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Numero do processo: 11684.001249/2009-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/11/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/11/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 12 49 /2 00 9- 53 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 218 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.822. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 219 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 220 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 221 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 222 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 223 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 224 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 225 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 226 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 227 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11684.001249/200953 Acórdão n.º 9303003.683 CSRF‐T3 Fl. 228 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.008774/98-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1993
REVISÃO RENDIMENTOS. DE DECLARAÇÃO
Mantém-se o lançamento na medida em que a defesa não apresenta argumentos condizentes com a autuação.
Numero da decisão: 1402-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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DE DECLARAÇÃO Mantémse o lançamento na medida em que a defesa não apresenta argumentos condizentes com a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), GILBERTO BAPTISTA, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, DEMETRIUS NICHELE MACEI, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, PAULO MATEUS CICCONE e FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 87 74 /9 8- 61 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.008774/9861 Acórdão n.º 1402002.163 S1C4T2 Fl. 186 2 Relatório AUTO POSTO CADIAL LTDA recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A empresa acima identificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 25.702,93, referente à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, multa proporcional e juros de mora. 2. Foi lavrado, em 04.03.1998, Auto de Infração de CSLL (fls. 01 e 02) que teve origem na revisão sumária da declaração de rendimentos do contribuinte relativa ao anocalendário de 1993 (DIRPJ/1994). As irregularidades .constatadas e seus respectivos enquadramentos legais são os seguintes: 2.1. Erro no cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro — artigo 23 da Lei nº 8.212/1991, artigo 11 da Lei Complementar n° 70/1991 e artigo 38 da Lei nº 8.541/1992. 2.2. Transporte a menor do lucro liquido para a demonstração do cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro — artigo 2° da Lei n° 7.689/1988 e Instrução Normativa SRF n° 198/1988. 3. Irresignada com a autuação, a empresa apresentou a impugnação de fls. 06 a 23, cujo teor pode ser determinado da leitura dos seus itens I e II, a seguir transcritos: "I. Está sendo a Defendente autuada com fulcro em avocada irregularidade por força de Contribuição Social sobre o Lucro (CSL). II. O auto de infração que originou a Execução foi lavrado porque, segundo o entendimento da Autoridade, a Defendente, sujeita ao recolhimento Mensal pelo lucro real, optou pelo regime de estimativa, efetuando, entretanto, nos meses que menciona, recolhimentos inferiores aos reais. Em conseqüência, o auto de infração exigelhe o recolhimento da exação e de multa de 100%, além de juros e correção monetária." (grifos do original) 4. o relatório do essencial. A seguir o voto.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 2.855 (fls. 6770) de 27/02/2003, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.008774/9861 Acórdão n.º 1402002.163 S1C4T2 Fl. 187 3 Ementa: REVISÃO RENDIMENTOS. DE DECLARAÇÃO. Mantémse o lançamento na medida em que a defesa não apresenta argumentos condizentes com a autuação.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/10/2004 (A.R. de fl. 72) a interessada interpôs recurso voluntário em 11/11/2004 (fls. 7495) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.008774/9861 Acórdão n.º 1402002.163 S1C4T2 Fl. 188 4 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. A decisão recorrida bem andou em sua análise. Adoto seus fundamentos na forma a seguir apresentada, tendo em vista que o recurso apresentado nada acrescentou aos argumentos da impugnação. 6. Em que pese a extensa argumentação apresentada na impugnação, esta não se coaduna com a autuação, na medida em que trata de assuntos não relacionados com as infrações constatadas pela fiscalização. 7. Segundo descrição dos fatos (fls. 02), a contribuinte foi autuada por erro no cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro e transporte a menor do lucro líquido para a demonstração do calculo da Contribuição Social sobre o Lucro. 8. Apesar de toda a argumentação da impugnante versar sobre sua opção de recolhimento do imposto de renda pelo regime de estimativa, verificase, por meio de sua Declaração de IRPJ (fls. 36 a 40), que a autuada optou pela apuração mensal do imposto. 9. A impugnante também se defende contra a aplicação de multa de 100%, ao passo que a multa aplicada foi de 75%, cujo enquadramento legal é o art. 44, I da Lei 9.430, de 27.12.1996, c/c o art. 106,11, "c" da Lei 5.172, de 25.10.1966. 10. Do exposto, VOTO no sentido de JULGAR PROCEDENTE o lançamento realizado titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11080.721304/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. COMPLEMENTAÇÃO COM LAUDO MÉDICO PARTICULAR. POSSIBILIDADE.
De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física.
In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, complementado por laudo médico particular e perícia médica, ser portadora de cegueira desde 1992, impõe-se admitir a isenção pretendida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos o relator e a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Fez sustentação oral o Sr. Jorge Anderson Corte Real- CRA/RS 17904.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Rayd Santana Ferreira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE Recorrente CENY SOARES DA SILVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRPF. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. COMPLEMENTAÇÃO COM LAUDO MÉDICO PARTICULAR. POSSIBILIDADE. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatandose que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, complementado por laudo médico particular e perícia médica, ser portadora de cegueira desde 1992, impõese admitir a isenção pretendida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos o relator e a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. Fez sustentação oral o Sr. Jorge Anderson Corte Real CRA/RS 17904. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 13 04 /2 01 1- 49 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 181 2 Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Rayd Santana Ferreira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 182 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1040.289 (fls. 134/138): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NÃO RECONHECIDA. Não tem direito à isenção do imposto de renda o contribuinte que deixar de comprovar que os rendimentos recebidos possuem natureza de proventos/ aposentadoria/pensão e que seja portador de moléstia grave discriminada em lei, reconhecida por meio de Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2009/046591905839130, relativa ao anocalendário 2008, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada omissão de rendimentos recebidos do Comando do Exército (fls. 20/23). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor do imposto a restituir. 3. Cientificado da notificação autuação por via postal em 7/2/2011, às fls. 70, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/9). 4. Intimada por via postal em 29/10/2012 da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 139/140, a recorrente apresentou recurso voluntário em 28/11/2012 (fls. 142/149). 4.1 Em síntese, expõe os seguintes argumentos de fato e direito: i) o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, em 10/3/2009, reconhece que o contribuinte é portador de glaucoma, moléstia que lhe dá direito a isenção do imposto sobre a renda, conforme previsto no art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988; ii) a despeito do laudo pericial não fixar a data de início da doença, é portadora dessa enfermidade desde o ano de 1988, conforme transcrito no campo "histórico da doença atual" do laudo pericial; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 183 4 iii) no ano de 1992 submeteuse a uma cirurgia de evisceração de um olho, fato confirmado pelo atestado médico assinado pelo Dr. J Melamed, da Clínica e Cirurgia de Olhos (fls. 174); iv) a documentação acostadas aos autos é suficiente e demonstra claramente que a moléstia aflige a recorrente, no mínimo, desde o ano de 1992 (fls. 151/174); e v) com a finalidade de robustecer sua tese, referese à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual as normas que condicionam o reconhecimento da isenção à existência de laudo pericial emitido por serviço médico oficial não limitam a liberdade do julgador na apreciação das provas. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 184 5 Voto Vencido Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Cingese a questão litigiosa ao reconhecimento da moléstia grave em período anterior ao da emissão do laudo pericial, especificamente para o anocalendário 2008, ora recorrido. 7. É que o laudo pericial emitido pelo Exército Brasileiro, conforme Parecer Técnico nº 612/2009, emitido em 23/3/2009, contém diagnóstico de "cegueira do olho esquerdo (OE)" e "visão subnormal no olho direito (OD)", CID: H 54.1, a partir de inspeção médica realizada no dia 10/3/2009, porém não identifica a data em que a patologia foi contraída (fls. 154/156). 7.1 No campo "histórico da doença atual", a partir de informações prestadas pelo paciente, o laudo registra que: "Paciente refere ter glaucoma desde 1988 em olho esquerdo, tendo feito cirurgia para evisceração em olho esquerdo por glaucoma absoluto. Tem glaucoma em olho direito, tendo feito facectomia deste olho em 2002, com baixa acuidade visual neste olho". 8. Pois bem. Em termos de legislação, a isenção do imposto sobre a renda para os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão1 auferidos pelos portadores de moléstia grave, está prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, da seguinte forma: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose 1 Acrescento, nessa lista, os rendimentos provenientes de reserva remunerada, tendo em vista o enunciado da Súmula Carf nº 63. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 185 6 múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (grifouse) (...) 9. Observase que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, impõe como condição para a isenção do imposto sobre a renda de que tratam os referidos incisos do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, a emissão de laudo pericial por meio de serviço médico oficial. Eis a redação: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). 10. Por fim, regulamentando a matéria, dispõe o art. 39 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, "in verbis": Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 186 7 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifouse) (...) 11. Inicialmente, destaco que a cegueira, ainda que monocular, dá ensejo ao benefício de isenção do imposto sobre a renda, desde que devidamente caracterizada por definição médica. 11.1 Com efeito, ao fazer alusão ao termo "cegueira", o inciso XIX do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, não distinguiu entre cegueira binocular e monocular, descabendo ao intérprete proceder à distinção se a lei não o fez. 11.2 No âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), constatase o entendimento reiterado e pacífico dessa Corte no mesmo sentido. A título de exemplo, transcrevo o aresto abaixo: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 187 8 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. IRPF. ISENÇÃO. ART. 6º, XIV, DA LEI 7.713/1988. INTERPRETAÇÃO LITERAL. CEGUEIRA. DEFINIÇÃO MÉDICA. PATOLOGIA QUE ABRANGE TANTO O COMPROMETIMENTO DA VISÃO BINOCULAR QUANTO MONOCULAR. 1. No caso é incontroverso que a parte não possui a visão do olho direito, acometido por deslocamento de retina. Inaplicabilidade da Súmula 7 do STJ. 2. É assente na jurisprudência do STJ o entendimento no sentido da desnecessidade de laudo oficial para a comprovação de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda, desde que o magistrado entenda suficientemente provada a doença. Precedentes do STJ. (...) 4. Numa interpretação literal, devese entender que a isenção prevista no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88 favorece o portador de qualquer tipo de cegueira, desde que assim caracterizada, de acordo com as definições médicas. Precedentes: REsp 1.196.500/MT, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2/12/2010, DJe 4/2/2011; AgRg no AREsp 492.341/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 20/5/2014, DJe 26/5/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.349.454/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 17/10/2013, DJe 30/10/2013. (grifouse) 5. Recurso Especial provido. (Recurso Especial nº 1.483.971/AL, Relator Ministro Herman Benjamin, 2ª Turma, Julgado em 5/2/2015). 12. Segundo o laudo pericial oficial, emitido pelo Exército Brasileiro, é incontroverso que a recorrente, quando do exame realizado em 2009, não possuía a visão do olho esquerdo, com falta de percepção visual, reconhecendose, portanto, a patologia da cegueira enumerada no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988. 13. Acontece que a recorrente providenciou a juntada aos autos de outros documentos no esforço de comprovar a sua condição, antes do ano de 2009, de portadora da cegueira monocular. Dentre eles, merecem destaque: i) o atestado médico emitido em 15/9/2008, pelo médico particular Dr. J. Melamed, mediante o qual se infere que a interessada foi submetida, no ano de 1992, a evisceração do olho esquerdo por glaucoma absoluto, sendo portadora de amaurose nesse olho em razão da retirada do conteúdo ocular (fls. 174). O termo "amaurose", segundo pesquisa que realizei, pressupõe a completa perda da visão, equivalendo a cegueira total. 2 2 http://www.portaldaretina.com.br/home/doencas.asp?cod=8 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 188 9 ii) o laudo de avaliação para concessão de benefício fiscal para aquisição de automóveis de passageiros por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, aponta que o diagnóstico médico, datado de 22/12/2008, revelou amaurose no olho esquerdo e acuidade visual reduzida no olho direito, enquadrandose na CID: H 40.1/H 44.5. O diagnóstico foi realizado por médicos do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, instituição integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação e participante do Sistema Único de Saúde por convênio, porém constituída sobre a forma de empresa pública de direito privado. 3 14. Pareceme apropriado afirmar que tais relatórios médicos, a despeito de os diagnósticos não terem sido emitidos por serviço médico oficial, constituemse em indícios fortes no sentido da comprovação da patologia no anocalendário de 2008, objeto deste processo administrativo. Todavia, acredito que, no âmbito administrativo, não sejam suficientes. 15. É que o grau de liberdade de valoração da prova conferido ao julgador administrativo, nessa hipótese de isenção de rendimentos ao portador de moléstia grave, é bem menor àquele da autoridade judiciária, sofrendo limitações das leis e dos decretos editados pelo Poder Executivo. 16. A norma jurídica contida no art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, tem como destinatária à Administração Pública. O dispositivo legal dispõe sobre a forma de comprovação da moléstia e exige laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Exceções à regra de tributação que são, as isenções tributárias estão inseridas no campo dos atos vinculados, impondo para a sua concessão a presença das circunstâncias prevista na legislação. 17. Assim, sob a ótica do controle da legalidade pelos órgãos administrativos, não está incorreta a decisão que deixa de reconhecer o benefício fiscal por inexistir laudo pericial emitido por serviço médico oficial que confirme a moléstia no anocalendário a que se referem os rendimentos percebidos. 18. Para estender a isenção a período anterior à data da emissão do laudo, como ora se cuida, é indispensável que laudo médico oficial indique inequivocadamente a existência da patologia no período a que se refere a controvérsia sobre os rendimentos do contribuinte. 19. Na seara do Poder Judiciário, o magistrado não está vinculado à lei, possibilitando a comprovação por outros meios de prova. Desde que o racionalmente motivado o seu convencimento, o magistrado tem liberdade para apreciação das provas acostadas aos autos pelas partes, podendo concluir que diagnósticos médicos particulares são válidos e suficientes para fins da comprovação da data de início da patologia. 4 3 https://www.hcpa.edu.br/content/view/5230/1604/ 4 A jurisprudência dominante do STJ é no sentido de, em sede de ação judicial, a exigência de laudo pericial emitido por serviço médico oficial é dispensável, podendo ser suprida a comprovação da moléstia grave por outras provas acostadas aos autos. (Por exemplo, Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.160.742/PE, de relatoria do Ministro Hamilton Carvalhido, 1ª Turma, julgamento em 13/4/2010). Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 189 10 20. No âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), há o entendimento vinculante no sentido da comprovação da moléstia grave mediante laudos oficiais, conforme se percebe do enunciado da Súmula Carf nº 63, assim vazada: "Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios” (grifei) 21. Exposto assim, e tendo em vista os documentos acostados aos autos, não há conclusão médica, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, atestando a preexistência da cegueira parcial para o anocalendário de 2008. 22. Logo, os proventos de aposentadoria/pensão percebidos do Comando do Exército não são rendimentos isentos, nos termos dos disposto no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, c/c art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, relativamente ao anocalendário de 2008, exercício 2009. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 190 11 Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto o posicionamento ao Recurso Voluntário, devendo ser modificada a decisão a quo, com o cancelamento da Notificação de Lançamento, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004, nos termos abaixo: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;" A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: "Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 191 12 Acerca do tema, o Decreto n° 3000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o § 4° do mesmo artigo, assim dispõe: "Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIIIos proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (grifo nosso) Ao interpretar a legislação acima transcrita, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. O primeiro reportase à natureza dos valores recebidos, devendo ser proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos autos, principalmente dos documentos comprobatórios, não restam dúvidas de que a recorrente é portadora de cegueira, motivo pelo qual lhe garante a isenção sobre proventos de aposentadoria. Aliás, tal fato é incontroverso e o próprio Conselheiro Relator corrobora. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 192 13 In casu, o ponto nodal da demanda se fixa em definir a data de início da moléstia grave, ou seja, se no anocalendário em questão, a contribuinte já era portadora de cegueira. Nesse ponto, vale lembrar que, segundo entendimento já exarado por este Conselheiro, o laudo oficial tem o intuito de suprir o requisito indispensável por Lei, não obstante poder ser complementado com outros documentos comprobatórios, como exemplos: exames e laudos médicos particulares. Destaco que para a comprovação da sua condição de portadora de cegueira, a Sra. Ceny Soares da Silveira trouxe aos autos, com a finalidade de complementar as informações do laudo oficial, os seguintes documentos: i) o atestado médico emitido em 15/9/2008, pelo médico particular Dr. J. Melamed, mediante o qual se infere que a interessada foi submetida, no ano de 1992, a evisceração do olho esquerdo por glaucoma absoluto, sendo portadora de amaurose nesse olho em razão da retirada do conteúdo ocular (fls. 174); e ii) o laudo de avaliação para concessão de benefício fiscal para aquisição de automóveis de passageiros por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, aponta que o diagnóstico médico, datado de 22/12/2008, revelou amaurose no olho esquerdo e acuidade visual reduzida no olho direito, enquadrandose na CID: H 40.1/H 44.5. O diagnóstico foi realizado por médicos do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, instituição integrante da rede de hospitais universitários do Ministério da Educação e participante do Sistema Único de Saúde por convênio, porém constituída sobre a forma de empresa pública de direito privado. Vale salientar que, segundo o site: www.infopedia.pt/dicionarios/termos medicos a palavra "amaurose" significa perda completa da função visual, assim como já constatado pelo Relator. Dos documentos acima listados, resta claro que a contribuinte é portadora de cegueira monocular, desde a data em que se submeteu a evisceração total do conteúdo ocular do olho esquerdo (19/09/1992). Logo, os proventos de aposentadoria recebidos do Comando do Exército e a pensão recebida do Instituto Nacional do Seguro Social são rendimentos isentos, nos termos do disposto no art. no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. No mais, ao analisarmos a fundo o Laudo Pericial Oficial, este traz no ponto "História da doença atual", todo o prospectivo da doença, inclusive salientando explicitamente a data de inicio da moléstia, ou seja, estando presente no laudo oficial, mesmo que narrado pelo paciente, é de fazer crer que os médicos responsáveis corroboraram dessas informações, pois as transcreveram e assinaram. Observese, assim, que o entendimento acima estampado encontra guarida na Súmula Vinculante CARF nº 63, supratranscrita, uma vez que restou devidamente demonstrado que os rendimentos são provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, estando a moléstia devidamente comprovada mediante laudo oficial, corroborado por exames e laudos médicos particulares se reportando a todo o histórico da doença da contribuinte, sobretudo quanto à procedimentos cirúrgicos e exames realizados, desde 1992, o que afasta qualquer dúvida em relação à sua condição no anocalendário 2008, objeto da presente demanda. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11080.721304/201149 Acórdão n.º 2401004.337 S2C4T1 Fl. 193 14 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência do lançamento no tocante aos proventos de aposentadoria, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/06/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CL EBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10380.003195/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM DCTF. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR OU CONCOMITANTE À QUITAÇÃO DA DIFERENÇA APURADA EM RELAÇÃO À DECLARAÇÃO ORIGINAL. RESP Nº 1.149.022-SP. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, em que o recolhimento extemporâneo deu-se em data posterior à regular constituição do crédito tributário, verificada quando da transmissão da DCTF.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do crédito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM DCTF. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR OU CONCOMITANTE À QUITAÇÃO DA DIFERENÇA APURADA EM RELAÇÃO À DECLARAÇÃO ORIGINAL. RESP Nº 1.149.022-SP. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, em que o recolhimento extemporâneo deu-se em data posterior à regular constituição do crédito tributário, verificada quando da transmissão da DCTF. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do crédito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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CONFIGURAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM DCTF. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR OU CONCOMITANTE À QUITAÇÃO DA DIFERENÇA APURADA EM RELAÇÃO À DECLARAÇÃO ORIGINAL. RESP Nº 1.149.022SP. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO ANEXO II DO RICARF. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, em que o recolhimento extemporâneo deuse em data posterior à regular constituição do crédito tributário, verificada quando da transmissão da DCTF. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do crédito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 31 95 /2 00 7- 51 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003195/200751 Acórdão n.º 3302003.112 S3C3T2 Fl. 186 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração eletrônico de DCTF por falta de recolhimento de multa moratória, cientificado em 22/03/2007. Em impugnação, a recorrente alegou, em preliminares, a nulidade da autuação por não conter a hora da lavratura do Auto de Infração nem a indicação do cargo do auditor fiscal autuante, a nulidade pela falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e a nulidade pela falta de embasamento legal plausível, sem demonstrar a alegada infração. No mérito, propugnou pela aplicação da denúncia espontânea da infração, por ter efetuado os pagamentos do principal e juros de mora, antes de qualquer procedimento fiscalizatório e antes da entrega de qualquer declaração (DCTF, DACON, SIPJ etc). A Terceira Turma da DRJ em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0823.176, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 AUSÊNCIA DA HORA DA LAVRATURA E DO CARGO DA AUTORIDADE LANÇADORA. NULIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO À DEFESA. INOCORRÊNCIA. A ausência de indicação da hora de lavratura, assim como do cargo da autoridade lançadora, por si só, não determinam a nulidade do lançamento posto que não houve a demonstração nos autos de qualquer prejuízo à defesa, decorrente desse fato. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. NÃO EXIGÊNCIA LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação, por expressa disposição legal. (art. 11, inc. IV Portaria RFB nº 4.328, de 2005) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO EM ATRASO, ANTES DA CONSTITUIÇÃO Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003195/200751 Acórdão n.º 3302003.112 S3C3T2 Fl. 187 3 DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE MORA EXIGIDA ISOLADAMENTE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NOTA TÉCNICA COSIT Nº 01, DE 2012. POSSIBILIDADE. DECRETAÇÃO. Em sintonia com a conclusão expedida pela Nota Técnica Cosit nº 01, de 2012, mostrase descabida a incidência da multa moratória pela configuração da denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) visto que o recolhimento intempestivo do tributo, sujeito a lançamento por homologação, deuse em data anterior à constituição do crédito tributário, pela transmissão da DCTF, inexistindo procedimento fiscal em curso. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTO EM ATRASO, APÓS A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE MORA EXIGIDA ISOLADAMENTE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NOTA COSIT Nº 01, DE 2012. IMPOSSIBILIDADE. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, em que o recolhimento extemporâneo deuse em data posterior à regular constituição do crédito tributário, verificada quando da transmissão da DCTF, situação observada em alguns dos fatos geradores objeto do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações quanto às preliminares de nulidade da autuação pela falta da hora de lavratura, pela falta de indicação do cargo do autuante e pela falta de Mandado de Procedimento Fiscal. No mérito, aduziu que a DRJ cometeu erro de fato em relação às competências cujos créditos foram mantidos, pois teria realizado os pagamentos dos DARFs, primeiramente, e, em momento posterior, procedeu à entrega das retificadoras com a inclusão de tais débitos não declarados. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003195/200751 Acórdão n.º 3302003.112 S3C3T2 Fl. 188 4 A recorrente propugnou em preliminares pela nulidade do Auto de Infração em virtude da falta de aposição da hora de lavratura, da falta de indicação do cargo do autuante e da falta de Mandado de Procedimento Fiscal. Quanto à falta da hora de lavratura no Auto de Infração, descabem maiores considerações, em razão da publicação da Súmula CARF nº 7, de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Ademais, a ausência de formalidades não essenciais não enseja a nulidade do Auto de Infração, se a recorrente não demonstra o efetivo prejuízo à sua defesa, o que não ocorreu no presente, uma vez que demonstrou total compreensão dos fatos imputados. Por sua vez, a alegação de falta de indicação de cargo não procede, pois o item 7 do Auto de Infração é claro ao dispor que o autuante é Auditor Fiscal da Receita Federal, cuja competência para a constituição do crédito tributário está expressa no artigo 6º da Lei nº 10.593/20021 e pacificada na Súmula CARF nº 8: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A recorrente alega ainda a falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF como requisito cuja ausência demandaria a nulidade da autuação. Porém, a Portaria SRF nº 6.087/2005, vigente à época da lavratura do Auto de Infração, dispunha em seu artigo 11, inciso IV, que o MPF não seria emitido no caso de revisão interna de declarações: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: [...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais). A autuação decorreu de auditoria interna de DCTF, conforme as IN SRF nº 45/98 e nº 77/98, sendo, portanto, hipótese prevista no inciso IV do artigo 11 acima transcrito, não havendo qualquer irregularidade no procedimento adotado. Destarte, não há qualquer reparo a fazer na decisão recorrida, estando afastadas as nulidades argüidas. 1 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) [...] Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003195/200751 Acórdão n.º 3302003.112 S3C3T2 Fl. 189 5 No mérito, a recorrente aduz erro de fato cometido pelo colegiado a quo, quanto à consideração de que os recolhimentos teriam sido realizados após a entrega das DCTFs, o que afastaria a aplicação da denúncia espontânea. A aplicação do instituto da denúncia espontânea encontrase pacificada no STJ, com os julgamentos dos REsp nº 962.379 – RS, REsp nº 886.462 – RS e do REsp nº 1.149.022 SP, submetidos à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisões definitivas devem ser reproduzidas nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62, §2º do Anexo II do RICARF. Transcrevemse as ementas: RECURSO ESPECIAL Nº 886.462 RS (2006/02031840) EMENTA TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. RECURSO ESPECIAL Nº 962.379 RS (2007/01428689) EMENTA TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003195/200751 Acórdão n.º 3302003.112 S3C3T2 Fl. 190 6 espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003195/200751 Acórdão n.º 3302003.112 S3C3T2 Fl. 191 7 "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos termos dos Acórdãos dos REsp nº 962.379 – RS e REsp nº 886.462, a prévia declaração e constituição do crédito tributário pelo contribuinte, mediante a entrega de declaração com natureza de confissão de dívida, afasta a aplicação do instituto da denúncia espontânea quanto ao recolhimentos extemporâneos, posteriores ao prazo de entrega da declaração, relativamente aos tributos previamente declarados. Por outro lado, o REsp nº 1.149.022 – SP decidiu que no caso de declaração parcial do débito, acompanhada do respectivo pagamento integral, aplicase a denúncia espontânea em relação à diferença a maior objeto de declaração retificadora, desde que o contribuinte efetue o pagamento desta diferença, concomitante à apresentação da declaração retificadora, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. A DRJ manteve o crédito tributário relativo às competências fev/04, abr/04, mai/04 e jun/04, por considerar que os pagamentos efetuados foram posteriores à data de entrega das DCTFs, de acordo com o entendimento esposado nos REsp nº 962.379 – RS e REsp nº 886.462. Por sua vez, a recorrente alega que os pagamentos se referem às diferenças não declaradas nas DCTFs originais, posteriormente declaradas em retificadora, mas recolhidas anteriormente à retificação, invocando assim o entendimento trazido no REsp nº 1.149.022. A lide se restringe à matéria de fato, ou seja, às datas e valores dos débitos declarados e pagos. O quadro abaixo esclarece: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003195/200751 Acórdão n.º 3302003.112 S3C3T2 Fl. 192 8 Os valores declarados originalmente foram extintos mediante DARFs ou compensações, conforme as DCTFs originais acostadas pela recorrente. Já as retificadoras mencionadas no quadro informam os novos valores de débitos, reproduzindo as extinções originais e acrescendo os DARFs objeto da auditoria interna que resultou neste lançamento. Verificase que as diferenças entre as declarações correspondem aos valores principais dos DARFs, os quais foram a base para o cálculo da multa moratória aqui lançada. Portanto, os pagamentos ocorridos em 29/10/2004 correspondem a diferenças de débitos não declarados anteriormente, mas incluídos em DCTF retificadoras, datadas de 21/06/2005 e 31/05/2006, ambas posteriores às datas de recolhimento. Deste modo, resta configurada a hipótese julgada no REsp nº 1.149.022 – SP, submetido à sistemática do artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62, §2º do Anexo II do RICARF, razão pela qual deve ser reconhecida a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto pela rejeição das nulidades alegadas e, no mérito, para dar provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário remanescente mantido na decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Período de Apuração Valor Originalmente Declarado Data DCTF Original Valor Declarado em Retificadora Data DCTF Retificadora Data do recolhimento Diferença entre as DCTF Originais e Retificadoras Fev/04 3.575.867,03 13/05/2004 3.978.958,52 21/06/2005; 31/05/2006 29/10/2004 403.091,49 Abr/04 4.400.248,13 11/08/2004 4.730.195,83 21/06/2005; 31/05/2006 29/10/2004 329.947,70 Mai/04 4.915.051,39 11/08/2004 5.358.639,41 21/06/2005; 31/05/2006 29/10/2004 443.588,02 Jun/04 5.091.591,96 11/08/2004 5.535.179,98 21/06/2005; 31/05/2006 29/10/2004 443.588,02 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.003195/200751 Acórdão n.º 3302003.112 S3C3T2 Fl. 193 9 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721142/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
MULTAS INDEDUTÍVEIS. A legislação que determina a adição de multas por infrações fiscais ao lucro real não pode ser estendida à apuração da CSLL com base, apenas, no art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. Ausente, a acusação fiscal, argumentação acerca da desnecessidade ou liberalidade dos valores questionados, não subsiste a adição promovida pela autoridade lançadora.
DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO INCENTIVADA. Mantém-se a adição exigida pela autoridade lançadora se o sujeito passivo não apresenta escrituração demonstrando que não se aproveitou do incentivo em referência na apuração da base de cálculo da CSLL, mormente frente a disposições legais que estendem o incentivo àquela contribuição.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
AJUSTE POR DIMINUIÇÃO DO VALOR DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PL. Se o sujeito passivo não presta informações durante o procedimento fiscal que permitam identificar a real natureza dos valores questionados, e em diligência confirma-se a alegação de se tratar, ali, de amortização de ágio, a exigência de adição ao lucro líquido subsiste se a autoridade lançadora, em relação a outra parcela assim classificada, também afirmou o cabimento de sua adição à base tributável da CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A lei somente autoriza que a amortização de ágio afete a apuração do lucro real e nas condições por ela estabelecidas. Desnecessária, assim, norma que determine a adição, ao lucro líquido, de valores cuja dedução somente é permitida no âmbito do lucro real.
Numero da decisão: 1302-001.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de multas fiscais, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negavam provimento ao recurso; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de depreciação acelerada; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de tributos com exigibilidade suspensa; e 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às adições de amortização de ágio, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Farão declaração de voto os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
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Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 MULTAS INDEDUTÍVEIS. A legislação que determina a adição de multas por infrações fiscais ao lucro real não pode ser estendida à apuração da CSLL com base, apenas, no art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. Ausente, a acusação fiscal, argumentação acerca da desnecessidade ou liberalidade dos valores questionados, não subsiste a adição promovida pela autoridade lançadora. DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO INCENTIVADA. Mantém-se a adição exigida pela autoridade lançadora se o sujeito passivo não apresenta escrituração demonstrando que não se aproveitou do incentivo em referência na apuração da base de cálculo da CSLL, mormente frente a disposições legais que estendem o incentivo àquela contribuição. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. AJUSTE POR DIMINUIÇÃO DO VALOR DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PL. Se o sujeito passivo não presta informações durante o procedimento fiscal que permitam identificar a real natureza dos valores questionados, e em diligência confirma-se a alegação de se tratar, ali, de amortização de ágio, a exigência de adição ao lucro líquido subsiste se a autoridade lançadora, em relação a outra parcela assim classificada, também afirmou o cabimento de sua adição à base tributável da CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A lei somente autoriza que a amortização de ágio afete a apuração do lucro real e nas condições por ela estabelecidas. Desnecessária, assim, norma que determine a adição, ao lucro líquido, de valores cuja dedução somente é permitida no âmbito do lucro real.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de multas fiscais, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negavam provimento ao recurso; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de depreciação acelerada; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de tributos com exigibilidade suspensa; e 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às adições de amortização de ágio, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Farão declaração de voto os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora . Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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A legislação que determina a adição de multas por infrações fiscais ao lucro real não pode ser estendida à apuração da CSLL com base, apenas, no art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. Ausente, a acusação fiscal, argumentação acerca da desnecessidade ou liberalidade dos valores questionados, não subsiste a adição promovida pela autoridade lançadora. DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO INCENTIVADA. Mantémse a adição exigida pela autoridade lançadora se o sujeito passivo não apresenta escrituração demonstrando que não se aproveitou do incentivo em referência na apuração da base de cálculo da CSLL, mormente frente a disposições legais que estendem o incentivo àquela contribuição. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES INDEDUTÍVEIS. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. AJUSTE POR DIMINUIÇÃO DO VALOR DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PL. Se o sujeito passivo não presta informações durante o procedimento fiscal que permitam identificar a real natureza dos valores questionados, e em diligência confirmase a alegação de se tratar, ali, de amortização de ágio, a exigência de adição ao lucro líquido subsiste se a autoridade lançadora, em relação a outra parcela assim classificada, também afirmou o cabimento de sua adição à base tributável da CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A lei somente autoriza que a amortização de ágio afete a apuração do lucro real e nas condições por ela estabelecidas. Desnecessária, assim, norma que determine a adição, ao lucro líquido, de valores cuja dedução somente é permitida no âmbito do lucro real. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 42 /2 01 1- 83 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de multas fiscais, divergindo os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado, que negavam provimento ao recurso; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de depreciação acelerada; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição de tributos com exigibilidade suspensa; e 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às adições de amortização de ágio, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Farão declaração de voto os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Luiz Tadeu Matosinho Machado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora . Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório VALE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/12/2011, reduzindo a CSLL a compensar ou a ser restituída nos anos calendário 2006 e 2007 no montante de R$ 17.915.183,26. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 365/376 aponta infrações na apuração da base de cálculo da CSLL, decorrentes da falta de adição ao lucro líquido de: · Tributos com exigibilidade suspensa nos anos base de 2006 e 2007, nos montantes respectivos de R$ 122.617.470,78 e R$ 11.980.089,19; · Ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL no anocalendário de 2006, no valor de R$ 9.438.352,00; · Parcelas não dedutíveis das multas no ano base de 2006, no montante de R$ 32.110.893,53; · Amortização de ágio nas aquisições de investimentos avaliados pelo PL, no anocalendário 2007, no montante de R$ 20.340.999,99; · Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada – Reversão, no ano calendário 2006, no montante de R$ 2.569.786,44. Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou a regularidade de sua apuração, invocando o disposto no art. 2o da Lei nº 7.689/88, discordando de qualquer efeito produzido pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95 e da aplicação de analogia, inclusive por meio de Instrução Normativa. Especificamente em relação aos tributos com exigibilidade suspensa, discorda de sua caracterização como provisão, e quanto aos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e amortização de ágio acrescenta que a Fiscalização partiu de premissas equivocadas para sua conclusão. Com referência às multas observa que as de natureza moratória são dedutíveis, e que a acusação é genérica e frágil, o mesmo se verificando em relação à depreciação incentivada. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006, 2007 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA INDEDUTIBILIDADE Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO. DIMINUIÇÃO NO VALOR DOS INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Os ajustes por Fl. 703DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 5 4 diminuição do valor em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, adicionados ao cálculo do lucro real, devem ser adicionados também à base de cálculo da CSLL. MULTA. PARCELAS NÃO DEDUTÍVEIS. As multas declaradas como ´parcelas não dedutíveis` na DIPJ devem ser adicionadas na apuração da base de cálculo da CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A amortização do ágio é indedutível da base de cálculo da CSLL, constituindo adição prevista na legislação tributária. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA REVERSÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL, a depreciação acelerada incentivada revertida. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/01/2013, em razão do decurso do prazo de 15 (quinze) dias da postagem do documento em sua caixa postal eletrônica (fl. 544), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/01/2013 (fls. 548/573). Inicialmente manifesta sua discordância acerca da classificação dos tributos com exigibilidade suspensa como provisão indedutível. Em seu entendimento traço característico da provisão é a impossibilidade de sua exata mensuração, destinandose ao registro de obrigações que deverão nascer no futuro. Argumenta que a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador, que o lançamento apenas declara obrigação preexistente (e não futura/incerta), e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apenas protege temporariamente o sujeito passivo contra a cobrança de uma obrigação fiscal existente. Invoca o Pronunciamento do IBRACON nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005, e afirma que sua conduta observa os princípios de contabilidade geralmente aceitos e o art. 177 da Lei nº 6.404/76. Afirma que o tributo é despesa desde que é devido, e que a Instrução Normativa SRF nº 390/2004 deve observar o que dispõe a lei. Por sua vez, os ajustes ao lucro para apuração da CSLL são apenas aqueles previstos em lei, de modo que um ato normativo não poderia ampliar, de forma ilegítima, a hipótese de incidência tributária. Com referência à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e da amortização de ágio, aduz que a autoridade lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável relativamente à parcela de R$ 9.438.352,00, que corresponderia a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Quanto a esta parcela e à falta de adição do montante de R$ 20.340.999,99, que se referiria a participação societária da recorrente em Caemi Mineração Metalúrgica S/A e Minerações Brasileiras Reunidas S/A – MBR, a Fiscalização apenas mencionou que os valores foram adicionados na apuração do lucro real, e fundamentou a exigência no art. 38, §1o, inciso I da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, o qual não tem base legal, pois inexiste previsão de adição de despesa ou exclusão de receita decorrente de amortização de ágio/deságio. Arremata que seu procedimento contábil está amparado pela Instrução Normativa CVM nº 247/96 e invoca julgado administrativo em favor de seu entendimento. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 6 5 Quanto à dedutibilidade das multas, reafirma que a Fiscalização não identificou a natureza dos valores contabilizados, e observa que a decisão recorrida afirmou inexistir prova de que as multas teriam natureza moratória. Novamente afirma que não existe previsão legal para adição de multas à base de cálculo da CSLL, e que esta contribuição, assim como o IRPJ, incide sobre o acréscimo patrimonial, evidenciando impensável a inclusão na base de cálculo de qualquer tipo de registro que não corresponda a este aumento patrimonial, cabendose, ao contrário, a desconsideração do montante total auferido pela pessoa jurídica, de valores que não importaram nesses plus. Afirma genérica, também, a acusação de falta de adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada – reversão, porque ausente demonstração da efetiva ocorrência das hipóteses que justificam o benefício garantido pela legislação e devidamente aproveitado pela Recorrente, em clara inobservância do art. 142 do CTN. Assevera que a decisão recorrida reconhece que o requisito formal e material do benefício foi obedecido para o IRPJ, invoca o princípio da verdade material e o dever da autoridade julgadora administrativa agir de ofício para instrução probatória do processo. Afirma ilícito procederse à glosa da dedução realizada, sem analisar todas as informações e documentos essenciais para apurar a materialidade do crédito utilizado, a exemplo da escrituração comercial e fiscal da Suplicante, o que poderia ter sido oportunizado, ainda na fase contenciosa administrativa, independentemente das eventuais diligências firmadas previamente à autuação, mediante conversão do feito em diligência. Pede, assim, o cancelamento integral do lançamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 579/602), afirmando que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de provisão; defendendo a adição dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL por expressa disposição contida no art. 2º, § 1º, alínea “c”, 1 da Lei nº 7.689/88 e também porque a contribuinte não trouxe prova de suposto erro no preenchimento da DIPJ; afirmando indedutível a amortização de ágio por ausência de previsão legal neste sentido e conseqüente necessidade de interpretação literal da renúncia fiscal daí decorrente; defendendo a indedutibilidade das multas assim reconhecidas pela contribuinte na apuração do IRPJ, sem qualquer prova de sua alegada natureza moratória; e observando que a contribuinte não atendeu intimações para demonstrar que não havia se beneficiado da depreciação acelerada no âmbito da apuração da CSLL, de modo que a adição da reversão destes valores deve subsistir. Na sessão de julgamento de 08 de abril de 2014, a extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara acompanhou, por unanimidade de votos, o entendimento desta Conselheira em favor da conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto condutor da Resolução nº 1101000.122: [...] Como dito, a DIPJ apresentada para o anocalendário 2006 (fls. 196/274) contava com uma única linha para registro de Resultados Negativos em Participações Societárias, bem como para sua adição ao lucro líquido, com vistas à apuração do Lucro Real (Linha 35 da Ficha 6A e Linha 10 da Ficha 9A ), nas quais, segundo informações extraídas do MAJUR pela autoridade julgadora de 1a instância, seriam registrados os valores correspondentes a “perdas por ajustes no valor do investimento por equivalência patrimonial” e “amortização de ágio”. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 7 6 Assim, é certo que, ao exigir a adição, também na base de cálculo da CSLL, dos valores indicados na Linha 35 da Ficha 6A e na Linha 10 da Ficha 9A da DIPJ do anocalendário 2006, a autoridade fiscal poderia estar alcançando não só o resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido previsto no art. 2o, §1o, alínea “c”, inciso I da Lei nº 7.689/88, com a redação dada pela Lei nº 8.034/90, como também registros decorrentes de amortização de ágio. De outro lado, a acusação fiscal demonstra, na abordagem referente a adição promovida no anocalendário 2007, o entendimento de que as amortizações de ágio também deveriam ser adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração da CSLL. Desta forma, seria irrelevante distinguir quais valores comporiam a Linha 35 da Ficha 6A e a Linha 10 da Ficha 9A da DIPJ do anocalendário 2006, pois todos os registros que ali deveriam ter sido consignados seriam, no entender da Fiscalização, passíveis de adição. A recorrente, por sua vez, assevera que a parcela questionada no anocalendário 2006 corresponderia a ágio amortizado, mas não junta prova neste sentido. Aduz que o procedimento fiscal foi superficial, e que a autoridade lançadora deixou de exercer a efetiva atividade fiscalizatória, de modo a delimitar a matéria tributável. Todavia, a autoridade fiscal questionoulhe sobre a falta de adição da parcela de R$ 9.438.352,00, afirmando que ela corresponderia a ajuste por diminuição valor de inv. aval. p/ PL (fl. 2), e em resposta a contribuinte apenas disse que os valores não foram adicionados por entendermos que não há base legal exigindo a adição de tais valores. Por sua vez, frente ao lançamento que expôs a base legal para adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido, claramente integrante dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, a contribuinte apenas alega que a parcela glosada corresponderia a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Assim, se de um lado a Fiscalização pautouse em evidência plausível para promover a adição em questão, a contribuinte também suscita dúvida razoável acerca da natureza do valor adicionado à base de cálculo da CSLL. Diante de tal contexto, para melhor solução da lide, é necessário que o julgamento seja CONVERTIDO em diligência para confirmação, junto à escrituração da contribuinte, de que a parcela de R$ 9.438.352,00, adicionada ao lucro real no ano calendário 2006, corresponderia, de fato, a amortização de ágio referente à participação societária da recorrente na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Ao final dos trabalhos deve ser elaborado relatório circunstanciado acerca dos procedimentos fiscais desenvolvidos e das conclusões alcançadas, cientificandoo à interessada e facultandolhe a complementação de suas razões de defesa no prazo 30 (trinta) dias, antes do retorno dos autos a este Conselho. A autoridade fiscal encarregada da diligência reuniu os elementos de fls. 644/653 e lavrou o relatório de fls. 666/667 consignando que: A documentação apresentada corrobora o argumento do contribuinte. Destaquese quanto a isto, a conta "Amortização de Ágio Participações Societárias" constante da Parte "B" do Lalur onde foi lançada a amortização citada. O valor também foi adicionado na apuração do Lucro Real, porém o mesmo procedimento não foi adotado na apuração da Base de Cálculo da CSLL. Assim sendo os documentos apresentados pela contribuinte confirmam que a parcela de R$ 9.438.352,00, adicionada ao lucro real no anocalendário 2006, Fl. 706DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 8 7 tratase de amortização de ágio referente à participação societária da mesma na empresa Belém Administrações e Participações Ltda. Cientificada, a contribuinte manifestouse às fls. 678/682, afirmando a insubsistência do crédito tributário em referência, na medida em que o tratamento dispensado à amortização do ágio/deságio na apuração do lucro real não pode ser estendido para a consolidação da base de cálculo da CSLL, na medida em que os dispositivos suscitados como fundamento são aplicáveis tão somente ao lucro real. Observa que a base de cálculo da CSLL é determinada pela Lei n.º 7.689/88 e suas posteriores alterações e nesta legislação, em momento algum, existe a previsão de que a amortização do ágio na aquisição de investimentos em empresas controladas deve ser tributado. Argumenta que ofende o princípio da legalidade a pretendida interpretação analógica e extensiva com o objetivo de ampliar a imposição tributária para além dos limites da lei, e discorre sobre a inaplicabilidade do art. 57 da Lei nº 8.981/95 para este fim. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Multas Fiscais Com referência às adições referentes a multas fiscais, a recorrente reafirma que a Fiscalização não identificou a natureza dos valores contabilizados, e observa que a decisão recorrida afirmou inexistir prova de que as multas teriam natureza moratória. Diz que inexiste previsão legal para adição de multas à base de cálculo da CSLL, e que esta adição ensejaria a exigência de CSLL sobre parcela que não corresponde a acréscimo patrimonial. A autoridade fiscal fundamenta a exigência no §5o do art. 41 da Lei nº 8.981/95, que veda a dedução, na determinação do lucro real, de multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Observa que a própria contribuinte reconheceu, em DIPJ, que as multas eram indedutíveis, mas não as adicionou à base de cálculo da CSLL. Invoca o disposto no art. 57 da Lei nº 8.981/95 para estender à CSLL aquela vedação. O art. 57 da Lei nº 8.981/95 integra o conjunto de dispositivos que trataram da CSLL naquele diploma legal, a seguir transcrito: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor decorrente da aplicação do percentual de nove por cento sobre a receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 10 9 Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. (Vide Lei nº 9.065, de 1995) Art. 59. A contribuição social sobre o lucro das sociedades civis, submetidas ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 1987, deverá ser paga até o último dia útil do mês de janeiro de cada anocalendário. Nestes termos, o art. 57 da Lei nº 8.981/95 apenas afirmou a aplicação, à CSLL, das normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, ou seja, sistemática de tributação, periodicidade, vencimento, antecipações, etc. E isto porque, já na seqüência, afirma mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, evidenciando que a base de cálculo, ou seja, o resultado do exercício permanece, sujeito aos ajustes (adições e exclusões) na forma da legislação específica que tratou da CSLL. Apenas a expressão final (“com as alterações introduzidas por esta Lei”) poderia suscitar dúvida acerca da aplicação, à CSLL, das restrições veiculadas na própria Lei nº 8.981/95. Todavia, infirmando também esta possibilidade, o art. 58 da mesma Lei vem, expressamente, estipular para a CSLL o limite de 30% para compensações de bases negativas de períodos anteriores. Evidente, portanto, que se os ajustes ao lucro líquido contábil exigidos no âmbito do lucro real fossem aplicáveis à CSLL em razão, apenas, do art. 57 da Lei nº 8.981/95, o art. 58 seria desnecessário. Por sua vez, a indedutibilidade de multas na forma prevista no §5o do art. 41 da Lei nº 8.981/95, integrado à “Subseção I – Das Alterações na Apuração do Lucro Real”, já havia sido veiculada, com os mesmos contornos, na Lei nº 8.541/92 (art. 7o), diploma legal que tratou a CSLL em termos semelhantes aos da Lei nº 8.981/95: Da Apuração e Pagamento da Contribuição Social Art. 38. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de pagamento estabelecidas por esta lei para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantida a base de cálculo e alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1° A base de cálculo da contribuição social para as empresas que exercerem a opção a que se refere o art. 23 desta lei será o valor correspondente a dez por cento da receita bruta mensal, acrescido dos demais resultados e ganhos de capital. § 2° A base de cálculo da contribuição social será convertida em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do períodobase. § 3° A contribuição será paga até o último dia útil do mês subseqüente ao de apuração, reconvertida para cruzeiro com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. Art. 39. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, apurada no encerramento do anocalendário, pelas empresas referidas no art. 38, § 1°, desta lei, será convertida em Ufir diária, tomandose por base o valor desta no último dia do período. § 1° A contribuição social, determinada e recolhida na forma do art. 38 desta lei, será reduzida da contribuição apurada no encerramento do anocalendário. § 2° A diferença entre a contribuição devida, apurada na forma deste artigo, e a importância paga nos termos do art. 38, §1°, desta lei, será: Fl. 709DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 11 10 a) paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual, quando positiva; b) compensada, corrigida monetariamente, com a contribuição mensal a ser paga nos meses subseqüentes ao fixado para entrega da declaração anual, se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior. Em verdade, a vedação à dedução de multas por infrações fiscais já estava prevista no art. 16 do Decretolei nº 1.598/77, revogado pela Lei nº 8.541/92: Art 16 Os tributos são dedutíveis como custo ou despesa operacional no período base de incidência: I em que ocorrer a fato gerador da obrigação tributária, se o contribuinte apurar os resultados segundo o regime de competência; ou II em que forem pagos, se o contribuinte apurar os resultados segundo o regime de caixa. § 1º Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não pode deduzir como custo ou despesa o imposto de renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou como responsável em substituição ao contribuinte. § 2º A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que o contribuinte assuma o ônus do imposto. § 3º Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens de ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens, que se acrescerão ao custo de aquisição. § 4º Não são dedutíveis como custos ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Assim, cumpriria à Lei nº 7.689/88, ou às que a sucederam, ter estipulado esta adição específica na apuração da CSLL. Por sua vez, embora a Instrução Normativa SRF nº 390/2004 incorpore este ajuste à apuração da base de cálculo da CSLL, nenhuma das leis indicadas em seu preâmbulo traz estipulação neste sentido: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n o 259, de 24 de agosto de 2001 , e tendo em vista o disposto nas Leis n º 7.689, de 15 de dezembro de 1988, n º 8.003, de 14 de março de 1990, n º 8.034, de 12 de abril de 1990, n º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, n º 8.981, de 20 de janeiro de 1995 , n º 9.065, de 20 de junho de 1995 , n º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , n º 9.316, de 22 de novembro de 1996, n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , n º 9.532, de 10 de dezembro de 1997 , n º 9.718, de 27 de novembro de 1998 , n º 9.779, de 19 de janeiro de 1999 , n º 9.959, de 27 de janeiro de 2000 , n º 10.426, de 24 de abril de 2002 , n º 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , n º 10.684, de 30 de maio de 2003 , e n º 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , e nas Medidas Provisórias n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , e n º 2.15970, de 24 de agosto de 2001 , resolve: Art. 1 º Esta Instrução Normativa dispõe sobre a determinação e o pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). [...] Fl. 710DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 12 11 Subseção V Das Multas Das multas por infrações fiscais Art. 56. Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Das multas por infrações diversas Art. 57. As multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária são indedutíveis como custo ou despesas operacionais. Eventualmente argumentos como a desnecessidade ou a liberalidade implícitas em tais despesas poderiam desconstituir a repercussão contábil de tais registros, e justificar sua glosa na apuração da CSLL. Todavia, a acusação fiscal limitase a invocar a determinação legal dirigida à apuração do lucro real para justificar a exigência, aplicandoa no âmbito de apuração de CSLL em razão do art. 57 da Lei nº 8.981/95 que, como dito, não se presta a tanto. Irrelevante, assim, se as multas teriam natureza compensatória, como cogita a recorrente. A acusação fiscal, pelos motivos antes expostos, não sustenta a exigência. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, relativamente à parcela de R$ 32.110.893,53, tributada no anocalendário 2006. Depreciação acelerada incentivada Por fim, com referência à falta de adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada – reversão, a contribuinte mais uma vez afirma genérica a acusação fiscal, porque ausente demonstração da efetiva ocorrência das hipóteses que justificam o benefício garantido pela legislação e devidamente aproveitado pela Recorrente, em clara inobservância do art. 142 do CTN. A autoridade julgadora de 1a instância, porém, abordou a matéria com a amplitude necessária para demonstrar a pertinência da acusação fiscal: Da falta de adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada – reversão A presente exação decorre da constatação da não adição ao lucro líquido da depreciação acelerada incentivada reversão, no anocalendário de 2006, no montante de R$ 2.569.786,44, quando da apuração da base de cálculo da CSLL. O interessado, questionado a respeito da não adição do valor de R$ 2.569.786,44 acima, a título de depreciação acelerada incentivada reversão, onde a fiscalização solicitou a comprovação da não exclusão anterior deste valor no cálculo da CSLL, em contrapartida ao benefício da depreciação incentivada utilizada no cálculo do lucro real, o interessado respondeu, em documento datado de 03 de setembro de 2011, que não haveria base legal para tal adição e que tal benefício foi usufruído somente no cálculo do imposto de renda, sendo que o controle havia sido efetuado Fl. 711DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 13 12 através de LALUR preparado pela empresa Samitri S.A., empresa sucedida por incorporação em 01/10/2001. A fiscalização, por sua vez, intimou o interessado a apresentar o LALUR da citada empresa incorporada onde teria sido escriturado o controle dos benefícios. Consta que o interessado solicitou prorrogações de prazo sem nunca ter atendido esta intimação, justificando não haver encontrado os registros em questão. Na impugnação, o interessado alega que o entendimento da fiscalização estaria incorreto e não deveria prevalecer, já que o lançamento teria se procedido por generalidade, apenas tendo sido destacado pela fiscalização a obrigatoriedade de escrituração da depreciação no LALUR, sem ter infirmado, contudo, a efetiva ocorrência das hipóteses que justificariam o benefício garantido pela legislação, e devidamente aproveitado. Afirma que a fiscalização deveria ter suscitado esclarecimentos e documentos, o que não teria ocorrido. Entende que a tributação, por presunção, tem que ter por base elementos concretos, objetivos, sólidos na sua estruturação, consistentes e confiáveis, quanto à metodologia e parâmetros empregados, o que não teria sido foi observado no caso. Tais alegações não têm fundamento. De início, cabe esclarecer que a autuação não é por presunção, como supõe o interessado, já que não se trata de omissão de receita, mas sim, de glosa de despesa, onde se discute a legalidade da não adição da depreciação acelerada incentivada reversão, no anocalendário de 2006, no montante de R$ 2.569.786,44, na apuração da base de cálculo da CSLL. Também não é corroborado pelos elementos dos autos que a fiscalização não tenha buscado esclarecimentos e documentos junto ao interessado. Ao contrário, está demonstrado nos autos, inclusive com termos de intimação, que o interessado foi intimado a apresentar o LALUR da referida empresa sucedida, mas não logrou fazê lo. Tampouco, o apresentou na peça impugnatória. Feitos estes breves comentários, passase à análise da questão de fundo, qual seja, se a depreciação acelerada incentivada reversão, no anocalendário de 2006, no montante de R$ 2.569.786,44, deveria ser adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL. A matéria é tratada no art. 313 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/1999), a seguir transcrito: Art. 313. Com o fim de incentivar a implantação, renovação ou modernização de instalações e equipamentos, poderão ser adotados coeficientes de depreciação acelerada, a vigorar durante prazo certo para determinadas indústrias ou atividades (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 5º). § 1º A quota de depreciação acelerada, correspondente ao benefício, constituirá exclusão do lucro líquido, devendo ser escriturada no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 8º, inciso I, alínea "c", e § 2º). § 2º O total da depreciação acumulada, incluindo a normal e a acelerada, não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 6º). § 3º A partir do período de apuração em que for atingido o limite de que trata o parágrafo anterior, o valor da depreciação normal, registrado na escrituração comercial, deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de determinar o lucro real. § 4º As empresas que exerçam, simultaneamente, atividades comerciais e industriais poderão utilizar o benefício em relação aos bens destinados exclusivamente à atividade industrial. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 14 13 § 5º Salvo autorização expressa em lei, o benefício fiscal de que trata este artigo não poderá ser usufruído cumulativamente com outros idênticos, exceto a depreciação acelerada em função dos turnos de trabalho. Portanto, do exposto, notase que a depreciação acelerada incentivada de bens do ativo imobilizado é um tipo de incentivo fiscal destinado às empresas tributadas pelo Lucro Real, que visa à modernização, renovação ou implementação de equipamentos de produção nas diversas atividades econômicas. Este incentivo consiste em uma antecipação da despesa de depreciação, que viabiliza a postergação da tributação incidente sobre o lucro da atividade. A depreciação acelerada incentivada é utilizada mediante exclusão do lucro líquido na Parte A do LALUR, conforme dispõe o art. 313, § 1º, do RIR/1999. Em contrapartida, os bens objeto de depreciação acelerada incentivada são, na escrituração comercial (contábil), depreciados normalmente mediante aplicação das taxas admitidas em função do prazo estimado de vida útil. As parcelas da depreciação acelerada incentivada, excluídas no lucro líquido na Parte A do LALUR, deverão ser registradas para controle na Parte B do LALUR. A partir do momento em que o total da depreciação acumulada, incluindo a normal (contábil) e a acelerada (LALUR), atingir 100% do custo de aquisição do bem, este reputase integralmente depreciado para efeitos fiscais. No entanto, na escrituração contábil, o encargo continuará sendo apropriado normalmente, até atingir 100%. Logo, a partir do anocalendário em que o bem ficar totalmente depreciado para efeitos fiscais, o encargo correspondente à depreciação normal que vier a ser registrada na escrituração comercial deverá ser adicionado ao lucro líquido na Parte A do LALUR (art. 313, § 3º, do RIR/1999), sendo concomitantemente baixado na Parte B até zerar. Esta adição ao lucro líquido do encargo correspondente à depreciação normal do bem que vier a ser registrada na escrituração comercial, após já ter ocorrida a total depreciação para efeitos fiscais, é que se chama reversão da depreciação acelerada incentivada. Pela exposição acima, já é possível perceber a real importância do LALUR no controle dos valores envolvidos na depreciação acelerada incentivada. A sua ausência prejudica a análise. Devese registrar que, como a depreciação acelerada incentivada se trata de um benefício fiscal, é preciso verificar se, efetivamente, no caso em concreto, o interessado fez uso de tal benefício. Pela DIPJ do anocalendário de 2006, verifica se que o interessado fez uso do benefício da depreciação acelerada para o IRPJ, já que consta a reversão da depreciação (adição do lucro líquido na apuração do lucro real). Não consta, todavia, nada a respeito da CSLL, em que pese a fiscalização ter solicitado ao interessado que apresentasse documentação que comprovasse que não teria se valido de tal benefício para a CSLL (exclusão do lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL em períodos anteriores). É importante deixar claro que tal hipótese levantada pela fiscalização é pertinente, já que existem na legislação diversas situações em que está expressamente prevista a possibilidade de utilização da depreciação acelerada para reduzir a CSLL, como, por exemplo: empresas concessionárias de energia elétrica, nos termos do art. 37 da Lei nº 11.196/2005, in verbis: “Art. 37. A diferença entre o valor do encargo decorrente das taxas anuais de depreciação fixadas pela Receita Federal do Brasil e o valor do encargo contabilizado decorrente das taxas anuais de depreciação fixadas pela legislação específica aplicável Fl. 713DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 15 14 aos bens do ativo imobilizado, exceto terrenos, adquiridos ou construídos por empresas concessionárias, permissionárias e autorizadas de geração de energia elétrica, poderá ser excluída do lucro líquido para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 1oO disposto no caput deste artigo aplicase somente aos bens novos adquiridos ou construídos a partir da data da publicação desta Lei até 31 de dezembro de 2013. § 2oA diferença entre os valores dos encargos de que trata o caput deste artigo será controlada no livro fiscal destinado à apuração do lucro real. § 3oO total da depreciação acumulada, incluindo a contábil e a fiscal, não poderá ultrapassar o custo do bem depreciado. § 4oA partir do período de apuração em que for atingido o limite de que trata o § 3odeste artigo, o valor da depreciação registrado na escrituração comercial será adicionado ao lucro líquido, para efeito da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com a concomitante baixa na conta de controle do livro fiscal de apuração do lucro real. § 5oO disposto neste artigo produz apenas efeitos fiscais, não altera as atribuições e competências fixadas na legislação para a atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL e não poderá repercutir, direta ou indiretamente, no aumento de preços e tarifas de energia elétrica.” empresas que exercem atividades rurais, nos termos do art. 104 da Instrução Normativa nº 390/2004, in verbis: “Art. 104.Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. § 1ºO encargo de depreciação dos bens, calculado à taxa normal, será registrado na escrituração comercial e o complemento para atingir o valor integral do bem constituirá exclusão para fins de determinação da base de cálculo da CSLL correspondente à atividade rural. § 2ºO valor a ser excluído, correspondente à atividade rural, será igual à diferença entre o custo de aquisição do bem do ativo permanente destinado à atividade rural e o respectivo encargo de depreciação normal escriturado durante o período de apuração da CSLL, e poderá ser controlado na Parte B do Lalur ou em livro específico para apuração da CSLL. § 3ºA partir do período de apuração seguinte ao da aquisição do bem, o encargo de depreciação normal que vier a ser registrado na escrituração comercial deverá ser adicionado ao resultado líquido correspondente à atividade rural, efetuandose a baixa do respectivo valor no saldo da depreciação incentivada controlada no Lalur ou em livro específico para apuração da CSLL. § 4ºO total da depreciação acumulada, incluindo a normal e a complementar, não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem. § 5ºNo caso de alienação dos bens, o saldo da depreciação incentivada será adicionado ao resultado líquido da atividade rural no período de apuração da alienação. § 6ºNão fará jus ao benefício de que trata este artigo, a pessoa jurídica rural que direcionar a utilização do bem exclusivamente para outras atividades estranhas à atividade rural própria. § 7ºNo período de apuração em que o bem já totalmente depreciado, em virtude da depreciação incentivada, for desviado exclusivamente para outras atividades, deverá ser adicionado ao resultado líquido da atividade rural o saldo da depreciação incentivada. § 8ºRetornando o bem a ser utilizado na produção rural própria da pessoa jurídica, esta poderá voltar a fazer jus ao benefício da depreciação incentivada, excluindo do resultado líquido da atividade rural no período a diferença entre o custo de aquisição do bem e a depreciação acumulada até a época, podendo fazer os devidos registros na Parte B do Lalur ou em livro específico para apuração da CSLL.” Fl. 714DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 16 15 empresas com inovação tecnológica, nos termos do art. 17, inciso III, da Lei nº 11.196/2005, in verbis: “Art. 17. A pessoa jurídica poderá usufruir dos seguintes incentivos fiscais: .... III depreciação integral, no próprio ano da aquisição, de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, novos, destinados à utilização nas atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL;(Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008) .... § 8oA quota de depreciação acelerada de que trata o inciso III do caput deste artigo constituirá exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real e será controlada em livro fiscal de apuração do lucro real. § 9oO total da depreciação acumulada, incluindo a contábil e a acelerada, não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem. § 10. A partir do período de apuração em que for atingido o limite de que trata o § 9odeste artigo, o valor da depreciação registrado na escrituração comercial deverá ser adicionado ao lucro líquido para efeito de determinação do lucro real.” Portanto, o fato é que o interessado poderia ter se valido do benefício da depreciação acelerada incentivada para a CSLL em períodos anteriores (exclusão do lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL), hipótese que ensejaria a sua reversão (adição) no anocalendário de 2006, no montante de R$ 2.569.786,44, na apuração da base de cálculo da CSLL, assim como ocorreu na apuração do IRPJ. Notase, pelo exposto, que a questão é de natureza meramente probatória. E, a meu juízo, a documentação hábil para tal comprovação seria o LALUR ou, eventualmente, livro específico utilizado pelo interessado para apuração e controle da CSLL. Ocorre que o interessado, mesmo intimado, não apresentou o LALUR e nem apresentou qualquer outro livro que demonstrasse que não teria se beneficiado da depreciação acelerada incentivada para a CSLL em períodos anteriores (exclusão do lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL em períodos anteriores). É importante transcrever os comentários efetuados ao art. 313 no Regulamento do Imposto de Renda 2010 Anotado e Comentado – Atualizado até 30/04/2010, da Fiscosoft Editora, p. 991: “2 – REVERSÃO DAS DESPESAS/CUSTOS ANTECIPADOS – Traço comum a todas as depreciações aceleradas incentivadas é a antecipação de custos/despesas pela via da exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Por isso, a diferença entre os valores dos encargos contabilizados e os admitidos pela legislação que concede o incentivo será controlada no livro fiscal destinado à apuração do lucro real (LALUR). O total da depreciação acumulada, incluindo a contábil e a fiscal (incentivada), não poderá ultrapassar o custo do bem depreciado. A partir do período de apuração em que for atingido o referido valor, as quotas de depreciação registradas na escrituração comercial serão adicionadas ao lucro líquido, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com a concomitante baixa na conta de controle do livro fiscal de apuração do lucro real.” (grifei) Sendo assim, deve ser adicionada ao lucro líquido, na apuração da base de cálculo da CSLL, a depreciação acelerada incentivada revertida. Portanto, a autuação é procedente. Nestes termos, ante a omissão da interessada durante o procedimento fiscal, cumprialhe trazer, na impugnação, as provas que demonstrassem a desnecessidade de adição Fl. 715DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 17 16 da parcela de R$ 2.569.786,44 à base de cálculo da CSLL. A adição somente seria dispensável se a exclusão não tivesse sido aproveitada na apuração daquela contribuinte, e a prova neste sentido era de natureza documental, sendo imprópria a cogitação de que a autoridade julgadora administrativa teria o dever de agir de ofício para instrução probatória do processo (art. 16, inciso III c/c com seu § 4º). Imprópria, também, a afirmação de que a Fiscalização teria procedido à glosa da dedução realizada, sem analisar todas as informações e documentos essenciais para apurar a materialidade do crédito utilizado, pois os elementos da escrituração necessários para tanto, embora exigidos, não foram apresentados pela contribuinte. Em tais condições, a diligência não se presta como meio substitutivo do dever de prova imputado à contribuinte na forma do Decreto nº 70.235/72. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter a exigência referente à parcela de R$ 2.569.786,44. Tributos e contribuições com exigibilidade suspensa A recorrente opõese à adição de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa à base de cálculo da CSLL por discordar de sua classificação como provisões. Esta Conselheira, porém, já se manifestou contrariamente a argumentos semelhantes aos aqui apresentados, consoante voto que integra o Acórdão nº 1101000.813: Aduz a recorrente que os valores glosados não possuem a natureza de provisões, mas, sim, de despesas efetivas. Aborda os conceitos de provisão, passivo e contingência passiva, para evidenciar a dedução de despesas reconhecidas no resultado em razão da constituição de um passivo efetivo, que decorre de uma obrigação legal com prazo certo e valor determinado, reportandose à Deliberação CVM nº 489/05, que aprovou o Pronunciamento IBRACON NPC nº 22. O presente lançamento tem por fundamento o art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, que assim dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; [...] (negrejouse) O entendimento da recorrente, no sentido de que os valores glosados possuem natureza de obrigação legal, já foi acolhido em Turma deste Conselho Administrativo, no julgamento refletido no Acórdão nº 140100.058, de cuja ementa extraise: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – DEDUTIBILIDADE Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar Fl. 716DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 18 17 diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL. No voto condutor do referido acórdão, o I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata observa que provisão representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida, e que a obrigação tributária, em razão da presunção de constitucionalidade e de legitimidade da lei, é certa e líquida enquanto não se der o trânsito em julgado favoravelmente ao contribuinte, o qual, em verdade, exige a reversão do passivo antes contabilizado. Discorda, assim, que o fato de se ingressar com ação judicial contra certa lei tributária ou contra a legalidade de uma obrigação tributária transforme o passivo representativo desta obrigação em provisão, e afirma o acerto o item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005. Referido Pronunciamento assim estabelece no Sumário que integra seu Anexo I: DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. O termo provisão também tem sido usado no contexto de contas retificadoras, como depreciações acumuladas, desvalorização de ativos e ajustes de valores a receber. Esses ajustes aos valores contábeis de ativos não são abordados nesta NPC. iii. Provisões derivadas de apropriações por competência são passivos por mercadorias ou serviços que foram recebidos ou fornecidos, mas que não foram faturados ou acordados formalmente com o fornecedor, incluindo montantes devidos a empregados (por exemplo, os montantes relativos à provisão para férias), os devidos pela atualização de obrigações na data do balanço, entre outros. Embora às vezes seja necessário estimar o valor ou o tempo das provisões derivadas de apropriações por competência, o que poderia assemelharse conceitualmente a uma provisão, a diferença básica está no fato de que as provisões derivadas de apropriações por competência são obrigações já existentes, registradas no período de competência, sendo muito menor o grau de incerteza que as envolve. [...] vi. Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. [...] Ocorre que os conceitos de provisão e obrigação legal podem se tocar e se confundir em determinadas circunstâncias. O próprio Pronunciamento acima referido cogita desta possibilidade ao assim estabelecer, também no Anexo I: Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a. uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b. é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c. o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. Se qualquer uma dessas condições não for atendida, a provisão não deve ser reconhecida. É importante notar, por outro lado, a diferença existente entre provisões e outros passivos e contingências passivas, conforme os itens 7, 8 e os exemplos no Anexo II a esta NPC, notadamente aqueles incluídos no item 4. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 19 18 No presente caso, as decisões judiciais favoráveis à contribuinte afetam não só o direito do Fisco de exigir o crédito tributário, mas também suspendem a obrigação legal da contribuinte de pagálo. Há não só incerteza quanto ao seu recebimento por parte do Fisco, como também em relação ao seu pagamento por parte da contribuinte. Daí a possibilidade, como citado no voto do I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata, de reversão deste passivo ao final do litígio judicial, prática comum no âmbito das provisões. Caso se tratasse de uma obrigação legal, líquida e certa, a decisão judicial final favorável ao contribuinte ensejaria o reconhecimento de uma receita por insubsistência passiva, semelhante a um perdão de dívida, e não mera reversão de provisão. Quanto ao referido item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, não se vislumbra, ali, um reconhecimento explícito de que tributos com exigibilidade suspensa por decisão judicial seriam qualificados como obrigação legal e não como provisão. Vejase: ANEXO II EXEMPLOS DE TRATAMENTO A SER DADO ENVOLVENDO CONTINGÊNCIAS ATIVAS E CONTINGÊNCIAS PASSIVAS O objetivo deste anexo é auxiliar no entendimento da NPC sobre Provisões, contingências ativas e contingências passivas e deve ser lido no contexto completo da NPC, não devendo ser considerado isoladamente. [...] 4. Tributos a. A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Tratase de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC. Em uma etapa posterior, o advogado comunica que a ação foi julgada procedente em determinada instância. Mesmo que haja uma tendência de ganho, e ainda que o advogado julgue como provável o ganho de causa em definitivo, pelo fato de que ainda cabe recurso por parte do credor (a União), a situação não é ainda considerada praticamente certa, e, portanto, o ganho não deve ser registrado. É de se ressaltar que a situação avaliada é de uma contingência ativa, e não de uma contingência passiva a ser revertida, pois o passivo, como dito no item anterior, é uma obrigação legal e não uma provisão ou uma contingência passiva. [...] c. Ao obter decisão final favorável sobre um ganho contingente, a entidade deverá observar o momento adequado para o seu reconhecimento contábil. Não havendo mais possibilidades de recursos da parte contrária, o risco da nãorealização do ganho contingente é considerado "remoto", e, portanto, a entidade deve reconhecer contabilmente o ganho quando a decisão judicial final produzir seus efeitos, o que ocorre, normalmente, após a publicação no Diário Oficial. Isso significa dizer que, a partir desse momento, o ganho deixará de ser contingente e se tornará um direito da entidade. Antes do registro do ganho contingente, porém, e periodicamente após seu registro, a administração da entidade deve avaliar a capacidade de recuperação do ativo, uma vez que a parte contrária pode tornarse incapaz de honrar esse compromisso, ou pode ser que sua utilização futura seja incerta. No primeiro contexto, abordado no item “a”, observase que, embora proposta uma ação judicial, nada se fala da existência de decisão hábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. O mesmo ocorre na seqüência do Fl. 718DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 20 19 desenvolvimento do exemplo, no qual a análise tem em conta, apenas, decisões judiciais ainda não definitivas, sem qualquer referência acerca da eficácia imediata destes atos judiciais. Em tais condições, não há dúvida que o tributo devido representa uma obrigação legal da contribuinte, passível de exigência a partir de seu vencimento, e que pode vir a constituir um ganho futuro, caso haja certeza suficiente do sucesso da interessada na ação judicial proposta. Aqui, porém, a incerteza está presente ante a existência de decisões judiciais hábeis a suspender a exigibilidade do crédito tributário, impedindo, por prazo indeterminado, que o Fisco receba ou possa executar o direito que decorreria do fato gerador praticado. Oportuno transcrever, neste ponto, doutrina invocada na decisão recorrida, extraída do Manual de Contabilidade Societária, da FIPECAFI, ed. Atlas, 2010, cap. 19 (Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes), p.p. 339/341. Os autores dessa obra, manifestandose precisamente sobre o exemplo 4a do Anexo II da NPC 22 do Ibracon, consignam que: Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entender, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto. Isto porque, na introdução do tema, os autores comparam o Pronunciamento IBRACON NPC nº 22 com o entendimento expresso pelo IASB e assim concluem: Em primeiro lugar, a NPC deriva da IAS 37 emitida pelo IASB, e esta não contém o referido exemplo, e ele não se coaduna, no nosso julgamento, com o conteúdo das próprias normas, nem com a NPC 22 e nem com a IAS 37. No corpo da IAS 37 não há qualquer distinção entre "obrigação legal" e "obrigação não formalizada" (constructive obligation) para fins de reconhecimento de uma provisão. Vejase na parte inicial relativa às Definições, dentro do § 6a, da NPC 22: “(v) Um passivo é uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. (vi) Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. (vii) Uma obrigação não formalizada é aquela que surge quando uma entidade, mediante práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria uma expectativa válida por parte de terceiros e, por conta disso assume um compromisso.” A partir dessas três definições podese construir que: "Um passivo é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade." Ainda nas definições, há o conceito de provisão: "(ii) Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos." Substituindo a definição de passivo nessa da provisão, chegase então a: "Uma provisão é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, de prazo ou valor incertos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos." Nestes termos, portanto, obrigação legal não é um conceito excludente de provisão. É possível que uma obrigação legal represente uma provisão, caso seja incerto, como no presente caso, o prazo para seu pagamento. Logo, o fato de a doutrina mencionada afirmar que compete à administração da companhia avaliar a situação na qual está inserida e fazer refletir da melhor forma essa avaliação em suas Fl. 719DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 21 20 demonstrações é irrelevante para alterar a natureza atribuída ao passivo aqui em debate. Acrescentese, ainda, a conclusão do outro texto doutrinário citado na decisão recorrida, elaborado por Ricardo Mariz de Oliveira (“O Alcance e o Sentido Sistemático da lndedutibilidade dos Depósitos de Tributos em Processos Fiscais – A Dedutibilidade dos Depósitos em Processos de Consignação em Pagamento”, in Direito Tributário Atual volume 12 IBDTUSP e da Resenha Tributária, 1995): [...] E nenhuma lógica existe na atitude do contribuinte, de dizer que não deve o tributo quando vierem lhe cobrar, mas dizer na contabilidade que o deve, assim como na declaração de rendimentos para deduzilo fiscalmente. Num primeiro momento ele opõe ao fisco suas razões para não reconhecer o débito, e num momento seguinte, que deveria ser conseqüente, ele, inconseqüentemente, opõe ao fisco o direito de deduzir o tributo, que só existe se este for devido. [...] Assim, se o contribuinte não reconhece o débito não deve registrálo pura e simplesmente como uma despesa a pagar, como o faria em circunstâncias normais. O que ele deve fazer é registrar o risco em reserva ou provisão, que é indedutível. [...] O essencial, portanto, dentro dos preceitos relativos ao chamado "regime de competência", é que a dúvida lançada sobre o débito redunda em reserva ou provisão indedutível, e não em conta de despesa devida e a pagar, correspondente à despesa fiscalmente dedutível. A suspensão da exigibilidade, como dito, é suficiente para retirar a certeza desta despesa e caracterizar sua contrapartida como uma provisão, de modo a tornála indedutível no âmbito da apuração da CSLL. Em tais condições, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime e posterior ao Acórdão nº 140100.058, posicionouse contrariamente à pretensão de contribuinte autuada, consoante expresso na ementa do Acórdão nº 910100.592: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Do voto condutor do I. Conselheiro Claudemir R. Malaquias extraise: O entendimento que tem se firmado neste Conselho é de que os tributos que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, devem ser provisionados contabilmente, não se confundindo, portanto, com o registro de despesas incorridas. Os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por uma das hipóteses previstas no citado art. 151 devem ser contabilizados pelo regime de caixa, ou seja, considerados como despesa somente por ocasião de seu efetivo pagamento. Enquanto provisão, está vedada a sua dedução na apuração da base de cálculo de qualquer tributo, devendo, portanto, neste caso, serem integralmente adicionadas à base de cálculo da CSLL. Afinal, este é o disciplinamento previsto no art. 41, § 1o da Lei nº 8.981/95 e no art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95. Este posicionamento foi muito bem apresentado no voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortês, a quem peço vênia para sua transcrição: Fl. 720DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 22 21 "(..) Entretanto, ao que pese o argumento despendido pela contribuinte, entendo que ó mesmo não tem como prosperar, até porque, se a mesma entendesse que o crédito tributário questionado judicialmente era devido, não teria se aventurado a uma demanda judicial morosa e infrutífera. Se o fez, é porque entendia que as leis que instituíram ou majoraram as obrigações questionadas, traziam em seu bojo flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, e sendo assim, não há o que se falar em contas a pagar, até porque, tal obrigação nasce de modo incondicional, ao passo que as características dos tributos com exigibilidade suspensa, são obrigações fiscais condicionadas à exigência futura e incerta. Portanto, por configurar uma situação de solução indefinida a data do encerramento do anocalendário a que se refere, dependente de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, subsumese a uma situação de contingência que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, ou seja, à época do balanço, tal ganho ou perda é apenas potencial, não representando, evidentemente, uma obrigação incondicional. (...) Logo, decorre dai a necessidade da formação da provisão para o registro contábil dos tributos com exigibilidade suspensa em função de sua contingência passiva em exercício futuro, cujos, valores, apropriados como despesa no anocalendário, devem ser adicionados ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real, bem como para a determinação da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95. Nesta linha de argumentação, devese asseverar ainda que não encontra guarida no melhor direito a alegação da recorrente (fls. 369) no sentido de que a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa aplicarseia, exclusivamente, à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e não à CSLL. Com efeito, pelo disposto no art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro restou vedada a dedução de quaisquer provisões. Nestas estão incluídas aquelas constituídas em função de tributo com exigibilidade suspensa, excetuandose apenas as provisões para pagamento de férias e décimo terceiro salário e as provisões técnicas exigidas pela legislação especial de determinadas instituições. Da análise efetuada, concluise com o mesmo entendimento do acórdão recorrido que decidiu pela impossibilidade de ser deduzida da base de cálculo da CSLL a parcela relativa às contribuições para o PIS objeto de questionamento judicial e com exigibilidade suspensa. A dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Irrelevante, assim, discutir a aplicabilidade da Deliberação CVM nº 489/2005 à contribuinte, no período autuado, bem como outros acórdãos administrativos anteriores ao posicionamento da CSRF. Nestes termos, resta evidente que a provisão não se caracteriza, apenas, pelas impossibilidade de sua exata mensuração, mas também pela incerteza quanto ao prazo para seu pagamento. Por certo a obrigação tributária existe, senão a suspensão de sua exigibilidade seria inócua, mas a incerteza quanto ao seu pagamento é aspecto suficiente para caracterizála como provisão. Correta, portanto, a interpretação exteriorizada na Instrução Normativa SRF nº 390/2004, porque amparada pelo