Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.005711/2008-05
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
PEREMPÇÃO
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância. Se o recurso foi apresentado após esse prazo, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão de primeira instância já se terá tornado definitiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2802-001.274
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 10 09:00:01 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: PEREMPÇÃO O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância. Se o recurso foi apresentado após esse prazo, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão de primeira instância já se terá tornado definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10166.005711/2008-05
conteudo_id_s : 5213182
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-001.274
nome_arquivo_s : Decisao_10166005711200805.pdf
nome_relator_s : SIDNEY FERRO BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 10166005711200805_5213182.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4565544
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:02 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045188210688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.005711/200805 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.274 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente EDUARDO DE ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: PEREMPÇÃO O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância. Se o recurso foi apresentado após esse prazo, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão de primeira instância já se terá tornado definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Relator. EDITADO EM: 25/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Peço vênia para iniciar o presente com a transcrição do quanto relatado no acórdão recorrido, verbis: “Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2005, lavrado por AFRF da DRF/Brasilia/DF. O valor do credito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto Suplementar (sujeito A multa de oficio): 7.704,37 Multa de Oficio (passível de redução): 5.778,27 Juros de Mora (cálculo até 30/11/2007): 2.829,04 Imposto Suplementar (sujeito A. multa de mora): 0,00 Multa de Mora (não passível de redução): 0,00 Juros de Mora (cálculo até 30/11/2007): 0,00 Total do Crédito Tributário: 16.311,68 O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica — omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Fonte Pagadora: Secretaria de Estado de Saúde SUSAM. Valor: R$ 6.000,00 (IRRF de R$ 90,00). Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior (DERC): omissão de rendimentos recebidos de Organismo Internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura UNESCO/ONU) apurados em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais — DERC. Valor: R$ 55.173,42. O contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, que foi indeferida, cujo resultado está anexado à fl. 34. Posteriormente, em 29/04/2008, o lançamento foi impugnado, em petição de fls. 01/13, acompanhada dos documentos de fls. 14/28, na qual se alega, resumidamente, o quanto segue: que foi consultor permanente da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU junto ao Fundo Nacional de Saúde FNS do Ministério da Saúde, no período de 01/09/2000 a 21/02/2005; que, ao longo do período, realizou trabalhos e projetos de forma vinculada, efetiva, pessoal, sem interrupção, com jornada de trabalho de oito horas, recebimento de remuneração mensal e gozando de benefícios próprios dos empregados; que não omitiu rendimentos, mas considerouos isentos em consonância ao art. 30 da Lei no 7.713, de 1988, art. 5' da Lei n°4.506, de 1964, RIR/1999, Decretos nºs 52.288, de 1963, 59.308,de 1966 e 3.751 de 2001 e Portaria n° 12, de 2001 do Ministério das Relações Exteriores; que o Conselho de Contribuintes e o Poder Judiciário vêm pacificando entendimento acerca do tema, no sentido de reconhecer a isenção de IRPF sobre Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.005711/200805 Acórdão n.º 2802001.274 S2TE02 Fl. 2 3 rendimentos de servidores de Organismos Internacionais, conforme decisões transcritas e citadas; que há, ainda, manifestação da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB em Pareceres reconhecendo o direito à isenção de Imposto de Renda para funcionários de Organismos Internacionais que prestem serviços técnicos com continuidade, subordinação, onerosidade, pessoalidade e habitualidade; que, de acordo com a legislação trabalhista transcrita, seu contrato de trabalho com o Organismo deve ser considerado como de prazo indeterminado; que a Justiça do Trabalho reconheceu em sentença prolatada em 04/05/2007 a existência de vinculo empregatício entre o contribuinte e a Unesco no período compreendido entre 01/09/2000 a 21/02/2005, determinando que o Organismo fizesse a anotação na CTPS (processo nº 00834200600610002 – 6ª Vara do Trabalho de Brasília); que, ante o exposto, requer seja julgada procedente a impugnação para o fim de declarar a insubsistência do lançamento de oficio.” A decisão recorrida, contudo, declarou improcedente a impugnação. Salientou, de início, que a infração de omissão de rendimentos recebidos da Secretaria de Estado de Saúde SUSAN não foi mencionada na impugnação do autuado, mas, como ao final ele solicitou o cancelamento da Notificação, não seria possível classificar a matéria como não litigiosa. Assim, diante da falta de provas em contrário, foi mantida integralmente a infração. Quanto ao mais, o ilustre Relator do acórdão recorrido concluiu que: “Temse, então, que os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Unesco não gozam de isenção do Imposto de Renda por falta de previsão legal e estão sujeitos a tributação mensal sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê leão) no mês do recolhimento, sem prejuízo do ajuste anual.” À fl. 62 se vê o recurso voluntário, por meio do qual o contribuinte salienta não discordar do lançamento relativo à SUSAN, restringindo seu apelo apenas ao tema UNESCO. Pondera que a comprovação pela justiça trabalhista da existência de vinculo empregatício do Recorrente com a UNESCO pode não caracterizar simultaneidade entre as esferas administrativas e judicial, mas reforça o fato de que o recorrente não era um mero consultor com contrato temporário, mas um funcionário efetivo, que regido pelas normas trabalhistas (CLT) desempenhava um trabalho constante, com regularidade e assiduidade até o seu pedido de desligamento da UNESCO. Afirma que a Justiça Trabalhista não determinou à UNESCO que o Recorrente deveria ser incluído na lista prevista na IN SRF n° 208/2002 pois a inclusão nesta lista não é um direito trabalhista e nem prerrogativa para reconhecimento de vinculo empregatício. Encerra salientando que estes são seus pontos de discordância quanto ao lançamento mantido: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 a) não houve omissão do recorrente dos rendimentos recebidos de fontes no exterior; b) o Recorrente goza de imunidade com base no art.5° da Lei 4.506/64; c) o Recorrente teve reconhecido o vinculo empregatício com a UNESCO junto A Justiça trabalhista pelo período de 01/09/2000 a 21/02/2005, o que o enquadra, em razão de ser funcionário em sentido amplo da UNESCO, na isenção estabelecida legalmente para "servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção" (art. 23 do RIR, Decreto n° 1.041/94); Anexa a seu apelo Sentença da 6ª Vara do Trabalho de Brasília do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região do processo n° 000834200600610002 e Acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região do processo n° 00834200600610002RO. É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros, Relator. O recurso é extemporâneo, dele não conheço. Tendo sido cientificado do teor do acórdão de primeira instância em 15.12.2009, conforme Aviso de Recebimento de fl. 77, deveria ter apresentado seu apelo até o dia 14.01.2010, mas o fez somente em 15.01.2010 (conforme carimbo da DRF Brasília aposto à fl. 62). Assim, deixou de observar o prazo legal estatuído no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, o que impede seja o apelo conhecido. É o meu voto. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 19 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000297/2007-45
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO.
NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU
NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE
INAPTIDÃO.
Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas.
Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do
efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO
CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO.
O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE
FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
PERÍCIA TÉCNICA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinam-se à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE
RECURSAL. CARÊNCIA.
Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal.
DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC.
APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no
âmbito do CARF (Resp 1.148.444).
Numero da decisão: 3803-003.334
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato. Vencido o relator e o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa..
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 11 09:00:10 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinam-se à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444).
numero_processo_s : 15940.000297/2007-45
conteudo_id_s : 6788848
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3803-003.334
nome_arquivo_s : 380303334_15940000297200745_201207.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 15940000297200745_6788848.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato. Vencido o relator e o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa..
dt_sessao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4575975
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:07 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045195550720
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-21T12:35:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-21T12:35:39Z; Last-Modified: 2014-07-21T12:35:39Z; dcterms:modified: 2014-07-21T12:35:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:4bf2c2a3-562e-475a-b0a7-fd85722eabc5; Last-Save-Date: 2014-07-21T12:35:39Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-21T12:35:39Z; meta:save-date: 2014-07-21T12:35:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-21T12:35:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-21T12:35:39Z; created: 2014-07-21T12:35:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2014-07-21T12:35:39Z; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-21T12:35:39Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 2 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15940.000297/200745 Recurso nº 938.228 Voluntário Acórdão nº 3803003.334 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de julho de 2012 Matéria RESSARCIMENTO PIS/PASEP Recorrente VITAPELLI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinamse à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato. Vencido o relator e o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório VITAPELLI LTDA. formulou Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor de Contribuição para o PIS/Pasep, relativo a receita de exportações, apurado no regime de incidência não cumulativa, no valor de R$ 974.023,52, referente ao período de apuração de 01/04/2007 a 30/06/2007, cumulandoo com Declaração de Compensação (DComp) desse direito creditório com diversos tributos. A DRF/Presidente PrudenteSP deferiu parcialmente a solicitação da contribuinte, autorizando o ressarcimento de R$ 880.992,05 e homologando compensações até esse limite. Segundo o Termo de Verificação Fiscal constante dos autos (fls. 1.545 a 1.578), o deferimento parcial do pedido foi devido à: a) inclusão na base de cálculo de valores relativos à venda de ativo imobilizado e ao valor do Crédito Presumido Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 3 3 do Imposto sobre Produtos Industrializados (CPIPI) aproveitado; b) apuração de créditos referentes a compras de matérias primas de empresas com situação cadastral irregular, como empresa inexistente de fato, inativa, não cadastrada na Secretaria de Fazenda estadual, omissa na entrega das declarações etc.; c) apuração de créditos referentes a pagamentos feitos a sócios e a gastos com benfeitorias realizadas em seus imóveis. Sobreveio reclamação, por meio da qual se alega, em resumo, que o valor do crédito presumido de IPI não é de receita, mas recuperação de custos, não sendo tributado pelas contribuições sociais de que se trata, conforme julgados que transcreve. Quanto às glosas das aquisições a pessoas jurídicas irregulares, alega que as operações de compras foram comprovadas, conforme documentos que demonstram o pagamento e o recebimento das mercadorias. Argúi que a Instrução Normativa nº 200, de 13 de setembro de 2002, em seu art. 43, dispõe que os documentos emitidos por sociedade tida como inapta somente são considerados inidôneos a partir da publicação do ato que declarou a inaptidão e que a maioria das declarações de inaptidão ocorreram a partir de dezembro de 2007, ou seja, posteriormente à realização das operações glosadas. Acrescenta que o art. 82 