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Numero do processo: 35166.001726/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
PERÍCIA. SOLIDARIEDADE. MATÉRIAS OMITIDAS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. DOCUMENTOS APREENDIDOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não há omissão da decisão de primeira instância que rejeita pedido de perícia com base no fundamento de que o processo contém todos os elementos necessários ao julgamento, nem que deixa de enfrentar alegação relativa à solidariedade que não foi declarada no lançamento.
O prejuízo à defesa, em razão da apreensão de documentos pela Polícia Federal, depende da demonstração da utilidade dos documentos apreendidos.
O termo de devolução de documentos apreendidos pela autoridade fiscal faz prova da data da devolução dos documentos, que, sendo anterior à ciência do lançamento, afasta o prejuízo à defesa.
CONTABILIDADE E FOLHAS DE PAGAMENTO QUE NÃO REFLETEM A REALIDADE. INEXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS DE AFERIÇÃO DIRETA DO FATO GERADOR. LEGALIDADE DO ARBITRAMENTO.
É autorizada a adoção da técnica do arbitramento quando as informações e os documentos do contribuinte não merecem fé, e o vício não é sanado por outros elementos, inviabilizando a apuração direta do fato gerador.
EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SESC. SENAC. INCRA. SEBRAE. CABIMENTO.
O salário educação é devido pelas empresas prestadores de serviços, nos termos do art. 202, § 5º, da Constituição Federal. Precedentes do STJ.
As empresas prestadoras de serviços recolhem as contribuições para o SESC e SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, conforme a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, nos termos da Súmula nº 499 do STJ.
As empresas prestadoras de serviço estão obrigadas a recolher a contribuição para o SEBRAE, por ser prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal em processo com repercussão geral reconhecida.
O objeto da contribuição destinada ao INCRA é custear a política de reforma agrária, beneficiando toda a sociedade e não somente o meio rural, de modo que é devida também pelas empresas urbanas. Precedentes do STJ.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais, conforme Súmula CARF nº 4.
MULTA PROGRESSIVA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. INEXISTÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA POR FALTA DE INFORMAÇÃO, EM GFIP, DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Aplica-se ao caso a multa de regência limitada ao percentual de 75% previsto na legislação posterior que alterou a sistemática das multas em processos de exigência de contribuições previdenciárias e as devidas aos terceiros.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não reconhecer prejudicialidade do decidido no Processo nº 19563.000083/2007-74 em relação às matérias tratadas no presente processo, questão levantada de ofício pelo Conselheiro Ivacir Julio de Souza. Em relação à aplicação da multa, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora; vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva, que davam provimento em maior extensão. Em relação às demais matérias, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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TERCEIROS Recorrente CLEAN SERVICE SERVIÇOS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 PERÍCIA. SOLIDARIEDADE. MATÉRIAS OMITIDAS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. DOCUMENTOS APREENDIDOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há omissão da decisão de primeira instância que rejeita pedido de perícia com base no fundamento de que o processo contém todos os elementos necessários ao julgamento, nem que deixa de enfrentar alegação relativa à solidariedade que não foi declarada no lançamento. O prejuízo à defesa, em razão da apreensão de documentos pela Polícia Federal, depende da demonstração da utilidade dos documentos apreendidos. O termo de devolução de documentos apreendidos pela autoridade fiscal faz prova da data da devolução dos documentos, que, sendo anterior à ciência do lançamento, afasta o prejuízo à defesa. CONTABILIDADE E FOLHAS DE PAGAMENTO QUE NÃO REFLETEM A REALIDADE. INEXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS DE AFERIÇÃO DIRETA DO FATO GERADOR. LEGALIDADE DO ARBITRAMENTO. É autorizada a adoção da técnica do arbitramento quando as informações e os documentos do contribuinte não merecem fé, e o vício não é sanado por outros elementos, inviabilizando a apuração direta do fato gerador. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SESC. SENAC. INCRA. SEBRAE. CABIMENTO. O salário educação é devido pelas empresas prestadores de serviços, nos termos do art. 202, § 5º, da Constituição Federal. Precedentes do STJ. As empresas prestadoras de serviços recolhem as contribuições para o SESC e SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 17 26 /2 00 5- 74 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Nacional do Comércio, conforme a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, nos termos da Súmula nº 499 do STJ. As empresas prestadoras de serviço estão obrigadas a recolher a contribuição para o SEBRAE, por ser prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal em processo com repercussão geral reconhecida. O objeto da contribuição destinada ao INCRA é custear a política de reforma agrária, beneficiando toda a sociedade e não somente o meio rural, de modo que é devida também pelas empresas urbanas. Precedentes do STJ. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, conforme Súmula CARF nº 4. MULTA PROGRESSIVA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. INEXISTÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA POR FALTA DE INFORMAÇÃO, EM GFIP, DOS MESMOS FATOS GERADORES. Aplicase ao caso a multa de regência limitada ao percentual de 75% previsto na legislação posterior que alterou a sistemática das multas em processos de exigência de contribuições previdenciárias e as devidas aos terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não reconhecer prejudicialidade do decidido no Processo nº 19563.000083/200774 em relação às matérias tratadas no presente processo, questão levantada de ofício pelo Conselheiro Ivacir Julio de Souza. Em relação à aplicação da multa, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora; vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Alice Grecchi, Nathália Correia Pompeu e Marcelo Malagoli da Silva, que davam provimento em maior extensão. Em relação às demais matérias, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 35166.001726/200574 Acórdão n.º 2301004.373 S2C3T1 Fl. 349 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Clean Service Serviços Gerais Ltda em face do Acórdão n.º 0113.066 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Belém, fl. 252266 que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 35.794.3910. De acordo com o relatório fiscal de fl. 158171, e anexos, o lançamento trata de exigência de contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), correspondentes à contribuição do salário educação e às contribuições destinadas ao INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre o valor da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, apurado pelos seguintes meios: a) valor informado em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 01/1999 a 04/2004; b) valor aferido indiretamente com base na diferença entre o valor informado em GFIP e o valor correspondente a 20% das notas fiscais de serviços, no período de 04/2002 a 12/2004, c) valor informado na folha de pagamento a título de gratificação natalina, nas competências 13/2002, 13/2003 e 13/2004. Inconformada, a autuada apresentou impugnação ao lançamento, fls. 175 208, solicitando a realização de perícia e o cancelamento do crédito tributário. Foram delimitados os seguintes pontos controvertidos: a) decadência de cinco anos; b) cobrança indevida de contribuições já recolhidas; c) cerceamento de defesa, d) ilegalidade do arbitramento decorrente da desconsideração de contabilidade idônea; e) ilegalidade do critério do arbitramento; f) inconstitucionalidade da contribuição do salário educação e das contribuições destinadas ao INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, g) ilegalidade dos juros e da multa progressiva. A DRJ indeferiu o pedido de perícia e julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo do lançamento: a) as competências 01/1999 a 09/2000, em razão da decadência; b) a competência 04/2004, após comprovada a extinção pelo pagamento; c) as contribuições destinadas ao SESC e SENAC, do período de 09/1999 a 12/2002, com base no Parecer/CJ nº 1.861/99, que definiu que as empresas prestadoras de serviços não têm natureza comercial. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 20/10/2005 e tomou ciência do acórdão da DRJ em 16/10/2009, fls. 277. Em 10/11/2009, a interessada interpôs recurso, fl. 278310, solicitando o cancelamento do crédito tributário, e apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Em preliminar, alega cerceamento de defesa, por considerar que o acórdão recorrido deixou de enfrentar a alegação de inexistência de grupo econômico e não justificou o indeferimento do pedido de realização de prova pericial, além de argumentar que a defesa foi prejudicada em razão da apreensão dos seus documentos em operação realizada pela Polícia Federal no escritório de contabilidade que lhe presta serviços. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Suscita a inconstitucionalidade da contribuição social do salárioeducação e das contribuições destinadas ao SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE e sustenta que essas contribuições não são devidas pelas empresas prestadoras de serviços. Alega que é indevida a exigência da competência abril/2004, já recolhida. Considera o arbitramento ilegal, argumentando que possui contabilidade idônea, que a desconsideração da contabilidade do exercício 2004 não foi motivada pela fiscalização, e que não foram observados os critérios estipulados nos arts. 602 e 603 da Instrução Normativa SRP 03/2005. Sustenta que não integram o salário de contribuição os fatos econômicos mencionados nos itens 3.5.2.1, 3.5.2.5, 3.5.4.1, 3.5.6.3, 3.5.6.4, 3.5.7.2, 3.5.7.1, 3.5.9.2 e 3.5.9.3 do relatório fiscal, incluindo o pagamento de aluguel de república, necessário para a realização do serviço, e a transferência entre contas, itens 3.5.1.1, 3.5.1.3, 3.5.2.4, 3.5.5.2, 3.5.6.2, 3.5.7.5. Insurgese contra os juros calculados com base na taxa Selic e a multa progressiva. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 35166.001726/200574 Acórdão n.º 2301004.373 S2C3T1 Fl. 350 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Conexão com o Processo nº 19563.00083/200774. Inocorrência Na sessão de julgamento foi suscitada questão preliminar ao julgamento deste processo, que consiste na possibilidade de aqui existir o mesmo vício processual constatado no Processo nº 19563.00083/200774, relativo à ausência de intimação do responsável tributário. No Processo nº 19563.00083/200774 foram arrolados como sujeitos passivos do lançamento, Clean Service Serviços Gerais Ltda, CNPJ 02.428.026/000160, na condição de contribuinte, e, na condição de responsável solidário, por integrar grupo econômico de fato, com base no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a empresa Service Brasil Serviços Gerais. Ocorre que, no presente processo, a autoridade lançadora deixou de declarar a responsabilidade solidária da empresa Service Brasil Serviços Gerais, conforme esclarece o item 2.1 do relatório fiscal: 2.1 Nesta NFLD está incluído o débito referente às contribuições devidas a outras entidades: SESC, SENAC, INCRA, SEBRAE e SALÁRIOEDUCAÇÃO, por se tratarem de contribuições sobre as quais não há SOLIDARIEDADE, por isso, tais contribuições estão lançadas nesta NFLD. Por sua vez, a sociedade empresária Clean Service Serviços Gerais Ltda, único sujeito passivo do presente lançamento, foi dele cientificada em 20/10/2005, conforme aviso de recebimento dos correios às fl. 173, e tomou ciência do acórdão da DRJ em 16/10/2009, fls. 277. Em suma, é rejeitada essa preliminar, considerando que não há vício na intimação feita ao sujeito passivo do lançamento. Preliminar de Invalidade do Lançamento e do Acórdão Recorrido Foi alegada a possível ausência de enfrentamento, pela primeira instância, das matérias relativas ao pedido de perícia e à responsabilidade solidária. No voto condutor do acórdão recorrido, a perícia foi considerada prescindível, sob o fundamento de que todos os fatos relevantes para deslinde da questão constam dos autos. Não ocorreu, portanto, a alegada omissão do órgão julgador de primeira instância, nem qualquer impedimento à apresentação, pela Recorrente, de contrariedades àquelas razões de decidir, nessa fase recursal. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 Quanto à responsabilidade solidária, verificase que não foi declarada neste processo, conforme explicitado no item 2.1 do relatório fiscal1, e, por essa razão, não cabia ao órgão julgador se manifestar sobre a matéria. Outra questão posta no recurso como cerceadora do direito de defesa decorre da alegada impossibilidade de acesso, pela Recorrente, aos seus documentos apreendidos pela Polícia Federal. Entretanto, não ficou demonstrado o prejuízo à defesa, pois, primeiro, o auto de apreensão de documentos da Recorrente, expedido em 18 de fevereiro de 2005 pelo Departamento da Polícia Federal de Belém (PA), fls. 219221, não discrimina os documentos apreendidos; segundo, extraise dos autos que a Recorrente tinha à sua disposição a documentação necessária à defesa. A apreensão de alguns documentos pela Polícia Federal ocorreu em 18 de fevereiro de 2005, entretanto, os documentos que embasaram o lançamento tributário foram entregues, à Recorrente, em 23 de setembro de 2005, pela própria autoridade lançadora. Foram devolvidas notas fiscais, movimentos contábeis e livros Diário e Razão, relativos ao período do lançamento, conforme discriminado no Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos, fls. 154156. A ciência do lançamento ocorreu após esses fatos, em 20 de outubro de 2005, data em que a Recorrente já estava na posse da documentação. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito Pagamento da Competência Abril/2004. Decisão Favorável ao Contribuinte Transitada em Julgado O acórdão recorrido excluiu do lançamento as contribuições relativas à competência abril/2004, conforme excerto do voto condutor, abaixo transcrito: 19. É afirmado pela impugnante que com relação à competência 04/2004, constante na NFLD, os valores devidos já foram recolhidos, conforme demonstra no quadro de fls.179, em que pese não ter sido apresentado nenhum documento comprobatório dessa alegação, efetuouse consulta ao Sistema de Arrecadação – Demonstrativo da Divergência Apurada, tela anexada às fls.245, tendo sido constatada a procedência do alegado pela recorrente, eis que, segundo o cotejo entre os valores declarados em GFIP e os efetivamente recolhidos pela empresa, não há divergência com relação às contribuições devidas aos terceiros. 19.1 Assim sendo, deverá ser excluída da Notificação, o valor lançado na competência 04/2004 – Levantamento GFP – Valores Declarados em GFIP. 1 2.1 Nesta NFLD está incluído o débito referente às contribuições devidas a outras entidades: SESC, SENAC, INCRA, SEBRAE e SALÁRIOEDUCAÇÃO, por se tratarem de contribuições sobre as quais não há SOLIDARIEDADE, por isso, tais contribuições estão lançadas nesta NFLD. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 35166.001726/200574 Acórdão n.º 2301004.373 S2C3T1 Fl. 351 7 Assim, o recurso carece de utilidade e necessidade nessa parte, pois a matéria foi decidida favoravelmente à Recorrente, de modo definitivo, em razão da coisa julgada administrativa. Alegação rejeitada. Legalidade do Arbitramento A fiscalização, ao analisar a contabilidade da empresa, em cotejo com os documentos representativos dos fatos econômicos, identificou vícios intrínsecos dos Livros Diário dos anos de 2002, 2003 e 2004, que consistem, basicamente, na identificação de registro de fatos jurídicos em títulos impróprios da contabilidade ou omissão do registro contábil. A fiscalização também identificou a prática de pagamentos a segurados não incluídos em folha de pagamento. Os vícios apontados pela fiscalização foram descritos no item 3 do relatório fiscal, fls. 158, e são corroborados pelos documentos juntados aos autos do processo principal (nº 19563/000083/200774), podendo ser resumidos e agrupados conforme abaixo: Tabela 1 Nº Fato Ano Data Vício Fato Valor 01 2002 8/4/2002 Fato econômico não contabilizado transferência via "doc" para a conta corrente da empresa Transbservice (mesmos sócios) 32.000,00 02 2002 11/4/2002 Fato econômico não contabilizado Pagamento de despesa não indentificada, ref. cheque nº 2195 15.000,00 03 2002 25/4/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios Transferência bancária para empresa Tetralix (mesmos sócios) via "doc" contabilizado a débito da conta caixa 6.000,00 04 2002 30/4/2002 Segurados não incluídos em folha de pagamento/GFIP Recibos de pagamentos de salário a Patrícia Ponte e Paulo Cristóvão 05 2002 4/7/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios Valor pago em dinheiro aos funcionários a título de refeição contabilizado na conta de despesa "bens de consumo não duráveis" 780,00 06 2002 10/7/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios Pagamento do aluguel do sócio Maurício registrado na conta "aluguel de imóveis"(despesa) e não contabilizado como prolabore 1.600,00 07 2002 30/7/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios pagamento de prestação de serviços a Josimar Fernandes de Oliveira (NFS), registrado na conta "tributos municipais"(despesa) 2.900,00 08 2002 31/7/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios pagamento de comissões do trimestre a Rosane Pontes contabilizada como transferência para a conta caixa 2.000,00 09 2002 30/7/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios aquisição de cestas básicas registrada na conta "viagens e hospedagens" (despesa) 5.130,00 10 2002 2/9/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios pagamento de serviços prestados por pessoa física contabilizado como "adiantamento a fornecedores" (ativo) 2.807,75 11 2002 30/9/2002 Segurados não incluídos em folha de pagamento/GFIP Recibo de pagamento de salário a Luiz Carlos Mendonça e Valter Jose Vasconcelos Maradei 12 2002 2/10/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios aquisição de cestas básicas registrada na conta "viagens e hospedagens" (despesa) 10.803,99 13 2002 2/10/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios pagamento de serviços prestados por pessoas físicas contabilizado como "adiantamento a fornecedores" (ativo) 2.450,00 14 2002 19/11/2002 Fato econômico não contabilizado transferência via "doc" para a conta corrente do sócio Carlos Mauricio Carpes Ettinger contabilizado como transferência da conta bancos para conta caixa 2.500,00 15 2002 29/11/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios Folha de pagamento contabilizada como transferência da conta bancos para a conta caixa 14.222,35 16 2002 29/11/2002 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios pagamento a cooperativa de trabalho registrado na conta "locação de bens móveis" (despesa) 73.500,00 17 2003 20/1/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios Pagamento do aluguel do sócio Maurício registrado na conta "aluguel de imóveis"(despesa) e não contabilizado como prolabore 1.400,00 18 2003 15/1/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios transferência via "doc" para a conta corrente do sócio Carlos Mauricio Carpes Ettinger contabilizado como transferência da conta bancos para conta caixa 30.000,00 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 19 2003 15/1/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios Valor pago em dinheiro aos funcionários a título de refeição contabilizado na conta de despesa "bens de consumo não duráveis" 1.729,00 20 2003 30/1/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios aquisição de cestas básicas registrada na conta "brindes e confraternizações" (despesa) 7.724,00 21 2003 3/2/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios aquisição de cestas básicas contabilizada na conta "farmácias e supermercado a repassar" (passivo) 4.770,00 22 2003 3/2/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios pagamento a cooperativa de trabalho registrado na conta "locação de bens móveis" (despesa) 62.500,00 23 2003 