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Numero do processo: 13851.902217/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 17 /2 00 9- 23 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902217/200923 Acórdão n.º 1302002.522 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002491/2004-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-006.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 24 91 /2 00 4- 24 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 3 2 Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3101001.215 – objeto de embargos de declaração opostos pela Fazenda contra acórdão nº 3101000778, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para: · Afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; · Desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; · Determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito. O Colegiado, assim, consignou acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir "receita de exportação" e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do 1P1, no sendo confundidos com produtos "NT" que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO — RESSARCIMENTO — AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS — A base de cálculo do credito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 4 3 aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente A. relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IN será calculado, exclusivamente, em relação as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e as Contribuições ao PIS/PASEP (IN n 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao credito presumido (TN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provis6ria, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração face ao decidido no acórdão 3101000.778 que proveu parcialmente o recurso voluntário para afastar o impedimento do uso do benefício da saída de produtos classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI. Traz o pedido de sobrestamento do recurso voluntário. Em acórdão de embargos 3101001.215 refletiuse que o Colegiado, por unanimidade de votos deu parcial provimento aos embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, e DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para: · Incluir na receita bruta de exportação os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI; · Afastar a glosa dos créditos referentes à aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas; e · Determinar o retorno dos autos do processo ao órgão julgador de primeira instancia para análise das demais questões de mérito. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 5 4 Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial por divergência contra o acórdão 3101001.215, alegando que no presente caso ocorreu exportação de produtos com notação NT e que, por conseguinte, não devem ser considerados industrializado, ficando “fora” da incidência do IPI. O que se conclui que o sujeito passivo não faz jus ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei 9.363/96. Em Despacho às fls, 172 a 174, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · A Lei 9.363/96 não deferiu o crédito presumido apenas para o industrial, nem tampouco o limitou aos produtos industrializados exportados; · A Lei visou criar um benefício fiscal que abrangesse indistintamente todas as empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais desde que passe por um “processo produtivo”, aumentando, assim, sua competitividade no mercado internacional. Requer o sujeito passivo a mantença do acórdão atacado, o qual reconheceu o crédito encapsulado no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, reformando na parte vencida para reconhecer a atualização monetária pela taxa Selic desde a protocolização do pedido. O sujeito passivo também apresentou Embargos de Declaração contra o acórdão 3101007778, alegando omissão e determinando a incidência da Selic ao crédito da embargante desde o protocolo dos pedidos de ressarcimento, quando não, caso se entenda que não há omissão a ser sanda, a atribuição de efeitos infringentes a este recurso e a reforma do acórdão, determinando a aplicação da Selic desde o protocolo administrativo. Em acórdão de embargos nº 3101001.741, o Colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento aos embargos de declaração. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso deva ser conhecido, conforme reza o art. 67, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015. O que concordo com o Despachos de Admissibilidade. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a questão posta em recurso, qual seja, se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado) No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e industrialização, possui o direito ao crédito fiscal do período de 1997, nos termos da Lei 9.363/96. Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 7 6 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 8 7 Ademais, importante recordar que o sujeito passivo adquire geodos de pedras bruta, passando por todo o processo de corte, queima, transformação das pontas da ametista em citrino, transformando a pedra bruta em pedra preciosa para confecção de jóias, antes de serem exportadas, passaram efetivamente ppor um processo produtivo industrial. Conforme laudo acostado aos autos, a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo é típico processo produtivo. Nesse processo, as pedras passam pela fase de debulhamento = onde os geodos são desmontados através de equipamentos especiais para a separação de cristais. Posteriormente, são transferidas para a fase de tratamento térmico – para fins de outorga de tendências alaranjadas, avermelhadas ou amarronadas. E, por fim, a fase de martelamento para retiradas das partes não aproveitáveis do cristal para lapidação. Somente após as três etapas, modificando a natureza das pedras – que essas serão comercializadas no mercado interno e externo. O que, por conseguinte, impossível ignorar que o caso vertente trata de processo de industrialização. Em vista do exposto, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho entendimento diferente a respeito do assunto. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 10 9 Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 11 10 do RIPI/98 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 12 11 (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11030.002491/200424 Acórdão n.º 9303006.216 CSRFT3 Fl. 13 12 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.721444/2011-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS.
Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS.
Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos.
Numero da decisão: 9303-006.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 14 44 /2 01 1- 81 Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto de Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3201001.864, de 28/01/2015, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004 FRETE. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins não cumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004 FRETE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins não cumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Recurso Voluntário Provido Trata o presente processo de lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência não cumulativa, referentes aos períodos de apuração de julho a setembro de 2006. Os lançamentos decorreram da falta e/ou insuficiência de declaração/pagamento das contribuições devidas, apuradas com base na contabilidade da contribuinte, bem como nos PER/Dcomp apresentados, e concluindo pela utilização indevida de créditos daquelas contribuições. A Fazenda Nacional suscitou divergência com relação ao direito ao creditamento das contribuições não cumulativas do valor pago pelo sujeito passivo a terceiro a título de frete no transporte de insumos. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido, bem como do recurso especial da PFN e do despacho de admissibilidade e apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso interposto é tempestivo e deve ser conhecido, por cumprir com os requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante demonstrase a seguir. Em contrarrazões, o sujeito passivo alega preliminarmente que o paradigma apontado pela PFN não trata de questões fáticas que guardem similitude com o acórdão recorrido e não há demonstração de divergência de um mesmo dispositivo legal, e em virtude disso requer o não conhecimento do especial da Fazenda. Ao contrário do asseverado pelo sujeito passivo, há sim similaridade entre as situações fáticas do acórdão recorrido e paradigma, uma vez que as empresas são produtoras de alimentos e a discussão gira em torno do creditamento de PIS/Cofins não cumulativos em virtude de despesas com fretes. A discussão acerca do tema no paradigma além de ser ampla, por abarcar fretes nas operações de transferências de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, sob o viés de os aludidos fretes estarem relacionados a uma operação de venda (interpretação extensiva da lei), também se mostra específica, porquanto trata dos fretes sob a ótica de serem insumos. A divergência de interpretação da legislação tributária relativa à matéria além de estar estampada na própria ementa do paradigma (abaixo), também está em epígrafe no trecho reproduzido no recurso especial da PFN (logo a seguir): Acórdão 3801002.668 de 29/01/2014 (...) REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DAS OPERAÇÕES DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição nãocumulativa se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 6 5 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO. Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. Trecho do voto condutor do acórdão paradigma: “Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. (...)Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 247/2002." Dessarte, impõese afastar a preliminar de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. No que se refere ao mérito do recurso da PFN, em que pese concordar que a dedução dos créditos, no cálculo das contribuições para o PIS e Cofins não cumulativos, é taxativa e exaustivamente relacionada nas normas instituidoras, penso que os fretes em compras de insumos merecem ter a solução dada pelo acórdão recorrido. Entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Nesse sentido, penso que o i. relator do acórdão recorrido andou bem quando expressou seu entendimento do conceito de insumo para fins do creditamento do PIS e Cofins no regime da nãocumulatividade: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 7 6 "Da utilização do frete na aquisição de insumos Conforme já dito alhures, a análise dos insumos a serem utilizados no cálculo da Cofins deve ter como premissa a delimitação do processo produtivo da empresa. Entendo que o custo do frete neste caso, influencia o custo dos insumos utilizados na produção e portanto, também sobre estas despesas é permitido o creditamento dos valores suportado pela Recorrente." (...) Em adição a isso, a própria Receita Federal do Brasil já afastou a necessidade de que para ser insumo e ter direito ao crédito do PIS e da Cofins, haja necessidade do desgaste do bem consumido, pelo contato físico com o bem em produção. Tal fato pode ser constatado pelo que foi disposto na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016. E na sequência, a Solução de Consulta Cosit nº 99018, de 20/01/2017, tratou do valor do transporte pago na aquisição do insumo: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de insumos entre estabelecimentos industriais da mesma pessoa jurídica não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep. Inexiste hipótese legal prevendo a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o frete pago na aquisição de bens. No entanto, caso seja possível a apuração de créditos em relação ao bem adquirido, por se tratar de insumo, o valor do transporte pago na aquisição poderá, em regra, integrar o custo de aquisição do bem e servirá, indiretamente, de base de cálculo do valor do crédito das contribuições a ser apurado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, II; Lei nº 10.833, de 2003, art.15; IN SRF nº 247, de 2002, art. 60. (VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº 7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11 DE OUTUBRO DE 2016.) (...) Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10983.721444/201181 Acórdão n.º 9303006.108 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, por se tratar de custo de aquisição do insumo utilizado dentro do processo produtivo do bem destinado a venda pela empresa recorrida, os fretes em compras de insumos podem ser legitimamente creditados. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 784DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721274/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 31/05/2004, 28/02/2005, 28/02/2007
COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. DCTF. INFORMAÇÕES INCORRETAS. LANÇAMENTO. CABIMENTO.
Não se mostra improcedente ou desnecessário o lançamento que objetiva constituir crédito tributário referente a tributo, informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF com a exigibilidade suspensa, quando os valores indicados nos respectivos períodos de apuração estão incorretos, ainda que os depósitos judiciais correspondentes, tomados em sua integralidade, sejam suficientes à cobertura do montante apurado e conseqüente garantia da suspensão da exigibilidade.
LANÇAMENTO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUFICIÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO.
Confirmado pelo órgão responsável que os depósitos judiciais realizados pelo sujeito passivo são suficientes à cobertura do crédito devido, segundo a lei questionada judicialmente, consubstanciado em lançamento, devem ser excluídas a multa de ofício e os juros moratórios. Inteligência da Súmula CARF nº 5.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar juros e multa de ofício, vencido o relator, que cancelava o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
Rosaldo Trevisan Presidente
André Henrique Lemos Relator
Robson José Bayerl Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003, 31/08/2003, 31/05/2004, 28/02/2005, 28/02/2007 COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. DCTF. INFORMAÇÕES INCORRETAS. LANÇAMENTO. CABIMENTO. Não se mostra improcedente ou desnecessário o lançamento que objetiva constituir crédito tributário referente a tributo, informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF com a exigibilidade suspensa, quando os valores indicados nos respectivos períodos de apuração estão incorretos, ainda que os depósitos judiciais correspondentes, tomados em sua integralidade, sejam suficientes à cobertura do montante apurado e conseqüente garantia da suspensão da exigibilidade. LANÇAMENTO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUFICIÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. Confirmado pelo órgão responsável que os depósitos judiciais realizados pelo sujeito passivo são suficientes à cobertura do crédito devido, segundo a lei questionada judicialmente, consubstanciado em lançamento, devem ser excluídas a multa de ofício e os juros moratórios. Inteligência da Súmula CARF nº 5. Recurso voluntário provido em parte.
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MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. DCTF. INFORMAÇÕES INCORRETAS. LANÇAMENTO. CABIMENTO. Não se mostra improcedente ou desnecessário o lançamento que objetiva constituir crédito tributário referente a tributo, informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF com a exigibilidade suspensa, quando os valores indicados nos respectivos períodos de apuração estão incorretos, ainda que os depósitos judiciais correspondentes, tomados em sua integralidade, sejam suficientes à cobertura do montante apurado e conseqüente garantia da suspensão da exigibilidade. LANÇAMENTO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUFICIÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. Confirmado pelo órgão responsável que os depósitos judiciais realizados pelo sujeito passivo são suficientes à cobertura do crédito devido, segundo a lei questionada judicialmente, consubstanciado em lançamento, devem ser excluídas a multa de ofício e os juros moratórios. Inteligência da Súmula CARF nº 5. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, para afastar juros e multa de ofício, vencido o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 74 /2 00 8- 71 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 792 2 relator, que cancelava o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. Rosaldo Trevisan – Presidente André Henrique Lemos – Relator Robson José Bayerl – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de autuação fiscal, fl. 04, decorrente da insuficiência de recolhimento da COFINS, no montante de R$ 585.981,14, com juros e multa, no período de 2003 à 2007, derivado da receita dos juros sobre depósitos judiciários Termo de Verificação Fiscal, fl. 10. Em síntese, a contribuinte declarou que o não recolhimento do crédito lançado no auto de infração, se deu em virtude da inexigibilidade do referido crédito, uma vez que a matéria estava “sub judice”. A Superintendência Regional da Receita Federal – 5ª Região Fiscal, fl. 148, por meio da Solução de Consulta 22/2003, concluiu que "o consulente deve incluir a receita de juros incidentes sobre os depósitos judiciais, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS, somente após o encerramento da lide ou do processo litigioso, ou no momento em que for autorizada, por decisão judicial anterior àquele evento, a devolução dos valores depositados em juízo". Às fls. 162 e seguintes, seu mandado de segurança preventivo, nr. 2001.33.00.0193958, no qual pediu: Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 793 3 A liminar foi indeferida (fl. 200), facultandolhe o depósito judicial; sendo denegada a segurança (fl. 210) e negado provimento ao seu recurso de apelação (fl. 211), porém, em sede de Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 457.6252/BA (fl. 238), a Recorrente obteve provimento de seu Agravo, vez que o STF julgou inconstitucional o art. 3o, parágrafo 1o, da Lei 9.718/98 (RREE 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840). A contribuinte, à fl. 581 e seguintes, apresentou impugnação ao auto de infração, na qual alega: À fl. 608, sobreveio decisão unânime da DRJ de Salvador, julgando parcialmente procedente a impugnação, cuja ementa possui o seguinte teor: “FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 794 4 RETENÇÕES EFETUADAS PELAS FONTES PAGADORAS. A retenção na fonte da Cofins, efetuada pelas fontes pagadoras, possibilita a sua exclusão do lançamento de ofício. Impugnação Procedente em Parte” Às fls. 618 e seguintes, irresignada, interpôs recurso voluntário, pedindo: À fl. 678 houve o sobrestamento dos autos até decisão definitiva do STF, nos termos do então artigo 62A do RICARF, de acordo com a Resolução 3401000.655, cuja presidência da Egrégia Turma fora exercida pelo Conselheiro Robson José Bayerl, dileto colega deste Colegiado. Já à fl. 684, sobreveio Resolução 3401000.835, na qual, por unanimidade de votos do Colegiado, converteuse o julgamento em diligência, com os seguintes objetivos: “1. Confirmação da ocorrência de depósitos judiciais realizados em montante superior ao efetivamente devido, em especial a observância do prazo de realização; 2. Em caso afirmativo, informar se estes valores excedentes são suficientes para cobrir os valores lançados, como alega o recorrente; 3. Elaborar planilhas demonstrativas e relatório circunstanciado da situação apurada e observações reputadas necessárias; e, 4. Cientificar o contribuinte dos documentos confeccionados e franquearlhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação.” Às fls. 722 e seguintes adveio Informação Fiscal 307/2015, a qual respondeu: Por derradeiro, cabe responder aos quesitos formulados. “Pressupondo que a COFINS devida para os períodos de apuração em cotejo é aquela lançada em planilha pela Fiscalização às fls. 18/26, devese firmar, conforme Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 795 5 extratos do SIEF, a existência dos seguintes depósitos judiciais (...) De posse das informações, informouse os saldos de depósitos, bem assim os créditos tributários apurados no lançamento, incluindo a multa de ofício, vinculandoos com a ajuda do sistema SICALC [fls. 705/709]. O resultado apresentado indica a suficiência da garantia para a suspensão da exigibilidade da COFINS. Sem mais, era o que se tinha a expor.” A Recorrente apresentou Manifestação sobre a Informação Fiscal 307/2003, reiterando a total improcedência da autuação fiscal (fls. 755 e 762). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos Oportunamente o recurso voluntário foi admitido (fl. 681), razão bastante para haver sua ratificação quanto à este ponto. O objeto do presente recurso, diz respeito a parte remanescente do lançamento fiscal, referente aos valores de R$ 87.818,43, R$ 65.295,82, R$ 69.264,60 e R$ 16.049,01, relativos aos meses julho e agosto de 2003, fevereiro de 2005 e fevereiro de 2007, respectivamente, os quais foram compensados com os valores depositados a maior nos meses de março de 2003, janeiro de 2005 e janeiro de 2007, conforme consta da planilha elaborada pela fiscalização e ratificada pela INFORMAÇÃO FISCAL N.º 307/2015. Como se viu, a aludida Informação Fiscal, disse que há suficiência da garantia para a suspensão da exigibilidade da COFINS, e em assim havendo, o desiderato lógico é de que os depósitos judiciais foram suficientes em confrontação às diferenças glosadas na autuação, logo, improcedente o lançamento fiscal. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe dou provimento. André Henrique Lemos Relator Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 796 6 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado, Com o devido respeito, divirjo da conclusão do i. Relator, como passo a expor. Para fixar as balizas da altercação, valhome da manifestação apresentada pelo recorrente, coligida às efls. 749/755, em resposta ao resultado da diligência, consoante a qual a reclamação inaugural questionava dois pontos: i) a desconsideração das “compensações” promovidas com depósitos judiciais efetuados a maior, no bojo do MS 1999.33.00.0031956, e o ii) nãoabatimento das retenções sofridas no período de apuração maio/2004. Uma vez que a decisão recorrida tenha acolhido a alegação de retenções a justificar a diferença exigida em maio/2004, remanesce exclusivamente em testilha a “compensação” promovida pela realização de depósitos a maior, como se destaca do seguinte excerto da manifestação em comento: A diligência, pelo que se constata do relatório confeccionado (efls. 729/731), confrontando o demonstrativo de apuração elaborado pela fiscalização, quando da lavratura do AI, e os depósitos judiciais efetuados nos meses de março/2003, janeiro/05 e janeiro/07, salientou que, mesmo coincidindo os valores informados em DCTF, haveria indicação de excesso de depósito, conforme demonstrado na seguinte tabela: Esse excesso, ainda segundo o relatório, se considerados na apuração dos valores exigidos nos períodos de apuração julho/2003, agosto/2003, fevereiro/2005 e fevereiro/2007, inclusive com o acréscimo das multas de ofício respectivas, seriam suficientes para a garantia da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 797 7 Então, abstraído qualquer debate acerca da possibilidade de se reconhecer dita “compensação” como válida, do ponto de vista jurídico, e nada obstante reconhecerse a suficiência dos depósitos judiciais, temse que os valores lançados na autuação não estavam especificamente declarados em DCTF, de maneira que a manutenção do lançamento como instrumento de formalização do crédito tributário correspondente é medida conservadora e justificada, de maneira a garantir que, ao final do processo judicial, acaso venha a Fazenda Nacional lograr êxito em parte da discussão, não seja frustrado o exercício do direito pela ausência de constituição do crédito respectivo, ainda que se reconheça que o entendimento atual do Superior Tribunal de Justiça seja pela desnecessidade dessa providência, e.g., REsp 1.042.739RJ e Ag. 1.216.239RJ, seguindo a ementa desse último: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. MANDANDO DE SEGURANÇA. DEPÓSITO EFETUADO A FIM DE SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUPERVENIENTE IMPROCEDÊNCIA DA DEMANDA. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA QUANTO AO DIREITO DE LANÇAR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO QUE EQUIVALE AO PAGAMENTO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. 1. O depósito efetuado por ocasião do questionamento judicial do tributo suspende a exigibilidade do mesmo, enquanto perdurar contenda, ex vi do art. 151, II, do CTN e, por força do seu desígnio, implica lançamento tácito no montante exato do quantum depositado, conjurando eventual alegação de decadência do direito de constituir o crédito tributário. 2. Julgado improcedente o pedido da empresa e em havendo depósito, torna se desnecessária a constituição do crédito tributário no quinquênio legal, não restando consumada a prescrição ou a decadência. 3. A sucumbência no mandado de segurança acarreta, consectariamente, a conversão dos depósitos outrora efetivados, em renda da UNIÃO, extinguindo o crédito tributário consoante o dictamem do art. 156, VI, do CTN, restando desnecessário o lançamento por conta do próprio provimento judicial. (Precedentes: AgRg no Ag 1163962/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 06/10/2009, DJe 15/10/2009; AgRg nos EREsp 1037202/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 27/05/2009, DJe 21/08/2009; REsp 1037202/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 09/09/2008, DJe 24/09/2008; REsp 757.311/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13/05/2008, DJe 18/06/2008; REsp 636626/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 04/06/2007; REsp 767328/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/09/2006, DJ 13/11/2006). 4. Nesse sentido, a doutrina clássica do tema, verbis: No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 798 8 demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito. (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário, São Paulo, Livraria do Advogado, 7ª ed, p. 1227). 5. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 6. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 7. Agravo de instrumento conhecido, para negar seguimento ao próprio recurso especial.” Nessa toada, ainda que despiciente, uma vez já efetuado o lançamento, não vejo porque declarar sua improcedência, ao passo que, repito, além de se apresentar como instrumento de formalização do crédito tributário, a DCTF a seu tempo apresentada pelo contribuinte contém dados inexatos, como destacado pela informação prestada em diligência, o que impede a sua utilização. Respeitante à possibilidade jurídica da denominada “compensação” aviada pelo contribuinte, a partir da verificação de excesso de depósito judicial, há que se registrar que depósito judicial não se equipara a pagamento, eis que possuem natureza jurídica distinta. O pagamento extingue o crédito tributário, enquanto o depósito apenas o suspende; aquele que paga o tributo tem a intenção de quitar a dívida com o erário, enquanto aquele que deposita não o pretende, ao contrário, questiona a cobrança que lhe é endereçada; a compensação, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, ocorre apenas quando verificado a existência de créditos líquidos e certos, não se enquadrando o depósito nessa categoria, inexistindo, ademais, norma legal que trate da compensação de depósitos judiciais; o pagamento representa imediata disponibilidade jurídica para a Fazenda Nacional, enquanto o depósito judicial não, porquanto passível de autorização judicial para seu levantamento (note se que a Lei nº 9.703/98, que determina o repasse dos valores à União, não disponibiliza o crédito, propriamente dito, mas apenas a transferência financeira, daí porque, vencida na demanda, deverá devolver imediatamente a quantia à conta vinculada na CEF); o pagamento se aproveita do instituto da denúncia espontânea, para o efeito do art. 138 do CTN, enquanto o depósito judicial não, conforme decidido pelo STJ (REsp 1.131.090RJ). Enfim, várias são as diferenças. O procedimento correto, então, a meu sentir, ante a inexistência de regulação específica, seria a petição dirigida ao juízo, onde tramita a ação, requerendo o levantamento do excesso ou a possibilidade de abatimento nos depósitos subseqüentes, havendo necessidade de autorização judicial especial para adoção da providência, não podendo o contribuinte, sponte própria, tomar as medidas que lhe parecem mais convenientes ou lógicas, como no caso vertente. Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 799 9 Em que pese o ponto de vista externado, verifiquei que há manifestação da RFB acerca da matéria, em sentido contrário, consubstanciada na Solução de Consulta nº 142 – Cosit, de 26/09/2016, cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE SUPERIOR AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONTROVERTIDO. O depósito judicial em pecúnia cujo valor corresponde ao montante integral do crédito tributário controvertido suspende a exigibilidade deste. Constatada a existência de depósitos judiciais em excesso (assim entendido o montante de depósitos judiciais que ultrapassar o valor necessário para suspender a exigibilidade do crédito tributário controvertido), o levantamento do referido excesso antes do final da lide, a pedido do depositante, depende de autorização do Juízo competente. Havendo montante excedente depositado, poderá este ser utilizado para suspensão de outro crédito até o seu valor desde que referente ao mesmo depositante e à mesma ação judicial. Os excessos de depósitos judiciais não podem ser compensados com tributos devidos pelo sujeito passivo. Dispositivos Legais: CTN, arts. 108, 111, I, e 151, II; CPC, art. 369: Lei n o 9.703/1998, art. 1º; Lei nº 9.289/1996, art. 11, § 2º.” (destacado) O fundamento apresentado para a solução proposta foi extraído da Solução de Consulta Interna Cosit nº 27, de 08/11/2005, reproduzida no ato, verbis: “(...) 10. Inicialmente cabe realizar um breve estudo sobre a legislação que versa sobre o depósito judicial, uma das modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com vistas à construção do melhor entendimento sobre a matéria. 11. O CTN trata da suspensão da exigibilidade do crédito tributário no art. 151, conforme abaixo transcrito: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral; (...) 12. A Lei no 9.703, editada em 17 de novembro de 1998, trata de depósitos judiciais e extrajudiciais de tributos e contribuições. Para o estudo da situação apresentada pela SRRF01/Disit, cabe transcrever o disposto no art. 1o da referida Lei: Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 800 10 serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. (...) § 2o Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. § 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: (...) II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. (...) (grifouse) 13. Pelas transcrições acima efetuadas verificase que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário se dá pelo depósito correspondente ao montante integral do débito (tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios) e que este é realizado na Caixa Econômica Federal e repassado, no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais, para a Conta Única do Tesouro Nacional. 14. O CTN e a Lei no 9.703, de 1998, não dispõem sobre depósitos efetuados em montante superior ao crédito tributário e tampouco sobre a possibilidade da utilização do excedente para quitação de créditos futuros. 15. No âmbito da Receita Federal do Brasil, verificase que a Instrução Normativa (IN) SRF no 421, de 10 de maio de 2004, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais, igualmente não trata da possibilidade do aproveitamento de excedentes de depósito judicial realizado. 16. Tendo em vista a ausência de dispositivos na legislação que versem sobre o tema, devese recorrer a métodos de integração da legislação tributária de acordo com o art. 108 do CTN, sem olvidar o disposto no art. 111 do mesmo código, abaixo transcritos: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; Fl. 804DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 801 11 IV a eqüidade. (...) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; (...) 17. Pela interpretação literal do art. 151 do CTN temse que o crédito tributário somente estará suspenso se houver depósito correspondente ao total do crédito. Nesse sentido os depósitos realizados pelo interessado devem corresponder a uma mesma ação judicial e devem ser realizados informandose o mesmo número de identificação gerado pela Caixa Econômica Federal (art. 4o da IN SRF no 421, de 2004) quando do depósito inicial. 18. Ao caso ora estudado não cabe o emprego da analogia pois em realidade não há casos semelhantes ou análogos que, igualmente ao depósito judicial ou extrajudicial, suspendam a exigibilidade do crédito tributário. O instituto da compensação difere substancialmente pois esta é modalidade de extinção do crédito tributário e tem aplicação restrita aos casos expressamente previstos em lei. 19. Seguindo a ordem indicada no art. 108, acima transcrito, cabe a aplicação dos princípios gerais de Direito Tributário e dos princípios gerais de Direito Público. A aplicação dos princípios gerais de Direito Tributário igualmente não soluciona a questão. Entre os princípios gerais de Direito Público podese aplicar ao caso em análise os princípios da finalidade e da razoabilidade. 20. Tendo como certo que é o depósito em montante integral que suspende a exigibilidade do crédito tributário, o aproveitamento de depósitos judiciais, que porventura se mostraram superiores ao necessário para suspender créditos correspondentes, para períodos subseqüentes em nada afronta aos princípios gerais de Direito Público acima referidos, desde que realizados pelo mesmo depositante para a mesma ação judicial. 21. O depósito judicial tem como finalidades a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido judicialmente e a garantia advinda de sua transformação em pagamento definitivo quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional. Esta finalidade estará sendo observada no caso de aproveitamento de valor de depósito excedente para suspender novo crédito. 22. Pela aplicação do princípio da razoabilidade, tendo em vista que os valores depositados são transferidos para conta única do Tesouro Nacional, também se conclui que os valores excedentes são passíveis de aproveitamento em momentos posteriores. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 802 12 23. De todo o exposto concluise ser possível o aproveitamento de depósito judicial a maior, referente a um período, para suspender a exigibilidade de crédito tributário de períodos subseqüentes e até mesmo de períodos anteriores, desde que o crédito seja corrigido conforme a legislação vigente, referente ao mesmo depositante e a mesma ação judicial, ressaltando que no período em que determinado crédito tributário encontrar se em aberto, portanto não suspenso por depósito, não será expedida Certidão Negativa de Débitos (CND). 23.1. Assim, tanto os valores de depósitos efetuados a maior relativos às estimativas mensais podem ser utilizados para suspensão de estimativas posteriores quanto saldos de depósitos de ano anterior podem ser aproveitados para suspender a exigibilidade de estimativas dos meses seguintes, desde que o depósito corresponda ao montante integral do crédito tributário. 24. Quanto à possibilidade de se considerar os depósitos efetuados em garantia das estimativas mensais como pagamentos declarados na DIPJ, deduzindoos do IR/CSLL devido, para apurar o IR/CSLL a pagar, não se visualiza tal possibilidade pois em realidade os depósitos judiciais não configuram pagamento do crédito tributário. Tal conversão darseá somente após o encerramento da lide e somente quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional. 25. Como conseqüência do entendimento exposto no parágrafo anterior, somente caberá ao interessado no ajuste anual, apurar o IR/CSLL a pagar e declarálo na DCTF como suspenso até o montante dos valores que foram depositados a título de estimativa. Não seria razoável exigir do interessado que efetue novo recolhimento referente ao apurado na declaração de ajuste. Se assim se exigisse, estaria o contribuinte efetuando recolhimento em duplicidade, pois já efetuou os depósitos referentes às estimativas e estes valores não foram utilizados para a apuração do IR/CSLL no ajuste anual. (...)” (grifos no original) Como se vê, a própria RFB admite o procedimento realizado pelo contribuinte, ora recorrente, consistente no abatimento do excesso de depósito nos montantes subseqüentes e limitado ao seu valor, desde que correspondente à mesma ação judicial e ao mesmo litigante. No caso vertente, o relatório de diligência (efls. 729/731), bem assim a informação que lhe dá respaldo (Informação Fiscal nº 307/2015, efls. 722/728) é categórico em reconhecer o cumprimento desses requisitos: “De posse das informações, informouse os saldos de depósitos, bem assim os créditos tributários apurados no lançamento, incluindo a multa de ofício, vinculandoos com a ajuda do sistema SICALC [fls. 705/709]. O resultado apresentado indica a suficiência da garantia para a suspensão da exigibilidade da COFINS.” (efl. 728) Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10580.721274/200871 Acórdão n.º 3401004.004 S3C4T1 Fl. 803 13 “12. Do resultado acima apresentado, verificouse a suficiência de saldo para garantir a suspensão da exigibilidade da COFINS.” (efl. 731) Considerando que tenho como premissa não conferir ao contribuinte menos direitos que a ele reconhece a RFB, ressalvo minha opinião pessoal a respeito do tema e acato a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, à luz das informações prestadas pela unidade de origem no cumprimento da diligência determinada. Quanto à multa de ofício, uma vez que não se tenha constatado a insuficiência de depósitos judiciais e, ainda, que o excesso (de depósito) utilizado no encontro de contas tenha se verificado, em todos os casos, em data anterior ao abatimento subseqüente, entendo que deva não deva ser mantida a multa de ofício imposta, não se aplicando o disposto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96. Tocante ao juros moratórios, confirmado o depósito em montante integral, aplicável a exceção inserta na Súmula CARF nº 5, consoante a qual são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso tãosomente para afastar a multa de ofício e os juros moratórios correspondentes. Robson José Bayerl Fl. 807DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003593/2006-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-006.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
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Ressarcimento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PARÁ PIGMENTOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 93 /2 00 6- 14 Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 409 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 296 a 314) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.777 (fls. 288 a 294) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 24/04/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito de PIS/Pasep nãocumulativo relativo às despesas efetivamente comprovadas com serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento. O acórdão recebeu ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 410 3 implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra, beneficiamento e embarque do caulim e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 296 a 314), alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito ao crédito de PIS/Pasep nãocumulativo com relação aos serviços antes enumerados. Colacionou como paradigma(s) o(s) acórdão(s) nº(s) 20312.448. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que deve ser adotado conceito mais restritivo de insumo, ficando adstrito às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados diretamente na produção, não contabilizados no ativo permanente, e que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto. Em síntese, requer seja adotado o conceito da legislação do IPI e restabelecidas as glosas realizadas pela Fiscalização. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho s/nº, de 20 de julho de 2015 (fls. 335 a 338), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 344 a 398) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 411 4 A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de COFINS os gastos incorridos com os serviços de terraplanagem e topografia ligados à terraplanagem, realizado no curso da lavra da mina, sondagem, levantamento topográfico e os serviços de bombeamento de PIG no mineroduto. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 412 5 fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 413 6 Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 414 7 receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 415 8 A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica mineradora, que tem como atividade econômica principal a extração do minério caulim, utilizado na produção de cerâmica, tintas, cimento, etc, e o seu beneficiamento, procedendo ao seu transporte da mina para a unidade industrial através de um mineroduto. Portanto, tem por objeto social: Artigo 2º: A Sociedade tem por objeto social a pesquisa de depósitos minerais, a realização do aproveitamento de jazidas minerais, através da exploração, extração, o beneficiamento de minérios, a transformação industrial e comercialização de produtos minerais, no mercado doméstico e no exterior, a operacionalização de terminais portuários ou quaisquer outras Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 416 9 atividades comerciais que se relacionarem com seu objeto social, podendo ainda participar de outras sociedades. Os custos de lavra, transporte ou de beneficiamento do minério não são investimentos, e por isso não estão contabilizados no ativo permanente da empresa. Tratase de gastos que integram a produção do capim caulim, devendo, portanto serem reconhecidos como insumos, gerando o direito ao crédito de PIS e de COFINS nãocumulativos. Além disso, a Contribuinte demonstrou a essencialidade/pertinência dos serviços de terraplanagem, topografia, sondagem e bombeamento no processo produtivo do minério caulim. Pertinente a transcrição de trechos dos laudos técnicos (fls. 282 a 286) para demonstrar a relação dos serviços com o processo produtivo: LAUDO TÉCNICO – Uso atividades de Terraplanagem e Topografia na IPPSA [...] 3.0 Conclusão Para dar andamento às atividades acima enumeradas, e, portanto, para viabilizar a extração do minério destinado à produção, tornase imprescindível o uso de equipamentos de terraplanagem. A existência destes facilita e é necessário ao procedimento de lavra e ao movimento entre os vários pontos da mina em estradas bem regularizadas que reflete na economia de combustível e custo de manutenção. Sem esses equipamentos não poderíamos remover capeamento e lavrar minério na escala de produção que atendesse o processo industrial, uma vez que não há produção sem a matériaprima necessária. Da mesma forma a topografia. Sem ela não poderíamos avaliar com o grau de certeza exigido as quantidades removidas e transportadas por período de tempo de um plano de lavra. [...] LAUDO TÉCNICO – Processo de Sondagens e Topografia na IPPSA [...] 2.0. Sondagem Para atender a produção, precisamos lavrar grandes quantidades de minério cru e com ele fazer outras operações de processo de modo enviálo à usina de Barcarena, por se tratar de matériaprima indispensável para o processo de beneficiamento. A avaliação da quantidade de minério existente e do material não aproveitável como o capeamento e o estéril é feita por operações de sondagem. [...] 2.2. Operação de Sondagem Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 417 10 Com base em mapas de localização do minério é estabelecida rede de sondagem que norteará o trabalho. As malhas de sondagem são quadradas e as distâncias entre os furos dependem do grau de acerto que se quer saber sobre o minério. A topografia então lança em campo as picadas guias para marcação dos furos e acompanha os tratores de esteiras que abrem estradas de acesso exatamente sobre as picadas. Estas, depois de prontas têm os furos marcados, niveladas a cada 25 metros e abertas clareiras nos pontos de sondagem para movimentação de sondas e pipas. [...] 2.2.3 Topografia da Sondagem O trabalho de topografia que acompanha a sondagem é feito por equipe constituída por Topógrafo Agrimensor, acompanhado de funcionários destacados para este serviço. Tanto na marcação dos furos em campo como após sondagens conferir a verdadeira localização do furo em campo, precisou do trabalho de topografia. A avaliação da jazida tem como uma de suas bases a exatidão dos trabalhos de sondagem e de topografia. [...] 3.0 Conclusão As sondagens são atividades base para o trabalho de avaliação de um corpo mineral, necessárias para verificar a viabilidade de extração e utilização do minério como matériaprima ao processo de produção e beneficiamento. Desta forma, em a atividade de sondagem não seria possível a lavra e, consequentemente, a atividade de produção. O Ministério das Minas só autoriza a lavra se a instituição concessionária da área comprovar a existência de substancial quantidade de minério o suficiente para ser alvo de exploração econômica. Para tanto o modelamento geológico é feito com base nestas sondagens. Mesmo depois de concedida a lavra os trabalhos de sondagem não são paralisados. A cada avanço da mina um novo detalhamento é programado e concluído com auxílio insubstituível dos equipamentos de perfuração. LAUDO TÉCNICO [...] DAS PROTEÇÕES E MONITORAMENTO DO MINERODUTO Ao longo do percurso do mineroduto existem placas educativas contendo telefones da empresa e advertências contra escavações ou quaisquer tipos de ações que possam afetar a integridade da tubulação enterrada. Foram realizadas várias palestras durante a construção do mineroduto, visando, entre outros itens, informar a população sobre as obras que estavam sendo realizadas. O mineroduto é protegido e monitorado por sistema de proteção catódica, passagem de PIG inteligente que detectam corrosão, amassamentos e falhas Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10280.003593/200614 Acórdão n.º 9303006.100 CSRFT3 Fl. 418 11 no revestimento e sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial no material bombeado na Mina. DA ASSEPSIA DO MINERODUTO Na entrada do mineroduto foi instalado lançador de PIG (material esponjoso utilizado em limpeza da tubulação). O PIG será utilizado em caso de entupimento da tubulação, sendo acionado (empurrado) através de bombeamento em alta pressão através das bombas de pistão e com o sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial durante o todo o procedimento. [...] Com base nessas considerações, devem ser considerados como insumos os gastos incorridos com os seguintes itens, por se integrarem ao processo produtivo do caulim: (a) Serviços de terraplanagem; (b) Serviços de sondagem; (c) Levantamento topográfico; e (d) Serviço de bombeamento de PIG no mineroduto da empresa Pará Pigmentos. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.007414/94-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1998, 1999
ACÓRDÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA NÃO REFORMADO NO MÉRITO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR.
Tendo em vista que o acórdão de segunda instância decidiu o Recurso Voluntário com base no mérito a favor do contribuinte, e este, a despeito da interposição de Recurso Especial pela Fazenda Nacional, não foi reformado ou anulado pela Câmara Superior, não cabe novo julgamento de mérito em segunda instância por esta Turma.
