Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,302)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,525)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13896.001404/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13896.001404/2007-18
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881532
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.781
nome_arquivo_s : Decisao_13896001404200718.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 13896001404200718_5881532.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7366540
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588838625280
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-04T17:26:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-04T17:26:34Z; Last-Modified: 2018-07-04T17:26:34Z; dcterms:modified: 2018-07-04T17:26:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:03bd0b31-0a84-479e-a036-73048dcfae47; Last-Save-Date: 2018-07-04T17:26:34Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-04T17:26:34Z; meta:save-date: 2018-07-04T17:26:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-04T17:26:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-04T17:26:34Z; created: 2018-07-04T17:26:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-04T17:26:34Z; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-04T17:26:34Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13896.001404/200718 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.781 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CABEL IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 14 04 /2 00 7- 18 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000182/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10932.000182/2009-06
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892975
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.387
nome_arquivo_s : Decisao_10932000182200906.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10932000182200906_5892975.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7395358
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588873228288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000182/200906 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.387 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPARSANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 82 /2 00 9- 06 Fl. 1298DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10932.000182/200906 Acórdão n.º 2202004.387 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1300DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10932.000182/200906 Acórdão n.º 2202004.387 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1302DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10932.000182/200906 Acórdão n.º 2202004.387 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000700/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15983.000700/2007-30
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893501
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.597
nome_arquivo_s : Decisao_15983000700200730.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 15983000700200730_5893501.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7397158
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588896296960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.187 1 1.186 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000700/200730 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.597 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente USINAS SIDERÚRGICAS MG USIMINAS E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 00 /2 00 7- 30 Fl. 1187DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão de admissibilidade dos embargos de declaração do contribuinte às fls. 1.120/1.135, por bem relatar os fatos ora questionados. "Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, e a empresa prestadora de serviços STME Serviços Técnicos de Manutenção Rep. e Engenharia Ltda., no valor de R$2.983.813,58 (dois milhões novecentos e oitenta e três mil oitocentos e treze reais e cinqüenta e oito centavos), consolidado em 20/12/2002, relativo a contribuições incidentes sobre a remuneração paga á mãodeobra incluída em notas fiscais de serviços de construção, reforma ou acréscimo, no período de junho/95 a dezembro/98. A empresa USIMINAS/COSIPA, tomadora dos serviços, inconformada com a notificação fiscal, apresentou defesa dentro do prazo legal impugnando o lançamento, consoante documentos de fls. 59 a 560, alegando, em síntese, o que segue: "...Ausência de vínculo entre a recorrente e os fatos geradores da contribuição previdenciária pretendida" uma vez que inexiste vínculo empregatício entre ela e os empregados das prestadoras de serviços. Como mera dona da obra, não poderia ser atribuída á impugnante qualquer responsabilidade solidária ou subsidiária pelas obrigações trabalhistas Afirma que tal entendimento foi pacificado pelo Tribunal Superior do Trabalho através da orientação jurisprudencial n.° 191/00 ali transcrita. Conclui que a ausência de responsabilidade trabalhista afasta a responsabilidade previdenciária, uma vez que esta decorre justamente daquela e que um eventual vínculo empregatício seria o elemento capaz de vincular a tomadora aos fatos geradores acionados pela prestadora. Não basta o que está estabelecido no art. 31 da Lei 8.212/91, é necessária a existência de vínculo entre o terceiro e o fato gerador da obrigação. Para corroborar a sua tese, reproduz trecho do Parecer n.° 1.710/99 da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovado pelo Ministro da Previdência. Em outro tópico, a defendente passa a discorrer acerca "do caráter subsidiário de eventual obrigação previdenciária e da ausência de previsão legal para lavratura de NFLD automaticamente junto a tomadora de serviço", onde afirma que é necessário se comprovar o inadimplemento da prestadora de serviços para que se possa exigir da impugnante tomadora de serviços que recolha a contribuição previdenciária devida. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.188 3 Que não possui poder diretivo sobre as contratadas que lhe permita buscar nas escritas contábeis/arquivos empresariais alheios os comprovantes de recolhimentos exigidos pela fiscalização. Que o procedimento adotado permite a ocorrência de bis in idem uma vez que é chamada a pagar, sem a comprovação de que a obrigada principal deixou de recolher. Completa afirmando que a ausência de exibição de documento comprobatório pela impugnante não atesta, necessariamente, que a empresa contratada deixou de pagar. Traz á colação uma série de jurisprudência sobre o assunto e requer a aplicação do Decreto 2.346/97 que prevê que as decisões dos Tribunais Superiores, que fixem interpretação de texto constitucional ou legal, devem ser uniformemente observadas peia Administração Pública Federal. Que o INSS tem que, primeiro comprovar o não recolhimento pelo obrigado principal, para, num segundo momento buscar o ressarcimento pela contratante, que funcionaria como "garante", nos termos de acórdão transcrito na peça de impugnação. Sob o título "nulidade da NFLD por impossibilidade de arbitramento quando da existência de escrita regular", o contribuinte notificado alega, com fulcro no § 6° do art. 33 da Lei 8.212/91 e itens 7.0 e 7.1 da Ordem de Serviço n.° 83/93 e item 11 da OS n.° 176, que não é admitido o recurso da aferição indireta do débito previdenciário quando a empresa prestadora possui contabilidade regular e não há qualquer indício de que a remuneração apresentada não reflete a realidade. A regra, afirma a defesa, é a aferição direta na empresa prestadora de serviços, a partir da contabilidade. Completa que a fiscalização em nenhum momento recorreu á contabilidade das empresas prestadoras de serviço, partindo de equivocada presunção de irregularidade. Completando, diz que os auditores fiscais entenderam que não houve comprovação pela USIMINAS do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos empregados da prestadora de serviços, incluidas nas notas fiscais ou faturas correspondentes aos serviços executados, e que tal conclusão pressupôs fosse lançado o débito mediante arbitramento, disciplinado pelo § 3° do art. 33 da Lei 8.212/91, inobservando o principio da legalidade pois o procedimento adotado pressupõe a existência de contabilidade irregular junto às empresas contratante e contratada, o que não pode ser caracterizado m casu, haja vista trataremse de empresas idôneas. No tópico "da ausência de cessão de mão de obra envolvendo...", a impugnante entende que somente com a edição da Lei 9528/97 é que os serviços relacionados com as atividades normais da empresa passaram a ensejar a ocorrência de cessão de mão de obra. Fl. 1189DF CARF MF 4 Sob o título "da vedação expressa de levantamento de débito diretamente junto a tomadora de serviço" a impugnante argumenta que a Ordem de Serviço 176/97, revogando a OS 83/93, estabeleceu, em seu item 3.2, que a " existência de folha de pagamento e da respectiva GRPS quitada exclui a hipótese de levantamento de débito na empresa tomadora...". Acrescenta que o Relatório Fiscal confirma que a Notificada apresentou Guias de Recolhimentos, as quais só não foram aceitas pelo fato do auditor entender que as mesmas eram genéricas. Entretanto, continua a defesa, o fato de serem genéricas, por si só, não autoriza a lavratura de NFLD. Afirma que de acordo com o item 3.2. da OS 176/97, primeiramente haveria de ser promovida a fiscalização junto à contratada para, aí, sim, se fosse o caso, haver a atuação perante a contratante. Outro aspecto abordado pelo contribuinte notificado foi desenvolvido sob o titulo " impugnação ". No referido tópico, a defesa afirma que os serviços prestados pela STME não se encaixam na definição de serviços executados mediante cessão de mão de obra, por não terem natureza contínua, tendo sido executados por um curto espaço de tempo, delimitado no contrato celebrado entre esta empresa e a USIMINAS. No título "impugnação mediante comprovação dos recolhimentos efetuados pela empresa contratada (STME)", o contribuinte notificado argumenta que apresentou folhas de pagamento e guias de recolhimento englobando a totalidade dos funcionários da contratada, conforme se depreende dos documentos anexos á defesa, e, assim, demonstrado está a rigorosa obediência â Ordem de Serviço n.° 83 e ao Decreto 612/92. No título "da ímpugnação à cobrança do SAT até dez/97", a defesa afirma que não tem cabimento a alíquota aplicada para apuração da contribuição do SAT tendo em vista que o item 3.3. da OS n° 83/93 estabelece que tal enquadramento é determinado em função da atividade preponderante da prestadora de serviço e que nos autos não foi feita a necessária identificação da atividade da prestadora. Outro aspecto abordado pelo contribuinte notificado foi desenvolvido sob o título "SAT/suspensão da exigibilidade". No referido tópico, a defesa afirma que, o item 10.3.1 da OS n° 176 estabelece que o grau de risco será obtido em função da atividade econômica preponderante da empresa tomadora de serviço e que, porém, a impugnante ajuizou, em 15/10/98, mandado de segurança (processo 98.00438998) com intuito de ver assegurado seu direito de recolher contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT á alíquota de 1%, obtendo liminar em 04/11/98, o que inviabiliza a constituição do respectivo crédito tributário. Em outro tópico, "impugnação a multa/aplicabilidade da Lei n° 9.430/96", a defesa requer a aplicação do art. 63 da Lei 9.430/96 para fins de determinação da multa relativa á alíquota residual de 2% referente ao SAT, considerando que a recorrente Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.189 5 obteve provimento liminar, na data de 04/11/98, em sede do Mandado de Segurança citado. No título "da bitributação (“bi/s in idem") e do enriquecimento sem causa" a impugnante reitera o argumento de que comprovou a regularidade dos recolhimentos das contribuições devidas e que, portanto, o lançamento é arbitrário, ilegal e injusto, eis que além de acarretar a bitributaçáo, também proporciona o enriquecimento sem causa, procedimento repudiado por nosso ordenamento jurídico. Por fim, no item intitulado "srs. julgadores a presente jurisprudência...", a notificada alega ter juntado recente Decisão da Ação Ordinária 97.00065782, onde a autora obteve nulidade de lançamentos que apresentavam vicios idênticos ao da NFLD sob analise. DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS Consoante Relatório Fiscal e documento de fls. 549. a terceira vía da Notificação foi encaminhada a empresa prestadora de serviços STME Serviços Técnicos de Manutenção Rep. E Engenharia Ltda. que a recebeu em 11/02/2003, sem, entretanto, apresentar defesa ou quitar o débito no prazo legal. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 11.401.4/0358/2003 Às fls.564 a 571, foi emitida a DecisâoNotificaçáo n° 11.401.4/ 0358/2003, enviada ás empresas prestadora e tomadora dos serviços, onde foi mantido integralmente o lançamento fiscal. DO RECURSO À DECISÃONOTIFICAÇÃO N° 11.401.4/ 0358/2003 Inconformada com a DecisãoNotificaçáo n° 11.401.4/0358/2003, a empresa notificada USIM1NAS interpôs recurso, acostado ás 581 a 614, acompanhado do depósito recursal, conforme GPS ás fls.615. DA DILIGÊNCIA FISCAL APÓS O RECURSO Tendo em vista as alegações do recorrente e documentação anexada, o processo foi baixado em diligência, consoante despacho de fls.618. Em resposta à diligência requerida, a fiscalização juntou os documentos de fls. 620 a 636, prestou os esclarecimentos, aqui relatados em síntese, e propôs a retificação do lançamento: Apesar de solicitado no TIAD de 21/06/2002 e reiterado em TIAD específicos de 03/07/2002 e 24/09/2002, a empresa não apresentou no decorrer da ação fiscal os documentos necessários á elisão da responsabilidade solidária referente aos serviços executados pela empresa STME Serviços Técnicos de Manutenção Representação e Engenharia Ltda. Analisando os contratos anexados aos autos foram verificadas as seguintes condições: Fl. 1191DF CARF MF 6 Os contratos de n° 8957 (fls.120/129), 9980 (fls.197/208), 9830 (fls.183/188), 10243 e 10680 (fls.224/229), referemse â manutenção, recuperação e montagem de equipamentos sem cessão de mão de obra, não estando caracterizada a empreitada de serviços de construção civil, visto que não se encontram elencados no Anexo III Discriminação de obras e Serviços de Construção Civil da IN 69, de 10/05/2002. Os valores lançados relativos a estes contratos serão excluídos do lançamento. O contrato n° 9020 (Ms. 130/175) referese a cessão de mão de obra e não a empreitada de construção civil, devendo os valores lançados serem excluídos, visto que a fundamentação legal da presente NFLD referese a serviços de empreitada de construção civil. Os valores excluídos deverão ser objeto de nova notificação com a fundamentação legal adequada. Os contratos de n° 9825 (176/182) , 9978 ( fls.189/196) , 10.166 (fls. 209/223), referemse a empreitada de serviços de construção civil elencados no Anexo III da IN 69, de 10/05/2002, nos diversos grupos ali discriminados, e deverá ser mantido o lançamento, retificandose o percentual de aferição do salário de contribuição de 40% (quarenta por cento) para 20% (vinte por cento), uma vez que constam nos contratos o fornecimento de material necessário á execução dos serviços, embora nas notas fiscais apresentadas á época da ação fiscal não tenham sido discriminados os valores. SP SANTOS DRF Fl. 699. Foi mantido o crédito, conforme lançado, relativo aos contratos de n° 11.223 e 11.243 ,uma vez que os mesmos não foram apresentados As GRPS apresentadas na defesa são genéricas e não estão de acordo com as formalidades exigidas pela legislaçõo para que a empresa tomadora se elida da responsabilidade solidária . Em razão da falta de comprovação de vinculação das guias apresentadas com os serviços prestados, as mesmas não puderam ser acolhidas. DA REFORMA DA DECISÀONOT1FICAÇÃO E RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo em vista a as informações da fiscalização, ãs fls.620 a 636, o Serviço de Análise de Defesas e Recursos, emitiu a Reforma de DecisãoNotificação n° 11.401.4/0126/2004, juntada às fls. 690 a 702, retificando o lançamento, conforme DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado, juntado às fls. 703 a 710. As empresas Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A USIMINAS e STME Serviços Técnicos de Manutenção Representação e Engenharia Ltda, foram cientificadas da Reforma de DecisãoNotificação n° 11.401.4/0126/2004. Contra à Reforma de DecisãoNotificação n° 11.401.4/0126/2004, as empresas USIMINAS e STME, apresentaram recursos. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos emitiu as contras razões de recurso e o processo foi Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.190 7 encaminhado ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, para julgamento. Através do Acórdão n° 02/217/2005, de fls.996 a 999, a 2ª CaJ – Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, determinou a nulidade da Decisão Notificação (DN) com fundamento no Parecer/CJ/MPS n° 2376/2000, para que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal no prestador de serviços, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias exigidas no levantamento. O processo foi encaminhado para diligência, conforme despacho de fls. 1003, do serviço de Análise de Defesas e Recursos. Às fls.1034, foi emitido Relatório de Diligência Fiscal, contendo os seguintes esclarecimentos: Que em 14 de setembro de 2011, foi efetuado diligencia junto ao endereço da empresa STME Serviços Técnicos de Man. e Engenharia Ltda, constante dos sistemas da Receita Federal do Brasil, na Rodovia Cónego Domênico Rangoni, s/ n° Km 6 COSIPA, JD. DAS INDÚSTRIAS CUBATÃOSP , a qual resultou infrutífera. Que por duas vezes se dirigiu ao endereço da sócia administradora Sra. Cristiane Paula Cordeiro, CPF 267.063.37811, na rua Walter Narciso do Amparo, 86 Guarujá SP, não logrando êxito para entregarlhe pessoalmente o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, chegando a deixar uma cópia na caixa de correio. Que em seqüência, enviou novo Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, para a residência da sóciaadministradora Cristiane Paula Cordeiro, CPF 267.063.378 11, na rua Walter Narciso do Amparo, 86 Guarujá SP, datado de 21/10/2011, recebido via correio em 28/10/2011, conforme AR n° RQ 14399387 6 BR, e novamente não logrou êxito no intento de conseguir a documentação necessária para instruir a diligência determinada pela 2a.Câmara de Julgamento do CRPS. Que pelos motivos acima expostos não foi possível efetuar a Diligência Fiscal de forma conclusiva e por este motivo foi lavrado em 13/12/2011, o Auto de Infração AIOADEBCAD: 51.015.4964, Processo COMPROT: 15983720577/201153, por deixar a empresa de apresentar os Livros Diários e Razões, folhas de pagamento, contratos sociais e alterações, referentes ao período de 01/06/1995 a 31/12/1998, o que constitui infração a Lei 8.212, de 24/07/91, art. 33, parágrafo 2o e 3o, combinado com o art. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/99, tendo sido enviado para a residência da sócia administradora Sra. Cristiane Paula Cordeiro, CPF 267.063.37811, na rua Walter Narciso do Amparo, 86 Fl. 1193DF CARF MF 8 Guarujá SP, pelo correio conforme AR RQ 14574594 8 BR, recebido em 17/12/2011. Cópia do Processo acima epigrafado está à disposição do contribuinte através do ECAC, considerando que este foi transformado em processo digital, acessível por Certificado Digital. Nos termos do Decreto 70.235, de 06/03/72, fica o sujeito passivo cientificado do teor da resposta a esta diligência fiscal, com abertura do prazo legal de 30 (trinta) dias para manifestação.(recebida em 06/04/2012, conforme documentos de fls.1051 a 1055). A Usiminas, em 07/05/2012, apresentou impugnação de fls.1064 a 1075, com as seguintes manifestações sobre o resultado de diligência, aqui relatadas em apertada síntese: Que a empresa prestadora passou por procedimento de fiscalização total durante o período abrangido pela NFLD, conforme comprova a tela da Gerência Executiva da Secretaria da Receita Previdenciária, juntada às fls.989 (renumerada para 1002). Constatada a ocorrência da fiscalização na contabilidade da empresa prestadora no mesmo período abrangido pela autuação sofrida pela empresa tomadora, temse que, nos termos do acórdão do CRPS (fl. 985), a existência de fiscalização total "leva à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do 'bis in idem'". Assim, constatado que o prestador já havia sido fiscalizado, não há como exigir o crédito de outro devedor, conforme entendimento do CCMF que transcreve. Que caso se confirme a hipótese de os valores exigidos terem sido incluídos no parcelamento da empresa prestadora, o débito discutido nos presentes autos deve ser imediatamente cancelado, sob pena de se configurar, novamente, o bis in idem. Requer que seja feita nova diligência para que as providências ordenadas pelo CRPS sejam devidamente cumpridas, tanto a primeira delas, quanto a segunda. E, caso o débito parcelado de fato corresponda às competências lançadas no presente auto de infração, seja declarada a improcedência do lançamento. Que por culpa exclusiva da Administração Tributária, as provas não puderam ser encontradas, pois somente se procedeu à obtenção dos documentos junto à empresa prestadora depois de decorridos cerca de 15 anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. A obrigação da empresa em guardar referidos documentos limitase ao período de cinco anos depois de ocorridos os respectivos fatos geradores. A fiscalização, no entanto, só procedeu a esta busca quando o prazo estipulado em lei já havia expirado há tempos. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.191 9 Ora, é certo que se a Administração Tributária tivesse diligenciado junto à empresa prestadora de serviços para apurar o crédito tributário, facilmente obteria os documentos necessários. De fato, durante o período em que a prestadora foi autuada por deixar de recolher as contribuições previdenciárias (02/93 a 08/97), o débito foi levantado com base nas folhas de pagamentos, nos recibos de pagamento e no RAIS Relação Anual de informações Sociais, ou seja, não houve necessidade de apuração por arbitramento (fls. 801 e 888). Com base na Decisão do CRPS e no Parecer nº 2376, de 2000, diz que é inadmissível que se prossiga com a cobrança do crédito em relação a um dos responsáveis solidários, sendo que ele também pode ter sido constituído junto ao contribuinte que, por sua vez, pode ter parcelado ou até mesmo quitado o débito junto à Fazenda. Daí a importância das diligências enumeradas pela CRPS. Porém, conforme relatado, a busca junto à contribuinte (empresa tomadora) pelos documentados relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1995 a 1998 só ocorreu em 2011. Ou seja, cerca de 15 anos depois. Neste sentido, considerandose que a fiscalização deveria ter tomado estas providências à época da autuação, certo é que a Requerente não pode ser prejudicada por uma omissão que não é sua. Até mesmo porque, a prevalecer tese contrária, o Fisco estaria se beneficiando da própria torpeza, o que é repudiado pelo Direito. Ainda que a solidariedade não admita o benefício de ordem, fato é que a documentação necessária para a apuração do crédito tributário deveria ser obtida junto à empresa prestadora de serviços, quem era efetivamente obrigada por lei a guardálos. Não há que se falar, portanto, em recusa ou sonegação de documentos ou informações por parte da Requerente/empresa tomadora. Extinção do crédito, relativo às competências antes de 12/1997, em razão da decadência, com base no §4º ,do artigo 150, do Código Tributário Nacional – CTN. Por fim, solicita que seja determinado, em caráter de urgência, o levantamento do depósito recursal comprovado à fl. 603 do PTA, ante a inconstitucionalidade de sua exigência.” 2 – A DRJ julgou procedente em parte o lançamento em decisão assim ementada: Fl. 1195DF CARF MF 10 Assunto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÃO PREV1DENCIÁRIA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NÃO ELISÃO. A empresa responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias não adimplidas pelo contratado para executar serviços de construção, reforma ou acréscimo, nos termos do artigo 30, VI, da Lei n.° 8.212/91 SOLIDARIEDADE PASSIVA. COBRANÇA DIRIGIDA A TODOS OS COOBRIGADOS. Na ocorrência de solidariedade passiva prevista no art. 30, IV, da Lei 8.212/91, o sujeito ativo pode escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E poderá fazêlo em relação a apenas um deles ou em relação a todos os coobrigados. DECADÊNCIA. A decadência das contribuições previdenciárias devese operar em cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional, em decorrência da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. GUARDA DE DOCUMENTOS E LIVROS FISCAIS. PRAZO. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, conforme parágrafo único, do artigo 195, do Código Tributário Nacional CTN. 4 – O Contribuinte recorreu às fls. 1.148/1.169 repisando os mesmos argumentos de defesa pedindo o provimento do recurso voluntário. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.192 11 6 – Essa matéria não é nova nessa C. Turma sendo que nos AC. 2201.004.075, 2201.004.078, 2201.004.083, 2201.004.076, 2201.004.077, 2201.004.081, 2201.004.079, 2201.004.080 e 2201.004.0082 todos de minha relatoria e do AC. 2201003.412 voto vencedor da relatoria do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em que tratamos de casos similares a esses. 7 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas no recurso em vista do seu provimento quanto ao mérito aplicando o princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decretolei 70.235/72 que se pode afirmar que, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". 8 – No mérito entendo que o recurso merece provimento. Conforme dito alhures tomando como base os julgados acima indicados por esse Relator, esse lançamento iniciouse na época da antiga Secretaria da Receita Previdenciária. 9 – Tomandose por base os fundamentos utilizados na decisão notificação Nº 11.401.4/0126/2004 de fls. 996/998 do CRPS reproduzidos pelo contribuinte em recurso, verificamos que consoante o que ocorreu nos julgados citados anteriormente, nesse caso houve o mesmo diagnóstico por parte do antigo Conselho de Recursos da Previdência Social que diz: EMENTA. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE DO ART. 30, VI, DA LEI 8.212/91. Ocorrendo uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por parte do responsável pelo tributo, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo PARECER/ CJ/MPS n2 2.376/2000. Deve ser apurado o crédito tributário junto ao prestador, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário. ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO Fl. 1197DF CARF MF 12 “A análise do processo em apreço e nos demais incluídos na mesma ação fiscal contra a USIMINAS demonstra que a Autarquia não teve o cuidado demonstrado no Parecer/CJ/MPS nB 2.376/2000, de se evitar a cobrança em duplicidade, pois não ficou evidenciada nenhuma ação tendente a verificar se a cedente de mãodeobra adimpliu suas obrigações previdenciárias. Assim sendo, determino que seja anulada a Decisão Notificação, para que sejam cumpridas as seguintes exigências: Verificar se a prestadora teve fiscalização total no período abrangido pela NFLD ou se aderiu ao REFIS, em período concomitante com o lançamento fiscal da NFLD em apreço. Consta do Recurso que parte do débito lançado nesta NFLD, ou seja, o período compreendido entre 04/98 a 01/00 foi incluído no REFIS. A existência de uma das situações, fiscalização total, ou adesão ao REFIS por si só já leva à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do "bis in idem". No entanto, caso não se verifique nenhuma destas duas situações, deve ser analisada a contabilidade da prestadora dos serviços, para comprovar a regularidade de suas contribuições perante a Previdência Social, no período abrangido por esta NFLD, assegurando a existência do crédito imputado à Recorrente por solidariedade. Atentar para a verificação do prazo de vigência do contrato de prestação do serviço, e não somente do lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Face ao exposto, VOTO POR ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO, para que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte do cedente de mãodeobra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário.” Sem grifos no original 10 – Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida, ao dizer “VOTO POR ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO” e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram restando claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse se houve fiscalização total no prestador do serviço no período abrangido pela NFLD; se houve parcelamento por parte do prestador de serviço em relação às contribuições objeto da NFLD no solidário e em caso de negativa que providenciasse elementos mínimos de auditoria no Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.193 13 prestador, no caso a análise de sua contabilidade, para levantar elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. 11 Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. 12 Patente a inovação dos argumentos do Fisco no Relatório Fiscal de fls. 1.034/1.035. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela, dependeria da análise de elementos mínimos de auditoria na contabilidade da prestadora de serviço na contribuinte SMTE Serviços Técnicos de Manutenção e Engenharia Ltda., que não foi encontrada no endereço em que consta na Receita Federal, providenciando a autoridade lançadora apenas a diligência para a entrega da intimação no endereço do sócio sem lograr êxito: Fl. 1199DF CARF MF 14 13 – A meu ver a autoridade lançadora tinha outros métodos legais para providenciar o lançamento para a constituição do crédito no sujeito passivo principal que é o prestador de serviço, contudo, não os utilizou. 14 – Além disso, verifico que às fls. 1.002 existe tela de verificação de fiscalizações perante o prestador de serviço STME indicado pela Gerência Executiva da Secretaria da Receita Previdenciária Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.194 15 15 – A manifestação da fiscalização às fls. 1.003 chega a dizer que no período deste lançamento 01/06/1995 a 31/12/1998 não houve fiscalização na prestadora, contudo, cotejando a tela de fls. 1.002 acima reproduzida com a informação da fiscalização, verificamos que são contraditórias e sem qualquer justificativa plausível para se manter a negativa da informação em relação a falta de fiscalização no prestador. 16 – Portanto, resta inegável o vício esculpido no lançamento original, sendo que a decisão da antiga CRPS na realidade anulou o lançamento por vício material, sendo que na época havia necessidade de produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. 17 De fato, a decisão do CRPS, atecnica como visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. 18 – Nesse ponto, também adoto como razões de decidir parte do voto do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no Ac. 2201003.412 j. 17/01/17, verbis: O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração Fl. 1201DF CARF MF 16 não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.195 17 "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" Fl. 1203DF CARF MF 18 19 Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal de fls. 1.034/1.035 por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. 20 – Portanto, o lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2/28, consubstancia pelo Relatório Fiscal de fls 43/53, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração na prática de novo relatório fiscal que explicitasse novo relatório fiscal do qual constasse se houve fiscalização total no prestador do serviço no período abrangido pela NFLD; se houve parcelamento por parte do prestador de serviço em relação às contribuições objeto da NFLD no solidário e em caso de negativa, que providenciasse elementos mínimos de auditoria no prestador, no caso a análise de sua contabilidade, para levantar elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. 21 Ocorre que tal lançamento, consubstanciado no relatório fiscal de fls. 1.034/1.035 relativo às competências 01/06/1995 a 31/12/1998 se aperfeiçoou com a ciência do recorrente em 05/04/2012 às fls. 1.052/1.053, fora, portanto até do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. 22 O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado e a conclusão exarada é no sentido da nulidade material do lançamento em razão da autoridade lançadora não ter verificado adequadamente o descumprimento da obrigação tributária principal pelo prestador de serviço e é nulo em razão da inovação consubstanciada no Relatório Fiscal que, ressaltese, corrobora o entendimento de que não houve, por ocasião do lançamento originário, a devida apuração do inadimplemento da obrigação principal pelo prestador de serviço. Conclusão Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.196 19 23 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e no mérito DAR PROVIMENTO para anular o lançamento em decorrência do vício material, na forma da fundamentação acima. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721701/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto.
ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS.
Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-005.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.635-9 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10320.721701/2012-69
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888843
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.568
nome_arquivo_s : Decisao_10320721701201269.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MATHEUS SOARES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10320721701201269_5888843.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.635-9 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7384049
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588902588416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 144 1 143 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.721701/201269 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.568 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente AGRÍCOLA CAMBURI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 01 /2 01 2- 69 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 145 2 laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 146 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento n° 03201/00021/2012 (fls. 03/06), contra o contribuinte acima qualificado, decorrente de procedimento de revisão de Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao exercício de 2008, referente ao imóvel denominado “Fazenda Ourives III”, localizado no município de Barra do Corda (MA), com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359 (fls. 03). Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o contribuinte, após regularmente intimado, não teria comprovado a área efetivamente ocupada com reflorestamento declarada, nem mesmo a área efetivamente utilizada para fins de exploração extrativa declarada, o que motivou a alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR. A modificação imposta ocasionou a alteração da área utilizada e consequentemente do grau de utilização do imóvel, levando a modificação da alíquota incidente, nos termos da lei, antes de 0,30, para 8,60, ocasionando saldo suplementar a pagar no valor histórico de R$ 51.640,94, com fundamento no art. 10, § 1°, inciso V, alíneas “a” e “c” da Lei n° 9.393/96, além da multa de 75% (setenta e cinco por cento), no montante histórico de R$ 38.730,70, capitulada no art. 44, inciso I, § 1° e 3° da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, além dos juros de mora, previstos no art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Após efetivada ciência da Notificação do Lançamento de ITR (fls. 10), o contribuinte, tempestivamente, compareceu aos autos apresentando sua Impugnação (fls. 13/33), com os seguintes argumentos, em síntese: (a) Deixou de informar áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas, porque a Receita Federal informava que a comprovação de tais áreas seria necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental que, na época, não estava disponível no site do Ibama, o qual só veio a ser expedido em 2011. (b) Não conseguiu transmitir a declaração retificadora do exercício 2008, após ter protocolado o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal junto à Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão, porque o sistema da Receita Federal não estava disponível naquela data, por isso o imóvel rural foi tributado como se não tivesse áreas isentas, resultando na cobrança de imposto bem elevado. Contudo, tem direito de retificar sua declaração porque adquiriu a espontaneidade e fazendo jus à isenção relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, para justificar seu entendimento cita a súmula 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e Solução de Consulta Interna nº 15 de 20 de maio de 2005. (c) O Código Florestal e a Lei nº 10.165/2000 não exigem para o reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas averbação na matrícula do imóvel tampouco apresentação do ADA, e cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e do Supremo Tribunal Federal para justificar seu entendimento sobre a matéria. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 147 4 (d) Houve violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade que se constituem como verdadeiros anteparos jurídicos necessários à segurança das relações jurídicotributárias bem como à estrita obediência ao princípio da verdade material. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0434.067, de 11/11/2013, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 100/109). É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2008 Nulidade do Lançamento. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Áreas Isentas. Tributação. Averbação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. A área de reserva legal deve estar averbada na matrícula do imóvel na data do fato gerador do ITR. Retificação dos Dados da DITR. Incabível a retificação dos dados da DITR quando não restar comprovado com documentos hábeis e idôneos conforme previstos na legislação tributária erro no preenchimento da declaração. Matéria não Impugnada – Áreas com Reflorestamento e Exploração Extrativa. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Para a exclusão das áreas de preservação permanente, reserva legal, bem como as áreas cobertas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, incluindo o Bioma Mata Atlântica, da incidência do ITR, é necessário a informação das áreas ambientais no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolizado dentro dos prazos previstos nos atos normativos do IBAMA. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 148 5 (b) Para a exclusão da área de reserva legal, fazse necessário a averbação tempestiva à margem da matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, conforme preceituam os artigos 16 e seus parágrafos e 44 e seu parágrafo único da Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/89 e pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, art. 1°; RITR/2002, art. 12. (c) Constam nos autos Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, ART, Certidão de Registro, mas o Ato Declaratório Ambiental de 2011 não regulariza o exercício 2008, face à anualidade de sua apresentação. Por outro lado, a área de reserva legal só foi averbada na matrícula em 16/06/2010. (d) Não sendo comprovada a isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas nativas mediante a apresentação do ADA protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama, não há como atender o pleito do contribuinte. (e) Por fim, no que diz respeito à glosa das áreas de exploração extrativa e reflorestamento não comprovadas, o contribuinte nada questionou. Dessa forma, considerase não impugnada essas matérias, vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67 da Lei nº 9.532/1997. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 114/128), no dia 05/02/2014, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) A recuperação da espontaneidade deferida mediante decisão unânime lavrada pelo Acórdão n. 0434067 devolveu ao contribuinte o direito de retificar sua declaração originária na Impugnação, operandose efeito ex tunc, isto é, desde a data anterior ao início da ação fiscal, possibilitando ao contribuinte realizar a retificação da declaração do ITR sem os efeitos do lançamento tributário, isto é, sem a aplicação da multa de ofício de 75% e seus consectários legais. (b) Deve ser aplicada a súmula 75 do CARF que dispõe que “a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo”, ficando afastado, no caso em julgamento, o óbice do enunciado n° 33 do CARF que prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. (c) O contribuinte é proprietário do imóvel rural com área total de 3.940,8 hectares, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), sob a matrícula n° 7740, possuindo 2.186,2 hectares a título de reserva legal, 67,3 hectares de área de preservação permanente, e, ainda, é detentor de área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, correspondente a 1.683,5 hectares e possui 3,6 hectares de benfeitorias, conforme a certidão de inteiro teor do imóvel, o Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica e o Ato Declaratório Ambiental (documentos ns. 03, 04 e 05 coligidos à defesa). (d) Entretanto, o contribuinte deixou de considerar as áreas informadas na declaração do ITR, pois, segundo a Receita Federal, para a comprovação de tais áreas, seria imprescindível a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, documento que na ocasião da Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 149 6 feitura da declaração original não estava disponível, pois o IBAMA somente veio a expedilo no ano de 2011, conquanto o requerimento do Termo de Averbação de Reserva Legal tenha sido protocolado na Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão – SEMA, em data anterior (documento n. 06 da defesa). (e) A Lei 9.393/96 que disciplina o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na redação anterior ao advento da Lei 12.651/2012 (novo Código Florestal), não traz em seu bojo a exigência de prazo para averbação de reserva legal, tampouco a exigência de Ato Declaratório Ambiental – ADA para comprovação da área de reserva legal, de preservação permanente e coberta por florestas nativas. (f) A única exigência prevista no antigo Código Florestal, aplicável à espécie, era a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis respectivo, sem estipulação de qualquer prazo para fazêlo (Medida Provisória n. 21667 que alterou a Lei 4.771/65, então em vigor, no início do procedimento fiscal). (g) E mesmo a Lei 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei 6.938/81, não ventilou qualquer exigência à observância de prazo para requerimento do ADA, não se podendo cogitar em impor como condição à isenção, a data de sua requisição/apresentação. (h) No caso do imóvel em questão, a averbação da Reserva Legal foi efetivada no Cartório de Registro de Imóveis antes do início da ação fiscal e já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E, quanto à área de preservação permanente e a área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, suficiente à comprovação o Laudo Técnico de Avaliação do imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, com apresentação de mapas e imagens captadas por satélite. (i) Assegurando a observância do princípio da verdade material, erigido ao status de lei, a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (j) A averbação da área de reserva legal, no Cartório de Imóveis competente, desde que realizada antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal, já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E mesmo o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir o benefício fiscal no âmbito do ITR, também no que diz respeito à área de preservação permanente. (k) Dessa forma, o imóvel em questão, possui área de preservação permanente correspondente a 67,3 hectares, a qual, mesmo sendo dispensada por lei a averbação em cartório, dispõe também de laudo técnico elaborado por profissional habilitado devidamente reconhecido pelo CREA, sendo meio hábil de prova, suficiente ao êxito da presente discussão. Não obstante, as áreas referidas são preexistentes ao fato gerador do imposto territorial rural, isto é, a propriedade em 1° de janeiro de 2008. (l) E, tratandose de área de preservação permanente devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, ainda que não apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente, impõese o reconhecimento da aludida área, Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 150 7 glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar em observância ao princípio da verdade material. Ao final, requereu a procedência do apelo para: (a) Declarar a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIFR sob o n. 1.661.6359, relativo ao exercício de 2008, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (b) Alternativamente, determinar que a autoridade fiscal promova a correta desoneração do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIRF sob o n. 1.661.6359, referente ao exercício de 2008, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, anteriores ao início da ação fiscal, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (c) Caso assim não entenda esse respeitável Conselho Administrativo, tendo em vista que já houve o reconhecimento da requisição da espontaneidade tributária da ora recorrente, que conceda ao contribuinte o direito de retificar a declaração original do ITR, relativa ao exercício de 2008 do imóvel cadastrado na Receita Federal do Brasil, sob o NIRF n. 1.661.6359, ante a existência das áreas de reserva legal, cobertas por floresta nativa (primária) e de preservação permanente no aludido imóvel, uma vez que não há como o contribuinte promover a retificação, já que o sistema da Receita Federal está indisponível para alteração/retificação de dados. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Conexão Esclareço que, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, o presente processo é conexo aos processos destacados abaixo, pois versam sobre Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 151 8 exigência de crédito tributário e pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, todos relativos ao imóvel com Código Fiscal sob o n° 0.047.4460, diferenciandose, entre eles, apenas em relação ao período em questão: Processo Exercício Imóvel 10320.721702/201211 2009 NIRF 1.661.6359 10320.721703/201258 2010 NIRF 1.661.6359 A discussão posta nos autos é pertinente, ainda, para os processos mencionados abaixo, pois possuem idêntica fundamentação de direito, embora relacionadas a fatos distintos, por se tratarem de imóveis distintos, conforme tabela abaixo: Processo Exercício Imóvel 10320.721698/201283 2008 NIRF 0.047.4460 10320.721699/201228 2009 NIRF 0.047.4460 10320.721700/201214 2010 NIRF 0.047.4460 10320.721704/201201 2008 NIRF 6.401.4835 10320.721705/201247 2009 NIRF 6.401.4835 10320.721706/201291 2010 NIRF 6.401.4835 10320.721707/201236 2008 NIRF 6.569.2071 10320.721708/201281 2009 NIRF 6.569.2071 10320.721709/201225 2010 NIRF 6.569.2071 Em todo o caso, os argumentos trazidos pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, são similares, diferenciandose apenas em relação ao período, e por vezes alterando, cirurgicamente, a ordem de alguns parágrafos ou acrescentando excertos jurisprudenciais. Por fim, destaco que todos os processos mencionados acima foram distribuídos a este Relator. 3. Considerações iniciais O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 152 9 manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, constato que não encontrei nenhum vício que macula o lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada, sendo o imposto e sua base de cálculo apurados com base na declaração apresentada pelo contribuinte à Receita Federal. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). Assim, passo a analisar o mérito. 4. Mérito 4.1. Sobre a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento A teor do disposto nos arts. 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) e 10 e 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tem se que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei n° 9.393/96). Iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7° Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 153 10 do Decreto n° 70.235/72. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. A propósito, é ver a redação do artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Na hipótese dos autos, o contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. Ainda que se considere a reabertura da espontaneidade do sujeito passivo, a denúncia espontânea deve vir acompanhada da declaração retificadora, e, antes do lançamento de ofício. Após esse prazo, a questão deve ser resolvida na Impugnação, com a análise dos argumentos postos pelo contribuinte para afastar o lançamento tributário e que, sendo sua pretensão acolhida pelo Colegiado, excluirá integralmente ou determinará o recálculo do imposto a pagar, com a retificação da declaração pela unidade da RFB responsável pelo cumprimento do decisum. 4.2. Da exigência do Ato Declaratório Ambiental para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Áreas Cobertas por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração Como se observa do relato introdutório, o cerne da questão posta nos autos é a discussão sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por florestas nativas, bem como a necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Inicialmente, sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal, e cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, cumpre esclarecer, o que dispõe a Lei nº 9.393/96, a respeito do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, conforme redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 154 11 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) O Decreto n° 4.382/02, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, tratou da área tributável da seguinte forma: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b"); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 155 12 competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c"). § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000). Ademais, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.165/00, passou a prever: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 156 13 Apesar da previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, entendo que o dispositivo não pode ser analisado isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA. Pela interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, e § 7° da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81, entendo que a exigência do ADA para fins de isenção do ITR diz respeito apenas às seguintes áreas: (a) de reserva particular do patrimônio natural; (b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput do artigo 10 do Decreto n° 4.382/02; (c) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Nas hipóteses acima, sendo o ADA exigido para fins de fruição da isenção, não cabe ao julgador afastar sua obrigatoriedade, invocando o princípio da verdade material, mormente em se tratando de exigência atinente ao ITR, de caráter nitidamente extrafiscal e que almeja a proteção do meio ambiente aliada à capacidade contributiva. Isso porque, muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Contudo, entendo que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal ou ambiental, estão excluídas da exigência do ADA para fins de fruição da isenção, em virtude do caráter interpretativo do disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96 e que trata expressamente dessas áreas. Ainda que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal, estejam mencionadas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02, a interpretação deve ser sistemática, excluindo a obrigatoriedade em razão da análise conjunta com o disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96. Tratase de aparente antinomia, resolvida pelo intérprete mediante o emprego da interpretação sistemática. A propósito, no tocante às áreas de preservação permanente e de reserva legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR1, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Temse notícia, inclusive, de que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR, relativamente aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, tendo a 1 É ver os seguintes precedentes: REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007; REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004; AgRg no REsp 1.395.393/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 31/03/2015. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 157 14 referida orientação incluída no item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). Já no tocante às áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, entendo que se encontram excluídas da exigência do ADA em virtude da ausência de sua menção no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Tratase de interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, “e”, da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81. Ainda que se considere o fato de que a introdução da exclusão da referida área da base de cálculo do ITR somente sobreveio com a vigência da Lei nº 11.428, de 2006, que incluiu a alínea “e”, no inciso II, do § 1°, da Lei nº 9.393/96, e que o Regulamento do ITR é do ano de 2002, época em que não havia, portanto, a referida previsão legal, não é possível a utilização do recurso da analogia para criar obrigações tributárias, sob pena de desrespeito ao art. 108, § 1°, do CTN. Se não houve a alteração formal da legislação, não cabe ao intérprete criar obrigações não previstas em lei. Ademais, ressalto, novamente, que a previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, não pode ser analisada isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA, não sendo o caso das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, por não estarem previstas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Dessa forma, ao contrário da decisão de piso, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das áreas de preservação permanente, reserva legal e das áreas cobertas por florestas nativas, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazêlo. E no tocante à questão probatória, reforço que o Laudo Técnico, referente ao ano de 2007, emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 55/71), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 78 e 80), identificou as áreas pertinentes ao imóvel denominado “Fazenda Ourives III”, elucidadas no demonstrativo abaixo: Exercício 2008 Demonstrativo do AI Distribuição da Área do Imóvel Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2007 Área Total do Imóvel 3.940,8 3.940,8 3.940,8 Área de Preservação Permanente 67,3212 Área de Reserva Legal 2.186,2397 Área Coberta por Florestas Nativas 1.683,5874 Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2007 Área com Reflorestamento (Essências Exóticas ou Nativas) 3.079,9 Área de Exploração Extrativa 855,9 O conjunto probatório acostado aos autos, ao meu juízo, permite atestar, com segurança, a existência dessas áreas, notadamente em razão dos seguintes documentos apresentados em sede de Impugnação: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 158 15 (a) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), constatando no Livro n° 2 do Registro Geral de Imóveis da Comarca, na matrícula n° 7740, que após levantamentos técnicos procedidos pelo Resp. Técnico – CREA – 1346/DPIVisto: 788MA – Gerson dos Santos Rodrigues, constatouse que a área encontrada foi de 3.940,8299 ha e não 6.900,00 ha (fls. 47). (b) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), afirmando que, no Livro n° 2 de Registro Geral de Imóveis (Registro Geral), na matrícula n° 7740, registro n° 03, em data de 31 de agosto de 2003, há o registro de uma Gleba de terras situada neste município, denominada Fazenda Vale do Rio Ourives (03), localizada no lugar Ourives, com uma área de 3.940,8299 ha (fls. 54). (c) Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural – NIRF 1.661.6359 emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 55/71), referente ao ano de 2007, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 78 e 80). (d) Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal TRARL, protocolizado junto à Sec. Est. Meio Ambiente (fls. 84). (e) Mapa de Uso do Solo, discriminando as áreas de Reserva Legal, Preservação Permanente, Remanescente e Benfeitorias, devidamente assinado por Engenheiro Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 78), informando que as coordenadas foram obtidas a partir de GPS de navegação (fls. 76). Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 55/71), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 47, 54 e 84. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 55/71) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. 4.3. Da exigência da prévia averbação de reserva legal no registro de imóveis como condição para a isenção do ITR No que diz respeito à necessidade prévia de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão para a isenção do Imposto Territorial Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 159 16 Rural, prevista no art. 10, II “a”, da Lei n° 9.393/96, o Superior Tribunal de Justiça2 pacificou as seguintes teses: (a) É indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo a averbação, para fins tributários, eficácia constitutiva; (b) A prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; e (c) É desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois essa área é delimitada a olho nu. Dessa forma, para a exclusão da área de reserva legal do cálculo do ITR, exigese sua averbação tempestiva e antes do fato gerador. Interpretação diversa não se sustenta, pois a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, que dispõe sobre a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal do cálculo do ITR, redação vigente à época, fazia referência às disposições da Lei nº 4.771/65 do antigo Código Florestal. E, ainda, o § 8° do art. 16 do Código Florestal exigia que a área de reserva legal fosse averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro competente. É ver a redação do dispositivo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A referida exigência, consta, ainda, expressamente no art. 12, § 1°, do Decreto n° 4.382/02, in verbis: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). 2 STJ EREsp: 1310871 PR 2012/02329655, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 23/10/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 04/11/2013. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 160 17 § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Também a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) prevê a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, conforme se observa do art. 167, inciso II, nº 22: Art. 167 No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. (...) II a averbação: (...) 22. da reserva legal. Assim, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de reserva legal, é imprescindível a averbação prévia da referida área na matrícula do imóvel, sendo o ato de averbação dotado de eficácia constitutiva, posto que, diferentemente do que ocorre com as áreas de preservação permanente, não são instituídas por simples disposição legal3. Apesar do § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96, dispensar a prévia comprovação da área de reserva legal por parte do declarante, nada mais fez do que explicitar a natureza homologatória do lançamento do ITR, não dispensando sua posterior comprovação que só perfectibiliza mediante a juntada do documento de averbação, em razão de sua eficácia constitutiva. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis, antes do fato gerador, deve ser exigida, portanto, como requisito para a fruição da benesse tributária, sendo uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR4. Isso porque, o ITR é um imposto que concilia a arrecadação com a proteção das áreas de interesse ambiental, e o incentivo à averbação da área de reserva legal vai ao encontro do desenvolvimento sustentável, por criar limitações e exigências para a manutenção de sua vegetação, servindo como meio de proteção ambiental. Também aqui, entendo que não cabe ao julgador invocar o princípio da verdade material, mormente em atenção à extrafiscalidade do ITR, pois muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Não cabe, pois, invocar a verdade material para o descumprimento de uma exigência legal e que está em consonância com a preservação do meio ambiente, aspecto ínsito ao caráter extrafiscal do ITR. 3 Nesse sentido: STJ EREsp 1027051/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 21.10.2013. 4 Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 161 18 A jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vem adotando o mesmo entendimento, ao exigir a averbação de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, como requisito para a isenção do ITR: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. (CARF Processo nº 10660.724592/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.977 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2017). ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção TERCEIRA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2301004.866 Data de decisão: 18/01/2017) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2202004.311 Data de decisão: 04/10/2017). ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. A averbação tempestiva é requisito indispensável à isenção de ITR para área de reserva legal. No caso dos autos a averbação ocorreu 2 anos após a ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos. (CARF Segunda Seção QUARTA CMARA PRIMEIRA TURMA ECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2401004.436 Data de decisão: 12/07/2016) ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 162 19 ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2201003.027 Data de decisão: 12/04/2016 ) Cumpre destacar, ainda, que o Código de Processo Civil de 2015, com aplicação subsidiária ao processo administrativo, por força de seu artigo 15, estimula a integridade das decisões proferidas, ao recomendar que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente” (art. 926 do NCPC/15). Por fim, observo que o contribuinte alega que o Termo de Averbação da Reserva Legal – TRARL foi emitido antes do início da ação fiscal, o que já seria suficiente para comprovar a existência da área de reserva legal e, por consequência, o direito à isenção garantido pela Lei n° 9.393/96. Contudo, conforme exposto, endosso o entendimento de que para o exercício do direito à exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR, é imprescindível a averbação da área à margem da matrícula do imóvel, antes do fato gerador, por ser ato constitutivo da própria reserva, não importando que a emissão do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal tenha ocorrido antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal. Dessa forma, entendo que o contribuinte não comprovou a averbação da área de reserva legal no registro competente, anteriormente ao fato gerador, impossibilitando a fruição do direito à isenção do ITR, relativamente a essa área, devendo ser mantida a glosa neste ponto. 4.4. Da Área Ocupada com Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à Atividade Rural A recorrente discorre, brevemente, em seu petitório recursal, alegando ser proprietária do imóvel rural com área total de 3.940,8 ha, em 2008, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), possuindo 3,6 ha como área de benfeitorias (estradas). Contudo, tratase de questão ventilada exclusivamente nesta instância revisora, impossibilitando que seja oferecida à apreciação do Colegiado, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não se constata existir pedido expresso para a consideração desta área, limitandose em discorrer sobre as áreas de reserva legal, de preservação permanente e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de revisar as informações na declaração do exercício de 2008, passando a constar as seguintes áreas, referentes ao imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359: (a) área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha; (b) área remanescente coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 163 20 Esclareço que a unidade da RFB responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao recálculo do imposto, segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, devendo a multa de 75% (setenta e cinco por cento) incidir sobre o saldo remanescente apurado. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar de seu voto na parte em que acolheu a comprovação da existência de área remanescente coberta por florestas nativas para fins de exclusão da área tributável do imóvel rural. A respeito dessa matéria controvertida, reproduzo excerto do voto do I. Relator: (...) Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 55/71), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 47, 54 e 84. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 55/71) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. (...) Pois bem. Na origem, a revisão da declaração pela fiscalização foi motivada pela ausência de comprovação das áreas declaradas pelo contribuinte como ocupadas com reflorestamento e para fins de exploração extrativa, o que resultou na alteração de ofício dos dados e exigência de imposto suplementar. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 164 21 Por ocasião do contencioso administrativo, o recorrente não se insurgiu contra tal aspecto da declaração, mas sim afirmou que havia deixado de incluir tempestivamente na declaração anual as áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas do seu imóvel rural, calculando o imposto como se não houvesse áreas isentas. Nessa hipótese, em que o contribuinte alega erro no preenchimento da declaração, recai sobre ele todo o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito. Em outros dizeres, cabe ao interessado demonstrar através de documentação hábil e idônea a existência das áreas, bem como o cumprimento dos requisitos legais para a exclusão da tributação. Para os imóveis rurais nos quais há áreas cobertas por florestas nativas, prescreve o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "e", da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (...) Como se observa do texto da Lei nº 9.393, de 1996, as áreas cobertas de florestas nativas são passíveis de exclusão do montante tributável por força de lei, desde que comprovado o estágio médio ou avançado de regeneração. Todavia, como assinala o I. Relator em seu voto, o laudo técnico acostado aos autos não permite inferir que a área coberta por florestas nativas encontrase em estágio médio ou avançado de regeneração, tal qual exigido em lei. Não se trata de inovação no julgamento em instância recursal, porque a área coberta por florestas nativas não havia sido declarada e, portanto, não foi objeto de avaliação pela autoridade fazendária. Por isso, tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico do lançamento fiscal. Ao interpor o recurso voluntário, toda a matéria correspondente foi devolvida à apreciação pelo órgão de segunda instância administrativa. Na falta de comprovação pelo contribuinte que a área do imóvel cumpre os requisitos legais, inviável a sua exclusão para fins de redução do imposto devido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 165 22 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tão somente uma área de preservação permanente no total de 67,3212 ha. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001502/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS. OMISSÃO DE COMPRAS. A afirmação genérica da contribuinte-recorrente de que os apontamentos fiscais decorreriam de informações prestadas por terceiros, sem que, para tanto, seja apresentado qualquer registro e/ou prova fática capaz de elidir a aplicação da presunção fiscal, não se mostra suficiente para a desconstituição do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 1301-001.218
Decisão: Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso interposto, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS. OMISSÃO DE COMPRAS. A afirmação genérica da contribuinte-recorrente de que os apontamentos fiscais decorreriam de informações prestadas por terceiros, sem que, para tanto, seja apresentado qualquer registro e/ou prova fática capaz de elidir a aplicação da presunção fiscal, não se mostra suficiente para a desconstituição do crédito tributário lançado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19515.001502/2006-80
conteudo_id_s : 5892736
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-001.218
nome_arquivo_s : Decisao_19515001502200680.pdf
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
nome_arquivo_pdf_s : 19515001502200680_5892736.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso interposto, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
id : 7394249
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588912025600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001502/200680 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.218 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2013 Matéria IPRJ Omissão de receitas Recorrente MARINHO COMÉRCIO DE CIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS. OMISSÃO DE COMPRAS. A afirmação genérica da contribuinterecorrente de que os apontamentos fiscais decorreriam de informações prestadas por terceiros, sem que, para tanto, seja apresentado qualquer registro e/ou prova fática capaz de elidir a aplicação da presunção fiscal, não se mostra suficiente para a desconstituição do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso interposto, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 02 /2 00 6- 80 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão recorrida, destaco: MARINHO COMÉRCIO DE CIMENTOS LTDA, já qualificada nos autos, teve contra si lavrado o Auto de Infração (AI) de fls. 238/244, para a formalização da exigência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo aos anoscalendário de 2001 e 2002 (1° trimestre), no montante de R$ 451.740,17, incluídos os correspondentes encargos legais. Segundo a descrição dos fatos contida na peça vestibular e o detalhamento das circunstâncias que motivaram a presente autuação, constante do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 235/237 que leio em Sessão para um perfeito conhecimento do litígio por parte do Colegiado a exigência resultou da constatação de omissão de receita operacional, caracterizada por falta de comprovação da origem dos recursos utilizados para o pagamento de compras não registradas no livro Registro de Entradas de Mercadorias, conforme informações obtidas junto a fornecedores da Fiscalizada, a qual, também, deixou de escriturar os livros Caixa e Diário concernentes ao citado anocalendário (2001). Acrescenta o autor do feito, que a Fiscalizada foi intimada em mais de uma oportunidade, a justificar a referida falta de escrituração, assim como, a comprovar a origem dos recursos utilizados para o pagamento das compras não escrituradas, não se obtendo resposta; aduz, por fim, que forneceu à Autuada, cópias das planilhas entregues pelos seus fornecedores e da Planilha Consolidada Mensal, contendo os dados apurados no procedimento fiscal. A exigência foi fundamentada no artigo 40, da Lei n° 9.430, de 1996, combinado com o artigo 528, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99). De acordo com os Autos de Infração de fls. 245/251, 252/258 e 259/265, foram também exigidas, como lançamentos reflexos, as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), além da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos quais se constituiu o crédito tributário nos valores totais de R$ 167.159,70, R$ 771.507,38 e R$ 276.176,92, respectivamente. Inconformada com as exigências, das quais tomou ciência em 29/08/2006 (fls. 242), a Autuada, por meio de sua procuradora (mandato às fls. 292) apresentou, em 28/09/2006, a impugnação de fls. 268/291, onde, preliminarmente, argúi a decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar exigências do IRPJ e das contribuições sociais relativas a fatos geradores ocorridos até julho de 2001, em razão de o crédito tributário já se achar extinto na data da autuação, devendo ser aplicada a norma contida no parágrafo 4°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional (CTN), conforme jurisprudência citada. Quanto ao mérito, contesta os lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001502/200680 Acórdão n.º 1301001.218 S1C3T1 Fl. 3 3 1. não ocorreu a hipótese de incidência do IRPJ, tendo em vista a inexistência de renda, conforme conceituado no artigo 43, do Código Tributário Nacional (CTN); 2. a exigência fiscal se fundamentou em uma presumida omissão de receitas, caracterizando um estouro de caixa, pois teriam ocorrido pagamentos com recursos à margem da escrituração comercial e fiscal da empresa; 3. nos termos do trecho da acusação fiscal que transcreve, o lançamento de ofício teve por base a ausência de comprovação da origem dos recursos utilizados no pagamento das compras realizadas, não configurando quaisquer das hipóteses de presunção de omissão de receitas previstas nos artigos 281, 283 e 287, do RIR/99; 4. contrariando o disposto no artigo 9°, do Decreto n° 70.235, de 1972, o procedimento fiscal não se acha instruído com provas documentais que corroborem o lançamento, já que não foram juntados quaisquer documentos, notas fiscais, ou mesmo as supostas declarações apresentadas pelas empresas fornecedoras, limitandose à simples menção de valores e tabelas; assim, não há como se garantir que essas informações sejam verdadeiras; 5. segundo a Autuada, não lhe foi assegurado o direito à ampla defesa, pois pode ter ocorrido um erro de lançamento do Auditor, ou até um falso lançamento por parte das empresas que forneceram as informações, que, por motivo qualquer, precisavam emitir as referidas notas fiscais para esconder alguns de seus negócios escusos; 6. a Impugnante traça um paralelo dessa situação com a obrigatoriedade de a impugnação ser instruída com todas as provas que o contribuinte dispuser, para concluir que não procedem as informações contidas no AI, por não terem sido devidamente comprovadas em tempo hábil, restando precluso o direito de a Fazenda juntar novos documentos, sob pena de violação do princípio da ampla defesa e tratamento igualitário das partes litigantes; 7. segue desenvolvendo a tese, agora se arrimando na doutrina e na jurisprudência, para negar a ocorrência de ilícito tributário, e, em conseqüência, da hipótese de incidência do IRPJ e das demais exações lançadas no procedimento fiscal, por inexistência de base de cálculo, devendo ser decretada a nulidade da constituição do crédito tributário formalizado nos AI. Pede, ao final, que seja julgado improcedente a autuação. A competência desta DRJ/F'ortaleza/CE para a apreciação do presente processo se acha definida pela Portaria RFB n° 336, de 22/02/2008, publicada no DOU de 25/02/2008. A partir dessas considerações, analisando os termos da impugnação apresentada pela contribuinte, manifestouse a douta DRJ Fortaleza (CE) pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, em decisão que assim restou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA • JURÍDICA IRPJ Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 Anocalendário: 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NULIDADE DO PROCEDIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DECADÊNCIA. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTOS. OMISSÃO DE COMPRAS. Não restando configurados os alegados vícios no procedimento fiscal, descabe a nulidade do lançamento pleiteada pelo sujeito passivo. Tratandose de período de apuração em que a lei atribui definitividade ao pagamento do imposto apurado trimestralmente pelo sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário relativamente ao IRPJ, deve observar o disposto no artigo 150, §4o do Código Tributário Nacional (CTN). Caracteriza omissão de receita, não elidida pela defesa, a ausência de registro de compras nos livros fiscais, cumulada com a falta de comprovação da origem dos recursos utilizados para o seu pagamento, na hipótese de o contribuinte não exibir os livros de sua escrituração contábil. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) DECADÊNCIA LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de período de apuração em que a lei atribui definitividade ao pagamento do tributo apurado periodicamente pelo sujeito passivo, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário deve observar o disposto no artigo 150, § 40, do CTN. No caso de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte Intimada a contribuinte no dia 19/03/2009, foi por ela então interposto o seu Recurso Voluntário no dia 14/04/2009, repisando os argumentos apresentados em sua impugnação a título de “mérito”, e, ao final, requerendo a reforma da decisão proferida, nos termos ali então apresentados. Em rápida síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A partir da análise dos elementos contidos nos autos, e, ainda, a partir daquilo que afirmado pela contribuinte, verificase que a situação aqui debatida referese, especificamente, às análises empreendidas pelas autoridades fiscais em relação às operações realizadas pela contribuinte, especificamente no que diz respeito às operações de compras e alienações de mercadorias e produtos nos períodos de 2001 a 2005. O que chama a atenção, sobretudo a partir da leitura dos termos do Recurso Voluntário interposto, é que a contribuinte, a todo instante, afirma não ter realizado as referidas Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 19515.001502/200680 Acórdão n.º 1301001.218 S1C3T1 Fl. 4 5 aquisições e, ainda, que a autuação decorreria exclusivamente das informações prestadas por terceiros, não sendo suficientes – em seu entender – para considerar como efetivamente realizados os fatos geradores apontados. Na verdade, a contribuinte chega a sugerir que as referidas “vendas” poderiam decorrer de atos ilícitos praticados pelos próprios fornecedores, a ela não podendo então ser imputados, da forma como efetivado na autuação perpetrada. Entretanto, analisando as informações contidas no Termo de Verificação Fiscal, verificase que, ao contrário do que pretende sugerir a contribuinte, o encaminhamento de solicitação de informações aos fornecedores indicados (Cia de Cimentos do Brasil, Holcim Brasil S.A., Itabira Agro Industrial S.A., Companhia de Cimento Ribeirão Grande e Cimento Tupi S.A.) foi efetivada a partir dos parcos registros por ela própria apresentados, sendo certo e também inconteste nos presentes autos que a contribuinte simplesmente não apresentou (por não as possuir, segundo expressamente declara) diversas informações contábeis exigidas pela fiscalização e obrigatórias por termo de lei, como o Livro Caixa, o Livro Registro de Inventário, e diversas outras informações solicitadas. A partir da verificação dessa realidade fática apontada, verificase que, de forma diversa da que pretende ver afirmado pela contribuinte, a aplicação da presunção fiscal de omissão de receitas decorreu, exatamente, da completa ausência de informações prestadas por ela própria, não podendo agora, sob o argumento da ausência de contraditório e/ou invalidade das presunções, escudarse das imposições efetivadas. Diante dessas considerações, entendo por completamente inexistentes as invalidades apontadas, decorrendo a aplicação da presunção fiscal, exatamente, da negativa apresentada pela própria contribuinte em informar a origem, os destinos e a regularidade de suas operações. Nessa linha, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, mantendo, assim, em todos os seus termos, a decisão proferida em primeira instância, nos termos e fundamentos ali então especificamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11618.001024/2005-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002
ARGAMASSA PARA REJUNTE. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3214.10.10
Argamassa para rejuntamento (Rejunte), resultante da mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), aditivo para hidratação do cimento (retentor de água), pigmento (corante), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para rejuntar placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos, em áreas internas e externas. Apresenta-se em pó seco e é empregada na construção civil. Classifica-se no Item 3214.10.10 da NBM/TIPI, então vigente.
ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3824.50.00
Argamassa para revestimento (Massa única), não refratária, resultante da mistura de cimento, cal hidratada, areia e aditivos (retentor de água e incorporador de ar), que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para reboco e chapisco de paredes e tetos, assentamento de blocos de concreto e regularização de pisos, em áreas internas ou externas. Apresenta-se em pó seco e é empregada na construção civil. Classifica-se na Subposição 3824.50.00 da NBM/TIPI, então vigente.
GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOSO IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e porconseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto.
Numero da decisão: 3302-005.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato de Almeida, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para afastar a reclassificação fiscal efetuada.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002 ARGAMASSA PARA REJUNTE. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3214.10.10 Argamassa para rejuntamento (Rejunte), resultante da mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), aditivo para hidratação do cimento (retentor de água), pigmento (corante), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para rejuntar placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos, em áreas internas e externas. Apresenta-se em pó seco e é empregada na construção civil. Classifica-se no Item 3214.10.10 da NBM/TIPI, então vigente. ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3824.50.00 Argamassa para revestimento (Massa única), não refratária, resultante da mistura de cimento, cal hidratada, areia e aditivos (retentor de água e incorporador de ar), que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para reboco e chapisco de paredes e tetos, assentamento de blocos de concreto e regularização de pisos, em áreas internas ou externas. Apresenta-se em pó seco e é empregada na construção civil. Classifica-se na Subposição 3824.50.00 da NBM/TIPI, então vigente. GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOSO IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e porconseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11618.001024/2005-67
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894168
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.611
nome_arquivo_s : Decisao_11618001024200567.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 11618001024200567_5894168.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato de Almeida, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para afastar a reclassificação fiscal efetuada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7401466
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588915171328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.136 1 1.135 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.001024/200567 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.611 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria Classificação Fiscal Recorrente POLIMASSA ARGAMASSAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002 ARGAMASSA PARA REJUNTE. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3214.10.10 Argamassa para rejuntamento (Rejunte), resultante da mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), aditivo para hidratação do cimento (retentor de água), pigmento (corante), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para rejuntar placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos, em áreas internas e externas. Apresentase em pó seco e é empregada na construção civil. Classificase no Item 3214.10.10 da NBM/TIPI, então vigente. ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3824.50.00 Argamassa para revestimento (Massa única), não refratária, resultante da mistura de cimento, cal hidratada, areia e aditivos (retentor de água e incorporador de ar), que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para reboco e chapisco de paredes e tetos, assentamento de blocos de concreto e regularização de pisos, em áreas internas ou externas. Apresentase em pó seco e é empregada na construção civil. Classificase na Subposição 3824.50.00 da NBM/TIPI, então vigente. GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOSO IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e porconseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 10 24 /2 00 5- 67 Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.137 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato de Almeida, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para afastar a reclassificação fiscal efetuada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no período de janeiro/2000 a setembro/2002, em razão de erro na classificação fiscal de argamassas para revestimento e argamassa para rejuntamento e de glosa de 50% dos créditos transferidos da filial para a matriz, conforme relatório fiscal de efls. 859/872, resultando em lançamento de saldos devedores de IPI e multa por falta de destaque de IPI nas notas fiscais. A recorrente adotou a classificação 3214.90.00 ex 01, enquanto a fiscalização entendeu que as argamassas para revestimento deveriam ser classificadas no código 3824.50.00 e as argamassas para rejuntamento no código 3214.10.10. Em impugnação, a recorrente refutou as reclassificações fiscais, bem como o crédito glosado na transferência recebida pela matriz. A Sexta Turma da DRJ em Recife julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002 Classificação incorreta de produto industrializado na NBM/TIPI As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, as Regras Gerais Complementares e a Regra Geral Complementar da TIPI são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializado (TIPI). Argamassa para rejuntamento (Rejunte), resultante da mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), aditivo para hidratação do cimento (retentor de água), pigmento (corante), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para rejuntar placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos, em áreas internas e externas. Apresentase em pó seco e é Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.138 3 empregada na construção civil. Classificase no Item 3214.10.10 da NBM/TIPI, então vigente. Argamassa para revestimento (Massa única), não refratária, resultante da mistura de cimento, cal hidratada, areia e aditivos (retentor de água e incorporador de ar), que, adicionada de água, forma uma massa utilizada para reboco e chapisco de paredes e tetos, assentamento de blocos de concreto e regularização de pisos, em áreas internas ou externas. Apresentase em pó seco e é empregada na construção civil. Classificase na Subposição 3824.50.00 da NBM/TIPI, então vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2000 a 30/09/2002 Recolhimento insuficiente de IPI. Imposto não destacado nas Notas Fiscais de Saída. Constatado que os produtos deram saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, com a emissão de Notas Fiscais, sem destaque do IPI, em decorrência de erro de classificação e, consequente incorreção de alíquota (que foi agravada de 0% para 10%), cabe o lançamento de ofício desse imposto, acrescido dos juros de mora. Diferença do IPI exigível juntamente com a Multa de Ofício. Com relação aos períodos para os quais, após o ajuste fiscal, resultou apurado saldo devedor de IPI, cabe exigir, juntamente com a diferença do imposto não recolhida, a multa de ofício pela falta de recolhimento dessa parcela do tributo. Falta de destaque do IPI nas Notas Fiscais de Saída. Multa de Ofício isolada. Relativamente aos períodos de apuração para os quais, mesmo após o ajuste fiscal, ainda resultou saldo credor de IPI, cabe a exigência da multa isolada de 75% pela falta de destaque do IPI nas respectivas Notas Fiscais de Saída. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, aduzindo as razões, a seguir, sintetizadas: 1. Que laudo técnico requerido pelo CARF em outros processos foi elaborado pelo Professor Givanildo Alves de Azeredo, do Laboratório de Ensaios de Materiais e Estruturas (LABEME) do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal da Paraíba, designado pela DRF/João Pessoa, tendo concluído que os produtos em análise tratavamse de indutos e que continham pelo menos duas das substâncias referidas no ex tarifário 01 do código 3214.90.00; Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.139 4 2. Que a Opinião Classificatória produzida por especialista do Centro Profissional de Comércio Exterior converge com as conclusões produzidas no laudo do LABEME, atestando que as argamassas são indutos e não mastiques; 3. Que os mástiques são destinados a preencher fendas e que as juntas de assentamento não são fendas; 4. Que o ex tarifário prevalece sobre a classificação em outra posição, ainda que distinta da do ex tarifário; 5. Que a solução de consulta utilizada como fundamento da autuação foi publicada em 8/6/2004, quando não mais existia o ex tarifário, abolido em 2002, não tendo a referida solução enfrentado a questão relativa ao ex tarifário; 6. Que a regra do artigo 148 do RIPI, utilizada como fundamento da glosa dos créditos transferidos para a matriz referese a uma relação comercial, não existente entre filial e matriz, e que houve apenas transferência de insumos da filial para a matriz, uma vez que a simples passagem pela filial não poderia resultar na glosa de 50% do crédito, uma vez que a filial seria estabelecimento filial, a teor do artigo 9º do RIPI/1998; 7. A reunião deste processo com os demais relativos aos pedidos de ressarcimento. Na sessão de 24/09/2013, esta turma, em outra composição, converteu o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem juntasse o laudo técnico e a informação fiscal produzidos no processo 11618.002225/0079. Em cumprimento da diligência, a unidade juntou o laudo técnicocientífico produzido pela LABEME – Laboratório de Ensaios de materiais e Estruturas da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba – FUNAPE, o qual concluiu que as argamassas podem ser consideradas como indutos e não como mástiques; que as argamassas analisadas continham pelo menos dois produtos discriminados no ex tarifário 01 do código 3214.90.00; que pedra britada não significa carbonato de cálcio. A informação fiscal refutou as conclusões do laudo técnico, explicitando a incompetência do perito para interpretar as notas do Sistema Harmonizado, que o grupo mástique não está restrito ao exposto no laudo, que a argamassa de rejuntamento não é argamassa utilizada para assentamento de ladrilhos e azulejos, e que as argamassas de revestimentos não são consideradas revestimento definitivo, justamente por não conferir boa aparência e por não cumprir a função de ser impermeável à umidade. Em manifestação sobre a informação fiscal, a recorrente refutou as conclusões fiscais e reiterou os argumentos e pedidos efetuados em recurso voluntário. Na forma regimental, o recurso foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.140 5 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pugna pela reunião deste processo com os relativos aos pedidos de ressarcimento listados na peça recursal. Embora seja evidente a conexão entre tais processos, a teor do artigo 6º, §1º, inciso I do Anexo II do RICARF, tal providência não será necessária, pois referidos pedidos de ressarcimento estão com resolução proferida no sentido de se aguardar o julgamento deste processo, a exemplo da Resolução nº 3801000.648 prolatada no processo nº 11618.001479/200230, cujo conclusão segue abaixo transcrita: "Nesse sentido, voto por julgar converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que a autoridade preparadora aguarde o julgamento definitivo do processo n.º 11618.001024/200567 e após junte aos autos a decisão final do auto de infração supra referido, para posterior apreciação do mérito deste recurso." Assim, este processo servirá de paradigma para a solução dos demais. A primeira questão diz respeito à reclassificação fiscal de argamassa para rejunte e argamassa de revestimento. A recorrente adotou a classificação 3214.90.00 ex 01, enquanto a fiscalização entendeu que as argamassas para revestimento deveriam ser classificadas no código 3824.50.00 e as argamassas para rejuntamento no código 3214.10.10. Inicialmente, destacase que a classificação de mercadorias é efetuada pela aplicação das Regras Gerais Interpretativas para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (RGISH), constantes do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71/1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409/1988, com posteriores alterações aprovadas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por força da competência que lhe foi delegada pelo art. 2º do Decreto nº 766/1993, bem assim como das Regras Gerais Complementares (RGC) à Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tarifa Externa Comum (TEC) e da Tabela de Incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (TIPI), abaixo transcritas, conforme artigo 161 do Decreto nº 4.544/2002, também reproduzido nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 2.367/1998: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características 1 Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.141 6 essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.142 7 b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5"a", as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1 (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destacamse, ainda, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – que representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. A partir destas considerações, é necessário expor o entendimento sobre o alcance do laudo técnico apresentado. A recorrente defende que o laudo técnico do LABEME deve ser seguido, pois identificou a natureza e a classificação fiscal dos produtos em questão. Porém, há um equívoco na afirmação. Os laudos técnicos serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada sua improcedência e que a classificação fiscal não se considera aspecto técnico, conforme disposto no artigo 30, caput e §1º, do Decreto nº 70.235/1972. Verificando o laudo técnico juntado às efls. 1046/1062, constatase que o primeiro quesito disse respeito à definição se os produtos em análise eram indutos ou mástiques. O perito concluiu que se tratavam de indutos, pela interpretação dos textos das posições, das notas de capítulo e seção, bem como das NESH. Ora, o perito nada fez além de interpretar os textos e notas do Sistema Harmonizado para se concluir que se tratava de induto, ou seja, realizou atividade inerente à classificação fiscal, que é de competência da RFB, a teor Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.143 8 do revogado Decreto nº 3.366/2000 (e nos que se sucederam), cujo artigo 7º do Anexo I dispunha: Art. 7º À Secretaria da Receita Federal compete:: [...] XVIII dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e origem de mercadorias, inclusive representando o país em reuniões internacionais sobre a matéria; Assim, as conclusões obtidas pelo perito não são aspectos técnicos de área de competência a serem adotados, mas efetiva classificação fiscal, atividade inserta na competência da RFB e do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, razão pela qual este julgador não está adstrito à conclusão tomada pelo perito, o que não implica considerar que as conclusões estejam ipso facto equivocadas. Já em relação às afirmações da presença de pelo menos dois dos materiais mencionados no ex tarifário 01 do código 3214.90.00 e de que pedra britada não significa carbonato de cálcio, de fato, são aspectos técnicos a serem adotados, tendo em vista a inexistência de qualquer laudo em sentido contrário que comprove a improcedência de tais afirmações. Outra consideração importante concerne ao entendimento defendido pela recorrente de que o ex tarifário prevaleceria sobre qualquer outra classificação. Ocorre que a Regra Geral Complementar da TIPI (RGC/TIPI) dispõe que: 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destarte, a aplicação das regras gerais de interpretação serão aplicáveis no âmbito de cada código, ou seja, o enquadramento no ex tarifário, necessariamente, pressupõe o enquadramento prévio no código do qual faz parte e somente são comparáveis os ex de um mesmo código. Vale dizer o alcance do ex tarifário não é mais amplo que o alcance do código ao qual está inserido. No caso, a posição 3214 possuía a seguinte descrição à época dos fatos: 32.14 MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO, CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MÁSTIQUES; INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA; INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA 3214.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques; indutos utilizados em pintura 3214.10.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques 10 3214.10.20 Indutos utilizados em pintura 10 Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.144 9 3214.90.00 Outros 10 Ex 01 Mistura de cimento e/ou cal hidratada com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada, pó ' de pedra e semelhantes, adicionada ou não de água, corante ou impermeabilizante 0 O fato de o produto se encaixar na composição do ex 01 não implica dizer que todos os produtos que se encaixarem neste posição devam ser enquadrados no código 3214.90.00. Exemplo são as argamassas das posições 3816 e 3824 que certamente possuem em sua composição cimento e areia e nem por isso devem ser classificadas no código 3214.90.00. Destacase, ainda, que o argumento subsidiário de improcedência da autuação por ter se fundamentado na Solução de Consulta nº 8/2004, processo 10425.000512/200390, não merece prosperar. A referida solução, embora de 2004 e utilizando a TIPI aprovada pelo Decreto nº 4.542/2002 (após os fatos geradores deste processo), foi fundamentada nos textos das posições analisadas e na interpretação das NESH relativas ás referidas posições e que possuíam a mesma redação das NESH aprovadas pelo Decreto nº 435/1992. Destarte, a interpretação dada pela Solução de Consulta sobre os textos não é invalidada pelo fato de ter sido produzida em 2004, quando os textos estão vigentes desde 1992. Ademais, o fato de o ex tarifário estar revogado quando da publicação da referida solução não a invalida, pois, como já se viu, para se aplicar o ex tarifário, é necessário que o produto esteja classificado no código, subposição e posição, nos quais o ex tarifário está inserido. Voltando às textos das posições e notas do Sistema Harmonizado, o primeiro produto reclassificado foi a argamassa de rejuntamento do código 3214.90.00 ex 01 (adotado pela recorrente) para o código 3214.10.10. O produto foi assim especificado no Relatório Fiscal: "2) ARGAMASSAS PARA REJUNTAMENTO (REJUNTES POLIMASSA) — são fabricados rejuntes com e sem resina, como também com silicone. 0 produto é composto de cimento cinza ou branco, carbonato de cálcio, retentor de água, hidrofugante, bactericida, resina polimero flexibilizante e pigmentos (fls.63). Função — é uma argamassa destinada ao rejuntamento de placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos em áreas internas e externas (fls.64). Uso — é produto aplicado na construção civil. 0 REJUNTE POLIMASSA é apresentado no estado de pó seco devendose, para aplicálo, adicionar água, fazendo a mistura, para, em seguida, aplicálo sobre a superficie a ser rejuntada (embalagem). Na efl. 67 consta a seguinte informação da recorrente: ARGAMASSAS PARA REJUNTAMENTO Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.145 10 Argamassa Colorida para rejuntamento de placas cerâmicas, pastilhas, granitos, mármores e porcelanatos em Areas internas e externas. • REJUNTE COMUM Todas as cores, sem resina • REJUNTE FLEXÍVEL Todas as cores, com resina • REJUNTE FLEXÍVEL SILICONADO Todas as cores, com resina siliconado P/ rejuntamento externo, interno e porcelanato A divergência reside na definição da subposição. No caso, a posição 3214 possuía a seguinte estrutura: 32.14 MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO, CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MÁSTIQUES; INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA; INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA 3214.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques; indutos utilizados em pintura 3214.10.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques 10 3214.10.20 Indutos utilizados em pintura 10 3214.90.00 Outros 10 Ex 01 Mistura de cimento e/ou cal hidratada com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada, pó ' de pedra e semelhantes, adicionada ou não de água, corante ou impermeabilizante 0 As notas explicativas desta posição explicitam: Os mástiques e indutos da presente posição são preparações de composição muito variável, que se caracterizam essencialmente pela sua utilização. Estas preparações apresentamse freqüentemente sob forma mais ou menos pastosa, endurecendo, geralmente, após sua aplicação. Algumas delas apresentamse sob forma solida ou pulverulenta, e são tornadas pastosas no momento da aplicação, quer por tratamento térmico (fusão, por exemplo), quer por adição de um líquido (água, por exemplo). Em geral, os mástiques e indutos aplicamse por meio de pistola, de espátula, de trolha, de desempenadeira ou de ferramentas semelhantes. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.146 11 I. MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO (MASSA DE VIDRACEIRO), CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MÁSTIQUES Os mástiques utilizamse especialmente para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou a aderência de peças. Diferem das colas e de outros adesivos porque se aplicam em camadas espessas. Convém todavia notar que este grupo de produtos abrange igualmente os mástiques utilizados sobre a pele dos pacientes em volta dos estomas e das fístulas. Este grupo compreende, entre outros: 1) As mástiques a óleo, constituídas essencialmente por óleo sicativos, matérias de carga que reagem com o óleo ou inertes, e agentes endurecedores. Destas mástiques a mais comum é a mástique de vidraceiro (massa de vidraceiro). 2) As mástiques à cera (cera para calafetar; cera de calafate), constituídas por ceras (de qualquer espécie), às quais, frequentemente, se adicionam resinas, gomalaca, borracha, ésteres resínicos, etc., que lhes aumentam as propriedades adesivas. Também se consideram mástiques à base de cera, aquelas em que a cera se substitui, parcial ou totalmente, por produtos tais como álcool cetílico ou álcool esteárico. Entre estas preparações podem citarse as mástiques para enxertias e as empregadas em tanoaria. 3) Os cimentos de resinas, constituídos por resinas naturais (gomalaca, damar, colofônia) ou plástico (resinas alquídicas, poliésteres, resinas de cumaronaindeno, etc.) misturados entre si e mais, frequentemente, adicionados de outras matérias, tais como ceras, óleos, betumes, borracha, pó de tijolo, cal, cimento ou qualquer outra carga mineral. Deve fazer notarse que algumas destas mástiques se encontram já compreendidas noutras mástiques, especialmente aquelas à base de plástico ou de borracha. As mástiques desta categoria têm múltiplas aplicações: utilizamse, por exemplo, como massas de enchimento, na indústria eletrotécnica e para fixação de vidro, de metais ou de artigos de porcelana. Em geral, aplicamse depois de se terem tornado fluidos por fusão. 4) As mástiques à base de vidro solúvel, que se preparam geralmente no momento da aplicação, misturandose dois componentes. Um destes é constituído por uma solução aquosa de silicato de sódio e de silicato duplo de potássio e sódio, o outro por matérias de carga (quartzo em pó, areia, fibra de amianto, etc.). Estas mástiques utilizamse, principalmente, na montagem de velas de ignição, para tornar estanques os blocos e cárteres de motores, os canos de descarga (tubos de escape*), radiadores, etc., ou para vedar algumas juntas. 5) As mástiques à base de oxicloreto de zinco, que se obtêm a partir do óxido de zinco e do cloreto de zinco, a que se adicionam agentes retardadores e, às vezes, matérias de carga. Empregamse para calafetar madeira, matérias cerâmicas e outras matérias. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.147 12 6) As mástiques à base de oxicloreto de magnésio, que se obtêm a partir do cloreto de magnésio e do óxido de magnésio, a que se adicionam matérias de carga (por exemplo, farinhas de madeira). Utilizamse, principalmente, para vedação de fendas em artigos de madeira. 7) As mástiques à base de enxofre, constituídas por enxofre misturado com cargas inertes. São sólidas e usamse em vedações duras, estanques e resistentes aos ácidos, bem como para fixação de peças. 8) As mástiques à base de gesso, e que se apresentam em pó fibroso e flocoso, constituída por uma mistura de cerca de 50% de gesso e de produtos tais como fibra de amianto, celulose de madeira, fibra de vidro, areia, e que, tornadas pastosas pela adição de água, são utilizadas para fixar parafusos, pinos, cavilhas, ganchos, etc. 9) As mástiques à base de plástico (por exemplo, resinas poliésteres, poliuretanos, silicones e epóxidos) mesmo adicionadas numa proporção elevada (até 80 %) de matérias de carga muito variadas, tais como argila, areia e outros silicatos, dióxido de titânio e pós metálicos. Algumas destas mástiques empregamse depois da adição de um endurecedor. Algumas destas mástiques não endurecem e mantêmse macias e aderentes após aplicação (um selante acústico, por exemplo). Outras endurecem por evaporação de solventes, no arrefecimento (mástiques termofusíveis), por reação após contato com a atmosfera ou por reação de diferentes compostos misturados simultaneamente (mástiques multielementos). Os produtos desta natureza permanecem nesta posição apenas quando são inteiramente formulados para ser utilizados como mástiques. As mástiques podem ser utilizadas para assegurar a estanqueidade de certas juntas na construção ou efetuar reparações domésticas; para assegurar a estanqueidade ou a reparação de artigos em vidro, em metal ou em porcelana; como mástique para trabalhos de carroçarias ou no caso dos selantes adesivos, para fixar várias peças ao mesmo tempo. 10) As mástiques à base do óxido de zinco e glicerol, que se empregam na fabricação de revestimentos resistentes aos ácidos, para fixação de peças de ferro em porcelana ou para ligação de tubos. 11) As mástiques à base de borracha, constituídas, por exemplo, por um tioplástico adicionado de matérias de carga (grafita, silicatos, carbonatos, etc.) e, em alguns casos, de um solvente orgânico. Utilizamse, por vezes, depois de se lhes adicionar um endurecedor, na fabricação de revestimentos protetores maleáveis, suscetíveis de resistir aos agentes químicos e aos solventes, e em calafetagem. Estas mástiques podem, também, consistir em uma dispersão aquosa de borracha adicionada de matéria corante, plastificantes, matérias de carga, aglutinantes ou de antioxidantes. São utilizadas para fechar hermeticamente latas. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.148 13 12) As mástiques destinadas a serem utilizadas sobre a pele. Podem ser constituídos, por exemplo, por carboximetilcelulose de sódio, por pectina, por gelatina e por poliisobutileno, em um solvente orgânico tal como o álcool isopropílico. São utilizados, por exemplo, como produtos de vedação para assegurar a estanqueidade em torno dos estomas e das fístulas, entre a pele dos pacientes e a bolsa destinada a recolher as excreções. Eles não têm propriedades terapêuticas ou profiláticas. 13) Os lacres, constituídos essencialmente por uma mistura de matérias resinosas (gomalaca, colofônia, por exemplo), de cargas minerais e de matérias corantes, estas duas últimas incorporadas em proporção geralmente elevada. Utilizamse para encher cavidades, para se conseguir a estanqueidade de aparelhos de vidro, para selar documentos, etc. II. INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA; INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA Os indutos distinguemse dos mástiques porque se aplicam sobre superfícies, em geral, mais importantes. Por outro lado, diferenciamse das tintas, vernizes e produtos semelhantes, por possuírem teor elevado de matérias de carga e, em certos casos, de pigmentos, sendo este teor habitualmente muito superior ao dos aglutinantes e solventes ou ao dos líquidos de dispersão. A) INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA. 32.14 VI32143 Os indutos utilizados em pintura empregamse na preparação de superfícies (por exemplo, paredes interiores), a fim de lhes eliminar as irregularidades, vedarlhes as fendas e orifícios e, também, eliminarlhes a porosidade. Depois de endurecidos e lixados servem de suporte à pintura. Pertencem a esta categoria os indutos à base de óleo, borracha, cola, etc. Os indutos à base de plástico cuja composição é comparável à de algumas mástiques da mesma espécie, utilizamse como indutos para carroçarias, etc. B) INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA. Os indutos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria aplicamse nas fachadas, paredes interiores, pavimentos e tetos de prédios, nas paredes e fundos de piscinas, etc., de modo a tornálos impermeáveis à umidade e a darlhes boa aparência. Em geral, depois de aplicados, formam o revestimento definitivo dessas superfícies. Este grupo compreende, entre outros: 1) Os indutos em pó, constituídos por gesso e areia, em partes iguais, e por plastificantes. 2) Os indutos pulverulentos à base de quartzo em pó e de cimento, adicionados de uma pequena quantidade de plastificantes e utilizados, por exemplo, depois de se lhes adicionar água, para assentamento de ladrilhos e azulejos. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.149 14 3) Os indutos pastosos, que se obtêm impregnando matérias de carga minerais (granalha de mármore, quartzo ou misturas de quartzo e sílica, por exemplo) com um aglutinante (plástico ou resina), e adicionados de pigmentos e, em certos casos, de uma certa quantidade de água ou de solvente. 4) Os indutos líquidos, constituídos, por exemplo, por uma borracha sintética ou por polímeros acrílicos, por fibra de amianto misturada com um pigmento e água. Aplicados, especialmente, em fachadas por meio de pincel ou à pistola, formam uma camada muito mais espessa do que a obtida com uma tinta. Relativamente a alguns dos produtos acima mencionados, a mistura dos diferentes elementos ou adição de alguns deles deve efetuarse na ocasião do seu emprego. Estes produtos mantêm a sua classificação na presente posição, desde que os diferentes elementos constitutivos sejam simultaneamente: 1º) dado o seu modo de acondicionamento, perfeitamente reconhecíveis como destinandose a serem utilizados em conjunto, sem prévio reacondicionamento; 2º) apresentados ao mesmo tempo; 3º) reconhecíveis tanto no que respeita à sua natureza, como às quantidades respectivas, como complementares uns dos outros. Todavia, no caso de produtos a que se deva adicionar um endurecedor no momento da utilização, o fato de este último não se apresentar ao mesmo tempo não exclui da presente posição estes produtos, desde que, em virtude da sua composição e acondicionamento, se reconheça perfeitamente que se destinam a serem utilizados na preparação de mástiques ou de indutos. Esta posição não compreende: a) A resina natural, denominada em alguns países, mástique, gomamástique ou resinamástique (posição 13.01). b) O gesso, a cal e os cimentos (posições 25.20, 25.22 e 25.23). c) Os mástiques de asfalto e outros mástiques betuminosos (posição 27.15). d) Os cimentos e outros produtos para obturação dentária (posição 30.06). e) O breu (pez) para a indústria de cerveja e os outros produtos da posição 38.07. f) Os cimentos e argamassas refratárias (posição 38.16). g) Os aglutinantes preparados para moldes e núcleos de fundição (posição 38.24). Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.150 15 Da análise das notas explicativas, depreendese que os mástiques e os indutos se diferenciam essencialmente pela sua utilização e não pela composição química ou modo de aplicação. Os mástiques utilizamse especialmente para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou a aderência de peças. Já os indutos se diferenciam dos mástiques por serem aplicados em superfícies mais importantes. No caso de indutos para pintura, destinamse a preparar as superfícies, de modo a eliminar as irregularidades, vedarlhes as fendas e orifícios e, também, eliminarlhes a porosidade, servindo de suporte à pintura. No caso de indutos não refratários dos tipos utilizados em alvenaria são aplicados em paredes, pisos e tetos de modo a tornálos impermeáveis e darlhes boa aparência, geralmente, formando o revestimento definitivo das superfícies. O rejunte destinase a preencher o espaçamento entre as placas de cerâmica, porcelanato, granitos, mármores, conferindo uma função de impermeabilização e de estética à superfície, bem como formando o revestimento definitivo das paredes, juntamente com as placas de cerâmica, porcelanato, etc. A fiscalização entendeu que seria mástique por ser aplicado nas juntas entre as placas cerâmicas ou porcelanato e não em toda a superfície como a argamassa colante. Observase que na nota II.A sobre indutos para pintura, há também a função de vedar fendas e orifícios, bem como o induto para alvenaria possui a função de impermeabilidade. A diferença então reside no local a ser aplicado. O induto é aplicado em superfícies mais importantes, ou seja, em superfícies maiores e mais abrangentes, razão pela qual a fiscalização considerou o produto como mástique, uma vez que destinase à aplicação apenas nas juntas de assentamento. No caso, com razão a fiscalização. De fato, a argamassa de rejunte não é aplicada como revestimento de fachadas, pisos ou tetos, mas sobre as juntas de cerâmicas, porcelanatos etc. Observase que as fendas a que se refere a nota explicativa engloba também as juntas, como expressamente exposto na nota I.9, abaixo transcrita: 9) Os mástiques à base de plásticos (por exemplo, resinas poliésteres, poliuretanos e epóxidos) adicionados de elevada proporção (até 80%) de matérias de carga muito variadas, tais como argila, areia e outros silicatos, bióxido de titânio e pós metálicos. Alguns destes mástiques empregamse depois da adição de um endurecedor. Utilizamse para se conseguir a estanqueidade de certas juntas, tais como mástiques para carroçarias, para reparar peças metálicas ou para as fixar a outras matérias, etc. A segunda reclassificação se refere a argamassas para revestimento, identificado pela recorrente como massa única Polimassa e destinada a utilização como reboco, contrapiso, chapisco, assentamento. O produto foi assim especificado pela fiscalização: "3 ARGAMASSAS PARA REVESTIMENTO (Massa Única) conforme informação do fabricante (fls.63) e descrito no item V DOS PRODUTOS, tratase de argamassas compostas de cimento, cal, areia, carbonato de cálcio, retentor de água, incorporador de ar que ao adicionar água forma uma argamassa para assentamento de blocos de concreto ou cerâmico, para revestimentos de paredes e tetos, em áreas Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.151 16 internas e externas, para ponte de aderência entre base e revestimento, para regularização de pisos e lajes revestimento. Tratase de uma argamassa não refratária que está abrangida na posição 3824 (produtos químicos e preparações das indústrias químicas ou das indústrias conexas, incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais, não especificados nem compreendidos em outras posições), tendo uma subposição especifica, sem desdobramentos, a 3824.50.00 (Argamassas e concretos (betões), não refratários). Na efl. 66/67, constam as seguintes informações da recorrente: Massa Única Polimassa Cimento, cal, areia, carbonato de cálcio, retentor de água, incorporador de ar. Reboco Pronto Contrapiso ( exceto cal e incorporador de ar ) Chapisco ( exceto cal e incorporador de ar ) Assentamento Assentamento Cola ARGAMASSAS DE REVESTIMENTO • ASSENTAMENTO PRONTO Polimassa ARG II ( Saco com 30 kg ) Classificação Normatizada: ABNT — NBR 13281/95 II — alta — b Argamassa pronta para assentamento de blocos de concreto ou cerâmico • REBOCO PRONTO Polimassa ARG II ( Saco com 30 kg) Externo e int Classificação Norrnatizada: ABNT — NBR 13281/95 II — alta — a Argamassa de revestimentos de paredes e tetos, em Areas internas e externas. • CHAPISCO PRONTO Polimassa ARG III ( Saco com 30 kg ) Classificação Normatizada: ABNT — NBR 13281/95 III — normal — b Argamassa pronta para ponte de aderência entre base e revestimento. • CONTRAPISO PRONTO Polimassa ARG III ( Saco com 30 kg )Classificação Normalizada: ABNT— NBR 13281/95 III — alta — a Argamassa pronta para regularização de pisos e lajes. Os referidos produtos foram reclassificados do código do código 3214.90.00 ex 01 (adotado pela recorrente) para o código 3824.50.00. O texto da posição 38.24 dispõe que: 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.152 17 MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES [...] [...] 3824.50.00 Argamassas e concretos (betões), não refratários 10 As notas explicativas trazem a seguinte informação para a questão: Desde que não contrariem as disposições acima, podem citarse entre os produtos químicos e preparações aqui compreendidos: [...] 3) Os aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concreto (betão), por exemplo, as preparações antiácidas à base de silicatos de sódio ou de potássio e de fluorsilicatos de sódio ou de potássio, e as preparações destinadas a adicionaremse aos cimentos para os impermeabilizar (mesmo contendo sabão), por exemplo, as preparações à base de óxido de cálcio, ácidos graxos (gordos*), etc. 4) As argamassas e o concreto (betão), não refratários. Verificase, assim, que tratase de uma posição residual, ou seja, serão classificados aqui, desde que não especificados ou compreendidos em outras posições do SH. A questão então é saber se estamos diante de um induto de que trata a posição 3214 ou de outras argamassas não refratárias, de que trata a posição 3824. Neste ponto, diversas soluções de consulta diferenciam e definem indutos nos seguintes termos: SC SRRF 4ª RF nº 2/2005, SC SRRF 5º RF nº 33/2010: 5. A NCM divide os indutos em dois tipos básicos. Aqueles do tipo convencional, utilizados na construção civil, nas superfícies de paredes, tetos etc, como suporte, preparação dessas superfícies para as pinturas que serão nela realizadas posteriormente. Esses indutos, voltados para a pintura, eliminam dessas superfícies irregularidades, fendas, orifícios e porosidades, porventura existentes e elas, assim preparadas, são, então, lixadas, tornandose aptas para receber a pintura. Esses são os chamados indutos utilizados em pintura, o que não é o caso do produto submetido à presente Consulta. 6. O segundo tipo de indutos utilizados na construção civil são os não refratários, que têm como objetivo o preparo das superfícies, não contra a ação do calor (por isso são NÃO REFRATÁRIOS), mas contra a ação e os efeitos da umidade provocada por líquidos (água da chuva ou água clorada, por exemplo), fazendo isso através da impermeabilização dessas superfícies. Por outro lado, esses indutos, muitas vezes, já formam o revestimentos definitivo dessas superfícies, dandolhes muito boa aparência. Esses indutos são tratados e denominados pela nomenclatura de indutos do tipo dos utilizados em Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.153 18 alvenaria, e são aplicados em fachadas, paredes interiores, pavimentos e tetos de prédios, em paredes e fundos de piscinas etc. É exatamento o caso do produto submetido à Consulta sob estudo. SC SRRF 10º RF nº 11/2010, SC SRRF 5º RF nº 33/2010: 5.1 Induto, segundo o “Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa”, dezembro de 2001, é, na sua segunda acepção, o mesmo que indumento (‘envoltório’). E indumento, segunda acepção, por extensão de sentido, é o que encobre, disfarça; envoltório, induto, indúvia, revestimento. 5.2 Esta definição encontra respaldo no “Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa Caldas Aulete”, 3ª edição brasileira, 1974: induto, s.m. revestimento, guarnição; emboço; invólucro. 5.3 Na versão oficial em inglês do Sistema Harmonizado (SH), do qual provém a Nomenclatura Comum do Mercosul e, por aposição das alíquotas do IPI, a TIPI, indutos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria vertemse em “nonrefractory surfacing preparations for façades, indoor walls, floors, ceilings or the like”, isto é, em tradução livre, preparações não refratárias para revestimento de paredes externas e internas, pisos, tetos, etc. 5.4 E na versão também oficial em francês do SH, a expressão em comento vertese em “enduits non réfractaires des types utilisés en maçonnerie”. 6. À vista de todo o exposto no item 5 acima, e levando em consideração as especificações do “Revestimento Cimentício Rústico”, conforme o Relatório, concluise que o mesmo se trata de uma preparação não refratária para revestimento de paredes de alvenaria, com finalidade principalmente decorativa, devendo classificarse, por aplicação da Regra Geral Interpretativa nº 1 (RGI1) do SH, na posição 3214, como induto não refratário do tipo dos utilizados em alvenaria. 6.1 Na posição 3824, e em especial na subposição 3824.50 (argamassas e concretos, não refratários), classificam se, por exclusão, aquelas argamassas e concretos, não refratários, cuja função principal não seja o revestimento de alvenaria, mas especialmente o assentamento dos blocos de construção (tijolos, por exemplo). Não sendo esta a função principal do “Revestimento Cimentício Rústico”, seguese que o mesmo não se classifica na subposição 3824.50, como entende o interessado. Percebese que as argamassas de assentamento não possuem a finalidade de revestimento, sendo, de plano, classificáveis no código 3824.50.00. Já as demais argamassas possuem função de preparação para recebimento do revestimento final, como o reboco pronto que pode receber um induto de pintura (massa corrida) ou um induto de alvenaria (revestimento cimentício, por exemplo) ou revestimentos cerâmicos (mediante a utilização de Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.154 19 um induto de alvenaria (argamassa colante), como o chapisco que serve de aderência entre a alvenaria/laje e o reboco ou emboço e como o contrapiso que serve de preparação para recebimento do revestimento final de cerâmica, porcelanato ou mesmo uma pintura. Além disso, não tornam a superfície impermeável à umidade e não formam o revestimento definitivo destas superfícies. Destarte, mantenho a reclassificação das argamassas de revestimento. A segunda matéria em litígio foi a glosa de 50% dos créditos de IPI transferidos da filial para a matriz, em razão de que a filial não era contribuinte do IPI. A recorrente alega que a filial era equiparada a industrial e que o crédito deveria ser integral. A recorrente citou o artigo 9º, inciso III do RIPI/1998, como fundamento para a equiparação a industrial: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: [...] III as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II, e § 2º, DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1º, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); Porém, não há qualquer prova de que a recorrente tenha comercializado produtos importados ou industrializados ou mandados industrializar pelo estabelecimento matriz. Não houve também a apresentação do Livro Registro de Apuração de IPI ou recolhimentos efetuados pela filial que indicassem a sua condição de equiparado a industrial e contribuinte do IPI. Além disso, os extratos de CNPJ às efls. 72/73 indicam que a filial atua no comércio varejista de materiais de construção. Nesta condição, o estabelecimento comercial poderia ter exercido a opção de se equiparar a estabelecimento industrial, nos termos dos artigos 11 do RIPI/1998: Equiparados a Industrial por Opção Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores; Opção e Desistência Art. 12. O exercício da opção de que trata o artigo anterior será formalizado mediante alteração dos dados cadastrais do estabelecimento, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, para sua inclusão como contribuinte do imposto. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.155 20 Parágrafo único. A desistência da condição de contribuinte do imposto será formalizada, também, mediante alteração dos dados cadastrais, conforme definido no caput deste artigo. Art. 13. Aos estabelecimentos optantes cumprirá, ainda, observar as seguintes normas: I ao formalizar a sua opção, o interessado deverá relacionar, no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência modelo 6, os produtos que possuía no dia imediatamente anterior àquele em que iniciar o regime de tributação ou anexar ao mesmo relação dos referidos produtos; II o optante poderá creditarse, no livro Registro de Apuração do IPI, pelo imposto constante da relação mencionada no inciso anterior, desde que, nesta, os produtos sejam discriminados pela classificação fiscal, seguidas dos respectivos valores; III formalizada a opção, o optante agirá como contribuinte do imposto, obrigandose ao cumprimento das normas legais e regulamentares correspondentes, até quando formalizar a desistência; IV a partir da data de desistência perderá o seu autor a condição de contribuinte, mas não ficará desonerado das obrigações tributárias decorrentes dos atos que haja praticado naquela qualidade. Porém, não há qualquer indicação de equiparação por opção no extrato referido acima. Assim, à vista dos elementos dos autos, não há qualquer indicação de que o estabelecimento seja equiparado a industrial. A recorrente aduz, ainda, que a glosa fere o princípio da nãocumulatividade, pois as operações são meras transferências e os dois estabelecimentos são da mesma pessoa jurídica. Neste ponto, o direito de creditamento estava disposto no artigo 147 do antigo RIPI/1998, conforme abaixo: Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.156 21 III do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VIl do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazémgeral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante. Destacase que as hipóteses dos incisos VII e VIII poderiam ensejar o crédito para a recorrente, porém, conforme já exposto, não há elementos que indiquem que o estabelecimento filial era equiparação a industrial. É de bom alvitre salientar que vige no IPI o princípio da autonomia dos estabelecimentos, de acordo com o artigo 51 do CTN e do artigo 291 do antigo RIPI/1998: CTN: Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.157 22 Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Autonomia dos Estabelecimentos Art. 291. Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz (Lei nº 4.502, de 1964, art. 57). Destarte, cabe a cada estabelecimento realizar sua apuração de IPI, de modo que os estabelecimento são tratados como contribuintes autônomos, sendo que o direito ao creditamento somente ocorre nas hipóteses estabelecidas legalmente. Portanto, o fato de os estabelecimentos pertencerem à mesma pessoa jurídica não afasta a autonomia dos mesmos para fins de tributação do IPI. Neste sentido, os seguintes acórdãos: Acórdão nº 3201003.153: [...] GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS O IPI é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e por conseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, e utilizados para compensar débitos do imposto. [...] Acórdão nº 3402003.796: [...] CRÉDITOS ESCRITURAIS. TRANSFERÊNCIA. AUSÊNCIA DEPREVISÃO LEGAL. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. Para fins de incidência do IPI rege o princípio da autonomia dos estabelecimentos, nos termos do art. 51, parágrafo único do CTN. Nessa esteira, também determina a legislação tributária que a utilização dos créditos do IPI deve ser feita por estabelecimento. Assim, salvo em alguns casos indicados expressamente na legislação, é incabível a transferência de créditos escriturais do estabelecimento filial para a matriz. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 11618.001024/200567 Acórdão n.º 3302005.611 S3C3T2 Fl. 1.158 23 Fl. 1158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.000616/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL VERIFICADO. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE.