28/2/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios transferência via "TED" para a conta corrente do sócio Carlos Mauricio Carpes Ettinger contabilizado como transferência da conta bancos para conta caixa 18.500,00 24 2003 25/9/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios aquisição de cestas básicas registrada na conta "manutenção de equipamentos" (passivo) 2.000,00 25 2003 2/9/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios valor pago em dinheiro aos funcionários a título de refeição contabilizado na conta de despesa "legalizações e registros" 1.893,50 26 2003 30/9/2003 Fato econômico contabilizado em títulos impróprios valor pago em dinheiro aos funcionários a título de refeição contabilizado na conta de despesa "manutenção de softwear" 1.823,50 27 2004 30/12/2004 Segurados não incluídos em folha de pagamento/GFIP Relação de segurados não incluídos em folha de pagamento e GFIP e valores de pagamento da 2a parcela do 13o salário e do salário de dezembro/2004 (f.316321 Processo 19563.000083/200774) A escrituração contábil deve ser feita de forma a possibilitar à fiscalização a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e dos montantes descontados, devidos e recolhidos a título de contribuições previdenciárias, apenas com base nos títulos das contas contábeis. Para tanto, o registro contábil das parcelas da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados deve ser feito em títulos próprios, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição. Tratase de dever instrumental previsto no inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. É também dever instrumental da empresa elaborar folha de pagamento contemplando todos os segurados a seu serviço, bem como todas as parcelas da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, ainda que a parcela não integre o salário de contribuição, nos termos do inciso IV do § 9o do art. 225 do RPS/99. À vista disso, impõese identificar se os vícios apontados são suficientes para tornar a contabilidade, as folhas de pagamento e as GFIPs ineficazes como meios de prova das bases de cálculo dos fatos geradores aqui tratados, de modo a justificar a adoção da técnica do arbitramento. Os fatos sintetizados na tabela 1 demonstram que a Recorrente, no período de 2002 a 2004, pagou benefícios indiretos a seu sócio, a título de aluguel (fatos nº 6,17), também fez pagamento, em dinheiro, a empregados, a título de auxilio alimentação (fatos nº 5, 19, 25, 26), fez pagamentos a pessoas físicas que lhe prestaram serviços eventuais (10, 13), bem como a sócios (14, 18, 23) e a empregados (4, 8, 11, 15, 27), e deixou de registrar na contabilidade a verdadeira natureza desses pagamentos, além de ter deixado de incluir essas parcelas em folha de pagamento. Também ficou demonstrado que a Recorrente pagou salários a empregados e deixou de incluílos em folha de pagamento. É o caso dos salários pagos, em 2002, a Patrícia Pontes, Paulo Cristóvão (fato nº 4), Luiz Carlos Mendonça e Valter Jose Vasconcelos Maradei (fato nº 11), das comissões pagas a Rosane Pontes (fato nº 8), dos salários pagos em folha de pagamento contabilizada em conta imprópria (fato nº 15), e, no ano de 2004, dos pagamentos feitos "por fora" (item 27). Embora os documentos comprobatórios dos fatos acima expostos não abranjam todo o período do lançamento, é possível afirmar que os pagamentos "por fora" foram feitos com habitualidade, uma vez que essa é uma característica inerente à relação jurídica de emprego. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 35166.001726/200574 Acórdão n.º 2301004.373 S2C3T1 Fl. 352 9 Diante da existência de pagamentos de salários e de remunerações a segurados não incluídos em folha de pagamento, omitidos na contabilidade ou registrados em contas contábeis que não revelam a sua real natureza, a contabilidade da empresa, assim como os demais meios diretos de apuração das contribuições aqui tratadas (folha de pagamento e GFIP) não permitem a descoberta direta das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, uma vez que as informações registradas nesses documentos não merecem fé. Diante desse quadro, fica autorizada a apuração da base de cálculo por meios indiretos, nos termos do art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 33 § 3o da Lei 8.212/91. Tal procedimento não seria admitido somente se o Fisco pudesse retificar os vícios encontrados na documentação do contribuinte, conforme ensinamento de Maria Rita Ferragut: 34.1. O critério para determinar se um ou mais vícios ou erros são ou não suscetíveis de ensejar a desconsideração da documentação reside no seguinte: se implicarem a impossibilidade por parte do Fisco de, mediante exercício do dever de investigação, retificar a documentação de forma a garantir o valor probatório do documento, o mesmo deve ser considerado imprestável e a base de cálculo arbitrada. Caso contrário, não. (FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. Dialética, 2001, p. 161) Ocorre que a retificação dos vícios apontados é inviável, uma vez que o Fisco não teve acesso a todos os pagamentos “por fora” contidos nas folhas de pagamentos “não oficiais”. As bases de cálculo foram então calculadas pelo valor dos serviços contido nas notas fiscais emitidas pela empresa, considerandose remuneração o valor correspondente a cinqüenta por cento do valor total das notas fiscais de serviços e, como base de cálculo, quarenta por cento do valor considerado como remuneração. A base de cálculo, portanto, foi apurada como sendo vinte por cento do valor bruto da nota fiscal de serviço. Com relação ao critério adotado para o arbitramento das contribuições, é possível afirmar que foi pautado pelos princípios da razoabilidade e da impessoalidade, estando amparado em ato normativo, §§ 1o e 3o do art. 601 c/c inciso I do art. 600 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) nº 03/2005. IN SRP 03/2005 Art. 601. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, para a execução dos serviços, se os valores de material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços será apurado na forma do art. 600. § 1º Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto Fl. 356DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 os equipamentos manuais, e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 600. ... § 3º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato, o valor do serviço corresponderá a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, aplicandose, para fins de aferição da remuneração da mãode obra utilizada na prestação de serviços, o disposto no art. 600 e observado, no caso da construção civil, o previsto no art. 605. Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; ... Em suma, estão presentes os pressupostos legais autorizadores para a adoção da técnica do arbitramento: os documentos da Recorrente não contêm as informações necessárias à perfeita identificação da base de cálculo e não é possível identificar, por outros meios diretos, a grandeza manifestada pelo fato jurídico. O arbitramento, por sua vez, foi feito de acordo com os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, com base em critério previsto em ato normativo. A lisura do arbitramento gera o efeito da inversão do ônus da prova, que passa a ser do contribuinte, o qual não logrou êxito em afastar os fundamentos do lançamento. Por fim, a Recorrente alega que não há incidência das contribuições aqui tratadas sobre determinados fatos jurídicos, os quais relaciono abaixo: Tabela 2 Ano Data Fato Valor Cód. REFISC 2002 08/04/2002 transferência via "doc" para a conta corrente da empresa Transbservice (mesmos sócios) 32.000,00 3.5.1.1 2002 25/04/2002 Transferência bancária para empresa Tetralix (mesmos sócios) via "doc" contabilizado a débito da conta caixa 6.000,00 3.5.1.3 2002 04/07/2002 Valor pago em dinheiro aos funcionários a título de refeição contabilizado na conta de despesa "bens de consumo não duráveis" 780,00 3.5.2.1 2002 31/07/2002 pagamento de comissões contabilizada como transferência para a conta caixa 2.000,00 3.5.2.4 2002 30/07/2002 aquisição de cestas básicas registrada na conta "viagens e hospedagens" (despesa) 5.130,00 3.5.2.5 2002 02/10/2002 aquisição de cestas básicas registrada na conta "viagens e hospedagens" (despesa) 10.803,99 3.5.4.1 2002 29/11/2002 pagamento de salários de empregados (folha de pagamento "extra") contabilizado como transferência da conta bancos para a conta caixa 14.222,35 3.5.5.2 2003 15/01/2003 transferência via "doc" para a conta corrente do sócio Carlos Mauricio Carpes Ettinger contabilizado como transferência da conta bancos para conta caixa 30.000,00 3.5.6.2 2003 15/01/2003 Valor pago em dinheiro aos funcionários a título de refeição contabilizado na conta de despesa "bens de consumo não duráveis" 1.729,00 3.5.6.3 2003 30/01/2003 aquisição de cestas básicas registrada na conta "brindes e confraternizações" (despesa) 7.724,00 3.5..6.4 2003 03/02/2003 pagamento a Carlos L de Souza, prestador de serviço autônomo, registrado na conta "serviços prestados PJ"(despesa) 351,00 3.5.7.1 2003 03/02/2003 aquisição de cestas básicas registrada na conta "farmácias e supermercado a repassar" 4.770,00 3.5.7.2 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 35166.001726/200574 Acórdão n.º 2301004.373 S2C3T1 Fl. 353 11 (passivo) 2003 28/02/2003 transferência via "TED" para a conta corrente do sócio Carlos Mauricio Carpes Ettinger contabilizado como transferência da conta bancos para conta caixa 18.500,00 3.5.7.5 2003 02/09/2003 valor pago em dinheiro aos funcionários a título de refeição contabilizado na conta de despesa "legalizações e registros" 1.893,50 3.5.9.2 2003 30/09/2003 valor pago em dinheiro aos funcionários a título de refeição contabilizado na conta de despesa "manutenção de softwear" 1.823,50 3.5.9.3 Ocorre que neste lançamento não se exige contribuições incidentes sobre os fatos jurídicos identificados na contabilidade, discriminados na tabela 2, mas sim, sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados, calculada com base nas notas fiscais de serviços, além de contribuições declaradas em GFIP. Portanto, deixo de analisar se os fatos relacionados na tabela 2 são ou não tributáveis. Salário Educação. SESC. SENAC. INCRA. SEBRAE. Empresa Prestadora de Serviço. Incidência O acórdão recorrido manteve a exigência das contribuições sociais do salário educação e as contribuições destinadas ao INCRA e SEBRAE do período de 10/2000 a 03/2004 e 05/2004 a 12/2004, mantendo, também, a exigência das contribuições devidas ao SESC e SENAC do período de 01/2003 a 03/2004 e 05/2004 a 12/2004. A vigência dos dispositivos legais instituidores da contribuição social do salário educação e das contribuições destinadas ao SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE não pode ser afastada por esse órgão julgador, por força do Enunciado da Súmula CARF nº 022, de observância obrigatória no âmbito deste Conselho. No mais, a questão da constitucionalidade do salário educação está pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, consoante Súmula nº 732: É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/96. (Dec. 26/11/03, DJ 09.12.2003) Essa contribuição também é devida pelas empresas dedicadas à prestação de serviços, pois o art. 212, § 5º, da Constituição de 1988 prevê o recolhimento da contribuição social do salário educação pelas “empresas”, sem exceções. Em relação à contribuição devida ao INCRA, como visa a beneficiar toda a sociedade e não apenas o meio rural, ao custear a atuação do Estado na estrutura fundiária, notadamente o programa nacional de reforma agrária, é inconcebível a referibilidade direta em relação ao sujeito passivo da exação, nos termos da jurisprudência do STJ: CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA. EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO DO STJ. 1. A 1ª Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a contribuição destinada ao FUNRURAL e ao INCRA.” 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 (STJ, 1ª T., REsp 673.059/RS, Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, set/06). É igualmente devida a contribuição para o SEBRAE, pelas empresas prestadoras de serviço, considerando que é prescindível a contraprestação direta em favor do contribuinte, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em processo com repercussão geral reconhecida, RE 635682/RJ: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (STF, RE 635682/RJ, Min. GILMAR MENDES, 05/2013) Também são devidas das empresas prestadoras de serviços as contribuições para o SESC e SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, conforme a classificação do artigo 577 da CLT e seu anexo, consoante jurisprudência do STJ, Súmula 499: As empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social. (DJe mar/2013) Em suma, à Recorrente, na condição de empresa prestadora de serviços, compete recolher as contribuições do salárioeducação e as destinadas ao SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE, nos termos do lançamento. Taxa Selic A apreciação de arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização da taxa Selic também é incabível na esfera administrativa, nos termos do Enunciado nº 2 de Súmula do CARF. Ademais, o cabimento da adoção da taxa Selic é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme enunciado da Súmula nº 4, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Em síntese, são rejeitadas as alegações sobre essa matéria. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 35166.001726/200574 Acórdão n.º 2301004.373 S2C3T1 Fl. 354 13 Multa O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/913, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário de notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20094) e 75% no caso de exigência de tributo em 3 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 4 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão Fl. 360DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 14 lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20095). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento; ii) falta de declaração e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: no primeiro caso, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/966; no segundo caso, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/967. acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 5 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 6 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 35166.001726/200574 Acórdão n.º 2301004.373 S2C3T1 Fl. 355 15 O presente processo trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento de contribuições incluídas em lançamento tributário, conforme já mencionado aqui, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento de contribuições incluídas em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Assim, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento de contribuições não declaradas e/ou com declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. Entretanto, de acordo com o relatório fiscal, não há auto de infração de obrigação acessória lavrado com base em falta de declaração ou de declaração inexata dos fatos geradores tratados neste processo. Logo, nessa fase processual, a multa de 50%, vigente à época dos fatos geradores (art. 35, II, “d”, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99) é mais benéfica do que a multa atual de 75%. Todavia, como a legislação de regência prevê a progressão da multa em função das fases do processo, podendo chegar a 100%, no caso, deve ser aplicada a multa do art. 35, II e III, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, limitada ao percentual de 75%, nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008. Por fim, em razão do enunciado da Súmula CARF nº 02, nessa instância administrativa não é possível negar vigência ao art. 35, II e III, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, que prevê a progressão da multa em função das fases do processo. II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 362DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 16 Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a multa seja limitada a 75%. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 363DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10665.000831/2002-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração relativo a
a exigência de crédito tributário comprovadamente
extinto por meio de compensação.
Recurso de oficio negado.
Numero da decisão: 203-12.547
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Silvia de Brito Oliveira
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração relativo a a exigência de crédito tributário comprovadamente extinto por meio de compensação. Recurso de oficio negado.
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AUTO DE INFRAÇÃO. forp.seçpffictonocoDrioinootaico:atriutotes Acórdão n° 203-12.547 ur —118-- 0,, • Sessão de 20 de novembro de 2007 Ru!~ Recorrente DRJ EM BELO HORIZONTE-MG Interessado EMBARÉ INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS S/A Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIF-sECA TERsuiNrEs CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. conrue: C.7.e.'•.21.1:72. Deve ser cancelado o auto de infração relativo a :z ao n OR exigência de crédito tributário comprovadamente extinto por meio de compensação. Liz.vith, Cure, taiVeY Recurso de oficio negado.dieso I a Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. DALTON as b..R1D IRO DE MIRANDA Vice-Presidente e Processo ri.• 10665.000831/2002-91 Acórdão n.° 203-12.547 LiF.secti;f:3,2AORNESrViOODE COINTRLIBUINTES cavou Fls. 59 BreSU. 921-4 ---S222--1 02 W- itarede Cu rs •ro de Oliveira 0.Am Siam 91650 • Rh eI: RITO • VEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Mauro Wasilewski (Suplente), Luciano Pontes de Maya Gomes, Odassi Guerzoni Filho e Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente). Processo n.• 10665.000831/2002-91 MF-SEGUNDO GONGEUI0 DE CONTRIBUN Eç I CO3Acórdão n.° 203 - 12.547 CONFME ' C C,R aGNAL Fl . 60 . ce3 02_1 • m_.,3,3 X e. de OliveiraRelatório Mot Sisos 91650 Contra a pessoa jurídica qualificada nestes autos foi lavrado auto de infração eletrônico para formalizar a exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) decorrente de fatos geradores ocorridos no período de julho a setembro de 1997, com a multa de oficio e os juros moratórios correspondentes. O lançamento decorreu de auditoria interna em Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF) em que foi constatado que o processo judicial informado para amparar a compensação efetuada pela contribuinte pertencia a pessoa jurídica com outro número de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). A exigência tributária foi impugnada e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte-MG (DRJ/BHE), em face da informação constante da fl. 50 produzida pela Delegacia da Receita Federal em Divinópolis, em cumprimento a diligência que visava certificar se os débitos exigidos no auto de infração em tela teriam sido extintos por compensação com créditos decorrentes de decisão judicial, julgou improcedente o lançamento, nos termos do Acórdão das fls. 51 a 53. Dessa decisão, recorreu de oficio a instância de piso e os autos foram remetidos a este Segundo Conselho de Contribuintes. É o Relatório. wk e Processo n.• 10665.000831/2002-91 NIF-SEG1"00 CONSELHO DE CONTRIRIM • • 2/CO3 Nr:PrZE . - Acórdão n.°203-12347 61 023 die gilt lnst I.. o ve Oliveira Mas mané 41550 Voto Conselheira SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA, Relatora O recurso é tempestivo, por isso dele conheço. O litígio resume-se na comprovação de situação fática alegada pela autuada, qual seja, a extinção, pela compensação, do crédito tributário formalizado no auto de infração e, uma vez que tal extinção foi devidamente certificada pela unidade de origem dos autos, outra solução não há para a lide senão o cancelamento da exigência, por carência de objeto. Destarte, nenhum reparo há a fazer na decisão recorrida e, portanto, nego provimento ao recurso de oficio. Sala das • - ssões, em 20 de novembro de 2007 fr4 ata Sí 10 OLI RA Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721784/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/09/2009
DEIXAR DE APRESENTAR ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. MANAD. DESCUMPRIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIO.
Deixar de apresentar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, constitui descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 11, parágrafos 3º e 4º, da Lei nº 8.218/91, com a redação da Medida Provisória nº 2.158/01.