Numero da decisão: 3201-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso, por não ser possível o julgamento de mérito referente a Acórdão já prolatado por outra turma do CARF.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, a Advogada Carolina L. M. Pincelli, OAB/SP 253.217, escritório Massad e Belmonte Sociedade de Advogados.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998, 1999 ACÓRDÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA NÃO REFORMADO NO MÉRITO PELA INSTÂNCIA SUPERIOR. Tendo em vista que o acórdão de segunda instância decidiu o Recurso Voluntário com base no mérito a favor do contribuinte, e este, a despeito da interposição de Recurso Especial pela Fazenda Nacional, não foi reformado ou anulado pela Câmara Superior, não cabe novo julgamento de mérito em segunda instância por esta Turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso, por não ser possível o julgamento de mérito referente a Acórdão já prolatado por outra turma do CARF. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a Advogada Carolina L. M. Pincelli, OAB/SP 253.217, escritório Massad e Belmonte Sociedade de Advogados. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 74 14 /9 4- 66 Fl. 1232DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 130 de 09/03/1998, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls.01/52), relativo ao .Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na Importação, Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro (I0F) e Taxa de Melhoramento dos Portos (TMP), incluindo Demonstrativos, lavrados contra a Contribuinte em epígrafe, concernente às importações incentivadas Drawback efetivadas nos' anos 'de 1988 e1989. A autuada obteve autorização para importar com suspensão do pagamento dos tributos, Ácido Monocloroacético (MCAA), Fenol, Dioxana, BO/NMMixture e BetaTri ao amparo de Atos Concessõrios discriminados no Demonstrativo D6 (fl.35/38), para aplicalos na produção de mercadorias a serem exportadas (Ácido 2,4Diclorofenoxiacético, NBM 2918.90.0101, DMA6 e Butyl Ester e Clorothene). A fiscalização, utilizando os Relatórios de Consumo e Produção fornecidos pela empresa, através da relação entre o consumo e a produção anual, considerou que houve uma importação de insumos em quantidade superior à utilizada na exportação da mercadoria produzida. Ainda verificando o adimplemento do compromisso drawback, desclassificou, tornando inábeis, para efeito de comprovação, algumas guias de exportação apresentadas pela autuada, em virtude de nelas constar outra razão social, não aceitando os Aditivos apresentados por serem estes intempestivos. Assim, novos demonstrativos dos índices de consumo dos insumos importados foram efetuados, vindo a fiscalização a constatar a irregularidade na fruição do benefício fiscal, motivado pela total ou parcial não utilização dos produtos importados com isenção/suspensão no regime aduaneiro especial de Drawback, nas finalidades a que se destinavam. Os demonstrativos dos índices reais de consumo da mercadoria importada e esclarecimentos constam da Descrição dos Fatos (fls. 25/27), sendo ambos parte integrante do Auto de Infração. Desse fato adveio a exigência do Imposto de Importação incidente sobre a parcela dos insumos ditos como não utilizados nos produtos exportados, no valor de 182.377,74 UFIR, tendo por enquadramento legal, os artigos 314, incisos I e 11; 315, inciso II; 317; 318; 319; 320; 328; 455; 499, § único; 542, todos do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85; itens 3,7,10,11,12,14 e 15 da Portaria MF 036/82. No âmbito do Controle Administrativo da Importações, pelo desvio da destinação prevista na Guia de Importação (item 5 da Portaria MF n° 36 de 11/02/82), foi proposta a aplicação da multa de 20% sobre o valor dos produtos não utilizados, no Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10580.007414/9466 Acórdão n.º 3201003.154 S3C2T1 Fl. 1.233 3 valor de 874.838,90 UHR, conforme artigo 526, inciso IX e § 5°, inciso I e § 6° do Regulamento Aduaneiro. Pelo inadimplemento da condição essencial à utilização do benefício fiscal da isenção, a empresa foi autuada, quanto ao IPI, no valor de 939,35 UFIR, por infração aos artigos 42; 62; 63, inciso I, alínea "a" , e 112, inciso I, todos do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82, artigo 220 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Em decorrência foram lavrados os autos de infração relativos ao Imposto sobre Operações Financeiras (fis.43/48), pela infração ao art. 1° do Dl 1844 de 30/12/80, art. 17 do Dl 2303 de 21/11/86, Resolução BACEN n° 1301 de 06/04/87, seção 2, item 4, seção 3, item 3, alínea "b", seção 4, item 2, alínea "d", seção 5, item 4, alínea "e", seção 6, item 2, alínea "a" e seção 7, item 13 e à Taxa de Melhoramento dos Portos (fis.49/52) devida para os fatos anteriores a 01/07/88 (art. 7° do Dl 2434/88), pela infração aos dispositivos legais descritos no auto de infração do II. O total do crédito tributário exigido da contribuinte neste processo encontrase consolidado no demonstrativo anexado às fls. 594. A Interessada tomou ciência do Auto de Infração em 21/12/94 e, inconformada com a exigência, apresentou impugnação parcial em 19/01/95 (fls.596/603), argüindo, inicialmente, que concordou com as autuações constantes dos itens do Auto de Infração referentes às DI's 500025 (6.7), 500026 (6.7), 500308 (6.1.1) e 500402 (6.4), cujo montante do crédito exigido efetuou recolhimento, conforme cópia dos DARF's (fis.626/631). No médio, a Impugnante argumenta que mesmo que tivesse havido a intempestividade da apresentação do aditivo das guias de exportações, estas não poderiam ser desprezadas, pois a CACEX — órgão competente para verificar o adimplemento do compromisso de exportar, ou mesmo desconsiderar aditivos— averbou as exportações realizadas, mediante a emissão dos Relatórios de Comprovação de Drawback (GE 685/63298 relativa ao AC 1888/0719; GE's 1889/51837 e 1889/5432 relativa ao AC 1888/0600; GE's 1889/544320, 1889/53688 3, 689/4470,689/4845,1889/536875 e 1890/003807 concernente ao AC 1889/4229), cabendo à Secretaria da Receita Federal identificar eventuais desvios em relação aos insumos importados. Não há na legislação aduaneira norma legal que estabeleça uma sanção de desclassificação de tal documento por ter sido apresentado intempestivamente. Os aditivos aos atos concessórios solicitaram a alteração da beneficiária do Drawback porque, conforme Ata da Assembléia Extraordinária, em 01/11/89, foi aprovado o aumento de capital da sua subsidiária Dow Produtos Químicos Ltda, integralizando referido aumento mediante a cessão de bens, direitos e obrigações constitutivas da Dow Química S.A., que foi sucedida nesta data pela Dow Produtos Químicos Ltda, em todos os Fl. 1234DF CARF MF 4 direitos e obrigações, inclusive a exportação dos produtos destacados nos Ato Concessórios (fls.620/621). Posteriormente, em 01/01/90, à Dowelanco Industrial Ltda foram transferidos os bens, direitos e obrigações da Dow Produtos Químicos Ltda, conforme alteração de contrato social (fls.622/625). Alega, também, que em decorrência das cisões, as sucessoras (Dow Química Produtos S.A. e Dowelanco Industrial Ltda.) assumiram bens, direitos e obrigações do estabelecimento cindido, que sob nova denominação social, a seu tempo, passou a ser a detentora do benefício fiscal, devendo exportar os produtos objeto da suspensão do imposto, o que efetivamente ocorreu. Observa que no início do procedimento do desembaraço das mercadorias ainda não havia ocorrido a sucessão do estabelecimento. Ademais, a Contribuinte efetivamente industrializou a matériaprima e exportou o produto objeto do regime aduaneiro especial. Argumenta, quanto ao Atos Concessórios 1888/0590, 18 88/0719, 1888/9988, 18 89/0606, 1889/4113, 1889/4229 e 1889/4862, que a autuação incorreu em grave erro porque os demonstrativos elaborados se basearam em premissas que levaram a falsas conclusões. Para determinar os índices de consumo de matériasprimas importadas, adquiridas com incentivo, a autuante considerou o volume global da empresa (mercado local e a ser exportado), contemplando, entretanto, tão somente a utilização de matérias primas importadas, desprezando o consumo dos insumos locais. O método adotado pela Fiscalização distorceu os índices relativamente ao consumo do Fenol e MCAA, diferenciandoos dos aplicados nos laudos técnicos que serviram de base para a concessão do incentivo fiscal. Concernente à exigência relativa ao Ato Concessório n° 18 88/0719, entende que a Guia de Exportação (GE) de n° 6 85/63298 deve ser considerada para efeito de comprovação da efetiva exportação porque, embora conste o nome da empresa Dow Química do Sul Ltda na GE, o fabricante do produto foi de fato a beneficiária do regime, a Dow Química S.A., procedimento este compatível com amparo na legislação pertinente, o Drawback conjugado, disciplinado no Comunicado Cacex 56/83, inciso VII Drawback, item 8.6. Não caberia à SRF desclassificálas e sim à CACEX, conforme dispõe o art.1° da Resolução CPA 1033/71. A respeito da exigência relativa ao Ato Concessório n°18 89/07813, que teve sua data de embarque averbada em 19/03/89, discorda e questiona o fato de ter sido aplicado na mensuração dos índices de consumo de BetaTri, Dioxana e BO/NM na produção do Clorothene, os dados relativos à produção de 1988. Quanto à descaracterização da exportação dos produtos DMA6 e Butyl Ester, por não serem objeto do compromisso das autorizações drawback dos Atos Concessórios 1889/0590 e 18 88/9988, cujas comprovações foram aceitas pela CACEX nos Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10580.007414/9466 Acórdão n.º 3201003.154 S3C2T1 Fl. 1.234 5 relatórios de comprovações de drawback, alega que para fabricação destes produtos utilizase insumos importados FENOL e MCAA, razão pela qual esse órgão os aceitou. A Autuada argumenta, ainda, a inexistência de infração ao controle administrativo das importações, questionando o art. 526, inciso IX, do RA, por ser inaplicável ao caso e porque toda a documentação e trâmites necessários à. realização das operações foram cumpridos pela fiscalizada, sendo inclusive aprovados pela CACEX e SRF. Por fim, discorda da aplicação da TRD como juros no período de 04.02.91 a 31.07.91. A Interessada estendeu os argumentos utilizados no lançamento conforme impugnações de fls. 632/635 e 649/651. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Processo Administrativo Fiscal Nulidade Só se cogita da declaração de nulidade do auto de infração quando o mesmo for lavrado por pessoa incompetente. Imposto Importação Períodosbase: jun/88, jul/88, ago/88, nov/88, dez/88, jan/89, fev/89, mar/89, abr/89, ago/89, set/89, out/89, nov/89 Drawback Suspensão. O benefício fiscal de drawback, modalidade suspensão, caracterizase pela importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, ' complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada em determinado prazo. Havendo o descumprimento do prazo previsto para efetivar a ' exportação ou das condições constantes do Ato Concessório, serão exigidos os tributos anteriormente suspensos. Cisão parcial. Responsabilidade tributária. A responsabilidade pelos tributos, oriunda de cisão parcial, é solidária' entre a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, ex vi do art. 52, § 1 2, do DL 1598/77. Infração administrativa ao controle das importações. Multa. Não cabe a cominação da penalidade capitulada no artigo 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, nos casos de inadimplemento ao compromisso do drawback. Imposto sobre Produtos Industrializados Períodobase: jan/89 São devidos os tributos s s ens incidentes sobre a matéria prima nãe ncêMpteáda na produção exportada. Imposto sobre Operações Financeiras Períodosbase: jun/88; jul/88 Aproveitamento irregular do regime drawback suspensão, Fl. 1236DF CARF MF 6 pela não utilização das matérias primas nas finalidades que motivaram a concessão do benefício, constitui infração à legislação do 10F. Taxa de Melhoramento dos Portos períodobase: jun/88 Não utilização total da matériaprima importada ao amparo de benefício fiscal especial drawback evidencia a fruição irregular deste benefício e constitui infração à legislação da TMP devida para os fatos geradores anteriores a 01/07/88. Taxa Referencia Diária TRD Não é cabível a cobrança da Taxa Referencia Diária TRD, a título de juros de mora, no período compreendido entre 4 de fevereiro a 29 de julho de 1991. Lançamentos Parcialmente Impugnados. Parte Impugnada Parcialmente Procedente Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Houve também a interposição de Recurso de Ofício em face do valor exonerado. Em primeiro exame pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, Terceira Câmara, foi proferido o acórdão 30329.379, em 16 de agosto de 2000, por meio do qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte nos seguintes termos: REGIME ADUANEIRO ESPECIAL – DRAWBACK. PRELIMINAR REJEITADA. As autoridade fiscais da SRF são competentes para a fiscalização e o lançamento do crédito tributário, na hipótese do não adimplemento da condição resolutiva do regime drawback suspensão e isenção (item 3 da Port. MF n° 036/82), portanto, não procede a preliminar de nulidade do auto de infração sob alegação de que este foi lavrado por pessoa incompetente. MÉRITO. DRAWBACK. Por força da Resolução n° 1033/71 e da Portaria 36/82, compete à CACEX a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, cabendo à Secretária da Receita Federal tãosomente a fiscalização dos tributos a serem recolhidos. RECURSO DE OFÍCIO NÃO PROVIDO RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Fazenda Nacional, então, interpôs Recurso Especial, provido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do acórdão nº 9303002.116, de 13 de setembro de 2012, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 04/02/1991 a 01/08/1991 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. REGIME ESPECIAL DE DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10580.007414/9466 Acórdão n.º 3201003.154 S3C2T1 Fl. 1.235 7 É da SRF a competência legal para verificação do cumprimento dos requisitos previstos no ato concessório do benefício de drawback em complemento às meras análises documentais empreendidas inicialmente pela SECEX. Recurso Especial do Procurador Provido. Desse modo, houve a determinação, pelo órgão superior, de retorno do "processo para a apreciação do recurso voluntário quanto ao mérito." Por conseguinte, os autos foram a mim redistribuídos por sorteio. Em 31/08/2017 a Recorrente trouxe petição aos autos alegando que o mérito do presente Recurso já fora julgado pelo primeiro acórdão proferido pelo CARF em segunda instância administrativa. Afirma que o acórdão proferido pela Câmara Superior, a despeito de ter dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a preliminar outrora acolhida, não alterou o mérito outrora provido. Desse modo, requer restabelecimento do acórdão proferido em segunda instância administrativa em seu mérito. Os autos seguem pautados e as questões aduzidas serão abordadas em meu voto. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Inicialmente há questão preliminar a ser analisada no presente feito, consubstanciada na relatada petição protocolada em 31/08/2017. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo, em sede preliminar, a anulação do auto de infração e, no mérito, a improcedência do lançamento. Foi proferido por pelo então Conselho de Contribuintes o acórdão nº 303 29.379 (fls. 933 e seguintes), com o seguinte resultado de julgamento: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de incompetência da Receita Federal para constituir o crédito tributário, vencidos os conselheiros Manoel D'Assunção Ferreira Gomes, relator, e Nikon Luiz Bartoli. Designado para redigir o voto relativo a esta matéria o conselheiro José Fernandes do Nascimento. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os conselheiros Anelise Daudt Fl. 1238DF CARF MF 8 Prieto, José Fernandes do Nascimento e Zenaldo Loibman, que davam provimento parcial. O referido acórdão, portanto, acolheu o mérito do recurso, entendo que o lançamento não poderia subsistir. Tal acórdão foi proferido em estrita consonância com o artigo 28 do DL 70.235/72: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Pois bem. Em face do referido acórdão, foi apresentado Recurso Especial pela Fazenda Nacional (fls. 963 e seguintes), questionando o mérito da autuação. Foi, então, proferido o acórdão nº 9303002.116 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1015 e seguintes), analisando tãosomente a questão preliminar, muito embora, como dito, tanto o acórdão de segunda instância, quanto o Recurso Especial da Fazenda Nacional, tenham se manifestado com relação ao mérito. Confirase o resultado: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à Câmara “a quo” para análise das demais questões suscitadas. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Luciano Lopes de Almeida Moraes e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Ou seja, a CSRF analisou a preliminar e quedouse silente quanto ao mérito. O Contribuinte, em sua petição, requer a esta Turma Julgadora que, diante de tais fatos, acate o trânsito em julgado do acórdão de segunda instância nº 30329.379 no que diz respeito ao mérito, levado à CSRF por força de Recurso da Fazenda Nacional e não analisado por aquele órgão. A questão é complexa e merece cuidadosa análise. O primeiro aspecto diz respeito à possibilidade desta questão ser trazida aos autos por meio de simples petição do contribuinte. Entendo perfeitamente possível, uma vez que, quando da ciência do acórdão de segunda instância pelo contribuinte, tal questão não era objeto da lide. Ademais, entendo que não se trata, propriamente, de um pedido apresentado pelo contribuinte, mas, sim, de um alerta apresentado à esta Turma Julgadora de modo em que não se incorra em eventual anomalia processual com a prolação de um novo acórdão alterando uma decisão anterior legitimamente proferida e não reformada ou anulada. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10580.007414/9466 Acórdão n.º 3201003.154 S3C2T1 Fl. 1.236 9 O segundo aspecto diz respeito à se considerar se tal imbróglio deveria ter sido solucionado por meio de Embargos de Declaração opostos em face do acórdão CSRF. Essa questão é que se apresenta delicada. De fato, tal omissão incorrida pela CSRF provocaria a oposição de embargos de declaração para saneamento. Não obstante, como visto, o Recurso Especial foi apresentado pela Fazenda Nacional. O mérito que deixou de ser analisado era de interesse da Fazenda Nacional, já que o acórdão de segunda instância era favorável ao contribuinte. Assim, considerando que o contribuinte era detentor de uma decisão favorável (acórdão de segunda instância), em face do interesse processual envolvido, seria adequado imputar a ele o ônus de sanar uma omissão que lhe era favorável? Entendo que não. Que, na hipótese dos autos, seria da Fazenda Nacional o interesse em ver sanada a omissão do acórdão CSRF, que deixou de analisar o mérito que era objeto do seu próprio recurso. E, como dito, nos termos do art. 28 do PAF, a decisão de segunda instância que analisou tanto a preliminar, quanto o mérito, foi plenamente válida. Uma vez proferido um acórdão por este CARF (enquanto Conselho de Contribuintes) em sede de segunda instância administrativa, este só poderia ser modificado por via de Embargos de Declaração à própria Turma Julgadora, ou por meio de Recurso Especial à CSRF, como efetivamente pretendeu a Fazenda Nacional. Se a CSRF não modificou o acórdão na parte relativa ao mérito, tampouco declarou a nulidade do acórdão recorrido, não vejo como processualmente legítimo que esta Turma o faça por meio de um novo julgamento de mérito. O mérito já foi julgado em segunda instância administrativa, como dito, em estrita observância ao art. 28 do PAF, foi objeto de Recurso próprio e não foi modificado pela instância superior. Assim, não pode esta mesma Turma modificar o mérito de seu próprio acórdão em sede de novo julgamento, sem declaração de nulidade do acórdão CARF nº 303 29.379. Não obstante o acórdão de segunda instância, no voto vencedor quanto ao mérito, não tenha dito a razão pela qual deu provimento ao mérito, ele efetivamente enfrentou o mérito no corpo do voto, utilizado como fundamento. Desse modo, ao constar, como resultado do julgamento, que a Turma, decidiu,"no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado", entendo que houve efetivamente o julgamento e decisão quanto ao mérito do recurso, por razões além da mera questão de competência para a fiscalização. Houve efetivo esgotamento de jurisdição em sede de segunda instância administrativa com a prolação do acórdão nº 30329.379. A eventual prolação de novo acórdão por esta Turma, a meu ver, configuraria, em última análise, uma revisão de ofício de um acórdão anterior válido, o que é vedado. Fl. 1240DF CARF MF 10 A (equivocada) determinação da CSRF pelo retorno dos autos à Câmara “a quo” para análise das demais questões suscitadas não equivale, em absoluto, em declaração de nulidade ou superação do mérito já analisado. Desse modo, pelas razões expostas, manifestome pela impossibilidade de se proferir novo julgamento do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo, assim, o mérito já decidido pelo acórdão de segunda instância nº 30329.379, que, como relatado, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 1241DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720855/2015-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013
USUFRUTO. NATUREZA JURÍDICA. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS.
O usufruto representa uma divisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos do bem pelo usufrutuário.
USUFRUTUÁRIOS. TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA NUAPROPRIETÁRIA DAS AÇÕES.
Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP é dos usufrutuários das ações, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela nuaproprietária.
USUFRUTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO.
No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado. As normas que estabelecem exceções à tributação ordinária devem ser interpretadas de maneira estrita, não comportando ampliação de conteúdo ou emprego de analogias, assim como inviável também a utilização pelo intérprete de exegese restritiva, para o fim de distinguir onde a lei não distingue.
