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Numero do processo: 10932.720125/2014-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
A solicitação de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e constata a necessidade de pronunciamento específico.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO.
Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deram origem.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 - Repercussão Geral)
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação.
MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA.
A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA.
Por se tratar de lançamento reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: i) não conhecer do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada no que se refere à natureza confiscatória do percentual da multa de ofício; ii) rejeitar o pedido de perícia e a arguição de decadência; iii) declarar a definitividade da responsabilidade tributária imputada aos coobrigados João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira; iv) dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz e Rafael Escobar Cerqueira e: v) negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A solicitação de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e constata a necessidade de pronunciamento específico. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deram origem. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 - Repercussão Geral) AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação. MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA. A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de lançamento reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A solicitação de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e constata a necessidade de pronunciamento específico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 25 /2 01 4- 04 Fl. 6143DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUÇÃO. Os custos e despesas operacionais são dedutíveis na apuração do resultado da pessoa jurídica apenas se devidamente comprovada com documentação hábil e idônea a realização das operações que lhes deram origem. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. (STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 Repercussão Geral) AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação. MULTA DE OFÍCIO, NATUREZA CONFISCATÓRIA. A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). CUSTOS OU DESPESAS INEXISTENTES. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Correta a imputação da multa qualificada quando o sujeito passivo deduz, na base de cálculo dos tributos, custos ou despesas referentes a operações inexistentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de lançamento reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: i) não conhecer do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada no que se refere à natureza confiscatória do percentual da multa de ofício; ii) rejeitar o pedido de perícia e a arguição de decadência; iii) declarar a definitividade da responsabilidade tributária imputada aos coobrigados João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira; iv) dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz e Rafael Escobar Cerqueira e: v) negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada. Fl. 6144DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201404 Acórdão n.º 1402002.458 S1C4T2 Fl. 6.144 3 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 6145DF CARF MF 4 Relatório O auto de infração de fls. 3.0363.070 exige R$7.065.717,39 a título de imposto de renda pessoa jurídica e, R$2.548.112,58 de contribuição social sobre o lucro líquido, acrescido de multa qualificada de 150% e juros moratórios, perfazendo até 12/2014 o crédito de R$28.793.495,32. A infração imputada é a contabilização de custos com base em documentos inidôneos, tendo em vista não ter sido demonstrada a realização das operações a que se referem conforme minuciosamente descrito no Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal que instrui os autos. O presente lançamento abrange fatos geradores ocorridos ao longo do ano calendário de 2009. O auto de infração indica como responsáveis solidários pelo crédito tributário em discussão, as seguintes pessoas: JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 652.867.82868, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 070.444.78603, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 060.046.14670, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 078.463.27666, PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, CPF 496.131.207 00, ANDRÉ ATTIVO, CPF 112.127.48891. A responsabilidade solidária foi imputada com base no disposto no inciso I do artigo 124, c/c inciso III do art. 135, do CTN . A justificativa está detalhada no Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal, fls 2.9813.035. Com exceção de André Attivo, os coobrigados apresentaram impugnação específica mas com várias reivindicações em comum assim resumidas: (I) declarar vício insanável ante a impossibilidade de imputar responsabilidade com base no art. 124, inciso I e 135, III por serem situações que não se confundem, (II) declarar a ilegitimidade do reclamante, e determinada a sua exclusão do pólo passivo do Auto de Infração, considerando que os fundamentos apresentados pelo Fisco para justificar que a sua responsabilidade solidária não se amolda à hipótese do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois não configuram em hipótese alguma, prova do interesse comum na realização do fato gerador da obrigação principal, tendo a fiscalização se baseado em frágeis presunções; (III) declarar a ilegitimidade do Impugnante, e determinada a sua exclusão do pólo passivo do Auto de Infração, por força do disposto no art. 112, Código Tributário Nacional, aplicandose o benefício da dúvida em relação ao Impugnante; (IV) determinar a desconstituição dos lançamentos fiscais de IRPJ e CSLL, com a extinção ex tunc dos respectivos créditos tributários, face ao equívoco do trabalho fiscal ao não se adotar o arbitramento, determinado pelo artigo 530 do RIR; (V) aplicar o Princípio da Insignificância, no que se refere aos eventuais recursos auferidos por pessoa jurídica em relação a qual o Impugnante já teve participação societária, seja diretamente ou na sociedade integrante do quadro societário daquela. Como alegações específicas, cada um dos coobrigados apresenta razões para demonstrar que não fariam parte de qualquer esquema fraudulento. Fl. 6146DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201404 Acórdão n.º 1402002.458 S1C4T2 Fl. 6.145 5 A pessoa jurídica autuada apresentou impugnação suscitando em primeiro lugar a inexistência de irregularidade da abertura das consta na mesma agência bancária. Afirma que realizou as operações questionadas e por esse motivo não pode ser responsabilizada por irregularidades nos fornecedores, conforme jurisprudência do STJ. Questiona a utilização da presunção estabelecida no art. 42, da Lei nº 9.430/96 a alega ofensa ao contraditório e à ampla defesa pela ausência de relatório final conclusivo. Sustenta o caráter confiscatório da multa aplicada e a impossibilidade de aplicar multa de 75% tendo em vista disposições da Lei nº 11.488/2007. Discorre sobre o ônus da prova e o princípio da verdade material. Ataca a imputação de responsabilidade solidária ao sócio André Attivo, sustentando que não se aplica ao caso o inciso III, do art. 135, do CTN se não for claramente comprovado que a obrigação tributária decorre de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei. Sustenta que a empresa mantém e manteve relações comerciais com as empresas de João Natal Cerqueira e que é absurda e ilegítima a alegação de que este seria o mentor intelectual das tidas operações fraudulentas. Em petição complementar reclama contra o que seria a ilegítima quebra de sigilo bancário e contra a desconsideração de sua escrita. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR prolatou o Acórdão 0652.905 considerando improcedentes as impugnações com manutenção integral da exigência e da responsabilidade dos coobrigados. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 Ementa: NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. Cabe à contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, hábil e idônea, apta a comprovar o pagamento das aquisições de mercadorias, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, e em assim não o fazendo, é de se concluir, aliado a outras evidências, que as supostas aquisições não foram efetivamente recebidas/adquiridas. Assim, correto o procedimento fiscal em glosar os custos/despesas, relativos às citadas aquisições, contabilizadas pelo contribuinte. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Rejeitase o pleito para que se declare nulo o lançamento efetuado com base no Lucro Real, rechaçandose a alegação de que toda a contabilidade teria sido desconsiderada, quando resta comprovado que a autoridade fiscal considerou as Fl. 6147DF CARF MF 6 informações prestadas na DIPJ retificadora, apresentada no curso da ação fiscal, aceitando a dedução dos custos e despesas ali informados, sendo de se destacar que a glosa efetivada corresponde apenas a uma parcela dos custos reconhecidos pela declarante. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa. EXAME MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRESCINDIBILIDADE. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. SIGILO BANCÁRIO. Inexistindo decisão do Supremo Tribunal Federal estabelecendo efeito vinculante em relação a julgado que considerou inconstitucional a quebra do sigilo bancário, deve a Autoridade Administrativa, em obediência ao princípio da legalidade, seguir os ditames da legislação vigente. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. PEDIDO DE REDUÇÃO DA MULTA. Fl. 6148DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201404 Acórdão n.º 1402002.458 S1C4T2 Fl. 6.146 7 Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratarse de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 Ementa: DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadência de cinco anos contase a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. Não se cogita acerca de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PROPRIETÁRIO DE FATO E ADMINISTRADOR A pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e que, comprovadamente agiu com infração a dispositivo de lei, é solidariamente responsável pelo crédito tributário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS DE FATO. Está correta a caracterização dos impugnantes como sujeitos passivos solidários, na forma do art. 124, I, e 135 do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram à evidência que, embora não integrassem formalmente o Fl. 6149DF CARF MF 8 quadro societário da empresa autuada, eles não só a controlavam de fato, como também tinham interesse comum na situação que veio a constituir o fato gerador da obrigação tributária. Devidamente cientificados, a pessoa jurídica autuada e os coobrigados João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz e Rafael Escobar Cerqueira apresentaram recurso voluntário a esta Corte ratificando em essências as razões expedidas na peça impugnatória. Não constam do autos recursos voluntários em nome dos coobrigados João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira. Nos moldes da impugnação, as razões de defesa do coobrigado André Attivo foram explicitadas no recurso voluntário da pessoa jurídica autuada. É o Relatório. Fl. 6150DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201404 Acórdão n.º 1402002.458 S1C4T2 Fl. 6.147 9 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Os coobrigados João Natal Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira não apresentaram recurso voluntário. Sendo assim, em relação a eles tornase definitiva a responsabilidade que lhes foi imputada. Os recursos voluntários dos coobrigados e da pessoa jurídica autuada foram tempestivos e interpostos por signatários devidamente legitimados, motivo pelo qual deles conheço. As razões de defesa do coobrigado André Attivo, ainda que colocadas junto ao recurso da pessoa jurídica autuada, serão analisadas em conjunto com as defesas dos demais coobrigados que recorreram. A arguição de nulidade pela não disponibilização do Relatório Final Conclusivo não merece prosperar. Em primeiro lugar porque o Termo de Verificação Fiscal entregue junto com o auto de infração contém as informações mais relevantes do Relatório. Em segundo lugar porque o Relatório pode ser obtido por cópia antes do prazo final de impugnação. Em terceiro lugar porque, levandose em consideração o tempo decorrido desde a ciência até a apresentação do recurso voluntário, não há qualquer indicativo de que ao menos na peça recursal alguma razão de defesa deixou de ser apresentada por desconhecimento do conteúdo do Relatório. A solicitação de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e constata a necessidade de pronunciamento específico. Isso não ocorreu no presente caso. No que se refere à arguição de nulidade do lançamento por um suposto enquadramento equivocado da imputação de responsabilidade solidária importa registrar que, mesmo se tal enquadramento fosse considerado equivocado, esse fato poderia em tese atingir a responsabilização mas não afetaria o lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO DA PESSOA JURÍDICA AUTUADA 1) Comprovação da efetiva realização das operações: De imediato, importa ressaltar que, ao contrário do registrado na defesa, em nenhum momento o Fisco admitiu que as operações questionadas teriam sido realizadas. Na verdade o entendimento pela inexistência foi justamente o cerne do procedimento fiscal. Salientese também que as conclusões do Fisco quanto á inexistência das operações de aquisição de mercadorias tiveram como base um conjunto fático probatório e não apenas uma circunstância isolada referente a irregularidades dos fornecedores. Fl. 6151DF CARF MF 10 O indicativo da inexistência dos fornecedores foi embasado não apenas em informações cadastrais, mas em diligências nos pretensos domicílios onde nenhuma delas foi localizada, presença no quadro social de pessoas físicas de nível social incompatível com os recursos movimentados e depoimentos dos supostos sócios registrando a indevida utilização dos cadastros pessoais na formalização de empresas que desconheciam. Em defesa, a recorrente tece longo arrazoado para justificar que não poderia ser responsabilizada por irregularidades nos seus fornecedores e mais ainda sustenta que, ao contrário do afirmado pelo Fisco, em alguns casos as empresas existiam de fato. Importa ressaltar que as circunstâncias supra relatadas representam um forte indício de irregularidade nas operações sob exame. Entretanto, admitese, não seriam isoladamente um fator decisivo para a desconsideração das aquisições DESDE QUE o sujeito passivo demonstrasse por outros meios que as operações foram realizadas. Tal demonstração mostrouse impossível por dois motivos: o primeiro deles foi o total desinteresse da recorrente em demonstrar o ingresso das mercadorias em seu estabelecimento. A partir do momento em que as operações são questionadas com base em fortes indícios de irregularidades não cabe simplesmente alegar, sem qualquer suporte probatório, o exercício da atividade de intermediação pelo qual a mercadoria não circularia pelo estabelecimento. O segundo, de caráter insofismável quanto à demonstrar a correção do entendimento fiscal, caracterizouse a partir do momento em que, através de circularização bancária, o Fisco constatou que os valores supostamente utilizados para pagamento dos fornecedores tidos como inidôneos foram utilizados para outros fins. Quitaram obrigações com outras empresas sem vínculo com a interessada, beneficiaram pessoas físicas ligadas a outras empresas também inidôneas e, em alguns casos, foram transferidos para outras contas correntes da interessada sem contabilização. Quanto a esse fato, não houve qualquer argumento de defesa. 2) Verdade material e ônus da prova: Em relação aos documentos trazidos aos autos pelo sujeito passivo em diversos momentos processuais inclusive de forma intempestiva, cabe um registro no que se refere à questão do princípio da verdade material e do ônus da prova suscitados pela recorrente. É ilustrativo o trecho do Termo de Verificação que trata do histórico das intimações dirigidas à interessada durante o procedimento, solicitando documentos e/ou esclarecimentos em relação aos valores questionados: Fl. 6152DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201404 Acórdão n.º 1402002.458 S1C4T2 Fl. 6.148 11 Percebese o desinteresse do sujeito passivo em esclarecer fatos relevantes que influenciariam diretamente no entendimento da Fiscalização. Naquele momento a agora suscitada busca da verdade material não parecia tão importante à recorrente. Após procedimentos de circularização em instituições financeiras e terceiros, o Fisco chegou a várias conclusões, dentre elas a abaixo transcrita: Fica nítida a preocupação do Fisco em descrever os procedimentos adotados e os exames realizados nos elementos de prova que embasaram as conclusões pela ocorrência das irregularidades. Não há ressalvas no que se refere ao ônus probante da Fiscalização Por outro lado, vêse que houve uma preocupação da interessada em tentar legitimar as operações tidas como inidôneas através do registro contábil, cheques e duplicatas e, em sede recursal, com indicativos das mercadorias e dos valores pagos, informações essas descartadas pela Fiscalização pelos motivos já expostos. Portanto é infrutífero nesse momento requerer com base na verdade material o exame de documentos que, em sentido diverso ao desejado pela recorrente, são elementos de prova da fraude perpetrada. Além do mais, um exame perfunctório indica que boa parte dos documentos anexados não tem qualquer ligação com os valores autuados. 