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Numero do processo: 13971.005200/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PRODUTO SEM DIREITO A CRÉDITO. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Se para o produto transportado (mercadorias adquiridas de pessoas físicas, mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação etc) é vedado o direito de dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, pelo mesmo motivo, tal vedação também se estende aos gastos como frete relativos à operação de transporte dos referidos produtos, que a eles se agregam como custo de produção.
PRODUTO IMPORTADO. FRETE INTERNO. GASTOS COM O TRANSPORTE NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
O direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep -Importação, sujeita-se ao disposto no art. 15, § 3º, da Lei 10.865/2004, que determina que a base de cálculo para a apuração desses créditos corresponde ao valor aduaneiro, calculado na forma do art. 7º, I, da mesma Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição.
TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA ARMAZÉM GERAL. GASTOS COM FRETE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte entre estabelecimentos do contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais.
TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete relativo à operação de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos do próprio contribuinte propicia o direito ao crédito da contribuição como custo de produção dos produtos destinados à venda.
DEVOLUÇÃO DE MERCADORIA VENDIDA. GASTO COM FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por compor o custo do bem devolvido, é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete pagos na operação de devolução de produto/mercadoria vendido, cuja receita tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior e submetido à prévia tributação segundo o regime não cumulativo.
GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO.
No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
DACON. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO DECADENCIAL. INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Após completado o prazo quinquenal de decadência, é vedado ao contribuinte proceder a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) para incluir novos créditos ou reduzir débitos anteriormente declarados. Neste caso, é devida a glosa dos créditos indevidamente acrescidos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência.
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e o pedido de realização de diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa correspondente aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. Os Conselheiros Walker Araújo e Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação à manutenção da glosa sobre dos gastos com fretes vinculados às operações de devolução de venda. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Ricardo Roble - OAB 254.891 - SP.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep -Importação, sujeita-se ao disposto no art. 15, § 3º, da Lei 10.865/2004, que determina que a base de cálculo para a apuração desses créditos corresponde ao valor aduaneiro, calculado na forma do art. 7º, I, da mesma Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA ARMAZÉM GERAL. GASTOS COM FRETE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte entre estabelecimentos do contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais. TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete relativo à operação de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos do próprio contribuinte propicia o direito ao crédito da contribuição como custo de produção dos produtos destinados à venda. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIA VENDIDA. GASTO COM FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por compor o custo do bem devolvido, é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete pagos na operação de devolução de produto/mercadoria vendido, cuja receita tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior e submetido à prévia tributação segundo o regime não cumulativo. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DACON. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO DECADENCIAL. INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Após completado o prazo quinquenal de decadência, é vedado ao contribuinte proceder a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) para incluir novos créditos ou reduzir débitos anteriormente declarados. Neste caso, é devida a glosa dos créditos indevidamente acrescidos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PRODUTO SEM DIREITO A CRÉDITO. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Se para o produto transportado (mercadorias adquiridas de pessoas físicas, mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação etc) é vedado o direito de dedução do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, pelo mesmo motivo, tal vedação também se estende aos gastos como frete relativos à operação de transporte dos referidos produtos, que a eles se agregam como custo de produção. PRODUTO IMPORTADO. FRETE INTERNO. GASTOS COM O TRANSPORTE NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep Importação, sujeitase ao disposto no art. 15, § 3º, da Lei 10.865/2004, que determina que a base de cálculo para a apuração desses créditos corresponde ao valor aduaneiro, calculado na forma do art. 7º, I, da mesma Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA ARMAZÉM GERAL. GASTOS COM FRETE. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 00 /2 00 9- 60 Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitido o direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os gastos com frete relativos à operação de transporte entre estabelecimentos do contribuinte ou nas remessas para armazéns gerais. TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. GASTOS COM FRETE. CUSTO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, os gastos com frete relativo à operação de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos do próprio contribuinte propicia o direito ao crédito da contribuição como custo de produção dos produtos destinados à venda. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIA VENDIDA. GASTO COM FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por compor o custo do bem devolvido, é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete pagos na operação de devolução de produto/mercadoria vendido, cuja receita tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior e submetido à prévia tributação segundo o regime não cumulativo. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DACON. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO DECADENCIAL. INCLUSÃO DE NOVOS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Após completado o prazo quinquenal de decadência, é vedado ao contribuinte proceder a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) para incluir novos créditos ou reduzir débitos anteriormente declarados. Neste caso, é devida a glosa dos créditos indevidamente acrescidos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA E SUFICIENTE. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.913 3 plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DIREITO DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, a decisão de primeiro grau em que houve pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e cujas conclusões foram apresentadas de forma congruente e devidamente fundamentada. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA A IMPRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e o pedido de realização de diligência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa correspondente aos gastos com fretes no transporte de insumos e produtos em elaboração transferidos entre estabelecimentos ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. Os Conselheiros Walker Araújo e Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa Prado votaram pelas conclusões em relação à manutenção da glosa sobre dos gastos com fretes vinculados às operações de devolução de venda. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Ricardo Roble OAB 254.891 SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento,Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório encartado na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 Trata o presente processo de pedido de restituição, por meio do qual a contribuinte acima qualificada busca repetir valor a título de PIS/Pasep, conforme PER nº. 36616.58448.290109.1.2.04 8900 (cópia às fls. 03/05), nos quais a contribuinte pleiteia restituição no importe total de R$ 251.113,23, relativa ao período de apuração de novembro/2005, cujo pagamento foi efetuado em 15/12/2005. Em análise do pleito, inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC entendeu por não reconhecer o direito creditório pleiteado em sua totalidade (Parecer SAORT/DRF/Blumenau n.° 024/2010), decisão esta que foi objeto de manifestação de inconformidade por parte da contribuinte e, conseqüentemente, motivo de análise por parte desta Delegacia de Julgamento. Em sessão realizada no dia 26 de julho de 2011, a 4ª Turma da DRJ/Florianópolis, por meio do Acórdão nº 0725.736 (fls. 216/222), anulou o referido Despacho Decisório e determinou que um novo fosse formalizado. Conforme a decisão prolatada pela DRF/Blumenau, o processo foi encaminhado à Seção de Fiscalização – Safis, para a análise das operações geradoras de crédito registradas pela contribuinte. No decorrer da análise foram juntados os documentos de fls. 230/1.271 e, especialmente, a Informação Fiscal de fls. 1.310/1.311, cujos itens 4 e 5 esclarecem que os valores das glosas fiscais de períodos anteriores provêm dos relatórios fiscais de fls. 583/658 e 1272/1309, bem como dos exarados nos autos nºs. 13971.005201/200912, 13971.001988/200421 e 13971.001474/200556, os quais, portanto, tiveram suas cópias juntadas às fls. 1313/1469. Em razão da análise fiscal empreendida no período, procederamse às glosas descritas nos itens seguintes. As glosas fiscais foram efetuadas sobre os valores de créditos declarados no Dacon identificado no item 8 do Relatório de Auditoria Fiscal. 1.Glosas por Falta de Comprovação: relativa à falta de apresentação de diversos documentos fiscais, conforme o relatório constante dos itens 14/18. 2. Bens adquiridos sujeitos à alíquota zero: para utilização como insumo na produção/fabricação. Consta, ainda, a ocorrência de um caso de bem adquirido registrado como para revenda (ácido ascórbico, em agosto/2004), para o qual também não foi tomado crédito. 3. Glosas de Complemento de Valor: Glosa relativa a aquisições para revenda, feitas de pessoas jurídicas, constantes dos Arquivos RVJ, INJ, AGS, AGM, AGD e FEX, referentes às operações de compra de soja e outras commodities com “preço a fixar”. Disso decorre, com frequência, a ocorrência de complementação de valores. Se o preço final for superior aos praticados nas remessas, haverá Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.914 5 uma complementação a ser paga pelo adquirente. Caso contrário, se o preço nas remessas resultar superior ao definitivo, ocorrerá devolução simbólica de certa quantidade do bem e acerto financeiro, ensejando o ajuste. As glosas se fundamentaram, em síntese, no fato de que o direito ao crédito do PIS/Pasep apurado na modalidade nãocumulativa foi regulado respeitando o regime de competência. Desta forma, não foram consideradas as complementações dos valores ocorridas no regime nãocumulativo, em relação às remessas (aquisições) ocorridas no período da cumulatividade, bem como em relação aquelas que, no regime da nãocumulatividade, não geram direito aos créditos. Coube a glosa, da mesma forma, em relação aos créditos sem a devida comprovação das operações ou em relação à remessas não informadas para determinado contrato, implicando na impossibilidade de aferição da pertinência e do montante do crédito. 4. Glosas dos Fretes: Fretes em aquisições com fim específico de exportação; Fretes em importações; Fretes nas vendas; Fretes – Falta de Comprovação sem vinculação; Fretes – inconsistência na informação vinculados à NF sem movementação física; Fretes – inconsistência na informação – vinculados à NF de complemento de valor; Fretes – inconsistência na informação – vinculados à NF com diferença entre as datas de emissão do frete e da NF superior a 30 dias; Fretes – vinculação indevida à operação sem crédito – em operações de aquisição ou entrada sem tomada de crédito; Fretes – vinculação indevida à operação sem crédito – relativos a operações objeto das glosas 01, 02, 031 e 032; Fretes – vinculação indevida à operação sem crédito – vinculados à aquisição com fim específico de exportação, com base no CFOP; Fretes – vinculação indevida à operação sem créditos – importações; Fretes – vinculação indevida à operação sem crédito – transferências de matériasprimas, produtos acabados ou em elaboração; Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 Fretes – vinculação indevida à operação sem crédito – operações com depósitos fechados ou armazéns gerais; Fretes – vinculação indevida à operação sem crédito – devoluções de compras ou vendas; Fretes – vinculação indevida à operação sem crédito – operações de industrialização de/para terceiros ou outros estabelecimentos da empresa; Fretes vinculação indevida à operação sem crédito – nas demais operações sem crédito; Fretes – aquisições feitas a pessoas físicas para revenda; Fretes – efetuados por transportador pessoa física – vendas; Fretes – efetuados por transportador pessoa física – operações objeto das glosas “vinculação indevida à operação sem crédito”; Fretes – vinculados a aquisições com fim específico de exportação, com base em rateio das operações vinculadas a aquisições com fim específico de exportação e às transferências de bens de produção própria ou revendas compreendidas em operações de vendas; 5. Demonstrativo das Glosas: encontramse relacionados os demonstrativos das glosas em cada item específico do relatório, bem com as suas totalizações nos itens 98/99 do Relatório Fiscal. Em vista do Relatório de Auditoria Fiscal, foi proferido o Despacho Decisório (constante das fls. 1.471/ss), onde o direito creditório é indeferido. Segundo o referido Despacho Decisório: Assim, após “a análise das operações geradoras de crédito registradas pela contribuinte”, a Auditoria Fiscal demonstrou que o valor correto da contribuição para o PIS/Pasep a pagar (Linha 34 da Ficha 11B do Dacon), é de R$ 2.728.753,16 e este, então, é o valor que a contribuinte deveria ter informado na DCTF como “Débito Apurado” e, por consequência, levado à conta para apuração de eventual pagamento indevido. Portanto, numa conta simples, é de se concluir que o DARF reclamado pela contribuinte prestamse a solver apenas parte da contribuição devida no mês, não remanescendo crédito algum em seu favor, conforme evidenciado na tabela acima. Manifestação de Inconformidade: 1. Questões preliminares de mérito: Inicialmente, sob o título “Dos antecedentes processuais” a contribuinte traça um histórico do desenrolar do processo desde as Soluções de Consulta formuladas e dos pedidos de restituição, o que a levou a retificar os respectivos Dacon desde 2004 até Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.915 7 2008. Observa que as primeiras alterações que geraram as restituições pleiteadas ocorreram a partir de 2005 e que, em face de tais circunstâncias, nem todas as alterações foram para reduzir tributo, na medida em que também ocorreram alterações para aumentar o tributo devido ou diminuir os saldos credores acumulados. Em seguida, desenvolve os seus argumentos sob os seguinte títulos: Da natureza dos ajustes após 2009, em que observa que as alterações efetuadas após 2009 registraram apenas troca de linhas (reclassificações) e para reduzir o saldo credor ou aumentar o débito a recolher, nunca para reduzir a contribuição devida. Da inexistência de preclusão por força maior demonstrada e reconhecida pela própria Receita Federal do Brasil, em que sustenta, ora em breve síntese, que o prazo de 30 (trinta) dias é insuficiente para produzir a ampla defesa que lhe é assegurada constitucionalmente, em vista das assertivas fiscais e dos relatórios que incluem inúmeras planilhas de cálculos a serem examinados. Suscita a incidência da norma prevista no art. 16, do Decreto 70.235/72, §4º. por entender que a força maior está perfeitamente demonstrada nos autos pela declaração feita pelos agentes da RFB no que tange aos prazos exíguos para análise dos pedidos de restituição; Da contestação das premissas dos Despachos Decisórios e do feito fiscal, onde alega que os atos da administração pública lesivos ao patrimônio das pessoas de direito privado são tipificados nos termos da Lei nº. 4717/65, sendo anuláveis, segundo as prescrições legais. Da contribuição para o PIS/Pasep relativa ao período de dezembro/2003, onde alega que a análise do crédito depende do desfecho do Processo nº. 13971.000029/200498, uma vez que constatouse a inexistência de saldo credor no final do período de apuração do mês de dezembro/2003, e que não se pode considerar a inexistência de saldo, enquanto não houver decisão definitiva perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, sob pena de efetuarse glosas indevidamente. Da Decisão sobre alegações não contidas nas manifestações de inconformidade, onde argumenta que, no caso concreto, a própria ação fiscal demonstra com clareza o montante que julga ser devido, em face das circunstâncias materiais do caso concretamente examinado, sem subterfúgios a quaisquer eventuais “teses tributárias” que a fiscalização afirma existirem fora destes autos (existência de tributaristas que sustentam que o valor do tributo devido a ser considerado pela autoridade administrativa no exame de pedidos de restituição ou de declarações de compensação é o valor do débito declarado pelo sujeito passivo em DCTF) e que nunca foram alegadas neste processo e que, portanto, nada tem a ver com os lançamentos contidos nos Autos de Infração impugnados nem como os Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 Despachos Decisórios objetos de manifestações de inconformidade protocoladas a tempo e modo. Suscita, ainda, que a ocorrência de decisões caracterizadamente “chapadas” enseja e confirma a nulidade do feito em face do vício de forma e do desvio de finalidade. Do pagamento indevido e do direito à restituição, em que alega vícios no despacho decisório que ensejariam a anulação do mesmo, tais como a exiguidade do intervalo de tempo entre a juntada do feito fiscal e o despacho decisório demonstra que quem decidiu sobre o assunto foram os agentes fiscais que promoveram a fiscalização direta e não o Sr. Delegado competente; que, no caso, não existe previsão legal de delegação de competência; e que esta evidência atrai a regra da Lei nº. 4.717/65 que considera caracterizada a incompetência quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Suscita expressamente e questiona a matéria para os fins de evitarse a preclusão, devendo a questão ser apreciada e julgada para, ao final, determinar a nulidade do feito para que novo despacho seja proferido nos termos da Lei e do Direito como expressão de justiça. Da resistência ao cumprimento de sentenças, onde aduz que os procedimentos fiscais que embasaram o despacho decisório ora contestado (cita alguns exemplos), adotou os mesmos critérios genéricos e sem fundamento, tomou as falhas pontuais como reiteradas e uniformes, generalizou sob a forma de percentual e o aplicou durante todo o período de fiscalização, sem levar em conta o fato concretamente ocorrido; que, ao estabelecer critérios genéricos para determinar o montante a ser glosado, contraria expressamente o comando da decisão da 4ª. Turma da DRJ/FNS, a qual proíbe a aplicação deste tipo de procedimento; e reitera que o prazo de 30 dias é exíguo para se pronunciar acerca de cálculos produzidos por processamento eletrônico, o qual requer conhecimento especializado e estrito, além do conhecimento da matéria legal a ser examinada e contestada. Alega, ainda, que a comprovação desta ocorrência somente poderá ser feita mediante prova pericial, que o procedimento deve ser refeito, e, suscita a nulidade por falta de fundamento legal. Da produção de todas as provas admitidas em direito: Pedido de Perícia: Requer expressamente, nos termos do regulamento do PAF, a produção de perícia para exame e verificação das planilhas e processamento eletrônico de informações trazidas ao processo pelos auditores. Indica o perito assistente, formula 12 quesitos e justifica o pedidos, alegando que, os trabalhos de perícia e diligência se fazem necessários por envolver processamento eletrônico automático e inúmeras operações produzidas pela RFB; que, a exemplo de outros casos, tem dado azo a processos administrativos totalmente desprovidos de sentido e realidade, tal como os lançamentos eletrônicos em processamentos de DCTF. Por outro lado, alega que há necessidade de testes de Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.916 9 consistências impossíveis de serem transpostas por meio de documentos porque envolvem processamento de informações, seus cruzamentos e conciliações, somente possível por trabalho de auditoria e perícia, e, ainda, que em sendo constatado inconsistências, haverá necessidade de recorrerse aos documentos físicos. 2. Das circunstâncias materiais de fato e de direito: Da alegação de decadência impossível de ser vista nos autos, em que alega que o fundamento do indeferimento nem de longe sustenta o feito em face da legalidade e das exigências previstas no art. 37 da Constituição Federal; e que, ao se recusar a examinar o que é de seu ofício, a autoridade fiscal remeteu o exame e fiscalização à DRJ, o que não pode ser feito, em face da incompatibilidade entre os trabalhos de exame da materialidade tributária (art. 142 do CTN) e a função de julgador no mesmo caso. Do que se pode efetivamente verificar nos autos: as retificações dos Dacon, onde alega que a retificação do Dacon em 2012 resultou em um aumento da contribuição devida e somente ocorreu devido a entendimentos com os auditores da RFB, conforme evidenciado nos emails anexos; que a retificação, como visto, não apresentou alterações para acrescer créditos, e que as afirmações dos auditores fiscais não podem ser levadas em consideração na questão relativa a qualquer decadência dos direitos creditórios. Da igualdade de todos perante a Lei: onde alega que a apresentação do Pedido de Restituição interrompe e extingue qualquer pretensão fazendária à decadência do direito da manifestante em se ver ressarcida do pagamento a maior ou indevido das contribuições sociais, afastando a possibilidade de alegarse a decadência do seu direito. As situações normadas: a exigência de verificação das circunstâncias materiais necessárias e da situação jurídica definitivamente constituída (art. 116 do CTN): – a exigência de verificação das circunstâncias materiais necessárias e da situação jurídica definitivamente constituída (art. 116, CTN) onde alega, após a citação de várias doutrinas/doutrinadores: Daí a razão pela qual o feito carece de sentido, uma vez que se prende ao mero formalismo abstrato da norma, sem considerar nem integrar a situação normada ao Direito a ser aplicado e observado (decisão conforme a lei e Direito – nos termos do Processo Administrativo Disciplinar), e constitutivo da fórmula concreta do Devido Processo Legal (...). Dos Complementos de Valor por preços a fixar e Do faturamento no regime de competência – o fato gerador das contribuições e a comparação com outros tributos sobre o faturamento: onde sustenta que, ao contrário do alegado pela autoridade fiscal (que o faturamento deve ocorrer no momento da tradição), cujo raciocínio seria induzido pela a analogia com os demais tributos (ISS, ICMS, IPI), o faturamento no regime de Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 competência, onde se tem preço a fixar, jamais pode ser considerado no momento da tradição, eis que neste momento não há, a rigor, nenhum faturamento, pela absoluta ausência do preço real da transação, constando somente o seu valor simbólico em nota exclusivamente fiscal, sendo que o faturamento ocorrerá somente quando da fixação do preço, oportunidade em que os contratantes tomarão conhecimento preciso do valor da operação outrora contratada, o que seria impossível mensurar em tempo pretérito (à época da tradição). Alega, ainda, que a complementação de preço lastreada em remessa que detenha direito a crédito gera o direito de retificar a sua base, no momento do faturamento (quando da fixação do preço e não da tradição), para complementar o preço da transação de origem; que, havendo remessa originária com direito a crédito o mesmo deverá ocorrer na complementação, sendo que qualquer glosa contrária a tal regra deve ser repudiada; e que o § 4º do art. 3º da lei de regência do crédito é muito clara ao dispor expressamente que o crédito não apropriado no mês poderá ser aproveitado nos meses posteriores. Dos fatos geradores pendentes e o alcance da nova lei, onde remete aos artigos 105 e 116 do Código Tributário Nacional para afirmar que o caso pertinente ao tema “Preços a Fixar” abrange as duas situações: “de fato (manifestação do vendedor para fixar o preço) e jurídica (contrato – como assinalado pelos auditores, definitivamente constituído, porém pendente de liquidação do preço). E continua: Nestas circunstâncias os fatos futuros (reajustes e liquidação de preço) são submetidos definitivamente à lei nova como sempre entendeu a Fazenda Pública em termos de inovação legal para majoração da cobrança de tributos sujeitos à anterioridade anual e consolidada na Súmula 577 do STF (“Na importação de mercadorias do exterior, o fato gerador do Imposto de Circulação de Mercadorias ocorre no momento de sua entrada no estabelecimento do importado”), e também a Súmula 584 do STF: “Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do anobase, aplicase a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.” Completa a sua argüição afirmando que os casos específicos sujeitos à norma de transição foram expressamente contemplados na lei específica, tais como os casos dos contratos de longo prazo, atividades imobiliárias e inúmeros outros, o que motivou complexidade da legislação até então pendente de consolidação e unificação num Regulamento Geral. Do Complemento de preços nas remessas com FEX, onde sugere que podem ter havido falhas humanas eventuais e pontuais na execução dos procedimentos internos, principalmente nos primeiros anos em face dos motivos já alegados e que motivaram tantas retificações dos Dacons, mas não de procedimento uniforme e reiterado. Segundo ela, caso constatado o erro, estará sujeito ao ajuste necessário, mas Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.917 11 jamais poderá ser generalizadamente calculado com base em percentuais para ser aplicado em todo o período fiscalizado, o que deverá ser objeto de reexame para eventual constatação, em homenagem ao Princípio da Verdade Real. Justifica a alegação pelo fato do feito fiscal desconsiderar os valores específicos de cada operação de entrada, considerando as todas ao mesmo preço, o que distorceria o cálculo final, motivo pelo qual haveria necessidade de perícia sobre os cálculos efetuados e em especial quanto aos critérios escolhidos pelos agentes. Dos créditos relativos aos contratos de transporte tomados de pessoas jurídicas ou a ela equiparadas e da situação normada as contribuições sociais sobre o faturamento no regime da não cumulatividade e as atividades econômicas empresariais: Sob estes itens, a contribuinte traça um perfil das atividades empresariais e conclui, em síntese, que, tanto as atividades principais quanto as secundárias, enquanto atividades que adicionam valor à economia da empresa e à renda nacional se habilitam à tomada de créditos, sendo as atividades auxiliares desprovidas dos requisitos que habilitam à tomada de créditos. Com base nas suas conclusões, entende que a contratação do frete está relacionado à atividade principal da empresa, estando atrelados por força das circunstâncias de que não há nem pode haver circulação de bens sem o necessário contrato de transporte. Aduz que os gastos com fretes nas aquisições de bens destinados ao custeio da atividade econômica não se encontra expressamente listado nos itens da norma que autoriza o direito ao crédito porque subsumese ao conceito de insumo necessário ao exercício das atividades relacionadas nos incisos I e II da norma autorizadora dos créditos. Dos fretes para transferência de insumos e produtos entre unidades de produção e armazenagem: Em relação às despesas de frete com transferência dos bens para o armazém, alega que o mesmo fundamento que motiva a glosa, também fundamenta a contestação: a falta de fundamento legal para a glosa. Sustenta que falta autorização legal expressa para a glosa dos fretes que ocorrem nas operações de transferências internas entre estabelecimentos da mesma empresa para fins de remessa de industrialização ou para fins de armazenamento. Requer, desta forma, que sejam admitidos os créditos relativos aos fretes para a transferência entre estabelecimentos e para armazéns gerais ou depósitos fechados(para simples armazenamento ou para formação de lotes padronizados para venda). Remete à Solução de Consulta nº. 210/SRRF/8a. RF/Disit e ao Acórdão nº. 330100.4243ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 12 Sustenta que hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados a as filiais do contribuinte, os quais compõem o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3º. , II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03, o que não se confunde com o transporte do produto acabado entre os estabelecimentos. Insurgese, ainda, contra o fato de ser negado o direito ao crédito em relação às compras de produtos adquiridos com a finalidade exclusiva de exportação e , da mesma forma, dos fretes internos vinculados a vendas para exportação. Das glosas de créditos sobre Fretes referentes a devoluções de compra e de venda, alega que devem ser analisados funcionalmente para o fim de ensejar direito de crédito, anulado o feito fiscal que entende em sentido contrário. Das glosas de créditos de Fretes Internos em importações (após o desembaraço), em importações (após o desembaraço), do Pedido Incidental, em aquisições de pessoas físicas para revenda, e das inconsistências em relação à nota vinculada: Alega que as importações constituem uma operação de compra, logo devem gerar o direito ao crédito, e contesta o fundamento da glosa com base no § 3º. da Lei 10.833/03. Insurgese, especificamente, contra a glosa com base no CFOP das operações, alegando que o CFOP das operações não podem ser os mesmos da importação de produtos, que não há nenhuma lógica, evidência, racionalidade e muito menos qualquer indicação de documentos que amparem este procedimento e que possibilite dar consistência aos argumentos trazidos à colação neste tópico; que não há cópias dos conhecimentos de transportes comprovando serem as prestadoras dos serviços de transportes empresas não domiciliadas no país, e que não há justificação séria nem a comprovação requerida para suportar a motivação do lançamento neste item; que é manifesto o cerceamento do amplo direito de defesa, como de resto, todos os argumentos contraditórios entre si dificultam e impossibilitam a defesa. São mencionados os artigos 289 e 290 do RIR/99, que só se aplicam a insumos utilizados na produção industrial ou em relação a mercadorias para revenda, portanto, não há que deixar de reconhecer tratase da importação de bens que eles mesmos classificam como objeto da atividade principal e secundária da impugnante e que, portanto , são geradores de créditos na importação. Que o desvio de forma se apresenta configurado de modo a atrair a nulidade , senão de todo o processo, pelo menos e sem dúvida deste tópico. Das glosas referentes à falta de comprovação e Das demais glosas referentes, a contribuinte alega que a eventual e fortuita falta de comprovação documental está sendo analisada e será providenciada tão logo tenha completado o ciclo das Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.918 13 verificações necessárias para a presente defesa e contestação, nos termos justificados por motivo de força maior. Dos pedidos, onde requer, em síntese: o direito à restituição requerida até a apreciação final de todos os demais processos matrizes do qual este é parcialmente decorrente, em face da continência dos temas e das matérias; que seja declarada a improcedência das glosas de créditos. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, bem como a realização de perícia técnica, e requer, em suma, que seja assegurado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer documento ou de qualquer outro ato ou fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1776/1806), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, de acordo com o regime de competência. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. FRETES. A apropriação de créditos em relação às despesas de transporte é limitada ao frete na aquisição do produto, seja como insumo na produção, seja para revenda, neste último caso (revenda) apenas quando o bem é adquirido de pessoa jurídica, e em razão de que o custo se agrega ao produto adquirido (regra contábil/fiscal); ao frete como insumo utilizado na prestação de serviços de transportes, quando é esta a atividade produtiva da empresa, ou seja, quando tal frete é associado ao processo de venda de serviços; e ao frete na venda do produto. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 14 Geram créditos os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas, desde que o produto final resultante da utilização desses bens ou serviços esteja relacionado no rol de produtos cujas classificações da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM relacionadas no art. 3º., §10 da Lei nº. 10.637/2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Admitida a retificação da Declaração de Compensação pela administração tributária, o marco inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação será a data da apresentação da declaração retificadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 5/2/2014, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 1808). Inconformada, em 19/2/2014, postou o recurso voluntário de fls. 1810/1902, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Adicionalmente, alegou nulidade da decisão de primeiro grau, sob o argumento de que (i) não fora reconhecida a segregação da função da autoridade julgadora e fiscalizadora, (ii) houve cerceamento do direito de defesa, por ausência de enfrentamento de alegações suscitadas na manifestação de inconformidade e inovação do feito, ao fazer afirmações não contidas no despacho decisório. Em caráter alternativo, caso não fossem acatados os pedidos de nulidade e improcedência formulados, que o julgamento fosse convertido em diligência, para juntada de novos documentos, comprovação dos motivos de força maior e realização de perícia técnica. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.919 15 Nos presentes autos, a recorrente pleiteou a restituição do pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de novembro de 2005, no valor total de R$ 251.113,23, que foi integralmente indeferido em face da inexistência do direito creditório. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 1310/1311, após análise das operações geradoras de crédito registradas na escrituração da contribuinte, a fiscalização apurou que o valor correto da Contribuição para o PIS/Pasep a pagar do referido mês era de R$ 2.728.753,16, que deduzido do valor de R$ 251.113,23, em vez de pagamento indevido ou maior que o devido, remanescera débito em aberto no valor de R$ 2.477.639,93. Conforme delineado no relatório precedente, a lide envolve questões preliminares e mérito, que serão a seguir analisadas. 1) Da Análise das Questões Preliminares. Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do despacho decisório e da decisão de primeiro grau e, em caráter alternativo, formulou pedido de realização diligência/perícia. Da preliminar de nulidade do despacho decisório. No recurso em apreço, a recorrente reiterou a preliminar de nulidade do despacho decisório, com base nos seguintes argumentos: (i) fora exíguo o intervalo de tempo entre a juntada do feito fiscal e o prolação do despacho decisório, (ii) foram adotados critérios genéricos para determinar o montante valor do crédito glosado e (iii) o prazo de defesa de 30 (trinta) dias fora insuficiente para analisar todos os documentos elaborados pela fiscalização. No âmbito processo administrativo fiscal federal, as hipóteses de nulidade do despacho decisório encontramse estabelecidas no art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, a saber: (i) incompetência da autoridade julgadora e (ii) preterição do direito de defesa do sujeito passivo. No caso em tela, não se vislumbra nenhuma das situações. Com efeito, o citado despacho decisório foi proferido pelo titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da jurisdição da recorrente, que é a autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição colacionados aos autos, nos termos do art. 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 203/2012. E compulsando o referido decisório, verificase que ele apresenta adequada fundamentação fática e jurídica. Ademais, nas robustas peças defensivas colacionadas aos autos a recorrente demonstrou pleno conhecimento das razões do indeferimento do seu pleito de restituição, o que afasta qualquer imputação de cerceamento de direito defesa. Dada essa característica, todas as alegações de vício de nulidade do citado despacho decisório, aduzidas pela recorrente, não tem procedência, pelas razões a seguir. A recorrente alegou que o intervalo de tempo exíguo entre a juntada dos documentos e relatórios de auditoria fiscal pela fiscalização e a prolação do despacho decisório em questão, o que demonstrava que quem decidira o assunto foram os agentes fiscais que promoveram a fiscalização e não o Sr. Delegado competente; que, no caso, não existia previsão legal de delegação de competência; e que esta evidência atrai a regra da Lei 4.717/1965, que Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 16 considera caracterizada a incompetência quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. De forma equivocada a recorrente utilizase de conceitos e institutos da Lei 4.717/1965, denominada de Lei da Ação Popular, para fundamentar juridicamente os seus argumentos, quando é de sabença que o processo administrativo fiscal federal é regido por diploma legal próprio e específico (o Decreto 70.235/1972), aplicandoselhe subsidiariamente os preceitos da Lei 9.784/1999 e do Código de Processo Civil. E especificamente sobre o ponto em comento, expressamente autoriza o art. 501, § 1º, da Lei 9.784/1994, que, na motivação do ato administrativo, principalmente, do ato administrativo de natureza decisória, a autoridade julgadora pode declarar concordância com fundamentos de anteriores informações, que, neste caso, passam integrar o ato decisório. No caso, foi o que fez a autoridade julgadora da unidade da RFB de origem, ao utilizar na motivação do questionado despacho decisório as informações colacionadas aos autos pela fiscalização, que foram exaradas em perfeita consonância com o disposto no art. 65 da Instrução Normativa RFB 900/2008, vigente à época do pedido, que assim determinava, in verbis: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [...] (grifos não originais) Também conflita com as informações e os dados detalhados nas planilhas e informações coligidas aos autos pela fiscalização, o argumento apresentado pela recorrente de que foram utilizados critérios genéricos para determinar o montante valor do crédito glosado, sem que apresentasse qualquer elemento indicativo da existência dessa circunstância. Também não procede alegação da recorrente de que fora insuficiente o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar sobre os demonstrativos e planilhas elaborados pela fiscalização. A uma, porque tais documentos foram elaborados com base nos dados e informações extraídos da escrituração contábil e fiscal da própria recorrente, portanto, elementos que já eram do seu pleno conhecimento. A duas, porque por ocasião da formulação do pedido de restituição a recorrente já deveria ter todos os elementos probatórios do valor do crédito pleiteado. Logo, se não os tinha o valor do indébito pleiteado não era certo e líquido, ou seja, não existia e, por essa circunstância, o pedido fora formulado indevidamente. A três, porque o referido prazo de defesa foi estabelecido por lei, no caso o art. 15 do Decreto 70.235/1972, logo, aplicável a todos sem qualquer distinção; ademais, por se tratar de norma legal vigente, não cabe a este Colegiado afastar a sua aplicada. 1 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1oA motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.” Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.920 17 Com base nessas considerações, ficam rejeitadas todas as alegações de nulidade do despacho decisório em apreço. Da nulidade da decisão primeiro grau. A recorrente alegou nulidade da decisão de primeiro grau, sob o argumento de que (i) não fora reconhecida a segregação da função da autoridade julgadora e fiscalizadora, (ii) houve cerceamento do direito de defesa, por ausência de enfrentamento de alegações suscitadas na manifestação de inconformidade e inovação do feito, ao fazer afirmações não contidas no despacho decisório. Sem razão a recorrente. Diferentemente do alegado, da leitura da decisão vergastada, constatase que o Colegiado se pronunciou de forma adequada e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas pela recorrente na manifestação inconformidade. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada. Além disso, de acordo com a robusta peça recursal em apreço, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão, inclusive, apresentou as razões de discordância em relação aos argumentos aduzidos no voto condutor do referido julgado, o que contraria o alegado cerceamento do direito de defesa. O mero fato de a recorrente discordar dos referidos fundamentos, certamente, não representa circunstância idônea com vistas a conspurcar a legitimidade da decisão em apreço. Da mesma forma, o fato de constar do referido voto afirmações não contidas no despacho decisório não implica inovação do feito, pois, além de demonstrada, verificase tratarse de novos argumentos destinados a rebater as razões de defesa e robustecer os motivos consignados no referido despacho como fundamento para o indeferimento do pedido de restituição em apreço, que foram integralmente mantidos pela decisão recorrida, sem qualquer inovação. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal, não existe determinação de qualquer ordem que obrigue o julgador do órgão ad quem a utilizar os mesmos argumentos ou informações aduzidos no julgamento a quo. Ao contrário, desde que devidamente motivado, o efeito devolutivo amplo e o princípio da livre convicção, previsto no art. 29 do Decreto 70.235/1972, asseguralhe ampla liberdade para fundamentar a sua decisão. Também não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o órgão julgador de primeiro grau não ter analisado as provas coligidas aos autos pela recorrente após a fase de manifestação de inconformidade, porque atingidas pela preclusão e rejeitado o alegado motivo de força maior. E nesse ponto, entende este Relator que decidiu com o acerto o Colegiado a quo, porque a razão aduzida pela recorrente, ou seja, a existência de relatórios fiscais que incluíam inúmeras planilhas de cálculos não tem a menor a procedência, pois, além de fácil compreensão, as glosas realizadas, na grande maioria, foi motivada por questões de direito, falta de previsão legal para apropriação de crédito ou em razão da decadência do direito de incluir novos créditos no Dacon retificador. As glosas motivadas por ausência de provas e que demandavam a coleta de documentos foram inexpressivas e, por óbvio, não se inclui na alegada condição de força maior, principalmente tendo vista que, no ato de formulação do pleito a recorrente estava obrigada a manter a disposição da fiscalização todos os documentos comprobatórios do crédito pleiteado. Também não justifica a alegada força maior, o fato de a recorrente ter sido cientificada de vários despachos decisórios na mesma ou em data aproximada, pois, se não Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 18 tinha condição de comprovar o alegado em tantos pedidos de restituição formulados, tal deficiência não pode ser apresentada como justificativa para o não cumprimento das normas legais. Enfim, não procede a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa, porque o órgão julgador de primeira instância não apreciou todos os argumentos de defesa suscitados na manifestação inconformidade, pois, não se pode olvidar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 312 do Decreto 70.235/1972, o órgão de julgamento de primeira instância deve analisar todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante/manifestante, porém, sem a obrigatoriedade de rebater, um a um, todos argumentos aduzidos na peça defensiva. No mesmo sentido, tem se pronunciado a jurisprudência do STF, conforme se infere dos enunciados da ementa do julgado, analisado sob regime de repercussão geral, que seguem transcritos: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (BRASIL. STF. AI 791292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 1208 2010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau suscitada pela recorrente. Do pedido de realização de diligência/perícia. Em caráter alternativo, caso não fossem acatados os pedidos de nulidade e de improcedência formulados na peça recursal em apreço, a recorrente pleiteou que o julgamento fosse convertido em diligência, para juntada de novos documentos, comprovação dos motivos de força maior e realização perícia técnica. No âmbito do processo administrativo fiscal, além do atendimento dos requisitos legais, a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de diligência ou de produção de prova pericial integra o poder discricionário da autoridade julgadora. Assim, somente se esta entender necessária a obtenção de provas adicionais imprescindíveis ao deslinde da controvérsia é que converterá o julgamento em diligência, caso contrário, indeferirá 2 "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências". (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.921 19 o pedido, sendo suficiente que apresente fundamentação adequada para sua decisão. Esse é o entendimento que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 293 do Decreto 70.235/1972. Ainda segundo os referidos preceitos legais, o deferimento de realização de diligência somente se justifica se as provas documentais não puderem ser carreadas aos autos pelas partes e o de perícia somente quando há dúvida sobre questão de natureza técnica, cujos esclarecimentos dependem de conhecimento especializado, não sendo necessária nenhuma das duas quando o fato probante puder ser demonstrado com a mera juntada de documentos aos autos. No caso em tela, o pleito da autuada não merece acatamento, pois se limita a pedido de exame de provas documentais que se encontram sob sua guarda e que, certamente, poderia ter sido coligidas aos autos na fase processual adequada. Além disso, os questionamentos por ela formulados podem ser facilmente respondidos com base na análise dos elementos probatórios coligidos aos autos, em especial, dos demonstrativos e planilhas que integram o relatório fiscal, em que explicitados, pormenorizadamente, quais os valores dos créditos que foram glosados em correlação com os valores informados nos respectivos Dacon, o que dispensa o concurso de profissional especializado, o que, por si só, torna desnecessária a realização da perícia requerida, conforme expressamente prevê o art. 4204, parágrafo único, I, do Código de Processo Civil. Com base nessas considerações, por entender prescindíveis, indeferese o pedido de diligência/perícia reiterado pela recorrente. 2) Da Análise das Questões de Mérito. Em relação ao pedido de restituição em apreço, de acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 1291/1309, os créditos não admitidos pela fiscalização referemse a: a) “Glosa de Complementos de Valor”; b) “Glosa de Falta de Comprovação Documentos Intimados”; c) “ Glosa dos Fretes”; e d) “Glosa sobre decadência na apuração da contribuição”. No recurso em apreço, a recorrente não apresentou qualquer manifestação contrária a glosa dos créditos calculados indevidamente e sobre o valor do ativo imobilizado, bem como em relação aos créditos não comprovados, com exceção da glosa dos créditos calculados sobre os gastos com frete não comprovados, a seguir analisados. 3 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." 4 Eis a redação do citado preceito legal: "Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável." Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 20 Dessa forma, a controvérsia remanescente cingese a glosa dos créditos calculados sobre (i) complementos de preço; (ii) gastos com fretes, por falta de amparo legal e por falta de comprovação; e (iii) decadência na apuração da contribuição. Da glosa dos créditos calculados sobre os complementos de valor. De acordo com referido Relatório de Auditoria Fiscal (item 29 fls. ), no período de apuração do crédito pleiteado, a recorrente adquiriu produtos (soja e outras commodities) de pessoas jurídicas para revenda, que dependia da fixação do preço definitivo a posteriori (modalidade de compra a “preço a fixar”), em que a entrega era feita em várias remessas, com preço unitário provisório, cujo preço definitivo somente era definido no final. Dada essas características, frequentemente, havia complementação do valor a ser pago pela adquirente, se o preço final fosse superior aos praticados nas remessas com preços provisórios. Caso contrário, ou seja, se o preço das remessas resultasse superior ao preço definitivo, havia a devolução simbólica de certa quantidade do bem e o acerto financeiro da diferença apurada. Segundo a fiscalização, no período analisado, a recorrente adquiriu parte das mercadorias (soja e outras commodities) com direito a crédito e outra parte sem direito a crédito ((bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo) da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, porém apropriou créditos sobre os valores integrais dos complementos de preço, isto é, sem excluir a parcela dos créditos referente às mercadorias adquiridas sem direito a crédito. No caso, se não havia amparo legal para apropriar o valor do crédito calculado sobre o valor da aquisição desse tipo mercadoria, por óbvio, o valor complementar do preço da operação também não podia propiciar direito a crédito da referida contribuição. Aliás, a recorrente sequer questionou a legalidade da glosa em questão, tendo se limitado a solicitar a produção de prova pericial, para reavaliar o critério de apuração e a exatidão dos valores das glosas efetuadas pela autoridade fiscal, o que, evidentemente, não se justifica, por se tratar de valores calculados com base nos dados contidos nos documentos fiscais emitidos pela própria recorrente e extraídos dos arquivos por ela fornecidos à fiscalização. Logo, se existisse algum equívoco na apuração dos valores dos créditos glosados, cabia a recorrente apurar qual seria o valor correto e apresentar o correspondente demonstrativo de cálculo, acompanhado da documentação que o corroborasse. Como não o fez, deve arcar com o ônus dessa omissão. Ademais, na ausência de tais elementos, não cabe a este Colegiado converter o julgamento em diligência para suprir a ausência de prova não coligida aos autos oportunamente pela recorrente. Por todas essas razões, mantémse a glosa do valor integral do crédito, conforme apurado pela fiscalização. Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.922 21 Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob 5 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 22 a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. Em relação à atividade industrial, embora também não haja expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, II e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, com o art. 290 do RIR/1999, é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre o valor do frete relativo ao serviço de transporte: a) de bens de produção (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Senão, veja a redação dos trechos relevantes dos citados preceitos legais, in verbis: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; [...] [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] (grifos não originais) Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.923 23 De acordo com os referidos preceitos legais, inferese que a parcela do valor do frete, relativo ao transporte de bens a serem utilizados como insumos de produção ou fabricação de bens destinados à venda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições, enquanto que o valor do frete referente ao transporte dos bens em produção ou fabricação entre estabelecimentos fabris integra o custo de produção na condição de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Com a ressalva de que, pela razões anteriormente aduzidas, há direito de apropriação de crédito sobre o valor do frete no transporte de bens utilizados como insumos, somente se o valor de aquisição destes bens gerar direito a apropriação de créditos das referidas contribuições. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matériasprimas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, o que demandará a prestação de serviços de transporte. Assim, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, darseá de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção (matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Com o fim do ciclo de produção ou industrialização, há permissão de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, conforme expressamente previsto no art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003, que seguem reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: [...] II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 24 [...] (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar que, em todas as hipóteses de creditamento, o direito de apropriação dos referidos créditos está condicionado ao atendimento das condições instituídas no art. 3º, § 3°, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Dessa forma, somente o valor do gasto com frete incorrido no mês (regime de competência), pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, gera direito à apropriação de créditos das referidas contribuições. Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.924 25 dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Com base nesse entendimento, passa a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre gastos com fretes objeto da presente controvérsia. De acordo com o citado Relatório da Auditoria Fiscal, a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes foram motivadas por falta de amparo legal, por falta de comprovação e por falta de estorno. As glosas por falta de amparo legal foram realizadas em relação aos créditos apropriados sobre os gastos com fretes relativos às operações de: a) aquisições de mercadorias com fim específico de exportação; b) de devolução de vendas e de compras de mercadorias; c) de transferências de mercadorias entre estabelecimentos; d) de remessas para armazéns gerais; e) aquisições de pessoas físicas de bens para revenda; e f) aquisições sem crédito. As glosas dos créditos com fretes não comprovados (fretes intimados e fretes ferroviários) referemse aos gastos com transporte de bens adquiridos para revenda e de insumos de produção, em que, embora intimada a comprovar a legitimidade da apropriação do crédito, a contribuinte não apresentou os documentos fiscais hábeis e idôneos solicitados pela fiscalização. Por fim, a glosa da parcela do crédito presumido agroindustrial não estornada pela contribuinte, correspondente aos gastos com “frete de grãos exportados”, adquiridos de pessoas físicas para industrialização, portanto como insumo, mas que, posteriormente, foram revendidos/exportados sem ser submetidos a qualquer processamento industrial. Em relação a esses grãos, o valor dos créditos estornados pela recorrente limitaramse apenas a parcela dos custos dos bens revendidos, sem o estorno da parcela do valor correspondente aos gastos com frete incorporados aos custos de aquisição dos respectivos grãos exportados. A seguir serão analisados apenas as glosas relativas aos gastos com fretes contestados pela interessada no recurso em apreço e que se refira a glosas realizadas pela fiscalização. a) Dos fretes vinculados às aquisições com fim específico de exportação. Há expressa vedação à empresa comercial exportadora de apropriarse de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as aquisições de mercadorias com o fim específico de exportação, nos termos determinado no art. 6º, § 4º, combinado com o disposto no art. 15, III, da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. [...] Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 26 § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; [...]. (grifos não originais) A vedação de dedução de crédito em destaque tem por objetivo evitar a apropriação de crédito em duplicidade, tanto pela pessoa jurídica vendedora quanto pela pessoa jurídica compradora e exportadora. Ademais, por se tratar norma legal vigente, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, não cabe a este Conselheiro afastar aplicação a referida norma sob argumento de que ela fere preceito de ordem constitucional, em especial, princípio da não cumulatividade das referidas contribuições. Em relação ao ponto, a recorrente alegou que era possível a apropriação de crédito sobre os gastos com frete vinculados a tais operações, porque, como se tratava de operação isenta, em conformidade com o entendimento do STF, exarado no julgamento dos RREE 196.527/MG e 212.637/MG, era legítimo o direito de apropriação de crédito nas operações de fretes em questão, uma vez que houve incidência sobre o gasto com a operação de frete e a lei previa a manutenção de créditos nas operações anteriores à exportação. Sem razão à recorrente. A uma, porque à jurisprudência citada referese ao princípio da não cumulatividade do IPI e se encontra superada pela atual jurisprudência da colenda Corte. A duas, porque a glosa em apreço não se refere à manutenção de crédito sobre os gastos com frete vinculados à operação exportação, mas à gastos com operação de frete vinculado a vendas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, que, conforme demonstrado, há expressa determinação legal que proíbe a apropriação de créditos. O entendimento exarado no Acórdão nº 340300.485 também não se aplica ao caso tela, pois, além de ser uma Resolução, no referido julgado não foi abordado o assunto em comento. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.925 27 Por todas essas razões, mantémse a glosa integral dos créditos apropriados sobre o valor dos gastos com frete vinculados às operações de venda com fim específico de exportação. Dos fretes vinculados às transferências entre estabelecimentos e remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. Segundo a fiscalização, as glosas dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de transporte entre estabelecimentos alcançavam transferência de produtos acabados, de produtos em elaboração e de bens a ser utilizados como insumos de produção ou fabricação, pois, em qualquer dessas situações, inexistia previsão legal para a tomada de créditos relativamente aos serviços de transporte. O mesmo procedimento foi adotado em relação às remessas dos citados produtos/bens para depósitos fechados ou armazéns gerais. O deslinde da questão envolve a análise do tipo gasto com o serviço de transporte que permite a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, assunto analisado em tópico anterior, em que ficou definido (aliena “c”) que os gastos com frete na transferência entre estabelecimentos fabris de bens utilizados como insumos na industrialização de bens destinados à venda, quando contratado com pessoa jurídica domiciliado no País e suportado pelo próprio contribuinte, com respaldo no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, geram créditos da referida contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na industrialização de bens destinados à venda, calculado sobre o valor do frete correspondente. Diferentemente ocorre com as despesas realizadas após a conclusão do processo de industrialização, a exemplo das despesas de armazenagem e de frete dos produtos acabados, que para integrar a base cálculo de apuração do crédito em apreço, precisam de previsão legal expressa, conforme estabelecido no inciso IX do citado art. 3º. Com base nesse entendimento chegase a conclusão que geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, desde que suportado pelo contribuinte e pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, os gastos com frete no transporte (i) de bens utilizados como insumos de industrialização de produtos destinados à venda e dos produtos em elaboração, nas transferências entre os estabelecimentos industriais da própria pessoa jurídica; e b) dos produtos acabados na operação de venda. Por outro lado, não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep os gastos com frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica, por não configurar serviço de transporte utilizado como insumo nem operação de venda, mas mera operação de transferência dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a comercialização e a logística de entrega aos futuros compradores. Dessa forma, chegase a conclusão que a recorrente só não faz jus apenas aos créditos calculados sobre os gastos com frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica. Logo, apenas em relação a esses gastos deve ser mantida a glosa em apreço. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, também deve ser mantida a glosa dos créditos calculados sobre os gastos com fretes nas operações de remessas de produtos acabados para depósito fechado ou armazém geral, porque, induvidosamente, tais operações também não se enquadram como serviço de transporte utilizado como insumo de Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 28 industrialização nem como operação de venda, operações que asseguram a apropriação dos referidos créditos, conforme anteriormente demonstrado. c) Dos fretes vinculados às operações de devolução de venda e de compra. Segundo a fiscalização, a presente glosa referese a créditos calculados sobre despesas com frete no transporte de mercadorias devolvidas tanto nas operações de devolução de compras quanto nas operações de devolução de venda. Em relação à operação de devolução de venda, há permissão apenas para o estorno do valor do débito da contribuição calculado sobre o valor da receita da venda do bem devolvido, conforme se extrai do disposto no art. 3º, VIII, e § 1º, IV, da Lei 10.637/2002, a seguir transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...] § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: [...] IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] (grifos não originais) Já no que tange à operação de devolução de compra, não há previsão legal de apropriação de crédito, mas determinação para o estorno do valor do crédito calculado sobre custo de aquisição do bem devolvido. Assim, independentemente do tipo de operação de devolução, não existe amparo legal para a apropriação de crédito da contribuição calculado sobre os gastos com frete no transporte de bens devolvidos tanto nas operações de devolução de venda6 quanto nas operações de devolução de compra. Com base nessas considerações, deve ser integralmente mantida a presente glosa determinada pela fiscalização. d) Dos fretes vinculados às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda. 6 Cabe esclarecer que nas assentadas anteriores, com base na análise isolada do art. 3º, VIII, da Lei 10.637/2002, este Relator apresentou entendimento de que, em relação à operação de devolução de venda, era assegurado o direito de apropriação de crédito calculado sobre a despesa com frete no transporte dos bens devolvidos. Porém, após análise combinada do disposto no inciso VIII com o disposto no § 1º, IV, ambos do art. 3º da Lei 10.637/2002, este Relator rever o o entendimento anterior e passa a admitir que também em relação à operação de devolução de venda também não existe amparo legal para apropriação de crédito sobre o valor da despesa com frete relativa a esta operação. Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.926 29 Segundo a fiscalização, se não há direito a créditos nas aquisições de mercadorias para revenda, feitas de produtor pessoa física, não havia que se falar em créditos relativos aos fretes relacionados a essas aquisições, visto que os mesmos constituemse em parte do custo de aquisição. Assiste razão à fiscalização. Os bens adquiridos para revenda de pessoas físicas não asseguram direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, segundo determina o art. 3º, § 3º, I, da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Dessa forma, se os gastos com frete vinculados ao transporte de bens adquiridos para revenda admitem apropriação de crédito somente sob forma de custos agregados aos referidos bens, conforme anteriormente demonstrado, como não há direito a apropriação de crédito sobre aquisição de produtos adquiridos para revenda de pessoas físicas, por conseguinte, também não existe permissão para dedução de créditos sobre os gastos de frete com transporte de tais bens. Assim, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que fazia jus ao referido tipo de crédito, porque as operações de aquisição e as operações de transporte (frete) eram operações de distintas naturezas e a isenção ou não incidência em uma das operações não afetava a incidência tributária da outra operação, nem lhe prejudicava o direito ao crédito quando admitido nos termos da lei. Tratase de argumento que conflita com entendimento deste Relator, que condiciona a dedução dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, aos casos em que tais gastos estejam vinculados ao transporte e assim integrarem o custo de aquisição de bens para revenda ou de insumos para produção de bens destinados à venda, submetidos ao regime de cobrança não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Diferentemente do alegado pela recorrente, há impossibilidade de apropriação de créditos sobre gastos com frete vinculado ao transporte de produtos agrícolas adquiridos de pessoas físicas para revenda, sem qualquer processamento industrial, porque contraria o disposto no art. art. 3º, I, e no § 3º, I, da Lei 10.637/2002. Somente quando submetidos ao processo de produção, nos termos dos arts. 8º e 15 da Lei 10.925/2004, com a redação da Lei 11.051/2004, sob a forma de crédito presumido agroindustrial, a aquisição de tais produtos de pessoas físicas autoriza apropriação de crédito, inclusive, sobre os gastos com frete no transporte. Com base nessas considerações, mantémse integralmente a glosa realizada pela fiscalização. Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 30 e) Da glosa dos créditos de fretes não comprovados. Em relação as glosas dos créditos por falta de comprovação, a recorrente limitouse em alegar que não havia apresentados as provas em razão do prazo exíguo de 30 (trinta) dias que lhe fora concedido, que deveria ser dilatado por este Conselho, sob pena de mais uma vez ferir o direito de ampla defesa. Sem procedência a alegação da recorrente. Os documentos comprobatórios do valor do crédito pleiteado, se existentes, deveriam estar em poder da recorrente desde o momento em que formulara o pedido de restituição, para que, em conformidade com o disposto no art. 76 da Instrução Normativa RFB 1300/2012, atualmente vigente, e nos correspondentes preceitos normativos das Instruções Normativas anteriores, quando solicitado pela fiscalização fosse apresentado pela requerente, dentro do prazo estabelecido, o que não ocorreu no caso em tela. Além disso, noticiam os autos que, embora regularmente intimada, a recorrente não apresentou os documentos comprobatórios dos gastos relativos aos créditos declarados no respectivo Dacon. Da mesma forma, no prazo legal de apresentação da manifestação de inconformidade, a recorrente também não apresentou tais documentos, a que estava obrigada, nos termos do art. 16, III, do Decreto 70.235/1972. Assim, ao não apresentar a referida documentação com a manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, consumouse a preclusão do direito de posteriormente apresentála nos presentes autos. Ademais, no recurso em apreço, a recorrente não se dignou demonstrar quais itens dos gastos com frete referiamse os supostos documentos comprobatórios, o que inviabiliza qualquer análise por parte deste Relator. Não se pode olvidar que o exercício do direito de defesa prescinde de objetividade e clareza nos argumentos e, quando necessária a comprovação, da apresentação e referência clara e direta aos elementos probatórios correspondentes. A apresentação de longas peças defensivas, contendo, quase na sua totalidade, apenas argumentos jurídicos não pertinentes às questões objeto da lide ou atinentes a questões acerca da aplicação de normas de natureza principiológica ou de institutos gerais de direito, com menção telegráfica às normas legais aplicável ao caso e falta de indicação ou indicação genérica dos meios de provas adequados que lhe dão sustentação, dificulta o entendimento das razões de defesa suscitadas e, assim, em nada contribui para o deslinde da controvérsia, tornando inócuo o sagrado princípio do contraditório. Em qualquer peça defensiva digna do nome, o que se espera do defendente é que haja precisa indicação dos fundamentos jurídicos, se a questão for de direito, ou dos elementos probatórios, se a questão for de natureza probatória. E no caso de questão de natureza probatória a ser demonstrada pelos registros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, como no caso em tela, é imprescindível que haja precisa indicação e vinculação entre tais registros e a documentação fiscal que lhe dá suporte, de sorte que seja estabelecido com clareza a natureza das operações instrumentadas nos correspondentes registros contábeis e fiscais. Dada essa exigência, não terá relevância probatória a mera juntada aos autos de uma massa de documentos, sem qualquer vinculação ou indicação individualizada com as específicas questões probatórias objeto da lide. Por essas razões, excluídas as situações excepcionais, a atividade probatória não pode se limitar a simplesmente juntada documentos ou arquivos digitais contendo tais documentos aos autos, especialmente, nos casos em que se tem inúmeros registros associados a Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.927 31 inúmeros documentos. Em situações desse jaez, que se aplica perfeitamente ao caso em tela, a atividade probatória somente alcançará a sua finalidade se feita com precisão a associação entre registros e documentos de forma individualizada. Nesse contexto, não constitui a atividade do julgador confrontar as provas coligidas aos autos pelas partes litigantes, mas analisar e decidir qual das provas apresentadas revelase mais consistente e adequada para corroborar os fatos em litígio, com base no contraditório suscitado pelas partes. Na lide em apreço, após análise dos demonstrativos apresentados pela interessada, em cotejo com os registros e documentos fiscais pertinentes, a fiscalização apurou que não havia prova para os gastos com os fretes indicados. Dada essa acusação, cabia a recorrente indicar, com precisão e clareza, quais os registros e documentos fiscais comprovavam o direito creditório pleiteado, e carrear aos autos os elementos probatórios específicos que lhes davam guarida, o que não foi feito pela recorrente. No entanto, em vez de assim proceder, no recurso em apreço, a recorrente limitouse a mencionar de forma telegráfica no corpo e no final do recurso, que foram coligidos aos autos arquivos em PDF contendo listagens das notas fiscais do dos meses de junho a dezembro de 2005, sem contudo especificar quais tipos de gastos as referidas notas fiscais destinavamse a comprovar. Diante desse contexto, obviamente, este Relator fica impossibilitado de analisar a citada documentação e, por conseguinte, converter o julgamento em diligência, pelas razões anteriormente aduzidas, por entender que, no caso em tela, não ficou demonstrada a intenção da recorrente em comprovar os fatos em questão, no tempo propício e por meio da documentação adequada, pois, se assim o desejasse, certamente, teria trazido aos autos, sem dificuldade, a documentação adequada, posto que, no caso em tela, a comprovação dos fatos controversos dependia apenas da apresentação de registros e documentos fiscais e contábeis que, se existentes, deveriam estar em poder da recorrente. Sabidamente, não cabe ao julgador, seja em sede de apreciação de procedimento fiscal atinente a lançamento de ofício, seja em sede de procedimento fiscal concernente à pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, substituir o ônus probatório da autoridade lançadora e do contribuinte, respectivamente, da mesma forma que também não lhe é lícito valerse de procedimentos de diligência ou perícia para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório da incumbência de cada uma das partes. Não se pode olvidar que a diligência tratase de instrumento colocado à disposição do julgador para dirimir dúvidas acerca de questão de fato controversa, originada da confrontação de elementos probatórios trazidos autos do processo pelas partes, ou da insuficiência de elementos probatórios necessários para formação da sua convicção sobre os fatos controversos a serem comprovados, mas não para substituir o ônus probatório das partes. Da mesma forma, as perícias existem para fim de dirimir questões fáticas de natureza probatória, que prescinde de conhecimento técnico especializado, ordinariamente, não acessível às partes e ao julgador, situação que não se vislumbra no caso em tela, conforme precedentemente demonstrado. Além disso, noticiam os autos que as glosas realizadas pela autoridade fiscal foram feitas com base nos demonstrativos que lhes foram entregues em arquivos digitais. Assim, se tais arquivos foram elaborados pela própria recorrente, certamente, o normal era que ela não tivesse qualquer dificuldade em identificar os itens que foram objeto de glosa, especialmente, as glosas motivadas por falta de prova, que não foram significantes comparadas Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A 32 com aquelas por falta de amparo legal, prescindível de apresentação de qualquer elemento probatório. Por todas essas razões, mantémse a glosa integral dos referidos créditos, por ausência de comprovação por parte da recorrente. Da glosa dos créditos motivada pela decadência. De acordo com o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a última retificação do Dacon ocorreu no dia 14 de novembro de 2012, quando já havia decorrido mais de 5 anos contado da data do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep do mês novembro de 2005, objeto do presente pleito de restituição. Por força dessa circunstância, argumentou a autoridade fiscal que não cabia o aumento de créditos ou a diminuição de débitos, em face da ocorrência da decadência determinada no art. 150, § 4º, do CTN. Dessa forma, o motivo da glosa em apreço foi o aumento irregular do crédito apurado após o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, portanto, quando já havia se consumado o prazo de decadência do direito de apuração do valor da contribuição devida no período. Em relação à glosa desses créditos, a recorrente limitouse em alegar questões de fato, relacionadas a erro nos percentuais de rateio dos créditos relativos ao mercado interno e à exportação, que resultou no aumento dos créditos acrescentados no referido Dacon retificador, quando o motivo da glosa cingese a questão exclusivamente de direito, isto é, se na data de 14 de novembro de 2012 a recorrente ainda podia retificar o respectivo Dacon para incluir novos valores de crédito, com vista a apuração de valor do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do período de apuração. Por força dessa circunstância, não tem qualquer relevância para o deslinde controvérsia a análise das supostas provas juntadas aos autos pela recorrente, com vistas a demonstrar a correta apuração dos valores dos créditos adicionados. Além disso, como a referida documentação foi apresentada a destempo, ou seja, após o prazo fatal de trinta dias para a apresentação da manifestação de inconformidade, e não atende as condições excepcionais do art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, deixase de analisála nesta fase processual. Sabidamente, nas hipóteses permitidas, o contribuinte dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador, para proceder a retificação do Dacon do período, com a finalidade de acrescentar novos créditos ou reduzir débitos anteriormente declarados relativos a Contribuição para o PIS/Pasep do período de apuração. Aliás, o mesmo prazo também deve ser obedecido pela autoridade fiscal, para realização do lançamento de ofício. No caso em tela, no dia 14 de novembro de 2012, induvidosamente, já havia se consumado o referido prazo decadencial para apuração da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de novembro de 2005, que se completou no dia 30/11/2010. Por todas essas considerações, a autoridade fiscal agiu com acerto ao proceder a glosa dos valores dos créditos acrescidos no correspondente Dacon retificador, com vistas à apuração do valor da Contribuição para o PIS/Pasep do citado período de apuração, pois já havia se consumado a decadência, nos termos do art. 1º Decreto 20.910/1932. Dos supostos erros de apuração cometidos pela fiscalização. Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13971.005200/200960 Acórdão n.º 3302003.216 S3C3T2 Fl. 1.928 33 No recurso em apreço, a recorrente alegou que a fiscalização não transferiu o saldo credor do 1º trimestre 2005, no valor de R$ 977.009,29, para o trimestre seguinte, em consequência, o saldo devedor do mês de julho diminuiria de R$ 1.337.049,21 para R$ 360.039,92. Tratase de alegação sem qualquer relevância para o deslinde da presente controvérsia, pois, além de não se referir ao período de apuração do crédito em apreço, a recorrente não demonstrou que tal suposto erro teve qualquer repercussão sobre o saldo dos créditos objeto do presente pedido de restituição. Por esse motivo, deixase de analisar a ocorrência do citados erro. 3) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase pela rejeição das preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão de primeiro grau e pelo indeferimento do pedido de diligência/perícia, e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito da recorrente à dedução dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete no transporte de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), inclusive os produtos inacabados, entre os estabelecimentos industriais da recorrente, inclusive para depósitos fechados e armazéns gerais ou remetidos para depósitos fechados ou armazéns gerais. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10580.727208/2009-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-004.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 08 /2 00 9- 96 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 2 os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente do fato de, supostamente ter o contribuinte classificado erroneamente rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributados. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de "Valores Indenizatórios de URV", conforme previsão da Lei estadual nº 8.730/03 e visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para URV em 1994. O lançamento abrange os anos calendários 2004, 2005 e 2006. Em impugnação, o Contribuinte argui serem as verbas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela Lei Estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo STF quando da promulgação da sua Resolução nº 245, a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possui natureza jurídica indenizatória. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.727208/200996 Acórdão n.º 9202004.189 CSRFT2 Fl. 265 3 O auto de infração foi mantido pela Delegacia de Julgamento. Segundo a decisão as diferenças recebidas pelo Contribuinte estão sujeitas à incidência do imposto de renda, pois visavam a manutenção do valor real dos salários e como tal possuem natureza eminentemente salarial. Afastou a aplicação da Resolução nº 245 do STF, destacou que a competência para tratar do imposto é da União e portanto o dispositivo da lei baiana não teria qualquer efeito, afirmou que a incidência do tributo independe da denominação dada ao rendimento. Foi apresentado Recurso Voluntário o qual foi julgado parcialmente procedente tão somente para excluir a multa de ofício. Recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte reiterando os argumentos de defesa. Em exame e reexame de admissibilidade, o recurso foi recebido apenas no que tange a discussão acerca da natureza da verba recebida, se indenizatória ou remuneratória. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente a título de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da magistratura federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação do estado da Bahia deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Natureza Indenizatória da Verba: Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 4 Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação do Estado da Bahia teve com pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.727208/200996 Acórdão n.º 9202004.189 CSRFT2 Fl. 266 5 Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 6 de URV estava a recebêIa naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSITn. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.727208/200996 Acórdão n.º 9202004.189 CSRFT2 Fl. 267 7 (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012 MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pela lei baiana deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor a atualização monetária dos salários do período considerado, reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 8 Apuração do Imposto Regime de competência: Mesmo que superada a tese de que os valores recebidos pelo Recorrente não possuem natureza indenizatória, ainda assim o lançamento não pode prosperar haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto. Inicialmente, apesar de toda a discussão, não tenho dúvidas de que o mérito dessa questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/RS e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/RS TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Certa dúvida poderia ser suscitada em relação a aplicação do julgado do STJ pois a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda sua inaplicabilidade ao caso concreto. Entretanto, nenhuma dúvida subsiste em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, afinal o tema fixado para a Repercussão Geral foi delimitado da seguinte forma: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Percebese que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.727208/200996 Acórdão n.º 9202004.189 CSRFT2 Fl. 268 9 da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12A da Lei 9.713/88) resume bem a questão: “52. Tratase da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exigese do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que impacta diretamente na natureza jurídica do lançamento tributário. Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recalculo do tributo ou da incidência do disposto no art. 173, inciso II do CTN. Pelo exposto dou provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 10 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração e Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida LC na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida LC, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.727208/200996 Acórdão n.º 9202004.189 CSRFT2 Fl. 269 11 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 06. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 12 da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 06, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.727208/200996 Acórdão n.º 9202004.189 CSRFT2 Fl. 270 13 Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 06 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 06, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repita se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 14 percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados os rendimentos percebidos a menor (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001). Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela de alíquotas utilizada de efl. 10: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.727208/200996 Acórdão n.º 9202004.189 CSRFT2 Fl. 271 15 Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado de efls. 18 a 22. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator Fl. 278DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10380.721102/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RENDIMENTO COMO SENDO APOSENTADORIA.
Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria, ainda que portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, posto que ausente requisito legal essencial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto votou pelas conclusões.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RENDIMENTO COMO SENDO APOSENTADORIA. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria, ainda que portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, posto que ausente requisito legal essencial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 11 02 /2 01 2- 31 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto votou pelas conclusões. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.721102/201231 Acórdão n.º 2401004.346 S2C4T1 Fl. 149 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0954.670 (fls. 107/113), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que julgou improcedente a impugnação (fl. 77/80) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DISPENSA DE EMENTA. Acórdão dispensado de ementa, conforme Portaria SRF nº. 364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento n° 2011/348953936503261 de fls. 60/63 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário referente a imposto sobre a renda de pessoa física suplementar. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 61) a fiscalização informa a glosa de R$ 23.943,01 correspondente à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, nos seguintes termos: Para demonstrar que não incorreu em omissão de receita, por ser portador de moléstia grave, o contribuinte apresentou sua peça impugnatória (fls. 77/80), com os seguintes argumentos: a) Que o auditor fiscal desconsiderou o laudo emitido pelo médico particular que acompanha o paciente há mais de 20(vinte) anos e que atesta ser portador de moléstia grave b) Que no bojo do processo já constam diversos documentos hábeis a comprovar o acometimento de moléstia grave, entre eles, a comprovação de realização de cirurgia para tratar da doença de Parkinson. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 c) Apresenta Laudo Pericial nos moldes exigidos pela Secretaria da Receita Federal, bem como declaração emitida por serviço oficial, suprindo omissão indicada, e culminando com a regularidade dos procedimentos de declaração de imposto de renda. Para a DRJ/JFA (fls. 107/113) a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam: não constam nos autos documentos hábeis a demonstrar a condição do contribuinte de aposentado, reformado ou pensionista bem como sob sua condição de portador de moléstia grave. Intimado do acórdão da DRJ/JFA em 13/11/2014 (A.R. fl. 116), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 119/128) em 24/11/2014, no qual alega, em síntese: a) Não ser razoável supor que o contribuinte era empregado da instituição BrasilPrev, considerando apenas informação constante em DIRF, eis que constam nos autos diversos documentos comprobatórios e que ora anexa, indicando que recebe seus benefícios de aposentadoria da entidade privada, que é a sua atividade fim; b) Destaca a preclusão e impertinência quanto ao questionamento de vínculo entre o Recorrente e a fonte pagadora, tendo em vista que o mérito reside na comprovação ou não do acometimento do contribuinte a moléstia grave, para o gozo das prerrogativas legais; c) Que desde o primeiro momento do processo de fiscalização deixou claro ser acometido da referida doença e fez constar diversos documentos comprobatórios que a comprovam. d) Ressalva a conduta de negativa de aceitabilidade de laudo particular emitidos pelo Dr. Francisco Cardoso, e do serviço médico oficial do município de TauáCe, Dr. José Ney Leal Petrola, sobre o argumento do último não ser servidor efetivo do Município; e) A fim de validar o vínculo, ressalta que o serviço público não se da somente mediante concurso, mas também através de contratação temporária e também direta na forma da Norma Operacional Básica do Sistema único de Saúde; f) Defende a busca pela verdade real por parte do julgador, princípio que norteia o procedimento administrativo tributário e as próprias decisões do Carf. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.721102/201231 Acórdão n.º 2401004.346 S2C4T1 Fl. 150 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Prevê o art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Assim, dois são os requisitos para a isenção do imposto de renda: que o contribuinte perceba rendimentos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, e que haja a comprovação da moléstia grave. No caso dos presentes autos, conforme relatado anteriormente, o ora recorrente alegar ser portador do mal de Parkinson e pleiteia a isenção para os rendimentos da fonte pagadora BRASILPREV. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Para a verificação da moléstia grave antes do período a que se pleiteia a isenção, qual seja, anocalendário 2008, o recorrente apresenta laudo médico particular, datado de abril de 2012 (fls. 6 e 7) que atestam que o mesmo é portador da "doença de Parkinson" (CID 10 G 20) desde fevereiro de 1994. Este laudo é elaborado pelo Dr. José Ney Petrola, CRM 2299, e emitido em papel timbrado da Secretaria Municipal de Tauá/CE. Posteriormente, o contribuinte obteve Laudo Médico emitido pelo Ministério da Fazenda (fl. 39), por junta médica presidida pelo Dr. Francisco Nobre de Oliveira CRIM 2974, que reconhece ser o contribuinte portador de doença especificada em lei como "DOENÇA DE PARKINSON" e faz menção desta ser "a partir de 05/06/2014", justamente a data de elaboração do Parecer Médico. Ainda, trouxe aos autos (fls. 09/39): a) comprovantes de remessa de recursos ao exterior para comprova de neuroestimulador no ano de 2007; b) comprovantes de despesas realizadas no Instituto FLENI Buenos Aires, local da realização da cirurgia para colocação do neuroestimulador; c) laudo e relatórios médicos indicando a doença de Parkinson e procedimento cirúrgico; d) comprovante de fornecimento de equipamento e realização de cirurgia para substituição do neuroestimulador com recursos do Plano de Saúde UNIMED. Assim, entendo que o conjunto probatório trazido ao processo administrativo é suficiente para fazer crer, sem dúvidas, que o contribuinte é portador da moléstia grave desde período anterior ao anocalendário em que se discute a isenção (2010). Quanto ao segundo requisito, referente justamente a natureza do rendimento percebido, se este tratase de aposentadoria ou pensão. A omissão de rendimento foi percebida e objeto de lançamento pela autoridade fiscal porque a fonte pagadora BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A (CNPJ nº. 27.655.207/000131) informou em DIRF que o valor pago no montante de R$ 23.943,01 é tributável. Nestes termos, temse instaurada a controvérsia em saber a natureza desse pagamento e, assim, aplicar a isenção ou não caso possua a natureza de aposentadoria ou pensão. Ocorre que neste ponto específico, o contribuinte deixou de produzir quaisquer provas a respeito. Destacase que, aparentemente, tratase de prova de fácil apresentação e comprovação, bastando mostrar qual a relação jurídica entre o recorrente e a BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A, para ser verificada a natureza do pagamento e, assim, aplicar ou não a isenção. Desse modo, por ausência de comprovação da natureza do pagamento, entendo que não cumprido um dos requisitos essenciais para a aplicação da isenção do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.721102/201231 Acórdão n.º 2401004.346 S2C4T1 Fl. 151 7 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10580.728962/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E AUTORIDADE COMPETENTE.
Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que o auto de infração foi lavrado por autoridade fiscal competente, além de terem sido cumpridos todos os requisitos legais pertinentes ao MPF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS.
As receitas omitidas apuradas mediante o confronto entre o Livro Fiscal e a escrituração contábil devem ser submetidas à tributação.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP.COFINS.CSLL
Em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, no que couber, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático.
PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Na apuração da Contribuição para do PIS a ser lançada de ofício, incidente sobre as receitas contabilizadas acrescidas das receitas omitidas mantidas, pelo regime da não-cumulatividade, devem ser deduzidos os valores retidos na fonte e descontados os créditos informados nas DACON, desde que sejam demonstradas a liquidez e certeza desses créditos, o que não foi o caso, ao se averiguar tais requisitos através de diligência.
COFINS.FALTA DE RECOLHIMENTO
Na apuração da Cofins a ser lançada de ofício, incidente sobre as receitas contabilizadas acrescidas das receitas omitidas mantidas, pelo regime da não-cumulatividade, devem ser deduzidos os valores retidos na fonte e descontados os créditos informados nas DACON, desde que sejam demonstradas a liquidez e certeza desses créditos, o que não foi o caso, ao se averiguar tais requisitos através de diligência.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Uma vez descaracterizada a ocorrência da prática reiterada de omissão de receitas, descrita nos Autos de Infração, não deve prosperar a qualificação da multa de ofício, ficando a multa de ofício reduzida ao percentual de 75%.
Numero da decisão: 1401-001.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer os créditos aproveitados pela DRJ e não comprovados sua liquidez e certeza pela diligência e, quanto ao Recurso Voluntário, REJEITAR a preliminar de nulidade , no mérito, DAR provimento PARCIAL apenas para recompor a base de cálculo das multas isoladas por atraso na entrega da DCTF, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E AUTORIDADE COMPETENTE. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que o auto de infração foi lavrado por autoridade fiscal competente, além de terem sido cumpridos todos os requisitos legais pertinentes ao MPF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. As receitas omitidas apuradas mediante o confronto entre o Livro Fiscal e a escrituração contábil devem ser submetidas à tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP.COFINS.CSLL Em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, no que couber, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. PIS/PASEP. FALTA DE RECOLHIMENTO. Na apuração da Contribuição para do PIS a ser lançada de ofício, incidente sobre as receitas contabilizadas acrescidas das receitas omitidas mantidas, pelo regime da nãocumulatividade, devem ser deduzidos os valores retidos na fonte e descontados os créditos informados nas DACON, desde que sejam demonstradas a liquidez e certeza desses créditos, o que não foi o caso, ao se averiguar tais requisitos através de diligência. COFINS.FALTA DE RECOLHIMENTO Na apuração da Cofins a ser lançada de ofício, incidente sobre as receitas contabilizadas acrescidas das receitas omitidas mantidas, pelo regime da não cumulatividade, devem ser deduzidos os valores retidos na fonte e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 89 62 /2 00 9- 43 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 68 2 descontados os créditos informados nas DACON, desde que sejam demonstradas a liquidez e certeza desses créditos, o que não foi o caso, ao se averiguar tais requisitos através de diligência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Uma vez descaracterizada a ocorrência da prática reiterada de omissão de receitas, descrita nos Autos de Infração, não deve prosperar a qualificação da multa de ofício, ficando a multa de ofício reduzida ao percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer os créditos aproveitados pela DRJ e não comprovados sua liquidez e certeza pela diligência e, quanto ao Recurso Voluntário, REJEITAR a preliminar de nulidade , no mérito, DAR provimento PARCIAL apenas para recompor a base de cálculo das multas isoladas por atraso na entrega da DCTF, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário no Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de SalvadorBA. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Trata o presente processo de Autos de Infração relativos: ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$1.034.139,79 (um milhão, trinta e quatro mil, cento e trinta e nove reais e setenta e nove centavos); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$380.930,32 (trezentos e oitenta mil, novecentos e trinta reais e trinta e dois centavos);à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$972.331,86 (novecentos e setenta e dois mil, trezentos e trinta e um reais e oitenta e seis centavos); e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$156.814,11 (cento e cinquenta e seis mil, oitocentos e quatorze reais e onze centavos), acrescidos da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e dos juros de mora calculados até a data dos lançamentos, e de Autos de Infração para exigência de Multa Regulamenta pela Falta de apresentação de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), no valor de R$185.641,30 (cento e oitenta e cinco mil, seiscentos e quarenta e um reais e trinta centavos), e Multa Regulamentar pela Falta de apresentação da Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ), no valor de R$500,00 (quinhentos reais), totalizando R$7.204.733,07 (sete milhões , setecentos e trinta e três reais e sete centavos). O Relatório Fiscal (fls. 61 a 79), subscrito pela Autoridade Tributária, registra os seguintes fatos: a Tecnologia Avançada Garantida S/A, doravante denominada Contribuinte, está inscrita no CNPJ sob o n° 01.009.886/000105, com endereço cadastral na Rua do Paço n° 498, Itinga, Lauro de Freitas BA, CEP 42.700000, conforme extrato do CNPJ em anexo; o art. 5° do Estatuto Social, contido na Ata de Assembléia de Constituição de 31/10/2005, registra que "O capital social é de R$3.000.000,00 (três milhões de reais) dividido em 2.832.153 (dois milhões, oitocentos e trinta e duas mil e cento e cinqüenta e três) ações ordinárias, 153.215 (cento e cinqüenta e três mil e duzentos e quinze) ações preferenciais, 14.632 (quatorze mil seiscentos e trinta e duas) ações preferenciais classe B, no valor nominal de R$1,00 (um real) cada uma subscrito e integralizado em bens abaixo relacionados, vertidos pela empresa IMS INDÚSTRIA MECÂNICA DE SALVADOR S.A., conforme Laudo de Avaliação, que fica como parte integrante deste instrumento, aprovado na Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 31 de outubro de 1995."; entretanto, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 0002, o Contribuinte informa que a sua composição atual é conforme demonstrado abaixo: Ações Acionista CNPJ/CPF (*) Endereço (*) Qtde Valor (em R$) Fl. 893DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 70 4 Vespar Industrial e Comercial Ltda 13.997.200/0001 02 Rua da Bélgica, 74, 4° andar, Bairro Comércio, SalvadorBa, CEP 40.015030 2.841.870 2.841.870,03 Victor Hugo Folkerts 000.689.93587 Rua da Polêmica, 510, Lotes 2 e 3, quadra F, 22.608 22.608,00 Bairro Brotas, SalvadorBA, CEP 40.275360 2.894.669 2.864.478,03 (*) Os n° dos CNPJ/CPF e respectivos endereços estão de acordo com os dados cadastrais registrados nos sistemas CNPJ/CPF da Receita Federal do Brasil, conforme extrato em anexo. o Contribuinte informou um total de quantidade de ações divergente do total em valor, fato que não deveria ter ocorrido tendo em vista que cada ação possui valor nominal igual, qual seja R$1,00 (um real), independentemente da espécie; de acordo com o art. 3° do Estatuto Social, "a sociedade tem por objeto social a fabricação de válvulas e equipamentos industriais em geral e a comercialização dos referidos produtos, suas peças e acessórios"; a forma de tributação escolhida foi a do Lucro Real Trimestral, conforme demonstrado na Ficha n° 1 da sua Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ 2006 (anocalendário 2005). Consequentemente, o Contribuinte está sujeito ao regime da nãocumulatividade para apuração do PIS e Cofins, conforme determinado pela lei n° 10.637/02 e Lei n° 10.8333/03; o procedimento de fiscalização, iniciado em 22/07/2008, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, objetivou verificar divergências entre os valores de receita bruta informados pelo próprio Contribuinte à Secretaria Estadual da Fazenda do Estado da Bahia (SEFAZBA), por meio da Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA, e à Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ 20006, relativa ao ano calendário 2005 e avaliar os correspondentes efeitos tributários; foram emitidos diversos termos de intimação e de reintimação fiscal solicitando a entrega dos livros e/ou documentos relacionados no Termo de Início do Procedimento Fiscal, tendo a Contribuinte apresentado, durante a ação fiscal, os seguintes elementos: Livro Registro de Entradas; Livro Registro de Saídas; Livro Registro de Apuração do ICMS; Contrato/Estatuto Social e suas alterações; Livro Diário; Livro Razão; Lalur; Livro de Apuração do IPI; Memória de Cálculo do Pis/Cofins 2005; Demonstrativo do quadro societário; tendo em vista o objetivo da fiscalização, foram analisados os elementos citados no tópico anterior, apresentados durante a ação fiscal, cujas cópias ou originais considerados mais relevantes estão anexados a este Relatório, e extratos dos sistemas: CPF; CNPJ; DCTF; Dacon, sendo verificadas quatro infrações à legislação tributária, descritas a seguir: 1) Omissão na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) Em face da omissão nas entregas das DCTF e DIPJ, e visando ao cumprimento do disposto na Lei n° 10.426, de 2002, art. 7°; na Instrução Normativa SRF n° Fl. 894DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 71 5 482/2004, art. 3°, art. 6°, art. 8°; e na Instrução Normativa SRF n° 642/2006, art. 4°; art. 5° (parcialmente transcritos) o Contribuinte foi intimado a transmitir eletronicamente, em 5 dias, as declarações/demonstrativos originais a que estivesse obrigado. Embora o Contribuinte tenha entregue as DCTF e DIPJ pertinentes, estas foram apresentadas extemporaneamente, isto é, em prazo superior àquele estabelecido nos supracitados Termos, ensejando a aplicação de multa por atraso na entrega de declaração. Com base na legislação tributária citada acima, foram apurados os valores das Multas por Atraso na Entrega MAED das DCTF e DIPJ, do seguinte modo: DCTF • preparação do Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada DCTF, em que foram somados os valores dos tributos declarados nas DCTF do 1° e 2° trimestres, respectivamente; e • aplicação do fator de 20% (limite máximo tendo em vista que houve mais de 20 meses de atraso na apresentação da DCTF) sobre o somatório dos tributos declarados semestralmente que estão resumidos no Demonstrativo citado acima. DIPJ • aplicação da multa mínima de R$500,00, tendo em vista que o Contribuinte não apurou IRPJ devido. 2) Falta de recolhimento do PIS e Cofins declarados intempestivamente em DCTF durante procedimento de fiscalização Conforme se verifica no extrato do sistema "dctfconsger", as DCTF foram entregues em 26/06/2009, atendendo à intimação, estando, portanto, o Contribuinte sob ação fiscal. O início do procedimento fiscal, em 25/06/2008, excluiu a espontaneidade conforme Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN ), art. 38, parágrafo único, c/c Decreto n° 70.235, de 1972, art. 7°, § 1°, reproduzidos, e consequentemente as DCTF apresentadas não possuem efeito e os débitos nelas declarados somente serão utilizados como base de cálculo da MAED, e os débitos nas aludidas DCTF não devem ser objeto de cobrança, pois serão parte integrante dos correspondentes Autos de Infração. 3) Omissão de receitas No curso do procedimento de fiscalização foram executados os procedimentos de auditoriafiscal indicados abaixo: • cruzamento dos valores de receitas escriturados mensalmente no Livro Razão n° 02/02 (coluna "Saldo atual") com o Livro Registro de Saídas n° 11 (coluna "Valor contábil"), conforme demonstrativo; • cruzamento dos valores de receitas escriturados mensalmente no Livro Registro de Saídas n° 11 (coluna "Valor contábil") e Livro de Apuração do IPI n° 011; • preparação do Demonstrativo das Diferenças não Justificadas pelo Contribuinte. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 72 6 Em consequência dos cruzamentos acima foram apuradas diferenças, objeto de pedido de esclarecimento, mediante termos de intimação e de reintimação, não respondidos. Logo, inferiuse a ocorrência de omissão de receitas de vendas, pois nem todas as receitas escrituradas mensalmente no Livro Registro de Saídas foram registradas no Livro Razão n° 02/02 e no Livro de Apuração do IPI n° 011. O Contribuinte foi enquadrado nos seguintes dispositivos legais: art. 541; 542; 841 e 845, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999) e art. 28, 44, inciso I e § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, art. 1°, §§ 1°, 2°; art. 2° e art. 37, da Lei n° 10.637, de 2002, e art. 1°, §§ 1° e 2°; art. 2, ambos da Lei n° 10.833, de 2003. O art. 288 (transcrito) determina a tributação da receita omitida de acordo com o regime de tributação utilizado pela pessoa jurídica, sendo que no caso em tela, o Contribuinte adotou o Lucro Real e, portanto, foi este regime usado para a apuração dos montantes não recolhidos. Na apuração do PIS e da Cofins, pelo regime da nãocumulatividade, foram descontados os créditos constantes das Fichas 11B, linhas 10 e 11 e Ficha 17B, linhas 9 e 10, das DACON apresentadas, respectivamente. Quanto à dedução de PIS e Cofins constante da Ficha 11B, linha 25 e Ficha 17B, linha 24, das DACON apresentadas, referente à retenção na fonte, observese que tal retenção é relativa às receitas de prestação de serviços, não se aplicando ao Contribuinte, tendo em vista que este exerce atividades industriais, razão pela qual os valores pertinentes à retenção não foram deduzidos ex ofício. 4) Falta de recolhimento do imposto escriturado no Livro de Apuração do IPI n° 011 O Contribuinte apurou saldo devedor do IPI em diversos períodos de apuração conforme se verifica no Livro Registro de Apuração do IPI n° 011. Ocorre que tais débitos constam nas DCTF que foram consideradas sem efeito. Consequentemente, devem ser objeto de lançamento, com fundamento nos art. 127 do Decreto n° 4.544, de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI), transcrito. conforme exposto, o Contribuinte omitiu receitas em todos os meses do anocalendário de 2005. Logo, em 100% dos períodos de apuração sob exame, as mesmas infrações foram cometidas, reiteradamente, demonstrando, portanto, que não houve um mero erro ou falha no processo de contabilização, configurandose, então, a situação prevista no RIR/1999, art. 957 e na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § 1°, c/c a Lei n° 4.502, de 1966, art. 71 e 72 (transcritos), que enseja a aplicação da multa qualificada. a legislação que embasou a lavratura dos Autos de Infração foi: RIR/1999, art. 288; art. 541; art. 542; art. 841, IV; art. 845, III; art. 957, I, II, parágrafo único, I; Lei n° 5.172, de 1966, art. 138, parágrafo único; Decreto n° 70.235, de 1972, art. 7°, I, § 1°; Lei n° 8.850, de 1994, art. 1°, II; Lei n° 9.430, de 1996, art. 28; art. 44, I, § 1°; Lei n° 10.833, de 2003, art. 1°; art. 2°; Decreto n° 4.544, de 2002, art. 127; IN SRF n° 482/2004, art. 3°; art. 6°, II, a, b; art. 8°, I; IN SRF n° 642, de 2006, art. 4°, § 3°; art. 5°, I, § 1° e § 3°. A Contribuinte, Tecnologia Avançada Garantida S/A, atual Artis Serviços Técnicos Ltda, por sua procuradora, devidamente constituída (Instrumento de Mandato à fl. 340), apresentou impugnação aos lançamentos, sob os seguintes argumentos: Fl. 896DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 73 7 Preliminarmente argui a nulidade do auto de Infração, porque teria sido extrapolado o prazo de 120 dias para a conclusão dos trabalhos, inexistindo prorrogação por escrito de mais 60 dias, tendo em vista que a fiscalização iniciouse no dia 26/06/2008, por meio do MPF 05.1.01.002008009622, e concluiu suas atividades em 23/11/2009, conforme lavratura do Auto, passando 510 dias sem que o MPF fosse prorrogado e o contribuinte tivesse ciência formal de todas as suas prorrogações; Do Mérito entende ser cabível a improcedência dos lançamentos, porque teriam sido efetuados tomandose por base os registros fiscais (Livro de Saída n° 011) conciliando com o Razão Contábil n° 02/02, contas n° 3.1.01.01.00.1 (Vendas Mercado Interno Industrial) e 3.1.01.02.00.1 (Vendas Mercado Interno Petróleo), sem considerar que nos registros contidos no Livro Fiscal n° 011 encontramse registrados códigos (CFOP CÓDIGO FISCAL DE OPERAÇÕES E DE PRESTAÇÃO) que não se referem a vendas, e que não representam operações tributadas pelo PIS, Cofins, IRPJ e CSLL (relaciona os vários códigos); pede a improcedência da Multa Isolada referente à falta da entrega da DCTF no prazo estipulado por lei, já que os Auditores evocaram a Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), art. 38, parágrafo único c/c Decreto n° 70.235, de 1972, art. 7°, I, "EXCLUI a ESPONTANEIDADE da entrega feita pelo contribuinte da DCTF"; pede também a improcedência do IPI, pois teriam sido apurados, pela Impugnante, créditos extemporâneos, conforme Instrução Normativa n° 23/1997, e o que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que se referem a bens de produção destinados à exportação direta ou a empresa comercial exportadora; sob o tópico As Presunções Fiscais e o Lançamento Tributário discorre sobre lançamento e elementos de prova utilizados para embasar exigência fiscal, inclusive presunções, e conclui que não pode prosperar crédito tributário lavrado com base num único indício, qual seja, os registros contidos nos livros fiscais de n° 011, incluindo códigos CFPO que não tratam de vendas; elabora um demonstrativo do confronto entre as operações constantes do Livro Registro de Saídas n° 011 e os registros feitos nas contas 3.1.01.01.00.1 e 3.1.01.02.00.1, do Livro Razão n° 02/02, mês a mês, e aponta os valores que teriam sido considerados como receitas no Auto de Infração, mas que, de acordo com os respectivos CFOP, não corresponderiam a operações de vendas e não estariam sujeitos à tributação; diz que em consequência das apurações indevidas feitas pelos Auditores, o Demonstrativo do Lucro Real (doc. 3) e o Demonstrativo da Base de Cálculo e da CSLL a lançar (doc. 4) ficam totalmente prejudicados e são impugnados totalmente. Apresenta os demonstrativos do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL que considera corretos, com alguns ajustes em relação ao registrado no Livro de Apuração do Lucro Real original, e com valores do IRPJ e da CSLL a pagar apenas no mês de dezembro; afirma que, do mesmo modo, o Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo e do PIS a Lançar (doc. 5) encontrase totalmente equivocado, impugnando o e elaborando um demonstrativo dos valores de PIS a pagar que considera corretos. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 74 8 Na apuração de tais valores deduz retenções de PIS, feitas pela Petrobrás, destacando que estas retenções obedecem à legislação, Lei n° 9.430, de 1996, art. 64, por a Petrobras ser uma instituição pública, apesar de ser uma S.A; destaca que a Petrobras é uma empresa federal, retém contribuições federais e o contribuinte, na ótica dos Auditores, tem que pagar duas vezes, na retenção e na apuração destas contribuições; sustenta que também o Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo e da Cofins a Lançar (doc. 6) encontrase equivocado na demonstração do faturamento, além de repetir os valores dos créditos do PIS, dos meses de julho a dezembro de 2005, na demonstração da Cofins. Elabora o demonstrativo da Cofins a pagar que entende ser o correto, reitera a mesma defesa feita para o PIS; afirma que apurou créditos extemporâneos de PIS e Cofins e faz um demonstrativo destes; argui que o Demonstrativo de Apuração da Multa Isolada DCTF (doc. 7) foi também elaborado de forma não condizente com a realidade dos fatos, quando considera informações transmitidas pelo contribuinte na DCTF, considerada pelos Auditores sem efeito, excluindo a espontaneidade, em respeito à Lei n° 5.172, de 1966, art. 38. O contribuinte impugna totalmente, por não ter impostos e contribuições a pagar; faz um demonstrativo da improcedência do lançamento do IPI; como conclusão da sua defesa, faz um resumo dos valores que entende terem sido apurados indevidamente e dos valores que considera realmente devidos; informa ter juntado como prova os documentos enumerados de doc. 1 até doc. 12 e, em seguida, aduz ser imprescindível a realização de perícia para constatação dos fundamentos narrados, indicando e qualificando o perito; finalizando, requer seja reconhecida a ocorrência da nulidade do procedimento fiscal, bem como a improcedência pelas razões de fato e de direito do Auto de Infração, requerendo, de logo, perícia para que fique provado, por meio de livros e documentos, que o lançamento é improcedente. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo e RECORREU de ofício da parte cancelada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da questão. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E AUTORIDADE COMPETENTE. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que o auto de infração foi lavrado por autoridade fiscal competente, além de terem sido cumpridos todos os requisitos legais pertinentes ao MPF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 75 9 As receitas omitidas apuradas mediante o confronto entre o Livro Fiscal e a escrituração contábil devem ser submetidas à tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, no que couber, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. Na apuração da Contribuição para do PIS a ser lançada de ofício, incidente sobre as receitas contabilizadas acrescidas das receitas omitidas mantidas, pelo regime da nãocumulatividade, devem ser deduzidos os valores retidos na fonte e descontados os créditos informados nas DACON. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO Na apuração da Cofins a ser lançada de ofício, incidente sobre as receitas contabilizadas acrescidas das receitas omitidas mantidas, pelo regime da não cumulatividade, devem ser deduzidos os valores retidos na fonte e descontados os créditos informados nas DACON. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Uma vez descaracterizada a ocorrência da prática reiterada de omissão de receitas, descrita nos Autos de Infração, não deve prosperar a qualificação da multa de ofício, ficando a multa de ofício reduzida ao percentual de 75%. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. Mantémse a Multa por atraso na entrega da DIPJ, apresentada fora do prazo e sob ação fiscal. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DAS DCTF. Mantémse a Multa por Atraso na Entrega da DCTF, apresentada fora do prazo e sob ação fiscal. Impugnação Parcial A DRJ recorreu de ofício da parte cancelada, nos termos do resultado de julgamento abaixo: Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar Procedente em Parte a Impugnação, para indeferir o pedido de perícia, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: exonerar o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) lançado nos 1°, 2° e 3° trimestres de 2005; restabelecer o prejuízo fiscal do 1° trimestre de 2005, no valor de R$47.619,20 (quarenta e sete mil, Fl. 899DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 76 10 seiscentos e dezenove reais e vinte centavos); reduzir o prejuízo fiscal dos 2° e 3° trimestres de 2005 para os valores de R$23.423,74 (vinte e três mil, quatrocentos e vinte e três reais e setenta e quatro centavos) e R$2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), respectivamente; manter, parcialmente, a parte impugnada do lançamento do IRPJ referente ao 4° trimestre de 2005, no valor de R$155.534,11 (cento e cinquenta e cinco mil, quinhentos e trinta e quatro reais e onze centavos); exonerar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) lançada nos 1°, 2° e 3° trimestres de 2005; restabelecer a Base de Cálculo Negativa da CSLL do 1° trimestre de 2005, no valor de R$47.619,20 (quarenta e sete mil, seiscentos e dezenove reais e vinte centavos); reduzir a Base de Cálculo Negativa da CSLL dos 2° e 3° trimestres de 2005 para os valores de R$23.423,74 (vinte e três mil, quatrocentos e vinte e três reais e setenta e quatro centavos) e R$2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais), respectivamente; manter, parcialmente, a parte impugnada do lançamento da CSLL referente ao 4° trimestre de 2005, no valor de R$57.487,23 (cinquenta e sete mil, quatrocentos e oitenta e sete reais e vinte e três centavos); exonerar a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) lançadas nos meses de janeiro a novembro de 2005; manter parcialmente o PIS e a Cofins lançados no mês de dezembro, nos valores de R$2.412,88 (dois mil, quatrocentos e doze reais e oitenta e oito centavos) e R$27.427,18 (vinte e sete mil, quatrocentos e vinte e sete reais e dezoito centavos); reduzir o percentual da multa de ofício sobre os lançamentos mantidos, de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento), devendo os lançamentos mantidos serem também acrescidos dos juros de mora; manter a Multa Regulamentar pelo Atraso na Entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), no valor de R$185.641,30 (cento e oitenta e cinco mil, seiscentos e quarenta e um reais e trinta centavos), e a Multa Regulamentar pelo Atraso na Entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ), exercício 2006, anocalendário 2005, no valor de R$500,00 (quinhentos reais), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF aduzindo o seguinte: reconhece apenas o valor original de R$ 5.968,32, como devido de MULTA sobre o atraso das DCTF's do 1°. E 2º semestres de 2005. Também o contribuinte IMPUGNA PARCIALMENTE a decisão contida no Acórdão 1526.750, em relação a CSLL e IRPJ relativos ao 4o. TRIMESTRE de 2005, conforme abaixo: IRPJ: Omissão mantida RS 734.407,63 RS 30.134,86 Prejuízo Fiscal no Lalur R$ 3.744,03 RS 3.744,03 Lucro Real antes da compensação RS 730.663,60 RS 26.390,83 Limite de compensação prejuízos Fiscais (30%) RS 219.199,08 RS 7.917,25 Compensação de prejuízos (1º, 2º e 3º Trimestres RS 73.442,94 RS 7.917,25) Fl. 900DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 77 11 Lucro Real ajustado após compensação Prej. RS 657.220,66 RS 18.473,58 IR alíquota de 15% RS 98.583,09 RS 2.771,04 Adicional do IR (BC 657.220,6660.000)* 10% RS 59.722,06 RS 0 Total do IR apurado RS 158.305,15 RS 2.771,04 Parte reconhecida RS 2.771,04 RS 2.771,04 Parte Impugnada mantida R$ 155.534,11 RS 0,00 Alega que a omissão considerada pela DRJ no valor de R$ 734.407,63, referemse à venda do Ativo Imobilizado no valor de RS 681.788,00 mais o valor de RS 30.134„86, referente a ajustes fiscais, considerados pela contabilidade do contribuinte. a venda do Ativo Imobilizado apresentou uma perda de RS 285.666,73, conforme registro no Livro Diário de no. 11 à folha de no. 735 (anexa) e memória de cálculo abaixo demonstrada: Venda do Ativo Imobilizado em 112005 RS 681.788,00 Valor residual do bem vendido em 112005 RS 967.454,73 Perda na Venda do bem do Ativo Imobilizado R$ 285.666,73 registrado á folha 735 no Livro diário no. 11. Em relação ao limite de compensação de Prejuízos Fiscais, os Doutos Julgadores deixaram de considerar dentro do limite de 30% sobre o Lucro Real, os PREJUÍZOS ACUMULADOS DOS EXERCÍCIOS ANTERIORES A 2005, no valor de R$ 1.479.782,00, conforme folhas de nos. 35 e 36 da DIRPJ2006. Considerando recurso parcial apresentado, consta Termo de Transferência de débitos às fls. 733/734 dando conta de que foi formalizado o processo nº 10580.722891/2012 71, para onde foram transferidos os créditos tributários não recorridos. O extrato analítico dessas diferenças transferidas está às fls. 735/739. O julgamento foi convertido em diligência, sendo seu resultado desfavorável à Recorrente, uma vez que não atendeu a nenhuma das intimações solicitadas pelo fiscal diligenciante. Atendida a diligência determinada na Resolução nº 1401000.211/2013, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF e não tendo o contribuinte apresentado manifestação, o processo foi encaminhado ao CARF, para prosseguimento do julgamento É o relatório. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 78 12 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos (voluntário e de ofício) preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Os autos de infração versam sobre: 1) Omissão de receitas (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) a partir do confronto entre Livros fiscais e contábeis; 2) Lançamentos do PIS e Cofins,; 3) Multas isoladas por atraso na entrega das DCTF, relativas aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2005. RECURSO DE OFÍCIO 1) IRPJ/CSLL No voto condutor do Acórdão, o relator cancelou quase que a integralidade do lançamento nos termos abaixo. Analisemos primeiro o cancelamento parcial dos autos de infração do IRPJ e da CSLL: Passo à análise da infração descrita no Auto de Infração do IRPJ, que diz respeito à omissão de receitas, apurada mediante o confronto dos valores escriturados no Livro Registro de Saídas n° 011 com os registros feitos nas contas 3.1.01.01.00.1 e 3.1.01.02.00.1 do Livro Razão n° 02/02. Após a análise das folhas dos citados livros, acostadas pela Impugnante, às fls. 396/465 e 466/481, verificase que as diferenças apontadas como receitas omitidas, em sua maioria, correspondem aos valores das operações de saídas que não representam vendas, conforme os seus respectivos códigos fiscais de operações e de prestação CFOP. As exceções são as seguintes: 1) para o mês de abril, verificase uma diferença no valor de R$4.774,42, em virtude de a Nota Fiscal n° 4286 ter sido registrada a menor, nas contas do Livro Razão, objetos do confronto, pois referente à esta nota fiscal, foi lançado no Livro Registro de Saídas o valor de R$58.624,29, com o CFOP 5101 Venda de produção do estabelecimento para dentro do Estado enquanto que no Livro Razão foram feitos dois lançamentos: um no valor de R$8.295,92 e outro no valor de R$45.553,95, totalizando R$53.849,87; 2) para o mês de julho de 2005, a própria Contribuinte reconhece ter deixado de lançar, na contabilidade, a nota fiscal n° 004412, no valor de R$15,00, Fl. 902DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 79 13 registrada no Livro de Saídas, e que deve ser retificado o prejuízo fiscal do 3° trimestre de 2003, alterandoo de R$27.055,00, constante do Lalur, para R$26.390,83. A Contribuinte também reconhece que igual alteração deve ser procedida na Base de Cálculo Negativa da CSLL, referente ao 3° trimestre; 3) no mês de setembro de 2005, verificase não terem sido contabilizadas nas contas do Livro Razão, objetos do confronto, a nota fiscal, de n° 4569, no valor de R$24.640,00, registrada no Livro de Saídas, em 26/11/2005, sob o CFOP 6118 Venda de produção do estabelecimento entregue ao destinatário por conta e ordem do adquirente originário, em venda à ordem; 4) no mês de outubro de 2005, a Contribuinte não registrou nas contas do Livro Razão, objetos do confronto, a nota fiscal n° 4706, no valor de R$12.484,77, registrada no Livro de Saídas, com o CFPO 6118, e a nota fiscal n° 4622, no valor de R$10.000,00, registrada no Livro de Saídas, com o CFPO 5551 Venda do Ativo Imobilizado; 5) no mês de novembro de 2005, não foram contabilizadas nas contas do Livro Razão, objetos do confronto, as notas fiscais n° 4654; 4655 e 4656, no valor de R$97.666,00, cada uma, de 1°/11/2005, assim como, a nota fiscal n° 4664, no valor de R$101.640,00, de 10/11/2005, e a nota fiscal n° 4666, no valor de R$384.816,80, também de 10/11/2005, totalizando R$681.788,00, todas elas registradas no Livro de Saídas com o CFOP. Cumpre salientar que a contabilização referente à venda de bem do Ativo Imobilizado não deveria ser feita nas contas de Razão objeto do confronto, por se tratar de uma receita não operacional. Todavia, examinandose as linhas 42 e 43 da Ficha 06A da DIPJ/2006, percebese que não foi informado qualquer valor que indique o oferecimento à tributação de Receita de Alienação de Bens/Direitos do Ativo Permanente, razão pela qual foi mantida a omissão de receita, nos valores das vendas de bem do ativo permanente constantes do Livro Registro de Saídas. Além disso, a Contribuinte reconhece a existência de uma diferença entre o Livro Fiscal e a contabilidade, no mês de dezembro de 2005, a ser adicionada ao resultado do 4° trimestre de 2005, no montante de R$30.134,86, tendo em vista que no citado mês foram efetuados ajustes fiscais, em virtude de Cartas de Correção de notas fiscais faturadas a maior, em meses anteriores. Faz um demonstrativo da retificação a ser feita no resultado do 4° trimestre de 2005, apurado no Lalur, alterandoo de prejuízo fiscal, no valor de R$3.744,03, para lucro real, no montante de R$26.390,83, e a consequente apuração de IRPJ a pagar no valor de R$2.771,04. Esta mesma alteração foi feita na Base de Cálculo da CSLL, gerando CSLL a pagar no valor de R$1.662,62. Portanto, depreendese que, referente à parte impugnada da infração omissão de receita, devem ser mantidos apenas os montantes mencionados acima, resultando a situação a seguir, para o IRPJ: 1) No 1° trimestre de 2005, o lançamento efetuado não pode prosperar, devendo ser restabelecido o prejuízo fiscal apurado no Lalur, no valor de R$47.619,20; 2) No 2° Trimestre de 2005 não há IRPJ a ser lançado de ofício, cabendo tãosomente a redução do Prejuízo Fiscal apurado no Lalur, de R$28.198,16 para R$23.423,74; Fl. 903DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 80 14 3) No 3° Trimestre de 2005 também não deve prosperar o lançamento efetuado, cabendo apenas a redução do prejuízo fiscal apurado no Lalur, de R$27.055,00 para R$2.400,00, observandose que uma parcela da redução que está sendo procedida é reconhecida pela Impugnante; DEMONSTRATIVO 4° TRIMESTRE DE 2005 Compensação de Prejuízos do 1°, 2° e 3° Trimestres R$73.442,94 Lucro Real Ajustado após Compensação de Prejuízos Fiscais Per. Anteriores R$657.22G,66 IR alíquota 15% R$98.583,G9 Adicional do IR BC (657.220,6660.000,00) x10% R$59.722,G6 Total IRPJ Apurado R$158.3G5,15 Parte Reconhecida R$2.771,G4 Parte Impugnada Mantida R$155.534,11 Reiterese que as alterações reconhecidas pela Contribuinte, efetuadas no valor do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da CSLL, referentes ao 3° trimestre de 2005, reduzindoos para R$26.390,83, assim como, aquelas procedidas no resultado do 4° trimestre de 2005, que importaram em IRPJ e CSLL a pagar, nos montantes de R$2.771,04 e R$1.662,62, respectivamente, constituem matérias não impugnadas. Quanto à parte impugnada do Auto de Infração da CSLL e às parcelas dos Autos de Infração relativos ao PIS e Cofins, decorrentes da omissão de receitas detectada na apuração do IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que foi decidido para o Auto de Infração principal, no que couber, uma vez que tais exigências tiveram o mesmo suporte fático. Dessa forma, é a seguinte a situação da CSLL; 1) No 1° trimestre de 2005, o lançamento efetuado não pode prosperar, devendo ser restabelecida a Base de Cálculo Negativa, no valor de R$47.619,20; 2) No 2° Trimestre de 2005 não há CSLL a ser lançada de ofício, cabendo tãosomente a redução da Base de Cálculo Negativa, de R$28.198,16 para R$23.423,74; 3) No 3° Trimestre de 2005 também não deve prosperar o lançamento de CSLL efetuado, cabendo apenas a redução da Base de Cálculo Negativa, de R$27.055,00 para R$2.400,00. Observandose que uma parcela da redução que está sendo procedida é reconhecida pela Impugnante; DEMONSTRATIVO 4° TRIMESTRE DE 2005 BC Negativa antes Compensação de BC Negativas de períodos anteriores R$730.663,60 Limite para Compensação de BC Negativas 30% R$219.199,08 Compensação de BC Negativas do 1°, 2° e 3° Trimestres R$73.442,94 Fl. 904DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 81 15 BC Ajustada após Compensação de BC Negativas Per. Anteriores R$657.220,66 CSLL alíquota 9% R$59.149,85 Parte Reconhecida R$1.662,62 Parte Impugnada Mantida R$57.487,23 Revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido. O fundamento maior do cancelamento está no fato de que a grande maioria das diferenças apontadas pela fiscalização como receitas omitidas correspondem aos valores das operações de saídas que não representam vendas, conforme os seus respectivos códigos fiscais de operações e de prestação CFOP. Multa de Ofício Qualificada A DRJ nesse contexto também desqualificou a multa de ofício, uma vez que ficou descaracterizada a situação fática que a motivou, ou seja, a prática reiterada de omissão de receita. De fato também concordo com essa desqualificação, mesmo porque a mera omissão de receita desacompanhada da prova do dolo não é suficiente para manter a qualificação da multa. Assim, adoto as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando provimento ao recurso de ofício nesta parte 2 AUTOS DE INFRAÇÃO de PIS e COFINS Aproveitamento de Créditos RECURSO DE OFÍCIO Tratemos agora do crédito tributário de PIS e COFINS não cumulativos onde no regime da nãocumulatividade, segundo a DRJ, não foram deduzidos os valores retidos na fonte e descontados os créditos informados nas DACON. Eis agora as razões de decidir da DRJ para cancelar parte dos autos de infração de PIS e Cofins: Quanto ao PIS e à Cofins, em relação à infração em exame omissão de receita devem ser submetidas à tributação apenas as quantias relacionadas a seguir, uma vez que as demais receitas omitidas, mantidas neste voto, nos meses de outubro e novembro, são provenientes de receitas não operacionais venda de bem do ativo imobilizado: R$4.774,42, no mês de abril de 2005; R$15,00 no mês de julho de 2005; R$24.640,00 no mês de setembro de 2005; R$12.484,77 no mês de outubro de 2005; Fl. 905DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 82 16 R$30.134,86, no mês de dezembro de 2005 Cumpre observar que nas Dacon (fls. 239/246) houve apuração de créditos compensáveis nos meses de 2005, não questionados pela Fiscalização e que, portanto, deveriam ter sido levados em consideração nos períodos em que foi apurada a infração de omissão de receita. Isso é o que esclarece a Solução de Consulta Interna Cosit n° 24, de 28 de agosto de 2007, a qual somos obrigados a observar, por força do art. 7° da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006. Vejase o que dispõe sua ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins A autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não cumulatividade da Cofins sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição, exceto quando tais créditos estiverem vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de verificação, hipótese em que a autoridade fiscal que constatar infração à legislação das aludidas contribuições não deve aproveitálos de ofício. O aproveitamento de ofício de que trata o parágrafo anterior deve ser efetivado independentemente de o crédito ter sido originado no próprio período em que ficar evidenciada infração à legislação, ou em período anterior. Contribuição para o PIS/Pasep A autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição, exceto quando tais créditos estiverem vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de verificação, hipótese em que a autoridade fiscal que constatar infração à legislação das aludidas contribuições não deve aproveitálos de ofício. O aproveitamento de ofício de que trata o parágrafo anterior deve ser efetivado independentemente de o crédito ter sido originado no próprio período em que ficar evidenciada infração à legislação, ou em período anterior. Consultando os sistemas informatizados da Receita Federal, verificase que não existem PERDCOMPs em nome da Interessada. Desse modo, neste voto, serão considerados os créditos demonstrados na DACON, os quais já constam do demonstrativo que a Fiscalização elaborou para fins da apuração do PIS e Cofins incidentes sobre a receita que se encontrava escriturada, conforme Demonstrativo de Cálculo adiante. Tenho para mim que tal cancelamento, por precaução, deve sempre ser acompanhado de uma maior investigação sobre a liquidez e certeza de referidos créditos. Esse, inclusive, vem sendo o entendimento reiterado desta Turma. Para justificar meu entendimento, transcrevo alguns trechos da declaração de voto, formulada pelo ilustre Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro:em outra assentada, mas que mutatis mutandis se aplica aqui também a este caso concreto: Fl. 906DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 83 17 [...] é natural que este "aproveitamento" apenas possa ser realizado quando tais créditos sejam líquidos e certos. Não basta ao contribuinte apresentar os respectivos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, ou mesmo informar os créditos em DIPJ, para que a Receita Federal obrigue se a aproveitálos, sempre supondo dispositivo legal para tanto, que, é importante frisar, não há. A análise da existência das operações que autorizam o creditamento (certeza), das quais decorrem o direito pleiteado pela defesa, bem como dos respectivos valores (liquidez), mostrase indispensável ao "aproveitamento" de oficio a que alude a SCI COS1T n° 24/07. Antes de deferilo a unidade de julgamento (DRJ) não pode prescindir de tal verificação, que deve ser inequívoca. O caput do art.170 do Código Tributário Nacional é taxativo ao estabelecer que a compensação apenas deve ocorrer com créditos líquidos e certos. Vejamos: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos liquidas e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública" Veja que o próprio legislador cuidou de apenas deferir um crédito pleiteado quando presentes determinados requisitos. Ainda que em tese reconheçase o direito, enquanto não for comprovada a certeza e liquidez os créditos não podem ser deferidos. Este é um norte a ser seguido mesmo em casos submetidos ao crivo do poder Judiciário, nos termos do art170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104/01, e Enunciado n° 212 da súmula de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcritos: Art. .170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito emjulgado da respectiva decisão judicial. Enunciado n° 212: "A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatária. Pareceme ser essencial, para que possam ser aproveitados de ofício, uma análise prévia sobre a liquidez e certeza dos créditos de PIS e COFINS. Não se nega vigência à SCI n° 24/07, mas, ao contrário, procurase prestigiála em todos os seus termos, principalmente o seu item 12: 12. De qualquer forma, sempre que se proceder ao aproveitamento de oficio dos créditos apurados pelo contribuinte, na forma dessa Solução de Consulta Interna, é de fundamental importância a verificação da liquidez e certeza desses mesmos créditos ". (destaquei) Posta a interpretação que entendo ser condizente com a legalidade e com o resguardo do interesse público, vamos ao caso concreto. No Termo de Verificação Fiscal, não há qualquer menção da autoridade fiscal sobre o fato de ter ou não procedido à verificação de tais créditos, mas apenas uma afirmação sobre o confronto entre as receitas declaradas e as escrituradas, além da constatação de que nos respectivos anoscalendário não houve contribuições a pagar. Vejamos: Fl. 907DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 84 18 "(.) Em atendimento as determinações comidas na citada portaria, foram verificado os livros contábeis em confrontos com DCTF e DACON nos anos calendários de 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e de 111 janeiro a junho de 2008, os valores relativos ao PIS, COFIES, CSLL, 11212F e IRPJ. Na análise dos DACON'S, livro de apuração das contribuições para o PIS e para a COFINS não cumulativo, confrontamos as receitas informadas com as receitas constantes nos livros contábeis e DCTF'S estando as receitas declaradas corretamente nos anos calendários verificados. Ficou constatado também que na apuração das contribuições para o PIS e para a COFINS, conforme DACON, nos anos calendários constante das verificações obrigatórias, não houve contribuições a pagar. Foi realizado confronto dos valores escriturados na DACON e no DCTF em confronto com os valores declarados na DIPJ, para a verificação da correta base de cálculo das contribuições para o PIS e 41 COFIES" (sic)fls. 502/503) De tal relato, não vislumbro que a agente fiscal tenha concluído pela procedência dos créditos e que, inadvertidamente, deixara de considerálos na apuração, talvez até por um hipotético desconhecimento da SCI n° 24/07. Se não foram aproveitados de ofício, é até intuitivo pensar o contrário. Ao sujeito passivo, então, caberia carrear aos autos as respectivas provas que lhe fossem favoráveis, consoante dispõem os artigos 15 e 16 do Decreto n°70.235/72. Contudo, em razão de a redação de que se valeu a autoridade responsável pela autuação não permitir identificar com exatidão se houve realmente a análise de tais créditos, entendo que uma diligência com vistas ao esclarecimento de tal ponto mostrarseia necessária à luz das normas já mencionadas. A fiscalização poderia remover a dúvida sobre a certeza e liquidez dos créditos declarados; a impugnante não sofreria qualquer prejuízo, pois suas alegações não seriam logo afastadas em razão da falta de provas na impugnação, além de ter uma oportunidade para se contrapor às novas conclusões advindas da diligência, ou mesmo participar ativamente desta em auxílio à fiscalização, se fosse o caso; e, finalmente, o julgamento seria realizado após um pronunciamento explícito, direto, manifesto, sobre a presença dos necessários requisitos, como exige o item 12 da SCI n° 24/07. A diligência também seria proveitosa para que a DRFRecife (PE), por ser a unidade competente para análise e controle, atestar se tais créditos estão vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de verificação, o que impediria o aproveitamento de oficio, como preceitua tal ato normativo. Enfim, as considerações acima levamme a não concordar com o aproveitamento de ofício dos créditos de PIS e COFINS, sem que estejam postas claramente a certeza e liquidez dos mesmos. Nesse contexto, a Turma votou pela realização de diligência para que a autoridade competente da unidade de origem analisasse a liquidez e certeza dos créditos de PIS e COFINS, declarados pela contribuinte e considerados pela DRJ, em conformidade com o disposto no item 12 da SCI n° 24/07. A diligência foi realizada, o contribuinte foi intimado e reintimado a demonstrar a liquidez e certeza dos referidos créditos, mas sem atender aos termos da diligência. Eis os termos do resultado de diligência e NÃO CONTESTADO pela Recorrente: Fl. 908DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 85 19 2.3.1 Recurso de ofício 14 Conforme citado no tópico 2.2, o Contribuinte foi intimado e reintimado para apresentar documentos que possibilitassem às Autoridades Lançadoras se certificar da liquidez e da certeza dos créditos de PIS e COFINS. Nas páginas 13 e 14 da correspondência endereçada às Autoridades Lançadoras e recepcionada pelo SEFIS/DRF/SDR em 24/03/2.014, consta um Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo e do PIS e da Cofins, respectivamente, onde são apresentados valores mensais de PIS e Cofins retidos na fonte e créditos apurados. 