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Numero do processo: 11070.001612/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
OPÇÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA.
A atividade de prestação de serviços de instalação elétrica integra aquelas atividades abrangidas no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil e são compreendidas como execução de obras de construção civil, nos termos da legislação tributária.
EXCLUSÃO. EFEITOS.
Para as pessoas jurídicas em geral, salvo situações expressamente previstas em lei, , o efeito da exclusão do Simples dar-se-á a partir do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001, ou a partir de 1° de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002.
FALTA DE ESCRITURAÇÃO. LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO.
Fica sujeita ao arbitramento a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e Fiscal.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, CSLL e COFINS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos O decidido no principal.
Numero da decisão: 1401-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 OPÇÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. A atividade de prestação de serviços de instalação elétrica integra aquelas atividades abrangidas no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil e são compreendidas como execução de obras de construção civil, nos termos da legislação tributária. EXCLUSÃO. EFEITOS. Para as pessoas jurídicas em geral, salvo situações expressamente previstas em lei, , o efeito da exclusão do Simples dar-se-á a partir do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001, ou a partir de 1° de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO. Fica sujeita ao arbitramento a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e Fiscal. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, CSLL e COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos O decidido no principal.
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ATIVIDADE IMPEDITIVA. A atividade de prestação de serviços de instalação elétrica integra aquelas atividades abrangidas no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil e são compreendidas como execução de obras de construção civil, nos termos da legislação tributária. EXCLUSÃO. EFEITOS. Para as pessoas jurídicas em geral, salvo situações expressamente previstas em lei, , o efeito da exclusão do Simples darseá a partir do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001, ou a partir de 1° de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO. Fica sujeita ao arbitramento a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e Fiscal. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS, CSLL e COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos O decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 16 12 /2 00 6- 14 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini Carvalho. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11070.001612/200614 Acórdão n.º 1401001.628 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Poe bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão recorrida, fls. 163166: Inicialmente houve Representação Administrativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, pela constatação de que a empresa exerce a atividade de “prestação de serviço, mediante cessão de mãodeobra (enquadrada conforme cap. V, item X11, letra "f" do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 05/12/96” (fl. 17). Ainda conforme a representação do INSS “tratase de empresa individual com início de atividade em 15/07/1996. Optante pelo Simples em 20/03/1997”. Então foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) n° 10.1.08.002006001847 (fl. 13), em 13/07/2006. Em 30/08/2006 empresa teve ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 14). Em 22/09/2006, foi apresentada Representação Fiscal Exclusão do Simples pela autoridade fiscal pela constatação de que a atividade exercida pela interessada seria de prestação de serviços de instalações elétricas, atividade vinculada ao ramo da construção civil, o que, em tese, veda a possibilidade de opção da empresa pelo Simples (Inciso V do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996). Também foi apontado nessa representação que além de exercer atividade para a qual estaria vedada a opção pelo Simples teria sido apurada ocorrência de “prática reiterada de infração à legislação tributária” o que sujeitaria a empresa à exclusão de oficio do Simples (Inciso V do artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996). Então, a empresa foi excluída do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 17, de 25/09/2006, com efeitos da exclusão a partir de 1° de janeiro de 2002, por exercer atividade econômica vedada: construção de imóveis conforme previsto no Inciso V do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996 e pela prática reiterada de infração à legislação tributária prevista no Inciso V do artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996 (fl. 26). A interessada tomou ciência da exclusão, em 20/10/2006, conforme consta no próprio Ato Declaratório Executivo. Também em 20/10/2006 foi lavrado Termo de Constatação Fiscal (fls. 88 a 97) destacandose o seguinte: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 * A empresa foi intimada para apresentar o Livro Caixa ou, caso possua contabilidade regular, os Livros Diário e Razão. A resposta foi de que não possuia os livros solicitados, justificando tal fato por ser microempresa e entender que esta estaria dispensada dos mesmos. Também informou que suas atividades comerciais teriam encerrado em 1999; * A empresa foi intimada, também, para apresentar os talonários de notas fiscais emitidos. Em atendimento à intimação apresentou os talonários de notas fiscais de n° 001 a 250 e o Livro de Apuração do ISSQN n° 2 no qual consta a escrituração das notas fiscais de prestação de serviços do período de junho/2002 a julho/2004; * Assim, a autoridade fiscal constatou que empresa auferiu receitas no período de janeiro de 2002 a julho de 2004. Porém, em relação às declarações de renda, constatouse que no exercício de 2003, anocalendário de 2002, não foi apresentada declaração de renda e não foi efetuado nenhum pagamento do Simples; nos exercícios de 2004 e 2005, anoscalendário de 2003 e 2004, respectivamente, foram apresentadas declarações de renda como INATIVA; * Entendeu a fiscalização que a falta de apresentação da declaração de renda (Exercício de 2003) e a apresentação de declarações de renda como INATIVA (Exercícios de 2004 e 2005) seriam fatos indicativos de que a empresa “ocultou da administração tributária a ocorrência do fato gerador do S1MPLES"; * Também foi apontado nesse Termo de Constatação Fiscal a Representação Fiscal para fins de exclusão da interessada do Simples, levada a efeito conforme Ato Declaratório Executivo n° 17, com efeitos a contar de 1° de janeiro de 2002; * Então a fiscalização efetuou o ajuste da tributação “pelas regras do LUCRO ARBITRADO, tendo em vista não possuir contabilidade regular capaz de apurar o Lucro Real da empresa, não tendo também apresentado Livro Caixa escriturado”; assim, foram lavrados autos de infração para exigência de: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica Lucro Arbitrado, no valor de R$ 2.176,86, com o acréscimo de juros de mora e multa de ofício proporcional (150%) (fls. 98 a 109); b) Contribuição para o PIS/PASEP, no valor de R$ 491,21, com o acréscimo de juros de mora e multa de oficio proporcional (150%) (fls. 110 a 121); c) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 2.267,56, com o acréscimo de juros de mora e multa de ofício proporcional (150%) (fls. 122 a 133); d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Lucro Arbitrado, no valor de R$ l,531,79, com o acréscimo de juros de mora e multa de ofício proporcional (150%) (fls. 134 a 145); Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11070.001612/200614 Acórdão n.º 1401001.628 S1C4T1 Fl. 4 5 e) a infração apontada nos autos de infração é para tributação da receita operacional (atividade não imobiliária) de prestação de serviços gerais; f) e os créditos tributários apurados nos autos de infração acima foram de R$ 6.484,19 (a); R$ 1.470,43 (b); R$ 6.788,75 (c); R$ 4.488,60 (d), respectivamente, conforme consta no Termo de Encerramento (fl. 146), somando R$ 19.231,97 conforme Demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo (fl. 142). * O ajuste da tributação foi levado a efeito “com base na receita bruta (faturamento) escriturada no Livro Registro Especial do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISSQN” que possui correspondência com as notas fiscais emitidas; apresenta planilhas com o levantamento da receita bruta auferida; * Destacase, ainda, que pelo fato de não ter havido nenhum pagamento de tributo a título de Simples, os tributos e contribuições apurados com base no lucro arbitrado estão sendo lançados de ofício pelo valor integral; * Pelo fato da empresa ter não ter apresentado declaração de renda no Exercício de 2003 e têla apresentada como INATIVA nos Exercícios de 2004 e 2005 quando foi verificado que a empresa apurou receitas nesses três anos o lançamento foi efetuado com multa qualificada (150%); * A interessada tomou ciência desse Termo de Constatação Fiscal em 20/10/2006. Contra sua exclusão do Simples apresentou sua manifestação de inconformidade (impugnação), em 17/11/2006, como consta às folhas 150 a 154, sem a anexação de qualquer documento, argumentando em síntese como segue: * Inicia afirmando que sua exclusão do Simples é de duvidosa constitucionalidade e legalidade, atingindo uma microempresa que sempre se comportou como se do Simples fosse; * Diz que a exclusão do Simples, com efeitos retroativos, gera passivos tributários, que se prevalecerem, não poderão ser cumpridos pela interessada que já encerrou suas atividades; * Argumenta que os efeitos retroativos não podem prevalecer por ofenderem garantias constitucionais e legais do contribuinte; entende que os efeitos da exclusão devem surgir a partir do mês subseqüente àquele em que a empresa tomou ciência da exclusão; * Sustenta que os efeitos da exclusão só poderiam atingir fatos supervenientes em respeito ao princípio da segurança jurídica e pelas disposições do CTN (artigos 103, I, e 146); * Lembra que as microempresas possuem tratamento diferenciado (artigo 179 da CF; Lei n° 8.864, de 28/03/1994); conclui que sua exclusão do Simples, por ato unilateral da SRF Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 não poderá prevalecer por estar marcado “por fortíssima dose de arbítrio, incompatível com o Estado Democrático de Direito”; * Insiste na tese de que os efeitos da exclusão só poderiam gerar efeitos posteriores a sua publicação; * Acrescenta que a contribuinte já encerrou suas atividades, em 2004, e pergunta como poderia um ato gerar efeitos retroativos com graves prejuízos à empresa; sustenta que não há como alterar ou modificar seus dados fiscais sólidos, registrados e arquivados; * Lembra que já existe jurisprudência judicial (medida liminar concedida por Juiz Federal, em São Paulo, em sede de Mandado de Segurança) “reconhecendo a revogação da Lei n° 9.317/96, que fixava patamares muito inferiores aos atuais”, * Diz que não cometeu nenhuma fraude, sonegação ou conduta espúria, inclusive encerrou suas atividades antes de recebida a “notificação em questão”; nesse caso, entende, devam ser reconhecidos seus direitos e normas constitucionais que imperam a seu favor; Requer a reconsideração do Ato Declaratório Executivo DRF/SAO n° 17, de 25/09/2006, “tornandoo sem efeito e que seja aplicado seus reflexos junto a este órgão coator, por ser de direito e merecida Justiça, inclusive excluindo os lançamentos tributários do Processo Administrativo n° 11070.001612/2006 14”. A 2ª Turma da DRJ Santa Maria, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 162163: ILEGALIDADE. A apreciação de eventuais argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 OPÇÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. O exercício da atividade de prestação de serviços de instalação elétrica integra aquelas atividades abrangidas no conceito de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil e são compreendidas como execução de obras de construção civil nos termos da legislação tributária. EXCLUSÃO. EFEITOS. . Para as pessoas jurídicas sujeitas à exclusão do Simples, exceto quando por excesso de receita bruta ou porque exerçam a atividade de industrialização por conta própria ou por encomenda, de bebidas cigarros e demais produtos classificados Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11070.001612/200614 Acórdão n.º 1401001.628 S1C4T1 Fl. 5 7 nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), desde que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001, ou a partir de 1° de janeiro de 2002, quando a Situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004 FALTA DE ESCRITURAÇÃO. LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO. Fica sujeita ao arbitramento a contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e Fiscal. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL e COFINS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos O decidido no principal. Lançamento Procedente Devidamente cientificada desse Acórdão em 05/04/2007 (v. fls. 177), a contribuinte apresentou em 30/04/2007 o recurso voluntário de fls. 178182, reiterando os argumentos apresentados na fase de impugnação. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Arguição de inconstitucionalidade do efeito retroativo da exclusão do SIMPLES Reiterando o que alegou na fase impugnatória, a contribuinte ora recorrente afirmou que o ato que a excluiu do Simples é de “duvidosa constitucionalidade e legalidade” especialmente por atribuir efeitos retroativos a sua exclusão do Simples. Arguiu, ainda, “ofensa a garantias constitucionais e legais” devido aos efeitos retroativos da exclusão. Argumentou, por fim, que o efeito retroativo da exclusão fere o princípio constitucional da segurança jurídica. Arguições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, posto que constitui competência privativa do Poder Judiciário decidir acerca de inconstitucionalidade de normas legais. Neste sentido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, rejeito a presente preliminar. Mérito A recorrente arguiu a inobservância do disposto nos arts. 103, I e 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. Tais alegações foram corretamente refutadas pela decisão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo parcialmente as suas razões de decidir, fls. 167168: O inciso I do artigo 103 do CTN trata da vigência dos atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100 do mesmo CTN. Esse artigo define o que são normas complementares, enquanto o seu inciso I se refere aos “atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas”. No caso, o Ato Declaratório Executivo que excluiu a interessada do Simples não é ato normativo de que trata esse inciso I do artigo 100 do CTN. Por sua vez a norma do artigo 146 do CTN trata de mudança de critérios jurídicos “no exercício do lançamento”. No presente caso, até pelo fato de ter havido apenas um lançamento, não há que se falar em mudança de critério jurídico. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11070.001612/200614 Acórdão n.º 1401001.628 S1C4T1 Fl. 6 9 No presente caso, não há que falar em arbitrariedade relativa ao ato de exclusão da interessada do Simples, uma vez que a interessada exerceu amplamente o seu direito de defesa, tendo lhe sido assegurado o devido processo legal. Das razões para exclusão da contribuinte do SIMPLES Conforme relatado, foram duas as razões para exclusão da contribuinte do SIMPLES: o exercício de atividade vedada (serviço de instalação elétrica) e a prática reiterada de infração à legislação tributária. Quanto ao primeiro motivo (exercício de atividade vedada), cumpre registrar que a contribuinte não contestou o fato de que efetivamente explorava a atividade de instalações elétricas (uma das diversas atividades relacionadas com a construção de imóveis). De fato, a referida atividade, na época dos fatos, era impeditiva à opção pelo SIMPLES, nos exatos termos do art. 9º da Lei nº 9..317/96 (com as alterações promovidas pelo art. 4º da Lei nº 9.528/97. Temos, pois, comprovado que a contribuinte exercia a atividade de serviços de instalação elétrica, a qual se enquadra nos "serviços auxiliares e complementares da construção civil" de que trata o inciso VI do ADN n° 30, de 1999 (transcrito na decisão de piso). Neste sentido, já decidiu o extinto Conselho de Contribuintes: SIMPLES IMPOSTO ÚNICO SIMPLES Data da Sessão: 18/04/2001 ACÓRDÃO 2021291 ó Ementa: SIMPLES OPÇÃO Não poderá optar pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços de locação de mão de obra ou que desempenhe atividades equiparadas à construção civil (art. 9°, XII, "f" e § 4° da Lei n° 9.317 de 05.01.96 e alterações posteriores). Recurso negado. Quanto ao segundo motivo (prática reiterada de infração à legislação tributária), também considero que o mesmo é claramente aplicável ao presente caso. Os elementos constantes dos autos demonstram que a contribuinte auferiu receitas no período de janeiro de 2002 a julho de 2004. Porém, em relação às declarações de renda, constatouse que no exercício de 2003, anocalendário de 2002, a empresa não apresentou declaração de renda e não efetuou nenhum pagamento do Simples. Nos exercícios de 2004 e 2005, anoscalendário de 2003 e 2004, respectivamente, apresentou declarações de renda como INATIVA. Ressaltese, por oportuno, que a contribuinte escriturou tais receita de prestação de serviço (instalações elétricas e manutenção de rede elétrica) no livro de apuração do ISSQN no período de janeiro de 2002 a julho de 2004, conforme notas fiscais emitidas nesse período, e, mesmo assim, não apresentou declaração de renda no exercício de 2003 (ano Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 calendário 2002) e declarouse como INATIVA nos exercícios de 2004 e 2005 (anos calendário 2003 e 2004). Ao meu ver, tal conduta indiscutivelmente demonstra que a empresa ocultou dolosa e reiteradamente da administração tributária a ocorrência de fatos geradores do SIMPLES. Diante do exposto, considero que em relação ao presente tema, o recurso voluntário apresentado pela contribuinte não merece prosperar. Do termo inicial dos efeitos da exclusão do SIMPLES Uma vez que a contribuinte foi excluída do SIMPLES pelo exercício de atividade vedada, os efeitos da referida efetivamente devem surgir a partir de 1° de janeiro de 2002, conforme regra disposta no inciso II do parágrafo primeiro do artigo 24 da IN SRF n° 608, de 09/01/2006 (DOU 12/01/2006), transcrita na decisão piso (fls. 173). Também em relação ao presente tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Da multa qualificada Os elementos constantes dos autos demonstram a falta de apresentação de declaração num exercício e a apresentação de declarações sem movimento, como INATIVA, nos dois exercícios seguintes, sendo que a contribuinte auferiu receitas em todos estes três exercícios. Ao meu ver, resulta claro que a contribuinte tentou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do fato gerador da obrigação tributária principal. Tal procedimento representa o elemento subjetivo da conduta dolosa, o que justifica a qualificação da multa de ofício. Conclusão Diante de todo o exposto, rejeito e preliminar e, no mérito, nego provimento ao presente recurso voluntário. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/06/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13841.000177/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal.
AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ.
As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato.