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe que os documentos emitidos por sociedades inaptas produzem efeitos para terceiros desde que a operação seja comprovada, e que o Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) vêm decidindo nesse sentido, conforme ementas de julgados que transcreve. Dizse terceiro de boafé. Explica que pesquisou a regularidade dos fornecedores nos sítios da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e da Fazenda estadual antes de realizar as operações e que, à época das operações, as sociedades estavam devidamente habilitadas, conforme cópias das telas do sítio da Receita Federal e do sistema Sintegra da Fazenda estadual, que anexa, não cabendo ao contribuinte provar a existência e a regularidade dos emitentes das notas fiscais, de acordo com decisões do STJ que transcreve. Anexa cópias dos depósitos bancários, tickets de pesagem, RPAs e planilha, onde vincula os dados das notas fiscais glosadas com os respectivos comprovantes bancários, para comprovar a regularidade das operações. Argúi ainda que a Fiscalização não procurou certificar o efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao princípio da verdade material. Argumenta também que o crédito ressarcido deveria sofrer correção monetária, com a aplicação dos juros equivalentes à taxa do Selic ao valor deferido, em obediência ao princípio da isonomia para com a Fazenda Pública, que os cobra nos casos de inadimplência e acresce de juros moratórios as restituições de pagamentos indevidos, nos dois casos com juros do Selic. Transcreve julgados nesse sentido. Por fim, requer diligência e perícia, formulando quesitos. A 4ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente . O Acórdão nº 14036.053, de 12 de dezembro de 201, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 EMPRESA INAPTA. DOCUMENTOS. VALIDADE. Documentos fiscais emitidos por empresa inapta somente produzem efeitos tributários para terceiros quando a empresa beneficiária dos documentos prove a existência e a legitimidade das operações. FORNECEDORES. PAGAMENTOS A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. GLOSA. Glosase o crédito referente ao PIS/Cofins nãocumulativo oriundo de compras cujo pagamento foi repassado a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a beneficiária do crédito. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da Cofins e do PIS na sistemática nãocumulativa de apuração dessas contribuições. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa do Selic a valores objeto de ressarcimento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso contra a de cisão da DRJ/RPO4ª Turma. O arrazoado de fls. s/nº, após síntese dos fatos relacionados à lide e protesto de tempestividade, controverte a inclusão, na base de cálculo da Contribuição, do valor do CPIPI, as glosas dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas a sociedades inaptas e dos recebidos em cessão de terceiros e o direito à correção do valor do ressarcimento pelo abono de juros calculados pela taxa Selic, esgrimindo os mesmos argumentos já defendidos na Manifestação de Inconformidade. Pede provimento para o efeito de autorizarse o ressarcimento dos valores glosados. É o Relatório. Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 4 5 Voto Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Conselheiro Alexandre Kern, Relator O valor da matéria recorrida monta a R$ 93.031,47, que se conforma à alçada desta Turma Especial, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Presentes os demais pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO4ª Turma nº 14036.053, de 12 de dezembro de 201. Matéria litigiosa A matéria devolvida a esta instância recursal cingese nas questões relacionadas com a inclusão dos valores aproveitados a título de Crédito Presumido de IPI na base de cálculo das Contribuições Sociais não cumulativas, com a glosa dos créditos por aquisições de insumos a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais, entre eles, os relacionados a pagamentos efetuados a terceiros, não fornecedores, por cessão de crédito, e com o direito à correção monetário do valor do ressarcimento. Tributação pelas contribuições sociais dos valores aproveitados a título de Crédito Presumido de IPI Apesar de o recorrente insistir na exclusão do Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, da base de cálculo da Contribuição para o Plano de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, desde 01/02/2004, quando entrou em vigor a sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, passou a ser vedado aos contribuintes dessa contribuição e do PIS nãocumulativo o direito à fruição do referido benefício, nos termos dos arts. 14, 93, inc. I, e 94, inc. VI, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: "Art. 14. O disposto nas Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de .setembro de .2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2° e 3º da Lei nº 10 637, de 30 de dezembro de 2002. A vedação é lógica, já que, na sistemática não cumulativa de apuração, há previsão legal de ressarcimento da contribuição incidente na cadeia produtiva de produtos exportados. Admitir a exclusão da tributação de valores indevidamente aproveitados a titulo de ressarcimento de CPIPI implicaria duplo ressarcimento e enriquecimento sem causa, repugnado pelo ordenamento jurídico. Carente de sentido, a controvérsia surpreendeume. Compulsando os autos, na planilha de cálculo anexa à Informação SAFIS nº 37/2008, fls. 1.535, constatei que não houve qualquer acréscimo a esse título na base de cálculo da contribuição. Concluo, assim, que o ajuste referente à inclusão do CPIPI na base de cálculo não diz respeito ao período de apuração de interesse, razão pela qual a controvérsia não será conhecida. Créditos por aquisições a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais Consta dos autos, no Termo de Verificação Fiscal, abrangendo o período do 4º trimestre de 2002 ao 2º trimestre de 2007, que Vitapelli Ltda. adquiriu de fornecedores matéria prima (couro verde) a ser utilizada no processo de fabricação. A Fiscalização, após Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 5 7 análise das notas fiscais de compras e pesquisas aos sistemas corporativos da Receita Federal, bem como do SINTEGRA (sistema cadastral do fisco estadual de São Paulo), e mesmo na INTERNET, constatou que parte dos fornecedores encontravamse em situação cadastral irregular por inexistência de fato, inatividade, omissão na entrega de declarações, não habilitação no sistema cadastral da secretaria de fazenda estadual (não habilitada no Sintegra) etc. A partir dessa constatação, realizaramse diligências nesses fornecedores, verificandose que a maioria deles era inexistente de fato, posto que não se localizavam nos endereços informados como sendo seu domicílio tributário no cadastro do CNPJ: São eles: Razão Social CNPJ Alexandra Nagle G dos Reis Rodrigues 05.542.612/000120 Arkima Comercial Ltda 02.938.228/000403 Carlos Roberto de Domenicis ME 03.583.719/000190 Card Alimentos Ltda 02.987.722/000107 Comércio de Couros Marapoana Ltda 05.212.284/000101 Comercial de Alimentos Sta Gertrudes Ltda 04.520.483/000106 Comercial St Paul Ltda 05.316.373/000190 Copelco Componentes para Calçados Ltda 07.587.770/000121 Frigoan Frigorífico Alta Noroeste Ltda 70.435.383/000297 Frigorífico Paulicéia Ltda 00.311.706/000174 Geil Comércio de Couros Ltda 05.446.089/000138 HFS Lima Indústria e Comércio 04.455.657/000102 Jadluc Indústria e Comércio de Couros 03.595.910/000152 Ki Belo Prod. E Equip. Identif. Animal Ltda 05.553.811/000133 Latino Comércio de Couros Ltda 06.344.078/000100 Maríabi Agro Comercial Ltda 05.724.387/000142 Marina Vieira da Silva Piracaia 02.424.668/000191 Max Com. de Couros Rio Preto Ltda 06.272.377/000186 Montana Comércio de Óleos Ltda 06.198.938/000144 M J Aragão Cruz ME 00.432.430/000182 Paraíso Com. Componentes p/Calçados Ltda 07.301.184/000179 Pro Boi Comércio Imp. Export.Ltda 71.226.856/000128 RD de Pádua Com de Couros Ltda – ME 07.907.944/000196 Santos Soares Dias 02.200.033/000100 Silva de Porciúncula Com de Couros Ltda – ME 07.340.773/000166 Trajano Comércio de Óleos Ltda 06.341.411/000127 WG Couros Ltda 04.461.371/000121 Tabela 1: Pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato Como consequência, glosaramse todos os créditos referentes às aquisições a esses fornecedores. Glosaramse também os créditos referentes às aquisições de pessoas jurídicas que haviam sido objeto de representação da Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente) da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo. Os créditos glosados referemse a operações posteriores à data em que as representadas ingressaram na situação cadastral que ensejou a representação. São elas: Razão Social CNPJ Motivo da representação Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA. 02.987.722/000107 Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais, concluindose pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002e diligência à referida empresa Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda 04.842.983/000164 inidoneidade de documentos fiscais posto que a pessoa jurídica estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999, não estando autorizada a emitir notas fiscais a partir dessa data Agro indústria Bélica 03.061.815/000179 Não localizada desde 01/06/2003 Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Razão Social CNPJ Motivo da representação Geraido Jailton Coimbra 04.058.064/000102 Inexistência de Fato desde 10/10/2000, Falsificação de documentos fiscais e "AIDF" de outro Comercial Frigonelli Ltda 03.739.574/000174 Emissão d e Notas Fiscais após a cessação das atividades, "não habilitada" no Sintegra desde 31/03/2006, não estando autorizada a emitir notas fiscais a partir dessa data Cobepel Comércio e Beneficiamento de Couros e Peles 04.816.083/000142 Inidônea desde 05/05/2006 por falsificação de documentos fiscais e uso de talonário paralelo Itaquacouros Comércio de Couros Ltda 07.188.806/000102 Inexistência de fato desde 10/02/2005 Evair A FerrareseEPP 06.297.301/000105 Simulação da existência do estabelecimento desde a data da pretensa constituição Comercial de Couros Celeste 06.859.837/0001 –77 Simulação da existência do estabelecimento e transporte por veículos de passeio desde a data da pretensa constituição Arlindo Moreira Campos Couros 06.967.685/000126 Inexistência de fato desde a data da pretensa constituição da pessoa jurídica. Tabela 2: Pessoas jurídicas fornecedoras inaptas no cadastro da Fazenda Estadual – Representação da DRT10/SP A Fiscalização ainda glosou os créditos referentes às aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas não habilitadas no sistema Sintegra e que, portanto, não estavam autorizadas a emitir documentos fiscais. As glosas operaramse a partir da data da entrada na situação “não habilitada”. São elas Razão Social CNPJ Data de referência Comercial de Produtos de Limpeza Crisóstomo Ltda 03.959.535/000182 Nunca teve inscrição Couro Norte Comércio e Distribuidora Ltda EPP 03.733.358/000111 30/09/2002 Frigoneto Ltda 16.676.348/000133 05/08/2006 M O A Comércio Atacadista de Couros Ltda 08.032.036/000169 19/06/2006 Nelore Couros Ltda 03.887.315/000190 01/08/2003 (omissão não localizada) Nunes Pinheiro Comércio de Celulares Ltda 05.748.461/000160 Nuca teve inscrição Pacol Paraíba Couros Comércio Ltda 08.369.171/000102 17/05/2007 Rubenaldo A Silva 05.010.536/000101 16/09/2003 Tabela 3: Pessoas jurídicas fornecedoras não habilitadas para a emissão de documentos fiscais pelo Fisco Estadual (sem habilitação no Sistema SINTEGRA) O recorrente objeta, alegando que documentos acostado aos autos comprovariam a efetividade das operações de compras, bem como o recebimento das mercadorias, o que se pode aferir pelos RPA's, Tickets de Pesagem e também os comprovantes de pagamento e planilhas vinculando os mesmos às respectivas notas fiscais. Lança mão de jurisprudência administrativa e judicial que entende ampararlhe, especialmente no tocante à modulação dos efeitos da declaração de inidoneidade no tempo e nos casos de adquirentes de boafé. Ainda, invoca a INSRF nº 200, de 2002, para tachar de nulos os procedimentos de declaração de inaptidão dos fornecedores, por desobedecimento de suas prescrições. Refuta as conclusões da Fiscalização a respeito da inexistência de fato, contrapondoas com as próprias operações descaracterizadas, que teriam efetivamente ocorrido. Entende que a Fiscalização foi desidiosa, não diligenciando a busca da verdade material. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19931 e no art. 822 da Lei 1 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 6 9 nº 9430, de 1996, diploma que instituiu também (art. 813) a Declaração de Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/04/2007 a 30/06/2007, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007, referida pela Fiscalização e pela decisão recorrida), que, em sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha: IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 2 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 3 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente idôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 7 11 dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Quanto à modulação temporal objetada pelo recorrente, frisese que, de no caso de créditos por compras de matériaprima a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Quanto às glosas de créditos por compras apoiadas em documentação fiscal emitida por fornecedores com inidoneidade declarada por outros motivos, com efeitos ex nunc, a insurgência do recorrente é abstrata, sem indicar precisamente em que casos o marco temporal dos efeitos da declaração teria sido violado. Ao contrário, analisando diversos recursos sobre a mesma matéria de interesse do mesmo contribuinte, percebi que a decisão recorrida foi ciosa e reverteu a glosa dos créditos por aquisições de couro a Ki Belo Couro Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 12 Comercial Ltda., único caso em que não se observou o termo inicial dos efeitos da declaração de inaptidão. O Recorrente refuta ainda a conclusão a que chegou a Fiscalização quanto à inexistência de fato dos fornecedores. Consta dos TVF que a Fiscalização foi aos domicílios fiscais registrados no CNPJ e lá constatou que as pessoas jurídicas listadas na Tabela 1 (acima) não existiam de fato. Providenciou também a circularização expedientes às secretarias de fazenda de diversos estados e municípios e requereu diligências a repartições fiscais em outras Regiões Fiscais, pela qual constatou que as pessoas jurídicas arroladas na Tabela 2 e na Tabela 3, ou eram declaradas inaptas pelo Fisco Estadual, ou não estavam autorizadas a emitir documentação fiscal. As providências adotas pela Fiscalização são plenamente suficientes e hábeis para as conclusões a que se chegou. Nesse ponto, não se fale em exigência de que a Fiscalização diligencie a produção da prova que tocaria ao interessado produzir. Tratandose de ressarcimento de créditos, causa de exclusão do crédito tributário, o pleito é instruído por requerimento expresso, com o qual o interessado deve fazer prova das condições e dos cumprimentos das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a sua concessão. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admite "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 8 13 versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito de ressarcimento seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do crédito que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Nesse passo, indefiro o pedido de perícia. Notese que, em vez de opor objeções genéricas e vazias, o interessado, ora recorrente, poderia afastar os efeitos da inidoneidade dos documentos, fazendo a prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento das mercadorias. Entretanto, não há nos autos documentos que comprovem a efetiva entrada das mercadorias na empresa. As cópias de tickets de pesagem e recibos de pagamentos a autônomos (RPA’s), sem respaldo na escrituração contábil fiscal, não são hábeis para comprovar a entrada das mercadorias. Nada a reparar no procedimento fiscal e na decisão recorrida quanto a esta matéria. Pagamentos feitos a terceiros em razão de cessão de crédito do fornecedor Conforme já relatado, no curso da ação fiscal, a Fiscalização analisou os pagamentos amparados em notas fiscais emitidas por sociedades constatadas como inexistentes de fato. Apurouse então que vários desses pagamentos foram feitos a terceiras pessoas, alegadamente, mediante autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Intimados os fornecedores, pretensos cedentes do crédito, a confirmar a operação, nenhum se manifestou. Os beneficiários desses pagamentos – pretensos cessionários de outra banda, não reconheceram qualquer relação comercial com o cedente, nem com o ora recorrente, razão pela qual as operações comerciais subjacentes às notas fiscais foram descaracterizadas e os créditos respectivos, glosados. Consta dos autos, por exemplo, a informação que os fornecedores Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda. e Pro Boi Comércio Importação e Exportação Ltda., entre outros, cujas compras foram glosadas, foram intimados a informar se mantiveram relações comerciais com a Vitapelli, mas não houve resposta, provavelmente porque boa parte se trata de pessoa jurídica inexistente de fato. Essa conclusão acabou corroborada pelo fato de inúmeros pagamentos, em vez de ao fornecedor, terem sido efetuados a terceiras pessoas, sem autorização daquele. Nada obstante, a insurgência recursal contra essa glosa não será conhecida. É que, de acordo com o TVF, a glosa em questão referese ao período de apuração de dezembro de 2002, em que foi lavrado Auto de Infração, com a finalidade de constituir o crédito tributário. Para o período de interesse, referente a 01/04/2007 a 30/06/2007, não consta ter ocorrido a referida glosa. Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 14 Abono de juros ao valor do ressarcimento A matéria prescinde de maiores digressões, pois a pretensão do recorrente – correção do ressarcimento pela incidência da taxa SELIC – encontrase cabal e expressamente vedada pela legislação de regência (art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável também ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa pela norma de extensão do inc. VI do art. 15): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Relator Em resumo, as matérias controversas presentes no recurso voluntário são: 1) tributação pelas contribuições sociais dos valores aproveitados a título de crédito presumido de IPI; 2) créditos por aquisições a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais; 3) pagamentos feitos a terceiros em razão de cessão de crédito do fornecedor; e 4) abono de juros sobre valor do ressarcimento. Não foram conhecidas as matérias referentes aos itens “1” e “3”, por impertinentes ao período de apuração em apreço. Esta Turma não reconhece existir direito ao abono de juros sobre o ressarcimento. Portanto, o voto do i. Relator foi acompanhado, à unanimidade, quanto ao item “4”. Quanto ao crédito por aquisições a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais, segundo ao item “2”, acima, a abordagem do voto do d. Relator fez três análises envolvendo situações fáticas distintas, quais sejam: a) pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato; b) pessoas jurídicas fornecedoras inaptas no cadastro da Fazenda Estadual – Representação da Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente) da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo; Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 9 15 c) pessoas jurídicas fornecedoras não habilitadas para a emissão de documentos fiscais pelo Fisco Estadual (sem habilitação no Sistema SINTEGRA). No que tange ao fato tratado segundo a letra “b”, acima, foi unânime a convergência com voto proposto, tendo sido mantidas as glosas dos créditos por se referirem “a operações posteriores à data em que as representadas ingressaram na situação cadastral que ensejou a representação”. A Turma também acompanhou a proposta de voto quanto ao item “c”, para manter as glosas relativamente aos “créditos referentes às aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas não habilitadas no sistema Sintegra e que, portanto, não estavam autorizadas a emitir documentos fiscais. As glosas operaramse a partir da data da entrada na situação “não habilitada”.” A divergência foi aberta no tocante ao item “a”, no ponto em que o n. Relator maneja os fundamentos da inaptidão da inscrição no CNPJ de diversos fornecedores da Recorrente, listados neste tópico, capitulandoa como inexistente de fato, segundo a regulamentação trazida pelo art. 34 da IN RFB nº 568, de 2005, para, a partir desse enquadramento, aplicar o efeito temporal tributário da inidoneidade das notas fiscais de aquisições de matériasprimas (couro) por elas emitidas, e geradoras de créditos em favor da Recorrente, desde a constituição dessas pessoas jurídicas, verbis: Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Para sustentar este fundamento serviuse o nobre relator do que já fora consignado na ação fiscal, e mantido pela decisão recorrida Compulsandose o Termo de Verificação Fiscal, vêse que foi empreendida uma abrangente ação fiscal, cuidadosa em toda a sua extensão, com a ressalva que ora se faz Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 16 apenas a um ponto, qual seja, à análise e conclusão a que chegou a diligente Fiscalização quanto a nunca terem existido as pessoas jurídicas indicadas. Em todo o texto que cuida dessa análise, conforme o transcrito abaixo, pode se perceber que não há elementos suficientes para que esta conclusão restasse consignada. Informa o teor do TVF que as cessões de crédito foram autorizadas pelos fornecedores, as pessoas destinatárias foram localizadas, e a única pergunta feita a esses destinatários é impertinente e, por si, insuficiente para descaracterizar a existência do fornecimento das matériasprimas, muito menos para atribuir inexistência a estes fornecedores desde a sua origem como pessoas jurídicas: No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato continuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais.[grifo nosso]. Não foi visto nos autos elementos hábeis para caracterização dessas pessoas jurídicas como inexistentes de fato, sobretudo desde a sua constituição, senão tão só o sumário enquadramento feito pela Fiscalização. Sem base, pois, a afirmação no TVF de que tais pessoas jurídicas nunca existiram, para o fim de enquadrar os efeitos temporais da inidoneidade dos documentos no § 3º, III, do art. 48, IN RFB nº 568, de 2005: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. [...] § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 10 17 III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; [...]. Por essa razão, direciono este voto vencedor no sentido de aplicar o art. 48, § 3º, I, letra “b”, da mesma Instrução Normativa, que preceitua o início dos efeitos da inidoneidade dos documentos emitidos pelos fornecedores dessa lista a partir da data da publicação do ADE de inaptidão, no mesmo diapasão das demais glosas mantidas na proposta de voto. Por outro flanco, este direcionamento está alinhado com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, segundo o acórdão no Resp 1.148.444, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime da sistemática do art. 543C e representativo de controvérsia, uma vez que a instrução dos autos não se desincumbiu de elidir as aquisições como de boafé, frente ao ateste da própria Fiscalização de que as cessões de crédito dos fornecedores para terceiros foram por aqueles autorizadas, embora ante a resposta também destes, ao questionamento posto, de que não travaram relações comerciais com esta Recorrente, circunstância irrelevante para desfigurar a ocorrência dos fornecimentos de matériasprimas para a VITAPELLI. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento para considerar o efeito da inidoneidade de documentos fiscais originadores de créditos emitidos pelas pessoas jurídicas declaradas inidôneas, com fundamento na inexistência de fato, nas circunstâncias presentes, a partir da publicação do Ato Declaratório Executivo. Sala da sessões, 19 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 18 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE INTIMAÇÃO Processo nº: 15940.000297/200745 Interessada: VITAPELLI LTDA. Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no Acórdão no 3803003.334, de 19 de julho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília DF, em 19 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000297/200745 Acórdão n.º 3803003.334 S3TE03 Fl. 11 19 Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000537/2005-12
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.217
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 11 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200609
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10909.000537/2005-12
anomes_publicacao_s : 200609
conteudo_id_s : 6755640
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 303-01.217
nome_arquivo_s : 30301217_10909000537200512_200609.pdf
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : MARCIEL EDER COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10909000537200512_6755640.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2006
id : 4625792
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:24 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; xmp:CreatorTool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-04-02T19:38:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:docinfo:creator_tool: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: false; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-04-02T19:38:35Z; created: 2013-04-02T19:38:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2013-04-02T19:38:35Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Xerox WorkCentre 5755; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Xerox WorkCentre 5755; pdf:docinfo:created: 2013-04-02T19:38:35Z | Conteúdo =>
_version_ : 1761290045204987904
score : 1.0
Numero do processo: 11065.912113/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/04/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO.
REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e
objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de
ato administrativo regularmente proferido.
A omissão a dar azo a embargos de declaração é a que ocorre relativamente a ponto sobre o qual o Colegiado deveria, obrigatoriamente, manifestar-se.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO.
INOCORRÊNCIA
A contradição que justifica seu saneamento pela via dos declaratórios é a da decisão para com os seus fundamentos.
Inexiste contradição no decisum embargado, que ao tempo em que declara a preclusão temporal do direito de produção de provas, nega provimento ao recurso justamente pela falta de liquidez e certeza do direito creditório oposto em compensação.
