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Numero do processo: 36630.003945/2004-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 24/06/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO.
O cumprimento satisfatório de todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária para a instrução do processo de restituição transfere para a administração tributária o ônus de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do requerente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RESTITUIÇÃO DE RETENÇÃO. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. O cumprimento satisfatório de todos os requisitos exigidos pela legislação previdenciária para a instrução do processo de restituição transfere para a administração tributária o ônus de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do requerente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 63 0. 00 39 45 /2 00 4- 46 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Relatório Período requerido: fevereiro/2003 a setembro/2003. Data do requerimento: 24/06/2004. Temse em pauta Requerimento de Restituição de Retenção, a fl. 04, protocolizado em 24/06/2004, em razão valor excedente das retenções sofridas sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviços em relação ao valor devido sobre folha de pagamento, referentes às competências de fevereiro/2003 a setembro/2003. Tendo em vista o baixo percentual de mãodeobra utilizada em relação ao faturamento de serviços e a não apresentação da escrituração contábil, a Equipe de Orientação da Arrecadação Previdenciária – EQARP da Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT procedeu ao cálculo do Salário de Contribuição por aferição indireta, com base no inciso I do art. 473 c.c. art. 600, I, ambos da IN nº 03/2005. Assim, em razão de o valor de contribuições previdenciárias supostamente devidas, calculado internamente pela Administração Tributária por aferição indireta, ter sido superior ao valor retido, concluiuse que o pedido de restituição é improcedente, conforme despacho a fls. 196/200. Com fundamento na análise da Fiscalização aviada no Despacho a fls. 196/200, a DERATSPO indeferiu a restituição pleiteada, conforme Decisão a fl. 202. Irresignada, a Requerente apresentou impugnação a fls. 216/230. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 1623.510 – 12ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 368/388, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Requerente, em razão da não comprovação do Direito Creditório do Interessado. Devidamente intimada da Decisão de 1ª Instância em 22/02/2010, a fl. 394, porém, inconformada, a Requerente interpôs recurso voluntário, a fls. 402/416, requerendo, ao fim, o deferimento do pedido de restituição. Relatados, sumariamente, os fatos de maior relevo. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36630.003945/200446 Acórdão n.º 2401004.237 S2C4T1 Fl. 453 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva , Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 22/02/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 15/03/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O Instituto da retenção de contribuições previdenciárias foi introduzido no ordenamento jurídico pátrio pela Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998, que conferiu nova redação ao art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, atribuindo ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a responsabilidade pela retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas referentes aos serviços prestados naquela condição, e ao subsequente recolhimento do valor assim retido em nome do prestador correspondente. O valor retido acima mencionado deve ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Fl. 455DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço, conforme previsão legal inscrita no parágrafo 1º do mesmo dispositivo legal. Cumpre salientar, eis que pertinente ao caso sub examine, que na impossibilidade de haver compensação integral na forma acima aventada, o eventual saldo remanescente pode ser objeto de restituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no §5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). No caso dos autos, por considerar ser baixo o percentual da mãodeobra utilizada em relação ao faturamento de serviços e a não apresentação da escrituração contábil, a Equipe de Orientação da Arrecadação Previdenciária – EQARP da Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT procedeu, interna e unilateralmente, ao cálculo do Salário de Contribuição por aferição indireta, com base no inciso I do art. 473 c.c. art. 600, I, ambos da IN nº 03/2005. Em razão de o valor aferido de contribuições previdenciárias supostamente devidas ter sido superior ao valor retido, a DERATSPO concluiu que o pedido de restituição era improcedente. Ocorre que a mera constatação de que o valor aferido do Salário de Contribuição está acima do valor retido não se configura óbice legal ao indeferimento da restituição. Equivale a dizer: não há na lei tributária impedimento legal à restituição de Contribuições Previdenciárias recolhidas a maior com o simples fundamento de o valor aferido do Salário de Contribuição pela administração tributária ser superior ao valor retido. Aditese que o §8º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, veda a restituição de valores recolhidos a maior apenas quando houver a existência de DÉBITO em nome do sujeito passivo, situação em que o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36630.003945/200446 Acórdão n.º 2401004.237 S2C4T1 Fl. 454 5 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)9). §4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) (grifos nossos) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) §11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) No caso presente, inexiste débito constituído, nem mesmo em fase de constituição, em face do Requerente, mas, tão somente, a constatação de que o valor do Salário de Contribuição, aferido indiretamente pela Administração Tributária sem a contradita do Contribuinte, era superior ao montante retido. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Para se subsumir à hipótese vertida no §8º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, o Órgão Fazendário Federal, diante da constatação de que o valor do Salário de Contribuição aferido era superior ao montante destacado nas Nota Fiscal de Serviço e recolhido em nome do Sujeito Passivo, deveria ter procedido ao LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DA DIFERENÇA, como assim determina, expressamente, o art. 142 do CTN c.c. art. 37 da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Aliás, havendo sido constatada tal diferença, independentemente do presente processo de restituição, o lançamento do valor devido seria de observância obrigatória, em razão de ser atividade plenamente vinculada à lei, nos termos do Parágrafo Único do art. 142 do CTN. Assim, ao não se proceder ao lançamento da suposta diferença devida, houve se por excluído do Recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa. O sistema jurídico brasileiro adotou como regra geral o dogma que incumbe à parte que alegar a existência de algum fato ensejador de um direito o ônus de demonstrar sua existência. O onus probandi, é, pois, o encargo que têm os litigantes de provar, pelos meios admissíveis, a veracidade dos fatos alegados. Dessarte, a parte cujo ônus da prova lhe foi imputado sofrerá os efeitos negativos do seu não agir, caso as provas necessárias ao seu ganho de causa não estiverem presentes nos autos. Nesse esteira, a juntada aos autos de conjunto probatório viçoso que dê esteio ao direito alegado transfere à parte adversa o encargo jurídico de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal compreensão caminha no mesmo compasso das disposições expressas no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Código de Processo Civil Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36630.003945/200446 Acórdão n.º 2401004.237 S2C4T1 Fl. 455 7 Segundo Carnelutti (in Sistemas de Direito Processual Civil, Lemos Cruz, São Paulo, 1ª Ed., 2004, p. 133) “O ônus de provar recai sobre quem tem o interesse em afirmar. Assim, não importa a posição que o indivíduo ocupe na relação processual, pois, quando fizer uma afirmação da qual decorra seu próprio direito, em razão do fato ocorrido, terá de provar sua veracidade”. Daí, a regra adotada pelo Direito Brasileiro: ao autor, caberá o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito, enquanto que, à parte adversa, restará a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito daquele. Na hipótese vertida nos autos, o Recorrente protocolizou em 24/06/2004 requerimento formulando pedido de restituição de contribuições previdenciárias relativa ao período de fevereiro a setembro de 2003, fazendo coligir aos autos os documentos exigidos pela Fiscalização. Cumpre destacar, conforme já salientado alhures, que ao cumprir o Recorrente o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito, promoveuse a transferência para a administração tributária o encargo jurídico de produzir os meios de prova que representem fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do requerente. Anotese que, apesar de cumpridas as exigências a que fora sucessivamente intimado, o Requerente teve o seu pedido negado com fundamento único da “não comprovação do direito creditório do Interessado”. Há no caso, todavia, uma inversão. O requerente comprovou o seu direito creditório. Quem não comprovou o seu direito creditório foi exatamente o Fisco. Isso porque o direito creditório da Fazenda Pública não se constitui com a mera constatação de que o valor retido é inferior ao valor aferido do Salário de Contribuição. O direito creditório da Fazenda Pública se constitui mediante o procedimento administrativo do LANÇAMENTO, cortejado pelo direito do Contribuinte ao contraditório e à ampla defesa. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Conforme já salientado anteriormente, em razão da natureza plenamente vinculada da atividade fiscal, na hipótese de a fiscalização, no curso do procedimento administrativo que redundou na Decisão a fl. 202, ter, de fato, concluído pela insuficiência de recolhimentos, deveria, formalmente, constituir o Crédito Tributário da Fazenda Pública, lavrandose o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, e apurandose ex officio as contribuições previdenciárias reputadas como devidas, como assim determina o art. 37 da Lei nº 8.212/91. O procedimento descrito no parágrafo antecedente não se inclui no rol das discricionariedades da autoridade tributária. Antes, ele tem sede legal e imperativa, de acordo com os mandos inscritos no art. 37, caput, da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Nessa perspectiva, os indícios sintomáticos apontados no Despacho da EQARP/DIORT/DERATSPO, a fls. 196/200, utilizados como fundamentação única para o indeferimento do pleito requerido, desacompanhadas da indispensável constituição do Crédito Tributário supostamente devido, não se conformam como motivo justo, tampouco suficiente, para obstar a restituição pretendida, eis que se encontram à calva de comprovada justa causa, não ultrapassando, tais alegações denegatórias, os frágeis limites do palpite subjetivo. Falhou em seu mister a Administração Fazendária, eis que, mesmo alegando que o valor retido/recolhido era inferior àquele determinado por aferição indireta do Salário de Contribuição, não fez deflagrar qualquer procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo. De fato, não consta nos autos do processo que alguma ação fiscalizatória tenha sido promovida na empresa requerente, no sentido de se apurar o valor realmente devido e de se aplicar a penalidade cabível, abrindo se, dessa forma, a indispensável oportunidade ao Recorrente, no exercício de seu direito ao contraditório e à ampla defesa, de provar a regularidade dos seus recolhimentos. Conforme já esclarecido, nos casos de recolhimento de contribuições previdenciárias a maior que o devido, como assim se revela o presente caso, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 não impõe qualquer óbice à restituição do excesso recolhido baseado em supostos fatos geradores não convertidos em crédito tributário. Ao revés, o §8º do citado art. 89 exige a efetiva verificação de débito constituído em nome do Sujeito Passivo, o qual será compensado ex officio, total ou parcialmente, com os valores de restituição a que teria direito o Contribuinte. Avulta no caso em análise, que as alegações da Administração Tributária apoiaramse única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, visto não se apresentarem cortejadas por qualquer indício de prova material apto a obstar o direito do requerente, além de excluirlhe o direito ao contraditório e à ampla defesa. Merece ser citado que o Requerimento de Restituição de Retenção a fl. 04 houvese por protocolizado em 24/06/2004, tendo a Fiscalização tributária cerca de três anos e meio para proceder ao lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias supostamente devidas. De outro eito, notese que o Despacho da EQARP/DIORT/DERATSPO, a fls. 196/200, utilizados como fundamentação única para o indeferimento do pleito requerido, houvese pro exarado em 10/11/2008, quando o Direito do Fisco de constituir o suposto Crédito Tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos até setembro do anocalendário de 2003 já havia sido fulminado pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN c.c. Súmula 99 do CARF, haja vista a existência de recolhimentos antecipados. “QUEM DORME, DORMELHE A FAZENDA” (BOCAGE, Jose Manuel Maria Barbosa du, BOCAGE Poemas Várias, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1961) Assim, não tendo sido as supostas obrigações tributárias ora em realce convertidas em crédito tributário no prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN, tais supostas omissões não representam mais óbice ao deferimento da restituição pleiteada, não procedendo Fl. 460DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 36630.003945/200446 Acórdão n.º 2401004.237 S2C4T1 Fl. 456 9 portanto, o indeferimento do pleito consignado na Decisão Denegatória a fl. 202, datada de 14/11/2008. Dormientibus non succurrit jus Nesse contexto, ante a carência de elementos representativos de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Recorrente, pautados em conjunto probatório palpável, perde o esteio a decisão recorrida para justificar o indeferimento do pedido em realce, não sendo suficientes para tanto as razões apresentadas a fls. 196/200. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10580.725447/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO. SEGURANÇA JURÍDICA.
1. A coisa julgada administrativa (ou preclusão administrativa) está intimamente ligada à necessidade de estabilização das relações jurídicas.
