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Numero do processo: 13227.720128/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. DESTINAÇÃO DIVERSA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO ADQUIRENTE. ARTIGO 22 DA LEI Nº 11.945/2009.
As vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de Guarajá-Mirim (ALCGM) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as destinatárias (...) as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo.
Na hipótese de a adquirente dar destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias.
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. REGIME OBRIGATÓRIO OU FACULTATIVO. PORTARIA SUFRAMA Nº 162/2005. PORTARIA SUFRAMA Nº 275/2009. PROVA.
A alegação de que o tratamento tributário de venda com redução de alíquota a zero, em operações realizadas com amparo no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, não é obrigatório, podendo a operação ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas fiscais, deve estar acompanhado da respectiva documentação comprobatória quanto à natureza das operações realizadas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. DESTINAÇÃO DIVERSA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO ADQUIRENTE. ARTIGO 22 DA LEI Nº 11.945/2009.
As vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de Guarajá-Mirim (ALCGM) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as destinatárias (...) as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo.
Na hipótese de a adquirente dar destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias.
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. REGIME OBRIGATÓRIO OU FACULTATIVO. PORTARIA SUFRAMA Nº 162/2005. PORTARIA SUFRAMA Nº 275/2009. PROVA.
A alegação de que o tratamento tributário de venda com redução de alíquota a zero, em operações realizadas com amparo no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, não é obrigatório, podendo a operação ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas fiscais, deve estar acompanhado da respectiva documentação comprobatória quanto à natureza das operações realizadas.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
MULTA DE OFÍCIO. DUPLICADA PARA O PERCENTUAL DE 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). REQUISITOS PARA SUA APLICAÇÃO. AFASTAMENTO. ACUSAÇÃO GENÉRICA E AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO. ARTIGO 44, DA LEI Nº 9.430/1996. ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/1964.
Para fins de aplicação da multa de ofício, de forma duplicada ou qualificada, exige-se a inequívoca comprovação de que o sujeito passivo praticou uma das condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, não cumprindo esse requisito uma acusação genérica, sem o cotejo entre a conduta praticada pelo sujeito passivo e uma das hipóteses previstas em abstrato na Lei para a duplicação ou qualificação da multa.
Numero da decisão: 3401-004.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício aplicada, mantendo-a em um percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. DESTINAÇÃO DIVERSA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO ADQUIRENTE. ARTIGO 22 DA LEI Nº 11.945/2009. As vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de GuarajáMirim (“ALCGM”) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as “destinatárias (...) as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo”. Na hipótese de a adquirente dar destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias. PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. REGIME OBRIGATÓRIO OU FACULTATIVO. PORTARIA SUFRAMA Nº 162/2005. PORTARIA SUFRAMA Nº 275/2009. PROVA. A alegação de que o tratamento tributário de venda com redução de alíquota a zero, em operações realizadas com amparo no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, não é obrigatório, podendo a operação ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 01 28 /2 01 4- 94 Fl. 1334DF CARF MF 2 fiscais, deve estar acompanhado da respectiva documentação comprobatória quanto à natureza das operações realizadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. DESTINAÇÃO DIVERSA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE AO ADQUIRENTE. ARTIGO 22 DA LEI Nº 11.945/2009. As vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de GuarajáMirim (“ALCGM”) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as “destinatárias (...) as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo”. Na hipótese de a adquirente dar destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias. PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDA DE MERCADORIA PARA ZONA FRANCA DE MANAUS E ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA A ZERO. ARTIGO 2º, DA LEI Nº 10.996/2004. REGIME OBRIGATÓRIO OU FACULTATIVO. PORTARIA SUFRAMA Nº 162/2005. PORTARIA SUFRAMA Nº 275/2009. PROVA. A alegação de que o tratamento tributário de venda com redução de alíquota a zero, em operações realizadas com amparo no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, não é obrigatório, podendo a operação ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas fiscais, deve estar acompanhado da respectiva documentação comprobatória quanto à natureza das operações realizadas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 MULTA DE OFÍCIO. DUPLICADA PARA O PERCENTUAL DE 150% (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). REQUISITOS PARA SUA APLICAÇÃO. AFASTAMENTO. ACUSAÇÃO GENÉRICA E AUSÊNCIA DE PROVA QUANTO À CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO. ARTIGO 44, DA LEI Nº 9.430/1996. ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/1964. Para fins de aplicação da multa de ofício, de forma duplicada ou qualificada, exigese a inequívoca comprovação de que o sujeito passivo praticou uma das condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, não cumprindo esse requisito uma acusação genérica, sem o cotejo entre a conduta praticada pelo sujeito passivo e uma das hipóteses previstas em abstrato na Lei para a duplicação ou qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.335 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício aplicada, mantendoa em um percentual de 75% (setenta e cinco por cento). ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Auto de Infração (fls. 889911), em 11/03/2014, para cobrança de valores a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("COFINS") e de Contribuição para o PIS ("PIS"), com período de apuração entre Janeiro e Dezembro de 2010, acrescidos de juros de mora e multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), totalizando um crédito tributário no valor de R$ 12.268.878,57, em razão de 3 (três) infrações: (i) aquisição de mercadoria com alíquota reduzida a zero, nos termos do artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, desde que destinada a consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio, na qual a Fiscalização entendeu que o contribuinte deu a elas destinação diversa, pela remessa das mercadorias para filiais e matriz não localizadas na Área de Livre Comércio, ficando, dessa forma, responsável pelo recolhimento das contribuições que deixaram de ser pagas, por força do artigo 22 da Lei nº 11.945/2009; (ii) hipótese semelhante à primeira infração apontada pela Fiscalização, porém, de transferência de mercadorias para filiais e matriz não localizadas na Área de Livre Comércio, dessa vez, mercadorias estas sujeitas à tributação monofásica prevista nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.147/2000, ficando o contribuinte, nessa hipótese, sujeito às contribuições que deveriam ter sido pagas na sistemática de incidência monofásica, de alíquota concentrada; e (iii) utilização indevida de créditos, por aquisições realizadas com redução a zero da alíquota das contribuições, após o contribuinte ter informado durante a Fiscalização "que se apropriou do PIS/COFINS, visto a empresa que vendeu para a ALC não fez a devida indicação do beneficio na nota fiscal". Observem que o Auto de Infração, em seu título e em outras passagens, indica que estaria sendo ali lançado apenas a COFINS. Porém, da análise do Relatório Fiscal de fls. 875 e seguintes, de sua narrativa e das tabelas nele inseridas, percebese e é possível a confirmação de que foram lançados no Auto de Infração valores relativos não somente ao COFINS, mas também ao PIS. Fl. 1336DF CARF MF 4 Contra esse lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada totalmente improcedente pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, São Paulo, na sessão de julgamento do dia 28/08/2014, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 NULIDADE.DESCABIMENTO. É incabível de ser pronunciada a nulidade de Auto de Infração lavrado por autoridade competente, tendo em conta o art. 59 do Decreto 70.235/72. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA A ZERO. VENDA OU TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA. DESTINAÇÃO DIVERSA. A redução das alíquotas da COFINS condicionada a determinada destinação do bem ou do serviço, sujeita ao pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a redução das alíquotas não existisse, o responsável por dar ao bem ou serviço outro destino". Dessa decisão, o contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado no dia 22/09/2014, segundafeira, conforme Aviso de Recebimento acostado às fls. 1279, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 15/10/2014, quartafeira, conforme carimbo de fls. 1282, pelo qual requer o reconhecimento da improcedência do lançamento realizado, com base nos argumentos a seguir: (i) não seria aplicável ao caso o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, por existir previsão legal que rege a matéria, segundo o Recorrente, a Instrução Normativa SRF nº 546/2005; (ii) o Recorrente teria cumprido sua responsabilidade como sujeito passivo de obrigação relativa ao recolhimento das contribuições; (iii) a decisão recorrida teria decidido, conforme Solução de Consulta que, além de não ter sido devidamente identificada na decisão, não produziria quaisquer efeitos contra o Recorrente, motivo pelo qual o Recorrente impugna o entendimento ali firmado; (iv) quanto à primeira irregularidade, o Recorrente afirma que a contribuição teria sido efetivamente paga e que o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009 trata da responsabilidade pelo pagamento, mas nada afirma a respeito do momento do recolhimento das contribuições, afirmando que, no seu entender, o momento de recolhimento não se dá no ato de transferência, mas quando da prática da venda, o que colocaria a obrigação de recolhimento no 25º (vigésimo quinto dia) do mês subsequente ao faturamento; (v) quanto à segunda irregularidade, o Recorrente defende que os seus fornecedores seriam pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador e, desse modo, as aquisições de mercadorias sujeitas a monofasia estavam com a alíquota reduzida a zero; (vi) quanto à terceira irregularidade, o Recorrente afirma que teria descontado créditos apenas em relação a notas fiscais que estão sem a indicação de que venda é realizada na forma da Lei nº 10.966/2004, pois, nesses casos, entendeu o Recorrente que a venda fora efetuada seguindo a alíquota normal, em operação diversa da que a praticada com o benefício de alíquota zero, e que teria havido o recolhimento de COFINS na origem; e, por fim, (vii) pugna pela inaplicabilidade da multa, pois não teria cometido nenhuma irregularidade, e pela sua inconstitucionalidade, por ter caráter confiscatório; (viii) pede o afastamento da duplicação da multa, por inexistência de dolo do Recorrente; e (ix) pede o reconhecimento de bis in idem, por uma cobrança de tributo, duas vezes, sobre um mesmo fato gerador. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.336 5 Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Da alíquota reduzida a zero prevista no artigo 2º, da Lei nº 10.996/2004, e da atribuição de responsabilidade prevista no artigo 22 da Lei nº 11.945/2009 – Primeira Irregularidade Conforme Relatório Fiscal, a primeira irregularidade tem como fundamento legal o artigo 2º, caput e parágrafos 1º e 3º, da Lei nº 10.996/2004, e o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, a seguir transcritos: Lei 10.996/2004: “Art. 2° Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. (...) § 1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus – ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. (...) § 3° As disposições deste artigo aplicamse às vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis n. 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei n. 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei n. 8.857, de 8 de março de 1994, por pessoa jurídica estabelecida fora dessas áreas. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). ***** Lei 11.945/2009: “Art. 22. Salvo disposição expressa em contrário, caso a nãoincidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação for condicionada à destinação do bem ou do serviço, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao Fl. 1338DF CARF MF 6 pagamento das contribuições e das penalidades cabíveis, como se a não incidência, a isenção, a suspensão ou a redução das alíquotas não existisse”. Além disso, destaquese, dentre as Áreas de Livre Comércio mencionadas no artigo 2º, parágrafo 3º, da Lei nº 10.996/2004, que a Lei nº 8.210/1991, pelo seu artigo 1º, criou “no Município de GuajaráMirim, Estado de Rondônia, uma área de livre comércio de importação e exportação, sob regime fiscal especial, com a finalidade de promover o desenvolvimento das regiões fronteiriças do extremo noroeste daquele Estado e com o objetivo de incrementar as relações bilaterais com os países vizinhos, segundo a política de integração latinoamericana”. Assim, pelo disposto nessas Leis, as vendas de mercadorias de estabelecimentos localizados fora da Área de Livre Comércio de GuarajáMirim (“ALCGM”) para estabelecimentos localizados na ALCGM é realizada com alíquota zero das contribuições para o PIS/COFINS, desde que destinadas ao consumo ou industrialização, entendido o consumo quando as “destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo”. Por outro lado, caso a destinatária dê destinação diversa às mercadorias recebidas com alíquota zero, ficará responsável pelo pagamento das contribuições que deixaram de ser pagas na origem, pelo estabelecimento remetente das mercadorias. Dessa forma, como a Fiscalização constatou que parte das mercadorias recebidas com alíquota zero teve destino diverso do que determinava a norma que reduziu a alíquota à zero, realizou o lançamento dos valores de contribuição que deixaram de ser pagos, com fundamento no artigo 22 da Lei nº 11.945/2009. Contra essa acusação, a Recorrente inicialmente afirma que não seria aplicável ao caso o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, por existir previsão legal que rege a matéria, segundo o Recorrente, a Instrução Normativa SRF nº 546/2005, mais precisamente o seu artigo 4º, que tem a seguinte redação: “Art. 4º Na hipótese de a pessoa jurídica situada na ZFM apenas transferir os produtos para outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica localizada fora da ZFM, não se aplicam as disposições do § 4º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e do § 5º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003”. Da leitura do artigo em referência e da Instrução Normativa SRF nº 546/2005 como um todo, percebese que ela realmente regulamenta a Lei nº 10.996/2004, mas não o artigo 2º, que é o dispositivo sobre o qual versa o lançamento, mas sim os artigos 3º e 4ª, que modificaram dispositivos das leis de regência das contribuições, no que dispunham sobre outras operações realizadas no âmbito da Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, o próprio artigo 1º delimita o âmbito de aplicação da Instrução Normativa, nos seguintes termos: “Art. 1º Esta Instrução Normativa regulamenta a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a receita bruta auferida com a venda: I de produtos, industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), contemplados com as alíquotas diferenciadas de que tratam o § 4º do art. 2º e o § 12 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o § 5º do art. 2º e o § 17 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.337 7 II de máquinas e veículos, classificados nos códigos 8432.30 e 87.11 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), produzidos na ZFM; e III de insumos produzidos na ZFM”. Outra alegação da Recorrente é que, ultrapassado o primeiro argumento, teria cumprido sua responsabilidade como sujeito passivo de obrigação relativa ao recolhimento das contribuições, conforme o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009. De acordo com as afirmações da Recorrente (fls. 12961297): (...) Como se verifica, a Recorrente reconhece expressamente que deu destinação diversa às mercadorias e acredita que teria realizado o recolhimento das contribuições, tal como determinado pelo artigo 22 da Lei nº 11.945/2009. Entretanto, a Recorrente parece confundir a mandamento contido no artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, que é no sentido de que aquele que der destinação diversa da contemplada na redução de alíquota a zero deverá ficar responsável pelo pagamento das contribuições que seriam devidas na origem, aquelas que deixaram de ser recolhidas pelo remetente das mercadorias à Recorrente, e não as contribuições que já seriam devidas, independentemente da destinação, na operação subsequente de venda pelo Recorrente a terceiros. Diante disso, com o reconhecimento expresso do descumprimento da norma que outorgava a redução da alíquota à zero e ficando claro que o pagamento a que a Recorrente faz referência não tem relação com as contribuições que deixaram de ser pagas na origem, mas se referem àquelas que invariavelmente haveria a Recorrente de arcar na operação subsequente, entendo como improcedente essa alegação. Fl. 1340DF CARF MF 8 A Recorrente ainda argumenta que o artigo 22 da Lei nº 11.945/2009 trata da responsabilidade pelo pagamento, mas nada afirma a respeito do momento do recolhimento das contribuições, afirmando que, no seu entender, o momento de recolhimento não se dá no ato de transferência, mas quando da prática da venda, o que colocaria a obrigação de recolhimento no 25º (vigésimo quinto dia) do mês subsequente ao faturamento. Contudo, como já exposto, a responsabilidade é pelo pagamento das contribuições que seriam devidas na operação de origem, restando prejudicada a discussão quanto ao momento de pagamento, em razão de sua não ocorrência. Por último, ainda em relação a essa irregularidade, a Recorrente afirma que a decisão recorrida teria decidido, conforme Solução de Consulta que, além de não ter sido devidamente identificada na decisão, não produziria quaisquer efeitos contra o Recorrente. Nesse ponto, devese anuir com a Recorrente, pois, realmente, a decisão recorrida deixa de identificar a Solução de Consulta e o entendimento lá firmado não vincula, de forma alguma, a Recorrente. A Solução de Consulta citada pela decisão recorrida, do mesmo modo que outras manifestações de caráter não vinculante da Administração, servem apenas como uma referência de uma interpretação da legislação, dentre as possíveis. De qualquer modo, a meu ver, a decisão recorrida manteve o lançamento pelas suas próprias razões, sem impor à Recorrente qualquer vinculação à decisão exarada na Solução de Consulta, que serviu apenas como mais um elemento para a exegese empreendida pela DRJ das normas pertinentes ao caso. Quanto à ausência de correta identificação da Solução de Consulta, entendo que tal lapso, no caso concreto, não implicou nulidade, por não ter restado prejudicado o direito de defesa da Recorrente, em linha do que determina o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Ante o exposto, proponho ao Colegiado manter o lançamento nesse ponto, que decorre de operações com redução de alíquota a zero. Das operações sujeitas à tributação monofásica prevista nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.147/2000 – Segunda Irregularidade Nesse tópico da autuação, a Fiscalização segue a linha de raciocínio apontada na primeira irregularidade, de que a Recorrente seria responsável pelas contribuições que deveriam ter sido pagas, pelo afastamento da redução da alíquota à zero, em razão da destinação diversa das mercadorias adquiridas pela Recorrente, mas faz uma ressalva quanto à alíquota a ser considerada em relação a determinadas aquisições, de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitas ao regime monofásico. Nesse sentido, explica que não considerou no lançamento a alíquota ordinária das contribuições, considerando, a depender do caso, a alíquota específica do regime monofásico ou alíquota zero, conforme a seguir: “Pela Lei n° 10.147/00, o Governo Federal instituiu o regime monofásico para, produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, que tornou os importadores e indústrias desses produtos responsáveis pelo recolhimento do PIS e da COFINS incidentes sobre a cadeia de produção e consumo mediante a aplicação de uma alíquota global de 12,50% e reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS para revendedores e varejistas. Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.338 9 Serão aplicadas alíquotas de 2,20% para o PIS e 10,30% para a COFINS sobre as receitas com venda, pelo industrial ou importador, de produtos classificados na TIPI nas posições 33.03 a 33.07 exceto na posição 33.06 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00. (...) Dessa forma, verificase que as operações sobre os produtos de higiene pessoal e cosméticos estão sujeitos ao regime especial de apuração da Contribuição para PIS e da COFINS, com previsão de alíquotas diferenciadas monofásica sobre as indústrias e importadores, ficando reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de produtos tributados com a alíquota diferenciada concentrada, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de indústria ou importadora”. (grifos nossos) Por sua vez, a Recorrente defende que os seus fornecedores seriam pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador e, desse modo, as aquisições de mercadorias sujeitas a monofasia estavam com a alíquota reduzida a zero. A decisão recorrida expõe os contornos do regime monofásico, com a distinção de alíquota específica para os contribuintes importadores e industriais e redução de alíquota zero para os demais, e rejeita o argumento da Recorrente, ao afirmar que: “adquirir mercadoria de um comerciante – seja comerciante importador, seja comerciante encomendante (equiparado a industrial para fins do Imposto sobre Produtos Industrializados, mas ainda assim comerciante) – não é garantia de estar recebendo mercadoria já antes tributada, submetida à incidência monofásica em alguma fase anterior à sua aquisição por pessoa jurídica situada em ALC”. Além disso, a Fiscalização já havia realizado o trabalho de separação entre as operações de venda que estavam sujeitas à alíquota específica do regime monofásico e a alíquota zero, não trazendo a Recorrente provas suficientes de que tal verificação estava equivocada, limitandose a afirmar que “referida questão está devidamente comprovada nos autos, com prova material decorrente da juntada de notas fiscais dos fornecedores, as quais não foram impugnadas pelo Auditor Fiscal quando do procedimento fiscalizatório”. Porém, foi com base justamente nessas notas fiscais que a Fiscalização realizou a reapuração das bases de cálculo das contribuições, não oferecendo a Recorrente elementos de prova para infirmar as conclusões da Fiscalização. Por esses motivos, deve o lançamento ser mantido nessa parte. Da utilização indevida de créditos – Terceira Irregularidade No item 2.4 do Relatório Fiscal, às fls. 885, a Fiscalização indica ter realizado a glosa de determinados créditos da Recorrente, pelos motivos a seguir: “Em conformidade com as diretrizes e a finalidade dessa fiscalização, totalizamos mensalmente as notas fiscais de entrada de acordo com o CNPJ da matriz e das filiais e excluímos aquelas notas da filial localizada na ALCGM cujo fornecedor também está estabelecido nessa região, com o intuito de obtermos os valores das mercadorias que foram ingressadas Fl. 1342DF CARF MF 10 durante o anocalendário 2010 na Área de Livre Comércio de Guajará Mirim, com a redução a zero da alíquota de PIS e COFINS. Elaborada a planilha das mercadorias que entraram na filial de Guajará Mirim, foi solicitado ao contribuinte ora autuado esclarecer os valores lançados em DACON como base de cálculo de crédito de PIS/COFINS, do estabelecimento 04.082.624/001713, filial situada na ALC. A empresa apenas informou que se apropriou do PIS/COFINS, visto a empresa que vendeu para a ALC não fez a devida indicação do benefício na nota fiscal”. A argumentação da Recorrente segue a linha defendida já durante a Fiscalização, no sentido de que teria descontado créditos apenas em relação a notas fiscais que estão sem a indicação de que venda é realizada na forma da Lei nº 10.966/2004, pois, nesses casos, entendeu o Recorrente que a venda fora efetuada seguindo a alíquota normal, em operação diversa do que a praticada com o benefício de alíquota zero, e que teria havido o recolhimento de COFINS na origem. Na decisão recorrida, a glosa de crédito foi mantida, pelos seguintes motivos: “Nesse sentido, a Autuada teria tomado créditos em relação a mercadorias que supostamente lhe teriam sido enviadas, contrariando o que dizia a legislação, com alíquota superior a zero. Ocorre que, o fato de fornecedores contrariarem a legislação, tributando indevidamente produtos que deveriam ser remetidos sob alíquota zero, pode eventualmente implicar em repetição de indébito favorável a tais fornecedores, mas não em crédito do regime não cumulativo para o adquirente. A violação à lei não produz crédito do regime não cumulativo. Depois, quanto à apontada ausência de informação em notafiscal, importa registrar que a Lei 12.350/2010 – que entrou em vigor em 21/12/2010, como visto – determina o uso em notafiscal da expressão “Venda de mercadoria efetuada com alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”. Entretanto, a ausência de expressão idêntica ou análoga em notafiscal não é apta a infirmar a glosa de créditos pela Autoridade Fiscal, não sendo prova de que a mercadoria foi de algum modo tributada. Se não bastasse isso, findam em novembro de 2010 os créditos indevidamente utilizados apontados em fl. 886 pela Fiscalização, sendo anteriores, desse modo, à exigência de anotação estipulada pela Lei 12.350/2010 – invocada pela Impugnante – que, desse modo, não pode influir na análise do aproveitamento dos créditos tomados pela Autuada”. Como se vê, o raciocínio da decisão é claro. A redução de alíquota a zero prevista no artigo 2º da Lei nº 10.966/2004 seria obrigatória para todas as vendas de mercadorias à ALCGM e a determinação para indicação de que a operação seria acobertada pela redução de alíquota só teria surgido no final de 2010, com a edição da Lei nº 12.350/2010 que, devese lembrar, introduziu também o parágrafo 4º ao artigo 2º, da Lei nº 10.966/2004 (“§ 4o Não se aplica o disposto neste artigo às vendas de mercadorias que tenham como destinatárias pessoas jurídicas atacadistas e varejistas, sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecidas nas Áreas de Livre Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.339 11 Comércio referidas no § 3º”), acabando com a redução à alíquota zero nas operações com destino às Áreas de Livre Comércio e mantendoa apenas nas operações com destino à Zona Franca de Manaus. Com isso, não haveria que se cogitar da possibilidade de tais operações serem praticadas com tributação ordinária ou com redução de alíquota a zero, sendo correta a glosa de crédito, existindo apenas uma possibilidade de direito de restituição do contribuinte remetente, caso tivesse adotado a tributação ordinária. É uma linha de interpretação possível que estaria em harmonia com a inexistência de qualquer regramento na formalização do internamento de mercadorias