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Numero do processo: 10380.004298/00-91
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE.
Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano-calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausentes os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano-calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 324 1 323 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.004298/0091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.228 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria IRPF Recorrente MARCELO DE PONTES ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausentes os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 42 98 /0 0- 91 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.004298/0091 Acórdão n.º 2801003.228 S2TE01 Fl. 325 2 Contra o recorrente foi lavrado o auto de infração de fls. 02 e seguintes, com ciência em 30/03/2000, em razão de acréscimo patrimonial a descoberto, nos anoscalendário de 1994 e 1995, e da omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, no ano calendário de 1994. Foi apurado imposto devido de R$ 57.493,55, acrescido de multa de 75%, no valor de R$ 43.120,15, mais juros de mora de R$ 53.294,76, totalizando o crédito tributário de R$ 153.908,46. A Câmara Julgadora, no acórdão de fls. 199/204, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para declarar a decadência do lançamento em relação aos fatos ocorridos em 30/04/94, 31/05/94, 30/06/94, 31/07/94, 31/08/94, 30/11/94; 31/01/95 e 28/02/95, remanescendo somente a exigência quanto ao lançado relativamente a 31/10/95, nos termos da ementa que segue abaixo transcrita: "IRPF DECADÊNCIA Tratandose de Imposto de Renda Pessoa Física, lançamento por homologação, apuração mensal, a decadência ocorre no prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL Não logrando o contribuinte comprovar razoavelmente a origem do descompasso patrimonial apurado pela fiscalização, é de se manter o lançamento na forma constituída. Recurso parcialmente provido." Intimada do acórdão, tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial de contrariedade à lei, às fls. 534 e seguintes, alegando que o fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, e não é contado de forma mensal. Conforme Acórdão 920200.682 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 297/306, foi negado provimento ao recurso especial. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração contra o acórdão n° 920200.682, suscitando a ocorrência de obscuridade, contradição e omissão. Indicou contradição entre a ementa do julgado e o voto condutor do acórdão embargado. Conforme a Embargante, nos termos da ementa do julgado embargado, a controvérsia enfrentada estaria na existência ou não de pagamento antecipado. Contudo, no voto condutor, apenas se decidiu pela aplicação do artigo 150, §4°, do CTN, tendo em vista tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. Alegou, por outro lado, a ocorrência de omissão, consistente no fato de que não se apontou, no voto condutor do acórdão embargado, os documentos comprobatórios da existência do pagamento parcial antecipado, bem como no que se refere à ausência de enfrentamento acerca do fato gerador do Imposto de Renda. A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de acordo com o Acórdão de fls. 316/319, acolheu os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão com alteração do resultado, para afastar a decadência do anocalendário de 1995, e determinar o retorno dos autos à Câmara de origem para a análise das demais questões. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.004298/0091 Acórdão n.º 2801003.228 S2TE01 Fl. 326 3 A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Cuida o presente lançamento de exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracteriza por acréscimo patrimonial a descoberto, nos anoscalendário de 1994 e 1995, e omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, no anocalendário de 1994. Conforme relatado, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de acordo com o Acórdão de fls. 316/319, acolheu os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão com alteração do resultado, para afastar a decadência do anocalendário de 1995, e determinar o retorno dos autos à Câmara de origem para a análise das demais questões. Com efeito, remanescem para apreciação os valores lançados referentes ao acréscimo patrimonial a descoberto apurado para os meses de janeiro, fevereiro e outubro de 1995. A autoridade preparadora informou, à fl. 294, que foi recolhido o crédito tributário do período 31/10/1995 (documentos de folhas 268 a 273 e folha 281), razão pela qual se manifestou no sentido de tornase inexequível a recomendação para cientificar o sujeito passivo sobre a possibilidade de interposição de recurso especial contra a decisão prolatada no Acórdão n° 10245.993, tendo em vista que o crédito tributário então remanescente, que poderia ser objeto de recurso especial, foi extinto por pagamento. Diante disso, realizase que o litígio restringese aos valores de R$ 53.806,72 e R$ 1.555,35, referentes ao acréscimo patrimonial apurado para os períodos de apuração 01/1995 e 02/1995, respectivamente. O contribuinte sustenta que o saldo de disponibilidade financeira acumulado no mês de dezembro de 1994 seria suficiente para justificar o pagamento feito, em janeiro de 1995, do empréstimo que antes contraíra junto ao BANFORT, conforme demonstrativo mensal da evolução patrimonial. Verificase que, no presente caso, a própria fiscalização apurou saldo positivo de recursos em dezembro de 1994, no montante de R$ 152.408,48 (fl. 13), o qual foi desconsiderado ao iniciar o exame do mês seguinte (janeiro de 1995), à fl. 14, pela simples mudança do anocalendário. Ocorre que não existe nenhuma regra jurídica e nem fundamento ou interpretação razoável a justificar a transferência de valores de um mês para o outro, dentro do anocalendário e não considerálos do mês de dezembro para o mês de janeiro. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10380.004298/0091 Acórdão n.º 2801003.228 S2TE01 Fl. 327 4 Vale registrar que outro não foi o entendimento da 2ª Turma da CSRF, conforme julgamento unânime referente ao Processo de nº 10825.000618/9636, Acórdão nº 920200.521, proferido em 09 de março de 2010: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO QUE SE ESTENDE POR MAIS DE UM ANOCALENDÁRIO SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Assim, o valor de R$ 152.408,48 referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de 1994, ou seja, no início de janeiro de 1995, deve integrar o “DEMONSTRATIVO MENSAL DA EVOLUÇÃO PATRIMONIAL” do anocalendário 1995, Por conseguinte, relativamente ao anocalendário de 1995, não resta acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que o valor dos recursos não computados anteriormente R$ 152.408,48 supera o total de 55.362,07 do acréscimo patrimonial apurado pela fiscalização relativamente aos períodos de janeiro e fevereiro de 1995. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/10/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10980.007982/2003-89
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3803-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis e Ivan Allegretti. RELATÓRIO Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0615.808 , de 18 de outubro de 2007, da DRJ/Curitiba/PR, fls. 24 a 26, que julgou o lançamento procedente, em face da impugnação, fls. 01. A contribuinte, em sua defesa, informou ter compensado os débitos de PIS lançados, relativos ao segundo e terceiro trimestres de 1998, com crédito que apurara de IRPJ no encerramento do exercício de 1997. Apresentou Pedido de Restituição em 27/11/1997, com que constituiu o processo nº 10980.014976/9779, e em face da demora da autoridade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 07 98 2/ 20 03 -8 9 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.007982/200389 Resolução nº 3803000.002 S3TE03 Fl. 63 2 administrativa de prover uma decisão, efetuou Pedidos de Compensação dessas contribuição a partir de 07/05/1998. Em julgamento, a DRJ/Curitiba não identificou a existência dos pagamentos informados na DCTF, relativamente ao segundo trimestre, ao tempo em que consignou que o processo de restituição indicado pela Impugnante dá cobertura a outros débitos. Cientificada da decisão de primeira instância em 21 de novembro de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 30, em 14 de dezembro de 2007, por meio do qual apenas corrige sua informação, consignando que todos os débitos lançados foram objeto de compensação no processo administrativo nº 10980.014976/9779, e anexa cópias dos pedidos de compensação recepcionados pela Delegacia da Receita Federal de Curitiba e que cobrem os débitos sob exigência. É o sucinto relatório. VOTO Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. As DCTFs da contribuinte, de fato, vinculam: i) pagamento aos débitos declarados referentes aos meses de abril a junho; e ii) o processo administrativo nº 10980.014976/9779, já referido, aos meses de julho a setembro. A busca feita pelo sistema operacional da malha não localizou os pagamentos e identificou este processo com outros débitos, segundo a decisão recorrida. Consta dos autos cópia do pedido de compensação apresentado à DRF para anexação ao dito processo de restituição, referente ao débito de abril de 1998, em data anterior ao seu vencimento, 07/05/1998. Ainda que tenha vindo à tona apenas um pedido de compensação este relativo ao debito de abril de 1998 , fl. 45, como comprovação do alegado, penso que a sua presença nos autos justificaria a conversão do julgamento de primeira instância em diligência, para que a Unidade de origem averiguasse a sua legitimidade, bem como a existência e suficiência do crédito para a extinção do dito débito, mesmo que não solicitasse a confirmação quanto aos demais débitos, pela ausência das cópias. Deixouse conduzir, o colegiado a quo, meramente, pelos informes trazidos pelo sistema de malha que embasaram o lançamento e dele constante, não se curvando a apreciar a prova trazida aos autos. Não há na impugnação informação de que houve pagamento para o segundo trimestre de 1998, diversamente do declarado nas DCTFs. A possibilidade do erro de fato do contribuinte, quanto ao dado consignado nessa confissão de dívida, uma vez que a fiscalização de malha abrangia também outro trimestre, para cujos débitos estava vinculado um processo de compensação, haveria de ter reforçado o encaminhamento pela diligência, com o fito de obter se o conteúdo do aludido processo e do seu desfecho, caso tratasse, de fato, de compensação. Neste recurso, a recorrente apresenta as cópias dos pedidos de compensação no dito processo nº 10980.014976/9779, dando conta do registro, neles, de cada débito objeto do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.007982/200389 Resolução nº 3803000.002 S3TE03 Fl. 64 3 lançamento. No caso presente, vejo que é necessária a prova do conteúdo do dito processo, para se ter a certeza de não tem qualquer pertinência com os aludidos débitos ou a insuficiência de crédito para alcançálos. Pelo exposto, voto por converter o processo em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Curitiba apresente o conteúdo dos processos nº 10980.014976/9779 em que teriam sido compensados os débitos do terceiro trimestre, conforme a DCTF (e/ou dos débitos de maio a setembro, segundo a defesa), bem assim o débito de abril/1998, fl. 45. Após a instrução, dêse ciência à Interessada, nos termos legais. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10909.004278/2007-61
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/08/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.RETENÇÃO.BASE DE CÁLCULO.
Nas hipóteses da ocorrência de retenção de 11% de valores pagos pelos contratantes aos prestadores de serviços com cessão de mão-de-obra, as bases de cálculo observaram, também, o comando dos §§7°e 8° do art. 219 do Decreto 3048/91.
PROVA PERICIAL.
Conforme facultado no art. 29 do Decreto 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, é prerrogativa do julgador requerer diligências para obter prova pericial se as entender necessárias..
PROVA DOCUMENTAL
Em razão do prazo decorrido desde a data do Acórdão de primeira instancia, 30 de maio de 2008, transcorreu-se tempo mais do que suficiente para a juntada de novos documentos que descabendo conceder novo prazo para fazê-lo.
MULTA DE MORA.
Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
O artigo 106, c , do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até 09/2002, inclusive, em conformidade do art. 150 do CTN. No mérito:1) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para: a) Exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES. b) Ajuste conforme planilha Anexo III- da diligência. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disciplinado no artigo 35, da Lei nº 8.212, na redação dada pela Lei nº 11.941, limitando a 20%, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. CESSÃO DE MÃODEOBRA.RETENÇÃO.BASE DE CÁLCULO. Nas hipóteses da ocorrência de retenção de 11% de valores pagos pelos contratantes aos prestadores de serviços com cessão de mãodeobra, as bases de cálculo observaram, também, o comando dos §§7°e 8° do art. 219 do Decreto 3048/91. PROVA PERICIAL. Conforme facultado no art. 29 do Decreto 70.235/72, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Portanto, é prerrogativa do julgador requerer diligências para obter prova pericial se as entender necessárias.. PROVA DOCUMENTAL Em razão do prazo decorrido desde a data do Acórdão de primeira instancia, 30 de maio de 2008, transcorreuse tempo mais do que suficiente para a juntada de novos documentos que descabendo conceder novo prazo para fazêlo. MULTA DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 42 78 /2 00 7- 61 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O artigo 106, “c” , do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência até 09/2002, inclusive, em conformidade do art. 150 do CTN. No mérito:1) Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para: a) Exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES. b) Ajuste conforme planilha Anexo III da diligência. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disciplinado no artigo 35, da Lei nº 8.212, na redação dada pela Lei nº 11.941, limitando a 20%, vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 169 3 Relatório Compulsei com os autos o relatório do voto de primeira instância e, tendo corroborado os registros, complementei com as demais ocorrências surgidas a partir do fim de seu relato que abaixo o reproduzo: “ Por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 37.060.2897, às folhas 01, e anexos, foi exigido do contribuinte, acima qualificado, a importância de R$ 1.349.456,26 (um milhão e trezentos e quarenta e nove mil e quatrocentos e cinqüenta e seis reais e vinte e seis centavos), consolidado em 10 de outubro de 2007, que, de acordo com o Relatório Fiscal e anexos de fls. 243/335, referese às contribuições sociais correspondente à retenção de onze por cento sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, prevista no art. 31 e parágrafos da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.711, de 20 de novembro de 1998, c/c o art. 219, §§ 2° e 3° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto IV 3.048, de 06 de maio de 1999, não retidas ou parcialmente retidas pela notificada quando da quitação das respectivas notas fiscais, no período de 07/99 a 0812007. A base de cálculo para retenção foi apurada com base: (a) valor bruto das NF relativas exclusivamente à mão de obra; (b) valor bruto das NF em que constam destacados valores referentes a reembolsos não contemplados pelo art. 219, §§ 7° e 80 do RPS e art. 152 da IN SRP IV 3/2005, art. 161 da IN 1NSS/DC n° 100/2003 e art, 105 da IN INSS/DC n°71/2002; (c) valor declarado nas NF como relativo à mãodeobra nos casos em que a empresa apresentou contrato conforme previsto no art. 219, §§ 7° e 8° do RPS e art. 158 da IN INSS/DC 100/2003; (d) 50% do valor bruto das NF em que consta o destaque de reembolso referente à utilização desgaste de equipamento utilizados para os quais a empresa apresentou contrato conforme previsto pelo art. 219, §§ 7° e 8 °do RPS e art. 150 da IN SRP n°3/2005, art. 159 da 1N INSS/DC n° 100/2003 e art. 105, inciso III, e art. 106 da IN INSS/DC n°71/2002; (e) 50% do valor bruto das NF de locação de equipamentos (empilhadeira) com operador conforme estabelecido em contrato na forma do art. 219, §§ 7" e 8° do RPS e art. 146, inciso XVI combinado com o art. 150, inciso 1, combinado com o art. 170, inciso XV, da IN SRP n°3/2005, art. 155, inciso XVI, combinado Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 com o art. 159, inciso I, combinado com o art. 179, inciso XII, da IN INSS/DC n° 100/2003. Esclarece, ainda, o REFISC que nas notas fiscais relacionadas no Anexo IV, o prestador de serviços não efetuou o destaque da retenção e, no Anexo V, o destaque foi parcialmente efetuado. No caso de ter havido destaque, retenção e recolhimento a menor, o crédito lançado corresponde ao total da retenção devida menos a recolhida, conforme demonstrado no Anexo III, na coluna "recolhido". Os valores das notas fiscais foram verificados na contabilidade, exceto no período de 04/2002 a 12/2003, em razão da falta de apresentação dos livros Diário e Razão. No campo "fonte", dos anexos, estão relacionados onde foram obtidos os valores de base de cálculo de cada nota fiscal de prestação de serviços. Anexo ao REFISC encontramse os seguintes documentos: (a) Anexo 1 fls. 248, contém a relação nominal e CNPJ dos prestadores de serviços, em ordem alfabética; (b) Anexo II fls. 249, contém a relação dos prestadores de serviços, em ordem pelo if do CNPJ; (c) Anexo III fls.250/291, contêm o demonstrativo das notas fiscais e correspondentes bases de cálculo; (d) Anexo IV fls. 292/319, contém o demonstrativo das notas fiscais sem destaque da retenção; (e) Anexo V fls. 320/335, contém o demonstrativo das notas fiscais com destaque e retenção. (O Anexo VI fls. 337/366, contém cópias dos contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas: Maria Assunta Mainardi ME; Rocape Transporte e Beneficiamento de Madeiras Ltda; Tropical Locação e Manutenção de Empilhadeiras; Antonio Carlos Isá de Souza ME; Valdir Vieira Portilho; Rodrigo Neto dos Santos; Jackson Luiz Piovezan; e Reni Moraes Pereira ME. Inconformado com o lançamento, o sujeito passivo, por intermédio de procuradora constituída, fls. 418, apresentou a impugnação de folhas 382/393, requerendo a improcedência da notificação. Alega, em síntese, que: (a) decaiu o direito do INSS lançar as contribuições relativas às competências anteriores a outubro de 2002, conforme reza o art. 173 do CTN; (b) não se aplica ao caso o art. 45 da Lei n°8.212/91, com o prazo decadencial de dez anos e não de cinco, porque tal dispositivo é inconstitucional; (c) o artigo 146 da Constituição Federal estabelece que compete à Lei Complementar estabelecer normas gerais em matéria de Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 170 5 legislação tributária, especialmente sobre, dentre outras matérias, prescrição e decadência; (d) o Código Tributário Nacional foi recepcionado como lei complementar porque trata de matéria hoje reservada a essa espécie normativa, já a Lei n° 8.212/91, não se presta a regular tal matéria por ser lei ordinária; (e) a jurisprudência em âmbito judicial é farta no reconhecimento do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento de contribuições previdenciárias; (1) também a jurisprudência em âmbito administrativo, notadamente a do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, vem de há muito reconhecendo que as autoridades administrativas não só podem como devem observar as decisões judiciais reiteradas em seus julgamentos, notadamente quando digam respeito à inconstitucionalidade de normas; (g) é indiscutível a obrigatoriedade da empresa contratante de reter 11% do valor bruto das notas fiscais. Todavia, discorda do entendimento do Auditor Fiscal que desconsiderou os percentuais pactuados entre as partes, referentes ao fornecimento de material e utilização de meios mecânicos e o da mãodeobra,aplicando percentuais diferentes; (h) mesmo que nem a impugnante, nem os terceiros tivessem pago os valores devidos, como há contrato estipulando os percentuais de 70 e 30%, não poderiam ter sido desconsiderados os percentuais pactuados, devendo observar os §§ 70 e rdo art. 219 do RPS; (i) houve o recolhimento por parte dos terceiros conforme comprovam guias de recolhimento anexadas a impugnação; (j) são anexados aos autos contratos que não haviam sido apresenta os à fiscalização e que pactuam o percentual de 70 % para os materiais. Ao final requer que lhe seja oportunizada a juntada de novos documentos que venham ser localizados, e prova pericial para comprovar o efetivo recolhimento das contribuições objeto dos documentos anexo. Indica perito e formula o seguinte quesito: "diga a pericia se os documentos anexados a esta impugnação, e demais documentos que sejam apresentados pela Impugnante até a data da realização dos trabalhos, correspondem e fazem prova do recolhimento de valores lançados de oficio na NFLD ora impugnada” Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.47, a 5 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, em 03 de junho de 2011, exarou o Acórdão n° 0724.767, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.1039 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. Analisado o recurso e a decisão de primeira instância, este Colegiado, na forma do voto de minha relatoria, resolveu converter o julgamento em Diligência conforme registra o documento de fls. 1.076, n° 2403000.025, datado de, 24 de agosto de 2011. Participaram da sessão, além de mim, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. O retorno da Diligência suscitou nova intimação ao Recorrente que diante das informações fornecidas pelo Auditor que as providenciara às fls. 1.167, não satisfeita, às fls. 1.180, reiterou de forma sumária, os argumentos já trazidos à colação quando da interposição do Recurso Voluntário. É o Relatório. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 171 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DOS §§ 7° E 8° DO ART. 219 DO RPS Em sede de impugnação, na peça interposta a então impugnante alegou que: “(h) mesmo que nem a impugnante, nem os terceiros tivessem pago os valores devidos, como há contrato estipulando os percentuais de 70 e 30%, não poderiam ter sido desconsiderados os percentuais pactuados, devendo observar os §§ 7° e 8° do art. 219 do RPS;” Às fls 1.017,na condução do voto a quo, aludindo os §§ 7° e 8°, retro, a I. Relatora registrou que “impõe a condição irrenunciável de que para a contratada se utilizar da faculdade de deduzir os valores correspondentes ao uso de equipamentos, deve relacionálos em nota fiscal, fatura, além da previsão contratual.” : “ Além disto, nos §§ 7° e 8°, do mesmo artigo, impõe a condição irrenunciável de que para a contratada se utilizar da faculdade de deduzir os valores correspondentes ao uso de equipamentos, deve relacionálos em nota fiscal, fatura ou recibo além da previsão contratual. Coube ao Fisco, então, somente a hipótese de normatizar situações em que não exista a previsão contratual dos valores correspondentes ao uso de material ou equipamentos...” As diversas Instruções Normativas sobre a matéria tiveram o condão de causar certo ruído gerando interpretações tais como a em tela. Aduz que o Decreto 3.048/99 , Regulamento da Previdência Social, sendo diploma legal e de hierarquia superior às Instruções Normativas, à luz do comando nele inserto, merece pois ser corrigida a interpretação que foi dada aos termos “facultada” e a obrigação de relacionar. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Nos termos do §7°, na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, o que fica facultado ao contratado é a discriminação do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. Logo , por ser ‘uma faculdade , o contratado pode sim renunciar e deixar de fazêlo, verbis: “§7°, Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado.” Cometeu também equivoco a instância a quo ao deduzir que na falta de registro expresso na nota fiscal que foi visto tratarse de uma faculdade do contratado o limite mínimo tomado como base de cálculo para aplicação dos percentuais de 11% seriam os ora aplicados no lançamento em comento. Na interpretação literal do comando do § 8° do sobredito art. 219, consta que tal procedimento será levado à termo na hipótese de NÃO HAVER PREVISÃO CONTRATUAL dos valores correspondentes a material ou a equipamentos, verbis: “ §8° Cabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos.” Às fls. 337/367, o Auditor Fiscal colacionou contratos de algumas prestadoras. Abaixo destaquei uma delas com resumo do objeto dos contratos que podese considerado um padrão utilizado para todos os demais apresentados nos autos : “ MARIA ASSUNTA MAINARDI ME 1.1. carregamento de toras nos veículos autorizados, e 1.2. serviços de transporte de toras da FLORESTAL RIO LARGO LTDA, às serrarias autorizadas pela ITAPINUS INDUSTRIA E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA. 3.2. transporte de toras de madeira: R$ 11,55 por tonelada Parágrafo Único: Os valores mencionados nessa cláusula serão pagos seguindo os percentuais: b)Pela mão de obra de corte, carregamento e desbaste 30% (trinta por cento) 10. A responsabilidade por todo e qualquer ato das pessoas que estiverem por sua ordem em serviço nas florestas será da CONTRATADA, independentemente de culpa ” ( grifos de minha autoria) Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 172 9 Às fls 1.022, na condução do voto a instância a quo , enfrentando a questão dos 30% referente a mão de obra , assim se manifestou: “Da análise do discriminativo das notas fiscais, que constitui o Anexo III do REFISC, fls. 250/291, observase que a maioria das notas fiscais emitidas até meados de 2006, não discrimina o valor da mãodeobra e dos equipamentos/materiais, razão pela qual, independentemente de ter sido apresentado o contrato à fiscalização, ou na impugnação, o percentual a ser aplicado sobre estas notas fiscais é de 100% sobre o valor bruto das mesmas.” Embora I. Relatora tenha destacado no item (j) de seu Relatório que constam anexados aos autos contratos que não haviam sido apresentado à fiscalização e que pactuam o percentual de 70 % para os materiais, ao corroborar o lançamento sem observar os percentuais de 30 % para mãodeobra contratualmente previstos nos contratos, impôs reformar a decisão e proceder a correção dos créditos constituídos utilizando base de cálculo diferente do comando legal. Desse modo, o valor base para efetuar a retenção do percentual de 11%, será o obtido mediante cálculo dos 30% do montante descrito nas notas fiscais sobre cujo resultado incidira a sobredita retenção. Na forma do contrato social, o objeto da Recorrente é a exploração de florestas próprias e de terceiros, industrialização de toras de madeiras brutas e a exportação de madeiras e artefatos, sendo que a extração e manejo da matériaprima e de desdobramento são feitos mediante contratação de mãodeobra de terceiros. Assim, não se tem dúvidas da obrigação de efetuar as retenções e recolhimentos legais quando dos pagamentos realizados às empresas contratadas na condição de prestadoras dos sobreditos serviços. A questão de fundo trata dos percentuais relativos à dedução da base de cálculo na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros. A Recorrente alega que vinha deduzindo, da base de cálculo dos valores sujeitos à retenção de 11%, conforme pactuado no contrato celebrado com as empresas prestadoras de serviços, por força das despesas referentes à utilização de seus próprios equipamentos (trator, muck, .motoserra, etc.), o percentual de 70% (setenta por cento) do valor da nota fiscal. Neste recurso, irresignada com o lançamento e a decisão a quo, a Recorrente reitrera que a Autoridade autuante ignorando o disposto nos contratos firmados pela Recorrente e seus prestadores de serviço, calculou da seguinte forma: 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços em que consta o destaque do reembolso referente à utilização e desgaste de equipamento utilizado para os quais a empresa apresentou Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 contrato de Cessão de mãodeobra e 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto das notas fiscais de locação de equipamentos (empilhadeira) com operador. Concluiu exortando que como há contrato estipulando os percentuais de 70 e 30%, a Autoridade Fiscal não poderia ter desconsiderado o pactuado entre as partes e lançado o valor a ser retido com base de cálculo em percentuais de 100%. DOS VALORES PAGOS NÃO RELATIVOS A SERVIÇOS CONTRATADOS A Recorrente alegou , ainda , que foram constituídos créditos sobre valores não relativos ao pagamento a prestação de serviços e que tal ocorreu porque a autoridade fiscal simplesmente tomou como base de cálculo da contribuição lançada de oficio valores outros, lançados no contacorrente do fornecedor, relativos a outras operações, inclusive