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Numero do processo: 10783.722836/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE ENSINO SUPERIOR E TÉCNICO. NÃO INCIDÊNCIA.
O art. 28 § 9º, t da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade.
EMPRÉSTIMO - REMUNERAÇÃO
Constatada a existência de valores utilizados para gastos da empresa, não há que se considerar como pagamento de pró-labore, já que não se reverteu em proveito do sócio, mas da empresa.
Numero da decisão: 2401-005.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a base de cálculo relativa às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE ENSINO SUPERIOR E TÉCNICO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9º, t da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. EMPRÉSTIMO - REMUNERAÇÃO Constatada a existência de valores utilizados para gastos da empresa, não há que se considerar como pagamento de pró-labore, já que não se reverteu em proveito do sócio, mas da empresa.
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SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE ENSINO SUPERIOR E TÉCNICO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9º, “t” da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. EMPRÉSTIMO REMUNERAÇÃO Constatada a existência de valores utilizados para gastos da empresa, não há que se considerar como pagamento de prólabore, já que não se reverteu em proveito do sócio, mas da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 28 36 /2 01 1- 13 Fl. 1700DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a base de cálculo relativa às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados os seguintes Auto de Infração, a saber: DEBCAD 37.321.7684 – referente às contribuições sociais a cargo da empresa correspondente à contribuição incidente sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, incluindo a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além dos acréscimos legais sobre guias pagas em datas posteriores as fixadas para recolhimento, consolidado em 29/06/2011, no valor de R$ 394.498,79 (trezentos e noventa e quatro mil e quatrocentos e noventa e oito reais e setenta e nove centavos), no período de 01/2008 a 12/2008, lavrado em 30/06/2011; DEBCAD 37.321.7692 – referente às contribuições destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), consolidado em 29/06/2011, no valor de R$ 9.845,00 (nove mil e oitocentos e quarenta e cinco reais), no período de 01/2008 a 12/2008; DEBCAD 37.321.7706 – AI 68 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 30.471,40 (trinta mil e quatrocentos e setenta e um reais e quarenta centavos), por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; DEBCAD 37.321.7714 – AI 69 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 304,72 (trezentos e quatro reais e setenta e dois centavos), por ter a empresa apresentado as GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados a fatos geradores de contribuição previdenciária; Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 3 3 DEBCAD 37.321.7722 – AI 78 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 11.360,00 (onze mil e trezentos e sessenta reais), por ter a empresa apresentado as GFIP com informações incorretas ou omissas; DEBCAD 37.321.7730 – AI 91 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 1.523,57 (um mil e quinhentos e vinte e três reais e cinquenta e sete centavos), por ter a empresa apresentado as GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação; DEBCAD 37.321.7749 – AI 38 lavrado em 30/06/2011, no valor de R$ 15.235,70 (quinze mil e duzentos e trinta e cinco reais e setenta centavos), por ter a empresa deixado de exibir documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 37/62) a parte Autuada foi excluída do SIMPLES por opção própria, na data de 31/01/2008, com efeitos a partir de 01/01/2008. Os dados correspondentes aos fatos geradores ocorridos foram apurados com base nas informações constantes dos Recibos de Pagamento a Autônomos RPA, das Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e na contabilidade apresentada pelo contribuinte. Das obrigações principais: AI DEBCAD 37.321.7684 – Os valores das contribuições constam dos levantamentos denominados "BE BEI BOLSA DE ESTUDO", "DAL DIFERENÇA DE AC LEGAIS","ES, ESI e ES2 EMPRÉSTIMO SÓCIOS", "FD1 FOLHA SIMPLES COM ARQ DIGITAL" "FP, FP1, FP2, FOLHA DE PAGAMENTO", do Relatório DD – Discriminativo do Débito que integra o AI. AI DEBCAD 37.321.7692 Os valores das contribuições constam dos levantamentos denominados "BE BEI BOLSA DE ESTUDO", "FD1 FOLHA SIMPLES COM ARQ DIGITAL" "FP, FP1, FP2, FOLHA DE PAGAMENTO", do Relatório "DD Discriminativo do Débito" que integra o AI. Dos Fatos Geradores. De acordo com a Fiscalização, “no cotejamento entre a Folha de Pagamento apresentada e a GFIP declarada pela empresa, verificouse que não foram incluídos na Base de Cálculo para o recolhimento de contribuições previdenciárias e nem declarado em GFIP, os valores pagos a Título de Bolsa Estudo.” A Autuada foi intimada a esclarecer sobre a verba Bolsa de Estudo paga às funcionárias Keila Lúcia da Silva, recepcionista, e Jeliane Camporez, ajudante de cozinha, ocasião em que a empresa justificou se tratar de ajuda de custo para que as mesmas pudessem se qualificar; sendo que a Keila referese a curso superior com graduação em administração e a Jeliane referese a curso de graduação em técnico de nutrição. De acordo com o art. 28 §9°, " t " , da Lei n° 8.212, de 1991, para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, os valores devem ser gastos apenas com educação básica e profissional (cursos de capacitação e qualificação profissionais), também Fl. 1702DF CARF MF 4 abordado na Lei 9.393/96, não englobando a educação superior, caso da funcionária Keila Lúcia da Silva. Assim pelo acima exposto e por não ter sido concedido a todos os segurados esta auditoria considerou os pagamentos como valor integrante da base de cálculo das contribuições em virtude de terem sido concedidos em desconformidade com a legislação previdenciária. Em seguida, a Fiscalização relatou que “Foram identificadas também diferenças de recolhimento referentes à Base de Cálculo encontrada nas Folhas de Pagamentos e não declarada em GFIP, constantes dos Levantamentos "FP FP1 FP2 Folha de Pagamentos", e Levantamento "FD1 Folha Simples com Arq Digital" (este último para o período de 01 a 03/2008 quando a empresa declarou a GFIP como participante do SIMPLES equivocadamente). Tais valores, levantados por esta fiscalização, encontramse discriminados no Relatório Discriminativo do Débito DD”. Assim, através do exame da contabilidade apresentada verificouse que no ano de 2008 através da conta "1.2.1.01.001 Empréstimos para sócios 100787" conta do Ativo Realizável a Longo Prazo, foram pagos aos sócios valores que totalizaram R$ 976.938,10 (novecentos e setenta e seis mil, novecentos e trinta e oito reais e dez centavos), a título de: pagamento despesas dos sócios, despesas pessoais dos sócios, transferência conta Ederson (sócio da empresa), empréstimo efetuado aos sócios. Foi solicitado à empresa através do Termo de Intimação Fiscal n° 03 que apresentasse os documentos comprobatórios dos lançamentos que originaram os lançamentos efetuados na sua contabilidade do ano de 2008, na conta 1.2.1.01.001 Empréstimos para sócios 100787. A empresa apresentou em resposta recibos intitulados "RECIBO MENSAL DE OPERAÇÕES DE MÚTUO", totalizando mensalmente os valores lançados em sua contabilidade na conta Empréstimos a Sócios, através do Livro Razão. Foi solicitado também que a empresa apresentasse os documentos comprobatórios dos lançamentos de despesas pessoais dos sócios nas contas 2.1.1.02.0001 FORNECEDORES NACIONAIS 200084 do Razão 2008. A empresa justificou por escrito que: "Pela conta 2.1.1.02.0001 – Fornecedores Nacionais, por questões contábeis, transitavam todos os pagamentos da empresa, portanto neste caso, a contrapartida destes lançamentos, tem como origem a conta 1.2.1.01.0001 Empréstimos para sócios 100787, cujos comprovantes são o contrato de mútuo e os recibos mensais". Foi solicitado também à empresa que justificasse e comprovasse através de documentos os lançamentos na conta 2.2.1.01.0003 EMPRÉSTIMOS PAGAR A REAL FOOD 200654 do Razão referente ao ano de 2008. A empresa através de correspondência, anexada ao presente Auto de Infração, justificou em relação aos lançamentos que: "Ao assumirmos a empresa, no início do ano de 1998, encontramos a empresa totalmente endividada e sem qualquer recurso financeiro disponível para o pagamento de todo ou qualquer tipo de encargo. Para solucionarmos o problema, existente, passamos a efetuar todos os pagamentos, pela empresa Maria Natália de Souza Alves (nome fantasia Real Food Alimentação), conforme contrato de mútuo, já apresentado em outro tópico, e os recibos de movimentações mensais das operações, desta conta, em anexo". E apresentou "Recibo Mensal de Operações de Mútuo", onde reproduziu os valores lançados na contabilidade da Viesa Alimentação Ltda ME, na conta EMPRÉSTIMOS PAGAR A REAL FOOD, através do Livro Razão do ano 2008. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 4 5 O contribuinte apresentou recibos que não constituem os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados em sua contabilidade na tentativa de dificultar e não esclarecer a motivação dos lançamentos nas contas contábeis utilizadas. Quanto aos Contratos de Mútuo apresentados, observase que não trazem em seu corpo os juros a serem pagos pela utilização do valor acordado. Além disso, não definem o prazo em que a mutuária pagará o valor da "linha de crédito", comprometendose a reembolsar/devolver à mutuante, sempre que ocorrer sobra de recursos da mutuária. “Dessa forma os valores registrados na conta "1.2.1.01.001 Empréstimos para os sócios 100787" conta do Ativo Realizável a Longo Prazo, foram considerados como base de contribuição previdenciária, a título de pro labore remunerando o sócio administrador, qualificado como contribuinte individual, respeitandose os lançamentos contábeis efetuados a débito e a crédito da referida conta, levandose em consideração as devoluções efetuadas, lançadas como: "devolução empréstimo dos sócios", " vlr lucro presumido distribuído do 1º trimestre de 2008", "vlr lucro presumido distribuído do 2º trimestre de 2008" conforme se verifica na tabela abaixo e constam dos Levantamentos ES, ESI e ES2 do Relatório de Lançamentos RL, anexo ao AI 37.321.7684. Para o cálculo das contribuições da empresa foi utilizada alíquota de 20%, RAT 1% e Terceiros 5,8%. As Guias da Previdência Social GPS recolhidas, foram devidamente apropriadas sendo abatidas dos valores apurados primeiramente as contribuições declaradas em GFIP, a seguir as contribuições devidas pelos segurados apurados através das Folhas de Pagamento e o saldo restante quando existente, foi abatido nos levantamentos que compõem o presente débito. Em razão do exposto, foram aplicadas as Multas de Mora e de Ofício e da multa advinda de penalidade administrativa, além de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais. Passado isso, a Contribuinte fora devidamente notificada do lançamento (fls. 114, 121, 129, 136, 140 e 142), pela qual apresentou Impugnação Administrativa (fls. 436/462) arguindo, em síntese, referente aos AIs DEBCAD 37.321.7684 e 37.321.7692, que: a) Os pagamentos realizados pela Contribuinte a título de bolsa de estudos, jamais possuirá a natureza jurídica de remuneração, na medida em que nao tem por objetivo remunerar o trabalho desenvolvido pelas empregadas, mas apenas incentiválas ao aperfeiçoamento profissional e pessoal. b) Que apenas deve compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de rmeuneração – retribuição por trabalho prestado à empresa e que, dessa forma, o pagamento de bolsa de studo às funcionárias se afigura desvinculado ao seu trabalho, afigurandose como prestação não salarial. c) Reconhece, expressamente, que com relação ao código de recolhimento informado na competência de janeiro de 2008, tanto na GFIP quanto na GPS, Fl. 1704DF CARF MF 6 houve equívoco, sendo este lançado como se a Contribuinte ainda fosse optante pelo SIMPLES, sendo, assim, devida a diferença apontada pela Auditoria Fiscal. d) No que se refere ao recolhimento de fevereiro de 2008, aduz não ser devido qualquer diferença, haja vista que o valor devido fora integralmente recolhido, visto que foram apropriados créditos ao INSS e a terceiros, sendo que a somatória das GPS recolhidas alcançam o crédito devido. Ademais, reconhece que houve equívoco no preenchimento da GPS, posto que o recolhimento se deu em favor do INSS e não de terceiros, como seria o correto, alegando que há existência de créditos da autuada, ao que devem ser redistribuídos. e) Com relação aos demais meses (agosto a dezembro de 2008), a Contribuinte nega a existência de validade para a autuação, posto em que todos os meses teria a Contribuinte efetuado dedução de valores referentes à retenção realizada em suas Notas Fiscais de prestação de serviços, calculadas à alíquota de 11%, passível de compensação com os valores devidos à Previdência Social na mesma competência em que retidos. f) No tocante aos empréstimos para os sócios, afirma que tais valores transitavam na conta fornecedores por questões contábeis e foram realizados mediante empréstimo aos sócios (a contrapartida da conta fornecedores). Que, também, a Contribuinte faz parte de um grupo de empresas, tendo sua aquisição ter sido parte da estratégia do negócio desenvolvido pelas demais empresas que o sr. Éderson é sócios, bem como que as outras empresas daquele realizavam empréstimos à Recorrente com o objetivo de regularizar a sua situação financeira. Aduz, ademais, que os valores emprestados não foram disponibilizados de uma só vez, conforme demonstraria o relatório entregue à fiscalização, e que os valores foram lançados na contabilidade da Recorrente. g) Que em relação ao mútuo, informa que o valor movimentado na conta “empréstimo aos sócios” serviu para pagamento de despesa da própria empresa Recorrente, e que a comprovação disto fora acostada à Impugnação, sendo que todos os valores movimentados tiveram destinação única e exclusiva de pagamento de despesas e fornecedores da Contribuinte. h) Que quanto ao valor de R$ 95.000,00, apurada pela fiscalização na competência 04/2008, referese a empréstimo tomado junto ao sócio pela Reocrrente e por ela devolvido, não podendo o mesmo ser computado na base de cálculo das contribuições apuradas. Com a Impugnação, a Recorrente juntou documentos às fls. 505/746. Da análise da citada Impugnação, entendeu por bem a DRJ/RJI em converter o julgamento em diligência (fls. 750/752), posto que entedeu ser necessário certos esclarecimentos a respeito das alegações lançadas em Impugnação, conforme fundamentos abaixo delineados: “[...] a fim de que a fiscalização se pronuncie quanto às alegações da empresa em sua impugnação, citadas nos itens anteriores (itens 3,4,5), demonstrando através de planilha, no caso de comprovação e concordância com as alegações, a retificação do lançamento a ser processada nos autos de obrigação principal, por competência, bem como se os autos de obrigação acessória também devem ser retificados, tanto os que sofrem reflexo direto da correção dos AIOP, Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 5 7 como os demais, devido à aplicação da multa benéfica e quais seriam essas retificações.” Assim, em resposta, a Fiscal autuante apresntou manifestação (fls. 846/848, em síntese, mantendo o lançamento em todos os seus termos, reiterando a convicção previamente formada. Após ser devidamente intimada a se manifestar (fls. 851), a Recorrente apresentou manifestação (fls. 852/856) reiterando, no tocante à discussão do mútuo de R$ 95.000,00, os argumentos já alivinhados em Impugnação, apenas os reiterando. Já quanto aos “comprovantes de pagamento de despesas da empresa acostados à defesa”, que a planilha elaborada “observou com rigor todos os lançamentos levados a efeito pela fiscalização, bem como, correlacionou a específico lançamento, cada documento que fora acostado”. Ato contínuo, sustenta que podese verificar que as despesas foram suportadas pela Recorrente, de forma diversa que o alegado pela Fiscalização. Por fim, aduz que os documentos já juntados evidenciam a fragilidade dos lançamentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1250.081 da 11ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 864/889, julgando improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NÃO INCIDÊNCIA REQUISITOS ESPECÍFICOS. Constitui base de cálculo da contribuição social da empresa, o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços, na forma do art. 22, inciso I e III da Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores e art. 71, inciso II da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9o do artigo 28 da Lei nº 8212/91, e alterações posteriores, não integram a remuneração. BOLSA DE ESTUDOS. A inobservância das condições na concessão de bolsa de estudos, conforme previsto na legislação específica, atribui a esta verba o caráter remuneratório, para todos os efeitos, inclusive para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. CONTRATO DE MÚTUO. O MÚTUO. Fl. 1706DF CARF MF 8 Configura empréstimo de coisas fungíveis, sendo o mutuário obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, presumindose devidos juros, vez que se destina a fins econômicos. CONTRATO. EFEITOS PERANTE TERCEIROS. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. EMPRÉSTIMO REMUNERAÇÃO Empréstimo feito ao sócio, através de contrato de mútuo, cujas obrigações do contrato não foram cumpridas na forma da legislação própria, configura retirada de pro labore. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM A TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. GFIP VÁLIDA. Somente considerase válida a última GFIP entregue, antes do início do procedimento fiscal, com a mesma chave em cada competência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ASPECTO MATERIAL. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo Impugnante. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que o procedimento adotado pela fiscalização obedeceu às formalidades essenciais à constituição do crédito tributário e todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 6 9 onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento.” Devidamente intimada (fls. 892/893), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 894/924), sustentando, em síntese, que: (i) A falta de registro do contrato de mútuo não tem o condão de retirar a sua plena validade, haja vista que, conforme seu entendimento, foram observados todos os requisitos do art. 104 do Código Civil e que a exigência relevaria excesso de formalismo, além de que a necessidade de registro está vinculada às situações em que o terceiro tenha particular interessa na relação negocial, necessitando sua ciência, o que não teria ocorrido noc aso concreto, já que seria a obrigação tributári ex lege; (ii) No que diz respeito à inexistência de previsão de cobrança de juros, tal fator é irrelevante, na medida em que os mútuos realizados entre a empresa Recorrente e seus sócios tinha escopo único de viabilizar o início das atividades da empresa, não possuindo, a empresa, qualquer interesse em auferir rendimentos de natureza financeira a partir de seu capital; (iii) No tocante ao prazo firmado no citado mútuo, ou seja, por ser indeterminado, não existe qualquer vedação legal para tanto, especialmente se considerar que seu objetivo primordial seria fomentar as atividades empresariais da empresa Recorrente; (iv) Que houve insurgência contra sua postura em ampliar sua impugnação no tocante à sua defesa sobre o tema “empréstimo para os sócios”; (v) Que a Recorrente não esaria obrigada a realizar escrituração contábil das regras comerciais e contabéis no ano de 2008. Assim, não estaria sua contabilidade obrigada a obedecer os princípios que a informam, registrando despesas, empréstimos ativos e passivos em suas contas, nada prejudicando a compreensão das operações realizadas no período de ficalização; (vi) Que a autoridade lançadora e a julgadora (DRJ), deixaram de apreciar a documentação juntada pela Recorrente em sua totalidade, ao argumento de que eles não foram contabilizados nas rubricas Fornecedores e Despesas, o que, uma vez admitido, levaria, por consequência, à sobreposição das regras contábeis à verdade material; (vii) Que, ademais, seria incorreta a afirmação constante no Acórdão recorrido de que o lançamento se deu e foi confirmado considerandose o conjunto de informações e documentos apresentados pela Recorrente, ao passo em que deixaram de ser analisados aqueles acostados com a Impugnação, não tendo sido contabilizados; e Fl. 1708DF CARF MF 10 (viii) Que o valor tido a título de empréstimo (R$ 450.000,00) da empresa Viesa ao seu sócios não pode ser considerado como prolabore, vez que houve dupla classificação do negócio jurídico pela autoridade ficalizadora, ao passo que esta reconehcei a validade do mútuo quando os valores foram devolvidos pelo sócio no meso exercício fiscalizado, e não teria reconhecido em relação aos valores não devolvidos. Entende, assim, que adotouse critérios jurídicos distintos quando da realização do lançamento. Em seguida, o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte foi apreciado por esta 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual manifestouse através da Resolução nº 2401000.454 de 10 de março de 2015, fls. 1.123/1.134 e converteu o julgamento em diligência com o objetivo de esclarecer alguns pontos, da seguinte forma: “Neste contexto, por não encontrar nos autos uma definição clara e precisa acerca dos elementos que embasaram a autuação fiscal, voto por converter o presente processo em diligência, para que sejam analisados os documentos acostados pela Recorrente em sua Impugnação, Recurso Voluntário e demais manifestações nos autos, com vistas a: a) Identificar se os comprovantes de despesas apresentados coincidem com os valores lançados na conta de ativo “Empréstimo a Sócio”; b) Identificar a natureza dos documentos apresentados, a fim de verificar se se trata de despesa da Recorrente ou pessoal do seu sócio. Elaborar planilha identificando os valores e natureza de cada despesa cujo comprovante foi apresentado, relacionada à conta de ativo “Empréstimo a Sócio”; c) Esclarecer todos os lançamentos contábeis que foram efetuados para registro do passivo relativo às despesas cujos comprovantes foram apresentados e sua subsequente baixa – se houve ou não contabilização da despesa em contrapartida a lançamento a crédito em conta de fornecedor; de que modo a conta de fornecedor que registrou a obrigação foi baixada (contra caixa, empréstimo a sócio, etc?), etc. Sendo necessário avaliar documentos contábeis não acostados aos autos, o contribuinte deverá ser intimado a apresentalos ou prestar os esclarecimentos necessários; d) Verificar a origem dos recursos financeiros utilizados para quitar as despesas cujos comprovantes foram apresentados pela Recorrente – as despesas foram pagas através de recursos financeiros da própria Recorrente (contra Caixa ou Bancos), de empresas a ela vinculadas, ou de seus sócios? e) Apresentar outros esclarecimentos que o auditor fiscal diligente entender pertinentes para julgamento da lide. Após a realização da referida diligência, dêse ciência ao contribuinte, facultandolhe a apresentação de manifestação quanto ao seu teor, e, Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 7 11 em seguida, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise do Recurso Voluntário interposto.” Na sequência, a empresa foi intimada (Termo de Intimação Fiscal nº 1 – fl. 1.156/1.159), com data de ciência postal em 18/08/2015, a apresentar documentos e prestar informações. Atendendo a intimação, a Recorrente apresentou os esclarecimentos acompanhados de documentos de fls. 1.161/1.671. Sobreveio a Informação Fiscal de fls. 1.672/1.688, da qual, devidamente intimada em 30/10/2015 (fl. 1.693), a Recorrente não se manifestou. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 19/11/2012 (fls. 892) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 18/12/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO I – Dos valores pagos a título de bolsa de estudos. Aduz a Recorrente, às fls. 899, que os valores pagos à título de bolsa de estudos foram indevidamente computados na base de cálculo da contribuição previdenciária, já que não integram o saláriodecontribuição, citando, inclusive, decisão do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no Recurso Especial nº 1.079.978PR). Como se pode observar, em que pese o entendimento anterior, de que não teriam sido observados os critérios do § 9º e alínea “t” do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, já que os cursos a que se ativaram as duas funcionárias seriam de nível superior, com a devida vênia, de fato a jurisprudência do C. STJ sobre a matéria é unanime no sentido de que, independente da natureza do curso (inclusive para dependentes), não há incidência destes valores na base de cálculo do salário contribuição, desde que o curso realizado esteja vinculado aos fins da empresa. Vejase: Fl. 1710DF CARF MF 12 “PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. Recurso Especial provido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 1666066/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 06/06/2017, DJe 30/06/2017) No presente caso, é incontroverso nos autos que os cursos ofertados às duas funcionárias eram de técnico de nutrição e superior em administração, sendo que as empregadas exerciam as funções de recepcionista e ajudante de cozinha, ou seja, os cursos estavam de acordo com as funções por elas exercidas na empresa, bem como com o ramo de atividade da empresa (alimentação e organização de eventos), se enquadrando, portanto, próprio conceito utilizado pela C. Superior. Inobstante não haver vinculação das decisões judiciais no âmbito administrativo, não se pode olvidar a necessidade homogeneidade das decisões em todas as esferas, a fim de que prevaleça o comando constitucional da segurança jurídica. Da mesma forma, cumpre destacar que este também tem sido as decisões adotadas nesta esfera, como se verifica abaixo: “[...] SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. A descrição prevista no art. 28, § 9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento. [...]” (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 2ª Turma, Acórdão nº 9202005.970, Relatora Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Data da Sessão 26/09/2017). “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2007 Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 8 13 EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9º, “t” da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. TRABALHADOR AUTÔNOMO E EVENTUAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. A isenção prevista no art. 28 § 9º, “t” da Lei 8.212/91 não se estende ao auxílio educação pago aos trabalhadores autônomos e eventuais que prestam serviço à empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte” (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2301004.391, Relatora Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, Data da Sessão 09/12/2015). Segundo os entendimentos acima consignados, data vênia ao quanto consignado anteriormente, desde que sejam respeitados os critérios legais, excluise da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional de seus empregados, estando englobados no conceito de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. Da mesma forma, não restou verificado que era vedada a concessão da bolsa aos outros empregados, valendo destacar que a bolsa em questão tem fato gerador próprio (curso na área de atuação da empresa), não sendo o caso de concessão a todos os empregados sem análise prévia do preenchimento dos requisitos elencados pelo próprio art. 28 da Lei nº 8.212/91. Assim, não havendo demonstração pelo fisco de que os critérios foram desrespeitados, não há que se falar em incidência na base de cálculo do salário contribuição parcela indenizatória destinada ao aperfeiçoamento do profissional. Portanto, merece reforma a respeitável decisão a quo no ponto, a fim de que seja desconsiderada a infração no que tange à não inclusão na base de cálculo do salário contribuição dos valores pagos a título de bolsa de estudos. II – Das diferenças de recolhimentos apurados entre folha de pagamento e GFIP. No tocante ao ponto, a Recorrente afirma que a r. decisão a quo deve ser reformada em razão de excesso de formalidade, já que a diferença apontada no mês de fevereiro de 2008 seria proveniente de mero equívoco cometido pela própria recorrida, devendo ser realizada a retificação de ofício da GPS para serem adequadamente distribuídas as recitas do INSS e aos terceiros. Fl. 1712DF CARF MF 14 Ocorre que, como muito bem apontado pela decisão recorrida, a IN nº 1.265/12, em seu art. 4º, IX, é expresso ao vedar a retificação que versem sobre “alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito de lançamento de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição deste débito”, o que se verifica no presente caso. Além disso, a própria IN 900/08, em seu artigo 34, ressalva a compensação de contribuições previdenciárias e recolhidas para outras entidades de fundos. “Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos.” Assim, mantenho a condenação neste mês. Já no tocante aos meses de agosto a dezembro de 2008, melhor sorte não assiste à Recorrente, uma vez que não foi seguido o quanto determinado pelo manual da GFIP, a partir da versão 8.0, inclusive após a retificação realizada pela própria Recorrente, que deixou de declarar “todos os fatos geradores, inclusive os já informados, com as respectivas correções e confirmações”. “Retificação de informações As informações prestadas incorretamente devem ser corrigidas por meio do próprio SEFIP, conforme estabelecido no Capítulo V deste Manual. Os fatos geradores omitidos devem ser informados mediante a transmissão de novo arquivo SEFIPCR.SFP, contendo todos os fatos geradores, inclusive os já informados, com as respectivas correções e confirmações. (...) capitulo V– RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES As informações prestadas incorretamente ou indevidamente devem ser corrigidas por meio de nova GFIP/SEFIP, conforme estabelecido neste capítulo. Os fatos geradores omitidos também são declarados mediante a entrega de uma nova GFIP/SEFIP, contendo todos os fatos geradores já informados, incluindo, se for o caso, a indicação do recolhimento/declaração complementar ao FGTS. Sobre recolhimento/declaração complementar, observar as orientações do subitem 8.1 do Capítulo I. Os arquivos gerados pelo SEFIP devem, obrigatoriamente, ser transmitidos pela Internet, por meio do Conectividade Social, Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 9 15 conforme estabelecido na Circular CAIXA nº 321/2004 e Portaria Interministerial MTE/MPS nº 227/2005.” A forma como deve ser realizada a declaração também é obrigação do contribuinte, até mesmo para que haja ordem e a devida verificação pelo agente fiscal das informações lançadas, como no caso em questão. Importante relembrar que, a falta de atenção da Recorrente fez com que (fls. 871): “Nas competências de 02/2008 e 03/2008 efetuou nova GFIP com a mesma chave apagando as GFIP anteriormente declaradas provocando a omissão de segurados de toda a folha de pagamentos dessas competências com exceção de 1 segurado em cada uma dessas competências. Nas competências de 04/2008 a 12/2008 pela mesma sistemática apagou a GFIP anterior declarando nova GFIP apenas com um valor que não compõe a base de cálculo para contribuições previdenciárias encontrada na folha de pagamento desse período, provocando divergência na GFIP: no valor do salário de contribuição, no valor de contribuição de segurados devida e conseqüentemente no valor devido para a previdência.” (sem grifos no original) Além disso, conforme apontado no v. acórdão a quo, a fiscalização efetuou a ação fiscal levando em consideração, para as competências de 08/2008 e 12/2008 os valores declarados nas GFIP válidas, ou seja, as últimas apresentadas até aquela data. Dessa forma, deve ser mantida a r. decisão a quo no particular. III Empréstimos para sócios. III.a Dos valores não identificados (fls. 1.664 resposta – fls. 1133 acórdão) Conforme se observa da r. decisão anterior, entendeu a então relatora que não seria possível julgar o presente caso, sem que antes fossem esclarecidos alguns fatos. Isso porque, segundo aquela relatoria “[...] a fiscalização parte da premissa de que a Recorrente teria efetuado pagamentos de despesas em favor de seu sócio, despesas essas que, ao invés de serem tratadas com prólabore, foram indevidamente ativadas em conta de Empréstimos para sócio. Se, contudo, as despesas pagas foram da sociedade Recorrente, não há como as mesas serem consideradas, em qualquer hipótese, prólabore de sócio. Haveria, no caso, erro nos lançamentos contábeis, que não se sobrepõem à verdade dos fatos”. Assim, após a análise, de forma exaustiva, dos documentos anteriormente juntados e, ainda, daqueles juntados fora de tempo, se constatou diversas irregularidades nos documentos e teses lançadas pela Recorrente (fls. 1664 a 1688): “[...] A empresa apresentou também o extrato do razão analítico da conta 1.2.1.01.0001 – EMPRÉSTIMOS PARA SÓCIOS – 100787 com a indicação de números de documentos que demonstrariam cada lançamento na conta. Estes documentos indicados no extrato do razão analítico e que estão sendo anexados ao presente são extratos da conta corrente analítico da empresa e um outro extrato, cujo título é “obrigações por conta/data” da empresa e da Fl. 1714DF CARF MF 16 Real Food que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 38), é a empresa Maria Natália de Souza Alves. Fiz o cotejamento da planilha constante do Relatório Fiscal das dls. 47 a 50, onde estão discriminados os valores das bases de cálculo lançadas nos autos de infração, com as planilhas, extratos de contas corrente, extratos do razão analítico e demais documentos apresentados pela empresa. Deste cotejamento verifiquei alguns valores que constam da planilha do Relatório Fiscal e do razão analítico da conta 1.2.1.01.0001 – EMPRÉSTIMOS PARA SÓCIOS – 100787, mas não constam da planilha RELATÓRIO DE PAGAMENTOS DE FORNECEDORES LANÇADOS NA CONTA ‘EMPRÉSTIMO PARA SÓCIOS e nem dos documentos de despesas apresentados pela empresa. [...]. item b: a empresa apresentou a planilha RELATÓRIO DE PAGAMENTOS DE FORNECEDORES LANÇADOS NA CONTA ‘EMPRÉSTIMOS PARA SÓCIOS’. Nesta planilha estão relacionados as datas dos lançamentos, os valores lançados, os históricos dos lançamentos, as naturezas de cada despesa e os números de cada documento de despesa que foram apresentados e estão sendo anexados ao presente. Os documentos relacionados nesta planilha e cujas cópias foram apresentadas, referemse a despesas da empresa e não de seu sócio. Em relação aos valores indicados na planilha acima, como não foram apresentados os documentos de despesas referentes aos mesmos, não há como se afirmar se se trata de despesa da empresa ou de seu sócio; [...]” Dessa forma, forçoso admitir a inconsistência das informações apontadas pela Recorrente e aquelas identificadas na planilha do Relatório Fiscal e do razão analítico da conta questionada (1.2.1.01.0001 EMPRÉSTIMO PARA SÓCIOS – 100787) com a planilha utilizada pela Recorrente para justificar a origem dos valores RELATÓRIO DE PAGAMENTOS OFRNECERODS LANÇADOS NA CONTA “EMPRÉSTIMOS PARA SÓCIOS”, inclusive em relação aos documentos apresentados. Além disso, verificase que de diversos históricos não se identifica nenhum documento que comprove a movimentação, como por exemplo, o “Empréstimo efetuado a empresa aos sócios”, datado de 30/04/2008, cujo valor foi de R$ 460.000,00 (quatrocentos e sessenta mil reais), como concluído pelo Agente Fiscal “Em relação aos valores indicados na planilha acima, como não foram apresentados os documentos de despesas referentes aos mesmos, não como se afirmar se se trata de despesa da empresa ou de seu sócio”. Assim, na medida em que os valores apontados na PLANILHA DE PAGAMENTOS DE FORNECEDORES LANÇADOS NA CONTA “EMPRÉSTIMO PARA SÓCIOS”, como aponta o Agente Fiscal, referemse a despesas da empresa e não de seus sócios, mantenho o lançamento em relação aos valores cuja a identificação não foi possível, havendo presunção de que constituem base de cálculo como prólabore, tomandose como base a planilha apresentada pelo Agente Fiscal. Da mesma forma, as multas aplicadas deverão observar as faltas aqui apontadas, mantendose a v. decisão a quo quanto às demais penalidades não reformadas. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOU PARCIAL PROVIMENTO para afastar hipótese de incidência previdenciária em relação aos créditos a título de Bolsa de Estudos, uma vez que preenchidos os requisitos do Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 10783.722836/201113 Acórdão n.º 2401005.520 S2C4T1 Fl. 10 17 artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, mantendose, entretanto, os demais valores lançados. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1716DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720004/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 03/11/2008
COFINS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO.
As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo da Cofins, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2008
PIS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO.
As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo do Pis, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O Auto de Infração é instrumento adequado para a constituição de ofício do crédito tributário com suspensão da exigibilidade. Aplicação da Súmula Carf nº 48.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 03/11/2008 COFINS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo da Cofins, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2008 PIS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo do Pis, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O Auto de Infração é instrumento adequado para a constituição de ofício do crédito tributário com suspensão da exigibilidade. Aplicação da Súmula Carf nº 48. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado.
