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Numero do processo: 16366.720322/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2010
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2010
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2010 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 03 22 /2 01 1- 21 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de PIS NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.055, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16366.720322/201121 Acórdão n.º 3201004.499 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900954/2012-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA.
O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
A homologação tácita apenas se opera no pedido de compensação.
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA. O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A homologação tácita apenas se opera no pedido de compensação. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 09 54 /2 01 2- 50 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10945.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.601 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 55/65 dos autos: "Trata o presente processo sobre Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório proferido pela DRF Foz do Iguaçu, o qual indeferiu o crédito pleiteado no PER nº 16263.28223.280907.1.1.116915 e não homologou a compensação declarada na Dcomp nº 40274.48641.290907.1.3.1008204. O pedido de ressarcimento, transmitido em 28/09/2007, e a declaração de compensação foram analisados pela DRF Foz do Iguaçu e emitido o Despacho Decisório em 04/09/2012, rastreamento nº 031035472 (fl. 6), assinado pelo titular da unidade de jurisdição da contribuinte. No despacho decisório recorrido consta, no campo 3 a fundamentação, decisão e o enquadramento legal do indeferimento do PER/Dcomp aqui tratado: Inconformada com a decisão, da qual teve ciência em 14/09/2012, a interessada apresentou, em 16/10/2012, manifestação de inconformidade (fls. 8/12), por meio da qual faz um breve relato dos fatos e traz a preliminar de decadência. Aduz que o pedido de compensação referese a créditos relativos ao período de 01/04/2007 a 30/06/2007, e considerando que teve ciência da decisão proferida em 17/09/2012, todos os lançamentos e créditos em data anterior ao da intimação foram atingidos pelo prazo decadencial de cinco anos. Assim, todos os Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10945.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.601 S3C0T2 Fl. 4 3 valores relativos a créditos anteriores a 17/09/2012, tem sua homologação tácita, pelo decurso de prazo. Em relação ao mérito, no tópico III – “Da inexistência de Regulamentação da norma legal inserida no ordenamento pela Lei nº 8.218/1991”, aduz que a Secretaria da Receita Federal não regulamentou a apresentação de arquivos digitais conforme estabelecido no § 3º do art. 11 da citada Lei. Em não havendo a regulamentação da obrigação na forma estabelecida na legislação, não pode a SRF indeferir o pedido de compensação de crédito por não existência ou disponibilização dos arquivos digitais. No tópico IV – “Da existência de previsão legal de penalidade para não observância da Lei – Impossibilidade de estender ou ampliar a penalidade sem lei que regulamente”, alega que o artigo 12 da Lei nº 8.218/1991 traz em seu texto a penalização pela não observância do previsto no art. 11 da mesma Lei. Aduz que o indeferimento da compensação pleiteada pela não apresentação dos arquivos digitais é uma penalidade imposta ao contribuinte, e tal penalidade somente poderia ser aplicada se prevista em Lei. Desta forma a instrução normativa inova e amplia a previsão legal, ao criar penalidade não prevista em Lei. Argumenta que não pode uma obrigação acessória suplantar o direito líquido e certo da recorrente reconhecido em Lei ressaltando que disponibilizou à Receita Federal do Brasil todos os elementos e informações necessárias, com apresentação de documentos e livros. Dessa forma, com a possibilidade de comprovação da regularidade da operação por diferentes meios o arquivo digital requerido nada mais acrescentaria ao processo. Solicita que a manifestação de inconformidade seja recebida de forma a modificar o despacho decisório, reconhecendose e homologando o crédito compensado conforme a legislação em vigor". Resumindo, o contribuinte em 28/09/2007 protocolou pedido de compensação (16263.28223.280907.1.1.116915) (fls. 02/05) em razão de suposto crédito de COFINS acumulados em operação realizada no mercado interno. O contribuinte teve negado sua homologação em razão de "analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado." (fls. 06 Despacho Decisório). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08/12) requerendo em preliminar decadência concluindo que "considerando que o pedido de compensação referese a créditos relativos ao período de 01/04/2007 a 30/06/2007, e que a Recorrente foi intimada da decisão em 17/09/2012, todos os lançamentos e créditos em data anterior ao da intimação foram atingidos pelo prazo decadencial de cinco anos, que dispõe o fisco para rever os lançamentos, inclusive nas compensações" e no mérito afirma que "a Lei Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10945.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.601 S3C0T2 Fl. 5 4 Ordinária 8.218/1991, trouxe em seu artigo 11 a seguinte previsão ..." "que a Secretaria da Receita Federal, deveria expedir os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deveriam ser apresentados", continua afirmando que "o artigo 12 da Lei 8.218/1991 traz em seu texto a penalização pela não observância do previsto no artigo 11 da Lei" concluindo que "o indeferimento da compensação pleiteada através do pedido de compensação é uma penalidade imposta ao Contribuinte pela não apresentação dos arquivos digitais, e tal penalidade somente poderia ser aplicada se prevista em Lei" e, por fim, concluí que "não pode uma obrigação acessória suplantar o direito líquido e certo da Recorrente" uma vez que a não cumulatividade do PIS e da COFINS da "direito em manter o crédito pelas operações anteriores às saídas, são reconhecidos por Lei". A DRJ/CTA proferiu o Acórdão nº 0649.724 (fls. 55/65) por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte mantendose o indeferimento do direito creditório pleiteado no PER nº 40571.08855.180707.1.1.117216 e a não homologação da compensação declarada na Dcomp nº 42341.16207.280907.1.3.117048. O acórdão foi assim ementado: "PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INEXISTÊNCIA. O prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados. APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 69/74) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) decadência homologação tácita, b) da inexistência de Regulamentação da norma legal inserida no ordenamento pela Lei 8.218/1991, c) da existência de previsão legal de penalidade para não observância da Lei — impossibilidade de estender ou ampliar a penalidade sem lei que regulamente e por fim, d) da regularidade das operações e do crédito pleiteado via compensação. É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10945.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.601 S3C0T2 Fl. 6 5 O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Decadência Inicialmente, o contribuinte alega decadência, nos termos do art. 150 do CTN, tendo em vista que "pedido de compensação referese a créditos relativos ao período de 01/04/2007 a 30/06/2007, e que a Recorrente foi intimada da decisão em 04/09/2012, todos os lançamentos e créditos em data anterior ao qüinqüênio anterior ao da intimação foram atingidos pelo prazo decadencial de cinco anos" e, ao seu turno, o r. Despacho Decisório foi aperfeiçoado em 04/09/2012 com a sua ciência, denotando lapso temporal não superior a 5 (cinco) anos. Como é pacífico na jurisprudência deste E. CARF, ou seja, o prazo de caducidade contra a Fazenda Nacional, referente aos PER/DCOMPs apresentados pelos contribuintes é especificamente regido pelo art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96. Ilustrado, no Acórdão nº 9303003.456, proferido pela C. 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Valcir Gassen, publicado em 23/02/2016. É o que se infere a seguir: "COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03". (grifado) Tendo em vista que a PER/DCOMP nº 16263.28223.280907.1.1.116915 foi transmitida em 28/09/2007 e tendo o r. Despacho Decisório inaugural deste feito produzido seus efeitos em 04/09/2012, sendo assim, não verificase o extrapolamento do período quinquenal. Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. a) da inexistência de Regulamentação da norma legal inserida no ordenamento pela Lei 8.218/1991. Alega o contribuinte que a Secretaria da Receita Federal não regulamentou a apresentação de arquivos digitais conforme estabelecido no § 3º do art. 11 da Lei nº 8.218/91. Sendo assim, "não tendo regulamentado a obrigação na forma estabelecida na legislação, não pode a Secretaria da Receita Federal, indeferir pedido de compensação de crédito, crédito legítimo por força dos documentos apresentados e disponibilizados ao fisco, por não Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10945.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.601 S3C0T2 Fl. 7 6 existência ou disponibilização de arquivos digitais, cuja caráter de obrigação acessória fica evidenciada pela não regulamentação da Lei". A Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de Outubro de 2001 que dispõe sobre o tema, a seguir reproduzido: "Dispõe sobre informações, formas e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001 , e tendo em vista o disposto no art. 11 da Lei n º 8.218, de 29 de agosto de 1991 , alterado pela Lei n º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , resolve: (grifado). ... Art. 3 º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º ." Sendo assim, foram sim especificadas as regras para apresentação dos arquivos por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis nº 15, de 2001, a seguir reproduzido: "Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15, de 23 de Outubro de 2001 DOU de 26.10.2001 (Alterado pelo Ato Declaratório Cofis nº 55, de 11 de dezembro de 2009, e pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 25, de 7 de junho de 2010). Art. 1 º As pessoas jurídicas de que trata o art. 1 º da Instrução Normativa SRF n º 86, de 2001 , quando intimadas por Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), deverão apresentar, a partir de 1 º de janeiro de 2002, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, observadas as orientações contidas no Anexo único . § 1 º As informações de que trata o caput deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, no que se refere a: I – registros contábeis; II – fornecedores e clientes; III documentos fiscais; IV comércio exterior; V controle de estoque e registro de inventário; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10945.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.601 S3C0T2 Fl. 8 7 VI relação insumo/produto; VII controle patrimonial; VIII folha de pagamento. § 2 º As informações que não se enquadrarem no parágrafo anterior deverão ser apresentadas pelas pessoas jurídicas, atendido o disposto nos itens "Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" e "Documentação de Acompanhamento" do Anexo único . Art. 2 º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais de que trata § 1 º do artigo anterior poderão ser apresentados em forma diferente da estabelecida neste Ato, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. Anexo Único Especificações Técnicas dos Sistemas e Arquivos" Sendo assim, ao contrário do que argumenta o contribuinte, ao meu ver, restou comprovado que a Receita Federal do Brasil, editou os atos necessários ao cumprimento do disposto no art. 11 § 3º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. b) da existência de previsão legal de penalidade para não observância da Lei — impossibilidade de estender ou ampliar a penalidade sem lei que regulamente. Já em relação à alegação de que "o indeferimento da compensação pleiteada através do pedido de compensação é uma penalidade imposta ao Contribuinte pela não apresentação dos arquivos digitais, e tal penalidade somente poderia ser aplicada se prevista em Lei", não tem razão o contribuinte, senão vejamos: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 DOU de 31.12.2008 Art. 65 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10945.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.601 S3C0T2 Fl. 9 8 COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009) (Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009)." Portanto, como demonstrado a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que disciplina o ressarcimento e a compensação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, dispõe que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital. c) da regularidade das operações e do crédito pleiteado via compensação. Por fim, afirma o contribuinte que "não pode uma obrigação acessória suplantar o direito líquido e certo da Recorrente". Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10945.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.601 S3C0T2 Fl. 10 9 Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10425.721669/2014-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
FUNDEB. TRANSFERÊNCIAS. UNIÃO. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO.