Numero da decisão: 3401-003.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos, o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOAFÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos, o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 01 77 /2 00 6- 50 Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a pedido de ressarcimento/declaração de compensação de créditos da Contribuição para o COFINS do período de apuração 4° trimestre de 2005, no valor de R$ 1.133.348,34. A contribuinte atua como comercial exportadora de café. A unidade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido e não homologou eventuais compensações declaradas com entendimento de que se lhe imporia o disposto no art. 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 (aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep por determinação do art. 15, III desta lei) e 10.637/2002., qual seja, a vedação de apuração de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora. Os julgadores a quo antes de apreciarem a manifestação de inconformidade, requereram diligência, para que a autoridade administrativa "se manifestasse quanto às aquisições promovidas pela interessada, relatando se de fato eram todas compras para comercialização, ou se haviam também compras com fins específicos de exportação, detalhando os valores". Da diligência, desdobrada em auditoria e fiscalização, resultou a constatação "que a requerente apropriouse de créditos "fictos decorrentes da compra de café beneficiado de empresas com o mesmo padrão das investigadas no Espírito Santo e região de Manhuaçu MG (Operação Broca), ou seja, com os seguintes indícios de inexistência de fato: (...)" A autoridade fiscal e a administrativa relatam que a contribuinte operou através "da interposição de empresas fictícias para geração de créditos da nãocumulatividade, que consistia em simular uma aquisição de pessoa jurídica (que gera crédito), quando na realidade tratavase de aquisição de pessoa física (que não gera crédito)." E que constataram que os créditos pretendidos foram gerados a partir de aquisições junto 38 fornecedores com situação de inscrição cadastral no CNPJ incompatível (baixada, inapta ou suspensa por inexistência de fato). Ao final e em síntese, a unidade administrativa de jurisdição recalculou os valores informados pela contribuinte, após glosar os valores creditados relativos às aquisições de produtores rurais e empresas inexistentes de fato (art. 43, § 1°, III, da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011), listadas no item 5 da informação fiscal, demonstrando os valores não aceitos no Anexo I Glosa de crédito. Como resultado, propôs a existência de um crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 636.842,54. Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000177/200650 Acórdão n.º 3401003.042 S3C4T1 Fl. 3 3 Cientificada dessa decisão, a contribuinte contestou apresentando as razões por que pediu a reversão das glosas e das decisões, resumidas a seguir, cujo texto aproveito do relatório do acórdão de 1ª instância pela sua clareza e objetividade: Em sua peça, alegou que o trabalho fiscal concluiu, em claro juízo de valor e com suposições díspares das provas documentais produzidas e reconhecidas pela fiscalização, pela impossibilidade da boafé da contribuinte, e conseqüente glosa de créditos. No entanto, não pode prevalecer o simples entendimento do Auditor Fiscal, baseado em presunções e suposições, sem previsão legal e indevidas. Argumentou nunca ter sido intimada a manifestarse sobre as operações "Broca e Robusta", não podendo agora, dez anos após os pedidos que remontam a 2002, imputar a ela qualquer responsabilidade pela regularidade de empresas alvo dessas operações. Tal procedimento representaria claro cerceamento de defesa. Acrescentou que suas operações com fornecedores foram regulares, amparadas por documentação fiscal hábil, "existem consultas SINTEGRA para uma grande maioria dessas empresas, até porque as declarações de inaptidão desses fornecedores da Costa Café, como relatado nos autos, são, na grande maioria, através de processos dos anos de 2008 e 2009, demonstrando que à época dos negócios com a Requerente, tais empresas encontravamse em situação de regularidade perante o Fisco." O trabalho fiscal teria ainda constatado a existência física das operações, tanto pela remessa e recebimento do café, como pela sua efetiva exportação comprovada por informações do SISCOMEX. Também os comprovantes de pagamento (TED) dariam sustentação às operações. Reclamou estar sendo imensamente prejudicada, por se tratar de adquirente de boa fé, requerendo a aplicação, por analogia, de decisão do STJ em matéria de credito do ICMS, na qual entendeuse que "não pode o contribuinte, adquirente de boafé, de empresa posteriormente declarada inidônea, ser prejudicado com a glosa ou estorno dos créditos". Transcreveu ementa do julgado, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. Aduziu que sua ausência de dolo e desconhecimento da situação dos fornecedores pode ser comprovada, ainda, pelo fato de não ter havido "nenhum benefício financeiro à Recorrente", pois os cafés "sempre foram adquiridos com equivalência de preços"; se houvesse conluio seu, "certamente haveria que existir algum tipo de benefício, como por exemplo, um preço mais vantajoso em relação aos demais e isso não ocorreu." No tocante à aplicação do disposto no art. 43 da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011, a fiscalização teria deixado de observar as disposições de seu § 3°, que autoriza a glosa apenas em relação a documentos fiscais emitidos a partir da data do Ato Declaratório Executivo de inaptidão, e veda a glosa no caso de comprovação do pagamento do preço e do recebimento das mercadorias, o que se deu no seu caso. Ao final, requereu o acolhimento de seus argumentos e o cancelamento das glosas, reiterando as alegações de sua manifestação de inconformidade original, inclusive quanto à correção de seus créditos pela taxa Selic. Solicitou ainda que a Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 homologação das compensações seja realizada considerando suas datas, caso os créditos não sejam atualizados, e não com atualização dos débitos até a data de conclusão do processo. Os julgadores de primeiro piso não acolheram as preliminares postas pela contribuinte pelas seguintes razões: 1. cerceamento de defesa pela falta de clareza na motivação entenderam os julgadores que não procedem as alegações de nulidade, pois: (1º) o texto do despacho decisório não prejudicou, muito menos inviabilizou o direito de defesa da interessada, tanto que ela apresentou seu recurso atacando a motivação do indeferimento de seu pleito. (2º) a descrição dos fatos pela fiscalização foi extremamente minuciosa, e a contestação da contribuinte demonstra que ela compreendeu plenamente as razões das glosas. 2. cerceamento de defesa pela imputação de responsabilidade por irregularidades de outras empresas que a contribuinte não teve oportunidade de conhecer e se manifestar entenderam os julgadores que não houve tal imputação, mas, sim a constatação de que a contribuinte apurou crédito em operações com tais empresas, e que ela estaria tendo oportunidade de se manifestar, tendo em vista que ela procurou utilizar esses créditos. 3. mudança da decisão da autoridade administrativa entenderam que não constitui ilegalidade a mudança apontada: a autoridade com competência delegada para apreciar o pleito teve entendimento distinto das decisões de outra DRF e de seu antecessor no cargo, uma vez que "decisões anteriores de outro órgão da Receita Federal, ou ainda do mesmo órgão, terem sido em sentido diverso à presente, não vinculam decisões subseqüentes, mormente quando se passa a adotar novo entendimento em relação em determinado assunto". No mérito, o colegiado de 1º piso, concluiu que ficou caracterizado e demonstrado que: 1. as aquisições de produtos a que se refere o § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, adquiridos de pessoas físicas, não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, condição necessária para tal creditamento. Glosa esta que a contribuinte não logrou afastar e que acabou por não contestar em seu recurso dirigido à DRJ, passando a ser matéria não impugnada, ou seja, incontroversa. 2. "a contribuinte tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato, que teriam servido apenas para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em operações que, na realidade, não gerariam crédito." 3. há "farto conjunto probatório carreado aos autos demonstra claramente a existência de uma rede de empresas de fachada, cuja única razão de ser era fornecer notas fiscais para amparar tais vendas como se de pessoas jurídicas fossem, num esquema de triangulação perfeitamente demonstrado na informação fiscal. Cabe aqui frisar o que observou a fiscalização, que "neste período não houve nenhum recolhimento de Tributos ou Contribuições efetuados à Receita Federal por parte destas empresas". Assim, os mecanismos da nãocumulatividade das contribuições, que deveriam servir, entre outros, para desonerar as exportações, acabam por se Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000177/200650 Acórdão n.º 3401003.042 S3C4T1 Fl. 4 5 converter em fonte de receitas ilícitas de contribuintes (créditos passíveis de ressarcimento); isto porque, não havendo recolhimento das contribuições, seja pelas pessoas físicas que se utilizaram das empresas de fachada, seja por essas próprias empresas, não haveria tributo a ser desonerado." 4. insustentável a alegação de boa fé pela inexistência de benefício para a contribuinte de tal procedimento por que, na visão dos julgadores, maior benefício não poderia a contribuinte querer "do que um crédito de PIS e Cofins no montante de mais de R$ 9 milhões em dois anos, referentes a tais aquisições". 5. ficou comprovada a inexistência de fato das empresas listadas pela autoridade fiscal em suas glosas, a teor do disposto no art. 41 da mesma Instrução Normativa; 6. "restou comprovado que as aquisições originalmente não foram realizadas das empresas de fachada, por absoluta incapacidade operacional das mesmas, nem sequer é necessário provar que tais compras foram, de fato, de pessoas físicas. Por se tratar de crédito reclamado pela contribuinte, caberia a ela fazer a prova da aquisição junto a pessoas jurídicas." 7. a procedência da decisão administrativa que considerou ilegítimas as notas fiscais emitidas pelas empresas em datas anteriores à de sua decretação como inexistentes de fato, pois, a condição desses "documentos referentes aos créditos do presente processo serem anteriores à expedição dos ADEs, não os tornam legítimos. Isso significa que o contrário à restrição imposta ao § 1°, III desse artigo (impossibilidade de utilização dos documentos considerados inidôneos para apuração de créditos) não é verdadeiro; isto é, não é porque os documentos fiscais não se enquadram no § 3°, I, nem porque houve a comprovação prevista no § 5°, que os créditos devam ser aceitos obrigatoriamente." Entendeu, ainda, o colegiado de 1º piso que não caberia a aplicação dos julgados do STJ indicados pela contribuinte por que suas conclusões não infirmam o entendimento aqui esposado, porquanto têm sempre como premissa a boa fé do adquirente, o que não restou configurada no presente. Negaram, por falta de previsão legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Ao final, consideraram corretas as glosas feitas pelas autoridades fiscais e administrativas e parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório passível de ressarcimento no valor de R$ 636.842,54 e homologar as eventuais compensações declaradas até o limite desse crédito. O Acórdão n.º 1441.157 proferido em 28/03/2013 pela respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão 1441.157 4a Turma da DRJ/RPO Sessão de 28 de março de 2013 Interessado Costa Café Comércio Exp Imp Ltda. Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 CNPJ/CPF 54.122.775/000169 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS Período de apuração: CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou cada um dos argumentos referentes ao mérito da lide constante da manifestação de inconformidade, já resumidos anteriormente neste voto. E acrescenta ela, neste recurso voluntário, razão que contesta o entendimento firmado pelo colegiado a quo, in verbis: Vejase que a Fiscalização deixou de observar dois dispositivos [do artigo 43 da IN RFB n. 1.183, de 2011] que, por si só, autorizam a procedência da presente Manifestação de Inconformidade [sic], com a improcedência da "glosa" e a manutenção dos créditos. O § 3° do referido artigo dispõe que os efeitos do caput somente se aplicam a partir da data da publicação do ADE, ou seja, no caso do presente processo, somente poderá ser observada tal disposição, caso seja comprovada a publicação do processo de ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE em relação aos fornecedores cujos créditos foram glosados, se os mesmos tiverem sido publicados anteriormente ao 1° trimestre de 2005, período de apuração dos créditos, o que realmente não aconteceu, os ADE's são de 2009 e 2010. Por outro lado, ainda que houvesse tal declaração, o disposto no § 5° ampara totalmente a manutenção dos créditos em relação a tais fornecedores, uma vez que restou comprovado pela própria Fiscalização, através de provas materiais (documentos solicitados e encaminhados), o pagamento do preço e o recebimento dos bens, não podendo surtir efeitos em relação à Recorrente, a disposição do caput do mencionado Art. 43 da IN 1.183/2011. Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000177/200650 Acórdão n.º 3401003.042 S3C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, argumenta o V. Acórdão, em entendimento equivocado, que o § 4° simplesmente anula os efeitos do mandamento do § 3°, já que diz não legitimar os documentos inidôneos emitidos anteriormente às datas do § 3°. Com efeito, é equivocado o entendimento do N. Julgador, pois o teor do mencionado § 4° diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. A corroborar a intenção do legislador, resguardando a boafé do contribuinte, vem o § 5°, que não deixa dúvidas quanto à não incidência dos efeitos do § 1°, do mesmo art. 43 da IN 1.183/2011, em relação à Recorrente, diante da prova, confirmada pela própria fiscalização, do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Quanto a tal dispositivo, não ousou o Nobre Julgador a fundamentar seu entendimento sobre sua não aplicação, como fez com o disposto no § 3°, I, do Art. 43, da IN 1.183/2011 que disse ter sido afastado pela disposição do § 4°, já que não há como afastar a aplicação do contido no § 5°, diante da comprovação pela própria fiscalização dos seus requisitos. Assim, não devem prevalecer as glosas levadas a efeito pela fiscalização, devendo ser reformado o Acórdão no sentido de afastálas, reconhecendo à recorrente a manutenção do direito de crédito. A contribuinte retoma a solicitação de correção do valor a ser ressarcido, sublinhando que já se passaram mais de 8 anos desde o período de apuração do crédito e que o valor deve ser corrigido para superar tal demora. Aponta jurisprudência. Adiciona pedido ao CARF para que seja disciplinado o conjunto de reflexos da eventual decisão de manutenção das glosas, nos seguintes termos: Por fim, na eventual possibilidade de improcedência do presente Recurso, com a consequente manutenção das "glosas" dos créditos lançadas na manifestação fiscal, imperioso que seus reflexos sejam excluídos dos resultados dos períodos de apuração respectivos. É que tais créditos foram incluídos na apuração do resultado, certamente influenciando no lucro do período e na consequente incidência dos tributos decorrentes dessas receitas, especialmente o IRPJ e CSLL, cujos valores foram objeto de compensação neste mesmo PERDCOMP, sendo que, deverá ser determinada, na apuração de eventual saldo devedor não compensado, por insuficiência de créditos, a exclusão dos reflexos desses créditos glosados na apuração de tais tributos. Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Este processo ingressou para a apreciação desta turma na sessão de 09 de dezembro de 2015, tendo o relator pronunciado seu voto, mas não houve o julgamento por força de pedido de vistas. Em 22 de dezembro de 2015 a contribuinte trouxe aos autos nova manifestação de informações, para a qual pede que seja conhecida pelos Julgadores deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade (há uma procuração, assinada em 30/09/2008 pelo sócio administrador outorgando poderes para o signatário do recurso representar a contribuinte junto à Delegacia da Receita Federal em Limeira SP, às fls. 207, o que considero suprir a instrução deste recurso voluntário). Preliminares A contribuinte não protesta preliminares em seu recurso voluntário. Percorri com vagar as manifestações da contribuinte e não encontrei, da sua parte, contestação com relação à glosa das aquisições de produtos junto a pessoas físicas que a contribuinte pretendia se enquadrar na hipótese do § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637. Pareceme correto o entendimento esposado pelas autoridades fiscal e administrativa e pelos julgadores de 1ª instância que as operações em tela não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, ela é apenas intermediária para comercializar (confirmado por seu objeto social). Ser produtora é condição necessária para o creditamento previsto nesses dispositivos legais. Concluo que essa glosa, além de procedente, é matéria incontroversa nesses autos. Mérito A informação fiscal que dá os fundamentos das decisões recorridas demonstra que a contribuinte, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2005, teve mais de 50% das suas aquisições de cafe proveniente de 38 empresas inexistentes de fato, das quais 29 têm sede na cidade de Munhuaçu (MG) e foram coincidentemente criadas a partir de 2002 (depois da entrada em vigor das Leis de PIS e Cofins Lei 10637/2002 e 10.833/2003). Que, nesses 24 meses, delas teria comprado mais de 34.000.000 kg de café, e despendido mais de R$ 99.000.000,00 (noventa e nove milhões de reais), que justificariam a geração de créditos superior a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais). Ainda de acordo com esse Termo Fiscal, os dados demonstrariam que as operações desse período implicaram em movimentação financeira superior a R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de reais). Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000177/200650 Acórdão n.º 3401003.042 S3C4T1 Fl. 6 9 Apoiandome nos dados que constam deste processo, pareceme que os montantes sublinhados por esses números superlativos vêm acompanhado do fato que a contribuinte não manteve com essas empresas um ou outro contato eventual, casual, mas uma relação continuada, recorrente, sustentada em uma confiança recíproca e de encontro de interesses. Não se trata, ademais, da história de uma ou outra empresa inexistente de fato, mas de 38 empresas que se tornam importantes fornecedoras basicamente no mesmo período, das quais, a maior parte criada justamente a partir de 2002. Ainda com base nessas informações, podemos ver que essas 38 empresas atuam com as mesmas práticas suspeitas, mas elas não estão acidentalmente localizadas na mesma região, no mesmo período. Elas estão relacionadas entre si também por um elo comum: são todas fornecedoras da mesma empresa, no caso a contribuinte. As práticas dessas empresas inexistentes de fato se articulam e se encontram na contribuinte. Esse quadro recebe substância de dados documentais e de constatações obtidas em diligências. Ele reúne evidências e provas para que se caracterize que houve um modo de agir ao longo de todo esse período, dotado de uma racionalidade e capaz de proporcionar benefício à contribuinte, no caso, o creditamento de PIS e COFINS exportação. E a contribuinte efetivamente solicitou esse benefício, confirmando a materialidade do empreendimento desenhado por esse quadro. O conjunto da descrição desse cenário fragiliza completamente os argumentos da contribuinte ter sido uma compradora que agiu em boa fé. E as argumentações da contribuinte não lograram afirmar a sua boa fé no caso. A meu ver, correto foi entendimento dos julgadores de 1º piso de que a jurisprudência citada pela contribuinte não se aplica ao caso. Essas empresas inexistentes de fato nada recolheram de tributos federais, ou recolheram um parcelas mínima, face os valores movimentados com suas supostas comercializações. Essas empresas não comprovaram capacidade e instalações para as operações e a movimentação das quantidades de café. Não tinham efetivamente um estabelecimento ou uma sede para dar lastro e referência à confiança normalmente encontrada nesse nível de negociação continuada. O café negociado provinha, de fato, de produtores rurais pessoas físicas. A contribuinte não conseguiu desconstituir as evidências e as provas levantadas pela fiscalização, e também não conseguiu desconstituir a conclusão das autoridades fiscal e administrativa, e dos julgadores de primeiro piso, de que a contribuinte "tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato", e que elas "teriam servido para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins." A meu sentir, o direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 A recorrente alega que é equivocado o entendimento dos julgadores que não consideraram capazes de provar a efetividade as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras para operações anteriores à declaração de sua inaptidão ou inexistência de fato. No ponto de vista da recorrente, o § 4° do artigo 43 da IN RFB n. 1.183/2011 diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. E que o § 5° desse artigo define que a não incidência dos efeitos do § 1°, diante da prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Art. 43 da IN 1.183/2011: "Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1° Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2° Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3° O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4° A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3°. § 5° O disposto no § 1° não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6° A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5° sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos." (grifamos). Contudo, não esposo o entendimento proposto pela recorrente. Minha leitura desses dispositivos normativos é que o § 4º citado explica que a declaração de inaptidão não Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000177/200650 Acórdão n.º 3401003.042 S3C4T1 Fl. 7 11 implica em legitimidade dos documentos emitidos anteriormente. E esse é o caso em discussão neste processo: as empresas tiveram sua inaptidão declarada em certa data, mas os dados indicam que sua inexistência de fato era anterior a essa declaração de inaptidão. De fato, elas não compareceram à Receita Federal para provar em contrário, nem contestaram o ato declaratório. Diante do quadro conhecido pelas evidências e provas trazidas pela auditoria fiscal, carecem de legitimidade as notas fiscais emitidas em seu nome. A contribuinte não provou que de fato realizou as operações com as empresas glosadas. As notas fiscais e as comprovações de pagamento e de transporte, a meu ver, não conseguem superar as evidências e provas que (a) subtraem totalmente a legitimidade desses documentos e (b) demonstram a centralidade da contribuinte no modo de operação desse grupo de empresas de fachada e não testemunham sua boa fé. Sendo essas empresas inexistentes de fato, as operações não foram realizadas efetivamente com elas. E uma constatação como essa afasta o § 5º deste artigo 43, que beneficiaria o terceiro interessado. Por isso, concluo propondo que seja mantida decisão do colegiado de 1ª instância nesse ponto. Proponho ainda que seja negado, por força do proibitivo legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Registro ainda, consoante decisão firmada pelos Conselheiros, que: (a) não cabe a este órgão colegiado se manifestar sobre o pedido da contribuinte que consta do seu recurso voluntário quanto aos reflexos do IRPJ e do CSLL; (b) não tomar conhecimento da manifestação da contribuinte apresentada em 22/12/2015. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001300/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/05/2004
EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES
A empresa excluída do SIMPLES está obrigada ao cumprimento de todas as obrigações tributárias inerentes às demais pessoas jurídicas, com efeitos conforme disposto no artigo 15 da Lei nº 9.317/96 desde o momento em que a exclusão produzir os seus efeitos. Tratando-se de ato sujeito a registro para a produção de efeitos jurídicos, deve ser considerada a regra disposta na lei de regência.
