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Numero do processo: 16095.720182/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplica-se multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida com falsidade na declaração aplicase multa isolada no percentual de 150%, calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 82 /2 01 2- 17 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720182/201217 Acórdão n.º 2402003.974 S2C4T2 Fl. 192 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 15/06/2012 em razão da falta de recolhimentos das contribuições previdenciárias patronais. A fiscalização se iniciou em 09/08/2011, após realização de diligência com início em 14/02/2011. O objeto de ambos os procedimentos é a verificação da regularidade de compensações declaradas em GFIP. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório/voto que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE NATUREZA NÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários, com créditos de natureza diversa, mormente quando a própria existência destes restar não comprovada nos autos. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Consoante o relatório fiscal de fls. 52 a 55, o processo acima identificado é composto pelo Auto de Infração nº 51.006.1001, lavrado para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à competência novembro de 2010 e incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços naquele mês. Ainda nos termos do mencionado relatório: 1º) Durante a ação fiscal, que abrangeu o segundo semestre de 2010 e janeiro de 2011, verificouse que a empresa compensou débitos previdenciários (da empresa, do segurado empregado e contribuinte individual) argumentando ser detentora de crédito judicial em fase de execução contra a Fazenda Nacional e o Fl. 193DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 INSS e que o campo "compensação" da GFIP foi utilizado na medida em que não existe na GFIP campo destinado a depósito judicial.; 2º) No período em que julgou ter direito a compensação, a empresa entregou GFIP's retificadoras informando esses valores, porém na competência 11/2010, a empresa entregou a GFIP originalmente em 01/12/2010 e nessa mesma data enviou GFIP retificadora constando apenas parte insignificante do salário de contribuição da empresa e funcionários, aparentemente, visando complementar as primeiras informações prestadas. Este documento permaneceu válido e inalterado até o início da ação fiscal; 3º) Deve ser observado que não existe inicialmente declaração de compensação na competência 11/2010, embora o recolhimento tenha seguido o padrão adotado desde 06/2010, ou seja, efetuou apenas o recolhimento em GPS Guia de Recolhimento da Previdência Social devido a outras entidades; 4º) Assim, as rubricas devidas e não recolhidas nesta competência foram: contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuições da empresa sobre a remuneração de empregados; contribuições da empresa para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa e contribuições da empresa sobre a remuneração de contribuintes individuais. 5º) O valor apurado neste auto de infração é o reconhecido pela empresa em sua GFIP original, enviada em 01/12/2010; 6º) Desta forma, temse como resultado da ação fiscal o auto de infração para obrigações principais, sob número de cadastro de débito DEBCAD 51.006.1001 Contribuição da empresa, para remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais, e que tem como base de cálculo a soma dos levantamentos e infrações descritos nos itens 3 e 4 do próprio relatório fiscal; 7º) O débito foi lavrado considerandose a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/1991, incluído pela Lei n° 11.941/2009; e 8º) Na composição dos valores devidos não há recolhimentos (GPS Guias da Previdência Social) considerados pela fiscalização. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 1ª) Ao contrário do quanto é afirmado no relatório fiscal, em nenhum momento foi declarado a COMPENSAÇÃO como forma de extinção das obrigações tributárias de responsabilidade da autuada, mas sim, PAGAMENTO ATRAVÉS DE CONVERSÃO EM RENDA, que tem natureza jurídica totalmente diversa da COMPENSAÇÃO, guardando com esta somente o resultado final, quer seja a extinção da obrigação tributária; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720182/201217 Acórdão n.º 2402003.974 S2C4T2 Fl. 193 5 2ª) Na verdade o que ocorreu é que, por limitação do programa em que se pode declarar o procedimento adotado, não existe qualquer opção que faça referência a modalidade de extinção da obrigação tributária adotada pela Impugnante, não restando a ela outro procedimento que não fosse o autolançamento na modalidade compensação; 3ª) Embora limitada pelas ferramentas fornecidas pelo Ente Público, ainda assim, a Impugnante, através de simples requerimento, explicitou exatamente os fatos acima narrados, qual seja, que embora houvesse sido efetivado o autolançamento na modalidade compensação, na realidade o procedimento adotado era o de pagamento através de conversão em renda, não havendo, portanto, qualquer possibilidade de entender que o que ocorrera, na verdade, tivesse sido efetiva compensação; 4ª) O Órgão arrecadador (RFB) discordar do procedimento adotado não autoriza interpretálo como falso, como ocorreu no caso em tela, pois falsidade não houve, todos os fatos ocorridos foram devidamente declarados, como exige a lei, com a ressalva acima apontada. 1ª) A Impugnante utilizou crédito financeiro de que passou a ser detentora através de Contrato de Cessão de Crédito, em Ação de Execução de Título Extrajudicial que promove em desfavor da União Federal, para extinguir suas obrigações tributárias, na forma de pagamento através de conversão em renda; 2ª) Esse crédito, que é revestido dos requisitos de certeza, exigibilidade e liquidez, tem sua origem nos Títulos da Dívida Pública de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional, inclusive reconhecido pelo BACEN, além de constar no Orçamento da União Federal, uma vez que tratase de REPACTUAÇÃO DE DÍVIDA EXTERNA do DL n.° 6.019/43, conforme se apresenta no objeto do pedido de execução, com ordem de pagamento contra a Fazenda Nacional e o INSS, autorizando a modalidade de conversão em renda c/c poder liberatório de pagamento de qualquer tributo da esfera federal, como forma substitutiva da Recorrente receber seus créditos, dos quais a União é devedora (aqui, a empresa reproduz dispositivos da Lei nº 10179/2001); 3ª) Em decorrência do regime jurídico especial dispensado aos bens da Fazenda Pública, dentre cujas características deste destacamse a inalienabilidade e a impenhorabilidade, erguese um impedimento à sujeição da mesma ao rito comum por quantia certa do CPC, não se aplicando, na prática, os meios coercitivos geralmente utilizados, como por exemplo, a penhora; 4ª) Isto posto, é necessário mediano conhecimento para vislumbrar que, só não existe o deposito da quantia devida na Ação Executiva promovida pela Recorrente em decorrência das benesses legais que recaem sobre a União enquanto parte executada, pois acreditase que a mesma seja devedora solúvel e, como tal, prima em honrar seus compromissos; Fl. 195DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 5ª) Tais prerrogativas não retiram, contudo, a certeza da existência do crédito utilizado para pagamento através da conversão em renda, pois perfeitamente plausível e legal, partir se da premissa de que o Juízo está igualmente garantido; 6ª) O procedimento adotado pela Impugnante nada mais é do que uma forma de execução provisória do que lhe é devido, pois o pagamento através de conversão em renda, somente se aperfeiçoará por ocasião da efetiva liquidação do crédito executado; 7ª) Ainda, esse procedimento, lastreado com créditos do Decretolei n° 6.019/43, pela modalidade de extinção do crédito tributário, está legalmente amparado pelo que institui o artigo 156, I, VI do CTN, c/c artigo 6o da Lei n° 10.179/2001, ratificados pela Lei n.° 11.803/2008 e, principalmente, no que preconiza o art. 4750 do CPC; 8ª) Revelase totalmente descabida a afirmação de que, por ter sido indeferido o seu pedido de habilitação nos autos da execução, a empresa impugnante não é detentora do crédito em tela, pois decisão não retira a eficácia do Contrato de Cessão de Crédito retro citado. Também não se sustenta a insinuação de que a cessão, para ter efeito jurídico deveria ter aquiescência do judiciário, pois ela gera efeitos por sua natureza jurídica, não necessitando da homologação do Juízo para gerar seus efeitos; Diante da falta de previsão legal que dê competência a RFB para manifestarse sobre a forma de extinção da obrigação tributária da Requerente, quer seja o pagamento através de conversão em renda, o auto de infração aqui impugnado, no que toca a capitulação que trata da extinção da obrigação tributária, indevidamente tratado e denominado de COMPENSAÇÃO, é totalmente nulo; Quanto à multa de 150% 1ª) Quanto à aplicação das multas pela fiscalização, cumprenos informar que são confiscatórias e, por isso, devem ser expurgadas deste lançamento, por ofensa ao disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; 2ª) Apesar de vislumbrarmos que tais penalidades estão amparadas pela lei, é de se admitir que as multas de 50°/o, 75%, 150% e maiores são exorbitantes e absolutamente violadora dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, razão pela qual a multa in casu aplicada deve ser adequada ao percentual de 20%. É o Relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720182/201217 Acórdão n.º 2402003.974 S2C4T2 Fl. 194 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito No presente caso, a recorrente alega que deixou de realizar pagamentos de contribuições previdenciárias sob o fundamento de que teria extinto os créditos previdenciários Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.720182/201217 Acórdão n.º 2402003.974 S2C4T2 Fl. 195 9 através da conversão de depósito em renda. Teria declarado em GFIP como compensação por ausência de campo específico para a conversão de depósito em renda. Essas alegações foram apresentadas formalmente durante os procedimentos de diligência e fiscalização através petições à delegacia de fiscalização. O crédito que alega tem origem em título da dívida externa brasileira. A recorrente o adquiriu através de contrato de cessão de créditos. Entendo que a decisão recorrida não merece reparos. As GFIP originárias apresentadas pelo recorrente para o mês 11/2010 trazem os valores das contribuições devidas e não repassadas à previdência social. Nesse mês não há informação sobre compensações. Somente durante a fiscalização é que o recorrente trouxe a retificação das declarações anteriores. Ainda que se considerem as declarações retificadoras e se examinem os argumentos do recorrente vêse que os supostos créditos não se prestam para extinção dos créditos relativos às contribuições previdenciárias. A extinção do crédito tributário por meio de conversão de depósito em renda é prevista no inciso VI de seu art. 156 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VI a conversão de depósito em renda; A recorrente confunde em suas alegações depósito com crédito fundado em título judicial ou extrajudicial. Nessa modalidade de extinção do crédito tributário, o depósito realizado pelo sujeito passivo tem finalidade relacionada ao tributo em litígio. Com a sentença transitada em julgado, o depósito é convertido em renda para o sujeito ativo. Com isso, o crédito tributário é extinto. No caso das modalidades de extinção de crédito tributário com créditos do sujeito passivo é necessário que se comprove a liquidez e certeza desses créditos. Pretendendo se a compensação e sendo os créditos de natureza diversa da tributária é necessária previsão legal ou decisão judicial transitada em julgado. A administração pública não possui a liberalidade de aceitação de créditos de natureza diversa daquela prevista em lei como idônea para a extinção do crédito tributário. Vê se que mesmo a compensação em caráter individual, aquela que a lei confere à autoridade administrativa, nos limites legais, a discricionariedade para estipular sobre as condições de sua aceitação, é necessária a previsão legal da origem desses créditos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Em conclusão, o crédito alegado, ainda que de fato pertença ao recorrente, não se presta para a compensação. No mais, a recorrente alega efeito confiscatório da exação e outras inconstitucionais; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 21/03/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13839.912961/2009-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 96 1/ 20 09 -0 2 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 247 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: deve ser decretada a nulidade do Despacho Decisório por faltarem ao mesmo os elementos mínimos para a apresentação de defesa; argumenta que o seu crédito advém de valores não tributados a titulo de PIS e COFINS, conforme Solução de Consulta nº 90/05: reconhece que cometeu um equívoco na apuração da contribuição e no preenchimento da DCTF correspondente ao citado período; argumenta que o DARF foi recolhido indevidamente pois nada devia a título de Cofins Importação , uma vez que as operações realizadas não são tributadas por esta contribuição; reconhecendo o erro retificou a DCTF do período, desse modo entende que o seu direito deve ser reconhecido, uma vez que não pode ser prejudicado por preencher incorretamente uma declaração de obrigação acessória; que o equívoco do contribuinte no preenchimento da DCTF não deve ser ignorado diante dos documentos comprobatórios que ora anexa ; requer finalmente a homologação da compensação , o afastamento da cobrança exigida por meio do despacho decisório e se caso assim não seja entendido a nulidade do despacho por ausência dos requisitos legais. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/05/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 248 3 Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, justificando a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 249 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, período de apuração de 02/05/2005, no valor histórico de R$ 314.579,70, devido ao equívoco na inclusão na base de cálculo da COFINSImportação de valores remetidos ao exterior a título de royalties.. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de diversos débitos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINSImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 250 5 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 251 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties. As Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 1º desta lei estabelece as hipóteses de incidência das contribuições. Observese que os serviços são os prestados no Brasil ou com resultados aqui verificados, por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 252 7 (...) (grifouse) Art. 3o O fato gerador será: (...) I o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador(...) IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...) Art. 5o São contribuintes: II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Art. 7o A base de cálculo será:(...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(...) Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação.(...) Art. 13. As contribuições de que trata o art. 1o desta Lei serão pagas(...) II na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei;”(...) Assim, as remessas financeiras para o exterior efetuadas a título de remuneração decorrente da importação de serviços executados no país, ou cujo resultado se verifique no país, de prestador de serviço residente ou domiciliado no exterior são fatos geradores do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços. O fato gerador do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços se dá na data da efetiva remessa dos valores para o exterior, ou seja, é um fato gerador diário. O contribuinte é o contratante do serviço de residente ou domiciliado no exterior. A base de cálculo é o valor remetido, antes da retenção de Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 253 8 No âmbito da Receita Federal, e sem adentrar no mérito por hora, foi exarada a Solução de Divergência nº 11, de 2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que pacificou o entendimento de que não há incidência das referidas contribuições sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá penas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1o do art. 1o e inciso II do art. 3o da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral (Data da Decisão: 28.04.2011, publicado no DOU de 17.05.2011) Pois bem, em que pese se conclua que os royalties não têm natureza jurídica de serviço, o mesmo não se pode afirmar de seus serviços correlatos previstos contratualmente, caso existam. Nesse caso, haverá a necessidade de separar os valores contratuais relativos a royalties dos valores relativos aqueles serviços. Sobre estes últimos, por corresponderem a importação de serviços, incide a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Caso não haja a discriminação dos valores correspondentes ocorre a incidência das referidas contribuições sobre o valor global. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · cópia da tradução para o idioma nacional de contrato firmado com a empresa Continental Teves AG & Co. oHG, o qual teria como objeto "uma licença não exclusiva e intransferível para fabricar Dispositivos Licenciados no Território de Fabricação Licenciado e uma licença não exclusiva e intransferível para vender Dispositivos Licenciados como (a) OEM, (b) OES e (c) AM no Território de Vendas Licenciado. A concessão precedente inclui uma licença para usar as Informações Técnicas e as Patentes Licenciadas". · Aditivo do Contrato; · Certificado de Averbação no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial); · DARF's referentes ao pagamento indevido ; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912961/200902 Resolução nº 3801000.722 S3TE01 Fl. 254 9 · Contratos de Câmbio e Comprovante de transferências dos valores a título de royalties ao exterior ; · Demonstrativo dos valores pagos indevidamente. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se verificar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior e eventuais pagamentos indevidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.722959/2013-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE EM SUA CONTABILIDADE, EM NOTAS FISCAIS E EM FOLHAS DE PAGAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento por meio de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a apuração da base de cálculo.
