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Numero do processo: 13656.720165/2012-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DE VENCIMENTO DO RESPECTIVO DÉBITO.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, tendo como termo inicial a data de vencimento do respectivo débito.
ÔNUS DA PROVA EM AUTOS DE INFRAÇÃO. ANULAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. NÃO AFASTADA.
Os atos administrativos são providos de presunção de veracidade e legitimidade. Trata-se de uma presunção relativa que poder ser desconstituída por prova em contrário da Contribuinte em anular o ato. Para tanto, deve expor fatos e argumentos robustos e capazes de afastar tal presunção, posto que esta é um elemento necessário para se implementar a atividade administrativa.
Numero da decisão: 9303-006.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito,em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DEMES BRITO
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INCIDÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DE VENCIMENTO DO RESPECTIVO DÉBITO. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, tendo como termo inicial a data de vencimento do respectivo débito. ÔNUS DA PROVA EM AUTOS DE INFRAÇÃO. ANULAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. NÃO AFASTADA. Os atos administrativos são providos de presunção de veracidade e legitimidade. Tratase de uma presunção relativa que poder ser desconstituída por prova em contrário da Contribuinte em anular o ato. Para tanto, deve expor fatos e argumentos robustos e capazes de afastar tal presunção, posto que esta é um elemento necessário para se implementar a atividade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito,em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 01 65 /2 01 2- 81 Fl. 8683DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.684 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3301002.268, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de parte dos créditos da contribuição ao PIS e da COFINS, discriminados no voto vencedor, restabelecendo os créditos glosados sobre os demais custos e despesas apurados, determinando ainda, eventual parcela remanescente do crédito tributário seja acrescida de multa de ofício e de juros de mora calculados pela taxa Selic, e que: os pagamentos efetuados pela Contribuinte no curso da fiscalização e no prazo da impugnação sejam aproveitados nas suas liquidações, fazendose a imputação dos valores recolhidos. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Contra o interessado foram lavrados autos de Cofins no valor total de R$ 9.486.394,70 (fls. 5937/5944) e de PIS/Pasep no valor total de R$ 2.059.546,21 (fls. 5929/5936), ambos para os períodos de apuração fevereiro a abril de 2007, em função das irregularidades, que se encontram descritas no Relatório de Auditoria Fiscal (RAF) de fls. 5909/5928; A empresa apresenta impugnação às fls. 5947/6002 na qual alega, em síntese: a) “antes da lavratura dos presentes autos de infração, a impugnante detectou a existência de poucos itens, diante dos milhares ensejadores do direito ao creditamento, cujo crédito foi apropriado indevidamente, razão pela qual procedeu ao pagamento da contribuição ao PIS e da COFINS, devidas em fevereiro de 2007, com os acréscimos legais cabíveis (doe. 03), oportunidade em que esclareceu que ‘O recolhimento complementar é fruto de um trabalho de revisão que a empresa vem realizando em sua apuração do ano de 2007, a fim de excluir créditos apropriados de modo equivocado no passado’; Fl. 8684DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.685 3 b) é possível que as autuações fiscais tenham sido lavradas, em parte, porque, de posse das planilhas entregues pela impugnante ao longo do processo fiscalizatório (planilhas essas contendo o detalhamento, item por item, dos créditos indicados de forma resumida no respectivo DACON), o Sr. Agente Fiscal tenha se impressionado com a informação nelas contida, classificando os bens ensejadores dos créditos considerados pela impugnante entre as rubricas ‘consumo’ ou ‘insumo’. É possível que as autuações fiscais tenham sido lavradas, em parte, porque, de posse das planilhas entregues pela impugnante ao longo do processo fiscalizatório (planilhas essas contendo o detalhamento, item por item, dos créditos indicados de forma resumida no respectivo DACON), o Sr. Agente Fiscal tenha se impressionado com a informação nelas contida, classificando os bens ensejadores dos créditos considerados pela impugnante entre as rubricas "consumo" ou "insumo"; c) a fiscalização lavrou os autos de infração em foco de forma genérica, amparada em planilhas apresentadas pela impugnante com vistas à pormenorização dos itens indicativos dos créditos declarados em DACON, e das quais a fiscalização extraiu milhares de itens que reputou não estarem enquadrados no conceito de insumo, ou não estarem relacionados à atividade industrial da impugnante, sem, todavia, apresentar a justificativa, a motivação específica pela qual cada um dos itens que, a seu critério, não daria ensejo ao crédito. A fiscalização sequer investigou a verdadeira natureza dos serviços e dos bens adquiridos pela impugnante e a sua efetiva relação com o processo produtivo. Na verdade, a glosa fiscal, de uma maneira genérica, pautouse no conceito restritivo e ilegal, como será esclarecido adiante de insumos, adotado pelas autoridades fiscais com fulcro no artigo 66, parágrafo 5S, inciso I, da Instrução Normativa SRF n. 247, de 11.11.2002, e no artigo 8Q, parágrafo 49, inciso I, da Instrução Normativa SRF n. 404, de 12.3.2004, sem considerar o emprego desses itens nos processos industriais da impugnante, de maneira detalhada, fundamentada e específica d) discorre sobre o regime não cumulativo e o conceito de insumo; g) discorre sobre as diversas etapas dos seus processos produtivos e os insumos nelas empregados sobre o que ela chama de ‘demais glosas’; h) O aluguel de empilhadeiras, os respectivos serviços de manutenção, suas partes e peças de reposição e os combustíveis nelas utilizados, assim como o aluguel de guindastes, (retro) escavadeiras, trados mecânicos, caminhões, camionetas, etc. e os gastos relativos ao seu reparo; i) O aluguel de prédios e galpões; O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 Fl. 8685DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.686 4 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos à autoridade preparadora para realização de diligência, rejeitase o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 BENS E SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS.Geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas com bens e serviços utilizados na produção dos produtos fabricados/vendidos, dentre eles, matériasprimas, materiais e equipamentos, desde que não foram escriturados no ativo imobilizado, fretes para transportes de produtos semielaborados e para transporte de produtos acabados entre filiais e fretes de vendas, combustíveis e manutenção industrial. BENS ESCRITURADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. DESPESAS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Os custos/despesas com aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado não geram créditos da contribuição, mas tão somente as despesas de depreciação de tais bens, devidamente comprovadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 BENS E SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. Geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas com bens e serviços utilizados na produção dos produtos fabricados/vendidos, dentre eles, matériasprimas, materiais e equipamentos, desde que não foram escriturados no ativo imobilizado, fretes para transportes de produtos semielaborados e para transporte de produtos acabados entre filiais e fretes de vendas, combustíveis e manutenção industrial. Fl. 8686DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.687 5 BENS ESCRITURADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. DESPESAS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Os custos/despesas com aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado não geram créditos da contribuição, mas tão somente as despesas de depreciação de tais bens, devidamente comprovadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 JUROS DE MORA À TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, fls. 8074/8080, requer que seja conhecido e provido o apelo, para reformar o acórdão atacado e reconhecer que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, calculados com base na Taxa Selic, tenha como termo inicial a data do vencimento do débito, nos mesmos moldes que para os tributos em geral, conforme disposição expressa constante do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96 Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigmas, os acórdãos n°s 910101.191 e 920201.991. Em seguida, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 8082/8084. Cientificada do resultado do julgamento em 15/06/2015 (Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 8090), a Contribuinte opôs embargos de declaração, tempestivamente, em 22/06/2015 (Termo de solicitação de juntada à fl. 8095). Fl. 8687DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.688 6 Apresentou ainda contrarrazões (fls. 81308141) ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto aos embargos, alega que ocorreu omissão e contradição em vários pontos da decisão. Transcrevese: "1. Pagamentos realizados no curso da fiscalização e no prazo de impugnação. Identifica como ponto omisso no acórdão a afirmativa que “Os pagamentos efetuados por conta dos créditos tributários deverão ser aproveitados nas suas liquidações, fazendose a imputação dos valores recolhidos”. Insurgese inicialmente quanto a exigência de multa sobre os pagamentos realizados previamente a notificação da autuação. Sustenta incabível a multa de ofício ou, quando muito, sua exigência com a redução de 50%. Traz jurisprudência administrativa que entende dar suporte a sua tese. Ainda, alega que não houve análise de planilha por ela apresentada contendo detalhamento de itens que foram objeto de pagamento no curso da fiscalização ou no prazo da impugnação (ex.: bicicletas, pilhas, baterias, lixeiras...). Postula o acolhimento dos embargos neste item a fim de evitar equívoco na execução do acórdão, devendo estes pagamentos serem excluídos de eventual cobrança dirigida contra a embargante. 2. Glosas mantidas sem a suposta manifestação quanto aos argumentos da defesa. Na seqüência, a recorrente cita, em vários tópicos, itens para os quais o acórdão embargado manteve a glosa da autuação, sem contudo, segundo sustenta, realizar a análise dos argumentos trazidos no recurso voluntário. Estes itens dizem respeito a a) materiais de embalagem e serviços necessários ao seu emprego, b) aluguel de veículos, c) conservação e manutenção de instalações industriais, d) equipamentos de proteção individual, e) tratamento de água, efluentes e resíduos, f) insumos diversos (notadamente quanto às barras de aço, chapas de aço e à confecção de blocos para salas de cubas), g) fretes e h) gastos passíveis de ativação. Trouxe jurisprudência que entende ampara seu pleito". Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, que assim dispõe: Os tópicos citados nos embargos não dizem respeito de fato sobre omissões ou contradições, mas sim a irresignação da recorrente com o resultado do julgamento. Em relação ao primeiro item citado nos embargos, trago fragmento do voto condutor do acórdão para demonstrar a inexistência da alegação omissão: Fl. 8688DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.689 7 Assim, a multa de ofício, calculada sobre o valor de tributo não declarado/pago, lançado e exigido de oficio, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. A alegação de que a penalidade deve ser excluída, aplicando o disposto no art. 100 do CTN, não procede. Julgados administrativos, reconhecendo um universo mais amplo do conceito de insumos, em relação ao PIS e Cofins não cumulativos, não amparam a exclusão da multa de ofício sobre parcelas lançadas e exigidas em decorrência de glosas de créditos sobre custos e despesas que o autuante considerou que não constituem insumos nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Há clara manifestação sobre o alcance da multa de ofício. Em relação aos demais itens referidos nos embargos, todos foram analisados à exaustão pelo conselheiro, que adotou posicionamento distinto ao defendido pela recorrente, o que não implica omissão na decisão. Importa consignar que no corpo do acórdão foram detalhados, pormenorizadamente, os itens para os quais deveriam ser mantidas as glosas. Registrese ainda que, conforme consta do voto, a recorrente pecou por não demonstrar especificamente que os itens glosados efetivamente poderiam ser considerados insumos." O Presidente da 1º TO da 3º Câmara, rejeitou os embargos opostos, por ausência de omissão, obscuridade ou contradição na decisão embargada. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, requer que seja o presente recurso conhecido, processado em seus trâmites regulares e ao final provido para o cancelamento das exigências fiscais mantidas no acórdão recorrido. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, suscita divergência em relação a três matérias: 1) ônus da prova em autos de infração de glosa de créditos de PIS e Cofins; 2) apropriação de créditos específicos; e 3) redução da multa de ofício quando o contribuinte efetua o pagamento antes da autuação, aponta, como paradigma o Acórdão nº 3402002.881 de 28 de janeiro de 2016. Em seguida, o Presidente da 3º Câmara/3º Seção de julgamento do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo a rediscussão da matéria dos item 1) ônus da prova em autos de infração de glosa de créditos de PIS e Cofins. Conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 8633/8637.Vejamos: "1) ônus da prova em autos de infração de glosa de créditos de PIS e Cofins A recorrente fundamenta que o acórdão recorrido, divergindo do paradigma (ementa abaixo, no que interesssa ao exame), entendeu que seria ônus da Fl. 8689DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.690 8 recorrente comprovar o direito creditório dos itens glosados pela fiscalização, não obstante a glosa tenha sido efetivada no bojo de autos de infração, e não de pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS. Acórdão 3402002.881 de 28 de janeiro de 2016 (...) ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. (...) Com efeito, a matéria "ônus da prova em autos de infração de glosa de créditos de PIS e Cofins" é comum ao acórdãos em cotejo, havendo identidade da legislação discutida, sendo a solução divergente nos julgados analisados. 2) apropriação de créditos específicos A recorrente fundamenta que o acórdão recorrido, divergindo dos paradigmas declinados, negou direito à tomada de crédito da contribuição ao PIS e da COFINS sobre diversos insumos necessários no processo produtivo dos produtos fabricados e comercializados pela recorrente. Nesse sentido, traz paradigmas sobre: materiais de embalagem e bens e serviços necessários ao seu emprego; aluguel de caminhões, automóveis, camionetas, etc.; conservação e manutenção de instalações industriais; equipamentos de proteção individual; tratamento de água, efluentes e resíduos; e fretes incorridos pela recorrente. Todavia, os créditos glosados e assim mantidos pela decisão recorrida não foram discutidos nas rubricas apresentadas. Eles simplesmente foram descritos em Planilhas Demonstrativas dos Valores Glosados correspondentes a certas Linhas da Dacon da recorrente e bem por isso tais glosas foram objeto de embargos declaratórios, que foram rejeitados, não dando azo a que essa discussão fosse tratada da maneira apresentada no recurso especial. Assim é que configurouse matéria sem o necessário prequestionamento, o que impede verificar a suposta divergência na aplicação da legislação. E nesse sentido, não há condições de prosperar a admissibilidade do recurso especial. O Recurso Especial previsto regimentalmente tem por objetivo uniformizar a jurisprudência no âmbito do CARF em caso de divergência na aplicação da legislação tributária, sendo que a sua admissibilidade depende da observância dos requisitos estabelecidos para essa modalidade de recurso na Portaria MF nº 343/2015, em vigor ao tempo da interposição daquele. Portanto, não houve obediência ao disposto no artigo 67, caput e § 5 do Anexo II, do RICARF, o que impede a configuração do dissenso jurisprudencial. 