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Numero do processo: 10707.001542/2006-08
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992
ILL. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
A execução administrativa de decisão judicial transitada em julgado deve obedecer as suas disposições sem inovações ou interpretações descabidas.
COMPENSAÇÃO DE DARF AUTENTICADO NÃO HOMOLOGADA.
A cópia autenticada de documento tem fé pública, nos termos do inciso III do art. 365 do CPC e por isso deve ser aceita a sua compensação
Numero da decisão: 1302-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto e relatório proferidos pelo Relato, vencido o Conselheiro Waldir Veiga Rocha que dava provimento em menor extensão.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO DE SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A execução administrativa de decisão judicial transitada em julgado deve obedecer as suas disposições sem inovações ou interpretações descabidas. COMPENSAÇÃO DE DARF AUTENTICADO NÃO HOMOLOGADA. A cópia autenticada de documento tem fé pública, nos termos do inciso III do art. 365 do CPC e por isso deve ser aceita a sua compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto e relatório proferidos pelo Relato, vencido o Conselheiro Waldir Veiga Rocha que dava provimento em menor extensão. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO DE SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 15 42 /2 00 6- 08 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório de fl. 202 da DERAT/RJO. De acordo com o despacho decisório, de fls. 397/398, foi indeferida à manifestação de inconformidade e intimada à interessada para pagar. Irresignada, a interessada obteve a liminar de fls. 402/407 que determinou que: "para que a autoridade impetrada processe a manifestação de inconformidade da impetrante, apresentada no processo n° 10707.001542/200608, de acordo com a sistemática vigente nos termos do art. 74, §11, da Lei n° 9.430/96 e na mesma forma como procede para as manifestações de inconformidade recebidas contra o indeferimento das declarações de compensação integralmente processadas nos termos da nova legislação". Assim o processo foi encaminhado para a DRJ, para apreciar a manifestação de inconformidade. No relatório fiscal de fls 194 a 201, proferido no processo administrativo n° 10768.004740/200510, que tratou do acompanhamento judicial da ação ordinária n° 99.00031032, a autoridade administrativa esclarece que: a ação foi ajuizada com pedido de antecipação de tutela para efetuar a compensação dos valores recolhidos a título de IRRF incidente sobre o Lucro Líquido, relativo às parcelas do lucro que não foram efetivamete distribuídos aos seus acionistas. foi indeferida a antecipação de tutela e o pedido de reconsideração da decisão. Foi então interposto agravo de instrumento. em 31/03/99, a decisão de lª instancia julgou procedente em parte o pedido, declarando o direito da autora compensar os valores indevidamente recolhidos a título de ILL relativamente à parcela dos lucros não distribuídos aos acionistas, com imposto de renda, corrigidos pela OTN até o advento da Lei n° 7.730/89, seguindose o IPC e o INPC até dezembro de 91, UFIR até dezembro de 1995 e Selic a partir de janeiro de 1996. inconformadas, a Procuradoria e a Contribuinte apelaram. A primeira sustentando prescrição do pedido da parte autora, e a segunda aduzindo fazer jus à aplicação da correção monetária nos meses de julho e agosto de 1994 nos percentuais de 37,44% e 5,32%. a decisão do TRF, em 19/03/2001, deu provimento ao recurso do contribuinte e negou provimento ao recurso da União, que apresentou Recurso Especial, que teve o seguimento negado no Superior Tribunal de Justiça, tendo ocorrido o transito em julgado em 16/02/2004. dessa forma, foi concedido à interessada o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos a título de ILL, relativamente à parcela dos lucros que não Fl. 581DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10707.001542/200608 Acórdão n.º 1302001.176 S1C3T2 Fl. 594 3 foram distribuídos aos acionistas, com imposto de renda, corrigidos pelo IPC e INPC até o mês de dezembro de 1991, UFIR de janeiro de 1992 até dezembro de 1995, incluindose também os índices de 37,44% e 5,32% relativos aos meses de julho e agosto de 1994, e, a partir de janeiro de 1996, juros Selic. com fim de verificar se as compensações foram corretamente efetuadas, foi intimada a interessada a apresentar o demonstrativo detalhado d as compensações efetuadas com base na ação judicial, assim como todos os DARF recolhidos à título de ILL e comprovação da distribuição de dividendos. a interessada apresentou cópias autenticadas dos DARF, mas é imprescindível a apresentação dos originais efetuados antes de 1991, uma vez que esses não eram registrados no sistema Sinal. intimada, a interessada informou não ter localizado o DARF original relativo ao pagamento de ILL do período de apuração de 1989, no valor de Cr$ 714.769.999,09. a exigência está determinada na Circular Ministerial n° 10/1934. dos cálculos apresentados em resposta à intimação, vêse que a interessada recolheu o ILL à alíquota de 8% sobre os dividendos distribuídos. entretanto, a decisão judicial, ao declarar a inconstitucionalidade da expressão "o acionista" no art. 35 da Lei n° 7.713/88, afastou a incidência do ILL apurado no ano base, mas não teve o condão de excluir os demais efeitos inerentes ao caráter ex tunc do reconhecimento de inconstitucionalidade, entre eles a repristinação da legislação que regia a forma de tributação que fora suprimida pela criação do ILL. o Imposto de Renda na Fonte sobre os "dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses", foi instituído pelo Decretolei n° 1.790/80, nos seus arts. 1° a 3°, à alíquota de 15%, quando distribuídos a pessoas físicas ou jurídicas por companhias abertas e posteriormente aumentado para 23% pelo a rt. 1°, inciso I, alínea "a", do Decreto n'2.065/83. o caráter ex tunc da declaração de inconstitucionalidade implica a nulidade de todos os efeitos produzidos pela norma fulminada, inclusive a revogação da legislação que lhe antecedeu. a Resolução do Senado Federal n° 82, de 1996, que retirou a expressão "o acionista" do ar. 35 da Lei n° 7.713/88, não contém qualquer referência que permita elidir a conseqüente repristinação da legislação que teve seus efeitos parcialmente sobrestados pela vigência de tal expressão. o ILL e o IRRF sobre os dividendos distribuídos são tributos impostos sobre a renda e incidem sobre a mesma base de cálculo. assim seria uma contradição a aplicação da alíquota de 8% própria do ILL sobre o IRRF. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 se é devido o IRRF sobre dividendos deverá ser pela aplicação da alíquota que lhe é própria. que o IRRF referido no parágrafo único do art. 36 da Lei n° 7.713/88, não é o ILL instituído pelo 35. não havendo disposição expressa em sentido contrário, o acionista da companhia de capital aberto é o responsável pelo recolhimento do IRRF incidente sobre os dividendos recebidos, conforme determina o Decretolei n° 1.790/80, com a alíquota aumentada para 23% pelo Decretolei n° 2.065/83. em decorrência, os créditos a que tem direito o contribuinte, em virtude da decisão judicial, serão o excedente do que ele pagou a título de ILL sobre os valores de IRRF assim determinados. assim à compensação efetuada pela contribuinte só era suficiente para extinguir os débitos de IRPJ de 1996, de abril, maio e julho de 1999, de janeiro de 2000 e parte do débito de fevereiro de 2000, conforme planilhas de fls.192 e 193. as compensações efetuadas em 1999 e 2000 e declaradas apenas em DCTF, estão sendo controladas pelo processo 10707.001542/200608. Com base no Relatório Fiscal, a autoridade administrativa, pelo Despacho Decisório de fl. 202 reconheceu o direito creditório de R$ 44.363.233,73, declarou extintos os débitos compensados até este limite, e determinou a cobrança do excedente. Intimada da decisão em 17/03/2008 a interessada apresentou, a manifestação de inconformidade de fls. 208 a 239, one alega, em síntese: preliminarmente, a nulidade da exigência do IRRF, por erro na identificação do sujeito passivo. que ao contrário do que pretende o Despacho Decidório, o IRRF é uma antecipação do devido na declaração. tendo a ação fiscal sido desenvolvida após a entrega da Declaração de Ajuste Anual dos beneficiários, é incabível a exigência do IRRF da pessoa jurídica pagadora dos rendimentos nos termos do Parecer Normativo Cosit n° 1/2002. os lançamentos foram homologados à alíquota de 8%, nos temos do §4° do art. 150 do CTN. mesmo que se reconhecesse, a incidência do IRRF à alíquota de 23%, há que se verificar que os supostos débitos nunca foram objeto de declaração por parte do contribuinte ou de constituição mediante o competente lançamento por parte da autoridade administrativa. o despacho decisório não indica como ou quando os referidos débitos foram constituídos, não há número de processo administrativo, não há Notificação de Lançamento, nem qualquer ato do contribuinte ou do Fisco, que justifique ou legitime a exigência. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10707.001542/200608 Acórdão n.º 1302001.176 S1C3T2 Fl. 595 5 a contraposição de supostos débitos, à alíquota de 23%, consubstancia flagrante descumprimento da decisão Judicial. a própria SRFB no PA n° 15374.000548/0052, expressamente reconheceu o crédito de R$ 99.253.121,55. por fim, o despacho decisório glosa o DARF autenticado relativo ao período de apuração de 1989, porém a juntada de documento autenticado, associada à verificação nos registros da Administração do efetivo pagamento e respectiva restituição, supera as limitações impostas pelo Despacho. A 1ª Turma da DRJ/RJO1, através do acórdão nº 1220.134 de 29/07/2008, por maioria de votos, indeferiu a solicitação da Contribuinte, não homologando direitos creditórios superiores aos já concedidos pela DERAT/RJO, até o limite de R$ 44.363.233,73, conforme ementa anexa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A execução administrativa de decisão judicial transitada em julgado deve obedecer estritamente as suas disposições, assim com também devese observar o cumprimento das leis tributárias vigentes para a determinação do quantum exequatur. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A determinação do quantum exequatur de decisão judicial transitada em julgado não representa lançamento de oficio, mas tãosomente a apuração do montante devido ao exeqüente. Por não ter havido a constituição de crédito tributário, por se tratar de execução de decisão judicial, não há que se falar em decadência. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DECORRENTE. Se o próprio contribuinte requer a subsunção à legislação de regência da compensação tributária administrativa, ele fica sujeito a todos os seus efeitos, inclusive a cobrança de valores de compensações não homologadas. Solicitação Indeferida. Vencido o relator original, o AFRFB Bernardo Schmidt que dava provimento parcial e a AFRFB Ylza Maria Lemos de Souza Lima que aceitava à cópia autenticada do Darf de fl. 67 como prova válida. Como o direito creditório reconhecido pela decisão judicial também foi utilizado em DCOMPs não homologadas, controlados pelo processo administrativo n° 12142.000295/200763, foi apreciado na mesma sessão de julgamento. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Intimado da decisão da DRJ apresentou recurso voluntário, onde reitera as alegações da impugnação e acrescenta basicamente o seguinte: preliminar erro de identificação do sujeito passivo e nulidade da exigência do IRRF, tendo em vista a impossibilidade da exigência do IRRF da fonte pagadora, no caso a recorrente. que o parecer COSIT nº 1/2002 expressamente determina que o tributo, multa e juros devem ser exigidos do contribuinte do imposto quando constatada a falta da retenção, posicionamento este adotado pelo Conselho. que estando o IRRF incidente sobre o LL sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição de eventual crédito pelo Fisco deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4 0 do Código Tributário Nacional. que portanto houve a homologação tácita das compensações praticadas nos períodos de maio de 1999 a junho de 2000 e por isso o fisco não tem o direito de exigir supostas diferenças. que segundo jurisprudência colacionada do Conselho, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Os pedidos de compensação uendentes de apreciação pela autoridade administrativa devem ser considerados declaração de compensacão, desde o seu protocolo, para os efeitos de contagem do prazo de homologação da compensarão. que o fato de ter postulado em juízo a recuperação do ILL, não implica na conclusão de que poderia figurar no pólo passivo de uma cobrança de IRRF. que o ILL e o IRRF são tributos absolutamente distintos. que este é o entendimento reiteradamente manifestado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, senão vejamos: Número do Recurso: 125966 Decisão:Acórdão 10245717 Resultado : DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas, e, no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso. Ementa : IRRF PRELIMINAR NULIDADE RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída a fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL AÇÃO FISCAL INICIADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL – BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO Sendo 0 imposto de renda na fonte tributo devido mensalmente pelo beneficiário do Fl. 585DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10707.001542/200608 Acórdão n.º 1302001.176 S1C3T2 Fl. 596 7 rendimento, cujo "quantum" deverá ser informado na Declaração de Ajuste Anual para a determinação de diferenças a serem pagas ou restituídas, e se a ação fiscal desenvolveuse após a ocorrência do fato gerador e data da entrega da Declaração de Ajuste Anual, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda pessoa física , se for o caso, há que ser efetuado em nome do sujeito passivo direto da obrigação tributária, ou seja, o beneficiário e titular da disponibilidade jurídica e econômica do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. A falta de retenção do imposto de renda na fonte pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual. Esta inclusão deverá ser efetuada pelo sujeito passivo direto da obrigação tributária ou, "exoffício", pela Autoridade Fiscal. ( ... )" que tendo os lucros distribuídos aos acionistas sido efetivamente tributados pelo ILL não estarão sujeitos à incidência do IRRF. que o pedido formulado na Ação versa exclusivamente sobre a inconstitucionalidade da exigência do ILL. que a solicitação feita da juntada do DARF original relativo ao período de apuração de 1989, para o aceite da compensação é incabível e ilegal. que ainda que se entenda correta a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo, o que se alega apenas a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base nessa taxa não poderão ser exigidos sobre a multa de mora, por absoluta ausência de previsão legal. não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o relatório. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da SilvaRelator Apesar do AR de fls. 428 informar que o Recorrente foi cientificado em 07/05/2008 e este ter protocolizado seu recurso somente em 02/09/2008, o recebo como tempestivo em respeito ao principio da verdade material, visto que a própria Carta Cobrança de fls. 424, foi emitida e assinada em 05/08/2008 e o acórdão da DRJ é da sessão do dia 29/07/2008, portanto impossível a cientificação do dia 07/05. Conforme relatado, a interessada teve reconhecido o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos a título de ILL, relativa à parcela dos lucros não fdistribuídos aos acionistas em decorrência de decisão judicial transitada em julgado. Assim dispôs a sentença confirmada pelo TRF da 2ª Região: "Isto posto, julgo procedente em parte o pedido para: I) declarar o direito da autora de compensar os valores indevidamente recolhidos a título de IRLL (art. 35 da Lei 7.713188) relativamente à parcela dos lucros que não foram efetivamente distribuídos aos seus aciõncstãs (...)” Em cumprimento da decisão, a autoridade administrativa reconheceu direito creditório menor do que o pleiteado pela Recorrente por entender que a decisão judicial, ao declarar incidentalmente a inconstitucionalidade da expressão "o acionista" no art. 35 da Lei n° 7.713/88, teve como um de seus efeitos a repristinação das normas de incidência do IRRF, na forma do Decretolei 1.790/80, e com isso abateu do crédito a parcela dos lucros efetivamente distribuídos aos acionistas, já que não era objeto da ação judicial. Por esse motivo, do valor recolhido relativamente à parcela dos lucros que não foram distribuídos aos acionistas, deduziu o valor referente à diferença entre a alíquota de 23%, prevista no Decretolei 1.790/80, e a alíquota de 8%, prevista no art. 35 da Lei n° 7.713/88, utilizada pela Recorente quando da retenção sobre os dividendos efetivamente distribuídos aos acionistas. A decisão judicial diz respeito tãosomente à não incidência do ILL sobre a parcela dos lucros que não foram efetivamente distribuídos aos seus acionistas, e não faz qualquer menção à parcela dos lucros distribuída. Como a tributação da parcela dos lucros distribuídos não foi objeto da decisão judicial, há que se reconhecer, a razão da Recorrente quando alega que o direito de a fazenda constituir o crédito tributário daquela parcela estava decaído, uma vez que tratamse de fatos geradores ocorridos entre 1989 e 1992. Ressaltese que a contra posição de supostos débitos de IRRF nunca foram objeto de constituição, de ofício ou por declaração da Recorrente, nem foram objeto da discussão judicial, configurando a perda do direito de cobrança neste momento e o descumprimento da decisão judicial. A Recorrente antecipou o pagamento à alíquota de 8%, nos termos do art. 150 do Código Tributário, tendo por base a legislação vigente, qual seja, o art. 35 da Lei n° 7.713/88 e caberia a autoridade administrativa efetuar o lançamento no prazo de cinco anos contados do fato gerador caso não concordasse. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10707.001542/200608 Acórdão n.º 1302001.176 S1C3T2 Fl. 597 9 Resta claro, portanto, que o fato de a sentença judicial declarar incidentalmente a inconstitucionalidade da expressão "o acionista" no art. 35 da Lei n° 7.713, ainda que tivesse o efeito de repristinar a legislação anterior, não autoriza de maneira nenhuma a constituição de crédito tributário após o prazo decadencial, ainda mais se relativo a parcela não objeto da referida ação judicial. Nesse sentido, é totalmente incabível o procedimento adotado, que deduziu dos valores indevidamente recolhidos a título de ILL da parcela dos lucros não distribuídos aos acionistas, autorizados judicialemente, com suposto débito tributário não constituído, correspondente à diferença entre a alíquota de 8% utilizada pela interessada e a alíquota de 23%, prevista no Decretolei 1.790/80, relativa à parcela dos lucros que foram distribuídos aos acionistas. A Recorrente contesta também à glosa de um único Darf datado de 30/04/1990. A decisão recorrida não aceitou o DARF porque à época do seu recolhimento eles não eram registrados eletronicamente junto a Receita Federal, e tendo sido a Recorrente intimada a apresentar o original não o fez. A DRJ entendeu que o DARF não deveria ser aceito e que se deveria aplicar a Circular Ministerial nº 10 de 1934 que somente aceitava DARF´s originais com o intuito de evitar dupla restituição ou pedido. Neste caso me parece que a decisão está querendo se furtar de cumprir a decisão judicial e reconhecer os créditos da Recorrente por conta de suposta dificuldade de controle de pagamento. Ora a Recorrente registrou todas as compensações em sua contabilidade com base nos documentos fiscais registrados na própria SRF. Entendo que o citado DARF deve será aceito, assim como todos os demais originais apresentados, pelo principio da verdade material, visto que em nenhum momento foi oposta dúvidas do mesmo. Nos autos não consta nenhuma referencia de levantamento sobre o pagamento e de que o mesmo não foi encontrado, além do mais a Recorrente à época do recolhimento era uma empresa pública. Mesmo assim não fora a jurisprudência dos tribunais segue este mesmo entendimento de que a cópia autenticada de documento tem fé pública, nos termos do inciso III do art. 365 do CPC, conforme ementas a seguir: Data de publicação: 02/09/2010 AÇÃO ORDINÁRIA EXTINÇÃO PARCIAL DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO REMESSA OFICIAL NÃO CONHECIDA CÓPIAS DAS DARF'S AUTENTICADAS DOCUMENTO IDÔNEO PARA O FIM DE COMPROVAR O RECOLHIMENTO DA EXAÇÃO PRESCRIÇÃO QUINQUENAL AFASTADA COFINS SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO LEGITIMIDADE SÚMULA 276 DO STJ CANCELADA. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 ..... 3 Todas as cópias de DARF´s acostadas aos autos encontramse devidamente autenticadas, sendo desnecessária a juntada do original, uma vez que a autenticação conferida por Cartório de Títulos e Documentos possui fé pública. Data de publicação: 14/11/2008 TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIALFINSOCIAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO EXECUÇÃO INSTRUÍDA SEM DOCUMENTOS ORIGINAIS (CÓPIAS DE DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO DE RECEITAS FEDERAISDARF) POSSIBILIDADE HONORÁRIOS SOBRE O VALOR DOS PAGAMENTOS CABIMENTO LITIGÂNCIA DE MÁFÉ NÃO CARACTERIZADA DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DA CONTADORIA JUDICIAL ADEQUADA ELABORAÇÃO CORRETA INDICAÇÃO DOS VALORES DEVIDOS EMBARGOS REJEITADOS. ...... 1 A apresentação do Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF mediante cópia autenticada é adequada para repetição de valores do Fundo de Investimento SocialFINSOCIAl, não havendo que se cogitar de inobservância do Princípio da Cartularidade por não versar a espécie Título de Crédito, nem de necessidade do original por falta de previsão legal. Data de publicação: 15/06/2005 MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. PIS. DECRETOS LEIS NºS 2.445 /88 E 2.449 /88. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. DOCUMENTO. CÓPIA. DARF. PEDIDO CERTO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. IPC. TAXA SELIC. ..... 2. A ação mandamental foi devidamente instruída com as guias de recolhimento (DARF), que se consubstanciam em prova hábil a demonstrar o pagamento do tributo cuja compensação se busca, não havendo que se falar em ausência de liquidez e certeza do crédito discutido. 3. Cópias autenticadas fazem a mesma prova dos documentos originais, nos termos do art. 365 , inc. III , do CPC . Isto posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no que se refere à parcela dos lucros que não foram efetivamente distribuídos aos seus acionistas, aplicandose os índices de atualização monetárias conforme estabelecido na decisão judicial transitada em julgada conforme requerido, inclusive com a aceitação do referido DARF autenticado. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10707.001542/200608 Acórdão n.º 1302001.176 S1C3T2 Fl. 598 11 O valor deve ser aproveitado, até o seu limite, para extinguir os débitos do presente processo e, posteriormente, se ainda houver as DCOMPs de que trata o processo administrativo n° 12142.000295/200763. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da SilvaRelator Relator Fl. 590DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10983.000061/93-13
Data da sessão: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IRPF - URP - São tributáveis OS rendimentos auferidos por determinação do Decreto Lei 2.335/87, concedidos através de ação trabalhista, por corresponderem a reposição de perda salarial, vez que não estão elencados como rendimentos não tributáveis no artigo 22 do RIR/80, não havendo respaldo legal para isentá-los.