As receitas decorrentes das transferências de valores do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) integram a base de cálculo da contribuição para Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep).
RETENÇÕES. FUNDEB. DEDUÇÃO.
A retenção pelo Banco do Brasil da contribuição para o Pasep incidente sobre a transferência dos valores do FUNDEB, feita pela União, para as Prefeituras Municipais, são passíveis de dedução da contribuição apurada sobre o valor mensal das receitas correntes e das transferências correntes e de capital recebidas.
Numero da decisão: 9303-007.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a incidência do Pasep sobre o FUNDEB.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a incidência do Pasep sobre o FUNDEB. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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TRANSFERÊNCIAS. UNIÃO. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. As receitas decorrentes das transferências de valores do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) integram a base de cálculo da contribuição para Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). RETENÇÕES. FUNDEB. DEDUÇÃO. A retenção pelo Banco do Brasil da contribuição para o Pasep incidente sobre a transferência dos valores do FUNDEB, feita pela União, para as Prefeituras Municipais, são passíveis de dedução da contribuição apurada sobre o valor mensal das receitas correntes e das transferências correntes e de capital recebidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a incidência do Pasep sobre o FUNDEB. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 16 69 /2 01 4- 13 Fl. 2179DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3201003.214, de 26/10/2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público, comprovadamente e não mero registro contábil. Vide Art. 1º da Lei Complementar nº 8/70, Arts. 2º, inciso III, 7º e 8º, inciso III, da Lei nº 9.715/98 e Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. FUNDEB. VEDADA A DUPLA INCIDÊNCIA. De acordo com Solução de Consulta Cosit de n.º 278/2017, é vedada a dupla incidência do Pasep nas operações contábeis de formação e repasses do FUNDEB. Assim, todos os repasses ao Fundeb devem ser excluídos da base de cálculo do Pasep, seja esta entidade de natureza contábil ou não. Fundamento na legislação correlata e no art. 68, parágrafo único, do Decreto nº 4.524/02. RETENÇÃO NA FONTE. VINCULAÇÃO COM A BASE DE CÁLCULO. EFEITOS NO CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP A PAGAR. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão excluir de suas respectivas bases de cálculos mensais da Contribuição para o PASEP os valores recebidos a título de transferências constitucionais relativas ao FPE e ao FPM, inclusive os valores destacados para o FUNDEF/FUNDEB, quando ficar comprovado que houve a retenção, na fonte, à alíquota de 1%, incidente sobre os valores transferidos pela União. Não ocasiona qualquer prejuízo ao sujeito passivo, se for considerado na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PASEP o total das receitas transferidas, desde que deduzidas as retenções na fonte efetuadas. Vide Solução de Divergência COSIT 12/2011 e Nota Técnica nº 1.432/2004/GENOC/CCONTSTN.” Os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário do contribuinte para excluir da base de cálculo da contribuição as transferências (receitas) recebidas da União Federal, destinadas ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10425.721669/201413 Acórdão n.º 9303007.695 CSRFT3 Fl. 2.180 3 No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra a decisão da Câmara Baixa. alegando, em síntese, que ao contrário do entendimento daquela câmara, as receitas correntes, nelas incluídas as transferências para o FUNDEB, estão sujeitas ao Pasep, conforme dispõe a Lei nº 9.715/1998, arts. 2º, inciso II, 7º e 8ª, inciso III, bem como o Decreto nº 4.524/2002, arts. 67, parágrafo único, 68, parágrafo único, e 70, §§ 1º 2º; assim, não podem ser excluídas da base de cálculo dessa contribuição por falta de amparo legal. Por meio do despacho às fls. 1956e/1958e, o Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A legislação que trata do Pasep, assim dispõe: Lei Complementar nº 8, de 1970: "Art. 1º É instituído, na forma prevista nesta Lei Complementar, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público. Art. 2º A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: [...] II Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios: [...]." Lei nº 9.715, de 25/11/1998: "Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: [...]; III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. [...]. Fl. 2181DF CARF MF 4 § 6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)". Já o Decreto nº 4.524/2002 que regulamentou essa contribuição, assim dispõe: "Art. 67. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias são contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre as receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº9.715, de 1998, art. 2º, inciso III). Parágrafo único. A contribuição é obrigatória e independe de ato de adesão ao Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio de Servidor Público. Art. 68. A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção do PIS/Pasep incidente sobre o valor das transferências correntes e de capital efetuadas para as pessoas jurídicas de direito público interno, excetuada a hipótese de transferências para as fundações públicas (Lei nº9.715, de 1998, art. 2º, § 6º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 19, e Lei Complementar nº 8, de 1970, art. 2º, parágrafo único). Parágrafo único. Não incidirá, em nenhuma hipótese, sobre as transferências de que trata este artigo, mais de uma contribuição. Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III,§ 3º e art. 7º). (...). § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno." Consoante estes dispositivos legais, as transferências correntes, a título de FUNDEB, recebidas pelas Prefeituras Municipais estão sujeitas ao Pasep. Também de acordo esses diplomas legais, § 6º o art. 2º, da Lei nº 9.715/1998, e art. 68 do Decreto nº 4.524/2002, transcritos, a retenção do Pasep incidentes sobre tais receitas deve ser feita pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e/ ou pela Secretaria do Tesouro Nacional. A Lei nº 11.494/2007 que regulamenta o FUNDEB determina: "Art. 16. Os recursos dos Fundos serão disponibilizados pelas unidades transferidoras ao Banco do Brasil S.A. ou Caixa Econômica Federal, que realizará a distribuição dos valores devidos aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios." Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10425.721669/201413 Acórdão n.º 9303007.695 CSRFT3 Fl. 2.181 5 Segundo esse dispositivo legal, a retenção do FUNDEB é feita pelo agente financeiro, Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal, distribuidores dos valores devidos aos Municípios. No presente caso, o contribuinte apresentou às fls. 1835e/1846e, a planilha "DEMONSTRATIVO DE DISTRIBUIÇÃO DA ARRECADAÇÃO", obtida em 24/09/2014, do "Sistema de Informações Banco do Brasil 12:30:45", que comprova que esse Banco retém a contribuição devida sobre o Pasep. Embora essa planilha não seja dos períodos mensais objetos do lançamento em discussão, comprova que o Banco do Brasil retém o Pasep incidente sobre o FUNDEB e repassa às Prefeituras somente o valor já deduzido dessa contribuição. Na apuração dos valores lançados e exigidos, a Fiscalização não deduziu retenções de valores do Pasep incidentes sobre o FUNDEB, mas apenas e tão somente sobre outros fundos, conforme prova a planilha "DEMONSTRATIVO DAS RETENÇÕES NA FONTE EFETUADAS PELO BANCO DO BRASIL". Dessa forma, a retenção do Pasep incidente sobre os valores do FUNDEB transferido ao contribuinte, devidamente comprovada, mediante documento contábil (Razão/Diário) e/ ou extrato bancário do valor transferido, deve ser deduzida do valor da contribuição exigida no lançamento em discussão. À luz do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional para reconhecer a incidência do Pasep sobre o FUNDEB e, ao mesmo tempo, reconhecer o direito de o contribuinte deduzir dos valores da contribuição lançada e exigida, os valores da contribuição retidos pelo Banco do Brasil. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720891/2011-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante, desde que devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2002-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante, desde que devidamente comprovadas.