Numero da decisão: 2803-004.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/09/2009 DEIXAR DE APRESENTAR ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. MANAD. DESCUMPRIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIO. Deixar de apresentar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, constitui descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 11, parágrafos 3º e 4º, da Lei nº 8.218/91, com a redação da Medida Provisória nº 2.158/01.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/09/2009 DEIXAR DE APRESENTAR ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. MANAD. DESCUMPRIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIO. Deixar de apresentar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, constitui descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 11, parágrafos 3º e 4º, da Lei nº 8.218/91, com a redação da Medida Provisória nº 2.158/01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 84 /2 00 9- 11 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721784/200911 Acórdão n.º 2803004.073 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721784/200911 Acórdão n.º 2803004.073 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve o lançamento do Auto de Infração lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 11, parágrafos 3º e 4º, da Lei nº 8.218/91, com a redação da Medida Provisória nº 2.158/01, uma vez que, conforme o Relatório Fiscal da Infração, deixou de apresentar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. O contribuinte teria deixado de apresentar referidos arquivos em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da Secretaria da Receita Previdenciária, atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores (01/2005 a 12/2007). O recurso voluntário apresentado tempestivamente, alegando não ser cabível a exigência do MANAD de empresas excluídas do Simples/Simples Nacional, bem como o julgamento presente depende do julgamento dos lançamentos (AIOP Nº 37.201.2175; 37.201.2183 e 37.201.2205). É o relatório. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721784/200911 Acórdão n.º 2803004.073 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à primeira questão levantada, quanto aos efeitos da declaração de exclusão do Programa SIMPLES desde 01.01.2002, mas a parte não comprovou que permaneceria inclusa, ensejando a dispensa de aplicação do MANAD, na forma do art. 11, §2º, da Lei n. 8.213/1991. Mesmo assim, o ato de exclusão e sua possível anulação é apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa materia é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, não devem ser conhecidos por ora, conhecendo se apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. Ainda, a discussão administrativa de inconformidade com a exclusão de tal regime não tem efeitos suspensivos, pois não tratase de lançamento tributário, logo não encontrase entre as causas de suspensão dos efeitos do ato administrativo do art. 151, do CTN. O lançamento não pode ser assim sobrestado. Entretanto, é óbvio que decisão de cancelamento da exclusão, é causa primeira de cancelamento e plena nulidade do lançamento. Ou seja, caso venha a ser consolidada a situação de permanência da contribuinte no SIMPLES, ensejará em vício absoluto de origem do lançamento ora discutido. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721784/200911 Acórdão n.º 2803004.073 S2TE03 Fl. 6 5 Assim, a alegação de que haveria aplicação do regime normal de tributação, inclusive previdenciária, somente após a notificação do ato de exclusão do regime de tributação SIMPLES, que supostamente não ocorreu, e que seus efeitos não seriam retroativos, carece de razão. Assim, os créditos tributários lançados sobre as verbas remuneratórias apuradas pela fiscalização, são devidos salvo as exceções apresentadas neste voto. III – Quanto aos casos de conexão alegados, os mesmos não afetam o presente julgamento, inclusive, porque, no que referese à tipificação da penalidade, está correto o Auto de Infração, conforme o artigo 11, parágrafos 3º e 4º, da Lei nº 8.218/91, com a redação da Medida Provisória nº 2.158/01, deve o contribuinte, quando solicitado pela fiscalização, deve apresentar os arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. O lançamento do crédito em razão da falta, cumpriu os requisitos do art. 142, do CTN, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante os artigos 33 e 37 da Lei nº 8212/91, que dispõem sobre a competência/dever de fiscalizar, não cabendo qualquer discricionariedade à Autoridade Administrativa. III A recorrente não trouxe qualquer elemento probatório de que teria apresentado tais documentos eletrônicos no prazo, ou que sofreu causa impeditiva para tanto, como faculta o art. 16, do Dec. 70.235, não havendo questionamento efetivo das presunções de veracidade dos fatos relatados no auto de infração. IV Por final, quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da equidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARFMF, com interpretação consolidada pela Súmula 1, do CARF/MF. V – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721784/200911 Acórdão n.º 2803004.073 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000221/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 02 21 /2 00 5- 41 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Campo Grande (fls. 135/141), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, relativamente a pedido de ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável pelo exame inicial do pleito. A lide decorre de pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep Mercado Externo, no valor de 4.536,68, apurado segundo o regime de incidência não cumulativa, correspondente ao quarto trimestre de 2004. O pedido foi fundamentado no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002. A DRF em Limeira/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 87/88, deferiu apenas parcialmente o pedido formulado, tendo reconhecido o direito creditório no montante de R$ 17,34. A parte glosada corresponde ao crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo, o qual, segundo a autoridade fiscal, é legalmente admitido apenas para desconto da correspondente contribuição devida. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde aduziu o seguinte: a) que a Instrução Normativa n° 600/2006 não poderia ter sido aplicada retroativamente, sob pena de ferir a segurança jurídica, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito, previstos no art. 5°, inciso XXXVI da Constituição Federal; b) que ainda que se admitisse a aplicação da Instrução Normativa em tela, a compensação ora pleiteada não o é com relação a outros tributos e contribuições, mas referese à própria contribuição; e, c) que indeferir a compensação afrontaria o art. 151, inciso III, do Código Tributário nacional (CTN) e a própria Constituição Federal. Os argumentos em evidência, todavia, não foram acolhidos pela primeira instância, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DECORRENTE DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL A IN SRF n° 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 vedam expressamente a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004 com base no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 183DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000221/200541 Acórdão n.º 3301002.704 S3C3T1 Fl. 183 3 Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão vergastada ocorreu em 18/10/2014 (fls. 145). Inconformada, a interessada apresentou, em 23/10/2014 (fls. 146), o recurso voluntário de fls. 146/161, onde se insurge contra a decisão de primeira instância com fundamento nos mesmos argumentos outrora apresentados, em especial contra a aplicação retroativa da IN SRF nº 660/2006, cujos ditames, ainda que aplicados, não impediriam a compensação, já que os débitos compensados também dizem respeito a PIS. Aduz ainda que o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria não possui nenhuma vedação, já que a compensação com a própria contribuição ou com tributos administrados pela Receita Federal foram claramente o desejo do legislador ao estipular tais normas. Com base nos argumentos em tela, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito ao crédito presumido decorrente das vendas da agroindústria ao exterior, ou, alternativamente, que seja autorizado o creditamento dos valores no Sped EFD PIS COFINS/DACON, a fim de que sejam compensados posteriormente com outros débitos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme argumentos aduzidos em seu recurso voluntário, vêse que a lide se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do crédito presumido da contribuição para o PIS decorrente das vendas da agroindústria efetuadas para o exterior. O problema inerente à forma de utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de julgamento por este CARF quando do exame do processo no 10945.004981/200732, julgado em 05/05/2011 (acórdão no 380200.457), da relatoria do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo entendimento, abaixo transcrito, também adoto como razões para decidir a presente contenda: Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da evolução do tratamento legal que foi conferido a forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. A instituição do referido benefício fiscal foi feita pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi expressamente definida no § 10 do citado preceito legal, ao passo que [a] Fl. 184DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 forma de apuração do seu valor foi estabelecida no § 11. Tais preceitos legais tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (...). Em seguida, as formas de utilização e de cálculo do citado crédito presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas no caput e nos §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000221/200541 Acórdão n.º 3301002.704 S3C3T1 Fl. 184 5 I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). Compulsando os preceitos legais transcritos, observase que, desde a sua instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia ser utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos dispositivos legais, nem em qualquer outro diploma legal, referência a alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que não seja, exclusivamente, mediante a dedução da contribuição devida, apurada no respectivo período. Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, ao ressaltar que, “sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma” do regime não cumulativo, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito presumido, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. [...] Na verdade, [...] tanto os preceitos legais revogados como os revogadores dispuseram sobre as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme dispõem, respectivamente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Tratase, evidentemente, de disciplinamento legal expresso que, em face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer incongruência, omissão ou ambiguidade que, ao meu ver, pudesse ensejar qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento. Não se pode olvidar que, em se tratando de benefício fiscal, o texto veiculado no referido preceito legal deve ser interpretado de forma literal ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN. 1 "Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias". Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Além disso, por força do disposto no inciso II do art. 97 do CTN, a concessão de qualquer benefício fiscal que implique redução de tributo somente pode ser concedida por lei. Neste sentido, o legislador ordinário goza de plenas prerrogativas para delimitar a extensão e a forma de utilização do benefício concedido. [...] Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem cabimento a pretensão da Recorrente no sentido de atribuir interpretação extensiva ao disposto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 [...]. Principalmente, tendo em conta que a interpretação sistemática dos comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito presumido [...] conduz a conclusão inarredável de que o entendimento exarado no Acórdão recorrido, com suporte no ADI SRF nº 15, de 2005, está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em apreço, conforme se demonstrará a seguir. Também não procede a alegação da Recorrente de que o novel disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Na verdade, contrariando tal afirmação, verificase que os preceitos legais revogados, assim como os revogadores, disciplinaram e continuam disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput e §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Alegou ainda a Recorrente que o direito a compensação/ ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep, acumulados em face da imunidade e da nãocumulatividade, continuaria em pleno vigor. A alegação da Recorrente é verdadeira apenas em relação aos créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que, apesar se referir à Cofins, também se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003. Em face da importância que representa para o esclarecimento da presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido art. 6º: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; 2 "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)". Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000221/200541 Acórdão n.º 3301002.704 S3C3T1 Fl. 185 7 II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (...). (grifos não originais). É oportuno esclarecer ainda que, somente dão direito ao crédito ordinário ou normal (i) os bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Da mesma forma, também não dão direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da citada Contribuição. Neste sentido dispõem o inciso II do § 2º e os incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) (grifos não originais) A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens Fl. 188DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 não sujeitos ao pagamento da respectiva Contribuição, inclusive no caso isenção. Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que trata da matéria, resta indubitável que as formas de compensação e de ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002, aplicamse exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à receita de exportação, apurados segundo o regime da nãocumulativida da Contribuição para o PIS/Pasep. Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, é forçoso concluir que os créditos presumidos em apreço não podem ser utilizados para fim de compensação ou de ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente. Dessa forma, fica devidamente esclarecido que a única forma de utilização do valor do crédito presumido em apreço é apenas aquela autorizada no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração. (os destaques em sublinhado não constam do original) Vale lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual, juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade de utilização de compensação e ressarcimento mas unicamente em relação aos créditos “apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução da correspondente contribuição devida. Quanto ao disposto no § 2o do artigo 5o da IN 660/064, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de 3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: [...] § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000221/200541 Acórdão n.º 3301002.704 S3C3T1 Fl. 186 9 créditos presumidos na forma deste artigo”, importa destacar que referida instrução normativa não inovou quando tratou da impossibilidade de utilização dos créditos presumidos da recorrente para fins de ressarcimento ou de compensação com outros tributos. Como visto, o caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04 restringe o emprego dos referenciados créditos à dedução da contribuição correspondente, de sorte que nada há na instrução normativa em comento que extrapole o ditame legal reportado. Em outras palavras, a vedação contida na IN encontrase em conformidade com os limites para a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador. O mesmo se diga em relação ao disposto no § 3o, inciso II, do artigo 8o da IN 660/06, que expressamente veda a utilização dos créditos presumidos para fins de compensação. Toda essa exegese é corroborada pelo novo tratamento dado à matéria a partir da edição da Lei nº 12.350, de 20/12/2010. Os artigos 56A e 56B da norma em evidência passaram a autorizar a compensação ou o ressarcimento dos créditos presumidos nas condições específicas traçadas pelo legislador, conforme se observa abaixo: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). O artigo 56A da Lei nº 12.350/2010 corrobora tudo o que aqui já foi dito no sentido de que o direito de compensação ou de ressarcimento não alcançava os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, sendo os mesmos passíveis unicamente de utilização para a dedução da correspondente contribuição devida. Com efeito, não faria sentido o legislador editar norma permissiva de hipótese de compensação e de ressarcimento se a legislação outrora vigente já contemplasse tal possibilidade. Quanto ao artigo 56B da Lei nº 12.350/2010, a exceção criada pelo legislador que fortalece o entendimento aqui adotado também não socorre o sujeito passivo, já que restrita aos produtores de farelo de soja. Com efeito, conforme a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito pleiteado pela interessada, a mesma tem como atividade a "exportação, importação, comércio e benefício de café". No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o qual veda expressamente a utilização do crédito presumido para fins de compensação ou ressarcimento, tal dispositivo infralegal veio somente esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu bojo. Assim, tal norma complementar de direito tributário não desbordou de seu cunho meramente interpretativo, posto que restringiuse unicamente à sua função complementar de esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso. Para terminar, importa ressaltar que o entendimento acima está em perfeita sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso Especial no 200900758996, assim se manifestou: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000221/200541 Acórdão n.º 3301002.704 S3C3T1 Fl. 187 11 do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200900758996. Relator: Min Benedito Gonçalves. Data da decisão: 24/08/2010. Publicado em 31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos) Da conclusão Diante das considerações acima expostas, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 13710.002510/99-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
IRRF. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE RECONHECIMENTO E OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA CORRESPONDENTE. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF. 80.
Constitui condição indispensável para aproveitamento do crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, a comprovação do efetivo reconhecimento da receita financeira correspondente.
Aplicação da Súmula CARF n. 80.
Numero da decisão: 1201-001.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que o IRRF sobre aplicações financeiras, proporcionalmente às respectivas receitas oferecidas à tributação (R$ 7.310.342,01), compõe o saldo negativo do IRPJ do ano de 1998.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator.
EDITADO EM: 05/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, LuisFabiano Alves Penteado (relator) e Ester Marques Lins de Souza.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE RECONHECIMENTO E OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA CORRESPONDENTE. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF. 80. Constitui condição indispensável para aproveitamento do crédito de IRRF sobre aplicações financeiras, a comprovação do efetivo reconhecimento da receita financeira correspondente. Aplicação da Súmula CARF n. 80. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer que o IRRF sobre aplicações financeiras, proporcionalmente às respectivas receitas oferecidas à tributação (R$ 7.310.342,01), compõe o saldo negativo do IRPJ do ano de 1998. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 05/01/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 25 10 /9 9- 14 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, LuisFabiano Alves Penteado (relator) e Ester Marques Lins de Souza. Relatório O presente processo se refere a Pedido de Restituição apresentado pela Contribuinte, ora Recorrente em 22/12/99 (fls. 03) no valor de R$ 2.450.936,23 tendo como crédito o saldo negativo de apuração das estimativas do IRPJ/1999 AC 1998 (ou como não consta valor, seria o IRRF sobre aplicação financeira que não foi declarado na DIPJ), e aos Pedidos de Compensação protocolados em seguida, para compensar débitos de Cofins e PIS em PA de 12/99 a 12/00 e 01/01 a 07/01. Em 13/01/2000 foi apresentado o primeiro pedido de Compensação, fl. 51, seguido de outros pedidos de compensação, em 18/04/2000, fl. 58, em 17/04/2001, fls. 72, 73, 74, e em 10/01/2002, fls. 01 e 02 do processo apenso n° 10768.001027/200271, posteriormente convertidos em DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Contudo, em decorrência do Parecer Conclusivo 184/2006 e Despacho Decisório (fls. 335/338) de 12/12/2006, a empresa não teve o direito creditório reconhecido e consequentemente a não homologação das compensações declaradas, devido a não ter informado os valores do IRRF na linha 13, Ficha 13A do DIPJ/1999 e logo, não ter apurado saldo negativo de IRPJ. Resumidamente, os fundamentos do mencionado Parecer Conclusivo foram os seguintes: a) o IRRF por ser considerado antecipação do devido na apuração do imposto anual, somente seria passível de restituição na hipótese de que tivesse apurado saldo negativo de IRPJ no final do anocalendário 1998, de acordo com a DIPJ/1999 ou se a interessada comprovasse que teria ocorrido retenção do imposto de renda na fonte indevida ou a maior, sendo estas as únicas possibilidades de restituição no caso de retenção de imposto na fonte. b) em consulta ao sistema IRPJCONS, fl. 312, verificou que a interessada não apurou saldo negativo de IRPJ e não informou valores de IRRF, linha 13, ficha 13 A; Inconformada a Recorrente apresentou em 15/01/07 a Manifestação de Inconformidade de fls. 349/355, através da qual requer revisão da decisão e apresenta os comprovantes (informes) de rendimentos do Banco do Brasil do ano de 1998, as Fichas 12 e 13 da DIPJ/1999, tabela com os rendimentos e retenção apurada. Informa ainda a Recorrente ter cometido erro formal, uma vez que o crédito não foi informado na DIPJ do ano calendário de 1998, ficha 13 A, linha 13, o que, toda via, não prejudicaria o sei direito, sendo possível comprovar a existência de crédito através dos extratos de aplicações financeiras, que totalizam R$ 2.450.936,23. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 13710.002510/9914 Acórdão n.º 1201001.226 S1C2T1 Fl. 3 3 Alem disso, traz também os seguintes argumentos: i) o IRRF não tendo sido compensado em 1998, transformouse em saldo negativo de IRPJ, visto que a Braspetro apurou prejuízo fiscal em todos os meses do referido ano (vide ficha 12 do doe. 1); ii) o erro formal cometido não é suficiente para configurar a não existência do crédito, conforme Acórdãos citados às fls. 335/336; iii) tendo em vista que foi apurado prejuízo fiscal em todos os meses de 1998, o valor pleiteado de IRRF de aplicações financeiras é também o valor do saldo negativo de IRPJ do período, conforme Soluções de consulta citados às fls. 336/337; iv) há duplicidade de cobrança de débitos neste e no processo apenso; v) que o IRRF não tendo sido compensado/declarado em 1998 transformou se em saldo negativo do IRPJ, visto que a Braspetro apurou prejuízo fiscal em todos os meses do referido ano. Em 23/07/2007, a 7 ª Turma da DRJ/RJO julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada (Acórdão 1214187 fls. 434/439) e deferiu parcialmente o pedido da Recorrente, homologando as compensações de fls. 51, 58 e 72/74, em obediência ao disposto no parágrafo 5°, artigo 74, da Lei 9.430/96. Contudo, não foram homologadas as compensações relacionados ao processo apenso de n. 10768.001027/200271, protocoladas em 10/01/02, vez que acatados os fundamentos do Parecer Conclusivo e Despacho Decisório n. 184/06 e indeferido o direito creditório pleiteado no valor original de R$ 2.450.936,23. A Recorrente então apresentou Recurso Voluntário no qual traz as seguintes alegações: 1 apesar de não ter sido informado na Declaração de Rendimentos do ano calendário de 1998 (doe. 1), ficha 13 A, Linha 13, foi possível comprovar a existência de crédito, oriundo do IRRF, através de extratos que solicitou formalmente ao Banco do Brasil, 2ª via, dos comprovantes de rendimentos do ano de 1998 (doe. 3) de forma a comprovar a existência do valor restante de R$ 3.671,22; os comprovantes de rendimentos também podem ser verificados no anexo ao Pedido de Restituição no processo de n° 13710.002510/9914 anexo ao presente (doe. 4); 2 o IRRF não tendo sido compensado em 1998, transformouse em saldo negativo de IRPJ, visto que a BRASPETRO apurou Prejuízo Fiscal em todos os meses do referido ano (vide ficha 12 do doe. 1); houve erro formal no preenchimento da Declaração de Rendimentos o que não pode ser fato suficiente para configurar a não existência do direito ao crédito; 3 a comparação feita dos Informes de Rendimentos em 31/12/1998 com a DIPJ 1999, em sua ficha 7, linha 23, no que se refere à soma das receitas nominais, efetuada pela autoridade julgadora para fundamentar o questionamento se todos os rendimentos financeiros foram oferecidos à tributação ou não, está incorreta; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 4 o fato gerador do IRRF sobre rendimentos financeiros é constituído de rendimentos produzidos por aplicações em fundos de investimento financeiro; 5 a base de cálculo do IRRF, neste caso, é constituída pela diferença positiva entre o valor da alienação e o valor da aplicação financeira; 6 os rendimentos estiveram sujeitos às normas específicas à época em que foram auferidos, mesmo que resgatados em períodos seguintes (IN 02/96, de 12/01/1996, IN 72/97, de 10/09/1997, IN 96/97, de 26/12/1997 e IN 151/98, de 15/12/1998); 7 além disso, os rendimentos informados na DIPJ 1999, em sua ficha 7, linha 23, tratam de rendimentos auferidos no anocalendário, reconhecidos segundo o regime de competência; Em sessão de julgamento de 18/05/2010, a 2° Turma da 2° Câmara da 1° Seção de Julgamento deste Conselho, relator Conselheiro Nelson Losso Filho, aprovou a Resolução n. 120200.041 (fls 543 550) que converteu o julgamento em diligência e determinou o retorno do processo à repartição de origem, para que seja proferido parecer conclusivo a respeito do direito à compensação do IR Fonte pleiteado pela recorrente, com a comprovação do seguinte: l o reconhecimento contábil da receita financeira bruta, base para a retenção do imposto de renda cuja compensação foi solicitada; 2 o não aproveitamento do IR Fonte a compensar em períodos diversos ao solicitado, seja na declaração de rendimentos ou no cálculo de estimativas; 3 a confirmação da efetividade da retenção realizada, por meio das DIRFs apresentadas à Receita Federal do Brasil, do Comprovante de Rendimentos e Retenção de Tributos na Fonte em nome da autuada ou de pesquisa junto aos retentores; 4 a apuração de saldo negativo do IRPJ restituível na DIRPJ do ano calendário de 1998, considerando o IRRF a compensar incidente sobre aplicações financeiras; 5 outras informações que o autor da diligência julgar necessárias para confirmar a veracidade do pedido formulado. Em 06/10/14 a DEMAC/RJO/DIORT apresentou resposta à Solicitação de Diligência de fls. 650651, cujo trecho mais relevante transcrevo abaixo: "O CARF através da Resolução n° 1202.00.041 de 18/05/2010 (fls. 543/550) converte o Julgamento em Diligência para esclarecimentos à respeito do SN de 1999, como o reconhecimento contábil da receita financeira, o não aproveitamento do IRRF em período diversos, a confirmação da retenção através da DIRF e a apuração do SN IRPJ/1999. 