art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à adição à base de cálculo da CSLL, de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 23 22 Ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL e Amortização de ágio No que tange à falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL, a recorrente questiona o procedimento fiscal, asseverando que não foi delimitada a matéria tributável. No Termo de Verificação Fiscal às fls. 365/376 constatase que o procedimento fiscal foi motivado pela identificação de adição promovida apenas na apuração do lucro real, a título de Ajustes por Diminuição do Valor de Investimentos Avaliados pelo PL no anocalendário 2006, no valor de R$ 9.438.352,00. Questionada acerca deste procedimento, a contribuinte informou que não promovera a adição por entender que não há base legal exigindoa (fls. 11/12). Para promover a adição referente a Ajustes por Diminuição do Valor de Investimentos Avaliados pelo PL no anocalendário 2006, a autoridade fiscal invocou o disposto no art. 28 da Lei nº 9.430/96, bem como o seguinte dispositivo da Lei nº 7.689/88, nada redação dada pela Lei nº 8.034/90: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: [...] c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) [...] A autoridade lançadora também identificou adição promovida apenas na apuração do lucro real, a título de Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL no anocalendário 2007, no valor de R$ 20.340.999,99. Questionada acerca deste procedimentos, a contribuinte informou que não promovera a adição por entender que não há base legal exigindoa (fls. 11/12). Neste segundo ponto, a recorrente também assevera que não foi delimitada a matéria tributável, aduz que a amortização se refere a participação societária da recorrente em Caemi Mineração Metalúrgica S/A e Minerações Brasileiras Reunidas S/A – MBR, e assevera que inexiste previsão de adição de despesa ou exclusão de receita decorrente de amortização de ágio/deságio. Arremeta que seu procedimento contábil está amparado pela Instrução Normativa CVM nº 247/96 e invoca julgado administrativo em favor de seu entendimento. Para exigir a adição dos valores indicados a título de Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL no anocalendário 2007, a autoridade fiscal invocou os seguintes dispositivos: Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99 Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no Fl. 722DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 24 23 art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Lei nº 8.981, de 1995 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) O voto condutor da decisão recorrida assim justificou a subsistência das duas adições em referência: Da falta de adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL [...] De início, cabe assinalar que não há qualquer vício no procedimento da fiscalização. Pela informação contida na linha 10 da Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ/2007 – AC 2006, o interessado teria adicionado, na apuração do lucro real, o montante de R$ 9.438.352,00, o qual seria decorrente de ‘ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL’. Cabe observar que, pelo Majur/2007, a linha 10 da Ficha 9A faz remissão para a linha 35 da Ficha 6A – Resultados Negativos de Participação Societária, que, por sua vez, desdobrase em ‘perdas por ajustes no valor do investimento por equivalência patrimonial’ e ‘amortização de ágio’. Devese ressaltar que, durante o procedimento fiscalizatório, o interessado foi intimado a explicar o motivo do não adicionamento do respectivo valor na apuração da CSLL. Todavia, não consta nos autos que tenha informado que tais ajustes supostamente teriam decorrido de amortização de ágio. Ademais, não comprova sua afirmação de que tal ajuste decorreria de amortização do ágio, já que não apresentou documentos hábeis, como, por exemplo, documentos contábeis que poderiam fazer tal prova. De todo modo, como será visto a seguir, seja qual for a natureza do ‘ajuste por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL’, se decorrente do resultado negativo de participação societária em razão de perda no valor do investimento avaliado por equivalência patrimonial ou de amortização de ágio, em ambas as hipóteses são indedutíveis, e, portanto, deveriam ter sido adicionados na apuração da CSLL. Esclarecese que os ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL se referem, especificamente, às perdas incorridas pelo interessado (investidor) no valor de investimentos relevantes avaliados pelo método da equivalência patrimonial, decorrentes de prejuízos apurados nas controladas e coligadas. Devese ressaltar que tal ajuste de equivalência por valor de patrimônio líquido (equivalência patrimonial) visa melhor retratar a situação patrimonial das empresas investidoras. Sendo decorrentes de variações já computadas nas bases de cálculo das empresas investidas, são excluídas de nova tributação nas investidoras. Os investimentos avaliados por equivalência patrimonial não afetam a formação do resultado tributável na investidora. É, em outras palavras, neutro para fins fiscais, devendo ser adicionado, tanto na apuração do lucro real, quanto na apuração da Fl. 723DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 25 24 base de cálculo da CSLL. Não fosse assim, a tributação do IRPJ e da CSLL se repetiria em cascata e prejudicaria a integração dos grupos empresariais. O item 1 da alínea c do art. 2º da Lei 7689/88, com redação dada pelo art. 2º da Lei 8034 de 1990, dispõe expressamente sobre a indedutibilidade das perdas nos investimentos avaliados pelo PL na apuração da CSLL: [...] Por sua vez, o art. 38, § 1º, inciso I, da IN SRF nº 390, de 2004, abaixo reproduzido, reprisa, para a CSLL, o mesmo disciplinamento vazado na legislação do IRPJ acerca das normas concernentes a diminuições no valor de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, de forma que a regra de indedutibilidade do IRPJ é a mesma para a CSLL. “Art. 38.Na determinação do resultado ajustado, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração antes da provisão para o IRPJ: ... § 1ºIncluemse nas adições de que trata este artigo: I o resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; ...” Portanto, pelo exposto, diferentemente do que alega o interessado, existe, sim, base legal expressa, obrigando a pessoa jurídica a adicionar ao cálculo da CSLL os valores que reduziram o lucro líquido a título de diminuição de investimentos avaliados pelo PL, razão por que a autuação é procedente. [...] Da falta de adição ao lucro líquido da amortização do ágio [...] Feitos estes esclarecimentos, passase à análise da legislação, mais precisamente dos artigos 385, 391 e 426 do RIR/1999, que tratam da matéria referente ao ágio em investimento. [...] Pelo exposto no art. 391 do RIR/1999, constatase que a norma veda que as despesas com amortização de ágio, de que trata o art. 385 do RIR/1999, sejam deduzidas do lucro líquido, na apuração do lucro real. Ou seja, são indedutíveis. Por outro lado, o art. 426 do RIR/1999 permite que o ágio seja deduzido na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada, avaliado pelo valor de patrimônio líquido. Dito de outro modo, o ágio na aquisição de investimento em sociedade coligada ou controlada (avaliado pelo patrimônio líquido – equivalência patrimonial), fundado em valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (ou mesmo por outros fundamentos), é indedutível na apuração do lucro real, e, pelas mesmas razões, deve ser indedutível na apuração da base de cálculo da CSLL. Isto porque, os ajustes de equivalência por valor de patrimônio líquido (método de equivalência patrimonial MEP) visam melhor retratar a situação patrimonial das empresas investidoras. Sendo decorrentes de variações já computadas nas bases de cálculo das empresas investidas, são excluídas de nova tributação nas investidoras. Os investimentos avaliados por equivalência patrimonial não afetam a formação do resultado tributável na investidora (o ágio é indedutível e o deságio não é tributável). É, em outras palavras, neutro para fins fiscais, devendo ser adicionado, tanto na apuração do lucro real, quanto na apuração da base de cálculo da CSLL. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 26 25 É importante salientar que as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido, tornandose dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. Como a legislação do IRPJ determina a adição dos valores referentes à amortização de ágio na determinação do lucro real, objetivando que esses valores deduzidos na escrituração contábil não influenciem o lucro real do período, igualmente devem ser adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL, em conformidade com a intenção do legislador de mantêlos distanciados da tributação das operações da empresa, agora pelo lado da redução da base imponível. O mesmo raciocínio é válido em relação à adição dos resultados negativos de participação societária. A obrigatoriedade de efetuar esse ajuste na base de cálculo da CSLL é decorrência natural do tratamento contábil e tributário previsto na lei, e se acha devidamente autorizado pelo art. 57 da Lei nº 8.981/95, o qual adotou para a CSLL o mesmo disciplinamento contido na legislação do IRPJ. Com o art. 57 da Lei nº 8.981/95, a seguir transcrito, o legislador quis evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis do IRPJ e da CSLL, naquilo em que as sistemáticas tinham em comum: [...] Do mesmo modo, também não seria necessário um comando legal que autorizasse excluir do lucro líquido os resultados positivos de participação societária e de amortização de deságio, na determinação da base de cálculo da CSLL, exatamente por adoção do mesmo artigo 57 da lei 8.981/95. Tal exclusão, no caso, seria decorrente da própria lógica contábil da metodologia de escrituração daqueles investimentos, construída pela legislação comercial e fiscal, buscando a manutenção dos referidos ganhos à margem da incidência tributária. Reprisase, a seguir, trecho do Acórdão nº 25.455, de 16.04.2009, da julgadora Milaine Cristina Cavioli, da DRJCampinas, cujos fundamentos aqui se adotam: Da adição da despesa de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL.(...) A impugnante questiona a exigência de CSLL, sob o argumento de que inexiste disposição legal que impeça a dedutibilidade do ágio para fins de sua apuração, ou que estenda à essa contribuição as disposições relativas ao IRPJ, não podendo ser aplicado o comando contido no artigo 57, da Lei nº 8.981, de 1995, pelas razões que menciona, invocando julgado do Primeiro Conselho de Contribuintes em reforço de sua tese. Com a devida vênia da ilustre divergência, não é esse o entendimento acerca da matéria, pois, ao determinar a aplicação das mesmas normas de apuração do IRPJ à CSLL, conforme dispõe o dispositivo acima, com a redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995, o legislador quis evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas tinham de comum. Por exemplo: como as bases imponíveis do IRPJ e da CSLL partem do lucro líquido ou o resultado contábil do período de apuração tornase dispensável repetir os conceitos de receita bruta, receita líquida, custos e despesas operacionais, etc, aplicáveis à CSLL, se os mesmos estão devidamente definidos na legislação do IRPJ. Também não seria necessário nem, tampouco, é questionado pela doutrina a ausência de um comando legal que autorize o ajuste daquele lucro para excluir os resultados positivos de participação societária e de amortização de deságio de investimentos relevantes, na determinação da base de cálculo da CSLL, exatamente por adoção do artigo 57, da Lei nº 8.981 em questão, que, no caso, decorre da própria lógica contábil da metodologia de escrituração daqueles investimentos, construída pela legislação comercial e fiscal, buscando a manutenção dos referidos ganhos à margem da incidência tributária. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 27 26 Em sentido contrário, como a legislação do IRPJ determina a adição dos resultados negativos de participação societária e dos valores referentes à amortização de ágio de investimentos relevantes na determinação do lucro real, objetivando igualmente a que esses valores deduzidos na escrituração contábil não influenciem o lucro real do período, igualmente devem ser adicionados na apuração da base de cálculo da CSLL, em conformidade com a intenção do legislador de mantêlos distanciados da tributação das aludidas operações, agora pelo lado da redução da base imponível. Esclareçase que não se trata de utilização de analogia para exigir tributo não previsto em lei, vedado pelo artigo 108, do CTN, como alegado pela defesa, posto que a obrigatoriedade de efetuar o aludido ajuste na base de cálculo da CSLL é decorrência natural do tratamento contábil e tributável previsto na lei para os investimentos relevantes da pessoa jurídica realizados em outras sociedades, e se acha devidamente autorizada pelo artigo 57, da Lei nº 8.981, de 1995. Frisese, por fim, que o art. 44 da IN SRF 390/2004 especificou a obrigatoriedade de se aplicar à CSLL as normas previstas na legislação do IRPJ relativas à amortização. Portanto, a previsão para se aplicar à CSLL as mesmas regras e condições de dedutibilidade de amortização existentes para o IRPJ decorre de previsão legal, estando consubstanciada no citado ato normativo (art. 44 da IN SRF 390/2004), o qual corrobora o entendimento da Administração Tributária sobre a aplicabilidade do dispositivo à hipótese aqui tratada, ao qual o julgador administrativo de primeira instância, como já abordado em tópico anterior, está vinculado. Consoante exposto no voto condutor da Resolução nº 1101000.122, a Fiscalização pautouse em evidência plausível para promover a adição ao lucro líquido dos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL, mormente tendo em conta que a contribuinte não esclareceu adequadamente a natureza dos valores questionados durante o procedimento fiscal. Assim, a confirmação, em diligência, de que a parcela de R$ 9.438.352,00 corresponderia a amortização de ágio, não é suficiente para invalidar a adição exigida no lançamento, pois se tal informação fosse prestada ao Fisco durante o procedimento fiscal, a consequência seria, também, sua adição, na forma exposta pela autoridade lançadora em relação à amortização de ágio no valor de R$ 20.340.999,99, referente ao anocalendário 2007. Cumpre, assim, avaliar se a legislação tributária ampara o entendimento da recorrente, no sentido de que inexiste norma legal determinando a adição das amortizações de ágio à base de cálculo da CSLL. A Fazenda Nacional, reportandose aos arts. 20, 25 e 33 do Decretolei nº 1.598/77, argumenta que: Dessa forma, verificase que, em razão da adoção do Método da Equivalência Patrimonial no Brasil, o Decretolei n° 1.598/1977 (uma norma tributária) se propôs a determinar a técnica contábil para segregar o custo do investimento em duas contas distintas. Significa dizer: as figuras do ágio e do deságio surgiram de uma lei de natureza fiscal, não de uma norma específica de contabilidade. Nesse sentido, importante transcrever trecho da obra Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações: Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 28 27 A Lei das Sociedades por Ações, na verdade, não abordou esse tratamento contábil especificamente; todavia, ele está de acordo com adequada técnica contábil e expresso ainda na legislação fiscal, por meio do art. 385 do RIR/99 e na Instrução CVM n° 247/96 (em seu art. 13). (gn) [IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. 7ª edição. Editora Atlas. São Paulo, 2007: pág.170.] Cumpre observar que a legislação fiscal que autorizou a contabilização do custo de aquisição do investimento em duas subcontas distintas, uma para o ágio e outra para o patrimônio líquido, determinou, em contrapartida, a neutralidade da amortização do ágio para fins da apuração do IRPJ. Com efeito, o art. 25 do DecretoLei 1.598/1977 foi expresso ao prever que a amortização do ágio NÃO será computada na determinação do lucro real. Por outro lado, o mencionado dispositivo legal faz a ressalva de que, observado o disposto no art. 33 do mesmo DecretoLei 1.598/1977, a amortização do ágio poderia ser utilizada para determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido. Percebam, Senhores(as) Conselheiros(as), que o ágio amortizado somente integraria a apuração do IRPJ em duas situações: 1) na hipótese do inciso III do art. 386 do RIR/99, ou seja, em virtude de incorporação, fusão ou cisão de sociedade coligada ou controlada na qual o contribuinte tivesse participação societária adquirida com ágio ou deságio; 2) na hipótese do art. 33 do DecretoLei nº 1.598/1977, que se aplica aos casos de alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada e para a apuração de ganho ou perda de capital. No ponto, relevante destacar que a partir de uma interpretação teleológica, percebese que a finalidade da lei é permitir um controle contábil do ágio e da sua amortização, sem que tenha qualquer efeito fiscal até a alienação ou liquidação do investimento. No caso da apuração da base de cálculo da CSLL, como não há norma expressa que autoriza a dedução da despesa com amortização de ágio, não há que se falar nessa renúncia fiscal. Assim, ao contrário do que defende a recorrente, a dedutibilidade na CSLL da despesa com a amortização de um ágio não é assegurada em face da ausência de norma que estabeleça a adição dessa rubrica. Na verdade, a despesa com a amortização de um ágio, mesmo dedutível para fins de IRPJ, não é dedutível para a CSLL porque não há previsão legal autorizando. Sendo assim, a autonomia legislativa entre o IRPJ e a CSLL não impede a glosa na apuração da CSLL do ágio considerado indedutível para fins do IRPJ. Ao contrário, impede o aproveitamento fiscal na apuração da CSLL do ágio considerado dedutível para o IRPJ. (destaques da Procuradoria da Fazenda Nacional) Nestes termos, a Procuradoria da Fazenda Nacional invoca a aplicação do art. 111 do CTN, e cita entendimento, na linha do que defende, esposado no Acórdão nº 1302 00.834: Ementa: (...) CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. Em conformidade com o disposto no art. 7º (caput) e inciso III da Lei nº 9.532, de 1997, a faculdade de amortização de ágio, nas condições ali referidas, limitase à apuração do lucro real, base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica. (...) Fl. 727DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 29 28 Voto condutor (...) Observo que a contribuinte, por meio da peça impugnatória, sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização, por força do disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99, isto é, a faculdade de amortização referese à apuração do lucro real. Assim, ainda que se admitisse, no presente caso, a amortização pretendida pela fiscalizada, ela só seria possível na determinação da base de cálculo do imposto de renda. (...) (destaques da Procuradoria da Fazenda Nacional) Esta Conselheira, por sua vez, já se manifestou acerca da repercussão, na base de cálculo da CSLL, de amortização do ágio decorrente das disposições do art. 7o da Lei nº 9.532/97, ou seja, após a extinção do investimento. Neste sentido são os seguintes excertos do voto vencido que integra o Acórdão nº 1101000.841: E, quanto a este aspecto, a Lei nº 7.689/88, ao instituir a CSLL, não cogitou especificamente da adição, à sua base de cálculo, de amortizações de ágio que tivessem reduzido o lucro contábil, ou da exclusão de acréscimos decorrentes da amortização de deságio: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 30 29 Já no âmbito da apuração do lucro real, o Decretolei nº 1.598/77 assim disciplinou os efeitos das amortizações de ágio e deságio: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decreto lei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. § 1º Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente. § 2º Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na porcentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada.(Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). Dessa forma, as amortizações de ágio e deságio deveriam ser adicionadas ou excluídas na apuração do lucro real, e controladas na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, para posteriormente compor a apuração do ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. Nestes termos, talvez por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do art. 219 da Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no inciso I do mesmo dispositivo, esta hábil a ensejar a aplicação do disposto no art. 33 do Decretolei nº 1.598/77, o legislador assim fixou na seqüência deste dispositivo: Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 31 30 § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. Nos casos em que a incorporação, fusão ou cisão ocorre em momento próximo à aquisição do investimento com ágio, o valor contábil do investimento é sempre superior ao acervo líquido contábil que substitui as quotas/ações extintas em razão da incorporação, fusão ou cisão, ensejando perda de capital. Para que esta perda fosse dedutível, em interpretação literal do texto, necessário seria que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão fosse avaliado a preços de mercado. De outro lado, caso atendido este requisito, qualquer ágio apurado na aquisição de investimentos, quando esta fosse seguida de incorporação da investida, ensejaria perda dedutível. A exposição de motivos da Lei nº 9.532/97 expressa preocupação com circunstâncias semelhantes a esta, como a seguir transcrito: O art. 8o estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas utilizando dos já referidos “planejamentos tributários”, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em visto o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Neste contexto, as disposições da Lei nº 9.532/97 podem ser interpretados como um instrumento para evitar a dedução do ágio apurado sem fundamento econômico, o qual deveria ser mantido em conta do ativo permanente, não sujeita a amortização: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à Fl. 730DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 32 31 razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. (negrejouse) No mesmo sentido manifestase Luís Eduardo Schoueri, na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), Dialética: São Paulo, 2012. Depois de reportarse à doutrina que se posiciona em sentido contrário, diz o referido autor (p. 67): Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente o ágio era deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino esse instituto de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que forem acarretados efeitos econômicotributários que o justificassem. Realizada a incorporação, na escrituração comercial, o acervo líquido recebido pelo valor contábil anula o investimento correspondente, avaliado pela equivalência patrimonial, e remanesce no patrimônio da sociedade resultante apenas o ágio/deságio, classificado em Ativo Diferido, quando fundamentado em rentabilidade futura, para amortização no período pelo qual ela foi projetada. Com a edição da Lei nº 9.532/97 a amortização do ágio com este fundamento passa a ser dedutível no mesmo momento em que registrada contabilmente, desde que observado o prazo mínimo de 5 (cinco) anos para amortização. Quanto ao ágio fundamentado em ativos ou em outras razões econômicas, a doutrina contábil orienta em sentido semelhante ao da lei, pois no primeiro caso vincula seus efeitos no resultado à realização do ativo, e no segundo caso determina Fl. 731DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 33 32 sua baixa imediata, por não ser possível associar seu pagamento a algum critério que permita dimensionar sua amortização. Assim, embora à primeira vista a Lei nº 9.532/97 aparente surtir efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta aproximouse, no caso de ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, da apuração do lucro contábil como antes mencionado, é possível interpretar que a lei, ao valerse daqueles termos, e não meramente firmar a dedutibilidade da amortização na apuração do lucro real, repercutiria, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, inclusive como expresso na Instrução Normativa SRF nº 390/2004: Subseção III Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Da incorporação, fusão ou cisão Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. § 1º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido. § 2º A opção a que se refere o § 1º aplicase, também, à pessoa jurídica que tiver absorvido patrimônio de empresa cindida, na qual tinha participação societária adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput, quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio. § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; b) deverá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de deságio; III o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser: a) computado na determinação do custo de aquisição na apuração de ganho ou perda de capital, no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista na hipótese de devolução de capital; Fl. 732DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 34 33 b) deduzido como perda, se ágio, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa. § 4º As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do § 3º serão determinadas em função do prazo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito tiver sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora. § 5º A amortização a que se refere a alínea "a" do inciso II do § 3º, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. § 6º Na hipótese da alínea "b" do inciso III do § 3º, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa jurídica usuária ao pagamento da CSLL que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 7º O valor que servir de base de cálculo da CSLL a que se refere o § 6º poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, quando: I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese deste artigo, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica. (negrejouse) Assim, quer em razão do disposto na Instrução Normativa SRF nº 390/2004, quer por interpretação dos termos da Lei nº 9.532/97, e mesmo em conseqüência da apuração contábil, a base de cálculo da CSLL necessariamente restaria afetada pela amortização do ágio aqui em comento, caso reconhecida sua existência no patrimônio da autuada após a reorganização societária debatida nestes autos, bem como sua fundamentação em rentabilidade futura. Eventualmente poderiam existir descompassos entre a sistemática de amortização contábil e aquela fixada pela Lei nº 9.532/97, mas o fato é que a autoridade fiscal não fez qualquer ressalva acerca de irregularidades na apuração da base de cálculo da CSLL em decorrência da amortização do ágio. Não se vislumbra, dessa forma, qualquer especificidade que possa ensejar um resultado diferenciado para a exigência de CSLL decorrente da glosa de amortização do ágio que passou a integrar o patrimônio da autuada após a reorganização societária em comento. Em outro momento, manifestandose especificamente acerca dos efeitos, na base de cálculo da CSLL, da amortização de ágio transferido à investida, mas mantido, em duplicidade, também na investidora, esta Conselheira complementou a abordagem acima reproduzida com os seguintes argumentos, que integram o voto condutor dos Acórdãos nº 1101000.961 e 1101000.962: Subsidiariamente a recorrente também questiona outros aspectos decorrentes da admissibilidade da acusação fiscal. Inicialmente diz que inexiste previsão legal para adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com amortização de ágio considerada indedutível. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 35 34 Todavia, como o trabalho fiscal resultou na conclusão de que o ágio permanece indiretamente como um ativo da sociedade espanhola, por meio de sua participação na sua controlada brasileira, sua amortização resta inadmissível no próprio lucro contábil, referência primeira para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Logo, é desnecessária norma específica que determine a adição destes valores à base de cálculo daquela contribuição, como adiante se demonstrará. A Lei nº 7.689/88, ao instituir a CSLL, não cogitou especificamente da adição, à sua base de cálculo, de amortizações de ágio que tivessem reduzido o lucro contábil, ou da exclusão de acréscimos decorrentes da amortização de deságio: [...] Já no âmbito da apuração do lucro real, o Decretolei nº 1.598/77 disciplinou os efeitos das amortizações de ágio e deságio, mas em razão do disposto em seu art. 34, a Lei nº 9.532/97 impôs limites à amortização do ágio naqueles casos, alinhando os efeitos fiscais aos contábeis, como aqui já demonstrado. E, também como já visto, ao cuidar da qualidade das demonstrações financeiras das companhias abertas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já havia identificado a distorção promovida por operações como as aqui verificadas, ao final das quais o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Por sua vez, a solução encontrada para corrigir esta divergência foi, justamente, a constituição de uma provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido, a qual se presta a neutralizar os efeitos do ativo contabilizado em razão da transferência do ágio, exceto em relação ao benefício fiscal decorrente da sua amortização, consoante expresso no texto consolidado da Instrução Normativa CVM nº 319/99, alterada pela Instrução Normativa CVM nº 349/2001: Art. 6º O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: I. nas contas representativas dos bens que lhes deram origem – quando o fundamento econômico tiver sido a diferença entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contábil (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 1º); II. em conta específica do ativo imobilizado (ágio) – quando o fundamento econômico tiver sido a aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea b); e III. em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta específica de resultado de exercício futuro (deságio) – quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea a). § 1º O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a. constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b. registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; c. reverter a provisão referida na letra "a" acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d. apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra "a" no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 36 35 § 2º A reserva referida no parágrafo anterior somente poderá ser incorporada ao capital social, na medida da amortização do ágio que lhe deu origem, em proveito de todos os acionistas, excetuado o disposto no art. 7º desta Instrução. § 3º Após a incorporação, o ágio ou o deságio continuará sendo amortizado observando se, no que couber, as disposições das Instruções CVM nº 247, de 27 de março de 1996, e nº 285, de 31 de julho de 1998. (negrejouse) Não se trata, aqui, de determinar incidência tributária a partir de ato normativo da CVM, cuja competência, sabese, não afeta este campo interpretativo. Tratase, apenas, de argumento de reforço à conclusão, já antes expressa, de que a transferência do ágio promovida mediante empresa veículo acaba por duplicar seu valor no patrimônio da investida e da investidora, e exige procedimentos contábeis para neutralização deste efeito indesejado. A escolha feita pela CVM confirma que o registro sem substância econômica corresponde ao ágio que surge no patrimônio da empresa veículo e, depois, no patrimônio da incorporadora (investida), entendimento que se alinha à conclusão antes expressa acerca da repercussão desta operação no âmbito da apuração do IRPJ, a qual concentra na investidora os efeitos da amortização do ágio por ela originalmente pago. Diante deste contexto, a neutralização dos efeitos contábeis da amortização do ágio na investida, mediante realização da provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido, justifica a incidência da CSLL sobre os valores amortizados. Em outras palavras, o lucro líquido, base de cálculo daquela contribuição, deve ser aquele apurado contabilmente, tendo em conta não só a dedução da amortização, como também a neutralização de seus efeitos pela realização de provisão criada em razão da ausência de substância econômica do ágio transferido. Vejase que a CVM admite o reconhecimento, no resultado, do benefício fiscal que decorreria da amortização do ágio transferido, mediante constituição de uma provisão inferior ao montante do ágio transferido. Mas, como dito, aquela instituição não tem competência para fixar critérios interpretativos de incidência tributária, de modo que evidenciada a indedutibilidade da amortização do ágio transferido, resta sem substância econômica a totalidade deste valor, o que justifica a exigência da CSLL sobre as mesmas bases de cálculo adotadas para o IRPJ. A Procuradoria da Fazenda Nacional, porém, alerta em sua argumentação que o registro destacado do ágio no momento da aquisição do investimento, e por conseqüência sua amortização, não decorrem de determinações da legislação societária, mas sim do Decretolei nº 1.598/77. Em conseqüência, sua apropriação, ainda que contábil, somente poderia repercutir da apuração do lucro real. A figura do ágio surge, em regra, no momento da aquisição do investimento, quando seu custo de aquisição é confrontado com a correspondente parcela do patrimônio líquido da investida e mostrase superior a ela. Assim, sua formação decorre, necessariamente, da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação de investimentos. E, neste ponto, notase que a legislação, ao disciplinar a forma como seriam registrados os investimentos permanentes em coligadas ou controladas, não tratou especificamente daquela figura. Originalmente, o Decretolei nº 2.627/40 adotava apenas o custo de aquisição como regra para valoração de investimentos: Art. 129. No fim de cada ano ou exercício social, procederseá a balanço geral, para a verificação dos lucros ou prejuízos. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 37 36 Parágrafo único. Feito o inventário do ativo e passivo, a estimação do ativo obedecerá às seguintes regras: a) os bens, destinados à exploração do objeto social, avaliarseão pelo custo de aquisição. Na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso ou pela ação ao tempo ou de outros fatores, atenderseá à desvalorização respectiva, devendo ser criados fundos de amortização para assegurarlhes a substituição ou a conservação do valor; b) os valores mobiliários, matéria prima, bens destinados à alienação, ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da sociedade, podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação, ou pelo preço corrente no mercado ou Bolsa. Prevalecerá o critério da estimação pelo preço corrente, sempre que este for inferior ao preço do custo. Quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição ou fabricação, se avaliados os bens pelo preço corrente, a diferença entre este e o preço do custo não será levada em conta para a distribuição de dividendos, nem para as percentagens referentes aos fundos de reserva; [...] (negrejouse) A Lei nº 6.404/76 alterou significativamente este contexto, ao instituir a avaliação de investimentos com base no patrimônio líquido da investida. O tema foi assim abordado em sua Exposição de Motivos: Na avaliação, no balanço patrimonial, de investimento considerado relevante, o princípio geral do custo de aquisição, atualizado monetariamente, não é critério adequado, porque não reflete as mutações ocorridas no patrimônio da sociedade coligada ou controlada. Daí as normas do artigo 249 que impõem, nos casos que especifica, a avaliação com base no patrimônio líquido. Quando esses investimentos correspondem a parcela apreciável dos recursos próprios da companhia, nem mesmo o critério de avaliação com base no patrimônio líquido é suficiente para informar acionistas e credores sobre a sua situação financeira: somente a elaboração de demonstrações financeiras consolidadas, segundo as normas constantes do artigo 251, poderá proporcionar esse conhecimento. [...] Os critérios de avaliação do ativo (art. 184) são os da lei atual, com as seguintes inovações: a) [...]; b) o custo de aquisição dos investimentos em outras sociedades deverá ser deduzido das perdas prováveis na realização do seu valor e não será modificado pelo recebimento de ações ou quotas bonificadas; mas os investimentos relevantes em coligadas e controladas deverão ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido (nº II); (negrejouse) A Lei nº 6.404/76, por sua vez, restou assim redigida, em seu texto original: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: [...] III os investimentos em participação no capital social de outras sociedades, ressalvado o disposto nos artigos 248 a 250, pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para perdas prováveis na realização do seu valor, quando essa perda Fl. 736DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 38 37 estiver comprovada como permanente, e que não será modificado em razão do recebimento, sem custo para a companhia, de ações ou quotas bonificadas; [...] § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: [...] b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; [...] Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. (negrejouse) [...] Art. 250. Das demonstrações financeiras consolidadas serão excluídas: I as participações de uma sociedade em outra; II os saldos de quaisquer contas entre as sociedades; III as parcelas dos resultados do exercício, dos lucros ou prejuízos acumulados e do custo de estoques ou do ativo permanente que corresponderem a resultados, ainda não realizados, de negócios entre as sociedades. [...] Fl. 737DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 39 38 § 2º A parcela do custo de aquisição do investimento em controlada, que não for absorvida na consolidação, deverá ser mantida no ativo permanente, com dedução da provisão adequada para perdas já comprovadas, e será objeto de nota explicativa. § 3º O valor da participação que exceder do custo de aquisição constituirá parcela destacada dos resultados de exercícios futuros até que fique comprovada a existência de ganho efetivo. [...] Nestes termos, os investimentos avaliados pelo custo de aquisição, em determinadas circunstâncias, poderiam ser ajustados por provisão de perdas prováveis em sua realização, mas o regramento da avaliação de investimentos por equivalência patrimonial não cogitava de destaque semelhante, ao qual poderia equivaler o ágio pago na aquisição do investimento. Por sua vez, a amortização prevista em razão da diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado ficou restrita a direitos de propriedade industrial ou comercial ou outros bens e direitos com duração ou utilização contratual limitadas, distintos, portanto, dos investimentos permanentes em outras sociedades. Significa dizer que o investimento avaliado por equivalência patrimonial deveria ser registrado pelo custo de aquisição e, no momento do balanço patrimonial da investidora, seria confrontado com o equivalente patrimônio líquido da investida, sendo a diferença registrada como resultado do exercício, mas somente se decorrente de resultados da investida e ganhos ou perdas efetivos, ou em razão de determinações da Comissão de Valores Mobiliários. Evidência de que o ágio permanecia integrando o custo de aquisição do investimento em tais circunstâncias são as determinações do art. 250, §§2o e 3o da Lei nº 6.404/76, que revelam o tratamento a ser dado às diferenças positivas e negativas entre o custo do investimento avaliado por equivalência patrimonial e o correspondente patrimônio da investida em caso de consolidação de balanços. Na mesma linha é a doutrina citada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, confirmada em edição anterior do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. 3ª edição. Editora Atlas. São Paulo, 1991: pág. 248): Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta. A lei das S.A., na verdade, não abordou esse tratamento contábil especificamente; todavia, ele está de acordo com adequada técnica contábil e expresso ainda na legislação fiscal, através do art. 259 do RIR (Decreto nº 85.450, de 041280) e na Instrução CVM nº 01, itens XX e XXV. A subconta relativa ao ágio ou deságio deve figurar no próprio grupo de investimentos, sendo que a instrução CVM nº 01 estabelece que, para fins do Balanço Patrimonial, os saldos de ambas as contas devem estar agrupados no Ativo Permanente. Somente com a edição do Decretolei nº 1.598/77 surge a primeira determinação legal para que as pessoas jurídicas submetidas à tributação pelo lucro real, sociedades anônimas ou não, promovam o desdobramento do custo de aquisição do Fl. 738DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 40 39 investimento avaliado por equivalência patrimonial, destacando o ágio ou deságio correspondente e apresentando seu fundamento econômico. Neste sentido são as disposições de seu art. 20: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicamse às sociedades que, de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada. A amortização contábil do ágio, por sua vez, é implicitamente admitida no art. 25 do Decretolei nº 1.598/77, mas sua dedução no lucro real é postergada para o momento da alienação do investimento, nos termos do seu art. 33: Art 25 O ágio ou deságio na aquisição da participação, cujo fundamento tenha sido a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens do ativo da coligada ou controlada (art. 20, § 2º, letra a ), deverá ser amortizado no exercício social em que os bens que o justificaram forem baixados por alienação ou perecimento, ou nos exercícios sociais em que seu valor for realizado por depreciação, amortização ou exaustão. § 1º A contrapartida da amortização do ágio ou deságio nos termos deste artigo somente será computada na determinação do lucro real pela diferença entre o montante da amortização e o da participação do contribuinte: a) no resultado realizado pela coligada ou controlada na alienação ou baixa dos bens do ativo cujo valor tenha constituído o fundamento econômico do ágio ou deságio; ou b) no valor realizado pela coligada ou controlada na depreciação, amortização ou exaustão desses bens. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 41 40 § 2º As contrapartidas da amortização de ágio ou deságio com os fundamentos das letras b e c de § 2º de artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II saldo não amortizado de ágios ou deságios na aquisição da participação com fundamento na letra a do § 2º do artigo 20; III ágio ou deságio na aquisição do investimento com fundamento nas letras b e c do § 2º do artigo 20, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte; IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. § 1º Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente. § 2º Serão computados na determinação do lucro real: a) como ganho de capital, o acréscimo do valor de patrimônio líquido decorrente de aumento na porcentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada, resultante de modificação do capital social desta com diluição da participação dos demais sócios; b) como perda de capital, a diminuição do valor de patrimônio líquido decorrente de redução na porcentagem da participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada, em virtude de modificação no capital social desta com diluição da participação do contribuinte. Será, assim, a Instrução CVM nº 01, editada posteriormente, em 27/04/1978, que primeiro determinará o registro desta amortização: Desdobramento do custo de aquisição de investimento XX Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada ou em controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: a) equivalência patrimonial baseada em balanço patrimonial ou em balancete de verificação levantado até, no máximo, sessenta dias antes da data da aquisição pela investidora ou pela controladora, consoante o disposto no Inciso XI b) ágio ou deságio na aquisição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. XXI o ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou: a) diferença para mais ou para menos entre o valor de mercado de bens do ativo e o valor contábil desses mesmos bens na coligada ou na controlada; b) diferença para mais ou para menos na expectativa de rentabilidade baseada em projeção do resultado de exercícios, futuros; c) fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 42 41 XXII O ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de bens do ativo e o valor contábil na coligada ou na controlada desses mesmos bens deverá ser amortizado na proporção em que for sendo realizado na coligada ou na controlada por depreciação, por amortização ou por exaustão dos bens, ou por baixa em decorrência de alienação ou de perecimento desses mesmos bens. XXIII O ágio ou o deságio decorrente da expectativa de rentabilidade deverá ser amortizado no prazo e na extensão das projeções que o determinaram ou quando houver baixa em decorrência de alienação ou de perecimento do investimento antes de haver terminado o prazo estabelecido para amortização. XXIV O ágio decorrente de fundo de comércio, de intangíveis ou de outras razões econômicas, deverá ser amortizado no prazo estimado de utilização, de vigência ou de perda de substância ou quando houver baixa em decorrência de alienação ou de perecimento do investimento antes de haver terminado o prazo estabelecido para amortização. XXV Na elaboração do balanço patrimonial da investidora ou da controladora, o saldo não amortizado do ágio ou do deságio deverá ser apresentado no ativo permanente, adicionado ou deduzido, respectivamente, da equivalência patrimonial do investimento a que se referir. A provisão para perdas deverá também ser apresentada no ativo permanente por dedução da equivalência patrimonial do investimento a que se referir. Resta evidente, assim, que a amortização contábil do ágio pago na aquisição de investimentos era apenas uma possibilidade no momento da edição do Decretolei nº 1.598/77, e não estava cogitada na Lei nº 6.404/76. A determinação de que ela fosse apropriada contabilmente surge, apenas, com a manifestação da Comissão de Valores Mobiliários. Assim, é válido concluir que a Lei nº 7.689/88 não cogitava dos efeitos desta amortização quando fixou o resultado do exercício como base de cálculo da CSLL, e determinou os ajustes pertinentes, estes evidentemente expressos em razão do que estabelecido pela Lei nº 6.404/76: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Fl. 741DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 43 42 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) De outra forma, o ato normativo da CVM estaria determinando incidência tributária, ou afastandoa, como pretendido neste caso. Por sua vez, a própria recorrente admite que os conceitos disciplinados pela CVM não têm o condão de fixar, diretamente, as regras fiscais de dedutibilidade. Assim, correta a adição promovida pela autoridade fiscal, devendo ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos valores associados a amortizações de ágio, ou seja, não só a parcela de R$ 20.340.999,99, indicada no lançamento a este título, como também a parcela de R$ 9.438.352,00, antes classificada, por falta de informações prestadas pela contribuinte, como ajuste por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo PL. A conclusão do presente voto, portanto, é no sentido do PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a adição de R$ 32.110.893,53, referente a multas indedutíveis, no anocalendário de 2006. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 742DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 44 43 Declaração de Voto Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Ouso divergir da I. Relatora, especificamente quanto ao ponto em que deu provimento ao recurso voluntário para afastar a adição de R$ 32.110.893,53, referentes a multas indedutíveis, no anocalendário de 2006. Inicialmente, saliento que o item 002 do auto de infração a fls. 381/382, do qual este subitem faz parte, traz, no seu enquadramento legal, o art. 13 da Lei 9.249/95, cujo caput assim dispõe: "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964:...." Ora, a melhor exegese do art. 13 da Lei 9.249/96 nos leva a concluir que a expressão “independentemente do disposto no art. 47 da Lei 4.506/64” importa necessariamente em aplicar, para a CSLL, as mesmas condições de dedutibilidade de despesas previstas para o IR no aludido art. 47. Ou seja, o art. 47 da Lei 4.506/64 é regra geral para a dedutibilidade de despesas das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Vale, então, trazer a lume o art. 47 da Lei 4.506/64: “Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. ...........................................................................................................................” Ao interpretar essa norma no contexto fático sub examine dedutibilidade de multas fiscais, chego as seguintes conclusões: descumprir as normas estabelecidas pela legislação tributária não pode ser considerado da essência da atividade empresarial, logo, não se pode acatar a idéia de que o pagamento destas sanções se insere no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa; despesas com as aludidas multas não é habitual na medida em que não se pode admitir a habitualidade na infração à legislação tributária; Fl. 743DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 45 44 a autorização para a dedução pretendida pela recorrente, consistiria, na prática, um fomento à transgressão das regras da legislação tributária; a dedução das multas da base de cálculo dos tributos resultaria em verdadeiro benefício, eis que a empresa repassaria para a Administração Pública, ou melhor, para a sociedade brasileira, parte dos custos pela sua infração, o que ofenderia o sistema jurídico vigente, na medida em que a pena não pode passar da pessoa do infrator; permitir tal expediente seria admitir que a recorrente auferisse proveito de sua própria torpeza, o que não se coaduna com o sistema jurídico vigente (neminem auditur propriam turpitudinem allegans). Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário in totum. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado No julgamento do presente recurso voluntário, acompanhei o voto da D. relatora quanto à impossibilidade de amortização de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial MEP, da base de cálculo da CSLL. Entendo que é oportuno deixar registrado que em caso recente em que participei de julgamento no colegiado da 1ª Turma Ordinária desta Terceira Câmara (Acórdão nº 1301001.893), havia acompanhado o voto divergente que propugnou que, ante a inexistência de previsão legal específica que determinasse a adição da amortização de ágio pago na aquisição de investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial à base de cálculo da CSLL, tal amortização deveria compor a base de cálculo da referida contribuição. Desta feita, todavia, aprofundando a reflexão sobre a questão, e tendo em conta os argumentos trazidos pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional acerca da neutralidade da amortização do ágio de investimento avaliado pelo MEP, registrada contabilmente, para efeito da apuração do lucro real e da existência de hipóteses expressas na legislação fiscal quanto à sua integração à apuração da base de cálculo do IRPJ1, me convenci da inexistência de suporte legal para a consideração do referido ágio para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, sendo, assim, desnecessária a previsão legal expressa no sentido de determinar a sua adição à base de cálculo da CSLL, alegada pela recorrente. Como bem apontou a relatora, a legislação societária (lei nº 6.404/1976) nada dispunha sobre o registro da amortização contábil do ágio pago na aquisição de investimentos e que esta possibilidade somente surgiu a partir da edição do Decretolei nº 1.598/77, que veio disciplinar a apuração do imposto de renda a partir do resultado apurado na escrituração comercial. 1 Hipótese prevista Art. 386, inc. III do RIR/1999 (em virtude de incorporação, fusão ou cisão de sociedade coligada ou controlada na qual o contribuinte tivesse participação societária adquirida com ágio ou deságio) e hipótese do art. 33 do DecretoLei nº 1.598/1977 (nos casos de alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada e para a apuração de ganho ou perda de capital). Fl. 744DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 46 45 Ou seja, toda a disposição legal sobre a matéria da amortização do ágio remete à apuração do lucro real, seja para determinar a neutralidade dos seus efeitos, seja para autorizar a sua consideração na base de cálculo do IRPJ nos casos que especifica, de sorte que, ou bem se aplicam todas as disposições (sobre o ágio) para a apuração para a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (seja para adicionar a amortização do ágio à base da CSLL, seja para sua consideração no resultado nas hipóteses legais cabíveis) ou se considera que, à míngua de qualquer menção da CSLL nos textos legais, a amortização do ágio não pode repercutir em nenhum momento em sua base de cálculo. Sob outro ângulo, é cabível, também, a interpretação de que a hipótese legal para adicionar a amortização do ágio à base de cálculo da CSLL está compreendida no art. 2º, § 1º , alínea c, itens 1 e 4 da Lei nº 7.689/19882, que estabelece a adição/exclusão do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido ao resultado do exercício. Este dispositivo deixa patente que, também, na base de cálculo da CSLL deve ser neutro o resultado da equivalência patrimonial. Neste sentido é bastante esclarecedor o voto do ilustre Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior ao analisar a matéria, no Acórdão nº 1302001.170, verbis: [...] Entendo que a despesa de amortização do ágio é despesa indedutível na apuração da base de cálculo da CSSL, por força dos itens 1 e 4 do dispositivo acima transcrito, os quais deixam claro a finalidade da norma de tornar o MEP neutro na apuração da CSLL. A avaliação do investimento pelo MEP influencia o cálculo da CSLL em caso de alienação ou liquidação do investimento, já que esse seria o valor contábil do investimento a ser considerado. Além disso, se assim não fosse, contrario sensu, a receita decorrente da amortização do deságio seria tributada, o que não me parece razoável, mas seria inevitável chegar a tal conclusão caso se entenda dedutível a despesa de amortização do ágio. 2 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 16682.721142/201183 Acórdão n.º 1302001.895 S1C3T2 Fl. 47 46 Notese que, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento, logo, é lógico que a amortização que reduz o ágio/deságio compõe “lato sensu” o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, o qual seja positivo ou negativo não deve impactar a base da CSLL, como dispõe expressamente o dispositivo legal acima (itens 1 e 4 da alínea “c”do § 1º do art. 2º da Lei 7.689/88). (grifei) [..] Por estes fundamentos, acompanhei o voto da D. relatora, para negar provimento ao recurso voluntário quanto a esta matéria. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 746DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinad o digitalmente em 20/06/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10074.001107/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 11/03/2005 a 13/11/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. IDENTIFICAÇÃO DO VÍCIO. FORMAL OU MATERIAL. DESNECESSÁRIO
Nas decisões exaradas pelo CARF é obrigatória a indicação dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar, doutrinária ou jurisprudencialmente, tal nulidade em formal ou material.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, REJEITAR os Embargos Declaratórios, na forma do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 11/03/2005 a 13/11/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. IDENTIFICAÇÃO DO VÍCIO. FORMAL OU MATERIAL. DESNECESSÁRIO Nas decisões exaradas pelo CARF é obrigatória a indicação dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar, doutrinária ou jurisprudencialmente, tal nulidade em formal ou material. Embargos rejeitados.
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OMISSÃO. OBSCURIDADE. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. IDENTIFICAÇÃO DO VÍCIO. FORMAL OU MATERIAL. DESNECESSÁRIO Nas decisões exaradas pelo CARF é obrigatória a indicação dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar, doutrinária ou jurisprudencialmente, tal nulidade em formal ou material. Embargos rejeitados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 11 07 /2 00 9- 10 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10074.001107/200910 Acórdão n.º 3301002.835 S3C3T1 Fl. 5 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, REJEITAR os Embargos Declaratórios, na forma do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (PGFN), sob o fundamento de existência de contradição no acórdão 3101001.749, de 14 de outubro de 2014, expedido pela 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Sessão. O Acórdão embargado negou provimento à Recurso de Ofício, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/03/2005 a 13/11/2007 LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA. No procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, mas não está autorizado a tomar emprestada a conclusão de outros procedimentos, pois é necessário individualizar a conduta e o fato para incidência da norma jurídica objeto do lançamento em respeito ao art. 9o do Decreto nº 70.235/76, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. Recurso de Ofício Negado Fl. 976DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10074.001107/200910 Acórdão n.º 3301002.835 S3C3T1 Fl. 6 3 Aduz a PGFN, embargante, que o julgado incorreu em contradição. Pois o argumento ligado à violação do art. 142 por questões relacionadas à falha na descrição e na comprovação dos fatos geradores enseja a nulidade por vício formal do lançamento. não o seu cancelamento. É o relatório, em sua síntese necessária e suficiente. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Admitidos os embargos por decisão do Ilustre Presidência da turma, fl. 974, incluí o feito em pauta de julgamentos. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. A embargante intenta que o julgamento, materializado no Acórdão nº 3101 001.749, de 2014, adentrese, no mérito, quanto à identificação do vício que ensejou a anulação lançamento, se material ou formal. No presente caso, não vislumbro caracterizada a contradição apontada pela embargante. A análise quanto à natureza do vício, se formal ou material, não é atribuição do julgador, posto que não está inserida dentre as matérias prequestionadas nos autos, seja na impugnação ou no Recurso de Ofício, tampouco interfere na decisão proferida pela Turma. A identificação de existência de “vício”, em sua concepção genérica, foi suficiente para a solução do litígio, independentemente de sua espécie. No caso concreto sob comento, a decisão de primeira instância foi preservada, na íntegra, pelo colegiado do CARF, anulando o Auto de Infração. A execução do julgado cabe à Unidade da Receita Federal do Brasil (RFB), oportunidade em que, aquela autoridade, decidirá quais providências serão tomadas, inclusive quanto à formalização, ou não, de novo lançamento, identificando, se for o caso, tratarse de vício formal ou material. Em se concluindo – a Unidade da RFB, pela ocorrência de vício formal, não apenas se admite que a Fazenda Pública constitua novamente o crédito tributário como também lhe é integralmente restituído o prazo decadencial para tanto, por influxo do inciso II do art. 173 do CTN, assim redigido: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10074.001107/200910 Acórdão n.º 3301002.835 S3C3T1 Fl. 7 4 Formalizado novo lançamento, é facultado ao Sujeito Passivo inaugurar o litígio, inclusive quanto à natureza do vício que amparou a nulidade da autuação precedente. Nessa oportunidade, ao julgador caberá, em sua apreciação, análise quanto à natureza do vício, matéria inerente à autuação, integrante do litígio. Por bem refletir o presente caso, transcrevo excerto do voto do Ilmº Conselheiro Rosaldo Trevisan, Acórdão 3403003.139, de 2014: [...] Vejase que o que se busca em sede de embargos declaratórios é uma antecipação de mérito em relação à legitimidade (afastandose a decadência) de uma segunda autuação, ainda inexistente. Entendo não incumbir a esta corte manifestar se sobre tal matéria, seja porque anteciparia (ao menos parcialmente) mérito em relação a processo diverso, que terá que seguir seu curso administrativo sem opiniões préconcebidas, seja porque a decisão embargada indicou precisamente seus fundamentos, não havendo a omissão ou obscuridade ensejadora de embargos, nos termos do art. 65 do RICARF. [...] Ante o exposto, por ausência da contradição alegada pela embargante, voto pela rejeição dos embargos apresentados. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 978DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 13871.720354/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ALIENAÇÃO MENTAL. INTERDIÇÃO.