de crédito (meramente financeiras), de modo que há um manifesto excesso de lançamento, e absurda ilegalidade, derivados do equivocado procedimento de lançar INSS com base em relatórios de razões contábeis. Ressaltese que a afirmação não veio acompanhada de elementos probantes apontando efetivamente quais foram os lançamentos e os equívocos cometidos. Neste sentido não há como dar provimento ao arrazoado. DO ERRO FORMAL NA EMISSÃO DAS NOTAS FISCAIS. Produziu tese amparada na hipótese de a falta de registro dos valores da mão deobra utilizada não ter sido destacada em nota fiscal ser encarada como mero erro formal o qual não pode contribuir para obliterar a verdade material estabelecida no pacto contratual. Colacionou decisão da Câmara Superior deste Egrégio Conselho que , a seu juízo, tem a mesma essência e corrobora seu entendimento, verbis: "INCENTIVO FISCAL ÀS EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA 'SUDAM'. IRPJ GLOSSA. Erro formal no preenchimento da declaração de rendimentos não autoriza a glosa dos benefícios fiscais". (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes, Recurso 115693, rel.Edwal Gonçalves dos Santos, Sétima Câmara, julgado em 17/02/1998). A decisão colacionada, por ser caso específico e individual, não se presta para anuir identidade de objetos posto que não se pode admitir que , como no caso em comento, as várias empresas prestadoras de serviço quando da emissões das inúmeras notas fiscais tenham cometido erro formal coletivo. Descabe pois dar provimento a tese. DA PROVA DOCUMENTAL A Recorrente reitera o pedido e alega que requereu em sede de impugnação, em nome do principio da verdade material, que lhe fosse oportunizada a juntada de novos documentos que seriam de ser ainda localizados, o que foi indeferido. Quanto a isso, considerando que a decisão que lhe negou deferimento ocorreu em 30 de maio de 2008, Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 173 11 daquele momento até o presente, transcorreuse tempo mais do que suficiente para a juntada dos tais novos documentos que , eventualmente, poderiam ser admitidos para análise da verdade material no presente recurso. Não o fez. Assim a alegação resta desprovida de sentido real. DA PROVA PERICIAL A recorrente reclama, também, de que o acórdão ora recorrido indeferiu pedido de prova pericial e que portanto restaria nula tal decisão, por cerceamento de defesa. Neste sentido cumpre destacar que os argumentos trazidos à colação, desde em sede de impugnação, muito embora as planilhas preparadas pela Autoridade lançadora oferecessem tal condição, não apontaram efetivamente, à luz de elementos probantes, mesmo que por simples amostra, quais lançamentos estavam maculados pelos erros de molde a suscitar tal perícia. Na forma dos mesmos sobreditos argumentos, considerando que a decisão que lhe negou deferimento ocorreu em 30 de maio de 2008, daquele momento até o presente, transcorreuse tempo mais do que suficiente para providenciar tais evidências que exibiriam ao relator pelo menos fumaça de bom direito o que não se materializou em face da precária e não sustentada argumentação trazida à colação. O comando do art. 29 do Decreto 70.235/72, aduz que para formar sua convicção, a Autoridade julgadora tem prerrogativa legal para determinar diligências, se as entender necessárias , verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias” ( grifos de minha autoria) Desse modo, entendendo que pela razões trazidas à colação, descabe diligenciar no sentido de requisitar PROVA PERICIAL. Assim, não dou provimento ao solicitado. DA RESOLUÇÃO Na conclusão da Resolução que converteu o julgamento em diligência foi requerido verificar o abaixo transcrito: “Diante de tudo que foi exposto, na forma do art. 29 do Decreto 70/235/72, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que se procedam às providências sobre a retificação do cadastramento do débito na questão da solidariedade; verificar as informações disponíveis relativas ao contratado, se houve ou não ação fiscal com exame de contabilidade contra este e se os créditos referentes a prestação de serviço ora tributada não foram objeto de lançamento contra a contratada; Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Confrontar os contratos à luz dos parágrafos 7° e 8 °do RPS e conceder o direito estritamente na forma daqueles comandos; Reexaminar a decisão do Acórdão 0712.714 exarado pela da 5° Turma da DRJ/FNS/FLORIANÓPOLIS (SC) quanto a retificar as exclusões dos créditos já retificados. Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação.” DA INTIMAÇÃO DA DILIGÊNCIA Ao ser intimada da diligência a Recorrente alegou que mesmo com os recálculos determinados, o auto manteve os valores anteriores a 2002, por este motivo, conforme já referido nas manifestações anteriores. Reiterou que é necessário o cancelamento da NFLD relativa a valores já recolhidos pelos terceiros aos valores lançados sobre outras operações havidas com os fornecedores, que não pagamento por serviços prestados, sejam considerados os percentuais pactuados entre a Recorrente e os terceiros, de forma que sejam deduzidos 70% de materiais das notas fiscais. DA RESPOSTA DA DILIGÊNCIA Ás fls. 1.165, o Auditor responsável pela condução da diligência produziu planilha onde destaca os percentuais de 30 % de mão de obra e às fls. 1.169, registra que houvera produzido recálculo na forma do indicado na Resolução ou seja considerando as bases de cálculo com 30 % Sobre os valores “ já recolhidos por terceiros” , às fls. 1.167 o Auditor que efetuou a diligência respondeu que verificara nos sistemas se as prestadoras arrolados no presente lançamento sofreram ação fiscal no período cujo resultado pudesse significar duplicidade uma vez que adimplidas suas obrigações para com o fisco, desnecessário seria constituir créditos via retenções eventualmente não efetuadas. A resposta foi negativa logo os argumentos da Recorrente não procedem posto que os recolhimentos feitos pelas prestadoras não foram submetidos a ações fiscais dando por adimplidas suas obrigações. Às fls 1.169 , o Auditor Fiscal destacou os contratos apresentados que justificariam ser alteradas as bases DE ACORDO COM DETERMINAÇÃO JUDICIAL . Relevante ressaltar que a alusão a hipotética determinação judicial e estranha aos autos. Concluiu informando que refizera os cálculos na forma final apresentada na planilha denominada ANEXO 3 resultando novos valores originais de R$ 742.667, 53 . Ressaltou que a sobredita planilha denominada CORREÇÕES EFETUADAS PARA ATENDER O COMANDO DO CONSELHO DE RECURSOS FISCAIS – SEGUNDA SESSÃO DE JULGAMENTO, tratase de planilha final. Destacou que não foram retirados os valores abrangidos pela decadência. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 174 13 Muito embora a manifesta planilha supra , cumpre notar que não consta nos autos que tenha sido procedidas efetivas retificações dos lançamentos nos sistemas. DA MULTA Às fls. 01 se observa que a empresa fora penalizada com multa de mora A infração ocorrera no período 07/99 a 08/2007 .Aduz que no Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD , às fls.168, no item, 601 – Acréscimos Legais da Multa, a multa moratória fora aplicada com a previsão nos incisos I, II e II do art. 35 da Lei n 8.212/91 Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996verbis : “Art.35 . Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996” Anterior ao sobredito comando, vigiam os incisos I, II, e III do art. 35 na forma abaixo transcrita: “Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos:( Restabelecido pela n° 9.528, de 1997) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ( Restabelecido pela n° 9.528, de 1997) a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) b) sete por cento, no mês seguinte; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ( Restabelecido pela n° 9.528, de 1997) Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) :( Restabelecido pela n° 9.528, de 1997) a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar .( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.( Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10909.004278/200761 Acórdão n.º 2403002.185 S2C4T3 Fl. 175 15 Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) “ grifos de minha autoria) Eis que o caput e § 2º da Lei no 9.430/96 determinam taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso limitada ao percentual de vinte por cento, verbis: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Face ao apresentado, cabe recálculo da multa de mora. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para EM PRELIMINAR , nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, reconhecer a decadência dos créditos constituídos para as competências 09/2002 ( inclusive) e anteriores. No MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que se procedam os recálculos dos créditos constituídos onde não se tenha observado as bases de cálculo estabelecida no percentual de 30% de mão de obra pactuadas nos contratos com as prestadoras de serviço, excluir as empresas optantes pelo SIMPLES e, ainda que se proceda o recálculo da multa de mora na forma do previsto na art. 35 da Lei n° 8.212/912 conforme a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13837.000025/2004-54
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE CÓPIA DO ADE NOS AUTOS. DILIGÊNCIA.
Não havendo nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo de Exclusão, mesmo depois de diligência para que o mesmo fosse juntado pela autoridade competente, e tratando-se de processo de exclusão por pendências fiscais, o comando da Súmula n° 02 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes deve incidir na hipótese.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1999 SIMPLES. EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE CÓPIA DO ADE NOS AUTOS. DILIGÊNCIA. Não havendo nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo de Exclusão, mesmo depois de diligência para que o mesmo fosse juntado pela autoridade competente, e tratando-se de processo de exclusão por pendências fiscais, o comando da Súmula n° 02 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes deve incidir na hipótese. Recurso Voluntário Provido.
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EXCLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE CÓPIA DO ADE NOS AUTOS. DILIGÊNCIA. Não havendo nos autos cópia do Ato Declaratório Executivo de Exclusão, mesmo depois de diligência para que o mesmo fosse juntado pela autoridade competente, e tratando-se de processo de exclusão por pendências fiscais, o comando da Súmula n° 02 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes deve incidir na hipótese. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. • ROA LE A T‘ JANO DAMORIM‘ - Presidente MARCELO RIBEIR NOGUEIRA — Relator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Processo n° 13837.00002512004-54 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.026 Fl. 132 Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Trata o presente feito de processo de exclusão do contribuinte, ora recorrente, por alegado débito junto ao INSS, que teria sido efetuado através de ADE n° 110.537, conforme consta do Despacho de Indeferimento de fls. 27 e da decisão de primeira instância de fls. 64 e seguintes. Ocorre que ao examinar os autos, este Conselheiro percebeu que não havia nos mesmos cópia do referido ADE e este Colegiado, logo, determinou que o julgamento fosse convertido em diligência para que fosse trazida pela autoridade preparadora cópia do Ato Declaratório Executivo de exclusão do ora recorrente da sistemática de tributação do Simples aos autos. Ocorre que não foi possível localizar o referido ADE, nem sequer prova de sua real existência, ao contrário, as consultas ao SIVEX de fls. 115 e 116 indicam que não há qualquer ADE vinculado ao processo em exame. Neste particular, é interessante a informação trazida pela autoridade preparadora, às fls. 120, cito: Trata-se recurso voluntário contra decisão de primeiro grau de jurisdição convertido em diligência a esta unidade para que seja juntada aos autos cópia do ADE n° 110.537. Não encontrado o ADE, segue às fis. 119, cópia do edital n° 13839/002/99 através do qual o contribuinte foi cientificado da exclusão no Simples Federal. A cópia de edital a que se refere a informação acima está às fls. 119 e faz referência a uma "tabela a seguir e suas respectivas correspondências para cada CNPJ relacionado", entretanto, não foi trazida aos autos a referida tabela, nem qualquer referência ao contribuinte ora recorrente. Noto ainda que o ora recorrente trouxe aos autos (fls. 08, 10 e 13) cópias de certidões negativas junto ao INSS datadas de 1997, 2003 e 2004, tendo a alegada exclusão ocorrido em 1999, conforme se extrai do edital acima mencionado. Os autos foram devolvidos ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e pedi sua inclusão na pauta para julgamento, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, o processo foi mantido em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 2 Processo n° 13837.000025/2004-54 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.026 Fl. 133 Voto Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Parece a este relator que o presente caso é de simples aplicação da Súmula n° 02 do Terceiro Conselho de Contribuintes, verbis: Súmula 3°Cr n° 2 - É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Isto porque, tendo o contribuinte negado a existência do débito e produzido nos autos indícios de sua regularidade fiscal e não havendo sequer como apresentar cópia do ato de exclusão respectivo, é evidente a violação do direito de defesa do ora recorrente, na forma que pretendeu protegê-lo a referida súmula. Assim, VOTO, por conhecer do recurso e dar-lhe integral provimento, acolhendo a preliminar de nulidade do ato declaratório argüida pelo contribuinte em seu recurso e reconhecendo o direito do contribuinte a sua reinclusão na sistemática de tributação do Simples desde 31 de dezembro de 1997, devendo a autoridade competente observar o preenchimento dos demais requisitos legais para a manutenção do contribuinte nesta sistemática de tributação. N/\axci:CQUeL1/4„0 11k 4.,LRAAP- • MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA\--) 3
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Numero do processo: 13161.001369/2007-13
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10907.002201/2006-95
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS - FALTA DE COMPROVAÇÃO - GLOSA MANTIDA.
1. Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de tratamento médico e odontológico, mantém-se a exigência do crédito tributário. (Inteligência do artigo 11 § 3°., do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943).
PROCESSO TRABALHISTA - VALORES PAGOS A TÍTULO DE ANUÊNIO - VERBAS QUE NÃO POSSUEM NATUREZA INDENIZATÓRIA.
2. Os valores pagos pela fonte pagadora a titulo de anuênio estão inseridos na remuneração devida pelo trabalho e, desta forma não possuem natureza indenizatória, razão pela qual estão sujeitos à incidência do imposto de renda.
DEPENDENTE - NETO - NECESSIDADE DE TERMO DE GUARDA JUDICIAL PARA FINS DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.
3. Nos termos do artigo 35 V da Lei n°9.250, de 1995, para que o neto seja considerado dependente, para fins de dedução do imposto de renda, é necessário que o contribuinte, no caso o avô, detenha guarda judicial, requisito este que não existe no caso dos autos.
LANÇAMENTO FEITO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS POR MEIO DE DIRF - CONTRIBUINTE QUE NEGA TER RECEBIDO OS VALORES - EMPRESA INTIMADA, POR SUA MASSA FALIDA INFORMA NÃO POSSUIR COMPROVANTE - INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO - VALORES AFASTADOS DA BASE D
CÁLCULO.
A parte que nega a existência de determinado fato que lhe é atribuído e que não tem como fazer prova negativa de que o fato não ocorreu. Para se exigir imposto de renda com base em pagamento, cabe à autoridade lançadora fazer prova do pagamento. A circunstância da empresa que encaminhou a DIRF ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o
pagamento sobre o qual exige imposto de renda.
Recurso acolhido em relação
a este ponto.
LIMITE DE ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS
- RESTRIÇÃO INCOMPATÍVEL COM AS GARANTIAS
FUNDAMENTAIS ASSEGURADAS AOS IDOSOS NA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL E NO ESTATUTO DO IDOSO - COMPENSAÇÃO DOS
VALORES COM O MONTANTE DESCONTADO NA FONTE SOBRE
INDENIZAÇÃO TRABALHISTA
5. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, que
deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos
termos dos art. 111 e 176 do CTN, assim, não há que se falar em ofensa as
garantias fundamentais conferidas ao idoso na CF/1988 e no Estatuto do
Idoso.