2. É, pois, postulado fundamental decorrente do princípio da segurança jurídica, para implicar que matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. APLICAÇÃO. SEGURANÇA JURÍDICA. 1. A coisa julgada administrativa (ou preclusão administrativa) está intimamente ligada à necessidade de estabilização das relações jurídicas. 2. É, pois, postulado fundamental decorrente do princípio da segurança jurídica, para implicar que matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 54 47 /2 01 2- 15 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.725447/201215 Acórdão n.º 2402005.363 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 9ª Turma da DRJ/BHE, cuja ementa e resultado são os seguintes: PAGAMENTO. DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. O pagamento efetuado após a impugnação extingue o crédito tributário e caracteriza desistência da impugnação e inexistência do litígio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCUSSÃO DO LANÇAMENTO. Não há autorização para que um pedido de restituição se reabra a discussão do lançamento tributário. A possibilidade de contraposição ao lançamento ocorre com a impugnação do lançamento, no prazo e com as formalidades estabelecidas na legislação sobre o Procedimento Administrativo Fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Assim, não foi reconhecido o direito creditório sobre o pedido de restituição de IRPF, exercícios 2005 a 2007, nos valores de R$ 97.456,53 e R$ 796,84, recolhidos através de DARFs, para quitar créditos tributários oriundos de lançamento por meio de Auto de Infração. A decisão da DRJ se sustenta basicamente nos seguintes fundamentos: a) o contribuinte foi autuado em 2009 por classificação indevida de rendimentos na DIRPF, decorrentes de diferenças de remuneração ocorridas quando da Conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV, em 1994, recebidas em 36 parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária Estadual nº 8.730/2003. Apresentou impugnação tempestiva a esse lançamento e logo a seguir desistiu da impugnação e efetuou pagamento integral dos valores do auto de infração, aproveitando o benefício da Lei nº 11.941/2009; b) ao efetuar o pagamento dos tributos lançados no Auto de Infração, o contribuinte expressamente renunciou ao contencioso administrativo relativo àquele Auto de Infração (artigos 14 a 16 do Decreto nº 70.235/1972), com consequente extinção do crédito tributário; c) se a impugnação ou a manifestação de inconformidade é que instaura a fase litigiosa do procedimento, é certo que no caso dos autos, em que não houve instauração de litígio quanto ao Auto de Infração, não caberia à DRJ se manifestar quanto aos valores ali indicados; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 d) para acolher o pleito do contribuinte, ainda que parcialmente, seria necessário retificar o Auto de Infração (art. 233 do Regimento Interno da RFB). Mas como o contribuinte desistiu da impugnação daquele lançamento, a DRJ não detém competência para proceder a essas alterações; e) na forma atual, o valor recolhido pelo contribuinte não pode ser entendido como tendo sido indevido, afinal o contribuinte espontaneamente renunciou ao contencioso administrativo fiscal quando intimado do Auto de Infração, preferindo pagar o tributo integralmente; f) a menos que haja uma modificação no lançamento, por meio de uma revisão de ofício, não se pode dizer que o recolhimento foi indevido, não havendo como acolher a pretensão do sujeito passivo. O contribuinte tomou ciência da decisão em 06/08/2014 (fl. 66) e interpôs Recurso Voluntário em 26/08/2014 fls. 69/ 109), alegando em síntese que: a) as verbas recebidas como pagamento extemporâneo das diferenças da URV, decorrentes de acordo com o Estado da Bahia, após vitória em ação ordinária no STF, possuem natureza indenizatória, não podendo, portanto, serem objeto de IRPF, na esteira da Resolução Administrativa nº 245/2002 da Corte Suprema que alcançou os Magistrados da União, uma vez que à luz da CF, inexiste distinção entre Magistrados da União e do Estadosmembros, consoante LC nº 35/1979; b) o CARF, em julgamento do Acórdão nº 210201.738, de 19/01/12, deu provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a incidência do imposto de renda sobre as diferenças de URV pagas a destempo ao magistrado; c) também não poderia prosperar o lançamento de ofício contra o contribuinte por outra razão: a receita tributária proveniente do IRPF sobre o subsídio ou qualquer verba remuneratória paga a Magistrado do Estadomembro pertence exclusivamente ao Estado da Bahia, nos termos do art. 157, I, da CF, e art. 868 do RIR; d) não há legitimidade e interesse econômico/jurídico da Receita Federal do Brasil em exigir o IR sobra tais valores, visto que o produto da arrecadação do imposto sobre esta renda pertence ao Estado da Bahia, que foi esta a fonte pagadora dos mencionados valores. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.725447/201215 Acórdão n.º 2402005.363 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será conhecido. Segundo a DRJ, ao efetuar o pagamento dos tributos lançados no Auto de Infração, o contribuinte expressamente renunciou ao contencioso (artigos 14 a 16 do Decreto nº 70.235/1972), com a consequente extinção do crédito tributário. Registrese a existência de voto divergente, segundo o qual não condiz com o princípio da legalidade igualar a preclusão do direito processual civil à inércia na órbita tributária, concluindose que: [...] diante da diversidade de processos administrativos tributários e do fato de que estes são meios pelo qual o administrado provoca a manifestação do Estado, a inércia do contribuinte em processo de determinação e exigência do crédito tributário (não impugnou o lançamento), com o consequente pagamento do valor exigido, não deveria inviabilizar a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada em processo de restituição, formalizado para pleitear o valor que foi pago, por considerar o contribuinte, posteriormente, que aquele pagamento fora indevido. Ocorre que a coisa julgada administrativa (ou preclusão administrativa) está intimamente ligada à necessidade de estabilização da relação jurídica. Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles, "é sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre as partes"1. É, pois, postulado fundamental decorrente do princípio da segurança jurídica, para implicar que matérias submetidas e decididas pela administração não podem mais ser reexaminadas nesta esfera. A coisa julgada administrativa é uma via de mão dupla, trazendo previsibilidade tanto para o administrado, quanto para a própria administração. Nem se invoque o princípio da legalidade, pois o recorrente concordou com a exigência ao efetuar o pagamento no processo de constituição do crédito tributário. Logo, tampouco se pode dizer que ele ficou inerte, pois efetuou o recolhimento da exação constituída no Auto. Por ato de vontade dele, não se instarou a fase litigiosa naquele outro processo, estacandose o exame de legalidade em face de sua concordância. 1 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 22. ed. São Paulo, Malheiros, 1997, p. 589. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Não faz o menor sentido admitirse que, por via transversa (apreciação da manifestação de inconformidade), a administração seja obrigada a rever a coisa julgada administrativa, criando desestabilidade jurídica no processo administrativo fiscal. De acordo com o magistério de Hugo de Brito Machado Segundo, os julgamentos realizados no âmbito de um processo administrativo tem "feições jurisdicionais, praticados no âmbito de um processo contraditório e disciplinado em lei, no qual é feito o controle interno da legalidade dos atos da administração"2. No âmbito deste Conselho e desta Segunda Seção, o thema iudicandum tem sido decido da seguinte forma: RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitar seá à matéria diferenciada, se porventura houver. RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. A Coisa Julgada Administrativa configurase causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda.[...].Recurso Voluntário Negado. (Número do Processo 11020.002418/200986, RECURSO VOLUNTÁRIO, Data da Sessão 17/02/2016, Relator(a) ARLINDO DA COSTA E SILVA, Acórdão 2401004.136, unânime) Destarte, o recurso voluntário não deve ser conhecido. 2 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. 2 MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo Tributário. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 182. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726963/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
Ementa:
DEPOSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS.
É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI: Súmula CARF No- 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PENDÊNCIA PROCESSUAL.
A pendência de julgamento do processo de exclusão do Simples não constitui obstáculo normativo à realização dos lançamentos dos tributos específicos.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO.
O contribuinte que excluído do Simples Nacional não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais para apurar o IRPJ com base no lucro real, está sujeito à tributação com base no lucro arbitrado. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
ARBITRAMENTO DO RESULTADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. BASE DE CÁLCULO.
A não apresentação da escrituração contábil acarreta o arbitramento do resultado tributável, com base nos créditos registrados nos extratos bancários que não foram comprovadas as origens e razão dos créditos bancários.
RECEITA BRUTA CONHECIDA.
O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento.
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
A conduta do sujeito passivo em praticar vultosas operações financeiras, apresentar Declaração Anual do Simples Nacional por três anos consecutivos (2008, 2009 e 2010) com receitas omitidas em montante que representa em torno de três a seis vezes menos que sua receita declarada e não atender às intimações para apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, evidencia vontade inequívoca dolosamente dirigida à sonegação tributária, ensejando assim a imposição da multa de ofício qualificada de 150%.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS e Cofins
Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1201-001.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thome, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thome, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Luis Fabiano Alves Penteado.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 Ementa: DEPOSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI: Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PENDÊNCIA PROCESSUAL. A pendência de julgamento do processo de exclusão do Simples não constitui obstáculo normativo à realização dos lançamentos dos tributos específicos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que excluído do Simples Nacional não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais para apurar o IRPJ com base no lucro real, está sujeito à tributação com base no lucro arbitrado. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO RESULTADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. BASE DE CÁLCULO. A não apresentação da escrituração contábil acarreta o arbitramento do resultado tributável, com base nos créditos registrados nos extratos bancários que não foram comprovadas as origens e razão dos créditos bancários. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A conduta do sujeito passivo em praticar vultosas operações financeiras, apresentar Declaração Anual do Simples Nacional por três anos consecutivos (2008, 2009 e 2010) com receitas omitidas em montante que representa em torno de três a seis vezes menos que sua receita declarada e não atender às intimações para apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, evidencia vontade inequívoca dolosamente dirigida à sonegação tributária, ensejando assim a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS e Cofins Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PENDÊNCIA PROCESSUAL. A pendência de julgamento do processo de exclusão do Simples não constitui obstáculo normativo à realização dos lançamentos dos tributos específicos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O contribuinte que excluído do Simples Nacional não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais para apurar o IRPJ com base no lucro real, está sujeito à tributação com base no lucro arbitrado. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá, a partir do período em que se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 69 63 /2 01 2- 60 Fl. 729DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 3 2 processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO RESULTADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. BASE DE CÁLCULO. A não apresentação da escrituração contábil acarreta o arbitramento do resultado tributável, com base nos créditos registrados nos extratos bancários que não foram comprovadas as origens e razão dos créditos bancários. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida à receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A conduta do sujeito passivo em praticar vultosas operações financeiras, apresentar Declaração Anual do Simples Nacional por três anos consecutivos (2008, 2009 e 2010) com receitas omitidas em montante que representa em torno de três a seis vezes menos que sua receita declarada e não atender às intimações para apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, evidencia vontade inequívoca dolosamente dirigida à sonegação tributária, ensejando assim a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS e Cofins Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thome, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls 484/498), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls 499/512), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls 513/526) e da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 527/540), com fatos geradores ocorridos nos anos de 2008, 2009 e 2010, perfazendo o crédito tributário no montante de R$ 906.700,69, já computados os juros moratórios e a multa de ofício qualificada (150%). 2. De acordo com a descrição dos fatos contida nos Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal (fls 541/551), o contribuinte incorreu em OMISSÃO DE RECEITA presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, existentes em conta corrente da titularidade da pessoa jurídica, nas instituições Bradesco e Itaú/Unibanco (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). 3. Os valores levantados foram obtidos de extratos bancários encaminhados pela instituição financeira, em atendimento à requisição de movimentação financeira (RMF) formulada com respaldo no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, c/c Decreto nº 3.724, de 2001. 4. A apuração do IRPJ e da CSLL observou o regime do lucro arbitrado, dada a ausência completa da contabilidade necessária à apuração do lucro real (art. 530, III, do RIR/99). 5. A qualificação da multa se deu em razão da prática reiterada de omissão de receita, que denota o dolo de impedir ou retardar o conhecimento da Fazenda Pública dos tributos devidos (art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996). 6. Cientificado pessoalmente da pretensão fiscal em 26.11.2012, a pessoa jurídica apresentou impugnatória em 21.12.2012 (fls 556/573), requerendo a nulidade ou a improcedência dos lançamentos, à luz das seguintes razões: Fl. 731DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 5 4 Em sede preliminar: (i) Ausência de motivação da indispensabilidade do ato de requisição das informações das instituições financeiras (RMF), em contrariedade ao Decreto nº 3.724, de 2001; (ii) Em recente decisão, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional a requisição por parte da autoridade fiscal de informações bancárias, por representar o ato vedada quebra do sigilo bancário (RE nº 389.808); (iii) Não foi observado o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), no que concerne aos seguintes aspectos: 1. a fiscalização nada fez no sentido de verificar a ocorrência do fato gerador, uma vez que se apoderou irregularmente de informações sobre a movimentação financeira, bem como desconsiderou as informações constantes dos documentos contábeis e fiscais devidamente apresentados; 2. a fiscalização deixou de determinar a matéria tributável, pois deveria a fiscalização ter tributado a renda e não a totalidade dos depósitos, que com aquela não se confunde; 3. sendo óbvio que o mandamento aludido deve ser entendido como “calcular corretamente o montante do tributo devido”, pelos equívocos acima narrados é evidente que o valor exigido não fora obtido de acordo com a boa técnica de auditoria, razão pela qual, por decorrência, aqui também se verifica a inobservância da norma que baliza a atividade de lançamento; No mérito: (iv) Considerando que não há decisão definitiva sobre o ato de exclusão do Simples, que tramita nos autos do processo 10830.726329/201227, o crédito tributário em questão jamais poderia ter sido constituído, porquanto não se tem certeza sobre qual o regime de tributação a ser aplicado; (v) Sendo o arbitramento medida extrema e excepcional, a sua aplicação deve limitarse às situações de impossibilidade de apuração do lucro real e do lucro presumido, o que não se verifica no caso concreto, uma vez que a autoridade administrativa detinha o valor total dos depósitos bancários supostamente omitidos, e, portanto, tinha plenas condições de apurar o crédito tributário pelo lucro real, dado que o impugnante fora excluída do Simples; (vi) Se não houver acréscimo patrimonial, a tributação pelo IRPJ é inconstitucional (art. 153, III, da Constituição), como se verifica no caso de lançamentos realizados com base em valores creditados em contas bancárias; em outras palavras, o depósito bancário não representa disponibilidade econômica ou jurídica de renda (riqueza nova), muito menos de proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTN); o mesmo raciocínio se aplica à CSLL, por força do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995; é incerta a omissão de receita fundada unicamente nos depósitos bancários (que constitui apenas um indício inicial, frágil em si), não se prestando, assim, à incidência do PIS/Pasep e da Cofins; Fl. 732DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 6 5 (vii) O fato de o impugnante não ter logrado comprovar a origem dos valores creditados em contas de depósito ou de investimento em instituição financeira, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude, nem tampouco, o fato de o contribuinte não ter declarado a totalidade de seus rendimentos não permite o enquadramento para a qualificação da multa de ofício no percentual de 150%; ademais, a autoridade fiscal sequer indica a hipótese legal para a qualificação da multa, limitandose a justificar o ato na prática reiterada da omissão de receitas; em vista disso, requerse a desqualificação da multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0826.570, de 04 de setembro de 2013, cientificado ao contribuinte em 19/11/2013, conforme o Aviso de Recebimento (AR). O mencionado acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1RPJ Ano calendário:2008, 2009, 2010 PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PENDÊNCIA PROCESSUAL. A pendência do processo de exclusão do Simples não constitui obstáculo normativo à realização dos lançamentos dos tributos específicos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Uma vez excluído do Simples, a pessoa jurídica sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A não apresentação dos livros e documentos da escrituração contábil e fiscal enseja o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 733DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 7 6 Ano calendário:2008, 2009, 2010 REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois,que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. SIGILO BANCÁRIO. PRECEDENTE NÃO OBRIGATÓRIO. A decisão no RE 389.808 não configura precedente obrigatório para a Administração Judicante, na forma prevista no artigo 26A, §6°, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972. MULTA QUALIFICADA. A presunção legal contida no artigo 42 da Lei 9.430/96 não convive, em princípio, com a aplicação da multa qualificada, uma vez que essa última demanda a prova inequívoca do dolo. Todavia, comprovada a falta reiterada de escrituração da movimentação financeira, manifestamente em descompasso com a receita declarada, presente se faz a prova do dolo. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário:2008, 2009, 2010 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 03/12/2012 foram juntados, por apensação, ao presente processo, os autos do processo nº 10830.726329/201227 que versa sobre a exclusão da Recorrente do Simples Nacional. Tanto do mencionado processo quanto dos presentes autos, consta a decisão de 1ª instância que manteve o Ato Declaratório de Exclusão, mediante o Acórdão nº 0826.571, de 04 de setembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário:2009, 2010 SIMPLES. EXCLUSÃO. LIVRO CAIXA. A falta de escrituração do livro caixa ou a sua escrituração de tal modo que não se permita a identificação da movimentação Fl. 734DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 8 7 financeira, inclusive bancária, é motivo para que se exclua o contribuinte do Simples. A inexistência total ou parcial da escrituração comercial impõe ao optante do Simples escriturar o livro caixa regularmente, sob pena de verse excluído da sistemática. Na INTIMAÇÃO SECAT nº 1304/2013 de 07 de novembro de 2013 consta que: Seguem em anexo, para ciência, cópia dos acórdãos 0826.570 e 0826.571 proferidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de JulgamentoDRJ . Cientificada das mencionadas decisões em 19/11/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR), a contribuinte protocolizou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 19/12/2013. A Recorrente em sede recursal, tanto em relação às preliminares quanto ao mérito, traz, no essencial os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, e o faz sob os seguintes títulos, portanto, desnecessário repetilos. PRELIMINARES a. Não Cumprimento das Condições Necessárias para a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF); b. Quebra do Sigilo Bancário RMF c. Nulidade Decorrente da Inobservância do Artigo 142 do CTN MÉRITO a. Incorreta Apuração do Crédito Tributário pelo SIMPLES NACIONAL; b. Arbitramento do Lucro; c. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Considerações Acerca do Imposto de Renda, CSLL, PIS e COFINS d. Impossibilidade de Facultar ao Contribuinte o ônus de Provar em Face da Presunção do Artigo 42 da Lei ns 9.430/96 e. Impossibilidade de Caracterização do Depósito Bancário como Fato Gerador do IRPJ f. Qualificação da Multa de Ofício Finalmente requer seja decretada a insubsistência do lançamento e em atendimento ao princípio da eventualidade, seja afastada a multa qualificada aplicada. É o relatório. Voto Fl. 735DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 9 8 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo. Dele tomo conhecimento. De início registrase que o procedimento fiscal e lançamentos tributários, tratados originalmente nos presentes autos, referemse ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins dos anos calendário de 2008, 2009 e 2010. O Ato Declaratório de Exclusão (ADE) da pessoa jurídica do Simples Nacional foi inicialmente tratado no processo nº 10830.726329/201227, apensado aos presentes autos em 02/12/2012, e, julgado em sede de 1ª instância pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) que manteve o ADE, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0826.571, de 04 de setembro de 2013, cientificado ao contribuinte em 19/11/2013, juntamente com o Acórdão nº 0826.570, de 04 de setembro de 2013 que manteve os autos de infração. Cientificada das mencionadas decisões em 19/11/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR), a contribuinte protocolizou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 19/12/2013, mas não se insurge contra a decisão que manteve o Ato Declaratório de Exclusão (ADE) da pessoa jurídica do Simples Nacional. Desse modo, ocorrendo a decisão definitiva proferida no Acórdão nº 08 26.571, de 04 de setembro de 2013, que manteve o Ato Declaratório de Exclusão (ADE) da pessoa jurídica do Simples Nacional, a lide cingese aos lançamentos tributários referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins dos anos calendário de 2008, 2009 e 2010. Os argumentos apresentados em sede de recurso voluntário serão examinados na ordem em que apresentados pela Recorrente. PRELIMINARES. a. Não Cumprimento das Condições Necessárias para a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF). A Recorrente alega, ausência de motivação da indispensabilidade do ato de requisição das informações das instituições financeiras (RMF), em contrariedade ao Decreto nº 3.724, de 2001. Portanto, argúi que há irregularidade na emissão da RMF, cuja indispensabilidade, segundo o contribuinte, não foi fundamentada pela fiscalização. Aduz que, nos autos não se vislumbra uma única linha em que a autoridade fiscal fundamente ao seu Superior a necessidade da RMF, apenas mencionando a não apresentação dos extratos. Diz que, neste particular a Recorrente solicitou os extratos às instituições financeiras, no entanto, antes de recebêlos, a autoridade fiscal optou pela solicitação de requisição de RMF. As circunstâncias que levaram a fiscalização a requerer a movimentação bancária da Recorrente encontramse descritas na decisão recorrida (itens13/15), não contestadas pela Recorrente, que a seguir transcrevo: 13. Para avaliar se os dados bancários eram indispensáveis à fiscalização, é preciso conhecer a hipótese na qual a situação foi Fl. 736DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 10 9 enquadrada. Analisase a questão à luz da informação retratada no Termo de Verificação Fiscal (fls 541/542), já que a RMF não consta dos autos. 14. A Requisição da Movimentação Financeira foi motivada pela incompatibilidade dos seguintes elementos, não previamente justificados pelo contribuinte, apesar de várias vezes intimado para tanto (fl 542): (i) de acordo com os dados da CPMF prestada pelas instituições bancárias (art. 11, §2º, da Lei nº 9.311, de 1996), o contribuinte apresentou movimentação financeira nos anos de 2008, 2009 e 2010, nos valores de R$ 1.450.455,42, 2.118.691,95 e 4.629.783,77, respectivamente; (ii) consoante declarações apresentadas, o impugnante declarouse contribuinte do Simples Nacional, tendo auferido receitas no montante de R$ 293.049,72, 333.736,48 e 512.857,94, respectivamente. 15. A essa manifestada incongruência entre as informações prestadas pelo contribuinte e por terceiros, o Decreto nº 3.724, de 2001, qualifica como indispensável a requisição às instituições financeiras de informações do contribuinte relativas às contas de depósitos e de aplicações financeiras, como se lê nos preceitos abaixo: ... Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, a lavratura dos Autos de Infração (IRPJ e CSLL) se deu com base no lucro arbitrado, tendo em vista que o sujeito passivo não apresentou livros e documentos de sua escrituração, apesar de intimado a fazêlo, nos termos do artigo 530, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) aprovado pelo Decreto nº 3000/99. Ora, a falta da apresentação dos livros e documentos para a determinação da receita bruta justifica sobremaneira a requisição das informações bancárias junto as instituições financeiras como último recurso para a determinação da receita bruta e apuração dos tributos devidos. Preliminar rejeitada. b. Quebra do Sigilo Bancário RMF A Recorrente alega que o Supremo Tribunal Federal, em recente decisão plenária (RE nº 389.808), julgou inconstitucional a requisição por parte da Autoridade Fiscal de informações bancárias, representando este ato verdadeira quebra de sigilo bancário inconstitucional feita diretamente pela Receita Federal. Com efeito, o inciso I do § 6º do artigo 26A do Decreto nº 70.235/75, assim dispõe: Art. 26A.No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 737DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 11 10 ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) A norma contida na Lei Complementar 105/01, permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, e, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula nº 02, verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Apesar da alegação da Recorrente, o conhecimento que se tem é que, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, e que, a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Preliminar rejeitada. c. Nulidade Decorrente da Inobservância do Artigo 142 do CTN A Recorrente alega que não foi observado o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), no que concerne aos seguintes aspectos: 1. a fiscalização nada fez no sentido de verificar a ocorrência do fato gerador, uma vez que se apoderou irregularmente de informações sobre a movimentação financeira, bem como desconsiderou as informações constantes dos documentos contábeis e fiscais devidamente apresentados; 2. a fiscalização deixou de determinar a matéria tributável, pois deveria a fiscalização ter tributado a renda e não a totalidade dos depósitos, que com aquela não se confunde; 3. sendo óbvio que o mandamento aludido deve ser entendido como “calcular corretamente o montante do tributo devido”. Conclui que pelos equívocos acima narrados é evidente que o valor exigido não fora obtido de acordo com a boa técnica de auditoria, razão pela qual, por decorrência, aqui também se verifica a inobservância da norma que baliza a atividade de lançamento. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 12 11 A nulidade arguida pela Recorrente se imbrica com as alegações da Recorrente quanto ao lançamento que é matéria de mérito como se verifica a seguir, razão pela qual serão analisadas conjuntamente (preliminar e mérito). MÉRITO a. Incorreta Apuração do Crédito Tributário pelo SIMPLES NACIONAL. A Recorrente alega que não há decisão definitiva sobre o ato de exclusão do Simples, que tramita nos autos do processo 10830.726329/201227, o crédito tributário em questão jamais poderia ter sido constituído, porquanto não se tem certeza sobre qual o regime de tributação a ser aplicado. A Recorrente aduz que para apurar a base de calculo da exigência em questão a autoridade administrativa utilizou o arbitramento do lucro previsto no artigo 530, III, do Decreto 3000/99, de sorte que o presente lançamento deverá ser cancelado se também for cancelado o ato declaratório executivo que excluiu a Recorrente do Simples Nacional, haja vista que tal exclusão ainda não pode surtir seus efeitos legais, posto que efetivamente impugnada. Na esteira da decisão recorrida, não se reconhece na inexistência da definitividade do ato de exclusão obstáculo normativo à feitura dos lançamentos tributários, esta é também a conclusão que se depreende da Súmula CRF nº 77, verbis: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Ademais, como esclarecido no início do presente voto, ocorreu a decisão definitiva proferida no Acórdão nº 0826.571, de 04 de setembro de 2013, que manteve o Ato Declaratório de Exclusão (ADE) da pessoa jurídica do Simples Nacional, tendo em vista que dessa decisão não há qualquer contestação expressa no presente recurso voluntário. Argumentação improcedente. b. Arbitramento do Lucro A Recorrente alega que o arbitramento do lucro é medida extrema, devendo ser efetivamente demonstrada e justificada a necessidade de sua adoção pela autoridade fiscal. É modalidade de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda nas situações em que não é possível apurálo nem pelo lucro real nem pelo lucro presumido. Aduz que a autoridade administrativa detinha o valor total dos depósitos bancários supostamente omitidos, e, portanto, tinha plena condições de apurar o crédito tributário pelo lucro real, tendo em vista que a Recorrente fora excluída do SIMPLES. Conclui que por tal motivo deve o presente lançamento ser cancelado, em razão de ilegal arbitramento do lucro promovido pela autoridade fiscal, ao arrepio da legislação, distorcendo a realidade fática para adequála a sua livre opção. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 13 12 A situação irregular da empresa sob ação fiscal foi bem delineada pelo autuante no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, que ao tratar dos fundamentos para a exclusão do Simples Nacional, informa que a empresa não escriturou o Livro Caixa, com a movimentação financeira e bancária realizada nos anos de 2008, 2009 e 2010, vejamos: 21. Embora a empresa esteja cadastrada como empresa de pequeno porte (EPP), para que possa se beneficiar da tributação do Simples, deve cumprir o determinado na Lei Complementar no. 123, conforme a seguir transcrito: Lei Complementar 123/2006: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. § 2° As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. 22. Uma vez que a empresa não escriturou o Livro Caixa, com a movimentação financeira e bancária realizada nos anos de 2008, 2009 e 2010, procedeuse a exclusão de ofício da representada do SIMPLES NACIONAL, nos termos do Art. 29, incisos V e VIII, e parágrafo 1o, da Lei Complementar 123/2006, a seguir transcritos: ... Registrese que de acordo com o artigo 32 da Lei Complementar 123/2006, as microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarse ão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. verbis. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. § 1o Para efeitos do disposto no caput deste artigo, na hipótese da alínea a do inciso III do caput do art. 31 desta Lei Complementar, a microempresa ou a empresa de pequeno porte desenquadrada ficará sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando efetuado antes do início de procedimento de ofício. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 14 13 § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. No auto de infração, o autuante esclarece as circunstâncias ocasionadas pelo contribuinte que fundamentaram o arbitramento do lucro, verbis: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a empresa fiscalizada apresentou Declaração Anual do Simples Nacional em relação ao anos calendário de 2008, 2009 e 2010. Indubitavelmente, o contribuinte que excluído do Simples Nacional não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais para apurar o IRPJ com base no lucro real, e, não houver optado pela tributação com base no lucro presumido, está sujeito à tributação com base no lucro arbitrado. Destarte, tratandose de empresa a ser tributada com base no Lucro Real, na falta de apresentação da escrituração contábil regular e na impossibilidade de apuração do lucro por essa modalidade, enseja a apuração dos tributos devidos com base nos critérios do Lucro Arbitrado, conforme disposto no artigo 530, inciso III do RIR/99, verbis: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº9.430, de 1996, art. 1º): ... IIIo contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... A argumentação da Recorrente de que a autoridade administrativa detinha o valor total dos depósitos bancários supostamente omitidos, e, portanto, tinha plena condições de apurar o crédito tributário pelo lucro real, tendo em vista que a Recorrente fora excluída do SIMPLES é totalmente despropositada e sem qualquer afinidade com as regras de tributação com base no lucro real. Sobre a imprópria argumentação da Recorrente, vale transcrever excertos da decisão recorrida cujos fundamentos também adoto como razão de decidir, verbis: 65. O argumento não tem sustentação contábil fiscal e jurídica. 66. Em primeiro lugar, a apuração do lucro real pressupõe a determinação do lucro contábil, que, por sua vez, carece do confronto entre receitas e custos/despesas, só verificáveis de plano à luz da escrituração regularmente realizada (requisitos Fl. 741DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 15 14 formais e materiais), de que reconhecidamente não dispõe o impugnante. 67. Não dispõe também o impugnante do livro de apuração do lucro real, indispensável à demonstração dos ajustes sobre o lucro contábil para se chegar à matéria tributável. 68. Em segundo lugar, o ônus de apresentar a escrituração é do contribuinte, não havendo, em contrapartida, previsão legal de atuação da fiscalização na (re)constituição da escrituração do fiscalizado, quando ela se revelar inservível para a determinação do lucro real. 69. Em terceiro lugar, a hipótese legal para a realização do arbitramento do lucro se faz presente no caso concreto, já que o contribuinte não apresentou livro e documentos de sua escrituração (art. 530, III, do RIR/99). 70. Por fim, cumpre enfatizar que a tributação com base no lucro arbitrado não é medida tomada com o fim de apenar o contribuinte; tratase, tão somente, de forma suplementar de apuração dos resultados, quando se verifica a impossibilidade de se aferir o lucro real da empresa. É esta a situação com a qual a autoridade lançadora se defrontou, impondolhe vinculadamente o arbitramento do lucro com base na receita bruta levantada a partir dos depósitos bancários. ... c. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Considerações Acerca do Imposto de Renda, CSLL, PIS e Cofins; d. Impossibilidade de Caracterização do Depósito Bancário como Fato Gerador do IRPJ A defesa da Recorrente nos dois tópicos acima, é no sentido de que os lançamentos foram realizados com base em valores creditados em contas bancárias e que o depósito bancário não representa disponibilidade econômica ou jurídica de renda (riqueza nova), muito menos de proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTN). Conclui que, se não há acréscimo patrimonial a tributação pelo imposto de renda não é constitucional. Sobre a argumentação da Recorrente, o entendimento encontrase pacificado no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo inclusive objeto da Súmula CARF nº 26 que assim dispõe: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como cediço, o arbitramento é modalidade ou regime de apuração do lucro. No caso concreto, a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real, implica no arbitramento do lucro. Assim, em razão da pessoa jurídica NÃO haver apresentado os livros e documentos para sua escrituração, não restara outra alternativa à fiscalização a não ser proceder ao Arbitramento do Lucro, com base no artigo 45 e inciso III do artigo 47, da Lei n° Fl. 742DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 16 15 8.981 de 20 de janeiro de 1995 consolidados no artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3000, de 1999) que assim dispõe: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Io contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; IIIo contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IVo contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; Vo comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VIo contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Como descrito acima, apesar de intimada a pessoa jurídica, sujeita à tributação pelo lucro real, não apresentou à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, e, desse modo, não há como deixar de reconhecer a materialização da hipótese de arbitramento de lucro, conforme previsto na legislação acima, independente de sua atividade comercial e lucratividade no ramo do seu negócio. O auto de infração evidencia que para a determinação da base de cálculo para o IRPJ foi aplicado, sobre a receita bruta, configurada pelos depósitos bancários com origem não justificada, o coeficiente de 9,6%, que significa o coeficiente de 8% acrescido de 20%, sobre a receita bruta trimestral conhecida, apurada de ofício, com fundamento nos artigos 518, 519 e 532 do RIR/99 que assim dispõem: Art.518.A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7o do art. 240 e Fl. 743DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 17 16 demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts. 1o e 25, e inciso I). Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. ... Art.532.O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (Grifei) Gizse que, o arbitramento do lucro tem apoio no artigo 44 do CTN, como base de cálculo do IRPJ, apurado conforme determinação contida em leis específicas e consolidadas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), acima transcritos. Portanto, não merece reparos à base de cálculo do lançamento além de legítimo o arbitramento do lucro na situação descrita nos autos. Quanto às provas consideradas para apuração do lucro tributável, cabe esclarecer que, para o conhecimento da receita bruta, a legislação não limita os meios de prova admitidos, valendo para o processo fiscal a mesma regra do art. 332 do CPC: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funde a ação ou a defesa.” d. Impossibilidade de Facultar ao Contribuinte o ônus de Provar em Face da Presunção do Artigo 42 da Lei ns 9.430/96. A Recorrente alega que o artigo 42 da Lei n. 9.430/96 deve ser aplicado nos casos em que o contribuinte deixe de comprovar, ainda que por amostragem, justificativa para os ingressos financeiros ocorridos em suas contas bancárias. E que, por conta dessa previsão legal, a fiscalização não pode, ao arrepio dos direitos e garantias constitucionais tributários vigentes em nosso país, com base única e exclusivamente em dados isolados, presumir a ocorrência de fato gerador de tributo. Argúi que, o fato indiciário especificamente determinado pela norma deve ser aquele em que a renda do contribuinte tenha sido, efetivamente, omitida, configurando, somente desta forma, a intenção de fraudar, omitindo receitas frente à tributação. Diz que, pelo falso comodismo proporcionado por presunções legais temerárias como esta trazida pelo art. 42 da Lei ne 9.430/96, a fiscalização utilizouse ilegalmente de outra presunção não autorizada, tentando transferir ao contribuinte o ônus da prova de que não ocorreu o fato indiciário. Apesar da insurgência da Recorrente, o que se observa no caso em tela, é que a constituição de crédito tributário referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ e do lançamento reflexo da CSLL, se deu com base no lucro arbitrado, tendo em vista que a contribuinte intimada não apresentou os livros e documentos de sua escrituração contábil necessários a apuração do lucro real. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 18 17 É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96, ao contrário do procedimento aventado pela interessada/Recorrente, permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Ressaltese, de plano, que aqui não cabe a alegada necessidade de comprovação por parte do Fisco. Os enunciados das súmulas abaixo são esclarecedores, portanto desnecessária outra explicação sobre o assunto, vejamos: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de tal comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Os valores trimestrais ou mensais (no caso do PIS e Cofins) dos créditos não comprovados foram objeto de lançamento de ofício, pois ficou caracterizada a omissão de receita à qual não há contestação cabal. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. A tributação dessa receita, por sua vez, encontra abrigo e visibilidade na mencionada lei tributária que estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo júris tantum (relativa). A empresa autuada, para descaracterizar a presunção de omissão de receitas, por depósitos bancários, deveria produzir a prova que se lhe impunha, fato de que não se desincumbiu. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente observa que seus argumentos se prestam integralmente para a tributação da CSLL, conforme disposição expressa do art. 57 da Lei n° 8.981/95. Quanto ao PIS e Cofins, diz que uma vez evidenciada a duvidosa e incerta imputação sobre omissão de receita, conforme afirmado expressamente pela própria autoridade fiscal que a movimentação financeira é decorrente de receitas de vendas, portanto, apontando provável origem das receitas supostamente omitidas, não cabe com base nesse mero indício, constituirse base de cálculo das contribuições em comento, sem que a autoridade fiscal demonstrasse, mediante outros elementos de prova, a procedência segura e robusta de omissão de vendas, posto que, como é sabido, dentro dos limites do processo, tratase de verificação de movimentação de origem dos depósitos bancários. Registrese que o decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), tendo em vista que se originam dos mesmos elementos de prova. Feitas as observações acima cai por terra toda a argumentação da Recorrente. f. Qualificação da Multa de Ofício A Recorrente alega que é inaceitável a qualificação da multa haja vista que o auto de infração está amparado em presunção legal de omissão de rendimentos, que independe de qualquer elemento de prova tanto por parte do Fisco quanto por parte do contribuinte, advinda da análise da movimentação bancária. Argúi que a mera presunção legal de omissão de receitas, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos artigos 71,72 e 73 da Lei 4.503/64. E que, o fato de a Recorrente não ter logrado comprovar a origem dos valores creditados em contas de depósitos ou de investimentos em instituição financeira, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude, tampouco, o fato contribuinte não ter declarado a totalidade de seus rendimentos, não permite o enquadramento para a qualificação da multa de ofício no percentual de 150%. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% foi aplicada Em razão da prática reiterada de omissão de receitas, no que se refere ao IRPJ e a CSLL e da falta de inclusão desta receita na base mensal do PIS e da COFINS, nos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008, nos termos do Art.44 da Lei 9.430/96. Assim aduziu a autoridade fiscal no mencionado Termo de Verificação Fiscal: ... Quando se pratica uma determinada conduta delitiva, de forma não reiterada, até poderíamos considerála como um erro escusável, dependendo, é claro, de uma análise do conjunto dos fatos. Mas quando se pratica a mesma conduta delitiva consecutivamente por vários anos, não se pode aceitar que tal evento seja meramente um erro escusável. O intuito doloso foi caracterizado pela prática reiterada de uma mesma infração: Omissão de Receitas da Atividade culminando com a não Fl. 746DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 20 19 declaração do IRPJ e reflexos comprovadamente devidos, conforme acima demonstrado. Como anteriormente explicitado, enquanto se analisou a Requisição da Movimentação Financeira do contribuinte, fora verificado que o mesmo apresentou movimentação financeira nos anos de 2008, 2009 e 2010, nos valores de R$ 1.450.455,42, 2.118.691,95 e 4.629.783,77, respectivamente. Nos mesmos anos calendário, a omissão de receita caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme consta do auto de infração, apresentase no montante de: R$ 973.653,81, 1.292.504,95 e 3.260.446,31, respectivamente, enquanto na Declaração Anual do Simples Nacional, o contribuinte declarou ter auferido receitas no montante de R$ 293.049,72, 333.736,48 e 512.857,94, respectivamente. Portanto, a omissão de receitas do contribuinte é de, no mínimo, três a seis vezes a receita declarada nesses períodos; é dizer que, o contribuinte reiterou, nesses três anos, a conduta de não escriturar e de não declarar a receita como bem assentado na decisão recorrida. Com efeito, a conduta do sujeito passivo durante três anos consecutivos, em praticar vultosas operações comerciais e financeiras, apresentar Declaração Anual do Simples Nacional por três anos consecutivos (2008, 2009 e 2010) com receitas em montante que representa em torno de 05 (cinco) vezes menos que sua movimentação financeira e não atender às intimações para apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, evidencia vontade inequívoca dolosamente dirigida à sonegação tributária, ensejando assim a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. Os fatos acima foram suficientes para qualificar a conduta dolosa da pessoa jurídica, pois demonstram o intuito de impedir ou no mínimo de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da administração tributária, e, que para conduta assim descrita deve ser aplicada a multa qualificada, no percentual de 150%, nos moldes do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. A multa de ofício lançada, foi aplicada no percentual de 150%, com escora no art. 44, § 1º e inciso I, da Lei nº 9.430/96 que não deixa margem a qualquer discricionariedade da autoridade administrativa ao assim determinar, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 747DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10830.726963/201260 Acórdão n.º 1201001.431 S1C2T1 Fl. 21 20 (...) LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL, PIS e Cofins Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares, e, no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 748DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 05/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13794.720292/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, deve ser afastado o lançamento.
TRIBUTÁRIO. DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Descabe a revisão do lançamento, quando na busca nos sistemas da Receita Federal do Brasil, constata-se que os rendimentos declarados pelo contribuinte são incompatíveis com as importâncias informadas na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias - Dimob.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa de IRRF de R$ 2.260,78.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, deve ser afastado o lançamento. TRIBUTÁRIO. DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Descabe a revisão do lançamento, quando na busca nos sistemas da Receita Federal do Brasil, constata-se que os rendimentos declarados pelo contribuinte são incompatíveis com as importâncias informadas na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias - Dimob. Recurso Voluntário Provido em Parte
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COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, deve ser afastado o lançamento. TRIBUTÁRIO. DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Descabe a revisão do lançamento, quando na busca nos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatase que os rendimentos declarados pelo contribuinte são incompatíveis com as importâncias informadas na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa de IRRF de R$ 2.260,78. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 4. 72 02 92 /2 01 2- 03 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13794.720292/201203, em face do acórdão nº 1250.707, julgado pela 21ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), na sessão de julgamento de 13 de novembro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 21/06/2012 contra a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 04/06/2012, que apurou o crédito tributário de R$ 1.773,48, em resultado da revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA, Exercício de 2011, Anocalendário de 2010, recepcionada em 01/12/2011, fls. 51 a 57. 2. No procedimento fiscal de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA 2011, fundamentada nos arts. 788; 835 a 839; 841; 844; 871e 992 do Decreto 3000, de 26/ 03/ 1999, foram tomados para o cálculo do Imposto devido os rendimentos declarados e os omitidos, estes de R$ 2.260,78, recebidos da fonte pagadora Roza Campelo Edições Culturais Ltda., CNPJ 04.279.462/000140; desconsiderando o valor declarado de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$ 2.260,78 pela mesma Empresa. 3. O Impugnante, trazendo anexados à defesa os documentos de fls. 10 a 49, argumenta não ter havido omissão de rendimentos; e que a quantia tida como omitida corresponderia ao IRRF, que foi deduzido dos rendimentos, conforme orientação do Manual do Imposto de Renda Retido na Fonte Mafon. Em relação ao recolhimento da importância retida, este deveria ser cobrado da fonte pagadora Roza Campelo Edições Culturais Ltda., CNPJ 04.279.462/000140, estabelecida na Rua Vinte e Quatro de Maio nº 1355, Méier, Rio de Janeiro, RJ, a quem compete o pagamento do Imposto. 3.1. Espera seja acolhida a impugnação e que esta tenha análise prioritária em virtude da previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471/2003 (Estatuto do Idoso). É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13794.720292/201203 Acórdão n.º 2202003.288 S2C2T2 Fl. 122 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 TRIBUTÁRIO. DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Descabe a revisão do lançamento, quando na busca nos sistemas da Receita Federal do Brasil constatase que os rendimentos declarados pelo contribuinte são incompatíveis com as importâncias informadas na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias Dimob. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 71/73, onde reitera os argumentos apresentados na impugnação e realiza a juntada de documentos aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o acórdão recorrido fundamentou a improcedência da impugnação pelo fato de o contribuinte não ter apresentado provas de que houve a retenção de IRRF sobre os valores recebidos de aluguéis, bem como pela omissão de rendimentos de parte destes valores. O contribuinte, quando da impugnação, deixou de apresentar documentos para provar o seu direito. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Todavia, em recurso voluntário, apresentou documentos que comprovam que sofreu a retenção de imposto de renda dos valores que recebeu de alugueis, conforme verifica se às fls. 74/118. Em nome do princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, acolho os documentos apresentados como elementos de prova do direito da contribuinte. Face a isto, entendo possível analisálos nesta fase do processo. Deste modo, pela documentação apresentada, afasto a glosa do IRRF no valor de R$ 2.260,78, pois considero comprovada a retenção de imposto de renda (IRRF) sobre os rendimentos recebidos de aluguéis pelo contribuinte no exercício fiscal objeto deste processo administrativo, conforme documentos de fls. 74/118. Todavia, quanto a omissão de rendimentos, entendo que não merece reparos o acórdão da DRJ de origem. Ocorre que o contribuinte recebeu R$ 17.375,28 (valor bruto) de aluguel da Primar Predial Rio Maior Adm Bens (imobiliária que administra a locação do imóvel locado à Roza Campelo Edições Culturais Ltda), sendo descontado deste valor a quantia de R$ 1.461,10 a título de comissão. Portanto, o rendimento do contribuinte foi R$ 15.914,18. Deste valor foi descontado IRRF no valor de R$ 2.260,78. Logo, o valor efetivamente recebido pelo contribuinte foi R$13.653,40. O contribuinte alega em recurso voluntário que não entende o cálculo realizado pela fiscalização e pela DRJ, vejamos: "Aqui por sua vez não entendi a conta matemática, se como já disse que recebi o valor bruto de R$ 17.375,28, paguei de comissão a PRIMAR ADMINISTRADORA DE VENS no valor de R$ 1.461,10, me restando R$ 15.914,18 (valor este que vocês informam que foi declarado como líquido pela Primar Administradora) pegandose este valor, R$ 15.914,18 e descontandose o IRRF no valor de R$ 2.260,78, ficando o recebimento líquido de R$ 13.653,40, este sendo o valor por mim declarado, portanto não há desconto em duplicidade como alegado". Ocorre que se equivocou o contribuinte ao declarar que recebeu R$ 13.653,40 e que teve retido R$ 2.260,78, pois se assim fosse, teria ele recebido o valor de R$ 11.392,62, o que não aconteceu. Está claro nos autos que ele recebeu R$ 13.653,40, valor este já com desconto da retenção do imposto de renda. O contribuinte deveria ter declarado em sua Declaração de Ajuste Anual que recebeu R$ 15.914,18 (valor este já com desconto da comissão da imobiliária), com o desconto de IRRF (R$ 2.260,78), o que resulta em R$ 13.653,40. Todavia, fez o contribuinte, na prática, duas vezes o desconto do valor de IRRF (R$ 2.260,78). Assim, acabou ele por declarar R$ 2.260,78 a menos do que deveria, omitindo, assim, tal quantia de seus rendimentos tributáveis. Face a isto, não merece reparos o acórdão recorrido quanto a omissão de receita no valor de R$ 2.260,78, pois demonstrado o equívoco do contribuinte ao realizar a sua Declaração de Ajuste Anual. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13794.720292/201203 Acórdão n.º 2202003.288 S2C2T2 Fl. 123 5 Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a glosa de IRRF no valor de R$ 2.260,78. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 19814.000308/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 14/03/2006
CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO. VALOR. ARBITRAMENTO. MULTA DE 100%. DOLO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. PENALIDADE. EXCLUSÃO.
A imposição de multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço praticado, ou preço declarado e preço arbitrado, nos casos de subfaturamento na importação, exige a comprovação da ocorrência de fraude, sonegação ou conluio na operação investigada.
