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Numero do processo: 10945.001235/2007-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 14/11/2001, 15/02/2002, 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002, 14/02/2003, 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES Recorrente NCA INFORMATICA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 14/11/2001, 15/02/2002, 15/05/2002, 15/08/2002, 14/11/2002, 14/02/2003, 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 12 35 /2 00 7- 97 Fl. 97DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 53 à 67) interposto contra o Acórdão n° 0623.280, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 46 à 48), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF). Entende que, estando de boafé, não deveria serlhe aplicada a penalidade pecuniária; e que sempre agiu dentro da lei, razão pela qual não seria justa sua repreensão. Por fim, alega malferimento na ampla defesa e contraditório no que cinge à apresentação das declarações. Para melhor acurácia, valhome da transcrição dos principais trechos do indigitado Recurso: A Recorrente, nos anos de 2002 e 2004 estava sob o amparo da Lei, e no momento em que houve a exclusão do SIMPLES e a conseqüente notificação por parte desta Receita Federal. a Recorrente apresentou as declarações retroativas, conforme Processo 10945.013717/200285. Em suma, as declarações de IRPJ e DCTF não foram entregues fora do tempo por culpa ou dolo da Recorrente, apenas acreditavase que estava dispensada por ser enquadrada no SIMPLES, e uma vez alterada tal situação na há que se falar em multa. (...) Assim, como as leis estão preordenadas a reger situações futuras, salvo a retroação benéfica que tem matriz constitucional, a mudança de critério interpretativa do fisco, também, só pode acarretar conseqüências jurídicas a partir de então, e nunca, desde então. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10945.001235/200797 Acórdão n.º 1002000.392 S1C0T2 Fl. 98 3 Ora, isso equivale à aplicação retroativa de nova lei constitucionalmente vedada (art. 150, lll, a da CF), (...) A Receita Federal simplesmente notificou a Recorrente para apresentar as declarações, não lhe concedendo direito de defesa para demonstrar o motivo pelo qual não haviam sido entregues, e assim que foram entregues, a Receita emitiu as multas ora impugnadas, aduzindo estarem fora do prazo. Ora, a empresa sequer foi intimada, e sequer teve a oportunidade de apresentar suas alegações sobre a entrega com atraso, e ao discorrer sobre o tema na sua IMPUGNAÇÃO, foi informada, por meio do Acórdão recorrido, que o tema da exclusão do Simples não poderia ser analisado por estar fora do âmbito deste processo!!! (...) EM SUMA, a empresa não recebeu nenhum comunicado de que deveria justificar o motivo pelo qual as declarações requeridas com atraso, e simplesmente foi autuada, tendo somente a fase de defesa e recurso para demonstrar que não entregou por ser optante do SIMPLES. E O QUE É MAIS GRAVE, a decisão ora impugnada diz que este não é o lugar para se discutir se a Recorrida foi desenquadrada do SIMPLES, ferindose de morte os princípios do contraditório e ampla defesa. razão pela qual o Acórdão deve ser anulado e substituído por outra decisão deste C. órgão superior de julgamento, evitandose que a discussão ultrapasse as fronteiras administrativas e ingresso no campo do Poder Judiciário, com a competente Ação Anulatória de Ato Jurídico. Em Resolução aprovada por unanimidade na sessão de 03 de abril de 2018, requereuse à Unidade de Origem o seguinte esclarecimento (efls. 70 à 73): Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar qual o termo final do prazo de 30 (trinta) dias dado pelo SECAT para apresentação das declarações DCTF e DIPJ. A legislação concedia 30 (trinta) dias de prazo, após a exclusão, para apresentação das aludidas declarações. Em pronto retorno, a indigitada Unidade de piso informou que o dies ad quem para apresentação das DCTFs e DIPJs deuse em 19/09/2006 (efl. : Tratase de processo baixado do CARF, Primeira Seção de Julgamento, Resolução nº 1002000.009 Turma Extraordinária/2ª Turma Ordinária. Em síntese, a diligência visa elucidar qual o termo final do prazo de 30 (trinta) dias dado pela SECAT ao contribuinte, após sua exclusão do Simples, para apresentação das declarações DCTF e DIPJ. Fl. 99DF CARF MF 4 Conforme se verifica nos documentos anexados, o contribuinte teve ciência da Intimação SECAT nº 098/2006 via AR dos correios em 18/08/2006. No calendário de 2006 tratase de sextafeira, resultando que o prazo de 30 dias começou a fluir em 21/08/2006 (segundafeira), tendo por termo final, a nossa contagem, em 19/09/2006. Sendo o requisitado em diligência e não havendo prejuízo ao interessado quanto as informações ora apresentadas, retornase ao CARF para seguimento. Juntaramse as DCTFs, DIPJs e a Intimação SECAT n° 098/2006, com as respectivas datas de recebimento (efls. 75 à 93). É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. 1. Da Exclusão do SIMPLES e do adimplemento das obrigações acessórias Por primeiro, quedouse evidente a exclusão da Recorrente à modalidade tributária do SIMPLES e de que aquela restou devidamente intimada de tal fato. Isso restou comprovado de forma hialina com a Intimação SECAT n° 098/2006, doravante acostada aos autos e cujo teor colaciono abaixo (efl. 75): Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10945.001235/200797 Acórdão n.º 1002000.392 S1C0T2 Fl. 99 5 Há de se pontuar, ainda, que essa Intimação foi recebida em 18/08/2006, tendo por termo final em 19/09/2006. Noutro giro, ficou claro que a Recorrente apresentou tempestivamente a maior parte de sua documentação em 13/09/2006; sendo que apenas não o fez tocante à: a. DIPJ 2003. período de 01/01/2002 a 31/12/2002 (efl 81). Apresentada em 22/09/2006. Nesse espeque, quanto à obrigação de apresentar a Declaração em comento a tempo e modo, a Recorrente não demonstrou de modo objetivo fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. Por seu turno, o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DIPJ, DCTF, DIRF e DACON, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade da Contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A Fl. 101DF CARF MF 6 responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese à necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10945.001235/200797 Acórdão n.º 1002000.392 S1C0T2 Fl. 100 7 TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Fl. 103DF CARF MF 8 2. Da violação à ampla defesa e contraditório e retroatividade da lei tributária Ademais, não há que se falar em malferimento à ampla defesa e contraditório, tampouco em violação à retroatividade da lei tributária. O presente Processo Administrativo cumpriu com seu regular deslinde, apresentando todas as oportunidades de defesa à Contribuinte e observando as normas a ele intrínsecas. Assim, não restou comprovada qualquer incidência do rol do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Noutro giro, o arcabouço probatório logrou afastar a maior parte das multas aplicadas, de modo que restou comprovado apenas o atraso na entrega da DIPJ 2003. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos em totalidade. Portanto, VOTO pelo PROVIMENTO PARCIAL do Recurso Voluntário, para manter apenas as multas por atraso de entrega das documentações alusivas à DIPJ 2003. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909848/2011-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/11/2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/11/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 48 /2 01 1- 29 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.500, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/11/2005 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909848/201129 Acórdão n.º 9303007.212 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721151/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO E JULHO DE 2009, CUMULADAS COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL.
Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, torna-se cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativas aos meses de 2009, e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de CSLL apurada no ajuste anual de 31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105)
Numero da decisão: 1201-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO E JULHO DE 2009, CUMULADAS COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL. Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, torna-se cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativas aos meses de 2009, e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de CSLL apurada no ajuste anual de 31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS IRPJ, RELATIVAS AOS MESES DE JUNHO E JULHO DE 2009, CUMULADAS COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE CSLL APURADA NO AJUSTE ANUAL. Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, tornase cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, relativas aos meses de 2009, e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de CSLL apurada no ajuste anual de 31/12/2009. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que negavam provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 51 /2 01 3- 36 Fl. 1070DF CARF MF 2 Relatório Em ação fiscal empreendida junto ao contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração da CSLL de fls. 727 a 735, sob o fundamento de determinação incorreta das bases de cálculo da CSLL dos anoscalendário de 2009 e 2010, uma vez que delas não constam as respectivas adições das despesas contabilizadas de amortização de ágios originados das aquisições de investimentos avaliados pelo Patrimônio Líquido, do que resultou a constituição de créditos tributários que totalizam R$ 16.304.486,49 de CSLL, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, e R$ 4.138.476,72 de Multa Exigida Isoladamente, com base no que estabelece o art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. A autuada apresentou impugnação para a qual, a 9a.Turma da DRJ do Rio de Janeiro (DRJ1), proferiu o Acórdão nº 1265.748, de 22/05/2014 (fls. 920/948), para considerar integralmente improcedente o crédito tributário constituído de R$ 16.304.486,49 de CSLL, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, e de R$ 4.138.476,72 de Multa Exigida Isoladamente –CSLL. Em razão do valor exonerado, a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Cientificada do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs Recurso Especial, admitido pelo CARF, e julgado procedente pela 1a Turma da Câmara Superior de Recursos FiscaisCSRF, mediante o Acórdão nº 9101003.005, de 08 de agosto de 2017 (fls.1.022/1.035) que, manteve o auto de infração relativo à CSLL, e determinou o retorno dos autos para pronunciamento da turma a quo, sobre a multa isolada nos seguintes termos: Enfim, tendo a decisão recorrida dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, não apreciou a matéria relativa à multa isolada por insuficiência no recolhimento de estimativas mensais do ano calendário de 2007.(sic) Cabe, nesse sentido, o retorno dos autos para a turma a quo apreciar a matéria. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora De acordo com o relatoriado, no presente voto será tratada, exclusivamente, a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Conforme o Termo de Verificação Fiscal TVF, página 27, no período fiscalizado, as antecipações apuradas com base em balancetes de suspensão/redução foram as relativas aos meses de Janeiro/2009, Fevereiro/2009, Junho/2009 e Julho/2009, sendo que apenas os meses de Junho/2009 e Julho/2009 foram afetados pela adição de ofício. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 1201002.460 S1C2T1 Fl. 3 3 Do relatório do acórdão da DRJ, em síntese, insurgese a autuada contra a exigência de multa isolada simultaneamente com multa de lançamento de ofício; argúi que, implica dupla imposição de penalidade sobre um mesmo fato e uma mesma base de cálculo, portanto merece ser afastada. Do auto de infração (fls.727/735) e do TVF, depreendese que as multas isoladas referemse à insuficiência de estimativas da CSLL, e dizem respeito aos meses do ano calendário de 2009, e não 2007 como dito no Acórdão da CSRF, portanto configurado o lapso manifesto, prosseguese na análise. A Lei 9.430/96, em seu art. 44, inciso II, alínea b, com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2001, prevê a aplicação de multa isolada de 50%, para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, neste caso, da CSLL Estimativa. Vale tecer algum comentário sobre a cumulatividade de multa de ofício com multa isolada por insuficiência de estimativa mensal, que devem ser afastadas por força da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Como se vê, a Súmula tem como fundamento o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Ocorre que, o mencionado dispositivo legal fora alterado pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, vejamos: Redação anterior: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;(Vide Lei nº 10.892, de 2004) .... §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Fl. 1072DF CARF MF 4 ... Redação após a Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No caso dos autos, as multas isoladas aplicadas, em relação aos meses de junho e julho de 2009, têm como fundamento o artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei 9.430/96, porquanto já em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, de sorte que a mencionada Súmula não se aplica ao presente processo, haja vista que os fatos geradores das multas isoladas exigidas ocorreram em 2009, sob a égide da Lei nº 11.488/2007, portanto, sem qualquer óbice legal para imposição concomitante da multa prevista em seu inciso I com aquela estabelecida no inciso II, alínea "b". Desse modo, temse como indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela insuficiência de pagamento das estimativas mensais da CSLL, ainda que cumulativamente se exija a multa de ofício proporcional à contribuição devida no ajuste anual do ano de 2009. Portanto, ainda que em face dos autos de infração se exija o pagamento da CSLL no ajuste anual, em 31/12/2009, com a multa de ofício de 75%, deve ser mantida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, nos presentes autos de infração, em relação aos mencionados meses de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício para manter as multas isoladas em comento. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 1201002.460 S1C2T1 Fl. 4 5 Fl. 1074DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.001370/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1994 a 31/05/2004
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL
O pedido de restituição foi negado, em parte, em razão de o contribuinte supostamente tê-lo instruído por meio de guias de recolhimento de outro tipo de contribuição. Confirmado que tal erro não fora cometido, há que se cancelar o despacho decisório, por conter vício material.
