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Numero do processo: 11065.101112/2006-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS.
A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos das contribuições não-cumulativas decorrentes da prestação de serviços de industrialização por terceiros, expressamente autorizada pelo disposto no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial.
No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindo-se, em verdade, na mesma pessoa jurídica. Verificou-se, assim, não ser a pessoa jurídica contratada independente, mas sim, tratarem-se contratante (IMS BRAZIL LTDA) e contratada (PUPPIES TIME) da mesma empresa, impossibilitando o creditamento das contribuições não-cumulativas.
Numero da decisão: 9303-006.081
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IMS BRAZIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO PAÍS. DIREITO AO CRÉDITO. NÃO CARACTERIZADO NO CASO DOS AUTOS. A legislação tributária permite o aproveitamento de créditos das contribuições nãocumulativas decorrentes da prestação de serviços de industrialização por terceiros, expressamente autorizada pelo disposto no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, desde que haja independência entre as pessoas jurídicas da relação negocial. No entanto, esta não é a hipótese dos autos, porque não há independência gerencial e econômica entre contratante e contratada, constituindose, em verdade, na mesma pessoa jurídica. Verificouse, assim, não ser a pessoa jurídica contratada independente, mas sim, trataremse contratante (IMS BRAZIL LTDA) e contratada (PUPPIES TIME) da mesma empresa, impossibilitando o creditamento das contribuições nãocumulativas. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 11 12 /2 00 6- 42 Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11065.101112/200642 Acórdão n.º 9303006.081 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3201000.775, de 11/08/2011, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito ao crédito de COFINS nãocumulativa decorrente de "serviços prestados na industrialização por terceiros, ante a constatação de que a empresa que prestava tais serviços (Puppies Time) era, na verdade, estabelecimento da própria interessada". Colacionou como paradigma o acórdão nº 20219.139, da mesma empresa (IMS BRAZIL LTDA). Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) restou comprovada a divergência jurisprudencial na medida em que os acórdãos confrontados analisam a mesma situação fática, atinente à possibilidade de creditamento de insumos de COFINS correspondentes a serviços prestados na industrialização por terceiros, atribuindolhes soluções jurídicas diversas; (b) conforme a legislação de regência das contribuições para o PIS e COFINS nãocumulativos, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, geram direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos. No entanto, é requisito que a prestadora de serviço tenha independência formal e econômica em relação à contribuinte interessada no ressarcimento do insumo. Já no caso dos autos, ficou caracterizada a dependência econômica da prestadora de serviços (Puppies Time Ltda.) em relação à IMS Brazil Ltda., afastando o direito ao crédito; (c) a análise do conjunto de situações descritas no Relatório Fiscal revela que a prestadora de serviços (Puppies Time) era, de fato, um estabelecimento industrial da Contribuinte exportadora, e não uma pessoa jurídica independente como seria necessário. Para ilustrar a assertiva, a Fazenda Nacional colacionou em seu recurso as seguintes constatações: “a Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11065.101112/200642 Acórdão n.º 9303006.081 CSRFT3 Fl. 4 3 empresa Puppies Time foi a principal fornecedora de serviços de industrialização da IMS Brazil.; a empresa Puppies Time trabalhou exclusivamente para a IMS Brazil; a empresa Puppies Time desenvolveu suas atividades com máquinas, equipamentos e em prédio pertencente à IMS Brazil; a empresa Puppies Time foi gerenciada por pessoa contratada pela IMS Brazil, que inclusive utilizava cartões de visita em nome das duas empresas; a empresa Puppies Time tinha como sóciaadministradora uma exfuncionária da IMS Brazil, que ainda assinava em nome desta e pouco participava da administração daquela; e a empresa Puppies Time possuía passivo a descoberto em mais de 800% (oitocentos por cento) do valor total do seu Ativo, em decorrência de vultosos adiantamentos recebidos da IMS Brazil”. (d) requer seja dado provimento ao recurso especial e mantida a glosa realizada pela Fiscalização. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio de despacho proferido pelo Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em exercício à época. A IMS BRASIL LTDA. apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.070, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11065.101125/200611, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09 e reproduzido na Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11065.101112/200642 Acórdão n.º 9303006.081 CSRFT3 Fl. 5 4 Mérito No mérito, cingese a discussão à possibilidade de aproveitamento de créditos COFINS nãocumulativa decorrente da prestação de serviços de industrialização por terceiros, expressamente autorizada pelo disposto no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003. Ocorre que, no caso dos autos, verificase não ser a pessoa jurídica contratada independente, mas sim, trataremse contratante (IMS BRAZIL LTDA) e contratada (PUPPIES TIME) da mesma empresa, impossibilitando o creditamento de COFINS não cumulativo. Adotase como fundamentos da presente decisão, aqueles expendidos no Acórdão nº 20219.139, de lavra da Ilustre então Conselheira Maria Tereza Martínez López, in verbis: (II) DOS CRÉDITOS RELATIVOS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PELA EMPRESA PUPPLES TIME LTDA. A decisão recorrida reitera o relatório da Ação Fiscal ao explicitar que a prestadora de serviços (sic) "nada mais é o de que um braço da exportadora, constituindo um estabelecimento industrial da autuada, e não uma pessoa jurídica independente." E mais (fl. 229): "Sua criação formal serve aos interesses da fiscalizada, inclusive no que tange a folha de pagamentos com empregados, pretendendo, também, levar vantagem no que concerne à tributação, visto a empresa Puppies Time, ser optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) sofrendo tributação diferenciada como tal. Ademais, os créditos de PIS e da Cofins sequer existiriam se o serviço fosse prestado pelos próprios empregados da interessada ou por pessoas físicas." Consta do Relatório da Ação Fiscal — Cofins (fl. 88) o que segue: "Os fatos relatados nos itens 3.2.2 e 3.2.3 do presente relatório revelaram, em suma, que no período sob fiscalização a empresa Puppies Time: foi a principal fornecedora de serviços de industrialização da IMS Brazil; trabalhou exclusivamente para a IMS Brazil; desenvolveu suas atividades com máquinas, equipamentos e em prédio pertencente à IMS Brazil; foi gerenciada por pessoa contratada pela IMS Brazil, que inclusive utilizava cartões de visita em nome das duas empresas; tinha como sóciaadministradora uma exfuncionária da IMS Brazil, que ainda assinava em nome desta e pouco participava da administração daquela; e possuía passivo a descoberto em mais de 800% (oitocentos por cento) do valor total do seu Ativo, em decorrência de vultosos adiantamentos recebidos da IMS Brasil; Diante desses fatos, portanto, não restou dúvida que, embora regularmente constituída, esta fornecedora de serviços não era, de fato, uma pessoa jurídica independente, mas sim um estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Considerando que, pelo exposto neste relatório, a verdadeira atividade da Puppies Time consistiu em fornecer mãodeobra para o embalamento de produtos e que a fiscalizada controlava informalmente esta empresa, ficou claro que este artificio foi por ela utilizado para deixar de alocar esses empregados em sua folha de pagamentos. Com isso, por conta das notas fiscais emitidas pela Puppies Time, ela criou condições de tomar créditos sobre a mãodeobra de mais de 140 (cento e quarenta) empregados no período de 2003 e 2004, o que não teria ocorrido sem esta simulação. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11065.101112/200642 Acórdão n.º 9303006.081 CSRFT3 Fl. 6 5 Concluímos assim que, por este motivo, as atividades desenvolvidas neste estabelecimento não configuravam, para a fiscalizada, serviços de industrialização de terceiros, mas sim custos com mãodeobra própria, de pessoas físicas. Assim sendo, porquanto o § 2° do art. 3° da Lei n° 10.833/2003, estabelece claramente que 'não dará direito a crédito (..) o valor de mãodeobra paga a pessoa fisica', os créditos calculados sobre estas operações foram considerados indevidos. Ademais, por terem sido calculados sobre operações em que a fiscalizada se fez passar por terceiro, concluímos que, além e indevidos, esses créditos haviam sido por ela apurados com o evidente intuito de fraude." (destaques do original) Cabe registrar que não se trata de se proceder à desconsideração da personalidade jurídica, matéria que diz respeito ao Poder Judiciário. Nesse sentido, oportuno transcrever o disposto no art. 50 do Código Civil: "Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações selam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." Este dispositivo legal estatui norma que prevê a desconsideração tanto na hipótese de desvio de finalidade (teoria subjetiva), quanto na de confusão patrimonial (teoria objetiva). No caso dos autos, importa em saber se havia ou não independência ou autonomia de estabelecimento de forma a justificar o procedimento adotado pela contribuinte. Se de fato ocorreu suposta fraude ou simulação do ponto de vista fiscal. Com efeito, ainda que se possa invocar a aplicação da chamada Lei Antielisão (Lei Complementar nº 104, de 10 de Janeiro de 2001 — LC nº 104/2001), a maior parte da doutrina, assim como a jurisprudência, ainda admite a possibilidade de os contribuintes optarem por estruturas que lhes sejam menos onerosas do ponto de vista fiscal, contanto que tais estruturas não sejam implementadas com dolo, fraude ou simulação. Claro que os serviços prestados por PJ domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto geram créditos. Assim, dão direito ao crédito (IN SRF Nº 404/2004 (Regulamenta o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637 e 10.833) os Insumos para a Prestação de Serviços: bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. No caso, importa, no meu sentir, reconhecer se quem fazia a prestação de serviços era de fato a mesma quem contratava. Pelo descrito pela autoridade autuante, há sim, nos autos, uma caracterização de dependência econômica, gerencial entre a Puppies Time e a autuada. Em outras palavras, era a própria autuada que administrava e providenciava a execução do serviço. Erra a contribuinte ao não demonstrar a independência da empresa com a prestadora de serviço. Portanto, fiscalmente, assiste razão à decisão recorrida ao manter a autuação e, dessa forma, convalidar a exclusão dos créditos relativos aos valores da contribuição que incidiram sobre a prestação de serviços. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11065.101112/200642 Acórdão n.º 9303006.081 CSRFT3 Fl. 7 6 [...]Com efeito, a fraude e a simulação sempre foram expressamente proibidas pela legislação tributária, sendo que o próprio Código Tributário Nacional prevê o lançamento de oficio nas hipóteses em que se comprovar que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio dele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de Novembro de 1.964, a fraude é definida como toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Já a simulação, por sua vez, corresponde a uma declaração enganosa da verdade. Podese dizer que simular é fingir o que não é, ao passo que dissimular é fingir aquilo que é. Ambas as formas têm em comum o fato de que algo verdadeiro está sendo disfarçado, de modo que a verdade fica coberta por um ato falso, sendo assim inerente, tanto no caso da simulação quanto da dissimulação, a existência de uma declaração falsa que não corresponde à realidade. No caso dos autos, no exame detalhado das provas apresentadas pela fiscalização, provado está que a empresa constituída não era de fato uma pessoa jurídica independente e sim um estabelecimento industrial da autuada, dissimulado com outra pessoa jurídica.[...] (grifouse) Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 596DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001925/2003-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. NOTA FISCAL DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE SUA APRESENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
A 1ª via da nota fiscal de aquisição é documento essencial que dá suporte ao registro do crédito de IPI nos livros fiscais. Existem meios alternativos para comprovar a legitimidade do crédito, porém não é suficiente os próprios livros fiscais, pois são escriturados a partir da referida documentação. Cabe ao contribuinte providenciar meios legítimos, à sua disposição, para substituir a referida via. Não o fazendo, ou fazendo de forma ineficiente, não é possível o reconhecimento da liquidez e certeza do crédito solicitado.
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. DEVOLUÇÃO DE PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE.
Não existe previsão legal para o ressarcimento de crédito de IPI decorrente da devolução de produtos acabados. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 só permite o ressarcimento aos créditos decorrentes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem.
Numero da decisão: 9303-005.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial para afastar a limitação de prova exclusivamente mediante apresentação da primeira via das notas fiscais. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ELEMENTO DE PROVA. Recorrente GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. NOTA FISCAL DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE SUA APRESENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. A 1ª via da nota fiscal de aquisição é documento essencial que dá suporte ao registro do crédito de IPI nos livros fiscais. Existem meios alternativos para comprovar a legitimidade do crédito, porém não é suficiente os próprios livros fiscais, pois são escriturados a partir da referida documentação. Cabe ao contribuinte providenciar meios legítimos, à sua disposição, para substituir a referida via. Não o fazendo, ou fazendo de forma ineficiente, não é possível o reconhecimento da liquidez e certeza do crédito solicitado. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. DEVOLUÇÃO DE PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para o ressarcimento de crédito de IPI decorrente da devolução de produtos acabados. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 só permite o ressarcimento aos créditos decorrentes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial para afastar a limitação de prova exclusivamente mediante apresentação da primeira via das notas fiscais. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 19 25 /2 00 3- 23 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 330201.552, de 25 de abril de 2012 (fls. 353 a 359 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no protocolo feito pelo Contribuinte de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF no 210/2002, relativo ao 3º trimestre de 2000. A DERAT RJ indeferiu o pleito da recorrente alegando: 1 que não são passíveis de ressarcimento os seguintes créditos (não são os créditos referidos no art. 11 da lei nº 9.779/99): 1.1 créditos referentes à aquisição no mercado interno ou importado de produtos destinados à revenda/comercialização; 1.2 créditos de produtos recebidos em transferência de filial ou de terceiros, notadamente os produtos “COREGA” e creme dental; 1.3 créditos por devolução de produtos; Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 4 3 1.4 créditos de outras entradas (p.ex. industrialização por encomenda com retorno de produtos acabados); 2 não foi apresentado à Fiscalização as primeiras vias das notas fiscais de aquisição de MP, PI e ME com destaque de crédito básico de IPI. Os créditos escriturados devem ser comprovados com a primeira via da nota fiscal de aquisição/entrada do insumo; 3 destaque a maior do IPI nas notas fiscais transferência de produtos acabados, emitidas por filial da recorrente. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: a decisão proferida no despacho decisório glosara créditos de IPI no valor total de R$41.456,88, tendo apenas listado os créditos no termo de constatação fiscal, sem, contudo, mencionar de modo exaustivo e específico todas as razões por que os créditos foram considerados como nãopassíveis de ressarcimento, ensejando, com isso, manifesto cerceamento do direito de defesa da reclamante e, consequentemente, a nulidade da glosa; sobre a glosa de créditos no valor de R$144.867,00, efetuada "por não ter a Impugnante apresentado, em relação a todos os créditos, a Ia via da nota fiscal, que a Fiscalização refere como 'original' ", (...) a legislação não exigia a "apresentação da 1ª via da nota fiscal como condição sine qua non para o ressarcimento. De acordo com a legislação citada, o exame dos créditos se dá nos livros fiscais do contribuinte, devidamente apresentados no caso em comento. A nota fiscal consiste apenas em mais um elemento capaz de corroborar a existência da operação. (...) a autenticidade da operação pode ser aferida pelo conjunto de elementos, não sendo possível cingirse apenas a um. (...) a impossibilidade de se apresentar, em todos os casos, a primeira via da nota fiscal ocorre por uma infinidade de razões, tal como: por estar a nota em tesouraria, dentre outros "; todas as notas apresentadas encontravamse devidamente carimbadas. E isso, por si só, era capaz de individualizar o documento, fazendo as vezes de primeira via. Citou ementa de julgado do Terceiro Conselho de Contribuintes que entendeu corroborar sua assertiva; Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 5 4 "para a instrução do pedido de ressarcimento, somente é necessária a apresentação dos livros de apuração do IPI. No caso em comento, por ter julgado necessário, a Fiscalização solicitou a apresentação de notas fiscais, sem no entanto, estabelecer qualquer condição ou a necessidade de serem apresentado 'os originais' das mesmas "; "ainda que a Impugnante disso prescinda para comprovar o seu crédito, pedese vênia para juntar a primeira via das notas fiscais, como se constata dos documentos anexos "; "as transferências a que faz referência a r. decisão foram efetivadas entre estabelecimentos de titularidade da Impugnante (...). Com efeito, não havia transferência para estabelecimentos de terceiros. (...) o estabelecimento da Rua Cordovil não faturava, e, portanto, não aproveitava o crédito. O estabelecimento que dava efetiva saída aos produtos, de forma contabilizada, era o estabelecimento 'Rio 2000' "; "No que se refere aos 'créditos por devoluções', (...) tendo recolhido o imposto quando da saída da mercadoria, à Impugnante é legítimo se creditar do IPI quando da devolução das mercadorias por seus clientes, o que representa uma nova entrada. Afinal, em atenção ao princípio da nãocumulatividade, não pode o contribuinte suportar o imposto sem ter, em contrapartida, o direito de se creditar na operação seguinte "; "essa pretensão da Fiscalização de somente deferir o ressarcimento nos casos contemplados pela Lei n° 9.779/99 (...) não encontra respaldo em nosso ordenamento. (...) na apuração do IPI, não se distingue o crédito oriundo da aquisição de insumos, produtos intermediário e/ou material de embalagem dos demais créditos. Apuramse os débitos e créditos do período e, havendo saldocredor, buscase o seu ressarcimento. Com efeito, tendo ocorrido uma operação, cujo imposto foi recolhido pela Impugnante, há direito de crédito, sendo o ressarcimento mera decorrência deste. Se não pela Lei n° 9.779/99, certamente pela Constituição Federal (cfr. Art. 153, §3°, inc. II)". quanto às demais glosas efetuadas, "ao contrário do que sustentam os fiscais, o valor do imposto foi destacado em estrita observância à legislação vigente à época, ou Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 6 5 seja, ao artigo 123, inciso I, alínea 'a', do Regulamento do IPI, Decreto n.°2.637/98 (...). Como se verifica do dispositivo (...), na transferência de produtos entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, o valor tributável para fins do IPI é o preço do produto no mercado atacadista, constante da tabela de referência vigente à época. Frisese que, em algumas notas mencionadas pela Fiscalização, o primeiro algarismo do valor que expressou o destaque do imposto não 'coube' no campo 'valor do IPI'. No entanto, o valor saiu corretamente no campo 'valor total do IPI'. Tomese, por exemplo, a nota fiscal n. ° 410. O valor do IPI destacado foi de R$30.131,50, eis que calculado sobre o preço constante da tabela de referência vigente à época, ou seja, R$14,74. No entanto, quando se analisa o campo 'valor do IPI' da nota, verificase que os valores lá constantes foram R$1.055,00 e R$9.076,60, ao invés de R$11.055,00 e R$19.076,00. "; "em 30/06/2005, foi lavrado contra a ora Impugnante auto de infração, tendo por objeto a cobrança, dentre outros, dos créditos consignados nas notas fiscais mencionadas pelo parecer em que se baseou a decisão recorrida (...) sobreleva ressaltar é que, a partir do momento em que já existe auto de infração objetivando a cobrança desses valores — cuja procedência se está discutindo na sede própria, digase de passagem negar o direito da Impugnante de computar tais valores para fins de ressarcimento implica em exigir o imposto em duplicidade (bis in idem), o que é veementemente rechaçado por nosso ordenamento. Com efeito, ou bem excluemse referidos montantes do quantum a ser ressarcido e, por decorrência lógica, se reconhece indevida a sua cobrança mediante auto de infração ou, julgandose procedente a exação objeto do mencionado lançamento, permitese, por conseguinte, o seu creditamento”. Ao final, requereu a nulidade parcial do indeferimento ou sua total insubsistência, com o conseqüente reconhecimento do seu pleito inicial de ressarcimento. A DRJ em Juiz de Fora/MG deferiu parcialmente o pleito da recorrente, para reconhecer o crédito de MP. PI e ME cujas primeiras vias das notas fiscais foram apresentadas. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 7 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo final do prazo previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para a autoridade competente se pronunciar sobre declaração de compensação é a data da ciência do despacho decisório que analisou e decidiu a legitimidade da compensação declarada. CRÉDITO BÁSICO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. Por força do que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779/99, são passíveis de ressarcimento unicamente os créditos básicos do IPI decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização. Para os demais créditos admitidos na legislação do imposto o referido dispositivo legal não autoriza o ressarcimento. CRÉDITO BÁSICO. PROVA. NOTA FISCAL QUE ACOMPANHOU OS PRODUTOS. APRESENTAÇÃO. Nos termos da legislação do IPI, os produtos entram no estabelecimento industrial acompanhado da primeira via da nota fiscal, que serve para efetuar o registro do fato nos livros contábeis e fiscais do contribuinte, devendo este manter em boa forma o documentário fiscal para apresentação aos agentes do Fisco. A prova da entrada do produto e da legitimidade do crédito do IPI fazse à luz da via da nota fiscal que o acompanhou. Demais vias não se prestam a este fim. Recurso Voluntário Negado O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 370 a 381) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito as seguintes matérias: 1) Limitação dos meios de prova crédito do IPI apenas com apresentação da primeira via da nota fiscal e Reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 8 7 Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos: nº 310101.033 referente à matéria 1 e nº 3201 001.766 referente a matéria 2. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópias de interior teor dos acórdãos paradigmas, documentos de fls. 423 a 444. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 447 a 449 sob os seguintes argumentos: referente a matéria 1 tratamse de decisões divergentes referente ao mesmo fato, inclusive ao mesmo contribuinte, alterando somente o período de apuração; referente a matéria 2 no acórdão paradigma foi reconhecido o direito ao crédito básico do IPI oriundo da devolução de produtos acabados. Este mesmo crédito foi indeferido no acórdão recorrido pelo fato dos produtos acabados não se encaixarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Concluindo, informa que restou comprovada a divergência jurisprudencial em ambas matérias suscitadas pelo Contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ás fls. 451 a 454, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial e que seja mantido o v. acordão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. Entendo ter ficado comprovado as divergência jurisprudenciais apresentadas pelo Contribuinte quanto as matérias suscitadas em sede do recurso especial, a saber: 1) Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 9 8 limitação dos meios de prova crédito do IPI apenas com apresentação da primeira via da nota fiscal; 2) reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados. Referente a matéria 1 tratamse de decisões divergentes referente ao mesmo fato, inclusive ao mesmo contribuinte, alterando somente o período de apuração; referente a matéria 2 no acórdão paradigma foi reconhecido o direito ao crédito básico do IPI oriundo da devolução de produtos acabados, este mesmo crédito foi indeferido no acórdão recorrido pelo fato dos produtos acabados não se encaixarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF no 210/2002, relativo ao 3º trimestre de 2000. O contribuinte traz duas questões a serem discutidas e analisadas por este Conselho: a limitação dos meios de prova crédito do IPI apenas com apresentação da primeira via da nota fiscal; e reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados. No tocante aos meios de provas admitidos para a comprovação de credito de IPI, entendo oportuno adotar as razões esposadas no processo 13706.001773/200369, julgado na sessão do dia 15.02.2012, da lavra do Conselheiro Corintho Oliveira Machado, in verbis: “(...) Ao meu sentir, a recorrente tem razão em seus reclamos, porquanto tal conduta está dissociada da melhor exegese da legislação que trata do conjunto probatório no processo administrativo fiscal, e configurou, s.m.j., cerceamento do direito de defesa da recorrente, na medida em que restringiu a prova das operações de aquisições de insumos a uma só forma a primeira via das notas fiscais quando não há dispositivo legal que preveja tal imperativo. Ao contrário do propalado pelas dignas autoridades administrativas, temse o art. 24 do Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a legislação afeta ao processo administrativo tributário, no sentido de que: são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 10 9 admitidos em direito (Lei nº 5.869/73, art. 332 Código de Processo Civil). Esse é o dispositivo que inaugura o Capítulo referente às Provas, do Título I Das Normas Gerais. Também obra a favor da não restrição das provas no processo administrativo o art. 23 do aludido Decreto Os órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, no uso de suas atribuições legais, poderão solicitar informações e esclarecimentos ao sujeito passivo ou a terceiros, sendo as declarações, ou a recusa em prestálas, lavradas pela autoridade administrativa e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354/54, art. 7º; DecretoLei nº 1.718/79, art. 2º; Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional, arts. 196 e 197; Lei nº 11.457/2007, art. 10). Esse dispositivo trata do dever de prestar informações, que não é adstrito ao sujeito passivo, e sim extensivo a terceiros, cujas informações podem e devem ser utilizadas no procedimento relativo ao sujeito passivo. Essas normas processuais gerais já são suficientes para afastar a restrição aposta pelo Fisco, no sentido de que as operações efetuadas pelo contribuinte somente são passíveis de prova mediante a exibição da primeira via da nota fiscal. Nada obstante, há outras no campo da legislação do IPI, para ficar na esfera da legislação referida na decisão recorrida, que também se amoldam à ampliação dos meios de prova no âmbito dos procedimentos fiscais, tais como o art. 293 do RIPI/98 elementos subsidiários constituem elementos subsidiários da escrita fiscal os livros da escrita geral, as faturas e notas fiscais recebidas, documentos mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, e outros efeitos comerciais, inclusive aqueles que, mesmo pertencendo ao arquivo de terceiros, se relacionarem com o movimento escriturado (Lei nº 4.502/64, art. 56, § 4º, e Lei nº 9.430/96, art. 34). O art. 413 do RIPI/98 pessoas obrigadas a prestar informações mediante intimação escrita, são obrigados a prestar aos Auditores Fiscais todas as informações de que disponham com relação aos produtos, negócios ou atividades de terceiros (Lei n.º 4.502/64, art. 97, e Lei nº 5.172/66, art. 197): (...) VIII as demais pessoas, naturais ou jurídicas, cujas atividades envolvam negócios que interessem à fiscalização e arrecadação do imposto. Nesse contexto, a leitura dos arts. 326 e 327 do RIPI/98 feita pela decisão recorrida também não se me afigura a mais Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 11 10 escorreita, pois o fato de uma via da nota fiscal não substituir outra para fins de função fiscal e destinação não significa que qualquer uma delas não represente fidedignamente a mesma operação subjacente. E a previsão de utilização de cópia reprográfica de nota fiscal, do art. 327, para as hipóteses elencadas, não quer dizer finalidade única e específica; ao revés, configura adaptação da legislação da nota fiscal do IPI para novas necessidades (numerus apertus), excetuando apenas o trânsito dos produtos e mercadorias. Em suma, fica evidenciado que a “interpretação sistêmica” da legislação possibilita que o contribuinte comprove suas operações de outros meios para além da rígida regra que estabelece a primeira via da nota fiscal. Ora, no caso concreto há sim outras provas tão idôneas quanto a primeira via da nota fiscal, isto é, outras vias do mesmo documento fiscal, que sequer tiveram qualquer suspeita levantada pela fiscalização, que apenas se apegou numa questão meramente formal. O Decreto nº 7574/2011 que consolida a legislação sobre o processo administrativo tributário, prevê em seu artigo 24, constante do Capítulo V, pertinente às “PROVAS” prevê que, “são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito”. Verificase que a própria legislação do processo administrativo tributário prevê a amplitude quanto à produção probatória, portanto, no caso em tela não deveria restringir e simplesmente desconsiderar os outros meios de prova apresentados pelo contribuinte. Desta forma, entendo que o processo administrativo deve buscar a verdade material dos fatos, a qual deve ser buscada diante de todo campo probatório admitido em direito, portanto, devendo as outras provas apresentadas pelo contribuinte serem pelo menos analisadas. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 12 11 Além da legislação já trazida no precedente acima transcrito, ainda vale citar outras regras indissociáveis deste caso concreto. A Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo federal, e que pode ser aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, aponta dois dispositivos que devem ser considerados na solução da questão, in verbis: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Assim, verificase claramente que existe fundamento jurídico capaz de acolher a argumentação do contribuinte no sentido de afastar o estreitamento exagerado em torno de aceitar como prova apenas a primeira via da nota fiscal. Por tais razões, entendo que a estreita limitação probatória não seja a melhor solução para reconhecer o direito de o contribuinte comprovar seus créditos reclamados. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 13 12 No tocante ao reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados, entendo que de acordo com o artigo 150 e seguintes do Decreto nº 2.637/1998, RIPI, vigente a época, e permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial. Senão vejamos: Dos Créditos por Devolução ou Retorno de Produtos Devolução ou Retorno Art. 150. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 30). (...) Procedimentos Art. 152. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências: I pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem assim indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364; c) prova, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição do mesmo, ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à volta do produto, pertencente a terceiros, ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, exclusivamente para conserto. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 14 13 Art. 153. Quando a devolução for feita por pessoa física ou jurídica não obrigada à emissão de nota fiscal, acompanhará o produto carta ou memorando do comprador, em que serão declarados os motivos da devolução, competindo ao vendedor, na entrada, a emissão de nota fiscal com a indicação do número, data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto relativo às quantidades devolvidas. Parágrafo único. Quando ocorrer a hipótese prevista no caput deste artigo, assumindo o vendedor o encargo de retirar ou transportar o produto devolvido, servirá a nota fiscal para acompanhálo no trânsito para o seu, estabelecimento. Art. 154. Se a devolução do produto for feita a outro estabelecimento do mesmo contribuinte, que o tenha industrializado ou importado, e que não opere exclusivamente a varejo, o que o receber poderá creditarse pelo imposto, desde que registre a nota fiscal nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364. Art. 155. Na hipótese de retomo de produtos, deverá o remetente, para creditarse do imposto, escriturálo nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364, com base na nota fiscal, emitida na entrada dos produtos, a qual fará referência aos dados da nota fiscal originária. Art. 156. Produtos que, por qualquer motivo, não forem entregues ao destinatário originário constante da nota fiscal emitida na saída da mercadoria do estabelecimento, podem ser enviados a destinatário diferente do que tenha sido indicado na nota fiscal originária, sem que retornem ao estabelecimento remetente, desde que este: I emita nota fiscal de entrada simbólica do produto, para creditarse do imposto, com indicação do número e data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto nela destacado, efetuando a sua escrituração nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364; II emita nota fiscal com destaque do imposto em nome do novo destinatário, com citação do local de onde os produtos devam sair. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 15 14 SEÇÃO III Da Escrituração dos Créditos Requisitos para a Escrituração Art. 171. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a insumos que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos isentos, saídos com suspensão, não tributados ou de alíquota zero, cuja manutenção não tenha sido autorizada pela legislação. § 2º No caso de produto adquirido mediante venda à ordem ou para entrega futura, o crédito somente poderá ser escriturado na efetiva entrada do mesmo no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, à vista da nota fiscal que o acompanhar. Entendo se ocorreu a saída do estabelecimento industrial e, por conseguinte, se ter constituído a obrigação tributária, ex vi de fato gerador pendente, a mesma se extingue em razão da devolução da mercadoria pelo comprador, em razão de operação ou não Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 16 15 concluída, ou concluída mas desfeita, mas, em qualquer caso, não definitivamente constituída, nos termos do art. 116, II do CTN. A devolução de produtos industrializados tributados é um exemplo disto, quando o estabelecimento industrial poderá se creditar do imposto lançado por conta da saída (art. 30, lei n.º 4.502/64; art. 150, RIPI). Percebese que, na hipótese em que houver a devolução total dos produtos industrializados, haverá a extinção do crédito tributário em razão do creditamento do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, ou seja, a obrigação tributária é extinta em razão da vontade de uma das partes. Assim, se o Contribuinte comprovar através de documentos idôneos que houve as devoluções e retorno terá o Contribuinte o direito de apropriarse dos créditos do IPI registrados em nesses documentos fiscais. Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Especial para afastar a limitação de prova exclusivamente mediante apresentação da primeira via das notas fiscais e reconhecer o direito ao credito do Contribuinte com relação as devolução e retorno. E determinar a devolução dos autos do processo ao órgão julgador de primeiro grau, para apreciar as demais questões de mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém não concordo com suas conclusões. 1ªVia da Nota Fiscal Limitação dos meios de prova. Ela citou farta legislação que caminham no mesmo sentido de que não se deve estreitar a possibilidade de apresentação de elementos de prova ao contribuinte, na tentativa de demonstrar o seu direito creditório relativo ao pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI, amparado no art. 11 da lei nº 9.779/99. Creio que houve uma simplificação da matéria discutida nos presentes autos. Entendo que a discussão relevante para o deslinde da controvérsia, não é exatamente de restrição de meios de provas, mas da comprovação do direito alegado, em que a autoridade administrativa entendeu que os elementos de prova apresentados não eram suficientes para tal intento. O sistema de apuração de créditos da não cumulatividade do IPI é realizado de uma forma relativamente simples no Livro Fiscal denominado Registro de Apuração do IPI, o qual é escriturado com base nos Livros "Registro de Entradas" e "Registro de Saídas". Todas as notas fiscais de aquisição de produtos com créditos do IPI são registradas no Livro "Registro de Entradas" com base na 1ª via da Nota fiscal emitida pelo fabricante do produto. Portanto, o elemento de prova original é a 1ª via da Nota Fiscal. Evidente que o registro no referido livro não pode substituíla, pois fosse assim, poderia ser uma fonte de registros sem origem a critério de quem faz a escrituração. A nota fiscal é quem dá sustentação ao registro naquele livro e não o contrário. Daí, temos a primeira conclusão lógica de que não é possível que os livros fiscais dêem suporte a créditos que estão desprovidos das notas fiscais que lhe dão sustentação. Assim a fiscalização glosou os créditos que estavam escriturados nos referidos livros, mas que não tinham suporte em documento fiscal. O documento fiscal que dá suporte aos créditos é a 1ª Via da Nota Fiscal emitida pelo seu fornecedor. É esta via que Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 18 17 acompanha a mercadoria desde a sua origem até o destino final e não existe razão normal do contribuinte não possuíla. Óbvio que pode acontecer o seu extravio de forma esporádica, mas existem providências a cargo do contribuinte para suprir a sua falta. A legislação do ICMS a cargo dos Estados prevê forma e procedimentos para a substituição da 1ª via da nota fiscal em caso de perda ou extravio. Tal fato é de conhecimento notório e não necessita de maiores esclarecimentos. Portanto, não se trata de restringir os meios de prova, mas que as provas apresentadas sejam suficientes para comprovar o direito ao crédito, sendo que as instâncias julgadoras de piso e também este relator entendem que não foi comprovado, sendo insuficientes os livros fiscais apresentados pelos motivos acima expostos. A obrigação de manter a documentação que respalda a escrituração, por evidente, não decorre da Lei nº 9.779/99, mas do próprio Regulamento do IPI/98 (Decreto nº 2.637/98), que vigia à época dos fatos: Art. 171. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade. (Grifei) (...) Art. 289. O documentário fiscal obedecerá aos modelos anexos a este Regulamento, bem assim àqueles aprovados ou que vierem a ser aprovados pelo Secretário da Receita Federal, em atos administrativos ou em convênio com as Unidades Federativas (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 48 e 56, § 1º, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 17). Art. 290. Os livros, os documentos que servirem de base à sua escrituração e demais elementos compreendidos no documentário fiscal serão escriturados ou emitidos em ordem cronológica, sem rasuras ou emendas, e conservados no próprio estabelecimento para exibição aos agentes do Fisco, até que cesse o direito de constituir o crédito tributário (Lei nº 4.502, de 1964, arts. 57, § 1º, e 58). (...) Art. 320. Nos casos dos arts. 321 e 322, a nota fiscal será emitida, no mínimo, em quatro vias e no caso do art. 323, em no mínimo, cinco vias. Art. 321. Na saída de produtos para a mesma Unidade da Federação, as vias de nota fiscal terão o seguinte destino: I a primeira acompanhará os produtos e será entregue, pelo transportador, ao destinatário; Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 19 18 II a segunda permanecerá presa ao bloco, para exibição ao Fisco; III a terceira e quarta atenderão ao que for previsto na legislação da Unidade da Federação do emitente. Art. 322. Na saída de produtos para outra Unidade da Federação, as vias da Nota Fiscal terão o seguinte destino: I a primeira acompanhará os produtos e será entregue, pelo transportador, ao destinatário; II a segunda permanecerá presa ao bloco, para exibição ao Fisco; III a terceira acompanhará os produtos para fins de controle do Fisco na Unidade Federada de destino; IV a quarta atenderá ao que for previsto na legislação da Unidade da Federação do emitente. (...) Art. 326. As diversas vias das notas fiscais não se substituirão em suas respectivas funções e a sua disposição obedecerá ordem seqüencial que as diferencia, vedada a intercalação de vias adicionais. Evidente que a razão de tanto rigor, tanto na guarda dos documentos fiscais, quanto nas suas funções, não decorre de mero formalismo do legislador. São documentos que geram créditos a favor de quem os possui e sua má utilização pode resultar em prejuízos para a Fazenda Pública. O que se percebe é que o contribuinte não teve o cuidado necessário na guarda de seus documentos fiscais. Tal fato pode ser evidenciado pela transcrição de parte do Termo de Constatação Fiscal, efls. 103/108: (...) “No entanto, na auditoria para comprovação do direito creditício conforme determina o RIPI/98, diversas exclusões e glosas de créditos fizeramse necessárias face á documentação incompleta apresentada pela requerente, que após um período de quase 05 ( cinco ) meses de sucessivas intimações e contatos telefônicos, demonstrou visível dificuldade e ou desinteresse em reunir os elementos comprobatórios mínimos exigidos pela legislação, sob variadas alegações verbais, dificultando sobremaneira a execução da verificação fiscal. Num primeiro momento, a requerente chegou, inclusive, a apresentar apenas um "relatório de créditos" constando de planilhas de créditos e cópias xerografadas do Livro RAIPI, o que foi descartado de plano por esta fiscalização, já que são necessários os livros fiscais autenticados e os originais de 1ª via das notas fiscais. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 20 19 Finalmente, em resposta às intimações e solicitações, após meses e muitas delongas, a requerente apresentou a planilha de créditos em anexo, e junto com elas apenas parte das notas fiscais que geraram os créditos, alegando que "não havia localizado as notas fiscais no arquivo" . Apresentou também, após a 3ª intimação, os livros fiscais exigidos. Na planilha elaborada pela própria requerente, constam linhas destacadas em amarelo, correspondentes às notas fiscais não apresentadas, e nas linhas em azul são destacadas as notas fiscais que não eram originais da lª via, tais como 3ª vias ou cópias. (...) Neste sentido, vale destacar que o contribuinte teve muitas oportunidades para localizar as primeiras vias das notas fiscais ou até mesmo providenciar junto ao emitente ou à Unidade da Federação correspondente uma forma de validar oficialmente a falta das 1ª vias das referidas notas fiscais. Ao invés preferiu ficar argumentando que a legislação não exige a apresentação da 1ª via da nota fiscal para autorizar o ressarcimento. Assim, forçoso concluir que a primeira via da nota fiscal é a que acompanha os produtos e a que deve permanecer em poder do destinatário, configurandose, portanto, no documento fiscal essencial para conferir legitimidade ao aproveitamento escritural do crédito de IPI pela contribuinte. Evidente que a falta da 1ª via pode ser suprida por outro elemento de prova, porém o contribuinte não obteve êxito ou não teve interesse em fazer a comprovação. Portanto, resta configurado que não foi comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Reconhecimento de crédito de IPI oriundo de devoluções de produtos acabados Em relação a esta matéria, a nobre relatora utilizouse do disposto nos art. 150 em diante do RIPI/98, para concluir que o contribuinte tem direito à apropriação de crédito de IPI nos casos de ocorrência de devolução de produtos acabados. Porém, a decisão recorrida não contestou o direito à apropriação de créditos do IPI na ocorrência da devolução dos produtos. Esta possibilidade sempre existiu e decorre do simples princípio da não cumulatividade do IPI. Não é esta a discussão. A discussão é quanto à Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 21 20 possibilidade de ressarcimento deste crédito específico na hipótese permitida pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99. Nesse sentido transcrevo trecho da decisão recorrida para melhor ilustrar o que foi decidido: (...) Quanto às disposições do art. 11 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito, não merece acolhida os argumentos da recorrente de que a referida lei não previu um benefício fiscal e que veio para reforçar a nãocumulatividade do IPI e permitir o ressarcimento do crédito apurado na conta gráfica do imposto, independente da origem do crédito ou da natureza dos produtos. A simples leitura deste dispositivo, deixa claro que os créditos passiveis de ressarcimento são os decorrentes de “aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização”. Os demais créditos admitidos, como bem disse a decisão recorrida, somente podem ser utilizados na conta gráfica do IPI. Também aqui merece esclarecer que os créditos (legítimos) decorrentes de transferências foram aproveitados pela decisão recorrida, na conta gráfica, antes de apurar o crédito reconhecido a ressarcir. Também é importante dizer que a decisão recorrida não sugeriu a possibilidade de o contribuinte realizar duas escriturações de créditos. A decisão recorrida mantém o entendimento da autoridade da RFB de que não é possível o ressarcimento de créditos de IPI que, embora admitidos, não decorrem da aquisição de MP, PI e ME... (...) A questão é muito simples e decorre de disposição expressa da Lei nº 9.779/99, a qual permitiu a possibilidade de ressarcimento de IPI. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. O contribuinte requer o ressarcimento em espécie de créditos decorrentes da devolução de produtos acabados. Porém não há previsão legal para tanto, pois o dispositivo Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13706.001925/200323 Acórdão n.º 9303005.575 CSRFT3 Fl. 22 21 legal prevê o ressarcimento somente dos créditos decorrentes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, que são os insumos utilizados no processo industrial. Assim, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904972/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.067
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 97 2/ 20 11 -9 1 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Resolução nº 3402001.067 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Resolução nº 3402001.067 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Resolução nº 3402001.067 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10280.904972/201191 Resolução nº 3402001.067 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 208DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.909352/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSÁVEIS. Na apresentação de declarações de compensação, somente podem ser utilizados créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação de regência.
Numero da decisão: 1401-000.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS COMPENSÁVEIS. Na apresentação de declarações de compensação, somente podem ser utilizados créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Mauricio Pereira Faro. Ausente, momentaneamente, a conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 6768): Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP), mediante utilização de Saldo Negativo de CSLL apurado no AC de 2004 no valor de R$ 2.682.959,79. 2. A compensação declarada pelo contribuinte, sinteticamente: Data Nº do documento Vr. Débitos compensados (vr. Original) 02/04/2007 12400.66881.020407.1.7.030858 R$1.577.853,69 30/06/2006 34441.13840.310505.1.3.039445 R$ 1.000.000,00 28/02/2007 31040.89299.310505.1.3.030060 R$ 200.000,00 3. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 854484153 anexado à fl. 10, exarado aos 10/12/2009, onde, em síntese, se manifesta: 3.1 Que analisadas as antecipações indicadas pelo contribuinte na DCOMP, constatouse que, do somatório no importe de R$ 5.858.815,09, somente foram confirmadas as antecipações no decorrer do período no valor de R$ 3.566.005,92. 3.1.1 As "Informações Complementares da Análise de Crédito" anexadas as fls. 11/12 detalham o procedimento, nos seguintes tennos: 3.1.1.1 Todos os pagamentos indicados pelo contribuinte foram confirmados pelos sistemas informatizados da RFB, de modo que, foi confirmada a antecipação de CSLL no importe de R$ 3.295.872,49. 3.1.1.2 0 contribuinte buscou extinguir pela compensação, através de DCOMP/processo administrativo, diversas parcelas da CSLLEstimativa Mensal. Das compensações intentadas, no valor total de R$ 2.011.345,96, somente foram confirmadas as compensações no importe de R$ 270.133,43. Assim sendo, a DRF glosou a importância de R$1.741.212,53, correspondente as compensações não homologadas. 3.2 Considerando as antecipações confirmadas e a CSLL devida no período, a DRF reconheceu ao contribuinte o direito a utilização do Saldo Negativo de CSLL no importe de R$390.150,62. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13603.909352/200921 Acórdão n.º 140100.611 S1C4T1 Fl. 118 3 3.3 Neste contexto, a DRF efetua o "encontro de contas" que resultou na HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas, conforme discriminado à fl. 13 do processo. 4. 0 contribuinte foi cientificado do procedimento aos 23/12/2009, conforme documento à fl. 15. Irresignado, o contribuinte apresenta em 22/01/2010 a manifestação de inconformidade anexada as fls. 16 a 20, onde, em síntese, alega: 4.1 As compensações não validadas pela DRF foram objeto de recurso voluntário, "com fortes e robustas razões para que o seu pleito obtenha êxito", de modo que "não pode ser alegado no presente momento a não confirmação de tais compensações." 4.2 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN. 4.3 Por fim, propugna pela reforma do Despacho Decisório, corn o reconhecimento do direito de crédito utilizado e a homologação das compensações declaradas. 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.65). A 3ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por unanimidade, indeferiu a solicitação da interessada, por meio do Acórdão 0228.718, assim ementado (fls. 66): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 22/10/2010 (fls. 76), a contribuinte, em 23/11/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 7781, reiterando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Argumentou, outrossim, que teria havido homologação tácita de algumas declarações de compensação (não especificadas em sua peça recursal, v. fls. 80). Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao presente recuso voluntário, homologandose as compensações pleiteadas. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Arguição de homologação tácita do presente pedido de compensação A peça recursal sustenta que teria havido havido homologação tácita de algumas declarações de compensação (não especificadas em sua peça recursal, v. fls. 80). Não assiste razão à recorrente. Efetivamente, não houve o transcurso de um período superior a 5 anos, entre a data de protocolização dos presentes pedidos (31/05/2005, para a DCOMP mais antiga) e a data da ciência dos correspondentes despachos decisórios (dezemebro de 2009, fls. 15). Consequentemente, concluo que não ocorreu a alegada homologação tácita das presentes declarações. Análise do crédito supostamente passível de compensação As compensações declaradas via DCOMP, para serem homologadas, dependem da validade do crédito utilizado. Em outras palavras, é necessário que o crédito seja passível de restituição/ressarcimento, relativo a tributos ou contribuições administrados pela RFB, e em valor suficiente para extinguir os débitos próprios compensados, respeitadas as demais regas afetas ao procedimento. No presente caso, o Fisco contatou que o crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMP objeto deste processo era insuficiente para extinguir a totalidade das compensações declaradas. Consequentemente, não havia como homologar as compensações que remanescem em litígio, no presente process. Sobre as questões fáticas envolvidas no presente processo, foi bastante didático o acórdão recorrido (fls. 6869): 11. 0 direito de crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP em questão reportase ao Saldo Negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2004. Analisando as informações prestadas nas declarações apresentadas A RFB, a DRF não computou como válidas as, antecipações indicadas pelo contribuinte correspondentes As compensações não homologadas pelo fisco em DCOMP's apresentadas anterionnente. 11.1 A parcela glosada pela DRF importa em R$ 1.741.212,53 e corresponde parcela não homologada das DCOMP's de n's 14983.16068.271107.1.7.027000 e 18005.32290.020407.1.7.03 5093(fl. 12). 0 manifestante se insurge quanto a esta glosa, alegando que a ação do fisco está sendo contestada através de Recurso Voluntário apresentado ao CARF, com 'fortes e robustas razões para que o seu pleito tenha êxito". Fl. 134DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13603.909352/200921 Acórdão n.º 140100.611 S1C4T1 Fl. 119 5 12. Acerca deste assunto, cabe esclarecer que, para o caso em comento, em que todas as compensações que compuseram o Saldo Negativo de CSLL utilizado já foram objeto de análise pelo fisco, somente os débitos cuja compensa cão foi homologada podem ser computados como componentes deste saldo negativo passível de restituição/compensação na DCOMP em análise neste processo. [...] 13. Em síntese, a glosa efetuada pela DRF obedeceu aos estritos ditames da legislação vigente e o manifestante não trouxe h. baila qualquer documento ou argumento indicativo da validade dos créditos utilizados. Desta feita, mantémse o apuração pela DRF. Em sua peça recursal, a contribuinte limitouse a alegar que a decisão recorrida está incorreta. A recorrente se absteve, contudo, de apresentar quaisquer elementos de prova capazes de infirmar a correção das detalhadas explicações técnicas constantes do acórdão recorrido, fls. 6869 (análise do crédito). Na ausência de prova em contrário, é forçoso reconhecer que as glosas efetuadas pela DRF efetivamente obedeceram aos estritos ditames da legislação vigente. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário Em relação a este tema, adoto e transcrevo as razoes de decidir constantes do Acórdão recorrido, fls. :70: 15. 0 manifestante propugna pela suspensão da exigibilidade dos débitos constantes deste processo, cuja compensação foi não homologada. Acerca desta petição cabe esclarecer que o documento apresentado submetese ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972, e os débitos objetos da compensação estão sujeitos à suspensão da exigibilidade nos termos do § 11 do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996 e inciso III do art. 151, da Lei n°5.172, de 1966— CTN. 15.1. Entretanto, de acordo com o art. 203 do Regimento Interno da RFB – Portaria MF n° 125, de 4 de março de 2009, os procedimentos correspondentes encontramse a cargo da DRF de domicilio do contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 135DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 Fl. 136DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 09/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/08/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13204.000071/2004-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos o óleo combustível TP/A-BPF e o óleo diesel consumido no transporte do caulim e nos geradores que alimentam as bombas no transporte pelo mineroduto.
Numero da decisão: 9303-005.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Carmargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos o óleo combustível TP/A-BPF e o óleo diesel consumido no transporte do caulim e nos geradores que alimentam as bombas no transporte pelo mineroduto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Carmargos Autran.
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INSUMOS Recorrentes IMERYS RIO CAPIM CAULIM S/A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos o óleo combustível TP/ABPF e o óleo diesel consumido no transporte do caulim e nos geradores que alimentam as bombas no transporte pelo mineroduto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 71 /2 00 4- 08 Fl. 579DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Carmargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3801 00.469, de 23/08/2010, proferido pela 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS DE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMO. CABIMENTO. A despesa com combustível, desde que utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda, poderá ser usada no cálculo do crédito a ser descontado na apuração do Pis NãoCumulativo. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário. Provido em Parte. Vistos, relatados No recurso especial, a PFN insurgese contra o entendimento adotado na decisão recorrida que considerou como insumo o óleo combustível TP/ABPF. Visando comprovar a divergência, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 20312.448 e 204 00.795. O recurso especial foi admitido através do despacho de fls. 450/452. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 545/557). Cientificada, a contribuinte também apresentou recurso especial de divergência contra o entendimento adotado na decisão recorrida que não considerou como Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13204.000071/200408 Acórdão n.º 9303005.628 CSRFT3 Fl. 580 3 insumos os gastos com as aquisições de óleo diesel. Para comprovar o dissenso, alega divergência de interpretação em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 20181.139 e 3202 00.226. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 562/565. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 567/577). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação ao recurso especial interposto pela PFN, enquanto o acórdão recorrido reconheceu o crédito da contribuição sobre as aquisições de óleo combustível TP/ABPF, entendendo compreenderse no conceito de insumo, que equivaleria aos custos de produção e às despesas operacionais, o primeiro acórdão paradigma, o Acórdão de n° 20312.448, concluiu aplicar o conceito próprio da legislação de IPI. O recurso especial interposto pela Contribuinte também é de ser conhecido, uma vez que, embora o acórdão recorrido tenha adotado o entendimento de que insumo, para o efeito da legislação do PIS/Cofins não cumulativo, equivaleria aos custos de produção e às despesas operacionais, afastou a pretensão quanto aos créditos nas aquisições de óleo diesel. O acórdão paradigma de nº 20181.139, todavia, concluiu que os combustíveis e lubrificantes utilizados na frota de veículo ligados à atividade industrial gerariam o direito ao crédito, em conformidade com o disposto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A situação em ambos os casos é semelhante: no caso ora em exame, o óleo diesel é utilizado para o transporte de materiais e do próprio produto produzido pela contribuinte. Conhecidos ambos os recursos, passamos à análise do mérito do litígio. Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela Fl. 581DF CARF MF 4 legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13204.000071/200408 Acórdão n.º 9303005.628 CSRFT3 Fl. 581 5 Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Acrescentamos, ainda, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração no seu entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: Fl. 583DF CARF MF 6 b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Passemos ao caso concreto. A PFN contesta o reconhecimento, pela Câmara baixa, de créditos sobre as aquisições de óleo combustível TP/ABPF, enquanto a contribuinte, sobre as aquisições de óleo diesel. A contribuinte, cabe ressaltar, é uma empresa mineradora dedicada à extração do caulim (minério utilizado na fabricação de cerâmica, tintas, cimento etc.). O óleo combustível TP/ABPF é consumido, conforme indica a decisão recorrida, na fase da "evaporação" – redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível – e, também, na fase da "secagem" – consiste na eliminação da água remanescente ao caulim por meio de passagem da polpa formada, em corrente de ar quente, previamente aquecido por queima do óleo. Portanto, a sua utilização, é inequívoco, se dá no processo de industrialização. Já o óleo diesel é utilizado no transporte do caulim e nos geradores que alimentam as bombas no transporte pelo mineroduto, portanto, é consumido na própria produção, hipótese para a qual a própria RFB tem conferido o crédito. Vejam: Solução de Consulta Cosit nº 99045, de 14 de março de 2017: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. SERVIÇO DE MONITORAMENTO E RASTREAMENTO VIA SATÉLITE, SEGURO E SERVIÇOS DE INSPEÇÃO VEICULAR. DEPRECIAÇÃO. Combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços geram créditos do regime de apuração não cumulativa da Cofins. Os serviços de manutenção, bem assim as partes e peças de reposição, empregados em veículos utilizados na prestação de serviços de transporte, desde que as partes e peças não estejam obrigadas a integrar o ativo imobilizado da pessoa jurídica, por resultar num aumento superior a um ano na vida útil dos veículos, são considerados insumos aplicados na prestação de serviços de transporte, para fins de creditamento da Cofins. Não geram crédito do regime de apuração não cumulativa da Cofins as despesas relativas a serviços de rastreamento de veículos e cargas, a seguros de qualquer espécie e a serviços de inspeção veicular, uma vez que não configuram serviços Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13204.000071/200408 Acórdão n.º 9303005.628 CSRFT3 Fl. 582 7 aplicados ou consumidos na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. É admissível créditos sobre os encargos de depreciação incidentes sobre bens do ativo imobilizado no caso de máquinas, equipamentos e outros bens utilizados para a produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviços, nos termos dos arts. 3º, VI, § 1º, III, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. (g.n) Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, negolhe provimento. E conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para reconhecer o crédito da contribuição sobre as aquisições de óleo diesel consumido no transporte de materiais e do próprio produto fabricado. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 585DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000113/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
O Acórdão embargado não enfrentou a preliminar de nulidade suscitada pelo Contribuinte em sede de Recurso Voluntário.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
O Acórdão embargado enfrentou preliminar diversa da argüida pelo Contribuinte.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESCRIÇÃO ERRONÊA DOS FATOS E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
Não há "descrição errônea"dos fatos e da fundamentação legal do Relatório Fiscal , os elementos constantes dos autos foram suficientes para formar o convencimento do julgador, bem como propiciar à Contribuinte o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório.
Numero da decisão: 2401-005.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão/contradição apontada, rejeitar a preliminar de nulidade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. O Acórdão embargado não enfrentou a preliminar de nulidade suscitada pelo Contribuinte em sede de Recurso Voluntário. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. O Acórdão embargado enfrentou preliminar diversa da argüida pelo Contribuinte. PRELIMINAR. NULIDADE. DESCRIÇÃO ERRONÊA DOS FATOS E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não há "descrição errônea"dos fatos e da fundamentação legal do Relatório Fiscal , os elementos constantes dos autos foram suficientes para formar o convencimento do julgador, bem como propiciar à Contribuinte o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão/contradição apontada, rejeitar a preliminar de nulidade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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OMISSÃO. O Acórdão embargado não enfrentou a preliminar de nulidade suscitada pelo Contribuinte em sede de Recurso Voluntário. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. O Acórdão embargado enfrentou preliminar diversa da argüida pelo Contribuinte. PRELIMINAR. NULIDADE. DESCRIÇÃO ERRONÊA DOS FATOS E DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não há "descrição errônea"dos fatos e da fundamentação legal do Relatório Fiscal , os elementos constantes dos autos foram suficientes para formar o convencimento do julgador, bem como propiciar à Contribuinte o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 13 /2 00 8- 01 Fl. 1355DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão/contradição apontada, rejeitar a preliminar de nulidade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 12898.000113/200801 Acórdão n.º 2401005.001 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de embargos opostos, pelo Contribuinte, com fundamento no artigo 65 do Regimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Foi encaminhado para a Recorrente, em 23 de outubro de 2013, o Acórdão 2401002.972 da 1ª Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento (fls. 1261), que negou provimento ao Recurso Voluntário. Em 30 de outubro de 2013, consoante cópia do AR anexada às folhas 1295, a Recorrente tomou ciência da decisão que negoulhe provimento. Em 04 de novembro de 2013, consoante despacho de folhas 1298, tempestivamente, a Contribuinte interpôs embargos de declaração (fls. 1300), alegando contradição e omissão na decisão mencionada, nos seguintes termos, verbis: A Presidente da 4ª Câmara da 2º Seção às fls. 1.346/1.348, considerando as disposições constantes do artigo 62 do Regimento Interno, admitiu os presentes embargos de declaração, nos termos do artigo 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, para que a Turma se pronuncie sobre a preliminar de nulidade alegada pela Recorrente em face da errônea descrição dos fatos e da fundamentação legal do Relatório Fiscal. É o relatório. Fl. 1357DF CARF MF 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os presentes Embargos são tempestivos, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE O presente Auto de Infração de obrigação principal, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada, incidente sobre as remunerações pagas a titulo de Ajuda de Custo em desacordo com a lei, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período de 01/2003 a 12/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 117 a , os fatos geradores apurados durante o procedimento fiscal, consistem: na aplicação das alíquotas, conforme a seguir demonstrado, sobre as bases de cálculos apuradas através da rubrica "Ajuda de Custo", inserida nas folhas de pagamento e erradamente não ofertada à incidência contributiva. A ajuda de custo, como no caso presente, quando paga de forma reiterada, consoante se observa do Demonstrativo Anexo I, parte integrante do Relatório Fiscal de Débito, em desacordo com a Lei n° 8.212/91, em seu artigo 28, § 9°, alínea "g", ou seja, não sendo para indenizar o funcionário em decorrência de mudança do seu local de trabalho, na forma do artigo 470 da CLT, é salário de contribuição passível de incidência contributiva previdenciária. Em sede recursal a Embargante argumenta que a aferição de sua condição de imune/isenta não tem qualquer importância para o deslinde da controvérsia e que teria sido induzida a erro em sua defesa de 1ª Instância pelos erros contidos no Relatório Fiscal . Alega que o v. Acórdão foi omisso ao não enfrentar a preliminar de nulidade suscitada em seu recurso voluntário, sobre a errônea descrição dos fatos, qual seja da fundamentação legal do Relatório Fiscal Também entende que o Acórdão é contraditório ao cuidar de preliminar de nulidade diversa da alegada em sua defesa, já que nunca se manifestou no sentido de ausência de fundamento no desenquadramento da sua condição de isenta. Ratifica o argumento de que esse tema nunca fez parte das suas alegações de defesa . Compulsando os autos e após a releitura de todo o voto condutor da decisão, podese observar a omissão e contradição alegadas, uma vez que nele não se encontra nenhum comentário sobre o argumento apontado, e, no sentido oposto, consta argumentos que não foram articulados pela defesa. Entretanto, as referidas omissão e contradição não possuem o condão de alterar o resultado do julgado, já que ao contrário do defendido pela Embargante, ela se defendeu à contento de todos os elementos importantes ao deslinde da controvérsia e descritos no Relatório Fiscal e diligências posteriores. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 12898.000113/200801 Acórdão n.º 2401005.001 S2C4T1 Fl. 4 5 Assim, ao contrário do alegado pela Embargante, não há "descrição errônea"dos fatos e da fundamentação legal do Relatório Fiscal . Nesse diapasão, concluise que os elementos dos autos foram suficientes para formar o convencimento do julgador, bem como propiciar à Contribuinte o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão/contradição apontada, rejeitar a preliminar de nulidade. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1359DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721533/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE DILIGÊNCIA
Diligência é procedimento que visa formar a convicção do julgador. Não é um direito irrestrito da parte. Os pedidos de diligência não podem ser genéricos. Devem ser justificadas precisamente as suas razões, em especial, o que se busca com a diligência e o motivo específico de o objetivo não poder ser alcançado por esforço da própria defesa.
