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Numero do processo: 15504.724958/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Lançadora se manifeste sobre os documentos apresentados pela empresa que alteram a base de cálculo da parcela paga a título de PLR em fevereiro de 2010.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Lançadora se manifeste sobre os documentos apresentados pela empresa que alteram a base de cálculo da parcela paga a título de PLR em fevereiro de 2010. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recursos voluntários (fls 851 e 861) apresentados em face do Acórdão nº 1664.165, da 14ª Turma da DRJ/SPO (fls 780), que negou provimento às impugnações (fls 456 e 673) formuladas pelo contribuinte e responsáveis solidários ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo à contribuição previdenciária da empresa e Gilrat à alíquota de 1% (um por cento), tendo como base de cálculo os valores pagos no ano RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 24 95 8/ 20 14 -0 8 Fl. 900DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 893 2 de 2010 a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR (Auto de Infração Debcad 51.061.6984 a fls 291). De acordo com o Relatório Fiscal (fls 5), nas competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010: 3.2.1 Foram constatados pagamentos de valores a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, através das rubricas 0341 PARTICIPAÇÃO LUCROS RESULTADOS, 360 ANTECIPAÇÃO ADICIONAL PLR, 340 ANTEC PLR PROGRAMA PROPRIO E 0361 ADICIONAL PLR. Estes pagamentos, efetuados nas competências acima citadas, não foram considerados pela empresa como parcela e incidência de contribuições para Previdência Social. Alega a fiscalização que, do modo como realizados, esses pagamentos estariam em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, mais especificamente com o § 2º do art. 3º, que veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil. Assim, sobre os valores pagos a título de PLR no ano de 2010, a fiscalização aplicou a alíquota de 20% mais o adicional de 2,5% correspondente a instituições financeiras. Além disso, o sujeito passivo estaria sujeito também à alíquota de 3% para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho Gilrat. Contudo, por força de decisão judicial autorizando o depósito do valor correspondente à majoração de alíquota promovida pelo Decreto nº 6.042, de 2007, neste processo foi lançada a alíquota de 1% e a diferença no percentual de 2% foi lançado no âmbito do processo nº 15504.724961/201413. A alíquota de 3% também foi ajustada a partir de janeiro de 2010 em função do Fator Acidentário de Prevenção FAP e, no caso do sujeito passivo em questão, foilhe atribuído o percentual de 1,6435. Este ajuste também é objeto de questionamento judicial com liminar deferida (Mandado de Segurança Preventivo nº 2010.38.00.0014151). Em razão disso, a diferença gerada pelo FAP no RAT (1,9305%) foi lançada também em processo autônomo, sob nº 15504.725110/201498. Ainda segundo a Autoridade Fiscal, com base em declaração firmada pelo sujeito passivo, foi lavrado termo de sujeição passiva solidária em face das empresas que integrariam o mesmo grupo econômico e que estão listadas no item 6.1 do relatório fiscal (fl 11). Cientificados os sujeitos passivos (ARs a fls 431/454), a exigência fiscal foi impugnada através dos documentos de fls 456 (devedores solidários) e fls 673 (contribuinte). A DRJ/SPO julgou improcedentes as impugnações mantendo integralmente o crédito tributário, em Acórdão (1664.165) que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2010 CONVENÇÃO COLETIVA/ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Fl. 901DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 894 3 INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções e os Acordos Coletivos de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. Tendo a empresa remunerado segurados empregados e contribuintes individuais com verbas integrantes do saláriodecontribuição previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento das contribuições patronais incidentes sobre tais valores, conforme determina o art. 22, I e II, da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição (Lei 10.101/00). Cientes dessa decisão (fls 813/850), os sujeitos passivos apresentaram, tempestivamente, os recursos de fls 851 responsáveis solidários e fls 861 contribuinte. Em suas razões recursais, os responsáveis solidários aduzem, em síntese, que: a responsabilidade tributária é matéria submetida à reserva de lei complementar, e o caso em questão não se enquadra em nenhuma das hipóteses prescritas pelo Código Tributário Nacional solidariedade de fato e solidariedade de direito; quanto à solidariedade de fato, a autoridade lançadora não demonstrou haver interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, limitandose a afirmar a existência de grupo econômico a partir de suposta informação prestada pelo sujeito passivo; a caracterização de grupo econômico exige a demonstração de que as empresas encontramse sob direção, controle ou administração de uma terceira, não bastando a simples participação societária; é inviável a aplicação da solidariedade prevista no art. 30, IX, da lei nº 8.212 de 1991, já que esta não é lei complementar. A empresa fiscalizada, por sua vez, apresenta como razões de recorrer os seguintes argumentos: Fl. 902DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 895 4 o único critério jurídico utilizado pela fiscalização para realizar a exigência fiscal foi a existência de parcelas de PLR pagas em mais de duas vezes no mesmo ano civil; se o plano foi formulado de acordo com os parâmetros legais, a mera execução em contrariedade à regra do art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101, de 2000, não implica mácula a todo o programa de PLR; a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu que o descumprimento da regra de periodicidade não macula todo o programa, mas apenas a parcela paga em desacordo com a lei; apresenta o resumo da folha de pagamentos do mês de fevereiro de 2010 para comprovar que nele foi quitado o ajuste final do PLR decorrente do Acordo Coletivo de 2009, o que significaria que essa parcela não se relaciona com o exercício de 2010; o programa de PLR de 2010 foi pago com base em dois planos complementares: um próprio, via Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e outro decorrente da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT); em geral, há coincidência nas datas de pagamentos com base nesses instrumentos, contudo, excepcionalmente em 2010, "houve descasamento" entre as datas previstas em cada plano; entre a parcela paga em fevereiro de 2010 e a paga em agosto do mesmo ano foi observada o periodicidade prevista na Lei nº 10.101, de 2000; a única parcela que descumpriu essa regra foi a de novembro, mas seu pagamento é decorrente da força normativa da CCT, o que impede que seja tributada; por fim, a recorrente alega que houve erro na apuração da base de cálculo de fevereiro de 2010, uma vez que o valor utilizado pela fiscalização, R$ 18.752.420,15, compreenderia também a parcela que foi adiantada em 2009. Assim, o valor efetivamente pago nessa competência seria de R$ 11.437.020,05, o que restaria comprovado pelos documentos juntados a fls 880. Após a distribuição deste processo em sessão pública a esta Conselheira, foi solicitada conexão com os demais processos lavrados durante a mesma ação fiscal (fls 889), o que foi deferido pelo Sr. Presidentes desta 2ª Seção de Julgamento (fl 891). É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Enfrentarei inicialmente os argumentos apresentados pela empresa fiscalizada, Banco Mercantil do Brasil S/A. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 896 5 Contra ela foi lavrada exigência fiscal relativa à contribuição previdenciária patronal e Gilrat na alíquota de 1% tendo por base de cálculo os valores pagos a título de PLR nas competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010. A autoridade fiscal fundamentou o lançamento no descumprimento da regra constante do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.101, de 2000, que estabeleceria a periodicidade a ser observada nessa modalidade de pagamento. Em relação à correção desse proceder, farei uma manifestação breve, uma vez que, apesar de entender que a interpretação conferida ao texto legal pela fiscalização foi a mais correta, ao aplicar esse entendimento ao processo em questão, com os efeitos que julgo adequados (desconsideração de todo o valor pago no ano civil como PLR), verifico que ainda não está pronto para julgamento do mérito. Com efeito, conforme me manifestei em outras ocasiões, a partir do esforço teórico empreendido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em voto proferido no Acórdão nº 2201003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, considero inevitável a conclusão de que a norma em análise (Lei nº 10.101, de 2000) tem natureza isentiva. Daí decorre a obrigatoriedade de adoção do método literal de interpretação, de forma que apenas os programas que atenderem integralmente ao comando obtido pelos limites impostos pela investigação sintática estariam excluídos da tributação. Neste processo, a controvérsia ficou restrita à observância da seguinte condição: a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas no mesmo ano civil. Vejamos o que dizia o texto legal, à época dos pagamentos realizados: Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O texto legal prevê expressamente que é "vedado" o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ou seja, tratandose de PLR que se pretende acobertado pelo disposto na Lei nº 10.101, de 2000, essa forma de pagamento recebe o modal deôntico "proibido". A taxatividade do texto não condiz com a interpretação conferida a ele pela recorrente. Com efeito, ao se afirmar que o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil ensejará a desconsideração de apenas parte deles, não se está aplicando a norma com razoabilidade, mas legislando, porque não há espaço no texto legal para essa interpretação. A razoabilidade na leitura desse comando residiria na aceitação de pagamentos em desconformidade com a periodicidade/número de parcelas estabelecidos pela lei para, por exemplo, corrigir eventuais erros de apuração do valor já pago. Mas desde que resultasse de erro e que fosse eventual. Ou, ainda, em caso de desligamento do empregado, que faria jus ao recebimento proporcional do valor ajustado no instrumento de negociação. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 897 6 Se o programa de participação nos lucros é composto por mais de um instrumento, como relata a recorrente, cabe à empresa, cuja vontade é elemento integrante da constituição deles, laborar para que haja observância da periodicidade estipulada por lei. O entendimento aqui esposado está de acordo com a jurisprudência recente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do que servem de exemplo os Acórdãos 9202 004.543, 9202004.347, 9202004.342. Deste último, transcrevo abaixo parte da ementa: Assunto: Contribuições Sociais PrevidenciáriasPeríodo de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. PERIODICIDADE SEMESTRAL.É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados.No caso, restou comprovado descumprimento do critério da periodicidade para alguns dos empregados. E do voto, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Reparase da leitura acima, que não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Por esse motivo, entendo que, para cada empregado, pagamentos sem respeito à periodicidade mínimima legalmente estabelecida, desconfiguram o programa e, portanto, todas as verbas a ele pagas a título de PLR devem compor o salário de contribuição. Portanto, em relação à descaracterização dos pagamentos realizados pela empresa fiscalizada nas competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010 como PLR, assiste razão à fiscalização ao afirmar que não foram observadas as exigências estabelecidas pela lei no que diz respeito à periodicidade e ao número de parcelas. Por outro lado, quanto à competência 02/2010, analisandose a documentação juntada pela empresa fiscalizada, vêse que há verossimilhança em suas alegações, ao afirmar que houve erro na identificação da base de cálculo. De fato, segundo a folha analítica juntada a fl. 880, do valor registrado como PLR de R$ 18.752.420,20 (resultante da soma das verbas 0341 Participação Lucros Resultad de R$ 17.510.036,70 e 0361 Adicional PLR R$ 1.242.383,45), aparentemente, parte se refere à antecipação (código 0359 Antecipação part. lucros e R no valor de R$ 6.781.659,81). Essa informação é condizente com os registros contábeis de fls 883/885. O auto de infração foi instruído com a listagem que tem início na fl 21. Essa listagem só contempla os códigos 0361 e 0341. A documentação juntada pela empresa foi suficiente para incutir dúvida sobre a suficiência das informações constantes nessa listagem, de forma que entendo prudente a Fl. 905DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 898 7 conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal se manifeste sobre a alegação e os documentos apresentados pela empresa, o que deve incluir resposta à seguinte pergunta: qual o valor efetivamente pago pela fiscalizada a título de PLR na competência 02/2010? Conclusão Com base no exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal se manifeste sobre a alegação e os documentos apresentados pela empresa, o que deve incluir resposta à seguinte pergunta: qual o valor efetivamente pago pela fiscalizada a título de PLR na competência 02/2010? Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 906DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.722778/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, alcança apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Incabível a apuração, a escrituração, utilização ou a transferência do crédito presumido de IPI, a que fazem jus os cooperados, pela Cooperativa centralizadora de vendas.
O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa.
IPI. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. NÃO APLICÁVEL.
O regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial, ainda que se trate de cooperativa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013
IPI. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO CREDOR EQUIPARA-SE A PAGAMENTO.
Segundo o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002 -RIPI/2002 (redação preservada no Decreto nº 7.212/2010, art. 183 - RIPI 2010), é admitida como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher".