Numero da decisão: 2301-004.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/05/2004 EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A empresa excluída do SIMPLES está obrigada ao cumprimento de todas as obrigações tributárias inerentes às demais pessoas jurídicas, com efeitos conforme disposto no artigo 15 da Lei nº 9.317/96 desde o momento em que a exclusão produzir os seus efeitos. Tratando-se de ato sujeito a registro para a produção de efeitos jurídicos, deve ser considerada a regra disposta na lei de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 150 1 149 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001300/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.452 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria EXCLUSÃO DO SIMPLES Recorrente TODOS OS ANJOS MINERAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/05/2004 EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A empresa excluída do SIMPLES está obrigada ao cumprimento de todas as obrigações tributárias inerentes às demais pessoas jurídicas, com efeitos conforme disposto no artigo 15 da Lei nº 9.317/96 desde o momento em que a exclusão produzir os seus efeitos. Tratandose de ato sujeito a registro para a produção de efeitos jurídicos, deve ser considerada a regra disposta na lei de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 00 /2 00 8- 13 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o auto de infração lavrado em 26/08/2008 e relativo às contribuições sociais previdenciárias, cota patronal, segurados e terceiros. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/05/2004 HIPÓTESE LEGAL DE VEDAÇÃO DE PERMANÊNCIA NO SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A empresa excluída do Simples está obrigada ao cumprimento de todas as obrigações tributárias inerentes às demais pessoas jurídicas desde o momento em que a exclusão produzir os seus efeitos. Lançamento Procedente ... 6. Analisando as razões de defesa da impugnante, constatase, que se funda, em síntese, na alegação de que na competência 01/2004 ainda não estava desenquadrada do regime SIMPLES de tributação para todos os efeitos legais, porquanto tal fato somente se implementa mediante comunicação à RFB, e esta, por sua vez, tem como requisito essencial o registro da alteração contratual na Junta Comercial competente, que ocorreu em 12/02/2004; ... Contra a decisão, a recorrente reitera as alegações trazidas na impugnação: 3.1. Que a empresa estava enquadrada no SIMPLES, porém em 12 de dezembro de 2003 os sócios procederam à alteração contratual para modificar o seu sistema de tributação para o Lucro Presumido; 3.2. Que após a assinatura dos sócios a defendente deu entrada na aludida alteração contratual na JUCEES, no entanto o número do registro somente foi emitido por este órgão em 12 de fevereiro de 2004; 3.3. Que a expedição do número do registro da JUCEES é requisito essencial para que se comunique à RFB a mudança do regime de tributação; 3.4. Que a empresa somente foi excluída do SIMPLES após a comunicação à Receita Federal, que se deu posteriormente ao dia 12/02/2004, data do registro na JUCEES; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.001300/200813 Acórdão n.º 2402004.452 S2C4T2 Fl. 151 3 3.5. Que a mudança do regime de tributação se deu em razão da vedação prevista no art. 9% X, da Lei n° 9.317/96, isto é, no caso de pessoa jurídica de cujo capital participe, como sócio, outra pessoa jurídica; 3.6. Que nos termos do art. 12 do mesmo diploma legal, a exclusão do Simples será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio, tendo como prazo o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão (..), consoante aduz o art. 13, § 3º b; 3.7. Que nos termos acima a empresa não estava obrigada a qualquer recolhimento das contribuições ora exigidas para a competência janeiro de 2004; E ainda que: A SOLUÇÃO DE CONSULTA NO 94 de 22 de Marco de 2005 ratifica seu entendimento pela impossibilidade de retroatividade: ASSUNTO: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples EMENTA: Constatado que o sócio, com participação de mais de 10% do capital de outra empresa, foi excluído, mediante alteração contratual, antes que a receita bruta global ultrapassasse o limite de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), é cabível a permanência da pessoa jurídica no Simples. Os efeitos da alteração contratual retroagem à data de sua assinatura, desde que o arquivamento no órgão competente ocorra dentro de 30 dias, contados da assinatura. É o Relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 que instituiu o sistema do SIMPLES promoveu tratamento fiscal simplificado para pagamento das contribuições e impostos por elas contemplados: Lei nº 9.317/96 Art. 1º Esta Lei regula, em conformidade com o disposto no art. 179 da Constituição, o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e as empresas de pequeno porte, relativo aos impostos e às contribuições que menciona. ... Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: ... Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... X de cujo capital participe, como sócio, outra pessoa jurídica; ... Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. ... Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o;(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998)(Vide Lei nº 10.925, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 252, de 2005 sem eficácia) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.001300/200813 Acórdão n.º 2402004.452 S2C4T2 Fl. 152 5 II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º;.(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Redação em vigor à época da alteração contratual: II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) ... Portanto, de acordo com a redação vigente à época do fato, para situação prevista no inciso X do artigo 9º os efeitos eram a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente. Resta uma análise quanto aos efeitos do arquivamento do registro. De acordo com o artigo 36 da Lei nº 8.934 de 18/11/1994, os efeitos são retroativos à data da assinatura do instrumento de alteração contratual.: Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11968.001181/2009-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.640
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 11 81 /2 00 9- 26 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001181/200926 Acórdão n.º 9303003.640 CSRF‐T3 Fl. 210 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.873, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001181/200926 Acórdão n.º 9303003.640 CSRF‐T3 Fl. 211 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001181/200926 Acórdão n.º 9303003.640 CSRF‐T3 Fl. 212 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001181/200926 Acórdão n.º 9303003.640 CSRF‐T3 Fl. 213 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001181/200926 Acórdão n.º 9303003.640 CSRF‐T3 Fl. 214 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001181/200926 Acórdão n.º 9303003.640 CSRF‐T3 Fl. 215 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001181/200926 Acórdão n.º 9303003.640 CSRF‐T3 Fl. 216 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001181/200926 Acórdão n.º 9303003.640 CSRF‐T3 Fl. 217 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000069/2008-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que a conduta do sujeito passivo se enquadra no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64.
CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-002.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos. Os Conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez votaram pelas conclusões. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que a conduta do sujeito passivo se enquadra no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que a conduta do sujeito passivo se enquadra no art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por unanimidade de votos. Os Conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez votaram pelas conclusões. Ausente, justificadamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 00 69 /2 00 8- 47 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 3 2 MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à aplicação da multa qualificada de 150%. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 110200.319, de 03/09/2010, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário apresentado pela contribuinte acima identificada, para fins de reduzir a multa de 150% para 75%. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 IRPJ. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE NA ESCRITA FISCAL. Para a imposição de multa qualificada, mister a comprovação do evidente intuito de fraude, situação não configurada diante da apresentação do Livro de Registro de ICMS com todas as operações escrituradas. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. COMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA N.° 2. Consoante Súmula n.° 2, do CARF, falece competência ao Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à desqualificação da multa de ofício. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DA INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DADA À LEI TRIBUTARIA a decisão ora impugnada não merece prosperar, visto que, quanto à aplicação da multa qualificada, deu à lei tributária interpretação diversa da conferida, cm caso análogo, pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, estando, portanto, presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial; Fl. 483DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 4 3 por oportuno, transcrevese trecho da ementa do referido acórdão paradigma, in verbis: Acórdão nº 20309.098 "COFINS MULTA DE OFICIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUAÇÃO QUALIFICATIVA FRAUDE O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que, pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei nº 9.430. (...) Recurso ao qual se nega provimento." — Destaquei. o primeiro acórdão paradigma acima evidenciado foi claro, em caso análogo ao presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, em que o contribuinte omite montante expressivo da renda auferida; há necessidade de se analisar a conduta da contribuinte, se de fato ocorreu dano ao erário e se possuía ou devia possuir consciência de que causava o dano; no caso concreto, fazse mister examinar se a materialidade da conduta se ajusta à norma inserida nos artigos da Lei nº 4.502/66 a que remete a Lei nº 9.430/96 em seu artigo 44, inciso II (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.° 351/2007); a transcrição de trechos do TVF e da decisão de primeira instância demonstra que restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta de omitir rendimentos significativos. Dessarte, conforme provam os documentos constantes dos autos que afastam a possibilidade de mero erro do contribuinte, o sujeito passivo, repitase, por sua ação firme e abusiva, em burla ao cumprimento da obrigação fiscal, demonstrou conduta consciente que procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa; concluise que o contribuinte: i) praticou atividade ilícita comprovada, detalhadamente descrita no auto de infração, observada a partir da apuração de expressiva de omissão de rendimentos em contraste com a apresentação reiterada de declarações zeradas; ii) como resultado de sua conduta dolosa, houve diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, com o conseqüente pagamento a menor do tributo devido, em evidente prejuízo ao erário; iii) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 5 4 iv) a conduta demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao principio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo; por todos os motivos expostos, deve ser mantida a qualificação da multa, dado que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos; DA REITERAÇÃO DA CONDUTA — SEGUNDA DIVERGÊNCIA não há a menor dúvida de que houve evidente intuito de fraude do contribuinte na prática reiterada de apresentar para a Secretaria da Receita Federal declaração sem movimento. Tal fato restou provado nos autos. Entretanto, segundo a e. câmara a quo, caberia a demonstração do dolo especifico, que o contribuinte dirigiu a sua vontade, de forma consciente, para o fim de obter o resultado gravoso para o Fisco; ocorre que a e. Câmara a quo se equivocou quando entendeu que, no ilícito cometido pelo Recorrido, não estaria evidenciado o intuito de fraude, a importar na qualificação da multa. Com efeito, o evidente intuito de fraude corresponde ao dolo de sonegar, que existe quando o agente omite, de forma voluntária e consciente, receitas, declarações e informações ao Fisco, como realizou a contribuinte que, reiteradamente, apresentou as DIPJ zeradas, as DCTF sem débitos declarados, tudo no intuito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo; pois bem, no presente caso, está provado nos autos o dolo do Recorrido que reiteradamente omitiu e deixou de recolher valores expressivos de imposto de renda referentes a rendimentos auferidos em diversos anoscalendário, não se tratando, portanto, de mero erro ou equívoco do contribuinte, mas evidente intenção deliberada de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou reduzir o montante do imposto e causar dano ao Erário; quanto à desqualificação da multa de oficio, a decisão da e. Câmara a quo, unânime neste item do acórdão, diverge de decisões proferidas por Câmaras deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constante dos Acórdãos nºs 10196446 e 10517034 (Acórdãos Paradigmas), cujas ementas passamos a transcrever: "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de oficio qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. (...) (Data da Sessão :09/11/2007; Relator: Sandra Maria Faroni; Decisão : Acórdão 101 96446)" "MULTA QUALIFICADA Provada a ocorrência da situação prevista no art. 71, I, da Lei 4502/64, aplicase a multa qualificada prevista no art. 44 da Lei 9.430. A prática reiterada da infração demonstra de forma inequívoca o dolo do agente. (Data da Sessão: 29/05/2008; Relator Marcos Rodrigues de Mello; Decisão: Acórdão 10517034)" vale a pena ressaltar a plena coincidência fática entre os julgados, preenchendose assim os requisitos previstos art. 67 do RICARF para a interposição do Fl. 485DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 6 5 presente Recurso Especial. Notase, dessa forma, a divergência interpretativa quanto à aplicação da multa qualificada do Art. 44 da Lei n° 9.430/96; observase que a divergência reside justamente no fato de a conduta reiterada ter servido como circunstância qualificadora da multa nos Acórdãos Paradigmas, enquanto a Câmara a quo assim não entendeu, mesmo tendo as condutas omissivas e fraudulentas do Contribuinte Recorrido se estendido por diversos anoscalendário; embora de difícil comprovação, o intuito doloso denunciase por meio de indícios ou elementos que, analisados isoladamente, conduzem a uma interpretação que se afasta da realidade, mas que, por outro lado, se analisados em seu conjunto, demonstram cabalmente o animus doloso de fraudar o fisco; é preciso ressaltar que este Conselho Administrativo vem firmando o entendimento nesse sentido, de que a prática reiterada de condutas evasivas afasta a tese de meros equívocos do contribuinte e, ao contrário, afirma seu caráter doloso; dessarte, à luz do que foi trazido aos autos, é absolutamente inverossímil a idéia de que o contribuinte teria cometido meros equívocos, mas ao contrário, situação que caracterizou omissão de informações e/ou prestação de declaração falsa à autoridade fazendária com o fim de suprimir tributo, aplicandose corretamente a multa qualificada na autuação; este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem firmando o entendimento de que a prática reiterada de condutas evasivas afasta a tese de meros equívocos do Contribuinte e, ao contrário, afirma seu caráter doloso (ementas transcritas); ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso, para reformar o acórdão exarado pela Câmara a quo, restabelecendo a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), uma vez que configurado o evidente intuito de fraude do contribuinte, nos termos da fundamentação supra, incidente o inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.° 11.488, de 15 de junho de 2007). Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 11/05/2015, admitiu o recurso especial. Em 15/06/2015, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005 e 2006, em decorrência da constatação da omissão de receitas operacionais caracterizada pelas vendas de produção do estabelecimento, as quais não haviam sido informadas nas declarações apresentadas à Receita Federal. Entendendo estar caracterizado o evidente intuito de fraude, a Fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte, para fins de reduzir a multa de 150% para 75%. E o recurso especial da PGFN busca exatamente restabelecer a multa qualificada. É oportuno transcrever as informações contidas no auto de infração, com o objetivo de evidenciar os fundamentos para a exigência dos tributos e, principalmente, da multa qualificada: 1 Lançamento de oficio: Lançamento de oficio do Imposto de Renda IR e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL com base no lucro presumido referente ao 2° e 3° trimestres do ano de 2005 e, do 1°, 2°, 3° e 4° trimestres do ano de 2006. Como reflexos, foram lançados de oficio as contribuições para o Programa de Integração Social PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, referente as competências de agosto a dezembro de 2005 e de janeiro a dezembro de 2006. O lançamento decorre da omissão de receitas operacionais caracterizada pelas vendas de produção do estabelecimento, cujos tributos devidos não foram denunciados nas diversas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF's apresentadas, bem como, pela sua falta de recolhimento. O contribuinte apresenta as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, entretanto, as mesmas são apresentadas " zeradas" sem a indicação de quaisquer valores. Doc. 166 a 252. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 8 7 Com relação à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do ano calendário de 2005, a exemplo das declarações acima citadas, a mesma é apresentada " zerada" sem a indicação de quaisquer valores. Doc. 157 a 165. A DIPJ relativa ao ano calendário de 2006 não foi apresentada, o mesmo encontrase omisso. Doc. 156. Quanto ao recolhimento dos tributos devidos, (IRPJ, CSLL PIS e COFINS) o contribuinte realizou o pagamento, relativo a todo o período fiscalizado, somente das seguintes competências: doc. 253 e 254. Recolhimento parcial do PIS: Competências: agosto e dezembro de 2005; Valores recolhidos: R$ 1.565,63 e R$ 1.040,56; Recolhimento parcial da COFINS: Competências: agosto e dezembro de 2005; Valores recolhidos: de R$ 7.226,00 e R$ 4.802,59. Os valores pagos foram compensados no auto de infração. As receitas operacionais foram apuradas pelos Livros Fiscais, especialmente o Livro de Registro de Saídas de Mercadorias e o Livro de Registro de Apuração de ICMS. [...] 3 Qualificação da multa para 150%: Nos trabalhos de fiscalização desenvolvidos no contribuinte em epígrafe, verifiquei a ocorrência de fatos ilícitos que em tese configuram crime de sonegação fiscal definido no Art. 71, inciso I da Lei 4.502/1964 ou nos Arts. 1º ou 2º da Lei 8.137/1990, crimes contra a ordem tributária. A qualificação da multa se faz necessária em razão da adoção por parte da contribuinte das seguintes condutas que caracterizam evidente intuito de fraude: No ano calendário de 2005 a Empresa apresentou a "Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ" zerada, ou seja, sem a indicação de quaisquer valores. O mesmo não apresentou a declaração relativa ao ano calendário de 2006, encontrase omisso com sua apresentação. Doc. 156 a 165. Com relação às Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON, as declarações são apresentadas "zeradas" sem a indicação de quaisquer valores. Doc. 166 a 252. Consultando o sistema de recebimentos da Receita Federal "Sistema SINAL" verifiquei que o contribuinte realizou parcialmente o pagamento relativo a duas competências de PIS e duas competências de COFINS (agosto e dezembro de 2005) de valores insignificantes. Doc. 253 e 254. Não foram localizados quaisquer recolhimentos para o IRPJ e a CSLL. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 9 8 Em contrapartida, os trabalhos fiscais apuraram vendas líquidas de produção do estabelecimento nos montantes anuais de R$ 17.138.925,41 e de R$ 48.336.985,39 nos anos de 2005 e 2006, respectivamente. Os dois anos em conjunto importaram omissão de vendas à ordem de R$ 65.475.910,80. Das três declarações instituídas pela Receita Federal (DIPJ, DCTF e DACON) o contribuinte omitese sistematicamente em declarar seu movimento econômico e seus débitos tributários, muito embora, tenha tido uma expressiva movimentação econômica e ter gerado milhares de reais de crédito tributário para ser recolhido aos cofres públicos. Com tal atitude é certo que a Empresa buscou ocultarse e escapar aos controles fiscais instituídos pela Administração Tributária, com o fim de impedir o conhecimento de sua movimentação econômica, do fato gerador dos tributos devidos e de sua correta determinação. Os fatos narrados demonstram a intenção da Empresa em lesar o Erário Público, quer seja não denunciando quaisquer valores nas diversas Declarações instituídas pela Receita Federal, quer seja não realizando o pagamento dos tributos devidos. O contribuinte tinha consciência da conduta adotada, agiu de forma reiterada por longo período, querendo almejar o resultado desejado ou, ao menos, assumiu os riscos de produzilos. O acórdão recorrido afastou a qualificadora entendendo que a contribuinte, apesar de ter entregue declarações para o Fisco Federal sem movimentação (DIPJ's, DCTF's e DACON's), apresentou à Fiscalização o Livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 16/153), de onde foram extraídos os valores das receitas auferidas, colaborando, assim, com as autoridades autuantes. Penso que a decisão recorrida não foi a mais acertada, e que ela merece reparo. O primeiro aspecto é que o fato de a contribuinte colaborar com as autoridades fiscais durante os trabalhos de auditoria não tem o condão de afastar a infração já efetivamente praticada em momento anterior. Com efeito, a conduta da contribuinte durante a ação fiscal tem implicação com a hipótese de agravamento da multa (pela negativa na prestação de esclarecimentos à Fiscalização), figura que não se confunde com a qualificação da multa (relacionada a infrações cometidas antes do início do procedimento fiscal). No caso, vêse que antes do início da ação fiscal não houve prestação de qualquer informação à Receita Federal. Ao contrário disso, houve apresentação para o Fisco Federal de declarações com informações "zeradas", como se a empresa estivesse inoperante, sem movimento, o que revela claramente a intenção da contribuinte em impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (Lei 4.502/64, art. 71, I). Não se trata aqui de apuração de omissão de receitas por presunção legal. Houve efetivamente omissão de receitas operacionais, e as declarações "zeradas", em branco, configuram prova direta dessa omissão intencional. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 10 9 O dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto à correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. Os fatos apontados acima configuram evidência suficiente para me convencer, para além de qualquer dúvida razoável, de que a omissão de receitas decorreu de dolo da contribuinte. As vendas líquidas de produção do estabelecimento somaram R$ 17.138.925,41 em 2005, e R$ 48.336.985,39 em 2006, e nada justifica a apresentação de declarações zeradas, como se a empresa estivesse inoperante, sem movimento, ao mesmo tempo em que auferia faturamento nessa monta. Não é razoável supor que a conduta da contribuinte tenha sido fruto de mero erro ou negligência, até porque os quatro recolhimentos que ela fez (dois para o PIS e dois para a COFINS), conforme mencionado anteriormente, são totalmente insignificantes, não guardam nenhuma proporção com o faturamento da empresa, o que também comprova a sua intenção de não recolher tributo algum. Desse modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a multa qualificada de 150%. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 14120.000069/200847 Acórdão n.º 9101002.259 CSRFT1 Fl. 11 10 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 15540.720389/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITA.