A irregularidade constatada no curso de outro procedimento de fiscalização não traz, por si só, presunção absoluta de infração de caráter intencional praticada nas demais operações conduzidas pela pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 14/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 14/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Prado, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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INFRAÇÃO. FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO. VALOR. ARBITRAMENTO. MULTA DE 100%. DOLO. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. PENALIDADE. EXCLUSÃO. A imposição de multa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço praticado, ou preço declarado e preço arbitrado, nos casos de subfaturamento na importação, exige a comprovação da ocorrência de fraude, sonegação ou conluio na operação investigada. A irregularidade constatada no curso de outro procedimento de fiscalização não traz, por si só, presunção absoluta de infração de caráter intencional praticada nas demais operações conduzidas pela pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 14/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 03 08 /2 00 6- 11 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Prado, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O presente Auto de Infração trata da cobrança de Multa do Controle Administrativo das Importações (100% Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.1583501, regulamentado pelo art. 633, inciso I, do Decreto n°4.543/02). De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração, em ato de conferência aduaneira a que se refere o artigo 504 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 e, à vista do que determina a Portaria MF n° 150/82, entende a fiscalização que o Importador não faz jus aos direitos pleiteados, para importação dos bens objetos da DI de nº 06/02909257, Adições 003 a 009, registrada em 14/03/2006, fls. 76/87, sem a incidência do imposto de importação, na forma do disposto no artigo 71, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, pelas razões a seguir. O importador submeteu a despacho aduaneiro de exportação para substituição os bens descritos nas R.E.s de fls.15/24, fundamentando sua petição inicial na Portaria MF n° 150/82, modificada pelas Portarias MF fls. 326/83 e 240/86. Destacou a fiscalização que a Portaria MF n° 150/82, trata somente de mercadorias importadas com defeito de fabricação e aquelas que se encontram amparadas por Contrato de Garantia e que apresentarem defeito de fabricação, dentro do seu prazo de vida útil, mediante comprovação através de Laudo Técnico. Analisando os autos, não consta laudo técnico, expedido por Instituição idônea na forma da Portaria MF n° 150/82, que comprove a imprestabilidade da mercadoria substituída. Embora o interessado tenha especificado, no Campo 25, das REs (fls. 15/24) — Observações do Exportador as DIs de Nacionalização, na análise das referidas DIs, fls. 42/44 e 45/47, podemos observar que não foram importados os Amplificadores destacados nas REs. As folhas 55/60 do presente processo encontrase juntado um Relatório de Inspeção IS 77996/2005, emitido pela SGS do Brasil S.A., tendo como objeto de inspeção: 01 (um) amplificador de potência 40w 800 MHz, Part Number TTF1580A e 01 (um) amplificador de potência 40W 800MHZ, Part Number CLF1772F, onde o emitente declara que: "De acordo com a análise documental, foi possível verificar que não há diferença técnica entre o amplificador de potência Part Number TTF1580A e o amplificador P/N CLF 1772F", e que "de acordo com os resultados de inspeção visual, foi possível verificar que não há diferença quanto à forma, características de ajuste e funcionalidade entre o amplificador P/N TTF1580A e o amplificador PN CLF 1772F". As L.I.s foram deferidas sem a apresentação do necessário laudo técnico, conforme podemos observar nos próprios documentos, os termos: NÃO EXISTE LAUDO TÉCNICO PARA ESTA ANUÊNCIA, portanto, contrários ao que determina a Portaria MF n° 150/82. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000308/200611 Acórdão n.º 3102003.244 S3C1T2 Fl. 13 3 Segundo entendimento da fiscalização, na alteração do Part Number da mercadoria, principalmente tratando de bens de informática e telecomunicações, tais como: placas, disco rígido, amplificador de potência, o novo bem traz consigo inovações tecnológicas, face a rapidez nas evoluções tecnológica dessa área, tanto em software quanto em hardware, impondo uma depreciação acelerada tendo em vista da sua obsolescência. Os equipamentos importados em substituição com novo Part Number, vem com tecnologia atualizada, mais avançada, ou também poderão vir bem recondicionados ou manufaturados, como material, impossível de ser analisado no ato do desembaraço, visto não dispormos do País, de Laboratórios de Análise que possa detectar defeitos em componentes eletrônicos de placas, discos rígidos e outros bens da área de informática e telecomunicações. Além do que, conforme comprova o Relatório de Inspeção emitido pela SGS 411 com a alegação de que: "O amplificador de potência 40w 800MHZ não está mais sendo fabricado pela MOTOROLA INC., com o Part Number TTF1580A e por isso, está sendo substituído pelo Part Number CLF1772F", de plano contradiz o que determina a Portaria MF 150/82. Quanto ao contrato, entende a fiscalização que entre as partes: MOTOROLA, como contratante e NEXTEL BRASIL S/A como contratada, nos termos em que se encontra, não dá nenhum amparo para substituição de peças e equipamentos com o benefício de não incidência dos tributos conforme pleiteado pela Interessada (NEXTEL). Isso porque, tratase de Contrato de exclusividade com valor estipulado pelo fornecedor/fabricante dos equipamentos, (MOTOROLA USA), prorrogável ano a ano com novos valores e, conserto definido do módulo... "Este programa não inclui atualizações de software/hardware ou serviços para consertar qualquer equipamento". Notase que não se fala em novo Part Number, cuja tecnologia (software/hardware), mais atualizada certamente terá um novo valor. Através da Petição, protocolada em 14/03/2006, fls. 75, a interessada solicita a "REIMPORTAÇÃO DAS MERCADORIAS OBJETOS DA D.I. n° 06/02909257, SEM INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS" fundamentando seu pedido nos artigos 74, inciso II e 409 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. Os dispositivos legais citados, tratamse somente de exportação temporária, em nenhum momento fala de substituição de mercadorias nos termos da Portaria MF n° 150/82. Por fim, cabe destacar que, conforme citado pela fiscalização, em recente trabalho de representação fiscal contra a NEXTEL, processo n° 10831.008937/200355, ficou constatado, através de documentos da própria empresa, "Packing List" com valor FOB das mercadorias, encontrados no interior dos respectivos volumes", trazendo com isso, valores muito superiores aos declarados nas importações, cujas mercadorias, naquele momento estavam sendo despachadas em regime de exportação temporária para conserto, levando a fiscalização a detectar fortes indícios de subfaturamento nas importações, conforme demonstrado as fls. 04/06 do Auto de Infração. Entre outros, conforme fls. 05 do Auto de Infração, encontravase no Packing List, o preço do Amplificador de Potência de 40W, no valor de US$ 15.473,00. (negritei) Em vista disso, foi lavrado o Auto de Infração, de fls. 01 a 10, para a cobrança da multa prevista no art. 633, inciso I do Regulamento Aduaneiro, Fl. 451DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, multa esta de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Ciente do Auto e Infração em 31/05/2006 (fl. 01); em 30/06/2006, a interessada apresentou a impugnação de fls. 206/217, onde em síntese alegou: o procedimento adotado pela Impugnante na exportação para substituição dos equipamentos insertos nas DIs foi analisado pela fiscalização aduaneira, concluindo erroneamente pela diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado pela Impugnante, aplicando à mesma multa administrativa, ante os seguintes argumentos: (i) ausência de laudo técnico a amparar as exportações para substituição; (ii) que o contrato de garantia celebrado entre a Impugnante e o fabricante dos equipamentos sujeitos a reparo não ampara a substituição de peças e equipamentos sem a incidência de tributos; (iii) que a mera alteração de Part Number dos equipamentos implica na inovação tecnológica dos mesmos; e (iv) diferença de valores entre os equipamentos objeto da presente autuação fiscal e outros importados anteriormente pela Impugnante; forçoso concluir que o conjunto da autuação levada a efeito, não se sustenta, possivelmente pela especificidade da matéria em comento. É o que se passa a demonstrar; todos os requisitos previstos na Portaria MF nº 150/82, foram cumpridos, bem como inexiste qualquer subfaturamento apto a justificar a cobrança da multa administrativa aqui combatida; alega a fiscalização que as exportações para substituição procedidas pela Impugnante foram feitas sem o respaldo de laudo técnico, exigido pela Portaria MF nº 150/82; a Impugnante apresentou laudo técnico, elaborado pela empresa SGS do Brasil Ltda. Multinacional de renome mundial, presente em mais de 136 países e de idoneidade incontestável; referido laudo, denominado Relatório e Inspeção, teve por objetivo apresentar o resultado da inspeção realizada pela empresa nos equipamentos defeituosos embarcados para substituição ser promovida pela Motorola Inc., com o fito de identificar defeitos ou imprestabilidade ao fim a que se destina, concluindo se que "a partir dos resultados descritos acima, constatouse a presença de danos e irregularidades nos produtos inspecionados, impossibilitando assim o seu uso ao fim a que se destinam." (Doc. 02) grifou; o laudo técnico foi apresentado ao DECEX Brasília em cumprimento à exigência automática ocorrida no momento do registro do RE no SISCOMEX. Tanto assim que, cumprida tal exigência, foi deferido pelo mencionado órgão o competente Registro de Exportação, consoante demonstrado no cronograma (fls.210); o laudo técnico emitido pela empresa SGS do Brasil Ltda., no qual atesta a imprestabilidade dos equipamentos remetidos para substituição mediante exportação prevista na Portaria MF n° 150/82 faz parte integrante do referido processo de exportação para substituição; a Portaria n° 150/82, não exige descrição detalhada da mercadoria, Part Number e número de série, país de origem, etc; ainda que assim não fosse, é certo que os equipamentos exportados pela Impugnante para substituição tiveram suas descrições detalhadas no referido laudo, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000308/200611 Acórdão n.º 3102003.244 S3C1T2 Fl. 14 5 o que torna inconteste a possibilidade da fiscalização aduaneira identificar os equipamentos imprestáveis para uso e sujeitos à substituição; além do laudo, a Impugnante requereu a elaboração, pela mesma empresa SGS do Brasil Ltda., de laudo atestando a inexistência de diferenças técnicas entre os equipamentos substitutos e substituídos; isso porque, alguns dos equipamentos objeto da exportação para substituição tiveram alterado o número de seu Part Number, sem que tal alteração trouxesse, contudo, qualquer melhoria funcional em tais equipamentos, (Doc. 03); a alteração de Part Number não traz qualquer inovação funcional e tecnológica nos equipamentos, que mantém a mesma funcionalidade e capacidade daqueles substituídos; a Portaria que disciplina a exportação de equipamentos para substituição foi publicada no ano de 1982, época em que a tecnologia era incipiente; a Impugnante possui com a empresa fabricante dos equipamentos substituídos Motorola Inc. contrato de garantia o que torna sem sentido, em termos comerciais, que a fabricante incremente a tecnologia de equipamentos suportados por garantia sem a cobrança de qualquer contraprestação; os equipamentos defeituosos foram substituídos por outros de mesma capacidade e função; para justificar o alegado subfaturamento, pautase na existência de um "Packing List" cujo valor declarado é superior àqueles declarados nas importações ora analisadas. Tais argumentos, todavia, são desprovidos de qualquer fundamento fático e legal, (cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes); o método de valoração aduaneira adotado pela Impugnante, cumulado com o acordo comercial estabelecido entre as partes pressupõe que a empresa autuada deverá considerar o preço efetivamente praticado na importação dos equipamentos e não aquele relacionado no referido "Packing List", o que afasta integralmente o alegado subfaturamento e das mercadorias; não se pode deixar de mencionar que a Impugnante, até os dias atuais, é a única empresa que opera com referida tecnologia no Brasil, o que a coloca na condição de empresa importadora de grande quantidade dos equipamentos objeto da inspeção aduaneira e autuação fiscal aqui combatidas; a fiscalização aduaneira não possui sequer parâmetros de comparação dos preços praticados pela Impugnante com outras empresas do ramo de telecomunicações a amparar qualquer alegação de subfaturamento; nos casos de substituição de equipamentos amparados em contrato de garantia, não há prazo estipulado pra a exportação das mercadorias imprestáveis ao fim a que se destinam, razão pela qual, à vista do contrato de garantia dos equipamentos importados, o direito da Impugnante à exportação para substituição daqueles imprestáveis para uso, se, cobertura cambial, está garantido pela Portaria MF n° 150/82; requer o cancelamento das cobranças intentadas, com o conseqüente arquivamento dos autos deste contencioso administrativo. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 14/03/2006 NÃO INCIDÊNCIA DE TRIBUTOS. Provado que a importação efetuada não atende às condições estabelecidas pela Portaria MF n° 150/82, com modificação da Portaria MF n° 240/86, é cabível a multa prevista no art° 633, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, por se tratar de importação comum. Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A introdução do Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, adotado no vertente voto, extraído da Descrição dos Fatos do Auto de Infração, dá conta das seguintes circunstâncias. O presente Auto de Infração trata da cobrança de Multa do Controle Administrativo das Importações (100% Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/01, regulamentado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02). Importante destacar o excerto acima para que fique claro tratarse de lide envolvendo a aplicação da "antiga" multa por subfaturamento do preço, à época dos fatos do processo, identificada como multa sobre a diferença entre o preço declarado e o preço praticado ou arbitrado. O objeto da lide é confirmado no Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração, no qual identificase exclusivamente a multa administrativa. Tais esclarecimentos tornamse cruciais, porque a Descrição dos Fatos do Auto de Infração sugere que o assunto gire em torno de outra exação, se não vejamos. Face ao exposto e, por tudo mais que do presente consta, submetoo à digna consideração de V.S a para conhecimento, com proposta de indeferimento das petições de fls. 72, do processo 19814.000291/200511 e fls. 67 do processo n° 19814.000292/200557 e do não reconhecimento como substituição de mercadoria nos termos da Portaria MF 150/82 e da não incidência do imposto de importação, nos termos do artigo 71, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, intimando o Importador para regularização do despacho aduaneiro de importação DI 06/02909257, registrada em 14/03/2006 e da D.I. 06/02863672, de 13/03/2006, com recolhimento de todos os tributos incidentes, (Imposto de Importação, IPI, ICMS, PIS/PASEP e COFINS), e multas por infração Fl. 454DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000308/200611 Acórdão n.