Tendo ocorrido pagamento antecipado ou crédito equivalente, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-003.953
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por maioria de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 18 de dezembro de 2009, mantendo-se, no mais, o Acórdão recorrido. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen que Davam Provimento também quanto ao item "3 - Da saída com suspensão indevida do IPI", por entenderem que o artigo 29 da Lei nº 10637/2002 não se restringe à estabelecimento industrial, alcançando também o equiparado a industrial.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, alcança apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Incabível a apuração, a escrituração, utilização ou a transferência do crédito presumido de IPI, a que fazem jus os cooperados, pela Cooperativa centralizadora de vendas. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. IPI. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. NÃO APLICÁVEL. O regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial, ainda que se trate de cooperativa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013 IPI. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO CREDOR EQUIPARA-SE A PAGAMENTO. Segundo o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002 -RIPI/2002 (redação preservada no Decreto nº 7.212/2010, art. 183 - RIPI 2010), é admitida como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Tendo ocorrido pagamento antecipado ou crédito equivalente, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, alcança apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Incabível a apuração, a escrituração, utilização ou a transferência do crédito presumido de IPI, a que fazem jus os cooperados, pela Cooperativa centralizadora de vendas. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. IPI. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. NÃO APLICÁVEL. O regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial, ainda que se trate de cooperativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013 IPI. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO CREDOR EQUIPARASE A PAGAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 27 78 /2 01 4- 56 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.109 2 Segundo o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002 RIPI/2002 (redação preservada no Decreto nº 7.212/2010, art. 183 RIPI 2010), é admitida como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Tendo ocorrido pagamento antecipado ou crédito equivalente, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.110 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 18 de dezembro de 2009, mantendose, no mais, o Acórdão recorrido. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen que Davam Provimento também quanto ao item "3 Da saída com suspensão indevida do IPI", por entenderem que o artigo 29 da Lei nº 10637/2002 não se restringe à estabelecimento industrial, alcançando também o equiparado a industrial. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.111 4 Relatório Por bem reproduzir os fatos, adoto o relatório constante do Acórdão de primeira instância. Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o auto de infração de fls. 840/867, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, concernente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2009 e março de 2013, através do qual foi constituído crédito tributário no valor de R$ 26.904.604,56, já incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 12/2014. De acordo com o que consta do auto de infração em apreço e do Relatório Fiscal de fls. 868/873, o lançamento foi efetuado por ter sido constatado que o contribuinte: i) deu saída a produto (açúcar) com suspensão indevida do IPI, por não atender a requisito essencial ao gozo do referido instituto, que impõe seja ele um estabelecimento industrial e não, como no caso do autuado, um estabelecimento equiparado a industrial por opção (conforme indicado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ às fls. 453/457); e ii) utilizouse indevidamente de créditos presumidos do IPI, haja vista terem sido tais créditos recebidos em transferência do estabelecimento matriz, o qual não teria direito à sua apuração, por não se enquadrar como empresa produtoraexportadora, nos termos da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Tendo sido pessoalmente cientificado em 18/12/2014 (fls. 874/875), o contribuinte ingressou, tempestivamente, em 15/01/2015, com a impugnação de fls. 987/1011 dos autos digitais, formulando, em síntese, as seguintes razões de defesa: a) Sustenta que, em vista de a ciência do auto de infração ter ocorrido em 18/12/2014 e por se tratar o IPI de tributo sujeito ao lançamento por homologação, em conformidade com o § 4o do art. 150 do CTN, estaria decadente o lançamento correspondente aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2009 (na realidade o contribuinte em evidente equívoco cita em seu arrazoado o ano de 2014). b) Em reforço a tese da decadência, apresenta ementa de julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF e alega que lançou débitos de IPI no período, não tendo havido pagamento apenas porque o saldo teria sido zerado, e que “a existência de lançamento de débitos, ainda que não tenha havido pagamento, implica ter havido o lançamento por homologação, de modo que a contagem do prazo de decadência obedece à regra do art. 150, §4° do CTN”. c) Passa a defender, com suporte nos princípios constitucionais da isonomia e da proporcionalidade/razoabilidade, a inexistência de imposição legal no sentido de restringir a suspensão aos industriais e, conseqüentemente, excluir a aplicação do benefício aos equiparados. Nesse diapasão, argumenta que o art. 27, II, da IN nº 648/09 (por óbvio, deve estar o contribuinte se referindo a IN nº Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.112 5 948, de 2009), reproduzindo conteúdo da IN nº 296/03, introduziu sem respaldo legal a restrição em apreço. d) Assevera que o objetivo da suspensão estabelecida pelo art. 29 da Lei nº 10.637/02 é desonerar a cadeia produtiva e fomentar a indústria, evitando o acúmulo de créditos, melhorando o fluxo financeiro e operacional e reduzindo os preços – tudo no sentido de aprimorar a atividade industrial. Com base em sua tese, alega que a interpretação restritiva da fiscalização “contraria expressamente a finalidade da norma”. e) Argumenta que se configura como sendo “uma cooperativa de vendas da produção de seu cooperado” e que a comercialização dos produtos a ela repassados é, “na realidade, uma única operação, de natureza tipicamente cooperativa”, nos moldes do que dispõe a Lei nº 5.764/71 (arts. 79, § único, e 83) e a CF (arts. 146, III, c, e 174, § 2º), razão pela qual não haveria como admitir “que a venda efetuada por intermédio de cooperativa de vendas, como a Impugnante, pudesse submeterse a tratamento fiscal mais oneroso, sob pena de inadmissível desestímulo ao ato cooperativo e contrariedade à legislação que assegura de modo expresso a neutralidade do ato cooperativo para fins fiscais”. f) No sentido de sustentar “que a venda com intermediação de cooperativa deve ser protegida” e “nunca pode ser mais onerosa do ponto de vista fiscal”, cita aspectos concernentes à legislação e à jurisprudência administrativa e judicial de outros tributos e conclui afirmando que: “O fato de a venda ter sido intermediada pela Impugnante, entidade cooperativa, para posterior comercialização, não pode ensejar a tributação pelo IPI”. g) Contesta a informação constante do Relatório Fiscal relacionada a não apresentação das declarações previstas no art. 29, §7°, II, da Lei nº 10.637/02, afirmando têlas apresentado, em sua maioria, conforme demonstrado no Termo de Apresentação e Devolução de Documentos (doc. 04) emitido pela própria fiscalização. h) Alega que os créditos presumidos, cujo aproveitamento foi contestado pela fiscalização, foram calculados pela Cooperativa, estabelecimento matriz, da qual a autuada é filial. Tal Cooperativa matriz deteria todos os dados das exportações realizadas por suas filiais, recebendo das cooperadas as informações sobre o valor dos insumos e se configurando como sendo o seu substituto tributário, em relação ao IPI devido, assim como, o responsável pelo recolhimento do PIS e Cofins das mesmas cooperadas. i) Aduz que é uma cooperativa centralizadora de vendas que tem por finalidade a comercialização das mercadorias produzidas por suas cooperadas, e, por força de lei, age em nome e por conta destas. j) Afirma que por determinação da própria Secretaria da Receita Federal, a Cooperativa exerce o papel de contribuinte substituto do IPI, sendo responsável pelo recolhimento do imposto, em nome de cada cooperada, além de ser responsável pelo recolhimento da Cofins e do PIS das suas filiadas. k) Diz que há falta de consistência na autuação, pois, a fiscalização não percebeu que não se trata de pessoa jurídica que produz diversa da pessoa jurídica que exporta; na verdade a Cooperativa, na condição de uma cooperativa centralizadora de vendas, não reivindica para si o direito ao benefício em questão, mas sim em nome e para seus associados. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.113 6 l) Acresce que as cooperativas não auferem lucros, rendas ou receitas, sendo que eventual resultado positivo é dividido na proporção do trabalho de cada cooperado. m) Argumenta que a realização de vendas por parte da cooperativa traduziria o exercício do mandato que lhe é outorgado pelas filiadas, de forma que o direito ao benefício é das cooperadas e para elas se destina, sendo que a Cooperativa tão somente viabilizaria a utilização desse direito pelas cooperadas, em razão de ser ela a substituta tributária do IPI e a responsável legal pelo recolhimento do PIS e da Cofins. n) Argúi que a legislação não determina que a exportação deva ser realizada diretamente pelo produtor, nada impedindo que ela seja efetuada por intermédio de uma cooperativa centralizadora de vendas e menciona que “O PRODUTOR É O EXPORTADOR e, portanto, tem direito, ao crédito presumido em discussão”. Por fim, requer o provimento da impugnação e a improcedência do auto de infração. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ/REC exarou o Acórdão 1149.535, de 19 de março de 2015, que, por unanimidade de votos, julgoua improcedente, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013 IPI. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. O regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial (salvo quando se tratar de empresa comercial atacadista). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração, utilização ou a transferência do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013 ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. Sem que tenha ocorrido pagamento antecipado do IPI, nos termos da legislação desse imposto, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do CTN. ILEGALIDADE. NORMAS ADMINISTRATIVAS. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.114 7 O julgador administrativo é incompetente para apreciar argüição de ilegalidade de instrução normativa editada por autoridade administrativa competente a quem está hierarquicamente subordinado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte apresentou, em 12/5/2015, Recurso Voluntário, fls. 1074/1102, reprisando, na essência, as argumentações apresentadas na Impugnação Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da RFB que, em procedimento fiscal junto ao recorrente, constatou (i) a utilização indevida de crédito presumido de IPI e (ii) saídas com suspensão indevida do IPI. Em sede de Recurso Voluntário pendem três matérias a serem apreciadas, a saber: I. Da decadênica. II. Do crédito presumido. III. Da saída com suspensão indevida do IPI. 1 Da Decadência. Da decadência relativa ao período de janeiro a dezembro de 2009 Em Preliminar argüiu a recorrente o instituto da Decadência em relação ao períodos encerrados antes de 18/12/2009, em razão da aplicação pela fiscalização do prazo contado na forma do art. 173, I do Código Tributário Nacional (CTN). Entende a recorrente que para o IPI, por ser espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável é do art. 150, § 4º do CTN. Assim, o lançamento de ofício formalizado em 18/12/2014, não poderia se reportar a fatos geradores ocorridos em momento anterior a 18/12/2009. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.115 8 Em sua peça recursal aduz a recorrente que os débitos de IPI foram escriturados, apenas não houve pagamento de IPI porque havia créditos a absorver os valores. E o fato de tais créditos terem sido glosados em nada altera o quanto suscitado desde a impugnação. E complementa a recorrente: "Afinal, entendendo a fiscalização que os créditos não seriam legítimos, poderia a partir de sua escrituração supostamente indevida, proceder ao lançamento das diferenças então resultantes, mesmo porque os débitos foram regularmente escriturados". Entendo que assiste razão a recorrente. No caso de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o reconhecimento do débito é feito antecipadamente, sem prévio exame da autoridade fazendária, caracterizandose a modalidade lançamento por homologação. Sendo assim, é o caso de aplicação do artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN), o qual estabelece: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] §4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco anos), a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Sobre a matéria encontrase pacificado no âmbito de nossa jurisprudência que tendo havido antecipação de pagamento, desde que inexista fraude, aplicase o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, Lei nº 5.172/66, e, conseqüentemente, considerase homologado e definitivamente extinto o crédito tributário não cobrado nos cinco anos subseqüentes à ocorrência do fato gerador. O Auditor Fiscal autuante concluiu pela afastamento do disposto no art 150, § 4º do CTN, impondose a aplicação do disposto no artigo 173, I, do CTN, em face da inexistência de pagamento de IPI, relativamente aos meses de 2009, entendimento mantido pelo colegiado de Primeira Instância. Entretanto, segundo o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002),1 é admitida como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Vejamos: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 1 Idêntica redação foi conferida pelo Decreto nº 7.212, art. 183 (RIPI de 2010), que revogou a RIPI de 2002. O período ãutuado compreende a vigência de ambos os Decretos. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.116 9 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, tendo ocorrido pagamento antecipado ou crédito equivalente, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. A própria fiscalização evidencia que a presente autuação referese a diferença de IPI devido, saldo resultante da diferença entre os valores pagos e os apurados pela fiscalização, como se depara na Reconstituição da escrita fiscal, fls. 850 e ss., especialmente no demonstrativo de fls. 865/867, bem assim no Demonstrativo dos Ajustes Lançados a Crédito no RAIPI, fl. 349 e nos Resumos mensais do RAIPI, ref. 01/2009 a 03/2013, baixados do SPED, fls. 351/452. Assim, se o Fisco encontrar diferença de imposto pressupõese que havendo diferença a lançar tenha havido pagamento a menor, este possui o prazo de 5 anos a contar do fato gerador, para lançar, em procedimento de oficio. Portanto, no caso em questão, considero que há decadência dos créditos tributários lançados contra a Recorrente, referente aos fatos geradores ocorridos antes de 18/12/2009, data do quinto ano antes do lançamento, formalizado em 18/12/2014. 2 Do crédito presumido. O estabelecimento matriz, cooperativa de usinas de açúcar, apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, com base no artigo 1º da Lei nº 9.363/96. Posteriormente, transferiu o referido crédito para a filial ora autuada, que o utilizou na compensação de débitos do IPI. O Auditor Fiscal da RFB, por seu turno, efetuou a glosa do crédito presumido, por entender que o autuado não faria jus ao benefício instituído pela Lei n° 9.363, de 1996, posto que o benefício legal é para empresa produtora e exportadora. No caso, o estabelecimento não produz o açúcar. Quem produz o açúcar são as cooperadas. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.117 10 A recorrente contesta o entendimento do Auditor Fiscal sob o argumento de que a Cooperativa (matriz) promove a venda e exportação do produto em prol dos cooperados, de modo que a apuração centralizada do crédito presumido pela Cooperativa seria feita em nome e para as usinas cooperadas. Eis o disposto na Lei nº 9.363/96, art. 1º: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. [Destaquei] Depreendese do disposto normativa acima transcrito, fundamento do direito de crédito, que quem detém o crédito presumido é o produtor, atuando diretamente como exportador ou por meio de venda para comercial exportadora. O aproveitamento do crédito presumido, na forma pretendida pela recorrente, não tem amparo na legislação de regência, pois o direito ao crédito não alcança empresas que não sejam produtoras das mercadorias que exporta ou comercial exportadora, conforme dispõe o art. 1 ° da Lei 9.363/96. O contribuinte, que é uma Cooperativa, não pode ser considerado como empresa comercial exportadora, tampouco produtora de mercadoria industrializada. Não há cabimento dar nova dimensão ao disposto normativo para incluir extensivamente, às cooperativas, o alcance da Lei. Para o usufruto do benefício fiscal caberia ao autuado comprovar que é produtor e exportador ou que tenha efetivado venda a empresa comercial exportadora, o que não se mostra presente nos autos. No caso das cooperativas centralizadoras de vendas, o direito ao crédito presumido de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996 pertence ao produtor/exportador cooperado, e não à cooperativa, não sendo possível a admissão de crédito presumido por parte de filial da cooperativa, mediante transferência de créditos apurados pela matriz da cooperativa. A Cosit ja se manifestou acerca da matéria por meio da Nota Cosit nº 234, de 1/8/2003, que assim se posicionou: “[...] Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.118 11 21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação específica; [...] 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias. [...]" Destaquei Importante notar, para não ficar desavisado, que "estabelecimento matriz" disposto no item 21.5 da Nota Cosit diz respeito a uma mesma sociedade empresarial, não guardando relação com a estrutura social de uma cooperativa onde os cooperados são pessoas jurídicas distintas entre si. Esse tem sido o entendimento já consagrado no âmbito do Carf, inclusive nos vários processos2 da mesma recorrente, tratando de idêntico procedimento fiscal, relativamente a fatos geradores a partir do ano de 2000, que tramitaram nesse Conselho. Por exemplificativo, trago à baila excertos do Voto Vencedor condutor do Acórdão 3301001.7283, de 26 de fevereiro de 2013, processo nº 13830.000804/200681: 2 Processos Administrativos Fiscais de titularidade da recorrente que já tramitaram no Carf: 13830002342/200556; 13830002343/200509; 13830000756/200621; 13830000789/200671; 13830000790/200604; 13830000804/200681; 13830000805/200626; 11444000624/200717; 11444001114/200911; 13830720004/201318. 3 Acórdão nº 3301001.728, Terceira Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, processo nº 13830.000804/200681, da lavra da Conselheira Andrea Medrado Darzé. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.119 12 " [...] De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. [...], a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. [...]. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora." Nessa mesma linha temos o Acórdão nº 20178.168, de 26 de janeiro de 2005, processo nº 13807.008605/0005, do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, cujo Voto condutor foi da lavra do Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, que, pela sua relevância no tempo e conteúdo, merece ser destacado, foi assim ementado: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito à apuração e ao aproveitamento do crédito presumido do IPI pertence à usina cooperada, sendo inadmissível a apuração centralizada por parte da cooperativa, porque os valores de receita bruta, aquisições de Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.120 13 insumos (ou custo do produto) e o percentual de exportação precisam ser calculados individualmente por cooperada, impedindo que o crédito presumido de uma usina cooperada seja utilizado na compensação de tributos de outra. Ante o todo exposto, nesse pormenor, voto por Negar Provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em face dos créditos presumidos, recebidos por transferência da cooperativa matriz, apurados centralizadamente. 3 Da saída com suspensão indevida do IPI. O estabelecimento autuado deu saídas de açucar com suspensão do IPI, com base na Lei 10.637/2002, artigo 29. Entendeu o Auditor Fiscal da RFB que referido dispositivo legal não alcança o estabelecimento equiparado a industrial, como é o caso da recorrente. Assim, o cerne da questão posta ao crivo desse colegiado é definir se estabelecimento equiparado a industrial faz jus ao instituto da suspensão, nos termos do dito artigo 29. Eis o teor do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003: “Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.121 14 § 2o O disposto no caput e no inciso I do § 1o aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 3o Para fins do disposto no inciso II do § 1o, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, tenha sido superior a 50% (cinquenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) § 4o As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1o serão desembaraçados com suspensão do IPI. § 5o A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 6o Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5o, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos.” [Destaquei] Alega a recorrente, que o dispositivo em exame não estabelece diferença entre o estabelecimento industrial e o a ele equiparado, assim a suspensão alcançaria todos os contribuintes do IPI, já que industriais e equiparados são contribuintes do IPI e praticam o fato gerador do imposto. sustenta ainda que o sujeito passivo não é meramente equiparado a industrial, pois como cooperativa, age como se fosse os próprios cooperados, devendo ser considerada uma única operação o recebimento e a venda dos produtos. Não assiste razão a recorrente. Para fins fiscais e tributários, a legislação de Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI classifica os estabelecimentos em Industriais, Equiparados a Industriais, Comerciais Atacadistas e Varejistas. Definese como estabelecimento industrial aquele onde é executada qualquer das operações consideradas de industrialização (transformação, Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.122 15 beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação). É a indústria propriamente dito, de fato e de direito. Conquanto estabelecimento equiparado é aquele em que a legislação, em função das atividades desenvolvidas, equiparao à estabelecimento industrial, mesmo nos casos em que não há, diretamente, operações de industrialização. Portanto, os equiparados não executam atividades industriais, pois sua natureza de industrial derivase de uma "ficção jurídica", visando a cobrança e administração do IPI. Outrossim, vêse significativa diferença entre ambos. Estabelecimento industrial é , originariamente, aquele que industrializa, fato inexistente nos equiparados. Quando que a norma pretender atingir outra espécie de estabelecimento, Equiparados a Industriais, Comerciais Atacadistas ou Varejistas, o fará de forma expressa. As disposições do artigo 29, em seu contexto, são conclusivas no sentido de referiremse à estabelecimento industrial, não alcançando os equiparados, diversamente do que pretende fazer crer a recorrente. Não foi outra a razão de a Receita Federal do Brasil, autorizada pelo art. 29, § 7º, I, da Lei 10.637/2002, suso transcrito, editou a IN RFB nº 948/2009, reiterando dispositivos já introduzidos pela IN SRF nº 296/2003, Disciplinando a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), nos seguintes termos: “Art. 21. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex 01 do código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). (...) Art. 27. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (...) II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º. (...)” [Destaquei] Nesse pormenor, andou bem o julgador de primeira instância ao manifestarse favoravelmente à autuação, nos seguintes termos: Como se observa, nos termos da legislação aplicável à espécie, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem somente podem sair com suspensão do imposto naquelas operações em que o Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.123 16 estabelecimento industrial vendedor seja o fabricante dos bens em questão. E, [...], a saída com suspensão não alcança aquelas originárias dos estabelecimentos equiparados a industrial. No caso que se cuida, conforme relatado, não há dúvidas de que o autuado se configura como sendo um estabelecimento equiparado a industrial, de forma que as saídas dos produtos implementadas por ele não se encontram amparadas com a suspensão ora tratada, motivo pelo qual as mesmas caracterizam fato gerador do IPI. [Destaquei] No mais, os demais argumentos trazidos pela recorrente diz respeito a entendimentos teóricos quanto ao objetivo da Lei (desonerar a cadeia produtiva e fomentar a indústria) e à natureza dos atos cooperativos. Ainda que se depreenda coerência lógica nos argumentos apresentados, não se vislumbra amparo jurídico que os abrigue, para fins de respaldar a pretensa suspensão de IPI, tampouco se vê elementos que possam influenciar na formação de convicção diversa da ora exposta no presente voto, Ante o exposto, entendo que o regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial Dispositivo Com os fundamentos expostos voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 18 de dezembro de 2009, mantendose, no mais, o Acórdão recorrido. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 1123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001985/2003-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/07/2001 a 30/04/2003
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001985/200361 Recurso nº 2 De Ofício Acórdão nº 3402004.252 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente ASSOCIACAO SOCIEDADE BRASILEIRA DE INSTRUCAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/07/2001 a 30/04/2003 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 19 85 /2 00 3- 61 Fl. 683DF CARF MF Processo nº 18471.001985/200361 Acórdão n.º 3402004.252 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do Acórdão 1318.777, que ao julgar a impugnação cancelou a exação objeto dos autos em montante que, à época da decisão, ultrapassou o limite de alçada. O valor exonerado (principal + multa de ofício), contudo, é inferior ao limite atualmente vigente, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.199, de 26 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10410.720607/201445, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.199): "Como relatado, o valor exonerado objeto do recurso de ofício foi inferior à R$ 2.500.000,00. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), estabeleceu que: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Por seu turno, a Súmula CARF, abaixo transcrita, explicita o direito intertemporal para aplicação do teor da transcrita Portaria Ministerial, consoante o brocardo que é princípio do direito adjetivo, qual seja, tempus regit actum. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 18471.001985/200361 Acórdão n.º 3402004.252 S3C4T2 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com efeito, sendo o valor de alçada nesta data inferior à R$ 2.500.000,00, o presente recurso não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 685DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722518/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO.
O aprofundamento das razões constantes do lançamento fiscal por parte do julgador de primeira instância não se consubstancia inovação ou alteração de critério jurídico aptos a motivar a nulidade do Acórdão da DRJ.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PAGAMENTOS EFETUADOS A MINISTROS DE CONFISSÃO RELIGIOSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os pagamentos efetuados a ministros de confissão religiosa que deixam de cumprir todos os requisitos previstos na legislação previdenciária são considerados base de cálculo das contribuições sociais.
