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Numero do processo: 13558.002082/2008-38
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.078
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM
sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 13/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório e Voto Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2005 , anocalendário 2004, em virtude de reclassificação para rendimentos tributáveis de rendimentos declarados como sujeitos à tributação exclusiva, tais rendimentos foram recebidos em decorrência de acordo trabalhista (processo 01348.1992.492.05.00 RT, de fls. 15/23), recebidos parceladamente ao longo do anocalendário 2005, conforme alvarás de fls. 24/33. O lançamento foi impugnado sob alegação de não incidência de imposto sobre juros e inconstitucionalidade da multa e dos juros de mora. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13558.002082/200838 Resolução n.º 2802000.078 S2TE02 Fl. 84 2 A 3ª Turma da DRJ Salvador indeferiu a impugnação sob o fundamento de que sujeitamse ao imposto de renda, no mês do seu recebimento, os rendimentos tributáveis pagos acumuladamente, inclusive os juros de mora, mantendo lançamento de IRPF do exercício 2005. Tratase de Recurso Voluntário interposto, em 10/12/2010, contra acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador, A ciência da decisão ocorreu em 29/11/2010 e a interposição do recurso voluntário, em 10/12/2010. A peça recursal, em síntese, escorase nos seguintes argumentos: a) não incidência do imposto sobre juros de mora, a partir da vigência do Código Civil de 2002; e b) inconstitucionalidade da multa de ofício e dos juros proibitivos. Verificase, portanto, que uma das matérias a ser decidida é a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente referente ao período de fevereiro de 1989 a setembro de 1994, nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (p. ex: tabela de fls. 21), in casu são valores recebidos em ação judicial. O acordo foi feito somente na fase de execução de precatório, com efeitos unicamente sobre a parte financeira, sem alterar a natureza das verbas. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13558.002082/200838 Resolução n.º 2802000.078 S2TE02 Fl. 85 3 da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722092/2011-83
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC.
A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
NOTIFICAÇÃO PRÉVIA.
A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1803-002.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
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MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 20 92 /2 01 1- 83 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório AVIVAR ALIMENTOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Belo Horizonte (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de auto de infração para exigir multa regulamentar, no valor de R$ 20.662,75, aplicada em razão do atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON relativo a maio de 2007, que ocorreu apenas em 05/11/2009 (fl. 17). O auto de infração foi emitido eletronicamente em 04/07/2011, o que implica a data de intimação em 19/07/2011, conforme o art. 23, §2º, III, b, do Decreto nº 70.235, de 1974. O autuado apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 2/8, que foi considerada tempestiva. Nessa sua peça de defesa, o contribuinte, em resumo, alegou que: i) a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade, consoante art. 138 do CTN; ii) a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e equidade; iii) a taxa Selic não pode ser aplicada para a atualização dos tributos, ante a natureza da taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização; iv) é necessária a notificação do contribuinte antes da imposição de multa; v) o valor que foi utilizado como base de cálculo da multa está incorreto. A DRJ Belo Horizonte (MG), por meio do acórdão nº 0236.447, de 29 de novembro de 2011(fls. 24), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722092/201183 Acórdão n.º 1803002.077 S1TE03 Fl. 82 3 Ciente dessa decisão em 13/12/2011, por meio de remessa postal (fl. 32), o autuado apresentou recurso voluntário em 11/01/2012 (fls. 33/43), em que afirma que a decisão de primeira instância não analisou a alegação de erro material quando do cálculo da multa aplicada e que a simples análise do Dacon é suficiente para verificar que o valor lá informado é zero e não de R$ 254.131,07, o que causou o erro da determinação do valor exigido. Ademais, reafirma os argumentos apresentados na impugnação. A presente Turma de Julgamento entendeu que a decisão recorrida deixou de apreciar a alegação de erro material no cálculo da multa exigida e a anulou, para que outra fosse proferida e também fossem anexados os documentos que deram suporte à decisão atacada, conforme o Acórdão nº 1803001.584, de 7 de novembro de 2012 (fls. 46/49). Retornando o processo à DRJ Belo Horizonte (MG), está prolatou o Acórdão nº 0241.614, de 8 de janeiro de 2013 (fls. 56/60), em que afirma, in verbis: Data vênia, não houve preterição do direito de defesa, pois os documentos que deram suporte à decisão são declarações do próprio contribuinte. Em atendimento ao acórdão do CARF, foram anexados ao processo: Dacon, fls. 55 e DCTF, fls. 54. A informação do valor em DCTF prestase apenas a confirmar o valor da contribuição apurada no Dacon. No Dacon, os valores são apurados. Na DCTF, confessados para posterior pagamento. Por obvio que os valores devem ser iguais. Quanto ao mais, repete os termos da decisão anulada. Cientificado da novel decisão em 17/01/2013, o contribuinte volta à carga, no bojo de novo recurso voluntário encontrado às fls. 66/77, apresentado em 13/02/2013. Nesse giro, o recorrente afirma que a nova decisão do julgador a quo não supre ou corrige a falha que ensejou a anulação da primeira decisão, permanecendo o erro material na formulação da exigência e o cerceamento do seu direito de defesa. Ademais, repete os argumentos já apresentados na impugnação e no primeiro recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. I. ERRO MATERIAL O recorrente alega que existe um erro no cálculo do valor da multa exigida. Afirma que o valor declarado no Dacon foi zero e é este que deve ser usado como base para o cálculo da multa, não o valor utilizado no auto de infração, de R$ 254.131,07. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Todavia, o auto de infração em análise diz respeito ao Dacon referente a maio de 2007 e a DRJ/Belo Horizonte fez juntar, às fls. 55, o referido Dacon, em que consta o valor devido de R$ 206.627,55, a título de COFINS, declarado pelo contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, em nenhum momento desse processo, fez juntar qualquer documento que comprovasse a sua afirmação quanto ao valor declarado. Assim, conforme os documentos acostados nos autos, o valor exigido foi calculado corretamente. Portanto, o argumento do recorrente quanto ao suposto vício material carece de fundamento fático. II. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O recorrente afirma que a nova decisão da DRJ/Belo Horizonte não supriu a falta de apreciação de alegado erro material, ocorrido na sua primeira decisão, o que estaria causando cerceamento do seu direito. Entendo de forma diversa, pois a decisão guerreada nega a ocorrência do vício material quando afirma que o valor utilizado como base para o cálculo da multa é aquele declarado pelo contribuinte, tanto no Dacon em tela quanto na correspondente DCTF. Esses documentos foram juntados pela DRJ/Belo Horizonte nas fls. 54 e 55. Ademais, a questão fática em tela é o correto valor declarado pelo contribuinte em seu Dacon e, quanto a isso, o debate foi exaurido de ambas as partes e demonstrada a corretude do lançamento, não se vislumbrando qualquer prejuízo para a possibilidade de argumentação do interessado. Assim, afastase também essa preliminar. III. ESPONTANEIDADE O contribuinte entende que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação de penalidade, consoante art. 138 do CTN. Todavia, a denúncia espontânea prevista no dispositivo legal supracitado aplicase somente em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias, como o presente caso de multa pelo atraso na entrega de declarações. Esse entendimento foi pacificado na presente Corte por meio da Súmula CARF nº 49, que tem o seguinte enunciado: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Também se afasta essa alegada excludente de ilicitude. IV. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722092/201183 Acórdão n.º 1803002.077 S1TE03 Fl. 83 5 O recorrente afirma que a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e da equidade, o que tornaria inconstitucional a multa a ele aplicada. O recorrente não questiona a existência de previsão legal para a multa aplicada. Portanto, ao afirmar a inconstitucionalidade da multa está, na verdade, afirmando a inconstitucionalidade da lei que a prevê. Todavia, é defeso ao colegiado julgador administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse entendimento também foi pacificado na jurisprudência administrativa, por meio da Súmula CARF nº 02, que tem o seguinte enunciado: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. V. TAXA SELIC O recorrente também se levanta contra a aplicação da taxa Selic para a atualização de tributos, considerando a natureza dessa taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização. Todavia, a aplicação da taxa Selic para o cálculo de juros sobre créditos tributários tem previsão expressa no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 1995, o que levou este Tribunal Administrativo a pacificar seu entendimento na Súmula CARF nº 04, que tem o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. VI. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA Por fim, o recorrente propugna pela necessidade de notificação prévia do contribuinte, como elemento preparatório da imposição de multa. A notificação prévia para a exigência de multa por atraso na entrega de declaração seria, no meu ver, antijurídica, na medida em que careceria de razoabilidade. Conforme as normas tributárias, o auto de infração em tela é gerado eletronicamente pelo mesmo software que gera a declaração, no exato momento de sua transmissão à Administração Tributária. Isso é possível porque o atraso é infração de conhecimento imediato, no momento da referida transmissão. Portanto, não há motivo suficiente para se criar um procedimento intermediário de notificação. Também não haveria proveito algum para as partes, sob o aspecto jurídico, nem para a sociedade. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 O contribuinte traz elementos retóricos para defender a sua posição, mas deixa de apresentar qualquer fundamento legal para a sua tese. Por outro lado, a jurisprudência também pacificou essa questão, no sentido de afirmar a desnecessidade dessa notificação, conforme a Súmula CARF nº 46, que tem o seguinte enunciado: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Assim, também afasto esse argumento. VII. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10680.721033/2010-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0231.736 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. PARTE NÃO IMPUGNADA De acordo com as normas do Processo Administrativo Fiscal, considerarse á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 21 03 3/ 20 10 -1 9 Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.721033/201019 Resolução nº 2403000.255 S2C4T3 Fl. 3 2 SERVIDOR PÚBLICO Pela legislação em vigor, os Regimes Próprios de Previdência Social RPPS, achamse restritos aos servidores titulares de cargos de provimento efetivo, devidamente comprovado por documentação idônea, ficando todos os demais servidores públicos submetidos ao Regime Geral de Previdência Social RGPS. CONTRIBUIÇÕES DECLARADAS OU NÃO EM GFIP. A separação dos lançamentos em declarados e não declarados em GFIP, visa aplicar a multa reduzida, para os casos em que as contribuições tenham sido incluídas no referido documento, conforme previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, no montante de R$607.898,74, consolidado em 18/05/2010, referente ás contribuições previdenciárias a seu cargo (parte patronal), devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a servidores não efetivos (ocupantes de cargos de recrutamento amplo, detentores de função pública e admitidos através de contratos administrativos), contribuintes individuais e transportadores rodoviários autônomos, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls.74 a 82. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n 0610100.2009.01725 e do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIFF. A documentação foi solicitada através do TIFF e dos Termos de Intimação Fiscal lavrados no curso do procedimento fiscal, as fls.52 a 68. O sujeito passivo teve ciência do lançamento, em 20 de maio de 2010, conforme assinatura aposta ás fls. 01, e consoante informação prestada As fls.867, apresentou impugnação, em 17 de junho de 2010, peça processual juntada As fls.618 a 863, onde faz um histórico do lançamento fiscal e aduz as alegações a seguir, relatadas em síntese: Transcreve o artigo 1° e inciso II, da Lei n° 9.717, de 27 de novembro de 1998 e os artigos 1° e 14 da Lei Municipal n° 1.163, de 2002. Como narrado e efetivamente levado a efeito pela auditora, na rubrica Lev Função Pública foram registrados todos os valores dos salários de contribuição dos servidores em cuja documentação foi constatada qualquer rasura que seja. Esclareçase por oportuno que, tais documentos foram impugnados pela auditora sem qualquer justificativa legal. Os termos de posse, as datas ali grafadas, assim como, outros dados, são produzidos em certas épocas, em documentos manuais. Portanto, são suscetíveis de erros e enganos que, à vista dos servidor(es) encarregado(s) pelo departamento de pessoal do município, muitas vezes foram efetivamente "corrigidos" e não rasurados como afirma a auditora; Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.721033/201019 Resolução nº 2403000.255 S2C4T3 Fl. 4 3 Por serem documentos assinados e produzidos A vista de servidor público, legalmente investidos nos vários cargos (Prefeito Municipal, Secretária e Servidor), tem fé pública. Assim, mesmo que, às vezes sofram alguns "acertos" especialmente em datas ou partes de nomes, gozam de publicidade e de fé pública eis que não guardam qualquer indicio de fraude. Portanto, se tais documentos nunca foram impugnados ou questionados em qualquer época até a presente data, e muito menos, não são declarados inválidos pela justiça ou qualquer órgão que lhes façam às vezes, devem ser levados a efeito para produzirem todos os seus efeitos legais. Como bem lembrou a Auditora Fiscal, o Município de Rio Acima possui regime de previdência próprio, o Instituto de Previdência Municipal de Rio Acima —RIOPREV, autarquia criada pela Lei Municipal n° 1.163, de 2002; e nos permissivos da Lei Federal n° 9.317, de 1998 especialmente no artigo 1°, mais os termos precisos do artigo 14 da Lei Municipal n° 1.163, tanto os descontos dos servidores como a contribuição patronal sobre os seus vencimentos devem ser vertidas obrigatoriamente como receitas próprias ao RPPS, ou seja, ao RIOPREV. Portanto, resta decotar do presente auto todos os valores lançados na rubrica LEV — FP — FUNÇÃO PÚBLICA (Anexo IV, fls.250/253). Os levantamentos descritos nas rubricas CD — Contratado Administrativamente e RA — Comissionados de Recr Amplo, contêm graves erros que maculam a sua legalidade. Os dados dos salários de contribuição dos servidores: Rosana Aparecida de Melo Marques e Silva, Estefânia Auxiliadora Rodrigues, Daniel Ribeiro, Cristina Maria Gonçalves, Isabel Aparecida Braz Moreira, Carmelita Soares de Moraes, Maria ElisAngela Mendes, Marco Túlio Domingos Silva e Reis, Roberto Carlos Silva„ Rosane Fernandes Corrêa, Vanilda Maria Ferreira dos Santos, Amaricrislei Aparecida Nascimento Santos, Valdevino dos Santos Vieira, Lucimária Aparecida Sabino dos Anjos, etc, foram maculados de erros em seus valores como se demonstra as planilhas e GFIP's ora acostadas. Devem ser expurgados do levantamento os valores das contribuições, conforme levantamento em anexo do Departamento do Pessoal do Município de Rio Acima, porque já constam de GFIPs informadas ao fisco. Por último, pugna pelas procedências das impugnações apontadas e requer a anulação e o efetivo cancelamento do Auto de Infração n° 37.252.8570, não sendo este o entendimento requer que sejam decotados os valores apontados no montante de R$23.518,29, tudo corrigido e com juros. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese os mesmos argumentos apresentados na impugnação. Observo que a decisão da DRJ foi por maioria e que consta “Declaração de Voto” com o seguinte teor: Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.721033/201019 Resolução nº 2403000.255 S2C4T3 Fl. 5 4 Entendo, diferentemente do que foi decidido no voto vencedor, que o processo deveria ter sido baixado em diligência para que a autoridade lançadora se manifestasse acerca da alegação da impugnante de que contribuições declaradas em GFIP estão sendo exigidas neste Auto de Infração. Para se apurar tal fato, deverseia verificar se as contribuições declaradas em GFIP são referentes aos mesmos fatos geradores apurados quando da lavratura do Auto. Ressaltese que essas GFIP já ensejaram o cadastramento de Débito Confessado em GFIP — DCGB on line em 29/07/2009. É o relatório. Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.721033/201019 Resolução nº 2403000.255 S2C4T3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. Entendo que a dúvida manifestada na “Declaração de Voto” deve ser sanada para eliminar o risco de dupla tributação. Faço minhas as palavras da auditora Jussara Barbosa Lauar e com base na informação que “essas GFIP já ensejaram o cadastramento de Débito Confessado em GFIP — DCGB on line em 29/07/2009”, determino a diligência para se apurar se as contribuições declaradas em GFIP são referentes aos mesmos fatos geradores apurados quando da lavratura do Auto. Entendo, diferentemente do que foi decidido no voto vencedor, que o processo deveria ter sido baixado em diligência para que a autoridade lançadora se manifestasse acerca da alegação da impugnante de que contribuições declaradas em GFIP estão sendo exigidas neste Auto de Infração. Para se apurar tal fato, deverseia verificar se as contribuições declaradas em GFIP são referentes aos mesmos fatos geradores apurados quando da lavratura do Auto. Ressaltese que essas GFIP já ensejaram o cadastramento de Débito Confessado em GFIP — DCGB on line em 29/07/2009. Juara Barbosa Lauar Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil CONCLUSÃO Voto por baixar o processo em diligência. O processo deve retornar para a Delegacia jurisdicionante da recorrente para sanar a dúvida. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10675.906658/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente feito até o completo transito em julgado do processo nº. 10675.000613/2003.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente feito até o completo transito em julgado do processo nº. 10675.000613/2003. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o presente feito até o completo transito em julgado do processo nº. 10675.000613/2003. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 65 8/ 20 09 -9 4 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10675.906658/200994 Resolução nº 1401001.639 S1C4T1 Fl. 155 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, que manteve o lançamento. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Por meio do Despacho Decisório n° Rastreamento 843129514, de 7 de julho de 2009, exarado pela DRF/UBE, assim foi decidido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CREDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC.CREDITO R XTERIOR ETENÇÕES FONTE AGAMENTOS STIM.COMP. SNPA STIM. PARCELADAS EM.ESTIM COMP. OMA PARC.CRED. PER/DCOMP ,00 .263.244,86 .879.788,88 ,00 ,00 .001.955,09 .144.988,83 CONFIRMADAS ,00 .259.523,41 .879.788,88 ,00 ,00 30.496,48 .069.808,77 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: RS 1.690.627,74 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: RS 5.144.988,83 IRPJdevido: R$ 3.454.361,10 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) Valor do saldo negativo disponível: R$ 1.615.447,67 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 34599.49925.081104.1.3.021329 NAO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 42621.39146.101204.1.3023808 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: Uma parte dos valores que compõem o crédito (saldo negativo de IRPJ, ano base 2003) referese a estimativas de IRPJ compensadas com crédito presumido de IPI, relativo ao ano de 2002, cujo pedido de ressarcimento foi instrumentalizado pelo PAF 10675.000613/200319. Assim, a fiscalização não homologou as compensações requeridas neste processo, uma vez que não haviam reconhecido integralmente o crédito presumido de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10675.906658/200994 Resolução nº 1401001.639 S1C4T1 Fl. 156 3 IPI, requerido no PAF 10675.000613/200319, razão pela qual a compensação realizada no âmbito do IRPJ estimativa, não resultaria crédito ao final do período. Ocorre, no entanto, que a fiscalização não levou em consideração que a Impugnante recorreu da decisão que não homologara integralmente o direito creditório (crédito presumido de IPI) e, quando daquele recurso, houve a suspensão da exigibilidade dos referidos créditos tributários. Segue relato sucinto do desenvolvimento do PAF 10675.000613/200319: Outra parte que compõe o direito creditório levado à compensação da PIS, refere se ao IRRF de aplicação financeira, no qual o Banco responsável realizou a retenção na fonte, conforme comprovam os extratos anexos. Outra exigência da Receita Federal no referido Despacho Decisório é a que imputa à Recorrente a obrigação do pagamento do IR/Retido pela Fonte Pagadora com CNPJ 58.257.619/000166. Solicita ainda a manifestante a suspensão e reunião do presente processo ao processo n° 10675.000613/200319, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A DRJ INDEFERIU a solicitação, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DÉBITO DE ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COMPOSIÇÃO. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito solicitado/oferecido em compensação e proveniente de saldo negativo apurado em período anterior, deve se revestir dos requisitos de certeza e liquidez exigidos pela legislação tributária, o que não se verifica quando em suas parcelas de composição constar débito(s) de estimativa cuja compensação não foi homologada. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. As manifestações de inconformidade e os recursos apresentados em razão da não homologação da compensação suspendem a exigibilidade dos débitos não compensados. SOBRESTAMENTO. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PROCESSUAL. O processo administrativo fiscal é regido por princípios próprios, como o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionálo até sua decisão final. A autoridade administrativa não tem poderes para sobrestar o julgamento de litígio regularmente instaurado. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o Relatório Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10675.906658/200994 Resolução nº 1401001.639 S1C4T1 Fl. 157 4 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Tratase de indeferimento de Dcomp em função da não comprovação de parte do saldo negativo declarado. Acontece que uma parte do montante indeferido (saldo negativo de IRPJ, ano base 2003) referese a estimativas de IRPJ compensadas com crédito presumido de IPI, relativo ao ano de 2002, cujo pedido de ressarcimento foi instrumentalizado pelo PAF 10675.000613/200319. Assim, as compensações requeridas neste processo não foram homologadas em parte, uma vez que não haviam reconhecido integralmente o crédito presumido de IPI, requerido no PAF 10675.000613/200319, razão pela qual a compensação realizada no âmbito do IRPJ estimativa, não resultaria crédito ao final do período. A DRJ identificou essa conexão, mas prosseguiu no julgamento considerando o princípio da oficialidade e a ausência de normas reguladoras que suspendam o prosseguimento do feito em casos tais. Em consulta efetuada nos sistemas informatizados do CARF, verificouse que o processo n° 10675.000613/200319 encontrase atualmente na CSRF, mas ainda não transitado definitivamente em julgado É possível se verificar que a matéria tributável objeto dos presentes depende do completo trânsito administrativo em julgado do processo administrativo n° 13811.000088/200911, que encontrase na CSRF Diferentemente da DRJ, o CARF é a última instância administrativa, portanto, não há como cumprir o princípio dá oficialidade sem macular a ordem lógica dos fatos e o princípio da segurança jurídica que não tolera o chamado julgamento condicional.. Nesse contexto, deve o presente processo ser sobrestado, até que se processe o o trânsito em julgado em definitivo da decisão no processo nº 10675.000613/200319. Outrossim, transitado definitivamente em julgado devese extrair cópia da referida decisão administrativa, anexandoa ao presente feito tão logo ocorra o trânsito em julgado da respectiva decisão, bem assim seja a mesma informada a este feito para que o presente processo volte a julgamento perante. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721621/2011-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 16 21 /2 01 1- 34 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Relatório Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: “Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 14.64.22.05.70.1213, no valor de R$ 57.834,12, lavrada em decorrência da entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do segundo semestre de 2007. A interessada foi cientificada da exigência fiscal em 10/06/2011 e apresentou, em 27/06/2011, impugnação cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada alega nulidade da exigência por ter havido cerceamento de direito de defesa. Diz que o auto de infração não foi devidamente instruído com os documentos que o motivaram e nem mesmo com a DCTF que originou o ilícito tributário. Alega que sem o documento fiscal que motivou a presente multa não pode se defender da autuação. Argumenta que houve cerceamento do seu direito de defesa e pugna pela anulação da multa aplicada. No mérito reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172/66). Sustenta que apresentou a declaração de IRPJ referente ao ano de 2007 e que recolheu todos os tributos devidos que foram declarados na DCTF. No tópico seguinte a contribuinte sustenta a ilegalidade da multa por atraso da DCTF. Diz que somente a Lei pode criar obrigações acessórias e que a exigência de apresentação da DCTF, bem como a imposição de multas, não têm fundamento em lei. Na seqüência a interessada discursa sobre a natureza jurídica das obrigações acessórias, combate a delegação de competência procedida por meio do DecretoLei nº 2.124/84, dizendo que a mesma afronta os princípios da legalidade, da separação dos poderes e da indelegabilidade da competência tributária, e sustenta que as Instruções Normativas que instituem e obrigam a apresentação da DCTF não encontram amparo no ordenamento jurídico. Por fim, no último tópico, a interessada transcreve jurisprudências que, em seu entendimento, sustentam os posicionamentos por ela defendidos. Diante do exposto requer o acolhimento da impugnação, o reconhecimento da nulidade do lançamento e a suspensão da exigibilidade tributária, nos termos do inciso III, art. 151. do CTN.” A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento de que a denúncia espontânea, a teor do artigo 138 do CTN, não se presta ao afastamento de multa decorrente de não cumprimento ou cumprimento em atraso de obrigação acessória. Regularmente intimada a Recorrente apresenta Recurso Voluntário repetindo os mesmos argumentos lançados em sua impugnação, requerendo ainda subsidiariamente a aplicação de penalidade mínima por não haver imposto a pagar. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10850.721621/201134 Acórdão n.º 1801001.573 S1TE01 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. Afasto a preliminar de nulidade por suposto cerceamento de defesa. O Auto de Infração está devidamente fundamentado tendo possibilitado à Recorrente o oferecimento de ampla defesa. O fato de a DCTF apresentada em atraso, objeto da multa, não ter sido anexada ao auto de infração não compromete em nada a defesa da Recorrente, por tratarse de documento do qual possui pleno conhecimento. No mérito a matéria tratada nos autos já foi pacificada nesta turma, assim como sumulada nesta 1º seção, conforme transcrição do voto da Ilustre Relatora, Ana de Barros Fernandes, lançado no acórdão 1801001.523. “O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade de multa, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. “ Quanto à aplicação da penalidade mínima por suposta ausência de valor a pagar na DCTF observase que a multa foi corretamente aplicada tendo por base o valor declarado na respectiva declaração, ainda que integralmente pago. Este é o disposto no artigo 10 da IN 695/2006: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I – de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3 º ; . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 10073.902019/2009-39
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 124 1 123 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902019/200939 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.077 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente Samer Serviços de Assistência Médica de Resende S/C Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 19 /2 00 9- 39 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902019/200939 Acórdão n.º 3802003.077 S3TE02 Fl. 125 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902019/200939 Acórdão n.º 3802003.077 S3TE02 Fl. 126 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10283.720616/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.268
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10283.720616/200718 Resolução n.º 220200.268 S2C2T2 Fl. 231 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentação financeira atípica, foram iniciados em 07/02/2007 os trabalhos de fiscalização (Mandado de Procedimento Fiscal nº 0220100/00072/2007, quando foi o contribuinte intimado a apresentar informações referentes aos anoscalendário 2002 (fls. 1617). Após solicitação de prorrogação de prazo, o recorrente apresentou uma série de documentos (fl. 2453). Insatisfeitos com os documentos apresentados, os fiscais intimaram os seguintes bancos mediante RMF’s (fls. 54, 65, 75): Banco Bradesco S/A, Banco BCN S/A, Banco Cidade S/A. Após receber os extratos demonstrando a movimentação bancária do recorrente ao longo do anocalendário, foi elaborada tabela com os dados e intimado o contribuinte para prestar esclarecimentos e comprovar a origem dos depósitos listados (fl. 82 86). No mesmo período, foi intimada a empresa Construtora Colmeia S/A para apresentar esclarecimento e documentos referentes aos pagamentos realizados ao recorrente (fl. 90), intimação cumprida no dia 28/09/2007 (fl. 9299). Em 14 de novembro de 2007, o recorrente solicitou prorrogação de prazo para cumprimento da intimação de fls. 8286. Diante da inércia do recorrente após prorrogação de prazo, não restou alternativa à fiscalização senão proceder à lavratura de auto de infração para a constituição do crédito tributário. 2 Auto de Infração Foi lavrado em 11/12/2007 Auto de Infração (fls. 100109), com crédito tributário apurado de R$ 833.105,81, inclusos imposto, juros de mora e multa de 75%, imputando infração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos, tomando ciência o recorrente em 12/12/2007. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls.118144), esgrimindo os seguintes argumentos: a) o direito do Fisco em exigir o IRPF decaiu; b) o lucro auferido pelo recorrente, referente ao ganho de capital, é inferior ao apurado pelo Fisco; c) é ilegítimo o lançamento baseado exclusivamente em extratos bancários; d) solicita a realização de nova diligência com o objetivo de aferir com precisão a movimentação do recorrente e o ganho de capital apurado; e) a Taxa Selic não pode ser utilizada para efeito de correção monetária, por ferir o princípio da estrita legalidade e tipicidade fechada; e f) a multa no percentual de 75% tem caráter confiscatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10283.720616/200718 Resolução n.º 220200.268 S2C2T2 Fl. 232 3 g) a fiscalização deixou de apreciar adequadamente os documentos apresentados, que teriam sido hábeis a comprovar a origem dos recursos, de modo que os valores encontrados pelo Fisco para fundamentar o crédito tributário não encontram guarida em uma confrontação direta com as disponibilidades colocadas à disposição nos atendimentos às intimações. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 2ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade, pela parcial procedência (fls. 147168), mantendo o crédito tributário no valor principal de R$ 322.244,75, a ser cobrado com multa de ofício de 75% e juros de mora, assim como exonerando o recorrente da parcela do crédito tributário apurado sobre os ganhos de capital já declarados, em razão da nulidade material do lançamento. Os fundamentos foram os seguintes: a) à autoridade julgadora é dada a prerrogativa de indeferir pedidos de diligência e perícia quando considerálas prescindíveis para a solução do litígio; b) as decisões administrativas proferidas pelo Conselho dos Contribuintes não constituem normas gerais. Outrossim, é vedada a extensão administrativa dos efeitos das decisões judiciais quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na ação judicial; c) a multa constitui penalidade aplicada como sansão de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo portanto inaplicável o conceito de confisco; d) a presunção juris tantum inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que o depósito bancário não configura auferimento de renda; e e) comprovandose que os ganhos de capital já haviam sido declarados, cancelase a exigência. 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário (fl. 175193), repisando os argumentos da impugnação, principalmente no que tange à decadência da exigibilidade do tributo. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10283.720616/200718 Resolução n.º 220200.268 S2C2T2 Fl. 233 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento a omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou requisição de movimentação financeira (RMF) (fls. 54, 65, 75), após apresentação de documentação considerada insatisfatória. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10283.720616/200718 Resolução n.º 220200.268 S2C2T2 Fl. 234 5 votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10283.720616/200718 Resolução n.º 220200.268 S2C2T2 Fl. 235 6 PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626 AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473 ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal – discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10283.720616/200718 Resolução n.º 220200.268 S2C2T2 Fl. 236 7 sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10730.720602/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. PENDÊNCIA DE DÉBITOS.
