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Numero do processo: 12466.002002/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3402-000.718
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Redator designado
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto vencedor. Vencidos o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório TOHNES IMPORTAÇÕES E EXPORTAÇÃO teve lavrado contra si o Auto de Infração das fls. 3 a 67, para aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento das mercadorias importadas nos anos de 2007 a 2010, registradas como operações por conta própria e por encomenda, no montante de R$ 3.591.778,83 em face da impossibilidade de sua apreensão, vez que já foram consumidas, nos termos do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação do art. 59 da Lei nº 10.627, de 30 de dezembro de 2002, e dos arts. 73 e 81 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. De acordo com o termo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 02 00 2/ 20 10 -2 5 Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.871 2 Descrição dos Fatos e Enquadramento Lega que instrui o AI, o autuado não comprovou a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos financeiros envolvidos nas operações de importação, em face da não comprovação de suas fontes de financiamento, que mesmo que fossem consideradas, se mostraram insuficientes ao fluxo financeiro da empresa, e aos baixos resultados apresentados na sua atividade mercantil. Em impugnação (fls. 541 a 561), a autuada alega, sinteticamente, que não se poderia presumir a ocorrência de interposição fraudulenta em suas operações de comércio exterior pela simples não comprovação de integralização do capital social, considerando sem origem lícita toda a receita gerada nas atividades comerciais da empresa para efeito de comprovação dos recursos empregados na execução de suas atividades de comércio exterior. Aduz ainda que os contratos de mútuos apresentados para efeito de origem dos recursos foram desconsiderados pela simples análise da declaração de renda dos mutuantes, sem que efetivamente se caracterizasse sua inexistência. E ainda que os empréstimos junto ao BANDES não foram considerados. Aponta vício material no quantum da penalidade, já que em sua apuração encontramse incluídas importações realizadas por conta e ordem de terceiro, para as quais o recurso envolvido não é próprio do importador, mas dos adquirentes das mercadorias importadas. Pugnou por que se considerasse com origem comprovada, para fins de comprovação dos recursos envolvidos na execução de suas importações, as receitas provenientes de sua atividade empresarial, relacionadas à revenda das mercadorias importadas por sua conta e risco e aquelas provenientes das operações por conta e ordem de terceiro e por encomenda, bem como os financiamentos obtidos no programa FUNDAP, para as quais requereu a realização de diligência para sua identificação e quantificação. O pedido de diligência foi deferido pela Autoridade Julgadora de primeira instância, que providenciou a verificação completa das DI’s, mediante pesquisas nos sistemas extratores de dados, para determinar quais foram efetivamente registradas na modalidade “por conta e ordem de terceiros”, quem são esses terceiros (razão social e CNPJ) e qual o seu valor aduaneiro.” A 4ª Turma da DRJ/REC julgou a impugnação parcialmente procedente, para, acolhendo os resultados da diligência, excluir da exação todas as DI’s cursadas na modalidade por conta e ordem de terceiros. O Acórdão nº 1147.680, de 16 de setembro de 2014, fls. 3.772 a 3.790, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2007 a 30/06/2010 INCOMPATIBILIDADE ENTRE OS MONTANTES DAS OPERAÇÕES TRANSACIONADAS NO COMÉRCIO EXTERIOR E A CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA DA EMPRESA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. A incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira e econômica da pessoa jurídica é uma presunção legal juris tantum de interposição fraudulenta de terceiros, a qual só poderá ser afastada pela apresentação de documentação idônea capaz de comprovar a origem lícita dos recursos utilizados nas transações em questão. Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.872 3 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. A pena de perdimento, na hipótese de interposição fraudulenta de terceiros, convertese na multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida ou não for localizada. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. ADQUIRENTE DECLARADO NÃO DESCARACTERIZADO. EXTENSÃO DA PRESUNÇÃO LEGAL. A caracterização da interposição fraudulenta pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados em importações por conta própria, por si só, não é suficiente a caracterizar idêntica ocorrência nas operações realizadas por conta e ordem de terceiro, sem que se apure idêntica ocorrência em relação ao terceiro supridor dos recursos. Não tendo sido descaracterizada a condição do adquirente declarado, não há que se fala em interposição fraudulenta de tais operações, devendo as mesmas serem excluídas da base de apuração da penalidade aplicável ao importador ostensivo. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de laudo técnico quando os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e conseqüente julgamento do feito. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presidente da 4ª Turma da DRJ/REC recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Cuidase também de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 3.820 a 3.859, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, oferece razões recursais assim sintetizadas pela própria recorrente: a) a DRJ conferiu à questão da integralização do capital social efeito que não possui qualquer base legal, pois a não comprovação da origem dos recursos utilizados em sua integralização não autoriza concluir que a Recorrente não possui origem para suas operações de importação; b) o fato de a Fiscalização considerar que não foi comprovada a origem lícita da integralização do capital social não tem o condão de contaminar os recursos utilizados em todas as operações de comércio exterior realizadas Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.873 4 pela empresa, nos termos dos Acórdãos 07 35.071 e 0735.070 da DRJ/FNS; c) a Recorrente apresentou documentos e esclarecimentos solicitados à Fiscalização quanto à origem dos recursos utilizados na integralização do capital social, consoante se verifica exemplificativamente nos documentos constantes às fls. 921 a 940 e 1020 a 1065 dos autos e declaração de fls. 1.018 a 1.019; d) a ausência de declaração para fins de tributação do imposto de renda pelos supridores dos recursos utilizados na integralização do capital social não é suficiente para afastar a licitude dos recursos; mormente diante da efetiva comprovação da origem; e) a omissão de rendimentos nas declarações em tela poderia ensejar, em tese, eventual violação dos dispositivos do RIR, mas não a conclusão de que os recursos são ilícitos; f) ainda que não se considere comprovada a origem dos recursos utilizados na integralização do capital social, o que se admite exclusivamente para fins de argumentação, só poderiam ser desconsideradas as importações que utilizaram tais recursos e não genericamente todas as importações, como foi feito pela Fiscalização; g) a Recorrente provou (fls. 3.513 a 3.602) que possui financiamento decorrente do BANDES relativamente ao FUNDAP; h) a Recorrente comprovou que possui contratos de financiamento, consoante se verifica nos documentos acostados às fls. 3.605 a 3.640 e mútuo, conforme documentos de fls. 3.674 a 3.681; i) a Recorrente apresentou conjuntos de Notas Fiscais da matriz e da filial dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009. consoante reconhecido pelo AFRFB à fl. 11 do Auto de Infração, sendo que as Notas Fiscais gozam de presunção de veracidade, só podendo ser afastadas por meio de robusta prova em sentido contrário, o que não ocorreu no caso concreto, até mesmo por impossibilidade material; j) a Recorrente igualmente apresentou os seguintes documentos que dão suporte à demonstração de que possui origem para os recursos os quais, no entanto, não foram sequer citados no Acórdão recorrido: Balancetes dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 (fls 1.259 a 2.205); Diário, Razão, Registro de Entradas e Saídas e Planos de Contas dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 (fls. 1.259 a 2.205); Demonstrativo da formação de preço (fls. 2.207 a 2.279); Extratos mensais das movimentações bancárias de suas contas (fls. 2.802 a 3.116); e, Contratos de compra e venda celebrados com empresas no exterior (fls. 3.118 a 3.134). Requer que se julgue improcedente a parcela remanescente do lançamento. Sucessivamente, que se anule o lançamento porque o Auto de Infração não possui a descrição de fatos específicos referentes a cada uma DI's tidas como irregulares em flagrante violação ao Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.874 5 disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e. que se anule a decisão recorrida por cerceamento ao direito de defesa, convertendo o feito em diligência e baixando os autos à origem para que sejam consideradas lícitas todas as receitas da autuada provenientes de: 1. venda com nota fiscal das mercadorias importadas por conta própria ou por encomenda; 2. prestação de serviços, nas operações por conta e ordem; 3. financiamentos recebidos do BANDES, em decorrência do regime FUNDAP, relativo às importações realizadas sob a égide desse benefício fiscal; 4. contratos de mútuo, onde não tenha havido por parte dos fiscais autuantes circularização, ou pelo menos intimação dos mutuantes, exigindolhes a comprovação da origem dos recursos emprestados. 5. que tais receitas deduzidas do pagamento ao fornecedor estrangeiro e dos impostos sejam apropriadas no financiamento das operações subseqüentes, dandose preferência às operações de comércio exterior, em detrimento de outras contas a pagar não vinculadas ao comércio exterior (exemplo IPTU, luz, etc); 6. realizada a diligência, seja o auto de infração julgado improcedente, senão nulo, pelas razões já expostas. Pugna, ainda, pela ulterior juntada de documentos, em atenção ao princípio da verdade material. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator. O recorrente infirma o procedimento, aventando ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, na medida em que se omitiu em descrever os fatos específicos referentes a cada uma DI's tidas como irregulares. Ao longo das fls. 4 a 67, a autoridade fiscal descreve minudentemente a infração constatada, habilitando à recorrente o pleno exercício de seu direito de defesa. Esta consideração é suficiente para que se afaste a arguição. A decisão recorrida também é inquinada de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, por carência de fundamentação para a rejeição do pedido de diligência. A propósito, transcrevo os parágrafos pertinentes do voto condutor da decisão recorrida: Por fim, considerando vencidos todos os itens das contrarrazões da recorrente, convêm observar ainda que os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e julgamento do feito, demonstrandose despicienda e meramente procrastinatória a providência genérica solicitada pela defendente Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.875 6 para a realização de diligências e perícias necessárias à elucidação das questões apontadas. Ora, nos termos dispostos no Decreto nº 70.235/72, art.18 c/c art.28, in fine, com as respectivas redações dadas pela Lei 8.748/93, tornase dispensável a realização de tal perícia em face de estarem presentes nestes autos todos os elementos necessários à formação da convicção do órgão julgador para a consequente solução da lide, conclusão a que este relator já chegara justamente depois de examinar todos os documentos acostados. A propósito, as diligências e a perícia técnica são meios de prova auxiliares da formação do julgador, destinadas ao esclarecimento de questões dúbias e à elucidação de aspectos técnicos, cuja solução necessite de expertise e conhecimento especializados e que escapam do conhecimento das partes. Dito de outra forma, a perícia e mesmo as diligências não se presta para a produção de provas que a parte pode e deve produzir, no momento processual oportuno. A jurisprudência desta Turma Recursal caminha nessa direção: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Ademais, não se trata de direito subjetivo, como pretende a recorrente, mas de discricionariedade da autoridade julgadora de primeira instância, que pode indeferila quando entendêlas desnecessárias, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, desde que o faça fundamentadamente. E as justificativas apresentadas no voto condutor do Acórdão recorrido – a existência, nos autos, de documentos suficientes para a formação da convicção do julgador e a desnecessidade da providência – atendem a essa condição. Ainda antes de adentrar o mérito, devo mencionar, quanto ao pedido de dilação probatória na fase recursal, que, a teor do § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a produção probatória é concentrada na reclamação, precluindo o direito fazêlo posteriormente a menos que se comprovem alguma das hipóteses excepcionais elencadas nas alíneas “a” a “c”. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.876 7 VOTO VENCEDOR Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Redator designado. Apesar de compreender perfeitamente as razões que levaram ao Ilustre Relator, Conselheiro Alexandre Kern, a concluir pelo descabimento do requerimento de perícia ou pela conversão do julgamento em diligência, não comungo da mesma conclusão no caso em concreto, pois que entendo que o mesmo ostenta particularidades que merecem ser aprofundadas, em prol da verdade material e posterior viabilização de um julgamento justo. Daí porque me foi endereçada a tarefa de expressar a posição da maioria do colegiado que entendeu por bem em efetivar a conversão do julgamento em diligência, a qual passo a me dedicar. Como bem relatado pelo Ilustre Relator, cujas assertivas consignadas em seu Relatório adoto integralmente, no caso em concreto estamos diante de aplicação de multa substitutiva da pena de perdimento, fundamentada na pretensa falta de comprovação da origem, transferência e disponibilidade dos recursos empregados pelo contribuinte nas importações por ele levadas a cabo através das DI´s relacionadas nos autos, cuja capitulação legal encontrase plasmada nos §§2º e 3º c/c inciso V, do art. 23, do Decreto nº 1.455/76, nos seguintes termos: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) ... § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)” O preceito legal acima dá conta de que existem duas presunções atuando no lançamento em análise, a saber: a) Presunção de Dano ao Erário, de modo que pela conjugação do “caput” com cada um dos incisos, presumese a existência de dano ao erário pelo simples fato de haver a interposição fraudulenta por meio de ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação (inciso V, primeira parte); Fl. 3876DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.877 8 b) Presunção de Interposição Fraudulenta, em um segundo plano, de modo que presumirseá a ocorrência de interposição fraudulenta se não restar comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos utilizados no comércio exterior (inciso V, segunda parte c/c §2º, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76). Portanto, para que haja dano ao erário, basta que haja ocultação do real adquirente, que necessariamente deve se concretizar mediante fraude ou simulação [01], ou então, também presumirseá dano ao erário se restar caracterizada a interposição fraudulenta, esta, por sua vez, também presumida pela falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos valores necessários para as importações [02], ou simplesmente falta de “capacidade financeira”. Em face da atuação conjugada de duas presunções, tenho que a prova a ser colhida deve ser robusta, para que não atue a Administração no campo das meras suposições ou presunções simples, sendo que, a análise do caso concreto requer uma cuidadosa reflexão sobre os elementos de fato (que devem ser cabalmente comprovados), para que se aquilate a subsunção do mesmo ao preceito legal punitivo. Com efeito, constatase que a Recorrente suscita desde o primeiro momento que falou no processo, de que dispunha de capacidade financeira para realização das importações, plasmada na captação de recursos através de operações de mútuos, financiamentos perante instituições financeiras e pelo fluxo de recebimentos perante seus próprios clientes. De fato, constatase que a Administração, seja a autoridade autuante seja a DRJ, desconsiderou os contratos de mútuo sob fundamento de que não teriam os mutuantes declarado/comprovado a operação perante o Fisco, e, quanto aos financiamentos, que tais valores seriam irrisórios perante o montante das importações concretizadas. Além desses elementos controvertidos, houve ainda a revisão aduaneira com relação as DI´s que diziam respeito a importações consumadas na modalidade “por conta e ordem”, as quais, reconhecendo ser incompatível com o instituto da interposição fraudulenta, máxime na modalidade presumida pela falta de “capacidade financeira”, foram excluídas e anulados os lançamento pertinentes pela decisão da DRJ, motivando a interposição de Recurso de Ofício pela autoridade de piso. Esta anulação pronunciada pela DRJ, por certo que produz reflexos na análise do “fluxo de caixa” que a Recorrente deveria manter para dar efetividade às importações que realizara, inclusive no que tange a outras modalidades de importação, pois que pode ter usufruído de tais recursos para fazer frente a outras importações e posteriormente utilizado outros recursos para honrar aquela anterior (por conta e ordem de um destinatário identificado no mercado nacional). Ainda, os valores relativos a prestação de serviços pelas importações por conta e ordem, por certo devem compor sua “capacidade financeira” para honrar com importações de outras modalidades, pois que a remuneração da Recorrente nas importações por conta e ordem são decorrentes de prestação de serviços, normalmente cobradas juntamente com o preço total envolvido na importação. Daí porque exsurgiu a dúvida do Colegiado no que tange a recomposição do fluxo de caixa levandose em consideração as origens de recursos provenientes das operações de financiamento com instituições financeiras, e também as origens de recursos provenientes das operações de importação por conta e ordem, entendendo por bem a maioria dos Fl. 3877DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12466.002002/201025 Resolução nº 3402000.718 S3C4T2 Fl. 3.878 9 Conselheiros, em determinar a realização da diligência, previamente a análise do mérito da contenda. Para amparar esta providência, invocase o art. 29, do Decreto nº 70.235/72, que assim permite aos julgadores: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim sendo, entendeuse que o processo não se encontrava em condições de receber um julgamento justo, pelo que se votou pela sua conversão em diligência, no sentido de determinar que a autoridade preparadora adotasse as seguintes providências: a) Refazer o fluxo de pagamentos e recebimentos, cotejando com as disponibilidades de caixa/banco da Recorrente, excluindo as operações de importação por conta e ordem; b) Considerar o preço pela prestação de serviços decorrentes das importações por conta e ordem realizadas pela Recorrente, assim como os aportes de investimentos fruto de captações junto a instituições financeiras; c) Em face das providências acima, elaborar “Relatório de Recomposição do Fluxo de Caixa” da Recorrente e sua aplicação das operações de importação direta ou por encomenda (estas, se houverem – identificar esta circunstância), manifestandose circunstanciada e objetivamente sobre a existência de recursos para cada uma das Declarações de Importação realizadas; d) Para orientação do julgamento a ser proferido após cumprimento da diligência, abrir uma opção no “Relatório de Recomposição do Fluxo de Caixa”, no qual se leve em consideração os mútuos declarados pela Recorrente, na pressuposição de que os mesmos efetivamente tivessem existido, e após, também em adendo ao mesmo Relatório, manifestandose circunstanciada e objetivamente sobre a existência de recursos para cada uma das Declarações de Importação realizadas, também nesse pressuposto. e) Intimar a Recorrente para manifestarse sobre o Relatório conclusivo da diligência, em prazo não inferior a 30 dias, após o que, com ou sem manifestação, seja determinado o retorno dos autos ao Conselho para reinserção em pauta de julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19515.006573/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA.
Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os CONSELHEIROS RAFAEL PANDOLFO, FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. TRANSFERÊNCIA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a transferência do sigilo bancário às autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 65 73 /2 00 8- 31 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os CONSELHEIROS RAFAEL PANDOLFO, FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JÚNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Por sintetizar bem os fatos até a decisão de primeira instância, adoto o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SP2), conforme abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração defls. 788 a 799, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 765 a 787, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anoscalendário de 2003 a 2005, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 1.593.884,14, dos quais, R$ 718.258,02 são referentes a imposto, R$ 538.693,49 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 336.932,63 correspondem a juros de mora. Conforme se depreende do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: Fl. 953DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 708 3 1 omissão de rendimentos recebidos de Itaú Vida e Previdência SA, em 2003, a título de resgate de previdência privada PF, nos termos dispostos no item II do Termo de Verificação Fiscal; 2 omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrado no item I do Termo de Verificação Fiscal e respectivos documentos anexos, os quais são partes integrantes do presente auto de infração; 3 omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, nos termos do item III do Termo de Verificação Fiscal. Cientificado do lançamento em 31/10/2008 (fl. 803), o contribuinte apresentou, em 25/11/2008, a impugnação de fls. 805 a 823, alegando, em suma, que: 1 os depósitos bancários, embora possam ser indício de auferimento de renda, não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, cabendo à fiscalização demonstrar o nexo causal entre cada depósito e o fato para caracterizar a omissão de rendimentos; 2 o Fisco não pode prescindir das diligências probatórias previstas na lei como necessárias ao pleno conhecimento do objeto do processo, sob pena de estar sendo desrespeitado o princípio da verdade material; 3 a fiscalização violou o princípio da inviolabilidade da intimidade, da vida privada e do sigilo de dados, ao basearse em informações cedidas por instituições financeiras. Tal fato resulta em afronta ao disposto no artigo 5o , X e XII, da Constituição Federal, devendo o auto ser considerado nulo de pleno direito; 4 ao depararse com as disposições do artigo 43 do CTN, não é possível considerar a simples movimentação financeira como sendo renda. Para a constatação de auferimento de renda devese abater as despesas da receita, e não, equiparar a receita à renda como quer a fiscalização; 5 os depósitos bancários, se não acompanhados de outros indícios, não podem ensejar a presunção válida de omissão de rendimentos tal qual instituída no artigo 42 da lei 9.430/96, uma vez que os valores depositados podem ser provenientes de renda não passível de tributação, ou embora passível, já tributada. 6 não infringiu nenhum dos dispositivos legais trazidos à baila pela fiscalização. Isto porque, a legislação em comento possui correta derivação constitucional, pois assim como o Texto Maior e o CTN, as leis 7.713/88 e 8.134/90, determinam que o IR deve incidir somente sobre o acréscimo patrimonial auferido; 7 em momento algum restou evidenciado pela fiscalização a existência de acréscimo patrimonial; 8 o STF já decidiu ser inconstitucional a TR, antecessora e semelhante à taxa SELIC, que não deve ser utilizada como atualização de valores. A incidência da SELIC para a correção de valores carece de constitucionalidade, contrariando dispositivos constitucionais basilares do sistema financeiro nacional e do regime tributário. A Quarta Turma da DRJ/SP2 julgou improcedente a impugnação, cujo Acórdão nº 1750.664 (fls. 843 a 852) foi assim ementado: Fl. 954DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: SIGILO BANCÁRIO Em tendo a requisição de informações à instituição financeira sido feita em consonância com a Lei Complementar n° 105/2001 e com o Decreto n° 3.724/2001, não se há que falar em quebra ilegal de sigilo bancário. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES Á PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9.430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10 de outubro de 2011, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 662, o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 31 do mesmo mês (fls. 876 a 916), no qual repisa os mesmos argumentos da impugnação, acrescendo apenas as alegações de que a autoridade fiscal não obedeceu ao princípio da legalidade e que a infração relativa à omissão dos rendimentos de ganho de capital foi atingida pela decadência. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida, anulandose o Auto de Infração. Posteriormente, em 11 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou petição (fls. 920 a 950), com base nos artigos 3º, inciso III, 6º, parágrafo único, 17 e 38, da Lei nº 9.784/99, requerendo a juntada das razões anexas, em complemento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude de três infrações: 001 – omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI ; 002 – omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais ; 003 omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inicialmente, cabe analisar a petição do contribuinte entregue após o prazo do recurso voluntário. Ele fundamenta seu pedido na Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo na Administração Pública Federal. No entanto, essa lei só se aplica ao processo administrativo fiscal de forma subsidiária, em face do disposto no seu artigo 69: “ Os processos administrativos específicos Fl. 955DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 709 5 continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”. O processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto 70.235/72, que disciplina os prazos dos recursos, conforme abaixo: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Assim, o pedido do contribuinte foi apresentado intempestivamente. Porém, como suas alegações são no sentido de que ocorreu erro de fato, cabe analisálas, em respeito ao princípio da verdade material. O contribuinte aponta que a autoridade fiscal incorreu em erro de fato, ou erro material, pois as contas correntes de depósitos ou investimentos eram mantidas em conjunto com a contribuinte Neir Tornesi Juliani e, portanto, o lançamento deveria ter sido efetuado sobre 50% (cinqüenta por cento) dos valores apurados, na forma do disposto no artigo 42, § 6º da Lei nº 9.430/96. Afirma que os erros cometidos são incontornáveis e solicita a nulidade do lançamento. Não assiste razão ao recorrente, posto que o lançamento foi efetuado de acordo com as normas legais. Primeiramente, convém observar que, em relação a todas as contas bancárias conjuntas, ambos os cotitulares foram intimados a justificar a origem dos depósitos, conforme termos às fls. 29 a 85 (contribuinte fiscalizado) e fls. 86 a 141 (cotitular Neir Tornesi Juliani), tendo apresentado respostas às fls. 196 e 197. Outrossim, verificase que a contribuinte Neir Tornesi Juliani é dependente do contribuinte fiscalizado nos exercícios de 2004, 2005 e 2006, consoante as Declarações de Ajuste Anual (fls. 05 a 18). O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 disciplina: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [..] § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). Fl. 956DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 No presente caso, como as declarações de rendimentos foram apresentadas em conjunto, não se aplica esse dispositivo, previsto no § 6º, devendo os valores dos rendimentos omitidos ser imputados ao contribuinte declarante, que é o fiscalizado. Está correta, portanto, a interpretação dada aos fatos pela autoridade lançadora, não merecendo nenhum reparo nesse aspecto relativo às contas bancárias conjuntas. No seu recurso voluntário, o recorrente alega, preliminarmente, ofensa ao princípio da legalidade e violação do sigilo bancário. Afirma que o Auto de Infração está eivado de vícios formais, o que o torna nulo, porém não aponta quais seriam esses erros, fazendo apenas alegações genéricas. Preliminar de nulidade por ofensa ao princípio da legalidade Não há que se falar em ofensa ao princípio da legalidade, uma vez que se encontram preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 710 7 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no Termo de Verificação Fiscal. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais, razão pela qual não se acolhe essa preliminar de nulidade. Da preliminar de nulidade por violação do sigilo bancário A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II – o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em havendo procedimento fiscal em curso, é lícito às autoridades fiscais requisitar das instituições financeiras informações relativas a contas de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte sob fiscalização, sempre que estas forem indispensáveis. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Assim, resta claro que a Receita Federal do Brasil possui permissão legal para acessar os dados bancários do contribuinte sob ação fiscal. Ressaltese que o contribuinte foi intimado a apresentar seus extratos bancários, tendo os apresentado de forma incompleta. Assim, a autoridade fiscal emitiu a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), solicitando às instituições financeiras os extratos não apresentados pelo contribuinte, ou apresentados de maneira incompleta, seguindo as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º. Dessa forma, no presente caso, não há nenhuma ilicitude nas provas obtidas mediante a transferência de sigilo bancário das instituições financeiras para a Receita Federal do Brasil. Esse é o posicionamento que vem sendo acolhido pelas turmas do CARF, conforme abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2202002.629, Rel. Rafael Pandolfo. Redator designado: Antonio Lopo Martinez). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 [...] REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. [...] (Acórdão nº 2102002.964, Rel. Núbia Matos Moura). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo Fl. 959DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 711 9 sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (Acórdão nº 2201002.291, Rel. Nathalia Mesquita Ceia). Da decadência Na impugnação ao lançamento, o contribuinte não se insurgiu contra as infrações 001 – omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI – e 002 – omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais , contudo, no recurso voluntário ele alega decadência da infração 002, relativa a omissão de ganhos de capital, sem apontar, no entanto, as razões para tal. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, trazendo novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Entretanto, são feitas exceções a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência. Assim, passo a apreciar essa questão. Foram lançadas as infrações abaixo, relativas aos seguintes períodos: 001 omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI: 03/2003 a 12/2003; 002 – omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais: 07/2004; 003 omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada: 01/2003 a 12/2005. As infrações 001 e 003 têm como fatos geradores o dia 31 de dezembro de cada ano. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente das infrações 001 e 003, embora apurado mensalmente, está sujeito ao regime de apuração anual, mediante a entrega da Declaração de Ajuste Anual – DAA. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Assim o fato gerador da infração 001 ocorreu no dia 31/12/2003, assim como a infração 003 tem os fatos geradores nas datas de 31/12/2003, 31/12/2004 e 31/12/2005. Já o fato gerador do ganho de capital ocorre no mês de sua percepção, que no caso é 07/2004, pois se trata de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, não se submetendo ao ajuste anual. No que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: Fl. 960DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Contudo, a verificação da existência de antecipação de recolhimento se reporta ao fato gerador objeto do lançamento, considerando o regime a este aplicável segundo a legislação de regência. No presente caso, ocorreu a antecipação do pagamento em relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima referido. Em se tratando de imposto de renda sobre ganho de capital, cuja regime de tributação impõe a tributação separada das demais categorias de renda, há que haver recolhimento específico relativo a tal incidência para permitir a aplicação do artigo 150, Fl. 961DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.006573/200831 Acórdão n.º 2202002.882 S2C2T2 Fl. 712 11 parágrafo 4º do CTN, não se prestando para tanto recolhimentos de imposto de renda relativos a outros fatos geradores, ainda relativos ao mesmo anocalendário. Considerando que o período lançado mais antigo referese a 31/12/2003, temos que a decadência somente ocorreria em 31/12/2008, ou seja, 5 (cinco) anos após o fato gerador. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 31/10/2008 (fl. 803), o lançamento é legítimo, rejeitandose a preliminar de decadência. Da presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários O recorrente alega que os depósitos efetuados em suas contas bancárias não caracterizam, por si sós, disponibilidade de rendimentos e, assim, não podem ser considerados como renda. Aduz, ainda, que a fiscalização não demonstrou, em nenhum momento, a existência de acréscimo patrimonial. Ressaltese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. No decorrer do procedimento, o contribuinte informou (fl. 196) que as movimentações financeiras efetuadas em suas contas correntes, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, referiamse a rendimentos de aplicações na caderneta de poupança e prazo fixo, resultante de economias de vários anos, as quais foram informadas nas DIRPF's apresentadas. No entanto, o mesmo não logrou comprovar suas alegações nos termos previstos na legislação. Ademais, a fiscalização informou, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 770 a 775) que não foram incluídos no cômputo do crédito apurado os valores identificados como resgates de aplicações financeiras, assim como os valores decorrentes de transferência entre contas correntes de mesma titularidade. Quanto à necessidade de o Fisco demonstrar o acréscimo patrimonial, conforme alegado pelo recorrente, é de se aplicar o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o recorrente não logrou comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos em suas contas bancárias e considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração. Da aplicação da taxa Selic como taxa de juros Fl. 962DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nesse ponto. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 963DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15504.726467/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMPARECIMENTO ESPONTANEO DO SUJEITO PASSIVO.