GLOSA DE DESPESA
Uma vez que a defesa apresentou documentos que comprovam a despesa glosada, deve ser afastada a autuação do valor correspondente.
REGISTROS CONTÁBEIS - VALOR PROBATÓRIO
A contabilidade faz prova, mas a favor da Fazenda Pública. Como corresponde a registros formados unilateralmente por uma das partes da relação jurídica tributária, não pode, sem os documentos que lhe deram suporte, fazer prova a favor daquele que a confecciona.
ÔNUS DA PROVA
O ônus da prova não é sempre do Fisco. O direito tributário não é exceção à máxima jurídica de que a prova deve ser apresentada por quem alega. Se um elemento reduz a base de cálculo, como custos e despesas, deve aquele que dele se beneficia (no caso, o contribuinte) fazer a comprovação da sua existência e da sua quantificação. Ao Fisco cabe comprovar as receitas (elementos positivos); ao contribuinte cabe comprovar as despesas e custos (elementos negativos).
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - DESPESAS INEXISTENTES
Não deve prosperar a alegação de ausência de base legal para a glosa de despesas indedutíveis da base de cálculo da CSLL, se o fundamento para a autuação foi o de não comprovação das despesas.
MULTA - SUCESSORA
Deve ser mantida a multa sobre a sucessora por força da interpretação sistemática do art. 132 com o art. 129 do CTN, se o fato gerador é anterior ao evento sucessório.
Numero da decisão: 1401-001.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, superar as alegações de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a dedutibilidade de R$2.559.982,79, relativas a despesas com perdas no recebimento de créditos, e aos valores considerados pela Fiscalização como adições não computadas no Lucro Real, no importe de R$501.278,98. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva que reconheceram, ainda, a dedutibilidade das despesas com descontos oferecidos em operações de cessão de créditos, no valor de R$25.679.375,57. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva ainda consignou em seu voto o reconhecimento da inexistência de base legal para a adição à base de cálculo da CSLL, das despesas consideradas indedutíveis, bem assim pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Não é um direito irrestrito da parte. Os pedidos de diligência não podem ser genéricos. Devem ser justificadas precisamente as suas razões, em especial, o que se busca com a diligência e o motivo específico de o objetivo não poder ser alcançado por esforço da própria defesa. GLOSA DE DESPESA Uma vez que a defesa apresentou documentos que comprovam a despesa glosada, deve ser afastada a autuação do valor correspondente. REGISTROS CONTÁBEIS VALOR PROBATÓRIO A contabilidade faz prova, mas a favor da Fazenda Pública. Como corresponde a registros formados unilateralmente por uma das partes da relação jurídica tributária, não pode, sem os documentos que lhe deram suporte, fazer prova a favor daquele que a confecciona. ÔNUS DA PROVA O ônus da prova não é sempre do Fisco. O direito tributário não é exceção à máxima jurídica de que a prova deve ser apresentada por quem alega. Se um elemento reduz a base de cálculo, como custos e despesas, deve aquele que dele se beneficia (no caso, o contribuinte) fazer a comprovação da sua existência e da sua quantificação. Ao Fisco cabe comprovar as receitas (elementos positivos); ao contribuinte cabe comprovar as despesas e custos (elementos negativos). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO DESPESAS INEXISTENTES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 15 33 /2 01 2- 28 Fl. 12686DF CARF MF 2 Não deve prosperar a alegação de ausência de base legal para a glosa de despesas indedutíveis da base de cálculo da CSLL, se o fundamento para a autuação foi o de não comprovação das despesas. MULTA SUCESSORA Deve ser mantida a multa sobre a sucessora por força da interpretação sistemática do art. 132 com o art. 129 do CTN, se o fato gerador é anterior ao evento sucessório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, superar as alegações de nulidade e, no mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a dedutibilidade de R$2.559.982,79, relativas a despesas com perdas no recebimento de créditos, e aos valores considerados pela Fiscalização como adições não computadas no Lucro Real, no importe de R$501.278,98. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva que reconheceram, ainda, a dedutibilidade das despesas com descontos oferecidos em operações de cessão de créditos, no valor de R$25.679.375,57. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva ainda consignou em seu voto o reconhecimento da inexistência de base legal para a adição à base de cálculo da CSLL, das despesas consideradas indedutíveis, bem assim pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvome do relatório da autoridade a quo: Trata o processo de auto de infração lavrado pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras da Receita Federal do Brasil em São Paulo, DEINF/SP, exigindo da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), Fl. 12687DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.558 3 respectivamente, nos valores de R$49.686.499,00 e R$17.887.139,64, ambos com multa de 75% e juros. A descrição dos fatos no auto de infração aponta 5 (cinco) infrações: Infração 0001. Despesas não necessárias; Infração 0002.Despesas não comprovadas; Infração 0003. Perdas recebimento de créditos. Requisitos legais. Inobservância; Infração 0004. Adições não computadas no Lucro Real. Despesa indedutível. Infração 0005. Adições não computadas no Lucro Real. Atualização de tributos com exigibilidade suspensa. Consta nos autos, que a Fiscalização produziu cinco termos de verificação para tratar das cinco infrações verificadas. O Termo de Verificação Fiscal 01 trata de parte da infração 0002. O Termo de Verificação Fiscal 02 trata da infração 0003 e de parte da 0002. O Termo de Verificação Fiscal 03 trata da infração 0005. O Termo de Verificação Fiscal 04 trata da infração 0004 e de parte da infração 0002. O Termo de Verificação Fiscal 05 trata da infração 0001 e de parte da infração 0002. Consta no Termo de Verificação 01, o que segue. O Banco ABN AMRO Real S/A (Banco ABN), sucedido por incorporação ao Banco Santander Brasil S/A, apresentou DIPJ relativamente ao anocalendário de 2007,DIPJ/2008. Conforme Linha 03, Ficha 05B, “Serviços Prestados Por Terceiros”, da DIPJ/2008, a Interessada deduziu o valor de R$896.131.979,21. Intimada a indicar o nome, código COSIF e os saldos das contas que compuseram tal valor, a Interessada apresentou demonstrativo que aponta, dentre outras, as contas constantes na tabela de fls.174. Em decorrência, a interessada foi intimada a detalhar as rubricas apontadas no demonstrativo anteriormente fornecido, informando o nome dos prestadores, CNPJ e valor dos serviços prestados. Fl. 12688DF CARF MF 4 Em atendimento, a Interessada apresentou demonstrativo analítico das contas, constantes nos arquivos enumerados às fls.174. Após análise dos demonstrativos analíticos, a Interessada foi intimada a apresentar documentação comprobatória que justificasse o lançamento das despesas nas contas em questão, assinaladas às fls.174/175. Da análise da documentação apresentada, constatouse que das contas acima fiscalizadas, não foram apresentadas as Notas Ficais solicitadas em sua totalidade, conforme detalhamento a seguir. Conta “Desp.C/Serv.Terc. Call Center”: A Interessada apresentou relação de notas ficais, onde se pode constatar ausência da Nota Fiscal n°.28623, referente ao prestador Voxline Contact Center Intermediação Ltda, CNPJ 04.728.400/000179, no valor de R$100.808,89. Conta “Desp.C/Abastec. Cra Terceirizado” A Interessada apresentou relação de notas ficais, tendo sido constatada a ausência das relacionadas às fls.175, no total de R$114.034,10. Conta “Desp.Servicos de Terceiros...Serv. Process” Foi constatada a ausência das Notas Fiscais listadas às fls.176, no total de R$1.758.627,13. Conta “Desp.Serv. de Compensação Terceiriza” Foi constatada a ausência da Nota Fiscal 3029.00, que se refere aos lançamentos constantes na composição analítica apresentada pela Interessada e reproduzidos às fls.176, no montante de despesa de R$767.184,34. O valor total da glosa foi de R$2.740.654,46, (parte da infração 0002). Consta no Termo de Verificação 02, o que segue. Na DIPJ/2008, Linha 30, Ficha 05B, “Outras Despesas Operacionais”, foi deduzido o valor de R$2.849.285.490,75 (R$2.907.517.930,75 R$ 58.232.440,00). A Interessada foi intimada a detalhar o mencionado valor, indicando o nome, código COSIF e os saldos das contas que o compuseram. Em resposta, apresentou demonstrativo analítico das contas que formaram o valor em questão. Entre outras parcelas componentes deste montante estão as contas referentes a descontos concedidos, indicadas às fls.183, no total de R$28.239.352,36. A Interessada foi intimada a identificar os descontos concedidos nas mencionadas contas, de forma individualizada, informando o Fl. 12689DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.559 5 devedor, título, valor, vencimento, declinando para cada um deles o fundamento legal conforme a Lei n° 9.430/96 que versa sobre a matéria. Em resposta, a Interessada informou que os lançamentos efetuados nestas contas possuíam características similares de abatimentos concedidos aos devedores na liquidação de operações de crédito, estando em conformidade com a legislação. A Interessada apresentou resposta contendo analítico informando que o valor contabilizado de R$25.679.375,57, referiase ao desconto concedido à parte das operações de Cessão de Crédito, ocorrida em março de 2007, conforme contrato de cessão e demonstrativo. A Interessada foi intimada a apresentar dossiê dos contratos, contendo toda documentação das situações fáticas envolvendo cada contrato envolvido na cessão de crédito e que compôs o valor apresentado no analítico em questão. Não houve resposta da Interessada. Registrou a Fiscalização que sem os documentos comprobatórios, não se poderia confirmar a veracidade dos valores informados como valor nominal dos contratos constantes na cessão de crédito e que serviram de base para o cálculo do desconto concedido contabilizado nas contas em questão, conforme analítico, entregue pela Interesssada. A Interessada também foi intimada a apresentar justificativa para a diferença encontrada entre o saldo das contas contabilizado como despesa, e o valor apresentado no mencionado analítico, (R$2.559.982,79 = R$28.239.352,36 R$ 25.679.375,57). Em resposta, a Interessada apresentou razão informando que parte do valor da diferença encontrada, no valor de R$2.559.982,79, se referia a desconto concedido na “Operação n°248905 Natan Jóias e também à parcela “Perdão s/ Operação de Renegociação de Dívida na Operação n°58420 Hospital e Maternidade Casa Verde”. Intimada, a Interessada não apresentou para estes descontos concedidos, os elementos necessários para a classificação das perdas em operações de crédito do art. 9° da Lei n°9.430/96. Assim, restou não comprovada despesa de descontos concedidos na ordem de R$25.679.375,57, (parte da infração 0002), pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado, como também, a não dedutibilidade de despesas de descontos concedidos nas operações de crédito na ordem de R$2.559.982,79, (infração 0003), por não atenderem aos requisitos requeridos pelo art. 9° da Lei n°9.430/96. Fl. 12690DF CARF MF 6 Consta no Termo de Verificação 03, o que segue. Na DIPJ/2008, Linha 30, Ficha 05B, “Outras Despesas Operacionais”, foi deduzido o valor de R$2.849.285.490,75 (R$2.907.517.930,75 R$ 58.232.440,00). A Interessada foi intimada a detalhar o mencionado valor, indicando o nome, código COSIF e os saldos das contas que o compuseram. Em resposta, apresentou demonstrativo analítico das contas que formaram o valor em questão. Entre outras parcelas componentes deste montante estão as contas referentes a provisões, indicadas às fls.197, no total de R$104.749.761,45. A Interessada foi intimada a apresentar esclarecimentos e informações referentes a estas provisões. Em resposta a Interessada informou que: "Os valores que foram contabilizados nas contas 77607 e 7812300763720 correspondem à atualização dos tributos que estão sob exigibilidade suspensa, cujo tratamento fiscal invocado para a não adição ao Lucro Real foi o artigo 41 da Lei 8981/1995". Foi lançado o valor de R$104.749.761,45, (infração 0005). Consta no Termo de Verificação 04, o que segue. Na DIPJ/2008, Linha 30, Ficha 05B, “Outras Despesas Operacionais”, foi deduzido o valor de R$2.849.285.490,75 (R$2.907.517.930,75 R$ 58.232.440,00). A Interessada foi intimada a detalhar o mencionado valor, indicando o nome, código COSIF e os saldos das contas que o compuseram. Em resposta, apresentou demonstrativo analítico das contas que formaram o valor em questão, tendo, dentre outras parcelas componentes deste montante, está a conta indicada às fls.205, referente a “Desp.C/Inden.CiveisCondenacao”, no valor total de R$97.304.092,19. A Interessada foi intimada a informar as ações judiciais que justificavam os valores lançados na respectiva conta. Em resposta, apresentou demonstrativo analítico da conta acima, contendo os números das ações judiciais referentes aos valores contabilizados na conta. A Interesssada foi intimada a apresentar documentos que justificassem o motivo do litígio e a condenação do Banco ABN, bem como os comprovantes de pagamentos das referidas condenações, referente aos maiores lançamentos. Após a análise dos documentos, ficaram sem comprovação parte dos lançamentos contábeis referentes aos processos listados às fls.206, conforme a seguir exposto: Fl. 12691DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.560 7 referente a processo com a Prefeitura Municipal de São Paulo, (nº.659.3127/051), não foi apresentada qualquer informação, nem tampouco os comprovantes de pagamentos das supostas condenações; referente a processo com o Município de São Paulo, (nº.503.53.2006.107747), foram apresentado documentos, nos quais constam alguns pagamentos realizados pela Interessada, porém, os pagamentos apresentados só contemplam o valor de R$728.873,96, devendo portanto a diferença ser glosada, por falta de comprovação, conforme detalhado na tabela de fls.206, (embaixo); referente ao Processo 2006.61.00141190, dentre os documentos apresentados, consta Sentença, proferida em 18/01/2008, na qual verificouse que o objeto da ação era de multa tributária. Dessa forma, o valor contabilizado referente a este processo foi glosado, por ser considerado indedutível, pelo não cumprimento ao disposto no art. 344, § 5o, do RIR/99; referente ao processo 10768.014995/0088, cujo objeto refere se a Auto de Infração de CPMF, pago pela Interesssada, conforme DARF apresentado, podese verificar que o valor de R$1.972.122,37 se referiu, também, à multa tributária, aplicandose o mesmo acima registrado. Assim, restou não comprovada a despesa com indenização cível na ordem de R$4.167.934,28, (parte da infração 0002), pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado, como também, a não dedutibilidade de despesas de pagamento de multa tributária no valor de R$2.473.401,35, (infração 0004), pelo não cumprimento ao disposto no art. 344, § 5°, do RIR/99. Consta no Termo de Verificação 05, o que segue. Na DIPJ/2008, Linha 30, Ficha 05B, “Outras Despesas Operacionais”, foi deduzido o valor de R$2.849.285.490,75 (R$2.907.517.930,75 R$ 58.232.440,00). A Interessada foi intimada a detalhar o mencionado valor, indicando o nome código COSIF e os saldos das contas que o compuseram. Em resposta, apresentou demonstrativo analítico das contas que formaram o valor em questão, tendo, dentre outras parcelas componentes deste montante, as contas indicadas às fls.214. A Interessada foi intimada a detalhar as rubricas destas contas, individualizando os beneficiários, informando o nome, CNPJ/CPF e o valor recebido. Em resposta, informou que as contas se referem a pagamento de comissões, prêmios, incentivo aos lojistas, convênios com PJ e outros e, posteriormente, apresentou demonstrativo analítico das contas acima, constantes nos arquivos listados às fls.214. Fl. 12692DF CARF MF 8 A Interessada foi intimada a justificar a diferença entre o saldo contábil registrado e o valor apresentado em analítico, bem como apresentasse documentação comprobatória que justificasse o lançamento de algumas despesas especificas nas contas em questão. Foram constatadas irregularidades nas seguintes contas. Conta “Desp Premio P/Indicação Negocio... Comissões – F”: Em resposta à intimação, a Interessada apresentou razão da conta acima. Em virtude de todos os lançamentos contábeis possuírem no campo "Histórico" a identificação de "Grupo Fiat", foi feita intimação, para que a Interessada apresentasse contrato firmado com o Grupo Fiat que justifica os lançamentos efetuados nesta conta. Não houve resposta da Interessada. Em decorrência, restou não comprovada despesa de “Premio P/ Indicação Negocio... Comissões –F”, no valor e R$3.950.000,00, pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado, (parte da infração 0002). Conta Desp.C/Programa De Incentivos: Em resposta à intimação, a Interessada apresentou analítico da referida conta, onde consta o detalhamento dos valores lançados, individualizado por beneficiário, até o montante de R$11.659.481,83. Foi verificada diferença entre o saldo da conta e o analítico apresentado, fls.215. Foi feita intimação para que a Interessada esclarecesse a divergência. Não houve resposta. Assim, não restou comprovada a referida despesa na ordem de R$5.293.637,44, pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado, (parte da infração 0002). Conta Outras Desp. OperacionaisConsumer... Comissões Adi Em resposta, a Interessada apresentou analítico da conta acima, onde consta o detalhamento dos valores lançados, individualizado por beneficiário, no montante de R$116.640.148,77. Foi verificada diferença entre o saldo da conta, (R$138.202.266,34), e o analítico apresentado, fls.216. Foi feita intimação para que a Interessada esclarecesse a divergência. Não houve resposta. Assim, não restou comprovada a referida despesa na ordem de R$21.562.117,57, pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado, (parte da infração 0002). Fl. 12693DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.561 9 Quanto aos lançamentos constantes no analítico entregue pela Interessada referente à conta em epígrafe, foram informados pagamentos efetuados aos beneficiários listados às fls.216. A Interessada foi intimada a apresentar acordo comercial com os beneficiários acima, que justificam os valores lançados como despesas na conta. Não houve resposta. Assim, restou não comprovada despesa de “Outras Desp.OperacionaisConsumer... Comissões Adi”, na ordem de R$8.237.632,62, pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado, (parte da infração 0002). Conta “Outras Desp.OperacionaisConsumer Gastos Com Co” A Interessada apresentou analítico referente a esta conta informando pagamentos efetuados aos beneficiários listados às fls.216. A Interessada foi intimada a apresentar documentação comprobatória que justificasse os pagamentos efetuados a esses beneficiários. Não houve resposta. Assim, restou não comprovada despesa de “Outras desp. operacionaisConsumer..Gastos Com Co”, na ordem de R$17.109.249,88, pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado, (parte da infração 0002). Conta “Desp Premio P / Preferencia Produtos Premio P / Pré” Em resposta à intimação, a Interessada apresentou analítico da conta acima, onde consta o montante de R$33.237.969,20, fls.162. Ocorre que, conforme fls.74, 80, 84 e 159, o saldo contábil da respectiva conta apresentava o valor de R$33.460.217,80. Intimada a se pronunciar sobre a divergência, a Interessada informou que "a diferença entre o saldo contábil e o demonstrativo analítico é ocasionada por um lançamento automático, realizado por um sistema antigo do Banco Abn Amro Real que foi desativado com a migração sistêmica dos Bancos." A Fiscalização não acolheu a alegação, concluindo que restou não dedutível despesa de “Desp premio p/ preferencia produtos premio p/ pre”, na ordem de R$222.248,60, pela não cumprimento do disposto no art. 299 do RIR/99, (infração 0001). Registrou a Fiscalização que, ficaram não comprovadas as despesas acima na ordem de R$56.152.637,51, (infração 0002), pela não apresentação de informações e documentações que Fl. 12694DF CARF MF 10 justificassem o valor contabilizado, como também, a não dedutibilidade da despesa referente a lançamento automático, pelo sistema interno, na ordem de R$222.248,60, pelo não cumprimento ao disposto no art. 299 do RIR/99, (infração 0001). Impugnação. A Interessada tomou ciência do lançamento em 21122012, apresentando impugnação em 22012013, informando/alegando, em síntese, o que segue. Optou por realizar o pagamento das infrações listadas no item VIII (glosa da despesa no valor de R$ 222.248,60, TVF n° 05), bem como do valor de R$1.972.122,37, que é parte do item VI (Multa Tributária referente ao processo administrativo n°10768.014995/0088), usufruindo do benefício da redução da multa previsto no artigo 6o, inciso I, da Lei n° 8.218/1991, com alterações promovidas pelo artigo 28 da Lei n° 11.941/2009, conforme doc.03. As despesas, exclusões, perdas e descontos concedidos no recebimento de créditos, glosadas são de natureza operacional e intrinsecamente relacionadas com a sua atividade, conforme artigo 299 do RIR/1999, jurisprudência e doutrina que transcreve. Não foi feita análise individualizada de cada dispêndio nem da situação objetiva em que o mesmo foi realizado. O ônus da prova é do Fisco, e este nada comprovou, fundando se em indevida presunção, uma vez que, com base em recursos presuntivos, a Fiscalização glosou várias despesas sob o argumento de que elas não teriam sido comprovadas, mas em nenhum momento foi apresentada justificativa plausível para essa glosa, ou seja, prova efetiva de que as despesas glosadas não são operacionais não foi produzida durante o processo de fiscalização, violando a regra que impõe que a contabilidade faz prova em favor da pessoa jurídica. Glosa de despesas de Serviços Prestados por Terceiros, (TVF nº.01). Quanto às despesas com "Serviços Prestados por Terceiros" (TVF n° 01), (conta 81757004), as mesmas foram efetivamente despendidas, sendo relacionadas com as atividades desenvolvidas, balizadas com documentos fiscais, conforme passa a expor. Para a despesa glosada, "Call Center", no valor de R$100.808,89, apresenta a Nota Fiscal n°.28623, emitida em 18/04/2007, pelo prestador de serviço VOX LINE CONTACT CENTER INTERMEDIAÇÃO DE PEDIDOS LTDA, no valor de R$100.808,89, a qual foi devidamente paga em 03/05/2007, conforme atestam o doc. 04. Para as despesas glosadas "PRESERV SEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES" (R$103.248,09) e "BRINK SEGURANÇA E TRANSPORTE LTDA" (R$10.786,01), no valor total de R$ 114.034,10, a falta de apresentação das Notas Fl. 12695DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.562 11 Fiscais originais vinculadas a essas operações não é motivo suficiente para glosar tais despesas, pois é notório que a contratação de empresas de segurança como a "BRINKS" e "PRESERVE SEGURANÇA" fazem parte de suas atividades corriqueiras, razão pela qual não se pode olvidar que tais despesas não seriam normais, usuais e necessárias. Antes de glosar esses valores a Fiscalização deveria, em respeito ao princípio da verdade material, ter diligenciado junto a essas empresas para confirmar a efetivação dos serviços e o seu consequente pagamento, não sendo razoável a sua indedutibilidade sem a produção de prova de que os serviços contabilizados não foram de fato realizados e pagos. Apesar disto, traz, nessa oportunidade, missivas trocadas com os prestadores de serviço, o que comprovam a existência das Notas Fiscais emitidas e o recebimento dos valores acordados pelos respectivos beneficiários (doc. 05). Produz às fls.272, relação das Notas Fiscais devidamente confirmadas pelos prestadores de serviço; Para a despesa glosada, "Processamento", no valor de R$1.758.627,13, cumpre destacar que a empresa "Fidelity National Serviços de Tratamento de Documentos e Informática Ltda", inscrita no CNPJ 00.395.792/000140 é a atual denominação da "Proserwi Empreendimentos e Serviços Ltda", sendo que a referida empresa foi contratada para a realização de "serviços auxiliares de manuseio, triagem, preparação, expedição, conferência, guarda de documentos, geração e transmissão de arquivos lógicodigitais para fins de processamento de documentos, custódia de títulos, preparação para a compensação e pela recepção e expedição de malotes” Tais despesas são usuais, necessárias e normais à sua atividade estando devidamente detalhadas a forma de seu pagamento nos documentos contábeis da empresa, como se infere, a título demonstrativo, pela planilha produzida às fls.274. Para a despesa "Compensação Terceirizada", no valor de R$767.184,34, traz cópia da Nota Fiscal n° 3029, emitida em 19/04/2007, pelo prestador de serviço PROSERVVI EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA., no citado valor, a qual foi devidamente quitada em 30/04/2007, conforme atesta o documento doc. 06; Glosa de despesas com "Operações de Crédito" (TVF n° 02) Quanto à despesa de R$25.679.375,57, Cessão de Crédito, assinou Contrato de Cessão de Crédito, sem coobrigação, com a ÔNIX COMPANHIA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS, empresa não ligada ao Grupo, no montante de R$65.101.012,04, com preço de cessão efetivo de 13% do total dos créditos cedidos, (doc. 07). Fl. 12696DF CARF MF 12 Tal despesa decorreu de parte dos créditos devidamente elencados no contrato, ("Anexo IV" do Instrumento Particular de Contrato de Cessão e Aquisição de Direitos de Crédito e Outras Avencas), cedido à mencionada cessionária, conforme demonstrado na planilha produzida às fls.278. Considerando que o total do crédito cedido, relacionado às despesas glosadas, soma o valor nominal de R$30.803.776,84, após a aplicação dos índices firmados contratualmente (obrigando o Cessionário ao pagamento de R$5.507.808,22), apurase o desconto total de RS25.295.968,62 (R$30.803.776,84 R$ 5.507.808,22), que somado à atualização de R$383.406,95 compõe o valor dedutível de R$25.679.375,57, conforme demonstrado às fls.279. Os trechos do contrato transcritos às fls.279/281, comprovam que a partir de 23/03/2007, não detinha qualquer ingerência sobre a carteira de créditos cedidos à cessionária, razão pela qual os descontos concedidos na venda desses créditos possuem caráter de despesa efetiva, já que o contrato de cessão continha cláusula prevendo a não coobrigação, assim como que a cessão seria definitiva e irretratável. Assinalese que na data da assinatura do contrato todos os documentos originais e cópias atreladas aos referidos créditos foram entregues ao cessionário, pois, em 23/03/2007 esses créditos não mais lhe pertenciam, não existindo motivos lógicos para a manutenção de todos os documentos relacionados a tais valores, já que a partir de março de 2007 o Cessionário passou a administrar a cobrança desses valores, e, por consectario, passou a ser o detentor dos respectivos documentos comprobatórios. Desta forma, o contrato de cessão é documento suficiente para justificar as despesas incorridas com base no artigo 299 do RIR/99, uma vez que o valor deduzido não está sujeito aos requisitos estabelecidos pelo artigo 9° da Lei n°9.430/96, uma vez que não se trata de perda no recebimento de créditos, mas sim de perda apurada pela cessão de créditos Quanto às despesas referentes a decontos concedidos no montante de R$2.559.982,79, (R$2.540.509,81 na operação com a Natan Jóias e R$19.472,98, na operação com o Hospital e Maternidade Casa Verde), as mesmas não estão adstritas às regras do artigo 9º da Lei n° 9.430/96, pois não se tratam de despesas provisórias, mas sim de despesas definitivas oriundas da negociação entre as partes interessadas, banco e cliente/devedor. Tem como atividade "a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes às respectivas Carteiras autorizadas (Comercial, de investimento, de Crédito, Financiamento e Investimento, de Crédito Imobiliário e de Arrendamento Mercantil)." Os descontos concedidos não se caracterizam como renda, ou acréscimo patrimonial, ou ainda liberalidade, mas sim como despesas operacionais, pagas ou incorridas para vender produtos e administrar a empresa e, dentro do conceito da Lei Fl. 12697DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.563 13 n°.6.404/76, abrangem também as despesas líquidas para financiar suas operações. Portanto, ainda que haja regra específica que regule as perdas no recebimento de crédito das pessoas jurídicas em geral, para as instituições financeiras, a interpretação sistemática da legislação tributária faz com que se considere aplicável a regra contida no artigo 299, do RIR/99, para as perdas incorridas na renegociação de suas dívidas. Não se trata de mera interpretação literal, mas sim de uma interpretação sistemática e em conformidade com o princípio constitucional da isonomia e com o conceito de renda. Portanto, as despesas com descontos concedidos são perfeitamente aceitáveis frente ao desenvolvimento de atividades dessa natureza, de modo que se pode afirmar que as despesas em comento não devem submeterse ao tratamento conferido pelo artigo 9° da Lei n° 9.430/1996, e sim à regra geral de dedutibilidade prevista no artigo 299 do RIR/99. Pelos motivos expostos, não há como sustentar a manutenção da glosa do valor de R$19.472,98, devidamente lançada no razão contábil e decorrente de desconto concedido ao Hospital Maternidade Casa Verde. Além dos motivos expostos, especificamente, quanto à operação com a Natan Jóias, valor de R$2.540.509,81, tal montante é oriundo de acordo judicial devidamente homologado pelo Juízo da 25ª Vara Cível do Foro Central do Rio de Janeiro, nos autos da Execução por Título Extrajudicial, conforme doc. 08. O item 1 do Instrumento Particular de Acordo e Outras Avenças assinado pelo Banco ABN AMRO REAL S.A e NATAN JÓIAS LTDA, transcrito às fls.295, comprova que o lançamento no razão contábil está balizado em documentos que atestam a ocorrência do desconto. Glosa de despesa atualização tributos com exigibilidade suspensa, TVF n° 03. Quanto à despesa de R$ 104.749.761,45, a regra de dedutibilidade dos tributos para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL prevista no artigo 41 da Lei n° 8.981/1995 não se aplica ao presente caso. Tal valor não decorre da dedução das despesas reconhecidas no resultado, em razão da constituição de provisões, conforme equivocadamente entendeu a Autoridade Fiscal mas, sim, da dedução de despesas reconhecidas no resultado em razão da constituição de um passivo efetivo, que decorre de uma obrigação legal com prazo certo e valor determinado, gerada pelo dever de recolher tributos e seus acréscimos moratórios (juros SELIC). A razão é que os tributos não recolhidos possuem natureza contábil de passivos efetivos conforme conceitos e doutrinas expostos às fls.297/308. Fl. 12698DF CARF MF 14 Além disto, inexiste previsão legal para adicionar a atualização dos tributos com exigibilidade suspensa à base de cálculo da CSLL. Glosa de despesas de indenização cível (TVF n° 04). Quanto à despesa glosada de R$501.278,98, obteve junto ao Unibanco, (União de Bancos Brasileiros S.A.), carta de fiança no valor de R$56.430.000,00, (doc. 09), com a finalidade de garantir e suspender a exigibilidade da multa debatida no Mandado de Segurança n° 2006.61.00.00.0141190, (doc. 10). O MS foi impetrado visando o cancelamento da multa aplicada por meio da "Comunicação de Irregularidade e Intimação n° 05337/20060", em virtude de supostas irregularidades cometidas no âmbito do sistema SISCOMEX, no desproporcional valor histórico de R$ 56.430.000,00. Assim, como forma de contracautela do D. Juízo, para que lhe fosse deferida tutela antecipada de caráter acautelatório suspensiva da exigibilidade do crédito, ofereceu carta de fiança bancária, a qual foi acolhida pelo magistrado condutor do feito. Posteriormente, foi proferida sentença de parcial procedência do feito tendo sido mantido o valor histórico de R$65.000,00, confirmandose a tutela antecipada anteriormente concedida (doc. 11), ensejandose a interposição de recurso de apelação por ambas as partes, sendo que o apelo interposto pelo Impugnante foi integralmente provido para o fim de cancelar a totalidade da multa aplicada. Desta decisão, a União interpôs recurso especial, o qual foi inadmitido pela VicePresidência do E. Tribunal Regional da 3ª Região, cuja decisão transitou em julgado em 19/03/2012 (doc. 12). Assim, considerando que a segurança pleiteada foi integralmente concedida por decisão já transitada em julgado, não restam dúvidas que o posicionamento da Fiscalização no que tange ao fundamento para a glosa da despesa de R$501.278,98, está equivocado, pois, tal despesa foi a título de comissão ao UNIBANCO pela manutenção da fiança bancária nos autos da ação judicial, (doc.13), não se referindo à multa tributária como pensou a Fiscalização, não se aplicando ao caso o artigo 344, parágrafo 5º., do RIR/99. Apresenta a fiança bancária apresentada nos autos do MS em 17/08/2006, a qual perdurou até 31/07/2012, bem como o comprovante de pagamento dessa despesa no valor de R$501.278,98, que se trata de despesa operacional nos termos do artigo 299 do RIR/99. Quanto às despesas ligadas à Execução Fiscal Municipal n° 659.3127/051, nos valores de R$1.402.106,93 e R$1.341.315,97, as mesmas decorrem do pagamento de comissões devidas ao UNIBANCO pela emissão da carta de fiança, no valor de R$161.401.924,42 (doc.14), oferecida nos autos da mencionada execução fiscal, como comprovam os documentos Certidão de Fl. 12699DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.564 15 Dívida Ativa, Petição apresentando a fiança bancária e os comprovantes de transferência ao UNIBANCO, doc.15). Assim, pelos mesmos motivos devem ser canceladas estas glosas. Quanto às despesas de R$1.092.303,81 e R$1.061.081,53, referentes ao Processo nº.503.53.2006.107747, itens "NUM DOC 100 e 79”, da tabela de fls.206, o posicionamento adotado pela Fiscalização está equivocado, pois tais valores são decorrentes de pagamento de comissões ao UNIBANCO pela manutenção de fiança bancária nos autos da Ação Anulatória n° 583.53.2006.1077477, que visa à desconstituição de diversos Autos de Infração de ISS (doc.16). Apresentou fiança bancária no valor de R$115.729.794,38, (doc.17), gerando as despesas com comissões quitadas em 23032007 e 18092007, conforme doc.18 e fls.314. O valor de R$728.873,96 reconhecido pela Fiscalização como despesa operacional, não guarda qualquer relação com estas comissões pagas, pois, o valor de R$728.873,96 se refere aos pagamentos de ISS efetuados no anocalendário de 2000, os quais foram acostados na ação judicial para reforçar que o Impugnante efetuou corretamente os recolhimentos de ISS na forma da Lei Complementar n° 56/87, uma vez que questionava a legalidade da lista de serviços contidas na Lei do Município de São Paulo (Lei n° 10.423/87). Para comprovar, produz planilha demonstrativa com base nos pagamentos de ISS analisados pela Fiscalização às fls.315 e o doc.19, donde podese concluir que a Fiscalização equivocouse ao abater a quantia de R$728.876,96 (referente ao ISS recolhido em 2000) com as despesas com comissões pagas no valor de R$2.153.385,84 (manutenção da fiança bancária despesa paga em 2007). Assim, o valor de R$ 2.153.385,84 é composto pela soma das comissões de R$1.061.081,53 com R$1.092.303,81, as quais são despesas operacionais. Quanto à despesa de R$1.972.122,37, referente à multa, informa que efetuou o pagamento do IRPJ e da CSLL, incidentes sobre essa quantia, com redução da multa de ofício em 50%, conforme artigo 6o, inciso I, da Lei n° 8.218/1991, com alterações promovidas pelo artigo 28 da Lei n°. 