Embargos de Declaração Rejeitados
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-002.931
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração do contribuinte, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 18 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201205
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão-somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de ato administrativo regularmente proferido. A omissão a dar azo a embargos de declaração é a que ocorre relativamente a ponto sobre o qual o Colegiado deveria, obrigatoriamente, manifestar-se. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA A contradição que justifica seu saneamento pela via dos declaratórios é a da decisão para com os seus fundamentos. Inexiste contradição no decisum embargado, que ao tempo em que declara a preclusão temporal do direito de produção de provas, nega provimento ao recurso justamente pela falta de liquidez e certeza do direito creditório oposto em compensação. Embargos de Declaração Rejeitados Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11065.912113/2009-68
conteudo_id_s : 6771152
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3803-002.931
nome_arquivo_s : 380302931_11065912113200968_201205.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 11065912113200968_6771152.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração do contribuinte, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4863628
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:31:00 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045212327936
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-10T14:10:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-12-10T14:10:58Z; Last-Modified: 2019-12-10T14:10:58Z; dcterms:modified: 2019-12-10T14:10:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ca9e8c63-c35c-4fa1-b23d-74f9e272f94d; Last-Save-Date: 2019-12-10T14:10:58Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-10T14:10:58Z; meta:save-date: 2019-12-10T14:10:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-10T14:10:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-12-10T14:10:58Z; created: 2019-12-10T14:10:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-12-10T14:10:58Z; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-12-10T14:10:58Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 2 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.912113/200968 Recurso nº 900.236 Embargos Acórdão nº 380302.931 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de maio de 2012 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente CALÇADOS QSONHO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tãosomente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado, não podendo, por isso, ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de ato administrativo regularmente proferido. A omissão a dar azo a embargos de declaração é a que ocorre relativamente a ponto sobre o qual o Colegiado deveria, obrigatoriamente, manifestarse. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA A contradição que justifica seu saneamento pela via dos declaratórios é a da decisão para com os seus fundamentos. Inexiste contradição no decisum embargado, que ao tempo em que declara a preclusão temporal do direito de produção de provas, nega provimento ao recurso justamente pela falta de liquidez e certeza do direito creditório oposto em compensação. Embargos de Declaração Rejeitados Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração do contribuinte, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira , Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório CALCADOS QSONHO LTDA. transmitiu, em 14/12/2005, a Declaração de Compensação (Dcomp) nº 04452.54283.141205.1.3.048028 fls. 21 a 26, visando a extinguir débitos próprios com direito creditório advindo de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para a Seguridade Social Cofins, recolhido em 15/04/2005, no valor de R$ 6.029,47. O Despacho Decisório da fl. 1 não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada porque o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior teve seu valor integralmente aproveitado na amortização de crédito tributário referente ao mês de março de 2005, declarado pela empresa em DCTF. Sobreveio reclamação, fls. 2 a 7, por meio da qual o requerente alega: a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, no ano de 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período de 01/03/2005 a 31/03/2005; c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico aplicado pela Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Transcreve ainda acórdãos do Conselho de Contribuintes, que autorizaram a revisão de valores quando constatado erro de fato e apresenta como comprovação de suas alegações planilha de apuração do PIS/Cofins, DCTF retificadora e o Livro Razão de 2005 com a contabilização dos indébitos e da compensação realizada. A DRJ/POA2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente porque o reclamante não indicou a origem do erro na apuração da contribuição, nem mesmo juntou qualquer prova que confirmasse o novo valor indicado. O Acórdão nº 1028.017 de 28 de outubro de 2010, fls. 39 e 40, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para a Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11065.912113/200968 Acórdão n.º 380302.931 S3TE03 Fl. 3 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Insatisfeito com o resultado do julgamento administrativo de primeira instância, o requerente interpôs recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 43 a 53, após síntese dos fatos relacionados com a lide, explicou que, em outubro de 2005, o contribuinte efetuou revisão nos seus cálculos tributários, ajustando a base de cálculo das contribuições sociais em face da indevida tributação da receita de exportação da sociedade, utilizandose um saldo credor do período de apuração 02/2005 (objeto do processo nº 11065.912114/200911), tendo registrado e reconhecido o pagamento a maior em sua contabilidade, mediante lançamento no ativo circulante com contrapartida no resultado. Acrescentou que, como essa situação se repetiu em várias competências, optou por registrar todos os pagamentos a maior a titulo de PIS e COFINS efetuados entre novembro/2000 a novembro/2004 de uma só vez, motivo pelo qual o registro contábil se deu no valor de R$ 65.018,80, sendo R$ 12.960,62 de pagamentos a maior de PIS e R$ 52.058,18 de pagamentos a maior de Cofins. Na continuação, invocou o art. 147 do CTN, para insistir na possibilidade de retificação da DCTF. Afirma que o erro de fato no preenchimento da DCTF não pode afetar o seu direito. Pede a correção de ofício da DCTF, nos moldes do art. 149do CTN. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Invoca o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido, decorrente da indevida tributação da receita de exportação da sociedade, utilizandose um saldo credor do período de apuração 02/2005 (objeto do processo nº 11065.912114/200911), não havendo motivos para ser negada a existência daquele crédito e do procedimento compensatório adotado. Discorreu sobre os efeitos das declarações entregues ao Fisco. Concluiu, requerendo: i) Reconhecimento em favor da recorrente o crédito oposto na compensação; ii) Homologação da compensação declarada até o limite do crédito existente; iii) Alternativamente, a baixa em diligência do processo, para que a autoridade preparadora confirme a veracidade das informações prestadas e a existência dos créditos pleiteados. Pediu deferimento. Esta 3ª Turma Especial, em sessão de 7 de novembro de 2011, negou provimento ao recurso. O Acórdão nº 380302.176 fls. 73 a 76 teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2005 PRECLUSÃO Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN 4 É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/04/2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente intimada do resultado do julgamento de seu recurso voluntário, o contribuinte interpôs os Embargos de Declaração de fls. s/nº, invocando o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF e acusando a ocorrência de contradição no Acórdão nº 380302.176, na medida em que teria julgou precluído o direito de produção de provas e, ao mesmo tempo, negou provimento ao recurso por falta de provas. Discorre sobre a dilação probatória no processo administrativo fiscal federal. Pede que se analisem as provas e o mérito de seu pedido. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 380302.176, de 7 de novembro de 2011. A propósito, recorro à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos1 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. O autor sublinha que a contradição verificase “...quando o julgado apresenta proposições entre si irreconciliáveis.” Humberto Theodoro Junior2 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, 1 SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 1998. v3: 17ª ed. rev. e atual. por Aricê Moacyr Amaral Santos. 2 THEODORO JUNIOR. Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 41ª ed. Rio de Janeiro: Ed.Forense. 2004. p. 560 e ss Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11065.912113/200968 Acórdão n.º 380302.931 S3TE03 Fl. 4 5 sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” (Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32346) De pronto destaco não existir qualquer contradição entre o decidido pelo Acórdão embargado e seus fundamentos. Com efeito, a decisão embargada foi coerente ao negar provimento ao recurso, sob o fundamento de que havia precluído o direito de produção de provas na fase recursal do procedimento e de que inexistiam provas suficientes para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação. A título de esclarecimentos ao embargante, saiba que a produção probatória, no PAF, já há 40 anos, obedece o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19723, que, em seu §4º, assim estatui: § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Sem a cabal demonstração de que tivesse ocorrido alguma das hipóteses das alíneas “a” a “c”, acima, as provas aportadas aos autos somente na fase recursal não mereceram conhecimento. Tal fato, absolutamente, não se coloca em contradição com a negativa de provimento por falta de provas. Ao contrário, tratase de decorrência lógica. Não conhecidas as provas intempestivamente apresentadas, e na ausência de outras que atestassem a liquidez e a certeza do direito creditório oposto em compensação, a pretensão do requerente não poderia ter outro destino. 3 Saiba a embargante, que as regras do PAF, originalmente postas para os processos de determinação e exigência de crédito tributário, têm sua aplicação ao processos de restituição, ressarcimento e compensação determinadas pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu § 11, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN 6 Com essas considerações e sem mais delongas, rejeito os declaratórios interpostos pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012 Alexandre Kern Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11065.912113/200968 Acórdão n.º 380302.931 S3TE03 Fl. 5 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11065.912113/200968 Interessado: CALÇADOS QSONHO LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380302.931, de 22 de maio de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 22 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11610.000665/99-10
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.251
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Sat Feb 11 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200612
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 11610.000665/99-10
anomes_publicacao_s : 200612
conteudo_id_s : 6758804
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 303-01.251
nome_arquivo_s : 30301251_116100006659910_122006.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : NILTON LUIZ BARTOLI
nome_arquivo_pdf_s : 116100006659910_6758804.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
id : 4627006
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:26 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045220716544
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-19T14:15:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-19T14:15:48Z; Last-Modified: 2013-08-19T14:15:48Z; dcterms:modified: 2013-08-19T14:15:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:201c6fda-c625-4c06-862d-0ef4b67cd7f4; Last-Save-Date: 2013-08-19T14:15:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-19T14:15:48Z; meta:save-date: 2013-08-19T14:15:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-19T14:15:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-19T14:15:48Z; created: 2013-08-19T14:15:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2013-08-19T14:15:48Z; pdf:charsPerPage: 803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-08-19T14:15:48Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Sessão de Recorrente Recorrida : 11610.000665/99-10 : 130.797 : 06 de dezembro de 2006 : SATURNIA SIST. DE ENERGIA LTDA. (INCORPORADORA) POWERWARE BRASIL LTDA. : DRJ/FLORIANÓPOLIS/SC RESOLUÇÃO 1V303-01.251 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente 4Nrl'ON LUI ARTOLI elator Formalizado em: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Tardsio Campelo Borges e Sergio de Castro Neves. Processo n° : 11610.000665/99-10 Resolução n° : 303-01.251 RELATÓRIO Trata-se de pedido de Restituição (fls. 01), formalizado pela Pawerware Brasil Ltda., protocolizado em 13/12/99, no montante de R$ 13.444,74, em razão do pagamento indevido do Imposto sobre Produtos Industrializados, durante o desembaraço de mercadorias isentas, consoante a Medida Provisória n° 1.508/96, convertida na Lei n° 9.493/97, que concede isenção do IPI referente As máquinas, aparelhos, equipamentos e instrumentos novos importados ou de fabricação nacional. Informa o contribuinte que a classificação fiscal e descrição do equipamento contemplado pela isenção da referida lei 6: 8504.40.40 — "Equipamento de alimentação ininterrupta de energia (UPS ou "no break")". 111 Consta do Parecer proferido pela Delegacia da Receita Federal no Chui/RS, As fls. 36/38, em suma, que: (i) o tributo recolhido foi de R$9.535,28 e não de R$11.442,73 como alegado, posto que foram importados outros produtos que não tern relação com os dispositivos legais citados; (ii) o produto em questão, classificado no código 8504.4040 na NCM/TIPI, está incluso entre aqueles contemplados pela isenção constante da relação anexa da Lei n°. 9.493/97, porém com a ressalva da Nota 33: "exceto para máquinas da posição 8471", ou seja, destinados a computadores e processadores em geral; O (iii) através do Decreto n°. 