O comparecimento espontâneo do Sujeito Passivo, oferecendo impugnação administrativa em face do lançamento supre eventual nulidade e até mesmo a falta de intimação do Auto de Infração, a teor do §1º do art. 214 do CPC.
AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. VIA POSTAL NO DOMICILIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO.
É válida a intimação por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo Sujeito Passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS.
ISENÇÃO. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos, a ônus do beneficiário.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE.
O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE.
É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do §3º do mesmo dispositivo legal suso mencionado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. COMPARECIMENTO ESPONTANEO DO SUJEITO PASSIVO. O comparecimento espontâneo do Sujeito Passivo, oferecendo impugnação administrativa em face do lançamento supre eventual nulidade e até mesmo a falta de intimação do Auto de Infração, a teor do §1º do art. 214 do CPC. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. VIA POSTAL NO DOMICILIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. É válida a intimação por via postal, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo Sujeito Passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 64 67 /2 01 3- 11 Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS. ISENÇÃO. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos, a ônus do beneficiário. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SAT. GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA CONFORME CNAE. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, competindo à Secretaria da Receita Federal do Brasil rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores eventualmente devidos. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem como destinatária final a Autoridade Julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. É devida à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator à multa prevista no Inciso Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.063 3 I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, observado o valor mínimo fixado no inciso II do §3º do mesmo dispositivo legal suso mencionado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da Sessão de Julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Luciana Matos Pereira Barbosa, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009. Data da lavratura dos Autos de Infração: 28/08/2013. Data da Ciência dos Autos de Infração: 02/09/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou procedente em parte o lançamento tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.045.7622, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, não recolhidas aos cofres da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 25/46. De acordo com a resenha fiscal, os créditos ora em fase de constituição foram apurados através do comparativo entre os valores declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs e as nas folhas de pagamento. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas rubricas de natureza remuneratória pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, bem como as remunerações pagas a Segurados Contribuintes Individuais prestadores de serviço pessoas físicas, com recursos do SUS. Na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos com os respectivos valores declarados em GFIP, a fiscalização constatou a existência de rubricas de natureza remuneratória que não foram consideradas nas bases de cálculo declaradas em GFIP, procedendo ao lançamento das contribuições correspondentes devidas. Na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos com os respectivos valores declarados em GFIP, a fiscalização encontrou casos em que segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais foram omitidos da GFIP em determinadas competências, procedendo ao lançamento das Contribuições Previdenciárias correspondentes devidas. Integra também o lançamento diferença de contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, decorrente de erro no autoenquadramento do Contribuinte. Foram considerados no lançamento os valores recolhidos mediante GPS — Guias de Pagamento da Previdência Social, conforme demonstrado no "Relatório de Documentos Apresentados" e "Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados", integrantes do lançamento fiscal. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.064 5 Integram ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio dos seguintes Autos de Infração de Obrigação Acessória: · AIOA nº 51.045.7614 CFL 30, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em razão de este ter deixado de incluir em suas folhas de pagamentos todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. · AIOA nº 51.045.7630 CFL 78, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP contendo informações incorretas ou omissas. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 884/903. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1448.481 – 16ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 983/1031, julgando procedente em parte o lançamento, para dele excluir, tão somente, as obrigações tributárias decorrentes dos empenhos cancelados, apurados mediante o Levantamento “DP2 – DIFERENÇA CI CAT 13 FORA GFIP”, retificando o lançamento na forma exposta no quadro a fl. 1020 e 1032. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04/04/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1057. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1038/1053, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Nulidade da intimação. Aduz que a intimação deveria ser feita na pessoa do AdvogadoGeral do Estado de Minas Gerais; Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 · Que o Órgão Julgador de 1ª Instância indeferiu a produção de prova pericial; · Que o lançamento se baseou em mera presunção, na medida em que não identificou faticamente os serviços prestados pelos prestadores do SUS; · Que as gratificações pagas aos servidores públicos cedidos por outros órgãos não devem ser consideradas na base de cálculo da contribuição previdenciária dado o seu caráter eminentemente temporário; · Que o prêmio produtividade se refere à participação nos resultados, a qual não é tributável; · Que não incide Contribuições Previdenciárias sobre as diárias, ainda que excedentes a 50%, dada a sua natureza indenizatória; · Que inexiste fundamento fático e legal para enquadrar o Estado e a Secretaria Estadual de Saúde na alíquota de 2% do GILRAT; Ao fim, requer a improcedência do lançamento; Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.065 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/04/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 06/05/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA INTIMAÇÃO O Recorrente alega a nulidade da intimação do lançamento. Sem razão. A comunicação dos atos processuais consiste na transmissão de informações sobre os atos praticados no curso do processo às pessoas sobre cujas esferas de direito atuarão os efeitos deste, permitindo dessarte às partes envolvidas a perpetração de condutas positivas ou negativas do seu interesse. Configurase, portanto, elemento essencial à efetividade do princípio do contraditório e da ampla defesa. Segundo a Cartilha estabelecida pelo Decreto nº 70.235/72, a intimação do sujeito passivo poderá ser realizada, dentre outras formas, pessoalmente, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. A intimação pode, igualmente, ser levada a cabo por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido à administração tributária para fins cadastrais. Cumpre salientar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que os meios de intimação previstos no Decreto nº 70.235/72 não estão sujeitos a qualquer ordem de preferência, conforme assim determina o §3º do art. 23 do citado Diploma Legal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.066 9 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Assim conduzido o ato de intimação do sujeito passivo, este será considerado formalmente intimado do ato em apreço na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal, ou, de outro canto, tratandose de intimação via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Conforme se observa do texto legislativo, o ordenamento jurídico não exige, para a formalização da intimação, que a ciência do ato processual seja realizada pessoalmente pelo representante legal da pessoa jurídica intimada. Tal conclusão não discrepa do entendimento jurisprudencial acerca da matéria, o qual pugna que a intimação por via postal, endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido, é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação, inclusive por pessoas estranhas ao seu corpo funcional porteiros, vigilantes, etc. desde que usualmente recebam a correspondência da empresa. Perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 9, de observância vinculante, exorta ser válida a ciência da notificação por via postal Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que ele não seja o representante legal do destinatário. Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. No presente caso, conforme demonstrado a fls. 881 e 882, procedeuse à ciência do lançamento ao Estado de Minas Gerais – Secretaria de Estado de Saúde, no endereço do seu domicilio tributário à Rodovia Prefeito Américo Gianetti, 4143 – 12º andar, Bairro Serra Verde, CEP 31630.369 – Belo Horizonte/MG, conforme Aviso de Recebimento nº SA 885032431 BR, a qual se consumou em 02/09/2013. Procedeuse, igualmente, a ciência do lançamento à AdvocaciaGeral do Estado de Minas Gerais, à rua Espirito Santo, nº 495 – 7º andar – Centro. CEP 30160080 – Belo Horizonte/MG, conforme Aviso de Recebimento nº SA 885 033 220 BR, a qual se consumou em 06/09/2013. Em função da efetiva ciência, tanto do sujeito passivo quanto da Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais, foram interpostas impugnações administrativas em face do lançamento em relevo, em dois instrumentos distintos a fls. 884/903 e a fls. 920/941, demonstrando que a intimação do lançamento levado a efeito pela Administração Tributária cumpriu, efetivamente, seu papel. Como se tal não bastasse, é de conhecimento sólido entre aqueles que militam com profissionalismo no ramo do Direito Processual que o comparecimento espontâneo do Interessado supre até mesmo a falta de citação, a teor do §1º do art. 214 do CPC, efeito reconhecido pela Suprema Corte de Justiça, consoante se depreende dos seguintes julgados. AgRg na CR 2498 US 2007/00811750 Data de publicação: 03/11/2008 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. CARTA ROGATÓRIA. COMPARECIMENTOESPONTÂNEO DO INTERESSADO. APLICAÇÃO AO CASO DO ART. 214 , § 1º , DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL . CITAÇÃO. REMESSA DOS AUTOS À JUSTIÇA FEDERAL. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE. Nos termos do art. 214, §1º , do Código de Processo Civil , o comparecimento espontâneo do réu supre a falta de citação. Desnecessária, assim, a remessa dos autos à Justiça Federal para cumprimento do exequatur. Agravo regimental improvido. AgRg no AREsp 485332 / SP Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO DJe 13/05/2014 GRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESCONSIDERAÇÃO DA Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.067 11 PERSONALIDADE JURÍDICA. REQUISITOS. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A conclusão a que chegou o Tribunal de origem, acerca da presença dos requisitos necessários para ensejar a desconsideração da personalidade jurídica da recorrida, decorreu de convicção formada em face dos elementos fáticos existentes nos autos. Rever os fundamentos do acórdão recorrido importaria necessariamente no reexame de provas, o que é defeso nesta fase recursal (Súmula 7/STJ) e impede o conhecimento do recurso por ambas alíneas. 2. Conforme a remansosa jurisprudência do STJ, o comparecimento espontâneo do requerido supre a eventual ausência de citação, conforme o disposto no art. 214, § 1º, do CPC. 3. Ademais, a Corte local apurou que não houve prejuízo advindo da ausência de citação, pois, conforme afirmou o Tribunal de origem, antes mesmo que isso acontecesse, apresentou impugnação à fase de cumprimento de sentença" e "têm ciência de tudo quanto ocorreu na execução, inclusive do prazo para pagamento do débito". Dessarte, na esteira da iterativa jurisprudência desta Corte, não se anula ato processual, caso o vício formal não impeça seja atingida a sua finalidade. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Por tais razões, considerando haver sido, não somente o Sujeito Passivo, como também, a AdvocaciaGeral do Estado de Minas Gerais, cientificadas regularmente, nos termos da lei, a respeito da lançamento tributário que ora se discute, e ainda que, em prazo hábil, compareceu o Sujeito Passivo aos autos do processo apresentando impugnação ao lançamento, rejeitamos a preliminar de nulidade da intimação. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 3.1. DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O Recorrente alega que o lançamento se baseou em mera presunção, na medida em que não identificou faticamente os serviços prestados pelos prestadores do SUS. Sem razão. De acordo com a resenha fiscal, os créditos ora em fase de constituição foram apurados através do comparativo entre os valores declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs e as nas folhas de pagamento. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas rubricas de natureza remuneratória pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, bem como as remunerações pagas a Segurados Contribuintes Individuais prestadores de serviço pessoas físicas, com recursos do SUS. Na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos com os respectivos valores declarados em GFIP, a fiscalização constatou a existência de rubricas de natureza remuneratória que não foram consideradas nas bases de cálculo declaradas em GFIP, procedendo ao lançamento das contribuições correspondentes devidas. Na comparação dos valores transitados em folha de pagamentos com os respectivos valores declarados em GFIP, a fiscalização encontrou casos em que segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais foram omitidos da GFIP em determinadas competências, procedendo ao lançamento das Contribuições Previdenciárias correspondentes devidas. No que tange ao lançamento tendo por fatos geradores os pagamentos efetuados a prestadores de serviços, pessoa física, com recursos do SUS, a Fiscalização constatou que tais fatos jurígenos tributários foram feitos de forma “globalizada” utilizando um credor virtual de CNPJ nº 99.999.997/981411, denominado “PAGTO.DE PRESTADORES DE SERVIÇOS/FUNDO ESTADUAL DE SAUDE”. Na impossibilidade de se discriminar, em tais arquivos, os valores pagos a pessoa física prestadora de serviço SUS, a Fiscalização solicitou informação ao setor responsável, tendo sido atendida pela Superintendência de Programação Assistencial / Subsecretaria de Regulação, na pessoa da Diretora Vânia de Freitas Drumond, CPF:128.278.86634, que forneceu Arquivo Digital, em formato de planilha EXCEL, contendo a Relação nominal de pagamentos a Prestadores SUS. A Gerência de Informação de Serviços Assistenciais, setor responsável por estas informações, alegou que os dados solicitados estavam o no SGIF – Sistema de Gestão de Informação Financeira, cuja administração técnica estaria fora do controle da Secretaria da Saúde, sendo que o sistema só permitia a extração da informação pagamentos feitos aos prestadoresSUS e o cadastro dos prestadores pessoa física com Nome, CPF e NIT (dentre outros dados pessoais) na forma que foi apresentada à fiscalização, inclusive com vários NIT faltantes. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.068 13 O formato e a organização em que estas informações sobre os pagamentos a prestadores SUS foram encaminhados à Fiscalização não são compatíveis com a estrutura de uma Folha de Pagamento. A planilha EXCEL encaminhada em 15/05/2012 apresentou inconsistências que, após questionamento ao setor de Regulação, geraram novas versões em formato DBF, e uma versão final em formato banco de dados ACCESSMDB, em 26/03/2013, que complementou, ainda que de forma precária, as referidas informações – fora do que seria um formato Folha de Pagamento. Diante da situação acima descrita, e da alegada supracitada impossibilidade de acerto, a Fiscalização elaborou o discriminativo acostado no Anexo 12 – Relação de Pagamentos a Prestadores SUS, a fls. 576/854, discriminando nominalmente, por prestador, o nome, competência tributária, CPF, NIT, valor do serviço e competência em que o serviço foi prestado. Tal discriminativo foi elaborado a partir do cruzamento das informações encaminhadas em formato EXCEL, DBF e ACCESS, sendo buscado o NIT do trabalhador através de aplicativo do sistema CONTAGIL nos Cadastros informatizados da Receita Federal, “montando” a Fiscalização, de maneira precária, o que seria a “Folha de Pagamento de Prestadores SUS”, incumbência essa que seria da própria Recorrente, por força da Obrigação Tributária Acessória prevista no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Aditese que, em razão da não inclusão de tais prestadores de serviço nas Folhas de Pagamento da empresa, esta foi autuada mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 51.045.7614 CFL 30, em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A relação de pagamentos do Anexo 12, a fls. 576/854, foi apresentada para a empresa mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 011/2013, a fls. 125/126, para confirmação/esclarecimentos. “5. Confirmar, através de declaração, a situação de Não declarados em GFIP dos pagamentos a Pessoa Física, a titulo de SERVIÇOS SUS, transitados no sistema SIAFI com “relação” agrupada fornecida pelo setor de Regulação arquivo “0055 Relação de Pagamento a Prestadores SUS.xls” encaminhado no CD anexo.” Em resposta, a Secretaria de Estado de Saúde, em ofício a fl. 127, não questionou os valores da relação, restringindose ao texto reproduzido adiante: “5) No que diz respeito aos prestadores do SUS, é efetuada a retenção e o recolhimento da parte do segurado, porém não é feito o recolhimento da parte patronal e respectiva declaração em GFIP, por falta de dados no Cadastro Nacional de Estabelecimento”. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Não procede, portanto, a alegação de que o lançamento teria se baseado em mera presunção, na medida em que não identificou faticamente os serviços prestados pelos prestadores do SUS. De acordo com o art, 22, III, da Lei nº 8.212/91, a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, independentemente de quais tenham sido os serviços prestados à empresa, circunstância que torna desnecessária a sua discriminação no Relatório Fiscal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (ACS: ver lei 10.666/2003) Por outro lado, o saláriodecontribuição para o contribuinte individual, base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, consiste na remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. Como visto, a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias consistente na remuneração auferida pelo trabalhador, independe de quais tenham sido os serviços prestados à empresa, circunstância que torna desnecessária a sua discriminação no Relatório Fiscal. Além disso, os serviços prestados pelos Segurados Contribuintes Individuais em apreço ao Recorrente já são do conhecimento do próprio Recorrente, circunstância que, também, torna desnecessária a sua discriminação no Relatório Fiscal. 3.2. DAS RUBRICAS DE NATUREZA REMUNERATÓRIA O Recorrente alega que as gratificações pagas aos servidores públicos cedidos por outros órgãos não devem ser consideradas na base de cálculo da contribuição previdenciária dado o seu caráter eminentemente temporário. Aduz que o prêmio produtividade se refere à participação nos resultados, a qual não é tributável. Argumenta, ainda, que não incide Contribuições Previdenciárias sobre as diárias, ainda que excedentes a 50%, dada a sua natureza indenizatória. Longe da razão. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.069 15 Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.070 17 trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) (grifos nossos) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.071 19 trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador mesmo que sem prestar qualquer labor, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, mesmo que na forma de utilidades, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.072 21 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração Social PIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, em atenção aos termos insculpidos no art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção, de sorte que, onde o legislador ordinário não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.073 23 Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. 3.2.1. DAS GRATIFICAÇÕES Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que os proventos auferidos por segurados obrigatórios do RGPS, a título de gratificação, encontrase abraçado pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Ao contrário do que entende o Recorrente, a não eventualidade no recebimento de uma rubrica não se configura condição para a sua integração na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. De acordo com os termos constitucionais já ventilados, “os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário (conceito de Direito do Trabalho) para efeito de contribuição previdenciária”. Todavia, a base de cálculo das citadas contribuições sociais não é só a “folha de salários” (conceito de direito do trabalho), mas, também, “todos os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, onde se compreendem até mesmo os ganhos eventuais auferidos pelos segurados obrigatórios do RGPS. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque representam, nada mais, do que uma contraprestação remuneratória auferida pelos empregados que hajam alcançado as metas estabelecidas pela Recorrente, sendo irrelevante para o caso se os beneficiários são servidores próprios ou servidores cedidos por outros órgãos. Atingindo o trabalhador as metas definidas pelo empregador, este se titulariza no direito subjetivo à gratificação. Tais ganhos ingressam na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços ao Recorrente, em decorrência do contrato de trabalho, sendo, portanto, um benefício concedido pelo trabalho e não para o trabalho, de onde dessai a sua natureza remuneratória. Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários, dada a sua natureza jurídica de gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. 3.2.2. DOS PRÊMIOS O Recorrente alega que o prêmio produtividade se refere à participação nos resultados, a qual não é tributável. Sem razão também. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.074 25 Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Assim, para que a rubrica paga a título de PLR legal se poste a salvo da incidência de Contribuições Previdenciárias, é necessário que sejam observados todos os requisitos dispostos na Lei nº 10.101/2000. Não se deve olvidar que, sendo a isenção tributária uma norma legal de exceção, de interpretação restritiva e em benefício do Contribuinte, o adimplemento cumulativo de todas as condições e requisitos previstos na lei para a sua concessão não se presume, se comprova mediante documentos idôneos. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Dessarte, ao beneficiário da isenção recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. Assim, para que a verba paga a título de PLR fuja às garras do Fisco é necessário que o interessado, mediante documentos idôneo, comprove os seguintes requisitos: · Que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 · Que o plano de incentivo à produtividade tenha traduzido, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; Ø O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. · Que o pagamento da PLR tenha resultado de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Que das negociações suso citadas, tenham resultados instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · Que a negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · Que o instrumento formal resultante do acordo em realce tenha sido arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; · Que a PLR não tenha sido usada para substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · Que a PLR não tenha sido distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; Tendo em vista que o Recorrente não comprovou o adimplemento das condições essenciais para a subsunção da rubrica em tela à hipótese vertida na alínea ‘j’ do §9º Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.075 27 do art. 28 da Lei nº 8.212/91, resulta, por decorrência lógica, a incidência da regra geral de tributação. Assim, deve persistir o lançamento das Contribuições Previdenciárias incidentes sobre o total das vantagens auferidas pelo segurado a título de Participação nos Resultados. 3.2.3. DAS DIÁRIAS Alega o Recorrente que não incide Contribuições Previdenciárias sobre as diárias, ainda que excedentes a 50%, dada a sua natureza indenizatória. Engraçado ... A lei dispõe em sentido contrário !!! Todavia, apesar da contrariedade do Recorrente, este Sodalício se curva ao Império da Lei sendo certo que a alínea ‘a’ do §8º da Lei nº 8.212/91 estatui, expressamente, que o total das diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal, integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) Nesse sentido, é copiosa a jurisprudência promanada do Superior Tribunal de Justiça, REsp 591961 / DF Re. Min. Luiz Fux. DJ 22/03/2004 Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 PREVIDENCIÁRIO. SERVIDORES PÚBLICOS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE DIÁRIA DE VIAGEM. INCLUSÃO. ART. 1º DA LEI 9.783/99. 1. A Previdência Social é instrumento de política social do governo, sendo certo que sua finalidade primeira é a manutenção do nível de renda do trabalhador em casos de infortúnios ou de aposentadoria, abrangendo atividades de seguro social definidas como aquelas destinadas a amparar o trabalhador nos eventos previsíveis ou não, como velhice, doença, invalidez: aposentadorias, pensões, auxílio doença e auxílioacidente do trabalho, além de outros benefícios ao trabalhador. 2. A concessão dos benefícios restaria inviável não houvesse uma contraprestação que assegurasse a fonte de custeio. 3. Consectariamente, o fato ensejador da contribuição previdenciária não é a relação custobenefício e sim a natureza jurídica da parcela percebida pelo servidor, que encerra verba recebida em virtude de prestação do serviço. 4. As diárias de viagens não integram o saláriodecontribuição, desde que não excedam a 50% da remuneração mensal do empregado. (Art. 1º da lei 9.783/99). 5. Deveras, as normas tributárias isentivas são de interpretação estrita, não havendo como se conferir a alforria fiscal (art. 111, CTN). 6. Recurso especial desprovido. O Recorrente alega que “o trabalho fiscal também não demonstrou, de forma inequívoca, como chegou à conclusão de que as mesmas ultrapassam 50% a remuneração do servidor”. Realmente, deve ser muito difícil para o Recorrente entender ... matemática ... Conforme consignado no item 5.4.1. do Relatório Fiscal, a fl. 37, o anexo 3, a fls. 501/510, comporta discriminativo de apuração onde apresenta, para cada trabalhador nele elencado, a base de cálculo mensal, os valores pagos a título de diárias, o total da base de cálculo declarada em GFIP, dentre outras informações. “5.4.1. O Anexo 3 – “Pagtos a Título de Diárias para servidores CAT20” discrimina, servidor por servidor, as ocorrências de valores de diárias maiores que 50% da remuneração mensal. Tais valores pagos a título de Diárias (coluna “Diárias”) foram enquadrados como Base de Cálculo Não DECLARADA, lançadas então no Levantamento DI (veja DD – Discriminativo de Débito em anexo). 5.4.2. As diárias pagas foram apuradas pelos Empenhos/Liquidações relacionados no Anexo 4 – “Liquidações: Vrs (a título de Diárias) pagos a Servidores CAT20”. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.076 29 Assim, sempre que o valor das diárias for maior que 50% (cinquenta por cento quer dizer a metade !!!) do valor da base de cálculo do trabalhador, restará configurado que o valor total das diárias ultrapassou 50% da remuneração do servidor. Aditese que, para facilitar a compreensão, a Autoridade Lançadora complementou o discriminativo do anexo 3 com a coluna da extrema direita intitulada “Análise Diárias”, com as seguintes observações: · “Vr Diárias > 50% BCFPG” – significa que o valor das diárias é maior que 50% da base de cálculo registrada na Folha de Pagamento. · “Servidor com DIÁRIA e BC_FPG=0 nesta COMP” – significa que o servidor naquela competência tem sua remuneração na folha de pagamento igual a zero. Sendo a metade de zero igual a zero, deflui que qualquer que seja a diária recebida esta será, necessariamente, maior do que a metade da remuneração auferida pelo servidor. Nada obstante, com tudo isso, o Recorrente ainda alega que “o trabalho fiscal também não demonstrou, de forma inequívoca, como chegou à conclusão de que as mesmas ultrapassam 50% a remuneração do servidor”. Se nos antolha que a deficiência não é do trabalho fiscal ... Assim, deve persistir o lançamento das Contribuições Previdenciárias incidentes sobre o total das diárias auferidas pelo segurado, quando excedentes a cinquenta por cento da sua remuneração mensal. 3.3. DA ALIQUOTA DO SAT O Recorrente alega que inexiste fundamento fático e legal para enquadrar o Estado e a Secretaria Estadual de Saúde na alíquota de 2% do GILRAT. Ainda sem razão ... No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta de 1988, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.077 31 creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. (grifos nossos) §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) §6º Verificado erro no auto enquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) §7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º. §8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. §9º A contribuição de que trata este artigo, a cargo da microempresa e da empresa de pequeno porte não optantes pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, corresponde ao percentual mínimo, nos termos do inciso I do art. 17 da Lei nº 8.864, de 28 de março de 1994. (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 §10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §12. Para os fins do §11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3º e 5º. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007) Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. O enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa e deve ser em função da atividade econômica preponderante. Todavia, o §5º, in fine, do art. 202 do RPS estabelece a competência da, hoje, Secretaria da Receita Federal do Brasil para rever, a qualquer tempo, o auto enquadramento realizado pelo contribuinte e, verificado erro em tal tarefa, proceder à notificação dos valores devidos. Nos termos do §1º do art. 86 da IN SRP nº 3/2005, o auto enquadramento para fins de determinação de grau de risco de acidente de trabalho será realizado pela atividade econômica da empresa, em atenção à Classificação Nacional de Atividades Econômicas – Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.078 33 CNAE, sendo oportuno ressaltar que, na hipótese de a empresa exercer mais de uma atividade econômica, o auto enquadramento se dará na atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada aquela que ocupar o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 86. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta IN, são: (...) II para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 71, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: a) um por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) dois por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; c) três por cento, para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; (...) §1º A contribuição prevista no inciso II do caput, será definida da seguinte forma: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, obedecendo as seguintes disposições: a) a empresa com um estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrarseá na respectiva atividade; b) a empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e prevalecerá, como preponderante, aquela que tenha o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; c) a empresa com mais de um estabelecimento e diversas atividades econômicas deverá somar o número de segurados alocados na mesma atividade em todos os estabelecimentos, prevalecendo como preponderante a atividade que ocupe o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, considerados todos os estabelecimentos; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 d) os órgãos da administração pública direta, tais como Prefeituras, Câmaras, Assembleias Legislativas, Secretarias e Tribunais, identificados com inscrição no CNPJ, enquadrarse ão na respectiva atividade, observado o disposto no §9º; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) (...) II considerase preponderante a atividade econômica que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, observado que: a) apurado na empresa ou no órgão do poder público, o mesmo número de segurados empregados e trabalhadores avulsos em atividades econômicas distintas, considerarseá como preponderante aquela que corresponder ao maior grau de risco; (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) b) não serão considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros; (...) IV verificado erro no auto enquadramento, a SRP adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo ao lançamento do crédito relativo aos valores porventura devidos. (...) §9º Na hipótese de um órgão da administração pública direta com inscrição própria no CNPJ ter a ele vinculados órgãos sem inscrição no CNPJ, aplicarseá o disposto na alínea "c" do inciso I do §1º deste artigo. (Redação dada pela IN SRP nº 23, de 30/04/2007) (...) Há que se destacar, de plano, que uma mesma atividade pode ser executada tanto pela iniciativa privada, como uma atividade econômica propriamente dita, ou seja, um meio de obtenção de lucro, bem como pela administração pública, no desempenho de um serviço público. É o que sói ocorrer nos casos de saúde, educação e cultura, dentre tantos outros. Tal segregação é relevante, pois importará enquadramento CNAE distintos. A Tabela 1 do Anexo II da IN MPS/SRP nº 3/2005 relaciona os códigos CNAE das atividades, os correspondentes códigos FPAS e os percentuais de contribuição para o financiamento de aposentadorias especiais e dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, previstos no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Os códigos FPAS são listados em ordem numérica e se vinculam ao código CNAE da atividade à qual correspondem. Para fins do disposto no art. 137 §§ 1º e 2º da IN MPS/SRP nº 03/2005 deverá o sujeito passivo observar rigorosamente o código CNAE de sua atividade a fim de identificar o código FPAS atribuído pela Tabela 1. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.079 35 Notese que, no caso das atividades de saúde, se a atividade for prestada pela iniciativa privada, o seu enquadramento no código FPAS será o 515, sujeita à alíquota de SAT de 2%, conforme tabela que ora se vos segue: CNAE RAT FPAS Descrição da atividade 86500/99 2,00% 515 Atividades de profissionais da área de saúde não especificadas anteriormente 86607/00 2,00% 515 Atividades de apoio à gestão de saúde 86909/01 2,00% 515 Atividades de práticas integrativas e complementares em saúde humana 86909/99 2,00% 515 Outras atividades de atenção à saúde humana não especificadas anteriormente 87204/99 2,00% 515 Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química não especificadas anteriormente Registrese, a fim de nocautear qualquer duvida ainda renitente, que com a promulgação da EC nº 19/98, e o fim da obrigatoriedade do Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos, os entes federativos passaram a poder contratar servidores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, os quais deveriam ser mensalmente declarados em GFIP. Houvese então por criado o código FPAS 582, e as atividades a eles associadas, conforme tabela abaixo, extraída da IN SRP nº 3/2005. ANEXO II ‐ IN 03/2005 ‐ TABELA 1 CNAE RAT FPAS Descrição da atividade 64107/00 1,00% 582 Banco Central 84116/00 2,00% 582 Administração pública em geral 84124/00 2,00% 582 Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais 84132/00 2,00% 582 Regulação das atividades econômicas 84213/00 2,00% 582 Relações exteriores 84221/00 2,00% 582 Defesa 84230/00 2,00% 582 Justiça 84248/00 2,00% 582 Segurança e ordem pública 84256/00 2,00% 582 Defesa Civil 84302/00 2,00% 582 Seguridade social obrigatória 99008/00 1,00% 582 Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais sem acordo internacional de isenção (com acordo: FPAS 876) Conforme se observa, as atividades associadas ao FPAS 582 são todas vinculadas às funções típicas de Estado, como Administração pública em geral, Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais, relações exteriores, defesa, segurança, justiça, seguridade social, etc. Nenhuma delas, de forma alguma, encontrase relacionada com atividade econômica stricto sensu. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Ultrapassada tal questão, nos concentrando na identificação do código CNAE aplicado à espécie, apuramos que, tratandose de um serviço público prestado pela administração pública, o enquadramento na Classificação Nacional de Atividades Econômicas ajustase na Seção ‘O’, Divisão 84 – “ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA E SEGURIDADE SOCIAL”. Tratandose de Administração pública representada por um único CNPJ, como assim demonstram as provas contidas nos autos, a classificação se estende pelo Grupo “84.1 Administração do estado e da política econômica e social” e se completa com a classe “84.116 Administração pública em geral” e subclasse “84116/00 Administração pública em geral”, conforme a Estrutura detalhada CNAE 2.0, a consulta na página da internet http://www2.sefaz.to.gov.br/consultas/cnae_arquivos/CNAE%202.0%20Subclasses%20 %20Estrutura%20detalhada.pdf. No vertente processo, o próprio Recorrente admite que a que a Administração Pública é classificada como 84116/00. Ostentando a atividade desenvolvida pela administração pública em geral classificação CNAE 84116/00, a esta corresponde o grau de risco médio, nos termos do ANEXO V do Regulamento da Previdência Social, que expõe a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, conforme a classificação nacional de atividades econômicas, implicando, pois, na fixação de alíquota para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho em 2%. CNAE ATIVIDADE SAT 84116/00 Administração pública em geral 2% 84124/00 Regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços sociais. 2% 84132/00 Regulação das atividades econômicas 2% 84213/00 Relações exteriores 2% 84221/00 Defesa 2% 84230/00 Justiça 2% 84248/00 Segurança e ordem pública 2% 84256/00 Defesa Civil 2% Não merece reparo, pois, o lançamento, eis que a alíquota de 2% para o SAT houvese aplicada em estreita sintonia com as normas fixadas na legislação previdenciária. 3.4. DA PERÍCIA Alega o Recorrente cerceamento de defesa em razão de o Órgão Julgador de 1ª Instância ter indeferido a produção de prova pericial. Permanece sem razão. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.080 37 Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de situações fáticas, cujo teor já é do conhecimento do Auditor Fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da Autoridade Julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nessa prumada, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do Contribuinte, desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade, em regra, são tidos como prescindíveis, uma vez que os Agentes do Fisco são dotados de conhecimento específico sobre a matéria objeto do seu dever de oficio e competência legal para o exame e apreciação dos paramentos atávicos aos fatos geradores apurados, circunstância que torna despicienda a manifestação de pessoa estranha aos procedimentos fiscalizatórios que, em tese, nada irá acrescentar ao convencimento motivado do Julgador. Há que se considerar, igualmente, que o Ordenamento Jurídico Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise garantia do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem ser valorados com ampla liberdade, desde que tal operação intelectual seja realizada motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e de razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora. Notório o escólio de Gomes Filho (in Direito à Prova no Processo Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 162): “Se de um lado, em oposição ao critério das provas legais, o livre convencimento pressupõe a ausência de regras abstratas e gerais de valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais, por outro implica a observância de certas prescrições tendentes a assegurar a correção epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”. Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de identificação da subsunção do fato concreto à norma jurídica de regência, de valoração das provas, sob a ótica que demanda a controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por desígnio propiciar ao Julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às circunstâncias substanciais pertinentes ao evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência. Não se mostra despiciendo relembrar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo do Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo quarto. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.081 39 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Com efeito, emerge dos dispositivos legais que regem a matéria em debate que as provas documentais que dão esteio aos argumentos e alegações de defesa têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais acima referidas, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. No caso em debate, o Órgão Julgador de 1ª Instância considerou desnecessária a produção de prova pericial em razão de a perícia não se prestar à solução de alguns quesitos, seja por ser incompatível com outros, seja, ainda, pelo fato de alguns outros quesitos não demandarem conhecimento técnico a ensejar o deferimento de expediente pericial, não possuindo este Colegiado competência para sindicar as razões do convencimento do Órgão Julgador a quo. E diga a DRJ/RPO “Pelo exposto, tenho que o pedido de perícia merece ser indeferido, seja por não se prestar à solução de alguns quesitos, seja por ser incompatível com outros, seja, ainda, pelo fato de alguns outros quesito não demandarem conhecimento técnico a ensejar o deferimento de expediente pericial.”. Corroboramos o entendimento do Órgão Julgador de 1ª Instância. Alguns dos quesitos suscitados pelo Recorrente são irrelevantes para a solução do vertente litigio (1, 14). Outros, por seu turno (2 a 11) devem ser provados, necessariamente, mediante a apresentação de provas documentais, as quais têm que ser colacionadas aos autos na mesma ocasião da impugnação, sob pena de preclusão, não se prestando a perícia para suprir tal deficiência. Há ainda aqueles (12 e 13) que independem de conhecimento específico de perito, por estarem perfeitamente descritos e caracterizados no Relatório Fiscal. Por tais razões, indeferimos a produção da prova pericial pretendida 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726467/201311 Acórdão n.º 2302003.701 S2C3T2 Fl. 1.082 41 Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10980.011086/2005-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. PROTOCOLO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE DO SUJEITO PASSIVO.
A partir do exercício de 2001, é obrigatória a apresentação do ADA - Ato Declaratório Ambiental para exclusão, da base de cálculo do ITR, da Área de Preservação Permanente, acatando-se o protocolo do documento junto ao Ibama antes de iniciada a ação fiscal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL.
Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é requerida a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental - ADA, bem como a averbação da área junto ao Registro de Imóveis. Porém a averbação da área, à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, supre a necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental - ADA.
No caso, a averbação ocorreu após a ocorrência do fato gerador, então é de se manter a glosa.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1- em relação à Reserva Legal, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Tereza Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso; e 2- em relação à Área de Preservação Permanente, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Marcelo Oliveira, que votaram por dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, quanto à Área de Preservação Permanente.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada
EDITADO EM: 19/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. PROTOCOLO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE DO SUJEITO PASSIVO. A partir do exercício de 2001, é obrigatória a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para exclusão, da base de cálculo do ITR, da Área de Preservação Permanente, acatandose o protocolo do documento junto ao Ibama antes de iniciada a ação fiscal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é requerida a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA, bem como a averbação da área junto ao Registro de Imóveis. Porém a averbação da área, à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, supre a necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu após a ocorrência do fato gerador, então é de se manter a glosa. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 10 86 /2 00 5- 86 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 236 2 Acordam os membros do colegiado: 1 em relação à Reserva Legal, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Tereza Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao recurso; e 2 em relação à Área de Preservação Permanente, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator) e Marcelo Oliveira, que votaram por dar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, quanto à Área de Preservação Permanente. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada EDITADO EM: 19/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório O Acórdão nº 220100.889, da 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 173 a 181), julgado na sessão plenária de 21 de outubro de 2010, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, considerando possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal no exercício de 2001. Transcrevese a ementa do julgado: AUTO DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO SUPLEMENTAR DE ITR. GLOSA DE ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA POR FALTA DO COMPETENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) EXPEDIDO PELO IBAMA. Descabida a cobrança de Imposto Suplementar por glosa de área da Reserva Legal da Fl. 236DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 237 3 propriedade em função da não apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental, fatos estes que foram devidamente sanados e comprovados devidamente, mesmo fora do prazo, durante a fase processual administrativa RESERVA LEGAL. Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afrontar dispositivo legal. Recurso Voluntário Provido. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (efls. 187 a 210), onde defendeu a necessidade de apresentação tempestiva de ADA para ser possível a dedução tanto da área de preservação permanente como da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. Fundamentou seu pedido, em síntese, no teor do art. 17O, § l o da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. lo da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, no art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, no art. 10 do Decreto no 4.382,de 19 de setembro de 2002 e, ainda, com fulcro no art. 17 da IN SRF no 60, de 06 de junho de 2001 e na Solução de Consulta Interna COSIT no 12, de 21 de maio de 2003. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou os seguintes paradigmas: Acórdão no 39100037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 211a 216. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte ofertou contrarrazões (efls. 220 a 232), onde defende, em síntese, que: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 238 4 a) o art. 10, inciso II, da Lei n° 9.393, de 1996, não condiciona, nem vincula o benefício de isenção do ITR para as áreas em questão à apresentação do ADA ao IBAMA, Aliás, pelo contrário: segundo o § 7° do próprio art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996, a isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente não se sujeita ou condiciona a qualquer "prévia comprovação" por parte do proprietário; b) A exigência do ADA teria sido estabelecida por Instruções Normativas, que não poderiam ter inovado ou extrapolado o conteúdo das leis regradoras da hipótese de incidência do ITR, sob pena de violação ao princípio da legalidade. A mesma impossibilidade de inovação ou extrapolação seria aplicável ao Decreto n° 4.382, de 2002; c) O art. 17O, § I o da Lei n° 6.938, de 1981, com redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000, foi revogado pelo § 7o do art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996 (que, a seu ver, dispensa qualquer comprovação para a isenção do ITR), revogação realizada pela Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001; d) Não haveria prazo legal para a apresentação do ADA e nem para a averbação da Reserva Legal (as quais ocorreram antes do início da ação fiscal) e que as áreas em questão, além de legalmente dispensadas de comprovação prévia, teriam restado demonstradas como existentes a partir da documentação acostada aos autos, devendose observar o princípio da verdade material. Propugna assim a autuada que se mantenha a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator A discussão trata da necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, para o exercício de 2001. No caso concreto, o ADA acostado aos autos foi protocolizado em 18/11/2004 (efl. 19), anteriormente ao início da fiscalização, que se deu em 27/04/2005 (efl. 4). Quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. Entendo a princípio que, em se tratando de requisito para fins de redução da base de cálculo do ITR, a apresentação do ADA para fins da referida redução deveria se dar até a data de ocorrência do fato gerador (no caso 01/01/2001). Fl. 238DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 239 5 Todavia, de se respeitar o fato de que a legislação vigente à época do fato gerador, a saber, a Instrução Normativa SRF nº 73, de 18 de julho de 2000, em seu art. 17, inciso III, concedia prazo adicional ao contribuinte, possibilitando a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR – DITR, ressaltandose aqui meu entendimento de competência plena da referida Instrução Normativa para determinar a data para cumprimento de obrigação prevista em lei. In casu, a DITR do exercício de 2001 deveria ser entregue até o dia 28 de setembro de 2001, conforme dispunha o art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 61, de 6 de junho de 2001. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2001 poderia ser entregue até o dia 28 de março de 2002. Como, no presente caso, ele foi apresentado apenas em 18 de novembro de 2004 (efl. 19), há que se reconhecer sua intempestividade, tendo o mesmo sido entregue, ainda, após a fiscalização ter se iniciado em 27/09/2005 (efl. 4). Assim, não suprida a obrigação de apresentação de ADA de forma tempestiva, não é de se admitir a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, devendose dar provimento ao Recurso da Fazenda nesta seara, restabelecendo a glosa da área de preservação permanente, de 298,5 ha. Por sua vez, sobre o tema da reserva legal, esclareçase que essa tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) como já citado, a apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à reserva legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1o de janeiro do anocalendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O acórdão recorrido dispensou a obrigação de apresentação do ADA, considerando que tal reserva ficou parcialmente documentada como existente (no valor de 975,2 ha), a partir de sua averbação no registro competente. A propósito, também julgo que a averbação tempestiva da área na matrícula do imóvel, por constituir a área de reserva legal, é comprovação suficiente do fato, mesmo se desacompanhada de ADA. Quanto à tal averbação, na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. Para que todos possam decidir com suas convicções, esclareço que, no presente caso, a área de reserva legal declarada é de 975,2ha (60% da área total do imóvel) e que, teve sua averbação realizada em 18/06/2003 (vide efls. 16 a 18), assim, posteriormente à ocorrência do fato gerador em 01/01/2001. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 240 6 Do meu ponto de vista, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, §2o, na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Observese que, após as alterações da Medida Provisória nº 2.166 67, de 24 de agosto de 2001, essa exigência passou para o §8o do mesmo artigo. Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de reserva legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em momento posterior ao fato gerador. Penso que a averbação é requisito formal de existência da área de reserva legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. No presente caso, com a averbação intempestiva da área de reserva legal, não se pode admitir sua dedução da base de cálculo do ITR, dandose provimento ao Recurso Especial em questão também quanto a esta matéria, restabelecendose, destarte, a glosa de 975,2 ha. de reserva legal, efetuada pela autoridade autuante. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 240DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 241 7 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada Divirjo do voto do Ilustre Conselheiro Relator, unicamente em relação à APP – Área de Preservação Permanente. Tratase do imóvel rural denominado Fazenda Pedra Azul, no Município de Cerro Azul/PR, em relação ao qual foi glosada a área de 298,5 hectares a título de APP – Área de Preservação Permanente, por falta de apresentação tempestiva do ADA – Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, no exercício de 2001. Examinandose a legislação de regência, verificase que o direito à exclusão, da base de cálculo do ITR, da área de Preservação Permanente, está garantido na Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 10. Por outro lado, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1° do art. 170, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do ADA, para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal e, conforme Instruções Normativas da Receita Federal, foi estabelecido o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para o protocolo do requerimento do documento junto ao Ibama. Entretanto o ADA, ainda que apresentado tempestivamente, como a própria denominação está a evidenciar, tem efeito apenas declaratório, portanto não tem o condão de constituir o direito, representado pela existência efetiva da área de Preservação Permanente, no imóvel objeto da autuação. Nesse passo, há que ser reconhecida a espontaneidade do Contribuinte, quando o ADA é protocolado após o fato gerador, porém antes do início da respectiva ação fiscal. Com estas considerações, verificase que, no presente caso, a Contribuinte protocolou o ADA no Ibama em 18/11/2004 (fl. 17), enquanto que o procedimento fiscal somente foi iniciado em 27/04/2005 (fls. 03), portanto resta clara a espontaneidade do sujeito passivo. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a glosa da ARL – Área de Reserva Legal, no termos do voto do Relator, e acatar a APP – Área de Preservação Permanente de 298,5 hectares. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 241DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.011086/200586 Acórdão n.º 9202003.645 CSRFT2 Fl. 242 8 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19396.720021/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Aplica-se o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação de serviços em geral.