Numero da decisão: 102-29.321
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e Voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Maria Clelia de Andrade Figueiredo
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CARLOS AUGUSTO MONGUILHOTT REMOR. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e V0t'D que passam a inte grar o presente julgado. sêk. 1 a de i994 ---wwn iew ~I _..------ c, -- 01 r 1 c- n:: h' '''. -,--...-.,-;;;;;..idi~la ,. ..41-, o s /:::: p., 1 v pi PRES I. DEN rE ANDRADE F.: IONE:IREM) REL A TORA .. _.,—, VIS10 EM FRANCISCfl 'VAREM° DA ROCHA NEro - PROCURADOR DA Fe. S E. aS MO I) E N o ;,, , ,! ,.,.) . ,.. ,,. a o i Z ENDA N A c:: 1. O N A 1. . W,,, Participaram, atnda, do presente julgamento, os seguintes Canse [hei FOSN Waidevan Alves de Oliveira, Francisco de Paula Correa Carneiro Giffoni, Ursula Hansen, Júlio César Gomes da Silva e José Carlos P2S' suelto. , MINISTERIO DA FAZENDA 2. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No, 10983/000.061/95-13 RECURSO No,: 78.525 ACORDA0 No.: 102 29.321 RECORRENTE : CARLOS AUGUS10 MONOUTLHOIT REMOR RELATOR 1O CARLOS Aususro MONGUILHOTT REMOR, jurisdicionado pela DRF em Florianópolis - SC, foi notificado da exigÊncia do imposto su- plementar a ser pago em UFIR, mais os devidos encargos legais. A exigOncia tributária teve origem na ausOncia de Uri- butação da importância recebida pelo contribuinte em decorrância de ação trabalhista relativa ao ano' base de 1991. Inconformado, o interessado apresentou impugnaçãn, tem- pestiva, alegando em sinteseN que em 19/09/89, o Sindicato Nacional das institubes de Ensino Su- perior - ANDES, na qualidade de substituto processual dos professores da UESC, que faziam parte do quadro de pessoal da instituição Federal de Ensino, ing p essou com Reclamação irabalhista perante a 3a Junta de Conciliação f2? Julgamento local., com o objetivo de c cIns c7?guir fr-'?AjtActfe salarial de 26,05% sobre a remuneração de janeiro/89, tendo sido pra- latada a sentença de primeira instância julgado procedente em parte o pedido, mantida nemntegra pelo fribunal Regional do lerabalhoN - por ocasião da Liquidação da sentença, em outubro/90, a junta de conciliação e julgamento determinou qUe a Universidade Federal de San- ta Catarina incluifse em sua folha de pagamento do Mesmo MêS o percen- tual de , MINISTERIO DA FAZENDA 3. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No, 10983/000.061/93-13 ACORDO No. 102-29.321 - razão pela qual os reclamantes receberam as diferenças salariais e seus reflexos relativas ao período de fevereiro/89 a setembro/90, mais acréscimos legais pertinentes. A partir . desse mês, os valores indeni - zatórios feram, simplesmente, corrigidos monetariamente, acompanhando a inflação; - que a UFSC depositou em juizo 50,79%, em adosto de 91, do total de- vido a cada reclamante, tendo por determinação judicial o referido va- lor sido transferido para conta renumerada da agéncía da Caixa Econô- mica Federal, ato continuo houve expedição de Alvará, em nome de cada professor . da UFSC; - que ao fornecer os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte do ano-base de 1991, a UFSC deixou de in- cluir os valores . pagos em decorrência da mencionada ação trabalhista. e o próprio juizo não informou se a importãncia a ser recebida era na valor liquido ou bruto da indenização; , - que havia inúmeras dúvidas e os beneficiários dos rendimentos obti- veram várias orientaçbes, inclusive, através do Boletim Informativo No 34, de 27/04792, o óroão de classe da categoria aconselhou que os va-- lares recebidos fossem declarados como rendimentos isentos e não tri- butáveis, e a própria Delegaria da Receita Federal em Florianópolis não esclareceu as consultas que lhe foram feitas através . do professar NELSON AGUIAR ROCHA, relativas á tributação da URP de fevereiro/89, inclusive, aceitou retificaçbes de deciaraçbes de rendimentos de al- guns professores em idêntica situação; e o . BOLETIM já mencionado de Ng., 36, de 21/05/92, noticiou o fato e confirmou que a parte tri,buUkv de tais remiilmwtos era tão somente quanto ao principal, após inúmeros pareceres de profissionais da áre;7.-Ç do direito tributári o , divergente, o artigo 22 do RIR /80, dispondo que o FGTS, entre outras parcVas denizatórias, não entrw-ão no cômputo do rendimento bruto; /1. "2.• _ ,, , , , , , MINISTERIO DA FAZENDA 4. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No, 10983/000.061/93-13 . ACORDO N. 10'.',:'.-29.321 - que tanto a UFSC quanto a 3a. junta de Conciliação e julgamento, ti- nham a obrigação de efetuar a retenção na fonte e não o fizeram, razão P0 la qual solicita de forma alternativa que seja retificado o larlça- mento suplementar, restringindo-o ao período compreendido entre .~- reiro/S9 e setembro/90, sem acréscimo de multa, vez que a partir de outubro/90, não houve pagamento d g., diferenças salariais, mas tão so- mente correção monetária, devendo ser excluída da importància triblita,- da o montante referente ao FGTS e seus reflexos, que estão isentos por. lei. Requer finalmente, que seja anulada a multa aplicada, uma vez que a DRF negouu-se a esclarecer os fatos, sendo o pagamento do imposto suplementar acrescido apenas dos juros de mora. Ciente da decisão de primeiro grau, n contribuinte, recorreu, tempestivamente a este colegiadodpr .. ...Ár/.-.' Recurso lido na Inbegra em sessão. E o relatório. Tr _ , , MINISTERIO DA FAZENDA 5. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No, 10993/000.061/93-13 ACORDO Na. 102-29.321 ',OTO Conselheira Maria Clélia de Andrade Figueiredo - Relatora O reCUrS0 está revestido das formalidades legais, razão porque dele conheço. A controvérsia estabelecida nos autos é relativa a omissão de rendimentos na declaração do exercício financeiro de 1991, recebidos em decorrOncia da propositura de ação trabalhista objetivarr do o recebimento da ORP a partir de fevereiro de 1999. A questão é relevante, não só pela solução especIfic;41 a ser adotada no caso concreto, como surge a possibilidade de ser criado um precedente para outras situaçbes análogas, cabendo pois, desde lo- go, esclarecer alguns pontos da questão. Os comentários anteriores foram desenvolvidos com o ob- jetivo de esclarecer inicialmente que, no presente caso, a matéria ob- jeto da Reclamação trabalhista trata-se de reposição de percentual so lira perda salarial e não de verbas indenizatórias como alega o recor- rente, logo, não há parcelas a discriminar. lal reposição foi concedi- da peio juízo Trabalhista atendendo ao disposto no artigo 3g, do De.... cretc,leí Ng 2.335, de 12/06/1987, que determinou reajuste salarial pelo índice de 26,05"/:. Ora, ê imperativo que seja garantido ao trabalhador, no tí:NripOs a reparação do dano sofrido, no caso, a justa correção monetá- ria acrescida de juros„ com a final idade de restabelecer. a situaç:::"N. O t: feriar a que fazia jus por deter fninação legal e que foi descumpr ida pelo empregador, sendo indispensável o a:uizamento de ação própria pa- ra reaver os seus direitos ignoradnvgp , 6. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No, 10983/000.061/93-13 ACORDA° No, 102-29.321 Conforme assinala a decisão recorrida, à fls. 42, n Bo- letim No 23 da associação de classe dos professores da Universidade Federal de Santa Catarina publicou que a orientação da Receita Federal foi de que o valor liquido, após deduzida a parcela pada a titulo . de honorários advocatícios, seria tributável na declaração de rendimen- tos anuais. Aduz que, mesmo antes de terem disponíveis . os rendimentos relativos a URP, as professores já haviam comparecido em nossa Delega.- cia local da Receita Federal e . foram alertados de que deveriam afere- cer tais rendimentos à tr.M .Jutação. Em virtude de discordarem de tal orientação, foi designado um servidor . para ir â Associação dos profes- sores para prestar-lhes esclarecimentos, fato esse que deu origem à publicação sobre a matéria no já mencionado Boletim de No 23. Ent....rc.:,,,-- tanto, os Boletins seguintes da Associação . de Classe publicaram várias informaçbes errôneas que levaram seus associados a prestarem declara- ção inexata- A mais comum observação demonstra, que as razbes de de- fesa alegadas pelo recorrente não podem prosperar pelo simples fato de que não houve comprovação de seus argumentos que convencessem a Rela- tara de modo a propor a modificação. da decisão recorrida. Como contra argumento a colocação feita pelo sujeito passivo, de que vários professores ingressaram na DRF com retificação de suas deciaraçf.:5.es de rendimentos e que foram aceitas, e nem poderia ser de outra forma, esqueceu -SP o interessado que Q fato de a Receita Federal recepcionar as deciaraçbes retificadores, dentro do prazo le- dalmente estabelecido, não significa que es alteraçbes pretendidas se- jam aceitas. Tanto que, a bem elaborada decisão "a quo" esclarece que das retificeçbes apresentadas, nenhuma foi aceita, vez que não havia como excluir. da tributação o rendimento em questão, entretanto, tais contribuintes foram beneficiados em relação a multa de lançamento de ofício de 100%, em razão cl . .. espontaneidade com que ofereceram seus i ,. rendmento r ts à tibua oçã...// ..-/- . /-'....' .. .,: , - MINISTERIO DA . FAZENDA 7. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No, 10983/000,061/93-13 ACORDO No, 102-29.321 E importante verificar que tanto a decisão de primeiro grau, quanto o contribuinte nas peças de defesas apresentadas, recor- rem à legislação que entendem pertinente, a jurisprudência e até a pa-- receres de juristas especializados na área tributária, havendo um oh- jetiva comum entre as partes que equivocadamente enfocam INDENIZAÇOES TRABALHISTAS. A maioria dos .trib.utaristas ao elaborarem pareceres so-- bre a matéria, em geral, discordam entre si sobre o mesmo tema e al- guns tribunais que se manifestam sobre a parte tributária as vezes não são feLLzes na forma de decidir, claro está que, em matéria de Imposto de Renda o órgão abalizado para orientar os contribuintes é a Receita Federal. Em decorrência dessa concepção, não é demais sublinhar o entendimento dá Relatara IN CASU, Indenização Trabálhista consoante se indique no art. 22, inciso V, do RIR/80, está ligada a verbas pagas por despedida. e/ou rescisão da contrato de trabalho, integra o patri- mênio do contribuinte que faz jus pelo seu trabalho e o pagamento deve ser feito através de acordo homologado na forma legal, e a partir de lo/01/89, a Led 7.713/88, art. 3q parágrafo 5o, isentou-a até o li- mite garantido por lei, que e de 10% da remuneração, considerando-se a valor. excedente como rendimito tributável (PN 12/85)g Assim, entendo que no caso da URP/89, a parcela em dis- cussão nos autos está cristalinamente caracterizada como REPOSIÇA0 SA- LARIAL, concedida pelo Decreto-Lei 2.335/87, objetivando, especialmen- te, miminizar o desfalque sofrido pelos assalariados em face a infla- ção galopante existente no período de sua vigência, seu perfil á o de repor parte do salário do empregado que encontrava-se totalmente defa- sedo face a politica salarial existente, comparável a um dissidio co- letivo, evidentemente com nuance/diferenciadas, sendo a URP uma for- ma de complementação salarial Á'r :,. __ _ 8. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N. 10983/000.061/93-13 ACORDO No. 102-29.321 Conforme inserido no relatório que integra o presente voto, a única argumentação cor reta do contrlbuinte e a de que a fonte pagadora É que estaria obrigada a retenção do imposto na fonte na qua- lidade de responsavel tributária, e que deixou de fazÊ-lo em decorrân- cia da ação trabalhista e que o próprio juízo não informou se a impor- tância recebida era no valor liquido ou bruto, entretanto, pecou o re- corrente em esquecer que a Lei é Taxativa "Na falta de retenção do imposto pela fonte paga- dora não exonera o beneficiário de inclui-lo na declaração de rendimentos para tributação." Com base nessas consideraçbes, entendo correta a deci- . são de primeira instància no que concerne a declarar como tributàvel os rendimentos auferidos pelo sujeto passivo e que não foram ofereci-. dos à tributação, devendo ser mantida, inclusive, a multa aplicada por expressa deter inação legal. Em face do exposto, oriento o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso illhe~-1. Brasília - DF, 19 de agosto de 1994 ; •.";) Maria Clélia .01' Andrade Figueiredo -- Relatora _ ,, _ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13851.000790/2005-77
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 10/05/1999
PIS. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. Nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não deve compor a base de cálculo do PIS as receitas financeiras.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a decadência e reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, referente ao período de apuração em discussão e determinar à Delegacia de origem a apuração do crédito. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Felipe Ribeiro Kneipp Salomonr Castro, OAB/DF 38.308.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Maira Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/05/1999 PIS. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. Nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não deve compor a base de cálculo do PIS as receitas financeiras. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a decadência e reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, referente ao período de apuração em discussão e determinar à Delegacia de origem a apuração do crédito. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Felipe Ribeiro Kneipp Salomonr Castro, OAB/DF 38.308. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 07 90 /2 00 5- 77 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000790/200577 Acórdão n.º 3801001.927 S3TE01 Fl. 12 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Maira Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel. Relatório Trata o presente de pedido de restituição de pagamento indevido para a contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), efetuado em 10.05.1999, no valor de R$ 14.056,66. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araraquara indeferiu o pedido com base na ocorrência da decadência do direito de pedir, previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional — CTN, uma vez que o pedido foi protocolado em prazo superior a cinco anos contados do fato gerador. Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: i) Que nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.00070375 obteve provimento jurisdicional, vigente até a presente data, autorizandolhe a calcular e recolher o PIS sem a expansão da base de cálculo estabelecida no art. 3°, § 1°, da Lei n°9.718, de 1998; ii) referida demanda judicial encerrouse em 30/05/2008 com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte (Recurso Extraordinário n° 491.6584); iii) corno no apontado período de apuração as receitas obtidas corresponderam a receitas financeiras e outros rendimentos que não oriundos da venda de bens e serviços (faturamento), o recolhimento efetuado afigurase indevido, o que motivou o requerente a apresentar o pedido de restituição; iv) que o prazo decadencial para pleitear a restituição de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, previsto no art. 150, § 4°, do CTN é de dez anos, conforme jurisprudência consolidada no STJ; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto entendeu por bem manter a decisão da DRF em Araraquara ao argumento de que, até a data do protocolo do pedido de restituição, as decisões prolatadas na referida ação judicial somente garantiam ao interessado o direito da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários referentes aos recolhimentos efetuados em desacordo com a legislação vigente, no caso, a Lei n°9.718, de 1998. Não havia, na ação, qualquer pedido de repetição de indébito, nem tampouco decisão judicial que declare tal situação para os recolhimentos efetuados. Assim, o presente pedido de restituição não teria qualquer relação com a ação judicial, ainda em andamento na data do protocolo. Sem essa relação, argüiu que deve ser apreciado como simples pedido de restituição. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000790/200577 Acórdão n.º 3801001.927 S3TE01 Fl. 13 3 Por essa razão, sustenta a DRJ que teria ocorrido a decadência do direito de pedir a restituição, aplicada para os recolhimentos efetuados anteriormente a 27/06/2000, ou seja, cinco anos antes da data do protocolo do processo. Em seu Recurso, a Recorrente reforça que o prazo para se pleitear a repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, contados a partir do recolhimento indevido, e não 5 (cinco) anos, conforme o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN. E que o art. 3° da Lei Complementar n° 118/05, ao dispor que o prazo prescricional não seria mais contado a partir da homologação tácita, mas sim do pagamento antecipado, modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional. E, por essa razão o referido dispositivo não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor de dita lei, o que ocorreu em 9 de junho de 2005. E considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 07/06/2005, antes, portanto, da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, não haveria que se falar em decurso do prazo para a formulação do pedido. Requer, portanto, a total procedência de seu pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Com relação ao prazo decadencial, assiste razão ao Recorrente. Como se denota da documentação acostada aos autos, o Pedido de Restituição foi protocolizado em 07/06/2005, tendo como fundamento o reconhecimento judicial da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS promovida pelo artigo 3o., § 1o., da Lei 9.718/98. Ou seja, o pedido de restituição se deu dentro do prazo de 10 anos, contados desde a ocorrência do fato gerador. E é este, in casu, o prazo que deve ser aplicado. Explicase. Até o advento da Lei Complementar 118 de 09 de Fevereiro de 2005 era pacífico nos Tribunais entendimento de que o prazo para requerer a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação seria de 10 anos (tese dos 05 mais 05). Em reiterados julgados, os Tribunais ratificaram o entendimento de que a data de extinção do crédito tributário, para fins de contagem do prazo previsto no artigo 168, I do CTN (Lei 5.172/66), se daria depois decorridos 05 anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo (homologação tácita). Após este prazo se iniciaria o prazo de 05 anos definidos no CTN para que fosse requerida a restituição do indébito tributário. Neste sentido, vejase, como exemplo, o julgado do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrito: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000790/200577 Acórdão n.