3102/99, art. 3°, houve desdobramento dos códigos tarifários, entre os quais, o "Ex-01 — Para máquinas da posição 8471" da posição 8504.4040, tributado a 15%, portanto, até o advento deste decreto, somente pela classificação tarifária era impossível definir se o produto era isento ou não; (iv) como pela simples classificação não há como configurar-se a isenção, o contribuinte tem que apresentar elementos que comprovem que tais produtos não eram destinados a máquinas da posição 8471; (v) no decorrer do despacho, o contribuinte não apresentou provas de que preenchia as condições para usufruir dessa isenção, seja através de laudos técnicos ou de outros elementos que justificassem a isenção; (vi) quando a ressalva contida na lei excluiu do beneficio os "no breaks" para os equipamentos da posição 8471 da NCM/TIPI, deve 2 A Processo n° : 11610.000665/99-10 Resolução no : 303-01.251 ser entendido que ela esteja se referindo aos "no breaks" que, tendo em vista suas características funcionais e técnicas, já definidas pelo fabricante, poderiam ser utilizados nesta posição e não à destinação que lhe seria dada após seu desembaraço, o que seria o caso dos autos; (vii) não está comprovado o pagamento indevido do IPI, já que não há como se verificar, pela falta de apresentação de elementos, se o contribuinte era beneficiário ou não da isenção. Com base no referido Parecer, o Despacho Decisório de fls. 39 não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Ciente, o contribuinte apresentou tempestiva Manifestação de Inconformidade às fls. 44/49, juntando os documentos de fls. 50/93 e 95/96, aduzindo, sucintamente, que: (i)diferentemente das alegações constantes no Parecer SEORT, as mercadorias não foram destinadas para utilização nas Máquinas da posição 8471, quais sejam: "máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições.", isto porque, conforme se pode constatar da análise das declarações e documentos (doc. 03), verificou-se que a destinação das mercadorias se encontra na hipótese de isenção nos termos da Lei n° 9.493/97; (ii) o direito a restituição dos valores pagos indevidamente não pode ser inviabilizado pelo fisco, ainda que não tivesse comprovado que as mercadorias importadas não fossem destinadas as hipóteses de exceção da regra de isenção, visto que o beneficio da isenção está assegurado por lei, já que a exceção à isenção não pode inviabilizar a própria isenção; 3 Processo n° : 11610.000665/99-10 Resolução n° : 303-01.251 (iii) com base na classificação fiscal determinada pela Nomenclatura Comum do Mercosul (art. 16 da Lei no 9.493/97), "os equipamentos, as máquinas, os aparelhos e instrumentos novos, importados ou de fabricação nacional, assim como seus acessórios, sobressalentes e ferramentas, ficaram isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados.", assim sendo, importou produtos para proteção, armazenamento e transferência de energia, os "no breaks", classificados no código 8504.4040 da NCM/TIPI, portanto, beneficiados pela isenção prevista no art. 10 da Lei n° 9.493/97; (iv) como determinado na legislação vigente, a classificação fiscal ocorre no momento do despacho aduaneiro, corn base nas informações indicadas na Declaração de Importação, elaborada sempre em observância aos seus requisitos necessários, desta forma, não resta dúvida acerca da classificação efetuada, assim como do equivoco cometido pelo fisco, visto a necessidade de comprovação da destinação de mercadoria inserida na regra de isenção; (v) a Lei n° 9.493/97 concede a isenção ao contribuinte, conquanto não imputa o ônus de comprovar a destinação da mercadoria, sendo a competência para tal atribuída A fiscalização aduaneira (§ único, art. 28 da IN SRF n° 69/96); (vi) sendo impossível a comprovação por parte do inspetor fiscal da ausência das condições objetivas previstas na norma concedente da isenção e a desnecessidade do auxilio técnico, resta evidente a aplicação plena do beneficio, como assim preceitua o art. 111 do CTN. 4 Processo n° : 11610.000665/99-10 Resolução n° : 303-01.251 Isto posto, o contribuinte requer seja reformada a decisão singular, para que seja reconhecida a isenção referente ao IPI prevista no art. 1° da Lei n° 9.493/97, bem como o direito creditório. Remetidos os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, esta indeferiu o pleito do contribuinte (fls. 98/103), consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 26/03/1998 Ementa: RESTITUIÇÃO. IPI VINCULADO A IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO EXIGIDA PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. Para que seja concedida a isenção, há que ser feita prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Solicitação Indeferida" Devidamente intimada (AR. fls. 105), a recorrente interpôs tempestivo Recurso Voluntário de fls. 106/118, juntando os documentos de fls. 119/141, pelo qual reitera argumentos e pedidos já apresentados, ressaltando, porém, que comprovou documentalmente As fls. 139/141 que não utilizou as mercadorias importadas em máquinas da posição 8471, não configurando, portanto, a exceção A isenção trazida pela Lei n°. 9493/97. Destaca que ainda que não houvesse esta comprovação, não poderia o Fisco inviabilizar a aplicação da norma de isenção, sob pena de ferir o artigo 28 da IN SRF 69/96 e art. 111 do CTN. Por fim, ressalta que, ainda que se mantenha o acórdão que indeferiu a compensação, os seus supostos débitos não podem ser atualizados pela Taxa Selic, uma vez que esta não pode ser utilizada para correção monetária, visto ser considerada ilegal e inconstitucional, tendo assim se pronunciado o Superior Tribunal de Justiça. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário, apresentou Relação de Bens e Direitos para Arrolamento As fls. 133/138. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até As fls. 143, última. Desnecessário o encaminhamento do processo A Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n° 314, de 25/08/99. E o relatório. 5 3, Processo n° : 11610.000665/99-10 Resolução n° : 303-01.251 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Conheço do Recurso Voluntário em apreço, por mostrar-se tempestivo, devidamente garantido e, por conter matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. Trata o presente processo de pedido de restituição de IPI vinculado importação, em razão, segundo faz constar a Recorrente, de recolhimento indevido, eis que as operações estariam acobertadas pela isenção instituída pelo artigo 1 0, da Lei n°. 9.493/97, in verbis: "Art. 1° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI os equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos novos, relacionados em anexo, importados ou de fabricação nacional, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas." Pelo compulsar dos autos observo que se tratou de importação de produto para proteção, armazenamento e transferência de energia, que é conhecido como "no break", equipamento este que gozava da isenção do imposto em cotejo, já que sua classificação tarifária encontra-se relacionada no anexo de que trata o artigo 1 0 , da Lei n°. 9.493/97, desde que não fosse destinado à utilização junto às máquinas classificadas na posição 8471 da TEC. Com efeito, consta da ressalva 33, do anexo em comento, que o beneficio em questão não se aplica aos equipamentos destinados à utilização junto às máquinas classificadas na posição 8471 da TEC, quais sejam: "MÁQUINAS AUTOMÁTICAS PARA PROCESSAMENTO DE DADOS E SUAS UNIDADES; LEITORES MAGNÉTICOS OU ÓPTICOS, MAQUINAS PARA REGISTRAR DADOS EM SUPORTE SOB FORMA CODIFICADA, E MÁQUINAS PARA PROCESSAMENTO DESSES DADOS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES." A decisão recorrida reputa que a Recorrente não comprovou a não utilização dos produtos importados nas máquinas classificadas da mencionada posição 8471 da TEC, e manteve o indeferimento do pleito de isenção. Ao fazê-lo, entretanto, a decisão recorrida perde o foco da questão disputada, uma vez que a isenção não é dada ou negada em função da destinação dada à referida máquina, como de fato nem poderia ser. 6 Processo n° : 11610.000665/99-10 Resolução n° : 303-01.251 0 "no-break" 6, em principio, urn equipamento de utilização genérica, como seria, por exemplo, um transformador ou um estabilizador de voltagem, podendo ser usado corn qualquer máquina elétrica. Assim, o mesmo "no- break" poderia ser utilizado parte do tempo conectado a um computador e outra parte conectado a um sistema de iluminação. Neste caso, pelo raciocínio expendido na decisão contestada, faria jus à. isenção pelo tempo em que se acoplasse ao sistema de iluminação, perdendo esse direito sempre que se utilizasse junto ao computador. Não 6, evidentemente, o critério aqui aplicável. 0 referido "no- break" só não terá direito A isenção na hipótese — aliás, altamente remota — de que ele próprio se classifique no âmbito da posição 84.71, evidentemente como periférico de máquina de processamento de dados. Ora, um "no-break" jamais se classificará em tal posição, a menos que desempenhe também uma outra função (que deverá, ainda, ser considerada a principal), de manuseio de dados, capaz de caracterizá-lo como um periférico de computador. Dessa forma, a restrição contida no dispositivo legal que concede a isenção é quase despicienda, eis que o suposto tipo de "no-break" capaz de atender à exceção prevista é extremamente raro, talvez inexistente, no mercado. De toda forma, a previsão legal existe, e é necessário homenageá-la com a completa apuração dos fatos. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), via repartição de origem do processo, encarecendo-se daquele órgão que examine o "no-break" objeto do litígio para responder aos seguintes quesitos: (A) 0 "no-break" em exame apresenta, no mesmo invólucro, dispositivo(s) caracterizado(s) como unidade de entrada, unidade de saída ou unidade de memória de dados? (B) 0 citado artefato apresenta, no mesmo invólucro, dispositivo(s) capaz(es) de tratar ou manusear dados? (C) Em caso de resposta afirmativa a qualquer dos quesitos (A) ou (B) acima, descrever a função desempenhada. A repartição de origem deverá conceder à. recorrente oportunidade para apresentar seus próprios quesitos antes da realização da diligencia, bem como dar-lhe ciência do laudo produzido pelo órgão técnico. É como voto. Sala das Sessões, e de dezembro de 2006. ),I-1?,1ON L I- BARTOL - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004222/2001-61
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 303-01.294
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Sat Feb 11 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200703
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 10580.004222/2001-61
anomes_publicacao_s : 200703
conteudo_id_s : 6763008
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 303-01.294
nome_arquivo_s : 30301294_10580004222200161_032007.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : TARASIO CAMPELO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10580004222200161_6763008.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
id : 4623762
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:21 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045222813696
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-19T17:21:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 5; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-19T17:21:38Z; Last-Modified: 2013-08-19T17:21:38Z; dcterms:modified: 2013-08-19T17:21:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7df98aab-284f-488e-8bdc-f357da8606e4; Last-Save-Date: 2013-08-19T17:21:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-19T17:21:38Z; meta:save-date: 2013-08-19T17:21:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-19T17:21:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-19T17:21:38Z; created: 2013-08-19T17:21:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2013-08-19T17:21:38Z; pdf:charsPerPage: 890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-08-19T17:21:38Z | Conteúdo => O O MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° • 10580.004222/2001-61 Recurso n° 132.867 Sessão de : 29 de março de 2007 Recorrente : ITADUR INDÚSTRIA COMÉRCIO DE PISOS DE ALTA RESISTÊNCIA LTDA. [nova denominação social de ITADUR ENGENHARIA E PISOS INDUSTRIAIS LTDA.] Recorrida : DRJ/SALVADOR/BA RESOLUÇÃO N2 303-01.294 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. ANELIE DAUDT PRIETO Preside te TA .• SI l'r4;;----;LO BORGES Relator Formalizado em: ;I 7 JUL 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nilton Luiz Bartoli, Marciel Eder Costa, Zenaldo Loibman e Sergio de Castro Neves. Processo n° : 10580.004222/2001-61 Resolução n° : 303-01.294 RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Quarta Turma da DRJ Salvador (BA) que manteve indeferimento de pedido de reinclusão I no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) com pretendidos efeitos retroativos a 10 de janeiro de 2001. Indeferido o pedido de folhas 1 [ 2], a interessada manifestou sua inconformidade às folhas 69 e 70 com guarda do prazo legal. As alegações que inauguram a lide estão assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: 2. [...] o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) n° 16, de 12/10/2003, da Secretaria da Receita Federal (SRF), dá o direito de a empresa ingressar no Simples a partir de 1°/01/2001, por decisão administrativa. Informa que não há empecilho ao exercício da opção em face da 3' alteração efetuada no Contrato Social da Firma. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão resumidos no excerto que transcrevo: 14. No caso concreto, verifica-se que a pleiteante registrou a alteração contratual que adequa a pessoa jurídica ao Simples cm 03/01/2002 (fls. 20), abrindo possibilidade, em principio, de entrar no Simples a partir de 1° de janeiro de 2003 (ano-calendário subseqüente ao da alteração), como orienta a pergunta/resposta n° 150 do [...] site da SRF [...]: 15. Porém, o extrato CNPJ, anexo às fls. 48, confirma que a empresa requerente apresentou a declaração DIRP.I do exercício 2004, ano-calendário 2003, corno optante pelo Lucro Presumido, evento que descaracteriza o intuito inequívoco de adesão ao Simples naquele período, mesmo que tenha havido pagamentos sob tal sistemática, dos quais poderá pedir a restituição perante o órgão de origem. Portanto, não há qualquer possibilidade de deferimento em parte do pedido, ou seja, a liberação da opção com efeitos a começar Pessoa jurídica constituída no dia 3 de agosto de 1984, incluída no Simples em 1° de janeiro de 1997 e dele excluída de ofício em 1° de março de 1999, por atividade vedada: serviços de engenharia. 2 Indeferimento do pedido acostado as folhas 63 a 66. 2 Processo n° : 10580.004222/2001-61 Resolução n° : 303-01.294 Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Salvador (BA), recurso voluntário foi interposto às folhas 92 a 96. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. Merece ser destacada denúncia feita no terceiro parágrafo da folha 94, no qual, em confusa e obscura redação, relata ter sido impossibilitada de entregar a declaração IRPJ exercício 2004 pelo regime tributário Simples em face de critica do sistema recepcionador de declarações da SRF que teria detectado a falta da opção pelo regime tributário diferenciado no cadastro CNPJ da ora recorrente. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instancia administrativa3 os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 106 folhas. Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. o relatório. 3 Despacho acostado A folha 105 determina o encaminhamento dos autos para este Terceiro Conselho de Contribuintes. 3 1 TARASIO CAMPELO BORGES - Relator Processo n° : 10580.004222/2001-61 Resolução n° : 303-01.294 VOTO Conselheiro Tardsio Campelo Borges, relator Conforme relatado, cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime que manteve indeferimento de pedido de reinclusdo 4 110 Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) corn pretendidos efeitos retroativos a 10 de janeiro de 2001. Denuncia a recorrente, apenas em grau recursal, a impossibilidade de entregar a declaração IRPJ exercício 2004 pelo regime tributário Simples em face de critica do sistema recepcionador de declarações da SRF que teria detectado a falta da opção pelo regime tributário diferenciado no cadastro CNPJ da ora recorrente. Perante essa denúncia e com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência h. repartição de origem para que a autoridade competente informe se havia alguma critica nos sistemas da SRF, a partir de 2004, com a finalidade de impedir, antes da formal opção pelo regime, a entrega de declarações de pessoas jurídicas corn base nas regras do Simples. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos a esta câmara. Sala das Sessões, em 29 de março de 2007. 4 Pessoa jurídica constituída no dia 3 de agosto de 1984, incluída no Simples em l° de janeiro de 1997 e dele excluída de oficio em 1° de março de 1999, por atividade vedada: serviços de engenharia. 4
