nO 4.771/1965 (Gd digo Florestal), com a redação dada pela Lei nO 7.803/1.989. 3 Desta firma, ao se repartar ir essa lei ambiental, a Lci n 0 9.393/1 996 está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimenta dessa exigência — averbação ó margem da matricula do imóvel Além disso, tal exigência foi expressamente inserida no art. 10, 4, inciso I, da IN/SRF 43/1997, com redação do art, 12, inciso da I1V/SRF Jr 67/1997. Por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento reporta-se 6 data de °con ência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTIV, enquanto o art. I, caput, da Lei n 9 393/1996, estabelece comp marco temporal do fato gerador do FIR o dia 12 de janeiro de cada ano. Assim, as áreas de utilização limitada/, eserva legal somente serão excluídas de tributação, se cumprida a exigência de sua aver bação à margem da matricula do imóvel, até a data de ocorrencia do fato gerador do ITR do correspondente exercício. Cabe salientar que antes da interposição do especial, a Fazenda Nacional havia oposto embargos de declaração porque no acórdão recorrido havia sido considerado como reserva legal a área constante no laudo de avaliação, superior à área declarada através da DITR; no entanto, a turma recorrida rejeitou os embargos por ausência dos pressupostos de admissibilidade. Em contra-razões, o interessado indica que a decisão recorrida está em consonância com o entendimento do STJ, da jurisprudência do terceiro conselho de contribuinte e no mais reitera seus argumentos trazidos no recurso voluntário. E o relatório. 4 Processo n" 13558 000938/2002-45 Acórchlo n " 9202-01.138 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Uma vez atendidos os pressupostos para admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Camara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das Areas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. Sao isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n" 7.803, de 1989. (.,) Embora ambas as Areas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto As exigências a serem cumpridas. Exigência de averbacfio Para a Area conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, corn a redação trazida pela Lei n° 7,803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de Area não inferior a 20% do total do imóvel. E o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n" 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrgfos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2", com a seguinte redação, in verbis. "Art. 16 § 1" ,,,,, , § 2". A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada Area imobiliária corno reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. CSI2F-T2 Fl 3 5 Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro rio órgão competente, nos teimos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: At 1 227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos pot atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registio de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela Area o proprietário se submeta As limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34883 de 07/11/2007, da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga Pnispruddncia do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Ottivio de Noronha, a reserva legal representa unia modalidade de limitação administrativa à prop; iedade rural Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte rasa) quanto de fazer (de delimitar a ál ea de reserva e averbá-la junto ao órgão competente) Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo, São Paulo Atlas. 200.3. 15" ed, p 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de cai citer geral, impostas coin fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negatives, com o fini de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrigão administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa'', que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto,'. não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e so: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento Como isentas de tributação pelo TTR Esse tipo de inflação ao Código Fiam estai pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de j-cito de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão fede, ai, conforme definidas na Lei 4 771/65 (Código Florestal) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o inero ato de averbação, acessório, complementar na tal efa central de buscar e Processo n 13558 000938/2002-45 CSRF-T2 AeUrao " 9202-01.138 Fl 4 a preservação da area, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga onmes, de fbrma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitaçâo de utilização imposta por lei, para areas com colas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratário do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de areas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive a achninistragão pública, de preservação de tal area (Recurso Voluntário n" 1.27.562, de lavra do i, Conselheiro Zenaldo Loibman) E urna peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental, E a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da di -ea eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Embora no caso apreciado pela Corte Constitucional a finalidade era a desapropriação para fins de reforma agrária, restou claro que a averbação é ato constitutivo da reserva legal. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34,883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição ,firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n" 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal solve o cálculo da produtividade de imóvel em t processo de desapropriagão para fins de reforma agrária: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a area cotTespondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art, 60, cupid, parágrafo, da Lei 8:629/93, tendo em vista o disposto no art,. 10, IV dessa Lei de Reforma Agraria. Diz o art 10: Art 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (, ) IV - as areas de efetiva preservação permanente e demais areas protegidas por legisla cão relative? a conservação dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, may as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que 7 sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, poi- exemplo, as matas ciliares-, as nascentes, as mat gem de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais A reserva legal não é uma abstração matemática Há de set entendida como uma pat-te determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possivel saber se o proprietái ia vem cumprindo as obtigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a pi eservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão on desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional diminuição do tamanho do imóvel, corn o que lestaria frustrada a proibição da mudança de sua destinagão nos casos de transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbagdo determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23,370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. SepUlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: - Reforma agraria' apuração da produtividade do imóvel e reserva A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa set subtraida da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (ct L. 8 629/93, art 10, 111),sem que esteja identificada na sua averbação (vg MS 22 688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jutisprudencial na Excelsa Cot-te, trago c't colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de telatoria do illinistro Carlos Brito, publicado nor)." de 02/03/2007. Segundo a jurisprudencia do Supremo Tribunal Federal, a circa de reserva forestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraida da área total do imóvel paro o fim de cálculo da produtividade, Precedente. MS 22.688. Peço licença para transclever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado. Relembrando o que observou o Ministro Pe. hence, uma diferença essencial entre as éreas de resova legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pi 6-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas apt oteção diferenciada. 8 Process° n" 13558 000938/2002-45 CSRF-T2 AcendElo n." 9202-01.138 Fl 5 Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger; apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Quanto As exigências relacionadas a reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo, No caso em comento, a Area declarada de reserva legal foi averbada fora do prazo exigido por lei para gozo da isenção do 1TR. Exigência de ADA Ern complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, wpm', da Lei n°9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art 11. São isentas do imposto as áreas. 1 — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 1965, cam a nova redação dada pela Lei it" 7.803, de 1989 Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1" Para os efeitos de apuração do IT]?, considerar-se-á.• área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei II" 7.803, de 18 de julho de 1989; Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF ri° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1" da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art 10. A'rea tributável é. a área total do imóvel excluídas as áreas' I - de preservação permanente; II- de utilização limitada § 1"A circa total do imóvel deve se referir a situação existente época da entrega do D1AT, e a distribuição das ár eas, à situação 9 existente el» 1" de janeiro de cada exercício, de two: do com OS incisos I e ( § 3" São cru eas de utilização limitada: § 4" As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou rite° delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: 11 - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, pal a protocolar repel imento do ato declaratório junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBA/VIA, a Secretm ia da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizai requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da RepUblica: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, Art 49 É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delega cão Isto porque o artigo 10, caput, da Lei no 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo . Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art 10 A opal avio e o pagamento do ITR ser fio efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos 10 Processo n" 13558 000938/2002-45 CSRIF-T2 Accitddo n " 9202-01.138 H 6 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação poste, lar Art, 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanta aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame dc autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa § 4" Se a lei não fixat prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art 150 (. ) § 6." Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito pi esumido, anistia ou remissão, relativos a impostas, texas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § .2.", XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993), Art. 97. Somente a lei pode estabelecer - a fixação de aliquot(' do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se As verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas h lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitas exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Art 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça Em razão do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso intetposto. Julio etta Gomes prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impeditivo para o gozo da isenção. . No entanto, não foi somente essa última exigência que foi descumprida. Não houve averbação da área de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, logo procedente a glosa. 12
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001487/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS ENTES PÚBLICOS SERVIDORES EFETIVOS EXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO SERVIDORES IRREGULARES CONTRATO NULO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO FATO
GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991
A partir da publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, que alterou o
art. 40 da Constituição Federal, os servidores ocupantes exclusivamente de
cargos em comissão, ou contratados temporários, como os descritos na NFLD
em questão não poderiam mais estar amparados por Regime Próprio de
Previdência, aplicando-se o RGPS, nos termos do § 13 do referido
dispositivo.
A fiscalização previdenciária é competente para caracterizar segurado
empregado para efeitos previdenciários, sempre que presentes os requisitos
descritos no art. 12, I da Lei 8212/91.
A contratação de servidores sem concurso público após CF/88, gera a
nulidade do contrato, sem pagamento das verbas trabalhistas, porém o
pagamento pela prestação dos serviços é fato gerador de contribuições
previdenciárias.
COMPENSAÇÃO SALÁRIO FAMÍLIA E MATERNIDADE NÃO
CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 8212/91.
Para que possa ser descontado os valores pagos à título de salário família e
maternidade o contratante tem que comprovar o beneficiário ao qual o
benefício se destina, bem como comprovar a regularidade do pagamento por
meio de documentos previstos na legislação previdenciária.
A simples alegação, sem comprovação não possui o condão de desconstituir
o lançamento.
COMPENSAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ENTRE OS REGIMES DE PREVIDÊNCIA IMPOSSIBILIDADE
COMPETÊNCIA DO MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA A compensação entre regimes de previdência não é da alçada da fiscalização previdenciária, nem tampouco deste colegiado, razão porque incabível a apreciação da matéria.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SERVIDORES
PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no
intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida
decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8:“São inconstitucionais os
parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Tratando-se de NFLD substitutiva, tendo sido a original anulada por vício
formal a decadência deve primeiramente ser apreciada a luz do art. 173, II do CTN.
Nos casos em que não há o reconhecimento do fatos geradores por parte do
recorrente, e não existindo recolhimentos para que se considere antecipação
de pagamento, aplica-se para efeitos da decadência o disposto no art. 173 do
CTN.
Numero da decisão: 2401-002.283
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A fiscalização previdenciária é competente para caracterizar segurado empregado para efeitos previdenciários, sempre que presentes os requisitos descritos no art. 12, I da Lei 8212/91. A contratação de servidores sem concurso público após CF/88, gera a nulidade do contrato, sem pagamento das verbas trabalhistas, porém o pagamento pela prestação dos serviços é fato gerador de contribuições previdenciárias. COMPENSAÇÃO SALÁRIO FAMÍLIA E MATERNIDADE NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 8212/91. Para que possa ser descontado os valores pagos à título de salário família e maternidade o contratante tem que comprovar o beneficiário ao qual o Fl. 937DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 benefício se destina, bem como comprovar a regularidade do pagamento por meio de documentos previstos na legislação previdenciária. A simples alegação, sem comprovação não possui o condão de desconstituir o lançamento. COMPENSAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ENTRE OS REGIMES DE PREVIDÊNCIA IMPOSSIBILIDADE COMPETÊNCIA DO MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA A compensação entre regimes de previdência não é da alçada da fiscalização previdenciária, nem tampouco deste colegiado, razão porque incabível a apreciação da matéria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SERVIDORES PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tratandose de NFLD substitutiva, tendo sido a original anulada por vício formal a decadência deve primeiramente ser apreciada a luz do art. 173, II do CTN. Nos casos em que não há o reconhecimento do fatos geradores por parte do recorrente, e não existindo recolhimentos para que se considere antecipação de pagamento, aplicase para efeitos da decadência o disposto no art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11522.001487/200750 Acórdão n.º 240102.283 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, bem como a parcela dos segurados empregados, apurada por aferição indireta, por meio do confronto entre os valores empenhados e o somatório dos valores brutos dos quatro arquivos magnéticos das folhas de pagamento dos órgãos públicos do Estado do Acre. O período do presente levantamento abrange as competências 01/1999 a 12/2003, incluindo 13º salário. Contudo, relevante informar que tratase de NFLD substitutiva tendo em vista decisão definitiva que considerou o crédito previdenciário nulo em 19/07/2005, em função de vício formal na identificação do sujeito passivo. O procedimento fiscal anterior foi autorizado por meio de MPF e foi realizada no período compreendido entre as competências 05/12/2003 e 28/06/2004. O novo procedimento fiscal foi realizado entre os dias 17/10/2005 e 17/11/2005, tendo o lançamento sido realizado em 11/11/2005, com cientificação ao sujeito passivo em 24/11/2005. Conforme descrito no Relatório Fiscal, item 8, fls. 137: “Conforme está definido no MPF, tratase de contribuições previdenciárias devidas à seguridade social incidente sobre as remunerações destinadas a retribuírem os serviços prestados por segurados empregados ao Estado do Acre – Polícia Militar, irregularmente contratados sem a devida prestação de concurso público após a Constituição Federal de 1988, estando desprovida de amparo constitucional a integração destes segurados empregados na relação estatutária vinculado ao Regime Próprio de Previdência Social , mas a relação contratual nula deuse de forma permanente, subordinada e mediante remuneração, caracterizando o vínculo ao RGPS, conforme definido na alínea “a”, I do art. 12 e inciso I do art. 5º da Lei 8212/91.” Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 150 a 187. O processo foi baixado em diligência, para que a autoridade fiscal, se manifestasse acerca dos questionamentos apresentados pelo ente público notificado., fls. 511. Foi emitida informação fiscal, fls. 587 a 588, com os seguintes esclarecimentos: 1. Verificando as alegações apresentadas pelo contribuinte, temos o seguinte a informar: 2. O contribuinte alega em sua defesa que diversos servidores contratados regularmente através de concurso teriam sido apurado pela fiscalização apontando como prova uma relação de servidores aprovados em concurso público. Dos servidores apontados na relação páginas 167 a 170 não foram apresentados as portarias de nomeação ou os termos de posse e exercício; Fl. 939DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 3. O contribuinte alega que diversos segurados contratados exclusivamente para exercer cargos de comissão teriam sido apurados pela fiscalização e que as contribuições previdenciárias já teriam sido recolhidas regularmente. Da relação apontada na página 179 não encontramos algum que estivesse relacionado na planilha Relação Nominal dos Segurados Empregados constantes nas páginas 45 a 226; 4. O contribuinte alega que as contribuições apuradas pela fiscalização nesse levantamento já teriam sido incluídas em algum parcelamento feito pelo Estado do Acre e aponta o relatório Demonstrativo da Divida do Governo do Estado do Acre junto ao INSS. 5. Verificando o demonstrativo, constatamos que o órgão em epigrafe não está relacionado ou o período não está compreendido no referido demonstrativo. 6. O contribuinte alega que diversos segurados teriam sido demitidos, exonerados, aposentados ou falecidos e que a fiscalização os teriam considerado nos levantamentos feitos. Ocorre que no momento oportuno tais segurados deixaram de constar nos levantamentos como é o caso dos segurados EDMAR ARA UJO DE SOUZA e ARITO JOSE DE FREITAS PINHEIRO relacionado pela defesa página 181 como segurados falecidos e que teriam sido levantados pela fiscalização. Ocorre que os referidos segurados não constam na planilha Relação Nominal dos Segurados Empregado, constantes nas páginas 45 a 226;; 7. O contribuinte alega também que os valores pagos a titulo de saláriofamília e/ou salário maternidade não teriam sido deduzidos das contribuições apuradas. Diante de tal questionamento, solicitamos à Secretaria de Estado de Gestão Administrativa informações referentes a valores pagos a titulo de saláriofamília e saláriomaternidade dos órgãos envolvidos na fiscalização. Tais informações foram solicitadas e forné4 meio digitais; 8. Recebido os arquivos digitais e comparado com a planilha Relatório Nominal dos Segurados Empregados, constatamos de fato que não houve deduções referente As quotas de saláriofamília e nem do salário maternidade; 9. As informações do salário família e do salário maternidade que não foram considerados pela fiscalização estão agora informadas no formulário FORCED ; 10. Os segurados que obtiveram beneficio do saláriofamília e/ou do salário maternidade estão relacionados nas planilhas SalárioFamília e/ou SalárioMaternidade; 11. Dessa forma e diante dos fatos apresentados pelo contribuinte, manifesto pela retificação do crédito previdenciário com a inclusão da rubrica deduções nos levantamentos anteriormente efetuados, conforme indicação no formulário FORCED; Devidamente cientificado dos termos da diligência o recorrente apresentou nova defesa às fls. 592 a 599. A DecisãoNotificação determinou a procedência integral do lançamento, considerando que o impugnante não apresentou qualquer prova que ilidisse o crédito tributário resultante da NFLD em tela, fls. 738 a 752. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 757 a 857. Em síntese o recorrente alega: Fl. 940DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11522.001487/200750 Acórdão n.º 240102.283 S2C4T1 Fl. 3 5 12. Parte do direito a que alega o INSS está afetado pelo Instituto da Decadência, pois o prazo decadencial em matéria tributária é qüinqüenal, conforme art. 173, do CTN, e não aquele previsto no art. 45, da Lei Ordinária no 8.212/91. 13. Não há no ordenamento jurídico nenhum dispositivo legal que ampare o entendimento de que os servidores considerados irregulares estão obrigatoriamente submetidos as regras do Regime Geral da Previdência. Da mesma forma que a Constituição de 1988 de seu art. 37, inciso II, exige a obrigatoriedade de prévia aprovação em concurso público para os ocupantes de cargos, igualmente requer para os ocupantes de emprego público. 14. Da mesma forma que o irregular não pode ocupar cargo público também não pode ocupar emprego público. Não subsiste entre ele e o Estado do Acre relação de trabalho, posto que nesta condição é elementar a nulidade do vinculo jurídico. 15. A Policia Militar do Estado do Acre é regida por Estatuto especifico, de sorte que desde a edição de Lei Complementar n.° 04, de 16 de dezembro de 1981, os policiais militares contribuem para sistema previdenciário próprio do Estado, consoante legislação anexa (Lei 04/81, 1.236/97 e 9412001). 16. Desta forma, não há razão legal para o INSS vincular os militares à Previdência Geral, porquanto se faz necessária a exclusão das contribuições relativas aos policiais militares. 17. Consta do levantamento do INSS a incidência de contribuição previdenciária de servidores regulares, que ingressaram no quadro de servidores do Estado do Acre antes da promulgação da Constituição de 1988, conforme abaixo relacionado e respectiva prova documental. 18. Portanto, a partir da publicação da Lei complementar 39/93, ocorreu a transmudação do contrato de trabalho para o regime estatutário e todos os servidores do Estado do Acre passaram a ser submetidos à previdência própria, sendo desprovido de qualquer validade os lançamentos das contribuições socials relativas ao servidores admitidos antes da Constituição de 1988, quanto às competências 01/1999 a 13/2003. 19. O Recorrente alegou que no relatório anexo à notificação consta que não houve a dedução dos valores pagos pelo Estado aos servidores a titulo de saláriofamília e saláriomaternidade. Tal argumento foi acatado pelo agente fiscal por ocasião em que realizou nova diligência, visando apurar este ponto da defesa, à luz das informações obtidas em meio digital junto à Policia Militar, conforme relatório por ele apresentado, razão pela qual retificou o valor do débito original. 20. Entretanto, equivocadamente, a Relatora desconsiderou a dedução de tais verbas, por entender que "a autoridade fiscal não se reportou ao exame da documentação que suporta o pagamento das contas do salário família e do saláriomaternidade, para atestar que a referida documentação estava de acordo com o que determina a legislação previdenciária". Ora, se esses servidores até então estão albergados pela Previdência Estadual, não há razão para exigir a apresentação da documentação elencada nos arts. 67 e 72 da Lei 8.213/91, ficando o deferimento dos benefícios disciplinados pela legislação estadual própria, motivo pelo qual devese manter a dedução indicada pelo auditor fiscal. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 21. Sem razão, sobreveio o indeferimento do direito a compensação entre os institutos previdenciários, ao teor do que determina o §9°, do art. 201, da constituição Federal, regulamentado pela Lei Federal 9.796, de 05 de maio de 1999. 22. Face aos fatos e fundamentos expendidos, requer o Estado do Acre que o PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO seja recebido e processado na forma da lei, dandolhe provimento para que seja reformada a decisão firmada É o Relatório. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11522.001487/200750 Acórdão n.º 240102.283 S2C4T1 Fl. 4 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 830. Superados os pressupostos, e não existindo preliminares suscitadas, passo ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES No recurso em questão, o contribuinte argumenta a inexistência dos créditos apurados no presente lançamento consubstanciado em 2 pontos básicos: decadência parcial dos fatos geradores, inclusão indevida de segurados já pertencentes ao próprio RGPS, inclusão de servidores regulares do RPPS. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Fl. 943DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de Fl. 944DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11522.001487/200750 Acórdão n.º 240102.283 S2C4T1 Fl. 5 9 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 945DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de Fl. 946DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11522.001487/200750 Acórdão n.º 240102.283 S2C4T1 Fl. 6 11 pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 947DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.(grifo nosso). Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Neste ponto, devemos considerar uma informação extremamente relevante, qual seja, que a NFLD ora lavrada, substitui NFLD declarada nula em função da incorreta indicação do sujeito passivo, o que caracteriza vício formal, devendo a decadência ser apreciada a luz do art. 173, II do CTN. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 11/11/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 05/12/2005, contudo como se trata de lançamento substitutivo devese considerar a data da lavratura da primeira NFLD, qual seja 28/06/2004 Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 12/2003, dessa forma, não há decadência a ser declarada, tendo em vista que o recorrente não realizava Fl. 948DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11522.001487/200750 Acórdão n.º 240102.283 S2C4T1 Fl. 7 13 recolhimentos sobre os fatos geradores descritos na NFLD, inexistindo recolhimentos para que se pudesse considerar antecipação de pagamentos. DO MÉRITO Em primeiro lugar, vale destacar que para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, o ente público – ESTADO DO ACRE – POLÍCIA MILITAR é considerado empresa perante a previdência social, devendo, portanto, contribuir para o RGPS, sempre que presentes fatos geradores de contribuições previdenciárias. Com relação a vinculação dos trabalhadores que prestavam serviços de forma irregular ao ente público e encontravamse vinculados ao RPPS, acredito que a autoridade previdenciária tem sido responsável e cautelosa ao vincular novos segurados ao RGPS, pois simplesmente excluir segurados do RPPS dos Estados e Municípios, bem como de suas autarquias e fundações e atraílos para o RGPS deixou, a muito tempo, de ser do interesse público. Para esclarecer tal assertiva, devemos ter em mente que existe no Brasil, atualmente, pelo menos dois regimes de previdência igualmente legítimos e válidos, que são o Regime Geral de Previdência Social RGPS e os Regimes Próprios de Previdência RPPS, podendo estes serem criados no âmbito da União, Estados, DF e Municípios. Também devese levar em consideração que a própria Constituição Federal de 1988 garante, aos que figurarem na condição de trabalhador empregado, seja nas acepções de servidor público, funcionários público, contratados por prazo determinado, ou quaisquer outros tipos de empregados amparo por um regime de previdência, que lhe garanta pelo menos, os benefícios básicos de aposentadoria e pensão. Dessa forma, pela legislação previdenciária vigente, não podendo o trabalhador estar devidamente amparado por regime próprio de previdência social RPPS, obrigatória sua filiação ao RGPS. Toda a argumentação do recorrente consubstanciase na autonomia do ente público em criar regime próprio de previdência social – RPPS e ter sob seu albergue todos os servidores que entender devido, desde que lhes garanta o alcance de benefícios previdenciários. No entanto, entendo não possuir essa argumentação substrato para afastar a exigência de contribuições previdenciárias para o Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Assim, quanto à questão suscitada pelo recorrente de que o Estado possuía Regime Próprio de Previdência para seus servidores, incluindo os contratados de forma Fl. 949DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 irregular, bem como para os militares razão porque não poderia a autoridade fiscal lançar contribuições previdenciárias sobre os valores destes servidores, razão não lhe confiro. É fato que até a EC nº 20/1998, qualquer tipo de trabalhador poderia estar vinculado ao RPPS, seja na qualidade de servidor efetivo, comissionado, celetista etc, porém após a referida norma constitucional à vinculação aos ditos RPPS, ficou adstrita aos servidores efetivos, ou seja, assim considerados aqueles que ingressaram no serviço público mediante concurso público, sendo que, todo o restante dos trabalhadores, passou obrigatoriamente ao RGPS. Neste sentido dispõe o texto constitucional. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. § 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social.(grifo nosso) Além do que, a matéria reservada à previdência social é concorrente entre a União, Estados e DF, conforme dispõe o art. 24, XII da Carta Magna. Em se tratando de legislação concorrente, a competência da União limitarseá a estabelecer normas gerais (art. 24, §1º da CF/1988). Existe a norma geral editada pela União, no caso a Lei n ° 9.717/1998 e nessa hipótese os demais entes federados devem observar essa norma. Ou seja, o texto constitucional destaca claramente a impossibilidade de inclusão de servidores, salvo os efetivos, bem como de qualquer outra modalidade de trabalhadores no RPPS do ente instituidor. Assim, qualquer tipo de vínculo com o RPPS de ente público, salvo na condição de efetivo, não encontra guarida no texto constitucional, razão porque a vinculação de tais trabalhadores só encontra albergue no Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Dessa forma, qualquer espécie de contratação de trabalhadores, mesmo que irregular por parte do ente público estadual, acaba por ensejar a vinculação de ditos trabalhadores ao RGPS na forma da lei. Nesse sentido, dispõe o art. 9º do Decreto 3.048/99, que regulamenta a Lei nº 8.212/91: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; Fl. 950DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11522.001487/200750 Acórdão n.º 240102.283 S2C4T1 Fl. 8 15 l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; Uma vez que a notificada remunerou segurados, conforme informação prestada pelo próprio recorrente durante o procedimento fiscal, por meio da entrega das folhas de pagamento deveria ter efetuado o recolhimento da totalidade das contribuições devidas à Previdência Social. Quanto ao argumento de que foram apuradas contribuições sobre os segurados contratados mediante concurso público ou exclusivamente comissionados, entendo que razão não assiste ao recorrente, considerando que ditos argumentos já foram apreciados pela autoridade julgadora, senão vejamos: DO SERVIDOR ADMITIDO POR MEIO DE CONCURSO PÚBLICO Arguindo ser ilegal sua exigência, a suplicante reclama a exclusão das contribuições lançadas relativas aos servidores supraelencados no tópico Relatório do presente Voto, alegando que os mesmos foram admitidos via concurso público, conforme documentação inclusa. Não obstante, examinando a relação dos segurados empregados juntada pela autoridade fiscal às fls. 45 a 136 dos autos, verifico que os referidos servidores dela não constam. Assim, a discussão perde seu objeto, razão pela qual desnecessário tornase contraargumentála. DOS SERVIDORES QUE EXERCEM CARGO EXCLUSIVAMENTE EM COMISSÃO Reclama também o suplicante que o lançamento abarcou indevidamente contribuições de servidores que só exerciam "cargos comissionados" relacionados no tópico Relatório do presente Voto cujas contribuições, por essa razão, já estavam sendo devidamente recolhidas ao RGPS nos termos do art. 40, § 13 da CF cujas contribuições já haviam sido recolhidas regularmente, ou via parcelamento realizado pelo Estado. Também nesse aspecto, insta notar de plano que os servidores elencados pela impugnante não constam da retromencionada relação nominal, razão pela qual tornase despiciendo contra argumentar as alegações da postulante no que pertine a eles. Notese que após as considerações da autoridade fiscal, não houve qualquer fato novo apresentado pelo recorrente, razão porque entendo assistir razão a autoridade julgadora, adotando os mesmos argumentos para considerar correto o lançamento. Competiria a recorrente a indicação no lançamento de que os trabalhadores ali elencados, encontramse devidamente amparados por RPPS, face a condição de concurados. Fl. 951DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Quanto ao argumento de que se tratam de servidores irregulares, e portanto a jurisprudência dos tribunais afasta qualquer modalidade de vinculação, sendo nula de pleno direito sem gerar o pagamento de verbas rescisórias, também entendo que razão não assiste ao recorrente em relação a possibilidade de cobrança de contribuições previdenciárias. É certo que a contratação irregular, ou seja, sem concurso público após a CF/88, feri o disposto no art. 37 do texto constitucional, portanto incabível qualquer espécie de vinculação ao ente público. Neste mesmo sentido, dispõe a Súmula 363 do TST, senão vejamos: Súmula 363 TST CONTRATO NULO – EFEITOS A contratação de servidor público, após a CF/88, sem prévia aprovação em concurso público, encontra óbice no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da contraprestação pactuada, em relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos valores referentes aos depósitos do FGTS. Assim, entendo que a cobrança de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados a título de remuneração, que nada mais são do que uma contraprestação pelos serviços prestados, estão em perfeita consonância, não apenas com o teor da referida súmula, bem como com a jurisprudência dos tribunais que impossibilitam a vinculação efetiva de pessoas sem concurso público, e mais ainda, com os dispositivos da lei 8212/91, que determinam a condição de segurados empregados e da base de cálculo de contribuições. Isto posto, não entendo que a autoridade fiscal vinculou o servidor irregular ao ente público, determinando o pagamento de qualquer verba rescisória. O que bem fez o auditor, foi determinar a vinculação “para efeitos previdenciários” de segurado que prestava serviços na condição de empregado, conforme disposto no art. 12, I da Lei 8212/91, e dessa forma, a existência de pagamentos, enseja a cobrança de contribuições previdenciárias, vez que conforme descrito anteriormente nos termos da CF/88, todo trabalhador possui direito ao amparo previdenciário, conforme podese inferir dos termos do art. 6º e 195 do referido texto. Ainda, conforme disposto na lei previdenciária, qualquer trabalhador que preste serviços com as características de empregado, como o encontrado no lançamento em questão, possui a condição de segurado empregado perante a previdência: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A base de cálculo da contribuição das empresas, encontramse descrita no art. 22 da Lei 8212/91. DA CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Ver nota no final do art.)I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11522.001487/200750 Acórdão n.º 240102.283 S2C4T1 Fl. 9 17 durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99. Ver nota no final do art.) A obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Face as citadas normas, o trabalho do auditor autuante, foi no sentido de cumprir a legislação aplicável, determinando, para aqueles segurados em que incabível a vinculação ao RPPS, vinculálos como segurados do RGPS. Quanto ao questionamento acerca da aplicação do Parecer da AGU, o julgador de 1ª instância, bem afastou a possibilidade de aplicação do dito Parecer, vez que não se trata do mesmo caso descrito neste lançamento. A contratação irregular de servidores, prestando serviços nas mesmas condições de empregado, após a CF/88, não encontra qualquer guarida, seja no texto constitucional, na Lei 8212/91 ou na EC nº 20/1998. A grande discussão fruto do dito parecer, era o enquadramento a ser atribuído aos servidores estáveis não efetivos. Portanto, entendo que os argumentos quanto a aplicação do Parecer da AGU, também são incapazes de refutar o lançamento. No que tange a exclusão dos valores pagos pelo ente público à título de salário família e salário maternidade, razão também não confiro ao recorrente. Na diligência fiscal realizada após a impugnação, o auditor afastou a possibilidade de compensação de tais valores, uma vez que mesmo intimado a empresa não identificou os beneficiários de tais pagamentos, bem como não apresentou a documentação pertinente a concessão dos benefícios. Destacase que em grau de recurso, o recorrente apresenta os mesmos argumentos da defesa, sem contudo, fazer prova das alegações, assim como não o fez na impugnação. Ademais, a concessão de benefícios e sua possível compensação no âmbito do RGPS está adstrita a comprovação das condições para recebimento do benefício. Portanto, se a concessão pela empresa (no caso ente público) não obedeceu os critérios exigidos pela previdência social, não será possível a compensação desses valores. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Por fim, quanto aos argumentos de que as contribuições apuradas neste lançamento, já se encontram incluídas em lançamentos anteriores, bem como em parcelamentos formalizados pelo ente público, razão novamente não assiste ao recorrente. Pela planilha apresentada ainda durante a esfera recursal, fls. 46 a 55 e 63 observase que o período do lançamento realizado anteriormente, não alcança as contribuições exigidas nesta NFLD, bem como, não demonstrou o recorrente a existência de parcelamento envolvendo o mesmo período de cobertura. Assim, não existe compensação a ser realizada. Quanto a compensação entre Regimes Previdenciários, no caso RPPS e RGPS, entendo que não é essa a esfera cabível para apreciação, razão porque deixou de apreciar dita matéria. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto e tudo mais que consta dos autos, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000048/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 21/10/2000 a 20/09/2004
IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que
pleiteia.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade
competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que
rege o processo administrativo tributário.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações
constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle
administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal
para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 21/10/2000 a 30/12/2000
DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO.
O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawbacksuspensão,
é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da
possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos
adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se
inicia com o fim do programa de exportação.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 21/10/2000 a 20/09/2004
SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO.
O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador,
do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições
previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI
suspenso e dos acréscimos legais devidos.
SUSPENSÃO DO IMPOSTO. INDICAÇÃO INCORRETA DE DISPOSITIVO LEGAL NA NOTA FISCAL. AQUISIÇÃO POR ESTABELECIMENTO DIVERSO. VENDAS A ORDEM.
A indicação incorreta do dispositivo legal ou processo relativo à suspensão, a
aquisição por estabelecimento diverso do previsto no plano de exportação e a
aquisição à ordem ou para entrega futura não são motivos suficientes para
caracterizar o descumprimento do plano de exportação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.581
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e José Evande Carvalho Araújo. Designado o conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/10/2000 a 20/09/2004 IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/10/2000 a 30/12/2000 DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawbacksuspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se inicia com o fim do programa de exportação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 21/10/2000 a 20/09/2004 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. INDICAÇÃO INCORRETA DE DISPOSITIVO LEGAL NA NOTA FISCAL. AQUISIÇÃO POR ESTABELECIMENTO DIVERSO. VENDAS A ORDEM. A indicação incorreta do dispositivo legal ou processo relativo à suspensão, a aquisição por estabelecimento diverso do previsto no plano de exportação e a aquisição à ordem ou para entrega futura não são motivos suficientes para caracterizar o descumprimento do plano de exportação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 21/10/2000 a 20/09/2004 IPI. “DRAWBACK”. INSUMOS NÃO EMPREGADOS NO PLANO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Havendo o acórdão de primeira instância apreciado todas as alegações constantes da impugnação, não há que se falar em nulidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA E VALIDADE DA AÇÃO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder a ações fiscais ou constituir créditos tributários ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/10/2000 a 30/12/2000 DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawback suspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. No caso de insumos Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.335 2 adquiridos em excesso em relação ao que foi exportado, tal prazo somente se inicia com o fim do programa de exportação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/10/2000 a 20/09/2004 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica o imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. INDICAÇÃO INCORRETA DE DISPOSITIVO LEGAL NA NOTA FISCAL. AQUISIÇÃO POR ESTABELECIMENTO DIVERSO. VENDAS A ORDEM. A indicação incorreta do dispositivo legal ou processo relativo à suspensão, a aquisição por estabelecimento diverso do previsto no plano de exportação e a aquisição à ordem ou para entrega futura não são motivos suficientes para caracterizar o descumprimento do plano de exportação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e José Evande Carvalho Araújo. Designado o conselheiro Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto RedatorDesignado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.336 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1293 a 1313) apresentado em 09 de maio de 2011 contra o Acórdão no 1432.601, de 22 de fevereiro de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1272 a 1284), cientificado em 11 de abril de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de outubro de 2000 a setembro de 2004, considerou procedente em parte a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 21/10/2000 a 20/09/2004 SUSPENSÃO DO IMPOSTO. DRAWBACK VERDEAMARELO. O inadimplemento, total ou parcial, por parte do estabelecimento exportador, do compromisso de exportação ou a inobservância dos requisitos e condições previstas no Plano de Exportação implica no imediato recolhimento do IPI suspenso e dos acréscimos legais devidos. DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial, no caso do regime DrawbackSuspensão, deverá ser estabelecido de acordo com a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do CTN, e como tal, a contagem inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente, com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto esta competência é instituída por lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez que a autuação se embasou em livros e documentos contábeis e fiscais fornecidos pelo próprio sujeito passivo e os argumentos da defesa evidenciam ter havido compreensão da Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.337 4 motivação para a formalização dos autos de infração, não se acolhe a preliminar suscitada. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 27 de abril de 2006, de acordo com o termo de fls. 60 e 68. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 06/43, constituindo o crédito tributário de R$ 2.266.188,87, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional, para exigência do imposto suspenso na aquisição de insumos destinados à industrialização de produtos exportados, adquiridos em desacordo com os Planos de Exportação dos quais a interessada era beneficiária. Sintetizando a descrição dos fatos do auto e Termo de Verificação de fls. 60/68, temos que já houve anteriormente a lavratura de autos de infração, processos 13829.000144/200597 e 13829.000235/200522, na qual a fiscalização verificou que não constava dos processos 13829.000169/9972 (prorrogação do processo 13829.000110/9849) e 13829.000170/9951 o “relatório de comprovação final da utilização do regime”, instituído com o art. 12 da INDpRF nº 84/92, correspondente aos Planos de Exportação aprovados, na forma da Lei nº 8.402/92 (DRAWBACK VERDE AMARELO), regulamentada com o Decreto nº 541/92, por meio dos referidos processos. Assim, em prosseguimento aos trabalhos encerrados parcialmente, deuse continuidade aos trabalhos determinados com o MPFF 08.1.03.002005003346. Diante do apurado durante a continuidade da fiscalização, novamente verificouse ter a contribuinte recebido insumos acompanhados de novas notas fiscais emitidas com a suspensão da cobrança do IPI em desacordo com Plano de Exportação aprovado na forma do art. 3º, § 1º, da Lei nº 8.402/1992, regulamentado através do Decreto nº 541/1992 e da INDpRF nº 84/1992, sem adotar a providência prevista no § 1º do art. 266 (Lei 4.502/1964, art. 62, § 1º) do Decreto nº 4.544/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do IPI, tornandose responsável pelo tributo de acordo com os arts. 39, 40, 41, caput e § único, do citado Decreto nº 4.544/2002 e art. 16 da mencionada INDpRF nº 84/1992. Assim, foi lavrado de ofício o auto de infração com base nas notas fiscais relacionadas no demonstrativo de fls. 44/59. Regularmente cientificada em 27/04/2006, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 1.166/1.187, instruída com os documentos de fls. 1.188/1.230, alegando, em síntese, que: a) O auto de infração é nulo por estar viciado com inúmeras irregularidades: por ter sido lavrado pelos AFRF’s autuantes Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.338 5 sem a observância do período de fiscalização indicado no Mandado de Procedimento fiscal nº 0810300/00334/05; por cerceamento do direito de defesa, pois não demonstrou porque as aquisições consideradas para a apuração do crédito tributário do IPI não estão incluídas no Plano de Exportação da empresa; por ser precária a acusação e o levantamento que o fundamenta, pois em relação ao IPI objeto das operações realizadas entre 01/2000 a 12/2002 citadas no auto de infração, o mesmo foi escriturado no Registro de Apuração do IPI da competência de setembro de 2005, como se devido fosse nas operações realizadas anteriormente nas quais não existiu o destaque do imposto, assim como, a impugnante é detentora de altíssimo saldo credor do IPI; por inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; b) Por força do art. 150, § 4º do CTN, a decadência é de 5 anos contada do fato gerador, ocasionando a impossibilidade de constituir créditos tributários do IPI relacionados a fatos geradores ocorridos antes de 27/05/2001; c) Jamais poderia ter sido constituído crédito tributário considerando ter sido o imposto relacionado às aquisições realizadas nos anos de 2001 e 2002 devidamente escriturado no Registro de Apuração do IPI, na qual resulta a inexistência de créditos do IPI passíveis de serem constituídos no lançamento; d) A impugnante vem mantendo há muito tempo saldo credor do imposto, algo que deveria ter sido observado pela fiscalização porque disto não resulta nenhum valor a pagar. Com fundamento no princípio da nãocumulatividade, a impugnante tem direito a compensação entre seus débitos e créditos; e) Além do mais, a existência de saldo credor demonstra a inexistência de interesse do contribuinte fraudar a fiscalização, o que deve ser considerado para cancelar o auto de infração; f) Interpretando de forma mais favorável a legislação, a impugnante não pode ser responsabilizada porque não existiram motivos de deixar de lançar a débito o IPI; g) Não existem motivos para que as aquisições listadas no auto de infração não fossem beneficiadas com a suspensão do IPI, pois todas estas aquisições estão abrangidas pelo Plano de Exportação realizado pela empresa; h) Considerando terem sidos destinados os insumos adquiridos para o processo produtivo de produtos não tributados, não existe a possibilidade de ser exigido o IPI porque estes, na condição de bem principal, ocasionam os mesmos efeitos fiscais para aqueles, na condição de bens acessórios. O bem acessório segue a sorte do principal, sendo classificado na mesma posição fiscal. Sendo assim, por serem as embalagens (maior parte dos insumos) bem acessório do bem principal (produto fabricado pela impugnante), não existe a possibilidade de ser aplicada alíquota do IPI superior àquela aplicada na operação de saída Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.339 6 do bem principal, tal seja, nenhuma por ser um operação sujeita à não tributação. Por fim, requer que seja acolhida a impugnação, para ser declarada a total improcedência do lançamento. No recurso, a Interessada alegou que o acórdão de primeira instância teria sido omisso em relação às alegações de inexistência de fundamentação jurídica no auto de infração, plano de exportação, existência de saldo credor de IPI e produtos NT (princípio da acessoriedade), requerendo, por isso, a sua anulação. Tratou, a seguir, das alegações de nulidade da autuação, conforme já alegado na impugnação. No mérito, alegou ter ocorrido decadência em relação a parte do lançamento, estarem todas as aquisições de acordo com o plano de exportação, existir saldo credor de IPI e terem sido os insumos empregados em produtos NT. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à nulidade do acórdão de primeira instância, verificase que o acórdão apreciou as questões de nulidade do auto de infração, incluindo a alegação de falta de fundamentação legal e de cerceamento de direito de defesa. Quanto às questões de mérito (plano de exportação, existência de saldo credor de IPI e produtos NT), o acórdão claramente considerou não haver a Interessada demonstrado as alegações, não serem passíveis de compensação com o saldo credor os valores apurados e não ser a destinação do produto critério para decidir a classificação fiscal. No tocante às nulidades da autuação, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, adotamse, no presente voto, os fundamentos do acórdão de primeira instância. Quanto ao mérito, primeiramente, a aparente contradição entre os fundamentos do auto de infração e do acórdão de primeira instância deve ser esclarecida. É que, segundo o auto de infração, houve suspensão de IPI nas entradas em desacordo com o plano de exportação (fl. 8), tendo sido apontadas as razões no termo de fls. 60 e seguintes. Segundo o referido termo, houve emissão de notas fiscais sem a indicação correta do motivo da suspensão, aquisição por estabelecimento diverso do beneficiário do plano de exportação, aquisições de matérias primas em excesso ao que fora autorizado, aquisições anteriores ou posteriores ao período de validade do plano de exportação, aquisições de insumos não autorizados pelo plano e não comprovação do uso dos insumos no programa. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.340 7 Portanto, ou as matérias primas não foram empregadas na fabricação de produtos ou foram empregadas em produtos sem nota fiscal, que, consequentemente, não poderiam ter sido exportados; ou não poderia haver suspensão, à vista de não haver ainda entrado em vigor o plano, de se haver encerrado ou de os insumos simplesmente não serem abrangidos por ele. Os anexos que demonstraram cada uma das situações estão entre as fls. 41 e 61. A Interessada, entretanto, nada justificou em relação ao que foi apurado pela Fiscalização, preferindo alegar que o auto seria nulo e que não teria sido fundamentado. Quanto à alegação de existir saldo credor, o Regulamento do IPI dispõe o seguinte: Art. 191. Nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de oficio, em auto de infração, serão considerados, também, como escriturados, os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. Entretanto, tal dispositivo somente se refere aos débitos lançados no livro de apuração de Interessada e que poderiam ser compensados escrituralmente com os créditos. No caso dos autos, tratase de imposto devido em relação às entradas, que se tornou de responsabilidade da Interessada à vista do programa a que aderiu. Tal imposto não é compensável com os créditos escriturais de IPI, conforme justificado pela Primeira Instância. No tocante às alegações de que os produtos fabricados seriam NT e que os insumos neles empregados teriam a mesma natureza, o princípio da acessoriedade (“acessório segue o principal”) não se aplica ao presente caso. Os insumos não são acessórios e sua natureza não depende da operação de industrialização, para efeito da classificação fiscal. Ademais, quando se trata de produto NT, a legislação determina que os créditos empregados em sua industrialização sejam glosados. Em outras palavras, quando não há as suspensões decorrentes de benefícios e incentivos fiscais, o IPI é devido na saída dos insumos e, se escriturado como crédito no livro de apuração do produtor, ao ser empregado na fabricação de produto NT, tal crédito deve ser glosado. Quanto à decadência, a razão também está com a Primeira Instância, uma vez que não se trata de hipótese de lançamento por homologação. Primeiramente, pela própria natureza das operações, dentro das quais não há pagamento antecipado, pois a incidência do IPI sobre os insumos fica suspensa. Ademais, o referido imposto, que, como esclarecido por vezes nos presentes autos, é devido pela Interessada como responsável, é obrigação tributária que não se comunica com o IPI devido nas saídas de produtos industrializados pela própria Interessada. Tanto é assim que não existe o alegado direito de crédito. No âmbito de tal obrigação, os pagamentos eventuais de IPI que se refiram ao imposto de obrigação própria da Interessada não se prestam para caracterizar a existência de Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.341 8 pagamento antecipado a que se refere o art. 150 do CTN. Admitir tal hipótese seria como considerar que eventuais pagamentos de outro tributo pudessem interferir no prazo decadencial de IPI. Aplicandose ao caso o art. 173, I, do CTN, o prazo de decadência iniciase somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Nessa matéria, discordase da conclusão da Primeira Instância, que considerou iniciar o prazo somente com o conhecimento do descumprimento da condição, que se daria somente quando a Receita Federal tomasse conhecimento “do adimplemento ou não dos compromissos assumidos pelo beneficiário do regime, o que se dá somente no encerramento do Plano de Exportação aprovado”. É que, no caso dos autos, tal raciocínio somente pode ser aplicado ao caso da apuração de insumos adquiridos em excesso, que não foram empregados nos produtos exportados. Nos demais casos, o lançamento poderia ser efetuado a qualquer tempo. Em relação aos demais casos, não se aplica a questão da decadência. Como o lançamento ocorreu em 2006, os fatos geradores ocorridos em 2000, relativamente aos demais casos, foram atingidos pela decadência. A tabela a seguir relaciona os anexos com as causas da autuação e a decadência. Anexo Causa da autuação Decadência I NF com indicação incorreta do motivo da suspensão Não se aplica II Insumos adquiridos por outro estabelecimento Não se aplica III NF com indicação incorreta do motivo da suspensão Não se aplica IV Insumos adquiridos por outro estabelecimento e NF posteriores à vigência do plano. Não se aplica VI Vendas a ordem ou para entrega futura Não se aplica VIII NF posteriores à vigência do plano. Não se aplica IX NF posteriores à vigência do plano. Períodos de 2000 X NF posteriores à vigência do plano. Não se aplica XI NF posteriores à vigência do plano. Períodos de 2000 XII NF posteriores à vigência do plano. Não se aplica XIII NF posteriores à vigência do plano. Não se aplica Na tabela acima, quando não há períodos hipoteticamente abrangidos pela decadência, utilizouse a indicação “Não se aplica”, conforme fundamentado anteriormente. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.342 9 De resto, destaquese que não há o que reparar nos fundamentos do acórdão de primeira instância, relativamente ao que foi alegado no recurso, razão pela qual, adotando os com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por dar provimento parcial ao recurso da Interessada, para considerar decaídos os períodos relacionados na tabela constante do presente voto. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Voto Vencedor Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, RedatorDesignado Ouso divergir do nobre Conselheiro relator em alguns pontos, conforme as razões adiante elencadas. Verificando o Termo de Verificação Fiscal, o nobre auditor apresentou as razões de sua autuação discriminativamente. Quanto ao primeiro item, o contribuinte fora autuado por não ter discriminado em sua documentação fiscal o texto “IPI Suspenso Conforme Decreto 541 de 26.05.1992”, quando deveria ter indicado o número do processo e a data do respectivo deferimento. Entendo que se trata de obrigação acessória, e que a fiscalização não logrou comprovar que aquela documentação fiscal não teria sido relativa a exportação. Poderia têlo feito, bastando para tanto apenas intimar o contribuinte a relacionálas aos respectivos processos. Em homenagem ao princípio da verdade material, voto no sentido de dar provimento ao recurso nesse tópico. Quanto à segunda autuação, alega a douta fiscalização que apesar de ter escriturado adequadamente a nota fiscal pelo fornecedor da matériaprima, que o contribuinte a teria adquirido por estabelecimento diverso, e que por isso não deveria haver a suspensão do tributo. Enquadra no art. 25, parágrafo primeiro, parágrafo esse que este julgador não logrou encontrar no texto. Quanto ao princípio da autonomia do estabelecimento, presente realmente no art. 518, IV. Porém, considero que esse princípio deve ser observado sempre, porém, tem por condão regular o sistema da não cumulatividade do tributo, ou seja, confrontar créditos e débitos. No caso de drawback, importante esse separação para fins de controle, porém, também em homenagem ao princípio da verdade material, o contribuinte poderia ter sido intimado a demonstrar a vinculação dessas aquisições a tais processos de drawback, o que não consegui constatar. Nesse sentido, considero desnecessário a desconsideração de tais notas fiscais em face desse argumento, votando no sentido de dar provimento ao recurso nesse tópico. Terceira autuação – idem a autuação anterior, adoto as mesmas razões de decidir. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 15889.000048/200641 Acórdão n.º 330201.581 S3C3T2 Fl. 1.343 10 Também não me pareceu claro o mencionado na autuação mencionada no anexo VI. O contribuinte teria ou não direito à suspensão, esse é o questionamento. Realmente não foi destacado o tributo, contudo, a prova que deveria ter sido feita seria do cabimento ou não da suspensão. Nesse caso, teríamos um descumprimento de obrigação acessória, mais, aquele crédito não destacado não daria crédito ao contribuinte, e daí não haveria prejuízo ao erário. Assim, também não considero adequada a fundamentação da cobrança. No caso da autuação dos Anexos IV e VIII, aí sim, restou demonstrado que os planos de exportação não mais estariam em vigor, logo concordo com o relator por manter o lançamento, o mesmo ocorrendo com o anexo IX, X, XI, XII, XIII. É como voto. (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/05/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10850.002616/2001-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Anocalendário:
