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Numero do processo: 13888.908665/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 86 65 /2 01 1- 38 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.630 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de PIS não cumulativo(a) exportação. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13888.908665/201138 Acórdão n.º 3402004.033 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.720805/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
Ementa:
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado fará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 05 /2 01 2- 67 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 543 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep não cumulativa, relativo ao trimestre 01/04/2010 a 30/06/2010, cumulado com declarações de compensação. As glosas efetuadas pela fiscalização se referiram a aquisição de energia elétrica por demanda contratada e os serviços de frete na venda de produtos acabados. Apresentada a manifestação de inconformidade, a Primeira Turma da DRJ em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0244.021, revertendo a glosa sobre as aquisições de energia elétrica e mantendo a glosa sobre o frete de produtos acabados, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. PIS NÃOCUMULATIVO MERCADO INTERNO.. Somente são passíveis de ressarcimento/compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão do Perdcomp. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações feitas em manifestação de inconformidade, no sentido de que o direito ao creditamento sobre as aquisições de serviços de fretes sobre as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente tem fundamento tanto no inciso II do artigo 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, na condição de insumo utilizado no processo produtivo quanto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, na condição de frete em operações de venda. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 544 3 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O litígio resumese à aquisição de fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. Alegou que os fretes ocorridos entre a unidade produtora e o centro de distribuição consistem em mero desdobramento de suas operações de venda e que, somados aos fretes ocorridos entre o centro de distribuição e seus clientes, equivaleriam ao fretes diretos entre a unidade produtora e seus clientes, sendo cabível o creditamento de acordo com o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em outra linha de argumentação, defendeu também que estes serviços seriam custos de seu processo produtivo, repassados aos preços dos produtos e, portanto, serviços utilizados como insumos de que trata o inciso II do artigo 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passando à análise do ponto controvertido, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 545 4 IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 546 5 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 547 6 § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 548 7 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 549 8 bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 550 9 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 551 10 Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 552 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 553 12 INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 554 13 inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, concluise que os fretes entre estabelecimentos produtor e centros de distribuição, ou entre centros de distribuição, não são considerados custos de aquisição ou de transformação, mas dispêndios ocorridos após o processo produtivo, razão pela qual não podem ser considerados serviços utilizados como insumos, nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Concernente à subsunção à hipótese de frete em operações de venda, a Lei nº 10.833/2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Portanto, os fretes sobre produtos acabados não geram direito ao créditos da contribuições para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativas, embora reconheçase que tais despesas são necessárias às atividades da recorrente. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 555 14 Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Declaração de Voto Conselheira Lenisa Prado, A questão nodal do recurso sob julgamento é definir se os custos incorridos pela contribuinte com o transporte de seus produtos já acabados gera (ou não) os créditos reclamados. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 556 15 A pulverização dos entendimentos perfilhados na seara administrativa e judicial foi muito bem descrita no brilhante voto do relator. E a falta de entendimento uníssono sobre o tema é ainda mais expressiva neste Conselho. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais está se consolidando na linha de entendimento firmado no Acórdão n. 930301.7401, quando a Turma Julgadora assentou que por insumos, deverão ser considerados todos os custos que estão relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis. Ou seja, são insumos os dispêndios sobre serviços ou produtos que repercutem, diretamente, na receita da contribuinte. A contribuinte alega que os custos de transporte de seus produtos, que são fragmentados em duas etapas (a 1º da fábrica para o centro de distribuição; a 2ª dos centros de distribuição para os estabelecimentos onde serão entregues aos consumidores finais). Por ser uma cooperativa que produz produtos lácteos (indiscutivelmente perecíveis) a recorrente sustenta que esses custos são inerentes ao seu processo produtivo, e esses dispêndios são repassados aos preços dos produtos e, portanto, devem ser considerados como serviços utilizados como insumos, diante da previsão contida no inciso II do artigo 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Diante dos esclarecimentos feitos, inclinome a aderir a corrente formada pelos julgadores que compõem a 3ª Câmara de Recursos Fiscais, que reconhecem que o custo decorrente do transporte dos produtos acabados gera o crédito reclamado pela ora recorrente. Tal entendimento culminou com a publicação do Acórdão n. 9303004.318, proferido no julgamento do Processo 13896.721081/201312, que resultou na seguinte ementa: "CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA CONTRIBUINTE. As despesas com frete para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básico de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Precedentes". Por esse motivo, ouso divergir do Conselheiro Paulo G. Déroulède para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento decorrente dos custos com o transporte dos produtos acabados. 1 Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10680.720805/201267 Acórdão n.º 3302004.357 S3C3T2 Fl. 557 16 É como voto. Fl. 574DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.014983/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2801-000.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Tânia mara Paschoalin
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende - Presidente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls.05/08, relativo à declaração de ajuste anual do exercício 2005 ano-calendário 2004, que promoveu a redução do imposto a restituir de R$ 11.458,07 para R$ 8.802,67, em face da constatação de omissão de rendimentos (R$ 22.742,32). Fl. 172DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/11/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 2 Em sua impugnação, a contribuinte solicitou a retificação dos valores pagos pela fonte pagadora, bem como a devida restituição, por ser idosa e os rendimentos referirem-se a seus direitos trabalhistas. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF, conforme Acórdão de fls. 19/22, manteve o lançamento sob os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Mantém-se o lançamento quando a infração de omissão de rendimentos não for descaracterizada por meio de documentação hábil e idônea. As afirmações relativas a fatos, apresentadas pela contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demandam sua consubstanciação por via de elementos probatórios consistentes, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inadmissíveis. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 01/10/2009 (fl. 25), a interessada, representada por seu procurador (fl. 02), interpôs o recurso voluntário de fls. 36/36, em 22/10/2009, no qual alega que tem direito à restituição do valor total pago a titulo de imposto de renda referente aos valores recebidos de ação trabalhista, tendo em vista o desconto indevido promovido pela Justiça do Trabalho. Aduz que as verbas recebidas a titulo de juros de mora, correção monetária, aviso prévio, FGTS, multa de 40%, férias vencidas e proporcionais têm natureza indenizatória e não estão sujeitas à incidência do imposto de renda. Ainda argumenta que, aplicando as isenções legais e as tabelas de isenção mês a mês das épocas a que se referem tais rendimentos, é facilmente constatável que eles estão completamente inclusos na faixa de isenção do imposto de renda, conforme determina ampla jurisprudência do STJ. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A autuação versa sobre omissão de rendimentos recebidos em causa trabalhista. A recorrente alega que esses rendimentos, quando levados à tributação nas épocas próprias, com a aplicação das correspondentes tabelas mensais, conforme determina ampla jurisprudência do STJ, não ultrapassam o limite de isenção do imposto de renda. Também, aponta verbas de natureza indenizatória que não se sujeitam à tributação. Conforme cópias dos autos da reclamação trabalhista juntadas à fls. 37/169, verifica-se que a reclamante, na petição inicial, alegou que foi admitida em 31 de março de 1959, como professora, pelo Município de Conceição do Canindé, aposentando-se em 30 de novembro de 1992, sem nunca ter recebido o salário mínimo, 13º salário, FGTS, salário família, PASEP, reajustes e vantagens salariais em razão dos sucessivos planos econômicos. Também, alegou nunca ter gozado férias. De acordo com a sentença, foi julgado procedente em parte o referido pedido, para condenar o Reclamado a pagar à Reclamante, verbas trabalhistas ainda não prescritas (1/3 sobre férias, 60% a titulo de complementação salarial, 13° salário integral e proporcional, Fl. 173DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/11/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES Processo nº 10166.014983/2007-15 Resolução n.º 2801-000.038 S2-TE01 Fl. 172 3 recolhimento dos depósitos fundiários, indenização pelo não recolhimento do PASEP e honorários advocatícios), referentes ao período trabalhado para o Reclamado, que são as relativas ao período de 15 de março de 1988 a 30 de novembro de 1992, haja vista que a Reclamante ingressou na Justiça/ do Trabalho no dia 15 de março de 1993. O Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região negou provimento a Remessa Oficial e deu parcial provimento ao Recurso Ordinário da reclamante para afastar da sentença a prescrição quinquenal levantada de oficio. Segundo Certidão da Justiça do Trabalho de fls. 51, não houve interposição de recurso por qualquer das partes, tendo o Acórdão de fls. 143/145 transitado em julgado em 16/10/95. Assim, conforme demonstrativo de fl. 52, nos cálculos, foram computados 33 anos e 08 meses de 1/3 de férias, 404 meses de complementação salarial calculada com base em 60% do Salário Mínimo e juros de Mora, a partir do ajuizamento (15/03/93). No calculo do FGTS levou-se em consideração o período compreendido entre out/88 e nov/92 mais os 04(quatro) 13° integrais e 08/12 de 13° proporcional. A indenização foi calculada com base em 01 Salário Mínimo por ano de serviço, proporcionalmente. Observa-se, no presente caso, considerando os valores e períodos alcançados pela referida decisão judicial, ser provável que os valores auferidos situassem-se na faixa de isenção se pagos no tempo devido. Nesse contexto, importa trazer a colação o Parecer PGFN/CRJ/N o 287, de 10 de fevereiro de 2009, que propôs a dispensa de interposição de recursos e o requerimento de desistência dos já interpostos por parte dos Procuradores da Fazenda Nacional, nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda sobre valores recebidos acumuladamente, diante da jurisprudência reiterada no Superior Tribunal de Justiça – STJ de que “no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Tal Parecer foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, resultando na edição do Ato Declaratório PGFN n o 1, de 2009, que vincula os atos praticados por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, por força do disposto no art. 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002 (com as alterações introduzidas pela Lei n o 11.033, de 2004): Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: [...] II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1 o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a Fl. 174DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/11/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES 4 procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. [...] § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. Ante o entendimento superveniente e vinculante para a Administração Pública e com base no artigo 29 do Decreto n° 70.235/1972, é necessário converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora informe se o Parecer PGFN/CRJ/N o 287, de 10 de fevereiro de 2009, aplica-se ao presente caso. Em se aplicando, deve aquela autoridade: Intimar a contribuinte a apresentar as fichas financeiras do período correspondente ao recebimento da verba questionada (trabalhista, previdenciária) ou comprovantes de rendimentos, planilhas demonstrativas do cálculo da ação trabalhista, documentos referentes à expedição do precatório ou levantamento/recebimento da verba trabalhista e outros documentos que entender necessários para efeito de proceder ao cálculo do imposto; Elaborar relatório demonstrando o cálculo do imposto, apurado de acordo com tabelas anuais relativas aos anos-calendário em que as verbas eram efetivamente devidas, indicando claramente os critérios adotados para a correção dos valores. Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a recorrente deve ser cientificada do resultado da diligência, para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Ressalte-se que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 175DF CARF MF Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 17/11/2010 por TANIA MARA PASCHOALIN, 24/11/2010 por AMARYLLES REINALDI E H ENRIQUES
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Numero do processo: 10880.722427/2014-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ESCLARECIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. PARECERES DA CVM. EFEITOS.
A atividade consultiva desenvolvida pela CVM é direcionada a agentes do mercado ou qualquer investidor. Isso indica que essa atribuição conferida à CVM, pela Lei nº 6.385, de 1976, configura uma orientação ao setor privado. Em relação à natureza da incorporação de ações, a melhor solução, portanto, é a cisão dos efeitos produzidos pelo instituto jurídico para efeitos tributários e para efeitos societários.
NORMAS COMPLEMENTARES. PARECER NORMATIVO.
Constitui norma complementar de direito tributário parecer normativo publicado no Diário Oficial da União que, no silêncio da lei, e sem contrariar seus fundamentos, estabelece critério de apuração.
O Parecer Normativo Cosit nº 39 de 1981, não tinha o objetivo de elucidar a questão que aqui se discute, diretamente, e a Lei nº 7.713, de 1988, muito posterior a ele, e obviamente por ele não considerada, fundamenta o entendimento de ter havido, no caso, alienação da participação societária, em sentido amplo.
PESSOA FÍSICA. REGIME DE CAIXA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. CONCEITO NO CTN.
É possível reconhecer ganho de capital sem que o contribuinte receba qualquer montante de dinheiro, somente considerando o acréscimo econômico em seu patrimônio.
As regras diferentes, existentes na lei ordinária para pessoas jurídicas e pessoas físicas, são decorrências de política fiscal, e não de duas alternativas que seriam permitidas pelo art. 43 do CTN, além de que a definição do fato gerador, dada por este, é indistinta para todos os contribuintes.
CLÁUSULA DE LOCK-UP. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador, no caso, não é a alienação futura com eventual ganho, mas o acréscimo patrimonial que acontece no momento da incorporação das ações, havendo um plus, naquele momento, no patrimônio do contribuinte. O que ele fará com esse patrimônio, inclusive o compromisso de não aliená-lo, não afeta essa obrigação.
VALOR DAS AÇÕES NA INCORPORADORA. APURAÇÃO DO GANHO.
A partir do aumento de capital registrado na incorporadora, dividindo-se pela quantidade das ações transferidas, foi possível apurar o valor unitário das ações. Esse é o valor base para a apuração de eventual ganho.
Numero da decisão: 2202-003.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202-003.487, de 16/08/2016, manter a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ESCLARECIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. PARECERES DA CVM. EFEITOS. A atividade consultiva desenvolvida pela CVM é direcionada a agentes do mercado ou qualquer investidor. Isso indica que essa atribuição conferida à CVM, pela Lei nº 6.385, de 1976, configura uma orientação ao setor privado. Em relação à natureza da incorporação de ações, a melhor solução, portanto, é a cisão dos efeitos produzidos pelo instituto jurídico para efeitos tributários e para efeitos societários. NORMAS COMPLEMENTARES. PARECER NORMATIVO. Constitui norma complementar de direito tributário parecer normativo publicado no Diário Oficial da União que, no silêncio da lei, e sem contrariar seus fundamentos, estabelece critério de apuração. O Parecer Normativo Cosit nº 39 de 1981, não tinha o objetivo de elucidar a questão que aqui se discute, diretamente, e a Lei nº 7.713, de 1988, muito posterior a ele, e obviamente por ele não considerada, fundamenta o entendimento de ter havido, no caso, alienação da participação societária, em sentido amplo. PESSOA FÍSICA. REGIME DE CAIXA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. CONCEITO NO CTN. É possível reconhecer ganho de capital sem que o contribuinte receba qualquer montante de dinheiro, somente considerando o acréscimo econômico em seu patrimônio. As regras diferentes, existentes na lei ordinária para pessoas jurídicas e pessoas físicas, são decorrências de política fiscal, e não de duas alternativas que seriam permitidas pelo art. 43 do CTN, além de que a definição do fato gerador, dada por este, é indistinta para todos os contribuintes. CLÁUSULA DE LOCK-UP. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador, no caso, não é a alienação futura com eventual ganho, mas o acréscimo patrimonial que acontece no momento da incorporação das ações, havendo um plus, naquele momento, no patrimônio do contribuinte. O que ele fará com esse patrimônio, inclusive o compromisso de não aliená-lo, não afeta essa obrigação. VALOR DAS AÇÕES NA INCORPORADORA. APURAÇÃO DO GANHO. A partir do aumento de capital registrado na incorporadora, dividindo-se pela quantidade das ações transferidas, foi possível apurar o valor unitário das ações. Esse é o valor base para a apuração de eventual ganho.
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Embargante DULCE PUGLIESE DE GODOY BUENO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ESCLARECIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. PARECERES DA CVM. EFEITOS. A atividade consultiva desenvolvida pela CVM é direcionada a “agentes do mercado ou qualquer investidor”. Isso indica que essa atribuição conferida à CVM, pela Lei nº 6.385, de 1976, configura uma orientação ao setor privado. Em relação à natureza da incorporação de ações, a melhor solução, portanto, é a cisão dos efeitos produzidos pelo instituto jurídico para efeitos tributários e para efeitos societários. NORMAS COMPLEMENTARES. PARECER NORMATIVO. Constitui norma complementar de direito tributário parecer normativo publicado no Diário Oficial da União que, no silêncio da lei, e sem contrariar seus fundamentos, estabelece critério de apuração. O Parecer Normativo Cosit nº 39 de 1981, não tinha o objetivo de elucidar a questão que aqui se discute, diretamente, e a Lei nº 7.713, de 1988, muito posterior a ele, e obviamente por ele não considerada, fundamenta o entendimento de ter havido, no caso, alienação da participação societária, em sentido amplo. PESSOA FÍSICA. REGIME DE CAIXA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA. CONCEITO NO CTN. É possível reconhecer ganho de capital sem que o contribuinte receba qualquer montante de dinheiro, somente considerando o acréscimo econômico em seu patrimônio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 24 27 /2 01 4- 61 Fl. 2177DF CARF MF 2 As regras diferentes, existentes na lei ordinária para pessoas jurídicas e pessoas físicas, são decorrências de política fiscal, e não de duas alternativas que seriam permitidas pelo art. 43 do CTN, além de que a definição do fato gerador, dada por este, é indistinta para todos os contribuintes. CLÁUSULA DE LOCKUP. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador, no caso, não é a alienação futura com eventual ganho, mas o acréscimo patrimonial que acontece no momento da incorporação das ações, havendo um plus, naquele momento, no patrimônio do contribuinte. O que ele fará com esse patrimônio, inclusive o compromisso de não alienálo, não afeta essa obrigação. VALOR DAS AÇÕES NA INCORPORADORA. APURAÇÃO DO GANHO. A partir do aumento de capital registrado na incorporadora, dividindose pela quantidade das ações transferidas, foi possível apurar o valor unitário das ações. Esse é o valor base para a apuração de eventual ganho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202003.487, de 16/08/2016, manter a decisão embargada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Adoto como relatório, por bem descrever o litígio, as considerações efetuadas por ocasião do despacho de admissibilidade dos embargos, datado de 02 de fevereiro de 2017 (fl. 2.173): Tratam estes Embargos da decisão proferida no Acórdão nº 2202003.487 da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão plenária ocorrida em 16 de agosto de 2016, que consta das folhas 2.097 e seguintes, conforme numeração existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (arquivo .pdf). Na ementa temos que: Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.965 S2C2T2 Fl. 2.178 3 Exercício: 2012 INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA COM AUMENTO DE CAPITAL DA SOCIEDADE INCORPORADORA. ALIENAÇÃO. A incorporação de participação societária com aumento de capital da sociedade incorporadora não se resume a uma mera substituição das quotas de uma sociedade por quotas de outra sociedade, mas uma verdadeira alienação de participação societária que, embora não caracterizada pelo pagamento em dinheiro, caracterizase pela entrega de quotas da sociedade incorporada em subscrição de capital e, como contrapartida, há o recebimento de quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CLÁUSULA DE "LOCK UP". Na data em que se aprovou a referida operação, o ganho de capital esteve configurado, passando o patrimônio do contribuinte a um valor maior. Ele possui a disponibilidade sobre esse patrimônio, inclusive para assinar contrato particular com a outra parte, comprometendo se a não alienálo. O fato de assim comprometerse só demonstra a disponibilidade, do contrário, não poderia dispor daquilo que não é seu. APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa fiscal de natureza punitiva integra a obrigação tributária principal (art. 113) e, assim, o crédito tributário (artigo 139), estando sujeita à incidência de juros de mora (artigo 161, todos do CTN). TEMPESTIVIDADE Cientificada do Acórdão, pela abertura de arquivo eletrônico em 25/10/2016, como atesta a Unidade preparadora, na fl. 2.128, o contribuinte protocolou seu recurso em 26/10/2016, portanto, tempestivamente. ADMISSIBILIDADE O Embargante levanta a existência de vícios no acórdão embargado, em resumo argumentando que: a) o Voto vencedor não se manifestou sobre o entendimento da CVM e sua Procuradoria especializada, que foi reproduzido pelo contribuinte em seu recurso. Tal entendimento seria contrário às conclusões do Acórdão embargado e seria necessário expressar porque não se aplicaria ao caso em análise; b) da mesma forma, houve omissão em relação ao entendimento exposto no Parecer Normativo CST nº 39/1981; c) existe contradição quanto à argumentação empregada pelo Voto vencedor no que diz respeito à clausula de lockup, sendo necessário esclarecer o entendimento sobre momento da ocorrência do fato gerador; Fl. 2179DF CARF MF 4 d) existe obscuridade sobre o entendimento acerca de disponibilidade econômica ou jurídica da renda, para se aplicar a tributação ao caso; e) existe obscuridade sobre qual seria o custo de aquisição das ações discutidas. Pede o conhecimento e provimento de seu recurso, com a conseqüente reforma do Acórdão embargado. De acordo com o Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e dá outras providências: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. A ilustre Conselheira relatora do Acórdão embargado votou pelo provimento integral do recurso voluntário, em síntese estabelecendo que: 1 A discussão central do presente processo é complexa e gira em torno da operação denominada incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei nº 6.404/76, nos seguintes termos: ... 2 Para solução da controvérsia posta nos autos, entendo fundamental a análise das seguintes questões: a) A incorporação de ações pode ser definida como espécie de alienação prevista no artigo 3º, §3º da Lei 7.713/88? O recebimento das ações da empresa incorporadora pelos sócios da incorporada caracteriza integralização de capital com bens? c) a tributação do ganho apurado na incorporação das ações pode ser tributada pelo Imposto de Renda Pessoa Física, mesmo não tendo havido qualquer recebimento ou fluxo de recursos ? d) é possível apurar a base de cálculo levandose em conta a data da incorporação mesmo quando a operação está sujeita à condição suspensiva? 3 Conforme ressaltado pela Procuradoria da Fazenda, existe grande controvérsia quanto a natureza jurídica do instituto da Incorporação de Ações. Os pontos comuns em todas as manifestações (fiscalização, recorrente, procuradoria da fazenda) é o de que a incorporação de ações é uma modalidade de concentração empresarial em que se mantém a personalidade jurídica da companhia cujas ações são incorporadas, passando, assim, a ter um só acionista (subsidiária integral). 4 o CTN deu conta dos diversos regimes jurídicos utilizados para tributação, respectivamente, da renda das pessoas jurídicas e físicas. Ao disciplinar o imposto de renda das pessoas físicas, o legislador determinou que somente ocorrerá o fato gerador no momento da efetiva disponibilidade de recursos financeiros. Sendo assim, a realização da renda recebida pela Recorrente só ocorrerá no momento em que está dispuser das ações, por meio de alienação na Bolsa. Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.965 S2C2T2 Fl. 2.179 5 5 ainda que se entenda que houve alienação na operação de incorporação de ações e que esta configura acréscimo patrimonial dos sócios da sociedade incorporada, é importante atentar para especificidades da operação objeto do lançamento discutido nesses autos. De fato, o Voto vencedor (fl. 2114 e ss.) deixou de explicitar e analisar determinados aspectos do lançamento e do recurso, concentrandose apenas em pontuar e contradizer o Voto vencido, mesmo assim de forma insuficiente. A fim, especialmente, de garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório pelo contribuinte, entendo pela admissibilidade do presente recurso interposto, para que a Turma julgadora se manifeste expressamente sobre: a) a aplicação do entendimento da CVM e sua Procuradoria especializada, que foi reproduzido pelo contribuinte em seu recurso; b) a aplicação do entendimento exposto no Parecer Normativo CST nº 39/1981; c) o entendimento do conceito de "disponibilidade econômica ou jurídica da renda", para se aplicar a tributação ao caso; d) a existência da cláusula de lockup, sendo necessário esclarecer o entendimento sobre momento da ocorrência do fato gerador, e e) o custo de aquisição das ações discutidas, para fins de aplicação da tributação, e proponho que sejam conhecidos os Embargos Declaratórios, pelas razões acima expostas, com fundamento no artigo 65 e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Os embargos foram assim admitidos pelo ilustre Presidente desta Turma Ordinária, no uso de sua competência regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso interposto é tempestivo a atende as demais condições legais, conforme analisado no despacho de admissibilidade. No voto vencido do Acórdão embargado, a nobre Relatora dava provimento ao recurso do contribuinte, porque: a) adotou o posicionamento da corrente que entende que a Incorporação de Ações se caracteriza como permuta não havendo, portanto, ganho de capital a ser tributado pelo Imposto de Renda Pessoa Física. b) a realização da renda recebida pela Recorrente só ocorrerá no momento em que esta dispuser das ações da DASA, por meio de alienação na Bolsa. Antes disso, podese falar apenas em ganhos potenciais. Fl. 2181DF CARF MF 6 c) independente da posição adotada quanto a natureza jurídica da incorporação de ações, entendeu que o lançamento, tal como efetuado, não pode prevalecer. Em outras palavras, ainda que se entenda que houve alienação na operação de incorporação de ações e que esta configura acréscimo patrimonial dos sócios da sociedade incorporada, os novos acionistas da DASA não poderiam alienar suas ações pelo prazo de 2 anos (lock up). E foram essas as questões tratadas no voto vencedor, que, a seu turno, defendeu que: 1 em relação à questão do ganho de capital tributável, a vontade da Lei n.º 7.713, de 1988, artigo 3º, foi de atribuir acepção ampla, alcançando "todo tipo" de alienação, inclusive a incorporação societária. Citou o precedente Acórdão 2201003.254 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 12 de julho de 2016, no sentido de que "A operação de incorporação é uma subrogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas ações de outra empresa. Tal operação, ao gerar benefício para o contribuinte por qualquer forma, atrai a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, nos termos dos parágrafos 3º e 4º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88." 