CSLL. PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Aplica-se o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da
base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral.
Numero da decisão: 1302-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação de serviços em geral. CSLL. PERCENTUAL APLICÁVEL PARA O LUCRO PRESUMIDO PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 21 /2 01 1- 38 Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, acrescidos da multa de 75% e dos juros de mora, lançados pelo fato da Interessada ter aplicado incorretamente os coeficientes de 8% e 12% respectivamente, ao invés dos 32% previstos na legislação para a determinação do Lucro Presumido. Cientificada do Auto de Infração em 15/12/2011, a Interessada apresentou Impugnação tempestiva em 13/01/2012, com os anexos de fls. 1059/1166, com alegações que podem assim ser resumidas: que seu objetivo é “comércio varejista de peças e equipamentos elétricos, hidráulicos, comercio varejista de peças para mototres, serviços de engenharia, montagem e manutenção de instrumentação industrial, mecânica, elétrica e calderaria, serviçoes de construção civil e manitenção de plataformas”, cujos serviços incluem o fornecimento de materiais. que desde 97 o ADN nº 6, já definia o percentual de 8% para a construção por empreitada, quando houvesse emprego de materiais em qualquer quantidade e de 32% quando aplicado unicamente mão de obra. que a Solução de Consulta nº 278 de 08/11/2004 da 8ª RF, decidiu que “para efeito de determinação na base de cálculo do IR pelo lucro presumido, aplicase o percentual de 8% sobre a receita bruta auferida em decorrência de prestação de serviços de instalação elétrica, com fornecimento de material. A decisão considerou a ADN nº 6. que todas as notas juntadas contem referências aos pedidos, propostas, ordens de serviço, contratos e detalham os serviços, sempre incluindo o fornecimento de material e o fato de por equivoco não constar nas notas especificamente o fornecimento de materiais não pode ser óbice a busca da verdade operacional. protesta por todos os meios de prova A 9ª Turma da DRJ/RJ1, através do acórdão 1258.876, decidiu por unanimidade de votos, negar provimento às impugnações, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IRPJ Anocalendário: 2008 PERCENTUAL APLICÁVEL PARA OBTENÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO NO CASO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ em caso de contratação de prestação Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.432 3 de serviços em geral. No caso específico de contratação de prestação de serviços da construção civil ou de serviços auxiliares da construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, aplicase o percentual de 8% em vez de 32%. ASSUNTO: CSLL Anocalendário: 2008 PERCENTUAL APLICÁVEL PARA OBTENÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO NO CASO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E DE SERVIÇOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL em caso de contratação de prestação de serviços em geral. No caso específico de contratação de prestação de serviços da construção civil ou de serviços auxiliares da construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, aplicase o percentual de 12% em vez de 32%. Cientificado da decisão em 20/09/13, apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 17/10/13, reiterando os termos das impugnações e aduzindo em síntese o seguinte: ‐ que não obstante a revogação do ADN nº 6/1997, a própria decisão recorrida informa que, após a publicação da IN SRF nº 539/2005, a Solução de Consulta nº 225/2008, assim decidiu a questão: "As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de oito por cento na determinação da base de cálculo dq Imposto de Renda, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%". Grifos nossos. ‐ que a Recorrente, conforme comprovam o seu contrato social e os demais documentos juntados, não é prestadora de serviços em geral, mas sim, de serviços auxiliares e de construção, sempre com emprego total de materiais, enquadrando‐se, no caput do art. 15, da Lei 9.249/95. ‐ não obstante todo o elenco de documentos solicitados e obtidos, fundamentou a lavratura do Auto de Infração, tão somente, no fato de a impugnante "descrever em sua razão social exercer Manutenções Técnicas" (fls. 1348), sem que, pelo menos, cotejasse os serviços descritos nas notas fiscais, com as suas respectivas propostas, ordens de compra etc. ‐ que em obediência aos princípios da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como à isonomta tributária, preceitos aos quais a Administração se encontra vinculada, resta a declaração de enquadramento do sujeito passivo Recorrente nos percentuais de 8% e de 12%, respectivamente para a tributação do IRPJ e da CSLL. Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 ‐ que decisões do finado Conselho de Contribuintes deixam antever que as execuções de obras hidráulicas, elétricas, de construção e assemelhados, se classificam como serviços auxiliares da construção civil e a ela devem se equiparar para efeito de tributação. ‐ que tem a fiscalização o exclusivo ônus de provar que os coeficientes utilizados pela Recorrente são inadequados. que os serviços executados se referem a instalação e reparos de válvulas; abertura e reteste em permutador de gás; reparo em válvula de controle; remoção e instalação de válvula de bloqueio; revisão em vasos de óleo de selagem; retirada e reinstalação de válvulas etc. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1382/1386, foram executados com emprego total de material e se enquadram, inegavelmente, como de instalações hidráulicas, elétricas ou de montagem industrial. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1387/1389, são de deslocamento e pintura interna da curva de admissão; manutenção em turbo geradores e compressores, com emprego total de material e, indubitavelmente, se enquadram como de instalações hidráulicas, elétricas ou de montagem industrial. ‐ que todos os serviços das NF´s de fls. 1390, são de caldeiraria e pintura; instalação de transmissores de vazão, pressão e temperatura, painel, pedestais e cabos em P‐31, com emprego total de material, os quais, sem dúvida, são serviços hidráulicos. ‐ que todos estes serviços estão previstos como auxiliares da construção no anexo XIII da IN SRP 03 de 2005, utilizada como parâmetro pelos fundamentos do próprio v. Acórdão. É o Relatório. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.433 5 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e assim sendo, dele conheço. Pela legislação mencionada verificase que a regra geral, para a determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, foi a da aplicação do percentual de 8% para as atividades de comércio e indústria e de 32% para a de prestação de serviços em geral. No que concerne à atividade de prestação de serviços de construção por empreitada, a Receita Federal houve por bem expedir o Ato Declaratório Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, aqui reproduzido (grifos meus): “I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais.” II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra 'a', deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido." É preciso esclarecer que o item II do referido ADN, o qual, com base no art. 36, IV, da Lei nº 8.981/1995, não permitia que optassem pela tributação com base no lucro presumido as pessoas jurídicas que se dedicassem à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis e à execução de obras da construção civil, com emprego de materiais em qualquer quantidade, foi tacitamente revogado, em função da derrogação expressa do aludido dispositivo legal pelo artigo 14 da Lei nº 9.718/1998. Em 29/12/2004, foi publicada a IN SRF nº 480, de 15/12/2004, que tratava da retenção, na fonte, de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep, determinando em seu art. 2º o seguinte (Grifei): Art. 2º A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção ( Anexo I ), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda, determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. No referido Anexo I – Tabela de Retenções, temse para o serviço de construção civil por empreitada com emprego de materiais a alíquota de 1,2% para a retenção Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 do IRPJ, a qual foi obtida mediante a aplicação de 15% sobre a base de cálculo de 8% da receita bruta. Porém, em seu artigo 32, a referida IN SRF nº 480, determinava que as disposições constantes dos artigos 1º a 20 alcançavam somente as retenções na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep, não alterando a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995. Em 27 de abril de 2005, foi publicada a IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, a qual assim alterou a IN SRF nº 480 (grifos meus): “Art. 1 º Os arts. 1 º , 3 º , 18, 19, 20, 21, 22. 26, 27 e 32 da Instrução Normativa SRF n º 480, de 15 de dezembro de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.1 º ................................................................................................. § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: I serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. (...) "Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (..) II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei n º 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1 º , e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27."(NR)” Assim sendo, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 8% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. No que concerne à CSLL, o artigo 29 da Lei nº 9.430/1996, assim dispõe (grifos meus): Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.434 7 “Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período.” Por sua vez, o art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, com redação determinada pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, estabelece o seguinte (grifos meus): “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.” O referido art. 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249, de 1995, assim dispõe (grifos meus): “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;( Vide art.29 e art. 41 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade.” Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Da leitura dos referidos artigos, verificase que a regra geral estabelecida para a determinação da base de cálculo presumida da CSLL, foi a da aplicação do percentual de 12% para as atividades de comércio e indústria (como também se observa dos referidos artigos, para as atividades de comércio e indústria a base de cálculo presumida do IRPJ é igual a 8% da receita bruta) e de 32% para a de prestação de serviços em geral (como também se observa dos referidos artigos para a atividade de prestação de serviços em geral a base de cálculo presumida do IRPJ é igual a 32% da receita bruta). Como já visto, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 12% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida da CSLL, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. Em suma, a partir de 27/04/2005, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar, respectivamente, o percentual de 8% e de 12% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ e da CSLL, se (i) a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, e (ii) o fornecimento do material estiver segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Não atendida qualquer condição, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços em geral. Da Jurisprudência Administrativa Nesse mesmo sentido, trago à colação ementas de soluções de consulta e de decisões administrativas que bem distinguem a legislação aplicável à espécie antes e após a publicação, em 27/04/2005, da IN SRF nº 539, de 25/04/2005: Antes da Publicação em 27/04/2005 da IN SRF nº 539, de 25/04/2005 Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 8, de 20/01/2004 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ementa: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 8% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. Dispositivos Legais: art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995; IN SRF n° 93, de 1997; ADN Cosit nº 6, de 1997 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.435 9 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUÇÃO. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. Dispositivos Legais: art. 20 da Lei n° 9.249, de 1995, com a redação dada pelo art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003; art. 56 da IN SRF n° 93, de 1997; ADN Cosit nº 6, de 1997. Acórdão DRJ/CTA nº 117210, de 21/08/2004 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATOS DE EMPREITADA. As receitas decorrentes de contratos de empreitada de construção civil que abranjam tanto a mãodeobra quanto o fornecimento de materiais estão sujeitas, no total, ao percentual de 8% de determinação da base de cálculo do imposto de renda pelo lucro presumido. Acórdão DRJ/REC nº 1111867, de 08/04/2005 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. As receitas relativas a contratos de empreitada que abrangem tanto a mãodeobra quanto o fornecimento de materiais, estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL no lucro presumido, enquanto que aquelas decorrentes de construção por administração ou empreitada unicamente de mãodeobra, ou a prestação de serviços em geral, estão sujeitas ao percentual de 32%. Após a Publicação em 27/04/2005 da IN SRF nº 539, de 25/04/2005 Solução de Consulta nº 225 SRRF/8ª RF/Disit, de 11/07/2008 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de oito por cento na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Dispositivos Legais: Lei n.° 9.249, de 1995, artigo 15, caput e § 1.º, inciso III; Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 06, de 1997; Instrução Normativa SRF n.º 93, de 1997, artigo 3.º, § 2.º, IV, “d”; Instrução Normativa SRF n.º 480, de 2004, artigo 1.º, § 7.º, II c/c artigo 32, II; Instrução Normativa SRF n.º 539, de 2005, artigo 1.º; Instrução Normativa RFB nº 829, de 18 de março de 2008, Anexo I. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. As receitas decorrentes da construção civil por empreitada com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à consecução da atividade contratada, os quais serão incorporados à obra, estão sujeitas à aplicação do percentual de doze por cento na determinação da base de cálculo da CSLL, no Lucro Presumido. No caso de empreitada com fornecimento parcial de materiais pelo empreiteiro ou de empreitada unicamente de mão de obra, o percentual aplicável é de 32%. Dispositivos Legais: Lei n.º 8.981, de 1995, artigo 57; Lei n.º 10.684, de 2003, artigo 22; Lei n.º 9.249, de 1995, artigo 15, § 1.º, inciso III e artigo 20; Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 06, de 1997; Instrução Normativa SRF n.º 390, de 2004, artigos 88, inciso I e 89, inciso I; Instrução Normativa SRF nº. 480, de 2004, artigo 1.º, § 7.º, II c/c artigo 32, II; Instrução Normativa SRF n.º 539, de 2005, artigo 1.º; Instrução Normativa RFB nº 829, de 18 de março de 2008, Anexo I. Acórdão DRJ/POA nº 1041.164, de 08/11/2012 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32% quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Acórdão DRJ/POA nº 1041.168, de 08/11/2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2007, 31/03/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.436 11 As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32%, quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Acórdão DRJ/POA nº 1041.169, de 08/11/2012 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. Comprovada a contratação e prestação de fato de serviços de construção civil, no regime de empreitada total, com o fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, é correta a utilização do percentual de 12% para presunção da base de cálculo da CSLL. Do Conceito de Contratação de Prestação de Serviços de Construção Civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, são materiais incorporados à obra. Como já visto, em 27 de abril de 2005 o ADN Cosit nº 06, de 13 de janeiro de 1997, foi derrogado pela IN SRF nº 480, de 15/12/2004, com as alterações introduzidas pela IN SRF nº 539, de 25/04/2005, publicada em 27/04/2005, só podendo a partir daí, para o caso de prestação de serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, aplicar o percentual de 8% sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo presumida do IRPJ, se a contratação for de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Nas demais, o percentual aplicável é de 32%. A IN SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente no anocalendário de 2006, assim dispunha em seu Título V, Normas e Procedimentos Aplicáveis à Atividade de Construção Civil, Capítulo I, Disposições Preliminares, Seção Única, Conceitos: Art. 413. Considerase: I – obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo XIII; (...) X – serviço de construção civil, aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo XIII; (...) Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 XXVIII – contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assuma a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; (...) § 1º Será também considerada empreitada total: I o repasse integral do contrato, na forma do inciso XXXIX do caput; (...) III – a empreitada por preço unitário e a tarefa, cuja contratação atenda aos requisitos previstos no art. 1851 § 2º Receberá tratamento de empreitada parcial: I – a contratação de empresa não registrada no CREA ou de empresa registrada naquele conselho com habilitação apenas para a realização de serviços específicos, como os de instalação hidráulica, elétrica e similares, ainda que essas empresas assumam a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários á realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, observado o disposto no inciso III do art. 27 (...) III – a reforma de pequeno valor, definida no inciso V do caput deste artigo; IV – aquela realizada por empresa construtora em que tenha ocorrido faturamento de subempreiteira diretamente para o proprietário, dono da obra ou incorporador, ainda que a subempreiteira tenha sido contratada pela construtora. (...) Da leitura do art. 413 da IN SRP nº 3, de 2005, verificase que a Discriminação de Obras e Serviços de Construção Civil encontrase no seu Anexo XIII, cujo conteúdo está em conformidade com a CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas. No referido Anexo XIII, temse discriminadas as obras e serviços de construção civil. Concluo que à condição necessária para aplicação dos percentuais em foco de 8% (IRPJ) e de 12% (CSLL) aos contratos de prestação de serviços por empreitada no anocalendário de 2008, a qual é a de que a contratação seja de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.437 13 Sendo assim temos que: Considerase obra de construção civil a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo conforme discriminação no Anexo XIII da IN SRP nº 3, de 2005. Considerase serviço de construção civil aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo XIII da IN SRP nº 3, de 2005. Considerase contrato de construção civil ou contrato de empreitada aquele celebrado entre o dono da obra e uma empresa para a execução da obra ou serviço de construção civil. O contrato de construção civil ou contrato de empreitada pode ser na modalidade total ou parcial. Será total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX do art. 413 da IN SRP nº 3/2005, que assuma a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material. Será parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material. Da Metodologia de Análise do Percentual a Aplicar à Cada uma das Notas Fiscais Tendo em vista que a Recorrente teve atividades diversificadas de prestação de serviços durante o anocalendário de 2008, entende que para cada uma delas deveria ter aplicado o percentual correspondente a cada atividade, nos termos do que determina a Lei nº 9.249, de 1995, art. 15. § 2º (§ 3º do art. 519 do RIR/1999). É evidente que compete a Recorrente a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, dos serviços por ela prestados que entende ser aplicado o percentual de 8% (IRPJ) e de 12% (CSLL) e não o de 32% aplicável a prestação de serviços em geral. Assim sendo, passo a analisar os documentos apresentados pela Recorrente e chego à seguinte conclusão: Cliente Man Turbo do Brasil Ltda. (CNPJ 04.838.010/000151) NF Eletrônica nº 00000015, emitida em 02/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 140/07, cujo assunto é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Retirada e Instalação de Válvulas Esfera e Borboleta na Parada de Produção de PPM1”. NF Eletrônica nº 00000019, emitida em 02/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 255/07, cujo assunto é “Proposta Comercial para Serviços de Intervenção nos Permutadores de Gás do TCB (PC0020101/ 02B1/ B2)”. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 NF Eletrônica nº 00000128, emitida em 14/05/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 066/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Reparo em Válvula de Controle VAPP2 Balanceada de 3” x 600”# PGP1 – RP508”. NF Eletrônica nº 00000160, emitida em 30/06/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 095/08, cujo assunto é “Proposta Comercial de Serviços Substituição das Válvulas a Montante e a Jusante das PSV’S 221101 e 221102ª do TCA de PPM1”. Às fls. 1.238 juntou a Ordem de Compra nº 002362, sendo a especificação técnica de “Serviço de Remoção e Instalação de Válvulas de Bloqueio das PSV`S” OBS: Atende ao Projeto O&M – PPM1”. NF Eletrônica nº 00000218, emitida em 25/08/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 154/08, cujo assunto está ilegível, sendo o Preço Global dos Serviços (Permutador de Gás 02) de R$ 124.776,50. Às fl. 1.126 juntou a Ordem de Compra nº 002650, emitida em 25/08/2008, no valor total de R$ 124.776,50 referente à Proposta da Interessada 154/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Inspeção Periódica NR 13 do Permutador de Gás 02 do TCA OBS: Atende Projeto O&M – PCH2”. NF Eletrônica nº 00000244, emitida em 24/09/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 173/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para serviços de raqueteamento da planta, remoção dos spool’s e teto hood do compressor / TCA da plataforma de PCH2”. À fl. 1.133 juntou a Ordem de Compra nº 002829, referente à Proposta da Interessada 173/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Raqueteamento e Desraqueteamento Atende Projeto O&M – PCH2 TCA”. NF Eletrônica nº 00000289, emitida em 25/11/2008, acompnhada da Proposta Comercial nº 230/08, cujo assunto é “Proposta Comercial para execução dos serviços de reparos em válvula de controle 6” x 600# RP 520 da plataforma de PCH2”. Às fl. 1.137 juntou a Ordem de Compra nº 003094, referente à Proposta Comercial da Interessada 230/08, sendo a especificação técnica de “Serviço de Reparo em Válvula de Controle FV Anti Surge 1º Estágio – Globo Não balanceada 6” x 600# OBS: Atende Projeto O&M – PCH2 RP 520”. NF Eletrônica nº 00000310, emitida em 10/12/2008, acompanhada da Proposta Comercial para serviços de Inspeção Periódica NR13 em equipamento do TCA da plataforma de PPM1”. Às fl. 1.141 juntou a Ordem de Compra nº 003220, referente à Proposta Comercial da Interessada 227/08 Revisão A de 26/11/2008, sendo a especificação técnica de “Serviço de Inspeção Periódica NR13 em vasos Elevados de Óleo de Selagem 9VC0021001/ 02A OBS: Atende Projeto O&M – PPM1”. Com base em todos estes contratos, entendio que os mesmos não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para todos o percentual de 32%. Cliente Turbomeca do Brasil Indústria e Comércio Ltda. do Brasil Ltda. (CNPJ 48.090.120/000153) NF Eletrônica nº 00000039, emitida em 28/01/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 206/07 Rev. C, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Deslocamento e Pintura Interna da Curva de Admissão do TGC de PGP1”. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.438 15 NF Eletrônica nº 00000109, emitida em 18/04/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 034/08, datada de 19/02/2008, cujo assunto é “Proposta Comercial para Aplicação na Pintura do Circuito de CO2 dos TC´S e TG´S de PPM1”. NF Eletrônica nº 00000111, emitida em 18/04/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 228/07 Rev. A (no topo da proposta está manuscrito que dela se originaram as faturas 37/111), datada de 30/11/2007, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Saneamento de Pendências das RTI’s e dos TC’s de PPM1”. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, os serviços ora em análise de aplicação de pintura nos Turbo Geradores e Turbo Compressores da Palaforma de Pampo(PPM1) e nos Turbo Compressores A, B e C da Plataforma de Pampo (PPM1) não têm natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, por si só, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para ambos o percentual de 32%. NF Eletrônica nº 00000335, emitida em 29/12/2008, acompanhada da Proposta Comercial nº 131/08 Revisão A (no topo da proposta está manuscrito que dela decorreram as notas fiscais 335/445/565, datada de 18/05/2009, cujo assunto é “Proposta Comercial para Execução de Serviços de Saneamento de Pendências das RTI’s dos TC’s e TG’s de PGP1”. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, os serviços ora em análise de saneamento de pendências dos Turbo Compressores e dos Turbo Geradores da Plataforma de Garoupa (PGP1) não têm natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços Cliente Caterpillar Brasil Ltda.(CNPJ 61.064.911/000258) NF Eletrônica nº 00000045, emitida em 01/02/2008, cuja discriminação dos serviços é a seguinte: “Serviço de Reparo em Atuadores da SDV01 / SDV02/ SDV 03/ BDV 02 Conforme nossa proposta 223/07 – Atividades 1, 2 e 3. Conforme sua OS 50283 e OSI 16865”. Às fls. 1.215 a 1.220, juntou a Proposta Comercial nº 264/07, é “Proposta Comercial para Prestação de Serviços de Reparo de Atuadores Pneumáticos”, sendo o Preço Total dos Serviços de R$ 9.190,00. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise de reparo em atuadores pneumáticos não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, já afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços. Cliente Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás.(CNPJ 33.000.167/100750) NF Eletrônica nº 00000044, emitida em 01/02/2008, acompanhada da Proposta pa Contratação de Pequenos Serviços nº 20070341, cujo objeto é o de “Delineamento e Reparo no Casulo do TCA” da plataforma Petrobrás XXVII (P27). Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise no Turbo Compressor A da Plataforma P27 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, por si só, já é suficiente para afastar a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços, devendo ser utilizado para ambos o percentual de 32%. NF Eletrônica nº 00000253, emitida em 07/10/2008, no valor de R$ 47.135,03 (fls.1239), cuja discriminação dos serviços é a seguinte: “Serviço de Instalação de Transmissores de Vazão, Pressão e Temperatura, Painel, Pedestais e Cabos com Materiais de Aplicação em P31 Conforme Contrato Nº 1003536148 Conforme sua Autorização de Serviço – AS 20082698”. Às fls. 1.240 a 1.247, juntou a Solicitação de Proposta para Contratação de Pequenos Serviços nº 20082698, emitida 25/06/2008, cujo objeto é o de “Serviço de instalação de transmissores de vazão, pressão e temperatura, painel pedestais e cabos, conforme descrito nos desenhos anexos, pertencentes ao sistema de detecção de vazamentos” da plataforma P31 offshore. Com base nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005, o serviço ora em análise no Turbo Compressor A da Plataforma P27 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil e no sistema de detecção de vazamentos da Plataforma P31 não tem natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, o que, afasta a possibilidade de utilização dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL para estes serviços Portanto, após analisar a legislação que rege a matéria e todas as Notas Fiscais acarreadas aos autos, as quais dariam suporte ao uso que fez dos percentuais em questão de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, cheguei à conclusão de que o percentual utilizado pela fiscalização no presente caso é o correto. Sendo assim, todas as Notas Fiscais anexadas pela Recorrente, inclusive as que não foram combatidas diretamente neste voto, têm o mesmo padrão, uma vez que a discriminação dos serviços nelas é similar e não se enquadram nos conceitos definidos na IN SRP nº 3, de 2005. Não tendo a natureza de prestação de serviços de construção civil ou de prestação de serviços auxiliares da construção civil, devendo, por isso, ser utilizado para todas elas o percentual de 32% que é a regra geral. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente os lançamentos do IRPJ e da CSLL. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19396.720021/201138 Acórdão n.º 1302001.654 S1C3T2 Fl. 1.439 17 Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10218.000015/2007-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. DIRF CENTRALIZADA PELA MATRIZ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRPF COM RENDIMENTOS PAGOS PELA FILIAL E INFORMADOS PELA MATRIZ. REDUÇÃO DO VALOR LANÇADO COMO OMISSÃO.