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RENDIMENTOS ACUMULADOS. Recorrente NORMA SOARES AFFONSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante, desde que devidamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 91 /2 01 1- 30 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10280.720891/201130 Acórdão n.º 2002000.678 S2C0T2 Fl. 61 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 16/20), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$4.706,95 para R$1.272,45. A notificação noticia omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício (R$9.931,72) e compensação indevida de IRRF (R$703,28). Impugnação Cientificada à contribuinte em 4/4/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 20/4/2011, às fls. 2/13 dos autos, na qual a contribuinte apontou os cálculos que entendia corretos. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/BEL que, por unanimidade, julgoua procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 34 a 37): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PROVAS. Para desconstituir a pretensão do Fisco é imprescindível que as alegações contrárias ao lançamento venham acompanhadas de provas capazes de não deixarem dúvidas da fidedignidade dos fatos alegados. O colegiado de primeira instância decidiu por cancelar a glosa do IRRF. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 29/10/2013 (fl. 42), a contribuinte, em 29/11/2013 (fl. 46), apresentou recurso voluntário, às fls. 46/48, no qual alega, em resumo, que a base de cálculo tributável seria de R$230.311,57, considerando o montante recebido em ação trabalhista (R$206.560,05), o rendimento de trabalho (R$80.235,82) e os honorários advocatícios pagos (R$56.484,30). Sustenta que documentos idôneos comprovariam suas alegações. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10280.720891/201130 Acórdão n.º 2002000.678 S2C0T2 Fl. 62 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a omissão de rendimentos recebidos pela recorrente da Caixa Econômica Federal. Do exame dos autos, constatase que inexiste controvérsia acerca do montante dos rendimentos tributáveis pela contribuinte. Nesse sentido, em seu recurso, a contribuinte reconhece o recebimento de rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$206.560,05 e de rendimentos do trabalho no valor de R$80.235,82, exatos valores considerados na autuação, conforme análise levada a efeito na decisão recorrida: Esclareço a contribuinte, que quando do lançamento o recibo no valor de R$52.317,64, foi utilizado para a apuração dos rendimentos tributáveis, conforme se depreende do cálculo a seguir: rendimento assalariado de R$80.235,82 + rendimento ação trabalhista de R$206.560,05 = R$286.795,87 (valores informados em DIRF, fl. 26) honorários advocatícios de R$52.317,64 = rendimentos tributáveis de R$234.478,23 (apurado na NL). A controvérsia recai sobre os honorários advocatícios pagos. Na autuação, a autoridade fiscal acatou a dedução de honorários de R$52.317,64, enquanto a recorrente defende que faz jus a deduzir o total de R$56.484,30. A possibilidade de dedução dos honorários advocatícios dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte em conseqüência da ação judicial, quando devidamente comprovados documentalmente, está prevista no artigo 56 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999). Não obstante, seja em sede de impugnação, seja em sede de recurso, a recorrente não junta provas quanto aos honorários que quer ver deduzidos, limitandose a juntar demonstrativo de fl. 48, elaborado e assinado por ela e que não se revela hábil a fazer a prova exigida. A decisão recorrida registrou: Quanto a este tópico, omissão de rendimento de R$9.931,22, quando questiona, a impugnante, o valor total dos rendimentos tributáveis apurados na presente NL, no valor de R$234.478,23, tenho a ressaltar que a defesa não carreia aos autos quaisquer documentos capazes de alterar essa importância, ou seja não Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10280.720891/201130 Acórdão n.º 2002000.678 S2C0T2 Fl. 63 4 foram apresentados os recibos de honorários advocatícios que totalizam R$56.484,30, de modo a alterar o lançamento, que conforme dados da DAA da contribuinte, ano calendário 2009, referemse aos pagamentos no código 61 a seguir: ... Neste contexto, cumpreme ressaltar que no processo administrativo fiscal não basta apenas alegar, a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, na forma do contido no caput e inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, o que não aconteceu no presente caso. (destaques acrescidos) Como ressaltado na decisão recorrida, as provas deveriam ter sido juntadas à defesa da contribuinte, na forma da legislação citada. Dessa feita, nenhum reparo a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915902/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2000
PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/08/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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(MICROLITE S/A) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2000 PIS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 02 /2 00 8- 01 Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10880.915902/200801 Acórdão n.º 9303007.768 CSRFT3 Fl. 479 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 006.409, às fls. 253e/263e, de 13 de março de 2018, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, relativamente à exigência de crédito tributário da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), negou provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da ementa, a seguir reproduzida: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/2000 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67." A embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado, relativamente a ponto (normas) sobre os quais a Turma deveria ter se pronunciado. Consoante seu entendimento, o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743, de 1º de dezembro de 2016, e no Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017, ambos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deveria ter sido levado em conta no julgamento. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O acórdão embargado negou provimento ao recurso especial do contribuinte sob o fundamento de que, até julho de 2004, não existia norma que desonerasse as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus da contribuição para o PIS. No entanto, na análise e julgamento do recurso especial do contribuinte, o relator não levou em consideração o entendimento da Procuradoria da Geral da Fazenda Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10880.915902/200801 Acórdão n.º 9303007.768 CSRFT3 Fl. 480 3 Nacional exarado no Parecer nº PGFN/CRJ/Nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF’s firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 215835/01, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). O STJ também firmou o entendimento de que o benefício fiscal se aplica ainda que a vendedora (e não apenas a adquirente) seja Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10880.915902/200801 Acórdão n.º 9303007.768 CSRFT3 Fl. 481 4 sediada na ZFM (chamadas “vendas internas”). OBSERVAÇÃO: a dispensa não se aplica quando se tratar de: (i) venda de mercadoria por empresa sediada na ZFM a outras regiões do país; (ii) operação envolvendo pessoa física (vendedor ou adquirente); (iii) venda de mercadoria que não tenha origem nacional; e (iv) receita decorrente de serviços (e não venda de mercadorias) prestados a empresas sediadas na ZFM." Por sua vez o Ato Declaratório, assim dispõe: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. A luz do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.939994/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 39 99 4/ 20 11 -8 4 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10980.939994/201184 Resolução nº 1402000.745 S1C4T2 Fl. 3 2 ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição". Em sua Manifestação de Inconformidade, alegou a Recorrente que efetuou diversos pagamentos espontâneos de tributos devidos, anteriormente a qualquer procedimento de fiscalização ou cobrança, o que motivou a apresentação do pedido de restituição visando a devolução dos valores indevidamente exigidos a título de multa moratória; Entende que faz jus à devolução da multa de mora, já ser mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação de DCTF. Alega que conforme o art. Nº 138 do CTN, que dispensa o pagamento de multa, seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes de o início de qualquer procedimento administrativo, não há que se cogitar na espécie de multa de qualquer natureza. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se considerando como crédito, compensável, os valores abarcados pela tese da espontaneidade prevista no art. Nº 138 do CTN". Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.739, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.939894/201149, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.739): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente alega que a previsão legal contida no artigo 138, do CTN, bem assim a jurisprudência pátria, inclusive na esfera administrativa, contemplam a exclusão da responsabilidade por força da denúncia espontânea e, consequentemente, a inexigibilidade de qualquer multa sobre os valores recolhidos em atraso, seja ela de mora ou de ofício. Afirma que tratandose a hipótese subexamine de procedimento espontâneo da Contribuinte (quitação de tributo, antes da inclusão do pagamento e da entrega da DCTFRetificadora ou de qualquer ato fiscalizatório), a multa de mora cobrada é de todo indevida, razão pela qual a sua devolução é medida que se impõe. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.939994/201184 Resolução nº 1402000.745 S1C4T2 Fl. 4 3 Aduz que tendo em vista tais premissas fáticas e legais motivadoras do pedido de restituição ora em debate, temse por configurado o "pagamento a maior ou indevido", passível de aproveitamento, nos termos do artigo 74, da Lei 9.430/96 (com a redação da pela Lei n° 10.637/02), razão pela qual merece reforma o v. acórdão recorrido, a fim de reconhecer o direito creditório da Empresa. Verificase que em relação ao mérito há uma questão fundamental ao deslinde da questão, que é a comprovação da alegada denúncia espontânea. Entendeu o STJ que nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, esse pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Diante da decisão sobre denúncia espontânea do STJ, que é de repercussão geral, fazse necessário para a comprovação da mesma, que se verifique se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Pelos fatos expostos, apresentase a necessidade de diligência para confirmar se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderseá formar definitivamente a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para: 1. Pronunciarse sobre a procedência da alegação de espontaneidade apresentada pela recorrente, verificando se os pagamentos foram realizados antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF. 2. Juntar ao processo a DCTF com o respectivo comprovante de sua entrega, a fim de se comprovar a pertinência ou não do pagamento da multa e aproveitamento do crédito. 3. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 4. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10980.939994/201184 Resolução nº 1402000.745 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002612/2008-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/08/2004, 16/09/2004, 05/11/2004, 14/12/2004
AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
As causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 3002-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/08/2004, 16/09/2004, 05/11/2004, 14/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
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ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 26 12 /2 00 8- 42 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0726.256 da DRJ/FNS, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 2ª Turma da DRJ/FNS (fls. 58/61), exarado nos seguintes termos: "O presente Auto de Infração, no valor de R$ 20.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls.03/04), a auditoria fiscal fundamentou a autuação no art. 107, inciso IV, alíneas "c" e "e", do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003, bem como nos artigos 37 e 44, da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994. Relata que, na tabela à fl. 10, são informados as datas dos embarques para cada DDE e as datas dos registros dos respectivos dados no Siscomex; e , na tabela à fl. 11, temse a relação de dados por navio, que consolida os efetivos embarques em que houve atraso na informação dos dados. Intimada da autuação (fl. 01), a interessada apresentou a impugnação de fls. 30/33, na qual, em breve síntese, alega que o embarque DDE 20412211246 / MSCUPN040402 ocorreu, de fato, em 05/11/2004, sendo que os dados foram lançados no Siscomex em 08/11/2004 dentro do prazo de 7 dias previstos na legislação. Ocorre que, em 08/12/2004, houve uma exclusão parcial e lançamento de novos dados no Siscomex. O mesmo aconteceu com o embarque DDE 20413981320 / MSCUPN043497, que ocorreu em 14/12/2004, tendo sido os dados lançados no Siscomex em 15/12/2004, logo, dentro do prazo. Porém, em 22/12/2004, houve uma exclusão parcial de dados e lançamento de novos dados no Siscomex, o que é facultado à empresa exportadora. Entretanto, os dados iniciais foram lançados dentro do prazo de 7 dias, o que pode ser verificado em consulta aos históricos dos despachos. Ressalta que apenas quando a empresa deixar de cumprir a obrigação prevista no art. 37 da IN SRF n° 28/1994 é considerado o embaraço A fiscalização e, então, cabível a respectiva multa. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 4 3 0 art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei n° 77, de 1966, com a redação dada pela Lei 10.833, de 2003, é cristalino ao se referir apenas ao fato de "não entrega" das informações. Diante do exposto, requer sejam considerados dentro do prazo legal os registros realizados no Siscomex, relativos aos despachos n°2041221124/6 e n° 2041398132/0. Requer seja observado o disposto no § 2° do art. 293 do Decreto n° 3.048/1999, no sentido de que a autuada, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de oficio com redução de 25%, até a data limite para interposição de recurso. ". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 33/36), mas mesmo assim, resolveu reduzir o valor de R$ 20.000,00 lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação de "embarques de cargas efetuados em 05/11/2004 (DDE n° 2041221124/6) e em 14/12/2004 (DDE n° 2041398132/0), na medida em que discorda da fiscalização quando acusa que essas informações somente tenham sido prestadas em 08/12/2004 e 22/12/2004, respectivamente, uma vez que, segundo informações retiradas do sistema Siscomex (fl. 34), referidos dados foram registrados tempestivamente em 08/11/2004 e 15/12/2004" para R$ 10.000,00, afasta a atipicidade argumentada pelo contribuinte uma vez que "está obrigado a prestar no prazo estipulado pela Receita Federal não são quaisquer informações errôneas ou fictícias, mas sim as informações corretas sobre a carga, e essas só foram apresentadas, na espécie, após o prazo regulamentar para fazêlo", já quanto ao pedido para que seja observado o disposto no § 2º do art. 293 do Decreto nº 3.048/1999, ressalta que o referido Regulamento da Previdência Social não é aplicável ao caso concreto e por fim, não pode ser arguido qualquer nulidade uma vez que "assevero que, no caso de a fundamentação legal ser indicada além do necessário, tal fato não implica a nulidade do lançamento, por não configurar cerceamento de defesa, uma vez postos todos os fatos necessários ao correto julgamento", por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 81/89) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) a ilegitimidade passiva, uma vez que "a Recorrente é uma agência marítima, portanto, uma agente de carga", b) a ausência de previsão normativa que obrigue o agente de cargas a realizar o registro dos embarques, c) a nulidade do Auto de Infração em razão do "vício absoluto do auto de infração por não apresentar satisfatoriamente seu requisito da fundamentação legal". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 5 4 A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização em razão de deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Preliminar Ilegitimidade passiva Afirma o contribuinte de que "por ser esta parte ilegítima para compor o pólo passivo da obrigação tributária, uma vez que é subsidiária sua responsabilidade (Agência Marítima) e que primeiro se deveria ter Autuado a empresa de transporte internacional, para, somente na falta desta, responsabilizarse a Recorrente pelo descumprimento da obrigação acessória" contudo, entendo que deve ser afastada a preliminar suscitada pelo contribuinte, pois a sua responsabilidade está expressamente determinado no art. 37, § 1º do Decretolei nº 37/1966, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003). § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003). Dispõe o artigo 32, parágrafo único, inciso II do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pela Medida Provisória nº 215835/2001, in verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). Por fim, este Conselho Administrativo, vem reconhecendo a responsabilidade do agente marítimo que por expressa determinação legal é o representante do transportador estrangeiro no país, e portando responsável solidário tributário, Nesse sentido, reproduzo a ementa manifestado no Acórdão nº 3002000.012 do Ilustre Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, exarado nos seguintes termos: "PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 6 5 O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada." Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.). Sendo assim, ao meu ver, não assiste razão o contribuinte em sua alegação de nulidade do auto de infração por considerar que "não foi expressamente apontado no "Enquadramento Legal" o dispositivo normativo que fundamenta o prazo para registro" Dessa forma, rejeito as preliminares apresentadas pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. A presente demanda versa sobre a imposição de multa em razão do cumprimento a destempo da obrigação de registro de dados no SISCOMEX. Ausência de previsão normativa que obrigue o agente de cargas a realizar o registro dos embarques Alega o contribuinte que o artigo 107, IV, "e", do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, trata da penalidade a ser "aplicada ao transportador internacional, à empresa prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, OU ao agente de cargas", argumenta ainda que "SRFB, por intermédio da IN/SRF n° 28/1994, atribuiu apenas ao TRANSPORTADOR, entendido este como sendo a empresa de transporte internacional e a empresa prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, a obrigação por registrar os embarques no SISCOMEX, de maneira que não existe qualquer dispositivo normativo que obrigue a Recorrente (agência Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10907.002612/200842 Acórdão n.º 3002000.503 S3C0T2 Fl. 7 6 marítima) a realizar o registro dos embarques", concluindo que "ora, se não há um dispositivo que obrigue a Recorrente (Agência Marítima Agente de Carga) a realizar a obrigação acessória, também não pode ser aplicada a supracitada multa do DL 37/1966, uma vez que ficou à critério da SRF estabelecer a forma e prazo da obrigação acessória que descumprida ensejaria a incidência da multa, no entanto, a própria SRF excluiu os agentes de cargas da obrigação de realizar os registros dos embarques no SISCOMEX", entendo que não assiste razão ao contribuinte, uma vez que este Conselho Administrativo, vem reconhecendo a responsabilidade do agente marítimo que por expressa determinação legal é o representante do transportador estrangeiro no país, e portando responsável solidário tributário. Sendo assim, pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36204.000963/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUICÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a .31/01/2005
NULIDADE. DESPACHO QUE INDEFERE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO,
O despacho que indefere pedido de restituição deve indicar os motivos de fato e de direito da decisão, com anotação da legislação de regência, de modo a permitir que o interessado tenha respeitado seu direito ao contraditório e ampla defesa.
Anulada a Decisão Recorrida
Numero da decisão: 2301-001.702
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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DESPACHO QUE INDEFERE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, O despacho que indefere pedido de restituição deve indicar os motivos de fato e de direito da decisão, com anotação da legislação de regência, de modo a permitir que o interessado tenha respeitado seu direito ao contraditório e ampla defesa. Anulada a Decisão Recorrida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORIAM os membros da 3" Camara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por dale de votos, em anular a decisão recorrida, XVII re SILVA — Relator attic' aram do presente julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henr que Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário pot meio do qual a recorrente pretende a restituição de valores que entende recolhidos indevidamente na competência 01/2005 referente guias de recolhimentos não consideradas na apuração de diversos débitos Consolidados em quatro NFLDs e outras autos de infração datados de 25/04/2005 com saldo de RS 20.560,26, 01 , A DRF-Vitória encaminhou os autos para diligência a ser realizada pela mesma autoridade fiscal que havia as fiscalizações que foram realizadas na recorrente no período de 08/200 a 01/2005, tis. 126. No relatório da diligência, ficou consignado que "a empresa incorreu em inúmeras faltas, conforme autos de infração lavrados, inclusive apresentação deficiente de elementos ou até mesmo duplicidade com informações divergentes, fato que causou grande dificuldade no processo de auditoria", fls. 134. Ao lado de tal informação, a mesma autoridade apontou existirem credito a favor da empresa conforme VNA de fls. 129/133. A DRF-Vitória indeferiu o pedido da recorrente e cientificou a interessada de tal despacho em 25/03/2008, fis, 139. O recurso voluntário foi apresentado em 23/04/2008, fls. 142/144, argumentando que existe saldo credor a favor da empresa decorrente de retenções de 11% corn códigos 2631 e 2.402 . o Relatório. Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento.. Nulidade por ausência de motivos de fato e de direito no despacho decisório Notamos que o direito da recorrente ao contraditório e à ampla defesa foi violado, sendo que três fatos nos levam a tal conclusão. O primeiro esta relacionada a uma aparente contradição entre a informação fiscal de fis. 128/134 e o despacho decisório de fls., 137/138.. Na informação fiscal ha uma planilha indicando crédito a favor da recorrente, mas o despacho indefere o pedido com base na informação fiscal. A contradição, como se vê, emerge naturalmente 0 segundo, é a falta de indicação de qual fato levou ao indeferimento, Teria sido a existência de imprecisões na documentação, problemas na guias ou créditos já aproveitados? Não ha como a recorrente inferir isso, de modo que esta se defendeu somente problemas nas guias. 4,7 Processo n°36204000963/2007-49 S2-C3T 1 Acórdiio n " 2301-01,702 Fl 203 O terceiro, é a total ausência de referência A legislação que rege os casos de restituição, salvo urna genérica citação do art, 89 da Lei 8212/91. Os fatos evidenciam um caso de cerceamento de defesa, o que nos leva a posicionarmos pela nulidade do despacho da DRF-Vitória/ES, em conformidade coin o art.. 59, inciso 11 do Decreto 70235/72. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para ANULAR o despacho decisório de fls. 1.37/138 por ter ocorrido cerceamento do direito de defesa. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 3