11.941/2009 (vide doe. 03). Glosa de despesas com "Outras Despesas Operacionais" (TVF n° 05) A Fiscalização glosou equivocadamente despesas no total de R$56.152.637,51, pela não apresentação de Informações e documentações que justificassem o valor contabilizado. Quanto à parcela de R$3.950.000,00, referente à despesa com “Premio P/ Indicação Negocio... Comissões, Grupo Fiat", as mesmas foram efetivamente despendidas sendo que, desde 2000 mantém Convênio de Prestação de Serviços com o Grupo Fiat, Fl. 12700DF CARF MF 16 cuja finalidade precípua é a centralização de serviços financeiros nesta instituição financeira. Às fls.318, transcreve parte do Instrumento Particular de Centralização de Serviços Financeiros, bem como o objeto do acordo comercial com o Grupo Fiat , (doc. 20). Ressaltou que no ano de 2007, data do pagamento do prêmio de R$3.950.000,00, o Grupo Fiat fechou o ano com faturamento de R$22,7 bilhões, como consta no sítio eletrônico da companhia. Assim, é plenamente justificável sob a ótica da necessidade, usualidade e normalidade o pagamento da despesa com prêmio de preferência, pois são inegáveis os retornos financeiros na execução dos serviços postos à disposição do Grupo Fiat pelo Impugnante. Quanto à parcela de R$5.293.637,44 referente a “Programa de Incentivos", a mesma é decorrente da organização de evento interno organizado pelo Impugnante, com o intuito de incentivar os seus funcionários que alcançaram as metas previamente definidas, sendo passível de dedução nos termos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ocorre, contudo, que revendo a sua contabilidade, constatou que a quantia de R$5.293.637,44 deveria ser reconhecida no ano calendário de 2008. Isso porque, a sua contabilização nasceu dos contratos assumidos no ano de 2007 para pagamento em 2008 com a realização da "Campanha Feras 2008", como se denota dos documentos contábeis anexos (doc. 21). Desta feita, considerando ser incontroverso que as campanhas motivacionais estão interligadas a produção e resultados do Impugnante (tanto que a Autoridade Fiscal glosou apenas a divergência de R$ 5.293.637,44), caso o Fisco considere irregular a amortização antecipada da referida despesa para fins fiscais em razão do desrespeito ao regime de competência, o efeito para o exercício futuro ao do reconhecimento da despesa será, indubitavelmente, o de uma postergação do pagamento de tributos em razão dessa dedução antecipada, conforme disposto no artigo 273 do RIR/99. Quanto à parcela de R$21.562.117,57 referente à conta "Consumer", as mesmas tratam de comissões pagas pela intermediação de terceiros nas operações de concessão de crédito. A divergência entre a contabilidade e o analítico apresentados é decorrente da sistemática adotada no pagamento dessas comissões, a qual necessita de ajustes manuais para a sua correta contabilização, uma vez que o sistema do Impugnante reconhece de imediato toda a despesa dessa operação a título de comissão no ato em que é registrada a operação de concessão de crédito intermediada por terceiros. No entanto, em obediência ao princípio da competência e para atender à determinação contábil do confronto entre receita e custo, o Impugnante é obrigado a estornar a despesa integral e, consequentemente, diferir o seu pagamento ao longo da duração do contrato intermediado, conforme doc. 22. Fl. 12701DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.565 17 Desta forma, os lançamentos "manuais" são necessários pois o sistema contábil somente os realizaria quando do registro do contrato, mas não difere o seu pagamento de forma a acompanhar a receita a ser apurada. Ou seja, corrige o sistema automatizado para que ocorra o "casamento" entre as comissões e as receitas oriundas dos contratos intermediados. Tal prática é usual no mercado, pois os bancos pagam comissões a terceiros que divulgam e vendem os seus produtos financeiros, com base no princípio da livre iniciativa contido na Constituição Federal, não podendo o Fisco interferir nessa atividade, pois é defeso à ele adentrar na esfera dos negócios que não é de sua competência. Quanto à parcela de R$8.237.632,62 referente a “Consumer..Comissões.ADI”, apresenta o contrato firmado com a empresa INTERAGE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA, que dispõe o objeto da prestação de serviço e a forma de remuneração (doc. 23). Tal documento comprova o valor de R$1.113.586,31, (que compôs os R$8.237.632,62), já que a glosa dessa quantia está fundamentada apenas na ausência de comprovação do acordo comercial com o beneficiário das despesas incorridas pelo Impugnante. Além disto, a Autoridade Fiscal não poderia ter glosado essa despesa operacional e as despesas pagas às empresas "CCM INTERMEDIAÇÃO" e "SOLUÇÕES INTERMEDIAÇÃO" sem a devida investigação, sob pena da glosa estar fundamentada em mera presunção, situação vedada pelo ordenamento jurídico, uma vez que deveria ter feito a circularização nestas empresas, que estão ativas, conforme documentos de fls.330/331. Quanto à parcela de R$14.482.717,00, esta se refere a despesas decorrentes de 366.480 notificações extrajudiciais realizados pelo "CDT" Centro de Estudos e Distribuição de Títulos e Documentos, como demonstra, por amostragem, a tela de fls.333, extraída do sistema de controle de gastos do Impugnante, (doc. 24). Além disso, relaciona às fls.334, todas as despesas incorridas com o CDT em planilha (doc. 25), alimentada pelas informações lançadas em seu sistema de "Gastos com Contratos em Atraso" relacionando: contrato, data da despesa, nome do prestador e o CNPJ do Centro de Estudos e Distribuição de Títulos e Documentos. Do exame da planilha é possível constatar todas as despesas com notificações extrajudiciais pagas ao Cartório CDT, no ano calendário de 2007, decorrentes de 366.480 operações dessa natureza acarretando no desembolso de R$14.482.717,00. Ora, a necessidade desse serviço é de fundamental importância às suas atividades para possibilitar a cobrança de seus créditos vencidos e não liquidados. Fl. 12702DF CARF MF 18 Quanto à parcela de R$2.626.532,88, referente a despesas “Sergio Villa Nova”, aplicase o mesmo entendimento, uma vez que, a mencionada parcela se refere a despesas pagas ao leiloeiro SERGIO VILLA NOVA no valor de R$ 2.626.532,88 pelas taxas cobradas pela realização de leilões dos automóveis objeto de execução pelo Impugnante. Tais despesas também são indubitavelmente necessárias, usuais e normais a suas atividades, já que viabilizaram a realização dos leilões para a satisfação dos seus créditos devidos pelos seus clientes em mora com suas obrigações assumidas. Transcreve às fls.335, exemplo dos lançamentos efetuados com essa despesa em seu sistema de "Gastos com Contratos em Atraso", (doc. 26) Da mesma forma, transcreve planilha às fls.336, retratando todos os lançamentos inseridos no sistema de "Gastos com Contratos em Atraso" com despesas com leilão (doc. 27), relacionando: contrato, data da despesa, nome do prestador e o CPF do Sr. Sergio Villa Nova. Do exame da planilha é possível constatar o número de despesas com o leiloeiro durante todo o ano de 2007 (53.281 operações) que acarretou no valor total de R$2.626.532,88 passível de dedução. Às fls.337/340, a Interessada apresenta doutrina e alegações no sentido de que houve violação ao Princípio da Verdade Material por parte da Fiscalização. Às fls.340/342, a Interessada defende que a contabilidade faz prova em seu favor, e às fls.342/347, faz observações sobre o Ônus da Prova no Direito Tributário. Às fls.347/349, argumenta sobre a ausência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis. Às fls.349/353, alega da impossibilidade de lançamento de multas na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, bem como, da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, fls.353/358. Ao final, requereu a conversão dos autos em diligência a fim de seja comprovada a efetividade dos serviços prestados pelas pessoas física/jurídicas contratadas pelo Impugnante e a cessão dos créditos à empresa Ônix Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros, bem como as despesas referentes ao "Programa de Incentivos", no valor de R$5.293.637,44, e à parcela de R$21.562.117,57 referente à conta "Consumer". Às fls.359/12.276, constam documentos anexados pela Interessada. Às fls.12.285/12.286, consta informação fiscal dando conta que a Interessada impugnou parcialmente o Auto de Infração e apresentou cópia dos comprovantes de recolhimento da parcela não impugnada, e que os mesmos foram suficientes para cobrir integralmente os débitos não impugnados. Da decisão de primeiro grau e do recurso de ofício Fl. 12703DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.566 19 A decisão recorrida (fls. 12.289 a 12.329) deu provimento parcial à impugnação e, em relação a essa parte, promoveu recurso de ofício. Abaixo, seguem as razões para as exonerações e manutenções. Inicialmente delimitou a lide, em razão de a impugnante não ter contestado a infração 0001 e parte da 0004. Denegou o pedido de diligência por ter considerado que esse expediente visa formar a convicção do julgador e não para suprir falhas da defesa. Inicialmente, aduz que todas as infrações se estearam em glosa de despesas por falta de comprovação e não por ausência de necessidade. Consignou que despesas, para serem reconhecidas, não basta a comprovação do seu desembolso, mas também que houve uma contrapartida. Discorre ainda acerca dessa prova, que não corresponde apenas ao registro contábil, mas também à documentação que suporta o fato registrado. A partir desses pressupostos, analisa cada um dos itens de autuação, conforme a seqüência abaixo. 1. Da infração 0002. Despesas não comprovadas. 1.1 Conta “Desp.C/Serv.Terc. Call Center”: Deu provimento por comprovação. É, pois, objeto do recurso de ofício. 1.2 Conta “Desp.C/Abastec. Cra Terceirizado” Negou provimento, porque considerou que os documentos apresentados não foram capazes de comprovar a despesa. Ao revés de apresentar notas fiscais, por exemplo, juntou correspondências eletrônicas (fls. 451456), as quais estão truncadas e incompletas. 1.3 Conta “Desp.Servicos de Terceiros...Serv. Process” Considerou que se mantém a ausência de prova da despesa, uma vez que só apresentou uma planilha confeccionada pela própria impugnante. 1.4 Conta “Desp.Serv. de Compensação Terceiriza” Deu provimento por comprovação. É, pois, objeto do recurso de ofício. Fl. 12704DF CARF MF 20 1.5 Glosa de desconto com operações de crédito. R$25.679.375,57. Com relação a esse item, vale transcrever todo o registro da autoridade julgadora: Relatou a fiscalização que a Interessada informou que contabilizou R$25.679.375,57 a título de desconto concedido em operações de Cessão de Crédito, ocorrida em março de 2007, conforme contrato de cessão e demonstrativo. A Interessada foi intimada a apresentar dossiê dos contratos, contendo toda documentação das situações fáticas envolvendo cada contrato envolvido na cessão de crédito e que compôs o valor que constou no analítico apresentado. Na ausência de resposta, a Fiscalização autuou o dito valor. Na impugnação, alegou a Interessada que assinou Contrato de Cessão de Crédito, sem coobrigação, com a ÔNIX COMPANHIA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS, empresa não ligada ao Grupo, no montante de R$65.101.012,04, com preço de cessão efetivo de 13% do total dos créditos cedidos, conforme doc. 07, sendo que, a despesa glosada decorreu de parte dos créditos devidamente elencados no Anexo IV do dito contrato cedido à mencionada cessionária, conforme demonstrado na planilha de fls.278. Acrescentou a Interessada alegando que, tendo em vista que o total do crédito cedido, relacionado às despesas glosadas, foi de R$30.803.776,84, após a aplicação dos índices firmados contratualmente (obrigando o Cessionário ao pagamento de R$5.507.808,22), temse o desconto de RS25.295.968,62 (R$30.803.776,84 R$ 5.507.808,22), que somado à atualização de R$383.406,95 compõe o valor dedutível de R$25.679.375,57, conforme demonstrativo de fls.279. Exposta a controvérsia cabem as seguintes observações. Do exame dos documentos acostados aos autos, notadamente, do Contrato de Cessão de Crédito, fls.462/501, verificase que a cessão teve como objeto créditos inadimplidos, (vide fls.462, último parágrafo), fato este que, por si só, exige a aplicação das regras do artigo 9º., da Lei nº.9.430, de 1996. A comprovação que a inadimplência ocorreu previamente à cessão de créditos faz com que se conclua que as perdas tiveram como causa original o não recebimento dos créditos, ao invés da própria cessão dos créditos como quer a Interessada. Apesar de na contabilidade da Interessada não apresentar a baixa de créditos vencidos e não recebidos, mas sim, a cessão dos crédito, os mesmos se encontravam em condições de serem registrados como perda a débito da provisão para créditos de liquidação duvidosa, pois, já eram inadimplidos. Entender de maneira diferente levarseia a propiciar que os titulares de crédito inadimplentes burlassem as regras da Lei nº.9.430, de 1996, para se aproveitar de perdas indevidas. Assim, estando claro que o caso trata de créditos vencidos e não Fl. 12705DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.567 21 pagos, inadimplidos, somente poderiam ser deduzidos como perda, nas hipóteses previstas na Lei nº.9.430, de 1996. Apesar de os créditos terem sido alienados, não se pode afastar o fato de os mesmos, antes da cessão, já estarem inadimplidos, o que leva a concluir que a causa das perdas alegadas como ocorridas quando da transação ocorreu, substancialmente, na origem, e não na operação em si, uma vez que, a existência da inadimplência, por certo, afetou o valor contratado na cessão com a conseqüente perda de capital pela entrega de créditos por valor inferior àquele recebido. Além disto, do exame do contrato de cessão de crédito, consta às fls.462, que o Banco ABN AMRO REAL, (sucedido da Interessada), não foi o único cedente no contrato de cessão de crédito, uma vez que, também atuou no mesmo ato, como cedente, o Banco Sudameris Brasil SA. Em outras palavras, também participou na condição de cedente, no Contrato de Cessão de Crédito, sem coobrigação, o Banco Sudameris Brasil SA. Assim, não há como se certificar quais informações e valores constantes no Anexo IV do contrato, fls.496/501, se referiram ao Banco ABN AMRO REAL, isto é, à Interessada, ou ao Banco Sudameris Brasil SA. A planilha de fls.278 elaborada pela própria Interessada, por si só, não comprova os valores, uma vez que é documento de sua própria lavra. Conforme já esclarecido, o ônus da prova da existência das operações que propiciaram o surgimento de despesas incumbe ao contribuinte, uma vez que, a despesa é elemento que o beneficia, resultando daí, a indissociável obrigatoriedade da apresentação de documentação hábil para comproválas. Reiterese que não está em discussão se a despesa foi necessária ou não, mas, sim da veracidade das informações e valores envolvidos nas alegadas operações. Desta forma, não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Voto por negar provimento à impugnação desta autuação. 1.6 Glosa de despesa com indenização cível. R$4.167.934,28. Após análise de documentos apresentados pela própria defesa, entendeu que ela assumiu de forma despesa de terceiros (ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A), ainda que do mesmo grupo econômico. Deu, porém, provimento relativamente ao valor de R$2.153.385,34, por apresentação de documentação comprobatória. Fl. 12706DF CARF MF 22 1.7 Da glosa de outras despesas operacionais. R$56.152.637,51. 1.7.1 Da conta “Desp Premio P/Indicação Negocio... Comissões – F”. Considerou que os documentos apresentados (fls. 703 a 718) não comprovam as despesas registradas. 1.7.2 Da conta “Programa de Incentivos”. R$5.293.637,44. Com relação a esse item, vale transcrever todo o registro da autoridade julgadora: A Interessada apresentou analítico da conta “Programa de Incentivos”, onde consta o detalhamento dos valores lançados, individualizado por beneficiário, até o montante de R$11.659.481,83. Foi verificada diferença entre o saldo da conta e o analítico apresentado, conforme fls.215. Foi feita intimação para que a Interessada esclarecesse a divergência. Na ausência de resposta, foi lançado o valor de R$5.293.637,44, pela não apresentação de comprovação. Alegou a Interessada que a despesa decorreu da organização de evento interno, com o intuito de incentivar os seus funcionários que alcançaram as metas previamente definidas, sendo, portanto, passível de dedução. Ocorre, contudo, que revendo a sua contabilidade, constatou que a quantia de R$5.293.637,44 deveria ser reconhecida no ano calendário de 2008. Isso porque, a sua contabilização nasceu dos contratos assumidos no ano de 2007 para pagamento em 2008 com a realização da "Campanha Feras 2008", como se denota dos documentos contábeis anexos (doc. 21). Desta feita, considerando ser incontroverso que as campanhas motivacionais estão interligadas a produção e resultados do Impugnante (tanto que a Autoridade Fiscal glosou apenas a divergência de R$ 5.293.637,44), caso o Fisco considere irregular a amortização antecipada da referida despesa para fins fiscais em razão do desrespeito ao regime de competência, o efeito para o exercício futuro ao do reconhecimento da despesa será, indubitavelmente, o de uma postergação do pagamento de tributos em razão dessa dedução antecipada, conforme disposto no artigo 273 do RIR/99. Estabelecida a controvérsia, cabem as seguintes observações. Inicialmente, cabe esclarecer que o fato de a Fiscalização ter autuado apenas a diferença entre o saldo da conta e o analítico apresentado, conforme fls.215, não significa que seja ponto pacífico que as despesas contabilizadas referentes às supostas campanhas motivacionais seriam dedutíveis, uma vez que, o lançamento apenas da diferença consistiu tãosomente na Fl. 12707DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.568 23 aplicação de uma técnica de amostragem probabilística utilizada normalmente em auditoria. Para comprovar o alegado, a Interessada acostou aos autos o doc.21 de fls.720/724, os quais não comprovam que as ditas despesas decorreram do alardeado evento. Tendo por base que a contabilidade somente faz prova a favor do seu titular se for suportada por documentação hábil e idônea, não há como se concluir que as despesa deveria ter sido reconhecida no ano de 2008. Não há documentos hábeis e idôneos nos autos que comprovem que os alegados contratos foram assumidos em 2007 para pagamento em 2008. Desta forma, não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Voto por negar provimento à impugnação desta autuação. 1.7.3. Da conta Desp. OperacionaisConsumer. R$21.562.117,57. Considerou que se mantém a ausência de prova da despesa, uma vez que só apresentou documento confeccionado pela própria impugnante. 1.7.4. Da conta Desp. OperacionaisConsumer. R$8.237.632,62. Considerou que se mantém a ausência de prova da despesa. Entendeu que o contrato apresentado não especifica o seu período de cobertura, nem os valores envolvidos. 1.7.5. Da conta “Outras Desp. OperacionaisConsumer Gastos Com Co”. R$17.109.249,88. 1.7.5.1. Da parcela de R$14.482.717,00. Considerou que se mantém a ausência de prova da despesa, uma vez que só apresentou documento confeccionado pela própria impugnante. 1.7.5.2. Da parcela de R$2.626.532,88. Considerou que se mantém a ausência de prova da despesa, uma vez que só apresentou documento confeccionado pela própria impugnante. 2. Da infração 0003. Perdas recebimento de créditos. Fl. 12708DF CARF MF 24 Considerou que os descontos concedidos para o encerramento da cobrança judicial de créditos com terceiros seriam mera liberalidade. Além de outras considerações, considerou que a execução judicial dos valores, considerando as suas garantias, seria o caminho normal para a sua cobrança. 3. Da infração 0004. Adições não computadas no Lucro Real. A interessada deixou de adicionar o valor de R$ 501.278,98 relativo a processo de multa tributária. Consignou, porém, que o valor não é relativo ao dispêndio da multa, mas sim a despesa com carta fiança para contestação judicial da multa. A autoridade considerou que os documentos acostados (fls. 523/575) não comprovam a vinculação da despesa com o referido contrato de fiança. 4. Da infração 0005. Adições não computadas no Lucro Real. Atualização de tributos com exigibilidade suspensa. Manteve a autuação com base no artigo 41 da Lei 8.981/95. Da autuação da CSLL Com relação às alegações específicas relativas à CSLL, a autoridade julgadora aduziu que, apesar de haver diferenças na tributação entre a contribuição e o IRPJ, a autuação se esteou em falta de comprovação da existência das despesas. Desse modo, as razões para a glosa na base de cálculo do imposto aplicase também à CSLL. Da responsabilidade tributária por sucessão. Multa de ofício. Manteve a multa de 75% sobre a sucessora por meio de uma interpretação combinada entre os artigos 132 e 129 do CTN. Em que pese o artigo 132 prescrever a responsabilidade do sucessor relativamente a tributos, isto deve ser compreendido como responsabilidade pelo crédito tributário, conforme o art. 129, sobretudo, porque a multa de 75% possui o caráter objetivo. Dos juros sobre multa À luz de dispositivos do CTN e da Lei nº 9.430/96, consignou que a cobrança da multa segue o mesmo regime do tributo, uma vez que os dois compõe o crédito tributário. Fl. 12709DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.569 25 Do recurso voluntário O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 12.337 a 12.444, por meio do qual apresentou as razões e pedidos abaixo relatados. 1) Preliminarmente, requer diligência. Aduziu que, diante da vultosa quantidade de documentos acostados aos autos, não poderia a DRJ afirmar que não comprovariam as despesas. Em razão da grande quantidade de documentos, não poderia a autoridade julgadora ter afastado o seu poder probante sem, ao menos, baixar o feito em diligência. 2) Contabilidade faz prova em favor do recorrente Aduz, com base do artigo 276 do RIR, que a escrituração, quando mantida com observância das previsões legais, faz prova a seu favor. 3) Aduz que o ônus da prova, no direito tributário, é do Fisco Tece longas considerações teóricas para defender que o ônus da prova em matéria tributária é sempre da Fazenda Pública. 4) Dedutibilidade de despesas e aplicação do art. 299 do RIR Textualmente aduz que a DRJ manteve o lançamento, porque teria considerado insuficientes as provas apresentadas para a dedutibilidade das despesas. Daí tece longas considerações acerca dos atributos que as despesas devem ter para serem deduzidas, como necessidade, usualidade e normalidade. 5) Conta “Desp.C/Abastec. Cra Terceirizado” R$ 114.034,10 A defesa aduz que o valor glosado é ínfimo (R$ 114.034,10) em face dos valores totais das despesas da recorrente (R$ 56.696.526,35) e que é notório o fato de que a contratação de empresas de segurança é atividade corriqueira para a atividade da recorrente. A prova foi feita pela juntada do seu contrato social, que demonstra a necessidade da contratação de serviços de segurança. Ademais, em razão do princípio da verdade material, deveria a autoridade fiscal ter diligenciado junto a tais empresas. Por fim, as correspondências juntadas fazem prova dos fatos aduzidos. Fl. 12710DF CARF MF 26 6) Conta “Desp.Servicos de Terceiros...Serv. Process” R$ 1.758.627,13. Os serviços são vinculados às suas necessidades institucionais. As planilhas apresentadas, em que pese terem sido confeccionadas pela recorrente, contém informações que demonstram as despesas incorridas, pois possuem detalhes como histórico de pagamento. Ademais, as autoridades fiscal e julgadora eximiramse de fazer qualquer prova acerca da indedutibilidade de tais despesas à luz do art. 299 do RIR. 7) Glosa de desconto com operações de crédito (infração 1.5) R$25.679.375,57 A defesa oferece longa explanação teórica acerca da dedutibilidade dos descontos com cessão de créditos e a razão de elas não se enquadrarem nos requisitos do art. 9º da Lei nº 9.430/96. 8) Da infração 0003. Perdas recebimento de créditos. R$ 2.559.982,79 Defende que as despesas relativas a desconto concedido para liquidar empréstimo inadimplido e cobrado judicialmente devem ser deduzidas, pois normais a seu objeto social e definitivas e que não deveriam se enquadrar nos requisitos do art. 9º da Lei nº 9.430/96. 9) Atualização de tributos com exigibilidade suspensa Defende que a regra estampada no art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95 não se aplica à sua situação e, portanto, estaria correto o seu preceder de reconhecimento da dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência. Para tal aduz que não se tratam de provisões, mas sim de obrigação legal com prazo certo e determinado. Nessa linha, discorre longamente acerca dos conceitos de provisão, passivo e contingência passiva. Especificamente, aduz ainda a inexistência de previsão legal para adicionar a atualização dos tributos com exigibilidade suspensa à base de cálculo da CSLL. 10) Da infração 0004. Adições não computadas no Lucro Real. Em relação ao valor de R$ 501.278,98 relativo a processo de multa tributária, a recorrente reiterou que não é relativo ao dispêndio da multa, mas sim a despesa com carta fiança para contestação judicial da multa e, especificamente em relação ao argumento de que a transferência do valor não possuía autenticação, apresentou cópia com o referido registro. 11) Da glosa de outras despesas operacionais. R$56.152.637,51. Fl. 12711DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.570 27 Em relação a esse conjunto de itens de glosa de despesa, a recorrente reiterou as razões apresentadas na impugnação. 12) Da autuação da CSLL. Da responsabilidade tributária por sucessão. Multa de ofício. Dos juros sobre multa Quanto a esses temas, a defesa reiterou os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Analisaremos primeiramente o recurso de ofício; após, o recurso voluntário. Recurso de ofício 1. Da infração 0002. Despesas não comprovadas. 