3) Presunção. Informações Bancárias. Sigilo fiscal: Fl. 6153DF CARF MF 12 Não há que se falar na utilização de presunção no presente lançamento. Caberia à fiscalizada, devidamente intimada, apresentar documentos idôneos que atestassem os custos questionados. Não o fazendo, entendese como valores não comprovados e, portanto, indedutíveis. Os questionamentos quanto à impossibilidade de utilização do art. 42 , da Lei nº 9.430/96 não serão objeto de análise, simplesmente porque a autuação referese à glosa de custos, e não à tributação de depósitos bancários não comprovados. Todo o vasto arcabouço teórico apresentado pela recorrente questionando o fornecimento das informações bancárias ao Fisco pelas instituições financeiras caiu por terra com o pronunciamento definitivo do STFsobre o tema, entendendo pela constitucionalidade das normas que regulamentam o tema (RE 601314/SP – Sessão de 24/02/2016 – Repercussão Geral): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o Fl. 6154DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201404 Acórdão n.º 1402002.458 S1C4T2 Fl. 6.149 13 direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento 4) Multa de Ofício. Qualificação. Confisco: A inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. Não vislumbrei a alegada impossibilidade de aplicação da multa de 75%. O art. 14, da Lei nº 11.488/2007 traz apenas alterações na numeração dos incisos e alíneas do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Quanto à multa qualificada, estabelecida no § 1º, do dispositivo supra mencionado, a imputação pareceme justificada. O sujeito passivo beneficiouse da redução na base de cálculo dos tributos pela dedução de um custo decorrente de operações que se mostraram inexistentes. Não há como negar a intenção de fraudar a administração tributária. No que se refere à suposta natureza de confisco do percentual de multa, trata se de arguição de inconstitucionalidade das normas que estabelecem a incidência dessa penalidade, tema esse ao qual falece competência a esta Corte para apreciação, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, enquanto não houver manifestação definitiva do STF ou STJ em sentido contrário, é impossível negarse aplicação a dispositivos legais plenamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio o que joga por terra todo o vasto arcabouço teórico apresentado pela interessada. 5) Decadência: Nos termos da legislação de regência, mantida a imputação da multa qualificada, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer com base no inciso I, do art. 173, do CTN, ou seja, com termo inicial no primeiro dia seguinte do exercício em que o lançamento poderia ser realizado. Em relação ao IRPJ e à CSLL, com apuração trimestral, considerase ocorrido o fato gerador em 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 e 31/12/2009. Para os três primeiros trimestres o termo inicial para contagem do prazo decadencial seria 02/01/2010 e o termo final seria 02/01/2015 o que, por óbvio . Com ciência da autuação em data anterior (05/12/2014) não ocorreu a caducidade o que, por óbvio, aplicase também ao 4º trimestre. Fl. 6155DF CARF MF 14 6) Apuração do resultado por arbitramento: A argüição quanto à necessidade de apuração do resultado por arbitramento foi bem enfrentada pela decisão recorrida não cabendo qualquer acréscimo ou ressalva, motivo pelo qual permitome fazer minhas as razões lá expostas: [...] 403. Lembrese que no início do Termo de Verificação Fiscal restou consignado que, muito embora as DIPJ originais tivessem sido apresentadas com os campos totalmente zerados, no curso da ação fiscal a interessada apresentou uma DIPJ retificadora onde reconheceu ter no ano calendário de 2009, auferido lucro. A informação também está consignada no histórico que se traçou da ação fiscal. 404. A DIPJ retificadora apresentada, recebeu o número de recibo 19.62.87.55.9549 e foi transmitida via internet em 07/06/2011 e está ativa nos sistemas da Receita Federal. 405. Na Ficha 06A –Demonstração do Resultado foram informadas as receitas, os custos, as despesas incorridas no período, bem como o Lucro auferido ao final de cada período trimestral. Na Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real, na alínea 74 – Lucro Real após a compensação dos prejuízos do próprio período de apuração foram informados os seguintes valores: R$ 35.806,18 (1º Trim.), R$ 34.177,42 (2º Trim.), R$ 48.227,50 (3º Trim.) e, R$ 47.815,64 (4º Trim.), os mesmos valores dos quais partiu a autoridade fiscal para efetuar o lançamento (vide fl. 3.042 e seguintes do auto de infração). Também foram considerados os valores declarados a título de prejuízo de períodos anteriores a serem compensados, conforme os demonstrativos de cálculo do imposto que consta do auto de infração. 406. Assim, como foram considerados todos os custos e despesas incorridas no período, não há que se falar em erro na tributação pelo Lucro Real uma vez que foram utilizadas as informações prestadas pela própria interessada. Como custos das atividades em geral e despesas operacionais, Fichas 04A e 05A, foram informados os seguintes valores: 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre R$ 14.313.928,72 R$ 10.724.424,97 R$ 12.164.359,91 R$ 10.113.210,66 R$ 564.368,85 R$ 591.669,80 R$ 776.931,73 R$ 710.405,31 R$ 14.878.297,57 R$ 11.316.094,77 R$12.941.291,64 R$10.823.615,97 407. Quanto aos valores glosados temse: 1º Trimestre R$ 6.754.564,44, 2º Trimestre R$ 8.630.699,13, 3º Trimestre R$ 5.921.147,90 e 4º Trimestre R$ 7.005.950,53, o que afasta a alegação de que toda a contabilidade da empresa teria sido desconsiderada. 408. Assim, demonstrase que a tributação pelo Lucro Real não merece reparos, posto que todos os custos e despesas foram corretamente considerados. [...] 7) Resumo: Fl. 6156DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201404 Acórdão n.º 1402002.458 S1C4T2 Fl. 6.150 15 Em resumo do exposto, conduzo meu voto no sentido de rejeitar a arguição de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso da pessoa jurídica autuada. Aplicamse ao lançamento da CSLL as disposições aqui explanadas referentes ao IRPJ. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS COOBRIGADOS Será analisada a defesa apresentada pelos coobrigados João André Escobar Cerqueira , Rafael Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz e André Attivo. No que se refere à imputação da responsabilidade importa preliminarmente definir o alcance dos dispositivos que regem a matéria. Sob esse prisma, esclareçase que a solidariedade prevista no art. 124, do CTN, não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Por outro lado, definida a responsabilidade com base no enquadramento em alguns dos dispositivos do art. 135, do CTN (normalmente o inciso III) é cabível a aplicação em conjunto com o art. 124, II do mesmo diploma legal, para definir que essa responsabilidade é solidária ainda que, reconheço, o tema não é pacífico na doutrina. Assim, rejeitase a preliminar de nulidade da imputação de responsabilidade solidária. Entretanto, conforme entendimento sobre o qual não há qualquer divergência na doutrina ou na jurisprudência, o inciso III, do Art. 135 é direcionado àquelas pessoas que 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 6157DF CARF MF 16 exercem de fato a administração da pessoa jurídica e nesse exercício pratiquem o ato infracional previsto do dispositivo em comento. Não basta ter sido beneficiado pela infração cometida. Tal circunstância pode, em tese, até gerar conseqüências na esfera penal mas, sem a prova do poder de gerência e da prática do ato, não pode haver o enquadramento no inciso III, do art, 135, do CTN. No caso sob exame, a autoridade lançadora fez elogiável procedimento de auditoria para analisar a real destinação dos valores correspondentes às operações de compra que restaram não comprovadas. Relativamente aos coobrigados João André Escobar Cerqueira, Rafel Escobar Cerqueira e Paulo César Verly da Cruz, a ação fiscal demonstrou que os recursos foram em alguns casos direcionados a eles ou a outras pessoas jurídicas por eles administradas. Entretanto, nenhum deles exercia cargo com poder de decisão na pessoa jurídica autuada nem tampouco foi indicada contra eles a prática da conduta infracional enquadrável no mencionado dispositivo. Daí porque entendo que não há como manter a responsabilidade que lhes foi imputada, motivo pelo qual voto por dar provimento ao recurso dos coobrigados João André Escobar Cerqueira , Rafel Escobar Cerqueira e Paulo César Verly da Cruz) e excluílos da relação jurídico tributária. Fica prejudicada a análise das demais razões de defesa concernente à imputação da responsabilidade a esses coobrigados. No que se refere ao coobrigado André Attivo, por ser sócio administrador da pessoa jurídica autuada, em tese pode ser enquadrado no inciso III, do art. 135, do CTN. Quanto à análise da conduta, pareceme clara a prática de atos infracionais subsumidos no dispositivo em referência, a partir do momento em que o fato tributável foi decorrente do desvio de recursos da pessoa jurídica para operações fora do objeto social da empresa e beneficiando terceiros estranhos a ela, em violação ao contrato social. Sendo assim, voto por manter a responsabilidade tributária do coobrigado André Attivo. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 6158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720508/2011-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-002.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 08 /2 01 1- 46 Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 440 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório LUIZACRED S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 276 e ss., contra o acórdão nº 1302001.065, de 10 de abril de 2013 (efls. 235 e ss.), que, no mérito e por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 415 e ss. Nas matérias objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. Fere a razoabilidade concluir que os limites de que trata o §1º do art. 9 da .Lei 9.249/95 são referentes ao ano em que há o pagamento ou o crédito, já a variação da TJLP de que trata o caput pode ser de qualquer período, inclusive de anos anteriores, pois levaria a absurda conclusão de que o auferimento de lucros em ano posterior poderia modificar a situação de ano pretérito impeditiva de pagamento de JCP. O § 1º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 expressamente dispõe que o limite de 50% é estabelecido sobre o lucro do período antes da dedução dos JCP, o que obviamente só pode ser o lucro do período em que se está pagando os JCP, pois seria de todo dessarazoado querer deduzir os JCP de outro período que não aquele em que ele é uma despesa financeira. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 441 3 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A remissão feita, pelo caput do art. 30 da Lei n˚ 10.522/02, aos débitos referidos no art. 29 do mesmo diploma legal, alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento da CSLL tudo quanto fora decidido sobre o lançamento do IRPJ, tendo em vista que derivam das mesmas circunstâncias fáticas e do mesmo conjunto probatório. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Tema dos Juros sobre Capital Próprio: Acórdão nº 1401000.901: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. Acórdão nº 1402001.178: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. LIMITE TEMPORAL. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 442 4 critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP,desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou sua distribuição. Tema dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício: Acórdão nº 3403001.541: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 (...) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: Tema dos Juros sobre Capital Próprio: a) que o procedimento adotado pela Recorrente é legalmente amparado pelo art. 9º da Lei nº 9.249/1995; b) que o Superior Tribunal de Justiça proferiu em 2009 decisão favorável ao sujeito passivo na matéria objeto desses autos de infração (Recurso Especial nº 1.086.752PR), a qual confirmou julgado do TRF da 4ª Região (transcreve ementas); c) que o art. 9º da Lei nº 9.249/1995 e os dispositivos correspondentes do RIR/1999 previram apenas as consequências fiscais do pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, não cuidando de permissões ou vedações desse pagamento, nem da época em que deverão ou poderão ser deliberados, creditados e/ou pagos, o que fica a critério da empresa decidir. A Recorrente tem absoluta liberdade para deliberar, no futuro, efetuar pagamento de valores relativos a juros sobre o capital que poderia ter deliberado efetuar em exercícios passados; d) que a Lei nº 9.249/1995 veio apenas disciplinar o tratamento tributário do pagamento desses juros, quando pagos nos limites e nas condições nela previstos, atribuindo lhe o mesmo tratamento dos juros devidos a terceiros. Atendidos tais limites e condições, nada mais pode ser exigido para justificar a validade da dedução dos juros pagos, muito menos que efetuasse o pagamento ou crédito dos referidos juros no mesmo anocalendário em que foram calculados. Refere que a conclusão de Ricardo Mariz de Oliveira em parecer elaborado especialmente para o caso concreto vai nesse sentido; e) que o procedimento adotado pela Recorrente está de pleno acordo com o regime de competência, ao contrário do decidido pela DRJ e Turma do CARF; f) que a despesa só se torna incorrida no momento em que é formada a relação jurídica em razão da qual a pessoa jurídica se torna devedora, sendo que no caso dos JCP a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio pode exigir o pagamento do valor respectivo Fl. 442DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 443 5 apenas após a deliberação da sociedade. Assim, o período de competência no qual o montante dos juros deve ser registrado como despesa financeira é aquele em que há a deliberação determinando seu pagamento; g) que o pagamento de JCP tem tratamento fiscal de despesa financeira para quem paga e receita financeira para quem recebe, conforme regulamentação do art. 9º da Lei nº 9.249/1995; h) que antes da deliberação para o pagamento dos JCP não há que se falar em direito subjetivo dos sócios ao seu recebimento nem em despesa incorrida; i) que, assim, embora os juros pagos e deduzidos em 2006 tenham sido calculados também com base nas contas do patrimônio líquido de anoscalendário anteriores (de 2001 a 2005), tratase de despesas relativas ao AC 2006. Somente nesse AC a despesa a eles relativa tornouse incorrida, ou seja, o pagamento desses valores se tornou obrigação da empresa; j) que a previsão da IN 11/1996 no sentido de que os JCP são dedutíveis segundo o regime de competência tem essa significação. Afirma que interpretar em sentido contrário levaria à conclusão de que a IN extrapolou dispositivo de lei; k) refuta conclusão vertida no acórdão da DRJ de que não havendo deliberação de pagamento de JCP nos AC 2001 a 2005 não houve opção da empresa pelo pagamento em questão. Refere novamente parecer de Ricardo Mariz de Oliveira; l) faz análise do acórdão recorrido, destacando que o voto vencedor reconhece que não há no art. 9º da Lei nº 9.249/1995 qualquer vedação expressa ao pagamento de JCP com base nas contas de patrimônio líquido de períodos passados, mas que se equivoca ao concluir que seria desarrazoado se deduzir os JCP de outro período que não aquele em que ele é uma despesa financeira. Alega que não pode a empresa ser punida de forma contrária à finalidade da lei com a indedutibilidade dos juros relativos a períodos anteriores a 2006 justamente por ter melhor cumprido os objetivos da regra do a art. 9º da Lei nº 9.249/1995; m) afirma que a jurisprudência administrativa vem reconhecendo o direito que sustenta, destacando diversos julgados. Tema dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício: a) que assim como a interpretação de determinados artigos do CTN que tratem de crédito tributário pode exigir que naquela norma específica a expressão signifique também os juros e multas, a interpretação de outros pode exigir exatamente o oposto. No caso do art. 161, o caput pretende simplesmente dizer que ao tributo não paga no vencimento são acrescidos os juros de mora, e que tais juros, por decorrerem única e exclusivamente da mora do sujeito passivo, não excluem a imposição das "penalidades cabíveis", que têm como causa a infração tributária. Não faz sentido atribuir ao "crédito" nele tratado amplitude para abranger, além do tributo, a penalidade pecuniária; b) que a consequência de se ler o dispositivo em questão como abrangendo o tributo e a penalidade pecuniária não integralmente pagos no vencimento seria absurda, pois tal redação permitiria não apenas que sobre a penalidade pecuniária não paga incidissem juros, mas também que sobre essa "penalidade pecuniária" não paga no vencimento (trinta dias Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 444 6 contados do lançamento no caso dos tributos federais) fosse imposta nova "penalidade cabível", e , assim por diante, em uma sequência infinita de multas sobre multas impostas a cada trinta dias; c) que também no § 2º do art. 161 o "crédito" significa apenas o tributo, o que corrobora a conclusão anterior; d) que são inaplicáveis ao caso presente os arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522 já que só dizem respeito aos fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, tendo a própria administração tributária afirmado sua inaplicabilidade para fatos geradores posteriores (Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/1998); e) que não se pode buscar nos arts. 43 e 61 da Lei nº 9.430/1996 a imposição de juros moratórios sobre multa de ofício. Isso porque a única multa que não se encontra sujeita à regra do art. 43, reservada para autos de infração sem a exigência de tributos, é justamente a multa de lançamento de ofício, inteiramente regulada pelo art. 44 da mesma lei Lei nº 9.430/1996. E, mais importante, o art. 44, que trata da multa de lançamento de ofício de forma muito mais exaustiva do que a multa imposta sem a exigência de tributo, termina "sem dizer uma única palavra sobre a (suposta) incidência de juros moratórios sobre a multa de lançamento de ofício"; f) que, de outra banda, o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 regula os acréscimos moratórios, e não a multa de ofício, como já decidiu o STJ. Destaca que o art. 61 não faz parte do capítulo sobre os "procedimentos de fiscalização" (como é o caso dos arts. 43 e 44) e que esse artigo teve como única finalidade reduzir os percentuais de multa de mora, como bem demonstra a exposição de motivos da lei em questão. E que é o sujeito passivo que, ao pagar sem qualquer ordem prévia da Administração Tributária o tributo em atraso, aplicará o art. 61; g) que caso se substitua, como pretende a interpretação da Fazenda Nacional, a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" constante no caput do art. 61, bem como a expressão "débitos a que se refere este artigo" constante do § 3º pela expressão "débitos de tributos e contribuições, multas de ofício e juros de mora", haverá incidência de multa de mora também sobre a multa de ofício e sobre os juros de mora, bem como a incidência de juros de mora sobre multa de mora e sobre os próprios juros de mora. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja admitido e provido, de modo a reconhecer a flagrante improcedência do lançamento. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 422 e ss.), aduzindo, em essência, o que segue: Tema dos Juros sobre Capital Próprio: a) que o princípio da competência é um dos princípios fundamentais da contabilidade, encontrandose definido no art. 9º da Resolução nº 750, de 29/12/93, do Conselho Federal de Contabilidade, e que sua observância na escrituração comercial encontra se prevista no art. 177 da Lei nº 6.404/76. E que os artss 247, §1º, e 248 do RIR/1999 determinam que o lucro líquido do período deve ser apurado de acordo com os preceitos da lei comercial. Daí se conclui que a observância do regime de competência é obrigatória para as Fl. 444DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 445 7 pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, excetuadas as hipóteses expressamente previstas em lei; b) logo, em atenção ao regime de competência, as despesas relativas a JCP somente podem ser deduzidas no próprio período de apuração, observados os limites e condições previstos no art. 9º da Lei nº 9.249/1995; c) que no presente caso não houve deliberação social no sentido de pagamento de JCP aos acionistas nos anoscalendário de 2001 a 2005, tampouco foram contabilizados JCP nesses períodos, de onde se conclui que não houve opção da empresa pelo pagamento de JCP nos períodos em questão; d) cita doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho e Hiromi Higushi, bem como julgado do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que concluem nesse sentido; Tema dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício: a) que o 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, ao passo que o art. 113 determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente; b) que, assim, entendese que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga; c) que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador e que a multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer; d) que, em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional; e) que o art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições e que dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendese, pelas razões antes indicadas, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si; f) registra que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 446 8 de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal; g) que a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão; h) que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Juros sobre Capital Próprio Períodos Anteriores A discussão cingese à possibilidade de a pessoa jurídica deduzir, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado anocalendário, tão somente os juros sobre o capital próprio (JCP) calculados sobre os valores das contas do patrimônio líquido no exercício social correspondente ao anocalendário em questão (entendimento da Fiscalização) ou também em relação a exercícios sociais anteriores (entendimento da Contribuinte). Como se extrai do TVF (efls. 111 e ss.), no demonstrativo de cálculo do JCP apresentado pela empresa, o valor deduzido de R$ 12.817.925,03 não respeita o limite de dedutibilidade dos JCP determinado pela variação, pro rata dia, da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido no exercício social de 2006, que corresponde a R$ 3.171.647,16. Isso porque a empresa, em seu cálculo, considerou possível o pagamento de JCP referentes a exercícios sociais anteriores, tomando como limite de cada ano o produto da aplicação da TJLP prórata dia sobre o Patrimônio Líquido correspondente. Tal procedimento resultou em um excesso de dedução, glosado, de R$ 9.646.277,87. Como resta evidente pelos próprios precedentes trazidos pela Fazenda e pela Contribuinte, a matéria não se encontra pacificada no âmbito do CARF. As decisões mais recentes desta 1ª Turma da CSRF, no entanto, vão no sentido da indedutibilidade dos JCP em relação a períodos pretéritos. Com efeito, na sessão de 20 de janeiro de 2016, foram prolatados três acórdãos (de nºs 9101002.180, 9101002.181 e 9101002.182), todos de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo nessa linha. Em todas essas votações, acompanhei o Relator, por entender que: a) os Juros sobre o Capital Próprio representam uma remuneração dos sócios pelo capital investido; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 447 9 b) por serem juros pagos pelas pessoas jurídicas a seus sócios, têm a natureza contábil de despesas (contrapartida das receitas advindas do uso desse capital); c) por serem uma despesa, transitam pelo resultado; e d) por transitarem pelo resultado, não podem ser pagos após o encerramento do período. Já na sessão de 1º de março de 2016 foi processo de minha relatoria que foi a julgamento, tendo esta Turma decidido que não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores (acórdão nº 9101002.248). Nesse contexto, trago para o presente caso os argumentos expendidos na decisão em questão, dirimidas eventuais diferenças. Em primeiro lugar, registro que tenho presente o fato de que a Lei nº 9.249/1995 visou estimular o investimento de capital nas empresas e desestimular o financiamento das atividades operacionais, mediante empréstimos, que caracterizavam uma subcapitalização. Ocorre, no entanto, que todo esse escopo pode e deve ser compreendido nos limites do anocalendário objeto de apuração, e não estendido a outros períodos. Constato, também, que a lei não mencionou o momento em que tais juros devem ser pagos. Contudo, vislumbro isso desnecessário, porque se a norma estabelece limites para fins de dedução do lucro real, é porque estamos falando de uma despesa contábil, que tem limites de dedutibilidade para fins de lucro real. Por oportuno, transcrevo trecho do acórdão nº 1102000.934, de 8 de outubro de 2013, da lavra do exConselheiro José Evande Carvalho Araújo: Contudo, pareceme evidente que, quando a lei permite que se deduza, para efeitos da apuração do lucro real, os JCP calculados pela aplicação pro rata dia da taxa TJLP sobre os valores das contas do patrimônio líquido, estáse limitando o cálculo para o mesmo período da apuração do lucro real. Apesar de a doutrina afirmar que a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio é a de distribuição sui generis de lucro, não há dúvidas de que a lei fiscal lhes dá o tratamento de despesa financeira. E como despesa financeira, só podem ser apropriados no período a que competirem. Não é razoável se entender que a lei permitiu implicitamente a dedução de uma despesa calculada com base no patrimônio de períodos anteriores. Isso seria o mesmo que admitir, por exemplo, a dedução de juros sobre um empréstimo relativos ao anocalendário anterior. (Grifei) Concordo também com a Contribuinte de que antes da deliberação para o pagamento dos JCP não há que se falar em direito subjetivo dos sócios ao seu recebimento, Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 448 10 nem em despesa incorrida. De fato, a despesa só surge quando deliberado o pagamento ou creditamento dos juros. Neste sentido, trago à colação a lição de Hiromi Higuchi (HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática. 38ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2013. p. 127.): Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no períodobase correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (Grifei) E também os ensinamentos de Edmar Oliveira Andrade Filho (ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. p. 458): Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. (Grifei) E é aqui que reside a questão: o momento que em o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício. Como após a apuração do lucro, não há que se falar mais em pagamento das despesas de juros sobre o capital próprio, relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2005, não se poderia mais pagar juros sobre capital próprio; daí porque o “período correspondente” , como dito, necessariamente precisa ser o de apuração do lucro. Não foi, no entanto, o que ocorreu no presente processo em relação aos anos calendário 2001 a 2005, para os quais não se constituiu a obrigação de pagar os JCPs correspondentes, não havendo que se falar em incorrimento dessas despesas. Por essa razão, é que descabe, também falar em inobservância de regime de escrituração, como bem observou o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no acórdão nº 1301001.118, de 5 de dezembro de 2012: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 449 11 Ademais, revelase absolutamente impróprio falarse em inobservância de regime de competência no registro de despesa na situação em que ela própria (a despesa) não existe, pois, se apurada e não refletida contabilmente, descabe falar em despesa incorrida. Cabe destacar, assim, que na situação sob análise, em que se fala em “apuração” mas não se prova a contabilização, o regime de competência se revela no momento do pagamento ou crédito ao beneficiário, isto é, no momento em que a despesa é efetivamente incorrida. Resta fora de dúvida, portanto, que, no presente caso, a solução da controvérsia está diretamente associada à aferição do cumprimento das condições estabelecidas pela legislação tributária para fins de dedutibilidade da despesa. Afirma ainda a Recorrente que a lei autoriza o cálculo de JCP sobre os lucros acumulados de anos anteriores; contudo, entendo que a menção aos lucros acumulados trazida pela Lei nº 9.249, de 1995, diz respeito tão somente a um dos limites para fins de dedutibilidade do lucro real, senão vejamos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Grifei) Neste sentido também entendeu a Conselheira Edeli Pereira Bessa, por meio do Acórdão nº 1101000.904, de 12 de junho de 2013: Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no ano calendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 450 12 Além disso, mesmo que se acolha a afirmação da Recorrente de que tem absoluta liberdade para, no futuro, decidir pelo pagamento de valores relativos a juros sobre o capital que poderia ter deliberado efetuar em exercícios passados, verificase que tal possibilidade não tem o condão de subverter o regime de competência e tornar dedutível despesa não incorrida a seu tempo. É dizer, não tendo a despesa com JCP incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzila na apuração do lucro real de exercício posterior. Dessa forma, a decisão da Assembleia Geral referente ao exercício de 2006 de creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores (2001 a 2005) não tem validade para fins fiscais, pois se refere a despesas que não foram incorridas naqueles exercícios. Não se alegue, de outra banda, que a Deliberação CVM nº 207, de 1996, ao orientar o registro dos JCP diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem afetar o resultado do exercício, convalidaria tal prática. É que, como bem concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo nos antes citado acórdãos desta 1ª Turma da CSRF, o inciso I da Deliberação em questão não tem o condão de modificar a natureza jurídica dos JCP e, na existência de disposições tributárias, é forçoso atender a conduta dos incisos VIII e IX, em detrimento da conduta do inciso I. Confirase 41.1.Da ementa da referida Deliberação percebese que esta surgiu no contexto da regulamentação do artigo fiscal, como esta mesma anuncia: "Dispõe sobre a contabilização dos juros sobre o capital próprio previstos na Lei nº 9.249/95". Assim, tudo indica que surgiu para adaptar as conseqüências dos JCP, em razão da efetivação desse instituto jurídico que se tornou interessante com o tratamento tributário. 41.2.O inciso I da Deliberação não tem o condão de modificar a natureza jurídica dos JCP, tanto é que o próprio inciso é bem claro ao prescrever: devem ser contabilizados, tratase de norma contábil, de determinação para modo de proceder aos registros contábeis, nada mais. Esse inciso não teve a presunção de dizer que não é despesa algo que é, antes pelo contrário, o só fato desta norma existir é sinal evidente de que, em sua ausência, a contabilização ocorreria através de conta de resultado. 41.3.Ao dizer "sem afetar o resultado do exercício", está enunciando que a contabilização deve ocorrer que modo diverso ao que originalmente ocorreria, ou seja, como sem a norma a despesa de JCP afetaria o resultado do exercício, então, com a norma essa despesa de JCP não afetará o resultado do exercício. 41.4.Não se trata de uma norma declaratória de conteúdo, antes pois é uma norma que institui uma conduta, qual seja, a conduta de fazer dessa forma (contabilizar diretamente à conta de Lucros Acumulados sem transitar pelo resultado) e não daquela forma (contabilizar como despesa financeira transitando pelo resultado), ou ainda, ao instituir a conduta que pretende impor acaba por revelar qual a conduta se deseja evitar. E ao se refletir sobre a conduta evitável, tornase evidente que, na ótica do próprio legislador (o colegiado da CVM), os JCP são despesas. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 451 13 41.5.Ademais, não é uma norma absoluta, foi excetuada na própria Deliberação CVM, senão vejamos os incisos: VII, VIII e IX: VII O disposto nesta Deliberação aplicase, exclusivamente, às demonstrações financeiras elaboradas na forma dos artigos 176 e 177 da Lei nº 6.404/76, não implicando alteração ou interpretação das disposições de natureza tributária. VIII Caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ou recebidos/auferidos como despesa ou receita financeira, deverá proceder à reversão desses valores, nos registros mercantis, de forma a que o lucro líquido ou o prejuízo do exercício seja apurado nos termos desta Deliberação. IX A reversão, de que trata o item anterior, poderá ser evidenciada na última linha da demonstração do resultado antes do saldo da conta do lucro líquido ou prejuízo do exercício. 41.6.Não é preciso ir muito longe para encontrar o que prevê o inciso VIII: "caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ... como despesa ... financeira, ...". Onde estão as disposições tributárias que conduzem a conduta do inciso VIII? Na própria IN SRF nº 11/1996! Transcrevo mais alguns de seus dispositivos: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. ... § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. ... Art. 30. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 452 14 Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que trata o § 1º do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. 41.7.Assim, na existência de disposições tributárias, é forçoso atender a conduta dos incisos VIII e IX, em detrimento da conduta do inciso I, que acabou por não ter aplicação prática, por estar em vigor concomitantemente com a IN SRF nº 11/1996. 