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COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo da Cofins, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2008 PIS. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo do Pis, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O Auto de Infração é instrumento adequado para a constituição de ofício do crédito tributário com suspensão da exigibilidade. Aplicação da Súmula Carf nº 48. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 00 04 /2 01 1- 12 Fl. 450DF CARF MF 2 Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Tratase de Auto de Infração relativo à falta/insuficiência de recolhimento das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e para o Programa de Integração Social – PIS, nos valores de R$ 308.093,32 e de R$ 66.101,61, respectivamente, acrescidos de juro de mora e multa, referente ao período 01/2007 a 12/2008. A empresa em epígrafe tratase de uma cooperativa de profissionais médicos, não operadora de plano de assistência à saúde, enquadrandose como sociedade cooperativa em geral. A base de cálculo das contribuições lançadas foi o faturamento, assim entendido a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, conforme disposto no art. 3º. da Lei nº. 9.718/98, §único do art. 2º. E art. 3º. Do Decreto nº. 4.524/02, IN SRF n º. 247/02, art. 10, e IN SRF nº. 635/06, art. 6º., caput. As adições constantes em planilha para apuração da Receita Bruta compreendem os “Atos Cooperativos”, os “Atos não Cooperativos”, os “Ganhos Financeiros” e os “Lucros e Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 3 3 Dividendos Eventuais”, conforme contas relacionadas no relatório. Segundo o fisco, a contribuinte se valeu indevidamente das exclusões da base de cálculo previstas no artigo 17 da IN SRF nº. 635/2006 – Fundo de Reserva e Fates as quais não se aplicariam à pessoa jurídica em questão, visto que são atinentes às cooperativas de médicos que operam planos de assistência à saúde. Assim, as contas relativas a “Fates” e “Fundo de Reserva” não foram consideradas como excludentes da base de cálculo. As contribuições em questão foram apuradas na forma cumulativa. Nas razões da impugnação, preliminarmente, a contribuinte suscita a nulidade do auto de infração, alegando que este não é o meio próprio para a constituição do crédito tributário, mas sim para a aplicação de penalidades, nos termos do art. 10 do Decreto nº. 70.235/1972. Alega, ainda, que o referido decreto estabelece que o auto de infração deve conter o dispositivo legal infringido (art. 10, IV), suscitando a anulação pela suposta falta de dispositivo legal infringido no presente. No mérito, no tópico “2.3. da não incidência de PIS/ Cofins sobre o ato cooperativo”, alega que não recolheu PIS/Cofins sobre a rubrica “Ato Cooperativo”, posto que entende que não houve a revogação do inciso I do art. 6º. da LC 70/91. Discute a legalidade/constitucionalidade da revogação deste dispositivo legal por Medida Provisória, na medida em que somente Lei Complementar poderia revogar o benefício/adequado tratamento tributário concedido . Ressalva que a cooperativa, quando pratica atos que lhe são próprios, não aufere lucro, as despesas são rateadas entre os associados, assim como o resultado positivo do exercício é partilhado, proporcionalmente, entre aqueles que fazem parte da cooperativa. Nesse sentido, alega que a inexigibilidade do PIS e da Cofins relativamente aos atos cooperativos decorre não de regra de isenção e sim da não configuração de fato gerador da obrigação tributária, e que a LC 70/91 veio tãosomente explicitar, embora de forma tecnicamente inadequada, o que já se interpretava como imunidade, sob o nome de isenção. Cita jurisprudência do TRF4 e do STJ. Segundo a impugnante, independentemente da inconstitucionalidade da revogação da isenção das contribuições, a cooperativa não aufere receita ou faturamento quando pratica atos cooperativos. Remete ao art. 79, § único da Lei nº. 5.764/71. No tópico “2.4. da não incidência de PIS/Cofins sobre receitas financeiras”, alega que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do §1º. do artigo 3º. da Lei nº. 9.718/98, Fl. 452DF CARF MF 4 decidindo que as receitas financeiras e nãooperacionais não compõem a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins. Requer que estas receitas sejam retiradas da base de cálculo das contribuições. Por fim, requer que sejam julgados improcedentes os lançamentos, no todo ou em parte, conforme requerido e fundamentado nos itens da impugnação. A DRJ/Florianópolis/SC – 4ª Turma, por meio do Acórdão 073.061, de 26/10/2012, decidiu pela procedência parcial da Impugnação, afastando da base de cálculo do lançamento as receitas financeiras. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. FATURAMENTO. ATO COOPERATIVO. Em virtude da revogação do art. 6º da LC nº 70, de 1991, efetuada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições, as Sociedades Cooperativas em geral passaram a recolher o PIS/Cofins sobre o seu faturamento, conforme a Lei 9.718/98, o qual deve ser entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, sendo irrelevante o fato desta receita ser ou não oriunda de ato cooperativo. CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento da Lei nº. 9.718/98, visto que não se tratam de receitas oriundas do exercício das atividades empresariais da cooperativa de eletrificação rural. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. FATURAMENTO.ATO COOPERATIVO. Em virtude da revogação do art. 6º da LC nº 70, de 1991, efetuada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições, as Sociedades Cooperativas em geral passaram a recolher o PIS/Cofins sobre o seu faturamento, conforme a Lei 9.718/98, o qual deve ser entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, sendo irrelevante o fato desta receita ser ou não oriunda de ato cooperativo. CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 4 5 As receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento da Lei nº. 9.718/98, visto que não se tratam de receitas oriundas do exercício das atividades empresariais da cooperativa de médicos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INSTRUMENTOS LEGAIS. Os artigos 10 e 11 do Decreto nº. 70.235/72 tratam, respectivamente, dos requisitos a serem observados no auto de infração e na notificação de lançamento, sendo ambos instrumentos legais para o lançamento de créditos tributários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. A cooperativa então interpôs o Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da Impugnação. Acrescenta pedido de sobrestamento do processo, em vista do RE 598.085, sob o rito da repercussão geral, que trata da constitucionalidade das alterações promovidas pela MP 1.858/99, posteriormente MP 2.15835/2001, acerca da tributação dos atos cooperativos. Deixa de arugmentar contra a tributação das receitas financeiras, já deferida pelo decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência desta turma, e, conforme Termo de Verificação Fiscal, a cooperativa não é parte de açãojudicial que discuta as matérias deste processo. Portanto, o recurso deve ser conhecido. Preliminar – Sobrestamento do processo em vista do RE 598.085 Fl. 454DF CARF MF 6 A matéria não foi veiculada em Impugnação, restando preclusa nos termos do art. 17 do PAF. Ademais, o sobrestamento previsto no regimento anterior do Carf, art. 62A, §1º, conforme solicitado, não mais subsiste no novo regimento, Portaria MF 343/2015. A matéria de fundo do RE 598.085 é de mérito, onde será analisada. Afasto a preliminar. Preliminar – Notificação de Lançamento X Auto de Infração. A preliminar em que a recorrente pede pelo cancelamento do Auto de Infração, alegando a inadequação da utilização de Auto de Infração, em vez de Notificação de Lançamento, deve ser rejeitada. A recorrente fundamenta sua defesa, nesta parte, pela redação dos artigos 10 e 11 do PAF, Decreto 70.235/72, em especial o incido IV do artigo 10 que diz: Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável Então deduz daí que o Auto de Infração seria aplicável somente para autuação de penalidade, não de tributo. Ora, tratase de sofisma. O requisito de que a penalidade aplicável conste do Auto de Infração não exclui a presença de tributo. A diferença entre Auto de Infração e Notificação de Lançamento não está nesse aspecto, mas em outro. O Auto de infração, nos termos do art. 10 do PAF – Decreto 70.235/72, é mais completo e abrange todas as situações possíveis para efetivação do lançamento de ofício. A Notificação de Lançamento é que é mais restrita, aplicável em circunstâncias específicas em que não se exija a participação direta do Auditor Fiscal, tais como a formalização automática da exigência em casos de malha fiscal preparada em sistemas de computadores e assinada eletronicamente, emitida em lotes numerosos, e nesse modo, expedida em lotes por titular do órgão circunscricional. Confirase, nesse sentido, as disposições da Instrução Normativa da Receita Federal nº 958/2009: Art. 1º A revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) farseá mediante procedimentos internos decorrentes de parâmetros nacionais estabelecidos pelas CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e CoordenaçãoGeral de Tecnologia da Informação (Cotec), de acordo com suas competências regimentais. (...) Art. 2º Da revisão da declaração poderá resultar notificação de lançamento ou auto de infração. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 5 7 § 1º Quando for constatada infração à legislação tributária exclusivamente por meio de informações constantes das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), será expedida notificação de lançamento, da qual será dada ciência ao contribuinte. § 2º Quando as infrações à legislação tributária forem constatadas após análise das informações apresentadas pelo sujeito passivo, nos termos previstos no art. 3º desta Instrução Normativa, será lavrado auto de infração pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) que presidir e executar o procedimento. As disposições legais acerca da nulidade do lançamento não distinguem quanto ao meio – Auto de Infração ou Notificação de Lançamento estabelecendo apenas os elementos imprescindíveis e a adequada descrição da motivação, nos termos dos artigos 10, 11 e 59 do Decreto 70.235/72. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não faltando os elementos do artigo 10, e não incidindo nas nulidades do art. 59, o Auto de Infração consubstanciase como lançamento válido para formalização da exigência. Portanto, não acato a preliminar arguida. Preliminar de ausência de fundamentação legal Alega a recorrente que o Auto de Infração não teria apontado o dispositivo legal infringido. O Termo de Verificação Fiscal, fl.34, refere à base de cálculo como o faturamento, art. 3º da Lei 9.718/98, e ao Decreto 4.524/2002, às instruções normativas da Receita Federal 247/2002 e 656/006, que, por sua vez, referem aos dispositivos legais pertinentes às cooperativas de trabalho médico. O Termo de Verificação Fiscal é parte integrante do lançamento. Além disso, de todo o contexto do lançamento, a recorrente pode obter informações plenas para a defesa de todas as teses relacionadas às matérias, e efetivamente o fez. Não havendo prejuízo à defesa, não há nulidade, nos termos do art. 59 do PAF. Portanto, afasto a preliminar. Mérito No mérito, a tributação das cooperativas de trabalho médico já foi objeto de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, e do Supremo Fl. 456DF CARF MF 8 Tribunal Federal, em repercussão geral, decisões que são vinculantes para o Carf, conforme art. 62, §2º, do regimento interno, Portaria MF 343/2015. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Todavia, resta ainda a questão de se definir, para cooperativas de trabalho médico, quais são os atos cooperativos típicos, uma vez que a receita advém de terceiros não cooperados, isto é, os clientes dos serviços prestados. Tal questão foi admitida como em repercussão geral nos RREE 599.362 e 598.085. O RE 599.362 decidiu que o Pis incide sobre receitas advindas de terceiros nãocooperados, em cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 6 9 concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada Fl. 458DF CARF MF 10 segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Colaciono trechos do voto do relator, todos como fundamentação para a decisão, para melhor clarificar o que foi considerado ato cooperativo: “Este é o cerne da demanda: a partir da exegese do que seja o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, saber se as receitas auferidas pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos negócios jurídicos praticados com terceiros – não cooperados – se inserem na materializada de contribuição ao PIS/PASEP, ou se, ao revés, não constituem receita da cooperativa e, sim, do cooperado, caracterizandose como hipótese de não incidência tributária. (…) “É certo que a atividade inerente às cooperativas, especialmente pelas assim chamadas 'cooperativas de trabalhos', é complexa por envolver funções de naturezas distintas. A priori, as sociedade cooperativas existem para servir aos cooperados, na medida em que a atividade por elas exercida visa atender aos objetivos estabelecidos democraticamente pelos seus associados, que buscam, por meio delas, criar e desenvolver formas de aumentar sua produtividade e seu rendimento. Esta é a atuação interna das cooperativas, é o chamado ato cooperativo pelo qual os seus dirigentes, trabalhando em prol das mesmas, atuam junto à sociedade captando possibilidades de trabalho para o cooperado” (…) “...atos cooperativos são assim definidos tendo em vista os agentes que deles participam, de forma que, em se tratando de pessoa estranha à relação cooperadocooperativa, inexiste a possibilidade de celebração de ato cooperativo”. (…) “Quando estamos diante de uma cooperativa de trabalho, caso dos autos, o tipo de serviço prestado precisa ficar bem evidenciado. Isso se vê claramente nas chamadas cooperativas de prestação de serviços profissionais, as quais respondem 'pela captação e pela contratação impessoal dos serviços, para ulterior distribuição entre os cooperados, que os executarão de forma individual e autônoma, de modo a garantir oportunidade trabalho e remunerabilidade a todos'” (…) Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13982.720004/201112 Acórdão n.º 3201003.758 S3C2T1 Fl. 7 11 “Na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos – a cooperativa não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores que se associaram. Como dizia Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado – contratos de sociedade, sociedades de pessoas. 3. ed. São Paulo:RT, 1984.XLIX,p.507), '[a] sociedade cooperativa de trabalho, com a personalidade jurídica, aparece, lá fora, como empresa; e empresa, em largo sentido, ela o é.” (…) “Não se pode entender que o conceito de faturamento seja estranho às cooperativas no que diz com suas relações com terceiros.” “Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário da União para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas” Copio também a tese firmada, conforme a decisão em embargos de declaração: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, acolheu os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infringentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Ausentes, justificadamente, os Ministros Celso de Mello e Teori Zavascki. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.08.2016.” Esta decisão transitou em julgado em 25/11/2016, sendo, também, de aplicação vinculante aos colegiados do Carf, conforme artigo 62 do Regimento Interno. A mesma tese, certamente, se aplica à Cofins, posto que ambas as contribuições tem a mesma formatação legislativa, para o presente caso. Desse modo, a totalidade das receitas de serviços prestados pelos cooperados a terceiros não cooperados são tributáveis pelo Pis e pela Cofins. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 460DF CARF MF 12 Fl. 461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000134/2007-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003,2004
OPÇÃO RETROATIVA SIMPLES. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA.
O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples.