3) redução da multa de ofício quando o contribuinte efetua o pagamento antes da autuação Fl. 8690DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.691 9 Por fim, a recorrente alega que o acórdão recorrido, divergindo do paradigma colacionado, entendeu não ser aplicável o art. 6º da Lei nº 8.218 à situação dos autos, em que o contribuinte efetua o pagamento do tributo após o início da fiscalização, mas antes da notificação do lançamento. Sem embargo, o art. 6º da Lei nº 8.218 não foi discutido no acórdão recorrido simplesmente porque não foi alegado em sede de recurso voluntário. Ou seja, mais uma vez a matéria trazida à discussão não conta com o necessário prequestionamento. Destarte, não há como verificar a suposta divergência na aplicação da legislação e nesse particular não há condições de prosperar a admissibilidade do recurso especial". Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao direito de apropriação de créditos específicos e à redução da multa de ofício, com base no art. 6º da Lei nº 8.218/91, foram prequestionadas e deveriam seguir para a análise de mérito. Afirma, outrossim, que tais matérias foram objeto de embargos de declaração, rejeitado por decisão monocrática. Reclama, por derradeiro, que a negativa de seguimento ao recurso em razão de falta de questionamento representa medida excessivamente formalista e desarrazoada, configurando expressa afronta ao direito da recorrente ao contraditório e à ampla defesa. O Presidente do CARF, não tomou conhecimento do agravo, confirmou o seguimento parcial do Recurso interposto pela Contribuinte, fls. 8661/8664. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 8674/8666. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator Os Recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, nos termos dos respectivos despachos de admissibilidade. A matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, envolve a interpretação da aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício é cabível ou não após decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa, sem que a Contribuinte tenha liquidado os créditos tributários mantidos, bem como, ônus da prova em autos de infração de glosa de créditos de PIS/COFINS. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 8691DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.692 10 Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. 1. Recurso da Fazenda Nacional Divergência " juros de mora sobre a multa de ofício somente são exigíveis após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias concedidos ao sujeito passivo para pagamento do crédito tributário julgado e mantido por decisão administrativa definitiva". Com efeito, a decisão recorrida entendeu que a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente tem cabimento após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias concedidos ao sujeito passivo para pagamento do crédito tributário julgado e mantido por decisão administrativa definitiva. Discordo do Ilustre Relator da turma a quo, esta E. Turma da Câmara Superior, firmou entendimento de que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Neste sentido, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303005.194, de 28 de julho de 2017, de minha relatoria, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Na sessão de janeiro de 2016, essa matéria foi enfrentada por esse Colegiado, dando origem ao Acórdão nº 9303.003385, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. O conselheiro com sua habitual argúcia abordou o tema de forma profunda e didática. Como suas razões de decidir refletem minha posição sobre a matéria, peço vênia reproduzilas e utilizálas como se minhas fossem, verbis: Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Fl. 8692DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.693 11 Passemos agora, ao exame da questão. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir, esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrar seá linhas abaixo. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. A seu turno, o 2art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 8693DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.694 12 entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a 4Hermes ou a uma 5Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da Taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, citase: a) Acórdão 9101000.539: Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. 4 Na Mitologia Grega, Hermes filho de Zeus e da misteriosa Ninfa Maia (também chamada de Noite) era considerado como mensageiro ou intérprete da vontade dos deuses do Olympo, deu origem ao termo hermenêutica. 5 Os gregos davam o nome de Pitonisas a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por haver matado a serpentedragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito. Fl. 8694DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.695 13 b) Acórdão 1103001.151: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. Como apontado no acórdão, posição com a qual comungo, por força do comando inserido no art. 139, combinado com §1º do art. 113 do CTN, não há como deixar de considerar que a expressão "crédito tributário" compreenda exclusivamente o tributo ou contribuição que deixou de ser recolhido. Conseqüentemente, nos termos do art. 161 Código Tributário Nacional, combinado com o § 3º do art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, caberá correção monetária da multa de ofício, por meio da aplicação da taxa Selic. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR6, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010". Para que não se alegue, omissão, contradição, obscuridade, o termo inicial da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, compreendese a data do vencimento do respectivo débito. Para tanto, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, em minhas razões de decidir. In verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. 6 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 8695DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.696 14 Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". 2. Recurso da Contribuinte "ônus da prova em autos de infração de glosa de créditos de PIS e Cofins". Conforme depreendese do Despacho de Admissibilidade, fls. 8633/8637, o Presidente da 3º Câmara/3º Seção de julgamento do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo a rediscussão da matéria exclusivamente quanto ao item 1) ônus da prova em autos de infração de glosa de créditos de PIS e Cofins. Com efeito, a decisão recorrida superou a discussão sobre a nulidade do auto de infração por vício de motivação, bem como entendeu que seria ônus da recorrente comprovar o direito creditório dos itens glosados pela fiscalização. Para melhor esclarecer, confirase trecho do aresto: II – Nulidade dos lançamentos Também, discordo do ilustre Relator, em relação à nulidade dos lançamentos. De acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do procedimento administrativo fiscal, os autos de infração e, conseqüentemente os lançamentos, somente seriam nulos se tivessem sido lavrados por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme previsto em seu art. 59, literalmente: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” No presente caso, os autos de infração em discussão foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a lavratura de auto de infração, com o objetivo de constituir os créditos tributários devidos, por meio de lançamento de ofício, inclusive a aplicação de penalidade Do exame dos autos de infração em discussão, verificase que neles estão demonstradas a motivação, a infração imputada à recorrente e a Fl. 8696DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.697 15 fundamentação legal da exação, ou seja, insuficiência na declaração e pagamento das contribuições lançadas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada auto e Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 5.909/5.928. A descrição dos fatos e as planilhas referidas anteriormente permitiram à recorrente contestar cada um dos custos/despesas glosadas e justificar os créditos apropriados. Tanto é verdade que concordou com parte das glosas, inclusive, apurou e recolheu as contribuições devidas sobre os valores com os quais concordou. Com a devida vênia, a Contribuinte não contestou de forma específica cada um dos itens glosados e discriminados nas referidas planilhas, se limitando a alegações genéricas, dentre elas: "que os lançamentos não encontram guarida nas normas legais que regem a incidência das contribuições lançadas e exigidas; a não cumulatividade das contribuições não se identifica com a do ICMS e do IPI; a relação dos itens que geram créditos, contida no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, é taxativa; as condições do direito aos créditos estão descritas nestas leis e não comportam interpretação de seu intérprete e/ ou de seu aplicador; o inciso daquele artigo admite a dedução de créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação e/ ou produção bens; este dispositivo deve ser compreendido segundo o conceito econômico". Sem embargo, a Contribuinte não demonstrou ou comprovou que cada um dos custos/despesas glosadas e discriminadas nas diversas planilhas, constituem insumos utilizados no seu processo produtivo. Sequer demonstrou quais equipamentos não foram escriturados no ativo imobilizado e quais equipamentos são consumidos no processo produtivo. A decisão recorrida é intocável, quanto ao ônus da prova, como ressalto nas nas sessões de julgamento, o Fisco não é auditoria privada da Contribuinte, para corrigir procedimentos que cabe a empresa efetuar nos termos da lei. Neste sentido, é cediço que os atos administrativos são providos de presunção de veracidade e legitimidade. Tratase de uma presunção relativa que pode ser desconstituída por prova em contrário da Contribuinte em anular o ato. Para tanto, deve expor fatos e argumentos robustos e capazes de afastar tal presunção, posto que esta é um elemento necessário para se implementar a atividade administrativa. Sobre a Contribuinte recai o encargo de provar o alegado e desconstituir o que foi apurado pela fiscalização. Deste ônus desincumbiu, limitandose, no momento oportuno, qual seja, no RECURSO VOLUNTÁRIO, sem trazer ao debate ou qualquer prova. Adoto em minhas razões de decidir, a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015. In verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Fl. 8697DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.698 16 Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e Nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 8698DF CARF MF Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 9303006.238 CSRFT3 Fl. 8.699 17 Fl. 8699DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721314/2009-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10507.000734/2008-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10507.000734/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 14 /2 00 9- 66 Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10507.000734/200815. Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu pela incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas à título de "Valores Indenizatórios de URV". No entendimento daquele colegiado, em que pese a classificação dada pela respectiva lei estadual, as verbas em questão possuem natureza remuneratória, pois visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV em 1994. Na mesma decisão também foi mantido o lançamento do imposto sobre os valores correspondentes aos juros de mora. Na peça recursal o Contribuinte argui serem as verbas recebidas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela lei estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando da promulgação da sua Resolução nº 245 a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possuía natureza jurídica indenizatória. Subsidiariamente, defende a não incidência do IRPF sobre os juros de mora, pois referidos valores não representariam acréscimo patrimonial. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.361, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10507.000734/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.361): Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 4 3 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Nos termos da Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 5 4 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 6 5 À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêla naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSIT n. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 7 6 Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012MARCO AURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 8 7 tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas. Diante do exposto, no que tange a natureza da verba recebida, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Do pedido subsidiário: Vencida quanto ao mérito haja vista a decisão da maioria do Colegiado, manifestome acerca do pedido subsidiário formulado pelo Recorrente, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 9 8 Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 16 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 10 9 referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Vale mencionar que a maioria do colegiado, nos termos da jurisprudência em especial do RE1.227.133/RS, entende que apenas não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Assim, diante do exposto, quanto à incidência de imposto de renda sobre os juros de mora, nego provimento ao recurso do Contribuinte. Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora quanto à natureza da verba em litígio, ouso discordar quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 11 10 natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida LC, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 12 11 decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, colacionada inclusive em um dos paradigmas trazidos pela recorrente (Acórdão 2801002.742), que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 06. b) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 13 12 Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10580.721314/200966 Acórdão n.º 9202006.362 CSRFT2 Fl. 14 13 Adicionalmente, caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 10, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 06 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, opinando pela natureza remuneratória das verbas recebidas sob análise, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 414DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.904467/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO
SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No
1.510/76. APLICAÇÃO.