Comprovado, através de documentação hábil que o contribuinte é portador de alienação mental, estando interditado por decisão judicial e que seus proventos são decorrentes de aposentadoria e pensão, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ALIENAÇÃO MENTAL. INTERDIÇÃO. Comprovado, através de documentação hábil que o contribuinte é portador de alienação mental, estando interditado por decisão judicial e que seus proventos são decorrentes de aposentadoria e pensão, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 1. 72 03 54 /2 01 2- 17 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao anocalendário 2010/exercício 2011, emitida em 04/06/2012, no valor total de R$ 9.275,48, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 29/06/2012, em face da constatação de infração à legislação tributária – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – R$ 17.989,80 (fls. 4/8): A fonte pagadora SPPREV, CNPJ 09.041.213/000136, informou à Receita Federal do Brasil ter pago rendimentos tributáveis no total de R$ 78.191,73 e o contribuinte declarou R$ 60.201,93, apurandose omissão de rendimentos. O interessado apresentou SRL – Solicitação de Retificação de Lançamento, que foi indeferida (fls. 15/17). O contribuinte foi cientificado em 19/10/2012 (fl. 21) e apresentou impugnação de fls. 2/3, acompanhada dos documentos (fls. 4/17), em que requer o cancelamento do débito fiscal, alegando, em síntese, que não houve omissão de rendimentos, como demonstram os Informes de Rendimentos cujas cópia anexa, os quais serviram de base para a elaboração da Declaração de Ajuste Anual. Posteriormente requereu prioridade na análise da impugnação, com base no art. 71 do Estatuto do Idoso (fls. 55). A unidade administrativa responsável providenciou a juntada do dossiê fiscal, às fls. 21/36. Em 21/10/2013, apresentou novamente defesa (fls.40/41), assinado por sua curadora, aduzindo que os rendimentos do contribuinte são isentos por ser portador de moléstia grave, ainda que não soubesse desse fato à época de sua declaração. Juntou documentos em fls. 42/55. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, RESERVA REMUNERADA, REFORMA E PENSÃO DE MAIORES DE 65 ANOS. ISENÇÃO. APROVEITAMENTO EM DUPLICIDADE. São isentos os rendimentos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma e pensão auferidos por contribuintes maiores de 65 (sessenta e cinco) anos, até o limite previsto na legislação de regência. Se os rendimentos forem recebidos de mais de uma fonte pagadora, a apuração da parcela isenta deve ser efetuada sobre o somatório dos rendimentos auferidos no mês. A ciência do Acórdão 1653.156 21ª Turma da DRJ/SP1 ocorreu em 06/01/2014 (fl. 69). Sobreveio recurso voluntário em 20/01/2014, com a alegação de que o contribuinte é portador Alienação Mental, embora não soubesse de seu direito quando elaborada a declaração. Junta documentos de fls. 76/94. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13871.720354/201217 Acórdão n.º 2301004.703 S2C3T1 Fl. 99 3 Dentre os documentos coligidos pelo contribuinte, consta às fls. 79/83, PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO IRRF, sobre os rendimentos dos 13º salários dos anos de 2008 a 2012, o qual foi DEFERIDO, por ser o interessado Aposentado e Portador de Moléstia Grave e Laudo Pericial carreado à fl. 89. É o relatório Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. O recorrente insurgese quanto ao lançamento, com a alegação de que é portador de moléstia grave (alienação mental) e que mesmo que desconhecendo sua condição à época da declaração, faz jus ao benefício. Pela análise do decisão "a quo", verificase que essa condição isentiva não era de conhecimento da Turma Julgadora e, portanto, não foi apreciada quando do julgamento da impugnação. O documento juntado como "Impugnação" em 21/10/2013 (fls. 40/41), não foi apreciado, pois já havia defesa protocolada dentro do prazo legal (fls. 2/3). Temse, portanto, que a notícia de moléstia grave a qual o contribuinte é acometido, tratase de fato novo a ser enfrentado em sede de recurso voluntário. O deferimento do benefício pleiteado, o artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle Assim sendo, cabe analisar se os documentos constantes dos autos são hábeis à comprovarem a condição do contribuinte, ou seja, se efetivamente os rendimentos percebidos são de aposentadoria, bem como a existência da moléstia alegada. No que se refere ao primeiro requisito disposto em lei, entendo que estão preenchidos os requisitos para comprovação de que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão de acordo com a Carta de Concessão / Memória de Cálculo, datada de 02/02/1997 ( fl. 92) em que consta a concessão de aposentadoria por tempo de serviço ao contribuinte. Consta também certidão de Casamento e Certidão de Óbito da esposa Sra. Zulema Ferraz Bazaglia, falecida em 15/03/2015 que demonstra o início do recebimento da pensão da SPPREV São Paulo Previdência pelo falecimento da esposa (fls. 93/94). Dessa forma, passese a análise do segundo requisito, qual seja, se o contribuinte é portador de moléstia grave, atestada através de Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fora apresentado pelo contribuinte no recurso voluntário, Laudo Pericial Oficial (fl. 89), emitido pelo Dr. Luiz R. Meneghin, CRM 77239, datado de 06/08/13. No documento, consta a informação que o requerente é portador de Alienação Mental, CID F013 e G30, desde novembro de 2008. Desta feita, diante da existência de Laudo Pericial atestando a moléstia suportada pelo contribuinte, resta preenchido o segundo requisito para isenção do Imposto de Renda. Consta ainda CERTIDÃO (fl.77), informando que tramitou ação de Interdição nº 1069/2013, com decisão datada de 04/07/2013, que culminou com a interdição do contribuinte, tendo sido nomeada curadora provisória, a Sra. Benedita de Jesus Maciel. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13871.720354/201217 Acórdão n.º 2301004.703 S2C3T1 Fl. 100 5 Corroborando as alegações trazidas em sede recursal, consta às fls. 79/83, PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DO IRRF, sobre os rendimentos dos 13º salários dos anos de 2008 a 2012, o qual foi DEFERIDO, por ser o interessado Aposentado e Portador de Moléstia Grave. Assim, entendo que merece guarida a defesa do contribuinte, pois logrou êxito em demonstrar a existência de moléstia grave ao qual é acometido, merecendo o benefício da isenção. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar o lançamento ora atacado. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720111/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007
BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO.
Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Entende-se por salário de contribuição, para o contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades.
TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. LIVRO DIÁRIO.
FORMALIDADES ESPECÍFICAS.
Não obstante esteja a empresa desobrigada de elaborar o Livro Diário, por dispensa da legislação atinente ao regime de tributação do imposto de renda com base no Lucro Presumido, ao confeccioná-lo estará atrelada à observância das formalidades legais exigidas para este documento.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A compensação de valores referentes à retenção de onze por cento sobre serviços executados mediante cessão de mão de obra está condicionada ao destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e ao recolhimento do valor retido em nome da empresa prestadora de serviços que sofreu retenção.
FOLHAS DE PAGAMENTO.
Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. (CFL 30)
LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS.
Incorre em infração o contribuinte que deixa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. (CFL 34)
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS
NECESSÁRIOS A FISCALIZAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os demais esclarecimentos necessários à fiscalização. (CFL 35)
NOTA FISCAL DE SERVIÇO. DESTAQUE.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de destacar 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, submetendo-se à penalidade da legislação previdenciária. (CFL 37)
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. (CFL 38)
DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES.
GFIP.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a legislação previdenciária. (CFL 68)
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao impugnante o ônus da prova em relação àquilo que alega, precluindo o direito de fazê-lo em momento posterior à impugnação, quando não comprovada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas na legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Entende-se por salário de contribuição, para o contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. LIVRO DIÁRIO. FORMALIDADES ESPECÍFICAS. Não obstante esteja a empresa desobrigada de elaborar o Livro Diário, por dispensa da legislação atinente ao regime de tributação do imposto de renda com base no Lucro Presumido, ao confeccioná-lo estará atrelada à observância das formalidades legais exigidas para este documento. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação de valores referentes à retenção de onze por cento sobre serviços executados mediante cessão de mão de obra está condicionada ao destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e ao recolhimento do valor retido em nome da empresa prestadora de serviços que sofreu retenção. FOLHAS DE PAGAMENTO. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. (CFL 30) LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Incorre em infração o contribuinte que deixa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. (CFL 34) PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS A FISCALIZAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os demais esclarecimentos necessários à fiscalização. (CFL 35) NOTA FISCAL DE SERVIÇO. DESTAQUE. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de destacar 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, submetendo-se à penalidade da legislação previdenciária. (CFL 37) APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. (CFL 38) DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a legislação previdenciária. (CFL 68) ÔNUS DA PROVA. Cabe ao impugnante o ônus da prova em relação àquilo que alega, precluindo o direito de fazê-lo em momento posterior à impugnação, quando não comprovada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas na legislação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora. André Luis Marsico Lombardi - Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
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ARBITRAMENTO. Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Entendese por salário de contribuição, para o contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. LIVRO DIÁRIO. FORMALIDADES ESPECÍFICAS. Não obstante esteja a empresa desobrigada de elaborar o Livro Diário, por dispensa da legislação atinente ao regime de tributação do imposto de renda com base no Lucro Presumido, ao confeccionálo estará atrelada à observância das formalidades legais exigidas para este documento. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação de valores referentes à retenção de onze por cento sobre serviços executados mediante cessão de mão de obra está condicionada ao destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 11 /2 01 1- 07 Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 serviços e ao recolhimento do valor retido em nome da empresa prestadora de serviços que sofreu retenção. FOLHAS DE PAGAMENTO. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. (CFL 30) LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Incorre em infração o contribuinte que deixa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. (CFL 34) PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS A FISCALIZAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os demais esclarecimentos necessários à fiscalização. (CFL 35) NOTA FISCAL DE SERVIÇO. DESTAQUE. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de destacar 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, submetendose à penalidade da legislação previdenciária. (CFL 37) APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. (CFL 38) DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a legislação previdenciária. (CFL 68) ÔNUS DA PROVA. Cabe ao impugnante o ônus da prova em relação àquilo que alega, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior à impugnação, quando não comprovada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas na legislação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 Relatório Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2007 Data de lavratura (AI): 28/06/2011. Data de ciência (AI): 30/11/2010 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 11ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ que julgou parcialmente procedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD n° 37.305.8268 – Obrigação Principal contribuições sociais devidas à Seguridade Social correspondente à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre remunerações pagas a empregados e apuradas por aferição indireta: Valor Total R$ 859.017,21 AI DEBCAD n° 37.305.8284 – Obrigação Principal – contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados, não descontadas dos mesmos, incidentes sobre as respectivas remunerações pagas pela empresa, apuradas por aferição indireta – Valor Total: R$ 266.675,35; AI DEBCAD n° 37.305.8306 – Obrigação Principal contribuições sociais destinadas aos Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, apuradas por aferição indireta – Valor Total: R$ 215.761,53; AI DEBCAD n° 37.305.8276 – Obrigação Principal – contribuições previdenciárias da parte da empresa, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, além das destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, não recolhidas em época própria – Valor Total: R$ 354.406,29; AI DEBCAD n° 37.305.8292 Obrigação Principal contribuições previdenciárias da parte dos segurados empregados, não descontadas dos mesmos, incidentes sobre as respectivas remunerações pagas pela empresa, não recolhidas em época própria – Valor Total: R$ 4.953,56; AI DEBCAD n° 37.305.8314 – Obrigação Principal contribuições sociais destinadas aos Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, não recolhidas em época própria – Valor Total: R$ 3.591,38; DEBCAD n° 37.305.8322 (CFL 30) – Obrigação Acessória deixar o contribuinte de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n°8.212/91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 4 5 9°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 – Valor Total: R$ 1.523,57 DEBCAD n° 37.305.8330 (CFL 34) Obrigação Acessória deixar o contribuinte de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei 8.212/91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II e parágrafos 13° a 17° do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 – Valor Total: R$ 15.235,57; DEBCAD n° 37.305.8349 (CFL 35) – Obrigação Acessória deixar o contribuinte de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na Lei 8.212/91, art. 32, III e parágrafo 11, com redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008,convertida na Lei n° 11.94.1, de 27/05/2009, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 – Valor Total: R$ 15.235,57; DEBCAD n° 37.305.8357 – Obrigação Acessória deixar o contribuinte de destacar do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme dispõe o art. 31, parágrafo 1° e 6°, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.711, de 20/11/98, com redação da Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 219, parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 – Valor Total: R$ 1.523,57; DEBCAD n° 37.305.8365 (CFL 38) – Obrigação Acessória com fulcro no artigo 33, parágrafos 2º e 3º, da Lei 8.212/91, com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, por deixar o contribuinte de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira Valor Total: R$ 15.235,57; DEBCAD n° 37.305.8217 (CFL 68) – Obrigação Acessória tendo em vista infração ao disposto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 c/c art. 225 inciso IV, parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, por ter o contribuinte apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – Valor Total: R$ 274.242,60; 1) Dos Autos de Infração de Obrigação Principal: Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 a) Decorrente de aferição indireta: Nº 37.305,8268, 37.305.8284 e 37.305.8306. Os Autos de infração supramencionados foram apurados por aferição indireta em razão de ocorrência de total divergência entre os valores das remunerações contidas nas Folhas de Pagamento Analíticas e os contidos nos Resumos das Folhas de Pagamento. Por ter a contabilidade apresenta valores diversos dos constantes das folhas de pagamento e resumos, os salários a pagar estão contabilizados por valores líquidos e a escrituração contábil não é efetuada em títulos próprios. “Uma vez verificadas tais divergências, o contribuinte foi notificado, pela primeira vez em 28/02/2011 através do Termo de Intimação Fiscal n° 002, em anexo, a esclarecê las. Em resposta, o contribuinte alegou que não poderia prestar os esclarecimentos solicitados em razão de os documentos da empresa estar de posse da fiscalização. Assim, após a devolução de todos os documentos, o contribuinte foi novamente intimado a prestar tais esclarecimentos, em 02/06/2011 através do Termo de Intimação Fiscal n° 004, o qual também não foi atendido”. Considerando que divergências semelhantes ocorreram em todas as competências e considerando que o contribuinte, regulamente intimado, não as esclareceu, restou à fiscalização apurar o total de remunerações pagas a segurados empregados, bem como o valor de segurados, por aferição indireta. b) Demais autos de infração Principal 37.305.8276, 37.305.8292 e 37.305.8314 Levantamento AL Valores de aluguéis pagos pela empresa, considerados pela fiscalização como remunerações pagas a título de prólabore indireto, não declaradas em GFIP. Levantamento LE Valores de leasing de veículos, considerados pela fiscalização como remunerações pagas a título de prólabore indireto, não declaradas em GFIP. Levantamento PA Diferença entre os valores dispendidos pela empresa e os suportados pelos segurados empregados a título de alimentação, considerada por esta fiscalização como Remunerações indiretas pagas aos mesmos, não declaradas em GFIP. Levantamento RT Glosa de retenção dos 11% sobre serviços, informada em GFIP, cujas notas fiscais não foram apresentadas pela empresa. DEBCAD n° 37.305.8322 (CFL 30) “O autuado apresentou as Folhas de Pagamento (cópias anexadas) sem constar os contribuintes individuais, os quais Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 5 7 receberam remuneração da empresa por serviços prestados, conforme lançamentos contábeis na conta 4.1.3.30.00060" – “Retiradas PróLabore". Além disso, os Resumos das Folhas de Pagamento contêm dados que não correspondem aos contidos efetivamente nas respectivas Folhas de Pagamento Analíticas”. (fls. 70 – Relatório Fiscal) DEBCAD n° 37.305.8330 (CFL 34) “Observase na contabilização das Folhas de pagamento da empresa (lançamentos contábeis e folhas de pagamento, em anexo) que os fatos geradores de todas as contribuições, não estão contabilizados, de forma discriminada, em títulos próprios. Observa –se que o contribuinte apenas contabiliza o total líquido das Folhas de Pagamento, sem discriminar as parcelas incidentes e não incidentes de contribuições previdenciárias, os totais das bases de cálculo e os totais das contribuições a serem recolhidas. Tal fato foi constatado nos Livros Diário n° 33 e n° 34, referentes aos exercícios de 2006 e 2007, registrados na JUCERJA sob o n° 40/07, de 17/05/2007 e n° 250/08, de 12/05/2008, respectivamente”. (fls. 71 – Relatório Fiscal) DEBCAD n° 37.305.8349 (CFL 35) “O autuado, deixou de prestar as seguintes informações financeiras e contábeis, bem como os seguintes esclarecimentos: a) Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado TIPF; b) Relação de veículos integrantes do ativo imobilizado TIPF; c) Notas fiscais e contratos de leasing de equipamentos TIF n° 001; d) Contratos de prestação de serviços referentes aos processos firmados com as respectivas Prefeituras Municipais TIF n° 003; e) Cópia do Balanço final do exercício 2010, para fins de verificação da necessidade de lavratura de Arrolamento de Bens TIF n° 003; f) Esclarecer divergências entre os valores das Folhas de Pagamento analíticas e os contidos nos Resumos das respectivas folhas e os valores contabilizados – TIF n° 002 e 004”. (fls. 72 – Relatório Fiscal) DEBCAD n° 37.305.8357 (CFL 37) “O autuado apresentou diversas notas fiscais de serviços prestados para a Prefeitura Municipal de Rio das Ostras, referentes ao empenho 00887/06, quais, sejam n° 18.652, de 07.08.2006, 18.676, de 15.09.2006, 18.698, de 17.11.2006, 18.989, de 18.01.2007, 19.023, de 05.04.2007 e 19.039, de 21.05.2007, todas referentes à "Construção de Reservatório e Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 8 Adutora" nas quais, considerou como base de cálculo para a retenção dos 11%, apenas 10% do valor total das mesmas, em desacordo com a alínea "e", inciso II, parágrafo 1°, do art. 150, da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14.07.2005, a qual se encontrava em vigor à época da ocorrência dos fatos, que determina para esse tipo de obra o mínimo de 35%. Observese que o próprio autuado verificou o erro mais adiante. Vejase a nota fiscal n° 19.138, de 20.09.2007, referente ao mesmo empenho e à mesma obra, na qual o autuado usa como base de cálculo para fazer destaque dos 11% exatamente o percentual de 35% sobre o valor total da nota fiscal. Em anexo, cópias de todas as notas fiscais acima referidas”. (fls. 72/73 – Relatório Fiscal) DEBCAD n° 37.305.8365 (CFL 38) “Abaixo relacionamos os fatos ocorridos: a) Não apresentou notas fiscais e contratos de leasing de veículos Solicitadas pelo TIF 001; b) Não apresentou os contratos de aluguéis Solicitados pelo TIF 003; c) Apresentou os Livros Diário n° 33 e n ° 34, referentes aos exercícios de 2006 e 2007, registrados na JUCERJA sob os n° 40/07, de 17/05/2007 e n° 250/08, de 12/05/2008, respectivamente, contendo informação diversa da realidade e/ou omitiu informação verdadeira, na medida em que os valores constantes dos Resumos das Folhas de Pagamento não estão contabilizados em sua totalidade, como se verifica na conta 4.1.3.30.00014. "Salários". Em anexo, cópias dos Resumos das Folhas de Pagamento e dos Lançamentos Contábeis Livros, solicitados pelo TIPF”. (fls. 73 – Relatório Fiscal) DEBCAD n° 37.305.8217 (CFL 68) O autuado não declarou os fatos geradores nem tampouco as contribuições previdenciárias objeto dos Autos de Infração de Obrigações Principais 37.305.8268, 37.305.8276, 37.305.8284 e 37.305.8292, em GFIP. Em observância ao Art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN Lei 5172/66, procedemos à comparação entre as penalidades previstas na Lei 8212/91, para fatos geradores anteriores e posteriores a vigência da Medida Provisória 449, de 04.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, que alterou a Lei 8.212/91, conforme "Quadro Comparativo entre Penalidades para a Mesma Conduta" (SAFIS Comparação de Multas), em anexo. “Da análise do citado "Quadro Comparativo entre Penalidades para a Mesma Conduta" (SAFIS Comparativo de Multas), verificase que a legislação aplicável a fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP 449, de 04.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, é mais benéfica ao contribuinte apenas para as competências 13/2006 e 13/2007, resultando, para estas, na aplicação da multa de ofício de 75% Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 6 9 (setenta e cinco por cento) de acordo com o art. 35ª da Lei 8.212/91. Para todas as demais competências, a legislação mais benéfica é a anterior, sendo então aplicado o AIOA CFL 68, conforme previa a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, com a aplicação da multa de mora de 24%. Observese que a comparação, da multa só é cabível para as contribuições previdenciárias e não para Terceiros, para os quais aplicase a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores (multa moratória de 24%)”. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a SÃO MARCOS TERRAPLANAGEM E CONSTRUNÇÃO LTDA apresentou Impugnação a fls. 848/868, acompanhada dos documentos juntados às Fls 869/1675. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1257.944 11ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 1687/1719, julgando parcialmente procedente o lançamento e mantendo parte do crédito tributário, nos seguintes termos: a) considerar improcedente a impugnação dos autos de infração 37.305.826 8, 37.305.8284, 37.305.8306, 37.305.8322, 37.305.8330, 37.305.8349, 37.305.8357, 37.305.8365 e 37.305.8217, mantendo o crédito tributário neles exigido; b) considerar procedente em parte a impugnação do auto de infração 37.305.8276, mantendo em parte o crédito tributário exigido no valor originário de R$207.125,13; c) considerar procedente em parte a impugnação dos autos de infração 37.305.8292 e 37.305.8314,exonerando o crédito tributário neles exigidos. Ou seja, o Acórdão recorrido excluiu o levantamento PA, referente a alimentação in natura, bem como os créditos tributários lançados nos autos de infração DEBCAD 37.305.8292 (Parte dos segurados empregados) e DEBCAD n° 37.305.8314 (Terceiros), constituídos exclusivamente pelo levantamento PA, foram ser considerados improcedentes. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 23/08/2013, conforme Aviso de Recebimento às fls. 1723. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 1738/1774, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Dos Autos de Infração de Obrigações Principais (aferição indireta) DEBCAD 37.305.8268 (Empresa e SAT) Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 10 O relatório fiscal referente a este DEBCAD “não aponta de forma transparente e abrangente o fato gerador motivo do lançamento, não determinou a matéria tributável, nem a fórmula de calcular o montante do tributo devido, conforme fundamenta o art. 142 do CTN”. (fls. 1756) “Insurge contrária a aferição indireta adotada pelo agente fiscal, pois o mesmo tinha todos os elementos para efetuar seu trabalho de forma técnica, sem ter que desconsiderar o trabalho da contabilidade, regularmente apresentado, não havendo nenhum apontamento de falhas materiais que inviabilizasse os registros contábeis e os arquivos digitais que encontravamse em sua posse e domínio, conforme termo de entrega em anexo”. (fls. 1756) DEBCAD 37.305.8284 (Parte dos segurados empregados) “Observase que conforme o teor do relatório fiscal, os fatos geradores considerados no levantamento que o agente fiscal intitula "AF" são remunerações apuradas por aferição indireta. E assim fundamenta seu critério, desconsiderando toda documentação contábil, arquivos digitais, livros e esclarecimentos apresentados pela empresa autuada. Destaca de forma evasiva e simplória, que existe divergências nos valores de remunerações contidas nas folhas de pagamento analíticas e os contidos nos resumos das folhas de pagamento, e os lançados na contabilidade, e por estes fatos afirma ter a convicção de que nenhum dos documentos apresentados retratava a remuneração real”. (fls. 1757) DEBCAD 37.305.8306 (Terceiros) “Equivocado o entendimento de que os documentos apresentados não retratavam a apuração real, porque o agente fiscal não observou as normas e princípios contábeis adotados pela empresa nas folhas de pagamentos”. “O agente fiscal, ao desconsiderar descabidamente a contabilidade e aferir de forma indireta alegando infundados débitos previdenciários, formaliza planilhas nas quais faz apurações de seus levantamentos que ora impugnamos, face à complexidade e confusão na elaboração de tais planilhas, utilizando códigos, nomenclaturas, simbologias e fórmulas que não são usuais no cotidiano legal e tão pouco esclarece a lógica de sua apuração, configurandose assim um cristalino cerceamento de defesa”. (fls. 1759) Dos Demais Autos de Obrigações Principais Valores de Aluguéis Os contratos de aluguéis não foram apresentados pois estão vinculados aos contratos das obras e são destinados exclusivamente a atividade operacional da empresa. Valores de leasing de veículos Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 7 11 “Inexiste relação direta ou indireta da empresa com os sócios e ou empregados, pois estes contratos de leasing foram pactuados com a finalidade de aquisição de máquinas, equipamentos e veículos para consecução das atividades da empresa, e não em proveito próprio e particular de seus respectivos sócios ou empregados”. Das Despesas com Alimentação “Os valores apurados na contabilidade registrado na conta 413.30.00121 como despesas com alimentação, referemse exclusivamente a valores gastos pela empresa para compra de café, açúcar, água e pequenos lanches, pelo fato de desempenhar atividade em horários diversos e locais sem infraestrutura pois tratase de empresa de construção civil atuando com pavimentação de estradas e rodovias distantes sem o mínimo de apoio. Os referidos valores, foram para aquisição destes produtos já mencionados e que somente ocorrem de formas eventuais e vinculados a contrato de prestação de serviços de uma matrícula CEI específica”. Da Glosa das Retenções “O agente fiscal sequer apontou a forma de contratação dos serviços prestados, atribui a obrigação desta contratada de destacar no corpo da nota fiscal os valores que incidem a retenção na alíquota de 11% (onze por cento) de acordo com os serviços prestados, não sendo esta contratada responsável pelo recolhimento”. Dos Autos de Infração de Obrigações Acessórias DEBCAD n° 37.305.8322 (CFL 30) – Folhas de Pagamento. A Autoridade fiscal alega que não lhe foram apresentadas as folhas de pagamento com a inserção das retiradas de prólabore. Infundada a alegação, devido ao fato da empresa ter apresentado todos os recibos de retirada de prólabore”. “Acrescenta ainda o Auditor que contem dados que não correspondem aos contidos nas folhas de pagamento analíticas. Evasivas alegações, pois não informa que dados são estes que não correspondem nas respectivas folhas de pagamento analíticas, para que o contribuinte possa defender configurando se mais uma vez o cerceamento de defesa”. DEBCAD n° 37.305.8330 (CFL 34) Lançarem títulos próprios. “A empresa autuada apura o lucro de forma presumida conforme já mencionado. Por esta razão inexiste a obrigatoriedade do Livro Diário e do Livro Razão”. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 12 DEBCAD n° 37.305.8349 (CFL 35) – Prestar informações. “Por ora do procedimento fiscal a empresa autuada não teve o tempo hábil para reunir toda esta documentação, muito embora não constava no MPF Mandado de Procedimento Fiscal, que a autoridade fiscal pudesse requisitar tais documentos e exigências, os quais são apresentados nesta ocasião, como: A Relação de móveis, relação de veículos, notas fiscais e contratos de leasing”. “Que em relação ao exigido pelo agente fiscal referente a esclarecimentos de divergências entre os valores das folhas de pagamento analíticas e os contidos nos resumos das respectivas folhas e os valores contabilizados, manifestase a empresa que tal exigência foi prontamente atendida, em declaração expressa da empresa entregue ao agente fiscal, na qual informa quais valores a serem considerados para valores de remunerações pagas que são aquelas efetuadas em termo de confissão própria consubstanciadas nas GFIP's das referidas competências”. DEBCAD n° 37.305.8357 (CFL 37) Destaque dos 11% na nota fiscal. Cita o art. 149 § 3° da IN/SRF n° 03 de 2005 e alega que “nos argumentos legais que a autoridade fiscal embasou seu enquadramento "IN 03 Art. 150 § 1°, inciso II, alínea "e" que referese a valores de materiais e equipamentos previstos em contrato "sem a respectiva discriminação de valores" o que não é o caso pois existe previsão de planilha a parte integrante do contrato com cláusula expressa”. DEBCAD n° 37.305.8365 (CFL 38) Deixar de exibir documento. “Verificase o flagrante desconhecimento pelo agente fiscal com relação a registro contábil de folha de pagamento, pois a contabilização da mesma não se limita a uma única conta e sim em outros títulos como o próprio fiscal por diversas vezes destacou no relatório fiscal”. 3.37. “Soma a estes argumentos que a empresa é optante pelo Lucro Presumido, desta forma ela não poderia ser autuada por motivo o qual a própria Lei a dispensa da obrigatoriedade do Livro Diário e do Livro razão”. DEBCAD n° 37.305.8217 (CFL 68) “Constatase que o agente fiscal não observou a característica da empresa ligada ao ramo de construção civil, que para a consecução de suas atividades, requer a segregação de sua folha de pagamento em diversas matrículas CEIs. Tendo o agente fiscal desconsiderado tal fato essencial consolidando assim todas as informações vinculadas ao CNPJ matriz”. Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 8 13 Os levantamentos a título de aluguéis, leasing, programa de alimentação e glosa de retenção compensada, já anteriormente impugnados, não são considerados fatos geradores de contribuição previdenciária. DO DIREITO Dos Fundamentos da Inaplicabilidade da Aferição Indireta A autoridade fiscal “deixou de considerar a característica da atividade econômica da empresa do ramo de construção civil, tendo diversas matrículas CEI's com as respectivas folhas de pagamento e os devidos recolhimentos previdenciários pertinentes, conforme faz prova”. “Assim, a autoridade fiscal se apegou apenas na sua dúvida quanto a contabilização de folha de pagamento, a qual foi esclarecida por meio de informações apresentadas pela empresa conforme documento em anexo, não deixando assim de prestar os esclarecimentos necessários e tão pouco a autoridade fiscal se pronunciou a respeito deste esclarecimento, solicitando informações complementares para sua análise”. Da Forma de Tributação da Empresa Autuada “No curso da Ação Fiscal, a empresa autuada apresentou toda a documentação contábil, necessária ao agente fiscal para realização plena de seus trabalhos”. Ressalta que é tributada com base no lucro presumido e cita o disposto no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 225, § 16 e no RIR/99, art. 527. Dos Princípios da Finalidade, da Proporcionalidade e Razoabilidade Destaca que nos levantamentos relativos a valores com aluguéis e leasing não foi observado no procedimento fiscal os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e finalidade na atuação administrativa. Cita doutrina. Dos Aspectos Essenciais do Lançamento da Obrigação Tributária Cita o § 1° do art. 113 do CTN e argumenta que o fato gerador foi identificado baseado em critérios subjetivos, pois a constituição do crédito previdenciário deu se por aferição indireta, fundamentado de forma evasiva, confusa e superficial que a empresa autuada apresentou de forma deficiente sua contabilidade e demais documentos exigidos. Do Cerceamento de Defesa Evidenciase flagrante o cerceamento ao direito de defesa, pois o “agente fiscal ao consubstanciar todo o procedimento fiscal em seu relatório não menciona de forma clara, precisa e transparente os elementos do lançamento fato gerador e da matéria tributária e relativamente aos critérios de fiscalização Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 14 na constituição do crédito previdenciário. Quando sustenta a base de seu lançamento por aferição indireta na planilha I os valores referentes a remuneração por meio de salário médio com base em critérios subjetivos e elementos obscuros de sua planilha, impossibilitando assim o pleno direito a ampla defesa e do contraditório, por omissão e incorreção nestes critérios de apuração do crédito tributário”. Da Nulidade dos Lançamentos Ressalta “que a fiscalização tem o dever de informar a empresa fiscalizada que arbitrará a importância que reputar devida, face à constatação de motivos incontestáveis e provas reais de fatos geradores de contribuições previdenciárias. E no presente caso, principalmente, demonstrar de forma convincente com provas, os motivos reais que ensejaram a aferição indireta, o que não ocorreu. A omissão desta cautela vicia todo o procedimento fiscal acarretando a nulidade dos lançamentos e todos os Autos de Infrações”. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão12 57.994, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 9 15 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 23/08/2013, conforme AR juntado às fls. 1723, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 19/09/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Inicialmente, cumprenos esclarecer que da análise dos autos concluise que inexiste o alegado cerceamento de defesa, senão vejamos: Da leitura da impugnação e Recurso Voluntário do Recorrente, verificase que a Recorrente demonstra entendimento ao descrever a Planilha I. A sua inconformidade não deve ser traduzida como cerceamento de defesa; tanto não lhe assiste razão ao tentar equiparar complexidade e clareza com subjetividade e falta de transparência. Nesse sentido, quanto ao questionamento sobre os dados dos resumos das folhas de pagamento que não correspondem aos contidos nas folhas de pagamento analíticas, cabe esclarecer que o relatório fiscal em seu subitem B.1, item 7, ao detalhar a Planilha I, informa os referidos dados. Observase que a Recorrente confunde aferição indireta com cerceamento de defesa e procura descaracterizar as informações contidas no relatório fiscal com argumentos isolados, desvinculados de uma visão ampla que engloba todos os anexos e demais relatórios do presente processo, que não se sustentam. Verificase que todo o crédito constituído, foi lançado de acordo com o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 16 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Os autos de infração estão revestidos de todos os requisitos legais, os fatos geradores foram minuciosamente explicitados, a fundamentação legal foi esclarecida, conforme se verifica no relatório fiscal e anexos de Fundamentos Legais do Débito FLD, os critérios pecuniários do lançamento foram discriminados e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal estão dispostos nos diversos discriminativos que integram os autos de infração. Quanto ao direito de ampla defesa, no momento em que foi cientificado do lançamento e aberto prazo de trinta dias para a impugnação, conforme previsto no artigo 15, do Decreto n.º 70.235/72, foi aberta a oportunidade de oferecer sua defesa, com todos os meios e provas cabíveis. Assim, deuse cumprimento ao devido processo legal, restando perfeitamente atendido o princípio do contraditório e da ampla defesa. Tendose em conta que a impugnação do lançamento foi plenamente exercida pelo sujeito passivo, superados os argumentos de falta de entendimento apresentados, impossível acolher a alegação de cerceamento de defesa, especialmente quando não se verificou qualquer prejuízo para o Recorrente, que pôde trazer ao feito toda a documentação que entendia lhe ser favorável, não havendo que se falar em nulidade do lançamento. 2.2. DA FORMA DE TRIBUTAÇÃO Inicialmente, cabe esclarecer que as empresas habilitadas à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido poderão optar por manter escrituração contábil ou manter o livro caixa, o qual deverá ser escriturado com toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. São também obrigadas a manter o Livro Registro de Inventário. Assim dispõe o artigo 45 da Lei nº. 8.981/95 o inciso II do parágrafo 16 do artigo 225 Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99: “Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano calendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.” Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 10 17 “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) § 16. São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: (...) II a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário;” Da leitura da legislação supramencionada, vislumbrase que a partir do momento em que a empresa opta por elaborar a escrituração contábil, mesmo não sendo obrigada a assim proceder, assume o ônus de mantêla em ordem, caracterizandose como infração a desobediência a essas regras, conforme determina o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99: “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” Pelo exposto, deveria e empresa ter mantido sua escrituração contábil nos termos da legislação vigente. 2.3 DA AFERIÇÃO INDIRETA Inicialmente, importante descrever a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época dos fatos geradores: “Art. 60. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: (...) III elaborar folha de pagamento mensal da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, de forma coletiva por estabelecimento, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização e resumo geral, nela constando: Art. 161. A empresa contratada deverá elaborar: I folhas de pagamento distintas e o respectivo resumo geral, para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, relacionando todos os segurados alocados Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 18 na prestação de serviços, na forma prevista no inciso III do art. 60; Art. 415. A obra de construção civil deverá ser matriculada no CEI, conforme previsto na Subseção I da Seção IV do Capítulo II do Título I. Art. 418. O responsável por obra de construção civil está obrigado a recolher as contribuições arrecadadas dos segurados e as contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados utilizados na obra e por ele diretamente contratados, de forma individualizada por obra e, se for o caso, a contribuição social previdenciária incidente sobre o valor pago à cooperativa de trabalho, em documento de arrecadação identificado com o número da matrícula CEI. Art. 419. O responsável pela obra de construção civil, pessoa jurídica, está obrigado a efetuar escrituração contábil relativa a obra, conforme previsto no inciso IV do art. 60, observado o disposto nos § § 4º, 5º e 7º do mesmo artigo. Parágrafo único. A empresa construtora deverá escriturar os lançamentos contábeis em centros de custo distintos para cada obra própria ou obra que executar mediante contrato de empreitada total.” (original sem grifos) Da leitura das normas expostas, possível verificar que a alegação da Recorrente de que pela característica da empresa ter diversas matrículas CEI e folhas de pagamento separadas, o agente fiscal de forma errônea consolidou o seu levantamento no CNPJ matriz, desconsiderando assim os respectivos recolhimentos efetuados para cada matrícula CEI, não se sustenta. Pois as folhas de pagamento, os recolhimentos e os lançamentos contábeis do estabelecimento matriz não se confundem com os das obras, uma vez que são específicos para cada estabelecimento ou obra. Não obstante, o relatório fiscal e os Discriminativos do Débito são claros, os argumentos e documentação comprovam que se consolidou os lançamentos específicos da matriz com os lançamentos relativos às obras. As folhas de pagamento analíticas, os resumos das folhas de pagamento e a contabilidade apresentavam valores totalmente diversos. Os salários a pagar foram contabilizados por valores líquidos que não conferem com os valores líquidos das folhas ou dos resumos. Além disso, a escrituração contábil não foi efetuada em títulos próprios. As divergências ocorreram em todas as competências, impossibilitando à autoridade fiscal de identificar a real remuneração. Não tendo razão a irresignação da recorrente de que a autoridade fiscal teria desconsiderado tais documentos. Com efeito, essa situação se resume às hipóteses que autorizam a adoção do critério de aferição/arbitramento, previstas nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 33. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 11 19 importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifei) (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Dispõe ainda o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: “Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.” Nesse sentido, com a impossibilidade de identificar a real remuneração dos empregados, com os documentos da empresa, o Auditor Fiscal lançou mão de documentos outros documentos para aferir a base de cálculo e detalhou o critério utilizado no relatório fiscal. Infundadas, portanto, as alegações que a aferição foi motivada e baseada em presunção, sem evidências fáticas e com lógica absurda. Por fim, o lançamento foi constituído em conformidade com o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, já transcrito, c/c o artigo 37 da Lei nº 8.212/1991: Lei nº 8.212/91: “Art. 37. Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 20 benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).” 2.4. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS a) (aferição indireta) DEBCAD 37.305.8268 (Empresa e SAT) DEBCAD 37.305.8284 (Parte dos segurados empregados) DEBCAD 37.305.8306 (Terceiros). O recorrente se limita a impugnar os supracitados autos de infração questionamento a forma de tributação da empresa e ao cerceamento de defesa, argumentos já superados no decorrer do presente voto. b) Obrigações Principais DEBCAD 37.305.8292 (Parte dos segurados empregados) e DEBCAD n° 37.305.8314 (Terceiros). i. Valores de Aluguéis Observase que a Recorrente confessa que não apresentou os contratos de alugueis, diante desse fato e amparado pela legislação retrocitada os valores foram lançados a título de prólabore indireto, não se podendo imputar responsabilidade à autoridade fiscal por não ter identificado os beneficiários de tais verbas se os documentos não lhe foram apresentados. Não há, portanto, que se falar em desrespeito aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e finalidade. Cumpre ressaltar que a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela Fazenda Nacional e pelo recorrente. Daí a necessidade de se comprovarem os fatos deduzidos. As partes não têm o dever ou a obrigação de produzir as provas, tão só o ônus. Neste sentido, o artigo 36 da Lei n.º 9.784/99 determina in verbis: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução (...) ”. 58. Não é diferente o preconizado no art. 16º do Decreto 70.235/72: “Art. 16º A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;”(grifei) Somase ainda que ,conforme relatado, a autoridade fiscal constatou lançamentos contábeis a título de pagamento de aluguéis conta 4.1.3.50.00069 – “Despesas Diversas” e observando as características de alguns pagamentos que evidenciavam ser a título de pró labore indireto, intimou a empresa a apresentar os contratos de aluguéis para analisar a real destinação de tais pagamentos,e, apesar de intimada a empresa não apresentou os contratos solicitados. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 12 21 Pelo exposto, não cabe razão à recorrente na tentativa de descaracterizar o lançamento realizado. ii. Valores de leasing de veículos A recorrente, não se desincumbiu do ônus de apresentar os contratos para comprovar que os valores lançados pela autoridade fiscal são relacionados a financiamento de automóveis utilizados em prol dos serviços e atividade da empresa. Não há, portanto, que se falar em desrespeito aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e finalidade. Portanto, a alegações da Impugnante são desprovidas de elementos que as comprovem. Conforme já ressaltado anteriormente, compete ao recorrente o ônus de demonstrar os fatos alegados. Da Glosa das Retenções No tocante a alegação de que a Recorrente não teria a obrigação de destacar no corpo da nota fiscal os valores que incidem a retenção na alíquota de 11% de acordo com os serviços prestados. Cabe destacar a previsão legal que prevê essa responsabilidade: Lei nº 8.212/91 “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no § 5o do art. 33. §1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.” (grifei) “Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. §1° Se a retenção não tiver sido destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá efetuar a compensação do valor retido, desde que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor.” (grifei) (Instrução Normativa IN/SRP nº 03, de 14 de Julho de 2005) Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 22 a) Dos Autos de Infração de Obrigações Acessórias DEBCAD n° 37.305.8322 (CFL 30) – Folhas de Pagamento. Auto de Infração lançado por deixar a empresa de preparar as Folhas de Pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados empregados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, uma vez que restou configurado a ausência de contribuintes individuais e a falta de correspondência entre dados contidos nos Resumos das Folhas de Pagamento e nas respectivas Folhas de Pagamento Analíticas. A Recorrente argumenta que a autuação é infundada por ter apresentado todos os recibos de retirada de prólabore. No entanto, a apresentação dos recibos não a exime de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço nos moldes estabelecidos na legislação. Nesse sentido, a autuação em apreço revelase correta, na medida em que a situação fática constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso I, da Lei n.º 8.212/91 c/c com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, DEBCAD n° 37.305.8330 No tocante a alegação da recorrente de que por ser tributada com base no lucro presumido estaria dispensada da apresentação do Livro Diário e o Livro Razão, este já foi superado no presente voto quando da análise da forma de tributação da empresa autuada. A autuação em apreço revelase acertada, na medida em que a situação fática constitui infração ao disposto na Lei 8.212/91, art. 32, II, c/c o art. 225, II, §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. DEBCAD n° 37.305.8349 (CFL 35) Neste Auto de Infração o lançado foi efetuado por deixar a empresa de prestar as seguintes informações financeiras e contábeis, bem como os seguintes esclarecimentos: “a) Relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado TIPF; b) Relação de veículos integrantes do ativo imobilizado TIPF; c) Notas fiscais e contratos de leasing de equipamentos TIF n° 001; d) Contratos de prestação de serviços referentes aos processos firmados com as respectivas Prefeituras Municipais TIF n° 003; e) Cópia do Balanço final do exercício 2010, para fins de verificação da necessidade de lavratura de Arrolamento de Bens TIF n° 003; f) Esclarecer divergências entre os valores das Folhas de Pagamento analíticas e os contidos nos Resumos das respectivas folhas e os valores contabilizados – TIF n° 002 e 004”.” No tocante a alegação de ter apresentado algumas documentos, cabe esclarecer que na a apresentação na fase de impugnação não descaracteriza a infração, uma vez Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 15563.720111/201107 Acórdão n.º 2401004.287 S2C4T1 Fl. 13 23 que omissão de apenas uma informação contábil ou esclarecimento solicitado já ensejaria a lavratura do presente auto de infração. Não obstante, a autuação em apreço revelase correta, na medida em que a situação fática constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/91, com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, c/c com o artigo 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social – RPS. DEBCAD n° 37.305.8357 (CFL 37) A recorrente alega que o contrato de prestação de serviços de obra de construção civil com a Prefeitura de Rio das Ostras enquadrase no disposto no artigo 149 § 3° da IN/SRF n° 03 de 2005 e não no art. 150 § 1°, inciso II, alínea “e”, como enquadrou a autoridade fiscal, “pois existe previsão de planilha a parte integrante do contrato com cláusula expressa”. No entanto não apesenta a suposta planilha prevendo os valores relativos ao material ou equipamentos e deixa de comprovar que se enquadra no artigo 149 da referida Instrução Normativa. Assim a autuação em apreço revelase correta. DEBCAD n° 37.305.8365 A autuação em apreço revelase correta, na medida em que a situação fática (deixar de apresentar notas fiscais e contratos de leasing de veículos, contratos de aluguéis e apresentado os Livros Diário n° 33 e n ° 34, referentes aos exercícios de 2006 e 2007) constitui infração ao disposto na Lei 8.212, de 24/07/91, artigo 33, parágrafos 2º e 3º, na redação da MP 449/2008, combinado com o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99, in verbis: Lei nº 8.212/91 “Art. 33. (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.” Regulamento da Previdência Social “Art. 233. (...) Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 24 Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.” DEBCAD n° 37.305.8217 Neste Auto de Infração a multa foi aplicada, de acordo com o previsto no artigo 32, parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, combinado com os artigos 284, inciso II e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com o valor mínimo atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 568, de 31/12/2010, conforme demonstrado no Relatório Fiscal e Planilha Demonstrativa de Cálculo da Multa do AI 68 e Comparação entre os valores da multa aplicada pela legislação anterior e pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009. Assim não há que se falar em alteração ou excesso uma vez que esta abarca tanto a penalidade por descumprimento de obrigação principal, como a de falta de declaração ou declaração inexata pelo contribuinte. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 7/06/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
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Numero do processo: 19515.000108/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, para que a autoridade fiscal: a) Verifique se as Notas Fiscais de venda realizadas à Norfil, apresentadas pelo contribuinte, estão albergadas no montante de R$ 2.941.000,00 indicado como adiantamentos recebidos por conta de compra de algodão pela NORFIL INDÚSTRIA TÊXTIL; b) Que seja o contribuinte intimado para comprovar, ante a documentação acostada aos autos, de forma pormenorizada e com eventuais outras e novas provas que se façam possível, o efetivo elo entre valores depositados na conta bancária do recorrente e o retorno de benesses fiscais repassadas pelas cooperativas que realizaram a comercialização da produção rural do condomínio rural, informando a Autoridade Fiscal acerca dos valores já tenham sido considerados e excluídos do lançamento no curso da fiscalização; c) Que seja o contribuinte intimado para a apresentação das notas fiscais de venda de caroço de algodão que permitam concluir que o montante de R$ 2.414.000,00 apurado como omissão de receita sejam, de fato, receitas referentes à venda de produção agrícola (caroço de algodão) mediante notas fiscais que assim permitam concluir e, primordialmente, que não tenham servido anteriormente de lastro para justificativa de quaisquer dos questionamentos apresentados nos itens "a)" e "b)" acima; d) Que seja o contribuinte intimado para apresentar as notas fiscais que dêem lastro aos valores depositados pelas referidas cooperativas Coproeste, Copavante e Fitec na conta corrente do recorrente, de modo a se comprovar ou não se tratar de receitas do condomínio decorrentes da comercialização da produção rural, cotejando-se as notas fiscais apresentadas e os valores depositados e, ainda, verificando se referidas notas já não servirem para lastrear outros valores já mencionados nos itens "a)", "b)" e "c)";
e) Que seja o contribuinte intimado para comprovar a efetividade e a justificativa da operação de empréstimo de R$ 2.594.820,19 realizada junto a empresa Franor. Vencida a Relatora que superava a questão preliminar suscitada (conversão em diligência) para adentrar na analise direta do mérito recursal. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO fará a Resolução.
