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Numero do processo: 17546.000295/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP GLOSA DE COMPENSAÇÃO AÇÃO JUDICIAL AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRANSITO EM JULGADO RECONHECENDO O
DIREITO DO RECORRENTE
Não existe óbice a constituição de crédito resultante de ausência de recolhimento face compensação realizada pelo recorrente, mesmo que autorizada em medida judicial.
Contudo, em existindo trânsito em julgado da ação, garantido o direito à compensação, nos limites descritos pela própria ação, conforme confirmado pela autoridade fiscal, não há como manter o lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.590
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Contudo, em existindo trânsito em julgado da ação, garantido o direito à compensação, nos limites descritos pela própria ação, conforme confirmado pela autoridade fiscal, não há como manter o lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como a destinada a terceiros levantadas sobre os valores declarados em GFIP, porém objeto de compensação ainda não transitado em julgado. Segundo o relatório fiscal, fl. 22 a 30 o contribuinte acima e os demais devedores solidários relacionados no Relatório de Vínculos, entregue em arquivo digital à empresa, são integrantes do grupo econômico CPFL, decorrendo dai responsabilidade solidária pelo cumprimento das obrigações legais, conforme Art. 30, inciso IX da Lei 8.212/1991, e estão sendo notificados quanto regularização do valor de R$2.843.685,13 (dois milhões, oitocentos e quarenta e três mil, seiscentos e oitenta e cinco reais e treze centavos), consolidado em 20/12/2006, referente a contribuições empresariais sobre a Folha de Pagamento dos segurados empregados, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a respectiva remuneração dos empregados e não recolhidas na época própria, relativamente ao período de 03 a 06/2003, no período fiscalizado de 01/1996 a 04/2006, ressalvada a observação de suspensão de exigibilidade descrita no item 4 abaixo. Considerando que o crédito previdenciário acima está com a exigibilidade suspensa, em decorrência de Ação Declaratória em andamento, com autorização inicial de compensação, a presente Notificação está sendo emitida em separado, devendo ficar sobrestada, não podendo ser cobrada ou executada até a decisão final transitar em julgado, quando então poderão ser feitos os cálculos e alterações cabíveis na presente Notificação, se for o caso. Resumindo, como a questão está "subjudice", e para evitar que a eventual inércia da Fiscalização possa ocasionar o risco do período em questão ser fulminado pela decadência, estão sendo glosados a totalidade dos valores compensados pela empresa, pela ocorrência, em tese, da prescrição e do descumprimento do citado artigo 170A do CTN. Entende a Fiscalização que seria juridicamente mais adequado, correto e seguro a empresa aguardar a decisão final, para então efetuar os cálculos e compensações eventualmente cabíveis, inclusive nos aspectos de juros e atualização monetária, ou seja, somente na competência do trânsito em julgado da decisão definitiva, surgirá o direito à compensação, se vencedora a Empresa. Os lançamentos constantes na NFLD em tela, segundo a autoridade fiscal, decorreram de glosa de compensações indevidamente efetuadas pela empresa, ao deduzir das contribuições empresariais da Folha de Pagamento dos empregados, os valores relativos à Ação Declaratória n. 2000.61.05.0066240, porém ainda sem a adequada segurança jurídica da coisa julgada até a presente data, considerandose que a discussão gira em torno da prescrição do direito à compensação. Apenas para esclarecimento o teor da discussão judicial repousa na alcance da prescrição ao direito de compensar: Conforme verificado em consulta processual via Internet, sentença de primeira instância e Acórdão do Tribunal Fl. 374DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000295/200734 Acórdão n.º 2401002.590 S2C4T1 Fl. 2 3 Regional Federal da Terceira Região, o processo judicial supracitado referese à compensação de contribuição dos autônomos e administradores declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e pela Resolução 14/1995 do Senado Federal. 9. Em primeira instância a empresa pleiteou, em 25/05/2000, a compensação dos recolhimentos efetuados a esse titulo, no período 07/1990 a 12/1995 e teve seu pleito atendido, por sentença da Segunda Vara Federal de Campinas (SP), de 20/02/2003, procedendo às compensações, nas competências 03 a 06/2003, efetuando os cálculos em conformidade com a Sentença de Primeira instância, inclusive quanto a juros e atualização monetária. 10.0 INSS recorreu alegando prescrição do direito e, em segunda instância, o Tribunal Federal da Terceira Região, através do Acórdão 897862, de 09/02/2004, publicado em • 27/08/2004, decidiu pela prescricao parcial por maioria, nos seauintes termos: Item I do Acórdão: "O prazo para pleitear a devolução ou a compensação do indébito prescreve em 05 (cinco) anos, contados da data do recolhimento até a data da postulação judicial, de modo que é de se reconhecer que os créditos constituídos anteriormente a maio de 1995 foram alcançados pela prescrição qüinqüenal, uma vez que, no presente caso, a ação foi ajuizada em 25/05/2000." 11. Em 13.09.2004, inconformada, a empresa apresentou o recurso de Embargos Infringentes No 196453, sem julgamento até a presente data. No entendimento da Fiscalização a empresa não observou a necessária segurança jurídica da coisa julgada para realizar a compensação. Embora não definitiva, até a presente data prevalece a tese da prescrição, reconhecida quase que totalmente pelo Acórdão em tela, bem como ainda ocorreu, em tese, o descumprimento do artigo 170A do Código Tributário Nacional, acrescentado pela Lei Complementar 104/2001: O Grupo CPFL é um grupo econômico de direito regularmente constituído, cuja empresa controladora é a CPFL ENERGIA S.A., C.N.P.J. 02.429.144/000193, e são controladas as demais empresas constantes do Relatório de Vínculos, entregue em meio digital, onde estão qualificadas na situação de "grupo econômico", reconhecido pública e oficialmente pelas próprias componentes, nos registros contábeis da Companhia Paulista de Forge e Luz, nas Atas, Demonstrações Financeiras, operações com as Bolsas de Valores, e na inteet, em sua página eletrônica www.cpfl.com.br, dentre outras fontes comprobatórias. Os responsáveis solidários foram devidamente cientificados dos termos da NFLD, fl. 74 a 82 Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 20/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 21/12/2006. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 54 a 58, onde argumenta sinteticamente a impossibilidade de lavratura de NFLD considerando a existência de ação judicial sobre o mesmo objeto sem decisão final. Argumenta ainda a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados a avulsos, autônomos e administradores. Foi emitido despacho em que a autoridade fiscal, retifica informação trazida no relatório fiscal acerca da suspensão da exigibilidade do crédito, fl. 83. Este DESPACHO tem corno finalidade retificar a peça denominada "RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO IIP — NFLD n° 35.957.3681, no tocante à informação prestada pelo auditor notificante, contida no item 3 e 17 do referido relatório, nestes termos: 3. Considerando que o crédito previdenciário acima está com a exigibilidade suspensa, em decorrência de Ação Declaratória em andamento, com autorização inicial de compensação, a presente Notificação está sendo emitida em separado, devendo ficar sobrestada, não podendo se cobrada ou executada até a decisão final transitar em julgado, quando então poderão ser feitos os cálculos e alterações cabíveis na presente Notificação, se for o caso. 17. (..) recebida a presente NFLD, tem o contribuinte o prazo de quinze dias para a apresentação de defesa, com a seguinte e expressa ressalva: Tratase de Notificação com execução sobrestada em decorrência de ação judicial em curso. Somente após o trânsito em julgado da sentença de segunda instância é que se poderá efetuar qualquer tipo de cobrança, se cabível. Tendo em vista que na ação declaratória n ° 2000.61.05.0066240, interposta perante a 2a Vara Federal de Campinas, cópias da sentença às fls. 38/45, e acórdão, fls. 46/48, não houve depósito do montante integral ou ainda concessão de qualquer medida de antecipação de tutela a garantir os efeitos da suspensão, o crédito fiscal concernente â presente NFLD não está com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, incisos II, IV e V, do Código Tributário Nacional/CTN, retificandose assim, as informações acima transcritas. 3. Outrossim, esclarecemos que a empresa dispõe de 15 (quinze) dias, contados do recebimento deste Despacho, para, em desejando, manifestarse sobre os elementos referidos no item anterior, sendo que a matéria diferenciada da discutida em âmbito judicial, será considerada por ocasião do julgamento. As empresas componentes do grupo econômico reiteraram os termos da defesa apresentada pela empresa notificada, fl. 94. Tendo sido emitido despacho que retificou o relatório fiscal a empresa manifestouse fl. 207 a 214. O processo foi baixado em diligência para manifestação da autoridade fiscal, quanto a observância dos índices de correção, fl. 222 a 226. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000295/200734 Acórdão n.º 2401002.590 S2C4T1 Fl. 3 5 A DecisãoNotificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 233 a 236. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS • PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 30/06/2003 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DISCUSSÃO JUDICIAL. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE FOLHA DE SALÁRIOS DE AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES. DESCUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO FEITO. A opção do sujeito passivo pela discussão judicial da incidência do tributo importa na renúncia As instâncias administrativas, relativamente A matéria discutida no Judiciário. O julgamento administrativo limitarse6 A matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. Não havendo qualquer medida judicial obstando o lançamento, este deve ser realizado para prevenir os efeitos da decadência. O processo administrativo fiscal regularmente instaurado deve prosseguir até sua decisão final, em homenagem ao principio do impulso oficial. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 251 a 260 . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Assevera que não poderia ter sido autuada uma vez que a matéria objeto da Notificação encontrase sub judice, pendente de julgamento de recurso no E. TRF da 3 a Região, sendo a compensação efetuada nos moldes da decisão na ação declaratória interposta, somente podendo ser considerada ilegal após o trânsito em julgado da sentença, configurando o presente lançamento crime de desobediência â ordem judicial, devendo ser cancelada a notificação ou suspensa a exigibilidade do crédito, aplicandose o artigo 265 do Código Processo Civil; 2. Desta forma, tendo em vista a decisão proferida nos autos da ação declaratória n° 2000.61.05.0066240, que julgou procedentes os embargos infringentes opostos pela empresa, deve a presente autuação ser anulada, uma vez que conflita totalmente com a decisão proferida definitivamente em âmbito judicial, a qual transitou em julgado em 10.04.2008, inclusive com determinação de remessa dos autos à Vara de Origem em 17.04.2008, conforme comprova o extrato obtido junto ao 'site' do Tribunal Regional Federal da 33 Região TRF3 (anexo). 3. Sustenta que as contribuições instituídas pelo artigo 3°, inciso I, da Lei n° 7.787/89 são inconstitucionais, conforme entendimento pacifico do Supremo Tribunal Federal, sendo certo que a empresa obterá desfecho favorável na ação interposta, pois tem o direito de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 efetuar a compensação de valores indevidamente recolhidos ao INSS, sendo insubsistente a autuação; 4. Por todo exposto, pedese e esperase seja acolhido o presente recurso, reformandose a decisão de primeira instância administrativa afim de que seja reconhecida a nulidade da autuação ora em debate. É o Relatório. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000295/200734 Acórdão n.º 2401002.590 S2C4T1 Fl. 4 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 100. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito destacase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não procedeu a impugnação de qualquer dos valores lançados à título de glosa, razão porque consideramse corretos os valores lançados. Quanto ao questionamento acerca da impossibilidade de lançamento, considerando a ação judicial para realização de compensação, entendo que razão assiste ao recorrente nos termos abaixo expostos. Primeiramente, convém salientar que, em constatando a autoridade fiscal, a ausência de recolhimento, mesmo que pautado em medida liminar que autorizou a compensação de valores, correto o procedimento fiscal que apurou os valores de glosa indevida de compensação, considerando o caráter precário da decisão que permitiu a compensação, já que a efetividade da mesma só se operaria em definitivo, extinguindo a obrigação, com o transito em julgado da sentença. Ao contrário do inicialmente exposto pelo recorrente, não existia qualquer impedimento ao lançamento, nem tampouco foi apresentado qualquer medida judicial que determinasse a impossibilidade de realização do lançamento, razão porque afastase a nulidade pretendida. Contudo conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Em pesquisa na internet, nos autos da ação declaratória n° 2000.61.05.0066240, cujo trânsito em julgado ocorreu em 10.04.2008, restou confirmada a possibilidade de compensação, porém em sede de embargos infringentes, procedeu aquela autoridade julgadora a revisão do feito, no sentido de acolher a pretensão do recorrente de ter afastada a prescrição em relação a parte do período objeto do pedido de compensação. Assim, tendo sido alterado o decisão a quo em sede de embargos infringentes, a qual inicialmente determina a prescrição de parte do período, entendo que o lançamento em questão encontrase prejudicado em sua totalidade, razão porque deve ser dado provimento ao recurso do recorrente. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para determinar para DAR PROVIMENTO AO RECURSO, considerando o reconhecimento do direito a compensação após o transito em julgado da ação declaratória n° 2000.61.05.0066240. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/09/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16327.000679/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2007
Ementa:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ementa.
IRPJ e CSLL
Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA
O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na
devolução do capital e conseqüente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9532.
Método de Equivalência Patrimonial.
O MEP só se aplica aos investimentos em sociedades não sendo aplicável às associações civis sem fins lucrativos, não reguladas pela Lei 6404.
Decadência.
Não há de admitir a decadência do direito de lançar se entre o momento da ocorrência do fato gerador e o lançamento não foi ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no art. 150 do CTN
Multa isolada e multa de ofício.
Não há impedimento de aplicação simultânea da multa de ofício por
pagamento insuficiente de tributo e da multa isolada por falta de pagamento de estimativa.