São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1003-000.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003,2004 OPÇÃO RETROATIVA SIMPLES. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003,2004 OPÇÃO RETROATIVA SIMPLES. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 01 34 /2 00 7- 51 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 82 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) em 26.04.2007, fl. 01, a partir do início das atividades, ou seja, de 22.03.2001, ao argumento de que: Ocorre que, maior surpresa não poderia ocorrer quando, no ano de 2004 a Requerida recebeu uma correspondência desta Instituição onde relatava que a mesma não havia realizado a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (SIMPLES) e que a situação deveria ser regularizada. Constatouse então, que por um lapso não foi efetuado, tempestivamente, a opção pelo SIMPLES. Diante disto, a Requerente, no intuito de regularizar a situação, transmitiu uma DIPJ referente ao anocalendário de 2004, o que, ao contrário do desejado, complicou ainda mais a sua situação, uma vez que realizou todos os pagamentos como se estivesse enquadrada no Simples. Conforme se observa nas copias das guias de recolhimentos e declarações ora anexadas, a Requerente não agiu de má fé, tão pouco lesionou o fisco, apenas, por uma falha de informação, cometeu erro, que, o não deferimento da retroação causará danos sim, as a este contribuinte que paga seus impostos em dia, pois coloca de forma irregular perante esta Instituição. Em conformidade com o Despacho Decisório da DRF/Juiz de Fora/MG, de 19.01.2009, fls. 2325: A intenção inequívoca de adesão ao Simples, pela interessada, nos exercícios 2002 e 2003, anos calendários 200l e 2003 e exercícios 2006 a 2008, anos calendário 2005 a 2007 encontrase demonstrada conforme se depreende da consulta aos sistemas CNPJ, IRPJ e Sinal 06, telas às fls. 16/21. O documento de fls. 22 comprova a admissibilidade da opção pelo Simples, conforme orientação da Nota Técnica CORAT/CODAC/DIPEJ n° 044, de l2/05/2004. Observamos às fls. 17 que a contribuinte entregou a declaração IRPJ no formulário de Lucro Presumido nos exercícios de 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004. Pelo exposto, propomos a inclusão da interessada no Simples, com efeitos retroativos aos períodos de 22/03/200l a 31/12/2002 e 01/01/2005 a 30/06/2007, mediante processamento dos eventos 319 (inclusão administrativa no Simples) e 321 (exclusão administrativa no Simples), previsto no AD/COTEC/001/2000. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0924.709, de 25.06.2009, fls. 6365: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 83 3 INCLUSÃO RETROATIVA. É incabível a inclusão retroativa ao Simples quando não identificada a intenção inequívoca de aderir àquele sistema, por meio de pagamentos mensais efetuados por DarfSimples e da apresentação da Declaração Anual Simplificada. Solicitação Indeferida Notificada em 02.09.2009, fls. 67, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.10.2009, fls. 7071, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que diz respeito aos fundamentos do indeferimento da inclusão retroativa no Simples afirma que: Ocorre que, maior surpresa não poderia ocorrer quando, no ano de 2004 a Requerida recebeu uma correspondência desta Instituição onde relatava que a mesma não havia realizado a opção pelo Sistema integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (SIMPLES) e que a situação deveria ser regularizada. Constatouse então, que por um lapso não foi efetuado, tempestivamente, a opção pelo SIMPLES. Diante disto, a Requerente, no intuito de regularizar a situação, em virtude da recusa do sistema em aceitar a PS, transmitiu uma DIPJ referente ao anocalendário de 2004, o que, ao contrário do desejado, complicou ainda mais a sua situação, uma vez que realizou todos os pagamentos como se estivesse enquadrada no Simples. Conforme se observa nas cópias das guias de recolhimentos e declarações ora anexadas, a Requerente não agiu de máfé, tão pouco lesionou o fisco, apenas, por uma falha de informação, cometeu um erro que ora pretende ver resolvido. Impende esclarecer ainda que o não deferimento da retroação causará danos sim, mas a este contribuinte que paga seus impostos em dia, pois o coloca de forma irregular perante esta instituição. Concernente ao pedido expõe que: Diante do exposto, requer a Vv. Sa. ,espontaneamente que regularize a situação cadastral da requerente para que conste do seu cadastro a opção pelo SIMPLES também nos períodos de 2003 e 2004, o que a isentaria assim das multas por atraso na entrega de DCTFs constante da presente intimação. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 84 4 A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas.1. Em preliminar, no que se refere à identificação da intenção inequívoca de a Recorrente aderir ao Simples, vale mencionar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, que disciplinou a matéria no seguinte sentido: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Consta no Item 141 das Perguntas e Respostas da RFB de 20052: Pode o Delegado ou Inspetor da Receita Federal retificar de ofício a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no CGC/CNPJ? O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples (ADI SRF n º 16, de 2002). NOTA: 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal. Perguntas e Respostas 2005. Disponível em: < http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/anosanteriores2009a1999>. Acesso em 15 jun. 2018. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 85 5 Cabe, entretanto, a inclusão retroativa de ofício, para fatos ocorridos até o exercício de 2003 (anocalendário 2002), no caso de o contribuinte comprovar sua intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n º 9.317, de 1996. Essa comprovação pode ser feita, nos casos de não apresentação do TO e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples). Ressaltese que o pagamento efetuado por outro regime de tributação não caracteriza a intenção de opção pelo Simples ainda que o contribuinte tenha entregue a Declaração Anual Simplificada. Restando positivado que comprovada a ocorrência de erro de fato, a pessoa jurídica pode ser incluída de ofício no Simples quando for possível identificar sua intenção inequívoca de adesão devendo de maneira imprescindível serem evidenciadas as seguintes condições cumulativas de forma objetiva e com provas diretas: (a) efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples); e (b) apresentação da Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1997). O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no voto condutor do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 09 24.709, de 25.06.2009, fls. 6365: Independentemente da discussão do contribuinte acerca do fato âque transmitiu as declarações no formulário do lucro presumido apenas para não sobre penalidade, a manifestação inequívoca a que se refere o ADI supra, como se vê, caracterizase pelos pagamentos em DarfSimples “e” entrega da Declaração Anual Simplificada. Segundo o extrato, fl. 17, a contribuinte, apesar de efetuar recolhimentos por meio de DARF Simples de 2001 a 2007, não apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ: não se cumpriu assim as duas exigências para que se caracterize a manifestação inequívoca. Pelo contrário, constam declarações entregues pela interessada nos formulários de lucro real e lucro presumido para os exercício 2003 e 2004, respectivamente. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 86 6 Diante do exposto, por não ter ficado demonstrado o erro de fato, o presente voto é pelo indeferimento do que se pleiteou na Manifestação de Inconformidade, devendo ser mantido o que se decidiu no despacho da DRF/Juiz de Fora/SACAT (fls. 23/25). Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) recolheu por DarfSimples nos anoscalendário de 20012007, fls. 1821; (b) apresentou em 25.05.2001 a Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples referente ao anocalendário de 2001, fl. 17; (c) apresentou 30.05.2003 a Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples referente ao anocalendário de 2002, fl. 17; (d) apresentou 30.06.2004 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Real referente ao anocalendário de 2003, fl. 17; (e) apresentou 30.06.2005 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido referente ao anocalendário de 2004, fl. 17; (f) apresentou 29.05.2006 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples referente ao anocalendário de 2005, fl. 17; (g) apresentou 29.05.2007 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples referente ao anocalendário de 2006, fl. 17; e (h) apresentou 31.10.2007 a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples referente ao período de 01.01 a 30.06 do anocalendário de 2007, fl. 17. Analisando os dados constantes nos registros da Secretaria da Receitas Federal, verificase que para os anoscalendário de 2003 e 2004 a Recorrente apresentou a Declarações de Informações EconômicoFiscais (DSPJ) pelo regime de tributação com base no lucro real e com base no lucro presumido, respectivamente, fl. 17. Houve efetivação de pagamentos mensais por intermédio do DarfSimples, fls. 1821. Logo, não é possível identificar a sua intenção inequívoca de aderir ao Simples pela falta de demonstração inequívoca do erro de fato no preenchimento do Termo de Opção (TO) e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) nos anos calendário de 2003 e 2004, caso em que, no período, a Recorrente sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas inclusive no que se refere às obrigações tributárias principais e acessórias. Pertinente a alegação de boafé cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada na peça recursal, destarte, não é cabível. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13639.000134/200751 Acórdão n.º 1003000.080 S1C0T3 Fl. 87 7 Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.901826/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.012
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 26 /2 01 3- 73 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.171. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.901826/201373 Acórdão n.º 3302005.012 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000059/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Tratando-se de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo.
O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, por se enquadrar no conceito de insumo, quando pertinente e essencial ao processo produtivo, desde que não ativado.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-006.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Tratando-se de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, por se enquadrar no conceito de insumo, quando pertinente e essencial ao processo produtivo, desde que não ativado. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.309 1 1.308 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13854.000059/200511 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.091 – 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOUIS DREYFUS COMPANY SUCOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, por se enquadrar no conceito de insumo, quando pertinente e essencial ao processo produtivo, desde que não ativado. Recurso Especial do Procurador Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 59 /2 00 5- 11 Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.310 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3402002.793, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.311 3 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS NãoCumulativa, relativo ao quarto trimestre de 2005. A Derat/SP reconheceu em parte o direito ao crédito pleiteado, conforme despacho decisório de fls. 1.064 a 1.085, confirmado pela DRJ/SP1 que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, a julgou improcedente (Acórdão 1648.831, fls. 1.200/1.210). A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao gás nitrogênio e, sob a rubrica "material de embalagem", somente os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão. A Fazenda apresentou recurso especial (fls. 1.286 a 1.302), suscitando divergência quanto à inclusão, no cálculo do valor a ser descontado da contribuição social devida na forma da Lei n° 10.833/2003, das despesas com material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento da COFINS, conforme despacho de admissibilidade (fls. 1.304 a 1.306). O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões (fls. 1.313 a 1.338). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de COFINS. Visando comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os Acórdãos nº 3302002.027 e 310100.795, cujos inteiro teor das ementas foram transcritas no recurso. O confronto das decisões comprova a divergência. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.312 4 Enquanto a turma a quo admitiu à inclusão das despesas com material de limpeza e desinfecção e com embalagens utilizadas para o transporte no cálculo do valor a ser descontado da contribuição social devida, as decisões paradigmas, em sentido contrário, firmaram entendimento quanto à não caracterização como insumos de gastos com material de limpeza e desinfecção, além de admitir crédito somente quanto às embalagens empregadas e incorporadas aos produtos fabricados durante o processo produtivo. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial as despesas com material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. Os arts. 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.313 5 Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: material de limpeza e desinfecção e embalagens utilizadas para o transporte. A atividade principal da recorrida consiste na produção e exportação de suco de laranja. O item em questão, relativo à limpeza e desinfecção, é o gás nitrogênio, utilizado no processo de envase e armazenagem do suco de laranja produzido pela Recorrida. Transcrevo excerto das contrarrazões apresentadas pela Recorrida, com a referência do item em seu processo produtivo: “44. Com isso, com vistas a manter a qualidade do produto fabricado, bem como de forma a manter referida qualidade até seu destino final, a Recorrida promove intensa higienização e assepsia em seu processo produtivo. 45. Nesse sentido, a Recorrida utiliza de gás nitrogênio no processo de envase e de armazenagem do suco de laranja, cujo procedimento consiste em efetuar um sopro de nitrogênio no bocal das embalagens de suco a cada período determinado, o que elimina qualquer resíduo do local, deixandoo asséptico para fechamento. Ou seja, o nitrogênio é produto essencial ao processo produtivo da Recorrida uma vez que, ao higienizar e limpar os bocais de embalagem, elimina qualquer impureza e mantém a qualidade do suco de laranja produzido.” Analisando os fatos e as alegações da Recorrente, constatase que a decisão recorrida não merece reparos, neste ponto. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 9303006.091 CSRFT3 Fl. 1.314 6 Pelo exposto, conforme decidido pela turma a quo, constatase que o “gás nitrogênio é essencial para a obtenção do suco de laranja nas condições desejadas para comercialização e consumo humano no período de validade, eis que a subtração desse insumo no seu processo produtivo acarretaria perda substancial de qualidade do produto”. Nenhuma ressalva há que ser feita na decisão recorrida, neste ponto, sendo mantida a reversão da glosa relativa à aquisição do gás nitrogênio já decidida pelo julgador a quo. Com relação ao material de embalagem, a decisão recorrida também reverteu a glosa da fiscalização, por entender que não caberia a distinção entre material de embalagem e material de transporte para fins de direito a crédito das contribuições, visto que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também seria um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, excetuando apenas as aquisições de bens ativáveis. Também não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida. Bens que, pela sua própria natureza, não se consomem no processo produtivo, e que obrigatoriamente devem ser incorporados ao ativo permanente da contribuinte, geram crédito das contribuições apenas nas despesas de depreciação, conforme normas específicas. O ponto chave para a concessão do direito creditório é saber se as embalagens, ainda que destinadas a transporte, são bens do ativo permanente da empresa ou não. Caso positivo, o direito creditório seria apenas na depreciação do bem. Caso negativo, se configuradas como essenciais e pertinentes ao processo produtivo, os gastos com embalagens geram crédito. Constatase que, sob a rubrica "material de embalagem", os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão não são materiais ativáveis e são enviados juntamente com os produtos. Portanto, dão direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901160/2013-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO.
É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida.
RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões de manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3001-000.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que não conheceu do recurso. O conselheiro Cássio Schappo não se manifestou em relação ao conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões de manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que não conheceu do recurso. O conselheiro Cássio Schappo não se manifestou em relação ao conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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MATÉRIA ALHEIA À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU AO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRECLUSÃO. É precluso o direito de se apresentar argumentos que não tenham sido suscitados na manifestação de inconformidade e na decisão recorrida. RECURSO NÃO APRESENTA NOVAS RAZÕES. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. O recorrente, afora os argumentos não suscitados na decisão recorrida, apresenta recurso que basicamente repete e reitera as razões de manifestação de inconformidade. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador da segunda instância, pelo Regimento Interno do CARF, da proposta de manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila que não conheceu do recurso. O conselheiro Cássio Schappo não se manifestou em relação ao conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 11 60 /2 01 3- 96 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0258.352, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE que, em sessão de julgamento realizada no dia 29.07.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório postulado e, por decorrência, não homologou a compensação pleiteada. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 36 a 43): DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 43266677, emitido eletronicamente em 01/02/2013, referente ao PER/DCOMP nº 04149.70481.310712.1.3.040409. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor de R$ 8.600,66, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/05/2012. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 65 3 que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; que a autoridade administrativa limitouse a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada. Da decisão de 1ª Instância A 2ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Fl. 66DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário. Saliento, de plano, que referida peça é composta por dois conjuntos de argumentos, um primeiro no qual aduz que a autoridade administrativa deixou de apreciar o processo judicial 001862627.2013.4.03.6100, que segundo alega, está em trâmite na 22ª Vara Federal da Capital/SP e que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins do recorrente; e um segundo em que, fazendo uso de outras palavras, desenvolve os mesmos questionamentos, ou seja, aqueles já apresentados na sua manifestação de inconformidade. No que confere identidade com as alegações suscitadas em ambas as peças (manifestação de inconformidade e recurso voluntário), a fim de evidenciála, tomo a liberdade de transcrever os itens do recurso voluntário a seguir, ipsis litteris: (...) 11. Pois bem, no despacho que indeferiu o pedido da recorrente ficou consignado; A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito(sic) disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Grifei 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos. 13. Dessa forma, a violação de qualquer dos princípios da Administração ou do direito administrativo, assim como suas regras, pode inibir a edição do ato, a violação isolada ou conjuntamente, sugere o exercício do controle dos atos da administração, seja por meio da aplicação dos princípios da auto tutela e tutela. 14. Deve a Recorrida rever seus próprios atos, seja para revogá los (quando inconvenientes) seja para anulálos (quando Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 66 5 ilegais). "..." (Sumula(sic) 473 do Supremo Tribunal Federal))(sic). 15. A atuação administrativa desconforme, ou contraria aos princípios enunciados, carreta (sic), por isso, ao ato a invalidade dos efeitos almejados pelo agente ou pela Administração. 16. Como sabemos, a Constituição da República, em norma revestida de conteúdo VEDATÓRIO (CF, art. 5º, LVI), desautoriza, por incompatível com os postulados que regem uma sociedade fundada em bases democráticas (CF, art. 1º), qualquer prova cuja obtenção, pelo Poder Público, derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional, repelindo, por isso mesmo, quaisquer elementos probatórios que resultem de violação do direito material (ou, até mesmo, do direito processual), não prevalecendo, em consequência, no ordenamento normativo brasileiro, em matéria de atividade probatória, a fórmula autoritária do 'male captum, bene retetum'.(sic) 18.(sic) Assim, esse tipo de procedimento que indeferiu o pedido do contribuinte por meio de um ato discricionário e noticia que foram localizados um ou mais pagamentos, por meio de sua administração tributária, vais ao desencontro aos postulados consagrados pela Constituição da República, e revelamse inaceitáveis e não são corroborados pelo Supremo Tribunal Federal, conforme jurisprudência in verbi(sic): (...) Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte, por seu procurador, segundo o "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem Comunicado", em 14.02.2016, tomou conhecimento do acórdão de manifestação de inconformidade (efl. 47). Irresignado com a referida decisão, o recorrente, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 62), em 14.03.2016, registrou a solicitação de juntada do recurso voluntário apresentado (efls. 49 a 56). No caso, compulsando as datas acima destacadas e confrontandoas com a legislação processual de regência, concluise que o recurso voluntário é tempestivo. Fl. 68DF CARF MF 6 Do não conhecimento Proferida decisão de primeira instância administrativa que seja total ou parcialmente desfavorável ao contribuinte, desta caberá recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235, de 06.03.1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O dispositivo acima transcrito não deixa dúvida de que os motivos de fato ou de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que o sujeito passivo possuir devem ser apresentados em sede de impugnação/manifestação de inconformidade. Quanto ao recurso voluntário, este deve ser interposto em face da decisão de piso (recorrida), restando precluso o direito de se trazer argumentos que não tenham sido suscitados na impugnação/manifestação de inconformidade ou no decisum a quo. No entanto, compulsando a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário constatase, conforme já evidenciado no relatório deste acórdão, que, ainda que em sede de manifestação de inconformidade o recorrente tenha se ocupado em rebater as razões de decidir do despacho decisório, para nela suscitar o acatamento das diversas preliminares aduzidas, no intuito de pretender a declaração de nulidade do despacho, por entender que este está eivado de vício insanável, em face da suposta ausência da exposição dos fundamentos que culminaram com a não homologação da compensação declarada, bem assim, para que fosse determinada a remessa dos autos para a unidade de origem, a fim de esta realizar as diligências necessárias à comprovação do alegado crédito, no recurso voluntário, para além de reprisálas circunstância que será devidamente tratada no próximo tópico, traz argumento sobre o qual foi silente na manifestação de inconformidade, qual seja, a que diz respeito ao fato de que "a autoridade administrativa" deixar "apreciar o processo judicial em tramite(sic) na 22ª Vara Federal da Capital/SP, processo n. 001862627.2013.4.03.6100, que julgou o pedido procedente, bem como determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins". Vejase que, embora desprovidos de consistência, não há como conhecer do argumento contido no recurso voluntário que trata do aventado processo judicial 0018626 27.2013.4.03.6100, eis que a questão nele abordada não foi objeto da manifestação de inconformidade, tampouco da decisão recorrida. Isto porque não pode o recorrente modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso administrativo, sob pena de violação do princípio da congruência e ofender aos preceitos gravados nos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972 e nos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil, mormente quando falece razão para somente agora trazer aduzir estes novos questionamentos. Por decorrência, a matéria ventilada no recurso voluntário deve limitarse àquela trazida pelo recorrente em sua manifestação de inconformidade, posto que é defeso à parte contrária ser surpreendida com novos argumentos nesta fase processual, sob pena de violar o princípio do contraditório e da ampla defesa, da supressão de instância e da lealdade processual, que deve preponderar entre as partes e ser incentivada e supervisionada pelo órgão julgador. Da manutenção dos fundamentos da decisão recorrida Dispõe o artigo 57 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), in verbis: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 67 7 Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Nos termos do faculdade garantida ao julgador do colegiado ad quem, pela norma acima transcrita e grifada, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere (i) ao pedido de posterior juntada de prova e realização de diligência, (ii) à arguição de nulidade do despacho decisório, (iii) à motivação do despacho decisório, (iv) à falta de intimação para prestar esclarecimentos e, por fim, (v) ao ônus da prova, razão pela qual transcrevo na íntegra seu voto condutor. Vejamos: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela tomase conhecimento. PEDIDO DE POSTERIOR JUNTADA DE PROVA E DILIGÊNCIA O momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.º 70.235, de 1972). O § 4º e o § 5º do art.16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, instituídos pelo art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental depois de trazida a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Sem a comprovação da ocorrência de uma dessas condições, não há falar em juntada de novos documentos. Alegase que a apresentação de provas não foi possível, porque o interessado não sabe o motivo da não homologação da compensação. O alegado desconhecimento não se justifica, conforme se demonstra no tópico seguinte deste voto. Da mesma forma, considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Dec. n.º 70.235, de 1972, acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993 (§ 1º do Fl. 70DF CARF MF 8 mesmo art. 16). O pedido de diligência deve conter os motivos que o justifiquem e os quesitos referentes aos exames desejados, não sendo admitido quando efetuado de forma genérica. De toda sorte, o pedido de diligência deve ser indeferido, por ser prescindível. Não cabe a realização de diligência para sanar a insuficiência de prova das alegações do contribuinte. A diligência só se justifica quando há dúvida diante dos fatos; ela visa a fornecer ao julgador informações necessárias para a formação da sua convicção que não estejam a sua disposição. No caso, há nos autos elementos suficientes para a solução da lide. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Quanto à argüição de nulidade do despacho, ela é descabida. A matéria é regida pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, porque não observadas as hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa. A alegada falta de motivação do despacho não se confirma e a falta de intimação prévia não prejudica a defesa, conforme será demonstrado em tópico mais adiante deste voto. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importam nulidade, mas saneamento, quando muito. Entretanto, nada há que demande o saneamento previsto no art. 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, transcrito no item anterior deste voto. No ato contestado não há o que prejudique o próprio processo, ou o estabelecimento da relação jurídica processual, nele constando todas as formalidades exigidas na legislação para que seja considerado válido ou juridicamente perfeito. Em verdade, não se verificam, no despacho decisório, irregularidades, incorreções nem omissões que prejudiquem o reclamante, ou influam na solução do litígio. Motivação do Despacho Decisório O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 68 9 compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Falta de Intimação Para Prestar Esclarecimentos Pelo que dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, não constitui irregularidade a falta de oportunidade para a manifestação do sujeito passivo antes da ciência do despacho decisório de não homologação da compensação. O Decreto nº 70.235, de 1972, rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal (art. 1º). A sua sistemática compreende a existência de autos de infração ou notificações de lançamento, que formalizam a exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada, nos termos de seu art. 9º, com a redação data pela Lei nº 8.748, de 1993. No caso, não se trata de processo de exigência de crédito tributário, mas de não homologação de compensação. Outras normas facultaram a apresentação de reclamação contra atos administrativos distintos do lançamento e imputaram a competência de seu julgamento, em 1ª instância, também às Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Diz o § 9º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996, que é facultado ao sujeito passivo, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. De acordo com o § 11 do mesmo artigo 74, a manifestação de inconformidade de que trata o § 9º segue o Decreto n.º 70.235, de 1972. O Dec. n.º 70.235, de 1972, tratou da lide fiscal como algo que gira em torno da exigência fiscal e é por ela delimitada. Antes da formalização da exigência, com a ciência do auto de infração, não há o que contestar, não há do que se defender, não há litígio. Intimações para prestar esclarecimentos, quando feitas Fl. 72DF CARF MF 10 no curso das investigações, não conferem contraditório; respostas a elas dadas não constituem defesa, pois sem auto de infração, não há acusação do que se defender. A impugnação da exigência é que instaura a fase litigiosa do procedimento (art. 14 do Dec. n.º 70.235, de 1972). O direito ao contraditório e a ampla defesa surgem com a ciência do lançamento. No processo de nãohomologação de compensação não há auto de infração nem lançamento. O despacho decisório não constitui “decisão” no processo administrativo, e sim ato contra o qual se instaura o litígio. O tratamento que o Decreto determina para o auto de infração deve ser dado ao despacho decisório contestado (ato de nãohomologação da compensação); o tratamento determinado para a impugnação deve ser dado à manifestação de inconformidade. Assim sendo, o litígio só se instaura com a apresentação da manifestação de inconformidade. Antes da ciência do despacho decisório, não há falar em contraditório, muito menos em oportunidade para o sujeito passivo se manifestar contra a motivação da nãohomologação da compensação. Assim sendo, é despropositada a alegação de falta de oportunidade para defesa. A oportunidade foi dada pelo despacho decisório, no qual o sujeito passivo é alertado para o direito ao contraditório que lhe assiste. Tal direito foi exercido com a apresentação de manifestação de inconformidade. A análise que aqui se faz da manifestação de inconformidade comprova que o direito de defesa e o devido processo legal estão sendo respeitados. ÔNUS DA PROVA É condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que incumbirá a ele – o contribuinte – demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que a RFB deve indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez, como ocorre nos casos de contradição do próprio contribuinte em suas declarações. Se o Darf indicado como origem do crédito utilizado no PER/DCOMP foi anteriormente vinculado em DCTF pelo próprio sujeito passivo a um débito nela declarado, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado. A declaração presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 219 e CPC, art. 368). A declaração válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.901160/201396 Acórdão n.º 3001000.237 S3C0T1 Fl. 69 11 o sujeito passivo e em favor do fisco. Assim, para contestar o fundamento do despacho decisório, cabe ao recorrente demonstrar erro ou a falsidade de sua DCTF. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. O contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas. Ele alega que há situações que podem dar ensejo à restituição, como a inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo que são autorizadas. Contudo, não prova nenhuma situação concreta que o favoreça e que não tenha sido considerada na apuração do débito confessado em DCTF. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: (...) Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$ 8.730,85, foi utilizado em 16 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$ 126.257,13, conforme abaixo discriminado: PER/DCOMP Nº PROCESSO TOTAL DÉBITO 1 04149.70481.310712.1.3.040409 10880.901160/201396 8.632,81 2 36094.19042.301012.1.3.048053 10880.901161/201331 8.734,16 3 12303.62092.301012.1.3.049050 10880.901162/201385 6.403,97 4 40587.35976.191212.1.3.042732 10880.901163/201320 7.355,73 5 30023.26009.260313.1.3.042728 9.274,77 6 32770.24109.190413.1.3.040093 8.720,85 7 34217.56586.190413.1.3.040240 8.711,23 8 35783.65062.190413.1.3.041008 8.730,85 9 36580.53877.230513.1.3.049285 8.640,21 10 41183.75600.230513.1.3.048023 9.123,56 11 30295.79067.230513.1.3.049453 5.858,42 12 10698.02195.230513.1.3.044407 9.325,45 13 39690.61584.230513.1.3.045474 9.312,32 14 13124.37746.230513.1.3.047838 6.258,11 15 21738.25268.160813.1.3.040172 6.274,70 16 19945.52157.160813.1.3.049510 4.899,99 SOMA 126.257,13 Fl. 74DF CARF MF 12 Isto porque, ao meu sentir resta absolutamente demonstrado (i) a lisura do procedimento que culminou no despacho decisório, (ii) seus aspectos intrínsecos e extrínsecos e, de resto, (iii) a ausência de fundamentos jurídicos e fáticos que pudessem dar guarida às pretensões do recorrente, posto que não logrou, seja em sede de manifestação de inconformidade seja em fase recursal, comprovar, de forma mínima sequer, a existência do suposto crédito, informado no PER/DCOMP 04149.70481.310712.1.3.040409. Por todos esses fatos, não tenho como chegar a outra conclusão senão a de que a decisão contida no acórdão recorrido é inelutável. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer da parte do Recurso Voluntário apresentado que trata da não apreciação do processo judicial 0018626 27.2013.4.03.6100, em face da preclusão, e na parte conhecida negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002467/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2005
COFINS. CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ROYALTIES
Royalty enquanto remuneração pelo direito de uso de determinada tecnologia, escapam da autorização legal para descontar créditos, haja vista não se tratar, nem de aquisição bem, nem de contratação de serviço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento ao Recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento ao Recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2005 COFINS. CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ROYALTIES Royalty enquanto remuneração pelo direito de uso de determinada tecnologia, escapam da autorização legal para descontar créditos, haja vista não se tratar, nem de aquisição bem, nem de contratação de serviço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne que deram provimento ao Recurso, nos termos da declaração de voto do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 24 67 /2 00 6- 71 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 297 2 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS Exportação, requerido pela empresa KSPG AUTOMOTIVE BRAZIL LTDA. (fls. 03/06), relativos aos períodos de apuração: abril a junho de 2006, no valor de R$ 1.747.167,27, e de Declarações de Compensação vinculadas ao referido crédito (fls. 03/14, 53/56 e 179/180). A DRF de Piracicaba/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 181/185, reconheceu o crédito parcialmente, no montante de R$ 1.644.657,12 (de um total pleiteado de R$ 1.747.167,27), e homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Fisco, a diferença de crédito não homologada está relacionada a 2 itens específicos: (i) aquisição de sucata de alumínio e (ii) royalties. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão nº 1454.883, de 19/11/2014, prolatada pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, vazada nos seguintes termos (fls. 242/261): "(...) Neste despacho decisório, a autoridade administrativa assim fundamenta sua decisão (os destaques são do original): Através de análise às peças do processo observamse as averiguações dos Serviços de Fiscalização, das Delegacias da Receita Federal, em Limeira e Piracicaba, tendo como resultado as Informações Fiscais (fls. 43/44) e (164/168), das quais se extraiu os seguintes trechos: DRF/LIMEIRA "... Resposta às intimações com a juntada de documentos, além de Planilhas demonstrando a conciliação dos valores constantes dos DACONS, com os dos Balancetes Contábeis e da Escrituração Fiscal, comparando os valores registrados nos CF0Ps, com as Notas Fiscais e pelo trabalho desenvolvido na empresa, chegamos à conclusão de que a compensação de R$ 982.216,29, registrada às fls. 03/04 do Processo, referente ao saldo remanescente, está em consonância com os registros anteriormente escriturados e que obedeceram a legislação vigente à época dos fatos. Assim sendo, somos de parecer favorável à concordância com o requerido..." DRF/PIRACICABA A KSPG Automotive Brazil Ltda, atual denominação da KS Pistões Ltda, apurou um montante de R$ 2.035.051,69 em créditos da COFINS não cumulativa Exportação, no período de apuração 2° trimestre de 2006. Deste montante utilizou R$ 287.884,42 para deduções da própria contribuição, remanescendo a importância de R$ 1.747.167,27 para realizar compensações (fl. 04). De acordo com informações do processo ( fl. 56), a DRF/Limeira legitimou créditos de apenas R$ 982.216,29, ficando a cargo desta fiscalização a análise da procedência do montante integral apurado no trimestre. Da análise por amostragem da documentação apresentada pela empresa para averiguações sobre a legitimidade dos créditos do trimestre, dois itens de despesas suscitaram dúvidas: aquisição Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 298 3 de sucata de alumínio e Royalties, que serão analisados a seguir: Aquisição de Sucata de Alumínio Vedada a utilização de crédito de que tratam o inciso II do caput do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso ll do caput do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pelas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou ago, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, (art. 47 da Lei 11.196/2005). Neste item glosados os valores de: R$ 14.039,63 e R$ 15.929,75, respectivamente em relação aos meses de abril e maio de 2006. Como os percentuais de rateio em relação aos mercados interno e externo nos meses de abril e maio de 2006, foram de 50% e 44% para o mercado externo, os valores glosados efetivamente foram: R$ 7.019,81 e R$ 7.009,09 = R$ 14.028,90. Royalties Simplesmente por não serem considerados insumos, não podem ser utilizados para fins de desconto de crédito na apuração da COFINS nãocumulativa. São considerados insumos os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação dos produtos a serem vendidos (Lei 10.833/2003, art. 3°, inciso II, e Lei 10.865/2004, art. 15, inciso II). Neste item glosados os valores de: R$ 64.989,31, R$ 58.870,09 e R$ 66.852,77, respectivamente em relação aos meses de abril a junho de 2006. Como os percentuais de rateio em relação aos mercados interno e externo nos meses de abril a junho de 2006, foram de 50%, 44% e 45% para o mercado externo, os valores glosados efetivamente foram: R$ 32.494,66, R$ 25.902,84 e R$ 30.083,75 = R$ 88.481,25. As glosas totais em créditos da Cofins Exportação foram de R$ 102.510,15. Assim sendo, os créditos apurados no 2° trimestre de 2006, disponível para compensação são de valor R$ 1.644.657,12, conforme quadro de fl. 163. Como a DRF em Limeira já homologou créditos no valor de R$ 982.216,29, resta para nova compensação o valor de R$ 662.440,83. Propõe o auditor diligente o retorno do processo ao SEORT para a decisão do pleito. Pois bem, em face do parecer parcialmente favorável, do auditor diligente da DRF em Piracicaba, e por estarem os créditos da COFINS — NÃO CUMULATIVA, na conformidade da IN SRF n° 460/2004, que tem por base legal as Leis 10.637/02 e 10.833/2003, é de se proceder à compensação pedida pela empresa, no valor de R$ 1.644.657,12, em decorrência das glosas anteriormente mostradas. Por pertinente vejamos o que estabelece a referida Instrução Normativa 460/2004. (…) Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 299 4 Registrese, por oportuno, que houve pleito de compensação eletrônica utilizando este direito de crédito conforme pesquisa extraída do Sistema CPERDCOMP Consulta parâmetros básicos, de fl. 169, contudo baixado para tratamento manual através deste processo, e os débitos estão cadastrados no SINCORPROFISC segundo acusa o extrato de f1. 46, além do SIEF Fiscalização Eletrônica (fl. 150). (...) Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 196/209, na qual “admite que registrou incorretamente créditos de COFINS decorrentes da aquisição de sucata de alumínio”, informa o pagamento dos débitos que haviam sido compensados com os referidos créditos, e contesta as glosas relativas às despesas com royalties. A este respeito, alega, em síntese e fundamentalmente, a essencialidade, para a produção dos pistões, do “knowhow” transferido por sua matriz. Sustenta que, em face dessa essencialidade, o “knowhow” configuraria um insumo absolutamente necessário a seu processo produtivo e, consequentemente, seria uma despesa que ensejaria o direito ao crédito de Cofins. Prossegue com arrazoado sobre a essencialidade do knowhow transferido por sua matriz para a produção de pistões, configurandose assim em insumo no seu processo produtivo, enquadrandose no conceito estabelecido no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e, em conseqüência, gerando direito a crédito das contribuições não cumulativas. Sustenta que o argumento utilizado pela fiscalização, de que os royalties não estariam ligados à produção, já que a obrigação contratual com a matriz surge apenas quando os produtos já estão prontos e acabados, seria absolutamente equivocado. E ainda, que não há dúvidas de que a tecnologia adquirida pela Impugnante é absolutamente necessária e está totalmente vinculada à produção dos pistões, e a forma de determinação do valor a ser pago não altera a natureza dos insumos adquiridos. Transcreve trechos do contrato entre a Impugnante e sua matriz e expõe pormenores de seu processo produtivo, com o intuito de demonstrar a imprescindibilidade da transferência de tecnologia remunerada pelos royalties para seu processo produtivo. Refuta novamente a vinculação do critério de remuneração à caracterização dos royalties como insumo, e transcreve ementa da Solução de Consulta nº 62/2009, proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal – 10ª RF. Conclui o tema, defendendo a tese de que o termo “insumo” deve ser interpretado de forma ampla, como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, transcrevendo jurisprudência do Carf e STJ. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 300 5 É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ/RPO abaixo transcrito (fl. 242): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2005 CRÉDITOS. INSUMOS. ROYALTIES. Os valores pagos a título de royalties não se enquadram no conceito de insumo e não geram créditos a serem descontados das contribuições não cumulativas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente notificado do julgado em 29/01/2015 (fl. 266) e não concordando, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário em 09/02/2015 (fls. 268/282), reiterando os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade, em resumo com as seguintes razões: a. Da caracterização dos royalties como insumo a Recorrente não concorda com a glosa dos créditos de COFINS decorrentes dos pagamentos por ela realizados a título de royalties por transferência de tecnologia à sua matriz (KS Kolbenschmidt GmbH) estabelecida na Alemanha, na medida em que essa tecnologia (knowhow) consiste em insumo absolutamente necessário a seu processo produtivo e, assim, lhe confere o direito ao crédito de COFINS; que o principal argumento da fiscalização é no sentido de que os royalties não estariam ligados à produção dos pistões, já que a obrigação contratual com a matriz apenas surge quando os produtos já estão prontos e acabados; já conclusão alcançada na DRJ foi no sentido de que os royalües pagos não ensejariam os créditos de COFINS pleiteados, já que não se tratam de insumo empregado na produção ou fabricação dos produtos destinados à venda, conforme definido pelas Instruções Normativas 247/02 e 404/04; o knowhow que é fornecido à Recorrente nada mais é do que a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões. É evidente que o knowhow para produção é necessário e diretamente aplicado ao processo produtivo, constituindo, sem sombra de dúvidas, em insumo para a produção. transcreve no recurso os principais dispositivos do contrato celebrado entre a Recorrente e sua matriz, onde a transferência de todo esse knowhow pode ser constatada; demonstrando a essencialidade da tecnologia que é fornecida por sua matriz, a Recorrente expõe no corpo do recurso, de forma sumarizada, o funcionamento do seu processo produtivo; Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 301 6 b. Da impertinência do critério de remuneração à caracterização dos royalties como insumo a fiscalização acaba por atrelar, de forma incorreta, o conceito de insumo ao critério de pagamento estipulado contratualmente. De acordo com o entendimento exposto pelo agente autuante, o knowhow não seria um insumo pelo fato do pagamento dos royalties respectivos ser feito em função da venda e não da produção dos pistões; ou seja, o Fisco baseouse primordialmente na forma de remuneração da tecnologia descrita acima para definir se são insumos ou não e deixando de examinar, no caso concreto, se eles são ou não aplicados na produção. c. Do conceito de insumo imputado pelas dd. autoridades fiscais vale reiterar que o entendimento exposto pela fiscalização, baseado essencialmente nas Instruções Normativa n°s 247/02 e 404/044, no sentido de que somente deveriam ser tratados como insumos bens e serviços consumidos no processo de produção, deve ser prontamente afastado, por falta de fundamento legal na legislação da COFINS e pela falta de pertinência à sistemática dessas contribuições. Cita precedentes do CARF. Por fim, requer o provimento do presente apelo e que seja reformada a decisão de piso, de forma que seja reconhecido o direito aos créditos de COFINS e, consequentemente, canceladas as exigências fiscais que ainda estão em disputa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Objeto da lide A disputa travada nos autos deste processo está estritamente relacionada à possibilidade ou não do registro de créditos de COFINS/Importação, em decorrência dos pagamentos efetuados pela Recorrente à sua matriz a título de royalties por transferência de tecnologia (knowhow). Cumpre destacar que a COFINS/Importação sobre o pagamento de royalties foi integralmente recolhida aos cofres públicos pela Recorrente, tal como reconhecido no Relatório de Fiscalização de fls. 173/177. 