Numero da decisão: 2402-005.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e afastar as preliminares de nulidade do lançamento, por maioria, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencida os conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora) e o Jamed Abdul Nasser Feitoza, e no mérito, também por maioria, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ASSEMBLEIAS DE DEUS SC SO PR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO. O aprofundamento das razões constantes do lançamento fiscal por parte do julgador de primeira instância não se consubstancia inovação ou alteração de critério jurídico aptos a motivar a nulidade do Acórdão da DRJ. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PAGAMENTOS EFETUADOS A MINISTROS DE CONFISSÃO RELIGIOSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os pagamentos efetuados a ministros de confissão religiosa que deixam de cumprir todos os requisitos previstos na legislação previdenciária são considerados base de cálculo das contribuições sociais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 18 /2 01 3- 37 Fl. 1801DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e afastar as preliminares de nulidade do lançamento, por maioria, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencida os conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora) e o Jamed Abdul Nasser Feitoza, e no mérito, também por maioria, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho. Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme minucioso relatório da decisão recorrida, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 e seguintes, no qual é cobrado o valor de R$ 27.445.239,20 (vinte e sete milhões, quatrocentos e quarenta e cinco mil, duzentos e trinta e nove reais e vinte centavos), relativamente ao período de 01/2009 a 12/2011, referente a contribuição previdenciária a cargo da empresa (20%), incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais pastores, evangelistas e presbíteros – a título de prebendas pagas pela Convenção das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná CIADESCP, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIPs. Destaquese que as bases de cálculo foram apresentadas pelo sujeito passivo e confrontadas com as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física DIRFs do período. A autoridade tributária expôs no relatório fiscal, fls. 79, que o levantamento referese às diferenças de contribuições patronais devidas à previdência social sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais (pastores, evangelistas e presbíteros) não declarados em GFIP, conforme consta no Discriminativo de Débito. Relata ainda que foram examinadas as folhas de pagamento, recibos de pagamento de prebendas, comprovantes de recolhimento (GPS), GFIPs, RAIS, DIRFs, cadastros das igrejas (CNPJ), registros de empregados, fichas cadastrais de obreiros, atas, Balanços Patrimoniais e de Resultados, dentre outros. Esclarece também a fiscalização que, nos recibos de pagamentos, os valores são tratados como sendo pagos a título de Renda Eclesiástica, com a descrição de Espórtula Manutenção e, em sua relação com a auditoria, os valores são tratados como Prebendas. Foram constatadas pela fiscalização grandes diferenças entre os valores pagos aos diversos membros das igrejas, tendo sido informado pelo sujeito passivo que os valores pagos obedecem a uma hierarquia de cargos: presbítero, evangelista, pastor e pastor presidente, sendo também considerados fatores relativos ao tempo de criação da igreja bem como o tempo de ordenação do pastor. Destaquese, ainda, que em atendimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439 de 21/12/2010, em razão do sujeito passivo ter deixado de lançar, em suas folhas de pagamento e GFIPs, os segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou, fl. 1657 e seguintes, em 25 de novembro de 2013, sua impugnação para, em síntese, alegar: Ônus probatório da autoridade administrativa no lançamento de tributos; Inidoneidade do conteúdo probatório do lançamento impugnado; Fl. 1803DF CARF MF 4 Ausência de fundamentação quanto aos exercícios de 2009 a 2011; Inclusão da totalidade de dispêndios na base de cálculo; Ausência de caráter remuneratório dos dispêndios; Impugnação à base de cálculo do tributo. Em sessão realizada em 17 de julho de 2014, a DRJ/RPO julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada (fl. 1727 e segs): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PAGAMENTOS EFETUADOS A MINISTROS DE CONFISSÃO RELIGIOSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. São considerados base de cálculo das contribuições sociais os pagamentos efetuados a ministros de confissão religiosa que deixam de cumprir todos os requisitos previstos na legislação previdenciária. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No entender da autoridade julgadora: “mesmo que se considerem plausíveis as justificativas apresentadas pelo sujeito passivo no tocante às diferenças entre os pagamentos efetuados aos religiosos de diferentes igrejas, não foi apresentada qualquer prova de que os valores pagos aos religiosos o foram a título de subsistência, em que pese a grande quantidade de pagamentos mensais efetuados” (fl. 1737). Ademais, “a denominação ‘ministros de confissão religiosa’ deve ser entendida de forma restritiva, eis que recebem tratamento excepcional às regras gerais estabelecidas (recolhimento a prisão especial, dispensa do serviço de júri ou exclusão dos valores a eles despendidos pelas entidades religiosas do conceito de remuneração para os fins previdenciários)” (fl. 1737). Assim, concluiu a turma julgadora da DRJ/POR consignando que “por não ter o sujeito passivo comprovado que os pagamentos efetuados foram dedicados Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 4 5 exclusivamente à manutenção e subsistência dos religiosos e nem mesmo que os pastores se revestiam dessa condição, não restou comprovado, pela interessada, que os valores por ela pagos atendem a todas as exigências do art. 22, § 13 da Lei nº 8.212/91, razão pela qual não podem ser considerados como excluídos da base de cálculo das contribuições sociais” (fl. 1738 destacamos). Registrese que também foi indeferido o pleito do contribuinte referente à realização de perícia contábil, pois se entendeu que as provas já produzidas nos autos seriam suficientes. A recorrente foi intimada, em 14/08/2014 (fl. 1748), da mencionada decisão e interpôs, em 15/09/2014 (fl. 1751 e segs), recurso voluntário no qual praticamente reitera os argumentos declinados na sua anterior impugnação, para aduzir: (i) Nulidade do acórdão recorrido em razão de inovação de fundamentação; No ponto, alega o recorrente que a fiscalização apontou como causa para a inviabilidade da isenção tributária o fato de que os pagamentos realizados aos ministros de confissão religiosa possuíam caráter remuneratório. Por outro lado, nas razões do voto proferido no acórdão recorrido, alegase ausência de prova a cargo do recorrente. Daí surgiria, na visão da recorrente, a suposta inovação da fundamentação. (ii) Ônus probatório da autoridade administrativa no lançamento de tributos; Nesse item, vale destacar o excerto (fl.1761) a seguir: Com esse raciocínio, sustenta o recorrente que houve no acórdão recorrido indevida inversão do ônus da prova. (iii) Inidoneidade do conteúdo probatório do lançamento impugnado; Defende, ainda, o recorrente que a documentação constante do auto de infração seria inidônea. Alega para tanto que a fiscalização se limitou a presumir que os pagamentos se relacionavam com a natureza e a quantidade de trabalho realizado pelos religiosos. Sustenta, mais uma vez, uma tentativa de inversão de ônus da prova no caso. (iv) Ausência de fundamentação quanto aos exercícios de 2009 a 2011; Fl. 1805DF CARF MF 6 Nesse aspecto, afirma (fl. 1772) a recorrente que: Sob tal argumento, isto é, ausência de prova apta a embasar a autuação fiscal, busca reformar o acórdão recorrido. (v) Nãoincidência da contribuição previdenciária patronal sobre o auxílio prestado aos ministros religiosos; Esse fundamento do recurso voluntário se revela central na análise do mérito recursal. Já foi transcrito, linhas atrás, o argumento da DRJ quando examinou a impugnação. Todavia, o contribuinte ora se insurge em seu recurso alegando (fl. 1776) que: (vi) Inclusão da totalidade de dispêndios na base de cálculo; (vii) Ausência de caráter remuneratório dos dispêndios; (viii) Impugnação à base de cálculos do tributo. Os demais argumentos apresentados no recurso voluntário em exame (itens vi, vii e viii, acima indicados) buscam impugnar e descaracterizar a base de cálculo utilizada pela fiscalização e, mais uma vez, irresignamse contra o conteúdo probatório do auto de infração lavrado. É o relatório. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Bianca Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 14/08/2014 (fl. 1748), a recorrente interpôs recurso voluntário no dia 15/09/2014 (fl. 1751), atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Uma vez analisada a tempestividade do Recurso Voluntário, passase a analise da próxima preliminar citada pela Convenção das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná CIADESCP. Nulidade Inovação na fundamentação jurídica do lançamento pelo acórdão de primeira instancia Alega a recorrente que a fiscalização apontou como causa para a inviabilidade da isenção tributária o fato de que os pagamentos realizados aos ministros de confissão religiosa possuíam caráter remuneratório, variando entre si em razão da natureza e da quantidade de trabalho realizado por cada religioso, não se enquadrando, portanto, nos requisitos do art. 22, parágrafo 13 da Lei Federal nº 8.212/91. Por outro lado, nas razões do voto proferido no acórdão recorrido, alegase ausência de prova a cargo da recorrente de que os religiosos seriam, reconhecidamente, ministros de confissão religiosa. Daí surgiria, na visão da recorrente, a suposta inovação da fundamentação. Para analise da questão, se faz necessário analisar as fundamentações do Relatório Fiscal vis a vis as do voto condutor do Acórdão da primeira instancia. Em relação ao Relatório Fiscal, vale transcrever os seguintes trechos: Conforme as planilhas em anexo, existem grandes diferenças entre os valores pagos aos diversos membros das igrejas, com predominância dos maiores valores serem para pastores eleitos para a Diretoria e demais pastores e depois para os evangelistas. Os presbíteros, em geral, recebem valores menores. Em relação a esta diferença, fomos informados que o valor pago pelas Igrejas aos pastores iniciase pelo cargo: presbítero, evangelista, pastor e pastor presidente. Ainda, existe uma diferença nos valores para Igrejas que foram criadas há um ano e Igrejas criadas há sessenta anos. Os pastores com mais tempo de ordenação receberão valores mais altos e os pastores que integram Igrejas mais recentes receberão valores mais baixos. O pastor presidente, além da responsabilidade teológica, Fl. 1807DF CARF MF 8 precisa obter conhecimentos administrativos. O pastor presidente e os demais que suportam maiores responsabilidades e cobrança recebem valores maiores. A Lei 8.212/1991 diz que não se considera como remuneração direta ou indireta os valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional com ministro de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa em face do seu mister religioso ou para sua subsistência desde que fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. (fl. 16) Vale destacar que o Relatório Fiscal cita como normativa (fl. 68 e segs), artigos da legislação previdenciária grifando sempre a mesma expressão " desde que fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado.", demonstrando inequivocamente que este é seu argumento base para o lançamento. Já no que tange ao voto que fundamenta o acórdão, vale reproduzir alguns trechos: Embora sejam plausíveis as justificativas trazidas pela autuada para a variação entre os valores pagos aos religiosos ligados às igrejas participantes da Convenção em função das diferentes possibilidades financeiras dessas igrejas, a questão que se apresenta é a necessidade da comprovação da inequívoca vinculação dos pagamentos efetuados à manutenção e subsistência dos beneficiados, necessidade corroborada, conforme contido no Relatório Fiscal, que cita decisões recentes de DRJs e do TRF4, que consideram que pagamentos efetuados por igrejas a seus ministros de confissão religiosa a título de sustento pastoral, sem a devida comprovação, constituem remuneração sujeita à incidência de contribuição previdenciária.(fl.1736) (...) Observase, pelo dispositivo transcrito, no que se refere aos ministros de confissão religiosa e membros de institutos de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa, que são duas as espécies de valores que não se enquadram como remuneração direta ou indireta, para efeitos da lei supracitada: a remuneração paga em razão de seu mister religioso; as despesas com sua subsistência. Ressaltese que tais valores somente deixarão de integrar o salário de contribuição se, cumulativamente, forem fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. É evidente que a retribuição concedida ao religioso deve visar exclusivamente seu sustento ou subsistência. Porém, concessões de pagamentos de despesas diferenciadas a ministros de confissão religiosa a título de retribuição pelas atividades religiosas desempenhadas descaracterizam a situação, evidenciando o pagamento de verdadeira Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 6 9 remuneração. A propagação da religião é decorrente da fé e não é compatível com a busca do enriquecimento pessoal ou de favorecimento individual de acordo com a situação de cada religioso. No presente caso, mesmo que se considere plausíveis as justificativas apresentadas pelo sujeito passivo no tocante às diferenças entre os pagamentos efetuados aos religiosos de diferentes igrejas, não foi apresentada qualquer prova de que os valores pagos aos religiosos o foram a título de subsistência, em que pese a grande quantidade de pagamentos mensais efetuados. (1737). Tendo em vista que toda a fundamentação de voto condutor do acórdão foi baseada na premissa que não houve comprovação de que a remuneração não possuía caráter de subsistência, enquanto a motivação do relatório fiscal, diferentemente, relacionouse com o fato de que a remuneração era baseada na natureza e quantidade de trabalho, forçoso concluir que houve, de fato, inovação de fundamento jurídico por parte da autoridade julgadora de primeira instancia. Necessário, desta forma, se faz novo julgamento, por parte da DRJ. *** Para a hipótese de meus pares não comungarem de semelhante pensamento quanto ao deferimento da preliminar de nulidade, permitome proceder à análise das demais questões. 