As informações de ocorrências dos fatos geradores, contidos em registros contábeis da própria empresa, presumem-se verdadeiras, só cedendo diante de prova em contrário.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO Recorrente LYNX VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 MATÉRIA SUB JUDICE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. Poderá ser realizado o lançamento da parcela patronal das contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial da matéria. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE EM SUA CONTABILIDADE, EM NOTAS FISCAIS E EM FOLHAS DE PAGAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 29 59 /2 01 3- 90 Fl. 10026DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 O reconhecimento por meio de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a apuração da base de cálculo. As informações de ocorrências dos fatos geradores, contidos em registros contábeis da própria empresa, presumemse verdadeiras, só cedendo diante de prova em contrário. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 10027DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2009 a 13/2008. Segundo o Relatório Fiscal, o fato gerador dos valores lançados decorre da remuneração paga ou credita aos segurados, oriunda da folha de pagamento e de glosa de compensação. Relata, ainda, que o presente agrupa os seguintes levantamentos: 1. GR2 à competências 01/2009, 04/2009 a 08/2009, 10/2009 a 12/2009, 01/2010, 05/2010 a 12/2010, 01/2011 a 05/2011, 08/2011. Glosa de compensação de contribuições previdenciárias declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) como retidas pelos tomadores (retenção de 11% sobre Notas Fiscais) e respectivos juros de mora e multa de mora de 20%; 2. GL2 à competências 01/2009 a 12/2009, 01/2010 a 12/2010, 01/2011 a 05/2011, 08/2011 a 10/2011. Glosa de compensação de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP e respectivos juros de mora e multa de mora de 20%; 3. FP2 à competências 01/2009, 05/2009 a 07/2009, 12/2009 a 02/2010, 04/2010 a 01/2011, 03/2011, 05/2011 a 13/2011. Contribuições patronais previdenciárias decorrentes de diferença entre os valores devidos em Folha de Pagamento e os declarados em GFIP, bem como por incorreção no cálculo do Fator Acidentário de Prevenção, não recolhidas e não compensadas e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%; 4. FP2 à competências 01/2009 a 13/2009, 04/2010 a 13/2011. Contribuições parafiscais destinadas aos Terceiros conveniados, decorrentes de diferenças entre valores de Folha de Pagamento e GFIP não recolhidas e respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%; 5. AIOA 78 à competência 05/2013. Descumprimento de obrigação acessória. Declaração de compensação indevida em GFIP. O Relatório Fiscal informa ainda que, para o período do débito, houve a utilização direta dos documentos de escrituração contábil (em especial: notas fiscais, folha de Fl. 10028DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pagamento e guias de recolhimento da previdência social) em detrimento dos Livros Contábeis, cuja análise estaria inviabilizada pela encadernação impedir a visualização dos códigos das contas, além de não terem sido apresentados todos os Livros do período fiscalizado e de nem todos os apresentados cumprirem a formalidade extrínseca de registro. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 22/05/2013 (fls. 01 e 493). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 497/567), alegando, em síntese, que: 1. mesmo após ter acesso a todas as informações que havia requerido, a Receita optou por desconsiderar quase que integralmente a documentação contábil, por julgála "imprestável", realizando uma auditoria célere, mas incompleta e, portanto, sem a devida cautela. Com efeito, a apuração do crédito foi feita com base em documentação parcial, deixando se de utilizar praticamente toda a contabilidade apresentada pela LYNX. A Receita apontou que "não foi necessário procederse a aferição por arbitramento da remuneração dos segurados, pois todas folhas de pagamento e notas fiscais entregues foram consideradas fidedignas [...] a mera apresentação posterior de livros Razão omissos e de livros Diários autenticados, em sede de defesa, não alterará em nada o presente lançamento fiscal, que se baseou diretamente nos documentos fiscais fornecidos pela empresa.". Contudo, a documentação contábil é necessária para a apuração do suposto débito imputado à empresa. Se fosse inócua, não haveria motivo para ser solicitada, e, ainda, não haveria motivo para a aplicação de multa por suposto descumprimento de obrigação acessória. A ausência de análise de toda a documentação apresentada contamina todo o procedimento administrativo fiscal e importa nulidade, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972; 2. a necessidade da análise da contabilidade fica evidente quando a fiscalização afirma que em face da compatibilidade (e da constância) da folha de pagamento com a contabilidade de 07/2008 a 12/2008, a folha foi utilizada para a apuração da base de cálculo das contribuições devidas relativas aos empregados e contribuintes individuais da empresa, quando maior que a constante da GFIP. Portanto, houve arbitramento às avessas, desconsiderandose a maior parte da contabilidade apresentada. O lançamento por arbitramento, espécie do gênero lançamento de ofício, tendente a avaliar preços, bens serviços ou atos jurídicos, sempre que inexistam documentos ou declarações do contribuinte, ou que, embora existentes, não mereçam fé (CTN, art. 148); 3. no decorrer da fiscalização, a Receita Federal deixou de citar que algumas das rubricas da folha de pagamento estão sob discussão judicial, porquanto se questiona a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre três rubricas: quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias. A empresa, em 25 de maio de 2010, propôs ação judicial, sob o n. 500598088.2010.404.7000, que tramita perante a 2a Vara Federal de Curitiba, com o intuito de declarar a inexigibilidade da Fl. 10029DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 4 5 contribuição previdenciária sobre essas três rubricas e efetuar a compensação dos últimos 10 anos. Em primeiro grau, todos os pleitos foram concedidos. O Tribunal Regional Federal da 4a Região reconheceu o prazo prescricional de 5 anos. Estes créditos foram utilizados a fim de realizarse a compensação com os "débitos". A União recorreu do Acórdão do TRF da 4ª Região, estando o Recurso Especial sobrestado até o julgamento do REsp n° 1230957, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil. Portanto, a empresa possuía e possui crédito pelo período de 5 anos que antecedem a propositura da ação e pelos anos em que a ação está em trâmite; 4. a ação fiscal ensejou a aplicação das seguintes multas: (a) sobre as contribuições do levantamento FP (folha de pagamento) aplicouse a multa de 75%; (b) sobre as contribuições aos terceiros a multa de 24% até a competência 11/2008; sobre os lançamentos de glosa de compensação indevida (GL e GR) multa de mora de 20%; (c) multa acessória de R$17.173,58; e (d) multa acessória de R$21.500,00. A soma total das multas chegou a R$4.321.078,10. Assim, aflora o cunho confiscatório e desproporcional ao faturamento da empresa. Estão cumuladas multas de mora e de ofício, perfazendo mais do que 20% do valor cobrado. Ora, tais sansões são deveras desproporcionais, ainda mais incidindo sobre montante arbitrado e não constatado caso a caso. Dessa forma, as multas devem ser diminuídas a um patamar razoável; 5. não houve crime, pois a empresa possuía crédito a compensar e apresentou todas as declarações à Receita Federal, não tendo deixado de recolher as contribuições devidas e nem se locupletado de valores indevidos. A notitia criminis pretendida só poderia ocorrer com fato sustentado em dolo, mas não há como se ter a intenção de se apropriar de algo que não existe. Além disso, a denúncia por crime de sonegação depende do lançamento definitivo, o que não ocorreu. Com efeito, não pode a Receita Federal do Brasil proceder notitia criminis ao Ministério Público Federal, sobre delito praticado pela recorrente, uma vez que inexistiu qualquer fato que possa ensejar crime de sonegação fiscal ou previdenciária, bem como qualquer atitude dolosa que possa caracterizálos, fato esse que será devidamente comprovado durante a instrução do devido Processo Administrativo, com todas as provas de direito admitidas e o trâmite legal constitucionalmente assegurado; 6. requer o cancelamento das autuações. Entendendose pela reforma parcial da autuação, requer perícia contábil, a fim da correção dos percentuais e valores discutidos na demanda. Caso se entenda pela aplicação das multas, requer sua redução a um patamar razoável, não se cumulando multa de ofício e multa de mora. Requer a imediata suspensão da representação fiscal, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito até decisão definitiva. Fl. 10030DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba/PR – por meio do Acórdão no 0643.824 da 5a Turma da DRJ/CTA – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 10031DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. No presente lançamento fiscal ora analisado, constam as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, oriunda de folhas de pagamento e da glosa de compensação das verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias. É importante esclarecer que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, a empresa havia ingressado com ação judicial, processo n. 500598088.2010.404.7000, que tramita perante a 2a Vara Federal de Curitiba, com o intuito de declarar a inexigibilidade da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias, e solicita a compensação dos valores dessas verbas dos últimos 10 anos. Em primeiro grau, todos os pleitos foram concedidos. Posteriormente, o Tribunal Regional Federal da 4a Região reconheceu o prazo prescricional de 5 anos. Após isso, a União recorreu do Acórdão do TRF da 4ª Região por meio do Recurso Especial (Resp) n° 1230957 e sobrestou a matéria inicialmente postulada na ação judicial, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil. Assim, considerando a discussão judicial acerca das verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias, deve a presente análise e decisão restringirse às questões não discutidas em Juízo (âmbito judicial). Tal procedimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Fl. 10032DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ainda dentro desse contexto da ação judicial, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (glosa de compensação) e a matéria referente à ação judicial, processo n. 500598088.2010.404.7000, sobrestado pelo Recurso Especial (Resp) n° 1230957, uma vez que essa última matéria – verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias – sendo favorável à Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários (glosa de compensação). Portanto, com relação à matéria referente ao pleito da ação judicial, processo n. 500598088.2010.404.7000, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise, neste momento, por esta Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva da ação judicial, que foi submetida ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por meio da interposição do Recurso Especial (Resp) n° 1230957. Dessa forma, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário e, por consectário lógico, não serão apreciadas as matérias concernentes às verbas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias, objeto de glosa de compensação pelo Fisco. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição patronal e às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, bem como os valores decorrentes de glosa de compensação das verbas pagas a título dos quinze primeiros dias do auxíliodoença, aviso prévio indenizado e terço constitucional de férias. Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/450) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação Fl. 10033DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 6 9 fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal e seus anexos, complementados pelos documentos acostados pela Recorrente, são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA); cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito Fl. 10034DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Dentro do contexto fático, a Recorrente alega que todo o procedimento fiscal restou contaminado pelo fato de a fiscalização não ter analisado a integralidade da documentação apresentada pela empresa, configurandose a nulidade do lançamento, bem como da decisão de primeira instancia (DRJ). Afirma também que o fato de se deixar de analisar toda a documentação configuraria arbitramento da base de cálculo às avessas, impondose a retificação dos lançamentos, sob pena de nulidade. Tais alegações não merecem ser acatadas, uma vez que os valores apurados foram declarados pelo próprio sujeito passivo em documento idôneos e fidedignos para configuração do lançamento fiscal. Esse entendimento decorre do fato de que o Fisco, nas competências 01/2009 a 13/2011, utilizouse diretamente dos documentos da escrituração contábil, tais como as notas fiscais, folhas de pagamento e guias de recolhimento da previdência social. Logo, não houve a apuração dos valores lançados por meio da técnica de aferição indireta (arbitramento), sendo que isso distancia da afirmação da Recorrente de arbitramento da base de cálculo às avessas. Nesse caminhar, o Fisco informa que não foi apresentado o Livro Diário e nem o Razão do ano de 2011 e, para os anos de 2009 e 2010, foram apresentados somente Livros Diário considerados imprestáveis, nos seguintes termos: “[...] 10. Em resposta extemporânea à intimação, no dia 19/03/2013, foram apresentados pela empresa impressos em papel: Livros Diário (nº 008 de 01/2008 a 06/2008, nº 009 de 07/2008 a 12/2008, nº 10 de 01/2009 a 12/2009 e nº 10 (repetido o número “10”) de 01/2010 a 12/2010) e Livros Razão de 01/2008 a 06/2008 e 07/2008 a 12/2008. Não foram apresentados os Livros Razão de 2009 a 2011 e tampouco o Diário de 2011. 11. Os livros Diário nº 009, nº 10 (2009) e nº 10 (2010) foram registrados no 1o Ofício de Registro de Curitiba e o Diário nº 008 não foi registrado, conforme cópias do anexo II. O Diário nº 008 não respeita, portanto, a formalidade extrínseca de registro. A encadernação dos Diários nº 10 (de 2009) e nº 10 (de 2010) impossibilita suas análises, pois, além da barreira natural de se auditar um livro cuja disposição das informações é feita por ordem cronológica e não pela natureza de suas contas, não é possível visualizar todas as informações impressas. Os lançamentos diários estão discriminados com os códigos reduzidos das contas e, ao final, no Plano de Contas, é que se identificam as contas às quais se referem os códigos reduzidos. Fl. 10035DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 7 11 Porém, a encadernação inviabiliza a visualização dos códigos reduzidos das contas, pela forma em que foram coladas as páginas. Assim, mesmo que a fiscalização se dispusesse a folhear detalhadamente livros Diário de cerca de 1000 páginas cada (pois não foram apresentados os livros Razão), não seria possível identificar em quais contas foram feitos os lançamentos contábeis. (...) 13. Assim, tendo em vista ter deixado de prestar os esclarecimentos a respeito das compensações efetuadas no período fiscalizado, não ter entregue a contabilidade de 2011, e ter entregue deficientemente a contabilidade de 01/2008 a 06/2008 e 01/2009 a 12/2010, a LYNX foi autuada conforme previsto no art. 225 caput, III, parágrafos 13 e 14, e arts. 232 e 233, do Decreto nº 3.048/1999, mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA código 38), cadastrado sob documento de débito Debcad nº 51.027.6903 em processo apartado (PAF nº 10980.722.961/201369). 14. De 07/2008 a 12/2008, foram considerados como retidos os valores lançados em contabilidade na conta “1102040009 INSS a recuperar”. Já para os demais períodos fiscalizados (01/2008 a 06/2008 e 01/2009 a 12/2011), face à ausência de contabilidade regular, foram utilizados os valores planilhados manualmente, de acordo com as notas fiscais apresentadas pela LYNX, valores estes que divergem daqueles declarados em GFIP no campo “Valor de Compensação de Retenção de 11%”. 15. Inobstante a deficiência na apresentação dos registros contábeis e a falta de esclarecimentos sobre as compensações efetuadas, não houve prejuízo total à fiscalização, na medida em que foram computadas todas as notas fiscais emitidas e apresentadas pela LYNX, bem como sua folha de pagamento do período. Desta forma, não foi necessário procederse à aferição por arbitramento da remuneração dos segurados, pois todas folhas de pagamento e notas fiscais entregues foram consideradas fidedignas, considerando sua compatibilidade, constância e verossimilhança. Portanto, a mera apresentação posterior de livros Razão omissos e de livros Diário autenticados, em sede de defesa, não alterará em nada o presente lançamento fiscal, que se baseou diretamente nos documentos fiscais fornecidos pela empresa. [...]” Esclarecemos que a escrituração contábil, além de ter finalidade gerencial, também possui uma finalidade probatória, especialmente para terceiros, sendo muitas vezes fundamentais para a resolução de um determinado litígio, no caso em tela para deslinde da controvérsia de que a base de cálculo apurada seria decorrente de uma presunção do Fisco. Do exame dos livros e demais documentos contábeis analisados, a auditoria fiscal constatou que havia valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais não declarados em GFIP. Fl. 10036DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 O art. 378 do Código de Processo Civil (CPC) dispõe que: “Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos”. Com efeito, vêse que a eficácia probatória dos livros e documentos contábeis, analisados pela auditoria fiscal, operase contra a Recorrente, eis que a base de cálculo lançada foi extraída de sua própria escrituração contábil. Nada impediria, todavia, que a Recorrente demonstrasse, por outros meios probatórios, que os lançamentos constantes da sua escrituração, que lhe é desfavorável, são equivocados, o que não foi demonstrado em nenhum momento, seja na peça de impugnação, seja na peça recursal. O recurso voluntário simplesmente traz alegações desprovidas de qualquer conjunto probatório que as sustente, de modo que, em se tratando da disponibilização de pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais pela Recorrente, que foram materializados nas folhas de pagamento e por ela própria informado à fiscalização, sem que haja qualquer demonstração de que efetivamente não se trata de um pagamento decorrente do trabalho, o que demonstraria que a sua própria informação estava equivocada, tais valores deverão ser considerados como remuneração, nos termos do art. 28, I, da Lei 8.212/1991. Ademais, as demais questões fáticas postuladas na peça recursal foram devidamente enfrentadas pela decisão de primeira instância, nos seguintes termos: “[...] 5.4. Destarte, os Livros Diário dos anos de 2009 e 2010 foram analisados pela fiscalização, mas considerados imprestáveis pelo fato de os lançamentos terem sido efetivados com códigos reduzidos e a encadernação impedir a perfeita identificação, a partir do Plano de Contas constante ao final dos Livros. 