7. Após a Intimação n° 470/2014 (fls. 559/560) ao contribuinte, e com suas respostas em anexas, vamonos à análise dessas: Fl. 713DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 13710.002510/9914 Acórdão n.º 1201001.226 S1C2T1 Fl. 4 5 a) Conforme quadro demonstrativo abaixo, das contas de outras receitas financeiras, fl. 584 do livro diário, nas contas de números 35.23, verificamos o total de 10.951.817,10, conforme o declarado na DIPJ/1999 (regime de competência). Já na DIRF (regime de caixa) vai constar o valor de 13.338.595,16 com rendimentos auferidos a partir de 1996 e 1998 conforme explicação do contribuinte apresentado no Recurso Voluntário ao CARF. b) A 2ª questão, foi verificado no sistema rede receita HOD 10 IRPJ CONS, nas DIPJ/2000 a 2002, o não aproveitamento desse IRRF a compensar, conforme já constava na explicação e comprovação apresentada pelo contribuinte no Recurso Voluntário ao CARF (fls. 461/464 e 481/494) e conforme tela do Sistema Dirf da rede Receita para os AC de 1999 a 2002 (fl. 649). c) Na 3ª questão foi confirmada a efetividade da retenção por meio da DIRF (fl. 574) nos sistemas da rede Receita. d) A 4a questão é a conclusão, donde a apuração do saldo negativo do IRPJ para o AC 1998 será o IRRF no valor de R$ 2.450.936,23. Cientificada acerca da resposta à Diligência, a Recorrente reiterou os argumentos já trazidos anteriormente e requereu: a) A extinção do presente processo, tendo em vista que os créditos nele tratados foram homologados tacitamente; b) Na eventualidade do não atendimento do pedido anterior, o que se admite por mera hipótese, requer seja homologado o crédito discutido neste processo, tendo em vista a confirmação de sua certeza, liquidez e exigibilidade, nos termos do Relatório de Diligência Fiscal; c) Seja o presente processo reunido ao processo de n. 10768.001027/200271, a fim de que sejam julgados simultaneamente, evitandose, assim, decisões conflitantes sobre a mesma matéria. Em razão do término do mandato do Conselheiro Nelson Losso Filho deste Conselho, o processo foi novamente sorteado. É o relatório. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 6 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A discussão gira em torno da pretensão da Recorrente de ver reconhecido seu direito de crédito originado em saldo negativo do anocalendário de 1998 decorrente de IRRF de aplicações financeiras do mesmo período e, consequentemente, ter homologadas as compensações relacionadas. Cabe ressaltar que após a homologação tácita reconhecida pelo acórdão n° 12 14.187 da DRJ no Rio de Janeiro, apenas as compensações protocoladas em 10/01/2002, nos valores de R$132.943,53 e R$ 2.399.278,21 (fls. 01 e 02 do processo 10768.001027/200271) permanecerão em litígio. A decisão da DRJ traz como fundamento para o não reconhecimento do crédito de IRRF pretendido, afirmando que a empresa deixou de comprovar o reconhecimento da receita sobre a qual incidiu o imposto de renda retido na fonte e que o IR Fonte não foi utilizado para compensar débitos do Imposto de Renda em períodos posteriores. Para melhor entendimento do racional adotado pela DRJ/RJO1, transcrevo trecho do acórdão 1214.187: "Segundo o Parecer e Despacho Decisório da Derat/RJ, o imposto retido na fonte não pode ser compensado diretamente com PIS e Cofins, mas sim com o imposto devido no final do período, se configurasse saldo negativo de IRPJ ou se houvesse a comprovação de que o pagamento de IRRF foi indevido ou maior que o devido. Ocorre que, ao considerarse o imposto retido na fonte aqui pleiteado, a interessada, conforme alega, passaria a ter saldo negativo de imposto no final do período, já que apurara "imposto de renda a pagar" igual zero antes de computar o imposto retido, conforme ficha 13 da DIPJ 1999 (fl. 49). A suposta imperfeição na forma de pedir utilizada, referindose ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da possível existência de crédito de imposto. Tampouco a simples falta de informação do IRRF e do saldo negativo na DIPJ pode justificar, por si só, o indeferimento do pedido, por tratarse de mera falha formal, incapaz de afastar o direito ao crédito, caso a interessada o possua. No entanto, uma vez que a interessada optou pelo lucro real, e com base em sua manifestação de inconformidade, convém esclarecer que o enfoque que devemos dar nesta análise para a apuração do crédito é o da determinação do saldo negativo do IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que toda retenção na fonte é considerada antecipação do imposto devido, desde que os rendimentos sejam computados para a determinação do lucro real (inciso III do §4° do Art. 2o da Lei 9.430/96). Uma vez que se comprove que foi apurado saldo negativo de IRPJ no final do período, devemos ainda observar que a interessada poderia utilizálo para compensação do imposto devido em períodos posteriores, podendo optar pela restituição (o inciso II do §1° do artigo 6o da Lei 9.430/96). Ou seja, não basta Fl. 715DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 13710.002510/9914 Acórdão n.º 1201001.226 S1C2T1 Fl. 5 7 apenas comprovar a existência do crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, sendo imprescindível também que se comprove que tal crédito não foi utilizado em compensações posteriores com débitos do próprio IRPJ. Continuando, considerando que cabe à interessada a comprovação do suposto crédito de saldo negativo de IRPJ, que teria origem na retenção na fonte sobre rendimentos decorridos de aplicações financeiras, deveria a peticionária demonstrar que as receitas sobre as quais incidiu o referido Imposto de Renda na Fonte, que é o objeto de restituição do presente, foram oferecidas à tributação, condição 'sine qua non' para que este pudesse ser aproveitado na compensação do imposto apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Ao somar o Rendimento nominal constante dos "Informes de Rendimentos em 31/Dez/98 (IN N" 151/98)Pessoa jurídica" apresentados, fls. 164/167: R$ 5.221.720,37 + R$ 8.069.095,54 + R$ 72.465,46 + R$ 303,82, totalizase R$ 13.363.584,89, quando na Ficha 07 da DIPJ1999 linha 23 "outras receitas financeiras" consta o valor de R$ 10.951.817,10. Assim, não é possível inferir se todos os rendimentos foram oferecidos à tributação ou se as receitas financeiras declaradas são as provenientes dos referidos informes do Banco do Brasil S/A. Além disso, necessitase da comprovação de que o crédito referente ao saldo negativo de IRPJ não tenha sido já utilizado posteriormente para compensar débitos do próprio IRPJ, o que só se poderia fazer mediante exame da escrituração contábil e fiscal, com apoio da documentação. Dessa forma, meu voto é pelo não reconhecimento do direito creditório." Acertada ao meu ver a posterior Resolução n. 120200.041 da 2° Turma da 2° Câmara da 1° Seção de Julgamento, vez que não se encontravam nos autos os documentos que comprovassem o cumprimento de todos os requisitos para o aproveitamento do crédito pleiteado de IRRF, quais sejam: i) a existência e efetividade das alegadas retenções; ii) a não posterior utilização do crédito pleiteado em outras compensações; iii) a apuração de Prejuízo Fiscal e Saldo Negativo no anobase de 1998 e iv) o reconhecimento da correspondente receita financeira. As informações trazidas em resposta à diligência parecem sanar as dúvidas relacionadas aos itens "i", "ii" e "iii" acima a favor da Recorrente. Contudo, restam dúvidas em relação ao efetivo reconhecimento da receita financeira correspondente ao IRRF utilizado, vejamos o respectivo trecho da resposta: "a) Conforme quadro demonstrativo abaixo, das contas de outras receitas financeiras, fl. 584 do livro diário, nas contas de números 35.23, verificamos o total de 10.951.817,10, conforme o declarado na DIPJ/1999 (regime de competência). Já na DIRF (regime de caixa) vai constar o valor de 13.338.595,16 com rendimentos Fl. 716DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 8 auferidos a partir de 1996 e 1998 conforme explicação do contribuinte apresentado no Recurso Voluntário ao CARF." (grifo nosso) Ora, a resposta acima deixa claro que o valor da receita financeira reconhecida em 1998 foi de R$ 10.951.817,10 o que diverge da DIRF da fonte pagadora que aponta R$ 13.338.595,16, valor este último que serviu de base de cálculo para o IRRF. O trecho acima grifado demonstra apenas a que o auditor fiscal responsável pela diligência apenas pressupõe que as receitas financeiras foram reconhecidas pelo regime de competência entre os anos de 1996 e 1998, conforme alegado pele Contribuinte, sem, contudo, trazer elementos ou afirmações objetivas sobre o efetivo reconhecimento desta receita financeira. De fato, no presente caso, o tratamento tributário é peculiar. O reconhecimento da receita financeira pelo contribuinte se dá pelo regime de competência ao longo do tempo da aplicação, mas o imposto de renda somente é retido pelo regime de caixa (pagamento dos juros). Desta forma, a alegação da Contribuinte é muito razoável, contudo, desacompanhada de provas., não obstante ter sido oportunizado à Contribuinte a possibilidade de trazer as provas documentais e a prestar os esclarecimentos necessários para comprovar o efetivo reconhecimento da receita financeira, necessária e suficiente para legitimar seu direito creditório. Neste caso, aplicase a Súmula CARF n. 80 que assim dispõe: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Desta forma, no tangente ao IRRF sobre aplicações financeiras, entendo que a mais acertada decisão é pela apropriação proporcional desse IRRF em relação ao montante das receitas financeiras oferecidas à tributação na respectiva declaração DIPJ, conforme demonstrado na resposta à diligência. Considerando a documentação apresentada, foi comprovado que somente fora efetivamente oferecido à tributação, segundo o regime de competência, o montante de R$ 7.310.342,01 correspondente à receita de aplicações financeiras de um total de R$ 13.338.595,16, não podendo, consequentemente, , ser aproveitada a integralidade do IRRF, de R$ 2.450.936,23. Assim, deve ser parcialmente mantida a glosa de IRRF efetuada pela autoridade fiscal, acarretando o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, proporcionalmente à receita financeira cujo reconhecimento contábil não foi comprovado pela Recorrente. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário apresentado para no MÉRITO DAR PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer que o IRRF sobre aplicações Fl. 717DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 13710.002510/9914 Acórdão n.º 1201001.226 S1C2T1 Fl. 6 9 financeiras, proporcionalmente às respectivas receitas oferecidas à tributação (R$ 7.310.342,01), compõe o saldo negativo do IRPJ do ano de 1998. É como voto! (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator Fl. 718DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/ 01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Numero do processo: 19515.000520/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM.
Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1402-002.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir os coobrigados Reina Jamal Eddine El Tayeb Rafej e Edson Pereira de Abreu do polo passivo da relação jurídico tributária, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2282; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.976 1 1.975 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000520/201110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.046 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ Recorrente B. F. Z. INDUSTRIA E COMERCIO DE ROUPAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir os coobrigados Reina Jamal Eddine El Tayeb Rafej e Edson Pereira de Abreu do polo passivo da relação jurídico tributária, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 20 /2 01 1- 10 Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.977 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.978 3 Relatório B. F. Z. INDUSTRIA E COMERCIO DE ROUPAS LTDA recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de impugnação aos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrados contra o contribuinte acima identificado por terem sidos constatadas as seguintes irregularidades: omissão de receitas, em razão de depósitos bancários com origem de recursos não comprovada, glosa de custos ou despesas não comprovadas e resultados operacionais não declarados, relativos ao anocalendário de 2006. O valor do auto de infração monta a R$ 12.797.123,93, aí incluídos principal, juros de mora calculados até a data da autuação e multa de ofício de 150%. O enquadramento legal encontrase arrolado nos respectivos autos de infração. Em fls. 451 a 460, encontrase o Termo de Constatação com o relato dos procedimentos executados pela fiscalização. Cientificado, por via postal, conforme documentos de fls. 443/444, em 03/03/2011, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1808/1829, em 01/04/2011, apresentando as suas razões de defesa, acompanhadas do seguinte pedido: ... requerse o conhecimento da presente impugnação, para: 1. Cancelar os termos da sujeição passiva solidária, excluindo o procurador Mustapha Mahmoud Amin Minkara; e os sócios Reina Jamal Eddine El Tabey e Edson Pereira de Abreu do pólo passivo do presente auto de infração; 2. Cancelar o auto de infração, diante da nulidade consistente na ilegalidade da lavratura do termo de embaraço à fiscalização, fato que tornou nulas as requisições de movimentações financeiras; 3. A redução da multa para 75%; 4. A redução dos débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, seja pela existência de ‘bis in idem´, ou pelo arbitramento do lucro em relação as receitas consideradas omissas. É o Relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 34.543 (fls. 1.8921.903) de 03/11/2011, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.979 4 Anocalendário: 2006 SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. Caracteriza a solidariedade prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, a existência de interesse comum entre o contribuinte e o responsável na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% quando restar evidenciado nos autos os motivos da aplicação da referida multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.” Contra a aludida decisão foram cientificados os responsáveis solidários: Edson Pereira de Abreu, em 20/04/2012 (A.R. de fl. 1.942); Mustapha Mahmoud Amin Minkara, Reina Jamal Eddine El Tabey, bem como o sujeito passivo: BFZ Indústria e Comércio de Roupas Ltda, em 14/05/2012 (edital de fl. 1.943). Todos os interessados apresentaram um único recurso voluntário em 18/05/2012 (fls. 1.9441.968) onde repisam os argumentos apresentados em impugnação. É o relatório. Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.980 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do lançamento Aduz a recorrente que o auto de infração estaria eivado de nulidade em face da ilegalidade da lavratura do Termo de Embaraço à Fiscalização que ensejou as Requisições das Movimentações Financeiras (RMF). Com a devida vênia, entendo não haver nulidade ocasionada pelo procedimento adotado. Isso porque, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Quanto ao Termo de Embaraço, da leitura do Termo de Constatação, em fls. 451/453, depreendese que em 12/11/2009, foi lavrado o Termo de Inicio de fiscalização e, após inúmeras intimações e reintimações não atendidas, em 26/02/2010, foi o contribuinte devidamente advertido que o não atendimento, no prazo marcado, às solicitações efetuadas pela fiscalização, para apresentação de livros contábeis e fiscais, bem assim de extratos bancários das instituições financeiras em que realizou operações no anocalendário de 2006, caracterizaria, nos termos do inciso I, do art. 33 da Lei n º 9.430/1996, embaraço à Fiscalização, e foi o que aconteceu. Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.981 6 Quanto à movimentação financeira requisitada e fornecida pelos Banco Safra, Bradesco S/A e Itaubank S/A, foi o contribuinte regularmente intimado a manter à disposição da fiscalização a comprovação da origem dos recursos de todos os valores depositados e ou creditados em contacorrente bancária, com a respectiva documentação hábil e idônea, fato que em momento algum ocorreu. Somente em 24/09/2010, foram protocolizadas as entregas dos livros fiscais escriturados com apuração do lucro presumido. Portanto, não há como acatar a pretensão da não ocorrência de embaraço à fiscalização, lavrado em 20/03/2010. Rejeitase, pois, a preliminar de nulidade do lançamento suscitada. Do mérito Da sujeição passiva solidária Quanto aos termos de sujeição passiva, a autoridade tributária baseouse no interesse comum capitulado no art. 124 do CTN para imputar a solidariedade para os sócios, bem assim para o representante legal, conforme consta do Termo de Constatação e Sujeição Passiva Solidária (item 9, fls. 459). "... 9 INTERPOSTA PESSOA E RESPONSABILIDADE SOILIDÁRIA Foram identificadas, partir de informações prestadas por instituições financeiras, procurações passadas pela sociedade às pessoas físicas abaixo indicadas, conferindo "os mais amplos, gerais e ilimitados poderes, para (...)"gerir e administrar negócios e interesses comerciais da empresa, podendo abrir assinar correspondências , assinar livros e demais papéis da empresa, fazer alterar, assinar e rescindir contratos, admitir demitir funcionários, fixandolhes salários e atribuições, depositar e retirar dinheiro e títulos de bancos, movimentar as contacorrente bancárias da contribuinte, etc. a) MUSTAPHA MAHMOUD AMIN MINKARA, CPF 213.837.06824 Foram ainda solicitados, às instituições financeiras, mediante os RMF's abaixo indicados, cópias de cheques emitidos a partir das contas correntes do contribuinte, com vistas à verificar, através da análise das assinaturas dos cheques, as pessoas físicas que operaram as contascorrentes analisadas. Dessa forma, comparandose, por simples semelhança, as assinaturas, nos cheques e ordens de movimentação financeira encaminhados pelas instituições financeiras com os cartões de assinatura também fornecidos pelos bancos, verifica se que as pessoas físicas que operaram as contas bancárias analisadas foi (sic) o procurador Sr. Mustapha, qualificado no Início deste título. Todos estes elementos elencados demonstram a participação direta do procurador MUSTAPHA MAHMOUD AMIN MINKARA na execução das movimentações financeiras analisada e, conseqüentemente, na administração financeira da empresa. Em face disso, foram instalados os procedimentos de diligência abaixo indicados e intimados o procurador e os sócios da empresa através de Termos de Início de Diligência. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.982 7 c) MUSTAPHA MAHMOUD AMIN MINKARA MPF Nº 08190002010 020615 d) Reina Jamal Eddine El Tayeb El Rafei MPF Nº 08190002010020631 ; e) EDSON PEREIRA DE ABREU MPF Nº 08190002010020623 Em termo de depoimento de 24/08/2010 o Sr. Mustapha afirmou EM TERMO DE DEPOIMENTO FLS .273/274 ter assinado todos os cheques da empresa emitidos no anocalendário de 2006 assim como afirmou que atuava como procurador, comprando, vendendo e movimentando todas as contascorrentes bancárias da empresa da contribuinte, afirmando ter todas as responsabilidades da empresa. O Sr. Mustapha afirmou em depoimento ter coloçado 1% da empresa em nome do funcionário Edson Pereira de Abreu. Verificamos que a assinatura do sócio Sr. Edson Pereira de Abreu no contrato social e suas alterações são divergentes. O Sr. Mustapha afirmou ainda ser casado com a Sra Reina no Líbano e ser companheiro da mesma no Brasil. Os sócios da empresa foram cientificados das informações prestadas pelo Sr. Mustapha não tendo se manifestado a respeito das informações prestadas. Em face da comprovação de participação efetiva do Sr. Mustapha na execução das movimentações financeiras analisadas, e ainda considerando a substituição dos sócios da empresa pelo procurador na execução de todas as movimentações financeiras (analisadas por amostragem) e confirmada através de depoimento, resta claro que o Sr. MUSTAPHA MAHMOUD AMIN MINKARA teve participação direta e interesses comuns relacionados às movimentações financeiras cuja origem e apresentação à tributação não foi comprovada, conforme dispõe o art. 124 do Código Tributário Nacional CTN: ... Sendo assim, em face da clara participação do Sr. Mustapha acima relacionado na administração das movimentações financeiras do contribuinte, bem como de suas condições de mandatários de fato do contribuinte, substituindo os sócios de direito na execução das movimentações financeiras, e não tendo sido apresentada a comprovação da origem ou da regular contabilização dos recursos financeiros aqui analisados, resta configurada a responsabilidade solidária da pessoa aqui citada quanto aos fatos aqui apurados, com fundamento no art. 124, inc. I, do CTN. Da mesma forma tendo em vista a condição de sócios da empresa da Sra Reina Jamal Eddine El Tayeb El Rafei e Sr. EDSON PEREIRA DE ABREU acima qualificados resta configurada a responsabilidade solidária das pessoas aqui citadas quanto aos fatos aqui apurados, com fundamento no art. 124, inc. I, do CTN. ..." O referido dispositivo assim estatui: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.983 8 Vêse que o CTN admite a modalidade de solidariedade passiva de fato, (art. 124, I), quando há pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nesse sentido, conforme constatado da leitura do Termo de Constatação e Sujeição Passiva Solidária, entendo que restou demonstrado no curso da ação fiscal o nexo existente entre o arrolado, Sr. MUSTAPHA MAHMOUD AMIN MINKARA, CPF 213.837.06824, como solidário e os fatos geradores da obrigação principal. Quanto aos sócios da empresa, Sra Reina Jamal Eddine El Tayeb El Rafei e Sr. Edson Pereira de Abreu, não consigo vislumbrar a solidariedade pelo simples fato de serem esses os sócios da empresa, como argumenta a autuante. Dessa forma, há que se excluir do polo passivo da autuação os sócios Sra Reina Jamal Eddine El Tayeb El Rafei e Sr. Edson Pereira de Abreu, mantendo apenas o representante legal, Sr. MUSTAPHA MAHMOUD AMIN MINKARA, como responsável solidário. Da qualificação da multa de ofício Com respeito à majoração da multa para 150%, conforme enquadramento legal aposto no auto de infração, foi aplicada nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. O art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original, dispõe que, nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, nos casos de evidente intuito de fraude. É este o teor do referido artigo: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Hoje, é o § 1º do artigo 44 que trata da multa qualificada: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.984 9 declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Cumpre explicitar que os fundamentos na legislação fiscal para a imputação da fraude latu sensu vinculamse às hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, in verbis: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;(grifei). II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Veja as razões que levaram a Fiscalização a qualificar a multa: O contribuinte encontrase na condição de ‘cassado’ desde julho de 2006 perante a Secretaria da Fazenda Estadual do Estado de São Paulo. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.985 10 Apesar de ter apresentado GIA (declaração enviada a Secretaria da Fazenda Estadual) com declaração de faturamento no anocalendário de 2006 apresentou DIPJ e duas DCTFs zeradas para o mesmo período. Também afirmou em resposta protocolada em 14/01/2011 ter apurado resultado positivo de imposto no segundo trimestre de 2005 e não ter procedido ao lançamento em DCTF dos respectivos valores. Conforme detalhado no item 9 acima, o contribuinte apresentou livros fiscais com apuração de lucro real caracterizando omissão de rendimentos, assim como também ficou caracterizado a omissão de rendimentos devido a falta de apresentação de documentação hábil e idônea que amparasse a entrada de recursos em conta corrente bancária. Através dos documentos obtidos junto às instituições financeiras, constatamos a existência de procurações (cópias anexadas ao processo) em todos os bancos dando amplos poderes ao Sr. Mustapha. Verificamos assinaturas divergentes do cartão de assinatura do Sr. Edson, além de obtermos amostragem de cheques revelando que todos foram assinados pelo Sr. Mustapha. Em declaração fornecida a Secretaria da Receita Federal o Senhor Mustapha afirmou que assinou todos os cheques da empresa, era responsável pela compra e venda entre outros, além de afirmar que o sócio Sr. Edson era funcionário da empresa e que foi colocado 1% da empresa em seu nome. Apesar de intimados os sócios da empresa não se manifestaram a respeito das declarações prestadas pelo Sr. Mustapha. Extraise do excerto acima um conjunto de condutas cujo objetivo não pode ser outro, senão aquelas elencadas nos acima citados artigos 71 e 72. Claro está que os fatos apurados nos autos se subsumem as hipóteses acima descritas, já que a empresa impediu ou retardou o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Nessa esteira, também não pode ser acolhida a alegação da empresa de que se aplicaria a Súmula nº 25 do Carf, portanto, correta a majoração da multa. Da apuração com base no lucro real trimestral Insurgese ainda a recorrente contra a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real, aduz que sobre a suposta omissão de receitas deveria ter a fiscalização procedido ao arbitramento do lucro, considerando as atividades industrial e comercial da BFZ. É consabido que a aplicação do arbitramento é medida extrema e só deve ser utilizado como último recurso, por ausência absoluta de outro elemento que tenha mais condições de aproximarse do lucro real. Tanto é assim que é imprescindível por parte do Fisco a abertura formal de prazo para apresentarse a documentação que a elidiria e foi o que ocorreu no caso. O contribuinte apresentou os livros fiscais escriturados com apuração no lucro presumido assinados pela sócia Sra. Reina, sócia majoritária detentora de 99% do capital social da empresa. A fiscalização, tendo em vista a ausência de pagamento de qualquer imposto no anocalendário de 2006, assim como a ausência de declaração dos valores apurados de Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.986 11 tributos no anocalendário de 2006, constatou a ausência de opção pelo lucro presumido, com fulcro no §4º do art . 516 do RIR/1999, e intimou o contribuinte em 04/10/2010 a apresentar os balanços trimestrais com a correspondente apuração do imposto com base no lucro real, bem assim a apresentar e transmitir cópia das DACON´s com a apuração do PIS e da COFINS para janeiro a dezembro de 2006, e o contribuinte apresentou nova escrituração com apuração trimestral com base no lucro real. O que se deve ter em tela é que a existência de omissão de receitas não é motivo de arbitramento, por si só. Se a omissão de receitas acontece na própria contabilidade, é comum, ainda que não necessário, que outros elementos relacionados a essas receitas, como despesas e/ou custos, também estejam distorcidos. E essas distorções nas receitas e despesas e/ou custos certamente altera o resultado em relação ao resultado que deveria ser atingido se fossem corretamente contabilizados. Porém, com os elementos de prova colacionados, seja relativos a omissão de receitas, seja relativos a custos e/ou despesas, tudo o que foi provado passa a integrar também o resultado – a receita tributável omitida acresce ao resultado e as despesas e/ou custos dedutíveis reduzem o resultado. Se a fiscalização comprovar a omissão de receitas e o contribuinte não comprovar novos custos e/ou despesas, além dos já contabilizados, apenas majorase o resultado. Portanto, não procede a alegação do contribuinte de que a apuração do IRPJ e da CSLL deveria ter sido feita com base no lucro arbitrado. Da não ocorrência de bis in idem Não merece melhor sorte a alegação de que teria havido bis in idem na apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A esse respeito aduz a recorrente que o auditor fiscal não deveria ter usado o total da movimentação bancária R$ 8.703.140,14 como receita omitida, mas sim a diferença entre os depósitos bancários e as movimentações declaradas em GIA que totalizaram R$ 8.202.446,77. A justificativa da fiscalização para ter considerado o total da movimentação financeira como receita omitida encontrase no item 4 do Termo de Constatação (fls. 454/455) abaixo transcrito e nos vários anexos por ela colacionados aos autos. 4 ANÁLILSE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE Em atendimento às intimações para comprovação da origem dos depósitos bancários relativos ao anocalendário de 2006 foi apresentada escrita fiscal com apuração do lucro real. A escrita contábil apresentada pela empresa, anexada a este processo, foi imediatamente analisada, tendose constatado que o contribuinte registrou, nessa contabilidade, a totalidade dos lançamentos bancários e que não houve alteração dos saldos do lançamento nas referidas contas. 4.1 Análise dos lançamentos em contascorrentes do contribuinte Os lançamentos das entradas de recursos em contacorrente bancária foram feitos a crédito da conta clientes e duplicatas descontadas. Analisando a conta clientes diversos nacionais que passaremos a chamar de conta cliente, verificamos lançamentos em contrapartida conforme tabela abaixo: Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.987 12 VIDE Tabela em fls. 454. Saldo inicial da conta: 0,00 Saldo Final da Conta: R$ 6.557.230,29C Da análise dos lançamentos a débito na conta cliente e a crédito na conta receita de vendas do anocalendário de 2006, verificamos tratarse de lançamentos de venda, sendo os lançamentos a crédito na conta cliente e a débito na conta receita referente a devolução de Vendas, conforme histórico dos lançamentos a crédito e a débito na conta receita referente a devolução de Vendas, conforme histórico dos lançamentos. Deste fato constatamos receitas oferecidas a tributação de R$ 8.18.557,20 (receita R$ 9.000.123,37 – R$ 781.566,17) e um lançamento de R$ 1.302.460,32 referente a balanço de abertura. Analisando os valores creditados a conta clientes verificamos que os mesmos originamse de débitos a conta bancos (Bradesco R$ 14.143.664,05 + Bank de Boston R$ 277.224,43 + Safra R$ 1.658.099,33) totalizam R$ 16.078.987,81. Os históricos dos valores debitados nas contas bancos e creditados na conta clientes conforme tab 1 indicam o pagto. de NF no valor de R$ 7.375.847,67 e Recbtos de duplicatas no valor de R$ 8.703.140,14. Tendo em vista a verificação de saldo credor na conta clientes o que em tese poderia representar um adiantamento de clientes e o não oferecimento a tributação da integralidade das entradas de recursos em contacorrente bancária, reintimamos o contribuinte, através do termo de constatação e intimação fiscal de 04/10/2010. a apresentar documentação que amparasse a entrada de recursos em contacorrente bancária que não foram oferecidos a tributação, além dos demais documentos e planilhas descritos na intimação. Através do termo de constatação e intimação fiscal de 14/12/2010 além dos fatos relatados no termo de 04/10/2010 constatamos ao contribuinte que recalculando o saldo final da conta clientes utilizandose somente os valore identificados pelo contribuinte como entrada de recursos oferecidos à tributação passaríamos a apurar saldo devedor da conta clientes, divergindo do saldo credor apurado pelo contribuinte. Saldo final = Balanço de abertura + Receita –Recebimentos com identificação de notas fiscais – devoluções de vendas – Estornos S/d final =R$ 1.302.460,32 + R$ 9.000.123,37 – R$ 7.375.847,67 – R$ 781.566,17 – R$ 740,00 Intimamos através do termo de 14/12/2010 o contribuinte, seus sócios e ao Sr. Mustapha a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores a origem e a regular apresentação a tributação das entradas de recursos em contacorrente bancária relativa ao anocalendário de 2006 conforme planilha “Entrada de Recursos em conta corrente bancária a Justificar” anexada ao termo de intimação de 11/06/2010, da mesma forma reintimamos o contribuinte a apresentar as planilhas e documentos anteriormente solicitados através da intimação de 04/10/2010 que não foram apresentados a fiscalização. Em resposta o contribuinte protocolou documento em 14/01/2011 onde informou: ‘Devido a empresa estar inativa e o período ora fiscalizado, encontrarse em decadência e após desativação da empresa não conseguimos localizar os documentos hábeis’. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.988 13 Em face desta resposta a fiscalização considerou que não houve a comprovação através de documentação hábil e idônea da entrada de recursos em conta corrente bancária que fosse identificada como ‘Recebimento de Duplicata’ e considerou a referida movimentação bancária no montante de R$ 8.703.140,14, como omissão de receita consistente em depósitos bancários com origem de recursos não comprovada. É oportuno analisar o que determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, com as modificações do artigo 4º da Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, base do lançamento: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.989 14 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. ... Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$12.000,00 (doze mil reais) e R$80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Depreendese, pois, que o dispositivo acima estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Dessa forma, a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente do contribuinte. Em outras palavras, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” as chamadas presunções legais , a produção de tais provas é dispensada. Diz o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, ipsis litteris: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.” No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.990 15 presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. No caso em tela, não há que se falar em ausência de provas do fato indiciário para o lançamento, vez que a fiscalização trouxe aos autos, os extratos bancários das contas mantidas junto as Instituições Financeiras, comprovam a existência dos créditos bancários que deram origem ao lançamento, no qual quando intimado a comprovar a origem dos valores creditados não o fez por completo. Assim, ante existência da prova cabal do fato indiciário da presunção legal, caberia ao contribuinte apresentar sua contraprova, ou seja, comprovar que apresentou à fiscalização os documentos comprobatórios da origem dos créditos bancários, ou apresentálos na impugnação, o que não ocorreu, portanto não há como afastar a exigência. Da tributação do PIS e da COFINS Quanto à alegação de que teria ocorrido bis in idem pelo fato de o auditor fiscal não ter considerado, para o cômputo da omissão de receitas, a diferença entre sua movimentação bancária e o faturamento declarado em GIAs, mantémse o entendimento esposado para o IRPJ. Argumenta a recorrente que, caso seja mantida a totalidade da movimentação bancária como receia omitida, de R$ 8.703.140,14 e considerando que o auditor fiscal aplicou alíquotas de 1,65% e 7,6%, os custos incorridos com aquisição de insumos e devoluções de mercadorias deveriam ser considerados como créditos. Nesse sentido, concordo com a decisão recorrida. à míngua de prova de que as receitas omitidas decorressem efetivamente da venda de mercadorias, não há como garantir créditos oponíveis naquela sistemática de apuração das contribuições. Cumpriria ao interessado provar que esta era a origem da receita omitida. Da tributação reflexa Aplicase às contribuições sociais reflexas (CSLL, PIS e COFINS), no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado tãosomente para excluir do polo passivo da autuação os sócios Sra Reina Jamal Eddine El Tayeb El Rafei e Sr. Edson Pereira de Abreu. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000520/201110 Acórdão n.º 1402002.046 S1C4T2 Fl. 1.991 16 Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 19515.721820/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008, 2009, 2010
REGISTRO CONTÁBIL DO ÁGIO EM 2001. AMORTIZAÇÃO E EFEITOS FISCAIS EM 2007, 2008 E 2009. ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DO ÁGIO CONTABILIZADO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
As operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2001. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Especificamente, neste processo se discute essa redução ocorrida nos anos-calendário 2007, 2008 e 2009. O lançamento se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. Em momento algum se alterou o ágio contabilizado, mas tão somente pretende o Fisco que sua amortização não produza efeitos tributários. Diante disso, descabe cogitar da ocorrência de decadência .
Numero da decisão: 1301-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães, o primeiro por NEGAR provimento ao recurso e o segundo por acolhê-lo em parte.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008, 2009, 2010 REGISTRO CONTÁBIL DO ÁGIO EM 2001. AMORTIZAÇÃO E EFEITOS FISCAIS EM 2007, 2008 E 2009. ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DO ÁGIO CONTABILIZADO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. As operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2001. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Especificamente, neste processo se discute essa redução ocorrida nos anos-calendário 2007, 2008 e 2009. O lançamento se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. Em momento algum se alterou o ágio contabilizado, mas tão somente pretende o Fisco que sua amortização não produza efeitos tributários. Diante disso, descabe cogitar da ocorrência de decadência .
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TRANSFERÊNCIA. USO DE EMPRESA VEÍCULO. LEGITIMIDADE. Não é ilícita a conduta do investidor estrangeiro que prefere, primeiro, constituir uma subsidiária no Brasil para que essa, depois, adquira os investimentos que a matriz no exterior deseja. O mesmo ocorre se o investidor estrangeiro adquirir diretamente o investimento no Brasil e, a seguir, promover aumento de capital na subsidiária no Brasil, integralizando o com os investimentos previamente adquiridos. Em qualquer caso, se houve o pagamento de ágio na aquisição dos investimentos, esse ágio estará registrado na subsidiária no Brasil. Não se pode qualificar como ilícito ou fraude a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Nas condições aqui descritas, o mero uso de “empresa veículo” é insuficiente para a caracterização de fraude. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008, 2009, 2010 REGISTRO CONTÁBIL DO ÁGIO EM 2001. AMORTIZAÇÃO E EFEITOS FISCAIS EM 2007, 2008 E 2009. ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO DO ÁGIO CONTABILIZADO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. As operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2001. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Especificamente, neste processo se discute essa redução ocorrida nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009. O lançamento se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 20 /2 01 3- 90 Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.644 2 portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. Em momento algum se alterou o ágio contabilizado, mas tão somente pretende o Fisco que sua amortização não produza efeitos tributários. Diante disso, descabe cogitar da ocorrência de decadência . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães, o primeiro por NEGAR provimento ao recurso e o segundo por acolhê lo em parte. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório HOLCIM BRASIL S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1655.654, de 25/02/2014, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Em ação fiscal empreendida junto ao contribuinte acima identificado, originada pelo MPF nº 08.1.9000201200498, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica e de CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, resultantes da glosa de despesas de amortização de ágio na aquisição de investimento, nos períodosbase de 2007, 2008 e 2009. [...] A matéria tributável do anocalendário de 2007, de R$ 22.116.438,62, foi integralmente compensada com prejuízos (fl. 1.245) e bases negativas de CSLL do próprio período (fl. 1.260). Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.645 3 A matéria tributável do anocalendário de 2008, de R$ 22.116.438,62, foi integralmente compensada com prejuízos (fl. 1.246) e bases negativas de CSLL do próprio período (fl. 1.261). A matéria tributável do anocalendário de 2009 foi parcialmente compensada com prejuízos e bases negativas do período e com prejuízos e bases negativas de períodos anteriores, conforme demonstrativos de fls. 1.247 e 1.262, tendo a parcela não compensada resultado na constituição de ofício de crédito tributário, conforme abaixo discriminado: [...] TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.232/1.241, foram constatadas duas irregularidades: I. EXCLUSÃO INDEVIDA. A contribuinte excluiu indevidamente o total de R$ 3.117.207,00 na apuração do seu Lucro Real no período; II. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A autoridade fiscal considerou indevida a dedução de R$ 22.396.138,56 efetuada na linha 47 da Ficha 7A de suas DIPJ relativas aos anoscalendários 2007, 2008 e 2009, a título de amortização de ágio, após analisar os eventos abaixo descritos: 1. Em 17/07/96, o Grupo Econômico multinacional HOLCIM adquire 95,94% das ações da Companhia CIMENTO PORTLAND PARAÍSO, CNPJ nº 33.160.318/000199, da seguinte forma: · compra integral da Santa Rosalia Participações, a qual detinha 63,53% da CIMENTO PORTLAND PARAÍSO, pelo valor de US$ 207,1 milhões em moeda nacional; · aquisição de 32,41% da CIMENTO PORTLAND PARAÍSO diretamente das pessoas físicas “Irmãs Pereira da Silva”, pelo valor de US$ 86 milhões, pagos mediante a entrega de 537.520 ações ordinárias da HOLCIM BRASIL S/A, as quais correspondiam a 12,17% de seu capital social. 2. Na mesma data, 17/07/1996, foi celebrado o “Acordo de Acionistas e Contrato de Opção” entre as Irmãs Pereira da Silva, a controladora da HOLCIM BRASIL S/A (Holderfin BV, sociedade holandesa) e uma outra empresa do grupo (Holderbank Financière Glaris Ltd., empresa suíça), para estipular direito de preferência à Holderbank Financière Glaris Ltd na compra das ações da HOLCIM BRASIL S/A detidas pelas Irmãs Pereira da Silva e, ainda, o direito da Holderbank Financière Glaris Ltd. ou de qualquer afiliada adquirir, em 31/05/2001, todas aquelas ações remanescentes; 3. Em 30/06/2000, as Irmãs Pereira da Silva vendem à Holderfin BV 134.380 ações da HOLCIM BRASIL S/A pelo valor de R$ 38.748.375,00; Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.646 4 4. Em 18/12/2000 a Holderfin BV integraliza essas 134.380 ações da HOLCIM BRASIL S/A em aumento de capital da empresa PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ nº 02.564.317/000186 (conforme 2a. alteração contratual desta empresa). Esta operação foi registrada somente após 12/07/2001, ou seja, necessariamente, após a segunda recompra; 5. Em 02/07/2001 a Holderbank Financière Glaris Ltd., através de sua filiada PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA., exerce o seu direito de compra e adquire as 403.140 ações restantes que as "Irmãs Pereira da Silva" possuíam da HOLCIM BRASIL S/A, pelo valor de R$ 199.926.063,46; 6. Ainda em 02/07/2001, a PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA., desdobra o seu Investimento na HOLCIM BRASIL S/A, composto por 537.520 ações, em custo de aquisição no valor de R$ 17.510.052,24 e ágio no valor R$ 221.164.386,22, totalizando os R$ 238.674.438,46 pagos em 30/06/2000 e em 02/07/2001; 7. Em 20/12/2001 é aprovada a incorporação da PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA. pela HOLCIM BRASIL S/A a qual, a partir do anocalendário de 2002, vem amortizando o valor do ágio gerado na operação a razão de 10% ao ano. Conforme artigo 385 do RIR/99, regulado pelo artigo 391 do mesmo diploma legal, a amortização do ágio ou do deságio pago na aquisição de participação societária, via de regra, não possui efeito tributário; A contribuinte criou artificialmente as condições estabelecidas pelo legislador para se enquadrar na única exceção permitida à referida regra, que se dá quando a pessoa jurídica que adquiriu participação societária com ágio absorve patrimônio desta (ou tem seu patrimônio absorvido por esta, nos termos do § 6o, inciso II do art. 386, do RIR/99), através de incorporação, fusão ou cisão. A intenção do Grupo Holcim foi a aquisição da Companhia de Cimento Portland Paraíso; jamais a de ter as Irmãs Pereira da Silva como acionistas da HOLCIM BRASIL S/A, sendo que a transferência de ações desta para aquelas se deram apenas como forma de viabilizar a aquisição da Companhia de Cimento Portland Paraíso, conforme evidenciado pelo Acordo de Acionistas celebrado entre as partes que, por sua vez, previa direito de preferência para a reaquisição daquelas ações; A recompra das ações da HOLCIM BRASIL S/A se deu por dois caminhos diversos: (I) no primeiro procedimento, a Holderfin BV adquiriu diretamente da família Pereira da Silva, pelo valor de R$ 38.748.375,00, 134.380 ações da HOLCIM BRASIL, ou seja, parte do que havia sido transferido às vendedoras na ocasião da compra da Cimento Portland Paraíso; (ii) no segundo, a Holderfin BV integralizou o valor da compra na empresa veículo PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA. para que, no mesmo dia, essa empresa veículo adquirisse o restante das ações da HOLCIM BRASIL S/A. que estavam sob titularidade das Irmãs Pereira da Silva; O segundo caminho percorrido na recompra da HOLCIM BRASIL S/A, embora mais complexo e oneroso do que o primeiro, foi utilizado com o objetivo de aproveitar o benefício fiscal previsto no art. 386, inciso III, c/c o inciso II do § 6º do mesmo artigo; Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.647 5 Para isso, utilizou uma empresa veículo denominada PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA, que teve como única função receber os recursos da investidora real e adquirir a participação na investida (travestindose assim em investidora), para logo após ser incorporada pela investida. Posteriormente, a HOLCIM BRASIL S/A incorporou a empresa veículo, fazendo com que as ações daquela retornassem ao domínio da Holderfin BV; Da multa qualificada. A fiscalização concluiu que a operação montada pelo Grupo Econômico HOLCIM, a qual envolveu a utilização da empresa veículo PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA., não teve motivação econômica ou negocial e teve por único propósito receber o ágio pago pela empresa estrangeira Holderfin BV, na aquisição de 12, 17% do capital social do contribuinte para posteriormente amortiza lo. A conduta da fiscalizada, em conluio com as demais empresas do grupo, enquadrase no previsto no artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, vez que configurada a hipótese prevista no artigo 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL Conforme SAPLI, as autuações devem incidir sobre os saldos de prejuízos e bases negativas de CSLL acumulados em 2007 abaixo: IMPUGNAÇÃO Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 16/08/2013 (AR a fl. 1.273), a interessada apresentou, em 17/09/2013, IMPUGNAÇÃO em face dos lançamentos de IRPJ e de CSLL (fls. 1.278/1.289), na qual apresenta as alegações e pretensões abaixo sintetizadas: A impugnação é tempestiva; DOS FATOS. Não constitui objeto da impugnação o débito decorrente da infração relativa a exclusão indevida de R$ 3.177.207,00, tendo o mesmo sido pago; As operações societárias que ensejaram a formação do ágio contestado pelo Fisco podem ser assim descritos: 1. Agosto de 1993: Holderfin B.V., empresa localizada em Amsterdã, adquire 99,99% da Holdercim Brasil S.A. (antiga Ciminas), tornandose sua controladora. 2. Julho de 1996: Holdercim Brasil S.A adquire o controle do Grupo Paraíso, formado pelas empresas Santa Rosália e Cia de Cimento Portland Paraíso, Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.648 6 da família Pereira da Silva. Como parte de pagamento é dada a participação de 12,13% da própria Holdercim Brasil S.A.; 3. Janeiro de 1997: As empresas Santa Rosália e Cia de Cimento Portland Paraíso são incorporadas pela Holdercim Brasil; 4. Maio de 1998: A controladora Holderfin B.V. constitui no Brasil, a empresa Paraíso Participações Ltda.; 5. Junho de 2000: A Holderfin B.V. adquire da família Pereira da Silva a participação societária de 3,03% na Holdercim Brasil; 6. Dezembro de 2000: Holderfin B.V. aumenta o capital social da Paraíso Participações através da transferência da participação societária de 3,03% detida na Holdercim Brasil; 7. Julho de 2001: Paraíso Participações adquire o restante da participação societária (9,10%) em poder da família Pereira da Silva, passando a deter uma participação na Holdercim Brasil de 12,13%. 