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Numero do processo: 10660.002908/00-11
Data da sessão: Sat Oct 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 31/08/1994 a 30/11/1994
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
Restando configurado o lançamento por homologação, o prazo de decadência do direito do Fisco lançar a contribuição rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos contados da data do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.620
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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Numero do processo: 13971.002129/2005-30
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ITR, AUTO DE INFRAÇÃO POR GLOSA DA DISTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA.
A ausência de comprovação hábil é motivo ensejador da não aceitação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada como excluídas da área tributável do imóvel rural.
CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE O ITR E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
A análise dos princípios constitucionais apontados demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.407
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora). Designado para redigir o voto o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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A ausência de comprovação hábil é motivo ensejador da não aceitação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada como excluídas da área tributável do imóvel rural. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE O ITR E APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A análise dos princípios constitucionais apontados demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão, segundo o art. 49 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Beatriz Veríssimo de Sena (Relatora). Designado para redigir o voto o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Márcia Helena Traj ano D'Amorim - Presidente Beatriz VeriSSillIO de Sena - Relatora Corintho OlivORYIachado - Redator Designado EDITADO EM: 19/10/2010 Participaram do pr sente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, C rintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, eatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Maicondes Armando. Relatório Trata o presente processo administrativo de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, acrescido de juros de mora e multa de oficio, em face de diferenças apuradas pela não constatação de área de preservação permanente e de área de utilização limitada. No auto de infração a Autoridade Fiscal relata que fui apurada a falta de recolhimento do 1TR, decorrente da glosa total das áreas originalmente informadas como de utilização limitada, haja vista que a área de reserva legal não estava, à data de ocorrência do fato gerador do ITR/2000, averbada junto à Matrícula do Registro Imobiliário. Em conseqüência, houve aumento da área tributável, da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. Em sua impugnação, o Contribuinte argüiu a desnecessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA e de averbação da reserva legal, porquanto se deve priorizar a existência efetiva de áreas ambientalmente protegidas. Na hipótese, a existência de áreas preservadas estaria comprovada por meio de laudo técnico. Ademais, de acordo com o Contribuinte, haveria ilegalidade, haja vista que a autuação estaria fundada em Instruções Normativas sem amparo legal. Insurge-se, ainda, contra a incidência de juros SELIC e da multa, que afirma ser confiscatória. Solicita a realização de perícia, para comprovar a existência das áreas isentas. A DRJ de origem julgou parcialmente procedente o lançamento apenas para 1restabelecer a glosa de 130 hectares de pastagem, sem modificação do grau de utilização. O / acórdão foi assim ementado (fl. 135): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR Exercício. 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - ÁREA DE RESERVA LEGAL,. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado, O ADA é igualmente exigido para 2 Processo n" 13971.002129/2005-.30 S3-C1T2 Acórdão a° 3102-00A07 F1, 211 que seja reconhecida a isenção das áreas de preservação permanente declaradas na DITR Lançamento procedente em parte. Irresignado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando, em síntese, os argumentos já expostos na impugnação, É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos extrínsecos de admissibilidade, razão pela qual o conheço, 1— Da nulidade do auto de infração Com relação à nulidade do lançamento, tem-se que o Auto de Infração ora contestado atende aos requisitos legais, estabelecidos no art. 10, do Decreto n° 70,235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, constando: a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura; a descrição do fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 (trinta) dias; a assinatura do autuante e a indicação do seu cargo, função e número de matrícula. Além disso, o Auto de Infração contém outras informações específicas do 1TR (identificação do imóvel rural objeto do respectivo lançamento, alíquota de cálculo aplicada, base de cálculo, e outros dados), trazendo, portanto, as informações necessárias para que se estabeleça o contraditório e seja exercido o direito à ampla defesa. Consoante já decidiu este órgão julgador, só haverá vício de forma quando, na formação ou na declaração de vontade traduzida no ato administrativo, for preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não o tenha sido na forma legalmente prevista. Não ocorrendo ambas as hipóteses, como é o caso, não há nulidade. II— Da preliminar de cerceamento de defesa Não merece acolhida a preliminar de nulidade da decisão recorrida, por cerceamento de defesa. De fato, o direito de defesa previsto na Constituição Federal deve ser exercido nos termos da legislação em vigor, no caso, do Decreto n° 70235/72. Na hipótese presente, o Contribuinte teve acesso — e utilizou — todos os meios de defesa previstos na legislação que regula o processo administrativo fiscal. Frise-se, ademais, que os mecanismos de defesa previstos na legislação não impediram, em nenhum momento, que o Contribuinte I aduzisse suas teses de defesa. \ Assim, rejeito a preliminar de cerceamento de defesa. III — Ofensa a princípios constitucionais — princípio da legalidade 3 No que se refere às alegações de ofensa ao texto constitucional, o exame das mesmas demandaria exame de inconstitucionalidade indireta, procedimento vedado nesta instância administrativa, conforme prevê o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais. IV - Área de preservação permanente As áreas de preservação permanente devem ser entendidas como florestas e demais formas de vegetação nativa ou em processo de recuperação existentes que não podem sofrer supressão ou degradação. São áreas de interesse ambiental de preservação permanente as áreas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2' e 3° do Código Florestal (Lei n° 4.771/65). Em resumo, segundo Pedro Einstein dos Santos Anceles, são de preservação permanente as áreas': a) com o fim de proteção aos cursos d'água, lagoas, nascentes, topos de morros, restingas e encostas; b) declaradas, por ato do Poder Público, destinadas a atenuar a erosão, fixar dunas, formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias, auxílio à defesa nacional, proteção de sítios de excepcional beleza, de valor científico ou histórico, asilos de fauna e flora, de proteção à vida e manutenção das populações silvícolas e para assegurar o bem-estar público.. As áreas de preservação permanente, por sua vez, são excluídas da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, qual seja, do Valor da Terra Nua (VTN), em face do art. 10, II, "a", da Lei n° 9.393/96. Para tanto, deve o contribuinte declarar as áreas de preservação permanente na declaração anual do 1TR, abatendo essas áreas da área total do imóvel, para oportuna apuração do VTN, nos termos do art. 8' da Lei ri° 9.393/96. Saliento que a declaração parte do Contribuinte, conforme o § 1° do art. 8° da referida Lei n° 9.393/96. A presunção é favorável ao contribuinte. Cabe à União desconstituir essa presunção, com base no trabalho das autoridades fiscais. Assim, a declaração do ITR do Contribuinte, que possui presunção de veracidade, não desconstituída pela fiscalização, são suficientes para bem demonstrar a existência de área de preservação permanente no imóvel em questão. No que se refere à exigência de Ato Declaratório Ambiental, esclareço que no exercício de 2000 o art. 10 da Lei 9.393/96 assim dispunha sobre o mecanismo de recolhimento do 1TR: Art. 10, A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1" Para os efeitos de apuração do ITR considerar-se-á.: - VTIV, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a,: I ANCELES, Pedro Einstein dos Santos "Manual de Tributos da Atividade Rural", 2 ed. São Paulo : Atlas, 2002, p 402 4 Processo n p 13971,002129/2005-30 S3-C1T2 Acórdão n,' 3102-00407 Fl. 212 a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c)pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7.80.3, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) compro vadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, .federal ou estadual; ) Depreende-se, pois, que não havia no art. 10 da Lei, 9,39.3/96 ou mesmo na Lei 4.771/65 fundamento para que se argumente que no exercício de 2000 fazia-se indispensável a apresentação de Ato Declaratório Ambiental para a isenção de 1TR sobre áreas preservação permanente. Na verdade, a Medida Provisória 2,166-67, de 24,082001, inseriu o § 7" do art. 10 da Lei 9.393/96 para dispensar o Ato Deelaratório Ambiental nas hipóteses de áreas de preservação permanente para fins de cálculo do 1TR, conforme se pode verificar: § 70 A declaração para fim de isenção do 1TR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, , ficando o MeS1770 responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Isso posto, verifico que o Contribuinte excluiu corretamente da área tributável de seu imóvel as de preservação permanente, nos termos do art. 2', alíneas "a" à "e", da Lei n°4.771/65 combinado com o art. 10, II, "a", da Lei n° 9,393/96. Dispensável, por outro lado, a entrega de Ato Declaratório Ambiental, Isso posto, há na propriedade sobre a qual incide o ITR no caso em exame, devidamente comprovadas, áreas de preservação permanente, nos termos da legislação em vigor a serem excluídas da base de apuração do VTN, permanente. / Assim, dou provimento ao recurso voluntário quanto à área de preservação - Área de utilização limitada — reserva legal Quanto à apuração das áreas de reserva legal, cumpre resgatar o conceito de área de utilização limitada e reserva legal. De acordo com Pedro Einstein dos Santos Anceles, em síntese, são áreas de interesse ambiental de utilização limitada2: — as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, destinadas à proteção de ecossistemas, de domínio privado, reconhecidas pelo IBAII/L4, ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário, conforme previsto no Decreto n°1922, de 5-6-1996; li — as áreas imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual III — as áreas de reserva legal. As áreas de reserva legal, por sua vez, são as áreas de cada propriedade "onde não é permitido o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas e pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que a formam" 3 Essas áreas estão previstas nos arts. 16 e 44 da Lei n°4.771/65. A legislação nada dispõe sobre a forma pela qual as áreas de utilização limitada, de maneira geral, devam ser registradas. Exceção é feita à reserva legal. Em razão da possibilidade de uso parcial e controlado das áreas de reserva legal, os §§ 90 e 100 do art. 16 do Código Florestal dispõem que essas áreas devam ser averbadas à margem da matrícula do imóvel. A jurisprudência dominante deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais encontra-se no sentido de a exigência dos §§ 9" e 10° do art. 16 do Código Florestal diz respeito apenas à segurança ambiental, não ao calculo do ITR, que se valeria do estado de fato da propriedade. Havendo área efetivamente protegida naquele espaço apontado pelo contribuinte como reserva legal — o que não foi desconstituído pela União — deve ser considerada a declaração do Contribuinte, em face da presunção legal. Transcrevo acórdão da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido: PRELIMINAR DE NULIDADE, INEXISTÊNCIA DE NOTIFICA ÇAO DE PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL PARA OFERECIMENTO DE CONTRA-RAZÕES EM RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCABIMENTa É. " de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada sob o argumento de inexistência de notificação da Procuradoria da Fazenda Nacional, para fim de oferecimento de contra-razões a recurso voluntário interposto pelo contribuinte (inteligência da Port MF .314/99, p. único). ITR/97, ATO DECLARÁTORIO AMBIENTAL - ADA, INTEMPESTIVIDADE IMPROCEDÊNCIAA recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 43 ou 67/97, não tem amparo legal. ÁREA DE 1PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. 2 ANCELES, Pedro Einstein dos Santos, "op cit" p 403-404 3 ANCELES, Pedro Einstein dos Santos "op eit" p 403-404 Beatriz Veríssimo de Sena Processo rf 13971 002129/2005-30 Acórdão n 3102-00.407 S3-C1 T2 Fl. 213 REGISTRO EFETUADO EM ATO DECLARATÓRIO DO MAMA. PROVA HÁBIL. O registro de distribuição de áreas do imóvel rural concernente a área de preservação permanente e de reserva legal contidos em Ato Declaratório do Ibama, a título de área de declarado interesse ecológico, que correspondem às mesmas informações declaradas em DIAT devem ser reconhecidos para fin de cálculo do ITR/97. ÁREA DE RESERVA LEGAL.. AVERBAÇÃO. A obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8' do art. 16 da Lei 4,771/65 (Código Florestal), tem a . finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade Mura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, .firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como pré- condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, .ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa, previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis,Recurso especial negado. Número do Processo: 10240.001111/2001-53, Conselho Superior de Recursos Fiscais, Relator Otacilio Dantas Cartaxo, Data da Sessão: 12/11/2007) Por esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das considerações tecidas pela L Conselheira Relatora, o Colegiado firmou entendimento em contrário, no que pertine aos itens RESERVA LEGAL e PRESERVAÇÃO PERMANENTE, chegando à conclusão de que não assiste razão à recorrente, no seu pedido de acolhimento do apelo voluntário e irresignação contra o lançamento de ITR. Em primeiro plano, deve ser ressaltado que o § 7° da Lei n° 9.393/96, incluído pela medida provisória no 1166-67, de 24 de agosto de 2001, tem a seguinte dicção: 7 § 7' A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1", deste artigo, não está sujeita à prévia comprovaçâo por parte do declarante, ..ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, (Grifou-se). Significa dizer que é dispensada a "prévia" comprovação do declarado, contudo alguma comprovação é necessária, se o declarante for instado a comprovar o quanto declarado. Essa é inclusive a visão mais atualizada da E Câmara Superior de Recursos Fiscais, na qual ficou cabalmente ultrapassado o entendimento de que bastaria tão-somente a declaração para validar as áreas de preservação permanente e de reserva legal. No vinco do Oxposto, voto no sentido de DESPROVER o recurso. Cor intho 010éHã Machado 8
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Numero do processo: 14485.000205/2007-89
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam
legislação hierarquicamente superior
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS - ARRECADAÇÃO - RECOLHIMENTO - OBRIGAÇÃO DA EMPRESA
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração e recolher os valores arrecadados no prazo estabelecido pela legislação
FRAUDE - NÃO RECOLHIMENTO
Eventual fraude a que tenha sido submetida a empresa e que resultou no não recolhimento das contribuições devidas, não pode ser argumento para a desconstituição do lançamento das contribuições não vertidas aos cofres públicos, ainda que a empresa tenha agido de boa-fé. Evidenciada a ocorrência de fraude, cabe à empresa, buscar os meios legais para reaver os
valores desviados da finalidade a que se destinavam junto aos responsáveis pela mesma.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.092
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Ana Maria Bandeira