Numero da decisão: 1401-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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NATUREZA JURÍDICA. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. O usufruto representa uma divisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos do bem pelo usufrutuário. USUFRUTUÁRIOS. TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA NUAPROPRIETÁRIA DAS AÇÕES. Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP é dos usufrutuários das ações, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela nuaproprietária. USUFRUTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado. As normas que estabelecem exceções à tributação ordinária devem ser interpretadas de maneira estrita, não comportando ampliação de conteúdo ou emprego de analogias, assim como inviável também a utilização pelo intérprete de exegese restritiva, para o fim de distinguir onde a lei não distingue. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 55 /2 01 5- 01 Fl. 1078DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR) que manteve o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado em decorrência de supostas infrações à legislação tributária, referente ao ano calendário de 2010, 2011,2012 e 2013, por meio dos quais são exigidos da Recorrente, o Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, tendo total do crédito consolidado no valor de R$ 236.720.035,57 conforme descrição nas tabelas abaixo: IRPJ 84.228.046,56 Juros de Mora 26.607.014,65 Multa 63.171.034,92 Valor do Crédito Apurado 174.006.096,13 CSLL 30.356.656,76 Juros de Mora 9.589.790,10 Multa 22.767.492,58 Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201501 Acórdão n.º 1401002.081 S1C4T1 Fl. 1079 3 Valor do Crédito Apurado 62.713.939,44 2. Ao compulsar dos autos, notase que o TVFTermo de Verificação Fiscal, às fls. 691/709 informa que o procedimento fiscal junto ao sujeito passivo acima identificado, restringiuse à verificação da regularidade fiscal pertinente ao IRPJ e à CSLL dos anos base 2010 a 2013 sobre as receitas de juros sobre o capital próprio que deixaram de ser contabilizados pela recorrente – doravante PSIUPAR. 3. Aduz a fiscalização, que a interessada, a Porto Seguro Itaú Unibanco Participações S/A (PSIUPAR), antiga Porto Seguro Participações S/A, deixou de contabilizar a parcela dos juros sobre capital próprio, pagos pela sociedade investida Porto Seguro S/A (PSSA) diretamente aos acionistas da fiscalizada, os quais haviam integralizado parte do capital social da PSIUPAR mediante conferência apenas da nua propriedade das ações da PSSA, mantendo o usufruto sobre os direitos patrimoniais inerentes a tais ações. 4. Conforme assinalou o Auditor Fiscal no TVF: “Para fins tributários, os contribuintes dos rendimentos advindos dos JCP pagos são os titulares, sócios ou acionistas da pessoa jurídica que efetua o pagamento. E não poderia ser diferente, afinal, como o próprio nome já diz, tratase de remuneração do valor investido pelos titulares, sócios ou acionistas. Seria uma espécie de equiparação de tratamento dado aos recursos de terceiros, isto é, seria como remunerar o custo de oportunidade dos valores empregados na empresa em detrimento de qualquer outra aplicação destes mesmos recursos. No presente caso, apesar da fiscalizada possuir apenas a nuapropriedade das ações gravadas, conferida por meio de instrumento particular, era ela a acionista da pessoa jurídica que efetuou o pagamento e não as pessoas físicas e jurídicas usufrutuárias de direitos econômicos em razão de gravame. Os instrumentos particulares de reserva de usufruto e outras avenças, firmados entre a fiscalizada e os seus acionistas não podem ser opostos ao Fisco para alterar a sujeição passiva da obrigação tributária, nos termos do art. 123 do CTN .” (Fls. 700). 5. Segundo informações constantes no TVF, a participação societária da PSIUPAR ficou assim distribuída (ata de 30/04/2010): 6. De acordo com a Fiscalização, o principal objetivo da empresa holding é o controle de outras empresas, cabendo a ela o desenvolvimento do planejamento estratégico, financeiro e jurídico dos investimentos do grupo, devendo, por isso, não interferir diretamente na operacionalização das empresas controladas em seu diaadia, prestando apenas aqueles serviços que elas não podem executar eficientemente ao que para cada uma isoladamente seja Fl. 1080DF CARF MF 4 oneroso e para ela não o é, tendo em vista a pulverização dos custos. Afirmando que a recorrente é um empresa Holding pura, pois o seu objeto social é congregar e deter participações acionárias na Porto Seguro S.A. ou sucessoras ou sociedades que sejam controladas pela PSSA. 7. Informa a Fiscalização, que a teor do que disciplina art. 9º da Lei 9.249/95, os reais beneficiários dos JCP são o titular, sócios ou acionistas da empresa pagante, in verbis: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP.” 8. Ressalta que o dividendo é remuneração obrigatória para as sociedades anônimas, enquanto que os JCP foram criados pela legislação tributária como uma opção fiscal de remuneração para as empresas submetidas ao regime do IR pelo lucro real. E, ainda, que há previsão expressa quanto ao não pagamento dos dividendos obrigatórios em função da situação financeira da empresa, possibilitando o pagamento destes em momento posterior, conforme § 4° e 5° do art. 202 da lei 6.404/76. 9. Segundo informações constantes no TVF, no presente caso, o sujeito passivo dos tributos é a própria PSIUPAR, que, nos termos da lei deveria ter registrado em sua contabilidade e oferecido à tributação as receitas de JCP. Cabendo, portanto, lançamento de ofício de IRPJ e CSLL relativos à omissão dessas receitas. Acrescenta, que apesar da recorrente ter apenas a nuapropriedade das ações gravadas, conferida por instrumento particular, era ela a acionista da pessoa jurídica que efetuou o pagamento e não as pessoas físicas e jurídicas usufrutuárias de direitos econômicos em razão de gravame. 10. Considerou a Fiscalização, que o instituto do usufruto seria uma "convenção firmada entre particulares sobre a responsabilidade para recolhimento de tributos" e que tais convenções particulares não são oponíveis ao Fisco "para alterar a sujeição passiva da obrigação tributária, nos termos do art. 123 do CTN". 11. Sobre a apuração da base de cálculo, a Fiscalização (às fls.707), considerou os seguintes valores, que foram pagos pela PSSA a título de JCP – Juros sobre capital próprio, conforme descrição na tabela abaixo: “sendo os valores da linha subtotal os que foram pagos diretamente aos usufrutuários das ações sem transitar pela contabilidade da PSIUPAR e no total, foram incluídos os pagos à PSIUPAR e que entram no cálculo dos limites permitidos para distribuição de JCP”. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201501 Acórdão n.º 1401002.081 S1C4T1 Fl. 1080 5 12. Cientificado da autuação em 14/10/2015 (fls. 714), o interessado apresentou a impugnação em 12/11/2015 (fls. 724/753), na qual alegou, em síntese, que: a) O usufruto de ações não se traduz em "convenção particular relativa à responsabilidade tributária”, mas, sim, em conceito determinante da sujeição passiva tributária; seja porque no caso não houve qualquer dano ao Erário e finalmente porque, mesmo que a Impugnante fosse parte da relação obrigacional tributária, não teria qualquer saldo de IRPJ ou CSLL a pagar, como será demonstrado; b) A Impugnante qualificase como uma sociedade holding criada com caráter estrategicamente político (organização e estabilização do poder de comando empresarial), com objetivo de oferecer à sociedade controlada (PSSA) uma administração livre das injunções de oscilação de grupos de acionistas — um dos quais ainda familiar, orientador histórico da gestão na sociedade controlada (PSSA), situação preservada e ajustada de acordo com os interesses da associação numa visão de longo prazo; c) Informa que no período préassociação, as sociedades Pares Empreendimentos e Participações S.A. ("Pares") e Rosag Empreendimentos e Participações S.A. ("Rosag") e o Sr. Jayme Brasil Garfynkel ("Jayme") todos do Grupo Porto Seguro , detinham, diretamente, as ações da PSSA não dispersas no Mercado (bolsa de valores). E que a partir da associação entre os Grupos Porto Seguro e Itaú Unibanco, as empresas Itaú Unibanco S.A. ("Itaú Unibanco"), Itaú Seguros S.A. ("Itaú Seguros") e Itauseg Participações S.A. ("Itauseg"), passaram igualmente a deter participação acionária diretamente na PSSA; d) Expõe que o CARF já se manifestou no sentido de que os frutos das ações correspondem igualmente aos dividendos e JCP: "valor dos frutos que tais ações gerarem, consubstanciados nos dividendos e JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO que a companhia investida vier a pagar ao usufrutuário"; e) Afirma que, mesmo com a criação da Impugnante que decorreu da necessidade de regular a associação dos Grupos Porto Seguro e Itaú Fl. 1082DF CARF MF 6 Unibanco quando da combinação de suas operações de seguros residenciais e de automóveis, de forma a estabilizar o controle compartilhado da PSSA, podese afirmar não ter havido qualquer prejuízo ou lesão ao Fisco quando de sua estruturação, por resultar na mesma carga fiscal do status quo. Ou seja, não implicou qualquer prejuízo à arrecadação do fisco federal, uma vez que, antes da constituição da Impugnante os rendimentos de JCP eram tributados por Pares, Rosag, Jayme, Itaú Unibanco, Itaú Seguros e Itauseg, e esta situação se mantém; f) Informa que a fiscalização federal erroneamente recompôs as bases de cálculo de IRPJ e CSLL considerando os ingressos das receitas correspondentes aos JCP pagos pela PSSA e a correspondente despesas decorrentes do pagamento desses mesmos JCP aos acionistas da Impugnante (usufrutuários das ações da PSSA), pois deixou de reconhecer como receita da Impugnante o resultado de equivalência patrimonial da PSSA; g) Apresentou aos autos, uma tabela com ajustes de contas corretivas, com fito de sanar o erro de cálculo realizado pela Fiscalização: “resultado positivo em participações societárias'; 'lucro antes do JCP e sem a CSLL'; 'lucros acumulados ou reservas de lucros'; e 'contas do PL exceto reservas de reavaliação e especial e os consequentes limites de JCP a pagar e limites de dedutibilidade”. – Fls. 749. A saber: h) Aduz que muito embora a fiscalização tenha anuído com o reconhecimento, pelas holding puras, do resultado de equivalência patrimonial, ao recompor as bases de cálculo de IRPJ e CSLL da Impugnante o Auditor Fiscal não levou em consideração tais valores em relação à totalidade de ações da PSSA que a Impugnante seria titular, na medida em que deixou de considerar o resultado de 228.137.913 ações da PSSA, sobre as quais recai o gravame do usufruto; Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201501 Acórdão n.º 1401002.081 S1C4T1 Fl. 1081 7 i) Diz que o Auto de Infração merece ser prontamente cancelado, uma vez que sua lavratura decorreu exclusivamente da falta de aceitação e/ou da interpretação incorreta, por parte da fiscalização federal, de conceitos básicos do direito civil e do direito tributário, tais como: (i) o instituto do usufruto e seus reflexos jurídicos; (ii) a imprescindibilidade da obediência, na aplicação das normas tributárias, aos conceitos civilistas, vedada qualquer alteração de seu conteúdo e alcance; (iii) a definição e distinção de sujeição passiva e responsabilidade tributária; e (iv) as normas de pagamento e dedutibilidade de JCP; j) Requereu ao final, o cancelamento do auto de infração vez que sua lavratura decorreu exclusivamente da falta de aceitação e/ou da interpretação incorreta, por parte da fiscalização federal, de conceitos básicos do direito civil e do direito tributário. Improcedência do lançamento, na medida em que os usufrutuários das ações da PSSA (Pares, Rosag, Jayme, Itaú Unibanco, Itaú Seguro e Itauseg) são inegavelmente os legítimos titulares dos rendimentos decorrentes do pagamento de JCP e, consequentemente, sujeitos passivos da obrigação tributária. O que faz, por fim, da Impugnante, a nu proprietária das ações da PSSA, não detendo capacidade tributária passiva alguma; k) Requereu ainda, o integral acolhimento da presente impugnação, para que os lançamentos de IRPJ e CSLL sejam julgados totalmente improcedentes, cancelandose as exigências fiscais correspondentes; caso não se entenda pelo cancelamento integral da autuação, ainda assim o lançamento deve ser revisto de forma a adequadamente calcular os limites de JCP e sua dedutibilidade, assim como o reflexo da dedução do IRRF retido pela PSSA. 13. Houve nos autos, DESPACHO DE DILIGÊNCIA (fls.961) no sentido de intimar a contribuinte para apresentar a demonstração de apuração da equivalência patrimonial, detalhando os resultados positivos em participações societárias nos anoscalendário de 2010 a 2013 indicados na planilha constante à fl.749 de sua impugnação apresentada. 14. Instado a se manifestar, a recorrente apresentou PETIÇÃO de fls. 967/972, apresentando cópia das contas nº 1.2.02.01.01 e 1.2.02.01.02 (investimentos na PSSA) e 3.1.01.01 (resultado na equivalência patrimonial), assim como demonstrativo com os resultados mensais da equivalência patrimonial. 15. Tendo em vista a apresentação da documentação requisitada, os autos voltaram conclusos para Turma em 13/04/2016 (fls.1.008). Dessa forma, o Acórdão ora Recorrido (0654.570 1ª Turma da DRJ/CTA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. VARIAÇÃO PRO RATA DIA DA TJLP SOBRE AS CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. LIMITES DE DEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica pode deduzir, na determinação do lucro real, o valor dos juros pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas, a Fl. 1084DF CARF MF 8 título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido com base na variação pro rata dia da TJLP, observados os seguintes limites: (i) 50% do lucro líquido do período de apuração a que corresponder o pagamento ou crédito dos juros, após a dedução da CSLL e antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou (ii) 50% da soma dos saldos das contas de lucros acumulados e de reserva de lucros de períodos anteriores. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CONSTITUIÇÃO DO USUFRUTO SOBRE AS AÇÕES. O NUPROPRIETÁRIO. ACIONISTA. Frente aos termos da lei tributária (art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995), os juros sobre o capital próprio devem se pagos a titular, sócios ou acionistas; constituído o usufruto sobre as ações, o nuproprietário permanece sendo o acionista, a quem devem ser pagos os juros sobre o capital próprio; diferentemente dos dividendos, que decorrem de lucros passados ou presentes apurados consoante a legislação societária e cujo pagamento deve ser efetuado ao usufrutuário das ações, os juros sobre o capital próprio decorrem da legislação tributária e são pagos, no caso de uma sociedade por ações, aos acionistas, que, na hipótese da constituição do usufruto, correspondem ao nusproprietários. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. ALTERAÇÃO DOS LIMITES DE DEDUTIBILIDADE COM BASE NA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL SOBRE AS AÇÕES GRAVADAS COM USUFRUTO. IMPOSSIBILIDADE. É descabido o recálculo dos limites de dedutibilidade das despesas com juros sobre o capital próprio com base no resultado da equivalência patrimonial apurada sobre as ações gravadas com usufruto, porquanto a legislação societária determina que o direito à percepção dos frutos gerados por tais ações pertence aos usufrutuários, de modo que não cabe ao nuproprietário reconhecer uma parcela dos lucros da investida que não lhe pertence. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido 16. Isto porque, segundo entendimento do Acordão recorrido, a PSIUPAR deixou de reconhecer a receita atinente aos juros sobre o capital próprio pagos pela Porto Seguro S/A sobre as 228.137.913 ações do seu capital social gravadas com reserva de usufruto quanto aos direitos patrimoniais, nos montantes de R$ 123.245.627,48, R$ 179.129.088,17, R$ 181.780.369,30 e R$ 169.078.324,87 nos anos calendário de 2010 a 2013, respectivamente, que foram pagos diretamente aos acionistas Pares Empreendimentos e Participações S/A, Rosag Empreendimentos e Participações S/A, Itaú Unibanco S/A, Itaú Seguros S/A e Itauseg Participações S/A. No lançamento fiscal em análise, com fundamento no artigo 9º da Lei nº 9.249, de 1995, foi exigido da PSIUPAR (a interessada) o reconhecimento da receita com os Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201501 Acórdão n.º 1401002.081 S1C4T1 Fl. 1082 9 juros sobre o capital próprio pagos pela PSSA sobre as ações ordinárias gravadas com usufruto em favor dos acionistas, da interessada, Pares Empreendimentos e Participações S/A, Rosag Empreendimentos e Participações S/A, Itaú Unibanco S/A, Itaú Seguros S/A e Itauseg Participações S/A. 17. Segundo entendimento da Turma, “embora não constitua despesa admitida pela legislação societária, à dedução dos juros sobre o capital próprio pagos a titular, sócios ou acionistas foi autorizada pela Lei nº 9.249, de 1995, para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Nas condições para dedutibilidade impostas por esse diploma legal se encontram a especificação da pessoa a quem os juros seriam pagos ou creditados (titular, sócios ou acionistas), o critério de cálculo (taxa de juros com base na TJLP e contas sobre as quais seriam calculados os juros) e os limites máximos de outorga da vantagem (existência de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros). No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada pelo lucro real, haveria a retenção na fonte à alíquota de quinze por cento e a posterior consideração dos juros auferidos na declaração de rendimentos (antecipação do devido). Nos demais casos, a retenção seria considerada tributação definitiva (rendimento tributado exclusivamente na fonte).” 18. Argumentam ainda, que descabe pretensão da recorrente “de emprestar aos juros sobre o capital próprio o mesmo regramento jurídico adotado para os dividendos (legislação comercial). Os juros sobre o capital próprio seguem o regramento previsto na legislação fiscal, que determina que o beneficiário do pagamento, no presente caso, o acionista (nuproprietário), e não o usufrutuário”. 19. Considerou que “os ajustes mediante equivalência patrimonial possibilitam o reconhecimento da parcela dos lucros gerados pela sociedade investida que pertence aos investidores, mas tendo em vista que no caso de ações gravadas com usufruto os lucros e dividendos gerados pela investida pertencem aos usufrutuários, é totalmente descabida a pretensão da interessada, na condição de nuproprietário, reconhecer uma parcela dos lucros que não lhe pertence.” Informando ainda, que documentação apresentada pela contribuinte é insuficiente para demonstrar a forma de apuração dos resultados positivos em participações societárias, haja vista apenas indicar o resultado final apurado em cada mês. 20. Concluindo: “que a Autoridade Fiscal tributou a receita não contabilizada com juros sobre o capital próprio pagos pela PSSA diretamente aos acionistas da interessada, que tais juros foram considerados repassados aos mesmos sócios, detentores do usufruto sobre as ações da PSSA, observados os limites de dedutibilidade previstos no artigo 9º, § 1º, da Lei nº 9.249, de 1995, e que o § 6º do referido artigo determina que “o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas”, concluise que o imposto de renda retido na fonte pela PSSA deve ser compensado com o imposto que a interessada, na condição de fonte pagadora, devia também reter sobre os valores de JCP repassados a seus acionistas”. 21. A contribuinte recebeu mensagem com acesso ao acórdão por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico perante à RFB, na data de 28/04/2016 às 16:57:39 (fl.1.041) e abriu o teor dos documentos no dia 29/04/2016 às 16:06h (fl. 1.042), tendo apresentado Recurso Voluntário em 25/05/2016 (fls. 1045/1075). 22. O Recurso Voluntário apresentado traz em seu bojo praticamente o mesmo conteúdo daquela apresentada na impugnação às (fls. 724/753), acrescendo apenas alguns novos argumentos, e os tópicos “III. B e III. E”, que ora em parte, são transcritos: Fl. 1086DF CARF MF 10 a) Reitera que é uma sociedade holding, criada especificamente para participar como acionista majoritária do capital da PSSA, permitindo, assim, que fosse mantida a integridade e estabilidade do colégio acionário e da administração da PSSA e que se trata de uma sociedade empresária de caráter notoriamente político (para a organização e estabilização do poder de comando empresarial), com objetivo de oferecer à sociedade controlada (PSSA) uma administração livre das injunções de oscilação de grupos de acionistas; b) Que em essência, os então acionistas transferiram à Recorrente a nua propriedade das ações que detinham diretamente na PSSA gravadas com reserva de usufruto quanto aos direitos patrimoniais dessas ações, passando a Recorrente, portanto, a deter todos os direitos políticos de gestão da PSSA. Em outras palavras, os então acionistas da PSSA reservaram para si o direito sobre dividendos, JCP e quaisquer outros frutos decorrentes das ações da PSSA e transferiram para a Recorrente a nuapropriedade e respectivos direitos políticos; c) Informa que de acordo com o “posicionamento pacífico da doutrina especializada, os JCP devem ser qualificados como forma de distribuição dos resultados da companhia, o que necessariamente o qualifica como frutos/dividendos das ações. Não há qualquer razão, portanto, para a diferenciação na atribuição dos resultados de dividendos ou JCP ao nu proprietário ou ao usufrutuário, como tenta argumentar o v. acórdão recorrido proferido pela a DRJ/CTA”; d) Aduz que no presente caso, “tendo sido conferida ao usufrutuário a capacidade de usar os produtos gerados pelo bem gravado com usufruto, é inegável que é imputada a ele a condição de sujeito passivo da obrigação tributária. A existência da cláusula de usufruto conferiu aos usufrutuários a titularidade dos JCP pagos pela PSSA, fazendoos reconhecer e submeter à tributação tais rendimentos”. – Fls. 1.063; e) Ainda acrescenta, “que o artigo 9º da Lei n.