2 Ainda com base no voto vencedor do Acórdão supracitado, o qual disse adotar como razão de decidir, o voto vencedor trouxe que (fl. 2117): Alega a recorrente que, caso se entenda pela tributação, esta só poderia ocorrer quando do efetivo ingresso no patrimônio da contribuinte em face da aplicação do regime de caixa à apuração do imposto sobre a renda da pessoa física. Apóia seu argumento no artigo 2º da Lei nº 7.713/88. Não cabe razão ao Recorrente. Como acima exposto, quando da análise da incidência tributária, o parágrafo 4º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88 é claríssimo ao determinar que a incidência independe da forma de percepção dos proventos, bastando mero benefício do contribuinte. (sublinhei) Em relação ao primeiro ponto, foi transcrito ainda o Acórdão 2201002.960, de 08/03/2016, também adotado como fundamento para as conclusões: INCORPORAÇÃO SOCIETÁRIA COM AUMENTO DE CAPITAL DA SOCIEDADE INCORPORADORA. ALIENAÇÃO. A incorporação de participação societária com aumento de capital da sociedade incorporadora não se resume a uma mera substituição das quotas de uma sociedade por quotas de outra sociedade, senão em uma verdadeira alienação de participação societária que, embora não caracterizada pelo pagamento em dinheiro, caracterizase pela entrega de quotas da sociedade incorporada em subscrição de capital e como contrapartida o recebimento de quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado. 3 Em relação à cláusula de lockup, foi dito que "Na data em que se aprovou a referida operação, o ganho de capital esteve configurado, passando o patrimônio do contribuinte a um valor maior. Isso independe do que ele fará com seu patrimônio, agora aumentado, a partir daí. Ele possui a disponibilidade sobre esse patrimônio, inclusive para assinar contrato particular com a outra parte, comprometendose a não alienálo. O fato de Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.965 S2C2T2 Fl. 2.180 7 assim comprometerse só demonstra a disponibilidade, do contrário, não poderia dispor daquilo que não é seu". Assim, as razões que levaram o voto vencido a dar provimento ao recurso foram todas contraditadas, fundamentadamente, no voto vencedor. Ocorre que superadas esses tópicos, havia outros argumentos no recurso, a questionar a autuação. Sendo assim, foram admitidos os embargos, nos termos relatados, para que a Turma Julgadora possa expressamente posicionarse sobre os mesmos, garantindo às partes o regular desenvolvimento do processo, a ampla defesa e o contraditório. Passemos então a tratar pontualmente das questões admitidas. I a aplicação do entendimento da CVM e sua Procuradoria especializada, que foi reproduzido pelo contribuinte em seu recurso. Sustenta o Embargante que reproduziu diversos trechos da resposta proferida pelo Colegiado da CVM no tocante à consulta protocolizada pelo Sindicato das Corretoras de Valores do Estado de São Paulo, que reconhecera a "ausência de alienação na operação de incorporação de ações". Inicialmente, importante ressaltar que não existe nenhum dispositivo legal atribuindo força vinculante às manifestações da CVM em face da Administração Pública Tributária. Isso é o que se verifica ao analisar os dispositivos da Lei nº 6.385, de 1976 – que regulamenta a atuação da CVM. Aliás, especificamente no tocante à atribuição de órgão consultivo, desempenhada pela Procuradoria Federal Especializada junto à mencionada autarquia, convém transcrever o art. 13 da Lei: Art. 13. A Comissão de Valores Mobiliários manterá serviço para exercer atividade consultiva ou de orientação junto aos agentes do mercado de valores mobiliários ou a qualquer investidor. Parágrafo único. Fica a critério na Comissão de Valores Mobiliários divulgar ou não as respostas às consultas ou aos critérios de orientação. [destaques não constam do original] Assim, a atividade consultiva desenvolvida pela CVM é direcionada a “agentes do mercado ou qualquer investidor”. Isso indica que essa atribuição conferida pela Lei nº 6.385, de 1976, configura uma orientação ao setor privado, sem que haja qualquer menção à repercussão desse tipo de manifestação da CVM sobre as demais entidades e órgãos que integram a Administração Pública. Em 10 de maio de 2017, durante sessão plenária desta Turma Ordinária, no voto de Acórdão ainda não publicado, a ilustre Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que foi a relatora do Acórdão aqui embargado, proferiu o seguinte entendimento, com o qual concordo integralmente: Além disso, mesmo que exista um pronunciamento formal da CVM definindo a natureza jurídica de determinado ato, tal pronunciamento não será vinculante quanto a sua natureza fiscal. Nesse sentido, elucidativo o exemplo da Deliberação nº 207/96 da CVM que disciplinou a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio, sob o enfoque do acionista, como uma Fl. 2183DF CARF MF 8 participação no resultado. A pretensão dos contribuintes era de que a referida deliberação fosse vinculante o que determinaria a identificação do JCP aos dividendos. No entanto, o Ministro Mauro Campbell, ao definir a natureza jurídica do JCP no julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492/RS (submetido à sistemática do artigo 543 C do Código de Processo de Civil de 1973), fez clara distinção dos efeitos fiscais dos eventos societários, conforme se verifica pelo seguinte passagem do seu aditamento ao voto: Desse modo, optandose por um conceito único de JCP, sacrificamse, necessariamente, ou os propósitos tributários da Lei 9.249/95, ou os princípios societários, protegidos pelas Deliberações CVM nº 207/96 e 683/12. A melhor solução, portanto, é a cisão dos efeitos produzidos pelo instituto jurídico para efeitos tributários e para efeitos societários. (grifamos) Em face do exposto, a ausência de submissão de um ato de concentração empresarial ao CADE ou sua submissão errônea não gera sua nulidade e não pode, isoladamente, ser utilizada como prova da simulação. Dessa feita, o entendimento sobre ter natureza de alienação a operação em debate já foi exposto no voto vencedor, pareceres da CVM não são vinculantes para este CARF, especialmente em matéria tributária e, conforme entendimento do STJ, "A melhor solução, portanto, é a cisão dos efeitos produzidos pelo instituto jurídico para efeitos tributários e para efeitos societários". II a aplicação do entendimento exposto no Parecer Normativo CST nº 39/1981. A indagação contida no Parecer Normativo Cosit nº 39 de 1981 é a seguinte: Parecer Normativo CST nº 39 de 19/10/1981 Norma Federal Publicado no DO em 21 out 1981 Em face da previsão legal de não incidir o imposto de renda sobre o lucro auferido na alienação de participações societárias efetuada após decorrido o período de 5 anos da data da subscrição ou aquisição, em conformidade com o disposto no art. 40, § 5º, alínea d, do Regulamento baixado com o Decreto nº 85.450, de 04 de dezembro de 1980, indagase qual o termo de início do qüinqüênio legal se, em virtude de fusão, incorporação ou cisão, houver substituição dos títulos representativos da participação em sociedades que tenham realizado uma dessas operações. Como pode se observar, o Parecer foi proferido eminentemente para que se esclarecesse a questão da não incidência de imposto de renda sobre a alienação de ações após decorrido um período de 5 anos. Chamase atenção ainda que o referido ato normativo foi expedido em 1981, portanto antes da Lei nº 7.713, de 1988. Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.965 S2C2T2 Fl. 2.181 9 A questão da manutenção do direito à isenção de alienação de participação societária, após o período de 5 anos, também é objeto de calorosos debates neste CARF. Filio me, entretanto, ao seguinte entendimento: Acórdão nº 9202004.507 – 2ª Turma Sessão de 25 de outubro de 2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. O evento societário que aqui se discute ocorreu em 2011, portanto, não haveria que se falar, de acordo com o entendimento acima expresso, em isenção de imposto, para o caso. Ademais, como se fundamentou no Acórdão embargado, citando outras decisões deste CARF, o entendimento de que a operação constituise "alienação de ações" foi baseado na Lei nº 7.713, de 1988. Como se exigir a aplicação, sobre esse fundamento, de um Parecer proferido em 1981? Quando o Parecer foi proferido, o sistema jurídico era outro. Vejamos o que se disse, por exemplo, no Acórdão nº 1101001.013, Sessão de 03 de dezembro de 2013: NORMAS COMPLEMENTARES. PARECER NORMATIVO. Constitui norma complementar de direito tributário parecer normativo publicado no Diário Oficial da União que, no silêncio da lei, e sem contrariar seus fundamentos, estabelece critério de apuração a ser observado por todas as sociedades cooperativas. Aqui o que se entende é que a Lei nº 7.713, de 1988, muito posterior ao parecer suscitado, e obviamente por ele não considerada, fundamenta o entendimento de ter havido, no caso, alienação da participação societária, em sentido amplo. Lei 7.713, de 1988 Art. 3º Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) ... § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, Fl. 2185DF CARF MF 10 adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.(destaquei) III o entendimento do conceito de "disponibilidade econômica ou jurídica da renda", para se aplicar a tributação ao caso. Conforme Ricardo Mariz de Oliveira (em Revista do Superior Tribunal de Justiça. Brasília: STJ, v. 28, n. 242, abr./jun. 2016, p. 645. Disponível em https://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stjrevistaeletronica2016_242.pdf): Talvez muitos dos desentendimentos até hoje ocorridos se devam a que nem sempre se percebe que a disponibilidade da renda carrega em si a própria capacidade contributiva do contribuinte, de cujo princípio constitucional ela é reflexo na legislação infraconstitucional. (...) Desde os primórdios do CTN assentouse uma distinção muito elementar, que foi se estratificando com o tempo, segundo a qual a disponibilidade jurídica seria a aquisição do direito à percepção da renda e a econômica a posse efetiva da renda em moeda. Algumas vezes se associou a distinção ao tratamento diferenciado que a legislação ordinária dá às pessoas jurídicas, através do denominado “regime de competência”, e às pessoas físicas, através do “regime de caixa”. Mas tais explicações não resistem a uma crítica mais atenta, eis que as regras diferentes, existentes na lei ordinária para pessoas jurídicas e pessoas físicas, são decorrências de política fiscal, e não de duas alternativas que seriam permitidas pelo art. 43 do CTN, além de que a definição do fato gerador, dada por este, é indistinta para todos os contribuintes. (...) A doutrina corretamente aponta que a disponibilidade não significa necessariamente ter o direito relativo à renda, mas ter aquele “plus” que deve estar agregado ao direito à percepção da renda (o fato gerador é o direito à renda mais a possibilidade de dispor dela), “plus” que pode estar no pagamento já recebido, ou também em algum elemento que represente a possibilidade de transformar a renda facilmente em dinheiro, como, por exemplo, um direito de crédito líquido e certo que, se vencido, pode ser cobrado e executado, e, se vincendo, pode ser utilizado para outros fins econômicos, como uma garantia ou uma cessão de crédito. (destaquei) Não concordamos, portanto, com o Embargante na tese de que haja a distinção dada pela legislação ordinária às pessoas jurídicas, através do denominado “regime de competência”, e às pessoas físicas, através do “regime de caixa”, para concluir que para pessoas jurídicas o imposto incida na "disponibilidade jurídica" e para as pessoas físicas apenas quando e se houver a "disponibilidade econômica", pois seguimos o eminente tributarista acima citado no sentido de que "as regras diferentes, existentes na lei ordinária para pessoas Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.965 S2C2T2 Fl. 2.182 11 jurídicas e pessoas físicas, são decorrências de política fiscal, e não de duas alternativas que seriam permitidas pelo art. 43 do CTN, além de que a definição do fato gerador, dada por este, é indistinta para todos os contribuintes".(grifei) Conforme linha de raciocínio empregada no Acórdão embargado, a lei determina que serão consideradas ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Nesse ponto, a legislação ordinária se alinha ao conceito de renda do CTN, tendo em vista que será considerado acréscimo patrimonial o ingresso, no patrimônio do contribuinte, de bens cujo valor é superior àquele dos bens alienados – o que configura o fato gerador do imposto sobre a renda, na forma do art. 43 do CTN. Implica dizer que a lei tributária permite a tributação do ganho de capital, por meio do Imposto sobre a Renda, independentemente do pagamento em pecúnia ou em outros bens – como é o caso da dação em pagamento ou permuta. Assim, é possível reconhecer ganho de capital sem que o contribuinte receba qualquer montante de dinheiro, somente considerando o acréscimo econômico em seu patrimônio. Na mesma linha, o Superior Tribunal de Justiça já reconheceu a legitimidade da modalidade de incidência do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCORPORAÇÃO DE BENS IMÓVEIS DE PESSOA FÍSICA AO CAPITAL SOCIAL DE PESSOA JURÍDICA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL TRIBUTÁVEL. TAXA SELIC. LEGALIDADE. LEI N. 9.250/95. PRECEDENTES. SÚMULA N. 83 DO STJ. 1. É legítima a incidência do imposto de renda na transferência de bens imóveis do patrimônio de pessoa física, a título de integralização do capital social, por se constituir acréscimo patrimonial tributável. 2. O art. 161 do CTN, ao ressalvar, expressamente, no seu § 1º, "se a lei não dispuser de modo diverso", elide o suposto vício de ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, por se encontrar devidamente prevista no art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95. 3. ´Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida´ – Súmula n. 83 do STJ. 4. Agravo regimental improvido. (grifos acrescidos)1 (AgRg no Ag 569.009/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/08/2005, DJ 19/09/2005, p. 259) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. 1. Há incidência tributária sobre o negócio jurídico que resulta na incorporação de bens de sócios para aumentar o capital da pessoa jurídica. 2. Aplicação do princípio da legalidade. Aumento de renda. Fl. 2187DF CARF MF 12 3. Precedentes: REsp 41.314/RS; REsp 260.499/RS; REsp 142.853/SC. 4. Recurso parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.2 (grifos acrescidos) (REsp 1027799/CE, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/06/2008, DJe 20/08/2008) IV a existência da cláusula de lockup, sendo necessário esclarecer o entendimento sobre momento da ocorrência do fato gerador. A existência da cláusula de lock up já foi expressamente tratada no voto vencedor do Acórdão embargado, concluindose, conforme disposto na ementa, que: MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IRPF. GANHO DE CAPITAL. CLÁUSULA DE "LOCK UP". Na data em que se aprovou a referida operação, o ganho de capital esteve configurado, passando o patrimônio do contribuinte a um valor maior. Ele possui a disponibilidade sobre esse patrimônio, inclusive para assinar contrato particular com a outra parte, comprometendose a não alienálo. O fato de assim comprometerse só demonstra a disponibilidade, do contrário, não poderia dispor daquilo que não é seu. O Embargante diz que há contradição no voto vencedor. Esclarecemos que o entendimento do voto vencedor é no sentido de que a cláusula de lockup não impede a ocorrência do fato gerador. O fato de o detentor das ações celebrar contrato particular com a pessoa jurídica para não alienar o bem por determinado período de tempo não impede que nasça a obrigação tributária. Pelo que vimos aqui sustentando, o fato gerador não é a alienação futura com eventual ganho, mas o acréscimo patrimonial que acontece no momento da incorporação das ações, havendo um plus, naquele momento, no patrimônio do contribuinte. O que ele fará com esse patrimônio, inclusive o compromisso de não alienálo, não afeta essa obrigação. Portanto, o momento da ocorrência do FG em questão é 05/11/2011, data em que realizou se a AGE da DASA que aprovou a incorporação das ações da MD1. V o custo de aquisição das ações discutidas, para fins de aplicação da tributação. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 14) consta que: DULCE PUGLIESE DE GODOY BUENO informou o valor de R$ 36.571.662,60 para o custo de aquisição das ações da MD1 até então detidas. Comprovou, ainda, ter arcado com R$ 8.798.828,53 na operação, valor pago ao Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A a título de intermediação do negócio e despesas incorridas. Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 10880.722427/201461 Acórdão n.º 2202003.965 S2C2T2 Fl. 2.183 13 Portanto, o custo de aquisição é R$ 36.571.662,60, sendo consideradas ainda, na apuração do ganho de capital, despesas incorridas com a intermediação do negócio. Para as ações recebidas pela DASA, concordo com o que foi disposto no TVF, fl. 13: Observese que o aumento do capital social da DASA corresponde justamente ao resultado da multiplicação da quantidade de ações emitidas pelo seu preço de emissão, ou seja, R$ 1.832.043.519,75 = 82.191.275 x R$ 22,29. Observe se também que a relação de substituição resulta exatamente do quociente entre a quantidade de ações da MD1 transferidas e a quantidade de ações da DASA emitidas, ou seja, 0,94134556 = 77.370.392 / 82.191.275. 13. Consequentemente, a partir de 05/01/2011 os exacionistas da MD1 tornaramse acionistas da DASA, com as seguintes participações: Quantidade Valor un. Valor das ações Dulce 36.034.265 22,29 803.203.766,85 CONCLUSÃO Assim, esperase ter esclarecido as questões levantadas em sede de embargos de declaração e VOTO no sentido de acolher os embargos para, sanando os vícios apontados, prestar os esclarecimentos devidos e manter o Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 2189DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.725081/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.867
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 81 /2 01 2- 52 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.725081/201252 Acórdão n.º 3302003.867 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.434. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.725081/201252 Acórdão n.º 3302003.867 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.725081/201252 Acórdão n.º 3302003.867 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.725081/201252 Acórdão n.º 3302003.867 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10469.725081/201252 Acórdão n.º 3302003.867 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910831/2009-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/03/2003
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.850
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/03/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/03/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 31 /2 00 9- 08 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11065.910831/200908 Acórdão n.º 9303004.850 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.144, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/03/2003 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/03/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11065.910831/200908 Acórdão n.º 9303004.850 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11065.910831/200908 Acórdão n.º 9303004.850 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11065.910831/200908 Acórdão n.º 9303004.850 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 16832.000664/2009-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA - AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011
O cálculo da multa pela omissão em GFIP encontra-se diretamente relacionado com a procedência da autuação em relação a obrigação principal, dada a sua natureza acessória.
Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deu-se na modalidade "in natura", o lançamento enquadra-se na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida in natura, sob a forma de utilidades.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir do cálculo da multa, os fatos geradores excluídos do lançamento de obrigação principal, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento integral. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA - AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011 O cálculo da multa pela omissão em GFIP encontra-se diretamente relacionado com a procedência da autuação em relação a obrigação principal, dada a sua natureza acessória. Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deu-se na modalidade "in natura", o lançamento enquadra-se na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida in natura, sob a forma de utilidades. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir do cálculo da multa, os fatos geradores excluídos do lançamento de obrigação principal, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento integral. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011 O cálculo da multa pela omissão em GFIP encontrase diretamente relacionado com a procedência da autuação em relação a obrigação principal, dada a sua natureza acessória. Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deuse na modalidade "in natura", o lançamento enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, sob a forma de utilidades. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 64 /2 00 9- 62 Fl. 222DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir do cálculo da multa, os fatos geradores excluídos do lançamento de obrigação principal, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento integral. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 9202005.260 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.240.4464, CFL 68, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 06/08/2009, no valor de R$ 106.334,40, por ter deixado de informar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, a totalidade das remunerações dos segurados constantes das folhas de pagamento, as despesas com alimentação apuradas na conta contábil 4.1.2.02.01.00808, vez que não possui inscrição no PAT e pagamentos das verbas trabalhistas relativas às Conciliações Trabalhistas contabilizadas na conta 4.1.2.02.01.00256, nas competências 01/2005 a 09/2005. Conforme relatório fiscal, tais omissões constituem infração ao artigo 32, inciso IV e §5º da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e §4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. A multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 32, §5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso II (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/2003) e 373, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS/MF nº 48, de 12/02/2009. Foi feita a comparação entre a multa anterior e a multa de ofício, aplicandose a mais benéfica ao contribuinte. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo totalmente o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 20/06/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.111, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 33A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. Fl. 224DF CARF MF 4 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR – PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO – GFIP – APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91. APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. ART. 106, II, C, CTN. Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 20/09/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 07/10/2013, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 24001132/2013, da 4ª Câmara, de 08/11/2013. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 9202005.260 CSRFT2 Fl. 4 5 · O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403002.111, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 18/08/2014, o contribuinte apresentou, antes mesmo de receber a intimação pelos Correios, em 01/07/2014, contrarrazões e Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 24000/2015, da 4ª Câmara, de 06/11/2015. Em seu recurso, o contribuinte aponta, como divergência jurisprudencial, a forma de cálculo adotada para determinação da multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106 do CTN: enquanto o paradigma apresentado definiu a penalidade mais benéfica comparandose o valor aplicado no auto com aquele calculado conforme o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, o aresto hostilizado fixou a penalidade mais favorável pela comparação com o inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. · Ressalta a similitude fática entre o presente caso e o julgado através do acórdão paradigma, já que em ambos os casos se discutiu a aplicação do princípio da retroatividade benigna em auto de infração lavrado para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória, por não ter informado em GFIP a totalidade das remunerações pagas. E, ao contrário do que se entendeu no acórdão recorrido, no acórdão paradigma restou consignado que a aplicação da multa de 75% é única, contemplando tanto o inadimplemento quanto a apresentação de declaração com informação inexata. · Por fim, solicita a extinção do presente auto de infração, tendo em vista que foi lavrado para cobrança de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, dada a subsistência das multas aplicadas nos autos de infração correlatos. Ainda, na hipótese de se entender pela manutenção deste auto de infração, solicita a exclusão da multa em relação à parcela dos autos de infração em apenso lavrados por descumprimento de obrigação principal julgados parcialmente improcedentes. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que: · o acórdão recorrido, ao determinar o recálculo da multa de mora com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, a fim de prevalecer a mais benéfica ao contribuinte, apenas aplicou o princípio da retroatividade benigna, insculpido no art. 106, II, “c”, do CTN. Fl. 226DF CARF MF 6 · no presente caso, o acórdão recorrido determinou “que se recalcule a multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009”; já, a Fazenda Nacional requereu que se verifique qual a multa mais benéfica, entendendo que deverá ser comparada a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) com a multa prevista no art. 35A, em sua redação dada pela Lei nº 11.941/09. · que esse cotejo solicitado pela Fazenda Nacional já será feito nos três autos de infração lavrados para a cobrança das obrigações principais, nos quais já foi determinada a aplicação da multa menos gravosa, em atenção ao art. 106, II, “c”, do CTN; e que, considerandose o entendimento consignado no segundo paradigma apresentado pela Fazenda no sentido de que a aplicação da multa de ofício é única, contemplando tanto o inadimplemento quanto a apresentação de declaração com informação inexata, deve ser julgado extinto o presente auto de infração, tendo em vista que foi lavrado para cobrança de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória e, ainda, que está vinculado a outros três autos de infração para cobrança de obrigação principal. Cientificada do Recurso Especial do Contribuinte em 11/11/2015, a Fazenda Nacional apresentou em 20/11/2015, portanto, tempestivamente, contrarrazões, onde alega: § que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. § que, nesse contexto, impende considerar que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais. § Tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que dispõe: · Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). · I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(...) § que a redação do art. 35A é clara: efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, Fl. 227DF CARF MF Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 9202005.260 CSRFT2 Fl. 5 7 deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). § que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; e, por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. § que no caso presente houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). § que, nessa linha de raciocínio, o presente Auto de Infração e a NFLD correspondente devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449/08, tal como ressalvado no recurso especial fazendário. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Recurso Especial do Sujeito Passivo O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 213. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito O primeiro ponto que merece conhecimento, tendo em vista que a obrigação acessória de omissão em GFIP encontrase diretamente relacionada a identificação do conceito de salário de contribuição, importante destacar que a exclusão de verbas na apreciação do auto de obrigação pricipal, produz reflexos diretos na obrigação acessória, razão pela qual entendo deva ser excluídao do cálculo da multa de obrigação acessória, os fatos geradores descritos na obrigação principal, razão pela qual transcrevo ementa da decisão adotada para as obrigações principais. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011 Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deuse na modalidade "in natura", o lançamento enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, sob a forma de utilidades. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 9202005.260 CSRFT2 Fl. 6 9 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Considerando restar demonstrado que a alimentação foi fornecida in natura, na forma de fornecimento de lanches e reeições, devese ecluir do cálculo da multa o levantamento “Despesas com lanches e refeições” razão pela qual DOU PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO. Já com relação ao recurso especial do Contribuinte, sua apreciação será feita em conjunto com o da Fazenda Nacional, considerando que ambos buscam identificar a melhor interpretação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN em relação a aplicação dos art. 32 e 32A da lei 8212/91. Recurso Especial da Fazenda Nacional O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 112. Contudo, considerando a argumentação pela ausência de similitude fática, convém analisar um pouco melhor a questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Fl. 230DF CARF MF 10 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 9202005.260 CSRFT2 Fl. 7 11 benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 232DF CARF MF 12 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 9202005.260 CSRFT2 Fl. 8 13 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 234DF CARF MF 14 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16832.000664/200962 Acórdão n.º 9202005.260 CSRFT2 Fl. 9 15 dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Apresentada a tese descrita pela Portaria n. 14, mostrase inviável acatar simultaneamente os argumentos do sujeito passivo e da PGFN, tendo em vista consistirem em teses excludentes. Conforme trazido anteriormente, o que o recorrente busca é a aplicação da tese a retroatividade benigna seja aplicada do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ou seja, segundo a tese prevista na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 não há como aplicar as teses isoladamente, como proposto no acórdão recorrido, mas sua análise, para apuração da norma mais benéfica, presume o somatório das multas decorrentes de obrigação principal e acessória (pela não informação em GFIP) em confronto com o novo dispositivo do art. 35_A, conforme determinado o presente voto. Assim, a fiscalização só determinou a aplicação das multas simultaneamente, quando constatado que essa regra é mais benéfica ao contribuinte do que a atual regra descrita no art. 44 da lei 9430. Em face ao exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 236DF CARF MF 16 Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER dos recursos Especiais do Sujeito passivo e da Fazenda Nacional, para, em relação ao Recurso Especial do Sujeito Passivo DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que se exclua do cálculo das multas os fatos geradores excluídos dos autos de infração de obrigação principal. Já em relação ao Recurso Especial da PGFN, voto por DARLHE PROVIMENTO para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003583/2004-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 17/05/2006
HEDGE. CRÉDITO SOBRE PERDA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL.