º 3102003.244 S3C1T2 Fl. 15 7 aos artigos 602 e parágrafo único c/c artigo 645, inciso I c/c artº 633, inciso 1 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002 e artigo 69 §§ 1° e 2° incisos I,II e III e artigo 70, inciso II, alínea "a" e b", itens 1 e 2 da Lei n° 10.833/03 e artigo 19 da Lei n° 10.865/2004 (art.44, I da Lei n° 9.430/96). E, de fato, estão em pauta outros três processos da mesma empresa, nos quais discutese exatamente a exigência dos tributos a que se refere a Descrição dos Fatos. A despeito disso, o que importa é ser definido o alcance do presente litígio. Estando ele restrito à acusação de declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, penso que as questões suscitadas pela Fiscalização Federal no Auto de Infração acerca (i) do Contrato ou Programa de Garantia Estendido, (ii) da não apresentação do laudo técnico exigido pela Portaria MF150/82 e (iii) da identidade entre os produtos importados e os exportados para substituição por defeito, todas de extrema importância quando o assunto é a desoneração da importação prevista em Lei, tem, aqui, caráter apenas subsidiário, já que pouco ajudam na comprovação de que os preços declarados foram manipulados intencionalmente. Especificamente sobre o subfaturamento do preço, encontramse as seguintes informações na Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Sintome no dever de ofício de informarlhe que em recente trabalho de representação fiscal contra a NEXTEL, processo n ° 10831.008937/200355, cuja cópia juntamos ao presente, constatamos através de documentos da própria empresa, "Packing List com valor FOB das mercadorias, encontrados no interior dos respectivos volumes", trazendo com isso, valores muito superiores aos declarados nas importações, cujas mercadorias, naquele momento estavam sendo despachadas em regime de exportação temporária para conserto, levandonos a detectar fortes indícios de subfaturamento nas importações, senão vejamos: a) AMPLIFICADOR DE POTÊNCIA 40W P/ CLF1772A E CLF1772B, cujo valor no Packing List RMA 1033346, de US$ 13.000,00, enquanto na Declaração de Importação o mesmo equipamento foi declarado por US$ 2.915,00; b) AMPLIFICADOR DE POTÊNCIA DE 40W P/N TLF2020A S/N CAEXAT ODL Packing List RMAI 033346 com valor de US$ 15.473,00, com valor declarado na respectiva D.I. de US$ 2.913,62 C) CONTROLADOR INTEGRADO CONTROLLER ISC E1 P/N CLN 1442 a S/N CAE9905525 com valor FOB no Packing List RMAI 033346 de US$ 40.227,00 e na Declaração de Importação (D.I.) com valor declarado de US$ 4.680,00; d) Uma "Estação de Raio Base 40WE1, com software de operação, composta de : 1(um) CPN 1027B Fonte de Alimentação com Conversor DcDC de 600W, 01 (um) CLF1490D Módulo Excitador de 800MHZ, 1 (um) N/A Painel de Enchimento, 01(um) CLN1469D Modulo de Controle BRC versão SR4.0 e , 01(um) CLF1772B Amplificador de Potência 40W, a estação inteira declarada na importação pelo valor FOB de US$ 3.589,59 Obs.: A referida D.I. n 01/05812794, de 11/06/2001, foi parametrizado no SISCOMEX no Canal Verde. Observamos que quando o exportador é o mesmo fabricante (MOTOROLA INC. os amplificadores de potência 40W tem como valor unitário 15.473,00 (quinze mil, quatrocentos e setenta e três dólares americanos), conforme comprova a DI 02/10497607, de 26/11/2002, cuja cópia juntamos ao presente. . Fl. 455DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Do Relato da Fiscalização se compreende que a acusação está respaldada em instrução de despacho de exportação com packing list informando preços superiores aos declarados pela empresa nos documentos oficiais. Conforme se extrai do texto, a autuação foi baseada em recente trabalho de representação fiscal contra a Nextel, processo n° 10831.008937/200355. Esse processo, fica claro, nada tem a ver com a autuação ora submetida a julgamento. Se não pela ausência de elementos que indiquem qualquer vinculação do paking list com a importação realizada por meio da Declaração de Importação nº 06/02909257, na qual foram declaradas as mercadorias com preços neste considerados "subfaturados", também pelo fato de que tal representação ocorreu no ano de 2003, conforme indica o processo, e a importação em análise no ano de 2006, sem que tenha sido demonstrado que os preços declarados evidenciam uma prática reiterada. O texto da Descrição ainda menciona outros documentos que confirmam que o procedimento levado a efeito pela Fiscalização Federal tomou por base fatos identificados em outras operações. É o caso do esclarecimento de que a DI nº 01/05812794, de 11/06/2001, foi parametrizada para o Canal Cinza de importação, e que a DI nº 02/10497607, de 26/11/2002 confirma preços determinados em função do fabricante Motorola. A acusação de subfaturamento ou de prática de preço superior ao declarado não se confunde com os demais casos revisão do valor aduaneiro, seja a revisão decorrente da rejeição do primeiro método, seja da recomposição da base de cálculo, com a inclusão de valores que, embora não integrem o preço, devem ser acrescentados à base de cálculo dos tributos aduaneiros. No subfaturamento, é preciso que seja provado que o preço ou valor praticado naquela operação não foi o informado pelo importador na declaração de importação. Ao contrário, a rejeição do primeiro método ou recomposição do valor requer apenas o enquadramento do fato nas condições definidas na legislação de regência como aptas à aplicação dos métodos subsequentes, sucessivamente, ou à inclusão de valores na base de cálculo. Tratase de uma distinção de grande relevância, na medida em que cada uma das duas situações tem repercussões completamente diferentes. Com base nas irregularidades acima delineadas, a Fiscalização Aduaneira entende ter comprovado que ocorreu o subfaturamento do preço, o que significa dizer que o preço praticado na operação não foi o informado na Declaração de Importação identificada no Auto de Infração. Comprovar o fato ou direito, com se sabe, é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa assim a responsabilidade. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado; no entanto, não se molda tão bem a essa máxima. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19814.000308/200611 Acórdão n.º 3102003.244 S3C1T2 Fl. 16 9 No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. Nem mesmo se pode falar em pacto formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. No caso específico de subfaturamento do preço na importação, desnecessário dizer que o modelo acima não favorece a comprovação do ilícito. O contribuinte, por óbvio, não vai apresentar espontaneamente documentos que testemunhem negociação em valor superior ao informado. Também a contabilidade formal e os documentos correspondentes não conterão informações sobre a prática da irregularidade. Com efeito, será necessário que o Fisco obtenha as provas em procedimentos de exceção, tal como busca e apreensão no estabelecimento do contribuinte ou que as obtenha em situações peculiares, como durante a conferência física das mercadorias. Contudo, as ações empreendidas pela Fiscalização Federal com vistas à obtenção de provas por esses meios, evidentemente, nem sempre serão bem sucedidas. Em sentido diametralmente oposto, temse que também não é possível admitir que a constatação da ocorrência de uma infração dolosa em determinado momento se irradie para todas as demais operações conduzidas pela pessoa jurídica, trazendo a presunção de fraude para todas as negociações que venham a ser consumadas dali para frente. No caso concreto, a teor da Descrição dos Fatos do Auto de Infração, a acusação de subfaturamento do preço está respaldada, exclusivamente, em um paking list encontrado pela Fiscalização em uma operação de exportação cuja importação correspondente ocorrera cinco anos antes da importação objeto da presente autuação. Nada mais. A falta de um laudo técnico, o tempo transcorrido entre a importação e a exportação para reparo, a diferença de part number entre os bens exportados e importados, são elementos de prova importantes para decisão a respeito da não incidência do Imposto de Importação na reposição de peças defeituosas, mas nada representam quando a intenção é a de comprovar o subfaturamento do preço. O artigo 88 da MP 2.158/0135 exige a presença do elemento volitivo para o arbitramento do preço, se não vejamos. Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (grifos meus) I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; Fl. 457DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. A fraude, a sonegação e o conluio exigem prova. Na sua ausência, a legislação tributária autoriza a rejeição do primeiro método e valoração pelos métodos subsequentes, nunca o arbitramento do preço com imposição de multa por subfaturamento. Considerando que a Fiscalização Federal não trouxe aos autos nenhum documento capaz de demonstrar (i) a ocorrência de infração dolosa, (ii) a inadequação do preço declarado com as práticas comerciais do momento ou mesmo (iii) um nexo de causalidade entre a ação e o efeito decorrente, VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10675.721770/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula do CARF nº 1).
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relator.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula do CARF nº 1). Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relator. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 17 70 /2 01 4- 14 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza. Relatório Contra a contribuinte acima referida, foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 42/46), resultante da revisão da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF – do exercício de 2013 (fls. 47/54). A notificação tratou da omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada/PGBL/Fapi, no valor de R$ 23.387,12. A descrição dos fatos e enquadramento legal, encontramse às fls. 44. A recorrente apresentou impugnação em 31/07/14 (fls. 2/3), acompanhada dos documentos às fls. 4/46. A Contribuinte alega que em momento algum houve omissão de sua parte na DIRPF, que foi preenchida rigorosamente de acordo com o comprovante de rendimentos e o folder com esclarecimentos de sua fonte pagadora (fls. 5/8), sendo os rendimentos declarados nas fichas específicas da declaração. Destaca que o IRRF sobre a parcela de rendimentos com exigibilidade suspensa foi depositado em juízo. Informa que os rendimentos recebidos da PREVI Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil são oriundos de complemento de aposentadoria, auferidos a partir de 30/05/94, inexistindo, portanto, rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada/PGBL/Fapi. A ação judicial preiteou a restituição do IRRF retido sobre um terço do benefício da complementação de aposentadoria, bem como a suspensão da exigibilidade do IR sobre esses rendimentos, tendo tramitado em todas as instâncias e encontrandose em fase de execução. Assim, alega equivocada a afirmação da Equipe de Ações Judiciais de “... que o contribuinte, por ter logrado êxito em ação judicial, já se beneficiou da isenção em sua totalidade, no ano de 1997...” Apresenta documentos referentes à ação judicial (fls. 11/41). A Turma de Primeiro Grau, julgou a Impugnação oposta da seguinte forma: DAR PROVIMENTO à impugnação no que diz respeito à parcela do crédito tributário correspondente ao IRPF Suplementar de R$ 912,42, cancelandoa com a respectiva multa e juros de mora; NÃO CONHECER da impugnação do que diz respeito à parcela restante do crédito tributário atinente ao IRPF de R$ 6.344,04, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial deste valor . A contribuinte foi cientificada do Acórdão 1269.450 20ª Turma da DRJ/RJ1 em 01/12/2014 (fl. 90). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.721770/201414 Acórdão n.º 2301004.644 S2C3T1 Fl. 134 3 Em 23/12/2014 sobreveio recurso voluntário (fls. 96/99), acompanhado de documentos (fls. 100/127). Em suas razões, a recorrente alega preliminarmente que a decisão de primeira instância não pode prosperar, pois não houve concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa, uma vez que "a primeira se refere à isenção do IRPF e a segunda discute o tratamento adequado a ser dado no ajuste anual aos rendimentos com exigibilidade suspensa e seus respectivo IRRF, como se trata no caso presente." É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Relatora Alice Grecchi O recurso é tempestivo, mas não atende a todos os pressupostos intrínsecos de admissibilidade. Tratase de rendimentos considerados omitidos os quais encontravamse abrangidos por ação judicial e tinham sua exigibilidade suspensa. Como bem analisou a decisão de primeira instância, de fato, a DIRF apresentada pela Previ informa valores de rendimentos nessa situação e respectivos depósitos judiciais a título de IRRF (fl. 67). A Informação Fiscal à fl. 56, relata tratarse da ação judicial nº 200134.00.0176780 – 9ª Vara Federal do DF. A decisão do TRF da 1ª Região à fl. 33, referente aos embargos de declaração na apelação, ratifica o objeto da ação judicial e o deferimento do depósito dos valores discutidos, ambos noticiados pela Impugnante. A decisão do mesmo Tribunal à fl. 30, referente à apelação, por sua vez, consigna que é indevida a cobrança do IR sobre o valor da complementação de aposentadoria correspondente a recolhimentos para a entidade de previdência privada ocorridos no período de 01/01/89 a 31/12/95, sendo procedente o pedido de repetição de valores recolhidos a esse título no lapso aludido. A consulta à fl. 12 ao site do Tribunal confirma a Contribuinte como um dos autores da ação judicial e o trânsito em julgado em 23/08/11. Ocorre que a consulta à fl. 80 ao mesmo site informa que referida ação está em fase de execução contra a Fazenda Pública, com a “Observação” de “Pagar aos autores IR recolhido s/ complementação de proventos pagos p Previ 1/3”, constando que a PGFN teve acesso aos autos em 11/04/14 e, como último registro na Movimentação, uma diligência ordenada/deferida em 12/05/14. Fora elaborada pela DRF Uberlândia/MG, em 20/06/14, Informação Fiscal constante às fls. 56/66, em atendimento à PGFN/Brasília, que requereu o cálculo do valor pretendido pelo autor a título de restituição de IRPF. Este documento determinou os valores passíveis de restituição pela Contribuinte, trazendo os critérios, esclarecimentos e valores utilizados, concluindo que: a) os créditos a que a Contribuinte teria direito seriam totalmente consumidos em suas DIRPFs dos anos de 1994 a 1997, refeitas com a exclusão dos valores atualizados das contribuições vertidas nos anos de 1989 a 1994, ano em que a Contribuinte se aposentou; e b) os proventos de aposentadoria da Previ a partir de 1998 estariam integralmente Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 sujeitos à tributação e os depósitos judiciais efetuados a partir de novembro/01 deveriam ser transformados integralmente em pagamento definitivo à União. Considerando a aludida Informação Fiscal, o Fisco procedeu ao presente lançamento. Porém, pela análise dos registros do histórico da ação (fls. 14 e 80), depreendese que tal informação fiscal ainda não foi apreciada pelos autores da ação judicial e pelo juízo. Concluise, portanto, que a matéria em litígio no presente processo encontra se vinculada à discussão no Poder Judiciário, ainda em andamento, motivo por que não deve ser apreciada por esta instância julgadora. A eleição da via judicial importa renúncia à esfera administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adora o princípio da jurisdição una, estabelecido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais. Nesse contexto, foi editado o enunciado de Súmula nº 1 do CARF , que assim dispõe: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Com efeito, acertadamente a decisão a quo, ao não conhecer da impugnação, determinou que " do que diz respeito à parcela restante do crédito tributário atinente ao IRPF de R$ 6.344,04, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial deste valor". Frisase que, cabe o cumprimento do preceituado pelo art. 63 da Lei 9.430/96, que determina que na constituição do crédito tributário nos casos de haver depósitos judiciais integrais, não caberá lançamento da multa de ofício. Assim, considerando que há concomitância entre o mérito da ação judicial e dos respectivos valores depositados nesta ação com os valores constantes do presente auto de infração, voto no sentido de não conhecer do recurso. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, nos termos da a decisão a quo, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial atinente ao IRPF no valor de R$ 6.344,04, devendo ser observado o art. 63 da Lei nº 9.430/96, na extinção do respectivo crédito tributário. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.721770/201414 Acórdão n.º 2301004.644 S2C3T1 Fl. 135 5 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10980.002233/2006-16
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005,
01/05/2005 a 30/09/2005
Ementa: COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA.
Mui ttais PERÍODO DE VIGÊNCIA DO ART. 18 DA LEI N°
10.833/2003, SEM A ALTERAÇÃO PROMOVIDA
PELA LEI N° 11.051/2004. NÃO
ENQUADRAMENTO NAS HIPÓTESES DE
CRÉDITO OU DÉBITO NÃO PASSÍVEL DE
COMPENSAÇÃO POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO
LEGAL, DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA -
NEM DE PRÁTICA DAS INFRAÇÕES
PREVISTAS NOS ARTS. 71 A 73 DA LEI N°
4.502/64.
Tendo o auto de infração sido lavrado com
fundamento na redação original do art. 18 da Lei n°
10.833/2003, antes da ampliação das hipóteses de
exigência da multa isolada promovida pela Lei n°
11.051, de 29 de dezembro de 2004, e não se
enquadrando nas hipóteses de crédito ou débito não
passível de compensação por expressa disposição
legal, de ser o crédito de natureza não tributária nem
de ficar caracterizada a prática das infrações previstas
nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, a multa não é
aplicável.