1. Nulidade do Lançamento por Insuficiência de Fundamentação A) Conteúdo Probatório do lançamento impugnado. Inidoneidade. Em relação a este tópico, já trazido a baila em sede de impugnação, entendo que o lançamento tributário goza de presunção relativa de validade, ou seja, uma vez que se admite que foi elaborado em conformidade com as devidas normas legais e baseado em um conjunto probatório sólido, como é o caso, somente pode ser descaracterizado mediante prova em contrário do sujeito passivo. Ao realizar analise da folha de pagamentos da diretoria e conselho fiscal (fl. 61 e segs), que cita o salário e cargo do religiosos, vis a vis o Estatuto Geral (fl.21) e Regime Interno da CIADESP (fl. 26) e Estatuto Social das Igrejas (i.e. fl.41), que mencionam os direitos e deveres de cada cargo ocupado, o fiscalização corretamente conclui que há conexão entre a quantia paga e as responsabilidade delegadas. Não se cogita aqui de inversão do ônus da prova, uma vez que a fiscalização desincumbiuse de seu ônus probatório em relação a vinculação entre o montante pago e os cargos dos religiosos. B) Exercícios de 2009 a 2011. Ausência absoluta de fundamentação. Aduz a recorrente, conforme já mencionado em sede de Impugnação, que todos os elementos de prova analisados pela fiscalização referemse ao exercício de 2010 e que, uma vez formada sua convicção acerca da existência de proporção entre pagamentos e Fl. 1809DF CARF MF 10 natureza e quantidade de trabalho, limitouse a presumir irregularidades configuradas no exercícios de 2009 e 2011. Entendo que neste ponto não assiste razão aa recorrente, pois, conforme mencionado pela autoridade de primeira instancia, consta, às fls. 1.003/1.552, as relações, mês a mês, de todas as remunerações a contribuintes individuais não declarados em GFIP no período de 01/2009 a 12/2011 e, à fl. 1.643, consolidação, também mês a mês, dessas remunerações, cujos valores são os mesmos das bases de cálculo das contribuições exigidas. Vale mencionar, ainda, que o Termo de Intimação Fiscal no. 02 (fl. 92), em complementação ao de no. 01, solicitou a Recorrente os documentos relativos a todo o período de apuração fiscalizado, qual seja, de 01/2009 a 12/2011. Uma vez constatado pela fiscalização que os dados dos documentos eram os equivalentes em todos os exercícios fiscalizados, procedeu, corretamente, ao lançamento. De mais a mais, a recorrente sequer citou quais seriam as diferenças existentes entre os documentos apresentados em relação ao exercício de 2010 dos de 2009 e 2011, de forma a corroborar a real existência de dados distintos. C) Base de cálculo. Inclusão da totalidade dos dispêndios. Ausência absoluta de fundamentação. Alega a recorrente, pugnando pela nulidade do lançamento, que a autoridade apontou discrepâncias em alguns pagamentos e que, com base nisto, considerou que a totalidade dos pagamentos realizados a todos os ministros religiosos constituída remuneração. Entendo que neste aspecto, carece de razão a recorrente, pois o Relatório Fiscal se baseou na própria sistemática adotada pela recorrente, conforme demonstrada claramente pela leitura de seus documentos internos, que envereda por reconhecer a posição e, conseqüentemente, o salário dos religiosos com base na natureza e quantidade do trabalho realizado. Não se nota, neste ponto, qualquer problema em relação a higidez do lançamento neste sentido. Caso houvesse uma exceção à regra, que repisase foi estabelecida por seus próprios documentos, caberia aa recorrente apontálas individualmente para que fosse possível a realização de uma análise pormenorizada destes casos. No entanto, a recorrente limitouse a mencionar o caso dos obreiros, sem contudo trazer elementos fáticos que comprovassem a natureza desvinculada do trabalho realizados de seus pagamentos. 2. Não incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre o auxilio prestado aos ministros religiosos A) Ausência de caráter remuneratório dos dispêndios Alega a recorrente que a renda eclesiástica paga aos religiosos tem objetivo único de atendimento as necessidades básicas dos religiosos e suas famílias, não sendo, portanto, de caráter remuneratório. Importante mencionar, no entanto, que a tônica do Relatório Fiscal não se insurge em relação a renda eclesiástica ser direcionada a subsistência dos religiosos, mas que estas eram quantificadas em função da natureza e quantidade do trabalho executado, em dissonância ao disposto no art. 22, § 13 da Lei nº 8.212/91 para fins de concessão do benefício fiscal. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 7 11 Neste sentido, vale, ainda, transcrever parte do Relatório Fiscal (fl. 16): Verificamos que o maior valor total pago em 2010 é de R$ 230.715,00, para o Pastor Antonio Nemer Bordin, de Itajaí/SC. Logo em seguida vem o Pastor Arcelino Vitor de Melo de Joinville/SC com R$ 181.720,00. Conforme as planilhas em anexo, existem grandes diferenças entre os valores pagos aos diversos membros das igrejas, com predominância dos maiores valores serem para pastores eleitos para a Diretoria e demais pastores e depois para os evangelistas. Os presbíteros, em geral, recebem valores menores. Em relação a esta diferença, fomos informados que o valor pago pelas Igrejas aos pastores inicia se pelo cargo: presbítero, evangelista, pastor e pastor presidente. Ainda, existe uma diferença nos valores para Igrejas que foram criadas há um ano e Igrejas criadas há sessenta anos. Os pastores com mais tempo de ordenação receberão valores mais altos e os pastores que integram Igrejas mais recentes receberão valores mais baixos. O pastor presidente, além da responsabilidade teológica, precisa obter conhecimentos administrativos. O pastor presidente e os demais que suportam maiores responsabilidades e cobrança recebem valores maiores. Assim, concluise que o ditame base da remuneração paga pela CIADESCP é a natureza e quantidade do trabalho realizado e não a natureza de subsistência como tenta argumentar a recorrente. Tendo em vista o supracitado, entendo que carece de razão a recorrente neste sentido. Os itens B) Pagamentos. Beneficiários. Isenção. Enquadramento. Fato incontroverso e C) Pedido Sucessivo. Base de cálculo do tributo. Pagamentos Remuneratórios podem se considerar analisados, conforme argumentos acima, pois coincidem em seu teor com os já mencionados. Diante do acima, voto por CONHECER, ACOLHER a preliminar de nulidade da decisão de primeira instancia, mas NEGAR provimento ao Recurso Voluntário em relação ao mérito, pelas razoes acima mencionadas. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1811DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Dissinto do entendimento da D. Relatora no que toca ao seu encaminhamento pela nulidade da decisão de piso. Ainda que se reconheça ter sido a ênfase principal da análise do Fisco voltada para a existência de discrepância entre os valores pagos aos diversos membros das igrejas, o que feriria os preceitos do § 13 do art. 22 da Lei nº 8.212/91, também foi considerado requisito relevante para o gozo das benesses isentivas, já naquela ocasião, a necessidade de que as verbas servissem apenas para subsistência dos pastores, e que não dependessem da natureza ou da quantidade do trabalho prestado, como ilustra o seguinte trecho do relatório fiscal (fl. 16): Conforme Acórdãos recentes da DRJ (vide item 24 deste Relatório Fiscal), os pagamentos efetivados por igreja diretamente a seus ministros de confissão religiosa, a título de sustento pastoral, sem comprovação dos dispêndios de referidos segurados, constitui remuneração, integrando base de cálculo de contribuição social, ainda mais quando referidos valores são distintos para cada beneficiário, sinalizando variação segundo a natureza e quantidade do trabalho executado. Temos também uma Ementa do TRF4 (vide item 23 do Relatório Fiscal) que diz que para que tais valores não fossem caracterizados como remuneração era necessário que a apelante comprovasse que as verbas serviam apenas para subsistência dos pastores, e que não dependiam da natureza ou da quantidade do trabalho prestado, e que os demonstrativos apresentados indicam exatamente o contrário, pois verificase a existência de grandes disparidades entre valores pagos. Por amostragem, conforme planilhas, verificamos que os valores pagos mensalmente em sua maioria não sofrem variações durante o ano, que existem variações quando o membro troca de localidade e também que alguns membros receberam em dobro no mês de dezembro. (grifei) Vêse, assim, que a fiscalização incorporou na fundamentação de suas conclusões o entendimento judicial a que se refere, no sentido de necessidade de comprovação de que as verbas servissem apenas para a subsistência dos pastores, como razão adicional para a constituição do crédito tributário lançado. De sua parte, a DRJ apenas aprofundou, nas suas considerações (fls. 1735/1738), a abordagem da fiscalização, sem inovar ou trazer argumento desconexo aos mencionados, de modo tal que pudesse implicar cerceamento de defesa ou nulidade por outro motivo da decisão guerreada. Cabe rejeitar, por conseguinte, a nulidade postulada, acompanhandose a relatora nas questões de mérito. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1812DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000542/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IMPOSTO TEMPESTIVAMENTE PAGO. FALTA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE.
Incabível a aplicação de penalidade por lançamento de ofício em relação a tributo pago dentro do prazo legal, ainda que não tenha sido declarado. Neste caso, o tributo pago deve ser deduzido do lançado.
Numero da decisão: 2201-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário .
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário . (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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FALTA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. Incabível a aplicação de penalidade por lançamento de ofício em relação a tributo pago dentro do prazo legal, ainda que não tenha sido declarado. Neste caso, o tributo pago deve ser deduzido do lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário . (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 42 /2 00 7- 45 Fl. 956DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls 945/953) apresentado em face do Acórdão nº 1729.117, da 7ª Turma da DRJ/SPOII (fls 929/936), que negou provimento à impugnação parcial apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração (fls 8/11) pelo qual se exigiu dele imposto de renda relativo aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Tendo tomado ciência do auto de infração em 05/12/2007 (fl 862), o contribuinte efetuou o recolhimento do imposto, da multa e dos juros de mora relativos aos exercícios 2004 e 2005 (DARF a fls 875/878, valores lançados a fls 13/14). Quanto ao exercício 2003, o contribuinte efetuou o recolhimento em 03/01/2008 da importância de R$ 3.501,53, no qual R$ 1.665,10 corresponde ao principal (fls 874) e, em relação ao saldo remanescente, alega que, embora tenha entregue sua Declaração de IRPF/2003 com valores zerados (fls 842/845), efetuou em 30/04/2003 o pagamento do imposto que considerou devido no valor de R$ 18.775,28 (fl 873). Em vista disso, pleiteou a declaração de que a exigência desse valor seria insubsistente, assim como as multas aplicadas sobre ele, parte em 75% e parte em 150%. Tendo tomado ciência da decisão que negou provimento ao seu apelo em 07/01/2009 (fls 943), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário a este Conselho em 06/02/2009 (fls 944), alegando, em síntese, que: o valor exigido em relação ao anocalendário 2002 já foi integralmente pago pelo contribuinte, R$ 18.775,28 em 30/04/2003 (fl 873) e R$ 3.501,53 em 03/01/2008 (fl 874); a ausência dos valores na declaração de 2003 não trouxe prejuízo ao fisco já que foi realizado o pagamento; não houve dolo, fraude ou simulação. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora A controvérsia submetida à análise deste Conselho restringese a definir os efeitos sobre o lançamento fiscal dos valores que foram pagos pelo contribuinte a título de IRPF dentro do prazo legal, contudo sem que tenha havido a correspondente declaração dos rendimentos tributáveis. Penso que deve ser aplicada à hipótese em questão o que prescreve o seguinte dispositivo do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 957DF CARF MF Processo nº 15956.000542/200745 Acórdão n.º 2201003.832 S2C2T1 Fl. 957 3 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Pela literalidade do dispositivo, o lançamento por homologação caracterizase pelo dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e operase pela homologação realizada por esta. Neste caso, os atos anteriores à homologação devem ser considerados na apuração do saldo devido, na imposição da penalidade ou sua graduação. O pagamento realizado pelo sujeito passivo, no caso, não apenas implica confissão do valor devido, mas também extingue o crédito tributário sob condição de sua ulterior homologação pela autoridade fiscal. Devese atentar ainda para o que estabelece a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, base legal para a imputação da penalidade aplicada: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Se, com base nesse dispositivo, a existência de declaração realizada pelo contribuinte desacompanhada do pagamento do tributo confessado já constitui obstáculo suficiente à aplicação de penalidade, com mais razão deve ser atribuído o mesmo efeito ao pagamento do tributo desacompanhado da declaração. Fl. 958DF CARF MF 4 Com base no exposto, entendo que não apenas a autoridade fiscal deveria ter aproveitado de ofício o pagamento espontaneamente realizado pelo contribuinte dentro do prazo legal, como esse pagamento constituía obstáculo para aplicação de qualquer penalidade por lançamento de ofício. Há que se mencionar, ainda, o seguinte precedente proferido pela primeira seção de julgamento deste CARF no Acórdão nº 1201001.235, Sessão de 9 de dezembro de 2015, Relator o Conselheiro Marcelo Cuba Netto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Incabível a lavratura de auto de infração para exigência de tributos não declarados e pagos em atraso, mas antes de cientificado o sujeito passivo do início da ação fiscal. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe integral provimento. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.916027/2011-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.544
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.916027/201144 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.544 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 60 27 /2 01 1- 44 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.429. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.916027/201144 Acórdão n.º 3302004.544 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.002991/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em converter o julgamento em diligência para aferir a divergência entre a data de carimbo aposta no recurso voluntário e a data relativa ao termo de juntada do recurso voluntário.
[assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em converter o julgamento em diligência para aferir a divergência entre a data de carimbo aposta no recurso voluntário e a data relativa ao termo de juntada do recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. RELATÓRIO Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte com o objetivo de sanar suposta obscuridade no acórdão embargado nº 3302.002.928, de 09 de dezembro de 2015, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 02 99 1/ 20 05 -8 5 Fl. 828DF CARF MF Processo nº 13811.002991/200585 Resolução nº 3302000.661 S3C3T2 Fl. 829 2 Efetivase a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Através de Embargos de Declaração, argui a Embargante suscitando obscuridade, visto que o voto condutor, valendose da redação atribuída pela Lei n° 12.844/13 à alínea "b", do inciso III, do § 2o, do art. 23, do Decreto n° 70.235/72, considerou que a intimação do acórdão da DRJ teria ocorrido quando a Embargante acessou a decisão em sua caixa postal, em 25/02/2013, iniciandose o prazo para interposição do recurso em 26/02/2013, de forma que sua apresentação em 02/04/2013 estaria intempestiva. Destaca ainda que são obscuras as razões do voto condutor do r. acórdão, tendo em vista que a Lei n° 12.844/13 passou a vigorar apenas em 19/07/2013, portanto, posteriormente à interposição do recurso voluntário em análise que, frisese, ocorreu em 02/04/2013. Ao final pleiteia a embargante que seja sanada a obscuridade, atribuindose efeitos infringentes aos presentes embargos, para seja reconhecida a tempestividade do recurso voluntário interposto e consequentemente, apreciadas as razões recursais. Com base nas razões aduzidas, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o Presidente da 2ª TO/3ª Seção/CARF admitiu os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. É o relatório. VOTO Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de obscuridade. Assiste razão à Embargante, visto que embora esteja registrado que o contribuinte tenha tomado ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no dia 25/02/2013 (segundafeira), fl.506, prevalece no caso a ciência por decurso de prazo que ocorreu em 01/03/2013, conforme o Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fl.507 visto que a Lei nº 12.844, de 2013 que dispôs sobre a efetividade da intimação na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto no 1inciso III, alínea "a" do § 2º do art. 23 do 1 III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 829DF CARF MF Processo nº 13811.002991/200585 Resolução nº 3302000.661 S3C3T2 Fl. 830 3 Decreto nº 70.235, de 1972, foi publicada no DOU de 19/07/2013, sendo portanto incabível a geração pelo sistema do Termo de Abertura de Documento, fl. 506 para fins de efetividade da ciência nele consignada Ocorre que observase dos autos as seguintes datas conforme os atos processuais indicados: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO fl.507: Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 14/02/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 01/03/2013 TERMO DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA fl.508: Solicito a juntada dos documentos seguintes ao processo supracitado: RECURSO VOLUNTÁRIO DATA DE EMISSÃO: 09/05/2013 09:59:40 por TATIANE DA SILVA GUIMARAES CERQUEIRA Com efeito, à fl.510 consta um carimbo de recepção, com data de 02/04/2013 do Recurso Voluntário pelo CAC/PAULISTA/DERAT/SP. Cumpre destacar as disposições normativas, quanto às formas de intimação e a efetivação destas para fins de contagem dos prazos processuais, vigentes à época dos atos processuais acima citados: · Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei). “Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. (grifei). a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifei). Fl. 830DF CARF MF Processo nº 13811.002991/200585 Resolução nº 3302000.661 S3C3T2 Fl. 831 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei). (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei). § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifei). · Portaria MF nº 527, de 09 de novembro de 2010: Art. 1º A elaboração e o encaminhamento de atos e termos processuais em forma eletrônica serão realizados, no âmbito do Ministério da Fazenda (MF), conforme o disposto nesta Portaria. Art. 3º Será considerada como data de protocolo da impugnação, do recurso e dos documentos apresentados eletronicamente a data e hora Fl. 831DF CARF MF Processo nº 13811.002991/200585 Resolução nº 3302000.661 S3C3T2 Fl. 832 5 de recebimento dos dados pelo centro virtual dos órgãos do MF disponível na Internet.(grifei) § 1º O recebimento pelo centro virtual a que se refere o caput será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput.(grifei) Estando demonstrado que o contribuinte tomou ciência do Acórdão de Impugnação em 01/03/2013, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo, fl. 507, correspondente ao 15º (décimo quinto dia) contado da data da disponibilização na Caixa Postal em 14/02/2013, conforme prevê o art. 23, § 2º, III, "a" do nº 70.235, de 1972, norma vigente à época da apresentação do Recurso Voluntário, a apresentação em 09/05/2013 do referido recurso de fls. 509/640 através do Termo de Solicitação de Juntada, fl. 508 é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim prevê: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.(grifei). No entanto, à fl.510 consta um carimbo de recepção, com data de 02/04/2013 do Recurso Voluntário pelo CAC/PAULISTA/DERAT/SP. Assim, diante da divergência de datas e em face das disposições do art. 3º e §§ 1º e 2º da Portaria MF nº 527, de 2010 acima transcritos, para aferição da tempestividade do recurso voluntário apresentado eletronicamente, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora, no âmbito de sua competência, conferida pelos artigos 224 e 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, justifique a divergência acima constatada. Após ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação de inconformidade no tocante às conclusões da diligência proposta, devolvase o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 2 Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Parágrafo único. Quando o ato for praticado por meio eletrônico, a administração tributária poderá atribuir o preparo do processo a unidade da administração tributária diversa da prevista nocaputdeste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 832DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720614/2014-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 61 4/ 20 14 -7 2 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 412 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SP1, em sessão de 12 de maio de 2016 (fls. 306/310)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora, não reconhecendo o “Pedido de Restituição – PER” (PER/DCOMP nº 35752.98246.271213.1.2.026538 fls. 281), em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de contribuição social apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo o DD (fls. 281), a manifestação da Autoridade competente foi assim expressa: “Indefiro o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado, uma vez que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido”. Confirase: Irresignado, o interessado acostou manifestação de inconformidade (fls. 142/151) alegando tratarse de direito creditório remanescente do PER/DCOMP nº 27681.09281.300909.1.3.020788, com valor total de R$ 11.906.909,79, do qual só teria 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 412DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 413 3 aproveitado R$ 4.090.829,54, restando a seu favor o montante de R$ 7.816.080,25 (todos em valores originais, sem Selic). Para comprovar suas alegações, apresentou documentos que entendeu pertinentes e resumiu o pleito (fls. 143): Sequencialmente, refutou os dizeres do DD de que teria se aproveitado em duplicidade do mesmo crédito e apresentou novo quadro demonstrativo (fls. 144): Destacou, ainda, ter recolhido a estimativa de dezembro de 2008 com o código 2430, quando o correto deveria ser 2362, o que teria gerado inconsistência no momento da análise do pedido formulado. Apreciando a MI, a DRJ pontuou (fls. 306/310): “O presente pleito foi indeferido, pois o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, tratou de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido. Apenas, os créditos líquidos e certos, conforme determina o art.170 do CTN podem ser deferidos pela autoridade fiscal, não cabendo qualquer acréscimo no direito creditório sem a prova inequívoca de sua existência. (...) Qualquer inconsistência na informação de dados nas declarações deverá ser comprovada por meio de documentação hábil e idônea. A contribuinte alega que o presente pedido faz referência ao valor remanescente de direito creditório de IRPJ do anocalendário de 2008, pois apenas parte do saldo negativo foi informado na PER/DCOMP do crédito original. O direito creditório total do ano calendário de 2008 foi apreciado pela autoridade administrativa em Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 414 4 pedido pertinente, conforme exposto no Despacho Decisório, portanto, não cabendo qualquer apreciação neste PAF. Quanto à questão da estimativa do PA de 12/2008 ter sido erroneamente informado com o código 2430, quando, na verdade, deveria ter sido preenchido com o código 2362 bem como sua respectiva DCTF não cabe manifestação neste PAF. O acréscimo de direito creditório não poderia ser efetuado no PAF, o qual trata do crédito original”. Finalmente, acerca da jurisprudência juntada, asseverou o voto condutor não ser possível estendêla ao caso concreto, “eis que são estritamente aplicáveis ao contencioso administrativo dos processos administrativos relacionados aos referidos acórdãos e tãosomente se vinculam aos fatos e as partes envolvidas naqueles litígios”. Para concluir: “Diante dos fatos acima expostos, VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE bem como NÃO HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES correlatas ao crédito remanescente de IRPJ ora não reconhecido”. Mais uma vez insatisfeito com o desfecho do pleito, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 337/352) articulando basicamente as mesmas linhas de defesa e juntando mais documentos que entendeu cabíveis, finalizando por requerer o provimento do pedido ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência para melhor elucidação dos fatos. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 415 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 01/06/2016 – fls. 317 – protocolização do RV em 21/06/2016 – fls. 408), a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 353/365), e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. O litígio diz respeito a possível saldo remanescente de direito creditório do recorrente, não reconhecido pela Autoridade que exarou o DD, e se resumiriam à seguinte posição (MI fls. 144): Segundo o DD, o pedido foi indeferido porque “se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido”. De seu turno, a decisão recorrida assentou que “O direito creditório total do ano calendário de 2008 foi apreciado pela autoridade administrativa em pedido pertinente, conforme exposto no Despacho Decisório, portanto, não cabendo qualquer apreciação neste PAF” e, “Quanto à questão da estimativa do PA de 12/2008 ter sido erroneamente informado com o código 2430, quando, na verdade, deveria ter sido preenchido com o código 2362 bem como sua respectiva DCTF não cabe manifestação neste PAF. O acréscimo de direito creditório não poderia ser efetuado no PAF, o qual trata do crédito original”. Em contraponto, o recorrente argui que, do valor original presente no Processo Administrativo nº 16327.901495/201376 PER/DCOMP nº 27681.09281.300909.1.3.020788 (R$ 11.906.909,79), teria se aproveitado tão somente de R$ 4.090.829,54, restando a seu favor o montante de R$ 7.816.080,25 (todos em valores originais, sem Selic). Compulsando os autos, confirmamse algumas das colocações feitas pelo recorrente, como, por exemplo, o valor do saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2008 (DIPJ – fls. 200 – Ficha 12A linha 20): Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 416 6 No mesmo caminho PER/DCOMP (fls. 404): Ibidem (fls. 405): Em suma, o recorrente sustenta que o saldo negativo seria de R$ 11.906.909,79, do qual teria aproveitado somente R$ 4.090.829,54, restando R$ 7.816.080,25 (sempre em valores originais) a seu favor. Para dar suporte às suas alegações, acrescenta que as estimativas pagas/compensadas teriam sido suficientes para adimplir o IRPJ apurado – R$ 8.154.953,10 (quadro abaixo – RV – fls. 348) remanescendo, portanto, o montante supra de 11,9 milhões (fruto de retenções na fonte) como valor indevido e passível de ser compensado com outros débitos de sua responsabilidade junto à Fazenda Federal. Também posiciona ter incorrido em “erro na indicação de código de recolhimento no DARF preenchido para quitação da estimativa referente a dezembro, de vultoso valor (R$ 3.372.043,48). Em lugar de indicar o código de recolhido de estimativa nº 2362, o documento seguiu com o código nº 2430, que diz respeito ao pagamento do IRPJ de ajuste anual” Informações coletadas e resumidas no quadro que o recorrente estampou em seu recurso voluntário (fls. 348): Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 417 7 Número consistente com a DIPJ (fls. 200): Ø R$ 3.406.395,22 (+) R$ 4.748.557,88 (=) R$ 8.154.953,10 Pois bem, com todas estas variáveis presentes, vejo que não são suficientes para o deslinde do litígio, as informações e documentos presentes nos autos, exigindo maior aprofundamento nas pesquisas junto aos bancos de dados da RFB, atividade vedada aos Conselheiros do CARF, mas plenamente permitida à Unidade de origem e à DRJ. Nesse sentido, é imperioso definir de vez se as alegações do recorrente têm sustentação e se – REALMENTE – ainda seria detentor de direito creditório remanescente surgido por saldo negativo de IRPJ no AC/2008 no valor original de R$ 7.816.080,25 como por ele sustentado ou se, como consta do DD, tratarseia de “matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido”. Para tanto, indispensável a conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a Autoridade responsável pela apreciação do pedido, no caso, a Unidade de origem que jurisdiciona o recorrente, esclareça: i) se o recolhimento que teria feito o recorrente R$ 3.372.043,48 .sob o código 2430 realmente existiu e, se positivo, se deveria ter sido realizado sob código 2362; ii) ainda em caso de resposta positiva no item precedente, se seria possível sua alocação correta como estimativa paga e permitido seu Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16327.720614/201472 Resolução nº 1402000.448 S1C4T2 Fl. 418 8 aproveitamento para adimplir o IRPJ apurado no anocalendário de 2008 (Ficha 12A – linha 18); iii) da mesma forma, se as compensações informadas de R$ 4.748.557,88 restariam confirmadas e, em caso de resposta positiva, se seria possível seu aproveitamento para adimplir o IRPJ apurado no anocalendário de 2008 (Ficha 12A – linha 18); iv) se, do importe original requerido de R$ 11.906.909,79, ainda restariam valores remanescentes favoráveis ao recorrente e, se positivo, qual o montante; v) caso entendido necessário, seja intimado o recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos devidos; vi) após estas providências, elabore relatório circunstanciado detalhando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios; vii) do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no item “vi” (anterior), cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul para prosseguimento de seu julgamento. É como voto. Brasília (DF), 17 de agosto de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 418DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.000515/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/06/2006, 12/06/2006, 14/06/2006
AUSÊNCIA OBJETO RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS.
Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário que não apresenta divergência quanto à decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-004.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/06/2006, 12/06/2006, 14/06/2006 AUSÊNCIA OBJETO RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário que não apresenta divergência quanto à decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/06/2006, 12/06/2006, 14/06/2006 AUSÊNCIA OBJETO RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário que não apresenta divergência quanto à decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 05 15 /2 00 6- 18 Fl. 241DF CARF MF 2 De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para a cobrança de Imposto de Importação II, de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, de COFINS Importação e de PIS/PASEP Importação, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício, além de multas pela apresentação de fatura comercial em desacordo com as indicações do regulamento e pela prestação inexata de informação de natureza administrativo tributária. Como indicado pela fiscalização no Relatório Fiscal, deixou a empresa importadora de incluir no cômputo do valor aduaneiro os valores relativos ao direito de licença (royalties). Conforme indicado na informação fiscal das efls. 66/67, a empresa procedeu com o depósito administrativo dos valores autuados para a liberação das mercadorias retidas, conforme guias de depósito realizadas em 07/07/2006 às efls. 48/52 e complementações em 19/07/2006 às efls. 58/65. Como indicado naquela informação: "Tratase de processo administrativo fiscal de acompanhamento do crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração no 0117600/00007/06, contra o interessado acima discriminado. O crédito em questão foi apurado durante o despacho aduaneiro de três Declarações de Importação. O interessado apresentou os comprovantes de depósito administrativo anexados As fls. 46 a 50 e solicitação de entrega das mercadorias. Os depósitos foram comprovados no Sistema Sinal (fls.51 a 55) e perfazem os valores exigidos no auto, já consideradas as reduções de multas previstas na legislação, mas sem o acréscimo de juros de mora, previsto no artigo 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. 0 texto de intimação do auto de infração previa que os débitos teriam seus montantes recalculados na data do efetivo pagamento, de acordo com a legislação aplicável. Orientado a sanar esta insuficiência, o interessado apresentou os depósitos administrativos de fls. 56 a 59. (...) Assim, encaminhese ao Gabinete, com sugestão de autorização de entrega." (efls. 66/67) Após a liberação das mercadorias, foi apresentada Impugnação Administrativa parcial, julgada improcedente pelo Acórdão n.º 0825.550 da 5ª Turma da DRJ/FOR: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/06/2006, 12/06/2006, 14/06/2006 VALOR DA TRANSAÇÃO. ACRÉSCIMO DAS QUANTIAS PAGAS A TITULO DE ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Na determinação do valor aduaneiro com base no método do valor de transação deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada os royalties e os direitos de licença relacionados com a mercadoria objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessa mercadoria. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, consolidandose administrativamente o correspondente crédito tributário (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17). Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10111.000515/200618 Acórdão n.º 3402004.315 S3C4T2 Fl. 242 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 186) Intimada desta decisão em 14/06/2013, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 12/07/2013 no qual concorda com os termos da decisão recorrida, mostrando irresignação somente quanto ao valor atualizado do processo, por desconsiderar a existência dos depósitos administrativos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Atentandose para o Recurso Voluntário, vislumbrase que inexiste matéria controvertida nos presentes autos, não cabendo o seu conhecimento. Com efeito, a Recorrente reconhece a validade da decisão recorrida, não apresentando qualquer irresignação jurídica quanto à autuação. Sua inconformidade se respalda apenas no valor do extrato atualizado do processo. Vejamos pelo seguinte trecho da peça (efl. 206): Ora, uma vez realizado o depósito administrativo do valor integral autuado em julho/2006, devidamente complementado com o valor dos juros devidos conforme Fl. 243DF CARF MF 4 orientação fiscal para a liberação das mercadorias, cabe agora apenas a conversão dos valores depositados em renda na forma do art. 156, VI, do Código Tributário Nacional: " Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VI a conversão de depósito em renda;" Na fase de liquidação do presente processo, os valores depositados administrativamente serão considerados para quitar a autuação. Ainda que o depósito interrompa os efeitos da mora na forma do art. 9º, §4º da Lei n.º 6.830/80 (Lei de Execuções Fiscais), os valores autuados somente serão extintos após a conclusão do processo administrativo e a efetiva conversão em renda. Desta forma, inexistindo matéria controvertida nos presentes autos, tendo a Recorrente concordado com os termos da decisão recorrida, não conheço do Recurso Voluntário, devendo o presente processo retornar a origem para liquidação considerando os depósitos administrativos acostados aos presentes autos. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722556/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA.