Comprovado que o lançamento computou como rendimentos omitidos os valores informados pela fonte pagadora de forma centralizada sem reduzir o quanto foi declarado tempestivamente pelo contribuinte como pagos pela filial, deve-se excluir da base de cálculo do lançamento esse último valor.
LANÇAMENTO NOTIFICADO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo da omissão de rendimentos para R$12.700,00 (doze mil e setecentos reais), nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DIRF CENTRALIZADA PELA MATRIZ. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRPF COM RENDIMENTOS PAGOS PELA FILIAL E INFORMADOS PELA MATRIZ. REDUÇÃO DO VALOR LANÇADO COMO OMISSÃO. Comprovado que o lançamento computou como rendimentos omitidos os valores informados pela fonte pagadora de forma centralizada sem reduzir o quanto foi declarado tempestivamente pelo contribuinte como pagos pela filial, devese excluir da base de cálculo do lançamento esse último valor. LANÇAMENTO NOTIFICADO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo da omissão de rendimentos para R$12.700,00 (doze mil e setecentos reais), nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 00 15 /2 00 7- 61 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fl. 6 a 12, relativo a Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, exercício 2002, anocalendário 2001, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos recebidos da Companhia Vale do Rio Doce, no valor de R$43.130,51 e do aumento do desconto simplificado para R$8.000,00 e do Imposto de Renda Retido na Fonte para R$7.929,75, em razão da inclusão do IRRF sobre os rendimentos omitidos. Na impugnação alegouse que houve dupla incidência sobre fato gerador idêntico, pois os rendimentos apontados no auto de infração, em parte, são os mesmos especificados na Declaração de Ajuste Anual. A impugnação foi indeferida por acórdão que, em síntese, teve por fundamento a não comprovação pelo sujeito passivo de que não houve a omissão de rendimentos. Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 04/11/2009, o contribuinte apresentou, em 04/12/2009, recurso voluntário de fls. 25 a 28, acompanhado dos documentos de fls. 29 a 37. As razões recursais, em resumo são: 1. A fiscalização apurou omissão de rendimentos tomando por base a DIRF entregue pela Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/000154, na qual consta o pagamento feito ao contribuinte, no montante de R$43.130,51, sem observar que na Declaração de Ajuste Anual foi informado R$30.430,31, de rendimentos recebidos da Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/037074, no entanto, deixou de observar se a fonte pagadora Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/037074, entregou DIRF, no valor de R$30.430,31, ou ainda, a possibilidade de erro na Declaração de Ajuste apresenta pelo contribuinte. 2. a fonte pagadora, Companhia Vale do Rio Doce, havia centralizado todas as atividades financeiras na sua Matriz, com sede na cidade de Rio de Janeiro, enviando as informações fiscais no CNPJ 33.592.510/000154, da Matriz e informando o valor dos pagamentos e rendimentos de todos os seus prestadores de serviço, no anocalendário 2001. 3. Como não havia recebido o comprovante de rendimentos da Matriz, na ocasião, e já havia entregue a Declaração de Ajuste Anual, deixou de apresentar retificadora, alterando o valor dos rendimentos declarados de R$30.430,51 para R$43.130,51, e o CNPJ 33.592.510/037074 para CNPJ 33.592.510/000154. 4. afirma ter anexado os seguintes documentos: (a) Procuração; (b) Declaração de ajuste Anual Simplificada, referente ao anocalendário 2001, retificando os Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10218.000015/200761 Acórdão n.º 2802003.262 S2TE02 Fl. 99 3 valores e CNPJ da fonte pagadora; (c) extrato emitido pela Companhia Vale do Rio Doce, informando a existência do pagamento pelo CNPJ 33.592.510/000154, no valor de R$43.130,51, no ano calendário de 2001; e (d) extrato do Bradesco, Agência 13889, conta corrente nº 80063, única conta bancária do contribuinte, onde recebe os valores pagos pelos serviços prestados à Companhia Vale do Rio Doce, referente ao período de 01/01/2001 a 31/12/2001, comprovando a existência do valor acima creditado; e 5. requereu que fosse aceita a retificadora e refeitos os cálculos da restituição, considerando os valores retidos à época. O processo foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara que converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2202000.494, de 18/06/2013, a fim de que a autoridade preparadora: 1. juntasse cópia da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2001 que serviu de base para o lançamento e de todas as DIRF em que o contribuinte aparece como beneficiário, no mesmo ano; 2. intimação da Companhia Vale do Rio Doce para informar o total dos rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte e o respectivo imposto de renda retido na fonte, esclarecendo se houve ou não a centralização dos pagamentos na matriz; e 3. cientificação do recorrente do relatório elaborado pela fiscalização para se manifestar, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. As declarações solicitadas e cópia do comprovante de rendimentos apresentados pela fonte pagadora foram juntadas (fls. 60/70 e fls. 72/79). No relatório fiscal foi registrado que consta no documento apresentado pela fonte pagadora que, no anocalendário 2001, o recorrente auferiu rendimentos tributáveis no valor total de R$ 43.130,51, tendo sido retido na fonte o valor de R$ 4.052,05; e que houve a centralização dos pagamentos na matriz da empresa (CNPJ 33.592.510/000154). O recorrente foi cientificado em 25/10/2013, porém não se manifestou. Em razão de a Relatora original não mais integrar o CARF, o processo foi distribuídos a este Relator, por sorteio, durante a sessão de abril de 2014. Verificado que a DRF anexou a DIRPF do exercício 2001 e não do ano calendário 2001, o processo foi devolvido para saneamento (fls. 86), do que resultou juntada da Declaração de Ajuste Anual às fls. 88/95. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Os documentos juntados, notadamente às fls. 72/74 demonstram que o recorrente recebeu rendimentos da Companhia Vale do Rio Doce no valor de R$43.130,51 com IRRF de R$4.052,05, o que foi informado pela fonte pagadora de forma centralizada no CNPJ da matriz. Por outro lado, o contribuinte informou R$30.430,31 de rendimentos tributáveis recebidos da mesma empresa porém no CNPJ da filial (fls. 89), valores estes que não foram levados em conta por ocasião do lançamento. Dessa forma, somente se admite como omissão de rendimentos a diferença entre os R$43.130,51 informado pela fonte pagadora de forma centralizada – e não contestado pelo recorrente – e os R$30.430,31 que foi declarado tempestivamente. Indeferese o pedido de aceitação da declaração retificadora posto ser vedado retificar a Declaração de Ajuste Anual após a notificação do lançamento (§1º do art. 147 do CTN). Não obstante, registrase que o pedido para aumentar o valor do desconto simplificado e do IRRF é inócuo pois a autoridade lançadora já adotou esses procedimentos. Portanto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário tão só para reduzir a omissão de rendimentos para R$12.700,00 (doze mil e setecentos reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008352/2004-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. CONCEITO QUE NÃO ABRANGE SERVIÇO MÉDICO DE EMPRESA PÚBLICA.
Serviço médico oficial é o que integra órgão público federal, estadual, distrital ou municipal, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, autarquia e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Nesse conceito não se incluem Empresas Públicas.
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. CONCEITO QUE NÃO ABRANGE ATESTADO MÉDICO SEM INDICAÇÃO DO SIGNATÁRIO E SEU CRM.
Atestado cujo signatário não identificou seu CRM nem seu nome não atende ao conceito legal de laudo pericial.
IRPF. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. APRESENTAÇÃO DE LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO MENCIONADO DE FORMA EXEMPLIFICATIVA COMO HÁBIL PARA FINS DE ISENÇÃO EM ORIENTAÇÃO DO CENTRO DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE - CAC. EXIGÊNCIA DE NOVO LAUDO QUANDO A CONTRIBUINTE JÁ ESTAVA FALECIDA. PECULIARIDADE DO CASO CONCRETO. PRÁTICA REITERADA DE AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. EXCLUSÃO DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Tendo o Centro de Atendimento ao Contribuinte - CAC fornecidos informativos orientando os contribuintes, de forma exemplificativa, quais Serviços Médicos poderiam fornecer laudos hábeis para fins da isenção, conjugado com a impossibilidade de fornecer novo laudo, quando exigido pela autoridade fiscal, em razão de falecimento, caracteriza-se a observância de prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, que implica a exclusão de penalidade e cobrança de juros de mora.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON acompanhou o relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. CONCEITO QUE NÃO ABRANGE SERVIÇO MÉDICO DE EMPRESA PÚBLICA. Serviço médico oficial é o que integra órgão público federal, estadual, distrital ou municipal, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, autarquia e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Nesse conceito não se incluem Empresas Públicas. IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. CONCEITO QUE NÃO ABRANGE ATESTADO MÉDICO SEM INDICAÇÃO DO SIGNATÁRIO E SEU CRM. Atestado cujo signatário não identificou seu CRM nem seu nome não atende ao conceito legal de laudo pericial. IRPF. RECLASSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS. APRESENTAÇÃO DE LAUDO EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO MENCIONADO DE FORMA EXEMPLIFICATIVA COMO HÁBIL PARA FINS DE ISENÇÃO EM ORIENTAÇÃO DO CENTRO DE ATENDIMENTO AO CONTRIBUINTE CAC. EXIGÊNCIA DE NOVO LAUDO QUANDO A CONTRIBUINTE JÁ ESTAVA FALECIDA. PECULIARIDADE DO CASO CONCRETO. 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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON acompanhou o relator pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório O processo retorna a esta turma Julgadora em razão de o acórdão 9202 003.160, de 07/05/2014, pelo voto de qualidade, ter afastado a nulidade que houvera sido declarada no Acórdão 280201.018, de 28 de setembro de 2011, determinando a apreciação das demais matérias. Ao cancelar o lançamento sob fundamento de erro na identificação do sujeito passivo, esta Turma Julgadora não apreciou outras alegações, relatadas às fls. 74/75, que podem ser resumidas como o reconhecimento de que os rendimentos objeto da autuação são isentos em razão de moléstia grave de que era acometido o de cujus. Extraise do relatório daquele acórdão as alegações do recorrente (espólio). Na peça recursal, o representante do de cujus informando inexistir dispositivo que esclareça o termo "Oficial", utilizado na legislação que exige a comprovação de ser portador de moléstia grave para se beneficiar da isenção do imposto de renda, através da apresentação de laudo pericial emitido por "serviço medico oficial" ligado a qualquer ente federativo ressalva: "O Hospital de Clinicas de Porto Alegre é uma Empresa Pública, criada pela Lei 5.604, de 2 de setembro de 1970. Integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação, e vinculado academicamente a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), o HCPA nasceu com a missão de oferecer serviços assistenciais à comunidade gaúcha, ser área de ensino para a Universidade e promover a realizações de pesquisas cientificas e tecnológicas. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.008352/200419 Acórdão n.º 2802003.263 S2TE02 Fl. 123 3 Em razão de sua natureza e vinculação ao Governo Federal, a referida instituição está sujeita aos ditames legais atinentes aos entes públicos: realiza licitações e concursos públicos quando da necessidade de contratação de serviços, produtos e ampliação ou renovação de seu quadro de funcionários. Nesta senda, impera a necessidade de reconhecer a instituição médica contatada pela contribuinte como sendo entidade oficial, inegavelmente vinculada à administração pública federal. A aptidão e idoneidade do referido hospital para servir como produtor de laudo médico pericial é indubitável, posto que o mesmo está diretamente ligado ao Governo Federal, revestindose dos adjetivos próprios daquilo que se entenda por "oficial". O recorrente também alegou ter recebido essa orientação em consulta à. central de atendimento (fl. 79) e que a causa mortis da excontribuinte tem relação direta com o diagnosticado no laudo, razão pelo que requereu a procedência do recurso. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de setembro de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Foram reclassificados rendimentos declarados como isentos para rendimentos tributáveis e o litígio trata da aptidão ou não do laudo de fls. 18, emitido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, empresa pública, para fins de isenção de portadores de moléstia grave. Ponto relevante é a orientação divulgada pelo CAC de Porto Alegre juntada às fls. 19, o qual descreveu: “Providenciar laudo médico fornecido por serviço médico oficial prestado por órgãos da administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário da União, dos estados (por exemplo, postos de saúde),, do Distrito Federal e dos Municípios (por exemplo, postos de saúde), bem como por suas autarquias e fundações (por exemplo, Hospital de Clínicas de Porto Alegre). Não é necessária junta médica, basta um médico reconhecer a doença.” (fls. 19, grifos acrescentados) Notase que o documento básico que sustenta o recurso voluntário é um atestado emitido em papel timbrado do HCPA, que sequer contém indicação do seu signatário. Como questão central, discutese o conteúdo dos termos usados no art. 30 da Lei 9.250, de 1995: laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Seria o documento de fls. 18 um laudo pericial? A resposta é negativa. Não é um laudo pericial, é um atestado cujo signatário não se identificou, sequer o CRM foi mencionado. O documento de fls. 18 foi emitido por serviço médico oficial? O recorrente demonstrou que o HCPA é vinculado academicamente à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, isso não o torna um Serviço Médico Oficial daquele Estado. E ser integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação também não lhe assegura a qualificação de serviço médico oficial da União. O fato de o HCPA estar sujeito a normas de licitação típicas dos entes públicos não acarreta qualquer efeito em relação à isenção. A resposta também é negativa. O recorrente demonstra que o Hospital de Clínicas de Porto Alegre é uma empresa pública, pessoa jurídica de direito privado, a natureza de ente de direito privado faz com que não possa ser considerado um Serviço Médico Oficial do Estado do Rio Grande do Sul nem do Serviço Médico da União. Serviço médico oficial é o que integra órgão público federal, estadual, distrital ou municipal, na qualidade de pessoa jurídica de direito público interno, autarquia e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Nesse conceito não se incluem Empresas Públicas. A causa da morte da contribuinte não é fato que substitua o laudo previsto em lei, nesse ponto o aresto recorrido não merece reparo. Não foi, portanto, atendido o requisito legal para o reconhecimento da isenção. Todavia, não se pode ignorar que ao ser exigida a comprovação com laudo pericial emitido por serviço médico oficial, a contribuinte já havia falecido. Assim, tornase mais relevante ainda a existência da orientação do CAC que exemplificava o HCPA como um dos órgãos que poderia fornecerlhe o laudo médico, naquele informativo o CAC incluiu o HCPA no conceito de autarquia ou fundação. O fato de não haver data naquele informativo – anotado no acórdão recorrido – não é suficiente para desqualificar o Folheto como instrumento de divulgação de orientação de caráter abstrato a todos os contribuintes que buscassem orientação da Receita Federal. Observase que ao juntar aos autos orientação do CAC tida como a atual – a DRJ também se utiliza do mesmo meio que o contribuinte, qual seja, um informativo sem data. Não se trata de falha de instrução de um ou de outro, e sim o reconhecimento de que esse tipo de orientação prestada aos contribuintes indistintamente pelo CAC é feito sem o rigor de indicar a data de expedição ou período de validade. A assertiva do acórdão recorrido confirma que, ao buscar laudo do HCPA, agira em conformidade com a orientação do CAC. Não é correta a premissa – desacompanhada de prova de que a orientação do CAC decorreu de interpretação de Solução de Consulta restrita ao caso concreto daquele questionamento. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.008352/200419 Acórdão n.º 2802003.263 S2TE02 Fl. 124 5 A orientação dada pelos CAC ordinariamente são verbais, a confecção e divulgação de informativos impressos implica reconhecer que, no caso dos autos, a orientação de fls. 19, tem natureza de uma prática reiterada da autoridade administrativa no sentido de admitir o laudo do HCPA para comprovação da isenção. O fato de o CAC prestar orientação equivocada não autoriza o reconhecimento de uma isenção, contudo, está comprovado nos autos que a contribuinte observou uma prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas, que por força do parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional CTN implica a exclusão de penalidade e cobrança de juros de mora. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício e os juros de mora. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004857/2005-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A configuração do passivo fictício não se dá com a data do efetivo recebimento da obrigação pelo credor, mas sim no encerramento do período de apuração, quando se constata que o resultado apresenta valores no passivo referentes a obrigações já quitadas. Inexistente obrigação registrada na contabilidade do contribuinte ao final do período de apuração ausente prova capaz de desconstituir a presunção da fiscalização, correto o lançamento.
IRRF. INCIDÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A TERCEIRO E NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Nos casos em que a autuação tem como fundamento a utilização de documentação inidônea para comprovação de custos ou despesas, a não comprovação da efetiva prestação do serviço justifica o lançamento.
Numero da decisão: 9101-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recuso da Fazenda Nacional. Em relação a multa isolada, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A configuração do passivo fictício não se dá com a data do efetivo recebimento da obrigação pelo credor, mas sim no encerramento do período de apuração, quando se constata que o resultado apresenta valores no passivo referentes a obrigações já quitadas. Inexistente obrigação registrada na contabilidade do contribuinte ao final do período de apuração ausente prova capaz de desconstituir a presunção da fiscalização, correto o lançamento. IRRF. INCIDÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A TERCEIRO E NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Nos casos em que a autuação tem como fundamento a utilização de documentação inidônea para comprovação de custos ou despesas, a não comprovação da efetiva prestação do serviço justifica o lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recuso da Fazenda Nacional. Em relação a multa isolada, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-04T18:37:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-03-04T18:37:45Z; Last-Modified: 2015-03-04T18:37:45Z; dcterms:modified: 2015-03-04T18:37:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:424ff4a8-423c-4e4b-a571-02dbb8c64e9f; Last-Save-Date: 2015-03-04T18:37:45Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-03-04T18:37:45Z; meta:save-date: 2015-03-04T18:37:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-03-04T18:37:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-03-04T18:37:45Z; created: 2015-03-04T18:37:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2015-03-04T18:37:45Z; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-04T18:37:45Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.992 1 1.991 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.004857/200501 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.805 – 1ª Turma Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria IRPJ e outros Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA SIMOSOLTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A configuração do passivo fictício não se dá com a data do efetivo recebimento da obrigação pelo credor, mas sim no encerramento do período de apuração, quando se constata que o resultado apresenta valores no passivo referentes a obrigações já quitadas. Inexistente obrigação registrada na contabilidade do contribuinte ao final do período de apuração ausente prova capaz de desconstituir a presunção da fiscalização, correto o lançamento. IRRF. INCIDÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A TERCEIRO E NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Nos casos em que a autuação tem como fundamento a utilização de documentação inidônea para comprovação de custos ou despesas, a não comprovação da efetiva prestação do serviço justifica o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recuso da Fazenda Nacional. Em relação a multa isolada, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 48 57 /2 00 5- 01 Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), SUSY GOMES HOFFMANN (VicePresidente). Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional (fls.1590/1608) e pelo Contribuinte (fls.1789/1819) contra o acórdão nº 10322.889 proferido pelos membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, acordaram em: (a) acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário para os fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre de 2000, inclusive, para os itens 001, 002 e 006 do auto de infração (art. 150, § 4º do CTN); (b) acolher a mesma preliminar para os fatos geradores até o 3º trimestre de 1999, inclusive, para os itens 004 e 005 do auto de infração (art. 173 do CTN), (c ) dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação as verbas autuadas a título de: 1) "juros", no item 002 do auto de infração; 2) "passivo fictício", item 003, do auto de infração, 3) reduzir a multa de lançamento "ex officio" majorada , de 150% (cento e cinqüenta por cento) ao seu percentual normal de 75% (setenta e cinco por cento), em relação aos itens 001, 002, 006 e 007 do auto de infração, 4) ajustar os prejuízos fiscais compensáveis, item 007 do auto de infração, em função do decidido neste acórdão, 5) ajustar as exigências reflexas da CSLL, PIS e COFINS em função do decidido em relação ao IRPJ e 6) excluir a exigência do IRF. O presente processo é decorrente de Auto de Infração lavrado em 06/10/2005 para constituição de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativamente aos anos de 1999 a 2004, em razão da constatação das seguintes infrações, conforme fatos descritos no auto de infração às fls. 47/142: “(001) OMISSÃO DE RECEITAS PCM PLANO COMUNITÁRIO MUNICIPAL. (...) (002) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Art. 42 LEI 9.430/96 (LUCRO REAL TRIMESTRAL 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004). (...) (003) — OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO FICTÍCIO 003.1 DA MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES JA PAGAS. Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.993 3 62. Constatamos a existência de registros contábeis indicando a manutenção de obrigações já pagas, identificadas nas PLANILHAS INFRAÇÃO 003. 63. Os fornecedores nessa situação são os seguintes: • DARK OIL do Brasil Ltda, CNPJ 00.479.759/000107; •CDC Central Distribuidora de Cimento Ltda., CNPJ 72.964.109/0001 50; • AUTO POSTO PIMENTA Ltda., CNPJ 53.668.398/000103; • AUTO POSTO MONTREAIME LTDA, CNPJ 03.877.613/000108; • RVM RETALHISTA DE COMBUSTÍVEIS S/A, CNPJ 69.193.530/000108; • ESCHER GALLO & CIA LTDA, CNPJ 03.602.639/000135; 64. Conforme apurado e relatado em Relatórios de diligências efetuadas nesses fornecedores, não foram encontradas irregularidades na efetividade das operações, porém trataramse de transações feitas à vista, com pagamento no ato, ou a prazo. 65. Embora na diligenciada as referidas Notas Fiscais tenham sido quitadas a vista ou dentro do prazo concedido, na Construtora Simoso a situação era a seguinte: • As compras à vista (PLANILHAS INFRAÇÃO 003) eram contabilizadas como se fossem compras a prazo, permanecendo em seu passivo exigível por longo prazo de tempo; • No caso das compras a prazo (RVM PLANILHAS INFRAÇÃO 003), estas permaneciam em aberto em seu passivo mesmo após a sua liquidação; 66. Como a Construtora Simoso Ltda. contabilizou estas compras como sendo (à prazo, mantendoas em aberto após o período de apuração do IRPJ e da CSLL em que foram pagas, podemos presumir, com respaldo no artigo 281, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1.999 (RIR/99), tratarse de compras pagas com recursos provenientes de omissão de receitas. 67. Em 29/06/2005, a fiscalizada foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das referidas notas fiscais constantes das PLANILHAS INFRAÇÃO 003, não logrando êxito em efetuar essa comprovação dos pagamentos nas datas consignadas em sua contabilidade. 