41.8.Uma interpretação sistemática da Deliberação CVM nº 207/1996, deixa claro que o objetivo do seu inciso I não foi, mais uma vez, dizer que os JCP não são despesa, mas sim tornar a informação dessas despesas bastante evidente (o inciso IX se utilizou do termo "evidenciada") na demonstração para os sócios, de forma que esses tivessem uma visão facilitada dos valores de JCP (a posição junto a conta de Lucros Acumulados é bastante estratégica), ao invés de terem que consultar as despesas da sociedade e, no meio de todas as outras despesas, localizarem esses valores. Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ trazido pela Recorrente [REsp nº 1.086.752PR (2008/01933882), 1ª Turma, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJ 11/03/2009], observo que não se trata de decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 CPC). Não se aplica, portanto, o comando de vinculação de decisões veiculado no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015. Para além disso, importa observar que não foi suscitado, perante o Superior Tribunal de Justiça, a eventual incompatibilidade entre a interpretação ali firmada com o art. 192 da Lei nº 6.404/76. De fato, a análise dos requisitos de dedutibilidade não pode ficar restrita à possibilidade de pagamento posterior dos juros do capital próprio, sob pena de se concluir, equivocadamente, que a legislação estipulou o regime de caixa para seu reconhecimento. Antes, é preciso compreender os JCP como destinação do lucro formado a partir da aplicação daquele capital, e uma destinação opcional, em substituição à distribuição de lucros, consoante expressa o art. 9º, §7º da Lei nº 9.249/95, ao permitir que o valor dos JCP seja "imputado ao valor dos dividendos" obrigatórios, "de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo" da retenção na fonte prevista no §2º daquele dispositivo. Sob esta ótica, se a sociedade, ao deliberar sobre a destinação do lucro, não provisionar os juros sobre o capital próprio a serem posteriormente creditados ou pagos, permitir que ela o faça em exercícios futuros significa anular, ao menos parcialmente, a deliberação anterior. Pelo todo exposto, temse que as despesas com JCP somente podem incorrer, no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não tendo incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzilas na apuração do lucro real de exercício posterior. É dizer, não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 453 15 Correta, portanto, a glosa levada a cabo pela Fiscalização do montante deduzido como despesa com juros sobre capital próprio pela Recorrente que excedeu o limite de dedutibilidade determinado pela variação, pro rata dia, da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido no exercício social de 2006, devendo ser mantido o lançamento. Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício No tema dos juros de mora sobre a multa de ofício, em recente julgado proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349, de 14/06/2016), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, contrariamente àquilo que alega a Contribuinte, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 454 16 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1997. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401 001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Com base no art. 161, caput, do CTN, a Contribuinte insiste na tese de que os juros devem incidir apenas sobre valor do tributo, e não sobre valor de multa de ofício. Entretanto, o referido artigo estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o art. 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o art. 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da Fl. 454DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 455 17 penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 456 18 Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Argumentam alguns, de outra banda, que o art. 161, caput, do CTN, ao ressalvar a possibilidade de "imposição de penalidades cabíveis" evidenciaria que a referência a "crédito não integralmente pago no vencimento" diz respeito, apenas, ao tributo não recolhido. Cumpre, no entanto, esclarecer que tal ressalva revela, na verdade, que o artigo em tela prestase a permitir a aplicação de multas de caráter moratório em decorrência da impontualidade no pagamento do tributo. Logo, à luz do caput do art. 161 do CTN, não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: Fl. 456DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 457 19 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento."(grifo nosso) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Argumentase, ainda, que a previsão específica de incidência de juros de mora sobre multas isoladas contida no art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, seria desnecessária caso o art. 61, § 3º, da mesma lei incluísse as multas, uma vez que elas (multas isoladas) já representariam os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" referidos pelo § 3º do art. 61 em tela. Cumpre observar, no entanto, que o art. 43 em questão trata da hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", cuja designação, por si só, já evidencia dúvida acerca de sua integração ao conceito de "débitos decorrentes de tributos e contribuições" e a consequente necessidade de disposição legal específica para determinar a aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas em tais circunstâncias, distintamente do que ocorre com as multas de ofício proporcionais, sempre exigidas em conjunto com os tributos ou contribuições não declarados e Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16327.720508/201146 Acórdão n.º 9101002.690 CSRFT1 Fl. 458 20 não recolhidos, em claro vínculo de decorrência. Aliás, como bem observa o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no voto condutor do Acórdão nº 9303004.407: Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. De outra banda, é irrelevante o fato destacado pela Recorrente de o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não fazer parte do capítulo dessa lei que versa os "procedimentos de fiscalização". Se esse dispositivo se encontra no capítulo que versa sobre "acréscimos moratórios", trata dos “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, o que abarca, como se viu, a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva. Por fim, conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Também aqui, portanto, não deve ser acolhido o recurso da Contribuinte. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 458DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.720377/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.341
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 03 77 /2 01 0- 34 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/04/2005 a 30/06/2005. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14052.995, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10882.720377/201034 Acórdão n.º 3401003.341 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000861/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. Apresenta-se integralmente afeiçoado ao ordenamento jurídico tributário o procedimento fiscal que realiza o cruzamento entre os valores declarados e os tributos registrados como devidos na escrituração contábil e fiscal do contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 NULIDADES. Afastadas as alegações genéricas e destituídas de fundamento de supostas nulidades constantes do auto de infração, mantém-se hígido o lançamento de ofício regularmente notificado ao sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Consoante dispõe a Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1803-000.826
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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Apresentase integralmente afeiçoado ao ordenamento jurídico tributário o procedimento fiscal que realiza o cruzamento entre os valores declarados e os tributos registrados como devidos na escrituração contábil e fiscal do contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADES. Afastadas as alegações genéricas e destituídas de fundamento de supostas nulidades constantes do auto de infração, mantémse hígido o lançamento de ofício regularmente notificado ao sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Consoante dispõe a Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10932.000861/200713 Acórdão n.º 180300.826 S1TE03 Fl. 104 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Relatório SIDERINOX COMERCIO E INDUSTRIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, relativo à contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL) referente a dezembro de 2004. O crédito tributário lançado totalizou R$ 187.189,86, conforme demonstrativo de fl. 5, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 23/27, para exigir CSLL, nos seguintes termos: Contribuição: R$ 86.774,46 Juros de mora: R$ 35.334,56 Multa proporcional: R$ 65.080,84 Enquadramento legal: Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 77, III; Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), art.149; Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° e §§; Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 1°; Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 28; e Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37. Notificada do lançamento em 14/12/2007, conforme auto de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 11/01/2008, com a impugnação de fls.33/47, alegando, em suma: Fl. 210DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10932.000861/200713 Acórdão n.º 180300.826 S1TE03 Fl. 105 3 • a empresa, nos últimos anos, vem passando por diversas transições em relação à política de trabalho, bem como em relação ao próprio quadro de funcionários, o que é um processo moroso e sofrível, que gera constantes demissões e contratações e outros ajustes necessários; • vem sofrendo com a ausência de mãodeobra qualificada, notadamente na parte fiscalcontábil, sendo que nos últimos 4 anos teve uma grande rotatividade nos profissionais dessa área, e muitos documentos fiscais não estão mais em sua posse, quiçá por patente máfé dos citados profissionais; • por tal motivo não foi possível atender integralmente as requisições de documentos pela fiscalização, não obstante grande parte ter sido atendida; • foi autuada por meio do arbitramento, de forma irregular, em detrimento da empresa, pois, pelo fato da impossibilidade de apresentar alguns documentos, acabou sendo autuada como se • realmente nenhum pagamento tivesse sido realizado; • a Administração se aproveitou de sua situação, ignorando qualquer senso de proporcionalidade, notadamente no que tange aos valores alcançados, violando os princípios consubstanciados na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 2°; • a autoridade exacerbou na designação da multa a ser cobrada, uma vez que arbitrou em percentual totalmente elevado, afrontando o determinado na legislação fiscal, pois imputar multa excessivamente onerosa é desprestigiar a boafé do contribuinte, conforme jurisprudência pacífica de nossos tribunais superiores; • ademais a própria Constituição Federal (CF), no art. 150, IV, veda a utilização de tributos com efeito de confisco, tanto é assim que a Lei n° 9.298, de 1° de agosto de 1996, acrescentou um parágrafo ao artigo 52, limitando as multas de mora a dois por cento do valor da • prestação; • devese ressaltar, ainda, que a Administração Pública deve obediência ao princípio da moralidade, contido na CF, art. 37, caput; • por analogia e em respeito ao princípio da isonomia, supondo se que a incidência da multa fosse permitida, o percentual máximo para sua aplicação seria de 2% (dois por cento); • além da multa moratória, estão sendo aplicados juros da mesma natureza, o que é absurdo, uma vez que apenas um tipo desse acréscimo deveria compor o débito; • além disso, não é possível verificar se está ocorrendo o chamado anatocismo, isto é, a capitalização dos juros de uma importância emprestada, o que é . gal, conforme Súmula 121 do Supremo Tribunal Federal (STF); Fl. 211DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10932.000861/200713 Acórdão n.º 180300.826 S1TE03 Fl. 106 4 • a taxa Selic é uma correção monetária que favorece tão son1nte a embargada, ferindo o princípio da isonomia, e, se for entendida como taxa de juros, desrespeita a limitação prevista na CF, além de violar os princípios da estrita legalidade, da anterioridade e da capacidade contributiva; • a taxa Selic não deve ser utilizada em créditos tributários como juros de mora, dado seu caráter remuneratório e considerando a vedação imposta pelo Código Tributário Nacional (CTN), art. 161, de juros superiores a 12% ao ano; • não existe lei instituindo a taxa Selic para cálculo de juros de créditos tributários, havendo indubitável ofensa ao princípio da legalidade e da indelegabilidade dos poderes; • a aplicação de juros devese limitar ao percentual de 1% (um por cento) ao mês, previsto na CF, art. 192, § 3°, e no CTN, art. 161. Requereu a procedência da impugnação, cancelando o auto de infração e/ou a multa imposta e os juros de mora. A DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP, através do acórdão 1421.028, de 17 de outubro de 2008 (fls. 68/74), julgou procedente o lançamento , ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ANOCALENDÁRIO: 2004 LIVROS E DOCUMENTOS. CONSERVAÇÃO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ANOCALENDÁRIO: 2004 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10932.000861/200713 Acórdão n.º 180300.826 S1TE03 Fl. 107 5 JUROS DE MORA. LIMITE CONSTITUCIONAL. A prescrição constitucional que limita os juros de mora é norma de eficácia contida e dependente de legislação complementar. Ciente da decisão em 27/11/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 81), apresentou o recurso voluntário em 16/12/2008 fls. 80/95, onde reitera os argumentos da inicial e acrescenta tecendo considerações sobre a nulidade do auto de infração pela não descrição correta dos fatos (acusação genérica) e falta de indicação da capitulação legal. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrado em decorrência das denominadas verificações obrigatórias que consistem no batimento entre os valores declarados e os tributos efetivamente reconhecidos como devidos na escrituração do contribuinte. No recurso voluntário a recorrente alega em síntese: a) A nulidade do auto de infração em virtude da acusação genérica e parca descrição dos fatos bem como falta de capitulação legal da infração cometida; b) Que não pode ser penalizada tendo em vista a situação de sua escrituração contábil fruto de diversas trocas de profissionais responsáveis; c) Do caráter confiscatório da multa de ofício, devendo ser reduzida ao patamar de 2%; d) Da inaplicabilidade da taxa SELIC a título de juros de mora. Não assiste razão à interessada, não merecendo reparo a bem lançada decisão de primeira instância. Com efeito, conforme se depreende dos termos de verificação decorrentes da atividade fiscal (fls. 08/10 e 20), constatase que o lançamento de ofício, relativo ao ano calendário 2004 (apuração anual) decorreu exclusivamente da CSLL, regularmente lançada na escrituração contábil, mas não declarada em DCTF. Após a regular intimação da fiscalização apresentou a contribuinte DCTFs retificadoras, incluindo o tributo não declarado no montante de R$ 86.774,46, tendo como fato gerador 31/12/2004, fato que não tem o condão de alterar a situação de fato constatada no início do procedimento fiscal. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10932.000861/200713 Acórdão n.º 180300.826 S1TE03 Fl. 108 6 Embora a recorrente tenha demonstrado pleno conhecimento sobre a acusação que lhe foi imputada, pois descreveua precisamente na descrição dos fatos da impugnação/recurso, e tendo em vista ter sofrido outros lançamentos de ofício decorrentes da mesma ação fiscal, realizou uma defesa genérica e sem qualquer sustentação acerca do lançamento. Tendo o lançamento de ofício sido originado da própria CSLL devida e reconhecida na escrituração contábil da empresa, não tem qualquer sustentação jurídica os argumentos alinhavados tanto na impugnação como no recurso voluntário. A descrição dos fatos e o respectivo enquadramento legal constam dos termos de verificação e auto de infração revelandose eminentemente procrastinatórias as alegações de nulidade sendo que a suposta troca de profissionais da área contábil, não tem o condão de elidir o lançamento e a aplicação dos consectários legais (multa de ofício e juros de mora). Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício a sua apreciação esbarra em óbice, pois implica pronunciarse acerca da constitucionalidade da lei tributária, conforme clara dicção da Súmula CARF nº 02: (verbis) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Do mesmo modo, com relação as alegações de inaplicabilidade da taxa SELIC à título de juros de mora, sua imposição é confirmada pela Súmula CARF nº 04: (verbis) Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, não tendo a recorrente produzido qualquer elemento que possa macular o lançamento regularmente notificado, há de se manter integralmente a exação constante do presente processo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 214DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10932.000861/200713 Acórdão n.º 180300.826 S1TE03 Fl. 109 7 Fl. 215DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 09/03/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007334/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devendo-se excluir da tributação os rendimentos declarados pelo
contribuinte por se tratarem de origem dos referidos depósitos bancários.
TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais
Numero da decisão: 2202-002.303
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a
preliminar de sobrestamento arguida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que ficou vencido, e, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo Contribuinte e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devendo-se excluir da tributação os rendimentos declarados pelo contribuinte por se tratarem de origem dos referidos depósitos bancários. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devendose excluir da tributação os rendimentos declarados pelo contribuinte por se tratarem de origem dos referidos depósitos bancários. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento arguida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), que ficou vencido, e, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo Contribuinte e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 73 34 /2 00 8- 06 2 (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior . Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Pandolfo. Processo nº 19515.007334/200806 Acórdão n.º 2202002.303 S2C2T2 Fl. 196 3 Relatório Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, fls. 68/72, relativo ao anocalendário 2006, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 394.676,48, A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 70, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada . O contribuinte foi intimado, mediante Termo de Início de Fiscalização, fls. 03, a apresentar extratos bancários mensais de todas as suas contas bancárias e de seus dependentes, no Brasil ou no Exterior, movimentadas, no anocalendário de 2006, especialmente da conta mantida no Banco Safra S/A. De posse dos extratos apresentados (Banco Safra), fls. 20/52, a fiscalização elaborou demonstrativos dos depósitos, fls. 56/58, e intimou o contribuinte a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem, o motivo de recebimento, a legalidade e a forma de tributação a que foram submetidos os recursos financeiros neles relacionados. Decorrido o prazo da intimação, o contribuinte não houve resposta do contribuinte, razão pela qual a fiscalização caracterizouos como omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42 e §§ 1% 2% 3°, 4° e 6° da Lei 9.430/96, com a redação alterada pelo artigo 4° da Lei 9.481/97 e art. 58 da Lei 10.637/02. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 04.12.2008, através do instrumento de fls. 75/117. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SPOII, ao analisar a impugnação, negou provimento através do acórdão 1730.945 de 07 de abril de 2009, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove ou apenas comprove em parte, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. 4 DEPÔSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações de cunho genérico. JURISPRUDÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, aplicandose somente à questão em análise e vinculando as partes envolvidas no litígio. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não compete à autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Processo nº 19515.007334/200806 Acórdão n.º 2202002.303 S2C2T2 Fl. 197 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Além do mais o Recorrente 6 entregou os extratos bancários espontaneamente, o que afasta a questão da violação do sigilo bancário. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC No que diz respeito ao argumento da indevida aplicação da SELIC como juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 prevê a sua aplicação sobre os tributos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Desta forma, como a cobrança em auto de infração dos juros de mora (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade Processo nº 19515.007334/200806 Acórdão n.º 2202002.303 S2C2T2 Fl. 198 7 Além do mais tendo em vista a Súmula n° 04 do 1° Conselho de Contribuintes, a aplicação da SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil: Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Desta forma, não procede o argumento apresentado pelo contribuinte no que diz respeito a essa matéria. Assim, por tudo o que dos autos consta, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10715.006165/2009-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 61 65 /2 00 9- 39 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 9303003.923 CSRFT3 Fl. 171 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3801005.336, que deu provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo afastou a exigência da multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada sob o fundamente de que a expressão “imediatamente após”, constante da redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, traduz subjetividade, e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de prestar informações à autoridade aduaneira. Cientificada do acórdão acima indicado a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Foi suscitada divergência quanto ao entendimento de que a exigência da penalidade em foco somente teria aplicação após 15/02/2005, quando entrou em vigor a IN SRF nº 510/2005, que, pela primeira vez, estabeleceu um prazo certo para o cumprimento da obrigação em foco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.914, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.002502/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.914): "Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. 'A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 9303003.923 CSRFT3 Fl. 172 3 SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 9303003.923 CSRFT3 Fl. 173 4 sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade.' Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10715.006165/200939 Acórdão n.º 9303003.923 CSRFT3 Fl. 174 5 A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade." Aplicandose a decisão do processo paradigma acima transcrita ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000171/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
Numero da decisão: 2402-005.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 01 71 /2 00 9- 11 Fl. 37DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Acórdão n.º 2402005.734 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SPJ) DRJ/SP2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano calendário 2004. Tratandose de retorno de processo, oportuno reproduzir o relatório da Resolução nº 2801000.201, prolatada quando do conhecimento do litígio pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF: Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/SP2, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida, em 29/12/2008, notificação de lançamento de fl.04, relativa ao imposto sobre a renda da pessoa física ano calendário 2004, por meio da qual foi apurada omissão de rendimentos informados pela fonte pagadora, Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 15.717,55, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl.05. Cientificado do lançamento, em 16/01/2009 (fl.11), o contribuinte apresentou, em 03/02/2009, a impugnação de fl.01, alegando em síntese que recebeu o valor de R$12.004,58, e não, R$ 15.717,55. Que a diferença foi paga à Advogada Dra. Jussara Banzatto. Requer, ainda, o acerto do valor recebido do INSS. Junta para comprovação os documentos de fls.09/10. Passo adiante, a decisão de primeira instância entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE AÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente em função de ação judicial, poderá ser excluído, para efeito de tributação na declaração de ajuste anual, o valor das respectivas despesas judiciais necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Cientificado em 16/08/2011 (Fl. 27), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/09/2011 (Fl. 28), no qual alega que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Em 16/04/2013 aquela Turma do CARF resolveu, considerando que o Recurso Extraordinário 614.406/RS, o qual versa acerca da matéria, tivera sua repercussão geral reconhecida em 20/10/2010 e ainda se encontrava pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobrestar o julgamento nos termos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Fl. 39DF CARF MF 4 Com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A daquele Regimento Interno pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545/2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi redistribuído a este Conselheiro, que verificou ter sido formulado no recurso pedido para que "cancelem essa dívida na sua totalidade" (fl. 28). É o relatório. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Acórdão n.º 2402005.734 S2C4T2 Fl. 43 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. O exame do mérito da controvérsia requer a colação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Essa opção do legislador, no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente fossem tributados pelo regime de caixa, foi objeto de questionamento judicial por parte dos contribuintes por diversas razões, dentre as quais se destaca a possibilidade de a incidência de uma só vez, do imposto de renda sobre o somatório das prestações mensais devidas, causar violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que se tivessem os beneficiários recebidos na época própria, poderiam estar dentro dos limites de legais de isenção do tributo. Estando a discussão desde 2005 na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ), este, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, submeteu o tema ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), ensejando a prolação da seguinte decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por força do § 2º do art. 62 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), tornouse obrigatória a reprodução dessa decisão no julgamento dos recursos na esfera do CARF. Persistiu dissenso no âmbito das Turmas componentes da 2ª Seção do CARF, contudo, no tocante à aplicação dessa decisão em recurso repetitivo nos litígios envolvendo lançamentos realizados com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em linhas gerais e apertada Fl. 41DF CARF MF 6 síntese, podese dividir os entendimentos divergentes em duas vertentes principais, sendo que a primeira concedia parcial provimento aos recursos interpostos contra tais lançamentos, determinando que fossem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido originalmente pagos. Já a segunda corrente entendia que tal aplicação implicaria em alteração substancial do critério jurídico adotado no lançamento, o qual, consequentemente, deveria ser cancelado devido à não observância da norma fixada pelo STJ em recurso repetitivo, dando provimento integral ao recurso voluntário. Entrementes, e paralelamente, a controvérsia acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente assumiu contornos constitucionais, com o reconhecimento de sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 20/10/2010, no decorrer de julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, face à declaração da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sede de controle difuso. Expliquese que na Arguição de Inconstitucionalidade nº 2002.72.05.000434 0/SC, a Corte Especial daquele e. Tribunal declarou em 22/10/2009 a "inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição" do art. 12 da Lei nº 7.718/88, "no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mêscompetência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período". Interposto então o RE nº 614.406/RS pela União para afastar a aplicação dessa declaração de inconstitucionalidade em dado caso sob litígio (cujo processo de origem foi a ação ordinária de nº 2008.71.13.00016588/RS), formouse com base nesse leading case o Tema 368 "Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebido acumuladamente" de repercussão geral, o qual foi submetido ao rito regrado pelo art. 543B do CPC . O julgamento do recurso representativo da controvérsia restou findo em 23/10/2014, sendo que o Tribunal Pleno, por maioria, decidiu a matéria negando provimento ao recurso e exarando acórdão cuja ementa foi assim redigida: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) No Informativo STF de nº 764, referente ao período compreendido entre 20 e 24 de outubro de 20101, consta o seguinte resumo da conclusão da votação em apreço: 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br//arquivo/informativo/documento/informativo764.htm>. Acesso em 30/01/2015. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Acórdão n.º 2402005.734 S2C4T2 Fl. 44 7 IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles.RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Merecem transcrição, também, os seguintes excertos do voto condutor de lavra do Ministro Marco Aurélio e dos debates então verificados, cuja leitura permite melhor esclarecer o posicionamento do STF sobre o tema: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à Fl. 43DF CARF MF 8 junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Mantenho o acórdão. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) Nega provimento? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Porque, de outro modo, o contribuinte – como disse – será apenado, quer dizer, o devedor não satisfaz a parcela, compeleo a entrar em Juízo e, posteriormente, cobra o imposto pela alíquota maior. (grifei) O acórdão em comento transitou em julgado em 9/12/2014, sem interposição de recurso por qualquer das partes, ou atribuição de modulação aos efeitos dessa decisão. Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o § 2º do art. 62 do RICARF contém a seguinte regra: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido observada a tese jurídica vinculante fixada em sede de repercussão geral, segundo a qual "O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13819.000171/200911 Acórdão n.º 2402005.734 S2C4T2 Fl. 45 9 Então, não ocorreu apenas uma mera desconformidade superficial ou diminuta entre a base de cálculo apurada e a correta, passível de correção ou ajuste mediante o expurgo do excesso eventualmente constatado, a ser efetuado pela administração tributária. Diversamente, o consequente normativo da regra matriz de incidência tributária foi inequivocamente desatendido no seu aspecto quantitativo, visto que tanto a base de cálculo quanto as alíquotas aplicadas para o cômputo do imposto devido afastaramse em sua essência do entendimento sufragado pelo STF para situações do gênero, acarretando em elevado e significativo gravame tributário a afligir a capacidade contributiva do sujeito passivo. Deve ser registrado não ser o caso de se cogitar de nulidade, ao menos nos termos regrados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72, visto ter sido o lançamento realizado por autoridade competente, com o devido respeito ao direito de defesa. Contudo, não se vislumbra, de um modo geral, a possibilidade de seu aproveitamento ou recálculo, já que evidenciado flagrante grau de descompasso entre suas facetas constitutivas e a decisão do STF acerca do tema, e tendo em mente a ausência de competência do julgador administrativo em determinar a reconstituição do crédito tributário, quanto mais nessa amplitude. Importa observar alguns aspectos adicionais da situação, como fecho desta fundamentação. Primeiramente, vale anotar que sob o mecanismo de repercussão geral, a suprema corte não gera uma disposição, necessariamente, que se pronuncie acerca da constitucionalidade de uma norma jurídica, à semelhança do que ocorre quando atua no controle concentrado da leis, mas sim julga o mérito de uma determinada questão em controle difuso, em decisão que atinge uma série de processos que versem sobre tal tema. Sob essa ótica, o enunciado da ementa do "leading case" não prescinde de conter uma prescrição explícita declarando uma norma, parcialmente ou no todo, inconstitucional, porém veicula conclusão definitiva daquele tribunal sobre a matéria controversa, gerando previsibilidade no direito aplicável às contendas travadas em outras esferas judiciais ou administrativas. À ocasião, o caso versava justamente sobre a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo TRF da 4ª Região, a qual, não obstante o recurso da União, quedou mantida por razões de mérito, como evidencia a fundamentação da decisão do STF. Salvo melhor juízo, se essa Corte decidiu no RE nº 614.406 que tal declaração do Tribunal Regional era perfeitamente harmônica com o texto constitucional, firmouse então entendimento quanto à inconstitucionalidade daquela norma. Lembrese que a ementa do acórdão sintetiza as conclusões do Colegiado, não podendo ser lida abstraindose das razões do julgamento. Também merece ser registrado que não caberia ao STF tecer considerações, nas disposições conclusivas do julgamento, acerca dos efeitos da decisão então acordada sobre eventuais autuações do Fisco realizadas com base na malfadada norma, visto que o exame travado naquela seara deuse, reiterese, debruçado sobre declaração de inconstitucionalidade Fl. 45DF CARF MF 10 exarada no TRF da 4ª Região, direito em tese, e não, por exemplo, à luz de ação anulatória de débito fiscal ou lide similar. Além disso, cabe frisar que a eventual inexistência de prejuízo consequente à realização de recálculo do lançamento não serve de escusa para a sua manutenção, quando revelada sua desconformidade com o ordenamento constitucional. Tal conclusão persevera, ainda que tal conhecimento não fosse facultado à autoridade fiscal, quando da autuação. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para fins de cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 46DF CARF MF
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Numero do processo: 16832.000194/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
ACÓRDÃO. DISPOSITIVO CONTRADITÓRIO EM RELAÇÃO AO VOTO. INTEGRAÇÃO.
Verificado que o voto do relator está em contradição com o dispositivo do acórdão contido em ata, aquele deve ser integrado para se amoldar ao decidido.
