Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10215.720639/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO SE APLICA. MATÉRIA SUMULADA.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. RESPONSABILIDADE . ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA.
O proprietário responde pela incidência do imposto sobre o imóvel declarado enquanto não transferida a propriedade.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ADA GLOSA.
A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA).
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. POSTERIOR AO FATO GERADOR. GLOSA.
Cabe a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada/reserva legal somente quando averbadas à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO SE APLICA. MATÉRIA SUMULADA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. RESPONSABILIDADE . ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA. O proprietário responde pela incidência do imposto sobre o imóvel declarado enquanto não transferida a propriedade. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ADA GLOSA. A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. POSTERIOR AO FATO GERADOR. GLOSA. Cabe a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada/reserva legal somente quando averbadas à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10215.720639/2009-90
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5439410
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2201-002.626
nome_arquivo_s : Decisao_10215720639200990.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10215720639200990_5439410.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5850085
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703058907136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2118; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10215.720639/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.626 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2014 Matéria ITR OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente SERRARIA TAPAJOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO SE APLICA. MATÉRIA SUMULADA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. RESPONSABILIDADE . ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA. O proprietário responde pela incidência do imposto sobre o imóvel declarado enquanto não transferida a propriedade. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ADA GLOSA. A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. POSTERIOR AO FATO GERADOR. GLOSA. Cabe a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada/reserva legal somente quando averbadas à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 06 39 /2 00 9- 90 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi expedida a Notificação de Lançamento por falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2004 (fl. 5), relativo ao imóvel rural Terra Preta e Serrinha, NIRF 4.411.5539, localizado no município de Prainha (PA). A autuação se refere à glosa das áreas de preservação permanente (2.556,0 ha) e de reserva legal (20.448,0 ha), além do arbitramento do Valor da Terra Nua, que passou de R$ 90.000,00 (R$ 3,52/ha) para R$ 472.348,80 (R$ 18,48/ha), apurandose o imposto de R$ 92.669,76, com multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem juros de mora. A contribuinte apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim relatados no acórdão recorrido (fls. 77 a 84): de início, discorre sobre o procedimento fiscal, do qual discorda, pela glosa das áreas ambientais declaradas, destinadas à preservação do meio ambiente; a isenção do ITR, para essas áreas de preservação permanente e de reserva legal, independe de prévia comprovação, sendo o ADA desnecessário; ainda assim, 80% da área do imóvel está devidamente averbada como reserva legal, em obediência à legislação ambiental; o valor arbitrado não condiz com a realidade do imóvel, conforme laudo técnico, elaborado por profissional habilitado e trazido aos autos, comprovando também as áreas de reserva legal e preservação permanente; transcreve parcialmente a legislação de regência, acórdãos do STJ e do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, para referendar seus argumentos. Ao final, demonstradas a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, requer seja considerada procedente na totalidade sua impugnação, com o cancelamento do débito fiscal reclamado. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), por unanimidade de votos, consideraram o lançamento procedente. Cientificada em 13 de fevereiro de 2013 (fl. 90), a contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 12 de março de 2013 (fls. 91 a 103), no qual alega: a) prescrição intercorrente; b) desnecessidade do ADA para fins de comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente c) bloqueio da matrícula da propriedade em 14 de junho de 2006 e cancelamento em 08 de setembro de 2010. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Prescrição intercorrente Quanto à prescrição intercorrente, basta dizer que essa polêmica foi encerrada neste Conselho com a edição da Súmula CARF nº 11, que assim dispõe: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Cancelamento da matrícula do imóvel A contribuinte argui que não pode ser atribuído o fato gerador do imposto, uma vez que a matrícula do imóvel fora bloqueada em 14 de junho de 2006 e cancelada em 08 de setembro de 2010. Nos autos foram juntadas as seguintes certidões, emitidas a pedido verbal da parte interessada: a) Do Cartório Único de Ofício de Prainha (PA), de 2 de outubro de 2009, do, certificando que o imóvel rural denominado de "Terra Preta e Serrinha", registrado sob o n° 19, às fls. 19 do Livro 02A, matrícula 069, fls. 66 do Livro ata n° 02, anteriormente utilizado como livro de registro de imóveis, transportado para o Livro n° 02A, teve o bloqueio da matrícula determinado pela Corregedoria de Justiça do Estado em 31 de janeiro de 2006, por força da Portaria nº 44/2006, desta Comarca, de 14 de julho de 2006 (fl. 37); e b) Do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Monte Alegre (PA), de 19 de junho de 2001, certificando que o Mandado Judicial de 23 de abril de 1981, assinado pelo Juiz Federal Dr. Anselmo de Figueiredo Santiago, retifica o Mandado de 5 de maio de 1972, cuja área desapropriada em favor do INCRA seria de 36.000 hectares e não de 87.120 hectares. Os documentos acostados não certificam se a propriedade foi integralmente desapropriada antes do fato gerador, ou se a área declarada é remanescente da desapropriação, já que os quantitativos são divergentes. Na DITR a área declarada da propriedade é de 25.560,0 hectares, enquanto na desapropriação ratificada em 1972 a área era de 36.000,0 hectares. De qualquer forma, apesar de contestar, a contribuinte não juntou aos autos novas provas que confirmasse a afirmação de que a área declarada não estava em seu poder em 2005, ano em que apresentou a declaração de ITR. E, neste caso, entendese que a propriedade, pelo menos em 2005, pertence à contribuinte e deve ser submetida à tributação. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 4 5 Mesmo que o bloqueio ocorrido em 31 de janeiro de 2006, por determinação da Corregedoria de Justiça do Estado do Pará, seja por motivos de desapropriação, e que posteriormente tenha havido de fato o cancelamento da matrícula do imóvel, de acordo com o § 1°, do art. 1º, da Lei n° 9.393/96, o ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Assim, como sequer há nos autos as razões do bloqueio feito em 2006, ocorrido posteriormente ao fato gerador, está correta a apuração do imposto sobre a propriedade em nome da proprietária, em relação ao exercício 2004. Áreas de preservação permanente e reserva legal O contribuinte contesta a exigência do ADA para as áreas de preservação permanente e reserva legal. Não questionou no recurso voluntário a avaliação do VTN. Quando se trata de isenção, é de responsabilidade do interessado a prova para sua concessão, conforme determina a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifos nossos) [...]. Nos tributos cujo lançamento se efetiva por homologação, que é o caso do Imposto Territorial Rural, a responsabilidade pela prestação das informações sobre a matéria de fato é do sujeito passivo. Para o ITR essa obrigatoriedade está disciplinada nos artigos 8º e 10 da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Nos termos do § 1º e 7º, artigo acima transcrito, com redação estabelecida pela Lei n.º 11.428, de 22 de dezembro de 2006, é possível a exclusão das áreas de preservação permanente e de interesse ecológico, conforme se observa a seguir: Art. 10. [...]. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifos nossos). Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Ao contrário, impõe ao beneficiário do ônus da prova. Especificamente em relação às áreas de preservação permanente, temse que a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 1981, é exigida a apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (grifos nossos). Assim, resta claro que a partir do exercício 2001 a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente. Compulsando os autos, observase que não foi juntado o ADA para as áreas glosadas, fato confirmado pelo contribuinte ao argumentar a desnecessidade do ato para a comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente, implicando descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Por esse motivo, o lançamento, nesse item, deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Em relação às áreas de reserva legal, temse a exigência da averbação à margem da matrícula do imóvel, que foi inserida no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 1965 – o Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 5 7 chamado Código Florestal –, pelo artigo 1º da Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, in verbis: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: [...] § 8º A área de reserva local deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A averbação da Reserva Legal no registro de imóveis, nos termos da Lei de Registros Públicos (Lei n.º 6.015/1973, art. 167, inciso II, n.º 22), deve ser prévia, como decidido pela Primeira Sessão do STJ no EREsp n.º 1.027.051 (rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013). Nos termos do voto do relator, “a inércia do proprietário em não registrar a reserva legal de sua propriedade rural constitui irregularidade e, como tal, não pode ensejar a aludida isenção fiscal, sob pena de premiar contribuinte infrator da legislação ambiental.” A recorrente anexou uma Certidão de Averbação do Cartório Franco de Registro de Imóveis, de Prainha (PA), informando que, a pedido verbal da interessada, foi feita em 7 de abril de 2004 na “Matricula nº 069/2000, às fls. 66, do livro n° 3A, [...] a averbação da reserva legal equivalente a 80% (oitenta por cento) da área do imóvel em cumprimento à legislação ambiental vigente”. Entretanto, como a certidão do Cartório registra a averbação em 7 de abril de 2004, data posterior ao fato gerador do imposto, ocorrido em 1º de janeiro de 2004, também deve ser mantida a exigência fiscal em relação à glosa das áreas de reserva legal. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005400/00-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1990
PEDIDO RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA
O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao voluntário, reconhecendo-se a decadência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos em suas fundamentações os conselheiros Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator) e Maria de Fátima Oliveira Silva, que entenderam que no caso concreto, o marco inicial da decadência seria a data do pagamento dos tributos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adélcio Salvalágio.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício e Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator), Francisco José Barroso Rios e Luis Cláudio Farina (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
Nome do relator: Relatorf
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1990 PEDIDO RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10314.005400/00-50
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450365
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-000.192
nome_arquivo_s : Decisao_103140054000050.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Relatorf
nome_arquivo_pdf_s : 103140054000050_5450365.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao voluntário, reconhecendo-se a decadência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos em suas fundamentações os conselheiros Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator) e Maria de Fátima Oliveira Silva, que entenderam que no caso concreto, o marco inicial da decadência seria a data do pagamento dos tributos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adélcio Salvalágio. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício e Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator), Francisco José Barroso Rios e Luis Cláudio Farina (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 15 00:00:00 UTC 2010
id : 5886165
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703062052864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2141; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 176 1 175 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.005400/0050 Recurso nº 341.749 Voluntário Acórdão nº 3802000.192 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de março de 2010 Matéria Auto de infração aduaneiro Recorrente Marcelo Romeiro dos Reis. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1990 PEDIDO RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso ao voluntário, reconhecendose a decadência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos em suas fundamentações os conselheiros Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator) e Maria de Fátima Oliveira Silva, que entenderam que no caso concreto, o marco inicial da decadência seria a data do pagamento dos tributos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Adélcio Salvalágio. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício e Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima (relator), Francisco José Barroso Rios e Luis Cláudio Farina (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 54 00 /0 0- 50 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tendo sido designado como redatora ad hoc nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e dada a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O Contribuinte supraqualificado foi cientificado em 01/12/2003, fls. 34, da Decisão da Seção de Orientação e Análise Tributária da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP (DECISÃO/SAORT106/2003/IRF/SPO), fls. 32, 33, através do qual o Inspetor da citada Unidade, após apreciar o Pedido de Restituição dos valores pagos do Imposto de Importação – II e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e multa, fls. 10/12 (pagamentos referentes a Pedido de Regularização de Veículo, situação em que tal Pedido de Regularização foi indeferido e o Veículo foi apreendido, fls. 24), concluiu pelo indeferimento do Pedido de Restituição. Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: O Interessado apresentou, às fIs. 10, Pedido de Restituição de valores recolhidos em 10/05/1990, a título de II e IPI e multa referentes ao Pedido de Regularização de veículo no processo 10880.027175/8800. Os tributos foram pagos indevidamente, visto que não foram utilizados na regularização do veículo, pois o Pedido não foi deferido na esfera administrativa nem na judicial, tendo sido o veículo apreendido. O Pedido inicial de Restituição fora protocolizado em 08/02/1999, tendo sido o processo arquivado por falta de interesse do Postulante que não apresentou os documentos solicitados. Em 12/12/2000, foi protocolizado o presente processo, sendo desarquivado o de nº 10880.027175/8800. Conforme o artigo 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), o Sujeito Passivo tem direito, independente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: “I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da 1egislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. II .................................................” Todavia, devido ao disposto pelo Ato Declaratório 96, de 26/11/1999, fls. 33, o direito do Contribuinte à repetição do indébito está inequivocadamente decaído, conforme decidido pelo Acórdão DRJ/SPO 8, de 19/10/2001. Inconformado com a DECISÃO/SAORT/IRF/SPO, fls. 32, 33, da qual fora cientificado em 01/12/2003, fls. 34, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 29/12/2003, fls. 35/51, solicitando a restituição dos valores pagos do II e IPI, e demais acréscimos recolhidos, requerendo seja reformada a citada DECISÃO, incluindo o afastamento da alegação de decadência, a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, a apresentação de novos documentos, realização de diligências, perícia técnica e as demais que forem necessárias, argumentando em síntese: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Acórdão n.º 3802000.192 S3TE02 Fl. 177 3 A propositura do Pedido de Restituição estava a depender da solução de outro processo administrativo e de um processo judicial, que tratava da regularização do veículo, pois apenas com o indeferimento do Pedido de Regularização restou exteriorizado o indébito. Por tal motivo, no período que tramitou o processo judicial, cuja Decisão transitou em julgado em 07/12/1994, não corria o prazo decadencial, o qual se iniciou nessa data. Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, processo 10314.000659/9818, antes do transcurso de cinco anos do trânsito em julgado da Decisão Judicial, o Pedido não se encontra decaído. O processo administrativo 10880.027175/8800, cujo protocolo data de 12/08/1988, trata do Pedido de Regularização de automóvel de origem estrangeira, fundamentado pelo DecretoLei 2.446, de 30/06/1988. Tal DecretoLei possibilitava a regularização fiscal de bens de origem ou procedência estrangeira, que tivessem ingressado no território até a data de sua publicação, ou seja, 1º/07/1988, fls. 37, 38. O Pedido foi instruído com o recolhimento dos impostos realizados em 30/09/1987, acrescidos de encargos financeiros, de acordo com o art. 2º, § 1º, do DecretoLei 2.446, fls. 38, dados constantes às fls. 27 do processo administrativo 10880.027175/8800, verificado que o Requerente procedeu ao recolhimento da complementação dos tributos em 10/05/1990. Não obstante, o Pedido de Regularização foi indeferido pela Autoridade Administrativa, pelo que o Contribuinte ingressou com Ação Judicial. Ao final, o Superior Tribunal de Justiça julgou improcedente as Ações, tendo o Acórdão sido publicado no Diário da Justiça em 31/10/1994 e transitado em julgado em 07/12/1994, o que teve como conseqüência a aplicação da pena de perdimento do veículo. Devido ao indeferimento da regularização fiscal do veículo, em 08/02/1999 o Requerente ingressou com Pedido de Restituição dos impostos pagos com tal finalidade, porque o Pedido de Restituição dependia da conclusão dos processos administrativos e judiciais que visavam a regularização do veículo, a qual restara concluída em 11/12/1998, com a apreensão do mesmo. Sem a definição a respeito do Pedido de Regularização do veículo, não era possível o Pleito da restituição dos tributos com tal finalidade, conclusão ratificada por Acórdãos do Conselho de Contribuintes, fls. 40/47, e à luz dos arts. 156, 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Deste modo, como a contagem do prazo decadencial iniciou em 07/12/1994, data do trânsito em julgado da Ação Judicial, o Contribuinte tinha até 07/12/1999 para realizar o protocolo. Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, tal protocolo foi feito antes do transcurso do prazo de cinco anos, pelo que não se encontra decaído, o que implica a reforma da Decisão proferida pelo Inspetor da Receita Federal. Mister se faz salientar, ainda, que, além dos tributos, de acordo com o parágrafo 1º do artigo 2º do DecretoLei em questão, foram recolhidos encargos financeiros de valor equivalente ao veículo, cuja natureza, à evidência, é sancionatória, caracterizando, portanto, uma duplicidade de penalidade, tendo em vista a aplicação da pena de perdimento. O Pedido de Restituição, protocolado em 8 de fevereiro de 1999, não se encontra decaído, pois foi protocolado antes do transcurso do prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão proferida Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 nos autos da Ação Ordinária 92.00.012566, que ocorreu em 7 de dezembro de 1994. O prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial findava em 7 de dezembro de 1999 e o Pedido de Restituição foi protocolado em 8 de fevereiro de 1999. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacifica no sentido de que a contagem do prazo decadencial iniciase da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial. O Pedido de Restituição não poderia ser protocolado antes do julgamento definitivo do Pedido de Regularização fiscal do veículo, que se deu com o trânsito em julgado da Decisão Judicial, tendo em vista que foi a partir desse momento que houve a exteriorização do indébito. Com o indeferimento do Pedido de Regularização fiscal do veículo, OS tributos recolhidos tornaramse indevidos, devendo, portanto, serem restituídos. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0812449 de 11/12/2007, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1990 PEDIDO RESTITUIÇÃO. INSTITUTO DECADÊNCIA. O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1990 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência/perícia quando estas se revelam prescindíveis. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não compete à Autoridade Administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida. O julgamento foi no sentido de indeferir pedido de restituição, reconhecendo a decadência do direito creditório do pedido de restituição. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta pelo afastamento da decadência e que seu pedido não está decaído. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Acórdão n.º 3802000.192 S3TE02 Fl. 178 5 O processo digitalizado foi distribuído ad hoc para formalização do voto a esta Conselheira. É o Relatório Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano Damorim, redatora ad hoc designada para formalizar a decisão, uma vez que o Conselheiro Designado para redigir o voto vencedor Adélcio Salvalágio, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O recorrente, em 08 de fevereiro de 1999 apresentou o Pedido de Restituição de fl. 10, solicitando restituição de valores, segundo este, indevidamente recolhidos,a título de II e IPI e multas referentes ao Pedido de Regularização de veículo de procedência estrangeira, o que culminou com a apreensão do mesmo. Inicialmente, em sede de preliminar, analisase a questão do prazo para pleitear o seu pedido de restituição. Ressalvado o meu entendimento pessoal – no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso – reproduzo, abaixo, o voto objeto da decisão de primeira instância, já que inexiste qualquer memória sobre o julgamento do feito por este Conselho e que coincide com o resultado de negar o provimento, tendo em vista o reconhecimento da decadência. A Defesa apresentou em síntese os argumentos/questões a seguir descritos: Além dos tributos, foram recolhidos encargos financeiros de valor equivalente ao veículo, cuja natureza, à evidência, é sancionatória, caracterizando, portanto, uma duplicidade de penalidade, tendo em vista a aplicação da pena de perdimento. O Pedido de Restituição, protocolado em 8 de fevereiro de 1999, não se encontra decaído, pois foi protocolado antes do transcurso do prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão proferida nos autos da Ação Ordinária 92.00.012566, que ocorreu em 7 de dezembro de 1994. O prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial findava em 7 de dezembro de 1999 e o Pedido de Restituição foi protocolado em 8 de fevereiro de 1999. Ao se apreciarem tais argumentos/questões, verificase inicialmente que a questão em análise cuida da extinção do prazo para pleitear a restituição de indébito e antecede, inclusive, ao eventual mérito quanto ao exame do Pleito sob o aspecto da constitucionalidade, ou não, da norma que amparava a exação hostilizada. Outrossim, o Ato Declaratório da Receita Federal (AD SRF 96/1999), a teor do Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN/CAT) 1.538/1999, é cristalino ao dispor que, inclusive, na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, o prazo para que o Contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso de 5 (cinco) anos, contados da data da Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 extinção do crédito tributário – arts. 165, I, e 168, I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). No caso concreto, o crédito objeto do Pedido de Restituição, protocolizado em 08/02/1999, referese a pagamentos efetuados em 10/05/1990, pelo que estava, inequivocamente, decaído o direito do Contribuinte à repetição de indébito, pois já foram ultrapassados os cinco anos, de conformidade com o explicitado pelos artigos (arts.) 165 e 168, do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcritos: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” Ressaltese que, conforme ensinamento do tributarista Hugo de Brito Machado, ao comentar o supratranscrito art. 165 do CTN, as duas primeiras hipóteses referemse a tributos pagos sem que tenha havido litígio a respeito. A primeira, a rigor, abrange a segunda, pois na verdade se o indébito resultou de erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota, no cálculo, ou na elaboração de qualquer documento relativo ao pagamento do tributo, inegavelmente houve pagamento indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Já a terceira hipótese diz respeito aos casos em que o sujeito passivo pagou em face de decisão condenatória. Questionou e perdeu. Diante da decisão que o condenou ao pagamento, pagou. Mas continuou questionando e finalmente conseguiu o desfazimento daquela decisão. O CTN referese a reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Para efeitos práticos não importa a distinção entre esses diversos modos de desfazimento da decisão, pois conduzem ao mesmo resultado que é o de ensejarem a restituição do indébito. Não custa, porém, esclarecer o sentido de cada uma dessas expressões. Há reforma quando o desfazimento se dá por decisão de órgão superior, com exame de mérito; anulação, quando apenas por vício formal; revogação, quando o próprio órgão prolator da decisão modifica, em face de recurso que admita retratação; e finalmente, há rescisão quando a decisão já havia transitado em julgado e é desfeita mediante ação rescisória. Como a questão apreciada não se caracterizou como a terceira hipótese, pois não ocorreu reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o prazo de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguiuse após o transcurso de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário – arts. 165, I, e 168, I, e não 165, III, do CTN, considerando ademais que a Ação Judicial com que ingressou a Defesa referiuse à Regularização do Veículo e não a Pedido de Restituição. Pelos motivos supradescritos, descabem os argumentos apresentados pelo Contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade de fls. 35/51, inclusive de que, como a contagem do prazo decadencial teria sido iniciada em 07/12/1994, data do trânsito em julgado da Ação Judicial, o Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Acórdão n.º 3802000.192 S3TE02 Fl. 179 7 Contribuinte teria até 07/12/1999 para realizar o protocolo, e de que, à luz dos arts. 156, 165 e 168 do CTN, como o Pedido de Restituição fora protocolado em 08/02/1999, tal protocolo teria sido feito antes do transcurso do prazo de cinco anos, pelo que não se encontraria decaído, o que implicaria a reforma da Decisão proferida pelo Inspetor da Receita Federal. Alternativamente, considerando o lançamento por homologação (CTN, art. 150, § 4º), a extinção do crédito, por previsão expressa do CTN, ocorre quando do pagamento e não em outro momento: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (…) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (…) VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; (…)” (Grifouse) Quanto à condição resolutória, o art. 119 do Código Civil anterior (Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916), cujo conteúdo se encontra atualmente reproduzido pelos arts. 127 e 128 do atual Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), assim estabelecia: “Art. 119. Se for resolutiva a condição, enquanto esta não se realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercerse desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, verificada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe. Parágrafo único A condição resolutiva da obrigação pode ser expressa, ou tácita; operando, no primeiro caso, de pleno direito, e por interpelação judicial, no segundo.” (Grifouse) Para melhor se compreender o significado desse dispositivo, citese a lúcida lição de Alberto Xavier: “(...) a condição resolutiva permite a eficácia imediata do ato jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que ‘se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercerse desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe. Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, imediata é a extinção definitiva do crédito. O que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeitos retroativos se a condição se implementar.” (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário, Editora Forense, 1998, págs. 98/99). Ademais, é interessante apontarse trecho encontrado na doutrina jurídica, de autoria do mestre e doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP, professor Eurico Marcos Diniz de Santi, em sua tese de mestrado, cujo título é Decadência e prescrição no direito tributário – Aspectos teóricos, práticos e análise de decisões do STJ: “10.1 Improcedência da tese dos dez anos do direito de o contribuinte repetir o indébito tributário: A tese dos dez anos do direito de o contribuinte pleitear o débito do Fisco, que modificou o entendimento de matéria de prescrição no STJ, em função da interpretação das expressões extinção do crédito e pagamento antecipado, inscritos respectivamente nos Arts. 150, § 4º e 168, I do CTN, não procede em razão dos motivos seguintes. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 O pagamento antecipado do contribuinte não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente do ato de lançamento. Portanto, a data em que o contribuinte efetivamente recolhe o valor a título do tributo aos cofres públicos haverá de funcionar, a priori, como dies a quo do prazo de cinco, e não dez, de decadência e prescrição do direito do contribuinte. Interpretouse o ‘sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento’ de forma equivocada. Não se pode aceitar condição resolutiva como se fosse necessariamente uma condição suspensiva que retarda o efeito do pagamento para a data da homologação. A condição resolutiva não impede a plena eficácia do pagamento e, portanto, não descaracteriza a extinção no átimo do pagamento. Se o fundamento jurídico desta tese é que a extinção do crédito tributário pressupõe a homologação, o direito de pleitear o débito do fisco só surgiria ao final do prazo de homologação tácita, de modo que o contribuinte ficaria impedido de pleitear a restituição antes do prazo de cinco para homologação, tendo que aguardar a ‘extinção do crédito’ pela homologação.” De todo o exposto, resta claro que, ao indeferir o Pedido de Restituição em exame, reconhecendo a decadência do direito, a Decisão apreciada foi proferida em obediência e dentro dos limites da legislação que a fundamentou. Este, portanto, foi o entendimento dado pela primeira instância, que, como dito, é aqui reproduzido uma vez que não há memória concernente ao julgamento do feito pelo CARF. Pela mesma razão, a título de ementa do presente julgamento de segunda instância foi também reproduzida a ementa do acórdão recorrido. A título de informação, ressalto que esta conselheira votava, à época, no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como o II e IPI, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Redator ad hoc Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 9/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000593/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.851
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10325.000593/2005-18
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5430601
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3401-000.851
nome_arquivo_s : Decisao_10325000593200518.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 10325000593200518_5430601.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5826657
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703073587200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 992 1 991 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10325.000593/200518 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.851 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de novembro de 2014 Assunto REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente VIENA SIDERÚRGICA S/A Recorrida DRJ FORTALEZA/CE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 59 3/ 20 05 -1 8 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000593/200518 Resolução nº 3401000.851 S3C4T1 Fl. 993 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 1o trimestre de 2005. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 986/990), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência (fls.970/972), consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade razão pelo qual dele tomo conhecimento. Como já relatado, o objetivo da diligência era fazer uma análise nos demais documentos contábeis da Recorrente a fim de saber se ela realmente recebera a quantidade de carvão alegada e o valor do crédito existente. Cabe salientar que na primeira análise, no voto de relatoria deste Conselheiro ora relata, acolhido por unanimidade, foi consignado que em razão do Princípio do non reformartio in pejus não se poderia levar em consideração as novas fundamentações da DRJ para negar o direito creditório. Com base nisso, ficou definido que o julgamento do recurso ficaria limitado à analise do motivo que levou a delegacia de origem a não reconhecer o crédito, qual seja, irregularidades das notas fiscais da aquisição de carvão vegetal. Com a delimitação definida acima, também ficou decidido que a mera irregularidade da nota fiscal não é suficiente para indeferir o crédito, pois o que gera o crédito é a aquisição do insumo, de modo que bastaria verificar os demais documentos da Contribuinte, Fl. 993DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000593/200518 Resolução nº 3401000.851 S3C4T1 Fl. 994 3 dentre eles, as folhas do livrorazão anexado ao recurso, para saber se realmente houve a aquisição alegada. A diligência não deixou dúvida de que, com base nos documentos analisados, constatouse a aquisição do carvão, bem como a existência de crédito em quantidade superior ao declarado na DACON. A autoridade fiscal também destacou, acertadamente, que o reconhecimento do crédito deve estar limitado ao valor declarado na DACON e pleiteado no pedido de ressarcimento. Em suma, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado, razão pela qual o crédito deve ser reconhecido e as compensações homologadas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório até o limite pleiteado e homologar as compensações declaradas. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de direito creditório com base em ressarcimento de PIS não cumulativo exportação referente a dezembro de 2002. O pedido da contribuinte (a) foi glosado em virtude de irregularidades constatadas em notas fiscais complementares emitidas pela própria contribuinte relacionadas à aquisição de carvão como insumo e também (b) foi glosado da parcela de crédito proveniente de gastos com energia elétrica consumida no mês de dezembro de 2002. Os julgadores a quo não acolheram a contestação da peticionaria por que teria faltado comprovação dos gastos pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país e porque os gastos de energia elétrica em dezembro de 2002 somente geraria crédito se insumo para a produção de bens ou prestação de serviços. Em 03/02/2011 o julgamento desta lide foi convertido por este Colegiado em diligência, entendendo que o recurso do contribuinte se circunscreveu à glosa referente à aquisição de carvão. O Colegiado, naquela ocasião, determinou: "Como visto acima, a nota fiscal não é o único documento hábil à análise do crédito, podendo esse ser verificado, também , pelos livros e demais documentos. Portanto, podese concluir que não é a nota fiscal que gera o crédito, mas sim a atividade destacada na legislação tributária, ou seja, a aquisição de determinados produtos. Sendo assim, basta verificar se a recorrente adquiriu, deveras, a quantidade de carvão alegada e se procedeu à escrituração contábil, bem como o recolhimento correto. A recorrente juntou aos autos as folhas do livro razão e as fichas de controle do IBAMA, para provar a Fl. 994DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.000593/200518 Resolução nº 3401000.851 S3C4T1 Fl. 995 4 veracidade das operações mencionadas nas notas fiscais complementares, de modo que, com fulcro na verdade material, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, a fim de que sejam cotejadas as folhas do livro razão apresentadas pela recorrente, a fim de verificar a quantidade de carvão adquirida e contabilmente registrada, bem como o valor do crédito por ela gerado. Ao fim da análise, devese fazer relatório pormenorizado, destacandose, se for o caso, a existência a aquisição de carvão na quantidade alegada pela recorrente e o valor de crédito a ser ressarcido." (grifos nossos) A diligência, em sua apuração, se limitou aos dados constantes dos extratos do livro razão e informações do IBAMA que instruíam os autos, e a contribuinte não atendeu a autoridade fiscal apresentando o registro por ela solicitado. A contribuinte, em sua manifestação em resposta a essa diligência, repisa os argumentos de sua contestação levada ao conhecimento dos julgadores a quo. Pede que sejam suas razões apreciadas pelos Conselheiros. Assim, essa lide retorna a este Colegiado. Malgrado a objetividade e a clareza dos votos do Relator, o Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, na sessão de 03/02/2011 e na sessão de hoje, ambas desta 1ª Turma Ordinária, ouso expressar minha carência por mais informações, não atendidas pela diligência anterior, e necessárias, a meu ver, para os Respeitáveis Conselheiros formarem sua convicção conclusiva. Portanto, proponho a este Colegiado converter esse julgamento em diligência para enviar este processo à unidade de jurisdição para: 1. identificar os motivos para a emissão das notas fiscais complementares, e segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os motivos; 2. segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os tipos de fornecedores (se pessoa jurídica ou se pessoa física) e se seu domicílio está ou não em território nacional; 3. identificar, consoante documentação comprobatória, os valores pagos referentes às operações constantes das notas complementares; 4. identificar o somatório dos valores das operações referidos nas notas complementares que possuam documentos e declarações, além do razão e das informações do IBAMA já apresentados, que concorram para comprovar a operação, e identificar o somatório dos valores das operações que não possuam tais comprovações, documentos e declarações. Que a contribuinte seja notificada desta decisão e do resultado da diligência e possa, em cada caso, se manifestar no prazo de 30 dias. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720008/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2006, 2007
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PARQUE NACIONAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Não há nos autos comprovação de que o imóvel se situa no parque nacional Saint-Hilaire Lange ou em seu entorno. Inclusive, a fim de comprovar a existência das áreas de preservação permanente e áreas cobertas por floresta nativa, deveria o contribuinte ter apresentado Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que demonstrasse a existência efetiva de tais áreas.
ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exige-se Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nubia Matos Moura - Presidente Substituta.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2006, 2007 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PARQUE NACIONAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Não há nos autos comprovação de que o imóvel se situa no parque nacional Saint-Hilaire Lange ou em seu entorno. Inclusive, a fim de comprovar a existência das áreas de preservação permanente e áreas cobertas por floresta nativa, deveria o contribuinte ter apresentado Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que demonstrasse a existência efetiva de tais áreas. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exige-se Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533. Recurso Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11624.720008/2012-17
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435087
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2102-003.266
nome_arquivo_s : Decisao_11624720008201217.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 11624720008201217_5435087.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nubia Matos Moura - Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5838369
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703116578816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 119 1 118 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11624.720008/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.266 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria ITR Recorrente ESPÓLIO DE JOSÉ NOCOLAU ABAGGE JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2006, 2007 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTA NATIVA. PARQUE NACIONAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Não há nos autos comprovação de que o imóvel se situa no parque nacional SaintHilaire Lange ou em seu entorno. Inclusive, a fim de comprovar a existência das áreas de preservação permanente e áreas cobertas por floresta nativa, deveria o contribuinte ter apresentado Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que demonstrasse a existência efetiva de tais áreas. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Portanto, o arbitramento do VTN, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 00 08 /2 01 2- 17 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 2 Nubia Matos Moura Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 20/01/2012 (fls. 58/64), contra o contribuinte acima qualificado, relativo à Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, Exercício 2007, 2008, que exige crédito tributário no valor de R$ 64.367,98, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até 30/12/2011, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Cabaraquara”, cadastrado na RFB sob o nº 1.190.7924, com área declarada de 435,6 ha., localizado no Município de Guaratuba/PR. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes às fls. 60/64, o lançamento de ofício decorreu dos seguintes fatos tributários: Área de Preservação Permanente e Área Coberta por Floresta Nativa: foi glosada respectivamente as áreas de 67,3 ha e 359,3 ha, declarada a título de APP e AFN nos Exercícios 2007 e 2008, com base nos seguintes fundamentos, extraídos do relatório fiscal: (...) Dessa forma, diante da não apresentação do Ato Declaratório Ambiental protocolizado no prazo legal para os exercícios de 2007 e 2008, não apresentação de elementos hábeis para comprovação do correto enquadramento das áreas cobertas por florestas nativas e áreas de preservação permanente originalmente declaradas, considerando o que dispõe o artigo 47 do Decreto n° 4.382/02, tendo em vista que os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal, são peças imprescindíveis, sendo solicitados para fins de comprovação do que foi informado pelo contribuinte nas declarações relativas aos exercícios objeto da presente revisão, e tendo em vista o disposto pelos arts. 111 § único, art. 142 e inciso III, art. 149 da Lei 5.172/66, foi procedida a glosa das áreas não tributáveis originalmente declaradas nos exercícios 2007 e 2008, com alteração da área tributável de 9,0 hectares para 435,6 hectares.(...) Valor da Terra Nua VTN: o contribuinte deixou de apresentar laudo técnico de avaliação do valor da terra nua, motivo pelo qual o valor declarado pelo sujeito passivo foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, com base nos seguintes fundamentos, extraídos do relatório fiscal: (...) No que se refere ao valor da terra nua originalmente declarado, tendo em vista a inexistência de elementos de comprovação do declarado e com base no disposto no Art. 47, Inciso II, art. 51 do Decreto n° 4.382/02, e Art. 14 da Lei n° 9.393/96, o valor da terra nua relativo aos exercícios de 2007 e 2008, foi arbitrado considerando as informações sobre preços de Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11624.720008/201217 Acórdão n.º 2102003.266 S2C1T2 Fl. 120 3 terras constantes do Sistema de Preços de Terra, para o Município de Guaratuba, conforme informado pela Secretaria Estadual de Agricultura. Com base nestes dados, o valor adotado para fins de arbitramento foi de R$ 1.000,00/hectare no exercício 2007 e de R$ 1.100,00/hectares no exercício 2008 (valor para terras mistas inaproveitáveis), de acordo com a SEAB/DERAL/PR e Sistema de Preços de Terra. Nos termos do exposto acima, as retificações dos valores declarados alteraram o Valor da Terra Nua Tributável, de R$ 621,04 para R$ 435.600,00 no exercício 2007 e de R$ 621,04 para R$ 479.160,00 no exercício 2008 (...). Cientificado da exigência tributária em 24/01/2012 (fl. 68), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 16/02/2012, alegando o que segue. Em preliminar, suscita a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, alegando que não obteve resposta ao pedido de prorrogação de prazo para apresentação de documentos comprobatórios da localização do imóvel dentro do Parque Nacional Saint Hilaire Langue, apresentação de mapa georreferenciado e de laudo de avaliação. Ademais, alega que o auditor da Receita Federal não tem competência para desclassificar a natureza da área de interesse ambiental, pois são os órgãos ambientais que possuem capacitação específica e autorização legislativa para tanto. No mérito, alega que o imóvel está situado na Mata Atlântica, próximo ao mar (baía de Guaratuba) e que integra o Parque Nacional SaintHilaire Lange e seu entorno, sendo que, nessa condição, é área de preservação/conservação que não pode ser utilizada ou explorada, nos termos do Decreto 750/93 e Lei 11.428/2006, sendo, portanto, isenta de ITR. Alega que a área está em processo de desapropriação, conforme demonstra o ofício do Instituto Chico Mendes, em anexo. Informa que está providenciando a documentação necessária para isso e que contratou engenheiro para emitir mapa georreferenciado do imóvel, o qual efetuou duas amarrações, conforme documentos em anexo. Argumenta que, ainda que a União não tenha tomado posse do imóvel, nem o IBAMA nem o IAP permitem sua utilização, e, por conseguinte, entende que a área é inutilizável. Sustenta que as áreas de interesse ambiental de Utilização Limitada (APP, ARL) decorrem da lei e devem ser excluídas da tributação do ITR, nos termos do manual de Preenchimento fornecido pela RFB ((item 10), do Decreto 4.382/2002, art. 10, inciso II e art. 12 (aplicável retroativamente com base no art. 106 do CTN) e Código Florestal (Lei 4.771/65), sendo prescindível o ADA para que assim sejam reconhecidas. Informa que o Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou no sentido de o ADA ser prescindível para reconhecimento da isenção das áreas de interesse ambiental, bem como o TRF da 4ª Região. Argumenta que há muitos anos a área tem natureza de reserva legal e de preservação permanente e que a averbação da área de reserva legal está suspensa pelo menos até março de 2012 ou até a votação do novo código florestal brasileiro. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 4 Com base no exposto, pediu o cancelamento do crédito tributário lançado. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “NIRF: 1.190.7924 Cabaraquara VALIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA NÃO CONFIGURADO. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar e lançar o ITR. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. IMÓVEL LOCALIZADO EM PARQUE NACIONAL. TRIBUTAÇÃO. O Parque Nacional integra o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza SNUC e é de domínio público, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. O proprietário de área particular localizada em Parque Nacional é contribuinte do ITR até a data da perda da posse pela imissão prévia ou provisória do Poder Público na posse ou até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA COBERTA POR FLORESTA NATIVA. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A não incidência de ITR sobre as áreas de interesse ambiental depende da prova da existência dessas áreas, nos termos da legislação ambiental, e da prova da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambienta e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0432.555 da 1ª Turma da DRJ/CGE em 12/08/2013 (fl. 103). Sobreveio recurso voluntário em 10/09/2013, acompanhado dos documentos de fls. 114/117, quais sejam, procuração e certidão de óbito do contribuinte, uma vez que fora Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11624.720008/201217 Acórdão n.º 2102003.266 S2C1T2 Fl. 121 5 argüida em preliminar o falecimento do mesmo. Em suma, o recurso ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratase da exigência do ITR relativas aos exercícios de 2007 e 2008 do imóvel localizado no Município de Guaratuba/PR, com área de 435,6 ha, com alteração do valor da terra nua – VTN e glosa das áreas de preservação permanente – APP e áreas cobertas por floresta nativa AFN, pela presente autuação. Sustenta o recorrente que o imóvel está situado na Mata Atlântica, próximo ao mar (baía de Guaratuba) e que integra o Parque Nacional SaintHilaire Lange e seu entorno, sendo que, nessa condição, é área de preservação/conservação que não pode ser utilizada ou explorada, nos termos do Decreto 750/93 e Lei 11.428/2006, sendo, portanto, isenta de ITR. Alega que a área está em processo de desapropriação, bem como que ainda que a União não tenha tomado posse do imóvel, nem o IBAMA nem o IAP permitem sua utilização, e, por conseguinte, entende que a área é inutilizável. O contribuinte apresentou os seguintes documentos: a) Ato Declaratório Ambiental ADA do Exercício 2011, emitido em 31/08/2011, informando a existência no imóvel fiscalizado de Área de Preservação Permanente APP de 67,3 ha, Área coberta por Floresta Nativa AFN de 359,3 ha, e 9,0 ha de outras áreas, fls. 32/33. b) ofício do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, datado de 07/12/2010, fl. 34, noticiando ao contribuinte do processo de desapropriação de seu imóvel localizado no Parque Nacional de Saint Hilaire/Lange. c) matrícula no 21217 do CRI 2o Ofício São José dos PinhaisPR, fls. 37/39; d) mapa de localização do imóvel, fls. 41/42. A decisão recorrida manteve a autuação pela inexistência da desapropriação do imóvel, fundamentando que a responsabilidade pela entrega da declaração e pelo pagamento do ITR, em relação aos fatos geradores ocorridos até a data da imissão prévia ou provisória ou da incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público, é do expropriado. Argumenta ainda que os documentos apresentados não comprovam a existência no imóvel de Área coberta por floresta nativa, de Área de Preservação Permanente, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 6 de Área de Reserva Legal ou de Área de Interesse Ambiental, e fundamenta a obrigatoriedade de apresentação da ADA. Compulsando os autos, verificase que o Ofício do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (fl. 34), não confirma/comprova que o imóvel objeto da autuação localizase dentro ou no entorno do Parque Nacional SaintHilaire Lange, tampouco o referido documento comprova tratarse efetivamente do imóvel sob litígio. Ademais, em que pese o ADA – Ato Declaratório Ambiental acostado pelo interessado informe a existência de APP e AFN no imóvel, vislumbrase que tal documento referese ao exercício 2011, não guardando qualquer relação com a presente autuação, que limitase aos exercícios 2007 e 2008. Poderia o recorrente ter comprovado facilmente a existência das áreas declaradas de APP e AFN através de Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica ART, uma vez que este documento (laudo) corroboraria as informações declaradas, sendo documento hábil e idôneo a demonstrar a existência efetiva das áreas de preservação permanente e cobertas por floresta nativa no imóvel. Assim, deve ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco quanto à tais áreas. Por fim, passase à análise do Valor da Terra Nua. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja, o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: §1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11624.720008/201217 Acórdão n.º 2102003.266 S2C1T2 Fl. 122 7 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11.727, de 2008). O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, foi oportunizado ao Recorrente acostar Laudo Técnico, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica, devidamente anotada no CREA. No entanto, o recorrente, ainda que tivesse ampla oportunidade de acostar Laudo Técnico, seja na fase investigatória, na impugnação ou no presente recurso, não o fez, deixando de contrapor o valor arbitrado pelo Fisco. Inclusive, cabe registrar que o Mapa de Localização do Imóvel acostado em fls. 42/42, não informa o VTN, devendo portanto, ser mantido o valor arbitrado pelo Fisco. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.014796/2007-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES À TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. MULTA.
É cabível a aplicação de penalidade quando o contribuinte apresenta GFIP com dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e por a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, aplica-se o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011.
O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílio-alimentação pago in natura.
AUXÍLIOCRECHE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11/2008.
O Ato Declaratório nº 11/2008 autoriza a procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxílio-creche recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores.
Numero da decisão: 2403-002.961
Decisão: Recurso de Ofício Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, por ser matéria de ordem pública, retificar a decisão quanto à decadência, para aplicar a regra do art. 150, § 4º e com isso, considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2002, inclusive.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES À TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. MULTA. É cabível a aplicação de penalidade quando o contribuinte apresenta GFIP com dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e por a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, aplica-se o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílio-alimentação pago in natura. AUXÍLIOCRECHE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11/2008. O Ato Declaratório nº 11/2008 autoriza a procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxílio-creche recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.014796/2007-32
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450009
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.961
nome_arquivo_s : Decisao_10580014796200732.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10580014796200732_5450009.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso de Ofício Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, por ser matéria de ordem pública, retificar a decisão quanto à decadência, para aplicar a regra do art. 150, § 4º e com isso, considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2002, inclusive. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5884022
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703134404608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.014796/200732 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2403002.961 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado REAL SOCIEDADE ESPANHOLA DE BENEFICÊNCIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES À TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. MULTA. É cabível a aplicação de penalidade quando o contribuinte apresenta GFIP com dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e por a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílioalimentação pago in natura. AUXÍLIOCRECHE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11/2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 47 96 /2 00 7- 32 Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 O Ato Declaratório nº 11/2008 autoriza a procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores. Recurso de Ofício Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, por ser matéria de ordem pública, retificar a decisão quanto à decadência, para aplicar a regra do art. 150, § 4º e com isso, considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2002, inclusive. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1531.957 da 6ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES À TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. MULTA. É cabível a aplicação de penalidade quando o contribuinte apresenta GFIP com dados não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 5 anos. Tratandose de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias, sujeitas a lançamento de ofício, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte. Improcedem as multas lançadas após o transcurso deste prazo. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílioalimentação pago in natura. AUXÍLIOCRECHE. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11/2008. O Ato Declaratório nº 11/2008 autoriza a procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide a contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche, recebido pelos empregados e pago até a idade dos seis anos de idade dos seus filhos menores. Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. PEDIDO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de produção de prova pericial quando o deslinde das questões discutidas nos autos não exige conhecimento técnico especializado. As contribuições lançadas estão descritas nos relatórios anexos às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD. Os argumentos aduzidos pelo impugnante já foram analisados quando do julgamento de cada uma delas e, naquilo que comprovaram as suas alegações, os valores correspondentes foram excluídos dos lançamentos de obrigação principal e também excluídos do cálculo da multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No julgamento de primeira instância, foram excluídas as multas relativas às competências 01/1999 a 11/2001, por força da decadência; as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP); as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC); para retificar o valor a multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CDN. Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para excluir as multas relativas às competências 01/1999 a 11/2001, por força da decadência; para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP); para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC); para retificar o valor a multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CDN; e para manter a multa remanescente, no valor de R$ 1.492.714,84 (um milhão quatrocentos e noventa e dois mil setecentos e quatorze reais e oitenta e quatro centavos), nos termos do voto e de sua fundamentação e conforme discriminado na planilha contida no anexo deste acórdão. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 4 5 Tratase de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) identificado pelo DEBCAD nº 37.056.9067, lavrado em nome da Real Sociedade Espanhola de Beneficência para cobrança de multa no valor de R$ 3.208.105,98 (três milhões duzentos e oito mil cento e cinco reais e noventa e oito centavos), decorrente da apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme exigido pelo § 5º e pelo inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, combinados com o inciso IV e § 4º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. De acordo com o Relatório Fiscal do AI, fls. 31 a 41, ao longo do procedimento de fiscalização, verificouse o pagamento aos segurados de parcelas de natureza remuneratória que a Real Sociedade Espanhola de Beneficência não considerava como integrantes base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual não as declarava na GFIP. As contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, incidentes sobre as referidas parcelas, foram apuradas e lançadas por meio dos Autos de Infração identificados pelos DEBCAD nº 37.056.9113 e 37.056.9105. A multa aplicada em função da não declaração em GFIP das contribuições previdenciárias acima mencionadas correspondeu a cem por cento do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada, a cada mês, aos valores previstos no § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991. As contribuições não declaradas em GFIP, cujos valores foram considerados no cálculo da multa, foram inseridas nos seguintes levantamentos: AHD: Alimentação aferida da sede do hospital sem inscrição no PAT, não declarada em GFIP. AHP: Alimentação da sede do hospital declarada na planilha de custo sem inscrição no PAT e não declarada em GFIP. APA: Alimentação aferida do projeto da Prefeitura, sem inscrição no PAT e não declarada em GFIP. APP: Alimentação projeto prefeitura sem inscrição no PAT e não declarada em GFIP. AXC: Auxíliocreche sem comprovação de despesa não declarada em GFIP. BPI: Benefício previdenciário (saláriofamília) pago indevidamente, não declarado em GFIP. CDN: Contribuinte individual declarado na DIRF e não declarado em GFIP. Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 CIN: contribuinte individual declarado no relatório imposto por fornecedor e não declarado em GFIP. CIR: Contribuinte individual declarado no livro Razão e não declarado na GFIP. FPN: Folha de pagamento não declarada em GFIP. RES: Médicos residentes. A planilha contida no relatório fiscal indica, mês a mês, o valor das contribuições não declaradas em cada um dos levantamentos acima relacionados. O limite máximo da multa em cada mês correspondeu a vinte vezes o valor mínimo, uma vez que a empresa possui entre 500 e 1000 segurados. Como o valor mínimo mensal foi de R$ 1.195,13, o limite mensal para o valor da multa aplicada foi de R$ 23.902,60. Ou seja, em cada um dos meses, calculouse o valor correspondente a cem por cento das contribuições não declaradas, este valor foi comparado com o limite máximo da multa mensal, prevalecendo o menor dos valores. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração por via postal em 19/12/2007. Em 18/01/2008, apresentou impugnação, juntada às fls. 79 a 118, na qual alega em síntese o seguinte: Argúi a tempestividade da impugnação apresentada. Preliminarmente, alega a nulidade do lançamento no que toca ao levantamento FPN, uma vez que não foram apresentados os fatos que motivaram o lançamento neste particular. No que toca aos lançamentos relativos a supostos contribuintes individuais e médicos residentes, afirma que o Auto de Infração não menciona quem são estes profissionais cuja remuneração supostamente não foi declarada em GFIP. Ainda em preliminar, alega a decadência dos valores lançados referentes às competências até novembro de 2002, uma vez que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em dezembro de 2007. Em seguida, reitera as alegações de mérito apresentadas na NFLD de nº 37.056.9105 e requer a suspensão do julgamento deste Auto de Infração por descumprimento da obrigação acessória de declaração em GFIP, até que se decida administrativamente acerca da procedência das contribuições lançadas no Auto de Infração em referência. Argumenta que a ausência de inscrição da empresa no PAT não é suficiente para fazer integrar esses valores à parcela tributável. A empresa fornece alimentação por meio de refeitório próprio aos empregados que exercem as suas atividades na sede do hospital e de tickets, aos empregados que executam os programas externos. Ao fazer a referida parcela integrar a base de cálculo, a RFB despreza o princípio constitucional da valorização social do trabalho. A concessão da alimentação pelo contribuinte atingiu os objetivos do PAT, de modo que é justo que os incentivos lhe sejam aplicados. Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 5 7 A assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até os seis anos de idade em creches e préescolas é garantia constitucional. A lei exclui o auxíliocreche da base de cálculo das contribuições previdenciárias e não prevê que o descumprimento da obrigação de guarda dos documentos seja suficiente para anular o incentivo de não incidência sobre a parcela. A interpretação dada pela RFB ultrapassa os limites fixados em lei. Esta parcela não possui caráter remuneratório, pois serve para ressarcir ao trabalhador o prejuízo decorrente da não manutenção de creche pela própria empresa. A parcela encontrase prevista em todas as convenções coletivas que regularam as relações da empresa com os seus empregados. Em relação aos levantamentos nos quais são cobradas contribuições sobre os valores pagos aos funcionários a título de saláriofamília, a autuada afirma ter juntado aos autos os documentos que comprovam a regularidade da concessão do benefício aos seus trabalhadores. Em seguida, afirma que, tendo o lançamento se dado por aferição indireta, admitese a produção de provas em sentido contrário aptas a desconstituílo. A documentação não foi apresentada à fiscalização devido à impossibilidade de reunila em tempo hábil. Em seguida, afirma que negar a possibilidade de custeio do saláriofamília pela Previdência Social, por falta de apresentação dos documentos, não implica atribuir à parcela natureza remuneratória. O saláriofamília não perde a sua natureza pelos aspectos formais relativos à apresentação da documentação. No máximo, a Previdência pode recusarse a pagálo, mas não há que se considerálo parcela indenizatória. No que toca aos levantamentos CDN, CIN e CIR, afirma que não houve a prestação de serviços por nenhuma das pessoas qualificadas no Auto de Infração como contribuintes individuais. Existiram outras formas relação entre a impugnante e as referidas pessoas, mas nunca a prestação de serviços. Indica seis pessoas às quais a entidade teria pago valores em decorrência do aluguel de imóveis (Carlos Eugenio Oliveira Braga, Renato Farias dos Santos, Vitalina Guedes Santos, João Oliveira dos Santos, Nélia Maria Moreira Clemente Carvalho e Ivonice Azevedo Costa). Salienta que a entidade nunca manteve nenhuma relação com o sr. Paulo Renato Farias Santos, arrolado como sendo um dos contribuintes individuais. Certamente, deve ter havido algum equívoco, já que existe locador de imóveis para a entidade, cujo nome é Renato Farias dos Santos. Alega que foram incluídos ainda no rol dos contribuintes individuais três funcionários da entidade que eram responsáveis pelo fundo fixo da empresa (José Correia dos Reis, Lívia Regina Silva Oliveira e Vera Lúcia da Silva Cerqueira). Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Argumenta que o pagamento efetuado ao sr. Jorge Hasse decorreu de restituição de valores que haviam sido adiantados à entidade a título de depósito para internação de paciente. Afirma que os pagamentos efetuados a Maria Julieta Vianna Didier decorreram de pensão vitalícia paga por força de decisão da justiça do trabalho. Sobre o valor pago mensalmente à reclamante, a impugnante desconta o percentual de 11% e recolhe à Previdência em guia identificada com o código 2909. Aduz em seguida, que os médicos residentes não foram inseridos no rol dos segurados obrigatórios pela Lei nº 8.212, de 1991. A residência é uma modalidade de ensino de pósgraduação, sendo o pagamento feito com o objetivo de proporcionar ao médico a satisfação das necessidades básicas. Requer a impugnante a relevação da penalidade aplicada quanto ao levantamento FPN, uma vez que foram cumpridos os requisitos previstos no § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social. Afirma que encaminhou, à época dos fatos geradores, GFIP que incluíam as informações do levantamento FPN, mas não sabe por quais razões as informações enviadas não estavam registradas no site da Receita federal do Brasil. Alega ter retransmitido a informações, incluindo nos autos o documento de nº 08, com as cópias dos documentos apresentados. Argumenta que a multa aplicada fundamentase na Portaria nº 142, de 11 de abril de 2007. Os fatos geradores omitidos, entretanto, referemse às competências 01/1999 a 03/2007. Por esta razão, a aplicação da multa com base na mencionada Portaria implica retroação da norma em prejuízo do administrado. Requer a produção de prova pericial, a fim de que se possa promover o julgamento justo do lançamento. Indica o perito e enumera os quesitos. Por fim, requer seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, a suspensão do julgamento deste AI até que se dê o julgamento da NFLD nº 37.056.9105, a relevação da penalidade aplicada no levantamento FPN e a improcedência dos valores lançados neste Auto de Infração. Não houve apresentação de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Em obediência ao artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, este processo se submete a recurso de ofício. A autuação foi motivada por declarar GFIP sem a totalidade dos fatos geradores – CFL 68. Abaixo analisarei os pontos para os quais a decisão de primeira instância deu provimento parcial. DECADÊNCIA. A primeira instância decidiu pela aplicação da regra de decadência estipulada pelo artigo 173, I, do CTN, do que resultou em considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2001. A questão da decadência qüinqüenal estabelecida pelo CTN está pacificada. Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Quando do julgamento da obrigação principal, processo 10580.000370/2008 82, a primeira instância decidiu pela aplicação da regra do artigo 150, § 4º do CTN, do que resultaram decadentes as competências até 11/2002. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos a lançamento por homologação. O termo inicial da contagem do prazo decadencial, portanto, é a ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. O deslocamento do termo inicial para o primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do art. 173 I do CTN, se dá apenas nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, bem como nas hipóteses em que inexistam pagamentos a serem homologados. Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 No presente caso, as contribuições lançadas referemse às competências 01/1997 a 05/2007. O relatório RDA, fls. 174 a 198, indica a existência de recolhimentos de partes das contribuições devidas em cada uma das competências, logo, o prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador. Assim, a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo à competência 11/2002, consumouse em 30/11/2007. Tendo sido o lançamento cientificado ao contribuinte em 19/12/2007, verificase que as contribuições lançadas referentes às competências 01/1997 a 11/2002 já haviam sido extintas pela decadência quando do lançamento. São, portanto, improcedentes as contribuições lançadas referentes às competências 01/1997 a 11/2002, por já terem sido alcançadas pela decadência. Entendo que deva haver harmonia entre os critérios da obrigação principal e desta obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Pela existência de recolhimentos parciais e em obediência à súmula 99 do CARF, aplico a regra de decadência prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O período do lançamento é de 01/99 a 03/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 19/12/2007. Entendo decadentes as competências até 11/2002, inclusive. ALIMENTAÇÃO Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 7 11 A decisão recorrida foi por excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP). Concordo com a decisão e complemento registrando que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. AUXÍLIO CRECHE A decisão recorrida foi por excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC). Concordo com a decisão e com a motivação apresentada. Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 RETIFICAÇÃO DE VALORES Decidiuse, em primeira instância por retificar o valor da multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CIN. A retificação foi motivada com base nos documentos apresentados quando da impugnação da obrigação principal. Observo que no voto e na decisão, o levantamento CIN foi equivocadamente registrado como CID. O valor das contribuições lançadas nos levantamentos BPI, CID e CDN foi retificado, em função dos documentos apresentados pelo contribuinte juntamente com a sua impugnação à Notificação Fiscal de lançamento de Débito – NFLD nº 37.056.9105 (Processo Administrativo nº 10580.000370/2008 82). Concordo com a decisão. OMISSÃO DO ACÓRDÃO – LEVANTAMENTO FPN A decisão recorrida conclui pela manutenção de multa remanescente no valor de R$ 1.492.714,84, nos termos do voto e de sua fundamentação e conforme discriminado na planilha contida no anexo deste acórdão. Decisão: Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para excluir as multas relativas às competências 01/1999 a 11/2001, por força da decadência; para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP); para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC); para retificar o valor a multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CDN; e para manter a multa remanescente, no valor de R$ 1.492.714,84 (um milhão Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 8 13 quatrocentos e noventa e dois mil setecentos e quatorze reais e oitenta e quatro centavos), nos termos do voto e de sua fundamentação e conforme discriminado na planilha contida no anexo deste acórdão. Na planilha citada, os valores correspondentes ao levantamento FPN – Folha de Pagamento não declarada em GFIP, foram alterados para a competência 04/2004 e excluídos para as competências 05/2004, 06/2004, 08/2004, 09/2004 e 11/2004, em harmonia com o texto do voto condutor da decisão, porém sem menção a esses ajustes na conclusão e no texto da decisão. Voto: O valor das contribuições lançadas no levantamento FPN na competência 04/2004 foi retificado, em função dos documentos apresentados pelo contribuinte juntamente com a sua impugnação à Notificação Fiscal de lançamento de Débito – NFLD nº 37.056.9113 (Processo Administrativo nº 10580.014803/200704). De acordo com a planilha contida no Relatório Fiscal do Auto de Infração sob julgamento, foram consideradas no cálculo da multa aplicada as contribuições inseridas no levantamento FPN nas competências 04/2004, 05/2004, 06/2004, 08/2004, 09/2004 e 11/2004. Entretanto, só houve lançamento das contribuições devidas na competência 04/2004. Assim, tendo em vista que não há, nos relatórios das NFLD nº 37.056.9105 e 37.056.9113, nenhuma informação acerca das contribuições devidas no levantamento FPN nas competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004, os valores a elas relativos estão sendo excluídos no cálculo da multa aplicada neste Auto de Infração. O impugnante alega ter corrigido a falta no que toca ao levantamento FPN, requerendo em razão disso a relevação da penalidade aplicada. Entretanto, de acordo com o Discriminativo Analítico do Débito – DAD da NFLD nº 37.056.9113, o valor das contribuições não declaradas em GFIP foi de R$ 281.895,99. O Acórdão nº 1530.820, emitido por esta sexta Turma de Julgamento em 31/05/2012, reduziu a contribuição devida nesta competência e levantamento em R$ 806,13. Logo, o montante das contribuições não declaradas passou a ser de R$ 281.089,86. Consultandose a GFIP retificadora entregue pelo contribuinte em 16/01/2008, percebe se que o valor das contribuições declaradas foi de R$ 280.063,39. Logo, a nova GFIP não corrigiu a falta indicada no Auto de Infração, razão pela qual improcede o pedido de relevação da penalidade aplicada nesta competência Fl. 3071DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Conclusão: Ante o exposto, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para excluir as multas relativas às competências 01/1999 a 11/2001, por força da decadência; para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxílioalimentação fornecido in natura (levantamentos AHA, AHD, AHP, APA e APP); para excluir as multas decorrentes da não declaração em GFIP das contribuições incidentes sobre o auxíliocreche (levantamento AXC e ACN); para retificar a multa decorrente da não declaração em GFIP das contribuições inseridas nos levantamentos BPI, CID e CDN, e para manter a multa remanescente no valor de R$ 1.492.714,84 (um milhão quatrocentos e noventa e dois mil setecentos e quatorze reais e oitenta e quatro centavos), nos termos do voto e de sua fundamentação e conforme discriminado na planilha contida no anexo deste acórdão. Concordo com a retificação efetuada na competência 04/2004. Para as competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004, o voto registra que “não há, nos relatórios das NFLD nº 37.056.9105 e 37.056.9113, nenhuma informação acerca das contribuições devidas no levantamento FPN nas competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004” e decide por excluir os valores relativos às citadas competências. Entretanto, só houve lançamento das contribuições devidas na competência 04/2004. Assim, tendo em vista que não há, nos relatórios das NFLD nº 37.056.9105 e 37.056.9113, nenhuma informação acerca das contribuições devidas no levantamento FPN nas competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004, os valores a elas relativos estão sendo excluídos no cálculo da multa aplicada neste Auto de Infração. Constatei que o relator se equivocou. Existem informações no processo 10580.014803/200704 (NFLD 37.056.9113) acerca do levantamento FPN para as competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004. Efetivamente não existe lançamento de obrigação principal para o levantamento FPN na NFLD 37.056.9113 (processo 10580.014803/200704) para as competência 05, 06, 08, 09 e 11/2004, porém o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, registra apropriações para as citadas competências, em montante suficiente para a quitação dos valores considerados devidos pelo fisco, isto é, os valores não foram informados em GFIP, porém foram recolhidos. Fl. 3072DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.014796/200732 Acórdão n.º 2403002.961 S2C4T3 Fl. 9 15 Entendo indevida a exclusão dos valores referentes ao levantamento FPN, relativos às competências 05, 06, 08, 09 e 11/2004. CONCLUSÃO Voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício para retificar a decisão quanto à decadência, para aplicar a regra do artigo 150, § 4º e com isso, considerar decadentes as competências 01/1999 a 11/2002, inclusive. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 3073DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 3 1/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000127/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS.
Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação.
EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE.
As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade.
EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE.
Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares.
Numero da decisão: 1402-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE. As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade. EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE. Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16561.000127/2007-98
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5431331
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1402-001.863
nome_arquivo_s : Decisao_16561000127200798.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
nome_arquivo_pdf_s : 16561000127200798_5431331.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5828085
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703140696064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 4.531 1 4.530 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000127/200798 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402001.863 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrentes CLARIANT S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS. Após o início do processo de fiscalização, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. A fiscalização não esta obrigada a testar todos os métodos facultados ao contribuinte. IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE. As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade. EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE. Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 27 /2 00 7- 98 Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.532 2 Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.533 3 Relatório Clariant S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima qualificada foi autuada e notificada, em 29/11/2007, a recolher crédito tributário no valor de R$ 24.563.684,20, relativo ao IRPJ, e CSLL referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 1819 a 1839, a fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada teve a finalidade de verificar a correta apuração dos preços de transferência nas operações de importação e exportação com pessoas vinculadas no anocalendário de 2002. IMPORTAÇÕES O contribuinte foi intimado a apresentar o método adotado, relação de pessoas vinculadas, memórias de cálculos, arquivos magnéticos e demais papéis de trabalho, para a comprovação dos preços de transferência em suas operações de importações. Da análise das informações prestadas, verificouse que o contribuinte utilizou dois métodos, para os cálculos dos preços parâmetros em suas operações de importações para o período fiscalizado: PRL(20) e PRL(60). PREÇO PRATICADO Da análise das planilhas de fls. 318 a 395, a fiscalização constatou que o contribuinte calculou o preço praticado em R$/unidade com base no valor FOB (free on board), contrariando o disposto no parágrafo § 4º da IN SRF n° 243/2002, segundo o qual o contribuinte deveria ter calculado o preço praticado em R$/unidade com base no valor CIF + II, ou seja, custo mais seguro internacional + fretes internacionais + imposto de importação. PREÇO PARÂMETRO No tocante ao cálculo do preço parâmetro a fiscalização aceitou os valores apurados pelo contribuinte nas operações sujeitas ao PRL(20). O mesmo não ocorreu em relação as operações sujeitas ao PRL(60). O autuante afirma que os cálculos não estão de acordo com o disposto no item "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF n° 243/2003. Cita dois exemplos: O primeiro, trata de matériaprima utilizada na produção de um único produto para venda. Neste caso demonstra que o contribuinte calculou o preço parâmetro mediante a aplicação da margem de lucro de 60% diretamente sobre o preço líquido de venda diminuído das "Despesas Gerais de Fabricação". Ressalta que a IN Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.534 4 243/2002 não menciona a exclusão das despesas em tela e que também não foi levado em consideração o percentual da matériaprima no custo da produção. O segundo, trata de matéria prima utilizada na produção de mais de um produto para venda. Neste caso o autuante destaca que o contribuinte calculou o preço parâmetro de cada um dos produtos fabricados e, determinou um preço parâmetro final mediante o cálculo da média aritmética simples dos valores apurados produto a produto. O autuante, entende, que no caso especifico, o correto seria calcular a média ponderada. AJUSTES APURADOS Em face das irregularidades apontadas o autuante demonstra a metodologia de cálculo prevista na IN SRF n° 243/2002 e apura o montante passível de ajuste no LALUR, já deduzidos os valores declarados, como segue: Método Valor de Ajuste em R$ PRL 20% 1.876.396,36 PRL 60% 17.513.489,73 TOTAL 19.389.886,09 EXPORTAÇÕES A fiscalização não concorda com a posição firmada pelo contribuinte em não realizar os cálculos do preço de transferência, em suas operações de exportações, sob o argumento de que se enquadra no artigo 35 da IN SRF nº 243/2002. Argumenta que o artigo 35 é abrangente quanto à comprovação da margem de lucratividade líquida sobre as receitas de exportação para pessoas vinculadas. Considera não apenas a margem de lucro do ano fiscalizado como considera a margem de lucro líquido sobre as exportações para pessoas vinculadas dos dois anos precedentes e que conforme o disposto no artigo 37 incisos I e II, a questão da lucratividade não se aplica as exportações efetuadas para países com tributação favorecida (inciso I) e que o fato de o contribuinte enquadrarse dentro dos limites estabelecidos pelo artigo 35 da referida IN, não implica a aceitação definitiva pela autoridade fiscal (inciso II). Destaca que o contribuinte demonstrou a sua lucratividade somente para o período fiscalizado que foi de 12,7%, considerando as vendas de exportações consolidadas para pessoas vinculadas e países com tributação favorecida. Por este motivo a fiscalização impugnou a receita reconhecida com base no preço praticado, e de oficio determinou o ajuste da receita de exportação com base nos métodos PEVx e CAP, como segue: Método Valor de Ajuste em R$ PVEx 15.631.725,76 CAP 5.001.574,37 TOTAL 20.633.300,13 DOS LANÇAMENTOS Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n ° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.535 5 IRPJ (fls. 1.804 A 1.809), com base: no inciso I e IV do § 3º do artigo 240 do RIR/99, combinado com os artigos 23 e 26 da IN SRF n° 243/2002; e, alínea "d" do inciso II do artigo 241 do RIR199 combinado com o artigo 2° da Lei n° 9.959/2000, constituindo um crédito tributário no valor total R$ 21.643.119,09; CSLL (fls. 1.810 a 1.814), com base no artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei n° 9.249/95; artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei 9.430/96 e artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições, constituindo um crédito tributário no valor total de R$ 2.920.565,11. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 29/11/2007, a empresa interessada, por meio de seus procuradores regularmente constituídos (fls. 2.048 e 2.049), apresentou em 28/12/2007 a impugnação de fls. 2.056 a 2.118, acompanhada dos documentos as fls. 2.119 a 2.168 e 56 (cinquenta e seis) Anexos. A peça impugnatória foi assim sintetizada pela requerente: Da possibilidade de utilização de qualquer um dos métodos previstos nos artigos 18 e 19 da Lei nº 9.430/96 (i) os artigos 18 e 19 da Lei n° 9.430/96 determinam a possibilidade de o contribuinte utilizar simultaneamente os métodos ali previstos, não havendo o que se falar, portanto, na escolha de um destes métodos; (ii) a única exigência feita pelos citados dispositivos é a de que seja utilizado o método mais favorável ao contribuinte, constituindo esta exigência uma obrigação aos agentes da Administração Tributária; PARTE A: Das Operações de Importação PRL 60% Da ilegalidade da nova sistemática introduzida pela IN n° 243/02 e da observância ao principio da irretroatividade (iii) quanto ao PRL 60%, não pode prosperar a exigência feita com base na sistemática instituída Instrução Normativa no 243/2002, tendo em vista que o citado dispositivo, além de extrapolar os limites da lei, sendo, portanto, ilegal, não pode ser validamente aplicado ao anocalendário de 2002; PRL 20% Da indevida inclusão dos valores relativos ao frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado (CF x FOB) (iv) quanto ao PRL 20%, a inclusão do frete, seguro e tributos incidentes na importação não pode ser mantida, tendo em vista que a Impugnante comprovou que isto acarretaria diversas distorções nos cálculos dos preços de transferência; PIC Subsidiariamente, caso sejam rejeitados os cálculos feitos pela a Impugnante com base no método PRL, a D. Autoridade Fiscal deveria ter aplicado o PIC (v) quanto às operações de importação, a Impugnante demonstrou diversas vezes durante a fiscalização que havia efetuado os cálculos dos preços de transferência também pelo método PIC, apresentando suas memórias de cálculo (doc. 4, "IMP." I ao "IMP." 220), devendo este método ser aceito, tendo em vista tratarse do método o mais favorável do que o método PRL na forma como aplicado pela D. Autoridade Fiscal; Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.536 6 PARTE B: Das Operações de Exportação Safe Harbour da lucratividade nova exigência do art. 35, da IN n° 243/02 (vi) no caso das operações de exportação, não pode ser mantida a rejeição da aplicação do safe harbour da lucratividade (artigo 35 da IN nº 243/2002), tendo em vista que a D. Autoridade Fiscal pretendeu aplicar o cálculo da lucratividade não apenas para o período fiscalizado, mas também para os dois anos anteriores, exigência esta não vigente à época da ocorrência do fato gerador, introduzida somente em 30/12/2003, através da Instrução Normativa n° 382; (vii) contudo, mesmo que se mantivesse o posicionamento fiscal de que o cálculo da lucratividade deveria ter sido feito relativamente ao período fiscalizado e os dois anos precedentes, a Impugnante também estaria amparada pelo safe harbour, conforme restou demonstrado na planilha denominada "EXP." I ; Safe Harbour da lucratividade Paraísos Fiscais (viii) as operações de exportação para empresas vinculadas localizadas em paraísos fiscais devem ser consideradas para o cálculo da lucratividade a que se refere o artigo 35 da IN n° 243/2002, devendo apenas estas operações sofrerem o controle dos preços de transferência mesmo que seja atingido o percentual mínimo exigido pelo citado dispositivo; (ix) subsidiariamente, caso seja mantido o entendimento da D. Autoridade Fiscalizadora, a Impugnante também demonstra que, até mesmo excluindose do cálculo as operações de exportação realizadas para paraísos fiscais, tanto para o período de apuração, como somado aos dois anos precedentes, ainda assim não se afastaria o safe harbour da lucratividade, visto que o lucro líquido destas operações continuaria superior a 5% (cinco por cento) do valor total destas receitas, mesmo levandose em consideração a atual redação do art. 35 da IN n° 243/2002("EXP." 6); Safe Harbour Da adequação das operações da empresa ao disposto no artigo 19, "caput", da Lei n° 9.430/96 (x) ainda que tais operações não estivessem acobertadas pelo referido artigo, estariam acobertadas pelo safe harbour previsto no caput do art. 19 da Lei n° 9.430/96 e no art. 14 da IN n° 243/2002, pois os preços médios praticados nas operações de exportação correspondem a, no mínimo, 90% do preço praticado na venda dos mesmos bens no mercado brasileiro (conforme demonstrado pelos cálculos das planilhas denominadas "EXP." 2 e "EXP." 3 e notas fiscais relacionados no doc. "EXP." 4, juntadas dos volumes 2 ao 51), fato desconsiderado pela D. Autoridade Fiscal; e; CAP Subsidiariamente, a D. Autoridade Fiscal deveria ter aplicado o PVEx e o CAP para todos os produtos, o que a faria concluir que o CAP é o método mais vantajoso Impugnante (xi) por fim, caso não se considerasse quaisquer dos argumentos relativos às operações de exportação, a D. Autoridade Fiscal deveria ter aplicado o método CAP, como ela mesma afirmou que faria, tendo em vista tratarse do método mais favorável à Impugnante, conforme demonstrado pela planilha denominada "EXP." 5, do anexo I. DA DILIGÊNCIA Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.537 7 Em face das alegações da Impugnante, esta autoridade julgadora entendeu por bem encaminhar os autos ao autuante a fim de que fossem esclarecidos os seguintes pontos: 1) Esclarecer os motivos pelos quais não foram considerados os ajustes calculados pelo contribuinte pelo método PIC colocados à disposição da fiscalização (fls. 1.112 e 1.228/1.229); 2) Analisar os ajustes calculados pelo método PIC (Anexos 52 ao 56), e recalcular, se for o caso, o ajuste apurado considerando produto a produto o método mais favorável ao contribuinte; 3) Verificar a necessidade de arbitramento das receitas de exportação em função do disposto no artigo 14 da IN SRF n° 243/2002; 4) Observado o item anterior e com base nos métodos utilizados no procedimento de fiscalização, elaborar planilha de cálculo dos ajustes decorrentes das operações de exportações efetuadas para país ou dependência com tributação favorecida, ou cuja legislação interna oponha sigilo. Em atendimento ao solicitado a autoridade lançadora e elaborou o relatório de fls. 2.180 a 2.183 no qual expõe em apertada síntese o seguinte: No tocante às operações de importação (itens 1 e 2), adotou o método utilizado pelo contribuinte na DIPJ, conforme determina o artigo 40 da IN 243/2002. Entende que o solicitado no item 2 ficou prejudicado em face da resposta da questão n° 1. Em relação às operações de exportação (itens 3 e 4), que não procede a reclamação do contribuinte referente à não aplicação do artigo 14 da IN SRF n° 243/2002, por parte do fisco, visto que, o contribuinte foi taxativo, claro e objetivo em sua resposta contida às fls. 405 e 1.228, no sentido de que não houve aplicação de qualquer método no anocalendário de 2002 em face do disposto no artigo 35 da IN SRF nº 243/2002. Argumenta que "o legislador concedeu o benefício ao contribuinte para que efetuasse os cálculos do preço de transferência, em suas operações de exportações, somente para aqueles produtos que apresentasse um índice "menor ou igual a 90%", isto é, o índice que deveria ser calculado e demonstrado pelo CONTRIBUINTE pela relação "preço médio praticado nas exportações dividido pelo preço médio praticado no mercado brasileiro", em conformidade com o artigo 14 e seus parágrafos da Instrução Normativa n° 243/2002." (destaques do original) Afirma que antes de adotar os métodos PVEx e CAP, calculou por amostragem (16 itens) a relação dos Preços médios na exportação/Preços médios no mercado brasileiro e, que somente após constatar que os itens calculados apresentavam índices inferiores a 90% arbitrou o ajuste pelos citados métodos. Para atender o item 4 apresenta o demonstrativo de fls. 2.191 e 2.192. A impugnante foi regularmente notificada do resultado da diligência e apresentou a manifestação de fls. 2.197 e 2.198 assim sintetizada pela requerente: Quesito 1 Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.538 8 (i) a Autoridade Fiscal não respondeu adequadamente este quesito. Ignorando a requisição da D. DRJ, ela deixou de justificar a desconsideração dos Cálculos PIC, referindose tão somente à aplicação do método PIC a um único produto, a qual se encontra registrada da DIPJ da Impugnante; (ii) nos termos do artigo 18, § 4°, da Lei n° 9.430/96, é possível a aplicação de mais de um método para a apuração de preços de transferência nas importações, e, isso ocorrendo, deve prevalecer o método mais favorável ao contribuinte. No caso vertente, na hipótese de prevalecer a aplicação do método PRL com base na IN 243, os ajustes decorrentes dos cálculos PIC passariam a ser mais favoráveis ao contribuinte, e, portanto, deveriam ser considerados para fins de dedutibilidade; (iii) o artigo 40 da IN 243, invocado pela Autoridade Fiscal na tentativa de afastar a sua obrigação fazer valer o método mais favorável ao contribuinte, não é aplicável ao caso em tela; mesmo que fosse, não contradiria o artigo 18, § 4° da Lei n° 9.430/96; e mesmo que contradissesse, sucumbiria ao comando legal, por força do principio da legalidade; Quesito 2 (iv) esse quesito deixou de ser atendido pela Autoridade Fiscal. Nada obstante, o silêncio do Relatório Conclusivo é suprido pelo fato de que os ajustes decorrentes dos Cálculos PIC foram devidamente demonstrados pela Impugnante. Tais ajustes remontam a R$ 540.029,35, e, na hipótese de não ser reconhecida a ilegalidade do cálculo do método PRL consoante a IN 243 (pretendido pela Autoridade Lançadora), tem a D. DRJ plenas condições de substituir o ajuste de R$ 15.499.956,71, registrado no auto de infração, por aquele montante; (v) seria inadmissível uma nova fiscalização dos resultados decorrentes dos Cálculos PIC, pois isso corresponderia ao reexame de fatos já atingidos pela decadência; Quesito 3 (vi) na hipótese de não ser aplicado o artigo 35 da IN 243, deve ser assegurada a eficácia do artigo 19 da lei n° 9.430/96. Não procede a afirmação da Autoridade Fiscal de que a Impugnante teria "abdicado" ao safe harbour descrito neste artigo. A improcedência dessa alegação decorre não apenas da literalidade do artigo 19 da Lei no 9.430/96, como também da impossibilidade técnica de existir uma tal renúncia. (vii) os cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal, também na tentativa de desqualificar a aplicação do artigo 19 da Lei n° 9.430/96, devem ser desconsiderados, pois estão incorretos. Ao invés de aferir a razão entre as receitas de exportação e os preços médios praticados no mercado brasileiro, a Autoridade Fiscal utilizou como divisor os preços médios das exportações realizadas para partes nãorelacionadas Quesito 4 (viii) esse quesito não foi adequadamente atendido. A Autoridade Fiscal limitouse, por meio do anexo 02 do Relatório Conclusivo, segregar, 24 dentre os cálculos relativos às exportações que lastrearam a autuação (1694 e ss), aqueles atinentes a exportações realizadas para paraísos fiscais. Assim, não foi atendido o escopo do quesito, segundo o qual deveria a Autoridade Fiscal, à luz do quesito 3, redimensionar o montante da autuação, de acordo com a correta interpretação da Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.539 9 legislação pertinente aos safe harbours, também para as exportações destinadas a paraísos fiscais.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 20.306 (fls. 2.2272.246) de 03/02/2009, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, mantendoo no que concerne aos ajustes nas operações de importação e reformandoo quanto aos ajustes nas operações de exportação, reduzindo tal ajuste de R$ 20.546.286,35 para R$ 87.013,78. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS. Após o inicio do processo de fiscalização, não cabe mais ao contribuinte, alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. A fiscalização não esta obrigada a testar todos os métodos facultados ao contribuinte. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE. As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade. EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE. Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares. Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.540 10 DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 29/04/2009 (A.R. de fl. 2.252) a interessada interpôs recurso voluntário em 29/05/2009 (fls. 2.2692.325) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Da decisão a DRJ recorreu de ofício a este Carf por ter o crédito tributário exonerado excedido o limite previsto na legislação. É o relatório. Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.541 11 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Os recursos de ofício e voluntário reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Deles, portanto, tomo conhecimento. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 688 a 837, a contribuinte foi autuada, pelas seguintes irregularidades, observadas no anocalendário de 2002: Quanto às importações: i) cálculo do preço praticado (método PRL) com base no valor FOB e não pelo valor CIF + II, como determina o § 4º da IN SRF nº 243/2002 e, ii) cálculo do preço parâmetro (PRL 60) em desacordo com o artigo 12 da citada IN; Quanto às exportações: utilização indevida do Safe Harbour da lucratividade previsto no artigo 35, da IN SRF n° 243/2002. A decisão de primeira instância manteve os lançamentos no que concerne aos ajustes nas operações de importação (objeto do recurso voluntário) e os reformou quanto aos ajustes nas operações de exportação (objeto do recurso de ofício). Do Recurso Voluntário Da escolha dos métodos pelo Fisco Alega a Recorrente que a Autoridade Fiscal, ao interpretar o § 2º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, e concluir que o mandamento nele veiculado não constitui uma imposição à fiscalização, interpretou de forma incorreta a norma jurídica, uma vez que totalmente dissociada da Lei 9.430/96, cujo § 4º do artigo 18 assim dispõe: "...na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado". Com efeito, entendo descabida a argumentação da Recorrente quanto a esse ponto. Vejase o comando legal citado. Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.542 12 adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. [...] (grifei) Da leitura acima depreendese que o escopo do artigo 4º é dirigido tão somente a pessoa jurídica importadora. É nesse sentido que o comando trata do preço parâmetro “a ser” utilizado nas importações de empresa vinculada. Ou seja, o momento procedimental o qual a norma pretende balizar é aquele anterior à importação dos bens, serviços ou direitos. Não há, naquele momento, procedimento de fiscalização ao qual estaria submetida a empresa, uma vez que os fatos relacionados à importação ainda estavam em desenvolvimento. Nessa esteira, é clara a orientação no caput do citado artigo 4o de que a opção por um dos métodos de apuração do preçoparâmetro é prerrogativa da pessoa jurídica importadora. Noutro giro, a situação que se analisa nos autos decorre de procedimento de fiscalização das ações já levadas a termo pela interessada, cuja orientação consta do artigo 40, § único, daquela IN SRF nº 243/2002, in verbis: "Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa" (grifei). Assim, caso proceda à desqualificação dos cálculos efetuados pela Contribuinte (o que se analisará mais a frente neste voto), tem a fiscalização a opção de determinar o preçoparâmetro, aplicando um dos métodos referidos na IN SRF nº 243/2002. No caso em análise, o método adotado pela Autuada nas operações de importação (PRL) foi informado na ficha 34 da DIPJ/2003, transmitida via internet, em 04/07/2003 (fls. 136 a 185). Ressaltese que a Autuada informou à fiscalização que havia apurado o ajuste por mais de um método (quando possível) apenas quando constatou que a metodologia de Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.543 13 cálculo adotada pelo Autuante implicava na majoração do preço praticado calculado com base no método PRL. Entendo, dessa forma, correto o procedimento da fiscalização em auditar os cálculos efetuados pelo contribuinte com base no método PRL em detrimento do método PIC, pleiteado pela Autuada como menos gravoso. Do emprego do método PRL 60% com a utilização da IN SRF nº 243/2002 para o ano calendário de 2002 Alega a Recorrente que as disposições da IN SRF nº 243/2002 incluiriam a instituição do método PRL 60% e que somente poderiam ser aplicadas a partir do ano calendário de 2003. Argumenta que o período de abrangência do auto de infração é o ano calendário de 2002, e que as disposições da IN SRF nº 243/2002, “que inclui a instituição do método PRL 60% sem respaldo em Lei”, devem ser aplicadas apenas em relação às importações realizadas a partir do anocalendário de 2003. Com efeito, entendo descabido o argumento da Recorrente. Isso porque o método PRL 60% tem como supedâneo legal o artigo 18 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada, vigente à época dos fatos geradores, pela Lei nº 9.959/2000), conforme consta da fundamentação legal do auto de infração. Vejase o teor do citado artigo: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: [...] d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei n°9.959, de 2000) [...] Vêse, portanto, que a instituição do método PRL 60% não se deu, como alegado pela Recorrente, com a IN SRF nº 243/2002, que, por sua vez, é meramente Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.544 14 interpretativa e procedimental, quanto à aplicação dos métodos de obtenção do preço parâmetro. Tanto é assim que a Solução de Consulta Cosit nº 2, de 23/01/2008, ao esclarecer que, na determinação do preço parâmetro pelo método PRL 60%, com a vigência da IN SRF nº 243/2002, “devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%,...”, nada mais fez do que repisar aquilo que artigo 18 da Lei nº 9.430/96, em seu inciso II, letra d1, já preconizava. Descabidos, pois os argumentos da Recorrente quanto a esse ponto. Da inclusão das despesas de frete, seguro e II no preço praticado Contesta a Recorrente a inclusão dos valores dos fretes, seguros e impostos não recuperáveis nos custos da importação. Argumenta que tais despesas acarretam diversas distorções nos cálculos dos preços de transferência. A interpretação dada pela Recorrente ao artigo 18 da Lei n° 9.430/1996 não é a correta. Uma leitura mais atenta do caput da citada norma, juntamente com seu parágrafo 6°, demonstra que os encargos em comento devem integrar o custo da importação para fins de dedutibilidade, vejamos: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutiveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (grifos nossos) (...) § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação." Como se vê a redação do caput não limita o cálculo da dedutibilidade somente a operação efetuada diretamente com a pessoa vinculada. Cita textualmente "os custos, despesas e encargos constantes dos documentos de importação ou de aquisição". Dito de outra maneira, deve ser considerado o "custo total" de colocação do bem no mercado nacional. O disposto no parágrafo 6° apenas reforça a tese de que todas as despesas da colocação do bem no mercado nacional devem ser consideradas, visto que o frete o seguro e os impostos incidentes na importação se enquadram na categoria de despesas e encargos e estão presentes na documentação de importação do bem. Assim, a utilização do valor CIF + II, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, obedece a seguinte lógica: o método parte do preço de revenda praticado pelo importador (média aritmética), excluindo alguns valores (como os descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei n° 9.430/96, supra transcrita) para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, o importador considera, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro por ele assumidos, e os tributos Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.545 15 incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também deverá ter nele embutidos tais custos. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela Contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora. Dessa forma, há que se manter o lançamento de IRPJ no que concerne aos ajustes nas operações de importação. Da tributação correlata Tendo em vista a estreita relação entre o lançamento do IRPJ ora analisado e aquele relativo à CSLL, por decorrerem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável, estendo o aqui decidido para aquele lançamento. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. Do recurso de ofício Do safe harbour da lucratividade Contesta a Recorrente o procedimento adotado pelo Autuante na aplicação dos artigos 35 e 37 da IN SRF n° 243/2002, in verbis: (destaques acrescidos) Art. 35. A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, considerando a média anual do período de apuração e dos dois anos precedentes, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações, do período de apuração, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. A redação do caput deste artigo foi dada pelo artigo 1º da Instrução Normativa n° 382 de 30.12.2003. Redação Antiga: "Art. 35. A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro liquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação." § 1° Para efeito deste artigo, o lucro líquido correspondente as exportações para empresas vinculadas será apurado segundo o disposto no art. 187 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e na legislação do imposto de renda. Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.546 16 § 2o Na apuração do lucro liquido correspondente a essas exportações, os custos e despesas comuns as vendas serão rateados em função das respectivas receitas liquidas. § 3° Não devem ser computadas, para fins de determinação do percentual estabelecido no caput, as operações de venda de bens, serviços ou direitos cujas margens de lucro, previstas nos arts. 24, 25 e 26, tenham sido alteradas nos termos dos arts. 32, 33 e 34. Esse parágrafo foi inserido pelo artigo 1° da Instrução Normativa n° 321 de 14.04.2003. Art. 37. O disposto nos arts. 35 e 36: I não se aplica em relação às vendas efetuadas para empresa, vinculada ou não, domiciliada em pais ou dependência com tributação favorecida, ou cuja ligislação interna oponha sigilo, conforme definido no art. 39; II não implica a aceitação definitiva do valor da receita reconhecida com base no preço praticado, o qual poderá ser impugnado, se inadequado, em procedimento de oficio, pela SRF. Conforme relatado, a Recorrente informou à fiscalização que não houve aplicação de qualquer método no anocalendário de 2002 em face do disposto no artigo 35 acima reproduzido. O procedimento em tela não foi aceito pela fiscalização por dois motivos: i) o contribuinte não comprovou a lucratividade dos dois anoscalendário anteriores e, ii) no cálculo da lucratividade do período fiscalizado a Autuada considerou as vendas de exportações consolidadas para pessoas vinculadas e países com tributação favorecida. Sobre os fatos apontados pela fiscalização para impugnar a aplicação do artigo 35 da IN SRF nº 243/2002, cumpre observar que, como bem alega a defesa, a comprovação da lucratividade dos dois anoscalendário anteriores não se aplica ao período fiscalizado (2002), visto que a exigência em tela só foi introduzida pela IN SRF n° 382 de 30/12/2003, publicada em 05/01/2004. Também não reputo correta a interpretação dada pela fiscalização ao artigo 37 da IN SRF n° 243/2002. O texto é claro, a comprovação da adequação dos preços praticados nas exportações, com os documentos relacionados com a própria operação (artigo 35) "não se aplica em relação às vendas efetuadas para empresa, vinculada ou não, domiciliada em pais ou dependência com tributação favorecida, ou cuja legislação interna oponha sigilo, conforme definido no art. 39". Como se vê, o artigo 37 não interfere no cálculo da lucratividade, ressalva apenas que as citadas operações não estão dispensadas do controle dos preços de transferência na forma do artigo 19 da Lei n° 9.430/1996. Destarte, reputo por correta a decisão recorrida quando exclui da matéria tributável apurada o ajuste decorrente das operações não atingidas pelo artigo 37 da IN SRF n° 243/2002. Do cálculo dos ajustes Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.547 17 Assim dispõe o artigo 14 da IN SRF n° 243/2002: Art. 14. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada, ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 1o O preço médio a que se refere o caput deste artigo será obtido pela multiplicação dos preços praticados, pelas quantidades relativas a cada operação e os resultados apurados serão somados e divididos pela quantidade total, determinando se, assim, o preço médio ponderado. § 2° Caso a pessoa jurídica não efetue operações de venda no mercado interno, a determinação dos preços médios a que se refere o caput será efetuada com dados de outras empresas que pratiquem a venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro. § 3° Para efeito do disposto neste artigo, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas, no mercado brasileiro, entre compradores e vendedores não vinculados. § 4° Para efeito de comparação, o preço de venda: I no mercado brasileiro, deverá ser considerado liquido dos descontos incondicionais concedidos, do ICMS, do ISS, das contribuições Cofins e PIS/Pasep, de outros encargos cobrados pelo Poder Público, do frete e do seguro, suportados pela empresa vendedora; II nas exportações, será tomado pelo valor depois de diminuído dos encargos de frete e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa exportadora. (grifei) O Autuante menciona no relatório da diligência que antes de adotar os métodos PVEx e CAP, calculou por amostragem (16 itens) a relação dos preços médios na exportação/preços médios no mercado brasileiro. A meu ver tal procedimento não corresponde à melhor interpretação da norma. A aplicação do artigo 14 da IN SRF n° 243/2002 precede o cálculo dos ajustes com base nos métodos previstos nos incisos I a IV, §3° do artigo 19 da Lei n° 9.430/1996, visto que somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações, efetuadas durante o respectivo período de apuração Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.548 18 da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares. Ademais, como bem observou a Recorrente em sua Impugnação, o cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal não está correto, tendo em conta que o índice apurado corresponde à relação entre o preço médio praticado na exportação para vinculadas/preço médio praticado na exportação para não vinculadas. Destarte, temse que, no caso em tela, o Autuante não comprova a necessidade do arbitramento dos preços de transferência nas operações de exportação. Assim, no tocante às exportações, deve ser mantida tãosomente a matéria tributária apurada pelo próprio contribuinte no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO VALOR DE AJUSTE — VENDAS PARAÍSO FISCAL 2002" (doc. "EXP." 3 — fls. 45 e 46 do Anexo I), conforme demonstrado na decisão recorrida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721981/2008-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.721981/2008-68
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448279
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2801-000.138
nome_arquivo_s : Decisao_10580721981200868.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10580721981200868_5448279.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
id : 5879610
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703146987520
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-03-12T20:57:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-03-12T20:57:05Z; Last-Modified: 2013-03-12T20:57:05Z; dcterms:modified: 2013-03-12T20:57:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:eea75da9-e73b-4c1e-88b6-7d81a0524533; Last-Save-Date: 2013-03-12T20:57:05Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-03-12T20:57:05Z; meta:save-date: 2013-03-12T20:57:05Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-03-12T20:57:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-03-12T20:57:05Z; created: 2013-03-12T20:57:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2013-03-12T20:57:05Z; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2013-03-12T20:57:05Z | Conteúdo => S2TE01 Fl. 260 1 259 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721981/200868 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.138 – 1ª Turma Especial Data 14 de agosto de 2012 Assunto IRPF Recorrente ADAUCTO GONCALVES DE SALLES BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 392.605,57, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 21 98 1/ 20 08 -6 8 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721981/200868 Resolução nº 2801000.138 S2TE01 Fl. 261 2 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Uma parte destes rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Tais diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Uma segunda parcela dos rendimentos classificados indevidamente pelo contribuinte como isentos ou não tributáveis foram recebidos a título de aposentadoria no período de janeiro de 2003 a outubro de 2005, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.000070074, onde se pretendia a isenção do imposto sobre a integralidade dos proventos de aposentadoria recebidos pelos maiores de 65 anos. A segurança concedida foi denegada pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região em 16/04/2002, e transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2004. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, contestando apenas a infração relativa à diferença de URV. Foi, alegado, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721981/200868 Resolução nº 2801000.138 S2TE01 Fl. 262 3 recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Em razão da impugnação parcial, a parcela do crédito não impugnada foi transferida para o processo nº 10580720040/200998, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário, às fls. 126. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Doravante, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte suscitando os mesmos argumentos da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721981/200868 Resolução nº 2801000.138 S2TE01 Fl. 263 4 Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2008, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente nos anoscalendários 2003, 2004, 2005 e 2006. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721981/200868 Resolução nº 2801000.138 S2TE01 Fl. 264 5 “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720348/2008-48
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO X BUSCA DA VERDADE MATERIAL. CABIMENTO DE DILIGÊNCIA. CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS COM ALTERNATIVA À DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante da necessidade de busca de esclarecimentos sobre a existência física do imóvel rural, há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento. A informação do recorrente de que juntou documento dessa natureza exige uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Conclui-se que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência.
ITR. FAZENDA SOBREPOSTA. INEXISTÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO PARA EXIGÊNCIA DO ITR.
Comprovado nos autos que o imóvel declarado na DITR não existe, pois trata-se de área rural sobreposta a imóvel rural de terceiro, deve ser cancelada a exigência tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO X BUSCA DA VERDADE MATERIAL. CABIMENTO DE DILIGÊNCIA. CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS COM ALTERNATIVA À DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. Diante da necessidade de busca de esclarecimentos sobre a existência física do imóvel rural, há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento. A informação do recorrente de que juntou documento dessa natureza exige uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Conclui-se que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência. ITR. FAZENDA SOBREPOSTA. INEXISTÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO PARA EXIGÊNCIA DO ITR. Comprovado nos autos que o imóvel declarado na DITR não existe, pois trata-se de área rural sobreposta a imóvel rural de terceiro, deve ser cancelada a exigência tributária. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10530.720348/2008-48
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441819
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.322
nome_arquivo_s : Decisao_10530720348200848.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10530720348200848_5441819.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5862402
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703149084672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2098; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 130 1 129 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.720348/200848 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.322 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria ITR Recorrente IOLANDO SILVA DE ARAÚJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO X BUSCA DA VERDADE MATERIAL. CABIMENTO DE DILIGÊNCIA. CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS COM ALTERNATIVA À DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. Diante da necessidade de busca de esclarecimentos sobre a existência física do imóvel rural, há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento. A informação do recorrente de que juntou documento dessa natureza exige uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Concluise que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência. ITR. FAZENDA SOBREPOSTA. INEXISTÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO PARA EXIGÊNCIA DO ITR. Comprovado nos autos que o imóvel declarado na DITR não existe, pois tratase de área rural sobreposta a imóvel rural de terceiro, deve ser cancelada a exigência tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 03 48 /2 00 8- 48 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto Territorial Rural ITR do exercício 2004 relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Curralinho II, cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil sob o nº 5.430.3710, com área declarada de 3.985,5ha, localizado no Município de Riachão das Neves/BA. A autuação decorreu de alteração do Valor da Terra Nua de R$1.050,00 para R$724.524,05. Na impugnação, o contribuinte alegou o seguinte a) atua como comerciante e, em função dessa atividade, recebeu terras em pagamento de créditos, entre as quais o imóvel em questão e, não tendo a agricultura como atividade principal, não conferiu as divisas, confiando na idoneidade dos vendedores; b) em novembro de 2007, para cumprir determinação legal de georreferenciar e certificar o imóvel junto ao INCRA, contratou engenheiro civil credenciado junto a essa autarquia, o qual concluiu que a área física do imóvel não existia, em razão disso e por força da evicção, exigiu o desfazimento do negócio, o que se deu com escritura de distrato, lavrada em 07/12/2007, averbada sob nº AV6470, em 14/12/2007; e c) foi vítima do denominado golpe das fazenda de segundo andar, infelizmente comum na região e noticiado na mídia. O acórdão recorrido declarou que não foi impugnada a alteração do VTN e indeferiu a impugnação, em resumo, pelos fundamentos abaixo: a) a impugnação baseouse na ilegitimidade passiva e na inexistência da propriedade, todavia, o distrato mencionado pelo impugnante indicou expressamente que havia dúvidas sobre as divisas e não a inexistência do imóvel; b) não havendo cancelamento do registro, o mesmo permanece válido; e c) de janeiro de 1996 a 07/12/2007, o contribuinte enquadrouse como sujeito passivo do ITR na condição de proprietário ou possuidor a qualquer título. A ciência do acórdão ocorreu em 15/03/2011 (fls. 57) e o Recurso Voluntário foi interposto na mesma data (fls. 62), contendo as seguintes alegações: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720348/200848 Acórdão n.º 2802003.322 S2TE02 Fl. 131 3 1) o distrato foi averbado na matrícula do imóvel, dando publicidade do ato perante terceiros, inclusive o Fisco; 2) o distrato produziu efeitos ex tunc; o Fisco não pode considerar o recorrente sujeito passivo do ITR nos termos do art. 31 do CTN, pois não existe a propriedade e o negócio jurídico foi desfeito e transcrito na matrícula do imóvel; 3) não se pode exigir o ITR unicamente em razão de o recorrente ter declarado o imóvel na DITR, posto que se trata de obrigação acessória que cumpriu de forma equivocada; e 4) o acórdão recorrido exigiu o cancelamento da matrícula, porém se trata de uma prova impossível para o recorrente, uma vez que não é proprietário, nem possuidor nem titular do domínio útil, face ao efeito ex tunc do distrato. Em 29/11/2013, o contribuinte (a) peticionou pela juntada de novos documentos (fls. 76/123), (b) reiterou parte das alegações do recurso voluntário, (c) afirmou que, em diligência, o INCRA constatou que a área do imóvel existe, mas é totalmente sobreposta pela Fazenda Curralinho, de propriedade de Celeste Agropecuária Ltda, e que isto comprova sua ilegitimidade passiva perante o ITR e a indevida inscrição no CAFIR, sob o número 5.430.3710, pois já existe registro para a mesma área, de propriedade da citada empresa; e (d) informou que fez o pedido de baixa do NIRF, conforme DIAC – Cancelamento anexo, relativo ao processo 10530.722092/201451. Cientificada da juntada desses documentos, a Fazenda Nacional ressaltou que os mesmos foram apresentados quase dois anos e meio após o recurso voluntário e requereu o respectivo desentranhamento dos autos, em virtude da preclusão temporal e pelo fato de o contribuinte não ter comprovado, ou sequer aduzido, a impossibilidade de apresentação oportuna da documentação ora acostada, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto n° 70.235/1972 (fls. 125/127). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Essencialmente o litígio centrase no aspecto material da relação jurídico tributária relativa à exigência do ITR, qual seja a existência ou não da Fazenda Curralinho II. A discussão sobre a legitimidade passiva somente faz sentido se se concluir que existe o imóvel. Até a decisão de primeira instância não havia um documento que inequivocamente comprovasse a inexistência do imóvel, pois tanto o laudo de avaliação negativa de imóvel rural (fls. 27) como o distrato (fls.33) apenas servem para demonstrar dúvidas sobre a demarcação do imóvel. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Na petição apresentada após o recurso voluntário é alegado que o INCRA constatou que o imóvel (Fazenda Curralinho II) é uma área sobreposta à área denominada Fazenda Curralinho, de propriedade de Celeste Agropecuária. Por outro lado, a Fazenda Nacional postula pelo reconhecimento da preclusão relativa à juntada desses documentos. Essa questão processual deve ser analisada sob o prisma da busca da verdade material, no contexto dos autos, há razão suficiente para que o Julgador busque esclarecimentos sobre a existência física da propriedade sobre a qual o Estado está legitimado a exigir o ITR. Há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento, por outro lado, o recorrente dá notícia de que juntou documento com essa natureza. Exigese uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Concluise que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência. Quanto ao aspecto material, a exigência do ITR baseiase, exclusivamente, na informação constante da DITR apresentada, tempestivamente, pelo recorrente, todavia, a informação do INCRA (fls. 119/120) apresentada em atendimento ao requerimento do interessado (fls. 118) comprovam que esse na área correspondente ao imóvel em questão existe outro, a Fazenda Curralinho, de Celeste Agropecuária Ltda, que o imóvel objeto do lançamento tratase de imóvel sobreposto à Fazenda Curralinho de propriedade de terceiros. Em outras palavras, o imóvel Fazenda Curralinho II descrito na DITR não existe, o que existe é a Fazenda Curralinho, de propriedade da Celeste Agropecuária, conforme certificada pelo INCRA, portanto, não há o suporte fático necessário para exigência do ITR sobre a Fazenda Curralinho II. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002135/2010-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL.
São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes, se não é apresentada escrituração que corrobore a existência de resultado contábil a amparar a distribuição ocorrida. No caso, o recorrente limitou-se a apresentar balanços e balancetes sem comprovar a transcrição em Livro Diário, os quais também não foram apresentados.
IRPF. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÓCIO E EMPRESA QUE COMUNGAM DE PRÁTICA DE RECEBIMENTO DE RECURSOS DIRETAMENTE NA CONTA DOS SÓCIOS COM OMISSÃO CONJUNTA DE VALOR DE TORNA IRRISÓRIO O QUE FOI DECLARADO NO PERÍODO DE APURAÇÃO APLICÁVEL A AMBOS. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA DA MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA.