º 9.249/95 não traz nenhum comando de sujeição passiva tributária. O comando normativo revela apenas condições para pagamento e dedutibilidade dos JCP na esfera patrimonial da fonte pagadora. Até porque, a atribuição dos legitimados a receber os JCP não cabe à legislação tributária, mas sim à legislação cível e societária, por tratar de direito real do beneficiário”. – Fls. 1.064; f) Rejeita, pois, a regra determinada no art. 123 do CTN, na medida em que o usufrutuário é o beneficiário dos rendimentos e, por consequência, sujeito passivo das implicações tributárias deles decorrentes; g) Informa que o antigo Conselho de Contribuintes analisou situação semelhante ao presente caso no por meio do Acórdão n.º 10194.252, 1ª Câmara, sessão de 13.06.2003, conforme transcrição abaixo – (Fls.1.066): “Desconsideração de Negócio Jurídico. Caracterização. Glosa de Juros sobre o Capital Próprio. A manutenção do controle acionário nas mãos do doador, por meio do instituto do usufruto, não se configura suficiente para a descaracterização da operação de doação de ações, porque a possibilidade da instituição de usufruto sobre ações e de definição contratual do exercício do direito de voto entre o titular (ou nu proprietário) e o usufrutuário das ações decorre das expressas disposições da Lei nº 6.404, de 1976. Em face da falta de regular Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201501 Acórdão n.º 1401002.081 S1C4T1 Fl. 1083 11 caracterização dos artifícios utilizados pela contribuinte para se furtar da incidência dos impostos, mediante a doação das ações, com reserva de usufruto, e as posteriores renúncias parciais de usufruto sobre os juros sobre o capital próprio, não subsiste a exigência fiscal”. h) Conclui que a Fiscalização deveria ter descontado os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRRF”) recolhidos pela PSSA quando do pagamento dos JCP. Afirmando que “não pagou JCP aos seus acionistas. Conforme demonstrado, para lavratura dos Autos de Infração, d. Auditor Fiscal criou um raciocínio (hipotético) de que a Recorrente teria recebido JCP da PSSA e repassado esses valores aos seus acionistas, por conta da desconsideração da existência da reserva do usufruto. Ocorre que essa situação não ocorreu na prática, ou seja, nunca houve referido fluxo de pagamento de JCP, de forma que a Recorrente jamais teria a oportunidade de compensar o IRRF retido pela PSSA”. – Fls. 1.073; i) Afirma que não há como se admitir o afastamento dos efeitos jurídicos tributários do usufruto no presente caso. O usufruto de ações é conceito determinante da sujeição passiva tributária, na medida em que define o verdadeiro beneficiário de rendimentos e, em última análise, aquele que apresenta capacidade contributiva para figurar no polo passivo da obrigação tributária; j) Impugna o lançamento fiscal realizado, justificando que in casu, “os usufrutuários das ações da PSSA (Pares, Rosag, Jayme, Itaú Unibanco, Itaú Seguro e Itauseg) são inegavelmente os legítimos titulares dos rendimentos decorrentes do pagamento de JCP e, consequentemente, sujeitos passivos da obrigação tributária. Por óbvio, a Recorrente, nuproprietária das ações da PSSA, não é sujeito passiva da obrigação, o que evidencia a total impertinência deste lançamento”; k) Argumenta que “muito embora a DRJ/CTA tenha reconhecido os efeitos do usufruto para fins de definição do titular dos frutos das ações, entendeu equivocadamente que esse raciocínio deveria ser aplicado exclusivamente aos dividendos, de forma que os JCP não poderiam ser considerados como frutos/rendimentos de ações. Conforme posição unânime da doutrina societária e tributária, corroborada pelo entendimento deste E. CARF, os JCP consistem em mecanismo de distribuição de resultados das companhias, de forma que também devem ser tratados como frutos/rendimentos de ações”; l) Requereu, o acolhimento das razões expendidas no recurso, para determinar o cancelamento das exigências fiscais: m) Caso não decida o Conselho pelo cancelamento integral da autuação, requereu, subsidiariamente, que o lançamento deve ser revisto de forma a adequadamente calcular os limites de JCP e sua dedutibilidade caso fossem pagos pela Recorrente aos usufrutuários de tais direitos, assim como o reflexo da dedução do IRRF retido pela PSSA. n) Protestou por fim, pela sustentação oral diante do que preceitua o artigo 58, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Fl. 1088DF CARF MF 12 23. É o essencial ao relatório. Tabela do plano Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. A controvérsia diz respeito à desconsideração, intentada pelo fisco, do usufruto reservado aos acionistas da autuada sobre os direitos econômicos das ações Porto Seguro S/A. Em suma, o autuante afirma que, como conseqüência da celebração dos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto, os acionistas/usufrutuários, por deterem os direitos econômicos das ações Porto Seguro S/A, receberam diretamente dele os valores pagos a título de JCP. A autuada, por sua vez, alega ter conservado tão somente a nuapropriedade das ações em relação aos seus direitos políticos, de modo que deixou de auferir receitas e oferecêlas à tributação, o que caracterizaria a omissão de receitas ensejadora do lançamento de ofício. O agente autuante e a DRJ defendem que, descabe a pretensão da recorrente “de emprestar aos juros sobre o capital próprio o mesmo regramento jurídico adotado para os dividendos (legislação comercial). Os juros sobre o capital próprio seguem o regramento previsto na legislação fiscal, que determina que o beneficiário do pagamento, no presente caso, o acionista (nuproprietário), e não o usufrutuário”. Assim, em síntese, o ponto principal da questão é saber se o usufruto reconhecido para fins de pagamento de dividendos pode ter o mesmo efeito para fins de pagamento de JCP. Em outras palavras, para efeitos fiscais defende o autuante que o usufruto não pode ser oposto contra o fisco para fins de pagamento de JCP, enquadrando como convenção particular que alteraria a sujeição passiva tributária. No que se refere ao usufruto, o Código Civil vigente, à diferença do anterior, não contém um artigo específico para determinar seu conceito. Regula, porém, em riqueza de detalhes, todas as suas características e efeitos entre os artigos 1.390 e 1.411. Entretanto, a natureza jurídica essencial desse instituto, é a mesma entre os marcos legais e, por isso, podemos tomar como ponto para conceituação do instrumento a trazida pelo artigo 713 do revogado Código Civil de 1916, qual seja, o “direito real de fruir as utilidades e frutos de uma coisa, enquanto temporariamente destacado da propriedade”. Em outras palavras, o instituto do usufruto representa uma restrição à posse direta da propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. Assim, o usufrutuário, como detentor da posse direta e justa do bem, tem o direito de usar e gozar da coisa como melhor lhe convier, explorandoa economicamente na retirada de seus frutos e produtos. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201501 Acórdão n.º 1401002.081 S1C4T1 Fl. 1084 13 Já o nuproprietário conserva sua substância e seu conteúdo de domínio, que lhe confere a disponibilidade do bem nas formas permitidas por lei. Ao delimitar a extensão desse instituto, o Código Civil vigente dispõe que “o usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, em um patrimônio inteiro, ou parte deste, abrangendolhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades” (artigo 1.390, do Código Civil). À luz da parte final desse dispositivo, temse claro que o legislador permite a restrição do usufruto do bem ao gozo de apenas algumas de suas utilidades. Importante destacar ainda que, os direitos e deveres, tanto do usufrutuário como do nuproprietário, estão expressamente previstos nos artigos 1.394 e 1.409 do Código Civil, dentre eles o direito do usufrutuário a posse, uso, administração e percepção dos frutos da coisa alheia (artigo 1.394), bem como seu dever de arcar com as prestações e os tributos devidos pela posse ou rendimento da coisa usufruída (artigo 1.403). Especificamente quanto à possibilidade de constituição de usufruto sobre as participações no capital social de sociedades por ações, a Lei nº 6.404/76 (“LSA”) traz regras pontuais quanto à sua disciplina. Os artigos 40, 100, I, ‘f’, 114, 169, §2º, 171, §5º e 205, prevêem e regulam o instituto do usufruto de participações societárias em ações. O fato é que, justamente no aproveitamento dos rendimentos pelo usufrutuário, ou seja, nos direitos econômicos sobre a coisa, que se encontra a essência do usufruto. Este instituto consiste justamente no direito de aproveitar temporariamente os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, de modo que não poderia ser diferente quando for instituído sobre ações. Nesse sentido, não consigo entender a JCP com conceito distinto de um fruto decorrente das ações. Apesar de os dividendos e os JCP possuírem natureza jurídica e tratamentos tributários distintos, ambos dizem respeito a formas de a sociedade remunerar o acionista pelo capital por ele investido, razão pela qual suas respectivas finalidades econômicas (e societárias) são coincidentes. Isto porque, o JCP, embora possua natureza diversa, é utilizado com a mesma finalidade do dividendo, tanto que o montante pago a título de JCP pode ser deduzido do cômputo do dividendo mínimo obrigatório. Assim, concluo que sob a ótica do artigo 205 da LSA, não apenas os resultados provenientes das participações societárias incluem dividendos e JCP, mas também que, indubitavelmente, tais valores se destinarão ao usufrutuário. Nesse sentido também é que, em análise do dispositivo citado, o Acórdão nº 1201000.386, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, desta 1ª Seção de Julgamento do CARF e relatado pelo Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz, entendeu que os frutos gerados pelas ações consistem em dividendos e JCP. Vejamos: USUFRUTO DE AÇÕES. PREÇO FIXO. CUSTO DE AQUISIÇÃO É FORMADO PELOS FRUTOS GERADOS PELAS AÇÕES. DIVIDENDOS E JURO SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. O ganho do nu proprietário com a constituição de usufruto sobre ações de sua propriedade é igual à diferença entre o preço recebido do usufrutuário e o Fl. 1090DF CARF MF 14 valor dos frutos que tais ações gerarem, consubstanciados nos dividendos e no juro sobre capital próprio que a companhia investida vier a pagar ao usufrutuário. (grifo não original). O fato da LSA não tratar expressamente da JCP se justifica até mesmo por uma questão temporal, pois obviamente os autores da Lei das S.A. não poderiam antever que seria criada essa figura híbrida que é o JCP, que por um lado não é dividendo, mas, por outro, pode integrar o montante pago a título de dividendo mínimo obrigatório. Entretanto, ambos são frutos, remunerações decorrentes da propriedade das ações. Por outro lado, também não posso concordar com a posição defendida pela DRJ no sentido de que a constituição do usufruto seria uma convenção particular que não poderia servir para efeitos fiscais. Especificamente no que trata dos JCP, descabe afirmar – como feito pela DRJ – que o artigo 9º da Lei nº 9.249/95, ao dispor sobre o pagamento “a titular, sócios ou acionistas” estaria restringindo tal remuneração de capital próprio ao proprietário da ação. Essa interpretação violaria os artigos 114 e 205 da LSA, que, ao disporem sobre exercício do direito de voto e pagamento de dividendos, atribuem tais prerrogativas ao proprietário e ao usufrutuário. Ademais, não há que se falar em convenção particular alterando a sujeição passiva vez que tal efeito decorre de lei de mesma hierarquia do CTN, e está prevista no artigo 1.403 do Código Civil, consistindo em direito real que estabelece ao usufrutuário o dever de arcar com as prestações e os tributos devidos pela posse ou rendimento da coisa usufruída, é certo que será ele o sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes aos tributos federais. Esse entendimento já foi manifestado pelo Conselho de Contribuintes: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 3º TURMA ACÓRDÃO Nº 1329263 de 14 de Maio de 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EMENTA: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. USUFRUTO. Uma vez constatado que o(a) contribuinte é proprietário(a) de imóvel com reserva de usufruto para terceira pessoa, os rendimentos produzidos pelo referido bem pertencem ao usufrutuário, sujeito passivo da obrigação tributária, que é quem detém a capacidade de usar as utilidades e os frutos do imóvel, ainda que não seja o proprietário. Exercício: 01/01/2004 a 31/12/2004 (grifo não original) É essencial analisar sistematicamente os conceitos de direito privado e seus reflexos no universo tributário, como bem determina o artigo 109 do Código Tributário Nacional, o qual impõe a necessidade de o operador do direito tributário utilizarse dos Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201501 Acórdão n.º 1401002.081 S1C4T1 Fl. 1085 15 princípios gerais de direito privado na pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, para então atribuir a eles seus efeitos tributários. Na ausência de legislação que atribua ao usufruto efeitos tributários específicos, prevalecem os efeitos típicos do instituto do direito civil. Ao aplicador da administração tributária é vedada a deturpação do conceito ou mesmo dos efeitos do instituto do usufruto contido no direito privado para que, empregandolhe diferentes alcances e limites, redundem na intenção de tributar determinado sujeito. Não estou negando ao direito tributário a prerrogativa de atribuir diferentes efeitos para institutos diversos do direito privado, mas tal prerrogativa pertence exclusivamente ao legislador, e não ao seu intérprete. Assim, diante da patente licitude da operação realizada e da validade formal do usufruto constituído, não tenho como negarlhe os efeitos que lhe são próprios, entendendo que devam ser acolhidas as razões recursais. Ressaltese que em caso semelhante a Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara também chegou à mesma conclusão deste Relator: NATUREZA JURÍDICA DO USUFRUTO SOBRE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. O usufruto representa uma restrição à posse direta da propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. O usufruto sobre ações é especificamente regulado pelos artigos 40, 100, I, ‘f’, 114, 169, §2º, 171, §5º e 205 da Lei nº 6.404/76 (Lei das SA). ABRANGÊNCIA DO USUFRUTO SOBRE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. Sob a ótica do artigo 205 da Lei nº 6.404/76, os resultados provenientes das participações societárias incluem dividendos e juros sobre capital próprio (“JCP”), de modo que, sendo instituído usufruto, os valores correspondentes ao JCP se destinarão ao usufrutuário, também titular da ação. NECESSIDADE DE O OPERADOR DO DIREITO TRIBUTÁRIO UTILIZARSE DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PRIVADO. Na ausência de legislação que atribua ao usufruto efeitos tributários específicos, prevalecem os efeitos típicos do instituto do direito civil. Dessa forma, ao aplicador da administração tributária é vedada a deturpação do conceito ou mesmo dos efeitos do instituto contido no direito privado para que, empregandolhe diferentes alcances e limites, redundem na intenção de tributar determinado sujeito. IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS PRATICADOS SOBRE O FUNDAMENTO DE INEXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL OU ABUSO DE FORMAS. Está presente o propósito negocial quando a contribuinte demonstra que o usufruto foi constituído em momento preparatório da abertura do capital da empresa para, sob o ponto de vista político, concentrar os votos em uma Fl. 1092DF CARF MF 16 única pessoa jurídica para evitar votos dissidentes nas Assembléias e, sob o ponto de vista econômico, desconcentrar os benefícios financeiros visando a manter a liberdade que as pessoas físicas possuíam de receber e administrar os recursos financeiros oriundos das ações. No presente caso, há um encadeamento lógico que demonstra a correlação entre todos os atos praticados pela contribuinte com as respectivas finalidades pretendidas, sejam eles considerados de forma isolada ou em conjunto. A aplicação da teoria do abuso de formas ao direito tributário, em razão da ausência de positivação, viola a segurança jurídica e a estrita legalidade. USUFRUTUÁRIOS SÃO EFETIVOS TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA AUTUADA, NUAPROPRIETÁRIA DAS AÇÕES. Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP foi corretamente interpretada pela autuada como sendo dos seus sócios, usufrutuários das ações do Banco Daycoval, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela autuada e, por óbvio, na sua omissão. CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS, pois foram formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referem à mesma matéria tributável. (Acórdão n. 1103001.123 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária 21/10/2014) Em outro caso mais recente, a 1ª Turma da Segunda Seção acatou a tese defendida pelo contribuinte (Acórdão n. 401004.568 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 07/02/2017): NULIDADE. INEXISTÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. Preenchidos os requisitos do lançamento, não há que se falar em nulidade, nem em cerceamento do direito de defesa. USUFRUTO. NATUREZA JURÍDICA. PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. O usufruto representa uma divisão das faculdades inerentes ao direito de propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. É da essência do usufruto o aproveitamento dos rendimentos do bem pelo usufrutuário. Com base na disciplina normativa afeta ao direito civil e societário, os valores a titulo de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, pagos ou creditados como resultado de participações societárias, são rendimentos que pertencem ao usufrutuário. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 16327.720855/201501 Acórdão n.º 1401002.081 S1C4T1 Fl. 1086 17 USUFRUTO. LUCROS/DIVIDENDOS. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de lucros/dividendos e de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado. As normas que estabelecem exceções à tributação ordinária devem ser interpretadas de maneira estrita, não comportando ampliação de conteúdo ou emprego de analogias, assim como inviável também a utilização pelo intérprete de exegese restritiva, para o fim de distinguir onde a lei não distingue. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. USUFRUTO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os juros pagos ou creditados a pessoa física na condição de usufrutuário de participações societárias, a título de remuneração do capital próprio, devem ser tributados exclusivamente na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), na data do pagamento ou crédito. LUCROS OU DIVIDENDOS. USUFRUTO. ISENÇÃO. Os valores pagos a título de lucros ou dividendos, calculados com base nos resultados da pessoa jurídica apurados a partir do mês de janeiro de 1996, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física beneficiária dos rendimentos na condição de usufrutuária de participações societárias. Recurso Voluntário Provido. No meu entendimento, como demonstrado, em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP foi corretamente interpretada pela autuada como sendo dos seus sócios, usufrutuários das ações, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela autuada e, por óbvio, na sua omissão. Ademais, apenas para fins de argumentação, em decisão ainda mais recente, a Segunda TO desta mesma Câmara deu provimento ao recurso voluntário manejado por uma empresa do mesmo grupo econômico do ora Recorrente, mas por fundamento diverso. A recente decisão prolatada no mês de abril/2017 entendeu que não poderia ser exigido tributo do nuproprietário uma vez que ele efetivamente não teve receita de JCP, mas sim os usufrutuários: USUFRUTUÁRIOS. TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA NUAPROPRIETÁRIA DAS AÇÕES. Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP é dos usufrutuários das ações, razão pela Fl. 1094DF CARF MF 18 qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela nua proprietária. USUFRUTO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No caso dos rendimentos pagos ou creditados a título de juros sobre capital próprio, o legislador tributário deixou de atribuir ao instituto do usufruto efeitos tributários específicos, o que implica remeter o intérprete aos efeitos típicos decorrentes do direito privado. (Acórdão n. 1402002.445 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 10/04/2017) Assim, por linhas transversas, chegouse à mesma conclusão. Desta feita, diante do exposto, não vejo como prosperar o presente lançamento, razão pela qual dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1095DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720496/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO.
O crédito presumido do art. 3º da Lei n.º 10.147/2000 será deduzido do montante devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial, sendo vedada, à época da autuação, qualquer outra forma de utilização do crédito presumido, inclusive sua compensação ou restituição.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO.