5.5. Após o encerramento do prazo para defesa, a empresa apresentou petição carreando aos autos as seguintes cópias: do Livro Razão n° 1, de 01/01/2011 a 31/12/2011, sem as assinaturas do representante legal e do contador da empresa (fls. 614/2054); do Livro Razão n° 1, de 01/01/2009 a 31/12/2009, sem as assinaturas do representante legal e do contador da empresa (fls. 2057/3081); do Livro Razão n° 8, de 01/01/2008 a 30/06/2008, sem a assinatura do representante legal da empresa (fls. 3085/3444); Livro Razão n° 9, de 01/07/2008 a 31/12/2008 (fls. 3446/3861); Livro Diário n° 11, de 01/01/2011 a 31/12/2011, sem registro e sem as assinaturas do representante legal e do contador da empresa (fls. 3864/6053; Termos de abertura e encerramento, fls. 4314 e 4311); Livro Diário n° 10, de 01/01/2010 a 31/12/2010 (fls. 6056/6856), Livro Diário n° 10, de 01/01/2009 a 31/12/2009 (fls. 6859/7817); Diário n° 8, de 01/01/2008 a 30/06/2008, sem registro (fls. 7821/8140); Livro Diário n° 9, de 01/07/08 a 31/12/2008 (fls. 8142/8513); e Livro Razão n° 1, de 01/01/2010 a 31/12/2010, sem as assinaturas do representante legal e do contador da empresa (fls. 8532/9913). 5.6. No recibo de entrega dos documentos (fl. 8520), consta a observação de terem sido entregues fotocópias e não os originais para conferência e autenticação das cópias apresentadas, o que reduz o valor probatório de tais documentos. Fl. 10037DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 8 13 5.7. Acrescentese ainda que: as cópias do Livro Diário n° 11, de 01/01/2011 a 31/12/2011, revelam não se tratar de um Livro Contábil válido, eis que não constam as assinaturas do representante legal e do contador da empresa e nem o registro (sem um Livro Diário para amparálo, o Livro Razão n° 1, de 01/01/2011 a 31/12/2011, não tem respaldo, além de também não ter sido assinado); e as cópias dos Livros Diário n° 10, de 01/01/2009 a 31/12/2009 e de 01/01/2010 a 31/12/2010, revelam que os livros em tela foram desencadernados (a cópia apresentada evidencia a exposição da junção e da costura das folhas, inclusive com inutilização de parte da numeração dos códigos das contas relacionadas no Plano de Contas fls. 6838/6855 e 7804/7816), a confirmar a alegação da fiscalização de a encadernação impossibilitar a visualização dos códigos reduzidos das contas. Destaquese que a desconjunção dos Livros e a inutilização parcial da impressão configurase como mais um motivo para se retirar o valor probatório da escrituração, a comprometer também os respectivos Livros Razão, já maculados pela falta de assinatura do representante legal e do contador da empresa. [...]” (Acórdão no 0643.824 da 5a Turma da DRJ/CTA) Portanto, caberia a Recorrente demonstrar o contrário por meio de documentos idôneos – tais como folhas de pagamentos, escrituração contábil, recibos de pagamentos, Guias de Recolhimentos (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), dentre outros – que os valores declarados nas folhas de pagamento e na contabilidade, devidamente apresentados ao Fisco durante o procedimento de auditoria fiscal, não espelhavam a realidade contábil da empresa. Dentro desse contexto e pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, da legislação tributária que dispõe sobre a utilização da taxa de juros (Taxa SELIC), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estar prevista em lei específica tributária, art. 5o, §3o, da Lei 9.430/1996, transcrito abaixo: Art. 5o. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Fl. 10038DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com o mesmo entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manifestouse que é legitima a incidência da Taxa SELIC sobre os tributos não recolhidos no prazo legal, conforme ficou assentado no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação tributária acima mencionada, já que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 10039DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 9 15 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecem os arts. 35 e 35A da Lei 8.212/1991, com as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora (20%) deverá ser afastada e deverá ser aplicada a multa de ofício (75%), eis que se trata de lançamento de ofício. Essa sistemática de aplicação da multa, oriunda de obrigação tributária principal, sofreu alteração por meio do disposto nos artigos 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 10040DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo realizou compensações indevidas e, consequentemente, deixou de recolher contribuições previdenciárias, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais (fls. 31/32), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Também esclareço que não há espaço jurídico para aplicação da multa mais benéfica ao sujeito passivo, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN (tempus regit actum: “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”). A regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Fl. 10041DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10980.722959/201390 Acórdão n.º 2402004.054 S2C4T2 Fl. 10 17 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa, conforme prevê o art. 35A da Lei 8.212/1991, com as alterações da Lei 11.941/2009, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, quanto à Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), este Conselho não detém competência para analisar a questão, conforme enunciado da Súmula. 28 do CARF, a seguir: Súmula CARF 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para fins Penais. Fl. 10042DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Com relação aos valores oriundos da glosa de compensação, deixo consignado que deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado o processo judicial de número 500598088.2010.404.7000 (2a Vara Federal em Curitiba/PR, Tribunal Regional Federal da 4a Região), sobrestado pela interposição do Recurso Especial (REsp) 1230957. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 10043DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15586.000956/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.549
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
Presidente Substituta
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
EDITADO EM 27/06/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituta FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 27/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
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SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituta FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 27/06/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituta), Winderley Morais Pereira (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Relatório. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 4080/4125 Vol. 21) interposto contra o v. Acórdão/DRJ/RJOII nº 1333.347 exarado em 10/02/11 (fls. 4054/4069 vol. 21) pela 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedentes”, “nos termos do relatório e voto os seguintes lançamentos originais: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 00 95 6/ 20 10 -2 5 Fl. 4199DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3402000.549 S3C4T2 Fl. 3 2 a) Contribuição para o PIS (MPF nº 0720100/00241/10 fls. 3861/3873 vol. 20), notificado em 04/10/10 (fls. 3873 vol. 20), no valor total de R$ 2.593.583,41 (PIS R$ 35.365,98; Juros R$ 23.422,22; Multa proporcional R$ 53.048,96; Multa Regulamentar R$ 2.481.746,25), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do PIS no período de 31/03/06 a 31/03/10 em razão de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS do “valor obtido em decisão favorável na 21ª Vara Federal, nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00166582RJ o valor relativo ao crédito prêmio de IPI, uma vez que o mesmo não o incluiu na determinação do débito apurado das referidas contribuições” (cf. TVF fls. 11/12), pelo que a d. Fiscalização considerou infringidos os dispositivos capitulados no AI, e devidos juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96; b) COFINS (MPF nº 0720100/00241/10 fls. 3874/3891 vol. 20), notificado em 04/10/10 (fls. 3875 vol. 20), no valor total de R$ 11.875.126,55 (COFINS R$ 141.444,09; Juros R$ 93.192,61; Multa Proporcional R$ 212.166,13; Multa Regulamentar R$ 11.428.323,72), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do COFINS no período de 31/01/05 a 30/09/10 em razão de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS do “valor obtido em decisão favorável na 21ª Vara Federal, nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00166582RJ o valor relativo ao crédito prêmio de IPI, uma vez que o mesmo não o incluiu na determinação do débito apurado das referidas contribuições” (cf. TVF fls. 11/12), pelo que a d. Fiscalização considerou infringidos os dispositivos capitulados no AI, e devidos juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 4054/4069 (vol. 21) da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro RJ, houve por bem “julgar procedentes” os lançamentos originais, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005, 30/04/2005, 31/03/200 31/01/2007, 31101/2008, 29/02/2008, 31/03/2008, 30/04/200 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/200 28/02/2010, 31/03/2010 Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, ou mesmo de se obter ressarcimento ou compensação mediante a utilização de créditos fictícios, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, ainda que se refira à aplicação de multa de lançamento de oficio isolada, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Oficio. Sonegação. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, mormente em situações que evidenciem conduta planejada e executada mediante ajuste doloso. Fl. 4200DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3402000.549 S3C4T2 Fl. 4 3 Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas administrativo fiscal em relação à matéria que não expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/01/2005, 30/04/2005, 31/10/2005? 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/l2/2007, 30/04/2008, 31/05/2008; 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 31/11/2008, 30/11/2008, 31/03/2009, 31/08/2009, 31/10/10/2009, 31/12/2009, 30/04/2010, 31/05/2010, 31/06/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, ou mesmo de se obter ressarcimento ou compensação mediante a utilização de créditos fictícios, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, ainda que se refira à aplicação de multa de lançamento de oficio isolada, sobre o sujeito passivo autuado. Multa de Ofício. Sonegação. Qualificação. A multa de oficio qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, mormente em situações que evidenciem conduta planejada e executada mediante ajuste doloso. Matéria não Impugnada Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 4080/4125 Vol. 21) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância na parte em que a manteve tendo em vista: a) preliminarmente a decadência em relação aos fatos geradores de 01/05 a 04/05; b) a impossibilidade da aplicação concomitante de 02 penalidades no bojo do mesmo auto de infração; c) a improcedência da multa isolada de 150% por compensação indevida em face das mudanças de critério jurídico ocorridas ao longo das alterações promovidas na redação do artigo 18, da Lei n° 10.833/2003 e do princípio da irretroatividade da lei fiscal e da ausência de provas de que a Recorrente tenha agido com dolo ou máfé; d) a ausência de nexo de causalidade das operações realizadas pela recorrente com as diligências realizadas sob as denominações "operação tempo de colheita" e "operação broca" e a impossibilidade de extensão em face da recorrente dos efeitos dos atos praticados no âmbito da denominada "operação broca"; f) fundamentos jurídicos de validade e correção dos créditos de pis e Fl. 4201DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 15586.000956/201025 Resolução nº 3402000.549 S3C4T2 Fl. 5 4 cofins não cumulativos auferidos pela recorrente em face do artigo 82, da Lei n° 9.430/96, segundo o qual as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. É o relatório. Voto. O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qula dele conheço. Desde logo constato que o mérito da controvérsia gira em torno da desconsideração das Notas Fiscais de aquisições feitas a empresas comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida que geraram a falta de recolhimento dos tributos e a cnsequente exigência das multas punitivas. A legislação de regência (art. 82 da Lei nº 9430/96) fixa critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, dentre os quais se contam a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens pelo adquirente, cuja constatação reputo imprescindível para dirimir a controvérsia sobre possibilidade (ou não) de desconsideração das Notas Fiscais e sobre a existência e legitimidade (ou não) do crédito ressarciendo. Isto posto voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que: a) a ora Recorrente seja intimada no prazo de 10 dias a fornecer e fazer juntar aos autos dos comprovantes de pagamentos do preço das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais de aquisições feitas às comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, bem como dos comprovantes de efetiva entrada das mercadorias em seu estabelecimento, devidamente instruídos com planilha resumo; b) que a d. Fiscalização informe conclusivamente (com xerocópias) quais as datas de publicação no DOU e a fundamentação dos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos ressarciendos foram glosadas; c) seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 10 dias, retornando os autos a julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 4202DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10467.720249/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECEITAS DE VENDAS. INCIDENCIA MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE CONTROLE. APURAÇÃO.
A falta do devido controle por parte do contribuinte das receitas mensais das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição respalda a apuração fiscal dos valores sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições, com base na escrita contábil e fiscal do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3101-001.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 27/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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INCIDENCIA MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE CONTROLE. APURAÇÃO. A falta do devido controle por parte do contribuinte das receitas mensais das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição respalda a apuração fiscal dos valores sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições, com base na escrita contábil e fiscal do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RECEITAS DE VENDAS. INCIDENCIA MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE CONTROLE. APURAÇÃO. A falta do devido controle por parte do contribuinte das receitas mensais das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição respalda a apuração fiscal dos valores sujeitos à incidência não cumulativa das contribuições, com base na escrita contábil e fiscal do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 02 49 /2 01 0- 91 Fl. 37998DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 27/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrado em 16/09/2010 (fls. 659/677 e 678/692), no qual são exigidos (i) contribuição para o PIS, dos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2008, no valor principal de R$ 103.839,03, mais juros de mora e multa de ofício de 150%; (ii) multas regulamentares, no montante de R$ 2.500,00, por omissão ou prestação de informação inexata junto a Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON); e (iii) COFINS, no valor principal de R$ 478.289,50, dos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2008, mais juros de mora e multa de ofício de 150%. De acordo com o entendimento fiscal reproduzido no Relatório de Trabalho Fiscal (fls. 693707), no período acima, a autuada, que atua no comércio de peças e de acessórios novos para veículos automotores, auferiu receitas de vendas de autopeças listadas nos Anexos I e II, da Lei nº 10.485/2002, sujeitas, a partir de 1º/08/2004, à tributação monofásica para o PIS e a COFINS. Também comercializou diversos itens, pormenorizados na planilha “Relação de Produtos Não Sujeitos a Incidência Monofásica” (fls. 1823), que, segundo classificação fiscal das notas fiscais de entrada emitidas pelos fornecedores, não se tratam das autopeças discriminadas em referidos Anexos, razão por que não seriam submetidos à incidência monofásica. O trabalho fiscal também relata que o contribuinte, objetivando reconhecimento judicial do direito ao creditamento da contribuição para o PIS e da COFINS sobre as aquisições de autopeças, acessórios e veículos novos, ajuizou a ação nº 2008.82.00.0070114, na qual jamais lhe foi proferida decisão favorável. O Relatório Fiscal expõe que, após análise dos documentos solicitados por Termos de Intimação Fiscal expedidos durante diligência fiscal instaurada para analisar créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS sobre aquisições de bens para revenda, detectouse creditamento indevido sobre bens subordinados à tributação monofásica na forma da Lei nº 10.485/2002, razão pela qual, com a finalidade de constituir o crédito tributário devido, a diligência foi convertida em fiscalização, cujo Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIF) requereu a apresentação de diversos documentos. Em 12/03/2010, foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, em face dos seguintes fatos apurados no procedimento fiscal: (i) Que as notas fiscais de vendas do contribuinte não destacam as receitas referentes à revenda de produtos adquiridos sujeitos a incidência monofásica daqueles sujeitos a tributação normal; (ii) Que intimado a apresentar documentação que evidenciasse o controle das receitas de vendas em relação às entradas adquiridas sujeitas a incidência monofásica e as entradas normais, para fins de apuração do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo, o contribuinte informou não possuir tal controle visto que a empresa foi informada pelos fornecedores que a tributação de todos os produtos era monofásica; (iii) Que, conforme relação anexa ao termo, a empresa não se limita a revenda de Fl. 37999DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10467.720249/201091 Acórdão n.