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934147/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até a decisão a ser prolatada no processo administrativo nº 13839.900581/2013-01.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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(Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fl. 22) contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração nº 27272.32114.150604.1.3.025903 (PerDcomp), em 15/06/2004 para compensação de débitos com o crédito de saldo negativo de IRPJ/2004, anocalendário de 2003, no valor de R$ 247.170,62. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 34 14 7/ 20 08 -5 6 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 292 2 A DERAT apurou inconsistência entre as informações registradas no PER/DECOMP e as apresentadas na DIPJ/2004 e nas DCTF´s em razão da qual emitiu o seguinte Termo de Intimação: (i) destaca que os valores dos créditos informados na DIPJ são diferentes dos valores declarados nas DCTF´s (quadro demonstrativo). (ii) que os débitos por estimativa informados na DIPJ são diferentes dos valores declarados nas DCTF´s (quadro demonstrativo). (iii) "Em relação ao crédito demonstrado, solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DECOMP retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período. Quanto aos débitos por estimativa, solicitase retificar a DIPJ e/ou DCTF tornando coerente as informações prestadas nestas declarações. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Em 25/09/2008 a DERAT emitiu Despacho Decisório com o seguinte teor: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser (sic) suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 247.170,62. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 648.391,95. IRPJ devido: R$401.516,80 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitando ao somatório das parcelas da DIPJ) (IRPJ devido) observando que quando esta cálculo resultar negativo, o valor é zero. Valor do saldo negativo disponível:R 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Cientificada (AR fls. ) a empresa apresentou a manifestação de inconformidade (fls 22/27) na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) que a análise do Per/Decomp apresenta grave erro resultante da divergência da expressão "Crédito" e da falta de observação das DCTF´s bem como da comprovação das Deduções do IRPJ e da DIPJ; b) a composição do Credito do IRPJ do exercício de 2004 ano calendário 2003 que é de R$ 246.875,15 e não o valor de R$ 648.391,95 que representa as deduções do IRPJ, pois a DIPJ é documento hábil para apuração do Crédito do IRPJ e não a Per/Dcomp; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 293 3 c) O Regulamento do Imposto de Renda dispõe, em seu artigo 231, que os pagamento mensais a título de estimativa, bem como as retenções de imposto de renda serão tratados como "deduções" do Imposto a pagar apurado anualmente para determinação do valor a pagar ou do "crédito" a ser compensado. Portanto, não há de se confundir "crédito de IRPJ" com "deduções do IRPJ". Em 28 de outubro de 2010 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) deu parcial provimento à manifestação de inconformidade (fls. 105/111) com base nos seguintes fundamentos: a) está bastante claro que o termo "Crédito" se referia à somatória das deduções realizadas, tanto que está mencionado no despacho decisório: "Crédito DIPJ: R$ 648.391,95 (somatório dos valores da FICHA 12 A, LINHAS 12 a 18)". Estas linhas incluem os valores do IRRF e dos pagamentos do IR por estimativa. b) em relação às diferenças apontadas na intimação quanto às estimativas registradas nas DCTF´s e na DIPJ a Impugnante somente apresentou as DCTF´s retificadoras após o despacho descisório em 30/10/2008; c) Foi constatada, através do sistema DIRF, a retenção de IRRF no total de R$ 178.965,69. O total das receitas declaradas nas DIRF´s é compatível com o total apresentado na DIPJ; d) Quanto ao pagamento das estimativas, foi comprovada parte das estimativas no total de R$ 248.027,03. e) As estimativas dos meses de janeiro/03 (R$ 43.369,50), fevereiro/03 (R$ 19.164,42 e março/03 (R$ 97.353,01), foram compensadas com o saldo negativo do IRPJ/2003, ano calendário de 2002, através dos PER/DCOMP´s nºs 35598.00796.18120.31302.7053 (Retificador nº 38467.04981.170908.1.7.024749) e 10.638.26593.18120.31302.1031 (Retificador nº 18714.93172.170908.1.7.03 6394) pendentes de análise (fls. 99/104 numeração do eprocesso). Cientificada (AR fls. 113) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 114/119, no qual alegou, resumidamente, o seguinte. a) Em relação a divergência de valores entre a DIPJ e a DIRF trouxe comprovantes de retenção do Banco Itau, bem como cópia do informe de rendimentos oficial que demonstram que os valores corretos são os constantes da DIPJ. b) Que não é possível dar prosseguimento ao processo de cobrança dessa lide, uma vez a discussão do crédito em questão depende, como reconhecido na própria decisão recorrida, da solução de outros procedimentos de compensação. Enquanto não solucionados os demais processos a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 294 4 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) Da divergência dos valores de IRRF constantes da DIPJ e DIRF. A decisão recorrida reconheceu que o total das receita declaradas nas DIRF´s era compatível com o total apresentado na DIPJ, o que demonstrou no quadro abaixo: A recorrente afirma que o informe de rendimentos oficial fornecido pelo Banco Itaú (fls. 142) comprovam a retenção dos R$ 43.522,95 e os livros contábeis a retenção de R$ 6.555,28 o que demonstraria a falha do sistema DIRF. A diferença apresentada no código 5706 no montante de R$ 4.283,59 referese a retenção ocorrida em 28/03/03. Diante desses fatos requer que seja homologado o valor de retenção de IRRF de R$ 194.204,58. Com efeito, a soma das retenções constantes do Informe de rendimentos financeiros juntado às fls. 142, código 6800, corresponde à R$ 43.522,95. Temos, portanto, dois documentos contraditórios e incompatíveis entre si. Para a receita federal a instituição financeira declarou retenção R$ 32.289,42. Por outro lado, ao enviar o informe de rendimentos financeiros ao contribuinte a instituição registra o valor total de retenções no montante de R$ 43.522,95. O contribuinte não tem como verificar ou mesmo comprovar a eventual incorreção da DIRF. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 295 5 Nesse sentido, é importante registrar que o Código de Processo Civil de 2015 trouxe relevante inovação quanto à distribuição do ônus da prova. O artigo 373, §1º passou a admitir a denominada distribuição dinâmica do ônus da prova, segundo a qual o ônus da prova incumbe a quem tem melhores condições de produzila: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.(grifamos) Como já dito, na hipótese dos autos, parece claro que o contribuinte não tinha como identificar quais os valores tinha sido declarados na DIRF os quais conflitam com os mencionados no informe de rendimentos a ele enviado. Por outro lado, a soma das retenções constantes do Informe de rendimentos financeiros juntado às fls. 142, código 6800, corresponde à R$ 43.522,95 o que é prova suficiente do alegado pelo Recorrente. 2) DO VALOR DAS ESTIMATIVAS E DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. Conforme exposto no relatório a decisão recorrida negou o crédito total requerido pela contribuinte por entende que as estimativas dos meses de janeiro/03 (R$ 43.369,50), fevereiro/03 (R$ 19.164,42 e março/03 (R$ 97.353,01), foram compensadas com o saldo negativo do IRPJ/2003, ano calendário de 2002, através dos PER/DCOMP´s nºs 35598.00796.18120.31302.7053 (Retificador nº 38467.04981.170908.1.7.024749) e 10.638.26593.18120.31302.1031 (Retificador nº 18714.93172.170908.1.7.03 6394) pendentes de análise (fls. 99/104 numeração do eprocesso). Sendo assim, tal fato retiraria a liquidez e certeza do crédito pretendido. No entanto, como reconhece a própria decisão recorrida, os mencionados processos encontramse pendentes de análise no âmbito administrativo.. Sendo assim, não é possível afirmar que o crédito por ela utilizado carece de liquidez e certeza até que os referidos tenham decisão definitiva, tendo em vista o disposto no artigo 151, III, do CTN. Temse aqui uma relação de dependência na medida que a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, é a homologação de outra Declaração de Compensação, que saldou a estimativa de do anocalendário de 2002. Por sua vez, o RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 296 6 §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Essa turma já firmou o entendimento no sentido de que não há como se prosseguir com o julgamento deste processo sem o desfecho dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.934147/200856 Resolução nº 1402000.798 S1C4T2 Fl. 297 7 regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação de compensação ulteriomente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Diante de todo o exposto, resolvese por sobrestar o presente feito até a prolatação de Acórdão meritório definitivo apreciando a procedência do crédito e a homologação das compensações, nos autos do processo administrativo nº 13839.900581/2013 01, para, somente então, retomarse o julgamento. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.726880/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01
Numero da decisão: 2401-005.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Miriam Denise Xavier - Presidente.