Justifica a presunção legal de omissão de receitas a constatação de depósitos bancários sem identificação de origens, intimado o contribuinte a comprova las.
Numero da decisão: 1202-001.138
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
Nome do relator: Geraldo Valentim Neto
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Numero do processo: 10715.006592/2010-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/04/2008
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/04/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/04/2008 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/04/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/04/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 65 92 /2 01 0- 51 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 9303003.779 CSRFT3 Fl. 364 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.280, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 9303003.779 CSRFT3 Fl. 365 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 365DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 9303003.779 CSRFT3 Fl. 366 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 9303003.779 CSRFT3 Fl. 367 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 367DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 9303003.779 CSRFT3 Fl. 368 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 9303003.779 CSRFT3 Fl. 369 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 369DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 9303003.779 CSRFT3 Fl. 370 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006592/201051 Acórdão n.º 9303003.779 CSRFT3 Fl. 371 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 371DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10886.720268/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. RESERVA REMUNERADA.
Conforme se denota do teor do Enunciado de Súmula CARF nº 63, diante da existência de laudo médico pericial elaborado por peritos oficiais com o reconhecimento da moléstia grave e decorrendo os proventos de reserva remunerada, o contribuinte faz jus à isenção do Imposto sobre a Renda.
Numero da decisão: 2201-003.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 01/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 01/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. RESERVA REMUNERADA. Conforme se denota do teor do Enunciado de Súmula CARF nº 63, diante da existência de laudo médico pericial elaborado por peritos oficiais com o reconhecimento da moléstia grave e decorrendo os proventos de reserva remunerada, o contribuinte faz jus à isenção do Imposto sobre a Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 01/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 02 68 /2 01 5- 91 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao anocalendário de 2012, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 4 a 9, em que foi apurada omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$ 153.840,96. Em virtude dessa infração, foi alterado o valor de imposto a restituir de R$ 26.839,28 para R$ 1.951,66. Após tomar ciência da notificação de lançamento de fls. 4 a 8 em 02/03/2015 (fl.30), o Contribuinte apresentou em 27/03/2015 a impugnação de fl. 2, alegando, em síntese, ser portador de moléstia grave e fazer jus à isenção do imposto de renda sobre os proventos recebidos do Comando do Marinha no ano calendário de 2012. Foi solicitada prioridade na análise da impugnação, com fulcro no art. 69 A, IV, da Lei nº 9.784, de 1999. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção para portadores de moléstia grave só poderá ser concedida quando o contribuinte preencher os dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: a natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria/reforma ou pensão, e a existência da moléstia tipificada no texto legal, comprovada por laudo médico pericial oficial. Impugnação Improcedente. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que é portador de adenocarcinoma da próstata, CIDC C61 (neoplasia maligna), desde 30/04/2009, doc. 04/05, bem como que foi transferido para a reserva remunerada por meio da Portaria n.º 0006, de 03/12/2002, do DPMM, doc. 06, de modo que faz jus a isenção requerida. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10886.720268/201591 Acórdão n.º 2201003.280 S2C2T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$ 153.840,96. Segundo o Fisco, o Interessado, depois de intimado, não apresentou cópia autenticada da publicação do ato de reforma, pensão ou aposentadoria para poder gozar da isenção por moléstia grave. O acórdão de primeira instância não analisou a prova referente ao acometimento de moléstia grave, considerando que o contribuinte não comprovou o requisito referente à natureza dos rendimentos, consoante se extrai dos trechos abaixo transcritos: Quanto ao primeiro requisito, o Interessado não comprovou receber do Comando da Marinha proventos de aposentadoria, reforma ou pensão no anocalendário de 2012, condição sine qua non para a isenção prevista em lei. Frisese que o Contribuinte comprovou à fl. 29 sua transferência para a reserva remunerada em 2002, porém não demonstrou que em 2012 encontravase reformado. É imperativo destacar que os rendimentos recebidos a título de reserva remunerada não configuram proventos de reforma. (...). Deixase de analisar a outra condição exigida pela lei, relativa à prova da moléstia grave, haja vista que os rendimentos recebidos do Comando da Marinha não correspondiam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, descartandose, assim, a isenção pleiteada pelo Contribuinte. Sobre da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Salientase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Dessa forma, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Nesse contexto, considerando o teor da Súmula CARF n.º 63, que dispõe expressamente sobre a isenção do portador de moléstia grave, observase que os proventos decorrentes de reserva remunerada também ensejam o direito à isenção, quando cumulativamente considerados com a comprovação de moléstia grave, como segue: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10886.720268/201591 Acórdão n.º 2201003.280 S2C2T1 Fl. 4 5 devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acerca da comprovação do acometimento de moléstia grave pelo recorrente, consta nos autos o laudo médico oficial emitido pela Marinha do Brasil, no qual fica atestado o acometimento de neoplasia maligna, desde 30/04/2009, fls. 14 e 63. Portanto, inferese dos documentos acostados aos autos que o recorrente recebe proventos de reserva remunerada desde o ano de 2002, como reconheceu o acórdão de piso, bem como, desde 30/04/2009, está acometido de neoplasia maligna, de modo que faz jus a isenção em questão. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 01/ 08/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 16095.720155/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
AUSÊNCIA DE NULIDADES.
Não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte e o lançamento se encontra devidamente motivado e enquadrado nos dispositivos legais pertinentes.
COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS.
O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS.
No âmbito da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos depósitos, bem como do correto oferecimento da respectiva receita à tributação ou da circunstância de não se tratar de receita ou de se tratar de receita não tributável ou isenta. Contudo, no caso, a intimação fiscal não deixou claramente definido quais os depósitos que a fiscalizada deveria comprovar, referindo-se apenas à necessidade de comprovação da diferença entre o total dos valores creditados/depositados e o montante das receitas declaradas em DIPJ, e, ademais, não analisou corretamente a resposta da contribuinte à intimação fiscal, em que foi apresentada a comprovação da escrituração e da origem de montante inclusive superior àquele que foi objeto da intimação.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL.
Aplica-se ao lançamento da CSLL, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-001.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar integralmente as exigências decorrentes da infração 0001 do auto de infração. Vencido o Relator que dava parcial provimento em menor extensão para afastar apenas parte da infração 0001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé.
(assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto Relator.
(documento assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luís Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Não houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte e o lançamento se encontra devidamente motivado e enquadrado nos dispositivos legais pertinentes. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. No âmbito da presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos depósitos, bem como do correto oferecimento da respectiva receita à tributação ou da circunstância de não se tratar de receita ou de se tratar de receita não tributável ou isenta. Contudo, no caso, a intimação fiscal não deixou claramente definido quais os depósitos que a fiscalizada deveria comprovar, referindose apenas à necessidade de comprovação da diferença entre o total dos valores creditados/depositados e o montante das receitas declaradas em DIPJ, e, ademais, não analisou corretamente a resposta da contribuinte à intimação fiscal, em que foi apresentada a comprovação da escrituração e da origem de montante inclusive superior àquele que foi objeto da intimação. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. Aplicase ao lançamento da CSLL, no que couber, a mesma solução que foi dada ao IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 55 /2 01 3- 17 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar integralmente as exigências decorrentes da infração 0001 do auto de infração. Vencido o Relator que dava parcial provimento em menor extensão para afastar apenas parte da infração 0001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé. (assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto – Relator. (documento assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luís Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto. Relatório Em apertada síntese, tratase de auto de infração lavrado para a exigência de IRPJ e CSLL no valor de R$ 6,6 milhões, mais multa de 75%. Entendeu o Sr. AuditorFiscal (AFRF) que a ora Recorrente: i) não comprovou a origem de R$ 18 milhões depositados em sua conta bancária; e ii) considerou como ato cooperado o que não é. Pois bem. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 683/703) interposto contra o Acórdão nº 1656.331 (fls. 648/667), proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), na sessão realizada em 21/03/2014, que, por Fl. 897DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 4 3 unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e, no mérito, julgou improcedente os pedidos constantes na impugnação protocolada pela UNIMED DE GUARULHOS. Em suma, em 08/02/2012 (Fls. 03/04), a Contribuinte foi intimada do início do procedimento fiscal, cujo objetivo era verificar a regularidade das obrigações principais e acessórias no anocalendário 2009. Nesse mesmo termo, o Sr. AFRF, dentre outros, solicitou os “extratos bancários de todas as contas em sua titularidade em que ocorreram movimentação financeira, inclusive aplicações, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009” – fl. 03. Após o protocolo de petições por parte da Contribuinte, contendo, dentre outros documentos, os “extratos bancários de todas as contas de sua titularidade” (fls. 05120 e 127133), em 22/01/2013, o Sr. AFRF enviou novo Termo de Intimação Fiscal, desta vez listando supostas inconsistências encontradas nas contas bancárias da Cooperativa, que totalizavam R$ 18.226.630,51. Nesse documento a Autoridade também fez constar: “Segue anexo a esta intimação, arquivo digital que contém planilha no formato Excel de todos os depósitos identificados individualizadamente, devidamente autenticado pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA. Tal planilha deverá preenchida pelo contribuinte na coluna determinada ‘justificativas dos valores que não foram computados na Base de Cálculo do Imposto e Contribuições’, devidamente comprovados com documentos hábeis e idôneos, cujo arquivo deverá ser devolvido ao AuditorFiscal signatário” – fl. 246. Em petição datada de 05/02/2013 (fl. 352/354), a UNIMED DE GUARULHOS alegou: “Constatamos que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ, não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Essa receita foi registrada como redutora na Linha 43 – Ficha 04A” – fl. 352 (...) “Além do mais, constatamos divergência no preenchimento da linha 43 – Ficha 04A e Linhas 17 e 32 –Ficha 05A. Onde os valores foram registrados parcialmente em ambas as linhas [Ou seja, a empresa a alega que deixou de contabilizar R$ 7,7 milhões a título de Despesa Operacional]” – fl. 353. (...) Portanto, conforme demonstrado no quadro, o valor da receita é maior que os valores da movimentação bancária apresentada. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 5 4 Quanto às outras divergências referentes a recebimento e receita, acreditamos que a receita foi contabilizada pelo período de cobertura do plano de saúde, que é o procedimento estabelecido pela Agência Nacional de Saúde. Desta forma, os valores de cruzamento entre receita e crédito bancários serão divergentes devido aos critérios de registro” – fl. 354. Em 13/02/2013, a Contribuinte peticionou novamente, juntando aos autos “CDR contendo i) Esclarecimento com planilha com demonstrativo” – fl. 355/356. Novo protocolo foi feito em 02/04/2013 (361/2): “Primeiramente, informamos que a receita decorrente de intercâmbio, nas constas contábeis 4.1.2.7.1.01.01 é oriunda de Ato Cooperativo. (...) Frisase ainda que para demonstrar a própria relação de intercâmbio entre Cooperativa e outras Unimeds, demonstramos também no CD todas as faturas emitidas no ano de 2009 (origem dos recursos utilizados)” – fls. 361/2. Em 28/05/2013, o Sr. AFRF intimou a Contribuinte para “Manifestar com relação aos ‘Demonstrativos de Cálculo de Percentual para Segregação dos Atos Cooperados e NãoCooperados’ que seguem anexos ao presente” – fl. 369. A resposta foi apresentada em petição datada de 24/06/2013 (fl. 378). Por fim, em 27/08/2013 foi lavrado “Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade” – fl. 382/399, que assim relatamos: MONTANTE DE DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA “Após a execução dos procedimentos mencionados nos itens “a’ e “b” [exclusão de transferências interbancárias da mesma titularidade e expurgos de créditos] acima, resultouse na apuração dos valores dos depósitos a serem comprovados pelo contribuinte [R$ 18.226.630,51]” – fl. 385. DA ORIGEM DOS RECURSOS SEGUNDO A CONTRIBUINTE “O contribuinte apresentou em 05/02/2013 em resposta a intimação acima (22/01/2013), os esclarecimentos com demonstrativos em papel e arquivos digitais alegando que tais inconsistências apontadas pela Fiscalização, no valor de R$ 18.226.630,51, seriam Fl. 899DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 6 5 recursos movimentados à título de ‘Intercâmbio C.O – Intercâmbio Custo Operacional” com outras Unimeds” – fl. 386. (...) “No entanto, não houve atendimento nos moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal por parte da empresa, ou seja, para ‘comprovação de créditos/depósitos individualizadamente das diferenças apuradas’, nem apresentação de documentos comprobatórios” – fl. 386. (...) “Na data de 01/04/2013, em atendimento a intimação de 28/02/2013, a fiscalizada esclareceu conforme a descrição que segue abaixo, in verbis, que o evento ‘Intercâmbio C.O.’ é oriundo de Ato Cooperativo” – fl. 387. (...) “Até a presente data, não houve resposta satisfatória a fim de firmar convicção deste Auditor que os recursos apontados pelo contribuinte, a título de ‘Intercâmbio C.O’ tenham transitado integralmente nas movimentações bancárias conforme alega o mesmo. Também não houve atendimento das intimações nos moldes solicitados no Termo de Verificação Fiscal” – fl. 388. (...) “Diante dos fatos acima, somos autorizados a presumir omissão de receitas conforme a tabela abaixo [R$ 18.226.630,51]” – fl. 388. DO ERRÔNEO ENQUADRAMENTO DE TODAS AS MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS COMO SENDO ATOS COOPERATIVOS “Verificamos em sua contabilidade que o contribuinte não destacou em sua escrituração as receitas não compreendidas no conceito de ato cooperativo, bem como os correspondentes custos, despesas e encargos, a fim de permitir a apuração do lucro a ser tributado, ou seja, ele escriturou todas as movimentações financeiras como sendo atos cooperativos” – fl. 390. DO RATEIO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA “Utilizamos o rateio nos moldes dos art. 80 e seu parágrafo e art. 81 desta mesma Lei que define o cooperativismo” – fl. 393. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 7 6 “Calculamos a média trimestral dos percentuais de rateio conforme tabela 6 abaixo, utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte, nas tabelas acima [1º Tri. 58%; 2º Tri. 65%; 3º Tri. 62%; e 4º Tri. 71%]” – fl. 396. DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA “Compensamos o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa os períodos anteriores, extraídos do nosso sistema de informação – Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI) e Demonstrativos de Compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SACS), nos valores de R$ 2.077.417,23 e R$ 2.161.033,47, respectivamente” – fl. 399. Foram lavrados Autos de Infração (fl. 400/439), para constituição de IRPJ e CSL, referente ao anocalendário de 2009, nos seguintes valores: Tributo Multa Total IRPJ R$ 4.924.982,61 R$ 3.693.736,96 R$ 8.618.719,57 CSLL R$ 1.774.108,28 R$ 1.330.581,21 R$ 3.104.689,49 TOTAL R$ 6.699.090,89 R$ 5.024.318,17 R$ 11.723.409,06 Assim foram descritas as infrações no auto de infração (fl. 402): “001 – RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS RECEITAS OPERACIONAIS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS Receitas operacionais escrituradas e não declaradas, apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades em anexo. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei nº 9.249/95 Art. 247,248, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279e 280 do RIR/99.” “002 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 901DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 8 7 RESULTADOS DE SOCIEDADE COOPERATIVAS – INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS Valores relativos ao resultado de sociedade cooperativas excluídos indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, em razão da inobservância de requisito (s) legal (is) autorizador (es) da não incidência do imposto, conforme Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidade em anexo. [destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei nº 9.249/95 Art. 182, 247, e 250 do RIR/99.” Com idêntica descrição, apenas alterando a fundamentação legal, foi lavrado auto de infração de CSL. A intimação do auto de infração ocorreu em 29/08/2013 (fl. 442), uma quintafeira. Em seguida, à fl. 445, foi lavrado Termo de Revelia. Todavia, em 17/12/13 a Contribuinte peticionou informando o erro do Fisco (447/567), juntando documentos, dentre eles, a cópia da Impugnação protocolada em 30/09/2013 (fl.461). Em 08/01/2014 (fl. 646) o Fisco reconheceu o erro e juntou aos autos a impugnação e os documentos acostados pela Contribuinte (fls. 569/643). A defesa assim foi relatada pelo d. Relator da DRJ (fls. 651/653): “a) A Unimed não presta serviços médicos (que são próprios dos médicos cooperados), mas tem por escopo precípuo ‘a geração de condições para o exercício das suas atividades profissionais, disponibilizandolhes serviços especializados e complementares para a saúde, como recursos próprios ou contratados.’ (art.2º do Estatuto). b) A Impugnante presta serviço por meio seus médicos cooperados e também através dos hospitais, laboratórios e clínicas de sua rede credenciada, ou seja, todo valor arrecadado por esta Cooperativa é revertido aos seus associados, devendo ser procedidas as deduções relativas aos atos exercidos entre a mesma e seus associados, os quais inserem no chamado do ato cooperativo. c) Em verdade, as operadoras de planos de saúde (e também essa impugnante) tem o faturamento quase que integralmente destinado a sua reversão em benefício dos usuários do plano de saúde. Daí porque a identificação da taxa de administração da Fl. 902DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 9 8 operação é o parâmetro adequado (seria o ato não cooperativo) para a definição do percentual relativo à sobra, critério para apuração do IRPJ e do CSLL. d) Quanto ao recolhimento de PIS/COFINS, o Auditor Fiscal havia acolhido a dedução do valor relativo ao ato cooperativo (reconhecendo, portanto, o ato não cooperativo, que se identifica com a taxa de administração) promovida pela Impugnante, entretanto cometeu equívoco no que se refere à análise a tal dedução, entendendo de forma errônea que a mesma ocorreu em duplicidade, o que não é verídico. e) No que tange ao recolhimento de IRPJ/CSLL, o Fisco não compreendeu as demonstrações contábeis promovidas pela Impugnante, a qual as efetuará de forma minuciosa, especificando os valores recolhidos, e os decorrentes do ato cooperativo (ou seja, da taxa de administração), a fim de demonstrar que não houve qualquer inconsistência nas informações prestadas por meio da DIPJ. (...) k) A Impugnante esclareceu que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receita, e sim como redução da despesa (conta 4.1.2.1.7.01.01.01). l) A impugnante apresentou demonstrativo com as reclassificações, bem como o envio dos ratões contábeis e faturas. m) Ocorre que deve haver a dedução dos atos cooperativos praticados pela Impugnante, uma vez que os valores deles decorrentes são revertidos em prol do usuário da própria Cooperativa/Impugnante. Ou seja, a apuração da sobra tributável deve seguir o percentual relativo à taxa de administração. n) Tal regime é adotado também para as atividades de agência de viagens e para as imobiliárias. Na hipótese da agência, esta deduz as despesas contraídas, atinentes às passagens, e prestação de serviços efetuada por hotéis, afigurandose desta forma como intermediária das atividades praticadas pelos prestadores de serviços. o) A ora impugnante, na qualidade de cooperativa. não presta serviços médicos (que são próprios dos médicos cooperados), mas tem por escopo simplesmente reunir recursos para prestar serviços ao seu corpo social, o que a caracteriza como intermediária dos serviços prestados pelos seus médicos cooperados, laboratórios, clínicas e hospitais. p) O IRPJ e a CSLL são apuráveis mediante a aplicação de percentual da taxa de administração sobre sobra (se existente). Desta forma o IRJP e a CSLL não podem incidir sobre o Fl. 903DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 10 9 faturamento, ou parcela dele, como quer o fisco no presente procedimento fiscal. q) As receitas de uma operadora de planos de saúde, mormente cooperativa, não integram o seu patrimônio, nem configuram lucro ou sobras, razão pela qual podese inferir veementemente que elas são transitórias. r) Frisase assim que esta relação existente entre a ora impugnante e seus associados (médicos, laboratórios, clínicas e hospitais) insere no conceito de ato cooperativo, nos termos do artigo 79 da lei 5764/71, a qual dispõe sobre o sistema cooperativo, vale dizer, a incidência do IRPJ E CSLL tem como base de cálculo a relação decorrente da apuração de percentual relativo à taxa de administração sobre eventual sobra. s) Requer que seja reconhecido que não houve dedução em duplicidade em relação ao recolhimento de PIS/COFINS; e no que tange ao IRPJ/CSLL que deve haver a redução da base de cálculo para contemplar tão somente as atividades que não se inserem no ato cooperativo.” Em 21/03/2014, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), por meio do acórdão nº 1656.331 (fls. 648/667), por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. O aludido acórdão restou assim ementado à fl. 648: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. COOPERATIVA DE TRABALHO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei n° 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades Fl. 904DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 11 10 cooperativas. Nas relações jurídicas firmadas entre as cooperativas e terceiros, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), ou de credenciados para prestarem serviços aos cooperados, incide normalmente o IRPJ e a CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” As razões que levaram a essa conclusão podem ser assim resumidas: DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO “A contribuinte foi cientificada em 29/08/2003 (fls. 442). A impugnação foi protocolada em 30/09/2013, logo, é tempestiva e deve ser conhecida” – fl. 654. DO NÃO CONHECIMENTO DE PARTE DA IMPUGNAÇÃO: AUTO DE INFRAÇÃO DE PIS E COFINS “Neste processo apenas serão apreciadas as alegações relativas à tributação do IRPJ e da CSLL, uma vez que os lançamentos envolvendo a legislação específica de PIS e COFINS serão objeto do processo administrativo nº 16095.720156/201361” – fl. 654. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA “A impugnante afirma que o Fisco não compreendeu as demonstrações contábeis apresentadas e que não houve qualquer inconsistência nas informações prestadas por meio da DIPJ. Podemos exemplificar a situação encontrada pela fiscalização a partir do confronto do Livro Razão com o extrato bancário da conta corrente nº 15.566X, na agência 32220, do Banco do Brasil” – fl. 657. (...) “Eventual erro na classificação da conta Intercâmbio C.O não explica a falta de registro de valores creditados na conta corrente e não contabilizados. Seja a que título ocorreu o depósito – receita ou despesa – os montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 12 11 Os demonstrativos com as reclassificações apresentados pela contribuinte apenas se referem aos valores contabilizados, e não àqueles que ficaram à margem da escrituração” fl. 660. DO CRITÉRIO DE ESCRITURAÇÃO ESTABELECIDO PELA AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE “Segundo a contribuinte as outras divergências – no caso o montante de R$ 20.078.817,70 (154.168.399,35 – 134.089.581,65) – seriam explicadas pelo procedimento contábil estabelecido pela Agência Nacional de Saúde, qual seja, o critério de registro pelo período de cobertura do plano de saúde resultaria na divergência entre a receita e os créditos bancários. (...) Verificase que o critério do registro pelo período de cobertura do risco aplicase apenas aos contratos com preços préestabelecidos. A contribuinte possui também contratos na modalidade de custo operacional, onde o cliente paga à operadora pelos serviços efetivamente prestados. Cabe à contribuinte demonstrar a existência de tais diferenças, não bastando a alegação genérica de sua ocorrência, desacompanhada de qualquer demonstrativo ou discriminação das diferenças em relação às modalidades de pagamentos adotadas” – fl. 660. (...) “A discussão relativa ao ato cooperado não se aplica aos valores não contabilizados. Aliás, como não há contabilização é difícil saber qual a natureza do numerário recebido” – fl. 660. (...) “Por fim, também não são procedentes as alegações de que a incidência do IRPJ e CSLL tem como base de cálculo a relação decorrente da apuração de percentual relativo à taxa de administração sobre eventual valor. Isto porque, a origem dos depósitos não foi comprovada, não sendo possível verificar a natureza dos valores mantidos à margem da escrituração contábil. Por conseguinte, a exigência relativa a este tópico deve ser integralmente mantida” – fl. 663. DO ATO COOPERADO “Além dos depósitos bancários de origem não comprovada, a fiscalização constatou que a cooperativa excluiu do lucro real e da base de cálculo negativa da CSLL Fl. 906DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 13 12 integralmente o valor do lucro líquido apurado nos quatro trimestres – linha 53 da Ficha 09A – Result. Não Trib. De Soc. Cooperativas e linha 46 da Ficha 17 – Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas” – fl. 663 (...) “A contribuinte recebe contraprestações dos usuários dos planos de saúde, presta serviços por meio de seus laboratórios e hospitais credenciados, e realiza aplicações financeiras, ou seja, fornece bens e serviços a não associados. Em outras palavras realiza atos não cooperativos” – fl. 664. (...) “Ou seja, são atos cooperativos apenas aqueles praticados entre a Cooperativa e seus médicos, ou com outras cooperativas” – fl. 664. (...) “Conforme já relatado a fiscalização calculou a média trimestral dos percentuais de rateio utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte. (...) “Na impugnação a contribuinte não contestou os percentuais de rateio utilizados. Além disso, não apresentou alegação específica em relação à glosa da exclusão efetuada pela fiscalização. Também não identificou o montante da ‘taxa de administração’ que considera o parâmetro adequado como critério para apuração do IRPJ e da CSLL” – fl. 666. DA JUNTADA DE DOCUMENTOS “Por fim, quanto ao pedido genérico de anexar aos autos ‘tantos documentos quanto foram necessários para o esclarecimento do aqui exposto’, deve ser mencionada a regra do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972” – 666. Em 16/04/2014 (fl. 680) a Contribuinte foi intimada da decisão, da qual recorreu em 15/05/2014 (fl. 683/703 e anexos fls. 706/836). Foram apresentados os seguintes argumentos para a reforma do acórdão: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA “Insta registrar que referidos documentos (os quais seguem anexo ao presente recurso), ainda não estavam em posse da ora Recorrente, uma vez que a Unimed sofreu a Fl. 907DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 14 13 fiscalização concernente à competência de 2009, e os documentos estavam arquivados, sendo certo que demandou tempo considerável para estarem sob posse da ora Recorrente” – fl. 686. (...) “Os valores relativos aos intercâmbios verificamse por meio de encontro de contas, documento este que a Recorrente não teve a oportunidade de apresentar perante o fisco federal, em notável violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, consagrados pela nossa carta Magna” – fl. 687. (...) Diante do exposto acima, requer a recorrente seja integralmente anulada a decisão prolatada pela Delegacia de Julgamento, posto que violadora dos princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal” – fl. 688. DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS “A Impugnante esclareceu que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receia, e sim como redução de despesa. Constatou a Recorrente que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ (abaixo descrita), não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Esta receita foi registrada como redutora de despesa, na Linha 43 – Ficha 04A, conforme quadros demonstrados abaixo” – fl. 688/9. (...) Portanto, conforme demonstrado no quadro, o valor da receita é maior que os valores da movimentação bancária apresentada” – fl. 690. (...) “A Recorrente havia apresentado demonstrativo com as reclassificações, bem como envio dos razões contábeis e faturas no início do procedimento de fiscalização instaurado pela Receita Federal, entretanto tanto as considerações tecidas, como as aludidas documentações restaram preteridas pelo órgão” – fl. 691. (...) “Ora, à guisa de exemplo, se a Recorrente deve R$ 10.000,00 para outra Unimed e tem a receber R$ 80.000,00, ela deixa de pagar os R$ 10.000,00 e recebe R$ 70.000,00, entretanto não necessariamente constará em seu registro contábil o valor de R$ Fl. 908DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 15 14 80.000,00 em razão de ter sido efetuada a compensação, a qual encontrase prevista em lei [Lei nº 9.430/1996, art. 2º, §4º]” – fl. 694. (...) “O único valor que constará no registro contábil é o valor final que a Recorrente recebeu em razão de ter efetuado o intercâmbio com as outras Unimeds, e após ter sido efetuada a compensação. Todas as quantias relativas ao intercâmbio encontramse descritas no encontro de contas (o qual segue anexo), e que a Recorrente não teve a oportunidade de exibir quando da fiscalização. Outro ponto que deve ser levado em conta, reside na questão de ter havido um erro de critério por parte da delegacia de julgamento, uma vez que as faturas (anexas ao procedimento administrativo instaurado), por meio das quais a Unimed receberia valores não demonstra que tal crédito ocorreria no mês em que a mesma foi emitida, até mesmo porque há valores que a Recorrente recebe prorata, ou seja, de forma dividida! Em 20/01/2009, a Recorrente emitiu uma fatura no valor de R$ 66.305,26, sendo certo que no livrorazão, constou o crédito em 11/02/2009, ou seja, em fevereiro do aludido ano ocorreu o efetivo recebimento do montante ao qual a recorrente fazia jus” – fl. 696. (...) “Segue abaixo tabela em que consta o montante que a Recorrente entende devido a título de IRPJ, mesmo se desconsiderados os valores atinentes ao ato cooperativo (R$ 3.061.658,55)” – fl. 701. DO ATO COOPERATIVO “Os valores recebidos a título de intercâmbio não integram o patrimônio da recorrente, pois são receitas transitórias, razão pela qual inferese que a mesma declarou inclusive valor a maior perante o Fisco Federal, pois contemplou justamente os recebimentos concernentes ao aludido sistema. (...) Ora, a própria Delegacia de Julgamento consignou na Decisão ora hostilizada que devem ser excluídos os valores recebidos de outras cooperativas” – fl. 697. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 16 15 Voto Vencido Conselheiro Relator João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Passemos à análise dos pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09/06/2015, doravante denominada “Novo Regimento Interno do CARF” (ou RICARF). Nos termos do art. 2º, incisos I e II, do Regimento Interno do CARF1, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre aplicação da legislação de IRPJ e CSLL. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado (fl. 703) habilitado nos autos por meio de procuração (fl. 640) outorgada pelo Diretor Presidente da pessoa jurídica recorrente (fls. 594 e 622). Quanto à tempestividade, a decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/SP1 em 21/03/2014 (fl. 648/667) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 16/04/2014, uma quarta feira (fls. 680/1), e o recurso foi interposto em 15/05/2014, uma quintafeira (fl. 683), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33, do Decreto n° 70.235/72, afinal o dies ad quem era 16/05/2014, uma sextafeira. Nesse caminho, recebo o recurso voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, seguem os pontos controvertidos: 1. O Fisco impediu a Contribuinte de juntar documentos? Caso isso tenha ocorrido, houve cerceamento do exercício do direito de defesa? 2. A Contribuinte provou a origem dos depósitos bancários apontados pelo Fisco no valor de R$ 18.226.630,51? 1 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 910DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 17 16 3. Caso tenha sido decidido que a Contribuinte não provou a origem dos depósitos bancários, tal montante deve ser classificado como ato cooperativo? 4. Há fundamento legal para o Sr. AFRF oferecer à tributação parte da receita da cooperativa? III. DO ALEGADO CERCEAMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA A Contribuinte pede que seja decretada a nulidade da decisão prolatada pela e. DRJ, argumentando o seguinte: “Frisase ainda que os valores relativos ao sistema de Intercâmbio podem ser constatado por intermédio do ENCONTRO DE CONTAS, o qual a Recorrente não teve a oportunidade de acostar ao Procedimento Administrativo, o que enseja inclusive a NULIDADE do decisão ora guerreada, em razão de operar o CERCEAMENTO DE DEFESA!!!” (sic)– fl. 685. (...) “Inicialmente, cumpre apontar que a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento padece de flagrante vício de NULIDADE, uma vez que foi prolatada sem que tenha sido dada a devida oportunidade à empresa autuada de juntar os documentos comprobatórios de seu direito, manifestado expressamente quando da impugnação protocolizada!!!” (sic) – fl. 685. A decisão à qual a Contribuinte se refere à seguinte: “Por fim, quanto ao pedido genérico de anexar aos autos ‘tantos documentos quanto forem necessários para o esclarecimento do aqui disposto’, deve ser mencionada a regra do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972” – fl. 666. Essa decisão da e. DRJ apreciou o seguinte pedido que constou na Impugnação, o qual segue transcrito abaixo integralmente: “Por fim, requer prazo suplementar a fim de que possa juntar ao presente Processo Administrativo as planilhas que demonstram os valores recolhidos pela Impugnante a título de IRPJ/CSLL. Requer a oportunidade de realizar prova e levar aos autos tantos documentos quanto forem necessários para o esclarecimento do aqui disposto” – fl. 586. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 18 17 Não assiste razão à contribuinte. A Contribuinte foi intimada do início da fiscalização em 08/02/2012 (fls. 03/04) e em 29/08/2013, ou seja, dezoito meses depois, tomou ciência da lavratura do auto de infração (fl. 441/2). A Impugnação, por sua vez, foi protocolada em 30/09/2013 (fl. 569) e apenas seis meses depois foi prolatado o Acórdão DRJ nº 1656.331 (fl. 648). Vejam que a despeito de a decisão do d. colegiado da Delegacia de Julgamento só ter ocorrido seis meses depois do protocolo da impugnação, a contribuinte não juntou aos autos “os documentos comprobatórios de seu direito”. Ademais, não é razoável que documentos do anocalendário de 2009 “demandem tempo considerável para estarem sob a posse da Recorrente”, afinal a fiscalização se iniciou em fevereiro de 2012. Em suma, deve ser rejeitado o pedido referente à decretação de nulidade da decisão da d. DRJ sob o argumento de cerceamento do exercício do direito de defesa. Todavia, os documentos acostados ao Recurso Voluntário serão apreciados por esta d. Turma do e. CARF, nos termos do art. 16, § 6º, do DL 70.235/722. IV. DA PRESUNÇÃO SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS CONTIDA NO ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96 No termo de início do procedimento de fiscalização, dentre outros documentos, o Sr. AFRF solicitou à Contribuinte os “extratos bancários de todas as contas em sua titularidade em que ocorreram movimentação financeira, inclusive aplicações, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009” – fl. 03. Após a apresentação de tais documentos pela Contribuinte (fl. 383), o Sr. AFRF afirma ter consolidado os lançamentos, excluído as transferências bancárias entre contas da mesma titularidade e expurgado diversos créditos, tendo, por fim, apurado “valores dos depósitos a serem comprovados pelo contribuinte [R$ 18.226.630,51]” – fl. 385. Em 22/01/20013 (fl. 247) a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem de parte dos depósitos bancário. Dessa intimação deve ser transcrita a seguinte passagem: 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 912DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 19 18 “Segue em anexo a essa intimação, arquivo digital que contém planilha no formato Excel de todos os depósitos identificados individualizadamente, devidamente autenticado pelo Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA. Tal planilha deverá ser preenchida pelo contribuinte na coluna determinada ‘justificativas dos valores que não foram computados na Base de Cálculo do Imposto e Contribuições’, devidamente comprovados com documentos hábeis e idôneas, cujo arquivo deverá ser devolvido ao AuditorFiscal signatário” – fl. 246. Pois bem. Antes de prosseguirmos, vejamos o fundamento legal apresentado pela autoridade administrativa no TVF (fl. 388), qual seja, o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Da análise do aludido dispositivo, extraise que a lei criou uma presunção de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. É dizer, após a intimação do contribuinte para que ele comprove a origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes, passa a ser ônus dele a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar tudo aquilo que não foi justificado como omitido. Igualmente por ser ônus da Contribuinte, não cabe a alegação de que a Fiscalização deveria ter analisado, meticulosamente, cada um dos depósitos bancários efetivados na conta da pessoa jurídica, bem como analisado os livros contábeis e fiscais, como afirma a Cooperativa em seu Recurso Voluntário: “Isso porque todas as documentações exibidas pela Recorrente, a saber livrorazão, planilhas, demonstram o efetivo recebimento e as despesas contraídas pela Recorrente” – fl. 691. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 20 19 (...) “Consignese que no livrorazão, que encontrase sob poder da Receita Federal consta a data do efetivo recebimento dos valores pela recorrente, não podendo a autoridade fiscal pautarse apenas pelas informações prestadas por intermédio da declaração de imposto Pessoa Jurídica (DIPJ)” – fl. 696. A despeito de a legislação impor à Contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos, o que temos nos autos são alegações genéricas e documentos meramente anexados, sem nenhuma explicação consistente por parte da pessoa jurídica. A linha de defesa da Contribuinte é “que houve erro na análise da DIPJ referente a classificação da receita com intercâmbio, pois esta não foi considerada como receita, e sim como redução da despesa” – fl. 689. Em passagem mais adiante a Contribuinte “exemplifica” o erro: “Convém assinalar ainda que no que se refere às comprovações de recebimentos dos valores, no sistema de intercâmbio, o crédito da Recorrente é compensado com o débito em relação as outras UNIMEDS, razão pela qual o que a mesma tem a receber não encontrase contemplado na DIPJ. Ora, à guisa de exemplo, se a Recorrente deve R$ 10.000,00 para outra Unimed e tem a receber R$ 80.000,00, ela deixa de pagar os R$ 10.000,00 e recebe R$ 70.000,00, entretanto não necessariamente constará em seu registro contábil o valor de R$ 80.000,00 em razão de ter sido efetuada a compensação, a qual encontrase prevista em lei [Lei nº 9.430/1996, art. 2º, §4º]” – fl. 694. Ou seja, segundo a Contribuinte, a origem dos R$ 18 milhões é “receita com intercâmbio” – fl. 689 – entre cooperativas. Defende também que esse montante foi escriturado, já que “o único valor que constará no registro contábil é o valor final que a Recorrente recebeu em razão de ter efetuado o intercâmbio com as outras Unimeds, e após ter sido efetuada a compensação” – fl. 695. Não discorreremos sobre a regularidade do procedimento contábil supostamente adotado pela Recorrente, pois este não foi questionado no TVF / auto de infração. Todavia, quanto ao lançamento contábil alegado pela Contribuinte, não há provas nos autos. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 21 20 Caberia à Contribuinte provar que no preenchimento da Linha 37 – Ficha 06A na DIPJ, não foi informada a receita referente ao intercâmbio. Essa receita foi registrada como redutora na Linha 43 – Ficha 04A, conforme quadros demonstrados abaixo (fl. 352): Vejam que pela planilha acima não é possível ter certeza que os R$18,0 milhões foram considerados “como redutora na Linha 43 – Ficha 04A” – fl. 352. Em suma, o ônus de analisar os livros contábeis e fiscais e relacionálos com os valores indicados pelo Sr. AFRF, nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96, é da UNIMED Guarulhos. Quanto aos documentos acostados ao Recurso Voluntário (fls. 706/836), eles não têm valor probante, pois: i) não estão assinados; e ii) não foi feita correlação com os R$ 18 milhões apresentados pelo Sr. AFRF, ou seja, não provou que o valor constante no “encontro de contas” é o mesmo montante apresentado pelo Sr. AFRF. Vejamos um exemplo: Fl. 915DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 22 21 Em suma, a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de provar a origem dos R$ 18 milhões, o que inviabiliza considerálo proveniente de ato cooperado. Desse modo, com fundamento no disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, correto está o procedimento adotado pela Administração Tributária, para considerar os valores creditados/depositados na conta corrente da Contribuinte como omissão de receita. V. DO ATO COOPERATIVO Antes de analisarmos o conceito legal de ato cooperativo, necessário se faz discorrer sobre as duas infrações impostas à Contribuinte, quais sejam: 1) Omissão de receita no valor de R$ 18.226.630,51 e, por consequência, considerar tal montante fruto de ato não cooperado, incluído, integralmente, à base de cálculo do IRPJ e da CSLL; e 2) Não destacou em sua escrituração contábil as receitas não compreendidas no conceito de ato cooperativo, bem como correspondentes custos, despesas e encargos (fl. 390), o que levou o Sr. AFRF a ratear as despesas e custos da sociedade, “utilizando os dados apresentados pelo próprio contribuinte” – fl. 396. A partir dos dados constantes nas DIPJ, na movimentação bancária e no percentual de rateio informado pela Cooperativa, a autoridade administrativa recalculou o lucro Fl. 916DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 23 22 antes da compensação com o prejuízo fiscal (saldo de R$ 2.077.417,23) e com a base de cálculo negativa da CSLL (saldo de R$ 2.161.033,47) – fl. 399: Conta % Rateio CSP 58% 65% 62% 71% Outras Receitas Financeiras 100% 100% 100% 100% Outras Receitas Operacionais 58% 65% 62% 71% Despesas Operacionais 58% 65% 62% 71% Outras Despesas Financeiras 100% 100% 100% 100% Rubrica 1T 2T 3T 4T Receita Líquida R$ 21.235.736,79 R$ 24.276.648,50 R$ 24.592.443,92 R$ 24.543.759,24 Receita omitida R$ 2.673.169,09 R$ 4.521.278,64 R$ 4.847.646,14 R$ 6.184.536,64 CSP R$ 12.316.727,34 R$ 15.779.821,53 R$ 15.247.315,23 R$ 17.426.069,06 Outras Receitas Financeiras R$ 821.117,33 R$ 476.797,54 R$ 562.602,47 R$ 745.409,67 Outras Receitas Operacionais R$ 16.569.575,74 R$ 18.502.457,90 R$ 17.997.875,37 R$ 21.158.401,87 Despesas Operacionais R$ 4.040.164,81 R$ 2.420.372,35 R$ 2.137.792,54 R$ 2.907.424,43 Outras Despesas Financeiras R$ 98.886,62 R$ 51.156,84 R$ 483.304,81 R$ 278.485,17 Lucro Operacional R$ 3.608.083,40 R$ 5.249.183,37 R$ 5.539.711,40 R$ 7.476.369,51 Analisemos agora os argumentos da Cooperativa. No que tange à parcela do auto de infração referente ao ato cooperativo, a Contribuinte, em seu Recurso, fundamenta: “Ora, o intercâmbio inserese no conceito de ato cooperativo, razão pelas quais as despesas e créditos provenientes do referido sistema não podem ser levadas para fins de tributação, sob pena de preterir o cooperativismo, no qual se assenta a Recorrente...” – fl. 697. Pois bem. Este capítulo do acórdão deve decidir o que consiste “ato cooperativo” e determinar se o montante fruto de depósito bancário de origem não comprovada deve ser enquadrado como ato cooperativo. Lembro que a Unimed não recorreu do critério de rateio adotado pelo Sr. AFRF. Pois bem. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp. nº 58.265/SP, submetido ao rito do art. 543C, da Lei nº 5.869/66, pacificou o entendimento que “as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam ‘atos nãocooperativos’”. Esse entendimento, sem nenhuma surpresa, vem sendo adotado pela Corte, e, Fl. 917DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 24 23 em razão da semelhança com o caso em análise, merece transcrição a ementa do AgRg no AI nº 1.221.603/SP: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AI nº 1.221.603/SP, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 06/06/2013, T2 SEGUNDA TURMA) Fl. 918DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 25 24 Ademais, a então 2º Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, ainda na vigência do antigo RICARF (Portaria MF nº 256/2009), em respeito ao art. 62A do citado regimento, reproduziu, pelo menos em dois julgados recentes, o entendimento do STJ, sendo um, inclusive, da relatoria deste conselheiro: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. O encaminhamento de usuários da cooperativa a terceiros não associados, mesmo que complementar ou indispensável à boa prestação do serviço profissional médico, constitui ato não cooperado”. (Acórdão nº 1102001.150, julgado em 30/07/2014, Relatoria Cons. João Carlos de Figueiredo Neto. Decisão por unanimidade) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 COOPERATIVAS. OPERAÇÕES REALIZADAS COM TERCEIROS. Em face da decisão contida no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, as situações que constituam operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 1102001.319, julgado em 24/03/2015, Relatoria Cons. Ricardo Marozzi Gregório. Decisão por unanimidade) Em suma, nos termos da decisão proferida pelo eg. STJ no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 26 25 Sendo assim, a Unimed deveria ter escriturado em separado o “Os resultados das operações com não associados”, nos termos do art. 87, da Lei nº 5.764. Não o tendo feito, o Sr. AFRF agiu nos termos dos arts. 80 e 81 dessa Lei. Vejamos: Art. 80. As despesas da sociedade serão cobertas pelos associados mediante rateio na proporção direta da fruição de serviços. Parágrafo único. A cooperativa poderá, para melhor atender à equanimidade de cobertura das despesas da sociedade, estabelecer: I rateio, em partes iguais, das despesas gerais da sociedade entre todos os associados, quer tenham ou não, no ano, usufruído dos serviços por ela prestados, conforme definidas no estatuto; II rateio, em razão diretamente proporcional, entre os associados que tenham usufruído dos serviços durante o ano, das sobras líquidas ou dos prejuízos verificados no balanço do exercício, excluídas as despesas gerais já atendidas na forma do item anterior. Art. 81. A cooperativa que tiver adotado o critério de separar as despesas da sociedade e estabelecido o seu rateio na forma indicada no parágrafo único do artigo anterior deverá levantar separadamente as despesas gerais. (...) Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Decidida a questão atinente ao “ato cooperativo”, resta determinar se o montante fruto de depósito bancário de origem não comprovada deve ser enquadrado como ato cooperativo. Como fundamentado no tópico anterior, o ônus de provar a origem dos montantes depositados na conta bancária é da contribuinte. E, no caso, a Recorrente não trouxe as provas necessárias aos autos. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 27 26 Todavia, parte do valor omitido deve ser considerado como ato cooperativo, haja vista a presunção legal, desta vez em benefício da Cooperativa. Ora, como sabido, a Lei do Cooperativismo impõe a escrituração em separado dos “resultados das operações com não associados”, (art. 87, da Lei nº 5.764); quando isso não é feito, a separação deve ser feita por meio de rateio. No que toca à omissão de receita, o art. 288 do RIR/99 dispõe que “Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão”. Aqui, regime de apuração não deve ser interpretado apenas como “Lucro Real Trimestral, Anual, Presumido, Simples ou Arbitrado”. Entendo que “regime de apuração” está em um sentido mais amplo. Tomemos as cooperativas como exemplo. A legislação determina a escrituração separada de receitas de atos cooperados e de atos não cooperados; desrespeitado esse comando, deve ser adotado o rateio. Interpretando esse dispositivo legal em cotejo com o art. 288 do RIR/99, resulta no dever de a autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pelo Sr. AFRF. Em razão do exposto, deve ser desprovido o pedido para considerar a integralidade do valor omitido como ato cooperativo, mas os percentuais de rateios devem ser aplicados sobre o montante considerado omitido, fruto de depósito bancário de origem não comprovada. VI. CONCLUSÃO Dado o exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, haja vista o dever de a autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pela autoridade fiscal. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 921DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 28 27 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Em que pese o bem fundamentado voto do ilustre relator, ouso discordar de sua fundamentação e conclusão no que toca à parte do lançamento que trata dos depósitos bancários de origem não comprovada (infração 0001, também identificada no Termo de Verificação Fiscal, assim como nos autos de infração, como "receitas operacionais escrituradas e não declaradas"). De fato, conforme bem destacado no seu relatório e voto, o lançamento abrangeu duas infrações, sendo que, com relação à outra mencionada infração (infração 002, exclusão indevida do lucro real de resultados de sociedade cooperativa considerados pela fiscalizada como não tributáveis), consoante se verifica da exposição feita pelo relator, a fiscalização efetuou o rateio utilizando dados apresentados pelo próprio contribuinte (o contribuinte considerara todo o resultado como integralmente não tributável), sendo que o contribuinte não contestou, sequer em sede de impugnação, os fundamentos deste lançamento. Neste aspecto, confirase o seguinte parágrafo contido no acórdão da decisão recorrida, ao norte transcrito pelo relator: "Na impugnação a contribuinte não contestou os percentuais de rateio utilizados. Além disso, não apresentou alegação específica em relação à glosa da exclusão efetuada pela fiscalização. Também não identificou o montante da “taxa de administração” que considera o parâmetro adequado como critério para apuração do IRPJ e da CSLL. (fl. 666)" Assim, tendo em conta o quanto constou da defesa apresentada, correto o entendimento conferido pelo o i. relator ao destacar que deve ser "desprovido o pedido para considerar a integralidade do valor omitido como ato cooperativo", e a correção do trabalho fiscal, neste aspecto, posto que é "dever da autoridade fiscal ratear os valores omitidos, considerando parte como oriundo de ato cooperado e parte não, na proporção do percentual de rateio encontrado pelo Sr. AFRF". Contudo, com relação aos depósitos bancários de origem não identificada, entende o i.relator que o valor da omissão de receita assim configurada pela fiscalização (e confirmada pelo relator) deveria ser objeto de proporcionalização, tendo em conta os mesmos percentuais já apurados pelo fisco no procedimento de ofício. Discordo deste posicionamento. No âmbito da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei 9.430/96, é do contribuinte o ônus da prova em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada, em todos os seus aspectos. Assim, por exemplo, cabe ao contribuinte comprovar o correto oferecimento da respectiva receita à tributação, no caso de se tratar de receita tributável, ou então comprovar que aquela receita considerada omitida corresponde a uma receita não tributável ou isenta, não havendo espaço na lei para a adoção de uma presunção, em favor do contribuinte, para se proceder a um eventual rateio das receitas omitidas em razão da proporção apurada com relação a outras receitas devidamente contabilizadas. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 29 28 No caso concreto, contudo, entendo que o valor integral das receitas lançadas pelo fisco como omitidas, tendo por fundamento o art. 42 da Lei 9.430/96, deva ser exonerado, pelos motivos expostos a seguir. Analisando atentamente a autuação levada a efeito, entendo, com a devida vênia, que não foram seguidos os procedimentos normalmente adotados em casos de lançamento fiscal tendo por fundamento o mencionado dispositivo. Em autuações fundadas no art. 42 da Lei 9.430/96, determina o dispositivo legal em questão que os créditos sejam analisados individualizadamente, ou seja, há de haver uma perfeita identificação de quais são os créditos cuja origem foi considerada não comprovada, até mesmo para que o contribuinte possa adequadamente contestar a imputação fiscal, buscando eventuais elementos de comprovação da origem daqueles específicos depósitos bancários que compõe a acusação fiscal. A fiscalização até chegou a fazer uma intimação na qual, em anexo ao termo, estão relacionados, de forma individualizada, cada um dos depósitos que compõe o montante de R$ 134.089.581,65 de movimentação bancária. Entretanto, no corpo do referido termo, a autoridade fiscal intima o contribuinte a "justificar e comprovar a diferença apurada no valor de R$18.226.630.51 (ver planilha 3), que se resultou do confronto dos valores creditados/depositados, após os expurgos dos valores que em tese não fazem parte das receitas tributáveis (ver planilha 1), e das outras receitas operacionais (ver planilha 2) informadas na linha 37, da Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2010, anocalendário 2009." Ou seja, a autoridade fiscal não identificou quais seriam os depósitos que comporiam o montante de R$18.226.630.51 cuja comprovação da origem deveria ser feita. Neste contexto, dado o caráter amplo e genérico da intimação feita, entendese perfeitamente o motivo de as respostas do contribuinte também terem se dado de forma ampla e genérica, sem uma exata vinculação a cada depósito bancário havido em suas contas. Não se pode condenálo por isto, nem entender que o fato de não têlo feito ensejaria a concretização da presunção legal de omissão de receitas em comento, em face da inversão do ônus da prova, encargo do qual não se teria desincumbido adequadamente. Observese, ademais, que o próprio anexo à intimação continha uma coluna em branco, após a discriminação do depósito bancário, a ser preenchida pelo contribuinte, a qual continha o seguinte cabeçalho: "Comprovar a origem dos créditos/depósitos que não foram computados na Base de Cálculo do impostos e contribuições" (grifei). Ora, segundo a resposta ofertada pelo contribuinte, conforme se demonstrará a seguir, na verdade não haveria nenhum crédito/depósito que não tenha sido computado na base de cálculo do imposto e contribuições. Assim, a rigor, de fato nada haveria a preencher na referida coluna. Em síntese, alegou o contribuinte que foi equivocada a análise fiscal calcada na análise da DIPJ em confronto com os depósitos bancários, pelos seguintes motivos: (i) no que toca às receitas de intercâmbio, estas se encontravam registradas na sua contabilidade não como receitas, mas sim em conta redutora de despesas; e (ii) os efetivos ingressos de numerário referentes ao intercâmbio, recebidos de outras Unimeds, são, em regra, inferiores aos valores faturados contra aquelas outras Unimeds, em face do prévio procedimento de compensação existente entre as cooperativas. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 30 29 Pelo primeiro motivo, demonstrou a contribuinte que o montante de lançamentos a crédito na conta de despesas, relativo ao intercâmbio, seria de R$ 40.883.812,63, valor este que é muito superior à reclamada diferença de R$18.226.630.51, identificada pelo fisco, entre a DIPJ e os extratos bancários. Já o segundo motivo, aliado ainda a diferenças intertemporais entre o reconhecimento da receita (embora em conta de despesa) e o seu efetivo recebimento (apenas pela diferença) justificaria a aparente incongruência decorrente do fato de a receita total ser, afinal, superior à própria movimentação bancária. Conforme dito, tal resposta encontrase em perfeita consonância e sintonia com o teor e a forma da intimação fiscal que lhe fora feita. Não se encontra na acusação fiscal, por outro lado, qualquer efetiva análise acerca das alegações acima mencionadas, as quais, ressaltese, haviam sido feitas pela fiscalizada ainda durante o procedimento fiscal. A autoridade fiscal apenas registra que "até a presente data, não houve resposta satisfatória a fim de firmar convicção deste Auditor que os recursos apontados pelo contribuinte, a título de 'Intercâmbio CO', tenham transitado integralmente, nas movimentações bancárias conforme alega o mesmo", e que "não houve atendimento das intimações nos moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal por parte da empresa." Na verdade, o contribuinte não alegou que todos os recursos a título de intercâmbio haviam transitado pela movimentação bancária, ao contrário, pelo teor de suas alegações, o total da receita contabilizada (assim considerada a receita contabilizada como tal somada à receita contabilizada como redução de custo) seria superior à movimentação bancária, em razão dos dois motivos já anteriormente citados. E, por outro lado, conforme já antes referido, devese entender que as intimações foram sim atendidas, quando considerado exatamente os "moldes solicitados no Termo de Intimação Fiscal." Restaria ainda analisar a questão da efetiva prova quanto ao teor das alegações feitas pela fiscalizada. Neste aspecto, recorro à análise feita pela DRJ, nada obstante a sua conclusão tenha se dado em sentido contrário ao que aqui se propõe. Referida análise contém, como se verá a seguir, de um lado, uma patente inovação em termos da acusação fiscal, e, de outro, em boa medida, a ratificação das alegações da fiscalizada quanto à sua forma de contabilização. Confirase: "Podemos exemplificar a situação encontrada pela fiscalização a partir do confronto do Livro Razão com o extrato bancário da conta corrente nº 15.566X, na agência 32220, do Banco do Brasil. Analisamos os lançamentos efetuados no dia 15 de junho de 2009: Lançamentos na conta 1.2.1.2.1.9.01.01.04 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 31 30 Confronto entre valores creditados na conta corrente e os registrados na contabilidade Podemos tecer as seguintes considerações a partir dos elementos constantes dos autos: • A contribuinte não registrou em sua contabilidade dois depósitos bancários com o histórico “631Desbloqueio de deposito”. • Como podemos notar, os valores recebidos a título de intercâmbio (relação da Unimed de Guarulhos com outras Unimeds) eram contabilizados da seguinte forma: 1) Pela emissão da fatura (exemplo do lançamento da FAT. 3125733/ 09 – U.Três Corações) D – 1.2.3.7.3.9.01.01.01 – Intercâmbio entre Unimeds a receber Fl. 925DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 32 31 C – 4.1.2.1.7.1.01.01.01 – Intercâmbio C.O. 126,00 Fatura Conta debitada Conta creditada 2) Pelo recebimento da fatura D – 1.2.1.2.1.9.01.01.04 – Banco do Brasil C – 1.2.3.7.3.9.01.01.01 – Intercâmbio entre Unimeds a receber Conta debitada Fl. 926DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 33 32 Conta creditada • Eventual erro na classificação da conta Intercâmbio C.O. não explica a falta de registro de valores creditados na conta corrente e não contabilizados. Seja a que título ocorreu o depósito – receita ou despesa – os montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão. • Os demonstrativos com as reclassificações apresentados pela contribuinte apenas se referem aos valores contabilizados, e não àqueles depósitos que ficaram à margem da escrituração. (...)" Da transcrição acima, percebese: 1. A inovação, com relação à acusação fiscal, quando tenta a autoridade recorrida demonstrar que os créditos na conta bancária nos montantes de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 deveriam ter sido escriturados no Livro Razão, mas não teriam sido ("... ficaram à margem da escrituração"). Ora, a acusação fiscal: (i) em nenhum momento identificou precisamente quais seriam os depósitos que comporiam o montante da receita omitida, não se podendo afirmar que os referidos créditos bancários de R$ 41.842,55 e R$ 42,00 integrassem este montante; (ii) na verdade, em nenhum momento sequer se referiu objetivamente ao fato de que depósitos tivessem ficado à margem da escrituração (aliás, a infração 0001 do auto de infração é de "receitas operacionais escrituradas e não declaradas"), portanto, a acusação fiscal não contempla, em absoluto, a falta de escrituração de depósitos bancários. Para arrematar, não é sequer verdade que não tenha havido lançamento no Razão destes valores. Basta verificar o Razão contido nos autos digitais (fls. 114, "envelope digital", "contendo: 3(três) Arquivos PDF “RAZÃO” de Abr a Jun de 2009 [2º Trimestre]"), com relação à escrituração da conta 1.2.1.2.1.9.01.01.04 – 1014 BANCO DO BRASIL. Ali consta, no dia 12/06, o seguinte registro (a débito) na conta contábil do Banco do Brasil, pelo recebimento do mencionado valor de R$ 41.842,55. Portanto, não deixou de ser contabilizado o referido ingresso, apenas que este foi feito no dia 12/06, e não no dia 15/06, data esta em que ocorreu tão somente o chamado "desbloqueio de depósito" pelo banco, conforme contido no extrato transcrito pela autoridade recorrida. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16095.720155/201317 Acórdão n.º 1201001.414 S1C2T1 Fl. 34 33 2. O minucioso detalhamento da forma de contabilização adotada pela recorrente com relação ao intercâmbio, feito pela autoridade recorrida a partir de um exemplo relativo ao faturamento de R$ 126,00 contra a Unimed Florianópolis, e acima transcrito, na verdade apenas serve de elemento de confirmação e ratificação do quanto alegado pela fiscalizada, ou seja, de que o valor recebido das outras Unimeds a título de intercâmbio, embora não tenha sido contabilizado em conta de receita, o foi em conta de despesa (a crédito). Ora, o registro a crédito em conta de despesa, se considerado o lucro real — forma de tributação adotada pela recorrente e que foi mantida pela fiscalização no lançamento — possui os mesmos efeitos que um lançamento a crédito em conta de receita, ou seja, desta forma de registro contábil não decorre qualquer efeito nocivo à apuração do lucro real, o qual permanece rigorosamente o mesmo. Portanto, insubsistente o lançamento que se ampara apenas em diferença constatada entre o montante dos depósitos bancários e o montante escriturado a crédito em conta de receita, sem considerar que parte dos depósitos bancários foram na verdade contabilizados a crédito de conta de despesa. Em síntese e conclusão, temse um lançamento fiscal, nesta parte, completamente carente de sustentação. Ao contrário de todo o quanto foi aduzido pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instância — e em que pese divergentes entre si os argumentos daquelas autoridades — não houve, ou ao menos não restou demonstrada, a falta de escrituração de qualquer um dos créditos bancários, sendo que a forma de escrituração adotada pela recorrente — a qual restou, ao fim e ao cabo, devidamente corroborada pela análise feita pela própria decisão recorrida — não gera qualquer efeito nefasto sobre a apuração do lucro real, e, assim, descaracteriza por completo a acusação de que teria havido omissão de receitas. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento relativo à infração 0001 do auto de infração (receitas operacionais escrituradas e não declaradas), a qual estava fundamentada, dentre outros dispositivos legais, no art. 42 da Lei 9.430/96. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Fl. 928DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 03/ 06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15504.002157/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
DOCUMENTOS OBTIDOS POR MEIO DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADO POR JUIZ COMPETENTE. LEGALIDADE.
É lícita a obtenção de provas decorrentes de mandado de busca e apreensão, quanto mais se tais documentos foram usados somente como indício da existência de crédito tributário, tendo este sido constituído com base em provas obtidas no procedimento fiscalizatório.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE IRPF.
Havendo a comprovação de acréscimo patrimonial sem a devida comprovação da origem dos recursos utilizados, há incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, apurado mensalmente.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE.
O cabimento da qualificadora da multa de ofício exige a conduta do sujeito passivo consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta fraudulenta ou sonegadora.
Numero da decisão: 2201-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Relator.
EDITADO EM: 20/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 DOCUMENTOS OBTIDOS POR MEIO DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADO POR JUIZ COMPETENTE. LEGALIDADE. É lícita a obtenção de provas decorrentes de mandado de busca e apreensão, quanto mais se tais documentos foram usados somente como indício da existência de crédito tributário, tendo este sido constituído com base em provas obtidas no procedimento fiscalizatório. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE IRPF. Havendo a comprovação de acréscimo patrimonial sem a devida comprovação da origem dos recursos utilizados, há incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, apurado mensalmente. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE. O cabimento da qualificadora da multa de ofício exige a conduta do sujeito passivo consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta fraudulenta ou sonegadora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Relator. EDITADO EM: 20/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 553 1 552 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002157/201056 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.153 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente MERCEZ AMARAL BATISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 DOCUMENTOS OBTIDOS POR MEIO DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO AUTORIZADO POR JUIZ COMPETENTE. LEGALIDADE. É lícita a obtenção de provas decorrentes de mandado de busca e apreensão, quanto mais se tais documentos foram usados somente como indício da existência de crédito tributário, tendo este sido constituído com base em provas obtidas no procedimento fiscalizatório. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DE IRPF. Havendo a comprovação de acréscimo patrimonial sem a devida comprovação da origem dos recursos utilizados, há incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, apurado mensalmente. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO OU FRAUDE. O cabimento da qualificadora da multa de ofício exige a conduta do sujeito passivo consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta fraudulenta ou sonegadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 21 57 /2 01 0- 56 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator. EDITADO EM: 20/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira Relatório Tratase de crédito previdenciário referente ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas relativo aos anoscalendário 2005 e 2006, decorrente de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, consoante demonstração de folhas 10 a 24 do processo digitalizado. O procedimento fiscal foi instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, MPF nº 06.1.01.002209010521, do qual o contribuinte teve ciência em 05 de junho de 2009 (AR efls 28). O contribuinte foi cientificado do lançamento tributário, relativo ao IRPF dos exercícios 2005 e 2006, em 10 de fevereiro de 2010, conforme se verifica pelo AR de folhas 10. Os presentes autos retornam a este Conselho por ter sido cumprida a diligência determinada pela Resolução 2802000.222 da 2ª Turma Especial, em sessão de 07 de outubro de 2014. Pela clareza e exatidão, adoto e reproduzo o Relatório constante da mencionada Resolução para explicitar os atos processuais ocorridos até o primeiro pronunciamento deste Colegiado (fls 349): "A fiscalização teve inicio após seleção da contribuinte pela Equipe Especial de Fiscalização de que trata a Portaria Copes n° 01, de 12/03/2009. Foi realizada análise dos autos do processo judicial n° 2008.38.00.038500 e dos documentos apreendidos durante a denominada "Operação Castelhana" deflagrada pela Policia Federal, tendo como alvo empresas do grupo que integram o escritório de advocacia "Juvenil Alves Advogados Associados" e respectivos advogados, além de terceiros a eles relacionados, conforme denúncia formalizada pelo Ministério Público Federal, do que decorreu a constatação que a contribuinte declarou ter auferido rendimentos em 2005 no montante de Fl. 554DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 554 3 R$3.600,00, encontrandose, porém, omissa na entrega de DIRPF no anocalendário de 2006 e tendo sido verificada a informação na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias D1MOB de que a contribuinte adquiriu no ano de 2005 um imóvel pelo valor de R$529.095,17. Na impugnação a contribuinte alega que agiu de boa fé, uma vez que como pensionista do INSS não poderia ter comprado o dito imóvel e que foi o Sr. Abelardo de Lima Ferreira, exmarido de sua filha, que teria pedido para usar seu nome na compra de um imóvel que seria revendido com lucro. Atribui ao Sr. Aberlado a responsabilidade pelos ilícitos praticados e alega que foi na residência deste que foram apreendidos os documentos alusivos à Operação castelhana. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese, de que se trata de presunção legal cuja desconstituição é ônus da contribuinte, há provas dos pagamentos efetuados pela contribuinte (fls. 128/173 e 187/198), que ela foi a adquirente do imóvel (fls.84/85 e 97/119) e que ela constou como vendedora do mesmo (fls. 120/127), sendo inócua a alegação de que não foi a verdadeira proprietária do imóvel, todavia a impugnante não comprovou o que alegou. A ciência do acórdão ocorreu em 19/04/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 12/05/2011. O recurso voluntário, em resumo, constituise das alegações abaixo: a) nulidade do auto de infração decorrente do emprego de provas obtidas por meios ilícitos, pois foram colhidas de processo judicial em que a recorrente não é parte, portanto a decisão judicial de compartilhamento de dados com a Receita Federal não alcança a recorrente; b) a ordem de busca e apreensão visava colher elementos de prova relativos à prática de crimes relacionados a um esquema de blindagem patrimonial, não poderiam essas provas serem empregadas para fins de lançamento tributário, logo foi ilegal a apreensão sem autorização judicial para a Receita Federal; c) falta de comprovação da suposta omissão de receita, pois não basta indício, o Fisco tem o dever de provar o acréscimo patrimonial; além do que o suposto acréscimo patrimonial adveio de doação; e a autoridade fiscal não apontou motivação para a qualificar a multa de ofício; não comprovou ter existido dolo da contribuinte. Juntou resultado de pesquisa processual alusiva ao processo judicial 2008.38.00.0038500 (fls. 331) com a relação dos réus e Certificação de “Nada Consta” da Justiça Federal Seção Judiciária de Minas Gerais (fls. 333)." (destacamos) A 2ª Turma Especial, em face das considerações abaixo transcritas, converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução acima mencionada (fls. 351): "Rejeitadas as preliminares. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 No mérito, o Acréscimo Patrimonial a Descoberto foi demonstrado pela autoridade lançadora, adotando como premissa que a contribuinte teve como dispêndios os valores empregados na aquisição do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club, pagos à Construtora Brascan Imobiliária Incorporações, cuja denominação foi alterada para Brookfield Rio de Janeiro Empreendimentos. A documentação comprova adequadamente a aquisição em nome da contribuinte. Em situações normais, estaria suficientemente comprovado o Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Essa modalidade de autuação é uma espécie de presunção legal, que inverte o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o ônus de comprovar as suas alegações. A recorrente desde a fase de fiscalização alega que não efetuou os dispêndios e sim seu exgenro, réu em processo penal, decorrente da denominada Operação Castelhana. Não obstante a presunção legal – relativa, digase, excepcionalmente neste caso, não se pode negar que há uma série de indícios de verossimilhança nas alegações da recorrente que, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, justificam maiores esclarecimentos para deixar inequívoca a ocorrência do fato gerador, sob o risco de pactuar com o esquema criminoso de blindagem patrimonial apurado na Operação Castelhana e no qual o Sr. Abelardo foi um dos investigados e que usava, dentre outros estratagemas, a interposição de pessoas. Eis os indícios: b) o sinal (R$18.613,33) para aquisição do apartamento foi pago com cheque nº SG0008, Banco 341, agência 0262 (fls. 44); o ITBI (R$12.600,00) foi pago com transação 507611217 junto ao Banco 341, agência 0262 (fls. 96); c) o Sr. Aberlado foi o procurador da recorrente na promessa de venda e compra para cessão dos direitos sobre o referido imóvel (fls. 120); cujo sinal foi dado em 12/11/2007, por meio dos cheques nº 131 e 134 do Banco Bradesco S/A, ag. 1837, no valor total de R$22.000,00; d) nas contas correntes da recorrente não há registro de débitos ou créditos relacionados aos cheques apontados nos dois itens acima; e) em sendo verídica a alegação da recorrente, a aquisição do imóvel em seu nome caracterizaria interposição de pessoa, uma das práticas investigadas na Operação Castelhana, que foi divulgada pela Receita Federal na mídia, conforme disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/automaticoSRFSinot/2006/11/ 23/2006_11_23_09_02_49_6 37850936.html, que dificultam a produção de provas imposta à contribuinte. f) também não há registro nas contas correntes da recorrente relativo ao pagamentos dos 12 boletos apreendidos na Operação Castelhana (fls. 187/198), dos quais somente dois tem na Fl. 556DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 555 5 autenticação bancária signos indicativos de pagamento em dinheiro; e g) não há qualquer outra evidência de gastos da contribuinte ou saldos bancários compatíveis com o perfil de adquirente do referido imóvel. Notesse que, além de investigado nos esquemas de blindagem patrimonial e uso de interpostas pessoas, o Sr. Abelardo foi fiscalizado e autuado pela Receita Federal, porém no presente processo não consta que a Receita Federal tenha adotado providências para verificar se a recorrente foi uma interposta pessoa. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade da Receita Federal de origem providencie: 1. intimação à recorrente para informar a forma de pagamento dos boletos e, em tendo sido pagos por meio de cheques, a identificação dos mesmos, ou ao menos o emitente; 2. intimação à Construtora para identificar o emitente do cheque relativo ao Sinal na aquisição do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club; 3. intimação aos Cartórios para obtenção da procuração lavrada no 16° Tabelião de Notas de São Paulo SP, Livro 2.957, fls. 311, outorgada ao Sr. Abelardo, que foi usada na promessa de venda e compra do imóvel; bem como cópia dos cheques, que segundo o instrumento integrariam o contrato; 4. intimação à adquirente do imóvel, Srª Susana Aparecida Tomazela Herndl, CPF n° 159.506.53858, para informar a quem foi pago o sinal pela compra do apartamento e apresentar cópia microfilmada dos cheques, a fim de indicar a conta em que foram depositados; 5. intimação ao corretor de imóveis, Sr. Adriano Silva, CRECI 59.373 F,para informar se as tratativas para venda do apartamento nº 153, situado na Avenida Jurema, 200, apto. 153, Bloco "C", Clássic Condominium Club eram feitas pelo Sr. Abelardo ou pela Srª Mercês Amaral Batista; e como e por quem foi paga a comissão de R$37.800,00 pactuada na referida alienação (fls. 125/126); 6. identificar outros elementos, se houver, que contribuam na obtenção da verdade material acerca das alegações da recorrente; e 7. intimar a recorrente da faculdade de manifestarse no prazo de trinta dias sobre o resultado da diligência." (negritamos) Em cumprimento, a DRF de origem apresentou o resultado da diligência determinada, respondendo aos quesitos como resumidamente segue (fls 356): Fl. 557DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 · Quanto à intimação da Recorrente para que informasse a forma de pagamento dos boletos, não houve nenhuma resposta da contribuinte, aqui recorrente, não obstante as três intimações enviadas com comprovação da ciência realizada. · Quanto à intimação da Construtora para que identificasse o cheque relativo ao sinal da compra do apartamento, esclareceu: Em 31/03/2015, a construtora Brookfield apresentou Termo de Resposta ao Termo de Intimação Fiscal no 002/2015, no qual informou que não localizou qualquer documento que indicasse quem é o titular do cheque no SG0008, Banco 341, agência 0262, no valor de R$18.613,33, utilizado como pagamento da primeira parcela. Ressaltou ainda que, conforme resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal no 322/2009, em 20/12/2007, a Sra Mercez Amaral Batista cedeu os direitos e obrigações inerentes à escritura a terceiros mediante “Escritura Pública de Transmissão de Direitos sobre a Consolidação da Propriedade Fiduciária”, extinguindose toda a relação jurídica entre aquela senhora e a Brookfield há mais de 7 anos. · Quanto à intimação ao Cartório para que apresentasse a procuração utilizada na promessa de compra e veda do imóvel, tal procuração foi apresentada e tem cópia anexada às folhas 359. · Intimouse a adquirente do imóvel para que identificasse para que foi pago o sinal no valor de R$ 22.000,00, relativo a compra do apartamento,e que apresentasse cópia microfilmada dos cheques utilizados nessa compra. Tais microfilmagens constam das folhas 363 a 365. Informou ainda que pagou R$ 35.800,00 ao Sr Adriano Soares da Silva, por meio de cheque nominal a Elizangela Silva, sua conjuge. Além disso, em resposta, esclareceu: "Foram feitos dois cheques nos valores de R$2.000,00 e R$20.000,00 (totalizando R$22.000,00) como pagamento da entrada da compra do apartamento 153C situado na Av. Jurema, 200, bairro Indianópolis em São Paulo. Tais cheques foram entregues ao senhor Abelardo de Lima Ferreira, como procurador, representando a senhora Mercez Amaral Batista; · O corretor de imóveis, Adriano Silva, devidamente intimado, informou que o Sr Abelardo atuou, como procurador, na negociação do imóvel e que a responsável pela comissão foi a Sra Mercez A Batista. Porém, esclarece a Autoridade Fiscal que o cheque emitido em 20/12/2007, pela Adquirente Susana Herndl e por ela afirmado que se tratava de despesa com corretagem, foi depositada na conta da conjuge do corretor. · Por fim esclarece que a Recorrente não se manifestou sobre o resultado da diligência, embora regularmente intimada para tanto. É o relatório do necessário. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 556 7 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator As condições de admissibilidade do presente recurso voluntário já foram analisadas na Resolução proposta e portanto, passamos a apreciálo. Como dito tratase de lançamento relativo ao IRPF, por acréscimo Como consta do relatório, em preliminar a Recorrente alega nulidade do lançamento em razão do mesmo ter sido fundado em provas obtidas por meio ilícito, uma vez que decorrente de Mandado de Busca e Apreensão não emitido em desfavor da Recorrente que, inclusive, não é ré em processo criminal algum (acostou Certidão Negativa Criminal). Tais alegações não merecem prosperar. Como bem mencionado no voto condutor da Resolução da 2ª Turma Especial (fls 351): "Parte substancial do recurso voluntário referese à alegação de que a autuação baseouse em provas obtidas por meio ilícito, o que acarretaria a nulidade do lançamento. Essa alegação não procede. Não há ilegalidade no emprego de documentos obtidos por meio de mandado de busca e apreensão, ainda que a recorrente não seja ré no processo criminal, o que independe da finalidade da referida apreensão. Ademais, essencialmente, as provas da autuação foram a Declaração de Operação imobiliária emitida pelo Cartório, a escritura de compra e venda de imóvel, a informação prestada pela Construtora do apartamento atestando os pagamentos e os boletos bancários, somente estes últimos foram obtidos por meio de busca e apreensão." Não se pode observar ilegalidade em ato emanado de autoridade, no caso Juiz de Direito competente, cuja finalidade estava suficientemente comprovada e cujo resultado foi, novamente por decisão judicial, partilhado com órgão de Estado, no caso a Receita Federal do Brasil, demandada a executar o seu mister, no caso a Fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias. Em acréscimo, como bem apontado pela distinta 2ª Turma, as provas do lançamento tributário foram obtidas diretamente no procedimento fiscalizatório, devidamente instaurado, e junto aos interessados nos negócios jurídicos que ensejaram fatos geradores tributários desencadeadores das obrigações tributárias que se buscava fiscalizar. Rejeitadas as preliminares, passemos ao mérito. A Recorrente alega falta de comprovação de omissão de receita, uma vez que devese provar o acréscimo patrimonial. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Segundo consta do recurso, a aquisição de um imóvel é mero indício de que houve aquisição de disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, devendo o Fisco promover a adequada apuração dos fatos, cumprindo assim os ditames do artigo 142 do CTN. São seus argumentos (fls 319): "Ou seja, no desespero de fazer o lançamento tributário ora impugnado, o Fisco terminou por conduzilo à nulidade, já que não juntou aos autos nenhuma comprovação de que tenha havido efetivo acréscimo patrimonial, mas tãosomente documentos obtidos por meios ilícitos que, ainda, que fossem obtidos por meios lícitos, por si só não comprovam acréscimo patrimonial e, portanto, não demonstram a realização do fato gerador da obrigação tributária. Foi totalmente desconsiderado o fato de o imóvel ter sido adquirido de forma graciosa, ou seja, em decorrência de doação. Com efeito, o genro doou o imóvel e portanto não existe sequer presunção de que tenha havido omissão de receita para aquisição do imóvel, que de resto não resultou em dispêndio financeiro por parte da Recorrente. Diante disto, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, posto que não houve omissão de receita capaz de gerar a tributação ora combatida" (negritos nossos) Não se pode concordar com os argumentos da Recorrente. Vejamos os motivos. O imposto sobre a renda tem supedâneo constitucional no artigo 150, III que outorga competência à União para a instituição do tributo. Tal competência foi exercida pela Lei nº 7.713/88, que emoldurada pelas disposições constantes do Código Tributário Nacional, em especial pelo artigo 43, determina no artigo 3º: "Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados." (destaques não constam do texto da Lei 7.713/88) Cumprindo sua função regulamentar, o Decreto nº 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda, explicita: "Art.55.São também tributáveis: (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 557 9 tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva;" (destacamos) Da simples leitura das normas tributárias acima colacionadas, podemos inferir que equivale ao conceito de rendimento bruto, sendo portanto considerado renda, todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos e ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes ao rendimentos declarados. Ao recordamos a imputação fiscal, voltando os olhos ao Termo de Verificação Fiscal constante de folhas 13, encontraremos a motivação da ação fiscal: 1. A contribuinte em epígrafe, aposentada do INSS, sogra de Abelardo de Lima Ferreira, CPF: 789.577.88620 (irmão de Juvenil Alves Ferreira Filho), foi selecionada para a fiscalização por ter auferido rendimentos, em 2005, no montante de R$ 3.600,00 e encontrase omissa na entrega de DIRPF no ano calendário de 2006. Consta informação na DIMOB (Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias) de que a contribuinte adquiriu, em 2005, da BRASCAN IMOBILIÁRIA INCORPORAÇÕES S/A, CNPJ 29.964.749/000130, um imóvel pelo valor de R$ 529.095,17. Em decorrência havia indícios de variação patrimonial a descoberto, caso não se confirmasse a origem dos recursos para a aquisição do imóvel." (destacamos) Tal constatação pela Administração Tributária se amolda com perfeição ao tipo tributário constante do RIR acima transcrito, acréscimo patrimonial não correspondente aos rendimentos declarados, vez que com se observou a compra de um imóvel de mais de meio milhão de reais com renda anual declarada de R$ 3.600,00. Devidamente intimada a comprovar a origem dos recursos que permitiram a compra do imóvel, a Contribuinte que se tratava de um presente dado pelo genro. Vejamos (fls 14): 3. Com relação ao item referente ao imóvel adquirido da BRASCAN IMOBILIÁRIA E INCORPORAÇÕES S/A, tendo como financiador o HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo, vem informar que, primeiramente o referido imóvel foi um presente dado pelo genro ABELARDO DE LIMA FERREIRA e que o pagamento das parcelas de sinal e prestações, até a sua venda, foram realizadas por ele. 4. Informou ainda que o imóvel já foi vendido em 12 de novembro de 2007, com a transferência do saldo devedor ao comprador Sra Susana Aparecida Tomazela Hemdl, sendo que o valor dela recebido foi diretamente para pagamento de parcelas em atraso devidas 6 BRASCAN/HSBC, pagamento de parcelas em atraso do IPTU, pagamento de parcelas em atraso devidas ao condomínio, pagamento dos serviços de corretagem e o saldo foi utilizado pelo genro para abatimento/quitação dos valores que lhes devia em razão da aquisição do imóvel." Dessa resposta duas conclusões devem ser retiradas. Primeira, há explicito reconhecimento por parte da contribuinte que houve a compra do imóvel, corroborando as Fl. 561DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 provas documentais. Segunda, a justificativa sobre a origem dos recursos empregados no negócio jurídico é a doação, o presente, dado pelo genro. Importante que tal afirmação, o reconhecimento da doação, é reiterada no recurso que aqui se analisa, conforme se observou no trecho da defesa acima transcrito. Instada, pela autoridade fiscal, a apresentar todos os comprovantes bancários dos pagamento efetuados para a aquisição do imóvel, a contribuinte alegou não possuílos, uma vez que, como dito, tratouse de um presente dado pelo genro. Embora houvesse, como fruto da Busca e Apreensão realizada no ambiente de trabalho do genro, os recibos de parte dos pagamentos realizados pela contribuinte junto à Brascan Imobiliária (item 9 do TVF, fls 15), a Fiscalização houve por bem intimar a vendedora a comprovar os pagamentos, por meio de documentação hábil e idônea, realizado pela Recorrente. Em resposta foi apresentada uma planilha com os valores efetivamente pagos, valores esses que incluíam os recibos mencionados. Tal planilha consta do item 11 do TVF (fls.16). De posse dos extratos bancários da contribuinte e das planilhas dos pagamentos efetuados, a Autoridade Fiscal elaborou Planilha de Fluxo de Caixa mensal (fls 20 a 22), com apuração de excesso de dispendios/aplicações em relação às origens de recursos., embasando o lançamento tributário realizado. De todo o exposto, verificase acertado o procedimento fiscal. Não houve, como mencionado pela Fiscalização, demonstração da origem dos recursos utilizados na compra do imóvel. A única justificativa apresentada, ausência de renda para aquisição uma vez que tratouse de presente não foi, nem indiciariamente, comprovada. Tratandose de efetiva doação, de ato de liberalidade do genro, esperase, no mínimo que haja demonstração de tal ato. Embora a mesma tese conste do recurso não houve por parte da Recorrente nenhuma iniciativa de mesmo que, superficialmente, comprovar a alegação. Recordemos que na impugnação os argumentos foram diversos, voltados ao engodo praticado pelo genro junto a contribuinte. O que comprovadamente se extrai dos autos é que: · houve compra do imóvel por parte da Recorrente; · não se comprovou origem dos recursos para a aquisição do imóvel · houve venda do imóvel por parte da Recorrente; · os cheques relativos a venda do imóvel, únicos comprovantes de pagamento efetivo existentes nos autos tem por favorecido a Recorrente; · O corretor que assessorou a venda do imóvel asseverou que o genro da recorrente atuou como seu procurador; Fl. 562DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 558 11 Desses fatos se pode afirmar que houve a compra de imóvel por parte da Recorrente, sendo tal fato comprovado e reconhecido pela Recorrente. Tal fato é fato gerador tributário nos termos da legislação ensejando a tributação do imposto sobre a renda da pessoa física. O fato impeditivo do direito do Fisco de lançar, trazido à discussão pela Recorrente, a existência de doação dos recursos, não teve comprovação nem indiciária. O recurso alega, preliminarmente, nulidade do AI e a não incidência tributária em face da doação ocorrida porém sem comprovar sua alegação. Mister recordar que, embora devidamente notificado da diligência efetuada, momento em que novamente suas alegações poderiam ser contrapostas aos esclarecimentos realizados pela Autoridade Fiscal, a Recorrente se quedou inerte. Assim, o que se encontra nos autos é a comprovação do direito do Fisco em constituir o crédito tributário. Tal crédito foi constituído segundo as regras do artigo 142 do CTN. Logo, o recurso deve ser negado nessa parte. Quanto a aplicação da qualificadora da multa, consta do recurso a seguinte argumentação (fls 323): "Os auditores fiscais impuseram multa de 150% sem nenhum fundamento fático ou jurídico. Não ressai do trabalho fiscal nenhuma motivação, explicação, alegação ou palavra que seja para sustentar a imposição de multa no percentual de 150%. Não se dignaram a tecer um único comentário, a dar uma única explicação, a fazer uma única alegação que seja para demonstrar onde reside o fato ensejador da multa qualificada. Diante disso, a defesa da Recorrente restou prejudicada, posto que não é possível saber o porquê da aplicação da multa qualificada. Todas as vezes que foi intimada a prestar esclarecimentos, a Recorrente se manifestou. Se o fisco entendeu que não eram satisfatórias, isso o levou a tributar como variação patrimonial a descoberto. Ou seja, a conseqüência pelos esclarecimentos não prestados a contento, levou o Recorrente a ter sobre si uma tributação exacerbada. Mas se o fisco entendeu que não eram satisfatórios seus não pode qualificar ou agravar a multa. Pode tão somente levar os fatos à tributação. Assim a conseqüência já foi a tributação, não pode concomitantemente apenar com multa qualificada e agravada" Consta do Termo de Verificação Fiscal, página 18, somente tal motivação para a qualificadora aplicada: Considerando que, a conduta da fiscalizada enquadrase na definição da sonegação e fraude, consoante definição contida Fl. 563DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, ao lançamento de oficio foi imputada a multa de oficio qualificada, em conformidade com art. 44 da Lei n° 9.430/96, com nova redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, in verbis: (...) A multa qualificada está prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que apresenta a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis Os artigos mencionados da Lei nº 4.502/64, apresentam os seguintes casos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Em resumo, podemos afirmar que havendo fraude, sonegação ou conluio por parte do contribuinte, e sendo tais fatos comprovados pelo Fisco, a multa prevista para o lançamento de ofício deve ser dobrada. Não comprovou a Fiscalização a ocorrência da intenção, do dolo, da Recorrente em sonegar, fraudar ou atuar em conluio, com fins específicos de mitigar ou esconder os tributos devidos. E mais, a Autoridade Fiscal nem ao menos especificou a conduta praticada pela contribuinte, mencionando genericamente que tal conduta se enquadra na definição de sonegação e fraude, aproximando de maneira desleixada, duas ações que a lei fez questão de diferenciar. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.002157/201056 Acórdão n.º 2201003.153 S2C2T1 Fl. 559 13 Importante ressaltar que a conduta reprovável praticada, já foi devidamente apenada pela multa de ofício aplicável ao caso. Não se está aqui, de maneira alguma, deixando de se aplicar a pena legalmente prevista no caso de descumprimento de obrigação tributária, ao reverso, buscase a penalização prevista na legislação. Nesse sentido, corroborase o entendimento da ínclita Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que em recente julgado da CSRF ( Ac. 9202003.764, de 16 de fevereiro de 2016), asseverou sobre o tema: Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utilizando subterfúgio s escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. É nesse ponto, que não concordo como o posicionamento adotado pela Fazenda Nacional em seu recurso. No presente caso, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte acercado art. 135 do RIR, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do imposto a ser pago. O procedimento adotado pelo contribuinte deuse de forma aberta, inclusive com a prestação dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal." Diante da falta de comprovação de atitude dolosa do contribuinte, no sentido de sonegar ou fraudar, dou provimento ao recurso do contribuinte nessa parte, excluindo do lançamento a multa qualificada. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso para afastada as preliminares de nulidade, no mérito darlhe provimento parcial para excluir do lançamento a multa qualificada aplicada. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 565DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 22/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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