º 3101001.592 S3C1T1 Fl. 4 3 autopeças sujeita à incidência monofásica, mas também comercializa diversos outros itens, cuja classificação fiscal informada nas notas fiscais de entrada, pelos fornecedores, não se encontra no rol dos produtos de autopeças constantes nos anexos I e II da Lei nº 10.485/02, ou seja, não estão sujeitas à incidência monofásica; (iv) Que as notas fiscais de vendas não apresentam a classificação fiscal dos produtos e que a descrição desses produtos nas notas não guardam consonância com a descrição dada pelos fornecedores nas notas fiscais de entradas, impossibilitando a esta autoridade fiscal de quantificar as receitas relativas a revenda de produtos com incidência monofásica, para fins de exclusão da base de cálculo das contribuições na apuração do PIS e da COFINS a alíquota de 1,65% e 7,6%, respectivamente, no regime nãocumulativo; (v) Que os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON – referentes aos meses de setembro e dezembro/2006 e de todos os meses dos anos calendário de 2007 e 2008 não apresentam receitas de vendas (valores zerados) sujeitas a apuração do PIS e da COFINS a alíquota de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e que as Guias de Informação Mensal do ICMS, apresentadas pelo contribuinte ao fisco estadual, apresentam valores referentes a saídas de produtos nesses períodos. Relata a fiscalização que o contribuinte foi intimado a prestar os esclarecimentos e identificar as receitas com a revenda de mercadorias, obtidas nos meses de setembro e dezembro/2006 e em todos os meses dos anoscalendário de 2007 e 2008, segregando os valores, conforme a origem dos produtos, em revenda de produtos sujeitos a incidência monofásica e não sujeitos a incidência monofásica. Informa também que, em face ao não atendimento satisfatório da intimação, foram lavrados termos de reintimação (aos 09/04/2010 e aos 05/05/2010), os quais também não foram satisfatoriamente atendidos. A fiscalização considerou, na apuração do PIS e COFINS, para os meses de setembro a dezembro de 2006 e para todos dos anos de 2007 e de 2008, o total das saídas indicadas nas Guias de Informação Mensal do ICMS (GIM) como receitas submetidas às alíquotas de 1,65% (para a contribuição para o PIS) e de 7,6% (para a COFINS), em virtude da inexistência de informações a respeito nos DACON destes meses e da omissão do sujeito passivo em prestar esclarecimentos sobre a questão; confeccionou a planilha “Apuração dos créditos de PIS e COFINS” (fls. 623658), correspondente a todos os produtos não submetidos, em razão das respectivas classificações fiscais, à incidência monofásica (concentrada) da contribuição para o PIS e da COFINS; admitiu créditos a descontar da contribuição para o PIS e da COFINS sobre seguro e frete suportados pelo comprador, pagos na aquisição das mercadorias para revenda, integrantes dos correspondentes custos de aquisição. Também foi constato pela fiscalização que, apesar de não ter havido aquisição formal do estabelecimento comercial, a empresa RS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA adquiriu em agosto de 2008 a totalidade do estoque da fiscalizada, mediante nota fiscal de venda por esta emitida (NF nº 58164, de 13/08/2008 – R$ 752.338,63, às fls. 412). Constatouse também que após agosto de 2008 até o final do exercício, somente há registros na contabilidade da empresa de venda de mercadorias exclusivamente para a empresa RS DISTRIBUIDORA, que tinha os mesmos sócios da autuada e que passou a exercer suas atividades no mesmo endereço, com o mesmo nome da antecessora na fachada do estabelecimento. A empresa RS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA, CNPJ 09.193.036/000103, foi arrolada como responsável solidária, por sucessão (Termo de Responsabilidade Tributária às fls. 06). Regularmente cientificada da lavratura dos autos de infração, a ora recorrente interpôs tempestiva impugnação (fls. 715727). A empresa responsável solidária não apresentou impugnação. Fl. 38000DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Na impugnação, a empresa autuada insurgese contra os lançamentos, alegando, em síntese: (i) que iniciou o processo de identificação de falhas de forma a conseguir sanar o problema, e, deste modo, procedeu ao levantamento a partir dos Livros de Apuração do ICMS dos anos de 2006, 2007 e 2008, apurando o montante total de vendas e das compras no período. (ii) Afirma que, no entanto, comercializou, durante os exercícios acima, produtos previstos nos Anexos I e II, da Lei nº 10.485/2002, que se submetem a recolhimento monofásico da contribuição para o PIS e da COFINS junto ao fabricante/importador, tendo iniciado “forçatarefa” para identificar quais itens por ela comercializados seriam sujeitos à incidência monofásica, apresentando “Relatório de Classificações Fiscais”. Apresenta demonstrativo da contribuição para o PIS e da COFINS a recolher, relativo aos anos de 2007 e 2008, e afirma que não foi possível finalizar, nota a nota, o levantamento do 1º semestre de 2007, tampouco o do ano de 2006. Para todo o ano de 2007 e para o ano de 2006, utilizouse do percentual encontrado no 2º semestre de 2007 na apuração dos valores sujeitos à incidência monofásica. (iii) Afirma que aplicou sobre as compras, os mesmos percentuais adotados para as vendas, que foram utilizados para abater dos valores devidos das contribuições. (iv) Informa ainda que deixou de tributar 100% de suas receitas de vendas pela informação prestada por seus fornecedores, que todos os itens de autopeças passaram a não mais ter incidência da contribuição para o PIS e da COFINS na revenda realizada pelos distribuidores e varejistas. Reconheceu que se fazia necessário um cadastro amplo de todos os itens e suas respectivas classificações fiscais para que, deste modo, pudesse identificar o que de fato deveria ser tributado, mas que por ter emitido cerca de 30.000 notas fiscais, o trabalho seria extremamente penoso e demorado, razão pela qual não foi viável entregar à Fiscalização, quando solicitados, os devidos levantamentos. (v) Em razão do exposto, requereu ao final a improcedência parcial da ação fiscal, com a redução do débito fiscal reclamado para R$ 17.413,13 (em relação à contribuição para o PIS) e para R$ 80.205,89 (no tangente à COFINS), perfazendo o montante global de R$ 97.619,02, o qual solicita seja incluído no Programa de Recuperação Fiscal. À impugnação foram anexados (i) demonstrativo de débitos (fls. 728/729); (ii) faturas de energia elétrica (fls. 819/830), (iii) Relatório de Classificações Fiscais (fls. 831), (iii) planilha de vendas (fls. 832/2.344) e (iv) cópias de notas fiscais (fls. 2.345/14.769). A DRJ de Recife, por meio do Despacho de Diligência de fls. 14.773/14.780, devolveu os autos à Unidade de Origem no sentido de: (i) apartar os débitos atinentes às multas regulamentares não questionadas; (ii) intimar a contribuinte a discriminar, detalhadamente, dentre as entradas de mercadorias por ela adquiridas para revenda, aquelas que estão, bem como as que não estão, sujeitas à tributação monofásica da contribuição para o PIS e COFINS, e apresentar, em relação a esta última parcela (compras de produtos não sujeitos à tributação concentrada), demonstrativos dos créditos destas contribuições que entende devidos, sob o regime da nãocumulatividade; demonstrar, pormenorizadamente, para o 1º semestre de 2007, bem como para os 1º e 2º semestres de 2006, as saídas de mercadorias por ela comercializadas que estão, bem como as que não estão, sujeitas à tributação monofásica, apresentando o cálculo dos correspondentes valores da contribuição para o PIS e da COFINS devidos em relação aos produtos não submetidos à tributação concentrada; apresentar a documentação comprobatória da exatidão dos demonstrativos apresentados que acaso ainda não esteja anexada aos autos; (iii) conferir, em face dos demonstrativos apresentados pela diligenciada e dos respectivos Fl. 38001DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10467.720249/201091 Acórdão n.º 3101001.592 S3C1T1 Fl. 5 5 documentos comprobatórios, a exatidão dos cálculos e dos valores devidos, com a separação dos valores relativos à incidência monofásica daquelas sujeitas à incidência não cumulativa das contribuições, elaborando demonstrativos. A diligência requerida foi devidamente realizada, fls. 14.78235.180. Consta do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 29.57829.582) que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os elementos solicitados conforme determinação da DRJ, apesar da prorrogação solicitada e reintimação. Apenas parte dos documentos e informações foram apresentadas, segundo relato fiscal. Portanto, não foram apresentados demonstrativos de créditos da contribuição para o PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo, razão pela qual foram mantidos os valores confirmados no curso da ação fiscal que resultou nas autuações atacadas. A diligência fiscal apurou que, a partir dos demonstrativos dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS em planilhas EXCEL, apresentados pela autuada, a descrição da maioria dos produtos constantes das notas fiscais de venda emitidas pela empresa não tinham correspondência com a contida nas notas fiscais dos fornecedores; logo, a correlação entre as entradas de mercadorias para revenda e as saídas destes produtos foi aferida por meio da relação entre a referência do fabricante e o código do produto constante das notas fiscais de venda, segundo planilha “Referência do Fabricante”, apresentada pela diligenciada; a partir das informações acima, foram selecionados os produtos indicados como “isentos” naquelas planilhas e foi construído banco de dados consolidado que objetivava a perfeita identificação do item por intermédio do fabricante com a correspondente classificação fiscal informada nos demonstrativos apresentados pela contribuinte e, para tanto, esta foi intimada a complementar a planilha com o nome do fornecedor/ fabricante e a descrição detalhada do produto, o que foi devidamente atendido, tendo sido pelo autuante acrescentada a descrição de cada classificação fiscal obtida por consulta à Tabela de Incidência do IPI – TIPI. Foi realizado comparativo entre o produto vendido, consoante apontado pelo próprio sujeito passivo, e o produto representado pela classificação fiscal da mercadoria e observadas as seguintes discrepâncias entre a classificação fiscal e diversos itens de produtos vendidos: (i) classificação fiscal X produto descrito incompatíveis; (ii) classificação fiscal não informada; (iii) classificação fiscal não incluída no rol da Lei nº 10.485/2002; (iv) classificação fiscal inexistente; e (v) produtos sem descrição – o que inviabilizou a aferição do “correto enquadramento quanto a sua isenção”. Assim, conclui a diligência fiscal, que a incompatibilidade entre a classificação fiscal e o produto vendido não permite a ratificação da situação de isento para estes produtos. Dessa forma, a autoridade diligente efetuou a reclassificação desses produtos nos demonstrativos de apuração dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS apresentados pela diligenciada. A planilha ‘Demonstrativo das Saídas de Mercadorias Sujeitas e não Sujeitas a Tributação Concentrada’, anexa à Diligência, contém as informações apresentadas pela diligenciada nos demonstrativos supra citado, com a inserção da coluna ‘reclas’, a qual indica o produto para o qual a situação de isento foi reclassificada para tributável”. Quanto aos meses de setembro a dezembro de 2008, inexistem informações prestadas pelo contribuinte, razão pela qual foram mantidos os valores autuados na diligência. Após os levantamentos efetuados, foram elaborados quadros demonstrativos determinando, por período de apuração, o montante das contribuições para o PIS e da COFINS resultantes. Devidamente cientificada aos 01/12/2011 do resultado da diligência, a interessada manifestouse a respeito, alegando que fez levantamento dos itens objeto dos Fl. 38002DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 demonstrativos da fiscalização para identificar a sua classificação fiscal e que, diante do volume de itens cujas classificação fiscal do fornecedor diverge do informado no Relatório de Diligência Fiscal, seria necessário refazer todas as tabelas de cálculo das contribuições. Apresentou tabela segregando os valores mensais das compras por ela feitas entre 2006 e 2008 consideradas pela fiscalização como de produtos submetidos à tributação monofásica daquelas consideradas como não subordinadas a esta tributação (fls. 34.740/34.742), e, a partir daí, calculou o percentual das compras de produtos sujeitos à tributação monofásica naqueles anos em relação ao total das compras neles realizadas. Considerando que “o regime monofásico ou substituição tributária pressupõe que uma vez o pagamento foi realizado pelo fornecedor, não mais existirá o tributo nas fases seguintes” e “como a compra de 66,82% (2006), 69,74% (2007) e 71,33% (2008) foram de itens tributação monofásica de PIS e COFINS, logo a empresa teria o mesmo percentual de itens na venda sem a tributação”. A recorrente aplicou, mês a mês, para as vendas os mesmos percentuais mensais encontrados na diligência fiscal para as compras de produtos monofásicos e, agindo desta forma, redimensionou as bases de cálculo das contribuições encontradas pela autuação e pela diligência e, considerando os créditos sobre compras e despesas com energia elétrica nos anos de 2006 a 2008, apurou os valores a pagar da contribuição para o PIS e da COFINS constantes das tabelas de fls. 34.74834.749, que totalizam, respectivamente, os montantes de R$ 12.264,27 e 56.489,98, cuja inclusão no REFIS solicitou. A 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, em sessão de julgamento realizada em 19 de abril de 2012, por unanimidade de votos, assim decidiu: (i) considerar não impugnados: (i.1) a parcela dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS dos meses de janeiro de 2006 a agosto de 2008 listados nas colunas “PIS” e “COFINS” da planilha de fls. 728/729; (i.2) a totalidade dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS lançados em relação aos meses de setembro a dezembro de 2008 e das multas regulamentares autuadas; (i.3) as glosas de créditos sobre despesas com aluguéis pagos a pessoas jurídicas e com armazenagem e frete nas operações de venda, e, ainda, sobre as despesas com energia elétrica incorridas no ano de 2006; e (i.4) a responsabilidade solidária da empresa RS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA; (ii) não tomar conhecimento do pedido de parcelamento dos débitos; e (iii) no mérito, julgar parcialmente procedente a impugnação de fls. 715/727 para: (iii.1) exonerar os valores da contribuição para o PIS e da COFINS embutidos nas colunas “”COFINS exonerada” e “PIS exonerada”, da planilha constante do item 115 do voto do Relator; (iii.2) manter os montantes da contribuição para o PIS e da COFINS insertos nas colunas “COFINS devida (mantida)” e “PIS devida (mantida)”, das tabelas insertas no item 115 do voto do relator; e (iii.3) manter os juros de mora e a multa de ofício de 150% sobre os valores mantidos. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde contesta novamente os valores relativos à incidência não cumulativa, aceitando os valores relativos aos créditos das contribuintes. Informa que aderiu ao parcelamento de parte dos valores lançados e por ela reconhecidos como devidos, e requer a improcedência parcial da ação fiscal de forma a reduzir o crédito tributário para o montante de R$ 42.200,14 (quarenta e dois mil, duzentos reais e quartoze centavos), sendo R$ 7.525,28 (sete mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e oito centavos) de Contribuição para o PIS e R$ 34.674,86 (trinta e quatro mil, seiscentos e setenta e quatro reais e oitenta e seis centavos) de Contribuição para Seguridade Social COFINS. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Fl. 38003DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10467.720249/201091 Acórdão n.º 3101001.592 S3C1T1 Fl. 6 7 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O acórdão recorrido considerou como definitivo (i) a parcela dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS dos meses de janeiro de 2006 a agosto de 2008 listados nas colunas “PIS” e “COFINS” da planilha de fls. 728/729; (ii) a totalidade dos débitos da contribuição para o PIS e da COFINS lançados em relação aos meses de setembro a dezembro de 2008 e das multas regulamentares autuadas; (iii) as glosas de créditos sobre despesas com aluguéis pagos a pessoas jurídicas e com armazenagem e frete nas operações de venda, e, ainda, sobre as despesas com energia elétrica incorridas no ano de 2006; e (iv) a responsabilidade solidária da empresa RS DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA. Já foram exonerados no acórdão a quo os valores da contribuição para o PIS e da COFINS embutidos nas colunas “COFINS exonerada” e “PIS exonerada”, e foram mantidos os montantes da contribuição para o PIS e da COFINS insertos nas colunas “COFINS devida (mantida)” e “PIS devida (mantida)”, conforme tabela abaixo reproduzida, extraída do item 115 do voto do relator do acórdão recorrido: COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO Receitas tributação não concentrada (A) Bens adquiridos para revenda (tributação não concentrada) (B) Parcela das desp. energia elétrica com direito a crédito (C) Base cálculo contribuição devida (D) = (A) – (B) – (C) COFINS devida (E) = (D) * 0,076 COFINS lançada (F) COFINS exonerada (G) = (F) – (E) Janeiro/2006 96.025,17 46.460,74 * 49.564,43 3.766,90 8.418,34 4.651,44 Fevereiro/2006 86.034,07 63.703,02 * 22.331,05 1.697,16 5.817,54 4.120,38 Março/2006 77.021,30 54.506,13 * 22.515,17 1.711,15 4.777,82 3.066,67 Abril/2006 52.869,24 21.477,98 * 31.391,26 2.385,74 4.969,99 2.584,25 Maio/2006 86.236,86 49.225,02 * 37.011,84 2.812,90 6.786,87 3.973,97 Junho/2006 129.086,56 47.830,39 * 81.256,17 6.175,47 12.554,52 6.379,05 Julho/2006 126.874,36 28.457,04 * 98.417,32 7.479,72 13.384,41 5.904,69 Agosto/2006 179.102,16 67.776,84 * 111.325,32 8.460,72 13.211,26 4.750,54 Setembro/2006 183.474,64 37.109,94 * 146.364,70 11.123,72 14.081,61 2.957,89 Outubro/2006 186.935,85 46.789,80 * 140.146,05 10.651,10 19.331,13 8.680,03 Novembro/2006 140.800,71 51.195,42 * 89.605,29 6.810,00 13.898,84 7.088,84 Dezembro/2006 164.389,08 72.288,28 * 92.100,80 6.999,66 14.833,37 7.833,71 Janeiro/2007 215.687,56 60.130,17 555,42 155.001,97 11.780,15 23.032,54 11.252,39 Fevereiro/2007 160.772,90 56.395,01 555,91 103.821,98 7.890,47 15.887,30 7.996,83 Março/2007 130.254,50 37.093,60 572,63 92.588,27 7.036,71 12.940,31 5.903,60 Abril/2007 71.586,28 20.531,07 558,35 50.496,86 3.837,76 7.756,73 3.918,97 Maio/2007 168.469,75 44.655,80 624,32 123.189,63 9.362,41 15.723,96 6.361,55 Junho/2007 124.451,71 39.176,82 411,75 84.863,14 6.449,60 13.080,67 6.631,07 Julho/2007 122.299,73 72.123,61 465,73 49.710,39 3.777,99 9.590,08 5.812,09 Agosto/2007 145.095,44 23.215,58 413,33 121.466,53 9.231,46 16.869,98 7.638,52 Setembro/2007 98.191,99 96.642,16 379,19 1.170,64 88,97 5.665,32 5.576,35 Outubro/2007 117.351,38 40.780,70 502,80 76.067,88 5.781,16 12.414,61 6.633,45 Novembro/007 139.164,99 30.196,90 479,61 108.488,48 8.245,12 15.242,57 6.997,45 Dezembro/2007 121.414,17 58.608,88 523,58 62.281,71 4.733,41 10.946,02 6.212,61 Janeiro/2008 163.517,67 52.373,22 550,31 110.594,14 8.405,15 17.154,20 8.749,05 Fevereiro/2008 129.601,82 52.449,09 500,22 76.652,51 5.825,59 11.883,86 6.058,27 Março/2008 147.874,76 56.307,41 555,87 91.011,48 6.916,87 13.650,14 6.733,27 Abril/2008 120.188,83 37.118,59 474,60 82.595,64 6.277,27 13.024,66 6.747,39 Fl. 38004DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 PERÍODO DE APURAÇÃO Receitas tributação não concentrada (A) Bens adquiridos para revenda (tributação não concentrada) (B) Parcela das desp. energia elétrica com direito a crédito (C) Base cálculo contribuição devida (D) = (A) – (B) – (C) COFINS devida (E) = (D) * 0,076 COFINS lançada (F) COFINS exonerada (G) = (F) – (E) Maio/2008 153.993,51 18.974,96 416,50 134.602,05 10.229,76 19.534,24 9.304,48 Junho/2008 185.045,25 71.483,98 15,48 113.545,79 8.629,48 18.572,69 9.943,21 Julho/2008 215.766,82 26.923,64 7,77 188.835,41 14.351,49 26.783,84 12.432,35 Agosto/2008 478.715,48 32.341,73 7,31 446.366,44 33.923,85 64.489,56 30.565,71 PIS PERÍODO DE APURAÇÃO Receitas tributação não concentrada (A) Bens adquiridos para revenda (tributação não concentrada) (B) Parcela das desp. energia elétrica com direito a crédito (C) Base cálculo contribuição devida (D) = (A) – (B) – (C) COFINS devida (E) = (D) * 0,076 COFINS lançada (F) COFINS exonerada (G) = (F) – (E) Janeiro/2006 96.025,17 46.460,74 * 49.564,43 817,81 1.827,66 1.009,85 Fevereiro/2006 86.034,07 63.703,02 * 22.331,05 368,46 1.263,01 894,55 Março/2006 77.021,30 54.506,13 * 22.515,17 371,50 1.037,29 665,79 Abril/2006 52.869,24 21.477,98 * 31.391,26 517,96 1.079,01 561,05 Maio/2006 86.236,86 49.225,02 * 37.011,84 610,70 1.473,46 862,76 Junho/2006 129.086,56 47.830,39 * 81.256,17 1.340,73 2.725,65 1.384,92 Julho/2006 126.874,36 28.457,04 * 98.417,32 1.623,89 2.905,82 1.281,93 Agosto/2006 179.102,16 67.776,84 * 111.325,32 1.836,87 2.868,23 1.031,36 Setembro/2006 183.474,64 37.109,94 * 146.364,70 2.415,02 3.057,19 642,17 Outubro/2006 186.935,85 46.789,80 * 140.146,05 2.312,41 4.196,89 1.884,48 Novembro/2006 140.800,71 51.195,42 * 89.605,29 1.478,49 3.017,51 1.539,02 Dezembro/2006 164.389,08 72.288,28 * 92.100,80 1.519,66 3.220,40 1.700,74 Janeiro/2007 215.687,56 60.130,17 555,42 155.001,97 2.557,53 5.000,48 2.442,95 Fevereiro/2007 160.772,90 56.395,01 555,91 103.821,98 1.713,06 3.449,21 1.736,15 Março/2007 130.254,50 37.093,60 572,63 92.588,27 1.527,71 2.809,41 1.281,70 Abril/2007 71.586,28 20.531,07 558,35 50.496,86 833,20 1.684,02 850,82 Maio/2007 168.469,75 44.655,80 624,32 123.189,63 2.032,63 3.413,75 1.381,12 Junho/2007 124.451,71 39.176,82 411,75 84.863,14 1.400,24 2.839,88 1.439,64 Julho/2007 122.299,73 72.123,61 465,73 49.710,39 820,22 2.082,05 1.261,83 Agosto/2007 145.095,44 23.215,58 413,33 121.466,53 2.004,20 3.662,56 1.658,36 Setembro/2007 98.191,99 96.642,16 379,19 1.170,64 19,32 1.229,97 1.210,65 Outubro/2007 117.351,38 40.780,70 502,80 76.067,88 1.255,12 2.695,27 1.440,15 Novembro/007 139.164,99 30.196,90 479,61 108.488,48 1.790,06 3.309,24 1.519,18 Dezembro/2007 121.414,17 58.608,88 523,58 62.281,71 1.027,65 2.376,43 1.348,78 Janeiro/2008 163.517,67 52.373,22 550,31 110.594,14 1.824,80 3.724,26 1.899,46 Fevereiro/2008 129.601,82 52.449,09 500,22 76.652,51 1.264,77 2.580,04 1.315,27 Março/2008 147.874,76 56.307,41 555,87 91.011,48 1.501,69 2.963,51 1.461,82 Abril/2008 120.188,83 37.118,59 474,60 82.595,64 1.362,83 2.827,72 1.464,89 Maio/2008 153.993,51 18.974,96 416,50 134.602,05 2.220,93 4.240,98 2.020,05 Junho/2008 185.045,25 71.483,98 15,48 113.545,79 1.873,51 4.032,23 2.158,72 Julho/2008 215.766,82 26.923,64 7,77 188.835,41 3.115,78 5.814,91 2.699,13 Agosto/2008 478.715,48 32.341,73 7,31 446.366,44 7.365,05 14.001,02 6.635,97 Os valores creditados referentes à parcela das despesas de energia elétrica (coluna C), nos anos de 2007 e 2008, foram calculados pelo relator do acórdão recorrido, observada a relação percentual entre as receitas nãocumulativas (com direito à apuração de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da COFINS) e as receitas totais auferidas pela contribuinte, conforme tabela do item 114 do acórdão recorrido (fls.35227 35228). A recorrente concorda em seu recurso voluntário com os valores confirmados pela DRJ acerca da base de cálculo dos créditos das contribuições. A divergência a ser apreciada no presente julgamento restringese ao valor apurado relativo às receitas de tributação não concentrada, sujeitas à incidência cumulativa das contribuições do PIS e da COFINS, e os valores sujeitos à incidência monofásica. Fl. 38005DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10467.720249/201091 Acórdão n.