1996, 1997, 1989, 1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O termo inicial para contagem do prazo decadencial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Data do fato gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso dos autos, verifica-se que não houve antecipação de pagamento para o ganho de capital. Destarte, há de se aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício
seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-002.036
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno à câmara "a quo" para análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Gonçalo Bonet Allage. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O termo inicial para contagem do prazo decadencial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Data do fato gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento para o ganho de capital. Destarte, há de se aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno à câmara "a quo" para análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Gonçalo Bonet Allage. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10850.002616/200157 Acórdão n.º 920202.036 CSRFT2 Fl. 1.232 3 Relatório LUCIANA DO CARMO FARIA MORETTI, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 27/12/2001, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos, mais precisamente na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa, em relação aos anoscalendário 1996 a 1999, conforme peça inaugural do feito, às fls. 648/651, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 3a Turma da DRJ em São Paulo/SP, consubstanciada no Acórdão nº 1715.884/2006, às fls. 1.050/1.066, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Ordinária da 3a Câmara, em 05/03/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 330100.030, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE QUOTAS DE CAPITAL INÍCIO DO PRAZO DECADENCIAL. Para fins de apuração do ganho de capital não se pode admitir que, numa mesma situação, existam datas distintas de ocorrência do fato gerador, uma para efeitos de decadência e outra para efeitos de apuração do tributo devido. Nesse entendimento, o critério temporal do imposto em referência é justamente o momento da alienação e o dies a quo do prazo decadencial, a data da celebração do contrato. Preliminar acolhida.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 1.139/1.153, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito das mesmas matérias, quais sejam, data da ocorrência do fato gerador do ganho de capital e termo de início da contagem do prazo decadencial, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovadas as divergências arguidas. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Relativamente à ocorrência do fato gerador do ganho de capital, no caso de alienação de bem com recebimentos a prazo, infere que o Acórdão n° 10422.587 diverge do entendimento esposado no decisum recorrido, tendo em vista estabelecer que nestes casos, a aquisição realizada a prazo difere a ocorrência do fato gerador ao momento do recebimento, ao contrário do que restou assentado pela Câmara guerreada, que admitiu a data da alienação. Em defesa de sua pretensão, aduz que a legislação de regência, especialmente o artigo 2° da Lei n° 7.713/1988, c/c o artigo 21 da Lei n° 8.981/1995 e artigo 117 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR), é por demais enfática ao afirmar que o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Neste sentido, defende que no ganho de capital, com tributação definitiva, o imposto de renda surge quando o rendimento é auferido, ou seja, de acordo com a percepção da renda, na forma que procedeu corretamente a autoridade lançadora ao constituir o presente crédito tributário. Quanto ao termo de início da contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão n° 20402.855, ora adotado como paradigma, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento, como restou devidamente consignado no termo de verificação fiscal, não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. A corroborar seu entendimento, suscita que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, para o fato gerador correspondente a 31/10/1996, admitido por ser o mais remoto, o lançamento poderia ser ainda em 1996, consequentemente, o prazo decadencial começou a correr em 01/01/1997, expirando em 31/12/2001. Assim, tendo a contribuinte sido cientificada do auto de infração em 27/12/2001, ainda estava em curso o prazo e, portanto, não há falar em decadência da exação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas, Acórdão nº 10422.587 e 20402.855, a propósito das mesmas matérias, quais sejam, ocorrência do fato gerador do ganho de capital e termo inicial do prazo decadencial, conforme Despacho nº 920200.221/2009, às fls. 1.171/1.172. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10850.002616/200157 Acórdão n.º 920202.036 CSRFT2 Fl. 1.233 5 Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.184/1.202, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatadas pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF as divergências suscitadas, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada, com arrimo no artigo 2° da Lei n° 7.713/1988, c/c o artigo 21 da Lei n° 8.981/1995, dentre outros, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos, mais precisamente na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa, em relação aos Exercícios 1997 a 2000. Por sua vez, ao analisar o caso, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, acolhendo a preliminar de decadência arguida, adotando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, restando decaído a integralidade do crédito tributário. Para tanto, o nobre subscritor do voto condutor do Acórdão guerreado admitiu a ocorrência do fato gerador do tributo lançado na data da celebração do contrato de alienação do bem, desconsiderando, portanto, o fato de a venda ter sido realizada a prazo, com os pagamentos efetuados em inúmeras parcelas até o anocalendário 1999. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos nºs 10422.587 e 20402.855, a propósito das mesmas matérias, quais sejam, ocorrência do fato gerador do ganho de capital e termo inicial do prazo decadencial, respectivamente, impondo seja conhecida a peça recursal. No que concerne à ocorrência do fato gerador do ganho de capital, no caso de alienação de bem com recebimentos a prazo, infere que o Acórdão n° 10422.587 diverge do entendimento esposado no decisum recorrido, tendo em vista estabelecer que nestes casos, a aquisição realizada a prazo difere a ocorrência do fato gerador ao momento do recebimento, nos termos da legislação de regência, notadamente o artigo 2° da Lei n° 7.713/1988, c/c o artigo 21 da Lei n° 8.981/1995 e artigo 117 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR). Em outra via, relativamente ao termo de início da contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, insculpida no Acórdão n° 20402.855, ora adotado como paradigma, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação da decadência inserida no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente, o que não ocorrera na hipótese dos autos, consoante restou assentado no próprio Termo de Verificação Fiscal, às fls. 642/643. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da demanda, impende constatar qual dos temas deve ser analisado primeiramente, de maneira a concatenar o voto da melhor maneira, evitando discussões despiciendas. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10850.002616/200157 Acórdão n.º 920202.036 CSRFT2 Fl. 1.234 7 Com efeito, muito embora possa parecer que o exame da data da ocorrência do fato gerador do ganho de capital na venda a prazo deve ser procedido primeiramente, sobretudo com a finalidade de se preestabelecer sob quais bases (datas) a decadência será contemplada, mister, neste caso, inverter a ordem das matérias, uma vez que, adotandose o artigo 173, inciso I, CTN, na linha do esposado pela recorrente, ainda que se admita a data da celebração do contrato de alienação como ocorrência do fato imponível do tributo sob análise, não restará decaído a exigência fiscal. Isto porque, ainda que se adote o fato gerador mais remoto possível, qual seja, 25/10/1996, data da celebração do “Instrumento Particular de Transação, Compra e Venda e Permuta de Quotas de Capital Social e Outras Avenças”, de fls. 76/86, contandose o prazo decadencial na forma que pretende a Procuradoria, não se cogitaria em extinção da exigência fiscal em razão da decadência, fazendo com que a análise desta matéria (ocorrência do fato gerador do ganho de capital na venda a prazo) seja levada a efeito somente se vier a ser mantida a tese inscrita no Acórdão recorrido. Nesta toada, passaremos, portanto, a contemplar as razões de recurso que objetivam rechaçar o Acórdão recorrido no que diz respeito ao prazo decadencial, senão vejamos. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente à apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10850.002616/200157 Acórdão n.º 920202.036 CSRFT2 Fl. 1.235 9 Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 10 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação à antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento relativamente ao anocalendário 1996, a partir das retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte informadas na Declaração de Ajuste Anual 1997, às fls. 34, as quais consideramos para efeito de comprovação de antecipação de pagamento, por se tratar, igualmente, de imposto de renda de pessoa física, muito embora não se referirem ao ganho de capital objeto do presente lançamento. Na esteira dessas considerações, vislumbrandose a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 27/12/2001, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, de fl. 653, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que o fato gerador ocorreu em 25/10/1996, data da celebração do “Instrumento Particular de Transação, Compra e Venda e Permuta de Quotas de Capital Social e Outras Avenças”, de fls. 76/86, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência do feito. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10850.002616/200157 Acórdão n.º 920202.036 CSRFT2 Fl. 1.236 11 Na esteira desse entendimento, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao excelso Relator, divirjo de suas conclusões quanto à aplicação da regra decadencial no fato gerador oriundo do ganho de capital. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre quais das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseão na tributação do ganho de capital, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Para a contribuinte, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 150, pois o que se homologa não é o pagamento, mas sim a atividade, como decidiu o Acórdão recorrido. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10850.002616/200157 Acórdão n.º 920202.036 CSRFT2 Fl. 1.237 13 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 14 disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733) Cabe destacar que não há valores recolhidos, referentes ao ganho de capital, fls. 034, campo 033. As regras decadenciais expressas no CTN (Art. 150 e Art. 173) definem como momento de cálculo do prazo decadencial: 1. A ocorrência do fato gerador; e 2. Quando o lançamento poderia ter sido efetuado. CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. ... Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como no ganho de capital o fato gerador e a possibilidade de efetivação do lançamento diferem da exigência de ajuste anual, devemos analisar os recolhimentos em Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10850.002616/200157 Acórdão n.º 920202.036 CSRFT2 Fl. 1.238 15 separado, pois o fato gerador sobre o ganho de capital não é anual, mas sim imediato, com recolhimento mensal e a possibilidade de lançar não aguarda o final do ano, pois ocorre com o inadimplemento mensal Destarte, como não há recolhimentos para os ganhos de capital acarretando o uso da regra expressa no I, Art. 173 do CTN como o fato gerador em questão, na sua possibilidade mais distante, ocorreu em 31/10/1996 e a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 07/12/2001, não há que se falar em decadência, pois o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2001. Assim, dou provimento ao recurso da nobre Procuradoria quanto à questão do prazo decadencial, com retorno à câmara "a quo" para análise das demais questões, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10315.001085/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.
MULTA QUALIFICADA.
É devida a multa de ofício qualificada de 150%, quando restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei.
JUROS DE MORA. DATA INICIAL DA INCIDÊNCIA.
Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. No caso do IRPF, temse
a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da DAA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli que dava parcial provimento para reduzir a multa de ofício do percentual de 150% para 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA. É devida a multa de ofício qualificada de 150%, quando restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. JUROS DE MORA. DATA INICIAL DA INCIDÊNCIA. Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. No caso do IRPF, temse a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da DAA. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1919; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.001085/200738 Recurso nº 168.743 Voluntário Acórdão nº 210201.918 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2012 Matéria Deduções indevidas Recorrente ANQUÍSIO ALVES DE MOURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA. É devida a multa de ofício qualificada de 150%, quando restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. JUROS DE MORA. DATA INICIAL DA INCIDÊNCIA. Os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. No caso do IRPF, temse a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da DAA. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli que dava parcial provimento para reduzir a multa de ofício do percentual de 150% para 75%. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 2 2 Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 27/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANQUÍSIO ALVES DE MOURA foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/09, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2001, exercício 2002, no valor total de R$ 23.079,44, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2007. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, fls. 10/13, foram dedução indevida de previdência oficial (R$ 3.745,59), dedução indevida de dependentes (R$ 5.400,00), dedução indevida de despesas médicas (R$ 8.574,00), dedução indevida de despesas com instrução (R$ 7.000,00) e dedução indevida de previdência privada/FAPI (R$ 6.300,00). A multa de ofício foi aplicada na sua forma qualificada, no percentual de 150%, em razão dos fatos que se encontram assim narrados no Relatório Fiscal: Entre julho e agosto de 2006, a Secretaria da Receita Federal verificou que mais . de 80 (oitenta) contribuintes pessoas físicas com domicílio fiscal vinculado à Delegacia da Receita Federal do Juazeiro do Norte (DRF/JNE), retificaram suas Declarações de Rendimentos (DIRPF) referentes ao exercício de 2002, ano calendário 2001. Chamou a atenção deste fisco o fato de estas Declarações Retificadores apresentarem diversas coincidências: i) Os contribuintes são todos servidores públicos federais, em exercício em uma mesma Repartição: a FUNASA Fundação Nacional de Saúde; ii) Todos eles solicitaram à Receita Federal, aproximadamente à mesma época, cópias de suas Declarações de Ajuste Anual daquele exercício de 2002, anocalendário 2001; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 3 3 iii) As retificações, em sua totalidade, seguiram um padrão semelhante, qual seja, o de alterar apenas os valores informados a título de deduções da base de cálculo do IRPF, como Despesas com a Previdência Oficial e Previdência Privada, Despesas com Dependentes, Despesas de Instrução e Despesas Médicas. iv) Todas as DIRPF Retificadoras ensejaram um mesmo resultado: a redução do Imposto de Renda calculado, e conseqüente aumento da restituição devida. v) O objeto destas retificações foi sempre a DIRPF de um mesmo exercício (2002), anocalendário de 2001. Em face da simultaneidade de todas estas coincidências, a DRF/JNE abriu fiscalização para vinte e cinco destes contribuintes, cujas DIRPF Retificadores já haviam sido processadas pelos Sistemas da SRF, e que já haviam recebido o acréscimo da restituição do Imposto de Renda oriundo das alterações nelas informadas. Regularmente intimados, vários deles relataram a ocorrência de uma mesma situação, explanada a seguir, e cujas circunstâncias indiciárias de fraude somente vieram a confirmar a suspeição havida por ocasião da descoberta de todas aquelas aludidas coincidências. Informaram que teriam sido contatados por um colega de Repartição, também em exercício na FUNASA, o qual lhes teria dito acerca da existência de um resíduo de restituição de Imposto de Renda do anocalendário 2001, a que teriam direito, caso apresentassem uma cópia da DIRPF/2002 a um determinado servidor da própria Secretaria da Receita Federal. Este, por sua vez, se encarregaria pessoalmente de fazer a retificação necessária à liberação do prometido resíduo. Asseveraram, por fim, que após liberada a restituição objeto da Declaração Retificadora, cada beneficiado teria que pagar 30% (trinta por cento) do valor restituído àquele servidor da SRF. Além destes contribuintes sujeitos a procedimento de fiscalização, os demais envolvidos na mesma situação, em número aproximado de sessenta, tiveram suas Declarações Retificadoras colocadas em malha DRF, e selecionadas para trabalho manual; sendo ora objeto de revisão. Entre estes últimos está o Sr. Anquísio Alves de Moura, NICPF 107.537.29334. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 38/42, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/FOR nº 0813.100, de 07/03/2008, fls. 68/77. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 16/04/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 80, o contribuinte apresentou, em 16/05/2008 (fls. 82), recurso voluntário, fls. 84/91, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 4 4 Preliminarmente Da Prescrição Analisando os autos vêse a cobrança baseada em à dedução indevida de previdência oficial, dedução indevida de previdência privada, dedução indevida de dependentes, de despesas médicas, de despesas com instrução e da multa de ofício e juros SELIC, alusivos ao Ano Calendário: 2001, portanto já prescritos. (...) DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA De início a 1ª Turma entendeu não ter sido impugnada a matéria tocante à dedução indevida de previdência oficial, dedução indevida de previdência privada, dedução indevida de dependentes. Ora, toda a abordagem da impugnação fora feita com base na atitude ardil perpetrada pelo servidor da Receita que literalmente induziu o recorrente a erro e plantou em sua declaração de ajuste informações não condizentes com a verdade, isso é fato. Assim sendo, a matéria acima descrita foi sim impugnada merecendo também ser revista pelo Douto Conselho. DA MULTA DE OFÍCIO A turma entendeu ter havido fraude por parte do recorrente o que ora combatemos. (...) DA DEFINIÇÃO DE FRAUDE Pela definição literal do que é verdadeiramente fraude para o fisco, vemos que em nenhum momento ficou constatada a ocorrência de fraude por parte do recorrente, tendo em vista que agiu legitimado pela boafé, acreditando que o procedimento adotado pelo Sr. Itaécio era lícito, não comportando vício algum que o maculasse, portanto latente a ausência de evidente intuito de fraude e ainda de ação ou omissão dolosa para aplicação da multa impugnada. CONCEITO DE DOLO Podemos definir Dolo, sob o aspecto naturalista, com a vontade consciente de realizar o fato criminoso. ELEMENTOS DO DOLO O conhecimento (elemento intelectual) e a vontade (elemento volitivo) Em relação ao elemento volitivo, o dolo é a vontade de realização da conduta típica. Projetandose também sobre os elementos subjetivos do tipo penal. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 5 5 A vontade deve compreender: o objeto da conduta; o meio empregado para alcançar esse objetivo; as conseqüências derivadas do emprego desse meio. Nesse sentido, a boafé do impugnante resta comprovada e deve ser levada em consideração, uma vez que em verdade foi vítima de manobra ardilosa por parte do servidor da Receita Federal, que alterou dados da Declaração de Ajuste de Imposto de Renda sem o conhecimento do contribuinte. Este entendimento, no que tange à boafé do contribuinte, vem sendo aceito pelo eg. Superior Tribunal de Justiça, para afastar a imposição de multa, sendo perfeitamente aplicável in caso. (...) DOS JUROS APLICADOS Por ocasião do auto de infração foram aplicados juros de mora no valor de R$ 6.001,77, tendo como fato gerador a declaração de ajuste anual de 2001 com vencimento em 30.04.2002, tendo como fundamento a Lei 9.430/96 em seus art. 61 e 5°, in verbis: (...) Considerando somente a título hipotético, a subsistência do presente auto de infração, impõese a aplicação de juros de mora tão somente a partir da suposta retificação e não da data da entrega do imposto de renda ora questionado. DO IMPOSTO DEVIDO Os lançamentos contidos no auto de infração referentes ao imposto tomaram por base a retificação feita de forma fraudulenta pelo então servidor da Receita Federal José Itaécio Anunciado, que promoveu alterações na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda, sem qualquer conhecimento ou mesmo autorização do impugnante. Ressaltese que quando da primeira Declaração o impugnante conseguiu comprovar todo o alegado, contudo, é evidente que não teria a mesma sorte na Declaração forjada pelo servidor Itaécio, pois, eivada de vícios dos quais sequer tinha conhecimento. (...) É o Relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente devese dizer que se encontra correta a decisão de primeira instância ao considerar matéria não impugnada as infrações de dedução indevida de previdência oficial, dedução indevida de previdência privada e dedução indevida de dependentes, dado que o contribuinte não trouxe na impugnação razões de mérito sobre as matérias. Logo, sob este aspecto, confirmase a decisão recorrida. Prosseguindo com a apreciação do recurso, verificase que, embora o contribuinte mencione a prescrição, observase que, na verdade, sua pretensão seria de suscitar a decadência do crédito tributário, na data do lançamento. Para a análise da questão, fazse necessário observar o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 7 7 simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, cuidase de lançamento de IRPF, anocalendário 2001, exercício 2002, sendo certo que o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), com saldo de imposto a restituir. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento. Tal fato conduziria à contagem do prazo decadencial, nos termos em que disposto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Contudo, no lançamento todas as infrações imputadas ao contribuinte foram exigidas com a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e tal fato (multa qualificada) desloca a contagem do prazo decadencial para aquele disposto no art. 173, I, do CTN. Assim, para concluir a apreciação da alegação de decadência, devese antes analisar as alegações do recorrente no que diz respeito à qualificação da multa de ofício. No recurso, o contribuinte insiste na tese de que agiu de boafé e que foi vítima da conduta do servidor da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual teria alterado os dados de sua DAA, sem o seu conhecimento. Tais alegações não podem prosperar. Nesse Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 8 8 aspecto, adoto integralmente as razões exaradas na decisão recorrida, que manteve a qualificação da multa de ofício, sob a fundamentação abaixo parcialmente transcrita: Com o intuito de receber o citado "resíduo de imposto do renda", o autuado afirmou que procedeu conforme lhe fora instruído, contudo, não dera autorização expressa para que o mencionado servidor da Secretaria da Receita Federal do Brasil alterasse qualquer informação a seu respeito constante nos registros internos desse órgão, considerandose vítima de um estelionatário e, em assim sendo, solicitava o cancelamento da declaração retificadora apresentada. De pronto, registrase, que causa bastante estranheza que o impugnante, servidor público, sabedor que tributos/contribuições/tarifas que são cobrados pelo serviço público, somente ingressam nos cofres do Tesouro, mediante documento de arrecadação próprio a ser pago na rede bancária por contribuinte ou seu preposto, repentinamente, ache natural, normal e lícito, que um servidor público, no caso, funcionário da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lhe exija um percentual sobre restituição que, em princípio, teria direito. Observase das pesquisas efetuadas nos Sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o contribuinte, nos últimos sete anos, apresentou regularmente Declaração de Ajuste Anual, apurando restituição. Até onde se tem notícia, o contribuinte resgatou as restituições pleiteadas em suas declarações de rendimentos sem que lhe fosse cobrado qualquer percentual a ser pago a servidores da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Da mesma forma, também jamais se ouviu dizer na mídia que a RFB ao disponibilizar restituição de imposto de renda de contribuintes estivesse exigindo algum percentual sobre as mesmas. Ademais, mesmo que o contribuinte alegue que não autorizou expressamente que terceiros modificassem, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações constantes nos sistemas internos desse Órgão, resta claro nos autos que o contribuinte, objetivando conseguir receber "resíduo" de restituição, permitiu sim que terceiros tivessem acesso à sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2001 e dela fizessem uso, não importando em se cientificar quais os meios que seriam utilizados para conseguir tal intento e se, de fato, teria direito a receber restituição maior que aquela pleiteada em sua declaração de rendimentos originalmente apresentada. A conduta do contribuinte de permitir que terceiros tivessem acesso à sua declaração de rendimentos, como foi o caso, é ato de seu livre arbítrio, sendo relevante salientar que, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o contribuinte é o responsável pelo preenchimento da sua declaração, mesmo que entregue a outrem o encargo de fazêlo. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 9 9 Acrescentese que, embora o contribuinte afirme que comprovou todas as deduções pleiteadas em sua DAA original, temse que na verdade parte de tais deduções permaneceram não comprovadas durante o procedimento fiscal. Para melhor ilustrar a questão observese o quadro a seguir: Valores em Reais Exercício 2002 DAA original(fls.65/67) DAA retificadora(fls.29/31) Auto de Infração Rendimentos 53.124,15 53.124,15 53.124,15 Previdência Oficial 5.724,60 9.589,24 5.546,65 Previdência Privada 6.241,71 6.300,00 0,00 Dependentes 7.560,00 7.560,00 2.160,00 Despesas com instrução 7.000,00 7.000,00 0,00 Despesas médicas 7.417,41 8.574,00 0,00 Imposto devido 1.257,06 495,13 8.088,13 Imposto Retido na Fonte 7.742,34 7.742,34 7.742,34 Saldo de Imposto a Pagar 345,79 Saldo de Imposto a Restituir 6.485,28 7.247,21 Vêse, portanto, que já na DAA original, o contribuinte, no intuito de ser favorecido com o recebimento de restituição indevida de imposto de renda retido na fonte, adotou a conduta de inserir deduções sabidamente inexistentes, sendo certo que depois de receber a restituição pleiteada na DAA original, retificoua para alterar os valores das deduções e aumentar o valor da restituição indevida. Observese que no Auto de Infração está sendo cobrado do contribuinte imposto no valor de R$ 6.831,07, que corresponde ao somatório do saldo de imposto a pagar e do saldo de imposto a restituir apurado na DAA original. A conclusão que se impõe é que o contribuinte incorreu na conduta descrita no art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Logo, devese manter a qualificação da multa de ofício. Apreciada e mantida a qualificação da multa de ofício, retomase a apreciação da alegação de decadência suscitada pelo contribuinte. Conforme já mencionado, cuidase de lançamento de IRPF, exercício 2002, anocalendário 2001, e a norma do art. 173, I, do CTN manda contar o prazo decadencial do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tratandose do exercício 2002, temse que 01/01/2003 é o termo inicial do prazo decadencial, sendo 31/12/2007 o termo final. Como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 17/10/2007, fls. 34, não há que se falar, no presente caso, em decadência do direito de lançar crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2001. Por fim, devese apreciar a alegação do recorrente de que os juros de mora somente deveriam incidir a partir da data da entrega da DAA retificadora. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10315.001085/200738 Acórdão n.º 210201.918 S2C1T2 Fl. 10 10 Ora, conforme disposto no §3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, temse que os juros de mora são calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo. No caso do IRPF, temse a data de vencimento do imposto é aquela estabelecida para a entrega da DAA. Logo, a tese defendida pela defesa não pode prosperar, estando correto o cálculo dos juros de mora no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.722076/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE.