3. Do Conceito de Insumos Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 302 7 No que se refere ao desconto de créditos, o núcleo da questão em combate, concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos bens e serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições na mesma ordem a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Atualmente, este Conselho Administrativo (CARF), na maior parte de suas decisões, não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação do conceito de insumos segundo a legislação do Imposto de Renda, nem aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 303 8 conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes (...). Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. Em suma, o entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Em resumo, especificamente falando, são os custos de produção, gastos incorridos no processo direto propriamente dito de obtenção de produtos e de serviços colocados à venda, não se incluindo nesse grupo, como exemplo, as despesas financeiras, as despesas de venda e as de administração, as quais constituem, do ponto de vista contábil, as despesas gerais de uma empresa. Nesse escopo, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS nãocumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar neste caso sob exame, quais as Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 304 9 aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos (que integram o custo de produção). Consta do Recurso Voluntário à fls. 273/275 dos autos, um sumário do seu processo produtivo, onde especifica que o objetivo é a fabricação de: "PISTÕES", nos termos do presente contrato, são pistões de metal leve de até 160 mm de diâmetro para motores de combustão." "Os pistões são peças utilizadas nos motores a combustão interna desde sua invenção, por volta de 1860. Apesar de suas funções básicas não terem mudado desde então, os desenvolvimentos e melhorias tecnológicas constantemente desafiam os limites operacionais dessas peças. A necessidade de manter o bom desempenho, mesmo tendo condições cada vez mais adversas, impulsiona a pesquisa e o desenvolvimento nesse campo". Os adquirentes das peças, são os fabricantes de motosserras e de motocicletas. 4. Das despesas com os Royalties (knowhow) A Recorrente controverte em seu recurso a glosa dos créditos tomados sobre o pagamento de Royalties. Afirma a Recorrente em seu recurso que, "(...) Com efeito, o fato de a remuneração ser atrelada ao volume de vendas não interfere na caracterização do knowhow como insumo de produção. Como detalhadamente exposto acima, os pistões apenas estão prontos e acabados porque a Recorrente se utilizou do knowhow adquirido de sua matriz. Sem esse knowhow, repitase, não haveria produção de pistões e, obviamente, receita decorrente da venda desse produto". Por outro lado, vale transcrever os argumentos expostos pela Fiscalização em seu Relatório, para sustentar a glosa dos créditos em debate (fl. 175): "(...) São considerados insumos os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação dos produtos a serem vendidos (Lei 10.833/2003, art. 3°, inciso II, e Lei 10.865/2004, art. 15, inciso II). Estes serviços são prestados durante o processo de fabricação, quando ainda os produtos não estão prontos. A remuneração paga pela KS do Brasil à sua matriz alemã, a titulo de Royalties, não tem nada a ver com a produção. Esta obrigação surge somente quando a KS Brasil vende pistões que já estão prontos e acabados". "Fica claro, pelo exposto acima, que os royalties não são necessários para a produção em si dos Pistões, é apenas uma obrigação contratual entre particulares. Não é um item de despesa do processo produtivo, por isso não é considerado insumo e, portanto, não gera crédito ". Primeiramente, entendo que há a necessitada de visitar o dispositivo legal que trata do que venham a ser insumos, enquanto concessores do direito ao desconto de créditos, nos seguintes termos do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 305 10 lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Portanto, é importante repisar que o inciso II, do artigo 3° da lei acima (que rege a não cumulatividade das contribuições sociais), admitem o desconto de créditos com relação a bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços. Os “royalties”, no direito brasileiro, representam pagamentos decorrentes da exploração lucrativa de bens incorpóreos (direito de uso) vinculados à transmissão de tecnologia, representados pela propriedade de invento patenteado, assim como conhecimentos tecnológicos, fórmulas, processos de fabricação, e ainda, marcas de indústria ou comércio notórias, aptas a produzir riqueza através da comercialização, em virtude da aceitação dos produtos que a representam, conforme se verifica do artigo 22 da Lei nº 4.506, de 1964, in verbis: “Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos “royalties” acompanharão a classificação destes.” Nas convenções internacionais, em regra, o termo “royalties”, designa as remunerações derivadas da transferência de tecnologia, quais sejam, o uso ou concessão do uso e equipamentos industriais, comerciais ou científicos e informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico. Nessa esteira, prossegue a Recorrente em seu recurso informando que "(...) Como já exposto nos autos deste processo, o knowhow que é fornecido à Recorrente nada mais é do que a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões. É evidente que o knowhow para produção é necessário e diretamente aplicado ao processo produtivo, constituindo, sem sombra de dúvidas, em insumo para a produção. "(...) 2.1 A KS confere à KSP o direito não exclusivo de produzir PISTÕES no Brasil, fazendo uso do KNOWHOW e das PATENTES, bem como de vender no Brasil e, nos termos dos incisos 2.2 e 2.3, também em outros países, os PISTÕES produzidos." Como se sabe, o contrato de “knowhow” é aquele mediante o qual o licenciante transmite informações tecnológicas previamente existentes de natureza sigilosa que lhe pertencem, por cessão temporária ou definitiva de direitos, autorizando o licenciatário a Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 306 11 explorar por conta própria, sem que o licenciante interfira na aplicação da tecnologia ou garanta o resultado. Dentro desse contexto, quando discorrendo sobre a natureza jurídica dos royalties, desta forma restou bem definido pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, no Acórdão nº 3402003.821, de 26/01/2017: " (...) 24. No caso decidendo o que se afigura é a transferência de tecnologia desenvolvida pela empresa estrangeira para fins de fabricação de automóveis no país, mediante a contrapartida do pagamento de royalties pela empresa nacional em favor da detentora desta tecnologia. 25. Dessa feita, o que se percebe existir aqui é a cessão de um direito e não a prestação de um serviço, na medida em que a obrigação avençada apresenta natureza de obrigação de dar e não de fazer. Logo, os valores pagos pela recorrente para a empresa estrangeira e que foram objeto de autuação apresentam natureza jurídica de royalties e não de remuneração de serviço, o que afasta a exigência fiscal aqui tratada". (Grifei) Pois bem. Como já abordado neste voto, a controvérsia aqui discutida trata da possibilidade de tomada de créditos a título de insumo sobre royalties pagos na importação de tecnologia. Entendo que, a luz da legislação e dos conceitos que rege a matéria aqui discutido, o direito ao crédito de COFINS estaria circunscrito a aquisição de bens ou serviços, e que os royalties não representariam nenhum dos dois institutos referidos. Segundo Alberto Xavier, em “Direito Tributário Internacional do Brasil” (Editora Forense, Rio de Janeiro, 6ª edição, 2004. p. 765), Royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição ou exploração de determinados direitos (bens incorpóreos), diferentemente dos aluguéis, que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. Portanto, diante do conceito de insumo definido neste voto e a luz da legislação vigente, é forçoso concluir que as despesas de royalties que é a remuneração paga pelo direito de uso de determinada tecnologia, não geram direito a crédito na apuração da COFINS não cumulativa, por não se caracterizar como aquisição de bens nem da contratação de serviços utilizados como insumos na produção de bens da Recorrente, além de não estarem relacionadas entre as demais despesas listadas na Leis nº 10.833, de 2003, como passíveis de creditamento. Por fim, nesse mesmo sentido é também o entendimento predominante pela RFB, como se vê nas Soluções de Consultas de diversas Superintendências Regionais, indicadas a seguir: Solução de Consulta 57/2007 SRRF/5ª RF ; (Solução de Consulta 343/2005 SRRF/6ª RF; Solução de Consulta 194/2005 SRRF/7ª RF; Solução de Consulta 372/2010 SRRF/8ª RF; Solução de Consulta 115/2006 SRRF/10ª RF e Solução de Consulta 199/2009 SRRF/9ª RF. Na decisão a quo, restou consignado que por haver uma série de posicionamentos contrários nas diversas Regiões Fiscais da Receita Federal, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosit) proferiu a Solução de Divergência nº 11/2011, pacificando o entendimento: Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 307 12 Royalties. Não haverá incidência da Contribuição para o PIS/PasepImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. (Grifei) E o fundamento desse entendimento foi justamente o fato dos royalties não corresponderem a uma prestação de serviços, impossibilitando seu enquadramento como insumo e, em decorrência, a geração de créditos. Concluindo, enquanto remuneração pelo direito de uso de determinada tecnologia, os royalties escapam da autorização legal, haja vista não se tratar, nem de aquisição de bem, nem de contratação de serviço. 5. Conclusão Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia ao Ilustre Relator para expor aqui as razões de minha divergência quanto à possibilidade de creditamento dos gastos a título de royalties pagos em razão da cessão de direito de uso de know how específico e essencial ao processo produtivo da Recorrente. De saída, é preciso frisar que acompanhamos o Relator na questão prejudicial relativa ao conceito de insumo para fins de créditos de PIS/Cofins, adotando a concepção versada no Acórdão nº 3402003.169, julgado em 20/07/2016, Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 308 13 legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. Dito isto, aderimos ao ponto de partida do voto do relator, ao concluir que geram direito de crédito todos os insumos bens ou serviços que sejam aplicados na produção de bens ou serviços, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime não cumulativo. Se verifica, portanto, que esse critério é erigido à partir de uma relação de pertinência do bem ou serviço em relação ao processo produtivo da Recorrente, deixando evidente a intenção do legislador em permitir o creditamento dos custos, mas não das despesas do contribuinte. Os custos, de forma assaz sintética, são os gastos realizados com bens e serviços que serão utilizados para a produção de outros bens ou prestação de serviços que componham o objeto social da empresa, ao passo que a despesa, conforme o NPC 14, é o encargo necessário para comercializar os bens ou serviços, objetos da atividade, bem como para a manutenção da estrutura empresarial independentemente da sua freqüência a despesa, embora direta ou indiretamente necessária para a geração da receita, não está associada à prestação do serviço ou à produção do bem, não sendo, pois, agregada ao custo. A legislação das contribuições não cumulativas (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03) trouxe um rol extenso de hipóteses de creditamento, abrangendo lá todas as espécies de custos de produção, em seu art. 3º, II, mas também diversas hipóteses de despesas, como por exemplo o aluguel de prédios, previsto no art. 3º, IV. O cerne da questão, portanto, consiste em determinar se os royalties pagos em razão da transferência do know how para a produção dos pistões seria uma despesa e portanto não dando direito ao crédito em razão da ausência de previsão legislativa específica ou custo dando direito ao crédito como insumo. Adiantamos que entendemos que esses royalties pagos possuem natureza de custo, o que leva ao segundo ponto controvertido, que diz respeito à sua natureza de bem ou serviço, para enquadramento na previsão do art. 3º, II das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às razões de nosso voto. Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que resta patente nos autos que o know how fornecido é essencial à produção do bem objeto da atividade industrial da Recorrente, tratandose de gasto intrinsecamente vinculado à operação da empresa e ao produto que será produzido. É, pois, muito diferente dos royalties pagos pela utilização de uma marca, com potencial de incrementar a geração de receitas, que não impacta diretamente na produção do bem, ou pela utilização de invenção que otimiza o processo produtivo, imprimindolhe eficiência, ainda que não seja condição sine qua non da produção. Art. 22. Serão classificados como “royalties” os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colher ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 309 14 b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Essa distinção é sufragada pela legislação do Imposto de Renda (RIR/99), ao estabelecer quais são os royalties passíveis de dedutibilidade na apuração desse imposto em seu art. 352 e 353: Art.352.A dedução de despesas com royalties será admitida quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71). Art.353.Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): Ios royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; IIas importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; III os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: a)pagos pela filial no Brasil de empresa com sede no exterior, em benefício de sua matriz; b)pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; IVos royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: a) que não sejam objeto de contrato registrado no Banco Central do Brasil; ou b) cujos montantes excedam aos limites periodicamente fixados pelo Ministro de Estado da Fazenda para cada grupo de atividades ou produtos, segundo o grau de sua essencialidade, e em conformidade com a legislação específica sobre remessas de valores para o exterior; V os royalties pelo uso de marcas de indústria e comércio pagos ou creditados a beneficiário domiciliado no exterior: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 310 15 a)que não sejam objeto de contrato registrado no Banco Central do Brasil; ou b)cujos montantes excedam aos limites periodicamente fixados pelo Ministro de Estado da Fazenda para cada grupo de atividades ou produtos, segundo o grau da sua essencialidade e em conformidade com a legislação específica sobre remessas de valores para o exterior. Como se vê, a legislação estabelece serem dedutíveis apenas os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, estabelecendo diversas condições para tanto. Além de delimitar a possibilidade ou não de dedução, o RIR/99 traz, em seu art. 355, uma limitação quantitativa à dedução, estabelecendo: Art.355.As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei nº 3.470, de 1958, art. 74, e Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 6º). §1ºSerão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade (Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, §1º). Como se vê, não há uma simetria entre o art. 355 e 353, no tocante ao alcance em relação às espécies de royalties elencados, deixando de fora da limitação quantitativa aqueles relativos a processos e fórmulas de fabricação. Tal restrição, entretanto, foi "afastada" através da Portaria MF nº 436/58 e o Parecer Normativo CST nº 117/1975, que consideravam sujeitos aos coeficientes percentuais estabelecidos pelo Ministro da Fazenda todas as espécies de royalties mencionados no art. 353 do RIR/99, em patente inovação normativa sem suporte na legislação. Parecenos que a exclusão dos royalties relativos a processos e fórmulas de fabricação não foi excluído do art. 355 do RIR/99 por "esquecimento" do legislador, mas sim por consciência de que se trata de um custo, e não uma despesa, do contribuinte por ser conceitualmente relacionado ao processo produtivo da empresa ora, não há como se negar que processos e fórmulas de fabricação estão essencialmente imbricados na processo produtivo da empresa, qualificandose com custo, de acordo com as definições mencionadas anteriormente. Portanto, há que se constatar a existência de dois tipos de royalties distintos, para fins contábeis: os royaltiescustos, relacionados e essenciais ao processo produtivo da empresa, como aqueles relativos a processos e fórmulas de fabricação, e os royaltiesdespesas, mais usuais, que são ligados à geração de receita ou manutenção da estrutura empresarial, sem Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 311 16 ter vínculo direto com a produção do bem ou a prestação do serviço, como o uso de marcas e as patentes de invenção. No presente caso, restou patente estarmos diante de royaltiescustos, haja vista a comprovada necessidade do know how cedido para a produção da Recorrente. Ultrapassado o primeiro ponto, de que os royalties pagos pelo know how cedido estariam devem ter tratamento de custo, cabe passar ao segundo ponto, relativo à sua compatibilidade com o art. 3º, II das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Como aduziu o relator: Segundo Alberto Xavier, em “Direito Tributário Internacional do Brasil” (Editora Forense, Rio de Janeiro, 6ª edição, 2004. p. 765), Royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição ou exploração de determinados direitos (bens incorpóreos), diferentemente dos aluguéis, que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. Portanto, diante do conceito de insumo definido neste voto e a luz da legislação vigente, é forçoso concluir que as despesas de royalties que é a remuneração paga pelo direito de uso de determinada tecnologia, não geram direito a crédito na apuração da COFINS não cumulativa, por não se caracterizar como aquisição de bens nem da contratação de serviços utilizados como insumos na produção de bens da Recorrente, além de não estarem relacionadas entre as demais despesas listadas na Leis nº 10.833, de 2003, como passíveis de creditamento. Nesse ponto, o voto vencedor deste acórdão afastou a caracterização dos royalties como bens em razão da ausência de substância corpórea, tratandoos como transferências de direitos de uso de tecnologia, revestindose de natureza jurídica de direito, para fins de afastar a sua subsunção ao inciso II do art. 3º da legislação de regência das contribuições. Entretanto, há que se rememorar que o art. 83, III do Código Civil é expresso em equiparar tais direitos a bens móveis, para todos os efeitos legais, senão vejamos: Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômicosocial. Art. 83. Consideramse móveis para os efeitos legais: I as energias que tenham valor econômico; II os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; III os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. Tal definição deve, antes de tudo, ser observada no âmbito tributário, por força do art.109 do Código Tributário Nacional, que determina: Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 312 17 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. É dizer, a legislação tributária deve respeitar a natureza jurídica do instituto tal como determinada no âmbito do Direito Privado, apenas atribuindolhe efeitos fiscais de modo que se a lei determinou que royalties são bens móveis, não pode o Direito Tributário tratálo como simples transferência de tecnologia. Para fins do direito ao crédito de importações realizadas por pessoas jurídicas sujeitas ao PIS/Cofins não cumulativo, determinado o art. 15, II da Lei 10.865/04 (de redação semelhante à parte pertinente do art. 3º, II das leis 10.637/02 e 10.833/03): Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Como se vê, o legislador se referiu exclusivamente a bens, não distinguindo entre as diferentes categorias existentes, na legislação civil, o que permite inferir que qualquer restrição feita à abrangência do dispositivo implicaria na realização de uma interpretação restritiva, vedada pelo art. 111 do Código Tributário Nacional, que prescreve ser literal a interpretação de dispositivos dessa natureza. Além disso, o voto vencedor se baseou na categoria de distinção entre bens corpóreos e incorpóreos, uma classificação estritamente doutrinária e que não encontra respaldo no Direito Positivo, nunca tendo sido utilizada pelo Código Civil de 2002, tampouco pelo seu antecessor. Tratase, pois, de uma classificação irrelevante para o presente caso, no qual o Direito Privado já determinou que o tratamento jurídico dos royalties analisados deve ser de bem móvel. Portanto, i) na condição de bem móvel e ii) caracterizado como custo da empresa, configuramse plenamente atendidos os requisitos para o reconhecimento do direito ao creditamento de tais royalties, na condição de insumos do processo produtivo analisado. Desse modo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para conceder o direito aos créditos sobre os royalties pagos pela cessão do direito de uso da tecnologia necessária à fabricação dos produtos (know how). É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10865.002467/200671 Acórdão n.º 3402004.893 S3C4T2 Fl. 313 18 Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.908238/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 38 /2 01 1- 34 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.239, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.239, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 05/11/2013 via ARECF de efls. 63 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 65 a 74), conforme protocolo de efl. 65, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.908238/201134 Acórdão n.º 1401002.263 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.001882/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Período de apuração: 25/07/2002 a 27/11/2002
DIREITOS ANTIDUMPING. RESOLUÇÃO CACEX. VIGÊNCIA. REVISÃO DE FINAL DE PERÍODO. NÃO RENOVAÇÃO. EFEITOS EX NUNC.