Numero da decisão: 1302-000.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos Lavinia e Eduardo quanto ao lançamento de IRPJ e CSLL e por maioria de votos, manter a aplicação da multa isolada, vencidos lavinia, Guilherme e Diniz
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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IRPJ e CSLL Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na devolução do capital e conseqüente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9532. Método de Equivalência Patrimonial. O MEP só se aplica aos investimentos em sociedades não sendo aplicável às associações civis sem fins lucrativos, não reguladas pela Lei 6404. Decadência. Não há de admitir a decadência do direito de lançar se entre o momento da ocorrência do fato gerador e o lançamento não foi ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no art. 150 do CTN Multa isolada e multa de ofício. Não há impedimento de aplicação simultânea da multa de ofício por pagamento insuficiente de tributo e da multa isolada por falta de pagamento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 547 2 Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos Lavinia e Eduardo quanto ao lançamento de IRPJ e CSLL e por maioria de votos, manter a aplicação da multa isolada, vencidos lavinia, Guilherme e Diniz MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes Da Silva e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatório Fl. 547DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 548 3 Tratam os autos de Recurso voluntário em relação ao acórdão DRJ que manteve lançamento efetuado pela DEINF/SPO. Conforme o Termo de Constatação Fiscal de fls. 156175, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, o AuditorFiscal constatou os fatos a seguir relacionados: 1. INTRODUÇÃO O procedimento fiscal foi realizado para verificar a apuração e recolhimento do IRPJ e CSLL incidentes sobre operações ocorridas por ocasião da “Desmutualização das Bolsas” e eventuais alienações de títulos patrimoniais ou de ações da Bovespa e da BM&F ocorridas no anocalendário de 2007. 2. DA CONTRIBUINTE A sociedade empresária CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS (CREDIT SUISSE CORRETORA), CNPJ 42.584.318/000107, instituição integrante do Sistema Financeiro Nacional, tem como objeto social a prática de todas as operações permitidas às sociedades corretoras de valores mobiliários e câmbio, operando na compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários e de câmbio. A CREDIT SUISSE CORRETORA informou possuir, na data da desmutualização, os seguintes títulos: a) Na BM&F: 01 título de sócio efetivo (matrícula 168), e 01 título de corretora de mercadorias (matrícula 075), adquiridos em 25/07/85 da BM&F; b) Na Bovespa: 16 títulos patrimoniais da Bovespa (matrícula 045), adquiridos em 23/03/81 por Garantia S/A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga denominação da CREDIT SUISSE CORRETORA. Com a conversão dos títulos no processo de desmutualização das bolsas, a contribuinte recebeu, em troca dos títulos da BM&F, 4.908.015 ações da BM&F S/A, e, em troca dos 16 títulos da Bovespa, 11.308.192 ações da Bovespa Holding S/A. As 11.308.192 ações recebidas da Bovespa Holding S/A foram alienadas em IPO (Oferta Publica de Ações) de 27/10/2007, por R$260.088.416,00. A contribuinte alienou 10% das ações da BM&F S/A recebidas, em 30/11/2007, para o fundo General Atlantic Latin American Investiments LLc, conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias e Futuros – BM&F S/A e outorga de poderes” (fls.122129). Isso representou a venda de 490.802 ações da BM&F S/A por R$ 4.894.713,16. Em 04/2008 a contribuinte alienou os demais 90% (4.407.213) de ações da BM&F S/A para o CREDIT SUISSE “PRÓPRIO” FUNDO DE INVESTIMENTOS E AÇÕES, CNPJ nº 03.230.512/000132, por R$66.460.772,04 (fls.130). A contribuinte, de acordo com o art.14, II, da Lei nº 9.718/98 c/c art.28 da Lei nº 9.430/96, está obrigada à apuração do lucro real que toma por base o lucro líquido do exercício com os ajustes definidos em lei. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 549 4 No ano de 2007, a contribuinte declarou o IRPJ e a CSLL por período de apuração anual, e auferiu, conforme a DIPJ, R$419.326.900,86 de lucro real antes da compensação de prejuízos fiscais e R$415.415.440,86 de base de cálculo da CSLL antes da compensação de base negativa de períodos anteriores, (fls. 134 e 135). 3. DA DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS A desmutualização da Bovespa e da BM&F transformou as estruturas societárias de ambas, que passaram de associações civis sem fins lucrativos para sociedades empresárias na forma de sociedades anônimas, com fins lucrativos. No caso da Bovespa, incluise também no processo a troca de ações da CBLC por ações da Bovespa Holding S/A. Em 28/08/2007, conforme Ofício Circular nº 225/2007, de 18/09/2007, o patrimônio da Bovespa era representado por títulos de valor unitário de R$1.568.890,19, tendo como referência o valor apurado nas demonstrações financeiras (balanço patrimonial) da associação, efetuado naquela data (28/08/2007). Segundo referido ofício, cada título patrimonial da Bovespa passou a representar 706.762 ações da nova empresa Bovespa Holding S/A totalizando R$1.568.803,71 pelo total de ações mais R$86,46 de valor residual que deveriam ser registrados no Ativo Permanente da Bovespa Holding S/A. E cada lote de 25 ações de emissão da CBLC passaria a equivaler a 46.223 ações da Bovespa Holding S/A. O valor unitário de cada ação da Bovespa Holding S/A passou a ser R$2,23, em 28/08/2007. Na mesma data, houve a entrega de 706.762 ações da Bovespa Holding S/A como devolução de capital para os detentores de cada título patrimonial da antiga associação Bovespa. Após a devolução de capital, houve a IPO no qual foram negociadas 288.066.125 ações da Bovespa Holding S/A, ao valor unitário de R$23,00 por ação, alcançando o montante de R$6.625.520.000,00. As despesas com a IPO foram custeadas pela Bovespa Holding S/A. Em relação à BM&F, conforme Comunicado Externo 082/2007, de 19/09/2007, o patrimônio em 31/08/2007 era representado por: a) Membro de compensação: R$4.961.610,00 por título, transformado em 4.961.610 ações da BM&F S/A; b) Corretora de mercadorias: R$4.898.015,00 por título, transformado em 4.898.015 ações da BM&F S/A; c) Operador especial: R$1.335.141,00 por título, transformado em 1.335.141 ações da BM&F; d) Sócio efetivo: R$10.000,00 por título, transformado em 10.000 ações da BM&F S/A. Em 01/10/2007 houve a entrega de ações da BM&F S/A como devolução de capital dos detentores dos títulos da antiga associação BM&F. Após a devolução de capital da BM&F, houve a IPO da BM&F S/A, no curso da qual foram negociadas 299.184.846 ações ao valor unitário de R$20,00, alcançando o montante de R$5.983.696.920,00 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 550 5 4. DA ATUALIZAÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOVESPA E DA BM&F O Conselho Monetário Nacional é responsável por expedir normas sobre contabilidade bancária, veiculandoas por meio de normativos do Banco Central (art.4º, XII, da Lei nº 4.595/64). O Bacen autorizou a criação de reserva para refletir nos balanços das sociedades corretoras a valorização patrimonial experimentada pelas Bolsas, pois como associações sem fins lucrativos, tais entidades, ao acumular superávits, os mantinham em seu patrimônio (não podiam distribuir lucros sob pena de perderem o tratamento de entidades isentas do IRPJ), resultando em acumulação de riqueza patrimonial. Essa técnica contábil fazia espelhar nos balanços das corretoras a dimensão da riqueza patrimonial que a associada mantinha pelo fato de ser sócia das Bolsas. Todavia, o registro da valorização do ativo da corretora impunha o lançamento de uma contrapartida em conta credora, e se fosse em conta de resultado iria impactar o resultado tributável das sociedades corretoras. Para diferir ou postergar essa tributação para outro momento, foi editada a Portaria MF nº 785/77, a seguir transcrita: Dispõe sobre o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no que dispõe o art. 223. , "m" do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75, RESOLVE I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º , § 3º (RIR, art. 237). 5. CONTABILIZAÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOVESPA E DA BM&F A forma de contabilização dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F estava prevista no capítulo 1, item 11, subitem 3, do Plano Contábil do Sistema Financeiro Nacional – Cosif, e a conta prevista para registro dos títulos patrimoniais de bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros está classificada no Ativo Permanente – Investimentos, código Cosif 2.1.4.10.208. Já a conta para registro da Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais está classificada no Patrimônio Líquido – Reserva de Capital, código Cosif 6.1.3.70.009. A contabilização da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas não afetava o resultado do exercício, pois a contrapartida da atualização do valor do título era Fl. 550DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 551 6 registrada na conta patrimonial “Reserva de capital”, não levada ao resultado. Portanto, não havia tributação no momento da atualização, conforme Portaria MF nº 758/77. Ressaltese que a Portaria MF nº 758/77 trata de “constituição de reserva com acréscimo no valor nominal dos títulos patrimoniais”, isto é, a valorização efetiva dos títulos no tempo, situação que não se confunde com a desmutualização, em que houve a devolução do patrimônio das bolsas aos seus exassociados e agora acionistas. 6. DAS CONSEQUÊNCIAS TRIBUTÁRIAS DAS “DESMUTUALIZAÇÃO” – IRPJ E CSLL A RFB manifestouse por meio da Solução de Consulta Cosit nº 10/2007 (Ementa publicada no DOU de 30/10/2007), em consulta proposta pela associação civil Comissão Nacional de Bolsas de Valores, sobre as repercussões tributárias advindas do processo de desmutualização. Nessa Solução de Consulta, a RFB concluiu pela aplicação do art.17 da Lei nº 9.532/97, a seguir transcrito: Art.17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. (destacouse) Segundo o entendimento da RFB, a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor em bens e direitos recebidos a título de devolução de patrimônio de instituição isenta, e o Fl. 551DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 552 7 valor em dinheiro ou bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio é tributável, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL, no caso das pessoas jurídicas que apuram o imposto de renda com base no lucro real. No caso concreto, a RFB entende que no processo de desmutualização houve devolução de patrimônio da Bovespa e da BM&F (associações sem fins lucrativos) para as corretoras associadas, na forma de ações das novas empresas Bovespa Holding S/A e BM&F S/A (sociedades empresárias). Na operação de desmutualização, o valor tributável é a valorização dos títulos patrimoniais ao longo do tempo entre a formação do patrimônio inicial da bolsa e sua transformação em sociedade empresária, ou seja, a diferença entre o que cada corretora entregou para a formação do patrimônio das associações civis e o valor que recebeu, pelas ações das novas sociedades. 7. DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO O procedimento fiscal iniciouse em 03/02/2009, com a lavratura e ciência, pela contribuinte, do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 0304). Após análise dos documentos apresentados pela empresa, concluiuse que: a) os valores e quantidades dos títulos das bolsas foram os descritos neste termo; b) somente os valores históricos de aquisição dos títulos da BM&F foram informados; para os títulos da Bovespa a empresa alegou não dispor dos valores; c) a empresa apresentou quadro demonstrativo das ações das bolsas recebidas em substituição aos títulos patrimoniais e demonstrativo do ganho de capital obtido na venda das ações (fls.2632 e 112114); d) não houve apuração de IRPJ e CSLL por ocasião da desmutualização das bolsas; e) a empresa não possui ação judicial relativa à incidência de IRPJ e CSLL nas operações de desmutualização; f) não restou no ativo da empresa nenhum título original das bolsas desmutualizadas; g) a empresa apresentou balancetes mensais analíticos de agosto a dezembro de 2007, cópias dos razões contábeis das contas de registros dos títulos patrimoniais das bolsas, bem como das contas das contrapartidas das mais valias registradas no Ativo Permanente (atualização dos títulos), nas seguintes contas: Títulos patrimoniais da Bovespa Ativo Permanente – custo de aquisição: “Bovespa” – 2.1.4.10.10.0025 e “Bovespa L.8200” – 2.1.4.10.10.0055 Patrimônio Líquido: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 553 8 “Títulos Patrimoniais Bovespa” – 6.1.3.70.00.0029 Títulos patrimoniais da BM&F Ativo Permanente – custo de aquisição: “Corretora Mercadoria M/Futuro” – 2.1.4.10.10.0048 e “Corretora de Mercadoria M/Futuro L.8200” – 2.1.4.10.10.0078 Patrimônio Líquido: “Títulos Patrimoniais BM&F” – 6.1.3.70.00.0069 h) Na desmutualização da BM&F e Bovespa, as ações recebidas foram classificadas pela contribuinte nas seguintes contas do Ativo Permanente: “BM&F S/A” – 2.1.5.10.20.0021; “Bovespa Holding S/A” – 2.1.5.10.20.0011 8. DAS INFRAÇÕES APURADAS 8.1. INFRAÇÃO Nº 01 – ANOCALENDÁRIO 2007. IRPJ E CSLL. BOVESPA E BM&F. DESMUTUALIZAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ENTIDADES ISENTAS. RESULTADOS NÃO INCLUÍDOS NA APURAÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO QUE DEVEM SER COMPUTADOS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL (RIR/99) A contribuinte não apurou o IRPJ e a CSLL na operação de desmutualização, porém o entendimento da RFB é de que ocorreu o fato gerador desses tributos na devolução de patrimônio ocorrida por ocasião da desmutualização da Bovespa e da BM&F. Como a contribuinte não informou os valores de aquisição dos títulos da Bovespa, será considerado o valor inicial zero para esses títulos, na apuração da renda derivada da devolução de patrimônio. Para a BM&F, segundo informação da contribuinte, os títulos valiam 4.000 ORTN (título de corretora de mercadorias) e 1.000 ORTN (título de sócio efetivo), na data de aquisição (25/07/85). O valor tributável do IRPJ será apurado com base na valorização do título de corretor de mercadorias e do título de sócio efetivo, do período de 07/85 até o recebimento das ações em 30/09/2007 (BM&F S/A), bem como na valorização dos títulos patrimoniais da Bovespa (16 títulos) até o recebimento das ações em 28/08/2007, ao valor patrimonial de R$2,23 por ação. Observese que os bens e direitos adquiridos até 31/12/95 terão os respectivos custos corrigidos monetariamente até essa data, tomandose por base o valor registrado no Fl. 553DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 554 9 Razão Auxiliar em Ufir, convertidos para Reais com base na Ufir vigente em 1º/01/96 (R$ (R$0,8287), conforme Lei nº 9.249/95, art.4º. A atualização monetária ocorreu da seguinte forma: a) a ORTN passa a OTN, conforme art.6º do DecretoLei nº 2.284/86; b) a Lei nº 7.730/89 instituiu o Cruzado Novo (NCz$), extinguindo em 02/89 (art.15) a OTN (cujo valor era NCz$6,92); c) o art.5º da Lei nº 7.777/89 cria em 02/89 o BTN, que passa a ser utilizado como fator de correção monetária. O valor do BTN em fevereiro/89 era de NCz$1,00; d) o inciso I do art.3º da Lei nº 8.177/91 extinguiu o BTN, atribuindolhe o valor de Cr$126,8621; e) para o período de 02/91 a 12/91 será utilizado o IPCA como índice de correção; f) a partir de 01/92 foi instituída a Ufir (art.2º da Lei nº 8.383/91) no valor de Cr$126,8621. Conforme demonstrativo de fls.168, a atualização do valor de aquisição dos dois títulos patrimoniais da BM&F adquiridos pela CREDIT SUISSE CORRETORA resultou no valor total de R$23.115,65. Os 16 títulos patrimoniais da Bovespa foram transformados em 11.308.192 ações da Bovespa Holding S/A, no valor de R$25.217.268,16, recebidas em 28/08/2007 na operação de desmutualização. Da mesma forma, os títulos patrimoniais da BM&F de propriedade da CREDIT SUISSE CORRETORA foram transformados em 4.908.015 ações da BM&F S/A, no valor de R$4.908.015,00, recebidas em 01/10/2007 na operação de desmutualização. Essas ações foram recebidas em devolução aos valores, bens e direitos originalmente entregues para a formação dos patrimônios das duas bolsas de valores. A seguir, a base de cálculo apurada: Apuração da base de cálculo do IRPJ E CSLL (em R$). Entidade Valor entregue para a formação do patrimônio (custo original) (a) Valor recebido a título de devolução do patrimônio (b) Data da desmutualização Valor tributável (ab) Bovespa Zero 25.217.268,16 28/08/2007 25.217.268,16 BM&F 23.115,65 4.908.015,00 01/10/2007 4.884.899,35 O IRPJ e a CSLL sobre tais valores será lançado de ofício, com aplicação de multa de 75% nos termos do art.44, I, da Lei nº 9.430/96. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 555 10 8.2. INFRAÇÃO Nº 02 – ANOCALENDÁRIO 2007. IRPJ E CSLL. APURAÇÃO DA ESTIMATIVA MENSAL. RESULTADO DA DESMUTUALIZAÇÃO. VALORES NÃO INCLUÍDOS NA BASE DE CÁLCULO DAQUELES TRIBUTOS. MULTA DE OFÍCIO PREVISTA NO ART.44, II, “b” DA LEI 9.430/96 (MULTA ISOLADA) A CREDIT SUISSE CORRETORA informou ter apurado as estimativas mensais do IRPJ e CSLL com base na receita bruta e acréscimos, no anocalendário 2007. Na apuração do valor da estimativa com base na receita bruta, conforme artigos 222 a 230 do RIR/99, deverá ser incluído na base de cálculo o ganho obtido nas operações de desmutualização das bolsas (tributado na forma do art.239 do RIR/99 e cuja base legal para inclusão na base de cálculo da estimativa é a regra do art.225 do RIR/99). No caso em exame, todavia, o ganho na desmutualização das bolsas, resultante da diferença entre os valores recebidos em devolução de patrimônio e os valores entregues para a formação do patrimônio das bolsas, não foi incluído na apuração da base de cálculo da estimativa mensal do IRPJ e da CSLL dos meses de agosto de 2007 (desmutualização da Bovespa) e outubro de 2007 (desmutualização da BM&F), razão pela qual é devida multa isolada sobre tais valores, a teor do art.44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação do art.14 da Lei nº 11.488/2007, resultado da conversão da MP nº 351, de 22/01/2007. Ocorrido o auferimento de renda calculado pela sistemática de apuração mensal por estimativa, há o dever jurídico de recolher o tributo devido, bem como, em caso de descumprimento, uma consequência (multa sobre o montante que deixou de ser recolhido). Em 08/2007 o valor não incluído na apuração da estimativa foi R$25.217.268,16, correspondente ao ganho decorrente da desmutualização da Bovespa. E em 10/2007 o valor não incluído na apuração da estimativa foi R$4.884.899,35, correspondente ao ganho ocorrido na desmutualização da BM&F. Os valores das multas isoladas, apuradas nos demonstrativos de fls. 173174, são os seguintes: Multas isoladas (em R$) Período de apuração IRPJ CSLL 08/2007 3.143.158,51 1.134.777,07 10/2007 601.612,41 219.820,47 Os autos de infração (fls. 138153) foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Demonstrativo do IRPJ Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Principal Art. 17, caput, §§ 1º, 3º e 4º da Lei nº 9.532/97; art.249 do RIR/99. 7.525.541,87 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 556 11 Juros de Mora (até 30/06/2010) Art.6º, § 2º, da Lei nº 9.430/96. 1.852.035,85 Multa Proporcional Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 com redação dada pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007. 5.644.156,40 Multa Isolada Art.222 e 843 do RIR/99 c/c art.44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007. 3.744.770,92 TOTAL 18.766.505,04 Demonstrativo da CSLL Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Principal Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art.1º da Lei nº 9.316/96 e art.28 da Lei nº 9.430/96; art.37 da Lei nº 10.637/02. 2.709.195,07 Juros de Mora (até 30/06/2010) Art. 28 c/c art.6º, § 2º, da Lei nº 9.430/96. 666.732,90 Multa Proporcional Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 com redação dada pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007. 2.031.896,30 TOTAL 5.407.824,27 Demonstrativo da Multa Isolada CSLL Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Multa Isolada Art.222 e 843 do RIR/99 c/c art.44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007. 1.354.597,54 TOTAL 1.354.597,54 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 194234, acompanhada dos documentos de fls. 235436 em síntese alegando: 1. DOS FATOS Em 23/03/81, a impugnante (então Garantia S/A CTVM) adquiriu 16 títulos patrimoniais da Bovespa (títulos Bovespa). Posteriormente, em 25/07/85, a impugnante adquiriu 2 títulos patrimoniais da BM&F, sendo 1 título da categoria “sócio efetivo” e 1 título da categoria “corretora de mercadorias” (Títulos BM&F). Fl. 556DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 557 12 A aquisição de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F, então organizadas sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, era condição necessária para que instituições financeiras e corretoras pudessem operar nessas bolsas. A impugnante, observando a Circular do Banco Central do Brasil (Bacen) nº 1.273/87, que instituiu o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), registrava contabilmente seus títulos patrimoniais nas seguintes contas do ativo permanente: (i) Títulos Bovespa: contas nº 2.1.4.10.10.0025/Bovespa e 2.1.4.10.10.005 5/Bovespa L8200 (fls. 265271); (ii) Títulos BM&F: contas nº 2.1.4.10.20.0048/Corretora Mercadoria M/Futuro e 2.1.4.10.20.0078/Corretora Mercadoria M/Futuro L8200 (fls.273278). Em observância ao Cosif, tais ativos foram de início registrados pelos valores de aquisição, sendo as contas ajustadas periodicamente em razão das variações verificadas no patrimônio líquido da Bovespa e da BM&F, em contrapartida ao registro dos ajustes em subcontas de reserva de atualização, da conta de reserva de capital da impugnante: (i) Títulos Bovespa: contas nº 6.1.3.70.00.0029/Títulos Patrimoniais Bovespa (fls.280284); (ii) Títulos BM&F: contas nº 6.1.3.70.00.0069/Títulos Patrimoniais BMF (fls.286289). O capítulo 1, Seção 11, item 3 do Cosif, cuja adoção era obrigatória pela impugnante, dispunha: 3. Outros Investimentos 1 Constituem a carteira Outros Investimentos as seguintes aplicações: a) investimentos por incentivos fiscais; b) títulos patrimoniais; c) ações e cotas; d) outros investimentos. 2 Tais investimentos, bem como participações acionárias não aferíveis com base no patrimônio líquido, avaliamse pelo custo de aquisição, deduzido da provisão para perdas permanentes. (Circ 1273) 3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, Fl. 557DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 558 13 procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: (Circ 1273) a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. 4 As atualizações de títulos patrimoniais, informadas pelas bolsas, independentemente da época de sua aprovação, são valorizadas em cada levantamento de balanço de exercício para efeito de lançamentos de ajustes. (Circ 1273) De acordo com as normas do CMN e Bacen, e como a Bovespa e a BM&F obtiveram resultados positivos na maioria dos anos subsequentes à aquisição dos Títulos Bovespa e BM&F pela impugnante, os valores contábeis desses títulos nas contas do ativo permanente da impugnante foram periodicamente aumentados, em contrapartida às contas de reserva de capital. Tais ajustes contábeis não foram tributados pois não são receita ou ganho para a empresa, conforme a Portaria MF nº 785/77. Por ocasião da desmutualização, a Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas e tiveram parcelas de seus patrimônios representadas por ativos e passivos relacionados e/ou correlatos às suas atividades de mercado, incorporados por sociedades anônimas que as substituíram no exercício de tais atividades. No caso da BM&F, seu patrimônio cindido foi integralmente incorporado pela BM&F S/A, com a consequente atribuição de ações emitidas por esta empresa aos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F. Quanto à Bovespa, seu patrimônio cindido foi incorporado por duas empresas distintas, a Bovespa Serviços e a Bovespa Holding, atribuindose ações emitidas por tais empresas aos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa. Em seguida a Bovespa Holding incorporou todas as ações de emissão da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e da Bovespa Serviços mantidas pelos antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa, sendolhes atribuídas novas ações de emissão da Bovespa Holding, que se tornou controladora integral da CBLC e da Bovespa Serviços (cuja denominação passou a ser Bolsa de Valores de São Paulo S/A – BVSP). Como essas últimas operações foram realizadas num mesmo dia, em sequência, podese afirmar que, na prática, os títulos patrimoniais da Bovespa foram substituídos por ações da Bovespa Holding. As quantidades de ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A atribuídas aos possuidores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F foram determinadas com base nos Fl. 558DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 559 14 valores contábeis desses títulos, apurados nos balancetes de 30/06/2007 e 31/08/2007, respectivamente. Com base nos respectivos valores contábeis, atualizados segundo as normas do Cosif referidas, determinouse que : (i) cada título patrimonial da Bovespa seria substituído por 706.762 ações da Bovespa Holding; (ii) cada título patrimonial de “corretora de mercadorias” da BM&F seria substituído por 4.898.015 ações da BM&F S/A; (iii) cada título patrimonial de “sócio efetivo” da BM&F seria substituído por 10.000 ações da BM&F S/A. No entanto, a desmutualização da Bovespa e BM&F não importou em devolução de seus patrimônios à impugnante, nem gerou acréscimo patrimonial para a empresa (fato gerador dos tributos em discussão). 2. DA NÃOOCORRÊNCIA DE DEVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO DA BOVESPA E DA BM&F À IMPUGNANTE Os títulos patrimoniais da impugnante foram substituídos pelas ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A em decorrência de cisão parcial da Bovespa e da BM&F, com a incorporação subsequente das parcelas cindidas por Bovespa Serviços, Bovespa Holding e BM&F S/A. Nas cisões e incorporações não há alienação nem devolução de patrimônio, mas sim sucessão. A impugnante recebeu as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A pelo mesmo valor contábil de seus títulos Bovespa e BM&F, conforme contas contábeis de fls.304318. Não houve extinção ou redução de capital da Bovespa e da BM&F, nem devolução ou restituição de seus patrimônios aos associados, seguida pela realização de novos investimentos na Bovespa Holding e BM&F S/A. Os ativos integrantes do patrimônio cindido da Bovespa e da BM&F não foram atribuídos aos associados; a estes atribuiuse apenas as ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, em substituição aos títulos patrimoniais detidos pelos associados. Tais ações nunca integraram o patrimônio da Bovespa e BM&F, o que afasta a possibilidade de que a operação correspondeu a uma “devolução” do patrimônio dessas entidades aos associados. As assembleias gerais da Bovespa e BM&F decidiram pela desmutualização, sendo essas decisões observadas mesmo por membros que delas discordaram (fls. 243263). A Solução de Consulta Cosit nº 10/2007 não possui fundamento legal pois (i) na falta de dispositivo legal vedando a operação de cisão pelas associações, não pode a Cosit presumila proibida, segundo o princípio da legalidade; (ii) o art.2.033 do Código Civil reconhece a possibilidade de as associações serem submetidas a processos de reorganização societária, envolvendo cisão, transformação, incorporação e fusão; e (iii) as desmutualizações não podem ser configuradas como operações de dissolução da Bovespa e da BM&F, com devolução de patrimônio aos associados. Tendo os respectivos atos societários sido Fl. 559DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 560 15 examinados e arquivados na junta comercial, as desmutualizações tornaramse válidas e definitivas juridicamente. É inquestionável que: (i) a Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas, e parcelas de seus patrimônios foram incorporadas, respectivamente, por Bovespa Holding (e Bovespa Serviços) e BM&F S/A; (ii) tais processos não importaram na extinção da Bovespa ou da BM&F; (iii) os associados da Bovespa e da BM&F receberam, em substituição aos títulos patrimoniais, ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, as quais nunca integraram o patrimônio da Bovespa e da BM&F; e (iv) nenhum dos ativos integrantes do patrimônio cindido da Bovespa e da BM&F foi entregue aos associados. As ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A não foram recebidas pela impugnante como devolução do patrimônio da Bovespa e da BM&F, sendo inaplicável ao caso concreto o art.17 da Lei nº 9.532/97 e o art.239 do RIR/99, impondose o cancelamento da autuação. A fiscalização tenta subverter a ordem e a natureza dos fatos, tratando os processos de desmutualização como operações de devolução de patrimônio, exigindo tributos por analogia, em desacordo com o art.108, § 1º, do CTN. A realização de operações de cisão com incorporação era a única forma de transferir os ativos e passivos patrimoniais das bolsas, relacionados às suas atividades de mercado, para as novas empresas criadas. Assim, as desmutualizações da Bovespa e da BM&F não podem ser equiparadas, nem por analogia, a operações de devolução de patrimônio seguidas de conferimento desse mesmo patrimônio ao capital das novas sociedades. 3. DA INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL Mesmo que tivesse ocorrido a devolução de patrimônio das bolsas para a impugnante, tal devolução não seria capaz de suscitar o pagamento de IRPJ ou CSLL por parte da impugnante. O fato gerador do IRPJ é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica sobre a renda, conforme art.43 do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar nº 104/2001. Os autos de infração somente seriam procedentes se a desmutualização gerasse acréscimo patrimonial para a impugnante. O mesmo raciocínio se aplica à CSLL. As cisões das bolsas apenas fizeram com que os investimentos em títulos patrimoniais da impugnante se transformassem em investimentos em ações, com os mesmos valores contábeis, sem acréscimo patrimonial, conforme contas contábeis às fls. 303318. As substituições dos títulos Bovespa e BM&F pelas ações da Bovespa Holding e da BM&F foram eventos neutros em termos fiscais e contábeis, não gerando nenhum ganho passível de inclusão nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL. A Solução de Consulta Cosit nº 13/97 reconheceu, em operação anterior de cisão parcial da Bovespa, o efeito permutativo da operação, e a impossibilidade de gerar acréscimo patrimonial para os associados da Bovespa. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 561 16 4. DOS EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO DO SUPOSTO GANHO DE CAPITAL AUFERIDO PELA IMPUGNANTE NA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA A impugnante não localizou documentos que evidenciassem o custo de aquisição dos títulos Bovespa, e a fiscalização atribuiu custo zero a esses títulos. Tal procedimento é ilegal e injustificável pois conforme o parágrafo único do art.195 do CTN e o art.4º do DecretoLei nº 486/69, a obrigatoriedade de conservar documentos comprobatórios das operações não ultrapassa o prazo prescricional de 5 anos para a Fazenda exigir créditos tributários decorrentes daquelas operações. Conforme art. 8º do DecretoLei nº 486/69, e art. 9º do DecretoLei nº 1.598/77, a escrituração contábil mantida com observância das disposições legais faz prova a favor da contribuinte. Assim, a fiscalização deveria ter apurado o custo histórico dos títulos Bovespa a partir dos registros contábeis da impugnante. Em observância ao Cosif os títulos Bovespa foram inicialmente registrados pelos valores de aquisição, sendo posteriormente ajustados em razão das variações verificadas no patrimônio líquido da Bovespa, em contrapartida ao registro dos ajustes na conta de reserva de atualização (reserva de capital). Os títulos Bovespa foram contabilizados pelo valor total de R$25.102.243,04 (contas 2.1.4.10.10.0025/Bovespa e 2.1.4.10.10.0055/Bovespa L8200, fls.265271) e a reserva de atualização dos títulos Bovespa foi contabilizada pelo valor de R$24.229.600,62 (conta 6.1.3.70.00.0029/Títulos Patrimoniais Bovespa, fls.280284). Assim, o custo de aquisição dos títulos Bovespa pode ser obtido pela diferença entre o primeiro e o segundo valor, resultando em R$872.642,42, devendo ser retificado o cálculo do ganho de capital supostamente auferido pela impugnante na desmutualização da Bovespa. A fiscalização cometeu ainda outro equívoco, ao atribuir a cada ação da Bovespa Holding o valor de R$2,33, com base em informação contida no Ofício Circular Bovespa nº 225/2007 (fls.131133), concluindo que o valor total das ações recebidas pela impugnante seria de R$25.217.268,16. Porém, o ganho referido pela fiscalização deveria ter sido quantificado com base no valor atribuído às ações da Bovespa Holding por ocasião da desmutualização, e não no valor atribuído a elas após os efeitos da reestruturação. A fiscalização deveria ter reconhecido que as ações da Bovespa Holding foram recebidas pela impugnante pelo valor de R$2,06 por ação, pois este foi o valor pelo qual as ações foram efetivamente emitidas, conforme atestam as atas das assembleias gerais da Bovespa Holding (fls.320327). Assim, o valor total das ações da Bovespa Holding recebidas pela impugnante é R$23.294.875,52. A fiscalização indiretamente tenta tributar o saldo da reserva de atualização dos títulos Bovespa. Conforme a Portaria MF nº 785/77, os valores referentes às atualizações de títulos patrimoniais de bolsas de valores, desde que não distribuídos pela impugnante, não estavam sujeitos à tributação. Esses ajustes positivos se assemelham ao registro de ganhos escriturais decorrentes do método de equivalência patrimonial. Conforme o Cosif, essas atualizações representam acréscimo ou perdas efetivos para a detentora dos títulos. A atualização corresponde à diferença entre o valor Fl. 561DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 562 17 contábil dos títulos patrimoniais e o valor informado pelas bolsas com base no resultado por elas auferido. O Cosif prevê que a atualização pode ser utilizada como as demais reservas de capital, confirmandose que essa atualização assemelhase a um ganho do método de equivalência patrimonial, pois corresponde à uma diferença positiva entre o valor do custo do investimento e o valor do patrimônio líquido da investida. Ademais, não se pode tributar o saldo da referida reserva, já que não houve sua realização pela impugnante após a desmutualização, conforme lançamentos de fls.329333. 