Numero da decisão: 3301-004.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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VÍCIO MATERIAL O pedido de restituição foi negado, em parte, em razão de o contribuinte supostamente têlo instruído por meio de guias de recolhimento de outro tipo de contribuição. Confirmado que tal erro não fora cometido, há que se cancelar o despacho decisório, por conter vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o despacho decisório. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 13 70 /2 00 5- 18 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19647.001370/200518 Acórdão n.º 3301004.911 S3C3T1 Fl. 166 2 "Cuida o presente processo de PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS no valor de R$ 351.603,18 (fl.01), indeferido pela autoridade administrativa, qual seja, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife PE, segundo Despacho Decisório proferido em 07/07/2006 (fls.72), com fundamento no Termo de Informação Fiscal elaborado na mesma data (fls.71). 2. No pedido, que se fez acompanhar de planilhas (fls.16/18) e outros elementos, dentre os quais cópias de i) Reforma do Estatuto do Colégio Americano Batista (fls.11/14), ii) diversos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais Darf (fls.19/70), a contribuinte alegou ter efetuado pagamentos indevidos da contribuição referida, tendo apresentado planilha em que constam pagamentos realizados no período de novembro de 1994 a maio de 2004, dado que "(...) é imune à referida contribuição em face do que dispõe o art. 195, § 7° da Constituição Federal, uma vez que obedece a todos os requisitos previstos ' o art.14 do CTN e art.55 da Lei n° 8.212/91." 3. Conforme relatado no mencionado Termo de Informação Fiscal, a contribuinte "( ... ) solicita restituição do PIS pelo fato da (sic) ser imune, em face do disposto no art. 195 da Constituição Federal, anexa vários DARF'S de recolhimento do PASEP." Aduz que "( ... ) verificase, através dos sistemas da SRF, que o contribuinte não recolhe PIS e sim PASEP sobre a folha de pagamento." Acrescenta que o direito de pleitear a restituição já havia decaído para os pagamentos até 2001 e conclui por propor o indeferimento do pedido "(...) pelo fato de não haver créditos de PIS a restituir e por ter havido decadência do direito de pleitear restituição para os pagamentos das fls.19 a 70, anexados ao presente processo, conforme determina o artigo 168 do Código Tributário Nacional e a Lei 8.383/91 e alterações posteriores." 4. Devidamente cientificada do mencionado despacho decisório em 31/0712006 (Aviso de Recebimento AR às fls.74), a pessoa jurídica apresentou, em 24/08/2006, por intermédio de seu procurador (cópia do instrumento de mandato às fls.05), manifestação de inconformidade (fls.75/81), acompanhada de extrato de CONSULTA CÓDIGO DE RECEITA ESPECÍFICO (fls.82), obtido no sítio da Receita Federal na internet. Por meio dessa peça de defesa, contesta o indeferimento do seu pedido com os argumentos a seguir sintetizados. 4.1. "O Recorrente é uma entidade beneficente de assistência social , SEM FINS LUCRATIVOS, autorizada a funcionar como colégio nos termos do Decreto n ° 10.844, de 19.11.1942, reconhecida como de utilidade pública federal pelo Decreto n° 86.668, de 30.11.1981 e municipal pela Lei n° 12.408, de 16.12.1976, reconhecida como uma Entidade Filantrópica desde 08.04.1981, isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, constituída sob a forma de uma sociedade civil, sem fins lucrativos, cuja finalidade é ministrar a educação básica ( ... )." 4.2. "Nestas condições, o Contribuinte, ora Recorrente, goza de IMUNIDADE TRIBUTÁRIA a toda e qualquer contribuição social para o custeio da seguridade social, incidente sobre a sua folha de salários, nos termos do art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988." 4.3. "( ... ) foi equivocadamente enquadrado como uma pessoa jurídica simplesmente SEM FINS LUCRATIVOS, sendo, por conseguinte, compelido a proceder com o recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, calculada mediante a aplicação do percentual de 1% (um por cento) incidente sobre a sua folha de salários (Código 8301), nos termos da Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/1971, na Medida Provisória n° 1.212/95 e suas Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19647.001370/200518 Acórdão n.º 3301004.911 S3C3T1 Fl. 167 3 reedições, na Lei d 9.715/98 e, por fim, com base na Medida Provisória n° 2.158 34/2001." 4.4. "( ... ) apenas as ENTIDADES `PURAMENTE' SEM FINS LUCRATIVOS é que estariam sujeitas aos recolhimentos da Contribuição para o PIS sobre a Folha de Salários, e não as ENTIDADES FILANTRÓPICAS, posto que estas últimas gozam de IMUNIDADE TRIBUTÁRIA." 4.5. Efetuou recolhimentos sob o Código 8301, que significa PIS FOLHA DE SALÁRIOS, como se pode verificar nas cópias dos Darf anexados aos autos, e não de PASEP, como alegou o Auditor Fiscal; 4.6. Discorre sobre o seu direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos nos últimos dez anos, tendo em vista que o PIS sujeitase ao lançamento por homologação, entendimento este firmado nas jurisprudências administrativa e judicial, consoante decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e do Superior Tribunal de Justiça STJ, em sede de Recurso Especial Resp, que transcreve; 4.7. Ao final, pugna pelo reconhecimento do seu direito creditório, para fins de restituição do PIS sobre a folha de salários." A DRJ no Recife (PE) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1121.648, de 18 de fevereiro de 2008, foi assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 0 1 /11/1994 a 31/05/2004 PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O direito de pleitear a restituição ou compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese ao final do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento. PIS. IMUNIDADE. A imunidade concedida pelo § 7° do art. 195 da Constituição Federal alcança apenas as entidades beneficentes de assistência social, desde que atendam às exigências legais elencadas no art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. PIS. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE ÀS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não lhes sendo aplicável o beneficio constitucional a estas restrito. PIS SOBRE O FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. As instituições de educação sujeitamse normalmente à incidência do PIS sobre ó faturamento, nos termos da letra "a" Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19647.001370/200518 Acórdão n.º 3301004.911 S3C3T1 Fl. 168 4 do inciso I do ia. 2% c/c o art. 3°, ambos do Decreto n° 4.524, de 2002. Solicitação Indeferida" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Em 23/02/2005, a recorrente protocolizou Pedido de Restituição (fl. 03) de pagamentos de PIS sobre folha de pagamento, realizados no período de novembro de 1994 a maio de 2004. Instruiu o pleito com alegação de que a contribuição não era devida, pois imune à contribuição, nos termos do § 7° da Constituição Federal. E atendia aos requisitos previstos no art. 14 do CTN e 55 da Lei n° 8.212/91. A fiscalização indeferiu o pedido por dois motivos: i) o contribuinte não pagou PIS/Folha de Pagamento e sim PASEP/Folha de Pagamento; e ii) ainda que houvesse o crédito, já teria decaído o direito à restituição dos valores indevidamente pagos até 2001 Na manifestação de inconformidade, afirmou que: a) não se operara a decadência, pois, conforme entendimento então já exarado pelo STJ, o prazo era de dez anos, contados do pagamento indevido ou a maior, nos casos de pedidos protocolizados até 09/06/05; b) era imune à contribuição, nos termos do § 7° da Constituição Federal, uma vez que atendia aos requisitos previstos no art. 14 do CTN e 55 da Lei n° 8.212/91; e c) efetuara recolhimentos sob o Código 8301 PIS/Folha de Pagamento, conforme cópias dos Darf anexados à defesa, e não de PASEP/Folha de Pagamento. A DRJ ratificou a incidência da decadência. Afirmou que a defendente não era imune, pois não atendia aos incisos I ao IV do art. 55 da Lei n° 8.212/91 (o decreto que a constituíra como de utilidade pública já havia sido revogado; o certificado de entidade beneficente não continha assinatura e estava fora de validade, não prestava serviços gratuitamente e remunerava diretores). Concluiu, dizendo que o contribuinte estava sujeito ao PIS sobre o faturamento e, assim, deveria "providenciar a retificação dos DARF pagos naquela modalidade e, ainda, proceder ao recolhimento das diferenças porventura existentes, na modalidade PIS/Faturamento". Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19647.001370/200518 Acórdão n.º 3301004.911 S3C3T1 Fl. 169 5 Por fim, consigna que era procedente o argumento da defesa de que recolhera PIS/Folha de Pagamento (Código 8301) e não PASEP/Folha de Pagamento (Código 3092). A meu ver, há vícios fatais tanto no Despacho Decisório quanto na decisão de piso. Contudo, o primeiro ato administrativo é que deve ser objeto de nossa apreciação, pois formouse o contencioso administrativo a partir da contestação de seu conteúdo. Constatase nos autos que realmente a recorrente recolheu PIS/Folha de Pagamento (Código 8031) e não PASEP/Folha de Pagamento (Código 3092), tal qual o consignado pela DRJ em sua decisão. Como foi este foi argumento para rejeitar a parte do Pedido de Restituição relativa aos anos de 2002 a 2004, é evidente que há de defeito na motivação do Despacho Decisório, o que o eiva de nulidade, por vício material. E, em razão da citada ocorrência, a meu ver, não nos cumpre apreciar as demais questões. Portanto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, declarando que o Despacho Decisório é nulo, por conter vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721662/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ICMS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% a 75%. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa (relatora) e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães para redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 16 62 /2 01 4- 68 Fl. 503DF CARF MF 2 LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP e ICMS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% a 75%. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa (relatora) e Eva Maria Los que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães para redigir o voto vencedor em relação à multa de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.462/477) que transcrevo a seguir: Tratase de procedimento fiscal amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) nº 0920100.2014.006625, que abrangeu o anocalendário de 2011 e teve como escopo os tributos objeto do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. Da referida ação fiscal, foi apurado o Crédito Tributário consolidado abaixo, acrescido de multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, decorrente de omissão de receitas relativa a depósitos bancários cuja origem não restou comprovada (Auto de Infração fls. 318 a 394): Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 3 3 A impugnante atua sob a forma de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada (Ltda.), foi constituída no ano de 2006 e está domiciliada na cidade de Santo Amaro da Imperatriz/SC, e tem como objeto social o comércio atacadista e varejista de madeiras para construção. DA AÇÃO FISCAL O Termo de Verificação Fiscal (TVF), elaborado pela autoridade fiscal, descreve os procedimentos realizados e os fundamentos de fato e de direito que originaram a lavratura do auto de infração em litígio (fls. 396 a 406). A seguir, a síntese da auditoria fiscal, naquilo que importa para o presente julgamento. A fiscalização foi iniciada em 10/9/2014, ocasião em que foram exigidos da impugnante, dentre outros elementos, livros fiscais, comerciais e extratos e documentos bancários, relativamente a contas correntes mantidas junto às seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil, Banco Mercantil do Brasil, Banco Itaú e Banco Bradesco. As exigências foram atendidas pela contribuinte. A fiscalização selecionou 214 (duzentos e quatorze) lançamentos relativos a créditos em contas bancárias de titularidade da impugnante, de operações não identificadas na escrituração contábil da pessoa jurídica (fls. 46 a 70), e intimou a impugnante a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, que comprovasse a origem dos valores creditados em contas de depósito, transcritos no Anexo Único do termo fiscal (fls. 204 a 212). Em relação a essa exigência, a impugnante apresentou 3 (três) pedidos de prorrogação de prazo para atendimento, nas seguintes datas: 14/10/2014, 3/11/2014 e 14/11/2014. Em face dessas solicitações de dilação de prazo, foi estabelecido o dia 3/12/2014 como termo final para atendimento da intimação. Findado o prazo para atendimento da intimação acima referida, a impugnante