º 3101001.592 S3C1T1 Fl. 7 9 Consta do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 29.57829.582) todo o detalhamento da apuração efetuada por determinação da DRJ, com a metodologia adotada, com os elementos de prova levantados, inclusive obtidos junto a própria recorrente, as divergências apuradas em análise dos valores apresentados pela interessada, e os valores calculados das bases de calculo das contribuições, dos créditos, e das contribuições devidas. A recorrente alega que realizou o levantamento dos itens objeto dos demonstrativos da fiscalização encontrando divergências a qual não identifica. Afirma que a lista dos itens anexada à defesa de primeira instância demonstra que a quantidade itens enquadrados na sistemática monofásica é bem maior que os apresentados pela fiscalização e aceitos pela primeira instância de julgamento de processos. Afirma novamente que realizou levantamento minucioso de todas as vendas realizadas no período de 2006 a 2008 para identificar os valores de receita com e sem incidência do regime monofásico de pagamento de PIS e COFINS, apurando valores inferiores de receitas sem incidência monofásicas do que aqueles apurados pela fiscalização. Por fim, reconheceu o montante a recolher de R$ 24.938,39 (vinte e quatro mil, novecentos e trinta e oito reais e trinta e nove centavos) de PIS e de R$ 114.880,72 (cento e quartoze mil, oitocentos e oitenta reais e setenta e dois centavos) de COFINS, totalizando um montante de R$ 139.819,11 (cento e trinta e nove mil, oitocentos e dezenove reais e onze centavos), e que já tinha reconhecido parte do débito no montante de R$ 97.619,02 (noventa e sete mil, seiscentos e dezenove reais e dois centavos) sendo, R$ 17.413,12 (dezessete mil, quatrocentos e treze reais e doze centavos) de PIS e R$ 80.205,90 (oitenta mil, duzentos e cinco reais e noventa centavos) de COFINS, distribuídos em parcelamento na modalidade da Lei n° 11.941/2009. Apreciando as alegações da recorrente, constatamos que, mais uma vez, suas alegações não foram acompanhadas das correspondentes provas. A recorrente afirma em seu recurso voluntário que, “com a recomposição da apuração acima descrita e anexando os demonstrativos de apuração do regimes aplicado mensalmente, bem como extrato do parcelamento do parte reconhecida, não se faz mais necessário anexar nenhum outro documento tendo em vista que os mesmos já se encontram no processo”. Portanto, a apuração dos valores devidos das contribuições, que passam necessariamente pela segregação dos valores de vendas de produtos sujeitos à incidência não cumulativa daqueles sujeitos à incidência monofásica, está restrito aos elementos que constam dos presentes autos, que não são poucos. A autoridade lançadora, em procedimento revisional determinado pela DRJ, apurou, de forma detalhada, completa e fundamentada, a segregação dos valores das vendas da recorrente, com a perfeita identificação da base de cálculo das contribuições sujeitas às alíquotas não cumulativas, além dos devidos créditos a que tinha direito a recorrente, com a apuração dos valores devidos das contribuições. A contestação apresentada na diligência fiscal, e a utilização de valores médios das receitas sujeitas à incidência monofásica apurados em outros períodos ou considerando as entradas, não tem qualquer fundamento. Apenas se fossem apresentadas inconsistências de cálculos ou de metodologia na apuração efetuada pela autoridade lançadora em procedimento revisional determinado pela DRJ poderiam corroborar as alegações trazidas no recurso voluntário. Mas a própria recorrente alega que a apresentação de seus demonstrativos, cujos valores já foram contestados pela DRJ com base na apuração efetuada na diligência fiscal, seriam suficientes para comprovar suas alegações. E não foram. Fl. 38006DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 Correto está o levantamento feito pelo Relator do acórdão a quo (fls.35228 35229), demonstrando os valores das contribuições devidas por período de apuração e os valores exonerados, considerando na base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS nãocumulativas devidas às correspondentes alíquotas de 1,65% e de 7,6% unicamente as receitas de produtos não sujeitos à tributação concentrada, levandose em conta os créditos sobre os bens adquiridos para revenda apurados no curso da diligência e, ainda, os valores dos créditos sobre despesas com energia elétrica passíveis de creditamento. Dessa forma, não tendo a contribuinte apresentado fundamentos que pudessem infirmar a desconsideração, pela diligência, de parte das vendas que a contribuinte dizia sujeitas ao regime concentrado de tributação, confirmo o entendimento do acórdão recorrido, e tenho como corretos os valores das receitas totais, receitas sujeitas à tributação concentrada e receitas sujeitas à tributação plurifásica (tributação “normal”) levantadas pela Fiscalização no curso da diligência realizada, conforme consta resumidamente na planilha de fls. 29.58329.584 e pormenorizado nas planilhas de fls. 29.58534.736. Não foram objetos de recurso voluntário o lançamento das multas de ofício de 150%, de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430, nem o lançamento dos juros moratórios, e a multa regulamentar por omissão ou prestação de informação inexata junto a Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON). Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 26 de fevereiro de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 38007DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 27/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10865.000680/2008-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 6:
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SUMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 35:
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. USO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA - RMF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NÃO HÁ NULIDADE SEM PREJUÍZO.
Não há nulidade no uso de Requisição de Informação Financeira - RMF se não há prejuízo a quem a declaração de nulidade aproveitaria. Princípio geral das nulidades. Não há nulidade sem prejuízo.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TITULAR DA CONTA. ALEGAÇÃO DE DEPÓSITO DE RECURSOS DE TERCEIROS. ÔNUS COMPROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. DEVER DO FISCO DE APONTAR ELEMENTOS SEGUROS AO REFUTAR AS JUSTIFICATIVAS APONTADAS PELO CONTRIBUINTE QUANTO AO RECEBIMENTO DE RECURSOS DE TERCEIROS.
Para eximir-se da tributação, não basta indicar a origem do depósito, é necessário demonstrar que o recurso já foi tributado ou é não tributável ou isento ou tributado exclusivamente na fonte. Diante da alegação de recebimento de recursos de terceiros posteriormente repassados, se não há uma prova segura da alegação quanto à origem do valor recebido, a comprovação dessa origem carece da prova de que houve o repasse. De outro giro, se há prova segura de que o depósito refere-se a rendimento de terceiros, não há permissivo legal para presumir omissão de rendimentos pela falta de comprovação do repasse.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. PESSOAS NÃO DEPENDENTES.
Inadmissível dedução de despesas com pessoas não dependentes.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. SÚMULA CARF Nº 25:
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Numero da decisão: 2802-002.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para 1) excluir do lançamento os depósitos de R$6.250,00, ocorrido em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003; de R$7.207,29, feito em 04/04/2003; de R$2.384,62, em 11/11/2003 e de R$1.021,40, em 13/11/2003; de R$15.806,00, ocorrido em 02/06/2003; e de R$2.268,00, ocorrido em 25/02/2003; 2) excluir da base de cálculo o valor de R$1.212,16, referente a parte dos depósitos de 01/09, 15/09 e 30/10/2003; e 3) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández foi vencido no ponto em que suscitou questão preliminar da nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SUMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. USO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA RMF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NÃO HÁ NULIDADE SEM PREJUÍZO. Não há nulidade no uso de Requisição de Informação Financeira RMF se não há prejuízo a quem a declaração de nulidade aproveitaria. Princípio geral das nulidades. Não há nulidade sem prejuízo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 06 80 /2 00 8- 19 Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TITULAR DA CONTA. ALEGAÇÃO DE DEPÓSITO DE RECURSOS DE TERCEIROS. ÔNUS COMPROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. DEVER DO FISCO DE APONTAR ELEMENTOS SEGUROS AO REFUTAR AS JUSTIFICATIVAS APONTADAS PELO CONTRIBUINTE QUANTO AO RECEBIMENTO DE RECURSOS DE TERCEIROS. Para eximirse da tributação, não basta indicar a origem do depósito, é necessário demonstrar que o recurso já foi tributado ou é não tributável ou isento ou tributado exclusivamente na fonte. Diante da alegação de recebimento de recursos de terceiros posteriormente repassados, se não há uma prova segura da alegação quanto à origem do valor recebido, a comprovação dessa origem carece da prova de que houve o repasse. De outro giro, se há prova segura de que o depósito referese a rendimento de terceiros, não há permissivo legal para presumir omissão de rendimentos pela falta de comprovação do repasse. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. PESSOAS NÃO DEPENDENTES. Inadmissível dedução de despesas com pessoas não dependentes. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. SÚMULA CARF Nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para 1) excluir do lançamento os depósitos de R$6.250,00, ocorrido em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003; de R$7.207,29, feito em 04/04/2003; de R$2.384,62, em 11/11/2003 e de R$1.021,40, em 13/11/2003; de R$15.806,00, ocorrido em 02/06/2003; e de R$2.268,00, ocorrido em 25/02/2003; 2) excluir da base de cálculo o valor de R$1.212,16, referente a parte dos depósitos de 01/09, 15/09 e 30/10/2003; e 3) afastar a qualificação da multa de ofício, nos termos do voto do relator. O Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández foi vencido no ponto em que suscitou questão preliminar da nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.545 3 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2004 , anocalendário 2003, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas (R$12.844,98), por incluir comprovantes relativos a pessoas não dependentes, e apuração de omissão de rendimentos fundamentada em depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996, bem como omissão de rendimentos de origem comprovada, como descrito no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 09/47) que integra o auto de infração. Considerando que o contribuinte alegou repassar a terceiros recursos depositados em suas contas, a Receita Federal requereu cópia de frente e verso de cheques emitidos pelo recorrente mediante Requisições de Movimentação Financeira – RMF (fls. 997) dirigidas ao Banco do Brasil S.A. Houve Representação Fiscal para Fins Penais (processo 10865.000681/2008 55) e aplicação de multa qualificada (150%). Os valores ingressados na conta corrente do contribuinte, a título de depósitos e/ou créditos, mantidos em instituições financeiras, considerados pela autoridade fiscal como de origem não comprovada somam R$622.370,52. Na impugnação (fls. 1197) alegou, em síntese: a) Nulidade do Lançamento por violação ao princípio da legalidade tributária e outros preceitos e garantias constitucionais; b) a autoridade Fiscal agiu com presunção ao atribuir à movimentação financeira a característica de aquisição de disponibilidade financeira ou jurídica de renda e/ou proventos de qualquer natureza, ignorando documentos e informações prestadas relativas: ao Banco Santander S/A e Banco do Brasil S/A, Livro Caixa, cópias de cheques que demonstram repasse por conta de terceiros e glosa de deduções de despesas médicas; c) violação do Princípio da Legalidade, ante a utilização de documentos obtidos de forma ilícita e quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e com base na CPMF, indo além de mera Requisição de Movimentação Financeira mas de efetiva investigação dos cheques emitidos pelo Impugnante e dos seus beneficiários; d) a autorização legal para acesso a informações bancárias cingese e se encerra para fins de fiscalização do regular pagamento da CPMF; e) padece de motivação a requisição às Instituições Financeiras de microfilmes dos cheques emitidos, a Fiscalização promoveu diligência desnecessária, o Impugnante apresentou todas as cópias de cheques emitidos quando do preenchimento das cártulas para entrega aos credores ou clientes; f) violação do Princípio da Legalidade Formal ante a indicação do local da lavratura do Auto de Infração, pois a lavratura ocorreu na repartição e não no local da verificação da infração; Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 g) ausência de comprovação documental ou fática de que os recursos movimentados nas contas correntes do contribuinte representem a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, sendo imprescindível que tenha havido comprovação de aumento patrimonial; h) ilegalidade da apuração da base de cálculo do tributo exigido quanto ao Banco do Brasil S/A, pelas seguintes razões: h.1) item a do TVF (fls. 19) as pessoas físicas Katrus Tober Santarosa (sócio) e Evandro Figueiredo Forti (funcionário) laboram no escritório de advocacia do impugnante, sendo possível que as mesmas tenham promovido saque dos cheques emitidos pelo Impugnante para repasse aos seus constituintes em pecúnia; quanto ao boleto bancário, o cheque emitido pode ter sido utilizado pela beneficiária W. Sita para pagamento de obrigações de sua responsabilidade; h.3) quanto aos honorários advocatícios, foram recebidos mediante desconto do valor em pecúnia e repassado ao constituinte; h.4) a cessão e transferência das cotas do consórcio à Antenor Pelisson & Cia Ltda decorreu de operação regular em que o Impugnante compareceu apenas como intermediário, esclarecendo que Antonio de Souza Nunes é sócio da empresa Paulibel Tinturaria e Estamparia Ltda e A. Souza Nunes & Cia Ltda, sendo que os valores recebidos foram repassados, frisando que no verso das cópias de cheques emitidos consta a assinatura do Sr. Antonio de Souza Nunes; h.5) a impugnante não manteve relacionamento comercial com os beneficiários citados às fls. 13 do TVF e todos, exceto a Nobel têm segmento têxtil o mesmo do Sr. Antonio o qual realizou os depósitos nas contas de Newton José Teixeira e João Misson, operações estas realizadas por confiança e confidencial; h.6) o repasse para Agro Citro Wiezel decorreu de ação judicial trabalhista julgada improcedente sendo incompatível com a boafé que o Impugnante pagasse ao Sr. Nelson Benjamim Taver; h.7) item e do TVF o repasse ao Sr. Javert foi efetuado em pecúnia pelo próprio contribuinte e; h.8) item f do TVF seria impossível obter qualquer informação do Sr. Romildo Wiezel que faleceu antes do início do procedimento fiscal; h.9) vários cheques foram sacados por colaboradores do Impugnante e por funcionários da empresa do Sr. Romildo e os demais cheques incumbia aos beneficiários daremlhe, os destinos que bem lhes aprouvessem; h.10) devem ser excluídos da base de cálculo os cheques equivocadamente lançados pelo impugnante como pagamentos de acordos do Sr. Romildo; h.11) itens g, h, j do TVF os valores depositados estão devidamente justificados não havendo inidoneidade das informações repassadas à autoridade fiscal; h.12) item k do TVF o Impugnante apenas utilizou sua conta para realizar a operação de câmbio a favor da empresa Meplastic para liquidação de obrigação contraída na República Federativa do Uruguai, a qual não manteve documentos que confirmem a operação; Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.546 5 i) Ilegalidade da apuração da base de cálculo do tributo exigido quanto o Banco Santander S/A: i.1) item a do TVF houve o repasse, pelo impugnante, dos valores devidos à Ind. De Confecções Sardelli; i.2) item b do TVF os depósitos foram efetuados na conta do impugnante por receio da importância restar bloqueada para liquidação de outras obrigações da empresa Comercial de Móveis e Materiais de Construção Lar Feliz, ressaltando que esta pertence a grupo econômico da família de Oronízio Antonio de Miranda; i.3) devem ser deduzidos da base de cálculo os valores relativos aos pagamentos, ao Impugnante para liquidação de obrigações judiciais de Wladimir Antonio Ricci, no período de janeiro a outubro de 2003; i.4) itens d e e do TVF – os beneficiários são colaboradores do escritório de advocacia, estando comprovados os depósitos; i.5) item g do TVF a empresa Alvesmyr, por enfrentar dificuldades financeiras, repassava cheques de terceiros ao Impugnante e vários pagamentos foram efetuados,em pecúnia, estando justificados os repasses ocorridos às empresas do grupo econômico da família do Sr. Oronizio; i.6) a empresa Dalotex afirmou não haver contabilizado as receitas por ser de titularidade do exsócio Davi Foles Júnior e o depósito decorrente do recebimento a favor de Javert Galassi está comprovado por valor superior ao depositado, com indicação dos cheques emitidos; i.7) o impugnante comprovou o repasse com apresentação de cópia dos cheques emitidos sendo os beneficiários dos mesmos de responsabilidade da empresa recebedora; i.8) tanto o levantamento judicial efetuado a favor de Waldir Eronildes de Souza, como de W. Sita & Cia Ltda são de valores inferiores ao valor depositado comprovando que a maior parcela do depósito teve sua origem