8. Dezembro de 2001: Paraíso Participações é incorporada pela Holdercim Brasil. DO DIREITO A legislação aplicável As operações societárias realizadas pela impugnante preenchem os requisitos do art. 7o da Lei n° 9.532/1997, que instituiu a dedutibilidade fiscal do ágio pago na aquisição de participação societária com o intuito extrafiscal de estimular as reestruturações societárias lembrando que seu contexto de surgimento foi um período de intensas privatizações e que, assim, outorgou às empresas o direito de recuperar parte do sobrepreço pago através da dedução das despesas com o ágio; A análise da situação da Impugnante É improcedente a premissa de que o Grupo Holcim jamais teve a intenção de ter as Irmãs Pereira da Silva como acionistas da HOLCIM BRASIL S/A, tendo praticado as operações censuradas apenas para o fim de adquirir destas a Companhia de Cimento Portland Paraíso. A associação entre os citados grupos empresariais perdurou por cinco anos (de julho de 1996 a julho de 2001) e, além disso, a recompra das ações deuse de forma escalonada, com intervalo de treze meses (de junho de 2000 a julho de 2001) entre o seu início e o seu fim, dando prova suficiente de que havia, sim, animus de sociedade entre os grupos; O direito de preferência conferido ao Grupo Holcim pela família Pereira da Silva é usual no ambiente societário e visa primordialmente a evitar a entrada de concorrentes, por meio da compra de participação acionária, no seio de uma empresa; Não é estranho ou anormal o fato de a PARAÍSO PARTICIPAÇÕES não ter atividades operacionais ou pessoal numeroso, ao contrário, tal fato mostrase inteiramente compatível com a sua finalidade: obter e gerir participações societárias em outras empresas. Além disso, referida empresa foi constituída, exerceu as atividades de compra de participações societárias e foi incorporada sempre de forma transparente, com o devido registro em todos os órgãos competentes; Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.649 7 Quanto à justificativa extratributária da reorganização societária, alega que “... tal como realizada, consta de manifestação oficial da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (doc. 05), da qual se extraem os seguintes trechos: "O grupo HOLDERBANK ocupa o 1° lugar no ranking internacional de produção de cimento. No caso em tela, através de sua subsidiária brasileira HOLDERCIM, adquire a CIMENTO PARAÍSO, objetivando cumprir sua política administrativa, em uma oportunidade de negócio que representa a soma de sinergias operacionais e logísticas para uma atuação mais competitiva, num mercado que tem se mostrado suscetível às mudanças nos padrões de concorrência, face à Globalização Econômica. (...) Somandose a estes fatores, devemos considerar que as eficiências operacionais elencadas, que apontam para vantagens de redução de custos, irão gerar melhoria da competitividade entre os concorrentes do setor, vez que a HOLDERCIM, que dispõe de aporte financeiro e tem como objetivo operacional seu desenvolvimento no setor cimenteiro, passará a ter melhores condições para fazer frente ao Grupo Votorantim”. DA INOCORRÊNCIA DE FRAUDE, CONLUIO OU SONEGAÇÃO Caso não se entenda que a amortização do ágio foi legal, inafastável será pelo menos a conclusão de que não houve manifesto intuito de fraude, a justificar a inflição da multa agravada do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96, claramente inaplicável a contribuintes cujas ações são todas praticadas à luz do dia, inclusive com submissão prévia ao Ministério da Justiça. MEMORIAL DE JULGAMENTO Em 27/11/2013, a impugnante apresentou memorial de julgamento (fls. 1.456/1.487, acrescentando às razões de impugnações as alegações a seguir sintetizadas: · A aquisição do Grupo Paraíso, iniciada em 17 de julho de 1996, foi aprovada pelo CADE, em parecer que reconhece que a aquisição decorreu da necessidade de mercado da Holcim em fazer frente à concorrência do Grupo Votorantim; · O preço pago pela Holdercim Brasil pela aquisição das empresas do Grupo Paraíso (Cimento PORTLAND PARAÍSO) gerou um ágio no valor de R$ 71 milhões; · Posteriormente, em janeiro de 1997, a Holdercim Brasil incorporou as empresas do GRUPO PARAÍSO, o que gerou “perda de capital no valor de R$ 193 milhões, que foi reconhecida e amortizada nos termos da legislação do imposto de renda então vigente; · A presença dos únicos requisitos previstos pelo art. 7º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, que trouxe um relevante benefício fiscal, jamais foi contestado, Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.650 8 uma vez que (i) a PARAÍSO PARTICIPAÇÕES adquiriu participação societária da Holdercim Brasil com ágio, apurado pelo método da equivalência patrimonial, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura e (ii) posteriormente, houve a incorporação da PARAÍSO PARTICIPAÇÕES pela Holdercim Brasil, transferindo o ágio contabilizado para esta; · Em seguida, em 05/05/1998, a Holderfin BV constituiu no Brasil a subsidiária PARAÍSO PARTICIPAÇÕES Ltda, pessoa jurídica que tinha por objeto a participação em outras companhias; · A autuação não procede em face da decadência do direito de o fisco, em 2013, alterar o ágio contabilizado pela impugnante em 2001, nos termos do art. 150 § 4º, do CTN; · A utilização de empresa veículo, por si só, não representa qualquer ilegalidade e nem impede a amortização fiscal do ágio; · O planejamento tributário lícito (ainda que o Fisco considere anormal ou abusivo, como no caso concreto) deve ser respeitado com todos os efeitos fiscais dele decorrentes em razão do Princípio da Estrita Legalidade que vigora em nosso Direito Tributário; · As operações realizadas de 1996 a 2001 tiveram o propósito negocial de aumentar o market share do Grupo Holcim frente à concorrência do Grupo Votorantim. A afirmação fiscal de que o Grupo Holcim jamais teve a intenção de ter as antigas controladoras da Cia de Cimento Portland como acionistas da Holcim Brasil, com o intuito de caracterizar as operações societárias realizadas como planejamento abusivo, mostrase absurda, lembrando que, quando celebrado o acordo de acionistas que previa o pagamento de parte do preço através da conferência de 12% das ações da Holdercim Brasil às irmãs Pereira da Silva, o benefício fiscal da amortização do ágio sequer existia; · O fiscal autuante entendeu que a opção da impugnante pela aquisição da participação societária em poder das pessoas físicas da família Pereira da Silva através da holding Paraíso Participações seria inválida, já que teria como único objetivo a amortização fiscal do ágio. Considerando que a parcela do lançamento relativa a exclusão indevida do Lucro Líquido (infração 02) não integra o litígio, os valores em discussão são os abaixo discriminados como “impugnados”: [...] A 5ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1655.654, de 25/02/2014 (fls. 1492/1524), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 INCORPORAÇÃO. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.651 9 Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica sem substância econômica ou finalidade negocial, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, transferido pela original controladora e adquirente do investimento, mormente se verificado que não houve alteração na relação societária inicial. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO TRANSFERIDO EM INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL MEDIANTE APORTE DE INVESTIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a amortização fiscal do ágio transferido mediante aporte de investimento proveniente da sociedade investidora, que efetivamente suportou o pagamento do ágio, por ausência de previsão legal e porque tal hipótese possibilitaria o duplo aproveitamento fiscal do ágio. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A operação consistente em constituir pessoa jurídica desprovida de atividade operacional, sem propósito negocial justificado a não ser o de servir de veículo para o recebimento de ágio e sua posterior transferência àquela que lhe deu causa, caracteriza fraude, qualificando a conduta infracional e motivando o agravamento da multa de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO. O reconhecimento contábil de um valor amortizável não representa manifestação de fato tributário imponível. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento, surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, no caso em tela, a cada dedução das despesas de amortização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A solução dada ao litígio principal, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicase ao litígio decorrente ou reflexo relativo à Contribuição Social sobre o Lucro. Ciente da decisão de primeira instância em 24/07/2014, conforme termo à fl. 1538, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/08/2014 conforme carimbo de recepção à folha 1540. No recurso interposto (fls. 1541/1569), a recorrente sintetiza, sob sua ótica, as operações societárias que deram origem ao ágio amortizado, bem assim os fundamentos da autuação e do acórdão recorrido. Preliminarmente, a interessada sustenta que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de alterar o ágio contabilizado há mais de cinco anos. Tendo sido o ágio Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.652 10 apurado e registrado em sua contabilidade em 2001, não seria possível o lançamento, ocorrido em 2013, para a constituição dos créditos tributários aqui discutidos. No mérito, a recorrente traz os argumentos abaixo sintetizados, os quais, em sua maior parte, são semelhantes àqueles já aduzidos em sede de impugnação: Estariam presentes, no caso concreto, todos os requisitos legais para a amortização do ágio: (i) a Paraíso Participações adquiriu participação societária da Holdercim Brasil com ágio, apurado pelo método da equivalência patrimonial, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura; e (ii) posteriormente, houve a incorporação da Paraíso Participações pela Holdercim Brasil, transferindo o ágio contabilizado para esta. A recorrente lembra, ainda, que em nenhum momento a legalidade da operação foi questionada pelo Fisco, até porque a operação foi expressamente autorizada pelo CADE. No que tange ao propósito negocial, a recorrente afirma que, se o negócio jurídico questionado tiver fundamentos de natureza não tributária, deve ser considerado válido, ainda que leve à economia fiscal. Prossegue sustentando que “toda a operação realizada desde 1996 até 2001 teve como pano de fundo a aquisição pelo Grupo Holcim de uma concorrente, de modo a aumentar o seu market share e fazer frente à concorrência do Grupo Votorantim”. Nessa linha, acrescenta que a motivação não tributária, no caso concreto, seria a saída das acionistas minoritárias, pessoas físicas da família Pereira da Silva, da Holdercim Brasil, e o aumento da participação da Holderfin BV no seu capital social. Por sua ótica, a utilização de empresa veículo não seria ilegal. Ao contrário, o art. 8º da Lei nº 9.532/1997, ao admitir a incorporação reversa, seria na verdade norma indutora do comportamento do contribuinte, facilitando a fruição do benefício fiscal (amortização do ágio) por empresas estrangeiras. Colaciona doutrina e traz a lume os acórdãos nº 1302001.293 e 1302001.182. O ágio teria sido regularmente formado em negociação de mercado entre partes independentes, com o efetivo pagamento do preço, e baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida. A recorrente lembra, ainda, que o laudo não teria sido questionado pelo Fisco e, portanto, esse fundamento não poderia ser invocado para a manutenção do auto de infração. Sucessivamente, a recorrente combate o entendimento do Fisco, de que teria havido fraude e conluio com outras pessoas jurídicas, com o que foi aplicada a multa qualificada de 150%. Sustenta que não teria sido apontada qualquer conduta dolosa com o fito de fraudar a fiscalização tributária. Haveria “apenas simples e mera divergência entre Fisco e contribuinte quanto à extensão do benefício fiscal previsto na Lei 9.532/97, ou seja, se este admite ou não a utilização de empresaveículo”. Pede, então, a redução da multa para 75%. A recorrente conclui com o pedido de provimento ao seu recurso voluntário e declaração de insubsistência do auto de infração. Sucessivamente, pede a desqualificação da multa. É o Relatório. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.653 11 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Como preliminar de mérito, sustenta a recorrente que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de “alterar o ágio contabilizado há mais de cinco anos”. Esclareçase, por oportuno, que inexiste qualquer “alteração do ágio contabilizado” pela interessada. De fato, as operações societárias que ensejaram a formação do ágio e seu registro contábil ocorreram em 2001. Não obstante, seus efeitos tributários ocorreram ao longo dos anos subsequentes, sempre no momento em que a contribuinte promoveu a amortização e consequente redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Especificamente, neste processo se discute essa redução ocorrida nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, períodos em que o contribuinte optou pelo lucro real anual. O lançamento, cientificado ao sujeito passivo em 16/08/2013 (fl. 1273), se deu diante do entendimento do Fisco de que tais reduções seriam indedutíveis e, portanto, deveriam ter sido adicionadas às bases de cálculo daqueles tributos. Em momento algum se alterou o ágio contabilizado, mas tão somente pretende o Fisco que sua amortização não produza efeitos tributários. Essa preliminar, portanto, deve ser rejeitada. No mérito, a discussão gira em torno da dedutibilidade, ou não, das amortizações de ágio formado em complexas operações e reorganizações societárias. E, como costuma acontecer nessas situações, o perfeito entendimento dos fatos ocorridos e de sua cronologia é indispensável para as conclusões. Reproduzo, a seguir, o quadro que consta no voto do acórdão recorrido, à fl. 1511 dos autos. Data Evento O Grupo Econômico multinacional HOLCIM, através de seu braço nacional HOLCIM BRASIL S/A, adquire 95,94% das ações da Companhia de Cimento PORTLAND PARAÍSO, mediante (i) compra integral da Santa Rosalia Participações, a qual detinha 63,53% da CIMENTO PORTLAND PARAÍSO, pelo valor de US$ 207,1 milhões em moeda nacional;e (ii) aquisição de 32,41% da CIMENTO PORTLAND PARAÍSO diretamente das pessoas físicas “Irmãs Pereira da Silva”, pelo valor de US$ 86 milhões, pagos mediante a entrega de 537.520 ações ordinárias da HOLCIM BRASIL S/A, as quais correspondiam a 12,17% de seu capital social. 17/07/1996 É celebrado o “Acordo de Acionistas e Contrato de Opção” entre as Irmãs Pereira da Silva, a controladora da HOLCIM BRASIL S/A (Holderfin BV, sociedade holandesa) e uma outra empresa do grupo (Holderbank Financière Glaris Ltd., empresa suíça), para estipular direito de preferência à Holderbank Financière Glaris Ltd na compra das ações da HOLCIM BRASIL S/A detidas pelas Irmãs Pereira da Silva e, ainda, o direito da Holderbank Financière Glaris Ltd. ou de qualquer afiliada adquirir, em 31/05/2001, todas aquelas ações remanescentes Janeiro/1997 As empresas Santa Rosália e Cia de Cimento PORTLAND PARAÍSO são incorporadas pela HOLCIM BRASIL SA. Dez/1997 Publicação da Lei nº 9.532/97, que em seu artigo 7º instituiu o benefício fiscal discutido nos autos. Maio/1998 A controladora Holderfin B.V. constitui no Brasil, a empresa PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.654 12 Data Evento 30/06/2000 A Holderfin B.V. readquire da família Pereira da Silva 134.380 ações da HOLCIM BRASIL S/A, que corresponde a 3,03% da empresa, pelo valor de R$ 38.748.375,00 18/12/2000 a Holderfin BV integraliza essas 134.380 ações da HOLCIM BRASIL S/A. em aumento de capital da empresa PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ nº 02.564.317/000186. (*) a Holderfin BV integraliza R$ 199 milhões no capital da empresa PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA. A PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA.adquire o restante da participação societária (9,10%) da HOLCIM BRASIL S/A em poder da família Pereira da Silva, mediante pagamento de R$ 199 milhões em dinheiro, passando a deter uma participação na HOLCIM BRASIL S/A de 12,13%. 02/07/2001 PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA., desdobra o seu Investimento na HOLCIM BRASIL S/A., composto por 537.520 ações, em custo de aquisição no valor de R$ 17.510.052,24 e ágio no valor R$ 221.164.386,22, totalizando os R$ 238.674.438,46 pagos em 30/06/2000 e em 02/07/2001 20/12/2001 HOLCIM BRASIL S/A. incorpora a PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA. e a partir do ano calendário de 2002, vem amortizando o valor do ágio gerado na operação à razão de 10% ao ano. (*) esta operação foi registrada somente após 12/07/2001, ou seja, após a segunda recompra de ações da HOLCIM BRASIL S/A. O acórdão recorrido, na busca de ordenar a discussão, divide a análise em dois blocos de eventos societários, o que me parece adequado. No primeiro bloco (i), que diz respeito ao pagamento do ágio na (re) compra das ações da HOLCIM BRASIL S.A., se analisa a acusação fiscal de que o Grupo Holcim jamais teria tido a intenção de ter as Irmãs Pereira da Silva em seu quadro societário. Essa acusação foi afastada em primeira instância, confirase: A autoridade fiscal afirmou que o Grupo Holcim jamais teve a intenção de ter as antigas controladoras da Companhia de CIMENTO PORTLAND PARAÍSO (as “Irmãs Pereira da Silva”) como acionistas da HOLCIM BRASIL S/A., o que só teria ocorrido para viabilizar a aquisição daquela Companhia. Porém, as negociações empresariais entre partes independentes envolvem, naturalmente, uma troca de interesses, presentes a cada uma das partes um sacrifício e um benefício, os quais correspondem ao benefício e ao sacrifício da outra parte. Assim, em princípio, não se mostra irregular o fato de o ingresso das Irmãs Pereira da Silva no grupo (sacrifício do grupo Holcim) ter ocorrido para viabilizar a aquisição da CIMENTO PORTLAND PARAÍSO (benefício do grupo Holcim) e sua incorporação ao grupo em janeiro de 1997. Objetivamente, se a saída e posterior retorno das ações da HOLCIM BRASIL S/A fossem desconsideradas, forçoso concluir que o valor pago às Irmãs Pereira da Silva pelo Grupo HOLCIM, por ocasião da “recompra” daquelas ações, teria sido, na realidade, para pagamento da aquisição, pelo mesmo grupo HOLCIM, dos 32% que as Irmãs Pereira da Silva detinham sobre a Companhia de Cimento PORTLAND PARAÍSO. Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.655 13 Entretanto, além da distância temporal – as ações da Cia CIMENTO PORTLAND foram transferidas ao Grupo HOLCIM em 1996 e os pagamentos relativos ao “ágio” foram efetuados em 2000 e 2001 – não há nos autos elementos que comprovem a eventual suspeita de que os valores pagos às Irmãs Pereira da Silva não se vinculam à (re) aquisição das ações da HOLCIM BRASIL S/A. Ressaltese que o interesse legítimo do Grupo Holcim na aquisição dessa companhia (Cia CIMENTO PORTLAND PARAÍSO) não foi questionada pela fiscalização. Ressaltese, mais ainda, que a holding PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA., cujo propósito negocial foi rechaçado pela fiscalização, não tem relação com o GRUPO PARAÍSO, integrado pela Cia. CIMENTO PORTLAND PARAÍSO, empresa operacional que foi incorporada ao Grupo Holcim em janeiro de 1997, muito antes da criação da PARAÍSO PARTICIPAÇÕES LTDA. (maio de 1998). [...] Comungo da conclusão, quanto a esse aspecto. Não vejo como afirmar que operações societárias realizadas ao longo de cinco anos, nas condições aqui descritas, possam revelar que não tenha havido intenção de ter as Irmãs Pereira da Silva como sócias da Holcim Brasil S.A. Relevante, ainda, a afirmação da recorrente de que, quando celebrado o acordo de acionistas que previa o pagamento de parte do preço através da conferência de 12% das ações da Holcim Brasil (em 1996) o benefício fiscal da amortização do ágio, ora discutido, sequer existia (somente foi introduzido no mundo jurídico com a lei nº 9.532, em dezembro de 1997). A Turma Julgadora em primeira instância, mesmo considerando legítima a formação do ágio, considerou que as condições em que esse ágio veio a se tornar dedutível pela ora recorrente não seria legítima. Confirase o seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido: Mesmo que legítimo o ágio pago, a pretendida amortização fiscal do ágio depende da legitimidade da opção da impugnante pela aquisição da participação societária em poder da família Pereira da Silva através da holding Paraíso Participações. Fica evidenciado, então, o que me parece o ponto central da discussão: a legitimidade, ou não, da utilização da empresa Paraíso Participações Ltda., tida pelo Fisco e pela Turma Julgadora em primeira instância como empresa veículo, ou seja, pessoa jurídica criada artificialmente com o único propósito de criar as condições exigidas pela lei para a amortização fiscal do ágio. Vale a pena relembrar: o ágio restou registrado na Paraíso Participações Ltda. em duas operações distintas. Na primeira, a Holderfin BV (no exterior) adquiriu as acões com pagamento de ágio; promoveu aumento de capital na Paraíso Participações Ltda., e integralizou esse aumento de capital com as ações que detinha na Holcim Brasil S/A. Com isso, o ágio foi “trasnferido” da Holderfin BV para a Paraíso Participações Ltda. Na segunda, a Holderfin BV (no exterior) aumentou o capital na Paraíso Participações Ltda., com integralização em moeda. Na mesma data, a Paraíso Participações Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.656 14 adquiriu ações da Holcim Brasil S/A por valor acima do valor patrimonial, registrando contabilmente o ágio na operação. O Fisco (e também a decisão de primeira instância) considerou que, em ambas as operações, quem efetivamente arcou com o pagamento do ágio teria sido a Holderfin BV, não obstante esse ágio estar registrado contabilmente na Paraíso Participações. Aquela empresa (Holderfin BV) seria a real investidora. Daí, com a incorporação da Paraíso Participações pela Holcim Brasil, não teria ocorrido a confusão patrimonial entre investida e investidora, condição para o aproveitamento fiscal do ágio. Com a devida vênia, devo divergir. Em outras oportunidades, tenho me manifestado no sentido da ausência de vedação ao procedimento descrito acima (segunda operação), em que uma empresa no exterior, em vez de adquirir diretamente a participação societária em empresa nacional, constitui inicialmente uma outra empresa no Brasil, aporta recursos a esta última e, com esses recursos, adquire a desejada participação societária. Com idênticos fundamentos entendo admissível também a primeira operação, em que a integralização do aumento de capital se faz com a participação societária previamente adquirida com ágio. Em qualquer caso, não se questiona que, a princípio, o “real investidor” é a empresa situada no estrangeiro, desde que foi ela quem arcou com os recursos financeiros para a aquisição da participação societária no país. No entanto, considero legítima sua opção de valerse de outra empresa para tanto, ainda que essa outra empresa venha a ter duração efêmera. Nessa situação, aquele antes denominado “real investidor” deve passar a ser identificado como ”investidor inicial”, posto que o investimento terá sido legitimamente transferido para um novo investidor. E é aí que ocorre a confusão patrimonial entre investidor e investida, exigida pela lei para a amortização fiscal do ágio. Observo, finalmente, que a situação de uma “empresa veículo”, criada especialmente para permitir a aquisição de um investimento, é facilmente verificada nas operações de privatização. Há mesmo consenso de que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram editados com o objetivo de facilitar o processo de privatização de empresas estatais, permitindo às empresas investidoras recuperar parte do investimento mediante a redução da carga tributária, o que, como contrapartida, permitiria que os valores oferecidos ao Estado na aquisição das empresas estatais fossem maiores. Isso, sem prejuízo dos ativos intangíveis das estatais privatizadas. Vários foram os casos de amortização de ágio no processo de privatização analisados por este CARF, sendo as conclusões no sentido de sua legitimidade, não obstante o uso de “empresas veículo”. Pois bem. Não me parece que se possa limitar o uso de tais empresas exclusivamente ao contexto das privatizações. O texto legal não traz qualquer limitação nesse sentido, estabelecendo tão somente as condições objetivas para a amortização fiscal do ágio. Pareceme exagerado qualificar como ilícito ou fraude a opção por um caminho facultado pela legislação, ainda que a adoção de tal caminho tenha por objetivo a economia tributária. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.721820/201390 Acórdão n.º 1301001.950 S1C3T1 Fl. 1.657 15 Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 12269.001167/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja realizada pela autoridade preparadora a comparação, na execução do julgado, da multa constante dos autos, somadas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos (processo nº: 12269.001163/2010-28) e compare com a multa expressa no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, como determina o art. 35-A da Lei 8.212/1991, aplicando ao caso o cálculo que seja mais benéfico à recorrente (art. 106 do CTN).