nas Áreas de Livre Comércio. Se a aplicação de redução de alíquota a zero é obrigatória, para que haveria necessidade de se informar na nota fiscal tal tratamento? Porém, não compartilho dessa compreensão. Nesse ponto, peço vênia para transcrever novamente o dispositivo legal em referência: “Art. 2° Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM”. (grifos nossos) Quando a Lei fala que esse tratamento especial será aplicado nas mercadorias destinadas ao consumo, nela entendido como mercadorias que “tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo”, ou à industrialização, devese reconhecer que parecem estar incluídas nessa destinação a totalidade das destinações possíveis às remessas de mercadorias. Porém, essa não parece ser a melhor leitura do dispositivo, pois se assim fosse, bastaria que o Legislador retirasse a condição vinculada à utilidade da mercadoria e desde logo determinasse que o tratamento especial se aplicaria às “receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus – ZFM”, uma vinculação somente relacionada ao destino geográfico da remessa. E, como se sabe, “não se presumem na lei palavras inúteis”. Além disso, tanto é verdade que a vinculação ao consumo ou a industrialização não abarcam todas as hipóteses de remessas que a Recorrente realizou uma remessa fora dos padrões exigidos pela Lei para a outorga do tratamento especial. Em adição, a decisão recorrida se equivoca ao afirmar que a exigência de identificação nas notas fiscais de que as remessas com redução de alíquota zero somente teria surgido no ordenamento jurídico com a edição da Lei nº 12.350/2010. Muito antes, já havia tal exigência. Primeiro com a Portaria SUFRAMA nº 162/2005. Depois com a Portaria SUFRAMA nº 275/2009, a seguir transcritas: Portaria SUFRAMA nº 162/2005: “Art. 1º Para efeito da formalização do internamento de mercadoria nacional, previsto nos Art. 11 e 12 da Portaria nº 205, de 14 de agosto de 2002, a Nota Fiscal emitida para Zona Franca de Manaus, além das exigências já vigentes, deverá conter a indicação expressa do valor do abatimento referente ao PIS/PASEP e da COFINS incentivado, conforme art. 2º da Lei 10.996, de 15 de dezembro de 2004 e art. 1º. do Decreto nº 5.310, de 15 de dezembro de 2004. Fl. 1344DF CARF MF 12 Parágrafo Único Quando se tratar de nota fiscal destinada a contribuinte que apure o Imposto de Renda com base no lucro presumido, a exigência prevista no caput será opcional e poderá ser dispensada mediante manifestação do destinatário declinando do abatimento previsto”. ***** Portaria SUFRAMA nº 275/2009: “Considerando a Solução de Consulta nº 50, de 2232006, da Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª Região Fiscal, que dispensa a necessidade de outro detalhamento que não a simples menção do destino das mercadorias sujeitas à alíquota zero incidente sobre a Contribuição de PIS/PASEP na nota fiscal de venda de mercadoria destinada à Zona Franca de Manaus, RESOLVE: Art. 1º – Revogar a Portaria nº 162, de 662005, que dispõe sobre dados complementares exigidos para ingresso de mercadorias nacionais na área da Zona Franca de Manaus”. Por sua vez, a Solução de Consulta nº 50/2006, da 10ª RF, afirma: “a simples menção do destino das mercadorias sujeitas à alíquota zero, incidente sobre a Contribuição para o PIS/PASEP, é condição suficiente para a pessoa jurídica auferir este benefício fiscal, sem a necessidade de detalhar outros dados no que concerne ao preenchimento de Nota Fiscal de venda de mercadoria destinada à Zona Franca de Manaus”. A leitura de tais atos, em especial, a necessidade de mencionar que as mercadorias estão sendo remetidas com destinação vinculada à alíquota zero para fruição do benefício e a possibilidade de o adquirente manifestar que declina do abatimento previsto, ou seja, que o vendedor deverá considerar em seu preço o recolhimento das contribuições, poderia levar ao entendimento de que, nessas remessas, o tratamento especial é opcional, podendo a remessa ser realizada também pela tributação ordinária, desde que devidamente indicada a opção nas notas fiscais. Até porque, tal indicação é fundamental para o aproveitamento ou não de créditos relacionados às aquisições, assim como para a verificação da correta apuração das contribuições pelo estabelecimento vendedor. Ante o exposto, é possível o entendimento de que a Recorrente faria jus ao direito de crédito em relação àquelas aquisições em que o remetente não fez qualquer indicação que se tratava de operação de venda realizada no âmbito do artigo 2º da Lei nº 10.966/2004 e, portanto, foram submetidas à tributação pelas contribuições. Afirmo em tese porque uma vez firmada essa tese de direito, haveria que se verificar se a mesma encontra amparo na prova dos autos. Impende destacar ainda que esse entendimento teria reflexos positivos à Recorrente também nos lançamentos referentes a primeira e segunda irregularidades, pois, caso confirmado que não foi a totalidade das aquisições da Recorrente realizada sob o regime de redução para alíquota zero, existindo determinadas operações que foram praticadas pela tributação ordinária, não haveria que se falar em atribuição de responsabilidade do artigo 22 da Lei nº 11.945/2009, pela mudança de destinação, seja em relação às operações sujeitas às alíquotas ordinárias, seja em relação às operações realizadas pela alíquota da monofasia, ao se afastar a redução da alíquota a zero. A Recorrente indica na tabela de fls. 1311 as aquisições em que tal situação teria ocorrido, em valores que coincidem com a totalidade do crédito glosado, e que as notas fiscais já teriam sido apresentadas por ocasião da Ação Fiscal, porém, deixa de juntar tais notas Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.340 13 fiscais após o início do contencioso. Não faz sequer um princípio de prova, com a juntada parcial de notas fiscais, relativas a determinado mês ou período, ou laudo pericial confirmando a sua alegação, de modo a suscitar a possibilidade de conversão do julgamento em diligência, a atestar o amparo probatório para a totalidade das operações. Nesse cenário, embora o Relator entenda que a tese de direito levantada pela Recorrente merecesse prosperar, por manifesta carência probatória, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário interposto nessa matéria. É de se registrar que, como a carência probatória consiste em fundamento autônomo para a negativa de provimento do Recurso Voluntário, não foi necessário ao Colegiado ingressar na apreciação da procedência ou não da tese de direito relativa a esse tópico. Multa de Ofício aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) Como relatado, no Auto de Infração foi aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), com a duplicação do percentual para 150% (cento e cinquenta por cento), com fundamento legal no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/1996. Essa penalidade foi mantida pela decisão recorrida, que rechaçou os argumentos expostos pelo Recorrente em sua impugnação, ao expor o que se segue: “Quanto à alegação no sentido de que a multa aplicada redunda em enriquecimento sem causa e confisco, cumpre registrar que se o afastamento ou redução da penalidade pecuniária fosse concedido por razões dessa ordem, tal ocorreria à margem da legislação de regência, o que não é possível na órbita do Fisco, uma vez que a atividade administrativa tributária é plenamente vinculada à lei. Já a qualificação da multa não foi expressamente contestada pela Impugnante”. (fls. 12751276) Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente abandona a alegação de que a aplicação da penalidade configuraria enriquecimento ilícito, reitera sua inconstitucionalidade, por ter caráter confiscatório, pugna pela inaplicabilidade da multa, pois não teria cometido nenhuma irregularidade e, agora, de forma expressa, contesta a qualificação da multa, pedindo o afastamento da duplicação da multa, por inexistência de dolo do Recorrente. Segundo o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, "nos casos de lançamento de ofício", será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) "sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento". E foi essa justamente a hipótese em que aplicada a penalidade. No decorrer da ação fiscal, a Fiscalização glosou determinados créditos e incluiu determinadas valores de receitas, por atribuição de responsabilidade ao Recorrente. Como resultado, foi encontrada um diferença no valor das contribuições que deveriam ter sido recolhidas, sendo necessária a realização do lançamento de ofício do respectivo crédito tributário. Fl. 1346DF CARF MF 14 Percebese, com isso, que a situação fática se enquadra perfeitamente na hipótese abstrata para aplicação da penalidade. Já com relação à alegada inconstitucionalidade da penalidade, o Colegiado não tem competência para afastar a aplicação da legislação federal com esse fundamento, devendo a legislação federal ser reputada válida e sendo vedado ao Colegiado fazer juízos acerca de sua constitucionalidade, como determina a Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Por esses motivos, tal como decidido em primeira instância administrativa, a multa de ofício aplicada deve ser mantida, merecendo ainda análise a questão de sua duplicação ou qualificação. Como visto, a decisão recorrida sequer apreciou essa questão, por ter entendido que não teria sido expressamente contestada pelo Recorrente, o que implicaria a preclusão da matéria, nos termos do artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972. Da leitura da parte da Impugnação que contesta a penalidade, fls. 938 e seguintes, verificase que o Recorrente faz uma defesa genérica da aplicação da penalidade, levantando alegações manifestamente improcedentes como a relativa ao enriquecimento ilícito do Estado ao aplicar uma multa expressamente prevista em Lei, portanto, que nunca poderia ser qualificada como ato ilícito, e a relativa à inconstitucionalidade, cuja apreciação é vedada por Súmula deste Tribunal, e deixando de impugnar de maneira mais contundente as questões que importam para a manutenção ou afastamento da penalidade, ainda que parcial, como é a subsunção da conduta descrita com a hipótese legal de aplicação da penalidade, seja no percentual ordinário, seja no percentual duplicado. Essa linha da defesa beira a preclusão decidida em primeiro grau, que não será mantida aqui por dois motivos: (i) a Recorrente chega a defender em Impugnação que a conduta por ela performada não configuraria a infração apontada do Auto, o que deve se entender como a infração que dá ensejo à duplicação da penalidade (fls. 939) e, no Recurso Voluntário, a qualificação da penalidade é combatida de forma expressa; e (ii) as próprias razões adotadas no Relatório Fiscal para aplicar a penalidade são genéricas. Logo, a Recorrente se defendeu de forma genérica de uma acusação que também foi genérica e não desceu no detalhe de qualificar a conduta da Recorrente em uma das hipóteses de qualificação da multa. Ao se examinar o Relatório Fiscal, às fls. 886 dos autos, percebese que a imposição da penalidade, na forma qualificada, é justificada tão somente pelos seguintes dizeres: “O estabelecimento 04.082.624/001713, localizado em GuajaráMirim, Área de Livre Comércio – ALC, que possui benefício tributário da desoneração do PIS e COFINS, de acordo com o SPED FISCAL apenas vendeu para Guajará Mirim R$ 3.141,69, e o total de transferência de mercadorias/material para o estabelecimento fora da Área de Livre Comércio de Guajará Mirim, perfazem o montante de R$ 57.659.695,19. Notase que a empresa já comprava as mercadorias/material pelo estabelecimento 04.082.624/001713, localizado em GuajaráMirim, Área de Livre Comércio – ALC, no intuito de transferir para outros estabelecimentos situados fora da Área de Livre Comércio – ALC, para se aproveitar do beneficio tributário da desoneração do PIS e COFINS”. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 13227.720128/201494 Acórdão n.º 3401004.363 S3C4T1 Fl. 1.341 15 No fundamento apresentado não há qualquer remissão às condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, de modo a realizar o necessário cotejo entre uma das condutas lá elencadas e a conduta praticada pela Recorrente. Apesar disso, de nada afirmar a Fiscalização nesse sentido, e assumindose que a conduta em questão seja a fraude do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, que é definida como “tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, não me parece que o não recolhimento das contribuições em razão da mudança da destinação das mercadorias tenha ocorrido em razão de um ato doloso para reduzir o montante das contribuições devidas, mas, pelo que consta nos autos, se deva muito mais a uma mácompreensão ou divergência na interpretação da Legislação, por parte do contribuinte, ora Recorrente. Além disso, devese observar, como vem decidindo a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais “a aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Ausente a prova inequívoca de intenção deliberada da contribuinte de ocultar o fato gerador das contribuições da Autoridade Fiscal, não há de se falar na aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento)” (Acórdão nº 9303004.685; Data da Sessão: 16/02/2017; Relator: Charles Mayer de Castro Souza; Redatora Designada: Vanessa Marini Cecconello). Pelo exposto, proponho ao Colegiado a manutenção da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), afastando a majoração pela duplicação de seu percentual, por carência probatória do enquadramento da conduta da Recorrente em uma das hipóteses legais autorizadoras. Conclusão Ante o exposto, proponho ao Colegiado conhecer do Recurso Voluntário interposto e lhe dar provimento parcial, para afastar a qualificação da multa de ofício aplicada, mantendoa em um percentual de 75% (setenta e cinco por cento). É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905790/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo.
DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA.
O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento.