Como regra geral os direitos antidumping, estabelecidos por resolução da CACEX, devem ser extintos em cinco anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado doméstico.
Assim, passados os cinco anos de vigência, em revisão de final de período, são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Decidindo-se pelo encerramento da aplicação da medida restritiva (não renovação do direito antidumping), somente as importações posteriores ao término da vigência da resolução CACEX que impunha o direito antidumping não se sujeitarão ao seu pagamento. Já para as importações ocorridas durante o período de cinco da vigência da resolução da CACEX, permanece a obrigação de recolhimento dos direitos antidumping definitivos.
DIREITOS ANTIDUMPING. NATUREZA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO-TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE DESTAQUE E RECOLHIMENTO ESPECÍFICO NA IMPORTAÇÃO.
A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os efeitos danosos à indústria nacional. Assim, as medidas antidumping (artigo 695 do Decreto 4.543/2002) não se enquadram em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico (artigo 1º, parágrafo único da Lei n. 9.019/95), além de não se submeter ao princípio da legalidade e ter destinação orçamentária diversa. Assim, os valores recolhidos a título de direito antidumping necessitam ser precisamente destacados, em campo próprio, na declaração de importação, com comprovação do respectivo recolhimento.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais Período de apuração: 25/07/2002 a 27/11/2002 DIREITOS ANTIDUMPING. RESOLUÇÃO CACEX. VIGÊNCIA. REVISÃO DE FINAL DE PERÍODO. NÃO RENOVAÇÃO. EFEITOS EX NUNC. Como regra geral os direitos antidumping, estabelecidos por resolução da CACEX, devem ser extintos em cinco anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado doméstico. Assim, passados os cinco anos de vigência, em revisão de final de período, são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Decidindo-se pelo encerramento da aplicação da medida restritiva (não renovação do direito antidumping), somente as importações posteriores ao término da vigência da resolução CACEX que impunha o direito antidumping não se sujeitarão ao seu pagamento. Já para as importações ocorridas durante o período de cinco da vigência da resolução da CACEX, permanece a obrigação de recolhimento dos direitos antidumping definitivos. DIREITOS ANTIDUMPING. NATUREZA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO-TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE DESTAQUE E RECOLHIMENTO ESPECÍFICO NA IMPORTAÇÃO. A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os efeitos danosos à indústria nacional. Assim, as medidas antidumping (artigo 695 do Decreto 4.543/2002) não se enquadram em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico (artigo 1º, parágrafo único da Lei n. 9.019/95), além de não se submeter ao princípio da legalidade e ter destinação orçamentária diversa. Assim, os valores recolhidos a título de direito antidumping necessitam ser precisamente destacados, em campo próprio, na declaração de importação, com comprovação do respectivo recolhimento. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário negado.
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RESOLUÇÃO CACEX. VIGÊNCIA. REVISÃO DE FINAL DE PERÍODO. NÃO RENOVAÇÃO. EFEITOS EX NUNC. Como regra geral os direitos antidumping, estabelecidos por resolução da CACEX, devem ser extintos em cinco anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado doméstico. Assim, passados os cinco anos de vigência, em revisão de final de período, são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Decidindose pelo encerramento da aplicação da medida restritiva (não renovação do direito antidumping), somente as importações posteriores ao término da vigência da resolução CACEX que impunha o direito antidumping não se sujeitarão ao seu pagamento. Já para as importações ocorridas durante o período de cinco da vigência da resolução da CACEX, permanece a obrigação de recolhimento dos direitos antidumping definitivos. DIREITOS ANTIDUMPING. NATUREZA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE DESTAQUE E RECOLHIMENTO ESPECÍFICO NA IMPORTAÇÃO. A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 18 82 /2 00 7- 01 Fl. 225DF CARF MF 2 efeitos danosos à indústria nacional. Assim, as medidas antidumping (artigo 695 do Decreto 4.543/2002) não se enquadram em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico (artigo 1º, parágrafo único da Lei n. 9.019/95), além de não se submeter ao princípio da legalidade e ter destinação orçamentária diversa. Assim, os valores recolhidos a título de direito antidumping necessitam ser precisamente destacados, em campo próprio, na declaração de importação, com comprovação do respectivo recolhimento. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Recife, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Direito Antidumping e seus consectários legais, consubstanciada no auto de infração em questão, no importe de R$ 246.002,52. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: O importador em questão submeteu a despacho de importação pêssego em calda originário da Grécia, exportados pela empresa ‘Kronos S/A Industrial and Commercial Enterprises of Canned Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 334 3 of Canned Fruits and Vegettables’, classificada no subitem 2008.70.10 da TEC, em quantidades e valores declarados em suas respectivas declarações de importação (fl. 04). Ocorre que pelas disposições da Resolução CAMEX n° 5, de 26/04/2002 (fl. 16), para as importações de conservas de pêssegos, originárias da Grécia, e em específico da empresa referida acima, foi previsto, além da alíquota normal do Imposto de Importação, a cobrança de direitos antidumping, à alíquota de 22,8 %, a qual não foi recolhida pelo importador, por ocasião do registro de importação. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela impugnante podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 75 a 133). A) Argui a impugnante, em sede preliminar, que o trabalho fiscal deve ser rechaçado de plano, eis que irremediavelmente eivado de nulidade, porque baseado em meros indícios, partindo de presunções e conclusões arbitrárias e injustificadas, e lavrado com diversos erros, vícios e imperfeições, em total desrespeito aos direitos da impugnante. Como visto, apenas os fatos aventados pela fiscalização são insuficientes para caracterizar qualquer infração, motivo pelo qual o presente auto de infração deve ser anulado, em sede preliminar, ou, em se apreciando o mérito, deve o mesmo ser julgado improcedente, fls. 78 a 83; B) Ainda em caráter preliminar, a impugnante teve contra si lavrado o auto de infração em que representa quase o valor do tributo questionado. De certo, não é vã a regra constitucional que estabelece a vedação da utilização de tributo com efeito confiscatório, o que estaria afrontado no presente lançamento, fls. 84 a 88; C) Quanto ao mérito, afirma que os valores relativos aos direitos antidumping “foram efetivamente recolhidos pela Impugnante, inclusive em valor maior ao exigido pelo Fisco...simples análise das DI’s mencionadas...verificase que houve o recolhimento com a aplicação da alíquota máxima estabelecida pelo GATT/OMC, qual seja, 55% (cinquenta e cinco por cento)”, não se podendo falar assim em autuação, mas em devolução, fls. 88 a 90; Ao final, requer que seja declarado improcedente o presente lançamento, com fundamento nas razões de fato e de direito apresentadas. É acima o relatório. Sobreveio então o Acórdão 1146.981, da 6ª Turma da DRJ/REC, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 25/07/2002 a 27/11/2002 Fl. 227DF CARF MF 4 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. Diante de alentada descrição dos fatos e indicação da fundamentação legal no auto de infração, o qual é instruído ainda com os elementos de prova em que se baseia a exigência fiscal, resta infundada a arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este órgão. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. REGISTRO DE IMPORTAÇÃO. VEDAÇÃO. Diante das disposições da Lei nº 9.430/96, art. 74, § 3º, inciso II, resta clara a vedação de compensação de tributos por ocasião do registro de importação. Tributos recolhidos a maior devem ser objeto de restituição, e aqueles recolhidos a menor, de complementação, ou lançamento de ofício, caso não tenha sido recolhido espontaneamente. DIREITOS ANTIDUMPING. NATUREZA JURÍDICA NÃO TRIBUTÁRIA. Direito antidumping constitui sanção a ato ilícito, enquanto restrição a uma prática comercial tida como prejudicial à indústria doméstica, frente ao dogma da livre concorrência que rege as práticas comerciais, e ato administrativo complexo, como medida jurídicopolítica, não sendo assim diretamente instituído por lei, o que o diferencia frontalmente da natureza jurídica dos tributos, na forma prevista no art. 3º, do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 210/217) a este Conselho, em que não mais insiste na preliminar de nulidade anteriormente apresentada, porém repisa o ponto de ter efetivamente recolhido os direitos antidumping e sobre o seu caráter confiscatório. Ademais, destaca em nova preliminar que fora apresentada petição de fls 168 a 170, posteriormente ao protocolo da impugnação, informando o conteúdo da Circular SECEX n. 23, de 24/04/2008, que excluiria o débito cobrado por meio do presente processo administrativo. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 335 5 Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 18/08/2014, conforme Termo de Abertura de Documento de fls. 207 e apresentou em 17/09/2014 o recurso voluntário de fls. 210/217, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. 1. O direito antidumping no ordenamento jurídico brasileiro Antes de adentrar no caso concreto, cumpre apresentar algumas considerações sobre o contexto jurídico que o envolta, o qual será necessário para a sua solução. Ao lado das funções de controle e de tributação, a Aduana possui como missão a aplicação de restrições. Tal função aproxima o Direito Aduaneiro ao Direito Econômico à medida que define as prioridades políticas/econômicas nacionais pela forma da interação comercial do Estado brasileiro com o restante das nações. Tratase, assim, de instrumento de política aduaneira. Dentro desta função, é possível encontrar a implementação de medidas de protecionismo comercial por instrumentos de restrições contra práticas desleais de comércio exterior (segundo os acordos da OMC), dos quais destacamse os direitos antidumping. 1 Em poucas palavras, o dumping é uma prática desleal de comércio que consiste na venda de um produto para exportação por um preço inferior ao seu valor normal. O dumping é admissível apenas quando não causar dano ao mercado doméstico, já quando houver dano à indústria nacional do país importador, demonstrado por nexo causal, o dumping passa a ser condenável, tudo conforme a regulamentação do Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, que revogou e substituiu o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995, este último vigente à época dos fatos tratados nesse processo. A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem genericamente num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os efeitos danosos à indústria nacional. 2 Assim, as medidas antidumping (vide artigo 695 do Decreto 4.543/2002) 3 são imposições com o 1 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Notas introdutórias sobre o direito aduaneiro e sua relação com o direito tributário. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.26. São Paulo: IOB, 2015, p.88109. 2 LOBO, Marcelo Jatobá. Direitos Antidumping.1.ed. São Paulo: Quartier Latin, 2007. p. 210. 3 "Art. 695. Para os efeitos deste Capitulo, entendese por: I dumping, a introdução de um bem no mercado doméstico, inclusive sob as modalidades de drawback, a preço de exportação inferior ao preço efetivamente praticado para o produto similar nas operações mercantis normais, que o destinem a consumo interno no pais exportador (Acordo sobre Implementação do Artigo VI do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, Artigo 2, item 1, aprovado pelo Decreto Legislativo n. 30, de 1994, promulgado pelo Decreto n2 1.355, de 1994, e internalizado pelo Decreto n. 1.602, de 23 de agosto de 1995, art. 0);" Fl. 229DF CARF MF 6 objetivo de proteger o mercado brasileiro de práticas comerciais predatórias, não se enquadrando em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico. São diversos os elementos normativos que corroboram essa última assertiva, que serão devidamente tratados abaixo. Para pontuar histórico legislativo sobre o tema, o direito antidumping foi introduzido em nosso ordenamento legal por meio da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, em decorrência a acordos firmados pelo país no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Gatt). Antes disso só havia sido tratado na legislação interna por normas infralegais. Com efeito, até o advento da Lei n° 9.019/95, a Resolução n° 1.227/87, com as alterações da Resolução n° 1.582/89, ambas da extinta Comissão de Política Aduaneira, cuidavam do tema, preceituando o direito antidumping como um adicional do Imposto de Importação: Art.1° Os direitos antidumping e compensatórios definitivos, de que tratam os Acordos Antidumping e de Subsídios e Direitos Compensatórios, constituem imposto de importação adicional. Ocorre que, posteriormente, a citada Lei n. 9.019/95 textualmente colocou que "os direitos antidumping e os direitos compensatórios serão cobrados independentemente de quaisquer obrigações de natureza tributária relativas à importação dos produtos afetados." Ou seja, a legislação passou a expressamente afastar a natureza tributária do direito antidumping, como já clamava a doutrina sobre o tema. 4 Outrossim, legalmente o direito antidumping distanciouse dos tributos no que diz respeito ao tratamento orçamentário. Enquanto aquele é tratado como receita originária e enquadrado na categoria de entradas compensatórias, não compreendidas na lei orçamentária (artigo 10 da Lei n. 9.019/1995); estes são considerados receitas correntes, compreendidas na lei orçamentária (artigo 11 da Lei n 4.320/1964). Assim, o direito antidumping pode ser definido como instrumento utilizado pelo Estado, com fundamento no artigo 174 da Constituição Federal, para intervir no domínio econômico, com o objetivo de incentivar a economia e garantir a competitividade da indústria doméstica. Pois bem. Neste contexto, o sistema brasileiro de defesa no comércio internacional é dividido em duas competências distintas. Na primeira encontrase a SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, que tem o Decom Departamento de Defesa Comercial , como um de seus cinco departamentos), que é responsável por propor a abertura 5 e conduzir investigações destinadas à aplicação de medidas antidumping.6 Como segunda competência aparece a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), cuja obrigação é fixar os direitos antidumping, em caráter definitivo ou provisório, por meio de resoluções. Disto já é possível constatar que o direito antidumping não se submete ao princípio da legalidade, o que também demonstra seu caráter não tributário, já que não se amolda ao artigo 150, inciso I da Constituição e ao artigo 3º do CTN. Sua instituição, isto sim, se dará por ato exarado pelas citados órgãos competentes, mediante o procedimento estabelecido pelo Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, que revogou e substituiu o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995. 4 BAPTISTA, Luiz Olavo, “Dumping e AntiDumping no Brasil”, in OMC e o Comércio Internacional. AMARAL JÚNIOR, Alberto do (coord.). São Paulo: Aduaneiras, 2002. 5 Mediante solicitação da indústria nacional, por iniciativa governamental (ex officio) ou por terceito país interessado. 6 Bem como medidas compensatórias e medidas de salvaguarda. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 336 7 Como regra geral os direitos antidumping postos em vigência pela CACEX devem ser extintos em 5 (cinco) anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria, muito provavelmente, à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado brasileiro. Para isso é necessária uma revisão de final de período, pela qual são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Paralelamente às competências da SECEX e da CAMEX, órgãos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a Receita Federal é responsável pela fiscalização e arrecadação das medidas de defesa comercial (artigo 237 da Constituição), o que ocorre por ocasião do registro da declaração de importação. Traçadas tais premissas, passo à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente. 1. Preliminar sobre a Circular SECEX n. 23, de 24/04/2008 Vejamos inicialmente o conteúdo da Resolução CAMEX n. 5, de 25 de abril de 2002, que foi o fundamento para a cobrança do direito antidumping por meio do presente processo administrativo: RESOLUÇÃO CAMEX Nº 5, DE 25 DE ABRIL DE 2002 DOU 26/04/2002 O PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3º do art. 6º do Decreto nº 3.981, de 24 de outubro de 2001, e, tendo em vista o disposto no inciso XV do art. 2º do mesmo diploma legal e no art. 6º da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995 e alterações, assim como o contido no Processo MDIC/SAA/CGSG 52100000070/00 15 e no Parecer nº 4, de 5 de abril de 2002, elaborado pelo Departamento de Defesa Comercial – DECOM, da Secretaria de Comércio Exterior – SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, a respeito de investigação de dumping nas exportações de conservas de pêssego originárias da Grécia, conforme consta do Anexo à presente Resolução, RESOLVE, ad referendum da Câmara, Art. 1º Encerrar a investigação com a fixação de direitos antidumping definitivos sobre as importações de conservas de pêssego, classificadas nos itens 2008.70.10 e 2008.70.