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO - PRECLUSÃO - NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS - ARRECADAÇÃO - RECOLHIMENTO - OBRIGAÇÃO DA EMPRESA A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração e recolher os valores arrecadados no prazo estabelecido pela legislação FRAUDE - NÃO RECOLHIMENTO Eventual fraude a que tenha sido submetida a empresa e que resultou no não recolhimento das contribuições devidas, não pode ser argumento para a desconstituição do lançamento das contribuições não vertidas aos cofres públicos, ainda que a empresa tenha agido de boa-fé. Evidenciada a ocorrência de fraude, cabe à empresa, buscar os meios legais para reaver os valores desviados da finalidade a que se destinavam junto aos responsáveis pela mesma. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS - ARRECADAÇÃO - RECOLHIMENTO - OBRIGAÇÃO DA EMPRESA A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração e recolher os valores arrecadados no prazo estabelecido pela legislação FRAUDE - NÃO RECOLHIMENTO Eventual fraude a que tenha sido submetida a empresa e que resultou no não recolhimento das contribuições devidas, não pode ser argumento para a desconstituição do lançamento das contribuições não vertidas aos cofres Processo n° 14485.000205/2007-89 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.092 Fl. 383 públicos, ainda que a empresa tenha agido de boa-fé. Evidenciada a ocorrência de fraude, cabe à empresa, buscar os meios legais para reaver os valores desviados da finalidade a que se destinavam junto aos responsáveis pela mesma. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ": O OLIVEIRA - Presidente 11 5 v.n A MARIA BAN 5 EIRA - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vida! (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. 2 Processo n° 14485.000205/2007-89 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.092 Fl. 384 Relatório Trata-se do lançamento da contribuição dos segurados, arrecadadas e não recolhidas à Seguridade Social. O Relatório Fiscal (fls. 15/18) informa que o lançamento refere-se à contribuição dos segurados empregados da empresa Peoplesoft CRM do Brasil S/A, incorporada pela Peoplesoft do Brasil que, por sua vez, foi incorporada pela notificada, Oracle do Brasil Sistemas. A incorporada teria efetuado o desconto dos segurados, porém não apresentou os comprovantes de recolhimento do respectivo repasse à Seguridade Social, bem como, os sistemas do órgão acusam ausência destes valores no conta corrente da empresa. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, a qual constituiu como responsáveis os dirigentes da Peoplesoft CRM S/A. A parte da empresa foi lavrada por meio da NFLD 35.745.378-6. A notificada apresentou defesa (fls. 68/95) onde alega que não há que se falar em inadimplemento da obrigação previdenciária, tendo em vista que houve o pagamento de todo o valor declarado pela empresa em sua CNP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Solicita o julgamento em conexão entre as duas NFLDs relativas à parte dos segurados e a parte patronal. Afirma que houve fraude junto à CEF - Caixa Econômica Federal, bem como a existência de ação judicial com depósito suspensivo da exigibilidade do crédito previdenciário. Informa que em 2002, ao necessitar de certidão de regularidade fiscal, esta lhe foi negada haja vista existência de débitos declarados em não recolhidos nas competências de 02 e 03/2001. Diante do fato da notificada ter efetuado o correto preenchimento da guia de recolhimento, bem como emitido cheque administrativo, nominal à Caixa Econômica Federal, no exato valor da contribuição, este notificou a CEF sobre os acontecimentos. Ocorre que a CEF alegou que o recolhimento das guias dos meses de 02 e 03/2001 não havia sido feito no ambiente da Caixa/Agência Morumbi Diante do fato, a notificada ajuizou ação declaratória com pedido de tutela antecipada em face da CEF em litisconsórcio passivo com o INSS, n°2002.61.11.001258-9. Informa que optou por efetuar o depósito judicial do valor integral do débito, com todos os consectários legais incidentes até a data do depósito, de modo a suspender a exigibilidade do crédito, até que a fraude seja verificada. 3 Processo n° 14485.000205/2007-89 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.092 Fl. 385 Alega que o presente lançamento, no que tange às competências 02 e 03/2001, está com a exigibilidade suspensa. Entende necessário o sobrestamento do feito quanto aos lançamentos de 02 e 03/2001 até que seja definitivamente julgada a ação judicial noticiada, bem como o cancelamento da aplicação de multa e juros moratórios, face à existência do depósito judicial. Quanto à cobrança na competência 11/2000, alega que como a mesma não fez parte da discussão judicial, pode e deve ser analisada na seara administrativa. De igual forma, a empresa notificou a CEF a respeito da guia relativa à competência 11/2000 que também não constava nos sistemas do órgão. Como resposta, a CEF informou que a autenticação constante da guia não havia sido feita em nenhuma de suas agências. Aduz que efetuou o pagamento mediante cheque nominativo à CEF no exato valor da contribuição devida e o numerário efetivamente saiu da conta da notificada, o que demonstraria a negligência da CEF. Na seqüência, tece considerações a respeito da responsabilidade do agente arrecadador pelo fato. Por fim, irresigna-se pela aplicação da taxa de juros SELIC. Os autos foram encaminhados à auditoria fiscal para manifestação a respeito de divergências apontadas pela notificada entre o valor apontado na NFLD e o valor das guias, da alegada fraude junto à CEF e da ação judicial com depósito suspensivo, bem como a observância do procedimento previsto nas normativas para verificação de guias fraudadas. A auditoria fiscal manifestou-se (fl. 220) informando que a empresa somente apresentou cópias simples das guias em questão, salientando que sem os originais não é possível a instauração do processo de fraude. Esclarece que os valores apurados como divergências entre a GFIP e as folhas de pagamento continuam faltando no conta corrente e a ação judicial não suspende os direitos de cobrança do fisco. Argumenta que como o documento produzido pela própria CEF informa que as autenticaçOes são estranhas ao sistema da Caixa e que a agência mencionada sequer possuía o terminal mencionado, este extingue a necessidade de consulta ao agente arrecadador. Como o Serviço do Contencioso Administrativo Previdenciário considerou necessários outros esclarecimentos, os autos foram novamente encaminhados à auditoria fiscal que esclareceu (fls. 230/231) que os valores apurados tiveram por base os valores declarados em GFIP e nas folhas de pagamento. A divergência apontada toma por base nas guias de recolhimento, as quais não foram apresentadas à fiscalização à época e não serviram de base para o lançamento. A auditoria fiscal conclui que nenhum valor deve ser excluído da notificação e que deve ser realizado lançamento complementar na competência 02/2001 referente a salário de contribuição não incluído em GFIP. '1 4 Processo n° 14485.000205/2007-89 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.092 Fl. 386 Quanto à competência 11/2000, verificou que o valor do salário de contribuição constante da folha de pagamento que serviu de base para o lançamento não foi totalmente informado em GFIP, o que levou à lavratura de auto de infração. Diante de tal constatação, a auditoria fiscal manifestou-se pela reclassificação de parte do lançamento como não declarado em GFIP e, portanto, sem redução de multa. A notificada foi intimada do resultado das duas diligências efetuadas e manifestou-se (fls. 239/246) onde alega que houve cerceamento de defesa pelo não encaminhamento de um despacho mencionado, bem como pela não apresentação do demonstrativo e fundamentos que amparariam o citado lançamento suplementar. Informa que as guias originais estão anexadas nos autos da ação judicial. Diante das argumentações apresentadas, a SRP encaminhou os documentos solicitados com abertura de prazo para manifestação, a qual ocorreu (fls. 266/268) sem qualquer inovação. A SRP promoveu o desmembramento das contribuições lançadas, excluindo dos presentes autos as competências 02 e 03/2001, as quais passaram a constituir a NFLD 37.095.218-9. A notificada foi informada do desmembramento efetuado. Pelo Acórdão n° 16-15.536 (fls. 291/315), a 1P Turma da DRJ-SPOI, considerou o lançamento procedente em parte, a fim de excluir, por nulidade, o valor correspondente à contribuição cujo fato gerador não foi declarado em GFIP, conforme informado pela auditoria fiscal. A notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 327/341) onde apresenta preliminar de nulidade da notificação, uma vez que se refere a créditos já constituídos por meio das declarações em GFIP. No mérito, alega que os valores lançados já teriam sido recolhidos e informa que junta microfilme do cheque administrativo nominal à CEF, o que implica dizer que algum preposto da instituição financeira, autorizada para tal função, endossou o cheque e deu destinação diversa da pretendida, no caso, os valores teriam sido desviados para uma empresa de courier denominada Xambexpress S/C Ltda que não tem nenhum negócio com a recorrente e não se encontra estabelecida no endereço constante do cadastro do CNPJ do Ministério da Fazenda. Argumenta a boa-fé da recorrente, a irregularidade do endosso e do enriquecimento ilícito da CEF. No mais, efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. 11) 5 Processo n° 14485.000205/2007-89 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.092 Fl. 387 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta como preliminar a alegação de que o presente lançamento não poderia ser constituído por meio da notificação em tela sob o argumento de que o mesmo já se encontraria constituído quando da declaração em GFIP dos fatos geradores. Assevere-se que, tal alegação não foi apresentada na defesa e, a meu ver, o contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante apresentação de defesa tempestiva e somente em relação às matérias expressamente impugnadas. Dessa forma, entendo que encontra-se precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto n° 70.235/1972, in verbis: "Art.17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante" Portanto, não conheço da preliminar. No mérito, a recorrente alega que o crédito já estaria extinto pelo pagamento, no entanto, não demonstra a ocorrência do alegado. A notificada aduz que teria ocorrido fraude no âmbito da instituição arrecadadora, a Caixa Econômica Federal. Argumenta que o pagamento teria sido feito por meio de cheque nominal à CEF e no valor da guia de recolhimento. No entanto, o valor correspondente não foi repassado aos cofres públicos e a própria Caixa Econômica não reconheceu como oriunda de um de seus terminais a autenticação constante da guia de recolhimento. Ainda que a recorrente apresente em sua peça recursal alegações no sentido da responsabilização da instituição financeira pelo ocorrido e a boa-fé que motivou seus procedimentos, o fato é que não cabe à esta instância de julgamento atribuir ou não responsabilidades pela fraude ocorrida que, aliás, não se encontra sequer esclarecida nos autos. O que se tem de concreto é que a recorrente possui uma guia de recolhimento, cuja autenticação não foi reconhecida, formalmente, pela instituição arrecadadora e os valores correspondentes efetivamente não foram vertidos à Seguridade Social. In casu, trata-se de contribuições arrecadadas dos segurados empregados e ' não repassadas aos cofres previdenciários e, a respeito, assim dispõe o art. 30, incisos I e II, da Lei n°8.212/1991: Processo n° 14485.000205/2007-89 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.092 Fl. 388 "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: 1- a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração; b)recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência" Como argüido, não cabe a esta instância de julgamento manifestar-se a respeito da fraude supostamente ocorrida, bem como não pode a empresa eximir-se de sua responsabilidade perante o fisco com base em tal afirmação. Tendo ocorrido a fraude e identificados os seus responsáveis, cabe à empresa, em foro diverso deste, tomar as providências cabíveis a fim de reaver os recursos que alega ter despendido para o pagamento da guia de recolhimento e que não teriam sido utilizados para a finalidade a que se destinavam. A notificada manifesta seu inconformismo pela aplicação da taxa de juros SELIC como juros moratórios. Ocorre que a utilização de tal taxa pela fiscalização ocorreu com amparo no art. 34, da Lei n° 8.212/1991, vigente à época do lançamento e não cabe ao julgamento no âmbito administrativo deixar de observar dispositivo legal em plena vigência. O controle da constitucionalidade no Brasil é do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negar-se a aplicá-la; Ainda excepcionalmente, admite-se que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: "Mandado de segurança - Ato administrativo - Prefeito municipal - Sustação de cumprimento de lei municipal - Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão - Admissibilidade - Possibilidade da '41 7 Processo n° 14485.000205/2007-89 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.092 Fl. 389 Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional - Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes - Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores - Segurança denegada - Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusar-se a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.155-1 - Campinas - Relator: Gonzaga Franceschini - Juis Saraiva 21). (g.n.)" Ademais, tal questão foi sumulada pelo então Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que pela Súmula n° 02 publicada no DOU em 26/09/2007, decidiu o seguinte: "Súmula n°2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". Quanto à alegação de que teria sido aplicada a taxa de juros sobre multa de oficio, vale dizer que a recorrente está equivocada. Os acréscimos legais que incidiram sobre o valor da contribuição devida foram os juros e a multa previstos nos artigos 34 e 35 da lei no 8.212/1991, respectivamente. Vale salientar que, tanto os juros como a multa incidiram separadamente sobre o valor originário do crédito e não há que se falar em incidência de juros sobre o valor da multa. Diante do exposto de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2009 #' • n • MARIA BA ro EIRA - Relatora 8
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Numero do processo: 10850.002565/99-41
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/03/1989 A 31/10/1995
PIS RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA PRAZO
A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/02-03.421
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Josefa Maria Coelho Marques
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/03/1989 a 31/10/1995 PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Antoni Praga - Presidente 49u \ i/C7Ce .sefa Maria Coelho Marques - Relatora Editado em: 17/06/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado).. Ausente momentaneamente o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata-se de recurso especial do procurador (fls. 214 a 220) apresentado em 19 de setembro de 2006 contra o Acórdão ri". 201-78.625 da 1 Câmara do 2' Conselho de Contribuintes (fls. 204 a 212), que deu provimento ao recurso voluntário da interessada, nos termos da ementa a seguir reproduzida: "PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. PIS/FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o PIS, eleita pela Lei complementar n° 7/70, art. 6°, parágrafo único, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n°1.212/95. Recurso provido" O pedido de restituição (fl. 1) foi apresentado em 12 de novembro de 1999, relativamente aos períodos de apuração de março de 1989 a outubro de 1995. O acórdão recorrido considerou que o prazo máximo para o pedido seria contado da data de publicação da Resolução do Senado Federal if- 49, de 10 de outubro de 1995. No recurso, admitido pelo despacho de fls. 219 e 220, a Fazenda Nacional alegou que o prazo seria contado da data do pagamento indevido ou a maior do que o devido. Acrescentou que a Lei Complementar ri' 118, de 2003, imporia interpretação nesse sentido. Intimada do teor do recurso, a interessada manifestou-se às fls. 225 a 236, defendendo a semestralidade da base de cálculo do PIS, alegando que o entendimento predominante no 2" Conselho de Contribuintes seria o do acórdão recorrido e que o prazo de cinco anos para o pedido somente se iniciaria da data da homologação tácita. É o relatório. Voto Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, Relatora tçi:».., 2 Processo n° 10850.002565/99-41 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.421 Fl. 247 O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. A questão discutida no recurso é relativa ao prazo do pedido de restituição e compensação. No caso concreto, uma vez tratar-se de declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis ris 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foi editada a Resolução do Senado Federal de 1-12. 49, de 09 de setembro de 1995, retirando a eficácia das aludidas nolinas legais que foram acoimadas de inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Assim, havendo manifestação senatorial, nos termos do art. 52, X, da Constituição Federal, é a partir da publicação da aludida Resolução que o entendimento da Egrégia Corte produz efeitos erga omnes. Assim, o direito subjetivo da contribuinte de postular a repetição de indébito pago com arrimo em norma declarada inconstitucional nasceu a partir da publicação da Resolução ri 49, o que ocorreu em 10/10/1995. Destarte, tendo a contribuinte ingressado com seu pedido em 1999, não identifico óbice a que seu pedido de compensação/restituição seja atendido. No tocante às disposições da Lei Complementar 11.2 118, de 2000, não se aplicam ao presente caso, uma vez que não se trata das hipóteses dos incisos do art. 165 do CTN. O referido dispositivo, ao qual faz referência o art. 168, trata-se apenas dos casos de recolhimento indevido ou a maior do que o devido efetuados em confronto com a legislação em vigor, o que não abrange a legislação inconstitucional, que permanece em vigor até a sua retirada do mundo jurídico por ato do Senado Federal ou do Supremo Tribunal Federal. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. oe/ jibeevõre • - Josefa Maria Coelho Marques jr)7 3
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Numero do processo: 10875.001358/2005-37
Data da sessão: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/09/1999, 29/09/1999, 06/10/1999, 13/10/1999, 20/10/1999, 27/10/1999, 03/11/1999, 10/11/1999, 17/11/1999, 01/12/1999, 08/12/1999, 17/05/2000, 24/05/2000, 31/05/2000, 07/06/2000, 14/06/2000, 20/06/2000, 28/06/2000, 05/07/2000, 12/07/2000, 19/07/2000, 26/07/2000, 02/08/2000, 09/08/2000, 16/08/2000, 23/08/2000, 30/08/2000, 05/09/2000, 13/09/2000, 20/09/2000, 27/09/2000, 04/10/2000, 10/10/2000, 18/10/2000, 25/10/2000, 31/10/2000, 08/11/2000, 06/12/2000, 03/01/2001, 10/01/2001, 31/01/2001, 07/02/2001, 28/02/2001, 07/03/2001, 10/04/2001, 25/04/2001, 04/07/2001, 11/07/2001, 18/07/2001, 01/08/2001, 08/08/2001
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CPMF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.
O termo final para a contagem do prazo para se auferir o vencimento do prazo decadencial é a ciência do auto de infração.
Quando cabível a aplicação do art. 173 do CTN (situação de não pagamento do tributo), ocorrendo notificação do sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, a data da notificação será contada como o termo a quo, caso efetivada antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Exegese do art. 173, I e Parágrafo. Único do CTN.
Negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9303-002.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/09/1999, 29/09/1999, 06/10/1999, 13/10/1999, 20/10/1999, 27/10/1999, 03/11/1999, 10/11/1999, 17/11/1999, 01/12/1999, 08/12/1999, 17/05/2000, 24/05/2000, 31/05/2000, 07/06/2000, 14/06/2000, 20/06/2000, 28/06/2000, 05/07/2000, 12/07/2000, 19/07/2000, 26/07/2000, 02/08/2000, 09/08/2000, 16/08/2000, 23/08/2000, 30/08/2000, 05/09/2000, 13/09/2000, 20/09/2000, 27/09/2000, 04/10/2000, 10/10/2000, 18/10/2000, 25/10/2000, 31/10/2000, 08/11/2000, 06/12/2000, 03/01/2001, 10/01/2001, 31/01/2001, 07/02/2001, 28/02/2001, 07/03/2001, 10/04/2001, 25/04/2001, 04/07/2001, 11/07/2001, 18/07/2001, 01/08/2001, 08/08/2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CPMF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. O termo final para a contagem do prazo para se auferir o vencimento do prazo decadencial é a ciência do auto de infração. Quando cabível a aplicação do art. 173 do CTN (situação de não pagamento do tributo), ocorrendo notificação do sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, a data da notificação será contada como o termo a quo, caso efetivada antes do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Exegese do art. 173, I e Parágrafo. Único do CTN. Negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 13 58 /2 00 5- 37 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: Em razão da ausência de retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores, Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) por força de medida judicial posteriormente revogada, a Fiscalização da DRF Guarulhos/SP, em 26/04/2005, procedeu à lavratura do auto de infração (fls. 23 a 38), por meio do qual se exigiram do contribuinte os valores da contribuição devidos nas datas especificadas na Descrição dos Fatos (fls. 35 a 37), tendo por base declaração prestada por instituição financeira (fls. 19 a 22), certidão da Justiça Federal (fl. 9), bem como a ausência de comprovação do recolhimento da CPMF no período sob análise. Não se conformando com tal procedimento, o contribuinte impugnou o auto de infração (fls. 49 a 135), alegando, em síntese, o seguinte: a) os fatos geradores ocorridos no período de 22/09 a 8/12/1999 encontravamse, à época do lançamento de oficio, alcançados pela decadência; b) imprescindibilidade da intimação da instituição financeira para a apresentação dos comprovantes de recolhimento da CPMF, em razão de sua exclusiva responsabilidade pela retenção dos valores; c) as instituições financeiras, tendo em vista a medida liminar posteriormente revogada que afastava a exigência da CPMF, tornaramse responsáveis pela retenção do tributo; d) nulidade do auto de infração em decorrência da falta de comprovação do encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal MPF; e) o ônus de demonstrar a inexistência de retenção da CPMF é das instituições financeiras; f) impossibilidade de utilização de presunção no ato de lançamento, em detrimento da verdade real; g) as declarações de CPMF entregues pelas instituições financeiras têm força de constituição do crédito tributário, em razão do que se tornaria inócua a lavratura de autos de infração abarcando os mesmos fatos geradores declarados; Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10875.001358/200537 Acórdão n.º 9303002.179 CSRFT3 Fl. 309 3 h) inconstitucionalidade da cobrança da CPMF no período objeto da autuação; i) desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa aplicada; j) impossibilidade de aplicação da taxa Selic como juros de mora. Por fim, requereu, preliminarmente, o reconhecimento da consumação da decadência do direito de lançar o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos entre 22/09/1999 a 08/12/1999 e a declaração de nulidade do auto de infração ou, no caso de superação das preliminares, a proclamação da inconstitucionalidade da CPMF e dos acréscimos legais. A DRJ Campinas/SP julgou o lançamento procedente (fls. 162 a 167), afastando a preliminar de decadência em face da existência de prazo decadencial de dez anos próprio para as contribuições destinadas à seguridade social e decidindo pela correta formalização do auto de infração, amparada em informações prestadas pelo próprio contribuinte. Afastaramse, também, as alegações de inconstitucionalidade, de nulidade do auto de infração e de irregularidade no encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Irresignado com tal decisão, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 179 a 230) e pede o reconhecimento da decadência do direito de lançar o crédito tributário relativamente ao período de 22/09 a 8/12/1999 e a declaração de nulidade do auto de infração, repisando os mesmos argumentos. É o relatório. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES, CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Data do fato gerador: 22/09/1999, 29/09/1999, 06/10/1999, 13/10/1999, 20/10/1999, 27/10/1999, 03/11/1999, 10/11/1999, 17/11/1999, 01/12/1999, 08/12/1999, 17/05/2000, 24/05/2000, 31/05/2000, 07/06/2000, 14/06/2000, 20/06/2000, 28/06/2000, 05/07/2000, 12/07/2000, 19/07/2000, 26/07/2000, 02/08/2000, 09/08/2000, 16/08/2000, 23/08/2000, 30/08/2000, 05/09/2000, 13/09/2000, 20/09/2000, 27/09/2000, 04/10/2000, 10/10/2000, 18/10/2000, 25/10/2000, 31/10/2000, 08/11/2000, 06/12/2000, 03/01/2001, 10/01/2001, 31/01/2001, 07/02/2001, 28/02/2001, 07/03/2001, 10/04/2001, 25/04/2001, 04/07/2001, 11/07/2001, 18/07/2001, 01/08/2001, 08/08/2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CPMF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 O prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/1991 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal por meio da Súmula Vinculante nº 8. Não tendo havido antecipação de pagamento por parte do contribuinte, nem mesmo após a revogação da medida judicial, não há que se falar em homologação tácita do lançamento, aplicandose ao caso a regra geral da decadência prevista no art. 173, I, do CTN. Em razão disso, encontramse extintos os créditos tributários referentes aos períodos anteriores a 31/12/1999. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. O lançamento sob análise se baseou em informações prestadas pela instituição financeira e repassadas a Administração Tributária pelo próprio contribuinte, bem como em dados relacionados a medida judicial que autorizara, anteriormente à sua revogação, abstenção dos atos de retenção e recolhimento do tributo. Qualquer outro fator impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário pendente de prova tornase ônus do sujeito passivo que o alega. CPMF. FALTA DE RECOLHIMENTO POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL POSTERIORMENTE REVOGADA. Nos termos da legislação de regência, deverá ser exigida por meio de lançamento de ofício a CPMF não recolhida por força de medida judicial posteriormente revogada. A obrigação de pagar o tributo não recolhido no vencimento, juntamente com seus acréscimos legais, é do contribuinte, por inexistir autorização legal que transfira essa obrigação a terceiros, ainda que responsável pela retenção dos valores devidos. PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A instituição do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF — visa ao melhor controle administrativo das ações fiscais a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil e foi dirigida aos recursos humanos desse órgão, não devendo ser entendida como instrumento capaz de afastar a vinculação da autoridade administrativa à Lei, sujeita a sua atividade à responsabilidade funcional nos exatos termos do que dispõe o art. 142 do CTN. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional, sob pena de responsabilização. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DA CPMF versus LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Declaração da CPMF decorre de obrigação acessória instituída por lei, cuja apresentação é da responsabilidade das instituições financeiras gestoras dos fatos geradores da contribuição, não se confundindo com declarações do próprio contribuinte a que a lei atribua eficácia de constituição do crédito tributário. O lançamento de ofício se operou nos exatos termos da legislação de regência. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10875.001358/200537 Acórdão n.º 9303002.179 CSRFT3 Fl. 310 5 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, e no art. 62 e parágrafo único do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Nos lançamentos de ofício, em razão de ausência de pagamento ou recolhimento a menor do tributo, incide a multa de ofício no percentual de 75%, conforme previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/1996, bem como no art. 14 da Lei n° 9.311/1996. Os juros de mora são calculados pela taxa Selic nos termos da legislação aplicável art. 13, I, da Lei n° 9.311/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por divergência, às fls. 251/258, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. A matéria objeto do recurso é a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento. Especificamente, o marco de contagem do prazo para determinação das contribuições (CPMF) que se encontrem decaídas, nos tributos lançados por homologação, quando não há pagamento antecipado. Na decisão recorrida o Colegiado julgou que o marco para contagem do prazo decadencial é a data da lavratura do auto de infração, enquanto que no paradigma apresentado pela Procuradoria esse marco é a data da ciência do MPF. O recurso foi admitido pelo presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 284/285. O sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao marco temporal para a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento. Especificamente, o marco de contagem do prazo para determinação das contribuições (CPMF) que se encontrem decaídas, nos tributos lançados por homologação, quando não há pagamento antecipado. Não se discute aqui a aplicação do art. 173, I, do CTN, isto é que a contagem se faz a partir do 1º dia do exercício seguinte ao que o Fl. 343DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 tributo poderia ter sido lançado, mas sim o marco temporal da contagem. A decisão recorrida deu como marco a data da ciência do Auto de Infração (28/04/2005, cf. fls. 34 e 38), e a Recorrente alega ser a data da ciência do MPF, que configura o início do procedimento fiscal, que se deu em (06/02/2004, cf. fls. 01). Adotandose a data da ciência do Auto de Infração, os débitos anteriores a 31 de dezembro de 1999 estariam decaídos, em outro sentido adotandose a data da ciência do MPF todo o débitos do ano de 1999 poderiam ser lançados. Em seu recurso especial a Procuradoria trouxe o Acórdão 240101.186, o qual defende a teses de que a aplicação art. 173 do CTN, quando não há pagamento em lançamento por homologação (que é o caso presente) resulta em contagem do prazo decadencial no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, dandose como marco que encerra esta contagem a ciência pelo contribuinte da primeira medida preparatória indispensável ao lançamento, ou seja, a ciência do MPF. Vejase o que estatui o art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.(Grifouse). Ocorre que o parágrafo único do art. 173 do CTN deve ser interpretado no contexto do artigo e não como uma norma isolada. Assim, se em um caso concreto, antes do início do prazo a que se refere o inço I do art. 173 ocorrer uma notificação (e.g., ciência do MPF), o prazo, nesse caso mais favorável ao contribuinte, começa a correr da ciência e não do 1º dia do exercício seguinte (menos favorável ao contribuinte, pois resultaria em um prazo de decadência mais longo). O parágrafo único é uma exceção ao inciso I do art. 173 e não um dispositivo autônomo. Os dois marcos temporais do art. 173, expressos em seu inciso I e parágrafo único, não são isolados, mas concorrentes, i.e., o que acontecer primeiro, prevalece. Qualquer outra lógica interpretativa levaria a reconhecer a existência da interrupção do prazo decadencial, o que não é admissível no sistema do CTN. Uma simples demonstração, ao estilo reductio ad absurdum, é fácil de fazer neste caso. Por exemplo, um fato gerador, sem pagamento, de 22/09/1999, com a ciência do MPF em 21/09/2004 e a ciência do Auto de infração em 21/09/2009. Vejase que há, de fato, uma interrupção do prazo prescricional, pois a partir da ciência do auto de infração, não se fala mais em decadência e sim em prescrição. Notese que há transcurso de dois prazos: o primeiro entre o fato gerador e a ciência do MPF, e o segundo entre a ciência do MPF e a ciência do Auto de Infração. Ambos teriam sido de decadência, operando um interrupção, pelo início da recontagem após a ciência do MPF. Como já foi dito está lógica absurda não é admitida nos sistema do CTN. Neste sentido, há que se reconhecer a decadência dos períodos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 08/12/1999, uma vez que os pagamentos eram devidos anteriormente à 31/12/1999. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10875.001358/200537 Acórdão n.º 9303002.179 CSRFT3 Fl. 311 7 Isto posto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o meu voto. Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.002766/2006-51
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS.
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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SAQUES OU TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Súmula nº 67 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 66 /2 00 6- 51 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002766/200651 Acórdão n.º 2102002.342 S2C1T2 Fl. 264 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra RICARDO ALBERTO DAY foi lavrado Auto de Infração, fls. 146/151, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2001 e 2002, exercícios 2002 e 2003, no valor total de R$ 1.577.337,11, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 141/145, foi omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, que foi evidenciado por remessas de recursos ao exterior (fatos apurados durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 160/182, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1728.900, de 25/11/2008, fls. 222/229. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 11/03/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 241, o contribuinte apresentou, em 31/03/2009, recurso voluntário, fls. 243/261, no qual traz as seguintes alegações a seguir resumidas: Do erro crasso na identificação do sujeito passivo – O recorrente não se cansa de esclarecer, tendoo feito desde quando atendeu à intimação para prestar informações, que não é e nunca foi responsável pela empresa Beacon Hill Service Corporation. Não é nem nunca foi ordenante das operações financeiras realizadas pela empresa no exterior e que ora lhe são imputadas. Não é nem nunca foi sócio, acionista ou administrador da referida empresa. Desconhecia a existência desta empresa até a intimação recebida da fiscalização da Receita Federal. Alguém utilizou indevidamente o nome e os dados pessoais do recorrente na constituição de uma empresa, e o fato destes dados figurarem em mídia eletrônica, na versão da Receita Federal, vira verdade incontrastável. Da decadência – A chave da divergência reside no fato de que, segundo a jurisprudência dominante e, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, a partir da edição da Lei nº 7.713/88, é mensal e não anual e, assim, o termo inicial do prazo decadencial iniciase ao final de cada mês, e não de cada ano. Do critério temporal do fato gerador do imposto de renda pessoa física A partir da Lei nº 7.713/88 o imposto de renda da pessoa física passou a ser Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002766/200651 Acórdão n.º 2102002.342 S2C1T2 Fl. 265 3 devido mensalmente, e que no caso de omissão de rendimentos a tributação deve ser mensal, e não anual. Do fato de simples movimentações financeiras não configurarem fato gerador do imposto de renda – O acórdão recorrido mantém a premissa de que simples depósitos bancários (no caso, movimentações financeiras), ainda que não seja demonstrada relação de causa e feito com renda consumida, por si só, constitui fato gerador do imposto de renda, caso não tenha comprovada a origem dos valores. E, nesse caso específico, há o agravante de ser movimentação financeira em nome de terceiro. A maioria dos julgados deste CARF não admite, de per si, o depósito bancário como caracterizando fato gerador do imposto de renda. Pode, segundo essas decisões, ser o depósito adotado como um indício, um ponto de partida para uma averiguação mais profunda. É o Relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002766/200651 Acórdão n.º 2102002.342 S2C1T2 Fl. 266 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Do exame dos documentos que compõe o processo, principalmente do Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, fls. 137/140, inferese que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal nos anoscalendário 2001 e 2002, foram evidenciados tãosomente pelas operações de remessa de recursos ao exterior, nos valores de US$ 569.654,65 e US$ 415.241,93, respectivamente, nas quais o contribuinte figura como ordenante. Para melhor analisar a questão, vale lembrar que a remessa de recursos para o exterior, por si só, não comprova consumo de renda ou aquisição de patrimônio. A transferência de recursos financeiros de um país para outro, deve ser analisada, para fins de elaboração de fluxo de caixa, da mesma forma como se analisa uma transferência de numerário entre contas bancárias mantidas pelo contribuinte em instituições financeiras domiciliadas no Brasil. O fato de o contribuinte movimentar seus recursos financeiros de uma instituição para outra não pode ser tomada como consumo de renda ou aquisição de patrimônio. O consumo da renda somente é evidenciado quando a autoridade fiscal comprova que o contribuinte comprou bens móveis ou imóveis ou que suportou despesas. A transferência bancária, por si só, ainda que seja do Brasil para o exterior, não equivale à realização de despesas. E mais, dos autos não restou comprovado que o valor correspondente à transferência do referido recurso ao exterior tenha sido convertida em consumo de renda ou aquisição de patrimônio, seja aqui no Brasil ou no exterior. Ou seja, a autoridade fiscal limitou se a tributar a operação bancária, sem comprovar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Nesse sentido, importa observar a Súmula nº 67 (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010), que abaixo se transcreve: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. (Acórdãos precedentes: CSRF/0104.663, de 13/10/2003; 10617.156, de 06/11/2008; 10615.820, de 20/12/2006; 10419.123, de 05/12/2002; 104 17.359, de 28/01/2000) Este é o caso dos autos. Lançamento de acréscimo patrimonial sem a comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa ou da aplicação ou do consumo da renda. Logo, não pode prosperar o lançamento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.002766/200651 Acórdão n.º 2102002.342 S2C1T2 Fl. 267 5 Dessa forma, tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso, uma vez que não pode prosperar o lançamento calcado em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, evidenciado por remessas de recursos ao exterior, sem comprovação da destinação do recurso, da efetividade da despesa, da aplicação ou do consumo. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/10/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10935.004630/2008-21
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/03/2008
LANÇAMENTO - DESCRIÇÃO PRECISA DO FATO GERADOR - INOCORRÊNCIA - VÍCIO - NULIDADE
É nulo, por vício material, o lançamento cujo fato gerador não esteja perfeitamente delineado pela auditoria fiscal
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-003.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso por vício material na autuação.