É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico.
Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72).
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considera-se feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. VALIDADE. DATA DA CIÊNCIA. É válida a intimação por meio eletrônico quando o contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Considerase feita a intimação, por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes (art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 56 /2 01 2- 21 Fl. 568DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 569 2 Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 19515.722556/201221, em face do acórdão nº 1656.705, julgado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), na sessão de julgamento de 1º de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "DA AUTUAÇÃO 1. Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 51.013.4491, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no inciso II do artigo 22 da Lei nº 8212/91. 1.1 O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 7.012.876,91 (sete milhões, doze mil e oitocentos e setenta e seis reais e noventa e um centavos), abrangendo as competências 12/2009 e 13/2009, consolidado em 29/11/2012. 1.2 O Relatório Fiscal de fls. 62 a 65 informa, em síntese, que: 1.2.1 Na fiscalização designada através do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.190.002012041512, foi detectado que o Contribuinte recolheu, para as competências 12/2009 e 13/2009, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) com alíquota de 1% incidente sobre o salário de contribuição dos segurados empregados, da matriz e filiais; 1.2.2 Entretanto, a alíquota correta é de 3%, de acordo com seu enquadramento referente à atividade desenvolvida pela empresa – Transporte aéreo de passageiros e cargas; 1.2.3 Deste modo, sobre a base de cálculo foi aplicada a alíquota de 2%; Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 570 3 1.2.4 Os documentos examinados foram as GFIP´s – Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, e Guias de Recolhimento; 1.2.5 A situação descrita configura, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso III, do Código Penal – DecretoLei nº 2848/1940, com redação dada pela Lei nº 9983/2000. Portanto, será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis; 1.2.6 Além da presente autuação foram lavrados o Auto de Infração nº 37.313.7427, referente a contribuições destinadas ao Fundo Aeroviário, e a RFFP – Representação Fiscal para Fins Penais. 1.3 Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao Auto de Infração de fl. 27: Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização, de fls. 02 a 03; Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, de fl. 04; Termos de Início de Fiscalização, de Reintimação, e de Informação Fiscal, de fls. 05 a 07; IPC – Instruções para o Contribuinte, de fls. 24 a 25; Relatório de Vínculos, de fl. 26; DD – Discriminativo do Débito, de fls. 28 a 46; FLD – Fundamentos Legais do Débito, de fls. 47 a 48; RL – Relatório de Lançamentos, de fls. 49 a 61; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fl. 66. DA IMPUGNAÇÃO 2. Tendo sido cientificada do Auto de Infração em 30/11/2012, fl. 27, a Autuada, por meio de seu procurador, interpôs tempestivamente, conforme despacho de fl. 103, a Impugnação de fls. 69 a 92, com a juntada de documentos de representação, fls. 93 a 96, e Atas de Assembléia, fls. 97 a 99. 2.1 Requer, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do Auto de Infração até o julgamento final e definitivo do processo administrativo. 2.2 Após, alega, em síntese, que: Da Tempestividade 2.2.1 A Impugnante tomou ciência do Auto de Infração em 30/11/2012, sextafeira, com termo final do prazo para apresentação da defesa em 02/01/2013, quartafeira, nos termos do artigo 15 do Decreto nº 70.235/72. 2.2.2 Por esta razão, a defesa é claramente tempestiva, vez que sua apresentação foi realizada dentro desse período. Resumo dos Fatos e da Autuação 2.2.3 Cita o artigo 22, inciso II, da Lei nº 8212/91, e afirma que a referida ordem legal é muitas vezes mal interpretada, causando insegurança ao Contribuinte no tocante à forma de Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 571 4 aferição de sua atividade preponderante, e ainda equívoca da autoridade fiscal. 2.2.4 De acordo com a legislação pertinente, a Impugnante realizou o autoenquadramento no grau de risco leve (1%), para fins de recolhimento do SAT. 2.2.5 Contudo, após ação fiscalizatória promovida pela Receita Federal do Brasil, foi indevidamente lavrado o presente Auto de Infração, que aponta irregularidades da empresa no tocante aos recolhimentos realizados a título de SAT nas competências 12/2009 e 13/2009. 2.2.6 A fim de resguardar o direito do Contribuinte, indispensável trazer à tona a correta forma de aferição do grau de risco da atividade dos contribuintes para o recolhimento da contribuição em comento, bem como a nulidade da exigência fiscal, com o que o Auto de Infração restará insubsistente. Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração 2.2.7 O inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212/91 indica três alíquotas de SAT – 1%, 2% ou 3% identificadas pelo grau de risco da atividade preponderante do estabelecimento. Enquanto que os estabelecimentos com grau leve são tributados em 1%, aqueles com graus médios e graves contribuem, respectivamente, com 2% e 3% para o SAT. 2.2.8 O sentido “atividade preponderante” utilizado no art. 22 da Lei nº 8.212/91 foi definido pelo Decreto nº 3.048/99 em seu art. 202, que através do §3º considerou “atividade preponderante” a atividade que ocupa, no estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. 2.2.9 Estas prescrições também foram regulamentadas internamente pela IN RFB nº 971/2009. 2.2.10 O art. 72 da referida IN revela a intenção da RFB em atribuir ao contribuinte a responsabilidade pela realização de seu autoenquadramento. 2.2.11 De outro lado, a definição do sujeito passivo do GILRAT coube ao Superior Tribunal de Justiça, que através da Súmula nº 351, atribuiu a condição de contribuinte do SAT ao estabelecimento da empresa, desde que dotado de CNPJ próprio (transcreve). 2.2.12 Assim, a posição jurisprudencial confirmou o dado legal, que impõe deveres instrumentais ao estabelecimento dotado de CNPJ. Fosse o contribuinte do SAT a empresa, como um todo, não haveria razoabilidade em atribuir deveres instrumentais ao estabelecimento. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 572 5 2.2.13 Com isso, temos que a definição da alíquota do SAT pressupõe, portanto, duas etapas: i) identificação do estabelecimento pelo CNPJ próprio; ii) aferição da atividade econômica que prepondera, em quantidade de empregados e trabalhadores avulsos, no estabelecimento identificado na primeira etapa. 2.2.14 Contudo, em sentido diverso, prevê a alínea “c” do inciso I do §1º do art. 72 da IN 971/2009, a sujeição tributária à empresa, apesar da existência de estabelecimentos com CNPJ próprio, o que contradiz o entendimento firmado pelo STJ (Súmula 351) sobre o Decreto nº 3.048/99. 2.2.15 A IN altera drasticamente a forma legal de aferição e de enquadramento das alíquotas GILRAT/SAT, além de desfigurar o princípio da independência dos estabelecimentos para aferição da alíquota de SAT, invade a competência legislativa, mais uma vez, excluindo os funcionários empregados em atividades meio do cálculo para verificação da atividade preponderante do contribuinte. 2.2.16 A diferença entre os métodos legal e administrativo (IN) enseja insegurança jurídica, e culmina na aplicação, pelo Fisco, do método previsto na IN RFB nº 971/09, em detrimento do método legal, como ocorreu na presente autuação. 2.2.17 A IN que avança o limite do texto regulamentado, criando princípio de direito material, estendendo ou restringindo benefício, taxando proibição exemplificativa e viceversa, transformando dispositivo interpretativo em regra impositiva, é ilegal, senão inconstitucional (transcreve renomado jurista). 2.2.18 A interpretação utilizada na regulamentação deve observar o método inerente ao contexto regulado. O CTN é que cuida da definição do método, restringindo quando a ampliação importar em majoração. Assim, inadmissível a utilização de método que negligencie a lei, ainda que esteja previsto em norma infralegal. 2.2.19 Não há que se falar, portanto, em recolhimento a menor a título de SAT, posto que o AI não apresenta fundamentação legal aplicável ao caso, devendo ser considerado nulo. Da Identificação da Atividade Preponderante 2.2.20 A imputação refletida no Auto de Infração não representa uma pormenorização dos enunciados legais. Sequer é capaz de demonstrar que a Impugnante deixou de seguir o modelo de apuração de alíquota do SAT previsto na lei. 2.2.21 Nesse passo, impõese a constatação pelo Fisco de que, na forma da legislação pertinente, o grau de risco legalmente aplicável à Impugnante no período apontado pelo presente AI é leve, sujeito, portanto, à alíquota de 1%. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 573 6 2.2.22 Conforme já explicitado, o Decreto nº 3.048/99 determina que a atividade preponderante será identificada pela atividade que ocupa o maior número de empregados e trabalhadores avulsos. 2.2.23 O método enunciado permite que a atividade preponderante seja diversa da atividade econômica. Tal observação é crucial no caso em tela, sobretudo conquanto a lei e o decreto conferem à atividade preponderante, essa tarefa. 2.2.24 Na forma prescrita pelos parágrafos 4º e 5º do art. 202 do RPS, temos que o Anexo V, que introduziu a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco tem caráter exemplificativo, servindo a instruir o contribuinte na realização do autoenquadramento. 2.2.25 De outra forma não poderia ser, conclusão que se constata a partir de uma simples reflexão sobre a referida lista. Nela, o Executivo pretendeu elencar todas as atividades desenvolvidas pelas empresas em território nacional, imputando a cada uma determinado grau de risco. 2.2.26 Importante destacar que no referido anexo não foram informados quaisquer critérios que instruíram essa imputação, sobretudo as centenas de laudos técnicos especializados que seriam imperativamente necessários para embasar tal associação. 2.2.27 Os critérios técnicos que informam a determinação do grau de risco não podem ser presumidos pelo INSS, ou se forem, devem respeitar o princípio da verdade material e da razoabilidade. 2.2.28 A conclusão inexorável é de que é impossível aferir a existência de qualquer critério técnico quando da determinação dos graus de risco inerentes às diferentes atividades constantes da lista. 2.2.29 Em consequência, é dever do contribuinte se auto enquadrar em uma das três hipóteses prescritas, Porém, não apenas seguindo a alíquota correspondente à atividade fim da empresa, mas através do enquadramento jurídico ora ventilado. 2.2.30 Por tais razões, a Impugnante realizou o auto enquadramento lastreado nas já mencionadas Instruções Normativas e nos decretos previdenciários que cuidam da matéria, a partir de estudo detalhado da normatização em questão e com a constatação pormenorizada das atividades desenvolvidas por seus empregados e a respectiva preponderância, conforme demonstra a documentação anexa. 2.2.31 Apresenta Gráfico Geral de Funções e respectivos graus de risco, à fl. 81, e aduz que mesmo segregandose cada um dos estabelecimentos, a maioria dos empregados da empresa (67,81%) estão alocados em departamentos e funções que os Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 574 7 expõem a um grau leve de risco, o que determina a atividade preponderante para fins previdenciários. 2.2.32 Pelo demonstrado, na forma da legislação pertinente, o grau de risco legalmente aplicável à totalidade dos valores que compõem a base de cálculo da ora Impugnante é leve, sujeito à alíquota de 1%. 2.2.33 Convém mencionar que o autoenquadramento realizado pela Impugnante encontrase em perfeita consonância com o entendimento dos tribunais administrativos (transcreve julgados). 2.2.34 No mesmo sentido é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2.2.35 Ressaltese que este entendimento deve ser obrigatoriamente seguido pelas autoridades administrativas, visto que o Ministério aprovou, no final de 2010, alterações no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dentre as quais se destaca a obrigatoriedade de aplicação do entendimento exarado pelos tribunais superiores às decisões dos processos administrativos. 2.2.36 Portanto, não há como prosperar o Auto de Infração, devendo ser reconhecida a possibilidade de compensação dos valores recolhidos a maior referentes ao GILRAT, bem como o recolhimento à alíquota de 1% no período questionado. Dos Laudos Técnicos 2.2.37 Discorre sobre as características do LTCAT e argumenta que da análise dos laudos elaborados para a matriz e suas filiais, observase que as atividades exercidas pela empresa, em geral, não expõem seus funcionários a agentes nocivos. 2.2.38 E nas hipóteses em que se verifica a existência deste agentes, como por exemplo ruído e radiação, a exposição é neutralizada pelas medidas de controle existentes, pois com a utilização de equipamentos de proteção individual, os funcionários não ficam sujeitos a qualquer tipo de risco no ambiente de trabalho. 