Ainda que tenha havido a manutenção de participação societária pelo período de 05 (cinco) anos no decorrer da vigência do Decreto-Lei nº. 1.510/76, tal fato não importa na não-incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido quando de sua alienação, sempre que a alienação tenha ocorrido posteriormente à revogação, pelo art. 58 da Lei no. 7.713/88, da isenção prevista no artigo 4º, alínea d, do referido Decreto-Lei.
Numero da decisão: 9202-006.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO. Ainda que tenha havido a manutenção de participação societária pelo período de 05 (cinco) anos no decorrer da vigência do DecretoLei nº. 1.510/76, tal fato não importa na nãoincidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido quando de sua alienação, sempre que a alienação tenha ocorrido posteriormente à revogação, pelo art. 58 da Lei no. 7.713/88, da isenção prevista no artigo 4º, alínea “d”, do referido DecretoLei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 44 67 /2 00 9- 19 Fl. 452DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Com base no relatório de efls. 381, esclareço que o contribuinte apresentou pedido de restituição/compensação formalizado por meio de PERDCOMP. O crédito pleiteado referese a imposto pago em 05.07.2007 (fls. 44), incidente sobre ganho de capital na alienação de participação societária ocorrida em 29.06.2007. No entendimento do contribuinte a restituição se justifica em razão do fato gerador estar isento do imposto por força do art. 4º, alínea “d” do Decretolei nº 1.510/76. Alega ser proprietário das ações desde a constituição das pessoas jurídicas Irmãos Losso e Cia Ltda e Indústria e Comércio de Madeiras Losso Ltda ocorridas, respectivamente, em 06.12.1950 e 16.12.1980. A Delegacia da Receita da Receita Federal em PONTA GROSSA/PR, embora tenha confirmado o pagamento, indeferiu o pedido, não homologando a compensação, sob o fundamento, em síntese, de que o imposto era devido pois tratavase de imposto incidente sobre ganho de capital na alienação de participações societárias, apurado pelo próprio Contribuinte e informado na DIRPF entregue em 07.04.2008. Destacou não ser aplicável a isenção do art. 4º, alínea “d” do Decretolei nº 1.510/76, pois referido dispositivo foi expressamente revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713/88. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Inconformado foi interposto recurso voluntário por meio do qual o Contribuinte reitera a tese de ter direito adquirido à isenção do art. 4º, alínea “d” do Decretolei nº 1.510/76 já que foi cumprida a condição fixada pela lei, qual seja, a permanência por 5 (cinco) anos com a titularidade da participação societária. Argumentou que a única condição para o gozo do benefício da isenção é definida pelo critério temporal e, portanto, não poderia ser revogada, nos termos do art. 178 do CTN. A 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento ao recurso voluntário. Nos termos do voto vencedor concluiu o colegiado pela não incidência do imposto no ganho de capital apurado nas vendas de participação societária, ainda que a alienação tenha ocorrido após revogação do Decretolei nº 1.510/76. O acórdão 2201001.831 recebeu a seguinte ementa: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10940.904467/200919 Acórdão n.º 9202006.508 CSRFT2 Fl. 453 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2007 IRPF. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. DECRETOLEI No 1.510/76. Não incide imposto de renda quando na alienação de participações societárias adquiridas há mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei no 7.713/88, em decorrência do direito adquirido. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão a Fazenda Nacional interpôs recurso especial. Usando como paradigma o acórdão nº 210201.124 a divergência foi assim resumida: "Verificase, pois, que a divergência entre os r. acórdãos reside no entendimento acerca da temporalidade de vigência da isenção veiculada pelo Decretolei nº 1.510. Entendendo o r. acórdão desafiado que a indigitada isenção seria por prazo certo, qual seja, cinco anos entre a aquisição e a alienação. De outra sorte, o r.acórdão paradigma sustenta que a isenção não teria prazo certo.Podendo, assim, ser revogada a todo tempo, conforme autoriza o CNT, art. 178". Contribuinte apresentou contrarrazões. Citando decisões proferidas por este Conselho e pelo Poder Judiciário pugna pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme despacho de admissibilidade, o recurso preenche todos os requisitos legais razão pela qual dele conheço. Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional com base nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno deste órgão, haja vista comprovada divergência jurisprudencial no que tange a aplicação ou não da isenção, até então prevista no DecretoLei nº 1.510/76, sobre ganho de capital decorrente da alienação de participação societária ocorrida já sob a vigência da Lei nº 7.713/88. A discussão dos autos resumese em decidir se a revogação da alínea ‘d’ do art. 4º do citado Decreto Lei, promovida pelo art. 58 da Lei 7.713/88, pode ser imposta a contribuinte que cumpriu a condição exigida pela norma: alienação da participação societária após decorrido prazo mínimo de cinco anos da respectiva aquisição. Estaríamos diante de norma de isenção cujas características permitiria a aplicação da exceção prevista no art. 178 do CTN? Vejamos como era a redação do extinto artigo: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: Fl. 454DF CARF MF 4 a) nas negociações, realizadas em Bolsa de Valores, com ações de sociedades anônimas; b) nas doações feitas a ascendentes ou descendentes e nas transferências "mortis causa; c) nas alienações em virtude de desapropriação por órgãos públicos; d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. (grifos nossos). Destaco que em outras oportunidades me manifestei de forma contrária à aplicação do Decretolei nº 1.510/76 em casos como dos autos, meu entendimento era de que a isenção em questão não seria espécie de isenção condicionada com prazo certo. Esclareci que até reconhecia a existência de uma condição (manterse na propriedade das quotas pelo período mínimo de cinco anos), entretanto, não vislumbrava tratarse de isenção por prazo determinado o que afastaria a tese da ultratividade com base no art. 178 do CTN. Ocorre que nos últimos meses tivemos uma consolidação do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, entendimento totalmente absorvido pela Procuradoria da Fazenda Nacional que, com base na Portaria PGFN nº 502/2016, fez constar no item 1.22 do rol da lista dos "Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer" a alínea 'u' que expressamente reconhece o direito adquirido à isenção prevista no Decretolei nº 1.510/76: 1.22 Imposto de Renda (IR) u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. OBSERVAÇÃO 1: O entendimento acima explicitado não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31.12.1983, ante à impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de 05 (cinco) anos sem alienação até a revogação da isenção prevista no DecretoLei nº 1.510/76, indispensável à formação do direito, tratandose, nesse passo, de mera expectativa de direito, com relação à qual se aplica a norma do art. 178 do CTN e não a garantia constitucional do direito adquirido. Ainda que as bonificações decorram das ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte, não passando de meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Na verdade, elas representam efetivo acréscimo patrimonial, não se comunicando a isenção tributária relativa ao imposto de renda quando da alienação, caso a aquisição tenha ocorrido após 31.12.1983. Precedente: ApelREEX 2007.71.03.0025230, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 12/01/2011, TRF da 4ª Região. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10940.904467/200919 Acórdão n.º 9202006.508 CSRFT2 Fl. 454 5 OBSERVAÇÃO 2: A isenção é condicionada a certos requisitos, cuja observância é imprescindível: (i) presença da documentação comprobatória de titularidade das ações – aqui merece especial atenção o fato de que podem haver operações societárias que tenham repercussão no período de cinco anos necessário para a aquisição do direito, como, por exemplo, a cisão de determinada sociedade em que as ações antigas foram utilizadas para integralização do patrimônio da sociedade nova, com a conseqüente extinção das ações antigas; (ii) aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983; (iii) alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do DL 1.510/76, portanto, antes da revogação pela Lei 7.713/88. Embora referida lista não tenha efeito vinculante por ausência de manifestação do Ministro da Fazenda neste sentido, vale destacar que a própria administração tributária, por meio da sua Coordenação Geral de Tributação, alterou seu entendimento e vem reconhecendo aos contribuintes o direito à utilização da norma isentiva. Transcrevo pela relevância recente manifestação da COSIT neste sentido: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 505 COSIT Data: 17 de outubro de 2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1° de janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei nº 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Dispositivos Legais: art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976; art. 178 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Relatório: ... 2. Ao final, consulta se: "É correto o entendimento de que os valores auferidos com a alienação das ações detidas encontramse abrangidas pela Fl. 456DF CARF MF 6 hipótese isentiva descrita no art. 4º, do Decretolei nº 1.510/76, exonerandoa da apuração do respectivo ganho de capital e conseqüente recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF?" Fundamentos: 3. A presente consulta preenche os requisitos para ser considerada eficaz nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 2013. Passase, a seguir, a apreciála. 4. A não incidência do imposto de renda nas alienações de participações societárias ocorridas após decorrido o período de cinco anos da data da sua subscrição ou aquisição encontrava se prevista na alínea “d” do art. 4° do DecretoLei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, nos seguintes termos: ... 4.2 O normativo acima reproduzido foi expressamente revogado pelo art. 58 da Lei n° 7.713, de 1988. O art. 3° dessa Lei trata ainda da forma como se dará a incidência e apuração do ganho de capital; a seguir transcrevese tais dispositivos: ... 5. Preceitua o art. 178 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), que a norma isentiva “concedida por prazo certo e em função de determinadas condições”, não pode ser alcançada por lei revogadora, pois é deferida por período determinado de tempo e sob determinadas condições, exigindo um esforço ou um investimento por parte do contribuinte. 6. A expressão “em função de determinadas condições”, do art. 178 do CTN, pressupõe a exigência de uma contraprestação por parte do contribuinte que lhe impõe um ônus, um sacrifício a que ordinariamente não estaria sujeito; uma atividade que será desempenhada exatamente para fazer jus à isenção. Em suma, tratase de uma “isenção onerosa”. Nesse sentido, temos a Súmula 544 do Supremo Tribunal Federal (STF): “isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas”. 7. Nesses termos, o direito albergado pela isenção poderia ser incorporado ao patrimônio do particular em duas ocasiões: (i) na ocorrência do fato descrito como isento, desde que esteja em vigor a lei isentiva (é a regra geral; cujo exercício do direito é imediato e não prolongado no tempo); ou (ii) no cumprimento das condições exigidas pela lei concessiva da isenção onerosa e a prazo certo, hipótese esta em que se pode falar em direito adquirido (direito incorporado num momento para exercício em momento futuro). 8. A resposta ao questionamento apresentado pela consulente passa pela análise da norma prevista no art. 4°, alínea “d”, do DecretoLei n° 1.510, de 1976, no sentido de apontar se à mesma aplicarseiam os requisitos do artigo 178 do CTN, no que se refere à imposição ou presença de situação onerosa à Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10940.904467/200919 Acórdão n.º 9202006.508 CSRFT2 Fl. 455 7 contribuinte, conjugada com a orientação da Súmula 544 do STF. 9. Há vasta jurisprudência dos tribunais superiores, em especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relativamente à questão, onde se destacam os seguintes julgados: Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO CONCEDIDA SOB DETERMINADAS CONDIÇÕES. REVOGAÇÃO. ART. 58 DA LEI N. 7.713/88. SÚMULA N. 544/STF. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. 1. A controvérsia da presente demanda está alicerçada na eventual lesão ao direito do contribuinte em face da isenção do imposto de renda de pessoa física, veiculada nos arts. 1º e 4º, "d", do DecretoLei n. 1.510, de 27 de dezembro de 1976, e revogada pela Lei n. 7.713/88. 2. Da leitura do art. 4º, alínea "d", do DecretoLei n. 1.510/76, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do imposto de renda sobre o lucro auferido por pessoa física pela venda de cotas de participação societária se a alienação ocorresse após cinco anos da sua subscrição ou aquisição. Essa foi a condição onerosa imposta pela lei ao contribuinte para a fruição da isenção tributária. 