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso por vício material na autuação. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 46 30 /2 00 8- 21 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão de a empresa ter deixado de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso III e § 22 (acrescentado pelo Decreto nº 4.729/2003) do Regulamento da Previdência Social. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 2), a autuada foi intimada a a apresentar documentos e prestar, até 14.03.2008, as seguintes informações à auditoriafiscal: a) esclarecimento por escrito sobre a propriedade do imóvel localizado na Av. Parigot de Souza, 1864, juntamente com documentos comprobatórios: registro imobiliário, contrato de locação ou comodato, dentre outros; b) esclarecimento por escrito sobre o novo endereço de funcionamento das atividades ou sobre o encerramento das atividades; c) na hipótese de encerramento das atividades, esclarecimento por escrito sobre a transferência de equipamentos e do ponto comercial para empresa AMM Retificadora de Motores Ltda Sucessora de RTS Comércio de Peças Ltda CNPJ 08.958.074/000147. Em 23.04.2008 a Autuada protocolizou na Delegacia da Receita Federal em Cascavel uma correspondência, deixando claro pelo seu conteúdo que considerou prestados os devidos esclarecimentos, anexando cópias dos seguintes documentos: a) certidão no 5165, do 1º Oficio do Registro de Imóveis da Comarca de Toledo/PR relativa ao lote urbano no 7, da quadra 623, situado no Jardim Novo Bandeirantes; b) instrumento particular de compromisso de comodato para uso de imóvel comercial firmado entre as empresas RTS Comércio de Peças Ltda e AMM Retificadora de Motores Ltda, datado de 10 de julho de 2007 e com reconhecimento de firmas na mesma data; c) instrumento particular de locação de máquinas e equipamentos firmado entre Lilian Tavares da Silva e AMM Retificadora de Motores Ltda, datado de 10 de julho de 2007 e com reconhecimento de firmas na mesma data. A auditoria fiscal destaca que a intimada prestou informações com quarenta dias de atraso, ademais deixou de informar sobre a continuidade ou não das atividades da empresa RTS Comércio de Peças Ltda. Informou também que o reconhecimento das firmas de ambos os contratos mencionados não foram confirmadas pelo 6º Tabelionato Monica Malucelli, situado na Rua Comendador Araújo, 143 Curitiba Paraná. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004630/200821 Acórdão n.º 2402003.088 S2C4T2 Fl. 333 3 Procurado pessoalmente, o escrevente cartorário Sr. Henrique Lemes dos Santos confirmou que a assinatura aposta no carimbo do cartório é falsa, sendo posteriormente confirmada a falsidade por meio de oficio (cópia em anexo). Intimada a Autuada em 13.05.2008 a apresentar os originais dos contratos, bem como comprovação da propriedade das máquinas, equipamentos e ferramentas locadas para empresa AMM Retifica de Motores Ltda, deixou o prazo passar em "branco", sem cumprimento do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (cópia em anexo). Desta forma, por não apresentar esclarecimentos para auditoriafiscal, bem como os originais dos contratos acima citados e ainda os documentos comprobatórios da propriedade das máquinas e equipamentos, a Autuada incorreu na infração acima capitulada. A auditoria fiscal considerou que a apresentação de documento com reconhecimento de firma falsificada ensejou a agravante prevista no art. 290, II, do Decreto n° 3.048/99, o que elevou a multa em três vezes. Como tal conduta caracteriza "em tese" crime de falsidade ideológica, foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais RFFP. A autuada teve ciência do lançamento em 27/06/2008 e apresentou defesa (fls. 45/67), onde alega a impossibilidade de lavratura de autos de infração diversos baseados em um mesmo fato. Informa que, concomitantemente, houve lavratura de dois outros autos de infração baseados nos mesmos fatos, quais sejam Auto de Infração no 37.172.0095 e 37.172.0107. Argumenta que, na hipótese de não ser reconhecida a identidade dos três procedimentos apontados, não há como se olvidar da identidade plena em relação ao Auto de Infração n° 37.172.0109, os quais tem em comum o fato gerador, os fundamentos legais, os agravantes e, inclusive, seus valores. Alega que houve conclusão (absolutamente açodada e inverídica) de sucessão empresarial e constituição por interposta pessoa. Na seqüência, traz considerações com o intuído de demonstrar a inexistência de sucessão. Entende que as autuações lançadas contra a impugnante são nulas em razão de não se encontrar estabelecida no endereço informado pelo ato declaratório (Av. Parigot, n° 1864), para onde foram encaminhadas todas as intimações e correspondências Fiscais, as quais foram recebidas por terceiro, estranho ao seu quadro social. Considera que a não observância, pelo órgão fiscalizador, dos preceitos insculpidos no CTN e nas disposições do Decreto n° 70.235/72, levam à nulidade do ato administrativo e, em conseqüência, da exigência eventualmente feita. Aduz que seus livros contábeis, apesar de devidamente apresentados conforme solicitado pelo ente fiscalizador, não teriam sido devolvidos ainda, implicando, pois, em inequívoca atipicidade de conduta e cerceamento de defesa. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Alega a ausência de provas dos fatos que lhe foram imputados e que não houve indicação dos fundamentos objetivos que dão azo à penalidade imposta. Entende que não existe amparo fático ou legal para as exigências formalizadas, que declarou tudo o que havia a se declarar e não sonegou ou apresentou documentos irrelevantes ou procedeu de forma arbitrária ou injurídica. Todavia, não pode ser demandada por obrigações de terceiros, com os quais não detém liame algum. Afirma que jamais adquiriu fundo de comércio ou estabelecimento comercial da empresa RTS Comércio de Peças LTDA e também é certo que tal empresa não encerrou suas atividades, motivo pelo qual eventual responsabilidade em hipótese alguma poderia ser reputada como geral e ilimitada, mas apenas subsidiária. Alega que não foi intimada para apresentação de documentos até a data de 14.03.08, mas a partir dessa data, conforme se verifica de uma leitura atenta da intimação. Assim, não se poderia dizer que a autuada descumpriu prazos. Quanto à agravante, considera que é improcedente e inverídica, em face da existência dos cartões de assinatura no citado tabelionato. Pelo Acórdão nº 0623.203 (fls. 286/289) a 7ª Turma da DRJ/Curitiba julgou a autuação procedente. A autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 297/322), onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004630/200821 Acórdão n.º 2402003.088 S2C4T2 Fl. 334 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Não obstante as razões apresentadas pela recorrente, de uma análise dos autos, verifiquei o presente lançamento não pode prevalecer pelas razões que se seguem. A recorrente argumenta que sobre um mesmo fato teriam sido aplicados, além deste auto de infração, outros dois, quais sejam, 37.172.0095 e 37.172.0107. O AI nº 37.172.0095 foi lavrado em razão da omissão em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social de fatos geradores das contribuições previdenciárias, obrigação acessória previstA na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º. Quanto ao AI nº 37.172.0107, sua motivação foi o descumprimento da obrigação acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. À folha 76, encontrase o Relatório Fiscal da Infração referente à autuação acima e de sua leitura, podese concluir que é o mesmo relatório correspondente ao presente auto de infração. De acordo com os relatórios podese observar o seguinte. Os documentos foram solicitados em dois TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos. O primeiro destinado à recorrente AMM Retificadora de Motores Ltda (fl. 10), onde foi solicitado o seguinte: —Esclarecimento por escrito sobre a propriedade do imóvel localizado na Av. Parigot de Souza, 1864 Jd. Porto Alegre Toledo Paraná, juntamente com documentos comprobatórios: registro imobiliário, contrato de locação ou comodato, dentre outros; Esclarecimento por escrito sobre a propriedade dos equipamentos e do ponto comercial da empresa RTS Comércio de Peças Ltda. O segundo TIAD foi destinado à empresa RTS Comércio de Peças Ltda (fls. 11), onde foram solicitados os seguintes documentos: Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Documentos fiscais que comprovam a propriedade das máquinas, equipamentos e ferramentas locadas para empresa A.M.M Retificadora de Motores Ltda; Original do contrato de locação de máquinas, equipamentos e ferramentas com a empresa A.M.M. Retificadora de Motores Ltda, cuja cópia foi anexada na justificativa apresentada em decorrência do TIAD assinado em 11.03.2008; Original do contrato de comodato do imóvel localizado na Rua México 1670 Toledo PR, cuja cópia foi anexada na justificativa apresentada em decorrência do TIAD assinado em 11.03.2008 Segundo a auditoria fiscal a autuada apresentou instrumento particular de compromisso de comodato para uso de imóvel comercial firmado entre as empresas RTS Comércio de Peças Ltda e AMM Retificadora de Motores Ltda, datado de 10 de julho de 2007 e com reconhecimento de firmas na mesma data. Apresentou também instrumento particular de locação de máquinas e equipamentos firmado entre LILIAN TAVARES DA SILVA e AMM Retificadora de Motores Ltda, datado de 10 de julho de 2007 e com reconhecimento de firmas na mesma data. Entretanto, a auditoria fiscal comprovou junto ao 6º Tabelionato Mônica Malucelli, que a assinatura aposta no carimbo do cartório era falsa. Tal falsidade foi posteriormente confirmada por meio de Ofício nº 044/2008 (fls.32) emitido pelo próprio Cartório, conforme trecho abaixo transcrito: O 6° TABELIONATO DE NOTAS DE CURITIBA — PARANÁ, vem por meio deste em resposta ao Oficio n° 495/2008/DRF/CVL/SAFIS enviado a esta Serventia em 28/05/2008, e, para melhor instruilo no procedimento em trâmite em seu Órgão Fiscal, confirmar que não existem arquivados nesta serventia cartões de assinatura de LILIAN TAVARES DA SILVA, ANTONIO MARCOS MONTEIRO e RENATO EVANDRO,VAZ. Afirmo também que os reconhecimentos de firmas apostos sobre os documentos encaminhados para esta Serventia não foram realizados por esta Serventia, estando eles completamente fora do nosso padrão adotado, tratandose de grosseira falsificação dos nossos atos. Assim, como não foi possível considerar que os documentos apresentados pela recorrente fossem verdadeiros, a auditoria fiscal autuou a empresa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991, o que levou à lavratura do AI 37.172.0107. Se a não apresentação dos contratos levou à lavratura do AI 37.172.0107, resta verificar no relatório fiscal qual a conduta da recorrente levou à presente autuação. Asseverese que o Relatório Fiscal da Infração, após descrever os fatos acima mencionados, assim conclui: Desta forma, por não apresentar esclarecimentos para auditoriafiscal, bem como os originais dos contratos acima citados e ainda os documentos comprobatórios da propriedade das máquinas e equipamentos, a Autuada incorreu na infração capitulada no art. 33, §§ 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91 combinado Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004630/200821 Acórdão n.º 2402003.088 S2C4T2 Fl. 335 7 com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. E, ainda, por apresentar cópia de documento com informação diversa da realidade (reconhecimento de firma falsificada), incidiu na agravante prevista no art. 290, II, do Decreto n° 3.048/99. Da leitura do trecho é possível concluir que o Relatório Fiscal da Infração, apesar de informar os fatos que levaram à lavratura do AI 37.172.0107, não é incisivo quanto ao fato que levou à presente autuação. De sua leitura é possível inferir que seria o fato de a recorrente haver deixado de informar sobre a continuidade ou não das atividades da empresa RTS Comércio de Peças Ltda. Ocorre que da análise do TIAD de folha 10, não é possível concluir que esta informação tenha sido solicitada expressamente. No referido TIAD foi solicitado que a recorrente esclarecesse por escrito sobre a propriedade dos equipamentos e do ponto comercial da empresa RTS Comércio de Peças Ltda. A meu ver, a necessidade de informar sobre a continuidade ou não das atividades da empresa RTS Comércio de Peças Ltda não pode ser inferida do solicitado no TIAD (propriedade dos equipamentos e do ponto comercial da empresa RTS Comércio de Peças Ltda.) Entendo que a auditoria fiscal não foi clara e precisa na descrição da infração ocorrida. Ao contrário, o Relatório Fiscal da Infração trata da infração cuja autuação se deu por meio do AI 37.172.0107, deixando de esclarecer as razões que levaram a concluir que a empresa teria deixado de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. É possível concluir que o presente lançamento está viciado e quanto à natureza do vício existente no lançamento, permitome transcrever trecho do voto apresentado no acórdão nº 2402001.543, de lavra do Dr. Nereu Miguel Ribeiro Domingues que explica com propriedade a diferenciação entre vício formal e material. Cumpre inicialmente esclarecer que a discussão do tema é bastante relevante, pois, dependendo da natureza imputada ao defeito encontrado no lançamento, as autoridades fiscalizadoras terão o prazo decadencial “reiniciado” para constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173, inc. II, do CTN. Para que a controvérsia seja devidamente dirimida, devese delimitar os conceitos de vício formal e material, assim como os motivos que dão ensejo ao reconhecimento dessas duas espécies de vícios, que igualmente ensejam a nulidade do lançamento, porém com diferentes efeitos. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No que tange ao vício formal, assim conceitua De Plácido e Silva1: “É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisitos, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessário à sua validade ou eficácia jurídica.” Assim, vislumbrase que o erro de forma deve estar relacionado com o descumprimento dos requisitos e solenidades necessários à criação do ato jurídico, bem como que importe na sua invalidade ou ineficácia jurídica, presentes na medida em que há preterição do direito de defesa do sujeito passivo, situação que leva ao insucesso de se atingir a finalidade do ato administrativo. Vale dizer, num primeiro momento, que o vício de forma está intimamente ligado com o alcance da finalidade do ato administrativo. Nesse mesmo sentido expõe Marcos Vinicius Neder2: “O vício processual de forma só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.” Cabe ressaltar também o entendimento de Manoel Antonio Gadelha Dias3: “O ato administrativo é ilegal, por vício de forma, quando a lei expressamente a exige ou quando determinada finalidade só pode ser alcançada por determinada forma.” No campo prático, as “solenidades” formais do lançamento se referem a todos os requisitos complementares necessários para se compor a linguagem para a comunicação jurídica4, ou seja, para que o ato administrativo possua todos os elementos necessários à efetiva interação com o sujeito passivo, permitindo que este compreenda todas as motivações que o levaram a ser autuado, tais como a descrição dos fatos, a exposição da capitulação legal infringida, a menção ao local, data e hora da lavratura, etc. Esses requisitos compõem os elementos extrínsecos/formais do lançamento, os quais, para que importem na invalidade jurídica do ato administrativo, devem estar maculados a ponto de preterir o direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo. Desta forma, ao se identificar que houve falha na exposição de um requisito complementar no auto de infração, e que, em virtude disso, houve deficiência na comunicação jurídica do ato administrativo, preterindo o direito de defesa do sujeito passivo, estarseá diante de um vício formal, que pode ser regularizado 1 Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 25ª edição. Ed. Forense. Rio de Janeiro, 2004. p. 1482. 2 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 416. 3 Tôrres, Heleno Taveira et al (coordenação). Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 340. 4 Tôrres, op. cit. p. 346. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004630/200821 Acórdão n.º 2402003.088 S2C4T2 Fl. 336 9 pela autoridade fiscal através de um novo lançamento, dentro do prazo decadencial previsto pelo art. 173, inc. II, do CTN. Cabe ainda ressaltar que, como é cediço, nesses casos, a permitida regularização do vício formal realizada por lançamento superveniente não poderá alterar os elementos materiais do ato administrativo previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo), tendo em vista que apenas aperfeiçoará a forma de sua constituição para possibilitar que haja comunicação jurídica, permitindo que o contribuinte conheça as efetivas razões de autuação, bem como que realize a devida defesa, caso entenda ser necessário. Expostas minhas considerações acerca do conceito de vício formal, passo a analisar as características do vício material. Analisando o procedimento adotado pelo Código Tributário Nacional para se constituir o ato administrativo – lançamento – (art. 142 do CTN), verificase que a fiscalização deve “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Tais procedimentos, embora façam parte do lançamento, resultam na formação dos seus elementos materiais/intrínsecos, sem os quais não haverá a constituição do crédito tributário. Destarte, caso a aferição desses elementos seja feita de forma equivocada, o lançamento resultante não estará revestido com os requisitos básicos inerentes à “construção”5 do ato, resultando na sua nulidade. Não obstante, quando a fiscalização não aplica os elementos intrínsecos como deveria, ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen6: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. 5 “VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – Padece de vício material o lançamento que altera as características do crédito tributário, modificando seus elementos. (...)” (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Acórdão n° 10248700, Sessão de 08/08/2007) 6 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Outra questão que bem delimita os casos de vício formal e material é o efeito que seria presenciado caso fosse permitido um novo lançamento, realizado para sanar os vícios existentes no lançamento anterior. Caso o vício seja formal, o novo lançamento exigirá: (i) a mesma matéria tributável, (ii) o mesmo montante apurado no lançamento anterior, (iii) que o lançamento abranja os mesmos fatos geradores, (iv) que o sujeito passivo seja o mesmo, e (v) que seja a mesma multa aplicada, tendo em vista que, com o novo lançamento, apenas se ajustará os elementos extrínsecos do ato administrativo. Em se tratando de vício material, o novo lançamento acabará alterando os elementos substanciais do lançamento, o que resultará na cobrança de um tributo diferente, ou em valor diferente, ou apurado por critérios diferentes, ou de outro sujeito passivo, assim por diante, situação que não pode se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) Nessa mesma linda de entendimento, peço vênia para destacar também trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) – destacouse Da análise do caso concreto, podese inferir que se trata de vício material, ou seja, sequer se tem a certeza da existência do fato gerador, um dos elementos intrínsecos do lançamento descritos no art. 142 do CTN, quais sejam, fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.004630/200821 Acórdão n.º 2402003.088 S2C4T2 Fl. 337 11 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO e ANULAR o lançamento por vício material. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 353DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000156/00-64
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1988 a 30/06/1994 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DIESA QUO.