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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GFIP. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 11 67 /2 01 0- 14 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja realizada pela autoridade preparadora a comparação, na execução do julgado, da multa constante dos autos, somadas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos (processo nº: 12269.001163/201028) e compare com a multa expressa no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, aplicando ao caso o cálculo que seja mais benéfico à recorrente (art. 106 do CTN). Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001167/201014 Acórdão n.º 2402004.915 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, na competência 01/2006. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 03/11), a empresa efetuou pagamento de Participação nos lucros e resultados em desacordo com o fixado no acordo coletivo aos seus empregados e o pagamento a título de participação nos Lucros a Pedro Pullen Parente indevidamente considerado como segurado empregado, os fatos geradores não foram declarados nas Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 31/05/2010 (fls. 01 e 02). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 32/51), alegando, em síntese, que: 1. as contribuições sociais incidem nos casos especificados pela Constituição Federal de 1988, assim, a incidência daquelas somente sobre a folha de salários e não sobre a PPR, que esta se refere a PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS e não incidem as contribuições previdenciárias; 2. a Autoridade Lançadora não atentou para as regras contidas nas cláusulas nona e décima primeira, que nesta prevê a parcela adicional a prevista naquela. Que as cláusulas décima a décima segunda estabelece os critérios para o pagamento da parcela adicional além da prevista na cláusula nona e que essa parcela mantém a sua natureza jurídica de participação nos lucros e resultados; 3. requer a insubsistência do lançamento. DA DILIGÊNCIA. Em razão das argumentações do impugnante, solicitou se a Autoridade Lançadora esclarecimentos dos procedimentos para as constatações dos fatos geradores, por meio do despacho de fls. 223/224 (processo 12269.001163/201028), ao qual esclareceu na Informação Fiscal de fls. 227 (processo 12269.001163/201028). Da informação fiscal de fls. 227, o contribuinte foi cientificado e manifestou as fls. 230/232, ao qual discorda, alegando que o recebedor da participação dos lucros, Sr. Pedro Pullen Parente, é empregado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande/MS – por meio do Acórdão 0432.771 da 4a Turma da DRJ/CGE (fls. 174/180) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001167/201014 Acórdão n.º 2402004.915 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência de a Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração do segurado contribuinte individual Sr. Pedro Pullen Parente, eis que ela deixou de informar os rendimentos oriundos da PLR em desacordo com a Lei 10.101/2000. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração do segurado contribuinte individual, na competência 01/2006 – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001167/201014 Acórdão n.º 2402004.915 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos autos do processo 12269.001163/201028. Após essas considerações, informo que, quando da análise do processo da obrigação principal, as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que for coincidentes, especificamente com relação aos valores não declarados em GFIP oriundos da intitulada PLR paga ao segurado Pedro Pullen Parente, contratado para administrar a empresa – foram devidamente enfrentadas. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) O processo 12269.001163/201028 assentou em sua ementa os seguintes termos: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 “[...] II DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NEGADO. REMUNERAÇÃO DIRETOR NÃO EMPREGADO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Não havendo comprovação tanto da subordinação jurídica como da natureza pessoal da relação empregatícia, o segurado empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso e, para fins da legislação previdenciária, será qualificado como segurado contribuinte individual, a teor do art. 12, V, alínea “f”, da Lei 8.212/1991. Inteligência do enunciado da Súmula 269 do TST. Além disso, como a verba paga ou creditada ao diretor vice presidente não empregado (contribuinte individual) foi concedida em desacordo com a Lei 10.101/2000, possui natureza remuneratória e, por conseqüência, tal valor deve integrar o conceito de salário de contribuição (base de cálculo), por caracterizar contraprestação aos serviços prestados e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de exclusão prevista em lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada ao segurado contribuinte individual, não há que se falar em nulidade. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. QUESTÃO DE FATO. INDEFERIMENTO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o Recorrente fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a ocorrência de força maior ou fato superveniente. Os documentos que comprovariam a alegação postulada de subordinação jurídica do segurado devem ser apresentados na fase inicial de impugnação, às exceções das hipóteses contempladas no art. 16, § 4º do Decreto 70.235/1972 e das matéria de Ordem Pública. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, III, §4º c/c o art. 17, ambos do Decreto 70.235/72, respeitandose o princípio processual da duplo grau de jurisdição (duplo juízo sobre o mérito, dupla revisão da matéria). Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001167/201014 Acórdão n.º 2402004.915 S2C4T2 Fl. 6 9 Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado. [...]” Logo, não acato as alegações da Recorrente registradas na peça recursal. MULTA O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art. 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário – notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário – chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: (i) falta de pagamento ou recolhimento; (ii) falta de declaração; e (iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12269.001167/201014 Acórdão n.º 2402004.915 S2C4T2 Fl. 7 11 O caso em exame trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento não espontâneo, incluído em lançamento tributário, que é o caso, conforme visto, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91 dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/91. Deixo consignado nos autos que a multa mais benéfica será calculada de acordo com a sistemática aqui apontada no momento do pagamento, nos termos do item “2” da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: “1) a multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, quando aplicada isoladamente (sem a existência de outra penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação de pagar o tributo), deverá ser comparada com o novo art. 32A, inciso II, da Lei 8.212, de 1991, para fins de aferição da norma mais benéfica. Nesse caso, a norma que comina penalidade menos severa, ao que parece, é o novo dispositivo introduzido pela MP 449, de 2008. 2) quando houver a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere a apresentação de declaração inexata, e § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 234DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo da lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.” Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação apresentada no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (no art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009) representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante disso, ratifico a sistemática da multa aplicada nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para que seja realizada pela autoridade preparadora a comparação, na execução do julgado, da multa constante dos autos, somadas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos (processo de número 12269.001163/201028) e compare com a multa expressa no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, aplicando ao caso o cálculo que seja mais benéfico à recorrente (art. 106 do CTN). Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 16682.721220/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-002.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. A conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto.
Sustentou pela recorrente o Dr. Sidney Sthal, OAB/SP 101.295
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2008 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. A conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Sidney Sthal, OAB/SP 101.295 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Declaração de Voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 20 /2 01 2- 21 Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos lançamento de ofício de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 7.930.696,82 (incluído principal, multa de ofício 75% e juros de mora), em razão do entendimento da fiscalização de que a empresa se creditou indevidamente de valores decorrentes da entrada em seu estabelecimento de insumos utilizados para a industrialização de produtos classificados como não tributados (NT) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), no caso óleos lubrificantes sem aditivos (2710.19.31) e óleos lubrificantes com aditivos (2710.19.32). Informa o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.116/1.135), em síntese, que: a) Os produtos industrializados pelo sujeito passivo foram, em sua maioria, classificados nas posições 2710.19.31 (óleos lubrificantes sem aditivos) e 2710.19.32 (óleos lubrificantes com aditivos) da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002 e, portanto, não tributados (NT). Tratamse de óleos lubrificantes que têm em sua composição 70% ou mais de óleos básicos, sendo essa matéria prima oriunda de refino ou refinação, conforme definido no inciso V do art. 6º da Lei 9.478/1997. b) a fiscalizada informou que atua no segmento de industrialização e comercialização de lubrificantes derivados ou não de petróleo. Por força do artigo 155, XII, § 3º, da CF, os derivados de petróleo gozam de imunidade, estando esses produtos, por tal, classificados na TIPI como NT. c) a imunidade do derivado de petróleo deve atender a dois pressupostos cumulativos: (1) ser classificado quimicamente como hidrocarboneto (2) produzido na etapa de refino do petróleo. Logo, somente se torna admissível a interpretação de que os derivados acobertados pela definição do Decreto nº 4.544/02 sejam os diretamente decorrentes da operação de refino (derivados básicos), sob risco de a imunidade se estender a todo e qualquer hidrocarboneto derivado de petróleo decorrente das demais fases seguintes de industrialização, tornando a ressalva “por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação” letra morta, o que juridicamente não se admite. c) um exame mais atento da TIPI nos mostra que existem produtos industrializados que nela estão classificados como NT. Esta foi a opção adotada pelo Estado para desonerar certos produtos da incidência do IPI, sem necessariamente ter de concederlhes imunidade, isenção ou alíquota zero. Tratase, portanto, de não incidência. Reforça esse entendimento o fato de que a classificação 27.10.1 abrange outros produtos que não os derivados de petróleo, como óleos de minerais betuminosos e óleos análogos e, dessa forma, o que caracteriza a imunidade não é o fato de na composição do produto haver 70%, 80%, 90% ou 100%, de óleos básicos, mas sim se o produto industrializado decorre da operação física ou química diretamente realizada sobre o petróleo para a sua decomposição. d) não há nem nunca houve permissivo legal para o creditamento do IPI pago nas aquisições de insumos aplicados em produtos não tributados, uma vez que estes estão fora do campo de incidência do IPI. E, ainda que se tratasse de produtos imunes, os casos previstos na Lei 9.779/1999 (industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero) Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 16682.721220/201221 Acórdão n.º 3402002.931 S3C4T2 Fl. 1.378 3 constituem exceções ao comando de anulação de crédito de IPI decorrentes de insumos empregados na industrialização de produtos desonerados por esse imposto. Não foi por outra razão que a IN SRF nº 33, em seu art. 4º, consolidou essas três hipóteses de manutenção de créditos de IPI incidente na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos desonerados do imposto. Ainda que a fiscalizada industrializasse produtos imunes, o que não ocorre no presente caso, os créditos decorrentes dos insumos empregados na industrialização de produtos imunes, e portanto com notação NT, deveriam ser estornados. e) embora os créditos de IPI relativos aos CFOP de nº 1102, 1202, 1652, 1661, 1662, 1949, 2152, 2202, 2652, 2659, 2661, 2662, 2949, 3102, 3651, e 3652 não estejam incluídos na glosa de créditos efetuada por meio do presente procedimento fiscal, convém esclarecer que somente há previsão de ressarcimento de créditos de IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização; f) a Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT nº 394/03 não se aplica ao contribuinte, pois o ADI/SRF nº 05/2006 pôs termo aos efeitos daquela, "já que este ato administrativo esclareceu de vez a questão ao consolidar a interpretação concernente à inexistência de direito à manutenção de crédito de IPI decorrente de insumos empregados na industrialização de produtos imunes com notação NT na TIPI"; g) o Sindicato Nacional de Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), da qual a autuada é filiada, ajuizou mandado de segurança nº 2007.34.00.03100118 (8ª Vara Federal DF) "no que tange à compensação de saldo credor de IPI nas formas previstas no art. 11 da Lei 9.779/99". Entendeu o Fisco que "a ação judicial não alcança os créditos decorrentes de produtos produzidos pela fiscalizada e classificados como NT". (item 7 do TVC) Impugnada a exação, a 3ª Turma da DRJ Belém, em 03/10/2013, a manteve na íntegra (fls. 1.309/1321). Não resignada, a empresa interpôs o presente recurso (fls. 1.325/1.346), no qual, em suma, alega que: a) os produtos que industrializa são imunes nos termos do art. 155, § 3º, da CF, e, "portanto, significam para a recorrente a possibilidade do acúmulo e utilização dos créditos de IPI calculados sobre os valores de entrado no estabelecimento de insumos, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados nos produtos (genuinamente derivados de petróleo), conforme legislação pertinente"; b) o óleo lubrificante sem aditivo (2710.1931) é 100% derivado de petróleo, pois recebido das refinarias e revendido a seus consumidores, e que o óleo com aditivo (2710.1932) "apenas agrega entre 10% ou 15% àquele mesmo produto recebido das refinarias. Isso para pontuar que tais óleos "se tratam de produtos genuinamente derivados do petróleo". Referese à decisões da RFB que vão ao encontro desse entendimento; c) os óleos das citadas posições estando classificados na TIPI sob notação NT "em razão da imunidade constitucional prevista no art. 155, § 3º, da CF". Entende "que existem duas espécies de produtos classificado sob a rubrica NT: aqueles decorrentes da falta de hipótese de incidência e aqueles decorrentes de imunidade constitucional, onde há hipótese de incidência do imposto", averbando que "o argumento de que a notação (NT) dos óleos produzidos pela recorrente não decorrem da sua imunidade, mas apenas de uma opção desonerativa do Estado, é atentar contra a análise constitucional e sistemática aplicável ao caso!"; Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 4 d) "a Constituição não estabelece nenhuma restrição ao direito de crédito, não havendo embasamento na legislação ordinária que determina a anulação dos créditos de IPI em diversas situações (RIPI/2002, art. 193; e RIPI/2010, art, 254), como no caso de industrialização de produtos não tributados (NT)", fazendo o contraponto com o previsto no caso do ICMS, que expressamente "veda o direito a créditos nos casos de isenção e não incidência". Nesse ponto conclui que "...quaisquer formas de desoneração de cargas tributárias...aplicáveis aos produtos industrializados não podem ter nenhum efeito inibitório no que pertine ao regular (e constitucional) aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisição de bens", acrescendo que no caso não se aplica a Súmula 20 do CARF, posto que, consigna, todos acórdãos paradigmas não atingem a imunidade apontada; e) o ADI SRF 05/2006 "é manifestamente ilegal e inconstitucional e não deve ser aplicado no sentido de restringir o creditamento ora defendido", pois afrontaria o princípio da nãocumulatividade ao veicular entendimento não permitindo a manutenção de crédito do valor de insumos a serem aplicados em produtos imunes e, portanto, não tributados; f) o art. 11 da Lei 9.779/99 teve por finalidade estimular as atividades produtivas do país, apontando que "todo conjunto legislativo autorizador da manutenção dos créditos deve ser encarado em caráter ampliativo, em razão do estímulo do legislador nacional ao desenvolvimento do país em setores estratégicos". Se assim não fosse, continua, "o termo imune nunca teria sido incluído no alcance da Lei 9.779/99, inclusive através de posterior regulamentação". g) juntou na impugnação parecer elaborado pelo professor José Eduardo Soares, transcrevendo suas conclusões, que vão ao encontro de suas razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Preliminarmente, registrese que não há qualquer controvérsia envolvendo a liquidez dos valores glosados e o refazimento da escrita do IPI, que deram azo à cobrança deste imposto e a não homologação das compensações. Também entendo que o objeto da ação judicial referida no TVC não é idêntico à matéria versada nos autos porque o pedido no referido writ é para que seja declarado inaplicável o ADN 05/2006, permitindo creditamento dos insumos e compensação do saldo credor. Nestes autos a fiscalização entende que os produtos não são imunes e, mesmo que o fossem, não haveria direito ao crédito porque os mesmos têm notação NT na TIPI, o que os coloca fora do campo de incidência do IPI, questão não controvertida na ação judicial. Todavia, essa questão se quer foi ventilada na peça recursal. Porém, na ação judicial em referência, o sindicato ao qual a recorrente é filiada não teve sua pretensão acolhida, quer em sede monocrática, quer no TRF da 1ª Região, tendo sido opostos, em 04/10/2013, embargos de declaração. O núcleo da questão a ser solvida é se produtos classificados na TIPI com notação NT (Não Tributado), como aqueles objeto da lide, permitem creditamento dos valores de seus insumos, uma vez que não há cobrança do IPI em suas saídas. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 16682.721220/201221 Acórdão n.