3. Implementada a condição onerosa exigida para a concessão da isenção antes da vigência da norma revogadora, ou seja, feita a alienação após transcorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária, não há falar em incidência do imposto de renda. Inteligência da Súmula 544/STF: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". Dentre os precedentes mais recentes: REsp 1.136.122 RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 10.5.2011, Dje 12.5.2011. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp nº 1.164.768/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/5/2011, DJe 1º/6/2011) Ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO ONEROSA POR PRAZO INDETERMINADO. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO. REVOGAÇÃO. ART. 178 DO CTN. Os recorrentes impugnam acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual entendeu não persistir a isenção conferida pelo art. 4º, alínea "d", do DecretoLei nº 1.510/76 ao acréscimo patrimonial decorrente da alienação de participação societária realizada após a entrada em vigor da Lei nº 7.713/88. Não obstante as ponderáveis razões do voto apresentado pelo Sr. Ministro Relator, reconheço o direito adquirido do contribuinte que alienou a participação societária após o decurso de cinco anos, ainda que essa alienação tenha ocorrido na vigência da Lei nº 7.713/88, tendo em vista os reiterados pronunciamentos da Fazenda Nacional, pelo órgão máximo de sua instância administrativa, o Conselho Superior de Recursos Fiscais nesse sentido. Recurso especial provido. (REsp nº 1.133.032/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/3/2011, DJe 26/5/2011) Ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. ART. 178 DO CTN. NÃOOCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE ISENÇÃO ONEROSA CUJA CONDIÇÃO FOI IMPLEMENTADA ANTES DO ADVENTO DA LEI REVOGADORA. DIREITO ADQUIRIDO À ISENÇÃO. 1.Implementada a condição pelo contribuinte antes mesmo de a norma ser revogada, ainda que a alienação tenha ocorrido na vigência da lei revogadora, há de se manter a norma isentiva. 2."Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas" (Súmula 544/STF). Fl. 458DF CARF MF 8 3.Cumpridos os requisitos para o gozo da isenção condicionada, tem o contribuinte direito adquirido ao benefício fiscal. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp nº 1.141.828/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/5/2011, DJe 16/5/2011) Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI Nº 1.510/76. REVOGAÇÃO PELA LEI Nº 7.713/88. DIREITO ADQUIRIDO AO BENEFÍCIO FISCAL. 1. "É isento do imposto de renda o ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas sob a égide do DL 1.510/76 e negociadas após cinco anos da data da aquisição, ainda que a transação tenha ocorrido já na vigência da Lei 7.713/88. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público desta Corte e do Conselho de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda." (REsp nº 1.148.820/RS, Relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, in DJe 26/8/2010). Precedente da Primeira Seção desta Corte (REsp nº 1.133.032/PR, julgado em 14/3/2011). 2. Agravo regimental improvido. (Grifouse) (AgRg no REsp nº 1.231.645/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/4/2011, DJe 26/4/2011) Ementa: TRIBUTÁRIO ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS DECRETOLEI 1.510/76 REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/88 DIREITO ADQUIRIDO 1. Direito adquirido à isenção de imposto de renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, benefício outorgado no DecretoLei n. 1.510/76, revogado pela Lei 7.713/88. 2. Entre a aquisição das ações, ocorrida em dezembro de 1983, e a vigência da Lei 7.713/88, em janeiro de 1989, quando foi revogado o benefício, transcorreram os cinco anos estabelecidos como condição para a obtenção da isenção do imposto de renda. 3. A venda das ações ocorreu posteriormente à vigência da Lei n 7.713/88, o que não prejudica o direito à isenção, adquirido sob a égide do diploma legal antecedente. 4. Recurso especial provido. (Grifouse) (REsp nº 1.126.773/RS, Relatora Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 4/5/2010, DJe 27/9/2010). Ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA (ART. 4º, ALÍNEA 'D', DO DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976). Implementado o fato descrito na norma jurídica que prevê hipótese de não incidência (o imposto de renda não incidirá nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), seus efeitos subsistem após a respectiva revogação. Tratase de interpretação do art. 4º, alínea d, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, que faz respeitar situação jurídica definitivamente constituída, sem negar vigência ao art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988. Inexistência de questão constitucional. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no REsp nº 1.146.142/RS, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/12/2012, DJe 19/12/2012). Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU ONEROSA. DECRETOLEI 1.510/1976. REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/1988. DIREITO ADQUIRIDO AO BENEFÍCIO FISCAL. 1. A discussão nos autos consiste na caracterização ou não de direito adquirido de isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei 1.510/1976 e revogada pela Lei 7.713/1988, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em janeiro de 2007, ou seja, após a revogação. 2. A legislação em regência (arts. 1º e 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76) concede isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. Tratase, portanto, de isenção sob condição onerosa. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10940.904467/200919 Acórdão n.º 9202006.508 CSRFT2 Fl. 456 9 3. A isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada por lei. Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 544, que dispõe: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". 4. Em minuciosa leitura do art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/1976, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física pela venda de ações, se a alienação ocorresse após cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 5. In casu, o contribuinte cumpriu os requisitos para o gozo da isenção do Imposto de Renda, nos termos da referida lei, antes mesmo da revogação da norma, tendo direito adquirido ao benefício fiscal. 6. A Primeira Seção passou a adotar orientação em sentido contrário à que foi acolhida pelo Tribunal local, entendendo ser isento do Imposto de Renda o ganho de capital decorrente da alienação de ações societárias após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que transacionadas após a vigência da Lei 7.713/1988, conforme previsão do DecretoLei 1.510/1976. 7. Agravo Regimental não provido. (Grifouse) (AgRg no AgRg no REsp nº 1.137.701/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/8/2011, DJe 8/9/2011). 10. Em pesquisa realizada pela CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial (Cocaj) constatouse que no âmbito do STJ, a Primeira Seção fixou o entendimento, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.133.032/PR (DJe de 26/5/2011), no sentido de reconhecer o direito adquirido do contribuinte que alienou a participação societária após o decurso de cinco anos, ainda que essa alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, mas desde que adquiridos no prazo de cinco anos antes da data de revogação do DecretoLei nº 1.510, de 1976. Verificouse também que, após esse julgamento, ambas as Turmas (Primeira e Segunda) que compõem a Primeira Seção do STJ passaram a decidir nesse mesmo sentido, ou seja, pelo reconhecimento da existência do direito adquirido do contribuinte à isenção. 11. Ainda conforme pesquisas realizadas pela Cocaj, no âmbito do STF foram identificadas apenas decisões monocráticas que, em sua maioria, tratam de negativa de seguimento a Recursos Extraordinários (RE), por ausência de ofensa constitucional direta. No caso cuja ementa se transcreve a seguir, no entanto, a decisão monocrática do relator, Ministro Marco Aurélio, foi pelo desprovimento do agravo de instrumento interposto pela Fazenda Nacional, ao fundamento de que o Tribunal de origem, de modo soberano e baseado nos elementos probatórios dos autos, entendeu que a isenção em questão foi concedida em caráter oneroso, razão pela qual o contribuinte possui direito adquirido ao benefício fiscal: Ementa: DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUADRO FÁTICO ISENÇÃO ONEROSA E CONDICIONAL AGRAVO DESPROVIDO. 1. Este agravo de instrumento visa ao processamento de recurso extraordinário interposto com base na alínea "a" do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, mediante o qual sustentase transgressão ao artigo 5º, inciso XXXVI, do Diploma Maior. No extraordinário de folha 68 a 72, a agravante ressaltou que o acórdão de origem, tal qual proferido, implicou contrariedade ao teor do artigo 5º, inciso XXXVI, da Carta Política da República, discrepando de posição doutrinária. Para tanto, parte da premissa de que a isenção versada Fl. 460DF CARF MF 10 nestes autos veio ao mundo jurídico de forma simples, possibilitando a revogação a qualquer tempo. Ao negar trânsito ao extraordinário, o Juízo primeiro de admissibilidade assentou que a questão trazida pela agravante pressupõe apreciação de tema infraconstitucional e que a violação alegada não é direta e frontal ao texto constitucional (folha 98). Com a minuta de folha 2 a 7, a agravante afirma que a violação é direta à Constituição e que não está caracterizado o direito adquirido da agravada à isenção de imposto de renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias em 1991. A agravada trouxe aos autos a contraminuta de folha 107 a 111, frisando ter sido a isenção concedida mediante condição onerosa. 2. Na interposição deste agravo foram observados os pressupostos de recorribilidade que lhe são inerentes. A peça, subscrita por procuradora da Fazenda Nacional, veio acompanhada dos documentos de traslado obrigatório e restou protocolada no prazo em dobro a que tem jus a agravante. 3. A atuação em sede extraordinária fazse a partir da moldura fática delineada pela Corte de origem. Examinandose os elementos probatórios dos autos, de forma correta, ou não não cabe perquirir em sede extraordinária , consignouse cogitar, na espécie, de isenção concedida sob condição onerosa. Aduziuse: "é indiscutível que a exigência de que o contribuinte conserve a propriedade das ações por um prazo de cinco anos representa uma condição onerosa, pois os títulos constituem em bens negociáveis, cujo valor sofre as inflexões de mercado. Está implícito na regra que o contribuinte, para usufruir do benefício fiscal, deve renunciar às oportunidades favoráveis que eventualmente se lhe ofereçam de negociação dos títulos nos cinco anos posteriores à sua aquisição" (folha 52). Admitiuse, portanto, que, tendo o contribuinte se desincumbido do ônus exigido na lei para o gozo da isenção condicionada, possui direito adquirido ao benefício fiscal. Diante da singularidade da hipótese e da soberania do que decidido pelo Tribunal de origem quanto aos elementos probatórios dos autos, afasto a possibilidade de se ter como infringido o artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal. Somente pelo estabelecimento de quadro fático diverso seria possível chegar ao acolhimento do inconformismo demonstrado pela União. Pertinente o teor do Verbete nº 544 da Súmula desta Corte: 544 Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. 4. Conheço do agravo e o desprovejo. 5. Publiquem. (Grifouse) (AI nº 591.766, Relator Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 24/8/2006, publicado em DJ 11/9/2006). 12. Nos termos do disposto no art. 19, inciso V, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) está autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, na hipótese de a decisão judicial versar sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça. O §4º do mesmo art. 19 determina que ”A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput.” 13. A PGFN e a RFB editaram a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014. Seu art. 3º estabelece que a RFB será informada sobre a inclusão ou não de matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002. 14. Atualmente, por meio da Portaria PGFN nº 502, de 12 de maio de 2016, o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional disciplina os casos em que fica dispensada a atuação contenciosa judicial dos Procuradores da Fazenda Nacional. Nessa ordem, com base no art. 2º, incisos V e VII e §§3º a 8º, determinou a publicação da “Lista de Dispensa de Contestar e Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10940.904467/200919 Acórdão n.º 9202006.508 CSRFT2 Fl. 457 11 Recorrer” na página eletrônica da PGFN, na rede mundial de computadores (Internet), nos seguintes termos: u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido. Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. OBSERVAÇÃO 1: O entendimento acima explicitado não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31.12.1983, ante à impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de 05 (cinco) anos sem alienação até a revogação da isenção prevista no DecretoLei nº 1.510/76, indispensável à formação do direito, tratandose, nesse passo, de mera expectativa de direito, com relação à qual se aplica a norma do art. 178 do CTN e não a garantia constitucional do direito adquirido. Ainda que as bonificações decorram das ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte, não passando de meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Na verdade, elas representam efetivo acréscimo patrimonial, não se comunicando a isenção tributária relativa ao imposto de renda quando da alienação, caso a aquisição tenha ocorrido após 31.12.1983. Precedente: Apel REEX 2007.71.03.0025230, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 12/01/2011, TRF da 4ªRegião. OBSERVAÇÃO 2: A isenção é condicionada a certos requisitos, cuja observância é imprescindível: (i) presença da documentação comprobatória de titularidade das ações – aqui merece especial atenção o fato de que podem haver operações societárias que tenham repercussão no período de cinco anos necessário para a aquisição do direito, como, por exemplo, a cisão de determinada sociedade em que as ações antigas foram utilizadas para integralização do patrimônio da sociedade nova, com a conseqüente extinção das ações antigas; (ii) aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983; (iii) alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do DL 1.510/76, portanto, antes da revogação pela Lei 7.713/88. Conclusão 15. Com base no exposto, respondese à consulente que a hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas por pessoa física após 1° de janeiro de 1989, data de revogação do benefício, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. 16. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei nº 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988. Assim, considerando o atual cenário onde temos manifestação expressa da Procuradoria da Fazenda Nacional e ainda da Receita Federal do Brasil, servindo esta inclusive como fonte de orientação e referência para todos os contribuintes, devese reconhecer o direito adquirido à aplicação da isenção prevista alínea ‘d’ do art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 sobre o ganho de capital eventualmente auferido na alienação de participação societária, ainda que esta tenha ocorrido em momento posterior a publicação da Lei 7.713/88. Fl. 462DF CARF MF 12 No presente caso, para o reconhecimento ao direito adquirido se faz necessário que a autoridade competente pela apreciação do pedido de compensação/restituição avalie se o contribuinte cumpriu todos os requisitos necessários para caracterização da isenção, quais sejam, (i) comprovação da titularidade das ações, (ii) aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983; (iii) alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do DL 1.510/76, portanto, antes da revogação pela Lei 7.713/88. Diante do exposto, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao mérito do pleito recursal. Tratase de discussão acerca da aplicabilidade da isenção contida no art. 4o, alínea “d”, do DecretoLei no 1.510, de 1976, para fatos geradores ocorridos após sua revogação pelo art. 58 da Lei no. 7.713, de 1998, uma vez tendo o contribuinte já cumprido, quando da ocorrência do fato gerador ocasionado por alienação (no presente caso, fato gerador ocorrido em 06/2007), o prazo de cinco anos de manutenção das participações, previsto naquela mesma alínea. A matéria já foi por mim examinada no âmbito deste mesmo Colegiado, quando alinheime ao entendimento propugnado pela Recorrente, com base nas razões de decidir abaixo, constantes de voto exarado pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos no âmbito do Acórdão CSRF no. 9.202003.542, de 28/01/2015, as quais reproduzem integralmente meu entendimento pessoal acerca da matéria, verbis: "(...) a) Também considero que a revogação da isenção em questão encontra plena guarida no teor do art. 178 do CTN vigente à época da alienação, dado não se tratar, na hipótese do art. 4o, alínea “d”, do DecretoLei no 1.510, de 1976, de isenção por prazo certo (determinado), condição necessária para que não se pudesse revogar a mencionada isenção. Com base em tal argumentação, inaplicável também o teor da Súmula STF nº 544, que apenas se refere a isenções sob condição onerosa mas não se manifesta sobre a questão do prazo certo da isenção. b) Assim, entendo que é de se aplicar, à alienação em análise, a lei vigente à época do fato gerador (consoante art. 144 do CTN), ressalvado o respeito ao princípio da anterioridade, vigente assim a revogação da isenção somente a partir de 01/01/1989. Notese que, in casu, a alienação ocorreu quando já vigente a Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10940.904467/200919 Acórdão n.º 9202006.508 CSRFT2 Fl. 458 13 norma revogadora (...), sendo esta última a norma aplicável à situação fática sob análise. c) Por fim, ainda (...), também entendo que não há norma ou interpretação sistemática que possa garantir a existência de direito subjetivo à isenção, impedindose, assim, os efeitos de norma revogadora da, exceto caso se esteja a tratar de isenção sob condições determinadas e por prazo certo (o que não é o caso). d) Rejeito, assim, a existência de violação a qualquer direito adquirido do contribuinte que pudesse ser oponível ao Fisco quando da ocorrência de fato gerador, ocorrido já sob a égide de legislação que não ampara a referida isenção, entendendo, também, que não há que se falar em direito adquirido a regime tributário isentivo, (...) (...)" Por fim, faço notar, ainda, quanto aos atos administrativos emanados da PGFN e da COSIT relacionados ao tema citados pela nobre Relatora, que nenhum deles possui caráter vinculante em relação a este Conselho, o que também se aplica aos julgados do STJ ali citados, visto que não proferidos sob a sistemática constante do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 Código de Processo Civil/2015, de forma a que fossem obrigatoriamente aqui reproduzidos, na forma do art. 62, §2o. do RICARF vigente. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721658/2013-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 58 /2 01 3- 47 Fl. 104DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0436.244 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos para com a Secretaria da Receita Federal, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que o débito que ensejou o Termo de Indeferimento havia sido parcelado, conforme extratos de fls. 18 19. Com efeito, consta nesses documentos a suspensão para inclusão em parcelamento, mas tal informação é de 21/01/2013 e não restou demonstrado que efetivamente ocorreu a inclusão em parcelamento e os pagamentos respectivos, inclusive da primeira parcela que deveria ocorrer até 31/01/2013. Ademais, a contribuinte não trouxe a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, pois é este o documento hábil que comprova a regularidade fiscal da empresa. A tentativa de obtê la via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. É o meu voto. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente apresentou diversas alegações que podem ser resumidas, como segue: · Princípio da verdade material obrigatoriedade de análise da prova, independentemente do momento em que apresentada, citando jurisprudência correspondente; · Suspensão da exigibilidade parcelamento Lei 11.941/09 sustenta que a recorrente efetuou o parcelamento dos seus débitos, em 17/08/2009, o qual foi rescindido de forma unilateral, consoante portaria PGFN/SRF 6/2011; Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10530.721658/201347 Acórdão n.º 1001000.420 S1C0T1 Fl. 3 3 · Impetrou um mandado de Segurança perante a 1a Vara Federal de Feira de Santana sob o número 000699878.2012.401.3304, obtendo uma liminar, em 22/11/2012 para sua reinclusão no referido parcelamento; · Ocorreu uma sentença denegando a segurança e, 22/02/2013, quando apelou, tendo recebido nos efeitos suspensivos e devolutivo, conforme despacho de 14/05/2013; Conclui, alegando: Com base em tudo, requer o provimento do seu Recurso Voluntário. Anexou diversas provas aos autos. De fato, a Recorrente apresentou prova da liminar obtida em 22/11/2012, a qual foi cassada em 22/02/2013, como segue: Fl. 106DF CARF MF 4 De acordo com artigo 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional, a exigibilidade do crédito tributária estaria suspensa em 31/01/2013: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. A DRJ baseou a sua decisão no fato de que A interessada argumentou que o débito que ensejou o Termo de Indeferimento havia sido parcelado, conforme extratos de fls. 18 19. Com efeito, consta nesses documentos a suspensão para inclusão em parcelamento, mas tal informação é de 21/01/2013 e não restou demonstrado que efetivamente ocorreu a inclusão em parcelamento e os pagamentos respectivos, inclusive da primeira parcela que deveria ocorrer até 31/01/2013. Pareceme que a DRJ poderia ter confirmado se em 31/01/2013 (apenas 9 dias após a data da informação recebida) teria havido alteração no referido status quo. Além do fato, é claro, de a recorrente ter sido beneficiada pela liminar em mandado de segurança, conforme antes dito. Além disso, a DRJ argumentou que a Recorrente não apresentou a certidão negativa de débitos (ou positiva com efeitos de negativa) e que, ainda, não a obteve porque foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Portanto negou provimento a impugnação, baseada no artigo 205, do Código Tributário Nacional CTN, o qual reproduzo a seguir: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. O art. 205, do CTN dispõe que "A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa,". No caso, nem a Lei Complementar 123/2006 e nem a Resolução CGSN 94/2011 impõem a apresentação da referida certidão como condição para o ingresso no Simples Nacional. Com efeito, o inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006, dispõe que a existência de débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com as Fazendas Federal, Estadual ou Municipal e para com a Previdência Social, impede a opção pelo Simples Nacional, o que não se provou existir, no caso da Recorrente, posto que beneficiada por medida liminar, obtida em mandado de segurança, o que suspende a exigência do crédito tributário nos termos art. 151, inciso IV do CTN. Portanto, dou provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10530.721658/201347 Acórdão n.º 1001000.420 S1C0T1 Fl. 4 5 Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.994204/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.110
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 42 04 /2 01 2- 32 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.994204/201232 Acórdão n.º 3302005.110 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.504. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.994204/201232 Acórdão n.º 3302005.110 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.994204/201232 Acórdão n.º 3302005.110 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.994204/201232 Acórdão n.º 3302005.110 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10880.994204/201232 Acórdão n.º 3302005.110 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 300DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721525/2015-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012
RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS.
A declaração de inconstitucionalidade, do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa.
As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das reserva técnicas, fundos especiais e provisões, além das reservas e fundos determinados em leis especiais, constituídos, na dicção do Decreto-Lei nº 73, de 1966, para garantia de todas as suas obrigações, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012
RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS.
A declaração de inconstitucionalidade, do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa.
As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das reserva técnicas, fundos especiais e provisões, além das reservas e fundos determinados em leis especiais, constituídos, na dicção do Decreto-Lei nº 73, de 1966, para garantia de todas as suas obrigações, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares.
Numero da decisão: 9303-006.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012 RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS. A declaração de inconstitucionalidade, do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa. As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das reserva técnicas, fundos especiais e provisões, além das reservas e fundos determinados em leis especiais, constituídos, na dicção do Decreto-Lei nº 73, de 1966, para garantia de todas as suas obrigações, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012 RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS. A declaração de inconstitucionalidade, do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa. As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das reserva técnicas, fundos especiais e provisões, além das reservas e fundos determinados em leis especiais, constituídos, na dicção do Decreto-Lei nº 73, de 1966, para garantia de todas as suas obrigações, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares.