º 3801001.927 S3TE01 Fl. 14 4 TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N. 118/05. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ISS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. 1. Consolidado no âmbito desta Corte que, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. (...) (REsp 1109559/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/08/2011, DJe 09/08/2011) Todavia, com o advento da citada Lei Complementar 118/05, houve mudança no entendimento. A legislação em referência determinou, em seu artigo 3º, que a extinção do crédito tributário se daria com o pagamento e não com a homologação tácita do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E mais, pretendeu dar efeitos retroativos à aludida interpretação. Confirase a redação dos artigos 3º e 4º da Lei: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Neste diapasão, sem adentrar, neste momento, em todas as discussões travadas pela doutrina e pelos Tribunais acerca do alcance da referida interpretação, registrese que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a questão, considerou que o prazo reduzido para requerer a restituição só se daria após a entrada em vigor da Lei Complementar. Vejase a ementa do julgado proferido pela Corte Suprema: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000790/200577 Acórdão n.º 3801001.927 S3TE01 Fl. 15 5 do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL02605 02 PP00273) Como mencionado alhures, o pedido de restituição do Recorrente foi protocolizado em 07/06/2005, junto à Delegacia da Receita Federal de Araraquara, e o crédito indicado como pago indevidamente é do período de março de 1999. Ou seja, o pedido foi realizado dentro do prazo estipulado pela legislação (interpretação dada pelos Tribunais) vigente à época. Portanto, in casu, não se aplica a decadência invocada pela fiscalização, ficando essa desde já afastada. O segundo ponto que deve ser abordado nesta decisão é se o Recorrente tem direito ao crédito de PIS pago com base no § 1o., do artigo 3o., da Lei 9.718/98., que foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000790/200577 Acórdão n.º 3801001.927 S3TE01 Fl. 16 6 Conforme verificase nos autos, a Recorrente obteve provimento judicial no Mandado de Segurança n° 1999.61.02.00070375, já transitado em julgado, que lhe assegurou o direito de recolher a PIS sobre a base de cálculo correspondente ao seu faturamento, afastandose a incidência da referida contribuição sobre receitas que não sejam decorrentes da venda de bens e prestação de serviços, como, por exemplo, as receitas financeiras. Realmente, apesar de a ação não abranger pedido de restituição dos valores indevidamente recolhidos no passado, o pedido formulado na ação importa no reconhecimento incidental, pelo Judiciário, da inconstitucionalidade da exigência como um todo, o que permitiria, em última análise, na admissão de que todos os recolhimentos efetuados sobre a base de cálculo expandida da PIS desde que a Lei n° 9.718/98 passou a produzir efeitos foram indevidos. Entretanto, independentemente dos efeitos da coisa julgada da mencionada decisão proferida em sede de Mandado de Segurança, fato é que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000790/200577 Acórdão n.º 3801001.927 S3TE01 Fl. 17 7 O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse) O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28112008, teve a seguinte ementa: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões acerca da alcance do trânsito em julgado da Recorrente. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13851.000790/200577 Acórdão n.º 3801001.927 S3TE01 Fl. 18 8 {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Concluise, facilmente, que o pedido de restituição do crédito de PIS foi efetuado dentro dos regramentos legais que regem a matéria, devendo ser acolhido em sua totalidade com relação às receitas financeiras da Recorrente, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Porém, é também fato que não houve uma análise da efetiva existência do crédito declarado como pago indevidamente. Desta forma, para que não haja supressão de instância no presente julgamento, deverão os autos retornar à Delegacia de Origem em Araraquara para que, considerando o prazo decadencial de 10 anos para requerimento da restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e o direito à restituição dos valores pagos a título de PIS sobre receitas que não correspondam ao faturamento da Recorrente, verifique se o crédito que se pretende ter restituído está correto. Importante ressaltar que, em atendimento ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, caso haja necessidade, a Delegacia de Julgamento poderá requerer informações e documentos à Recorrente, afim de verificar a origem e a autenticidade dos créditos apontados no pedido de restituição. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento do Recurso Voluntário apresentado para: (i) afastar a decadência do direito de o Recorrente requerer a restituição do crédito de PIS pago indevidamente ou a maior; (ii) determinar o retorno dos autos à Delegacia de Origem em Araraquara para que, com base na documentação apresentada pelo contribuinte, apurar o crédito do Recorrente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 18/10/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11060.000013/89-22
Data da sessão: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 1990
Ementa: DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
Corrigida a instância no processo principal,
seus decorrentes devem,se submeter ao mesmo destino.
Numero da decisão: 103-10.153
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a correção de instância
Nome do relator: Ilcenil Franco
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Numero do processo: 10855.003159/99-47
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1991 a 01/09/1995 DECADÊNCIA. PIS/FATURAMENTO. Decai em cinco anos o direito à Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados da forma estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF-02-02.599
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1991 a 01/09/1995 DECADÊNCIA. PIS/FATURAMENTO. Decai em cinco anos o direito à Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados da forma estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Bezerra Neto - Relator Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López, Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10855.003159/99-47 Acórdão n.º 02-002.599 CSRF/T02 Fls. 309 _________ 2 Antonio Bezerra Neto, Henrique Pinheiro Torres, Flávio de Sá Munhoz, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Relatório Trata o processo de Auto de Infração de fls. 1 a 9, lavrado em 23/09/1999, em decorrência de insuficiência de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, referente aos períodos de apuração compreendidos entre Outubro de 1991 a Setembro de 1995. A autoridade Delegada de primeira instância julgou procedente o lançamento, nos termos da decisão de fls. 117 a 128, onde a autoridade deu prosseguimento a ação fiscal iniciada em 31/05/99, após analisada documentação apresentada e consulta a legislação considerou que, a contribuinte obteve na justiça liminar autorizando a depositar judicialmente as quantias referentes ao PIS na forma estabelecida da Lei Complementar 07/70. Tal ação transitou em julgado conforme Certidão de Objeto e pé de fls .61 . A descrição dos fatos encontra-se no Termo de Constatação de fl. 63 e as cópias das Guias de Depósitos estão nas fls.34/59. O presente auto foi lavrado sem suspensão de exigibilidade pois trata das diferenças entre os valores pagos e os valores devidos depositados, onde teria sido considerado como pagos os valores depositados, restando os valores referentes à insuficiência de depósitos efetuados, sobre os quais não se cogita suspensão da exigibilidade. Irresignada com a decisão da DRJ em Ribeirão Preto-SP, a interessada interpôs Recurso Voluntário , de fls. 135 a 152, a este Conselho de Contribuintes, onde alegou e fundamentou, em suma, que: 1) A base de cálculo utilizada no auto é faturamento da empresa no próprio mês do fato gerador, critério este que destoa da sistemática da Lei complementar n.º 07/70. 2) Segundo decisão transitada em julgado, a empresa está sujeita ao recolhimento do PIS à alíquota de 0,75% sobre o seu faturamento auferido no sexto mês anterior ao vencimento dessa contribuição social. São claros os termos do art 6º, §único, da LC 07/70 ao determinar que a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente e que não houve qualquer modificação da base de cálculo do PIS pela legislação superveniente. 3) Ao desrespeitar um dispositivo legal, o auto de infração feriu o art 5º, XXXVI da Constituição Federal. Os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através da decisão de fls. 217 a 220, acordaram, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos da seguinte ementa: “PIS/FATURAMENTO.DECADÊNCIA Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10855.003159/99-47 Acórdão n.º 02-002.599 CSRF/T02 Fls. 310 _________ 3 Decai em cinco anos, na modalidade de lançamento de ofício, o direito à fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado. Os Lançamentos feitos após esse prazo de cinco anos são nulos. LEI COMPLEMENTAR Nº 7/70 Ao analisar o disposto no art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar n º 7/70, há de se concluir que “faturamento” representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador( de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente) relativo à realização de negócios jurídicos ( venda de mercadorias e prestação de serviços). Recurso ao qual se dá parcial provimento.” Às fls. 224 a 249, o representante da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, cujos acórdãos paradigmas abraçam o prazo decadencial de 10 anos para o fisco efetuar o lançamento da contribuição social em causa, ex vi art. 45 da Lei nº 8.212/91. Contra-razões de fls. 268 a 286. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional pode ser admitido nos termos do art. 32, II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/98, e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, no recurso especial apresentado a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, a PGFN pede a aplicação do prazo de dez anos na decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir crédito tributário relativo à contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Sendo o PIS Contribuição sujeita ao lançamento por homologação, o prazo para extinção do direito de a fazenda Pública constituir o crédito é definido pelo § 4º do art. 150 do CTN, que via de regra o fixa em 5 anos. “Art. 150. O lançamento por homologação (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifei) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10855.003159/99-47 Acórdão n.º 02-002.599 CSRF/T02 Fls. 311 _________ 4 Porém da simples leitura do § 4º, verifica-se que o CTN, em verdade, também faculta à lei a prerrogativa de estipular prazo diverso, maior ou menor, para a ocorrência da extinção do direito da Fazenda Pública. E razoável é que assim seja, posto que, como se sabe, cada exação, além de possuir distintos níveis de complexidade – demandando, portanto, procedimentos de administração, fiscalização e arrecadação de características também distintas -, pode trazer atrás de si interesses públicos de diferenciados matizes, justificando tais circunstâncias a adoção de diferentes prazos decadenciais (como é o caso do FGTS, que por voltar-se à proteção do trabalhador, possui o prazo bem mais amplo de 30 anos, ou as próprias contribuições sociais, que por destinarem-se ao financiamento da seguridade social – função estatal de indiscutível relevância e prioridade -, tiveram o prazo estendido para 10 anos). Dessa forma, deve-se aplicar à Contribuição para o PIS as regras gerais das Contribuições para a Seguridade Social, que estão dispostas na Lei nº 8.212/91. Sobre decadência, dispõe o art. 45, I da Lei nº 8.212/91, verbis: “Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído.” E não se venha alegar que o PIS não estaria abrangido pelo prazo de dez anos previsto na referida Lei, vez que este diploma não mencionaria expressamente predita contribuição social, senão vejamos. O PIS classifica-se como Contribuição para a Seguridade Social. Nesse sentido manifesta o Excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dr. Carlos Veloso, no voto do julgamento do RE nº 138284-8/CE: "O PIS e o PASEP, passam, por força do disposto no art. 239 da Constituição, a ter destinação previdenciária. Por tal razão, as incluímos entre as contribuições de seguridade social. Sua exata classificação seria entretanto, ao que penso não fosse a disposição inscrita no art. 139 da Constituição, entre as contribuições sociais gerais.” Confirma essa tese o fato de que, nos termos do 239 da Constituição Federal, a contribuição para o PIS destina-se ao financiamento do abono salarial e do seguro desemprego, que são atribuições da previdência social, nos termos do art. 201, incisos III e IV da Constituição Federal, in verbis: Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Fl. 311DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10855.003159/99-47 Acórdão n.º 02-002.599 CSRF/T02 Fls. 312 _________ 5 III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) IV - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Outrossim, o PIS é uma contribuição social incidente sobre o faturamento, que é uma das bases de financiamento da seguridade social, ex vi art. 195, da Carta Magna. Portanto, o art. 45 da referida Lei inclui também nesse prazo o PIS. Observa-se, também, que esse entendimento está em consonância com o art. 146, III, “b”, da Constituição Federal de 1988, uma vez que o CTN dispõe sobre normas gerais em matéria de decadência, ao passo que a Lei nº 8.212, de 1991, contém normas específicas, expressamente previstas no § 4º do art. 150 do CTN. Roque Antônio Carraza leciona nesse sentido, quando afirma que à lei de normas gerais não cabe fixar prazos decadencial e prescricional. “... a lei complementar, ao regular a prescrição e decadência tributárias, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais (...) Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada ‘economia interna’, vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas. (...) a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria entidade tributante. Não de lei complementar. (...) Falando de modo mais exato, entendemos que os prazos de decadência e prescrição das ‘contribuições previdenciárias’, são agora, de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que, segundo procuramos demonstrar, passam pelo teste de constitucionalidade.” (Apud Leandro Paulsen, Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência, 6. ed. Ver. Atual., Porto Alegre, Livraria do Advogado. ESMAFE, 2004, p. 1182) Não é só na doutrina que tal entendimento tem se mostrado presente. Exemplar neste sentido é a recente decisão unânime da 1.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, prolatada nos autos do Recurso Especial n.º 189.151/SP, de 02/08/1999, que teve como relator o Min. Humberto Gomes de Barros, e que ficou assim ementada: PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO DA COBRANÇA DE TRIBUTOS FISCAIS (Lei 6.830/80). POSSIBILIDADE DE SER TRATADA EM LEI ORDINÁRIA. Os dispositivos que tratam da prescrição da ação de cobrança de tributos não constituem normas gerais de direito tributário. Podem, assim ser tratados em lei federal ordinária. Precedentes do STJ. Como se percebe, também no âmbito de nossos tribunais superiores a tese exposta encontra acolhida. Certo é que o acórdão refere-se à prescrição, mas a analogia com a decadência é evidente. Por seu turno, vale acrescentar que o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 (DOU de 18/12/2002), que regulamenta a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral, reza: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10855.003159/99-47 Acórdão n.º 02-002.599 CSRF/T02 Fls. 313 _________ 6 “Art. 95. O prazo para constituição de créditos do PIS/Pasep e da Cofins extingue-se após 10 (dez) anos, contados (Lei nº 8.212, de 1991, art. 45): I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído;” Dessa forma, verifico que não houve a decadência dos créditos da Contribuição para o PIS relativos aos períodos de apuração 01/10/1991 a 30/09/1995, já que a Contribuinte teve ciência do Auto de Infração em 10/01/2001, antes do prazo de dez anos do art. 45, I, da Lei nº 8.212/91. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É assim como voto. Antonio Bezerra Neto Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão CSRF/02-02.599, tendo em vista que o redator designado, Conselheiro Gileno Gurjão Barreto deixou o colegiado antes da formalização e assinatura deste acórdão. Para tal fim, adoto a minuta de voto entregue à secretaria pelo Conselheiro Gileno Gurjão Barreto na ocasião do julgamento, in verbis: "No que diz respeito ao prazo decadencial para lançamento do tributo, adoto como razões de decidir os argumentos utilizados pelo I. Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, transcritos a partir da decisão a quo: “Com efeito, entendo assistir razão à recorrente quanto ao fato de terem decaídos os fatos geradores anteriores a agosto de 1994, pois a jurisprudência deste Colegiado, a propósito do tema em apreço assim já se consolidou, friso, com respaldo da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes': 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10855.003159/99-47 Acórdão n.º 02-002.599 CSRF/T02 Fls. 314 _________ 7 "Ementa: DECADÊNCIA — PIS/FATURAMENTO — Decai em cinco anos, na modalidade de lançamento de oficio, o direito à Fazenda Nacional de constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetivado. Os lançamentos feitos após esse prazo de cinco anos são nulos." Assim, com observação ao artigo 150, parágrafo 4°, do CTN, voto pela revisão e reforma do acórdão recorrido, pois extinto o crédito tributário relacionado aos fatos geradores do período de outubro de 1991 a agosto de 1994, uma vez que a lavratura do auto de infração ocorreu em setembro de 1999.” Isso posto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Procurador quanto ao prazo decadencial para lançamento do tributo. É como voto." Com esses fundamentos, o colegiado negou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 314DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/07/201 5 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000322/90-59
Data da sessão: Sat Apr 17 00:00:00 UTC 1993
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL- NULIDADE DE DECISÃO - A não apreciação integral da impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa. Anulada a decisão, o recurso interposto será apreciado como impugnação.