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM, quando originárias da Grécia, conforme segue: Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União e terá vigência de até cinco anos, nos termos do disposto no art. 57 do Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995. Fl. 231DF CARF MF 8 De seu texto podemos constatar que foram vigentes desde 26/04/2002 até 26/04/2007 os direitos antidumping incidentes sobre as importações de pêssego em calda proveniente da Grécia, classificados na NCM sob os n. 2008.70.10 e 2008.70.90. Terminada a vigência da medida, a SECEX, como é de sua competência (artigo 17 do Decreto nº 8.917, de 29 de novembro de 2016), iniciou a revisão do direito antidumping em questão, por meio Circular SECEX n 21, de 24 de abril de 2007, publicada no Diário Oficial da Unido de 26 de abril de 2007. Feitos os estudos necessários para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre o pêssego em calda importado da Grécia, decidiuse pelo encerramento da aplicação da medida restritiva, conforme consta da Circular SECEX n. 24, de 24 de abril de 2008, trazida à discussão pela Recorrente. Destaco a seguir seus dizeres: CIRCULAR N° 23, DE 24 DE ABRIL DE 2008 (publicada no D.O.U. de 25/04/2008) O SECRETÁRIO DE COMÉRCIO EXTERIOR DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR, nos termos do Acordo sobre a Implementação do Artigo VI do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994, aprovado pelo Decreto Legislativo n' 30, de 15 de dezembro de 1994, promulgado pelo Decreto n' 1.355, de 30 de dezembro de 1994, de acordo com o disposto no art. 3' do Decreto n' 1.602, de 23 de agosto de 1995, tendo em vista o que consta do Processo MDIC/SECEX 52000 001208/200724 e do Parecer n2 08/06, de 14 de março de 2008, elaborado pelo Departamento de Defesa Comercial — DECOM desta Secretaria, decide: 1. Encerrar a revisão que se iniciou por meio Circular SECEX n 21, de 24 de abril de 2007, publicada no Diário Oficial da Unido de 26 de abril de 2007, dos direitos antidumping definitivos estabelecidos por meio da Resolução CAMEX n. 5, de 25 de abril de 2002, publicada no Diário Oficial da Unido — DOU de 26 de abril de 2002, aplicado as importações brasileiras de pêssego em conserva, classificado nos itens 2008.70.10 e 2008.70.90 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL — NCM, quando exportadas pela Grécia, sem a aplicação de medidas considerando que, no período de analise, não restou demonstrado ser provável que uma futura retomada da pratica de dumping nas exportações da Grécia para o Brasil provocará dano à indústria doméstica, 2. Tornar públicos os fatos que justificaram a decisão, conforme o Anexo a esta Circular. Assim, não resta dúvida sobre a improcedência do argumento da Recorrente no sentido de que a Circular SECEX n. 23/2008 seria causa extintiva dos valores aqui discutidos. Ora, as DIs foram registradas de julho a novembro de 2002 (fls 4), data em que a Resolução CAMEX n. 5/2002 era plenamente vigente, determinado o recolhimento dos direitos antidumping sobre as importações efetivadas pela Recorrente. Tal obrigação só cessou em 26/04/2007, e, depois de procedimento de revisão pelos órgãos competentes, não foi renovada para o futuro. Isto sim é o que estabelece a Circular SECEX n. 23/2008, em nada Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 337 9 influenciando os montantes devidos no passado, como os constantes do auto de infração sob análise. Dessarte, afasto a preliminar aventada pela Recorrente. 2. Mérito Com relação ao mérito, sobre o qual a Recorrente alega que os valores relativos aos direitos antidumping foram efetivamente recolhidos, inclusive em valor maior ao exigido pelo Fisco. Não merece qualquer reparo o acórdão recorrido, que tratou cuidadosamente da questão e se amolda aos pressupostos trazidos no início deste voto, especialmente sobre a natureza do direito antidumping e seu tratamento jurídico orçamentário distinto das receitas tributárias. Assim, adoto os dizeres do acórdão a quo como razão de decidir nesse julgamento, nos moldes do artigo 50, §2º da Lei n. 9.784/99: A afirmação da recorrente não encontra respaldo em qualquer elemento probatório constante dos autos, vez que simples verificação do extrato de recolhimento de tributos constante na página inicial de cada declaração de importação constata recolhimento zero para os direitos antidumping (ver fls. 18, 32, 45 e 55). O que se observa é um recolhimento a maior do imposto de importação à alíquota de 55% (fls. 21, 35, 48 e 58), porém, sem qualquer referência ou expressão quantitativa ao direito antidumping, que mesmo acrescido deste, restaria ainda superior ao total devido, evidenciando o caráter fortuito de seu recolhimento (erro casual). Vale ressaltar, que na sistemática de recolhimento dos valores devidos por ocasião do registro de importação, o cálculo e destaque dos direitos antidumping possuem tratamento próprio, com distinção para todas as parcelas devidas (ver extrato da declaração de importação, fls. 18, 32, 45 e 55). Diante de parcela a maior recolhida para o imposto de importação, não há que se falar em compensação para o direito antidumping não recolhido, vez que este não possui natureza tributária, e se assim ainda o fosse, também não seria possível tal compensação de ofício, haja vista expressa vedação legal à compensação de tributos devidos no registro de declaração de importação, na forma prevista no art. 77, § 3º, II, da Lei nº 9.430, de 1996 [sic leiase 74, §3º inciso II], com as alterações da Lei nº 10.637, de 2002. Este Conselho já examinou questão análoga à aqui discutida, decidindo no mesmo sentido ora proposto, mesmo que adotando premissa mais benéfica ao contribuinte, qual seja, a natureza jurídica tributária do direito antidumping: DIREITO ANTIDUMPING. Fl. 233DF CARF MF 10 O direito antidumping tem a mesma natureza jurídica do Imposto de Importação, configurandose como exação tributária e sendo qualificado como adicional daquele imposto, ex vi da legislação aplicável e tendo como origem os Acordos firmados no âmbito da OMC/GATT. Embora tenham a mesma natureza jurídica são cobrados independentemente, mercê o caráter transitório e cumulativo do adicional. Ao procedimento de exigência aplicase o rito processual do contenciosotributário regido pelo PAF. Cabível a multa de ofício e os juros de mora. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. (Acórdão 30130673) Ressalto por fim que, segundo a Circular SECEX n. 42, de 25/10/00, as alíquotas do imposto de importação para aqueles itens da NCM foram de: 41% em 1996; 35% no período de 1o de janeiro a 12 de novembro de 1997; 38% no período de 13 de novembro a 31 de dezembro de 1997; 33% em 1998; 28% em 1999; e de 23% no período de 1o de janeiro a 10 de outubro de 2000. A partir de 11 de outubro e até 31 de dezembro de 2000 a alíquota será de 55%, reduzindo para 14% a partir de 1º de janeiro de 2001. Dessarte, o recolhimento do imposto de importação nessa alíquota de 55% também não indica o recolhimento do direito antidumping, ainda que não discriminado nas declarações de importação. Portanto, não há razão para afastar a incidência dos direitos antidumping cobrados por meio do presente auto de infração, devendo ser mantido o lançamento como foi efetuado, sem prejuízo de eventual pedido de restituição de indébito a ser promovido pela Recorrente dos valores indevidamente pagos a título de imposto de importação. 3. Multa confiscatória A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da sanção que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que o direito antidumping seria confiscatório e, portanto, inconstitucional. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10120.001882/200701 Acórdão n.º 3402004.830 S3C4T2 Fl. 338 11 Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000682/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem junte a decisão definitiva do processo nº 10830.720562/2010-34.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem junte a decisão definitiva do processo nº 10830.720562/201034. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. 1. Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase a o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 480 e seguintes1: Tratase de auto de infração (fls. 03/16) lavrado para exigir R$ 25.068.760,92 relativos ao IPI e juros de mora calculados até 30/12/2010, decorrentes da glosa de créditos fictícios do IPI, que a empresa escriturou indevidamente, relativos a entradas de insumos 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 00 68 2/ 20 11 -0 1 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10830.000682/201101 Resolução nº 3302000.678 S3C3T2 Fl. 3 2 tributados à alíquota zero, para os quais não há previsão legal para o creditamento, utilizando estes créditos para o abatimento de débitos do imposto. Conforme consta da descrição dos fatos de fls. 05/08, o auto de infração foi lavrado com base nos documentos e nas informações contidas nas ações fiscais em nome da Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda, CNPJ 03.085.759/000102. Tendo em vista que a partir de julho de 2010, em virtude de incorporação, a fiscalizada passou a operar sob o CNPJ 01.615.814/00648, pertencente a Unilever Brasil Industrial Ltda, o competente auto de infração foi lavrado em seu nome. De acordo com os documentos apresentados pela fiscalizada em 20/05/2008, em resposta ao Termo de Intimação lavrado em 06/03/2008 (MPF nº 08.1.04.00.2007.005866), a escrituração dos referidos créditos, identificados como “IPI presumido alíq 0%”, foi autorizada por meio do agravo de instrumento de n° 2001.01.00.0317451, ao qual foi deferido o efeito suspensivo ativo contra decisão do juiz singular que indeferiu pedido de tutela antecipada, no processo judicial principal 2001.34.00.0171595 (fls. 68/133). A sentença de 1ª Instância, datada de 14/02/2003, foi favorável à fiscalizada (julgou procedente o pedido, declarando o direito da fiscalizada ao creditamento contábil do IPI verificado quando na entrada de insumos, materiais de embalagens e produtos intermediários cujas operações sejam ou tenham sido beneficiadas pela isenção, não incidência ou alíquota zero, tendo como alíquota de dedução aquela aplicada à venda do produto manufaturado, fls.135/146). Tendo em vista que a fiscalizada, amparada por decisão judicial, escriturou créditos indevidos (oriundos da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à aliquota (sic) zero) no período de set/2001 a jul/2007 e considerando que com a lavratura do Auto de Infração em 02/12/2010 (processo administrativo n° 10830.720562/201034), houve alteração dos saldos originais da escrita fiscal da fiscalizada, com apuração de saldo devedor do IPI a partir de agosto de 2006, a fiscalização elaborou nova reconstituição da escrita, com a glosa dos créditos indevidos restantes, no montante de R$ 17.100.874,33. Por meio do “DEMONSTRATIVO DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DO PERÍODO DE SETEMBRO DE 2001 A AGOSTO DE 2006” (fls. 09/13), reconstituiuse a escrita fiscal da fiscalizada, excluindo, dos valores originais consignados no Livro do IPI (RAIPI), os créditos identificados como “IPI presumido alíq 0%” consignados na rubrica “OUTROS CRÉDITOS”, referente ao período de setembro de 2001 a dezembro de 2005 (coluna (H) do Demonstrativo). Nesta nova reconstituição também foram considerados as glosas de créditos efetuadas e os débitos apurados no Auto de Infração, lavrado em 02/12/2010, objeto do processo 10830.720562/201034, no período Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10830.000682/201101 Resolução nº 3302000.678 S3C3T2 Fl. 4 3 de janeiro de 2006 a agosto de 2006 (colunas (F) e (G) respectivamente do Demonstrativo). Conforme demonstrado na coluna (K) desta Reconstituição da Escrita, foram apurados débitos de IPI, a serem cobrados no presente Auto de Infração, nos períodos de maio a agosto de 2006. O crédito tributário apurado por meio do presente Auto de Infração foi lançado com a exigibilidade suspensa por força da sentença em 1ª Instância nos autos do processo judicial de n° 2001.34.00.0171595 da 3ª Vara Federal do Distrito federal, que julgou procedente o pedido da fiscalizada, declarando o direito ao creditamento contábil do IPI verificado quando na entrada de insumos, materiais de embalagens e produtos intermediários cujas operações foram beneficiadas pela isenção, não incidência ou alíquota zero, tendo como alíquota de dedução aquela aplicada à venda do produto manufaturado. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 361/381, instruída com os documentos de fls. 382/476, alegando, em resumo, o seguinte: a) Se não bastasse a impossibilidade de revisão da escrita do período de set/2001 a dez/2005, em razão da decadência, o próprio MPF que suporta a fiscalização menciona que o período a ser fiscalizado corresponde a jan/2006 a ago/2006, ou seja, não há amparo formal, e legal, para proceder com a revisão da escrita fiscal no período anterior a 2006; b) Tendo em vista a presença de vícios formais insanáveis no procedimento de fiscalização, resta claro a necessidade de anulação do presente auto de infração; c) A procedência da presente autuação só poderá ser analisada após serem validadas as premissas adotadas pelo auto de infração objeto do processo administrativo nº 10830.720562/201034. Assim, requer o sobrestamento do presente feito até o julgamento do processo administrativo nº 10830.720562/201034, pois a sistemática de cálculo adotada pela fiscalização ainda está em discussão; d) Nos termos do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, bem como de acordo com a doutrina e jurisprudência que cita, salienta que todo o saldo credor, discutido nos presentes autos, já foi definitivamente constituído e validado, por ocasião da homologação tácita do procedimento de apuração realizado pela impugnante, cinco anos após a ocorrência dos respectivos fatos geradores. Dessa forma, operouse a decadência do direito de rever a escrita fiscal do tributo, relativamente aos períodos de apuração considerados pela fiscalização (setembro de 2001 a dezembro de 2005); e) Destaca ainda, que se a discussão fosse no sentido inverso, qual seja, se a impugnante nunca houvesse se apropriado de crédito de “IPI alíquota zero” e, num dado momento, os Tribunais Superiores se manifestassem no sentido de autorizar a tomada de tais créditos, a Impugnante só poderia reaver os últimos 5 anos de créditos não usufruídos; Ao final, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive a apresentação de novos documentos, realização de diligências e as demais que se fizerem, bem como, que todas as intimações sejam encaminhadas ao advogado da empresa. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10830.000682/201101 Resolução nº 3302000.678 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ/Ribeirão Preto considerou improcedente a impugnação, vide ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2006 a 31/08/2006 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. É correta a glosa de créditos indevidos há qualquer tempo, pois não ocorre fato gerador do tributo no momento do creditamento. O uso indevido do crédito é que gera conseqüências tributárias, pois ao usá lo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo prazo de decadência apenas para o lançamento de débitos decorrente desta glosa. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo, pois o princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. Descabe a argüição de irregularidade do lançamento relacionada ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, porquanto a expedição do mesmo constituise em mero ato de controle administrativo, não maculando a atividade fiscal do próprio Estado, que é atribuída por lei àqueles servidores que detêm a competência para promover o lançamento tributário. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DE PRAZO. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia quando a providência se mostra desnecessária à solução da lide. A contribuinte, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, fls. 494 e seguintes, repisando a argumentação da impugnação. É o relatório. 2. Voto Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10830.000682/201101 Resolução nº 3302000.678 S3C3T2 Fl. 6 5 Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2011, fls. 493, e o recurso foi protocolado em 04 de agosto de 2011, fls. 494. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da proposição de retorno dos autos à unidade Observase a partir da análise do auto de infração, fls. 3 e seguintes, que o período de apuração do presente processo corresponde a maio de 2006 a agosto de 2006. Ocorre que tal período decorre da reconstituição da escrita fiscal do período de setembro de 2001 a agosto de 2006, apurados no autos 10830.720562/201034. Como há evidente conexão entre o presente processo e os autos 10830.720562/201034, não há como julgar o presente auto sem saber a respeito da decisão definitiva do auto formalizado em 2010, que reconstituiu a escrita fiscal, que embasou o presente auto. A Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 RICARF prevê o seguinte: RICARF Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. (grifos não constam no original) Assim, propõese o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que seja juntada a decisão definitiva dos autos 10830.720562/201034. Após finalizada a diligência, intime a contribuinte para se manifestar a respeito desta no prazo de 30 (trinta) dias conforme o artigo 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 614DF CARF MF
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