Luciana Matos Pereira Barbosa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Miriam Denise Xavier Presidente. Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 68 80 /2 01 1- 51 Fl. 436DF CARF MF 2 Relatório Contra o sujeito passivo acima identificado foram lavrados os seguintes Autos de Infração, a saber: · DEBCAD n° 37.284.5720 – no valor total de R$ 3.629.451,24 (fl. 5): referente às contribuições destinadas à Seguridade Social e relativas à parte patronal, formalizadas nos levantamentos CI – Contribuinte Individual, e CO e CO2 – Cooperativa de Trabalho; · DEBCAD n° 37.284.5703 – no valor total de R$ 102.136,81 (fl. 3): referente à infração por descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social os valores das Notas Fiscais / Faturas emitidas pelas Cooperativas de Trabalho; e · DEBCAD n° 37.284.5711 – no valor total de R$ 3.811,00 (fl. 4): referente à infração por declarar GFIP de forma incorreta nos campos Código FPAS, Outras Entidades, RAT e CNAE Fiscal. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 14/22), o lançamento foi formalizado para prevenir a decadência das contribuições, suspensas nos termos do inciso V do artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN em razão do deferimento do pedido de tutela antecipada no Processo Judicial de nº 3309519.2011.4.01.3800. Foi aplicada a multa mais benéfica em razão das alterações ocorridas na Lei nº 8.212/1991, promovidas pela Medida nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, sendo aplicado o percentual de 24% (vinte quatro por cento) para as competências anteriores à 12/2008, e o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) para a competência 12/2008, de acordo com o Discriminativo de Débito e o título VIII do Relatório Fiscal. Devidamente cientificada, a Interessada apresentou impugnação, às fls. 229/243, em relação ao Auto de Infração – AI nº 37.284.5720, e, às fls. 261/282, em relação ao AI nº 37.284.5703. Em relação ao AI nº 37.284.5711, não há impugnação, mas o pagamento da multa, de acordo com a consulta realizada no Sistema de Cobrança – SICOB da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. O AI nº 37.284.5720 restou impugnado com as seguintes considerações: (i) Argumenta que todos os pagamentos apontados pela fiscalização como fatos geradores das contribuições sociais previstas nos incisos III e IV do artigo 22 da Lei 8.212, de 1991, são objeto de discussão judicial nos autos do Processo nº 33095 19.2011.4.01.3800 em trâmite na 7ª Vara Federal de Belo Horizonte. Defende que aquele Juízo acolheu a tese do Superior Tribunal de Justiça e deferiu a antecipação de tutela pleiteada reconhecendo pela não incidência da tributação sobre os pagamentos correspondentes a atendimentos médicos (contribuintes individuais e cooperados) feitos a favor dos usuários de seus planos de saúde, suspendendo, com isso, a exigibilidade das contribuições. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 3 3 (ii) Tratando dos incisos III e IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e da definição de que é “plano privado de assistência à saúde”, alega que o consumidor, do plano, é quem usa e se beneficia dos serviços prestados pelos prestadores de serviços, onde o papel da autuada limitase ao pagamento das despesas feitas pelo consumidor, e nada mais. (iii) Defende que a situação não pode ser considerada como intermediação de mão de obra, porquanto o prévio credenciamento do profissional importa em mero compromisso do médico (autônomo ou cooperado) em atender ao consumidor, caso requisite, não havendo, assim, qualquer outro vínculo obrigacional da operadora com o profissional, senão o encargo de pagar a referida despesa. Nessa circunstância, discorre no sentido de que não poderá ser considerada como sujeito passivo da obrigação previdenciária em tela, pois quem se aproveita da prestação de serviço exercida pelo profissional de saúde é o usuário de seus planos. (iv) Citando o inciso I do artigo 121 do CTN, fala que a relação direta e pessoal, a configurar a sujeição passiva tributária, seria entre os profissionais (autônomos e cooperados) da área da saúde e o usuário da operadora dos planos. Nessa medida, conclui que o ônus de arcar com a despesa do usuário não configuraria o preenchimento do aspecto pessoal da contribuição social em questão, posto que não é a impugnante quem pratica o pressuposto básico do fato gerador, que seria o de tomar serviço do profissional da área de saúde (autônomo ou cooperado). (v) Alega que os contratos de planos de saúde têm natureza aleatória, e, em razão disso, é que o fato da prestação pelo profissional médico ocorrer ou não em nada influi no exercício da atividade fim da operadora, que é contratada pelo consumidor para fazer frente às suas despesas com assistência médica, caso essas se verifiquem. (vi) Argumenta que nada mais faz do que pagar uma despesa efetuada em nome do paciente atendido pelo hospital, ou, no caso dos autos, pelo profissional da área da saúde, contribuinte individual ou cooperado. Nesse sentido, traz entendimento proferido pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça nos Edcl. do Recurso Especial nº 442.829/MG. (vii) Afirma não existir relação jurídica válida entre a empresa autuada e a União que permita a exigência da contribuição previdenciária prevista no artigo 22, incisos III e IV, da Lei nº 8.212, de 1991, e legislação correlata, no que toca à prestação de serviços por profissionais de saúde aos consumidores de seus planos, e que entendimentos contrários estariam a violar os artigo 109, 110 e 121 do CTN, bem como o inciso I do artigo 1º e 34, ambos da Lei nº 9.656/1998. (viii) Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e recorre ao artigo 62A da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, requerendo, dessa forma, a improcedência do Auto de Infração impugnado. (ix) Além disso, sustenta que o lançamento não teria levado em consideração a alínea “a” do inciso I do artigo 291 da Instrução Normativa MPS/SRP 3, de 14 de julho de 2005. Nessa hipótese, argumenta que a fiscalização teria considerado como base de cálculo o valor bruto das Notas Fiscais, cujo pressuposto afronta a legislação expressa no citado artigo 291, que determina que o tributo incida sobre trinta por cento do valor total da prestação de serviço médico efetuado em ambiente hospitalar. Fl. 438DF CARF MF 4 (x) Ao final, requer a improcedência do Auto de Infração impugnado, e, alternativamente, a aplicação da alínea “a” do inciso I do art. 291 da Instrução Normativa MPS/SRP 3, de 2005. (xi) Ao final, em seus pedidos, requer a produção de qualquer meio de prova permitido, em especial, a produção de prova testemunhal através da qual comprovará que os investimentos em educação e capacitação profissional ocorrem de forma geral abrangendo os empregados e diretores, e, ainda, a juntada de novos documentos e contratos de planos de saúde. Por sua vez, o AI nº 37.284.5703 foi impugnado da seguinte forma: (i) Argumenta que o referido Auto de Infração é conexo com o AI nº 37.284.5720, pelo fato de que o seu objeto é a aplicação de multa pelo não cumprimento da obrigação acessória de declarar fato gerador que também está em discussão naquele auto de infração. Portanto, defende que, se não há obrigação de pagar o tributo propriamente dito, também não há que se falar em obrigatoriedade de declarálo em GFIP, não sendo outra a conclusão, senão a impertinência da multa por descumprimento da obrigação acessória. Dessa forma, requer que o presente feito seja analisado em conjunto com a impugnação do AI nº 37.284.5720. (ii) Argumenta pela nulidade do ato administrativo, porque estaria amparado em fundamentos legais revogados. Esclarece que a Lei nº 11.941/2009 expressamente teria revogado o inciso IV e o parágrafo 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/1991, que deu suporte ao auto de infração, o que não se pode considerar como fundamentos válidos, sob pena de afrontar ao princípio da reserva legal previsto pelo inciso XXXIX do artigo 5º da Constituição Federal. (iii) Defende, com fundamento no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, que se deve aplicar o inciso II do artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, que é norma posta pela Lei nº 11.941/2009, e menos severa do que a anteriormente prevista no parágrafo 5º do artigo 32 da citada Lei nº 8.212/1991, que previa a pena de 100% (cem por cento) do tributo não declarado. (iv) Aduz que a exigibilidade da contribuição social objeto do presente auto de infração encontrase suspensa por causa da antecipação de tutela no Processo nº 33095 19.2011.4.01.3800 em curso perante a 7ª Vara Federal de Belo Horizonte. Dessa forma, defende que, se não há obrigação de pagar tributo, segundo aquela decisão judicial, não se pode falar em obrigatoriedade de declarálo, implicando na impertinência da multa aplicada, sendo isso o que requer. (v) Por fim, repetindo os argumentos expostos na defesa do Auto de Infração de obrigação principal – AI nº 37.284.5720, afirma que não se pode exigir da impugnante a declaração de um tributo que sequer existe, considerando, em apertada síntese, que apenas intermedia planos de saúde, e nada mais faz do que pagar as referidas despesas, como se um cliente particular fosse. (vi) Requer a nulidade do Auto de Infração na medida que os seus fundamentos legais se escoram em dispositivo legal revogado pela Lei nº 11.941/2009. (vii) Requer, alternativamente, a improcedência da autuação, pois, se não existe obrigação tributária principal, inclusive em razão da suspensão por determinação judicial, não haveria a obrigação de constar em GFIP os pagamentos feitos a favor de profissionais da área da saúde, contribuintes individuais e cooperados. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 4 5 (viii) Requer, ainda, na eventualidade de ser devida a multa, que seja aplicado o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, juntamente com o artigo 32A, inciso II, da Lei nº 8.212/1991. (ix) Ai final, requer a produção de qualquer meio de prova permitido, em especial, a juntada de novos documentos e contratos de planos de saúde. Na sequência, tendo em vista que no Relatório Fiscal (fls. 14/22) não havia notícia de qual o tipo de contrato celebrado entre a empresa autuada, como empresa tomadora dos serviços, e as Cooperativas de Trabalho, o processo foi convertido em diligência para o pronunciamento fiscal, conforme Despacho de fls. 302/303. Através de Relatório Complementar de fls. 308/313 e de Informação Fiscal de fls. 314/316, a Fiscalização esclareceu que, analisando os contratos de serviços médicos, entre a PROMED – Assistência Médica Ltda. e as Cooperativas de Trabalho, observouse que “os mesmos têm como objeto social a prestação de serviços de assistência médica prestados por cooperados ao sujeito passivo, em regime de internação hospitalar ou ambulatorial, incluindo exames complementares”. Assim, a Fiscalização concluiu que os contratos firmados entre o sujeito passivo e as Cooperativas encaixavamse na modalidade de grande risco ou risco global, cuja base de cálculo de incidência das contribuições previdenciárias corresponde a 30% (trinta por cento) do valor bruto da Nota Fiscal, conforme estabelecia o ato vigente à época, a Instrução Normativa IN MPS/SRP nº 3, de 14/07/2005 (DOU de 15/07/2006), em seu artigo 291, inciso I, alínea “a”. Nesse contexto, a Autoridade Fiscal sugere a revisão da base de incidência da contribuição, e informa, para as obrigações acessórias, depois de realizados novos cálculos, que não se altera as multas impostas nos AIs nº 37.284.5703 e nº 37.284.5711. Recebido o Relatório Fiscal Complementar, a empresa fiscalizada manifestouse (fls. 318/349) da seguinte forma: Reportando à Ação Ordinária de nº 3309519.2011.4.01.3800, perante a 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, diz estar suspensa à exigibilidade dos créditos tributários, gerando a nulidade do auto de infração, eis que com a sua lavratura restou preterido o seu direito de defesa. Novamente argumentou que a fiscalização desconsiderou o fato que a empresa é tomadora de serviços que celebra seus contratos com as Cooperativas, que, por sua vez, estabelecem suas relações com os cooperados, repartindo entre os mesmos os dividendos das operações realizadas. Transcreve parte da decisão de primeira instância judicial. Acresce, em vista da ADI 2594, e da manifestação da Procuradoria Geral da República pela procedência da ação e da consequente inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, que o Supremo Tribunal Federal têm sido no sentido de deferir os pleitos em face da presença do fumus boni iuris e do periculum in mora. Cita julgados, inclusive o que