FALTA DE RECOLHIMENTO DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. RECOLHIMENTO COMPLEMENTAR ANTES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Admitido e regularizado o erro no recolhimento do débito apontado como pendência impeditiva da opção, deve ser deferida a opção da contribuinte pelo ingresso no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1101-001.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PENDÊNCIA DE DÉBITOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. RECOLHIMENTO COMPLEMENTAR ANTES DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Admitido e regularizado o erro no recolhimento do débito apontado como pendência impeditiva da opção, deve ser deferida a opção da contribuinte pelo ingresso no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 06 02 /2 01 1- 57 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10730.720602/201157 Acórdão n.º 1101001.103 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório BOTELHO LINO COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra termo de indeferimento de opção pelo SIMPLES Nacional. À fl. 10 consta Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional, motivado pela existência de débito correspondente a multa por atraso na entrega de DCTF (período de apuração 2009), no valor de R$ 500,00. A solicitação de opção se verificou em 21/01/2011, o termo foi registrado em 18/02/2011 e à fl. 11/13 constam comprovantes de pagamento do débito no valor de R$ 500,00 em 31/01/2011, bem como de juros no valor de R$ 81,20 em 21/02/2011. Manifestando inconformidade contra o termo de indeferimento, a contribuinte alegou que errou ao emitir o DARF para pagamento do débito, recolhendo apenas o principal, e providenciando posteriormente o recolhimento dos encargos conforme guia DARF apresentada. A Turma julgadora indeferiu o pleito da interessada porque ela recolheu o principal do débito dentro do prazo indicado no art. 7°,§ 1°, I da Resolução CGSN 04/2007, porém, por equívoco, apenas recolheu, em 21/02/2011, os acréscimos legais correspondentes, ou seja, após o prazo legalmente estabelecido.invocou as disposições da Resolução CGSN nº 4/2007. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/09/2011 (fl. 33/34), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 06/10/2011 (fls. 35/37), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e acrescenta: INFORMAMOS AINDA QUE NO ATO DA PESQUISA FEITA, TIVEMOS A OPÇÃO DE GERAR O DARF PARA REGULARIZAÇÃO CONFORME MOSTRA DOCUMENTOS EM ANEXO, SAINDO APENAS O VALOR DE R$ 500,00 QUINHENTOS REAIS. PEDIMOS QUE SEJA CONSIDERADO O PEDIDO DE OPÇÃO JÁ QUE NÃO HOUVE A MÁ INTENÇÃO. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10730.720602/201157 Acórdão n.º 1101001.103 S1C1T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Observase no Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional que o valor de R$ 500,00 foi ali indicado como saldo devedor de débito referente ao período de apuração 2009. Não houve indicação da data de vencimento do débito ou referência ao seu valor original, permitindo a inferência de que naquele momento seria devido, apenas, o valor indicado como saldo devedor. Por sua vez, à fl. 15 dos autos consta o extrato de débitos mencionado pela recorrente, indicando que o valor original do débito seria igual ao saldo devedor de R$ 500,00, mas apontando seu vencimento em 29/05/2009, e consignando nota de seguinte teor: “Saldo devedor – diferença entre Valor Original (devido) e o Valor Pago, sem acréscimos legais (juros e multa)”. Ao final da linha indicativa do débito há um link identificado como “Emitir Darf”, em razão do qual a contribuinte assevera que lhe foi apresentado o DARF de recolhimento sem os acréscimos que seriam devidos. Caso se tratasse de um débito de tributo não recolhido, seria razoável presumir que a contribuinte não poderia desconhecer o cabimento de juros de mora em razão do atraso de seu recolhimento. Contudo, tratase de débito de multa por atraso na entrega de DCTF, e é notório neste Conselho a divergência quanto ao cabimento de juros de mora sobre tais valores. Razoável, portanto, admitir que o contribuinte de pequeno porte, optante pelo Simples Nacional, desconhecesse a necessidade de acréscimo de juros no caso de recolhimento em atraso de débito correspondente a multa. Ainda, o recolhimento dos juros dias depois de o Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES Nacional ter sido registrado opera no sentido de que a contribuinte, de fato, desconhecia a necessidade deste recolhimento, e o promoveu assim que teve conhecimento da dívida, a qual provavelmente não lhe foi apresentada no momento da emissão do Darf para recolhimento do saldo devedor apresentado. Por fim, cumpre ter em conta que a Lei Complementar nº 123/2006 admite que, no caso de exclusão de contribuintes do SIMPLES Nacional, a opção seja restabelecida caso o sujeito passivo regularize os débitos em até 30 (trinta) dias da ciência do ato de exclusão: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Art. 31. A exclusão das micro empresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10730.720602/201157 Acórdão n.º 1101001.103 S1C1T1 Fl. 5 4 [...] §2 Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. Considerando que a lei silencia a respeito desta faculdade no âmbito de indeferimento de opção pelo SIMPLES Nacional, é razoável concluir que este mesmo direito deve ser reconhecido àquele cujo ingresso é vedado em razão, também, da constatação de débitos pendentes. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e admitir o ingresso da contribuinte no SIMPLES Nacional no ano calendário 2011. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10730.720602/201157 Acórdão n.º 1101001.103 S1C1T1 Fl. 6 5 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 19740.000050/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
GRATIFICAÇÃO EM RAZÃO DA ADMISSÃO. EVENTUALIDADE NÃO DECORRENTE DE LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sobre a gratificação paga em razão da admissão do empregado, posto que a eventualidade não decorreu de mera liberalidade do empregador, restando afastada a aplicação da norma desonerativa prevista no item 7 da alínea e do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991.
CRITÉRIO PARA PAGAMENTO DA PLR. LUCRATIVIDADE DA EMPRESA. CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA.
A estipulação da lucratividade da empresa como critério para pagamento da PLR não fere a regra legal que determina o estabelecimento de regras claras nos instrumentos de negociação para pagamento da verba.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES. DESATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais.
RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. OBRIGAÇÃO DO EMPREGADOR DE COMUNICAR TAL SITUAÇÃO Á AUTORIDADE COMPETENTE.
Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis.
ASSINATURA DO REPRESENTANTE SINDICAL NO ACORDO. COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NA NEGOCIAÇÃO.