Reconhece-se o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração.
COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins não-cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa dos créditos presumidos de Hedge, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que também reconhecia o direito ao crédito nas despesas com frete e armazenagem.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 10/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 17/05/2006 HEDGE. CRÉDITO SOBRE PERDA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Reconhece-se o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifesta-se fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins não-cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 17/05/2006 HEDGE. CRÉDITO SOBRE PERDA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. DILIGÊNCIA FISCAL. Reconhecese o direito creditório, quando a autoridade lançadora, na fase de defesa e diligência, manifestase fundamentadamente pela retificação do lançamento fiscal em razão da constatação de direito do contribuinte e da existência de fatos que não caracterizam infração. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE E ARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa dos créditos presumidos de Hedge, parcialmente vencida a Conselheira Lenisa Prado que também reconhecia o direito ao crédito nas despesas com frete e armazenagem. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 35 83 /2 00 4- 24 Fl. 334DF CARF MF 2 Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 10/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário proposto pela Recorrente, CRYSTALSERV COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA, em face da decisão proferida pela douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que entendeu por bem manter a decisão da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto que não homologou a compensação apresentada pela Recorrente por insuficiência de créditos passíveis de compensação. Pelo o que se depreende dos autos, a Recorrente apresentou, perante a Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto (SP), declaração de compensação, indicando créditos de COFINS relativos a pagamentos com fretes e armazenagem e sobre operações de Hedge. Ocorre que, em procedimento administrativo fiscal anterior à análise do presente pedido de compensação, foi constado que a Recorrente, ao invés de possuir créditos da referida contribuição, em verdade, possuía débitos passíveis de pagamento, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração de nº 15956.000314/200856 para constituição e cobrança do crédito tributário. Neste sentido, foi o relato do acórdão recorrido. Confirase: Na informação fiscal (fls. 116/118), que acompanha o despacho denegatório, foi relatado, em breve resumo, que do cálculo do crédito da Cofins demonstrado na ficha 06 do DACON, referentes do 1º ao 4 ºtrimestre de 2004, foram glosados valores relativos a pagamentos com fretes e armazenagem anexo V e glosa do excesso de crédito presumido calculado sobre operações de Hedge anexo III. Igualmente, efetuou ajustes na ficha 07 do DACON, referente a receitas que não podem ser consideradas como de exportação, resultando num novo valor de Cofins devida, apurada após esgotados os créditos já ajustados, resultando no saldo devedor, no mês, de R$ 680.312,60. Assim, no mês de maio de 2004, inexistia valor de créditos de Cofins a serem compensados”. (fls. 238 e seguintes) O referido Auto de Infração encontrase pendente de julgamento nesta Turma de Julgamento, também de relatoria deste Relator. A DRJ/Ribeirão Preto/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 247263), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/05/2006 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10840.003583/200424 Acórdão n.º 3302004.101 S3C3T2 Fl. 3 3 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPLEMENTO DE PREÇO. SISCOMEX. As receitas vinculadas a exportação, para que sejam reconhecidas para fins de gozo de benefício fiscal, obrigatoriamente deverão ser referenciadas à nota fiscal de exportação original e registradas no Siscomex. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio constituemse em receitas financeiras, incluindose na base de cálculo da contribuição. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA A aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação por empresas comerciais exportadoras goza do benefício da nãoincidência, que, por conseqüência natural do regime da nãocumulatividade da contribuição, resulta na inexistência do direito à apuração de crédito pela empresa comercial exportadora adquirente das mercadorias. COMERCIAL EXPORTADORA. DESPESAS DE FRETE EARMAZENAGEM. CRÉDITO. Por expressa vedação legal, a empresa comercial exportadora não pode calcular créditos sobre despesas de frete e armazenagem para fins de apuração da Cofins nãocumulativa. HEDGE. CRÉDITOS SOBRE PERDAS. O crédito presumido relativo a perdas com hedge verificase quando, em determinado período de apuração mensal, as perdas superam os ganhos totais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/05/2006 DECORRÊNCIA. REVISÃO DE CRÉDITO DA COFINS. Tendo a apuração do crédito da Cofins sido objeto de análise e revisão em procedimento fiscal anterior, a decisão ali adotada, deve ser igualmente aplicada neste processo, pois foi baseada nas mesmas razões de direito e nos mesmos elementos de prova. Às fls. 274300, consta recurso voluntário apresentado tempestivamente pela Recorrente que, após fazer relato dos fatos, traz as seguintes alegações, em resumo: Que faz jus aos créditos de PIS e COFINS oriundos de gastos com frete e armazenagem, mesmo sendo uma empresa comercial exportadora, uma vez que, caso não lhe seja concedido este direito de creditamento, restará violado o princípio da nãocumulatividade das referidas contribuições. · Que a fiscalização se equivocou ao não reconhecer os créditos presumidos calculados sobre as perdas financeiras nas operações de HEDGE e que a sistemática de apuração dos referidos créditos, que foi adotada pela Recorrente, é a prevista na legislação em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 336DF CARF MF 4 I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 05.05.2011 (fls.265) e protocolou Recurso Voluntário em 06.06.2011 (fls. 274300) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito Do que se extraí dos autos, trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nãocumulativa de maio de 2004, no valor de R$ 78.256,87, com débito de responsabilidade da Recorrente, sendo que os créditos utilizados pelo contribuinte relativos a pagamentos com fretes e armazenagem e sobre operações de Hedge estão vinculados ao lançamento de ofício objeto do processo nº 15956.000314/200856. Os fundamentos fáticos e jurídicos defendidos pela Recorrente correspondem aos mesmos fundamentos fáticos e jurídicos julgados no referido processo, cujo resultado deve ser refletido no julgamento deste processo administrativo. No processo nº 15956.000314/200856 de relatoria deste Relator, restou decidido no Acórdão de nº 3302004.107: (i) pela manutenção das glosas relativas aos créditos de Cofins apurados pela Recorrente sobre as despesas de frete e armazenagem, com fundamento no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003; e (ii) pela reversão da glosa atinente aos créditos oriundos de operações de Hedge, conforme se verifica no trecho abaixo: III.1 Créditos sobre despesas de frete e armazenagem na exportação Segundo a fiscalização, há expressa vedação legal à apuração de créditos vinculados à receita de exportação, conforme artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, sendo que a empresa comercial exportadora não pode apurar créditos vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, tampouco referente a quaisquer encargos e despesas atinentes a tal exportação, a saber: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10840.003583/200424 Acórdão n.º 3302004.101 S3C3T2 Fl. 4 5 Já a Recorrente, alegou que mais do que comercial exportadora, é pessoa jurídica exportadora, o que lhe assegura o crédito nas aquisições vinculadas às suas receitas de exportação, conforme o art. 6º da Lei nº 10.833, notadamente os previstos no art. 3º, IX. Que os “serviços acessórios contratados pelo contribuinte no desempenho de suas atividades não estão abarcados pela isenção ou nãoincidência do imposto, ou seja, os respectivos prestadores são contribuinte da COFINS, motivo pelo qual, é assegurado o direito de tomada de crédito relativo a estas despesas”, sendo que obstar tal crédito seria uma afronta à sistemática nãocumulativa. Alegou, ainda, que o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, no qual teria se baseado a autoridade fiscal para negar o direito ao crédito, vedou a apropriação de créditos nas aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições, ratificando o disposto no art. 3º, § 2º, II da mesma lei, “não se aplicando aos demais bens e serviços adquiridos com o pagamento de tais contribuições, os quais, ainda que ‘vinculados à receita de exportação’, não se confundem com a operação incentivada das comercias exportadoras de ‘venda com fim específico de exportação”. Pois bem. Em que pese os argumentos tecidos pela Recorrente, não há como deixar de aplicar ao presente caso, ainda que sua consequência acarrete na quebra da não cumulatividade, a vedação expressa contida no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, que impede a utilização de créditos vinculados à receita de exportação. Isto porque, o §4º, do artigo 6º, da referida Lei, ao remeter seus efeitos ao §1º, daquele artigo, que por sua vez, o vincula ao artigo 3º, da citada norma, estendeu os efeitos da vedação, destinada a empresa comercial exportadora, a todas hipóteses de creditamento previstas nos incisos desse último artigo. Além disso, pela própria dicção do §4º, verificase que a intenção do legislação foi de restringir o direito ao crédito do PIS e da COFINS a todas despesas vinculadas à receita de exportação e, não apenas em relação as mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições. Neste sentido, transcrevo as ementas extraídas dos processos consulta nºs 354/09 e 69/12, da Superintendência Regional da Receita Federal SRRF, 8ª e 4ª Região Fiscal, no sentido de vedar a apuração de créditos na forma do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2003 sobre despesas vinculadas à exportação, a saber: EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. É vedado à empresa comercial exportadora apurar créditos da Cofins, na forma do disposto no art.3º, da Lei nº 10.833, de 2003, relativamente a despesas de frete, armazenagem, aluguel, energia elétrica, depreciação de maquinários, despesas com água e outras assemelhadas, por expressa disposição legal contida no art. 6º, §4º, do mesmo diploma. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARMAZENAGEM. Poderá ser descontado crédito relativo à Cofins calculado sobre a despesa com armazenagem de mercadoria a ser exportada, desde que não se trate de empresa comercial exportadora, que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, e atendidos os demais requisitos normativos e legais pertinentes. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, com alterações, arts.3º, IX, e 6º, §1º. Fl. 338DF CARF MF 6 No presente caso, a Recorrente, na qualidade de empresa comercial exportadora, adquiriu mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando, assim, por total imposição normativa, vedado o aproveitamento de crédito. Portanto, independentemente do fato de incidir a COFINS sobre as despesas de frete e armazenagem, fato é que a legislação veda a tomada de créditos quando referidas despesas estão vinculadas à exportação. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização que glosou os créditos apurados pela Recorrente com fundamento no artigo 6º, §4º, da Lei nº 10.833/2003. III.2 Crédito Presumido: Operação de Hedge O relatório de diligência fiscal assim se pronunciou sobre o tema: "38. Quanto a segunda questão, verificar se a base de cálculo adotada pela interessada em relação às receitas financeiras foi o valor das variações ativas (utilizando como crédito as variações passivas) ou o resultado (diferença entre as variações ativas e passivas). 39. Analisando as planilhas ANEXO II e III doc. pág. (202 e 203) do processo 15956.000314/200856 a fiscalização utilizou como base a diferença entre a variação do ganho e da perda do hedge. Em decorrência dessa apuração, a fiscalização realizou glosas em decorrência dessa apuração sobre o valor líquido apurado. 40. E, conforme rege a legislação na época dos fatos fev/04 a dez/04 o artigo 84 da Lei 10.833/03, em sua redação original, permitiu às pessoas jurídicas não financeiras o desconto de créditos da COFINS calculados sobre as perdas apuradas nas operações de hedge, conforme transcrição abaixo: Art. 84. A pessoa jurídica nãofinanceira, sujeita à incidência não cumulativa da COFINS, que realizar operações de hedge em bolsa de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão, poderá apurar crédito calculado sobre o valor das perdas verificadas no mês, nessas operações, à alíquota de até 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito do disposto no caput, consideramse hedge as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) I estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; e (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) II destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O crédito presumido a que se refere o caput, no caso das operações de hedge realizadas no mercado de balcão, somente será admitido quando referidas operações forem registradas nos termos da legislação vigente. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o O disposto neste artigo fica limitado às operações que atendam às normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, que poderá observar, na caracterização das operações de hedge, critérios Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10840.003583/200424 Acórdão n.º 3302004.101 S3C3T2 Fl. 5 7 estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários.(Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) 41. Cabe, conforme §2º, do art.84 da Lei 10.833/03, a retificação dos valores glosados e acatar o valor do crédito presumido de hegde conforme planilha elaborada pela impugnante doc. pág. (1.1661.170) do processo 15956.000314/200856, especificamente a linha 22Outros Créditos a Descontar Crédito Presumido de Hedge. Por sua vez, a Recorrente concordou com a conclusão do relatório de diligência, conforme se verifica na manifestação carreada às fls. fls.2.1692.201, tornandose, assim, incontroverso o direito do contribuinte apurar e utilizar os créditos relativos as operações de Hedge, cujo montante apurado perfaz a quantia de R$ 273.082,03 (vide planilha carreada às fls. 1.171). Deste modo, a glosa atinente aos créditos oriundos de operações de Hedge deve ser totalmente revertida. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000421/2008-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. GLOSA DE DESPESAS COM AERONAVES.
Quando os aspectos fáticos analisados pelo acórdão recorrido e pelos acórdãos paradigmas justificam as decisões distintas, fica inviabilizado o processamento do recurso especial de divergência.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA. AGROINDÚSTRIA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL DO CUSTO DOS POMARES DE LARANJA. IMPOSSIBILIDADE.
A produção de suco de laranja por agroindústria, por não se enquadrar no art. 2º da Lei n° 8.023/1990, não pode ser qualificada como atividade rural, de modo que não é cabível o gozo do benefício da depreciação integral previsto no art. 6º da Medida Provisória n° 2.159-70/2001. O escopo da lei é que a tributação favorecida (pela depreciação integral) seja dada para a apuração do resultado da atividade rural. Não há dúvida de que o custo dos pomares compõe o preço final do suco de laranja, compondo também o resultado da agroindústria. Sendo assim, esse custo, que está contabilizado no ativo imobilizado da empresa, não pode ser depreciado integralmente, de uma só vez.
Numero da decisão: 9101-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto (i) à glosa de despesas com aeronaves. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial quanto (ii) à glosa da depreciação acelerada dos bens do ativo imobilizado utilizados na atividade rural e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto (i) à glosa de despesas com aeronaves. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial quanto (ii) à glosa da depreciação acelerada dos bens do ativo imobilizado utilizados na atividade rural e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. GLOSA DE DESPESAS COM AERONAVES. Quando os aspectos fáticos analisados pelo acórdão recorrido e pelos acórdãos paradigmas justificam as decisões distintas, fica inviabilizado o processamento do recurso especial de divergência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA. AGROINDÚSTRIA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL DO CUSTO DOS POMARES DE LARANJA. IMPOSSIBILIDADE. A produção de suco de laranja por agroindústria, por não se enquadrar no art. 2º da Lei n° 8.023/1990, não pode ser qualificada como atividade rural, de modo que não é cabível o gozo do benefício da depreciação integral previsto no art. 6º da Medida Provisória n° 2.15970/2001. O escopo da lei é que a tributação favorecida (pela depreciação integral) seja dada para a apuração do resultado da atividade rural. Não há dúvida de que o custo dos pomares compõe o preço final do suco de laranja, compondo também o resultado da agroindústria. Sendo assim, esse custo, que está contabilizado no ativo imobilizado da empresa, não pode ser depreciado integralmente, de uma só vez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 04 21 /2 00 8- 49 Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto (i) à glosa de despesas com aeronaves. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial quanto (ii) à glosa da depreciação acelerada dos bens do ativo imobilizado utilizados na atividade rural e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Cristiane Silva Costa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual ela alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto a duas matérias: glosa de despesas com aeronaves; e glosa da depreciação acelerada dos bens do ativo imobilizado utilizados na atividade rural. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1401000.702, de 16/01/2012, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu manter as autuações fiscais de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2003 a 2008, que decorreram das glosas das rubricas acima mencionadas. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Durante os procedimentos de fiscalização, caso a autoridade fiscal encontre provas ou um conjunto de indícios convergentes que seja hábil a desconstituir a presunção legal da veracidade da escrituração contábil, reunindo os elementos Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 4 3 caracterizadores da infração, caberá ao contribuinte comprovar a impossibilidade de aquele lançamento prosperar. PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA. ATIVIDADE RURAL. AGROINDÚSTRIA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL. A produção de suco de laranja por agroindústria, por não observar os requisitos previstos no art. 2º da Lei n° 8.023/1990, não pode ser qualificada como atividade rural, de modo que não é cabível o gozo do benefício da depreciação integral previsto no art. 6º da Medida Provisória n° 2.15970/2001. ATIVIDADE RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. A aplicação de equipamentos e utensílios que contrastam com aqueles usualmente empregados nas atividades rurais descaracteriza a atividade de transformação de produtos decorrentes da atividade rural, para efeitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devendo o registro dos rendimentos correspondentes constar como receitas da atividade geral. DESPESAS COM AERONAVES. GLOSA. As despesas da pessoa jurídica passíveis de dedução na apuração do lucro tributável são aquelas previstas em lei como sendo essenciais para o funcionamento da empresa e o atendimento de seu objeto social. A utilização de aeronaves privadas, quando voltadas para o desenvolvimento de atividades diretamente relacionadas ao objeto da empresa, permite que os seus custos sejam deduzidos da base de formação do imposto de renda. No entanto, havendo comprovação de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados, as despesas correspondentes são passíveis de glosa, principalmente pela ausência de segregação dos custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa daqueles relacionados à utilização para fins estranhos ao objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, (I) por unanimidade, em rejeitar as preliminares e no mérito, (II) pelo voto de qualidade, negar provimento em relação à glosa das despesas de depreciação acelerada, vencidos o Relator, o Conselheiro Maurício Pereira Faro que davam integral provimento, e a Conselheira Karem Jureidini Dias que acompanhava pelas conclusões dando provimento parcial por entender que foi descumprida a condição de as matérias primas serem exclusivas do produtor, o que ensejaria a proporcionalização; e (III) por maioria de votos, negar provimento em relação à glosa de despesas de aeronaves, vencida a conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 5 4 No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos relativamente às matérias acima referidas. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: 1. MATÉRIAS DEBATIDAS NOS PRESENTES AUTOS 1.1 GLOSA DE DESPESAS COM AERONAVES a fiscalização glosou todos os gastos efetuados com as aeronaves da empresa (arrendamento mercantil, funcionamento e manutenção). Apesar de ressaltar o caráter global das operações da empresa e a magnitude de sua atividade econômica, por ter encontrado, dentro de uma pequena amostra do total de vôos, uma fração dessa amostra em que a utilização foi não operacional, o i. Fiscal decretou a indedutibilidade de todas as despesas; da forma como foi promovida a glosa das despesas relacionadas ao transporte aéreo, a tributação sugere um cenário em que a ora Recorrente não teria utilizado sequer uma "horavôo" em finalidade operacional. No entanto, tal cenário não é crível, diante mesmo das constatações da fiscalização sobre o porte da empresa e do fato de que a quase totalidade de sua gigantesca produção de suco de laranja é vendida, pela recorrente, no exterior; ou então, o que se deu foi um abandono abrupto do dever de fiscalizar, de investigar a materialidade tributável, com a assunção ilegítima de que todas as vultosas despesas operacionais com as aeronaves poderiam ser glosadas a partir de apontamento parcial de utilização pessoal das aeronaves. Vale pontuar, apenas para a presente introdução, que a empresa sempre contemplou o uso residual daqueles bens pelos sócios da empresa, em vôos não operacionais, tanto que os mesmos efetuaram reembolso para a pessoa jurídica; o fato é que, depois de sucinta intimação devidamente atendida pela empresa, a fiscalização promoveu a exacerbada glosa em referência; como será evidenciado no presente recurso especial, o procedimento adotado para lastrear a glosa não encontra fundamento válido no sistema tributário pátrio, e destoa da jurisprudência deste E. Conselho Administrativo. A divergência será demonstrada analiticamente, e as razões para reforma do julgado recorrido virão na seqüência; 1.2 GLOSA DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO UTILIZADOS NA ATIVIDADE RURAL o lançamento afastou a apropriação acelerada das despesas de depreciação efetuada pela Recorrente nos termos do artigo 6º da MP 2.15970/2001; nesse item, a dimensão das atividades econômicas da empresa e seu relevante perfil na exportação global, olvidados pela fiscalização quando da ponderação da necessidade das despesas com as aeronaves, foram argüidos a seu desfavor, no sentido de buscar descaracterizar sua atividade como sendo rural; Fl. 3226DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 6 5 a fiscalização traçou um desenho da atividade da empresa que a desconectaria da atividade rural, ressaltando o maquinário e a tecnologia empregados na fase de extração do suco da laranja. Também aduz que a falta de segregação de resultados inviabilizaria a verificação de que os bens depreciados seriam vinculados à atividade rural; alegou, ainda, a fiscalização, que o benefício fora outorgado ao pequeno produtor, ao "rurícola", e não à agroindústria; também nessa matéria o entendimento que prevaleceu no Acórdão recorrido (por voto de qualidade), mantendo a glosa, não reflete a correta interpretação das leis aplicáveis, divergindo da jurisprudência dominante no CARF. 2. DELIMITAÇÃO DAS QUESTÕES JURÍDICAS SOB ENFOQUE 2.1 DESPESAS COM AERONAVES tendo apontado diversos vôos pessoais dos sócios, em amostra do grande universo de viagens feitas nos anos em apreço, mesmo sem verificar se eles "caberiam" nos 5% reembolsados pelos sócios, a autoridade lançadora glosou todas as despesas em tal rubrica. Presumiu que todos os demais vôos (evidentemente operacionais) seriam indedutíveis; e assim o fez, porque entendeu que a legislação não permite a utilização híbrida, mista, dos bens do ativo, e que, em regra, a lei apontaria a indedutibilidade de tais despesas; na DRJ, as autoridades julgadoras de 1ª Instância inovaram as exigências opostas à empresa. Passaram a mencionar que seria obrigação dela, identificar, uma a uma, a razão de cada viagem. Ao assim proceder a DRJ agravou o conjunto de imposições probatórias oposto à empresa; nessa mesma linha, o d. Conselheiro Relator no CARF argüiu a suposta necessidade de identificação do "custo de cada vôo", para apurar a adequação do reembolso de 5%. Novamente, agora em segunda instância, uma autoridade julgadora suscita prova que nem mesmo a autoridade fiscal demandou; o que a recorrente sustenta, desde sua impugnação, é a insubsistência do lançamento, pois: · as despesas com veículos do ativo imobilizado, devidamente escrituradas, são, a priori, dedutíveis; · o que foi demandado pela fiscalização, foi prontamente entregue pela recorrente; · a indagação feita pela fiscalização acerca do reembolso de 5% feito pelos sócios foi devidamente respondida; · revelase precária e infundada a glosa de todas as despesas com aeronaves do ativo da empresa, pela indicação subjetiva do Fiscal de que determinados vôos dentro de uma amostra restrita, foram supostamente pessoais; Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 7 6 · não é vedada a utilização mista, ou híbrida (transporte para finalidades operacionais e não operacionais), dos veículos do ativo permanente, e a identificação pormenorizada da finalidade de cada viagem, caso a autoridade fiscal entendesse relevante, deveria ter sido perquirida na fiscalização (que teria que demonstrar a indedutibilidade), o que não aconteceu. 