estabeleceu a repercussão geral sobre a matéria, e salienta, nesse aspecto, que deveria ser observada, pela Delegacia de Julgamento, a disposição contida no artigo 62A da Portaria MF nº 586, de 2010. Fl. 440DF CARF MF 6 Conclui por ter demonstrado que a cobrança seria indevida, assim como a aplicação da multa, considerando que a norma seria carecedora de constitucionalidade, na qual a situação caminha para o reconhecimento a ser feito pelo STF na ADI 2594. No tópico da cobrança indevida das contribuições, a impugnante reafirma que as prestações dos serviços não são realizadas diretamente por ela, mas apenas repassa a remuneração devida ao profissional da área de saúde, como se fosse particular. Nesse sentido, traz entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Acresce que a alteração trazida pela Lei nº 9.876, de 1999, manteve o que dispunha a norma introduzida pela LC nº 84, de 1996, que a base de cálculo da contribuição diz respeito às remunerações dos serviços prestados pelos cooperados, à tomadora, por intermédio das Cooperativas. Diz que, na vigência da LC nº 84/96, o Superior Tribunal de Justiça já havia se posicionado no sentido de que a base de cálculo desta contribuição seria o valor dos honorários dos médicos cooperados. Cita julgados.. Assim, defende que a base de cálculo da contribuição seria o valor bruto dos serviços prestados, e, para o cálculo do tributo incidente, não poderiam ser consideradas outras despesas pagas pela empresa, como o custo operacional da Cooperativa não relacionado a honorários médicos. Reporta ao artigo 121 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, que diz que os valores de materiais ou de equipamentos (...), discriminados no contrato e na nota fiscal (...) de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, e, observa, assim, que devem ser decotadas do valor as despesas não decorrentes da prestação de serviços. Nesse contexto, argumenta que realizou outros pagamentos às Cooperativas que não eram referentes aos serviços prestados pelos cooperados, tais como medicamentos usados nos tratamentos e outras despesas com pacientes, não devendo estes ser considerados na base cálculo apurada, pois não retrataria o montante sobre o qual deveria incidir a cobrança. Observa, por amostragem, que já teria anexado documentação relativa aos contratos celebrados com as Cooperativas, dos quais constam pagamentos de outras despesas além daquelas decorrentes de honorários médicos. Como exemplo, cita o contrato celebrado com a COMEDI – Cooperativa de Especialidades Médicas de Itabirito. Conclui que o valor cobrado não foi apurado devidamente, porque recaiu sobre todos os pagamentos realizados às Cooperativas e não somente sobre os quais ensejam a cobrança da contribuição para a seguridade, na forma do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, e artigo 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Conclui que, suspensa a exigibilidade dos créditos tributários lançados, impõese a declaração de nulidade, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, considerando que a lavratura do auto de infração teria preterido o seu direito de defesa. Na sequência, narra que a fiscalização lançou valores que se tratavam de provisão feita pela impugnante, e não de notas fiscais pagas para as Cooperativas, em desrespeito ao que dispõe o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 5 7 Descreve que esse fato ocorreu em diversos casos, citando como exemplo as provisões feitas para a COOPERCON – Cooperativa de Trabalho Médico de Contagem e a SANCCOP – Cooperativa de Serviços Médicos Ltda. de Montes Claros. Conclui, diante desses argumentos e de todos os documentos acostados ao processo administrativo, que a contabilização da base de cálculo feita pela fiscalização estaria errada e a onerar indevidamente a impugnante. Comenta, em tópico seguinte, que as condutas descritas pela fiscalização (crime de sonegação de contribuição previdenciária do art. 337A, I e II, do Código Penal) não são suficientes para a descaracterização da contabilidade da empresa e não serve para sustentar a representação fiscal com fins penais em face da impugnante. No tópico da finalidade educativa da multa exigida, a impugnante trata dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, e, em que pese o embasamento legal para a sua aplicação, segundo o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, entende que o patamar de 75% deve ser reduzido, pois não haveria gravidade tamanha que motivasse a pesada multa. Alternativamente, salienta que os valores devem ser decotados em relação a cada lançamento anulado. Conclui, em razão de não existir fraude ou mesmo omissão, e na pendência de decisão definitiva no âmbito administrativo e judicial, ser necessária a anulação das multas excessivas, aplicandose tão somente a multa de acordo com o artigo 61 da Lei 9.430, de 1996, ou, pelo menos, a sua diminuição de modo que guarde proporcionalidade entre a violação da norma jurídica e a sua consequência. Requer a nulidade do auto de infração, eis que, com sua lavratura, em face da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, restou preterido o seu direito de defesa. Requer que seja cancelada a cobrança em vista do caráter inconstitucional. Requer, alternativamente, o cancelamento da exigência fiscal. Requer a exclusão das despesas da base de cálculo, conforme documentos. Requer a produção de todos os meios de prova permitidos, notadamente a documental que ora se junta. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0246.610 da 6ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 373/387, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Confirase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 JURISPRUDÊNCIAS JUDICIAIS E DOUTRINAS. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRATOS COM COOPERATIVAS PARA PAGAMENTO Fl. 442DF CARF MF 8 APÓS ATENDIMENTO. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS RFFP. As jurisprudências judiciais e doutrinas, postas em defesa, não vinculam a Administração, em observância ao princípio da legalidade. Incorre em renúncia ao contencioso administrativo quando a impugnação versa sobre a mesma matéria aduzida perante o Judiciário. Considerando que o momento de impugnação é depois da formalização do crédito tributário, não se pode falar em cerceamento de defesa antes do lançamento fiscal. Nos contratos por custo operacional com Cooperativas de Trabalho da área médica, a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, como serviços efetivamente realizados pelos cooperados, é o valor constante das notas fiscais para pagamento após atendimento. Na instância administrativa, não se discute a RFFP. GFIP GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. APLICAÇÃO DA LEI DE REGÊNCIA. Constitui infração à legislação a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições. Aplicase a legislação de regência, consoante o artigo 144 do CTN, quando a penalidade prevista na lei em vigor não é mais favorável ao contribuinte, de acordo com a alínea “c” do inciso II do art. 106 do mesmo Código. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Do resultado do julgamento, o contribuinte Recorrente foi intimado em 22/08/2013 (fl. 390). Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/09/2013 (às fls. 392/417), argumentando, em síntese, o que segue: (i) Do efeito suspensivo. A Recorrente ajuizou em sua defesa Ação Ordinária em face da União Federal com o desiderato de afastar a incidência da contribuição social, matéria objeto de discussão no caso em comento, prevista no artigo 22 da Lei nº 8.212/91. No caso, a mencionada Ação Ordinária ainda está em curso perante a 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais (Processo nº 3309519.2011.4.01.3800 e foi deferida a antecipação dos afeitos da tutela, sendo posteriormente confirmada pela procedência dos pedidos, conforme sentença exarada em 08/11/2012. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 6 9 Portanto, resta evidente que está suspensa a exigibilidade dos créditos tributários cobrados por meio deste Auto de Infração eis que com a sua lavratura restou definitivamente preterido o direito de defesa da impugnante. Narra que o Fisco desconsiderou o fato de que a Recorrente é a empresa tomadora de serviços que celebra os seus contratos com as cooperativas, pessoas jurídicas, que por sua vez estabelece as suas relações com os cooperados, repartindo entre os mesmos os dividendos das operações realizadas. Cita as razões de decidir da sentença proferida pelo Juízo da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais (Processo nº 3309519.2011.4.01.3800, destacando o seguinte trecho: “É evidente que o dever da empresa autora resumese no repasse da remuneração devida ao profissional da saúde, como se particular fosse, quando um terceiro, o segurado, utiliza e beneficiase dos serviços prestados”. Não obstante, argumenta que a Receita Federal entendeu de forma diversa, salientando que há em andamento a ADI 2594 que se encontra pendente de julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. Afirma que a própria Procuradoria Geral da República, em 2006, se manifestou pela procedência da referida ADI e a consequente inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Do mesmo modo o STF tem se pronunciado favoravelmente, reconhecendo, inclusive, a repercussão geral do tema. Cita jurisprudência. Defende a aplicabilidade do artigo 62A da Portaria MF nº 586/2010, devendo ser observada pelo CARF. Conclui que resta demonstrado a cobrança desarrazoada, assim como a aplicação da multa em face da Recorrente, vez que se funda em norma carecedora de constitucionalidade, situação que caminha para o reconhecimento a ser feito pelo STF, no caso de provimento da ADI 2594. (ii) Da cobrança indevida. As contribuições destinadas à seguridade social com a finalidade de assegurar os direitos sociais relativos à saúde, à previdência e a assistência social, estão insculpidos no artigo 194 da Constituição Federal. Sua instituição está regulamentada no artigo 195, inciso I, alínea “a” da CF. A Lei nº 8.212/91, denominada Lei Orgânica da Seguridade Social, sistematizou a sua organização, instituindo o plano de custeio e dando outras providências. A Lei Complementar 84/96, estabeleceu que uma das formas de seu financiamento seria com as contribuições dos empregados ou tomadores de serviços, tendo como base de cálculo os valores das respectivas remunerações. Deste modo, ficaram as cooperativas responsáveis pela obrigação de recolher a contribuição social incidente sobre as importâncias pagas, distribuídas ou creditadas aos seus cooperados, prestadores de serviço. Fl. 444DF CARF MF 10 Posteriormente, a Lei nº 9.876/99 introduziu o inciso IV do artigo 22 da Lei 8.212/91, e revogou a referida LC nº 84/96. Com esta inovação na legislação, a responsabilidade pela contribuição passou a recair sobre os tomadores dos serviços, e não mais as cooperativas que realizam o intermédio. No caso, resta claro que a Recorrente não tem o dever em repassar a remuneração devida ao profissional da área de saúde, como se fosse particular, quando um terceiro, qual seja, o segurado, utiliza e se beneficia com os serviços disponibilizados. Diante disso, resta patente que a prestação dos serviços não são realizados diretamente pela Recorrente. Transcreve jurisprudência. Ademais, é certo que a alteração trazida pela Lei nº 9.876/99 manteve o que dispunha a norma tributária introduzida pela LC nº 84/96, que a base de cálculo da contribuição diz respeito às remunerações dos serviços prestados pelos cooperados a tomadora, por intermédio das cooperativas. Na vigência da