Verificada a ocorrência de erro material e contradição entre o voto e a parte dispositiva da decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente no presente caso.
Numero da decisão: 2402-006.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, mantendo-se a decisão originária, e procedendo-se aos ajustes na ementa e no texto do voto, de forma a excluir as referência à realização de diligência e a ajustar a fundamentação no sentido de dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL VERIFICADO. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. Verificada a ocorrência de erro material e contradição entre o voto e a parte dispositiva da decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente no presente caso.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12326.000616/2010-77
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893479
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.210
nome_arquivo_s : Decisao_12326000616201077.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 12326000616201077_5893479.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, mantendo-se a decisão originária, e procedendo-se aos ajustes na ementa e no texto do voto, de forma a excluir as referência à realização de diligência e a ajustar a fundamentação no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7396795
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588922511360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.202 1 1.201 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12326.000616/201077 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402006.210 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2018 Matéria Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARCO AURELIO DOS SANTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL VERIFICADO. CORREÇÃO QUE SE IMPÕE. Verificada a ocorrência de erro material e contradição entre o voto e a parte dispositiva da decisão embargada, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 06 16 /2 01 0- 77 Fl. 94DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, mantendose a decisão originária, e procedendose aos ajustes na ementa e no texto do voto, de forma a excluir as referência à realização de diligência e a ajustar a fundamentação no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 12326.000616/201077 Acórdão n.º 2402006.210 S2C4T2 Fl. 1.203 3 Relatório Por bem retratar os elementos processuais que devem ser analisados em razão dos embargos opostos pela Fazenda Nacional, adotaremos o relatório e dispositivo apostos no despacho de admissibilidade de Fls 90/92: "Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Do acórdão embargado A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402 005.927, em 6/7/17, fls. 78 a 83, dando provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte e consignando no acórdão a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente. Quanto a natureza dos pagamentos que originaram o lançamento guerreado, existem indícios fortes de sua natureza previdenciária, porém, não há certeza quanto a tal, o que desafia a realização de diligência em atenção ao princípio da verdade material. Dos Embargos de Declaração O presente processo foi encaminhado à PGFN em 18/9/17, segundo o despacho de fl. 84. Dessa forma, de acordo com o disposto Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 79, § 2º, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorria em 18/10/17. Em 19/9/17, porém, a PGFN apresentou os Embargos de Declaração de fls. 85 a 86, com fundamento no RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, inciso III, alegando contradição no Acórdão nº 2402005.927, conforme razões a seguir transcritas: Analisandose a conclusão do julgamento e do votocondutor, temos ali consignado que DEUSE PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. Fl. 96DF CARF MF 4 Se assim ocorreu, então o auto de infração deveria ter sido julgado improcedente, que é o pedido formulado no recurso voluntário do contribuinte. Ocorre que analisandose o votocondutor, o que se determinou é que fosse BAIXADO O PROCESSO EM DILIGÊNCIA, a fim de verificar a origem previdenciária ou não dos ganhos do contribuinte, evidenciando a CLARA CONTRADIÇÃO, senão vejamos, “verbis”: Entretanto, acreditamos ser adequado, em respeito ao princípio da verdade material e para formação da convicção plena deste relator, converter o julgamento em diligência, baixando o processo para a origem para que seja diligenciado junto ao INSS buscando obter manifestação do órgão no sentido de indicar a natureza do pagamento em questão, bem como apresentar seu respectivo detalhamento. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam CONHECIDOS e PROVIDOS os presentes embargos de declaração, a fim de extirpar a contradição apontada acima. (Grifos no original) Da admissibilidade dos Embargos de Declaração Da tempestividade Considerando que a ciência presumida da PGFN ocorria em 18/10/17, temse pela tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 18/9/17. Da alegada contradição Segundo a Embargante, o acórdão embargado apresenta contradição, pois, enquanto o voto condutor teria determinado a baixa do processo em diligência para que fosse verificada a “origem previdenciária ou não dos ganhos do contribuinte”, na conclusão do julgamento e do voto condutor teria sido dado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Pois bem, vejamos o que dispôs a parte final do voto condutor e sua conclusão: Entretanto, acreditamos ser adequado, em respeito ao princípio da verdade material e para formação da convicção plena deste relator, converter o julgamento em diligência, baixando o processo para a origem para que seja diligenciado junto ao INSS buscando obter manifestação do órgão no sentido de indicar a natureza do pagamento em questão, bem como apresentar seu respectivo detalhamento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Como se vê, enquanto a parte final do voto determinou a realização de diligência para que o INSS se manifestasse sobre a Fl. 97DF CARF MF Processo nº 12326.000616/201077 Acórdão n.º 2402006.210 S2C4T2 Fl. 1.204 5 natureza do pagamento efetuado ao contribuinte, a conclusão desse voto, de forma absolutamente contraditória, deu provimento ao recurso. Tal provimento, inclusive, é repetido no dispositivo do acordão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. Acontece que a própria ementa do acórdão é no sentido de se realizar a diligência: “MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente. Quanto a natureza dos pagamentos que originaram o lançamento guerreado, existem indícios fortes de sua natureza previdenciária, porém, não há certeza quanto a tal, o que desafia a realização de diligência em atenção ao princípio da verdade material.” Portanto, resta clara a contradição entre o que foi decidido no voto condutor (realização de diligência) e a decisão unânime do colegiado (provimento do recurso). Conclusão Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento e apreciada a contradição apontada. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. É o Relatório. Fl. 98DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Os embargos preenchem os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, merecendo ser conhecido. Tratamse de embargos de declaração opostos pela d. Fazenda Nacional, tomado contra voto proferido por esta e. Turma em acolhimento ao voto deste Relator, proferido nos seguintes termos originais: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente. Quanto a natureza dos pagamentos que originaram o lançamento guerreado, existem indícios fortes de sua natureza previdenciária, porém, não há certeza quanto a tal, o que desafia a realização de diligência em atenção ao principio da verdade material [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. [...] Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitoza. [...] Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade dispostas no Decreto 70.235 de 06 de março de 1972, razão pela qual voto por conhecêlo. O recurso confunde relato dos fatos com questões preliminares, não havendo assim matéria a ser analisada nesta condição No mérito, a discussão persiste nas mesmas bases das discussões travadas na fase prévia. Persiste o Recorrente na busca do reconhecimento de seu direito a isenção por ser portador de moléstia grave, tendo a DRJ denegado sua pretensão tendo em vista ter considerado só documentos juntados a época como Fl. 99DF CARF MF Processo nº 12326.000616/201077 Acórdão n.º 2402006.210 S2C4T2 Fl. 1.205 7 inábeis a prova de que o mesmo era portador da referida moléstia na época dos rendimentos, tão pouco, quanto a natureza dos valores recebidos, restaria provada a condição de proventos de aposentadoria. Quanto a condição de portador de moléstia grave está claro que o mesmo é portador de doença compatível com os requisitos dispostos na legislação de referencia, entretanto, os documentos de fls 09 a 12 não eram suficientes para tal comprovação. Contudo, em sede de recurso, juntou novo comprovante (fls. 58) onde comprova ser portador de moléstia grave desde 1999, preenchendo assim o primeiro requisito previsto no Art. 6º, XIV da Lei 11.052/04. Seguindo na análise, passamos a investigar a natureza do rendimento que deu base ao lançamento combatido, pois, como requisito cumulativo ao reconhecimento da isenção buscada, os rendimentos devem ter natureza de proventos de aposentadoria. Nesse sentido, desde logo, cabe excluir da presente análise o valor de R$ 3.211,44, pago pela fonte Makro Atacadista Sociedade Anônima por outro interessado, portador do CPF n° 067.840.37730 tendo em vista não possuir a natureza de aposentadoria, conforme reconhecido pelo próprio Recorrente em sua peça recursal. Quanto ao valor de R$ 71.402,01 pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social, de fato, não consta informação clara quanto a natureza do rendimento, entretanto, consta indicação de numero de beneficio. Outrossim, em seu Recurso Voluntário, junta comprovante de que é beneficiário de aposentadoria por tempo de contribuição paga pelo referido instituto e concedida em 13/04/2004 (fls.59). Apesar de não haver clareza quanto a natureza dos valores pagos pelo INSS no montante de R$ 71.402,01,não é possível ignorar a existência de fortes indícios de tratarse de proventos de aposentadoria,eis que o Recorrente é beneficiário de aposentadoria por tempo de serviço desde 2004, conforme documento de folha 59, ainda, raras são as situações em que o referido instituto efetua pagamentos que não tenham natureza de beneficio. Dada a comprovação da condição de portador de moléstia grave desde 1999 e os indícios de tratarse, o rendimento pago pelo INSS e tido por omitido no lançamento combatido, de proventos de aposentadoria, tenderíamos a votar pelo provimento do recurso. Entretanto, acreditamos ser adequado, em respeito ao principio da verdade material e para formação da convicção plena deste relator, converter o julgamento em diligência, baixando o processo para a origem para que seja diligenciado junto ao INSS buscando obter manifestação do órgão no sentido de indicar a natureza do pagamento em questão, bem como apresentar seu respectivo detalhamento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento." Analisando o texto, obviamente há pontos que merecem ser clarificados. Em realidade, tratase de equívoco cometido pelo relator durante o processo de formalização do voto no sistema eprocessos, onde acabou por juntar minuta de voto alternativa em que Fl. 100DF CARF MF 8 inicialmente tendia a encaminhar a discussão para conversão em diligência, mas que não guarda relação com o texto do voto apresentado em sessão. Isso posto, o voto e ementa devem ser integralmente corrigidos, passando a viger com o texto efetivamente apresentado em sessão, que possui os seguintes termos: "MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovado por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o que restou comprovado pelo Recorrente no presente caso. [...] Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade dispostas no Decreto 70.235 de 06 de março de 1972, razão pela qual voto por conhecêlo. O recurso confunde relato dos fatos com questões preliminares, não havendo assim matéria a ser analisada neste condição. No mérito, a discussão persiste nas mesmas bases das discussões travadas no colegiado a quo. Persiste o Recorrente na busca do reconhecimento de seu direito a isenção por ser portador de moléstia grave, tendo a DRJ denegado sua pretensão tendo em vista ter considerado os documentos juntados como inábeis a prova de que o mesmo era portador da referida moléstia na época dos rendimentos e que os rendimentos tinham natureza de proventos de aposentadoria ou reforma. Quanto a condição de portador de moléstia grave está claro que o mesmo é portador de doença compatível com os requisitos dispostos na legislação de referencia, entretanto, os documentos de fls 09 a 12 não era suficientes para tal comprovação. Contudo, em sede de recurso, em decorrência do apontado na decisão recorrida, juntou novo comprovante (fls. 57/58) onde consta claramente, em documento emitido por serviço médico oficial, ser o Recorrente portador de doença de parkinsons, CID 10G20, desde 1999, preenchendo assim o primeiro requisito previsto no Art.6º, XIV da LEI Nº 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose Fl. 101DF CARF MF Processo nº 12326.000616/201077 Acórdão n.º 2402006.210 S2C4T2 Fl. 1.206 9 múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)(Vide Lei nº 13.105, de 2015)(Vigência) Seguindo requisito para obtenção da isenção pleiteada está centrado na natureza do rendimento que deu base ao lançamento combatido, pois, como requisito cumulativo ao reconhecimento da isenção buscada, os rendimentos devem ter natureza de proventos de aposentadoria. Nesse sentido, desde de logo, cabe excluir da presente análise o valor de R$ 3.211,44, pago pela fonte Makro Atacadista Sociedade Anônima por outro interessado, portador do CPF n° 067.840.37730 tendo em vista não possuir a natureza de aposentadoria, conforme reconhecido pelo próprio Recorrente em sua peça recursal, portanto, objeto de desistência. Quanto ao valor de R$ 71.402,01 pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social, de fato, não consta informação quanto a natureza do rendimento, entretanto, consta indicação de número de beneficio, um indicio claro de tal condição. Outrossim, em seu Recurso Voluntário, junta comprovante de que é beneficiário de aposentadoria por tempo de contribuição paga pelo referido instituto e concedida em 13/04/2004 (fls. 59). Sendo o Recorrente beneficiário de aposentadoria por tempo de serviço desde 2004, conforme documento de folha 59 e ainda, sendo raras são as situações em que o referido instituto efetua pagamentos que não tenham natureza de beneficio de aposentadoria, não há como negar tal natureza, eis que os elementos contidos nos autos são convincentes o suficiente para tal conclusão. Dada a comprovação de ser o Recorrente, desde 1999, portador de mal de parkinson, moléstia grave elegível para os fins de isenção em pleito e sendo os recursos em questão, claramente, proventos de aposentadoria, encaminhamos nosso voto no sentido de dar provimento ao recurso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento." Este é o texto do voto que foi apresentado em sessão realizada em 06 de julho de 2017, sendo acompanhada por unanimidade dos membros do colegiado, nos seguintes termos: Fl. 102DF CARF MF 10 "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em conhecer do recurso e darlhe provimento. [...] Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti e Jamed Abdul Nasser Feitoza." Conclusão Pelo exposto, acolho os embargos sem efeitos infringentes para, sanando o erro e contradição apontados, manter a decisão anterior constante em dispositivo emitida no sentido de conhecer do recurso e no mérito darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35247.000382/2005-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/07/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/07/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 35247.000382/2005-86
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882440
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.815
nome_arquivo_s : Decisao_35247000382200586.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 35247000382200586_5882440.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7366962
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588925657088
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-09T14:37:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-09T14:37:22Z; Last-Modified: 2018-07-09T14:37:22Z; dcterms:modified: 2018-07-09T14:37:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:b3bec4f7-0e05-4564-ab7e-3556977b27c9; Last-Save-Date: 2018-07-09T14:37:22Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-09T14:37:22Z; meta:save-date: 2018-07-09T14:37:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-09T14:37:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-09T14:37:22Z; created: 2018-07-09T14:37:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-09T14:37:22Z; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-09T14:37:22Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35247.000382/200586 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.815 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEF S/A INDUSTRIA E COMERCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/07/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 24 7. 00 03 82 /2 00 5- 86 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 193DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 194DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 195DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 196DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 197DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 198DF CARF MF Processo nº 35247.000382/200586 Acórdão n.º 9202006.815 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721797/2015-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010, 2011 PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10660.721797/2015-57
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880013
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.232
nome_arquivo_s : Decisao_10660721797201557.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10660721797201557_5880013.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7363363