68. Considerando que os fornecedores contabilizaram as Notas Fiscais elencadas nas PLANILHAS INFRAÇÃO 003 e declararam tratarse de vendas à vista ou vendas a prazo com efetivo recebimento em data Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 4 bastante anterior ao contabilizado pela fiscalizada e que esta manteve tais obrigações no passivo exigível da empresa, após o encerramento dos respectivos períodos de apuração, ficando constatada a existência de "PASSIVO FICTÍCIO", caracterizandose como OMISSÃO DE RECEITAS, com fundamento no art. 281, inciso III do RIR/99. 003.2 DA MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES INEXISTENTES 69. Constatamos a existência de registros contábeis indicando a manutenção de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada, identificadas nas PLANILHAS INFRAÇÃO 003, para a empresa: • PAULITEC CONSTRUÇÕES LTDA., CNPJ 49.437.809/000174 70. Em diligência junto à empresa Paulitec Construções Ltda., esta negou a existência dos direitos creditórios junto à Construtora Simoso Ltda., fato este corroborado por sua escrituração contábil. 71. Intimada, em 29/06/2005, a fiscalizada não logrou êxito em esclarecer a real natureza das operações e tampouco comprovou a existência daquelas obrigações junto Paulitec Construções Ltda. 72. Como fato, temos a manutenção, no passivo da Construtora Simoso Ltda, dos débitos constantes das PLANILHAS INFRAÇÃO 003, pretensamente devidos à Paulitec Construções Ltda., cuja exigibilidade não foi comprovada, o que também autoriza a presunção legal de omissão de receitas, com fundamento no artigo 281, inciso III, do RIR/99. 73. Essa infração gerou autuações reflexas para as contribuições PIS, COFINS e CSLL. (...) (004) GLOSA DE DESPESAS – PAGAMENTO SEM CAUSA – “NOTAS FRIAS”. Falta de comprovação da operação, indedutibilidade. Pagamento a beneficiário não identificado. Despesas registradas com base em “notas fiscais frias”. 74. Dentre as notas fiscais que estavam registradas no já mencionado sistema "SIA", com vencimentos para 31/12/2000, encontramos Notas Fiscais emitidas pelas seguintes empresas: IPANEMA Representações e Serviços Ltda., LIDERANÇA JORNALÍSTICA Ltda., REPRESENTAÇÕES ARARY S/C Ltda., SCM Representações Ltda., /PLANALTO IMÓVEIS S/C LTDA. E INCORPAVI Incorporação e Pavimentação e Locação Ltda. 75. Das empresas arroladas, as cinco primeiras tinham seu endereço localizado na cidade de Araras SP, e tinham em comum o sócio proprietário, Sr. Sebastião Carlos Mazzon, CPF 148.118.20800, atualmente residindo naquela cidade. Cabe destacar que nos sistemas da Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.994 5 Receita Federal do Brasil, o cadastro do CNPJ das empresas IPANEMA Representações e Serviços Ltda., REPRESENTAÇÕES ARARY S/C Ltda., SM Representações Ltda. e PLANALTO IMÓVEIS S/C LTDA. registra a situação de "INAPTAS" pelo motivo "OMISSAS NÃO LOCALIZADAS". No caso especifico da LIDERANÇA JORNALÍSTICA Ltda., esta sequer foi cadastrada no CNPJ (CNPJ INEXISTENTE). 76. A sexta empresa, INCORPAVI Incorporação e Pavimentação e Locação Ltda. tem como endereço cadastral a cidade de Bauru SP. 004.1 DAS EMITENTES DE NOTAS FISCAIS LOCALIZADAS NO MUNICÍPIO DE APARAS SP 77. Entre os anoscalendário 1999 e 2000, a fiscalizada se utilizou de Notas Fiscais emitidas pelas cinco empresas situadas em Araras SP, no montante total de R$ 2.762.464,45, com a finalidade de reduzir seus lucros e retirar recursos do caixa oficial da empresa. 78. Procurada pelos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, em seus respectivos endereços na cidade de Araras SP, foi constatado, através das diligências, que nenhuma delas chegou a operar nos endereços constantes nas Notas Fiscais e nos cadastros da Receita Federal, conforme Termos de Diligência lavrados especificamente para cada empresa diligenciada. 79. Constatouse ainda, através das diligências efetuadas, que as Notas Fiscais emitidas pelas empresas IPANEMA Representações e Serviços Ltda., LIDERANÇA JORNALÍSTICA Ltda., REPRESENTAÇÕES APART S/C Ltda., SM Representações Ltda. e PLANALTO IMÓVEIS S/C LTDA. são ideologicamente falsas, pois referidas empresas: não existiam de fato; Não possuíam, portanto, capacidade técnica e material para fornecer os serviços nelas descritos; Conforme declarações prestadas pelo próprio sócio proprietário e responsável legal pelas empresas (Sr. Sebastião Carlos Mazzon, CPF 148.118.20800), tomadas a termo, nunca foram prestados tais serviços, seja como pessoa física, seja através de suas empresas, bem como os valores constantes das notas fiscais nunca foram pagos pela Simoso, e nunca recebidos pelas mesmas ou pelos seus sócios; Encontramse na situação "omissa não localizada", nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 80. No Termo de Depoimento prestado pelo sócio proprietário e responsável pelas cinco empresas de Araras às 11:00 do dia 19/04/2005, assinado na presença dos Auditores Fiscais responsáveis pela diligência, este afirmou que: Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 6 a Realmente era sócio proprietário e responsável pelas referidas empresas; b Tinha como sócia a esposa, falecida há cerca de dois anos; c A empresa Construtora Simoso prestava vários serviços à Prefeitura Municipal de Araras, SP, bem como realizou empreendimentos imobiliários do tipo loteamento na cidade; d Por trabalhar como corretor de imóveis na cidade de Araras e por ser conhecido e ter um bom relacionamento com os funcionários da Prefeitura local, iniciou contatos com funcionários da referida construtora; e Entregou, a pedido dos representantes da Construtora, várias Notas Fiscais em branco, de todas as empresas das quais participava na sociedade (IPANEMA Representações e Serviços Ltda., LIDERANÇA JORNALÍSTICA Ltda., REPRESENTAÇÕES ARARY S/C Ltda., SCM Representações Ltda. e PLANALTO IMÓVEIS S/C LTDA.); f Especificamente, com relação as referidas Notas Fiscais de prestação de serviços, afirmou que nunca realizou quaisquer serviços para a citada construtora, bem como nunca recebeu qualquer valor da mesma, sejam os valores nominais das Notas Fiscais ou mesmo parte deles; g Era contatado, frequentemente, por telefone, sempre em horário noturno (por volta das 22:30 horas), pelo Sr. Diamantino Antonio, que representava a Construtora Simoso; h 0 Sr. Diamantino comunicavao sempre no período noturno, que no dia seguinte um emissário da empresa iria procurálo para colher assinaturas em faturas e duplicatas, as quais vinham sempre em branco e, por confiar na tradição da referida construtora, assinava os documentos que eram trazidos e levados pelos emissários da Construtora Simoso; i Nunca esteve na sede da empresa Construtora Simoso desconhece seu endereço e que os contatos eram realizados sempre h noite, por telefone, pelo Sr. Diamantino Antonio, sabendo inclusive que este residia na cidade de Campinas SP, e por vezes por um tal de Jackson; j Na verdade foi usado por gente da Construtora Simoso, não tendo tirado nenhum proveito da situação; k Não ficou com nenhuma das vias das referidas Notas Fiscais que eram preenchidas no escritório da Construtora Simoso; 1 Não possui mais nenhum documento das empresas de que era responsável e sócio; m Afirmou não possuir livros contábeis e fiscais das referidas empresas e que não fazia escrita por ser prestador de serviços; Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.995 7 n Em determinada ocasião recebeu a visita de um auditor da Simoso, do qual não se lembra o nome, que afirmou que os procedimentos adotados estavam corretos e que não teria nenhuma outra consequencia; o FINALIZANDO, reafirmou que os valores contidos nas citadas Notas Fiscais nunca foram recebidos por ele, nem por sua esposa, ou pelas empresas emitentes. As referidas empresas, de que era sócio, nunca prestaram nenhum serviço à Construtora Simoso. Nunca recebeu quaisquer valores em retribuição h emissão das mencionadas Notas Fiscais. Foi usado pela Construtora Simoso. 81. Cabe destacar que parte dos pretensos pagamentos das Notas Fiscais deram entrada no CAIXA EX da empresa, conforme pode ser verificado nas PLANILHAS INFRAÇÃO 004 e PLANILHA INFRAÇÃO 006. 004.2 DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA INCORPAVI INCORPORAÇÃO E PAVIMENTAÇÃO E LOCAÇAO LTDA (SEDE EM BAURUSP). 82. No período de 11/2003 a 03/2004, a fiscalizada se utilizou de Notas Fiscais emitidas pela INCORPAVI Incorporação e Pavimentação e Locação Ltda., no montante total de R$ 1.250.558,80, com a finalidade de reduzir seus lucros e retirar recursos do caixa oficial da empresa. 83. Através de 'Diligência efetuada na cidade de Bauru, com o objetivo de verificar a existência da empresa INCORPAVI Incorporação e Pavimentação e Locação Ltda., bem como a veracidade das transações comerciais de que tratam as Notas Fiscais relacionadas nas PLANILHAS INFRAÇÃO 004, constatouse: • No endereço descrito como sendo da empresa a existência de um imóvel do tipo residencial, de padrão "humilde", a exemplo de todo o bairro, que se encontrava fechado, sem ninguém para prestar informações. Perguntado ao vizinho, o mesmo informou tratarse de um residência onde morava uma senhora e sua filha e que nos últimos seis anos jamais houvera empresa estabelecida naquele endereço; • Após intensas buscas, conforme relato do Termo de Diligência Fiscal de 20/04/2005, foi encontrado o Sr. Anisio Ferraz (CPF 557.657.348 04), sócio da INCORPAVI, na Multi Service Vigilância Ltda., empresa de vigilância de Bauru na qual ele é funcionário; • Afirmou o Sr. Anisio ter exercido em anos anteriores a profissão de moto taxista quando ficou conhecendo um freguês de nome Paulo Roberto Soares, para quem efetuou o transporte pessoal com certa frequência e exclusividade, em várias datas e lugares, dentro da cidade de Bauru; . O freguês Paulo lhe propôs que participasse de um negócio que lhe adviria algum dinheiro, bastando que lhe fornecesse os documentos Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 8 pessoais e assinasse um documento, não sabendo exatamente do que se tratava; • 0 Sr. Anisio disse desconhecer a existência da empresa INCORPAVI e também não saber onde ficava o endereço da empresa, bem como quaisquer talonários ou livros fiscais; 84. Finalmente, através dos trabalhos de Diligência Fiscal promovidos pela Delegacia da Receita Federal de Bauru, verificouse que a INCORPAVI Incorporação e Pavimentação Locação Ltda. foi constituída exclusivamente com fins espúrios, concluindose que as notas fiscais emitidas em favor da fiscalizada não refletem as operações comerciais nelas descritas, configurandose no que se denominou chamar de "NOTAS FRIAS". 004.3 DAS JUSTIFICATIVAS APRESENTADAS PELA FISCALIZADA 85. Em 29/06/2005, foi lavrado Termo de Intimação, solicitandose a fiscalizada, em relação as Notas Fiscais emitidas pelas empresas com endereço em Araras SP e pela INCORPAVI: • Comprovar a necessidade e a efetiva prestação dos serviços descritos nas notas fiscais relacionadas em anexo; • Comprovar o efetivo pagamento dos fornecimentos constantes das notas fiscais acima mencionadas. Se o pagamento foi efetuado por cheque, apresentar microfilme dos cheques (frente e verso), utilizados para sua liquidação. 86. Em resposta datada de 26/08/2005, a fiscalizada, quanto as empresas situadas em Araras: • Afirma, através de seu representante legal, que todos os serviços constantes nas referidas Notas Fiscais foram prestados, porém, não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse tal afirmativa; • Alegou que teria feito o pagamento das Notas Fiscais através de saques da conta corrente 16343, mantida no Banco Banespa, feitos em nome dos sócios e da diretoria, porém, não apresentou comprovação quanto a essa alegação; 87. Assim sendo, quanto as empresas situadas em Araras, a fiscalizada não logrou comprovar a efetiva prestação dos serviços descritos nas citadas notas fiscais e nem tampouco comprovou o efetivo pagamento dos serviços pretensamente prestados. 88. Ainda na resposta datada de 26/08/2005, a fiscalizada informa, quanto à empresa INCORPAVI: "As despesas vinculavas a essa empresa, por ocasião da denúncia espontânea apresentada 06/10/2004, foram oferecidas à tributação Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.996 9 conforme demonstra o quadro de apuração do PCM, no quarto trimestre de 2003 e no primeiro de 2004, já em poder desta fiscalização." 004.4 DA CONCLUSÃO 91. Constatamos a ocorrência de inúmeros registros contábeis, suportados por documentos inidôneos, fornecidos por empresas inexistentes de fato, o que se convencionou chamar de "notas frias", conforme relatórios de diligências anexos, que relatam a situação de cada uma das empresas emitentes dos referidos documentos. Os pagamentos dessas "Notas Frias" efetuadas com recursos escriturados na contabilidade oficial da fiscalizada configuramse como PAGAMENTOS SEM CAUSA e a BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. 92. Os documentos nesta situação são os dispostos nas PLANILHAS INFRAÇÃO 004. 93. A vista do exposto, estamos glosando as despesas acima e lançando, o IRPJ e a CSLL, sobre os valores glosados, juntamente com seus acréscimos legais, com a multa de oficio de 150%, prevista no artigo 957, inciso II, tendo em vista o evidente intuito de fraude. 94. Por se tratar de PAGAMENTO SEM CAUSA, farseá também o lançamento do IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) à alíquota de 35% sobre a base de cálculo reajustada, conforme previsto no artigo 674, e 725 do RIR/99. (...) (005) GLOSA DE DESPESAS PAGAMENTO SEM CAUSA "NOTAS DE FAVOR". Falta de comprovação da operação, indedutibilidade. Pagamento a beneficiário não identificado. Despesas registradas com base em “notas fiscais de favor”. (...) (006) OMISSÃO DE RECEITAS "CAIXA 2". RECEITAS CONTROLADAS PARALELAMENTE A. CONTABILIDADE ATRAVÉS DE CAIXA 2. (...)” O contribuinte apresentou Recurso Especial de divergência com fundamento no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela MF 147 de junho de 2007, contra a parte do acórdão que: (i) não reconheceu a denúncia espontânea e (ii) manteve a qualificação da multa. Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 10 Primeiramente, apresentou argumento relativo à denúncia espontânea e afirmou que, no caso, não havia impedimento para o recolhimento dos tributos com os benefícios do art. 138 do CTN, razão pela qual inaplicável a multa de ofício. Trouxe como paradigma os acórdãos nº 10422.145 e 10806.937. Ademais, contestou a manutenção da multa aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), afirmando que a aplicação da multa qualificada exige prova da existência da fraude produzida pelo Fisco, o que não é caso dos autos. Nesse ponto trouxe como paradigma os acórdãos nº 101 95.141 e 10192.454. Em sede de exame de admissibilidade (fls. 1935/1943), foi negado seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, sob o fundamento de que os acórdãos apresentados como paradigmas não demonstraram a divergência de interpretação de lei tributária entre Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial com fundamento no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela MF 147 de junho de 2007. Insurgiuse a Procuradoria da Fazenda Nacional contra a decisão que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso quanto: (i) redução da multa qualificada, (ii) passivo fictício e (iii) exclusão do IRRF. Primeiramente, quanto à multa qualificada afirmou que o acórdão recorrido contrariou o disposto no artigo 44, II, da Lei 9.430, de 1996, pois, no caso, o contribuinte, ao não informar seu faturamento ao Fisco, procurou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo, agindo, portanto, com evidente intuito de fraude. Ademais, quanto a existência do passivo fictício decorrente da constatação de irregularidades da contabilidade da contribuinte, pois foram registradas operações com pagamento à prazo, enquanto em diligência apurouse que o pagamento de tais operações foi à vista, afirmou que o acórdão recorrido contrariou o disposto no art. 281 do RIR/99, bem como do art. 40 da Lei n° 9.430/96. Transcreveu trecho do voto que, nesse contexto, merece reforma: “Para que prospere a autuação a título de omissão de receita caracterizada pela manutenção no passivo da obrigação já paga, não basta que da nota fiscal conste que a compra foi à vista, sendo essencial a prova de que a obrigação foi liquidada antes da data do encerramento do período de apuração. Inexistindo, como inexiste no caso essa prova, não pode prosperar a exigência. De outra parte, não podem ser tidas como inexistentes obrigações decorrentes de contrato, ainda que esse contrato seja de sociedade em conta de participação, contraídas pela sócia oculta perante a sócia ostensiva.” Concluiu, desse modo, que no caso foi comprovada a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou com exigibilidade não comprovada, pois enquanto a contabilidade Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.997 11 evidenciava operação a prazo, a contabilidade de seus fornecedores indicava pagamento à vista. Assim, afirmou que tendo em vista que a lei autoriza o Fisco a presumir a ocorrência de omissão de receitas a partir da não comprovação pelo contribuinte da existência de seu passivo na data do encerramento do período, no caso, foi correto o lançamento. Por fim, quanto ao IRRF, na parte em que o acórdão recorrido excluiu o lançamento relativo às aplicações em que houve identificação do terceiro beneficiado, a Procuradoria da Fazenda Nacional afirmou que o acórdão recorrido contrariou o artigo 61, § 1° da Lei 8.981, de 1995. Nesse ponto, trouxe trecho do voto que merece reforma: "A matriz 1egal da incidência em causa é o art. 61 d a Lei n° 8.981/95, que estabelece sobre todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado e sobre os pagamentos efetuados a terceiros ou sócios, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. No caso, todos os beneficiários estão identificados, tanto que são nomeados, um a um, pela autoridade fiscal. Para concluir pela não identificação dos beneficiários e possibilitar a incidência, o voto vencido desenvolve raciocínio de que não comprovada a realização das operações, os valores constante dos cheques emitidos supostamente para quitálos tiveram destinação diversa. Foram direcionados a beneficiários não identificados ou se constituíram em pagamento sem causa'. Vêse assim que, com base na não comprovação das operações, se rejeita a identificação dos beneficiários e se presume que os recursos tiveram destinação diversa, procedimentos não autorizados pela norma de incidência. Nessas condições, não pode prosperar a exigência." Nesse ponto, argumentou que embora o contribuinte tenha identificado o beneficiário, não houve comprovação da efetiva operação ou sua causa. Assim, concluiu que nos termos do artigo 61, § 1° da Lei 8.981, de 1995, basta a não comprovação da operação ou a sua causa quando existem pagamentos efetuados a terceiros, para que haja incidência do IRRF. Por fim, cumpre ressaltar que o contribuinte apresentou desistência ao direito de discutir determinadas matérias, pois optou pelo parcelamento especial instituído pela Lei n° 11.941/2009. As matérias alcançadas pela desistência referemse aos seguintes itens do auto de infração: item 001 – omissão de receita – PCM – Plano Comunitário Municipal (reconhecida a multa aplicada no percentual de 150%), item 002 – depósitos bancário de origem não comprovada, item 005 – glosa de despesas – pagamento sem causa “notas de favor”, item 006 – omissão de receitas – “caixa 2”. Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 12 Desse modo, as matérias que permanecem em debate referemse aos itens 03, 04 e 05 do auto de infração, ou seja, passivo fictício e IRRF. É o relatório. Voto O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpre delimitar a matéria em debate em razão da desistência, apresentada pelo contribuinte, em relação à discussão de determinadas matérias em razão da adesão ao parcelamento especial instituído pela Lei 11.941/09. Desse modo, a matéria que permanece em discussão e deverá ser analisada referese ao lançamento relativo à omissão de receita em razão da existência de passivo fictício e imposto de renda retido na fonte decorrente de pagamento sem causa. No tocante ao passivo fictício, no caso dos autos, a fiscalização concluiu pela sua existência em razão da constatação de incongruência entre as informações das notas fiscais de determinadas operação (pagamento à vista) e as informações escrituradas pelo contribuinte (pagamento à prazo). Nesse contexto, em razão do exposto, a fiscalização entendeu que o contribuinte mantinha em seu passivo obrigações que já não existiam. Em havendo a figura do passivo fictício na contabilidade do contribuinte, o fiscal fica autorizado a presumir que o montante do passivo inexistente é consequência de uma omissão do registro de receita, devendo lavrar o respectivo auto de infração para constituir o crédito tributário e, passando ao contribuinte autuado, a prova da improcedência da presunção – artigo 281 do Decreto nº 3.000/99 (Lei nº 9.430/96). Dispõe o mencionado artigo: “Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): (…) III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.” A configuração do passivo fictício não se dá com a data do efetivo recebimento da obrigação pelo credor, mas sim no encerramento do período de apuração, quando se constata que o resultado apresenta valores no passivo referentes a obrigações já quitadas. No caso dos autos, em diligências realizadas junto aos fornecedores, a Fiscalização verificou que as obrigações de que trata o presente item foram em sua quase totalidade quitadas à vista. Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO Processo nº 10830.004857/200501 Acórdão n.º 9101001.805 CSRFT1 Fl. 1.998 13 Assim, tendo em vista que a data de quitação (e de contabilização, portanto) ocorreu sempre antes do encerramento do período de apuração, não haveria, no caso, razão para sua manutenção no passivo. O acórdão recorrido entendeu que a Nota Fiscal paga com a informação paga à vista não seria prova suficiente de que o passivo realmente era inexistente; ocorre que, diante de tal forte indício, a fiscalização intimou a empresa a provar que os pagamentos realmente foram realizados nas datas contabilizadas, no entanto esta não logrou êxito em fazêla. Ora, a fiscalização não partiu de uma simples presunção do pagamento do passivo contabilizado, ao contrário, diligenciou junto aos fornecedores e encontrou lá uma prova de que estes pagamentos já tinham ocorrido, o que a levou a abrir a oportunidade ao contribuinte para que este descaracterizasse tal prova, através de intimação para que este demonstrasse os pagamentos feitos segundo sua contabilidade, e como consequência destruir completamente a informação constante nas notas Fiscais. Não o fez!!! Do exposto, diante da inexistência da obrigação registrada na contabilidade do contribuinte ao final do período de apuração e da ausência de prova capaz de desconstituir a presunção da fiscalização, correto o lançamento. Quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte, da mesma forma, é correto o lançamento. Dispõe o artigo 61 da lei 8981/95: “art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.” Nesse ponto, a autuação teve como fundamento a utilização de documentação inidônea para comprovação de custos ou despesas. A interessada registrou despesas com prestação de serviços e apresentou como comprovantes notas fiscais emitidas por empresas inexistentes de fato. Assim, em que pese a identificação dos beneficiários, restou comprovado que não houve a efetiva prestação dos serviços descritos nas notas fiscais. Além deste fato, que pela quantidade de provas trazidas pela fiscalização é indubitável, restou claro durante a fiscalização, seja pelos elementos de prova produzidos em diligências juntos aos fornecedores, seja pela ausência de contraprova do contribuinte, que os pagamentos contabilizados também não foram realizados aos emitentes das “Notas Frias”. Deste modo temos contabilizações de pagamentos realizados à beneficiários que não receberam tais pagamentos. Assim, se não são esses os reais beneficiários dos pagamentos contabilizados, nada mais lógico que concluir que outros os são, por causas Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO 14 diversas das descritas nas notas frias e na contabilidade. Intimada a esclarecer os reais beneficiários destes pagamentos e a verdadeira causa, a fiscalizada nada demonstrou. Por essas razões, entendo que os fatos aqui descritos se subsumem perfeitamente à norma autorizadora do artigo 61, da lei 8981/95, e que é procedente o lançamento em relação ao IRRF. Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter o Auto de Infração em relação ao lançamento relativo ao passivo fictício e em relação ao IRRF objetos deste Recurso especial. (documento assinando digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – relator. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITA S BARRETO
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Numero do processo: 18088.720543/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DEFESA GENÉRICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. VÍCIOS INSANÁVEIS. AUSÊNCIA DE APONTAMENTOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OBSERVÃNCIA DA NORMA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUICIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DOS MEMBROS DO CARF. SÚMULA Nº 2.
Apesar das evidências suscitadas pela fiscalização, bem como aquelas constantes da decisão recorrida, o contribuinte continua se insurgindo, mas de forma genérica, requerendo a declaração de nulidade do lançamento, por supostas ocorrências de vícios insanáveis, o que, segundo ele, acarreta no cerceamento de defesa.