A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos remanescentes, à compensar débitos deste processo. DCOMP. COMPENSAÇÃO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA DEVIDA. O afastamento da multa moratória, em face do benefício da denúncia espontânea, do art. 138, do CTN, exige o atendimento dos requisitos de existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e da inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A compensação é forma distinta de extinção do crédito tributário, sujeita à condição resolutória da sua homologação, estando restrito ao pagamento o gozo do benefício conferido pelo sobredito art. 138, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 90 /2 00 8- 44 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 179 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto os relatórios das Resoluções que converteram os feitos em diligências, os quais, por economia, reservome o direito de não transcrever. Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para que fosse apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, "...isto porque o contribuinte não compensou a multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, contestando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal, em essência, alegando estar amparada pelo art. 138, da Lei n° 5.172/66 (CTN), que excluiria a responsabilidade pela denúncia espontânea, quanto à multa de mora. Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, em razão da não compensação da multa de mora a que o débito estava sujeito, dado que compensado quando já se encontrava vencido. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 180 3 Entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que o art. 138, da Lei n° 5.172/66, exclui a responsabilidade pela denúncia espontânea, mas, quando acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora. Pagamento. Não compensação como é o caso. Aplicase ao caso, o teor do julgamento do REsp 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/1973, determinandose que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; decisão judicial de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 181 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. SÚMULA STJ nº. 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Aplicando o instituto da denuncia espontânea, à caso concreto semelhante, sob o aspecto da existência de compensação, ao invés de pagamento, o voto vencedor da Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, no Acórdão nº 3302002.772, de 13/11/2014, abaixo transcrito, adotadas suas razões de decidir para o presente processo: "Denúncia Espontânea O CTN somente excluiu, em seu art. 138, a responsabilidade tributária em razão de denúncia espontânea quando esta for acompanhada do pagamento do tributo devido com os respectivos juros moratórios. O comando do art. 138, do CTN, visa incentivar a regularização fiscal e o incremento da arrecadação, por meio da concessão de incentivo (qual seja, a exclusão da responsabilidade por infração) pelo pagamento de tributos em atraso espontaneamente denunciados. E como a compensação seja aos moldes pretéritos (em que era objeto de pedido e era passível de eventual Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 182 5 posterior indeferimento), seja aos moldes atuais (em que é declarada e está sujeita, dentro do prazo de 5 anos, a ser fortuitamente não homologada na forma do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96) –, trata de forma precária (não definitiva) da extinção do crédito tributário, não goza do benefício conferido por sobredito art. 138. O entendimento acima se afina com a jurisprudência do STJ a respeito desta questão peculiar, conforme patenteia a ementa do acórdão, recentemente publicado no DJE de 26/08/2010, proferido AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.303.103/RS, no qual foi Relatora a Exma. Sra. Ministra Eliana Calmon: “TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL DENÚNCIA ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL E DOS JUROS DE MORA DEVIDOS NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A configuração da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do principal da dívida acompanhado dos juros de mora devidos antes de qualquer procedimento fiscal, o que não ocorreu na espécie, na qual houve mero pedido de compensação. 2. Agravo regimental não provido.” (g.n.) De se ver que a jurisprudência colacionada pela contribuinte em suas peças de defesa atestam como requisitos para a não incidência de multa moratória em face da denúncia espontânea o atendimento de dois requisitos: a existência de pagamento do tributo com os respectivos juros de mora e a inexistência de procedimento fiscal anterior ao pagamento. A contribuinte não atendeu ao primeiro dos requisitos mencionados. (grifei/sublinhei) No mesmo sentido, o voto condutor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão nº 3101001.631, de 27/03/2014, abaixo transcrito, por unanimidade, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade, nos termos do art. 138 do CTN, no casos de mera compensação: "É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal, desde que mediante PAGAMENTO. Está assim pacificada a jurisprudência no âmbito do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO QUE ENCONTRA ÓBICE NA SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. 1. A revisão da conclusão do acórdão recorrido, no sentido da ausência de direito líquido e certo a ser amparado pelo mandamus, importaria em novo exame do conjunto fáticoprobatório dos autos. Precedentes: AgRg no AREsp 144.012/MA, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15/05/2012; AgRg no AREsp 98.066/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/04/2012; REsp 1206178/DF, Rel. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10980.905790/200844 Acórdão n.º 3401004.327 S3C4T1 Fl. 183 6 Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/11/2011; AgRg no Ag 1378589/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/09/2011. 2. A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 174.514, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1A T, julg. 04/09/2012) Como no presente caso, diferentemente dos demais que foram por mim analisado, a Recorrente realizou a compensação dos débitos liquidados em atraso, conforme se verifica da planilha transcrita no relatório acima, entendo não ser cabível a exclusão da penalidade nos termos do art. 138 do CTN." (grifei) Portanto, no presente caso, inaplicável o instituto da denuncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, e indevida a exclusão da penalidade da multa de mora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.721976/2014-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1301-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 19 76 /2 01 4- 95 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.721976/201495 Acórdão n.º 1301002.778 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório ZENGLEIN & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada para julgar procedente a multa aplicada. Em decorrência de atraso verificado na entrega da DCTF, foi expedida Notificação de Lançamento contra a Interessada, com vistas à cobrança da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Cientificada da exigência, a Interessada apresentou impugnação em pleiteando o cancelamento da multa, sob o argumento de que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. Em julgamento, a 15ª Turma da DRJ/RJ1, considerou improcedente a Impugnação e prolatou o acórdão, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação, e atendose aos seguintes pontos principais: Da medida extrema aplicada, com violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Da desproporcionalidade da multa aplicada; Da redução da multa para R$500,00. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.721976/201495 Acórdão n.º 1301002.778 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.776, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 11065.721975/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.776): A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BDB e intimada ao recolhimento do débito em 12/06/2015, (ciência abertura de documento), e apresentou em 09/07/2015, recurso voluntário e demais documentos. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata de auto de infração e notificação de lançamento de multa por atraso na apresentação de DCTF. A base legal da aplicação desta multa consta do art. 7º da Lei 10.426/02, conforme segue: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Primeiramente, ressaltese que não se discute aqui a entrega em atraso, fato que efetivamente ocorreu. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.721976/201495 Acórdão n.º 1301002.778 S1C3T1 Fl. 5 4 A Recorrente argumenta, tãosomente, que a multa aplicada seria desproporcional e não razoável, o que violaria princípios constitucionais. Ora, verifico que a norma legal acima citada e em pleno vigor foi aplicada corretamente. Houve um atraso na entrega de uma declaração, o descumprimento de uma obrigação acessória, que ensejou a aplicação da multa. O cálculo foi realizado nos moldes legais, contandose os meses de atraso e aplicandose o percentual sobre a base de cálculo que é o montante de tributos e contribuições informados na DCTF. Com relação à aplicação da multa mínima, conforme o próprio nome diz é penalidade a ser dada nos casos em que o resultado da conta acima não alcança os R$500,00, ou seja, nesses casos, o contribuinte que entregar em atraso pagará pelo menos R$500,00, não é o caso do recorrente. O mesmo se aplica na outra ponta, ainda que o atraso se dê em mais de 10 meses, a multa máxima a ser aplicada será de 20%, não podendo ultrapassando este montante. No que tange aos argumentos trazidos relativos à ofensa aos princípios constitucionais de proporcionalidade, razoabilidade e outros, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Dessa forma, de se manter o lançamento efetuado. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003131/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO.
Comprovado o não recolhimento, adota-se o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO.
Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento.
JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso.
Numero da decisão: 3302-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO. Comprovado o não recolhimento, adota-se o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO DECADENCIAL CTN. CABIMENTO. Comprovado o não recolhimento, adotase o prazo previsto no artigo 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 31 /2 00 5- 90 Fl. 673DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do direito de lançar relativo aos fatos geradores ocorridos até 22/12/1999. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira — CPMF, fls. 195/231, que constituiu o crédito tributário total de R$ 634.894,80, somados o principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/10/2005. No Termo de Verificação de Infração CPMF de fls. 226/230, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: A Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em seu art.45 (...), determinou os procedimentos a serem adotados pelas instituições responsáveis pela retenção da (..) (CPMF), em relação aos valores que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada. Em cumprimento ao disposto no inciso IV do art. 45 da MP em referência, as instituições apresentaram (.) as informações necessárias para o lançamento de ofício (vide fls. 09 a 14) (.). Posteriormente, o contribuinte nos apresentou cópias das medidas judiciais relacionadas ao questionamento da cobrança da CPMF, anexas fls. 45 a 154, bem como documentos e demonstrativos de valores pagos através de DARF's (conforme fls. 155 a 177). Conforme explicitaremos adiante, tais DARF's foram recolhidos pelo contribuinte inscrito no CNPJ sob n° 57.029.431/000106 (estabelecimento matriz). De acordo com os valores apresentados no demonstrativo anexo fls. 163/164, o contribuinte reconhece como procedentes as informações enviadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras (fls. 09 a 14) com relação aos valores da CPMF que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada, relativamente ao contribuinte Fl. 674DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 674 3 objeto da presente ação fiscal (estabelecimento filial inscrito no CNPJ sob n°57.029.431/002141). Entendemos que o cerne do procedimento fiscal realizado reside no fato de que, em consonância com a sistemática de apuração da CPMF, o contribuinte da CPMF é o titular da contacorrente mantida junto à instituição financeira, sendo cada estabelecimento considerado um contribuinte distinto. Desta forma, ainda que se tenha realizado recolhimentos através de DARF's (vide demonstrativo elaborado pelo contribuinte anexo fl. 158), com o código de receita 8536 — CPMF —AÇÃO JUDICIAL (ARTS 45/46 MP203721/00), os recolhimentos foram efetuados pelo estabelecimento Inat..) quando o correto seria que os recolhimentos dos valores devidos da CPMF constantes nas fls. 09 a 14 tivessem sido efetuados pelo estabelecimento filial (.). Assim, constatamos que não houve qualquer recolhimento efetuado pelo contribuinte (...), em relação aos valores de CPMF devidos do período de 07/1999 a 12/2001 que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada.(grifei). A autoridade fiscal informa ainda a existência das seguintes ações judiciais: a) Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0296396 que teve a liminar concedida, mas foi julgado improcedente o pedido. A apelação foi recebida apenas no efeito devolutivo, tendo sido interposta medida cautelar n° 2000.03.00.0207145 pleiteando a concessão de efeito suspensivo ao recurso. O pedido foi deferido e posteriormente a cautelar foi julgada prejudicada por perda do objeto diante do Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança. O Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3a Região negou provimento à apelação e, após acolhimento de embargos de declaração, transitou em julgado em 26/08/2002; b) Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0308334 com fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário alusivo aos encargos moratórios de multa e juros equivalentes a taxa SELIC sobre os valores devidos a título da contribuição CPMF no período de 30 de junho de 1999 a 19 de novembro de 2001. Foi concedida liminar em 11/12/2001, estando os autos conclusos para sentença. A União impetrou agravo de instrumento, recebido em 22/03/2002, com despacho/decisão concedendo o efeito suspensivo requerido. Cientificado do lançamento em 21/11/2005, o sujeito passivo apresentou impugnação em 21/12/2005, fls. 234/260, alegando, em síntese: a) da redação do § 3°, do art. 50, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, concluise, sem margem de erro, que a responsabilidade supletiva do contribuinte não poderia ser Fl. 675DF CARF MF 4 simplesmente substituída pela responsabilidade principal das instituições financeiras, devendo qualquer procedimento fiscal, no que se incluem as autuações, voltarse, num primeiro momento, às instituições financeiras, e posteriormente, em caráter supletivo, aos contribuintes, caracterizando a supressão deste procedimento a ilegitimidade passiva do contribuinte e, conseqüentemente, a nulidade da peça impugnatória; b) de acordo com o disposto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, ocorreu a decadência dos créditos correspondentes aos fatos geradores verificados entre julho de 1999 e 20 de novembro de 2000, dado que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 21/11/2005; c) a exigência de ofício no valor principal de R$ 243.886,65 é improcedente diante dos pagamentos feitos pela contribuinte. Conforme comprovado, por ocasião do procedimento fiscal, parte deste valor, ou seja, R$ 204.295,18, foi recolhido pelo contribuinte aos 28/12/2001, mediante DARF de valor maior, ou seja, R$ 2.243.810,34 (doc 5). Outra parte deste valor, de R$ 39.420,93, foi recolhido através do DARF, de igual valor, aos 31/01/2002 (doc. 6), remanescendo, em relação ao valor total acima mencionado, pequena diferença a pagar, no valor de R$ 170,54. Cumpre salientar que o darf no valor de R$ 2.243.810,34 englobou não só os valores devidos pela filial Divisão CMT, ora autuada (CNPJ 57.029.431/002141 como também • de sua matriz (CNPJ 57.029.431/000106 — R$ 1.899.206,45) e de outra filialDivisão ACTA (CNPJ 57.029.431/000289 — R$ 140.308,41) conforme fazem prova a planilha e DARFs anexos (docs 7/8). Da mesma forma, o darf no valor de R$ 39.420,93, devido pela autuada, foi recolhido pelo CNPJ da matriz (..). Reconhece o agente autuante, tendo constado expressamente do auto de infração (..), que o contribuinte comprovou o recolhimento da exação reclamada, para o CNPJ da filial ora autuada, contudo o fez através dos DARFs que comprovam recolhimentos efetuados de forma unificada pelo estabelecimento matriz (.). Ocorre que referidos esclarecimentos foram desconsiderados pela fiscalização, ao argumento de que estes recolhimentos deveriam ter sido efetuados pelo CNPJ do titular da conta corrente (..). A planilha anexa (doc 9), elaborada com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal, evidencia que a empresa matriz (.) deveria ter recolhido a título de CPMF a importância de R$ 2.169.577,28. Referido demonstrativo e respectivas guias darfs evidenciam que o contribuintematriz recolheu valor superior ao devido, ou seja, R$ 2.183.843,42, tendo este recolhimento sido efetuado da seguinte forma: (i) R$ 1.899.206,45, através do DARF de maior valor (R$ 2.243.810,34 does 5 e 7) e R$ 284.636,97, por meio das DARFs ora anexadas (docs. 10/20). Portanto, se considerarmos que todos os recolhimentos feitos pelo CNPJ da matriz a ela pertencem com exclusividade, teríamos que considerar então que a matriz recolheu a título de CPMF o valor correspondente à somatória dos valores representados pelos DARFs ora anexados (R$ 2.342.672,50doc 5 e R$ 284.636,97 docs 10/20), que totalizam a importância de R$ 2.627.329,50, valor este superior ao devido por referido CNPJ — R$ 2.183.843,42. Ora, se assim fosse (.),teria o contribuinte o Fl. 676DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 675 5 direito de compensar esse pagamento feito a maior, face ao imaginário débito dos estabelecimentos filiais (.), o que por igual, importaria na extinção do crédito tributário impingido ao contribuinte. Portanto (...), em que pese a acusação fiscal, inexiste fundamento legal que justifique a cobrança em duplicidade da exação validamente recolhida pelo contribuinte, de maneira unificada, pelo CNPJ da matriz (..), quando as próprias guias DARFs fizeram referência à origem das contas correntes que originaram os recolhimentos; d) inexiste, de outro lado, dispositivo legal que obrigue o contribuinte a efetuar os recolhimentos da CPMF por CNPJs distintos, até porque, para fins de CPMF, a pessoa jurídica é uma, não vigorando para este tipo de exação, o princípio da autonomia dos estabelecimentos (..). Contudo (..),optou o contribuinte por promover a retificação dos referidos DARFs, mediante pedidos de REDARFs (docs. 21/26), separando e retificando os recolhimentos efetuados em relação ao CNPJ da matriz para cada filial (..), requerendo a impugnante o acolhimento da presente impugnação para declarar extintos os créditos tributários (..); e) como relatado, a exigibilidade da contribuição estava suspensa no período de 30 de junho de 1999 a 19 de novembro de 2001 por força de Mandado de Segurança e, posteriormente, de medida cautelar Em outra ação obteve a suspensão da exigibilidade dos encargos moratórios de multa e juros sobre os valores que tiveram sua exigibilidade suspensa. Embora referido despacho liminar tenha sido objeto de recurso de agravo de instrumento por parte da União Federal, como alega o sr. Auditor fiscal, cumpre evidenciar que a decisão que suspendeu a liminar deferida ao contribuinte encontrase em vigor, porque em face do despacho que concedeu o efeito suspensivo no TRF, foram apresentados embargos declaratórios interpostos pelo contribuinte (doc. 27), que ainda se encontram pendentes de julgamento, não tendo se aperfeiçoado desta forma a prestação jurisdicional (doc. 28). Assim, houve suspensão da exigibilidade, fazendose indevida a cobrança do principal e dos encargos moratórios. O art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina a lavratura do auto sem multa de ofício nos casos em que for suspensa a exigibilidade do tributo. Dados os provimentos judiciais obtidos em seu favor, não se implementou a mora, pelo que não há que se falar em cobrança de encargos moratórios; f) demais disso, é notório que, no presente caso, verificouse a denúncia espontânea do tributo: o mesmo foi recolhido pelo contribuinte, sem qualquer prévia ação fiscal de cobrança; g) outro aspecto a considerar reside no fato de que, diante do incontestável pagamento dos valores principais, ainda que devida fosse a aplicação de qualquer multa isolada (..), não deveria ela ser mensurada sobre o valor originário da obrigação Fl. 677DF CARF MF 6 tributária principal, que foi devidamente recolhido (..) e sim, apenas, sobre as supostas diferenças correspondentes à multa moratória. O lançamento sobre o total devido representa afronta ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e ao princípio da isonomia; h) os valores devidos a título de CPMF foram informados pelas instituições financeiras e ratificadas pela contribuinte, não exigindo qualquer trabalho de ofício para sua apuração, o que torna descabida qualquer multa de ofício; i) por conta da inexistência da mora, pela suspensão de sua exigibilidade por decisão judicial e pela sua ilegalidade e inconstitucionalidade, é inaplicável de juros moratórios calculados pela Taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 21/07/1999 a 12/12/2001 CPMF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. TITULAR DE CONTACORRENTE. O contribuinte da CPMF é o titular de contacorrente bancária, não se cogitando, na espécie, da existência de estabelecimento matriz ou filial. CPMF. PAGAMENTO. BENEFICIÁRIO. RETIFICAÇÃO. O pagamento de tributos e contribuições somente aproveita ao responsável identificado no documento de arrecadação. A retificação de recolhimento somente se efetiva com o atendimento dos requisitos fixados na legislação tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 676 7 Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 30/06/2008, conforme AR de fl. 551, apresenta em 29/07/2008, fl. 4, vol. 3, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os argumentos já colacionados em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Existindo discussão judicial quanto ao mérito, a lide administrativa prendese às seguintes questões. Da decadência Quanto à decadência, de fato é de se reconhecer a mudança jurisprudencial invocada pela recorrente, visto que esta é superveniente à decisão de piso, nesse sentido, ao dispor a Súmula Vinculante STF nº 8, que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, adotase o prazo decadencial e prescricional disposto no Código Tributário Nacional CTN. No caso concreto, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 21/11/2005, fl.369, inexistindo pagamento, conforme relatado e em se tratando de fatos geradores ocorridos de julho de 1999 a dezembro de 2001, aplicase o disposto no 1artigo 173, I, do CTN, para reconhecer a decadência dos fatos ocorridos até 22/12/1999, fl.346. Quanto à ilegitimidade passiva arguida, importa ressaltar as quanto à responsabilidade tributária, dispostas no artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.(grifei) 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 679DF CARF MF 8 Em consonância com as referidas prescrições, dispôs a Lei n°9.311, de 1996: Art. 5o É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: 1 às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2º; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2o; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2o. § 1º A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7o sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2a Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento.(grifei). Constatase portanto, das disposições do § 3º acima transcrito que o lançamento da CPMF, na falta de retenção desta pela Instituição Financeira pode ser efetuado em nome do contribuinte, visto que a lei atribuilhe a responsabilidade supletiva. Assim, não há que se cogitar de ilegitimidade passiva uma vez que o lançamento foi efetuado conforme as disposições legais pertinentes acima destacadas. No que tange à contribuição devida e a recolhida pela matriz, existem também inconsistências. Nas declarações prestadas pelas instituições financeiras em que o estabelecimento matriz manteve contascorrentes no período, fls. 167/175, o total da contribuição devida alcança R$ 2.100.701,11. Já as informações sobre a contribuição devida e os recolhimentos feitos apresentadas junto com a impugnação, sintetizadas no demonstrativo de fls. 322/323, apontam um débito de R$ 2.169.577,28 e pagamentos da ordem de R$ 2.183.843,42. Não obstante, os DARF que constam do processo somam pagamentos de principal no montante de R$ 2.627.309,69, conforme resumido pela própria contribuinte à fl.158. Da multa de ofício Quanto à alegada espontaneidade e impossibilidade de imposição de multa de ofício, trago os excertos da bem fundamentada decisão de piso, a respeito da matéria: Noutra vertente, apesar de a impugnante arrolar entre uma das evidências da correção de seus argumentos o registro, nos Fl. 680DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 677 9 documentos de arrecadação, das contascorrentes a que se referem os pagamentos, não há indicação de qual contacorrente seria de titularidade da filial, de forma a permitir a verificação do argumento. Ainda sob esse aspecto, é interessante notar que na inicial da ação judicial que proporcionou a suspensão da exigibilidade do tributo, fls. 45/60, não figuram como impetrantes as filiais, mas apenas a matriz. Da mesma forma, as contas bancárias identificadas como abrangidas pela ação não apresentam discriminação acerca da titularidade. Nesse contexto, o conjunto dos documentos que compõem os autos não permite estabelecer uma relação direta e segura entre os valores devidos pelos contribuintes individuais, discriminados nos informativos em função da titularidade das contascorrentes, e os pagamentos efetuados todos em nome de um só, a matriz. E o acatamento do argumento da impugnação depende dessa relação. Na forma como posta, a matéria a ser tratada é, antes de tudo, uma questão de caráter probatório, pelo que é imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de "onus probandi" não significa, propriamente, a obrigação no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose, antes, de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. (...) Como visto, os documentos carreados pela autuada aos autos não conseguiram atingir seu intento de comprovar a extinção do crédito que lhe é exigido de ofício. Com efeito, não existem pagamentos que possam ser atribuídos à autuada na sua qualidade de sujeito passivo da contribuição e a retificação das informações pretendida pela defesa não foi eficazmente implementada. Assim, constatada a falta de recolhimento do tributo devido, correta a constituição de ofício do crédito tributário e a aplicação da multa correspondente, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. O apelo que faz a contribuinte ao art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, é improcedente. Com efeito, a vedação da imposição da multa de ofício nos casos em que o tributo estiver com sua exigibilidade suspensa somente se aplica se esta situação se verificar quando do início da ação fiscal e assim persistir até a lavratura do Auto. No caso, como \ relatado, a ação judicial que discutiu a exigibilidade da CPMF transitou em julgado em 26/08/2002, com resultado desfavorável ao contribuinte e em data anterior ao início da ação fiscal. Sendo assim, o disposto no citado dispositivo não tem o condão de comprometer o Auto de Infração sob exame. Ainda no capítulo da imposição da multa de ofício, a impossibilidade de se estabelecer uma conexão entre os pagamentos e a autuada impede que se considere seu procedimento como espontâneo. Por fim, a natureza do Fl. 681DF CARF MF 10 lançamento de ofício não está relacionada com o tipo ou a extensão do trabalho de auditoria realizado pela autoridade fiscal, mas à constatação por essa mesma autoridade da ocorrência de qualquer uma das situações previstas no art. 149 do Código Tributário Nacional. No caso, a constatação da falta de recolhimento do tributo devido pela autoridade fiscal dá ao lançamento seu caráter de ofício.(grifei). Assim, a falta de pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1 , da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Dos juros de mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. Notese que o calículo dos juros de mora, para cada período, estão explicitados nos demonstrativos, integrantes do auto de infração, bem como a respectiva base legal, art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 682DF CARF MF Processo nº 19515.003131/200590 Acórdão n.º 3302005.211 S3C3T2 Fl. 678 11 §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998)(grifei). Conforme autorizado pelo referido § 3º os juros de mora deverão ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Quanto à arguição de inconstitucionalidade, é vedado ao julgador administrativo a análise dessa matéria, com matiz constitucional, por força do artigo 62 do RICARF, bem como em face da Súmula CARF nº 2, aplicada no tocante a essa matéria como razão de decidir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, de sorte que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz nascer a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, que é a formalização do crédito como requisito prévio e necessário para a cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do C.T.N. Ante o exposto, VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, PARA RECONHECER A DECADÊNCIA DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ 22/12/1999 E REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 683DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.003636/2006-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/11/2004, 02/12/2004, 07/12/2004, 13/12/2004, 16/12/2004, 17/12/2004, 23/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE.
A falta de motivação do lançamento implica preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa traduzem a necessidade de se dar conhecimento da acusação fiscal em toda a sua plenitude. O vício assim ocorrido tem natureza material, não formal.