6. Sendo tributáveis tanto os rendimentos decorrentes da reclamatória
trabalhista quanto os valores excedentes ao limite de isenção para
contribuintes maiores de 65 anos, incabível o pedido de compensação.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-000.535
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de tratamento médico e odontológico, mantém-se a exigência do crédito tributário. (Inteligência do artigo 11 § 3°., do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943). PROCESSO TRABALHISTA - VALORES PAGOS A TÍTULO DE ANUÊNIO - VERBAS QUE NÃO POSSUEM NATUREZA INDENIZATORIA. 2. Os valores pagos pela fonte pagadora a titulo de anuênio estão inseridos na remuneração devida pelo trabalho e, desta forma não possuem natureza indenizatória, razão pela qual estão sujeitos à incidência do imposto de renda. DEPENDENTE - NETO - NECESSIDADE DE TERMO DE GUARDA JUDICIAL PARA FINS DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 3. Nos termos do artigo 35 V da Lei n°9.250, de 1995, para que o neto seja considerado dependente, para fins de dedução do imposto de renda, é necessário que o contribuinte, no caso o avô, detenha guarda judicial, requisito este que não existe no caso dos autos. LANÇAMENTO FEITO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS POR MEIO DE DIRF - CONTRIBUINTE QUE NEGA TER RECEBIDO OS VALORES - EMPRESA INTIMADA, POR SUA MASSA FALIDA INFORMA NÃO POSSUIR COMPROVANTE - INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO - VALORES AFASTADOS DA BASE D CÁLCULO.. • 4. A parte que nega a existência de determinado fato que lhe é atribuído e que não tem como fazer prova negativa de que o fato não ocorreu. Para se exigir imposto de renda com base em pagamento, cabe à autoridade lançadora fazer prova do pagamento. A circunstância da empresa que encaminhou a DIRF ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o pagamento sobre o qual exige imposto de renda. Recurso acolhido em relação a este ponto. LIMITE DE ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS - RESTRIÇÃO INCOMPATÍVEL COM AS GARANTIAS FUNDAMENTAIS ASSEGURADAS AOS IDOSOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E NO ESTATUTO DO IDOSO - COMPENSAÇÃO DOS VALORES COM O MONTANTE DESCONTADO NA FONTE SOBRE INDENIZAÇÃO TRABALHISTA 5. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, que deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos art. 111 e 176 do CTN, assim, não há que se falar em ofensa as garantias fundamentais conferidas ao idoso na CF/1988 e no Estatuto do Idoso. 6. Sendo tributáveis tanto os rendimentos decorrentes da reclamatória trabalhista quanto os valores excedentes ao limite de isenção para contribuintes maiores de 65 anos, incabível o pedido de compensação. Recurso parcialmente provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os memb do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, os t o- do vo- e •r. Franci • • -sis de Oliveira Júnior - Presidente % ----- Moisés : come - • • va - Relator EDITADO EM: • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). 2 1 Processo n° 10907.00220112006-95 S2-C2T1 I Acórdão n.° 2201-00.535 Fl. 2 I I I Relatório Trata o presente processo de exigência feita por meio do auto de infração de fls. 179 e seguintes, correspondente aos anos-calendário de 2001 a 2005, notificado à parte interessada em 25/09/2006, conforme AR de fl. 196. Foi apurado crédito tributário no valor de RS 101.871,27. A exigênCia do crédito tributário deu-se com multa de 75% e 112,5%. As declarações de ajuste anual correspondentes aos anos fiscalizados constam das fls. 03 e seguintes, pelo que se extrai dos autos que o recorrente é médico aposentado. As infrações que ensejaram o lançamento foram as seguintes: 1) omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, em 17/03/2002, em decorrência de ação trabalhista; 2) omissão de rendimentos recebidos da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, nos anos-calendário de 2002 e 2003; 3) dedução indevida de dependente, nos anos-calendário 2001 a 2003, em razão da falta de comprovação da relação de dependência do neto Ian Lucas Bettega Almeida do Nascimento; 4) dedução indevida de despesas com instrução, nos anos-calendário de 2001 a 2003, também por falta de comprovação da relação de dependência de Ian Lucas Bettega Almeida do Nascimento; 5) dedução indevida de despesas médicas, nos anos-calendário de 2001 a 2005; 6) classificação indevida de rendimentos na DIRF, excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 25/10/2006 o contribuinte apresentou a impugnação de .fls. 200/206 e juntou documentos (fls. 208/281) Em suas razões, alegou, em síntese, que: a) não há incidência de imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo INSS, por se tratar de verba indenizatoria auferida em ação trabalhista; b) nos últimos anos não trabalhou junto ao estabelecimento hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, conforme comprova documento acostado às fls. 230, com as informações prestadas pelo Diretor Geral do Hospital Regional do Litoral — HAL. Assim, incabível o lançamento feito com base em DIRF; c) lan Lucas Bettega Almeida do Nascimento é seu neto e está sob sua ‘idependência econômica e financeira, de acordo com os documentos de fls. 232 e seguintes; 3 d) efetivamente recebeu tratamento odontologico, oftalmológico, psicológico e de emergência (fls. 238/279), os quais foram paáos em dinheiro. Neste ponto, aduziu que os profissionais que lhes prestaram atendimento médico já prestaram esclarecimentos à. SRF, além do que o TRF da 4' Região, em recente decisão, decidiu ser dispensável a prova dos pagamentos efetuados com cheques, quando são apresentados os recibos que comprovam os serviços prestados; e) em razão de Ian Lucas Bettega Almeida do Nascimento estar sob sua dependência econômica e financeira, são legítimas as deduções quanto às despesas de instrução, já que pagou as mensalidades escolares do neto, de acordo com os documentos de fls. 232/236 e 280/281; f) quanto à classificação indevida de rendimentos tributáveis como isentos, por excederem o limite se isenção para declarantes com 65 anos ou mais, sustenta ser a restrição incompatível com as garantias fundamentais asseguradas aos idosos na Constituição Federal e no Estatuto do Idoso. Requereu, em última análise, a compensação destes valores com o montante descontado indevidamente na fonte sobre a indenização trabalhista (fl. 205), com a redução do valor tributado para R$ 15.192,08. Em razão das informações prestadas pelo Diretor Geral do HRL (fl.230), de que o contribuinte, nos últimos dez anos, não prestou serviços para o estabelecimento hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, o processo retomou à DRF para que fosse intimada a fonte pagadora a se manifestar sobre a percepção dos rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício, nos anos-calendário de 2002 e 2003. Vieram aos autos os documentos de fls. 284/300 informando que o patrimônio fisico da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá tinha sido adquirido pelo Estado do Paraná, mas que a massa falida do referido hospital ainda existia, tendo como responsável o Dr. Olavo Muniz de Carvalho. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 303 e seguintes, julgou, por unanimidade, procedente em parte o lançamento, afastando a multa agravada por entender que a falta de esclarecimento não causou nenhum embaraço à fiscalização e acolheu as seguintes despesas médicas: R$ 1.500,00 de tratamento fisioterápico (fls. 238/260), em cada um dos anos- calendário de 2002 a 2005; R$ 140,00, de tratamento psicológico, em 10/04/2002 (fl. 263), conforme as declarações prestadas pelo profissional às fls. 151/152 e 156/160; R$ 3.200,00 de gastos com oftalmologista, em 22/07/2004 (fl. 262), corroborados pela declaração médica de fls. 146, e por estarem relacionados com as despesas hospitalares de fls. 266/270. Assim, foi restabelecido R$ 1.640,00; R$ 1.500,00; R$ 4.700,00 e R$ 1.500,00, nos anos-calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, respectivamente. Em relação à tributação dos proventos de aposentadoria excedentes ao limite de isenção, em relação ao ano-calendário de 2005, foi reduzido o valor de R$ 25934,21 para R$ 13 968 uma vez que a parcela isenta correspondente à aposentadoria especial (fl. 87) já foi integralmente tributada (fl. 19). • Assim, o acórdão manteve R$ 36.457,53 de imposto, R$ 27.343,14 de multa de 75%, valores estes referentes aos exercícios de 2002 a 2006. Intimado da decisão em 16/07/2007 (fl. 318), o contribuinte, em 15/08/2007, interpôs recurso de fls. 319 e seguintes, reiterando as alegações contidas quando da impugnação. \kl É o relatório. 4 • Processo'? 10907.00220112006-95 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.535 Fl. 3 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235 de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado Assim, conheço do recurso e passo ao exame da matéria. Em síntese, a parte interessada recorre contra as infrações abaixo relacionadas, que serão analisadas de forma individualizadas: • a) omissão de rendimentos recebidos no ano-calendário de 2002, do INSS, no valor de R$ 54.504,95, conforme processo trabalhista n° 95.0016088-9, da 1P Vara da Justiça Federal de Curitiba; b) omissão de rendimentos recebidos da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, nos anos-calendário de 2002 e 2003, nos valores de R$ 12.280,00 e R$ 12.500,00, respectivamente; c) dedução indevida da base de cálculo com o neto de lan Lucas Almeida Nascimento, nos anos de 2001, 2002 e 2003, nos valores de R$ 1.080,00; R$ 1272,00; e R$ 1.272,00,00, respectivamente; d) glosa de despesas médicas nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, respectivamente; e) dedução indevida com dependente e glosa de despesas com instrução, todas relativas ao neto Ian Lucas Bettega Almeida Nascimento, nos anos calendário de 2001, 2002 e 2003; f) rendimentos excedentes ao limite de isenção do declarante com 65 anos ou mais, nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003 e 2005, nos valores de R$ 5.338,89; R$ 10.020,43; R$ 25.403,50 e R$ 28.934,21, respectivamente. (I) Da quesião tratada no recurso em relação â omissão de rendimentos recebidos no ano-calendário de 2002, do INSS, no valor de R$ 54.504,95, em razão de processo trabalhista. O recorrente, conforme especificado no auto de infração (fl.• 180), não fez constar em sua declaração de rendimentos o valor que recebeu no processo trabalhista n° 95.0016088-9, da 11 Vara da Justiça Federal de Curitiba, ajuizado contra o INSS. Argumenta que ditos valores são de natureza indenizatoria, em relação aos quais não incide imposto de renda, e que o valor retido a este título, quando do pagamento, o foi de forma indevida e deve ser compensado com a exigência em relação aos rendimentos de aposentadoria que excederam ao limite da isenção. Do que se depreende dos documentos de fls. 30, 31, 34 e 35, os referidos rendimentos têm origem em ação patrocinada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde e Trabalho contra o INSS. Constam dos autos, em relação ao mencionado processo, dois alvarás, sendo um no valor de R$ 9270.969,52, referente ao pagamento devido aos substituídos no processo, dentre os quais o recorrente e outro no valor de R$ 1.028.104,98 correspondente ao Imposto de Renda na Fonte, com recolhimento automático mediante DARF que acompanhou o alvará, conforme especificado na própria ordem judicial. Os documentos fornecidos pelo INSS, às fls. 32 e 33, indicam que o reclamante recebeu R$ 60.397,93, com R$ 13.734,07 de 112R1 e R$ 5.677,70 descontado a título de INSS. Além dos valores aqui referidos pagou mais R$ 6.056,10 a título de honorários advocatícios. Ao apurar a base de cálculo, a autoridade fiscal pegou o valor principal, incluindo nele correção monetária de R$ 163,12, conforme especificado no demonstrativo de fl. 30. (R$ 60.397,93 + 163,12 = RS 60.561.05). Do valor encontrado foi subtraído o montante pago a título de honorários (R$ 60.561,05 - R$ 6.056,10 = R$ 54.504,95). Ao julgar a impugnação a DRT exclui da base de cálculo os valores descontados a título de previdência oficial, no valor de RS 5.677,70. A importância paga a título de honorários já havia sido excluída da base de cálculo, quando do lançamento. Não prospera o argumento do recorrente de que a importância recebida no• processo antes referido tem natureza indenizatória, pois conforme documento de fl. 30, fornecido pelo Sindicato, que serviu de base para o lançamento, trata-se de cobrança de anuênios retroativos, os quais reputo que têm natureza remuneratoria e não indenizatória. Assim, neste ponto, não prospera o recurso. (II) Da omissão de rendimentos recebidos da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, nos anos-calendário de 2002 e 2003, nos valores de R$ 12.280,00 e 14$ 12.500,00, respectivamente. Em relação a este item, trata-se de autuação feita com base na DIRF (fls. 170 e 176). Conforme decisões deste Conselho, sempre que aquele a quem se atribui um pagamento, por meio de DIRF, negar que recebeu, cabe à autoridade lançadora fazer prova do pagamento, pois o autuado não tem como fazer prova de fato que afirma não ter ocorrido. A circunstância do Hospital ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o pagamento sobre o qual exige imposto de renda. O acórdão recorrido, em relação a este ponto,-argumenta que caberia ao Dr. Carlos Eduardo M. Lobo, como responsável pelo Hospital, localizar e fornecer a documentação contábil da Santa Casa ao Sr. Olavo Muniz de Carvalho, síndico da Massa Falida, para que este entregasse ao recorrente ou demonstrasse o erro de preenchimento das DIRFs. Tal fundamento mostra-se Subsistente, pois o fato de terceiro não ter localizado a prova do pagamento, que o fiscalizado nega ter recebido, não permite à autoridade fiscal presumir que este se efetivou, pois pagamento, no direito brasileiro, somente se prova mediante recibo ou crédito em conta bancária pertencente ao beneficiário. Por não ter a Fiscalização comprovado a materialidade do pagamento, neste ponto dou provimento ao recurso para excluir da base de cálculo, nos anos-calendário de 2002 e 2003, os valores de 12$ 12.280,00 e R$ 12.500,00, respectivamente, devendo, na execução do acórdão, também ser desconsiderado os valores informados a título de IRItF, especificados Es. 170 e 176. 