15 Todavia, não foram apresentados documentos hábeis e idôneos (a despeito das intimações e reintimações, repitase) que permitissem verificar a liquidez e certeza dos créditos indicados nas linhas 11 e 25 da Ficha 11B e nas linhas 11 e 24 da Ficha 17B do DACON, limitandose, o Contribuinte, a apresentar os referidos demonstrativos, além do demonstrativo de apuração do D?I e cópia do respectivo livro de Apuração, cópia do Livro de Saída 011, cópia do LALUR, cópia de parte do Razão Analítico e as notas fiscais de saída 4.187,4.240, 4.389 e 4.472 (...) 3 Conclusão 19 Diante de tudo que foi exposto, concluise que não foi possível se certificar: 1) da liquidez e da certeza dos valores de PIS e Cofins aproveitados pela DRJ em função do Contribuinte não ter apresentado documentação hábil e idônea, mesmo tendo sido intimado e reintimado várias vezes; (...) Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer os créditos aproveitados pela DRJ onde não foram comprovadas sua liquidez e certeza pela diligência. 2Falta de dedução do IRRF retido sobre PIS e COFINS Recurso de ofício Eis abaixo as razões de decidir da DRJ para cancelar, dessa feita, parte ainda dos autos de infração de PIS e Cofins e que são calcadas fundamentalmente no reconhecimento de pequenos erros materiais e distorções, falta de dedução de valores retidos na fonte, bem assim retificação de erros materiais no aproveitamento de créditos feito pelo fiscal, e por não ter nada a reparar, adoto as mesmas razões de decidir : Falta de recolhimento do PIS e Cofins declarados intempestivamente em DCTF durante procedimento de fiscalização A seguir, serão examinadas as questões suscitadas quanto às parcelas dos lançamentos do PIS e da Cofins apuradas com base nas receitas escrituradas no Livro Razão e não confessadas espontaneamente. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 86 20 Conforme o relatório fiscal e o demonstrativo elaborado pelos Autuantes, para a obtenção da parcela dos lançamentos de PIS e Cofins, em análise, sobre as receitas mensais extraídas do Livro Razão, foram aplicadas as alíquotas previstas para estas contribuições, no regime da nãocumulatividade, e feitos os descontos dos créditos pertinentes a este regime de apuração, obtidos nas Fichas nas Fichas 11B e 17B da DACON, respectivamente. A Contribuinte, por sua vez, alega ter havido equívoco na elaboração do demonstrativo fiscal, no que tange à demonstração do faturamento, como também refuta o procedimento fiscal por não terem sido consideradas as deduções consignadas nas DACON, relativas aos valores de PIS e de Cofins retidos na fonte. Argui ainda que houve repetição dos valores dos créditos do PIS dos meses de julho a dezembro na demonstração da Cofins. Assiste razão à Impugnante, quanto às suas alegações, razão pela qual os lançamentos de PIS e Cofins devem ser reformados, a fim de serem: 1) corrigidas pequenas distorções verificadas nos valores do faturamento extraído das contas 3.01.01.00.1 e 3.1.01.02.00.1 do Livro Razão; 2) retificados os valores dos créditos de Cofins apurados nos meses de julho a dezembro de 2005, no Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da Cofins a Lançar, elaborado pelos Autuantes, tendo em vista que, ao invés dos créditos de Cofins apurados nos referidos meses, constantes da DACON, equivocadamente, foram consignados os valores referentes aos créditos de PIS apurados naqueles meses, constantes da mesma DACON; 3) restabelecidas as deduções do PIS e Cofins retidas na fonte pela fonte pagadora Petrobrás, sob o código de retenção 6147 ProdutosRetenção em Pagamento por Órgãos Públicos (extrato de consulta anexado à fl. 666), em cumprimento ao disposto no art. 64 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro 1996, combinado com o art. 34 da Lei n° 10.833, de 27 de dezembro de 2003, pleiteadas pela Impugnante, conforme informações contidas na DACON. A seguir, a transcrição dos dispositivos legais mencionados acima: Lei n° 9.430/1996 Art.64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade socialCOFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. §1° A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. §2° O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. §3° O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. §4° O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. §5° O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo Fl. 910DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 87 21 percentual de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. §6° O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. §7° O valor da contribuição para a seguridade socialCOFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. §8° O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Lei n° 10.833/2003 Art. 34. Ficam obrigadas a efetuar as retenções na fonte do imposto de renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, a que se refere o art. 64 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, as seguintes entidades da administração pública federal: I empresas públicas; II sociedades de economia mista; e III demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto, e que dela recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal SIAFI. Outrossim, com a descaracterização de boa parte da omissão de receita perde o fundamento também a qualificação da multa, uma vez que a prática reiterada não mais se observa. Por todo o exposto, DOU provimento ao PARCIAL RECURSO DE OFÍCIO, nos termos acima referidos. RECURSO VOLUNTÁRIO Preliminar de nulidade A Recorrente alega que fora extrapolado o prazo de 120 dias para a conclusão dos trabalhos, sem que o MPF fosse prorrogado e o contribuinte tivesse ciência formal de todas as suas prorrogações. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através das substanciais peças impugnatórias e recursais acostados aos autos, como efetivamente o fez. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 88 22 Outrossim, foram observados todos os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 Em relação à possível mácula nas prorrogações dos MPFs, cabe salientar que o MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída ao auditor fiscal e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento. Neste sentido direcionase o Conselho de Contribuintes, conforme ementas a seguir transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão nº 20308483 de 16/10/2002) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (...) (Acórdão 10707268 de 13/08/2003) NORMAS PROCESSUAIS MPFMANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO RECURSO EX OFFICIO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos do Decretolei nº 2.354/54, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. Recurso de ofício a que se dá provimento. (Acórdão 10706952 de 29/01/2003) Por conseguinte, eventual inobservância da norma infralegal em nada macularia o feito, razão pela qual não merece prosperar, de plano, a alegação da Recorrente. De qualquer forma, no caso concreto sequer se configura a impropriedade alegada, conforme bem se posicionou a decisão de piso: De acordo com o MPF n° 05.1.01.002008009622 e Demonstrativo de Prorrogações, acostados às fls. 345 e 356, pela própria Impugnante, extraídos por consulta na Internet com base no código de acesso indicado no Termo de Início de Ação Fiscal, sua emissão data de 25 de junho de 2008, tendo ocorrido prorrogações sucessivas devidamente registradas, a última até 15 de fevereiro de 2010. Assim, diferentemente da alegação da Contribuinte, verificase o cumprimento estrito dos prazos legais de validade do MPF, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 23 de dezembro de 2009. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 89 23 Reiterese, por importante, é claro que a recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, na medida em que foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal, das medidas adotadas pela fiscalização. Também em nenhum momento de sua defesa, em apego a um formalismo excessivamente exacerbado demonstra o efeito prejuízo que teve no seu direito de defesa. Há que se ter em conta sempre que o ato processual apesar de ter forma e prazos previstos em lei, devendo ser aplicados, entretanto o principio da instrumentalidade das formas, o qual preza pelo efeito do ato em detrimento do apego ao formalismo exacerbado, torna o ato válido e eficaz de pleno direito. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Ora, bem se viu que tais alegações de nulidades são meramente protelatórias e apelativas, tentando descaracterizar a atuação com situações inexistentes. Por fim, reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que rejeitaram as preliminares de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adoto as também como razões complementares deste voto como se aqui estivessem todas reproduzidos. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. Como já se colocou no Recurso de Ofício o autos de infração versam sobre as matérias abaixo e que as duas primeiras foram parcialmente canceladas: 1) Omissão de receitas (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) a partir do confronto entre Livros fiscais e contábeis; 2) Lançamentos do PIS e Cofins, efetuados com base nas receitas escrituradas no Livro Razão, e considerando os créditos informados nas DACON; 3) Multas isoladas por atraso na entrega das DCTF e DIPJ, relativas aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2005. O contribuinte recorre apenas parcialmente. Questiona apenas parte da Omissão de Receita propugnada no item 1 acima, bem assim questiona a Multa isolada por atraso na entrega da DCTF. As demais matérias não foram questionadas ou estão preclusas desde a fase impugnatória. Considerando recurso parcial apresentado em 13/03/2012, consta Termo de Transferência de débitos às fls. 733/734 dando conta de que foi formalizado o processo nº 10580.722891/201271, para onde foram transferidos os créditos tributários não recorridos. O extrato analítico dessa diferença consta às fls. 735/739. Eis os termos de seu Recurso: reconhece apenas o valor original de R$ 5.968,32, como devido de MULTA sobre o atraso das DCTF do 1° e 2º semestres de 2005. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 90 24 Também o contribuinte recorre PARCIALMENTE da decisão contida no Acórdão 1526.750, em relação a CSLL e IRPJ relativos ao 4o. TRIMESTRE de 2005, conforme abaixo: DEMONSTRATIVO 4° TRIMESTRE DE 2005 Omissão de Receita Mantida R$734.407,63 Prejuízo Fiscal apurado no Lalur R$3.744,03 Lucro Real Antes da Compensação de Prejuízos de períodos anteriores R$730.663,60 Limite para Compensação de Prejuízos Fiscais 30% R$219.199,08 Compensação de Prejuízos do 1°, 2° e 3° Trimestres R$73.442,94 Lucro Real Ajustado após Compensação de Prejuízos Fiscais Per. Anteriores R$657.22G,66 IR alíquota 15% R$98.583,09 Adicional do IR BC (657.220,6660.000,00) x10% R$59.722,06 Total IRPJ Apurado R$158.305,15 Parte Reconhecida R$2.771,04 Parte Impugnada Mantida R$155.534,11 Alega que a omissão considerada pela DRJ no valor de R$ 734.407,63, referemse à venda do Ativo Imobilizado no valor de RS 681.788,00 mais o valor de RS 30.134„86, referente a ajustes fiscais, considerados pela contabilidade do contribuinte. a venda do Ativo Imobilizado apresentou uma perda de RS 285.666,73, conforme registro no Livro Diário de no. 11 à folha de no. 735 (anexa) e memória de cálculo abaixo demonstrada: Venda do Ativo Imobilizado em 112005 RS 681.788,00 Valor residual do bem vendido em 112005 RS 967.454,73 Perda na Venda do bem do Ativo Imobilizado R$ 285.666,73 registrado á folha 735 no Livro diário no. 11. Em relação ao limite de compensação de Prejuízos Fiscais, os Doutos Julgadores deixaram de considerar dentro do limite de 30% sobre o Lucro Real, os PREJUÍZOS ACUMULADOS DOS EXERCÍCIOS ANTERIORES A 2005, no valor de R$ 1.479.782,00, conforme folhas de nos. 35 e 36 da DIRPJ2006. A DRJ, assim manteve o 4o Trimestre de 2005: (...) 5) no mês de novembro de 2005, não foram contabilizadas nas contas do Livro Razão, objetos do confronto, as notas fiscais n° 4654; 4655 e 4656, no valor de R$97.666,00, cada uma, de 1°/11/2005, assim como, a nota fiscal n° 4664, no valor de R$101.640,00, de 10/11/2005, e a nota fiscal n° 4666, no valor de R$384.816,80, também de 10/11/2005, totalizando R$681.788,00, todas elas registradas no Livro de Saídas com o CFOP 551. Cumpre salientar que a contabilização referente à venda de bem do Ativo Imobilizado não deveria ser feita nas contas de Razão objeto do confronto, por se tratar de uma receita não operacional. Todavia, examinandose as linhas 42 e 43 da Ficha 06A da DIPJ/2006, percebese que não foi informado qualquer valor que indique o oferecimento à tributação de Receita de Alienação de Bens/Direitos do Ativo Permanente, razão pela qual foi mantida a omissão de receita, nos valores das vendas de bem do ativo permanente constantes do Livro Registro de Saídas. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 91 25 Como se vê o motivo pelo qual a DRJ manteve essa parte do lançamento foi o fato de o contribuinte não ter oferecido à tributação a receita de Alienação de Bens/Direitos do Ativo Permanente nas linhas 42 e 43 da Ficha 06 A da DIPJ/2006. Porém, em fase recursal a Recorrente alega fato extintivo do seu direito. Aponta que a venda do Ativo Imobilizado apresentou uma perda de RS 285.666,73, conforme registro no Livro Diário de no. 11 à folha de no. 735, que traz em anexo e memória de cálculo abaixo: Venda do Ativo Imobilizado em 112005 RS 681.788,00 Valor residual do bem vendido em 112005 RS 967.454,73 Perda na Venda do bem do Ativo Imobilizado R$ 285.666,73 registrado á folha 735 no Livro diário no. 11. Apesar de a contabilidade fazer prova a seu favor, deve ser acompanhada de documentos hábeis e idôneos a comprovála. Nesse sentido, e por precaução, a diligência foi também aproveitada para que o fiscal autuante aprofundasse às investigações colhendo dados adicionais que ratificassem ou não a manutenção do lançamento. Eis os termos do retorno de diligência: 16 De igual forma, consoante citado no tópico 2.2, o Contribuinte foi intimado e reintimado para apresentar as notas fiscais de saída n° 4654, 4655,4656,4664 e 4666 a fim de permitir às Autoridades Lançadoras se certificarem de que as citadas notas se referem à venda °, Ativo Imobilizado conforme argumentado pelo Contribuinte, e também para pre. ntítr documentos que possibilitassem testar a apuração do ganho ou perda de capital na baixa dos respectivos bens. 17 Porém, a citada documentação não foi apresentada, sendo que o Contribuinte informou na correspondência endereçada às Autoridades Lançadoras e recepcionada pelo SEFIS/DRF/SDR em 24/03/2.014, que: "Esclarecendo que não foi possível a apresentação das Notas Fiscais de entrada referentes aos itens objeto das Notas Fiscais de saída de números 4654; 4655; 4656; 4664; 4666, pois tratase de produtos acabados industrializados os quais seus insumos poderiam ser utilizados em outras fabricações ou seja se a empresa adquiriria um saco com 500 parafusos na fabricação de uma Arvore de Natal (válvula) esta poderia utilizar apenas 20". . Portanto, as citadas notas fiscais se referem à venda de produtos e não à venda de Ativo Imobilizado, contradizendo o alegado na impugnação feita pelo sujeito passivo nas fls. 287 do processo. 18 Destaquese na manifestação da DRJ consignada na página 756 do eprocesso 10580.728962/200943 a informação das supra citadas notas fiscais estarem "registradas no Livro de Saídas com o CFOP 551", sendo que tal CFOP é representativo de saída de imobilizado dentro do próprio estado. Todavia, conforme dito nos parágrafos 16 e 17, tais notas lastreiam a saída de Fl. 915DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 92 26 produtos acabados industrializados e como tal devem compor a base de cálculo do PIS e Cofins, além daquelas do IRPJ e CSLL Como se vê, a Recorrente não logrou êxito em provar o alegado, assim, nego provimento ao recurso neste item, mantendo a decisão da DRJ em todos os seus termos. Tabela 2 Demonstrativo dos Lançamentos de Multas Isoladas após Julgamento ESPÉCIE Data de Referência Valor Lançado Valor Mantido pela DRJ Valor contestado Multa DIPJ 01/07/2006 500 500 NÃO Multa DCTF 08/10/2005 53774,47 53.774,47 SIM Multa DCTF 08/04/2006 131866,83 131.866,83 SIM Como foi relatado, o autuante não emprestou efeito de confissão de dívida às DCTF apresentadas extemporaneamente e os débitos nelas declarados somente foram utilizados como base de cálculo da MAED (Multa por Atraso na entrega da declaração), e os débitos nas aludidas DCTF não serão objeto de cobrança, pois se constituíram em parte integrante dos correspondentes Autos de Infração. Nesse contexto e conforme visto na tabela acima, o demonstrativo das MULTAS referentes ao DCTF do 1º. e 2º. SEMESTRES DE 2005, elaborado pela DRJ NÃO levou em conta o resultado do Julgamento feito pelos mesmos(e ora parcialmente retificados), quando reconheceram que parte dos valores do PIS e Cofins cobrados no Auto de Infração e que deveriam ter constado das DCTFs não eram devidos. Vejase abaixo a fórmula de cálculo dessas multas, conforme Tabela elaborado pelo Fiscal no TVF: Tabela 3 Período Tributo em R$ Valor da multa de IPI PIS CoFins Total em R$ apuração (A) (A) (A) (A) (B) = 20%X (A) DCTF N° 1000.000.2009.2090223897 jan/05 56.572,42 8.556,57 39.307,35 104.436,34 20.887,27 fev/05 7.808,54 0,00 0,00 7.808,54 1.561,71 mar/05 30.699,04 0,00 0,00 30.699,04 6.139,81 abr/05 12.001,34 0,00 0,00 12.001,34 2.400,27 mai/05 16.514,78 0.0D 0,00 16.514,78 3.302,96 0,00 0,00 97.412,31 19.482,46 Total jun/05 97.412,31 53.774,47 DCTF N° 1000.000.2009.2070240426 jul/05 15.279,48 0,00 0,00 15.279,48 3.055,90 Fl. 916DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10580.728962/200943 Acórdão n.º 1401001.609 S1C4T1 Fl. 93 27 ago/05 37.800,40 0,00 0,00 37.800,40 7.560,08 set/05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 out/05 45.781,32 14.770,58 66.669,79 127.221,69 25.444,34 nov/05 99.430,50 34.365,01 158.287,33 292.082,84 58.416,57 81.284,34 18.854,58 86.810,84 186.949,76 37.389,95 Total dez/05 131.866,83 Se os tributos apontados nas DCTF, que se constituíram na base para o cálculo das respectivas multas isoladas, não são devidos nas grandezas aí estabelecidas, então, as multas cobradas devem ser calculadas considerandose os valores efetivamente devidos de IPI, PIS e COFINS, por ocasião do trânsito em julgado deste processo, bem assim do processo no qual o débito de IPI foi transferido. Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL ao RECURSO DE OFÍCIO para restabelecer os créditos aproveitados pela DRJ e não comprovados sua liquidez e certeza pela diligência e, quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO e REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL apenas para recompor a base de cálculo das multas isoladas por atraso na entrega da DCTF tal qual exposto neste voto. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 917DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 12448.724933/2014-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
COMPENSAÇÃO DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL.
Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, sem a ocorrência do trânsito em julgado.
MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. NÃO HÁ LANÇAMENTO FISCAL.