O crédito presumido do art. 3º da Lei n.º 10.147/2000 será deduzido do montante devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial, sendo vedada, à época da autuação, qualquer outra forma de utilização do crédito presumido, inclusive sua compensação ou restituição.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-004.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GLENMARK FARMACEUTICA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO. O crédito presumido do art. 3º da Lei n.º 10.147/2000 será deduzido do montante devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial, sendo vedada, à época da autuação, qualquer outra forma de utilização do crédito presumido, inclusive sua compensação ou restituição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO. O crédito presumido do art. 3º da Lei n.º 10.147/2000 será deduzido do montante devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial, sendo vedada, à época da autuação, qualquer outra forma de utilização do crédito presumido, inclusive sua compensação ou restituição. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 96 /2 01 1- 21 Fl. 1166DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão n.º 1662843 da 9ª Turma da DRJ/SP1 que julgou improcedente o lançamento fiscal com base em diligência fiscal realizada nos autos, vez que os valores autuados após o ajuste da base de cálculo realizado pela fiscalização se referiam exclusivamente ao crédito presumido da Lei n.º 10.147/2000. Por trazer uma clara síntese dos autos, inclusive da diligência fiscal realizada, peço vênia para transcrever o relatório do acórdão recorrido, com destaque para os pontos considerados mais relevantes para este julgamento: "Em fiscalização relativa ao ano de 2008 o AuditorFiscal autuou a empresa nos meses de janeiro a outubro por falta/insuficiência de recolhimentos (medicamentos alíquotas diferenciadas), com multas agravadas (112,5 %). Os totais são (fls. 601): Pis R$ 1.674.964,34; Cofins R$ 7.896.261,45. A empresa teve ciência do Termo de Início dos trabalhos de PIS em 29/3/2011 (AR. fl. 7). O AuditorFiscal encontrara divergências entre as receitas informadas em seus diversos documentos fiscais: GIA (fls 76112); Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ fls 490578); Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon fls 113). A base anual encontrada nas GIAS (fl 76112) fora R$ 61.464.558,28. A soma das diferenças mensais encontradas (GIAS x DACON) resultou R$ 32.978.379,13 (fl. 655). Em 23/5/2011 a empresa fora intimada (AR) a apresentar planilha de apuração de Pis e Cofins e esclarecer a diferença de receitas brutas anuais na DIPJ e na DACON, inclusive com embasamento legal, sob pena se agravamento de multa em 50 %, pelo não atendimento tempestivo (fl. 74 75). Em 24/6/2011 a empresa recebe a ciência da inclusão da Cofins (fls 579 – 580). Em 30/6/2011 o AuditorFiscal relata em Termo de Verificação (fl. 581): até 7/6/2011, não houve resposta à intimação de 19/5/2011, que previa pena de agravamento de multas em 50%, pela não apresentação de dados e das justificativas das diferenças encontradas; em 24/6/2011, enviara, com AR, do Termo de Ciência da inclusão da Cofins de 2008, com exclusão de espontaneidade e ciência em 30/6/2011 (fl. 581); na DIPJ a receita anual declarada foi R$ 60.807.627,10; nas GIAS estaduais a soma das receitas mensais resulta R$ 61.464.558,28, estando compatível com a receita anual de vendas no mercado interno constante da DIPJ (fl. 582), podendo então, cada qual, ser considerada como receita auferida; Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 19515.720496/201121 Acórdão n.º 3402004.820 S3C4T2 Fl. 1.167 3 assim, as receitas mensais omitidas foram calculadas e tributadas pelas diferenças mensais entre as declaradas nas Guias de Informação e Apuração (GIAS) do ICMS/SP (R$ 61.464.558,28) e as declaradas mensalmente nas DACONS (R$ 28.907.372,82); aplicara as alíquotas relativas à atividade principal medicamentos (fl. 582) pela impossibilidade de segregar as receitas (2,1% para Pis fl. 584 e 9,9 % para Cofins fl. 592); cada multa fora agravada pelo não atendimento da última intimação para justificar/esclarecer as diferenças entre receitas declaradas. Em 5/7/2011 ocorreu a ciência da autuação (fl. 607). Em 4/8/2011 há impugnação (fl. 608) e a defesa argui, em suma: a fiscalização iniciouse em 29/3/2011 sobre o Pis de 2008; o Auditor relatou que houve diferenças entre a Dacon e a DIPJ para a receita bruta declarada em 2008; em 30/6/2011 foi cientificada da inclusão da Cofins de 2008; não há qualquer crédito tributário (fl. 610); os valores das GIAs mensais estaduais são compatíveis com a DIPJ; a empresa foi tributada pela alíquota da atividade principal (medicamentos); a inclusão da Cofins no MPF inicial de Pis foi abusiva, contraria os princípios constitucionais de contraditório e a ampla defesa (CF 88, art. 5º, LV), ou seja, conhecer da acusação e suas motivações e possibilidade de oferecer provas à autoridade julgadora (fl. 610) e estes fatos acarretam nulidade e ilegalidade, conforme jurisprudência (que transcreve); Critérios de apuração a empresa atua sob regime especial de créditos presumidos de Pis/Cofins (Lei 10.147/2000 c/c ADE Cosar 51/2001); o uso dos valores das receitas brutas nas GIAS, DACON’s e DCTF é indevido, pois são meramente contábeis; as receitas de medicamentos da “lista positiva” têm crédito presumido e as receitas da lista neutra e negativa são tributadas; o auditor não excluiu vendas para a ZFM, IPI, ICMS Substituição; vendas canceladas e créditos previstos nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; conforme registros para a apuração do ICMS, que embasam as GIA’s, e memória anual de cálculo de Pis e Cofins a base de 2008 é R$ 58.444.149,14 (docs. 7 a 20 c/c planilha fl. 791) e decorre de vendas, assim distribuídas: a) R$ 42.537.732,49 da “lista positiva” que permite deduções (Pis 2,1 % e Cofins 9,9 %); b) R$ 13.798.247,04 da lista negativa, que não dão crédito (Pis 2,1 % e Cofins 9,9 %); c) R$ 1.321.632,24 de cosméticos, que não dão crédito (Pis 2,2 % e Cofins 10,3 %); d) R$ 786.537,35 da lista neutra sem crédito presumido (Pis 1,65 % e Cofins 7,6 %); os pagamentos feitos pela empresa decorrem desses montantes e das respectivas exclusões; a empresa pagou até a maior, pois esquecera de deduzir as vendas à ZFM; Erros nas Dacon’s quanto às diferenças entre a Dacon e os demais dados da SRF a contribuinte diz: errou na Dacon de janeiro a setembro, pois nas fichas 4A (itens 30 a 33, fls. 613 614) mencionou só os códigos 090300101 e 090300301 e não o código 090300201 que não gera crédito presumido; errou nas fichas 9A e 19A, pois também não inseriu os valores do código 090300201; Fl. 1168DF CARF MF 4 inseriu indevidamente os valores relativos aos produtos de código 090300201 no campo relativo ao código 090300101, gerando a diferença encontrada pelo auditor; os valores corretos estão na revisão de faturamento “doc. 23” (fl. 795); Multa A defesa diz que: não cabem a multa nem seu agravamento pela falta de esclarecimentos e justificativas requeridas pela SRF, pois não deve Pis nem Cofins e não houve ilícito (cita doutrina nacional, alienígena e jurisprudência); fere a razoabilidade e deve ser anulada a multa abusiva, pois esclarecimentos adicionais eram incabíveis, vez que os dados fornecidos eram os previstos na legislação (IN 86/2001); Arrolamento o arrolamento (sua legislação) é ilegal e fere princípios constitucionais, sendo então inconstitucional e devendo ser afastado; a constrição de direito de propriedade, limitando sua comercialização, é recurso apenas do Judiciário, no executivo fiscal. Pedido Ao final, a defesa: pede para retirar todos os efeitos do ato impugnado (constituição dos créditos, multas, juros, agravamentos e outros) e considerar a retificadora da Dacon como suficiente; requer desconstituir o arrolamento, por abusivo e descabido; protesta por sustentação oral perante o Conselho de Contribuintes. A defesa anexa, dentre outros, cópias de: documentos societários; ADE COSAR 51/2001 que reconhece o direito ao regime especial de crédito presumido de Pis/Cofins para o CNPJ 44.363.661/000157 (fl 687); apuração do ICMS Substituição Tributária (fl 688 e ss); Darf’s; Dctf; listagem de produtos fabricados com NCM e cosméticos (fl. 761 e ss); planilha de revisão da apuração das bases de cálculo (fls 791 a 795); Dacon enviada em maio de 2008; Termo de Arrolamento. Diligência Foi proposta diligência junto à empresa voltada à confirmação dos valores: das bases de cálculo mensais segregadas (listas positivas, negativas, neutras e de cosméticos) e das respectivas exclusões, se houver (fls 749 a 758 c/c fl 795); dos eventuais créditos presumidos decorrentes das receitas de medicamentos (listas positivas), em razão da necessidade de averiguar a sua certeza e liquidez. Ao final, deveria ser dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendo prazo para eventual manifestação. Na diligência o AuditorFiscal diz (fl 1024 a 1026) que as receitas omitidas foram exatamente as da “lista positiva” e propôs redução das bases de cálculo, como segue: Quanto aos créditos presumidos dos meses de janeiro a setembro de 2008, o AuditorFiscal diz: Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 19515.720496/201121 Acórdão n.º 3402004.820 S3C4T2 Fl. 1.168 5 a) a Lei nº 10147/2000 e o Decreto nº 4524/2002 só permitem a utilização desses créditos mediante o desconto/dedução na apuração de PIS e COFINS na DACON, não sendo permitida a compensação ou a restituição dos mesmos, sendo, porém, permitida a sua utilização mediante desconto/dedução nos meses seguintes, quando não utilizados no mês da sua apuração; b) o contribuinte não utilizou os créditos presumidos do período de janeiro a setembro de 2008 mediante desconto/dedução na apuração em DACON e os mesmos também não puderam ser aproveitados de ofício, por não estarem disponíveis quando ocorreu a autuação; c) fica mantido ao contribuinte o direito de utilizálos, mediante desconto/dedução nos próximos períodos de apuração. Em 5/5/2104, a interessada interpõe as seguintes considerações (fls 1075 – 1100), em suma: a) concorda com as alterações das bases de cálculo mensais, conforme resultado da diligência, sem concordar, no mérito, com a cobrança sobre a “lista positiva”; b) discorda do não aproveitamento dos créditos presumidos, pois entende que o crédito presumido só pode ser transferido para o período seguinte quando superior ao PIS e à COFINS do mesmo período de apuração (item 26); c) contesta o percentual da multa agravada, que reputa confiscatória; d) contesta juros de mora sobre a multa de ofício; e) pede redução de lançamento; f) cancelamento do auto; g) se mantido, cancelar a multa de ofício; h) produção probatória." (efls. 1.148/1.152 grifei) Por meio do referido acórdão, a impugnação foi julgada integralmente procedente, sendo a decisão ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO. O crédito presumido apurado na forma do art. 61 será deduzido do montante devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial da Lei nº 10.147, de 2000, art. 3º , inciso II e § 3º , sendo vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido, inclusive sua restituição (Decreto 4524/2002, art. 78). Para assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária, o uso do crédito presumido é obrigatório (Lei 10.147/2000, art. 3º, caput). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO. O crédito presumido apurado na forma do art. 61 será deduzido do montante devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial da Lei nº 10.147, de 2000, art. 3º , inciso II e § 3º , sendo vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido, inclusive sua restituição (Decreto 4524/2002, art. 78). Para assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária, o uso do crédito presumido é obrigatório (Lei 10.147/2000, art. 3º, caput). Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" (efl. 1.147) Fl. 1170DF CARF MF 6 Uma vez que o valor exonerado ultrapassava o limite previsto à época pela Portaria nº 3/2008, o processo foi remetido para este CARF para julgamento de recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Com fulcro no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.º 63/2017, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que a decisão recorrida não merece reparo. A presente autuação foi lavrada em razão de erros cometidos pelo contribuinte quando do preenchimento de seu DACON e das DIPJs do período autuado, deixando de deduzir os valores referentes às vendas para a Zona Franca de Manaus e de declarar os valores de receitas da "Lista Positiva" que geram direito ao crédito presumido da Lei n.º 10.147/2000. Esse equívoco foi somente identificado pela fiscalização após a apresentação da defesa, na diligência fiscal realizada: "5. Também alega que a fiscalização não considerou a segregação das receitas (listas positiva, negativa, neutra e cosméticos). Realmente não se considerou a segregação das receitas, pelo simples fato de que, como já mencionado nos itens anteriores, não se dispunha desses valores segregados. Portanto, devem ser considerados os valores segregados das receitas, relativos às listas positiva, negativa, neutra e cosméticos. 6. O contribuinte admite no item 30 da impugnação (fls.613) que preencheu de forma errada as DACONs de janeiro a setembro de 2008, deixando de informar parte das receitas que são utilizada como base de cálculo para a apuração de PIS e COFINS. Tal fato configura, ainda que tenha sido involuntariamente ou por equívoco, uma omissão de receitas/base de cálculo. As receitas omitidas, como se conclui pela análise das linhas 4 e 7 do ANEXO I desta Informação, foram exatamente as da “lista positiva”, ou seja, as que geram direito à utilização do “crédito presumido” previsto na Lei nº 10.147/2000. O crédito presumido também não foi informado/lançado nas DACONs de janeiro a setembro de 2008, portanto, não foi utilizado pelo contribuinte nos respectivos períodos de apuração. (...) 9. Existem outras “exclusões” que não foram computadas à época pelo próprio contribuinte, referentes às vendas para a Zona Franca de Manaus, e que devem ser deduzidas da base de cálculo, fazendo com que o valor correto da base de cálculo anual seja, então, de R$ 56.993.378,12, conforme linha 9 do ANEXO I desta Informação Fiscal. 10. Sendo assim, os valores das bases de cálculo lançadas nos Autos de Infração, relativas à omissão de receitas, devem ser corrigidos, de acordo com os valores da linha 10 do ANEXO I desta Informação (...)" (efls. 1.024/1.025 grifei) Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 19515.720496/201121 Acórdão n.º 3402004.820 S3C4T2 Fl. 1.169 7 Nesse sentido, correta a alteração da base de cálculo realizada pela diligência, retificada para considerar as vendas para a Zona Franca de Manaus. Uma vez que o valor remanescente após a retificação da base de cálculo se refere exclusivamente às receitas omitidas pelo contribuinte referentes à lista positiva, em relação à qual é cabível o aproveitamento de crédito presumido previsto na Lei n.º 10.147/2000, inexiste qualquer diferença passível de ser autuada, sendo correto o cancelamento integral da autuação. Como bem pontuado pela decisão recorrida, a fiscalização na diligência fiscal confirmou que a empresa autuada se enquadra na previsão do art. 3º da Lei n.º 10.147/2000, com a redação dadas pelas Leis n.º 10.548/2002 e n.º 10.865/2004, cumprindo com todos os requisitos trazidos por este dispositivo: "Art. 3º Será concedido regime especial de utilização de crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins às pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados na posição 30.03, exceto no código 3003.90.56, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3001.20.90, 3001.90.10, 3001.90.90, 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10 e 3006.60.00, todos da TIPI, tributados na forma do inciso I do art. 1º, e na posição 30.04, exceto no código 3004.90.46, da TIPI, e que, visando assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária em virtude do disposto neste artigo: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) I tenham firmado, com a União, compromisso de ajustamento de conduta, nos termos do § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985; ou (Incluído pela Lei nº 10.548, de 2002) II cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei nº 10.213, de 27 de março de 2001. (Incluído pela Lei nº 10.548, de 2002) § 1o O crédito presumido a que se refere este artigo será: I determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1o desta Lei sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – deduzido do montante devido a título de contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial. § 2º O crédito presumido somente será concedido na hipótese em que o compromisso de ajustamento de conduta ou a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos, de que tratam, respectivamente, os incisos I e II deste artigo, inclua todos os produtos constantes da relação referida no inciso I do § 1º , industrializados ou importados pela pessoa jurídica (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) § 3o É vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido de que trata este artigo, bem como sua restituição." (grifei) Observase que na diligência fiscal em qualquer momento foram postos em xeque quaisquer dos requisitos legais trazidos, evidenciando a fiscalização que as receitas omitidas que foram objeto da autuação seriam correspondentes à "lista positiva", assim entendida como a lista de medicamentos sujeitos a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo no anexo do Decreto n.º 3.803/2001. Fl. 1172DF CARF MF 8 Assim, a própria fiscalização confirmou que os valores autuados seriam correspondentes aos valores não declarados pelo contribuinte que seriam sujeitos ao regime especial da Lei n.º 10.147/2000, não remanescendo valores passíveis de cobrança. Com efeito, dos valores de contribuições devidos (autuados), devem ser deduzidos os valores do crédito presumido apurado mediante a aplicação das mesmas alíquotas de incidência estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1º da referida Lei. Como bem apontado pela decisão recorrida, uma vez que no período autuado não era cabível a restituição ou ressarcimento dos valores do crédito presumido1, não caberia exigir do contribuinte o posterior aproveitamento deste crédito, como mencionado pela fiscalização na diligência. Nos termos da decisão: "Nestes moldes regulamentares, a empresa não poderia postergar seu uso, como entendeu a autoridade autuante, por ser vedada qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido, inclusive sua restituição, e somente o saldo remanescente poder ser transferido para o período seguinte. O crédito presumido decorre da lei e nasce no mesmo momento de apuração do montante devido. Daí, entendemos que já estivesse disponibilizado para seu aproveitamento no momento da autuação, pois nas circunstancias deste caso concreto não haviam sido citados nas DACONs, no mesmo período de cada apuração, tanto a receita que lhe deu origem quanto o valor do crédito presumido. Ou seja, se a omissão da receita é tributável, também deve ser aproveitado o credito presumido também omitido no mesmo documento, pois sua certeza e liquidez decorrem da Lei e foram atestados pela autoridade recorrida ao apurar o montante devido." (efl. 1.156 grifei) Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora 1 Anterior à alteração na redação dada pela Lei nº 13.043/2014. Fl. 1173DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721387/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 38 7/ 20 14 -7 3 Fl. 3733DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.734 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), que, por meio do Acórdão 1055.428, de 10 de julho de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, mantendo na íntegra a autuação fiscal. O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), devidos no anocalendário 2009, decorrentes de constatação de omissão de receitas que advêm de contratos de afretamento e de prestação de serviços (ou de operação) de unidades de exploração e produção de petróleo celebrados entre a Petrobrás (contratante) e empresas deste ramo de atividade, dentre as quais se destaca a recorrente. A partir da análise dos contratos, a fiscalização constatou que a recorrente simulou propositadamente operação para segregar o afretamento do serviço, reduzindo a carga tributária em razão da maior parte do contrato ser "prestado" por empresa localizada no exterior. Observese que o procedimento que ensejou o lançamento do auto de infração aqui discutido decorreu de outro procedimento de diligência fiscal, cujos documentos, que foram levantados durante a referida diligência, fazem parte do processo administrativo fiscal nº 19515.721167/201440, apensado a este processo nº 19515.721387/201473. Embora constem em outro processo administrativo fiscal, os documentos levantados durante a diligência fiscal, que constam no processo administrativo fiscal nº 19515.721167/201440, foram convalidados e também servem de prova para o auto de infração em discussão. Na autuação, a fiscalização entendeu que a empresa dissimulou a operação bipartida dos contratos. Entendeu que, na essência, o que vigia era a unicidade dos contratos, pois a empresa recorrente sediada no Brasil era quem administrava toda a operação. Com isso, além da descaracterização da bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, a fiscalização entendeu que a simulação foi fraudulenta, imputando à recorrente a multa de ofício qualificada, nos termo do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Desta forma, considerou para a contagem do prazo decadencial, o prazo constante no art. 173, I, do CTN para efetuar o lançamento fiscal. Dentre outros argumentos de pedido de nulidade, a recorrente pugna pela decadência dos tributos lançados no período de 01 a 11/2009. No julgamento da impugnação, a DRJ/POA, por meio do Acórdão 1055.428, de 10 de julho de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. IRPJ. SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco Fl. 3734DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.735 3 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A análise dos elementos de prova carreados aos autos pela fiscalização permite concluir que os contratos denominados “de afretamento” e “de prestação de serviços” foram bipartidos de maneira artificial, (i) aparentando conferir ou transmitir direitos e obrigações a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem, e (ii) incorporando cláusulas notoriamente não verdadeiras, que fazem transparecer a realização de atividades operacionais por parte de pessoas jurídicas offshore, que são de fato inoperantes e convenientemente estabelecidas em paraíso fiscal. Nesse contexto, é correto o procedimento fiscal que, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. MULTA QUALIFICADA. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Justificase a aplicação da multa de ofício agravada quando o contribuinte não fornece, nos prazos definidos, os esclarecimentos exigidos na intimação. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4 do 1º CC). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 3735DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.736 4 Após julgamento na instância a quo, a outrora impugnante foi cientificada da decisão por meio da Intimação DERAT/EQCOB nº 2.414/2015 na data de 21/07/2015, conforme ciência eletrônica de efl. 2441. Outrossim, o responsável solidário pelo crédito tributário MILTON TAUFIC SCHAHIN foi cientificado da decisão por meio da Intimação DERAT/EQCOB nº 2.415/2015 na data de 22/07/2015 (AR de efl. 2443) e o responsável solidário pelo crédito tributário SALIM TAUFIC SCHAHIN foi cientificado da decisão por meio da Intimação DERAT/EQCOB nº 2.416/2015 também na data de 22/07/2015 (AR de efl. 2442). Insatisfeitos com a decisão da DRJ/RJ 1, a empresa e os responsáveis solidários apresentaram tempestivamente (todos em 20/08/2015) Recurso Voluntário (efls. 2628, 2818 e 3009 EMPRESA, MILTON e SALIM, respectivamente), em que apresentaram basicamente os mesmos argumentos trazidos na impugnação, alterados parcialmente para combater razões de decidir da delegacia de julgamento. A PGFN apresentou contrarrazões de efls. 3019 a 3059, pugnando pela manutenção in totum da autuação fiscal. Em 09/03/2017, a recorrente juntou parecer de efls. 3071 a 3099, que intenta demonstrar o custo operacional das empresas fretadoras no exterior, que, segundo a recorrente, deveria ser considerado pela fiscalização. Não houve juntada de outros documentos. Fato Novo Em análise de processo similar a este (nº 19515.720305/201554), cujo sujeito passivo empresa BASE PETRÓLEO E GÁS S.A. (em recuperação judicial), nova denominação de SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A é empresa do mesmo grupo econômico da ora recorrente, e que trata dos mesmos tipos de contratos dos aqui discutidos, verifiquei que há um documento que me fez refletir sobre a conduta da recorrente. É o documento que trata do pedido de recuperação judicial do GRUPO SCHAHIN, citado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) do auto de infração constante no citado processo nº 19515.720305/201554, em que a fiscalização afirma que o GRUPO SCHAHIN confessa que as empresas afretadoras offshore não existiam de fato, o que, na sua visão, fortalece sua tese de simulação de bipartição dos contratos. Vejase em trechos do TVF: Página 533 de 962 do TVF do processo 19515.720305/201554 5.12.4 Aos 17/04/2015, foi protocolado na 2ª VARA DE FALÊNCIAS E RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA COMARCA DA CAPITAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, petição inicial com o PEDIDO de RECUPERAÇÃO JUDICIAL da SCHAHIN ENGENHARIA S/A juntamente com diversas pessoas jurídicas “OFFSHORE” já exaustivamente qualificadas neste Relatório Fiscal. 5.12.5 São inúmeras as declarações em sede jurisdicional em que o contribuinte SCHAHIN presta livremente que não só confirmam as afirmações desta fiscalização, Fl. 3736DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.737 5 como também infirmam todas as alegações até então insistentemente e falsamente defendidas pelo contribuinte, como corroboram todo o “modus operandi” caracterizado neste Relatório. 5.12.6 As importantes constatações declaradas em juízo serão pontuadas objetiva e resumidamente a partir deste ponto do capitulo. 5.12.7 Cumpre ressaltar que a SCHAHIN PETRÓLEO E GAS S/A não foi requerente do pedido de recuperação judicial, muito embora, e a SCHAHIN ENGENHARIA S/A (centro das decisões conforme se declara) assim enfatiza, todo o GRUPO SCHAHIN (nacional e internacional) se encontra envolvido das engrenagens do PROJETO GLOBAL, mesmo que como simples garantidora. Desta feita, considera a fiscalização imprescindível que conste também deste relatório fiscal as declarações da SCHAHIN ENGENHARIA S/A no contexto da recuperação judicial. Página 536 de 962 do TVF do processo 19515.720305/201554 5.12.9 DA EXISTÊNCIA DE UM GRUPO ECONÔMICO E DO CENTRO DE DECISÕES – SCHAHIN. Na hipótese de recuperação judicial de grupo econômico tanto a doutrina quanto a jurisprudência consideram como competente para processar o pedido o local onde se encontra o centro da tomada das principais decisões econômicas e administrativas das requerentes (na terminologia internacional, o COMI Center of Main Interest). Página 538 de 962 do TVF do processo 19515.720305/201554 (...) No presente caso, todas as empresas Requerentes têm principal estabelecimento no município de São Paulo, na Avenida Paulista sendo certo que é desta localidade que partem todas as decisões relativas à gestão de todas as Requerentes. Com efeito, os administradores e sócios finais de todas as empresas Requerentes exercem suas atividades e tomam todas as suas deliberações tanto na esfera nacional, quanto na esfera internacional do escritório situado na Avenida Paulista. Ou seja, todas as empresas, sejam elas onshore ou offshore, possuem a mesma administração, todas as suas atividades e todas as suas deliberações são tomadas na Avenida Paulista. Aliás, frisese, desde o início, que as sociedades estrangeiras sequer possuem escritórios fora do país, em seus países de constituição, sendo tomadas todas as decisões em território brasileiro, neste capital paulista. Com isso, tornase evidente que é nesta Comarca que são tomadas as decisões estratégicas a respeito de todas as Requerentes, seja no âmbito operacional, financeiro, ou estratégico. Figura IX294 MILTON TAUFIC SCHAHIN E SALIM TAUFIC SCHAHIN SÃO SÓCIOS ADMINISTRADORES FINAIS DE TODAS AS EMPRESAS DO GRUPO. TODAS AS DECISÕES EMANAM DA SEDE DA SCHAHIN. Fl. 3737DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.738 6 Página 539 de 962 do TVF do processo 19515.720305/201554 As Requerentes são sociedades integrantes do Grupo Schahin, exercendo suas atividades de forma coordenada e integrada nos respectivos setores de autuação. A estrutura organizacional do Grupo Schahin está ilustrada no documento anexo (documento 13), sendo certo que lá estão todas as sociedades requerentes do presente pedido de recuperação judicial. É interessante notar que o Grupo Schahin, para buscar maior eficiência e produtividade, organiza suas atividades com base em duas grandes divisões: (i) Divisão de Engenharia, que inclui a Divisão Imobiliária; e (ii) Divisão de Petróleo e Gás, todas atuando em estreita harmonia e coordenação. As Requerentes integram as duas divisões referidas acima, sendo certo que suas estruturas gerenciais e financeiras estão sempre interligadas direção única, caixa único e estratégia única. (...) Para ficar muito claro: a direção de todas as sociedades é exatamente a mesma; as tomadas de decisões finais são tomadas pelos mesmos diretores, sócios fundadores do grupo e as operações sempre foram compartilhadas entre todas as sociedades. Figura IX295: UNICIDADE DE ORGANIZAÇÃO E ATUAÇÃO. Páginas 540 e 541 de 962 do TVF do processo 19515.720305/201554 (...) E, no presente caso, não restam dúvidas de que as Requerentes formam um grupo societário e econômico de fato, estando diretamente ligadas umas às outras. Dessa forma, podese dizer que o que caracteriza um grupo econômico é o fato de existirem diversas sociedades juridicamente independentes, com personalidade jurídica e patrimônio próprios, mas que são economicamente unidas, mediante controle ou direção unitários, provenientes da controladora, exatamente o caso das Requerentes. Temse, portanto, que a atividade das sociedades estrangeiras está intrinsecamente ligada às sociedades brasileiras, formando um grupo econômico único, voltado em prol de uma única atividade empresarial, coadunandose com a atual conjuntura econômica mundial que se instalou. Figura IX296: GRUPO ECONÔMICO DE FATO POR DIVERSAS VEZES REFERENDADO. 5.12.10 PESSOAS JURÍDICAS “OFFSHORE” COM EXISTÊNCIA MERAMENTE FORMAL PARA CAPTAR RECURSOS E RECEBER SUAS RECEITAS EM PARAÍSO FISCAL. E, como já mencionado, fica absolutamente claro e cristalino o fato de que as sociedades estrangeiras foram criadas e constituídas como veículos para captação de dívidas estrangeiras, bem como para atender a demanda da Petrobrás em afretar equipamentos de sociedades também estrangeiras. De toda forma, é mais do que claro que tais sociedades servem ao propósito de contribuir para uma operação nitidamente Fl. 3738DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.739 7 brasileira, já que seus equipamentos estão perfurando poços no Brasil, seu cliente é uma empresa brasileira e a prestadora dos serviços (a empresa que efetivamente emprega os engenheiros e outros empregados que efetivamente perfuram os poços) é brasileira. Figura IX297: EFETIVIDADE OPERACIONAL É DA SCHAHIN. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O cerne da questão, que será determinante para o julgamento da lide, resumese em verificar se o contrato bipartido de afretamento, entre PETROBRÁS e as empresas fretadoras estrangeiras MS DRILLING LLC E TURASORIA S/A LLC, referente às unidades operacionais North Star I e SC Lancer; e de operação, entre PETROBRÁS e SCHAHIN ENGENHARIA S/A, atualmente denominada BASE ENGENHARIA E SERVIÇOS DE PETRÓLEO E GÁS S/A, em recuperação judicial (recorrente), decorreu apenas de uma formalidade ou se realmente correspondeu, na essência, a uma divisão clara de tarefas, tudo isso visto sob a luz das operações desencadeadas pela recorrente, descritas pela fiscalização como simulatórias. Outra questão central reside na possibilidade, ou não, de utilização de prova pertencente a outro processo administrativo. É a chamada "prova emprestada", cuja utilização será avaliada mais adiante. Sendo assim, tratarei de pontos específicos que não me permitiram formar minha convicção a respeito do julgamento deste processo. PREJUDICIAL DE MÉRITO Decadência A empresa pugna pela decadência do período de 01 a 11/2009. Alega que o fato gerador dos tributos é mensal; sendo assim, baseiase no prazo decadencial contido no § 4º do art. 150 do CTN. Como a ciência do lançamento se deu em 15/12/2014, o período de 01 a 11/2009 estaria alcançado pela decadência do direito do fisco de efetuar o lançamento. Fl. 3739DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.740 8 Não obstante o pedido de decadência do lançamento, o que se percebe é que a fiscalização efetuou o lançamento com base no art. 173, I, do CTN. Se esse prazo for o correto, a ciência do lançamento fiscal poderia ter sido efetuado na data em que efetivamente ocorreu, e os tributos aqui lançados não estariam alcançados pela decadência. Desta forma, o que se está a discutir aqui é, caso a autuação deva prosperar, em qual prazo decadencial deve ser mantido o lançamento tributário: art. 150, § 4º ou art. 173, I, do CTN? Vejase ambos os dispositivos: Art. 150, § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Caso a autuação seja mantida, o que pode diferenciar a aplicação de um ou de outro dispositivo legal é a manutenção, ou não, da multa de ofício qualificada. Assim, se o lançamento e a multa qualificada forem mantidos, o prazo decadencial deve ser contado a partir do art. 173, I, do CTN, e, desta forma, não há período algum, no lançamento, alcançado pela decadência. Por outro lado, se o lançamento for mantido, porém sem a qualificação da multa de ofício, e, somado a isso, haja recolhimento dos tributos aqui lançados, aplicase o teor do art. 150 § 4º do CTN, e, desta forma, parte do lançamento fiscal foi alcançado pela decadência. Pois bem. Quanto ao IRPJ e à CSLL, verificase na DIPJ juntada no processo que a empresa apurou tais tributos pelo período de apuração anual. Entretanto, consta informação de que a declaração (DIPJ) foi cancelada. Sendo assim, é importante confirmar se realmente a empresa optou pela forma de apuração anual do IRPJ e da CSLL, pois, caso verdadeira tal indicação, mesmo que se aplique a contagem de prazo decadencial mais benéfica à recorrente § 4º do art. 150 do CTN , entendo que o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2014; portanto, o IRPJ e a CSLL não teriam sido alcançados pela decadência Quanto ao PIS e à COFINS, verificouse que a recorrente apresentou DACON com valor a pagar das contribuições em relação a todos os meses do ano de 2009. Também houve declaração de tais valores na DCTF. Partindo das premissas (i) de que o IRPJ e a CSLL se sujeitaram ao período anual de tributação, (ii) de que o afastamento da multa qualificada seja a proposta vencedora; e (iii) de que haja comprovação de pagamento dos valores de PIS e COFINS declarados, a decadência dos tributos aqui lançados estaria disposta conforme tabela abaixo: Fl. 3740DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.741 9 Tributo Fato Gerador (A) Início da contagem do prazo decadencial (B) Último dia para ciência do auto de infração Decadência (C) IRPJ 31/12/2009 01/01/2010 31/12/2014 01/01/2015 PIS e COFINS 31/01/2009 a 30/11/2009 01/02/2009 a 01/12/2009 31/01/2014 a 30/11/2014 01/02/2014 a 01/12/2014 PIS e COFINS 31/12/2009 01/01/2010 31/12/2014 01/01/2015 (A) Data do período trimestral de apuração do IRPJ. (B) Prazo cf. art. 150 § 4º do CTN: 5 anos contados do fato gerador. (C) Um dia após o prazo contado de 5 anos do fato gerador. Entretanto, não encontrei no processo os comprovantes de pagamento da contribuição para o PIS tampouco da COFINS. Em voto proferido no acórdão 1401001.773, da sessão de 26/01/2017, havia me manifestado sobre a possibilidade de aceitar a DCTF como documento hábil a convalidar "o pagamento antecipado do tributo", conforme se observa de trecho do citado voto: Quanto ao documento de arrecadação dos tributos federais (DARF), entendo que este faz prova inequívoca do pagamento do tributo por antecipação, e que, em razão disso, quando há recolhimento por meio de DARF, o prazo para contagem da decadência é aplicado conforme teor do §4º do art. 150 do CTN. Em relação à DCTF, por sua natureza de confissão de dívida, entendo que sua entrega também pode ser aceita com objetivo de se aplicar o §4º do art. 150 do CTN. A DCTF é documento que corrobora a boa intenção do declarante de informar ao fisco que exerceu atividade regular e que não permaneceu inerte quanto às suas obrigações tributárias. Entendo que não se pode colocar no mesmo patamar, e por conseguinte aplicar a mesma contagem do prazo decadencial, o contribuinte que sequer entrega tal declaração e aquele que, ao mínimo, teve a iniciativa de enviar a declaração aos sistemas da RFB, mesmo que o valor declarado não seja o correto e o tributo não tenha sido pago. E vejam que não se está aqui a equiparar a DCTF ao pagamento via DARF, mas tão somente concluir que tanto um quanto o outro documento se equivalem para se aplicar os efeitos da contagem do prazo decadencial. Este entendimento caminha no mesmo sentido do proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Acórdão 9101002.159 na sessão de 08 de dezembro de 2015, a qual também se posicionou em favor da aceitação da DCTF como instrumento que permite a aplicação do §4º do art. 150 do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, remetendo sua motivação à interpretação do já citado Acórdão do STJ no REsp 973.733/SC, que foi submetido à sistemática dos recursos repetitivos. Na ocasião, fui vencido pela maioria da turma, que entendeu que, somente o pagamento via DARF ou outra modalidade extintiva do crédito, permitiria a contagem do prazo Fl. 3741DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.742 10 decadencial nos termos do §4º do art. 150 do CTN. Vejase o trecho de ementa do voto vencedor: DECADÊNCIA. ENTREGA DE DECLARAÇÕES NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos tributos lançados por homologação, o prazo decadencial iniciase da data do fato gerador no caso de pagamento antecipado ou de qualquer outra modalidade extintiva, isto é, de quitação do crédito tributário, como a compensação. Apresentar declarações, mesmo constitutivas do crédito, como DCTF, não produz o mesmo efeito, ou seja, não autoriza a aplicação da regra decadencial mais favorável. Posteriormente, em reflexão ao aludido voto vencedor, mudei meu posicionamento para interpretar de forma (um pouco) mais literal o texto legal, e, assim, me render ao posicionamento da maioria da turma julgadora, naquela composição. Assim, o termo legal "pagamento antecipado", a meu ver, referese a pagamento via DARF ou compensação de débitos que proporcionam a extinção do crédito tributário, mesmo que sujeita (compensação) a ulterior homologação por parte da autoridade fiscal. Observo que verifiquei, pela DCTF, que a empresa declarou débitos de PIS e de COFINS pelos regimes cumulativos e não cumulativos. No auto de infração, a fiscalização optou pela forma não cumulativa de tributação das contribuições sociais, por entender que a receita auferida pela recorrente não estaria sujeitas às regras excepcionais apresentadas pelo regime cumulativo. Sendo assim, aproveitando minha proposta de diligência em relação à questão da "prova emprestada", que será tratada mais adiante, não obstante a suspeita de que o IRPJ e a CSLL foram apurados segundo regime anual e de que o PIS e a COFINS foram recolhidos, proponho baixar o processo em diligência para que se verifique a forma de opção de apuração do IRPJ e a CSLL e se houve pagamento do PIS e da COFINS, segregado por mês, no ano calendário de 2009. MÉRITO Além disso, após constatação de fato novo, que decorre de análise das informações contidas no pedido de recuperação judicial do GRUPO SCHAHIN, e que fazem parte do Termo de Verificação Fiscal do auto de infração constante em processo similar a este (nº 19515.720305/201554), cujo sujeito passivo empresa BASE PETRÓLEO E GÁS S.A. (em recuperação judicial), nova denominação de SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A é empresa do mesmo grupo econômico da recorrente, que trata dos mesmos tipos de contratos dos aqui discutidos, verifiquei que tais informações me fez refletir sobre a conduta, eventualmente simulatória, por parte da ora recorrente. Conforme já tratado no relatório desta resolução, no citado processo nº 19515.720305/201554 a fiscalização afirma que a GRUPO SCHAHIN, por meio de sua peça Fl. 3742DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.743 11 do pedido de recuperação judicial confessa que as empresas afretadoras offshore não existiam de fato, o que, na sua visão, fortalece sua tese de simulação de bipartição dos contratos. Entretanto, como se trata de prova que não foi trazida a este processo pela fiscalização em razão do documento ter sido elaborado posteriormente ao auto de infração aqui lavrado , mas que se torna relevante para o deslinde da causa que é justamente verificar se as empresas fretadoras eram, de fato, existentes ou não , entendo que posso me servir de tal prova, denominada no âmbito jurídico como "prova emprestada". No art. 369 do Código de Processo Civil, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, está prescrito que "As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz". Esta também é a conclusão exposta no artigo abaixo1: No Direito Tributário, a chamada "prova emprestada" pode ser analisada sob duas perspectivas: prova emprestada processual e prova emprestada tributária. A "prova emprestada" processual tem o sentido daquele já utilizado pelo Processo Civil, qual seja, provas produzidas em outro processo envolvendo as mesmas partes. Alertam os professores Marinoni e Arenhart2 que não basta o translado da prova, "A legitimidade da prova emprestada depende da efetividade do princípio do contraditório. A Prova pode ser transladada de um processo a outro desde que as partes do processo para o qual a prova deve ser transladada tenham participado adequadamente em contraditório do processo em que a prova foi produzida originariamente." Encontramos no Decreto n. 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo tributário federal, menção à prova emprestada processual. Vejamos: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. (...) § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo 1 extraído do site: https://jus.com.br/artigos/13998/aprovaemprestadanodireitotributario 2 MARINONI, Luiz Guilherme, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo de conhecimento. 5. Ed. rev. Atual. e Ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006. P. 292 Fl. 3743DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.744 12 fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Preocupados com a forma que a prova emprestada processual possa ser recebida no novo processo, os professores Marinoni e Arenhart3 destacam que ela não pode ser recebida com a mesma valoração obtida no processo que foi originariamente produzida. "As circunstâncias do segundo processo, as particularidades do empréstimo e mesmo a variação na efetivação do contraditório, podem impor valoração diferente à prova, caso comparada com a força que lhe foi atribuída no primeiro processo.". Longe de figurar meras assertivas, vejamos o tratamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF4 do Ministério da Fazenda na análise da prova emprestada processual no processo administrativo tributário federal. Pedimos vênia para transcrever parte do acórdão de n.º 30239.123, sessão de 6 de novembro de 2007, de relatoria do Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira: Assim, em busca da verdade material que, digase, serve tanto para a manutenção quanto para o afastamento de uma autuação entendo que tal prova pode ser aproveitada no âmbito administrativo tributário. Entretanto, para que a prova emprestada seja tomada como fundamento para uma decisão, devese franquear à outra parte o direito de se manifestar sobre o seu teor, para não se configure cerceamento de seu direito de defesa. Desta forma, proponho que a fiscalização anexe tal prova nos autos, e, caso entenda necessário, emita parecer conclusivo sobre tal documento. Objeto da Diligência Desta feita, com fins de facilitar a compreensão sobre o objeto da diligência, proponho que a fiscalização verifique o que segue: Confirmação da forma de apuração do IRPJ e da CSLL e Comprovação de pagamento dos tributos aqui lançados: 1) Favor confirmar se a empresa optou pela forma anual de apuração do IRPJ e da CSLL, ambos em relação ao anocalendário de 2009. 2) Caso a empresa tenha optado pela apuração trimestral, favor confirmar se a empresa efetuou recolhimentos do IRPJ e da CSLL, apresentando documentos e tabela, por mês e por código de recolhimento, referentes ao anocalendário de 2009. 3) Caso a empresa tenha optado pela apuração trimestral, favor confirmar, e anexar a este processo, eventuais compensações efetuadas para quitar os débitos de IRPJ e 3 Op. Cit. P. 294 4 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, foi criado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e instalado pelo Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Fazenda em 15/2/2009, mediante Portaria MF nº 41, de 2009, unificando os Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e a Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 3744DF CARF MF Processo nº 19515.721387/201473 Resolução nº 1401000.478 S1C4T1 Fl. 3.745 13 CSLL declarados pela recorrente no ano de 2009, destacados por mês e por código de recolhimento. 4) Favor confirmar se a empresa efetuou recolhimentos da contribuição do PIS e da COFINS, apresentando documentos e tabela, por mês e por código de recolhimento, referentes ao anocalendário de 2009. 5) Favor confirmar, e anexar a este processo, eventuais compensações efetuadas para quitar os débitos de PIS e COFINS declarados pela recorrente no ano de 2009, destacados por mês e por código de recolhimento. Documentos e informações referentes ao pedido de recuperação judicial 6) Favor anexar prova de que, no pedido de recuperação judicial, há confissão de que houve prática de ato simulatório por parte da recorrente e de seus sócios administradores. Outrossim, caso entenda necessário, favor emitir parecer sobre o teor de tal documento. Encerramento da Diligência 7) Ao final da diligência, favor dar ciência à empresa e aos responsáveis solidários por este auto de infração, para que se manifestem no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do parecer fiscal, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. 8) Após, favor encaminhar este processo a esta turma do CARF, para o prosseguimento do julgamento deste processo administrativo fiscal. É como voto! (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3745DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721254/2014-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
MULTA POR DISTRIBUIÇÃO IRREGULAR DE PARTICIPAÇÃO DE LUCROS.