Somente após a Resolução do Senado Federal suspensiva dos efeitos da norma declarada inconstitucional em controle difuso é que se forma o indébito e, portanto, inicia-se o prazo prescricional para sua repetição, "dies a quó".
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.473
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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Numero do processo: 13851.000805/2006-88
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 10/04/2004 a 29/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O primeiro ato, escrito, praticado por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando a empresa sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações de compensações ou declarações complementares que, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE. Não se estende à beneficiária do rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento à legislação de regência cometida pela fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento aos cofres públicos do valor descontado. Desta forma, a falta de recolhimento do imposto de renda retido sujeitará a fonte pagadora da remuneração ao lançamento de ofício e às penalidades da lei. TRIBUTO NÃO RECOLHIDO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA EXIGIDA JUNTAMENTE COM O TRIBUTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto sujeita o contribuinte aos encargos legais correspondentes. Assim, cabível a aplicação de multa de ofício para aqueles débitos de tributos registrados em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF, não recolhidos, se o Pedido de Compensação e Declaração de Compensação - PER/Dcomp for apresentado após o início da ação fiscal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio a falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: IRF- ação fiscal - ñ retenção ou recolhimento(antecipação)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 10/04/2004 a 29/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O primeiro ato, escrito, praticado por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando a empresa sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações de compensações ou declarações complementares que, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE. Não se estende à beneficiária do rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento à legislação de regência cometida pela fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento aos cofres públicos do valor descontado. Desta forma, a falta de recolhimento do imposto de renda retido sujeitará a fonte pagadora da remuneração ao lançamento de ofício e às penalidades da lei. TRIBUTO NÃO RECOLHIDO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA EXIGIDA JUNTAMENTE COM O TRIBUTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto sujeita o contribuinte aos encargos legais correspondentes. Assim, cabível a aplicação de multa de ofício para aqueles débitos de tributos registrados em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF, não recolhidos, se o Pedido de Compensação e Declaração de Compensação - PER/Dcomp for apresentado após o início da ação fiscal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio a falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 10/04/2004 a 29/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O primeiro ato, escrito, praticado por servidor competente, caracteriza início de procedimento fiscal e exclui a espontaneidade do sujeito passivo, o que somente se descaracteriza pela ausência, por mais de sessenta dias, de outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Assim, estando a empresa sob procedimento fiscal, descabe a apresentação de declarações de compensações ou declarações complementares que, uma vez apresentadas, não caracterizam a espontaneidade, nem ensejam a nulidade do lançamento de ofício. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 08 05 /2 00 6- 88 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 2 Não se estende à beneficiária do rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento à legislação de regência cometida pela fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento aos cofres públicos do valor descontado. Desta forma, a falta de recolhimento do imposto de renda retido sujeitará a fonte pagadora da remuneração ao lançamento de ofício e às penalidades da lei. TRIBUTO NÃO RECOLHIDO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA EXIGIDA JUNTAMENTE COM O TRIBUTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto sujeita o contribuinte aos encargos legais correspondentes. Assim, cabível a aplicação de multa de ofício para aqueles débitos de tributos registrados em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, não recolhidos, se o Pedido de Compensação e Declaração de Compensação PER/Dcomp for apresentado após o início da ação fiscal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio a falta de recolhimento de Imposto de Renda na Fonte. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13851.000805/200688 Acórdão n.º 2202001.972 S2C2T2 Fl. 129 3 Relatório BRAGA & VERA SAÚDE S/C LTDA., contribuinte inscrito no CNPJ/MF 02.719.125/000100, com domicílio fiscal na cidade de São Carlos, Estado de São Paulo, à Rua Quinze de Novembro, nº 2090, Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância (fls. 146/150), prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 172/174. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 20/06/2006, Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 02/15), com ciência através de AR, em 26/07/2006 (fls. 36), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 58.059,61 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo aos períodos de apuração 10/04/2004 a 29/12/2004. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE TRABALHO ASSALARIADO: Falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre trabalho assalariado. Infração capitulada nos arts. 620, 621, 624, 625, 626, 636, 637, 638, 641 a 646, do RIR/99 c/c art. 1º da Lei no 9.887, de 1999. 2 TRABALHO SEM VÍNCULO DE EMPREGO: Falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre trabalho sem vínculo de emprego. Infração capitulada nos arts. 620, 628, 630, 641 a 644 e 646, do RIR/99 c/c art. 1º da Lei no 9.887, de 1999. 3 RENDIMENTO DE CAPITAL: Falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre alugueis e royalties pagos à pessoa física. Infração capitulada nos arts. 620, 631, 632, 641 a 644 e 646, do RIR/99 c/c art. 1º da Lei no 9.887, de 1999. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração, entre outros, os seguintes aspectos: que em procedimento de revisão interna (Malha DIRF x DARF) tendente a apurar o cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), e segundo determinam o parágrafo único do art. 142 e o art. 149 do Código Tributário Nacional, Lei no 5.172, de 1966, bem assim o art. fio, inciso I, alínea "a" da Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, tendo em vista que foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados; Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 4 que em decorrência de conferência eletrônica dos valores de IRRF informados em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) com os recolhimentos existentes para este tributo referente ao anocalendário 2004, foi o contribuinte supracitado devidamente intimado a apresentar as devidas justificativas para as divergências encontradas. As intimações iniciais se deram de forma automática pelo sistema SIEF; que após constatação de que as intimações eletrônicas se mostraram infrutíferas, foi feito contato telefônico com um dos sócios da pessoa jurídica sujeito passivo desta fiscalização, momento em que foi obtido o novo endereço da empresa Braga & Vera Saúde S/C Ltda.; que nova intimação foi feita então no endereço obtido por meio do Termo de Intimação Fiscal 001/B&V/2006, de 24/02/2006 (fls.021022) e em cujo Aviso de Recebimento consta a data de ciência como sendo o dia 07/03/2006 (fl.023); que por meio do citado Termo foi intimada a pessoa jurídica a apresentar justificativas acerca das divergências entre os valores declarados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e os recolhimentos existentes (DARF) para os códigos de receita 0561IRRF do Rendimentos de Trabalho Assalariado no Pais; 0588IRRF do rendimento de trabalho sem vínculo empregatício; e 3208IRRF do rendimento de aluguéis e royalties pagos a Pessoas Físicas; que durante todo o procedimento o contribuinte permaneceu em silêncio quanto as indagações do FISCO FEDERAL, muito embora todas as informações necessárias e suficientes para a regularização tenham sido fornecidas ao contribuinte, bem como tenham permanecido & disposição do contribuinte na página da Receita Federal na internet, conforme indicado na intimação inicial; que diante de tal constatação, e considerando a ausência total de recolhimento dos tributos retidos, foi lavrado o presente Auto de Infração para lançamento de oficio do crédito tributário relativo as diferenças apuradas e demonstradas a seguir nas folhas de continuação. Houve lançamento do crédito tributário apurado para os códigos mencionados acima, conforme apuração do crédito a ser lançado descrito e detalhado nas planilhas "Resumo de Diferenças sujeitas ao Lançamento de Oficio" (fls.032034); que o contribuinte não efetuou o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre os valores de rendimentos pagos especificados as fls.024028, correspondente ao IRRF de rendimentos do trabalho assalariado no Pais (código de receita: 0561); que do confronto entre os valores de IRRF declarados em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e os DARF existentes para o referido código de receita (0561) apurouse a total ausência de recolhimento dos tributos retidos; que o contribuinte não efetuou o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre os valores de rendimentos pagos especificados às fls.024028, correspondente ao IRRF de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício (código de receita: 0588); que do confronto entre os valores de IRRF declarados em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e os DARF existentes para o código de receita 0588IRRF de Rendimento do Trabalho sem vinculo empregatício, apurouse a total ausência de recolhimento dos tributos retidos; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13851.000805/200688 Acórdão n.º 2202001.972 S2C2T2 Fl. 130 5 que o contribuinte não efetuou o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre os valores de rendimentos pagos especificados as fls.024028, correspondente ao IRRF de rendimentos referente a aluguéis e/ou royalties pagos a pessoa física, cuja legislação fiscal pertinente obriga a retenção na fonte. (código de receita: 3208); que do confronto entre os valores de IRRF declarados em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e os DARF existentes para o referido código de receita (3208) apurouse a total ausência de recolhimento dos tributos retidos. Em sua peça impugnatória de fls. 38/40, instruída pelos documentos de fls. 41/105, apresentada, tempestivamente, em 24/06/2006, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que conforme determina a legislação do Imposto de Renda, podemos compensar impostos devidos a Receita federal com impostos que temos direito a restituição estamos solicitado nesta data à impugnação da cobrança de todos os impostos relacionados no auto de Infração de numero 13851.000805/200688. Para que possamos efetuar as referidas compensação de débitos com créditos existentes junto a Secretaria da Receitas Federal; que por se tratar de empresa com Objeto Social de Operadora de Plano de Saúde, que é regulamentada pela ANS tendo como apuração de seus imposto regido pela MP 2.158/352001, e tributada pelo Lucro Real, tem como composição da base de calculo utilizando o custo operacional. Lembramos, portanto que após utilizarmos a compensação no auto de n° 13851.000806/200622 débitos apontados para exercício 2003, ponderandose todos os créditos, ainda nos resta pedir restituição ou compensação no valor total de R$ 42.146,98; que entendemos também que este valor faz parte de DIRF informado a receita federal de nossos Clientes tendo em vista que os mesmos tem efetuado regularmente a Retenção na Fonte de 1,5% sobre nossa nota fiscal de serviços. Estamos anexando neste ato copia de informe de rendimentos para sua averiguação, informamos que a declaração do imposto de renda foi montada tendo em base o somatório das notas fiscais via talão e balanço encerrado em 31/12/2004, cujo talão de notas fiscais estará à disposição da receita em nosso escritório na Avenida Duque de Caxias n° 1170 — Bauru — São Paulo CEP 15017.151 — ou entregaremos em lugar designada por este Departamento de Fiscalização; que não estamos aqui contestando a eficácia da divida e sim informando que em nosso conceito o Debito existente perante a receita Federal se anularia em relação aos nossos créditos, não informamos os valores nas referidas DCTF porque a legislação diz que se deva informar os saldos na DCTF ponderando a compensação; que quanto a Multa de Oficio entendemos que como não fomos notificados em nenhum momento sobre a abertura de fiscalização tendo em vistas os acórdãos sobre os assuntos abaixo enumerados entendemos que não são procedentes, solicitamos o cancelamento da mesma. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 6 que cabe inicialmente observar, que não foi apresentado pelo impugnante durante a ação fiscal qualquer documento que comprovasse sua alegação de que teria confessado regularmente os débitos apurados no auto de infração, mediante apresentação de Pedido de Restituição e Compensação Dcomp, ou DCTF, ou ainda, recolhido os débitos de que trata o presente lançamento; que o contribuinte recebeu o termo de intimação fiscal 001/B&V/2006 (fls. 21/22) em 07 de março de 2006, conforme se constata dos autos, no aviso de recebimento postal (AR) de fl. 23. Posteriormente, em 26/07/2006, foi cientificada da lavratura do auto de infração em questão (AR de fl. 36); que apresentou em 22/08/2004, portanto após ter sido autuada, pedido de restituição e declaração de compensação PER/Dcomp (documento que faz as fls. 58/76), onde declarou a maioria dos débitos exigidos no presente auto; que, assim, inexistindo a compensação ou recolhimento dos aludidos débitos, anteriormente à lavratura do auto de infração, afastase a espontaneidade da contribuinte, sendo legitimo, com base no Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR de 1999), art. 926 e Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário NacionalCTN), arts. 142 e 149, exigir o tributo e acréscimos legais mediante o procedimento de oficio; que quanto à alegação da contribuinte de que os valores não foram informados nas DCTF, porque a legislação diz que devem ser nela informados os saldos, ponderando as compensações, cabe esclarecer que na vigência da Instrução Normativa (IN) SRF n° 255, de 2002, a DCTF foi utilizada para a prestação das informações relativas aos tributos e contribuições apurados pelas pessoas jurídicas no trimestre correspondente e também as relativas aos pagamentos efetuados, relativos aos débitos nela declarados, e sobre suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações; que cabe ressaltar que o processo de n° 13851.000806/200688, citado pela contribuinte em sua impugnação, trata de lançamento do IRRF relativo a períodos do ano calendário de 2003. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO DE OFICIO. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. Os débitos tributários não confessados e não recolhidos são exigíveis mediante lançamento de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ESPONTANEIDADE. Somente se configura a espontaneidade se o contribuinte denunciar regularmente seus débitos antes de qualquer procedimento fiscal escrito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 225DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13851.000805/200688 Acórdão n.º 2202001.972 S2C2T2 Fl. 131 7 Anocalendário: 2004 MULTA DE OFICIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de oficio, consoante a legislação que rege a matéria. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 06/06/2007, conforme Termo constante às fls. 162/167, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (02/07/2007), o recurso voluntário de fls. 172/174, instruído pelos documentos de fls. 175/201, no qual demonstra irresignação parcial contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão nesta fase recursal se restringe à discussão de mérito, o qual se refere à falta de recolhimento de imposto de renda na fonte, que conforme a peça acusatória, o autuado, como responsável legal, deveria ter recolhido quando efetuou a retenção sobre salários dos empregados – código 0561 e sobre o trabalho sem vínculo empregatício – código 0588 e sobre os rendimentos de aluguéis. Observase, ainda, que a discussão principal está atrelada a apresentação, de forma intempestiva, do Pedido de Restituição e Declaração de Compensação – PER/Dcomp. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, suscita preliminares de nulidade do lançamento por entender que houve cerceamento no direito de defesa, bem como apresenta razões de mérito sobre o lançamento efetuado, bem como questiona a possibilidade da compensação dos tributos lançados. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade fiscal lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13851.000805/200688 Acórdão n.º 2202001.972 S2C2T2 Fl. 132 9 Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pela recorrente. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que o Auto de Infração às fls. 02/15, identifica por nome e CNPJ o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara SP, cuja ciência foi através de AR e descreve, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de falta de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado e aluguéis. Consta dos autos chamada ao sujeito passivo para que esse apresentasse Fl. 228DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 10 as justificativas acerca dos tributos declarados nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRFs. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou Fl. 229DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13851.000805/200688 Acórdão n.º 2202001.972 S2C2T2 Fl. 133 11 provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Cabe, inicialmente, esclarecer, que relativamente à apresentação do Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DComp, relativos aos impostos em discussão, se realizaram em 22/08/2006 (fls. 58/76). Portanto, após o início do procedimento fiscal, ocorrido em 07/03/2006 (fls. 21/23). Ou seja, de acordo com o documento de fls. 21/23 e Aviso de Recebimento Postal “AR” de fl. 23 o contribuinte recebera em 07/03/2006 a Intimação Fiscal que deu início às verificações sobre o recolhimento do IRRF. Não atendida no prazo concedido. Ora, com a devida vênia, o Processo Administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. O referido decreto tem status de lei, pois ele regula e não apenas regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União. Por isso, as alterações são processadas por dispositivo legal de igual natureza. Diz o Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; (o destaque não é do original) III – o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Ora, é cristalino nos autos que foi lavrado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal o Termo de Intimação Fiscal (fls. 21/23), recebido pela suplicante em Fl. 230DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 12 07/03/2006 e os pedidos de restituição e compensação foram entregues 22/08/2006, portanto, na data de entrega das referidas declarações o suplicante estava sob procedimento fiscal. É o que basta, já que este procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo e este somente se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. No sentido amplo, não há dúvidas que o início do procedimento fiscal se descaracteriza se ficar, por mais de sessenta dias, sem outro ato escrito de autoridade que lhe dê prosseguimento. Entretanto, se depois de iniciado o procedimento fiscal solicitandose esclarecimentos, o sujeito passivo vem a prestálos e não realiza o pagamento do tributo pendente, dentro do prazo da espontaneidade, o prazo de sessenta dias se torna irrelevante, já que a responsabilidade somente é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Porém, no caso em discussão, está regra não tem aplicabilidade no que se refere aos impostos lançados de ofício, já que o contribuinte estava sob o efeito de fiscalização (perda da espontaneidade). Da mesma forma, se torna inaplicável a condição estabelecida no art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, já que o dispositivo trata de tributos e contribuições já declarados. No caso da suplicante o IRRF exigido no presente processo não estava declarado por ocasião do início do procedimento fiscal. Quanto à alegação da contribuinte de que os valores não foram informados nas DCTF, porque a legislação diz que devem ser nela informados os saldos, ponderando as compensações, cabe esclarecer que na vigência da Instrução Normativa (IN) SRF n° 255, de 2002, a DCTF foi utilizada para a prestação das informações relativas aos tributos e contribuições apurados pelas pessoas jurídicas no trimestre correspondente e também as relativas aos pagamentos efetuados, relativos aos débitos nela declarados, e sobre suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. No que diz respeito à aplicação da multa de ofício é de se esclarecer que o demonstrativo de fls. 02/15, é claro ao demonstrar que a multa somente incidiu sobre a parcela do IRRF devido. Assim, a multa de ofício incidiu somente sobre a parcela do IRRF não recolhido. Assim, não há como se falar espontaneidade sobre as parcelas que deixaram de ser recolhidas e/ou compensadas. Estas devem ser acrescidas da multa de ofício de 75%, mais os juros moratórios. A denominada multa “exoffício” é aplicada, de um modo geral, quando a Fiscalização, no exercício da atividade de controle dos rendimentos sujeitos à tributação, se depara com situação concreta da qual resulte falta de pagamento ou insuficiência no recolhimento do tributo devido. Vale dizer, a penalidade tem lugar quando o lançamento tributário é efetivado por haver o contribuinte deixado de cumprir a obrigação principal, e dessa omissão, voluntário ou não, resulte falta ou insuficiência no recolhimento do imposto devido. Convém, ainda, ressaltar que as circunstâncias pessoais da suplicante não poderão elidir a imposição de penalidade pecuniária, conforme prevê o artigo 136, do Código Tributário Nacional, que instituiu, no Direito Tributário, o princípio da responsabilidade objetiva, segundo a qual, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade e extensão dos efeitos do ato. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13851.000805/200688 Acórdão n.º 2202001.972 S2C2T2 Fl. 134 13 Há que se destacar, ainda, que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 14 (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13851.000805/200688 Acórdão n.º 2202001.972 S2C2T2 Fl. 135 15 lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo Fl. 234DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN 16 afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 235DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13851.000805/200688 Acórdão n.º 2202001.972 S2C2T2 Fl. 136 17 Declaração de Voto Fl. 236DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10768.003358/2003-27
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. REVISÃO DA DIPJ.