Havendo nos autos a comprovação de que o representante do sindicato assinou o acordo para pagamento da PLR celebrado por comissão eleita para esse fim, deve-se considerar cumprido o requisito legal que exige a participação do ente sindical nas negociações, salvo se restar configurada fraude.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os seguintes levantamentos: "3ER - PLR CCT 2003 RJ EMP"; 3ES PLR CCT 2003 EMP SP; 4ER PLR CCT 2004 EMP RJ; 4ES PLR CCT 2004 EMP SP e PER- PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial somente para afastar a tributação do levantamento PER- PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP. Os conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Carolina Wanderley Landim, também excluíam da tributação todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira também excluíam da tributação parcela paga a título de gratificação espontânea de admissão.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 GRATIFICAÇÃO EM RAZÃO DA ADMISSÃO. EVENTUALIDADE NÃO DECORRENTE DE LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sobre a gratificação paga em razão da admissão do empregado, posto que a eventualidade não decorreu de mera liberalidade do empregador, restando afastada a aplicação da norma desonerativa prevista no item 7 da alínea e do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. CRITÉRIO PARA PAGAMENTO DA PLR. LUCRATIVIDADE DA EMPRESA. CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. A estipulação da lucratividade da empresa como critério para pagamento da PLR não fere a regra legal que determina o estabelecimento de regras claras nos instrumentos de negociação para pagamento da verba. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES. DESATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. OBRIGAÇÃO DO EMPREGADOR DE COMUNICAR TAL SITUAÇÃO Á AUTORIDADE COMPETENTE. Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis. ASSINATURA DO REPRESENTANTE SINDICAL NO ACORDO. COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NA NEGOCIAÇÃO. Havendo nos autos a comprovação de que o representante do sindicato assinou o acordo para pagamento da PLR celebrado por comissão eleita para esse fim, deve-se considerar cumprido o requisito legal que exige a participação do ente sindical nas negociações, salvo se restar configurada fraude. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os seguintes levantamentos: "3ER - PLR CCT 2003 RJ EMP"; 3ES PLR CCT 2003 EMP SP; 4ER PLR CCT 2004 EMP RJ; 4ES PLR CCT 2004 EMP SP e PER- PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial somente para afastar a tributação do levantamento PER- PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP. Os conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Carolina Wanderley Landim, também excluíam da tributação todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira também excluíam da tributação parcela paga a título de gratificação espontânea de admissão. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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EVENTUALIDADE NÃO DECORRENTE DE LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sobre a gratificação paga em razão da admissão do empregado, posto que a eventualidade não decorreu de mera liberalidade do empregador, restando afastada a aplicação da norma desonerativa prevista no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. CRITÉRIO PARA PAGAMENTO DA PLR. LUCRATIVIDADE DA EMPRESA. CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. A estipulação da lucratividade da empresa como critério para pagamento da PLR não fere a regra legal que determina o estabelecimento de regras claras nos instrumentos de negociação para pagamento da verba. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES. DESATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. OBRIGAÇÃO DO EMPREGADOR DE COMUNICAR TAL SITUAÇÃO Á AUTORIDADE COMPETENTE. Tendo o ente sindical se recusado a participar das negociações para pagamento da participação nos lucros, deve o empregador comunicar tal recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 50 /2 00 9- 06 Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ASSINATURA DO REPRESENTANTE SINDICAL NO ACORDO. COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NA NEGOCIAÇÃO. Havendo nos autos a comprovação de que o representante do sindicato assinou o acordo para pagamento da PLR celebrado por comissão eleita para esse fim, devese considerar cumprido o requisito legal que exige a participação do ente sindical nas negociações, salvo se restar configurada fraude. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os seguintes levantamentos: "3ER PLR CCT 2003 RJ EMP"; “3ES PLR CCT 2003 EMP SP”; “4ER PLR CCT 2004 EMP RJ”; “4ES PLR CCT 2004 EMP SP” e “PER PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP”. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que dava provimento parcial somente para afastar a tributação do levantamento “PER PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP”. Os conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Carolina Wanderley Landim, também excluíam da tributação todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira também excluíam da tributação parcela paga a título de gratificação espontânea de admissão. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000050/200906 Acórdão n.º 2401003.407 S2C4T1 Fl. 1.879 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 24.718 de lavra da 15.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.179.4846. O lançamento diz respeito às contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o relatório fiscal, fls. 146 e segs., os fatos geradores contemplados no lançamento foram verificados na documentação relativa ao Banco UBS S/A, o qual foi incorporado pelo Banco UBS Pactual S/A, conforme Ata da Assembleia Geral Extraordinária do Banco UBS S/A, de 01/05/2007. Esclareceu o fisco que os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos efetuados pela empresa a título de: a) participação nos lucros ou resultados – PLR em desconformidade com a lei de regência; b) “gratificação espontânea de admissão”, paga a doze dos segurados a serviço da empresa. Acerca da PLR, o fisco apresentou motivos para concluir que os instrumentos firmados pela empresa e empregados não atendiam ao disposto na Lei n. 10.101/2000, conforme abaixo demonstrado: a) Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR dos Bancos em 2003 – CCT PLR2003 (pagamentos efetuados em 02/2004): instrumento carente de regras claras, posto que a Convenção Coletiva limitase a determinar o pagamento de percentuais do salário dos empregados, tendo como condição para percepção do benefício o lucro das empresas, sem levar em conta a parcela do esforço dos trabalhadores na obtenção do resultado. b) PLR Programa Próprio – 2002 (pagamentos efetuados na competência 02/2004): acordo firmado entre empresas e comissão de empregados – no Rio de Janeiro em 09/12/2002 e em São Paulo em 11/12/2002. No primeiro consta a assinatura do representante do sindicato, contudo não há assinatura do representante no acordo assinado em São Paulo e a ata lavrada na reunião para aprovação do acordo registra a ausência da entidade sindical. Foram entregues cópias de correspondências que teriam encaminhado cópias dos acordos aos Sindicatos do Rio de Janeiro e de São Paulo. c) PLR Programa Próprio – 2004 (pagamentos efetuados na competência 07/2004): o instrumento, firmado em 02/12/2004 não contempla os empregados da filial de São Paulo, assim os pagamentos efetuados a estes empregados encontramse em desacordo com o inciso I do art. 2. da Lei da PLR. Afirmase ainda que o pagamento efetuado para a Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 competência em questão (07/2004) não tinha amparo em nenhum acordo, posto que a assinatura do instrumento somente ocorreu em 02/12/2004. Outra observação diz respeito à falta de assinatura do representante da entidade sindical, fato que foi corroborado pela ata da reunião da comissão, a qual registra a ausência do sindicato, que teria sido notificado a indicar um representante para participar das negociações; c) Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR dos Bancos em 2003 – CCT PLR2003 (pagamentos efetuados em 11/2004): instrumento carente de regras claras, posto que a Convenção Coletiva limitase a determinar o pagamento de percentuais do salário dos empregados, tendo como condição para percepção do benefício o lucro das empresas, sem levar em conta a parcela do esforço dos trabalhadores na obtenção do resultado. Segundo o fisco a verba denominada “gratificação espontânea de admissão” foi tributada por não haver previsão legal de sua exclusão do saláriodecontribuição. Cientificada da lavratura em 20/02/2009, a empresa apresentou defesa, cujas razões foram acatadas em parte pela DRJ, que excluiu do lançamento a competência 01/2004, por entender que havia sido alcançada pela decadência, conforme aplicação do § 4. do art. 150 do CTN. No mérito, a decisão recorrida manteve o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 1.765 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: Gratificação espontânea na admissão a) inobstante o conceito de salário previsto na CLT, a legislação que normatiza as contribuições previdenciárias a cargo do empregador expressamente prevê a exclusão dos ganhos eventuais recebidos pelo empregado da sua base de cálculo. Deve, portanto, ser excluída da exigência a verba “gratificação espontânea na admissão”, posto que é um ganho eventual, percebido em decorrência das despesas da contratação de determinado funcionário; b) o simples fato de uma importância representar um ganho para o empregado não significa que o mesmo está abrangido pelo conceito de saláriodecontribuição, mesmo porque o § 4. do art. 201 da Constituição Federal indica que não é qualquer vantagem do empregado que integrará a base de cálculo das contribuições; c) a habitualidade é característica marcante para que um determinado pagamento venha a sofrer a incidência das contribuições previdenciárias e, no caso sob comento, a própria Autoridade Lançadora reconhece que os pagamentos a título de “gratificação admissional” foram efetuados uma única vez para um mesmo empregado; d) revelase, portanto, totalmente ilegítima a pretensão de incluir essa verba no saláriodecontribuição. Participação nos lucros ou resultados a) é infundada a assertiva da Autoridade Fiscal acerca da desconformidade legal das Convenções Coletivas de Trabalho na parte que trata da PLR, posto que a lucratividade da empresa representa uma meta, a qual decorre do esforço individual de cada trabalhador a serviço da empresa; Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000050/200906 Acórdão n.