Numero da decisão: 9303-006.496
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceu do recurso e que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oleiveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 162 1 161 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10711.003636/200644 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.496 – 3ª Turma Sessão de 14 de março de 2018 Matéria MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/11/2004, 02/12/2004, 07/12/2004, 13/12/2004, 16/12/2004, 17/12/2004, 23/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. A falta de motivação do lançamento implica preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa traduzem a necessidade de se dar conhecimento da acusação fiscal em toda a sua plenitude. O vício assim ocorrido tem natureza material, não formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceu do recurso e que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 36 36 /2 00 6- 44 Fl. 162DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oleiveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 310200.791, de 27/10/2007, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/11/2004, 02/12/2004, 07/12/2004, 13/12/2004, 16/12/2004, 17/12/2004, 23/12/2004 É ilegítimo para figurar no pólo passivo o agente marítimo, que não se confunde com o transportador ou agente de carga, responsáveis pelo cumprimento da obrigação e, se for o caso, responder pela multa de que trata a alínea "e" do inciso VI do artigo 107 do Decretolei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido. Irresignada, a PFN se insurgiu contra: a) a natureza formal do vício na descrição da conduta infratora; e b) a responsabilidade do agente marítimo pela infração. Alega contrariedade a lei e divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 230200.386 e 240100.018 (primeiro tema) e 3802000.570 (segundo tema). O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 122/125. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 132/157). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Segundo o acórdão recorrido, houve vício de motivação no auto de infração, o qual levou a contribuinte a defenderse de um fato que não foi o que motivou o lançamento. Confirase: Não havendo mais nada na descrição dos fatos que possa oferecer melhores esclarecimentos ao administrado, não tenho qualquer dúvida de que restaram mal compreendidas as informações sobre veiculo ou carga que deixaram de ser informadas no prazo determinado, situação modificada na decisão de primeira instância, quando a infração cometida e a legislação correspondente foram adequadamente explicitadas e descritas; contudo, não há como admitir que tal providência seja Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10711.003636/200644 Acórdão n.º 9303006.496 CSRFT3 Fl. 163 3 adotada em outro momento que não o da autuação, quando é dado conhecimento ao administrado sobre a exigência que lhe está sendo imposta e no qual devese, necessariamente, oferecer amplo e inequívoco conhecimento sobre as razões da autuação. (g.n.) Nesse contexto, entendeu o voto vencedor que o vício que maculou o lançamento tinha a natureza material, em dissonância com o vencido, que lhe atribuiu natureza formal, tal como o Acórdão paradigma de nº 230200.386, que, em condições semelhantes, assim se posicionou: “A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n ° 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235. Processo Anulado.” (g.n.) Todavia, a despeito de conhecido, entendemos correto o entendimento plasmado no voto vencedor. Afinal, é dever da fiscalização comprovar o ilícito tributário, descrevendo a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinando a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido, identificando o sujeito passivo e, sendo caso, propondo a aplicação da penalidade cabível, conforme preconiza o art. 142 do CTN. No caso em exame, conforme debatido no acórdão recorrido, a descrição insuficiente dos fatos não permitiu à contribuinte conhecer a acusação em toda a sua plenitude. Tratase de vício de motivação do lançamento, que, no nosso entender, acarreta a sua nulidade por vício material. Isso porque “A ‘motivação’ está relacionada com a descrição dos pressupostos de fato (“motivo”). O Fisco deve demonstrar (e provar!) que a situação fática enquadrouse perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal) que serve de fundamento ao ato administrativo. Em outras palavras, devese demonstrar que houve a subsunção do fato à norma, que o evento do mundo fenomênico, relatado na linguagem competente – fato jurídico, enquadrase na situação na hipótese de incidência tributária (antecedente da norma), dando ensejo ao fato jurídicotributário (consequente da norma)” (Acórdão nº Fl. 164DF CARF MF 4 3202000.633, de 31/01/2013, rel. Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri). Em situações semelhantes, também assim tem entendido este Colegiado Administrativo. Exemplificativamente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/12/2006 a 31/01/2007, 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/06/2007 a 30/06/2007, 01/08/2007 a 30/09/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007 FALTA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de motivação do lançamento implica preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa traduzem a necessidade de se dar conhecimento da acusação fiscal em toda a sua plenitude. Recurso de ofício negado. (Acórdão nº 3201002.041, de 23/02/2016) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. O lançamento, sendo ato administrativo que afeta direitos ou interesses por excelência, não prescinde de motivo nem, por expressa previsão legal (art. 50 da Lei 9.784/99), de motivação. Se o auto de infração não indica circunstâncias de fato que justificam a glosa da despesa, não pode o lançamento ser completado posteriormente, eis que teria nascido sem um dos seus elementos essenciais. (Acórdão nº 1401002.027, de 15/08/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA OU ERRO NA MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Sendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal da autuação elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento ensejam a sua nulidade por vício material, uma vez que o mesmo não poderá ser convalidado ou sanado sem ocorrer um novo ato de lançamento. Por isso, a falta de motivação ou motivação errônea do lançamento alcança a própria substância do crédito Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10711.003636/200644 Acórdão n.º 9303006.496 CSRFT3 Fl. 164 5 tributário, de natureza material, não havendo de se cogitar em vício de ordem formal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9303 005.459, de 26/07/2017) A apontada segunda divergência – a responsabilidade do agente marítimo pela infração – é de apreciação absolutamente desnecessária, frente ao entendimento, aqui adotado, de que a nulidade que viciou o ato administrativo do lançamento tem natureza substancial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF 6 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Em que pesem a clareza e a objetividade do voto do Sr. Conselheiro Relator, com todas as vênias, dele discordo, por não compartilhar de suas premissas. Assim, apresento, a seguir, meu entendimento sobre o caso. Com efeito, tratase aqui de lançamento de multa regulamentar (fl. 5) no período de 25/11/2004 a 13/12/2004, por "NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR". Especificamente, é afirmado que o "Agente de carga deixou de prestar informação sobre veículo ou carga transportada. ou sobre operações que executou, na forma e prazo estabelecidos pela SRF". Como enquadramento legal, são referidos os seguintes dispositivos normativos: Art. 15, 30 e 40 do Decreto 4.543/02; Art. 41 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 28 de 27 de abril de 1994; Artigos 37 parágrafo único e 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. O sujeito passivo, demonstrando entendimento da infração, impugnou o lançamento, alegando ter entregue os documentos, conforme a seguir reproduzido: Wilson Sons Agência Marítima Ltda, situada à Av. Rio Branco nr. 25 20º andar, centro, Rio de Janeiro, vem através de seu representante, em resposta a Intimação 256/2006, auto de infração 124/06,IMPUGNAR o auto de infração em epigrafe, tendo em vista que os manifestos foram entregues. (grifos na transcrição) Em sede de impugnação, o sujeito passivo alegou que: registrou no Siscomex todos os embarques, em até 07 dias; entregou cópias dos manifestos à Receita Federal, antes de intimação; e não havia garantia de protocolo assinado na data da entrega do documento. A decisão de primeira instância, em voto de apenas duas laudas, inicialmente confirmou a infração lançada e esclareceu o que segue. (a) Com base na descrição da infração e na legislação referenciada como base legal, especificamente o citado art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, teria efetivamente ocorrido falta de informação, pela empresa de transporte ou pelo agente de carga, sobre o veículo ou carga nele transportada, no prazo determinado normativamente. (b) A informação exigida consistiria especificamente de: (a) uma cópia do Manifesto de Carga e (b) uma via não negociável de cada um dos respectivos Conhecimentos de Carga, bem como o respectivo prazo para sua entrega seria 72 horas da saída do País do veículo transportador. Tudo isso nos termos do também citado art. 41 da Instrução Normativa SRF n° 28/94. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10711.003636/200644 Acórdão n.º 9303006.496 CSRFT3 Fl. 165 7 Reparase aqui que não houve qualquer inovação na acusação, por parte da decisão de primeira instância. Em seguida, essa decisão de primeira instância afastou as alegações da impugnação, pelos seguintes motivos: a aposição de informações no Siscomex não se confunde com a obrigação de entregar, no prazo e forma determinados, a cópia do manifesto de carga e respectivos conhecimentos de transporte; não há prova de que as provas acostadas aos autos teriam sido protocolados em data posterior à sua efetiva entrega. Pois bem, cientificado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, inovando quanto ao alegado na impugnação e afirmando que a infração teria sido tão somente a falta de registro de dados, no SISCOMEX, relativos a embarque dos despachos de exportação por ela realizados. A decisão de segunda instância, por sua vez, deu provimento ao Recurso Voluntário, por dois fundamentos: (a) considerando que o sujeito passivo havia entendido que a infração seria outra, qual seja, a falta de registro de informações no SISCOMEX, visualizou defeito na descrição dos fatos, que induzindo o sujeito passivo a erro, caracterizaria vício material no lançamento; e (b) considerando que o agente marítimo não se confunde com o transportador ou agente de carga, identificou erro na eleição do sujeito passivo. Nessa situação, caberia à Fazenda Nacional comprovar dissídio jurisprudencial. Ora, para tal, seria necessário trazer aos autos cumulativamente: I uma decisão paradigmática em que, para um lançamento equivalente (ou seja, da mesma infração e com descrição semelhante), um outro colegiado tivesse (a) considerado o lançamento válido ou (b) considerando o vício de natureza formal; e II uma decisão paradigmática em que, para a mesma infração, um outro colegiado tivesse considerado o agente marítimo como sujeito passivo. Ocorre que não foi esse o caso dos autos. Com efeito, com relação à natureza do vício, a Fazenda Nacional, trouxe, como decisões paradigmáticas, dois acórdãos que não guardam qualquer semelhança com o recorrido, vejamos: (a) o acórdão 2302000386 discute os elementos necessários à descrição da infração por falta de retenção de contribuições previdenciárias, no percentual 11% do valor de serviço prestado, no caso de caracterização de cessão de mão de obra, vislumbrando, naquele caso, vício formal; e (b) o acórdão 240100018 também discute os elementos necessários à descrição da infração por falta de retenção de contribuições previdenciárias, no percentual 11% Fl. 168DF CARF MF 8 do valor de serviço prestado, no caso de caracterização de cessão de mão de obra, vislumbrando, naquele caso, vício formal. Reparase facilmente que não há como se afirmar que quaisquer dos colegiados paradigmáticos decidiriam o caso do acórdão recorrido de forma diferente, pois a situação fática era diferente, as infrações eram diversas e os requisitos de sua descrição também. Esse é o entendimento pacífico da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica da leitura do acórdão 9202005.364, cuja ementa e dispositivo encontram se a seguir reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Para fins de esclarecimento, cumpre reproduzir alguns excertos do voto condutor: No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela declaração de vício formal. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício verificado em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, tratase da NFLD nº 37.008.1234, por meio da qual se exige contribuições previdenciárias parte da empresa, empregados, destinadas ao financiamento do GILRAT e as destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Consta do relatório fiscal que o lançamento foi efetuado por meio da aferição indireta da base de cálculo das contribuições, conforme a seguinte justificativa (fls. 61): ... Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10711.003636/200644 Acórdão n.º 9303006.496 CSRFT3 Fl. 166 9 De plano, constatase a ausência de similitude fática entre os julgados em confronto, já que esse paradigma trata de descrição imprecisa dos fatos, por falta de motivação, o que não ocorreu no caso do recorrido. Com efeito, repitase que, neste, os fatos foram precisamente descritos, bem como foi fornecida a respectiva capitulação legal, sendo que o vício apontado foi que a justificativa para a autuação falta de apresentação dos livros diários não se aplicava ao autuado, que não estava obrigado a escriturálos. Pelos motivos, acima não conheço do recurso quanto a essa matéria. Consequentemente, não conheço do recurso quanto a ambas as matérias por não aproveitar ao recorrente o conhecimento e eventual provimento apenas da segunda matéria. Vencido quanto ao conhecimento, divirjo do relator também quanto ao mérito. No caso, sequer haveria vício no lançamento, posto que o sujeito passivo, em sua impugnação aparentemente entendeu a infração. Contudo, se vício há, certamente seria de natureza formal. Tanto é assim que a decisão de primeira instância esclareceu o lançamento, apenas apresentando o conteúdo da legislação citada no auto de infração e confirmando a resumida descrição da infração. Ora, isso é forma maneira pela qual algo é apresentado. O vício material, no entender deste conselheiro, se confunde com a insubsistência do lançamento. De uma forma muito simples, há vício material (ou seja, há lançamento improcedente) quando (a) não houve acusação nenhuma ou (b) não ocorreu a situação objeto da acusação. Como nenhuma dessas duas possibilidades ocorreu no caso em questão, o vício é de natureza formal. Por fim, quanto à sujeição passiva do agente marítimo, adoto as razões do acórdão paradigma 3802000.570, para reconhecer a sujeição passiva e afastar o entendimento de erro na eleição do sujeito passivo, nos termos a seguir: a recorrente manifesta que a questão da obrigatoriedade de representação do transportador não implicaria a responsabilidade ao agente de navegação, mas sim ao transportador, conforme reza o §2º do art. 37 da IN 28, de 1994. Manifesta assim a recorrente a questão da ilegitimidade passiva. No entanto, vêse que, tal questão foi clarificada pela IN 800, de 2007, que dispôs que o termo “representante” do transportador quando se refere a infração pela não observância do registro em tempo hábil, conforme determina a norma a que se refere – bem como a própria norma – qual seja, §2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 800 faz referência a obrigatoriedade da representação do transportador pelo agente de navegação. Bem como, ainda que fosse apenas a representante, no Pais, do transportador estrangeiro, também seria responsabilizada solidariamente pelo imposto devido por força do inciso II do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei n.°37, de 1966, com redação dada pela Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001. Da mesma forma, a responsabilidade de quem representa o transportador, desincumbindose do cumprimento das obrigações acessórias que lhe são próprias, é expressa nos termos do inciso I do art. 95 do mesmo diploma legal, já que Fl. 170DF CARF MF 10 respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e reformar a decisão recorrida, para restabelecer o lançamento em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.007317/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0317.760 (fls. 32383284), proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSA, que, por unanimidade de votos, julgou procedentes em parte os lançamentos efetuados de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e COFINS (autos de infração às fls. 340400), e de lançamento de IRRF (auto de infração às fls 619716), referentes ao anocalendário 2000, com crédito tributário total de R$ 63.488.635,84. Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada, foi proferido o Acórdão DRJ, com o seguinte ementário: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 07 31 7/ 20 05 -8 7 Fl. 7632DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.631 2 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. O sujeito passivo não logrou comprovar a origem dos recursos debitados na conta Caixa e a sua efetiva entrega. MULTA QUALIFICADA. Não foi comprovado pela autoridade fiscal o intuito de fraude. Qualificação indevida. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO ESTIMADO. Mantida parcialmente a omissão de receitas que gerou a diferença de imposto estimado mensalmente, é devida a multa isolada sobre o imposto não recolhido. CSLL/PIS/COFINS. Seguem a sorte do lançamento de 1RPJ, por serem reflexos, ou seja, decorrerem da mesma matéria tributável e mesmos elementos probatórios. GLOSA DE DESPESAS E CUSTOS. 0 sujeito passivo não logrou comprovar a efetividade das despesas realizadas, beneficiandose de notas fiscais emitidas por empresas com atividades encerradas e notas fiscais declaradas inidôneas. MULTA QUALIFICADA. Devida a qualificação , haja vista demonstrado o intuito de fraude pela utilização de notas inidôneas. DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. As contribuições, aplicase o art. 45 da Lei no. 8.212/91. Ausência de decadência. MULTA AGRAVADA. Restou comprovado que o sujeito passivo não atendeu intencionalmente às intimações. Agravamento devido. INCONSTITUCIONALIDADES. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Lançamento procedente em parte Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2000 Ementa: PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O sujeito passivo logrou comprovar apenas parcialmente o beneficiário dos pagamentos efetuados e as operações que deram causa aos lançamentos contábeis referentes a transferências de numerários, repasses e pagamentos de mútuo. MULTA QUALIFICADA. Não foi comprovado pela autoridade fiscal o intuito de fraude. Qualificação indevida. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O sujeito passivo não logrou comprovar a operação que deu causa aos pagamentos registrados a titulo de despesas e custos em sua contabilidade, beneficiandose de notas fiscais emitidas por Fl. 7633DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.632 3 empresas com atividades encerradas e notas fiscais declaradas inidôneas. MULTA QUALIFICADA. Devida a qualificação, haja vista demonstrado o intuito de fraude pela utilização de notas inidôneas. DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. Ausência de decadência. MULTA AGRAVADA. Restou comprovado que o sujeito passivo não atendeu intencionalmente As intimações. Agravamento devido. INCONSTITUCIONALIDADES. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte Devidamente intimado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 33063355, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos e documentos, protocolizando, em seguida, petição denominada de "complementação de recurso voluntário" (fls. 60506067), onde apresenta argumentos adicionais e novos documentos. Consta nos autos que, após a interposição do recurso voluntário, o contribuinte, através da petição de fls. 62826283, postulou a juntada de laudo pericial produzido em processo judicial, sendo, na seqüência, intimada a Fazenda Nacional para se manifestar, tendo esta, na petição de fls. 62866290, requerido a desconsideração do referido laudo, por preclusão. Sendo os autos incluídos na pauta de julgamento da sessão de 29 de janeiro de 2010, os membros do colegiado da 1ª Câmara, da 3ª Turma Ordinária, desta Seção de Julgamento, através do Acórdão 110300.127 (fls. 62946318), entenderam negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Este Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ANUAL. Optando o contribuinte pelo regime de apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador de ambas as exações somente ocorre quando do encerramento do exercício (31 de dezembro), momento em que se apuram as receitas e despesas obtidas e incorridas durante todo o ano que, uma vez cotejadas, permitem a definição do lucro elemento material das respectivas hipóteses de incidência. Não se cogita de decadência em relação ao exercício de 2000 encerrado em Fl. 7634DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.633 4 31/12/2000 quando do lançamento foi notificado o contribuinte em 09/12/2005. DECADÊNCIA. PIS. COFINS. Afastada a aplicação da regra do art. 45 da Lei n°. 8.212/91 pela Súmula Vinculante n". 08, regese a decadência das contribuições do PIS e da COFINS pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 09 de dezembro de 2000. DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. ART. 61 DA LEI N°. 8.981/95. DOLO E FRAUDE NÃO RECONHECIDAS. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4°, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Não comprovado dolo ou fraude do contribuinte e tratandose de tributo sujeito ao regime de lançamento homologação o prazo decadencial inicia com a ocorrência do fato gerador. Precedentes deste Conselho. Reconhecida a decadência dos fatos geradores ocorridos em momento anterior a 09 de dezembro de 2000. MULTA AGRAVADA. RESISTÊNCIA AO CUMPRIMENTO DAS INTIMAÇÕES FISCAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO. EXCLUSÃO DO AGRAVAMENTO. A jurisprudência deste Conselho censura o agravamento da multa de oficio com esteio no art. 44, § 2°, da Lei n°. 9.430/96, quando o contribuinte atende, ainda que de forma insuficiente, As intimações fiscais, frisando que o agravamento da penalidade deve estar vinculado A falta de atendimento das intimações. GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. NOTAS FISCAIS DECLARADAS INIDÔNEAS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. ILEGITIMIDADE DA GLOSA. A comprovação, através de perícia judicial, do efetivo ingresso das mercadorias e do pagamento dos valores expressos nas notas fiscais desautoriza a glosa de custos. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. PROVAS DE PAGAMENTO DO IRRF. DECLARAÇÃO NA DIRF. Diante da indicação da natureza da operação, do histórico de pagamentos, da informação dos valores das comissões e dos recolhimentos do IRRF na Dirf do ano 2000, e, levandose em conta da dedutibilidade da despesa (representação comercial), posto necessária A. atividade do sujeito passivo, indevida a glosa efetuada e, consequentemente, injustificável o lançamento por omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Havendo prova nos autos de que os suprimentos de caixa apontados pela autoridade lançadora foram realizados com recursos do próprio contribuinte, diante da identidade de valores entre os lançamentos Fl. 7635DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.634 5 contábeis e as saídas de numerário de contas corrente da sua titularidade, e, assim, comprovada a origem dos recursos, assim como tratarse de mera transferência de conta bancária para a conta caixa, a situação não se amolda A. regra estampada no art. 282 do RIR/99. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. PENALIDADE APLICADA CONCOMITANTEMENTE Á MULTA DE OFÍCIO. "A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art.44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre urna mesma base de cálculo". Precedentes deste Conselho. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A análise do mérito dos lançamentos pertinentes à glosa de despesas e falta de comprovação de lançamentos contábeis atinentes a manutenção da Fundação Nestore Scodro, transferência de numerários e pagamentos de contratos de mútuo, fica_prejudicada em face do reconhecimento da decadência do direito de lançar, visto que todos os fatos geradores apontados pela autoridade lançadora ocorreram antes de 09 de dezembro de 2000. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. LANÇAMENTO DECORRENTE DA GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Existindo nos autos comprovação, através de perícia judicial, de que os pagamentos registrados no Livro Caixa se destinaram à quitação de obrigações decorrentes de aquisição de mercadorias, estando identificadas as operações e os destinatários dos recursos, inaplicável a regra do art. 61 da Lei n°. 8.981/95. Recurso voluntário parcialmente provido. Recurso de oficio improvido. Entre outras causas que implicaram o provimento parcial do recurso voluntário, foi reconhecida a decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 08/12/2000 (alcançando os tributos IRRF, PIS e COFINS), desagravada a multa de ofício, reduzindoa de 112,5% para 75% e excluída a multa isolada por falta de pagamento sobre a base de cálculo mensal estimada. Intimada, a Procuradora da Fazenda nacional ingressou com Recurso Especial em relação às três matérias acima referidas, alegando divergência de interpretação abraçada por outros colegiados. O Presidente da Câmara deu seguimento ao recurso relativo à decadência e à multa isolada, e negou seguimento relativo ao desagravamento da multa, o que restou confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 7636DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.635 6 Incluído em pauta de julgamento, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9101001.912, deu provimento parcial ao recurso da PGFN para afastar a decadência do IRRF e determinou o retorno do autos à Câmara a quo para apreciação do mérito, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase na data da ocorrência do fato gerador. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE. Conforme jurisprudência pacífica desta 1ª Turma da CSRF, é incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigido pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita. Em cumprimento ao determinado na decisão da 1ª Turma da CSRF, os presentes autos foram encaminhados para a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, para prosseguimento do julgamento, porém, no decorrer da sessão realizada em 04 de fevereiro de 2015, o colegiado entendeu retirar o processo de pauta, para fins de encaminhálo para a Unidade Preparadora (DRF/Goiânia), para que o contribuinte fosse intimado do Acórdão nº 9101001.912, da CSRF. Após intimado, o sujeito passivo opôs embargos de declaração e, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da 1ª Turma da CSRF declarou a improcedência das alegações suscitadas, não admitindo os referidos embargos. Na seqüência, através da petição de fls. 73627371 e fls. 76237624, a recorrente faz juntada de novos documentos, microfilme de cheques, extratos das contas de origem e destino de numerários, entre outros, alegando que grande parte deles já se encontravam nos autos, requerendo sua aceitação, nos termos da hipótese prevista na alínea "a", do §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/1972, e do princípio da verdade material. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Fl. 7637DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.636 7 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Conforme relatado, os lançamentos que ainda se encontram em discussão diz respeito ao IRRF decorrentes de supostas transferência de numerários, relativamente ao período de janeiro a 8 de dezembro de 2000. Em seu recurso, o contribuinte reforça sua alegação de que não procede a acusação fiscal de pagamentos para beneficiários não identificados, aduzindo que se trata de simples transferência de numerários entre contascorrentes de sua titularidade e que a fiscalização teve oportunidade de analisar seu Livro Razão, que registra de forma adequada banco, agência e conta do qual os recursos foram debitados e creditados. Para comprovar suas alegações, a recorrente elabora tabela e faz anexar ao recurso cópias do Livro Razão, além de cópias de extratos bancários e demais documentos que no seu entendimento comprova o que sustenta, pugnando pelo imediato e cabal cancelamento da exigência fiscal. No que tange aos demais pagamentos efetuados no anocalendário de 2000, classificados pela fiscalização como pagamentos a beneficiários não identificados, aduz que se tratam de pagamentos de empréstimos tomados com empresas que fazem parte do seu mesmo grupo, e repasses feitos para manutenção da Fundação Nestore Scodro, juntando documentos que, em sua ótica, comprovam suas alegações. Em petições posteriores, com o escopo de reforçar suas alegações, a recorrente traz mais provas que especifica. Ocorre que estes documentos não foram analisados pela decisão recorrida. A despeito da possibilidade de juntada de novos documentos, destacase a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação e preclusão do direito de fazêlo em outro momento processual. No caso, penso ser possível a análise dos novos documentos juntados pela recorrente, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Por outro lado, ainda que não se aceite a aplicação da regra estatuída no inciso "c", do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 ao caso presente, entendo que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa. Aceitandoas, privilegiase tanto o princípio da verdade material, como o princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os Fl. 7638DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.637 8 documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito sustentado pela recorrente. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 7639DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.638 9 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. Fl. 7640DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.639 10 (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados e colacionados aos autos devem ser admitidos e apreciados, de forma a verificar se eles se prestam a comprovar o direito alegado. Da Conversão do Julgamento em Diligência Alega a recorrente que a maior parte dos lançamentos identificados pela fiscalização como supostos pagamentos a beneficiários não identificados, consistem, na verdade, em simples transferências de numerários entre contacorrente de titularidade da recorrente, devidamente registrado em sua contabilidade, em face da indicação do banco, agência e conta do qual os recursos foram debitados, e a indicação do banco , agência e conta para o qual os recursos foram creditados. Para comprovar que os pagamentos classificados como sendo nãoidentificados no anocalendário de 2000, na verdade, consistem em simples transferências de numerários entre contas bancárias da recorrente, a recorrente fez juntada, em seu recurso voluntário, das cópias do seu razão, indicando os lançamentos a débito e a crédito efetuados, além de cópias de extratos bancários em que, na mesma data, os valores indicados foram lançados a débito e a crédito. Como se viu anteriormente, admitiuse a juntada dos documentos trazidos pela recorrente, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Para aceitação desses documentos, utilizouse ainda fundamento autônomo, consubstanciado no princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito sustentado pelo contribuinte. Da análise destes documentos, observo que, em tese, possuem o condão de comprovar que se trata mesmo de transferências de numerários realizadas de movimentações de recursos entre contas de titularidade da mesma pessoa jurídica. Porém, sobre eles, a decisão recorrida não se manifestou, pois foram juntados, como se disse, posteriormente à decisão exarada pela DRJ. Desta forma, se faz necessário que Fl. 7641DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.640 11 a RFB manifestese sobre eles, antes da deliberação sobre o mérito da infração ainda em debate. Assim, conduzo meu voto no sentido de que sejam os autos convertidos em diligência, para que a Delegacia de Origem adote as seguintes providências: i) Com base nos documentos existentes nos autos, aferir a procedência de que de fato se tratam de transferências de numerários realizadas de movimentações de recursos entre contas de titularidade da mesma pessoa jurídica; e/ou de existência de pagamentos de empréstimos tomados com empresas que fazem parte do seu mesmo grupo; e/ou de repasses feitos para manutenção da Fundação Nestore Scodro. ii) Após, deverá a autoridade fiscal elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas no item anterior. iii) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 7642DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902478/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 24 78 /2 01 0- 71 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.902478/201071 Acórdão n.º 3302005.079 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.051. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.902478/201071 Acórdão n.º 3302005.079 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.902478/201071 Acórdão n.º 3302005.079 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10950.902478/201071 Acórdão n.º 3302005.079 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.900230/2009-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