Numero da decisão: 1201-001.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, dando-se nova redação à ementa, ao dispositivo do acórdão e ao voto condutor.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, dando-se nova redação à ementa, ao dispositivo do acórdão e ao voto condutor. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. ACÓRDÃO. DISPOSITIVO CONTRADITÓRIO EM RELAÇÃO AO VOTO. INTEGRAÇÃO. Verificado que o voto do relator está em contradição com o dispositivo do acórdão contido em ata, aquele deve ser integrado para se amoldar ao decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, dandose nova redação à ementa, ao dispositivo do acórdão e ao voto condutor. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 94 /2 01 0- 71 Fl. 607DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever a matéria, adoto o relatório do despacho de admissibilidade, complementandoo a seguir: Tratase de Embargos de Declaração (fls. 598 e 599) opostos em 16 de junho de 2015 (autenticação eprocesso) pela FAZENDA NACIONAL, em face da alegada existência de contradição no acórdão nº 1201000.918 (fls. 589 a 596), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, em 7 de novembro de 2013. Dispõe o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. Dessa forma, para que os embargos sejam admitidos, devem estar revestidos dos seguintes requisitos: a) interposição no prazo de cinco dias; b) legitimidade para a prática do ato; e c) alegação, objetiva, da existência de obscuridade, omissão e/ou contradição. Como se vê à fl. 597, o acórdão embargado foi encaminhado à PGFN no dia 2 de junho de 2015. Nos termos do art. 79, §2º do Anexo II do RICARF e do art. 23, §9º, do Decreto nº 70.235/1972, após decorrido o prazo de trinta dias contado da data em Fl. 608DF CARF MF Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201001.624 S1C2T1 Fl. 3 3 que os respectivos autos forem encaminhados à PGFN, considerase feita a intimação aos Procuradores, relativamente ao acórdão do CARF. Assim, o prazo começou a fluir em 3 de julho de 2015, esvaindose em 7 de julho de 2015. Uma vez que os embargos de declaração foram interpostos em 16 de junho de 2015, eles são tempestivos. No que se refere à legitimidade, verificase que os embargos foram firmados por Procurador da Fazenda Nacional, estando presente o requisito. Por fim, quanto à matéria, a embargante alegou, objetivamente, a existência de contradição: De acordo com o dispositivo do acórdão nº 1201000918, “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para a multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Ausente para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat” (g. n.). O dispositivo está em contradição com as razões do acórdão. Com efeito, assim restou consagrado na fundamentação da decisão embargada: Como sabido, em 30 de dezembro de 2012, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 10.637/2002, sendo que a partir de então passou a exigir expressamente que o pedido de compensação fosse feito por declaração própria. Se o contribuinte não atendeu à exigência legal, não há como reconhecer que houve a compensação ou o pagamento do tributo, muito menos considerar que houve homologação tácita de uma compensação que não ocorreu. O critério da forma é imprescindível para as compensações, visto que a mesma além de notificar o fisco, abrindolhe o prazo para a homologação, é uma garantia do contribuinte de que há pagamento até a ulterior homologação. Portanto, nesse aspecto, a extinção do crédito tributário não ocorreu, ou seja, houve o não pagamento da estimativa. Nesse diapasão, tendo em vista a falta de pagamento da estimativa, deveria ter sido mantida a multa isolada de 50%, como bem esclareceu o Relator da decisão: Entendo que é caso de Embargos esse julgamento, visto que no resultado do julgamento publicado na ata da sessão, há nítido equívoco no dispositivo quando prescreve: “para afastar a multa isolada”, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha, pois tal dispositivo não reflete o que fora julgado pela maioria da Turma e o que constou do meu voto, lido em sessão de julgamento! Estando presentes os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, submeto o presente despacho à apreciação do Presidente da Turma, com o posterior retorno dos autos a este relator. O exame de admissibilidade ocorreu por meio do despacho de fls. 604 a 606. Fl. 609DF CARF MF 4 O processo foi redistribuído em face de o conselheiro relator não mais fazer parte deste colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Contradição. A embargante alega ter havido contradição no acórdão nº 1201000.918 (fls. 589 a 596), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, em 7 de novembro de 2013, em face de o dispositivo do julgado estar em contradição com as razões enunciadas no voto. Pelos termos do voto do relator, foi exonerado o valor da CSLL lançada e, por consequência, o da multa de ofício de 75%, mas mantidas as multas isoladas (fls. 595 e 596): Por fim, quanto à multa isolada, entendo que a decisão da DRJ deve ser reformada. A autuação fiscal exige o recolhimento de CSLL estimativa após o ano calendário, sendo que tal exigência fere flagrantemente a Súmula nº 82 do CARF: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Diante disso, não é a multa isolada incabível no presente caso, pelo contrário, ela é a única a ser aplicada. Nestes termos, entendo pelo cancelamento parcial do lançamento fiscal, especificamente quanto à exigência da CSLL e da multa de ofício de 75%, devendo ser mantida apenas a multa isolada de 50%, pela falta de pagamento da estimativa. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE parcial provimento para cancelar a exigência da CSLL e da multa de ofício de 75%, mantendose a exigência da multa isolada. Contudo, o dispositivo do acórdão está assim redigido (fl. 589): Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para a multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. (Destaque acrescido) Na ata da sessão ficou assim registrado: Fl. 610DF CARF MF Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201001.624 S1C2T1 Fl. 4 5 Processo nº: 16832.000194/201071 Recorrente: BEBIDAS REAL DE SÃO GONÇALO LTDA Recorrida: FAZENDA NACIONAL DECISÃO: (JULGADO NA SESSÃO DA MANHÃ) Por maioria de votos DERAM parcial provimento ao recurso, para afastar a exigência da multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Ausente, para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, atuando como Presidente o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. ACÓRDÃO Nº: 1201000.918 Verificase que, diferentemente do que consta ao final do voto do relator e na petição de embargos que mencionam que no dispositivo do acórdão há o expresso afastamento da multa isolada, na realidade o que ocorreu foi uma omissão desse dispositivo quanto ao decidido: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para a multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Extraise dele, por lógica, que a multa isolada foi afastada em face de o voto vencido da Conselheira ser no sentido da manutenção dessa multa. Na ata, contudo, consta expressamente o afastamento da exigência da multa isolada. Reparada a omissão, temse nítida contradição entre o voto e o acórdão. Pela leitura do primeiro vêse que a CSLL lançada e os respectivos consectários legais foram afastados, mantidas apenas as multas isoladas. Pelo segundo, somente a exigência das multas isoladas foi afastada, mantidos os demais valores lançados. Analisandose o voto proferido pelo relator, verificamse algumas inconsistências. No que tange às multas isoladas, assim está ali registrado: “Por fim, quanto à multa isolada, entendo que a decisão da DRJ deve ser reformada”. Mais à frente: “Diante disso, não é a multa isolada incabível no presente caso, pelo contrário, ela é a única a ser aplicada.” No entanto, se no voto está a se afastar a multa isolada, não há reforma a ser efetuada na decisão de piso que também a mantinha; Quanto ao lançamento do tributo, no voto constou que “A autuação fiscal exige o recolhimento de CSLL estimativa após o anocalendário, sendo que tal exigência fere flagrantemente a Súmula nº 82 do CARF”. (Destaque acrescido) Ocorre que, compulsandose o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal, verificase que tal não ocorreu. Auto de Infração (fls. 166 e 167): Fl. 611DF CARF MF 6 Como pode ser visto acima, a CSLL lançada referese ao período anual (12/2006), enquanto que as multas isoladas referemse às estimativas não pagas dos meses de fevereiro a agosto de 2006. Essa questão relativa ao lançamento da CSLL anual fica melhor evidenciada no Termo de Verificação Fiscal (fl. 158): Demais disso, se acatada a conclusão do voto do relator surgirá uma incongruência lógica: mantidas as multas isoladas, como se conciliar nessa parte do acórdão o voto vencido que também foi no sentido da manutenção delas? Fl. 612DF CARF MF Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201001.624 S1C2T1 Fl. 5 7 Cumpre observar, ainda, que houve lançamentos de IRPJ e também de multas isoladas, com base em fatos análogos, processados por meio dos autos de nº 16832.000193/201026, como se pode ver no Termo de Verificação Fiscal (fls. 157 e 158). O Recurso Voluntário manejado em face da decisão de piso que mantinha o lançamento em sua totalidade foi julgado em 11 de setembro de 2013, conforme consulta no “site” deste Conselho. No julgamento desse processo relativo ao IRPJ, deuse somente o afastamento das multas isoladas, mantidos os demais valores lançados. Em face de todo o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, dandose nova redação à ementa, ao dispositivo do acórdão e ao voto dele condutor, da seguinte forma: Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O pedido de compensação feito após a Lei n°.10.637/2002, deverá ser feito via declaração de compensação. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO Incabível a concomitância da multa isolada com a multa de ofício. SELIC Nos termos da Súmula 2, não cabe ao CARF a discussão de inconstitucionalidade de norma. Por sua vez, nos termos da Súmula 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Dessa forma, correta a aplicação da SELIC. Acórdão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência da multa isolada, vencida a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que a mantinha. Ausente, para tratamento de saúde, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), tendo sido substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. Voto: O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto à preliminar de nulidade, entendo que o pedido da Recorrente não deve ser atendido. Isso porque, além de ter obedecido o quorum mínimo para julgamento, qual seja, três Fl. 613DF CARF MF 8 julgadores, a decisão da DRJ foi unânime (vide fl. 231 dos autos), ou seja, ainda que o quarto julgador participasse do julgamento e fosse voto vencido, em nada alteraria a decisão da DRJ quanto ao seu resultado, daí não haver nenhum prejuízo ou nulidade no julgamento. Vejamos o disposto na Portaria MF nº 58/2006: Art. 13. Somente pode haver deliberação quando presente a maioria dos membros da turma, sendo essa tomada por maioria simples, cabendo ao presidente, além do voto ordinário, o de qualidade. Diante disso, entendo por não haver ilegalidade ou nulidade no julgamento, muito menos há qualquer cerceamento do direito de defesa, pois o contribuinte se defendeu muito bem e recebeu decisão por julgadores competentes e habilitados nos termos do quorum mínimo previsto na regra em vigor à época da prolação da decisão de primeira instância administrativa. Quanto ao mérito, a contribuinte alega ter havido o pagamento do débito por meio de entrega de Declaração de Compensação, que não foi considerada declarada em razão de não ter sido entregue por meio eletrônico. Destacase que à época da entrega (ano de 2006) encontravase em vigor o disposto na IN nº 600/2005, que exigia o meio eletrônico. Como sabido, em 30 de dezembro de 2012, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 10.637/2002, sendo que a partir de então passou a exigir expressamente que o pedido de compensação fosse feito por declaração própria. Se o contribuinte não atendeu à exigência legal, não há como reconhecer que houve a compensação ou o pagamento do tributo, muito menos considerar que houve homologação tácita de uma compensação que não ocorreu. O critério da forma é imprescindível para as compensações, visto que a mesma além de notificar o fisco, abrindolhe o prazo para a homologação, é uma garantia do contribuinte de que há pagamento até a ulterior homologação. Portanto, nesse aspecto, a extinção do crédito tributário não ocorreu, ou seja, houve o não pagamento da estimativa. Por fim, quanto à multa isolada, entendo que a decisão da DRJ deve ser reformada. A autuação fiscal exige o recolhimento de CSLL anual, multa de ofício no percentual de 75% e juros moratórios. Relativamente à concomitância da aplicação da multa de ofício com a multa isolada, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais já se firmou no sentido de que é incabível a aplicação concomitante das multas. Isso porque a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o tributo no final do ano. Assim sendo, a primeira conduta seria meio de execução da Fl. 614DF CARF MF Processo nº 16832.000194/201071 Acórdão n.º 1201001.624 S1C2T1 Fl. 6 9 segunda. Assim sendo, nos termos da Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais a aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Vejamse julgados nesse sentido: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A multa isolada reportase ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período. (CSRF ACÓRDÃO: 9101001.455 Data de decisão: 07/02/2013) CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, por ambas recaírem sobre a receita omitida. (CSRF – ACÓRDÃO: 9101001.560 – Data de decisão: 11/04/2013) Dessa maneira, há que ser excluída a multa isolada aplicada, mantendose apenas a multa de ofício de 75% (Setenta e cinco por cento). Por fim, sustenta a Recorrente ser inconstitucional a aplicação da Taxa SELIC para fins tributários. Contudo, dispõe expressamente a Súmula nº 2 deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 615DF CARF MF 10 Por sua vez, a Súmula nº 4 assim determina: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Dessa maneira, deve ser afastado o argumento da Recorrente, com a manutenção da aplicação da Taxa SELIC no presente caso. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e DOULHE parcial provimento, apenas para excluir da autuação a parcela exigida a título de Multa Isolada, mantendose inalterados os demais pontos da decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.728593/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.564
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 85 93 /2 01 2- 51 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10711.728593/201251 Acórdão n.º 3201002.564 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.167. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10711.728593/201251 Acórdão n.º 3201002.564 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.728593/201251 Acórdão n.º 3201002.564 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731521/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. OMISSÕES. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os embargos declaratórios na situação em que as alegadas obscuridade e omissões não ocorreram, tendo sido as matérias supostamente obscuras ou omissas, na verdade, discutidas e decididas no acórdão embargado. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