2.2 DEPRECIAÇÃO DOS BENS DA ATIVIDADE RURAL os entendimentos divergentes dividemse, essencialmente, quanto à possibilidade ou não de que a agroindústria, que desenvolva atividade rural, nas fazendas, e indústria, possa adotar a depreciação acelerada dos bens estritamente vinculados à atividade rural; a ora recorrente questiona a glosa promovida pela fiscalização, já que: · indubitavelmente, desenvolve atividade rural, pois a maior parte de seus esforços e sua vocação original e tradicional, voltamse para as inúmeras fazendas, para o plantio, o cultivo, a colheita, o desenvolvimento da cultura da laranja; · o artigo 6º da MP não exigiu que a pessoa jurídica explore somente a atividade rural. Apenas limitou o benefício aos bens do ativo utilizados nessa atividade; · a recorrente é contribuinte, desde sempre, da contribuição ao SENAR, e a Receita Federal já formalizou lançamento de tal contribuição setorial, sendo ilógico refutar essa vinculação à atividade rural para retirarlhe o direito ao incentivo, o que a recorrente faz, na fase industrial, é extrair o suco da laranja, em larga escala; · a jurisprudência do CARF vem se consolidando no sentido de corroborar a compatibilidade da agroindústria com o benefício da depreciação em tela; 3. CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL 3.1 DAS DIVERGÊNCIAS QUANTO ÀS DESPESAS COM AERONAVES. a primeira divergência encontrase estampada no Acórdão 130200.056, da 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF: EMENTA: Dedutibilidade de despesas com arrendamento mercantil de aeronave. Demonstrado pelo contribuinte por indícios congruentes a necessidade da despesa, cabe ao fisco aprofundar a investigação para demonstração da falta do atributo e conseqüente glosa da despesa o que se tem no acórdão Paradigma I é a enunciação de que a glosa de despesas com as aeronaves, quando há uma constatação razoável de que há utilização operacional (sem prejuízo do uso não operacional), demanda que a autoridade fiscal aprofunde a investigação no sentido de apurar, efetivamente, o que seria despesa operacional e o que escaparia a essa caracterização para dedutibilidade. Aloca ao autor do lançamento a obrigação Fl. 3228DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 8 7 de produzir a base para as glosas, ainda que por meio de intimações para que o sujeito passivo forneça mais elementos; também aponta a precariedade de considerações subjetivas quanto ao valor das despesas, ou do luxo supostamente envolvido na utilização das aeronaves; critica, esse Paradigma I, a glosa indiscriminada de todas as despesas, afirmando: "Também labora contra a tese da fiscalização o fato da glosa ter atingido 100% das despesas com o pagamento do arrendamento da aeronave quando teria de ficar evidenciado que não havia qualquer elo da atividade da recorrente com a despesa"; vale dizer, no caso dos presentes autos, a alocação do dever de provar recai ainda mais ao Fisco, na fase anterior ao lançamento, já que o arrendamento mercantil das aeronaves (comum aos dois casos) foi "ativado" pela recorrente, tornando ainda mais sólida a dedutibilidade das despesas (até que se provasse o contrário); diante da precariedade do labor fiscal, na origem, o Paradigma I determinou o cancelamento da glosa das despesas com aeronaves; a contrariu sensu, o acórdão recorrido admite a validade da fiscalização que simplesmente averiguou pequena amostra das viagens, e partiu para glosa total das despesas, sem aprofundar as investigações para eventualmente quantificar adequadamente a glosa; portanto, a divergência é claríssima, sendo certo que a matéria foi pré questionada, viabilizando o seguimento do apelo especial, e orientando o seu provimento; a segunda divergência revelase no cotejo com os termos do Acórdão 101 95.823, da antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; o julgado também lidou com veículos presentes no ativo permanente da empresa (automotores, desta feita, e não aeronaves), e os questionamentos fiscais foram em tudo assemelhados, notadamente quanto à destinação do uso dos bens (pessoas transportadas, destinos) e à alegada impropriedade do critério adotado pela empresa para limitar a dedução à utilização operacional dos veículos; o segundo Acórdão paradigma, de nº 10195.823, possui a seguinte ementa: EMENTA: DESPESAS COM VEÍCULOS DEPRECIAÇÃO SEGURO COMBUSTÍVEL IPVA TAXAS ESTACIONAMENTO As despesas pagas ou incorridas com os veículos utilizados no transporte de administradores, diretores, gerentes e assessores, na hipótese de o veiculo caracterizarse como de utilização mista, poderão ser consideradas operacionais e dedutível tão somente na parte que ficou a serviço da empresa (5/7), devendo a parcela correspondente à utilização extraoperacional (2/7) ser incorporada à remuneração dos beneficiários. enquanto o julgado recorrido expressamente opõe à recorrente o ônus de comprovar a dedutibilidade das despesas, o Paradigma II é claríssimo a assentar a presunção legal de dedutibilidade das despesas com bens do ativo permanente. Isto é, o Paradigma II Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 9 8 firma orientação no sentido de que a verificação da subsistência da glosa de despesas com bens do ativo permanente (tais como as dos dois julgados em tela) deve enfocar mais aquilo que o Fisco produziu para comprovar a indedutibilídade, e menos aquilo que o contribuinte deixou de produzir, especialmente quando não foi demandado a tanto; a suficiência de provas abordada pelo Paradigma II é a relacionada aos elementos reunidos na confecção do lançamento. Isso em decorrência da premissa que adotou: de que as despesas com bens do ativo permanente são, até prova em contrário a ser trazida pela fiscalização, dedutíveis nos termos da lei; o segundo aspecto em que divergem, referese à admissão ou não de um critério fixo de rateio para a proporcionalização das despesas tidas pela própria empresa como indedutíveis, pois pertinentes a uso pessoal dos veículos; no presente caso, o critério adotado foi de considerar 5% dos custos como de utilização pessoal dos sócios, excluindoos da base da redução. No Paradigma II, a fração não deduzida foi de 2/7. Em ambos os casos as empresas expuseram, logo na fiscalização, os fundamentos para a adoção da margem percentual. Da mesma forma, houve glosas totais das despesas, lá e cá; no entanto, divergindo do acórdão ora recorrido (que manteve a presunção de que a totalidade das despesas seria não operacional), o Paradigma II ilustra entendimento unânime sobre a impropriedade da glosa promovida com esse grau de incerteza; para bem identificar a similitude dos casos, deve ser destacado que as fiscalizações não aprofundaram as verificações tendentes a aferir precisamente o caráter de cada um, e de todos os trechos viajados, para tentar infirmar a validade do critério de rateio adotado pelas empresas. Simplesmente condenaram o uso misto dos veículos, questionando em abstrato o critério de rateio, partindo para a inadequada glosa total das despesas com bens do ativo; no acórdão dos presentes autos, o procedimento fiscal foi validado pela maioria dos Conselheiros; no Paradigma II, o procedimento absolutamente similar foi declarado inválido, por unanimidade, com base nos mesmos elementos jurídicos invocados pela ora recorrente, desde sua impugnação; portanto, rogase a admissibilidade do presente recurso diante das duas divergências alegadas, concernentes à indevida glosa das despesas com aeronaves; 3.2 DAS DIVERGÊNCIAS QUANTO À DEPRECIAÇÃO DOS BENS DO ATIVO UTILIZADOS NA ATIVIDADE RURAL o voto que prevaleceu no v. Julgado ora guerreado adotou orientação amplamente superada pelos órgãos julgadores do CARF, inclusive em sua Câmara Superior; a primeira divergência neste tema encontrase no Acórdão 9101001.235, da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: TRANSFORMAÇÃO DE PRODUTO DECORRENTE DA ATIVIDADE RURAL DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Para que o contribuinte tenha direito à depreciação acelerada prevista na MP n° 2.159/08, em existindo transformação, esta deve ocorrer Fl. 3230DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 10 9 sobre os produtos decorrentes da atividade rural e a transformação e a criação devem ser levadas a efeito pela mesma pessoa, o criador. A simples acusação de que são utilizados equipamentos de alta tecnologia, não afasta a utilização do benefício, porquanto na exegese da condição de equipamento e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais acompanha seu tempo. O direito se interpreta no contexto. Assim, os elementos que formaram a convicção do i. Relator designado para o voto vencedor no acórdão ora recorrido, relativos à dimensão da atividade empresarial da recorrente, à escala industrial em que se dá a extração do suco das laranjas, foram todos superados pela Câmara Superior no Paradigma III; merece relevo, na medida em que identifica o contexto fático dos arestos, que no Paradigma III os bens do ativo depreciados aceleradamente foram as lavouras de cana. No caso destes autos, a depreciação acelerada se deu quanto aos pomares de laranja da recorrente ("mudas em formação", "cultura permanente em formação" e "plantas cítricas formadas"), portanto, inequivocamente bens do ativo vinculados à sua atividade rural. Nos dois casos, os bens depreciados com o incentivo da atividade rural foram, única e exclusivamente, ativos imobilizados nas fazendas, cuja produção segue depois para processamento na indústria; a segunda divergência neste tema encontrase no Acórdão 140200.914, da 2ª Turma Ordinária desta E. Quarta Câmara da Primeira Seção: IRPJ. AGROINDÚSTRIA. CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente à sua aquisição. de forma semelhante ao que restou evidenciado quanto à divergência com o Paradigma III, a divergência demonstrada acima envolve a concepção dos julgadores acerca da possibilidade ou não de utilização da depreciação incentivada da atividade rural, por empresas que também possuam atividade industrial, as agroindústrias; 4. RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO 4.1 INSUBSISTÊNCIA DA GLOSA DAS DESPESAS COM AERONAVES a glosa total das despesas com aeronaves é descabida. A própria fiscalização, quando argumentava a dimensão empresarial da recorrente no intuito de descaracterizar a atividade rural consignou que se trata de um dos maiores players do mercado de laranja do mundo; independentemente da precisão ou do exagero dos dados assim invocados, é certo que a Cutrale tem participação relevante no mercado global, e que vendia para o exterior a maior parte de sua produção. Para alcançar tais patamares, não fechou negócios nem parcerias por telefone ou email. Dezenas, centenas, inúmeras viagens ao longo dos anos, tiveram que ser realizadas por seus executivos (alguns, sóciodiretores). Os deslocamentos por aviões devidamente imobilizados no ativo da empresa, com segurança e agilidade, obviamente não traduzem luxo sem propósito ou gasto excessivo. Adaptase, esse custo, exatamente ao porte e à realidade empresarial da recorrente; Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 11 10 a fiscalização averiguou a questão das aeronaves da recorrente, em tom e com conceitos assemelhados aos envolvidos em fiscalizações de associações sem fins lucrativos (tal qual instituição de ensino, de matriz religiosa, imune ou isenta). A adequação das despesas deve levar em conta o caso específico. No presente caso, o de empresa com filiais no exterior; com vendas e parcerias focadas no mercado internacional; com diretores que integram e participam mensalmente de boards de empresas estrangeiras, estrategicamente ligadas à atividade da recorrente; houve sim, utilização "híbrida" das aeronaves, o que não é vedado pela lei. Ocorre que, os sócios reembolsaram a empresa pelo uso pessoal dos aviões. No entanto, o autor do AI procedeu à glosa total, afirmando que nenhuma parte das despesas com as aeronaves seria operacional da empresa; ao glosar as desposas, o i. Auditor adotou ônus probatório invertido (já que se trata de despesas com bens do ativo permanente, tudo devidamente escriturado). Simplesmente demandou mapas de vôos e diários de bordo, e abrupta e subjetivamente arrolou os vôos que entendeu estranhos à atividade da empresa; nos termos dos artigos 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda, tratandose de bens do ativo imobilizado da empresa, o ônus da prova é do fisco; a fiscalização é que deve comprovar o desvio de finalidade da utilização do bem do ativo; a detecção sobre quem deve provar o quê, perpassa a verificação de que tipo de despesa está sendo avaliada; a premissa de que a lide versa sobre dedução de despesas com bens do ativo imobilizado descortina outra noção, que serve à escorreita delimitação do debate: se a fiscalização, na origem, ao investigar a dedutibilidade das despesas com aeronaves, limitouse a pedir o Razão de tais contas e os planos e mapas de vôo respectivos, não cabe à autoridade julgadora exigir do contribuinte e porque não dizer, "contra" o contribuinte documentos e comprovações adicionais; no processo de impugnação do lançamento, ora desdobrado em sua fase recursal mas ainda protagonizado pelo sujeito passivo, sob as balizas argumentativas de suas impugnações a autoridade julgadora deve verificar se os fundamentos do lançamento "sobrevivem" aos questionamentos do particular. Exceto em caso de presunção legal a favor do fisco, quando o contribuinte tem que superar a presunção com provas carreadas com a impugnação; no presente caso de despesas com bens do ativo imobilizado além de não haver presunção a favor do i. Fiscal, temse o contrário: há a presunção simples, de que as despesas devidamente escrituradas com bens do ativo imobilizado, são dedutíveis (artigos 923 e 924 do RIR); considerado o enfoque aqui apontado, apreendendose que se trata de glosa de despesas com bens do ativo imobilizado, e assumindo a premissa correlata de que a fiscalização deveria, na origem, provar o desvio de finalidade, cabe resgatar quais foram os documentos solicitados pela fiscalização, nestes autos; as únicas solicitações de documentos referentes às despesas com aeronaves foram devidamente atendidas pela ora recorrente, com a entrega de: Razão contábil das contas Fl. 3232DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 12 11 com tais despesas; e cópias dos controles (diários de bordo e informações de vôo) das aeronaves; com base em tais documentos, o lançamento foi formalizado. Nada mais foi solicitado junto à empresa. Nada mais foi indagado. Na comunicação seguinte, veio a autuação; a prova e a argumentação produzidas pela empresa não merecem a pecha de insuficientes. A verificação da "suficiência" deve se dar com relação ao que fora edificado pela fiscalização, pois dela é o ônus da comprovação da inveracidade, da imprecisão da escrituração; em julgamento recente da Câmara Superior, apreciando situação bastante análoga à destes autos, ao confirmar julgado da antiga Terceira Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, foi precisamente alocado o ônus da prova quanto às despesas com bens do ativo imobilizado. A ementa do Acórdão nº 9101001.373, proferido na sessão de 04/06/2012 (ao negar provimento ao Recurso do Procurador), foi assim redigida: "IRRF. BENEFÍCIOS INDIRETOS. DESPESAS COM VEÍCULOS. ÔNUS DA PROVA DO DESVIO DE UTILIZAÇÃO. Correto o entendimento de que cabe à fiscalização comprovar que o uso de veículos, devidamente registrados no imobilizado da pessoa jurídica, estaria sendo feito em atividades estranhas ao seu funcionamento e não nas suas atividades operacionais." para firme compreensão quanto à semelhança com o caso destes autos, traz se à colação trecho do relatório: " que depois de se pedir ao contribuinte, submetido à fiscalização, que apresente os documentos "x" e "y" para comprovar a dedutibilidade de uma despesa, não pode, tendo o contribuinte apresentado esses documentos e uma vez encerrada a fiscalização, considerar não dedutível a despesa sob o pretexto de que não foi provado fato que somente seria passível de comprovação mediante a apresentação do documento "z", não solicitado ao contribuinte; • que não é cabível o argumento recursal de que estaria sendo desatendido o disposto no art. 242 do RIR/94, porquanto a questão não se trata do que ocorre no momento posterior ao lançamento em que de fato há um "ônus do contribuinte para apresentar as provas para afastar a exigência fiscal", mas no momento prévio ao lançamento, em que a autoridade fiscal tem o dever de provar a ocorrência do fato gerador." pois bem. O Acórdão ora recorrido está exatamente a exigir o "documento z", aqui consubstanciada na mencionada "discriminação dos objetos das viagens realizadas"; por que devese indagar , no presente caso, a autoridade fiscal não solicitou tais comprovações, da motivação para cada viagem, dos eventos, reuniões e contratos respectivos? Fl. 3233DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 13 12 evidentemente, porque considerou suficiente a verificação realizada por sobre os documentos fornecidos: planos de vôo e diários de bordo, e o Razão contábil das despesas com aeronaves; analisando os passageiros de cada vôo, os destinos, e as datas, o i. Auditor selecionou, um a um, os vôos em que vislumbrou uso não operacional. E colacionou a planilha com todos os vôos que apontou como não operacionais (fls. 58 e ss.); ora, a recorrente nunca negou a ocorrência de uso secundário das aeronaves pelos sócios da empresa. Também não se há de refutar mesmo porque público e notório ser a sociedade em comento uma empresa familiar. No entanto, por sua dimensão econômica, comercial e internacional, adota práticas de austeridade, de transparência com o mercado; no caso das aeronaves, tal postura determina o reembolso das despesas com o uso pessoal das aeronaves, feito pelos sócios à pessoa jurídica; é muito importante destacar que o lançamento "admitiu" os reembolsos. Ou seja, na apuração dos valores da autuação, excluiu os mesmos, como textualmente consta à fl. 71; o lançamento não traz cotejo entre os valores da listagem que o Fiscal elaborou (com os vôos não operacionais) e o total de despesas com aeronaves; a consideração dos valores totais de despesas, na casa das dezenas de milhões, despreza o fato de que a empresa fatura na casa dos bilhões, e é razoável e fundamental que as vendas globais sejam operacionalizadas com agilidade; o fato de existirem vôos nos finais de semana, que sob a ótica do servidor público são dias de descanso, ignora a realidade empresarial, sobre o aproveitamento de tais dias para diversas atividades operacionais (visitas às fazendas/filiais, fechamentos de contratos, comparecimentos a reuniões comerciais, etc...); em verdade, o fundamento equivocado do lançamento submetido ao crivo do contencioso administrativo é o seguinte: se as aeronaves podem ou não ter uso híbrido. Isto é, se mesmo tendo havido utilização operacional das aeronaves, o fato de ter ocorrido uso secundário pelos sócios impossibilitaria a dedução daquelas despesas operacionais. É esse o argumento que pretende lastrear a autuação,conforme o TVF, fl. 68 dos autos; o lançamento apenas alega que a legislação tributária "inadmite" a utilização híbrida das aeronaves. Não indica, sequer sugere dispositivo legal nesse sentido. Realmente, não há essa vedação legal; não basta asseverar que a empresa deveria ter segregado as despesas. Se a empresa não segregou anteriormente, caberia ao fisco fazêlo ou provocar tal divisão na fiscalização, para apurar o tributo devido, para lançar nem mais, nem menos do que a lei impõe. Admitida a licitude do uso híbrido, o lançamento, como está, certamente tributa o que não é lucro real; vislumbrarse claramente o uso operacional parcial, e tributar tudo, indiscriminadamente, sem exigir maiores comprovações da empresa (como já visto, o Auditor Fl. 3234DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 14 13 não exigiu), significa referendar a tributação de despesas às quais a lei atribui a dedutibilidade, com base em lançamento produzido com presunção não outorgada ao Fisco, na espécie; 4.2 ADEQUAÇÃO JURÍDICA DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA PROMOVIDA PELA EMPRESA. é importante frisar ser incontroverso que apenas os bens do ativo permanente da empresa diretamente ligados à atividade rural é que foram depreciados integralmente no ano de aquisição. Especificamente, a depreciação imediata questionada pela fiscalização, engloba os custos de formação da lavoura de laranjas, isto é, os pomares "ativados"; há impropriedade na interpretação literal e isolada das disposições da Lei nº 8.023/90, como se sustenta no auto de infração. A exegese sistêmica e plena das regras envolvidas, desvela que a empresa que desenvolve atividade rural e transformação em escala industrial dos produtos agropecuários, pode, sim, enquadrarse na regra prescrita no artigo 6º da MP 2.15970/2001; nesse sentido, trecho do voto proferido na antiga Sétima Câmara, no processo da "Frango Sertanejo" (Acórdão 10709.548), mantido no acórdão da CSRF (Acórdão 9101001.235). É rejeitada a tese combatida nos presentes autos, em precisos termos, assim inseridos na ementa: "Não caracteriza emprego de equipamentos inusuais, o fato de se usarem equipamentos de alta tecnologia, que implicam ganho de produção em escala. A utilização de equipamentos de elevada tecnologia, pelo criador de aves, na atividade de transformação, sem que haja alteração na composição e nas características do produto in natura, não tem o condão de desvirtuar o pressuposto legal para configuração de atividade rural. Tal exegese se extrai da interpretação finalística e funcional do preceito, bem como de interpretação históricoevolutiva." o i. Autor do AI, nestes autos, chega a utilizar o termo "rurícola", para denotar sua compreensão de quem seria o destinatário da regra da depreciação integral da atividade rural. Cogitase, nessa concepção, daquele produtor que, com uma dúzia de vacas de leite, faz, ele mesmo, a ordenha, repassa os baldes à esposa, que os converte em queijo. Com os queijos acomodados em sacos plásticos (eventualmente com marca própria) postamse à beira da estrada para vender ao varejo transeunte; ora, produtor rural, nesses moldes, ou ainda que mais elaborados, nem "ativo" tem. Depreciação de ativo permanente imobilizado é tema nitidamente atrelado a empresas de porte bem diverso daquele vislumbrado na elaboração da tese fiscal; certamente, a mensagem emitida pela Constituição Federal, em seu artigo 187, difere do conceito apreendido pela DRJ, e pelo voto vencedor no acórdão recorrido: "Art. 187. A política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de armazenamento e de transportes, levando em conta, especialmente: Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 15 14 I os instrumentos creditícios e fiscais; ... §1º Incluemse no planejamento agrícola as atividades agro industriais, agropecuárias, pesqueiras e florestais. a Lei nº 8.171/91, regulamentando a norma supra, informa que a agroindústria compõe o setor agrícola, devendo integrar o contexto prescrito na Constituição. A Lei nº. 8.023/90, portanto, não é comando isolado; é norma tributária que, em sua aplicação, exige leitura das regras gerais e deontológicas do mesmo sistema jurídico; a atividade rural desenvolvida pela recorrente não é melhor nem pior que aquela referida parágrafos antes, na produção caseira de queijo. Mas, certamente, é de escala muito maior. E não convive com meios artesanais de extração do suco da laranja; muito embora seja efetiva e simplesmente plantio, cultivo, colheita e extração do suco da laranja, é indubitável que a fase "póspomar" é industrial. A atividade da empresa é a mesma que seu fundador desenvolvia 40 ou 50 anos atrás: produção e venda de suco de laranja. Ocorre que em decorrência de muito trabalho e eficiência, essa atividade alcançou volumes altíssimos, ainda, de produção e de venda de suco de laranja, Para dar vazão ao suco extraído em tais grandezas, o emprego de maquinário na fase da "fábrica" é insuprimível; vale notar que o artigo 6º da MP 2.15970/2001, que instituiu o benefício, não disse "que explore apenas atividade rural". Fosse o intento legislativo, o de limitar o alcance da norma, teria consignado a restrição; tanto no auto de infração, como na DRJ, como no voto vencedor, afirmou se que, por se tratar de benefício fiscal, o texto legal deveria ser objeto de interpretação literal, na linha do artigo 111 do CTN, E então passaram a ler o artigo 6º em conjunção com o artigo 2º da Lei 8.023/90, de forma restritiva. Amplamente equivocada, tal exegese! o benefício fiscal está posto no artigo 6º da MP 2.15970/2001, o qual, lido de forma literal, destinou a depreciação acelerada a quem explore a atividade rural, utilizando tais bens nessa mesma atividade; repitase, não limitou a quem somente explore a atividade rural, e a interpretação literal do art. 111 não permite que se busque a restrição vislumbrada pela corrente contrária em leitura sistêmica, teleológica ou equitativa; portanto, todos os requisitos da norma estão configurados no presente caso: · depreciação no ano da aquisição de: · bens do ativo imobilizado (pomares de laranja); · por pessoa jurídica que explora a atividade rural (os pomares depreciados estão nas suas fazendas, e a própria empresa desenvolve e implementa o cultivo, o plantio e o manejo de seus pomares); Fl. 3236DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 16 15 · para uso nessa atividade (os custos com formação de pomar evidentemente destinaramse ao implemento da atividade rural). no presente caso, consideradas as premissas já versadas, não há dúvidas de que a recorrente exerce atividade rural e atividade agroindustrial. São meras etapas para que se dê saída ao suco de laranja. Nada há de incompatível para fins de adoção da depreciação integral quanto aos bens estritamente vinculados à atividade rural; apenas para ilustrar a relevância da atividade rural, agrícola, para a ora recorrente, segue anexada ao presente recurso, apresentação recentemente produzida pela empresa com fotos e alguns dados, os quais confirmam a adequação da utilização do incentivo pela empresa; colhendo dados bastante interessantes, vêse que: · são 26 fazendas próprias entre São Paulo e Minas Gerais; · a empresa começou nas Fazendas, e mantém o centro focal de suas energias aplicado na área agrícola, pois ali é edificado o diferencial de qualidade e de produtividade na etapa industrial; · considerando o produto final (suco de laranja), constatase que o processo produtivo leva cerca de 362 dias, sendo 360 dias nas fazendas (florescimento até a colheita) e 2 dias na indústria (processamento do suco); · não só o tempo denota a relevância da atividade rural para a ora recorrente; também a quantidade de empregados é preponderante na atividade agrícola, com 13.260 funcionários no campo (84,6%) e 2.046 (15,4%) na atividade industrial, no ano de 2007; cabe pontuar que, embora tenha havido menção a suposta necessidade de segregação dos bens utilizados na atividade rural e aqueles utilizados em outras atividades (tal como a industrial), com a devida vênia, não há que se cogitar essa condição. É impensável a segregação dos custos de formação dos pomares, para identificar o que seria industrial. Obviamente, nenhuma parte desse custo será industrial. E somente eles (os custos de formação dos pomares) foram depreciados aceleradamente; quanto à complexidade da transformação promovida na parte industrial, a recorrente anexou laudo do ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos SP) e laudo contábil evidenciando que a adição eventual e mínima de produtos químicos no suco extraído da laranja (adição constatada em apenas cerca de 1% do suco produzido), não altera as características do suco; alegouse, no TVF, que a atividade de plantio seria "acessória" da industrial. No entanto, poderia ser dito que a atividade industrial é acessória da rural, do plantio, do cultivo e da colheita, revelando mero detalhe da extração do suco. Em verdade, são etapas complementares; faltando uma, ou outra, não se teria o suco de laranja produzido em larga escala; mais que isso, e para que não pairem dúvidas quanto ao desenvolvimento de atividade rural pela Cutrale, sendo assim sua natureza primeva, merece destaque o fato de que Fl. 3237DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 17 16 a empresa sempre recolheu Contribuição ao SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; ademais, em abril de 2012, a Receita Federal do Brasil lavrou Auto de Infração para exigir a contribuição ao SENAR sobre as receitas de exportação (que a empresa entendia serem imunes às contribuições); na fundamentação do lançamento, há o registro claro, consignado pela Receita Federal, de que a empresa pertence à "categoria econômica do setor rural", estando assim atrelada ao recolhimento da contribuição que não é cobrada de toda a coletividade, mas "sim das pessoas jurídicas e trabalhadores que atuam no setor rural"; confirmase, em ato administrativo fiscal, o que é sabido e indubitável, e que confirma o direito da recorrente ao uso da depreciação integral destinada às empresas de atividades, também, rurais; 5. CONCLUSÃO por todo o exposto, requer seja admitido e conhecido o presente recurso especial, sendo provido pela E. Turma Julgadora, reformando o v. acórdão recorrido, para que sejam canceladas as glosas indevidamente formalizadas nas autuações guerreadas. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 27/05/2015, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência das divergências suscitadas, nos seguintes termos: 1) Glosa de Despesas com Aeronave [...] Examinando os acórdãos paradigmas verificase que os mesmos trazem o entendimento de que demonstrado pelo contribuinte por indícios congruentes a necessidade da despesa, cabe ao fisco aprofundar a investigação para demonstração da falta do atributo e conseqüente glosa da despesa. Ademais, as despesas pagas ou incorridas com os veículos utilizados no transporte de administradores, diretores, gerentes e assessores, na hipótese de o veículo caracterizarse como de utilização mista, poderão ser consideradas operacionais e dedutível tão somente na parte que ficou a serviço da empresa, devendo a parcela correspondente à utilização extraoperacional ser incorporada à remuneração dos beneficiários. O acórdão recorrido, por seu turno, vem esclarecer que havendo comprovação de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados, as despesas correspondentes são passíveis de glosa, principalmente pela ausência de segregação dos custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa daqueles relacionados à utilização para fins estranhos ao objeto social. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando Fl. 3238DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 18 17 plenamente configurada a divergência jurisprudencial demonstrada pelo Sujeito Passivo. 2) Glosa da Depreciação Acelerada dos Bens do Ativo Imobilizado Utilizados na Atividade Rural [...] Examinando os acórdãos paradigmas verificase que os mesmos trazem o entendimento de que para que o contribuinte tenha direito à depreciação acelerada prevista na MP n° 2.159/08, em existindo transformação, esta deve ocorrer sobre os produtos decorrentes da atividade rural e a transformação e a criação devem ser levadas a efeito pela mesma pessoa, o criador. A simples acusação de que são utilizados equipamentos de alta tecnologia, não afasta a utilização do benefício, porquanto na exegese da condição de equipamento e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais acompanha seu tempo. O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que a aplicação de equipamentos e utensílios que contrastam com aqueles usualmente empregados nas atividades rurais descaracteriza a atividade de transformação de produtos decorrentes da atividade rural, para efeitos de tributação, devendo o registro dos rendimentos correspondentes constar como receitas da atividade geral. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial demonstrada pelo Sujeito Passivo. Em 05/06/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 15/06/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: no que tange à glosa de despesas com aeronave, a recorrente alega que não seria crível promover as glosas no particular tendo em vista o porte da empresa e a condição de ser exportadora; o argumento recursal não tem o condão de afastar o ônus da prova incumbido à recorrente. Com efeito, a fiscalização demonstrou cabalmente que as aeronaves eram utilizadas em viagens não relacionadas ao objetivo da empresa. Constatouse, inclusive, que as aeronaves eram utilizadas com passageiros que não compõem o seu corpo societário ou diretivo, com destinos claramente turísticos, ou para atender demandas pessoais dos membros da família Cutrale ou a eles relacionados; caberia à Recorrente fazer a comprovação de que efetivamente utilizou a aeronave para as finalidades societárias. Nas palavras do voto do Relator “Caberia, assim, à Recorrente, comprovar que fez a segregação dos custos atinentes a tal despesa, como forma de permitir que os custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa fossem separados dos custos relacionados à utilização das aeronaves. Mas não foi isso que fez a Fl. 3239DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 19 18 Recorrente”. No mesmo rumo, as planilhas trazidas pela recorrente não correlacionaram as viagens (custos incorridos) com a utilização em benefício da pessoa jurídica; no que tange à depreciação acelerada dos Bens do Ativo Imobilizado Utilizados na Atividade Rural, a recorrente alega que pode se enquadrar no benefício previsto no art. 6º da MP nº 215970/2001 porque desenvolve atividade rural e realiza transformação em escala industrial dos produtos agropecuários; a recorrente não esboça o seu porte industrial com tanto vigor. Isto porque, a bem da verdade, a exploração de suco de laranja pela recorrente, para fins de exportação, é realizada com maquinário em escala industrial. o acórdão recorrido articulou com primor as condições para obtenção do benefício previsto no art. 6º da medida provisória nº 2.15970/2001, a saber: que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura; sejam utilizados equipamentos usualmente empregados nas atividades rurais; a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor ou criador; e seja utilizada matériaprima exclusivamente produzida na área rural; conforme demonstrado pela fiscalização, e reiterado pelo acórdão impugnado, a recorrente descumpriu tais requisitos. Senão vejamos (grifos do original): (...) verificase pelas provas dos autos, e isso é incontroverso, que além da produção própria de laranja, utiliza também, na produção de suco, matériaprima produzida por terceiros. Esse fato, inclusive, ensejou a divergência parcial da Conselheira Karen em relação ao voto do relator, dando provimento parcial no limite da proporcionalização desse acontecimento. consta ainda da decisão recorrida interessante esclarecimento acerca do emprego da alta tecnologia em escala de produção agroindustrial em contraposição ao escopo do benefício fiscal: Ora, não se nega que a alta tecnologia e a eficiência na atividade rural não sejam louváveis, mas não podemos nos esquecer de que estamos diante de uma definição de atividade rural para fins de obtenção de benefícios fiscais e, sendo assim, não é desarrazoado que o legislador queira dar tais benefícios apenas àqueles menos aquinhoados para suportar à incerteza e vulnerabilidade da atividade rural. Nessa linha de entendimento, claro está que a recorrente não se enquadraria nessa situação de gozo, uma vez que a empresa autuada desenvolve atividades tipicamente industriais, que por sua própria natureza (grau de transformação da matériaprima, grau de divisão do trabalho, investimentos em maquinário) revelamse incompatíveis com o conceito de “atividade rural” previsto no art. 2º da Lei n.º 8.023, de 1990, onde a utilização de equipamentos sofisticados com emprego maciço de capital, denotaria uma autosuficiência da empresa tornando dispensado qualquer usufruto de benefício fiscal. diante do exposto, a União requer seja negado provimento à insurgência, mantendose, in totum, o acórdão proferido pela Turma a quo. Fl. 3240DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 20 19 É o relatório. Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 21 20 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2003 a 2008, decorrente da glosa de despesas com aeronaves, e glosa da depreciação acelerada dos bens do ativo imobilizado utilizados na atividade rural. O lançamento foi mantido tanto na primeira, quanto na segunda instância administrativa. Em sede de recurso especial, a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária em relação às duas matérias mencionadas acima. GLOSA DE DESPESAS COM AERONAVES Embora o despacho exarado pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF tenha admitido o recurso especial para as duas matérias, entendo que não restou caracterizada, relativamente à glosa de despesas com aeronaves, a ocorrência de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. O instrumento manejado pela contribuinte visa sanar as divergências em relação à interpretação da legislação tributária. Pretendese com ele a uniformização da jurisprudência administrativa em sentido amplo, na busca de fixar, dentre as interpretações já manifestadas em relação a uma determinada norma jurídica, aquela que melhor evidencia o significado dessa norma. Entretanto, pelo conteúdo do recurso apresentado pela contribuinte, vêse, quanto à glosa de despesas com aeronaves, as questões por ela trazidas envolvem elementos pertinentes exclusivamente a este processo. No caso, não há divergência sobre interpretação de nenhuma norma jurídica, nem mesmo sobre as normas que tratam da distribuição do ônus probatório. Vejo com bastante clareza que as decisões cotejadas foram motivadas pelas circunstâncias fáticas específicas de cada processo. O próprio trecho do despacho que admitiu o recurso especial, transcrito anteriormente, permite visualizar esse problema: 1) Glosa de Despesas com Aeronave [...] Examinando os acórdãos paradigmas verificase que os mesmos trazem o entendimento de que demonstrado pelo contribuinte por indícios congruentes a necessidade da despesa, cabe ao fisco aprofundar a investigação para demonstração da falta do atributo e conseqüente glosa da despesa. Ademais, as despesas Fl. 3242DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 22 21 pagas ou incorridas com os veículos utilizados no transporte de administradores, diretores, gerentes e assessores, na hipótese de o veículo caracterizarse como de utilização mista, poderão ser consideradas operacionais e dedutível tão somente na parte que ficou a serviço da empresa, devendo a parcela correspondente à utilização extraoperacional ser incorporada à remuneração dos beneficiários. O acórdão recorrido, por seu turno, vem esclarecer que havendo comprovação de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados, as despesas correspondentes são passíveis de glosa, principalmente pela ausência de segregação dos custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa daqueles relacionados à utilização para fins estranhos ao objeto social. [...] (grifos acrescidos) Nos paradigmas, a fiscalização glosou as despesas com aeronaves e com veículos fundamentando a autuação fiscal em argumentos genéricos, no sentido, por exemplo, de que esses bens não estavam intrinsecamente relacionados com as atividades da empresa (porque eram utilizados por executivos, diretores, gerentes e assessores); de que a despesa era excessiva; de que, no caso dos veículos, estes não se enquadravam no disposto no art. 25 da IN 11/96. E no decorrer dos processos, diante da completa ausência de prova produzida pela fiscalização, os contribuintes demonstraram de forma suficiente (no entendimento dos julgadores) que as despesas guardavam conexão com a atividade da empresa, e que, portanto, eram dedutíveis. No acórdão recorrido, diferentemente, a fiscalização coletou e apresentou inúmeras provas do desvio de finalidade na utilização das aeronaves, e a contribuinte é que não apresentou nenhuma prova de que esse desvio correspondia a 5% do total das despesas a esse título, conforme ela registrava em sua contabilidade. A transcrição a seguir dos trechos do acórdão recorrido e dos acórdãos paradigmas destaca (com sublinhado) os aspectos fáticos examinados por essas decisões, e deixa bastante claro que elas estão fundamentadas no conjunto probatório específico de cada processo: Acórdão Recorrido nº 1401000702 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ e CSLL lavrado em desfavor da Contribuinte Recorrente, fundados em glosa de depreciação e despesas. Como bem resumido nas razões de recurso, são dois os pontos questionados pela Fiscalização, a saber: (i) A atividade principal desenvolvida pela Recorrente não a legitima ao aproveitamento da depreciação Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 23 22 acelerada incentivada, porquanto não se enquadra no conceito de atividade rural, considerando, ainda, a interpretação literal da legislação tributária que versa sobre benefícios fiscais; e (ii) As despesas com aeronaves da Recorrente não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por conta destas não serem consideradas operacionais ou necessárias à manutenção da respectiva fonte produtora. No que toca à depreciação acelerada incentivada, o Termo de Verificação Fiscal fundouse nas seguintes razões, in litteris: [...] Já no que toca às despesas com aeronaves, o Termo de Verificação Fiscal assim se posiciona, in verbis: 3. — DAS DESPESAS COM AERONAVES No correr dos trabalhos de auditoria, verificouse que entre os bens do ativo imobilizado constam aeronaves representativas de significativa parcela de ativo imobilizado. Lavrouse então Termo de Intimação Fiscal com o fito de verificar os reflexos fiscais de referida imobilização. Em resposta a auditada argumentou possuir diversos estabelecimentos espalhados pelo Brasil, como também transacionar com diversos clientes espalhados em todos os continentes do planeta, justificando assim a dedutibilidade das despesas. 3.1 — Das condições para a dedutibilidade dos bens do ativo imobilizado Compulsandose a legislação fiscal, com fulcro no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda ( RIR/99 ), tem se que: [...] A Lei n° 9.249/95 veio acrescentar ainda mais uma condição restritiva ao contido no instrumento legal acima, determinando quais os gastos estão intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, conforme art. 13, incisos II e III: [...] 3.2 — Da utilização das aeronaves pela empresa, seus sócios e familiares Para efeito de análise cabe um detalhamento das aeronaves em posse da fiscalizada. A empresa possuía uma aeronave Dassault Falcon Jet, modelo 900EX ( prefixo PTXSC), adquirida diretamente da fábrica por R$ Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 24 23 65.161.634,27 em abril de 2000. Referida aeronave trata se de um jato de três turbinas com autonomia de vôo de cerca de nove horas, que lhe dá capacidade intercontinental. Também adquiriu direto da fábrica uma aeronave King Air, modelo 350 ( prefixo PPJSC), no valor de R$ 13.033.517,71 em março de 2001. Posteriormente, em março de 2006, alienou o jato intercontinental para adquirir um leasing de nova aeronave de mesmo modelo 900EX ( prefixo PRCCC) pelo valor de dez parcelas que totalizam o montante de US 39.843.535,80 dólares americanos. Recentemente também foi adquirido o leasing de um helicóptero. Com o escopo de auditar a forma de utilização das aeronaves, foi instada a fiscalizada a fornecer os mapas de controle de destino das aeronaves, bem como a identificação dos passageiros, para alguns meses dos anos sob fiscalização. Apresentadas a informações de vôo juntamente com diário de bordo das aeronaves, por força dos destinos e usuários das aeronaves, fezse por bem solicitar as informações para todo o período fiscalizado. De posse desta documentação, assim como dos lançamentos contábeis de gastos com combustíveis e lubrificantes, intimouse a empresa a esclarecer em detalhes os reembolsos de gastos com as aeronaves. Em resposta a fiscalizada esclareceu que os lançamentos contábeis sob o histórico "Reembolso de despesas de JLC" tratam de abatimento das despesas, portanto tem natureza credora, de gastos pessoais com a aeronave falcon 900, e que correspondem a 5% da quantia despendida no centro de custos. O mesmo procedimento contábil ocorre com as despesas com a outra aeronave ( King Air 350), mas neste caso o histórico descreve como "Reembolso de despesas de JCJ" correspondendo ao reembolso dos gastos de José Cutrale Junior. Os reembolsos são feitos na conta de gastos com combustíveis e lubrificantes, sendo iniciados a partir de junho de 2003. Também deve ser destacado que no mês de dezembro de 2006 o percentual é inferior aos 5%. Na resposta apresentada resta claro que o sócio admitiu o uso pessoal da aeronave, uma vez que reembolsa a empresa. Em verdade o sócio é titular de várias fazendas fornecedoras de laranjas para a fiscalizada, e abate os reembolsos dos valores a receber da fiscalizada. Ocorre que a forma de rateio das despesas do sócio e família em contrapartida às despesas da empresa é desestruturada. Estabeleceuse um percentual fixo de 5% como correspondendo a cota de uso pessoal das aeronaves, no entanto inexiste qualquer controle acerca das rotas efetivamente particulares. Reembolsase sem se perquirir sobre a motivação das viagens. Em resumo, o fato é que o sócio José Luis Cutrale e seus filhos, os diretores José Henrique Cutrale e Jose Luis Cutrale Junior, não Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 25 24 controlam seus destinos na utilização das aeronaves, tão somente embarcam conforme suas vontades e conveniências, bem como de seus familiares. Neste ponto, em virtude de vários destinos turísticos e dos acompanhantes do sócio e seus familiares, traçouse planilha contendo desvios a demonstrar a liberalidade com que estão pautadas as rotas aéreas. Os itinerários foram extraídos dos mapas de informações de vôo fornecidos pela auditada e compulsados de forma detalhada. (segue planilha com detalhamento de vôos realizados, em que constam pessoas da família Cutrale, dentre eles diretores da Recorrente, mas também familiares e terceiros, em viagens para destinos turísticos e/ou locais onde existe empresas do grupo Cutrale, no Brasil e no exterior) A despeito do reembolso de 5 % das despesas, verificase da extensa listagem acima que o percentual de proveito pessoal ultrapassa estes valores. Também por se considerar pessoal o transporte dos diretores entre seus locais de trabalho, uma vez que nas datas e formas com que são feitos mais se adequa ao interesse do transportado do que propriamente da empresa. Visualizase com clareza que as aeronaves são usadas em beneficio do sócio e familiares, quer seja levando seus componentes em viagens de passeio no pais e exterior (Angra dos Reis, Ubatuba, Comandatuba, Alpes suíços, Alpes austríacos, Caribe, estações de esqui entre outras ), ou então para usufruto, em rápido e confortável meio de transporte dos familiares. Constatouse que a esposa Rosana Falcioni Cutrale por muitas vezes vai e volta de São Paulo de avião, assim como para os EUA ou entre cidades americanas, a despeito de não possuir qualquer vínculo empregatício com a empresa. Assim também ocorre com Graziela Cutrale, filha de José Luis Cutrale, para quem as aeronaves deslocamse até Ribeirão Preto, onde é domiciliada, levandoa ou trazendoa juntamente com os filhos para os mais variados lugares acima identificados, por razões que transcendem os interesses da fiscalizada, vez que estas não figuram no quadro societário na época das viagens, nem desempenham qualquer atividade remunerada pela Cutrale, segundo informações coletadas das declarações de imposto de renda de ambas. Consoante pode ser acima caracterizado, além da consideração acerca da utilização particular das aeronaves, há outra ordem de razão ainda a causar os dispêndios: as aeronaves servem de meio de transporte pessoal dos sócios e familiares. Basta identificar que a aeronave King Air é usufruída com intensidade nos finais Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 26 25 de semana ou vésperas pelos diretores da empresa para seus deslocamentos entre Araraquara e São Paulo como se utiliza um automóvel. Neste caso, fazse do avião um meio de transporte entre a residência e o local de trabalho, em claro desvio dos propósitos admitidos na legislação tributária, afinal foge do desígnio de qualquer sociedade comercial patrocinar os deslocamentos de seus sócios. Nestes mesmos casos a sociedade estaria a serviço dos sócios, hipótese contrária às práticas empresariais aceitas. O exemplo é similar ao da aquisição pela empresa de automóvel de luxo pelo sócio a fim de deslocálo. Ainda destacamse as constantes viagens para Angra dos Reis dos diretores e familiares para passagem de feriados e finais de semana. Nestes deslocamentos caracterizado está que um bem da empresa fica a serviço de seus sócios. O mesmo desvio de finalidade ocorre no uso do Falcon, pois na maior parte das vezes as informações indicam o deslocamento do proprietário José Luis Cutrale. Pelos roteiros verificados nos mapas de deslocamento da aeronave e relação dos passageiros, concluise cristalinamente que o uso é tanto pessoal quanto profissional. Comparados todos os roteiros, constatase que é baixa a freqüência com que a aeronave é compartilhada com os demais funcionários da fiscalizada. Via de regra quem dela usufrui é o sócio majoritário. Ainda que se queira justificar, o que se tem é a relação intrínseca entre as razões empresariais e pessoais, aliás mais estas do que aquelas. No caso, não de trata de relação intrínseca entre aeronaves e produção/ comercialização, mas entre razões mercantis e particulares. Neste ponto, os documentos demonstram que os sócios, diretores e familiares, por deterem o controle da empresa aproveitam as aeronaves como se suas fossem, sem que prestem qualquer satisfação ou sejam controlados pela sociedade empresarial que administram. 3.3 — Da impossibilidade da dedução das despesas com aeronaves Pelo que até aqui estudado da legislação fiscal das despesas com os bens do ativo imobilizado, está claro que a regra é a indedutibilidade destas. E mais. Que a dedutibilidade, por se tratar de exceção, somente ocorre quando expressamente prevista pela norma infra legal. [...] É bem verdade que houve reembolso de pequena parcela das despesas, mas ainda assim os valores não possuem qualquer respaldo legal, eis que a legislação tributária inadmite a utilização híbrida do mesmo bem entre a Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 27 26 empresa e seus sócios e familiares, mormente no caso sob análise em que inexiste segregação. As informações de vôo compulsadas nos levam à conclusão de que os serviços prestados pelas aeronaves mais se adaptam à comodidade do sócio e seus dois filhos diretores, do que propriamente aos fins da empresa. A freqüência, os destinos, as datas e a relação de passageiros indicam que prevalece o interesse estranho aos da fiscalizada, comuns apenas em alguns casos de administração da empresa. Aduziu a fiscalizada que por se tratar de empresa com clientes na Europa e Estados Unidos, justificada está a despesa com aeronaves. No entanto, o que foi apurado é que os constantes deslocamentos ocorrem para Orlando, Atlanta e Nova York. Nos primeiros dois destinos o que se tem são as fábricas de suco da empresa Cutrale North America Inc, controlada em sua integralidade pela fiscalizada. Portanto, as despesas não são da fiscalizada, mas sim da empresa sediada nos Estados Unidos. Ao deslocarse com constância para aqueles destinos está tratando da administração da empresa americana, com as conseqüências fiscais das despesas devendo ser apropriadas para aquela empresa. Que se diga que se trata de controlada estando assim justificada a despesa, o principio da entidade as separa, determinando que cada qual das empresas custeie suas despesas. Despropositado imaginar que caberia à fiscalizada bancar as despesas das controladas com aeronaves. Da mesma forma para os deslocamentos para a Europa em que a fiscalizada controla integralmente a empresa Cutrale Europe Holding, e para onde o sócio José Luis Cutrale e sua esposa viajam com freqüência. Ao querer justificar as despesas com os deslocamentos para o continente europeu, avaliase que com as viagens para a Europa administra aquela empresa européia. A conclusão é idêntica a já alinhada acima, ou seja, descabida a despesa porque deve ser apropriada à controlada. Se assim não se considerar, também descabida por corresponder à administração da fiscalizada, motivo já repisado como indedutível. Podese ainda comparar os valores da rubrica aeronaves com outros itens do mesmo imobilizado. Evidenciase desta ponderação, que completamente desproporcional o quanto colocado no ativo em aeronaves, pois seu total é a metade do total imobilizado em maquinismos e equipamentos de todo parque fabril. De maneira alguma se considera intrínseco o dispêndio nestes ativos se comparados ao consumido pela aeronave. Neste ponto, concluise que as despesas decorrentes da imobilização da aeronave, quais sejam, despesas de depreciação, seguros, serviços de manutenção, impostos, não são necessárias, nem usuais às atividades da fiscalizada. Não se vinculam à produção e comercialização como requer a Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 28 27 lei. Ainda mais quando sopesado que nos últimos cinco anos a fiscalizada gastou cerca de oitenta e seis milhões de reais nas aeronaves, quantia desarrazoada se comparada aos demais gastos administrativos. A empresa tem natureza familiar, sendo administrada pelo sócio quase exclusivo José Luis Cutrale, sucessor único de seu genitor José Cutrale Junior. Desta característica deflui que a aquisição das aeronaves, na forma como aproveitadas, poderia ter sido feita pelo sócio com a distribuição de lucros isenta de tributação. Porém assim agindo não haveria os benefícios de redução dos resultados fiscais da empresa, com a conseqüente diminuição de pagamento de tributos sobre a renda. Ao adquirir as aeronaves os sócios em nada abateriam os custos na manutenção destes bens. O interesse pessoal preponderou na aquisição das aeronaves Falcon 900 EX e nas demais, pois possibilita o deslocamento pessoal de forma rápida e luxuosa dos sócios e familiares entre os mais variados destinos. A compra tratase de mera liberalidade, perpetrada pelo sócio José Luis Cutrale, em seu próprio favor. Ainda mais se for considerado que este sócio detém a quase totalidade da participação societária da fiscalizada (99,99 %). Com efeito, quando a empresa deliberou a compra das aeronaves quem o fez foram os usufrutuários da confortável utilização das mesmas. Desta forma, os interesses entre os sócios da fiscalizada comunicamse com seus interesses pessoais, em uma zona cinzenta claramente rechaçada pela legislação do imposto de renda e contribuição social. A confusão patrimonial entre empresa e sócio resta clara, sem que o reembolso de forma descomprometida da realidade possa sanar o vicio incorrigível do desvio de finalidade. Tais despesas existem, mas não podem afetar negativamente o lucro real da auditada por se tratarem de mera liberalidade da empresa em beneficio dos sócios, devendo ser glosadas. Neste ponto, confundiramse os interesses pessoais com os societários, em desvantagem do imposto de renda apurado. [...] Voto [...] Preliminares: Sustenta a Recorrente, em preliminar, a nulidade do auto de infração pelo fato de este ser embasado em presunção sem amparo na lei, uma vez que a Autoridade Fiscal teria desconsiderado as documentações fartamente apresentadas pela Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 29 28 Recorrente, tanto no que toca à exploração de atividade rural, quanto no que toca à utilização das aeronaves para deslocamento de pessoal não relacionado às atividades da empresa. Também alega nulidade do auto de infração por entender que o Fisco inverteu o ônus da prova, atribuindo à Recorrente o ônus de comprovar os fatos constitutivos do direito que seria da própria Autoridade Fiscal. Por fim, argumenta que o direito tributário segue o princípio da legalidade, que não admite a tributação de fatos não previstos na lei, assim como não admite a tributação de fatos presumidos sem que haja a previsão expressa autorizativa da aplicação da presunção legal. Em relação à primeira nulidade suscitada, entendo que não merece acolhida. Não se trata de aplicação de presunção, pela Autoridade Fiscal, sem amparo em lei. A Autoridade Lançadora apenas realizou a sua interpretação da lei e a aplicou sobre os fatos apurados nos autos, contrariando as expectativas da Recorrente quanto ao resultado dos trabalhos fiscais. Entretanto, não se pode afirmar que houve tributação por presunção. As glosas e as suas conseqüências decorrem da interpretação dos dispositivos legais feita pela fiscalização, atrelada ao conjunto probatório a que ela teve acesso (fatos e documentos), que a permitiu concluir que a atividade principal do contribuinte não poderia ser enquadrada como atividade rural. [...] Da mesma forma, entendeu que são indedutíveis as despesas com aeronaves. A Autoridade Fiscal, interpretando o art. 13 da Lei n° 9.249/1995 combinado com o art. 25 da Instrução Normativa SRF n° 11/1996, concluiu que as aeronaves não são bens intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização de suco de laranja. Além disso, verificou em documentos acostados aos autos que, em algumas ocasiões, as aeronaves foram utilizadas para fins particulares dos sócios, administradores e dos familiares destes, desvinculando o seu uso em viagens destinadas à produção ou comercialização de suco de laranja. Está claro que não é o caso de tributação por presunção, mas apenas de interpretação das normas e aplicação sobre fatos provados por documentos, sem utilizar qualquer regra de experiência. Ora, se a Recorrente não concorda com a interpretação e vinculações realizadas pela Autoridade Fiscal, isso será analisado quando da apreciação do mérito do presente recurso. Contudo, o fato de o Fisco ter realizado uma Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 30 29 interpretação dissonante daquela esperada pela contribuinte não significa que houve tributação por presunção. Quanto à nulidade relativa à inversão do ônus da prova, é sabido que o CPC adotou a teoria estática do ônus da prova (teoria clássica), segundo a qual o encargo probatório é previamente definido, cabendo ao autor o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito e ao réu provar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito deduzido. Entretanto, essa regra estática de distribuição do encargo probatório tem mostradose ultrapassada. Atualmente, a teoria mais acertada sobre o assunto é a “teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova”, segundo a qual, no caso concreto, a prova incumbe a quem tem melhores condições de produzila, eis que a distribuição rígida do ônus da prova pode resultar em julgamentos injustos, desfavoráveis à parte que não se desincumbiu do seu encargo probatório, mesmo tendo a outra parte condições de produzir as provas necessárias para o desfecho da demanda. Sobre essa evolução na teorias das provas, o r. jurista Fredie Didier Jr., no Curso de Direito Processual Civil (6ª edição, volume 2, p.95/97) esclarece que: [...] Didier sintetiza a distribuição dinâmica do ônus da prova em quatro elementos principais: (i) o encargo probatório não deve ser repartido prévia e abstratamente, e sim caso a caso; (ii) sua distribuição deve ser dinâmica e não estática e inflexível; (iii) é irrelevante, nessa subdivisão, a posição assumida pela parte na causa (se autor ou réu); (iv) é irrelevante o interesse em provar o fato ou a natureza deste, isto é, se é constitutivo, modificativo, impeditivo ou extintivo. O que importa é quem tem mais possibilidades de fazer a prova. Embora a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova não seja expressamente reconhecida pelo CPC, a doutrina tem admitido a sua aplicação com respaldo nos princípios da igualdade, art. 5º, caput da CR/88 c/c art. 125, I, do CPC, princípio da lealdade, boa fé e veracidade (arts. 14, 16, 17, 18 e 125, inciso III do CPC), princípio do devido processo legal, bem como o princípio da solidariedade para com o órgão julgador. Este último princípio é o mais relevante para a aplicação dessa nova teoria ao direito tributário, em função da busca incessante pela verdade material. Entretanto, é de extrema importância ressaltar que de acordo com o art. 9º, §1º, do DecretoLei nº 1.598/77, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Há, portanto, uma presunção legal da veracidade da escrituração contábil do contribuinte, quando, logicamente, fundamentada nas normas e princípios contábeis. Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 31 30 No intuito de desconstituir a presunção de veracidade da escrituração contábil do contribuinte, nos termos do §2º do mesmo art. 9º do Decreto Lei nº 1.598/77, cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância das disposições legais. Portanto, para se abandonar os registros constantes dos livros fiscais há a necessidade de demonstrar fundamentos relevantes, apurados pela autoridade fiscal durante os procedimentos de fiscalização. Essa necessidade decorre, inclusive, do intuito de garantir o exercício do amplo direito de defesa e do devido processo legal, sob pena de nulidade da acusação. Caso, durante os procedimentos de fiscalização, a autoridade fiscal encontre provas ou um conjunto de indícios convergentes que seja hábil a desconstituir a presunção legal da veracidade da escrituração contábil, reunindo os elementos caracterizadores da infração, caberá ao contribuinte comprovar a impossibilidade de aquele lançamento prosperar. Neste instante entra em cena a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova. Cabe sim à autoridade fazendária o ônus da prova da constituição do crédito tributário, todavia o contribuinte é o detentor dos dados e informações acerca do fato gerador do tributo. Assim, é ônus do contribuinte proceder a devida escrituração dos livros fiscais sempre alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que, quando requisitados, deverão ser disponibilizados à fiscalização. [...] No presente caso, a autoridade fiscal rejeitou a veracidade da escrituração fiscal da contribuinte com base em provas e fundamentos que culminaram no presente lançamento tributário. A título exemplificativo, a autoridade fiscal juntou um conjunto probatório acerca da utilização dos aviões por membros familiares e para destinos turísticos, o que fundamentou a glosa das despesas com a utilização das referidas aeronaves. Não pode, portanto, a Recorrente querer impor à autoridade fiscal o ônus de comprovar que as referidas viagens foram realizadas com outro escopo, uma vez que – apesar de o ônus da prova constitutiva do crédito tributário ser do fisco – a autoridade fiscal estaria impossibilitada de o fazer. Conseqüentemente, a autoridade fiscal levantou indícios de que aquela despesa não estava relacionada à atividade da Recorrente, transferindo, nesse momento, o ônus da prova para o contribuinte. Desse modo, não merece acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração sustentada pela Recorrente, haja vista que não se trata de inversão do ônus da prova por parte da fiscalização. Apenas foi exigido da Recorrente que ela produzisse as provas que estavam a seu alcance, na defesa de seus interesses, contribuindo na busca pela verdade material. Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 32 31 Por fim, quanto à última nulidade argüida pela Recorrente em seu recurso voluntário, verificase que ela sustenta o seguinte: “as Instruções Normativas, Pareceres Normativos e Atos Declaratórios, largamente utilizados pela fiscalização para fundamentar suas conclusões, devem ser levados em consideração com uma boa carga de relatividade. Isto porque, são apenas normas complementares em matéria tributária, conforme determina o art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional. (...) Assim, é preliminar deste recurso que as conclusões da fiscalização fundadas exclusivamente em normas complementares e que afrontem ou extrapolem o conteúdo legal, devem ser rechaçadas de modo a prevalecer o disposto em lei.” Entretanto, mesmo atento às observações da Recorrente, entendo que essa preliminar também não merece acolhida. [...] Feitas essas considerações, deixo de acolher as preliminares suscitadas pela Agravada e passo a analisar o mérito da demanda. Mérito: Custos com Aeronaves Da investigação fiscal realizada pela Autoridade Autuante, restou constatado que as aeronaves pertencentes à Recorrente eram utilizadas em viagens não relacionadas ao objetivo da empresa, por vezes com passageiros que não compõem o seu corpo societário ou diretivo, com destinos claramente turísticos, ou para atender demandas pessoais dos membros da família Cutrale ou a eles relacionados. Desta feita, promoveuse a glosa integral dos custos com aeronaves, nos termos do atuo de infração. Argumenta, todavia, a Recorrente, que os custos relacionados a viagens comprovadamente realizadas em negócios da empresa são suficientes para respaldar os valores deduzidos a título de despesas, pelo que a glosa se mostra insubsistente. Em sua defesa, a Recorrente apresentou a planilha de fls. 2.224 à 2.279, onde relaciona as viagens feitas em aeronaves da Recorrente em visitas a filiais, sucursais ou clientes, assim como a planilha de fls. 2.296 a 2.301, em que relaciona a diferença entre os custos comprovados nessas viagens e os valores glosados pela Autoridade Fiscal. Por fim, ressalta que 5% (cinco por cento) dos custos incorridos com despesas de aeronaves são atribuídos ao uso pessoal das aeronaves, dissociadas do objeto social, não tendo, portanto, sido deduzidos como custo na composição do lucro tributável. Sem razão o contribuinte. Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 33 32 As despesas da pessoa jurídica passíveis de dedução na apuração do lucro tributável são aquelas previstas em lei como sendo essenciais para o funcionamento da empresa e o atendimento de seu objeto social. Tratase das chamadas despesas operacionais, assim conceituada pelo art. 299 do RIR/99, in litteris: [...] Particularmente entendo que a utilização de aeronaves privadas, quando voltadas para o desenvolvimento de atividades diretamente relacionadas ao objeto da empresa, permite que os seus custos sejam deduzidos da base de formação do imposto de renda. No entanto, no caso dos autos, houve comprovação, pela Autoridade Fiscal, de que as aeronaves eram utilizadas para fins privados – sem prejuízo de sua utilização para os fins da empresa. Caberia, assim, à Recorrente, comprovar que fez a segregação dos custos atinentes a tal despesa, como forma de permitir que os custos relacionados à utilização das aeronaves em benefício da empresa fossem separados dos custos relacionados à utilização das aeronaves. Mas não foi isso que fez a Recorrente. Como forma de apuração dos custos de utilização das aeronaves, entre aquilo que seria dedutível e aquilo que seria não dedutível, a Recorrente aplicou um percentual fixo de 5% das despesas incorridas como sendo indedutíveis, pelo uso particular das aeronaves pelos sócios da empresa, permitindose a dedução do restante dos custos incorridos. Permissa venia, o que fez a Recorrente foi criar uma presunção de indedutibilidade dos custos da aeronave, sem que houvesse qualquer respaldo legal para esse procedimento. Lado reverso, reclamando de que teria havido inversão do ônus da prova, a Recorrente apresentou as planilhas de fls. 2.224 à 2.279. Novamente sem razão a Recorrente. A uma, por que cabe ao contribuinte comprovar a regularidade de sua escrita fiscal, principalmente quando da apuração do imposto de renda pelo lucro real. Nesse caso, o contribuinte deve manter a guarda de sua documentação e realizar a sua escrituração refletindo os dados constantes dessa documentação. E, na hipótese de fiscalização, cabe ao contribuinte provar que escriturou corretamente seus livros fiscais. A duas, porque as planilhas de fls. 2.224 a 2.279 não fazem a segregação dos custos incorridos pela Recorrente, e cuja dedutibilidade se pretende. De fato, com base nos diários de vôo das aeronaves, a Recorrente demonstra que as mesmas também eram utilizadas em viagens a serviço e em favor da empresa. No Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 34 33 entanto, não existe uma correlação entre custos incorridos x utilização das aeronaves em benefício da empresa, de forma a permitir a dedutibilidade dos custos da apuração do imposto de renda. A três, por não sido feita a discriminação dos objetos das viagens realizadas, de forma a comprovar que as mesmas de fato objetivavam atender à finalidade empresarial. Isso porque o simples fato de a Recorrente possuir filiais, clientes ou subsidiárias no destino das aeronaves não é suficiente para dizer que a viagem fora realizada em benefício da empresa, mormente quando o destino comporta questões de cunho negocial e de natureza turística. Dentro desse contexto, seria necessário que se fizesse uma correlação de custo pela utilização da aeronave no caso concreto, de forma a poder afirmar qual o custo de cada vôo para dizer que os custos incorridos nas viagens particulares dos sócios e diretores da empresa superasse os 5% (cinco por cento), o que, salvo melhor juízo, não foi feito. Diante do exposto, entendo deva ser negado provimento ao recurso neste particular. (grifos acrescidos) Acórdão Paradigma nº 130200.056 Voto [...] Em relação a GLOSA de despesas com arrendamento de aeronaves, entendo assistir razão a recorrente. Convém transcrever a descrição dos fatos efetuada pela Fiscalização e constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1187/1190), verbis: [...] Assim não restou provado que a aeronave, utilizada pelos executivos da empresa, conforme afirmação própria, eram usados efetivamente em beneficio da pessoa jurídica e relacionavamse intrinsecamente com as atividades da empresa, ou seja, indispensável para realização dos seus objetos sociais, nos termos da legislação de regência, logo, não há outra alternativa senão considerála indedutivel na determinação do lucro real. Tratandose da necessidade, deve haver um nexo direto entre as despesas e as atividades da empresa, vale dizer, são despesas necessárias aquelas sem as quais o empreendimento empresarial não pode ir adiante. Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 35 34 Segundo o conceito legal, o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. O relatório DRJ afirma: "A fiscalização comprovou nos autos que os custos/despesas com o aluguel da aeronave são desnecessários para a empresa, pelo seguinte: a) que inexiste um nexo direto entre as despesas com o arrendamento da aeronave e as atividades da empresa; b) que o bem arrendado não está intrinsecamente relacionado com a produção, nem com a prestação de serviços (não existe vinculação direta). A aeronave, na verdade, foi arrendada para transportar executivos (a diretoria da empresa), segundo a própria autuada. Destarte, a função da aeronave na empresa não está intrinsecamente relacionada com a atividade produtiva ou com a prestação de serviços da empresa; c) que o arrendamento da aeronave não melhorou a performance da empresa, em termos de lucro liquido do períodobase, conforme Planilha abaixo, cujos dados foram extraídos das DIPJ 2000 a 2004: [...] d) que o custo/despesa mensal da aeronave é muito alto (só o aluguel US$ 275.000,00/mês), não se justificando, por conseguinte, seu arrendamento em relação à performance econômica da autuada que é pífio, quando comparado com os custos da aeronave; e) que os planos de vôos e os diário de bordo da aeronave no período objeto de fiscalização não prestam informação alguma de quem foi transportado de uma cidade para outra; se foram transportados executivos da empresa ou outras pessoas não relacionadas com a empresa (fls. 1227/1478). f) que pela legislação tributária relativa ao leasing (arrendamento) não restou comprovado, por parte da autuada, que o uso da aeronave está intrinsecamente relacionado com a atividade de prestação de serviços da empresa (atividade operacional). Portanto, não restando provado pela autuada que a despesa/custo de arrendamento da aeronave esteja intrinsecamente relacionada com as atividades da empresa, ou seja, que essa despesa/custo é indispensável para realização dos seus objetos sociais, nos termos da legislação de regência, logo, não há outra alternativa Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 36 35 senão considerála indedutível na determinação do lucro real. A recorrente em seu recurso e nos memoriais entregues, afirma sobre a matéria: 1.1. Das indagações feitas pela Fiscalização no Termo de Intimação nº 03 e as respectivas Respostas apresentadas pela Recorrente [...] 1.2. Do Oficio expedido pela DEAIN ao Departamento de Aviação Civil ("DAC") [...] 1.3 Da Conclusão com Relação às Intimações Fiscais: [...] 2. Relatórios de Vôo x Diários de Bordo [...] 2.1 Da Conclusão com Relação aos Diários de Bordo/Planos de Vôo: [...] Como se verifica acima, a questão se resume às provas trazidas pela fiscalização e às alegações trazidas pela recorrente em sede de recurso e nos memoriais apresentados. Embora entenda que os elementos trazidos aos autos pela recorrente sejam indiciários e não submetidos ao contraditório, o que poderia fragilizálos, entendo que não andou bem a fiscalização ao reduzir a investigação a apenas uma intimação ao contribuinte sobre o tema. Diante da relevância dos valores deduzidos da base de cálculo dos tributos, entendo que caberia à fiscalização aprofundar a investigação, esclarecendo ao contribuinte que eram necessárias provas mais contundentes de sua alegação, em especial em relação à utilização da aeronave para atingir a finalidade lucrativa da recorrente. Nos casos em que trouxe aos autos, a recorrente demonstrou que os roteiros eram compatíveis com suas atividades e não eram próprios de viagens de turismo (diversos locais em apenas um dia) e mesmo para as viagens ao exterior, foi demonstrado o interesse da recorrente. Caberia à fiscalização ter aprofundado a análise e, mesmo que fosse por amostragem, demonstrar a falta de conexão, pela não comprovação de necessidade da despesa. As afirmações sobre o excesso da despesa não possuem base legal e poderia ser utilizada como indicio para demonstrar a falta de necessidade da despesa. Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 37 36 Também labora contra a tese da fiscalização o fato da glosa ter atingido 100% das despesas com o pagamento do arrendamento da aeronave quando teria de ficar evidenciado que não havia qualquer elo da atividade da recorrente com a despesa. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso em relação a esta matéria. (grifos acrescidos) Acórdão Paradigma nº 10195.823 Relatório [...] A fiscalização glosou o valor de R$ 55.358,83, lançado na conta "confraternização", considerando desnecessário eis que feito com liberalidade, além de considerar indedutíveis os gastos com cartões de crédito, despesas de depreciação de veículos, despesa com combustível, despesa de seguro, IPVA, taxas e estacionamento e aquisição de veículos. [...] à vista dos termos da impugnação, decidiu a 1ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, por unanimidade de votos indeferir a solicitação da Interessada, ficando a decisão assim ementada: [...] Nesse sentido, concluíram os julgadores que além da obrigatoriedade do preenchimento dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade das despesas, existe a indissociável obrigatoriedade da apresentação de documentação hábil para comproválas. As despesas devem ser efetivamente ocorridas e se relacionarem, por exemplo, ao serviço que se alega que foi prestado. Desta forma, prosseguem afirmando, que nas despesas constantes do cartão de crédito corporativo, a interessada embora tenha apresentado os documentos de fls. 959/993, não comprovou o nexo de causalidade entre as ditas despesas e a obtenção de receitas provenientes das mesmas, através do fechamento de contratos comerciais com clientes em potencial, o que caracterizaria o estrito uso em serviço. Consignaram, ainda, no tocante às despesas de depreciação de veículos, despesa com combustível, despesa de seguro, IPVA, taxas e estacionamento e aquisição de veículos que a interessada não trouxe aos autos prova de que as mesmas se enquadram aos veículos relacionados no art. 25 da IN SRF 11/96, além de deixar de identificar os seus beneficiários ficando em desacordo com a Lei n° 9.249/95, art. 13, Inc III. É de conhecimento geral Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 38 37 que os veículos em questão — TEMPRA OURO 16V, MONZA SLE 2.0, ALFA ROMEO, OMEGA GLS, BLEZER DLX, OMEGA CD, FORD ROYALE e JIPE Pathfinder, relacionados às fls. 346/350 Volume II são automóveis de luxo e de alto valor, sendo desnecessário fazer prova de tal afirmativa. Assim, foge ao razoável supor que o uso de tais veículos seja usual e normal, além de necessário às atividades da empresa, nem mesmo de forma compartilhada com os administradores. De forma taxativa, o parágrafo único do art. 25 da IN SRF n° 11/1996, enumera o que se considera intrinsecamente relacionado com a produção ou comercialização. Assim sendo, entenderam os julgadores, que como os veículos em questão não se enquadram nos veículos relacionados na referida INSRF, e como também não houve identificação dos beneficiários, as despesas deste item foram consideradas indedutíveis. Registraram, ainda, que os gastos das interessada com a aquisição de veículos registrados pelas notas fiscais às fls. 738/745 e escriturados na conta 130101006000000005063, foram considerados como não relacionados intrinsecamente com a atividade da mesma e utilizados pelos diretores, gerentes e assessores, conforme planilha anexa às fis 727/737, sendo tributados como benefício indireto. [...] VOTO [...] b) DESPESAS DE AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS, DEPRECIAÇÃO, SEGURO, COMBUSTÍVEL, IPVA, TAXAS E ESTACIONAMENTO. Com relação aos presentes itens, entendeu a fiscalização que os veículos colocados à disposição dos diretores e assessores da empresa não se enquadram nos veículos relacionados no art. 25, da IN 11/96, tornando os gastos indedutíveis, a despeito da recorrente ter recolhido o IRFonte sobre 2/7 do valor da depreciação, seguro, combustível, IPVA, etc., e ainda, por não ter individualizado os beneficiários, reajustou a base de cálculo do IRFonte, bem como, tributou a aquisição de veículos ao argumento de não estar intrinsecamente relacionado com a atividade da empresa, pois utilizados pelos diretores, gerentes e assessores. Para afastar as exigências, alega a recorrente que procedeu a tributação dos 2/7 relativos à parcela que foi considerada como uso particular individualizado, e que todos os carros eram adesivados e tinham por objetivo servir a empresa. De fato, compulsando os autos (fls. 943/956), encontramse fotos de determinados veículos adesivados que não aqueles excluídos pela fiscalização, o que comprova que não só aqueles veículos apontados pela fiscalização (kombis, ônibus e furgão) Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 39 38 encontravamse a serviço da empresa, o que demonstra a precariedade do lançamento em tornar indedutível o custo e as despesas incorridas com os demais veículos na sua totalidade. E mais, conforme constatado pela fiscalização, a recorrente ofereceu a tributação como remuneração indireta, na proporção de 2/7 as despesas incorridas com veículos, decorrente do uso particular nos finais de semana, não sendo, portanto, suficiente para afastar a dedução o simples fato dos veículos não se enquadrem no disposto no art. 25, da IN 11/96, pois, independentemente do tipo de veículo utilizado pela empresa, a condição para a sua dedutibilidade é que tais despesas guardem estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, o que entendo plenamente aplicável no presente caso, tendo em vista o tipo de produto por ela comercializado. A verdade é que as despesas incorridas com veículos escriturados no ativo permanente (imobilizado) da empresa, por presunção legal, são necessárias a sua atividade, cabendo o ônus da prova ao fisco quanto a sua desnecessidade. Entretanto não é o que se depreende dos autos, eis que a fiscalização ao tributar o custo dos veículos adquiridos, bem como os gastos/despesas deles advindo, adotou postura nitidamente comodista e superficial, ao não investigar os fatos e considerar os elementos de prova que dispunha para realizar o lançamento em obediência aos dispostos nos §§ 1°. e 2°., do art. 242 do RIR/94, impondo, por conseguinte, o cancelamento da exigência, ante a incerteza do lançamento. As transcrições acima evidenciam as diferenças dos aspectos fáticos examinados pelas decisões cotejadas, o que inviabiliza a caracterização de divergência a ser solucionada pela via de recurso especial, eis que cada uma dessas decisões está vinculada a um específico conjunto probatório, que não se repete nos outros processos. Quando os aspectos fáticos analisados pelo acórdão recorrido e pelos acórdãos paradigmas justificam as decisões distintas, fica inviabilizado o processamento do recurso especial de divergência. Nestes termos, não deve ser conhecido o recurso especial, na parte que trata da glosa de despesas com aeronaves. GLOSA DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO UTILIZADOS NA ATIVIDADE RURAL Quanto à segunda divergência, o recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. O Termo de Verificação Fiscal, peça que integra o auto de infração, traz muitas informações relevantes para a solução da divergência jurisprudencial suscitada pela contribuinte: Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 40 39 2 DA ATIVIDADE RURAL NA PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA A partir das informações constantes da. DIPJ do anocalendário 2003 e seguintes verificase que a fiscalizada considera desempenhar atividades conceituadas como rurais. O conceito fiscal do desempenho de referida atividade tem seu desenho normatizado pela Lei nº 8.023/90, com as alterações impostas pela lei n° 9.430/96, assim disciplinado: [...] Referida lei incentiva as atividades do setor primário da economia, de molde a permitir a fixação do homem ao campo na produção de alimentos. Da leitura do estatuto social da auditada encontrase como objeto social a "indústria, comércio, importação e exportação de produtos e sucos hortifrutícolas em geral, seus derivados, subprodutos e resíduos; a agricultura; a pecuária; a prestação de serviços correlatos as suas atividades, a exploração imobiliária e a atividade de operador portuário" (fl. 2132). A partir dos livros contábeis da auditada constatase que a fiscalizada dedicase quase com exclusividade à venda de suco de laranja em escala industrial, preponderantemente exportandoo. Digase que se cuida da líder mundial na produção de suco de laranja concentrado. Exerce a chamada atividade agroindustrial, em que predomina a produção na visão industrial, própria do segundo setor da economia. Do que foi apurado no processo produtivo da fábrica, a produção de laranja é própria do setor primário, enquanto a seqüência e finalização do processo pertencem ao setor secundário. Em verdade a produção de laranja é tão somente uma das etapas para a obtenção do suco de laranja e derivados. Cabe então verificar a compatibilidade destas atividades operacionais com a tributação na forma da atividade rural. 2.1 Da incompatibilidade entre a produção do suco de laranja e a transformação permitida na atividade rural Compulsada a base legal da atividade rural seria de se esperar que a atividade desempenhada fosse a produção agrícola ou a transformação de produtos decorrentes da atividade rural. A empresa dedicase, quanto à agricultura, à venda de gado e laranja. Mas o que prepondera é a atividade de transformação em que produz suco de laranja. No primeiro caso, as vendas de produtos diretamente derivados da terra são receitas da atividade rural, jungindose com perfeição ao conceito legal de atividade modelado no inciso I, do artigo retro citado, e em conformidade ao exposto em resposta da fiscalizada ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 21/02/2008. Ocorre que nesta segunda possibilidade, a da transformação da produção agrícola, exige a lei outras condições, a saber: a) que Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 41 40 não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura; b) sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais; c) a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor ou criador; d) que seja utilizada matériaprima exclusivamente produzida na área rural. Os conceitos e contornos modelados pela norma evitam que a atividade de transformação ultrapasse o escopo protetivo legislado para os rurícolas. Referida lei tributa os resultados da atividade rural. Assim, se por um lado permite que a transformação seja feita pelos produtores, de outro limita a atividade dos transformadores. Ou seja, do que se lê, fácil constatar que os benefícios tributários afetos aos produtores no desempenho de atividade rural não são elásticos como interpreta a fiscalizada. De inicio a limitação imposta atinge a fiscalizada, eis que na produção de suco de laranja há nítida alteração das características do produto in natura, eis que no processo industrial do suco é retirada água, deixandoo em sua forma concentrada. Consta inclusive da Instrução Normativa n° 257/2002, art. 2°, VIII, alínea c, item 3, que a atividade permitida como rural é a de produção de sucos de frutas acondicionados em embalagem de apresentação. No caso sob análise é claro que o suco fabricado em nada se aproxima ao formato legal permitido. Portanto, para ter seus resultados tributados como atividade rural, a fábrica não poderia produzir o suco de laranja concentrado, mas tão somente vendêlo em embalagem de apresentação, desde que mantidas as características e composição do suco natural. No presente, o suco concentrado produzido não mantém a característica, nem a composição do suco natural. Nos balanços contábeis dos custos da produção resta clara a utilização de produtos químicos para fabricar o suco concentrado como a adição de enzimas, de molde a alterar a composição e as características do suco. E, quando o legislador impede que o produto in natura perca suas características e composição, tornou imprópria a transformação do suco de laranja na forma como industrializada, pois neste caso há transformação de aroma, sabor, cor, densidade etc, muito diferentes do suco natural. De outra parte, quanto à exigência de que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural, evidente é que em nada se assemelham as sucessivas extratoras e caldeiras encontradas no processo produtivo da fábrica para produzir o suco industrializado com a forma artesanal usada na atividade do produtor rural de suco de laranja. A se considerar similares ambos processos, desnaturada resta a atividade rural incentivada. Também dos balancetes contábeis aferese a alta complexidade e grandiosidade do maquinário utilizado no processo industrial, quando Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 42 41 identificadas as contas de custos de produção sob a rubrica “manutenção de equipamento”. Claro está que não é usual que seja encontrado na atividade rural um parque industrial como o produtor de suco de laranja, quanto mais quando este parque abastece a produção em escala mundial. Ainda na descaracterização de que a fábrica execute atividade rural, a diferença do processo desta com a do produtor rural é também quantitativa. Tratase de processo industrial o verificado nas fabricas com a produção como a deste caso, eis que a quantidade produzida de milhões de litros de suco de laranja requerem manejo industrial. Não pode, nem foi pensado na lei tributária, um tratamento em bases iguais do produtor rural com o industrial que se utilize de insumos agrícolas. Suas dimensões os desigualam, inclusive no que tange a capacidade contributiva. Nestes termos dispõe o art. 3°, inciso I, da IN n° 257/02, ao vedar expressamente a inclusão na atividade rural das atividades de industrialização, como as implementadas pela auditada. Permitese, na mesma legislação, a transformação de produtos zootécnicos, tal como a produção de sucos de frutas (art. 2º, inciso VIII, alínea c, item 3), mas apenas quando acondicionados em embalagem de apresentação. No caso sob exame, as vendas de suco são feitas através de tambores centenas de litros ou de cilindros de capacidade de dezenas de milhares de litros aos atacadistas predominantemente estrangeiros. Destaquese que a venda em território nacional ocorre apenas para a CocaCola por força de contrato em que se estipulou que os refrigerantes a base de laranja feitos em escala mundial têm seu suco fornecido pela fiscalizada. As vendas nacionais limitamse a este contrato. Ainda determina a lei que o produtor utilizese somente de matériaprima produzida na área rural de sua exploração (inciso V do art. 2° da Lei 8.023/90). Continuando a conceituação de referida atividade, observase que impedido está o produtor rural de adquirir produtos de terceiros para que os transforme . Evitase com mais esta restrição que haja comercialização da produção de produtores rurais e possível concentração na produção rural. A forma como está, a lei inviabiliza tratamento favorecido a quem repasse o que não produz, nos termos do parágrafo único do art. 2° da Lei 8.023/90. No caso em tela, a auditada não industrializa apenas o que planta. Também compra laranja de terceiros, uma vez que sua atividade lucrativa é a preponderante venda de suco de laranja concentrado, independendo se tenha que adquirilos de fornecedores ou parceiros. Caracterizado está que a atividade principal da fiscalizada e a fabricação de suco de laranja, sendo o plantio de laranja atividade acessória. Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 43 42 A última, mas não menos importante condição da atividade rural é a que condiciona ao transformador a venda do produto final em embalagem de apresentação. Neste caso, resta claro que vincula ao produtor rural o desempenho de atividade mercantil de venda da produção em escala varejista. Não é o que acontece na fiscalizada, pois que a produção do suco é expedida em tanques refrigerados com capacidade para toneladas de suco, ou em tonéis contendo o suco concentrado em centenas de litros, os quais não são destinados diretamente ao consumidor em embalagem de apresentação, conforme legislado. Ao ano a fiscalizada exporta acima de 500 milhões de litros de suco de laranja, cabendolhe, segundo informações veiculadas na imprensa, o domínio do mercado mundial com cerca de 30% da produção de suco. 2.2 — Da impossibilidade de adequação da agricultura como atividademeio no conceito legal da atividade rural Do que até agora esclarecido, os dois caminhos possíveis de interpretação das atividades da fábrica de suco como sendo atividade rural estão equivocados. Quer naquele em que se adéqua ao art. 2°, inciso I, da Lei n° 8.023/90, como agricultor a cultivar laranja, ou ao considerar que executa as atividades de transformação previstas no art. 2°, inciso V, da mesma lei, acima analisado. Naturalmente que ao produzir com seu maquinário e sua capacidade e escala industriais, obtém alta rentabilidade do solo, propiciando ao seu negócio de venda de suco de laranja a maior lucratividade possível. Assim sendo, a decisão entre produzir ou não laranja não perpassa pela natureza do objeto social, antes esta considera a rentabilidade da fabricação do suco de laranja. Afinal desde seu inicio, a empresa fabricou suco de laranja como atividade principal. Instada a justificar a conceituação como atividade rural através de Termo de Intimação Fiscal, aduziu que explora a atividade rural como atividade meio com o cultivo da laranja. E que possui receitas da atividade rural com a venda de laranjas in natura. Asseverou ainda que é agroindústria, para a qual estaria previsto o beneficio fiscal. Traz para tanto o conceito esculpido no ordenamento jurídico previdenciário, qual seja, o art. 201A do Decreto n° 3.048/99, in verbis: Art. 201A. A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição as previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: (Artigo acrescentado pelo Decreto n°4.032, de 26111/2001) Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 44 43 Como evidencia a própria definição legal supra, a agroindústria é quem industrializa produção própria ou de terceiros, e sofre tributação previdenciária diferenciada. Neste sentido, a definição legal atinge a fiscalizada somente em seus efeitos previdenciários. Ressaltese que a legislação do imposto de renda e da contribuição social não utilizam esta conceituação em nenhum diploma legal. Mormente na conceituação da atividade rural, que dista da definição de agroindústria por conter limites outros, definidos pela Lei n° 8.023/90, inclusive antagonizando com a tributação das contribuições previdenciárias pela agroindústria ao permitir a industrialização de produção adquirida de terceiros. A agroindústria envolve setor bem mais amplo, não se limitando à atividade agrícola ou pecuária, tampouco a atividade rural. Tal ramo vai desde a indústria que produz o equipamento e implementos agrícolas, os fertilizantes, o beneficiamento e seleção de sementes e mudas, o programa de plantio, o financiamento da atividade, a colheita, o armazenamento, a distribuição, até o atendimento aos consumidores. Não é demais destacar que a tributação destes tributos tem como fato gerador a renda, diferindo acentuadamente da tributação da contribuição previdenciária, que se dá sobre o faturamento. Logo, aplicar o conceito de agroindústria A atividade rural seria tratar tributos de conceitos distintos de forma similar, o que nos leva a erro crasso de aplicação da legislação tributária. Inexiste o conceito de agroindústria no trato do imposto de renda. A legislação fiscal limitouse a conceituar a atividade rural de forma restrita. Também descabe trazer de leis de direito privado o conceito de atividade rural, mormente quando bem definida na lei do imposto de renda o que se considera na sua tributação a atividade rural. Não é demais citar o art. 109 do Código Tributário Nacional, que determina que o conteúdo de conceitos de direito privado não devem ser usados para a definição dos efeitos tributários, pois a lei tributária será apta a determinar o alcance tributário. Que não seja utilizado o conceito de agroindústria na atividade rural, e verificados todos os itens constantes na lei que limitam a tributação sob as regras da atividade rural, não há outra conclusão: é descabível tratar uma fábrica de suco pertencente aos prósperos negócios da agroindústria como os produtores rurais albergados pelos benefícios fiscais da atividade rural. Impossível destacar artificialmente a atividade de produção da laranja da sua etapa no amplo processo produtivo do suco, e considerar a fiscalizada como um todo pertencente A atividade rural. Óbvio por tudo quanto exposto que as receitas da venda de laranja são da atividade rural, mas não menos evidente que não se pode aceitar as receitas da venda de suco de laranja como sendo da atividade rural. Ou, mais absurdo ainda, considerar Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 45 44 que quanto à atividade rural basta que seus custos sejam próprios da atividade rural, sem que as receitas decorrentes do processamento industrial desta laranja também estejam conceituadas como pertencentes a atividade rural. Em assim agindo, tratarseia de mecanismo híbrido de atividade rural sem permissão legal, pois na Lei n° 8.023/90, que cuida da tributação do resultado da atividade rural, o vocábulo "resultado" vem significar a diferença entre receitas e despesas da mesma natureza, ou seja, ambas da atividade rural. Reza o art. 40, da Lei n° 8.023, que "considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas e das despesas pagas no anobase". Ilegal a interpretação de exploração da atividade rural contra legem. Com efeito, basta a leitura do art. 1°, da Lei n° 8.023/90, para entender que a tributação da atividade rural no que toca ao imposto de renda e contribuição social ocorre sobre os resultados, senão vejamos: Art. 1º Os resultados provenientes da atividade rural estarão sujeitos ao Imposto de Renda de conformidade com o disposto nesta lei. Por força desta forma de tributação sobre resultado é que se conclui que o resultado da atividade rural da fiscalizada abrange tão somente a parcela de receitas da atividade rural em comparação ao total das receitas. E cediço que a tributação do imposto sobre a renda advém do resultado, o que significa dizer que da composição da atividade rural (receitas rurais custos rurais) é que se apura a base de cálculo da atividade rural. E mais. A partir deste resultado contábil é que são feitos os ajustes de exclusão ou adição, chegandose ao lucro real da atividade rural. Para arrematar, admite a lei a transformação, mas desde que o produtor ou criador mantenham esta qualidade intrínseca de rurícola. Ao contrário do fato apurado, em que o industrial servese da atividade como produtor rural para dela extrair benefícios fiscais em atividades outras não rurais. A fábrica dedicase a produzir em escala industrial suco de laranja a partir da laranja comprada ou cultivada seu insumo industrial, não o reverso admitido pela legislação, quando o produtor da laranja a transformaria para dar vazão à sua produção rural, mantidas as condições antes detalhadas. Desde o inicio a fábrica de sucos foi criada para produzir tal qual qualquer empresa industrial. Importante destacar que a menor parte da produção advém da sua lavoura própria. Também merece destaque esclarecer que a fiscalizada resolveu cindir as atividades rurais no ano calendário 2002, constituindo a empresa CBL Agrícola Ltda para atuar no ramo da produção de laranja, fornecida com exclusividade à Cutrale. Sendo assim, por força de planejamento tributário, eis que há diferenças de tributação entre a legislação dos tributos imposto de renda e contribuições previdenciárias, Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 46 45 tomou a decisão da divisão de atividades rurais e industriais. Em seguida, em julho de 2003, resolveu novamente unir as atividades agrícolas com as industriais. Percebese que quando as atividades eram divididas em empresas distintas, inocorria o efeito da depreciação incentivada na Cutrale, pois a CBL efetivamente possuía atividade rural vez que vendia sua produção de laranja. E, naquela situação, a CBL sofreria consecutivos prejuízos fiscais rurais. Com a incorporação de ambas, na forma como efetuado pela fiscalizada, passouse a compensar erroneamente estes prejuízos fiscais da atividade rural com os lucros das demais atividades. Em síntese, a atividade rural envolve os custos e as receitas na produção rural. A indústria, simplesmente por produzir parte da laranja utilizada como insumo no processo industrial, não pode se aproveitar dos benefícios da atividade rural para a produção do suco. A previsão legal é da tributação do resultado como um todo da atividade rural, não quando as receitas de venda envolvem produtos não considerados da atividade rural. Destarte, há que ser rateada a receita da atividade rural venda de laranja in natura das demais receitas industriais, a fim de que o beneficio da atividade rural seja aplicado apenas à parcela do resultado rural. Da forma como feita, o beneficio da atividade rural está abrangendo o total das receitas da auditada, sem discriminar o que seja receita da atividade rural do que sejam as demais receitas, e assim, os benefícios fiscais do cultivo da laranja não aplicada na atividade de venda de laranja devem ser desconstituídos. Referida forma de consideração está disposta no art. 8° da IN n° 257/02, em que resta estabelecido o rateio das receitas quando coexistirem atividades rurais e não rurais. No mesmo disciplinamento também se considera que o resultado da atividade rural envolve tão somente as unidades rurais da auditada. Portanto, entende o fisco acertadamente que sofrem duas formas de tributação distintas os rendimentos da atividade rural das demais atividades, segregandoos. 2.3 DO BENEFÍCIO DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA O tratamento acima considerado da fábrica como pertencente à atividade rural ainda não teve esclarecido seus efeitos fiscais. Da análise das declarações de imposto de renda verificase que a empresa utilizouse do beneficio da depreciação incentivada disposta no art. 314 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Reza a norma ser possível que os bens do ativo permanente imobilizado utilizados na atividade rural sejam depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. Para tanto pode ser feita uma exclusão na apuração do lucro real no valor do bem quando imobilizado, com as posteriores adições nos anos subseqüentes a medida que a quota de depreciação for sendo incorrida. Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 47 46 Por meio do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) constatase que assim foi feito pela fábrica. Considerando que a conceituação da fiscalizada como exercente de atividade rural em sua totalidade está errada, os efeitos fiscais na apuração do lucro real devem ser desfeitos. Assim, cabe a auditoria desfazer os efeitos fiscais dos ajustes na determinação do imposto de renda, a começar pelas glosas nas exclusões incorretas, terminando pela desconstituição das adições que também foram incorretas. Nos anoscalendário 2003 a 2007 constam no LALUR como exclusões os valores das aquisições destinadas ao cultivo da laranja ocorridas no período. Nesta rubrica de exclusões aparece o maquinário adquirido para o trato da laranja, o maquinário adquirido para o transporte da laranja, os custos incorridos na formação da lavoura sob a rubrica "plantas cítricas formadas", tais como mãodeobra dos trabalhadores rurais, encargos previdenciários e trabalhistas, assim como os custos das prestadoras de serviços. Cabe esclarecer que a lei tributária permite que as pessoas jurídicas possam depreciar integralmente os bens do ativo permanente, e que a fiscalizada está utilizandose deste beneficio não apenas para o maquinário, mas também para a exclusão dos custos da laranja. E bom que se explique que a rubrica planta cítrica formada cuida do plantio das mudas de laranja plantadas em cada ciclo de dezesseis anos de produção. Neste ciclo da árvore são recolhidos os frutos. Logo, neste processo produtivo os custos de formação da lavoura de laranja estão sendo ativados, para depois serem depreciados. De se dizer que deveria ter a empresa segregado os resultados fiscais da atividade rural dos demais resultados, conforme determina a legislação infralegal já citada. Afinal são dois resultados com tributação distinta, eis que ao resultado da atividade rural são concedidos benefícios como os ora citados. Ao não fazêlo, deliberadamente tratou a produção de laranja como sendo exclusiva da atividade rural, no entanto referida atividade serve tanto para as receitas da atividade rural tal como a venda de laranja in natura, como para as receitas de atividade não rural, por exemplo a produção de suco de laranja e derivados. A distorção provocada por referida consideração acentuase na apuração dos resultados fiscais, pois neste caso a atividade rural sistematicamente gera prejuízos, os quais são compensados pelas demais atividades. Porém, em verdade inexiste a distorção, já que caberia o rateio dos custos da produção de laranja proporcionalmente As receitas das atividades rurais e não rurais. Em assim contabilizado, de acordo com o art. 8° da IN n° 257/02, a exclusão efetuada não resultaria no desequilíbrio entre as atividades, já que somente poderia ser feita proporcionalmente na parcela da atividade efetivamente rural, seguindo os contornos da lei n° 8.023/90, qual seja, a venda de laranja in natura. O erro na apuração do lucro real ocorreu da Fl. 3268DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 48 47 falta de segregação das duas atividades, que, por via de conseqüência, resultaria em exclusão da parcela de receitas da atividade rural. Da forma como feita, a exclusão envolveu tanto as atividades rurais quanto as não conceituadas como rural. Em que pese que acima de 99% da produção é de atividades não rurais, a distorção provocou significativo erro na apuração do lucro real, eis que a exclusão foi indevida na sua quase totalidade, sendo admitida apenas na parcela da atividade rural. Ainda no estudo do delineamento produzido pela normativa, cabe destacar que o art. 14 regulou os procedimentos de apuração do lucro real. Repete os conceitos da lei ordinária, como seria de se esperar, limitando o beneficio fiscal aos bens do ativo imobilizado que sejam utilizados na atividade rural. Pois bem. Também cabe interpretação o § 6° do mesmo dispositivo, quando estabelece que não fará jus ao beneficio de que trata aquele artigo a pessoa jurídica rural que direcionar a utilização do bem exclusivamente para outras atividades estranhas à atividade rural própria. Está claro que vincula novamente a utilização do bem com a atividade rural, mas vai além, pois quando inadmite o beneficio a quem aplicálo com exclusividade a atividade não rural, contrario sensu está permitindo a concomitância da aplicação do bem em duas atividades, rural e não rural. Com efeito, ao admitir esta aplicação comum, nada mais faz do que permitir a segregação da utilização dos bens do ativo imobilizado, na forma como já determinado no art. 8°, em que os custos e as despesas comuns das duas atividades devem ser rateadas em função das receitas das atividades. Assim, como no caso da fiscalizada, a exclusão correta seria apenas da parcela aplicada na atividade rural, o restante não pode ser excluído porque se trata de aplicação em atividade não rural (industrial). No caso presente sabese que a produção de laranjas é direcionada em sua quase integralidade para atividade não rural, e que o beneficio fiscal não se ajusta a produção do suco de laranja e derivados. Outra conclusão não há que a limitação da exclusão do lucro real à parcela da atividade rural, calculada na forma do rateio proporcional a percentagem que a receita liquida da atividade rural representa em relação à receita liquida total. Descabida a exclusão integral, haja vista que as receitas dividemse em rural e não rural (industrial). Esclareçase que esta forma de rateio de receitas está disciplinada no art. 8°, § 1º. 2.3.1 DA CONTABILIZAÇÃO E APURAÇÃO DO CUSTO REFERENTE AO CULTIVO DA LARANJA A empresa cultiva a laranja em terras próprias, mediante arrendamento de terras de terceiros e também com a compra direta de produtores rurais. Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 49 48 Para tanto, realiza, mensalmente, investimentos diversos com o preparo do solo, plantio e manutenção da lavoura que são registrados na sua escrituração contábil conforme passa a ser descrito. [...] 2.3.2 DO BENEFÍCIO FISCAL RELATIVO A DEPRECIAÇÃO INTEGRAL DA CONTA LAVOURA CÍTRICA FORMADA Conforme já descrevemos, o contribuinte contabiliza em conta do Ativo Permanente Imobilizado (plantas cítricas formadas) os custos apropriados para a formação da lavoura cítrica, amortizando contabilmente os custos desta conta na taxa de 6,25%, ao ano, mediante lançamentos de depreciação acelerada incentivada. O contribuinte entende que por ser uma pessoa jurídica que explora atividade rural (nos termos do art. 58, inciso VI, do Decreto n° 3.000/99 — RIR/99), teria direito ao beneficio fiscal previsto nos artigos 307, II, e 314 do RIR/99, podendo depreciar integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura cítrica, registrados na conta Plantas Cítricas Formadas. De fato, o contribuinte está utilizando o beneficio da depreciação acelerada incentivada e está depreciando, integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura canavieira(SIC), registrados na conta Planta Cítrica Formada. Em contrapartida, o custo excluído é adicionado nos próximos 192 (cento e noventa e dois) meses, ou seja, nos próximos 16 anos, nos ajustes do Lucro liquido do período, no LALUR — fls. 2030/2125. 2.4 DA INTERPRETAÇÃO LITERAL DOS BENEFÍCIOS FISCAIS Por tudo quanto apontado, claro está que a legislação tributária confere tratamento privilegiado aos produtores rurais. Conquanto não esteja correta a adequação das atividades produtivas principais da fábrica com as próprias dos produtores rurais, o fato comprovado documentalmente e informado é de que a empresa agroindustrial não exerce atividade rural quando vende a produção industrial. Pois bem. Há duas considerações relevantes a serem dispostas. A primeira atine a interpretação da legislação tributária aos benefícios fiscais. O modelo legal desenhado para a atividade rural define contornos bem precisos. A lei delimita com clareza os destinatários do beneficio fiscal. Nesta definição inclui de um lado os produtores rurais. Ainda prevê como beneficiários os produtores rurais que transformam sua produção, mas neste caso com as limitações impostas e já retro analisadas. Nesse Fl. 3270DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 50 49 diapasão, percebese que a atividade rural de transformação da produção rural sofreu limitação interpretativa legal. Juntese a esta norma a veiculada no Código Tributário Nacional, art. 111l, que dispõe caber a interpretação literal da legislação tributária aos benefícios fiscais, concluise haver dupla blindagem aos transformadores de produtos rurais caso queiram ser contemplados. Quando reza o CTN este dispositivo visa à manutenção do principio da igualdade tributária, vez que ao estabelecer vantagens tributárias a determinado contribuinte não permite seu elastério, de molde a não desvirtuar a tributação para um universo maior dos que os atingidos pela benesse. Considera o legislador que, ao conferir benefícios, a lei é precisa e enxuta, determinando ao legislador que caso queira ser benevolente com outros contribuintes não atingidos diretamente pela norma, o faça com nova lei. Desta forma deve ser entendida a conceituação da atividade rural. Como beneficio fiscal, sua tributação favorecida está restringida h. interpretação literal pelo CTN, bem como limitada pela própria conceituação da atividade de transformação do produtor rural. O resultado da reincidente restrição é que atividades como as agroindustriais desenvolvidas para a produção em escala industrial das fábricas de suco de laranja não estão beneficiadas em sua tributação. Seria mesmo admitir um absurdo que a pujante indústria de sucos pudesse ser igualada tributariamente aos produtores rurais em interpretação ampliativa, quando o conceito legal vem em dupla mão oposta. Desarrazoado pensar que o maior industrializador mundial do suco de laranja utilize as mesmas vestes tributárias dos rurícolas. E neste sentido, seria equivocado interpretar que a previsão trazida no art. 59 da Lei n° 9.430/96, exclusiva para o cultivo de florestas destinadas ao corte, conceituando como atividade rural este cultivo se destinado à venda para comercialização, consumo ou industrialização, ampliou o conceito de atividade rural para a industrialização. O que houve foi tão somente a permissão de que, às empresas dedicadas ao florestamento e reflorestamento, fosse dado tratamento da atividade rural, isto vindo a interpretar o tratamento fiscal até então objeto de lançamentos fiscais. Digase que os efeitos atingem exclusivamente a compensação de prejuízos, visto que para estas atividades inexiste depreciação das florestas, mas exaustão. E para a exaustão não há o beneficio fiscal. Portanto, quando o legislador ordinário incluiu entre as atividades rurais o cultivo de florestas, apenas interpretou que os reflorestadores quando vendessem sua produção para a industrialização, ao transformarem as árvores em toras menores, ainda assim mantivessemse como beneficiários da atividade rural, ampliando os limites do Parecer Normativo CST n° 30/80. Descabido considerar pelo tudo quanto exposto, que Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 51 50 ampliou o conceito de atividade rural, nos moldes já exaustivamente delimitados em lei, ainda mais para outros. Com relação à segunda divergência, é preciso registrar desde o início que essa matéria tem trazido à tona três linhas gerais de interpretação, que já condicionam esse julgamento independentemente de outras circunstâncias específicas do processo: 1 a defendida pela fiscalização, no sentido de que o resultado da agroindústria não decorre da atividade rural, mas sim da atividade industrial, de modo que a recorrente não poderia usufruir dos benefícios fiscais previstos para os contribuintes que apuram resultados na atividade rural (produtores rurais); 2 a defendida pela recorrente, sustentando que, na sua condição de agroindústria, ela efetivamente explora a atividade rural como atividade meio com o cultivo da laranja, podendo sim usufruir do benefício da depreciação integral em relação aos valores aplicados nessa atividade e registrados no ativo imobilizado (gastos com a formação e a manutenção dos pomares de laranja); e 3 a defendida pelo voto vencido constante do acórdão recorrido, no sentido de que não apenas o plantio e a manutenção dos pomares de laranja, mas também a própria atividade de agroindústria tratada neste processo (transformação da laranja em suco) configura atividade rural. O Termo de Verificação Fiscal deixa claro que a depreciação integral ora debatida (também chamada de depreciação acelerada) abrange apenas os custos do cultivo da laranja, e não os custos do processo de fabricação do suco de laranja: 2.3.1 DA CONTABILIZAÇÃO E APURAÇÃO DO CUSTO REFERENTE AO CULTIVO DA LARANJA A empresa cultiva a laranja em terras próprias, mediante arrendamento de terras de terceiros e também com a compra direta de produtores rurais. Para tanto, realiza, mensalmente, investimentos diversos com o preparo do solo, plantio e manutenção da lavoura que são registrados na sua escrituração contábil conforme passa a ser descrito. [...] 2.3.2 DO BENEFÍCIO FISCAL RELATIVO A DEPRECIAÇÃO INTEGRAL DA CONTA LAVOURA CÍTRICA FORMADA Conforme já descrevemos, o contribuinte contabiliza em conta do Ativo Permanente Imobilizado (plantas cítricas formadas) os custos apropriados para a formação da lavoura cítrica, amortizando contabilmente os custos desta conta na taxa de 6,25%, ao ano, mediante lançamentos de depreciação acelerada incentivada. O contribuinte entende que por ser uma pessoa jurídica que explora atividade rural (nos termos do art. 58, inciso VI, do Decreto n° 3.000/99 — RIR199), teria direito ao beneficio fiscal Fl. 3272DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 52 51 previsto nos artigos 307, II, e 314 do RIR/99, podendo depreciar integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura cítrica, registrados na conta Plantas Cítricas Formadas. [...] Essa informação é bastante importante para já frisar que a atividade da agroindústria (produção de suco de laranja) não é considerada nem mesmo pela própria contribuinte como atividade rural, e sim industrial. Do contrário, todos os maquinários e equipamentos empregados na agroindústria (e demais valores ativados relativamente a essa atividade) também estariam sendo depreciados pela contribuinte de forma integral/acelerada, o que não é o caso. A Lei nº 8.023/1990, ao disciplinar a apuração do Imposto de Renda sobre o resultado da atividade rural das pessoas físicas, trouxe algumas regras bem específicas, entre as quais destaco: Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º [...] § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. [...] Art. 6º Considerase investimento na atividade rural, para os propósitos do art. 4º, a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola. Além dessa regra, que já implicava em uma antecipação na dedutibilidade de investimentos realizados na atividade rural (desde que pagos), a lei trazia ainda uma outra regra que também antecipava despesas para os produtores rurais pessoas jurídicas: Art. 12. A pessoa jurídica que explorar atividade rural pagará o imposto à alíquota de vinte e cinco por cento sobre o lucro da exploração (art. 19 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e alterações posteriores), facultada a redução da base de cálculo nos termos previstos no art. 9º, não fazendo jus a qualquer outra redução do imposto a título de incentivo fiscal.