Não houve lançamento fiscal referente à situação de moléstia grave, pois os valores apurados decorrem exclusivamente da glosa de compensação indevida de IRRF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DEPÓSITO JUDICIAL. Não é possível a compensação de valores que se encontrem “sub judice” e com exigibilidade suspensa, sem a ocorrência do trânsito em julgado. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. NÃO HÁ LANÇAMENTO FISCAL. Não houve lançamento fiscal referente à situação de moléstia grave, pois os valores apurados decorrem exclusivamente da glosa de compensação indevida de IRRF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 49 33 /2 01 4- 20 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 07/09, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2013, anocalendário de 2012, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da compensação indevida de IRRF no valor de R$67.738,21. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apontados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/06/2015 (fls. 39), o interessado interpôs, em 16/07/2015, o recurso de fls. 42/45. Nas razões recursais aduz que: 1. é aposentado pelo BNDES (FAPES) e INSS e que em função de lhe ter sido diagnosticada doença oftalmológica grave é portador de moléstia grave, sendo seus proventos isentos da tributação do imposto de renda; 2. quanto aos depósitos de IRRF realizados na Caixa Econômica Federal (CEF) por decisão judicial resultante do Processo Cautelar n° 200151010111763 8a Vara Federal Cível do Rio de Janeiro, o Recorrente, na qualidade de Aderente à Ação, requereu em 27 de maio de 2014 ao Juízo da referida Vara Federal a transformação em renda da União de todos os depósitos judiciais realizados em seu nome (CEF Agência n° 0625). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 12448.724933/201420 Acórdão n.º 2402005.083 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA COMPENSAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL O Recorrente na peça de recursal informa que existe ação judicial envolvendo o imposto de renda retido na fonte (Processo Cautelar n° 200151010111763 8a Vara Federal Cível do Rio de Janeiro). Nessa mesma peça recursal informa também que: “II.3 Tendo em vista Certidão recente (passada em 10/03/2015, e que constitui o Anexo "09" deste Recurso) obtida junto ao Juízo da 8a Vara Federal/RJ, constatase que tal requerimento encontrase atualmente, após transitado em julgado, em fase de execução, como registra o Despacho de fls. 503/504, alíneas (d) e (e) do Processo. Constatase pois que muito em breve os depósitos de IRRF feitos em nome do Recorrente, estarão transformados em renda da União, ficando atendida a Preliminar II. 1 acima”. Extraíse do documento de fl. 17 (Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte) que os valores de R$299.688,03, com R$67.738,21 de IRRF, foram depositados judicialmente em razão do processo nº 2000151010111763 (8ª Vara Federal do Rio de Janeiro), sendo que esses valores encontramse “sub judice” e inexiste qualquer prova judicial de que tais valores tenham sido convertidos em renda. Percebese, então, que ainda os valores não foram convertidos em renda, pois não houve o trânsito em julgado da decisão, sendo que somente após a ação judicial transitar em julgado (Processo Cautelar n° 200151010111763) é que se saberá se tais rendimentos serão tributáveis ou não. Como o Recorrente informou o IRRF, anocalendário 2012, dos prováveis rendimentos do Processo Cautelar n° 200151010111763, a glosa de compensação indevida de IRRF no valor de R$67.738,21 deverá ser mantida. DA MOLÉSTIA GRAVE Cumpre esclarecer que não houve lançamento fiscal referente à situação de moléstia grave, pois os valores apurados decorrem exclusivamente da glosa de compensação indevida de IRRF. Logo, essas alegações do Recorrente de que é portador de moléstia grave são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer reforma da decisão de primeira instância, e, com isso, é forçoso afirmar que não há como acatar a pretensão do Recorrente, devendo ser mantida a infração apontada pelo Fisco. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11610.002968/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. CIÊNCIA DE SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Mora do Fisco em decidir a respeito de consulta de contribuinte, encaminhada em 05/11/2003 e respondida apenas em 19/12/2006, relacionada com a liquidez e certeza do crédito tributário, tem o condão de deslocar o termo inicial de contagem para pleitear a repetição de indébito para a data em que se tornar definitiva a decisão administrativa que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, nos termos do inciso II do art. 168 c/c o art. 165, inciso III do CTN. Trata-se de caso no qual se admite aplicar a analogia, prevista no art. 108 do código. Assim, a situação jurídica que consolidou o pagamento indevido e deu origem ao crédito pleiteado consumou-se apenas no momento em que a recorrente tomou ciência da consulta que efetuou à Receita Federal, sendo tal data o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para afastar a prejudicial de decadência do direito à repetição do indébito e determinar o retorno à unidade de origem para exame do mérito.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Decadência. Recorrente BANDEIRANTE ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. CIÊNCIA DE SOLUÇÃO DE CONSULTA. Mora do Fisco em decidir a respeito de consulta de contribuinte, encaminhada em 05/11/2003 e respondida apenas em 19/12/2006, relacionada com a liquidez e certeza do crédito tributário, tem o condão de deslocar o termo inicial de contagem para pleitear a repetição de indébito para a data em que se tornar definitiva a decisão administrativa que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, nos termos do inciso II do art. 168 c/c o art. 165, inciso III do CTN. Tratase de caso no qual se admite aplicar a analogia, prevista no art. 108 do código. Assim, a situação jurídica que consolidou o pagamento indevido e deu origem ao crédito pleiteado consumouse apenas no momento em que a recorrente tomou ciência da consulta que efetuou à Receita Federal, sendo tal data o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para afastar a prejudicial de decadência do direito à repetição do indébito e determinar o retorno à unidade de origem para exame do mérito. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 68 /2 00 7- 93 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 694 2 Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BANDEIRANTE ENERGIA S/A contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade acerca de pedido de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido do IRPJ. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Em 05/04/2007, a contribuinte apresentou o formulário de Declaração de Compensação de fl.27, objetivando o aproveitamento de pagamento a maior/indevido de IRPJ (código de receita 0220), referente ao recolhimento efetuado em 31/01/2002 (fl.28), para a compensação de débitos. Em 30/04/2007, a Diort/Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 32/33), o qual considerou a compensação como não declarada. A contribuinte apresentou DCOMP de n° 05873.79833.220906.l.7.048814 com status de retificadora quando, na verdade, tratavase de declaração original. O formulário em papel de fl.27 visava substituir a DCOMP n° 05873.79833.220906.1.7.048814. A interessada apresentou recurso de fls.54/60 em 20/07/2007, o qual foi apreciado pela Superintendência da RFB em 18/09/2009, cuja decisão foi pelo retorno dos autos para a unidade de origem para nova análise (fls.112/115). Segundo o Despacho n° 256, a declaração de fl.27 não poderia ser considerada como original e o recurso hierárquico somente seria cabível quando a declaração original é considerada como não declarada. A declaração retificadora deve ser analisada e, conforme o caso, ser deferida ou indeferida. Os autos retornaram à unidade de origem e, mediante novo Despacho Decisório de fls.185/187, decidiuse pela não admissão da DCOMP de fls.27/28, por motivo de inclusão de novos débitos, por força do art.59 da IN SRF n° 600/2005 e art.79 da IN RFB n° 900/2008. Novamente em 03/02/2011, em decorrência de concessão de tutela antecipada datada de 15/12/2010, a unidade de origem proferiu novo Despacho Decisório para a análise do mérito da DCOMP apresentada de fls.27/28 (fls.279/286). Fl. 694DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 695 3 O INDEFERIMENTO DO PEDIDO deuse, desta vez, pelos seguintes motivos: . Em decorrência da apresentação do PerDcomp cancelador nº 28474.77665.030407.1.8.048640, o PerDcomp em vigor, ou seja, de n° 35785.45586.130204.1.7.044110, foi cancelado. Portanto desde 03/04/2007, data da transmissão do pedido de cancelamento, não há mais pedido de compensação para o crédito; . O novo pedido de compensação de fls.27/28, protocolado em 05/04/2007, bem como o PER/DCOMP 14477.03778.080507.1.3.043877 são intempestivos, pois o recolhimento ocorreu em 31/01/2002 (fl.23), ou seja, passados 5 anos do prazo previsto nos arts.l65 c/c art.168 do CTN; . O prazo fatal para a utilização do direito creditório teria expirado em 31/01/2007. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 17/02/2011 (fl. 288) e dela recorreu a esta DRJ em 21/03/2011 (fls. 289/336). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. . Até antes da edição da LC n° 118/2005, o prazo para a contribuinte utilizar se de crédito do IRPJ é de 10 anos, conforme entendimento do STJ; . A contribuinte não se manteve inerte aos fatos, tanto que apresentou declarações retificadoras, não se podendo falar em decadência, figura esta ligada inércia da interessada; . O indeferimento do pleito da contribuinte, por motivo de decadência, viola os princípios da informalidade, verdade material proporcionalidade e da razoabilidade; . Os débitos de estimativa de IRPJ dos anoscalendário de 2002 e 2003, não poderiam ser constituídos, pois já se encerrou o período base de apuração dos débitos e foram constituídas mediante DCTF retificadoras ou DCOMP. A decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de decadência do direito da interessada. O sujeito passivo apresentou recurso voluntário mediante o qual teceu as seguintes razões (nessa parte, transcrevo, com as devidas adaptações, o minucioso e preciso relatório realizado pelo Conselheiro André Mendes de Moura, nos autos do processo administrativo nº 11610.002977/200784, cujo objeto é similar ao presente e com recurso do mesmo interessado praticamente idêntico). Restará demonstrado nos presentes autos que o entendimento da DRJ/São Paulo I não poderá prevalecer, notadamente por não haver que se falar em decadência do direito à compensação do crédito e, ainda que se pudesse assim entender, o que se admite apenas para argumentar, o débito de estimativa não pode ser atualmente exigido da Recorrente. Sobre a origem do crédito, decorreu do fato de que no exercício de 2001 ofereceu à tributação de IRPJ e CSLL receita estimada de sobretarifa a ser cobrada nas faturas Fl. 695DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 696 4 de consumo de energia (Resolução ANEEL 72/02), procedimento que foi alterado pelo Parecer COSIT 26/2002, que orientou pelo reconhecimento da receita mês a mês, o que provocou a retificação das declarações referentes ao anocalendário de 2001 e seguintes, assim, apurou que os tributos recolhidos no exercício de 2001 seriam indevidos, razão pela qual efetuou compensação do crédito com débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, PIS e COFINS dos exercícios de 2002 a 2004. Não há que se falar em decadência, tendo em vista que a data do recolhimento indevido é de 31/01/2002, e, de acordo com jurisprudência do STJ, STF e do CARF, não se aplica ao presente caso o disposto no art. 4° da LC n° 118/05, no que tange ao prazo para a compensação em tela, porque o recolhimento a maior que gerou o crédito utilizado na compensação em tela foi efetuado antes da entrada em vigor da mencionada Lei Complementar. Assim, o prazo decadencial em questão seria de dez anos, de acordo com a denominada tese “cinco mais cinco”. Ainda que se supere a questão da contagem do prazo decadencial, a contribuinte não se manteve inerte aos fatos, tanto que apresentou declarações retificadoras, não se podendo falar em decadência, figura esta ligada à inércia da interessada. Ademais, cabe mencionar que a demora, por parte da RFB, em apreciar os pedidos de compensação, também concorreu, e muito, para a alegada demora na apresentação da última Declaração de Compensação. A RFB foi morosa não só em emitir os seus despachos decisórios, como também em responder à consulta formulada pela Recorrente acerca da correta maneira de tributar as sobretarifas. Devese registrar que a Recorrente formulou a consulta em 05.11.2003 logo em seguida, portanto, às primeiras manifestações acerca do Parecer COSIT n° 26/02, porém a Solução de Consulta correspondente só lhe foi disponibilizada em 11.01.2007, ou seja, após já passados mais de três anos. A Recorrente manteve, durante todo o decurso dos cinco anos suposto prazo decadencial alegado pelo Despacho Decisório e reverberado pela decisão da DRJ total diligência para o aproveitamento de seu crédito, não logrando cumprir o sol dissant prazo decadencial, em grande parte por morosidade da própria RFB. Ignorar todos esses fatos e se prender a unicamente um evento a data transmissão da DCOMP em papel, ocorrida após 5 anos do pagamento indevido é atitude totalmente irrazoável por parte das Autoridades Fiscais, lamentavelmente mantida pela DRJ. Tal atitude constituiuse em uma forma obliqua de descumprir a decisão judicial dada nos autos da Ação Anulatória n° 002447582.2010.403.6100, em que, analisando todos os fatos que permeiam a problemática envolvida nas compensações, determinou pela análise do mérito das compensações. Considerando que a DRJ simplesmente não se pronunciou sobre o mérito, tal decisão encontrase eivada de nulidade, por força do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 697 5 Há que se destacar o fato de que a Recorrente formulou Consulta Administrativa a respeito do pagamento de IRPJ que se pretende compensar, notadamente acerca da sua legitimidade, e obteve resposta quanto à irregularidade do pagamento apenas em 19.06.2006 (Processo Administrativo n° 19679.016164/200665), ou seja, apenas neste momento é que o pagamento poderia ser tido como indevido e passível de restituição/compensação. Tal entendimento foi corroborado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CSRF/0400.184, de 13.12.2005. No Acórdão n° 10805.791, de relatoria de José Antonio Minatel, o deslocamento do termo inicial do lustro decadencial é esclarecido da seguinte maneira: "Se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia "erga omnes", pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida.” O erro formal no preenchimento das DCOMP não pode se sobrepor ao princípio da razoabilidade, e, no caso em tela, as compensações foram indeferidas por erro no preenchimento e envio das DCOMP, e não porque tinham por objeto crédito ou débito impossível de serem compensados. Poderia a Recorrente nunca ter efetuado as compensações, e quando do ajuste anual do anocalendário de 2002, por exemplo, ter utilizado o crédito de 2001 para deduzir dos eventuais saldos de CSLL a pagar, porque no presente caso, apesar de ter havido um erro de inobservância do regime de competência ao registrar as receitas do RTE, tal erro acarretou uma antecipação de tributo, o que, por óbvio, só é prejudicial à própria Recorrente. Em se tratando de compensação, o CARF e o STJ reconheceram em decisões recentes a aplicação do principio da razoabilidade, admitindo que o pleito de compensação, ainda que efetuado fora do prazo, deve ser deferido pela Administração Pública quando há o crédito. Mesmo a Procuradoria da Fazenda Nacional, ao contestar a Ação Anulatória n° 002447582.2010.4036100, distribuída à 21ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, mencionou que seria necessária uma análise da escrituração contábil/fiscal da empresa para se verificar a existência do crédito e do débito em discussão. Ad argumentandum, os débitos de estimativa de IRPJ dos anoscalendário de 2002 e 2003, não poderiam ser constituídos, pois já se encerrou o período base de apuração dos débitos e foram constituídas mediante DCTF retificadoras ou DCOMP. É o relatório. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 698 6 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, o objeto do presente processo é praticamente idêntico ao do processo nº 11610.002977/200784. O inteiro teor do voto condutor da decisão proferida naquele processo, contida no Acórdão nº 1103000.950, foi transcrito no voto condutor de uma outra decisão, desta vez proferida nos autos do processo nº 1401001.563, por esta mesma Turma, na sessão de julgamento do dia 02/03/2016, da lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Acórdão nº 1401001.563). A Turma, por unanimidade, adotou o mesmo entendimento daquele precedente por se tratar de matéria idêntica, referida ao mesmo contribuinte, e considerar corretas e bem fundamentadas as suas razões de decidir. No mesmo sentido, peço vênia para também transcrever aquele inteiro teor: A princípio, cumpre transcrever os art. 165 e 168 do CTN: (...) Apesar de a recorrente inicialmente debruçarse na extensão do prazo decadencial aplicável ao caso em debate, entendo que tal análise, de se verificar pela aplicação de cinco ou dez anos, em consonância com o entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621/RS, sob regime de repercussão geral, deve ocorrer em momento posterior. Isso porque, entendo que cabe ser analisado, a princípio, o termo inicial da contagem do prazo decadencial. Explico, amparado pela cronologia dos fatos narrados nos autos. No anocalendário de 2001, atendendo à orientação da ANEEL, a recorrente apurou o IRPJ e a CSLL levando em consideração a receita estimada de sobretarifa a ser cobrada nas faturas de consumo de energia. Contudo, de acordo com o Parecer Cosit nº 26, de setembro de 2002, a orientação foi em sentido diverso, ou seja, a receita gerada pela aplicação da sobretarifa deveria compor a base de cálculo dos tributos no momento em que ocorresse o efetivo consumo de energia, ou seja, a cada mês. Em 05/11/2003, encaminhou a recorrente consulta para a Receita Federal, como se pode observar às fls. 553/561 dos autos. Em consulta protocolizada em 05/11/2003, a consulente pessoa jurídica (...) Fl. 698DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 699 7 2. Relata que, em virtude da critica situação hidrológica vivenciada em meados de 2001, o Poder Executivo, editou a Medida Provisória n° 2.198, de 2001, criando a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica — GCE, com o objetivo de compatibilizar a demanda e a oferta de energia elétrica. 3. Foi criado um programa emergencial de redução do consumo de energia elétrica que, entre outras medidas estabeleceu limites de uso e fornecimento de energia elétrica, bem como adotou regimes especiais de tarifação. A redução do consumo se deu mediante a fixação de metas baseadas na média de consumo nos meses de maio, junho e julho de 2000. 4. Como conseqüência da redução forçada da demanda, as empresas concessionárias de energia elétrica (geradoras e distribuidoras) tiveram redução de suas margens de lucro, fato que provocou um desequilíbrio econômicofinanceiro da empresa detentora do contrato de concessão de serviços públicos. 5. A consulente entende que o Governo Federal; em reconhecimento a tal desequilíbrio, editou a Medida Provisória n° 14, de 21 de dezembro de 2001, convertida na Lei n° 10438, de 20020 através da qual determinou à Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL – que procedesse à recomposição tarifária extraordinária, bem como autorizou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social BNDES: a instituir, em caráter emergencial e excepcional, programa de apoio às concessionárias de energia elétrica, signatários dos contratos iniciais e equivalentes, assim reconhecidos em resolução da ANEEL. (...) 9. Comenta sobre o procedimento contábil de reconhecimento em 2001, do ativo regulamentar da recomposição tarifária, mencionando que embora subsistentes os procedimentos contábeis que levam ao reconhecimento do ativo em questão, resta considerar quais serão os impactos tributários sobre a receita computada em sua contrapartida. 10. A partir deste ponto a consulente passa a elaborar comentários relativos aos efeitos tributários da recomposição tarifária do setor elétrico, mencionando a imposição de sobretarifa a ser aplicada às tarifas, de fornecimento de energia elétrica aos consumidores, em momento posterior àquele em que a receita relativa a esta recomposição foi reconhecida contabilmente. Alega que as receitas decorrentes da aplicação da sobretarifa somente serão obtidas nos exercícios seguintes àquele vindo em 2001, a qual dependera do faturamento resultante do consumo a ser realizado no futuro. (...) 12. Alega que neste cenário, não é possível entender a sobretarifa a ser cobrada sobre o consumo futuro de energia represente um direito passível de ser convertido em dinheiro ou exigido do devedor de imediato, porque o fato gerador só se realizará se Fl. 699DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 700 8 ocorre efetivo consumo futuro, sem o qual se resumirá em mera expectativa. (...) 13. Por todo o exposto, o consulente formula as seguintes questões: a) Está correto o entendimento de que o fato gerador do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS ocorrerá tãosomente no momento em que as receitas relativas à aplicação da sobretarifa foram efetivamente auferidas, ou seja, no momento em que ocorrer o consumo futuro de energia e respectivo faturamento sobre o qual incidirá a sobretarifa? (...) Depreendese que, como a solução de consulta não foi respondida com a celeridade pretendida pela recorrente, tratou a empresa de efetuar uma nova apuração dos tributos devidos, que resultou em valores a menor do que aqueles que foram recolhidos, diferença que resultou na formação dos créditos tributários. Nesse contexto, encaminhou várias declarações de compensação, sendo que os presentes autos tratam apenas do PER/DCOMP nº 13405.83261.160204.1.3.043673 originalmente transmitido e seus desdobramentos. A declaração de compensação primitiva relacionou como crédito pagamento indevido ou a maior de CSLL F.G. 28/02/2002 no valor original de R$545.222,93, para compensar débito de estimativa mensal de CSLL (código de receita 24841), referente a dezembro/2003, no montante original de R$256.976,09. Contudo, em 13/05/2004, a recorrente encaminhou PER/DCOMP retificador nº 40409.31034.130504.1.7.047220, para alterar o valor do crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL F.G. 28/02/2002 para o principal de R$6.354.988,00, e do débito de estimativa mensal de CSLL (código de receita 24841), referente a dezembro/2003, para o montante original de R$6.169.149,48. Em 19/12/2006 foi editada, pela Receita Federal, a Solução de Consulta nº 518, em resposta à consulta efetuada pela recorrente em 05/11/2003, da qual transcrevo parte da fundamentação e a conclusão: 29. Diante disso, fica claro que uma lei que institui uma sobretarifa a ser cobrada sobre um consumo futuro de energia, ainda que esse possa ser estimado com precisão, não se configura fato gerador do imposto de renda. Ora, essa própria lei, enquanto não ocorrer os fatos concretos que se subsumam na sua própria hipótese de incidência, restará com sua eficácia latente, ou seja, sequer os seus próprios efeitos surtiram, quanto mais os efeitos tributários daí advindos. O que se está a dizer é que, enquanto não ocorrer o consumo de energia sobre o qual incidirá a sobretarifa, nenhum efeito concreto terá surtido o art. 4°, §1º, da Medida Provisória n° 14, de 2001. (...) 35. Ademais, a mera expectativa de ganho futuro, causado pela referida medida provisória, não pode se consubstanciar em fato gerador de renda das concessionárias de energia no ano de 2001, pois, ainda que seja possível estimar com certa precisão o valor do incremento de receita nos anos seguintes, este não é líquido nem certo em 31/12/2001. Com efeito, o valor faturado dependerá de Fl. 700DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 701 9 fatos econômicos futuros e incertos, pois variará de acordo com os consumos mensais de energia de cada consumidor final, logo, impossível precisar, em 31/12/2001, qualquer acréscimo patrimonial definitivo de tais empresas. (...) 37. (...) solucionoa consulta, em instancia única, respondendo à consulente que; em face do exposto, concluise que a receita gerada pela aplicação da sobretarifa, de que trata o §1º do art. 4° da Medida Provisória n° 14, de 2001, deverá compor a apuração das bases de cálculo do imposto sobre a renda, da CSL, da Cofins e da contribuição para o PIS, referentes aos períodos em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da sobretarifa, à medida e na proporção de sua efetivação, sendo os tributos apurados de acordo com a lei vigente em cada um desses períodos, por força do art. 144 do Código Tributário Nacional. (grifei) Em seguida, tomou ciência a recorrente de que o PER/DCOMP retificador nº 40409.31034.130504.1.7.047220 não foi admitido, vez que o valor do débito foi aumentado. Em 03/04/2007, foi transmitido o PER/DCOMP nº41203.17766.030407.1.8.046017, para cancelar o PER/DCOMP nº 13405.83261.160204.1.3.043673. Não obstante a aparente confusão, constatase que: 1º) O PER/DCOMP nº 13405.83261.160204.1.3.043673, original, foi cancelado pelo PER/DCOMP nº 41203.17766.030407.1.8.046017. 2º) O PER/DCOMP nº 40409.31034.130504.1.7.047220, retificador, não foi admitido. Ou seja, nesse momento, não haveria que se falar em qualquer declaração de compensação pendente de análise. Entretanto, em 05/04/2007, foi apresentada a Declaração de Compensação em papel às fls. 28/29, no qual consta como origem do crédito o pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita 0220) relativo ao F.G. 31/12/2001, e débito a estimativa mensal de CSLL (código de receita 24841),referente a dezembro/2003, para o montante original de R$5.971.874,72. Inicialmente, a Receita Federal não admitiu a declaração de compensação, por ter sido encaminhada em papel, situação que não encontrava respaldo na legislação vigente. Contudo, diante de decisão judicial que determinou pela apreciação da declaração de compensação, a Derat/São Paulo efetuou a análise do pedido da contribuinte e decidiu que, como o pagamento referente à origem do crédito teria sido efetuado em 28/03/2002, o prazo para pleitear o indébito tributário teria encerrado em 28/03/2007, consoante regra prevista nos arts. 165 e 168 do CTN, entendimento mantido pela DRJ/São Paulo. Ocorre que, diante de todos os fatos narrados, não há que se considerar, como data inicial para a contagem do prazo decadencial, o dia em que foi efetuado o pagamento do DARF a maior que deu origem ao crédito. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 702 10 Devese observar que a recorrente encaminhou consulta à Receita Federal, diretamente relacionada com a liquidez e certeza do crédito tributário em análise nos presentes autos, em 05/11/2003, que só foi respondida em 19/12/2006. Entendo que a situação jurídica que consolidou o pagamento indevido consumouse apenas no momento em que a recorrente tomou ciência da consulta que efetuou à Receita Federal. Apesar de o CTN não tratar expressamente da situação em análise, referente à restituição de um tributo antecipado, vez que posteriormente a contribuinte apurou uma dívida menor do que o montante efetivamente recolhido, para o caso concreto podese aplicar a analogia, autorizada no art. 108 do código. Refirome ao disposto aos arts. 168, inciso II e 165, inciso III do CTN, ao predicar que o prazo inicial para pleitear a restituição, no caso de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória contase da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. No caso em concreto, portanto, o prazo inicial da contagem é o dia 11/01/2007, data em que tomou ciência (fl. 562) a contribuinte da solução de consulta e restou consumada a situação jurídica referente ao pagamento a maior. Tendo sido a Declaração de Compensação em papel de fls. 28/29 foi apresentada em 05/04/2007, não há que se falar em decadência. E, como se pode observar, no caso em tela, mostrase prescindível discorrer sobre a extensão do prazo decadencial, se seria de cinco ou dez anos. Assim, tendo em vista que a prejudicial de mérito restou superada no presente voto, cabe à Derat/São Paulo pronunciarse, já que não há mais óbice para que o mérito seja enfrentado. Poderseia caracterizar supressão de instância caso o presente voto se debruçasse sobre a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte, sem antes oportunizar a apreciação do mérito por parte da delegacia competente para a primeira análise do pedido da contribuinte. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a prejudicial de mérito e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para exame do mérito, qual seja, a procedência do crédito alegado, retomandose, assim, o rito processual do Decreto nº 70.235/1972. Como já destacado, a situação deste feito é quase idêntica e absolutamente análoga à do processo nº 11610.002977/200784, de modo que adoto na sua integralidade as mesma razões de decidir. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial para afastar a prejudicial de decadência do direito à repetição do indébito e determinar o retorno à unidade de origem para exame do mérito. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.002968/200793 Acórdão n.º 1401001.596 S1C4T1 Fl. 703 11 Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 703DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10580.722185/2008-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 21 85 /2 00 8- 42 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos à turma a quo, para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 9202004.197 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 196.430,99, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Essas diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, e conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgado o lançamento procedente em parte, mantendo o imposto no valor R$ 81.761,46, e exonerando o valor de R$ 12.963,43, juntamente com os acréscimos legais devidos. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 24/10/2011, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102001.606, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercícios: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido.” O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 05/12/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 19/12/2011, o Recurso Especial. Em seu recurso visa restabelecer o lançamento em sua integralidade, reconhecendose a incidência do imposto de renda sobre a parcela recebida pela contribuinte. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, de 14/11/2012. O recorrente traz como alegações, que: · a Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF incorreu em grave equívoco ao atender o pleito do contribuinte, uma vez que tal medida implica em evidente ofensa aos arts. 111 do CTN – que prevê que a concessão de isenção exige interpretação literal e 150, §6º da CF que prevê a necessidade de lei específica para concessão de isenção. · as diferenças reconhecidas através da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração, uma vez que o abono pecuniário substitutivo do reajuste salarial, revela nítido aumento patrimonial, exsurgindo o fato gerador do imposto de renda e formando o montante atualizado da base de cálculo do Imposto de Renda. · não pode prosperar o entendimento de que haveria isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002 (que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais), pois tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos membros da Magistratura Estadual, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. · para a Magistratura Federal, há lei federal específica prevendo o abono e que, por entendimento já manifestado pelo Supremo Tribunal Federal, tal abono tem natureza indenizatória e assim detém o benefício da isenção. · devese guardar obediência ao artigo 111 do Código Tributário Nacional, no sentido de que todo dispositivo legal que disponha sobre Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 9202004.197 CSRFT2 Fl. 4 5 isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação restritiva, e portanto, descabido, conferir às leis mencionadas alcance que não contêm. · o acórdão recorrido incorre em evidente ofensa á lei tributária, especificamente no que diz respeito aos dispositivos indicados acima. Cientificado do Acórdão nº 2102001.606, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 13/03/2013, o contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões em 22/03/2013. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que: · tendo em mente o princípio da isonomia (art. 150, inciso II da CF) que deve reger todo o sistema legal brasileiro e a unicidade da magistratura, cai por terra o argumento da Procuradoria de que o acórdão recorrido estaria por estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal, devendo ser preservada a decisão recorrida. · o princípio da isonomia vem sendo violado em casos como o presente auto pela Procuradoria, que limitase a promover ações judiciais apenas contra Magistrados e membros do Ministério Público do Estado da Bahia, deixando de lado os casos dos Magistrados Federais, que da mesma forma, receberam a multicitada indenização. · é público e notório o fato de que não houve tributação das indenizações pagas aos Membros da Magistratura e do Ministério Público da União a título de URV (nem mesmo qualquer ação fiscal nesse sentido), diante da edição, pelo próprio STF, da Resolução nº 245, de 12/12/2002, que autorizou o pagamento da verba da URV aos Magistrados da União como indenizatória e, portanto, não passível de incidência de imposto de renda, reconhecendo a recomposição do patrimônio afetado pela não concessão de direito creditório. · o STJ, no julgamento do Resp nº 1.187.109, entendeu pela aplicabilidade da Resolução nº 245 do STF também aos magistrados estaduais, e que a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 determinou o pagamento das diferenças da URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, haviam sido excluídos da incidência do IRPF, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com fulcro na resolução citada acima. · os efeitos do art. 2º da Lei Federal nº 10.477/2002 e da Lei Complementar Estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. · as decisões divergentes colacionadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional resolveram desconsiderar a lei estadual por entenderem que Fl. 263DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 “não houve pronunciamento do STF ou do Ministério da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 2003”, e que, ao procederem dessa forma, os julgadores dessas decisões, nada mais fizeram que apreciar a (in)constitucionalidade da Lei Estadual, uma vez que afastou sua aplicabilidade por considerála incompatível com dispositivo da Constituição Federal, o que é expressamente vedado pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF. · a autuação que deu origem ao processo em análise nasceu eivada de vícios e nulidades, sendo a desconsideração de lei estadual em face de suposta incompatibilidade com a Constituição Federal, sem prévio controle de constitucionalidade nos moldes definidos em lei, a mais evidente de todas, não podendo prosperar. · cabia à Fazenda Nacional ajuizar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, nos termos do art. 102, I, “a” da Carta Magna, mas jamais proceder da forma como fez, desconsiderando Lei Estadual válida e eficaz. · toda a jurisprudência pátria vem se posicionando na mesma linha do acórdão recorrido (entendimento de que qualquer verba indenizatória oriunda de dano material ou moral não comporta a incidência de tributos), a saber o Conselho de Justiça Federal, o antigo Conselho de Contribuintes, assim como o Poder Judiciário de Rondônia e o Ministério Público do Estado do Maranhão. · toda a receita arrecadada com a eventual incidência do imposto de renda sobre as parcelas recebidas de URV será posteriormente revertida para o próprio Estado da Bahia, que já classificou legalmente tais pagamentos como indenizações, renunciando ao recebimento das mesmas, ou seja, a União sequer possui legitimidade para figurar no pólo ativo dessa relação jurídicotributária. · caso se entenda pela procedência do Recurso Especial interposto pela PGFN, o que se cogita em nome do princípio da eventualidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deverá apreciar a questão da imprestabilidade da base de cálculo na forma como apurada e da não incidência de IR sobre juros de mora. · a fiscalização, ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de URV recebido, deveria ter refeito as três DIRFs (2004, 2005 e 2006) da contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos, uma vez que é sabido que a legislação do imposto de renda prevê a declaração de ajuste anual, onde o contribuinte tem a possibilidade de excluir da base de cálculo do tributo, por exemplo, determinadas parcelas isentas, passando normalmente a ter imposto a restituir no exercício seguinte; que resumindo, chegamos no entendimento esposado pelo STJ, no sentido de que o cálculo do imposto de renda deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época da percepção dos rendimentos. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 9202004.197 CSRFT2 Fl. 5 7 · não bastariam os lançamentos levarem em consideração apenas os valores que deveriam ter sido recebidos a título de URV nos anos de 1994 a 2001, como foi feito, mas também a totalidade da receita mensal do contribuinte, até para que se revelasse que a incidência do imposto de renda era devida ou não, isto porque, se for considerado tão somente a parcela de URV que deveria ter sido recebida em janeiro de 1995, por exemplo, verificarseá que a Fonte Pagadora não deveria ter feito retenção, ao menos que fosse levada em consideração a totalidade do recebimento mensal, uma vez que tal valor de URV individualmente considerado, estaria isento, conforme tabela da época . · a omissão na identificação da totalidade do recebimento mensal pode ter repercutido no cálculo do imposto, bem como da própria restituição que o contribuinte poderia ter direito. · ao importar os valores apresentados pelo Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária do Tribunal de Justiça da Bahia – IPRAJ – para os cálculos trazidos no “Demonstrativo do Imposto de Renda Apurado”, a fiscalização autuante levou em consideração todo o valor recebido pelo contribuinte (URV, juros e correção), e da mesma forma que não há incidência de Imposto de Renda sobre o pagamento de URV (por ser verba de natureza indenizatória), é assente o entendimento da doutrina e da jurisprudência de que não há incidência de IR sobre os juros moratórios. · Por fim, o contribuinte destaca o Parecer do Jurista Marco Aurélio Greco, alegando que tal estudo foi empreendido em resposta à consulta formulada pelas Associações de Classe dos Membros do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e da Magistratura do Estado da Bahia, e que nesse estudo o jurista conclui pela constitucionalidade da Lei Estadual nº 8.730/2003 e pela total ilegitimidade da União para cobrar e autuar os agentes estaduais pelo não recolhimento do imposto de renda, verba esta de titularidade exclusiva do Estado da Bahia. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, a fls. 170/171. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO DELIMITAÇÃO DA LIDE Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Magistratura da Bahia. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 149/158, assim descrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercícios: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 9202004.197 CSRFT2 Fl. 6 9 Recurso Voluntário Provido.” COMPETÊNCIA PARA LEGISLAR SOBRE IR Primeiramente, conforme descrito no acórdão a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003., consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...[ § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da devida correção salarial decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. INCIDÊNCIA SOBRE VALORES DE DIFERENÇAS DE URV Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, da Bahia Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV ora sob análise. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 9202004.197 CSRFT2 Fl. 7 11 Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 9202004.197 CSRFT2 Fl. 8 13 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. QUANTO A NECESSIDADE DE PRÉVIA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI ESTADUAL Quanto a argumentação de que necessário, antes de efetivar ao lançamento, ter declarada a inconstitucionalidade da lei Estadual, entendo não ser esse o melhor entendimento aplicável. Conforme acima esclarecido a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Contudo, não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de´contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Magistrados da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, afasto a argumentação, de que necessário primeiramente declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722185/200842 Acórdão n.º 9202004.197 CSRFT2 Fl. 9 15 Quanto as demais questões trazidas em sede de contrarrazões deixou de apreciálas, considerando a existência de outros argumentos trazidos ainda em sede de recurso voluntário, mas não apreciados pela turma a quo frente ao encaminhamento do relator de no mérito dar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/08/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16682.721161/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RAZÕES DE DEFESA NÃO ANALISADAS PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. SANEAMENTO. DECISÃO COMPLEMENTAR.