5. DO NÃOCABIMENTO DA MULTA ISOLADA As alterações do art.44 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.488/2007 não tiveram por objetivo permitir uma cumulação de penalidades nas mesmas bases (multa de ofício e multa isolada). O objetivo foi viabilizar a cobrança de multa isolada sobre estimativas não recolhidas ou recolhidas a menor, quando a empresa apura prejuízo fiscal e base negativa de CSLL ao término do período base, ou, quando o montante de IRPJ e CSLL definitivos é menor do que aquele que seria devido por estimativa. A expressão “isolada” não presume cumulação com qualquer outra multa. O legislador não pretendeu abolir o princípio da absorção, pelo qual a aplicação de multa pelo não recolhimento do tributo em definitivo absorve a multa decorrente da violação do dever de antecipar. No caso, há identidade de base tributável, pois os supostos ganhos de capital sofrem dupla imposição de multas de ofício (originária e isolada). A obrigação tributária decorre de lei, inclusive quanto à cominação de penalidade (art.97, V, do CTN). A cobrança das duas multas oneraria a contribuinte com quase o mesmo percentual de multa aplicado em caso de evidente intuito de fraude (150%). A jurisprudência administrativa, conforme acórdãos expostos às fls.231233, reafirma a impossibilidade de concomitância de aplicação da multa de ofício originária e de multa isolada em caso semelhante ao presente. O próprio acórdão nº 0105.875 da CSRF, mencionado pelo fiscal, é favorável à impugnante. Deve ser cancelada a multa isolada de 50% em razão de ter sido cobrada com base no mesmo e único fato que acarretou a aplicação da multa de ofício proporcional de 75%, configurando “bisinidem”. 6. RELAÇÃO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS A impugnante anexou os seguintes documentos em sua defesa: 1. Documentos do representante legal (fls.235241); 2. Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Bovespa de 28/08/2007 (fls.242249); Fl. 562DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 563 18 3. Ata da Assembleia Geral Extraordinária da BM&F de 20/09/2007 (fls.250263); 4. Lançamentos das contas 2.1.4.10.10.0025/Bovespa e 2.1.4.10.10.005 5/Bovespa L.8200, períodos 01/01/91 a 31/12/97 e 01/01/98 a 26/07/2010 (fls. 264271); 5. Lançamentos das contas 2.1.4.10.20.0048/Corretora Mercadoria M/Futuro e 2.1.4.10.20.0078/Corretora Mercadoria M/Futuro L8200, períodos 01/01/91 a 31/12/97 e 01/01/98 a 26/07/2010 (fls. 272278); 6. Lançamentos da conta 6.1.3.70.00.0029 – Títulos Patrimoniais Bovespa, períodos 01/01/91 a 31/12/97 e 01/01/98 a 30/06/2010 (fls.279284); 7. Lançamentos da conta 6.1.3.70.00.0069 – Títulos Patrimoniais BMF, períodos 01/01/91 a 31/12/97 e 01/01/98 a 26/07/2010 (fls.285289); 8. Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da Bolsa de Mercadorias & FuturosBM&F (fls.290302); 9. Lançamentos das contas 2.1.5.10.20.0011 – Bovespa Holding S/A e 2.1.5.10.20.0021 – BM&F S/A, período 01/01/98 a 26/07/2010; e contas 2.1.4.10.10.0025 – Bovespa, 2.1.4.10.10.0055 – Bovespa L.8200, 2.1.4.10.20.0048 – Corretora Mercadoria M/Futuro, 2.1.4.10.20.0078 – Corretora Mercadoria M/Futuro L8200, períodos 01/01/91 a 31/12/97 e 01/01/98 a 26/07/2010 (fls.303318); 10. Atas das Assembleias Gerais Extraordinárias da Bovespa Holding S/A de 28/08/2007 (fls.319327); 11. Lançamentos da conta 6.1.3.70.00.0029 – Títulos Patrimoniais Bovespa, períodos 01/01/91 a 31/12/97 e 01/01/98 a 30/06/2010 (fls.328333); 12. Acórdãos do Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 10248.699, 104.23.338, 0105.875, 0104.987, 10807.493, 10248.899 e 10323.356 (fls.334436). A DRJ decidu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 564 19 DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. ESCRITURAÇÃO. PROVA. SUPORTE POR DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor da contribuinte, dos fatos nela registrados, se tais fatos forem comprovados por documentos hábeis e idôneos. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a da multa de ofício, pois esta é cabível nos casos de falta de pagamento do valor devido de IRPJ e CSLL apurados ao término do exercício. Portanto, ambas podem ser aplicadas à contribuinte. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à CSLL dele decorrente. Ciente do acórdão em 6/01/2011, apresentou recurso voluntário em 03/02/2011. Em seu recurso alega: que não ocorreu devolução de patrimônio da Bovespa e da BM&F à recorrente, pois o que houve foi uma cisão parcial na Bovespa e BM&F, e na cisão não há alienação e muito menos devolução de patrimônio, mas sim sucessão e a recorrente recebeu as ações Bovespa Holding e ações BM$F pelo memso valor contábil de seus títulos Bovespa e seus títulos BM&F ainda que as desmutualizações tivessem importado em alguma “devolução” de patrimônio da Bovespa ou da BM&F para a recorrente, tal devolução não seria capaz de suscitar o pagamento de IRPJ ou CSLL por parte da recorrente por ausência de acréscimo patrimonial; que, sendo superados os argumentos anteriores, o lançamento deve ser retificado pois há equívoco nos cálculos, pois a fiscalização atribuiu custo zero aos títulos Fl. 564DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 565 20 Bovespa pelo fato da recorrente não ter localizado os documentos de aquisição e isso se deu pelo prazo (quase trinta anos) entre as aquisições e o lançamento; , a fiscalização atribuiu a cada ação da BOVESPA HOLDING o valor de R$ 2,33, pelo que concluiu que o valor total das ações recebidas pela RECORRENTE seria de R$ 25.217.268,16 (11.308.192 x R$ 2,33). Contudo, seguindo a equivocada linha de raciocínio da fiscalização, de que a operação em questão teria gerado um ganho para a RECORRENTE, tal ganho deveria ter sido quantificado com base no valor atribuído as ações da BOVESPA HOLDING por ocasião da desmutualização, e não com base no valor atribuído a elas "após os efeitos da reestruturação mencionada". Nesse sentido, deveria a fiscalização ter reconhecido que as ações da BOVESPA HOLDING foram recebidas pela RECORRENTE pelo valor de R$ 2,06 por ação, tendo em vista que foi este o valor pelo qual elas foram efetivamente emitidas, conforme atestam as atas das assembléias gerais da BOVESPA HOLDING relacionadas ao processo de desmutualização, que não podem ser simplesmente ignoradas, como o foram pela DECISÃO. Assim, no cálculo do suposto ganho de capital auferido pela RECORRENTE na desmutualização da BOVESPA, deveria ter sido considerado como valor total das ações recebidas pela RECORRENTE o montante de R$ 23.294.875,52 (11.308.192 x R$ 2,06). Caso eventualmente mantidos os AUTOS, o que se admite apenas para fins de argumentação, o suposto ganho de capital em questão deveria ser reduzido de R$ 25.217.268,16, para R$ 22.422.233,10, valor resultante da diferença entre o real custo histórico dos Títulos BOVESPA (R$ 872.642,42) e o valor total das ações da BOVESPA HOLDING recebidas pela RECORRENTE na operação (R$ 23.294.875,52). que não cabe a aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício aplicada. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 566 21 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A lide se restringe à questão de direito, ou seja, à exigência de tributo na denominada operação de desmutualização da BMF e da Bolsa de Valores. Entendo relevante contextualizar o tema a partir da exposição de motivos da MP 1602, que redundo na Lei 9532: 15. Os artigos 12 a 18 tratam de disciplinar, de forma clara e objetiva, os procedimentos que tenham reflexos de natureza tributária, a serem observados pelas entidades imunes e isentas. Nesse sentido, são introduzidas diversas alterações relativamente às normas atualmente vigentes, dentre as quais se destacam: ... j) a aplicação, às referidas entidades, dos mesmos critérios estabelecidos para as demais pessoas jurídicas quanto a entrega de dinheiro, bens ou direitos para a formação do patrimônio, bem quanto à devolução dos referidos valores, tributandose a diferença de valores entre as duas operações, quando dela resultar ganho para a pessoa física ou jurídica que receber a devolução. O artigo 17 da referida MPV, que foi convertida na Lei 9532, prescreve: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou Fl. 566DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 567 22 adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. A solução de Consulta nº 10 da RFB, analisou o tema: O instituto da cisão, disciplinado nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, e no art. 1.122 da Lei nº 10.406, de 2002, só é aplicável às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade. Às bolsas de valores constituídas sob a forma de associações se aplica o regime jurídico estatuído nos arts. 53 a 61 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002). O art. 61 da Lei nº 10.406, de 2002, veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa. As sociedades corretoras devem avaliar as cotas ou frações ideais das bolsas de valores pelo custo de aquisição. O fato de a operação de "desmutualização" de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores. Lei 6404 Cisão Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. Código Civil CAPÍTULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Art. 1.122. Até noventa dias após publicados os atos relativos à incorporação, fusão ou cisão, o credor anterior, por ela prejudicado, poderá promover judicialmente a anulação deles. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 568 23 O Tribunal Regional Federal da 3ª Região, também tratou do tema: I. As Bolsas de Valores, nos termos da Lei 6.385/76 são órgãos integrantes do sistema de distribuição de valores mobiliários, voltandose à realização do interesse geral do mercado. Conquanto pessoas jurídicas de direito privado, exercem serviço público. Constituídas originariamente como associações sem fins lucrativos colaboradoras com o poder público, assembléias gerais extraordinárias vieram de aprovar a "desmutualização" II. das Bolsas, acarretando a conversão dos títulos patrimoniais dos associados, detidos pelos Agravantes, em ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A. II. A noticiada "desmutualização" alterou a situação jurídico tributária então existente, ensejando a incidência fiscal, a teor da Lei 9.532 de 10/12/97, art. 17. III. O art. 177, § 2º da Lei 6.404/76, prevê que as normas de natureza tributária possam ter apuração de resultado diferente do contábil. IV. O Dec. 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda RIR determina a utilização do método de equivalência patrimonial apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas (arts. 384, 387, 388), do que não se cogita na espécie dos autos. V. Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida anteriormente à vigência da Lei 9.532 de 10/12/97, que ora rege a hipótese objetivada. VI. Agravo a que se nega provimento. No mesmo diapasão a 1ª instância: A 6ª Vara Federal de São Paulo também abordou o tema nos autos do MS 2008.61.00.0118229:continua Fl. 568DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 569 24 continua Fl. 569DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 570 25 continua Fl. 570DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 571 26 continua Fl. 571DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 572 27 continua Fl. 572DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 573 28 Me parece cristalino que o art. 17 da Lei 9532, diante da possibilidade de transformação de entidades isentas e/ou imunes em outra espécie que buscasse o lucro, buscou tributar o ganho que os “sócios” teriam com a mudança. Entendo inequívoco que a alteração trouxe expressivo “ganho”, ou melhor dizendo, trouxe riqueza nova, fundamento primeiro da tributação pelo Imposto sobre a renda. Uma análise isenta dos fatos deixa evidente o ganho da recorrente com o processo de desmutualização. Não se pode deixar de levar em consideração que os expressivos patrimônios da BMF e da Bovespa foram constituídos com forte incentivo estatal e, por conseqüência, com utilização de recursos que foram extraídos de toda a sociedade. Durante décadas, para incentivo de uma atividade que não poderia buscar o lucro individual , mas o benefício de toda a sociedade (incentivo à capitalização das empresas), deixouse de tributar o enriquecimento daqueles órgãos. Quando, por iniciativa de seus participantes decidem alterar seu funcionamento, seguindo tendência do mercado e não orientação estatal, não se mostra admissível que todo o recurso estatal (subtraído da sociedade) possa ser revertido em benefício de alguns poucos privilegiados, sem ao menos submeterse à tributação, por sinal bastante módica. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 574 29 Para não se submeter a tributação buscouse utilizar de artifícios jurídicos que entendo inadequados e não são albergados sob a alcunha de planejamento tributário. Vejamos. As então associações sem fins lucrativos realizaram uma operação societária que entendo inadequada às associações, que foi a cisão parcial, no intuito de dar aparência que não houve a dissolução e, por conseqüência, não teria havido a devolução de patrimônio aos associados, o que poderia evitar a tributação. No momento anterior ao processo, a recorrente participava de uma entidade isenta, que não podia distribuir resultados e era participante por exigência da legislação, pois lhe era impossível o exercício de sua atividade sem participar da entidade. Com a desmutualização, a recorrente recebeu da BM F e da Bolsa de Valores de São Paulo, cotas do capital social, na forma de devolução de capital social. A Receita Federal manifestouse sobre o tema em solução de consulta: Da análise da SC 13/97, vêse que não foi devidamente delimitado o regime jurídico das bolsas de valores, pois ora as têm como associações entidades sem fins lucrativos, ora as submetem às normas da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das S/A) para lhes aplicar a disciplina do instituto da cisão e do método da equivalência patrimonial. Em verdade, não pode a bolsa de valores estar submetida a dois regimes jurídicos diferentes, ou bem é uma associação regida pelo Código Civil e gozando dos benefícios fiscais que são próprios de tal categoria ou bem é uma sociedade anônima sujeita às obrigações tributárias que lhe são impostas por lei. DA CISÃO 14.A cisão é instituto jurídico criado e disciplinado, inicialmente, apenas nos arts. 229 e segs. da Lei nº 6.404, de 1976, assim, logicamente, aplicável às pessoas jurídicas submetidas a esse regime por força do mesmo diploma legal ou de outra lei, a exemplo do parágrafo único do art. 1.053 do novo Código Civil, que determina a possibilidade do estatuto da sociedade limitada submetêla, supletivamente, às normas da Lei das S/A. Posteriormente, o Código Civil de 2002, nos arts. 1.113 e segs., estendeu a aplicação dos institutos da transformação, incorporação, fusão e cisão para as sociedades em geral. De qualquer forma, seja pela Lei das S/A, seja pelo Código Civil de 2002, o instituto da cisão só é aplicável às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade. Tanto é assim, que a Instrução Normativa nº 88, de 2001, do Departamento Nacional de Registro de Comércio, dispõe que as operações de transformação, incorporação, fusão e cisão abrangem apenas as sociedades mercantis. Além disso, não há norma que determine ou autorize a opção (em estatuto) de aplicação dos institutos da Lei nº 6.404, de 1976, ou dos arts. 1.113 e segs. do Código Civil de 2002 às associações, pois, nem mesmo a Lei nº 6.385, de Fl. 574DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 575 30 1976, que disciplina a organização e funcionamento das bolsas, chega a tanto. 