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) [...] 2º Os bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados integralmente, no próprio ano da aquisição.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 53 52 Como indica a transcrição, essa regra que antecipava a dedução de despesas para as pessoas jurídicas foi revogada pela Lei nº 9.249, de 26/12/1995. Pouco tempo depois, a MP nº 1.459, de 21/05/1996, introduziu a seguinte regra para o reconhecimento antecipado de despesas, que acabou sendo consolidada pela MP 2.15970/2001: Art.6o Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. É importante compreender se essa regra constante da MP 2.15970/2001 veio apenas restabelecer o dispositivo revogado da Lei 9.249/1995, ou se ela trouxe uma ampliação normativa, de modo a encampar não apenas os produtores rurais PJ nos moldes da Lei 8.023/1990, mas também outras pessoas jurídicas que explorem atividade rural como atividade meio, que seria o caso das agroindústrias que produzem sua própria matéria prima. Vêse que há uma pequena diferença entre as redações do §2º do art. 12 da Lei 8.023/1990 (revogado) e do art. 6º da MP 2.15970/2001, que é plenamente justificada pelo fato de os artigos da MP tratarem de tributos e situações variadas. Com efeito, não havia nada indicando que o artigo 6º da MP tratava de atividade rural, por isso foi necessário especificar que se tratava de "bens [...] adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural". Na Lei 8.023/1990, por outro lado, não havia nenhuma necessidade de se explicar que o §2º de seu art. 12 estava tratando de pessoa jurídica "que explore a atividade rural, para uso nessa atividade", porque a referida lei só tratava da tributação dessa atividade. Penso que a redação do art. 6º da MP 2.15970/2001 não permite ampliar o campo de aplicação da regra de depreciação integral prevista para as empresas rurais, ultrapassando os contornos traçados pela Lei 8.023/1990. O escopo da lei, balizado principalmente pela Lei 8.023/1990, sempre foi instituir tratamento diferenciado para a tributação dos "resultados da atividade rural". Viuse que no seu conteúdo, antes mesmo de tratar da depreciação integral para as pessoas jurídicas, a lei já criava um regime de caixa para que as pessoas físicas pudessem deduzir antecipadamente os investimentos realizados na atividade rural. Mas tudo isso sempre relacionado à apuração do "resultado da atividade rural", abrangendo por decorrência aqueles contribuintes que apuram "resultado da atividade rural", sejam pessoas físicas, sejam pessoas jurídicas. O art. 2º da Lei 8.023/1990 indica bem a quais contribuintes o legislador pretendeu dar o referido tratamento tributário diferenciado: Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 54 53 III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) É oportuno mencionar que o inciso V acima transcrito não serve para que a produção industrial de suco de laranja seja considerada como atividade rural, porque, sem adentrar, neste momento, nas demais condições impostas pelo dispositivo legal, de antemão podese afirmar que uma agroindústria do porte da recorrente não utiliza equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais. O voto vencido contido no acórdão recorrido faz minuciosa análise sobre cada uma das condições impostas nesse inciso V para a caracterização de uma atividade como atividade rural, e as confronta com a situação da contribuinte em questão. Além disso, aponta as contradições legais constantes dessa norma, para, ressaltando sempre o próprio exemplo que ela traz ("tais como ...... assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação"), concluir que a agroindústria também pode ser enquadrada como atividade rural, "nos termos em que expressamente caracteriza o inciso V do art. 2º da lei nº 8.023/90". Entretanto, não há como sustentar que a produção de suco de laranja foi "expressamente caracterizada pela lei como atividade rural". A produção de suco de laranja está lá mencionada a título de exemplo, e pode sim ser considerada como atividade rural desde que atenda aos demais requisitos do referido dispositivo. Ficou caracterizado que não foram atendidos os requisitos: a) de que a transformação ocorra sem alteração da composição e das características do produto in natura (que não se aplica ao suco concentrado); b) de que se trata de suco acondicionado em embalagens de apresentação (que não se aplica a tanques e tonéis); c) de que seja produzido com utilização exclusiva da matériaprima proveniente da área rural explorada pelo próprio produtor rural (que não se aplica a utilização de matériaprima produzida por terceiros). Ademais, no contexto do inciso V do art. 2º da Lei 8.023/1990, os "equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais" são aqueles que podem ser normalmente utilizados pelos produtores rurais de laranja, de leite, de mel, etc., e não os utilizados por uma agroindústria. Portanto, estáse diante de outro requisito desatendido. Vale novamente registrar que a atividade da agroindústria (produção de suco de laranja) não é considerada nem mesmo pela própria contribuinte como atividade rural, e sim industrial. Do contrário, todos os maquinários e equipamentos empregados na agroindústria (e Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 55 54 demais valores ativados relativamente a essa atividade) também estariam sendo depreciados pela contribuinte de forma integral, o que não é o caso. Aliás, a própria contribuinte afirma expressamente em seu recurso especial que "é indubitável que a fase 'póspomar' é industrial". Desnecessário, portanto, qualquer outro aprofundamento sobre essa questão. A não observação de quaisquer um dos requisitos mencionados, ainda que isoladamente, é suficiente para descaracterização do respectivo enquadramento na norma. Impossível, então, a subsunção ao benefício fiscal, quando todos os requisitos foram desatendidos cumulativamente. Por outro lado, não há como sustentar que o art. 6º da MP 2.15970/2001, que tem texto praticamente coincidente com o §2º do art. 12 da Lei 8.023/1990 (anteriormente revogado), tem o escopo de trazer o benefício da depreciação integral para empresas que não apuram resultado na atividade rural (como é o caso das agroindústrias). Como já mencionado, a contribuinte defende uma interpretação intermediária, ou seja, ela não pretende fazer depreciação integral dos equipamentos da indústria, mas sim dos gastos realizados na formação/condução dos pomares de laranja. Mesmo assim, a regra da MP não pode ser aplicada para essa finalidade. Não é nenhuma novidade dizer que a apuração do resultado da atividade rural deve ser segregada das demais atividades, quando o contribuinte explora atividades de outra natureza; que as despesas da atividade rural devem ser confrontadas com as receitas desta mesma atividade; e que na compensação de prejuízos fiscais, decorrentes da atividade rural, com o lucro da mesma atividade, não se aplica a chamada trava de 30%. Tais informações, aliás, estão muito bem apresentadas no Termo de Verificação Fiscal anteriormente transcrito. O problema é que no caso das empresas verticalizadas, como ocorre com as agroindústrias, a interpretação da recorrente implica em distorcer benefícios que são previstos apenas para os "resultados da atividade rural". No caso sob exame, os pomares de laranja representam de certo modo custos comuns, ou seja, custos relativos às receitas residuais com venda de laranja in natura (que a contribuinte também realiza), e custos relativos às receitas obtidas com a venda de suco de laranja (que é a atividade própria da agroindústria). Não é difícil perceber que o rateio dos custos comuns, representados pelos pomares de laranja, e que estão registrados na conta "LAVOURA CÍTRICA FORMADA" do ativo imobilizado, levaria praticamente a totalidade desses custos para o resultado da atividade de fabricação e venda de "suco" de laranja. Com efeito, eles deveriam ser, quase em sua totalidade, imputados à agroindústria, e não à atividade rural. E imputados à agroindústria sem o benefício da depreciação integral, já que não se trata de atividade rural. Ocorre que o procedimento da contribuinte consistiu em computar depreciação integral para todos os valores ativados correspondentes aos custos dos pomares, tanto em relação à parte que gerou receita de venda de laranja in natura, quanto à parte que Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 56 55 gerou receitas de vendas do suco de laranja, o que não pode ser admitido pelas razões já expostas. O comando legal para a segregação da apuração do resultado da atividade rural, que decorre do art. 18 da Lei 8.023/1990, é justamente para evitar esse tipo de problema, ou seja, para garantir que a tributação favorecida (pela depreciação integral) seja dada somente e efetivamente para a apuração do resultado da atividade rural. Não importa se o produtor rural é de pequeno ou de grande porte. Se ele é produtor rural, seja pessoa física ou pessoa jurídica, tem direito à tributação favorecida. Mas se o contribuinte não é produtor rural, se não apura resultado com a atividade rural, sendo uma verdadeira agroindústria, não tem direito à tributação favorecida, independentemente de a matéria prima consumida no processo industrial vir de produção própria ou ser adquirida de terceiros. Por tudo o que já se disse sobre a segregação na apuração de resultados, a idéia aqui manifestada não é de que o benefício é para aquele contribuinte "que explore apenas atividade rural". Nada impede que o produtor rural, pessoa física ou jurídica, explore outras atividades (comércio, indústria, agroindústria, etc.) Entretanto, o benefício fiscal vai ser dado apenas para a apuração do resultado da atividade rural, mediante a segregação de receitas, despesas e, conseqüentemente, do resultado dessa atividade. Eu seu recurso, a contribuinte sustenta que é impensável a segregação dos custos de formação dos pomares, para identificar o que seria industrial, afirmando que nenhuma parte desse custo é industrial. O argumento não procede, porque praticamente a totalidade dos pomares é consumida no processo industrial de fabricação de suco de laranja, pela agroindústria, representando custo dessa atividade. Não há dúvida nenhuma de que o custo dos pomares compõe o preço final do suco de laranja, compondo também o resultado da agroindústria. Sendo assim, eles não podem ensejar depreciação integral. Finalmente, cabe registrar que o recolhimento de Contribuição ao SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural não tem o condão de modificar tudo o que se disse sobre a apuração do IRPJ/CSLL. Não se negou em nenhum momento que a contribuinte tem a citricultura como atividade meio, que ela cultiva pomares de laranja, e que, para isso, ela obviamente emprega trabalhadores rurais, etc. Contudo, a norma que instituiu a Contribuição ao SENAR (art. 22A da Lei 8.212/91 inserido pelo art. 2º da Lei 10.256/2001) tem aplicação apenas para efeitos previdenciários, e não para fins de modificar os contornos da tributação do IRPJ/CSLL dado pela Lei 8.023/1990. Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 57 56 Faço ainda algumas considerações quanto aos laudos apresentados, que apresentei como anexo na sessão de julgamento: O processo foi retirado de pauta porque o contribuinte apresentou dois laudos e o Presidente da CSRF entendeu que deveria haver o encaminhamento para a PGFN. Foi dada ciência à PGFN, mas ela não se manifestou a respeito desses laudos. Este processo trata de lançamento de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2003 a 2007, decorrente da glosa de despesas com aeronaves, e glosa da depreciação acelerada dos bens do ativo imobilizado utilizados na atividade rural. Nesse caso, os laudos foram apresentados na fase de recurso especial. Na petição de apresentação desses dois laudos, protocolizada em fevereiro/2016 (quando o processo seria julgado), a contribuinte informa que também apresentou esses dois laudos no processo nº 18088.000636/201084, que trata das mesmas infrações, mas relativamente apenas ao ano de 2008, em que ela também figura como sujeito passivo. Os laudos abordaram os dois processos, tratando de todo o período acima referido: 2003 a 2008. No caso do segundo processo, os laudos foram apresentados antes do julgamento do recurso voluntário. A contribuinte apresentou esses laudos em resposta à diligência demandada pela TO do CARF, em 2014. O julgamento do recurso voluntário no primeiro processo (do qual estamos tratando) ocorreu antes disso, em 2012. Nesse processo mais antigo não houve solicitação de diligência antes do julgamento do recurso voluntário. Quanto à depreciação acelerada da atividade rural, o acordão nesse segundo processo não acolheu as considerações do laudo, e manteve a autuação fiscal. Houve até embargos de declaração da contribuinte, porque o relator não fez referência expressa a esse segundo laudo, mas no julgamento dos embargos o entendimento foi de que, embora não tivesse feito menção expressa ao laudo sobre a depreciação acelerada, o acordão tinha tratado exaustivamente dos aspectos abordados no laudo, e os embargos foram rejeitados. Em relação ao nosso caso, que é o processo mais antigo, que trata dos anos de 2003 a 2007, faço as seguintes considerações relativamente aos laudos na parte da matéria conhecida: GLOSA DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO UTILIZADOS NA ATIVIDADE RURAL. A decisão de recurso voluntário no segundo processo, onde o laudo foi apresentado antes do julgamento do recurso voluntário, não acolheu as alegações da contribuinte, assim como estamos fazendo neste caso. O laudo procura demonstrar que os custos da atividade rural (objeto de depreciação acelerada) não estão afetando o resultado da atividade industrial. Para isso, foram feitos alguns demonstrativos que segregam as receitas/despesas considerando laranjas de produção própria e laranjas adquiridas de terceiros. Como se a parte do resultado com as laranjas próprias fossem atividade rural e as de terceiros fossem atividade industrial. O problema é que não é esse o critério correto. Ainda que todo o processo de produção de suco fosse feito só com laranjas próprias, ainda assim, o resultado seria industrial e não rural. Isso porque ela é uma agroindústria, que tem a atividade rural de produção de laranja como atividade meio. Mas o seu resultado de venda de suco de laranja não é resultado de atividade rural. Essa questão de processar laranja de terceiros não deixa de ser relevante, porque quando ele processa laranja de terceiros, não há dúvida de que não há atividade rural, nem como atividade meio. E como ele processa também laranja de terceiros, isso chegou a ser mencionado no contexto dos fatos apurados pela fiscalização. Mas a descaracterização do resultado de sua atividade como sendo resultado de atividade rural não está fundamentada apenas nesse aspecto, de a laranja ser própria ou ser adquirida de terceiros. A linha adotada na decisão do outro processo é aproximadamente essa. Só que eles focaram em outros aspectos para concluir que a atividade era industrial e não rural. Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 58 57 No nosso processo, a conclusão de que a atividade não é rural se dá a partir de informações dadas pela própria contribuinte, pela forma que ela contabiliza essas despesas e pelas diversas razões apresentadas neste voto. A contribuinte, na verdade, pretende levar os custos das lavouras para a atividade industrial (venda de suco), como se isso fosse possível pelo fato de se produzir as próprias laranjas. Entretanto, o voto esclarece bem que isso não é possível, e não é o laudo que tem a capacidade de alterar essa realidade. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte em relação à glosa de despesas com aeronaves, e de NEGAR provimento ao recurso quanto à glosa da depreciação integral de bens do ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 59 58 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na reunião de maio de 2017, a e. Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto por SUCOCÍTRICO CUTRALE LTDA (doravante “recorrente” ou “contribuinte”), em face do acórdão n. 1401000.702 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”). Está em discussão se a depreciação incentivada prevista no art. 314 do Regulamento do Imposto de Renda (“RIR/99”) seria aplicável a laranjais utilizados para a produção de suco de laranja em escala industrial. O referido dispositivo possui a seguinte redação: Atividade Rural Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). A norma tributária em questão confere a possibilidade do contribuinte depreciar integralmente determinados bens no próprio ano de aquisição, desde que cumpridos os seguintes requisitos: (1) O contribuinte seja pessoa jurídica tributada pelo lucro real; (2) O contribuinte explore atividade rural; (3) O bem seja utilizado para o desenvolvimento da atividade rural; (4) O bem componha o ativo imobilizado sujeito a depreciação. No que é pertinente ao aludido tema, o acórdão recorrido restou assim ementado: PRODUÇÃO DE SUCO DE LARANJA. ATIVIDADE RURAL. AGROINDÚSTRIA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL. A produção de suco de laranja por agroindústria, por não observar os requisitos previstos no art. 2º da Lei n° 8.023/1990, não pode ser qualificada como atividade rural, de modo que não é cabível o gozo do benefício da depreciação integral previsto no art. 6º da Medida Provisória n° 2.15970/2001. ATIVIDADE RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. A aplicação de equipamentos e utensílios que contrastam com aqueles usualmente empregados nas atividades rurais descaracteriza a atividade de transformação de produtos decorrentes da atividade rural, para efeitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devendo o registro dos rendimentos correspondentes constar como receitas da atividade geral. Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 60 59 O cumprimento dos requisitos (1) e (4) restam incontroversas no presente caso. Após a colheita das laranjas, as laranjeiras não se exaurem, mas permanecem produzindo por longo período, ostentando os caracteres de ativo imobilizado sujeito a depreciação. A questão controversa reside nos requisitos (2) e (3) acima apontados. Compreendeu a decisão recorrida que “a exploração de ‘suco de laranja’ nos moldes praticados pela Recorrente não se configura como atividade rural, a teor do art. 2º, VI da Lei 8.023/90, onde uma empresa exportadora do porte dela, fazendo uso intensivo de maquinário moderno em praticamente todas as etapas do processo, afastase desse modelo, pois utiliza extratoras e caldeiras de grande porte”. Para alcançar essa conclusão, a decisão recorrida deu destaque ao seguinte fundamento da autoridade fiscal: “A partir dos livros contábeis da auditada constatase que a fiscalizada dedica se quase com exclusividade à venda de suco de laranja em escala industrial, preponderantemente exportandoo. Digase que se cuida da líder mundial na produção de suco de laranja concentrado. Exerce a chamada atividade agroindustrial, em que predomina a produção na visão industrial, própria do segundo setor da economia. Do que foi apurado no processo produtivo da fábrica, a produção de laranja é própria do setor primário, enquanto a sequência e finalização do processo pertencem ao setor secundário. Em verdade a produção de laranja é tão somente uma das etapas para a obtenção do suco de laranja e derivados. Cabe então verificar a compatibilidade destas atividades operacionais com a tributação na forma da atividade rural.” Vale também transcrever outro trecho do termo de verificação fiscal (efls. 44 e seg.): “De outra parte, quanto à exigência de que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural, evidente é que em nada se assemelham as sucessivas extratoras e caldeiras encontradas no processo produtivo da fábrica para produzir o suco industrializado com a forma artesanal usada na atividade do produtor rural de suco de laranja. A se considerar similares ambos processos, desnaturada resta a atividade rural incentivada. Também dos balancetes contábeis aferese a alta complexidade e grandiosidade do maquinário utilizado no processo industrial, quando identificadas as contas de custos de produção sob a rubrica ‘manutenção de equipamento’. Claro está que não é usual que seja encontrado na atividade rural um parque industrial como o produtor de suco de laranja, quanto mais quando este parque abastece a produção cm escala mundial. Ainda na descaracterização de que a fábrica execute atividade rural, a diferença do processo desta com a do produtor rural é também quantitativa. Tratase de processo industrial o verificado nas fabricas com a produção como a deste caso, eis que a quantidade produzida de milhões de litros de suco de laranja requerem manejo industrial. Não pode, nem foi pensado na lei tributária, um tratamento em bases iguais do produtor rural com o industrial que se utilize de insumos agrícolas. Suas dimensões os desigualam, inclusive no que tange a capacidade contributiva”. Contudo, permissa vênia, compreendo que o acórdão recorrido deve ser reformado, com o cancelamento da exigência fiscal em questão. Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 61 60 O art. 314 do RIR/99 faz remissão ao art. 58 do mesmo Decreto para a conceito de “pessoa jurídica que explore atividade rural”, o qual possui a seguinte redação: Art. 58. Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei nº 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). Notese que o art. 58, V, do RIR/99, cumprindo o papel que lhe atribui o art. 212 do CTN, espelha o disposto Lei nº 8.023/90, que originalmente continha a seguinte redação: “Art. 2º Considerase atividade rural: (...) V a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura e não configure procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada”. No entanto, o texto refletido pelo art. 58, V, do RIR/99 corresponde à redação atualizada, introduzida pela Lei nº 9.250/95: “V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação.” O legislador competente, portanto, expressamente acolheu a produção industrial de “suco de laranja” entre as “atividades rurais”, inclusive para fins de fruição da depreciação acelerado de bens do ativo imobilizado. É eloquente observar que a inclusão desse setor, entre as atividades rurais, se deu por meio de evolução normativa, justamente vocacionada a garantir expressamente o mesmo tratamento à agroindústria em geral, com referência explícita à produção de “suco de laranja”. Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 62 61 Após a alteração introduzida pela Lei nº 9.250/95, portanto, não é mais possível ao aplicador do direito recusar aos produtores de “suco de laranja” o caráter de atividade rural, independentemente da dimensão das plantações e da tecnologia empregada nas dependências dedicadas à sua extração e processamento. Em sua essência, permissa vênia, a autuação fiscal e o acórdão recorrido adotam a ideia de que “equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais” não podem modernizarse ou alcançar eficiência para atender com sucesso às demandas do mercado, sob pena de perda de desvirtuamento do conceito de “atividade rural”. Mas não há respaldo a essa concepção, que acaba por negar eficácia à decisão do legislador competente (Lei nº 9.250/95). Se a decisão do legislador competente foi justamente incluir a agroindústria no conceito de “atividade rural”, vivificando o art. 187, § 1º, da Constituição, como é possível negar esse caráter ao contribuinte justamente por sua produção de “suco de laranja” em escala industrial, com a utilização de equipamentos capazes de suprir a demanda nacional e internacional? Qual o fundamento para não se aplicar o incentivo à agroindústria de “suco de laranja” àquelas que se encontrem sucesso elevado e escala em sua produção? Em especial, é preciso compreender a referência a tais “equipamentos e utensílios” em consonância com a própria regra de depreciação incentivada discutida no presente recurso especial (RIR/99, art. 314), que estabelece o benefício (requisito “3”, acima referido) àqueles bens utilizados para o desenvolvimento da atividade rural. O que torna o equipamento e utensílio ínsito à atividade rural não é o seu grau de sofisticação (ou menos arcaico), mas sim a sua aplicação às necessidades típicas desse setor: a tais bens componentes do ativo imobilizado e sujeitos à depreciação aplicase o benefício da depreciação incentivada. É, ainda, fundamental notar que, de forma geral, o art. 314 do RIR/99 não afasta a fruição da depreciação incentivada aos contribuintes que, além da atividade rural, exerçam também outras atividades. Não há cláusula de exclusividade (“pessoa jurídica que explore a atividade rural”). A restrição contida no dispositivo diz respeito apenas aos bens que poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de sua aquisição, quais sejam, aqueles utilizados para o desenvolvimento da atividade rural em questão. No caso concreto, está em discussão a depreciação de laranjais, o que estaria contemplado, por si só, pelo conceito de “agricultura” (Lei nº 8.023/90, art. 2º, I), mas está insitamente relacionado ao conceito de produção de “suco de laranja” pela agroindústria (Lei nº 8.023/90, art. 2º, V). Os laranjais, cujos frutos sejam utilizados para a extração e processamento do “suco de laranja”, pertencem indubitavelmente à atividade rural desempenhada pelo contribuinte. Não há dúvidas que o contribuinte realiza o plantio de laranjais, destinando a maior parte das laranjas colhidas à produção de “suco de laranja”. A caracterização como “suco de laranja” das modalidades produzidas pela contribuinte, em termos estritamente técnicos, restou exaustivamente evidenciada nos fundamentos do voto do i. Conselheiro Relator do acórdão recorrido (que restou vencido), aos quais faço remissão. Restou caracterizado que o suco extraído das laranjas foi comercializado pela contribuinte na forma de “suco de laranja”. Tais fatores, portanto, conduzem ao cumprimento do referido requisito (2), de forma que é necessário reconhecer que a contribuinte exerce “atividade rural”. Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 18088.000421/200849 Acórdão n.º 9101002.789 CSRFT1 Fl. 63 62 Como decorrência da cumprimento do requisito (2) em questão, com o reconhecimento de que a produção de “suco de laranja” pertence à categoria de atividade rural, parece fora de dúvida que as laranjeiras correspondem a bens do ativo imobilizado utilizados para o desenvolvimento da atividade rural em questão, cumprindo, também, com o requisito (3) acima referido. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto à matéria explicitada nesta declaração de voto. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 3284DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.909944/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.567
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 99 44 /2 01 2- 77 Fl. 82DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.909944/201277 Acórdão n.º 3401003.567 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 84DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.909944/201277 Acórdão n.º 3401003.567 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 86DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 87DF CARF MF
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