comprovada; i.9) as operações de empréstimos entre a Impugnante e o Sr. Oronízio estão justificadas, tendo apresentado cópia dos cheques e as operações realizadas sem assinatura de instrumento particular devido à amizade entre ambos, tendo ocorrido ainda, a liquidação de obrigações pecuniárias assumidas em relação ao Sr. Antonio Jordão, justificando incongruências das datas de créditos e débitos; j) quanto à venda de imóvel, o contrato particular apresentado a fiscalização indica o recebimento que originou o recurso depositado; k) o Livro Caixa foi ignorado com o fito de produzir arbitramento de receitas tributáveis em suposições fictícias e desprovidas de lastro; l) a Glosa de Despesas Médicas está lastreada de informação unilateral da administradora do plano de saúde que, equivocadamente, indicou pessoas que não são Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 dependentes do Impugnante como integrante do plano de saúde, tendo o impugnante assistido integralmente as despesas médicas deduzidas de sua renda tributável; m) ilegal agravamento da multa pois não há prova de intuito de fraude, sendo imperiosa a redução da multa punitiva agravada. A impugnação foi indeferida pelos fundamentos resumidos na ementa (fls. 1453): 1. presunção legal de omissão de receitas (art. 42 da Lei 9.430/1996); 2. licitude do acesso aos dados bancários (Lei Complementar 105/2001); 3. dedução de despesas médicas é condicionada à comprovação da efetividade dos serviços prestados, relativos ao contribuinte e seus dependentes; 4. inexistência de nulidade, pois não há presença de qualquer das causas do art. 59 do Decreto 70.235/1972 e não há ilicitude em lavrar auto de infração na repartição tributária; 5. não havendo comprovação, por parte do contribuinte, da origem dos depósitos bancários efetivados em sua contacorrente, ou, no caso de alegação de que os recursos são de terceiros, o efetivo repasse, a apuração da base de cálculo para o lançamento de ofício ocorrerá pela totalidade dos créditos apurados como rendimentos tributáveis; 6. cabimento da multa qualificada nos casos dos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964; 7. incompetência do julgador administrativo para decidir sobre inconstitucionalidade de lei. Ciência da decisão em 27/10/2008 e protocolo do recurso voluntário em 26/11/2008. Na peça recursal, em resumo, alega: a) ilegalidade do lançamento tributário ante a violação dos princípios e garantias constitucionais elencados e violação das disposições dos Artigos 43 e seguintes e 142 do Código Tributário Nacional, por ausência da verificação da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária; b) ilegalidade do lançamento tributário ante a inexistência de demonstração de sinais exteriores de riqueza; c) redução da multa punitiva ante a inequívoca ausência de caracterização do intuito de fraudar o Erário Público; d) intimação pessoal do subscritor da peça recursal, da data e hora designada para julgamento do presente recurso, possibilitandolhe a apresentação de memoriais e de sustentação oral; e Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.547 7 e) devolução do conhecimento de todas as matérias de fato e de direito deduzidas em Instância primária, que restaram debeladas pela decisão guerreada. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto ao acesso aos dados bancários, cujo mérito será julgado no Recuso Extraordinário 601314, a Turma Julgadora, em um primeiro momento, determinou o sobrestamento do julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010. Posteriormente, foi editada a Portaria CARF 01/2002, estabelecendo que o sobrestamento deveria ocorrer somente nos casos em que o STF expressamente determinasse o sobrestamento dos recursos extraordinários que tratassem da mesma matéria e que os processos sobrestados antes de sua edição deveriam ser adequados às normas que estabelecia, razão pela qual o processo foi mais uma vez submetido à apreciação do Colegiado. O julgamento resolveu sobrestar o julgamento, dessa vez por meio da Resolução 2802000.085, porém com a posterior revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento é retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. De início, registro que segundo as norma aplicáveis ao julgamento no CARF, a intimação da sessão de julgamento se dá com a publicação no Diário Oficial da União, e não de forma pessoal como requerido pelo recorrente. Ao litígio aplicamse as seguintes Súmulas CARF: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Sumular CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. As decisões do CARF apontadas pelo recorrente representam entendimento superado pelos enunciados sumulares supramencionados. Anotese que as decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Inexistiu violação ao princípio da legalidade ou às regras protetoras do sigilo bancário, pois as requisições se deram com amparo em legislação vigente que autorizou a Receita Federal a requisitar as informações. O recorrente alega que careceu de motivação a requisição às Instituições Financeiras de microfilmes dos cheques emitidos, de forma que a Fiscalização teria promovido diligência desnecessária, uma vez que o Impugnante teria apresentado todas as cópias de cheques emitidos quando do preenchimento das cártulas para entrega aos credores ou clientes. Essa argumentação leva à conclusão que não teria havido prejuízo ao recorrente decorrente de uso de RMF – que o contribuinte alega ter sido desnecessária e não há nulidade sem prejuízo. Ademais, as requisições foram feitas com o objetivo de comprovar a alegação de repasse a terceiros, o que traria – como de fato trouxe – o benefício de excluir da relação de depósitos de origem não comprovada os repasses comprovados. Mais uma vez demonstrada a ausência de prejuízo ao contribuinte. Por estas razões, rejeito: a) as preliminares de nulidade elencadas pelo recorrente; e b) a preliminar suscitada, em sessão de julgamento, pelo Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez, que foi vencido, decorrente da decisão no RE389.808/PR, quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Da omissão de rendimentos. Devese deixar claro que a omissão de rendimentos compreende depósitos bancários de origem não comprovada e/ou depósitos cuja comprovação da origem também implicaria a tributação porque o contribuinte não obteve êxito em comprovar ser rendimentos de terceiros. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.548 9 A demonstração analítica dos depósitos consta dos documentos denominados “Planilha de Créditos – Rendimentos Tributáveis” (fls. 50/56), onde é possível verificar as alegações do contribuinte. O somatório dos depósitos tributados está demonstrado às fls. 41, onde foi registrada a dedução do valor dos rendimentos declarados. Dos depósitos de origem não comprovada. Como se trata de presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/1996, uma vez intimado, cabe ao contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos, não se exigindo da autoridade fiscal que comprove aumento patrimonial. Para eximirse da tributação, não basta indicar a origem, é necessário demonstrar que o recurso já foi tributado ou é não tributável ou isento ou tributado exclusivamente na fonte. Consequentemente, diante da alegação de recebimento de recursos de terceiros posteriormente repassados, a comprovação dessa origem carece da prova de que houve o repasse, se não há uma prova segura da alegação quanto à origem do valor recebido. De outro giro, se há prova segura de que o depósito referese a rendimento de terceiros, não há permissivo legal para presumir omissão de rendimentos pela falta de comprovação do repasse. Ao longo da fiscalização foram feitas diversas intimações, as quais respondidas pelo contribuinte, deram origem a outras intimações, demonstrando um dialética fiscocontribuinte na busca da comprovação da origem dos recursos depositados. A autoridade fiscal relata no Termo de Verificação Fiscal que apesar das alegações do contribuinte de repasse dos recursos a terceiros e da grande quantidade de documentos, não foram comprovadas as alegações, em geral porque os documentos eram produzidos pelo próprio contribuinte (relações e voucher de cheques) ou os valores e/ou datas não correspondiam aos depósitos indicados pela fiscalização. Houve inclusive circularização aos terceiros mencionados pelo recorrente, restando incomprovadas as alegações do recorrente quanto aos depósitos objeto da autuação. Nos casos em que houve comprovação, os depósitos foram excluídos. Em sede recursal, quanto ao mérito, o recorrente limitase a, de forma genérica e em poucas linhas, reiterar as alegações da impugnação, as quais foram rejeitadas pelo acórdão recorrido essencialmente pelas razões da autuação, qual seja: alegações sem comprovação documental que, inequivocamente, relacionese aos depósitos indicados na autuação, destacandose, inclusive, que o próprio contribuinte ampara suas alegações em probabilidade de os fatos terem ocorrido, não em certeza. A mera probabilidade dos fatos alegados ou a quantidade de documentos não fazem prova se não se relacionam de forma inequívoca aos depósitos objeto da autuação. Não obstante cada alegação do impugnante tenha sido rebatida pela decisão recorrida, o recorrente Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 não a contraditou nem trouxe qualquer elemento novo que possibilitasse corroborar suas alegações. Passo a apreciar as alegações de que determinados valores depositados pertenciam a terceiros. No Banco do Brasil S/A a) item a do TVF (fls. 19) – o contribuinte alegou que as pessoas físicas Katrus Tober Santarosa (sócio) e Evandro Figueiredo Forti (funcionário) laboram no escritório de advocacia do impugnante, sendo possível que as mesmas tenham promovido saque dos cheques emitidos pelo Impugnante para repasse aos seus constituintes em pecúnia; quanto ao boleto bancário, o cheque emitido pode ter sido utilizado pela beneficiária W. Sita para pagamento de obrigações de sua responsabilidade. Mera alegação de probabilidade de repasse não comprova que o fato tenha ocorrido. b) A alegação de que os honorários advocatícios foram recebidos mediante desconto do valor em pecúnia repassado ao constituinte não permite identificar vínculos com depósitos individualizadamente. De todo modo, os rendimentos declarados foram deduzidos pela autoridade fiscal antes de finalizar a soma dos rendimentos omitidos. c) item b do TVF (fls. 21), o contribuinte alega a cessão e transferência das cotas do consórcio à Antenor Pelisson & Cia Ltda decorreu de operação regular em que o Impugnante compareceu apenas como intermediário, esclarecendo que Antonio de Souza Nunes é sócio da empresa Paulibel Tinturaria e Estamparia Ltda e A. Souza Nunes & Cia Ltda, sendo que os valores recebidos foram repassados, frisando que no verso das cópias de cheques emitidos consta a assinatura do Sr. Antonio de Souza Nunes. A Fiscalização listou os beneficiários desses cheques e não há correlação entre estes e as afirmações do contribuinte, o que impede considerar comprovada a origem dos recursos. d) item “c” do TVF (fls. 21) – o contribuinte alega que não manteve relacionamento comercial com os beneficiários citados no TVF e que todos, exceto a Nobel atuam no segmento têxtil o mesmo do Sr. Antonio o qual realizou os depósitos nas contas de Newton José Teixeira e João Misson, operações estas realizadas por confiança e confidencial. A Fiscalização concluiu que não foi comprovado o repasse dos recursos e que os depósitos de R$6.250,00, em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003, são rendimentos decorrentes da venda à empresa Antenor Pelisson & Cia Ltda de cotas do convênio para construção e implantação da estação de tratamento de esgoto da bacia do rio Piracicaba. Em seguida, constatado que o contribuinte era o proprietário das cotas negociadas e que tais direitos não constaram da Declaração de Ajuste Anual e também por não ter sido informado o custo de aquisição, os valores recebidos foram integralmente considerados como rendimentos não oferecidos à tributação. Aqui há um equívoco. Não se pode tributar com base na sistemática do Ajuste Anual e no caput do art. 42 da Lei 9.430/1996 um rendimento de origem conhecida que é regido pelas regras do ganho de capital na cessão de bens ou direito. Nesse ponto, a tributação é guiada pelo §2° do art. 42 da Lei 9.430/1996. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.549 11 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Desta forma, devem ser excluídos do lançamento os depósitos de R$6.250,00, em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003. e) o repasse para Agro Citro Wiezel decorreu de ação judicial trabalhista julgada improcedente sendo incompatível com a boafé que o Impugnante pagasse ao Sr. Nelson Benjamim Taver. O contribuinte comprovou com a guia de retirada às fls. 483 que os depósitos de R$7.207,29 referese a levantamento em favor de seu cliente Agro Citro Wiezel, de forma que há origem do depósito e não se pode tributar recursos recebidos de terceiros, ainda que sobre o pretexto de que não foi comprovado o repasse. O depósito de R$7.207,29, feito em 04/04/2003 deve ser excluído do lançamento. f) item e do TVF o contribuinte alega levantamento judicial em favor de Javert Galassi e posterior repasse em pecúnia pelo próprio contribuinte. Não há comprovação de que o valor depositado tenha essa natureza. A Fiscalização descreveu que a guia de levantamento judicial que se prestaria a comprovar a origem do depósito não foi apresentada. Dentre as guias apresentadas, embora conste uma em favor de Javert Galassi (fls. 373), é de valor superior e o saque foi realizado em dia posterior ao depósito na conta do contribuinte. g) item f do TVF – alega recebimento de diversos depósitos que seriam acordo trabalhista em favor de Romildo Wiezel e impossibilidade de obter qualquer resposta desse cliente em virtude de seu falecimento antes do início do procedimento fiscal. Alega que vários cheques foram sacados por colaboradores do contribuinte e por funcionários da empresa do Sr. Romildo e os demais cheques incumbia aos beneficiários dar os destinos que bem lhes aprouvessem. A Fiscalização descreveu que o acordo trabalhista alegado não foi apresentado, isto comprovaria a origem e poderia ter sido providenciado independente de o cliente estar vivo. A Fiscalização demonstrou (fls. 24) que as alegações do contribuinte acerca do repasse ao Sr. Romildo não eram corroboradas pelos cheques mencionados, cujos beneficiários eram outras pessoas físicas e jurídicas. Sem a prova imediata da origem alegada e ausentes elementos seguros de que houvera repasse desse valores pelo contribuinte ao cliente, não se pode tomar como comprovada a origem dos depósitos. Sem a prova da origem configurase correta a manutenção desses depósitos no lançamento. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 h) item g do TVF – o contribuinte alega ter recebido depósitos referentes a acordo entre Nelson Paulo Rossi e Evaristo Gomes Pereira, o que é comprovado pela declaração do Sr. Nelson Paulo Rossi, fls. 966, razão suficiente para considerar comprovada a origem com sendo recursos de terceiros, os quais não podem ser tributados em nome do recorrente, ainda que sobre o pretexto de que não foi comprovado o repasse integral. A Fiscalização autuou esses valores parcialmente, pois subtraiu as quantias comprovadamente repassadas. Os valores desses depósitos que foram computados no lançamento devem ser excluídos. São eles: Em 01/09/2003 – R$400,00 (2.000,00 menos 1.600,00); Em 15/09/2003 – R$406,08 (2.000,00 menos 1.593,92); e Em 30/10/2003 R$406,08 (2.000,00 menos 1.593,92). i) itens h e j do TVF – o contribuinte alega que o crédito de R$2.384,62, em 11/11/2003 e o de R$1.021,40, em 13/11/2003, referemse a levantamentos judiciais em favor de Rio Branco Esporte Clube e Cromo Têxtil, respectivamente. A autoridade lançadora não refutou essa informação, restringiuse a exigir comprovação dos repasses. O silêncio da autoridade lançadora corresponde a considerar comprovada a origem como sendo recursos de terceiros, cuja tributação não pode se amparar exclusivamente na falta de comprovação integral do repasse ao cliente. Devem ser excluídos do lançamento os depósito de R$2.384,62, em 11/11/2003 e de R$1.021,40, em 13/11/2003. j) item k do TVF o Impugnante alega que apenas utilizou sua conta para realizar a operação de câmbio a favor da empresa Meplastic para liquidação de obrigação contraída na República Federativa do Uruguai, a qual não manteve documentos que confirmem a operação. A autoridade fiscal afirmou categoricamente que “o que se verifica é uma aplicação em câmbio, no valor de R$14.242,72, em 03/06, na própria conta do contribuinte” e concluiu que se tratou de uma aplicação particular, que o contribuinte pretendeu vincular a uma terceira pessoa. Constatase que a autoridade fiscal reputou comprovada a origem, o que lhe impede presumir omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei 9.430/1996. Considerar que o próprio contribuinte efetuou a operação de câmbio é como afirmar que este dispunha de recursos, os quais empregou nessa transação. A tributação nessas circunstâncias haveria de ser feita sob outra fundamentação jurídica, o que implica a exclusão do depósito de R$15.806,00, ocorrido em 02/06/2003. Quanto aos depósitos no Banco Santander S/A: Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.550 13 a) item a do TVF – o recorrente alega que o crédito de R$3.741,18, efetuado em 15/01/2003 corresponde a honorários mais parte do acordo (R$2.200,00) entre Ind. Confecções Sardelli e Mejurek Confecções.e que houve o repasse, pelo impugnante, dos valores devidos à Ind. De Confecções Sardelli. A autoridade lançadora subtraiu do lançamento todos os valores do acordo em que foi comprovado o repasse, restando apenas o de R$3.741,18, em 15/01/2003, no Banco Santander. A razão da manutenção deste depósito foi esclarecida pela autoridade fiscal: a empresa Mejurek foi intimada e apresentou cópia da composição amigável e dos comprovantes de depósitos, todos efetuados no Banco do Brasil e nos dias 30. O contribuinte não contesta essas afirmações. Portanto, não há comprovação da origem alegada pelo contribuinte. b) item b do TVF – o contribuinte alega que os depósitos foram efetuados na conta do impugnante por receio da importância restar bloqueada para liquidação de outras obrigações da empresa Comercial de Móveis e Materiais de Construção Lar Feliz, ressaltando que esta pertence a grupo econômico da família de Oronízio Antonio de Miranda. A fiscalização consignou a falta de qualquer documento comprobatório da origem do recurso. Ao averiguar a alegação de repasse, a autoridade fiscal registrou que o cheque informado pelo contribuinte é contraditório com suas alegações, pois a própria empresa responsável pelos depósitos é a beneficiária do cheque emitido e não aquela que teria sido beneficiária do acordo judicial. As alegações do recorrente são inábeis para fins comprobatórios. c) item “c” do TVF – o contribuinte alega que devem ser deduzidos da base de cálculo os valores relativos aos pagamentos ao Impugnante para liquidação de obrigações judiciais de Wladimir Antonio Ricci, no período de janeiro a outubro de 2003, relativos a supostos recebimentos em favor da Indústria Nardini. Com base na resposta da citada empresa (fls. 886 em diante), a Fiscalização anotou a discrepância de datas e valores entre os pagamentos feitos pela empresa Nardini ao recorrente (como advogado) e os depósitos na conta corrente, mesmo problema encontrado nos recibos que comprovariam o repasse a Vlademir Antonio Ricci. O recorrente não oferece contraponto a essas objeções, restando sem comprovação a alegada origem dos depósitos. d) itens d e e do TVF – o contribuinte afirma que os beneficiários são colaboradores do escritório de advocacia, o que comprovaria a origem do depósito de R$2.268,00, em 25/02/2003, que supostamente seria um levantamento judicial em favor de Dorival Possari. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 A autoridade lançadora não refutou a alegação de que o depósito foi um levantamento em favor de terceiro, restringiuse a exigir comprovação dos repasses. O silêncio da autoridade lançadora corresponde a considerar comprovada a origem como sendo recursos de terceiros, cuja tributação não pode se amparar exclusivamente na falta de comprovação integral do repasse ao cliente. Deve ser excluído do lançamento o depósito de R$2.268,00, ocorrido em 25/02/2003. e) item g do TVF a empresa Alvesmyr, por enfrentar dificuldades financeiras, repassava cheques de terceiros ao Impugnante e vários pagamentos foram efetuados, em pecúnia, estando justificados os repasses ocorridos às empresas do grupo econômico da família do Sr. Oronizio. O recorrente não rebate a fundamentação do acórdão recorrido, que resumiu uma séries de ressalvas feitas no Termo de Verificação Fiscal, razão suficiente para manutenção da autuação. Vejamos: No entanto, conforme relatório fiscal às fls. 29/31, todas as informações prestadas pelo contribuinte foram verificadas pela fiscalização que 'constatou não existir coincidência', entre os valores depositados e aqueles previstos em instrumento particular de confissão de dívida firmado pela empresa devedora, além de saques informados pelo contribuinte não terem sido comprovados em extrato do Banco Santander e ainda, o contribuinte utilizou um mesmo cheque para justificar repasse de créditos bancários distintos, havendo inclusive, divergência de informação quanto aos beneficiários. f) itens “h” e “i” do TVF – o contribuinte alega que a empresa Dalotex afirmou não haver contabilizado as receitas porque os recursos eram de titularidade do exsócio Davi Foles Júnior e o depósito decorrente do recebimento a favor de Javert Galassi está comprovado por valor superior ao depositado, com indicação dos cheques emitidos. Quanto ao suposto depósito em favor da empresa Dalotex, a Fiscalização consignou que não foi apresentado qualquer documento comprobatório quanto à origem dos créditos, bem como quanto ao repasse desses valores. No tocante ao alegado levantamento em benefício de Javert Galassi, a autoridade lançadora mencionou a discrepância entre o valor da guia de levantamento (fls. 373) e o depósito de R$3.904,58, ocorrido em 17/06/2003, o que implica considerar não comprovada a origem alegada. Não é correto deduzir, como o fez o recorrente, que comprovar o levantamento de valor superior comprovaria um depósito em valor menor. Melhor sorte não assiste ao contribuinte quando tenta comprovar que repassou esses recursos, pois a autoridade fiscal anotou que foi informado apenas o número do cheque emitido sem qualquer documento comprobatório. Ponto sobre o qual silenciou o recorrente. g) itens “j” e “l” do TVF (fls. 32/33) o contribuinte alega ter comprovado o repasse com apresentação de cópia dos cheques emitidos. Entretanto, a autoridade fiscal descreveu na intimação e reintimação (fls. 586 e ss.) que para comprovação de que os depósitos correspondiam a valores de terceiros, e não do Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.551 15 próprio contribuinte, era necessário comprovar o repasse, o que não foi possível comprovar por meio da menção de cheques cujos beneficiários são outras pessoas. O contribuinte alega que a identificação dos beneficiários nos cheques é responsabilidade da empresa recebedora. Porém, independentemente de quem for a responsabilidade por identificar os beneficiários desses cheques, não se pode tomar como comprovada a origem de depósitos se não há indicação de qualquer documento que prove a alegação de que os recursos são de terceiros, fruto de acordo intermediado pelo recorrente. h) quanto aos itens “m” e “p” do TVF (fls. 34/35) o contribuinte afirma que tanto o levantamento judicial efetuado a favor de Waldir Eronildes de Souza, como de W.Sita & Cia Ltda são de valores inferiores ao valor depositado comprovando que a maior parcela do depósito teve sua origem comprovada. Não há comprovação de que o depósito em questão referese a levantamento judicial, pois, conforme relatado pela autoridade lançadora, os valores são diferentes. Quanto ao levantamento judicial referente a Waldir Eronildes de Souza paira outra discrepância,: ocorreu uma semana antes do depósito na conta do recorrente. O recorrente também não pode se socorrer das alegações de repasse, pois os cheques indicados tiveram outras pessoas como beneficiárias ou foram emitidos em datas anteriores ou não indicam o beneficiário. l) item “q” do TVF (fls. 36) – o contribuinte sustenta que realizou operações de empréstimos com o Sr. Oronízio, tendo apresentado cópia dos cheques e as operações realizadas sem assinatura de instrumento particular devese à amizade entre ambos, tendo ocorrido ainda, a liquidação de obrigações pecuniárias assumidas em relação ao Sr. Antonio Jordão, justificando incongruências das datas de créditos e débitos. No Termo de Verificação Fiscal foi feita minuciosa demonstração das razões que impedem admitir as alegações do recorrente. O que foi resumido no acórdão de primeira instância. O recorrente não apresenta argumentos, muito menos provas que possam refutar o fundamento do acórdão recorrido, cuja fundamentação é reproduzida como razão de decidir este tópico. Totalmente infundadas tais alegações. A alegação da existência de empréstimos, realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas do efetivo recebimento dos numerários emprestados. Cabe ao impugnante a prova do recebimento do empréstimo concedido. As alegações de defesa devem ser corroboradas por provas que lhe dêem respaldo. É regra, não só do Processo Administrativo Fiscal, como também do Direito Processual Civil, que ca e àquele que alega o ônus da prova. O TVF às fls. 36/38, informa que o contribuinte não apresentou documentos comprobatórios das operações realizadas. Até mesmo o Sr. Oronízio e as empresas das quais é sócio, confirmaram o suposto empréstimo ou apresentaram algum documento comprobatóri6 de empréstimo ou escrituração Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 contábil da entrada de recursos na empresa. Acrescentese que o demonstrativo dos créditos, às fls. 38, justificam a não aceitação de tais alegações corp valores, inclusive, devolvidos antes mesmo do recebimento do suposto empréstimo. 1 Portanto, a alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deveria vir acompanhada de provas inequívocas do efetivo recebimento dos numerários emprestados, o que não ocorreu até a presente data.(fls. 1472). j) item “r” do TVF (fls. 38/39) – o contribuinte busca justificar origem dos depósitos com contrato particular de venda de imóvel (fls. 857/861). A Fiscalização demonstra a disparidade entre valores e datas, o que foi também apontado pela DRJ. A defesa do contribuinte não oferece sequer explicação para tanto. Não há, portanto, documentação hábil para comprovar a referida origem. Do Livro Caixa O recorrente alega que o Livro Caixa foi ignorado com o fito de produzir arbitramento de receitas tributáveis em suposições fictícias e desprovidas de lastro. Entretanto, tratase de uma fiscalização com exigência de provas documentais a ponto de não ser possível comprovar as alegações com o Livro Caixa apresentado pelo contribuinte se não há documentação que suporte os dados escriturados ou se essa documentação é analisada e não admitida como prova. Da Glosa de Despesas Médicas O recorrente alega que a declaração das despesas médicas lastreouse em informação unilateral da administradora do plano de saúde que, equivocadamente, indicou pessoas que não são dependentes do Impugnante como integrante do plano de saúde, tendo o impugnante assistido integralmente as despesas médicas deduzidas de sua renda tributável. Como a dedução em comento não é admissível em relação a pessoas não dependentes, foi legítima a glosa. Da qualificação da multa O recorrente sustenta que houve ilegal qualificação da multa, pois não há prova de intuito de fraude, sendo imperiosa a redução da multa punitiva agravada. A multa de 150% foi aplicada exclusivamente em relação à omissão de rendimentos. Muito embora a autoridade fiscal tenha desenvolvido justificativas para a prática de conduta dolosa a autorizar a qualificação da penalidade (fls. 42 e ss.), a qualificação deuse sobre todos os montante da omissão de rendimentos, neles incluídos os depósitos tributados por presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996. É necessária especial cautela no ato de aplicar a multa qualificada em um lançamento que contém presunção legal de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários, é o que se extrai do enunciado da Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.000680/200819 Acórdão n.º 2802002.717 S2TE02 Fl. 1.552 17 necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ainda que se conclua que as razões arroladas pela autoridade fiscal venham a justificar a qualificação da multa, haveria necessidade de identificar quais os depósitos que se relacionariam à conduta dolosa demonstrada, uma vez que para um número significativo de depósitos autuados paira tão somente a presunção legal de rendimento omitido. Devese afastar a qualificação da multa para exigila no patamar ordinário de 75%. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 1) excluir do lançamento os depósitos de R$6.250,00, ocorrido em 04/04/2003 e R$6.250,00, em 05/05/2003; de R$7.207,29, feito em 04/04/2003; de R$2.384,62, em 11/11/2003 e de R$1.021,40, em 13/11/2003; de R$15.806,00, ocorrido em 02/06/2003; e de R$2.268,00, ocorrido em 25/02/2003; 2) excluir da base de cálculo o valor de R$1.212,16, referente a parte dos depósitos de 01/09, 15/09 e 30/10/2003; e 3) afastar a qualificação da multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904483/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 83 /2 01 2- 18 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904483/201218 Acórdão n.º 3803004.833 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904483/201218 Acórdão n.º 3803004.833 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904483/201218 Acórdão n.º 3803004.833 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 23034.042376/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.284
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal, para que seja dada ciência ao contribuinte do resultado de diligência já realizada.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal, para que seja dada ciência ao contribuinte do resultado de diligência já realizada. Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. .
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 113 1 112 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23034.042376/200601 Recurso nº 00.028.4Voluntário Resolução nº 2302000.284 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 15 de abril de 2014 Assunto Realização de Diligência Fiscal Recorrente CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA/DF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal, para que seja dada ciência ao contribuinte do resultado de diligência já realizada. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Maria Alselma Coscrato dos Santos, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 42 37 6/ 20 06 -0 1 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.284 S2C3T2 Fl. 114 2 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/2003. Data da lavratura da NRD: 16/12/2006. Data da Ciência do NRD: 21/12/2006. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação para Recolhimento de Débito NRD nº 0000233/2006, de 16 de dezembro de 2006, conforme Informação nº 872/2006 a fl. 02. O caso em estudo versa sobre Apuração Especial das deduções de valores devidos a contribuição social do SalárioEducação, Estabelecimento CNPJ nº 00.360.305/264004, tributo previsto no art. 212, § 5º da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis nº 9.424/96, 9.766/98 e 10.832/03 e pelos Decretos nº 3.142/99 e 4.943/03, referentes ao benefício instituído pelo Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental SME, programa pelo qual a empresa propiciava o ensino fundamental a seus empregados e a dependentes desses, no exercício de direito adquirido anteriormente à Emenda Constitucional n° 14/96. O exame em questão visou a identificar as deduções realizadas indevidamente, na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação SIGA dessa Autarquia. O critério do levantamento consistiu em verificar, a partir do 2º semestre de 1996, conforme o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, se o valor deduzido é equivalente ao número de alunos informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados – RAI. O número de vagas referenciado no Demonstrativo de Divergências por Estabelecimento reflete a quantidade de alunos beneficiários por mês e que o valor per capita do benefício é de R$ 21,00 por aluno/mês. Assim, o cálculo é realizado da seguinte forma: Va = Dr ( Id x Vp ) Onde: Indicação de Dependentes no cadastro do FNDE (Id) Deduções realizadas no mês (Dr) Valor per capita R$ 21,00 aluno/mês (Vp) Valor apurado (Va) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.284 S2C3T2 Fl. 115 3 Observados os critérios expostos, e considerando que foram apuradas deduções indevidas na contribuição social do SalárioEducação, houvese por emitida a Notificação para Recolhimento de Débito – NRD nº 000233/2006, a fl. 08, de acordo com o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento a fl. 03, e com os Quadros de Lançamento e de Atualização de Débitos, a fls. 04/07. Insatisfeito, o Recorrente ofereceu impugnação a fls. 11/16 contestando a referida cobrança. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão 0340.892 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 38/43, julgando parcialmente procedente o lançamento, para deste fazer excluir as obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 12/96 a 11/2001, em razão do decurso do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativo às competências em questão, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, e retificando o débito na forma do Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 44/46. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de abril de 2011, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 49. Inconformado com a decisão proferida pelo órgão julgador a quo, o Recorrente ofereceu Recurso Voluntário a fls. 50/54, deduzindo seu inconformismo nas alegações que se vos seguem: · Que houve falta de fundamentação na decisão recorrida, eis que esta se limitou a enumerar os elementos apresentados na defesa e a pronunciar a decadência, não adentrando os pedidos realizados pelo Recorrente, principalmente no que diz respeito aos períodos já pagos e a realização de perícia nos registros internos da CAIXA para que fossem apurados os valores realmente devidos; · Que os valores que vêm sendo cobrados pelo FNDE encontramse devidamente quitados, tendo sido inviabilizada a comprovação por meio da RAI em razão de inconsistências e falhas do sistema do FNDE, o qual permaneceu sem acesso por longo período, aliados à estrutura da CAIXA que centralizou as informações, tomando por base a sede da empresa; · Que conseguiu recuperar comprovantes de pagamento das competências 12/2002 e 12/2003, bem como lista de beneficiários, declaração de frequência e contracheques; · Que seja procedida rigorosa perícia nos registros internos da CAIXA, de forma a se saber o montante realmente devido. O julgamento foi convertido em Diligência Fiscal para que a Fiscalização/FNDE se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pelo Recorrente a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.284 S2C3T2 Fl. 116 4 fls. 58/72, nos termos da Resolução nº 2302000.246 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2013, a fls. 78/87. Em atendimento à diligência acima referida, houvese por emitida a Informação nº 2359/2013 – COSES/CGFSE/DIGEF/FNDE, a fls. 107/108. Na sequência, foram os autos encaminhados a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/04/2011. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 04/05/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DAS PRELIMINARES 3.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. No curso da instrução do processo, após o oferecimento do Recurso Voluntário, o julgamento do feito foi convertido em Diligência Fiscal para que a Fiscalização/FNDE se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito dos documentos acostados pelo Recorrente a fls. 58/72, nos termos da Resolução nº 2302000.246 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2013, a fls. 78/87. Atendendo aos primados do contraditório, da ampla defesa e do Devido Processo Legal determinou esta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF que, antes de os autos retornarem a este CARF, fosse dada a devida ciência ao Sujeito Passivo do resultado da Diligência Fiscal requestada, para que ele, desejando, pudesse se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo, conforme expressamente consignado nos termos da Resolução, a fls. 86/87. “5. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos detalhados nos parágrafos precedentes. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042376/200601 Resolução nº 2302000.284 S2C3T2 Fl. 117 5 Na sequência, antes de os autos retornarem a esta Corte Administrativa, deve ser promovida a ciência do teor e resultado da Diligência Fiscal acima comandada ao Sujeito Passivo, para que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo”. Ocorre, todavia, que o órgão responsável pela execução da Diligência Fiscal negligenciou em tal mister, de sorte que os autos retornaram a este CARF para julgamento do Recurso Voluntário, sem que fosse dada ao Sujeito Passivo a devida ciência do teor da Diligência Fiscal comandada mediante a Resolução nº 2302000.246 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 18 de setembro de 2013, a fls. 78/87. O proferimento de decisões administrativas sem que tenha sido oportunizado ao Contribuinte a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da Incidente Processual em questão se configuraria, ao nosso sentir, hipótese de cerceamento de defesa, uma vez que as argumentações expendidas pela Fiscalização, em sede de Diligência Fiscal, seriam assimiladas pelo Órgão Julgador de 2ª Instância, sem a contradita da parte adversa, e tidas, obviamente, como não contestadas, em flagrante ofensa ao princípio “audiatur et altera pars”. Revelase o Direito Processual Administrativo refratário ao proferimento de Decisões em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, as quais já nascem sob o estigma da nulidade. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal, para que se cumpra todos os termos da Diligência Fiscal comandada mediante a Resolução nº 2302000.246 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, especificamente, para que seja promovida a ciência do teor e do resultado da Diligência Fiscal ora em debate ao Sujeito Passivo, para que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo. 4. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos detalhados nos parágrafos precedentes. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904505/2012-40
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904505/201240 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.855 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 05 /2 01 2- 40 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904505/201240 Acórdão n.º 3803004.855 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904505/201240 Acórdão n.º 3803004.855 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904505/201240 Acórdão n.º 3803004.855 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 19515.007230/2008-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004, 2005
MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO.