Auto de infração lavrado por autoridade competente e que contém a descrição dos fatos e fundamentos legais que levaram a sua lavratura não pode ser anulado.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. INFORMAÇÃO PRESTADA À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ESTADUAL.
Na falta de apresentação dos livros e documentos, após intimação regular, é legítimo o arbitramento do lucro a partir da receita informada pelo contribuinte à Administração Tributária Estadual ou Municipal.
LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. BASE DE CÁLCULO.
O lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será determinado por meio de procedimento de oficio, mediante a utilização dos mesmos percentuais aplicados ao lucro presumido acrescidos de vinte por cento.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição para o PIS, à contribuição Social sobre o Lucro Líquido e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1302-000.807
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Auto de infração lavrado por autoridade competente e que contém a descrição dos fatos e fundamentos legais que levaram a sua lavratura não pode ser anulado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INFORMAÇÃO PRESTADA À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ESTADUAL. Na falta de apresentação dos livros e documentos, após intimação regular, é legítimo o arbitramento do lucro a partir da receita informada pelo contribuinte à Administração Tributária Estadual ou Municipal. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será determinado por meio de procedimento de oficio, mediante a utilização dos mesmos percentuais aplicados ao lucro presumido acrescidos de vinte por cento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição para o PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário interposto em relação ao acórdão DRJ que manteve o lançamento tributário de IRPJ e reflecxos. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722076/201035 Acórdão n.º 130200.807 S1C3T2 Fl. 2 3 Os autos de infração foram lavrados para a cobrança do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 287.267,35 (duzentos e oitenta e sete mil e duzentos e sessenta e sete reais e trinta e cinco centavos), da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 84.301,50 (oitenta e quatro mil e trezentos e um reais e cinqüenta centavos), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 140.070,30 (cento e quarenta mil e setenta reais e trinta centavos) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS no valor de R$ 389.084,16 (trezentos e oitenta e nove mil e oitenta e quatro reais e dezesseis centavos) todos relativos ao ano calendário de 2007, além da multa de ofício agravada pela falta de atendimento de intimação e dos juros de mora calculados até 30/04/2010. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, o lançamento foi efetuado sob a seguinte alegação: arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte intimado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação Fiscal em anexo, deixou de apresentálos. No item 01 do lançamento consta como infração: Receita Operacional Omitida (Atividade não imobiliária) – Omissão de Receitas de revenda de mercadorias, conforme Termo de Verificação em anexo. Em decorrência dos mesmos pressupostos fáticos, foram lavrados os autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS O enquadramento legal está devidamente indicado nos respectivos autos de infração. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 36 a 42, em síntese, nos esclarece o seguinte: “Consultas aos sistemas internos da Receita Federal informam que a fiscalizada está cadastrada como empresário individual. Analisando suas declarações, verifica se que a contribuinte enviou DIPJ zerada para o anocalendário 2007, assim como não foi detectado o envio de DCTF para o mesmo ano. Ademais, pesquisas efetuadas nos sistemas que controlam os pagamentos de tributos federais informam que a fiscalizada não recolheu em 2007 quaisquer receitas provenientes de tributação sobre o lucro”; “Portanto, em 03/02/2010, mediante TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL, foi a Contribuinte intimada a apresentar, no prazo de 10 (DEZ) dias, a documentação comercial e fiscal referente ao ano fiscalizado. Em 11/02/2010, a Contribuinte apresentou apenas os seguintes documentos”: a) Livro Registro de Apuração de ICMS; b) Livro Registro de Saídas de Mercadorias; c) Livro Registro de Entradas de Mercadorias; d) Cópia do requerimento de empresário; e) Procuração”. “Analisando os Livros de Registro de Saídas, apurei que foram escrituradas vendas de mercadorias no valor total de R$ 13.076.429,88 (treze milhões, setenta e seis mil, quatrocentos e vinte e nove reais e oitenta e oito centavos). Como o livro de saídas não é um livro apropriado para atestar a contabilização das receitas da pessoa jurídica, também acessei as informações prestadas pela própria fiscalizada à Secretaria Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 da Fazenda do Estado da Bahia. As informações fornecidas pela SEFAZBÂ informam que as notas fiscais de saída em formato SINTEGRA atestam que a contribuinte auferiu em 2007 receitas de R$ 12.943.832,99 (doze milhões, novecentos e quarenta e três mil, oitocentos e trinta e dois reais e noventa e nove centavos)”; Em 17/03/2010, mediante TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 0001, foi a Contribuinte intimada a apresentar, em 05 (cinco) dias úteis, justificativas sobre as divergências encontradas entre a receita bruta declarada à Receita Federal e os valores escriturados no Livro de Registro de Saída, assim como os valores contábeis das Notas Fiscais fornecidas pela SEFAZBA. Foi posto que as justificativas apresentadas deveriam ser embasadas em livros e/ou documentos fiscais de forma que esclarecessem inequivocamente esta contradição. Não houve resposta ou quaisquer contatos da fiscalizada em relação à intimação supracitada. Em 07/04/2010, nova intimação foi lavrada com o mesmo teor. Novo prazo de 05 (cinco) dias úteis foi concedido para que a contribuinte justificasse as divergências encontradas em suas declarações. Mais uma vez a fiscalizada mantevese silente”; “Sem que a fiscalizada se pronunciasse sobre as divergências encontradas, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal n° 0003. Em 23/04/2010 a contribuinte foi informada de que como não foi identificada nos sistemas internos da Receita Federal a opção da tributação pelo lucro presumido, caracterizada pelo pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, de que não foi enviada DCTF para o ano fiscalizado, de que a DIPJ foi entregue zerada e que não há qualquer compensação ou parcelamento que indique que a contribuinte optou pela tributação com base no lucro presumido, o sistema de tributação utilizado neste caso seria o Lucro Real Trimestral”; “Ademais, foi concedido novo prazo de 05 (cinco) dias úteis para que a fiscalizada apresentasse o Livro Razão e o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Foi posto que caso a reintimação não fosse cumprida no prazo certo, o lucro da empresa seria arbitrado conforme determina o art. 530, do Decreto n° 3.000/99, tomandose como receitas conhecidas os valores declarados à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, para o ano calendário 2007. Mais uma vez a intimação não foi cumprida e a fiscalizada mantevese silente”; “Dada a não apresentação dos livros e documentos da escrituração contábil/fiscal do Contribuinte, considerando o silêncio da fiscalizada em relação às intimações retrocitadas e ante a impossibilidade de se apurar o Lucro Real, necessário se fez então o Arbitramento do Lucro, consoante determinação do artigo 530, incisos III do RIR/99”. O contribuinte foi cientificado via AR dos Correios em 18/05/2010 (fl. 104), e em 16/06/2010 protocoliza defesa, (fl. 109) apresentando, em síntese, as seguintes alegações: 1. “Inferese da notificação recebida pelo Requerente que a autuação fiscal restringese a informação de que a exação se consolidou por causa da não apresentação dos livros e documentos fiscais.Depreendese do exposto, a dificuldade do Contribuinte em exercer seu direito de defesa, haja vista que o Fisco não descreve de forma ampla e fundamentada os fatos que levaram a exação fiscal e não apresenta suporte fático e detalhado para análise e dos valores devidos, pelo contrário, limitase a descrever que o crédito foi constituído mediante arbitramento em que se considerou a revenda de mercadorias como base de apuração do imposto, deixando o contribuinte as cegas no que diz respeito à matéria e aos fatos concretamente analisados, que deram ensejo a consolidação do suposto crédito”; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722076/201035 Acórdão n.º 130200.807 S1C3T2 Fl. 3 5 2. “Notese que, além da referida notificação não indicar as razões da autuação, não demonstra a fundamentação legal em que se baseia para exigir o pagamento do tributo que imputa não recolhido pela Empresa/Autuada. Os dispositivos citados limitamse a estabelecer a forma de proceder quando do cálculo do imposto obtido sob a forma de arbitramento e as infrações a que está sujeito o contribuinte, caso não tenha recolhido o tributo na forma e prazos estabelecidos na legislação pertinente”; 3. “Assim é que, a ausência desses elementos impossibilita a ampla defesa do Requerente configurando nulidade da autuação ante a carência de fundamentação legal e fática, pressupostos indispensáveis para prática desse ato, o que implica, por conseqüência, o cerceamento de defesa”; 4. “Desse modo, argui o Contribuinte a nulidade do Auto de Infração n°. 10530722.076 201035 tendo em vista que carece de fundamentação legal e fática, além de não disponibilizar todos os elementos exigidos para possibilitar o pleno exercício, constitucionalmente garantido, do direito à ampla de defesa e ao contraditório, pois é pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que a falta de indicação dos dispositivos e da motivação pertinentes à matéria acarreta a nulidade da cobrança”; 5. “Impugna desde logo o Contribuinte a Relação de Bens elaborada pela Receita Federal na qual atribuí como sendo de sua propriedade os bens ali arrolados. É que alguns dos bens descritos não fazem parte do patrimônio da Empresa autuada (pessoa jurídica) e nem do patrimônio de Antônia Ribeiro Barreto (pessoa Física), sendo que em posterior manejo de medida cautelar fiscal, considerandose a remota hipótese de ser necessária, causará enorme embaraço, tanto para a Autuada quanto para a RFB, ao onerar bens de terceiros”; 6. “A análise e utilização das notas fiscais fornecidas pela empresa à SEFAZBA não é meio hábil para afastar a presunção de veracidade das informações prestadas pelo contribuinte a Receita Federal no que diz respeito a sua Receita Bruta e, conseqüentemente, o seu lucro arbitrado no ano calendário de 2007”; 7. “A autuação consubstanciada apenas na DMA fornecida ao fisco estadual não tem condições de embasar o presente Auto de Infração, haja vista que deixa de lado informações importantes que levariam a redução da base de cálculo utilizada. Tomese como exemplo a quantidade de vendas anuladas, as compensações existentes, o regime de substituição tributária do ICMS, e as notas fiscais canceladas após o envio das informações, na forma de DMA, a Secretaria da Fazenda estadual”; 8. “Destarte, impugna o Contribuinte o presente Auto de Infração por está embasado em cálculos decorrentes de informações fornecidas ao Fisco Estadual, aplicando a presunção de omissão do IRPJ, que não guardam as devidas proporções com as informações necessárias para apuração do imposto, fato que impinge de nulidade a autuação, diante de seu caráter vago e insubsistente”; 9. “Assim, conquanto estabeleça os arts. 529 e ss. do RIR/99 as hipóteses de tributação com base no lucro arbitrado, restringem essa forma de apuração do IRPJ à hipóteses remotas e excepcionalíssimas, quais sejam: a) o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; b) a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para aferição do lucro real da empresa”; 10. “Vêse que nenhuma dessas hipóteses ocorrem no presente caso, haja vista que a Empresa/Autuada mantém em seu estabelecimento as escriturações e livros comerciais a que está obrigada legalmente, além disso as informações prestadas obedecem a clareza e a concisão normalmente exigidas pelo Fisco, estando, portanto, presentes os elementos necessários para apuração do imposto devido à título de IRPJ, e conseqüentemente, as contribuições especiais PIS, COFINS e CSLL, de outras formas que não o arbitramento”. A DRJ decidiu conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALORES OBTIDOS JUNTO AO FISCAL ESTADUAL. LEGALIDADE. À vista do disposto no art. 199 do CTN, que prevê a assistência mútua e a permuta de informações entre os Fiscos das entidades federativas, as informações obtidas pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal junto à Fazenda Estadual, mediante convênio entre os dois órgãos, têm força probatória e servem como meio legal a viabilizar o lançamento de tributos federais. ARROLAMENTO DE BENS. COMPETÊNCIA. DRJ. O exame de questões relacionadas ao arrolamento de bens não está nos limites de competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. INFORMAÇÃO PRESTADA À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ESTADUAL. Na falta de apresentação dos livros e documentos, após intimação regular, é legítimo o arbitramento do lucro a partir da receita informada pelo contribuinte à Administração Tributária Estadual ou Municipal. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado, quando conhecida a receita bruta, será determinado por meio de procedimento de oficio, mediante a utilização dos mesmos percentuais aplicados ao lucro presumido acrescidos de vinte por cento. Contribuição para o PIS Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722076/201035 Acórdão n.º 130200.807 S1C3T2 Fl. 4 7 Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição para o PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito. Ciente do acórdão em 07/12/2010, apresentou recurso voluntário em 06/01/2011. Preliminarmente alega nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, pois o fisco não teria descrito de forma ampla e fundamentada os fatos que levaram a exação fiscal; Que haveria irregularidades no termo de arrolamento; No mérito aduz que não seria possível aferir o valor devido com base nas informações fornecidas pela SEFAZBA Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 Não vejo qualquer fundamento à alegação de nulidade argüida pela recorrente. O lançamento foi realizado por autoridade competente e a descrição dos fatos e fundamento legal estão detalhados no auto de infração e termo de verificação fiscal, permitindo a perfeita compreensão dos fatos que foram atribuídos ao contribuinte e que motivaram o lançamento. Consta do termo de verificação fiscal: “Consultas aos sistemas internos da Receita Federal informam que a fiscalizada está cadastrada como empresário individual. Analisando suas declarações, verificase que a contribuinte enviou DIPJ zerada para o anocalendário 2007, assim como não foi detectado o envio de DCTF para o mesmo ano. Ademais, pesquisas efetuadas nos sistemas que controlam os pagamentos de tributos federais informam que a fiscalizada não recolheu em 2007 quaisquer receitas provenientes de tributação sobre o lucro”; “Analisando os Livros de Registro de Saídas, apurei que foram escrituradas vendas de mercadorias no valor total de R$ 13.076.429,88 (treze milhões, setenta e seis mil, quatrocentos e vinte e nove reais e oitenta e oito centavos). Como o livro de saídas não é um livro apropriado para atestar a contabilização das receitas da pessoa jurídica, também acessei as informações prestadas pela própria fiscalizada à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. As informações fornecidas pela SEFAZBÂ informam que as notas fiscais de saída em formato SINTEGRA atestam que a contribuinte auferiu em 2007 receitas de R$ 12.943.832,99 (doze milhões, novecentos e quarenta e três mil, oitocentos e trinta e dois reais e noventa e nove centavos)”; Os trechos do termo de verificação acima transcritos não deixam dúvida sobre os fatos atribuídos à recorrente, não tendo fundamento a alegação de falta de motivação do lançamento que teria dificultado a defesa. Afasto, portanto, a alegada nulidade. Quanto ao mérito, não assiste melhor sorte à recorrente. Embora tenha registro de vendas de mercadorias n valor total de R$ 13.07.429,88 e tenha declarado à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia receita de R$ 12.943.832,99, a recorrente nada declarou e pagou à Receita Federal no ano de 2007, ano objeto do lançamento discutido nestes autos. Não há irregularidade na utilização dos dados fornecidos pela Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia sobre a movimentação da recorrente, tendo em vista que o fornecimento dos dados se deu em atendimento aos termos de convênio existente entre os entes tributantes. A recorrente não questionou os valores utilizados em sede de impugnação, conforme relatado pelo acórdão DRJ: Os números apurados pela fiscalização, cujo resumo foi consolidado no Termo de Verificação Fiscal, não foram contestados pelo contribuinte, pelo que considero matéria não impugnada. Limitase a defesa, a matérias de ordem Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722076/201035 Acórdão n.º 130200.807 S1C3T2 Fl. 5 9 constitucional bem como a matérias vinculadas à legalidade da utilização de dados fiscais fornecidos mediante convênio com a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, cujo mérito será a seguir analisado. Em sede de recurso, a recorrente faz afirmações genéricas em relação à utilização dos valores constantes das informações prestadas à Secretaria da Fazenda e repassadas à Receita Federal. Caberia à recorrente, se fosse possível fazêlo somente em sede de recurso, demonstrar quais foram as vendas anuladas, compensações, substituição tributária, cancelamento de nota fiscal, devolução de mercadoria) e não simplesmente fazer alegações genéricas sem trazer aos autos sequer uma demonstração do que afirma. E não se pode dizer que a recorrente não teve a oportunidade de contestar os valores utilizados como receita bruta. Reproduzo trecho do termo de verificação fiscal: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 Não vejo, portanto, qualquer reparo a fazer quanto à utilização das receitas declaradas ao fisco estadual como receita bruta de vendas. Também não há reparo a fazer ao arbitramento da base de cálculo dos tributos lançados. Quanto ao arbitramento, afirma a autoridade lançadora: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722076/201035 Acórdão n.º 130200.807 S1C3T2 Fl. 6 11 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 Como expus acima, não há reparo a fazer ao procedimento da fiscalização ao apurar a base e o percentual aplicado para o arbitramento, assim como a motivação para esta forma de apuração da base de cálculo. A recorrente não questionou a aplicação das multas, sendo, portanto, matéria incontroversa. Diante de todo o exposto, voto no sentido de afastar as nulidades argüidas e no mérito negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 11020.000965/2005-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS E
LUBRIFICANTES.
Créditos de PIS não reconhecidos, posto que o contribuinte, intimado, reconhece que parcela dos combustíveis e lubrificantes seria utilizada fora do processo produtivo, mas não faz a segregação solicitada.
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E FERRAMENTAS.
Créditos de PIS não reconhecidos, considerando que foram apontadas diversas irregularidades, inclusive sobre os documentos fiscais que lhes dariam suporte, mas o contribuinte, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, trouxe elementos que pudessem afastar as indigitadas irregularidades.
PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INDÚSTRIA MADEIREIRA. SERVIÇOS DE ROÇADA, PLANTIO E EXTRAÇÃO DE TORAS.
Geram direito a crédito do PIS nãocumulativo as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na produção da empresa, no caso, serviços de roçada, plantio e extração de toras, por se tratarem de serviços utilizados em etapas da produção da indústria da madeira.
Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 3301-001.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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TIMBER EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Créditos de PIS não reconhecidos, posto que o contribuinte, intimado, reconhece que parcela dos combustíveis e lubrificantes seria utilizada fora do processo produtivo, mas não faz a segregação solicitada. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E FERRAMENTAS. Créditos de PIS não reconhecidos, considerando que foram apontadas diversas irregularidades, inclusive sobre os documentos fiscais que lhes dariam suporte, mas o contribuinte, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, trouxe elementos que pudessem afastar as indigitadas irregularidades. PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INDÚSTRIA MADEIREIRA. SERVIÇOS DE ROÇADA, PLANTIO E EXTRAÇÃO DE TORAS. Geram direito a crédito do PIS nãocumulativo as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na produção da empresa, no caso, serviços de roçada, plantio e extração de toras, por se tratarem de serviços utilizados em etapas da produção da indústria da madeira. Recurso voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 07/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório O Contribuinte ELIEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA (sucessora, por cisão, de J.N. TIMBER EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA.), devidamente qualificado nos autos, recorre a este Conselho contra o acórdão nº 1029.684, de 27 de janeiro de 2011, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS, fls. 120 e seguintes, que decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, decorrente do aproveitamento de créditos do PIS não cumulativo, relativo ao mês de outubro de 2004, conforme relatório ao qual me reporto: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), relativo ao saldo credor de PIS/PASEP não cumulativo, visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes à aquisição de partes, peças, combustíveis e despesas diversas, que foram glosadas em face da impossibilidade de sua caracterização como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS. O contribuinte também defende a legitimidade de créditos sobre serviços que a fiscalização apontou como não utilizados no processo produtivo. Contesta, ainda, as glosas de créditos calculados indevidamente sobre fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e de créditos sobre aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.000965/200501 Acórdão n.º 330101.290 S3C3T1 Fl. 189 3 A DRJ decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2004 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da COFINS e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Não se conformando com a Decisão, o Contribuinte apresentou recurso voluntário pedindo a reforma do Acórdão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Luiz Nogueira O Recurso de fls. 128 e seguintes é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecido. Transcrevo, primeiramente, os fundamentos que levaram a decisão recorrida a concluir pela improcedência da manifestação de inconformidade, para melhor compreensão: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), relativo ao saldo credor de PIS/PASEP não cumulativo, visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes à aquisição de partes, peças, combustíveis e despesas diversas, que foram glosadas em face da impossibilidade de sua caracterização como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS. O contribuinte também defende a legitimidade de créditos sobre serviços que a fiscalização apontou como não utilizados no processo produtivo. Contesta, ainda, as glosas de créditos calculados indevidamente sobre fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e de créditos sobre aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Entendo que foram corretas as glosas dos pretendidos créditos relativos a valores referentes à despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS, dado que há vedação legal para o seu creditamento dentro desta sistemática de apuração, a partir das abaixo citadas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e posteriores que regem a matéria. A possibilidade de descontar créditos da contribuição devida ao PIS/PASEP encontrase prevista no art. 3o da Lei 10.637, de 30/12/2002, tendo sofrido diversas alterações posteriores ... (..) Relativamente à COFINS e ao PIS, conforme os artigos 3o e 15, II, da Lei 10.833... assim dispõem: (..) No que diz respeito à contribuição para o PIS/PASEP, a questão encontrase regulada na IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, com alterações da IN SRF nº 358, de 9 de setembro de 2003, nos seguintes termos ... Esse, portanto, é o conceito que deve ser utilizado para caracterizar quais dos gastos relacionados pela consulente poderão ser objeto de créditos para desconto das contribuições já aludidas. conforme se verifica, nem todo custo, despesa ou encargo que concorra para a obtenção do faturamento mensal, base de cálculo da contribuição ... poderá ser considerado crédito a deduzir, pois a admissibilidade de aproveitamento de créditos há de estar apoiada, indubitavelmente, nos custos, despesas e encargos expressamente classificados nos incisos do art. 3o da Lei 10.637/2002 ou da Lei nº 10.833²2003, acima transcritos. Examinandose os referidos dispositivos legais, concluise que todas as despesas glosadas no procedimento fiscal não podem ser caracterizados como gastos com insumos aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. Quanto aos valores referentes às notas de prestações de serviços que foram glosados, devese observar que o interessado limitou se a tecer alegações e juntar elementos quanto à legitimidade das mesmas, contudo não logrou demonstrar que teria havido efetivamente a incidência de PIS e COFINS sobre tais valores. Destaquese que os diversos comprovantes juntados ao processo revelam que na verdade se tratariam de notas relativas á contratação de mãodeobra para diversas finalidades, sem uma indicação precisa do serviço prestado, o que impossibilita a sua caracterização como insumo utilizado na produção e a verificação da efetiva prestação do serviço. O relatório fiscal também aponta várias incongruências nas notas fiscais, com o intuito de demonstrar que o preenchimento destas notas não retrata de forma clara a natureza dos serviços prestados. Assim, devem permanecer válidas as referidas glosas uma vez que não Fl. 192DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.000965/200501 Acórdão n.º 330101.290 S3C3T1 Fl. 190 5 foram contrapostos todos os motivos mencionados no relatório fiscal. Cabe também ressaltar, que o relatório fiscal menciona a glosa de créditos sobre aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero, no caso, defensivos agrícolas. O interessado contesta esta glosa apresentando o mesmo argumento de que se tratariam de insumos para a sua produção, sem contrapor o motivo principal da glosa, qual seja, a incidência de alíquota zero na aquisição, o que não dá direito a crédito. Desta forma, novamente devem permanecer válidas as referidas glosas uma vez que não foi contraposto o fundamento indicado no relatório fiscal. No que se refere à glosa de créditos calculados sobre fretes de transferências entre os diversos estabelecimentos do contribuinte, fica evidente que se tratam de fretes não vinculados a operações de venda. A própria empresa confirma em sua manifestação que calculou créditos sobre fretes entre seus próprios estabelecimentos. Como já foi visto, nem todo o custo de produção pode ser utilizado para cálculo de créditos da contribuição, apenas os valores expressamente previstos nos incisos do artigo 3o da Lei nº 10.637/2002 ou da Lei nº 10.833/2003, acima transcritos, geram direito a crédito. Parece claro também que não estamos diante da hipótese prevista no inciso IX do art. 3o, o qual prevê o cálculo de créditos sobre valores de fretes nas operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. ... Por todo o exposto, podese verificar que se tratam de dispositivos de leis em vigor, regularmente aprovadas pelo Poder Legislativo, competindo exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre sua constitucionalidade, não podendo ser afastada sua aplicação no julgamento administrativo. Além disso, por força do disposto no art. 7o da Portaria do Ministério da Fazenda nº 58, de 17/03/2006, os entendimentos da SRF expressos em atos normativos devem ser obrigatoriamente observados pelos integrantes das turmas de julgamento das DRJ. Devese, ainda, registrar que o interessado não contestou expressamente a glosa dos créditos apurados indevidamente sobre receitas que não podem ser consideradas de exportação e sobre receitas de exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, conforme narrado no item 3.5 do relatório fiscal, vide fls. 31v a 33v, fato que torna definitiva a discussão desta matéria na esfera administrativa. Por oportuno, cabe citar o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que assim estabelece: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Reproduzo a seguir trechos do recurso voluntário por delimitarem a controvérsia dos autos e esclarecerem o processo produtivo da empresa (destaques acrescidos): 1) Quanto a alegada apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis e despesas diversas: 1.1) O indeferimento feito relativo ao combustível e lubrificante não pode prevalecer, pois ao contrário do afirmado em despacho decisório, eles são utilizados no processo produtivo. Atendendo intimação da fiscalização, em 13 de outubro de 2008, conforme documento que consta no presente processo, o contribuinte informou o destino do combustível por ela consumido e informou quais as máquinas, ferramentas e veículos que utilizavam os combustíveis e o seu papel no processo produtivo da empresa. Entretanto, suas razões foram ignoradas pela fiscalização, o que espera seja modificado, uma vez que efetivamente todas as máquinas cortantes da recorrente utilizam lubrificantes e óleo diesel para sua lubrificação e limpeza para evitar acúmulo de resinas. Vejamos a utilidade de cada uma delas: 1) Serrasfita: para seu funcionamento é necessário estar lubrificado e limpa, o que é feito com a utilização de lubrificantes e óleo diesel. Para cortar, utiliza óleo diesel e seu papel no processo produtivo da empresa é o corte de toras; 2) Motoserra: para seu funcionamento é necessário o uso de gasolina e para lubrificação da corrente cortante e limpeza são utilizados lubrificantes e óleo diesel, seu papel no processo produtivo da empresa é para despotar e desgalhar árvores; 3) Destopadeira: para seu funcionamento é necessário que esteja lubrificada e limpa, o que é feito com a utilização de lubrificantes e óleo diesel e seu papel no processo produtivo da empresa é o corte de madeira 4) Plaina: para seu funcionamento é necessário que esteja lubrificado e limpa, o que é feito com a utilização de lubrificantes e óleo diesel. Na plaina é feito uso constante de óleo diesel para que a madeira faça a passagem pela máquina, pois do contrário o resíduo da madeira adere à maquina e emperra a passagem da madeira. Seu papel no processo produtivo da empresa e aplainar (alisar/igualar) as superfícies da madeira; 5) trator de esteira Caterpila: para seu funcionamento é necessário o uso de óleo diesel e seu papel no processo produtivo da empresa é refazer estradas, abrir estradas, facilitar a extração; 6) todos os tratores agrícolas para seu funcionamento utilizam óleo diesel, seu papel no processo produtivo da empresa: são utilizados no mato para colheita da floresta; 7) Empilhadeiras: para seu funcionamento utilizam óleo diesel, seu papel no processo produtivo da empresa é empilhar toras e madeiras; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.000965/200501 Acórdão n.º 330101.290 S3C3T1 Fl. 191 7 8) Camionete Chevrolet: Utiliza óleo diesel para seu funcionamento, serve para transportar ferramentas no mato, compras de insumos, etc; 9) Ônibus: utiliza óleo diesel para seu funcionamento. É utilizado para o transporte de funcionários. 10) todos os demais veículos que estão no imobilizado da empresa utilizam gasolina para seu funcionamento e servem para deslocamento dos diretores ou funcionários em serviço. Vejase que todos os itens informados pela contribuinte, tanto na fiscalização como no julgamento foi ignorado completamente que o combustível e lubrificante são utilizados no processo produtivo, tendo glosado todo o crédito deles decorrentes.O combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo. Assim, não poderia ser procedida a glosa do crédito relativa aos valores de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela recorrente, pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo. 1.2) Quanto à alegada apuração indevida de créditos sobre partes, peças e despesas diversas. Ao contrário do entendimento manifestado pelo fisco e mantido pela decisão recorrida, os itens relativos ás partes e peças para manutenção de máquinas são considerados insumos para fins de apuração do crédito de PIS/COFINS. As instruções Normativas citadas e que embasaram a decisão proferida são manifestamente ilegais, uma vez que comportam restrições não previstas na lei. A lei que instituiu o crédito permite descontar créditos de PIS e COFINS com relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Questiona, ainda, a aplicação da legislação do IPI aos insumos, para fins de PIS e COFINS e, por fim, a glosa sobre serviços, que seriam sim utilizados no seu processo produtivo e as notas fiscais de serviços trariam a descrição dos serviços, quais seja, roçadas no plantio de “pinus elliottis”, extração de suas toras e seu plantio, além de roçadas de campo.. Esclareço, de início, que a glosa de créditos sobre fretes de transferências entre os diversos estabelecimentos do contribuinte e a glosa de créditos sobre aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero (defensivos agrícolas) não foram objeto de recurso voluntário, e, por esse motivo, não serão analisados. Em relação aos combustíveis e lubrificantes e partes e peças de máquinas e ferramentas, não obstante tenha um entendimento favorável à legitimidade desses créditos, há um aspecto prejudicial ao pedido do Recorrente. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 É que, conforme esclareceu o Relatório de Verificação Fiscal (fls. 27 e ss.), o contribuinte foi intimado a informar a segregação dos combustíveis e lubrificantes em seu processo produtivo. Sua resposta, além de não detalhar o montante utilizado na produção, confirmou que parte do combustível era utilizado para compras diversas, transporte de funcionários e deslocamento de diretores. Assim, seja porque o próprio Recorrente reconhece a utilização fora do processo produtivo, seja porque, intimado, não fez a segregação da parcela utilizada na produção, não há como reconhecer o crédito pretendido. Quanto às partes e peças para manutenção de máquinas e ferramentas temse que a glosa foi determinada pelo Relatório Fiscal sob as justificativas seguintes: (1) deveriam exercer ação direta sob o produto sendo fabricado; (2) várias aquisições teriam sido destinadas a terceiros; e (3) por irregularidades dos documentos apresentados (grafia ilegível, nota fiscal de venda ao consumidor sem a identificação do adquirente, aquisições de pessoas físicas, aquisições destinadas ao ativo imobilizado, etc.). Abstraindo a questão da ação direta sob o produto em fabricação, que não considero relevante, fato é que, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, o contribuinte tentou afastar as indigitadas irregularidades. Deste modo, entendo que também aqui deve ser mantida a decisão recorrida. Por último, deve ser analisado o pedido de créditos sobre serviços. Ressalto que as notas fiscais que constam nos autos, ao contrário do afirmado pela decisão recorrida, trazem a descrição dos serviços, quais sejam, roçadas no plantio de “pinus elliottis”, extração de suas toras e seu plantio. Tais serviços, constantes dos documentos fiscais carreados aos autos e relativamente ao período de apuração deste processo, devem ter o crédito da contribuição assegurado, por força das Leis 10.637/02 e 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Isso porque, não obstante o silêncio quanto à abrangência do termo insumo, a parte final do Parágrafo 7o do artigo 3o das Leis 10.637 e 10.833 traz a idéia de vinculação entre as receitas e despesas (destaques acrescidos): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.000965/200501 Acórdão n.º 330101.290 S3C3T1 Fl. 192 9 apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Portanto, custos, despesas e encargos vinculados às atividades da empresa. Acredito que, se por um lado são admitidas todas as receitas (com algumas poucas exceções), o mais correto seria, na contrapartida, admitiremse todas as despesas vinculadas a essas receitas tributáveis. Essa seria a nãocumulatividade ideal. Entretanto, não me parece ter sido esse o espírito que norteou a introdução das novas contribuições, sob o regime da nãocumulatividade e sim a alegada “neutralidade” sob o ponto de vista da arrecadação (em relação ao sistema anterior). Cito, como exemplo, o Projeto de Lei de Conversão no 31, de 2002, da (MP no 66/02, que primeiro dispôs sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS), quando pretendeu acrescentar os serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da pessoa jurídica, no inciso III, do artigo 3o, “verbis”: III energia elétrica e serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da pessoa jurídica; A redação original da Medida Provisória nº 66, de 2002, admitia a utilização de crédito apenas em relação à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa, tendo sido acrescidos, por meio do PLV, os serviços de telecomunicações. O dispositivo acabou vetado pelo Poder Executivo, restando, pois, excluídos os custos com serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da empresa. Portanto, entendo que seriam todos os custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência nãocumulativa das contribuições, exceto aquelas expressamente excluídas pela lei específica ou retiradas por veto, como as mencionadas despesas com serviços de telecomunicações consumidos nos estabelecimentos da empresa. Voltando ao caso dos autos, a questão é disciplinada justamente pelo Inciso II, do artigo 3o, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no sentido de que todos os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda conferem o direito ao crédito. Ou seja, todos os bens e serviços utilizados na produção, salvo exceções expressas na lei (como no caso da mãodeobra paga a pessoa física, por exemplo). Não cabe, com o respeito a opiniões em contrário, incluir no texto do artigo 3o das Leis que instituíram o regime da nãocumulatividade das contribuições, a expressão “diretamente”. Ao intérprete da lei não cabe incluir palavras que não estão no seu texto; a ele cabe interpretar, descobrir o seu sentido. E isso de forma restritiva, limitandose à disposição legal Reconhecendo o conceito de insumo como os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços, cabe transcrever trecho da minuta de voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres (acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Processo nº 11065.101271/200647), transcrevendo trecho do voto Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, Processo n° 13974.000199/20036 (destaques acrescidos): A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.000965/200501 Acórdão n.º 330101.290 S3C3T1 Fl. 193 11 bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no país, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima.” Isto posto, dou provimento parcial ao recurso, nos termos já expostos, para admitir os créditos de PIS decorrentes dos serviços contratados para roçadas no plantio de pinus elliottis, extração de suas toras e seu plantio, constantes dos documentos fiscais carreados aos autos, relativo ao período de apuração deste processo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábio Luiz Nogueira Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10882.002055/2004-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 11/08/1999 a 08/09/1999
CPMF. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
Nos casos em que não ocorreu o pagamento (ao menos parcial) de tributo aplica-se a regra do Inciso I, do artigo 173, do Código Tributário Nacional, contando-se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência dos fatos geradores.
Preliminar de decadência afastada.
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 11/08/1999 a 08/09/1999
CPMF. PRINCIPAL. ALEGAÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE DE RETENÇÃO RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Alegado pelo contribuinte o recolhimento do tributo objeto do lançamento deve assumir o ônus de comprovar sua alegação.
CPMF. MULTA E JUROS DE MORA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 1.
Contribuinte que é parte em ação judicial, onde questiona a cobrança de multa e juros de mora relativos à CPMF, não recolhida durante o período em que vigorou decisão judicial afastando a cobrança. Mesmo objeto do lançamento. Impossibilidade de exame na instância administrativa, a teor do Enunciado da Súmula CARF nº 1, pois “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”
Não conhecido o recurso quanto à matéria discutida na esfera judicial e negado provimento ao restante do recurso voluntário
Numero da decisão: 3301-001.264
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto à matéria discutida na esfera judicial e negar provimento ao restante do recurso voluntário, nos termos do
voto do Relator.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: FABIO LUIZ NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/08/1999 a 08/09/1999 CPMF. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA Nos casos em que não ocorreu o pagamento (ao menos parcial) de tributo aplicase a regra do Inciso I, do artigo 173, do Código Tributário Nacional, contandose o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência dos fatos geradores. Preliminar de decadência afastada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 11/08/1999 a 08/09/1999 CPMF. PRINCIPAL. ALEGAÇÃO FEITA PELO CONTRIBUINTE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Alegado pelo contribuinte o recolhimento do tributo objeto do lançamento deve assumir o ônus de comprovar sua alegação. CPMF. MULTA E JUROS DE MORA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 1. Contribuinte que é parte em ação judicial, onde questiona a cobrança de multa e juros de mora relativos à CPMF, não recolhida durante o período em que vigorou decisão judicial afastando a cobrança. Mesmo objeto do lançamento. Impossibilidade de exame na instância administrativa, a teor do Enunciado da Súmula CARF nº 1, pois “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Não conhecido o recurso quanto à matéria discutida na esfera judicial e negado provimento ao restante do recurso voluntário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto à matéria discutida na esfera judicial e negar provimento ao restante do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório FLYTOUR AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO LTDA.., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 116 e seguintes) contra o acórdão nº 0518.564, de 27 de julho de 2007, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (fls. 103 e seguintes), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o auto de infração, em virtude de não recolhimento de CPMF, que não foi retida e recolhida na época própria por força de decisão judicial posteriormente revogada, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira — CPMF, fls. 07/12, que constituiu o crédito tributário total de R$ ..., somados o principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/08/2004. No corpo do auto de infração, a autoridade fiscal contextualiza da seguinte forma o lançamento: Valor apurado com base em relatório apresentado pelos agentes financeiros, em cumprimento ao disposto no inciso IV do artigo 45 da MP 211330/01, relativos a valores que deixaram de ser retidos e recolhidos por força de medida judicial, posteriormente revogada. Intimado a prestar os devidos esclarecimentos e apresentar documentos que amparem a falta de recolhimento, o contribuinte não se manifestou, ficando sujeito ao lançamento para exigência do crédito tributário correspondente. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.002055/200461 Acórdão n.º 330101.264 S3C3T1 Fl. 127 3 Cientificado do lançamento em 29/09/2004, o sujeito passivo apresentou impugnação em 29/10/2004, fls. 17/21, alegando, em síntese: 3.1. Devemos frisar que ela somente soube de que a CPMF não estava sendo recolhida, quando recebeu informações das instituições financeiras comunicando o recolhimento do tributo, inclusive com a cobrança de multa e de juros moratórios. 3.2. Em outras palavras, mesmo sem qualquer possibilidade de escolha sobre sua inclusão na referida Ordem Judicial, a Impugnante estaria (está) sendo punida com a cobrança do principal, da multa e dos juros moratórios (!). 4. Em virtude desse contexto, a Impugnante ingressou com Mandado de Segurança (.) processo n° 2000.61.00.0431012 — em litisconsórcio ativo com outras empresas (Mandado de Segurança) (doc. 4). 4.1 O objeto do Mandado de Segurança é o pedido de exclusão, entre os dias 13.8.1999 a 17.8.1999, da aplicação de multa e juros incidentes sobre o nãorecolhimento de CPMF decorrente da Ordem Judicial. 4.2. Em decisão liminar (doc. 5), foi deferida a segurança para suspender a cobrança tanto de juros moratórios, quanto da multa. 4.3. No julgamento dele, a Impugnante foi desobrigada da multa sobre o suposto montante devido. Quanto aos juros, seu pedido foi julgado improcedente (doc. 6). 44. Com a procedência parcial do Mandado de Segurança, foram interpostos Recursos de Apelação por ambas as partes, que aguardam julgamento (docs. 7/11). 5. Por todo o exposto, a Impugnante entende que o Auto de Infração deverá ser suspenso até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança e, ao final, ser julgado insubsistente a cobrança do principal, multa e juros moratórios, pelos motivos que passará a expor. 6. Conforme comprovado, o Mandado de Segurança permanece aguardando julgamento perante o Tribunal Regional Federal da 3° Região (doc. 11). 7. Lembrese que o período de incidência da CPMF identificase com aqueles inseridos nos objetos do Mandado de Segurança e do Auto de Infração, o que torna fundamental o julgamento deste somente após o trânsito em julgado daquele. 8. À luz do artigo 5°, inciso XXXV, da Constituição Federal, não se admite outra interpretação, na medida em que a eficácia da incidência tributária do Auto de Infração depende diretamente da decisão definitiva do Mandado de Segurança. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 9. Pelas razões expostas, deverá ser suspenso o Auto de Infração e, em conseqüência, suspensa a exigibilidade do Crédito nele formalizado, até que sobrevenha o trânsito em julgado do Mandado de Segurança. 10. Como se percebe nos autos, o Auto de Infração foi lavrado para a cobrança de CPMF, envolvendo o principal, multa e juros moratórios referente ao período de 11.8.1999 a 15.9.1999. 11. De outra parte, restou demonstrado que a ordem concedida no Mandado de Segurança restringiuse, exclusivamente, (i) a 13.8.1999 a 17.8.1999 e (ii) objetivou suspensão da cobrança de juros e da multa, em nada se referindo ao principal. 12. Dessa forma, não há como negar que de fato o principal devido a titulo de CPMF foi retido e pago pelas instituições financeiras oportunamente, na medida em que não se beneficiou de decisão judicial para esse fim. 13. Dessa forma, a Impugnante entende que a cobrança do principal feita no Auto de Infração não é devida, em virtude de seu pagamento. ... 15. Sem prejuízo do quanto exposto, é importante destacar o abuso da cobrança de juros de mora configurada no Auto de Infração. Por isso, a Impugnante entende que o valor da autuação deverá ser reduzido para que se excluam os juros. 16. Devese observar que Impugnante em momento algum contribuiu para que a CPMF deixasse de ser recolhida pelas instituições financeiras durante o período de apuração. 16.1 Por um simples motivo: o nãorecolhimento da CPMF no período indicado no Auto de Infração decorreu, exclusivamente, da eficácia da Ordem Judicial para a qual não concorreu. 17. Assim, por seu caráter ilegal, o Auto de Infração deverá ser julgado insubsistente no tocante à cobrança de juros, visto que a Impugnante nunca esteve em mora durante o período em que se realizaram os fatos imponíveis. 18. Ainda que se considere como correta a cobrança do principal e dos juros de mora (...), o valor da autuação deverá ser reduzido para que se exclua o valor total da multa de oficio. 19. Como bem fundamentado na Sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança (doc. 6), não se pode admitir a cobrança de multa porque esta pressupõe nítido caráter punitivo pelo descumprimento de uma obrigação por ato voluntário do próprio devedor. 20. E como exaustivamente destacado, não existiu ato voluntário da Impugnante que concorresse para o nãorecolhimento da CPMF na época indicada no Auto de Infração. A DRJ considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, consoante a seguinte Ementa: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.002055/200461 Acórdão n.