assim se manifestou : A empresa ERNANI BUSS COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA – ME, (...)declara que em atendimento ao termo de início do Procedimento Fiscal, nº do Mandado 0920100.2014.006625, Fl. 505DF CARF MF 4 código de acesso 13188284, onde foram selecionados 214 lançamentos relativos a valores creditados em contas bancárias de titularidade da sociedade empresária, mantidas junto a instituições financeiras BANCO DO BRASIL, BANCO MERCANTIL DO BRASIL, BANCO ITAÚ e BRADESCO, não constam na escrituração contábil da empresa e que todas são oriundas da atividade empresarial . Conforme relato fiscal, a resposta da impugnante foi acompanhada de contratos e outros documentos relativos a operações de crédito (empréstimos) a ela concedidos, no ano de 2011, embora esses documentos não tenham sido objeto de questionamento por parte da fiscalização e sequer foram incluídos no Anexo Único da Intimação Fiscal nº 001. Além dos contratos de operações de crédito obtidos, diz o autuante que a impugnante apresentou contratos firmados entre o sócioadministrador Ernani Buss e outras pessoas físicas, relativos a permuta de madeiramento e peças de madeira por imóveis e automóvel, que também não guardam nenhuma relação com os recursos depositados nas contas correntes bancárias e, portanto, inábeis para comprovar a origem dos valores creditados nessas contas. (fl. 400) A autoridade fiscal assevera que os valores creditados em contas depósitos bancários, mantidas pelo sujeito passivo, cujas origens não foram comprovadas, montam, no anocalendário de 2011, em R$ 2.567.322,29 (dois milhões, quinhentos e sessenta e sete mil, trezentos e vinte e dois reais e vinte e nove centavos), assim discriminados mensalmente: A infração foi enquadrada nos arts. 26 e 34 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que possuem a seguinte redação: Lei Complementar nº 123/06: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: [...] Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 4 5 § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. [...] Art. 34. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. ......................................................................................................... Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. No tocante à aplicação da multa qualificada, eis os fundamentos expendidos no relatório fiscal: Cabe destacar que na infração identificada através do item 2 do presente feito deve ser aplicado tratamento mais gravoso no que tange à multa de ofício lançada. A referida sanção é devida em razão do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, encontrando amparo no § 1º do art. 44 da lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 507DF CARF MF 6 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (grifouse) Os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, são os de sonegação, fraude e conluio, respectivamente. Na situação em análise, a qualificadora é aplicada em virtude da prática de fraude, conduta conceituada no artigo 72 da mencionada lei, que assim dispõe: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fraude é o vocábulo derivado do latim fraus, fraudis (engano, máfé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovida de máfé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a fraude traz consigo o sentido do engano para furtarse o ao cumprimento do que é de sua obrigação ou para logro de terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto, a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse de terceiros ou da coletividade, ou seja, em ato onde se evidencia a intenção de frustrarse a pessoa aos deveres obrigacionais ou legais. O texto do art. 72 da lei nº 4.502/1964, acima transcrito, estabelece que a conduta fraudulenta pode ser praticada mediante “ação” ou “omissão” do agente, ou seja, o simples “deixar de fazer”, quando com intuito doloso e voltado a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, caracteriza a conduta típica ensejadora da aplicação da multa qualificada. No caso em análise, houve uma conduta omissiva que importou na ocultação ao Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e por consequência ao não pagamento do imposto devido. O que está a se falar é de uma decisão do sujeito passivo de omitir de sua contabilidade uma parcela significativa da movimentação financeira bancária mantida em quatro instituições financeiras, suprimindo assim do cálculo dos tributos devidos no ano calendário 2011 uma receita total de R$ 2.567.322,29, equivalente a treze vezes o valor de sua receita bruta anual declarada, que foi de R$ 210.968,18. Como consequência, omitiu ainda da declaração apresentada ao Fisco (fls. 307 a 317) a receita mantida à margem da escrita contábil e todos os tributos que dela decorreriam no âmbito da apuração do Simples Nacional, causando sérios prejuízos aos cofres públicos. Resta evidenciado que tal ação foi promovida de forma intencional e dolosa, ou seja, com o objetivo único de se furtar ao pagamento dos tributos, mantendo em sua escrituração e na declaração apresentada à Receita Federal do Brasil uma receita muito aquém daquela que auferiu. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 5 7 [...] IMPUGNAÇÃO O lançamento foi cientificado à impugnante em 11/12/2014 (quintafeira),pessoalmente (fl. 407) Inconformada com autuação fiscal, a contribuinte apresentou, em 12/1/2015 (segundafeira), representada por procurador (instrumento fls. 442 445), a impugnação de fls. 410 a 441, por meio da qual traz as seguintes razões de fato e de direito em sua de defesa: Operações não Tributáveis e a Duplicidade de Cobrança de IR e CSLL 1) após fazer ilações acerca do art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN), com relação ao conceito de tributo, e após discorrer sobre obrigação tributária e certeza e liquidez do crédito tributário, assevera que houve equívoco da autoridade fiscal no que tange à interpretação do Ente Administrativo, a teor da declaração da empresas às fls. 222 a 223 dos autos; 2) afirma que foi destacado pela autoridade fiscal, fl. 400 dos autos, um trecho onde a impugnante menciona, por meio de seu contador, que alguns créditos nas contas bancárias, de titularidade da sociedade empresária, são oriundos da atividade empresarial. Contudo, esclarece que essa explicação foi fundada em técnica contábil, o que acabou gerando um engano, pois tal documento referiase a uma classificação utilizada para operações contábeis operacionais e não operacionais. Traz conceitos de movimentações operacionais e não operacionais, procurando demonstrar que houve equívoco ao informar movimentações não operacionais como atividade empresarial (fls. 416); 3) entende que a movimentação não operacional não referese necessariamente a um faturamento, não ensejando assim a tributação aplicada, pois no caso em tela existem apenas movimentações meramente financeiras, via banco, que não decorrem da venda de produtos. Alega que são simples movimentações entre contas, depósito, descontos antecipados de títulos ou cheques; 4) considerar que uma “transferência bancária” é uma receita no banco que recebeu o crédito, seria o mesmo que admitir que a mesma operação no banco de origem é uma despesa, quando o que ocorre é apenas uma movimentação/deslocamento de recursos. Não sendo tributada essa operação, não há que se falar em fato gerador, tampouco de lançamento de ofício (cita e transcreve art. 142 do CTN); 5) vários créditos foram levantados sugerindo que fossem receita, como, por exemplo, “desbloqueio de depósito”, que Fl. 509DF CARF MF 8 nada mais é do que a liberação de um depósito feito anteriormente, aguardando seu prazo de compensação; 6) lançamento de créditos a título de “depósito em cheque”, que dias depois geram o tal “desbloqueio de depósito”, se somados efeitos contributivos, representam tributação em duplicidade; 7) no mesmo viés, créditos com o histórico “reapresentação de cheque”, também foram somados indevidamente, pois já tinham sido considerados em momento anterior, quando do depósito; 8) créditos a título de “desconto de título”, que nada mais é do que uma antecipação de um recebível, nada tem a ver com receita ou faturamento, não ensejando a pretendida tributação, pois o faturamento originários desses créditos se dão em momento anterior ao do desconto em banco, que já foi tributado na época própria; 9) os fatos geradores foram devidamente tributados em época própria, quando do faturamento das vendas dos produtos, e isso foi claramente reconhecido nos autos à fl.404, onde o Fiscal menciona os valores do faturamento anual declarado pela empresa; 10) evidenciase clara duplicidade de cobrança de Imposto de Renda e de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido Capacidade Contributiva e Multa Excessiva Confiscatória 11) tendo em vista que a multa é acessória ao suposto débito tributário, há de se destacar a excessividade da aplicação da multa em face da capacidade contributiva, configurando o caráter confiscatório da penalidade; 12) foi aplicada a multa mais gravosa à impugnante, no percentual de 150%, ferindo o princípio da capacidade contributiva, gerando uma multa impagável para o porte da empresa. Discorre longamente sobre a vedação ao confisco, citando o art. 150, inciso IV da Constituição Federal, além de doutrina e jurisprudência sobre o tema (fls. 423 a 435); Instauração de Representação Fiscal para Fins Penais 13) após breve síntese dos motivos da autuação fiscal, diz que colaborou com a fiscalização, providenciando toda a documentação em sua íntegra, conforme requerido, de modo a prestar todas as informações necessárias ao deslinde do processo fiscalizatório. 14) entende que não pode a RFB instaurar processo administrativo de representação fiscal para fins penais, já que, não havendo o direito à exigibilidade dos créditos provenientes das operações relativas aos perquiridos, não há configuração dos crimes capitulados nos incisos I e II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990; Efeito Suspensivo da Exigibilidade dos Tributos Lançados 15) após citar princípios constitucionais e doutrina, invoca o art. 151, inciso III, do CTN, art. 2º da Lei nº 9.784/99 e art. 5º, Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 6 9 incisos LIV e LV da CF, para requerer a concessão de efeito suspensivo ao presente processo. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (13ª Turma da DRJ/RPO) julgou improcedente a Impugnação em decisão proferida no Acórdão nº 1462.759, de 21 de setembro de 2016, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. As autoridades julgadoras administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas (juris tantum) obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, cabendo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma prevista em lei. A empresa tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.484, em 14/10/2016 e, protocolizou Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.486/500, em 14/11/2016. Fl. 511DF CARF MF 10 A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, o que torna desnecessário repetilos, nos tópicos: OPERAÇÕES NÃO TRIBUTÁVEIS E A DUPLICIDADE DE COBRANÇA, e, DA MULTA CONFISCATÓRIA. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. OPERAÇÕES NÃO TRIBUTÁVEIS E A DUPLICIDADE DE COBRANÇA Conforme relatado, a autoridade fiscal mediante o Termo de Início do Procedimento Fiscal, selecionou 214 lançamentos relativos a valores creditados em contas bancárias de titularidade da fiscalizada, de operações não identificadas na escrituração contábil da pessoa jurídica (fls. 46 a 70), mantidas junto a instituições financeiras BANCO DO BRASIL, BANCO MERCANTIL DO BRASIL, BANCO ITAÚ e BRADESCO, e intimou a Recorrente a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, que comprovasse a origem dos valores creditados em contas de depósito, transcritos no Anexo Único do termo fiscal (fls. 204 a 212). Em relação a essa exigência, a fiscalizada apresentou 3 (três) pedidos de prorrogação de prazo para atendimento, nas seguintes datas: 14/10/2014, 3/11/2014 e 14/11/2014. Em face dessas solicitações de dilação de prazo, foi estabelecido o dia 3/12/2014 como termo final para atendimento da intimação. Findo tal prazo, a interessada não atendeu ao solicitado pela fiscalização. Assim, ultimado os trabalhos, o Fiscal concluiu que restou identificado a ocorrência de infração à legislação tributária federal, da espécie "omissão de receitas", caracterizada pela identificação de valores creditados em contas de depósitos mantidos junto a instituições financeiras, em relação ao qual a contribuinte não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, oportunidade em que além de lançar de ofício os tributos, aplicou multa qualificada no percentual de 150% sobre o montante dos valores lançados. Argúi a Recorrente que: Vários foram os créditos em conta corrente levantados sugerindo que fossem receita, e por consequência originouse o Auto de Infração Tributário ensejando tributação, sob os mais variados históricos, todos indevidamente. No Anexo Único da presente intimação fiscal, foram listados esses créditos, apontando os valores, e o histórico de cada um. Diz que: os créditos lançados a serem tributados sob o título de "desbloqueio de depósito" nada mais são, do que as liberações dos depósitos feitos anteriormente, que estavam aguardando seus prazos de compensação, já computados como depósito anteriormente. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 7 11 na mesma relação, o lançamento de créditos a título de "depósito em cheque", que dias depois, geram o tal "desbloqueio de depósito". Assim, somar o desbloqueio ao depósito para efeitos contributivos, é tributar em duplicidade. bastava debruçarse sobre os extratos bancários fornecidos pelo Recorrente para verificar a tributação indevida. Não se ouvida o uso de outro documento que não seja os extratos bancários para tal comprovação, pois, neste caso, a ilegalidade é ictu oculi, representada na monta de R$ 362.774,05 da base de cálculo do Auto em questão. Vejamos os destaques a seguir que demonstram afirmação com base no citado documento: (...) No mesmo viés, os créditos em conta corrente com histórico de "Reapr Aut chq devolvido", também foram somados indevidamente, pois já teriam sido considerados em momento anterior, quando do depósito. Assim, como demonstra o anexo "Reapr Aut chq devolvido", fica claro que os valores lançados a este título, são indevidos, pois já tinham sido considerados como receita, e, portanto, ensejando tributação quando lançados como "depósito cheque" e "Dep cheque custodiado", no Auto em questão. Nesse sentido, vejamos alguns destaques pincelados dos extratos bancários da Recorrente: (...) Pelo exposto, requer a reforma do decisum para que seja excluído o montante de R$ 56.398,00 da base de cálculo para tributação lançado no Auto, sob pena de bis in idem. Ainda, não bastassem os apontamentos destacados acima, outro exemplo de tributação indevida são os créditos a título de "Desconto de titulo", que nada mais são, do que uma antecipação de um recebível, nada tendo a ver com receita ou faturamento, não ensejando assim, a pretendida tributação, ora objeto dos presentes autos, pois o faturamento originário desses créditos se dão em momento anterior ao do desconto em banco, que já fora tributado em época própria. Outrossim, no dia 18/07/2011 fora lançado (DI Din 0008172804000180) a este título o valor de R$ 13.500,00, que deve ser estornado, pois tratase de um simples resgate de aplicação, não caracterizando assim como fato gerador tributável. Por esta razão, a decisão merece reforma para excluir o referido valor da base de cálculo tributada proposta no Auto em questão. Em suma, todos os valores de créditos aqui mencionados (doe. 01), tiveram fatos geradores anteriores ao crédito efetivo na conta corrente, e aqui demonstrado, tornandoos indevidos para fins de composição de base cálculo para qualquer tributo. Fl. 513DF CARF MF 12 Por outro lado, a prova cabal das alegações constantes na impugnação ao lançamento, ora insurgidas através do presente recurso, são os extratos bancários fornecidos pela própria Recorrente. Por fim, ressaltase que seus fatos geradores foram devidamente tributados em época própria, quando do faturamento das vendas dos produtos, e isso foi claramente reconhecido nos autos de fls. 404, onde o Fiscal menciona os valores do faturamento anual declarado pela empresa, apesar de ter sido, inexplicavelmente, ignorado ao apresentar o cálculo da intimação em tela. Em face do exposto, evidenciase caso claro de duplicidade de cobrança de impostos relativos ao Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, prática rechaçada pela legislação tributária. Com esteio na Lei nº 7.357, de 02/09/1985 que dispõe sobre o cheque e circulares do Banco Central do Brasil (Circular BCB nº 3.532, de 2011 Circular BCB nº 3.535, de 2011), a decisão recorrida assim analisa as alegações da Recorrente: ... A impugnante também insurgese contra vários créditos levantados pelo agente fiscal, e levados à tributação como receitas omitidas, alegando que não se tratam, efetivamente, de receita ou faturamento. São os casos de lançamentos bancários a título de (i)“desbloqueio de depósito”, (ii) “reapresentação de cheque”, e (iii) “desconto de título”. Entende a contribuinte que tais créditos representam (i) a liberação de um depósito feito anteriormente, (ii) valores já considerados em momento anterior, e (iii) antecipação de um recebível já tributado na época própria, respectivamente. Essas alegações não merecem acolhida. Vejamos. Com relação à compensação de cheques, a regulamentação atual1 determina que ela seja efetuada unicamente por intermédio de imagem digital e outros registros eletrônicos do cheque (truncagem de cheques), sendo que os prazos de bloqueio de cheque acolhido em depósito variam apenas em função do valor. Para liberação dos valores depositados, esse prazo é contado a partir do dia útil seguinte ao do depósito, sendo de (i) até dois dias úteis para cheques de valor inferior a R$ 300,00; e (ii) um dia útil para cheques de valor igual ou superior a R$ 300,00. Esses prazos podem sofrer mudanças em função de feriado local na praça sacada ou inoperância do sistema de compensação. Os valores depositados em cheque ficam disponíveis para saque no dia útil seguinte ao último dia do prazo de bloqueio. Para compensar débitos na respectiva conta corrente do depositante, os valores depositados ficam disponíveis na noite do último dia do prazo de bloqueio. Os depósitos em cheques de outra dependência do mesmo banco observam os mesmos prazos máximos de bloqueio e de entrega previstos anteriormente para os cheques de outro banco, Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 8 13 podendo ser reduzidos, de acordo com os critérios próprios de cada banco. Na hipótese dos autos, os depósitos efetuados no Banco do Brasil (fls. 79 a 117) são descritos como “depósito bloqueado” e com asterisco no valor, não compondo o saldo bancário do dia. Somente após o desbloqueio dos depósitos os valores efetivamente passam a compor o saldo bancário. Os créditos, nesses casos, somente ingressam na conta corrente a partir do lançamento descrito como “desbloqueio de depósito em cheque”. Já os depósitos em cheque realizados na conta corrente do Banco Itaú, de titularidade da impugnante (fls. 166 a 180), possuem um tratamento diferente daquele conferido pelo Banco do Brasil. No Banco Itaú, os valores relativos a depósitos em cheque passam a compor o saldo da conta corrente no mesmo dia em que são informados no extrato bancário, o que permite concluir que o bloqueio para aguardar o prazo de compensação não é informado no extrato, de modo que as informações consignadas representam, efetivamente, ingresso de recursos na conta corrente bancária. Nos extratos da conta corrente do Banco Bradesco (196 a 201), os depósitos em cheque também compõem o saldo em conta corrente na mesma data em que são informados. Contudo, não há informação individualizada dos cheques depositados, de modo que, na hipótese de devolução de cheques, não é possível identificar a data em que houve o depósito inicial. Para que os cheques devolvidos pudessem ser excluídos de depósitos anteriormente efetuados, cabia à impugnante prestar a informação e comprovar documentalmente a devolução. Isso não foi feito! Como se vê, diante dos fundamentos da decisão recorrida, que também adoto como razão de decidir, a Recorrente em sua contestação apenas repete o que já dissera na impugnação e elenca alguns valores "pincelados dos extratos bancários da Recorrente", do Banco do Brasil e Banco Itaú, porém não há qualquer demonstração e/ou comprovação de que inexistem os depósitos ou exclusão/devolução de depósitos efetuados. A Recorrente argúi que uma movimentação operacional não se refere necessariamente a um faturamento, não ensejando assim a tributação, pois tratase de movimentações meramente financeiras, que ocorrem via banco, que não decorrem, no momento da respectiva movimentação, da venda dos produtos, e sim, simples movimentações entre contas, depósito, descontos antecipados de títulos ou cheques. A Recorrente repisa que, "São operações que ocorrem em qualquer empresa, necessárias para sua gestão, daí por que serem consideradas operacionais, buscando equilíbrio financeiro para honrar todos os compromissos, ou até mesmo buscando rentabilidade a algum montante eventualmente sobrando." Fl. 515DF CARF MF 14 Finalmente conclui que, não havendo obrigatoriedade de tributar sobre estas operações, não há que se falar em fato gerador, e não havendo fato gerador o lançamento de ofício objeto do auto em questão se torna nulo. Entendo que as justificativas trazidas pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção legal de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Vejamos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, um mínimo de esclarecimento com provas por parte do contribuinte e, na espécie, o Recorrente deixou transcorrer em branco a oportunidade a ele concedida para tanto (termo fiscal de fls. 204/212). Tratase, portanto, de presunção legal, onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 9 15 até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). Vêse que apesar de a defendente argumentar equívoco por parte do agente fiscal ao interpretar a declaração prestada em atendimento à intimação, no sentido de que as receitas omitidas seriam oriundas da atividade empresarial, que incluiriam atividades operacionais e não operacionais, não apresentou provas cabais para sustentar seus argumentos e infirmar a autuação. Sobre os argumentos da autuada, assim se expressou a decisão recorrida que não merece reparo: Ora, ainda que, de fato, pudesse se admitir o alegado equívoco da autoridade fiscal, subsistiria a obrigação da impugnante fazer prova da origem e natureza dos créditos efetuados em suas contas correntes bancárias, por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. Não basta alegar o erro, há que se provar. Os documentos apresentados pela impugnante, em atendimento à intimação fiscal, referemse a empréstimos bancários (fls. 118 a 133, 154 a 165, 181 a 195, 231 a 285), Contratos de Permuta de Bem Imóvel por Fornecimento de Madeiramento e Aberturas (fls. 286 a 291), Contrato de Permuta de Automóvel por Madeiras (fls. 231 a 292 a 300), Contrato Particular de Compra e Venda de Imóvel (terreno no valor de R$ 8.000,00, parcelado em 32 vezes de R$ 600,00 fls. 301 e 302), extratos de movimentação de cartões de crédito, nos quais embora haja identificação de data e valores, não há descrição da operação (fls. 224 a 230), e extrato de Agenda Financeira, que descrevem créditos e débitos de cartões Visa e Mastercard e aluguel de equipamentos (fls. 303 a 306). Nenhum desses valores guarda relação com os créditos bancários objeto da intimação fiscal e, ainda que houvesse coincidência de datas e valores, para diversos deles não há identificação da origem e natureza. Por outro lado, a afirmação da contribuinte de que informou, por engano, movimentações não operacionais como atividade empresarial, em nada lhe aproveita, pelos mesmos motivos acima, ou seja, deve fazer prova da origem e natureza de tais créditos, acompanhada de documentação hábil e idônea, e ainda demonstrar que se referem a valores já tributados, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Assim sendo, os créditos bancários cuja origem não restou comprovada, e não constam dos registros contábeis da impugnante, presumemse como receitas omitidas. Também, em relação ao valor de R$ 13.500,00 no dia 18/07/2011,apesar de alegado pela Recorrente tratarse de um simples resgate de aplicação, não caracterizando assim como fato gerador tributável, a Recorrente nada trouxe aos autos para comprovar o que dissera, razão pela qual não merece reforma da decisão para excluir o referido valor da base de cálculo tributada determinada no Auto em questão. Fl. 517DF CARF MF 16 É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96, ao contrário do procedimento aventado pela interessada/Recorrente, permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Ressaltese, de plano, que aqui não cabe a alegada necessidade de comprovação por parte do Fisco, em face do alegado artigo 142 do CTN. Os enunciados das súmulas abaixo são esclarecedores, portanto desnecessária outra explicação sobre o assunto, vejamos: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de tal comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora, por presunção, suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP e ICMS. DA MULTA CONFISCATÓRIA/ Da Multa de Ofício Qualificada No presente caso, foi aplicada a multa qualificada, prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, face à constatação pela fiscalização da prática da conduta tipificada no art. 72 da Lei nº 4502/64. Sobre o assunto, a Recorrente em sede de recurso voluntário reproduz a impugnação apresentada à DRJ. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 10 17 A decisão recorrida, traz em seu bojo os fundamentos com os quais concordo, pelo que transcrevo seus termos (fls.13/15) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir: Com relação à multa de ofício qualificada (150%), alega a impugnante ser ela excessiva em face do princípio da capacidade contributiva, configurando o caráter confiscatório, em ofensa ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Cita jurisprudência sobre o tema. Quanto às alegações de afronta aos preceitos constitucionais que vedam o confisco, não são os órgãos julgadores administrativos competentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. É que como as multas de ofício estão previstas em disposições literais de lei – entre tais o art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996 , não pode o agente administrativo negarlhes vigência, sob a alegação de que seriam ilegais ou inconstitucionais. Quanto à gravosidade da penalidade, há de se ressaltar que as multas de ofício objetivam, especialmente, o desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, sendo natural, assim parece, que sejam tão suficientemente gravosas a ponto de não perderem sua função precípua. Especialmente, diante do fato de que atingem, tãosomente, os contribuintes infratores da legislação fiscal, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Quanto à argüição de falta de proporcionalidade entre a multa e a falta cometida, comentese tãosomente que, em razão de não ser a penalidade definida em termos absolutos, mas relativos, dado que seu quantum é apurado pela aplicação de percentual sobre o montante de tributo não recolhido, insustentável se torna o argumento. Somente se houvesse a previsão de um valor fixo, que independesse da extensão da falta, é que se poderia alegar a injustiça da sanção. Como o que ocorre, pelo contrário, é que a multa só pode ser quantificada depois de apurado o montante de tributo devido, pela aplicação do percentual, assegurada resta, à evidência, a devida proporcionalidade. No que se refere ao percentual previsto, eventualmente considerado como excessivo, relembrese apenas o que já se disse ao início deste item em relação à necessária gravidade das multas punitivas. Assim, o pleito da contribuinte de redução da multa de ofício, além de não encontrar substrato jurídico, por estar desde há muito prevista em nosso ordenamento, não encontra também justificativa técnica, dado que, na sistemática sancionatória, não haveria sentido em praticamente se equiparar a multa de ofício, de natureza punitiva, com a multa de mora, de natureza meramente compensatória. De tal sorte, evidenciado fica que, por qualquer ângulo que se visualizem as multas de ofício, não se lhes pode ser atribuído o Fl. 519DF CARF MF 18 argüido efeito confiscatório, nem tampouco se pode admitir sua redução, como pleiteado pela impugnante. Por outro lado, em que pese nada ter trazido a contribuinte, em sua impugnação, capaz de afastar, ao menos em sede administrativa, a aplicação da multa qualificada que lhe foi imposta, apenas alegando o efeito confiscatório da penalidade, não é demais discorrer acerca dos fundamentos que ensejaram a aplicação da penalidade mais gravosa. De se ver. A aplicação de multa de ofício em percentual mais gravoso decorreu de evidente intenção da impugnante em ocultar a verdade, subtraindo do conhecimento do Fisco vultosa quantia, movimentada em 4 (quatro) contas correntes de depósito bancário, atingindo a cifra de R$ 2.567.322,29 (dois milhões, quinhentos e sessenta e sete mil, trezentos e vinte e dois reais e vinte e nove centavos), em apenas um anocalendário. Recorde se que a receita bruta anual declarada pela contribuinte foi de R$ 210.968,18 (duzentos e dez mil, novecentos e sessenta e oito reais e dezoito centavos), correspondente e 8,22% (oito inteiros e vinte e dois centésimos por cento), evidenciando que a maior parte de suas receitas ficou à margem da tributação. Ressaltase, ainda, que intimada a apresentar a comprovação da origem dos recursos, a contribuinte, embora tenha atendido à intimação fiscal, após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, trouxe apenas documentos estranhos aos valores que foram objeto de investigação. Nenhum dos documentos apresentados possuía relação com os depósitos bancários cuja origem se pretendia comprovar! O que parece razoável, diante do quadro posto, é que o montante das rendas omitidas, constatadas por presunção, pode perfeitamente consubstanciar a caracterização do dolo, no caso de a ela estar vinculada a evidenciação de que isto ocorreu ao longo de vários meses do anocalendário de 2011. Ou seja, desproporção e reiteramento levam, conjuntamente, a um quadro mais consistente acerca da aferição do dolo. Portanto, se o que se tivesse no processo fosse a demonstração de que parcelas pequenas dos ingressos nas contas bancárias se mantiveram sem justificação e de que tais omissões se referissem a um período específico, poderseia até acatar a idéia de que houve uma conduta involuntária e de que, portanto, a imposição da penalidade qualificada não seria justificável. Entretanto, à luz de tudo quanto dos autos consta, o quadro é bastante distinto, tornandose absolutamente inverossímil a idéia de que a contribuinte teria cometido meros equívocos. Diante deste quadro de reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei, não há como considerar involuntária a conduta da contribuinte, mas sim como uma conseqüência direta da intenção deliberada de omitir rendimentos, o que torna perfeitamente aplicável, sim, a multa qualificada prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. De se lembrar, que em relação à caracterização do ilícito, tratou o autuante de produzir a prova que o artigo 42 da Lei nº Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 11 19 9.430/96 demanda. Se tais provas são mais sumarizadas que aquelas exigidas para a comprovação material de infrações não cobertas por presunção, isto devese à imposição da lei e não à vontade da autoridade lançadora. Restam prejudicados, assim, os argumentos postos, não merecendo o lançamento fiscal, também quanto a esta matéria, qualquer reparo. (GRIFEI) Assim, constatado o evidente intuito de fraude, correto o lançamento da multa qualificada de 150%. Ainda no que tange ao aspecto confiscatório da multa, alegado pela Recorrente, a exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS e Cofins PIS, Cofins, CPP e ICMS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Redator designado. Peço vênia à Ilustre Conselheira Relatora para divergir com relação a aplicação de qualificação de multa prevista no art. 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96 neste caso concreto. A qualificação da multa (de 75% para 150%), que foi mantida pela decisão recorrida, foi assim motivada nos Termos de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal (fls. 396 e seguintes): DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA Cabe destacar que na infração identificada através do item 2 do presente feito deve ser aplicado tratamento mais gravoso no que tange à multa de ofício lançada. A referida sanção é devida em razão do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, encontrando amparo no § 1º do art. 44 da lei nº 9.430, de Fl. 521DF CARF MF 20 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (grifouse) Os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, são os de sonegação, fraude e conluio, respectivamente. Na situação em análise, a qualificadora é aplicada em virtude da prática de fraude, conduta conceituada nº artigo 72 da mencionada lei, que assim dispõe: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fraude é o vocábulo derivado do latim fraus, fraudis (engano, máfé, logro), que serve para caracterizar o engano malicioso ou a ação astuciosa, promovida de máfé, para ocultação da verdade ou fuga ao cumprimento do dever. Nestas condições, a fraude traz consigo o sentido do engano para furtarse o ao cumprimento do que é de sua obrigação ou para logro de terceiros. É a intenção de causar prejuízo a terceiros. Portanto, a fraude sempre se funda na prática de ato lesivo a interesse de terceiros ou da coletividade, ou seja, em ato onde se evidencia a intenção de frustrarse a pessoa aos deveres obrigacionais ou legais. O texto do art. 72 da lei nº 4.502/1964, acima transcrito, estabelece que a conduta fraudulenta pode ser praticada mediante “ação” ou “omissão” do agente, ou seja, o simples “deixar de fazer”, quando com intuito doloso e voltado a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, caracteriza a conduta típica ensejadora da aplicação da multa qualificada. No caso em análise, houve uma conduta omissiva que importou na ocultação ao Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e por consequência ao não pagamento do imposto devido. O que está a se falar é de uma decisão do sujeito passivo de omitir de sua contabilidade uma parcela significativa da movimentação financeira bancária mantida em quatro instituições financeiras, suprimindo assim do cálculo dos tributos devidos no anocalendário 2011 uma receita total de R$ 2.567.322,29, equivalente a treze vezes o valor de sua receita bruta anual declarada, que foi de R$ 210.968,18. Como consequência, omitiu ainda da declaração apresentada ao Fisco (fls. 307 a 317) a receita mantida à Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10983.721662/201468 Acórdão n.º 1201002.342 S1C2T1 Fl. 12 21 margem da escrita contábil e todos os tributos que dela decorreriam no âmbito da apuração do Simples Nacional, causando sérios prejuízos aos cofres públicos. Resta evidenciado que tal ação foi promovida de forma intencional e dolosa, ou seja, com o objetivo único de se furtar ao pagamento dos tributos, mantendo em sua escrituração e na declaração apresentada à Receita Federal do Brasil uma receita muito aquém daquela que auferiu. Diante do exposto, é aplicada a multa qualificada prevista no § 1º do art. 44 da lei nº 9.430/96 sobre o montante dos tributos apurados pela prática da infração descrita no subitem 2.1, anteriormente citada. Como se nota, houve qualificação da multa pelo fato da Recorrente não ter recolhido tributos sobre receitas omitidas, apuradas com base em depósitos bancários sem origem comprovada, o que caracterizaria, no entender da fiscalização, fraude (cf. art. 72). Para que se possa cogitar a qualificação da multa (de 75% para 150%), no entanto, imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão dolosa não só no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito consistente no não pagamento de tributo), mas principalmente no seu aspecto subjetivo (vontade ou intenção de impedir o conhecimento dos fatos). Essas situações normalmente são identificadas através de uso de meios inidôneos para acobertar situações passíveis de tributação ou pela prática de medidas que induzam a erro o trabalho da fiscalização. Tratamse dos ditos atos fraudulentos, que levam ao caminho da sonegação ou evasão fiscal, tais como uso de “notas fiscais frias”, “notas fiscais de favor”, contabilidade paralela, conta bancária não declarada (“Caixa 2”), interposição fraudulenta de pessoas (“laranjas” ou “testas de ferro”), falsidade ideológica, declarações adulteradas, documentos falsos, etc. São essas as condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, dispositivos estes que conferem natureza penal à aludida penalidade qualificada, prescindindo do elemento dolo à sua caracterização. A CSRF, a propósito, já afastou a multa qualificada justamente em razão da ausência de comprovação dos elementos do dolo. Vejamos a ementa do julgado referido: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude ou do evidente intuito desta caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da Fl. 523DF CARF MF 22 multa qualificada. (Acórdão 910101.402. Sessão de 17 de julho de 2012). Não se pode, portanto, colocar na mesma vala a ocorrência de um ilícito tributário (omissão de receita que gera não pagamento de tributo) com a intenção de impedir o conhecimento desta conduta (dolo). De acordo com as Súmulas do CARF nºs 14 e 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Consolidouse, assim, o entendimento de que a omissão de receita que gera o não pagamento de tributo, por si só, não é causa de multa qualificada. E foi justamente essa a infração caracterizada na peça de acusação: omissão de receita sem motivação e comprovação de dolo. Dessa forma, entendo incabível a qualificação da multa, devendo esta ser reduzida à multa de ofício ordinária, de 75%, como determina o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 524DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.003553/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE VINCULAÇÃO DOS PROCESSOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA.