15.Por seu turno, a consulente sustenta, implicitamente, que a cisão das bolsas de valores encontraria respaldo na alínea “g” do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, em vista do que dispunha o já revogado § 4º do art. 15 da mesma lei. Ora, tal dispositivo não dispõe que as normas da Lei nº 6.404, de 1976, sejam aplicadas às associações, mas, de forma genérica, determina apenas, em havendo cisão de entidade que goze de imunidade (também de isenção, quando ainda em vigor o referido § 4º do art. 15), que o patrimônio cindido fosse obrigatoriamente destinado a uma entidade que atendesse as mesmas condições. O que se pode unicamente depreender é que a alínea “g” veda a destinação do patrimônio de entes sem fins lucrativos e que gozem da imunidade ali tratadas a entidades com fins lucrativos. 16.Decerto que uma associação pode segregar seu patrimônio, para, com a parte segregada, formar outra pessoa jurídica. Todavia, ainda que tal operação em muito se pareça com a cisão da Lei nº 6.404, de 1976, ou dos arts. 1.113 e segs. do Código Civil de 2002, com ela não se confunde, pois a elas não se aplica o mesmo regime jurídico. Além de não haver autorização no ordenamento jurídico para que se lhe aplique subsidiariamente as normas da Lei das S/A ou dos arts. 1.113 e segs. do Código Civil de 2002, a operação descrita pela consulente deve observar as limitações legais impostas à destinação de bens de associações. Nesse sentido é que deve ser interpretado o termo “cisão” na alínea “g” do § 2º do art. 12 e no parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.532, de 1997. 17.Mais especificamente sobre o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.532, de 1997, enganase a consulente quando entende que o destinatário de tal norma seja a categoria das associações, não o é, pois que a norma se aplica aos entes isentos, o que compreende um universo mais abrangente já que nele se incluem também algumas sociedades. Ademais, em momento nenhum tal parágrafo dispôs sobre a aplicação subsidiária das normas da cisão da Lei nº 6.404, de 1976, aos entes isentos ali tratados, logo, o termo cisão ali tratado deve ser visto à luz do regime jurídico aplicável ao ente isento que tenha sofrido a segregação do patrimônio. Reproduzo trecho dos memórias entregues pela douta PGFN, que traduz minha interpretação dos fatos: “Primeiramente, é preciso ser dito que o Contribuinte Recorrente insiste repetidas vezes que a incorporação, a cisão e a fusão de bolsas de valores eram plenamente aplicáveis ao caso em análise. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 576 31 Sua argumentação baseiase em uma leitura pontual e isolada do artigo 5º da Resolução CNM nº 2.690/2000, que assim dispõe: “Art. 5º O estatuto social das bolsas de valores deve estabelecer, além do que for exigido pela legislação aplicável, regras básicas relativas à adoção de estrutura administrativa e operacional que permitam assegurar o pleno atendimento do seu objeto social e dos requisitos inerentes à sua condição de instituição auxiliar da Comissão de Valores Mobiliários enquanto entidade reguladora e fiscalizadora do mercado, dispondo, ainda, sobre: (...) VII incorporação, fusão, cisão e dissolução da bolsa de valores;” O Contribuinte Recorrente esquece, ou opta por não mencionar, que a leitura integral e sistemática da Resolução CNM nº 2.690/2000 demonstra a plena possibilidade de convivência de bolsas de valores constituídas como associações civis ou como sociedades anônimas. Em outros termos, o poder público instituiu uma faculdade para as bolsas de valores: ou elas se constituem sob a forma de associações civis ou sob a forma de sociedades anônima. Esse é o teor do artigo 1º, bem como de diversos dispositivos daquela resolução CMN, verbis: “Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: (...) Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 6º O Patrimônio ou o capital social das bolsas de valores deve ser formado, quando da constituição, mediante realização em dinheiro, e será dividido, conforme o caso, em títulos patrimoniais ou ações ordinárias com direito de voto pleno, devendo a quantidade e o valor inicial de emissão de títulos patrimoniais ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 7º As bolsas de valores podem emitir títulos patrimoniais ou ações com direito de voto pleno, cuja colocação será realizada mediante leilão, com préqualificação para os licitantes, ou na forma prevista em lei. (...)”Como se observa, a Resolução CMN nº 2.690/2000 faculta a adoção de qualquer das formas, associação civil sem fins lucrativos ou sociedade anônima, para as bolsas de valores. Igualmente, traça diretrizes tanto para as que adotaram a Fl. 576DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 577 32 estrutura jurídica de associação quanto para aquelas que adotaram a forma de S.A. Ocorre, porém, que o Contribuinte Recorrente deseja a aplicação de dispositivos previstos apenas para quem adotou a forma de S.A. quando, indiscutivelmente, a estrutura jurídica da Bovespa e da BM&F eram de associações civis. Por mais engenhosas que tenham sido as operações societárias que culminaram com a transferência das atividades das Bolsas para uma S.A., não há como fugir da simplicidade dos fatos. Ou seja, ao final das operações, as associações civis sem fins lucrativos estavam extintas e, em seu lugar, constituíramse sociedades anônimas. Ora, os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização topográfica indica sua aplicação somente às sociedades empresárias (Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade; Subtítulo II – Da Sociedade Personificada; Capítulo X – Da Transformação, Da Incorporação, Da Fusão e Da Cisão das Sociedades). Corrobora esse entendimento, ou seja, de aplicação daqueles institutos jurídicos somente às sociedades mercantis, a Instrução Normativa Nº 88 do DNRC1, que, em pleno vigor, dispõe sobre o arquivamento dos atos de transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades mercantis. A referida IN assim dispõe: “Art. 23. As operações de transformação, incorporação, fusão e cisão abrangem apenas as sociedades mercantis, não se aplicando às firmas mercantis individuais.”” Como se observa, ilustres Conselheiros(as), uma vez que a cisão e a incorporação não podem ser aplicadas às sociedades civis, as operações societárias resultaram, em verdade, na extinção das sociedades civis Bovespa e BM&F. Em casos como estes, a regra aplicável não é outra senão o artigo 61 do Código Civil. “Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições 1 Disponível em: http://www.dnrc.gov.br/ . Acesso em: 13 de janeiro de 2010. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 578 33 indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União.” Como se vê, o artigo 61 do Código Civil veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa. Os Contribuintes defendem a aplicação de institutos próprios de sociedades empresárias com fundamento em interpretação literal e isolada do artigo 2033, verbis: Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Ora senhores(as) Conselheiros(as), uma interpretação de dispositivo legal não pode retirar todo o conteúdo normativo de um outro artigo da lei. Neste caso específico, ainda que se admita a aplicação de cisão, incorporação, etc, às sociedades civis, não se pode fugir das conseqüências estipuladas no artigo 61 do Código Civil. Em outras palavras, caso se entenda aplicável os institutos da cisão e incorporação às sociedades civis, por força de interpretação isolada do Art. 2.033 do CC, as estipulações próprias à natureza de sociedades civis sem fins lucrativos não podem ser desprezadas, sob pena de ofensa ao critério da especificidade, prestigiado até mesmo pelo citado artigo 2.033. Com efeito, o Art. 2.033 ressalva sua aplicação em caso de legislação específica. No que se refere às associações civis, a legislação específica tratase da Lei nº 6.015, de 1973, que nada fala sobre tais institutos (fusão, cisão, incorporação, transformação) para as associações civis. Assim sendo, a matéria possui tratamento específico nos artigos 53 a 61 do Código Civil. Em todos os artigos do Código sobre as Associações fica claro o distanciamento entre elas e a finalidade econômica. Parecenos suficientemente claro, a partir de interpretação sistemática e teleológica dos artigos, que a exploração de atividade econômica por pessoa jurídica submetida a regime incompatível com a mercancia exigiria sua prévia extinção. Ainda que admitíssemos a aplicação de institutos como a transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias ao presente caso, apenas para se evitar eventual solução de continuidade das atividades desenvolvidas pelas bolsas, ainda assim, dada a nítida disparidade de regimes, não há como fugir à conclusão (como manda a lei) de que os associados receberam de volta patrimônio e, ato contínuo, utilizaramse do mesmo na integralização de ações em sociedade anônima. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 579 34 Entender de maneira diversa, ou seja, admitir a utilização indiscriminada dos institutos da transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias ao presente caso, é negar vigência ao regime jurídico que disciplina as associações civis sem fins lucrativos, mormente ao Art. 61 do Código Civil. Acrescentese, Senhores(as), não havia qualquer determinação ou exigência estatal para que as Bolsas passassem a adotar a forma de sociedade anônima. Como vimos acima, a decisão foi tomada seguindo uma tendência mundial e em observância aos reclames do setor. Não podem os beneficiários da desmutualização se furtarem aos efeitos jurídicos dessa decisão, inclusive os efeitos tributários. A PGFN também trouxe outras decisões judiciais sobre a matéria: PROCESSO 000116603.2008.4.03.6100 12ª Vara Federal de São PauloSP Decisão de 03/09/2009 [...] Ao contrário do que alegam os impetrantes, o método de equivalência patrimonial não se aplica na atualização do valor dos títulos da BM&F, visto que a participação nessa associação civil não guardava identidade com as participações em empresas coligadas ou controladas. [...] Na hipótese da desmutualização, quando ocorreu a restituição dos títulos patrimoniais da BM&F a seus detentores, reputo aplicável o artigo 17 da Lei nº 9.532/97, que prescreve que, na hipótese de devolução de valores em dinheiro ou de bens ou de direitos a pessoa jurídica, a diferença entre esses valores recebidos de instituição isenta será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme a forma de tributação adotada. Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Pareceme que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] Fl. 579DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 580 35 Processo 2008.03.00.0071246 AG 327646, decisão de 13/06/2008 [...] A agravante é corretora de valores mobiliários que opera na Bolsa de Valores de São Paulo. Quando do início de suas atividades a recorrente foi obrigada a adquirir título patrimonial da Bovespa que possuía a natureza de associação civil sem fins lucrativos. Contudo, a partir de 2.007 a Bolsa de Valores transferiu parte de suas atividades para uma sociedade com fins lucrativos que abriu seu capital, o que acarretou a substituição dos títulos patrimoniais das corretoras por ações. Tal circunstância implicou alteração na constituição patrimonial da agravante com reflexos tributários. Extraise dessa operação a possibilidade de se apurar diferença entre o valor constante do título patrimonial e aquele correspondente ao valor das ações e, à primeira vista, verificando se valorização, ou seja, aumento de valor, ele pode ser computado para fins tributários. No caso, e numa análise inicial que se faz da questão jurídica controvertida, não denoto relevância na fundamentação capaz de afastar a aplicação do artigo 17 da Lei 9.532/97. Com efeito, referido diploma legal traz hipótese de incidência relativa ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro que corresponde à situação fática descrita. [...] Por outro lado, bem lançada a decisão agravada no tocante à rejeição do método de equivalência patrimonial pretendido pela recorrente, uma vez que "visa a estimar o reflexo da variação do patrimônio da sociedade empresária investida no valor do patrimônio da sociedade investidora, mas é inaplicável à atualização dos títulos patrimoniais das bolsas de valores, uma vez que o artigo 248 da Lei das Sociedades por Ações Lei 6.404/76, somente possibilita sua utilização em sociedades coligadas ou controladas". A mera circunstância relacionada à propriedade de ações de determinada sociedade não a transforma em coligada ou controlada, a afastar a plena identificação da hipótese legal ao caso concreto. Finalmente, também não denoto relevância na fundamentação pelo fato de ter ocorrido manifestação anterior da Secretaria da Receita Federal em outro sentido, uma vez inexistir vinculação do juízo a decisões tomadas na via administrativa, especialmente considerando a época e as peculiaridades de outro caso concreto. (destacouse) [...] Processo 2007.03.00.1051159 AG 322814, decisão de 08/05/2008 E M E N T A PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. IRPJ. CSSL. BOVESPA – BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO, BM&F – BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 13, DE 10/11/97, PROFERIDA ANTERIORMENTE À LEI 9.532 DE 10/12/97. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DO ENTENDIMENTO FAZENDÁRIO, QUE SE CONFORMA À LEI VIGENTE APLICÁVEL À HIPÓTESE. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. [...] Fl. 580DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 581 36 II. A noticiada “desmutualização” alterou a situação jurídico tributária então existente, ensejando a incidência fiscal, a teor da Lei 9.532 de 10/12/97, art. 17. III. O art. 177, § 2º da Lei 6.404/76, prevê que as normas de natureza tributária possam ter apuração de resultado diferente do contábil. IV. O Dec. 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda – RIR determina a utilização do método de equivalência patrimonial apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas (arts. 384, 387, 388), do que não se cogita na espécie dos autos. V. Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida anteriormente à vigência da Lei 9.532 de 10/12/97, que ora rege a hipótese objetivada. VI. Agravo a que se nega provimento. Processo 2008.03.00.0081732 AG 328359, decisão de 28/05/2008 [...] 2. Em outras palavras, as associações sem fins lucrativos (Bovespa e BM&F), colaboradoras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em decorrência da mencionada operação, foram transformadas em sociedades anônimas. Com isto, o patrimônio destas, antes representado pelos títulos, foi devolvido aos associados ( no caso concreto a ora agravada), em forma de ações. 3. Não se trata de mera reavaliação patrimonial como prevista no artigo 4º, da Lei Federal nº 9.959/00. Aqui, há devolução do patrimônio aos associados, por meio das ações, gerando um ganho patrimonial. A futura venda destas ações é operação distinta e que também deverá ser objeto de tributação. 4. É inviável, também, a aplicação do método da equivalência patrimonial. Isto porque não se trata de investimento em empresa controlada ou coligada. A agravada era apenas associada à Bolsa. 5.No mais, está correto o entendimento fazendário quanto à aplicação do artigo 17, da Lei Federal nº 9.532/97: [...]