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001314/2001-18
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.015
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência para que seja dada ciência da documentação acostada ao autos ao sujeito passivo, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: SERGIO DE CASTRO NEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Sat Dec 17 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200502
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2005
numero_processo_s : 13855.001314/2001-18
anomes_publicacao_s : 200502
conteudo_id_s : 6723442
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 303-01.015
nome_arquivo_s : 30301015_13855001314200118_200502.pdf
ano_publicacao_s : 2005
nome_relator_s : SERGIO DE CASTRO NEVES
nome_arquivo_pdf_s : 13855001314200118_6723442.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que seja dada ciência da documentação acostada ao autos ao sujeito passivo, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2005
id : 4628429
ano_sessao_s : 2005
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:29 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045225959424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Resolução nº 303-01.015; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-12-26T11:39:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Resolução nº 303-01.015; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Resolução nº 303-01.015; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-12-26T11:39:17Z; created: 2016-12-26T11:39:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2016-12-26T11:39:17Z; pdf:charsPerPage: 805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-12-26T11:39:17Z | Conteúdo => Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanei Gama, Silvio Marcds Barcelos Fiúza, Mareiel Eper Costa, Carlos Fernando Figueiredo Barros (Suplente) e Nilton Luiz Bartoli. Esteve presente a Procuradora da' Fazenda N~cionalMaria Cecília ;Barbosa. I• I I / \ ' .!. \ 13855.001314/2001-18 127.196 . 24 de fevereiro de 2005 FUNDAÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SINHÁ . JUNQUEIRA DRJ/CAMPOGRANOE/MS . R E S O L U ç à O NQ303-01.015 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MINISTÉRIO DA FAZENDA. . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Recorrida ! I RESOLVEM os. Membros -da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unapimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que seja dada ciência da documentação acostada ao autos aó sujeito passivo," na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . Processo n° Recurso n° Sessão de Recorrente Processo n° ,' Resolução n° 13855.00131412001-18 303-01.015 RELATÓRIO \ .; Recorre o SUjeIto passivo identificado em epígrafe de decisão . proferida pela Delegacia Federal de Julgamento em, Cmppo Grande (MS) CUJO relatório abaixo transcrevo literalmente, para adotá-lo. Fundação de -Assistência Social Sinhá Junqueira, acima qualificada, foi autuada a recolher o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) no valor total do cré€lito tributário de R$ 7.638.098,57 (imposto, juros de mora calculados ate 28/09/2001 e a multa de oficio), rel~tivo ao fato gerador ocorrido em 01/01/1997, período base de 1997, conforme Auto de Infração e demonstrativos de fls. 2/5; acompanha0 lançamento, na forma de ailexo, a, informação fiscal de fls. 6/18. 2. O lançamento 'refere-se ao imóvel rural denominado Fazenda Tamanduá -cadastrado na Receita Federal sob n° 765126-0 -' , com área total de 5.016,6 hectares, localizado no município de Igarapava/SP, é ocorreu, em síntese, pelo seguinte motivo: falta de recolhimento do ,Imposto Territorial Rural, pelo fato do não atendimento pelo imóvel das condições de imunidade, vez que Q mesmo é utilizado em atividade secundária, para a obtenção de, rendâscom o plantio de cana de açúcar, ,e não às finalidades essenciais da Fundação, consoante minuciosa descrição dos fatos constantes da Informação Fiscal de fls. 06/18. Enquadramento legal: arts. 1°,8°, 10, 11, 14 e 15 da Lei n° 9.393/1996. 3. Cientificada do lançamento em 08/1012001 (fi. '143), a autuada. apresentou impugnação em 05/1 1/2001, alegando, em síntese: tratando:se de Entidade Assistencial, não constitui desvio de finalidade o, fato da et;Itidade explorar o seu patrimônio, s~ja sob a modalidade de arrendamento a terceiro e assim auferindo resultados, seja com a exploração direta, já que isso é absolutamente necessário para a própria sobrevivência da entidade, sob pena de perecimento, e também para que possa cumprir suas finalidades está.tután~s .. '4. Argumenta que a própria Receita Federal admitia a imuríÍdade do imposto sobre o patrimônio d~ entidade, que em lançamento fiscal n- tributoll o imóvel no tocante ao ITR, relativamente aos ex cícios de 1995/1996, anteriores ao procedimento de d , I 2 ! \ , Processo n° Resolução n° 5. 13855.00131412001-18 303:'01.015' Relata que para a execução de suas finalidades filantrópicas, caritativas e assistenciais, a instituidora da Fundação fez doação suficiente à sua instálação e funcionamento, consistente,' sobretudo, no complexo iIldustrial. denominado Usina Junqueira, situado no município de Igarapava-SP, onde produz açúcar cristal, álcool hidratado'e anidro, bem corno óleo fúzel, ~endo que com o falecimento da instituidora, em 1954, a Fundação tomou-se, herdeira, única e universal, de todos os bens deixados peta criadora. • 6. Informa que vem cumprindo, reÍigiosamente, os seus objetivos estatutários, aplicando no país, em' sua integralidade, os resultados favoráveis disponíveis, obtidos com a exploração do seu patrimônio; qué presta aos seus empregados e dependentes destes e a outras edtidades assistenciais, culturais e religiosas, ampla -colaboração; cumprindo, dessa forma, os fins .para que foi criada, salientado que não há qualquer distribúição de lucro, percentagem ou interesse a _quem quer que seja, e que teve . reconhecida suas altas finalidades pelo Conselho Nacional de Assistência Social mediante a concessão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, considerando-se, portanto, enquadra~a como imune aos tributos, e que é defeso à Receita Federal o' lançamento de imposto sobre 'bens de sua propriedade. . 7. Alega que o caso em foco não se trata de isenção, mas sim de i~unidade, e qualquer imposição fiscal dependeria primeiramente da descaracterização da entidade assistencial corno tal; ressalta, também, as limitações do poder tributante (CF/88: art. 150, inciso VI, aliena "c") e o fato do patrimônio da entidade já se encontrar afetado à manutenção da assistencial social, estando imune a quaisquer imposto e/ou contribuições; e mais: a observância do artigo IA do CTN é suficientepara que a impugnante esteja ao abrigo da imunidade -do imposto em referência. 8. Argumenta que houve ,evidente excesso na aplicação da multa de oficio, eis que não deixou de préstár os esclareetmentos solicitados pela fiscalização, conforme carta de 05/0412001, mas sim fundamentou, sob o aspecto legal, quanto à sua imunidade, não se podendo falar em negativa de prestar esclarecimentos; e concluiu com o pedido de ~afastamento do Auto de Infração que impôs o tributo e a multa. o com a impugnação vieram os docs. de fls. 153/198. 3 \ í " - 1385'5.00131412001-18 303-01.015 , \ \ / 4 o recurso da autuada repete os argumentos expendidos na fase impugnatória, enfatizand,o QS seguintes pontos: (a) a dependênCia da entidade assistenCial de seu agronegócio, para .manter-se; (b). a .imunidade tributária concedIda pela Carta Magna aos entes de assistência social; (c) o critério de apuração do imposto, que teria deixado de considerar áreas de 'reserva legal e de preservação permanente; (d) a incidência da taxa SELIC na atualização do. crédito exigido, e (e) a inaplicabilidade da multade ofício, dado qUe, a seu ver, a intimação que recebeu foi respondida em. prazo hábil, através da correspondência já citada, constante de -fls. 98 e 99 do processo. o • • Processo n° Resolução n° No que conceme à multa de oficio, ~guinenta_ que decorre do cumprimento do disposto no S 2°., alfnea a do art. 44 da Lei nO.9.430/96, onde se estipula que será de 112,5% a penalidade elo-não atendimento, no prazo estipulado, de intimação para prl(star esclarecimentos. . . , A decisão guerreada, unânime, foi :QOsentido de ter por procedente o lançamento. Inicialmente, considerou o documento constante a fls: 98 s. do processo, oficio que a ora recorrente encaminhou fi Delegacia da Receita Federal em Franca (SP), pelo qual fôrmaliza sua recusa em cumprir intimação que lhe havia sido feita, de prestar escÜrrecimentos sobre a propriedade. . A seguir, argumenta: que o.S 4°. dO,Art 150 da Constituição Federal impõe restrição à imunidade tributária estabelecida na alínea c do mesmo artigo, qual seja, a de que o beneficio só alcança q patrimônio', renda e serviços relacionados com, as àtividades essenciais - do .beneficiário. A decisão combatida, neste aspecto, considera' que o imóvel objeto da lide, utilizado para o plantio e iI).du~trialização de cana-de-açúcar, presta-se a atividade alheia à assistência social, independentemente . . erofato, aiegado pela defendente, de que o produto de tal exploração contribui para a mantença da entidade. . Processo nO' . Resolução n° < 13855.061314/2001-18 303-01.015 <. , VOTO' ,'~loW, I Conselheiro Sérgio de Castro Neves, Relat'Of • < o recurso é tempestivo e' guarda os demais requisitos de admissibilid~de. Dele conheço. É indiscutível .que o < comando' constitucional que estabelece a imunidáde tributária subjetiva para entidades assistenciais cuida, <;:mseu mesmo corpo, de limitar a concessão de maneira precIsa, para impedir que o beneficio se alastre além da fronteira do patrimônio, bens e serviços que sejam < direta e especificamente envolvidos na atividade beneficente. O parágrafo 4°. do Art. 150 é < , 1 claríssimo e não dá azo a interpretações, discrepantes. Um hospital assistencial 'mantido por uma fábrica é imune a exigências tributárias, condição esta que não se . comunica à atividade industrial. Indaga, então, retoricamente,' a recorrente: - "Com que recUrsos se manterá .entidade assistencial privada que não recebe qualquer subvenção governamental?" Ora, entendo que ª-- resposta a tal pergunta é fornecida 'pelos próprios Estatutos da entidade"cujo art. 4°. (£1s.36) reza o seguinte: " Art. 4~ - A reqlizaçãodos fins da Fundação terá lugar à medida que o Conselho de Administração dispuser de"recursos provindos < • dos lucros líquidos apurados na explor:ação de suas propriedades agrícolas ou industriais ou da renda de outros bens que a Fundação possua ou venha ti possuir (.) [É meu o grifo.] Portanto, a entidade assistencial privada há de sustentar-se, como é óbvio, do lucro líquitlode suas atividades comerciais ou industriais, isto é, o recurso sobejante após o pagame~to' de ~mpregados, forÍlecedorese - por que não? - tributos. Na verdade, numa economia capítalista'- espera-se de qualquer atividade econômica que. gere sobejos para os empresários, após \ o pagamento de todas as obrigações, toçando-lhes decidir se invertem o resultado em consumo, acumulação ou assistência social, por exemplo. . \. . No que toca à penalidade pecuniária exigida, tampouco julgo assistir razão à recorrente. Mesrn'o admitindo, que, de boa-fé, se julgasse defendida pela imunidade constitucional, dita imunidade refere-se apeÍlasà obrigação principal, não à acessória. Não confere ne mesmo a seu detentor legítimo o direito de eximir-se de prestar informações ao F sco ou de recusar à autoridade. competente o controle que esta legalmente deve e cel'. 5 !_< _<+ti!__ --'------~ __ < < < Processo n° Resolução nO 13855.001314/2001-18 303-01.015 \ . Imune ou não, era seu dever apresentar .ànualmente o DIAT, como determina o art.'8°.da Lei nO.9.393/96, já que o imóvel em. causa não se encontra entre as hipóteses de dispensa deste documento mencionadas no S 3°. do citado artigo. Não o tendo feito, recebeu regular intimação para oferecer informações, à qual de fato respondeu, ma's para declarar que as infQrmações solicitadas não seriam fornecidas _.- nã<;>'porque não as tivesse",mas por discordar da eXigência~ . . Esta é também a razão pela qual repelirei o protesto da recorrente quanto à discordância sobre o critério usado pelo Fisco no cálculo do imposto devido. O argumento teria fundamento se a recorrente houvesse fornecido à autoridade. ' . exatora os dados a respeito de áreas de reserva legal ou de preservação permanente, ou outros quaisquer dados relevantes para0 cálculo, fosse através da regular apresentação do DIAT no prazo da lei, fosse mesmo atendendo à intimação que recebeu. Não o fazendon~s' duas ocasiões propícias, assumiu o risco de ter o imposto calculado por arbitramento, como de fato ocorreu. Finalmente, deixo de acolher os argumentos relativos ao empr~go da. . .taxa SELIC como índice de atualização monetária dos créditos tributários tendo em vista as reiteradas e abundantes decisões que homologam esta'prática, tanto no âmbito dos Conselhos de Contribuintes quanto no do Poder Judiciário. \ I Convertido ,rm diligência para dar .ciência da documentação \ acostada aos autos ao sujeito passivo. es, eU}24 de fevereiro de 2005 o NEVES - Relator \ .. I 6 , I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721207/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2008
DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não tendo apresentado documentos hábeis, para comprovar que estivesse desvinculado do imóvel rural informado na DITR do exercício, à época do respectivo fato gerador, o contribuinte/interessado deverá ser mantido no polo passivo da obrigação tributária correspondente.
DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para ser restabelecida e excluída do cálculo do ITR, exige-se que a área de preservação permanente, declarada para o ITR do exercício e glosada pela autoridade fiscal, tenha sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA.
DO VALOR DA TERRA NUA VTN.
Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR do exercício pela autoridade fiscal com base no SIPT/RFB, por falta de laudo técnico de avaliação com ART/CREA, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, demonstrando o valor fundiário do imóvel, à época do fato gerador do imposto, e suas peculiaridades desfavoráveis.
Numero da decisão: 2301-007.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e negar-lhe provimento
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Wed Nov 16 17:28:19 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202009
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não tendo apresentado documentos hábeis, para comprovar que estivesse desvinculado do imóvel rural informado na DITR do exercício, à época do respectivo fato gerador, o contribuinte/interessado deverá ser mantido no polo passivo da obrigação tributária correspondente. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para ser restabelecida e excluída do cálculo do ITR, exige-se que a área de preservação permanente, declarada para o ITR do exercício e glosada pela autoridade fiscal, tenha sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR do exercício pela autoridade fiscal com base no SIPT/RFB, por falta de laudo técnico de avaliação com ART/CREA, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, demonstrando o valor fundiário do imóvel, à época do fato gerador do imposto, e suas peculiaridades desfavoráveis.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10983.721207/2013-81
anomes_publicacao_s : 202011
conteudo_id_s : 6295554
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-007.895
nome_arquivo_s : Decisao_10983721207201381.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10983721207201381_6295554.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e negar-lhe provimento (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
dt_sessao_tdt : Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2020
id : 8549316
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:31:18 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045245882368
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-09-28T11:52:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-09-28T11:52:02Z; Last-Modified: 2020-09-28T11:52:02Z; dcterms:modified: 2020-09-28T11:52:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-09-28T11:52:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-09-28T11:52:02Z; meta:save-date: 2020-09-28T11:52:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-09-28T11:52:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-09-28T11:52:02Z; created: 2020-09-28T11:52:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2020-09-28T11:52:02Z; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-09-28T11:52:02Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10983.721207/2013-81 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-007.895 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de setembro de 2020 Recorrente JOÃO LUDOVINO VIEIRA JUNIOR Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não tendo apresentado documentos hábeis, para comprovar que estivesse desvinculado do imóvel rural informado na DITR do exercício, à época do respectivo fato gerador, o contribuinte/interessado deverá ser mantido no polo passivo da obrigação tributária correspondente. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para ser restabelecida e excluída do cálculo do ITR, exige-se que a área de preservação permanente, declarada para o ITR do exercício e glosada pela autoridade fiscal, tenha sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR do exercício pela autoridade fiscal com base no SIPT/RFB, por falta de laudo técnico de avaliação com ART/CREA, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, demonstrando o valor fundiário do imóvel, à época do fato gerador do imposto, e suas peculiaridades desfavoráveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e negar-lhe provimento (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 07 /2 01 3- 81 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.895 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721207/2013-81 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório Trata-se de auto de infração do Imposto Territorial Rural, proveniente do trabalho de revisão interna da DITR, no qual foi glosada integralmente a área informada de preservação permanente e desconsiderado e arbitrado com base no SIPT, o VTN, para o imóvel rural “Fazenda Princesa do Sertão” (NIRF 5.557.3592), com área total declarada de 374,5 ha, situado no município de Palhoça SC. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação onde alegou o seguinte de acordo com o relatório do acórdão recorrido: Discorda do citado procedimento fiscal, parcialmente transcrito, pois o imóvel objeto desse lançamento encontra-se em duplicidade cadastral, conforme provas acostadas, sendo inválido o respectivo lançamento com base em VTN superfaturado para a região, visto que esse mesmo imóvel foi informado corretamente com VTN, APP e demais itens na DITR do NIRF 4.142.5901, sendo legalmente desnecessária a comprovação das áreas ambientais declaradas, por meio de averbação e ADA; O recorrente não possui outras terras denominadas “Fazenda Princesa do Sertão” no município de Palhoça – SC e a duplicidade cadastral equipara-se à ausência de propriedade ou posse, sendo o respectivo lançamento indevido, além de incabível a autuação e a exigência, por falta do fato gerador do imposto; Cita a legislação de regência e a transcreve parcialmente, além de acórdãos do Judiciário, para referendar seus argumentos. Ante o exposto, o contribuinte requer seja determinado o cancelamento do NIRF 5.557.3592 no CAFIR, seja considerada procedente a impugnação ao lançamento do ITR, para anular a respectiva notificação e cancelar e exigência do referido tributo, por meio de todas provas em Direito admitidas. A DRJ considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação, acrescentado que considera a multa de oficio de 75% confiscatória e inconstitucional. É o relatório. Voto Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.895 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721207/2013-81 Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade Questão Preliminar Do caráter confiscatório da multa de oficio de 75% O recorrente argumenta que a multa de ofício no percentual de 75% é um confisco, o que é vedado pela Constituição Federal Trata-se portanto de se julgar a constitucionalidade de lei tributário, o que é vedado aos conselheiros do CARF, nos termos da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do Mérito Para as questões do mérito, sendo coincidentes as razões recursais e as deduzidas ao tempo da impugnação, a análise do recurso pode ser feita utilizando-se da prerrogativa conferida pelo Regimento Interno do CARF, mediante transcrição dos trechos do voto da primeira instância, que guardam pertinência com as questões recursais ora tratadas. Do Sujeito Passivo da Obrigação Tributária Da análise do presente processo, verifica-se que o requerente pretende retirar-se do polo passivo da relação jurídico tributária, no que se refere ao ITR do exercício do imóvel rural “Fazenda Princesa do Sertão” (NIRF 5.557.3592), sob o argumento de não se enquadrar como seu proprietário ou possuidor e contribuinte do respectivo imposto, por haver duplicidade cadastral com o imóvel corretamente informado na DITR do exercício do NIRF 4.142.5901, conforme documentos acostados aos autos. Ocorre que a exigência do ITR do exercício foi calculada com base nos dados cadastrais constantes da respectiva declaração, apresentada em nome do impugnante, cujas informações o identificaram como contribuinte do imposto. Nesse sentido, o interessado assumiu a condição de contribuinte do ITR, passando a ser responsável pelo pagamento do tributo apurado nessa declaração, bem como pelo crédito tributário lançado em procedimento de fiscalização, em discussão neste processo. Ainda, quanto à exigência do ITR, o CTN dispõe: “art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-007.895 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721207/2013-81 a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. ......................................................................................................... art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.” A Lei nº 9.393/1996 seguiu a mesma orientação do CTN, ao tratar do fato gerador e do contribuinte do imposto: “Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. §1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. "Art.4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” Saliente-se que do cadastro do imóvel no INCRA – CCIR, consta o imóvel Fazenda Princesa do Sertão I, com área de 301,7 ha e endereço de Sertão do Campo, o mesmo das DITR no NIRF 4.142.5901, com divergências em relação à DITR do exercício referente ao NIRF 5.557.3592, objeto desta lide. Frise-se, também, que imóvel questionado, com o respectivo NIRF, vem sendo declarado em nome do contribuinte desde o exercício de 1998, e apesar do objetivo aventado, entendo que os referidos documentos acostados, juntamente com as matrículas do registro imobiliário, são insuficientes e inconclusivos para que se proceda, nesta instância, o cancelamento da notificação de lançamento do ITR do exercício referente ao NIRF 5.557.3592. Constata-se, também, que não foi requerido pelo contribuinte, em tempo hábil, o cancelamento do NIRF 5.557.3592 ao órgão jurisdicionante da Receita Federal, conforme previsto no § 1º do art. 6º da Lei nº 9.393/1996 e no art. 8º da IN/RFB nº 830/2008, que dispõe sobre o cadastro de imóveis rurais (CAFIR), não cabendo a esta instância de julgamento fazê-lo. Face ao exposto e sendo o lançamento tributário atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, e que o ITR é tributo lançado por homologação desde a vigência da Lei n.º 9.393/1996, está correto o presente lançamento suplementar, ao identificar o requerente como contribuinte à época do fato gerador e do ITR do exercício (artigos 1º e 4º da Lei 9.393/1996 e art. 5º do Decreto nº 4.382/2002 / RITR). Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-007.895 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721207/2013-81 Dessa forma, entendo que o autuado deva ser mantido no polo passivo da obrigação tributária, referente ao ITR do exercício do imóvel “Fazenda Princesa do Sertão” (NIRF 5.557.3592), com área total de 374,5 ha, situado no município de Palhoça SC e informado em seu nome na respectiva declaração. Da Área de Preservação Permanente Na análise do presente processo, constata-se que a autoridade fiscal glosou integralmente a área ambiental declarada de preservação permanente (374,5 ha), por falta do Ato Declaratório Ambiental – ADA, requerido tempestivamente ao IBAMA, dentre outros documentos, conforme termo de intimação inicial. A referida exigência do ADA vem desde o ITR/1997 para as áreas de preservação permanente (art. 10 da IN/SRF nº 043/1997, com redação dada pelo art. 1º da IN/SRF nº 67/1997) e, para o exercício de 2008, encontra-se prevista na IN/SRF nº 256/2002 e no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17º da Lei 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a seguir transcritos: Art. 17º. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Portanto, a exigência do Ato Declaratório Ambiental – ADA encontra-se prevista na Lei 6.938/1981, art. 17º, e em especial o caput e § 1º, cuja redação atual foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000. Para o exercício em questão, o prazo para preenchimento e entrega do ADA ao IBAMA expirou em 30 de setembro, data final para a entrega da DITR, de acordo com a IN/RFB nº 857/2008, c/c a IN/IBAMA nº 96/2006 (art. 9º), além de prevista na Solução de Consulta Interna nº 06/2012, item 10.1, que diz: “Cabe ressaltar que, a partir do exercício de 2007, o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro de cada ano- calendário, conforme Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-007.895 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721207/2013-81 art. 9º da Instrução Normativa (IN) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) nº 96, de 30 de março de 2006, e arts. 6º, § 3º, e 7º da IN Ibama n° 5, de 25 de março de 2009”. No presente caso, não consta dos autos a protocolização do ADA no IBAMA, com a área de preservação permanente declarada (374,5 ha), para excluí-la do cálculo do ITR do exercício. Saliente-se que, apesar das alegações do requerente, após o advento do parágrafo 7º do art. 10 da Lei nº. 9.363/1996 (incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67/ 2001), persiste a necessidade de comprovar essa exigência, quando assim exigido pela autoridade fiscal. Assim, a dispensa de prévia comprovação não afasta a necessidade de ser comprovado o cumprimento tempestivo de exigências legais para justificar as áreas pretendidas para fins de exclusão do cálculo do ITR, previstas na lei ambiental (Código Florestal) elegislação tributária (Lei 9.393/1996 e Decreto nº 4.382/2002 – RITR), em consonância, inclusive, com as conclusões firmadas na Solução de Consulta Interna nº 06/2012, editada pela Coordenação Geral de Tributação (Cosit) que tem a atribuição regimental de interpretar a legislação tributária no âmbito da RFB. Portanto, é imprescindível que essa área ambiental seja reconhecida por ato do IBAMA ou tenha o respectivo ADA, protocolado tempestivamente. Por ser atribuição exclusiva do poder judiciário, o exame das alegações de ilegalidade/ofensas a princípios constitucionais escapa à competência da autoridade administrativa julgadora, mera executora da legislação em vigor, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, como já visto. Por outro lado, quando não cumprida essa exigência legal do ADA, ou cumprida fora do prazo estabelecido, a área ambiental declarada, objeto de glosa, passa a ser computada para efeito de apuração do VTN tributado, além de integrar a área aproveitável do imóvel, para efeito de apuração do seu Grau