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COFINS. MULTA Recorrente AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012 RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS. A declaração de inconstitucionalidade, do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa. As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das “reserva técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do DecretoLei nº 73, de 1966, “para garantia de todas as suas obrigações”, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012 RECEITAS FINANCEIRAS. SEGURADORAS. A declaração de inconstitucionalidade, do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa. As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das “reserva técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do DecretoLei nº 73, de 1966, “para garantia de todas as suas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 15 25 /2 01 5- 85 Fl. 2630DF CARF MF 2 obrigações”, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3201002.429, de 24/01/2017, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. SEGURADORA. RECEITAS FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras/seguradoras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição COFINS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 16682.721525/201585 Acórdão n.º 9303006.234 CSRFT3 Fl. 2.631 3 Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. SEGURADORA. RECEITAS FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras/seguradoras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso especial contra o entendimento adotado pelo acórdão recorrido de que as receitas financeiras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas estão inseridas na base de cálculo do PIS e da Cofins. Alega divergência de interpretação quanto ao que decidido no Acórdão nº 3401002.708. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 2608/2610. Intimada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 2612/2627). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Com efeito, é de fácil percepção, os acórdãos recorrido e paradigmas adotaram entendimentos contrários sobre o mesmo tema: a incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, das sociedades seguradoras, provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, conforme se constata da simples análise dos seguintes parágrafos do Acórdão paradigma de nº 3401002.708: No mesmo óbice esbarra a pretensão de se tributar as receitas percebidas pelos investimentos obrigatórios na formação das reservas técnicas, fundos e provisões, em especial, as rendas de imóveis (Receitas de Imóveis de Renda – 37111) É certo que tais receitas são inerentes à atividade securitária, até mesmo por imposição normativa (Resolução CMN nº 3.308/2005, arts. 1º a 3)º, que determina os limites, condições e segmentos onde as disponibilidades devem ser aplicadas (renda fixa, renda variável e imóveis), contudo, não é possível afirmar que o investimento em imóveis para renda, em renda fixa ou variável, ou mesmo as receitas dele originadas, qualificamse Fl. 2632DF CARF MF 4 como oriundas do exercício das atividades empresariais típicas, como fixado no RE 400.4798/RJ. (grifamos) No mérito, entendemos absolutamente correta a tese encartada no acórdão recorrido. A solução do litígio passa pela determinação do conceito de faturamento, que o Supremo Tribunal Federal STF, como se sabe, tem entendido, atualmente, como o que decorre da realização das atividades que compõem o objeto social do contribuinte, ou seja, a sua receita operacional. Notese que, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 16682.721525/201585 Acórdão n.º 9303006.234 CSRFT3 Fl. 2.632 5 que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Pois bem. No caso das seguradoras, as receitas provenientes da aplicação dos bens garantidores de provisões técnicas integram, a nosso juízo, a receita operacional da seguradora. As razões do nosso convencimento estão bem delineadas, em poucas linhas, no voto condutor do Acórdão nº 9303003.863, de 18/05/2016, proferido por esta mesma Turma de CSRF, relatado pelo il. Conselheiro Valcir Gassen, que assim discorreu sobre a matéria: Em que pese o disposto no art. 73 do DecretoLei n° 73, de 21 de novembro de 1966, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, que as Sociedades Seguradoras não poderão explorar qualquer outro ramo de comércio ou indústria, e que é típico e da essência das instituições financeiras a “coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros” (art. 17 da Lei 4.595/1964), resta claro que as receitas financeiras advindas de rendimentos financeiros dos bens garantidores de provisões técnicas devem ser computadas nas bases de cálculo do PIS e da COFINS das sociedades seguradoras, pois essas receitas são oriundas do exercício das atividades empresariais das seguradoras. Senão vejamos, no mesmo diploma legal, DecretoLei n° 73, nos arts. 28, 29 e 84, dispõese sobre a obrigatoriedade do investimento de capital para a formação das reservas técnicas, fundos especiais e provisões, desta forma: Fl. 2634DF CARF MF 6 Art 28. A partir da vigência dêste DecretoLei, a aplicação das reservas técnicas das Sociedades Seguradoras será feita conforme as diretrizes do Conselho Monetário Nacional. Art 29. Os investimentos compulsórios das Sociedades Seguradoras obedecerão a critérios que garantam remuneração adequada, segurança e liquidez. Art 84. Para garantia de tôdas as suas obrigações, as Sociedades Seguradoras constituirão reservas técnicas, fundos especiais e provisões, de conformidade com os critérios fixados pelo CNSP, além das reservas e fundos determinados em leis especiais. A aplicação dos recursos das reservas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras são disciplinados pela Resolução CMN n° 3.308, de 31 de agosto de 2005, em específico os artigos 1° e 2° do Regulamento posto pela referida Resolução, desta forma: Art. 1º Os recursos das reservas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras, das sociedades de capitalização e das entidades abertas de previdência complementar, constituídos de acordo com os critérios fixados pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), devem ser aplicados conforme as diretrizes deste regulamento, tendo presentes as condições de segurança, rentabilidade, solvência e liquidez. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste regulamento, consideramse recursos aqueles referidos no caput. Art. 2º Observadas as limitações e as demais condições estabelecidas neste regulamento, os recursos devem ser alocados nos seguintes segmentos: I – de renda fixa; II – de renda variável; III – de imóveis. Entendese assim que as receitas financeiras decorrentes de investimentos compulsórios relativamente às reservas técnicas, fundos especiais e provisões, além das reservas e fundos determinados em leis especiais, constituídos para garantia de todas as obrigações das empresas de seguro, não são receitas estranhas ao faturamento dessas empresas no desenvolvimento de suas atividades empresariais, pelo contrário, essas receitas legalmente integram as atividades típicas das sociedades seguradoras. (grifos do original) Recentemente, também assim se posicionou o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Confirase: Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 16682.721525/201585 Acórdão n.º 9303006.234 CSRFT3 Fl. 2.633 7 AGRAVO LEGAL. HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DO ART. 557, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PIS/COFINS. SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS LIVRES. INCIDÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. O art. 557, caput e § 1ºA do CPC autoriza que o relator negue seguimento ou dê provimento ao recurso quando a decisão recorrida estiver em confronto com a jurisprudência dominante no respectivo Tribunal ou de Tribunal Superior. Possibilidade de aplicação do dispositivo à hipótese vertente. 2. Em relação à aplicação da Lei nº 9.718/98 às empresas de seguros privados, como é o caso das impetrantes, observo que o C. STF manteve incólume o caput do art. 3º, nos termos do RE 357.950. 3. Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.9509/RS), em relação à base de cálculo das contribuições PIS e COFINS no que pertine às instituições financeiras e equiparadas, o tema foi objeto do Parecer PGFN/CAT/Nº 2773/2007, datado de 28 de março de 2007. 4. As seguradoras não são beneficiadas pela declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, por se sujeitarem a regramento próprio (arts. 2º e 3º, caput e parágrafos 5º e 6º, da Lei 9.718/98). 5. No caso de empresas de seguros privados, cumpre ressaltar, que a própria Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 6º, II, prevê quais são as deduções e exclusões possíveis na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, a saber: o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. 6. A incidência das contribuições ao PIS e à Cofins sobre as receitas financeiras oriundas de aplicações ou de reservas técnica é medida que se impõe, pois tais valores resultam da atividade empresarial típica da seguradora, resultantes de parte dos prêmios captados de seus clientes e investidos no mercado financeiro, integrando, desta feita, o seu faturamento. 7. Tal entendimento restou consignado na Solução de Consulta nº 91, publicada pela Superintendência da Receita Federal em São Paulo, segundo a qual as receitas de seguradoras geradas com a aplicação de valores reservados ao pagamento de sinistros são tributadas pelo PIS e pela Cofins. 8. Não há elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática. 9. Agravo legal improvido. (TRF da 3ª Região, rel. Desembargadora Consuelo Yoshida, AMS 00087126520154036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:01/04/2016) Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. Fl. 2636DF CARF MF 8 Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2637DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720048/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do Fato Gerador: 04/11/2009
DESISTÊNCIA. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS
A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso
interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 3402-004.924
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão da desistência.
Assinado Digitalmente
WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente.
Assinado Digitalmente
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 04/11/2009 DESISTÊNCIA. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão da desistência. Assinado Digitalmente WALDIR NAVARRO BEZERRA Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 48 /2 01 4- 24 Fl. 70511DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 22/10/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional, no valor de R$ 221.414.885,59, em virtude dos fatos a seguir escritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração à legislação aplicável à matéria com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Conforme consta do Relatório de Procedimento Fiscal, a sociedade empresária UNILEBER BRASIL LTDA, CNPJ 61.068.276/000104, ocultouse do Fisco em operações de importação para as quais utilizou nome de outras pessoas jurídicas do grupo empresarial a UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA, CNPJ03.085.759/000102, e a UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 01.615.814/006487. Face ao que determina os §§ 1° e 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455, de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 31/10/2014 (fls. 69.392), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/12/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: ⊙ FATOS ANTECEDENTES Tratase de Auto de Infração decorrente de procedimento fiscal instaurado para verificar o cumprimento das obrigações acessórias (/.e. preenchimento de declarações e de documentos fiscais) relacionadas às operações de importação de mercadorias ocorridas no período compreendido entre setembro de 2008 e dezembro de 2010. Apesar da abrangência do período fiscalizado, foram objeto de autuação apenas as importações realizadas entre novembro de 2009 e dezembro de 2010. Notese que, embora a autuação tenha sido lavrada em outubro de 2014 por I. Agentes da Fiscalização Aduaneira de Viracopos, quase a totalidade das provas utilizadas não foram produzidas pelos I. Fiscais Autuantes, mas sim "emprestadas" da ação fiscal realizada em 2012 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas ("DRF/Campinas" fls. 66.341/66.612), a qual deu origem ao processo administrativo 10830.727214/201331. Notese, nesse sentido, que os obietos desta e daquela autuação são completamente distintos, como será adiante esclarecido, muito embora seja alegado nestes autos (item 20 do TVF) que "a Fiscalização aduaneira teve a mesma interpretação sobre os fatos narrados naquele processo." Nesse sentido, a D. Fiscalização utilizouse de provas emprestadas para chegar, com base em errôneas premissas, à conclusão equivocada de que teria ocorrido uma Fl. 70512DF CARF MF Processo nº 11829.720048/201424 Acórdão n.º 3402004.924 S3C4T2 Fl. 70.851 3 suposta "ocultação do real importador" com relação a algumas das operações de importação realizadas no período autuado, e que a UBI teria supostamente cedido seu nome para a realização de operação de comércio exterior aue. em tese, seria de terceiros, no caso a UNILEVER BRASIL LTDA. Transcreve o Artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Em termos práticos, D. Fiscalização considera que as operações em questão supostamente ensejaram duas infrações distintas, quais sejam, dano ao Erário, e cessão de nome de pessoa jurídica para acobertamento de terceiros no comércio exterior. O dano ao Erário, previsto pelo artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455 de 07 de abril de 1976 ("DL n° 1.455/76"! já está sendo discutido nos autos do processo administrativo n° 11829.720047/201480 (doc. n° 8), de maneira que a controvérsia destes autos restringese à comprovação de ocorrência ou não de cessão de nome por parte da UBI para acobertar operações de importação da UBR. A suposta ocultação do real importador teria ocorrido em razão de a D. Fiscalização equivocadamente considerar que o verdadeiro importador das mercadorias estrangeiras (desodorantes de aerossol, provenientes em sua maioria da Argentina), para os fins do inciso I do artigo 31 do DecretoLei n° 37, de 18.11.1966 "DL n° 37/66"j. seria a UBR, não obstante o fato de a UBI ter constado na Declaração de Importação ("Dl") como importadora e adquirente: Transcreve o artigo 31 do DecretoLei n° 37/66. Isso porque, na opinião da D. Fiscalização, "quando se oculta o real importador, há prejuízo ao controle aduaneiro, pois a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não recebe as informações corretas, e a pessoa jurídica ocultada deixa de ser contribuinte de tributos que deveria recolher caso constasse da declaração de importação como importador e adquirente, ou apenas como adquirente" (item 8 do TVF). Nesse cenário, muito embora a D. Fiscalização se dedique a conferir à questão proporção maior do que a real, tecendo longos e impertinentes comentários que nada se relacionam às operações de importação que deram origem ao Auto de Infração, em clara tentativa de suscitar nestes autos discussões que são atualmente objeto de outros processos administrativos (especialmente do processo n° 10830.727214/201331), as Requerentes não podem deixar de ressaltar que o objeto deste processo se restringe à discussão quanto a existência, ou não, de efetivo dano ao Erário, sendo esta a única conduta pela aual as Requerentes estão sendo acusadas no Auto de Infração ora com batido. Assim, as Requerentes passam a evidenciar a fragilidade do TVF, que divaga sem se atentar ao cenário fático que efetivamente deve ser analisado, bem como, para o caso de as questões preliminares aduzidas