Numero da decisão: 102.28.038
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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DE AWM DE 1993 ACóRDA0 N2 J02 28.038 RECURSO 6/../51 1RPF - EXS.JJ DE 1986 a 1989. RECORRENTE: ' f.:iFf r,91111H1 OfklçAi VES DOS SANfOS RECORRIDA o „ re. „ 1:: „ r.:,!in 1' i ( Á ;,1 1 ES ( ::1 s.:.:.F.,.1.:V:::'. - ;10 PROCESSO ADMINISTRATIVO F ISCAI_ -- NUL I DADE DE DEC I SA0 - A 1-1 S's e .s,. p r- kz,.. c.: Á iFÁ c; iá (:Á Á n t. ÇÁ-Át.1 ra I. da impugnação carãcterja cerceamento do direito de defeva. Anulada a decilsão, o LeCtArS0 interpolo e .J' . 4t apreciado como impiAgnação. V i:-'::. I: drs. „ ? el e. 1 éR ri c...)E.:, e c.:1 Á. s di ttid c...., s.-,:. o .1:à:. p t- e -E.:. ce; .tt. éz:., is Jau t.. tp s. cl:::, t c:Ác:( (J . s.ci in 1. i...,., i' pcÁs 1.X:5 ç.ic...;; 1:W: . .i dl i l ; 1 (3 0i. )1 i i,:;: i-"W k."1::.S DOS .:...;(2•IN ft tS „ ACORDAM o s. tif:::: ta f.:Á t ç,...)::::.c..1:.::', E3 e c; 1. (; 'i da . t::::ã fri:T:'‘ 1' .i::',. de, Fr Á In e:. 1 PC) f :: on ::::. f.:.....? I. he:-.Á de f. ::(:-...,n Lr Á ;31. t i I 'I t: e Es , por lin an umidade de ,../cp t.c::(s. „ ià.int tlar a cl CÁ c: i s. :á c..... d s.! .ip .i.fBefit• ....:Á i 1" .! !::. t' 2.,..i r!!.. ta !".3 C ." ? l.... e I., . e El. inerlt c:-Á ci {5 c.1 Á. r e Á I:: c:Á de defes,-,R „ ri e 5 t: e r Me SS d o ? e 1 ;..R 1.... (5 ?" i. Ca e -,./ 0 1I que p • s. sa. fri st ánted t . .f...Á. t c. pte .:JJenie jnJgado. !!' !,... i:'. E.:• :,.i ,...:: I ri .! 7 de ni :.:', i • (....; (:) el f:''..- I 99'3 „41 1R:ilk:IJ -SP"PUNIER • 1::'1:;:.E.. S 1 DE. H ...i E: ' i 4 ,------ , Sviee/tt- £,,C-tA-r,, ,9te, `1-2,6, ae, ‘ E: 1 , 1 I:d T:":.:.! 1 11(.3 .r A DE ;"::'A; 1 ; (..:) r.); .; ,..);:::11. R.A .í.)i..:';; n ;:',...f:-.4,íií'jr...f.(::.'t j.)A SESSA0 DEI', FAZENDA NACIONAL f? ; h `i t", ''') .1 ,"lrI í •-i'.., 011Ak '..:..i',-.“4 :'.st. t 1... Á di par am„ a I ; .f. d -e „ do o 1, - o E-.., en te ) 1. ; Á. (..,1 i.-R in e! .5 t. C..! „ os SE. q 1..k i. r! 1: e 5 i.: :: f.:M Selfits, itos HAL DE. '...)A 1'1 A ; . ',..-)F...": S DIE til Á '..,"E 1 l'','. A „ E EA 11 ( 3 1 51.;13 DE FOI 11... O ; ''. t ÁRRE"s?".Á 1: ORNE T;";,.1"3 G 1F F:. ;.)1\11. KA Mi(' I 51-1 11 , ; :: PI R ! .(:1S R. t3 BER 03 11131\1 1 E I R (. ; .E;I:..1.< 1 A Z I • ,..1 r. 3 i 1 ::, 1. ..*. iSSA R E= OmE s •ir,, s ti i,,, Pl e il (..'! R I A (1..1... Ét. 1 A DE ANDRADE FIGUEIREDO. 1 I i 1 ,.. Op MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 . , Itáje PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '':-',•-áà.', ioo PROCESSO N r.:2„, 106.70/000.322/90-59 RECURSO N2 g 67./51 ACóRDA0 N 47.2 g 102-28.03S RECORRENTEE. OERMTNIO OONçAi»,./ES DOS SANTOS RELAT6RI O Sendo apurado acréscimo patrimonial a descoberto em decorr-éncia. de procedimento de revisão interna das Dor:. ar de Rendimentos referentes aos exercícios de 1986 a 1989, anos base 1965 a 1988, GERMINTO BONçALVES DOS SANTOS, CM'. NP 501473238-W), sdicionado à Delegacia da Receit.a Federal em Montes Claros, MO, foi notificado a. recolho'f- Imposto de Renda, conforme notificaçb'es 073/90 a 076/90 .'''-' eo 1986 --- 1505,97 BTNFs, ex 1967 -. 2.589,99 DINFsp ex 1988 '-' 1.861,00 WINF's e ex 1989 -- 090,73 BINFS, acrescido das correspondent.es gravemos legais. Impugnndo a feito, através de patrono e no prazo prorrogado nos termos do inciso I do Artigo 62 da Docreto n2 7i."1...25,7-72, o contribuinte alega, em síntese, com relação ao acréscimo ,.. iJatrimonial que lhe foi 1mpu1: ado2 -'' que, em junho/05, vendeu. à Empresa 'Ouajajaras Veículos 1...I1)11" um veículo '.• KOMBI -- adquirido em 06.05.853 não possuindo documen£ p comprobatório da negociação -'''' qu.0 :','1.1.. j .. Cl) ell.. . i. C) '-...-`.-::: :í. C:k..i. j . C) -- KOHP . ..1. • • d 1:::, p 1..i.i.s.. (/ adquiridO ' em 29.04.86, em junho de 198'...) :. , ,. , „.. ; MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 . , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2: 10.620/000.322/90-59 ACÓRDA0 N2: 102 -28„032 ---- que o caminhão Mercedes Benz, tipo caçamba L-1 -313, foi vendido em 01/88 para José Gilson Velos° Caldeira, e por . estetransferido para a empresa AN1A9:ES, tendo ane .xado copia do cadastro do veículo, fornecido pelo Detran/MO, e da Declaração de Rendas de JOSÉ G f 1... SON V E t.... 890 CAl....1)12.:HIRAN -- COM relação à cobrança de imposto de renda sobre a avaliação do imóvel do Rua Ampere 91 - Bairro de Lourdes, que a fabela do Sindicato da íkwIstrução Civil de Minas Gerais nãc . é condizente com a região, não servindo de apoio para a avaliaçoo, F..5 ainda, que não deve ser. considerado como construçao O 39 pavimento do imóvel, por. trator-s.e apenas de paredes laterais à altura de 2,40 MPU - 095:., cobertos de telhas, sem divisórias internas. Apreciando a impugnação, a. revisora afirmo que a impugnação devera ser formalizada por escrito e instruída com OS documentos em que se fundamentar. e ser de responsabilidade do contribuinte a guarda do5 documentos e ou comprovantes que serviram de base à sua Declaração, não se justificando pedido de deligência para comprovação de alienação de veículos, Afirma que o arbitramento ao custo da construç,J ia foi feito com base no tabela de Custo unitários de Edificaçbes dabitacionais elaborado pelo Sindicato do indústria de Construção Civil noE'..stado de ::.. ,5 ¡Ser a i o „ e in com !:::: r- .i.. iitc:::.? 1.:. o .:.:Tt. (:::i a r- I:. :: rt 9 94 d Et I__ e .L 4 `...'t 9 I ci 17.-:.? 11„ / i niaMi- - MINISTÉRIO DA FAZENDA 4. W PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRnr4= 5:1Rn No- 1.0.670-000.322/90-59 ACóRnA0 No :;:- 1.02-28.0:38 Cansiderãndo terem sido emitidos NotificaçCes distintas para cada exercício e que o contribuinte ao requerer . prorrogaçào de prazo para impugnação, (Tis /2) o fizerã apenas em relação à Notificação no 076/90 correspondente ao exercício 1989, ano base 1988, a autoridade julgadora decidiu não tomor conhecimento das justificativas . fcmmAiodas quanto aos demais exercícios, por intempestivo a impugnação. Com relação ao exercício de 1989, no que se refere ao acréscimo patrimcmiol opurãdo em artdtramento do custo da construção do imóvel situado à Av. Ampere n g 01 julga tf..Y.?c... amparo legal o aplicação da rabeio do SINDUSCON, como base de cálculo, foce • à não comprovação do custo, considerãndo ser O ..5g. pavimento área construido, independente de divisorias internos, devendo portanto SOr inserido na ároa total do imóvel. Cita diversos acórdãos deste Conselho de Contribuintes:: 102- .23.015/88, 23.016/82 e 23.047/08, 106- 600/88 2 106-1.534/89 5 que reforçariam seu entendimento. irreSignado, o contribuinte recorre a este Colegiado estando suas Razbes de recurso voluntário • acostados a fls. 93 a 96. É o roltóriO. ..... Ur' 1 I l' og-4.4 MINISTÉRIO DA FAZENDA %,..~ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5. PROCESSO Ng t. 10670/000„... - 2/90' 59 ACÔRDA0 N2 g 102 20„0.30 VOTO Conselheira URSUL( HANSEN, Relatorag Estando o recurso revestida de todas as formalidades legais, de.ie Lomo Considerando que foram epnaidas A (quatro) NoLificaçbes referentes aos exercicios de .i 98 à 989, recebidas pelo 0......inur1bu1nte em conjunto, conforme comprova o AR dV:? fH5. ConsiderandocI nE ci Cf:01ILY boi. ole a rir esent.c.d.1 I f.a 1: ivamef 1 cc na impugnai.....: â, C) :3 (...= E j' O f.:1 .0 prazo cc C:4 ir cigadc .i nos 1 iii r a CS do Utem do Artigo 62 do Decretn lei n o 702.).:5/72',1 l,lonsiderando que a Autoridade "a quo' deixou de tnmar conhecimento da impugnação com relação às Notificaçbes de n2 07l1/90 e 075/90, por intempestivas 1, der no entanto, que El.° comunicar ao C.CJi 11' ouinte o aten CLÃ. MRJ 1. o ao SEU remq Lue.y., V 1.. mento a a At'oriciade 1...irie.paradora prorrw,....lou o prazo para impugnação do dobi10 "ConstanLe no proc:,ccsscc n o .1. / O O (...) .322/9o- 59:: F..?!cci oc.ce o f .2: 0 7 ) „ crer e ... o ci cc fc j f.C.? o to a cioc:.isàcc ci o 1 0 1. n st. EjJ. ccv' _ r e e: or . r á -da na parte p. efer en I .. e à iiec. lar ação de i Loa p E''ES ad o parcial da impugnação face A proi-rowação do prazo para O 2rocesso. '.....S.onsiderando o acima EJ .:0051:0, se, ievifica LR!' ocorrido "C.ErCEãMEH i.'0 ao aireiuo de drPSA ao contribuimlie„ - .0.p MINISTÉRIO DA FAZENDA 6. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No O 6 000 90 AC6RDA0 N -2 „ c•C8 s % I Cl O iYik .1 " )1 I à'ik ' Ci E' C: C.;k I O para til t %' r istEi o iittt t - .t 1. ti r.) itttti ;ri et fk i % I %%':‘ ki L'E% 1 2 2 b 1 A r.r.: - RE I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.909358/2006-99
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO PARA O EXTERIOR.