1.1 Conta “Desp.C/Serv.Terc. Call Center”: A autoridade julgadora exonerou a exigência pelas razões abaixo transcritas: A Fiscalização informou a ausência da Nota Fiscal n°.28623, referente ao prestador Voxline Contact Center Intermediação Ltda, CNPJ 04.728.400/000179, no valor de R$100.808,89. Alegou a Interessada que apresenta a Nota Fiscal n°.28623, emitida em 18/04/2007, pelo prestador de serviço VOX LINE CONTACT CENTER INTERMEDIAÇÃO DE PEDIDOS LTDA, no valor de R$100.808,89, a qual foi devidamente paga em 03/05/2007, conforme atestam o doc. 04. Os documentos de fls.445/449 comprovam a alegação da Interessada. Voto por dar provimento à impugnação referente a esta parcela do lançamento. Não há reparos a fazer, pois os documentos comprovam o alegado, conforme afirmado pelo julgador de primeiro grau. 1.4 Conta “Desp.Serv. de Compensação Terceiriza” Fl. 12712DF CARF MF 28 A autoridade julgadora exonerou a exigência pelas razões abaixo transcritas: Informou a fiscalização que foi constatada a ausência da Nota Fiscal 3029.00, que se refere aos lançamentos constantes na composição analítica apresentada pela interessada e reproduzidos às fls.176, no montante de despesa de R$767.184,34. Alegou a Interessada que traz cópia da Nota Fiscal n° 3029, emitida em 19/04/2007, pelo prestador de serviço PROSERVVI EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA., no citado valor, a qual foi devidamente quitada em 30/04/2007, conforme atesta o documento doc. 06. O documento de fls.460 comprova a alegação da Interessada. Voto no sentido de dar provimento à impugnação referente a esta parcela do lançamento. Não há reparos a fazer, pois os documentos comprovam o alegado, conforme afirmado pelo julgador de primeiro grau. 1.6 Glosa de despesa com indenização cível. R$4.167.934,28. A autoridade julgadora exonerou parte da exigência (R$2.153.385,34) pelas razões abaixo transcritas: Quanto às despesas de R$1.092.303,81 e R$1.061.081,53, referentes ao Processo nº.503.53.2006.107747, itens "NUM DOC 100 e 79”, alegou a Interessada que tais valores decorreram de pagamento de comissões ao UNIBANCO pela manutenção de fiança bancária nos autos da Ação Anulatória n° 583.53.2006.1077477, que visava à desconstituição de diversos Autos de Infração de ISS (doc.16). Apresentou fiança bancária no valor de R$115.729.794,38, (doc.17), gerando as despesas com comissões quitadas em 23032007 e 18092007, conforme doc.18 e fls.314. Do exame dos documentos doc.16/18, fls.593/681, notadamente, os de fls.661, 663, 667, 680 e 681, constatase que a Interessada comprovou as despesas de R$1.092.303,81 e R$1.061.081,53. Registrese que os documentos reportando transferência eletrônica possuem autenticação mecânica do respectivo agente financeiro. Voto por dar provimento parcial à impugnação da Interessada para exonerar o valor de R$2.153.385,34 referente a esta parcela do lançamento. Não há reparos a fazer, pois os documentos comprovam o alegado, conforme afirmado pelo julgador de primeiro grau. Recurso voluntário Fl. 12713DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.571 29 Pedido preliminar de diligência A defesa aduziu que, diante da grande quantia de documentos juntados aos autos, que seriam, no seu entender, aptos a comprovar o que alega, não poderia a DRJ afastar a sua força probante sem, pelo menos, baixar o feito em diligência. Ora, como bem aduziu o julgador de primeira instância, a diligência é procedimento que visa formar a sua própria convicção e não um direito da parte. Ademais, os pedidos de diligência não podem ser genéricos. Devem ser justificadas precisamente as suas razões, em especial, o que se busca com a diligência e o motivo específico de o objetivo não poder ser alcançado por esforço da própria defesa. A DRJ, pelo contrário, não foi genérica. Analisou, documento a documento, página por pagina, de tudo que foi juntado pela defesa e fundamentou, em cada item de autuação, a razão de não considerar os documentos apresentados como prova das alegações da defesa. Não cabe baixar o feito em diligência diante de um pedido genérico. Não é a autoridade fiscal que deve formar o juízo probatório sobre documentos acostados. Tal juízo é do julgador. Contabilidade faz prova em favor do recorrente A contabilidade faz prova, sim, mas a favor da Fazenda Pública. Como corresponde a registros formados unilateralmente por uma das partes da relação jurídica tributária, não pode fazer prova a favor daquele que a confecciona. Isso é tão obvio que dispensa maiores considerações. Se prevalecesse a razão aduzida pela defesa, ninguém mais pagaria tributos, sobretudo sobre a renda, pois bastaria registra despesas suficientes para neutralizar o lucro e não teria como a Fazenda fazer prova negativa, não por acaso chamada de "diabólica". É curioso que a defesa negrita somente a parte do § 1º, art. 276, do RIR, que lhe interessa. Mas é só continuarmos a leitura para encontrarmos que a contabilidade faz prova quando os registros são comprovados por documentos. Desse modo, cada um dos itens de autuação será analisado à luz dessas considerações. Ônus da prova é do Fisco O ônus da prova não é genericamente do Fisco, em todas as questões tributárias, como defende a recorrente. O direito tributário não é exceção à máxima jurídica de que a prova deve ser apresentada por quem alega, no caso, um fato que lhe beneficia. Se um elemento reduz a base de cálculo, como custos e despesas, deve aquele que dele se beneficia (no caso, o contribuinte) fazer a comprovação da sua existência e da sua Fl. 12714DF CARF MF 30 quantificação. Ao Fisco cabe comprovar as receitas (elementos positivos); ao contribuinte cabe comprovar as despesas e custos. Afinal, custos e despesas são favoráveis ao contribuintes por reduzir o valor a ser exigido pelo Fisco. Logo, como deveria proceder o Fisco em relação a tais itens? Comprovar que não existiram? Tratase de prova negativa repudiada pelo direito. O ônus é daquele que se favorece da prova da existência e da quantificação, ou seja, que tenha a possibilidade de produzir prova positiva. Dedutibilidade de despesas e aplicação do art. 299 do RIR A defesa começa seu recurso nessa parte ao afirmar que a DRJ considerou que as provas apresentadas não foram suficientes para comprovar a dedutibilidade das despesas. Daí segue longas considerações acerca do art. 299 do RIR. Pois bem, o referido dispositivo diz respeito realmente a atributos que as despesas devem possuir para serem consideradas dedutíveis na apuração do imposto de renda. Todavia, a autuação foi por não comprovação das próprias despesas. Não foi relativa a despesas comprovadas, mas cuja indedutibilidade é contestada pelo Fisco. A DRJ deixou isso muito claro na sua decisão. Todavia, a defesa não só repete esse estratagema, como aduz incorretamente que a DRJ manteve o lançamento por considerar as provas não suficientes para provar a dedutibilidade. Repetimos, como iremos abordar item a item, o grosso das despesas foi mantido por se considerar não provada a sua existência. Não há, pois, o que discorrermos genericamente acerca das colocações da defesa acerca das características que as despesas comprovadas devem possuir à luz do art. 299 do RIR. 1.2 Conta “Desp.C/Abastec. Cra Terceirizado” R$ 114.034,10 A decisão recorrida manteve essa glosa por considerar que não foi comprovada. No lugar de documentos que a embasassem, como notas fiscais, foram juntadas correspondências eletrônicas (fls. 451456), muitas das quais truncadas e incompletas. Com relação a esse item, a defesa insiste em se calcar na discussão da dedutibilidade da despesa. Não se questiona o tipo de despesa, por isso a discussão sobre a sua natureza ou a sua pertinência com o objeto social da recorrente é totalmente despicienda. O fato de o item isoladamente considerado ser significativamente menor que o total das despesas da recorrente, não a desobriga de o provar e, para tal, não fazem prova meras correspondências informais. Fl. 12715DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.572 31 Aduz ainda que o Fisco deveria ter diligenciado, mas aí está mais um erro de premissa. A prova da despesa é ônus da recorrente, a qual, se desejasse, poderia ter solicitado ao seu prestador que lhe encaminhasse uma cópia das notas fiscais. Aliás, nesse sentido, aduz a seu favor o fato de ter juntado correspondência em que o prestador de serviço atesta o serviço postado. Já a DRJ afirma que as correspondências estão trucadas e incompletas. De fato, tem razão a DRJ. Por exemplo, em relação ao valor de R$ 100.733,26, relativo à suposta nota fiscal nº 13923, e que corresponde a maior parte do valor glosado (R$ 114.034,10), há cópia de dois email com parte da sua redação cortada, mas que se permite identificar que a autuada solicita a sua confirmação (fls. 455 e 456). No entanto, não há a resposta. Por essas razões, mantenho a glosa. 1.3 Conta “Desp.Servicos de Terceiros...Serv. Process” R$ 1.758.627,13 Com relação a esse item, mais uma vez a defesa tenta desvirtuar a acusação fiscal e se defender daquilo que não foi acusado. Repetimos incansavelmente: a acusação não foi a de indedutibilidade de despesas, mas sim a sua não comprovação. Para tal, como asseverado pela autoridade julgadora, planilhas formadas unilateralmente pela própria recorrente não podem fazer prova a seu favor (assim como a sua escrituração também não faz), por mais detalhes que possam possuir. Esse item de glosa também deve ser mantido. 1.5 Glosa de desconto com operações de crédito R$25.679.375,57 Com relação a esse item, a defesa mais uma vez se fia exclusivamente no debate acerca da dedutibilidade de despesas. Tece acalentada argumentação pela não aplicação dos critérios de dedutibilidade estabelecidos pelo art. 9º da Lei nº 9.430/96. É bem verdade que, quanto a esse item, essa questão também era necessária para enfrentar a decisão da DRJ que enveredou pela na dedutibilidade dessas despesas. De fato, o julgador de primeiro grau aduziu que as perdas se caracterizariam na inadimplência, atendidas as regras do art. 9º da Lei nº 9.430/96, e não na cessão de crédito, momento em que a defesa aduz ter reconhecido a despesa (desconto). Nada obstante, a outra razão suficiente em si para a manutenção da glosa foi a falta de comprovação dos valores, conforme podemos verificar dos fundamentos da decisão de primeiro grau: Além disto, do exame do contrato de cessão de crédito, consta às fls.462, que o Banco ABN AMRO REAL, (sucedido da Fl. 12716DF CARF MF 32 Interessada), não foi o único cedente no contrato de cessão de crédito, uma vez que, também atuou no mesmo ato, como cedente, o Banco Sudameris Brasil SA. Em outras palavras, também participou na condição de cedente, no Contrato de Cessão de Crédito, sem coobrigação, o Banco Sudameris Brasil SA. Assim, não há como se certificar quais informações e valores constantes no Anexo IV do contrato, fls.496/501, se referiram ao Banco ABN AMRO REAL, isto é, à Interessada, ou ao Banco Sudameris Brasil SA. A planilha de fls.278 elaborada pela própria Interessada, por si só, não comprova os valores, uma vez que é documento de sua própria lavra. Conforme já esclarecido, o ônus da prova da existência das operações que propiciaram o surgimento de despesas incumbe ao contribuinte, uma vez que, a despesa é elemento que o beneficia, resultando daí, a indissociável obrigatoriedade da apresentação de documentação hábil para comproválas. Reiterese que não está em discussão se a despesa foi necessária ou não, mas, sim da veracidade das informações e valores envolvidos nas alegadas operações. No entanto, quanto a esse fundamento de não comprovação, a defesa aduz o argumento genérico "tal assertiva não merece guarida, pois a análise da escrita contábil do Recorrente não deixa dúvidas de quais foram os créditos por ela cedidos e deduzidos e, ainda que assim não fosse, tal fato não é suficiente para a Turma Julgadora chegasse à conclusão de que os valores não seriam dedutíveis". Ora, a ausência de escrituração é fato suficiente sim para a DRJ manter a autuação, porque não foi comprovada sequer a existência, como já discorremos logo no início desse voto. Ademais, se a escrita contábil não deixa dúvidas, porque não a, ao menos, exemplificou concretamente para contraditar a decisão da DRJ, procedimento específico que adotou relativamente a outras glosas? Só me resta manter a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos quanto a esse item de autuação. Assim, essa glosa deve também ser mantida. 1.6 Glosa de despesa com indenização cível. R$4.167.934,28. Dos R$ 4.167.934,28, o julgador de primeiro grau exonerou R$2.153.385,34 já tratados no recurso de ofício. No tocante à parte da glosa mantida, aduziu que se referia à Execução Fiscal Municipal n° 659.3127/051, decorrente de gastos com carta fiança. Todavia, tais obrigações eram de outra pessoa ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, CNPJ 34.033.779/000163, do mesmo grupo econômico, mas se caracterizou como mera liberalidade. Fl. 12717DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.573 33 A recorrente aduz que "ainda que a obrigação tenha sido, por uma formalidade, assumida pela ABN AMRO Arrendamento Mercantil, o fato é que a contingência decorrente da Execução Fiscal estava registrada no Balanço da Recorrente". Ora, bem lacônica essa explicação. Não esclarece a razão de outra pessoa ter assumido "por uma formalidade" e nem a razão de constar a contingência da sua escrituração. Deve, assim, ser mantida a glosa. 1.7 Da glosa de outras despesas operacionais. R$56.152.637,51. 1.7.1 Da conta “Desp Premio P/Indicação Negocio... Comissões – F”. R$3.950.000,00 A glosa foi mantida pelas razões abaixo literalmente reproduzidas: A Interessada foi intimada a comprovar a despesa de “Premio P/ Indicação Negocio... Comissões –F”, no valor e R$3.950.000,00. Em resposta, apresentou razão da conta. Em virtude de todos os lançamentos contábeis possuírem no campo "Histórico" a identificação de "Grupo Fiat", foi feita intimação, para que a Interessada apresentasse contrato firmado com o Grupo Fiat que justificasse os lançamentos efetuados nesta conta. Na ausência de resposta, foi lançado o mencionado valor. Na impugnação, alegou a Interessada que as despesas foram efetivamente despendidas sendo que, desde 2000 mantém Convênio de Prestação de Serviços com o Grupo Fiat, cuja finalidade precípua é a centralização de serviços financeiros nesta instituição financeira. Às fls.318, transcreve parte do Instrumento Particular de Centralização de Serviços Financeiros, bem como o objeto do acordo comercial com o Grupo Fiat , (doc. 20), ressaltando que no ano de 2007, data do pagamento do prêmio de R$3.950.000,00, o Grupo Fiat fechou o ano com faturamento de R$22,7 bilhões, como consta no sítio eletrônico da companhia. Assim, seria plenamente justificável sob a ótica da necessidade, usualidade e normalidade o pagamento da despesa com prêmio de preferência, pois são inegáveis os retornos financeiros na execução dos serviços postos à disposição do Grupo Fiat pelo Impugnante. O documento doc.20, fls.703/718, por si só não comprova que, no ano de 2007, a Interessada dispendeu R$3.950.000,00, a título de despesas com o Grupo Fiat. Registrese que o documento de fls.710 é ilegível e não tem a confirmação de qualquer membro do Grupo Fiat. Fl. 12718DF CARF MF 34 Desta forma, não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Voto por negar provimento à impugnação desta autuação. De fato, a documentação trazida foi um contrato com o Grupo Fiat, além da folha 710, citada na decisão recorrida. Nessa folha, percebemse valores, mas não é possível a sua correlação com o valor de R$3.950.000,00. No recurso, a recorrente persiste na alegação de que o contrato comprova o item de despesa e destaca algumas de suas cláusulas. Dentre elas, a de que a interessada deveria pagar R$ 1.500.000,00 ao Banco Fiat, semestralmente. Pois bem, essa quantia multiplicada por dois para corresponder a um ano perfaz o total de R$ 3.000.000,00 e não R$ 3.950.000,00. Os valores são significativamente distintos e não há qualquer justificativa para tal. Deve ser mantida também a glosa desse item. 1.7.2 Da conta “Programa de Incentivos”. R$5.293.637,44. A glosa foi mantida pelas razões abaixo literalmente reproduzidas: A Interessada apresentou analítico da conta “Programa de Incentivos”, onde consta o detalhamento dos valores lançados, individualizado por beneficiário, até o montante de R$11.659.481,83. Foi verificada diferença entre o saldo da conta e o analítico apresentado, conforme fls.215. Foi feita intimação para que a Interessada esclarecesse a divergência. Na ausência de resposta, foi lançado o valor de R$5.293.637,44, pela não apresentação de comprovação. Alegou a Interessada que a despesa decorreu da organização de evento interno, com o intuito de incentivar os seus funcionários que alcançaram as metas previamente definidas, sendo, portanto, passível de dedução. Ocorre, contudo, que revendo a sua contabilidade, constatou que a quantia de R$5.293.637,44 deveria ser reconhecida no ano calendário de 2008. Isso porque, a sua contabilização nasceu dos contratos assumidos no ano de 2007 para pagamento em 2008 com a realização da "Campanha Feras 2008", como se denota dos documentos contábeis anexos (doc. 21). Desta feita, considerando ser incontroverso que as campanhas motivacionais estão interligadas a produção e resultados do Impugnante (tanto que a Autoridade Fiscal glosou apenas a divergência de R$ 5.293.637,44), caso o Fisco considere irregular a amortização antecipada da referida despesa para fins fiscais em razão do desrespeito ao regime de competência, o efeito para o exercício futuro ao do reconhecimento da despesa será, indubitavelmente, o de uma postergação do pagamento de Fl. 12719DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.574 35 tributos em razão dessa dedução antecipada, conforme disposto no artigo 273 do RIR/99. Estabelecida a controvérsia, cabem as seguintes observações. Inicialmente, cabe esclarecer que o fato de a Fiscalização ter autuado apenas a diferença entre o saldo da conta e o analítico apresentado, conforme fls.215, não significa que seja ponto pacífico que as despesas contabilizadas referentes às supostas campanhas motivacionais seriam dedutíveis, uma vez que, o lançamento apenas da diferença consistiu tãosomente na aplicação de uma técnica de amostragem probabilística utilizada normalmente em auditoria. Para comprovar o alegado, a Interessada acostou aos autos o doc.21 de fls.720/724, os quais não comprovam que as ditas despesas decorreram do alardeado evento. Tendo por base que a contabilidade somente faz prova a favor do seu titular se for suportada por documentação hábil e idônea, não há como se concluir que as despesa deveria ter sido reconhecida no ano de 2008. Não há documentos hábeis e idôneos nos autos que comprovem que os alegados contratos foram assumidos em 2007 para pagamento em 2008. Desta forma, não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Voto por negar provimento à impugnação desta autuação. A defesa, porém, não contesta diretamente a principal razão da decisão para a manutenção da glosa, qual seja, a não comprovação, uma vez que a escrita não seria suficiente. Aduz genericamente que está comprovado pela sua escrita. A maior parte da defesa sobre esse item foi sobre considerações acerca da postergação. A glosa, assim, deve ser mantida. 1.7.3. Da conta Desp. OperacionaisConsumer. R$21.562.117,57. A glosa foi mantida pelas razões abaixo literalmente reproduzidas: A Interessada apresentou analítico da conta acima, onde consta o detalhamento dos valores lançados, individualizado por beneficiário, no montante de R$116.640.148,77. Foi verificada diferença entre o saldo da conta, (R$138.202.266,34), e o analítico apresentado, fls.216. Foi feita intimação para que a Interessada esclarecesse a divergência. Não houve resposta. Assim, foi autuado o valor de R$21.562.117,57, pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado. Fl. 12720DF CARF MF 36 Alegou a Interessada que as despesas referiramse a comissões pagas pela intermediação de terceiros nas operações de concessão de crédito. Acrescentou que a divergência entre a contabilidade e o analítico apresentados decorreu da sistemática adotada no pagamento dessas comissões, a qual necessita de ajustes manuais para a sua correta contabilização, uma vez que seu sistema reconhece de imediato toda a despesa dessa operação a título de comissão no ato em que é registrada a operação de concessão de crédito intermediada por terceiros. Exposta a controvérsia, cabem as seguintes observações. Inicialmente, cabe lembrar à Interessada que não há que se falar em despesa gerada automaticamente por sistema informatizado, isto é, criar despesa operacional, sem a prestação de serviço, com a correlata identificação dos beneficiários e o motivo do pagamento. O doc.22, fls.726, da própria lavra da Interessada não comprova o alegado. Tal prática pode ser usual no mercado financeiro, contudo, para ser oponível ao Fisco deve vir sustentada por documentos hábeis e idôneos. Desta forma, não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Voto por negar provimento à impugnação desta autuação. A defesa persistiu, no recurso, em aduzir que a diferença decorreu da sistemática do lançamento automatizado dos valores, que exigiriam ajustes manuais para a sua correta contabilização. Ora, essa alegação não estão comprovada, nem sequer de forma exemplificada e é algo pouco provável para uma instituição financeira. Ademais, para que serviria uma sistema de lançamento informatizado se necessitaria de ajustes manuais? Não seria mais simples e menos oneroso corrigir o sistema? A glosa deve ser mantida. 1.7.4. Da conta Desp. OperacionaisConsumer. R$8.237.632,62. A glosa foi mantida pelas razões abaixo literalmente reproduzidas: Conforme item anterior, a Interessada apresentou analítico da conta acima. Dos lançamentos contábeis constantes no mencionado analítico foram informados pagamentos efetuados aos beneficiários listados às fls.216. A Interessada foi intimada a apresentar documentação, (acordo comercial) com os beneficiários acima, que justificassem os valores lançados como despesas na dita conta. Fl. 12721DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.575 37 Como não houve resposta, foi lançado o valor de R$8.237.632,62, pela não apresentação de informações e documentações que justificassem o valor contabilizado a título de “Outras Desp.OperacionaisConsumer... Comissões Adi”. Na impugnação, informa a Interessada que apresenta o contrato firmado com a pessoa jurídica INTERAGE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA, que dispõe o objeto da prestação de serviço e a forma de remuneração (doc. 23). Acrescenta que tal documento comprova o valor de R$1.113.586,31, (que compôs os R$8.237.632,62), devendo, assim, ser cancelado o lançamento, já que a glosa foi fundamentada apenas na ausência de comprovação do acordo comercial com o beneficiário das despesas. O doc.23, fls.728/730, não especifica a data nem o valor que o contrato teria sido acordado. Portanto, tal documento não beneficia a Interessada. Mais uma vez deve ser lembrado à Interessada que, considerando que as despesas, perdas e exclusões têm o condão de reduzir o lucro líquido e, conseqüentemente, o crédito tributário, é ônus da contribuinte comproválas de forma irrefutável. Assim, não tem qualquer base jurídica a alegação que a Autoridade Fiscal deveria ter feito circularização em outras empresas. Desta forma, não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Voto por negar provimento à impugnação desta autuação. A defesa reitera que a razão para a autuação foi apenas a ausência da comprovação do acordo comercial e que o documento carreado aos autos tem consignado a data da sua confecção (novembro de 2006). Após, afirma que a autuação foi realizada com base em presunção e envereda em largas passagens teóricas contra essa possibilidade. Ora, o lançamento foi realizada por carência de prova de despesa e não com base em presunção. A apresentação de um contrato destituído da quantificação não supre essa prova. A glosa deve ser mantida. 1.7.5. Da conta “Outras Desp. OperacionaisConsumer Gastos Com Co”. R$17.109.249,88. 1.7.5.1. Da parcela de R$14.482.717,00. A glosa foi mantida pelas razões abaixo literalmente reproduzidas: Na impugnação, alegou a Interessada que R$14.482.717,00 se referiram a despesas decorrentes de 366.480 notificações Fl. 12722DF CARF MF 38 extrajudiciais realizados pelo "CDT" Centro de Estudos e Distribuição de Títulos e Documentos, como demonstra, por amostragem, a tela de fls.333, extraída do sistema de controle de gastos do Impugnante, (doc. 24). Acrescentou que, relacionou às fls.334, todas as despesas incorridas com o CDT conforme planilha (doc. 25), alimentada pelas informações lançadas em seu sistema de "Gastos com Contratos em Atraso" relacionando: contrato, data da despesa, nome do prestador e o CNPJ do Centro de Estudos e Distribuição de Títulos e Documentos. As telas apresentadas às fls.333 e 732/736 são da própria lavra da Interessada. Portanto, por si só não comprovam suas alegações. Ainda que se considerasse as informações ali constantes, elas não comprovam o valor glosado. A planilha de fls.334, também produzida pela Interessada, não está acompanhada de documentos que lhe emprestem credibilidade. Esclareçase à Interessada que amostragem é uma técnica de auditoria que não se aplica ao julgador, que tem o dever jurídico de analisar todos os documentos acostados aos autos, e muito menos ao contribuinte, que, conforme já mencionado exaustivamente neste julgamento, tratandose de processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. Os documentos acostados aos autos pela Interessada não comprovam as suas alegações. Assim, ainda que, em tese, a necessidade desse serviço seja de fundamental importância às suas atividades para possibilitar a cobrança de seus créditos vencidos e não liquidados, a prova da efetividade dos serviços e decorrente despesas deve ser comprovada pelo contribuinte. Desta forma, não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. Voto por negar provimento à impugnação desta autuação. A defesa aduz que a técnica de amostragem seria sim válida para comprovação ou, ao menos, para determinar a baixa do processo em diligência. Com relação a esse último ponto, estou de acordo. Todavia, a amostragem visa colher uma parte do todo, mas não a deixar de analisar completamente essa parte colhida. No caso específico, a amostragem deveria colher alguns dos itens de despesa e o comprovar efetivamente com a apresentação de documentos e não com uma simples tela de seus próprios sistemas. Ora, a sua comprovação não foi apenas por meio de amostra, foi uma comprovação incompleta da própria amostra. A glosa deve ser mantida. 1.7.5.2. Da parcela de R$2.626.532,88. Fl. 12723DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.576 39 Esse item foi mantido pela DRJ pelas mesmas razões do item anterior e, de igual sorte, a recorrente aduz a sua amostragem pelo seu sistema eletrônico de registros. Não há, como no item anterior, comprovação documental de um item sequer. A glosa deve ser mantida. 2. Da infração 0003. Perdas recebimento de créditos. R$ 2.559.982,79. Aqui, a questão discutida não é a da prova da existência da receita, mas sim a sua dedutibilidade. A Delegacia de Julgamento considerou que a concessão de descontos para fins de extinguir processos de cobrança judicial seria uma mera liberalidade da contribuinte. O caminho normal deveria ser a seqüência da cobrança judicial em razão das garantias que o crédito dispunha. Ora, não posso concordar com essa colocação. As ações judiciais tem custo, inclusive do tempo. Seguramente, a decisão tomada pela impugnante foi aquela que considerou mais vantajosa para a situação patrimonial. Não há nenhum indicio do contrário, ou seja, que fez para favorecer alguém em prejuízo da sua posição patrimonial. Voto, pois, para afastar a glosa desse item. 3. Da infração 0004. Adições não computadas no Lucro Real. R$ 501.278,98 Esse item diz respeito à adição de multa tributária indedutível. Nada obstante, a defesa comprovou que se trata de gastos para a obtenção de fiança bancária com o fito de obter a suspensão da exigibilidade da exigência. Pois bem, diante disso, a decisão da DRJ para não acatar a alegação aduziu que o documento de transferência trazido aos autos relativo ao valor de R$ 501.278,98 não possuía autenticação. No recurso, o contribuinte trouxe o mesmo documento, desta vez com a referida autenticação. Essa glosa deve ser afastada. 4. Da infração 0005. Adições não computadas no Lucro Real. Atualização de tributos com exigibilidade suspensa. Fl. 12724DF CARF MF 40 Na fl. 12.555, a defesa desistiu da contestação desse item, o qual, portanto, deixo de conhecer para considerar definitivamente constituído. Da autuação da CSLL A defesa reitera sua argumentação de inexistência de base legal para a adição à CSLL de despesas indedutíveis. No entanto, como discorremos, a autuação, em grande medida, pela falta de comprovação de despesas e não por questões de indedutibilidade. Os únicos itens de autuação que disseram respeito à indedutibilidade foram a adição da multa, que afastamos, e tributos com a exigibilidade suspensa, tema não conhecido por desistência da defesa. Logo, no mais, devem ser mantida a autuação da CSLL. Da responsabilidade tributária por sucessão. Multa de ofício. As empresas não pertencem ao mesmo grupo econômico. Desse modo, não se aplica a Súmula CARF nº 47. Todavia, entendo que há sucessão da multa nos mesmos termos da DRJ, por força da interpretação do art. 132, combinado com o art. 129 do CTN. O primeiro dispositivo possui a seguinte redação: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. A responsabilidade da incorporadora não se adstringe aos tributos devidos, mas também às multas aplicáveis à incorporada, pois a correta exegese do art. 132 do CTN é extraída por meio de interpretação sistemática com os preceitos do art. 129 do mesmo diploma legal, in verbis: SEÇÃO II Responsabilidade dos Sucessores Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos Fl. 12725DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.577 41 posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (grifamos) Tratase de dispositivo que inaugura a Seção II (Responsabilidade dos Sucessores) do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do Código Tributário Nacional e que estabelece o delineamento geral aplicável aos preceitos da aludida seção. É inegável que o dispositivo dirige a responsabilidade tributária aos créditos tributários. Tampouco se pode refutar que, na acepção técnica, os créditos tributários abarcam não apenas os tributos, mas também eventuais multas cominadas ao sujeito passivo infrator. Destarte, a despeito do art. 132 se referir apenas a tributos, sem alusão a penalidades aplicáveis, à luz de nosso ordenamento jurídico, a interpretação sistemática do dispositivo conduz inegavelmente à conclusão de que a responsabilidade dos sucessores também alcança as sanções imponíveis aos sucedidos. Esse mesmo entendimento foi exarado pelo Superior Tribunal de Justiça, no Resp 923.012, com efeitos repetitivos, julgado em 09 de junho de 2010, cuja ementa abaixo transcrevemos, na parte pertinente ao tema: 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) Desse modo, deve ser mantida a multa na sucessora, uma vez que o fato gerador é anterior ao evento sucessório. Dos juros sobre multa Por fim, no tocante aos juros sobre multa de ofício, entendo que se trata de tema de âmbito da fase não contenciosa, uma vez que não é objeto do lançamento, mas sim da atividade de cobrança, a qual não está submetida ao crivo deste colegiado. Por isso, dele não tomaria conhecimento. Essa, porém, não tem sido a posição adotada por este colegiado que previamente tem decidido conhecer a questão. Assim, passo a enfrentála. De início, vale reproduzir acórdão em que também se conheceu do assunto, no qual foram considerados devidos os juros: Número do Recurso: 155344 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10845.000196/9534 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Fl. 12726DF CARF MF 42 Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrente: PRÓPRIA S.A. ADMINISTRAÇÃO E IMÓVEIS (SUCEDIDA POR BRASCOR S.A. IMÓVEIS E PORTICIPAÇÕES) Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJSALVADOR/BA Data da Sessão: 25/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 10196177 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a Selic. Assim se tem inclinado a jurisprudência deste Conselho e com ela me alinho. Dois artigos da Lei n° 9.430/96 conduzemme a essa posição e abaixo os transcrevo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Tal dispositivo, combinado com o art. 43 (onde se Fl. 12727DF CARF MF Processo nº 16327.721533/201228 Acórdão n.º 1401001.918 S1C4T1 Fl. 12.578 43 prevê a multa isolada ou acompanhada de tributo) e seu parágrafo único, levanos à conclusão de que os juros de mora devem incidir sobre a multa de ofício, após o seu vencimento. Conclusão Voto, pois, por negar provimento ao recurso de ofício e para dar provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de afastar a glosa de R$ 2.559.982,79 relativa à perda no recebimento de créditos e à adição de R$ 501.278,98 relativa à suposta multa tributária. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 12728DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.721285/2015-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2201-003.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade verificada.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 18/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em razão da intempestividade verificada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 18/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 12 85 /2 01 5- 32 Fl. 1831DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: O presente processo tem por objeto manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório de compensações efetuadas em GFIP pelo contribuinte acima identificado e glosadas nos termos do Despacho Decisório nº 219/2015 exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Maceió/AL (f. 828840), referentes aos seguintes estabelecimentos e períodos de apuração: Estabelecimento Período 12.307.187/000150 04/2010; 08/2011 a 12/2014 12.307.187/000230 09/2011 a 12/2014 12.307.187/000311 12/2013 a 12/2014 12.307.187/000400 12/2014 Do Despacho Decisório 219/2015 2. O Despacho Decisório de f. 828840, informa em síntese, que: 2.1. O contribuinte foi notificado em 10/02/2015 (f. 9) a demonstrar a origem dos créditos utilizados nas compensações lançadas em GFIP, porém os pedidos de restituição apontados como fundamentos da origem dos créditos utilizados nas compensações foram feitos em 2015. Depois, portanto, das compensações que se deram entre 2010 e 2014. 2.2. Parte dos créditos compensados referese a PIS incidente sobre folha de salários e a PIS/COFINS incidentes sobre as aquisições de bens de consumo recolhidos indevidamente, porém a legislação vigente veda compensar contribuições sociais (previdenciárias) previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com qualquer outra espécie que não são sejam as próprias. Portanto, as compensações com aqueles créditos de PIS/COFINS foram consideradas indevidas. 