2.2.39 Assim, os laudos técnicos demonstram que o enquadramento da empresa deve ser de risco leve, sendo insubsistente o Auto de Infração. O Ônus da Prova no Processo Administrativo 2.2.40 Consoante restou demonstrado, a Impugnante efetuou o autoenquadramento nos graus de risco do GILRAT com base em estudo detalhado da legislação atinente à matéria, bem como a partir da constatação pormenorizada das atividades por meio de laudos previdenciários (LTCAT). 2.2.41 Importante frisar que, no presente caso, não existe a necessidade de produção destas provas pela Impugnante, visto que se trata de autoenquadramento, cabendo à autoridade fiscal Fl. 574DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 575 8 somente a revisão do lançamento, conforme prescrito pelo §5º do art. 202 do RPS. 2.2.42 Distinta, contudo, é a posição da Fazenda, à qual incumbe realizar a produção de prova em contrário sempre que discordar do autoenquadramento realizado pelo contribuinte. 2.2.43 Transcreve doutrina sobre o ônus probatório, cita o artigo 9º do Decreto nº 70235/72, e conclui que incumbe à Fazenda o dever de consubstanciar suas alegações. 2.2.44 Não foi o que ocorreu. Em nenhum momento a autoridade administrativa trouxe aos autos qualquer elemento comprobatório capaz de demonstrar, de maneira contundente, o enquadramento da atividade preponderante da empresa no grau de risco médio do GILRAT, seja pela elaboração de organograma e a devida alocação de funcionários e seus respectivos graus de risco, seja pela elaboração de um laudo similar ao LTCAT. 2.2.45 Imperioso, portanto, o cancelamento do Auto de Infração. A Verdade Material no Processo Administrativo 2.2.46 Consoante demonstrado, foram verificadas algumas irregularidades que devem ser sanadas, sem prejuízo para quaisquer das partes. A Impugnante manifesta sua crença no processo administrativo e acredita no seu funcionamento justo e imparcial, nos estritos lineamentos demarcados pelo Direito. 2.2.47 Mas disso não decorre que fatos inexistentes ou erros evidentes prosperem em detrimento da verdade material, devendo ser sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pela Fiscalização. Transcreve doutrina sobre o princípio da verdade material. 2.2.48 Assim, pleiteia a correção de erros formais e matérias. Reproduz ementa de julgado do CRPS. 2.2.49 Por essa razão, considerando que a Autoridade Autuante lavrou o presente Auto de Infração deixando de observar as diretrizes da legislação atinente ao GILRAT, e equivocandose na capitulação das irregularidades apontadas, impõese a correta interpretação da matéria que redundará no cancelamento do Auto de Infração. Do Pedido 2.3 Assim, requer a Impugnante: a) O acolhimento da preliminar suscitada, para que seja declarada a nulidade do Auto de Infração; b) Quanto ao mérito, requer o integral provimento da impugnação, para que seja julgado improcedente o Auto de Infração, com o consequente cancelamento do crédito tributário lançado; Fl. 575DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 576 9 c) Alternativamente, requer, principalmente, em atendimento ao art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, seja determinada a conversão em diligência do presente processo, a fim de que seja aferida a atividade preponderante da empresa no período que compreende o objeto do presente AI, uma vez que para o esclarecimento de tais pontos duvidosos, exigese conhecimentos especializados, a fim de se constatar o enquadramento jurídico da mesma, nos moldes da Lei nº 8.212/91 e Decreto nº 3.048/99, e com base no Ato Declaratório da PGFN nº 11/2011; d) Sem prejuízo de todo o alegado, a Impugnação protesta pela posterior juntada de documentação que eventualmente não tenha sido acostada à presente, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72; e) Que as intimações sejam expedidas sejam endereçadas ao advogado Dr. Marcos Paulo Caseiro, estabelecido na Rua Líbero Badaró, nº 293, 28º andar, Centro, São Paulo, CEP 01009000. DA DILIGÊNCIA FISCAL 3. Os autos foram convertidos em diligência, através dos despachos de fls. 104 a 118, para pronunciamento do Auditor Fiscal Autuante, quanto às alegações da empresa, devendo ser o Parecer/PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU em 15/12/2011 e o Ato Declaratório nº 11, emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e publicado em 20/12/2011. 3.1 Como resultado da diligência fiscal, foi elaborado o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 133/172, e o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal de fl. 176, concluindose pela necessidade de retificação do lançamento relativo aos estabelecimentos CNPJ´s 02.012.862/000917, 02.012.862/0061 09, e 02.012.862/008578. DA COMUNICAÇÃO DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL AO CONTRIBUINTE E DA ABERTURA DE PRAZO PARA SUA MANIFESTAÇÃO 4. O resultado da diligência fiscal foi, então, comunicado à empresa, em 24/01/2014 (fls. 172 e 176), tendo sido concedido prazo de 30 (trinta) dias para a sua manifestação. DA MANIFESTAÇÃO DA EMPRESA 5. A empresa apresentou, em 24/02/2014, a manifestação de fls. 179 a 192, acerca da diligência fiscal, deduzindo as alegações a seguir sintetizadas. Da Tempestividade 5.1 A Impugnante tomou ciência do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal no dia 24 de janeiro de 2014, sextafeira. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 577 10 5.2 Conforme determina o artigo 35 do Decreto nº 7.574/11, o prazo para apresentar manifestação contra a Diligência Fiscal em referência é de 30 dias, excluindose o dia do começo e incluindose o do vencimento. 5.3 Concluise, portanto, que o termo final do prazo pra apresentação da presente defesa expira no dia 24 de fevereiro de 2014, segundafeira. 5.4 Por essa razão, a presente manifestação é claramente tempestiva, vez que sua apresentação foi realizada dentro desse período. Da Diligência Fiscal Dos Fatos 5.5 Após breve relato sobre o procedimento de diligência fiscal, alega que apesar da Fiscalização entender pela necessidade de retificação do lançamento para os estabelecimentos 02.012.862/000917, 02.012.862/006109, e 02.012.862/008578, não houve a produção pericial requerida pela Impugnante em sua defesa, a fim de demonstrar, de forma técnica, o risco a que seus funcionários estão submetidos. 5.6 Sendo assim, considerando a autuação em trâmite, a fim de resguardar o direito do contribuinte, indispensável trazer à tona a correta forma de aferição do grau de risco da atividade dos contribuintes para o recolhimento da contribuição em comento. Do Direito Da Determinação do Grau de Risco e AutoEnquadramento 5.7 O Anexo V do Decreto nº 3048/99 buscou instruir o Contribuinte na realização do autoenquadramento. 5.8 Transcreve o artigo 202 do referido decreto e afirma que, para fins do enquadramento do grau de risco do GILRAT, é totalmente irrelevante a atividade fim desempenhada pelo Contribuinte, e sim sua atividade preponderante. Apresenta jurisprudência administrativa. 5.9 Assim, é possível a empresa analisar qual atividade ocupa maior número de funcionários, a fim de determinar sua atividade preponderante para efeito da incidência do GILRAT, segregados por estabelecimento. 5.10 Salienta que conforme demonstrado nos laudos que aferem as condições ambientais de trabalho da empresa, mesmo sendo constatada a existência de agentes nocivos, estes são neutralizados de maneira eficaz pelos equipamentos de proteção fornecidos pela empresa. Tal situação é totalmente convergente com o previsto no artigo 203 do Decreto nº 3048/99 (transcreve). 5.11 Deste modo, diante da prerrogativa conferida pela lei, em dezembro de 2009 a empresa realizou seu autoenquadramento no grau de risco, submetendose, então, a alíquota de 1%. Os Fl. 577DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 578 11 Anexos que acompanham o presente (Doc. 02) demonstram, de forma inequívoca, que o grau de risco dos estabelecimentos é leve, o que justifica a aplicação de 1% do SAT. 5.12 Afirma que a Diligência Fiscal não considerou a perícia técnica realizada pela Impugnante. O Ônus da Prova no Processo Administrativo 5.13 No presente caso, a Impugnante não necessita produzir provas , pois se trata de autoenquadramento (parágrafo 5º do artigo 202 do Decreto 3048/99). 5.14 Entretanto, cabe à Fazenda realizar a produção de prova em contrário sempre que discorde do autoenquadramento realizado pelo Contribuinte. Transcreve renomado jurista e cita o artigo 9º do Decreto nº 70235/72, para corroborar suas alegações. 5.15 No caso em tela, porém, a Autoridade Administrativa não trouxe elemento probatório capaz de demonstrar o enquadramento da atividade preponderante da empresa no grau de risco grave. 5.16 Assim, deve ser desconsiderada a Diligência Fiscal, por não estarem substanciadas as alegações do Fisco quanto ao autoenquadramento realizado pela Impugnante. Do Pedido 6. Ante todo o exposto, requer a Impugnante seja desconsiderada a Diligência Fiscal como instrumento para aferição do correto grau de risco de sua atividade, relativo ao recolhimento do SAT, sendo necessário, para tanto, verificar que: 6.i. a maioria dos funcionários estão alocados em departamentos sujeitos a um grau leve de exposição ao risco de acidentes do trabalho, conforme a própria presunção do INSS pelo Decreto 6.042/2007; 6.ii. a prova técnica elaborada pela Impugnante demonstra que as atividades exercidas pela empresa não expõem os seus funcionários a agentes nocivos, e quando remotamente ocorre, todos estão neutralizados pelo apropriado EPI – equipamento de proteção individual, ou pelo EPC – equipamento de proteção coletiva; 6.iii. o documento produzido na diligência fiscal não comprova o efetivo grau de risco, não se traduz em uma prova técnica como a elaborada pela Impugnante; é de suma importância a correta aferição do grau de risco com base em medições que aferem se há ou não a presença e/ou ação de determinado agente nocivo; e 6.iv. a RFB deve nomear um perito hábil a comprovar o exato grau de risco da Impugnante. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 579 12 7. A empresa anexa, à manifestação de inconformidade, os seguintes documentos: • Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral – CNPJ, fls. 233/235; • Planilhas e análise do LTCAT, relativas a dezembro de 2009, para os diversos estabelecimentos da empresa, às 236/455. É o relatório." A DRJ de origem julgou procedente em parte a impugnação apresentada. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 522/553, reiterando, quanto ao que foi vencido, as alegações expostas em impugnação, bem como apresentou preliminar quanto a tempestividade do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Tempestividade No presente caso, a ciência se deu por ciência eletrônica, conforme se verifica pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fl. 497: "Data da disponibilização na Caixa Postal: 23/07/2014 Data da ciência por decurso de prazo: 07/08/2014" Ainda, consta nos autos o Temo de Abertura de Documento, à fl. 496, o qual possui o seguinte teor: TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 25/07/2014 17:39h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Intimação de Resultado de Julgamento Relação de Créditos Tributários do Processo Darf Acórdão de Impugnação Comunicação Outros Reabertura da Lei 11941 de 27/05/2009 em 2014" Fl. 579DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 580 13 Em razão da não interposição de recurso no trintídio legal, foi encaminho o débito para inscrição em dívida ativa. No entanto, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 522/553, protocolizado em 27/02/2015, onde alega, em suas razões, preliminar de tempestividade. Sustenta que, conforme determina o art. 1º, § 3º da Portaria SRF 259/06, o contribuinte deve ser informado da possibilidade de serem praticados atos, de forma eletrônica, no processo administrativo. Refere, ainda, que a suposta intimação do resultado do julgamento teria se dado em 07/08/2014, cujo prazo para interposição de recurso voluntário teria sido encerrado em 08/09/2014. Assim, pugna pela insubsistência da intimação tácita realizada de modo eletrônico mediante Domicílio Tributário Eletrônico. Não assiste razão à contribuinte. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 580DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 581 14 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 581DF CARF MF Processo nº 19515.722556/201221 Acórdão n.º 2202004.082 S2C2T2 Fl. 582 15 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 07/08/2014, por meio eletrônico. Assim, ao apresentar o recurso voluntário somente em 27/02/2015, estava exaurido o prazo legal de trinta dias. Entendo que o argumento da contribuinte de que não havia autorizado a intimação por meio eletrônico não prospera. Ocorre que a contribuinte aderiu ao Domicílio Tributário Eletrônico, o que inclusive é referido pela própria em recurso voluntário. Assim, não procede a linha argumentativa da contribuinte de que no lançamento houve intimação pessoal, porém para a decisão foi feita uma intimação por meio eletrônico, causando insegurança jurídica ou nulidade de intimação, pois ciente a contribuinte de que, por ser optante do Domicílio Tributário Eletrônico poderiam as intimações deste processo serem realizadas também por meio eletrônico. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 582DF CARF MF
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