º 330101.264 S3C3T1 Fl. 128 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 11/08/1999 a 08/09/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o inicio da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem As administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. LANÇAMENTO DE OFICIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a exigência de oficio do tributo não recolhido. Lançamento Procedente Extraise do v. Acórdão ainda o seguinte trecho: Por força da ação judicial promovida pela contribuinte para questionar a imposição da multa e a fluência dos juros de mora, o exame do mérito do lançamento se bifurca levando em conta a existência ou não de discussão judicial a respeito. No que tange ao tributo, embora a impugnação peça a sua improcedência, o faz de forma genérica e sem opor argumentos ou provas quanto à existência dos fatos geradores. A impugnante, a esse respeito, limitase a argumentar no sentido de que teria havido a retenção e recolhimento da contribuição não retida tempestivamente por conta de mandamento judicial. No entanto, os argumentos da defesa não foram acompanhados dos documentos capazes de dar sustentação à sua tese, ou seja, não há nos autos prova de que as instituições financeiras tenham feito a retenção da contribuição devida em sua contacorrente. Por outro lado, a exigência fiscal está escorada nas declarações prestadas por aquelas instituições em que a autuada realizou movimentações financeiras tributadas, conforme documento de fl. 03. Na forma como posta, a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de "ônus probandi" não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. ... Neste ponto, é oportuno fixar que, no desenvolvimento da relação processual, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a fato constitutivo do seu direito. No caso, a ocorrência da falta de recolhimento foi apurada pela fiscalização a partir das declarações prestadas pelas instituições financeiras em que a contribuinte mantinha contascorrentes. Fundada assim a pretensão da Fazenda Pública, cabe ao sujeito passivo apresentar os fatos que pudessem impedir, modificar ou extinguir o direito reclamado pelo sujeito ativo. Essa relação processual foi resumida de forma exemplar pela ementa do Acórdão 10807508, proferido pelo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, transcrita a seguir: PAF ÔNUS DA PROVA — cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Como visto, no caso, os argumentos da defesa não encontram respaldo em documentação hábil a demonstrar a retenção que alega. Sendo assim, não há reparos a fazer na exigência do tributo inadimplido. Conforme relatado, o sujeito passivo levou à esfera judicial a discussão acerca da incidência da multa de oficio e dos juros de mora sobre o crédito lançado de oficio. Sendo assim, há que se aplicar ao caso em apreço as disposições do ADN n° 03 de 14/02/96 (DOU 15/02/96), no sentido de que "a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto". ... Assim, esta instância administrativa não se manifestará a respeito do lançamento da multa e da fluência dos juros de mora sobre o tributo lançado de oficio. Por fim, no que toca à suspensão da exigibilidade do crédito constituído de ofício, o principal encontrase suspenso por conta do próprio recurso administrativo hora sob apreciação. Quanto â multa e os juros, estando entregues à apreciação judicial, encontramse na dependência do resultado da demanda. No entanto, se a pretensão da impugnante for sobrestar a tramitação do presente processo até que aconteça o julgamento Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.002055/200461 Acórdão n.º 330101.264 S3C3T1 Fl. 129 7 definitivo na esfera judicial, tal intuito não pode ser acatado. No ordenamento preconizado pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, não existe determinação para que este, nas circunstâncias do presente caso, tenha o seu trâmite suspenso, no aguardo de decisão definitiva de outro processo em andamento. 0 processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não podendo a autoridade executiva sobrestar o julgamento na inexistência de impeditivo legal. Não se conformando com a decisão, o contribuinte protocolizou em março/09 recurso voluntário, insurgindose contra a exigência, conforme transcrição a seguir: II — PRELIMINARMENTE — DECADÊNCIA A manifestação..trazida aos autos em 26/01/2009 comprova.que o lançamento de oficio que deu origem ao processo em questão não poderia. ter se consumado, tendo em vista. o transcurso do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4, do Código Tributário:Nacional. Vejamos a redação do artigo: (...) In casu, como atesta a própria fiscalização, os fatos geradores da CPMF ocorreram em: 11 de agosto de 1999 (02 eventos), 18 de agosto de 1999 (01 evento), 25 de agosto de 1999 (02 eventos); 01 de setembro de 1999 (02 eventos) e 08 de setembro de 1999 (02 eventos). Destacase ainda que o auto de infração lavrado foi entregue à Recorrente em 29 de setembro de 2004, ou seja, mais de 5 anos após a ocorrência de todos os fatos geradores. As decisões exaradas pelo conselho de contribuintes corroboram o pedido em questão, conforme segue abaixo transcrito: ... Assim, o processo em questão versa sobre tributo sobre o qual operouse a decadência, razão pela qual merece ser extinto, tendo em vista o perecimento do direito da administração tributária de efetuar o lançamento. III DO MÉRITO 111.1 VALORES COMPROVADAMENTE RECOLHIDOS Reiterando todo o exposto na impugnação já referida, a Recorrente afirma que o principal da CPMF foi devidamente debitado pelos bancos em questão, Banco Sudameris e Banco Safra, tendo em vista que, após a decisão que manteve a legitimidade do tributo, a Recorrente não manifestou sua vontade perante nenhuma das instituições financeiras visando que o valor não fosse debitado por qualquer razão, tanto que, Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 apenas nestas 02 (duas) instituições, dentre tantas que possui contas correntes, foram apontadas irregularidades. A Recorrente, ao contrário do que delineado na decisão de fls., apresentou, todas as provas que lhe competiam, entendendo ser clara a questão da isenção,de responsabilidade quanto ao recolhimento do tributo, posto que, o fora na época correta junto as instituições financeiras relacionadas Contudo, caso ainda reste divide quanto as informações prestadas . pela Recorrente, requer sejam os Bancos acima descritos, constantes do relatório de fls. dos autos, intimados através de oficio para que informem acerca do débito de referidos valores, documento cuja expedição é cabível em decorrência do poder/dever de diligência do Estado visando impedir o cerceamento de defesa. ,,, Desta forma, por não versar sobre valor principal da CPMF não houve, beneficio por parte da Recorrente neste sentido, restando, mais uma vez comprovada a questão de seu pagamento, merecendo reforma a r. decisão de fls. que manteve o lançamento sobre a Recorrente. III.II DA COBRANÇA DE JUROS DE MORA Por entender que o principal do tributo é devido, a impugnação acerca da aplicação de juros e mora sequer foi apreciada, contudo, mesmo se não houver reforma da decisão no que pertine ao principal, o que se admite apenas em respeito ao principio da eventualidade, há que ser ainda analisado o mérito quanto ao cálculo de juros de mora. Sem prejuízo do quanto exposto, é importante destacar, o abuso da cobrança de juros de mora configurada no auto de Infração, bem como na intimação recebida com a decisão., Por isso, a Recorrente entende que o valor da autuação deverá ser reduzido para que se excluam dos juros. ... 111.111 DA INEXIGIBILIDADE DA MULTA Por entender devida a CPMF pela Recorrente, a impugnação acerca da aplicação da multa também foi relegada, posto que não houve qualquer manifestação a respeito. Contudo, ainda que se considere como correta a cobrança do principal e dos juros de mora; fato que se admite apenas por respeito ao principio da eventualidade, o valor da autuação deverá ser reduzido para que se exclua a multa de oficio aplicada. A multa pressupõe penalidade por descumprimento de obrigação. Esta obrigação deve ser descumprida por ato voluntário do próprio devedor para que seja cabível a aplicação de pena. Desta forma, como já devidamente fundamentado, a Recorrente não concorreu para que a CPMF tivesse sua cobrança suspensa, não sendo possível legalmente aplicar multa sobre seu recolhimento. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10882.002055/200461 Acórdão n.º 330101.264 S3C3T1 Fl. 130 9 É o relatório. Voto Conselheiro FÁBIO LUIZ NOGUEIRA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. Preliminar Quanto à preliminar de decadência, o período de apuração referese a agosto e setembro de 1999. Já o Auto de Infração foi lavrado em setembro de 2004. A decadência para os casos em que não houve pagamento antecipado (ao menos parcial), como destes autos em que não restou comprovado o recolhimento, regese pelo artigo 173, Inciso I, do CTN, “verbis”: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Portanto, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para os fatos geradores relativos ao ano de 1999 só se iniciou em 2000 e a decadência só se consumaria em 31 de dezembro de 2004. Afasto a preliminar. Quanto ao mérito, distribuo a análise do recurso e da matéria objeto do presente processo em dois tópicos, para melhor entendimento. Principal A Recorrente alega que o valor já teria sido pago e recolhido pela instituição financeira. Mas, só alega. O processo iniciouse em 2004 e só em 2009 apresentou requerimento nos autos para que fosse expedido ofício para as instituições financeiras. Essa comprovação do pagamento (se ocorreu) poderia ter sido obtida pelo Contribuinte diretamente junto aos bancos. Mas, se omitiu. Por outro lado, a exigência feita nesse lançamento decorre justamente de informação prestada pelas instituições financeiras, nos termos d. De todo modo, nos termos do Decreto 70.235, que rege o processo administrativo, o Contribuinte deve apresentar os elementos de prova da suas alegações. Não basta alegar. Mantida a decisão recorrida, no particular. Juros de mora e multa Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Objeto do processo judicial 2000.61.00.0431012, em que foi parte o Recorrente. Em pesquisa no “site” do TRF da Terceira Região (SP) consta a informação de que em agosto de 2008 teria sido dado provimento à apelação e à remessa oficial .E a decisão judicial teria transitado em julgado. Não foi disponibilizado o acórdão. Curiosamente, o recurso voluntário apresentado em 2009 sequer menciona a existência do referido processo. De todo modo, o Recorrente é parte em ação judicial, onde questiona a cobrança de multa e juros de mora relativos à CPMF, não recolhida durante o período em que vigorou decisão judicial afastando a cobrança.. Ou seja, o mesmo objeto do lançamento. Em caos que tais, há impossibilidade de exame da matéria na instância administrativa, a teor da Súmula CARF nº 1, pois “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Portanto, voto por não conhecer do recurso quanto aos juros e a multa. O conteúdo final da decisão judicial mencionada é que deverá ser observado pela autoridade administrativa. . Feitas estas considerações, voto no sentido de afastar a preliminar de decadência, não conhecer do recurso quanto à matéria discutida na esfera judicial e negar provimento ao restante do recurso voluntário (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10435.002028/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe
sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação.
Havendo um documento público com presunção de veracidade não
impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MUNICÍPIO. PARCELAMENTO. DÉBITO NÃO CONSTITUÍDO. DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA EM GFIP.
Os débitos ainda não constituídos dos municípios e os de suas autarquias e fundações relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas "a" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, para serem incluídos no Parcelamento previsto no art. 96 da Lei nº 11.196/2005, com a redação dada pela MP nº 457/2009, devem ser confessados, de forma irretratável e
irrevogável, até 31 de agosto de 2009, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.832
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher o produto arrecadado nos prazos definidos em Lei. O desconto da contribuição dos segurados empregados sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MUNICÍPIO. PARCELAMENTO. DÉBITO NÃO CONSTITUÍDO. DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA EM GFIP. Os débitos ainda não constituídos dos municípios e os de suas autarquias e fundações relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas "a" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, para serem incluídos no Parcelamento previsto no art. 96 da Lei nº 11.196/2005, com a redação dada Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 pela MP nº 457/2009, devem ser confessados, de forma irretratável e irrevogável, até 31 de agosto de 2009, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Data da lavratura do AIOP: 08/09/2009. Data da Ciência do AIOP: 15/09/2009. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal mediante a qual se formaliza o lançamento de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo dos segurados empregados, assim considerados os servidores públicos municipais ocupantes de cargos comissionados e os exercentes de mandato eletivo, e os vinculados mediante contrato de trabalho, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 19/21. Relata a Autoridade Lançadora que no lançamento em foco foram considerados os pagamentos de remunerações aos segurados empregados (comissionados, mandato eletivo, contrato de trabalho), apuradas a partir dos resumos das folhas de pagamentos e empenhos disponibilizados pelo ente municipal, os quais não foram declarados nas GFIP correspondentes, lançados no levantamento FP RESUMO FOLHA DE PAGAMENTO. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 28/31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 54/56, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10435.002028/200971 Acórdão n.º 230201.832 S2C3T2 Fl. 83 3 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08 de abril de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 58. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 61/67, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que os valores ora lançados foram objeto de parcelamento, nos termos da Lei nº 11.196/2005, o qual ainda não foi objeto de consolidação. Ao fim, requer que o lançamento seja julgado improcedente. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 08/04/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 10 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Autuado, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo órgão de 1ª instância não expressamente contestadas pelo Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 2.1. DO PARCELAMENTO ADMINISTRATIVO Alega o Recorrente que os valores lançados pela fiscalização no presente lançamento tributário foram objeto de parcelamento, nos termos da Lei nº 11.196/2005, o qual ainda não foi objeto de consolidação. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Inauguramos a fundamentação da opinio iuris que ora se escultura na consolidada premissa de que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10435.002028/200971 Acórdão n.º 230201.832 S2C3T2 Fl. 84 5 PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte ex adversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Auto de Infração de Obrigação Principal como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. No caso ora em apreciação, o Recorrente se esquiva do mérito do lançamento, concentrando seu inconformismo na alegação de que as contribuições que lhe estão sendo ora exigidas já foram objeto de parcelamento administrativo. Com efeito, em 31/08/2009 houvese por protocolado, sob o n° 13408.000221/200993, pedido de parcelamento de contribuições sociais previstas na alínea 'a' do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (grifos nossos) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. Ocorre que, ao tratar do parcelamento de débitos previdenciários dos municípios, o §6º do art. 96 da Lei nº 11.196/2005, com a redação que lhe fora dada pela Medida Provisória nº 457/2009, estabeleceu como dead line para a opção pelo parcelamento em apreço o dia até 31 de maio de 2009, perante a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Município. Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Art.96. Os Municípios poderão parcelar seus débitos e os de responsabilidade de autarquias e fundações municipais relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas “a” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, com vencimento até 31 de janeiro de 2009, em até: (Redação dada pela Medida Provisória nº 457, de 2009) I duzentas e quarenta prestações mensais e consecutivas, se relativos às contribuições sociais de que trata a alínea “a” do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 1991; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 457, de 2009) II sessenta prestações mensais e consecutivas, se relativos às contribuições sociais de que trata a alínea “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 1991, e às passíveis de Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10435.002028/200971 Acórdão n.º 230201.832 S2C3T2 Fl. 85 7 retenção na fonte, de desconto de terceiros ou de subrogação. (Incluído pela Medida Provisória nº 457, de 2009) §1o Os débitos referidos no caput são aqueles originários de contribuições sociais e correspondentes obrigações acessórias, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa da União, ainda que em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, exceto aqueles parcelados na forma da Lei no 9.639, de 25 de maio de 1998. (Redação dada pela Medida Provisória nº 457, de 2009) §2o Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável, até 31 de maio de 2009. (Redação dada pela Medida Provisória nº 457, de 2009) (...) §4o Caso a prestação mensal não seja paga na data do vencimento, serão retidos e repassados à Receita Federal do Brasil recursos do Fundo de Participação dos Municípios suficientes para sua quitação, acrescidos dos juros previstos no art. 99 desta Lei. §5o Os valores pagos pelos Municípios relativos ao parcelamento objeto desta Lei não serão incluídos no limite a que se refere o §4o do art. 5o da Lei no 9.639, de 25 de maio de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.18713, de 24 de agosto de 2001. §6º A opção pelo parcelamento deverá ser formalizada até 31 de maio de 2009, na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Município. (Redação dada pela Medida Provisória nº 457, de 2009) Por outro viés, a mera protocolização de pedido de parcelamento não implica o seu automático deferimento. Corrobora tal conclusão o próprio reconhecimento do Recorrente ao asseverar que o citado pedido não se houve ainda por deferido. De outro eito, o §2º do art. 96 da Lei nº 11.196/2005 impõe ao interessado o ônus de confessar, de forma irretratável e irrevogável, os débitos ainda não formalmente constituídos, na forma determinada mediante Regulamento pelo Poder Executivo, em atenção ao comando legal assentado no art. 104 do mesmo Diploma Legal acima citado. Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Art. 104. O Poder Executivo disciplinará, em regulamento, os atos necessários à execução do disposto nos arts. 96 a 103 desta Lei. Parágrafo único. Os débitos referidos no caput deste artigo serão consolidados no âmbito da Receita Federal do Brasil. A missão de estruturar e dar efetividade à matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 6.804/2008, que regulamentou o parcelamento de débitos dos municípios e de suas autarquias e fundações perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil e à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas “a” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212/91, instituído pelos arts. 96 a 103 da Lei no Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 11.196/2005, com a redação dada pela Medida Provisória no 457/2009, cujo art. 6° outorgou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência legislativa para expedir os demais atos normativos necessários à execução do parcelamento em debate. Decreto nº 6.804, de 20 de março de 2009. Art. 6o Os demais atos necessários à execução deste parcelamento serão expedidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Nessa esteira, sem ousar transpor os umbrais que lhe foram erguidos pelos dispositivos regimentais suso selecionados, a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 7, de 06/08/2009, estatuiu de forma peremptória no §3º de seu art. 1°, que os débitos ainda não constituídos deveriam ser confessados, de forma irretratável e irrevogável, até 31 de agosto de 2009, por meio de declaração nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, para que pudessem ser incluídas no parcelamento em questão. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7, de 6 de agosto de 2009 Art. 1º Os débitos dos municípios e os de suas autarquias e fundações relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas "a" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com vencimento até 31 de janeiro de 2009, poderão ser parcelados da seguinte forma: I em 120 (cento e vinte) até 240 (duzentas e quarenta) prestações mensais e consecutivas, se relativos às contribuições de que trata a alínea "a" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, com redução de 100% (cem por cento) das multas moratórias e de ofício, e de 50% (cinquenta por cento) dos juros de mora; e/ou II em 60 (sessenta) prestações mensais e consecutivas, se relativos às contribuições de que trata a alínea "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e às passíveis de retenção na fonte, de desconto de terceiros ou de subrogação, com redução de 100% (cem por cento) das multas moratórias e de ofício, e de 50% (cinquenta por cento) dos juros de mora. §1º Os débitos a que se refere o caput são aqueles originários de contribuições sociais e obrigações acessórias, referentes a fatos geradores ocorridos até a competência dezembro de 2008, incluindose as contribuições relativas ao décimoterceiro salário, vencidos até a data de que trata o caput, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), inclusive os débitos que estiverem em fase de execução fiscal ajuizada ou os débitos que tenham sido objeto de parcelamento anterior não integralmente quitado ou cancelado por falta de pagamento. §2º Poderão também ser parcelados na forma e condições previstas nesta Portaria os débitos que, na data da publicação da Lei nº 11.960, de 29 de junho de 2009, estavam parcelados na forma da Lei nº 9.639, de 25 de maio de 1998, e as demais formas de parcelamento que tenham origem em Medidas Provisórias que alteraram esta Lei. §3º Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável, até 31 de agosto de 2009, Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10435.002028/200971 Acórdão n.º 230201.832 S2C3T2 Fl. 86 9 por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). (grifos nossos) §4º Os débitos prescritos ou decaídos na forma da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), não integrarão a consolidação de débitos a serem parcelados na forma desta Portaria, mesmo que tenham sido confessados em parcelamentos anteriores. Do exaustivo relato assentado pela fiscalização em seu Relatório Fiscal a fls. 19/21 extraise que os fatos geradores lançados no presente lançamento não foram declarados nas correspondentes GFIP, circunstância que deságua na conclusão de que tais fatos jurígenos tributários não se houveram por incluídos no parcelamento em realce. Em ádito, os discriminativos de Débito a fls. 50/51, relativos ao parcelamento em berlinda, não produzem qualquer referência aos fatos geradores objeto do presente lançamento. Merece ser iluminado que, de acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em foco, encontrase o direito creditório do fisco plenamente consignado, com todos os seus elementos, no Relatório Fiscal do AIOP e nos demais documentos que integram o lançamento em pauta. Reiterese que, por intermédio do Discriminativo Analítico de Débito e do Relatório de Lançamentos honrou a fiscalização trazer a lume todos os fatos geradores por ela apurados e seus respectivos valores. Noticiese que os fatos geradores ora lançados foram apurados diretamente da análise das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo à fiscalização, elaboradas sob o seu domínio e responsabilidade, e confeccionadas sob seu comando e orientação, sendo, portanto, do inteiro conhecimento do Recorrente. Dessarte, fulguram os assentamentos consignados no lançamento como bastantes e suficientes para fazer prova do fato afirmado pela fiscalização, em razão da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Contribuinte, o qual não logrou afastar a fidedignidade do conteúdo do Auto de Infração de Obrigação Principal em debate. O Órgão Julgador de 1ª Instância já havia asserido no aresto recorrido que a negativa de provimento ao pleito formulado pelo Município em foco teve por fundamento a total ausência de provas materiais que fornecessem alicerce probatório às suas alegações. Nada obstante, retorna à carga o Recorrente para infirmar, tão somente, que os fatos geradores apurados pela fiscalização já se encontravam inclusos em parcelamento, sem, no entanto, ornamentar tal afirmativa com qualquer plataforma demonstrativa ou meio de prova idôneo e hábil para tanto. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Ora, se tais fatos geradores foram, de fato, incluídos no parcelamento aludido, onde estarão as GFIP em que eles houveramse por declarados? A todo saber, a defesa por negativa geral não se apruma com a dinâmica do Processo Administrativo Fiscal cujo mecanismo de contradita às autuações do fisco exige que o sujeito passivo instrua o instrumento de bloqueio à imputação fiscal com todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentar a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de rechear a peça impugnatória com todas as provas documentais garantidoras de seu direito, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em lei. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10435.002028/200971 Acórdão n.º 230201.832 S2C3T2 Fl. 87 11 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 302 do CPC, que não admite a contestação pela simples negativa geral, ressalvados o curador especial, ao advogado dativo e ao Ministério Público, entendendo que impugnação assim formulada equivaleria a uma não contestação, ensejando a revelia e seus efeitos. O ordenamento jurídico pátrio impõe ao sujeito passivo o ônus de manifestarse precisamente sobre cada um dos fatos alegados, pois aqueles não refutados serão considerados como verdadeiros, passando a ser fato incontroverso. Nesse contexto, mesmo ciente de que sua impugnação houvera sido refutada pela Autoridade Julgadora a quo em razão da carência da comprovação material do Direito alegado, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, não fazendo acostar aos autos as demonstrações substanciais e os elementos de prova aptos a contrapor o conjunto probatório trazido à balha pela fiscalização, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento tributário que ora se opera, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso. Assim, havendo um documento público devidamente fundamentado e com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10435.002028/200971 Acórdão n.º 230201.832 S2C3T2 Fl. 88 13 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10980.006817/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Exercício: 2005
LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OPÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE.
Locação de mão de obra e/ou cessão de mão de obra definida como a
colocação à disposição da tomadora do serviço, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim
da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, veda a adesão ao SIMPLES nos termos do art. 9o., inc. XII, “f”da Lei 9.317, de 1.996.
SIMPLES EXCLUSÃO EFEITOS NO TEMPO
A exclusão do SIMPLES, por exercício de atividades vedadas aos optantes daquele sistema de pagamento, dar-se-á com efeitos retroativos, a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Foram assegurados ao contribuinte o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, nos termos contidos na Constituição Federal e no PAF.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008
ARBITRAMENTO DO LUCRO DA PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IRPJ
Para pessoa jurídica excluída do SIMPLES, que não dispõe dos livros contábeis e fiscais que lhe permitiriam utilizar outras formas de tributação, é cabível a exigência do IRPJ com base no lucro arbitrado.
ARBITRAMENTO DO LUCRO CUSTOS E DESPESAS
No regime de tributação pelo lucro arbitrado, o lucro é determinado pela aplicação, sobre a receita bruta, dos percentuais fixados em lei, não havendo de se cogitar da consideração de custos e despesas, já contemplados nos
percentuais aplicáveis por atividade.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SIMPLES PIS COFINS — CSLL.
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006, 2007, 2008
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS
ADMINISTRADORES.
A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade,
independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, ao restar comprovado que a pessoa física indicada como responsável solidário praticou atos de gestão mercantil e financeira com
excesso de poder ou infração a lei, deve ser mantida a responsabilidade.