2.3. O contribuinte busca justificar a outra parte dos créditos utilizada nas compensações nos valores de contribuição previdenciária alegadamente recolhida sobre uma base de cálculo majorada; porém essas compensações foram glosadas pela união de três incongruências na fundamentação ao direito creditório: i) o contribuinte não recolhe a cota patronal, pois usufrui das prerrogativas de entidade isenta de tal tributação; ii) ausência de demonstração dos eventuais valores recolhidos a maior; e iii) não comprovação de afastamento da hipótese de incidência tributária sobre as rubricas não presentes no § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91 não restou demonstrado e, muito Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10410.721285/201532 Acórdão n.º 2201003.936 S2C2T1 Fl. 3 3 menos, comprovado o recolhimento indevido ou a maior de contribuições previdenciárias que fundamentasse o direito às compensações, conforme o previsto no art. 89 da Lei n° 8.212/91. 2.4. Demonstrado que o contribuinte não é detentor de qualquer crédito passível de ser utilizado para compensação com contribuições previdenciárias, imperiosa a glosa dos valores erroneamente utilizados e declarados em GFIP e esta, a exemplo da DCTF, constitui instrumento de confissão de dívida; portanto hábil e suficiente à exigência do crédito tributário não recolhido, conforme dispõe o art. 32 da Lei n° 8.212/1991, c/c o art. 225 do Decreto n° 3.048/1999, e com os arts. 47, 456 e 460, da IN RFB n° 971/2009. 2.5. Ante a falta de homologação das compensações realizadas em GFIP pelo contribuinte, os créditos tributários que foram liquidados por meio desse expediente devem retornar à condição de exigíveis nos sistemas de controle da RFB desde os respectivos vencimentos, com os acréscimos legais previsto na legislação tributária vigente. Em tal hipótese sujeitase o postulante à incidência das penalidades constantes dos arts. 45 e 46 da IN RFB n° 900/2008 e, posteriormente, dos arts. 57 e 58 da IN RFB n° 1.300/2012. Da Manifestação de Inconformidade 3. Cientificado por via postal em 14.04.2015, conforme data aposta no carimbo de retorno lançado pelos Correios no Aviso de Recebimento (f. 844), corroborada por consulta (f. 879880) efetuada no sistema de rastreamento de objetos dos Correios (número de rastreio JH045746384BR), o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de f. 847864 (e anexos de f. 865877) em 15.05.2015, acolhida como intempestiva pelo órgão preparador (Despacho Decisório 298/2015 de f. 881886), encaminhandose de incontinenti o presente processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (f. 887891) daqueles créditos decorrentes da não homologação das compensações lançadas em GFIP. 4. Irresignado, o contribuinte pede a reconsideração sobre a intempestividade (f. 932943), alegando que, entre outros motivos, “os representantes da empresa no referido processo não foram devidamente cientificados, pois não houve a expedição de qualquer notificação para os referidos advogados”, conforme requerimento expresso para tanto (f. 10 e 48), e que seja encaminhada a manifestação de inconformidade para julgamento superior. A DRF em Maceió/AL não acata esse pedido de reconsideração sob o argumento de que “não há autorização legal ou normativa para que seja remetida à DRJ manifestação de inconformidade intempestiva” e devolve à PGFN para seguimento da cobrança daqueles créditos tributários, conforme Despacho de f. 984987. Fl. 1833DF CARF MF 4 5. Ante essa negativa, a Santa Casa de Misericórdia de Maceió ajuizou mandado de segurança com pedido de liminar com vistas à obtenção de provimento jurisdicional que determinasse o recebimento e processamento da manifestação de inconformidade pela autoridade coatora (delegado da Receita Federal do Brasil em Maceió), a suspensão do crédito tributário objeto de discussão no processo administrativo n° 10410.721285/201532 e a anulação da Certidão de Dívida Ativa de n° 43415 00009447, originada a partir dos crédito tributários em questão. Pedido esse atendido e confirmado pela sentença (f. 994996) que julgou o mandado de segurança. 6. Na manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte são deduzidas em sua defesa, exceto no que diz respeito àqueles pontos já decidos judicialmente (intempestividade, suspensão da exigibilidade, etc), as alegações a seguir sintetizadas: 6.1. Da compensação com outra espécie tributária. Sob a alegação de ser jurisprudencialmente consolidado o entendimento de ser admitida a compensação, sponte própria, entre quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, o contribuinte afirma que a compensação de débitos previdenciários calculados em GFIP com créditos oriundos de recolhimentos indevidos de PIS incidente sobre a folha de salários, e de PIS/COFINS incidentes sobre aquisições de bens e insumos, encontra guarida na legislação tributária, face ao disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Argui ainda que o parágrado único no art. 26 da Lei n° 11.457/2007 não vedou a possibilidade de tal compensação, mas tem por finalidade tão somente "assegurar o fluxo da arrecadação". 6.2. Da inconstitucionalidade da vedação da compensação. Afirma que está eivado de inconstitucionalidade o ato praticado pela RFB onde é vedada a compensação de créditos tributários com débitos de outros tributos. Isso fere diretamente o artigo 150, II, da CF/88, ao tratar de forma totalmente disforme pessoas jurídicas que possuem entre si, ao mesmo tempo, créditos e débitos, em desrespeito ao princípio da igualdade. No mais, o contribuinte aduz que a interpretação correta a ser dada ao art. 26, da Lei nº 11.457/2007, visa a garantir o efetivo fluxo de arrecadação dos valores recebidos pela RFB a título de contribuição previdenciária. 6.3. Dos créditos oriundos de contribuição previdenciária majorada. A manifestante alega que parte dos créditos utilizados nas compensações com contribuições previdenciária confessadas em GFIP advém de recolhimentos indevidos por haver sido incluído na base de cálculo dessas contribuições, verbas de caráter indenizatório, desprovidas de natureza salarial e com relação à incongruência apontada no tocante à menção do termo cota patronal, esclareçase que houve um erro material ao ser incluído o termo patronal, isoladamente, registrandose pela retificação e consideração da expressão "não patronal". Alega ainda contrapondose à autoridade manifestada, que foram acostados aos autos as planilhas de f. 177191 que Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10410.721285/201532 Acórdão n.º 2201003.936 S2C2T1 Fl. 4 5 comprovam os valores daquelas contribuições recolhidas a maior. 6.4. Do pedido. Excluindose o que já foi determinado no dispositivo da sentença em mandado de segurança, f. 994996, pede: i) o regular recebimento e processamento da presente manifestação de inconformidade nos termos da legislação vigente; e ii) julgar o presente feito procedente, para determinar a homologação das compensações realizadas. 6.5. Por fim, requer a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial as perícias técnicas contábil, bem como a juntada posterior de documentos. Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário e da anulação da CDA nº 4341500009447 7. Conforme “Extrato do Processo” acostado às f. 11551165, encontrase atendida a determinação judicial de que fosse suspensa a exigibilidade do crédito tributário objeto do processo administrativo nº 10410.721285/201532 e, conforme f. 1176, encontrase também atendida a determinação de se anular a referida CDA. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2014 CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI nº 9.430/1996. INAPLICABILIDADE. O procedimento de compensação previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 não se aplica às contribuições sociais previdenciárias. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA ANTIGA RECEITA FEDERAL COM CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VEDAÇÃO DO ART. 26 DA LEI N° 11.457/07. É ilegítima a compensação de créditos tributários administrados pela antiga Receita Federal (PIS e COFINS) com débitos de natureza previdenciária antes administrados pelo INSS (art. 11 da Lei n. 8.212/91), ante a vedação legal estabelecida no art. 26 da Lei n. 11.457/07 Fl. 1835DF CARF MF 6 INDENIZAÇÃO. As verbas pagas a título de indenização que não estejam expressamente previstas em lei, integram o saláriode contribuição previdenciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte sustenta, em síntese: a) a inconstitucionalidade da vedação da compensação, pois o direito ao ressarcimento do indébito que emana deste ato de pagar tributo inexistente darseá, na espécie, por meio de compensação tributária, não podendo, em hipótese alguma ser limitado, sob pena de ofensa ao primado da supremacia da Constituição; b) a recorrente, com base em créditos de sua titularidade, promoveu compensações que se deram entre 2010 e 2014, tendo o valor remanescente do crédito, que é superior às compensações promovidas, sido objeto de pedido de ressarcimento, o qual teria sido realizado em 2015; c) em consonância com a orientação consolidada jurisprudencialmente, concluise que, a partir do advento do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, permitiuse a sujeito passivo que apurasse crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal do Brasil a possibilidade de utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo referido órgão; d) sobre as verbas consideradas de caráter indenizatório não há incidência de contribuição previdenciária, respaldando a possibilidade de a recorrente solicitar a recuperação dos créditos tributários pagos indevidamente nos últimos 5 anos, sob pena de enriquecimento ilícito do fisco; e) são indevidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre férias indenizadas e seu respectivo adicional, auxílio doença, da indenização (CIPA) salário, indenização (gestação) salário e indenização por acidente de trabalho; f) a recorrente faz jus ao ressarcimento dos valores indevidamente recolhidos a título dos correlatos tributos, quais sejam, PIS e COFINS, dos cinco anos anteriores à propositura do requerimento efetuado; g) a aplicação da imunidade tributária das entidades de assistência social deve ser plena e isonômica, para afastar a incidência de impostos e contribuições (diretos e indiretos) sobre todos os bens que compõem respectivo patrimônio, renda e serviços, a exemplo de mercadorias utilizadas nas prestações de serviços essenciais, sejam adquiridos no exterior ou no mercado interno, não incidindo contribuição para o financiamento da Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10410.721285/201532 Acórdão n.º 2201003.936 S2C2T1 Fl. 5 7 seguridade social sobre aquisições de bens e insumos vinculados às atividades essenciais; h) as aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado ou à conta dos intangíveis das entidades de assistência social na área da saúde destinamse a compor o seu patrimônio, na forma de bens imóveis, móveis, e equipamentos que são necessários para o desenvolvimento de suas atividades assistenciais ou intangíveis. Todos os bens que compõem o patrimônio das entidades de saúde imunes, e estão vinculados às finalidades essenciais, não podem sofrer a incidência de ICMS, IPI, PIS e COFINS, bem como do IPTU, ITBI, IPVA, ITR, sem qualquer distinção, entre “diretos” ou “indiretos”, cumulativos ou não cumulativos, como contribuintes de fato ou de direito. i) Na prestação de serviços de saúde são necessários instrumentos [bisturis, inaladores, cânulas, cateteres e etc.] e materiais de uso e consumo [algodão, agulhas, seringas descartáveis, luvas, fio para sutura, mascaras, talas e tubos diversos, dentre outros], além de outras mercadorias diretamente relacionadas aos serviços institucionais. À luz das considerações acima, os instrumentos ou materiais de uso e consumo, e outros produtos vinculados às finalidades essenciais da entidade, estão todos abrangidos pela imunidade; j) a tributação incidente sobre as aquisições de mercadorias deverá ser afastada quando as operações forem realizadas com adquirentes qualificadas como entidades de saúde imunes, por força da exclusão de competência tributária da imunidade, quando os bens de consumo necessários prestemse para realizar as finalidades essenciais da entidade; k) a finalidade da imunidade será prejudicada se sua aplicação ficar adstrita a impostos qualificados como “diretos”. Pelo mesmo motivo, não se deve prosperar o entendimento embasado na condição de “contribuinte de fato”, por implicar uma evidente recusa à aplicação da imunidade tributária e obstáculos ao atendimento de objetivos da Constituição direcionados à proteção do direito à saúde, à vida e à dignidade da pessoa humana; l) deve ser reconhecida a imunidade das aquisições de bens ou materiais realizados no mercado interno, ainda que sob a condição de contribuinte de fato. Isso significa dizer que ainda que a Entidade figure como “contribuinte de fato”, tal enquadramento não modificará a situação de base, qual seja, do custo tributário sobre o patrimônio ou serviço; m) a Entidade Filantrópica, ora Requerente, preenche os requisitos estatuídos pela legislação para fazer jus à imunidade, forçoso concluir que todos os valores recolhidos a título das correlatas exações, quais sejam PIS e COFINS, devem ser restituídos já que indevidos; Fl. 1837DF CARF MF 8 n) há direito ao ressarcimento de valores recolhidos a título de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), incidentes, de forma indireta, sobre insumos adquiridos para a consecução de seus objetivos sociais bem como daqueles bens que irão compor o ativo imobilizado da correlata Entidade, razão pela qual indevidamente adimplidos. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Compulsandose os autos, verificase que foi dada ciência ao contribuinte por meio eletrônico, da seguinte forma, fls. 1193: Data da disponibilização no Caixa Postal: 10/12/2015 10:21:40 Data da ciência por decurso de prazo: 28/12/2015 O Decreto 70.235/1972, em seu art. 23, § 2º, inciso III, alínea "a", assim dispõe: Art. 23. Farseá a intimação:(...). § 2° Considerase feita a intimação: III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(...). O mencionado diploma normativo, acerca do prazo recursal, determina: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Considerando, desse modo, a data da ciência, em 28/12/2015 (segunda feira), o termo inicial do prazo, em 29/12/2015 (terçafeira), e o termo final, em 27/01/2016 (quartafeira), encontrase intempestivo o recurso apresentado em 02/02/2016 (terçafeira), conforme o Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1195. Portanto, não merece prosperar a alegação da recorrente no sentido de que teria tomado ciência em 04 de janeiro de 2016, pois, embora o contribuinte tenha acessado o teor dos documentos na referida data, a ciência automática já tinha ocorrido, no dia 28/12/2015, após transcorridos 15 dias da data da disponibilização na caixa postal. Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10410.721285/201532 Acórdão n.º 2201003.936 S2C2T1 Fl. 6 9 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 1839DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720115/2007-53
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício.
Numero da decisão: 1801-000.961
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720115/200753 Acórdão n.º 180100.961 S1TE01 Fl. 103 2 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 2029, com a exigência do crédito tributário no valor de R$29.927,17, a título de multa de mora isolada referente aos débitos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) calculada sobre a base estimada, código de arrecadação nº 2484, referentes aos fatos geradores de agosto, setembro e outubro de 2004, informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) Retificadoras dos terceiro e quarto trimestres de 2004 apresentadas em 29.07.2005. Restou esclarecido que estes débitos foram pagos em 22.07.2005, ou seja, após o vencimento, acrescidos da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora, fls. 3653. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 160 do Código Tributário Nacional (CTN), art. 43 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 09.03.2007, fls. 5455, a Recorrente apresentou a impugnação em 27.04.2007, fls. 0112, com as alegações abaixo sintetizadas. Argui que efetuou os pagamentos dos tributos devidos em atraso acrescidos dos juros de mora mas sem a multa de mora (art. 138 do Código Tributário Nacional). Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo exposto, requerse seja acolhida a presente Impugnação a fim de que seja cancelada a atuação, diante da desnecessidade do acréscimo de multa moratória aos recolhimentos efetuados nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA DRJ/Belém/PA nº 0113.313, de 27.03.2009, fls. 5658: “Lançamento Procedente”. Restou ementado CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. E pressuposto da denúncia espontânea que o Fisco não tenha conhecimento do tributo por ocasião do pagamento, o que não ocorreu no presente caso pelo fato do débito ter sido declarado em DCTF. Cabível a exigência de multa de mora no caso de pagamento do tributo após o vencimento, por expressa disposição legal. Notificada sem êxito por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, fls. 6162, houve afixação do Edital nº 10, de 2011 em 01.06.2011, na Agência da Receita Federal do Brasil Em Tucuruí/PA da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marabá/PA para suprirlhe a falta, fl. 63. Verificase no presente caso que a Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720115/200753 Acórdão n.º 180100.961 S1TE01 Fl. 104 3 Recorrente foi notificada em 16.06.2011 e apresentou o recurso voluntário em 14.07.2011, fls. 6780, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando todos os argumentos constantes na peça impugnatória. Conclui Face às razões acima expostas, a Recorrente postula o conhecimento do presente Recurso Voluntário, para que seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração discutido e consequentemente, seja cancelada a exigência fiscal nele consubstanciada. Termos em que, pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente suscita que a multa de mora deve ser afastada por estar amparada pela denúncia espontânea. A multa de mora tem natureza jurídica de penalidade aplicada por descumprimento da obrigação tributária principal dentro do prazo previsto na legislação. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei alcança tãosomente o tributo sujeito ao lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento que não esteja declarado à época e o pagamento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal1. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 2, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. 1 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 2 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720115/200753 Acórdão n.º 180100.961 S1TE01 Fl. 105 4 No que se refere à matéria, a legislação tributária que vigorava à época previa que as alteração das informações prestadas em DCTF seriam efetuadas mediante apresentação de DCTF Retificadora, que tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e se presta para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores4. No presente caso, o lançamento se refere aos débitos de CSLL atinente aos fatos geradores de agosto, setembro e outubro de 2004 e informados nas DCTF Retificadoras dos terceiro e quarto trimestres de 2004 apresentadas em 29.07.2005 e efetivamente recolhidos em 22.07.2005, fls. 3653, acrescidos da incidência de juros de mora, porém sem a aplicação da multa de mora, antes do procedimento de ofício, que lhe foi cientificado em 09.03.2007, fls. 5455. Restou comprovado que a Recorrente procedeu aos pagamentos dos tributos devidos fora do prazo de vencimento antes de apresentar as DCTF Retificadoras em que houve as constituições formais dos mencionados créditos tributários. Assim, há que se aplicar o instituto da denúncia espontânea para afastar a aplicação da multa de mora, haja vista que os débitos de CSLL referentes aos fatos geradores de agosto, setembro e outubro de 2004 foram efetivamente recolhidos em 22.07.2005 acrescidos da incidência de juros de mora e informados nas DCTF Retificadoras dos terceiro e quarto trimestres de 2004 apresentadas em 29.07.2005, fls. 3653. Por conseguinte o lançamento é improcedente. Em face de o exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004 e art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16327.000209/2010-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Numero da decisão: 9303-005.490
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, considerando que a Fazenda Nacional defendeu a incidência dos juros sobre a multa de ofício em suas razões recursais sem demonstrar a existência de dissídio jurisprudencial em relação à essa matéria. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Henrique Pinheiro Torres em sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 06/2016 e concluído em 27/07/2017.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Henrique Pinheiro Torres, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, considerando que a Fazenda Nacional defendeu a incidência dos juros sobre a multa de ofício em suas razões recursais sem demonstrar a existência de dissídio jurisprudencial em relação à essa matéria. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Henrique Pinheiro Torres em sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 06/2016 e concluído em 27/07/2017. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Henrique Pinheiro Torres, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 09 /2 01 0- 19 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, considerando que a Fazenda Nacional defendeu a incidência dos juros sobre a multa de ofício em suas razões recursais sem demonstrar a existência de dissídio jurisprudencial em relação à essa matéria. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Henrique Pinheiro Torres em sessão anterior. Julgamento iniciado na reunião de 06/2016 e concluído em 27/07/2017. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Henrique Pinheiro Torres, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.757, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu, por voto de qualidade, provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pelas segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracteriza a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. ” Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 5 4 Para melhor compreensão dos pontos de discussão, importante trazer parte do voto do relator, que contempla as particularidades do caso concreto (Grifos meus): “[...] A exigência de PIS/Cofins está lastreada no entendimento da Fiscalização de que o resultado das vendas, da contribuinte para terceiros, de ações da Bovespa Holding SA e da BM&F SA deveria receber o tratamento de receita operacional, e não de venda de ativo imobilizado. A Fiscalização entende que, por força do art. 61, § 1º, do Código Civil vigente, as associações sem fins lucrativos – que era a modalidade na qual se encontravam formatadas as bolsas de valores antes da desmutualização – apenas poderiam destinar o seu patrimônio para entidades congêneres ou, quando muito, restituir aos seus associados o valor atualizado das contribuições que prestaram ao patrimônio da associação. Baseada neste dispositivo, a Fiscalização entende que a venda das ações pela contribuinte teria sido o desfecho de uma sequência de operações, as quais teriam começado com o ato de devolução de patrimônio da associação para os seus quotistas, seguido da aquisição das ações e a sua subsequente venda, de modo que tal venda revelaria a prática de atividade operacional típica da atuação econômica da contribuinte, de negociação de títulos no mercado financeiro. [...] A Fiscalização, como visto, não concorda com os fatos: discorda da possibilidade de incorporação, com fundamento na qual procedeuse a substituição dos títulos patrimoniais por ações, tal como concretamente foi realizado. Entende que apenas seria possível a devolução do patrimônio pela associação aos seus associados, na forma do art. 61, § 1º do Código Civil vigente. Ocorre que, concretamente, não houve um ato de restituição do patrimônio pela associação aos seus associados. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 6 5 O que houve, de fato, foi a troca dos títulos por ações, em concretização das operações de cisão e incorporação do patrimônio da associação, resultando em sua extinção. Não parece possível dizer que as ações teriam sido dadas em pagamento pelas sociedades anônimas, pois concretamente não houve a compra dos títulos patrimoniais pelas sociedades anônimas. Não houve mudança de titularidade dos títulos patrimoniais para si. Também não parece possível dizer que teriam sido dados em pagamento pela associação, como forma de pagamento em restituição do patrimônio, pois a associação nunca foi titular das ações. Não foi a associação quem teria utilizado as ações, pois as ações não lhe pertenciam. Nem houve concretamente, repisese, uma restituição do patrimônio pela associação, em resgate de seus próprios títulos. A restituição prevista no art. 61, § 1º, do CC possivelmente teria acontecido se, diante da finalidade de extinguir a associação, não fossem aplicáveis a cisão e a incorporação. O que se percebe, pois, é que a aplicação destes institutos societários no caso concreto suprimiu o ato de restituição do patrimônio aos associados. Neste ponto, aliás, o recorrente argui a aplicação do art. 2.033 do CC para sustentar a possibilidade jurídica de aplicaremse os fenômenos societários da mutação, incorporação, cisão e fusão às associações. Este dispositivo prevê que, “Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem se desde logo por este Código”, sendo que, dentre as pessoas jurídicas listadas no art. 44, logo no inciso I, figuram as associações. Não parece que a ressalva inicial seja capaz de eliminar todo o conteúdo que se segue, no sentido de que as entidades sem fins lucrativos estariam excluídas do envolvimento nestes fenômenos societários. De fato, não parece possível extrair outra interpretação do dispositivo, senão de que permite tais operações em relação às associações, nada obstante se possa lamentar a falta de detalhamentos Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 7 6 normativos mais precisos para a sua aplicação em relação às entidades sem fins lucrativos. Este caso, aliás, é sintomático das dificuldades geradas pela falta de um balizamento mais detalhado e devidamente contextualizado com as características próprias das entidades sem fins lucrativos, em especial quando estão envolvidas entidades com fins lucrativos. [...] Ocorre que, respeitada a competência deste Tribunal Administrativo, tornase necessário presumir a legalidade das operações que concretizaram a “desmutualização”, mesmo porque ocorridas sob a tutela e autorização do Conselho Monetário Nacional e da Comissão de Valores Mobiliários. Baseado, pois, na convicção de que de fato não houve uma devolução pela associação aos associados, do patrimônio da associação, seguida da aquisição e venda das ações, mas que concretamente houve a troca dos títulos patrimoniais pelas ações, entendo que a posterior venda destas ações não configura receita operacional da contribuinte, mas venda de seu ativo imobilizado. Na DRJ São Paulo/SP, prevaleceu por maioria de votos o entendimento de que se estaria tratando de receita operacional, pelo argumento central de que os ativos em questão teriam natureza distinta. Ou seja, porque os títulos patrimoniais não teriam a mesma natureza das ações, estaria justificada a desclassificação destes últimos da conta de ativo permanente, devendo ser reclassificados na conta de ativo circulante, diante da natureza operacional da negociação que teria envolvido seu ingresso e sua saída. O raciocínio é linear, mas apenas formalmente. [...] Na perspectiva da contribuinte, portanto, legitimase dizer que onde antes havia os títulos patrimoniais – que deixaram de existir – passou a haver as ações – que tomaram o lugar dos títulos extintos –, uma substituindo o lugar da outra na mesma conta de ativo permanente. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 8 7 Se tal operação societária não seria possível de acordo com a legislação civil, este Tribunal não tem como questionar, mas tendo assim ocorrido, é de acordo com estes atos concretos que levaram a cabo tais operações que deve ser aplicada a legislação. A substituição das quotas pelas ações, portanto, caracterizam a sucessão de um título que deixou de existir por outro que passou a existir em seu lugar, representativos da sucessão ocorrida entre as pessoas jurídicas envolvidas a que deixou de existir e a que passou a existir em seu lugar, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Voto pelo provimento do recurso. [...]” A Fazenda Nacional, verificando Omissão/Contradição/Obscuridade no acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento apresentou Embargos de Declaração, requerendo, entre outros, o pronunciamento da turma em face da omissão relativa ao sobrestamento ou não da discussão acerca do faturamento (ou receita não alargada) – alegando que a matéria está sob análise do Colendo Tribunal do STF no Recurso Extraordinário 609.096 até que o STF decida sobre a definição da base de cálculo das instituições financeiras, quando excluído o alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. O Colegiado, assim, apreciou os embargos opostos pela Fazenda Nacional, rejeitandoo, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS NÃO CONFIGURADOS. REJEIÇÃO. A decisão do caso concreto, pela não incidência de PIS/Cofins, decorreu da discussão quanto à caracterização de receita decorrente da venda de Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 9 8 bem do ativo permanente, configurando a exclusão prevista no art. 3º, § 2º, IV da Lei nº 9.718/98. Tal discussão não está vinculada, nem depende do resultado do julgamento da Repercussão Geral reconhecida no Recurso Extraordinário nº 609.096 (Tema 372), pelo Supremo Tribunal Federal, que trata dos efeitos, em relação às instituições financeiras, da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendido pelo art. 3º, § 1º, da mesma Lei, posteriormente revogado. Omissão não configurada. Embargos rejeitados. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, trazendo, entre outros, que: · A Desmutualização da Bovespa ocorreu por meio da dissolução da associação e da "devolução" do patrimônio aos associados, o que justificaria a tributação, segundo o artigo 17 da Lei 9.532/1997; · A Desmutualização não é uma simples SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS por Ações, mas sim uma DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO aos associados; · A intenção da sociedade corretora ao receber as ações seria vendêlas, e não as manter em seu patrimônio; · A atividade da sociedade corretora é subscrever títulos e valores mobiliários e depois de revendêlos consiste em operação afeta ao objeto social, o que seria a receita decorrente da venda das r. ações base de cálculo do PIS e Cofins, por serem operacionais; · Quanto aos juros sobre a multa de ofício, nos termos do art. 139 do CTN, por ser multa a obrigação principal, não se poderia chegar a outra conclusão que não a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa – o que deveria incidir juros sobre a multa, conforme art. 161, § 1º, do CTN. Diante de suas alegações, a Fazenda Nacional requer que: · Seja conhecido o presente recurso; Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 10 9 · Seja dado total provimento ao presente recurso para reformar o acórdão recorrido nos seguintes pontos: classificar como ativo circulante o resultado da venda das ações após a desmutualização; caracterizar o resultado da venda das ações como faturamento, estando, portanto, sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; e, por fim, determinar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fls. 525/527 apreciado pelo Presidente da 3ª Seção em exercício à época. O sujeito passivo tomou conhecimento, apresentando Contrarrazões às fls. 537 a 566, requerendo que seja negado seguimento, ainda que parcial, ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, na eventualidade de ser admitido, no mérito, que lhe seja negado – mantendose o acórdão recorrido. Traz o sujeito passivo, entre outros, que: · As supostas receitas advindas da alienação de ações não podem ser base para a incidência de PIS e Cofins, por serem decorrentes da venda de ativo permanente, portanto, isentas dessas contribuições e também por não se relacionarem às atividades do sujeito passivo – o que faria delas receitas extraordinárias, e não operacionais; · Quanto à discussão acerca dos juros sobre a multa de ofício, não há que se falar em aplicar os juros Selic sobre a multa por falta de previsão legal. Em Ofício às fls. 635 a 637, o sujeito passivo apresentou a seguinte manifestação: “[...] Nesse ponto, importa comunicar que a Recorrida possui coisa julgada em seu favor, tendo em vista o trânsito em julgado da Ação Declaratória nº 2005.34.00.0166728, que lhe assegurou o direito de não se Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 11 10 submeter ao recolhimento do PIS e da COFINS pela totalidade das receitas, mas sim pelo seu faturamento. Por certo, a análise deste fato superveniente trazido aos autos, conforme autorização expressa do art. 16, 84°, alínea "b", é de fundamental relevância ao deslinde da matéria tratada nos presentes autos, já que a alienação das ações da BOVESPA e BM&F, sob a ótica contábil e fiscal, não constitui receita operacional (faturamento) em face de seu caráter nitidamente extraordinário, pelo que não está sujeita à incidência do PIS e da COFINS. Com feito, se a Recorrida possui decisão judicial que lhe assegura o direito de recolher PIS e COFINS somente sobre o seu faturamento e a alienação em questão não constitui receita operacional (faturamento) como fartamente demonstrado ao longo dos autos, a conclusão só pode ser uma: NÃO INCIDE PIS E COFINS sobre a alienação das ações da BOVESPA e BM&F. Ou seja, o provimento jurisdicional implica diretamente no resultado do julgamento do presente caso, motivo pelo qual deve ser observado. Dessa forma, a fim de corroborar a informação e dirimir qualquer dúvida acerca desse fato novo, a Recorrida acosta à presente cópias das seguintes peças: Doc. 01 Inicial; Doc. 02 Sentença proferida pelo juízo da 22a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal; Doc. 03 Acórdão do TRF 1a Região; Doc. 04 Decisões quanto aos recursos especial e extraordinário da Fazenda Nacional; Doc. 05 Certidão de trânsito em julgado; Doc. 06 Extrato de andamento do processo (P e 2a instâncias). Diante do exposto, requer a juntada dos referidos documentos aos autos do processo, reiterando o pedido pelo não conhecimento do Recurso Especial no que tange ao ponto da incidência de juros sobre multa e, no mérito, sejalhe negado provimento, mantendose integralmente o quando decidido no acórdão nº 3201001.429. ” Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 12 11 Essa conselheira, considerando o comunicado apresentado pelo sujeito passivo, apresentou Despacho às fls. 720 a 721: “[...] Em atenção ao Recurso Especial e visando melhorar a transparência dos autos a todas as partes envolvidas para o deslinde da questão envolvendo a tributação pelo PIS e pela Cofins na alienação das referidas ações, tendo em vista que houve a juntada de documentos (decisão transitada em julgado) essenciais, segundo o sujeito passivo, a resolução da questão, sem a ciência da Fazenda Nacional, PROPÕESE que sejam os autos retornados à Secretaria da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para vistas à PGFN para se manifestar, se for o caso, acerca dos novos documentos juntados.” A Fazenda Nacional, em atenção ao Despacho, apresentou manifestação, conforme segue: “[...] 1. O cerne da questão discutida no recurso especial fazendário diz respeito à tributação pelo PIS e pela COFINS das receitas auferidas pela contribuinte com a venda das ações recebidas da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. no processo de desmutualização das bolsas de valores. 2. Após o processamento do recurso especial fazendário, a recorrida vem aos autos do processo administrativo, por meio de petição, noticiar o trânsito em julgado da decisão proferida em Ação Declaratória nº 2005.34.00.0166728, pleiteando a extinção dos débitos de COFINS discutidos nos presentes autos por força dessa decisão judicial. 3. Neste sentido, impende ressaltar que o próprio acórdão que julgou os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional já consignou a delimitação da lide posta em julgamento no recurso especial fazendário, que nada diz respeito à discussão acerca do alargamento da base de cálculos das contribuições para o PIS e para a COFINS, verbis: [...] Fl. 748DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 13 12 4. Com efeito, segundo o entendimento defendido pela Fazenda Nacional em seu recurso, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. 5. Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, preveem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. 6. Assim, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela BOVESPA HOLDING S.A., integram a sua receita bruta operacional. 7. Temse que a recorrida, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. 9. Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR o STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. 10. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Fl. 749DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 14 13 Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. 11. Entretanto, a decisão do STF bem como a decisão proferida na Ação Declaratória nº 2005.34.00.0166728 não têm repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos preveem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. 14. Diante do exposto, a Fazenda Nacional reitera as razões de seu recurso especial, pedindo o seu provimento. ” É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, relatora. O Recurso é tempestivo e, depreendendose de sua análise, entendo que deva ser admitido parcialmente, em respeito ao art. 67 da Portaria MF 343/2015 – RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. [...] 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. ” Fl. 750DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 15 14 De acordo com o art. 67 do RICARF/2015, a admissão do Recurso Especial está condicionada à comprovação da divergência de interpretação entre a Câmara prolatora do acórdão e outra Câmara acerca de tema idêntico. O Recurso deve ser admitido parcialmente, considerando que a Fazenda Nacional defendeu a incidência dos juros sobre a multa de ofício em suas razões recursais sem demonstrar a existência de dissídio jurisprudencial em relação à essa matéria. O que para melhor elucidar, transcrevo parte do Recurso Especial (Grifos meus): “[...] e) DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO O contribuinte afirma que o Fisco não pode exigir juros de mora sobre multa de ofício, já que não haveria base legal para tanto. A exigência dos juros de mora recairia, no seu entender, apenas sobre os tributos. Todavia, razão não lhe assiste. Em uma análise sistemática do Código Tributário Nacional, conclui‐se, ao contrário do que defende o recorrente, que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Vejamos. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (Destaques não constam no original) § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O § 1º do art. 113 do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Fl. 751DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 16 15 Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário. Por sua vez, o conceito de crédito tributário está esculpido no art. 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão que não a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa deve incidir juros, como determina o § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional. [...]” Dessa forma, ainda que a Fazenda Nacional tenha trazido suas razões, vêse que não foi cumprido o requisito para a admissibilidade do recurso contemplado no art. 67 do RICARF/2015. Em vista do exposto, é de se conhecer parcialmente o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional – em relação ao apelo na parte a que se refere a classificação/manutenção no Ativo Circulante das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, pois os paradigmas trazidos refletem a divergência ao confrontarem a classificação contábil (Ativo Permanente x Ativo Circulante). Contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo devem ser consideradas, pois tempestivas. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 17 16 Ventiladas tais considerações, passo a análise da matéria conhecida do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Primeiramente, no que tange à divergência quanto à classificação das ações de sociedade anônima recebidas em substituição de quotas patrimoniais de uma entidade associativa sem fins lucrativos, via operação de cisão, seguida de sucessão por incorporação, entendo que não assiste razão a Fazenda Nacional ao entender que o registro das referidas ações devese dar no Ativo Circulante. Nessa operação, vêse que a Bovespa Associação, através da cisão, verteu parte de seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S.A e a Bovespa Holding S.A. A operação de cisão de entidades sem fins lucrativos encontrase resguardada nos arts. 44, inciso I e 2.033 do CC/2002, in verbis (Grifos meus): “Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; [...]” “Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regem se desde logo por este Código.” Ao analisar o art. 44 do Código Civil, temse que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse claro, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Por decorrência da cisão, a parte cindida dos títulos patrimoniais foi somente substituída por ações da Bovespa Serviços e da Bovespa Holding. E, com efeito, posteriormente à essa etapa, a Bovespa Holding incorporou a totalidade Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 18 17 das ações da Bovespa Serviços e como consequência, os titulares das ações da Bovespa Serviços tiveram suas ações trocadas por ações da Bovespa Holding. Essa substituição das ações considerou o valor patrimonial contábil por ação da Bovespa Holding e da Bovespa Serviços – com data base de junho de 2007. Lembro que o mesmo procedimento foi adotado no caso da BM&F – onde o patrimônio foi absorvido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. Dessa forma, é de hialina clareza que os títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F dos associados foram somente substituídos por ações da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. Eis que nessa operação há apenas a “troca” dos ativos – em devolução e dissolução patrimonial, e não “aquisição” das referidas ações que demandem nova reclassificação contábil. Na cisão seguida de incorporação, há a transferência de todos os direitos e obrigações dos negócios em curso da cindida para a incorporadora sucessão universal. Com efeito, as ações substituídas pelos títulos recebem o mesmo tratamento fiscal e contábil a que eles estavam sujeitos. O que não procede tratar tais ativos como devolução do patrimônio da associação aos seus associados com posterior aquisição. Dessa forma, considerando se tratar de mera substituição de títulos patrimoniais que, por sua vez, estavam registrados no ativo permanente, quando da substituição desses títulos por ações, devem observar idêntica qualificação contábil até o momento de sua alienação. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 19 18 Notase que, em respeito aos Princípios que norteiam a Ciência Contábil, o detentor dos títulos quando da classificação contábil desses ativos manifestou a pretensão de permanecer com esse investimento em seu patrimônio por mais de 12 meses – sem expectativa de vendêlos a curto prazo. O que alterar a classificação contábil das ações recebidas em troca dos títulos demonstraria afronta à esses princípios. No ativo circulante somente são registrados ativos de liquidez imediata. Ou seja, somente aqueles ativos que estejam destinados à venda com sentido de operação mercantil. O que se distancia do presente caso – já que a detentora dos títulos manteve esse ativo por mais de 12 meses em seu patrimônio, tendo manifestado sua pretensão de permanecer com esse ativo no momento do registro contábil. Na substituição de um ativo (títulos patrimoniais ou ações) por decorrência de cisão seguida de incorporação, vêse que os detentores/investidores se mantêm inertes frente a essa reorganização societária – efetuando somente a troca dos ativos em seu patrimônio. Tal troca não resulta em nova classificação contábil, visto que a pretensão do investidor não se alterou com a substituição do ativo. Eis que nem motivação demonstrou quando da efetivação da reorganização societária. Nova classificação contábil de ativos ocorreria somente quando ocorrer motivação por parte do futuro adquirente, pois é nesse momento que deverá expressar sua pretensão de manter o ativo adquirido por mais de 12 meses ou vendê lo em curto prazo. Tanto é assim, que o investidor que sofre a troca dos ativos não se obriga a informar o custodiante sobre a “nova aquisição”. A troca ocorre diretamente pelo custodiante sem motivação do investidor. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 20 19 O investimento original não foi realizado com o fim de se obter ganho por sua venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de dar participação à entidade e trazer desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Dessa forma, as ações recebidas por decorrência dessa operação devem ser registradas em contas do ativo permanente, em respeito à pretensão manifestada pelo detentor dos títulos patrimoniais à época de sua aquisição. O que, por conseguinte, entendo que eventuais receitas advindas dessa transação poderiam ser excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Para melhor elucidar meu entendimento, trago parte da Declaração de Voto de meu ilustre colega Gilberto de Castro Moreira Junior proferido em Acórdão 3202000.777 (Grifos meus): “[...] A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 21 20 frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. A respeito do tema já escrevi que: Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." [...] Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tão somente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a Fl. 757DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 22 21 permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civil anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. nº. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformarse, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 23 22 Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.p hp?PID= 217174&key=4415884) Fl. 759DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 24 23 Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 44 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais : Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será Fl. 760DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 25 24 destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal,estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. [...] Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) Fl. 761DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 26 25 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, Fl. 762DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 27 26 para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na Fl. 763DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 28 27 manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 29 28 Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. [...]” Na mesma linha, transcrevo parte do voto do ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim exarado no acordão 3403003447: “[...] A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado é sucessor de instituição financeira que possuía nas contas do Ativo Permanente/Investimentos ações da CBLC e título patrimonial da BM&F. Com a transformação societária da antiga BM&F na sociedade por ações BM&F S/A e na incorporação da CBLC pela BOVESPA HOLDING, ocorridas em 2007, o contribuinte recebeu 3.882.732 de ações da BOVESPA HOLDING em conversão das antigas ações da CBLC e 4.981.610 de ações da BM&F S/A em conversão do título da antiga BM&F. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 30 29 Também é incontroverso que o título social e as ações, então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco, foram convertidos em quantidade de ações monetariamente equivalente à participação do Banco em cada uma das antigas sociedades. São pontos controversos nos autos (i) se houve ou não devolução de capital com aquisição de um novo patrimônio no momento da desmutualização e (ii) se havia ou não intenção do Banco vender as ações recebidas em conversão. A intenção ou não de venda seria determinante para classificar os ativos no circulante ou no permanente. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente do título patrimonial da antiga BM&F e das ações da antiga CBLC. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, elas deveriam ter sido classificadas no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Embora não tenha sido explicitamente citado, o entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a CBLC e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 31 30 É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa, pela antiga BM&F e pela CBLC. Os antigos títulos patrimoniais e as ações da CBLC foram sucedidos por ações das novas entidades que surgiram no processo. Essas novas ações foram emitidas em Fl. 767DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 32 31 quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais (e pelas ações da CBLC) que estavam no permanente, então é evidente que não houve aquisição de novo ativo no momento da desmutualização, não havendo que se cogitar da intenção do contribuinte neste momento para obrigalo a fazer a reclassificação para o ativo circulante. E ainda que essa reclassificação tivesse sido feita, tal fato não retiraria das ações a condição de ser um investimento, ou seja, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedava a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/801). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos classificados no permanente/investimentos foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento 1 (...) 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem classificado no ativo Fl. 768DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 33 32 permanente e está expressamente excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. E isto é assim, por força do art. 418 do RIR/99 (art. 31 do DL nº 1.598/77) que trata o resultado da venda de bens do ativo permanente como ganho ou perda de capital, ou seja, como resultado não operacional. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da COFINS seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes a sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Considerando que a aferição da natureza não operacional dessas receitas se constitui em verdadeiro antecedente lógico para sua exclusão das bases de cálculo, resta evidente que o desfecho ação judicial 2006.03.00.1059671 não tem nenhuma influência sobre este processo. [...]” Dessa forma, é de se concluir que os títulos da Bovespa e da BM&F que eram de propriedade da sociedade tinham a mesma característica de bens do ativo permanente e que as ações recebidas por sucessão universal decorrente da cisão seguida de incorporação deveriam ser registradas em seu ativo permanente. O que, por conseguinte, tornase claro que a receita de alienação dessas ações não é passível de tributação pelo PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, inciso IV, da Lei 9.718/98. Não obstante a tudo isso, proveitosa a seguinte reflexão. Ainda que se considere equivocadamente as ações como fruto de aquisição pura motivada pelo sujeito passivo e que, portanto, não seria passível de registro em ativo permanente, importante refletir também sobre as regras impostas pela nova contabilidade, indepentemente de à época ser plenamente considerada o registro contábil das ações recebidas em troca em ativo permanente Fl. 769DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 34 33 Para tanto, invocase o Pronunciamento técnico CPC 30 – que contempla em seus itens 7 e 12: “Item 7. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. [...] Item 12. Quando bens ou serviços forem objeto de troca ou permuta, que sejam de natureza e valor similares, a troca não é vista como uma transação que gera receita. [...] Por outro lado, quando os bens são vendidos ou os serviços são prestados em troca de bens ou serviço não similares, tais trocas são vistas como operações que geram receita” Continuando, o Pronunciamento Conceitual Básico (R1) descreve no item 4.29 que “a definição de receita abrange tanto as receitas propriamente ditas quanto aos ganhos. A receita surge no curso das atividades usuais da entidade e é designada por uma variedade de nomes tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties, alugueis. ” Já os “ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e que podem ou não surgir no curso das atividades usuais da entidade”. Tal Pronunciamento ainda traz em seu item 4.31 que “ganhos, incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não circulantes”. Ademais, de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, “estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios. ” E, nos termos do CPC 31, a destinação de um ativo não circulante (ativo permanente) para venda não o classifica como ativo circulante (estoque), Fl. 770DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 35 34 devendo ser classificado como ativo não circulante destinado a venda, especialmente à luz do quanto disposto em seu Apêndice A – Definições de termos: “Ativo Circulante é um ativo que satisfaz a qualquer dos seguintes critérios: (a) esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no curso normal do ciclo operacional da entidade; (b) mantido essencialmente com o propósito de ser negociado Ativo não circulante é um ativo que não satisfaz à definição de ativo circulante.” Nesta senda, vêse que os ativos adquiridos destinados à comercialização nas operações usuais da empresa devem ser registrados no ativo circulante em conta de estoque e o produto de sua venda é classificado como receita propriamente dita. Enquanto, ativos que não comportem a sua classificação em estoque e sejam reconhecidos no ativo não circulante, quando de sua alienação podem gerar ganhos, mas que não se enquadram no conceito de receita, uma vez que não se trata de atividade usualmente praticada pela entidade. O que resta concluir que, no presente caso, as ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais ostentam a mesma natureza, bens do ativo permanente – ou seja, ativo não circulante, na nova linguagem contábil, não se sujeitando quando se sua alienação ao PIS e Cofins. Mais ainda, caso se “ignore o Código Civil” e desconsidere equivocadamente o correto registro contábil – registrando em contas do ativo circulante, proveitoso trazer, a título de “amor ao debate técnico”, que as receitas geradas na venda dessas ações ainda assim não seriam passíveis de tributação pelas contribuições – eis que não devem ser consideradas como sendo decorrentes de suas atividades próprias. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 36 35 Ora, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são pessoas jurídicas integrantes do Sistema Financeiro Nacional que, dentre outras atividades, realizam a intermediação nas operações de compra e venda de títulos financeiros para seus clientes. Nos termos da ICVM 387/03, a corretora de valores é “a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por conta de terceiros em bolsa e entidade de balcão organizado”. Além de operar com títulos e valores por conta de terceiros, as sociedades corretoras, de maneira residual, podem operar carteira própria de valores mobiliários, atuando nos mercados de bolsa e balcão. Com efeito, para que as sociedades corretoras possam operar carteira própria devem observar diversas regras estabelecidas pela CVM, por intermédio da ICVM 117/90. As sociedades corretoras que operem carteira própria devem indicar a CVM e as bolsas de valores um de seus diretores ou sócios gerentes como responsável pela operação da carteira e somente poderão aplicar na constituição e operação de sua carteira, recursos próprios. Além disso, as sociedades corretoras que operaram com carteira própria devem obedecer aos seguintes limites: · O valor da carteira própria das sociedades corretoras cujo patrimônio líquido ajustado, computado a partir de 31.3.90 na forma determinada pelas normas contidas no Plano Contábil das Instituições Financeiras do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), for inferior a 2.000.000 de bônus do tesouro nacional para fins fiscais não excederá, a qualquer tempo, 50% do valor do capital de giro dessas sociedades; · O valor da carteira própria das sociedades com patrimônio líquido ajustado superior a 2.000.000 de BTNF mas inferior a 3.000.000 de BTNF não excederá a qualquer tempo 60% do valor do capital de giro próprio dessas sociedades; Fl. 772DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 37 36 · Para as sociedades com patrimônio superior a 3.000.000 de BTNF, o valor da carteira própria não excederá a qualquer tempo 70% do valor do capital de giro próprio. Portanto, vêse que não há que se considerar “engessadamente” que a atividade da sociedade corretora seria comprar e vender ações para si própria – pois sua atividade se resume na intermediação de negociação de títulos e valores mobiliários custodiados na CBLC por ordem de compra e venda dada por seus clientes. Tanto é assim, que há várias restrições para se alocar determinado ativo em carteira própria. O que resta considerar que eventual receita da venda das r. ações recebidas em troca dos títulos patrimoniais não comporia a base de cálculo do PIS e da Cofins sob a sistemática da cumulatividade. E, no caso em questão, pesquisando no site a sociedade corretora Concórdia (https://www.concordia.com.br/segurancae regras/politicasderisco/), vêse que não opera, tampouco possui autorização, para se realizar operações em carteira própria: “[...] Por definição estratégica, a Concórdia Corretora não opera carteira própria em nenhum dos mercados. Portanto, a sua exposição ao Risco de Mercado (característico de quem assume “posições” nestes mercados) não é relevante. Os riscos de maior peso na atividade da Corretora referemse à possibilidade de inadimplência de algum dos seus clientes nas operações realizadas, e a eventuais falhas operacionais na execução de seus processos internos, respectivamente denominados como Risco de Crédito e Risco Operacional esse último incluindo também aspectos legais e de compliance. [...]” Fl. 773DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 38 37 Portanto, irrefutável a informação de que a Concórdia não atua com operações de carteira própria, portanto, os dados apresentados são referentes as transações de pessoas vinculadas a esta instituição. E, não atuando com operações de carteira própria, não há como se considerar, caso se entenda por equívoco de que à época as receitas vinculadas ao objeto social das empresas, ou seja, todas as receitas operacionais, seriam passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, a receita de alienação das ações recebidas em substituição por títulos patrimoniais como receita operacional passível de tributação pelo PIS e Cofins. Ressalto que até o advento da MP 627/13 – convertida na Lei 12.973/14, o PIS e a Cofins tinham como base de cálculo o seu “faturamento” – assim entendido como a receita de prestação de serviço (atividade fim). No caso das corretoras, cabe trazer que abrange a receita de prestação de serviço as receitas oriundas das taxas de custódia de títulos e valores mobiliários detidos por clientes e de comissões de intermediação de operações financeiras de clientes. Somente com o advento da MP 627/13 convertida na Lei 12.973/14, houve extensão da base de cálculo do PIS e Cofins para as pessoas jurídicas sujeitas à sistemática da cumulatividade (Grifos meus): “Art. 52. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3º O faturamento a que se refere o art. 2º compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. [...]” “Art. 2º O DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, passa a vigorar com as seguintes alterações: [...] “Art. 12. A receita bruta compreende: Fl. 774DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 39 38 I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. [...]” Até a edição da referida MP e respectiva lei de conversão, a receita operacional (receita vinculada ao objeto social) não compreendia a base de cálculo das pessoas jurídicas sujeitas à sistemática das contribuições, posto que, se assim não fosse, inócuo seria trazer expressamente a inclusão das “receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidos nos incisos I a III”. Nessa linha, a exposição de motivos é clara ao expor a intenção do legislador – no sentido de alterar efetivamente a base de cálculo das contribuições com o aperfeiçoamento da definição de receita bruta. Ora, o legislador foi transparente ao trazer que tal mudança “alterou” a base de cálculo daquelas contribuições, não dando caráter interpretativo. Caso tal dispositivo tivesse caráter interpretativo, somente seria assim legitimado caso se limitasse a reproduzir o conteúdo normativo interpretado – sem modificar, estender ou limitar o seu alcance. O que, no caso, não ocorreu. O legislador, de fato, ALTEROU a base de cálculo das contribuições ampliando sua base – passando a tributar pelas contribuições as receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras. Vêse que não há que se falar que não ocorreu “majoração de tributo”, com o advento da MP 627/13, nos termos do art. 97, § 1º, do CTN, in verbis: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: [...] Fl. 775DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 40 39 § 1º Equiparase à majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II, deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo [...]” O que, por conseguinte, somente após decorridos o prazo nonagesimal a que se refere o art. 195, § 6º, da CF/88 é que poderia haver a incidência de PIS e Cofins sobre a receita decorrente do objeto principal da pessoa jurídica. Não obstante a esse comentário, por se tratar de sociedade corretora de valores mobiliários, é de se atentar ainda que não se pode considerar a receita decorrente da “carteira própria” de uma corretora como sendo aquela oriunda do objeto principal, vez que o objeto PRINCIPAL de uma sociedade corretora – É A INTERMEDIAÇÃO DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. Ou seja, compra e venda títulos e valores mobiliários POR CONTA E ORDEM DE CLIENTES TERCEIROS. Considerando o exposto, entendo que não há que se falar em se tributar pelo PIS e Cofins a receita sob lide. Tanto é assim, que o próprio judiciário manifestou esse entendimento ao sujeito passivo, vez que a corretora possui decisão transitada em julgado a seu favor, conforme petição protocolizada em 1º.6.2016 e documentos acostados aos autos do processo. Houve trânsito em julgado da Ação Declaratória 2005.34.00.0166728, que lhe assegurou o direito de não se submeter ao recolhimento de PIS e Cofins pela totalidade das receitas, mas sim pelo seu faturamento. É de se trazer, diferentemente da omissão da Fazenda Nacional, que na ação declaratória de inexistência de relação jurídica foi abarcado o Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 41 40 pedido de afastamento da tributação pelo PIS e pela Cofins das receitas com operações de compra e venda de valores mobiliários realizadas por conta própria da corretora (Grifos meus): “[...] Portanto, pelas definições anteriormente aduzidas e de acordo com a própria definição do texto legal (art. 2º, caput), as receitas financeiras renda fixa ou renda variável, variações monetárias (receitas não operacionais) OU AINDA COMPRA E VENDA DE VALORES MOBILIÁRIOS E AS OPERAÇÕES DE BOLSA DE VALORES, QUANDO REALIZADAS POR CONTA PRÓPRIA CORRETORA (CAPITAL EXCLUSIVO DA SOCIEDADE E NÃO DE TERCEIROS) [...] NÃO REPRESENTAM VENDA DE MERCADORIAS E/OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, CONCEITO ESTE INERENTE A FATURAMENTO CORRESPONDENTE À ATIVIDADE DE MERCANDIA (MEDIAÇÃO, LUCRO, HABITUALIDADE). [...]” Ademais, para melhor elucidar o alcance dessa decisão que, por sua vez, manifestou procedente os pedidos da autora, segue transcrição do pedido deduzido pelo sujeito passivo na inicial, em que consta expressamente o alcance do termo faturamento sobre o qual recai a coisa julgada (fls.24/62 – Documentos diversos constantes dos autos do processo): “III – Do Pedido [...] 