A omissão de rendimentos realizada por sócio em conjunto com a pessoa jurídica por meio de recebimento em conta pessoal de recursos da sociedade com não oferecimento à tributação de valores que tornaram irrisório o valor declarado por sócios e sociedades no período de apuração não é mera omissão de rendimentos, pois caracteriza dolo e enseja o lançamento da multa qualificada.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes, se não é apresentada escrituração que corrobore a existência de resultado contábil a amparar a distribuição ocorrida. No caso, o recorrente limitou-se a apresentar balanços e balancetes sem comprovar a transcrição em Livro Diário, os quais também não foram apresentados. IRPF. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÓCIO E EMPRESA QUE COMUNGAM DE PRÁTICA DE RECEBIMENTO DE RECURSOS DIRETAMENTE NA CONTA DOS SÓCIOS COM OMISSÃO CONJUNTA DE VALOR DE TORNA IRRISÓRIO O QUE FOI DECLARADO NO PERÍODO DE APURAÇÃO APLICÁVEL A AMBOS. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA DA MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA. A omissão de rendimentos realizada por sócio em conjunto com a pessoa jurídica por meio de recebimento em conta pessoal de recursos da sociedade com não oferecimento à tributação de valores que tornaram irrisório o valor declarado por sócios e sociedades no período de apuração não é mera omissão de rendimentos, pois caracteriza dolo e enseja o lançamento da multa qualificada. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.002135/2010-18
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5440821
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.256
nome_arquivo_s : Decisao_19515002135201018.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 19515002135201018_5440821.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
id : 5855237
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703151181824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2138; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 301 1 300 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002135/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.256 – 2ª Turma Especial Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente ROBERTO CABARITI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes, se não é apresentada escrituração que corrobore a existência de resultado contábil a amparar a distribuição ocorrida. No caso, o recorrente limitouse a apresentar balanços e balancetes sem comprovar a transcrição em Livro Diário, os quais também não foram apresentados. IRPF. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÓCIO E EMPRESA QUE COMUNGAM DE PRÁTICA DE RECEBIMENTO DE RECURSOS DIRETAMENTE NA CONTA DOS SÓCIOS COM OMISSÃO CONJUNTA DE VALOR DE TORNA IRRISÓRIO O QUE FOI DECLARADO NO PERÍODO DE APURAÇÃO APLICÁVEL A AMBOS. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA DA MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA. A omissão de rendimentos realizada por sócio em conjunto com a pessoa jurídica por meio de recebimento em conta pessoal de recursos da sociedade com não oferecimento à tributação de valores que tornaram irrisório o valor declarado por sócios e sociedades no período de apuração não é mera omissão de rendimentos, pois caracteriza dolo e enseja o lançamento da multa qualificada. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 35 /2 01 0- 18 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, por ter sido apurado o recebimento de rendimentos a sócio de empresa, excedentes ao lucro presumido, depois de deduzidos o IRPJ e a CSLL, uma vez que não demonstrado, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é superior ao lucro presumido. Citouse como enquadramento legal: Ato Declaratório Normativo COSIT n° 4/1996, inciso II; artigo 663 do Decreto n°3.000/1999 RIR/1999 e art. 1 ° da Lei n° 11.119/2005. O Termo de Verificação Fiscal consta às fls. 186 a 216. A multa de ofício foi qualificada (150%). Na impugnação, o contribuinte alegou decadência e inexistência de demonstração pela autoridade lançadora do dolo que justificasse a multa e sustentou que os rendimentos recebidos de Advocacia Husni – PaolilloCabariti S/C são isentos, pois tem condições de comprovar por meio de escrituração contábil (fls. 247/261) o montante do lucro distribuível aos sócios. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese: a) por ausência de qualquer causa de nulidade do lançamento; b) por inexistir apuração de decadência de forma mensal e sim anual, de o prazo decadencial ser contado na forma do inciso I do art. 173 do CTN em razão do dolo; c) porque os balanços, balancetes e demonstrativos de resultado de fls. 248/261 não são hábeis a comprovar a existência de escrituração contábil regular; o contribuinte deveria comprovar o ingresso dos recursos correspondentes à receita não oferecida à tributação na DIPJ registrados no Livro Diário e que o balanço teria sido transcrito no mesmo livro, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002135/201018 Acórdão n.º 2802003.256 S2TE02 Fl. 302 3 mantido com observância das formalidades estabelecidas no art. 258 do RIR1999; d) houve conduta dolosa, buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme disposto no artigo 71 da Lei no 4.502/1964, a justificar a imposição da multa qualificada; a conduta dolosa foi descrita no item 2.46 do Termo de Verificação Fiscal , cujo excerto transcrito no acórdão recorrido é reproduzido adiante: 2.59) Após a verificação do Livro Caixa e da DIPJ constatamos que as Receitas da Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C depositadas nas contas pessoais das pessoas físicas sócias, NÃO haviam sido informadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no momenta oportuno, nem sobre elas haviam sido recolhidos os impostos e contribuições devidos. Conforme pode ser visto no Livro Caixa e DIPJ, para o Primeiro Trimestre de 2005, a Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C informou Receita de apenas RS 11.490,67, quando a soma de R$ 860.725,34, honorários depositados em 01/03/2005, mais R$ 1.125.832 (R$ 460.000,00 + R$ 665.832,00), honorários depositados em 19/01/2005, mais R$ 60.498,18, honorários depositados em 17/01/2005, totaliza R$ 2.047.082,52. Vêse, portanto, que a Receita declarada a Secretaria da Receita Federal do Brasil, é irrisória comparada a não declarada. Este fato evidencia que a omissão do contribuinte foi consciente. Não é admissível aceitar que alguém que deve declarar ao FISCO R$ 2.058.573,19 declare apenas R$ 11.490,67 e fique anos a fio sem perceber o engano. O fato está tipificado no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, como sonegação, pede representação fiscal para fins penais, cobrança de multa qualificada, nos termos do artigo 44 da Lei no 9.430/96 e artigo 957, inciso II, do RIR199 e constituição do crédito tributário fundamentada no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.(destaques do original) Ciência do acórdão em 24/10/2011. Recurso voluntário enviado por via postal em 21/11/2011 assentado nas seguintes alegações: 1. decadência apurada mensalmente, em decorrência dos art. 9º e 10 da Lei 8.134/1990, art. 2º da Lei 7.713/1988 e art. 43 do CTN, cita precedentes do CARF; 2. não há prova de conduta dolosa, a comparação da receita apurada pelo Fisco baseouse apenas no 1° trimestre do ano, a fim de demonstrar de forma distorcida o total declarado no ano, cita precedentes do CARF e a Súmula CARF nº 14, enfatizando que o valor dos rendimentos omitidos não é razão para qualificação da multa de ofício; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 3. a existência de balancete, balanços e demonstrativos é prova suficiente de que os registros contábeis foram feitos regularmente, o que leva à distribuição de lucros isentos, conforme determina a IN SRF 93/1997. É o que se tinha a relatar. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da decadência A tese da decadência apurada mês a mês está, há muito, superada no CARF, posto que o IRPF tem fato complexivo, que é considerado consumado no dia 31 de dezembro. Como se trata do anocalendário 2005, a contagem na forma do §4º do art. 150 do CTN – a mais vantajosa ao recorrente, porém dependente de haver pagamento antecipado e inexistir dolo –, caso viesse a ser adotada, teria como prazo final o dia 31/12/2010. O contribuinte foi notificado do lançamento em 28 de julho de 2010 (fl. 226), de forma que não há decadência, quer seja pela contagem com amparo no §4º do art. 150 do Código, ou – com mais razão ainda, contandose com fundamento no inciso I do art. 173 do Código, conforme feito no lançamento. Preliminar rejeitada. Da omissão de rendimentos A tese do recorrente depende da comprovação, com suporte na escrituração contábil feita com base na lei comercial, de que a empresa Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C apurou lucros acima do valor do lucro presumido deduzido dos pagamentos de IRPJ e CSLL, como previsto no art. 48 da IN SRF nº 93/1997. Como o recurso voluntário é desacompanhado de documentos, a análise baseiase nos mesmos documentos apreciados pela instância a quo (fls. 247/261). Esta comprovação se faz por meio do Livro Diário, todavia, o contribuinte omite receitas da DIPJ e apresenta somente Balanços e Balancetes. A documentação trazida pelo recorrente compõese de Balancetes Trimestrais do ano 2005, balanço encerrado em dezembro de 2005 e demonstrações de resultados trimestrais e anual do mesmo período. É muito pouco. Neste caso, tem relevância o fato de a pessoa jurídica ter omitido da tributação (DIPJ) os rendimentos que ocasionaram o lançamento (fls. 193, item 2.50 do Termo de Verificação Fiscal). Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002135/201018 Acórdão n.º 2802003.256 S2TE02 Fl. 303 5 Com razão, o acórdão recorrido anotou que a documentação não é hábil para o fim almejado pelo recorrente. Assim, deveria o contribuinte comprovar que o ingresso dos recursos correspondentes à receita não oferecida à tributação na DIPJ teria sido registrado no Livro Diário e que o balanço teria sido transcrito no mesmo livro, mantido com observância das formalidades estabelecidas no dispositivo acima citado. Não atendidos os requisitos previstos na legislação tributária para a isenção em relação aos valores distribuídos que excederam o lucro presumido, não merece reparos o lançamento do imposto. O valor apurado pela fiscalização não foi contestado. Da multa qualificada O acórdão recorrido consignou que a fundamentação utilizada para a qualificação da multa correspondente à infração constatada na pessoa jurídica também se aplica à irregularidade apurada em relação à pessoa física dos sócios, por ser esta decorrente daquela. A empresa declara parte irrisória de suas receitas e faz pagamentos substanciais a seus sócios à margem da escrituração e o sócio – ora recorrente – declara como rendimentos isentos. Com base nessa premissa, concluiuse que houve conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a justificar a imposição da multa qualificada. Um dos trechos do Termo de Verificação Fiscal que trata dessa questão. 2.59) Após a verificacdo do Livro Caixa e da DIPJ constatamos que as Receitas da Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C depositadas nas contas pessoais das pessoas físicas sócias, não haviam sido informadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no momento oportuno, nem sobre elas haviam sido recolhidos os impostos e contribuições devidos. Conforme pode ser visto no Livro Caixa e DIPJ, para o Primeiro Trimestre de 2005, a Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C informou Receita de apenas R$11.490,67, quando a soma de R$ 860.725,34, honorários depositados em 01/03/2005, mais R$ 1.125.832 (R$ 460.000,00 + R$ 665.832,00), honorários depositados em 19/01/2005, mais R$ 60.498,18, honorários depositados em 17/01/2005, totaliza R$ 2.047.082,52. Vêse, portanto, que a Receita declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, é irrisória comparada à não declarada. Este fato evidencia que a omissão do contribuinte foi consciente. Não é admissível aceitar que alguém que deve declarar ao FISCO R$ 2.058.573,19 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 declare apenas R$ 11.490,67 e fique anos a fio sem perceber o engano. O fato está tipificado no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, como sonegação, pede representação fiscal para fins penais, cobrança de multa qualificada, nos termos do artigo 44 da Lei no 9.430/96 e artigo 957, inciso II, do RIR199 e constituição do crédito tributário fundamentada no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O recorrente declarou a título de rendimentos isentos somente R$20.000,00 (fls. 58). Durante a fiscalização buscou fazer crer que os valores que recebeu eram da empresa, porém não conseguiu provar a devolução à empresa. Verificase uma similar conduta evasiva à adotada pela pessoa jurídica, uma omissão de rendimentos expressivos, tornando irrisórios os valores declarados. Omitese a receita na pessoa jurídica e os sócios fazem o mesmo. Comprovada a omissão, iniciase o esforço para fazer o Fisco crer que foram lucros da sociedade acima do que o Fisco admitiu a título de lucro presumido. Não se trata de qualificação de multa em razão de mera omissão de rendimentos. A questão deve ter a mesma solução dada ao julgamento da conduta da pessoa jurídica: Além disso, a conduta dolosa da recorrente e de seus sócios é incontestável, pois: o uso de contas bancárias dos sócios para movimentar receitas da recorrente; a nãodeclaração de receitas; e o não oferecimento à tributação de receitas que totalizaram R$ 2.047.082,52 constitui em uma conduta adrede concebida para afastar ou mesmo retardar do conhecimento do Fisco a ocorrência do fato gerador. Desse modo, ainda que houvesse prova de antecipação de pagamento nos autos, a conduta dolosa da recorrente está plenamente demonstrada nos autos, razão pela qual a regra de decadência aplicável é a do art. 173, I, do CTN, por força do disposto no art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Por sua vez, não se aplica ao caso a Súmula CARF nº 25, pois o dolo da contribuinte não está suportado na presunção de omissão de receitas, mas, como já dito, pela conduta adrede concebida de fazer com que as receitas da recorrente fossem desviadas para as contas de seus sócios com a finalidade de sonegálas da tributação. Tanto é verdade, que nem a recorrente nem mesmo os seus sócios a ofereceram à tributação.(Processo nº 19515.002234/201008, Acórdão n.º 1302001.115). Nestes autos, cuidase de situação em que as ações adotadas pela pessoa jurídica e seus sócios são indissociáveis para fins de apuração do dolo. O caráter irrisório do valor declarado comparado com a receita omitida no primeiro trimestre dispensa comparar outros períodos de apuração, notadamente quando a Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002135/201018 Acórdão n.º 2802003.256 S2TE02 Fl. 304 7 pessoa jurídica declara pelo lucro presumido, que é de periodicidade trimestral (Lei 9.430/1996, artigos 1° e 25). Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000141/2007-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2007
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA
Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve-se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 22-1 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício.
REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO
O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2007 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve-se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 22-1 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13056.000141/2007-11
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5438486
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.049
nome_arquivo_s : Decisao_13056000141200711.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13056000141200711_5438486.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
id : 5848231
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047703178444800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 451 1 450 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13056.000141/200711 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.049 – 2ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2015 Matéria IPI Redução de alíquota Recorrente PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 221 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 01 41 /2 00 7- 11 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ em Porto Alegre RS (fls. 417/420 do arquivo digital acostado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 PRODUTOS DO CÓDIGO 2202.10.00 DA TIPI. PEDIDO DE REDUÇÃO DE CINQUENTA POR CENTO DA ALÍQUOTA DO IPI.EXISTÊNCIA DE DÉBITOS EM ABERTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. INDEFERIMENTO. A existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, a irregularidade em relação ao FGTS e a existência de registros no Cadin, em relação à pessoa jurídica interessada, impedem a concessão e o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, como é o caso da redução de alíquota do IPI, prevista na Nota Complementar 221 da Tabela de Incidência do referido imposto. Manifestação de Incorfomidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Para melhor compreensão de meus pares acerca dos fatos, transcrevo o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a seguir transcrito: Conforme petição da fl. 1 e anexos, o estabelecimento industrial acima requereu a redução de alíquota do IPI, de que trata a Nota Complementar (NC) 221 da Tabela de Incidência do referido imposto, para o produto “Bebida Mista de Laranja, Limão e Tangerina, com Aroma de Frutas Cítricas, Marca Skinka Frutas Cítricas”, registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sob nº RS 10969 000381. Segundo a referida NC 221, ficam reduzidas de cinquenta por cento as alíquotas relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA e estejam registrados no órgão competente do referido Ministério. O interessado requereu ainda que o reconhecimento da redução retroagisse à data do registro do produto no MAPA. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 452 3 Em cumprimento às normas complementares baixadas pela Portaria Interministerial n. 113, de 4 de março de 1977, dos Ministros de Estado da Fazenda e da Agricultura, publicada no Diário Oficial da União de 10 de março de 1977, com retificação em 5 de abril de 1977, este processo foi encaminhado ao MAPA, segundo a informação das fls. 32 e 33 (vol. I), em razão do que foi emitido por aquele Ministério o Parecer DBEB/CGVB/DIPOV da fl. 34 (vol. I), informando que a bebida em questão enquadrase nos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA. Com o retorno do processo ao órgão de origem, foi elaborado, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO), o Parecer DRF/NHO/Seort nº 022/2010, das fls. 213 a 216 (vol. II), que propôs o indeferimento do pedido, pela existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, pela irregularidade em relação ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e pela existência de registros no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), citando o art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 27 da Lei ng 8.036, de 11 de maio de 1990, e art. 6g da Lei ng 10.522, de 19 de julho de 2002. O referido parecer assentou ainda que, se fosse possível o deferimento, essa medida não retroagiria à data do registro do produto no MAPA, porquanto a redução de alíquota em causa não é auto aplicável, sendo imprescindível o reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A proposição referida no item precedente foi acolhida pelo Despacho Decisório DRF/NHO/Seort n. 127/2010, da fl. 217 (vol. ll), que indeferiu o pleito do interessado. A ciência do referido despacho ocorreu em 19 de fevereiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 241 (vol. II). Na sequência, o interessado manifestou inconformidade, tempestivamente, em 23 de março de 2010, conforme arrazoado das fls. 242 a 253 (vol. II), firmado por advogada, credenciada pelo mandato e cópia do documento de identidade das fls. 268 a 271 (vol. II), alegando, em síntese, o que segue. Diz que o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, aplicase nas hipóteses de pedido de concessão de benefício fiscal, situação em que não se enquadra o pleito de redução de alíquota do IPI. O interessado argumenta que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora (MG) já decidiu pelo deferimento do benefício da redução da alíquota do IPI, diante da comprovação de que o produto atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA, independentemente da apresentação de certidão de regularidade fiscal, conforme Acórdão DRJ/JFA nº 021.563, de 13 de novembro de 2008, proferido no Processo nº13738.000189/200157, em parte transcrito na manifestação de inconformidade. O entendimento expendido no precedente citado, segue o requerente, é no sentido de que a redução de alíquota de que trata a NC 221 da TIPI não Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 seria propriamente um benefício fiscal, mas um tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preencha certos requisitos estabelecidos na legislação, natureza objetiva que diferenciaria os pleitos da espécie dos benefícios fiscais subjetivos, sendo dados como exemplos as isenções do IPI concedidas aos taxistas e aos deficientes físicos, estas sim sujeitas ã comprovação referida no art. 60 da Lei nº9.069, de 1995. Na sequência, o interessado acrescenta que o indeferimento do pleito foi desmotivado, porquanto, mesmo que a regularidade fiscal fosse requisito para o deferimento do pedido de redução de alíquota do IPI, houve, no caso, a apresentação de certidões de regularidade perante a RFB, PGFN, INSS e FGTS, argumentando que a RFB não reconhece suas próprias certidões, que valeriam apenas perante órgãos externos, citando e transcrevendo artigos da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº3, de 22 de novembro de 2005, e da Instrução Normativa SRF ng 574, de 23 de novembro de 2005, para dizer que a regularidade fiscal foi comprovada e deve ser aceita para fins de reconhecimento da redução. Mais adiante, o manifestante alega que o Certificado de Regularidade do FGTS foi expedido apenas para o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) da matriz e da filial requerente, considerando que o FGTS é calculado e recolhido individualmente pelos estabelecimentos da pessoa jurídica. Além disso, o interessado ressalta que a redução da alíquota do IPI favorecerá o produto Bebida Mista de Laranja, Limão e Tangerina, com Aroma de Frutas Cítricas, Marca Skinka Frutas Cítricas, fabricado no estabelecimento requerente, motivo pelo qual discorda da exigência de comprovação de regularidade de estabelecimentos que não serão beneficiados por essa redução. Por último, o requerente pede a reforma do despacho decisório contestado, para que seja reconhecido o direito à redução da alíquota do IPI, nos termos do pleito. É o Relatório. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/07/2010 (fl. 422). Inconformada, a Recorrente apresentou, em 11/08/2010 (fl. 423), o recurso voluntário de fls. 423/444, onde ressalta o seguintes tópicos: 1 condição para concessão do benefício fiscal da regularidade fiscal a) que a solicitação foi indeferida, por ter entendido a DRJ, que o pedido de redução de alíquota de IPI (Bebida Mista de Laranja, Limão e Tangerina, com Aroma de Frutas Cítricas, Marca Skinka Frutas Cítricas”, registro no MAPA: RS – 10969.000381), encontrase em desacordo com a legislação de regência, uma vez que foi formulado sem que a contribuinte atentasse à condição essencial a concessão, que seria a regularidade fiscal e que são infundadas as alegações do fisco de que há necessidade de comprovação da regularidade fiscal para autorizar o reconhecimento de redução de alíquota do IPI e que a recorrente não está irregular perante à RFB/PGFN, INSS e FGTS. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 453 5 b) aduz da desnecessidade de comprovação da regularidade fiscal da recorrente a autorizar o reconhecimento de redução de alíquota de IPI; que é cediço que os requisitos para a concessão da redução da alíquota do IPI, previstos na NC 221 da TIPI, consta no art. 4º do Decreto nº 84.637/80; verificase que a redução da alíquota do IPI vinculase, exclusivamente, aos elementos objetivos do produto, quais sejam: o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como o regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;Cita várias julgados administrativos e arremata ressaltando que a concessão do benefício da redução da alíquota do IPI é direito da recorrente, independente da comprovação de sua regularidade fiscal. 2.1 – Da regularidade fiscal da recorrente c) argumenta que, mesmo que se admita que a regularidade fiscal seja requisito para o indeferimento do Pedido de Redução da Alíquota do IPI, haveria que se reconhecer que a recorrente encontrase regular perante os diversos órgãos da administração pública, conforme se comprova através das inclusas Certidões de Regularidade Fiscal junto à RFB/PGFN, INSS e FGTS; que o fato da Certidão de Regularidade Fiscal junto à RFB/PGFN e INSS apresentarem créditos tributários com exigibilidade suspensa (Certidão positiva com efeito de negativa), por ter a recorrente discordado com tal exigência, não a toma inábil a produzir exatamente os mesmos efeitos da certidão negativa, que a recorrente não está irregular perante o fisco; d) ressalta que o que foi exposto acima, está em consonância com as regras estabelecidas no artigo 3° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n°. 3 de 2 de maio de 2007, e o artigo 3° da Instrução Normativa SRF n°. 734 de 02 de maio de 2007, não sendo verdade a afirmação do fisco de que a recorrente está irregular em relação do FGTS, conforme demonstram os Certificados de Regularidade do FGTS CRF, expedidos no CNPJ da matriz e da filial, considerandose que o FGTS é calculado e recolhido, independentemente, por cada estabelecimento. 2 Da aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI. a) a Recorrente alega que a redução em discussão deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação do produto aos requisitos previstos em lei, isto é, em 10 de maio de 2007, uma vez que a norma que concede a redução de alíquota não faz menção à publicação de ato declaratório como requisito à redução da alíquota do IPI na situação em tela; b) cita trecho do voto da relatora Ana Zulmira Chaves de Souza, no acórdão n° 0928.677, sob contestação parcial no presente recurso, onde este posicionamento é declinado expressamente, entretanto, está expresso em todos os textos de lei citados que a função precípua do ato declaratório da RFB é a declaração de uma situação jurídicotributária préexistente. Vêse que o legislador utilizou o verbo “declarar” em vez de “conceder”, demonstrando claramente que o intuito da expedição do ato declaratório é declaratório e não constitutivo do direito do contribuinte; c) que o Ato Declaratório mencionado no artigo 65 do decreto 4.544/02, não constitui um direito, mas sim declara publicamente a sua utilização; que a declaração da utilização do beneficio não é elemento necessário para que o direito o benefício possa ser exercido. O direito à aplicação da alíquota reduzida decorre apenas e tão somente do reconhecimento dos critérios objetivos vinculados ao PRODUTO (REFRIGERANTE DE Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 GUARANÁ); que este reconhecimento consumouse com a concessão do registro do produto junto ao MAPA, em 10/05/2007. Cita jurisprudência administrativa. 3 Dos pedidos Ao final, a Recorrente requer seja julgado totalmente procedente o presente Recurso Voluntário, a fim de seja reconhecido seu direito à aplicação do benefício da redução da alíquota do IPI, a partir da data da concessão do registro (10/05/2007) do produto SKINKA FRUTAS CÍTRICAS, perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Reitera o pedido para que todas as intimações sejam levadas a efeito no seu estabelecimento matriz, sito em Itu/SP, na Av. Primo Schincariol, n° 2300, Itaim, CEP 13312 250 e postula, por fim, que seu procurador, seja também intimado em seu escritório situado na Av. Barão de Tatuí, n° 540, 3° andar, município de Sorocaba, Estado de São Paulo, CEP 18030000. Solicita a sustentação oral de suas razões, requerendo sua intimação pessoal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A matéria é da competência da 3ª Seção de Julgamento e o valor está dentro do limite de alçada das turmas especiais. Logo, deve ser conhecido. Tratase o presente processo de pedido de reconhecimento e declaração de redução de alíquota do IPI – exercício de 2007(fls. 2/3), incidente sobre a produção de refrigerantes, com base no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI de 2002), mais precisamente nos termos da Norma Complementar “NC 221” da TIPI, que restou indeferido pela Delegacia da Receita Federal de origem (Parecer fls. 345/353) em razão de o contribuinte se encontrar em situação irregular com relação a tributos e contribuições federais. A solicitação foi indeferida pela DRF de Novo Hamburgo/RS e referendada pela DRJ de Porto Alegre (RS), por ter entendido, em suma, que o pedido de redução de alíquota de IPI, encontrase em desacordo com a legislação de regência, uma vez que a solicitação foi formulada sem que a contribuinte atentasse à condição essencial a concessão, que seria a regularidade fiscal. Da mesma forma, indeferiu a aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI à data do Registro do Produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Observase que o pedido da Recorrente encontrase fundamentado no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 cumulado com a Norma Complementar “NC 221” da TIPI, que assim dispõe: “Art. 65. Haverá redução: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 454 7 I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficio;” “NC (221)Ficam reduzidas de cinquenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério." Em consonância com o teor da norma acima, apresentou a Recorrente às fl. 04 o “Certificado de Registro do Produto” exarado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, que atesta as características do produto do qual se requer a redução da alíquota da seguinte forma: “O Produto: BEBIDA MISTA DE LARANJA, LIMÃO E TANGERINA COM AROMA DE FRUTAS CÍTRICAS, marca: “SKINKA FRUTAS CÍTRICAS, Registro nº RS – 10969 00381, protocolo nº 21042.785/0789, concedido em 10/05/2007, atendidos que foram os dispositivos regulamentares em vigor.” No entanto, a DRF de origem, nos termos do despacho de fls. 345/352, entendeu por “indeferir o pedido de redução de 50% da alíquota de IPI incidente sobre o produto denominado Bebida Mista de Laranja, Limão e Tangerina, com Aroma de Frutas Cítricas, da Marca Skinka Frutas Cítricas, em face ao disposto no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, no art. 27 da Lei n° 8.036/1990 e no art. 6° da Lei n° 10.522/2002”, ou seja, o contribuinte deveria comprovar, para a fruição de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, a quitação de tributos e contribuições federais, nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, assim disposto: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” É importante considerar que o IPI é um imposto indireto, vale dizer, o encargo financeiro da exação é transferido pelo contribuinte de direito (industrial), ao contribuinte de fato (adquirente do produto). Nesse contexto, a redução da alíquota ad valorem normal de 27%, estabelecida na TIPI para o código 2202.10.00, em função da essencialidade dos produtos, constitui sim um benefício fiscal. O acórdão recorrido, por sua vez, a despeito de também velar pelo indeferimento do pleito do contribuinte, se valeu, em síntese, do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069/95, bem como na Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, cumprindo destacar o “item 3” da referida norma: “(...) 3. O Órgão local da Secretaria da Receita Federal formalizará o processo (1ª via), informando acerca dos Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 antecedentes fiscais do requerente e o encaminhará, através da respectiva Delegacia Federal, ao órgão local do Ministério da Agricultura, GEACO – Grupo Executivo de Economia Agrícola e Comercialização Responsável pela análise do(s) produto(s) (...)” Notase que as próprias normas complementares baixadas pela citada Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 1977, cujo item 3 acima transcrito, em parte, explicitam a necessidade de verificação dos antecedentes fiscais do requerente, verificação que deve necessariamente ter consequências práticas, por não ser razoável admitir que as normas jurídicas contenham comandos inúteis. E mais, destacase ainda abaixo reproduzido, trechos com informações importantes do acórdão recorrido: (...) Tendo como certa a necessidade de comprovação da regularidade fiscal do fabricante da bebida objeto de pedido de reconhecimento de redução de alíquota de que trata a NC 221 da TIPI, cabem, ainda, mais duas observações importantes. Em primeiro lugar, o art.60 da Lei nº 9.069, de 1995, é claro ao exigir a comprovação da regularidade pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, o que abrange todos os estabelecimentos, e não apenas o estabelecimento fabricante do produto objeto do pedido de redução de alíquota. Em segundo lugar, a emissão de certidão negativa ou de certidão positiva com efeito de negativa, pela RFB,não exclui o direito da Fazenda Nacional de cobrar quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo, que vierem a ser apuradas, aliás, como está expresso no próprio documento. Vejase na seqüência toda legislação que rege essa matéria, a começar como reza a Constituição Federal em seu art. l95, parágrafo 3°: Art 195. (...) § 3º A pessoa jurídica com débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei não poderá contratar com o poder público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. " Deve ser considerado também o que preceitua a Lei n° 8.036, de l1 de maio de l990, em seu art. 27, alinea “c”: Art 27 A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória, nas seguintes situações: c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o F G T S; " Com relação à regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, assim determina a Circular Caixa Econômica Federal n° 392, de 25 de outubro de 2006: "4.2 A verificação da regularidade do FGTS e procedida pela CAIXA somente para empregadores cadastrados no Sistema do FGTS, (...). Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 455 9 4.3 A regularidade das empresas com filiais está condicionada à regularidade de todos os seus estabelecimentos. 4.3.1 A regularidade da filial esta condicionada à regularidade da matriz e dos demais estabelecimentos da empresa. " E, ainda, não deve ser olvidado o que estabelece o inciso II, do art. 6° da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: “Art. 6” É obrigatória u consulta prévia ao Cadin, pelos Órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta e indireta, para: II concessão de incentivos fiscais e financeiros; " Consequentemente, resta correto o indeferimento do pedido de reconhecimento de redução de alíquota do IPI, prevista na NC 221 da Tabela de Incidência do referido imposto, pela existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, pela constatada irregularidade em relação ao FGTS e pela existência de registros no Cadin, em relação à pessoa jurídica interessada (grifouse). Conforme verificase nos autos, a Recorrente não apresentou no início do procedimento (junto com o Requerimento inicial, protocolado em 01/2007), as suas certidões de regularidades, tendo a administração a tarefa de demonstrar a que se deve a alegada irregularidade (documentos juntados aos autos), atendendo ao disposto no item 3 da Portaria Interministerial n° 113, de 04/03/77, dos Ministros de Estado da Fazenda e da Agricultura, publicada no DOU de 10/03/77 (com retificação no DOU de 05/04/77). Vejase a Informação Fiscal à fl. 34: (...) Assim, tendo instruído o presente processo com os antecedentes fiscais do requerente (fls. 23 a 31), proponho a remessa do presente processo à Delegacia Federal de Agricultura no Estado do Rio Grande do Sul, à Av. Loureiro da Silva, 515, 7° andar, S/701 Porto Alegre, com a solicitação de fazêlo chegar ao DIPOV/Departamento de Inspeção dc Produtos de Origem Vegetal (Órgão do MAPA a quem atualmente compete executar as atividade de fiscalização, inspeção e classificação de produtos de origem vegetal) para os fins previstos na referida Portaria Interministerial em seu item 4. Como é cediço, o artigo 37 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração federal, dispõe que: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. E com base nessas premissas, em fevereiro/2008, a DRF de Novo Hamburgo (RS), quando da análise do pedido da Recorrente, e verificando irregularidades fiscais apresentadas nas Certidões, tomou o cuidada de INTIMAR a Recorrente a regularizar sua situação fiscal e apresentar, dentre outros, os seguintes documentos (fls. 54/55), sob pena de arquivamento do processo, conforme o art. 40 da Lei n° 9.784/99: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 2 Tendo em visto o que dispõe o art. 60, caput, da Lei 9.069/95, de 29 de junho de 1995, Certidão Negativa de Débito CND (ou Positiva com Efeitos de Negativa), fornecida conjuntamente pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, em conformidade com o artigo 62 do DecretoLei n° 147, de 03 de fevereiro de 1967 em relação à Matriz. Para isso, a empresa deverá regularizar sua situação fiscal junto à PGFN/RFB; 3) De acordo com o art. 6°, II, da Lei 10.522/02, de 19 de julho de 2002, regularizar sua situação fiscal junto ao CADIN Cadastro Informativa de Créditos não Quitados do Setor Público Federal, visto que o contribuinte possui registro lançado neste cadastro. Mais adiante, em setembro/2009, foi emitido novas intimações à Recorrente, solicitando novamente a regularizar sua situação fiscal junto a RFB bem como outras comprovações, quais sejam, certidão em relação as contribuições Previdenciárias e Certificado de regularidade do FGTS, conforme documento fls. 216/217, bem como em novembro/2009, repisando regularizar sua situação junto ao CADIN Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal. (intimação fl. 221). Diante de todas essas informações e documentos requeridos pela autoridade fazendária e apresentadas pela Recorrente, foi procedidas as análises pela fiscalização, resultando as informações, onde destacase trechos do referido Parecer DRF/NHO/Seort nº 022 de 04/02/2010 (fls. 345/352): (...) Relativamente às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, incluindo as inscrições em Divida Ativa do INSS, o contribuinte apresentou as Certidões Positivas com Efeitos de Negativas de Débitos, presentes à folha 169 (verso e anverso). Em consulta à Prévia de CND Relatório de Restrições , no sistema Plenus, constatouse que não há restrições para a obtenção de uma nova Certidão Negativa de Débitos (fl. 178), comprovando que o contribuinte efetivou a regularização das pendências anteriormente verificadas. Quanto à regularidade junto ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o interessado acostou ao processo os Certificados de Regularidade do FGTS CRF referentes aos estabelecimentos 50.221.019/000136 e 50.221.019/003828 (fl. 170, verso e anverso). Desconsiderou, assim, os termos da intimação n° 649/2009 (fl. 138), que em seu item 4 solicitava especificamente a prova de regularidade quantos às filiais 50.221.019/001612, 50.221.019/0023 4l, 50.221.019/003313, 50.221.019/003909, 50.221.019/004808 e 50.221.019/004980. A Circular Caixa Econômica Federal n° 392/2006, já transcrita, é clara ao condicionar a regularidade de uma filial à regularidade da matriz e dos demais estabelecimentos da empresa, bem como afirma não proceder à verificação da regularidade do FGTS para empregadores não cadastrados no sistema do FGTS. Em nova consulta ao sitio da Caixa Econômica Federal CEF f na internet (fls. 202 a 204, verso e anverso), verificouse que a situação não havia se alterado quanto àqueles estabelecimentos. Ademais, observouse que Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 456 11 neste ínterim foram abertas sete novas filiais, nenhuma delas cadastrada junto ao FGTS (fls. 205 a 208 e 210, verso e anverso, 211 e 212. No tocante à sua situação junto ao CADIN, não obstante o Termo de Intimação n° 812/2009 (fl. 142), o contribuinte nada aduziu. Em nova pesquisa no sistema (fl. 209), resta ainda um registro como inadimplente. É fato que a Recorrente apresentou junto com seu recurso voluntário, cópias das seguintes Certidões: a) Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, b) Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias c) às de Terceiros Certificado de Regularidade do FGTS CRF (Matriz) e Certificado de Regularidade do FGTS CRF (Filial recorrente), todas emitidas durante o período de abril a agosto de 2010 e todas com prazo de validade para o ano de 2010 – fls. 446/449. No entanto, para atender os termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa devese reportar e efetuar o exame da situação fiscal, verificando sua regularidade, no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal e não com base em documentação apresentada, com data de validade para período posterior. Logo, se constatar a existência de algum débito no momento do exame para a concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. Cabe ainda salientar que havia, nos Termos de Intimação emitidos, observação explicita quanto ao momento da análise da regularidade fiscal, , assinados e datados pela DRF de Novo Hamburgo (RS), conforme abaixo transcrito (fls. 216/217 e 221): “ (...) Cabe salientar que a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é feita no momento da análise do Pedido e da emissão do Despacho Decisório que reconhece o direito à fruição do beneficio pleiteado”. Desta forma, no meu entender, os débitos apontados pela Receita Federal, no Parecer DRF/NHO/Seort nº 022, de 04/02/2010 (fls. 345/352), e pelo todo exposto neste voto, são impeditivos ao deferimento do benefício fiscal pleiteado (reconhecimento do Direito à Redução de 50% na Alíquota do IPI incidente sobre o produto denominado Refrigerante de Guaraná, da marca Mini Skin Guaraná), objeto deste processo. 2 Da aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI. A recorrente alega que a redução em discussão deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente (MAPA), realizou o reconhecimento da adequação do produto aos requisitos previstos em lei, isto é, em 10 de maio de 2007, uma vez que a norma que concede a redução de alíquota não faz menção à publicação de ato declaratório como requisito à redução da alíquota do IPI. Notese que o art. 65, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002) Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 estabelece alguns requisitos para a fruição do beneficio previsto naquela nota complementar: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (21 I ) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do Órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficia; " (grifei) A questão acima referese ao momento que se autoriza a redução de alíquota do IPI incidente sobre a produção de refrigerantes e refrescos. Conforme a legislação, somente a partir da formalização do pleito perante a própria RFB ou a partir do registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. A norma não informa que a Administração Tributária pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo Ato Declaratório emitido pela RFB, porque a norma estabelece que cabe a RFB declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controladora para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Por tratarse de um benefício fiscal, sua utilização é opcional, sendo que apenas a partir da formalização do pleito perante a administração tributária fica consignada a vontade do contribuinte de usufruir a redução. Desta forma, não vejo como retroagir o direito à redução de alíquota à data de registro do refrigerante no Ministério da Agricultura. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal do Brasil e como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na RFB, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só poderia ocorrer a partir do protocolo do seu pleito. 3 Sustentação Oral e Intimações Quanto a intimação pessoal ou postal e para apresentação de sustentação oral e memoriais, não encontra previsão no Regimento Interno deste Conselho, devendo o contribuinte interessado e/ou seu representante legal acompanharem a publicação da pauta de julgamentos no Diário Oficial da União para, querendo, se fazerem presentes. (Arts. 55 e 58 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 457 13 Da conclusão Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO mantendo, assim, a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