. Tanto as decisões trazidas pela PGFN, como as que este relator já havia colhido junto à jurisprudência existente, são praticamente unânimes no sentido da impossibilidade de se eximir da tributação pela “estratégia” utilizada pela BMF, Bovespa e pela recorrente. Embora ainda não tenha se formado jurisprudência junto ao STJ, por inexistência de recursos sobre a matéria naquele tribunal, as decisões de primeira e segunda instância estão em conformidade com o que expresso neste voto. Como bem descrito no termo de verificação fiscal de fls. 104, os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo MEP, mas, sim, autorizados pela Portaria nº 785, de 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 582 37 Importante também salientar que os títulos representativos do patrimônio das Bolsas eram contabilizados na conta de ativo permanente das corretoras, ficando sujeitos às atualizações periódicas de acordo com as informações fornecidas pela BM&F e pela Bovespa, decorrentes do engrandecimento do patrimônio das Bolsas. Essas atualizações eram contabilizadas como acréscimos ao valor dos citados ativos, em contrapartida à subconta "reserva de atualização dos títulos patrimoniais", dentro da conta "reserva de capital", que compõe o patrimônio liquido das corretoras de acordo com as orientações contidas no COSIF — Plano Contábil das Instituições Financeiras, Capitulo 1, item 11, sub item 3, § 3'; A Portaria MF n° 785/1977 conferiu neutralidade tributária aos referidos acréscimos do valor desses títulos, enquanto mantidos no ativo de seus detentores. Assim disposto: I "Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital." II — "Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DL n° 1.109/70, art. 3°, § 3°." Decreto n° 1.109/70, art. 3°: " Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do IR(..)§3° Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 anos subseqüentes o valor da incorporação será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao imposto de renda da declaração de rendimentos, ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução." Portanto, em função da Portaria, os aumentos nominais dos títulos patrimoniais em virtude de aumento do capital social das bolsas ficam sujeitos à tributação em caso de extinção ou redução do capital social (a qualquer titulo) da bolsa de valores. A descrição da legislação e dos fatos evidencia que houve aumento patrimonial da recorrente decorrente do aumento do patrimônio das Bolsas e que esse aumento de riqueza teve sua tributação diferida para momento futuro que foi alcançados com pó processo de desmutualização e a Lei 9532 definiu esse como o critério temporal da hipótese tributária. Admitir a utilização da denominada “cisão”, além de contrariar a legislação de regência, pois este instituto foi previsto para as sociedades com finalidades lucrativas, viria a frustrar totalmente o objetivo legal, que era impedir que um patrimônio formado às custas de benefícios fiscais, recursos extraídos de toda a sociedade, pudessem ser transferidos a particulares de maneira gratuita, sem qualquer contraprestação aqueles que contribuíram para a sua formação, a sociedade brasileira. Não se trata também, como alegado pela recorrente, de desconsideração de negócio jurídico pelo fisco, mas sim de analisar quais os efeitos fiscais de cada negócio jurídico. Da mesma forma que em casos de certos “planejamentos tributários”, como casa separa, incorporação às avessas e outros, quando o fisco não tem a necessidade de “desconstruir o negócio jurídico mas simplesmente analisar seu efeito fiscal, ou seja, é Fl. 582DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 583 38 analisada a situação jurídica do contribuinte antes e depois do “negócio” e abstraise dos atos e fatos intermediários, que apenas buscam “benefício fiscal” indevido. Entendo que, no caso concreto, retirado o “véu” da cisão, o que fica transparente é a situação inicial, quando a recorrente pertencia a uma associação sem fins lucrativos, que gozava de vultuosos incentivos fiscais custeados pela sociedade e, logo após o processo de desmutualiazação, aparece como sócia de uma lucrativa sociedade com fins lucrativos e sua participação societária foi adquirida com os recursos oriundos daquela associação, via devolução de seu capital, capital esse formado com forte incentivo estatal. Diante desse quadro, exceto por expressa determinação legal, não se concebe a entrega de patrimônio estatal, público portanto, a indivíduos ou empresa sem ao menos a contrapartida tributária estabelecida pela Lei 9532. Devese salientar, pela grande importância, o art. 61 do novo Código Civil (Lei 10.406): Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. Sabiamente o legislador impede que as entidades constituídas como associação sem fins lucrativos venham a distribuir os “ganhos obtidos”, pelo menos em parte graças a benefícios concedidos pelo Estado aos seus associados, evitando o enriquecimento sem causa destes. Também me parece certo que houve a devolução de capital pelas extintas bolsas à recorrente e esses direitos recebidos foram utilizados para compor o capital das novas empresas. Como a Lei 9532 definiu como critério temporal da hipótese a devolução do capital, não se pode falar em decadência, pois essa pressupõe a inércia do fisco por período superior a cinco anos, o que não ocorreu no caso dos autos. Também é relevante esclarecer que a citação do instituto da cisão no art. 2033 do Código Civil não tem o condão de permitir que esse instituto seja aplicado às associação, mas somente determinar que, caso aplicável a qualquer das pessoas jurídicas elencada no art. 44 que estejam no âmbito da permissão legal para tal instituto, deve se aplicar o Código Civil. Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem se desde logo por este Código. Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 584 39 IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 2o As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) § 3o Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I a denominação, os fins e a sede da associação; II os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III os direitos e deveres dos associados; IV as fontes de recursos para sua manutenção; Entendo que, qualificada como associação Bolsa de Mercadorias & Futuros, sua transformação para sociedade anônima, requer necessariamente a devolução do patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma da lei civil, sob pena de macular os comandos legais da associação civil sem fins lucrativos, então concebida pela lei. Explico. A concepção original delineada para a BM&F era de associação sem fins lucrativos, regida por normas do Direito Civil, de sorte que resta inaplicável a sua sucessão a forma da legislação comercial, próprio das sociedades mercantis, ex vi o tratamento distinto da associação e da sociedade, concebido em capítulos e normativas inteiramente distintas na legislação civil e tributária. Tanto que o Novo Código Civil, em sintonia com a tradição legislativa secular dispôs separadamente seus preceitos legais, princípios, órgãos, e a sua própria dissolução, conforme se constata do Livro I do Código Civil que rege os preceitos das Fl. 584DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 585 40 associações, ao passo que o Livro II rege a sociedade empresarial, consoante explicita a cabal distinção de uma e de outra, nos termos seguintes do Novo Código Civil: Portanto, o que de fato ocorreu, ainda que outra tenha sido outra a denominação dada pela impetrante, foi a dissolvição parcial da BM&F, com a respectiva restituição do seu patrimônio, tal como expresso no artigo 61, § 1º supra, na forma de ações da BM&F S.A., a seus associados, e a constituição de duas novas sociedades: a BM&F S.A. e a Associação BM&F (Ata da 52ª Assembléia Geral Extraordinária – fls. 99/111). A rigor, fiel ao disposto na dissolução das associações, sua seara interpretativa deve seguir a mesma sorte, ainda que se trate de dissolução parcial, forte no princípio geral de direito que o acessório segue a sorte do principal, bem como a afetação desse patrimônio aos fins que se incumbia. Deveras, por se cuidar de pessoa jurídica sem fins lucrativos, não se admite a transferência dos títulos representativos da associação para ações de uma sociedade anônima sem a observância do disposto no artigo 61 do Código Civil, eis que peculiar ao tratamento da associação, e como tal é regido. Interpretação diversa implicaria fraude a sucessão legal das associações, e burla ao Fisco. De qualquer sorte, para o prisma tributário, tais efeitos são tributados abstratamente de sua legitimidade formal, nos termos do artigo 118, I e II, do Código Tributário Nacional. Assim, a aludida “desmutualização”, qual seja, a transformação de títulos em ações gera acréscimo patrimonial, já que de mera associada, passará a impetrante a ser sócia de empresa com fins lucrativos, cuja projeção econômica foi divulgada internacionalmente por todos os meios de comunicação, dada a dimensão econômica dos negócios. Daí o patente acréscimo patrimonial, interpretado nos termos do artigo 118 do CTN, em sintonia com a norma impositiva de dissolução da associação, abaixo apontada: Quanto à multa isolada aplicada por pagamento a menor de estimativas, entendo não assistir razão à recorrente. Como já tenho me manifestado neste colegiado, não encontro óbice à aplicação de multa isolada em concomitância com multa de ofício que são diversos os pressupostos da aplicação das duas penalidades. Vejamos a base legal de aplicação das penalidades citadas (Lei 9.430): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 585DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000679/201074 Acórdão n.º 130200.879 S1C3T2 Fl. 586 41 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destacouse) Enquanto a multa de ofício de 75%, o antecedente da norma que estabelece sua aplicação é a falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados em 31/12, enquanto o antecedente da norma que estabelece a multa Isolda é a falta de pagamento de estimativas. Sã infrações diversas e a Lei, de forma expressa, prevê que a penalidade multa isolada deve ser aplicada mesmo que se apure prejuízo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 586DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000299/2006-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS E INSTRUÇÃO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Súmula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta, fundamento que,
isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.340
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS E INSTRUÇÃO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório EMILIANO JOSÉ DOS SANTOS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 01/09/2006 (AR fl. 42), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos constatada a partir de glosas de deduções indevidas de despesas médicas e instrução, em relação aos anoscalendário 2000 a 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/11, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 4a Turma da DRJ em São Paulo/SP II, consubstanciada no Acórdão nº 1716.666/2006, às fls. 63/71, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 4a Turma Especial, em 25/06/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 380400.099, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE FALTA DE INTIMAÇÃO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, a IN SRF 579/2005, art. 30 , faculta ao Fisco a dispensa de intimação para esclarecimentos, quando a infração estiver claramente demonstrada, descabe a proposição de nulidade e cerceamento do direito de defesa. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 16045.000299/200610 Acórdão n.º 920202.340 CSRFT2 Fl. 160 3 Recurso provido parcialmente.” Em face de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o Acórdão encimado fora retificado, para sanear a contradição suscitada, mantendo se, porém, o resultado do julgamento pretérito, nos termos do Acórdão 220201.165, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a existência de omissão no julgado, é de se acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Embargos Acolhidos.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 140/141, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10194.095, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Aduz, ainda, que o julgado em vergasta, ao afastar a qualificação da multa imposta pela autoridade lançadora, malferiu os preceitos inscritos no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007, uma vez que o contribuinte durante anos consecutivos apresentou à SRF declarações com dedução sabidamente inexistente. Transcreve em sua peça recursal a legislação tributária que regulamenta a matéria, concluindo encontrarse pacificado nos Conselhos de Contribuintes que a elevação da multa de 75% para 150% é condicionada à demonstração do evidente intuito de fraude, caracterizado nos autos com base no conjunto probatório colacionado pela fiscalização. Em outras palavras, infere que o evidente intuito de fraude não se presume, impondo a sua devida comprovação, como, por exemplo, quando se emprega meios ardis (notas fiscais calçadas, recibos falsificados, deduzir pagamento sabidamente inexistente...etc) objetivando reduzir o imposto devido, consoante jurisprudência administrativa. Defende que não se pode cogitar em aplicabilidade da Súmula 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo em vista não se tratar de simples omissão de rendimentos, ao contrário do que restou assentado no decisum atacado. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 4 Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 10194.095, conforme Despacho nº 220000.550/2011, às fls. 143/148. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte não ofereceu suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da peça recursal, como já robustamente demonstrado nos autos, o contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas e de instrução suportadas no decorrer dos anoscalendários fiscalizados. Uma vez intimado a comprovar a efetividade e pagamento de tais serviços, o autuado não logrou comproválos em sua integralidade, na forma que a legislação de regência exigia, ensejando a respectiva glosa e a lavratura do presente auto de infração. Por seu turno, a Câmara recorrida, entendeu por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, afastando a qualificação da multa aplicada, tendo em vista a falta de comprovação do evidente intuito de fraude por parte da autoridade lançadora. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão nº 10194.095, o qual contempla a possibilidade da qualificação da multa a partir da conduta reiterada do contribuinte, prestando declarações/informações falsas, com o nítido objetivo de reduzir o imposto devido. A fazer prevalecer sua pretensão, defende que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, sobretudo quando comprovado o intuito doloso do contribuinte de obter benefícios utilizandose de serviços comprovadamente não realizados. Sustenta que a jurisprudência mansa e pacífica dos Conselhos de Contribuintes é no sentido de que a elevação da multa de 75% para 150% é condicionada à demonstração do evidente intuito de fraude, caracterizado nos autos com base no conjunto probatório colacionado pela fiscalização. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 16045.000299/200610 Acórdão n.º 920202.340 CSRFT2 Fl. 161 5 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 6 Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Na hipótese dos autos, na linha do que fora exposto no Acórdão recorrido, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos, mormente quando a recorrente utiliza como fundamento à sua empreitada o fato de a sua conduta ter sido reiterada. Com efeito, como muito bem delineado no voto condutor do Acórdão recorrido, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pelo contribuinte tendente sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%, não se prestando à sua aplicabilidade a simples reiteração da conduta do autuado por 03 (três) anos consecutivos, ao contrário do que sustenta a recorrente. A propósito da matéria, este Egrégio Colegiado em recentes decisões vem afastando a qualificação da multa quando sua adoção repousa exclusivamente na simples conduta reiterada, sem que haja um aprofundamento na questão pela autoridade fiscal, senão vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 16045.000299/200610 Acórdão n.º 920202.340 CSRFT2 Fl. 162 7 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.” (Processo n° 12571.000050/200786 – Acórdão n° 920201.742 – 2ª Turma – Sessão de 27/09/2011 – Relator: Marcelo Oliveira) Mais a mais, ainda que considerássemos a conduta da contribuinte passível de qualificação da multa, não poderíamos admitir a pretensão da Fazenda Nacional, uma vez que lastreada em fundamento (conduta reiterada) que não fora suscitado pela autoridade lançadora ao qualificar a multa, sob pena de inovação no lançamento. Como se observa, caberia à autoridade lançadora demonstrar de maneira pormenorizada suas razões no sentido de que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pelo autuado. No caso vertente, em que pese os argumentos da recorrente, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 4ª Turma Especial da 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 8 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 12965.000132/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO.