Embora a vinculação dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
1. A presente autuação decorre de uma multa num valor pré-fixado, independentemente do montante do tributo devido, de forma que a decadência de parte das obrigações principais nela não repercute.
2. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
Numero da decisão: 2402-006.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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FALTA DE VINCULAÇÃO DOS PROCESSOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. Embora a vinculação dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. 1. A presente autuação decorre de uma multa num valor préfixado, independentemente do montante do tributo devido, de forma que a decadência de parte das obrigações principais nela não repercute. 2. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento dos processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 35 53 /2 00 7- 97 Fl. 2280DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/CPS fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos demais incidentes ocorridos neste processo, o qual passa a integrar, em parte, o presente relatório: Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da constatação de que o contribuinte deixou de contabilizar, de forma discriminada e em títulos próprios, fatos geradores de contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 17/39): • Os pagamentos, considerados fatos geradores de contribuições previdenciárias, não contabilizados de forma discriminada, em títulos próprios, foram os pagamentos realizados a segurados, contribuinte individuais (sem vinculo empregatício, portanto). • Foram examinados os seguintes documentos: [...] • Enumera diversas campanhas de incentivo: "falou ganhou", "cliente misterioso Vectra", "Campanha vida", etc. [...] Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 10805.003553/200797 Acórdão n.º 2402006.520 S2C4T2 Fl. 3 3 • A contratação do programa de incentivo tinha como objetivo "o incremento de vendas de veículos e peças comercializadas pela GMB". • Os pagamentos, na forma de "cartões de incentivo" (cartões de crédito com carga/valores préestabelecidos) eram realizados aos empregados das empresas concessionárias, por meio de prestadora de serviços de marketing, que realizava o faturamento e repasse, indicando os nomes dos ganhadores, nas respectivas campanhas de vendas. • Em face da inexistência de vinculo empregatício entre os beneficiários dos prêmios e o contribuinte, os prestadores de serviços foram considerados como "contribuintes individuais" ("autônomos", em relação ao contribuinte, para o qual considerouse que foram prestados serviços de "divulgação e promoção"). • Consta que "A empresa foi autuada pelo mesmo motivo com relação ao período de 05/1996 a 05/2004, Auto de Infração DEBCAD n° 35.753.178 7, lavrado em 12/07/2005, baixado em 18/01/2006 em virtude do pagamento e conseqüente extinção do crédito". • Na mesma auditoria fiscal foram, ainda, lavrados os seguintes Autos de Infrações e Notificações Fiscais de Lançamento de Débito: i) AI 37.017.1985 — Falta de preparo de folhas de pagamento de acordos com padrões e normas estabelecidas pela Previdência Social. ii) AI 37.017.2000 — Falta de declaração em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. iii) NFLD 37.017.2019 — Cobrança de contribuições previdenciárias sobre pagamentos realizados a contribuintes individuais. [...] 0 contribuinte apresenta, então, sua impugnação [...], alegando, em síntese, que: • Os programas de "marketing de incentivo" foram "todos efetivados pela empresa Salles Adan & Associados Marketing de Incentivo S/C Ltda, subcontratada pelas três agências acima referidas — (programas estes que) consistiram na concessão de prêmios a empregados das concessionárias Chevrolet ao redor do Brasil, com o fim de motiválos a exercer o mais perfeitamente possível as suas próprias funções (para as quais foram contratados pelas concessionárias), de forma a aumentar a venda de produtos estratégicos para a Impugnante". • Os prêmios a que faziam jus os empregados das concessionárias eram "apontados" pela empresa de marketing Fl. 2282DF CARF MF 4 de incentivo, prêmios estes pagos pela impugnante, com base nas notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços. • Sustenta, então, que não realizava pagamentos diretos a seus próprios empregados, e que "o equivoco da fiscalização está em supor que tais pessoas, no âmbito das campanhas de marketing de incentivo, prestavam serviços a Impugnante, quando a verdade é que esta — com o objetivo de incrementar suas vendas — premiouos pelo bom desempenho das suas funções próprias, para as quais foram contratados e pelas quais são remunerados pelas concessionárias". E, conclui, assim que, "o desacerto dessa premissa leva à total improcedência da NFLD, bem como, por conseqüência, da multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória consubstanciado no presente Auto de Infração". • Requer que "A bem da celeridade e da economia processuais ... que o presente Auto de Infração seja reunido, para julgamento único, a Notificação Fiscal de Lançamentos de Débitos e ao Auto de Infração ...". • Argumenta que parte do crédito lançado (competências entre janeiro e outubro de 2002) teria sido atingida pela decadência, em face da aplicação da regras do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25/10/66). • Retoma os argumentos relativos à suposta inocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, em relação ao pagamento pela impugnante de prêmios aos empregados das concessionárias e declara que "é certo que a boa performance dos funcionários de suas concessionárias interessa ao Impugnante, tanto assim que esta premia. Isso não autoriza, todavia, a conclusão de que é ela a contratante, a destinatária, da atuação daqueles". • E mais, que "a Impugnante não pode demitir e sequer repreender os empregados pouco produtivos de suas concessionárias e que tampouco seleciona, com poderes para eleger ou recusar, aqueles a quem farei os pagamentos, faculdades que seriam inafastáveis se a prestação de serviço se tratasse, ainda que de cunho eventual". Não seria possível, então, considerar que tenha ocorrido o fato gerador previsto no inciso III do art. 22 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, ao qual "acresce um argumento de índole legal, ancorado no 5S' 20 do art. 22 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991". • Acentua o caráter de eventualidade e também o caráter da condicionalidade dos prêmios, por exclusiva iniciativa da impugnante e de seus interesses. • Passa, então, a destacar os requisitos legais que autorizariam que "prêmioprodução", "prêmioassiduidade", "prêmio produtividade" integrem a remuneração dos segurados empregados, para o que transcreve julgados diversos. [...] A DRJ/CPS julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 10805.003553/200797 Acórdão n.º 2402006.520 S2C4T2 Fl. 4 5 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, DE FORMA DISCRIMINADA. MARKETING DE INCENTIVO. DECADÊNCIA. JUÍZO DE ILEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DA INSTANCIA ADMINISTRATIVA. REUNIÃO DE PROCESSOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Marketing de incentivo. Empregados de concessionárias de veículos automotores que prestam serviços A montadora, na divulgação de campanhas publicitárias. Caracterização de prestação de serviços por "autônomos". Incidência de contribuições previdenciárias. Contabilização. Fatos geradores de contribuições previdenciárias devem ser contabilizados em títulos próprios. Decadência. Falta de competência do juízo administrativo para apreciar a legalidade/constitucionalidade na norma. Reunião de processos. Processos relativos a lançamentos de contribuições previdenciárias têm natureza e peculiaridades próprias, além de possibilidades de trâmites e desfechos distintos, o que recomenda lavraturas em separado. Falta de previsão legal para a junção. A contribuinte foi intimada da decisão em 04 de abril de 2008, através de aviso de recebimento, e interpôs seu recurso voluntário em 06 de maio daquele mesmo ano, no qual reiterou os mesmos fundamentos de sua impugnação e acrescentou que a decisão recorrida seria nula, pois ela não poderia ter sido exarada antes do julgamento do processo principal. Em 19 de setembro de 2012, o CARF resolveu converter o julgamento do recurso em diligência, para reconhecer a conexão e determinar o apensamento dos processos. Intimada, a contribuinte não apresentou manifestação. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade da decisão recorrida Preliminarmente, o sujeito passivo assevera que a decisão recorrida seria nula, pois ela não poderia ter sido exarada antes do julgamento do processo principal. Fl. 2284DF CARF MF 6 A preliminar deve ser rejeitada, pois embora a reunião dos processos principais e acessórios seja a medida mais acertada para propiciar segurança jurídica e para trazer celeridade processual, fato é que o julgamento em apartado não trouxe qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente. A recorrente, ademais, sequer indicou, tampouco demonstrou, como o seu direito teria sido cerceado ou obstaculizado. Somente há nulidade quando o descumprimento de uma regra legal ou infra legal cause prejuízo ao direito de defesa do administrado. O sujeito passivo tem todo o direito de saber os fatos contra si imputados e as provas nos quais ele se alicerçam. Todos os atos e termos devem ser lavrados por pessoa competente, e os despachos e as decisões devem ser devidamente fundamentados, e de forma alguma pode, por qualquer via, ser preterido o direito de defesa da parte autuada. Expressandose de outra forma, e apoiandose na inexcedível doutrina do professor Leandro Paulsen, "a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente"1, já que as formalidades "não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa"2. Neste caso concreto, a recorrente não indicou e nem demonstrou ter sofrido prejuízo ao seu direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar. Ademais, os julgamentos não foram conflitantes e não houve qualquer ofensa ao princípio da segurança jurídica. Quanto ao pedido sucessivo de vinculação dos processos para julgamento em conjunto, ele já foi atendido através da Resolução mencionada no relatório desta decisão, inclusive a decisão a ser exarada, no entender deste relator, deve ser a mesma proferida no PAF principal, como adiante se verá. Apenas a matéria distinta deste PAF será julgada de forma apartada, mais precisamente a decadência. 3 Da decadência Neste tocante, a recorrente reafirma a decadência de parte do lançamento, tendo em vista a decadência de parte dos créditos exigidos na NFLD 37.017.2019, que integram o PAF principal. Em primeiro lugar, contudo, a presente autuação decorre de uma multa num valor préfixado, independentemente do montante do tributo devido, de forma que a decadência de parte das obrigações principais nela não repercute. Por outro lado, o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN (do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo inaplicável o disposto no § 4º do art. 150. Eis o entendimento deste Colegiado a respeito da matéria: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 133. 2 PAULSEN, Leandro. Obra citada, p. 133. Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 10805.003553/200797 Acórdão n.º 2402006.520 S2C4T2 Fl. 5 7 disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito estampado no § 4º do art. 150 do CTN. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. [...] (PAF 10803.720155/201216, Recurso Voluntário, Data da Sessão: 09/12/2015, Relator: Ronaldo de Lima Macedo; Nº Acórdão: 2402004.781) Na dicção do § 2º do art. 113 do Código, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A inexcedível doutrina do professor Luciano Amaro3 assim pontua: A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Logo, a contagem do prazo da obrigação instrumental segue uma regra distinta da obrigação principal, podendose afirmar que o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN. Quando o lançamento foi realizado, em 19/10/2007, sequer havia decaído a competência mais pretérita (janeiro de 2002), cujo prazo decadencial somente se iniciou no primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (janeiro de 2003), rejeitandose, pois, a preliminar. 4 No mérito do resultado do PAF principal Conforme relatado, este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de contribuintes individuais através de cartões de premiação). Caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, porque não haveria fatos geradores de contribuições previdenciárias a serem contabilizados de forma discriminada em títulos próprios. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 2286DF CARF MF 8 previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. No PAF principal, e no mérito, este conselheiro votou por negar provimento ao recurso voluntário, de tal maneira que se nega provimento ao recurso interposto neste PAF. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e de decadência e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2287DF CARF MF