º 2401003.407 S2C4T1 Fl. 1.880 5 b) a recorrente deu ciência aos sindicatos da realização de reunião para elaboração de acordo para pagamento da PLR, sendo que estes deixaram de enviar representantes. Assim a empresa não deixou de cumprir as determinações legais; c) o não comparecimento do representante da entidade sindical é fato que foge ao controle da recorrente, razão pela qual a intimação deste é bastante para suprir a ausência do representante da citada organização; d) na negociação para pagamento da PLR mediante comissão composta de representantes do empregador e dos empregados, a pessoa indicada pelo sindicato tem função de mera observadora e a sua ausência não pode implicar em óbice à implantação do programa; e) apresenta textos da doutrina e decisões judiciais que dariam reforço a sua tese; f) o inciso XI do art. 7. da Constituição Federal consigna que a participação nos lucros ou resultados não possui natureza salarial, independentemente de qualquer prescrição legal, cuja obrigatoriedade se refere exclusivamente à participação na gestão da empresa; g) nos acordos firmados entre a recorrente e seus funcionários, foram estabelecidas regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação nos lucros e regras adjetivas, os quais seguiam os parâmetros contidos na Convenção Coletiva de Trabalho, fato este que é reconhecido pelo próprio fisco; h) ademais a função das CCT é criar um direito mínimo, permitindo a cada empresa estabelecer o seu próprio programa de PLR; i) a fixação de metas, resultados e prazos são optativos, sendo certo que a falta destes não desqualifica a PLR; j) as Convenções fazem lei entre as partes e não podem ser desqualificadas sem que haja um fundamento válido. Ao final, requer o cancelamento do AI ou, pelo menos, que sejam excluídos da apuração os pagamentos efetuados com arrimo nas Convenções Coletivas. É o relatório. Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Gratificação espontânea na admissão Quanto a esse ponto do lançamento, o sujeito passivo não se insurge contra os valores apresentados pela auditoria. O seu questionamento é no sentido que as verbas não se enquadram no conceito de salário, por lhes faltar o caráter de habitualidade, além de que não representariam retribuição pelo trabalho. Iniciemos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000050/200906 Acórdão n.º 2401003.407 S2C4T1 Fl. 1.881 7 inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, independentemente da sua forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. Para nós esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) À luz da legislação citada, o melhor entendimento é o de que somente não incidem contribuições sobre os ganhos eventuais, se esses forem pagos como mera liberalidade do empregador, sem que possuam qualquer vinculação com a prestação dos serviços. Entendo que somente os pagamentos que não guardam relação com o contrato de trabalho podem ser tidos como opção graciosa do empregador, devendo decorrer de condições específicas de um trabalhador tomado na sua individualidade, a exemplo de eventos de doença e outros sinistros que venham a recair sobre este e levem a empresa socorrerlhe financeiramente. Não há dúvida de que no caso sob cuidado o pagamento de gratificação em razão da admissão do empregado tem relação direta com o vínculo contratual estabelecido entre as partes, e o seu principal objetivo é atrair profissionais para o quadro funcional da empresa, representando, a bem da verdade, um pagamento antecipado pela futura prestação de serviço do trabalhador. Sobre essa questão não posso deixar de mencionar a semelhança entre essa rubrica e as luvas, conforme mencionou o órgão recorrido: 18. Ainda no que tange à gratificação paga no momento da admissão, não se pode ignorar o seu cunho nitidamente salarial, como incentivo ao início da relação laboral, mormente quando se trata de cargos estratégicos em que as pessoas mais qualificadas são disputadas no mercado de trabalho. 19. Neste sentido, recentemente a Justiça do Trabalho decidiu em situação semelhante: EMENTA: BANCÁRIO. GRATIFICAÇÃO PAGA COMO INCENTIVO À CONTRATAÇÃO. LUVAS. A gratificação concedida pelo empregador, como incentivo à contratação, possui semelhança às luvas devidas ao atleta profissional e, nessa condição, por analogia, afirmase ter natureza salarial. (TRT3ªR., 8ª TURMA, Processo: 00755200800403009 RO) 20. Por sua vez, o TST definiu que: “Luvas são antecipação salarial para viabilizar o contrato de trabalho e não há nenhuma circunstância que as caracterize como indenização” (AIRR e RR 25959/20029000300.5” Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000050/200906 Acórdão n.º 2401003.407 S2C4T1 Fl. 1.882 9 De fato, a moderna doutrina do Direito Laboral tem interpretado a remuneração não somente como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas inclui também as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Essa construção doutrinária manifesta o entendimento de que a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também sua imagem, seu não labor nas empresas concorrentes, sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, dentre outros valores caros ao mercado de trabalho. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu, como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante. Observo que a gratificação em razão da admissão, também denominada “hiring bônus”, é um artifício para atrair trabalhadores valorizados em seu segmento profissional, funcionando como um diferencial em relação aos concorrentes. Por esse motivo, mesmo que a recorrente tente rotulála como mera liberalidade, a rubrica em questão ostenta, no seu âmago, uma ponta de contraprestação, posto que tem por desiderato oferecer um atrativo econômico ao obreiro para com este firmar o vínculo laboral. Portanto, deve ser afastada a tese de que a “gratificação admissional” se enquadra na exceção prevista no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, posto que não se observa o seu caráter eventual, uma vez que estabelecida como forma de seduzir o empregado para laborar para o empregador, não se observando por parte deste a alegada liberalidade. Participação nos lucros ou resultados – Convenções Coletivas de Trabalho A primeira questão que passo a tratar diz respeito à suposta ausência de regras claras nas Convenções Coletivas de Trabalho. Afirma o fisco que a previsão de que o pagamento da PLR seria fixado num percentual do salário do empregado e estaria condicionada à lucratividade da empresa representaria contrariedade ao disposto no § 1. do art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Sobre essa questão, com todo o respeito às opiniões em sentido contrário, entendo que o argumento do fisco carece de amparo legal. Vejamos o que diz o dispositivo invocado: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Verificase do dispositivo acima que o legislador em sua lista exemplificativa menciona dentre os critérios e condições para pagamento da PLR a lucratividade da empresa. Assim, quando as Convenções Coletivas do Setor Bancário dispuseram que a participação dos empregados nos lucros estaria condicionada ao percentual de lucro obtido pelas empresas atenderam literalmente a regra acima, devendo ser excluídas as parcelas pagas conforme as Convenções Coletivas. Não custa acrescentar que esses instrumentos estabelecem direitos mínimos, os quais podem ser ampliados pelos acordos efetuados entre empresas e empregados levados a efeito com sindicatos ou em comissão formada para esse fim. Demais disso, devemos ter em conta que a lucratividade de uma empresa é formada pela soma dos esforços dos trabalhadores a seu serviço, fato que invalida a conclusão fiscal de que o critério do lucro não contemplaria a contribuição individual de cada empregado. Assim, devem ser excluídos da apuração os seguintes levantamentos: “3ER – PLR CCT 2003 RJ EMP”; “3ES PLR CCT 2003 EMP SP”; “4ER PLR CCT 2004 EMP RJ” E “4ES PLR CCT 2004 EMP SP”. Participação nos Lucros ou Resultados – Acordos Próprios Sobre essa questão controvertida, que diz respeito à falta de comprovação de participação de representante dos sindicatos na comissão eleita para tratar das regras atinentes ao pagamento da PLR, é de bom alvitre que iniciemos fazendo um breve passeio pela legislação de regência. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n. 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O art. 1. desse diploma normativo dispõe: Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000050/200906 Acórdão n.º 2401003.407 S2C4T1 Fl. 1.883 11 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Pois bem, esse diploma veio normatizar a sistemática atinente à participação dos trabalhadores nos resultados obtidos empregador, tratando dos seguintes temas: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Ao tratar das negociações entre empregador e empregados para o pagamento da PLR o legislador colocou a disposição das partes dois instrumentos negociais, quais sejam: convenção coletiva/acordo coletivo ou comissão formada por representantes da empresa e dos trabalhadores, esta obrigatoriamente com participação do ente sindical. Eis a disposição legal: Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Observese que recentemente foi alterado o inciso I acima para que a comissão formada para negociar a PLR seja paritária, mantendose inalterada a obrigatoriedade de participação do sindicato. Eis o texto alterado: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 20 de junho de 2013) Claro, então, que, ao negociar o pagamento da PLR sem a participação da entidade sindical, a recorrente atropelou o art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Portanto, é de se reconhecer que o pagamento foi efetuado em dissonância com a lei que rege a matéria. A empresa alega que a participação do sindicato é mera formalidade e que o descumprimento desse requisito não pode acarretar na desconsideração da natureza jurídica do pagamento. A presença de representante do sindicato nas negociações, antes de representar uma faculdade para as partes, constitui norma obrigatória, cujo desiderato é resguardar os interesses dos empregados mediante a assistência da sua entidade sindical. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8. da Carta Magna, o qual se reporta ao sindicato como legítimo defensor dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Outra questão que se mostra de suma relevância é a comprovação da empresa de que os Sindicatos dos Empregados em Estabelecimento Bancários do Rio de Janeiro e de Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 São Paulo fora convocado para participar das negociações, todavia, não se fez presente nas tratativas. De fato, o próprio relatório fiscal já dá conta de que os próprios Sindicatos manifestaramse no sentido de que não teriam acordo para pagamento da PLR, nem teriam indicado representantes para participar de comissão com esta finalidade. Embora plausível a alegação da empresa, não serve de escusa para descumprimento da exigência legal de participação de representante sindical nas negociações para pagamento da PLR. É que o ordenamento pátrio prevê remédio para este tipo de situação. Eis a norma da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT que trata da questão: Nos termos do art. 616 da CLT: "Art. 616. Os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. § 1° Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2°No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. Assim, diante da recusa dos entes sindicais em participar das negociações em questão, tinha a empresa ao seu dispor de instrumento legal para suscitar ao Ministério do Trabalho a sua convocação compulsória. Não tendo a recorrente adotado essa providência, resta caracterizado o descumprimento do requisito obrigatório previsto no art. 2. da Lei n. 10.101/2000. A Lei n. 8.212/1991, na alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a exclusão da participação nos lucros do saláriodecontribuição, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19740.000050/200906 Acórdão n.º 2401003.407 S2C4T1 Fl. 1.884 13 Sobre essa norma é bom que se diga que a nossa Corte Constitucional reconheceu que a PLR, somente a partir da edição da MP 794/1994, por várias vezes reeditada e finalmente convertida na Lei n.º 10.101/2000, passou a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o que se observa do julgado (RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO): EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Assim, forçoso concluir que a falta de participação do representante sindical nas negociações para pagamento da PLR constitui afronta a lei específica, sendo lícita a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas a esse título, eis que não atendida a norma constante na alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Todavia uma questão colocada no relatório do fisco chama atenção, merecendo ser colocada em relevo. Falo da seguinte ponderação: “2.15.2. Em seguida temos um segundo acordo firmado pelo então BANCO UBS WARBURG e seus empregados (representados por comissão), em 09112/2002 (no Rio de Janeiro), e outro firmado entre as mesmas partes , em 11 11212002 (em São Paulo), ambos com vigência retroativa a partir de 01101 12002 e com prazo indeterminado , Anexo Doc02 Acordo PLR — RJ em 0911212002 (fls. 101 a 120) e Anexo Doc03 Acordo PLR — SP 1111212002 (fis. 121 a 139), respectivamente. Foi apresentada, ainda, a Ata de Reunião e Constituição da Comissão de Empregados, relativa à filial de São Paulo Anexo Doc04 —Composição da Comissão de Empregados — SP 1111212002 (fis. 140 a 150). 2.15.2.1. No instrumento datado de 09/12/2002, assinado no Rio de Janeiro, consta assinatura de representante do sindicato, Sr. Juvenal Bezerra dos Santos (Diretor). 2.15.2.2. Contudo, não há assinatura de representante do sindicato no acordo assinado em São Paulo, 1111212002, e a Ata lavrada na reunião para exame e aprovação do acordo registra a ausência da entidade sindical.” (grifei) Percebese, portanto, que o próprio fisco admite que o acordo efetuado com a comissão na filial do Rio de Janeiro teve a chancela do Sindicato representativo dos trabalhadores, o que resta comprovado às folhas 208 e 220. Esse fato poderia passar despercebido, posto que a empresa não o adotou nas razões de seu recurso, todavia, em homenagem ao princípio da verdade material, não posso deixar de considerálo. Assim, levandose em conta que para o levantamento “PER PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP” a única desconformidade com a lei da PLR apontada pelo Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 fisco foi a falta de participação da entidade sindical, não deve subsistir a contribuição lançada para a competência 02/2004, posto que a PLR foi paga com base em acordo que o próprio fisco reconheceu que foi chancelado pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Rio de Janeiro. Frisese que no relato fiscal consta ainda a informação de que os acordos foram enviados aos sindicatos para arquivamento. Uma outra questão que poderia suscitar alguma controvérsia diz respeito ao desatendimento da periodicidade prevista na Lei n. 10.101/2000, todavia, há um trecho no relatório fiscal que resolve este ponto: “2.15.6. Periodicidade de pagamento Foi também examinada o aspecto da periodicidade dos pagamentos de PLR efetuados pelo BANCO UBS em favor de seus empregados. Analisando as Folhas de Pagamento e planilhas demonstrativas dos pagamentos de PLR por funcionário, verificamos que, ao longo do ano 2004, foram efetuados pagamentos a título de PLR em três oportunidades: em Fevereiro/2004 (PLR competência 2003, no valor de R$ 10.923.747,00), Julho/2004 (PLR competência 2004, no valor de R$ 221.500,41) e em Novembro/2004 (PLR competência 2004, no valor de R$ 158.956,81). Examinados os pagamentos por funcionário, verificamos que foram observados os parâmetros de periodicidade determinados em lei.”(grifei) Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos da apuração os seguintes levantamentos: “3ER – PLR CCT 2003 RJ EMP”; “3ES PLR CCT 2003 EMP SP”; “4ER PLR CCT 2004 EMP RJ”; “4ES PLR CCT 2004 EMP SP” e “PER PLR PROGRAMA PROPRIO RJ EMP”. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000986/2005-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CONFISSÃO DE DÍVIDAS E LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. É válido o lançamento de oficio formalizado após confissão de dívida ínsita ao parcelamento especial (PAES), sobretudo porque este é efetuada após o inicio do procedimento fiscal.
ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PAES. MULTA DE OFÍCIO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerar-se da multa de oficio.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
No lançamento de oficio para a constituição e exigência de crédito tributário é devida a multa punitiva nos termos da legislação então vigente, não retroação benigna, em decorrência da superveniência do art. 18 da Lei nº. 10.833/03, alterado pelo art. 18 da Lei nº. 11.488/2007, para tributos lançados decorrentes de lançamento por omissão de receitas não declaradas.
Numero da decisão: 9101-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 02/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 CONFISSÃO DE DÍVIDAS E LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. É válido o lançamento de oficio formalizado após confissão de dívida ínsita ao parcelamento especial (PAES), sobretudo porque este é efetuada após o inicio do procedimento fiscal. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PAES. MULTA DE OFÍCIO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerar-se da multa de oficio. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de oficio para a constituição e exigência de crédito tributário é devida a multa punitiva nos termos da legislação então vigente, não retroação benigna, em decorrência da superveniência do art. 18 da Lei nº. 10.833/03, alterado pelo art. 18 da Lei nº. 11.488/2007, para tributos lançados decorrentes de lançamento por omissão de receitas não declaradas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 02/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo e Paulo Roberto Cortez.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CONFISSÃO DE DÍVIDAS E LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. É válido o lançamento de oficio formalizado após confissão de dívida ínsita ao parcelamento especial (PAES), sobretudo porque este é efetuada após o inicio do procedimento fiscal. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PAES. MULTA DE OFÍCIO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerarse da multa de oficio. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de oficio para a constituição e exigência de crédito tributário é devida a multa punitiva nos termos da legislação então vigente, não retroação benigna, em decorrência da superveniência do art. 18 da Lei nº. 10.833/03, alterado pelo art. 18 da Lei nº. 11.488/2007, para tributos lançados decorrentes de lançamento por omissão de receitas não declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 09 86 /2 00 5- 12Fl. 579DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 02/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo e Paulo Roberto Cortez. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, adoto o Relatório do acórdão recorrido: VERTICALI CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, recorre a este Conselho em razão do acórdão de lavra da DRS em Porto Alegre RS n° 8.897, de 19 de julho de 2006, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 06/17), relativo aos anos calendários de 2001 a 2003. Às fls. 20/25, encontrase Relatório Fiscal, parte integrante dos citados autos de infração. A acusação que deu origem ao lançamento é de que o sujeito passivo teria deixado de recolher e/ou declarar em DCTF tributos apurados sobre receitas regularmente escrituradas em sua contabilidade. As diferenças apuradas decorreram da escrituração das receitas em períodobase seguinte àquele em que foram auferidas. O tributo exigido foi calculado a partir das bases de cálculo ajustadas, deduzidos os valores pagos e/ou declarados em DCTF. Tendo tomado ciência do lançamento em 17 de fevereiro de 2005, a autuada insurgiuse contra tal exigência, tendo apresentado impugnação (fls. 286/299) em 17 de março de 2005, em que apresentou as seguintes razões de defesa, em síntese preparada pela autoridade julgadora de primeira instância: As principais teses da impugnação são: a) o lançamento é nulo por falta de mandado de procedimento fiscal (NIPF) regular indicando o tributo e períodos lançados; b) todas as receitas objeto do auto de infração foram lançadas contabilmente e declaradas na DIPJ; c) o tributo não pôde ser pago nos prazos legais por absoluta impossibilidade financeira; todavia, os débitos (declarados) foram objeto de parcelamento antes da lavratura do auto de infração, nos termos do Programa Especial, instituído pela Lei n° 10.864/03 (PAES); Fl. 580DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000986/200512 Acórdão n.º 9101001.933 CSRFT1 Fl. 480 3 d) a inclusão dos débitos no PAES permitiu a novação das dívidas através de moratória legal, suspendendo a exigibilidade dos créditos tributários (art. 151, VI, do CTN) e impedindo o lançamento de oficio; e) a interpretação analógica para justificar a exigência tributária contraria o princípio da estrita legalidade do tributo (EC1/69, art. 153, § 2º, CF/88, art. 5º, II, e 150, I, CTN, art. 97, I, II, II e parágrafo único); f) haveria duplicidade se os débitos declarados em DIPJ e incluídos no PAES fossem objeto de lançamento; e e) a inclusão no PAES antes da data do recebimento dos autos de infração implica na manutenção da espontaneidade e afasta a aplicação da multa de oficio. Ao final, a autuada requer seja declarado totalmente insubsistente o auto de infração, cancelandose a exigência principal, multa e juros. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão nº 8.987/2006 julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADE. ALINDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. CONFISSÃO DE DÍVIDAS E LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. E válido o lançamento de oficio formalizado após confissão de dividas insira ao parcelamento especial (Paes), sobretudo porque esta é efetuada após o inicio do procedimento fiscal. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PAES. MULTA DE OFÍCIO. O inicio do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerarse da multa de oficio. Lançamento Procedente. O referido acórdão concluiu por manter o lançamento pelas seguintes razões de decidir: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 1. afasta a preliminar de ausência de MPF indicando os documentos de fls. 01 e 04, afirmando que o MPF é simples instrumento interno de planejamento e controle de atividades e procedimentos fiscais e que sua falta ou imperfeição não tem o condão de anular o auto de infração que atenda aos requisitos fixados no artigo 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/1972. 2. que a confissão de divida em programa de parcelamento não obstaculiza o lançamento de oficio, inclusive com os acréscimos legais que lhe são próprios, mormente quando o procedimento fiscal se iniciou antes da iniciativa do sujeito passivo. 3. que a formalização do pedido de ingresso no PAES efetuada posteriormente ao inicio da ação fiscal, não afasta a exigência da multa de oficio sobre os valores lançados. 4. que a suspensão da exigibilidade dos débitos confessados no PAES não é impeditiva ao lançamento de oficio, necessário para a aplicação da multa de oficio. 5. que ao ingressar no PAES sujeito passivo abre mão da discussão acerca das matérias vinculadas aos débitos confessados. 6. que é irrelevante o fato de o contribuinte ter supostamente declarado todas as receitas em DIPJ, que não tem o caráter de confissão de divida, como ocorre com a DCTF e, portanto não tem seus débitos incorporados automaticamente ao PAES. 7. que o tributo lançado foi apurado com base como supedâneo a base de calculo retificada em função de algumas receitas terem sido contabilizadas em períodos de apuração equivocados. 8. que a espontaneidade do sujeito passivo restou afastada na data de inicio da ação fiscal e que o ingresso ao PAES em data posterior àquela não ilide a aplicação da multa de oficio. Cientificado da decisão de primeira instância em 21 de acosto de 2006, irresignado pela manutenção do lançamento, o sujeito passivo apresentou em 15 de setembro de 2006 o recurso voluntário de fls. 485/502, em que repisa as razões de defesa de sua impugnação, inovando no que se segue: 1. que o acórdão recorrido se omitiu em duas questões e que portanto deve ser declarado nulo. A primeira delas por não ter se manifestado acerca da incidência de juros SELIC em substituição à TJLP, e a segunda, que teria declarado no PAES não s6 os débitos incluídos em DCTF, mas também os declarados na DIPJ. 2. que a Turma Julgadora teria se equivocado pois, em momento algum alegou ter ocorrido denúncia espontânea, mas sim ‘que ao reconhecer o débito no PAES e neste parcelado passa a ser débitos declarados, ou que já eram débitos declarados por já serem declarados (em declarações originais ou retificadoras)’, não havendo que se confundir ‘denúncia espontânea’ com "declaração espontânea". É o relatório. Passo a seguir ao voto. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000986/200512 Acórdão n.º 9101001.933 CSRFT1 Fl. 481 5 O Colegiado proferiu acórdão cuja ementa transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: PRELIMINAR — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — COMPETÊNCIA DO AFRF. A competência para constituição do crédito tributário é do Auditor Fiscal da Receita Federal, não podendo ser restringida por ato administrativo de menor hierarquia que a lei que lhe atribuiu tal competência. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL — EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE — OPÇÃO PELO PAES. O marco para a exclusão da espontaneidade não é a data da constituição do crédito tributário, mas sim a data do início do procedimento fiscal. Como a opção pelo PAES se deu posteriormente ao início do procedimento fiscal, cabível o lançamento das diferenças apuradas, inclusive com a imposição da multa de oficio e dos juros de mora. AJUSTE DE BASE DE CÁLCULO. Não se traduz em inovação de lançamento o ajustamento da base de cálculo do lançamento. MULTA DE OFÍCIO — RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de ofício aplicada pela superveniência de norma legal que deixa de exigila, por força da retroatividade benigna do artigo 106, II, ‘c’ do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional, fls. 520/522, apresentou embargos de declaração alegando contradição na fundamentação do acórdão uma vez que nele constava que o valor do IRPJ apurado na DIPJ seria inferior ao constante da DCTF para, em seguida, inverter a lógica, no sentido de que o valor do IRPJ verificado na DCTF seria inferior àquele constante da DIPJ. Registrou que a contradição, cingirseia aos 1° e 4º trimestres do anocalendário de 2003. Alegou, ainda, omissão em relação à exposição dos fundamentos para aplicação retroativa do artigo 18 da Lei nº 11.488/2007. Os embargos foram acolhidos pelo relator no que se referiu à contradição relativa às divergências quanto às informações contidas nas DIPJ e nas DCTF dos 1º e 4º trimestres de 2003. Foi proferido o Acórdão nº 10197.054, de 16 de dezembro de 2008, fls. 527/532, no qual o Colegiado, por unanimidade de votos, acolheu em parte os Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão n° 10196.616, de 06 de março de 2008, rejeitando a preliminar suscitada e, no mérito, dando provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a exigência relativa ao 4° trimestre de 2001, e a multa de ofício relativa aos lançamentos dos anoscalendário de 2002 e 2003, nos termos do relatório e voto. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 A Fazenda Nacional, às fls. 536/544, apresentou recurso especial pugnando pela revisão dos acórdãos para que, no mérito, se reconheça que não houve retroatividade benigna e se faça incidir, na hipótese, a multa de ofício prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº. 9.430/96. O recurso foi admitido pelo presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por meio de despacho às fls. 553/554. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 562/571. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese à exclusão da multa de ofício no caso de débitos informados em DIPJ. Tratase de caso de fiscalização em que foram detectadas receitas tributáveis omitidas, conforme descrito abaixo no TVF (fls. 24 25): Durante o procedimento de fiscalização foi constatado que, para algumas unidades imobiliárias, o contribuinte escriturou receitas em períodos posteriores àqueles em que essas foram realmente recebidas. Esta fiscalização excluiu estes valores dos períodos base em que foram incorretamente registrados, conforme tabela de folha 26, sendo tratados como receita omitida nos períodos base a que competem (processo 11080.001020/200594). Os valores de IRPJ devidos a partir das bases de cálculo ajustadas foram comparados com os valores de imposto pagos e/ou declarados em DCTF, conforme demonstrativos de folhas 33 a 42. As diferenças de valores pagos ou declarados a menor constituem falta de recolhimento de IRPJ, sendo estes créditos tributários constituídos de oficio, através de auto de infração, juntamente com os acréscimos moratórios e a multa de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº. 9.430/96. De ressaltar que o tributo exigido foi calculado a partir das bases de cálculo ajustadas, deduzidos os valores pagos e/ou declarados em DCTF. A premissa da 1ª Câmara do 1º CC era que a DIPJ era instrumento de confissão de dívida em razão da disposição genérica do art. 5º do DL nº. 2.124/84. Contudo, este entendimento não prevaleceu e a orientação em sentido contrário ensejou a aprovação da Súmula CARF nº 92: "A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado". Há que se concordar com o argumento do recorrente quando sustenta (fls. 540): Fl. 584DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000986/200512 Acórdão n.º 9101001.933 CSRFT1 Fl. 482 7 13. Sobreleva notar que o caso dos autos está abarcado, em verdade, pelo art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96, não havendo correlação com o art. 18 da Lei nº. 10.833/03, alterado pelo art. 18 da Lei nº. 11.488/2007, norma na qual se fundamentou o acórdão recorrido para afastar a multa de ofício sob o argumento da retroatividade benigna. Porém, no acórdão recorrido a multa foi excluída em relação a débitos de 2002 e 2003 e a DIPJ foi instituída em 1997. A retroatividade benigna alegada no recorrido tem por fundamento a limitação imposta ao art. 90 da MP 2.15835/2001 pelo art. 18 da Lei nº. 11.488/2007, que restringiu a aplicação de multa de ofício a débitos declarados aos casos de compensação nãohomologada em decorrência de vícios como falsidade de informações e, ainda, converteu a penalidade em multa isolada. Ocorre que os débitos não estavam declarados, nem foram objeto de compensação (mas de parcelamento). Portanto, a multa é devida. Isto também porque a formalização do pedido de inclusão no Paes, efetuada posteriormente ao início do procedimento fiscal, não ilide a exigência da multa de oficio sobre todos os valores lançados. Ou seja, a norma do art. 18 da Lei nº. 10.833/03, disciplina exclusivamente as situações previstas no art. 90 da Medida Provisória nº. 2.15835, que não ocorreram no caso presente, que, como bem colocou a recorrente (fls. 540 ): “o lançamento se refere às diferenças apuradas entre os valores declarados e os apurados pela fiscalização”. Assim, não há que se falar, portanto, em retroatividade benigna, simplesmente porque a legislação ulterior, com base no art. 18 da Lei nº. 10.833/2003, não se aplica ao caso. Em contrarrazões a contribuinte também alega que havia parcelado os débitos, mas este ponto está superado sob a justificativa da DRJ, bem como da 1ª Câmara, de que a conduta se verificou depois do início do procedimento fiscal e, assim, com espontaneidade excluída. A duplicidade que eventualmente poderia ocorrer será evitada pela autoridade administrativa no momento da execução do julgado, caso confirme que os débitos foram, de fato, parcelados e, eventualmente, já pagos parcialmente com acréscimos moratórios. Isto posto, voto por dar provimento ao recurso especial Fazenda Nacional, reestabelecendo a multa de ofício aos créditos tributários mantidos pela decisão recorrida. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 585DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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