6 Processo o° 10907.002201/2006-95 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00335 Fl. 4 (III) Da dedução indevida da base de cálculo com dependente nos anos de 2001, 2002 e 2003, nos valores de R$ 1.080,00; R$ 1.272,00; e R$ 1.272,00,00, respectivamente, e dedução indevida com educação do neto Ian Lucas Almeida Nascimento, nos anos de 2001, 2002 e 2003, nos valores de R$ 1.700,00; R$ 1.998,00 e R$ 1.998,00, respectivamente. Nos termos do artigo 35, inciso V, da Lei n° 9.250, de 1995, abaixo transcrito, o neto só pode ser considerado dependente nos casos em que o avô detenha a guarda judicial. Art. 35. Para efeito do disposto nos artigos 4°, inciso III, e 8°, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: .... V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos desde que o contribuinte detenha a euarda judicial ou de qualquer idade quando incapacitado fisica ou mentalmente para o trabalho; Assim, se a legislação exige, como caracterização de dependência e requisito da dedutibilidade, a detenção da guarda conferida pela autoridade judicial, formalidade não demonstrada neste processo, o simples fato de Ian Lucas Almeida Nascimento encontrar-se sob dependência econômica e financeira do recorrente, por si só, não autoriza sua condição de dependente para efeito de dedução nas declarações do ERRE. Desta forma, não detendo a guarda judicial não há como se considerar a dependência do neto Ian Lucas Almeida Nascimento para fins de dedução, inclusive despesas com instrução, da base de cálculo do imposto de renda. (IV) Da glosa de despesas médicas nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, nos valores de R$ 15.661,57, R$ 11.225,96, 14$ 12.836,73, R$ 10.730,00 e R$ 6.829,95. Das despesas acima referidas, o acórdão recorrido restabeleceu R$ 1.500,00 referente a tratamento fisioterápico (fls. 238/260), em cada um dos anos-calendário de 2002 a 2005; R$ 140,00, de tratamento psicológico, em 10/04/2002 (fl. 263), conforme as declarações prestadas pelo profissional às fls. 151/152 e 156/160; R$ 3.200,00 de gastos com oftalmologista, em 22/07/2004 (fl. 262), corroborados pela declaração médica de fls. 146, e por estarem relacionados com as despesas hospitalares de fls. 266/270. Assim, foi restabelecido R$ 1.640,00, R$ 1.500,00, R$ 4.700,00 e R$ 1.500,00, nos anos-calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, respectivamente. Ao julgar a . questão relacionada à glosa das despesas médicas, o acórdão recorrido o fez com base nos seguintes fundamentos: Com relação à glosa das despesas médicas, afirma que recebeu os serviços prestados por cirurgião dentista, médico oftalmologista, psicólogo e atendimentos emergenciais, . conforme documentos de fls. 238/278, os quais foram pagos em dinheiro. Acrescenta que os emitentes dos recibos já prestaram os devidos esclarecimentos a ,SRF, e o TRF da 4° Região decidiu, 9recentemente, que é dispensável a comprovação de pagamentos 7 com cheques, quando se tem recibos médicos que atestam os serviços prestados. No que tange à glosa das despesas médicas, a Lei n° 9250, de 1995, em seu art. 80 estabelece: "Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: 1(4 II- das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas. fonatudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I— (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Fisicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifou-se) . Por outro lado, o artigo 73 e § 1° do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que, verbis: Art 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n°5.844, de 1943, art. II, § 39. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, • poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. II, Ç4. (Negritou-se). Depreende-se dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. As deduções são significativas e incomuns e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do Decreto-Lei ns 5.844, de 1943. Não se prestam a comprovar a efetividade de pagamento meras alegações de que o fez por meio de moeda em espécie. Tal argumento não pode ser aceito. Não é este o meio usual de pagamento adotado pelas pessoas, mormente quando os recibos 8 Processo n°10907.002201/2006-95 52-C2TI Acórdão n.' 2201-00.535 Fl. 5 são de valores expressivos, tanto o é, que o pagamento ao Dr. Henrique S. Kilaita foi efetuado por meio do cheque 850597, •conforme mencionado no recibo à fl. 262. Sendo o impugnante aposentado da previdência oficial e recebedor de rendimentos apenas de pessoas jurídicas seus vencimentos são creditados em conta corrente, não possuindo outros rendimentos próprios declarados que pudessem ser recebidos em espécie, assim, forçosamente os recursos para pagar as despesas médicas tiveram que ser sacados de sua movimentação financeira bancária ou pagas por meio de cheques ou transferências bancárias. Ora, nesse sentido, para comprovar os pagamentos • dessas despesas, bastaria ter apresentado as retiradas que fez, as quais seriam facilmente identlficáveis pela expressividade dos valores. Vale ressaltar também, que é equivocado entender que o inciso III do art. 8° da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso ifi do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação refere-se aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificacão e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento . comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso lido mesmo art. 8° da Lei 9.250, de 1995. Documentos, de natureza particular, por si sós, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento. ' Entretanto, embora não tenha sido apresentado provas do efetivo pagamento, acolhem-se as despesas havidas com fisioterapia junto a profissional Andréa S. M. Xavier (fls. 238/260), no montante de R$ 1.500,00, em cada um dos anos- calendário de 2002 a 2005; a despesa de psicoteratia junto à profissional Suely de Fátima Dutra, no valor de R$ 140,00, em 10/04/2002 (fl. 263-inferior), uma vez corroboradas pelas declarações dos profissionais às fls. 151/152 e 156/160; e os gastos com cirurgia oftalmológica junto ao profissional Henrique S. Kilcuta, no valor de R$ 3.200,00, em 22/07/2004, por estar relacionada com as despesas hospitalares às fls. 266/270, conter a indicação do n° do cheque no recibo de fl. 262, e estar corroborada pela declaração do profissional à fl. 146. Assim, • cabe restabelecer R$ 1.640,00, R$ 1.500,00, R$ 4.700,00 e R$ 1.500,00, nos anos-calendário de 2002 a 2005, respectivamente, a título de despesas médicas. Por outro lado, não são hábeis à comprovação os recibos de fls. 263-superior e 264, supostamente emitidos pela empresa Cidade Emergências Médicas Ltda., CNPJ 01.381.744/0002-47, pois, em se tratando de pessoa jurídica o documento idôneo à ccomprovação seria a nota fiscal. Além disso, os recibos, . 9 apresentados não preenchem os requisitos mínimos para se analisar a dedutibilidade ou não das despesas - são genéricos e englobam despesas anuais, não identificam o(s) procedimento(s) tampouco o(s) paciente(s) -. Vale lembrar, ainda, que não é esta . forma de cobrança adotada pelas empresas prestadoras de serviços de emergências médicas, uma vez que os usuários, normalmente, optam por um plano e pagam uma taxa mensal e, em não havendo, efetua-se o pagamento a cada atendimento. Ademais, sendo o litigante médico e beneficiário de plano de saúde da Unimed que tem ampla cobertura para emergências médicas e hospitalares, restam dúvidas quanto à idoneidade desses documentos. Assim, não há, pois, como acolhê-los. Da mesma forma, não há como acolher as supostas despesas odontológicas do interessado e sua esposa havidas junto ao profissional Artur Kuniyoshi, nos montantes de R$ 1.150,00, R$ 1.950,00 e R$ 2.000,00 (fls. 261/262), nos anos-calendário de 2002, 2004 e 2005, respectivamente, pois além de não ter sido apresentado comprovação do efetivo pagamento, causa-nos estranheza que o litigante e sua esposa tenham se deslocado até Campo Mourão —situado há mais de 500 Km. de Paranaguá, para fazer um tratamento odontológico comum, que poderia ser feito em Paranaguá ou em Curitiba que está há 90 Km. de seu domicilio e possui profissionais competentes e renomados que atuam em todas as especialidades. • Os documentos de fls. 266/270, já foram acolhidos pela autoridade lançadora quando do lançamento, assim, não cabe restabelecer a dedução das despesas constantes dos mesmos. O recurso do sujeito passivo não demonstra, de forma direta, onde estaria o erro do acórdão. Limita-se a argumentar: a) que efetivamente recebeu os serviços médicos; b) que realizou os pagamentos em dinheiro; c) que os profissionais prestadores de serviços médicos já prestaram os devidos esclarecimentos à SRF atestando a prestação dos serviços; e d) que o TRF da 4' Região diz que é dispensável a comprovação de pagamentos com cheques quando se tem recibos médicos que atestam os serviços prestados. Em conformidade com o artigo 11, § 3°, do Decreto-lei n°5844, de 1943, a seguir transcrito, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a Fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. ' Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capitulo, necessárias à percepção dos rendimentos. § 1° As deduções permitidas senão as que corresponderem a despesas efetivamente pagas. • § 2° As despesas deduzidas numa cédula não o serão noutras. ' lo Processo n° 10907.002201/2006-95- S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.535 A. 6 § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. § 5° Ás deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação, exigidas na forma deste decreto-lei, não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrivel na órbita administrativa. O artigo 8 0, § 2°, In, da Lei n° 9.250, de 1995, disciplina que a comprovação dos valores pagos pelo contribuinte aos profissionais da área da saúde deve dar-se por meio de recibo com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebe. Na falta do recibo, o legislador admitiu como prova a indicação do cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Nos casos de lançamento por homologação, cabe ao sujeito passivo informar o valor dos gastos realizados com despesas médicas, sendo assegurado à fiscalização, nos termos do artigo 11, § 3 0, do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, exigir a respectiva comprovação. Conforme tenho me posicionado em julgamentos anteriores, trilho no entendimento de que apresentados recibos exigidos pela lei, acompanhados de declaração do profissional fornecedor dos serviços, a mera suspeita de que os serviços não foram prestados, desacompanhada de outros elementos de convicção, não se constitui em meio de prova capaz de afastar a presunção de veracidade dos recibos. A boa-fé se presume e a má-fé se prova. No entanto, no caso dos autos, em relação aos recibos que não acolheu, como por exemplo os relacionados a tratamentos odontológicos supostamente realizados com profissional estabelecido há mais de quinhentos quilômetros da residência do recorrente, ou os três recibos padrão atribuídos à empresa Cidade Emergências Médicas, o acórdão recorrido, de forma precisa, especifica os fundamentos pelos quais não os acolheu, sem que o recorrente tenha apresentado qualquer prova ou argumento em contrário. Não é crível que alguém, por vários anos consecutivos, gaste consideráveis valores em estabelecimento médico sem dispor de um único exame que pudesse comprovar o tratamento de saúde. Registro que em relação aos atendimentos médicos em que os profissionais atestaram a efetiva prestação de serviços e os pagamentos, o acórdão recorrido restabeleceu a dedução no que diz respeito aos valores comprovados. Por tais fimdamentos, neste ponto, mantenho integralmente o acórdão recorrido. V) Dos rendimentos excedentes ao limite de isenção do declarante com 65 anos ou mais, nos anos-calendário de 2001, 2002, 2003 e 2005, nos valores de R$ 5.338,89, R$ 10.020,43, R$ 25.403,50 e R$ 28.934,21, respectivamente. Compensação de valores. Em relação a este ponto, o acórdão recorrido está alicerçado nos seguintes fundamentos: 456 i • • Relativamente à tributação dos proventos de aposentadoria excedentes ao limite de isenção prevista para declarantes maiores de 65 anos, há que se observar as disposições do art. 39, XXICP, do R1R/1999, in verbis: Art 39. Mio entranio no cômputo do rendimento bruto: XXXIV — os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência S rio( da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos• Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de Idade, sena prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei 7.713, de 1988, ar!. 6°, XV, e Lei 9.250. de 1995. art 28). O valor de isenção de RS 900,00 foi alterado para R$ 1.058,00 a partir de 01/01/2002, pelos art. 2°e 15, da Lei 10.451, de 2002, e para R$ 1.164,00 a partir de 01/01/2005, pelo art. 2°, vi; da Lei 11.119, de 25 de maio de 2005. Por sua vez a Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001, relativamente à parcela isenta de aposentadoria ou • pensão, em seu art. 52, estabelece: An 52. No caso de recebimento de uma ou mais aposentadorias ou pensões pagas pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a contribuinte com 65 anos de idade ou mais, a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos, observados os limites mensais. Parágrafo único. O limite anual representa a soma dos valores mensais computados a partir do mis em que o contribuinte completar 65 anos de idade até o término do ano-calendário. Depreende-se, portanto, que o fato de o contribuinte perceber mais de uma aposentadoria paga pela previdéncia oficial, não lhe autoriza a excluir, cumulativamente, o valor previsto nos dispositivos acima transcritos, de cada um dos rendimentos auferidos. O interessado completou 65 anos de idade em 02/10/2001, tendo, a partir dessa data, direito à isenção mensal nos limites estabelecidos, cabendo-lhe, no entanto, o dever de proceder ao ajuste da parcela isenta submetendo à tributação a valor • excedente ao limite de isenção, independentemente do número de aposentadorias que receber. Com efeito, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos art. 111 e 176 do CTN, assim, não ha que se falar em ofensa as garantias fundamentais conferidas ao idoso na CF/I988 e no estatuto do idoso. À luz dessas considerações reputam-se corretas as parcelas tributadas nos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003, montantes de R$ 5.338,89, R$ R$ 10.020,43 e R$ 25.403, respectivamente. 12 Processo n° 10907.002201/2006-95 S2-C2TE Acórdão n.° 2201-00335 Fl. 7 Em relação ao ano-calendário de 2005, cabe reduzir o montante tributável de R$ 28.934,21 para R$ 13.968,00, uma vez que a parcela isenta correspondente à aposentadoria especial constante do documento à fl. 87, já foi integralmente tributada na declaração de ajuste anual el. 19. Logo, sendo tributáveis tanto os rendimentos decorrentes da reclamatória trabalhista quanto os valores excedentes ao limite de isenção para contribuintes maiores de 65 anos, incabível o pedido de compensação pleiteado em sua impugnação à fl. 205. Diante dos fundamentos acima referidos, argumenta o recorrente que devem prevalecer as disposições constantes da Constituição Federal e do Estatuto do Idoso. No entanto, tais normas, de caráter geral, não conferem isenção de imposto de renda ao idoso, motivo pelo qual, no aspecto tributário, aplicam-se as disposições antes referidas, que por sinal foram modificadas, em parte pela redação dada pela Lei n° 11.482, de 31.05.2007, DOU 31.05.2007 — Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n° 340, de 29.12.2006, DOU 29.12.2006 - Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.012007, passando o artigo 6°, XV, da Lei 7.713, de 1988, a vigorar com a seguinte redação: Art. e. Ficam isentos do Imposto sobre a Renda os seguintes rendimentos percebidas por pessoas fisicas: XV- os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, de transferência para a reserva remunerada ou de reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal de imposto até o valor de: a) R$ 1313,69 (mil, trezentos e treze reais e sessenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2007; b)RS 1.372,81 (mil, trezentos e setenta e dois reais e oitenta e um centavos), •por mês, para o ano-calendário de 2008; c) R$ 1.434,59 (mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e cinqüenta e nove centavos), por mês, para o ano-calendário de 2009; d) R$ 1.499,15 (mil, quatrocentos e noventa e nove reais e quinze centavos), por més, a partir do ano-calendário de 2010; (Redação dada ao inciso pela Lei e 11.482, de 31.05.2007, DOU 31.05.2007 - Edição Extra, conversão da Medida Provisória n° 340, de 29.12.2006, DOU 29.12.2006 - Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.01.2007). Não havendo no estatuto do idoso qualquer norma que confere isenção em relação ao imposto de renda, neste ponto, mantém-se o acórdão recorrido, destacando que a questão relativa à compensação, em relação a esta exigência, com os valores retidos a título de imposto de renda no processo trabalhista, já foi analisada anteriormente e não acolhida. e 13 • Isso posto, dou parcial provimento ao recurso para: a) afastar da base de cálcuto, nos anos-calendário de 2002 e 2003, os valores de R$ 12280,00 e R$ 12.500,00, respectivamente, atribuidos a supostos pagamentos feitos pela Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, devendo, na execução do acórdão, também ser desconsiderado os valores informados a título de 1RRF, especificados às fls. 170 e 176. É o voto. MOISÉSSGIACO DA SILVA. • • 14 • MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10907.002201/2006-95 Recurso n° : 161.360 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (á) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n°2201-00.535. Brasi ia/DF .• FRANCI O A . SIS DE OLIVEIRA JUNIOR President: da Se:, da Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001604/2007-91