O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme
determina a legislação tributária.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.110
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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TRIBUTAÇÃO. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 29/06/2012 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12965.000132/200888 Acórdão n.º 210202.110 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSIAS MARQUES DE MIRANDA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/06, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), ano calendário 2006, exercício 2007, para reduzir o saldo de imposto a restituir de R$ 7.980,84 para R$ 2.609,81. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos do trabalho recebidos do Comando do Marinha, no valor de R$ 19.531,05. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.01/02, alegando em síntese que não incide tributação sobre os rendimentos considerados omitidos, recebidos do Comando do Marinha, por tratarse de valores recebidos a título de adicional por tempo de serviço, conforme disposto na Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994. A autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/JFA nº 0929.440, de 14/05/2010, fls. 28. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 26/05/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 29, o contribuinte apresentou, em 14/06/2010, recurso voluntário, fls. 30/31, onde reitera e reforça os mesmos argumentos trazidos na impugnação. É o Relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12965.000132/200888 Acórdão n.º 210202.110 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de rendimentos recebidos à título de adicional por tempo de serviço, que o contribuinte afirma tratarse de rendimentos não tributáveis, em virtude do disposto na Lei nº 8.852, de 1994. De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não está contemplado. Portanto, são tributáveis os rendimentos recebidos mediante tal rubrica. Aliás, tal entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme súmula, abaixo transcrita, aplicável ao caso: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Portanto, não pode prevalecer a hipótese de nãoincidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos a título de adicional por tempo de serviço, conforme entende o contribuinte. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 47DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 12965.000132/200888 Acórdão n.º 210202.110 S2C1T2 Fl. 4 4 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10882.001334/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. INSTITUTOS DISTINTOS.
A contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário extingue-se no momento da ciência do lançamento. A partir desse momento, inicia-se, para a Administração Tributária, o prazo prescricional de cobrança do crédito constituído, o qual se suspende com a interposição de impugnação e recursos.
Numero da decisão: 1202-000.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
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PRESCRIÇÃO. INSTITUTOS DISTINTOS. A contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário extinguese no momento da ciência do lançamento. A partir desse momento, iniciase, para a Administração Tributária, o prazo prescricional de cobrança do crédito constituído, o qual se suspende com a interposição de impugnação e recursos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 13 34 /2 00 8- 31 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10882.001334/200831 Acórdão n.º 1202000.946 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo dos Autos de Infração relativos a IRPJ e CSLL, com multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 20/05/2008, no valor total de R$ 857.320,43, decorrente de irregularidades apuradas no anocalendário de 2003. Consoante o Termo de Verificação Fiscal (fls.51/52), o procedimento fiscal, em suma, ocorreu da seguinte forma: (i) o contribuinte foi intimado a esclarecer as diferenças dos valores declarados como devidos a título de IRPJ e CSLL em sua DIPJ e na DCTF (fls. 03 13), conforme tabela apresentada; (ii) em resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização, apenas justificou a não apresentação dos valores devidos a título de IRPJ e CSLL em DCTF, alegando erro de seu contador à época, salientou ter recolhido alguns dos valores e apresentou cópia dos DARF´s de recolhimento (fls.1437), bem como cópias autenticadas do LALUR do período (fls. 4549). A autoridade fiscal, considerando que “o instrumento hábil de confissão de débitos junto a Secretaria da Receita Federal do Brasil é a DCTF” e que “o contribuinte não pode alegar culpa de seus funcionários para não apresentála”, lavrou os autos de infração respectivos com os montantes declarados em DIPJ, por falta de declaração em DCTF. Quanto aos valores já pagos, esclareceu que caberia ao contribuinte, se assim lhe conviesse, a opção de vinculálos aos valores do Auto de Infração na impugnação. Na impugnação, o contribuinte questionou a necessidade de lançamento de ofício, pois débitos estavam declarados na DIPJ. A DRJ, após descrever o histórico de criação da DCTF como instrumento exclusivo de confissão de dívida e afastar a decadência por ausência de pagamentos, julgou improcedente a impugnação, editando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 IRPJ. APURAÇÃO TRIMESTRAL. FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO EM DCTF. Dada a natureza informativa da DIPJ, é cabível o lançamento de ofício do IRPJ demonstrado na citada declaração, quando verificada a falta de recolhimento e de declaração em DCTF. Cientificado dessa decisão em 27/01/2012 (AR, fl.214), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 03/02/12 (fls.215/222), em que sustenta que o lançamento somente está consumado, e não se pode mais cogitar de decadência, quando a determinação do crédito tributário não mais possa ser discutida na esfera administrativa. Aduz que, como isso ainda não ocorreu no caso concreto, ultrapassados cinco Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10882.001334/200831 Acórdão n.º 1202000.946 S1C2T2 Fl. 4 3 anos para se efetuar o lançamento, está extinto o crédito tributário. Considera demonstrada a insubsistência e improcedência do crédito tributário, em face da alegada decadência. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10882.001334/200831 Acórdão n.º 1202000.946 S1C2T2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. Inicialmente, é de se esclarecer que os dados fáticos do lançamento (valores, períodos, etc.) não foram objeto de questionamento desde a impugnação. Para evidenciar isso, reproduzse trecho da decisão recorrida que consignou a confissão da contribuinte: Depreendese da Impugnação trazida aos autos pela Contribuinte oporse ela ao lançamento tãosó por entendêlo desnecessário, na medida em que informados os débitos em análise na DIPJ do período. A impugnante, portanto, não questiona a existência dos débitos de IRPJ e da contribuição informados em sua DIPJ, mas apenas argui a necessidade de se efetivar lançamento de ofício, uma vez que os referidos débitos já encontrar seiam devidamente confessados em DIPJ, nos exatos termos abaixo transcritos: A Impugnante no regular desempenho de suas atividades, e alicerçada na competência e honradez de seus funcionários, culminou na confissão dos débitos apontados e autuados. (...) Neste diapasão, e confessando de pronto, tão logo quite o parcelamento em andamento e cumprido rigorosamente em dia pela Impugnante, esta, sem titubear, promoverá o parcelamento do débito em questão, e isto, apurandose os valores devidos à época. No recurso voluntário, a recorrente abandonou o argumento apresentado na impugnação – quanto à desnecessidade de lançamento de ofício, uma vez que os débitos estavam declarados na DIPJ – e pautouse apenas na alegação de decadência. Conhecese do argumento em razão de ser matéria de ordem pública. Contudo, verificase que a alegação da recorrente em segunda instância pretende, indevidamente, equiparar o instituto da decadência tributária ao da prescrição, ao sustentar que o lançamento somente se consuma, para fins de contagem do prazo decadencial, quando ocorre a decisão definitiva na esfera administrativa. Argumenta a recorrente que, como não houve essa decisão definitiva dentro do lapso de cinco anos a partir do fato gerador, o crédito tributário estaria extinto. Notase que esse raciocínio tangencia o instituto da prescrição intercorrente, embora não seja feita qualquer referência a ele. De toda a sorte, ao processo administrativo fiscal não se aplica a regra da prescrição intercorrente, prevista na Lei nº 6.830/81, que orienta o processo de execução fiscal Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10882.001334/200831 Acórdão n.º 1202000.946 S1C2T2 Fl. 6 5 no âmbito judicial. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 11 “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Equivocase a recorrente ao confundir institutos completamente distintos, como a decadência – que se destina a reger o procedimento de constituição do crédito tributário – com a prescrição – esta destinada a orientar o procedimento de cobrança do crédito tributário já constituído. Embora ambos objetivem proporcionar segurança jurídica entre os sujeitos ativo e passivo da relação jurídicotributária, sua natureza jurídica não se confunde. Decadência é a perda do direito de constituir (ou lançar) o crédito tributário (art. 156, inciso V, do CTN), sendo o lançamento a condição de exigibilidade desse crédito.A regra geral da decadência considera o início da contagem do prazo decadencial como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). Vejase que o lançamento, conforme definido no art. 142 do CTN, somente pode ser alterado nas hipóteses do art. 145, abaixo: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. O legislador tributário, assim, evidencia que o lançamento, como procedimento administrativo, é completo e válido para constituir o crédito tributário com a notificação regular ao sujeito passivo, após o que poderá ser alterado, mas não deixará de existir. Com a ciência dada ao sujeito passivo do lançamento contendo todos os requisitos previstos no art.142 do CTN, o ato jurídico do lançamento se completa, e não mais estará sujeito ao prazo decadencial. Assim, a contagem do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário extinguese com a ciência do lançamento. A partir desse momento, iniciase para a Administração Tributária o prazo prescricional quinquenal de cobrança do crédito constituído, o qual se suspende com a interposição de impugnação e recursos, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10882.001334/200831 Acórdão n.º 1202000.946 S1C2T2 Fl. 7 6 No caso concreto, a ciência do lançamento referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003 ocorreu em 2005. Sendo assim, sob todos os vieses, é cristalina a inocorrência de decadência. Isto posto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002414/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXCLUSÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DO MONTE TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE SEPARAÇÃO PROPORCIONAL DA RUBRICA HONORÁRIOS, CONSIDERANDO OS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E ISENTOS/NÃO TRIBUTÁVEIS. TODO O RENDIMENTO ORIUNDO DA DEMANDA JUDICIAL CONSIDERADO COMO RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO DA TOTALIDADE DOS HONORÁRIOS DO MONTE TRIBUTÁVEL. CORREÇÃO.