O mínimo de formalidade é necessária no trato com o Estado, a fim de que o contribuinte possa fazer valer seus direitos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. O mínimo de formalidade é necessária no trato com o Estado, a fim de que o contribuinte possa fazer valer seus direitos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 4ª Turma da DRJ/Florianópolis (efl. 69 e ss): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 90 02 30 /2 00 9- 60 Fl. 93DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 18768.57444.300605.1.3.040472, transmitida em 30 de junho de 2005, por meio recolhido a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), mediante Darf código 8109, em 15 de novembro de 2004, no valor de R$ 4.380,15, relativo ao período de apuração de 31 de outubro de 2004, com vencimento em 15 de novembro de 2004. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana RS pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório (DD), à folha 4, emitido em 25 de março de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, discriminado na Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 01 e 03, na qual alega que o valor do débito do período de apuração de 31 de outubro de 2004 é de R$ 5.926,75, sendo compensado pelos créditos das Dcomp nº 18768.57444.300605.1.3.040472, no valor de R$ 2.697,76, e Dcomp nº 22253.09347.300605.1.3.045946, no valor de R$ 3.228,99. A contribuinte defende que os citados valores estão em conformidade com a DCTF, demonstrando que o crédito da Dcomp, objeto do DD fora utilizado na compensação dos débitos referentes aos meses de apuração 30 de setembro de 2004 e 31 de outubro de 2005, com suas devidas correções. A DRJ/Florianópolis ementou da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 78 e ss) limitase a repetir sua argumentação. É o relatório. Voto Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11075.900230/200960 Acórdão n.º 3001000.186 S3C0T1 Fl. 3 3 Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 4.380,15 (efl. 70), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A razão alegada pelo Tribunal a quo para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidadae da recorrente foi o fato de que “não fora localizado nos sistemas da RFB o pagamento informado como origem do crédito – R$ 4.380,15, código 8109, com vencimento e pagamento em 15 de novembro de 2004, relativo ao período de apuração de 31 de outubro de 2004” (efl. 71). No próprio Acórdão produzido pela DRJ/Florianópolis é afirmado que “em 22 de agosto de 2006, a contribuinte protocolou novo Pedido de Retificação de Darf – Redarf, à folha 27, solicitando alteração do código do Darf de 6912 para 8109” (efl. 71). Ocorre que a Recorrente, apesar de ser intimada a conferir as informações prestadas na Dcomp (efl. 64), não retificou a Declaração, impedindo que o Fisco atendesse ao seu pleito. Ora, o mínimo que se espera de um Contribuinte que solicita revisão de ato do Fisco é que ele satisfaça as condições elementares para a obtenção do crédito. A Recorrente, apesar de alertada pelo Fisco, permaneceu inerte. O princípio da verdade material tem limites. O mínimo de formalidade é necessária no trato com o Estado. Se assim não fosse, cada um poderia se utilizar dos instrumentos que lhe aprouvesse para buscar seus direitos e à Administração seria necessário ter batalhões e batalhões de servidores para analisar caso a caso, relação a relação do contribuinte com a União. Não me parece que essa situação seja aceitável. O contribuinte, reitero, deve cumprir o mínimo de formalidade necesssária para fazer valer seu alegado direito. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 95DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721475/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que sejam respondidos, pelo Laboratório Nacional de Análises, Instituto Nacional de Tecnologia ou outro órgão federal congênere, os seguintes quesitos: (1) Informar a composição química dos produtos denominados TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65; (2) Considerando o conceito a seguir transcrito, responder à indagação subseqüente: "Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo.; (2.1) Se os produtos TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65, na forma em que comercializados, são compostos de constituição química definida e apresentam-se isoladamente ou são preparações químicas; (3) Informar se os produtos TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65, na forma em que são comercializados, encontram-se dissolvidos em solvente; (4) Em caso positivo ao item anterior, informar se a adição desses solventes altera as moléculas desses produtos e formam soluções indissociáveis e, por conseqüência, desqualifica-os como compostos de constituição química definida e isolados; (5) Informar se os produtos em questão apresentam diagrama estrutural único; e (6) Acaso tais produtos sejam, de fato, compostos de constituição química definida e apresentem-se isolados, informar se TYZOR NBZ é um alcoolato metálico, TYZOR GBA um éster de outro ácido, TYZOR IAM um éster fosfórico e TYZOR AA-65 um éster de outro ácido.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que sejam respondidos, pelo Laboratório Nacional de Análises, Instituto Nacional de Tecnologia ou outro órgão federal congênere, os seguintes quesitos: (1) Informar a composição química dos produtos denominados TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65; (2) Considerando o conceito a seguir transcrito, responder à indagação subseqüente: "Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo.; (2.1) Se os produtos TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65, na forma em que comercializados, são compostos de constituição química definida e apresentam-se isoladamente ou são preparações químicas; (3) Informar se os produtos TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65, na forma em que são comercializados, encontram-se dissolvidos em solvente; (4) Em caso positivo ao item anterior, informar se a adição desses solventes altera as moléculas desses produtos e formam soluções indissociáveis e, por conseqüência, desqualifica-os como compostos de constituição química definida e isolados; (5) Informar se os produtos em questão apresentam diagrama estrutural único; e (6) Acaso tais produtos sejam, de fato, compostos de constituição química definida e apresentem-se isolados, informar se TYZOR NBZ é um alcoolato metálico, TYZOR GBA um éster de outro ácido, TYZOR IAM um éster fosfórico e TYZOR AA-65 um éster de outro ácido. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que sejam respondidos, pelo Laboratório Nacional de Análises, Instituto Nacional de Tecnologia ou outro órgão federal congênere, os seguintes quesitos: (1) Informar a composição química dos produtos denominados “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”; (2) Considerando o conceito a seguir transcrito, responder à indagação subseqüente: "Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo.”; (2.1) Se os produtos “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”, na forma em que comercializados, são compostos de constituição química definida e apresentamse isoladamente ou são preparações químicas; (3) Informar se os produtos “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA 65”, na forma em que são comercializados, encontramse dissolvidos em solvente; (4) Em caso positivo ao item anterior, informar se a adição desses solventes altera as moléculas desses produtos e formam soluções indissociáveis e, por conseqüência, desqualificaos como compostos de constituição química definida e isolados; (5) Informar se os produtos em questão apresentam “diagrama estrutural único”; e (6) Acaso tais produtos sejam, de fato, compostos de constituição química definida e apresentemse isolados, informar se “TYZOR NBZ” é um alcoolato metálico, “TYZOR GBA” um éster de outro ácido, “TYZOR IAM” um éster fosfórico e “TYZOR AA65” um éster de outro ácido. Rosaldo Trevisan – Presidente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 21 47 5/ 20 11 -1 7Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13896.721475/201117 Resolução nº 3401001.372 S3C4T1 Fl. 4 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Versa o presente processo sobre lançamento de multa pelo Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI não lançado, com cobertura de crédito, período de apuração julho/2006 a setembro/2007, decorrente de erro de classificação fiscal de produtos saídos do estabelecimento. Nos termos do relatório de autuação o contribuinte teria classificado incorretamente os seguintes produtos químicos: 1) “KRYTOX 1514” – Graxa ou óleo lubrificante – código adotado pelo contribuinte: 3907.2090 – reenquadramento pela fiscalização: 3403.99.00; 2) “TYZOR NBZ” – Contribuinte informa que se trata de substância pura de constituição química definida, com classificação no código 2905.19.29 – a fiscalização afirma que, segundo catálogo, tratarseia de uma preparação formada pela substância zirconium tetra nbutanolate e pelo solvente n butanol, na proporção de 16%, com classificação no código 3815.90.99; 3) “TYZOR GBA” Contribuinte informa que se trata de substância pura de constituição química definida, com classificação no código 2920.90.90 – a fiscalização afirma que, segundo catálogo, tratarseia de uma preparação formada pela substância acetil acetonato de titânio e pelos solventes IPA, BuOH e MeOH, na proporção de 25%, com classificação no código 3824.90.39; 4) “TYZOR IAM” Contribuinte informa que se trata de substância pura de constituição química definida, com classificação no código 2919.90.90 – a fiscalização afirma que, segundo catálogo, tratarseia de uma preparação formada por um complexo orgânico de titanato e fosfato e pelos solventes IPA e EtOH, na proporção de 30%, com classificação no código 3824.90.39; e, 5) “TYZOR AA65” Contribuinte informa que se trata de substância pura de constituição química definida, com classificação no código 2920.90.90 – a fiscalização afirma que, segundo catálogo, tratarseia de uma preparação formada pela substância acetil acetonato de titânio tendo 65% de conteúdo ativo, e pelos solventes IPA e EtOH, na proporção de 35%, com classificação no código 3824.90.39. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13896.721475/201117 Resolução nº 3401001.372 S3C4T1 Fl. 5 3 Houve reconstituição da escrita fiscal com imputação dos débitos respectivos, inteiramente cobertos por créditos disponíveis, razão porque lançada apenas a multa do art. 80 da Lei nº 4.502/64, na redação dada pela legislação superveniente. Devidamente cientificado da autuação, o contribuinte, em impugnação, reconheceu o equívoco da classificação do produto denominado “KRYTOX 1514” e informou que estava providenciando o recolhimento da multa correspondente. Quanto aos demais produtos, contestou a classificação fiscal apontada pelo autuante, asseverando que se cuidavam de produtos com composição química definida, utilizados como agentes promotores de ligações/adesões, o que, em atenção às regras próprias, sinalizava o correto enquadramento fiscal por ele empregado, no Capítulo 29 da TIPI, segundo a respectiva Nota 1.a, ao fazer referência expressa aos compostos orgânicos de constituição definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; aduziu que a expressão “constituição química definida” é uma tradução da Lei de Proust ou Lei das Proporções Constantes; que somente substâncias de constituição química definida permitem representação por fórmula química, o que não ocorre com as misturas (preparações); que esses produtos são substâncias puras que geralmente encontramse dissolvidas em solvente, formando soluções, que, porém, não alteram suas moléculas; que o argumento da fiscalização que os produtos não são representados por diagrama estrutural único carece de fundamentação técnica, constituindose em presunção; e, que anexou laudos técnicos confeccionados pelos químicos responsáveis pelos produtos, acentuando que a autoridade fiscal não teria capacidade técnica para desconsiderálos. A DRJ Ribeirão Preto/SP rebateu a possibilidade de classificação dos produtos no Capítulo 29, como pretendia o recorrente, por não se constituírem em compostos orgânicos de constituição definida e apresentados isoladamente, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), mantendo o lançamento mediante decisão assim ementada: “CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPOSTOS ORGÂNICOS DE CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DEFINIDA NÃO APRESENTADOS ISOLADAMENTE. Compostos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo que contenham impurezas, são classificados no Capítulo 29 da TIPI. Descaracterizada qualquer destas duas condições, excluise a possibilidade de enquadramento nesse Capítulo, ressalvadas as exceções expressamente indicadas na NCM. PRODUÇÃO DE PROVAS E PEDIDO DE PERÍCIAS. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Indeferese o pedido de diligência ou de perícia quando consideradas desnecessárias, por não vislumbrarem a possibilidade de produzirem informações adicionais úteis ao deslinde da contenda.” Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pela declaração de nulidade da decisão recorrida, em razão da falta de apreciação de todas as provas documentais apresentadas em impugnação, e, no mérito, reprisou a argumentação lá deduzida. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13896.721475/201117 Resolução nº 3401001.372 S3C4T1 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Nada obstante a proposta de conversão do julgamento em diligência, que toca o meritum causae, necessário o enfrentamento da alegação de nulidade da decisão de primeiro grau administrativo. Nesse diapasão, não vislumbro defeito que inquine o ato decisório reclamado, porquanto devidamente fundamentada a desconsideração dos documentos apresentados, especificamente laudos técnicos, encontrandose escorado i) no fato de tais laudos serem confeccionados unilateralmente, sem participação da Fazenda Nacional, por químicos componentes do quadro profissional da própria recorrente e, principalmente, ii) por não virem anexados à impugnação, em violação ao art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72. Então, distintamente do que prega o recorrente, houve, sim, apreciação da prova documental produzida, ainda que para considerála insatisfatória ou imprestável, do ponto de vista formalprocessual, ao exame do lançamento. Ultrapassada a questão vestibular, constato que o punctun saliens da altercação reside na qualificação dos produtos químicos reclassificados (“TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”) como compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, para a finalidade de atendimento à Nota 1.a do Capítulo 29, da TIPI/NCM, insistindo o recorrente na correção de sua classificação fiscal nos códigos originalmente utilizados, enquanto as autoridades recorridas entendemna incorreta, pela não satisfação de tais requisitos cumulativos. Nada obstante o entendimento do autuante e do colegiado a quo que a questão seria de simples solução, a partir dos elementos constantes dos autos, bastando notar que se cuidariam de misturas de produtos químicos, pela adição de solventes, resultando em preparações inespecíficas, o que afastaria a pretensão de enquadramento fiscal no predito Capítulo 29, verifico que recorrente repele esse argumento com a utilização de conceitos e raciocínios técnicos, o que, em minha opinião, exige a manifestação de entidade especializada. Demais disso, o conhecimento técnico específico do julgador, seja ele judicial ou administrativo, sobre a matéria em julgamento, a meu sentir, não afasta a necessidade de produção da prova pericial, como forma de garantia da ampla defesa, isso porque, cuidandose de tema complexo, como no caso vertente – química –, a correta caracterização do produto impactará diretamente o objeto do lançamento, a classificação fiscal. Outrossim, considerando o teor do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, pela natureza dos produtos sub examine, o trabalho deverá ser realizado pelo Laboratório Nacional de Análises, Instituto Nacional de Tecnologia ou outro órgão federal congênere. Nesse passo, proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam respondidos os seguintes quesitos: Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13896.721475/201117 Resolução nº 3401001.372 S3C4T1 Fl. 7 5 1) Informar a composição química dos produtos denominados “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”; 2) Considerando o conceito a seguir transcrito, responder à indagação subseqüente: “Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo.” 2.1) Se os produtos “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”, na forma em que comercializados, são compostos de constituição química definida e apresentamse isoladamente ou são preparações químicas; 3) Informar se os produtos “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”, na forma em que são comercializados, encontramse dissolvidos em solvente; 4) Em caso positivo ao item anterior, informar se a adição desses solventes altera as moléculas desses produtos e formam soluções indissociáveis e, por conseqüência, desqualificaos como compostos de constituição química definida e isolados; 5) Informar se os produtos em questão apresentam “diagrama estrutural único”; e, 6) Acaso tais produtos sejam, de fato, compostos de constituição química definida e apresentemse isolados, informar se “TYZOR NBZ” é um alcoolato metálico, “TYZOR GBA” um éster de outro ácido, “TYZOR IAM” um éster fosfórico e “TYZOR AA65” um éster de outro ácido. Respondidos os quesitos supra, abrir vista ao recorrente para que, entendendo necessário, manifestese no prazo de 30 (trinta) dias. Em seguida, devolvamse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726975/2009-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 75 /2 00 9- 88 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 441DF CARF MF
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