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.726
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.001604/200791 Recurso nº 11.831.001604200791 Voluntário Acórdão nº 2803002.726 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ÁGUA LIMPA TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. 3. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 16 04 /2 00 7- 91 Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa. Tais contribuições têm como fatos geradores os valores pagos a segurados contribuintes individuais, nas competências 01/1999 a 02/1999. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 16 de agosto de 2007 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999 Documento: NFLD nº 37.038.8283 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo de decadência para a constituição do crédito previdenciário é de 10 (dez) anos, conforme art. 45 da Lei 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei nº 8.212/91, nos termos do art. 30, inc, IX, do mesmo diploma legal. A solidariedade fixada na legislação previdenciária em relação ao grupo econômico (art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91 e art. 748 da IN MPS/SRP nº 03/2005) é bastante ampla. Basta uma das componentes do grupo não cumprir as obrigações previdenciárias, para outra delas assumir a responsabilidade pro via da solidariedade, o que possibilita ao FISCO, proceder contra qualquer delas, sem que se possa arguir a defesa de ilegitimidade de parte, ou benefício de ordem. INCONSTITUCIONALIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da lei não se discute em instância administrativa. Tais teses deverão ser discutidas na esfera própria, Supremo Tribunal Federal, conforme competência estabelecida no Capítulo III, da Constituição Federal (art. 102, inciso I, alínea “a”). TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadas pelo INSS, não pagas dentro do prazo legal, incidem juros de mora, calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic – Art. 34 da Lei 8.212/91. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 5 4 Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminares. O acórdão recorrido deve ser anulado, tendo em vista a incompleta ementa que, como parte integrante do v. acórdão, não pode ostentar as características da seletividade em seus termos. O contribuinte não teve ciência das prorrogações do originário MPF (09303971, de 18/05/06). Os argumentos preliminares suscitados não foram contemplados na ementa do acórdão recorrido, e, receberam contrapontos decisórios que, no franco sentir do contribuinte, não ofereceram um mínimo de palavras revestidas de juridicidade hábil á comporem uma ementa e julgamento, daí , talvez, a omissão seletiva, data vênia. Mérito. A caracterização de grupo econômico está inadequada. Resta impugnada, na sua totalidade, esta NFLD, diante da falta de adequada demonstração quanto à apropriação de recolhimentos feitos oportunamente pelo contribuinte aos cofres previdenciários. Espera o contribuinte o recebimento e processamento deste recurso administrativo, com o acolhimento de suas arguições ainda em sede de primeira instância administrativa, através da realização de diligências, determinadas na fase de contrarrazões do fisco previdenciário, encerrandose desde logo a controvérsia instaurada nestes autos administrativos. Mas, mantendo a instância administrativa originária seu posicionamento, ou seja, insistindo em seu erro, e, em sendo processado o presente recurso, que o e. Conselho de Contribuintes, ponderando nas razões recursais, reconheça a insubsistência da NFLD, extirpandoa em definitivo do mundo jurídico. Por fim, mantémse o contribuinte na expectativa do acolhimento das nulidades aventadas em sede preliminar, ou, na improvável hipótese de serem superadas, que seja declarada a improsperidade do lavor fiscal, no seu mérito. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Quanto à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212 há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11831.001604/200791 Acórdão n.º 2803002.726 S2TE03 Fl. 7 6 No presente caso o lançamento foi efetuado em 30 de novembro de 2006, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplicase a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente, fevereiro de 1999, o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 2000, o que findaria em 1 de janeiro de 2005. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 2/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001283/2006-90
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Pessoa jurídica cuja atividade seja academia de ginástica, ou prestação de serviços de condicionamento fisico, não pode optar pelo Simples.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS - Para a hipótese de exclusão do Simples, com fundamento no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, a data a partir da qual surtirão os seus efeitos decorre da previsão do inciso II do art. 15 da mesma Lei.
Numero da decisão: 1102-000.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Pessoa jurídica cuja atividade seja academia de ginástica, ou prestação de serviços de condicionamento fisico, não pode optar pelo Simples. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS - Para a hipótese de exclusão do Simples, com fundamento no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, a data a partir da qual surtirão os seus efeitos decorre da previsão do inciso II do art. 15 da mesma Lei.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 11543.001283/2006-90 Recurso n" 340.677 Voluntário Acórdão n" 1102-00.199 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2010 Matéria SIMPLES. EXCLUSÃO. Recorrente ACADEMIA DE GINÁSTICA LYSIS Recorrida DRJ/RIO DE. JANEIRO Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA, Pessoa jurídica cuja atividade seja academia de ginástica, ou prestação de serviços de condicionamento fisico, não pode optar pelo Simples, EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS - Para a hipótese de exclusão do Simples, com fundamento no inciso XIII do art. 9" da Lei ri c) 9„317/96, a data a partir da qual surtirão os seus efeitos decorre da previsão do inciso II do art. 15 da mesma Lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. IVET Ã 1:11-A-S PESSOA MONTEIRO - Presidente. — Á • • JOÃO OTAVIO pPPERMANN THOME - Relatou EDITADO EM: 12/08/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Otávio Opperman Thome (Relator), José Sérgio Gomes (Suplente Convocado) e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). -.Relatório Trata o presente processo de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples, promovida pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRE/VIT n° 422.191, emitido em 07/08/2003, fl. 10, com efeitos a partir de 01/01/2002, sob o fundamento de a contribuinte exercer atividade vedada à opção ao Simples (CNAE 9261-4/05 — Atividades de condicionamento fisico), de acordo com o disposto na Lei n° 9.317/96. Em 15/09/2003 a interessada apresentou a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS, tis. 04, ao argumento de que não depende, para as atividades desenvolvidas — "danças de salão em geral, sauna, natação, e ginástica com uso de aparelhos", de profissionais cujas profissões tenham de ser regulamentadas, bem como aufere receita dentro dos limites impostos pela lei. Esclarece que estaria providenciando alteração contratual em razão de que não pratica todas as atividades previstas no seu objeto social, A Administração Tributária, por meio da decisão consubstanciada no corpo da própria SRS 0720100/013, fls. 04 e 05, julgou improcedente a soliCitação, ao fundamento de que o Contrato Social descreve como objetivo da empresa a "Prestação de serviços de ensino particular, sauna, dança, .fisioterapia e ginástica em geral", prestando, pois, serviços profissionais de professor, ou, no mínimo, a este assemelhado. Desta decisão a interessada tomou ciência em 01/06/2006, apresentando Manifestação de Inconformidade, em 14/06/2006, fls. 01 e 02, contra o ADE, argumentando que se trata de uma pequena empresa cujo faturamento não permitirá a sua continuidade se tiver que optar por outro regime de tributação, e requerendo que a ela seja aplicado o mesmo tratamento conferido às demais empresas de seu porte, em face do disposto pelo artigo 150, inciso II, cia Constituição Federal, A 4" Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro-I indeferiu a solicitação da interessada e julgou correta a exclusão efetuada, sob o fundamento de que "basta o exerci cio da prestação dos serviços de professor ou . fisicultor, seja por profissional regulamentado ou não, para que a opção pelo Simples seja vedada." Cita decisão da antiga 1" Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no mesmo sentido, Acórdão n° 301-31.283, sessão de 17/06/04, assim ementado: SIMPLES. EXCLUSÃO. As atividades relativas a academia de desportos ou de ginástica são vedadas ao exercício da opção, tendo em vista que desenvolvem atividades assemelhadas às de professor, fisicultor ou dançarino, que dependem de habilitação profissional legalmente exigida. Recurso voluntário desprovido. Inconformada com a decisão prolatada, a contribuinte apresenta recurso a este Conselho, fls. 19 a 25, no qual renova os mesmos argumentos já expostos, e discorre a respeito da inconstitucionalidade cla Lei do SIMPLES no que instituiu tratamento desigual entre contribuintes ao excluir algumas atividades do regime. Entende que a sua solicitação foi deferida em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, tendo transferido os efeitos da exclusão de 01/01/2002 para 01/01/2006, conforme se depreende do seguinte trecho do seu recurso: 2 Processo o" 11543 001283/2006-90 51-CI T2 Acál dão " 1102-0€1,199 F[ 2 "Com eleito, em 01/11/2007, a recorrente obteve ciência que sua impugnação fbi deferida em parte, ou seja, lhe fbi admitido a inclusão no SIMPLES até 31/12/2005, ficando excluída de tal _sistemática no ex-ercício de 2006." Ao final, solicita a sua reinclusão no Simples "a partir da opção .firmada junto a Receita Federal em 01/01/2000, e não conforme entendeu o nobre julgador, que da sistemática do SIMPLES ficaria a empresa excluída no ano calendário de 2006." ¡ (a)': É o relatório.. 3 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thome O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Consoante o que dispunha o Contrato Social da recorrente à época dos fatos, o objetivo da empresa era a "Prestação de serviços de ensino particular, sauna, dança, fisioterapia e ginástica em geral." A recorrente alega que as atividades que efetivamente praticava compreenderiam "danças de salão em geral, sauna, natação, e ginástica com uso de aparelhos", e que para estas atividades não depende de profissionais cuias profissões tenham de ser regulamentadas. A recorrente efetuou alteração no objeto do seu Contrato Social em 26/11/2004, o qual passou a ser o de "Prestação de Serviços de condicionamento físico", fls. 07, e, atualmente, a atividade econômica principal da empresa, constante do seu Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE — corresponde ao código 9261-4/05 Atividades de condicionamento físico, fls..06. Dispõe o art. 9" da Lei ri' 9.317/96: "Art. 9" - Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa .juridica XIII - que preste serviços profissionais de cosi ciar, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." (Grile° Destarte, três diferentes hipóteses de ,vedação decorrem deste dispositivo legal: A primeira, que se destina às pessoas jurídicas que prestem ou vendam os serviços relativos às profissões expressamente listadas. A segunda, que estende a vedação para as pessoas jurídicas que prestem ou venciam serviços profissionais assemelhados àqueles listados anteriormente. E a terceira, que dispõe que a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida também incorre em vedação à opção. 4 Processo n'' 1 1543 001283/2006-00 SI-CIT2 Acói dão 1 " 1102-00,109 Fl 3 Interligadas as duas primeiras hipóteses pela caracterização da atividade exercida, tal como expressamente listada, na primeira hipótese, ou assemelhada, na segunda, depreende-se do próprio dispositivo legal que elas são distintas e independentes da terceira, bastando que a pessoa jurídica incorra em uma só delas para que a sua permanência no Simples seja vedada,. Portanto, não assiste razão à recorrente quanto à sua alegação de que não depende de profissionais cujas profissões tenham de ser regulamentadas, As atividades por ela mesma descritas, tanto antes quanto após a alteração contratual efetuada, enquadram-se na definição de serviços de professor ou fisicultor, ou, no mínimo, a elas assemelhada, não sendo relevante, neste caso, que essas atividades sejam desenvolvidas por profissional regulamentado ou não, visto que, conforme referido, esta é apenas uma das hipóteses previstas no inciso XIII do art. 9" da Lei n° 9 „317/96 para a vedação à opção.. Resta analisar a circunstância suscitada pela recorrente de que a autoridade julgadora de primeira instância teria deferido parcialmente a solicitação da ora recorrente, ao transferir os efeitos da exclusão de 01/01/2002, conforme constam do ADE, para 01/01/2006, Revendo todos os elementos que do processo constam, em especial a decisão em questão, não vislumbro que tal hipótese tenha sido sequer considerada, donde concluo tratar-se de interpretação equivocada da recorrente acerca da decisão recorrida.. É verdade que na ementa da referida decisão consta equivocadamente a expressão "ano-calendário 2006", contudo a leitura do relatório e voto, bem como do texto do Acórdão, permitem claramente identificar que não apenas a solicitação da então impugnante foi indeferida, como também que a sua exclusão do Simples foi ratificada, sem qualquer' menção quanto à alteração de data dos seus efeitos, Confira-se o texto da decisão: "Vistos, relatadas e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os . julgadores da Turma, por unanimidade de votos, INDEFERIR a solicitação, nos termos do relatório e voto que passam a integral- o presente julgado E a parte final do voto do relator: "Em face do exposto, INDEFIRO a solicitação do contribuinte, ratificando sua exclusão do Simples." A data a partir da qual surtem os efeitos da exclusão consta expressamente do ADE de fls, 10, e corresponde a 01/01/2002. O art, 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96 assim dispõe, na redação vigente à época da exclusão efetuada: .Art. 15 A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 tirtiró efeito II - a pai tir do mês subseqüente ao que incorrida a situação exchidente, nas hipótese.s de que tratam os incisos III a XIX do art. 9", (Redação dada pela Medida Provisória n" 21.58-35, de 2001), 5 Contudo, a Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa SRF n" 250, de 26 de novembro de 2002, em procedimento benéfico ao contribuinte, delimitou que, nos casos em que a contribuinte tenha optado pelo Simples até 27/07/2001, e essa situação excludente tenha ocorrido até 31/12/2001, e a referida exclusão tenha sido efetuada a partir de 01/01/2002, o referido ato de exclusão somente surtiria efeitos a partir de 01/01/2002 (art. 24, parágrafo único, da IN SRF n" 250/2002).. Este é precisamente o caso dos autos. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, ratificando a exclusão da recorrente a partir de 01/01/2001. ,, É como voto. ., n / f 11" - / João O ; a Oppermann Thomé - Relator • 6