Numero da decisão: 1301-000.805
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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CESSÃO DE MÃODEOBRA. OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Locação de mão de obra e/ou cessão de mãodeobra definida como a colocação à disposição da tomadora do serviço, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, veda a adesão ao SIMPLES nos termos do art. 9o., inc. XII, “f”da Lei 9.317, de 1.996. SIMPLES EXCLUSÃO EFEITOS NO TEMPO A exclusão do SIMPLES, por exercício de atividades vedadas aos optantes daquele sistema de pagamento, darseá com efeitos retroativos, a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Foram assegurados ao contribuinte o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, nos termos contidos na Constituição Federal e no PAF. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO DA PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IRPJ Para pessoa jurídica excluída do SIMPLES, que não dispõe dos livros contábeis e fiscais que lhe permitiriam utilizar outras formas de tributação, é cabível a exigência do IRPJ com base no lucro arbitrado. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ARBITRAMENTO DO LUCRO CUSTOS E DESPESAS No regime de tributação pelo lucro arbitrado, o lucro é determinado pela aplicação, sobre a receita bruta, dos percentuais fixados em lei, não havendo de se cogitar da consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis por atividade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. SIMPLES PIS COFINS — CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006, 2007, 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade, independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, ao restar comprovado que a pessoa física indicada como responsável solidário praticou atos de gestão mercantil e financeira com excesso de poder ou infração a lei, deve ser mantida a responsabilidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Diniz Raposo e Silva. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: “O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo n° 289 (fl.40), de 23/11/2009, que determinou sua exclusão ao Simples Federal, desde 01/08/2005; e a impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Lucro Arbitrado, relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, fls. 49107, onde se exige o crédito tributário de R$ 500.660,52 de IRPJ (fl.49), R$ 136.029,85 de CSLL (11.65), R$ 89.491,06 de COF1NS (fl.79) e, R$ 19.477,93 de PIS (fl.92). Do Ato declaratório Executivo n" 289, de 23/11/2009 2. O ADE n° 289, de 23/11/2009 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 0405 apoiada nos documentos de fls. 0628, quando restou comprovado o desempenho de atividades vedadas ao Simples, aliado ao fato de possuir sócio com participação superior a 10% em outras empresas, sendo que a soma da receita bruta global teria ultrapassado o limite estabelecido pela legislação de regência. Dentre as atividades vedadas exercidas pela contribuinte estão a locação de mão de obra e a prestação de serviços que dependem de profissional legalmente habilitado. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 9o. , incisos IX. XII. alínea "f" e XIII da Lei n° 9.317. de 1996, com efeitos a partir de 01/09/2002. 3. Na manifestação de inconformidade de fls. 226248, sustenta que a RFB, equivocadamente, entende que a impugnante integra grupo de sociedades empresárias, a qual denominou GRUPO SCHADE, grupo esse composto por empresas de pequeno porte, constituídas com a finalidade de fracionar o faturamento para assim se manterem dentro do limite de receitas que permitiria optarem pelo Simples e que, José Carlos Schade seria o eventual líder do grupo. 4. Assim, diante do exposto, a autoridade fiscal a excluiu do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 289, de 23/11/2009, com efeitos a partir de 01/08/2005 e, dada a não apresentação de escrituração mercantil ou Livro Caixa, foi arbitrado o lucro da sociedade nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008. Sustenta que a participação de pessoas e de seus familiares em várias empresas não autoriza o fisco presumir que se trata de um grupo de empresas, bem como não serve para sustentar os procedimentos adotados, os quais devem ser desconsiderados. 5. Cientificado da exigência, apresentou a impugnação de fls. 226246, onde inicialmente transcreve os dispositivos legais que ampararam a emissão do Ato Declaratório Executivo n° 289 e alega que: se por um lado faz a locação de mão de obra, certamente não teria condições materiais de prestar serviços para a mesma empresa e com a mesma mão de obra estaria locado e assim, nenhuma das duas hipóteses levantadas pelo fisco se aplica ao presente caso, bem como descabe a exclusão da pessoa jurídica ao Simples sob a alegação de participação do sócio no capital social de outras pessoas jurídicas. 6. Sustenta que o fato de a empresa contratante reter e recolher o percentual de 11 % a título de contribuição previdenciária, sobre o valor das notas fiscais emitidas não autoriza presumir que ocorreu locação de mão de obra; que a Lei n° Fl. 389DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 8.212, no § 4° do artigo 31 elenca outras hipóteses de retenção da contribuição previdenciária, a exemplo dos serviços de limpeza e conservação que são as atividades que executa, conforme previsão contratual; que a contratante, para não ficar exposta ao fisco, optou por reter o tributo, embora indevidamente; que a retenção não poderia ser efetuada em nenhuma hipótese, posto ser optante pelo Simples; que o STJ j á pacificou as controvérsias que existiam a esse respeito, conforme julgado que transcreve. Assim, no seu entender, inexiste fundamento a sustentar sua exclusão ao benefício. 7. Rechaça a hipótese de prestar serviços que requeiram profissional habilitado uma vez que os serviços de manutenção e conservação de locomotivas nada mais são do que serviços de mecânico, não havendo necessidade de formação universitária: que a Lei n° 10.964, de 2004 já pacificou o tema; que presta serviços de manutenção e reparos de veículos pesados, enquadrandose perfeitamente na hipótese do inciso I do artigo 4° da mencionada lei, acima transcrita; os fundamentos a amparar o ato de exclusão não se aplicam ao caso, porque não podem se sobrepor à lei. 8. Quanto à participação do sócio Jose Carlos Schade em outras empresas, com participação superior a 10% do capital social alega que tal fato não pode servir de argumento à sua exclusão ao Simples; que contraria o disposto no artigo 179 da Constituição Federal e o artigo 1" da Lei n° 9.317 de 1996: que a Constituição delimitou os campos de atuação da lei, limitando os seus poderes à definição do conceito; que ao estabelecer as hipótese de vedação ao Simples (leiase o art. 9" da norma), o legislador foi além e introduziu impedimentos que estão em descompasso com as disposições constitucionais; que essa restrição, feita pela lei, não foi autorizada pela Constituição e, portanto, é inconstitucional. 9. Ainda nesta esteira, faz uma análise sobre a exegese cio artigo 9" inciso IX para afirmar que não cabe a soma das receitas brutas das empresas para fins de exclusão ao Simples, uma vez que o sócio não participaria de outra empresa com mais de 10% do capital social. 10. Contesta a data a partir da qual o ato de exclusão deve gerar efeitos, posto que a norma que determina a retroação dos efeitos a partir do mês subseqüente ao da ocorrência da situação impeditiva, somente vigeu a partir de 14/10/2005, não abrangendo, por conseguinte, períodos anteriores. 11. Alega ter havido preterição ao seu direito de defesa em face de não ter havido qualquer ciência ou solicitação de informações ou esclarecimentos, em flagrante ofensa à Constituição e à Lei n° 9.784, de 1999, razão pela qual pede que o ADE seja anulado. 12. Ao final requer a nulidade do ato de exclusão pelas razões já expostas e pede a produção de provas. Juntou os documentos de fls. 331336. A fl. 357 consta o substabelecimento da defesa aos novos patronos da causa, ocorrido em 23/02/2010. Do lançamento por arbitramento AC 2006 a 2008 13. Conforme consta do Termo de Verificação da Ação Fiscal de fls. 108124, em face do exercício das atividades vedadas de locação de mão de obra e prestação de serviços que dependem de profissional legalmente habilitado, bem como ante o fato de o sócio Jose Carlos Schade ser sócio de outras empresas em montante superior a 10% do capital social conjugado ao fato de que a receita bruta destas empresas ter ultrapassado o limite estabelecido na legislação do Simples, ele foi excluído do Simples a partir de 01/08/2005, por meio do ADE n° 289. Dando continuidade à ação impetrada contra a impugnante a autoridade fiscal constatou que em relação aos anos calendário de 2006 a 2008 ocorreu omissão de receitas, tendo Fl. 390DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 3 5 sido lavrados os autos de infração de fls. 49107, formalizados com base no arbitramento, ao amparo do disposto no inciso III do artigo 530 do RIR/99. 14. Como já mencionado anteriormente estão sendo exigidos créditos no importe de R$ 500.660,52 de imposto de renda pessoa jurídica; R$ 19.477,93 de contribuição ao PIS, R$ 136.029,85 de CSLL, e, R$ 89.491,06 de contribuição à COFINS, além de multa de ofício e juros. 15. A infração imputada é omissão de receitas de prestação de serviços gerais, conforme minuciosamente descrito no relatório fiscal de fls.108124. 16. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, os artigos 5 3 2 c 537 do RIR/99; b) para o PIS, o art. 1° e 3°, da Lei Complementar n" 07, de 07 de julho de 1970, art. 24, § 2 o da lei n° 9.249, de 1995 e art. 2°, inciso I. alínea " a " e parágrafo único, art. 3o , 10. 22. 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 2002; c) para a Cofins, o art. 2°, inciso 11, e parágrafo único, art. 3°, 10, 22, 5 L e 91 do Decreto n° 4.524, de 2002 e; d) para a Contribuição Social, o art. 22 da Lei n° 10.684, de 2003 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. 17. A multa de ofício, para todos os casos, foi de 75% e está amparada no art. 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. 18. Às fls. 199202, consta o Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 1, que designou as empresas Schade Manutenção Mecânica Ltda ME, CNPJ 05.242.075/000100, SPR Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda, CNPJ 05.673.216/000131, J R S Manutenção Mecânica Ltda ME, CNPJ 05.863.502/000160, Locomaq Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda, CNPJ 06.014.394/000113 e, All Manutenção Mecância Ltda, CNPJ 08.937.381/000141, como responsáveis solidários pelo crédito que ora se analisa e, ainda, foi emitido o Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 2 em nome de Jose Carlos Schade, CPF 450.552.97972. fls. 203205, titulandoo como responsável solidário pelo crédito em questão. 19. Na impugnação de fls.252264, alega a nulidade dos autos de infração, uma vez que eles afrontariam o disposto no art. 3o. , caput e § 1o. , alínea "a" da Lei n° 9.317, de 1996, que determina que as pessoas optantes pelo Simples ficarão sujeitas ao pagamento mensal unificado dos impostos e contribuições; que não foi respeitada a opção feita, nem as normas que regulam a matéria; que não se alegue a existência de norma infra legal autorizando o lançamento isolado para os procedimentos de ofício e, mesmo que exista, faltalhe fundamento de validade, visto inexistir lei que lhe dê suporte e, portanto, deve ser cancelada a exigência. 20. Naquilo que intitula mérito, diz ser ilegal a exigência relativa ao IRPJ , uma vez que não lhe foi possibilitado optar sobre qual regime de tributação a ser adotado; que dado o extravio de livros e documentos a RFB deveria primeiro perquirir a respeito da opção que pretendia e, ato contínuo, abrir prazo razoável para que pudesse reconstituir a escrita e não somente intimálo e reintimálo a apresentar os registros, quando já estava ciente de seu extravio. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 21. Afirma que para encontrar o lucro arbitrado, foi aplicado o percentual de 38,4% sobre a receita bruta da pessoa jurídica, porém as despesas com a folha de pagamento, os encargos trabalhistas e sociais e os tributos, sem levar em conta as demais despesas existente, são suficientes para demonstrar que a rentabilidade da requerente está longe do que pretende o fisco. Prossegue alegando que "evidente que nenhuma sociedade empresária, ainda mais trabalhando nas condições em que opera a autuada, obtém lucro no percentual utilizado pela RFB para apurar base de cálculo. Ainda mais no caso presente, onde a requerente presta serviços para uma única contratante, que controla a lucratividade e permite a obtenção de lucro em limite apenas suficiente para a sobrevivência dos sócios e seus familiares. 22. Defende que o arbitramento é medida extrema e não pode ser aplicado ao caso, quando a rentabilidade está muito aquém daquela adotada para cobrar tributos; que em face do vulto da exação, a RFB deixou de tributar a renda conforme determina a legislação e passou a tributar o patrimônio da pessoa jurídica e de seus sócios; que a reconstituição da escrita que está sendo feita demonstrará essa assertiva e, assim, o lançamento não pode prosperar e deve ser cancelado. 23. Contesta a afirmação do fisco de que efetuou pagamento de despesas dos sócios, bem como pagou bens por eles adquiridos ao argumento de que essa prática é adotada pela grande maioria das sociedades empresárias, não havendo qualquer ilegalidade nisso; que é comum as pessoas jurídicas pagarem despesas de seus sócios ou a aquisição de bens para os mesmos, escriturando os pagamentos nas contas correntes dos sócios ou pagando tais despesas por conta de lucros acumulados, gerados pela atividade empresarial. 24. Afirma, ainda, que inexiste ilegalidade no que tange ao empréstimo de valores por transferências entre pessoas jurídicas pois, como afirmou a autoridade fiscal, as empresas tomadoras e fornecedoras dos empréstimos pertencem a pessoas da mesma família, portanto é salutar e demonstra união familiar o fato de se socorrerem mutuamente nos momentos de dificuldade e que a recomposição da escrita demonstrará que tais atos (o pagamento de despesas dos sócios, bem como a aquisição de bens a eles destinados e as eventuais transferências de recursos) encontram respaldo na escrituração mercantil e nas receitas licitamente auferidas, não podendo prosperar o arbitramento. 25. Entende que a tributação das receitas omitidas deve obedecer a opção exercida, ou seja. segundo as normas do próprio Simples, portanto, considerando que sua exclusão foi indevida a RFB deve limitarse a cobrar os tributos com base na legislação do Simples e não pelo arbitramento e, se esse não for o entendimento, que se faça refletir na exação impugnada todos os tributos retidos na fonte e/ou recolhidos tempestivamente. Por essa razão, dado o vício insanável, a exação deve ser cancelada, porque indevida. 26. Por extensão declara serem ilegais as exigências da Contribuição Social sobre o Lucro, da COFINS c do PIS, devendo ser subtraído dos autos os tributos retidos na fonte e/ou recolhidos pela autuada. 27. Contesta o Termo de Responsabilidade Solidária direcionado às demais pessoas jurídicas que foram excluídas ao Simples, bem como o Termo de Responsabilidade dirigido a Jose Carlos Schade, pelas razões já apresentadas, uma vez que inexiste a alegada má fé ou dolo, posto que as sociedades empresárias foram legalmente constituídas e os sócios pessoas físicas, estão devidamente inscritos no CPF e, além disso, porque a constituição de mais de uma pessoa jurídica com o mesmo sócio não ofende as normas legais e não autoriza presumir tratarse de procedimento visando fraudar o fisco. 28. Ao final, requer: i) que os autos de infração somente sejam julgados após a análise da manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão; ii ) que sejam Fl. 392DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 4 7 canceladas as exações ou, que sejam parcialmente cancelados em função da nova data de exclusão, em razão da constituição do crédito não ter sido efetuado em obediência à legislação do Simples; iii) ou que sejam canceladas no todo ou em parte as exigências, com base nos demais fundamentos da impugnação; iv) que sejam subtraídos da exigência todos os tributos retidos na fonte e/ou recolhidos tempestivamente, os quais estão sendo conferidos pela impugnante; v) que sejam revogados ou cancelados os Termos de Sujeição Passiva Solidária; vi) que lhe seja estendido os demais efeitos benéficos previstos nas normas de regência e que eventualmente não tenham sido objeto de pedido específico e, por fim, vii) que seja permitido apresentar no futuro todas as demais espécies de provas admitidas em direito.” A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio de Acórdão DRJ/CTA 0630.071, de 27/01/2011, (fls. 295 e ss), considerando a impugnação procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A cessão de mãodeobra definida como a colocação à disposição da tomadora do serviço, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, veda, também, a adesão ao SIMPLES. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO EM VAGÕES, LOCOMOTIVAS E TRENS. EXECUÇÃO DE FORMA ESPECÍFICA. COMPLEXIDADE. EXIGÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO TÉCNICA. INCOMPATIBILIDADE COM O SIMPLES. Os serviços de manutenção em vagões, locomotivas e trens, quando prestados de forma específica, de acordo com especificações e necessidades do cliente, envolvendo alguma complexidade, exigem qualificação técnica, tornandoos incompatíveis com o regime privilegiado do Simples. ART. 179 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. TRATAMENTO FAVORECIDO LEI n° 9.317/1996. O art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996, é norma infraconstitucional que vem ofertar, justamente, eficácia jurídica ao que consignado no art. 179, in fine, da Constituição, que é norma constitucional de eficácia limitada. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, e admitida pela legislação. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. TERMO INICIAL DE VIGÊNCIA. A data em que o ato de exclusão gera seus efeitos é determinada pela legislação que rege a matéria. Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 393DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO. Se a motivação do Ato de Exclusão e os demais elementos apontados na Representação Fiscal, que originou o referido Ato, permitem ao contribuinte o pleno conhecimento das razões que levaram à sua exclusão do Simples, permitindo detalhada defesa de mérito, é de se afastar a preliminar de nulidade. FASE DE FISCALIZAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. Na fase inquisitória, por inexistir formalmente imputação de responsabilidade pela prática de ato ilícito, não se cogita de ampla defesa, nem de contraditório, que ficam postergados para o momento da impugnação, quando aos contribuintes se assegura o direito de alegar toda matéria de defesa que lhes parecer cabível. DOUTRINA. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois, não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO/ ADMINISTRADOR. A impugnação deve mencionar a qualificação do impugnante. Não cabe, em sede de julgamento, apreciar oposição à imputação de responsabilidade solidária, na medida em que a pessoa jurídica não detém legitimidade, e nem interesse, para tanto. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS DO GRUPO. Resta confirmada a responsabilidade solidária quando se demonstra o interesse comum das pessoas jurídicas arroladas como tal, nas situações que ensejaram os fatos geradores. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO FISCAL AUSÊNCIA. O lucro deve ser arbitrado pela autoridade administrativa sempre que o sujeito passivo deixar de apresentar, quando intimado no curso de uma ação fiscal, seus livros contábeis e demais documentos da escrituração fiscal exigidos. LUCRO ARBITRADO. EXCLUSÃO AO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, à partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. É cabível o arbitramento do lucro quando não atendidos os pressupostos legais para a tributação pela sistemática do lucro real ou presumido. LUCRO ARBITRADO COEFICIENTE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do Imposto de Renda das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro arbitrado, no caso da prestação de serviços gerais ou locação de bens, é de 32%, acrescido de 20%. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. Resta precluso o direito de apresentação de documentação probatória após a impugnação, salvo no caso da ocorrência de uma das hipóteses previstas no § 4° do artigo 16 de Decreto n" 70.235/1972. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Inicialmente, cumpre ressaltar, que de forma geral, a ora recorrente (LACI MANUTENÇÃO MECÂNICA LTDA, CNPJ: 07.494.082/000117) repete os argumentos trazidos na impugnação, tanto com relação a exclusão do Simples Federal como em relação às exigências do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (lucro arbitrado). I EXCLUSÃO DO SIMPLES Em primeiro lugar apreciaremos a contenda relativa a exclusão do Simples Federal pelo ADE 289, de 23/11/2009. Gira a lide em torno da exclusão da contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317/1996. Consta do Ato Declaratório Executivo de fl. 40 que o fundamento legal para a exclusão foram os incisos IX, XII, “f”e XIII, todos do art. 9º do mesmo diploma legal, verbis: Art. 9o. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art.2o.; XII que realize operações relativas a: f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão de obra ; XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida (Vide Lei 10.034, de 24/ 10/2000). Em seu recurso (e antes, na peça impugnatória), a interessada alega em preliminar que, “O procedimento adotado pela Fazenda Nacional para excluir o contribuinte do Simples Federal está contaminado por defeito insanável, haja vista a evidente preterição do direito de defesa nos procedimentos administrativos que antecederam a formalização da exclusão, visto que a exclusão transcorreu sem que o contribuinte fosse cientificado de Fl. 395DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 qualquer ato a respeito. Não consta em nenhuma das folhas do processo (fls. 01 a 47) qualquer ciência ou solicitação de informações ou esclarecimento antes da edição do ADE 289/2009, em evidente ofensa ao sagrado princípio do direito de defesa, cuja preterição macula de nulidade os atos praticados”, cita o art. 5o. da CF e Lei 9.784/1999.” Ao meu ver, andou bem a autoridade julgadora de primeira instancia assentando em seu voto que: “Com efeito, o artigo 14 da referida Lei n" 9.317/1996, conferiu à autoridade fiscal competência para excluir de ofício o contribuinte que, obrigado a requerer a sua exclusão do sistema pelo fato de não reunir condições de nele permanecer não o fizer, e o § 3° do artigo 15 da mesma Lei garantiu o direito à ampla defesa. Não há, portanto, previsão na Lei para que antes da exclusão do Simples o contribuinte deva ser intimado para exercer, se quiser, direito de defesa. E nem poderia ser diferente, pois a Constituição Federal garante direito de ampla defesa no processo administrativo, porém este somente se instaura depois da edição de determinado ato com efeitos jurídicos, no caso, a edição do ato declaratório que excluiu a contribuinte do Simples e, por conseqüência, a obrigou a se submeter a nova regra de tributação. Não houve, portanto, no presente processo, preterição ao direito de defesa, visto que a contribuinte foi regularmente notificada da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas c das Empresas de Pequeno Porte Simples através de Ato Declaratório Executivo com sua motivação claramente identificada.” Vêse, portanto, que no caso não houve ofensa ao princípio do contraditório, pois os comandos constitucionais e do Processo Administrativo Fiscal (PAF) correlatos encontramse sob estrita observância, tendo sido assegurados ao contribuinte o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa conforme se atesta pelos vastos argumentos de sua defesa. Ainda com relação a exclusão e quanto ao mérito, esclareçase que a DRJ afastou a hipótese impeditiva relacionada no inciso IX do artigo 9° da Lei n° 9.317 de 1996, (participação com de 10% do capital de outra empresa), posto que esta só se materializou no ano calendário de 2005 e, só poderia gerar efeitos a partir de 2006. Por outro lado, restaram materializadas as hipóteses de afronta ao disposto no inciso XII. alínea "f” (Locação de Mão de Obra) e inciso XIII (prestação de serviços que dependa de habilitação profissão), ambos inseridos no mesmo artigo 9° da Lei, o que dá suporte à exclusão preconizada no ADE ora analisado. Neste ponto, argüi a recorrente em primeiro plano que “O fato da sociedade empresária contratante dos serviços reter o percentual de onze por cento (11%) sobre o valor das notas fiscais que pagou, a título de antecipação de contribuição previdenciária, não autoriza, em absoluto, presumir que a requerente exerceu referida atividade, ou seja, a atividade de locação de mãodeobra. O que houve, isso sim, por um lado, foi o excesso de zelo da contratante ao reter as contribuições, excesso esse contra o qual o contratado não tem poder para se rebelar, uma vez que, como bem observou a própria Fazenda, a contratante é o único cliente que o contribuinte possui, evento esse que não permitem em absoluto chegar à conclusão que a Fazenda chegou. Ao que parece a contratante, para não ficar exposta ao fisco, optou por reter o tributo, embora indevidamente. A recorrente, por seu turno, não se opôs ao desconto porque o compensa com as contribuições sociais devidas sobre a folha de salários de seus empregados.” Fl. 396DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 6 11 Para melhor entender o conceito de locação de mão de obra que ensejou a referida exclusão, necessário transcrevermos o art. 31 da Lei n.° 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § .5° do artigo 33. § 1°. O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. 2°. Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o. Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4°. Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: 1 limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; O que se verifica é que, para que seja caracterizada a cessão ou locação de mão de obra, necessária a presença de dois requisitos, quais sejam, colocação de funcionários à disposição da contratante e prestação de serviços contínuos, o que me parece estar configurado neste caso. Neste sentido bem decidiu a decisão recorrida, motivo pelo qual adoto seus fundamentos para julgar este feito; e transcrevo o seguinte fragmento da decisão: “As notas fiscais n° 116, 123 e 353. à fl. 1820, constituem prova direta da locação de mão do obra ao descrever que se referem a serviços prestados com operadores de máquinas da via permanente relativo ao mês de novembro/06, dezembro/06 e abril/08, respectivamente. Portanto, é de se concluir que a reclamante presta serviços continuados e exclusivos à America Latina Logística do Brasil S/A, na modalidade de cessão ou locação de mão de obra, o que é vedado ao Simples, por força do disposto nos dispositivos legais anteriormente transcritos.”. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Após análise dos contratos e de centenas de notas fiscais (de número. 