A autoridade administrativa deve verificar a efetiva existência dos valores objeto de compensação requerida pelo contribuinte. A autoridade administrativa pode analisar a existência efetiva de IRRF e sua utilização, entretanto, nessa análise lhe é defeso alterar a própria apuração do contribuinte, salvo se dentro do prazo decadencial e por meio de lançamento de ofício, quando necessário.
COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO.
Para que seja efetuada a revisão da compensação que gerou os saldos negativos, deve a autoridade fiscal rechaçar a compensação por meio de despacho decisório, o que deve observar o prazo de 5 anos do despacho decisório, sob pena de homologação.
COMPENSAÇÃO - DECADÊNCIA.
Para as Declarações de Compensação protocoladas antes de 31/10/2003 (início da vigência da MP nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03, que alterou o artigo 74, §§ 4º e 5º da Lei nº 9.430/96), tendo em vista não ter efeito de confissão de dívida, necessário lançamento de ofício, dentro do prazo de 5 anos, para a constituição e cobrança dos valores cuja compensação foi indeferida. Não havendo lançamento de ofício, não há que se perquirir sobre crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para homologar as compensações até o saldo negativo apresentado pelo contribuinte, retirando-se os efeitos dos ajustes indevidamente efetuados no despacho decisório, relativos à suposta glosa de "Despesas de juros sobre o capital próprio" e à suposta omissão de "Receitas de juros sobre o capital próprio", mantendo-se apenas o ajuste relativo à diferença de IRRF apontado e comprovado e aquela correspondente exclusivamente à sua utilização em duplicidade, desde que não relacionadas às compensações do ano-calendário de 2001 que não foram objeto de despacho decisório e estão homologadas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira votou pelas conclusões. A decisão proferida no processo nº 10768.017151/2002-59, está relacionada, quanto aos efeitos, com os processos nºs 10768.003358/2003-27, 10768.003361/2003-41, 15374.002919/2009-11, pelo que a mesma decisão se aplica a todos os processos relacionados.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora.
EDITADO EM: 03/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Teixeira, Antonio Bezerra Neto. O Conselheiro Maurício Faro declarou-se impedido.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REVISÃO DA DIPJ. A autoridade administrativa deve verificar a efetiva existência dos valores objeto de compensação requerida pelo contribuinte. A autoridade administrativa pode analisar a existência efetiva de IRRF e sua utilização, entretanto, nessa análise lhe é defeso alterar a própria apuração do contribuinte, salvo se dentro do prazo decadencial e por meio de lançamento de ofício, quando necessário. COMPENSAÇÃO - SALDO NEGATIVO. Para que seja efetuada a revisão da compensação que gerou os saldos negativos, deve a autoridade fiscal rechaçar a compensação por meio de despacho decisório, o que deve observar o prazo de 5 anos do despacho decisório, sob pena de homologação. COMPENSAÇÃO - DECADÊNCIA. Para as Declarações de Compensação protocoladas antes de 31/10/2003 (início da vigência da MP nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03, que alterou o artigo 74, §§ 4º e 5º da Lei nº 9.430/96), tendo em vista não ter efeito de confissão de dívida, necessário lançamento de ofício, dentro do prazo de 5 anos, para a constituição e cobrança dos valores cuja compensação foi indeferida. Não havendo lançamento de ofício, não há que se perquirir sobre crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para homologar as compensações até o saldo negativo apresentado pelo contribuinte, retirando-se os efeitos dos ajustes indevidamente efetuados no despacho decisório, relativos à suposta glosa de "Despesas de juros sobre o capital próprio" e à suposta omissão de "Receitas de juros sobre o capital próprio", mantendo-se apenas o ajuste relativo à diferença de IRRF apontado e comprovado e aquela correspondente exclusivamente à sua utilização em duplicidade, desde que não relacionadas às compensações do ano-calendário de 2001 que não foram objeto de despacho decisório e estão homologadas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira votou pelas conclusões. A decisão proferida no processo nº 10768.017151/2002-59, está relacionada, quanto aos efeitos, com os processos nºs 10768.003358/2003-27, 10768.003361/2003-41, 15374.002919/2009-11, pelo que a mesma decisão se aplica a todos os processos relacionados. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 03/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Teixeira, Antonio Bezerra Neto. O Conselheiro Maurício Faro declarou-se impedido.
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REVISÃO DA DIPJ. A autoridade administrativa deve verificar a efetiva existência dos valores objeto de compensação requerida pelo contribuinte. A autoridade administrativa pode analisar a existência efetiva de IRRF e sua utilização, entretanto, nessa análise lhe é defeso alterar a própria apuração do contribuinte, salvo se dentro do prazo decadencial e por meio de lançamento de ofício, quando necessário. COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO. Para que seja efetuada a revisão da compensação que gerou os saldos negativos, deve a autoridade fiscal rechaçar a compensação por meio de despacho decisório, o que deve observar o prazo de 5 anos do despacho decisório, sob pena de homologação. COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA. Para as Declarações de Compensação protocoladas antes de 31/10/2003 (início da vigência da MP nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03, que alterou o artigo 74, §§ 4º e 5º da Lei nº 9.430/96), tendo em vista não ter efeito de confissão de dívida, necessário lançamento de ofício, dentro do prazo de 5 anos, para a constituição e cobrança dos valores cuja compensação foi indeferida. Não havendo lançamento de ofício, não há que se perquirir sobre crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para homologar as compensações até o saldo negativo apresentado pelo contribuinte, retirandose os efeitos dos ajustes indevidamente efetuados no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 33 58 /2 00 3- 27 Fl. 4387DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 despacho decisório, relativos à suposta glosa de "Despesas de juros sobre o capital próprio" e à suposta omissão de "Receitas de juros sobre o capital próprio", mantendose apenas o ajuste relativo à diferença de IRRF apontado e comprovado e aquela correspondente exclusivamente à sua utilização em duplicidade, desde que não relacionadas às compensações do ano calendário de 2001 que não foram objeto de despacho decisório e estão homologadas. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira votou pelas conclusões. A decisão proferida no processo nº 10768.017151/200259, está relacionada, quanto aos efeitos, com os processos nºs 10768.003358/200327, 10768.003361/200341, 15374.002919/200911, pelo que a mesma decisão se aplica a todos os processos relacionados. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora. EDITADO EM: 03/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim, Karem Jureidini Dias, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Teixeira, Antonio Bezerra Neto. O Conselheiro Maurício Faro declarouse impedido. Relatório Tratase de diversos Pedidos/Declaração de Compensação, em que o contribuinte requer a compensação de créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, com débitos de PIS, COFINS, CSLL e IRRF. Os Pedidos foram entregues nas datas abaixo referidas, sendolhes atribuídos os seguintes números de processo: · D. comp de fls. 01 do processo 10768017151/200259 (raiz, conforme DRJ). Data de protocolo: 14/11/2002; · D. comp de fls. 01 do processo 10768015970/200261 (juntado). Data de protocolo: 15/10/2002; · D. comp de fls. 01 do processo 10.768.016674/200288 (juntado). Data de protocolo: 31/10/2002; · D. comp de fls. 01 do processo 10768018068/200205 (juntado). Data de protocolo: 13/12/2002; · D. comp de fls. 01 do processo 10768.000385/200348 (juntado). Data de protocolo: 15/01/2003; · D. comp de fls. 01 do processo 10768.100351/200352 (juntado). Data de protocolo: 14/02/2002; Fl. 4388DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 3 3 · D. comp de fls. 01 do processo 10768001492/200393 (juntado). Data de protocolo: 25/02/2003; · D. comp de fls. 01 do processo 10768.001980/200309 (juntado). Data de protocolo: 14/03/2003; · D. comp de fls. 01 do processo 10768.002511/200307 (juntado). Data de protocolo: 27/03/2003; · D. comp de fls. 01 do processo 10768.003085/200311 (juntado). Data de protocolo: 14/04/2003; · D. comp de fls. 01 do processo 10768.003359/200371 (juntado). Data de protocolo: 24/04/2003; · D.comp de fls. 01 do processo 10768.003360/200304 (juntado). Data de protocolo: 24/04/2003; · D.comp de fls. 01 do processo 10.768.003357/200382 (juntado). Data de protocolo: 24/04/2003; · D.comp de fls. 01 do processo 10768.003589/200331 (juntado). Data de protocolo: 30/04/2003; · D.comp de fls. 01 do processo 10768003757/200398 (juntado). Data de protocolo: 07/05/2003; · D.comp de fls. 01 do processo 10768004172/200395 juntado). Data de protocolo: 14/05/2003 Após realizada diligência (fls. 97/197), a Derat entendeu por indeferir os pedidos de compensação por meio de despacho decisório de fls. 273/290, tendo o contribuinte sido cientificado em 11/01/2008 (fls. 290). Em síntese, o despacho fundamentouse na ausência de liquidez e certeza do crédito, em razão de inconsistência demonstradas nas apurações dos tributos em questão em vários anoscalendário. Apresentada Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte, a decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro homologou em parte da compensação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. Por força do § 5º do art 74 da lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.833/2003, a compensação declarada pelo sujeito passivo é homologada tacitamente em cinco anos a Fl. 4389DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 contar de seu protocolo, dela decorrendo a extinção dos débitos correspondentes. SALDOS NEGATIVOS INCONSISTENTES APURADOS EM PERÍODOS IA ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. A decadência é modalidade de extinção do credito tributário, não havendo previsão legal para que do referido instituto decorra o direito de reduzir tributo de período não decaído, mediante a utilização de resultados sabidamente inconsistentes. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. É da interessada o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito alegado. Compensação Homologada em Parte Inicialmente, reconheceu a Turma julgadora ter ocorrido a homologação tácita das seguintes Declarações de Compensação, tendo em vista que o interessado foi cientificado em 11/01/2008, após decorridos cinco anos da data de entrega: · D. comp de fls. 01 do processo 10768017151/200259 (raiz). Data de protocolo: 14/11/2002; · D. comp de fls. 01 do processo 10768015970/200261 (juntado). Data de protocolo: 15/10/2002; · D. comp de fls 01 do processo 10.768.016674/200288 (juntado). Data de protocolo: 31/10/2002; · D. comp de fls 01 do processo 10768018068/200205 (juntado). Data de protocolo: 13/12/2002; No tocante às demais compensações não atingidas pela homologação tácita, entendeu a Turma por afastar a alegação de decadência do direito do fisco rever as apurações (de saldo negativo) concernentes aos anos de 1998, 1999 e 2000, aduzindo ser do contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributário objeto do pedido de compensação, o que não ocorreu segundo alegado pela decisão. Em face da Decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual alega, preliminarmente, pela decadência do direito de a administração proceder a ajustes e/ou questionar as informações prestadas nas DIPJ`s dos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, tendo ocorrido a homologação do “autolançamento” promovido pelo contribuinte. O contribuinte reitera, ainda em preliminar, a homologação tácita daquelas compensações que foram reconhecidas pelo acórdão recorrido. No mérito, busca demonstrar que os valores constantes em seus documentos fiscais estão corretos. Ainda, informa o contribuinte, em petição protocolada em 25/06/2012, que em sessão realizada em 23/02/2011, foi retirado de pauta de julgamento os Recursos Voluntários nos processos nº 10768.003358/200327 e n° 10768.003361/200341, a fim de que ambos os autos fossem reunidos ao presente Processo Administrativo, de n° 10768.017151/200259, já que aqueles são meros reflexos do que foi decidido neste presente processo. Pela mesma razão, requer o recorrente também a reunião ao presente do Processo Administrativo n° 15374.002919/200911. Fl. 4390DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 4 5 Ato contínuo, tendo em vista sua relação de prejudicialidade, os processos foram reunidos para julgamento em conjunto e, então, distribuídos a esta relatora. Assim, o presente relatório se reporta doravante aos seguintes processos: nº 10768.017151/200259, nº 10768.003358/200327, n° 10768.003361/200341 e n° 15374.002919/200911, cujas compensações serão por matéria tratados individualizadamente no curso voto. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Inicialmente, cumpre esclarecer que ao presente processo (de nº 10768.017151/200259) foram reunidos os processos nº 10768.003358/200327, n° 10768.003361/200341 e n° 15374.002919/200911. A reunião se deu com fundamento no artigo 1º, inciso IV da Portaria RFB nº 666/2008: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; Conforme esclarecido, é objeto do presente processo administrativo (nº 10768.017151/200259) as compensações pleiteadas com base em saldo negativo do IRPJ de 2001. No Processo Administrativo nº 15374.002919/200911, o crédito objeto das Declarações de Compensação, assim como o presente, envolve saldo negativo do IRPJ de 2001 (fls. 1.165 daqueles autos). Tratase das seguintes DCOMP´s (fls. 1.165 daqueles autos), todas protocoladas a partir de 2007: · 13489.59900.151007.1.3.027107 · 39685.44780.191007.1.3.023449 · 31603.64326.091107.1.3.028858 · 11172.04172.141107.1.3.023301 · 08328.49495.191107.1.3.029964 · 21499.61376.301107.1.3.023529 Fl. 4391DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 · 27034.71915.101207.1.3.021629 · 27004.55229.131207.1.3.021907 · 02589.95954.141207.1.3.029063 · 30394.99709.201207.1.3.029898 · 29619.83074.281207.1.3.025768 · 12428.09454.100108.1.3.023310 Já no Processo nº 10768.003361/200341, o crédito objeto das Declarações de Compensação envolve saldo negativo do IRPJ de 2002 (conforme relatório da DRJ de fls. 1.825 daqueles autos). Ainda, conforme o Despacho Decisório, as Dcomp`s são as seguintes: · Declaração de Compensação de fl. 01, acompanhados de formulário do Anexo VI da IN SRF n° 210, de 30/09/2002 — saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2002, no valor de R$.1.388.028,37. · Apensados ao presente processo as declarações de compensação de f1. 01 dos processos apensos de n.° 10768.012679/200312 — R$.4.501,76; 10768.012586/200398 — R$ 1.565.760,53; 10768.012754/200345 — R$.78.788,27, tendo em vista tratar se do mesmo crédito, · Além das DCOMP citadas, serão trabalhadas neste processo, as DCOMP eletrônicas relacionadas às fls. 124 a 128 por estarem, também, vinculadas ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002. E, por fim, no Processo nº 10768.003358/200327, o crédito objeto das Declarações de Compensação envolve “saldo negativo” de CSLL do anocalendário de 2002: (conforme relatório da DRJ de fls. 1.460 daqueles autos): i) fl.01, de débito de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), no total de R$ 197.574,84, período de apuração de 31/01/2003, com crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002 de igual valor, e protocolizada em 24/04/2003; ii) de fls. 85 a 91, PER/DCOMP n° 26892.75105.270906.1.7.03 0022, pleiteando compensação de IRPJ e CSLL, período de apuração de junho de 2004, de R$ 1.036.828,30 e R$ 604.773,17, respectivamente com o crédito de saldo negativo de CSLL, do ano calendário de 2002. (protocolada em 27/09/2006) Portanto, tendo em vista que os créditos se referem a saldos negativos de 2001 e 2002, sendo certo que a formação desses saldos negativos advêm das apurações dos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, e, considerando, ainda, que esses saldos negativos foram aqueles aproveitados nas DCOMP`s dos quatros processos administrativos em referência, salutar o julgamento em conjunto dos referidos processos. Apesar de não haver previsão de remessa de ofício, quanto às DCOMP`s entregues até o período de dezembro de 2002, de fato há homologação tácita, porquanto o Fl. 4392DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 5 7 Despacho Decisório só foi cientificado ao contribuinte em janeiro de 2008. Sem reparos a decisão que aplicou o artigo 74, § 5º da Lei nº 9.430/96 e reconheceu a homologação tácita das compensações entregues até dezembro de 2002. Da inexistência de lançamento de ofício – da homologação das compensações protocoladas até 31/10/2003 Verifico que os pedidos de compensação foram entregues desde 2002 até 2007, não tendo ocorrido lançamento para quaisquer diferenças apuradas. Ocorre que, para as Declarações de Compensação entregues até outubro de 2003, não tendo ocorrido lançamento, verificase a decadência do direito de a fiscalização efetuar o lançamento de ofício, e não apenas a homologação tácita, razão pela qual não há débito a ser exigido do contribuinte, se a DCTF correspondente a tais períodos de compensação apresentar saldo igual a zero. Isto porque, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que dispõe sobre compensação pelo contribuinte, de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sofreu, dentre outras, alterações em sua redação pelos: (i) artigo 49 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; (ii) artigo 17 da Lei nº 10.833 de 29 de dezembro de 2003; e, (iii) artigo 4º da Lei nº 11.051 de 29 de dezembro de 2004. Com as alterações perpetradas pela legislação acima mencionada, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, passou a ter a seguinte redação: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002.) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 4393DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 8 § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Entretanto, o histórico legislativo das alterações efetuadas no artigo 74 da Lie nº 9.430/96 bem demonstram que até outubro de 2003, os Pedidos de Compensação, ainda que convertidos em Declaração de Compensação, não se configuram confissão de dívida. Temos o seguinte quadro EFEITOS Lei 9.430/96 IN 21/97 LEI 10.637/02 Constitui crédito tributário Não Não (art. 90 MP 215835/01) Suspensão da exigibilidade PA que discute o lançamento PA que discute o lançamento Tipo de processo administrativo Pedido de Compensação Declaração de Compensação EFEITOS LEI 10.833/03 LEI 11.051/04 Constitui crédito tributário Sim Sim, exceto “não declarada” Suspensão da exigibilidade Manifestação de Inconformidade Sim, exceto “não declarada” Tipo de processo administrativo Declaração de Compensação Declaração de Compensação, exceto “não declarada” Nesse sentido, o parágrafo 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.637/02, dispõe que os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. Ou seja, os pedido de compensação apresentados pela ora Recorrente antes da vigência da referida redação foram convertidos em declaração de compensação. Destaquese, ainda, que referido dispositivo legal entrou em vigor em 31.12.02, produzindo efeitos desde 1º de outubro de 2002, conforme determina o artigo 68 da Lei nº 10.637/02, in verbis: “Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 74 ... Fl. 4394DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 6 9 § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49;” Ainda, de acordo com aquela redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, o sujeito que apurar crédito, passível de restituição ou de ressarcimento, pode utilizálo na compensação, na forma em que autorizada na Lei, sendo certo que a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal, desde logo extingue o crédito tributário. É bem verdade que não obstante a extinção do crédito tributário, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal fica submetida à condição resolutória de sua ulterior homologação. Entretanto, o prazo para a d. Secretaria da Receita Federal exercer seu direito de lançar o “crédito tributário extinto” pela compensação é de 5 (cinco) anos, contados conforme decadência do direito de lançar, não se confundindo com o prazo para homologação da compensação, que também passou a viger e é decincoanos da entrega da declaração de compensação, ex vi do disposto no parágrafo 5º do mencionado artigo. Quanto à data da entrega da declaração de compensação, para efeito da contagem do prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, lembro que nos casos em que se verifica a conversão do pedido de compensação em declaração de compensação, deve ser considerada a data do protocolo do pedido de compensação, já que este foi convertido em declaração de compensação, assim considerado desde o seu protocolo. Este ponto foi observado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. No que tange ao prazo para o lançamento (decadência do direito de lançar), de se lembrar que, apenas com a alteração introduzida pela Lei nº. 10.833/03, o artigo 74 da Lei nº. 9.430/96 passou a veicular norma que transformou a declaração de compensação em confissão de dívida do crédito tributário, objeto de compensação, tornando referida declaração instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Como dito, os efeitos de confissão de dívida apenas tiveram início para as Declarações de Compensação entregues a partir da entrada em vigor da MP nº 135/2003 (que foi posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03). Nesse sentido, a Solução de Consulta Interna COSIT Nº 03, de 08 de janeiro de 2004, mencionada no Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/05, exarou entendimento no sentido de que apenas as declarações de compensação (Dcomp´s) apresentadas à Secretaria da Receita Federal após 31/10/2003 (data da publicação e entrada em vigor da MP nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº. 10.833/03) constituemse confissões de dívida e instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, para os créditos objeto de compensação enunciada anteriormente à vigência da MP nº. 135/2003, convertida na Lei nº. 10.833/03, que introduziu o parágrafo 6º ao artigo 74 da Lei nº. 9.430/96, verificase também o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Fl. 4395DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 10 No tocante às Declarações de Compensação entregues até 31/10/2003, para a exigência do crédito tributário não homologado, farseia necessário, portanto, efetuar lançamento de ofício, a fim de que se pudesse efetivamente, exigir o crédito objeto de compensação eventualmente não homologada, sob pena de inexistir crédito passível de constituição por despacho. Do exposto, tendo em vista que para as Declarações de Compensação em análise no presente caso não houve lançamento de ofício e considerando que as DCTF`s estão zeradas em seu saldo, não é possível subsistir o despacho decisório de não homologação das compensações, porquanto não há crédito tributário devidamente constituído pelo fisco, em relação às Compensações entregues até 31/10/2003, sem prejuízo daquelas cuja homologação tácita já fora reconhecida pela decisão da DRJ (em razão do transcurso de 5 anos de seu protocolo até o despacho que a analisou) e que não são objeto de Recurso. Nesse sentido já decidiu este Tribunal Administrativo: Ementa: “(...) FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA INSTRUMENTO ADEQUADO De acordo com o diploma que rege o processo administrativo fiscal, a formalização da exigência é feita mediante auto de infração ou notificação de lançamento, não havendo previsão no sentido de ser usado um ou outro instrumento, conforme a situação específica. COMPENSAÇÃO INDEVIDA Não extinto o débito pela não homologação da compensação, cabe a exigência do crédito tributário indevidamente compensado. (...)” Trecho do Voto condutor da Conselheira Sandra Maria Faroni: “b) Quanto às Dcomp apresentadas antes da edição da MP nº 135, de 2003, e aos pedidos de compensação pendentes de apreciação, considerados declaração de compensação: b.1) verificado que se trata de compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, devese promover o lançamento de ofício do crédito tributário, sendo que eventuais impugnações e recursos suspendem sua exigibilidade;” (Acórdão nº 10196138, sessão de 23/05/2007) Também já decidiu nestes termos o Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu a necessidade de constituição do crédito tributário por lançamento de ofício, nos casos em que a fiscalização não homologa a compensação declarada pelo contribuinte: “PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO ANULATÓRIA – VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC – DECLARAÇÃO POR DCTF – COMPENSAÇÃO – COBRANÇA DE SALDO SUPLEMENTAR – NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. 1. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação declarado por meio da Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF), o débito nãopago pelo contribuinte passa a ser exigível independentemente da instauração de procedimento administrativo fiscal. Fl. 4396DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 7 11 2. In casu, conforme bem salientou o acórdão proferido pelo Tribunal de origem, não há por que falar em confissão de dívida suficiente à inscrição no CADIN, porquanto não houve confissão via DCTF de valor a pagar. "O Fisco tem o poder/dever de, em havendo irregularidade no procedimento de compensação efetuado pelo contribuinte, proceder ao lançamento de ofício das diferenças apuradas." (fl. 218) 3. Na hipótese de compensação via DCTF, cabe à autoridade administrativa averiguar a regularidade do procedimento para, então, se for o caso, proceder ao lançamento de eventual débito remanescente e só aí determinar a inscrição do devedor no CADIN. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 981095 / RS, Ministro Humberto Martins, DJe 13/02/2009)) Apesar do acórdão tratar da DCTF, tratase da mesma situação da declaração de compensação que, à época, não tinha o condão de constituição de dívida. Analisando os autos dos processos ora reunidos, não subsiste como crédito tributário o montante objeto das seguintes declarações de compensação: Processo nº 10768.017151/200259 (todas as compensações): · D. comp de fls 01 do processo 10768017151/200259 (raiz) . Data de protocolo: 14/11/2002; · D. comp de fls 01 do processo 10768015970/200261 (juntado). Data de protocolo: 15/10/2002; · D. comp de fls 01 do processo 10.768.016674/200288 (juntado). Data de protocolo: 31/10/2002; · D. comp de fls 01 do processo 10768018068/200205 (juntado). Data de protocolo: 13/12/2002; · D. comp de fls 01 do processo 10768.000385/200348 (juntado). Data de protocolo: 15/01/2003; · D. comp de fls 01 do processo 10768.100351/200352 (juntado). Data de protocolo: 14/02/2002; · D. comp de fls 01 do processo 10768001492/200393 (juntado). Data de protocolo: 25/02/2003; · D. comp de fls 01 do processo 10768.001980/200309 (juntado). Data de protocolo: 14/03/2003; · D.comp de fls 01 do processo 10768.002511/200307 (juntado). Data de protocolo: 27/03/2003; Fl. 4397DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 12 · D.comp de fls 01 do processo 10768.003085/200311 (juntado). Data de protocolo: 14/04/2003; · D. comp de fls 01 do processo 10768.003359/200371 (juntado). Data de protocolo: 24/04/2003; · D. comp de fls 01 do processo 10768.003360/200304 (juntado). Data de protocolo: 24/04/2003; · D. comp de dls 01 do processo 10.768.003357/200382 (juntado). Data de protocolo: 24/04/2003; · D. comp de fls 01 do processo 10768.003589/200331 (juntado). Data de protocolo: 30/04/2003; · D.comp de fls 01 do processo 10768003757/200398 (juntado). Data de protocolo: 07/05/2003; · D. comp de fls 01 do processo 10768004172/200395 juntado). Data de protocolo: 14/05/2003 Processo nº 10768.003358/200327 · Declaração de Compensação de fl.01 (do mencionado processo), de débito de CSLL, no total de R$ 197.574,84, período de apuração de 31/01/2003, com crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002 de igual valor, e protocolizada em 24/04/2003. Processo n° 10768.003361/200341 De todas as Declarações de Compensação relacionadas ao processo em tela, estão homologadas as seguintes, conforme fls. 122 e seguintes: · Declaração de Compensação de fl. 01 – protocolada em 24/03/2003 · DCOMP nº 31360.66897.150703.1.3.020939 (R$327,70) – protocolada em 15/07/2003 · DCOMP nº 03447.61124.270803.1.3.020949 (7.729,26) – protocolada em 27/08/2003 Observação: as demais foram protocoladas após 2006. Processo n° 15374.002919/200911: · Todas as Compensações reunidas neste processo foram protocolas a partir de 2007. Do exposto, com base na inexistência de lançamento, de se dar parcial provimento para excluir as Compensações protocoladas antes de 31/10/2003, conforme lista apresentada. Não bastasse esta razão, também por outra merece provimento, ao menos parcial, o recurso do contribuinte, conforme adiante exposto. Fl. 4398DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 8 13 Da revisão dos saldos negativos e da análise das retenções na fonte Para as compensações em que há crédito tributário a ser compensado e depende de homologação, quais sejam, aquelas efetuadas posteriormente a outubro de 2003, e também como razão adicional de decidir para as compensações efetuadas até outubro de 2003, passo a análise do saldo a restituir para efeito da verificação das respectivas homologações. Na compensação, porquanto envolve restituição de direito creditório pela sua utilização na quitação do débito do contribuinte, a autoridade administrativa tem o dever de ofício de cientificar os pagamentos/compensações que geraram o direito creditório, bem como confirmar a disponibilidade deste direito creditório, vale dizer, a sua não utilização em momento anterior. Entretanto, não pode a autoridade administrativa, na análise da compensação, alterar a apuração do contribuinte, quando se faz necessário o lançamento. No presente caso, reitero que se trata de declarações de compensações indeferidas por despacho decisório, sem a observação do procedimento próprio no prazo legal. Esclareço que na análise do direito creditório, a fiscalização deve proceder ao lançamento de ofício, no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados da entrega da declaração de compensação, caso seja necessário apurar novamente o crédito tributário informado e exigir montante distinto daquele declarado pelo contribuinte e que tenha gerado seu saldo a restituir. Por exemplo, não pode a fiscalização rever a apuração do IRPJ e da CSLL e os respectivo prejuízo fiscal e base negativa, em período decaído. Caso não esteja decaído, a fiscalização deve efetuar a revisão pela única via que era possível de ajuste do prejuízo fiscal, qual seja, o lançamento, assim como era este o único meio de se incluir na apuração qualquer receita ou de excluir qualquer despesa ou custo. Isto porque, uma coisa é a verificação dos pagamentos ou outras formas de quitação efetuados anteriormente e que justificam a restituição pela via da compensação. Outra coisa é a revisão da própria apuração do tributo devido à época do pagamento indevido ou a maior. Ou seja, a revisão da própria apuração do saldo a restituir em nada se relaciona com o direito do fisco de averiguar a existência do pagamento ou quitação que justifica o saldo a restituir. Em relação à revisão da apuração do contribuinte, ele deve observar o prazo decadencial e, como qualquer revisão que implique em alteração de tributo declarado e/ou prejuízo e base de cálculo apurada, só poderá fazêlo por meio de veículo necessário e suficiente à revisão do crédito tributário até então legalmente constituído pelo contribuinte, quero dizer só pode fazer via lançamento de ofício. Nesse sentido, inclusive, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: Ementa: DECADÊNCIA. GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS. A teor do disposto no art 9° do Decreto 70,235/72 vigente A época dos fatos, há obrigatoriedade de lançamento (pelo Fisco) para efetuar a glosa de prejuízos fiscais e, naturalmente, de bases negativas de CSLL. Em havendo obrigatoriedade para que o Fisco efetue a respectiva glosa por meio de lançamento, é Fl. 4399DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 14 razoável que se entenda que tal medida não pode se dar indefinidamente a qualquer tempo; mas, ao contrário, deve estar sujeita aos prazos decadenciais para lançamentos estabelecidos no próprio Código Tributário Nacional, Considerada a natureza jurídica do IRPJ e CSLL (tributos sujeitos a lançamento por homologação), temse que ultrapassado o prazo de que trata o art. 150, 40 do CTN para lavratura do lançamento, estará definitivamente homologada (por decadência) a apuração de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL feita pelo contribuinte e declarada à Receita Federal do Brasil. (Acórdão CSRF910100.654, sessão de 30/08/2010) A despeito de entender que as compensações referentes ao Processo Administrativo nº 10768.017151/200259 estão parte homologadas tacitamente, parte com direito de lançar decaído em razão da decadência, retorno ao processo para analisar o direito creditório, já