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Numero do processo: 13839.003925/2002-71
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/02/1991 a 30/04/1995
Ementa:
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário
Numero da decisão: 9303-001.070
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, José Luiz Novo Rossari (Substituto convocado), Leonardo Siade Manzan, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003925/2002-71 Acórdão n.º 9303-1070 CSRF-T3 Fl. 204 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pelo sujeito passivo, fls. 138/143, visando reformar o Acórdão n o 202-18003 da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, sob o fundamento da decadência de se repetir valores recolhidos a mais de cinco anos do respectivo pedido de restituição. A ementa foi assim vazada, in verbis: Ementa: DECADÊNCIA. A compensação de valores de PIS com outros dessa mesma contribuição somente seria possível se não houvesse transcorrido mais de 5 (cinco) anos da extinção do crédito tributário. Recurso negado. Em sua petição recursal, o recorrente reclama que o prazo para repetir indébito tributário referente a tributos sujeitos ao lançamento pro homologação é de 10 anos contados do fato gerador. Por sua tese, havendo silêncio do fisco, o prazo decadencial inicia-se após transcorrido cinco anos da ocorrência do fato gerador, o que garante, portanto, o prazo de dez anos para decadência do direito de o contribuinte restituir valores pagos indevidamente. Por intermédio do despacho nº 202-179, fl. 181, o recurso foi admitido. A Fazenda Pública apresentou contrarrazões, fls. 185/199. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial para apresentar pedido de restituição de indébito referente à contribuição para o PIS. Esta controvérsia é conhecida por esse Colegiado. O recorrente defende a tese dos dez anos para se repetir o indébito tributário, enquanto a Fazenda Pública defende que o prazo da decadência tem início na data do recolhimento do valor que se pretende repetir. Delimitada lide, passo a análise. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003925/2002-71 Acórdão n.º 9303-1070 CSRF-T3 Fl. 205 3 Cabe observar que dentro do sistema jurídico tributário, como definido no Código Tributário Nacional, inexiste base legal para que se estabeleça um novo prazo para os pedidos de restituição, mesmo que o pagamento tenha sido considerado indevido por interpretação superveniente. A arrecadação que por cinco anos não foi objeto de demanda restituitória não mais pode ser restituída. É o que determina o art. 168, I, do CTN sem que haja qualquer exceção a essa regra. O art. 165 do CTN reconhece o direito à repetição do indébito, todavia este direito deve ser exercido no prazo assinalado pelo art. 168 do mesmo diploma legal. “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” Em relação à decadência, devemos notar que as normas processuais, ao fixarem os prazos que limitam o direito de ação, são essenciais à segurança jurídica, pois delimitam o período em que se pode validamente questionar um direito. Pelo conteúdo ser puramente formal, essas normas exigem, para a sua aplicação, a mera constatação da ocorrência, no mundo real, do transcurso ou não deste prazo. Como delimitam o campo em que se admite o direito de ação, constatando-se o transcurso do prazo em que se extingue este direito, não se pode admitir em juízo argumentos casuísticos que venham a questionar se este prazo é justo ou não. Do contrário, estar-se-ia ameaçando o direito investido no outro pólo da relação jurídica, que se encontra garantido exatamente pelo transcurso deste prazo. Esgotando-se o prazo legal, extingue-se o direito de pleitear a restituição, ainda que o pagamento tenha sido materialmente indevido. Assim, o contribuinte não mais o poderá reaver, se não pleitear a sua restituição dentro do prazo, sem que isto represente um enriquecimento ilícito do Erário. A lei não distingue entre as possíveis formas de pagamento indevido para estabelecer prazos distintos para o pedido de restituição; conseqüentemente, não cabe fazer esta distinção com base em argumentações estranhas à norma. Portanto, existindo norma legal conferindo ao contribuinte o direito de pleitear a restituição de que trata o presente processo, e extinguindo-se esse direito no prazo de cinco anos, como previsto na legislação retrocitada, não cabe considerá-lo de outra forma, até mesmo Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003925/2002-71 Acórdão n.º 9303-1070 CSRF-T3 Fl. 206 4 em face das restrições impostas à autoridade administrativa para aplicação de seu poder discricionário em matéria explicitamente legislada. Considerando que o prazo para o pedido de restituição está definido no art.168, I, do Código Tributário Nacional – CTN, como exposto, para um melhor enfoque do assunto é interessante ser notado, nesta altura, que a exação em exame é contribuição sujeita a lançamento por homologação, pois cabe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo, cumpre esclarecer em que data deve-se considerar extinto o crédito tributário no caso do lançamento por homologação. A solução está contida de forma clara no § 1º do artigo 150 do CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Para melhor compreender o significado desse dispositivo, cito a lúcida lição de ALBERTO XAVIER: “... a condição resolutiva permite a eficácia imediata do ato jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que "se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercer-se desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe”. Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, imediata é a extinção definitiva do crédito. O que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeitos retroativos se a condição se implementar.” (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário", Editora Forense, 1998, pags. 98/99). O pagamento antecipado, portanto, extingue o crédito tributário e é a partir da sua data que se conta o prazo de cinco anos; o crédito é extinto quando ocorre a antecipação do seu pagamento, sob condição resolutória, consoante art.150, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN. Registra o mestre ALIOMAR BALEEIRO (Direito Tributário Brasileiro, 10a ed., Forense, Rio, 1.993, p. 570) que o prazo de que cuida o art. 168 do CTN é de decadência; essa realidade criada pelo direito – a decadência – que dá ao tempo o condão de aperfeiçoar as relações, garantindo que, com o decurso de prazo, as situações tornem-se definitivas. Nessa linha, a Lei Complementar no 118, de 09 de fevereiro de 2005, estabelece: “Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003925/2002-71 Acórdão n.º 9303-1070 CSRF-T3 Fl. 207 5 tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei.” Repare-se que o art. 106, I, do CTN, mencionado no art. 4º da LC nº 118/05, dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa. “Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Por ser de caráter interpretativo, o dispositivo acima se aplica a fato pretérito, como se depreende da leitura do art. 106 do CTN: “Art. 106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Voltando ao caso em análise, o recorrente pretendeu compensar débitos tributários referentes ao períodos de apuração de agosto a novembro de 2001, março de 2002 e junho a outubro de 2002, com créditos de supostos recolhimentos indevidos de períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1991 e abril de 1995. Diante deste fato, o fisco efetuou o lançamento tributário em decorrência de haver se passado mais de cinco anos entre os supostos recolhimentos indevidos e os períodos compensados via DCTF. Ressalto que o recorrente não apresentou pedido de restituição, o que nos leva a utilizar os procedimentos de compensação da sistemática da Lei nº 8383/91 como instrumento capaz de marcar a data do pedido de restituição. Apenas para elucidar, a compensação contemplada nos termos da Lei nº 8383/91 deve seguir a seguinte sistemática: O contribuinte apura o indébito e faz a compensação em sua contabilidade. O ciclo se completa com a informação em DCTF da compensação efetuada. Neste caso, não é preciso formular um pedido de restituição/compensação, bastando observar os procedimentos acima citado. É sobremodo importante assinalar que o período de apuração mais próximo que o contribuinte pretendeu compensar foi o de agosto de 2001, cuja entrega estava programada para o 15º dia do mês de outubro de 2001. Ora, se o débito que se pretendeu compensar é de agosto de 2001, não é preciso empreender qualquer esforço matemático para concluir que, quando foi entregue a DCTF que completou o ciclo da compensação acima descrita, já se tinha transcorrido mais de cinco anos do recolhimento dos valores referentes aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1991 e abril de 1995. Portanto, o direito de utilizar os referidos recolhimentos já havia sido extinto, pois foi alcançado pela decadência, que se operou com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003925/2002-71 Acórdão n.º 9303-1070 CSRF-T3 Fl. 208 6 enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. Forte nestes argumentos, negou provimento especial do sujeito passivo. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de agosto de 2010 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 7/11/2010 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10140.001795/00-32
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA. LIQUIDEZ.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pleitos de restituição, em matéria tributária.
Numero da decisão: 3403-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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REQUISITOS. CERTEZA. LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pleitos de restituição, em matéria tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre pedido de restituição da Contribuição para o PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 17 95 /0 0- 32 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 instituída pela Lei Complementar no 8, de 3/12/1970, registrado em 06/09/2000 (fls. 2 a 71), em função da declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis no 2.445/1988 e no 2.449/1988. No pedido afirmase que, estando reconhecido e sendo inquestionável o direito “à restituição daquilo que foi pago a maior a título de PASEP, resta unicamente a aferição por parte dessa Secretaria da Receita Federal de seu valor real com a verificação da documentação respectiva”, e que requer realização de diligência para “confirmação do valor global do crédito em apreço”, para compensação com débitos em aberto da requerente. Anexa ao pedido os documentos de fls. 9 a 59. A unidade local da RFB aprecia o pedido em 09/10/2000, e, por meio da Decisão no 743/00 (fls. 61 a 66), conclui pelo indeferimento, considerando que o pedido foi feito após o decurso de cinco anos da data da extinção do crédito tributário, conforme arts. 165, I e 168, I do CTN, e que é vedada a restituição ou compensação de quantias pagas a título de PASEP de conformidade com a sistemática de cálculo dos artigos 14 e 15 do Decreto no 71.618/1972, que regulamenta a Lei Complementar no 8/1970, e alterações posteriores. A empresa apresenta sua Manifestação de Inconformidade em 29/11/2000 (fls. 70 a 96), sustentando que não houve decadência, nem prescrição, em relação ao direito da recorrente, e que, na linha em que entendem as cortes superiores do País, não se deve confundir a base de cálculo da contribuição (tratada no art. 14 do Decreto no 71.618/1972) com o prazo de recolhimento (constante no art. 15 do mesmo Decreto). Em 29/08/2001 é emitida a decisão de primeira instância (fls. 100 a 114), no mesmo sentido do despacho decisório da unidade local. Por sua vez, no recurso voluntário de fls. 120 a 161 (acompanhado dos documentos de fls. 162 a 194), reiterase a argumentação exposta na manifestação de inconformidade. A matéria foi, então, apreciada no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, que acordou unanimemente (Acórdão no 20175.787, fls. 199 a 224) em dar provimento ao recurso voluntário, entendendo que, no caso, o termo inicial do prazo para pleitear a restituição é a data da publicação da Resolução do Senado Federal no 49, de 09/10/1995, e que com a retirada do mundo jurídico dos Decretosleis declarados inconstitucionais, por meio da citada Resolução, prevalecem as regras da Lei Complementar no 8/1970, e de seu regulamento (Decreto no 71.618/1972), e a base de cálculo de que trata o art. 14 de tal Decreto se manteve incólume até o advento da Medida Provisória no 1.212/1995, quando deixou de ser o faturamento do sexto mês anterior e passou a ter por base o faturamento do mês. A decisão do tribunal, ao final, asseverou que “a recorrente apresentou cálculos através (sic) da planilha de fls. 07/08 que, no entanto, não foram examinados pela Secretaria da Receita Federal”, concluindo que o pleito da recorrente não se encontra alcançado pela decadência, que deve ser adotada a semestralidade, e que “fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional examinar e conferir todos os cálculos”. Após a apresentação de Recurso Especial pela União (fls. 226 a 231), com contrarrazões às fls. 252 a 261, a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 14/09/2004 (fls. 269 a 272), foi no sentido de que a base de cálculo da contribuição “é a de seis meses antes da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, até o advento da MP no 1.212/95”, negandose provimento ao Recurso Especial interposto. Para dar cumprimento à decisão administrativa definitiva proferida no presente processo, a unidade local da Receita Federal intima (fl. 295) a empresa a apresentar documentos para quantificação do valor a restituir/compensar, em 23/11/2006 (AR à fl. 296). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 486DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10140.001795/0032 Acórdão n.