de Utilização e aplicação da respectiva alíquota de cálculo, conforme demonstrado pela autoridade fiscal. Dessa forma, não cumprida a exigência de ADA tempestivo, para isenção do ITR do exercício, entendo que deva ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade autuante, da área declarada de preservação permanente (374,5 ha), com sua consequente reclassificação como área tributável e aproveitável. Do Valor da Terra Nua – VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR do exercício, R$ 10,00, e arbitrou-o em R$ Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-007.895 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721207/2013-81 1.872.500,00 (R$ 5.000,00/ha), com base no Sistema de Preço de Terras SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observado o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002 e o item 6.8. da Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. Esse valor corresponde ao menor VTN/ha por aptidão agrícola, constante do Sistema de Preço de Terras – SIPT do exercício, fornecido pela Secretaria Estadual de Agricultura, para os imóveis rurais localizados no município de Palhoça SC. Ao contribuinte reservou-se o direito de apresentar laudo técnico de avaliação, com as exigências apontadas na intimação inicial, demonstrando que o seu imóvel rural apresenta condições desfavoráveis que justificassem o VTN declarado, condizente com os preços de mercado praticados àquela época (1º de janeiro do exercício), em consonância com o disposto no § 2º do art. 8 da Lei 9.393/1996. O requerente apenas alega que o VTN arbitrado não corresponde aos valores praticados na região, estando superfaturado. Para revisão do VTN arbitrado, seria necessário apresentar laudo técnico de avaliação com ART/CREA, emitido e assinado por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, que demonstrasse de maneira inequívoca o cálculo do VTN tributado ou pretendido, a preços de mercado no primeiro dia do exercício, considerando as peculiaridades do imóvel. Para formar a convicção sobre os valores indicados para o imóvel avaliado, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização), de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel, a preços de mercado, no primeiro dia do exercício, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. Assim, entendo que deva ser mantido o VTN arbitrado pela autoridade fiscal para o para o ITR do exercício (R$ 1.872.500,00 = R$ 5.000,00/ha), do imóvel “Fazenda Princesa do Sertão” (NIRF 5.557.3592), por ter ficado caracterizada a subavaliação do VTN declarado para esse exercício (R$ 10,00) e não terem sido trazidos aos autos os documentos requeridos para sua revisão. Do exposto voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e negar-lhe provimento (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-007.895 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.721207/2013-81 Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10945.005775/2003-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 303-01.357
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos lermos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Sat Feb 25 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200708
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 10945.005775/2003-16
anomes_publicacao_s : 200708
conteudo_id_s : 6771600
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 303-01.357
nome_arquivo_s : 30301357_10945005775200316_082007.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : TARASIO CAMPELO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10945005775200316_6771600.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos lermos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2007
id : 4626072
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:25 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-19T12:27:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; xmp:CreatorTool: CNC Capture; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; pdfa:PDFVersion: A-1b; dc:creator: CNC Solution; dcterms:created: 2013-08-19T12:27:54Z; Last-Modified: 2013-08-19T12:27:54Z; dcterms:modified: 2013-08-19T12:27:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f24e034f-4d10-444b-8ee7-9ca8c38e7a96; Last-Save-Date: 2013-08-19T12:27:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC Capture; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-08-19T12:27:54Z; meta:save-date: 2013-08-19T12:27:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-19T12:27:54Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solution; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solution; pdfaid:conformance: B; meta:author: CNC Solution; meta:creation-date: 2013-08-19T12:27:54Z; created: 2013-08-19T12:27:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2013-08-19T12:27:54Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; pdfaid:part: 1; access_permission:can_print: true; Author: CNC Solution; producer: CNC Solution; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solution; pdf:docinfo:created: 2013-08-19T12:27:54Z | Conteúdo =>
_version_ : 1761290045247979520
score : 1.0
Numero do processo: 11610.021760/2002-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS.
Cancela-se a exigência quando não restar provado que a contribuinte estava obrigada a entregar a Declaração de Ajuste Anual..
Numero da decisão: 2802-000.799
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
dt_index_tdt : Sat Nov 19 09:00:15 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201105
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Cancela-se a exigência quando não restar provado que a contribuinte estava obrigada a entregar a Declaração de Ajuste Anual..
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11610.021760/2002-69
anomes_publicacao_s : 201105
conteudo_id_s : 6700788
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-000.799
nome_arquivo_s : 280200799_11610021760200269_201105.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 11610021760200269_6700788.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
id : 4740934
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:45 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045258465280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1421; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 18 1 17 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.021760/200269 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280200.799 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria IRPF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO Recorrente JACI BARROS SAES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Cancelase a exigência quando não restar provado que a contribuinte estava obrigada a entregar a Declaração de Ajuste Anual.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente. (assinado digitalmente) DAYSE FERNANDES LEITE Relatora. EDITADO EM: 17/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, LUCIA REIKO SAKAE, CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, DAYSE FERNANDES LEITE, SIDNEY FERRO BARROS Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 2 Relatório A contribuinte acima identificada foi autuada, por meio de Notificação de Lançamento (fl. 3), pela entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente o exercício 2002, com aplicação da valor mínimo da multa, estipulada em R$ 165,74. Apresentou impugnação alegando, em síntese, consoante relatório da decisão de primeira instância, que: “que não foi possível transmitir a declaração, via Internet, pois no Ultimo dia de entrega, os computadores da Receita Federal ficaram congestionados, só o conseguindo fazer no dia subseqüente, 10 de maio de 2002. 3. Que o administrado não pode ser responsabilizado pelos erros, falhas ou não estruturação da Administração quando ele está de boa fé. E, ainda, que se a Receita Federal estabeleceu uma data limite para a entrega da declaração via internet, ou banco, ou disquete ou mesmo diretamente nas Delegacias da Receita Federal, ela tem que possibilitar ao administrado a plena capacidade de atendêlo por qualquer meio. Requer por fim, o deferimento de sua impugnação.” O lançamento foi julgado procedente em primeira instância sob o seguinte fundamento: “6.A Instrução Normativa SRF n° 110, de 28/12/2001, que estabeleceu formas de apresentação da declaração do imposto de renda das pessoas físicas para o anocalendário de 2001, dispõe em seus artigos 3° e 5°: "Art 3 0 A Declaração de Ajuste Anual deverá ser entregue até o dia 30 de abril de 2002. Art 5° O serviço de recepção de declarações enviadas pela Internet e pelo sistema on line será encerrado às 20 horas do dia 30 de abril de 2002." 7. A alegação da impugnante de que não conseguiu enviar a declaração por problemas ocorridos na rede de comunicação não pode ser acolhida para fins de dispensa da multa. 8. A apresentação da declaração de ajuste anual é uma obrigação acessória, cujo cumprimento pressupõe várias providências, como a coleta de documentos que irão embasála, a leitura das instruções, o preenchimento e a própria entrega. A administração desses atos, quer se refiram à. forma ou ao tempo de execução, compete ao sujeito passivo da obrigação. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 11610.021760/200269 Acórdão n.º 280200.799 S2TE02 Fl. 19 3 9. Como bem acentuou a contribuinte a Secretaria da Receita Federal, por sua vez, coloca várias alternativas à disposição dos contribuintes para recepcionar as declarações. Da mesma maneira, ao optar por uma delas, o declarante deve implementar as condições necessárias para efetuar a apresentação. 10. A Internet é apenas uma das formas de apresentação da declaração, ao lado das modalidades anteriormente existentes, tendo sido alertados, os contribuintes, quanto a possíveis dificuldades de acesso nas últimas horas do prazo final. Esclarecendose, ainda, que a transmissão pela Internet já poderia ter sido feita desde o inicio do mês de março de 2002. 11. Assim, estando a contribuinte obrigada a apresentação da referida declaração (IN SRF n° 110, de 28/12/2001, art. 1°) e tendo cumprido a obrigação com atraso, não há respaldo legal para excluir a multa imposta. 12. Cabe observar que a sanção foi aplicada de acordo com o determinado na legislação tributária pertinente (art. 88 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995 c/c artigo 30 da Lei 9.249/1995), e independe da intenção do agente conforme previsto no artigo 136, do Código Tributário Nacional. 13. E, ainda, a teor do inciso VI do art. 97 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) , somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” Cientificada da decisão da primeira instância a contribuinte apresentou em 19 de setembro de 2007, recurso voluntário de fls.14, onde repisou os argumentos da impugnação. Entende que o fato de ser idosa e isenta não está sujeita a tal penalidade. Invoca o benefício previsto no artigo 112 do CTN, que preceitua, que especialmente em caso de punição seja interpretada em benefício do contribuinte. É o relatório Voto Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE Considero tempestivo o recurso tendo em vista não constar nos autos a data em que a contribuinte tomou ciência da Notificação ora rechaçada. Dele tomo conhecimento. Primeiramente, há que se esclarecer que a Instrução Normativa SRF nº 110, de 28 de Dezembro de 2001 que fixava as regras para a apresentação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001 em seu artigo 1º assim dispõe: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO 4 Art. 1º Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2002 a pessoa física, residente no Brasil, que no anocalendário de 2001: I recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 10.800,00 (dez mil e oitocentos reais); II recebeu rendimentos isentos, nãotributáveis e tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00 (quarenta mil reais); III participou do quadro societário de empresa, como titular ou sócio; IV obteve, em qualquer mês do anocalendário, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas; V relativamente à atividade rural: a) obteve receita bruta em valor superior a R$ 54.000,00 (cinqüenta e quatro mil reais); b) deseje compensar, no anocalendário de 2001 ou posteriores, prejuízos de anoscalendário anteriores ou do próprio ano calendário de 2001; VI teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80.000,00 (oitenta mil reais); VII passou à condição de residente no Brasil. Parágrafo único. A pessoa física, mesmo desobrigada, pode apresentar a declaração. Na notificação fiscal não há qualquer indicação do motivo pelo qual a contribuinte estava obrigada a entregar a Declaração de Ajuste Anual no exercício 2002. A recorrente pugna pela não aplicação da multa, alegando que é isenta e que só entregou a declaração para controle do fisco e recadastramento de sua pensão no IPREM. Não consta nos autos a cópia da declaração de rendimentos apresentada. Não há qualquer prova trazida aos autos que demonstre que a recorrente se enquadra em uma das condições de obrigatoriedade de entrega da Declaração de Ajuste Anual prevista no artigo 1º, da Instrução Normativa SRF nº 110, de 28 de Dezembro de 2001, que era o ato legal que regulamentava a declaração do exercício 2002. Tratandose de atividade plenamente vinculada (artigos 3º e 142 do Código Tributário Nacional), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias para obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário Nacional. Caso contrário, subsistindo a incerteza no caso de prova, o Fisco deve abster se de praticar o lançamento em homenagem à máxima “in dúbio pro contribuinte”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO Processo nº 11610.021760/200269 Acórdão n.º 280200.799 S2TE02 Fl. 20 5 Neste aspecto, entendo devese cancelar a exigência contida na notificação de fls. 03, tendo em vista que não existem nos autos, provas cabais de que a contribuinte se enquadra em qualquer situação que a obrigue a Declaração de Ajuste Anual no exercício de 2002. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 12 de maio de 2011. (assinado digitalmente) DAYSE FERNANDES LEITERelatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE Assinado digitalmente em 17/05/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 23/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE C ARDOSO
score : 1.0