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Numero do processo: 13931.000944/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 94 4/ 20 08 -8 3 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13931.000944/200883 Resolução nº 3301000.703 S3C3T1 Fl. 455 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13931.000944/200883 Resolução nº 3301000.703 S3C3T1 Fl. 456 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.001143/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, demandando perícia para esclarecer as dúvidas do julgador, eventualmente complementadas por quesitos a serem acrescidos pelo fisco e pela recorrente, vencida a relatora, Cons. Mara Cristina Sifuentes, que votava pela negativa de provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, demandando perícia para esclarecer as dúvidas do julgador, eventualmente complementadas por quesitos a serem acrescidos pelo fisco e pela recorrente, vencida a relatora, Cons. Mara Cristina Sifuentes, que votava pela negativa de provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Tiago Guerra Machado. Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Redator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente), André Henrique Lemos. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 01 14 3/ 20 07 -1 0 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 272 2 Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório que consta do Acórdão DRJ, que julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 26/12/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de multa de ofício, Imposto sobre Produtos Industrializados na importação e Contribuições PIS/COFINS Importação além de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 549.475,31 em virtude dos fatos a seguir escritos. O contribuinte, por meio da Declaração de Importação (Dl) n° 07/16540325, registrada em 28/11/2007, submeteu a despacho aduaneiro 1 (um) acelerador linear radioterápico, modelo Clinac 6EX, fabricado e exportado pela empresa norteamericana Varian Medicai Systems, tendoo classificado na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 9022.21.90, o que resultou no não recolhimento do imposto de importação (II), uma vez que a alíquota do II aplicada foi de 0 % (zero por cento), conforme estabelecido pela Resolução Camex n° 43/2006. A fiscalização entendeu que a mercadoria submetida a despacho deve ser classificada no código NCM 9022.90.19, estando sujeito ao pagamento do imposto de importação à aliquota de 14 % (catorze por cento), conforme estabelecido pela Resolução Camex n° 43/2006. O presente Auto de Infração exige a diferença de tributos e demais acréscimos legais. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 27/12/2007 (fls.2), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 28/01/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 83 à 94, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: ⊙ DO EQUIPAMENTO IMPORTADO O REQUERENTE importou um equipamento e seus componentes denominado ACELERADOR LINEAR RADIOTERÁPICO CLINAC 6EX, conforme descrição contida na Dl 07/165403325 (fls. 29 do Processo Administrativo), fabricado pela exportadora norteamericana VARIAN MEDICAL SYSTEMS, de acordo com a COMMERCIAL INVOICE n° 06010001788673, e seus componentes, conforme se comprova pelo documento de fls. 31 do Processo Administrativo. ⊙ PARECER TÉCNICO Junta parecer do Dr. HOMERO LAVIERI MARTINS, FÍSICO ESPECIALISTA EM FÍSICA MÉDICA DA RADIOTERAPIA, da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FÍSICA MEDICA. ⊙ ESPECIFICAÇÃO DO EQUIPAMENTO O ACELERADOR LENEAR CLINAC 6EX importado pelo REQUERENTE é um equipamento especialmente construído para produzir RAIO X, e ele não tem nenhuma outra função, conforme se comprova pelo Manual de Especificação da Exportadora Norte Americana, VARIAN MEDICAL SYSTEMS (doc. anexo). Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 273 3 O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE é um “Acelerador de Partículas”, usado “na radioterapia do câncer”, conforme se comprova pela publicação da WlKIPÉDIA. (doc. anexo). O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE é destinado exclusivamente a RADIOTERAPIA, conforme se comprova pela publicação da WIKIPÉDIA, a ENCICLOPÉDIA LIVRE (doc. anexo). O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE, é destinado: “A RADIOTERAPIA é um método capaz de destruir células tumorais empregando feixe de radiações ionizantes”, conforme se comprova pela publicação do INCA INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, do MINISTÉRIO DA SAÚDE (doc. anexo). O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE, tem o seu uso estabelecido pelo REGULAMENTO TÉCNICO: FUNCIONAMENTO DE SERVIÇOS DE RADIOTERAPIA, que estabelece no item 2.DEFINIÇÕES 2.1 Acelerador Linear Clinico: equipamento emissor de radiação X, com ou sem emissão de elétrons, conforme publicação da ANVISA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, do MINISTÉRIO DA SAÚDE (doc. anexo). O ACELERADOR LINEAR importado pelo REQUERENTE tem o uso seguinte: 4. DEFINIÇÕES E SIGLÁRIO 4.1 Acelerador Linear Clínico: equipamento com finalidade médica que produz fótons com energia maior que IMeV a partir da aceleração elétrons por radiofrequência. Pode, opcionalmente, produzir feixe de elétrons, conforme RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA RDC N° 20 de 02/02/2006, da AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA ANVISA do MINISTÉRIO DA SAÚDE (doc.anexo). ⊙ LAUDO TÉCNICO DA ALFÂNDEGA DO PORTO DE SUAPE SEDAD, SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, SUPERINTENDÊCIA REGIONAL DA 4a REGIÃO FISCAL. A VARIAN MEDICAL SYSTEMS, empresa norteamericana exportadora do equipamento denominado ACELERADOR LINEAR, por nós importado, efetuou a venda de um equipamento idêntico ao CEOC CENTRO DE ONCOLOGIA DE CARUARU LTDA.,da cidade de CARUARU PERNAMBUCO. A SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA 4a REGIÃO FISCAL DA RECEITA FEDERAL, da ALFSPE ALFÂNDEGA DO PORTO DE SUAPE, PERNAMBUCO, para efetuar a classificação na TEC, para o pagamento dos tributos federais, e preenchimento da Declaração de Importação n° 07/01490297, efetuou uma SOLICITAÇÃO DE LAUDO TÉCNICO (doc. anexo). Reproduz respostas dos quesitos do laudo de assistência técnica fornecidas pelo Dr. JOSÉ AUGUSTO CORRÊA DO PRADO Engenheiro Mecânico, em 02/04/2007. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 274 4 Ficou comprovado pela documentação acostada ao presente Recurso Administrativo e acima analisada que o ACELERADOR LINEAR CLINAC 6EX, importado pelo REQUERENTE é um equipamento de "Acelerador de Partículas" usado exclusivamente para RADIOTERAPIA. ⊙ DO DEPÓSITO ADMINISTRATIVO Pelo AUTO DE INFRAÇÃO N° 0117600/00422/07, do Auditor Fiscal, HAROLDO BARROS GOMES, o qual entendeu que houve DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA, desclassificando a Declaração de Importação (DI) n° 0716540325 com o código NCM 9022.21.90, para a classificação no código NCM 9022.90.19, autuou o REQUERENTE no VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO DE R$ 549.475,31. Ao REQUERENTE, não restou outra alternativa, para discussão doentendimento do Auditor Fiscal no Auto de Infração, e então em 28/12/2007, efetuou DEPÓSITOS ADMINISTRATIVOS na CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, a favor da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL (does. anexos). ⊙ DA NESH NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO DE DESIGNAÇÃO E DE CODIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. Transcreve textos da NESH, relativa a posição 9022. O Auditor conclui: “finalmente, considerando que o Acelerador Linear Clinac 6EX é um aparelho distinto geradores de tensão e de telas radiológicas, temos que ele se classifica sob o código NCM 9022.90.19, destaque NCM 001 (destinados a teleterapia, radiografia, indltec, analíticas e medidor nuclear, estando sujeito a anuência dos mesmos órgãos anuentes dos produtos classificados sob o código NCM erroneamente utilizado pelo contribuinte (9022.21.90) a saber Ministério da Saúde e CNEN”. ⊙ IMPUGNAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO O equipamento importado ACELERADOR NUCLEAR pode perfeitamente ser enquadrado em outro código, como assim o fez o REQUERENTE na Dl n° 07/16540325, com a classificação na Subposição, código NCM 9022.21.90 outros, corretamente, vez que a TEC na posição 9022.2 se refere expressamente; “Aparelhos que utilizam radiações alfa, beta ou gama, mesmo para uso médicos, odontológicos ou veterinários, incluído os aparelhos de radiofotografía ou de radioterapia (grifo nosso), e na Subposição 9022.21, expressamente destaca: “Para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários” (grifo nosso), cuja alíquota tributária é de I.I. 0% e IPI 5%, recolhidas pelo REQUERENTE. Ad argumentandum, o equipamento importado ACELERADOR, LINEAR, também poderia ser classificado na posição, código NCM 9022.14.90 outros, na Subposição 9022.14.90, que expressamente consigna: “Destaque das NCM 01. Apar. raio X. inc. apar, radiofotog. / radioterap. Destinados a teleterapia, cuja alíquota tributária de II. é 0% e IPI é 5%, iguais as que foram recolhidas pelo REQUERENTE. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 275 5 ⊙ IMPORTAÇÃO EFETUADA POR OUTROS HOSPITAIS O HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE/RS importou também o ACELERADOR LENEAR 6EX da VARIAN, tendo efetuado a Declaração de Importação, junto a Alfândega de Porto Alegre, com a classificação no Código NCM 9022.21.90, aceita pela Receita Federal, declaração essa que corresponde a mesma efetuada pelo REQUERENTE (doc. anexo). ⊙ CONCLUSÃO O REQUERENTE analisou profundamente a fundamentação do Auditor Fiscal, colocada no Auto de Infração, concordou com a descrição do equipamento importado, ACELERADOR LINEAR, e impugnou a classificação pretendida pelo agente fiscal, de classificar a mercadoria no código NCM 9022.90.19, a qual é totalmente errada e improcedente. O REQUERENTE, ao final, comprova e demonstra, pelas abundantes provas juntadas ao presente RECURSO ADMINISTRATIVO, que a sua classificação, no código NCM 9022.21.90 é correta, e, podería também ter efetuado a classificação no código NCM 9022.14.90, cujas alíquotas tributárias desses dois códigos é de I.I. 0% e IPI 5%, não tendo então concorrido para qualquer prejuízo à Receita Federal. ⊙ DO PEDIDO O REQUERENTE, diante das abundantes provas juntadas ao presente RECURSO ADMINISTRATIVO e demonstradas nas especificações técnicas e jurídicas acima mencionadas, requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração n° 0117600/00422/07, por absoluta falta de amparo fático e legal, considerando a classificação, no código NCM 9022.21.90 efetuada na DI n° 07/16540325 como a correta. Se assim não entender, que seja efetuada a reclassificação para o código NCM 9022.14.90 por tratarse o equipamento importado ACELERADOR LINEAR CLINAC 6EX, de equipamento destinado exclusivamente a uso em RADIOTERAPIA para tratamento de tumores malignos. Regularmente intimada em 26/11/2015 a empresa apresentou Recurso Voluntário em 23/12/2015, datas do processo eletrônico, em que alega ser correta a classificação da mercadoria utilizada, apresentando laudo técnico de engenheiro e parecer da Anvisa; requer alternativamente a utilização da NCM 9922.14.90. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A questão central do contencioso é relativo a correta classificação fiscal da mercadoria. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 276 6 A empresa importou 1 (um) acelerador linear radioterápico, modelo Clinac 6EX, fabricado e exportado pela empresa norteamericana Varian Medicai Systems, classificandoa na NCM 9022.21.90, assim descrita na Declaração de Importação: A fiscalização entendeu ser aplicável a NCM 9022.90.19. As duas classificações estavam assim descritas na TEC, vigente à época do fato: 90.22 Aparelhos de raios x e aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos medicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia, os tubos de raios x e outros dispositivos geradores de raios x, os geradores de tensão, as mesas de comando, as telas de visualização, as mesas, poltronas e suportes semelhantes para exame ou tratamento. 