A multa regulamentar prevista em Lei em caso de distribuições de quaisquer bonificações ou participações de lucros aos acionistas, sócios ou quotistas de pessoa jurídica que estiver em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal não se caracterizou no presente caso. O contribuinte quando da lavratura do auto de infração já estava com o débito garantido e na época da distribuição dos lucros, o processo estava em trânsito para a execução do débito, de modo que não havia instruções suficientes no referido processo para que o contribuinte garantisse o débito naquele momento, tendo o feito posteriormente na primeira oportunidade, não configurando eventual prejuízo ao erário público. Além disso, o presente processo versa sobre distribuição de dividendos, e não de bonificação ou participações nos lucros.
Numero da decisão: 1301-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio Franco Correa, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanharam o relator com base no segundo fundamento de seu voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 795 1 794 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.721254/201479 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.522 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria IRPJ – Outras receitas/despesas – Distribuição disfarçada de lucros Recorrente MA AUTOMOTIVE BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. MULTA POR DISTRIBUIÇÃO IRREGULAR DE PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. A multa regulamentar prevista em Lei em caso de distribuições de quaisquer bonificações ou participações de lucros aos acionistas, sócios ou quotistas de pessoa jurídica que estiver em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal não se caracterizou no presente caso. O contribuinte quando da lavratura do auto de infração já estava com o débito garantido e na época da distribuição dos lucros, o processo estava em trânsito para a execução do débito, de modo que não havia instruções suficientes no referido processo para que o contribuinte garantisse o débito naquele momento, tendo o feito posteriormente na primeira oportunidade, não configurando eventual prejuízo ao erário público. Além disso, o presente processo versa sobre distribuição de dividendos, e não de bonificação ou participações nos lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio Franco Correa, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanharam o relator com base no segundo fundamento de seu voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 12 54 /2 01 4- 79 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 796 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Cuida o presente processo de auto de infração (fls. 340/346) em que é exigida a multa prevista nos arts. 889 e 975 do RIR/99 em razão de distribuição de lucro por empresa em débito, no valor de RS 12.904.230,03 relativa aos anoscalendário de 2009 a 2011. Conforme Termo de Constatação Fiscal (fls. 332/339), foi apurado que o contribuinte possuia débito inscrito em dívida ativa quando distribuiu lucros em forma de dividendo entre o período de 2009 a 2011, assim:] Desse modo, foi aplicada a multa correspondente a 50% sobre o valor das quantias distribuídas, limitada a 50% do valor do débito não garantido pela pessoa jurídica, nos termos do artigo 17, §1º, da Lei nº 11.051/04, conforme tabela abaixo: Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação (fls 354/372). Confira se a síntese de suas alegações, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 22ª Turma da DRJ/SPO (645/646): Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 797 3 Alega nulidade por cerceamento de defesa pela falta de motivação de uma parcela da documentação ter sido desconsiderada pela Fiscalização; Não há vedação quanto à distribuição de dividendos mesmo em havendo dívidas inscritas para com a União; Os dividendos são apenas a distribuição de lucros aos seus acionistas decorrente de sua participação societária; O anocalendário de 2009 não poderia ser exigido, pois no momento da distribuição dos dividendos o débito estava em aberto e, assim, não poderia garantir a execução fiscal.. A 22ª Turma da DRJ/SPO julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, cuja ementa passo a transcrever: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 e 2011 MULTA POR DISTRIBUIÇÃO IRREGULAR DE PARTICIPAÇÃO DE lUCROS. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão distribuir quaisquer bonificações ou participações de lucros a seus acionistas bem como a seus sócios ou quotistas, diretores e demais membros de órgão dirigentes, fiscais ou consultivos sob pena de imputação de multa regulamentar prevista em Lei. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido”. Contra a decisão, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 659/696), no qual reforça os argumentos trazidos na Impugnação, combatendo as fundamentações que embasaram a autuação fiscal. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidase o presente processo de auto de infração em que é exigida multa no valor de R$ 12.904.230,03, conforme previsão do artigo 32 da Lei 4.357/64 (com redação pelo artigo 17, § 1º, da Lei 11.051/2004) e replicada nos arts. 889 e 975 do RIR/99 em dentrimento Fl. 797DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 798 4 da distribuição de lucro, periodo este em que a Recorrente possuía débito com a União, relativos PRELIMINAR DE NULIDADE Sustenta a Recorrente que houve cerceamento de defesa, pois as razões que que orientaram a autuação fiscal foi baseada em documentação superficial, não tendo havido a consideração de grande parte dos documentos apresentados à fiscalização. Aduz adiante, que a fiscalização se pautou, para a exação fiscal, apenas nas DIPJs, bem como nos extratos dos débitos inscritos em dívida ativa., sem considerar os demais documentos solicitados no curso da fiscalização, tais como: a Fichas do Livro Razão das contas referentes aos rendimentos de dirigentes, conselheiros, sócios ou titulares da empresa; a distribuição de lucros, dividendos e bonificações; as atas das reuniões dos sócios que definiram a destinação do lucro, com o devido registro na JUCERJ; e contrato de câmbio firmado com a entidade financeira que realizou a remessas dos valores ao sócio estrangeiro. Assim, conclui que a intenção do Fisco foi de inverter o ônus da prova, em contrariedade do quanto disposto no art. 9º do Decreto 70.235/72, a partir que elegeu unicamente as DIPJS e os extratos das certidões de dívida ativa em desrespeito ao princípio da verdade material. Vejamos, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 estabelece as seguintes hipóteses de nulidade das decisões: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração por ausência das formalidades em questão, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela Recorrente. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. Assim, os argumentos trazidos em sede recursal não devem prosperar. Portanto, julgo no sentido de não acatar as preliminares de nulidades argüidas pela Recorrente. DO MÉRITO O cerne da questão versa sobre a exigência de multa em detrimento da distribuição de lucro pela Recorrente nos anoscalendário de 2009 a 2011, período em que este possuia débito com a União. A Recorrente alega, de antemão, que dividas tributárias que ampararam a autuação fiscal foram, em sua totalidade, inscritas em dívida ativa da União apenas em 2009 Fl. 798DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 799 5 (fls. 334/339). Sendo que, a execução fiscal que lhes tinha como objeto, foi ajuizada somente em 15.04.2010 sob o n º 000012875.2010.4.02.5109. Dessa maneira, aduz que houve um lapso temporal entre a data de inscrição da dívida em 2009 até o ajuizamento da execução fiscal, em abril de 2010, ficando à inércia da Procuradoria da Fazenda Nacional, impedida de garantir os débitos fiscais existentes. Dai, concluise que, a partir de 2010, com citação na execução fiscal, se torna viável a garantia do débito fiscal, nos termos do art. 8 da Lei 6.830/80, in verbis: “Art. 8º O executado será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, pagar a dívida com os juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, ou garantir a execução, observadas as seguintes normas: (...) Art. 9º Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: I efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em estabelecimento oficial de crédito, que assegure atualização monetária; II oferecer fiança bancária ou seguro garantia; III nomear bens à penhora, observada a ordem do artigo 11; ou IV indicar à penhora bens oferecidos por terceiros e aceitos pela Fazenda Pública.” Assim, demonstra que após ser citada na execução fiscal em referência apresentou garantia aos débitos em processo de cobrança (doc 03 do Recurso). E mais, apresentou ainda bem imóvel avaliado em R$ 29.378.743,96, superando em quase 300% o valor do débito exeqüendo. (Doc. 04 do Recurso). Não obstante, em 25.02.2012 sobreveio manifestação da União rejeitando os bens apresentados e requerendo a realização de penhora online (Doc 05 do Recurso), para a satisfação dos valores glosadas, restando satisfeita, após ser deferida pelo juiz competente. Adiante, a Recorrente refuta a autuação no tocante a interpretação da legislação quanto à vedação de distribuição de bonificações ou participações nos lucros. Nesse ponto, o agente fiscal, com base na análise das DIPJs, entendeu que havia débitos inscritos em dívida ativa no momento das distribuições e, por tal razão, aplicou a multa prevista no art. 32 da Lei 4.357/64, a saber: “Art. 32. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão: a) distribuir ... (VETADO) ... quaisquer bonificações a seus acionistas; Fl. 799DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 800 6 b) dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos; c) (VETADO). § 1º A inobservância do disposto neste artigo importa em multa que será imposta: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a 50% (cinquenta por cento) das quantias distribuídas ou pagas indevidamente; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II aos diretores e demais membros da administração superior que receberem as importâncias indevidas, em montante igual a 50% (cinquenta por cento) dessas importâncias. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A multa referida nos incisos I e II do § 1o deste artigo fica limitada, respectivamente, a 50% (cinquenta por cento) do valor total do débito não garantido da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)”. No entanto, a Recorrente entende que apenas a distribuição de bonificações ou participações nos lucros abarca a vedação da lei, no que tange as empresas possuírem débitos não garantidos perante a União Federal, não havendo a vedação quando a distribuição de dividendos. Tal entendimento confirmado, pois foi suprimido na alínea "a" do art. 32 citado acima, a hipótese que vedava expressamente a distribuição de dividendo pelas empresas em situação de débito com a União Federal e não os tivessem garantido. Adiante, afirma que não ser possível equiparar o conceito de distribuição de dividendos, como fez crer a decisão recorrida, às previsões de participações de lucros ou bonificações, isto posto, que dividendo é instituto específico, sendo mera destinação do lucro do exercício aos sócios da empresa, de cunho legal, e não quaisquer bonificações ou participação. Assim, conclui que dividendos correspondem à distribuição, em espécie, de parte dos lucros aos sócios da empresa, a título de remuneração do investimento realizado pelo acionista, enquanto distribuição de bonificação referese à compensação do acionista pela distribuição de novas ações e participação nos lucros consiste em verdadeira gratificação por parte do empregador ao empregado, pelo trabalho exercido por este último. Em divergência a alegação da Recorrente, a decisão da DRJ contrapõe no sentido que: “(...) a legislação regente veda a distribuição de quaisquer bonificações a seus acionistas bem como dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos. As bonificações devem ser vistas de um ponto de vista amplo, ou seja, incluem quaisquer benefícios a acionistas e demais membros dos órgãos dirigentes” (destaques da Recorrente). Fl. 800DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 801 7 Cita o artigo 112 do CTN, dizendo que a lei tributária a qual determina a aplicação da penalidade em comento, deve ser interpretada da maneira mais favorável possível. Confirase: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação”. Ao contrário da pretensão da fiscalização que pretende ampliar a expressão bonificação para incluir a distribuição de dividendo como hipótese normativa, a lei determina a interpretação mais favorável ao contribuinte, a fim de evitar dilações interpretativas. Por fim, pontua que tal restrição legal, isto é, impedir a distribuição de lucro enquanto a empresa não estive com a dívida garantida perante a União Federal tem o condão de constranger os contribuintes ao pagamento dos débitos federais, em afronta ao livre exercício da atividade econômica, resguardada pelos arts. 1º e 170 da CF/88. Nesse sentido traz à baila as Súmulas 70, 323 e 547 do STF, a saber: “Súmula nº 70: é inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. “Súmula nº 323: é inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. “Súmula nº 547: não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. A seguir cita a decisão monocrática exarada pelo Ministro Celso de Mello, nos autos do RE nº 374.981. Vejamos: “SANÇÕES POLÍTICAS NO DIREITO TRIBUTÁRIO. INADMISSIBILIDADE DA UTILIZAÇÃO, PELO PODER PÚBLICO, DE MEIOS GRAVOSOS E INDIRETOS DE COERÇÃO ESTATAL DESTINADOS A COMPELIR O CONTRIBUINTE INADIMPLENTE A PAGAR O TRIBUTO (SÚMULAS 70, 323 E 547 DO STF). RESTRIÇÕES ESTATAIS, QUE, FUNDADAS EM EXIGÊNCIAS QUE TRANSGRIDEM OS POSTULADOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE EM SENTIDO ESTRITO, CULMINAM POR INVIABILIZAR, SEM JUSTO FUNDAMENTO, O EXERCÍCIO, PELO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, DE ATIVIDADE ECONÔMICA OU PROFISSIONAL LÍCITA. LIMITAÇÕES ARBITRÁRIAS QUE NÃO PODEM SER IMPOSTAS PELO ESTADO AO Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 802 8 CONTRIBUINTE EM DÉBITO, SOB PENA DE OFENSA AO "SUBSTANTIVE DUE PROCESS OF LAW". IMPOSSIBILIDADE CONSTITUCIONAL DE O ESTADO LEGISLAR DE MODO ABUSIVO OU IMODERADO (RTJ 160/140141 RTJ 173/807808 RTJ 178/2224). O PODER DE TRIBUTAR QUE ENCONTRA LIMITAÇÕES ESSENCIAIS NO PRÓPRIO TEXTO CONSTITUCIONAL, INSTITUÍDAS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE – ‘NÃO PODE CHEGAR À DESMEDIDA DO PODER DE DESTRUIR" (MIN. OROSIMBO NONATO, RDA 34/132). A PRERROGATIVA ESTATAL DE TRIBUTAR TRADUZ PODER CUJO EXERCÍCIO NÃO PODE COMPROMETER A LIBERDADE DE TRABALHO, DE COMÉRCIO E DE INDÚSTRIA DO CONTRIBUINTE. A SIGNIFICAÇÃO TUTELAR, EM NOSSO SISTEMA JURÍDICO, DO "ESTATUTO CONSTITUCIONAL DO CONTRIBUINTE’. DOUTRINA. PRECEDENTES. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E PROVIDO”. (RE 374.981, Relator Min. Celso de Mello, j. 28/03/2005, DJ 08/04/2005, p. 82 – destaques da Recorrente). Desse modo, finaliza sua argumentação alegando que impedir a empresa distribuir dividendos aos seus acionistas, quando esta age sem o intuito de lesar o fisco, configura coação ao pagamento do débito à União. Entendo que os argumentos trazidos pela Recorrente devem prosperar. Vejamos, conforme vimos, a Lei nº 4.357/1964 em seu art. 32 impõe restrição à distribuição de bonificações e lucro por empresas com dívidas não garantidas para a União sob pena de multa de 50% das quantias pagas indevidamente. Tal dispositivo foi replicado no RIR/99 pelos arts. 889 e 975, a saber: “Art. 889. As pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, por falta de recolhimento de imposto no prazo legal, não poderão (Lei nº 4.357, de 1964, art. 32): I distribuir quaisquer bonificações a seus acionistas; II dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos.” (...) “Art. 975. A inobservância do disposto no art. 889 acarretará multa que será imposta (Lei nº 4.357, de 1964, art. 32, parágrafo único): I às pessoas jurídicas que distribuírem ou pagarem bonificações ou remunerações, em montante igual a cinqüenta por cento das quantias que houverem pago indevidamente; Fl. 802DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 803 9 II aos diretores e demais membros da administração superior que houverem recebido as importâncias indevidas, em montante igual a cinqüenta por cento destas importâncias.” Da análise dos artigos acima, evidenciase a caracterização da infração, caso ocorra a comprovação de dois fatos concomitantes: (i) a existência de débito não garantido e (ii) distribuição de quaisquer bonificações. Apesar da legislação atinente à matéria não se referir em distribuição de dividendo, mas sim bonificações ou participações enquanto o contribuinte possua débito inscrito em dívida ativa contra à União Federal não garantida, não restou comprovada nos autos o intuito por parte da Recorrente de causar eventual prejuízo ao erário. Ao revés, foi noticiado nos autos que o contribuinte garantiu a execução fiscal na primeira oportunidade do processo, montante suficiente para quitação da dívida perante a União Federal, conforme fls. 734/739. Fato este, que justifica não têlo feito em momento anterior, o qual engloba a parte do período da autuação fiscal. Observase ainda que os débitos inscritos em dívida ativa já estavam garantidos quando da autuação fiscal, sendo incluídos posteriormente em parcelamento (REFIS da Copa), conforme fls. 760/762. Cumpre esclarecer ainda que quando da lavratura do auto de infração, o débito estava garantido e na época da distribuição dos lucros não havia instruções suficientes no processo para o procedimento a ser adotado, pois a cobrança do débito estava sendo remetida para a Procuradoria. Assim, aplicar tal penalidade, não me parece razoável à medida que o alcance da norma já fora atingida, isto é, proteger o direito creditório do Fisco, vez que o crédito já estava garantido. Além de contrariar à liberdade de exercício de atividade econômica, corolário protegido por diversas súmulas do STF. Além disso, conforme o TVF (fl. 331), a fiscalização entendeu que não houve a distribuição dos lucros, em forma de dividendos, o que por si só foi vetado nos dispositivos legais em comento. Por fim, como visto, registrase que direito de perceber dividendos advém do fato de se deter participação societária, seja oriunda de uma ação ou uma quota de uma empresa. O termo dividendos seria inapropriado para uma empresa de responsabilidade limitado, porém no silêncio da Lei especial, deve ser aplicar subsidiariamente os conceitos trazidos pela Lei das SA. Portanto, entendo que, independentemente da discussão se a distribuição de dividendos estaria ou não albergada no bojo do art. 32 da Lei 4.357/64, a Recorrente antes disso cumpriu requisito objetivo, qual seja; o de garantir dívida em favor da União, razão da qual a autuação fiscal não deveria subsistir. Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para afastar a multa pela suposta distribuição irregular de lucro. É como voto. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 10073.721254/201479 Acórdão n.º 1301002.522 S1C3T1 Fl. 804 10 (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 804DF CARF MF
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