que neste foram feitas as considerações sobre o saldo negativo do anocalendário de 2001, cujos efeitos afetam os demais processos reunidos para julgamento. No presente caso, verifico, a partir dos acórdãos recorridos da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que a autoridade fiscal, em alguns aspectos, efetuou a revisão do tributo apurado e, consequentemente, não homologou o saldo negativo informado, objeto do crédito. Tomando por base as considerações feitas no Processo Administrativo nº 10768.017151/200259, ao analisar o “direito creditório”, o acórdão recorrido analisou as apurações dos anos de 1998, 1999 e 2000, para conferir o montante de saldo negativo de 2001. Segundo o acórdão recorrido: “Foi necessária a referência a anos outros, anteriores ao de 2001, indicado pela interessada como ano de origem do crédito pleiteado, tendo em vista que a apuração do IRPJ, no sistema do lucro real anual com estimativas mensais, integra períodos diversos mediante compensação de saldos negativos”. Do mesmo modo, houve consequências na apuração do saldo negativo de 2002, que também é objeto de parte das compensações. A partir dessa premissa, analisou o acórdão recorrido, a formação do saldo negativo por anocalendário (fls. 1.647/1.657). Começando pelo anocalendário de 1998, reproduzo os fundamentos da decisão: Anocalendário de 1998 Por ocasião do despacho decisório emitido pela DERAT, a apuração original da DIPJ não foi ratificada tendo em vista que, segundo o referido despacho, teriam deixado de ser oferecidas à tributação receitas de juros sobre o capital próprio (ficha 07, linha 22 — fls. 203) no montante de R$ 3.138.394,93. Foi ainda alterado o valor do imposto sobre a renda retido por antecipação, que passou de R$ 4.028.5260,5 para R$ 3.680.397,80. As retificações acima referidas foram realizadas com base no cruzamento de informações entre Dirf e DIPJ. Ao contrário do que alega a interessada, há consistência e clareza nos novos valores apurados, devendo desde _já ser afastadas as alegações de erro e nulidade do despacho decisório da DERAT. (...) Fl. 4400DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 9 15 Neste passo, verificou que as alterações no saldo negativo do ano de 1998 decorreram de duas situações: “Receitas de juros sobre o capital próprio” e “IRRF pago por antecipação”. No tocante às “Receitas de juros sobre o capital próprio”, entendo que não se faz possível a alteração dos valores no procedimento de compensação. Informou o acórdão recorrido: Conforme consulta aos arquivos eletrônicos da Secretaria da Receita Federal (fls. 208), terceiros consignaram, nas Dirfs que entregaram, pagamentos A. interessada a titulo de juros sobre o capital próprio (código 5.706), no total de R$ 21.515.575,17, havendo a mesma informado em sua declaração de rendimentos, no item respectivo, (Ficha 07, linha 22 — fls. 203) a recepção de apenas R$ 18.377.180,24. Por óbvio, devem coincidir os pagamentos declarados como feitos à interessada e os que a mesma afirma ter recebido, de forma que, a diferença entre os referidos valores (R$ 3.138.394,93), quando não justificada de forma adequada, pode ser imputada como receita não tributada. Tratase, nesse ponto, de revisão de compensação que exigiria a revisão da apuração, por suposta omissão de receitas, hipótese que exige, sem dúvida, lançamento de ofício no prazo decadencial, tomando por referência o ano da suposta omissão de receita ora acusada. Não tendo ocorrido lançamento de ofício e passado o prazo decadencial para constituir qualquer crédito fulcrado em omissão de receita, devese manter a apuração do contribuinte nesta parte e homologar o saldo declarado pelo contribuinte, sem o cômputo da receita que a d. fiscalização pretendeu por incluir como receita omitida em mero procedimento de análise de compensação. Já no tocante ao “IRRF pago por antecipação”, temse situação distinta, em que apenas houve a verificação da ocorrência dos pagamentos, no caso, das retenções, que compuseram o cálculo do saldo negativo. Afirmou o acórdão recorrido: 4.2 IRRF pago por antecipação Além das receitas de juros sobre o capital próprio não oferecidas à tributação e ainda a partir das informações extraídas de Dirfs entregues por terceiros, no ano de 1998 a interessada teria sofrido retenções na fonte sobre receitas auferidas de apenas R$ 3.680.397,80 e não de R$ 4.028.5260,50 conforme informação da DIPJ. Por outro lado, constatase que a interessada não instruiu sua manifestação de inconformidade com o comprovante de retenção, documento necessário, nos termos do art. 943 do RIR/99, para que o valor do imposto sobre a renda retido na fonte ao longo do ano possa ser compensado com o imposto resultante da apuração anual. Pelos motivos expostos, o valor do IRRF a ser considerado na apuração referente ao ano de 1998, para fins de cálculo do direito creditório pretendido, é de R$ 3.680.397,80. Analisando os autos, de fato o contribuinte não demonstra devidamente que as retenções ocorreram no montante informado na DIPJ. Limitase o contribuinte, em seu Recurso Voluntário, a afirmar que houve inovação no motivo da decisão, não tendo feito Fl. 4401DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 16 referência ou juntado documentos que demonstrassem as retenções que compuseram o saldo negativo. O despacho decisório, conforme se extrai das fls. 275/276, já havia desconsiderado as retenções cuja comprovação não ocorreu, razão pela qual de se afastar a alegação de inovação no fundamento do despacho decisório. Desta forma, no tocante ao IRRF pago por antecipação do anocalendário de 1998, de se manter o quanto decidido pelo acórdão recorrido. Deve ser excluído o montante de R$ 3.138.394,93, que a DRJ alega tratarse de receita de juros sobre capital próprio não tributada pela interessada. E também não há que se falar em glosa de compensações que ensejaram o próprio saldo negativo do anocalendário de 1998 e que teriam afetado a compensação com débito de estimativa de IRPJ do período de apuração de maio de 2001, até porque não haveria prazo legal para manifestação daquelas compensações, que eram sujeitas a lançamento de ofício e que, a despeito de não ser objeto do saldo em questão, compuseram o saldo de 1998, quase dez anos antes do despacho em questão. Passando à análise do anocalendário de 1999, verifico que as alterações do saldo negativo também decorreram de duas situações: “Despesas de juros sobre o capital próprio” e “IRRF pago por antecipação”. Assim como afirmado para as “receitas” quanto ao anocalendário de 1998, as “Despesas de juros sobre o capital próprio” também representam revisão da apuração de tributo que exigiria lançamento de ofício. Pelos mesmos fundamentos já expostos, deve ser reformado o acórdão recorrido neste ponto e homologados os valores do aldo informado pelo contribuinte, sem a respectiva inclusão dos valores pretendidos como omissão de receita Já no tocante ao “IRRF pago por antecipação”, o fundamento utilizado pela autoridade administrativa e reproduzido no acórdão recorrido, além da falta de comprovação das retenções, é o de que houve a utilização em duplicidade das retenções: Constatase ainda para o ano em questão (1999) uma segunda inconsistência: conforme fls 226, foi informada, por fontes pagadoras diversas, a retenção de IRRF no valor total de R$ 3.992.360,70, incidente sobre receitas auferidas. Este valor corresponde, portanto, ao imposto pago por antecipação, passível de aproveitamento quando da apuração anual. Não obstante o limite máximo acima aludido ( R$ 3.992.360,70), a interessada beneficiouse de quantia superior ( R$ 6.271.367,91) , correspondente à soma dos seguintes valores: R$ 2.202.510,25 IRRF utilizado nos meses de junho a novembro (Ficha 12, linha 07 — fls 219/224) para fins de dedução do IR mensal calculado com base na Receita Bruta ou em Balancetes de Suspensão; R$ 4.068.857,66 IRRF utilizado para reduzir o IR calculado sobre o lucro real anual ( Ficha 13 — A, linha 13, fis 225). Da forma como procedeu, a interessada beneficiouse duplamente dos mesmos valores, já que o IRRF que quitou as estimativas mensais , item este que já reduz o imposto anual ( Ficha 13A, linha 16), não pode ser novamente utilizado subtrativamente em item próprio (Ficha 13A, linha 13) na apuração anual. Assim, à vista do IRRF de R$ 3.992.360,70, que consta dos arquivos eletrônicos da Receita Federal como retido por fontes Fl. 4402DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 10 17 pagadoras diversas, e, mais uma vez, na ausência de comprovante de retenção emitido pelas respectivas fontes pagadoras, o valor correto a ser considerado na ficha 13A, linha 13 da DIPJ do AC 1999 é de R$ 1.789.850,45 — (3.992.360,70 —2.202.510,25). De se verificar que o contribuinte, nesse ponto, apenas reitera os argumentos de inovação do lançamento, não comprovando todos os valores a título de IRRF. Ainda, tampouco demonstrou que os valores não o beneficiaram em duplicidade. Apreciando a DIPJ – fls. 215/225 em conjunto com os cálculos efetuados pela fiscalização, verifico que de fato o montante apontado de IRRF foi considerado tanto como pagamento de estimativa, quanto na apuração do lucro real como antecipação capaz de reduzir o IRPJ devido após o encerramento do anocalendário. Tomando em conta as provas apresentadas, apesar do despacho decisório de fato não ter esclarecido a questão ao contribuinte e apenas apresentado os números produto de seu cálculo, entendo que assiste razão neste ponto à fiscalização, ressalvando que tal conclusão não se aplicar, como dito, às glosas de valores pagos alegando compensação indevida”. Deve ser excluída a adição ao lucro líquido antes do IRPJ, indevidamente efetuada no despacho decisório sem lançamento de ofício e fora do prazo decadencial, do valor de R$ 12.108.840,24, correspondente a dedução dos juros sobre capital próprio. Também não há que se falar em glosa de compensações que ensejaram o próprio saldo negativo do ano calendário de 1999, até porque não haveria prazo legal para manifestação daquelas compensações, que eram sujeitas a lançamento de ofício (fls. 232/233) No tocante ao anocalendário de 2000, as modificações no crédito apenas decorreram de desconsiderações do IRRF, em razão dos mesmos fundamentos apresentados para o anocalendário de 1999: Ano calendário 2000 Para o ano em questão, consultas à Dirf, fls. 252 e 253, indicam que a interessada, como declarante, não informou valores de IRRF incidente sobre juros sobre capital próprio, o que, tal qual ocorreu no ano calendário de 1999, autoriza a desconsideração da despesa de R$ 15.136.050,30 consignada na ficha 6A, linha 35, fls 240. Por outro lado, repetindo o procedimento do ano anterior, a interessada beneficiouse de IRRF em valor superior àquele que seria legitimo. Na ficha 11, linha 07, utilizouse, de janeiro a novembro, de R$ 2.882.902,33 para guitar as estimativas calculadas fls 245/250) e , por ocasião da apuração anual, reduziu o imposto calculado sobre o lucro real anual de mais R$ 5.110.280,65 — (Ficha 12A, linha 13, fls 251), totalizando R$ 7.993.182,98. Este somatório ultrapassa o IRRF de R$ 5.252.523,76 (fls 252) informado por outras fontes pagadoras, incidente sobre rendas auferidas pela interessada, impondose a respectiva retificação. Após as retificações necessárias, referentes aos itens acima aludidos, a apuração da interessada para o ano de 2000 passa a ser a que segue (...) Neste passo, tendo sido também as mesmas as alegações do contribuinte, insuficientes a contrariar as demonstrações fiscais, bem como considerando o informado na Fl. 4403DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 18 DIPJ, entendo que, no mesmo sentido do que decidido para o anocalendário de 1999, deve ser mantido o acórdão recorrido também para os recálculos efetuados para o anocalendário de 2000, que implica na diferença de R$ 7.993.182,98 para R$ 5.522.726. Deve ser excluída a adição ao lucro líquido antes do IRPJ, indevidamente efetuada no despacho decisório sem lançamento de ofício e fora do prazo decadencial, do valor de R$ 15.136.050,30, correspondente à dedução dos juros sobre capital próprio. Também não há que se falar em glosa de compensações que ensejaram o próprio saldo negativo do anocalendário de 2000, até porque não haveria prazo legal para manifestação daquelas compensações, que eram sujeitas a lançamento de ofício. Anocalendário de 2001 No anocalendário de 2001, a DRJ tentou esclarecer o que despacho decisório tentou efetuar através da glosa de compensações de 2001, as quais estão homologadas, e cujos valores devem ser mantidos tal como informado pelo contribuinte. Ainda, no tocante ao referido ano, de se afastar o ajuste procedido pela diligência fiscal, concernente a dedutibilidade dos Juros sobre capital próprio, no valor de R$ 29.061.216,56, devendo ser mantidos tal valor informado pelo contribuinte, pelas mesmas razões que fundamentaram o afastamento das glosas de mesma natureza nos anos anteriores. Portanto, também não há que se falar em glosa de compensações que ensejaram o próprio saldo negativo do anocalendário de 2001, até porque não haveria prazo legal para manifestação daquelas compensações, que eram sujeitas a lançamento de ofício. Os cálculos efetuados pela fiscalização em relação a este valor não podem ser aceitos porque não se referem a comprovação de pagamento, mas a compensações efetuadas. Neste passo, considerando as premissas adotadas no presente voto, devem ser excluídos de qualquer recálculo de saldo informado pelo contribuinte, os montantes alegados em despacho decisório como relativos à suposta omissão de receitas e glosa de despesas de juros sobre capital próprio (anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001), em razão de que não foi efetuado o lançamento de ofício (de omissão de receitas e glosa de despesas), necessário para a revisão do valor declarado como devido pelo contribuinte, tendo já se operado a decadência. De outra parte, tendo em vista que no procedimento de compensação, a autoridade administrativa é competente para a verificação da ocorrência dos pagamentos, o que inclui as retenções que formaram o crédito do contribuinte objeto do pedido de compensação, e demonstrado pela fiscalização as incorreções nas informações sobre o IRRF antecipado, deve ser mantido o acórdão recorrido e recalculado os saldos negativos apenas neste ponto e naquele que demonstra a utilização em duplicidade, apenas na medida da duplicidade, em face do pagamento das antecipações. Nesse ponto, devese utilizar os valores de IRRF considerados pelo despacho decisório e pelo acórdão recorrido, em detrimento daqueles declarados pelo contribuinte. Tal efeito, contudo, não pode impactar no saldo reformado em razão das compensações do anocalendário de 2001, que não foram objeto de despacho decisório e estão homologadas. Ou seja, não há que se negar a validade das quitações efetuadas por meio de compensações já homologadas, ainda que tacitamente Os cálculos do crédito no presente processo deve observar o quanto decidido no processo nº 10768.0171151/200259, em razão da origem no mesmo saldo negativo de 2001 e 2002 e que, por sua vez, também se reportam às apurações dos anos de 1998, 1999 e 2000. Fl. 4404DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10768.003358/200327 Acórdão n.º 1401000.857 S1C4T1 Fl. 11 19 Por todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao contribuinte, a fim de: (i) acolher a decadência do direito de a autoridade administrativa constituir crédito tributário, relativo às Declarações de Compensação protocoladas antes de 31/10/2003, tendo em visa a ausência de lançamento de ofício e a não previsão de efeito de confissão de dívida para as declarações apresentadas até aquela data; (ii) no que tange às compensações do item i e para aquelas entregues a partir de novembro de 2003, ou seja, todas as não homologadas, homologálas até o saldo negativo apresentado pelo contribuinte, retirandose os efeitos dos ajustes indevidamente efetuados no despacho decisório, relativos à suposta glosa de “Despesas de juros sobre o capital próprio e à suposta omissão de “Receitas de juros sobre o capital próprio”, mantendose apenas o ajuste relativo à diferença de IRRF apontado e comprovado e aquela correspondente exclusivamente à sua utilização em duplicidade. Este critério deve ser observado para todos os anoscalendário de 1998 a 2001 que compuseram o saldo passível de restituição nos anos de 2001 e 2002, desde que não relacionadas às compensações do anocalendário de 2001 que não foram objeto de despacho decisório, para as quais se aplicam os mesmos fundamentos da DRJ na parte que reconheceu as homologações tácitas porquanto não efetuado qualquer lançamento de ofício, tampouco despacho decisório (para as compensações). (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 4405DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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