Numero da decisão: 1301-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (i) em REJEITAR o pedido preliminar da embargante, formulado da tribuna, de suspensão do julgamento administrativo até apreciação, pelo Poder Judiciário, de agravo interposto em Mandado de Segurança; e (ii) em NEGAR provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. OMISSÕES. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os embargos declaratórios na situação em que as alegadas obscuridade e omissões não ocorreram, tendo sido as matérias supostamente obscuras ou omissas, na verdade, discutidas e decididas no acórdão embargado. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (i) em REJEITAR o pedido preliminar da embargante, formulado da tribuna, de suspensão do julgamento administrativo até apreciação, pelo Poder Judiciário, de agravo interposto em Mandado de Segurança; e (ii) em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. OMISSÕES. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os embargos declaratórios na situação em que as alegadas obscuridade e omissões não ocorreram, tendo sido as matérias supostamente obscuras ou omissas, na verdade, discutidas e decididas no acórdão embargado. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (i) em REJEITAR o pedido preliminar da embargante, formulado da tribuna, de suspensão do julgamento administrativo até apreciação, pelo Poder Judiciário, de agravo interposto em Mandado de Segurança; e (ii) em NEGAR provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 15 21 /2 01 2- 28 Fl. 105466DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.467 2 Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 105438/105459) opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301002.024, prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 05/05/2016 (fls. 105266/105423). No referido julgado, o Colegiado pronunciouse, por maioria de votos, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 ARBITRAMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. MODIFICAÇÃO DAS RAZÕES DE ARBITRAMENTO PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. Ao se constatar que a decisão de primeira instância manteve o arbitramento dos lucros com base no mesmo dispositivo legal empregado pelo Fisco no ato do lançamento, e que as extensas irregularidades apontadas já se encontravam expostas desde a autuação, sendo tão somente ratificadas pelo acórdão recorrido, não se há de reconhecer qualquer alteração das razões de arbitramento. A preliminar de nulidade da decisão recorrida deve ser rejeitada. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FUNDAMENTOS. PROCEDÊNCIA. Há de se manter o lançamento tributário na circunstância em que a autoridade fiscal colaciona aos autos elementos suficientes à convicção de que, em virtude de generalizada retificação, a escrituração apresentada pelo contribuinte fiscalizado, diante de inúmeras e graves irregularidades, mostra se imprestável para determinação do lucro real, justificando, assim, o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE CONTÁBIL. MANIPULAÇÃO DE RESULTADOS. PROCEDÊNCIA. Restou comprovada nos autos a existência de uma ação minuciosamente planejada para a obtenção de novos resultados societários, ao mesmo tempo em que se eliminavam pendências/irregularidades fiscais préexistentes sem gerar novos pagamentos de tributos, introduzindo também novas e igualmente graves irregularidades. A manipulação de resultados incluiu o aumento do resultado em anos já atingidos pela decadência e a redução (mediante majoração de custos) nos períodos ainda sujeitos à tributação. Em tais condições, presente a conduta dolosa de modificação das características essenciais do fato gerador tributário, de forma a reduzir o montante do tributo devido, é de se ter por correta a aplicação da multa de ofício qualificada (150%). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 Fl. 105467DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.468 3 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. CONDUTA DOLOSA. MANIPULAÇÃO DE RESULTADOS. FRAUDE CONTÁBIL. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62, § 2º, DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. No caso vertente, a conduta dolosa, comprovada nos autos na forma de fraude contábil e manipulação de resultados, conduz à aplicação do art. 173, I, do CTN, com o que se constata que os lançamentos não foram alcançados pela decadência. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se Fl. 105468DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.469 4 dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. BENEFÍCIO FISCAL. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. LEI Nº 10.996/2004. PROVA. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parte das vendas, incluídas pelo Fisco na base de cálculo da contribuição, na verdade se destinaram a empresas situadas na Zona Franca de Manaus e devidamente registradas junto à Suframa, cabe a ela provar o que afirma. Feita a prova parcialmente, os valores da receita bruta correspondentes a essas vendas devem ser excluídos da base tributável. Em sentido oposto, se os elementos carreados aos autos pela interessada são insuficientes para a prova indispensável, a autuação deve ser mantida, na parte não comprovada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2008 BENEFÍCIO FISCAL. ALÍQUOTA ZERO. LEI Nº 11.196/2005. CONDIÇÕES PARA GOZO DO BENEFÍCIO. VALOR DE VENDA A VAREJO. INCLUSÃO DO IPI. DISTINÇÃO ENTRE RECEITA BRUTA E VALOR DE VENDA A VAREJO. O gozo do benefício fiscal pretendido pela contribuinte pressupõe o atendimento de condições estabelecidas em regulamento. Dentre elas, a verificação quanto ao valor de venda a varejo do produto, em cotejo com o limite regulamentar. Esse valor de venda a varejo não se confunde, em absoluto, com a receita bruta da venda. A receita bruta, base de cálculo da contribuição, não inclui o IPI, por expressa disposição legal. O valor de venda a varejo, parâmetro para fins de verificação do atendimento à condição para gozo do benefício fiscal, equivale ao preço final de venda ao consumidor varejista, o total efetivamente desembolsado pelo adquirente do produto, no qual deve estar incluído o IPI destacado na nota fiscal de venda. BENEFÍCIO FISCAL. VENDA A VAREJO. LEI Nº 11.196/2005. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parcela dos equipamentos vendidos a empresas que se dedicam ao comércio atacadista ou varejista desses mesmos equipamentos de informática se destinaram a consumo próprio dessas empresas, e não à revenda, cabe a ela provar o que afirma. Na ausência de tal prova, a cargo da recorrente, correto o procedimento do Fisco que manteve na base de cálculo da contribuição as vendas de equipamentos de informática feitas a empresas Fl. 105469DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.470 5 que se declaram à Administração Tributária como comerciantes atacadistas ou varejistas desses mesmos equipamentos de informática. BENEFÍCIO FISCAL. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. LEI Nº 10.996/2004. PROVA. ÔNUS DA PROVA. A regra geral é de incidência tributária. Ao pleitear o gozo de um benefício fiscal, cabe a quem pleiteia provar que cumpriu as condições para tanto. Se a recorrente alega que parte das vendas, incluídas pelo Fisco na base de cálculo da contribuição, na verdade se destinaram a empresas situadas na Zona Franca de Manaus e devidamente registradas junto à Suframa, cabe a ela provar o que afirma. Feita a prova parcialmente, os valores da receita bruta correspondentes a essas vendas devem ser excluídos da base tributável. Em sentido oposto, se os elementos carreados aos autos pela interessada são insuficientes para a prova indispensável, a autuação deve ser mantida, na parte não comprovada. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de omissões e obscuridades várias, que especifica. Em suas próprias palavras (fls. 105458/105459): (i) a nulidade parcial do acórdão de julgamento do Recurso Voluntário por violação ao art. 62, § 2o, do RICARF, na medida em que deixou de observar o termo inicial de contagem do prazo decadencial fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (Recurso Especial n° 973.733 SC); (ii) a obscuridade do acórdão de julgamento do Recurso Voluntário quanto ao critério utilizado para contagem do prazo decadencial em caso de arbitramento de lucro ou, subsidiariamente, o erro material na contagem do prazo decadencial tendo em vista o reconhecimento da premissa de aplicação de período de apuração trimestral, relativo a lucro arbitrado; (iii) as omissões incorridas pelo acórdão de julgamento do Recurso Voluntário (iii.i) que se absteve de fundamentar a decisão que não recepcionou o argumento da Embargante referente à mudança de regime de apuração do lucro para contagem do prazo decadencial; (iii.ii) que se furtou a analisar a alegação de correspondência entre os conceitos de exercício e período de apuração para fins tributários; (iii.iii) que deixou de responder se não seria possível apurarse o lucro real de 2007, tendo em vista que os erros contábeis alegadamente cometidos pela embargante foram identificados e quantificados; (iii.iv) que deixou de examinar as provas produzidas e apresentadas pela Embargante, em especial os laudos da PWC e E&Y, que demonstram que a contabilidade da empresa relativa ao exercício de 2007 se presta à apuração do lucro real, bem como fundamentar a decisão que rejeitou as conclusões desses laudos e provas; (iii.v) que se absteve de enfrentar o argumento de que o arbitramento não pode ser decretado quando baseado em infrações cujo efeitos jurídicotributários são especificamente previstos em lei; e (iii.vi) que deixou de analisar os esclarecimentos prestados pela Embargante em face dos erros de contabilização alegados pelo fisco, que, por sua vez, foram Fl. 105470DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.471 6 utilizados como causa da imputação de fraude à Embargante, bem como de fundamentar a decisão que rejeitou a procedência desses esclarecimentos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Durante o presente julgamento, no momento de sua sustentação oral, o patrono da embargante trouxe da tribuna a informação de interposição de medida judicial, com pedido de liminar, na qual foi arguido o impedimento dos Conselheiros indicados pela Fazenda Nacional1. Informou, ainda, que o pedido de liminar foi negado pelo juízo competente e que dessa decisão foi interposto agravo. O patrono pediu ao Colegiado, então, a suspensão do presente julgamento administrativo, até que o Poder Judiciário decidisse o mencionado agravo. O pedido foi submetido à deliberação da Turma, em caráter preliminar, sendo rejeitado por unanimidade de votos, por inexistência de provimento jurisdicional determinando a suspensão pleiteada e por impossibilidade de atendimento de seu pedido, à luz do Regimento Interno do CARF. Passo, pois, a proferir meu voto. A ciência do acórdão ora embargado se deu em 23/05/2016 (documento à fl. 105430). Tendo sido os embargos apresentados em 27/05/2016 (fl. 105437), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, o requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, na sequência em que formulados pela embargante. A análise se fará nos estritos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (i) a nulidade parcial do acórdão de julgamento do Recurso Voluntário por violação ao art. 62, § 2o, do RICARF, na medida em que deixou de observar o termo inicial de contagem do 1 Esse impedimento estaria relacionado ao Bônus de Eficiência e Produtividade na Área Tributária e Aduaneira, instituído pelo art. 5º da Medida Provisória nº 765, de 29/12/2016. Fl. 105471DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.472 7 prazo decadencial fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (Recurso Especial n° 973.733 SC); Neste ponto, a embargante não aponta especificamente alguma omissão, obscuridade ou contradição, presentes no acórdão embargado, que pretenda ver sanada. De fato, transparece sua irresignação diante do entendimento do Colegiado quanto à aplicação do quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da contagem do prazo decadencial. Entendeu a Turma que o Recurso Especial nº 973.733 já teria sido objeto de reexame pelo próprio STJ, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497, e que caberia a aplicação integrada dos dois dispositivos, de forma a fazer valer, no âmbito administrativo, a jurisprudência uniformizada pelo STJ. Confirase o excerto a seguir, do voto condutor do acórdão embargado: Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). [...]. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. [...] De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. [...] A irresignação sobre a decisão do Colegiado há de ser atacada por recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, se cabível, nos termos regimentais. Inexistindo qualquer vício (omissão, obscuridade nem contradição) a ser sanado pela via dos embargos, deve ser negado provimento aos embargos, quanto a este ponto. (ii) a obscuridade do acórdão de julgamento do Recurso Voluntário quanto ao critério utilizado para contagem do prazo decadencial em caso de arbitramento de lucro ou, subsidiariamente, o erro material na contagem do prazo decadencial tendo em vista o reconhecimento da premissa de aplicação de período de apuração trimestral, relativo a lucro arbitrado; Ao se analisar este ponto, há que se ter em mente que o IRPJ e a CSLL foram apurados pelo sujeito passivo com base no lucro real anual. No entanto, ao efetuar o lançamento, o Fisco se valeu do arbitramento do lucro, pelos motivos largamente discutidos ao longo do processo. Fl. 105472DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.473 8 Isto posto, de se verificar que obscuridade não há. A situação específica foi abordada, restando claro o posicionamento do Colegiado quanto à contagem do prazo decadencial no caso vertente. Confirase o seguinte excerto do voto condutor do acórdão embargado (grifos não constam do original): Para IRPJ e CSLL, a opção do contribuinte foi pela apuração anual, com recolhimento de estimativas mensais. O fato gerador ocorreu, então, em 31/12/2007. O lançamento poderia ser efetuado a partir de 01/01/2008, pelo que a fluência do prazo quinquenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte, a saber, em 01/01/2009, encerrandose em 31/12/2013. Tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 21/09/2012 (fl. 23319), não se há de falar em decadência. Poderseia argumentar que, ao ser abandonado o lucro real, adotandose o lucro arbitrado como forma de apuração do lucro, teria também ocorrido modificação na data de ocorrência dos fatos geradores, com o que a análise do parágrafo anterior deveria ser refeita. No entanto, entendo que a verificação da ocorrência da decadência deve ser feita à luz do critério adotado originalmente pelo contribuinte, conforme acima. Constatado, como de fato se constatou, que o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007 se encontrava hígido, esse direito não é afetado se, ao imporse o arbitramento dos lucros, o lançamento contempla fatos geradores trimestrais. Adicionalmente, observese que, ainda que se devesse considerar as datas dos fatos geradores do lançamento (o que admito apenas como hipótese argumentativa), não teria ocorrido a decadência: para o fato gerador ocorrido em 31/03/2007, o lançamento poderia ter sido feito a partir de 01/04/2007; com isso, a fluência do quinquênio decadencial se iniciaria em 01/01/2008, findandose em 31/12/2012. A conclusão seria idêntica à do parágrafo anterior. Mais uma vez, revelase a irresignação da interessada com a decisão. Mais do que isso, revelase também a inutilidade do recurso de embargos ora manejado. É que o mesmo trecho acima transcrito demonstrou, a afastar outras hipóteses argumentativas, que ainda que se pudesse considerar fatos geradores trimestrais, mesmo assim a conclusão seria pela inocorrência da decadência. Ou seja, mesmo que fosse o caso de acolher os embargos, nenhum efeito prático daí adviria, visto que a conclusão seria a mesma. Quanto à alegação de erro material, igualmente insustentável. Tratase, como se observa, de mais um aspecto em que a interessada não se conforma com o quanto decidido pelo Colegiado. Pelo exposto, rejeito os embargos, também quanto a este ponto. (iii) as omissões incorridas pelo acórdão de julgamento do Recurso Voluntário (iii.i) (omissão) que se absteve de fundamentar a decisão que não recepcionou o argumento da Embargante referente à mudança de regime de apuração do lucro para contagem do prazo decadencial; Embora não totalmente claro, é possível o entendimento de que este ponto se refere (mais uma vez) ao entendimento do Colegiado de que a verificação da decadência deve Fl. 105473DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.474 9 ser feita à luz do critério (de apuração do lucro) originalmente adotado pelo contribuinte. Isso consta do voto condutor, anteriormente transcrito e novamente abaixo, por amor à clareza: Poderseia argumentar que, ao ser abandonado o lucro real, adotandose o lucro arbitrado como forma de apuração do lucro, teria também ocorrido modificação na data de ocorrência dos fatos geradores, com o que a análise do parágrafo anterior deveria ser refeita. No entanto, entendo que a verificação da ocorrência da decadência deve ser feita à luz do critério adotado originalmente pelo contribuinte, conforme acima. Constatado, como de fato se constatou, que o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007 se encontrava hígido, esse direito não é afetado se, ao imporse o arbitramento dos lucros, o lançamento contempla fatos geradores trimestrais. Adicionalmente, observese que, ainda que se devesse considerar as datas dos fatos geradores do lançamento (o que admito apenas como hipótese argumentativa), não teria ocorrido a decadência: para o fato gerador ocorrido em 31/03/2007, o lançamento poderia ter sido feito a partir de 01/04/2007; com isso, a fluência do quinquênio decadencial se iniciaria em 01/01/2008, findandose em 31/12/2012. A conclusão seria idêntica à do parágrafo anterior. Omissão não houve, nem obscuridade. A resposta à dúvida da embargante se encontra no próprio texto acima. O entendimento do Colegiado é que se trata de dois questionamentos distintos. Em um primeiro momento, se verifica se é possível efetuar o lançamento, à luz da decadência e do critério (até então) adotado pelo contribuinte. Sendo positiva a resposta (como o foi, no caso concreto), o Fisco então verifica se é possível adotar a forma de apuração do lucro originalmente adotada pelo contribuinte ou se é o caso de arbitramento dos lucros. Esse segundo questionamento em nada afeta o primeiro. Além disso, reitero a inutilidade do recurso manejado, para fins práticos. Ainda que se adotasse fatos geradores trimestrais, a conclusão seria a mesma, a inocorrência da decadência. Também aqui os embargos devem ser rejeitados. (iii.ii) (omissão) que se furtou a analisar a alegação de correspondência entre os conceitos de exercício e período de apuração para fins tributários; Ao se verificar os termos do recurso voluntário, o que se constata é a tentativa da então recorrente de misturar e confundir os conceitos de período de apuração e de exercício. Vários são os momentos (por exemplo, fls. 104916/104918) em que a recorrente fala em exercício e transcreve um artigo de lei que expressamente menciona período de apuração. Embora alguma imprecisão se tenha verificado no passado quanto a essas duas expressões, isso não mais ocorre atualmente. O período de apuração é o intervalo de tempo, fixado em lei, para que se apure o tributo devido em decorrência dos fatos geradores que se tenham consumado nesse lapso temporal. Para o lucro arbitrado, esse lapso é trimestral, enquanto que para o lucro real pode ser trimestral ou anual, conforme a opção do contribuinte. No caso concreto, segundo a forma de apuração do lucro adotada pelo contribuinte, o fato gerador do IRPJ seria anual, encerrado em 31/12/2007. O Fisco