O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Arthur José André Neto, que davam provimento ao recurso apenas na parte relativa à exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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(RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO: LUIS CÉSAR DALCENO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004, 2005 ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Pis e da Cofins (Súmulas do STJ nºs 68 e 94). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 72 30 /2 00 8- 93 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 319 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Arthur José André Neto, que davam provimento ao recurso apenas na parte relativa à exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 320 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 137 a 144): DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Decorrente do trabalho de fiscalização realizado na pessoa jurídica indicada, relativo aos anoscalendário de 2003 e de 2004, foram lavrados em 14/11/2008, o auto de infração do Imposto de Renda (fls. 90 a 93), o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 114 a 117), o auto de infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 106 a 109) e o auto de infração da Contribuição para o PIS (fls. 98 a 101). O crédito tributário total lançado foi de R$ 1.016.001,16 (um milhão, dezesseis mil e um reais e dezesseis centavos), conforme abaixo demonstrado: [...]. 2. Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária (fls. 70 a 79), a seguir sintetizados. 3. A Autoridade Fiscal informou inicialmente que a empresa, de acordo com Ficha Cadastral emitida pela JUCESP, teria sido dissolvida em 15/08/2003, conforme Distrato Social lavrado naquela data. Constavam como sócios Luis Cesar Dalceno (sócio gerente), CPF nº 227.497.65897, e Chu Shen Tsai, CPF nº 227.019.85811, ficando a responsabilidade e a guarda dos documentos fiscais a cargo de Luis Cesar Dalceno. 4. A empresa apresentou à RFB, para os anos de 2003 e de 2004, Declarações Simplificadas de Inatividade; a sua movimentação financeira nesses períodos, com base na apuração da CPMF, foi de R$ 6.019.512,64 e de R$ 1.340.294,49, respectivamente. 5. No sistema CNPJ da RFB, a empresa apresenta a condição cadastral INAPTA, declarada no processo nº 10314.002724/200105, por prática irregular de operação de comércio exterior, com efeitos desde a constituição da empresa, ou seja, 03/10/2000. 6. Através do Termo de Início de Fiscalização, foram solicitados os livros Diário, Razão, Registro de Inventário, Entradas e Saídas, Registro de Apuração de ICMS e ISS, extratos bancários de contascorrentes e aplicações financeiras. O Termo foi encaminhado para o endereço cadastral do Contribuinte e também de seus dois sócios. Apenas o Termo encaminhado para o sócio Luis César Dalceno foi recebido (em 05/05/2008). 7. Expirado o prazo sem atendimento da intimação, foi lavrado Termo de ReIntimação Fiscal, reiterando a apresentação dos elementos já citados. Esse termo, encaminhado ao endereço do sócio Luis César Dalceno foi recebido em 03/06/2008. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 321 4 8. Em 12/06/2008, foi apresentada carta do Contribuinte através de seu procurador (o advogado Chien Chin Huei), contratado pelo sócio Luis César Dalceno, onde encontrase relatado que os livros fiscais, após o encerramento das atividades da empresa, foram entregues ao sócio Chu Shen Tsai, para realização de uma auditoria; que jamais lhe foi dada satisfação da citada auditoria; que tinha um saldo a receber do seu exsócio; e que não tinha óbice quanto à obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras. 9. Após, foram requisitados os extratos das contas correntes (e outros elementos) às instituições financeiras, que, depois de recebidos, foram analisados, encontrandose expressiva movimentação financeira no “SUDAMERIS”. 10. A Autoridade Fiscal afirma que identificou a assinatura do sócio Luis César Dalceno nas cópias dos cheques apresentados, que coincide com a assinatura aposta na procuração que outorgou ao seu procurador. 11. De posse dos extratos, foi efetuada a conciliação da movimentação financeira entre as diversas contascorrentes, sendo excluídos os depósitos/créditos decorrentes de transferência entre contascorrentes, poupança e aplicações financeiras, e decorrentes de poupança, cheques devolvidos, empréstimos bancários, etc. 12. Foi, em seguida, lavrado Termo de Intimação Fiscal (22/08/2008), no qual o Contribuinte foi intimado a apresentar a documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados nas contas correntes, que resultaram da conciliação mencionada. 13. O Contribuinte apresentou resposta reafirmando que havia entregue os documentos e livros fiscais ao seu exsócio para uma auditoria, que, por isso, não poderia apresentar a documentação hábil e idônea solicitada, que recordava que a empresa havia efetuado vendas de mercadorias a prazos excepcionais, com pagamentos facilitados a partir do final do ano de 2002, o que gerou créditos de cobrança na contacorrente, bem como os depósitos recebidos. Houve operações de liquidação de cobrança até meados de 2003; após agosto de 2003, as operações foram decorrentes de créditos recuperados e da dissolução da sociedade. 14. O Contribuinte, nos anos de 2003 e de 2004, apresentou à RFB Declaração de Inatividade, não fez qualquer recolhimento no período de tributos federais relativos a 2003 e a 2004, não apresentou DCTFs, não apresentou os livros fiscais e contábeis e os documentos solicitados, o que tornou impraticável a obtenção das reais bases imponíveis do imposto de renda. Diante dessas circunstâncias, de acordo com o art. 530, III, do RIR/99, o lucro do Contribuinte foi arbitrado, ao percentual de 9,6%, conforme indicado no Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária, de fls. 70 a 79. 15. Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária, foi identificada a empresa RCI Millenium como beneficiária de vários cheques e TEDs no ano de 2003, pagos pela empresa Fiscalizada, num montante de R$ 725.729,00. Foi verificado pelo sistema CNPJ, que um dos sócios dessa empresa era também Luis César Dalceno. Encaminhados vários termos à empresa bem como a seus sócios – Luis César Dalceno e Kátia Cristina Terranova de Carvalho Fidale, todas as correspondências voltaram, com a informação “mudouse”, para a empresa, e “desconhecido”, para os seus sócios. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 322 5 16. Informa a Autoridade Fiscal que o endereço de Luis César Dalceno foi alterado durante a ação fiscal, da rua Ibiturana para a rua Apucarana, 436, que é o mesmo endereço da empresa RCI Millenium e da outra sócia, Kátia Cristina. 17. O Termo de Diligência, datado de 15/10/2008, foi reenviado ao antigo endereço de Luis César Dalceno (rua Ibiturana), que foi recebido nesse endereço em 19/09/2008. 18. Expirado o prazo para apresentação dos esclarecimentos solicitados, foi lavrada reintimação recebida em 18/10/2008. O procurador da empresa fiscalizada, em 23/10/2008, apresentou carta ao termo datado de 15/10/2008, dirigido à RCI Millenium, alegando que os livros e documentos fiscais da RCI tinham sido entregues a Chu Shen Tsai (sócio da Avant), pelo que não poderiam ser entregues à Fiscalização. Informou, também, que o responsável pelas vendas dos produtos da empresa Avant era Chu Shen Tsai. 19. Foi considerado pessoalmente responsável Luis César Dalceno, cpf nº 227.497.65897, pelos créditos tributários constituídos, pois era ele o único sócio administrador do Contribuinte fiscalizado, conforme Contrato Social da empresa e cadastro junto à RFB, era o responsável pela empresa perante a RFB, responsável pelo preenchimento das Declarações de Inatividade da empresa nos anos fiscalizados, apesar da movimentação financeira nesse período, como também das respostas apresentadas ao longo da fiscalização. No Distrato Social, coube a Luis César Dalceno a responsabilidade e guarda dos documentos fiscais da empresa. A alegação de que “emprestou” os livros e documentos fiscais ao outro sócio para a realização de auditoria não afasta a sua responsabilidade por sua não apresentação à Fiscalização. 20. Além disso, ele deveria ter publicado em jornal de grande circulação aviso sobre a não devolução dos livros, conforme prevê o § 1º do artigo 264 do RIR/99, além de dar minuciosa informação do fato ao órgão responsável pelo Registro do Comércio, dentro de 48 horas, remetendo cópia para o órgão de jurisdição junto à RFB. Nada disso ocorreu. 21. A empresa RCI Millenium Comercial Ltda, da qual Luis Dalceno era sócio, recebeu vultosos depósitos do Contribuinte ora fiscalizado, no montante de R$ 725.729,00. Intimado a justificar as operações, nada foi apresentado e a mesma alegação da entrega dos documentos e livros ao seu exsócio Chu Shen Tsai foi feita. Diz a Autoridade Fiscal que esse fato causoulhe estranheza, pois Chu Shen Tsai não possuía qualquer vínculo societário formal com a empresa RCI Millenium. 22. Da análise das cópias dos vários cheques emitidos pela Fiscalizada, encaminhados pelo Banco Sudameris, verificouse que todos eles eram assinados por Luis César Dalceno. 23. Dos elementos relatados, entendeu a Autoridade Fiscal que Luis César Dalceno era de fato e de direito o gerente da empresa fiscalizada. Pelo art. 135, III, do CTN, fica caracterizada a responsabilidade tributária de Luis César Dalceno. 24. Enquadramento legal: [...]. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 323 6 DA IMPUGNAÇÃO 25. Cientificada do auto de infração em 18/11/2008, o Contribuinte apresentou impugnação às fls. 122 a 128 em 08/12/2008, na qual fez a defesa a seguir sintetizada. 26. Inicialmente, a Impugnante disse que, no auto de infração lavrado, há fatos jurídicos decaídos, erro na determinação da base de cálculo e erro na inclusão de Luis César Dalceno como responsável solidário. O auto de infração está eivado de subjetividade e a Administração Tributária deve observar, no mínimo, o Princípio da Razoabilidade e o Princípio da Tipicidade Cerrada, o que não se verifica nos autos. 27. A Impugnante discorreu sobre a regramatriz de incidência tributária, concluindo que, ao se aplicar a imposição tributária e a sanção, de forma incompatível com o fato jurídico tributário, não haveria qualquer possibilidade da manutenção do presente auto de infração em face da Impugnante. 28. Como preliminar do mérito, defende a Impugnante, de acordo com as regras estipuladas no art. 150 do CTN, a ocorrência da decadência para parte do anocalendário de 2003, conforme tabela apresentada às fls. 125 e 126 dos autos. 29. Em seguida, a Impugnante defendeu que a Autoridade Fiscal não apurou ou verificou se os valores declarados no ano de 2002 estariam compatíveis com as receitas guerreadas. Também deixou de averiguar a existência de bis in idem, já que a empresa também foi autuada no processo administrativo nº 10314.009135/200492, com base na multa regulamentar aduaneira, ou seja, da mesma origem dos valores ora questionados. 30. Disse que deixou de apresentar as DIPJs e DCTFs em decorrência da inaptidão declarada pela Receita Federal, no processo nº 10314.002724/200105. 31. Pleiteou a exclusão do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O mesmo pedido foi feito para a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. 32. Sobre a responsabilidade atribuída ao sócio Luis César Dalceno, disse que ele não praticou qualquer fato que pudesse arrolálo como responsável, apesar de figurar como um dos sócios da empresa. Ele não se opôs a RFB em requisitar as informações bancárias diretamente das instituições financeiras, além do que quem detinha o poder financeiro na empresa era Chu Shen Tsai. 33. Por fim, requereu a Impugnante o acolhimento da sua pretensão, conforme acima exposto. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 135 e 136): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 IRPJ. DECADÊNCIA. O direito de praticar o ato de lançamento de ofício extinguese após 5 anos, sendo o termo inicial de contagem do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 324 7 O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal fica sujeito ao arbitramento de seu lucro, conforme prescrito na legislação. COFINS. PIS. DEDUÇÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE BASE LEGAL. Não há base legal para a dedução do ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO E CABIMENTO. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, eis que possuem os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 20/03/2011 (fls. 164verso), a tempo, em 19/04/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 301 a 307 (numeração digital – ND), instruído com o documento de fls. 308 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que, ao se considerar todos os depósitos como receita omitida, há também que se considerar a presunção dos créditos do Pis e da Cofins, lembrando que o regime da não cumulatividade assim o exige, até em razão da presunção de crédito; b) que as Leis nºs 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, preveem que, na implantação da sistemática da não cumulatividade, o contribuinte tem o direito de presumir os créditos das contribuições do seu estoque; c) que, se a Recorrente sofre sanção em razão de lei, a Fazenda Pública se obriga às letras da legislação tributária, tal como previsto nos arts. 112 e 118, II, do CTN; d) que, com relação ao Recorrente Luís César, cheques assinados não implicam necessariamente que estes tenham sido emitidos pelo próprio, pois os talões de cheques poderiam estar previamente assinados; e e) que uma situação é o Recorrente Luís César ter assinado os cheques e ser responsabilizado pelo montante de que “supostamente” se beneficiou; outra situação é o Recorrente Luís César ser responsabilizado solidariamente na sua totalidade. 4. Consta, de fls. 468, despacho pelo qual foi efetuado o sobrestamento do presente julgamento, nos termos do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Fl. 324DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 325 8 5. Tendo, porém, a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogado os §§ 1º e 2º do referido art. 62A do RICARF, retorna o processo para prosseguimento do julgamento, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar arguida de decadência do lançamento 6. Argui a Recorrente, preliminarmente, a decadência do lançamento, no que se refere a parte do anocalendário de 2003. 7. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 8. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 325DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 326 9 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 9. No presente caso, aplicase a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), de conformidade com o que consta de fls. 72 (Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária) (grifouse): No período fiscalizado, anoscalendário 2003 e 2004, o contribuinte fiscalizado apresentou à RFB Declaração de Inatividade, não efetuando, nesse período, qualquer recolhimento de tributos federais aos cofres públicos. Houve recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas em 01/2003 , referentes à fatos geradores ocorridos em 12/2002. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 327 10 10. Tendo havido a cientificação dos autos de infração em 18/11/2008, não procede a preliminar arguida de decadência do lançamento. Mérito 11. Com relação à assertiva recursal de que a Autoridade Fiscal não teria apurado ou verificado se os valores declarados no ano de 2002 estariam compatíveis com as receitas guerreadas, cabe ressaltar que a prova da inexistência de omissão de receitas, nos anos calendário de 2003 e 2004, espelhada nos depósitos bancários de origem não comprovada, é da Recorrente, não se transferindo por nenhum modo ao Fisco. 12. Além disso, alegar (“venda de mercadorias a prazos excepcionais, com pagamentos facilitados a partir do final do ano de 2002”) e não provar é o mesmo que não alegar. 13. No que toca ao suposto bis in idem, por ter a empresa também sido autuada no processo administrativo nº 10314.009135/200492, não há como se considerar a existência de tal figura jurídica, se se trata, naquele caso, de cobrança de outros tributos Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Aduaneiro, ainda que eventualmente incidentes sobre a mesma base de cálculo dos tributos e contribuições aqui exigidos (IRPJ, CSLL, Pis e Cofins). 14. Quanto à alegada impossibilidade da apresentação de DIPJs e DCTFs em face da inaptidão declarada pela Receita Federal, tal argumento é, também, improcedente, bastando lembrar que a Recorrente transmitiu declarações de inatividade para os períodos considerados. 15. No que se refere ao pleito de exclusão do Pis e da Cofins da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, cumpre destacar que se está diante de apuração de tributo pela sistemática do lucro arbitrado, a qual impossibilita qualquer dedução nesse sentido. 16. A respeito do pleito de exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins, menciono o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nas Súmulas de nºs 68 e 94, esta última também aplicável à Cofins, que, como se sabe, sucedeu ao Finsocial: A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. [...]. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. 17. Por fim, com relação à responsabilidade atribuída ao sócio Luis César Dalceno, correta a conclusão do acórdão recorrido pela sua manutenção (fls. 152): 56. Entendo que a responsabilidade tributária, por todos os elementos que constam dos autos, foi corretamente atribuída a Luis César Dalceno. 57. O Sr. Luis César Dalceno era o sócio administrador da empresa, responsável perante a Receita Federal do Brasil, responsável pelas declarações de inatividade da empresa (a Fl. 327DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 328 11 despeito da grande movimentação financeira nos períodos citados), responsável pelo (não) recolhimento dos tributos, responsável pela guarda dos livros e documentos fiscais da empresa (conforme estabelecido do Distrato Social de fl. 16, registrado na JUCESP), responsável pelos procedimentos de comunicação do extravio ou perda dessa documentação (conforme relatado), e foi quem assinou todos os cheques emitidos pela Fiscalizada (conforme relatado). 58. Dos elementos acima indicados, recolhidos dos autos do processo, fica claro que Luis César Dalceno era realmente o gerente de fato e de direito da empresa fiscalizada e que agiu com infração ao disposto na legislação e mesmo ao contrato social, ficando caracterizado o previsto no art. 135, III, do CTN. 18. De se ressaltar que referida responsabilização tributária não se fundou, apenas, no fato de o sóciogerente da Recorrente haver assinado cheques, mas em diversos outros indícios de sua efetiva participação majoritária na empresa, na administração de seus haveres e na apuração de seus resultados (cf. 4ª Alteração e Consolidação Contratual, fls. 37): CLÁUSULA VIII A administração da sociedade será exercida pelo sócio LUIS CÉSAR DALCENO. assinando isoladamente, assumindo as atribuições inerentes ao cargo, superintendendo todos os negócios sociais, efetuando recebimentos e pagamentos, admitindo e demitindo empregados, movimentando contas bancárias a débito e a crédito, usando da denominação social, única e exclusivamente em negócios da sociedade, podendo inclusive, outorgar procurações a terceiros. 19. Sem se falar, ainda, que referido sóciogerente se beneficiou diretamente da maioria dos pagamentos efetuados pela Recorrente (cf. Termo de Verificação Fiscal e Responsabilidade Tributária, fls. 75 e 76): Dentre os destinatários de pagamentos efetuados pela empresa fiscalizada, selecionamos a empresa RCI MILLENIUM COMERCIAL LTDA, CNPJ 04.992.736/000144, beneficiária de vários cheques/TED's, que totalizaram, em 2003, um montante de R$ 725.729,00, para efetuarmos diligência, na tentativa de identificar(mos) o(s)\real (is) beneficiário(s) pelas operações da AVANT. Juntamos cópias destes cheques/TED's ao presente processo. Adicionalmente, constatamos através de consulta ao sistema CNPJ, que um dos sócios da empresa RCI MILLENIUM COMERCIAL LTDA era o Sr Luis César Dalceno. Preclusão 20. Alega a Recorrente que teria direito a créditos de Pis e da Cofins (regime não cumulativo), se considerados todos os depósitos como receita omitida. 21. O que não se questionou na fase impugnatória constitui matéria passada em julgado, não suscetível de apreciação na fase recursal. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.007230/200893 Acórdão n.º 1803002.099 S1TE03 Fl. 329 12 CSLL, Pis e Cofins 22. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 329DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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