º 3402002.931 S3C4T2 Fl. 1.379 5 Portanto, não entendo como prejudicial ao deslinde da quaestio saber se os produtos que a recorrente dá saída (óleos lubrificantes sem aditivos 2710.19.31 e óleos lubrificantes com aditivos 2710.19.32) são imunes ou não, pelo que não adentro nesse mérito. O art. 45 do mesmo RICARF ao elencar as hipóteses de perda de mandato dos Conselheiro, estatui em seu inciso VI uma delas: VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62 Portanto, se a matéria já tiver sido objeto de enunciado de Súmula CARF, descabe a discussão do mérito, mas de simples aplicação da mesma. Assim, sem razão a recorrente de que não deve ser aplicada a Súmula CARF nº 20 em função de que, eventualmente, seus paradigmas não tratassem de caso análogo ao versado nestes autos. A referida Súmula tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Ora, o que deve obrigatoriamente ser seguido pelos Conselheiros em seus votos, em atendimento aos princípios da eficiência e celeridade processual, não são os paradigmas que suportaram o teor da Súmula, mas sua dicção. E a transcrita Súmula é clara, hialina, no sentido de que, independentemente de serem os produtos imunes, descabe crédito de valores de insumos que serão aplicados em produtos cuja notação seja NT. Assim, descabe, inclusive, a discussão se os produtos NT estejam no campo de incidência do IPI ou não porque os Conselheiros, que devem lealdade ao RICARF, deverão aplicar a Súmula de forma objetiva. E nela que fundo a conclusão deste voto. Contudo, teço alguns comentários a título de ilustração acerca do mérito. No que tange ao princípio da nãocumulatividade, por ser matéria de índole constitucional, descabe a este Colegiado decidir sobre seu mérito. Entretanto, certo que o próprio STF no REsp 398.365, dentre outros, julgado pelo Plenário em repercussão geral julgado em 27/08/2015, ao não admitir o creditamento de insumos não tributados, sujeitos à alíquota zero e isentos modulou os efeitos desse princípio. Só este fato já é suficiente para afastar a afirmação da recorrente "que o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito, não havendo nenhuma vedação constitucional à manutenção do crédito em caso de saída subsequente não tributada". Quanto à Lei 9.779/99, seu artigo 11, não faz menção à produtos imunes. Vejase: Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 6 Salientese que esta legislação mudou radicalmente a sistemática do IPI, que tinha por fundamento a nãocumulatividade, consubstanciada na possibilidade de compensação do "que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores". Ou seja, os valores passíveis de creditamento somente era possível no que a doutrina veio chamar de créditos básicos, pois não havia que se falar em crédito quando este era zero, ou não havia incidência da norma impositiva (isenção). Contudo, notese, que esta norma inovadora, não fez menção a produtos imunes, que tem tratamento diverso. No caso do IPI, há imunidade especificamente em relação a ele, quando se tratar da imunidade objetiva, qual seja, produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, § 3º, III). O fato dessa novel Lei não se referir a insumos imunes, é esquecido pela recorrente. De outro turno, ao referirse ao IPI, a Carta estatui que: “Art. 21 (...) § 3º O imposto sobre produtos industrializados será seletivo em função da essencialidade dos produtos, e não cumulativo, abatendose, em cada operação, o montante cobrado nas anteriores”. Assim, dentro de cada período de apuração, dos valores do imposto registrados a débito, atinentes às saídas de produtos tributados do estabelecimento contribuinte, eram deduzidos os valores registrados a crédito (créditos básicos), decorrentes das operações de entradas de insumos tributados empregados na produção daqueles produtos saídos. Restando valor a crédito, era transferido para o período seguinte. Pois bem, até a edição da 9.779, o que tínhamos eram os referidos créditos básicos, antes referidos, e aqueles apelidados de incentivados. Estes eram, e são, créditos que fogem à natureza do IPI, mas que têm por escopo incentivo fiscal, como aqueles, v. g., da DL 411/99 (incentivo à política de exportação), dos produtos egressos da Amazônia ocidental (DL 1.435/75 (política de incentivo à economia e povoamento dessa região do Brasil), e tantos outros visando algum tipo de política governamental. A IN SRF 33/99, foi editada especificamente para regulamentar o art. 11 da Lei 9.779. A recorrente entende que essa IN ao fazer menção, em seu art. 4º, ao aproveitamento dos insumos, a que se refere a Lei, aplicados em produtos imunes, ipso facto, reconheceu que se referia a todo e qualquer produto industrializado imune. Não teceu a recorrente qualquer comentário quanto ao fato de que o art. 11 da Lei 9.779/99 não fazer menção a produtos imunes, desta feita apegandose à norma administrativa. Mas será que frente a este fato a Administração não extrapolou seu poder regulamentar? Certamente, não, e não poderia! Os créditos em relação a produtos imunes são aqueles que decorrem de lei específica do favor legal (benefício/incentivo fiscal), onde é criado, por mandamento legal strictu sensu, um crédito ficto de natureza incentivada ( a lei garante a manutenção e utilização dos créditos, mesmo que não haja cobrança do IPI na saída). Esse é o caso do DecretoLei 411/69 em relação a produtos industrializados exportados. Mas para isso, antes, o produto exportado deve ser industrializado. A esses casos que se aplica o art. 4º da IN 33/99. Vale dizer, a imunidade a que se refere o artigo 4º da IN SRF nº 33/99 é tão somente aquela relativa a produtos tributados (portanto, dentro no campo de incidência do IPI) destinados ao exterior (sobre os quais se aplica a imunidade constitucional em razão da destinação à exportação), cujo direito de manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente utilizados na industrialização, como visto, é assegurado pelo art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 16682.721220/201221 Acórdão n.º 3402002.931 S3C4T2 Fl. 1.380 7 Contudo, a mesma Normativa, disso se esqueceu de fazer referência a peça recursal, no § 3º do art. 2º, dispôs que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)". Mas, em qualquer hipótese, a legislação, lato sensu, sempre fez menção a produtos industrializados. Pois bem, justamente em função dessa leitura desvirtuada, a meu sentir, da recorrente é que veio a Receita Federal expedir ato no sentido de esclarecer esse eventual conflito entre o que dispôs o § 3º do art. 2º, a respeito do qual a recorrente silencia, e o artigo 4º da IN 33/99. Assim, para mais aclarar o já aclarado, a RF editou o ADI nº 5, de 17/04/2006, que prescreve: “Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior”. Ora, não houve mudança alguma de critério jurídico, como quer fazer crer a insurgente, pela Administração. Ao contrário, ela foi de toda coerente. O que houve foi a distorção do entendimento da administração tributária para "fazer nascer" crédito indevido, e, como de costume, sair a compensarse com débitos indiscutíveis, pois certos e líquidos. Por fim, o fato é que em todos os casos aludidos sempre a legislação fez menção a produtos industrializados. E, indubitavelmente, os produtos com notação NT, independentemente de sua causa, estão fora do campo de incidência do IPI. Assim sendo, em relação a esses produtos, mesmo que por hipótese seu insumo sofra alguma modificação, como alegado, não incide a legislação do IPI. E uma vez não incidindo a legislação do IPI, não há, em consequência, direito a crédito algum. Disso decorre o mandamento a que se refere o citado no § 3º do art. 2º, ao estatuir que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados NT". E para que não mais pairasse discussão em torno do tema, o art. 6º da Lei 10.451/2002, prescreveu o seguinte: Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 8 Art. 6o O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Diante do exposto, nos termos da Súmula CARF nº 20, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Declaração de Voto Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz Em que pese o profundo respeito que tenho pelos ilustres conselheiros componentes da turma, tomo a liberdade para deles divergir. Primeiramente, ao contrário do teor do voto do Ilustre Relator, entendo não ser aplicável a Súmula 20 do CARF ao caso. Isto porque, a presente discussão não se restringe ao fato de os produtos da Recorrente estarem classificados na TIPI como NT, mas sim ao entendimento, expresso na acusação fiscal, de que os produtos da Recorrente não são derivados de petróleo (imunes) e que por isso adotase a notação NT. Tendo isso tem vista, é preciso lembrar que a vinculação da súmula aos precedentes que a motivaram é obrigatória, ou seja, são os fundamentos dos precedentes que suportam a aplicação da súmula. O artigo 489, §1º, do novo CPC, que entrará em vigor em poucos dias, impõe nulidade a decisão que aplicar ou deixar de aplicar súmula sem que demonstre a pertinência ou impertinência dos seus precedentes ao caso concreto: Art. 489 – (…) § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 16682.721220/201221 Acórdão n.º 3402002.931 S3C4T2 Fl. 1.381 9 VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. (...) Vêse que o inciso V acima transcrito afirma que não corresponde a fundamentação a decisão que simplesmente invoca um precedente ou súmula sem demonstrar a sua pertinência com o caso concreto. Ou seja, não basta ao julgador citar o precedente ou enunciado sumular. É imprescindível a análise da correspondência da sua tese com o caso debatido em juízo. O inciso VI prevê que, para a refutação de um precedente alegado em uma demanda, é preciso a demonstração de que os pressupostos de fato e de direito não são os mesmos do caso concreto. Os dois incisos trabalham o fenômeno da “distinção” ou “distinguishing”. A “distinção” pode ser analisada com base em dois focos. O primeiro é o método de verificar os pressupostos de fato e de direito de um precedente ou súmula e a sua eventual correspondência com os do caso concreto. Já o segundo é o resultado ou conclusão pela aplicação ou pela distinção (daí o termo “distinguishing”)1. No presente processo, a acusação baseouse no fato da fiscalização entender que os produtos fabricados pela Recorrente não serem derivados de petróleo e não pelo fato de serem NT, não se aplicando ao caso a súmula 20. Com relação a esse ponto, pareceme que há consenso dessa Turma de que são derivados de petróleo, ou seja, os óleos lubrificantes industrializados pela interessada, objeto da presente autuação, enquadramse no conceito de derivados de petróleo, e são alcançados pela imunidade conferida pelo art. 155, § 3°, da Constituição Federal de 1988. A imunidade, como é consabido, é categoria jurídica não se confunde com a figura jurídica da “não incidência”. Esta corresponde a ocorrência de fato nenhum ou de fato irrelevante juridicamente, face a norma tributária, ou seja, o fato não se encontra dentro daquele campo descrito como hipótese de incidência tributária (no caso do IPI, de produtos não industrializados, por exemplo). Já aquela consiste em fenômeno atrelado a norma constitucional que demarca competência tributária das pessoas políticas, vale dizer, é uma “competência negativa” (no IPI, apesar de estarmos diante de produto industrializado, como os derivados de petróleo, a Constituição Federal proíbe que seja expedida norma tributária para sua tributação) Tendo isto em vista, entendo que a demonstração de que os produtos são derivados de petróleo (imunes), per si, já implicaria em perda do fundamento do auto de infração que se baseou nessa premissa, bem como na inaplicabilidade da Súmula n. 20, cujos precedentes que levaram à sua edição não tratam da questão dos produtos imunes. Assim, a notação NT das posições NCM 2710.1931 (óleo lubrificante sem aditivo) e 2710.1932 (óleo lubrificante com aditivo) decorrem, não pelo fato dos produtos fabricados pela Recorrente serem verdadeiramente não tributados, mas em decorrência da 1 TUCCI, José Rogério Cruz e. Precedente Judicial como fonte do direito. São Paulo: RT, 2004, p. 174. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 10 imunidade conferida pelo § 3° do art. 155 da CF. Em outro giro, existem duas espécies de produtos classificados sob a rubrica (NT) na TIPI: aqueles decorrentes da falta de hipótese de incidência (ex. ovo de galinha) e aqueles decorrentes de imunidade constitucional, onde há a hipótese de incidência do imposto. Nestes casos, a Constituição Federal prevê expressamente a sua desoneração por diversas razões, tais como o desenvolvimento de determinados setores do Estado, como ocorre com relação aos derivados de petróleo, e, portanto, os óleos produzidos pela Recorrente. Quanto ao reconhecimento ao direito a créditos de IPI, decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na fabricação de produtos imunes, especialmente até a revogação do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) pelo Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), tenho que não há como deixar de reconhecer o direito da Recorrente. O Decreto 4.544/2002 expressava no § 2º do art. 195 que: “Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). (...) § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11).” (destaquei) Assim o Decreto prevê textualmente a manutenção do saldo credor, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, inclusive nas saídas de produtos imunes, sem qualquer distinção ou ressalva quanto à aplicação exclusiva aos produtos exportados. O artigo 11 da citada Lei expressa o seguinte: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Apesar do texto legal em si não expressar a manutenção do crédito para a imunidade, a possibilidade de utilização do saldo credor, na forma do art. 11 da Lei nº 9.779/99, foi posta na IN SRF 33/1999, que garantiu o direito ao saldo credor relativo às saídas de produtos isentos e/ou tributados à alíquota zero, pelo que, para os produtos não tributados, continuava em vigor as disposições do art. 25 da Lei nº 4.502/1964, que determinava o estorno do crédito. A referida IN assim se expressou: Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 16682.721220/201221 Acórdão n.º 3402002.931 S3C4T2 Fl. 1.382 11 “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999.” (grifei) A questão que se põe, a meu ver, é estabelecer o alcance do direito à luz do confronto entre os produtos não tributados e os produtos imunes. A vedação a que alude a IN SRF 33/1999, tocante aos produtos não tributados, se restringe àqueles que o são pela própria natureza, como os produtos em estado natural ou em bruto, isto é, aqueles que não se submetem a quaisquer das operações caracterizadoras da industrialização, cuja realização tem o condão de modificar a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoar para consumo, consistente na transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento, reacondicionamento, renovação ou recondicionamento. Os produtos imunes, por outro lado, geralmente se submetem a algumas destas operações, como é o caso do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a energia elétrica, a gasolina, o óleo diesel e outros derivados de petróleo, que somente foram excluídos da tributação do IPI por opção do constituinte, que os recobriu com a imunidade, mas que, em sua gênese, são produtos que satisfazem àquele conceito de industrialização. Conforme dito, o § 2º do artigo 195 do Decreto 4.544 era expresso a estender a manutenção do saldo credor aos produtos imunes, somente após a sua revogação é que o vocábulo “imunes” foi suprimido e a norma passou a explicitar que os imunes referiamse aos da operação de exportação, nos termos do § 2º do art. 256 do RIPI 2010, Decreto nº 7.218/2010: Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). (…) Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 12 § 2o O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). (destaquei) Tenho, então, que não cabe ao intérprete, sob o pálio de aclarar o sentido, condicionar o alcance de normas expressas em reconhecer direitos ao contribuinte, onde elas próprias não o fizeram (art. 11 da Lei nº 9.779/99), haja vista que se a IN SRF 33/99 e, principalmente, o art. 195 do RIPI/02, pretendessem limitar a vantagem do ressarcimento do saldo credor dos produtos imunes àqueles destinados ao exterior teriam feito expressamente e não de forma implícita, de modo que a ilação mais consentânea com o espírito da norma é que a referência genérica aos produtos imunes abarca não só os exportados, como todos os demais, a exemplo do papel, da energia elétrica (no caso de sua produção por transformação) e dos derivados de petróleo. Em razão destas colocações, lembrese, é que entendo inaplicável ao processo o teor da súmula CARF nº 20, segundo a qual não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Thais de Laurentiis Galkowicz Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 0 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Numero do processo: 10283.721436/2013-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 26/11/2013
ZONA FRANCA DE MANAUS. INTERNAÇÃO DE MERCADORIAS NO RESTANTE DO TERRITÓRIO NACIONAL. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÕES DE CONTROLE DE INTERNAÇÃO (DCI).
Até o advento do Decreto nº 8.010, de 16/05/2013, a internação de mercadorias provenientes da ZFM em qualquer ponto do território nacional, sem a apresentação das DCI, só rendia ensejo à pena de perdimento caso essas mercadorias tivessem ingressado na ZFM com os benefícios do art. 505 do RA/2009. Tratando-se de fatos geradores anteriores ao Decreto nº 8.010/2013 e de mercadorias importadas ingressadas na ZFM com o pagamento integral de todos os tributos incidentes na importação, é incabível a inflição da pena de perdimento.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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INTERNAÇÃO DE MERCADORIAS NO RESTANTE DO TERRITÓRIO NACIONAL. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÕES DE CONTROLE DE INTERNAÇÃO (DCI). Até o advento do Decreto nº 8.010, de 16/05/2013, a internação de mercadorias provenientes da ZFM em qualquer ponto do território nacional, sem a apresentação das DCI, só rendia ensejo à pena de perdimento caso essas mercadorias tivessem ingressado na ZFM com os benefícios do art. 505 do RA/2009. Tratandose de fatos geradores anteriores ao Decreto nº 8.010/2013 e de mercadorias importadas ingressadas na ZFM com o pagamento integral de todos os tributos incidentes na importação, é incabível a inflição da pena de perdimento. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 14 36 /2 01 3- 93 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração com ciência do contribuinte em data não certificada nos autos, lavrado para infligir a multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, com base nos arts. 673, 675, IV, 689, § 1º do Decreto nº 6.759/2009 e arts. 73, §§ 1º e 2º e 77 da Lei nº 10.833/2003. Segundo a fiscalização, a cervejaria promoveu a saída de mercadoria da Zona Franca de Manaus sem a apresentação da Declaração de Controle de Internação (DCI), fato considerado como contrabando pelo Regulamento Aduaneiro, sujeitando as mercadorias à pena de perdimento. Por meio do Acórdão 58.216, a 23ª Turma da DRJ São Paulo deu provimento à impugnação do contribuinte. O julgado recebeu a seguinte ementa: Foi interposto recurso de ofício pelo ilustre presidente da 23ª Turma paulistana. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso de ofício preenche o requisito formal para sua admissibilidade, pois o valor do crédito tributário exonerado supera em mais de 23 vezes o limite de alçada. Estamos diante de mais um processo no qual não se sabe quando o contribuinte tomou ciência do auto de infração, sendo impossível aferir a tempestividade da impugnação. Tendo em vista que o ônus da prova da intempestividade dos recursos é da Administração Tributária, este colegiado deve tomar a impugnação como tempestiva e, sendo assim, considerar correto seu conhecimento e análise por parte da DRJ São Paulo. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.721436/201393 Acórdão n.º 3402002.988 S3C4T2 Fl. 3 3 Segundo os anexos ao termo de verificação fiscal, as saídas de mercadorias da ZFM desamparadas de DCI ocorreram entre 2009 e 2012, quando a redação do art. 696 do RA/2009 era a seguinte: Art.696. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 505, por configurar crime de contrabando (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 39). O art. 505 do RA/2009 alude à isenção para produtos importados, ingressados na ZFM para consumo interno ou para emprego em qualquer industrialização. No caso concreto, o malte e a cevada, importados, ingressaram na Zona Franca com o pagamento de todos os tributos devidos na importação, conforme se pode verificar na Declaração de Importação de fls. 204/207, in verbis: Fl. 411DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Portanto, há que se concordar com o Acórdão de primeira instância na parte em que concluiu pela inaplicabilidade da pena de perdimento ao caso concreto, por falta de subsunção entre os fatos ocorridos e a previsão regimental vigente à época dos fatos. Também não merece nenhum reparo o referido Acórdão na parte em que sustentou que a nova redação do art. 696 do RA/2009, dada pelo Decreto nº 8.010, de 16/05/2013, não pode ser aplicada retroativamente, sob pena de ferir o art. 106 do CTN. E, igualmente, não merece reparo a interpretação acerca da prevalência da prescrição regimental sobre o disposto no art. 39 do DL nº 288/67, que não restringe a inflição do perdimento às mercadorias ingressadas com isenção na ZFM, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 vincula a atuação dos órgãos administrativos de julgamento às normas com hierarquia igual ou superior a decreto. Se está no Regulamento, os servidores públicos cumprem o Regulamento, por se tratar de ato expedido pelo Chefe do Poder Executivo ao qual toda a Administração Pública está subordinada. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, para confirmar a decisão de primeira instância por seus próprios e jurídicos fundamentos. Antonio Carlos Atulim Fl. 412DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/03/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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