01, relativa ao mês de fevereiro de 2006 ao número 547, relativa ao mês de dezembro de 2008), as quais encontramse relacionadas no Anexo 2 (fls. 125 a 134), restou caracterizada a cessão/locação de mãodeobra, nos termos definidos pelo art. 31, § 3°, da Lei n.° 8.212/91, isto porque pelo "Contrato de Prestação de Serviços" realizado entre a contribuinte (contratada) e a contratante houve a colocação de funcionários da contratada à disposição da contratante nas dependências que esta determinar e a prestação de serviços contínuos e constam em todas as notas fiscais a retenção de onze por cento do seu valor bruto nos exatos termos do art. 31 da Lei 8.212/1991, acima transcrito. Por outro lado, além da forçosa exclusão com base no inciso XII, “f” o inciso XIII, do mesmo art. 9°, Lei 9.317/l996, também mencionado no Ato Declaratório, enseja a vedação à opção ao Simples de empresas que trabalham ou prestam serviços de natureza profissional. As Leis n° 10.964 e 11.051, ambas de 2004, excetuaram alguns serviços da restrição contida no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, com efeitos retroativos à data da opção pelo Simples. Ao contrário do que afirma a recorrente, dentre esses serviços, não consta aquele por ela desempenhado. Afirma, ainda, a recorrente que “os serviços de manutenção ou conservação de locomotiva nada mais são do que serviços de mecânico”. Consta às fls. 10 dos autos do presente processo o documento “Anexo I – Escopo Básico” que expressamente discrimina tais serviços, a seguir transcrevo: “Escopo básico para prestação de serviços de manutenção de locomotivas. Escopo de serviços para locomotivas: Premissa básica: • Executar manutenção preventiva e corretiva de acordo com o designado pelo Líder de Manutenção da ALL ou substituto indicado pela CONTRATANTE e em conformidade com os procedimentos operacionais e as normas de segurança interna do local. Manutenção preventiva Inspeções preventivas executada conforme programação apresentada pela ALL à CONTRATADA e conforme procedimentos operacionais da CONTRATANTE. Manutenção corretiva • Inspeções corretivas executada conforme programação apresentada pela ALL à CONTRATADA e conforme procedimentos operacionais da CONTRATANTE. Escopo de serviços para vagões. Premissa básica: Executar manutenção preventiva e corretiva de acordo com o designado pelo Líder de Manutenção da ALL ou substituto indicado pela contratante e em conformidade com os procedimentos operacionais e as normas de segurança interna do local. Manutenção preventiva Fl. 398DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 7 13 • Revisão do tipo R.A. (Revisão Anual) e M.C (Manutenção Corretiva): executadas anualmente conforme programação diária apresentada pela ALL à CONTRATADA e conforme procedimentos operacionais da contratante. Revistamento • Executar conforme procedimento operacional e fluxograma existente. Abastecimento • Executar serviços de abastecimento de combustível , lubrificantes , água e areia , também , as atividades relacionadas com o abastecimento em si , as inspeções de abastecimento e o controle dos abastecimentos.” Ao meu ver e ao contrário do decidido em primeira instancia, não resta comprovado, no caso, tratarse de prestação de serviços de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional, nos termos do inciso XIII, art. 9o. da Lei 9.317/1996. De qualquer forma, mantenho a exclusão da interessada do Simples nos termos do inciso XII, “f” do art. 9o. da Lei 9.317, de 1996 (locação de mão de obra). Outro ponto relativo ao Ato Declaratório Executivo de Exclusão, diz respeito à data a partir da qual se processarão seus efeitos, sustenta a recorrente a falta de base legal para a exclusão retroativa a 01/08/2005. Também aqui não lhe assiste razão, à vista dos seguintes artigos da Lei nº 9.317/1996, confirase: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: [...] II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do Fl. 399DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 art. 9º; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Posteriormente, a Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005 trouxe algumas modificações a esse respeito conforme a seguir: "Art. 33. Os arts.2o. e 15 da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996. passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 15. ... II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9" desta Lei; VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XI e XVI do caput do art. 9" desta Lei. .. A situação excludente constatada pelo Fisco foi incorrida desde a data de sua constituição em 14 de julho de 2005, os efeitos da exclusão devem se fazer a partir do mês subsequente, ou seja, a partir de 1º de agosto de 2005, tal como consta do Ato Declaratório Executivo, em correta aplicação da lei. Desta forma, o ato administrativo de exclusão deve ser declarado procedente em relação à hipótese impeditiva de locação de mão de obra e seus efeitos legais devem prevalecer a partir da data de 01/08/2005. DA TRIBUTAÇÃO DAS EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES Neste ponto a recorrente repete as argumentações iniciais de que a autoridade fiscal teria violado o disposto no artigo 187 do RIR, de 1996, o qual estabelece o recolhimento unificado dos tributos e contribuições para os optantes pelo Simples, visto que foi lavrado um auto de infração para cada tributo. Ao meu ver, andou bem a autoridade a qüo, ao afirmar na decisão recorrida, que o dispositivo invocado em nenhum momento estabelece que em caso de lançamento de ofício, pela sistemática do Simples, os valores a serem exigidos tenham que constar de um mesmo auto de infração, até porque, cada tributo possui base legal distinta. Para melhor demonstrar a improcedência da alegação, reproduzse o artigo 9°, do Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal e que estabelece: "Art.9o. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação d o ilícito . (Redação dada pelo art. 1o. da Lei n." 8.748/1993). § 1o. Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 8 15 Na situação presente importa esclarecer que a autuação foi realizada mediante o arbitramento do lucro uma vez que a contribuinte foi excluída do benefício do Simples, portanto, foi correta a lavratura de um auto de infração para cada tributo. DO ARBITRAMENTO É certo que uma vez excluída definitivamente do SIMPLES, na esfera administrativa, aplicarselheão as regras de tributação comuns às demais empresas, quais sejam, lucro real, presumido ou arbitrado. Nesse sentido, não tendo a recorrente apresentado os livros contábeis e fiscais que permitiriam afastarlhe o arbitramento do lucro em detrimento das outras formas de tributação, entendo que a decisão recorrida não merece reparo, razão pela qual há que ser mantido o lançamento para o IRPJ e seus reflexos dada a íntima relação de causa e efeito. Merece destacar excertos da decisão recorrida, os quais concordo e adoto para decidir: “O autuado questionou, inicialmente, a motivação para o arbitramento do lucro. Aqui cabe fazer um parêntese para esclarecer que na condição de optante pelo Simples ou pelo Lucro Presumido, o contribuinte estava dispensado de manter escrituração comercial desde que mantivesse Livro Caixa, onde deveria estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária, bem como manter todos os documentos e demais papeis que serviriam de base para esta escrituração. A impugnante foi intimada diversas vezes a apresentar o Livro Caixa ou o Diário, porém nada apresentou, ou melhor, informou não ter localizado nenhum dos documentos solicitados (fl.136). Assim, diante disso, por ausência total de escrituração contábil e, diante da exclusão das empresas ao Simples, o regime de tributação adotado em todo o período auditado foi o Lucro Arbitrado, com base no disposto no artigo 47, inciso III da Lei n° 8.981, de 1995. Assim, para arbitrar o lucro do contribuinte a autoridade fiscal somou todos os valores faturados em Notas Fiscais de Prestação de Serviços, que é sua atividade, para chegar à Receita Bruta, conforme discriminado às fls. 125134. Nessas circunstâncias, cumpre salientar que a falta dos livros comerciais e fiscais ou do livro Caixa é causa suficiente para o arbitramento do lucro, consoante determinado no art. 530, III do RIR/1999, base legal do lançamento. Pois bem, o próprio impugnante afirma na peça de defesa que foi intimado e reintimado a apresentar seus registros, quando a autoridade fiscal já sabia que os mesmos haviam sido extraviados. O lucro arbitrado, assim como o regime do Simples, o lucro real ou o lucro presumido, representam modalidades de apuração da base de cálculo do imposto de renda. A legislação ordinária prevê as pressupostas condições que determinam a possibilidade de opção por algum desses regimes tributários. Assim, a legislação estabeleceu certas situações em que o lucro da empresa pode ser arbitrado. Em última instância, a apresentação da Documentação é imprescindível para comprovação das condições para a opção. Não feita a Fl. 401DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 comprovação, descabendo o enquadramento da empresa no regime do Simples, e faltando a documentação que permitia a apuração do lucro presumido ou real, cabe o arbitramento, aplicandose a disposição dos arts. 530, inciso I, 531, 532, 537 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Como se vê, segundo a letra da lei, o arbitramento não é uma penalidade, e sim a única conseqüência possível a uma situação consumada, que é a exclusão do Simples e o descumprimento dos requisitos para enquadramento no regime tanto do lucro real quanto do lucro presumido. Segundo o RIR/1999, arts. 532 e 535, o lucro arbitrado será apurado mediante a aplicação de percentuais sobre a receita bruta quando conhecida, segundo a natureza da atividade econômica explorada. Compreendese no conceito de receita bruta o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Da receita bruta não se exclui o ICMS e devem ser excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário. Quanto a este ponto, os Autos de Infração estão corretos, não cabendo razão ao impugnante. Em relação ao percentual exigido, cumpre o disposto no art. 532 do RIR/1999, preceitua que o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de 20%. É bom lembrar que, de acordo com o art. 845, II do RIR/1999, farseá o lançamento de ofício abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. Quanto à base de cálculo do IRPJ e da CSLL para as empresas optantes do regime de tributação com base no lucro presumido ou sujeitas ao arbitramento do lucro, podem ser destacadas as seguintes normas, que fixam os percentuais devidos em relação às atividades especificadas: Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês. será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n" <S.9S1. de 20 de janeiro de 1995. § 1" Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, pura a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; Fl. 402DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 9 17 b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; /.../ Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n" 8.981. de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1" do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei n" 10.684. de 30 de maio de 2003). Lei n" 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art. 40. A base de cálculo mensal do imposto de renda das pessoas jurídicas prestadoras de serviços em geral, cuja receita bruta anual seja de até RS 120.000,00 (cento e vinte mil reais), será determinada mediante a aplicação do percentual de 16% sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica ás pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares e de transporte, bem como ás sociedades prestadoras de serviços de profissões legalmente regulamentadas. Conforme se vê, o percentual para determinação do lucro arbitrado, no caso da prestação de serviços em geral, é de 32%, não cabendo qualquer reparo aos autos. Relativamente à questão de que não lhe teria sido oportunizado refazer a escrituração, descabe imputar ao fisco a responsabilidade por suas omissões, mesmo porque, aqui não se está falando da escrita relativas ao ano calendário de 2009, quando iniciou a ação fiscal contra o interessado, a qual não estaria concluída. Nos referimos, tambem, à escrita dos anos calendário de 2006, 2007 e 2008 que, de há muito, deveriam já ter sido encerradas.” Fl. 403DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 Com relação a alegação de mérito de que na apuração da base de cálculo do arbitramento não foram considerados os custos e despesas, de pronto não merece prosperar vez que, como consabido, neste regime de tributação, o lucro é determinado pela aplicação sobre a receita bruta dos percentuais fixados em lei, não havendo de se cogitar da consideração de custos ou despesas, estes já contemplados nos percentuais aplicáveis por atividade. De outra banda, ressaltese, que a autoridade fiscal quando da determinação do valor devido com base no Lucro Arbitrado não havia considerado os valores retidos sofridos pela contribuinte, ora recorrente, durante os anos calendários auditados. A DRJ reconheceu esta possibilidade abatendo do total devido os valores retidos conforme planilha constante do voto guerreado. DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA IMPUTADO À PESSOA FÍSICA DO SÓCIO JOSÉ CARLOS SCHADE E DEMAIS PESSOAS JURIDICAS. Inicialmente destaco trecho expresso no Termo de Sujeição Passiva às fls 204: “apesar dos percentuais das cotas do Sr. José Carlos Schade nas empresas nunca ultrapassar os 10%, para não violar o impeditivo do art. 9o., inc. IX da Lei 9.317/1996, o mesmo é o único administrador de todas as pessoas jurídicas criadas e, mais, os sócios “laranjas” jamais integralizaram suas cotas e nada recebem das ditas empresas.” Consta, também, do Despacho Decisório (fl. 31): “A propósito, como registro de passagem, e objeto da fiscalização em curso, a empresa declarouse como INATJVA„ (fl26), mas teve movimentação financeira de R$ 126.644,54. Houve, ainda, correspondente a este ano de 2005, folha de pagamento no valor de R$ 33.412,39 sem os correspondentes recolhimentos Previdenciários, conforme demonstra a planilha embasada nos documentos analisados sob ação fiscal, conforme fl.27. A inatividade declarada pela empresa para o ano calendário de 2005 (fl.26), não condiz com as GFIP's apresentadas em que declara 10 empregados no mês de julho de 2005 (fl.22/25). Em 2006 declarou receita bruta de R$ 48.290.10, no entanto, teve faturamento, pelas notas fiscais, de R$ 791.264,79. Nas GFIP's (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social) que ora juntamos, estão discriminados os segurados, suas respectivas remunerações e as datas de admissão na empresa 14.07.200, e são provas cristalinas de que a empresa operou de fato desde sua constituição, ocorrida nesta mesma data.” Com relação a sujeição passiva, alega a interessada em sua peça recursal: “A União, em face da participação do sócio José Carlos Schade no capital social de várias pessoas jurídicas, presumiu que tais empresas constituem grupo de sociedades empresárias sob seu comando, uma vez que os demais sócios, em sua maioria, seriam seus parentes. Com base nessa premissa equivocada, fiscalizou todas as pessoas jurídicas nas quais o referido cidadão participava, excluiuas do SIMPLES FEDERAL e arbitrou seus lucros, bem como atribuiu ao referido sócio e às demais pessoas jurídicas das quais ele participa, responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído, o que fez por intermédio de Termo de Sujeição Passiva. A Fazenda omitiu fato relevante para a formação da convicção dos Srs. Julgadores, ou seja, não informou que as pessoas jurídicas das quais José Carlos Fl. 404DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 10 19 participa administram contratos de serviços distintos, executados em locais diversos. Nesse sentido, observemse os contratos de serviços juntados pela própria Fazenda aos autos, como segue: i) Contrato de Prestação de Serviços n° GS 4600001970, contratada Locomaq Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda., objeto — Serviço de Lavagem de Locomotivas no Posto de Abastecimento Iguaçu, cuja cópia segue em anexo; ii) Contrato de Prestação de Serviços GS 4600002533/2006, contratada Laci Manutenção Mecânica Ltda., objeto Serviço Lavagem de Vagões Pátio Maringá (fls. 06); iii) Contrato de Prestação de Serviços, contratada SPR Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda., objeto Execução de Serviços de manutenção de Locomotivas e Vagões nas Instalações da América Latina Logística do Brasil S / A — ALL, cuja cópia também segue em anexo. Constatase, pelo exposto, que o fato de José Carlos ter participado de outras sociedades empresárias e possuir como sócios a esposa e parentes, não viola a legislação. No mesmo diapasão, o pagamento de despesas pessoais, a eventual aquisição de bens e a transferência de recursos entre as pessoas jurídicas das quais participa, não transgride normas postas. Além disso, a ocorrência de tais fatos não permite a responsabilização pessoal do sócio e nem das pessoas jurídicas das quais participa, entre si, por tributos exigidos de ofício.” Do voto combatido cumpre transcrever pontos necessários para firmar convicção, a saber: “Conforme já relatado no item dos fatos apurados no curso da ação fiscal, os quais estão minuciosamente descritos no Relatório Fiscal dos autos de infração, fls. 49107, a autoridade fiscal constatou que em 2002, foi criada a empresa Schade Manutenção Mecânica Ltda, para realizar serviços relacionados diretamente com a manutenção e reparação de veículos ferroviários e ferrovias, sendo que o administrador José Carlos Schade detinha 50% do capital social. Pois bem, com a crescente demanda de serviços e, para não precisar abdicar dos benefícios concedidos pelo Simples, o sócio José Carlos Schade optou por abrir novas empresas, de forma a poder pulverizar a receita auferida e, à princípio, não exceder o limite de receita bruta permitida para a sistemática. Cuidou, também, de manter a sua participação em cada uma das novas empresas, abaixo de 10% do capital social e, para tanto, utilizou como sócios diversos parentes como o cônjuge, os irmãos e outros. Quando do início da ação fiscal, as empresas possuíam domicílio fiscal em endereços diversos e, a partir de então, os cadastros foram alterados de forma a que a administração do Grupo Schade, hoje, se encontra em um único endereço.” Aqui, cabe ressaltar, que constatei no Relatório Fiscal dos Autos de Infração (fls.108 e ss) que as pessoas jurídicas constantes do termo de responsabilidade, abaixo relacionadas, encontravamse perante a RFB domiciliadas na Rua do Canário n° 158, Jardim Ana Rosa, ColomboPR. Em visita ao local, a autoridade fiscal constatou que tratavase apenas de uma residência familiar. O morador informou que estava autorizado a receber correspondências das empresas e forneceu o telefone do sócioadministrador, José Carlos Schade. Após contato telefônico com este, marcouse reunião na sede de fato das empresas para iniciar o procedimento fiscal. SPR Manutenção de Veículos Ferroviários Lida .IRS Manutenção Mecânica Ltda ME Fl. 405DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 Locomaq Manutenção de Veículos Ferroviários Lida Schade Manutenção Mecânica Ltda All Manutenção Mecânica Ltda. Volto, então, a trechos do voto recorrido: Assim, ante tudo o que já foi exposto é de se repisar no fato de que restou comprovada a existência de um pool de empresas denominado pela autoridade fiscal como Grupo Schade, as quais estão sediadas à Rua Raymundo Nina Rodrigues n° 536, Cajuru, Curitiba/PR. Comprovouse, ainda, a intensa ligação entre as empresas, levandose a concluir que se trata de uma única empresa atuando sob seis CNPJ diferentes, sendo que a definição da empresa que seria responsável por determinada contratação de trabalhador ou, pela execução de determinado serviço, ocorria de forma a poder manipular o valor do faturamento, de forma que elas pudessem permanecer ao abrigo dos benefícios do Simples. Entre 2004 e 2008, foram mais de R$ 4.000.000,00 transferidos de forma irregular, em mais de 500 transações, o que demonstra a relevância e habitualidade dessa prática. A título de exemplo, a empresa Locomaq recebeu cerca de R$ 300.000,00 das outras pessoas jurídicas no período, enquanto que foi debitada em cerca de R$ 1.600.000,00, o que demonstra a confusão patrimonial existente entre elas. Portanto, ante a confusão patrimonial e financeira existente entre as diversas pessoas jurídicas do grupo, que atuavam como se fosse uma única entidade, restou caracterizada a intenção de burlar a ação do fisco a assim permitir que elas usufruíssem os benefícios do Simples demonstrando o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Desta forma, reputamse solidárias todas as empresas do Grupo Schade em relação aos autos de infração ora analisados, tendo como amparo legal o previsto no inciso I do artigo 124 do Código tributário Nacional. Do termo de responsabilidade direcionado a José Carlos Schade Ao sócio administrador restou imputada a responsabilidade prevista no inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional, qual seja a responsabilidade resultante dos atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. No caso sob análise, percebese a criação de novas pessoas jurídicas unicamente para usufruir os benefícios permitidos aos optantes pelo Simples, uma vez que a receita bruta era pulverizada entre as pessoas jurídicas, o que lhes permitia permanecer na sistemática. Restou caracterizada, ainda, a opção irregular pelo Simples, de vez que todas as pessoas jurídicas exerciam atividade impeditiva ao Simples, por necessitarem de profissional legalmente habilitado e, por fazerem locação de mão de obra para a empresa ALL do Brasil S/A. Ocorre que no tocante aos questionamentos indiretamente dirigidos à imputação de responsabilidade solidária ao sócio da pessoa jurídica, e consistentes no pedido de seu afastamento do pólo passivo da relação tributária, esclareçase imprópria é a pretensão de, em nome da pessoa jurídica, questionar tal matéria. Isto porque, dentre os requisitos da impugnação contidos no art. 16 do Decreto 70.235/72, consta, expressamente, como inciso II, a necessária menção à qualificação do impugnante: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 11 21 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n" 8.748, de 1993) Também do Código de Processo Civil, instituído pela Lei n° 5.869, de 1l de janeiro de 1973, extraise que para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art. 3o. )e, mais: que ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6"). Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato. E, no presente caso, somente se verifica nos autos procuração outorgada pela pessoa jurídica autuada ao advogado subscritor das peças de defesa de fls. 226246 e 252264, apresentadas nos termos seguintes: LACI MANUTENÇÃO MECÂNICA LTDA. pessoa jurídica de direita privado e de pequeno porte, com sede à Rua Raimundo Nina Rdrigues n" 536, bairro Cajuru, na cidade de Curitiba, Estado do Paraná. CEP 82.920010, inscrita no CNPJ sob n" 07.494.082/000117. neste ato representada por seu procurador que abaixo assina, conforme procuração anexa, inconformado com a exação relativa aos tributos denominados IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP objeto dos presentes autos vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, tempestivamente. De outro lado, verificase que o lançamento foi formalizado simultaneamente com a atribuição de solidariedade ao sócio inicialmente mencionado, por meio de Termos próprio, cientificado ao responsável (fl. 352). Ademais, a discordância da pessoa jurídica quanto à atribuição de responsabilidade ao sócio além de traduzir a existência, à época dos fatos, de interesse econômico comum entre eles, mostrase, ao mesmo tempo, incompatível com os interesses da própria pessoa jurídica em ver liquidado, pelo responsável, o crédito tributário lançado. De toda forma, não cabe, em sede de julgamento, apreciar oposição à imputação de responsabilidade ao sócio da pessoa jurídica, na medida em que esta não detém legitimidade, e nem interesse, para tanto. Assim, nesta parte, não se conhece da impugnação. Portanto, ante a falta de impugnação própria contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária é de se declarar definitiva a imputação feita ao sócio José Carlos Schade, CPF 450.552.97972. Resumo do quanto decidido em primeira instancia: a) Julgar procedente em parte a impugnação contra os autos de infração, para manter a exigência de R$ 449.004,87 de IRPJ, R$ 89.408,37 de Cofins, R$ Fl. 407DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 19.477,93 a título de PIS e R $ 136.029,85 de CSLL, acrescidos de multa de ofício 75%) e encargos legais; b) Declarar definitiva a imputação de responsabilidade solidária ao sócio José Carlos Schade, CPF 450.552.97972 e, julgar procedente a imputação de responsabilidade às empresas SPR Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda, CNPJ 05.673.216/000131, J R S Manutenção Mecânica Ltda ME, CNPJ 05.863.502/000160, Locomaq Manutenção de Veículos Ferroviários Ltda, CNPJ 06.014.394/000113, Schade Manutençjão Mecânica Ltda, CNPJ 05.242.075/0001 00 e, All Manutenção Mecância Ltda, CNPJ 08.9B7.381/000141. Entendo que o relatório fiscal é claro e contundente quanto à participação das pessoas arroladas nos termos de sujeição passiva, ou na administração direta da pessoa jurídica, ou na cumplicidade quanto as irregularidades apontadas. Alem do mais, entendo, também, que a constituição do crédito tributário envolve a identificação do sujeito passivo de forma ampla e este pode ser tanto o sujeito passivo direto (contribuinte ou substituto) quanto o sujeito passivo indireto ou responsáveis, ex vi arts. 121 c/c 128: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. 0 sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifos nosso). Ao meu ver agiu corretamente o Fisco que, com base nos elementos de que dispunha e nos fatos que apurou, trazer para o pólo passivo da relação jurídicotributária as pessoas jurídica e a pessoa física do sócio José Carlos Schade os quais considerou responsáveis tributários. Quanto à legitimidade para intervir no processo, entendo, igualmente se aplicar ao contribuinte e ao responsável. Para tanto e, por não tratar especificamente do assunto o Decreto nº 70.235/1972, considero plenamente aplicáveis as disposições dos arts. 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999: Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; [...] Fl. 408DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.006817/200903 Acórdão n.º 1301000.805 S1C3T1 Fl. 12 23 Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: I os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; [...] No caso, ressalto, que somente a pessoa jurídica LACI MANUTENÇÃO MECÂNICA LTDA (CNPJ: 07.494.082/000117), relacionada no momento do lançamento no polo passivo da obrigação jurídicotributária na qualidade de contribuinte (CTN, art. 121, I), é que apresentou recurso voluntário. Pelo exposto, mantenho a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Carlos Schade, CPF 450.552.97972. Por tais fundamentos, afasto as preliminares de nulidades suscitadas, mantenho a exclusão do Simples, a responsabilidade tributária imputado à pessoa física do sócio José Carlos Schade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 409DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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