Se da análise do recurso de ofício foi restabelecido parte do lançamento exonerado pela decisão de primeira instância cabe àquele Órgão julgador prolatar decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas em impugnação contra a exigência ora restabelecida e não enfrentadas no acórdão original.
INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE ESCRITA. CORREÇÃO.
Nos termos do art. 66, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF, a inexatidão material decorrente de erro de escrita deve ser corrigida mediante prolação de novo acórdão.
Numero da decisão: 1402-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos: i) dar provimento parcial aos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo para reconhecer a omissão suscitada e determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância a fim de que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa referentes à parcela da exigência restabelecida no julgamento do recurso de ofício; e ii) dar provimento aos embargos inominados interpostos pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro - Demac/RJO, para reconhecer o lapso proferido e retificar o último parágrafo do voto vencido contido no Acórdão 1402-001.923, nos termos a seguir, sem alteração no resultado final do julgamento : ....Quanto ao recurso voluntário voto por dar parcial provimento para restabelecer as deduções nos valores de R$ 396.776.292,30 e R$ 1.990.502,57; correspondentes aos itens 04 e 05 do item I do auto de infração; e cancelar parte da exigência referente à realização da reserva de reavaliação no montante de R$ 3.054.040,52"; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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SANEAMENTO. DECISÃO COMPLEMENTAR. Se da análise do recurso de ofício foi restabelecido parte do lançamento exonerado pela decisão de primeira instância cabe àquele Órgão julgador prolatar decisão complementar com análise das demais razões de defesa apresentadas em impugnação contra a exigência ora restabelecida e não enfrentadas no acórdão original. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE ESCRITA. CORREÇÃO. Nos termos do art. 66, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF, a inexatidão material decorrente de erro de escrita deve ser corrigida mediante prolação de novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos: i) dar provimento parcial aos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo para reconhecer a omissão suscitada e determinar o retorno dos autos ao Órgão julgador de primeira instância a fim de que seja prolatada decisão complementar com análise das demais razões de defesa referentes à parcela da exigência restabelecida no julgamento do recurso de ofício; e ii) dar provimento aos embargos inominados interpostos pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro Demac/RJO, para reconhecer o lapso proferido e retificar o último parágrafo do voto vencido contido no Acórdão 1402 001.923, nos termos a seguir, sem alteração no resultado final do julgamento : ....Quanto ao recurso voluntário voto por dar parcial provimento para restabelecer as deduções nos valores de R$ 396.776.292,30 e R$ 1.990.502,57; correspondentes aos itens 04 e 05 do item I do auto de infração; e cancelar parte da exigência referente à realização da reserva de reavaliação no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 61 /2 01 1- 18 Fl. 7489DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 montante de R$ 3.054.040,52"; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 7490DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.721161/201118 Acórdão n.º 1402002.254 S1C4T2 Fl. 7.495 3 Relatório A interessada interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.923 prolatado por esta turma julgadora e que, por voto de qualidade deu provimento parcial ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário anteriormente por ela apresentado. Sustenta a recorrente a ocorrência das seguintes irregularidades na decisão questionada: 1) Obscuridade no que se refere ao item "contrapartida à repactuação", tendo em vista que a autoridade lançadora glosou a dedução por entendêla como liberalidade circunstância essa que teria sido afastada pela decisão recorrida que restabeleceu a autuação pela ausência de paridade nas contribuições, ou seja, motivo diverso caracterizando alteração de critério jurídico; 2) Obscuridade no que se refere ao item "custo dos serviços passados", nos moldes do mencionado no item anterior. Acrescenta que a lei não estabelece limites às contribuições; 3) Omissão por não ter sido analisado o argumento quanto ao equívoco na base de cálculo utilizada pelo fisco na apuração da exigência referente aos "custos dos serviços passados"; 4) Obscuridade quanto à exigência referente à parcela da reserva de reavaliação na empresa Quattor eis que demonstrado nos autos a adição desse valor ao resultado da coligada o que desobrigaria essa mesma adição no resultado da investidora. Através de despacho regimental o recurso foi parcialmente admitido, tendo sido reconhecida a omissão de que trata o item 3 supra mencionado. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro Demac/RJO, encarregada da execução do Acórdão 1402001.923, peticionou a este colegiado solicitando esclarecimentos quanto ao teor da decisão, mais especificamente com vistas a confirmar o valor remanescente da exigência concernente ao item realização da reserva de reavaliação, nos seguintes termos: 1) Especificamente em relação ao item realização de reserva de reavaliação em controladas e coligadas, o lançamento efetuado considerou que deveria ter sido adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o valor de R$ 4.903.000,00, conforme auto de infração às fls. 3966 a 3982. Entretanto, podemos observar que no Acórdão prolatado pelo CARF, acima citado, foi levado em conta o valor de R$ 4.903.464,86 como sendo o total de realização de reavaliação em controladas e coligadas, conforme item II e quadro (fls 7310), juntados às fls. 7309 a 7312. Creio que, muito provavelmente, este valor se baseou no relatório de diligência fiscal, realizado pela Divisão de Fiscalização da mesma Unidade responsável pelo lançamento efetuado, especificamente no item VI.1.1, às fls. 7194 a 7198, onde se Fl. 7491DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 verifica que o quadro demonstrativo de fls. 7196 é exatamente o mesmo utilizado no Acórdão do CARF, acima citado; 2) Ainda sobre o mesmo tema do item 1 acima, caso o cálculo a ser efetuado considere o valor de R$4.903.464,86 como sendo o total de realização de reserva de reavaliação líquida, e como foi admitido no Acórdão do CARF o valor de R$1.848.959,48 como sendo o que deveria ter sido adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL pelo contribuinte, restaria como valor a ser cancelado da exigência fiscal a diferença destes dois valores ou seja, o montante de R$ 3.054.505,38. Porém, o Acórdão cita às fls. 7312 que o valor a ser cancelado deveria ser o de R$ 3.053.505,38. Através de despacho regimental a petição foi acatada como embargos inominados sujeitos à apreciação do colegiado. É o Relatório. Fl. 7492DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.721161/201118 Acórdão n.º 1402002.254 S1C4T2 Fl. 7.496 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Por praticidade e economia processual, os embargos de declaração interpostos pela interessada e os embargos inominados apresentados pela Unidade da RFB responsável pela execução serão apreciados nesta mesma decisão. Registrese a inexistência de prejuízo ao sujeito passivo, eis que a apreciação dos embargos inominados apresentados pela RFB não implicará em qualquer alteração no resultado da decisão. Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo: A parte admitida dos embargos de declaração trata do custo dos serviços passados das contribuições correspondentes ao período em que os participantes estiveram sem plano de previdência no valor de R$ 108.787.000,00; considerado indedutível pela Fiscalização. Na peça impugnatória, além de suscitar a regularidade do custo glosado a interessada sustentou que, mesmo admitindose a indedutibilidade, o valor seria diferente daquele utilizado pelo Fisco na apuração da exigência, assim resumido: Fl. 7493DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Tendo em vista que a decisão de primeira instância considerou o custo como dedutível essa suposta diferença de base de cálculo ficou prejudicada e não foi objeto de análise. Para evitar a supressão de instância, cabe o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a fim de que seja prolatada decisão complementar com a apreciação dessa matéria e adoção das seguinte providências: Caso a decisão seja favorável ao sujeito passivo e o valor exonerado superar o limite de alçada, retornar ao CARF para apreciação do novo recurso de ofício, exclusivamente quanto à matéria aqui tratada; Caso a decisão seja favorável ao sujeito passivo e o valor exonerado NÃO superar o limite de alçada, encaminhar o processo à Unidade Local para cientificar a interessada com abertura de prazo para interposição de recurso especial; e: Caso a decisão seja desfavorável ao sujeito passivo, encaminhar o processo à Unidade Local para cientificar a interessada com abertura de prazo para interposição de recurso voluntário, exclusivamente quanto à matéria aqui tratada. É como voto. Embargos Inominados interpostos pela Demac/RJO: Quando da formalização da exigência referente à realização da reserva de reavaliação das controladas e coligadas, a autoridade lançadora equivocouse no cômputo do valor total tributável, provavelmente utilizandose de algum documento em que esse montante estivese “ arredondado”. Assim, utilizou o valor de R$ 4.903.000,00 quando o correto seria R$ 4.903.464,86. Não houve qualquer prejuízo ao sujeito passivo, por dois motivos: o primeiro deles é que o valor originalmente tributado (R$ 4.903.000,00) foi inferior ao efetivamente devido (R$ 4.903.464,86). O segundo motivo é que o valor tributável remanescente nesse item (R$ 1.848.959,48) não é influenciado pela valor originalmente tributado. No bojo do voto condutor, a forma mais simples de registrar a decisão seria mencionar justamente o valor tributável remanescente (R$ 1.848.959,48). Entretanto o texto do voto entendeu por registrar o valor da exigência exonerada. Nesse ponto, não se deu conta que o auto de infração havia utilizado o valor tributável de R$ 4.903.000,00 e não o correto (R$ 4.903.464,86). Assim teríamos; Valor considerado exonerado pela decisão: 4.903.464,86 – 1.848.959,48 = 3.054.505,38 Valor efetivamente exonerado: 4.903.000,00 – 1.848.959,48 = 3.054.040,52 Ratificando que o equívoco NÃO TEM QUALQUER INFLUÊNCIA NO RESULTADO DA DECISÃO POIS O QUE IMPORTA É O VALOR DA EXIGÊNCIA MANTIDA (R$ 1.848.959,48) QUE NÃO FOI AFETADO, cabe a retificação do último parágrafo do voto vencido nos seguintes termos (em destaque, a alteração): ISSO POSTO, na linha e limites dos fundamentos acima expostos, voto por dar parcial provimento ao recurso de ofício para restabelecer a glosa do valor de R$ Fl. 7494DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.721161/201118 Acórdão n.º 1402002.254 S1C4T2 Fl. 7.497 7 249.703.520,90 referente a infração relacionada à contrapartida do Plano Petros; R$ 54.438.500,00 correspondente a infração com custos de serviços. Quanto ao recurso voluntário voto por dar parcial provimento para restabelecer as deduções nos valores de R$ 396.776.292,30 e R$ 1.990.502,57; correspondentes aos itens 04 e 05 do item I do auto de infração; e cancelar parte da exigência referente à realização da reserva de reavaliação no montante de R$ 3.054.040,52. É como voto. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 7495DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005931/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1994 a 01/01/1995
DECADÊNCIA TOTAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS FORAM ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA. DEVIDO A APLICAÇÃO DA SV Nº 08/2008 STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação a todas as competências lançadas, por quaisquer dos critérios adotados pelo CTN.
(Assinado Digitalmente).
Marco Aurélio Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1994 a 01/01/1995 DECADÊNCIA TOTAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS FORAM ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA. DEVIDO A APLICAÇÃO DA SV Nº 08/2008 STF. Recurso Voluntário Provido
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Recorrente INSTITUTO EUVALDO LODI NÚCLEO REGIONAL MATO GROSSO. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1994 a 01/01/1995 DECADÊNCIA TOTAL. OCORRÊNCIA. RECONHECIMENTO. AS CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS FORAM ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA. DEVIDO A APLICAÇÃO DA SV Nº 08/2008 STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação a todas as competências lançadas, por quaisquer dos critérios adotados pelo CTN. (Assinado Digitalmente). Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 59 31 /2 00 8- 12 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.005931/200812 Acórdão n.º 2202003.221 S2C2T2 Fl. 162 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD Nº DEBCAD 35.445.6229, a qual objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária parte patronal e SAT, bem como a relativa a parte descontada do trabalhador, relativa a salário indireto ajuda de custo não oferecida a tributação, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, de fls 22 a 25. O agente lançador informa que a presente Notificação Fiscal de Lançamentos de Débitos – NFLD foi cientificada ao contribuinte, em 06/11/2001, conforme Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, de fls. 03. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 33 a 57, recebida, em 21/11/2001, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 58. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 59 e 60. A primeira instância exarou a Decisão Notificação DN Nº 10.401.4/0028/2002, de fls. 61 a 66. No qual o lançamento foi considerado procedente. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 76 e 77, recebida, em 03/04/2002, e com razões recursais, as fls. 78 a 84, acompanhado dos documentos, de fls. 85. As teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo pelo órgão preparador, fls. 87 e 88. Todavia, o recurso não veio acompanhado do necessário depósito recursal exigido à época, fls. 87 e 88. Foi emitido o Termo de Trânsito em julgado e os autos remetido a D. Procuradoria, fls. 92. O crédito foi inscrito em Dívida Ativa, fls. 93 a 98, bem como foi ajuizada a ação de execução, fls. 100 a 109. A PFN pelo memorando, de fls. 111, solicitou a SECAT a análise da ocorrência de decadência do crédito lançado. A SECAT emitiu a Informação Fiscal IF, de fls. 112 e 113, onde no item 8, a seguir transcrito informa a ocorrência da decadência. 8. Dessa Forma, com base na ciência da Notificação, que ocorreu em 06/11/2001, concluise que todas as competências Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.005931/200812 Acórdão n.º 2202003.221 S2C2T2 Fl. 163 3 arroladas no processo, quais sejam "02/1994; 03/1994; 04/1994; 06/1994; 07/1994; 08/1994; 09/1994; 10/1994; 11/1994/ 12/1994", estão decadentes, quer pelo 173,1 do CTN, ou mesmo pelo 150 §4° do mesmo diploma legal. (o destaque é do original) O órgão da PFN pelo despacho, de fls. 145 a 147, propôs o cancelamento da inscrição e a devolução do autos a fase administrativa ante a expedição da Súmula Vinculante nº 21, do Supremo Tribunal Federal, a qual considerou a exigência de depósito prévio inconstitucional, observese o trecho colacionado. Cumpre, no entanto, ressaltar que o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o condicionamento da admissibilidade recursal no âmbito administrativo ao depósito ou ao arrolamento de bens editando uma súmula vinculante com o seguinte enunciado: Súmula Vinculante n. 21 (publicada no DOU em 27/11/2009): "É inconstitucional a exigência de depósito ou de arrolamento prévios de dinheiro ou de bens para a admissibilidade de recurso administrativo" Sobre a abrangência deste dispositivo, o Parecer PGFN/CRJ n . 1973/2010 que apresentou as seguintes conclusões: 22. Pelas razões acima expostas, concluise que as unidades da PGFN deverão, conforme o caso, adotar as seguintes providências: (i) cancelar as inscrições em DAU daqueles créditos fiscais que estejam na situação acima referida (oriundos de processos administrativos em que houve a inadmissão do recurso em razão da ausência de depósito/arrolamento prévios pelo sujeito passivo), de oficio ou a pedido do interessado, independentemente do tempo já decorrido desde a divulgação da decisão que inadmitiu o recurso administrativo; em seguida, deverão promover a remessa dos correspondentes processos administrativos ao órgão da Administração Pública Federal competente para efetuar o novo juízo de admissibilidade do recurso administrativo antes inadmitido; (ii) se o crédito fiscal ainda não foi inscrito em DAU, devolver o correspondente processo administrativo ao órgão público federal competente, para que este proceda a um novo exame da admissibilidade do recurso antes inadmitido, independentemente do tempo já decorrido desde a divulgação da decisão que inadmitiu o recurso administrativo. Desse modo, existindo nos presentes autos um recurso administrativo inadmitido pela ausência de depósito recursal ou, de arrolamento de bens, resta inviável a manutenção da presente inscrição em divida ativa e a continuidade da cobrança judicial do presente credito tributário. Assim, proponho o encaminhamento dos presentes autos à SDAU para devolver à fase administrativa, com cancelamento, o DEBCAD n° 35.445.6229. Após cumprir, proponho a remessa Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.005931/200812 Acórdão n.º 2202003.221 S2C2T2 Fl. 164 4 dos presentes autos à SECAT/RFB/MT, para as providências legais. (grifos do original). Os autos subiram ao CARF, fls. 158. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 12/03/2015, Lote 15, fls. 159. É o Relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.005931/200812 Acórdão n.º 2202003.221 S2C2T2 Fl. 165 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. O órgão lançador reconheceu que as contribuições lançadas estão decadentes, conforme Informação Fiscal IF, de fls. 112 e 113, o que foi mencionado no relatório, colaciono aqui a conclusão do fisco. 8. Dessa Forma, com base na ciência da Notificação, que ocorreu em 06/11/2001, concluise que todas as competências arroladas no processo, quais sejam "02/1994; 03/1994; 04/1994; 06/1994; 07/1994; 08/1994; 09/1994; 10/1994; 11/1994/ 12/1994", estão decadentes, quer pelo 173,1 do CTN, ou mesmo pelo 150 §4° do mesmo diploma legal. (o destaque é do original) Assim sendo, o presente lançamento é improcedente. Essa é a razão pela qual não sumariei as teses recursais, embora uma delas fosse sobre a ocorrência da decadência, contudo denominado prescrição no recurso. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento para reconhecer a decadência das contribuições exigidas, sendo assim o crédito improcedente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.005931/200812 Acórdão n.º 2202003.221 S2C2T2 Fl. 166 6 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728791/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/12/2011
AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOVAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. PUBLICAÇÃO DE LEI CONCEDENDO ANISTIA AO TIPO DE INFRAÇÃO QUE SE BUSCAVA PUNIR NO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. DEVER DO FISCO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/12/2011 AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOVAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. PUBLICAÇÃO DE LEI CONCEDENDO ANISTIA AO TIPO DE INFRAÇÃO QUE SE BUSCAVA PUNIR NO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. DEVER DO FISCO. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente BCEC BRASIL CENTRAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA SS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/12/2011 AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INOVAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. PUBLICAÇÃO DE LEI CONCEDENDO ANISTIA AO TIPO DE INFRAÇÃO QUE SE BUSCAVA PUNIR NO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. DEVER DO FISCO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 87 91 /2 01 1- 68 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.728791/201168 Acórdão n.º 2202003.097 S2C2T2 Fl. 236 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.012.1357, CFL.78, apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 06 a 10, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 12 e 13. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 15/12/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 03. Consta, as fls. 112, Termo de Apensação (2), o qual informa a juntada por apensação desse processo ao processo 10166.728598/201127, ocorrido, em 20/12/2011. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 113 a 129, recebida, em 13/01/2012, conforme carimbo de recepção, de fls. 113, estando acompanhada dos documentos, de fls. 130 a 158. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 159. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1447.032 9ª, Turma DRJ/RPO, em 27/11/2013, fls. 160 a 167. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 24/01/2014, conforme AR, de fls. 169. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 171 a 637, recebido, em 18/02/2014, conforme carimbo de recepção, de fls. 171, acompanhado dos documentos, de fls. 190 a 233. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 234. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 234. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03. É o Relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.728791/201168 Acórdão n.º 2202003.097 S2C2T2 Fl. 237 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Inovação do Ordenamento Anistia. Todavia, antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. Ocorre que o artigo 49 citado e abaixo reproduzido dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32 – A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.728791/201168 Acórdão n.º 2202003.097 S2C2T2 Fl. 238 4 Desta forma, penso que a multa desse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, pois tal lei cita expressamente a multa aplicada com base no artigo 32 – A, da Lei 8.212/91. Com esses esclarecimentos, devese aplicar ao caso a anistia concedida pela lei. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento, aplicandose a anistia instituída pela Lei 13.097/2015. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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