a seguir serem superadas, as razões que afastam as alegações de cessão do nome da Requerente para acobertar importações de outrem aduzidas pela D. Fiscalização. QUESTÕES PRELIMINARES ⊙ NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DA PROVA PRODUZIDA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO N° 10830.727214/201331 Fl. 70513DF CARF MF 4 Conforme se depreende da leitura do TVF, o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado com base nas provas produzidas no Processo Administrativo n° 10830.727214/201331, sob a alegação de que "é plenamente aceito pelas instâncias julgadoras administrativas o uso da prova emprestada, que é o caso apontado no parágrafo anterior. No âmbito da Justiça Federal, também há entendimento de que é cabível o uso de prova emprestada é o que mostra pesquisa de jurisprudência do Tribunal Regional Federai da 3a Região." Contudo, apesar da afirmação de que há vasto entendimento a validar a utilização de provas emprestadas, nenhum julgado favorável nesse sentido foi citado pela D. Fiscalização, sequer a título exemplificativo. Nesse sentido, a verdade é que não existe qualquer previsão expressa no Decreto n° 70.235/72 acerca da utilização de prova emprestada, e que, por isso mesmo, o E. CARF, só tem aceitado o uso de prova emprestada nos casos em que há produção de laudo, o que de fato não ocorreu no caso dos autos. Junta textos da jurisprudência administrativa: (CSRF, Acórdão n° 03 03.206, 3a Turma, Rei. Cons. Edson Pereira Rodrigues, D.O.U 20.10.2002). Ademais, uma prova emprestada não poderia ter sido utilizada para justificar a autuação ora combatida, uma vez que o objeto do presente caso (/'.e. obrigações acessórias na importação) é diverso e distinto daquele tratado no Processo Administrativo n° 10830.727214/201331 (/'.e. incidência do IPI nas vendas internas), bem como pelo fato de não ter sido produzido nenhum "laudo" ou documento semelhante nos autos do referido processo. Vale destacar, ainda, que mesmo se o Auto de Infração lavrado para exigência de supostos débitos de IPI estivesse realmente acompanhado de provas suficientes para comprovar eventual simulação e fraude na operação da Requerente, o que efetivamente se admite apenas para argumentar, a utilização de prova emprestada de outro processo que sequer discute a mesma matéria jurídica ainda assim caracterizaria violação ao direito de ampla defesa do contribuinte, conforme já entendeu o E. CARF (doc. n° 10): Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Acórdão 30128378, 3o Conselho de Contribuintes, 1 a Câmara, Rei. Cons. Moacyr E. de Medeiros, 21.05.1997.) Diante de todo o exposto, a Requerente não tem dúvidas de que está comprovada a NULIDADE da autuação lavrada, eis que do Processo Administrativo n° 10830.727214/201331 tem objeto completamente diverso do presente, bem como pelo tal disputa ainda se encontra em andamento, de maneira que as referidas "provas emprestadas" se mostram imprestáveis para embasar a autuação fiscal ora combatida. ⊙ NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Se, por um lado, a D. Fiscalização emprega uma retórica claramente alarmista no descritivo dos fatos constantes do TVF, calcada em alegações de fraude e simulação, em franca tentativa de caracterizar a Requerente e a UBR como sonegadoras de tributos, por outro lado, a mesma fiscalização afirma textualmente que não pretendeu desconsiderar a personalidade jurídica das Requerente e da UBR, e sequer invoca a aplicação dos artigos 116 e 149, inciso VII, do CTN como capitulação legal dos Autos de Infração. Fl. 70514DF CARF MF Processo nº 11829.720048/201424 Acórdão n.º 3402004.924 S3C4T2 Fl. 70.852 5 Transcreve item 832 do Relatório de Procedimento Fiscal. Ora, se o fisco entende que a Requerente e UBR seriam, de fato, uma mesma pessoa jurídica, então a discussão de mérito a ser travada nestes autos não trata propriamente do preenchimento dos documentos de importação pela UBI, mas sim da necessidade de comprovação da alegada confusão patrimonial entre UBI e UBR. Nesse caso, portanto, a D. Fiscalização deveria ter (i) demonstrado como duas pessoas jurídicas distintas, que de fato realizam atividades operacionais absolutamente diversas (industrialização e comercialização), poderiam ser consideradas uma mesma pessoa jurídica apenas com base em operações realizadas por alguns de seus estabelecimentos e, assim (ii) feito tal acusação de maneira expressa desde o momento da lavratura dos Autos de Infração, a fim de possibilitar que a Requerente e a UBR exercitassem plenamente o seu direito de defesa por meio da apresentação de uma Impugnação centrada na desqualificação desse ponto específico, o que não ocorreu. Ademais, caso a D. Fiscalização de fato entenda que UBI e UBR são uma mesma pessoa jurídica, então, sem dúvida, faz pouco sentido prático aplicar uma penalidade aduaneira de cessão de nome em função das alegações constantes do TVF, já que a utilização de nome de terceiro pressupõe, obviamente, que efetivamente exista um terceiro com relação ao importador, e não que importador e terceiro efetivamente "sejam a mesma pessoa," como parece considerar a D. Fiscalização. Por outro lado, se a D. Fiscalização realmente reconhece a personalidade jurídica das empresas, como pretende fazer crer, resta refletir sobre quais operações realizadas pela UBI seriam efetivamente respeitadas pela D. Fiscalização, na medida em que tanto as operações de importação descritas nestes autos, quanto a industrialização e venda que ensejaram as autuações discutidas nos autos do processo n° 10830.727214/201331, são efetivamente questionadas e imputadas à UBR como operações próprias desta, o que esvazia por completo o propósito e existência da UBI. Assim, parece claro que, na essência, a D. Fiscalização questiona, sim, a existência da UBI como pessoa jurídica distinta da UBR e, portanto, desconsidera sua personalidade jurídica, mas que possivelmente esconde a sua real pretensão para evitar a dificultosa discussão legal quanto à desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa com empregados, ativos e operações próprias, como é o caso da UBI. Ora, Julgadores, essa postura vacilante das DD. Autoridades Fiscais, que o argumentam apenas de acordo com a sua própria conveniência, tecendo conjecturas até o limite do que consideram útil para amparar as suas alegações, mas sem reconhecer as fragilidades de sua linha raciocínio, não deveria ser admitida, em absoluto! Desse modo, tendo em vista que o Fisco vacila em admitir que a autuação está de fato fundamentada na desconsideração da personalidade jurídica da UBI, pois apenas com essa descaracterização seria possível alegar que a UBR realizava as importações, resta patente a NULIDADE do AIIM por infração ao inciso IV do artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 (/'.e. emprego de capitulação legal incorreta para descrever a suposta infração, já que as regras de desconsideração da personalidade jurídica artigo 50 do CC e artigo 149 do CTN não foram expressamente invocadas como fundamento jurídico das autuações). Fl. 70515DF CARF MF 6 ⊙ REGULARIDADE REQUERENTE E A UBR DA APURAÇÃO DO IPI NAS OPERAÇÕES Afastadas as alegações de simulação, fraude, e confusão patrimonial, a Requerente se resguarda ao direito de discutir os critérios adotados pelo Estabelecimento Industrial na composição da base de cálculo do IPI incidente sobre as saídas que realizou em favor do Estabelecimento 0307 da empresa UBR nos autos do processo administrativo n° 10830.727214/201331, por considerar que é o foro adequado para a discussão em questão, ao invés dos presentes autos, em que não se trata da apuração de tributos relativos às vendas internas. ⊙ IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTAS DA EMPRESA SUCESSORA Transcreve trecho do Relatório de Procedimento Fiscal: item 10. esse cenário, tendo em vista que a regra geral prevista no artigo 132 do CTN estabelece que "a pessoa jurídica que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas," e que o artigo 3o do CTN estabelece que "tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa expressar, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”, temse que a sucessora não poderia ser responsabilizada pelas multas aplicadas contra a empresa sucedida, posto que tais exigências constituem sanção de ato ilícito. Junta textos da jurisprudência do Câmara Superior de Recursos Fiscais: (Ac. CSRF/0104.406, de 23.4.2003). ⊙ IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA Na remota hipótese de se admitir a manutenção do Auto de Infração ora impugnado, a Requerente pleiteia, então, seja afastada a atualização do valor do crédito tributário, em face da impossibilidade de aplicação de juros sobre multa. Transcreve trecho do Parecer MF n° 28, de 2.4.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação. Transcreve o artigo 61 da Lei 9.430/96. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Acórdão n° 10196.607, da antiga Ia Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rei. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 6.3.2008); (Acórdão n° 101 96.593, da antiga Ia Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rei. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 5.3.2008); (Acórdão n° 10196.523, da antiga Ia Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rei. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 23.1.2008; não grifado no original). Junta textos da jurisprudência do Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dessa forma, a Requerente considera ter demonstrado a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso e, tendo em vista a Fl. 70516DF CARF MF Processo nº 11829.720048/201424 Acórdão n.º 3402004.924 S3C4T2 Fl. 70.853 7 exclusão da incidência dos juros sobre os valores das multas fiscais em casos julgados pelo E. CARF, a Requerente pleiteia lhe seja dado o mesmo tratamento dispensado a outros contribuintes em situação semelhante, conforme descrito acima. ⊙ CONCLUSÃO E PEDIDO Diante de todo o exposto, deixando de lado a retórica alarmista que permeia o TVF, restou demonstrado que a estrutura operacional de segregação de atividades adotada pelo Grupo da Requerente fez com que a D. Fiscalização entendesse que as operações de importação realizadas pela UBI estariam viciadas pela ocultação da suposta real importadora UBR, sendo tal hipótese descrita como cessão de nome de pessoa jurídica para acobertamento de terceiros no comércio exterior que, por sua vez, é punível com a multa de 10% do valor aduaneiro das importações. Contudo, concluise por meio da presente Impugnação que: I. o Auto de Infração é nulo, uma vez que quase a totalidade das provas que o embasaram foram produzidas em outros autos e com finalidade diversa da que aqui se pretende; II. há outra questão prejudicial à análise do mérito que enseja a nulidade do Auto de Infração, qual seja, o fato de que o que se pretende na prática é a desconsideração da personalidade jurídica da Requerente, sem que, contudo, tenha havido menção aos fundamentos legais para tanto. Não basta a D. Fiscalização alegar que reconhece a personalidade jurídica da Requerente, em evidente tentativa de mitigar a flagrante nulidade, se suas alegações não correspondem às pretensões que demonstra ter; III. a infração cessão de nome de pessoa jurídica a terceiros, única conduta pela qual a Requerente foi acusada, não restou devidamente caracterizada, uma vez que a Requerente é a real importadora e adquirente de todas as mercadorias que importou. Além disso, não houve fraude, simulação ou interposição fraudulenta de terceiros; IV. ainda que se admita que a Requerente cometeu infração nas operações de importação discutidas nesta Impugnação, a multa destes autos deverá ser absorvida por aquela discutida no processo administrativo n° 11829.720047/201480, em atenção ao princípio da consunção; V. comprovouse a necessidade de conversão do julgamento em diligência, para a devida análise dos documentos ora juntados e esclarecimentos prestados nesta Impugnação sobre a questão fática dos autos; e VI. restou demonstrada, ainda, a impossibilidade de D. Fiscalização imputar à UBI (sociedade sucessora) responsabilidade por multas decorrentes de condutas adotadas pela UBFIPL (sociedade sucedida), pois o E. CARF não permite a cobrança de multas de Fl. 70517DF CARF MF 8 ofício por meio de Autos de Infração lavrados após a incorporação das empresas, como é o caso dos autos. Assim, a Requerente pleiteia que a presente Impugnação seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA, a fim de que seja reconhecida a insubsistência integral do Auto de Infração ora questionado, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário cobrado e arquivamento do presente processo administrativo. Subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento de V.Sas., a Requerente pleiteia seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa exigida nestes autos, já que não há previsão legal que fundamente tal atualização. Por fim, a Requerente protesta pela posterior juntada de documentos a corroborar seu direito, assim como provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer. Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/11/2009 A infração por "cessão de nome" é um sucedâneo da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros. Cessão de nome. Ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” agindo em descompasso em relação à higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a empresa, em suma, apresentou as argumentações a seguir indicadas: a) o Auto de Infração é nulo, uma vez que quase a totalidade das provas que o embasaram foram produzidas em outros autos e com finalidade diversa da que aqui se pretende; b) há outra questão prejudicial à análise do mérito que enseja a nulidade do Auto de Infração, qual seja, o fato de que o que se pretende na prática é a desconsideração da personalidade jurídica da Requerente, sem que, contudo, tenha havido menção aos fundamentos legais para tanto. Não basta a D. Fiscalização alegar que reconhece a personalidade jurídica da Requerente, em evidente tentativa de mitigar a flagrante nulidade, se suas alegações não correspondem às pretensões que demonstra ter; c) a infração cessão de nome de pessoa jurídica a terceiros, única conduta pela qual a Requerente foi acusada, não restou devidamente caracterizada, uma vez que a Requerente é a real importadora e adquirente de todas as mercadorias que importou. Além disso, não houve fraude, simulação ou interposição fraudulenta de terceiros; Fl. 70518DF CARF MF Processo nº 11829.720048/201424 Acórdão n.º 3402004.924 S3C4T2 Fl. 70.854 9 d) ainda que se admita que a Requerente cometeu infração nas operações de importação discutidas nesta Impugnação, a multa destes autos deverá ser absorvida por aquela discutida no processo administrativo n° 11829.720047/201480, em atenção ao princípio da consunção; e e) comprovouse a necessidade de conversão do julgamento em diligência, para a devida análise dos documentos ora juntados e esclarecimentos prestados nesta Impugnação sobre a questão fática dos autos; e restou demonstrada, ainda, a impossibilidade de D. Fiscalização imputar à UBI (sociedade sucessora) responsabilidade por multas decorrentes de condutas adotadas pela UBFIPL (sociedade sucedida), pois o E. CARF não permite a cobrança de multas de ofício por meio de Autos de Infração lavrados após a incorporação das empresas, como é o caso dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO Conforme Requerimento de Desistência de 24/01/2018 (fls.70.505), o contribuinte solicitou, previamente ao julgamento, desistência do presente recurso por ter ajuizado ação anulatória no poder judiciário. A desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Dessa forma, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 70519DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.902987/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Compensação.Valor pago a maior. Estimativa mensal.