Para fazer jus ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições PIS e COFINS instituídas pela Lei Complementar nº 7 de 1970 e 8 de 1970, no caso de venda a empresa comercial exportadora,deve ser comprovado que a operação ocorreu com o fim específico de exportação para o exterior, nos termos do parágrafo único da Lei nº 9.363, de 1996.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos no sentido de rejeitar a realização de diligência, vencido o relator, para no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosqueira, OAB/SP nº 83.755 e pela Fazenda Nacional o Dr. Marco Aurélio Zorteia Marques.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO PARA O EXTERIOR. Para fazer jus ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições PIS e COFINS instituídas pela Lei Complementar nº 7 de 1970 e 8 de 1970, no caso de venda a empresa comercial exportadora,deve ser comprovado que a operação ocorreu com o fim específico de exportação para o exterior, nos termos do parágrafo único da Lei nº 9.363, de 1996. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos no sentido de rejeitar a realização de diligência, vencido o relator, para no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosqueira, OAB/SP nº 83.755 e pela Fazenda Nacional o Dr. Marco Aurélio Zorteia Marques. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 28/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 93 58 /2 00 6- 99 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão nº Acórdão 1425.020 2 Turma da DR.FRPO, prolatado na sessão de 1º de julho de 2009, que indeferiu as compensações das DCOMP eletrônicas nº 18058.17231.151003.1.7.016197, nº 06915.06189.101103.1.3.012273 e nº 15180.77849.130104.1.3.010617, destinadas à compensação de valores decorrentes de crédito presumido de IPI, do 3º e 4º trimestres de 2003, com débitos de COFINS do período de apuração de 01/09/2003 a 31/12/2003, conforme sintetizado através da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. REQUISITOS. Não demonstrado pela contribuinte haver remetido as mercadorias,diretamente para embarque de exportação, ou efetuado o depósito em entreposto, sob regime aduaneiro de exportação, há que se desconsiderar o crédito presumido correspondente. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO Inexistente o crédito que lastreia a compensação, deixase de homologar a compensação declarada. Solicitação Indeferida.” Consta da decisão recorrida tratarse de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n° 9.363/96, para ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre os insumos aplicados em produtos exportados, conforme a própria manifestante relata às fls. Todavia, o direito ao crédito presumido de IPI está inteiramente condicionado à realização das exportações dos produtos, e no caso, não existe o direito sem que tenham ocorrido as exportações. De acordo com o Anexo n° 06 do Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária n° 592/2006 (fls. 28/29) a empresa CANORP apenas intermediou transações de exportação entre empresas vinculadas, por exemplo, comprou soja da Bunge do Brasil e exportou para a Bunge nas Ilhas Cayman. Conseqüentemente, não poderia ter realizado qualquer operação de exportação para a Companhia Brasileira de Distribuição. Para adquirir o direito ao crédito, a contribuinte deve demonstrar, conto preceitua o parágrafo único do art. 1º da Lei n° 9.363/96, que a venda à empresa comercial exportadora teve o fim específico de exportação. Assim preconiza o DecretoLei n° 1.248/72, ao conceituar a expressão "fim específico de exportação": Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10880.909358/200699 Acórdão n.º 3301000.049 S3C3T1 Fl. 380 3 ”Art. I° As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim especifico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, , por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento.” Cientificada em 14/09/2010 (AR – fl. 173), a recorrente alega no recurso voluntário de fls. 174/198, protocolado em 09/10/2009, sustentando inicialmente, que a decisão ora recorrida, assim como a anteriormente proferida pela DIORT, carecem de motivação adequada. Com efeito, conforme mencionado anteriormente, para justificar a afirmação, no sentido de que as exportações que geraram créditos de IPI eram "fictícias", bem como a conseqüente não homologação das compensações. Analisadas, a DIORT, limitouse a citar notícias extraídas da internet e relatos constantes de processo administrativo formalizado em face da CANORP. De fato, para evitar o cometimento de abusos por parte do Poder Público, o Legislador Constituinte expressamente estabeleceu a motivação como um requisito de validade de qualquer decisão administrativa, no artigo 93, inciso X, verbis: "Artigo 93. (...) (...) X as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta dos seus membros". (g.n.) Sustenta que a discussão acerca da legalidade e da efetiva existência da operação, que deu origem ao crédito de IPI utilizado nas presentes compensações, está sendo realizada nos autos do processo administrativo n o 19515.000982/200661, que ainda está pendente de decisão final e com a exigibilidade suspensa (doc. 04). Entretanto, de forma meramente supletiva, caso esse E. Conselho entenda não ser o caso de reunião dos processos, requer seja deferido o sobrestamento do presente processo até o julgamento final daquele indicado neste tópico. Isso é possível, pois, nos termos do artigo 265, IV, do Código de Processo Civil. Em relação ao mérito, defende a regularidade/legalidade das operações praticadas pela recorrente e a efetiva existência dos créditos de IPI Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Inicialmente, no que tange a esse ponto, entendeu a DRJ, de forma equivocada, pela inexistência do direito ao crédito, conforme se observa dos trechos abaixo transcritos: "(...) a empresa CANORP apenas intermediou transações de exportação entre empresas vinculadas, por exemplo, comprou soja da Bunge do Brasil e exportou para a Bunge das Ilhas Cayman. Consequentemente, não poderia ter realizado qualquer operação de exportação para a Companhia Brasileira de Distribuição." (fls. 171) "Outro aspecto essencial é que não basta a comprovação da exportação. Mesmo que ficasse provada a venda para a CANORP, para que essa empresa realizasse a exportação, ainda assim não estaria garantido o direito ao crédito de IPI. Isto porque, para adquirir o direito ao crédito, a • contribuinte deve demonstrar, como preceitua o parágrafo único do art. 10 da Lei no 9.393/96, que a venda à empresa comercial exportadora teve o fim específico de exportação." (fls. 171) "É fato que não há provas nos autos deste processo da ocorrência da exportação, bem assim o contribuinte não comprovou o necessário atendimento ao precitado DecretoLei, demonstrando haver remetido diretamente para embarque de exportação ou efetuado o depósito em entreposto, sob regime aduaneiro de exportação." (fls 172) Desta forma, conforme demonstrado pelo gráfico anterior, havia a execução das seguintes etapas: a) Compra da soja em grãos de uma empresa atacadista desse produto, no caso a Centúria S.A Industrial, Comercial e Agrícola ("Centúria"); b) Como a operação tinha por intenção a exportação de farelo e óleo de soja, a compra se traduziu na operação simbólica de recebimento da soja, ao passo que a mercadoria efetiva foi diretamente entregue a uma sociedade industrial, a Rubi, por conta e ordem da Recorrente. c) De sua parte, a Recorrente encomendou à Rubi a industrialização da soja entregue ou já existente em seus armazéns (sempre adquiridos da Centúria, conforme discriminado no documento fiscal que recebia). d) Com isso foram obtidos os produtos a serem exportados, os quais foram vendidos com a finalidade específica de exportação, novamente remetidos de forma simbólica pela Recorrente à Cooperativa Agropecuária Norte Pioneira ("CANORP"). e) A Rubi se encarregava de enviar os derivados da soja diretamente para a CANORP que, em nome próprio, estava encarregada de efetuar a exportação. Ainda, cumpre informar que estas operações de compra, industrialização e exportação de soja foram realizadas rotineiramente pela Recorrente há mais de 20 anos. Em outras palavras, a Recorrente não praticou operações distintas daquelas que habitualmente realiza, os memorandos comprovam sim a realização da exportação. Inclusive, eles são os documentos adequados para comprovar essa operação. Todas as provas a que se refere a Recorrente fazem parte do processo administrativo n0 19515.000982/200661. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10880.909358/200699 Acórdão n.º 3301000.049 S3C3T1 Fl. 381 5 Alega que agiu com boafé, diante da aparente idoneidade das empresas envolvidas e dos documentos de exportação (memorandos) e notas fiscais de exportação apresentados, eventual irregularidade por parte de alguma delas não pode prejudicar a Recorrente, sendo inequívoco que a decisão ora combatida merece ser reformada, de modo que sejam reconhecidos os créditos de IPI compensados nos , presentes autos e homologadas, por conseqüência, as compensações realizadas. Requer, por fim o provimento do recurso, ou alternativamente, seja determinado o sobrestamento do presente processo até que haja decisão definitiva no processo administrativo no 19515.000982/200661. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e revestido dos demais pressuposto de admissibilidades. Inicialmente propus que o julgamento fosse convertido em diligência, a fim de que se aguardasse a conclusão do processo nº 19515.000982/200661, por entender que, mesmo não se referindo aos créditos alegados, poderia ser que com a conclusão do referido processo fosse julgado, poderiam ser comprovadas as exportações alegadas pela Recorrente. Entretanto, como este colegiado rejeitou a proposta de realização da diligência, por entender que mesmo sendo comprovadas as exportações pela Cooperativa Agropecuária Norte Pioneira – CANORP, tal comprovação não beneficiaria a Recorrente, uma vez que a referida cooperativa não é Comercial Exportadora, nos termos do art. 1º, parágrafo único, alínea “a” do DecretoLei nº 1.248/72: ”Art. 1° As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim especifico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, , por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento.” Em relação ao mérito, entretanto, melhor sorte não assiste à Recorrente, porquanto uma vez não comprovadas as operações de exportação através de comercial exportadora, não faz jus ao crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n° 9.363/96, para Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre os insumos aplicados em produtos exportados. O direito ao crédito presumido de IPI está inteiramente condicionado à realização das exportações dos produtos, e no caso, não existe o direito sem que tenham ocorrido as exportações. De acordo com o Anexo n° 06 do Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária n° 592/2006 (fls. 28/29) a empresa CANORP apenas intermediou transações de exportação entre empresas vinculadas, por exemplo, comprou soja da Bunge do Brasil e exportou para a Bunge nas Ilhas Cayman, logo, não poderia ter realizado qualquer operação de exportação para a Companhia Brasileira de Distribuição. Ademais, para adquirir o direito ao crédito, a contribuinte deve demonstrar, nos termos do parágrafo único do art. 1º da Lei n° 9.363/96, que a venda à empresa comercial exportadora teve o fim específico de exportação, o que no caso, não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 11686.000015/2009-79
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.128
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 1º trimestre de 2008, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos relativos as seguintes despesas: (i) fretes de transferência entre os estabelecimentos da recorrente; (ii) agenciamento de leite; (iii) aquisição de leite in natura cujos fornecedores utilizaramse do benefício da suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000015/200979 Resolução n.º 330200.128 S3C3T2 Fl. 272 2 Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade na qual discorre sobre a sistemática da não cumulatividade dos PIS, da Cofins, do IPI e do ICMS para apontar distinções entre as sistemáticas desses impostos e contribuições para concluir que tem direito ao crédito referente a todos os bens corpóreos adquiridos e a todos os serviços aplicados na formação da receita. Especificamente quanto aos crédito presumido sustenta que não é empresa agroindustrial e que nas notas fiscais de aquisição não havia indicação de que as mercadorias tinham sido adquiridas com suspensão das contribuições, levando a conclusão de que o crédito deveria ser calculado pela regra do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, dando direito ao ressarcimento pleiteado. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão no 1025.345, de 13/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 geram créditos de PIS e de Cofins, respectivamente, pela sistemática da não cumulatividade. VENDA DE LEITE "IN NATURA" SUSPENSÃO CRÉDITO PRESUMIDO Comprovado que a venda de leite "in natura" ocorreu com o benefício da suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004.. Ciente desta decisão em 25/05/2010 (AR de fl. 232), a empresa ingressou, no dia 23/06/2010, com o recurso voluntário de fls. 233/261, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescenta que a decisão recorrida ignorou argumentos seus relativos as condições de emissão da nota fiscal com exigibilidade suspensa e sua condição de empresa não agroindustrial. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, dele conheço. A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito de Cofins não cumulativa relativo as despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus e com frete entre seus estabelecimentos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000015/200979 Resolução n.º 330200.128 S3C3T2 Fl. 273 3 Também pretende a recorrente ver reconhecido o direito de calcular os créditos nas aquisições de leite in natura, realizada junto a pessoas jurídicas, na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, consequentemente, ver reconhecido o direito ao seu ressarcimento. Sobre esta última matéria, a Fiscalização efetuou a glosa dos créditos com base em declaração prestada pelos fornecedores de leite in natura de que a venda realizada à recorrente foi com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Independente do argumento da recorrente de que não é uma empresa agroindustrial, a que se refere o art. 6º da IN SRF nº 660/06, é fato que a empresa vendedora de leite in natura, para dar saída ao mesmo com suspensão da exigibilidade de PIS e de Cofins, deveria adotar duas providências, quais sejam: (i) exigir e receber de seu cliente a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06; e (ii) consignar na nota fiscal de venda que a mesma está sendo realizada com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, conforme determina o art. 2º da mesma IN SRF. No caso sob exame, a Fiscalização não procurou verificar se as compras de leite in natura realizadas pela recorrente obedeceram às condições acima. A única medida tomada pela Fiscalização, para comprovar que as comprar foram realizadas com exigibilidade suspensa, foi colher de alguns fornecedores de leite in natura uma declaração de que as vendas foram efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Portanto, a prova trazida pela Fiscalização não é suficiente para afirmarse, com convicção, que as compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas foram com suspensão de exigibilidade do PIS e da Cofins e, portanto, o crédito a que tem direito é o previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04 (crédito presumido) e, em assim sendo, não pode ser objeto de ressarcimento ou de compensação por falta de previsão legal. Por outro lado, também a recorrente não prova suas alegações de que as aquisições de leite in natura foram realizadas sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins e que nas notas fiscais de aquisição não constam a informação a que se refere o art. 2º da IN SRF nº 660/06. Bastaria, para provar o alegado, a recorrente juntar cópias dessas notas fiscais. Existe a possibilidade de a recorrente ter adquirido leite in natura com e sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Para esclarecer essa situação, há que ser carreado aos autos prova e demonstrativo das aquisições nessas condições. Portanto, entendo que o processo precisa retornar à origem para completar a sua instrução com a juntada das provas sobre o regime de tributação do PIS e da Cofins (normal ou com suspensão) das compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas. Lembro que, pelas disposições do art. 4º da IN SRF nº 660/06, a empresa recorrente estava obrigada a fornecer a declaração prevista neste dispositivo. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000015/200979 Resolução n.º 330200.128 S3C3T2 Fl. 274 4 1 intimar a recorrente para informar, no período objeto do pedido de ressarcimento, para quais fornecedores seus, pessoas jurídicas, entregou a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e para quais fornecedores deixou de entregar a referida declaração. 2 intimar a recorrente a demonstrar o valor das aquisições de leite in natura junto a pessoas jurídicas, segregando o valor dessas compras, por mês e por fornecedor, nas seguintes categorias: 2.1 valor das compras a cujo fornecedor foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e este consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.2 valor das compras a cujo fornecedor foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 mas este deixou de consignar na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.3 valor das compras a cujo fornecedor não foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 mas este consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.4 valor das compras a cujo fornecedor não foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e este não consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 3 efetuar a conferência, por amostragem, das respostas da recorrente aos itens 1 e 2, juntando cópia, também por amostragem, das notas fiscais de aquisição de leite in natura para cada categoria acima referida; 4 intimar os fornecedores a que se refere o subitem 2.3 a apresentar a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06, emitida pela recorrente em data anterior à da emissão das notas fiscais de venda. Se a intimação não for atendida no prazo marcado, a diligência pode ser encerrada sem essa informação, subentendose ratificada a informação prestada pela recorrente. 5 prestar as informações que julgar necessário ao deslinde da questão; 6 elaborar relatório circunstanciado da diligência (Termo de Encerramento de Diligência), dele dando ciência à recorrente, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. 7 dar ciência desta resolução junto com o termo de início da diligência. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.002455/2005-18
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004
DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental.
PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES.
A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários.
CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE.
O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade prático-social, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros.
APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO.
Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Relator(a); B) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da existência de bis in idem, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso, pela existência de bis in idem; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Declaração de voto
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade prático-social, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Relator(a); B) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da existência de bis in idem, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso, pela existência de bis in idem; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Declaração de voto Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS GFIP VÍNCULO SALÁRIO UTILIDADE Recorrente HEIDELBERG DO BRASIL SISTEMAS GRÁFICOS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 24 55 /2 00 5- 18 Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Relator(a); B) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da existência de bis in idem, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso, pela existência de bis in idem; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.492 3 seja mais benéfico à Recorrente Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 35.669.8653, lavrado em 30/06/2005, que constituiu crédito tributário relativo a penalidade por não apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 08/98 a 05/04, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 509.509,45, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 30/06/2005, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 37/48, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário da DRPSão PauloSul determinou a realização de diligências, fls. 337/339, para que o fiscal autuante se manifestasse sobre as GPS anexadas. O fiscal autuante manifestouse em fls. 347 sem nada acrescentar. Na DecisãoNotificação de fls. 343/347, a DRP/São Paulo Sul concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 16/10/2005, fls. 354. O recurso voluntário apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que haveria nulidade da decisão a quo na medida em que não foram analisados todos os argumentos das impugnações às NFLDs 35.669.8688 e 35.669.8670 e ao AI 35.669.8661 que estão intimamente ligadas ao presente caso. Sustenta que as verbas apontadas pela fiscalização não compõem o salário de contribuição e, portanto, estão fora da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme já demonstrou nas impugnações das NFLDs. Haveria duplicidade na multa imputada pela fiscalização, tendo em vista que as obrigações referentes aos autônomos já foram exigidas na NFLD 35.669.8661. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Como as omissões na GFIP atribuídas à recorrente foram objeto de duas NFLDs: 35.669.8688 e 35.669.8670 e ciente de que o processo referente à NFLD 35.669.8688 já estava distribuído para este Relator, esta Turma converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução 120 de 17/03/2011 para que fossem, juntados documentos do processo referente à NFLD 35.669.8670 que já se encontrava no setor de Dívida Ativa da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.493 5 A diligência foi cumprida e os autos retornam para prosseguimento do julgamento. Para melhor compreensão, passamos a relatar o que a fiscalização lançou nas NFLDs 35.669.8688 e 35.669.8670. A NFLD 35.669.8688, já foi julgada por esta Turma por meio do Acórdão 230102.195 de 28 de julho de 2011, tendo o decisum o seguinte teor: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os motivos que serviram ao cálculo da multa até a competência 12/1999, anteriores a 01/2000, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; e b) Por unanimidade de votos) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator." A referida NFLD relacionavase aos seguintes fatos narrados naquela ocasião: A autoridade fiscal considerou como empregados da recorrente o Sr. Luiz Metzler, sócio da Metzler Comércio e Serviços Gráficos Ltda, e o Sr. Romualdo Mossom, sócio da R.M. Assessoria de Vendas S/C Ltda por ter encontrado os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. No caso do Sr. Luiz Metzler, a fiscalização apontou que este exercia função de relações públicas, trabalhando nas dependências da empresas com email institucional da recorrente. As notas fiscais da pessoa jurídica Metzler são seqüenciais, sendo que a recorrente paga complemento de assistência médica e reembolsa viagens. Ademais, o prestador assina documentos com timbre da recorrente para autorizar emissão de passagens aéreas, reservas de hotéis e aprovação de despesas. Tudo conforme documentos presentes nos autos, fls. 74/96. O Sr. Romualdo Mossom recebia sua remuneração por intermédio da RM Assessoria, mas exercia a função de Gerente da Região Sul, aprovando despesas e solicitando passagens aéreas, fls. 97/98. As notas fiscais da RM para a recorrente são seqüenciais, fls. 99/127. O Sr. Romualdo recebeu participação nos lucros destinada aos empregados da empresa e consta em documentos desta como gerente regional. Na planilha que apura a participação nos lucros há uma meta de vendas, o que sugere que o Sr. Romualdo seguia orientações da recorrente, sob subordinação. Por seu turno, na NFLD n° 35.669.8670 a fiscalização atribuiu natureza salarial a verbas pagas a titulo de ajuda de custo e a despesas com expatriados. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 A 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social (CAJCRPS), fls. 1293, julgou o Recuso da interessada em relação ao processo que tratava da NFLD 35.669.8670, negandolhe provimento de modo a confirmar o que já havia sido decidido em primeira instância, fls. 1124/1132. Há notícia em fls. 1292 que o respectivo débito foi pago, mas a interessada ingressou com ação anulatória de tal débito e de outros dois lançados pelas NFLDs 35.669.8696 e 35.669.8700, fls. 1316/1357. É o relatório. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.494 7 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.495 9 Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.496 11 outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.497 13 que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Tratamos de lançamos de ofício motivado por descumprimento de obrigação acessória, o que, segundo nosso entendimento anteriormente apresentado, levanos a aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, observando que tal situação não está abrangida pelo conteúdo do Resp 973.733SC. O lançamento foi cientificado em 30/06/2005, assim, o Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.498 15 fisco tinha até 11/1999 para efetuar o lançamento. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Do mérito Esclarecemos que o auto de infração 35.669.8661 diz respeito a outra penalidade por não apresentação da folha de pagamento, o que afasta o argumento da recorrente de que teria havido duplicidade de lançamento. Como já relatado,. as omissões na GFIP atribuídas à recorrente foram objeto de duas NFLDs: 35.669.8688 e 35.669.8670. Esta última, conforme relatamos, já foi objeto de decisão definitiva na esfera administrativa, bem como a interessada tenta anular o respectivo débito na esfera judicial. Portanto, a discussão sobre os fatos geradores incluídos na NFLD 35.669.8670 já foi encerrada na esfera administrativa. A NFLD 35.6698688 já foi objeto de julgamento por esta Turma, porém ainda não alcançou a definitividade, o que nos leva a repetir a argumentação que adotamos naquela decisão. Da prova indiciária no direito tributário A recorrente não admite a prova indiciária no direito tributário, o que nos induz a algumas considerações sobre tal tipo de elemento probatório. Fabiana Del Padre Tomé, autora com obra relativamente recente e que é freqüentemente citada no estudo das provas, é enfática ao afirmar que “toda prova é indireta, pois nunca se tem acesso aos fatos, que são sempre passados. Daí por que toda prova é uma conjectura, levando à presunção acerca da ocorrência ou não de certo fato”(A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 94) e acrescenta que “ toda prova é indiciária, visto que jamais toca o objeto a que se refere”(op.cit., p. 94). Em outro trecho de sua obra, a autora destaca que “o indício em nada difere da prova”(op. cit., p. 138). A respeitável autora reconhece a existência de uma distinção tradicional entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador, de modo que seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Porém, sua lição é de que a verdade jurídica decorre da decisão do julgador após a análise do conjunto probatório. Este, o conjunto probatório, pode ser composto por indícios que podem ser de duas espécies: indícios necessários e indícios contingentes. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Os indícios necessários revelam, com alto grau de probabilidade, determinada situação. Os indícios contingentes indicam de forma mais ou menos provável a ocorrência de certo acontecimento. Além de necessários ou contingentes. Os indícios podem ser homogêneos ou heterogêneos. São homogêneos os indícios que tem conteúdo convergente, todos conduzindo ao mesmo resultado, ao passo que são heterogêneos os indícios que indicam fatos diversos. A autora conclui que “a força probatória de qualquer indício(...) deve ser avaliada no caso concreto, de modo que, havendo um único indício necessário(prova no sentido comumente empregado) ou vários indícios contingentes e convergentes, ter seá por provado o fato”. (op. cit., p. 1389). É de ser observado que as lições de Fabiana Del Padre Tomé que adotamos divergem da doutrina de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López(Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173). O autor, em certo trecho de sua doutrina, exige que os indícios no direito tributário sejam graves, ou seja, sejam aceitos somente se tiverem como conseqüência apenas um único fato. Essa exigência, no entanto, é qualidade dos indícios chamados necessários e que se equiparam ao que comumente se denomina de prova. Deixam de ser indícios, portanto. Exigir tal qualidade dos indícios é o mesmo que negar a utilidade deles para o direito tributário, mesmo quando convergentes. Em outro trecho de sua obra, entretanto, Marcus Vinicius admite a prova indiciária. Vejamos: “O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, Le não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e precisa do animal e a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desse indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura.”(p. 173) Fácil notar, portanto, que mesmo Marcus Vinicius e Maria Teresa admitem a prova indiciária no direito tributário. Sobre o assunto, não poderíamos deixar de fazer referência ao mestre Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: “Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.499 17 os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade.” O que queremos destacar de tais abalizadas lições é que não somente as provas ou indícios necessários é que conduzem à certeza jurídica construída pelo julgador, mas também um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Cada um dos indícios contingentes nunca se equipara, isoladamente, a um indício necessário (prova no sentido tradicional) e não pode ser excluído do conjunto probatório por tal razão. A análise de um conjunto de indícios contingentes deve ser feita em duas etapas. Na primeira, analisamos a existência em si de cada indício. Na segunda etapa, analisamos o conjunto de indícios para qualificarmos se tratamos de um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Se forem contingentes e convergentes, os indícios que compõem o conjunto terão alto valor probatório, habilitandose a fundamentar o convencimento do julgador que emitirá sua decisão conformadora da verdade jurídica aplicável ao caso. Por óbvio, não podemos olvidar da possibilidade da utilização da análise do conjunto probatório baseado em indícios para o direito tributário. Que qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídico axiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila. Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário. Mas Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 voltandonos para as lições de Fabiana Del padre Tomé, é certo que “a verdade que se busca no curso do processo de positivação do direito, seja ele administrativo ou judicial, é a verdade lógica, quer dizer, a verdade em nome da qual se fala, alcançada mediante a constituição de fatos jurídicos, nos exatos termos prescritos pelo ordenamento: a verdade jurídica”. O que comumente é denominado princípio da verdade material se conforma na possibilidade de a administração pública carrear aos autos outras provas de modo a possibilitar que sua decisão se aproxime da realidade. Não se relaciona, portanto, com a vedação à análise do conjunto indiciário. Registramos que no CARF, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há várias decisões que acatam a utilização da prova indiciária: Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Acórdão 10707083 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é aceita em matéria tributária, quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indício convergentes. Acórdão CSRF/0105.132 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Tomando tais considerações jurídicas gerais sobre os indícios, passamos a outras questões de relevo para o caso. Caracterização do contrato de trabalho. Qualificação jurídica dos fatos. Presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade. A matriz legal da caracterização de empregado na seara tributária é o art. 12, inciso I da Lei 8.212/91: Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.500 19 DOS CONTRIBUINTES Seção I Dos Segurados Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A lei tributária, portanto, definiu o empregado como “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado”. Ao assim definir, destacou a necessidade de três requisitos para caracterização do empregado: não eventualidade, subordinação e onerosidade. São requisitos totalmente alinhados com o que prevê a legislação trabalhista por intermédio da CLT: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Tomando a legislação trabalhista, a doutrina estabeleceu como requisitos para a relação de emprego: a continuidade, subordinação, onerosidade e pessoalidade. Parecenos que a lição de Amauri Mascaro do Nascimento é perfeitamente cabível também para a lei tributária acima citada, pois a pessoalidade adviria da expressão “as seguintes pessoas físicas” contida no Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 caput do art. 12. Assim, assumimos os quatro requisitos apontados pelo doutrinador como necessários para que um prestador de serviço seja considerado empregado. Nesse cenário, cabe à autoridade fiscal demonstrar que, em dada situação, tais requisitos foram constatados para que o prestador seja considerado empregado e os pagamentos feitos a ele sejam tidos como remuneração que deve sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Se o contratante e o prestador ajustaram entre si que haveria a interposição de uma pessoa jurídica para a formalização da prestação de serviço, isso em nada altera a situação fática, pois, por exemplo, não é por denominarmos de compra e venda um negócio que se revela com as características jurídicas de uma doação que este assim será reconhecido no mundo do direito. Esse raciocínio traz em si a noção de causa objetiva do negócio jurídico que, seguindo as lições de Antonio Junqueira de Azevedo, equivale à função práticosocial ou econômicosocial do negócio. (Cf. AZEVEDO, Antonio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 151). Adotando tais lições, Rodrigo de Freitas assinalou como a análise da causa objetiva permeia o trabalho do intérprete tributário (Cf. FREITAS, Rodrigo. É legítimo economizar tributos? Propósito negocial, causa do negócio jurídico e análise das decisões do antigo Conselho de Contribuintes. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITAS, Rodrigo de (org.). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, p. 441490, (p. 4756)): “O conteúdo do negócio jurídico (previsão objetiva – vontade declarada), plasmado em forma de linguagem, serve de parâmetro, de referência, para a determinação do regime jurídico. Contudo, é na análise da causa objetiva que o trabalho do intérprete irá apurar se o regime jurídico é adequado à norma tributária ou não. (...) (...)concluise que não é o conteúdo formal do negócio jurídico consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência da norma tributária, mas sim a causa objetiva. O que importa ao intérprete é procurar a verdade substancial do evento, não a simples declaração de vontade objetivada em forma de linguagem.” Portanto, cabe ao intérprete da lei identificar os dados da realidade para promover a requalificação jurídica dos fatos, ou seja, identificar para qual negócio jurídico apontava a causa objetiva do verdadeiro negócio celebrado. Identificado o negócio celebrado, atribuise a este as conseqüências que a legislação tributária prescreve. Para tanto, cumprenos identificar a causa objetiva do negócio jurídico celebrado. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.501 21 Se alguém deseja contratar, de maneira eventual, uma prestação de serviços sem que seja relevante a pessoa física que irá realizar o serviço, o negócio jurídico previsto em nosso ordenamento é um contrato de prestação de serviços. Ou seja, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do referido contrato é oferecer uma prestação de serviço eventual e não pessoal. Evidente que quem contrata deseja que o serviço seja executado segundo sua orientação ou necessidade, daí a presença da subordinação técnica nesse tipo de contrato. Mas a ausência de pessoalidade não permitirá que o contratante exija que o contratado se submeta a todo o seu comando, inclusive, por exemplo, o modo de proceder no decorrer da execução. A subordinação técnica não permite que a contratante exerça todo os eu poder de direção. De outro modo, para uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante, nosso ordenamento prevê a figura do contrato de trabalho. Portanto, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do negócio jurídico denominado contrato de trabalho é permitir uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante. Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio com a denominação de contrato de prestação de serviço, mas que tem a causa objetiva, a função práticosocial ou a finalidade econômicosocial de um contrato de trabalho, então o negócio formalizado é um ato ilícito, conforme art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Ou seja, quem celebra negócio com falsa causa objetiva, abusa de seu direito, comete ato ilícito, pois excedeu os limites impostos pelo fim econômicosocial, pela causa objetiva do negócio. A formalização declarada é ilícita, mas os efeitos tributários do negócio jurídico celebrado subsistem, conforme sua causa objetiva. Assim, embora os contratos de prestação de serviço possam estar perfeitamente formalizados, as empresas envolvidas regularmente criadas e inscritas nos órgãos públicos, as situações fáticas revelaram que a recorrente desejava contratar uma prestação de serviço contínua, pessoal e a ela subordinada, o que é causa objetiva, função práticosocial ou econômico social, não do contrato de prestação de serviços pretendido pela recorrente, mas do contrato de trabalho. Em situação similar, este Colegiado já se manifestou pela consideração de rendimentos do trabalho mesmo com a existência de pessoa jurídica que foi interposta na relação entre contratado e contratante. Vejamos: Acórdão 10421.954 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 22 CESSÃO DO DIREITO AO USO DA IMAGEM CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA IMPOSSIBILIDADE DE SEREM PROCEDIDAS POR OUTRA PESSOA, JURÍDICA OU FÍSICA PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS JOGADOR DE FUTEBOL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, o jogador de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terá seus rendimentos tributados na pessoa física incluídos aí os rendimentos originados no direito de arena/cessão do direito ao uso da imagem, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Em suma, na presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade, teremos a caracterização de um contrato de trabalho e, portanto, os pagamentos feitos ao prestador do serviço serão considerados parcela remuneratória que está no campo de incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. No âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, exigese apenas dois elementos para caracterização do contrato de trabalho em face de interposição de pessoa jurídica: pessoalidade e subordinação direta. Vejamos a Súmula 331: Súmula Nº 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.502 23 A pessoalidade existe naquela situação na qual o empregado não pode fazerse substituir sem o consentimento do empregador (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 153). Sobre a subordinação tomemos algumas lições doutrinárias. Vinculado por um contrato de trabalho, o empregado é, segundo a lição de Amauri Mascaro do Nascimento (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 155): “um subordinado porque ao se colocar nessa condição consentiu por contrato que o seu trabalho seja dirigido por outrem, o empregador. Este pode dar ordens de serviço. Pode dizer ao empregado de que modo deverá trabalhar, o que deverá fazer, em que horário, em que local etc.” O mesmo autor adverte que nos altos escalões administrativos a subordinação é mais tênue a subordinação: “..nos altos escalões administrativos da empresa, há diretores que têm subordinação leve, quase imperceptível, a ponto de confundir alguns teóricos quando procuram responder qual a sua posição jurídica (...).Há, também nesse nível. A subordinação, embora menos visível, mas existente, com as nuanças próprias da situação em que esses trabalhadores, predominantemente intelectuais, encontramse Só o fato de, numa empresa, Alguém se inserir numa organização para cumprir diretrizes que não traça, mas que provém de uma assembléia da sociedade, é indicativo.”( Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 156) Logo, quando há uma prestação de serviços com pessoalidade por alguém que segue diretrizes que não traça, temos configurado a presença de subordinação. Passemos à análise fática do caso dos autos. Analisaremos a presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego e, portanto, da natureza salarial dos pagamentos, em relação a cada uma das contratadas. Metzler A subordinação fica caracterizada por alguns indícios convergentes colecionados pela fiscalização. O Sr. Metzler trabalha nas dependências da empresa, usa email institucional e este solicita e aprova emissão de passagens aéreas, reservas de hotéis e aprova despesas, fls. 74/94. São indícios que convergem para o fato de o contratado cumprir diretrizes que não traça, corroborando a noção de subordinação para altos escalões traçada por Amauri Mascaro Nascimento. A pessoalidade advém de outros elementos indiciários. O Sr. Luiz Metzler recebe complementação de assistência médica, Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 24 porta cartão pessoal com o timbre e o email institucional da recorrente, fls. 84, a empresa Metzler foi constituída por este juntamente com sua esposa, fls. 227/230, nunca possuiu empregados e as notas emitidas para a recorrente eram seqüenciais, fls. 74/94. Tratase de conjunto de elementos convergentes que apontam para uma prestação de serviços com pessoalidade. A onerosidade e a habitualidade ficam facilmente identificadas nos pagamentos mensais durante alguns anos. RM Assessoria O principal argumento da recorrente para afastar a subordinação e a pessoalidade em relação ao Sr. Romualdo Mossom é o fato de a RM prestar serviços a outras empresas. No entanto, no período que nos interessa, após 31/12/1999, a RM só prestou serviços para a recorrente. As notas emitidas pela RM e que constam dos autos só mostram a existência de outro destinatário dos serviços no ano de 1998. Afastado tal argumento, a subordinação fica caracterizada por alguns indícios convergentes colecionados pela fiscalização. O Sr. Romualdo trabalha como Gerente Regional Sul, solicita e aprova emissão de passagens aéreas, reservas de hotéis e aprova despesas, fls. 97/127. São indícios que convergem para o fato de o contratado cumprir diretrizes que não traça, corroborando a noção de subordinação para altos escalões traçada por Amauri Mascaro Nascimento. A pessoalidade advém de outros elementos indiciários. O Sr. Romualdo Mossom foi indicado como beneficiário de Participação nos Lucros, o que evidencia que atuava diretamente para a empresa. Ademais, a própria recorrente reconhece, fls. 436, que somente o sócio majoritário da RM é que atuava a na prestação de serviços. Tratase de conjunto de elementos convergentes que apontam para uma prestação de serviços com pessoalidade. A onerosidade e a habitualidade ficam facilmente identificadas nos pagamentos mensais durante alguns anos. Com relação aos indícios que nos levaram a concluir pela presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego em ambos os casos, a recorrente não negou a existência destes, mas tentou afastar a relação dos indícios com os referidos elementos. A despeito dos argumentos apresentados, nossa avaliação é de os indícios constantes dos autos são aptos a construir a certeza jurídica de que houve relação de emprego entre a recorrente e os Srs. Metzler e Mossom. Configurada a relação de emprego, os valores pagos aos trabalhadores devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária e de terceiros. Aplicação do art. 129 da Lei 11.196. Impossibilidade. Inteligência do art. 105 do CTN Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.503 25 Pretende a recorrente a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005 que, segundo entende, teria autorizado a prestação de serviços por pessoas jurídicas em casos similares aos dos autos. Sem entrar no mérito do conteúdo do dispositivo mencionado, não é possível sua aplicação ao caso, pois os fatos geradores são anteriores à publicação da lei. Como é cediço, o art. 105 do CTN estabelece que “a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116”. Já temos jurisprudência do CARF nesse sentido que citamos não em relação ao mérito da Lei, mas em relação ao aspecto intertemporal: Acórdão 10421.954 APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR – AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Assim, como a Lei 11.196/2005 foi publicada em 22/11/2005 e os fatos geradores são de 01/2000 a 02/005 não é possível considerarmos sua aplicação ao caso. Não vislumbro a ocorrência de bis in idem, pois eventual contribuição previdenciária recolhida sobre as notas fiscais dos prestadores tinham aqueles como contribuintes e nos autos o contribuinte é a contratante. Quanto aos valores recolhidos pelas empresas prestadoras, estes poderão ser objeto de pedido de restituição protocolizado pelas interessadas. No tocante às alegações quanto à desconsideração da pessoa jurídica, nos alinhamos com o que ficou consignado na decisão a quo, in verbis: “21. A atuação do fisco não foi além das prerrogativas que a lei e a jurisprudência lhe permitem conforme afirma a impugnação. A personalidade jurídica da pessoa jurídica não foi desconsiderada, pois esta se mantém incólume. A auditoria fiscal desconsiderou, apenas, o contrato de prestação de serviços existente entre a terceirizada e a tomadora dos serviços, com o fim único de atribuir a esta, a responsabilidade previdenciária que emerge da vinculação fáticojurídica que se estabeleceu entre ela e os sócios das empresas contratadas. Nessa linha, seguem os ensinamentos do ilustre Rubens Requião: Não se trata, é bom esclarecer, de considerar ou declarar nula a personificação da pessoa jurídica, mas de a tornar ineficaz para Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 26 determinados atos (Curso de Direito Comercial, vol. 1, 14a ed., São Paulo, Editora Saraiva, 1994).” Por fim, registramos que o reconhecimento da relação de emprego de forma a gerar efeitos jurídicos na relação entre empregado e empregador é, de fato, de competência da Justiça do Trabalho, mas o que aqui foi discutido é a natureza dos pagamentos feitos aos trabalhadores e seu reflexo na relação entre fisco e empregador. Portanto, os fatos geradores relacionados com as NFLDs: 35.669.8688 e 35.669.8670 deviam constar da GFIP. Agindo de outro modo, a recorrente ensejou a aplicação da penalidade aqui discutida. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.504 27 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 28 normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.505 29 idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 30 expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.506 31 da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) afastar os fatos geradores ocorridos até 11/1999, por conta da decadência; (b) para as penalidades aplicadas Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 32 com motivação em infrações relacionadas a GFIP, determinar a aplicação da multa mais benéfica quando comparadas as penalidades do art. 32A com as penalidades dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Declaração de Voto DO LANÇAMENTO 1. No que diz respeito ao mérito, o processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 35.669.8653, lavrado em 30/06/2005, que constituiu crédito tributário relativo a penalidade por não apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), fls. 01. 2. Ocorre que, conforme pude constatar, na mesma ação da fiscalização foram lavrados outros autos de infração contra o mesmo sujeito passivo, o que enseja dupla punição. 3. A infração ora em tela, no meu entendimento, já foi devidamente punida com a emissão dos demais autos de infração e, assim, não poderia ser novamente castigada pelo descumprimento de obrigação acessória. 4. Tal entendimento encontra guarida na própria norma previdenciária que, em alguns casos, já trata conjuntamente as hipóteses de “recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente” para assegurar que o fisco poderá lançar de ofício a importância devida (art. 33, §3º, da Lei 8.212/91). 5. O duplo sancionamento deve ser evitado. Sobre o tema vale ressaltar os ensinamentos de Daniel Ferreira “tem outra e especial serventia enquanto princípio geral do Direito: a de proibir reiterado sancionamento por uma mesma infração – vale dizer, afastar a possibilidade de múltipla e reiterada manifestação sancionadora da Administração Pública” (in “Sanções Administrativas”, Malheiros Editores). 6. Nesse sentido, cito jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO ENTREGA DE GFIP E PELA NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MESMO PERÍODO PARA O MESMO SUJEITO PASSIVO. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.507 33 Ocorrência de bis in idem quando se trata de uma infração e são lavrados dois autos de infração para aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de uma obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 2050.1522, julgado em 03.02.2009, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi) “DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS PRESTADOS. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 constitui infração distinta da não prestação de informações e esclarecimentos, mas a autuação fiscal deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 230101.291, julgado em 23.03.2010; Rel.: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) 7. Ainda com relação à matéria, apenas para exemplificar, a legislação que trata do processo administrativo por dano ambiental pacifica matéria semelhante na Lei 9.605/98, artigo 76, onde encontrase previsto que “o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substituiu a multa federal na mesma hipótese de incidência”. 8. Além disso, é importante que sejam observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme previsto nos artigos 37, 5º, inciso II, e 84, inciso IV, todos da Constituição Federal, pois, a meu ver, a Administração Pública deve seguilos como parâmetro para que as medidas adotadas por ela não gerem prejuízos elevados ao contribuinte. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 34 justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado(...).” (Recurso Especial nº 728.999 PR (2005∕00331148; Ministro Relator Luiz Fux) 9. O princípio da proporcionalidade pode ser visto como um desdobramento do princípio da razoabilidade e se traduz no sentido de que, adotando a medida necessária para atingir o interesse almejado, o administrador age com proporcionalidade, que deve ser medida não pelos critérios pessoais do administrador e nem nos termos frios da lei, mas diante do caso concreto e segundo os padrões comuns na sociedade. 10. E no caso concreto entendo que a fiscalização agiu de forma desproporcional ao autuar nove vezes o contribuinte em decorrência de ações da empresa que se comunicam entre si. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que a proporcionalidade é uma “faceta específica” da razoabilidade, o que significa dizer que nas decisões e nas medidas administrativas deve haver adequação entre os meios e os fins previstos na lei. 11. A segurança jurídica é afetada ante a ação da fiscalização. E sobre a questão cito o parecer ProCADE n.º 526/2005, da Advocacia Geral da União AGU, no qual a Procuradora Nancy de Abreu afirma que o bis in idem “tratase de um princípio basicamente de construção doutrinária e que irradia sobre os atos administrativos, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, como uma limitação ao poder punitivo ao EstadoAdministração”. 12. Ainda conforme a AGU “a expressão bis in idem pode ter seu significado dividido nos seguintes termos: o bis deve ser entendido como uma vedação não só à nova sanção, mas deve ser estendido seu significado para se evitar nova persecução (instrução mediante novo processo); o idem, em termos objetivos, possui como significado, ao menos no direito brasileiro, como mesmos fatos, em termos reais e históricos, com relevância decorrente da análise dos fatos e não estritamente jurídica”. 13. Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública” (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279). 14. Assim, firme está meu convencimento no sentido de que o agente fiscal agiu em contraposição ao princípio do non bis in idem, ao autuar o contribuinte por nove vezes, agravando as multas aplicadas. 15. O fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra, porém, cumpre salientar que não estou a menosprezar a função repressiva das sanções tributárias, adotadas sempre no sentido de preservar a atividade de fiscalização e a segurança nos atos destinados a arrecadação dos tributos. Entretanto, a meu sentir, o Estado também não pode punir excessivamente o contribuinte, notadamente no presente caso em que a empresa recebeu nove autos de infração por múltiplas condutas. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.508 35 16. Não é demais falar que no Brasil a burocracia e o excessivo dever acessório de prestar ou franquear o acesso a informações de interesse da administração tributária colocam as empresas em situação caótica. A guarda de documentos, a produção de dados nos exatos formatos delimitados pelo fisco, entrega de documentos mensais, são apenas algumas das inúmeras e crescentes obrigações dos contribuintes passivas de pesadas multas. Sem falar no acompanhamento diário a que é obrigada a empresa sobre a edição de Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc. 17. Essas imposições de obrigações tributárias acessórias sem limite algum, na verdade, asfixiam as pequenas empresas e propiciam o aumento da informalidade no País. O que resulta, finalmente, no aumento do Custo Brasil, que, por seu turno, afeta gravemente a vida das empresas e dos empregados. 18. Feitas tais considerações, voto pelo provimento do recurso voluntário, por entender que o auto de infração lavrado não subsiste. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10320.003171/2002-00
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SALDO INICIAL DA CONTA CAIXA. VALORES DIVERGENTES. ÔNUS DA PROVA.
A indicação de saldo credor na conta Caixa caracteriza, por presunção legal, omissão de receitas. No entanto, para que a Fiscalização possa desconsiderar o valor do saldo inicial dessa conta e proceder à sua reconstituição, há que se ter prova robusta, cujo ônus é do Fisco. Diante de dois valores divergentes e, ainda, não sendo possível trazer aos autos o balanço patrimonial tempestivamente registrado no competente órgão do registro de comércio, não se pode desacreditar o saldo inicial escriturado no Livro Caixa e substituí-lo por aquele que constava na declaração de rendimentos do período.
Numero da decisão: 1302-001.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SALDO INICIAL DA CONTA CAIXA. VALORES DIVERGENTES. ÔNUS DA PROVA. A indicação de saldo credor na conta Caixa caracteriza, por presunção legal, omissão de receitas. No entanto, para que a Fiscalização possa desconsiderar o valor do saldo inicial dessa conta e proceder à sua reconstituição, há que se ter prova robusta, cujo ônus é do Fisco. Diante de dois valores divergentes e, ainda, não sendo possível trazer aos autos o balanço patrimonial tempestivamente registrado no competente órgão do registro de comércio, não se pode desacreditar o saldo inicial escriturado no Livro Caixa e substituílo por aquele que constava na declaração de rendimentos do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 31 71 /2 00 2- 00 Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.488 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório SÃO LUÍS DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 4777, de 19/08/2004, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 04/12/2002 (ciência do sujeito passivo em 23/12/2002), para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ – fl. 06), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL – fl. 30), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS – fl. 14) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS – fl. 22), por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1998, 1999, 2000 e 2001. O total da exação alcançou R$ 1.009.639,12, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 05. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. [...] 2. A infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 07/08, e complementada pelo Termo de Verificação às fls. 43/46, foi, em síntese, a seguinte: 3. Omissão de Receitas da Atividade A Partir do AC 93: 3.1. Omissão de receitas da atividade, configurada pela ocorrência de saldo credor de caixa, conforme apurouse na fiscalização levada a efeito na autuada, cujos fatos estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 43/46) e demais documentos e demonstrativos, em anexo, que fazem parte integrante deste Auto de Infração. [...] 4. O Termo de Verificação Fiscal está assim redigido: “DOS FATOS 1 A ação fiscal teve início em 21/05/2002, quando o contribuinte foi cientificado do MPF e do Termo de Início de Fiscalização, solicitando que o mesmo apresentasse, no prazo de 10 (dez) dias os documentos nele relacionados (fls. 47/48). 2 Em 14/06/2002, o contribuinte apresentou os Livros Registros de Entradas e de Saídas, e de Apuração de ICMS, referente aos anos de 1997 a 2001, bem como os Livros Diários de 1997 a 2000, conforme fls. 49. Também na mesma data o contribuinte Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.489 3 apresentou nove pastas contendo os documentos discriminados na relação em anexo (fls. 50); 3 Em 20/06/2002, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Caixa e Registro de Inventário, bem como declaração informando se houve no período de jun/97 a mar/02 compras pagas com recursos externos à empresa, apresentando, se positivo, documentos comprobatórios da origem desses recursos (fls. 51); 4 Na mesma data, foi emitido Termo de Intimação Fiscal para a Editora FTD S/A, sendo recebido em 24/06/2002, solicitando o valor das vendas realizadas para a São Luís Distribuidora de Livros Ltda, no período de jan/98 a dez/2001 (fls. 52); 5 Tendo em vista que os Livros Diários estavam escriturados em partidas mensais, sem os correspondentes livros auxiliares, o contribuinte, em 02/09/2002, solicitou 15 (quinze) dias de prazo para concluir a escrituração do livro caixa (fls. 55); 6 Em 28/06/2002, a Editora FTD S/A encaminhou fax relatando o montante das vendas realizadas para a São Luís Distribuidora de Livros. Posteriormente, foi encaminhado o original (fls. 57/63); 7 Em 03/07/2002, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo discriminando, mês a mês, os valores das compras efetuadas junto a Editora FTD S/A, no período de jan/98 a dez/2001, bem como a data do efetivo pagamento (fls. 64); 8 No mesmo sentido, a Editora FTD S/A foi intimada a apresentar demonstrativo discriminando, mês a mês, os valores das vendas efetuadas à empresa São Luís Distribuidora de Livros Ltda, no período de jan/98 a dez/2001, informando ainda o nº das notas fiscais/faturas emitidas, bem como o valor e a data do efetivo pagamento destas (fls. 64); 9 Em 02/10/2002, o contribuinte foi reintimado a apresentar o Livro Caixa, o qual foi apresentado em 07/10/2002 (fls. 67); II DA INFRAÇÃO APURADA OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA POR SALDO CREDOR DE CAIXA. 1 Após circularização feita junto a empresa Editora FTD S/A, CNPJ 61.196.490/000157, principal fornecedor do contribuinte sob fiscalização (doc. fls. 65), a empresa circularizada nos remeteu relatório evidenciando as compras feitas pelo contribuinte, bem como os títulos emitidos e a data de sua quitação, conforme documento de fls. 69/343; 2 Ao confrontarmos as compras realizadas pelo contribuinte junto ao seu principal fornecedor com o livro fiscal Registro de Entradas (fls. 345/582), constatamos que várias compras não fora escriturada no respectivo livro, conforme planilhas elaboradas por esta fiscalização e constantes das folhas 583/597; Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.490 4 3 Intimado a justificar a origem dos recursos financeiros utilizados para pagamento das referidas compras, o contribuinte respondeu (fls. 599) que tais recursos eram oriundos de receitas de vendas declaradas em DCTF’s e devidamente registradas nos Livros Registros de Saídas. 