Se todos os rendimentos provenientes de demanda judicial foram considerados como rendimentos tributáveis pela fiscalização, por óbvio devem ser excluídos todos os honorários advocatícios pagos e necessários ao percebimento de tais rendimentos.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 2102-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos, confirmando o Acórdão nº 2102-002.374, de 20/11/2012, sem alteração no resultado do julgamento.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 19/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXCLUSÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DO MONTE TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE SEPARAÇÃO PROPORCIONAL DA RUBRICA HONORÁRIOS, CONSIDERANDO OS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E ISENTOS/NÃO TRIBUTÁVEIS. TODO O RENDIMENTO ORIUNDO DA DEMANDA JUDICIAL CONSIDERADO COMO RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO DA TOTALIDADE DOS HONORÁRIOS DO MONTE TRIBUTÁVEL. CORREÇÃO. Se todos os rendimentos provenientes de demanda judicial foram considerados como rendimentos tributáveis pela fiscalização, por óbvio devem ser excluídos todos os honorários advocatícios pagos e necessários ao percebimento de tais rendimentos. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos, confirmando o Acórdão nº 2102-002.374, de 20/11/2012, sem alteração no resultado do julgamento. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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EXCLUSÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DO MONTE TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE SEPARAÇÃO PROPORCIONAL DA RUBRICA HONORÁRIOS, CONSIDERANDO OS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS E ISENTOS/NÃO TRIBUTÁVEIS. TODO O RENDIMENTO ORIUNDO DA DEMANDA JUDICIAL CONSIDERADO COMO RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. EXCLUSÃO DA TOTALIDADE DOS HONORÁRIOS DO MONTE TRIBUTÁVEL. CORREÇÃO. Se todos os rendimentos provenientes de demanda judicial foram considerados como rendimentos tributáveis pela fiscalização, por óbvio devem ser excluídos todos os honorários advocatícios pagos e necessários ao percebimento de tais rendimentos. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos opostos, confirmando o Acórdão nº 2102002.374, de 20/11/2012, sem alteração no resultado do julgamento. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 24 14 /2 01 0- 75 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em sessão plenária de 20 de novembro de 2012, esta Turma de Julgamento prolatou o Acórdão nº 2102002.374, que restou assim ementado: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. Comprovado pelo conjunto de indícios harmônicos dos autos de que a fiscalizada suportou o desconto dos honorários advocatícios da verba recebida do poder público, em ação judicial, devese deferir a exclusão dos honorários do monte tributável. Recurso provido. Em apertada síntese, a decisão acima excluiu do monte tributável os honorários advocatícios decorrentes de demanda judicial outrora proposta pela irmã da fiscalizada, posteriormente falecida, cujos valores terminaram sendo recebidos pela contribuinte irmã sobrevivente. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por seu Procurador credenciado neste CARF, opôs embargos de declaração em desfavor do julgado acima, apontando contradição e omissão, com a seguinte motivação: (...) O r. acórdão proveu o recurso voluntário para ‘(...) ser deferido o reconhecimento do pagamento de R$ 83.000,00, a título de honorários advocatícios, inclusive próximo de 20% do montante percebido pela autuada (...)’ Ocorre que no anocalendário de 2008, conforme a declaração de ajuste anual do Imposto de Renda da Embargada, juntada aos autos às fls. 46 a 51, constam tantos rendimentos isentos, quanto tributáveis. Assim, a teor da Lei nº 7.713, art. 12, c/c o RIR/99, cabe a dedução da base de cálculo de modo proporcional. A jurisprudência pacífica desta Egrégia Corte corrobora nosso entendimento, v.g.: ‘RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÕES JUDICIAIS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Podem ser subtraídas dos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial as despesas processuais, inclusive os honorários advocatícios, necessários à sua obtenção. No caso de rendimentos em parte tributáveis e em parte Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10845.002414/201075 Acórdão n.º 2102002.501 S2C1T2 Fl. 3 3 isentos ou não tributáveis, somente é dedutível parcela da despesa, proporcional aos rendimentos tributáveis. acórdão 10422929’ (...) É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Os embargos são tempestivos e devem ser processados. Os embargos devem ser rejeitados. Para que os embargos sejam acatados, necessário que haja no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, na forma do art. 65, do Anexo II, do RICARF. No caso presente, não há qualquer contradição ou omissão no julgado embargado, pois todos os rendimentos percebidos a partir de ação judicial proposta contra a Prefeitura de Santos (SP) foram incluídos no rol de rendimentos tributáveis pela fiscalização, fazendo assim jus a contribuinte a exclusão da totalidade dos honorários advocatícios pagos. Os honorários pagos e necessários à percepção dos rendimentos, estes todos tributáveis, devem ser excluídos do montante tributável. Para tanto, vejase que fonte pagadora, na DIRF respectiva, informou todos os rendimentos provenientes da demanda judicial como rendimentos tributáveis (vide fl. 42), sendo tal montante efetivamente tributado pela fiscalização (vide fl. 10), tudo em linha com a planilha de cálculo da demanda judicial (vide fl. 38). Os rendimentos isentos e nãotributáveis que constaram na declaração de rendimentos (fl. 47), no importe global de R$ 22.741,31, não tem qualquer ligação com os rendimentos percebidos da ação judicial proposta contra a Prefeitura de Santos (SP). Estes últimos, no importe total atualizado pela fiscalização de R$ 655.600,09 (fls. 10 e 42), foram tributados integralmente. Obviamente, se todo o rendimento proveniente da demanda judicial foi considerado rendimento tributável, devem os honorários respectivos serem integralmente excluídos do monte a ser tributado. Com as razões acima, REJEITO os embargos opostos, confirmando o Acórdão nº 2102002.374, de 20/11/2012, sem alteração no resultado do julgamento. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13974.000159/2007-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002
COFINS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005
O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos da COFINS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002 COFINS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005 O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos da COFINS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005 O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos da COFINS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 01 59 /2 00 7- 43 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ff. 01, protocolizado em 02/08/2007, o qual, consoante planilhas de fls. 20/21, corresponde a pagamentos que teriam sido efetuados no período de 10/02/1998 a 15/07/2002, no montante atualizado de R$ 20.221,60. À fl. 01, consta como motivo do pedido (campo 02): "Exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins — Vide detalhamento anexo". Às fls. 03/07, a contribuinte esclarece, em síntese, que o pedido referese a Cofins recolhida a maior em virtude da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. Insiste no direito à restituição. Instruem o pedido, ainda: procuração (fl. 08), cópia de documentos pessoais do mandatário (fl. 09) e cópia de documentos societários (fls. 10/19). Em 16/08/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC, despacho decisório às fls. 23/24, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Adicionalmente, a DRF esclarece que a contribuição incide sobre o faturamento, que corresponde ã totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 28/08/2007 (fl. 26), a interessada interpôs, em 13/09/2007, manifestação de inconformidade a esta Delegacia de Julgamento, fls. 27/43, cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, alega que sendo a Cofins sujeita ao lançamento por homologação "o prazo para a recuperação dos valores indevidamente recolhidos é de 10 (dez) anos". Transcreve jurisprudência e insiste no direito. Diz, ainda, que não subsiste o argumento de que o art. 40 da Lei Complementar n° 118, de 2005 alcança fatos pretéritos. Menciona a existência de jurisprudência favorável e insiste na validade da chamada 'tese dos '5 mais 5'. Quanto ao direito creditório buscado, discorre extensamente sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. Ao discorrer sobre os juros, fala sobre a necessidade de atualização de seus créditos pela taxa Selic, desde a data do pagamento indevido. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13974.000159/200743 Acórdão n.º 3801001.656 S3TE01 Fl. 79 3 Ao final, requer a procedência da manifestação e o deferimento do pedido.” A Delegacia de Julgamento em Curitiba (PR) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 61 a 71, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Preliminarmente, no que tange à decadência, devemos analisar os artigos 165 e 168 do CTN e os artigos 3o e 4o da Lei Complementar 118/05, que seguem abaixo: "Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art.165, da data da extinção do crédito tributário; (...)" "Art 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106. inciso I. da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional " A posição adotada pelo STJ, tese dos 5 + 5, conforme colacionado pelo contribuinte, a meu ver, além de não se alinhar ao conceito de actio nata e aos princípios que regem a decadência e a prescrição, teve sua aplicação prejudicada em face das disposições dos art. 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/05 O art. 3° da LC 118/05 tratase de disposição expressamente interpretativa. Para evitar qualquer dúvida existente, a LC n° 118/05, em seu art. 4°, textualmente afirma que, quanto a regra do art. 3°, deve ser observado o art. 106, I, do CTN, que determina justamente a aplicação retroativa das leis expressamente interpretativas. No tocante à sua aplicação, o Superior Tribunal de Justiça adotou o entendimento de que a disposição somente teria aplicação em relação aos pedidos de Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13974.000159/200743 Acórdão n.º 3801001.656 S3TE01 Fl. 80 5 restituição apresentados após sua publicação, como ocorreu no REsp n° 791.370 MT, de 24 de outubro de 2008. Ressaltese que o STJ não é órgão competente para exercer o controle abstrato de constitucionalidade, devendo ser observado a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4° dessa lei complementar, conforme expresso no acórdão do STF exarado no RE 482.0901 SP, cuja ementa transcrevemos: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3° E 4°. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTOINTITULADA INTERPRETATIVA. Não obstante, o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para as ações ajuizadas após entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido. Segue a ementa, in verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (Grifo nosso) No caso em tela, o pedido de restituição de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) foi protocolizado em 02/08/2007, correspondendo a pagamentos alegadamente efetuados no período de 10/02/1998 a 15/07/2002. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu após o início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a restituição dos pagamentos alegadamente indevidos já havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo. Decretada a decadência resta prejudicada a análise das demais alegações. Por fim, pelas razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13974.000159/200743 Acórdão n.º 3801001.656 S3TE01 Fl. 81 7 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11040.001697/00-12
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1991 a 30/04/1993
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1991 a 30/04/1993 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1991 a 30/04/1993 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 16 97 /0 0- 12 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11040.001697/0012 Acórdão n.º 9900000.522 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0357 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0341, que decidiu em negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Cabível o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos leis n°s 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução n° 49/Senado Federal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Antonio Carlos Atulim e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0379, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11040.001697/0012 Acórdão n.º 9900000.522 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, tratase de auto de infração por falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) referente aos períodos de 08/1998 a 06/2000. De acordo com as descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 5/6, a atuação deveuse a glosa de compensação de débitos (08/1998 a 06/2000) com créditos do PIS que, segundo o autuante, estariam decaídos (06/1991 a 04/1993). A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11040.001697/0012 Acórdão n.º 9900000.522 CSRFPL Fl. 5 7 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte terminou sua compensação em 06/2000, fls. 0343, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram 06/1990 são passíveis de restituição e/ou compensação. Portanto, como os fatos geradores referemse às competências do período 06/1991 a 04/1993, fls. 0343, o sujeito passivo possuía o direito à compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900566/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrente PROAÇO INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que devem incidir os acréscimos moratórios sobre os débitos vencidos por ocasião da transmissão da DCOMP. A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI, relativo ao 4º trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau proferiu Despacho Decisório reconheceu o direito creditório apresentado, porém homologou parcialmente as compensações declaradas, em razão dos acréscimos legais incidentes sobre os débitos já vencidos por ocasião da transmissão da DCOMP. Basicamente o interessado defende que o direito à compensação é exercido na entrega da DCTF que informa os débitos compensados com créditos líquidos e certos, conforme legislação, doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos é cabível a imputação de multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa exclusivamente sobre a aplicação da multa e dos juros de mora sobre os débitos já vencidos no momento da transmissão da DCOMP. Pois bem. Restou incontroverso nos autos que o débito que o contribuinte pretende compensar fora confessado por meio de DCTF, já se encontrando vencido no momento da transmissão da DCOMP. Sendo assim, completamente cabível a aplicação de multa e juros de mora. Afinal, com o vencimento do débito sem que haja sua extinção por qualquer modalidade, devem incidir os acréscimos moratórios. Assim, diferentemente do que alega a Recorrente, mesmo que tivesse optado pelo pagamento em dinheiro, os consectários Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13971.900566/201088 Acórdão n.º 3301001.529 S3C3T1 Fl. 93 3 legais seriam cabíveis em face da sua quitação fora do prazo legal, nos termos do art. 61da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por outro lado, não procede a alegação de que a multa de mora deveria ser afastada em face da denúncia espontânea do débito tributário. O art. 138 do Código Tributário Nacional é bastante claro ao prescrever que a regra de exclusão da responsabilidade por infrações somente se aplica quando a confissão é acompanhada do pagamento do tributo, o que não se verificou no caso concreto, haja vista que o pedido de compensação somente fora apresentado em momento posterior, quando já vencido o débito. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, não há dúvida que não assiste razão à Recorrente. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.901173/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente BANCO ALVORADA S/A Recorrida DRJ SALVADORBA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que manteve o indeferimento de compensação cujo crédito alegado tem origem em pagamento a maior do PIS Faturamento, período de apuração 09/2003, utilizado para compensar débito da mesma Contribuição, período 06/2004. O Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) foi transmitido em 15/07/2004 e, na origem, sua análise se deu por meio de despacho decisório eletrônico. Na manifestação de inconformidade a contribuinte alega que o PIS relativo a setembro de 2003 no valor de R$65.080,07, declarandoo na respectiva DCTF, quando o correto era R$24.230,04, conforme comprovam a DIPJ/2004 (na retificadora, transmitida em 30/06/2004, consta R$ 24.230,04 como valor da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP A RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 01 17 3/ 20 08 -8 2 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.901173/200882 Resolução nº 3401000.639 S3C4T1 Fl. 101 2 PAGAR em setembro de 2003, conforme cópias às fls. 24/25), demonstrativo da base de cálculo e balancetes dos meses de agosto e setembro de 2003. Logo, possui crédito no valor de R$40.850,03, não reconhecido pelo despacho decisório em face de erro de fato, ao não ter retificado a DCTF. A 4ª Turma da DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não admitindo a retificação da DCTF após o despacho decisório. Empregou o inciso III do §2º do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007, segundo o qual DCTF retificadora não produz efeitos quando o contribuinte não mais goza de espontaneidade. No recurso voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, repisando alegações da manifestação de inconformidade e mencionando jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e do CARF. Requer, ao final, a homologação da compensação, “com a consequente retificação de ofício da DCTF relativa ao 3º. Trimestre de 2003”. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por demandar diligência visando verificar a base de cálculo da Contribuição no período de apuração em questão. Não se sabe ao certo se foi mesmo entregue DCTF retificadora. Por um lado, o acórdão recorrido menciona “modificações efetuadas pela contribuinte na DCTF retificadora”, que teria sido entregue somente depois do despacho decisório, mas por outro o pedido no recurso voluntário é para que haja “retificação de ofício da DCTF”. De todo modo, conforme a cópia da DIPJ retificadora transmitida em 30/06/2004, antes da transmissão do PER/DCOMP, o valor da PIS a pagar em setembro de 2003 é R$ 24.230,04, tal como alegado na manifestação de inconformidade. Assim, essa DIPJ sinaliza que pode assistir razão à Recorrente, apesar da retificação tardia da DCTF – se é que esta foi mesmo retificada, como dá a entender o acórdão da DRJ. Ao desprezar a retificação da DCTF feita depois do despacho decisório, a DRJ parece estar amparada no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB n° 786, de 19 de novembro de 2007, segundo o qual a retificação de DCTF “não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos” relativos a tributos “em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal.” Deixou de levar em conta, todavia, que na situação dos autos há necessidade de maior investigação na escrita fiscal e contabilidade da pessoa jurídica, para que ao final se tenha certeza (ou não) do erro que a Recorrente assegura ter cometido na DCTF original. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10580.901173/200882 Resolução nº 3401000.639 S3C4T1 Fl. 102 3 Em hipótese como a dos autos, de despacho decisório eletrônico que toma por base apenas as informações da DCTF original, a análise sumária não poderia chegar a conclusão diferente da não homologação porque despreza as razões apresentadas posteriormente, a partir da manifestação de inconformidade. Daí a conveniência de maior cautela das autoridades julgadoras, desta instância e da primeira, sempre na busca de realizar a maior justiça possível, sem desapego às regras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique se o débito do PIS, no período de apuração 09/2003, foi retificado também em DCTF e, independentemente de ter havido tal retificação, apure o valor devido da Contribuição no citado mês, se necessário analisando contabilidade e escrita fiscal da contribuinte. Apurado o valor devido, esse deve ser confrontado com o recolhido, informandose de forma conclusiva, no relatório da diligência, se houve ou não recolhimento a maior alegado. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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