9022.1 Aparelhos de raios X, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia. 9022.14 Outros, para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários 9022.14.1 De diagnóstico 9022.14.11 Para mamografia 9022.14.12 Para angiografia 9022.14.13 Para densitometria óssea, computadorizados 9022.14.19 Outros 9022.14.90 Outros 9022.19 Para outros usos 9022.19.10 Espectrômetros ou espectrógrafos de raios X Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 277 7 9022.19.90 Outros 9022.2 Aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia 9022.21 Para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários 9022.21.10 Aparelhos de radiocobalto (bombas de cobalto) 9022.21.20 Outros, para gamaterapia 9022.21.90 Outros 9022.29.00 Para outros usos 9022.30.00 Tubos de raios X 9022.90 Outros, incluídos as partes e acessórios 9022.90.1 Aparelhos 9022.90.11 Geradores de tensão 9022.90.12 Telas radiológicas 9022.90.19 Outros 9022.90.80 Outros 9022.90.90 Partes e acessórios de aparelhos de raios X Faço um parênteses para prestar alguns esclarecimentos básicos a respeito da Classificação de Mercadorias no Brasil e no mundo, e que servirão para criar a base normativa aplicável. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições. Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional. A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias. O Sistema Harmonizado (SH) abrange uma Nomenclatura de mercadorias, composta por 96 capítulos, além das Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). O Sistema Harmonizado (SH) tem 6 regras gerais que regem a classificação de mercadorias. As cinco primeiras são utilizadas para determinar a posição. A 6a Regra Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 278 8 determina que as 5 Regras anteriores devem ser utilizadas para a classificação nas subposições de 1º e 2º nível sucessivamente. A classificação das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul, tem por base a Nomenclatura do SH Sistema Harmonizado. As Regras Gerais para interpretação do SH Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto Legislativo no 71/88, promulgadas pelo Decreto no 97.409/88, é regida por determinadas regras a serem seguidas. A nomenclatura do Sistema Harmonizado foi incorporada pelo Brasil e a partir dela criada a NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, com o acréscimo de mais dois dígitos. A NCM também é a base da criação da TEC Tabela externa comum e da TIPI tabela do IPI, ambas tabelas com a determinação das alíquotas dos impostos aplicáveis. Após essas digressões voltemos ao caso concreto. Não existe dúvidas quanto à posição aplicável, já que contribuinte e fiscalização utilizaram a NCM 9022. 90.22 Aparelhos de raios x e aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia, os tubos de raios x e outros dispositivos geradores de raios x, os geradores de tensão, as mesas de comando, as telas de visualização, as mesas, poltronas e suportes semelhantes para exame ou tratamento. Definida a posição, e utilização as RGI do SH devemos partir para a definição da subposição. Estamos diante de duas subposições possíveis: 9022.2 Aparelhos que utilizem radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia 9022.21 Para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários 9022.90 Outros, incluídos as partes e acessórios Para correto enquadramento da mercadoria devemos primeiro verificar se estamos diante de um aparelho que utilize radiações alfa, beta ou gama, se estamos diante de outro tipo de aparelho ou mesmo se estamos diante de aparelhos de raio X. Podemos buscar auxílio nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Elas foram introduzidas no ordenamento jurídico nacional pelo Decreto n.º 435, de 27 de janeiro de 1992. Tratase de material extenso e pormenorizado, que estabelece, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH. A base legal para isso foi o Decreto nº 97.409, de 23/12/1988 (DOU de 28/12/1988), que promulgou a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, bem como alterações posteriores. As NESH constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 279 9 Consultando a NESH relativa à posição 9022, páginas 1.817 a 1.821 da versão lusobrasileira aprovada pelo Decreto n° 435/1992 e com texto consolidado pela IN SRF n° 157/2002, encontramos: I. APARELHOS DE RAIOS X : O elemento fundamental destes aparelhos é o bloco radiógeno, onde se encontram os tubos geradores de raios X. Este bloco, geralmente suspenso ou montado sobre uma coluna ou outro suporte com mecanismo de orientação e de elevação, é equipado com um dispositivo especial de alimentação que consiste num conjunto de transformadores, retificadores, etc., os quais, captando a energia de uma fonte qualquer, geralmente da rede geral, levam a corrente à voltagem apropriada. APARELHOS QUE UTILIZAM AS RADIAÇÕES ALFA, BETA OU GAMA As radiações alfa, beta ou gama provêm uma de substância radioativa com a propriedade de emitir radiações por transformação espontânea dos seus átomos. Esta substância radioativa é colocada em um recipiente, geralmente de aço, guarnecido de chumbo (bomba) que comporta uma abertura disposta de forma a deixar passar as radiações apenas em uma determinada direção. As radiações gama são susceptíveis de usos muito semelhantes aos dos raios X. Conforme as radiações que utilizem e o uso a que se destinem, podem citarse, especialmente: 1) Os aparelhos de terapia, em que a fonte radioativa consiste em uma carga, quer de rádio (curieterapia), quer de radiocobalto ou de um outro isótopo (gamaterapia). TUBOS DE RAIOS X E OUTROS DISPOSITIVOS GERADORES DE RAIOS X, GERADORES DE TENSÃO,MESAS DE COMANDO, TELAS (ÉCRANS) DE VISUALIZAÇÃO, MESAS, POLTRONAS E SUPORTES SEMELHANTES PARA EXAME OU TRATAMENTO. Este grupo compreende: A) Os tubos de raios X . B) _Os outros dispositivos geradores de raios X. Tratase de dispositivos especiais, tais como os que comportam um betatron para acelerar fortemente o feixe de elétrons, o que permite produzir raios X muito mais penetrantes. Mas os betatrons e outros aceleradores de elétrons, não especialmente adequados para produzir raios X, classificamse na posição 85.43. (...) D) Os geradores de tensão, ... Com a finalidade de esclarecer detalhes sobre o equipamento a fiscalização intimou a empresa Varian Medicai Systems Brasil LTDA, que representada por seu Responsável Técnico Eng. Antônio Carlos Vieira Swerts, respondeu que o Acelerador Linear Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 280 10 Clinac, destinase ao uso médico, conforme descrito no manual de utilização, e que como resultado final o mesmo efeito biológico dos equipamentos de Gamaterapia, porém não utiliza fonte radioativa, e estão sendo substituídos por aceleradores lineares, por não apresentarem risco de contaminação radioativa. A empresa envia juntamente com os esclarecimentos o catálogo do Clinac 6EX e Manual de Segurança. No manual consta que o equipamento não possui fonte radioativa, ele produz radiação do tipo "*RaioX"com potência de “GMeV” somente quando for acionado o mecanismo eletroeletrônico. Conforme a carta do representante no Brasil do fabricante do aparelho e o catálogo contendo especificações técnicas do equipamento, o acelerador linear radioterápico, modelo Clinac 6EX não utiliza radiações alfa, beta ou gama, mesmo para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia. Também foi anexado aos autos junto com a impugnação o parecer do Dr. Homero Lavieri Martins, físico especialista em física médica da radioterapia, da associação brasileira de física médica, em que o especialista afirma que o tubo acelerador usa ondas eletromagnéticas para que o feixe de elétrons a ser acelerado atinja a energia máxima de 6 MeV, o que produz um feixe de raios X com espectro amplo e altamente penetrante no tecido humano. A interação dos raios X com o tecido irradiado produzirá os efeitos terapêuticos hoje largamente usados na área oncológica e ao final afirma que o equipamento não possui fonte radioativa. Algumas questões técnicas restaram não esclarecidas, segundo alegado pela maioria dos julgadores, o que culminou na conversão do julgamento em diligência, por maioria de votos, conforme voto do Conselheiro Tiago Guerra Machado abaixo transcrito. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Voto Vencedor Conselheiro Tiago Guerra Machado, Redator Verificar se o aparelho em análise Acelerador Linear Radioterápico Varian Clinac 6EX possui: (i) bloco radiógeno, onde se encontram os tubos geradores de raios X; (ii) Caso positivo para o item (i), o bloco é suspenso ou montado sobre uma coluna ou outro suporte com mecanismo de orientação e de elevação; (iii) Caso positivo para o item (i), o bloco recebe alimentação externa? (iv) Caso positivo para o itens (i) e (iii), o aparelho possui conjunto de transformadores, inversores, retificadores, etc., para adequar a energia recebida externamente para a voltagem adequada para o funcionamento do bloco radiógeno? Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10111.001143/200710 Resolução nº 3401001.460 S3C4T1 Fl. 281 11 Voto pela conversão do julgamento em diligência demandando perícia, a cargo da recorrente, para esclarecer as dúvidas acima expostas, e que eventualmente possam ser complementadas por quesitos acrescidos pelo fisco e/ou pela recorrente. Após a conclusão da perícia deverá ser cientificada a recorrente sobre seu inteiro teor e apresentado prazo para manifestação a respeito da perícia. Ao final que os autos retornem a esse colegiado para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado, Redator designado. Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903032/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.317
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 32 /2 00 9- 93 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 6 5 e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 7 6 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903032/200993 Acórdão n.º 1402003.317 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727690/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006, 2007
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA.
Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
Numero da decisão: 9202-007.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 76 90 /2 01 0- 06 Fl. 550DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu: IRPF. JUROS MORATÓRIOS VINCULADOS A VERBAS TRABALHISTAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. INCIDÊNCIA. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas turmas nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC, segundo o qual não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Na peça recursal a Fazenda Nacional argui que "basta uma mera leitura deste julgado, e não teremos qualquer dúvida que esta decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988". Contrarrazões o Contribuinte pugna pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Com parto deste pressuposto, ou seja, não incidência de juros, trago à colação por irrepreensíveis os argumentos do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa: Sobre o pedido de exclusão da multa de ofício e dos juros, sob a alegação de que o Contribuinte teria agido de boafé... (...) Finalmente, sobre os juros incidentes sobre as verbas recebidas, ressalvando minha posição em sentido contrário, penso ser aplicável ao caso, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os juros calculados sobre verbas, recebidas em decorrência de decisões judiciais em ações Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10580.727690/201006 Acórdão n.º 9202007.113 CSRFT2 Fl. 551 3 trabalhistas, têm natureza indenizatórias, não estando sujeitos à incidência do imposto, nos termos do Acórdão Resp. nº 1227133/RS, julgado em 28/09/2011, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Deve ser excluída da base de cálculo, portanto, a parcela dos rendimentos correspondentes aos juros recebidos pelo beneficiário Segundo o entendimento desta Relatora, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que Fl. 552DF CARF MF 4 o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Diante do exposto, NEGO provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada 1. Dos juros de mora No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ, no Recurso Repetitivo n.º 1.227.133/RS, no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Reafirmando o exposto, temos que as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. Tal situação está expressamente prevista no art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” (Grifamos) Convém lembrar que os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis, nos termos do art. 43, §3º do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16, parágrafo único, da Lei n.º 4.506/64: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10580.727690/201006 Acórdão n.º 9202007.113 CSRFT2 Fl. 552 5 exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Assim, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. 3. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 554DF CARF MF
score : 1.0