Numero da decisão: 204-02.519
Decisão: ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.Esteve presente o Dr. Carlos André Ribas de Mello
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Flávio de Sá Munhoz
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I ,n:'' 1: • ,.44,,, . • , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n° 10980.002233/2006-16 Recurso n° 137.295 De Oficio MF-Segundo Germino de Contrinointss , Matéria COFINS dePuttsp noi DokirçGficti da le:74. Acórdão n° 204-02.519 Rubros a, Sessão de 19 de junho de 2007 Recorrente ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA INTERMODAL S/A Interessado DRJ - CURITIBA/PR 1 Assunto: Normas Gerais de Direito TributárioME- SEGUNDO CONSELHO DE CONT'RIBUINTES CONFERE COM O OR1'31NAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, BrasiNa. _ai .... j os- t o 8 ___. __....,____ 01/05/2005 a 30/09/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. Mui ttais PERÍODO DE VIGÊNCIA DO ART. 18 DA LEI N° - Ni.i .,....--- .):[,:, - 10.833/2003, SEM A ALTERAÇÃO PROMOVIDA,.. PELA LEI N° 11.051/2004. NÃO ENQUADRAMENTO NAS HIPÓTESES DE CRÉDITO OU DÉBITO NÃO PASSÍVEL DE COMPENSAÇÃO POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL, DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA - NEM DE PRÁTICA DAS INFRAÇÕES PREVISTAS NOS ARTS. 71 A 73 DA LEI N° 4.502/64. Tendo o auto de infração sido lavrado com fundamento na redação original do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, antes da ampliação das hipóteses de exigência da multa isolada promovida pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, e não se enquadrando nas hipóteses de crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal, de ser o crédito de natureza não tributária nem de ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, a multa não é aplicável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ff Processo n.° 10980.002233/2006-16 CCO2/C04 Acórdão n.• 204-02.519 Fls. 2 ACORDAM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.Esteve presente o Dr. Carlos André Ribas de Mello. /9-• don HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente FLÁVIO SÁ MUNHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Leonardo Siade Manzan, Júlio César Alves Ramos e Airton Adelar hack. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL 1.6 o8 Brasilia. Marta LuflUat Novais Mat. Sia e 91641 • . processo o.• 10980.002233/2006. 16 F.SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUNTES CO2/C04 Acórdão rt.• 204-02.519 CONFERE COM O OR;GiNAL Fls. 3 Brasa 02,1 d511 Mana Luitn aatir, cnais Relatório Mal Siar 914-51 Trata-se de recurso de oficio contra decisão proferida pela d. DRJ em Curitiba/PR que julgou improcedente o lançamento e cancelou a multa isolada em decorrência de compensações indevidas. Os fatos encontram-se assim descritos na decisão da d. DRJ: Trata o presente processo de lançamento de RS L779.664,69 de multa exigida isoladamente, no percentual de 75°4 por meio do auto de infração delis. 04/07, tendo como fundamento legal: os arts. 43 e 44. I, 1°, II, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as modcações dadas pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e pdo art. 17 da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003; art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004; e art. 117 da Lei n°11.196, de 21 de novembro de 2005. A autuação, lavrada em 30/03/2006, decorre de "compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo", consoante descrição dos fatos de fis. 06/07 e Termo de Verificação Fiscal n°001, às fls. 14/16, referindo-se, em síntese: à informação, em DCTF, de suspensão de exigibilidade de crédito Tributário de Cofins de fevereiro, maio e junho de 2005 (valores respectivos de Ri 359.201,02, Ri 132.082,81 e RS 598.664,52), em face do Processo Judicial n°89.0013623-2; à informação, em DCTF, de suspensão de exigibilidade de crédito Tributário de Cofins de julho a setembro de 2005 (valora respectivos de R$ 549.240,82, Ri 123.233,53 é Ri 610.463,53), em face do Processo Judicial n°2005.71.00.013588-6. No tocante à Ação Judicial n° 89.0013623-2, objeto de acompanhamento administrativo no Processo n° 11080.002712/90-94, esclarece a autoridade fiscal: que se refere à ação declaratória que tramitou junto à I° Vara Federal de Porto Alegre, proposta por Fibra S/A Indústria e Comércio de Calçados e Novisol Ltda., contra a União Federal; que a decisão judicial transitada em julgado reconheceu o direito à manutenção do crédito-prêmio de IPI de operações de exportação efetuadas pelas empresas; que nos autos do Processo Judicial n° 2005.71.00.013588-6, de liquidação por arbitramento requerida por Fibra S/A Indústria e Comércio, Calçados Novisol Ltda., ALL — América Latina Logística do Brasil S/A e ALL — América Latina Logística Intermodal Ltda., a sentença proferida em 01/03/2006, pela 1° Vara Federal em Porto Alegre, julgou a liquidação de sentença extinta sem exame de mérito; que não haveria crédito a executar e nem razão jurídica para alterar o pólo ativo em face da cessão de crédito; que não haveria previsão legal para compensar créditos Tributários de terceiros; que a decisão judicial transitada em julgado nos autos do processo n° 89.0013623-2 foi favorável à Fibra S/A Indústria e Comércio e Calçados Novisol Ltda.; que a contribuinte não é parte • naquele processo; que a decisão no Processo Judicial n° • Processo n. 10980.002233/2006-16 CCO2X04 Acórdão n.• 204-02319 Fls. 4 2005.71.00.013588-6 não favorece a contribuinte; que as ações não garantem a suspensão de exigibilidade dos créditos declarados em DC7F; e que, consoante art. 170 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, a compensação de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiro não encontra amparo legal. Acrescenta a fiscalização que por meio do Processo Administrativo n° 10980.002047/2006-79, procedeu- se à inscrição em Dívida Ativa da União dos créditos Tributários de Cofins dos períodos de apuração de 02 e de 05 a 09/2005 e que, como a compensação é indevida, os valores estão sujeitos à multa de oficio. Cientificada do lançamento em 11/04/2006 (ft 05), a interessada, por seus mandatários Ols. 184/186), interpôs em 25/04/2006 a tempestiva impugnação de fls. 128/140, instruída com os documentos de fis. 141/181, em extenso arrazoado, argumentando em síntese o que se segue. Alega que a situação fálica que teria motivado a imposição da multa enseja dúvidas quanto à sua caracterização, na medida em que os fatos não se subsumem integralmente à hipótese legal, gerando dúvidas quanto ao embasamento legal de tão vultosa multa. Nesse sentido, argumenta que a aplicação da multa deveu-se à consideração de que a Ilia compensação relacionar-se-ia a "créditos de terceiros", circunstância que descarta presente, por haver composto a ação de liquidação do tk, julgado na Ação n° 2005.71.00.013588-6, o que comprovaria a sua• =. 4 t' propriedade, independentemente de a ação referida haver sido extinta f z sem julgamento de mérito, o que defende não desfazer o negócioo e , jurídico que redundou na sub-rogação dos direitos da alienante ec.i_ perante o Poder Judiciário contra a União Federal; suscita a0 necessidade, se assim quisesse o legislador, da proibição de-J tIJ compensação de créditos "adquiridos" de terceiros, em face do • — n .4 .2 aI princípio da legalidade e da tipicidade fechada da norma penal; ' o I:: Çá observa que os créditos foram adquiridos por preços compatíveis com • O ti "mercado", com deságio de 305'4 e que os efeitos da decisão z • transitada em julgado lhe foram estendidos, nos termos dos ares. 42, § r. ' 13 3°, e 567, II, do Código de Processo Civil; defende que a cessão de direito é um contrato regido pelos arts. 286 a 298 do Novo Código rn • Civil, que, segundo a doutrina, independe do consentimento do devedor e que o não acolhimento importa em ofensa ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido; que a hipótese não é de "cessão de crédito genérica", tal como tratada pela Lei n° 11.051, de 2004, mas uma situação especial, efetivada no processo judicial respectivo com a sub- rogação legal em todos os direitos; e que o dispositivo legal invocado pela autoridade fiscal se aplica à compensação não amparada por decisão judicial. Suscita dúvida também quanto ao enquadramento legal dos fatos narrados, aduzindo que não há conformidade clara e precisa, mas apenas menção genérica ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, ao passo que, em direito Tributário, a imposição de penalidade não admite interpretação extensiva ou ampliativa, além de nortear-se pelo princípio de que a dúvida beneficia o contribuinte. De outra parte, alega que já foi apenada (no Processo Administrativo n° 10980.002047/2006-79) com a multa de mora, em face do p indeferimento das compensações pleiteadas, consoante Certidão da Processo n.° 10980.002233/2006-16 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-02.519 Fls. 5 Dívida Ativa em anexo; descarta que a multa de mora não tenha natureza punitiva e argumenta que está sofrendo duas punições pelo mesmo fato; defende que a própria redação do art. 18, 4°, I e II, da Lei n°10.833, de 2003, dada pela Lei n°11.196, de 2005, não admite a imposição cumulada de penalidades e que, nesse sentido, à luz do art. 112 do CI7V, deve-se "optar" pela imposição apenas da multa de mora. Finalizando, argumenta que ofereceu à compensação créditos de sua absoluta e incontestável propriedade e requer seja cancelado o lançamento, seja pela aplicação do art. 112 do CIN ou pela impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de mora. A DRJ de Curitiba/PR, por unanimidade de votos, julgou improcedente o lançamento e cancelou a exigência, em decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 30/09/2005 SUSPENSÃO DE EXIBIBILIDADE. INFORMAÇÃO EM DCTF. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE. A informação prestada exclusivamente na DCTF, de suspensão de exigibilidade, não está sujeita à multa isolada aplicável na hipótese de compensação considerada não declarada, por falta de previsão legal. Tendo em vista que o valor da exigência cancelada ultrapassava o valor da alçada, a d. DRJ recorreu de oficio da decisão. É o Relatório. - r ert, - SEGcUoNDNOFEC10.25,a7:-.): LIR !PIN OS-- • ° 8 Brasifia. __Ca_ Maria ./1/ trica:ais Mai. Si le 9 I f41 • Processo n.°10980.002233/2006-16 SEGlélrnWiti ii1j1.8817 CO32/C04 Acórdão n.• 204-02.519Fls. 6 f à Brasiba. O ? Maria Luni -42P1T;illi. • 91(41 Voto Conselheiro FLÁVIO DE SÁ MUNHOZ, Relator A questão a ser apreciada no presente processo é relativa à aplicação da multa isolada em decorrência da "compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo". A autoridade administrativa aplicou a multa de oficio isolada, com fundamento no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, cuja redação, na época da lavratura do auto de infração, era a seguinte: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos atts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. yç I' Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6° a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 da dezembro de 1996. 2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. if 32 Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Portanto, a legislação vigente à época da lavratura do auto de infração limitou as hipóteses de aplicação da multa de oficio aos autos de infração decorrentes de compensações cujo crédito ou o débito não fosse passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, não era aplicável a multa ao caso dos presentes autos. Importante observar que na data da imposição da multa isolada ainda não havia sido editada a Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que acrescentou hipóteses para a sua exigência. Vale ressaltar que esta Câmara, em outro processo da própria Recorrente e em relação ao mesmo crédito, por unanimidade, negou provimento ao recurso de oficio e confirmou a decisão da DRJ que havia afastado a exigência de multa isolada por compensação indevida com créditos de terceiros, nos termos do voto do eminente Conselheiro Relator Henrique Pinheiro Torres, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. /1-1k • Processo ri.' 10980.002233/20045-16 CCO2/C04 Acórdão o.° 204-02.519 Fls. 7 MULTA ISOLADA, POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITO DE TERCEIRO. DESCABIMENTO. A multa isolada, por compensação indevida de débitos, aplicava-se, na época, unicamente nas hipóteses de: o crédito ou o débito não ser passível de compensação, por expressa disposição legal de o crédito ser de natureza não tributária; ou em que ficar caracterizada a prática de sonegação, _fraude ou conluio, restando descabida, fora das infrações citadas. Recurso de oficio negado. (Acórdão 204-01.785, Sessão de 20 de setembro de 2006) Com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Oficio. Sala das Sessões, em PAF - SEGUNDO sCCMr.:..:;5•0!:, COM:EU Grasná. ; c.0 o gFLÁVIO DE SÁ MUNHOZ Maria I a. ror rt•ir7,;;;:; >,;:ane I 64 r Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10940.721875/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO IRRF. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE.
O IRRF não pode ser deduzido do IRPF quando se encontrar com exigibilidade suspensa, por força depósito judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. O IRRF não pode ser deduzido do IRPF quando se encontrar com exigibilidade suspensa, por força depósito judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 18 75 /2 01 2- 24 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10940.721875/201224 Acórdão n.º 2201003.053 S2C2T1 Fl. 70 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 53), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010, anocalendário 2009. Após a revisão da Declaração de Ajuste Anual, o imposto a restituir foi ajustado de R$ 5.716,55 para R$ 0,00. O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 12.716,96. Glosados pagamentos diversos (fls. 32). A motivação detalhada das glosas encontrase às fls. 33. Compensação indevida de IRRF no valor de R$ 5.377,73, relativo ao Funbep Fundo de Pensão Multipatrocinado, por tratarse de imposto retido sobre rendimento Sub Judice, tributação com exigibilidade suspensa. Dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 3.460,80. Não foi comprovada relação de dependência de Leonardo Sampaio e Matheus Sampaio. A ciência do Lançamento ocorreu em 29/11/2012 (fls. 43) e o contribuinte apresentou sua impugnação em 14/12/2012 (fls. 02/03), acompanhada de documentação, alegando, em síntese, que concorda com a infração de dedução indevida com dependentes, mas contesta integralmente a glosa de IRRF relativo a rendimentos recebidos em ação judicial e parcialmente a glosa de. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA(S) NÃO IMPUGNADA(S). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS E DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA PARCIAL. Mantida a glosa parcial de despesas médicas, visto que o direito à sua dedução condicionase à comprovação mediante documentação hábil e idônea, em conformidade com a legislação pertinente. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL. RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10940.721875/201224 Acórdão n.º 2201003.053 S2C2T1 Fl. 71 3 A partir do depósito do montante integral, fica a Administração Tributária impedida de executar o sujeito passivo devedor, porquanto este ofereceu uma garantia de liquidez. Assim, não há que se falar em tributação desses valores antes da decisão judicial. Por outro lado, não pode o contribuinte utilizar o IRRF referente a esses rendimentos em litígio para compensar o tributo devido, hipótese em que estaria se adiantando à decisão Judicial. Cientificado em 09/06/2014 (Fls. 61), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/07/2014 (fls. 62), argumentando: (...) Do processo acima mencionado não concordo com a decisão de manter a GLOSA do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 5.377,73 relativo ao Funbep Fundo de Pensão Multipatrocinado, por eu estar isento da retenção do IR na Fonte desde 01 de Setembro de 2008 por ser portador de doença grave, para tanto anexo a esse recurso o LAUDO MÉDICO PERICIAL PARA ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA assinado pelo médico DR. Nassib Haddad CRM 22649 em 19 de Abril de 2011. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, que me seja restituído o IRRF no valor acima mencionado, que foi indevidamente descontado dos meus rendimentos.. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que o recurso interposto se refere unicamente a glosa da dedução indevida de IRRF. Conforme se verifica nos autos, o recorrente promoveu ação judicial visando o reconhecimento da não incidência do IRPF sobre valores recebidos à título de complementação de aposentadoria da FUNBEP – Fundo de Pensão Multipatrocinado. No anobase em tela ainda encontravase tramitando o referido processo. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10940.721875/201224 Acórdão n.º 2201003.053 S2C2T1 Fl. 72 4 Em decorrência de tal ação os valores referentes a IRRF tiveram sua exigibilidade suspensa através de depósito judicial, e não foram repassados para a União Federal. No entanto, inobstante a suspensão da exigibilidade, o contribuinte recorrente tratou de realizar dedução deste IRRF do seu IRPF. No caso presente, entendo que não se cuida de concomitância de processo judicial e administrativo discutindo a mesma matéria. No processo judicial se discute se há ou não incidência do IRPF sobre as verbas recebidas, e no processo administrativo se discute unicamente se o contribuinte poderia deduzir o IRRF que se encontrava com exigibilidade suspensa, e que não foi repassado para a União. Deste modo, penso que, independentemente da decisão do processo judicial, o contribuinte não poderia deduzir o IRRF no exercício 2010. Caso o contribuinte venha a ganhar o processo judicial, este fará o levantamento do IR depositado, e não poderá fazer a dedução deste. Caso o contribuinte perca a ação judicial, será feita a conversão em renda para a União do IR depositado, e o contribuinte poderá compensálo na sua Declaração de Ajuste Anual do exercício referente a conversão. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 73DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000370/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Inadmissível o lançamento diante da constatação de que os créditos já tinham sido previamente confessados em DCTF ou em PER/DCOMP.
COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para a Cofins extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º do CTN ou nos outros casos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em se conhecer parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, dar provimento parcial. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Inadmissível o lançamento diante da constatação de que os créditos já tinham sido previamente confessados em DCTF ou em PER/DCOMP. COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para a Cofins extingue-se em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º do CTN ou nos outros casos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Inadmissível o lançamento diante da constatação de que os créditos já tinham sido previamente confessados em DCTF ou em PER/DCOMP. COFINS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para a Cofins extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º do CTN ou nos outros casos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em se conhecer parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, dar provimento parcial. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 70 /2 00 6- 06 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de impugnação (fls. 135/144) apresentada por DIAS DE SOUZA VALORES SOCIEDADE CORRETORA LTDA., supra qualificada, em face de Auto de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 03/07). Conforme consta na Descrição dos Fatos contida no Auto de Infração (fls. 04 e 07), tratase de valor apurado de acordo com a planilha elaborada nos termos da IN SRF n° 37/99. O contribuinte impetrou ação declaratória com pedido de antecipação de tutela processo n° 1999.61.00.0186440. A decisão de primeira instância foi no sentido de que a União se abstivesse de exigir o recolhimento da Cofins. Tal julgamento ocorreu em 10.05.1999, reconsiderando decisão anterior expedida em 05.05.1999. Nestas condições, conclui a autoridade fiscal, este auto de infração tem o objetivo de garantir os interesses da Fazenda Nacional no que se refere à constituição do crédito tributário, suspendendose a sua exigibilidade nos termos do art. 151 do CTN. Ante o constatado, foi lavrado o Auto de Infração de Cofins de fls. 03/07, que perfaz o montante de R$ 516.352,40 (contribuição e juros de mora calculados até 24.02.2006) relativo aos fatos geradores ocorridos entre 30.04.1999 a 30.09.2003, e tem como fundamento legal: art. 1°, da LC n° 70/91; arts. 5°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da MP n° 1.807/99 e reedições, bem como com as alterações da MP n° 1.858/99 e reedições; art. 2°, inc. II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002; e art. 18 da Lei n° 10.684/2003. Não foi lançada a multa de oficio, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430/96 (fls. 18) e a ciência da autuada ocorreu em 30.03.2006 (fls. 03). Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16327.000370/200606 Acórdão n.º 3201002.188 S3C2T1 Fl. 402 3 Irresignado, o interessado, devidamente representado por seus procuradores (docs. de fls. 146/147), protocolizou em 27.04.2006 a Impugnação de fls. 135/144, alegando, em apertada síntese: . que a exigência fiscal há de ser cancelada, pois os débitos em questão já foram declarados em DCTF, sendo descabida uma nova constituição do crédito tributário mediante o auto de infração ora impugnado; . que, relativamente. aos fatos geradores ocorridos entre abril/1999 e fevereiro/2001, a decadência já teria se consumado, posto que passados mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, conforme § 4°, do art. 150 do CTN; . que seria inaplicável o prazo decadencial de dez anos previsto na Lei n° 8.212/91, pois seria necessária a edição de Lei Complementar para dispor sobre matéria de decadência e prescrição, consoante dispõe o art. 146, inc. II , alínea b, da CF/88; . que a taxa Selic não pode ser utilizada para calcular os juros de mora, pois tem caráter remuneratório e não foi criada por lei, devendo, por conseguinte, ser utilizado o percentual de 1% previsto no art. 161 do CTN." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não acatou as alegações da recorrente, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DEBITOS DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFICIO. POSSIBILIDADE. Não há óbice para lançamento de ofício de débitos anteriormente declarados em DCTF. O lançamento efetuado não traz prejuízo ao contribuinte, e tem como principal conseqüência permitir a discussão administrativa do débito constituído. TAXA SELIC. Utilização da taxa SELIC para O cálculo dos juros de mora decorre de lei, que deve ser observada no lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Não cabe à instância administrativa apreciar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de normas da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda constituir o crédito tributário relativo à Cofins é de 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Ao apreciar o recurso, a Primeira Turma Ordinária desta Câmara determinou a realização de diligência, a fim de verificar se a integralidade dos débitos lançados no presente processo foram objeto de declaração em DCTF. A Unidade de Origem procedeu a diligência fiscal, consubstanciada em relatório, que apontou a existência de divergências entre os valores declarados em DCTF e lançados no presente processo (fls. 388 a 391). Cientificado do resultado da diligência o contribuinte não se manifestou. O conselheiro Relator original do Processo deixou este Conselho, cabendo a mim, em razão de novo sorteio, a Relatoria para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. O recurso apresenta alegações de decadência parcial do lançamento. É cediço nos entendimentos deste colegiado, que o prazo decadencial para exigência do PIS e da Cofins é de 5 (cinco) anos, contados a partir da data do fato gerador caso tenha ocorrido antecipação do pagamento, nos termos do art. 150, § 4º do CTN ou nos outros casos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. A decisão recorrida aplica o entendimento que para a exigência da Cofins o prazo decadencial seria de 10 (dez) anos, baseado no art. 45 da Lei nº 8.212/91. Tal entendimento foi superado com a edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do art. 45. “Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Portanto, tendo em vista que a ciência do lançamento ocorreu em 30/03/2006, e considerando a existência de declaração de débitos da contribuição para o período fiscalizado, aplicase o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador da contribuição. Assim, estão alcançados pelo instituto da decadência, os lançamentos referentes a períodos de abril de 1999 e fevereiro de 2001. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16327.000370/200606 Acórdão n.º 3201002.188 S3C2T1 Fl. 403 5 A Recorrente também alega que a informação na DCTF se constituiria em débito perante a fazenda pública, não sendo necessária o lançamento fiscal para sua exigência. A questão da confissão do débito por meio de Declaração, foi tratado no art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84. “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretária da Receita Federal. § 1º. O documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito.” A art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 77/98 definiu quais as declarações do ITR e da DCTF, seriam possíveis de execução por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional. “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidas na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União.” Posteriormente, sobreveio a IN SRF nº 14/2000, que alterou as declarações possíveis de inscrição em Dívida Ativa da União, alterando as declarações que constituem em dívida. “Art. 1º. O art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” Depreendese das definições da Instrução Normativa, que somente as declarações das pessoas físicas do ITR e da DCTF são instrumentos de constituição de dívida e passiveis de inscrição como Dívida Ativa da União. Assim, considerando que parte dos tributos objeto do presente lançamento foram declarados em DCTF, descabe a exigência fiscal para estes débitos, entretanto, nos termos constantes do relatório da diligência fiscal, foram apuradas divergências entre os Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 valores lançados e os valores declarados em DCTF. Portanto, o lançamento deve ser mantido para as diferenças apuradas na diligência. Quanto ao mérito da exigência da Cofins, consoante o descrito no relatório, a Recorrente discute judicialmente a exigência da Cofins nos moldes da Lei nº 9.718/98, na ação judicial nº 1999.61.00.0186440. (fls. 262 a 270) O código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. Portanto, no caso em tela, tratandose da mesma matéria. A propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Quanto aos questionamentos dos juros moratórios, estes incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional. “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Depreendese da leitura do § 1º que a cobrança de um por cento fica afastada no caso de lei dispuser de modo diverso. No caso em análise, a legislação trouxe novos valores de cobrança, em substituição àquele original, que vem a ser o art. 2º do DecretoLei 1.736/79, alterado pelo artigo 16 do DecretoLei 2.323/87 com redação dada pelo artigo 6º do Decreto Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 16327.000370/200606 Acórdão n.º 3201002.188 S3C2T1 Fl. 404 7 Lei 2.33187 e art. 54 parágrafo 2º da Lei 8.383/91. Posteriormente, foi editado a Lei nº 9.065/95, que no seu art. 13, deixou claro a cobrança dos juros com utilização da taxa SELIC. "Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." Confirmando o entendimento da procedência da utilização da taxa SELIC e a cobrança de juros de mora sobre os débitos com exigibilidade suspensa O CARF editou as súmulas nº 4 e 5, publicadas no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. “Súmula CARF nº 5 São devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Portanto, a cobrança dos juros moratórios utilizando a taxa SELIC é matéria já sumulada e de aplicação obrigatória nos julgamentos deste colegiado. A base legal constante do Auto de Infração lista o art. 161 do CTN, o art. 13 da Lei nº 9.065/1995 e o art. 43, da Lei nº 9.430/96. Todos de acordo com a norma vigente, não existindo nenhum reparo a fazer no Auto de Infração quanto a esta matéria. Por fim, o recurso traz argumentos questionando a constitucionalidade da exigência fiscal. As matérias afeita ao controle de constitucionalidade não podem ser analisadas por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de se conhecer parcialmente o recurso e na parte conhecida dar parcial provimento, para considerar alcançados pela decadência os períodos de abril de 1999 e fevereiro de 2001 e cancelar a exigência para os débitos inscritos em DCTF, nos termos do relatório de diligência fiscal à fls. 388 a 391. Winderley Morais Pereira Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10980.007918/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ADEQUAÇÃO DO REGISTRO DA DECISÃO AO VOTO CONDUTOR.
Retifica-se o registro da decisão para refletir corretamente o teor do voto condutor e do julgamento efetuado.
Numero da decisão: 1402-002.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para retificar o registro da decisão proferida no Acórdão 1402-001.520 que ficará com a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para, em relação às exigências apenadas com a multa proporcional no percentual de 75%, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º e 2º trimestres de 2004; e do PIS e da Cofins para os fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2004, inclusive. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento em maior extensão para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, para redigir o voto vencedor em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciconne, Caio Cesar Nade Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ADEQUAÇÃO DO REGISTRO DA DECISÃO AO VOTO CONDUTOR. Retifica-se o registro da decisão para refletir corretamente o teor do voto condutor e do julgamento efetuado.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ADEQUAÇÃO DO REGISTRO DA DECISÃO AO VOTO CONDUTOR. Retificase o registro da decisão para refletir corretamente o teor do voto condutor e do julgamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração para retificar o registro da decisão proferida no Acórdão 1402001.520 que ficará com a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para, em relação às exigências apenadas com a multa proporcional no percentual de 75%, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º e 2º trimestres de 2004; e do PIS e da Cofins para os fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2004, inclusive. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento em maior extensão para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, para redigir o voto vencedor em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciconne, Caio Cesar Nade Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 18 /2 00 9- 93 Fl. 8116DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.520 prolatado por esta turma julgadora e que, por voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo para acolher a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º e 2º trimestres de 2004; e do PIS e da Cofins para os fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2004, inclusive. De acordo com a embargante houve contradição e omissão no julgado. Aduz que, segundo a ementa do julgado, houve qualificação da multa pela ocorrência de simulação, a ensejar a aplicação do art. 173, I, do CTN e, contraditoriamente, reconhecimento da decadência “do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º e 2º trimestres de 2004; e do PIS e da Cofins para os fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2004, inclusive”. Sustenta que citouse na ementa a regra de aplicação do art. 150, §4º do CTN no caso de pagamento antecipado. Contudo, mesmo ocorrendo o pagamento antecipado, aplicase o art. 173, I do CTN, no caso de ocorrência de simulação, como ocorreu nestes autos. Nesse item, conclui que houve contradição no julgado tendo em vista que, aplicado o art. 173, I do CTN, não se poderia concluir pela decadência “do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º e 2º trimestres de 2004; e do PIS e da Cofins para os fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2004, inclusive. A omissão estaria caracterizada por não constar no inteiro teor do acórdão a fundamentação para contagem do prazo de decadência, decidida pelo voto de qualidade, conforme dispositivo da ementa, o que comprova a carência de motivação na decisão colegiada. Através de despacho regimental, os embargos de declaração foram parcialmente admitidos a fim de que fosse esclarecida a questão de aplicação da regra decadencial. É o relatório. Fl. 8117DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.007918/200993 Acórdão n.º 1402002.256 S1C4T2 Fl. 8.117 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto No julgamento do recurso voluntário o Colegiado entendeu, conforme jurisprudência consolidada na turma, que análise da decadência seria feita em separado para as exigências submetidas à multa de ofício proporcional de 75% em relação àquelas apenadas com a qualificadora de 150%. Nesse último caso, o prazo decadencial foi contado sob as regras do inciso I, do art. 173, do CTN e não se caracterizou a caducidade para nenhum período. Já em relação às exigências submetidas à multa de 75%, o colegiado verificou a ocorrência de pagamentos parciais ao longo do anocalendário de 2004 e decidiu, aplicando a regra do § 4º, do art. 150, do CTN pelo acolhimento da a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º e 2º trimestres de 2004; e do PIS e da Cofins para os fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2004, inclusive. Na conclusão do voto condutor esse posicionamento ficou claro. Entretanto, no registro da decisão não foi ressaltado que o acolhimento parcial da decadência aplicarseia apenas às irregularidades sobre as quais incidiu a multa no percentual de 75%. Cabe portanto a retificação do resultado do julgamento que deverá ter a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para, em relação às exigências apenadas com a multa proporcional no percentual de 75%, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º e 2º trimestres de 2004; e do PIS e da Cofins para os fatos geradores ocorridos de janeiro a agosto de 2004, inclusive. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez, que davam provimento em maior extensão para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, para redigir o voto vencedor em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Registrese que a retificação supra não tem qualquer impacto no resultado do julgamento. É como voto. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 8118DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Fl. 8119DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/07 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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