Súmula CARF n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1402-002.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido.
, [Tabela de Resultados]
assinado digitalmente
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
assinado digitalmente
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido. , [Tabela de Resultados] assinado digitalmente Leonardo de Andrade Couto - Presidente. assinado digitalmente Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Compensação.Valor pago a maior. Estimativa mensal. Súmula CARF n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido. , [Tabela de Resultados] assinado digitalmente Leonardo de Andrade Couto Presidente. assinado digitalmente Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 29 87 /2 00 9- 82 Fl. 58DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A no qual inicialmente demonstra o direito a repetição de indébito nos casos em que há pagamento a maior, o que se extrai do art. 165 do CTN. Feitas essas considerações, alega que a interpretação conjunta dos arts. 51 e 74, ambos da Lei n. 9.430/96 autoriza a compensação dos pagamentos a maior dos recolhimentos realizados a título de estimativa mensal, independente da redação a ser eleita pelo Juízo para fundamentar o deferimento da compensação (redação originária do art. 74 da Lei n. 9.430/96 ou sua alteração com a Lei n. 10.637/02). Sustenta que o crédito adiantado através de estimativa mensal, corresponderia, exatamente, ao saldo negativo do tributo no final do ano calendário, para tanto anexou ao presente os documentos que demonstram a origem do crédito, através dos balancetes de suspensão e redução, e o saldo negativo que adviria na DIPJ do período caso não utilizados de tais créditos. Afirma que não se admitir a utilização desses valores seria ir de encontro ao espírito da normatização da matéria, que acarretaria em afronta aos princípios da capacidade contributiva, do nãoconfisco e do direito de propriedade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Como se depreende da leitura do relatório a controvérsia cingese na possibilidade ou não de se compensar via DCOMP os valores pagos a maior a título de estimativa mensal. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10983.902987/200982 Acórdão n.º 1402002.839 S1C4T2 Fl. 4 3 Ocorre que, diferentemente do quanto decidido pela d. DRJ, este CARF tem entendimento sumulado quanto a possibilidade de compensação de valores recolhidos a título de estimativa mensal. Consultese o quanto disposto na Súmula Carf n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mesma conclusão chegou a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais ao julgar os autos do Processo Administrativo n. 10865.720290/200851, sintetizado no acórdão n. 9101003.030, de relatoria do Conselheiro RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230. A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorála. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Pelo exposto, entendo que merece reforma a decisão proferida pela e. DRJ ao que voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido. É como voto. Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904806/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.286
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 80 6/ 20 11 -1 8 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904806/201118 Resolução nº 3402001.286 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.030, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904806/201118 Resolução nº 3402001.286 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904806/201118 Resolução nº 3402001.286 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904806/201118 Resolução nº 3402001.286 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904806/201118 Resolução nº 3402001.286 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.915540/2009-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que:
a) anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/2009-39 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos.
b) se necessário, reintime o contribuinte a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (e-fls. 79/83), juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que: a) anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/200939 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos. b) se necessário, reintime o contribuinte a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 79/83), juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 28.06.2007, fls. 30/34, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$ 74.312,32 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada do mês de julho de 2006, código nº 5993, efetuado em 29.09.2006, fl. 04. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 15 54 0/ 20 09 -2 0 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10783.915540/200920 Resolução nº 1001000.042 S1C0T1 Fl. 469 2 O julgamento foi convertido em diligência através da Resolução 180100.122 da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 79/84) para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior (no valor total de R$ 74.312,32 de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, referente ao fato gerador ocorrido em 31.07.2006, fl. 04). Entre outros comandos , foi requerido da recorrente: A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior Por bem descrever todos os fatos, transcrevo a seguir as razões daquele resolução: Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. A Recorrente foi cientificada em 19.10.2009, fls. 29, e apresentou a manifestação de inconformidade em 10.11.2009, fls. 0102, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. (...) Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.349, de 11.08.2011, fls. 3637:“ Manifestação de Inconformidade Improcedente”.”. Conta no Voto condutor: "Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito." (...) Notificada em 31.08.2011, fl. 42, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, fls. 4458, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que os atos administrativos são nulos, uma vez que houve preterição do seu direito de defesa, haja vista que a DCTF retificadora deve ser considerada para fins de compensação, porque ela tem a mesma natureza daquela originalmente apresentada e a substitui integralmente. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10783.915540/200920 Resolução nº 1001000.042 S1C0T1 Fl. 470 3 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. (...) Voto Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. (...) Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação alegado pagamento a maior no valor total de R$74.312,32 de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 29.09.2006, referente ao fato gerador ocorrido em 31.07.2006, fl. 04: 1) A autoridade preparadora deve instruir os autos com: 1.a) as cópia das DCTF, original e retificadoras, se houver; 1.b) as cópias das DIPJ, original e retificadoras, se houver. 2) A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10783.915540/200920 Resolução nº 1001000.042 S1C0T1 Fl. 471 4 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. A Unidade de Origem respondeu através do Despacho SEORT/DRF/VIT/ES nº 0777/2017 (efls. 463/464) em que aduz que a Recorrente respondeu a intimação no prazo, mas não juntou os elementos necessários ao cumprimento da Diligência impossibilitando assim a análise conclusiva em sua escrituração fiscal. A Recorrente alegou que figura como parte em outro caso (10783.917232/200939), no qual esta mesma E. Primeira Seção houve por decidir de modo favorável aos interesses da contribuinte , devendo a "r. decisão funcionar neste caso que ora se prima como prova emprestada". Transcrevo a seguir os principais relatos do Despacho SEORT/DRF/VIT/ES nº 0777/2017: "2. Em atendimento a Resolução de fls 79/83 em que nos é solicitado em Diligência a juntada de Declarações do contribuinte e para a elaboração de Relatório Fiscal após a conclusão das intimações para que o contribuinte junte escrituração completa mantida “com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior” encaminhamos resposta conforme segue abaixo. 3. Verificamos que o contribuinte foi regularmente intimado para o cumprimento da Diligência pelo Termo de intimação fiscal n. 516/2012 de 17/08/2012 fls. 441. Conforme se pode verificar no processo, o contribuinte tomou ciência por AR em 24/08/2012 fls. 442. 4. Em resposta a intimação o contribuinte atravessou a petição de fls. 445/446, e em síntese argumenta que: “Peticionante figura como parte em outro caso, em muito semelhante ao que neste se prima, estáse falando dos autos do processo administrativo autuado sob o n. 10783.917232/200939, o qual, esta mesma E. Primeira Seção, houve por decidir de modo favorável aos interesses da contribuinte no último dia 07 de agosto de 2013 (…) Portanto, em homenagem ao primado da verdade real, a r. decisão acima colacionada deve funcionar neste caso que ora se prima como prova emprestada, de maneira que o seu desfecho venha a correr no mesmo sentido daquele, ie, com o julgamento de modo favorável às colocações e perpetrações ventiladas pela contribuinte.” 5. Contudo, apesar de responder a intimação no prazo, não juntou os elementos necessários ao cumprimento da Diligência de modo a não atender a intimação impossibilitando assim a nossa análise conclusiva em sua escrituração fiscal. 6. Em tempo, informamos que paralelamente juntamos as Declarações DCTF e DIPJ às fls. 85/440 conforme solicitado. 7. Por fim, sem mais a fazer para o momento, encaminhamos o presente processo para adoção das providências sob sua alçada. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10783.915540/200920 Resolução nº 1001000.042 S1C0T1 Fl. 472 5 VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. Juntamos (efls. 468/475) cópia do acórdão 1801001.554, processo n. 10783.917232/200939, e verificamos que o crédito pleiteado do valor de IRPJ foi reconhecido com base em documentos lá anexados em sua maioria referentes ao mês de julho/2006, quais sejam: Diário, Razão, DCTF, Livro de Apuração de ICMS, Livro Razão de Receita de Venda de Mercadorias e de Custo de Mercadorias. Como nos presentes autos o Recorrente requer o reconhecimento de crédito relativo ao pagamento a maior de IRPJ ao mesmo mês (julho de 2006, efl. 04) presumo ser possível a análise do pleito do contribuinte com base nos documentos acostados n. 10783.917232/200939, como afirma a Recorrente. Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência através da qual: a) cientifique o contribuinte do teor desta resolução; b) Anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/200939 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos. c) se necessário, reintime o contribuinte, a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 79/83), juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar Relatório Fiscal sobre a procedência do crédito pleiteado, eventuais usos deste crédito e os demais fatos apurados. (Assinado digitalmente). Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 480DF CARF MF
score : 1.0