º 3403002.613 S3C4T3 Fl. 486 3 Em resposta (fls. 298 a 301), a empresa afirma que “não mais mantém em seus arquivos” os atos constitutivos e os demonstrativos, mês a mês, identificando, separadamente, o montante das receitas orçamentárias e das transferências recebidas, mas que “a documentação constante dos presentes autos é suficiente para demonstrar os valores a que faz jus a título de restituição nos termos da decisão que lhe é favorável”, pois só se discute nestes autos a semestralidade no pagamento da contribuição. Como as bases de apuração do recolhimento foram tacitamente homologadas, tornarseia irrelevante a exigência dos citados documentos. A unidade local da Receita Federal expede, então, novo despacho decisório, fundado no Parecer no 197/2007 (fls. 303 a 306), no qual conclui que está prejudicada a apuração da base de cálculo, diante da ausência de apresentação de livro ou documento idôneo que pudesse servir à sua verificação, visto que a documentação existente nos autos não permite a apuração do indébito. A empresa apresenta então nova Manifestação de Inconformidade em 11/07/2007 (fls. 309 a 313), reiterando que a documentação existente nos autos é suficiente à análise do pleito, que se restringe ao prazo de recolhimento do tributo, e não a seus elementos constitutivos (fato gerador, base de cálculo e alíquota), e as bases de apuração foram tacitamente homologadas, conforme art. 150, § 4o do CTN. Em 14/12/2007 é emitida decisão de primeira instância (fls. 328 a 332), na qual a DRJ declarase incompetente para apreciar a matéria (liquidação de Acórdão prolatado pela instância superior administrativa). Cientificada da decisão (em 09/01/2008, conforme AR de fls. 340), a empresa interpõe o recurso voluntário de fls. 341 a 357, no qual alega que a DRJ é competente para apreciar a matéria, seja por disposição regimental, ou em decorrência de princípios constitucionais, sendo nula a decisão exarada. Em adição, reitera a desnecessidade de apresentação de documentos. A unidade local emite então novo parecer (no 251/2008 fls. 375 a 377), no qual toma a peça intitulada de “recurso voluntário” como “pedido de revisão de ato de liquidação”, que indefere pela ausência de elementos que justifiquem a reconsideração do despacho decisório anterior. O novo parecer também é objeto de recurso por parte da empresa (fls. 382 a 385), com base na Lei no 9.784/1999, no qual se reitera a argumentação exposta nas peças anteriores sobre a desnecessidade de apresentação de documentos. A questão é analisada pela DISIT/SRRF01, que conclui (fls. 386 a 393) que na instauração de novo contencioso sobre direito creditório de fato, independente de decisões já proferidas, o rito a ser seguido é o do Decreto no 70.235/1972. Na mesma linha se manifesta a COSIT (fls. 394 a 402) e o Secretário da Receita Federal do Brasil (fl. 403). A DRJ profere então o Acórdão no 0427.430, em 14/02/2012 (fls. 405 a 410), julgando improcedente a manifestação de inconformidade da qual anteriormente não havia conhecido, entendendo agora que “a administração pode rever documentos e cálculos para a apuração de certeza e liquidez de créditos, mesmo relativamente a períodos já alcançados pela decadência do direito de lançar tributos”, e que “a apuração de valores a restituir depende da apresentação de documentos hábeis para tal”. Cientificada da nova decisão em 25/04/2012 (AR à fl. 418), a empresa apresenta Recurso Voluntário às fls. 419 a 430, anexando os documentos de fls. 431 a 469. No Fl. 487DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 recurso, reiterase que a documentação apresentada nos autos (DARF e planilhas) é suficiente para atendimento do pleito, devendo o fisco demonstrar o contrário. No mais, afirmase que decaiu o direito de lançar do fisco (e nem mesmo o devedor pode desconstituir a decadência), e que estão sendo adotados critérios diferenciados para julgamento de processos idênticos. Pede ainda, alternativamente, sejam expurgados do encontro de contas os valores indicados como créditos tributários em aberto, mas que não foram objeto de lançamento regular, nem de confissão por DCTF ou outro meio (referentes a PASEP de 1988 a 1995). Solicita, por fim, sejam feitos os cálculos com as planilhas apresentadas inicialmente pela empresa, com os expurgos inflacionários reconhecidos em juízo. Por meio da Resolução no 3403000.457, de 23/05/2013 (fls. 473 a 476), esta Terceira Turma baixou em diligência o processo, para que a autoridade local se manifestasse conclusivamente sobre a tempestividade do recurso apresentado, se necessário com verificação junto aos correios, retornando posteriormente os autos a este CARF, tendo em vista que os elementos do processo não permitiam verificar a tempestividade, e não havia menção a ela no encaminhamento inicial efetuado pela unidade preparadora. Retornam os autos a este CARF pelo despacho de fl. 483, atestando a tempestividade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O presente processo já percorreu todas as instâncias julgadoras administrativas, e, em face da iliquidez da decisão proferida (na qual se afirmou que “fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional examinar e conferir todos os cálculos”), ensejou novo contencioso, agora discutindo a forma pela qual a unidade local promoveu a implementação/execução administrativa do acórdão, situação essa que está se tornando cada vez mais comum neste CARF, a ponto de suscitar preocupação com a efetividade dos julgamentos, e com a aplicabilidade das decisões. Contudo, neste processo, a iliquidez tem origem muito precisa. No primeiro despacho decisório emitido (fls. 61 a 66), assim como na primeira decisão da DRJ (fls. 100 a 114), sequer se analisou se realmente houve pagamento a maior, visto que a motivação para o indeferimento foi basicamente a decadência. Daí a cautela na decisão do Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão no 20175.787, fls. 199 a 224) ao reconhecer o direito creditório, ressalvando que incumbiria à unidade local verificar a correção dos cálculos apresentados em planilha pela recorrente (isso porque ninguém havia checado tais cálculos, referentes ao período de janeiro de 1988 a junho de 1995). A iliquidez, assim deriva do fato de o CARF ter analisado inauguralmente o mérito da questão, visto que as instâncias antecedentes encontravam obstáculo preliminar, removido pelos Conselheiros. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10140.001795/0032 Acórdão n.º 3403002.613 S3C4T3 Fl. 487 5 É preciso voltar a tal decisão do CARF para verificar as três preocupações do julgador, na ocasião (fl. 203): “A primeira, se houve, ou não, decadência”, a segunda, “a definição de qual é a base de cálculo do PASEP com a retirada do mundo jurídico dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.449/88”, e a terceira, “os cálculos”. Afastada a decadência (entendendose que o termo inicial do prazo para pleitear a restituição seria, no caso, a data da publicação da Resolução do Senado Federal no 49, de 09/10/1995), e esclarecida a base de cálculo (Lei Complementar no 8/1970, e art. 14 do Decreto no 71.618/1972, que se manteve incólume até a MP no 1.212/1995, que retorna da “semestralidade” ao faturamento do mês), restou tratar do cálculo, ao final. E, nesse tópico, limitase o voto condutor do acórdão a afirmar que: “A recorrente apresentou cálculos através da Planilha de fis. 07/08 que, no entanto, não foram examinados pela Secretaria da Receita Federal. CONCLUSÃO Isto posto, dou provimento ao recurso para considerar que: 1) o pleito da recorrente não se encontra alcançado pela decadência; 2) a base de cálculo do PASEP para o período abrangido pelo presente processo é a soma da receita com as transferências apuradas no sexto mês anterior; e 3) fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional examinar e conferir todos os cálculos.” (grifo nosso) Pelo exposto na decisão, resta inequívoco que a unidade local não poderia rejeitar de forma alguma a argumentação pela semestralidade, ou reiterar que houve decadência. Mas poderia verificar se os cálculos apresentados na planilha estavam escorreitos, ou seja, se correspondiam à escrituração e à documentação fiscal do contribuinte. É nesse contexto que a unidade responsável pela implementação/execução administrativa do acórdão do CARF intima a recorrente a apresentar demonstrativos, cópias de balancetes mensais do período a ser verificado, recebendo a resposta de que “a empresa não os mantêm mais em seus arquivos” (fl. 299). Aí se inicia um segundo ciclo contencioso, onde basicamente sustenta o Fisco que “o ônus da prova incumbe ao autor do pedido quanto ao fato constitutivo do seu direito (art. 333, I do CPC), e, portanto, cabe ao requerente o cuidado e zelo com os documentos comprobatórios de suas alegações” (fl. 305), e que “a planilha apresentada pelo contribuinte não é documento hábil e suficiente para comprovar a base de cálculo do PASEP, pois não se pode garantir a sua exatidão em relação aos registros contábeis ou documento fiscal” (ainda fl. 305), e sustenta a recorrente que os “documentos que já se encontram nos presentes autos são hábeis a demonstrar os valores a que este recorrente faz jus a título de restituição nos termos do julgamento que lhe foi favorável” (fl. 310), e que o “objeto de questionamento contido nos autos, portanto, nunca esteve centrado nos elementos constitutivos do tributo (fato gerador, base de cálculo e alíquota), os quais, ocorridos há mais de uma década, já sofreram a homologação tácita do respectivo lançamento, nos termos do artigo Fl. 489DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional, não sendo mais passíveis de revisão ou questionamento” (fl. 311). Há que se rechaçar de imediato um dos argumentos, o de que os documentos que já se encontram nos presentes autos são hábeis a demonstrar os valores a que este recorrente faz jus a título de restituição nos termos do julgamento que lhe foi favorável, pois a afirmativa nega o teor do próprio julgamento. Assim como se afirmou, algumas linhas atrás, nesse voto, que resta inequívoco que a unidade local, na implementação/execução administrativa do acórdão do CARF, não poderia rejeitar de forma alguma a argumentação pela semestralidade, ou reiterar que houve decadência (pois estaria atentando contra o julgado administrativo do CARF), não se poderia admitir que o julgador ressalvou o direito de examinar e conferir todos os cálculos à Fazenda, sendo que ele próprio poderia (em verdade, deveria) fazêlo. O fato de o julgador fazer a ressalva, por si, demonstra que os elementos constantes do processo eram insuficientes para concluir peremptoriamente em relação à matéria. Ademais, a tese referida no recurso voluntário de que os comprovantes de pagamento (DARF), ladeados pelas planilhas de cálculo, seriam suficientes a atestar a liquidez do crédito não merece prosperar, pois não haveria como cotejar se o valor pago corresponde ao devido, escriturado, declarado. E tal documentação, ainda reparando a alegação do recurso voluntário, não fica de posse da Receita Federal, mas do próprio contribuinte, mormente à época dos fatos, em que a informatização ainda não atingia os avançados patamares atuais. O fato de se reiterar nos julgados do CARF (alguns deles trazidos em sede recursal) que o DARF é imprescindível à comprovação da liquidez do direito creditório não tem o condão de dizer que é suficiente à comprovação da liquidez. É certo que a ausência de DARF é recorrente causa ensejadora de indeferimentos de direito creditório, mas isso de forma alguma permite concluir que a presença de DARF seria suficiente para o deferimento, se existente planilha (que, destaquese, jamais foi cotejada pelo fisco com a escrituração e com as declarações do contribuinte). Há que se acordar, assim, com o argumento do fisco de que a planilha apresentada, mesmo acompanhada de comprovantes (DARF) de pagamento, não imprime liquidez ao crédito, pois restou ausente a possibilidade de verificar a exatidão dos dados nela inseridos, o que seria possível a partir da documentação solicitada à interessada, que não a possuía mais. Recentemente esta Terceira Turma julgou caso em que ocorria algo semelhante (a recorrente, que pleiteava direito creditório, não possuía mais a documentação que conferia liquidez ao crédito): “A recorrente reconhece, também no Recurso Voluntário, que, por ter passado por muitas mudanças, e serem documentos muito antigos, houve dificuldades em localizar a documentação solicitada pela fiscalização para comprovar as exportações.” (Acórdão no 3403002.016, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 21.mar.2013) No citado caso, entendeuse unanimemente que se tratando “de pedido de ressarcimento/compensação, incumbe à solicitante a prova do alegado”. Ou, reproduzindo as palavras do despacho decisório da unidade local, no presente processo (fl. 305), “o ônus da prova incumbe ao autor do pedido quanto ao fato Fl. 490DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10140.001795/0032 Acórdão n.º 3403002.613 S3C4T3 Fl. 488 7 constitutivo do seu direito (art. 333, I do CPC), e, portanto, cabe ao requerente o cuidado e zelo com os documentos comprobatórios de suas alegações”. É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida do pleito da recorrente. E, no presente processo, não se logrou verificar (por omissão da recorrente, e não do fisco) a liquidez do crédito tributário, pois não se teve como verificar se os dados constantes da planilha apresentada correspondiam à escrituração e à documentação fiscal do contribuinte. Esclareçase que a unidade local solicitou a documentação (não apresentada pela recorrente), para que fosse possível verificar a liquidez do direito creditório, e não para lançar crédito tributário, pelo que não se afigura pertinente a alegação de decadência. É óbvio que o fisco não poderia, da análise dos documentos (caso tivessem sido apresentados), efetuar lançamento em relação a períodos para os quais houvesse operado a decadência. Mas poderia verificar se o direito creditório está corretamente quantificado nas planilhas apresentadas, evitando a restituição de quantia indevida. Por fim, em relação à argumentação de falta de isonomia, há que se reconhecer a notoriedade com que tribunais administrativos e judiciais tratam distintamente matérias aparentemente idênticas (ou ao menos idênticas aos olhos das partes). O único caso trazido para “demonstrar a incoerência de julgados”, citando processo em que o pedido de restituição é “idêntico ao presente feito”, não logra êxito em sua missão, pois com os elementos apresentados não se pode verificar a identidade. Sequer se sabe, no excerto transcrito no recurso (“com base na documentação apresentada pelo requerente, foram determinadas as bases de cálculo mensais”), quais os documentos apresentados pela recorrente. A leitura integral do julgado, anexado ao recurso, não resolve a dúvida, permitindo somente verificar que houve inexatidão na transcrição, que deveria ser: “com base na documentação apresentada pelo requerente (cópias às fls. 390/569), foram determinadas as bases de cálculo mensais”. De todo o exposto, resta concluir que não foi possível verificar a liquidez do direito creditório, pela impossibilidade de cotejo dos valores constantes das planilhas e dos pagamentos efetuados com a documentação cuja guarda e apresentação incumbia à recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 491DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN
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