4 – Comparandose as vendas realizadas com as compras escrituradas e não escrituradas (fls. 600), percebese que somente os valores das vendas são insuficientes para fazer face às compras realizadas. 5 Na mesma oportunidade, intimamos o contribuinte a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, o saldo inicial do livro caixa em 01/01/1997, no valor de R$ 7.046.712,10 (fls. 598), tendo em vista que tal saldo divergia do declarado em DIRPJ/98, no valor de R$ 7.548,96 (fls. 603); 6 Em resposta o contribuinte disse que o referido saldo era advindo do exercício de 1996, conforme livro caixa apresentado junto à resposta. Como o contribuinte não apresentara os respectivos documentos que comprovassem a veracidade da escrituração e conseqüentemente o saldo inicial do livro caixa/97, reintimamos o mesmo, através do Termo de Constatação Fiscal nº 002 (fls. 614), a apresentálos, observandolhe o disposto no art. 527 do RIR/99. 7 Em resposta à reintimação o contribuinte afirma que os saldos dos livros caixas eram compostos de valores em espécie, cheques prédatados, notas promissórias e duplicatas. Porém o contribuinte, uma vez mais, não apresenta os documentos comprobatórios dessa escrituração. (fls. 615); 8 Portando, levandose em conta que os livros caixas foram efetivamente escriturados no curso da ação fiscal, que o contribuinte não apresentou documentos comprovando o saldo inicial do caixa em 01/01/97, no valor de R$ 7.046.712,10 (tipo por exemplo extratos bancários, de aplicação financeira, poupança etc), que o saldo de caixa e bancos declarados no período de 1993 a 2001 (f1s. 601/613) diferem, e muito, do constante dos livros caixas, DESCONSIDERAMOS O SALDO INICIAL DO LIVRO CAIXA EM 01/01/97, conforme informado ao contribuinte no Termo de Constatação Fiscal nº 001 (fls. 598); 9 Ao refazer o Livro Caixa do contribuinte, consideramos como saldo inicial em 01/01/97 o valor efetivamente declarado na DIRPJ/98, no montante de R$ 7.548,96 (fls. 603). O Caixa refeito, que se encontra em anexo (fls. 898/945), apresentou saldo credor nos meses discriminados conforme planilha de consolidação anexa (fls. 946), sendo que para efeito de tributação consideramos com omissão de receita o maior saldo credor no período de um mês. Desse modo, observandose o disposto no art. 281, inciso I, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), no art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95 e nos arts. 44, inciso I e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, procedemos ao lançamento do respectivo crédito tributário. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.491 5 E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal e pelo contribuinte/preposto da fiscalizada, que neste ato recebe uma das vias.” 5. Foram lavrados os seguintes Autos de Infração, em conseqüência das infrações acima mencionadas: [...] 6. Inconformado com a autuação acima descrita, da qual tomou ciência em 23/12/2002 (fls. 1.054), o contribuinte, através de seu representante legal, em 22/01/2003 (fls. 1.057/1.060; 1.086/1.089; 1.115/1.118 e 1.144/1.147), apresenta impugnações, todas de igual teor, alegando o seguinte: “Aos vinte e um dias do mês de maio do exercício de 2002, através do Mandado de Procedimento Fiscal M.P.F. de número 03.2.01.002002000573 (docs. 09 a 11) fotocópias em anexo, foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização, o qual com ciência em 21/05/2002, ficou a peticionária intimada à apresentação de livros e documentos fiscais/contábeis referentes ao período de junho de 1997 a março de 2002. Que, aos 14 (quatorze) dias do mês de junho de 2002, foi entregue na Delegacia da Receita Federal Seção de Fiscalização, sito à Rua Oswaldo Cruz, número 1.618 setor C Canto da Fabril São Luís MA, os documentos e livros fiscais/contábeis conforme relação (docs. 12 e 13) fotocópias em anexo, e que além dos períodos exigidos, (06/1997 a 03/2002) prontificouse, a peticionária, a entregar também livros e documentos fiscais/contábeis relativos aos períodos de janeiro/97 a maio/97, que se observe, períodos já contemplados pela prescrição. Que no decorrer do período, início até o fim, tido com tempo necessário para o encerramento da fiscalização 21/05/2002 a 23/12/2002, houve vários procedimentos fiscais, todos descritos no Termo de Verificação Fiscal (docs. 14 a 17) fotocópias em anexo. MATÉRIA EM QUESTÃO. Referido Auto de Infração teve como base, a suposta ausência de saldo de Caixa para honrar aos pagamentos já efetuados pela autuada, o que veio a se evidenciar pelo fato do fisco não considerar o que fora apresentado pela peticionária em termos de livros fiscais e demonstrações. Nestes termos, fora entregue o Livro Caixa de 1997 com um saldo inicial de R$ 7.046.712,10 onde referido valor foi substituído por R$ 7.548,96 o que seria o saldo inicial de caixa constante da DIPJ de 1997, o que referido ato, veio logicamente, a gerar saldos credores com o decorrer das transações a partir de 16/03/1998 e com isto, o surgimento das obrigações Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.492 6 tributárias descritas no Auto de Infração e suas folhas de continuação. Através do Termo de Constatação nº 02 de 06/11/2002, (docs. 18 e 19) fotocópias em anexo, foi a requerente reintimada a apresentar documentos que comprovassem o saldo inicial do Livro Caixa em 01/01/1997, para o que, assim o fizemos, além de apresentarmos também o Livro Caixa de 1996 (janeiro a dezembro) contendo toda a continuidade do movimento financeiro da empresa, onde também apresentamos resposta ao exigido no citado Termo, inclusive justificando as divergências entre saldos de nossos caixas escriturais e as declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica apresentadas nos exercícios de 1994 a 2001, (doc. 20) fotocópia em anexo. Com referência aos documentos que instruiriam tais movimentações, deixamos de apresentálos pelo fato de não mais dispormos dos mesmos, vez que tratavamse de documentos já amparados pela prescrição, e já incinerados, o que para isto nos baseamos nos ditames do Código Tributário Nacional (Artigos 174 e 195, Parágrafo único) e do próprio Regulamento do Imposto de Renda (Artigos 527 e 901). Isto posto, e sombreados nestes diplomas legais, verificase que a ação fiscal deveria se posicionar exatamente dentro do período, a princípio citado no Termo de Início de Fiscalização, junho de 1997 a março de 2002 (doc. 11), o que obviamente, demonstrou respeito ao período prescricional. Por outro lado, não entendemos o pensamento do fisco, quando em seu Termo de Verificação Fiscal (doc. 15) no item 6, faz menção ao artigo 527 do RIR/99, que trata justamente em seu item III de período prescricional, e ainda aí, faz menção a não apresentação de documentos que comprovassem a escrituração do movimento de 1996 e conseqüentemente o saldo inicial de 1997. Notese que todo o trabalho efetuado pelo fisco foi direcionado a partir do exercício de 1998, inclusive quando da solicitação dos valores de nossas compras à Editora FTD como menciona o próprio auditor no item 4 do Termo de Verificação Fiscal (doc. 14) como assim se reporta: "Na mesma data, foi emitido Termo de Intimação Fiscal para a Editora FTD S/A, sendo recebido em 24/06/2002, solicitando o valor das vendas realizadas para a São Luís Distribuidora de Livros Ltda., no período de jan/98 a dez/2001". Isto vem a se justificar pelo fato do Auditor Fiscal ter conhecimento amplo e pleno dos diplomas legais que regulamentam o direito da prescrição e que se ao contrário, qualquer ação seria de maneira improcedente. Quando da apresentação de nossos Livros Caixas, exercícios de 1996 a 2001, todos em partidas diárias, como requer a legislação, e todos fotocopiados pelo Auditor Fiscal para fazer Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.493 7 parte integrante dos processos de origens a partir dos Autos de Infrações, notese que nenhum apresenta saldo credor no curso de suas escriturações e que constam também dos mesmos todos os pagamentos de títulos, despesas diversas de cunho da empresa no decorrer dos citados exercícios. Se houvera pagamentos, presumese que havia saldo de caixa, e para comprovar o aqui exposto fazemos juntar demonstrativos, em partidas mensais pelos totais de pagamentos e de recebimentos (docs. 21 a 25). Nestes termos, requer a peticionária, seja considerado o saldo inicial de caixa do exercício de 1997, exercício imediatamente anterior aos períodos fiscalizados, e que cujo saldo, proveniente de recursos totalmente escriturados em seus livros, já vistos pela fiscalização, e que constam dos Autos de origem, requerendo ainda, seja enviado o presente recurso à seção julgadora, para em primeira instância, seja deferido o aqui requerido.” A 3ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 4777, de 19/08/2004 (fls. 1191/1204), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. LUCRO PRESUMIDO. A constatação de saldo credor de caixa, não infirmada pela fiscalizada, autoriza a tributação dos valores por omissão de receitas, independente da forma de tributação adotada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. A regra de tributação da receita omitida, prevista no § 2º do artigo 43 e artigo 44 da Lei nº 8.541/92, é aplicável ao lucro presumido a partir do ano de 1995, por força da nova redação que lhe foi dada pela Medida Provisória nº 492/94, convertida na Lei nº 9.064/95. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias procedidas de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.494 8 Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: PRESCRIÇÃO PARA COBRANÇA DE DOCUMENTOS. Enquanto não configurada a prescrição da ação para cobrança do crédito tributário, o contribuinte deverá manter em ordem os livros contábeis e a documentação correlata. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Ciente da decisão de primeira instância em 20/09/2004, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1125, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/10/2004 conforme carimbo de recepção à folha 1238. No recurso interposto (fls. 1238/1307), traz os seguintes argumentos, em apertada síntese: 1. Pede a declaração de nulidade do lançamento, porquanto baseado em ato atingido pelo instituto da decadência. A recorrente argumenta que, para quaisquer valores decorrentes do ano calendário 1996, o prazo decadencial começaria a fluir em 31 de dezembro daquele mesmo ano, esgotandose em 31 de dezembro de 2001. Desta forma, no início da ação fiscal, em 21 de maio de 2002, o Fisco não mais poderia questionar e desconsiderar, como o fez, o saldo final que consta do Livro Caixa em 31/12/1996, em valor idêntico ao saldo de abertura de Caixa em 01/01/1997. Acrescenta que em 2002 estaria desobrigada da guarda dos documentos relativos ao ano de 1996. 2. Argúi a insubsistência da legislação invocada, notadamente os preceitos da Lei nº 8.541/1992, considerando também a aplicação do quanto disposto no art. 106 do CTN. A interessada se insurge contra o entendimento manifestado pelo acórdão recorrido acerca da aplicabilidade, ao caso concreto, das disposições dos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/1992, alterados pela Lei nº 9.064/1995. Sustenta que tais dispositivos já teriam sido expressamente revogados pelo art. 36, IV, da Lei nº 9.249/1995, por ocasião dos fatos geradores de que trata o presente processo. O mesmo se daria com os artigos 523, 739 e 892 do RIR/94, os quais se reportam aos referidos dispositivos revogados da Lei nº 8.541/1992. Entende que a Lei nº 9.249/1995 lhe seria mais benéfica e, destarte, essa seria a única lei a ser aplicada ao lançamento. 3. Considera ilegal o art. 281, I, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/1999). A recorrente afirma que o art. 40 da Lei nº 9.430/1996 somente prevê duas situações passíveis de serem caracterizadas como omissão de receitas, a saber: (a) a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica; e (b) a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Sustenta, então, que o RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) teria extrapolado o comando legal, ao incluir, no inciso I do art. 281, também “a indicação na escrituração de saldo credor de caixa”, criando nova hipótese normativa de omissão de receitas, sem previsão legal. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.495 9 Tendo sido a autuação baseada nesse dispositivo (RIR/99, art. 281, I), a exação deveria ser considerada improcedente. 4. Questiona a multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, por considerála ilegal e inconstitucional. A multa em tela seria confiscatória, ofendendo dispositivos constitucionais, especialmente a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e, ainda, da capacidade contributiva. Pede, então, a redução da multa aplicada, tendo como parâmetros os precedentes do Supremo Tribunal Federal, de 20% a 30%. 5. Questiona a aplicação da taxa SELIC, por considerála ilegal e inconstitucional. A interessada argumenta que a taxa SELIC não teria sido estabelecida em lei, e que teria natureza remuneratória de títulos. Seria, então, inaplicável para determinação dos juros moratórios em matéria tributária. O processo foi levado a julgamento perante a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Mediante a Resolução nº 1301 000.024, de 15/12/2010 (fls. 1466/1474), o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: 1. Diligencie junto à interessada e faça acostar aos autos, se existentes, cópia dos balanços patrimoniais levantados em 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000 e 31/12/2001, acompanhados dos termos de abertura e encerramento dos livros Diário em que tenham sido transcritos. 2. Acrescente outros documentos e/ou informações que considerar relevantes. Após a diligência, o AuditorFiscal encarregado do feito lavrou o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 1483/1484, cujo teor reproduzo abaixo: 1) Tendo em vista a solicitação feita pelo CARF, intimamos o contribuinte acima identificado a apresentar os seguintes documentos (fl. 1.459): 1.1) Livro Diário dos anos de 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001; e 1.2.) Cópia dos balanços patrimoniais levantados em 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000 e 31/12/2001; 2) Em 16/08/2013, o contribuinte solicitou – e lhe foi concedido – prazo para a entrega dos documentos (fl. 1.460). 3) Em 10/09/2013, o contribuinte apresentou resposta declarando que os documentos solicitados não foram localizados e que possivelmente teriam sido incinerados, haja visto que os mesmos não faziam parte de nenhum processo em litígio (fl. 1.461). Informa, ainda, que tais documentos estiveram à disposição da Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.496 10 Receita Federal e que esta os devolveu alegando serem desnecessários por não se reportarem ao período abrangido pela fiscalização. 4) Por oportuno, tais alegações não procedem, há vista que ferem o disposto no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), Decreto nº 3.000, de 1999, que trata da conservação de livros e comprovantes, in verbis, posto que as informações contidas nos referidos livros estavam em litígio com a Receita Federal: [...] 5) Quando ao fato de a fiscalização ter devolvido os livros Diários, isto ocorreu a pedido do contribuinte, conforme consta no documento de folha 55. Ademais, devido os mesmos estarem escriturados em partidas mensais, não servindo no momento para a determinação do saldo credor de caixa, não houve por parte da fiscalização óbice em sua devolução. Cientificado do conteúdo do termo acima reproduzido, o contribuinte não se manifestou. O processo retorna, agora, para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Conforme visto, trata o presente processo de autos de infração para exigência de IRPJ e reflexos. A infração objeto de lançamento é a omissão de receitas, quantificada com base no saldo credor de caixa apurado pelo Fisco, após reconstituição do Livro Caixa apresentado pela então fiscalizada. O ponto central do litígio, no que tange aos fatos, é a desconsideração, pelo Fisco, do saldo inicial que consta do Livro Caixa em 01/01/1997, no valor de R$ 7.046.712,10 (fl. 629), valor esse idêntico ao saldo de encerramento de caixa, em 31/12/1996 (fl. 626). Entendeu o AuditorFiscal que referido saldo careceria de comprovação, especialmente em face da circunstância de terem sido elaborados os livros Caixa durante o procedimento de fiscalização, fato incontroverso, e da não apresentação da documentação comprobatória do saldo apurado em 31/12/1996. A resposta da contribuinte à intimação para prestar esclarecimentos se encontra à fl. 622, confirase: A comprovação de que trata o item 1 do citado Termo são as escriturações constantes de nossos Livros Caixas já em poder desta fiscalização e já mencionados em resposta a Termo anterior. Na época, os saldos de nossos Caixas eram compostos de valores em espécie, cheques prédatados, notas promissórias, duplicatas, e tudo considerado como saldo real de Caixa, porém tudo advindo de receitas escrituradas e devidamente tributadas. Com referência aos valores informados nas Declarações de Rendimentos (DIRPJ e DIPS) [...] tratavamse de valores restritamente a expécie ou seja em moeda corrente. Como no decorrer destes exercícios consideramos todas as nossas Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.497 11 vendas à vista, embora não as fossem, os nossos Caixas escriturais sempre apresentaram saldos elevados como comprovam os próprios livros já mencionados e vistos. Essa resposta, frisese, não se fez acompanhar de documentos que a respaldassem. Assim, foi desconsiderado o saldo de abertura do livro Caixa em 01/01/1997, substituído pelo valor declarado pelo contribuinte à Receita Federal em sua DIRPJ, no montante de R$ 7.548,96 (fl. 610, DIRPJ ex. 1998/ac 1997, ficha 26 – Informações Gerais, linha 03). A partir daí, a movimentação de caixa foi recalculada para os anoscalendário 1997 a 2001, incluindose as saídas correspondentes aos pagamentos não escriturados à Editora FTD S/A, do que resultaram os saldos credores de caixa nos anoscalendário 1998, 1999, 2000 e 2001, objeto de autuação. Como se vê, estáse diante de dois valores muito diversos para o saldo inicial da conta Caixa em 01/01/1997: R$ 7.046.712,10, a se acreditar no Livro Caixa apresentado durante a fiscalização; ou R$ 7.548,96, caso mereça crédito a DIRPJ do exercício 1998/ano calendário 1997. Na oportunidade anterior em que este processo esteve em julgamento perante o CARF, o Colegiado houve por bem buscar maiores informações, especialmente os livros Diário e os balanços patrimoniais que nele deveriam estar transcritos. Com esse fito, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, a qual resultou improfíqua, como já se viu. Diante disso, considero que o presente lançamento não pode prosperar. A presunção legal de que valeu o Fisco foi aquela estabelecida pelo inciso I do art. 281 do RIR/99, a saber: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Uma vez provado o fato indiciário, ou seja, a hipótese legal – no caso concreto, o saldo credor de caixa –, o ônus da prova resta invertido, cabendo ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Mas a prova do fato indiciário deve ser robusta, e dela está incumbido o Fisco. Neste caso, o saldo credor de caixa exsurgiu após a reconstituição da escrituração desse livro, não apenas por causa da inclusão de pagamentos que até então estavam à margem da escrita, mas principalmente porque o Fisco desconsiderou o saldo inicial (em 01/01/1997) e o substituiu por aquele que constou da DIRPJ. Não vislumbro, a priori, motivo pelo qual um valor seja preferível ao outro. Em desfavor do saldo da DIRPJ, devese observar que o saldo final que consta na declaração do ano anterior (em 31/12/1996) é de R$ 2.186,15, o que reforça a pouca credibilidade de tais valores, já que seria de se esperar que o saldo final de um período fosse coincidente com o saldo inicial do período seguinte. A resposta do contribuinte igualmente nada acrescenta, Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.498 12 porque desprovida dos indispensáveis documentos comprobatórios. Finalmente, os livros Diários não mais puderam ser localizados, pelo que não podem reforçar um nem outro lado. Observo que, no que toca ao valor do saldo inicial de Caixa, não se cogita de presunção. Aqui, para desacreditar o valor escriturado, a prova deve ser direta e produzida pelo Fisco. Observo que os livros Diário estiveram em poder da fiscalização durante o procedimento, e foram devolvidos ao contribuinte, considerados desnecessários e escriturados em partidas mensais, desatendendo à legislação pertinente (fls. 52 e 59). Ainda assim, os balanços patrimoniais que neles deveriam estar transcritos poderiam se constituir em prova valiosa, mas a fiscalização não cogitou de fazer acostar aos autos cópia dessas demonstrações contábeis, nem mesmo de mencionar qual o valor do saldo de caixa que delas constaria. Desta forma, entendo que o Fisco não se desincumbiu do ônus que lhe cabe de provar que o valor do saldo inicial de Caixa, em 01/01/1997, era diferente daquele escriturado. Em decorrência, desaparecem os saldos credores de caixa, objeto de lançamento, e as exigências se revelam insubsistentes. Deixo de me manifestar sobre os demais argumentos de defesa, que perdem interesse diante do exposto. Em conclusão, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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