57. No caso das corretoras de valores, o “faturamento” consiste basicamente na prestação de serviços de “intermediação em operações de câmbio” e “administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários”, devendo todos os demais valores recebidos a título de aplicação do capital próprio ser considerado como “receita”, como por exemplo, aplicações financeiras (renda fixa ou variável), compra e venda de valores mobiliários e operações em bolsa de futuros”. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 42 41 Considerando o teor da ação e o pedido ESPECÍFICO DA AUTORA, COPIO A DECISÃO MANTIDA PELO TRIBUNAL: Vêse que a decisão mantida pelo Tribunal e que RESTOU TRANSITADA EM JULGADO EXPRESSAMENTE TROUXE “JULGO PROCEDENTES OS PEDIDOS FORMULADOS PELA AUTORA [...]”. Observo que o Recurso Especial interposto pela Fazenda à época não foi admitido e o Recurso Extraordinário foi declarado prejudicado. O que, por conseguinte, restou tal decisão de se considerar como base de cálculo do PIS e da Cofins o “faturamento”, assim entendido como aquele oriundo da prestação de serviços de “intermediação em operações de câmbio” e “administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários”, definitiva. Eis que se trata de decisão transitada em julgada: O que resta, assim, em respeito à coisa julgada, afastar a pretensão de considerar que a receita auferida pela venda dessas ações, objeto de mera substituição dos títulos patrimoniais, seriam enquadradas como receitas de suas atividades (receita operacional) – para fins de se tributálas pelo PIS e Cofins. Eis que a decisão foi clara ao definir o que seria efetivamente “faturamento” para fins de tributação pelo PIS e Cofins – ao abarcar somente a receita auferida pela prestação de serviço de intermediação em operações de câmbio e administração de carteiras e da custódia de títulos ou valores mobiliários. Ora, Fl. 778DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 43 42 evidente que, em respeito a tal decisão, somente poderseia tributar pelo PIS e Cofins O FATURAMENTO DECORRENTE DAS taxas de custódia, taxas de câmbio e comissões pela prestação dos serviços lá referidos. Não há que se falar em desrespeito a coisa julgada, sendo tal decisão imutável e indiscutível – tendo força de norma concreta e individual. O que, por conseguinte, é de se impor que a receita da alienação das ações (valores mobiliários) ora discutida não seria tributável pelo PIS e Cofins. Sendo assim, tornase impossível tributar a receita da venda das r. ações, independentemente até mesmo de seu registro contábil, pelas contribuições ao PIS e Cofins. Não há que se falar ainda em desobediência à coisa julgada que acolheu o pedido expresso feito pelo sujeito passivo qual seja, de se tributar somente as o faturamento taxas de custódia, taxas de câmbio e comissões pela prestação dos serviços de intermediação em operações de câmbio e administração de carteiras e da custódia de títulos ou valores mobiliários. É de se enfatizar ainda que não há como se entender, considerando o pedido expresso e a decisão do judiciário que estariam abarcados pela r. tributação a receita de venda de valores mobiliários, em desrespeito aos pedidos feitos na inicial e à decisão do judiciário. Vez que no pedido item 57 que foi acolhido pelo judiciário consta que a receita de venda de valores mobiliários não estaria abarcada no conceito de faturamento a ser tributado pelas contribuições. E, nos termos da Lei 6.385/76 entendese como valores mobiliários, entre outros, ações. É de se notar que, infelizmente, a Fazenda Nacional em sua manifestação nada trouxe em relação à coisa julgada apenas referendou que os valores mobiliários vendidos deveriam ser contabilizados no ativo circulante e que o STF ainda irá definir o que seria “receita decorrente de venda de mercadorias e prestação de serviços das Instituições Financerias” sem se ater que o judiciário, Fl. 779DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 44 43 para o sujeito passivo, determinou que não se poderia tributar pelo PIS e Cofins a receita decorrente da venda de valores mobiliários, independentemente de ter sido ou não contabilizada no ativo circulante. Importante ainda trazer que, caso o Colegiado entenda que tal receita deva ser tributada pelas contribuições, vêse que, conforme extrato da CVM, apenas 50% das ações Bovespa e 35% das ações BM&F foram alienadas – ou seja: · Do total de 7.655.102 ações Bovespa, foram alienadas 3.827.551; · Do total de 14.767.640 ações BM&F, foram alienadas 5.186.674. Em vista de todo o exposto, voto, especialmente em respeito à coisa julgada, por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 45 44 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Do processo denominado desmutualização da Bovespa Discordo da i. relatora quanto aos efeitos tributários decorrentes do denominado processo de “desmutualização da bolsa”. Como já me manifestei no julgamento dos processos nº 16327.000945/2010 69 (Acórdão nº 9303005.447) e 16327.721177/201242 (Acórdão nº 9303005.448), de minha relatoria, ambos julgados por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 26/07/2017, entendo que devem incidem o PIS e a Cofins sobre a receita de venda das ações recebidas em substituição aos títulos patrimoniais anteriormente detidos pela Corretora. Pois bem, mantenho os mesmos fundamentos daquelas decisões, conforme passo a explanar. A tributação pelo PIS e pela Cofins em decorrência das vendas das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A relativas ao processo denominado de desmutualização das bolsas de valores é uma matéria recorrente no âmbito do contencioso administrativo. Existem decisões antagônicas, a exemplo das decisões paradigmáticas constantes do presente recurso especial. As decisões que entendem pela impossibilidade da tributação, em apertada síntese, concluíram que o entendimento da fiscalização estava equivocado, na medida em que não houve uma devolução do patrimônio aos associados das antigas associações, mas uma cisão seguida de incorporação, em alguns casos, ou em meras trocas de ações da incorporada pelas ações da Bovespa Holding S/A.. Nessas circunstâncias, os antigos títulos patrimoniais e/ou as ações da CBLC teriam sido substituídos por ações das novas companhias e permanecem no ativo permanente, não podendo, suas vendas, serem tributadas pelo PIS e pela Cofins, por disposição expressa constante do inc. IV do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 46 45 A outra linha decisória, a qual me filio, são representadas, a título de exemplo, pelos Acórdãos nº 3302002.713, de 16/09/2014, e 3202001.178, de 24/04/2014. Por economia processual e nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto o voto condutor do voto vencedor do Acórdão nº 3202001.178, elaborado pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, utilizandoo como razão de decidir. De antemão já registramos que na conversão dos antigos títulos patrimoniais por ações das novas companhias, buscavase a disponibilização de ações da Bovespa Holding S/A aos detentores de títulos patrimoniais que, ao fim e ao cabo, pudessem ser livremente comercializadas em bolsa de valores, gerando expressivos resultados financeiros aos seus detentores. Passemos então à transcrição do voto vencedor do Acórdão nº 3202001.178 para melhor compreensão das operações efetuadas no bojo do processo de desmutualização: (...) Do objeto da controvérsia Com todo respeito ao ilustre Conselheiro Relator Gilberto de Castro Moreira Junior, divirjo de seu entendimento quanto aos efeitos jurídico tributários do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A), conforme já ficou assentado em outros julgados desta Turma (Acórdãos nº 320200.707, 3202000.713, 3202000.706 e 3202 000.711, todos julgados na sessão de 23/04/2013). A autoridade fiscal alega que os referidos direitos sobre as ações deveriam compor o “ativo circulante” e quando da venda haveria a incidência das contribuições; a Recorrente entende que deveriam ser classificados no “ativo permanente”, portanto, as receitas decorrentes da venda não sofreriam a incidência das contribuições. Três questões precisam ser analisadas para definirmos quais os efeitos jurídicotributários decorrem da desmutualização das bolsas: 1ª Se a formatação adotada nessas operações societárias encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro; Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 47 46 2º Se os títulos patrimoniais tem a mesma natureza jurídica das ações recebidas pelas corretoras no processo de desmutualização e, por conseguinte em qual grupo contábil as ações deveriam ser classificadas: Ativo Circulante ou Ativo Permanente? 3ª. E por fim, se a receita de vendas das ações recebidas pelas corretoras está sujeita a incidência do PIS e da Cofins ? Antes de posicionarmonos quanto aos efeitos jurídicos da “desmutualização” da Bovespa e da BM&F mostrase necessário compreender no que exatamente consistiu esse conjunto de operações societárias que culminou com a unificação da Bovespa com a BM&F para, ao final, restarem fundidas na BM&F Bovespa S/A. Da operação denominada “desmutualização” das bolsas Para uma melhor elucidação dos fatos ocorridos transcrevemos trechos do detalhado relato histórico constante do artigo “A Desmutualização das Bolsas de Valores e seus Efeitos Fiscais para PIS/COFINS”, de Cassio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza (publicado no livro “PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – volume 2” – coordenadores Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior. São Paulo: MP Editora, 2013), muito embora já adiantamos não concordar com as conclusões nele trazidas quanto ao efeito jurídicotributário da operação: A BM&F e a BOVESPA eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, que se enquadravam no artigo 15 da Lei n. 9.532/97. Assim, entendidos os requisitos dessa Lei, as associações eram isentas do pagamento do IRPJ e CSLL. Para que pudessem operar no mercado de capitais por meio das aludidas Bolsas, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução n. 1.655/1989). No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CBLC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto Fl. 783DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 48 47 responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007, visando à unificação de suas operações e à obtenção de lucro com as suas atividades, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. Em relação à BM&F, tal associação sofreu cisão parcial pela qual foi criada a sociedade anônima BM&F, em operação formalizada por meio do “Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da Bolsa de Mercadoria & Futuros BM&F, datado de 17 de setembro de 2007, e da “Ata de Assembleia Geral Extraordinária da BM&F S.A.”, de 20 de setembro de 2007, que aprovou a incorporação da parcela cindida do patrimônio da BM&F. Nos termos do Protocolo, a BM&F S.A. sucedeu a BM&F em todos os direitos e obrigações, bem como recebeu parcela de seu patrimônio. Por sua vez, a BM&F passou a exercer atividades de natureza assistencial, educacional e desportiva e ficou com um patrimônio residual. Em decorrência dessa operação, houve emissão de ações ordinárias da BM&F S.A., atribuídas aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F, com base no balanço patrimonial da BM&F apurado no balancete de 31 de agosto de 2007. É importante salientar que, nos termos do item 7.1 do aludido Protocolo, a operação em discussão não deu direito de retirada aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F. A BOVESPA, por sua vez, teve sua cisão aprovada por Assembleias Gerais Extraordinárias (“AGE”) realizadas em 28 de agosto de 2007, aprovando versão de parte de seu patrimônio à Bovespa Serviços e à BOVESPA HOLDING S.A. Por essa operação os direitos e obrigações da BOVESPA foram transmitidos para a Bovespa Serviços e para a BOVESPA HOLDING S.A., restando a BOVESPA (associação) com capital social residual. Na ata de AGE da BOVESPA HOLDING S.A., datada de 28 de agosto de 2007, foi aprovada a incorporação da parcela cindida da BOVESPA, nos termos do “Protocolo e Justificação da Cisão Parcial da Bolsa de Valores de São Paulo com Incorporação das Parcelas Cindidas pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CBLC”), Bovespa Serviços e Participações S.A e Bovespa Holdinda S.A.”, celebrado em 17 de agosto de 2007. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 49 48 Em outra ata de AGE, da mesma empresa e com mesma data, foi aprovada a incorporação da totalidade de ações da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. (atual denominação da Bovespa Serviços e Participações S.A.) e da CBLC. Cumpre mencionar que, nesse interregno, em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., muitas sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Além disso, grande parte das sociedades corretoras firmou, conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”). Em 14 de dezembro de 2007, foi constituída uma sociedade sob a denominação social de T.U.T.S.P.E. Empreendimentos e Participações S.A., com o objetivo social de participar em outras sociedades, como sócia ou acionista, no país ou no exterior (holding). Em 08 de abril de 2008, os acionistas dessa companhia aprovaram a alteração da sua denominação social, que passou a ser “Nova Bolsa S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008 entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A. resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: i) incorporação da BM&F S.A pela Nova Bolsa S.A., mediante versão à companhia do patrimônio líquido da BM&F; e ii) emissão de novas ações ordinárias, observando a proporção de 1 (uma) ação ordinária da Nova Bolsa S.A., para cada ação ordinária da BM&F S.A. O restante foi alocado como reserva de capital, de reavaliação, de lucros e estatutárias; Os acionistas da BM&F S.A, já na qualidade de acionistas da Nova Bolsa S.A., deliberam sobre a incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. da seguinte forma: iii) incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. pela Nova Bolsa S.A., a valor de mercado, sendo parte destinada ao capital social e o restante à formação de reserva de capital; e iv) emissão de novas ações ordinárias, na proporção de 1,42485643 ação ordinária da Nova Bolsa S.A para cada ação ordinária da BOVESPA HOLDING S.A., correspondendo a 50% das ações ordinárias da Nova Bolsa S.A. (permanecendo os outros 50% sob titularidade da BM&F S.A.) e novas ações preferenciais que foram Fl. 785DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 50 49 entregues aos acionistas da BOVESPA HOLDING S.A.. As ações preferenciais foram resgatadas contra reserva de capital sem redução social da Companhia. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. (negritamos) Muito bem. Elucidadas as operações societárias ocorridas, passemos a análise e compreensão de seus efeitos à luz do nosso ordenamento jurídico. (...) Pois bem, passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Se os títulos patrimoniais até então possuídos pela Corretora Concórdia eram necessários para que pudesse exercer sua atividade de operar nas bolsas, correta está sua caracterização como Ativo Permanente em função do princípio da continuidade. Entretanto, o mesmo não acontece com as ações recebidas na desmutualização, que são valores mobiliários ordinários, possuindo características distintas daquela, uma vez que não era mais necessário deter a posse dessas ações para que a empresa operasse em bolsa. Essas ações representam papéis negociáveis, e justamente por isso puderam ser vendidas pelo Banco. Neste sentido, vejamos o que dispõe o artigo 179 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A), que trata da matéria: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 51 50 com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; O fato relevante nessas operações é que as ações recebidas deveriam ser classificadas no ativo circulante, uma vez que se referiam a direitos realizáveis no próprio curso do exercício social em que foram recebidas. Isto porque, a Bovespa Holding S.A. foi criada em agosto de 2007 e as vendas das ações recebidas em conversão dos títulos patrimoniais foram efetivadas no mesmo ano de 2007. Desse modo, não há como acatar a tese da Recorrente de que as ações recebidas deveriam ser classificadas no Ativo Permanente. No meu entender, não resta a menor dúvida que havia a intenção de negociar parte das ações recebidas no curso do ano subsequente, na verdade no curso do próprio ano de 2007, como efetivamente o foram apenas poucos meses após data de criação da Bovespa Holding S.A. Ademais, são fatos notórios, amplamente divulgados ao público em geral, a criação da Bovespa Holding S.A. em agosto de 2007 e a Oferta Pública Inicial das ações em outubro de 2007, conforme pode ser atestado, a título ilustrativo, no informativo publicado na “Revista Bovespa” (site www.bmfbovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/104/Capa.shtml), em trechos abaixo transcritos: Com o IPO, a Bolsa é a notícia. Seguindo à risca um cronograma rígido, a Bolsa de Valores de São Paulo transformouse em sociedade anônima em 28 de agosto de 2007, com o nome de Bovespa Holding S.A., tornouse uma empresa de capital aberto em 23 de outubro, incluída no Novo Mercado da própria Bolsa e três dias depois seus papéis – todos eles ordinários e nominativos – começaram a ser negociados. Foi uma estreia e tanto: mais de 50% de valorização no primeiro pregão, reflexo do interesse de investidores locais e internacionais. Mais do que a maior emissão do ano e recorde histórico no País, no montante de R$ 6,625 bilhões, a oferta pública inicial – também chamada de IPO (Initial Public Offering) – pode desde já ser batizada de a mais importante mudança nos 117 anos de história da instituição. (...) Assim, um ano e meio depois de começar efetivamente a desenvolver o projeto, dois meses após o pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e encerrado um frenético roadshow de 16 dias pelo mundo, a Bovespa concluiu o processo de abertura de seu capital. A Bovespa Holding estreou no pregão exibindo conquistas que fazem justiça a todos os obstáculos dessa Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 52 51 caminhada, permeada de minuciosos estudos, intensas negociações e acurada vigilância dos cenários macro, locais e globais. O IPO da Bolsa – como foi apelidado pela imprensa – não poderia ter sido mais bemsucedido. Foram colocadas no mercado 288 milhões de ações a um preço de emissão de R$ 23,00, o que propiciou uma captação de R$ 6,625 bilhões (cerca de US$ 3,7 bilhões), a maior da história no Brasil e a quinta do mundo, em 2007 (no topo do ranking global do ano, está a Petrochina, que levantou US$ 8,5 bilhões e estreou no começo de novembro em Xangai). A operação da Bovespa Holding representou mais que o dobro da captação da Ali Baba, empresa de internet chinesa, que ocorreu no mesmo período – equipes de ambas, por sinal, cruzaramse em Nova York, por conta dos roadshows simultâneos. Mas teve para a Bovespa ingredientes ainda mais saborosos: colocou 40,8% do capital no mercado, despertou o interesse de quase 70.000 investidores pessoas físicas (objeto de atenção especial), que ficaram com 10% do total ofertado, ao lado dos investidores institucionais brasileiros (20%) e estrangeiros (70%, porcentual em linha com os IPOs precedentes); a Bolsa de Nova York, por exemplo, levou 1%. Mais ainda, desconcentrou o capital: o maior acionista ficou com apenas 4,3% do capital da Bovespa. No dia da estreia em pregão, a ação da Bovespa Holding fechou cotada a R$ 34,99, uma alta de 52,13%. Foi “um dia de glória, sucesso e realização”, resumiu Magliano Filho, presidente da Bovespa conduzido à presidência do Conselho de Administração da nova empresa. O IPO representou um momento culminante da estratégia de ampliação da base acionária – combinada com a popularização do mercado que democratiza o capital – iniciada no começo da década, quando Magliano assumiu o comando da entidade. (...) Já em meados deste ano, depois de dezenas de estudos, projeções, reuniões e conversações, ficou pronta a proposta. No dia 28 de agosto passado, realizouse a assembleia que aprovou por unanimidade a desmutualização e a consequente abertura de capital, incluídas todas as condições para a oferta pública e seu respectivo prospecto. Foram 3 horas e meia de uma reunião fatiada, na verdade, em sete assembleias, dada a agenda específica a ser cumprida. No dia seguinte, 29, a Bolsa apresentava à CVM o pedido de registro de companhia aberta para a Bovespa Holding acompanhado da solicitação da oferta pública (IPO). Em face de todos os elementos probantes acima citados, assim como em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, é de se concluir que o sujeito passivo obteve, em substituição dos títulos patrimoniais, ações da Bovespa Holding com explícita finalidade (ou compromisso) de posterior alienação. E que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007). Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 53 52 Reforça, ainda, este entendimento o Parecer Normativo CST nº 108/78, editado para dirimir dúvidas quanto à classificação de determinadas contas (embora tratando especificamente sobre os efeitos da correção monetária do balanço, à época exigida), verbis: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa' (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior." (grifamos) Destarte, como já explanado, a meu ver, a questão relevante para o deslinde do presente caso é o fato de que no período anterior a desmutualização era condição obrigatória que as pessoas jurídicas detivessem títulos patrimoniais da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA para poderem operar nestas instituições. Entretanto, após o processo de desmutualização já não havia mais tal exigência, de modo que tais pessoas jurídicas podiam dispor livremente das ações recebidas uma vez que tais ativos passaram a representar valores mobiliários negociáveis em bolsa de valores. Dos efeitos jurídicotributários da operação de venda das ações Como relatado, as operações societárias foram conduzidas de modo a resultar na criação, cisão, incorporação e extinção de empresas, de acordo com suas conveniências negociais. Entretanto, as convenções e os contratos particulares não têm o condão de vincular os efeitos tributários decorrentes dessas operações, em homenagem ao princípio da legalidade. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 54 53 Muito embora as operações societárias que resultaram na desmutualização das Bolsas tenham sido engendradas pelos partícipes das referidas entidades com a finalidade de maximizar a obtenção de lucro decorrente das receitas auferidas com as vendas das ações recebidas, como já argumentado, tais operações livremente convencionadas entre as partes não têm o condão de ser opostas à Fazenda Pública no tocante à definição dos efeitos tributários ou da exclusão ou modificação de sua responsabilidade pelo pagamento dos tributos, ex vi dos arts. 109 e 123, ambos do CTN. Desse modo, tais operações, efetuadas em descompasso com ordenamento jurídico tributário, mais especificamente os artigos 109 e 123 do CTN, não podem produzir os efeitos jurídicotributários almejados, qual seja a não incidência das contribuições para o PIS e para a Cofins. Ressaltese que não se está aqui pretendendo desconsiderar os negócios jurídicos, mas apenas aplicando os efeitos jurídicotributários previstos na legislação de regência da matéria. As ações recebidas em substituição pela Recorrente, em função do processo de desmutualização, devem ser classificadas no Ativo Circulante, como já demonstrado linhas atrás. Por conseguinte, as receitas obtidas com a alienação dessas ações constituem receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica, sujeita à incidência do PIS e da Cofins, como passamos a demonstrar. Já restou assentado no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF pelo STF que o faturamento referese a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza” (trecho do voto do Ministro Moreira Alves). Pois bem. As ações, no caso da Corretora de Valores, são os bens/mercadorias objeto das operações de compra e venda, portanto, a receita de venda destes bens/mercadorias enquadrase perfeitamente nas definições dos dispositivos supramencionados, devendo ser considerada como receita bruta/faturamento destas empresas. A Concórdia é uma corretora de valores mobiliários que tem como objeto social, entre outras, comprar e vender títulos e valores mobiliários, por conta de terceiros ou por conta própria, conforme se pode depreender do artigo 3º de seu Estatuto Social (anexado à folha 25/ss), verbis: Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 55 54 ARTIGO 3° A Sociedade tem por objeto: a) operar, com exclusividade, no recinto ou em sistema mantido pelas Bolsas de Valores; b) comprar e vender títulos e valores mobiliários; por conta de terceiros ou por conta própria, observada a regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo Banco Central do Brasil; c) encarregarse da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários; d) Intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado; (...) Como se vê uma das atividades empresariais, típicas, do sujeito passivo é exatamente a compra e venda de ações, por conta de terceiros e por conta própria. O contribuinte alega, entre outras coisas, que essas vendas não se constituem em atividade operacional, pois o contribuinte não opera habitualmente com operações mobiliárias em carteira própria. Porém o fato de ele não operar com habitualidade e nem estar credenciado junto à CVM para exercer tal intuito, não afasta o caráter operacional da atividade econômica prevista como objeto social em seu estatuto social. Na verdade, tratase de uma atividade operacional na qual o contribuinte, por decisão, provavelmente de cunho gerencial, optou por não exercêla. Nada impede que o faça e, fazendono, como no presente caso, indubitavelmente tratase de operação incluída em seu objeto social, resultando daí uma receita de natureza operacional. Esta característica das corretoras, inclusive, está prevista expressamente no artigo 2º da Resolução nº 1.655/89 do Conselho Monetário Nacional, verbis: Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedade autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. Assim, não há como concordar com a i. Relatora quando afirma em seu voto que a Concórdia “não atua com operações de carteira própria”. Tanto pode operar com carteira própria que tal atividade consta expressamente de seu Estatuto Social (vide fls. 25/ss). Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 56 55 Deste modo, as receitas auferidas pela alienação das ações da Bovespa Holding S.A. de sua titularidade (venda de ações de terceiros que deveriam estar escrituradas no ativo circulante), decorrentes de atividade típica da Recorrente devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, tanto pela caracterização destas operações como “vendas de mercadorias”, que compõem o seu faturamento, conforme dispõem o caput, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, como pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Os mencionados §§ 5º e 6º dispõem que as exclusões seriam as mesmas do PIS, previstas na Lei nº 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Da ação declaratória ajuizada pelo sujeito passivo e a coisa julgada Em relação à petição do sujeito passivo, que trouxe aos autos a notícia do trânsito em julgado da decisão proferida em Ação Declaratória nº 2005.34.00.0166728, pleiteando a extinção dos débitos de COFINS discutidos nos presentes autos por força dessa decisão judicial, a meu ver, nada interfere na solução do litígio administrativo. Como destacou a Procuradoria da Fazenda Nacional, o próprio acórdão que julgou os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional já consignou a delimitação da lide posta em julgamento no recurso especial fazendário, que nada diz respeito à discussão acerca do alargamento da base de cálculos das contribuições para o PIS e para a COFINS. Isto porque, ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. No recurso extraordinário 401.348, o Ministro Cezar Peluso em decisão monocrática deu provimento ao recurso para que não incluísse na base de incidência do PIS, receita estranha ao seu faturamento, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 57 56 pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(Grifei) Já no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR, o mesmo Ministro Cezar Peluso esclareceu o seu entendimento a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas.” (Grifei) (...) “Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.” (Grifei) Extraise dos entendimentos acima exarados que a declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão somente aquelas vinculadas ao exercício de sua finalidade institucional. Ou seja, aquele conceito antigo de que faturamento restringese a emissão de faturas estaria ultrapassado. Portanto, a venda de ações constitui uma das operações usuais típicas de uma corretora, como é o caso do sujeito passivo autuado. Dessa forma, o seu faturamento, já delineado nos termos retro expostos, configura base de cálculo do PIS e da Cofins nos termos previstos na Lei nº 9.718/98, sem qualquer afetação quanto à declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF em relação ao § 1º do art. 3º da referida lei. Entendo que o citado processo judicial não tem identidade de matéria com a discutida nestes autos, não havendo óbice para o julgamento do litígio na esfera administrativa. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 58 57 Na Ação Declaratória nº 2005.34.00.0166728, com trânsito em julgado, a interessada obteve o reconhecimento do direito de sujeitarse à incidência do PIS e da Cofins tomando como base de cálculo o faturamento (o produto exclusivamente da venda de mercadorias, prestação de serviços ou da combinação de ambas), e não sobre a totalidade das receitas, conforme informado pela Patrono do sujeito passivo (vide folha 636). Contudo, na referida ação judicial a Recorrente nada alegou quanto ao tratamento dado aos títulos e valores mobiliários, não adentrando, portanto, no mérito se se tratam de “mercadorias”. Tais fatos podem ser constatados pela simples leitura do Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região, anexado às folhas 668 a 696. Assim, a discussão se tais receitas na alienação de ações representam ou não faturamento é exclusiva do presente processo administrativo, não se configurando concomitância de processos ou mesmo ofensa a coisa julgada. Em conclusão, não há qualquer ofensa a coisa julgada. A decisão do STF bem como a decisão proferida na Ação Declaratória nº 2005.34.00.0166728 não têm repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, que não foram declarados inconstitucionais. Estes artigos preveem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 59 58 Declaração de Voto Conselheiro Demes Brito Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de todos os fundamentos. Na ocasião do julgamento, acompanhei pelo provimento do apelo em razão do provimento judicial nº 2005.34.00.0166728, que assegurou o direito da Contribuinte de não se submeter ao recolhimento do PIS e COFINS pela totalidade das receitas, mas sim pelo faturamento. Ressalto que o provimento judicial foi específico e conclusivo quanto a exclusão das receitas. Em respeito a coisa julgada e a decisão judicial dou provimento ao Recurso da Contribuinte. Contudo, entendo que as operações de desmutualização devem ser tributadas, nos termos do acórdão 9303004.232, de 11 de agosto de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2007, 31/12/2007 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BANCOS.VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16327.000209/201019 Acórdão n.º 9303005.490 CSRFT3 Fl. 60 59 mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora) e Tatiana Midori Migiyama, que não o conheceram e, no mérito, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demes Brito. Neste termos, em respeito a coisa julgada dou provimento ao Recurso da Contribuinte. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 796DF CARF MF
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