In casu, não se vislumbra qualquer situação que possa se enquadrar nas hipóteses aventadas pelo contribuinte. O lançamento não contém os vícios apontados pela empresa. Nota-se, pois, que o crédito foi constituído em absoluta conformidade com a regra disposta no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Além de não ter havido o tal cerceamento de defesa, não há como sustentar que o inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991 é inconstitucional, como afirma a empresa.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2. As Súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Decreto nº 70.235/72).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.209
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DEFESA GENÉRICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. VÍCIOS INSANÁVEIS. AUSÊNCIA DE APONTAMENTOS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. OBSERVÃNCIA DA NORMA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUICIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DOS MEMBROS DO CARF. SÚMULA Nº 2. 1. Apesar das evidências suscitadas pela fiscalização, bem como aquelas constantes da decisão recorrida, o contribuinte continua se insurgindo, mas de forma genérica, requerendo a declaração de nulidade do lançamento, por supostas ocorrências de vícios insanáveis, o que, segundo ele, acarreta no cerceamento de defesa. 2. In casu, não se vislumbra qualquer situação que possa se enquadrar nas hipóteses aventadas pelo contribuinte. O lançamento não contém os vícios “apontados” pela empresa. Notase, pois, que o crédito foi constituído em absoluta conformidade com a regra disposta no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. 3. Além de não ter havido o tal cerceamento de defesa, não há como sustentar que o inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991 é inconstitucional, como afirma a empresa. 4. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2. As Súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Decreto nº 70.235/72). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 05 43 /2 01 2- 31 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições previdenciárias descontada da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais nas competências 10 e 13/2008. Consta nos autos que a empresa declarou a ocorrência de fatos geradores em GFIP, deixando de realizar o recolhimento das contribuições respectivas, constando no sistema da RFB apenas recolhimentos com o código “2909 – Reclamatória Trabalhista”. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 17 de abril de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE VALORES DECLARADOS EM GFIP APRESENTADA POSTERIORMENTE AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE CAUSA DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de devesa. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A fiscalização utilizou como base para o lançamento apenas as diferenças provenientes do comparativo entre os valores declarados na GFIP com as informações da Folha de Pagamento de Salários, sem, contudo, demonstrar a metodologia dos cálculos apontados nas planilhas denominadas valores apurados pela fiscalização. Percebese claramente que a autuada, ora recorrente se vê prejudicada no exercício do seu pleno direito de defesa, vez que não consegue identificar a origem dos valores Fl. 790DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 5 4 considerados pela fiscalização para fins de determinação do quanto devido, não sendo possível impugnar o lançamento, que de forma geral, quer de forma pormenorizada. A autoridade fiscal não apontou no auto de infração, por meio de informações pormenorizadas e documentos comprobatórios, a origem dos valores considerados como devidos ou das diferenças lançadas. Nesse sentido, o auto de infração deveria ter sido estruturado de maneira que o autuado tivesse pleno e imediato conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa, previstos como cláusulas pétreas na Constituição da República, o que acarretou na incompreensão da imposição que lhe é imputada, prejudicando, portanto, sua defesa. Diante do exposto, verificase que o auto de infração sob apreço deve ser declarado nulo, por apresentar evidente vício insanável o que acarreta no cerceamento de defesa da recorrente. O art. 12, V, da Lei 8.212/91, que exige recolhimento da contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais é inconstitucional, motivo pelo qual deve ser anulada a cobrança em comento. A multa pretendida no presente caso é totalmente descabida, pois, ressalte se que a exigência das contribuições previdenciárias são ilegais e, sobretudo, inconstitucionais, pelos jurídicos fundamentos expostos acima, não havendo, portanto, descumprimento da obrigação principal tampouco das obrigações acessórias. Com relação à multa de ofício, calculada em 75% sobre o principal, também merece reforma a r. decisão. Face ao exposto, demonstrada de forma inequívoca a impropriedade da lavratura do auto de Infração, após o recebimento e processamento do presente Recurso Ordinário, requer seja dado provimento, ao mesmo, reformando o acórdão para: i) Preliminarmente, reforma da r. decisão recorrida, para que seja decretada a nulidade do auto de infração por vício material e, por consequência, sejam afastados todos os lançamentos realizados pela fiscalização, tendo em vista de que houve cerceamento de defesa e carência nos elementos probatórios produzidos pelo fiscal. ii) Caso não seja reconhecida a nulidade da r. decisão proferida, seja dado provimento ao mérito do presente recurso, para julgar improcedente o AI, em sua totalidade, anulandose o lançamento, por inconsistência de suas bases legais pelos motivos jurídicos acima declinados e, ao final, remetendose os autos ao arquivo. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Auto de Infração foi lavrado em virtude de o contribuinte ter, nas competências 10 e 12/2008, descontado da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço as contribuições previdenciárias, tendo declarado tais fatos geradores em GFIP, sem, contudo, efetuar o recolhimento do devido. Tendo agido como agiu, não pairam dúvidas de que o contribuinte descumpriu suas obrigações com a Seguridade Social. Apesar das evidências suscitadas pela fiscalização, bem como aquelas constantes da decisão recorrida, o contribuinte continua se insurgindo, mas de forma genérica, requerendo a declaração de nulidade do lançamento, por supostas ocorrências de vícios insanáveis, o que, segundo ele, acarreta no cerceamento de defesa. In casu, não se vislumbra qualquer situação que possa se enquadrar nas hipóteses aventadas pelo contribuinte. O lançamento não contém os vícios “apontados” pela empresa. Notase, pois, que o crédito foi constituído em absoluta conformidade com a regra disposta no art. 142 do CTN c/c o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além de não ter havido o tal cerceamento de defesa, não há como sustentar que o inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991 é inconstitucional, como afirma a empresa. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2. As Súmulas são de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Decreto nº 70.235/72). No concernente à multa, sem razão o contribuinte, tendo em vista que a multa foi aplicada na forma da lei, situação que vincula a autoridade administrativa incumbida do lançamento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.720543/201231 Acórdão n.º 2803004.209 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.007415/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que reconhecida a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, aplica-se o prazo decadencial na forma do disposto no art. 173, I do CTN.
RECURSO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM RELAÇÃO A DÉBITOS CONFESSADOS. Considerando-se que, à época dos fatos, a compensação tida como “não declarada” não implicava confissão dos débitos respectivos, impõe-se a manutenção dos lançamentos nessa parte.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Não se conhece das razões de recurso voluntário que não versam sobre os lançamentos objeto do processo administrativo sob exame.
MATÉRIA DE FATO. Mantém-se os lançamentos quando não comprovadas as circunstâncias de fato alegadas pela Contribuinte que maculariam o lançamento.
Recurso de ofício provido em parte. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) dar parcial provimento ao recurso de ofício, para o fim de restabelecer as exigências canceladas pelo acórdão recorrido sob o fundamento de prévia confissão de dívida pela Contribuinte, e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Omissão de receita Recorrentes CONSILUX CONSULTORIA E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que reconhecida a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, aplica-se o prazo decadencial na forma do disposto no art. 173, I do CTN. RECURSO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA EM RELAÇÃO A DÉBITOS CONFESSADOS. Considerando-se que, à época dos fatos, a compensação tida como “não declarada” não implicava confissão dos débitos respectivos, impõe-se a manutenção dos lançamentos nessa parte. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. Não se conhece das razões de recurso voluntário que não versam sobre os lançamentos objeto do processo administrativo sob exame. MATÉRIA DE FATO. Mantém-se os lançamentos quando não comprovadas as circunstâncias de fato alegadas pela Contribuinte que maculariam o lançamento. Recurso de ofício provido em parte. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) dar parcial provimento ao recurso de ofício, para o fim de restabelecer as exigências canceladas pelo acórdão recorrido sob o fundamento de prévia confissão de dívida pela Contribuinte, e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 762DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), JOSÉ EVANDE CARVALHO ARAÚJO, FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES, RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte e recurso de ofício contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba (PR), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A conduta de jamais em qualquer período, por anos a fio, declarar pelo menos a metade do valor efetivo das receitas, e também jamais escritura-las, constitui ação (declarar) e omissão (deixar de escriturar) dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador das obrigações relativas aos valores omitidos, bem como suas circunstâncias materiais; mormente se a interessada, como consequência desse artificio, logrou furtar- se ao recolhimento de vultosos encargos tributários, colhidos pela decadência. DOLO. PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese e não existirem pagamentos suscetíveis de homologação, e também quando pautada a conduta da contribuinte pelo dolo, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra estipulada no art. 150 para a regra prevista no art. 173, ambos do Código Tributário Nacional. MULTAS SOBRE COMPENSAÇÃO NÃO-DECLARADA E OMISSÃO DE RECEITAS. INFRAÇÕES DISTINTAS. NÃO CONCOMITÂNCIA. O contribuinte que omite receitas sujeita-se à imposição da multa de oficio correspondente, que não se confunde com eventual multa imposta pela tentativa de compensação desse ou de outro débito com crédito inexistente, fato que, de per si, constitui infração autônoma, suscetível de aplicação de multa distinta. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 2 3 VALORES QUE CONSTARAM EM PER/DCOMP CONSIDERADA NÃO DECLARADA, NA VIGÊNCIA DA MP N° 449/2008, ENVIADOS PGFN. Por constituírem débitos confessados, excluem-se do lançamento os valores que constaram em PER/DCOMP apresentada antes do inicio da ação fiscal e considerada, na vigência da MP n. 449/2008, compensação não declarada já enviados à PGFN para inscrição em divida ativa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA Aplicam-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, o que restar decidido relativamente ao lançamento matriz. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte’ O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 154-179), Contribuição para o P1S/PASEP (fls. 180-195), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 196-210), e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 211-135), mediante os quais se exige desta contribuinte o crédito tributário total de R$ 15.086.620,55, incluindo juros moratórios calculados até 30/06/2009, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, acostado às fls. 01. . Do mesmo procedimento fiscal resultaram, contra esta contribuinte, o lançamento aqui apreciado e outros dois autos de infração, objetos de processos distintos, relativos a Imposto de Renda Retido na Fonte (PAF no 10980.007420/2009-21) e a multa regulamentar (PAF no 10980.007421/2009-75). Também foram lavrados contra seus sócios autos de infração relativos a multa regulamentar, objetos de processos distintos. Os eventos e circunstâncias determinantes da autuação se encontram detalhados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 236-257 e se encontram sintetizados a seguir, em redação comum ao relatório dos três processos, no propósito de permitir a total compreensão dos pontos relevantes: - a ação fiscal dos anos de 2003, 2004 e 2005 foi programada em face de indícios de omissão de receitas, posto que as receitas declaradas em muito inferiores aos valores que a contribuinte recebeu da Prefeitura de Curitiba (URBS). Também é esclarecido que a ação fiscal foi instaurada por ter a Polícia Federal apontado como possível irregularidade a prática da empresa de sacar de suas contas bancárias, em dinheiro, importâncias vultosas; - o confronto das notas fiscais emitidas com as receitas declaradas evidencia a prática de omitir, em todos os períodos Fl. 764DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 de apuração, valores significativamente superiores aos declarados, conforme demonstrativo de fls. 238-239; - reiteradamente intimida a manifestar-se sobre as diferenças, apresentou esclarecimentos diversos e conflitantes, considerados insuficientes para justifica-las; - nos livros caixa relativos aos anos de 2003 e 2004, constatou- se a ausência de escrituração das receitas. Com relação aos anos-calendário de 2005 e 2006, no curso da ação fiscal foram apresentadas três versões de escrituração. No livro caixa apresentado em primeiro lugar, não havia registro de receitas. Em segundo lugar, a contribuinte apresentou livros razões onde se encontravam reconhecidas receitas nos montantes de R$ 2.403.077,99 e R$ 3.600.281,96, para os anos de 2005 e 2006, respectivamente. Por derradeiro, foi apresentada nova escrita em que a receita ascendeu para R$ 9.565.834,65 e R$ 27.059.151,96, para aqueles anos; - intimada a apresentar os seus extratos bancários, a contribuinte autorizou que o Fisco os solicitasse diretamente aos bancos. Posteriormente, foi autorizada pela 2ª. Vara Federal Criminal de Curitiba a quebra do sigilo bancário, o que permitiu o acesso aos documentos de débitos e créditos de valor igual ou superior a R$ 3.000,00, também fornecidos pelas instituições financeiras; - a fiscalização registra evidências de ser antiga e reiterada a prática de omissão de receitas; - é assinalada que, mesmo a contribuinte tendo reconhecido apenas uma pequena parcela de sua receita, parte significativa dos tributos respectivos deixou de ser recolhida, tendo a contribuinte intentado extingui-los por meio de compensação com crédito inexistentes; - são apontadas diversas irregularidades nos livros caixa dos anos-calendário de 2003 e 2004, como: a) falta de escrituração de parte da movimentação em conta bancária; b) cheque compensados contabilizados como os recursos tendo ingressado no caixa, mas sem o registro da saída respectiva; c) contabilização de depósitos sem a contabilização do respectivo recebimento; d) pagamento de financiamentos, funcionários, cobrança ou transferências bancárias, contabilizados como entrada de caixa, sem a respectiva contabilização da saída; e) falta de contabilização de recebimento das notas fiscais de prestação de serviços. É informado que, além da falta de registro contábil de grande parte das operações da empresa, também não foram apresentados dos documentos que embasaram a escrituração. As deficiências da escrituração determinaram a apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado; - são apontadas múltiplas inconsistências na escrituração dos anos-calendário de 2005 e 2006, tendo a fiscalização concluído que as três versões da escrita apresentadas são completamente inverídicas nos registros realizados; que estão eivadas de inexatidões e apresentam inúmeras inconsistências, razão pela qual também foi arbitrado o lucro desse biênio; Fl. 765DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 3 5 - é relatado que a contribuinte foi intimada a identificar os beneficiários de recursos sacados das contas bancárias, além de informar as operações respectivas e apresentar a documentação comprobatória. Após a resposta a todos os termos de intimação, a fiscalização procedeu à exclusão dos valores que foram sacados diretamente no caixa, os que a empresa demonstrou tratar-se de distribuição de lucros e referentes a despesas, e elaborou o demonstrativo de fls. 19-31, do qual constam todos os valores comprovadamente destinado a terceiros (cheques nominais, TED, transferências, pagamentos de funcionários, pagamentos de duplicatas, etc), cujos beneficiários não foram identificados e/ou não foram comprovadas as operações que causaram a retirada dos recursos dos bancos. A fiscalização esclarece que os valores sacados em dinheiro pela própria empresa, no total de R$ 5.714.421,04, nos quatro anos- calendário fiscalizados, foram excluídos, para fins de lavratura do auto de infração alusivo ao IRRF, em virtude da impossibilidade de se comprovar que os valores foram destinados a terceiros. Os recursos retirados da empresa sem identificação dos beneficiários ou com identificação, mas sem a comprovação da causa da operação, no total de R$ 9.930.637,50, foram objeto de lançamento do IRRF — em PAF especifico - à alíquota preestabelecida, com a base de calculo reajustada; - tendo em vista que, por 38 (trinta e oito) meses a empresa omitiu parte substancial de suas receitas, valendo-se do artificio de não escriturá-las contabilmente, além de omiti-la nas DIPJ, DACON e DCTF apresentadas, no lançamento relativo a omissão de receitas foi aplicada a multa de oficio qualificada, no percentual de 150%. - sobre os valores do IRPJ lançados como não recolhidos, bem como do IRRF decorrente da infração caracterizada como pagamentos a beneficiários não identificados/operações sem causa, foi aplicada a multa de oficio de 75%; - em PAF especifico, foi aplicada multa regulamentar por ter esta contribuinte efetuado nos anos-calendário de 2005 e 2006 distribuição de lucros, em momentos que possuiria débitos não garantidos com o Fisco Federal; Os enquadramentos legais das parcelas lançadas se encontram devidamente discriminados nos campos próprios de cada auto de infração. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 29/07/2009 (fls. 172), e apresentou tempestivamente, em 31/08/2009, a impugnação de fls. 262-325, em teor comum aos três lançamentos distintos (IRPJ e reflexos, IRRF e Multa Regulamentar), esclarecendo que o pedido se restringia a questão especifica tratada em cada PAF. Em síntese, alegou: ALEGAÇÕES GERAIS APLICÁVEIS A TODOS OS PROCESSOS Fl. 766DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 - considerando que somente em 29/07/2009 a impugnante foi cientificada do lançamento, suscita a decadência do direito de lançar relativo a todos os fatos geradores ocorridos até o mês de julho de 2004; - assegura que não houve intuito de fraude e que, desde o inicio, procurou apresentar todas as informações e documentos solicitados. Atribui as irregularidades ao seu departamento contábil. aduz que, caso não tivesse emitido nota fiscal, adulterado o verdadeiro valor da nota ou falsificado documentos, ai sim teria agido visando a impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração; - alega que o Conselho de Contribuintes, por diversas vezes, já se posicionou no sentido de que a simples falta de escrituração contábil ou desclassificação desta não configura hipótese descrita nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, como sonegação fraude ou conluio. Afirma que a omissão da receita das DIPJ também não consubstancia aquelas figuras mencionadas. Faz longa digressão sobre a exegese dos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964; - ALEGAÇÕES EXCLUSIVAS DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IRPJ (PAF Nº 10980.007415/2009-18) - assegura que os débitos declarados de 2003 a 2004 já foram integralmente quitados por meio de parcelamentos constantes dos PAF nº 10980.014545/2005-83, 10980.014546/2005-28 e 10980.0145472005-72, e estão sendo cobrados novamente; - alega que há processos administrativos de cobrança na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos anos de 2005 e 2006, que também estariam lançados por meio do auto de infração. Elabora quadro demonstrando as incorreções que considera existentes; - aduz que foi considerado como omissão de receita, com imposição de multa de 150%, valores declarados em DCTF que, por mero erro, não foram declarados em DIPJ, e que também já se encontrariam em fase de cobrança no âmbito da PGFN. Aponta equívocos pontuais que teriam sido cometidos pela autoridade fiscal; - afirma que a DCTF, DIPJ e DACON são instrumentos necessários à apuração e conferência dos créditos tributários apurados pelos contribuintes, e que o Fisco deverá, em primeiro, buscar os valores declarados como base de cálculo e, na sequencia, a verdade dos fatos, o que não teria ocorrido. Argumenta que, no terceiro trimestre de 2006, informou em DACON a importância de R$ 14.418.850,00 decorrente de exportação de serviços, mas, por equívoco, deixou de informar tal importância na DIPJ. Aduz que tais documentos não foram considerados na apuração do montante lançado. Assevera que não pode o Fisco, sob pena de locupletamento ilícito, cobrar o que não lhe é devido, e que a análise da DCTF, DACON e da DIPJ, bem como dos relatórios da própria Receita Federal do Fl. 767DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 4 7 Brasil e da PGFN, permitiria à autuante visualizar essa informação; - contesta a imposição de multa sobre valores declarados ou em cobrança, alegando que, nessas hipóteses, deverá ser cancelada a multa de ofício e cobrada apenas a multa moratória; - argumenta que, conforme informado pela própria autoridade fazendária, no item 6 do TVF, foi lavrado outro auto de infração lançando multa de ofício isolada sobre os valores que teriam sido compensado. Relata que o período a que se refere essa multa é o mesmo aqui lançado, compreendendo os anos de 2005 e 2006. Conclui que há imposição de multa isolada e de multa de ofício sobre a mesma base de cálculo, o que considera ilegal, ao argumento de não se poder penalizar o contribuinte duas vezes sobre a mesma base de cálculo; - assevera que foi aplicada multa de 150% considerando que houve sonegação, posto que a impugnante teria agido dolosamente buscando omitir suas receitas, utilizando-se do artifício de não escritura-las contabilmente. Entretanto, alega que todas as notas fiscais e ate o acesso direto à conta bancária foram por ela fornecidos. Adiciona que, como já sedimentado pela jurisprudência do CARF, a simples omissão não configura hipótese de multa qualificada. -ALEGAÇÕES EXCLUSIVAS DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IRRF (PAP n° 10980.007420/2009-21) - aduz que os beneficiários foram identificados nas respostas aos Termos de Intimação n° 25 e 28, inclusive com a explicação da causa. Adiciona que, em face de outros motivos pessoais, o contribuinte, tendo direito à distribuição de lucro, pagou despesas pessoais e nesse ponto, além de se ver autuado, ainda foi invadido em sua intimidade e privacidade, sendo violado em seu direito garantido pela Constituição Federal; - afirma que o Fisco não comprovou que os pagamentos não foram identificados. Adiciona que o Fisco teve acesso às contas bancárias, e dessa forma identificou os beneficiários dos pagamentos realizados pela impugnante; - enfatizando a necessidade de identificar como a lei disciplina o caso do pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem causa, transcreve o art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995. Argumenta que o capta abrange todas as pessoas jurídicas, sem exceção, mas restringe o alcance da hipótese quando impõe a tributação apenas quando o beneficiário não for identificado. Sustenta que o § 10, adiciona outra circunstância material não prescrita pelo caput. Assegura que também é devida a fonte, quando não comprovada a operação ou sua causa, mas o comando complementar impõe uma limitação, pois por ele só são alcançadas as empresas obrigatoriamente sujeitas à contabilização de seus atos negociais. Adiciona que, se a empresa estiver desobrigada de Fl. 768DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 escrituração contábil, deverá ser aplicado somente o caput, e que apenas estará tipificada a infração nas pessoas jurídicas que optarem pela apuração do imposto com base DO lucro presumido quando o beneficiário não for identificado. Enfatiza que a fonte somente será imputável às empresas optantes pelo lucro presumido quando estiver presente qualquer que seja a combinação de hipóteses, a figura do beneficiário não identificado, e que outra ocorrência que exclua a figura do beneficiário não identificado remeterá à imposição exclusivamente para a pessoa jurídica que apure o seu imposto com base no lucro real. Raciocina que, como está sujeita à tributação pelo lucro presumido, somente pode sofrer lançamento com relação a pagamentos a beneficiários não identificados, mas no caso concreto, os beneficiários teriam sido identificados pela própria fiscalização; - alega que, após o transcurso do prazo para entrega de declaração de ajuste anual, a responsabilidade pelo pagamento do IRRF se transfere para o beneficiário do rendimento; -ALEGAÇÕES EXCLUSIVAS DO AUTO DE INFRAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR (PAF N°10980.007421/2009-75) - afirma que, quando ocorreu a distribuição de lucros, não tinha débitos exigíveis com o Fisco, como demonstram as certidões que apresenta; - relata que sua escrita foi desconsiderada ao argumento de que as informações nela registradas eram ‘completamente inverídicas, eivadas de inexatidões e com inúmeras inconsistências’; que, até por conta da citada regularidade fiscal, a auditora jamais conseguiria fazer prova da existência de débitos impagos; e que incumbia A. autuante a prova de que existiam débitos vencidos e i1tão quitados nesse período, ônus do qual não se livrou. Para a autuação, limitou-se a utilizar d notas constantes do balancete da empresa, sem demonstrar que existiam efetivamente créditos constituídos e não pagos; - enfatiza que, para apurar a pretensa divida, o Fisco se baseou na contabilidade que havia desconsiderado, e concluiu que existiam débitos com a Receita quando distribuiu lucros. Adiciona, verbis: ‘É dizer, desconsidera a escrita contábil para arbitrar e cobrar tributo e utiliza os dados da contabilidade para impor multa pela distribuição de lucro'. - traz a colação jurisprudência e soluções de consulta que respaldam sua tese, e discorre sobre o sentido do art. 32 da Lei n°4.357, de 1964. Ê o relatório.” O acórdão recorrido (fls. 622 a 637) julgou procedente em parte a impugnação, no sentido de (i) considerar decaídos os débitos de IRPJ relativo aos períodos anteriores ao quarto trimestre do ano-calendário de 2003, em relação ao PIS e COFINS, quanto aos períodos de julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, com fundamento no art. 173, I do CTN; e (ii) excluir os débitos que constaram em PER/DComp apresentado antes do Fl. 769DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 5 9 início da ação fiscal, cuja compensação foi, na vigência da MP nº 449/2008, considerada não declarada. Tendo em vista a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada previsto na Portaria/MF n. 3/2008, o Colegiado a quo suscitou de ofício o reexame da matéria ao CARF. Em sede de recurso voluntário (fls. 656 a 707), a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere a (i) ausência de sonegação e fraude que permitiria a aplicação da multa de ofício em percentual majorado; (ii) aplicação da decadência conforme a regra esculpida no art. 150, § 4º; (iii) cobrança em duplicidade de crédito tributário; (iv) impossibilidade de cobrança de multa sobre valores que já haviam sido declarados; (v) impossibilidade de cobrança de multa isolada concomitantemente com a aplicação de multa de ofício; (vi) inexistência de pagamentos a beneficiários não identificados; e (vii) descabimento da aplicação de multa na distribuição de lucros quando há débitos tributários pendentes É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Os recursos de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, “assim como a Fiscalização utilizou o mesmo Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal para instruir todos os lançamentos, também a contribuinte redigiu apenas uma impugnação, nela reunindo suas alegações contra os três autos de infração. Entretanto, os fundamentos do voto em cada processo se restringirá ás alegações pertinentes ao respectivo lançamento que, neste autos, diz respeito ao IRPJ e exações reflexas”. Assim também ocorreu no recurso voluntário se procederá nesse voto. Portanto, no caso, não serão objeto de análise os argumentos aduzidos pela Contribuinte contra os lançamentos de IRRF e de multa regulamentar, objetos de outros PAF´s. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 10 (i) Recurso de Ofício Conforme se depreende do relatório supra, o acórdão recorrido cancelou os lançamentos em parte por dois fundamentos, quais sejam: decadência e indevida constituição de crédito tributário já constituído por prévia confissão de dívida pela Contribuinte, consubstanciada em 2 PER/DCOMP´s objeto do PA n. 10980.720428/2009-86 (fls. 280 e seguintes do anexo IV – fls. 1795 do PDF). No tocante à decadência, considerados (i) a data de ciência dos lançamentos (29.07.2009, fls. 172); (b) o regime de apuração do lucro da Contribuinte nos anos-calendário de 2003 e 2004 (lucro presumido), que remete à apuração trimestral de IRPJ e CSLL; e (c) a acusação de dolo/fraude e a inexistência de pagamento de IRPJ nos anos-calendário de 2003, que impõem a aplicação do art. 173, I do CTN ao caso, o acórdão recorrido não merece reparos por ter reconhecido a extinção do direito do Fisco lançar débitos de (i) IRPJ e CSLL, relativos aos períodos fiscalizados até 3 o Trimestre de 2003, inclusive e (ii) PIS e COFINS, relativos aos períodos fiscalizados até o mês de novembro de 2003, inclusive. No tocante ao cancelamento da exigência fiscal por força de prévia confissão dos créditos tributários lançados, pede-se vênia para transcrever trecho do acórdão recorrido que bem sintentiza a controvérsia, verbis: “Reportando-se aos anos-calendário de 2005 e 2006, a contribuinte alega que a autoridade fiscal não teve a diligência de verificar qual o valor correto a ser lançado, nem fez a comparação com os valores declarados em DCTF e DACON, de maneira a conhecer o real valor apurado e declarado nos instrumentos corretos para isso, quais sejam, a DCTF e a DIPJ. No intuito de demonstrar os equívocos que teriam sido perpetrados pela fiscalização, elaborou o demonstrativo estampado As fls. 293-295, comparando, por trimestre, valores que já estariam em cobrança na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com valores lançados a titulo de IRPJ e de CSLL, apurando assim parcelas que estariam sendo exigidas em duplicidade. Com respeito a essa argumentação, cumpre registrar que os valores referidos pela impugnante são aqueles por ela declarados em três PER/DCOMP apreciados no PAF n° 10980.720428/2009-86 (fls. 280-292 do Anexo IV), cujos débitos foram efetivamente enviados à PGFN (fls. 489), ao entendimento de que constituíam confissão de divida. Trata-se dos PER/DCOMP n° 17732.54196.240307.1.7.04-4253 (fls. 466-475); n° 21982.75926.141107.1.3.04- 4189 (fls. 476-481); e n° 38100.47714.190209.1.3.04-6694 (fls. 482-488). Os dois primeiros, aqui referidos como PER/DCOMP n° 1 e n° 2; foram apresentados, respectivamente, nas datas de 24/03/2007 e 14/11/2007, ou seja, antes do inicio da ação fiscal, que ocorreu em 13/06/2008 (fls. 02). Significa portanto que, constituindo os débitos neles declarados confissão de dividas, é de se ter por espontânea a denúncia do crédito tributário respectivo. Logo, os débitos neles informados devem ser integralmente deduzidos dos valores lançados nestes autos, uma vez que a própria contribuinte os denunciou ao Fisco. O mesmo não ocorre, porem, com o terceiro PER/DCOMP, aqui referido como PER/DCOMP n° 3, uma vez que sua apresentação ocorreu apenas em 18/02/2009, ou seja, quando a impugnante já se encontrava com sua espontaneidade excluída, por força do inicio da ação fiscal. Assim, apesar de este derradeiro documento também constituir confissão de divida, os valores nele declarados não devem ser exonerados do lançamento. A propósito, é relevante ter em mente que o lançamento cuida apenas de débitos tributários que se tornaram devidos em decorrência do cometimento de infração. Logo, tendo a infração sido cometida, deve o crédito tributário respectivo ser exigido com imposição da multa de oficio prevista na legislação. Com respeito a Fl. 771DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 6 11 esse terceiro PER/DCOMP, é relevante acrescentar que contém débitos informados em duplicidade, como adiante se verá. Contudo, tal circunstancia não demanda qualquer providencia no âmbito deste PAF. Com efeito, eventual credito que a impugnante tiver contra o Fisco, relativo a dupla inscrição em divida ativa por duplicidade de informação pelo contribuinte, deverá ser reclamado diretamente à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a quem incumbe adotar as providências cabíveis.” (grifos nossos) Firmadas citadas premissas, o acórdão recorrido passou a analisar individualizadamente cada um dos créditos tributários em relação aos quais a Contribuinte alegou haver “exigência em duplicidade”. Os créditos tributários exonerados pelo acórdão recorrido estão abaixo relacionados, verbis: 1) Com relação ao IRPJ 1.2 — A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 36.044,66, relativa ao 2° trimestre de 2005. Tem razão, em parte. Em verdade, o valor lançado nesse trimestre com multa de 150% (imposto + adicional) totaliza R$ 170.680,35. Desse valor, a fiscalização já deduzira R$ 35.427,62 (fls. 162). Contudo, o valor que deve ser deduzido, constante no PER/DCOMP n° 1 (fls. 474-verso) é aquele reclamado. Logo, a diferença, no importe de R$ 617,04, deve ser exonerada. (...) 1.5 - A impugnante reclama que não teriam sido consideradas no lançamento as importâncias de R$ 46.304,07 e R$ 52.876,30, relativas ao 1° trimestre de 2006. Com respeito a tais alegações, registro que os valores respectivos constaram dos PER/DCOMP n° 2 e 1, respectivamente, como se vê às fls. 478 e 475. Tendo em vista que a apresentação de ambos precedeu a ação fiscal, devem ser ambas deduzidas do valor lançado, e não apenas a importância de R$46.304,07, já considerada (fls. 166). Neste trimestre, o valor devido (Imposto + adicional) totaliza R$ 151.680,00. Assim, deduzidos os dois valores, o lançamento deve ser reduzido para R$ 52.499,63. (...) 1.7 — A impugnante reclama que a importância de R$1.195.176,05, relativa ao 3° trimestre de 2006, se encontra em duplicidade na PGFN, e não teria sido considerada no lançamento. Com respeito a essa alegação, cumpre esclarecer que realmente essa importância constou duas vezes em PER/DCOMP para esse mesmo trimestre. Constou a primeira vez no PER(DCOMP n° 2 (fls. 478), e constou pela segunda vez no PER/DCOMP n° 3 (fls. 487). Te do em vista que o documento de n° 2 foi apresentado antes do inicio da ação fiscal, impõe-se seja considerado aquele valor. Quanto ao valor declarado no PER/DCOMP n. 3, apresentada após o inicio da ação fiscal, trata-se de providencia a ser adotada no âmbito da PGFN. Tem-se assim que, no terceiro trimestre de 2006, o total do débito com multa de 150% atinge R$ 1.540.208,63. Deve ser mantida a importância de R$345.032,58, correspondente à diferença entre o débito e o valor já declarado (R$ 1.540.208,63 - R$ 1.195.176,05 = 345.032,58). O valor exonerado (RS 1.153.508,00) é inferior ao valor reclamado em razão de já ter sido compensada pela fiscalização a importância de R$ 41.668,05 (fls. 166). 2) COM RELAÇÃO À CSLL Fl. 772DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 12 2.2 — Referindo-se ao 2° trimestre de 2005, a impugnante reclama que o valor em cobrança na PGFN é de R$ 15.136,08, mas foi deduzido no lançamento apenas o montante de R$ 14.913,94. Tem razão. Conforme se vê às fls. 472, o valor que constou do PER/DCOMP n° 1 — apresentado antes do inicio da ação fiscal e já enviado à PGFN — é R$15.136,08, e foi deduzido no lançamento apenas R$ 14.913,94, como se ye às fls. 217. Logo, a parcela lançada com multa de 150% deve ser reduzida no valor da diferença (R$ 222,14). 2.4 — Referindo-se ao 1° trimestre de 2006, a impugnante aponta que foram enviados para a PGFN dois valores distintos (R$ 18.829,46 e R$ 21.195,47). Reconhece que o primeiro deles já foi considerado no lançamento, mas reclama que o segundo não o foi. Com respeito a essa alegação, cumpre registrar que o primeiro valor referido (R$ 18.829,46) constou do PER/DCOMP no 2 (fls. 478-verso) e já foi devidamente deduzido no lançamento (fls. 220). Quanto ao segundo valor (R$ 21.195,47), constou do PER/DCOMP n. 1 (fls. 472). Tendo em vista que este foi apresentado antes do inicio da ação fiscal, a alegação é procedente. Logo, esse valor deve ser exonerado da parcela do lançamento lançada commulta de 150%. 2.6 — A impugnante reclama que a importância de R$ 432.423,38, relativa ao 3° trimestre de 2006, se encontra em duplicidade na PGFN, e teria sido apenas parcialmente (R$ 17.160,78) considerada no lançamento. Com respeito a essa alegação, cumpre esclarecer que realmente essa importância constou duas vezes em PER/DCOMP para esse mesmo trimestre. Constou a primeira vez no PER/DCOMP n° 2 (fls. 479), e constou pela segunda vez no PER/DCOMP n° 3 (fls. 487-verso). Tendo em vista que o documento de n° 2 foi apresentado antes do inicio da ação fiscal, impõe-se seja considerado aquele valor. Quanto ao valor declarado no PER/DCOMP n° 3, apresentado depois do inicio da ação fiscal, trata-se de providencia a ser a adotada no âmbito da PGFN. Tem-se assim que, no terceiro trimestre de 2006, o total do debito com multa de 150% atinge R$ 463.862,59. Deve ser mantida a importância de R$ 31.439,21, correspondente a diferença entre o débito e o valor já declarado (R$ 463.862,59 - R$432.423,38 = 31.439,21). O valor exonerado (R$415.262,88) é inferior ao valor reclamado em razão de já ter sido compensada pela fiscalização a importância de R$ 17.160,50 (fls. 220).” O acórdão recorrido merece reforma nessa parte. Diferentemente da premissa adotada pelo acórdão recorrido para cancelamento parcial da exigência fiscal, as PER/DCOMP citadas não possuem efeito de confissão de dívida, pelo fato de terem sido tratadas, pela própria RFB, como “compensações não declaradas” (fls. 280 do Anexo IV, fls. 1795 do PDF), por força do disposto no art. 74, §3 o da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051, de 2004. Confira-se: Art. 74. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste Fl. 773DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 7 13 artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos nossos) Em que pese o art. 29 da MP449/2008 tenha determinado a aplicação do citado §6º às compensações não declaradas, note-se que o dispositivo em referência não é aplicável aos autos, pois as compensações foram apresentadas pela Contribuinte no ano de 2007. Assim, pelo fato de a “compensação não declarada” não possuir o efeito de confissão de dívida, ou, quando menos, haver séria controvérsia a respeito desse fato, os créditos tributários nela (“compensação não declarada”) informados devem ser constituídos por meio de lançamento de ofício dentro do respectivo prazo decadencial, tal como ocorreu no caso. O fato de ter sido dado tratamento de confissão de dívida pela RFB e PGFN aos créditos tributários informados pela Contribuinte em “compensações não declaradas”, o sequer é objeto desse PAF, não pode impor o cancelamento de lançamentos lavrados, na forma da lei, para constituição de créditos tributários ainda não constituídos. Se, de um lado, é certo que a Contribuinte não pode ser cobrada em duplicidade por um mesmo débito, por outro, não é legítimo extinguir crédito tributário regularmente constituído por força de (discutível) inscrição de débito em dívida ativa. Citada inscrição, inclusive, pode ser questionada e cancelada judicialmente por provocação da Contribuinte com base no próprio fundamento legal ora aduzido. Nesses termos, em que pese o restabelecimento parcial da exigência, recomenda-se às D. Autoridades da RFB e da PGFN adotar providências para que sejam expurgadas as cobranças em duplicidade alegadas pela Contribuinte e reconhecidas pelo próprio acórdão recorrido. Por tais fundamentos, orienta-se voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso de ofício, para que sejam restabelecias as exigências canceladas pelo acórdão recorrido sob alegação de prévia confissão de dívida pela Contribuinte. (ii) Recurso Voluntário O recurso voluntário não merece provimento. No que se refere à acusação de sonegação, dolo e fraude, cuja procedência traz reflexos diretos na aplicação da penalidade de ofício em percentual majorado e no exame da preliminar de decadência, filiei-me no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração em montantes muito inferiores aos devidos pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores omitidos ou da quantidade de anos-calendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera “declaração inexata”. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, parece-me que a prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu Fl. 774DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4 14 pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Citada conduta conduziu a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96, lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96 c/c art. 71 da Lei n. 4.502/64. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE. - Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. IRPJ - DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, desloca-se do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entende-se por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o ano-calendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia- se 1º de janeiro de 2001. CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO - RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO - VALIDADE - É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO PATENTE - Auferir vultosas receitas de exportação sem declará-las à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo- as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda Fl. 775DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 8 15 perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Vinicius Neder de Lima - Presidente. A alegação da Contribuinte de que a multa de ofício aplicada teria natureza confiscatória foge aos limites de cognição dessa Corte, ante a expressa previsão legal e o teor da Súmula 2 do CARF, que impede sejam examinados questões relativas à constitucionalidade das leis (no caso, da Lei n. 9.430, art. 44, II). Mantida a qualificação da penalidade de ofício, rejeita-se, por decorrência, a preliminar de decadência suscitada pela Contribuinte, com base no disposto no art. 150, §4 o do CTN. No mérito, não procedem as alegações da Contribuinte no sentido de que teriam sido lançados créditos que já teriam sido constituídos e atualmente se encontram em fase de cobrança na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Ressalvado o quanto mencionado quando da análise do recurso de ofício e a recomendação ali realizada às D. Autoridades da RFB e PGFN para que não sejam cobrados em duplicidade valores ora lançados e que foram objeto de compensações não declaradas tidas pela RFB e PGFN como instrumentos de confissão de dívida, cujos valores foram identificados pelo próprio acórdão recorrido, diga-se que, no mais, os valores alegados pela Contribuinte foram reconhecidos pela própria Fiscalização no ato de lavratura dos lançamentos. Pelo fato de o recurso representar reprodução das alegações de impugnação, e pelo fato de o acórdão recorrido ter examinado minuciosamente as alegações da Contribuinte nesse particular, pede-se vênia para transcrever trecho do acórdão recorrido que versa sobre a matéria, adotando-o como razão de decidir nesse voto, verbis: “Com relação ao IRPJ e CSLL, não procede a alegação de que os débitos de 2003 e 2004, já declarados, estão sendo cobrados novamente. Confrontem-se os valores constantes das DIPJ respectivas (fls. 61, 63, 94-97 e 98-99), com os autos de infração, nos campos "IMPOSTO APURADO EM R$ POR PERCENTUAL DE MULTA" e -CONTRIBUIÇÃO DEVIDA POR PERCENTUAL DE MULTA", estampados às fls. 155,157-159, 212 e 214. Constata-se que todos os valores declarados já foram deduzidos dos valores devidos, de sorte que o lançamento já contempla o valor liquido. Com relação às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, a alegação também não procede, uma vez que o lançamento do auto de infração incide apenas sobre as receitas omitidas. Sobre as receitas já tributadas espontaneamente nenhuma exigência foi formulada nos autos de infração. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 16 Reportando-se aos anos-calendário de 2005 e 2006, a contribuinte alega que a autoridade fiscal não teve a diligência de verificar qual o valor correto a ser lançado, nem fez a comparação com os valores declarados em DCTF e DACON, de maneira a conhecer o real valor apurado e declarado nos instrumentos corretos para isso, quais sejam, a DCTF e a DIPJ. No intuito de demonstrar os equívocos que teriam sido perpetrados pela fiscalização, elaborou o demonstrativo estampado As fls. 293- 295, comparando, por trimestre, valores que já estariam em cobrança na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com valores lançados a titulo de IRPJ e de CSLL, apurando assim parcelas que estariam sendo exigidas em duplicidade. Com respeito a essa argumentação, cumpre registrar que os valores referidos pela impugnante são aqueles por ela declarados em três PER/DCOMP apreciados no PAF n° 10980.720428/2009-86 (fls. 280-292 do Anexo IV), cujos débitos foram efetivamente enviados à PGFN (fls. 489), ao entendimento de que constituíam confissão de divida. Trata-se dos PER/DCOMP n° 17732.54196.240307.1.7.04- 4253 (fls. 466-475); n° 21982.75926.141107.1.3.04-4189 (fls. 476-481); e n° 38100.47714.190209.1.3.04-6694 (fls. 482-488). Os dois primeiros, aqui referidos como PER/DCOMP n° 1 e n° 2; foram apresentados, respectivamente, nas datas de 24/03/2007 e 14/11/2007, ou seja, antes do inicio da ação fiscal, que ocorreu em 13/06/2008 (fls. 02). (...) A propósito, é relevante ter em mente que o lançamento cuida apenas de débitos tributários que se tornaram devidos em decorrência do cometimento de infração. Logo, tendo a infração sido cometida, deve o crédito tributário respectivo ser exigido com imposição da multa de oficio prevista na legislação. Com respeito a esse terceiro PER/DCOMP, é relevante acrescentar que contém débitos informados em duplicidade, como adiante se verá. Contudo, tal circunstancia não demanda qualquer providencia no âmbito deste PAR Com efeito, eventual credito que a impugnante tiver contra o Fisco, relativo a dupla inscrição em divida ativa por duplicidade de informação pelo contribuinte, deverá ser reclamado diretamente à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a quem incumbe adotar as providências cabíveis. A análise individual dos itens alegados pela impugnante é a seguinte: 1) COM RELAÇÃO AO IRPJ 1.1 - A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 36.044,66, relativa ao 1° trimestre de 2005. Está equivocada. A importância foi deduzida do valor lançado com a multa de 150%, como se vê As fls. 161. O valor devido (Imposto + Adicional) corresponde a R$ 156.440,96. Contudo, desse importe foi deduzido o valor reclamado, tendo sido lançado apenas R$ 120.396,30 (R$ 97.464,58 + R$58.976,38 — 36.044,66 = 120.396,30). A alegação não procede. (...) 1.3 — A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 35.427,62, relativa ao 3° trimestre de 2005. Não procede a alegação. Conforme se vê às fls. 162, do valor lançado nesse trimestre com multa de 150%, a fiscalização já deduzira a importância de R$ 43.912,30, que constara em sua DIPJ (fls. 130). 1.4 - A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 43.913,12, relativa ao 4° trimestre de 2005. Não procede a alegação. Conforme se vê às fls. 163, do valor lançado nesse trimestre com multa Fl. 777DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10980.007415/2009-18 Acórdão n.º 1102-001.184 S1-C1T2 Fl. 9 17 de 150%, a fiscalização já deduzira a importância de R$ 5.876,30, que constara em sua DIPJ (fls. 130). (...) 1.6 - A impugnante reclama que não teria sido considerada no lançamento a importância de R$ 315.026,50, relativa ao 2° trimestre de 2006. Não procede a alegação. Conforme se vê às fls. 166, o débito desse trimestre relativo à multa de 150% (imposto + adicional) totaliza R$ 156.000,00(R$ 97.200,00 + 58.800,00). Contudo, nada foi exigido, por ter sido deduzida essa importância. Já o debito relativo à multa de 75% totaliza RS 392.437,78 (R$ 235.459,07 + R$ 156.972,71. Deste débito foi deduzida a importância de R$ 165.026,50. Assim, somando-se os valores compensados nos dois percentuais de multa, obtém-se o montante de R$ 321.026,50, que supera o valor reclamado. A alegação não procede. (...) 1.8 — A impugnante reclama que a importância de R$ 134.825,54, relativa ao 4° trimestre de 2006, se encontra em duplicidade na PGFN, e não teria sido considerada no lançamento. Com respeito a essa alegação, cumpre esclarecer que realmente essa importância constou duas vezes em PER/DCOMP para esse mesmo trimestre. Constou a primeira vez no PER/DCOMP n° 2 (fls. 478-v), e constou pela segunda vez no PER/DCOMP no 3 (fls. 487). Tendo em vista que o documento de n.2 foi apresentado antes do inicio da ação fiscal, impõe-se seja considerado aquele valor. Quanto ao valor declarado no PER/DCOMP n° 3, apresentada após o inicio da ação fiscal, trata-se de providencia a ser adotada no âmbito da PGFN. E de se registrar, contudo, que a importância que pode ser considerada (R$ 134.825,54) já o foi no lançamento (fls. 167), sendo parte (R$ 44.400,00) deduzida do valor lançado com multa de 150%, e o restante (R$ 90.425,55) deduzida do valor lançado com multa de 75%. Não procede, portanto, a alegação. 2) COM RELAÇÃO ÀCSLL 2.1 — Reportando-se ao primeiro trimestre de 2005, a impugnante não reclama lançamento em duplicidade. Pelo contrário, aponta que o valor em cobrança na PGFN é de apenas R$ 14.913,94, e já foi deduzido no lançamento a importância de R$ 15.136,04. Nenhum inconformismo a apreciar, portanto. (...) 2.3 — Referindo-se aos 3° e 4° trimestres de 2005, a impugnante reconhece que os respectivos valores enviados à PGFN já foram integralmente deduzidos no lançamento.Não exterioriza, portanto, inconformismo com relação àqueles trimestres. (...) 2.5 — Referindo-se ao 2° trimestre de 2006, a impugnante reclama que o montante enviado â PGFN é de R$ 117.729,54, mas que no lançamento foi deduzida apenas a importância de R$ 48.599,99. Não procede a alegação. Conforme se vê às fls. 220, o debito desse trimestre relativo à multa de 150% (imposto + adicional) totaliza R$ 48.600,00. Contudo, nada foi exigido, por ter sido deduzida essa importância. Já o débito relativo à multa de 75% totaliza R$ 117.729,53, do qual foi deduzida a importância de R$ 69.129,54. Assim, somando-se os valores Fl. 778DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 18 compensados nos dois percentuais de multa, obtem-se o montante de R$117.729,54, que corresponde ao valor reclamado. A alegação não procede. (...) 2.7 — A impugnante reclama que a importância de R$ 50.697,19, relativa ao 4° trimestre de 2006, se encontra em duplicidade na PGFN, e não teria sido considerada no lançamento. Com respeito a essa alegação, cumpre esclarecer que realmente essa importância constou duas vezes em PER/DCOMP para esse mesmo trimestre. Constou a primeira vez no PER/DCOMP n° 2 (fls. 479), e constou pela segunda vez no PER/DCOMP n° 3 (fls. 487-verso). Tendo em vista que o documento de n° 2 foi apresentado antes do inicio da ação fiscal,impõe-se seja considerado aquele valor. Quanto ao valor declarado no PER/DCOMP n° 3, apresentado após o inicio da ação fiscal, trata-se de providência a ser adotada no âmbito da PGFN. É de se registrar, contudo, que a importância que pode ser considerada (R$50.697,19) já o foi no lançamento (fls. 220), sendo parte (R$ 15.120,00) deduzida do valor lançado com multa de 150%, e o restante (R$ 35.577,20) deduzida do valor lançado com multa de 75%. Não procede, portanto, a alegação.” Os fundamentos acima aduzidos tornam prejudicada a alegação da Contribuinte sobre a suposta ilegalidade da aplicação de multa de ofício em relação aos valores tidos por ela como declarados ou em cobrança. Conforme já se disse e ora se reitera, o lançamento foi lavrado para constituição de créditos tributários ainda não constituídos, em relação aos quais há incidência de multa de ofício, na forma da lei (Lei n. 9.430/96). Também não procedem as alegações da Contribuinte de que haveria concomitância entre as multas isoladas lançadas e a de ofício que acompanham os lançamentos. Conforme bem ressaltado pelo acórdão recorrido, as multas isoladas exigidas no caso possuem previsão legal e referem-se ao indeferimento das compensações requeridas pela Contribuinte. Por sua vez, as multas de ofício que compõem os lançamentos de IRPJ e reflexos decorrem da infração de omissão de receitas e do não recolhimento dos tributos sobre elas (receitas) incidentes, inclusive pelo regime de apuração do arbitramento (para o IRPJ e CSLL). Os demais argumentos aduzidos pela Contribuinte no recurso voluntário não se referem aos lançamentos de IRPJ e reflexos, razão pela qual não serão tratados nesse voto. Por todo o exposto, orienta-se voto no sentido de: (a) conhecer e dar parcial provimento ao recurso de ofício, para o fim de restabelecer as exigências canceladas pelo acórdão recorrido sob o fundamento de prévia confissão de dívida pela Contribuinte e (b) conhecer parcialmente o recurso voluntário para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - RELATOR Fl. 779DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
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