somente poderia ter efetuado o lançamento após encerrado o período de apuração anual, ou seja, a partir de 01/01/2008. Com isso, a contagem do prazo decadencial (na forma do art. 173, I, do CTN) somente se inicia no Fl. 105474DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.475 10 primeiro dia do exercício seguinte, a saber, em 01/01/2009. Esse foi o entendimento do Colegiado, cabendo ressaltar que essa contagem não se modifica se, como foi o caso, não for possível o lançamento na forma do lucro real, adotandose o arbitramento por períodos de apuração trimestrais. De se constatar a inocorrência de omissão, mas da irresignação da embargante com o entendimento do Colegiado e da aplicação ao caso concreto, para fins de contagem do prazo decadencial, dos conceitos de período de apuração e exercício. Rejeito, pois, os embargos, também quanto a este ponto. (iii.iii) (omissão) que deixou de responder se não seria possível apurarse o lucro real de 2007, tendo em vista que os erros contábeis alegadamente cometidos pela embargante foram identificados e quantificados; (iii.iv) (omissão) que deixou de examinar as provas produzidas e apresentadas pela Embargante, em especial os laudos da PWC e E&Y, que demonstram que a contabilidade da empresa relativa ao exercício de 2007 se presta à apuração do lucro real, bem como fundamentar a decisão que rejeitou as conclusões desses laudos e provas; (iii.v) (omissão) que se absteve de enfrentar o argumento de que o arbitramento não pode ser decretado quando baseado em infrações cujo efeitos jurídicotributários são especificamente previstos em lei; e (iii.vi) (omissão) que deixou de analisar os esclarecimentos prestados pela Embargante em face dos erros de contabilização alegados pelo fisco, que, por sua vez, foram utilizados como causa da imputação de fraude à Embargante, bem como de fundamentar a decisão que rejeitou a procedência desses esclarecimentos. Os quatro pontos acima merecem tratamento conjunto. É que todos se referem às infrações apuradas no curso do processo de fiscalização e que, no entendimento do Fisco (corroborado pelas decisões de primeira e segunda instância), deveriam conduzir ao arbitramento dos lucros. Transcrevo, a seguir, alguns excertos do relatório e do voto condutor do acórdão embargado, a fim de demonstrar como a matéria foi abordada e qual foi o entendimento do Colegiado. Do relatório, extraio o que segue, como conclusões do Fisco (fls. 105299/105302, grifos não constam do original): [...] Diante desse refazimento contábil de uma década, a Fiscalização selecionou pontos considerados relevantes dentro das operações da Fiscalizada para estimar a justeza e a confiabilidade dos lançamentos de ajustes. Para isso foram analisados, fornecedores, clientes, estoques, variações cambiais, operações com partes relacionadas, movimentação bancária, renda variável, entre muitos outros citados ao longo deste relatório. Da análise dos citados lançamentos observouse a existência de graves irregularidades de forma abrangente em praticamente todos os pontos examinados. Grande quantidade de lançamentos não teve base documental Fl. 105475DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.476 11 comprovada, houve estornos de centenas de milhões de pagamentos comprovadamente existentes, não foi respeitado o regime de competência na apropriação de despesas com softwares, foram implementadas graves irregularidades nas planilhas de variações cambiais, foram inseridos impostos recuperáveis como saldo de estoques, há ajustes vultosos em clientes e fornecedores de forma globalizada e sem documentos de suporte, tudo conforme finamente detalhado neste relatório e nas planilhas anexas. Resumindo, pelas amostragens verificadas, a Fiscalizada cometeu, no mínimo, as seguintes infrações: a) estornou saldos existentes em 31/01/2009, dizendo terem origem no período de 1999 a 2003, no entanto, quando solicitados os documentos que embasaram os lançamentos, deixa de apresentar e até mesmo admite que não possui. Os ajustes atribuídos a esse período somam 135 milhões a crédito de resultado. (itens 5.1, 11.1 e 11.2); b) procedeu a estornos de pagamentos comprovadamente realizados por meio dos extratos bancários, sendo que os valores estornados foram lançados a débito do resultado do período. Essa prática ilegal gerou débitos no resultado dos exercícios de 2004, 2005 e 2006. (item 5.2); c) modificou a contabilização das faturas de reembolso de softwares (royalties) do regime de competência para o regime de caixa, com isso aproveitouse duplamente de faturas emitidas em 2002 e em 2003, também transferiu custos de 2006 para 2007 – dentro do seu interesse fiscal. Além das implicações nos demais anos podemos citar o valor de 38 milhões relativos a 2002/2003 e 63 milhões transferidos de 2006 para 2007. (item 5.3); d) fez a opção de tributação das variações cambiais pelo regime de caixa nas DIPJs originais de 2006 e 2007, também escriturou adições e exclusões relativas a variações cambiais mensalmente nos livros Lalur. Nas DIPJs retificadoras manteve essa opção, inclusive alterando valores na declaração base 2007. No entanto, ao ser intimada a apresentar as planilhas de apuração pelo regime de caixa, alegou praticar apenas regime de competência. (item 5.4); e) inseriu dados de forma irregular em suas planilhas de variações cambiais – regime de competência (sem anuência da fiscalização), de maneira que, contrariando toda ordem econômicofinanceira, transformou uma receita de 20 milhões em uma despesa de 36 milhões, ou seja, gerou de forma fictícia um custo financeiro de, no mínimo, 56 milhões em 2006 e 17 milhões em 2007 (item 5.4); f) usou a planilha de variações cambiais para anular os efeitos tributários de lançamentos de estornos de fretes internacionais (item 5.4.4); g) depois de quase uma década modificou a realização dos seus estoques em todos os anos passados. No ano de 2006, essas modificações resultaram em aumento de custo de estoque de 73 milhões de reais em 2006 e 45 milhões em 2007. (item 5.5.2); h) adicionou tributos recuperáveis ao valor dos estoques de matérias primas (item 5.5.3); i) manteve lançamentos em duplicidade nos estoques de matérias primas, relativos a compras em consignação, incluindo tributos recuperáveis (item 5.5.4); Fl. 105476DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.477 12 j) transformou estoque de peças usadas (sucatas) em custo do exercício (21 milhões de reais), sem qualquer demonstração de pertinência (item 5.6); k) deixou de contabilizar os ajustes de CPV para retirar os valores das contribuições de PIS e Cofins, que eram contabilizados como parte dos estoques, ocasionando distorções nos custos dos estoques, sem apresentação de conciliação entre Dacon e contabilidade (item 5.7); l) fez ajustes em seus extratos bancários apenas para ficarem alinhados com a contabilidade ao final do ano, sem realizar uma efetiva conciliação bancária. (item 5.8); m) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 2007, de forma globalizada, mais de 8 milhões de reais a título de descontos concedidos, descontos esses não comprovados. (item 5.9); n) inseriu em sua contabilidade, nos ajustes de 01/01/2008, de forma globalizada, mais de 16 milhões de reais a crédito de clientes intercia e a débito de resultado, sem qualquer comprovação. (item 5.10); o) fez ajustes na conta Clientes Nacionais, relativos aos anos de 2003 a 2007, creditando resultado do exercício em mais de 11 milhões de reais, sem justificativa para isso. (item 5.11); p) estornou mais de 24 milhões de despesas de fretes internacionais; anulou os efeitos tributários disso por meio de manipulação das planilhas de variações cambiais, e deixou de demonstrar a efetiva duplicidade de tais custos (item 5.13); q) ignorando as normas contábeis e societárias, estornou mais de cem milhões de despesas de provisões para garantia originalmente contabilizadas para o período de 2002 a 2007. (item 5.14); r) ajustou a conta de Intercia Fornecimentos, em 31/01/2009, em mais de 98 milhões de reais a crédito, de forma globalizada e sem base documental. (item 5.15; s) fez ajustes a débito da conta 381033202 – Ajuste de Exercícios Anteriores em 31/01/2009 em mais de 17 milhões de reais de forma globalizada e sem base documental. (item 5.15.2); t) inseriu, em 31/01/2009, lançamentos a crédito de Intercia Fornecimentos e a débito de Resultado do Exercício a título de complementação de royalties, os quais somam mais de 59 milhões, cuja origem é de meses de 2008 e de maio de 2009. (item 5.15.3); u) além de outras, reconheceu pelo menos 113 milhões de reais como pendências fiscais relativas a 2007, porém, por outros ajustes irregulares controlou para que isso não afetasse o lucro real. (item 6); v) apresentou três balanços diferentes para o fechamento de 31/01/2009, um na contabilidade Sped, outro nas demonstrações auditadas, e um terceiro relativo aos balancetes fiscais. (item 7); w) utilizou os saldos das contas da contabilidade original para fins de apuração das parcelas dedutíveis de despesas incorridas em aplicações de renda variável (hedge), com isso contraria sua própria posição, quando diz que o correto são os novos saldos resultantes de sua “conciliação”. (item 8); Fl. 105477DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.478 13 x) não existiam livros Lalur formalizados que embasassem as DIPJs retificadoras, quando do início da fiscalização. O livro Lalur original de 2007 foi apresentado com todos os dados pessoais do contador incorretos. (item 9); y) deixou de refletir em suas DIPJs retificadoras todas as modificações contábeis implementadas no refazimento de 31/01/2009. (item 10); z) agiu em vários momentos, antes do início e após o começo da fiscalização, com intenção de dificultar o conhecimento do Fisco sobre as reais modificações implementadas em sua contabilidade (item 12); a1) eliminou as pendências fiscais existentes antes do refazimento contábil nos anos de 2004 a 2007 (mínimo de 241 milhões de base de IRPJ e CSLL), e ainda diminuiu em 15 milhões a soma do lucro real em todos os anos reformados. (item 13.1); a2) aproveitouse de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) gerados nas DIPJs originais de 2002 e 2003, os quais somam mais de 51 milhões de reais. No seu refazimento contábil a Fiscalizada apurou lucros nos dois anos, assim mais uma vez contradizse em seus posicionamentos. (item 13.3). Reforçase mais uma vez, esta vasta listagem de irregularidades são extraídas de uma contabilidade refeita, e de apenas alguns pontos objeto de análise, pois não é possível avaliar todos os efeitos. [...] No voto condutor do acórdão embargado, o Relator assim se manifesta (grifos não constam do original): No extenso relatório que antecede a este voto se buscou dar detalhes dos aspectos contábeis e das extensas irregularidades que conduziram ao arbitramento dos lucros. A estratégia da recorrente, nos itens acima, é de focar em alguns dos aspectos particulares, na tentativa de desviar a atenção do conjunto. No entanto, como de regra acontece, o conjunto é tão relevante como os detalhes. Não se pode dar demasiada atenção a uma folha e perder de vista a árvore. O caso que ora se analisa diz respeito a um “refazimento contábil” que alcançou os anoscalendário 2002 a 2008, com ajustes levados a efeito em 2008 e 2009, sendo impossível, como afirmado pela fiscalização, dissociar os efeitos e analisálos em separado para cada um dos anoscalendário. E a análise em conjunto das extensas irregularidades apontadas pelo Fisco conduz, sem sombra de dúvidas, à correção do arbitramento dos lucros. Após transcrever alguns trechos da manifestação da Douta PGFN em suas contrarrazões, o Relator conclui (grifos não constam do original): Não faço reparos ao acima exposto. A extensa peça recursal não consegue afastar a acusação fiscal de igualmente extensas irregularidades na contabilidade, verificadas ao longo de diversos anoscalendário a partir de 2002 e objeto de ajustes contábeis levados a efeito em 2009. Se, por um lado, a extensão e amplitude de tais ajustes evidencia, a meu ver, a imprestabilidade da contabilidade dita “original”, por outro lado resta inequivocamente demonstrado que os ajustes, longe de corrigir eventuais erros, na verdade buscaram mascarálos, introduzindo, ao mesmo tempo, diversos outros. Com Fl. 105478DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.479 14 isso, igualmente imprestável e não merecedora de confiabilidade a contabilidade refeita. Em que pese o grande renome das consultorias contratadas pela interessada na busca de atestar a prestabilidade de sua contabilidade, os interesses da recorrente seriam mais bem atendidos se os serviços dessas consultorias houvessem sido direcionados a evitar, tempestivamente, a necessidade de “refazimentos contábeis”, mediante o registro preciso e de acordo com a lei de suas operações. Em assim não sendo, considero que os laudos apresentados não conseguem afastar as extensas irregularidades apontadas pelo Fisco e confirmadas em sede de diligência e pela decisão de primeira instância, devendo ser mantido o arbitramento dos lucros, tal como feito. Não é o caso, em sede de embargos, de transcrever nem de reproduzir a integralidade do voto do acórdão embargado, com a finalidade de demonstrar a inexistência das alegadas omissões. No entanto, dos excertos acima transcritos, já resta evidenciado que a estratégia de defesa da interessada, desde o início, era de chamar a atenção para problemas específicos de sua contabilidade e da possibilidade de saneálos, de forma pontual. Não foi o que ocorreu, como visto. As irregularidades foram encontradas tanto na contabilidade original quanto no assim chamado “refazimento contábil”, o qual, longe de sanear as irregularidades, introduziu outros e mais graves problemas. Além disso, as irregularidades se verificaram ao longo de diversos anoscalendário, desde 2002 até 2009, revelandose impossível a dissociação dos efeitos de cada uma. Nesse sentido, e mesmo após a realização de diligência, a conclusão foi de que seria impossível a apuração do lucro real. A resposta ao item iii.iii destes embargos não poderia ser mais clara e expressa. Quanto aos laudos produzidos pelas empresas de consultoria PWC e E&Y, também o Colegiado considerou que não são suficientes para afastar as extensas irregularidades encontradas, confirmadas em diligência e em primeira instância. Não é demais lembrar que não cabe ao particular, muito menos um particular contratado pela parte, a tarefa de substituir o Fisco em seu poder/dever de fiscalizar e, se for o caso, de atestar a imprestabilidade da contabilidade para fins de determinação do lucro real. Essa imprestabilidade restou demonstrada à saciedade nos autos. Quanto aos efeitos jurídicotributários de cada uma das infrações, presente mais uma vez a estratégia da interessada de chamar a atenção para problemas específicos. A leitura do voto condutor do acórdão embargado mostra com clareza que as infrações não se resumiam a algumas poucas e pontuais ocorrências, antes espraiavam seus efeitos ao longo de oito anoscalendários, envolvendo milhares de lançamentos contábeis e milhões de reais. Os efeitos jurídicotributários de tão graves e extensas irregularidades contábeis são, no que toca ao imposto de renda, a imposição do arbitramento de lucros para fins de determinação da base tributável. Isso é o que foi feito pelo Fisco e mantido em todas as instâncias administrativas. Finalmente, os esclarecimentos prestados pela interessada foram exaustivamente examinados e rejeitados, à evidência de que erros em tal montante e extensão e com tais efeitos que não poderiam ser tidos como meros erros, mas sim como procedimento intencionalmente adotado para a redução dos tributos devidos. Os parágrafos a seguir bem ilustram o entendimento do Colegiado: Fl. 105479DF CARF MF Processo nº 11080.731521/201228 Acórdão n.º 1301002.203 S1C3T1 Fl. 105.480 15 [...] Não se trata, no caso, de meras ilações do Fisco, como alega a recorrente, mas de numerosos elementos os quais, reunidos, conduzem à conduta dolosa de modificação das características essenciais do fato gerador tributário, de forma a reduzir o montante do tributo devido. De tudo que foi tratado até aqui, tenho por comprovada a existência de uma ação minuciosamente planejada para a obtenção de novos resultados societários, ao mesmo tempo em que se eliminavam pendências/irregularidades fiscais préexistentes sem gerar novos pagamentos de tributos, introduzindo também novas e igualmente graves irregularidades. A manipulação de resultados incluiu o aumento do resultado em anos já atingidos pela decadência e a redução (mediante majoração de custos) nos períodos ainda sujeitos à tributação. “Erros” sistemáticos e reiterados no cálculo da variação cambial (sempre no sentido favorável à contribuinte); mudança no critério do registro de gastos com royalties; registro incompleto da movimentação bancária e modificação no registro dos inventários e estoques, com influência direta nos custos, entre diversos outros aspectos, não deixam dúvidas. Como alerta a Fiscalização, a contribuinte faz parte de um dos maiores grupos econômicos do mundo, e teria, assim, capacidade econômicofinanceira para contratar os melhores profissionais e manter os melhores sistemas para evitar qualquer tipo de incorreção, tanto nos registros originais e muito mais no refazimento. Tornase, pois, inaceitável que tão grande quantidade de irregularidades seja fruto de erro, configurandose a intenção dolosa. Com estes fundamentos, rejeito também estes quatro pontos (iii.iii, iii.iv, iii.v e iii.vi) dos embargos. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por conhecer dos embargos e, no mérito, negarlhes provimento, ratificando integralmente o quanto decidido no Acórdão nº 1301002.024, de 05/05/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 105480DF CARF MF
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