LC nº 84/96, o STJ já havia se posicionado no sentido de que a base de cálculo desta contribuição seria o valor dos honorários dos médicos cooperados. Cita jurisprudência. Defende que, tendo a lei estabelecido que a base de cálculo da contribuição será o valor bruto dos serviços prestados para o cálculo do tributo incidente, não deverão ser consideradas outras despesas pagas pela Recorrente às cooperativas que não sejam decorrentes dos serviços. Utilizando o artigo 121 da Instrução Normativa RFB nº 971 de 13 de novembro de 2009, defende que devem ser decotadas as despesas que não sejam decorrentes da prestação de serviços, tais como medicamentos usados nos tratamentos e outras despesas com pacientes, não devendo estes considerados na base de cálculo. Sendo assim, não restam dúvidas de que os valores utilizados pelo Agente Fiscal como base de cálculo para a incidência das referidas contribuições, não retrata verdadeiramente aquele montante sobre o qual deveria incidir a cobrança. Por amostragem, a Recorrente já anexou toda a documentação referente a pagamentos realizados de contratos celebrados com as Cooperativas, dos quais constam pagamentos de outras despesas além daquelas decorrentes de honorários médicos. Por último, defende a suspensão de exigibilidade do crédito tributário tendo em vista a interposição do presente Recurso Voluntário. (iii) Da apuração dos valores faturados. Data venia ao entendimento lançado no acórdão guerreado, cumpre registrar que, de acordo com o que dispõe o citado inciso IV, do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99, a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, deverá recair sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Todavia, após detida consulta e análise das planilhas anexadas ao Auto de Infração, apurou se o Agente Fiscal e considerou como base de cálculo da cobrança da contribuição valores que não se tratavam daqueles efetivamente faturados. De fato, na confecção da planilha referente ao ano de 2006 e na elaboração dos cálculos, o Agente Fiscal lançou valores que se tratavam de provisão feita pela Recorrente, conforme cópia do Livro Razão Analítico de 01/01 a 31/12 de 2006, juntado aos autos e não de Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 7 11 notas pagas para as cooperativas, em evidente desrespeito ao que dispõe o artigo 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, data venia, ao r. decisum da 6ª Turma que não aceitou os argumentos lançados. O fato supracitado ocorreu em diversos casos e por amostragem a Recorrente demonstrou devidamente que se tratava de provisões feitas para a COOPERCON e a SANCOOP. Diante desses argumentos e de todos os documentos acostados ao processo administrativo, está suficientemente demonstrado que a contabilização da base de cálculo feita pelo Agente Fiscal é errática e onera indevidamente a Recorrente, não devendo prosperar a presente cobrança, bem como o acórdão recorrido. (iv) Face o exposto, requer a Recorrente que seja recebido o presente Recurso Voluntário aviado contra a decisão de primeira instância administrativa, vez que interposto no prazo previsto em lei, além da Recorrente ter cumprido com as formalidade legais para que: (a) seja cancelada a cobrança, tendo em vista o seu caráter eminentemente inconstitucional; (b) pelo princípio da eventualidade, acaso rechaçados os pedidos acima, sejam revistos os lançamentos efetuados, sendo julgado este Recurso totalmente procedente, cancelando se a exigência fiscal descrita na autuação; (c) seja excluído da base de cálculos os valores relativos às despesas, conforme alegações e documentos juntados; (d) caso assim entenda o I. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sejam os autos baixados em diligência para a análise da documentação apresentada pela contribuinte a fim de que seja certificada a regularidade e lisura dos procedimentos adotados pela Recorrente no que tange ao recolhimentos das contribuições previdenciárias e tributos reflexos; (e) acaso assim não entenda este I. Conselho de Contribuintes seja determinada a realização de prova pericial contábil inicialmente requerida pela Recorrente, sob pena da inafastável nulidade do Processo Tributário Administrativo, seja pelo cerceamento ao direito de defesa ou pela ausência de certeza e liquidez do lançamento realizado, tendo em vista a utilização de artifício matemático pela fiscalização para a apuração pretenso crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 446DF CARF MF 12 A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 22/08/2013 (fl. 390), e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 11/09/2013 (fls. 392/417), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO a. Da existência de Processo Judicial tratando da mesma matéria. Concomitância. Conforme relatado, a Recorrente tem a seu favor ação própria (Processo nº 3309519.2011.4.01.3800), inicialmente em trâmite perante a 7ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, com antecipação de tutela, suspendendo a cobrança das contribuições previdenciárias previstas nos incisos III e IV do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 1991, em relação aos serviços prestados pelos profissionais de saúde contribuintes individuais e cooperados em favor dos usuários dos planos de saúde da autora, ora a empresa impugnante. A propósito, peço venia para transcrever trecho da r. Decisão que concedeu a antecipação de tutela (fls. 257/260): “Concluise, enfim, que a autora se restringe a intermediar o serviço de assistência médica e tornálo acessível a pessoas que pagam planos de saúde. O vínculo formado entre a operadora de plano de saúde e os médicos credenciados é peculiar e não implica prestação de serviços propriamente dita, hipótese de incidência da contribuição prevista no artigo 22, III e IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Plausível, pois, a tese defendida na exordial. Vinco que o eg. Superior Tribunal de Justiça tem se posicionado de forma favorável à pretensão da autora, (...).” Posteriormente, às fls. 364/367, a Recorrente informa a existência de sentença de procedência proferida pela então 7ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais. Confirase: “[...] É evidente que o dever da empresa autora resumese no repasse da remuneração devida ao profissional da saúde, como se particular fosse, quando um terceiro, o segurado, utiliza e beneficiase dos serviços prestados. Dessa forma, a prestação dos serviços não é feita diretamente à autora. (...). Sendo assim, reputo indevidas as cobranças do tributo previsto nos incisos III e IV do art. 22 do referido diploma legal no que tange à remuneração dos profissionais de saúde que atendem os usuários dos planos ofertados pela autora, sejam eles contribuintes individuais ou cooperados por intermédio das respectivas cooperativas. III – DISPOSITIVO Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 8 13 Pelas razões expostas, JULGO PROCEDENTE o pedido formulado para determinar que a ré se abstenha de cobrar as contribuições previdenciárias previstas nos incisos III e IV do art. 22 da Lei 8.212/91 em relação aos serviços prestados pelos profissionais de saúde contribuintes individuais e cooperados em favor dos usuários dos planos de saúde da autora devendo ainda repetir os valores pagos a esse título pela empresa a partir de 22/06/2006 devidamente corrigidos pela SELIC. Determino a manutenção da suspensão da exigibilidade da contribuição social em comento independentemente do trânsito em julgado o que faço com fulcro no art. 520, VII do CPC. Processo sentenciado com resolução do mérito (art. 269, I, CPC).” Em consulta ao andamento processual no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1ª Região – (http://portal.trf1.jus.br/portaltrf1/paginainicial.htm), verifiquei a existência de recurso de apelação interposto pela União (Fazenda Nacional). Todavia, em acórdão da lavra do Desembargador Federal Marcos Augusto de Sousa, por unanimidade, a 8ª Turma do TRF da 1ª Região negou provimento ao apelo e à remessa oficial, em acórdão assim ementado: “Numeração Única: 330951920114013800 APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO 0033095 19.2011.4.01.3800/MG Processo na Origem: 330951920114013800 RELATOR(A): DESEMBARGADOR FEDERAL MARCOS AUGUSTO DE SOUSA APELANTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: CRISTINA LUISA HEDLER APELADO : PROMED ASSISTENCIA MEDICA LTDA ADVOGADO: FELIPE MAGALHAES ROSSI E OUTROS(AS) REMETENTE: JUIZO FEDERAL DA 7A VARA MG EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (ART. 22, III E IV, LEI Nº 8.212/91). OPERADORA DE PLANOS DE SAÚDE. VALORES PAGOS A PROFISSIONAIS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS (AUTÔNOMOS) E COOPERADOS DA ÁREA DE SAÚDE. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA REITERADA DO STJ E DESTE TRIBUNAL. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. Fl. 448DF CARF MF 14 1. A jurisprudência é pacífica no sentido de que não incide a contribuição prevista no artigo 22, III e IV, da Lei nº 8.212/91 sobre os valores repassados a profissionais contribuintes individuais (autônomos) e cooperados da área de saúde por empresa operadora de planos de saúde. Precedentes do STJ e deste Tribunal. 2. Apelação e remessa oficial não providas. ACÓRDÃO Decide a Turma, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial. 8ª Turma do TRF da 1ª Região – 1º/08/2014.” Por sua vez, em decisão monocrática da Ministra Diva Malerbi (desembargadora convocada do TRF da 3ª região), a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça não conheceu do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional (AREsp nº 874945/MG): “[...] Ante o exposto, com fulcro no art. 253, parágrafo único, inc. II, "a", do RISTJ, na redação dada pela Emenda Regimental n. 22, de 16 de março de 2016, não conheço do recurso especial.” Em seguida, foi certificado o Transitado em Julgado em 08/08/2016, tornandose definitiva, portanto, a decisão judicial. Cotejando os elementos do processo administrativo, em especial, os itens 3 e 4 do Relatório Fiscal (tratam das contribuições previdenciárias exigidas, da ação judicial com decisão definitiva, e do lançamento para prevenir a decadência), ainda, as planilhas elaboradas pela fiscalização (contribuintes individuais – área médica, e Cooperativas de serviços médicos) com o contido nos julgados judiciais e com a defesa administrativa, vêse que não há distinção de objeto quanto a existir ou não relação jurídica tributária entre a Recorrente, como empresa seguradora de planos de saúde, e a União. Com efeito, a propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Nessa linha de entendimento foi editada a Súmula CARF nº 01: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Sobre os efeitos da renúncia, disciplina o Parecer Normativo Cosit nº 7/2014: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10680.726880/201151 Acórdão n.º 2401005.971 S2C4T1 Fl. 9 15 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012.” Ante o exposto, considerando que a questão debatida nos presentes autos foi objeto de análise pelo Poder Judiciário, constatase que houve renúncia à esfera administrativa, devido ao trânsito em julgado da ação que declarou a inexistência da relação jurídica tributária, bem como a perda de objeto em relação à matéria remanescente, não se conhecendo, assim, dos argumentos explicitados pelo Recorrente, a teor da previsão contida na Súmula CARF nº 01. Fl. 450DF CARF MF 16 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por perda de objeto, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 451DF CARF MF
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