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588929851392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1912; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.721797/201557 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.232 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de junho de 2018 Matéria Simples Nacional Omissão de Receitas Recorrente MARIA HELOISA DE ANDRADE ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 17 97 /2 01 5- 57 Fl. 1276DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Luis Henrique Marotti Toselli. Ausente justificadamente o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.1242/1250) que transcrevo a seguir: LANÇAMENTO Trata o presente processo de impugnação ao auto de infração de fls. 03 e seguintes, referente ao Simples Nacional, período de apuração 01/2010 a 12/2011, com exigência do valor de R$ 85.497,39 a título de impostos e contribuições devidos na sistemática do Simples Nacional, multa de 150% no valor de R$ 119.217,25 e juros calculados até setembro de 2015, no valor de R$ 36.344,27, totalizando o crédito tributário de R$ 241.058,91. As infrações que motivaram o lançamento foram: i) omissão de receitas apurada com base em depósitos ou investimentos em instituições financeiras cuja origem não foi comprovada; e ii) insuficiência de recolhimento por diferenças de alíquota. Os fundamentos legais que embasam o lançamento são (fls. 08): Arts. 3º, § 1º, 13, 18, 25, 26, inciso II e § 2º, e 34 da Lei Complementar nº 123/2006 e atualizações. Arts. 9°, 13, 14, inciso I, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. Art. 42 da Lei n° 9.430/96. Art 287 do RIR/99. Arts. 3º, § 1º, 13, 18, e 25, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações . Arts.1º, 2º, 3º, 4º, 5º, e 18 da Resolução CGSN nº 51/2008 e alterações. Arts. 13 e 14, inciso III, da Resolução CGSN nº 30/2008. A AuditoriaFiscal relata detalhadamente o procedimento de que resultou a autuação no termo de fls. 135 e seguintes, com os valores discriminados na planilha de fls. 146. Os créditos bancários não comprovados estão discriminados na planilha de fls. 147 e seguintes, enquanto que os comprovados estão relacionados na planilha de fls. 161 e seguintes. IMPUGNAÇÃO A interessada apresentou impugnação de fls. 801 e seguintes, argüindo, em síntese: i. Sua contabilidade integra contas bancos e caixa, a qual centraliza o movimento financeiro. Todos os cheques emitidos são contabilizados como entradas na conta caixa e os depósitos como saídas, conciliadas com os extratos bancários, razão pela Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10660.721797/201557 Acórdão n.º 1201002.232 S1C2T1 Fl. 3 3 qual a conta caixa, que nunca fica credora, justifica a origem de todos os depósitos bancários; ii. Por essa razão, os depósitos bancários têm sua origem conhecida, qual seja, as disponibilidades mantidas na conta caixa, razão pela qual devem ser excluídos da tributação, assim como o depósito de n° 380; iii. Admite que ocorreram falhas de conciliação e que “(...) havia necessidade de melhor esclarecer a origem (...) depósitos identificados a seguir (...) números 397, 404, 425, 429, 436, 438, 439, 442, 451, 457, 461, 462, 467, 469, 470, 478, 575, 592, 603” iv. Quanto à insuficiência de recolhimento, estará extinta com o acolhimento das razões contra a omissão de receita com base em depósitos bancários; v. Sobre o agravamento da multa, aponta a existência da Súmula CARF n° 25, justificando a redução da multa aplicada para 75%. Por fim, requer a exclusão de toda a receita omitida os depósitos bancários cuja origem esteja vinculada a transferências entre as contas caixa e bancos, com o decorrente reflexo na infração de insuficiência de recolhimento decorrente de agravamento das alíquotas do Simples Nacional; e a exclusão da multa de 150%. A interessada aditou a impugnação, fls. 975, apontando que o Supremo Tribunal Federal deu efeito de repercussão geral ao RE 855.649/RS, relativo à constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/96. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS (2ª Turma da DRJ/CGE) julgou parcialmente procedente a Impugnação para afastar a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%, em decisão proferida no venerando Acórdão nº 0440.646, de 26 de abril de 2016, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010,2011 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Os valores dos depósitos cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É devido valores lançados decorrentes de insuficiência de recolhimento em razão de mudança de patamar de receita bruta Fl. 1278DF CARF MF 4 total obtida a partir da soma da receita declarada mais a omitida detectada em procedimento fiscal. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A interessada tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.1263, em 18/05/2016 e, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.1265/1272, em 09/06/2016, conforme carimbo de postagem pelos Correios em 06/06/2016 e recepcionado pela DRF/Varginha/MG, conforme envelope com carimbo datado de 09/06/2016 (fl.1.272) juntado ao Recurso Voluntário. A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, o que torna desnecessário repetilos, nos tópicos: OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. É o relatório Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo, de acordo com o Ato Declaratório Normativo (SRF) n° 19, de 26/05/1997, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Importa lembrar que a decisão proferida no predito Acórdão nº 0440.646, de 26 de abril de 2016, da qual não cabe recurso de ofício, afastou a multa qualificada, reduzindo seu percentual de 150% para 75%. Assim, a lide cingese às matérias: OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e, INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Os argumentos apresentados em sede de recurso voluntário serão examinados na ordem em que apresentados pela Recorrente. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS Inicialmente a Recorrente apontando que o Supremo Tribunal Federal deu efeito de repercussão geral ao RE 855.649/RS relativo à constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/96, que fundamentou a autuação, solicita aos Egrégios Conselheiros que acolham a Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10660.721797/201557 Acórdão n.º 1201002.232 S1C2T1 Fl. 4 5 questão suscitada quanto à constitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/1996 como uma preliminar de nulidade absoluta, impeditiva da análise de mérito do lançamento efetuado pelo fisco, devendose suspender o julgamento do presente Recurso Voluntário até que o STF se pronuncie de forma definitiva sobre a matéria. Nesse ponto, cabe esclarecer que, de acordo com o artigo 62 da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o Regimento Interno do CARF, em consonância com o art. 26A do Decreto 70.235/72, resta vedado aos membros das turmas de julgamento desse órgão, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo se tiver sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; ... Portanto, o afastamento do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, encontra óbice no mencionado dispositivo regimental, e, não se tendo conhecimento de decisão definitiva do STF em relação ao alegado, incabível o sobrestamento do julgamento do presente Recurso Voluntário, como pretende a Recorrente. Quanto a omissão de receita caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a Recorrente insiste nos mesmos argumentos aduzidos na impugnação em sede de 1ª instâncias, argüindo, em síntese, que: Sua contabilidade integra contas bancos e caixa, a qual centraliza o movimento financeiro. Todos os cheques emitidos são contabilizados como entradas na conta caixa e os depósitos como saídas, conciliadas com os extratos bancários, razão pela qual a conta caixa, que nunca fica credora, justifica a origem de todos os depósitos bancários; Por essa razão, os depósitos bancários têm sua origem conhecida, qual seja, as disponibilidades mantidas na conta caixa, razão pela qual devem ser excluídos da tributação, os depósitos relacionados a seguir, identificados pelo número com que são citados na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS": Ano calendário de 2010: números 34, 59, 64, 66, 96, 144, 160, 187, 193,217. Ano calendário de 2011: números 232, 247, 261, 265, 277, 299, 300, 317, 358, 368. Fl. 1280DF CARF MF 6 Diz que, para comprovar que sua contabilidade atende a todos os preceitos e princípios estabelecidos pela legislação societária, com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, razão pela qual merecem fé os lançamentos contábeis integrantes da mesma, fazendo prova a favor do sujeito passivo, foram anexados o Livro Diário e o Livro Razão referentes ao período fiscalizado. A análise dos argumentos trazidos pela Recorrente encontrase bem explicitada no acórdão recorrido (fls.1247), vejamos: No caso em exame, a interessada foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas em instituições financeiras, após análise procedida pela autoridade fiscal segundo os critérios legais e regulamentares apontados. Dos esclarecimentos e documentos apresentados, a Auditoria Fiscal deduziu as planilhas demonstrativas dos créditos em contas mantidas em instituições financeiras, indicando os que foram comprovados e os não comprovados, separadamente. Com a impugnação nenhuma comprovação adicional foi apresentada, salvo a alegação de que a contabilização conjunta das contas caixa e bancos justificaria a origem dos depósitos. Por esse raciocínio, os créditos em contas bancárias seriam justificados pelo saldo da conta caixa. Ora, a técnica contábil adotada não afasta o pressuposto fático para a presunção legal em tela, qual seja, o ingresso de recursos em conta mantida em instituição financeira. Ordinariamente, a justificativa de origem se faria com a indicação de correspondência entre os valores e a atividade da empresa, por exemplo, o recebimento por vendas ou prestação de serviços devidamente escrituradas e declaradas ao Fisco. Nesse caso, como o depósito corresponde a uma transação submetida à incidência tributária, nada mais haveria a se exigir de seu titular. Nos casos contrários, em que inexiste uma justificativa para os ditos depósitos, ocorre subsunção à hipótese legal do artigo 42 da Lei 9.430/96, e a conseqüente tributação deve ser mantida, já que com a impugnação não foram apresentados documentos e/ou esclarecimentos hábeis para afastar a presunção legal. Como se vê, apesar dos fundamentos da decisão recorrida, que também adoto como razão de decidir, a Recorrente em sua contestação apenas repete o que já dissera na impugnação e enumera depósitos ditos que são citados na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", porém não há qualquer demonstração e/ou comprovação da inexistência dos depósitos ou exclusão/devolução de depósitos efetuados. Com efeito, as justificativas trazidas pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10660.721797/201557 Acórdão n.º 1201002.232 S1C2T1 Fl. 5 7 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, um mínimo de esclarecimento com provas por parte do contribuinte e, na espécie, a Recorrente deixou transcorrer em branco a oportunidade a ele concedida para tanto, por meio do Termo de Intimação nº 4, cientificado à fiscalizada em 19/12/2014, conforme o Termo de Verificação Fiscal, efls.135/145, no qual consta que "a fiscalizada não apresentou nenhum documento comprobatório da origem dos recursos." Conforme relatado, a AuditoriaFiscal descreve detalhadamente o procedimento de que resultou a autuação no termo de fls. 135 e seguintes, com os valores discriminados na planilha de fls. 146. Os créditos bancários não comprovados estão discriminados na planilha de fls. 147 e seguintes, enquanto que os comprovados estão relacionados na planilha de fls. 161 e seguintes. A Recorrente argúi que, o acórdão recorrido, ao não acolher que os depósitos bancários em moeda corrente, identificados pelo número do caixa automático dos Fl. 1282DF CARF MF 8 bancos e/ou realizados pelo próprio favorecido, que constituem a imensa maioria dos valores incluídos na "Planilha 2 DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS" tem origem conhecida, sendo provenientes do depósito nas contas bancárias de disponibilidades mantidas no "Caixa" da empresa, devendo ser excluídos da tributação, na prática, estabelece a imprestabilidade da contabilidade da empresa, decidindo contra as provas dos autos, uma vez que a fiscalização não demonstra a imprestabilidade da escrituração da recorrente, limitandose a criticar os históricos utilizados. Ora, não se trata de imprestabilidade da escrituração pois a autuação decorre de presunção legal, onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). Vêse que apesar de a defendente argumentar que merecem fé os lançamentos contábeis integrantes da mesma, fazendo prova a favor do sujeito passivo, foram anexados o Livro Diário e o Livro Razão referentes ao período fiscalizado, subsiste a obrigação de a Recorrente fazer prova da origem e natureza dos créditos efetuados em suas contas correntes bancárias, por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores para sustentar seus argumentos e infirmar a autuação. É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96, ao contrário do procedimento aventado pela interessada/Recorrente, permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de tal comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora, por presunção, suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Quanto à insuficiência de recolhimento, a Recorrente aduz que a infração estará extinta com o acolhimento das razões contra a omissão de receita com base em depósitos bancários. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10660.721797/201557 Acórdão n.º 1201002.232 S1C2T1 Fl. 6 9 A insuficiência de recolhimento apurada pela fiscalização decorreu do incremento das alíquotas do Simples Nacional pela inclusão na base de cálculo das receitas omitidas apuradas na auditoria fiscal. Como explicitado no tópico anterior, a autuação restou mantida em virtude da caracterizada omissão de receitas por não haver a autuada comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. Desse modo, razão não há para ser afastada a autuação por insuficiência de recolhimento conforme descrito no auto de infração, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS e ISS. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004076/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IRPF. COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. INOCORRÊNCIA.
Sem comprovação dos gastos efetuados na compra de materiais de forma idônea, não há como aceitar por verdadeiro o custo de aquisição declarado pelo contribuinte, sendo certo que o direito, sendo de seu interesse, deve ser comprovado pelo mesmo, caso contrário seus argumentos não podem prevalecer. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2402-006.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 IRPF. COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. INOCORRÊNCIA. Sem comprovação dos gastos efetuados na compra de materiais de forma idônea, não há como aceitar por verdadeiro o custo de aquisição declarado pelo contribuinte, sendo certo que o direito, sendo de seu interesse, deve ser comprovado pelo mesmo, caso contrário seus argumentos não podem prevalecer. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.004076/2007-31
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893042
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.209
nome_arquivo_s : Decisao_10680004076200731.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 10680004076200731_5893042.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7396537
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588943482880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 283 1 282 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.004076/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.209 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2018 Matéria ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente LUIS FILIPE LIQUITO DE CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRPF. COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. INOCORRÊNCIA. Sem comprovação dos gastos efetuados na compra de materiais de forma idônea, não há como aceitar por verdadeiro o custo de aquisição declarado pelo contribuinte, sendo certo que o direito, sendo de seu interesse, deve ser comprovado pelo mesmo, caso contrário seus argumentos não podem prevalecer. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 40 76 /2 00 7- 31 Fl. 283DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 284 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 272/281, lançado contra Acórdão de fls. 254/264 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Por bem delinear a lide até a interposição do apelo, vale que se transcreva o relatório da decisão objurgada. Confirase: Trata o processo de Auto de Infração de fls. 04/235, resultante da revisão das Declarações de Ajuste Anual DAA correspondentes aos exercícios de 2003, 2004 e 2005, anos calendário respectivos de 2002, 2003 e 2004, que exige do contribuinte o crédito tributário no montante de R$65.654,63, resultante do somatório do Imposto no valor de R$27.566,85, de multa proporcional R$20.860,98 e juros de mora (calculados até 30/03/2007), R$17.226,80, em virtude de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganho de capital referente a venda de imóvel. Consoante Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), procedeu à fiscalização do contribuinte acima identificado, conforme determinado no Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2006.007589, e após exame de toda a documentação disponível no presente procedimento, chegou às seguintes conclusões fiscais, com fundamento nos fatos verificados e a seguir descritos. Da Infração por Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Considerando que foi detectada movimentação financeira nas contas do contribuinte em epígrafe, contas correntes ou de investimentos, mantidas junto às instituições financeiras abaixo relacionadas, no montante de R$173.928,11, expressivamente maiores do que os rendimentos informados nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa FísicaDIRPF, do exercício de 2004, anocalendário 2003: BANCOCNPJVALOR DA MOVIMENTAÇÃO UNIBANCO S/A 33.700.394/000140R$75.457,59 BCN S/A60.898.723/000181 R$98.470,52 TOTALR$173.928,11 Ao autuado foi solicitado a apresentar todos os extratos bancários relativos as contas correntes, de poupança e de aplicações financeiras que deram origem as movimentações financeiras discriminadas acima, informar se possui contas em conjunto e com quem; comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados/creditados e justificar os motivos dessa movimentação financeira expressivamente maior do que os rendimentos declarados na sua DIRPF (ZERO). Fl. 285DF CARF MF 4 Em resposta, o contribuinte informa que junta extratos dos bancos Unibanco e BCN e informa que é o único titular de ambas as contas. Outrossim, também declara que os depósitos efetuados originamse da venda do imóvel referenciado no item (A) e que servem tanto para a cobertura das despesas normais de uma família, quanto para a implementação de melhorias na residência do contribuinte, imóvel esse posteriormente vendido. Anexa extratos do BCN de janeiro a dezembro, sendo que o do mês de setembro está faltando a movimentação mensal; e extratos do Unibanco de janeiro a junho, e agosto a novembro. Foi o autuado intimado em 08/01 e reintimado em 15/02/2007 a, no prazo de 30 dias do recebimento da intimação e 05 dias úteis da reintimação, apresentar o extrato do mês de setembro/2003 do BCN e os extratos dos meses de julho/2003 e dezembro/2003 do Unibanco (fls. 186 a 192). Os AR respectivos foram recebidos em 15/01 e 22/02/2007, não havendo resposta. Da mesma forma, foi intimado em 14/03 e reintimado em 28/03/2007 a, no prazo de 05 dias úteis, comprovar a origem do depósito em cheque no valor de R$ 20.000,00 dia 21/02/2003 na c/c 150.1830 agência 0253 do BCN (fls. 194 a 200). Os AR respectivos foram recebidos em 16/03 e 30/03/2007, também, não havendo resposta. Após auditoria realizada nas movimentações financeiras acima citadas (vide fls. 17/18), a autoridade fiscal concluiu que o único depósito a ser pesquisado é o de R$20.000,00, e, em função de que o contribuinte intimado e reintimado a comproválo não o fez, tal valor é considerado como depósito de origem não comprovada e a multa de ofício é também majorada em 50% pelo não atendimento às intimações recebidas. Como a DIRPF/2004 foi entregue no formulário simplificado e totalmente zerada, o contribuinte tem direito ao desconto simplificado de 20%, no caso, 20% x R$ 20.000 = R$4.000,00. Da Infração por Falta de Recolhimentos do Imposto Incidente Sobre Ganho de Capital Referente à Venda de Imóveis. Exercício 2003 Ano Calendário 2002: o autuado foi solicitado a apresentar documentação para comprovar o custo de aquisição dos imóveis à rua Castelo de Montalvão 131 casa 1 e 133 casa 2 com vistas ao cálculo do ganho de capital na sua alienação conforme matrículas 82.770 e 82.771 do Cartório do 3º Ofício de Registro de Imóveis de BH. Em resposta informa que adquiriu, juntamente com o Sr. Alexandre José Folgado Sanches Moreno CPF 213.018.01836, no dia 03/12/1999 pelo preço de R$ 31.150,00 o lote n° 13 do quarteirão 01 do bairro Castelo onde posteriormente foram edificadas duas casa geminadas e que receberam os números de matrícula 82770 e 82771 junto ao 3ºo Ofício do RGI de BH. Informa também que, para a edificação de duas casas com 100m2 cada, contrataram mãodeobra no valor de R$45.000,00 (para 200m2 de área construída) e desembolsaram cerca de R$464,54 por m2 de área construída com material de acordo com tabela do SINDUSCONMG anexa. Assim, conforme Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 285 5 declarado, computado também o valor do terreno, o custo total da obra, por unidade, é da ordem de R$84.529,00 e considerandose honorários de corretagem de imóveis e despesas com despachantes, o custo final de cada casa equivale ao seu preço de venda, o que importa dizer que não há ganho de capital substancial que enseje a tributação. Ressalta que, conforme consta dos documentos juntados, é responsável por apenas uma das unidades, ou seja, metade de ambas as casas geminadas. Anexa escritura de 03/12/1999 do 8º Ofício de Notas de BH Livro 682N fls. 192/193 correspondente à aquisição do lote 13 do quarteirão 01 do bairro Castelo pelo valor de R$33.500,00; Certidão de óbito de 01/07/2003 de Alexandre José Folgado Sanchez Moreno; Contrato de Fornecimento de Mão de Obra por Empreitada Global de 23/02/2001 para a construção das duas casas geminadas pelo valor de R$40.500,00; Certidão do 3º RGI de BH da matrícula 8748 correspondente à maior porção; Certidão do 3º RGI de BH do registro auxiliar 3.656 contendo a especificação das unidades das casas 01 e 02 localizadas à rua Castelo de Montalvão 131 e 133; Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda e Cessão de Direitos de 06/09/2002 referente alienação da casa 02 à rua Castelo de Montalvão 133 pelo preço de R$95.000,00 sob condição suspensiva de obtenção de financiamento pelo SFH; Certidões do 3o Ofício do RGI de BH das matrículas 82770 e 82771; Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda e Cessão de Direitos de 11/2001 referente alienação da casa 01 à rua Castelo de Montalvão 131 pelo preço de R$95.500,00 sob condição suspensiva de obtenção de financiamento pelo SFH; Recibo de honorários relativo à venda do imóvel à rua Castelo de Montalvão 131 em 04/09/2002 no valor de R$1.525,00; Tabela do SINDUSCONMG do mês de outubro/2002. Após auditoria realizada (vide fls. 16/17), a autoridade fiscal concluiu que de acordo com certidões do 3º RGI de BH (fls. 201 a 207), na matrícula da maior porção do imóvel n° 8478 constatase que o lote 13 do quarteirão 01 do bairro Castelo foi adquirido pelo contribuinte e pelo seu sócio em 03/12/1999 pelo preço de R$33.500,00 e não R$31.150,00 conforme informado no Termo de Resposta. Nas suas DIRPF/2002 e DIRPF/2003 não há qualquer menção aos imóveis na declaração de bens e direitos. Teve o contribuinte a oportunidade de comprovar o custo de aquisição e apenas apresentou o Contrato de Fornecimento de Mão de Obra por Empreitada Global no valor de R$40.500,00. Nenhum documento referente à compra de materiais. Não se pode aceitar tabela do SINDUSCONMG para efeitos fiscais. É preciso a verdade material. Também não pode o contribuinte dizerse responsável por apenas uma das unidades. De acordo com o art. 124 e parágrafo único da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação Fl. 287DF CARF MF 6 principal, sendo que essa solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. De acordo com o ato R4 da matrícula 82770, a alienação da casa 01 à rua Castelo de Montalvão nº 131 deuse em 18/06/2002 pelo preço de R$96.000,00 conforme Instrumento Particular com força de escritura pública de compra e venda. A este valor deduzse R$1.525,00 referente pagamento de honorários em nome de Geraldo Matos Imóveis Ltda resultando no valor líquido de alienação de R$94.475,00. De acordo com o ato R2 da matrícula 82771, a alienação da casa 02 à rua Castelo de Montalvão nº 133 deuse em 21/10/2002 pelo preço de R$95.000,00 conforme Instrumento Particular. Na falta de maiores esclarecimentos por parte do contribuinte, dividese o custo de aquisição comprovado de R$33.500,00 + R$ 40.500,00 = R$ 74.000,00 pelas duas casas, e assim temse: Ganho de Capital casa 01 R$ 94.475 R$ 37.000 = R$ 57.475,00 em 06/2002; O Ganho de Capital casa 02 R$ 95.000 R$ 37.000 = R$ 58.000,00 em 10/2002. Exercício 2005 Ano Calendário 2004: o autuado foi solicitado a apresentar documentação para comprovar o custo de aquisição do imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso 630 com vistas ao cálculo do ganho de capital na sua alienação conforme matrícula do Cartório do 6º Ofício de Registro de Imóveis de BH. Em resposta informa que adquiriu no mês de junho de 1998 o imóvel à Rua Heitor Sócrates Cardoso 630 pelo preço de R$75.000,00 e que, após oito anos de uso e melhoramentos, alienouo por R$140.000,00. Assim, considerando os seis anos de desvalorização do imóvel (5% ao ano, totalizando 30% em seis anos) e as despesas acima referidas, não se pode dizer que houvera “ganho de capital na alienação” e não há o que falar em tributação incidente sobre sua venda, mormente tratandose de imóvel com fim exclusivamente residencial. Anexa Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda e Cessão de Direitos de 29/06/2004 referente alienação da casa à rua Heitor Sócrates Cardoso 630 pelo preço de R$140.000,00 sob condição suspensiva de obtenção de financiamento pelo SFH; Certidão do 6º ofício do RGI de BH da matrícula 47.107; Escritura de 06/05/1998 do 10° Ofício de Notas de BH Livro 566N, fls. 12/13, referente aquisição do imóvel pelo preço de R$75.000,00; Certidão da CEF de 03/11/2004 informando que foram depositados em 26/07/2004 a importância de R$70.000,00 provenientes da venda do imóvel em sua conta de poupança. Após auditoria realizada (vide fls. 18/19), a autoridade fiscal concluiu que de acordo com certidão do 6º RGI de BH (fls. 208 a 213) matrícula 47107, no ato R13 o contribuinte adquiriu o imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso 630 em 06/05/1998 pelo preço de R$75.000,00 diverso do declarado na DIRPF/2003, de R$ 55.000,00 e o alienou conforme ato R14 em 26/07/2004 por Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 286 7 R$140.000,00. O contribuinte em nada acrescentou com documentos ao apurado acima no seu Termo de Resposta. Portanto, o ganho de capital apurado na alienação do imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso calculase por: R$ 140.000 R$ 75.000 = R$65.000,00 em 07/2004. Do Enquadramento Legal. Ganhos de Capital: Art. 124° da Lei n°5.172/66 Código Tributário Nacional; Arts. Io , 2 o , 3 o e §§, 16°, 18° a 22°, da Lei n°7.713/88; Arts. Io e 2 o , da Lei n°8.134/90; Arts. 7°, 21° e 22°, da Lei n°8.981/95; Art. 17°, 23° e §§, da Lei n°9.249/95; Arts. 22° a 24°, da Lei n°9.250/95; Arts. 16°, 17° e §§, da Lei n°9.532/97; Arts. 123° a 125°, 128°, 129°, 131°, 132°, 138° e 142° do RIR/99. Depósito de Origem não Comprovada: Art. 849° do RIR/99; Art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002. Multas Passíveis de Redução: Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 75,00%, Art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96. Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 112,50%, Art. 44, inciso I, § 2°, da Lei n°9.430/96. Juros de Mora: Fatos Geradores a partir de 01/01/97. Percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96 Cientificado do lançamento em 20/04/07, conforme “AR” de fl. 239, o interessado ingressou com a impugnação de fls. 197 e 218, em 18/05/07, alegando, em síntese, que: Fatos Geradores de junho e outubro de 2002 Juntamente com o Sr. Alexandre José Folgado Sanches Moreno, CPF 213.018.018 36, adquiriu um lote de terreno onde foram erigidas duas casas (geminadas) e que receberam os números de matrícula 82770 e 82771, junto ao Terceiro Oficio de Registro de Imóveis de Belo Horizonte – MG. Sem se constituírem em empresa, e de forma bastante amadora, ambos contribuintes, certamente por falta de experiência e orientação, firmaram um contrato que previa a construção dos imóveis com emprego de mãodeobra, mas se esqueceram de considerar o material de aplicação em seu custo. Instado a comprovar o custo total da obra a fim de que fosse apurada a existência de ganho de capital, fez juntar o referido contrato de empreitada mas, à falta de comprovantes fiscais de aquisição do material de construção, juntou a tabela do SINDUSCON, que reflete com bastante precisão, o custo de construção por metro quadrado, que serviria, então, para que fosse apurado o custo total de construção de cada unidade. Fl. 289DF CARF MF 8 Em que pese o subsidio apresentado, a auditoria fiscal simplesmente desprezou a tabela do SINDUSCON e considerou ganho de capital a diferença entre o preço de venda e os de aquisição do terreno, mãodeobra e corretagem imobiliária. Desta forma, como se todo o material de construção não tivesse custado nada, o ganho de capital de ambas as casas teria sido da ordem de R$115.475,00, sendo que a justificativa da autoridade fiscal para não considerar qualquer custo de material de construção seria o fato de que não havia juntada de comprovantes de compra de materiais. Em que pese a decisão da autoridade administrativa, não é razoável que a simples falta de juntada de comprovantes de compra de materiais implique em reconhecer que não houve custo para erigir a obra; pelo contrário, como admitem a doutrina e a jurisprudência, considerando o ônus da prova no procedimento administrativo como sendo do fisco, nada mais razoável que os meios e justificativas apresentados pelo contribuinte sejam considerados a fim de que seja verificada a existência real do fato gerador e tributo, se devido, seja recolhido aos cofres públicos. Isso posto, requer seja provido o recurso nesse ponto a fim de que seja considerado o custo de material de construção no custo global da obra, com base na tabela do SINDUSCON, e a conseqüente revisão da base de cálculo e inexigibilidade do tributo e multa. Fato Gerador de julho de 2004. Adquiriu, no mês de junho de 1998 um imóvel para servir de residência de sua família na rua Heitor Sócrates Cardoso n°630, em Belo Horizonte, MG. Após oito anos de uso e melhoramentos, com reforma de toda a estrutura do telhado, construção de área de lazer externa, churrasqueira, quiosque e piscina, agregando se valor ao imóvel, a casa foi vendida por R$140.000,00. Assim, em face da desvalorização do imóvel e das despesas com manutenção e benfeitorias, não se pode dizer que tenha havido ganho de capital e conseqüente incidência tributária. Da mesma forma que a autoridade fiscal não considerou custo de material quando da construção dos imóveis citados no item anterior, a melhoria na estrutura do imóvel, significativo investimento, também não foi considerado. Sequer a correção monetária entre a data de aquisição do imóvel e a data da alienação foi observada, o que, certamente, reduziria, senão anularia, a base de cálculo do tributo. Desse modo, requer lhe seja dado provimento para declarar a inexigibilidade do tributo, a multa e juros no importe de R$20.950,30. Requer, também, a produção de provas cabíveis e admissíveis, notadamente a pericial e juntada ulterior de documentos. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 287 9 Alega o recorrente, de início, que não há, in casu, ocorrência de ganho de capital como alegado pela d. decisão recorrida. Teria havido, na verdade, prejuízo na venda do imóvel em questão. Aponta que não possuía, à época da interposição da Impugnação, os comprovantes de aquisição dos materiais utilizados na obra, pelo que referenciouse à tabela CUBSINDUSCON. No entanto o pedido foi negado pelo acórdão recorrido, o que mereceria reforma. Isso porque, afiança ser a Tabela do Custo Unitário Básico, elaborada pelo Sindicato Nacional da Construção Civil, como documento idôneo e completamente hábil para comprovar as despesas realizadas. Assenta, em seguida, que "é notória a prática rotineira dos comerciantes pequenos não emitirem nota fiscal. É o que ocorreu no presente caso: os materiais empregados, em sua maioria, foram adquiridos no comércio de bairro e não têm comprovação fiscal" (sic., fls. 275) Dessa forma, alvitra que seria obstrução dos princípios da Justiça e Equidade aceitar apenas um tipo de documento para comprovação das despesas empregadas. Portanto, considerar a tabela CUB em nada lesionaria o ordenamento jurídico, eis que o objetivo do Fisco é de que o contribuinte pague o IR sob a renda auferida. Aventa que o ordenamento jurídico atual possibilitou que os Sindicatos pudessem elaborar documentos que podem ser utilizados como fonte do Direito. Como é o caso do Custo de Unidade Básica por ele referenciado que, por ter sido elaborado pelos Sindicatos da Construção Civil para estimativa de custo de unidades imobiliárias, criado em 1986, seria documento mais que apto para a estimação do valor. Às fls. 277 indica que "o CUB reflete a variação mensal dos custos de materiais e mãodeobra da construção cível, através de metodologia própria estabelecida em norma brasileira editada pela ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas". E prossegue dizendo "desde a sua criação, a CUB tem sido ferramenta reconhecida pelo mercado para ser parâmetro dos custos dos imóveis. Até mesmo porque os sindicatos da indústria da construção mensalmente atualizam e divulgam os dados colhidos". Assinala que o próprio Estado utiliza a CUB em certos casos, tais como para expedição de Certidões Negativas de Débito e no INSS, dessa forma, não aceitála no presente caso seria "incoerência" (fls. 278). Indigita que a CUB seria amplamente aceito pela jurisprudência como base de cálculo da mãodeobra nas construções civis e referenciase ao art. 344 da Instrução Normativa RFB nº 971/09 que, a seu ver, autoriza a presunção de gastos como no caso em tela. Importa que a tabela CUB apresentada possui todos os requisitos necessários para a efetiva comprovação dos custos e despesas bem como os demais elementos capazes de assegurar a veracidade do que afirmado, assim sendo, seria razoável que aceitar as tabelas do CUB como prova de gastos de material de construção. Fl. 291DF CARF MF 10 Ao arremate, alinhava que haveria provas suficientes no processo para que se notasse que o valor das despesas foi maior do que o valor obtido com a venda do imóvel e, por isso, não haveria ganho de capital tributável na presente demanda. Requer, pois, o provimento do recurso para que seja reconhecido como parâmetro de avaliação de custos a tabela do CUB e, notandose que não houve aumento patrimonial, seja cancelado o crédito tributário. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 288 11 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade recursal, merecendo, portanto, ser conhecido. Cabe frisar, desde logo que, conforme art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a parte não impugnada considerarseá como não contestada, vejase: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Confirase iterativa jurisprudência deste e. CARF: “PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário.” (Acórdão nº 3402 004.672) “ITR. MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente.” (Acórdão nº 9202005.673) Portanto, e como o recorrente limitouse a reagitar apenas a matéria referente à não aceitação da tabela de fls. 57/58, será a única a ser debatida, sendo que as demais foram alcançadas pela preclusão. Com isso bem posto, temos que o recorrente considera ser a Tabela produzida pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais – SINDUSCOM MG, documento completamente hábil para a demonstração dos gastos referentes a mãodeobra nos imóveis descritos no Termo Fiscal de fls. 20/23 e essa é, reprisase, a fundamentação completa do apelo. Para que se possa analisar as alegações a luz dos fatos, cabe reprisar a posição fiscal registrada como fundamento para o lançamento de ganho de capital apurado sobre a venda dos referidos imóveis. "(I) Exercício 2003 de acordo com certidões do 3º RGI de BH (fls. 201 a 207), na matrícula da maior porção do imóvel n° 8478 constatase que o lote 13 do quarteirão 01 do bairro Castelo foi adquirido pelo contribuinte e pelo seu sócio em 03/12/1999 pelo preço de R$ 33.500,00 e não R$ 31.150,00 conforme informado no Termo de Resposta. Nas suas DIRPF/2002 e DIRPF/2003 não há qualquer menção aos imóveis na declaração de bens e direitos. Teve o contribuinte a oportunidade de comprovar o custo de aquisição e apenas apresentou o Contrato de Fornecimento de Mão de Obra por Empreitada Global no valor Fl. 293DF CARF MF 12 de R$ 40.500,00. Nenhum documento referente à compra de materiais. Não se pode aceitar tabela do SINDUSCONMG para efeitos fiscais. É preciso a verdade material. Também não pode o contribuinte dizerse responsável por apenas uma das unidades. De acordo com a Lei 5.172/66 Código Tributário Nacional: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o feto gerador da obrigação principal. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Portanto, há base legal para que todo o ganho de capital seja tributado no contribuinte em questão. De acordo com o ato R4 da matrícula 82770, a alienação da casa 01 à rua Castelo de Montalvão 131 deuse em 18/06/2002 pelo preço de R$ 96.000,00 conforme Instrumento Particular com força de escritura pública de compra e venda. A este valor deduzse R$ 1.525,00 referente pagamento de honorários em nome de Geraldo Matos Imóveis Ltda resultando no valor líquido de alienação de R$ 94.475,00. De acordo com o ato R2 da matrícula 82771, a alienação da casa 02 à rua Castelo de Montalvão 133 deuse em 21/10/2002 pelo preço de R$ 95.000,00 conforme Instrumento Particular. Na falta de maiores esclarecimentos por parte do contribuinte, dividese o custo de aquisição comprovado de R$ 33.500,00 + R$ 40.500,00 = R$ 74.000,00 pelas duas casas, e assim temos: Ganho de Capital casa 01 R$ 94.475 R$ 37.000 = R$ 57.475,00 em 06/2002; O Ganho de Capital casa 02 R$ 95.000 R$ 37.000 = R$ 58.000,00 em 10/2002; [...] (Ill) Exercício 2005 de acordo com certidão do 6 o RGI de BH (fls. 208 a 213) matrícula 47107, no ato R13 o contribuinte adquiriu o imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso 630 em 06/05/1998 pelo preço de R$ 75.000,00 diverso do declarado na DIRPF/2003 de R$ 55.000,00 e o alienou conforme ato R14 em 26/07/2004 por R$ 140.000,00. O contribuinte em nada acrescentou com documentos ao apurado acima no seu Termo de Resposta. Portanto, o ganho de capital apurado na alienação do imóvel à rua Heitor Sócrates Cardoso calculase por: R$ 140.000 R$ 75.000 = R$ 65.000,00 em 07/2004." Analisando todo o contexto e documentos juntados, concluímos que o recurso desmerece provimento. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.004076/200731 Acórdão n.º 2402006.209 S2C4T2 Fl. 289 13 A bem lançada decisão recorrida enfrentou os argumentos levantados pelo Contribuinte, não remanescendo dúvidas no que tange ao acerto da exigência do imposto lançado, mesmo porque, as provas e evidências constantes nos autos militam, em boa parte, em desfavor do apelante. Assim o é posto que as alegações nada aportam, seja no plano dos fatos ou de direito, de suficientemente novo a modificar a decisão recorrida, uma vez que restou claro que o documento trazido aos autos, qual seja, a tabela de precificação média de fls. 57/58, não serve para a comprovação de qualquer gasto efetuado pelo recorrente no que se refere aos materiais para construção e mãodeobra. Percebam que no caso concreto, o i. Agente fiscal considerou a documentação hábil e idônea disponível, tomando o preço do contrato de mão de obra para construção e custo de corretagem como redutores do ganho de capital apurado. Ora... a busca pela verdade material é princípio processual específico do processo, que se ampara no devido processo legal e na ampla defesa, que não podem, de nenhuma forma ou sob qualquer aspecto, sofrer violações num Estado Democrático de Direito. Confirase o escólio de Odete Madauar e do sempre festejado mestre Celso Antonio Bandeira de Mello, respectivamente: “O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas.” (MEDAUAR, Odete. A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008) “Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrarem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado...” (MELLO, Celso Antonio Bandeira de, Curso de Direito Administrativo, São Paulo, Malheiros, 2003, 17ª edição) Dessa forma, aceitar como “documento idôneo” aquilo que não é, extrapola as condições processuais, eis que o recorrente foge de ônus legal que lhe cabe, posto no art. 373, inc. II da Lei Processual Civil e art. 16, inc. III do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, a prevalecer o uso da Tabela CUB como elemento suficiente para substituir a comprovação de custos de obras, estaríamos abrindo a possibilidade de escolha do meio de prova quanto ao custo de aquisição mais conveniente. Pois se em determinada operação, o custo real for inferior aquele apurável com base na Tabela CUB, bastaria erigir tal elemento para definição do custo. Em perspectiva inversa, caso não seja a tabela CUB o maior valor apuração do custo de aquisição se optaria por juntar os documentos relativos a compra de material de construção e mão de obra. Fl. 295DF CARF MF 14 Hodiernamente, não faz sentido alegar que, por ser pequeno empreendedor ou por haver “intimidade entre o comerciante pequeno e o comprador”, não há a expedição de documento fiscal, como aventado às fls. 275, eis que com os novos modos de formalização do trabalho como o MEI – Micro empreendedor Individual – todos podem ter acesso à emissão de comprovantes de compra e venda a sustentar seu direito. Portanto, alegar não ter os comprovantes dos gastos e fiarse em documento sem força qualquer para sustentar suas alegações é afastarse completamente do êxito processual, uma vez que isso nada mais é do que haver ausência de prova. Sendo certo que o direito do contribuinte não pode ser “presumido” mas deve ser comprovado, temse que não lhe assiste dinâmica favorável no caso concreto. O acolhimento da postulação do recorrente em tal jaez configuraria fazer letra morta das leis processuais e afastarseia da doutrina e, por que não, da segurança jurídica e bom direito. Ademais, como antecipado, furtase o contribuinte de dever que lhe incumbe, não havendo, pois, como se concluir pelo acolhimento do pleito recursal, uma vez que o recorrente – repisese nada comprova, merecendo ser mantida a decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