(Assinado digitalmente)
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
(Assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, para que a autoridade fiscal: a) Verifique se as Notas Fiscais de venda realizadas à Norfil, apresentadas pelo contribuinte, estão albergadas no montante de R$ 2.941.000,00 indicado como adiantamentos recebidos por conta de compra de algodão pela NORFIL INDÚSTRIA TÊXTIL; b) Que seja o contribuinte intimado para comprovar, ante a documentação acostada aos autos, de forma pormenorizada e com eventuais outras e novas provas que se façam possível, o efetivo elo entre valores depositados na conta bancária do recorrente e o retorno de benesses fiscais repassadas pelas cooperativas que realizaram a comercialização da produção rural do condomínio rural, informando a Autoridade Fiscal acerca dos valores já tenham sido considerados e excluídos do lançamento no curso da fiscalização; c) Que seja o contribuinte intimado para a apresentação das notas fiscais de venda de caroço de algodão que permitam concluir que o montante de R$ 2.414.000,00 apurado como omissão de receita sejam, de fato, receitas referentes à venda de produção agrícola (caroço de algodão) mediante notas fiscais que assim permitam concluir e, primordialmente, que não tenham servido anteriormente de lastro para justificativa de quaisquer dos questionamentos apresentados nos itens "a)" e "b)" acima; d) Que seja o contribuinte intimado para apresentar as notas fiscais que dêem lastro aos valores depositados pelas referidas cooperativas Coproeste, Copavante e Fitec na conta corrente do recorrente, de modo a se comprovar ou não se tratar de receitas do condomínio decorrentes da comercialização da produção rural, cotejandose as notas fiscais apresentadas e os valores depositados e, ainda, verificando se referidas notas já não servirem para lastrear outros valores já mencionados nos itens "a)", "b)" e "c)"; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 10 8/ 20 10 -1 9 Fl. 7991DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.991 2 e) Que seja o contribuinte intimado para comprovar a efetividade e a justificativa da operação de empréstimo de R$ 2.594.820,19 realizada junto a empresa Franor. Vencida a Relatora que superava a questão preliminar suscitada (conversão em diligência) para adentrar na analise direta do mérito recursal. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO fará a Resolução. (Assinado digitalmente) André Luís Marsico Lombardi Presidente (Assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 7992DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.992 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 1637.002 16a. Turma da DRJ SP1, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o lançamento fiscal objeto deste processo. O Recurso Voluntário foi interposto em 25/09/2012. A ciência ao Acórdão de Impugnação, contudo teria ocorrido em 15/08/2012, às 14:11hs quando o contribuinte abriu o arquivo correspondente no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Entretanto, conforme fl. 7929 dos autos, tal ciência teria ocorrido por edital, em 24/08/2012. A autuação está baseada em depósitos bancários não comprovados feitos em contas de sua titularidade. Contudo, informa que tais contas pertencem a um condomínio rural, do qual é administrador/Titular. A totalidade dos valores depositados e despendidos, registrados nas contas bancárias analisadas referemse à movimentação do condomínio rural pelo qual responde. O condomínio foi constituído por meio do Instrumento Particular de Exploração Rural, firmado em 02/04/2004 (efls. 6638/6644), do qual participa com 1%. O Auto de Infração teve como objeto os seguintes valores mensais depositados nas contas bancárias do contribuinte, cuja origem/justificação com documentação hábil e idônea não restou comprovada conforme a autoridade fiscal: A relação dos depósitos considerados não justificados pelo contribuinte estão às efls. 6536/6549. Termo de Verificação Fiscal às efls. 6550/6572 e na sequência está o Auto de Infração. O Acórdão recorrido está assim ementado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 REQUISITOS FORMAIS DO LANÇAMENTO. OBSERVÂNCIA. Uma vez que a autoridade fiscal consignou os motivos para a não aceitação de parte das justificativas do contribuinte, não se vislumbra a existência de vícios que inquinem o lançamento. Fl. 7993DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.993 4 APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. DESCABIMENTO. Não se acolhe o pedido de apresentação posterior de laudo que comprovaria a variação de preço de um produto decorrente da atividade rural exercida pelo contribuinte, já que tal questão em nada influi na solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Em suma, as principais justificativas alegadas pelo recorrente para as origens dos depósitos seriam decorrentes de a) incentivos fiscais para a comercialização da produção recebimentos antecipados de vendas, b) vendas de subprodutos (caroço de algodão, etc.) e, c)comercialização de insumos O detalhamento das razões do contribuinte aduzidas no recurso voluntário está a seguir. 1. Afirma que é possível a apresentação de documentos após a entrega da impugnação, desde que presente quaisquer das circunstâncias previstas no art. 16 do Decreto 70235/1972. 2. Solicitou a possibilidade de apresentação de laudo em momento posterior à entrega da impugnação, o que lhe foi negado. Tal laudo poderia influir consideravelmente na solução do litígio instaurado. 3. Duas das contas correntes são pessoais e não deveriam ser levadas em consideração na ação fiscal. São as contas correntes: 72.0826, Banco Bradesco, com movimentação de R$ 101.152,43 no ano (fls. 6464); e conta corrente 10.7603, Banco do Brasil, com movimentação em 2006 de R$ 1.295,00. 4. O recorrente integra um Condomínio rural, figura regida pelos art. 1314 e seguintes do Código Civil, do qual participa com 1% e cuja constituição está contida no documento "Instrumento Particular de Exploração Rural em Regime de Condomínio", que está juntado aos autos. Possui o cargo de Titular do condomínio, por escolha dos condôminos. Conforme o documento de constituição do condomínio, o titular é o responsável pela manutenção de conta no próprio nome no Banco do Brasil S/A, aonde são depositados os aportes solicitados. Toda a movimentação financeira dos negócios do condomínio transitam pelas contas de sua titularidade. Esse é o motivo da intensa movimentação financeira nas contas bancárias que administra. 5. A atividade principal do condomínio é a exploração agrícola, com destaque para algodão e soja, conforme documentos 03 e 04 anexos à impugnação. 6. Os integrantes do condomínio também participam, na condição de sócios, do conglomerado de empresas, das quais se destacam Norfil S.A. Indústria Têxtil e Franor Agrícola S.A, sendo que a primeira financia antecipadamente todas as etapas da cultura de algodão. A empresa Franor arrenda imóveis rurais ao Condomínio Rural. 7. A alta movimentação financeira nas contas do contribuinte também é originária do recebimento de incentivos fiscais pelo condomínio rural, nas esferas Fl. 7994DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.994 5 estadual(ICMS) e federal (CONAB Cia. Nacional de Abastecimento Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). 8. O condomínio rural ainda comercializa outros produtos e subprodutos dos produtos principais, como caroço de algodão, fibrilha, palha, etc. Eventualmente, também equipamentos do ativo permanente na substituição dos mesmos. 9. A ação fiscal analisou operações idênticas com critérios diferenciados, não as tributando em algumas ocasiões por entender que foram devidamente comprovadas e tributando em outras. Entende que a autoridade julgadora a quo também procedeu de forma similar. Exemplifica tal modo de operação fiscal com o crédito apurado no valor de R$ 41.404,00 relacionado pela autoridade fiscalizadora na fl. 6462, com o histórico: < transferência Banco do Brasil ag. 29971 c/c 126691>. A titularidade dessa mesma conta é do recorrente, conforme fls. 6451 e 6466. Entende que tal valor deve ser excluído da tributação, por se tratar de transferência entre contas do mesmo titular, conforme par. 3, art. 42 da Lei 9430/96.Tal fato seria suficiente para gerar a nulidade do Acórdão recorrido pois teria cerceado o direito de defesa do recorrente. 10. A empresa Norfil se comprometeu a pagar ao condomínio R$ 49.500.000,00, adiantados conforme a necessidade do condomínio, como antecipação do preço devido, no prazo de dois anos, a ser renovado por períodos sucessivos. Esse acordo foi efetuado em 15/01/2004. Assim, foram feitas transferências conforme planilha da efls. 7781/7782. Alguns dos valores da planilha foram explicitados no acórdão recorrido. Quanto aos demais, a autoridade julgadora mencionou que não restou identificada a motivação. Um dos valores explicitados no acórdão recorrido, de R$ 500.000,00 fora repassado pela empresa Espace Center diretamente para o condomínio, em nome da Norfil. Tal repasse decorre de um sistema de contas correntes contábeis entre as empresas Espace Center e Norfil. Quanto às parcelas restantes, o acórdão recorrido menciona que não foram apresentados documentos suficientes para vinculálos aos adiantamentos previstos no contrato referido. Para comprovar a ocorrência de tais valores, requer novamente a juntada do Livro Diário de n. 14 da empresa NORFIL, aonde constam as transferências efetuadas ao condomínio(R$ 400.000,00 05/06/2006, R$ 146.287,41 06/06/2006, R$500.000,00 23/08/2006). Entende que está provado nos autos a origem dos numerários relativos aos adiantamentos da NORFIL, e portanto, devem ser exonerados da base de cálculo do lançamento a importância de R$ 2.893.652,21. 11. Os valores advindos da sociedade Franor referemse aos repasses ao condomínio rural, de parte do empréstimo contraído pela Franor, no valor de R$ 2.000.000,00 (parcela de R$ 1.992.000,00 repassada ao condomínio) junto ao Banco Santander Banespa e, segundo, de amortizações de dívidas contraídas pela referida sociedade junto ao mesmo condomínio. O registro dessa operação está na conta 2.1.5.01.001 conta corrente condomínio. O depósito estaria corroborado pelo Instrumento Particular de Assunção de Dívida, datado de 29/08/2006, conforme doc.16 juntado à impugnação. Também juntou ao processo a cópia do Contrato de Repasse de Operação de Crédito em Moeda Estrangeira n. 290471906. A autoridade fiscal não considerou o termo de assunção de dívida porque não fora registrada em cartório, não podendo fazer prova contra terceiros, conforme art. 221 do Código Civil Brasileiro. Para comprovar a efetividade dos reembolsos efetuados pelo condomínio, juntou a cópia do Livro Diário n. 4 da empresa Franor, dando conta da quitação do referido empréstimo, acrescido de taxas e tarifas bancárias, na importância de R$ 2.084.000,00 (R$ 788.000,00 e R$ 1.296.000,00). Fl. 7995DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.995 6 A FRANOR mantém conta corrente junto ao condomínio conta 2.1.6.01.0001 que em 01/01/2006 possuía saldo credor (devedora ao condomínio) na importância de R$ 2.462.504,42, conforme doc. 31 trazido na impugnação. Tais valores foram quitados conforme a planilha constante da efls 7786 (R$ 1.570.958,89 e R$ 1.023.861,30). A soma dos valores resulta em R$ 2.594.820,19. Tais pagamentos estão devidamente comprovados no registro contábil da empresa Franor, conta 2.1.6.01001. Restou ainda, ao final do período 2006, um saldo favorável ao condomínio rural de R$ 1.433.894,34. Dada a exposição do item acima, entende que deve ser exonerado da base de cálculo do lançamento tributário, a importância de R$ 2.462.504,42. 12. Apresentou tabela à fl. 7790, aonde discrimina os pagamentos recebidos a título de benefício fiscal, no valor de R$ 441.670,61 (fls. 6465 a 6471). Tais benefícios fiscais decorrem de crédito presumido de 50% do ICMS para o produtor rural, incidente sobre a produção de algodão, dependendo do tipo de algodão produzido, para vendas interestaduais. Foram juntadas cópias das declarações firmadas pela Cooperativa Agropecuária do Oeste da Bahia, responsável pela distribuição das parcelas ao recorrente, nos valores de R$ 783.586,97 e R$ 24.810,86, bem como as cópias dos comprovantes de transferência dos valores R$ 234.066,79, R$ 14.500,39 e R$ 10.310,47. Assim, pede que seja deduzido da base de cálculo, pela exposição do item acima, o valor de R$ 441.670,61. 13. Explica que o Incentivo Conab/PEPRO Referese a um prêmio equalizador que corresponde ao valor máximo que o Governo Federal pagará ao arrematante, como garantia do valor de referência, pela venda e o escoamento do produto nas condições estabelecidas. O Condomínio foi aquinhoado por uma série de vezes com tal prêmio, que consistia de valores levados à crédito nas contas bancárias do recorrente e, em sua maioria foram convalidados pela autoridade fiscal. Contudo, teriam sido considerados não comprovados pela autoridade autuante e depois convalidados pela autoridade julgadora, depósitos do mesmo incentivo no valor R$ 650.917,08 29/09/2006 conta do Banco Itaú, e R$ 1.301.827,16, depositado em 04/10/2006, no mesmo banco. Como prova, informa que a autoridade julgadora teria demonstrado convencimento da ocorrência de determinado crédito, manifestandose pelo equívoco trazido pela Impugnação, a respeito de um dos citados benefícios fiscais, conforme excerto à fl. 19 do acórdão recorrido a seguir transcrito. Entende que, dado que foi apresentada prova cabal da efetividade do direito ao citado prêmio, poderia a relatora do acórdão a quo ter exonerado de pronto a importância do lançamento, pois que estava justificada. No entanto, convalidou o entendimento da autoridade lançadora. Quanto ao crédito na importância de R$ 118.342,56, de 23/11/2006 (Demonstrativo de Créditos Apurados Banco Itaú, fl. 6540), o impugnante alega referirse também ao Proalba, porém, apresenta documentos emitidos pela Bolsa de Mercadorias de Brasília BBSB (fls. 6720/6721), correspondentes a operações realizadas pela Copavante e ao prêmio denominado Conab/PEPRO. A não exoneração de depósitos bancários teve como justificativa o fato de que o contribuinte teria apresentado planilhas através das quais procurou atrelar alguns créditos bancários a documentos emitidos pela Bolsa de Mercadorias de Brasília BBSB. Todavia, de Fl. 7996DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.996 7 acordo com o termo, os documentos emitidos pela BBSB identificam a Copavante como arrematante e os produtos adquiridos, mas não identificam o produtor rural. Em relação aos incentivos fiscais, pugna pelo reconhecimento como origem comprovada os lançamentos de R$ 650.917,08, R$ 1.301.827,16 e R$ 118.341,56, perfazendo o total de R$ 2.071.085,80. 14. O valor de R$ 28.542,00 referese à venda de veículo particular (Audi A3), pelo valor de R$29.500,00 que, como desconto de 3% pelo pagamento à vista resultou no valor depositado na conta do Banco Itaú. Tal depósito foi considerados como não comprovados pela autoridade fiscal. Observa que os valores depositados de R$ 20.000,00 e R$ 8.542,00 foram levados a crédito na conta em 07/12/2006 e a entrega do veículo ocorreu em 17/12/2006, conforme a autorização para transferência do bem, datada de 11/12/2006. A discrepância das datas decorre de precaução para aguardar a compensação dos cheques antes da entrega dos valores. A autoridade teria glosado os depósitos porque não houve coincidências de valores e datas e não houve comprovação da concessão do desconto. Entende que deve ser considerada justificada a origem dos depósitos decorrentes dessa negociação, no valor de R$ 28.542,00. 15. Alienação de duas usinas de beneficiamento de arroz, efetuadas aos srs. Mauro Pinzetta e Amélio Pinzetta, R$ 40.000,00 e R$ 17.000,00. Como os bens são desmontados para o transporte, em várias caminhões/viagens, necessitam de notas fiscais tantas quantas forem as remessas. Conforme doc. 23 juntado à impugnação, esse transporte ocorreu por meio das notas fiscais 002153 e 002154 (ambas de R$ 10.000,00), 002155 (R$ 10.000,00), 002156 (R$ 7.000,00) e 002160 (R$ 3.000,00), totalizando R$ 40.000,00. A segunda usina foi transportada pela nota fiscal 2157, no valor de R$ 17.000,00. Esses depósitos também não foram reconhecidos como de origem comprovada. Contudo, entende que devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento, as importâncias de R$ 40.000,00 e R$ 17.000,00 que totalizam R$ 57.000,00. 16. As seguintes notas fiscais referemse à comercialização de produtos do condomínio com outras empresas e cujos depósitos devem ser reconhecidos. a. nf. 002646 e 002310 55,18 toneladas R$ 147.101,55 Essa negociação teria envolvido as empresas Copavante (compradora direta) e a Ficamp S.A. Indústria Têxtil. O pagamento ao condomínio teria sido feito por Ficamp S.A nas seguintes datas e valores: 11/12/2005 (R$ 40.000,00), 12/12/2005(R$ 42.757,18) e 14/12/2006 (R$ 689,02), perfazendo o total de R$ 83.446,20, valor esse da Nota Fiscal emitida pela Copavante. Os depósitos na conta bancária do recorrente seriam nos valores de R$ 39.841,00(11/12/2006), R$ 42.587,70 (12/12/2006) e R$ 679,40 (14/12/2006). As divergências de valores decorreram da CPMF e despesas com transferência eletrônica de valores(TED). b. nf. 002310, para a Copavante, que comercializou o produto por meio da nf 30, no valor de R$ 82.020,09. Acresceu a esse valor R$0,98 de juros de mora e descontouse R$ 318,11 da CPMF, resultando na importância de R$ 81.702,00 depositada na conta do recorrente em 14/08/2006. c. Nf. 001859, 001860, 001863 e 001864 vendas a Coproeste, no valor de R$ 80.357,40 cada das primeiras e R$ 64.881,00 as duas últimas. Concedidos descontos de R$ 2500,01 em cada uma das duas primeiras e R$ 1.985,36 nas duas finais. Resultando nos depósitos de R$ 155.714,16 em 22/06/2006, R$ 49.572,80 em 28/06/2006 e R$ 76.218,37. Ver docs. 17 e 18 da impugnação. Fl. 7997DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.997 8 d. Entrega de mercadorias à Coproeste, nf. 001058, 001060, 001061, 001062 e 001063, no total de R$ 383.892,53. A Coproeste, por sua vez, comercializou tais mercadorias á Cia. têxtil Pé Serra, por meio das nf. 7417, 7418, 7419, 7457, 7460, num total de R$ 410.717,29. Descontando a CPMF de R$ 1.566,68, foi depositado o valor de R$ 410.717,29 na conta do recorrente. 17. Antecipações de pagamentos para entrega futura de produtos também a outras empresas. Alega que o condomínio comercializa a produção antecipadamente e recebe adiantamentos em decorrência. Assim, considera justificados os depósitos na conta do Banco do Brasil, que se referem a antecipação de pagamentos das notas fiscais emitidas em janeiro e fevereiro de 2007, anexadas às fls. 6835 a 6889, cuja quantia total é de R$ 418.090,00 e cujos valores individualizados por dia de depósitos constam da tabela à efl. 7800.Tais valores foram considerados como incomprovados pela autoridade fiscal. A tabela à efl. 7801 discrimina os valores, as datas, os números das notas fiscais e os adquirentes dos produtos. Não considera que seria coincidência que tais valores viessem a "bater" com o valor pago das notas fiscais emitidas pelo condomínio. Assim, entende que devem ser reconhecidos como de origem comprovada/justificada o valor de R$ 418.090,00. 18. Na mesma esteira de raciocínio e justificativas do item anterior, encontram se as vendas antecipadas de outros subprodutos, cujas antecipações estão relacionadas na tabela de efl. 7804, no valor de depósitos igual a R$ 32.248,00 em 2006 que se somariam a valor do ano calendário de 2005, totalizando R$ 127.209,89. Parte das vendas ocorreram em 2005(não abrangidos pelo procedimento fiscal) e outra parte em 2006. A tabela das fls. 7804/7805 discrimina as notas fiscais, data de emissão, valor da nf, valor de desconto, e valor líquido recebido. O recorrente entende que devem ser exonerados da base de cálculo do lançamento fiscal os depósitos relativos a estas vendas, no valor de R$ 127.209,89. 19. Semelhante argumentação é utilizada para os depósitos de R$ 20.000,00 (20/06/2006), R$ 5.213,53 e R$ 8.500,00 (estes últimos depositados ao final de 2005), que totalizaram R$ 33.713,33. Na tabela da efl. 7806, o recorrente discrimina as notas fiscais emitidas em 2005 e 2006 relativas às antecipações ocorridas, no valor total de R$ 34.507,20, sendo R$ 793,67 de desconto, restando o valor líquido de R$ 33.713,53, que deveria ser exonerado da base de cálculo tributável. 20. Similarmente ao item anterior, são as justificativas para os depósitos de R$ 16.000,00(01/06/2006), R$ 600,00 e R$ 14.000,00 (ambos em 05/06), R$ 440,00 (23/06), e R$ 43.750,00 (27/06/2006). Tais parcelas totalizam R$ 74.790,00 que adicionados a dois depósitos feitos em 2005 totalizariam R$ 80.347,31. As notas fiscais emitidas para essas vendas estão relacionadas na planilha de efl. 7807. Por estarem com a origem devidamente comprovados, deveriam ser exonerados da base de cálculo do crédito tributário o valor de R$ 80.347,41. 21. Da mesma forma que os itens anteriores, justifica os depósitos de R$ 8.419,13(15/05), R$ 32.000,00(12/06) e R$ 2.094,40(10/07/2006), que, adicionados aos depósitos feitos em 2005 totalizaram R$ 142.979,87. As notas fiscais relativas às vendas com adiantamento dos valores está na efl. 7808. Devese assim, exonerar da base de cálculo do lançamento os depósitos acima, totalizando R$ 42.513,53 no ano 2006. 22. Ao final, com a mesma justificativa de adiantamento de vendas, apresenta a tabela da efl. 7809 aonde constam os depósitos antecipados de clientes e as notas fiscais que dariam cobertura a tais depósitos. Considera então justificados os valores de R$ 1.000,00, R$ 4.200,00, R$ 2.611,13, e R$ 12.288,00, num total de R$ 20.099,13. (docs. 44 a 46 juntados à impugnação). Fl. 7998DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.998 9 23. A tabela à efl. 7810 e 7811 apresenta depósitos relativos à comercialização antecipada de caroço de algodão, discriminando as notas fiscais e valores envolvidos, que totalizam R$ 2.111.921,48. Observa que a importância dos depósitos relativos a esses documentos fiscais totalizam R$ 1.963.641,01. Repisa que os negócios da comercialização do caroço de algodão são realizados na quase totalidade envolvendo pagamentos antecipados. Assim, muito embora muitos créditos tivessem ocorrido em 2006, o faturamento e a efetiva entrega dos produtos ocorreu apenas em 2007. As notas fiscais relacionadas na efl. 7812 também estão nessa situação. Assim, entende que estão devidamente justificados e exonerados da base de cálculo do tributo a importância de R$ 2.111.921,48. 24. Por último, alega que o condomínio também comercializa materiais/imobilizado de uso próprio, tais como, arame, produtos agrícolas diversos, veículos, etc., de forma a atender parceiros, propriedades vizinhas, etc. Tais vendas fogem às atividades precípuas do condomínio, mas representam ingressos de valores e estão expressos na tabela da efl. 7813. Considera que tais valores de depósitos totalizando R$ 76.251,00 estão justificados/comprovados e devem ser exonerados da base de cálculo do lançamento tributário. O recorrente esclarece aspectos típicos da produção e comercialização de caroço de algodão e também da falta de uniformidade de critérios das autoridades fiscais para acatar justificativa/comprovação dos depósitos. Apresenta tabela relacionando os depósitos considerados não justificados pelas autoridades fiscais e os valores faturados com a venda de produtos, no mesmo período, tendo em vista demonstrar a atipicidade do negócio. Encerro aqui o relatório relativo ao primeiro recurso interposto. Posteriormente, tendo em vista a finalização de procedimento administrativo para verificar as obrigações tributárias relativas ao IRPF 2008, o recorrente apresenta complementação ao recurso deste processo, com o seguinte teor. Informa que à época da interposição do Recurso Voluntário, estava sendo objeto de outra ação fiscal, pela DEMACBelo Horizonte, por sua Equipe Remota no Rio de Janeiro/RJ, cuja ação fora concluída em 11/09/2012. Argumenta que algumas matérias são novas e só vieram à tona porque são contraditórios com os trabalhos executados pela DEMAC Belo Horizonte. Explica que foi submetido a duas ações fiscais. A deste processo, que se refere aos depósitos do ano calendário 2006 e a outra, subsequente, que se refere aos depósitos do ano calendário 2008. As contas bancárias seriam as mesmas e apresentou semelhantes elementos de comprovação. Contudo, no caso deste processo (AC 2006), as comprovações apresentadas não foram aceitas. Informa que também o tratamento dos contratos de venda de algodão e soja, e seus subprodutos, firmados entre o condomínio rural e seus clientes tiveram abordagens distintas nas duas autuações. Tais contratos antecipam a quase totalidade dos pagamentos, de forma a assegurar as entregas futuras daqueles produtos, evitando que os compradores dos produtos enfrentem desabastecimento. Esse é o motivo porque não haveriam contrapartidas relativas aos faturamentos correspondentes àqueles créditos. Tais faturamentos podem ocorrer inclusive em ano calendário posterior, ocasião em que as receitas vêm a ser reconhecidas. O condomínio reconhece as receitas pelo regime de competência. A ação fiscal relativa a 2008 atestou a efetividade dos valores depositados antecipados por clientes, por conta de futuras aquisições em contascorrentes bancárias de titularidade do interessado, vinculandoos a pagamentos futuros. A ação fiscal relativa a 2006, Fl. 7999DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 7.999 10 simplesmente os teria ignorado, não estabelecendo qualquer relação entre os depósitos efetuados antecipadamente e os respectivos faturamentos posteriores. Pelo exposto, conclui ou que os trabalhos fiscais são absolutamente subjetivos, ainda que vinculados, ou que o entendimento esposado pela Receita Federal não é o mesmo posto em pratica por seus agentes, quando da realização de seus trabalhos. Anexou ao autos (efls. 7944 e seguintes) vários documentos relativos ao procedimento fiscal para o ano 2008, corroborando os fatos alegados relativamente à divergência de procedimentos. É o relatório. Fl. 8000DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 8.000 11 Voto vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O Recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminares A análise das alegações do contribuinte quanto ao fato dos depósitos serem resultado das operações de administração do condomínio rural pelo qual é responsável ficou prejudicada, tendo em vista a constatação de que a contabilidade do condomínio, para aquele ano, não pode ser utilizada. O recorrente apresentou à fiscalização, identificados como LivroCaixa, relatórios mensais, que apresentam resumidamente receitas e despesas de custeio, ajustes não devidamente discriminados, investimentos e demais valores que integram a atividade, bem como a participação proporcional de cada condômino. Nesses relatórios não estão presentes os critérios determinados para escrituração do Livro Caixa, não sendo possível a visualização das operações ocorridas diariamente, por propriedade rural, bem como não constam em seu início e encerramento anotações em forma de "termo" que identifiquem o contribuinte e a finalidade do livro, impedindo que se tenha uma visão em ordem cronológica de dia, mês e ano da atividade rural desenvolvida. Apesar do contribuinte ter optado por apurar o resultado da exploração da atividade rural a partir da escrituração contábil, não apresentou os livros Diário e Razão em conformidade com a Lei 10.406/2002. Os livros não foram autenticados, falta clareza nos lançamentos e falta a caracterização do documento relacionado com o lançamento. Tais documentos foram considerados sem valor probante pelo julgador a quo. O julgador de primeira instância constatou ainda, que nem sempre há coincidência entre o lançamento contábil realizado e a alegação apresentada pelo contribuinte para justificar/comprovar a origem dos créditos ocorridos em suas contas bancárias, como ocorreu, exemplificativamente, quando o contribuinte buscou justificar a origem do crédito alegando adiantamento efetuado por Norfil para pagamento de algodão em pluma e o lançamento contábil correspondente se refere a “adiantamento de recursos nesta data – HS” O recorrente entende também que poderia ter apresentado laudo pericial após a impugnação, pois poderia esclarecer os fatos. Contudo, a análise dos documentos deste processo administrativo fiscal não requere conhecimentos que não sejam do domínio tanto da autoridade lançadora quanto das julgadoras e, portanto, não é necessário a realização de perícia para a compreensão dos fatos neles registrados. Entendo que a apresentação de documentos hábeis e idôneos que justifiquem os depósitos bancários na conta do recorrente é um direito de defesa do contribuinte que não pode ser permutado por um laudo pericial.Tal entendimento está em consonância com o art. 464 do Código de Processo Civil (lei 13105/2015), a seguir transcrito. Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Fl. 8001DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 8.001 12 § 1oO juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável. Assim, nada há que se corrigir na decisão a quo quanto a esse aspecto. Relativamente à eficácia de instrumentos particulares não registrados em cartório, é importante esclarecer que, a menção a "terceiros" está explícita no Código Civil Brasileiro, conforme o art. 221, transcrito a seguir e, neste caso, o fisco. Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. A argumentação final do contribuinte para o recurso voluntário é no sentido de se adotar procedimentos homogêneos para situações similares e tendo como parâmetro o procedimento fiscal para o ano 2008. Entendo que o fato das situações serem similares, não significa que tenham sido comprovadas da mesma forma. O que se questiona neste processo é a comprovação/justificativa da origem legal dos depósitos bancários das contas bancárias do contribuinte. O recorrente anexou aos autos documentos comprobatórios de que negócios existiram entre o condomínio rural e as empresas clientes. Informa que apurou o lucro pela escrituração fiscal. Contudo, os livros contábeis/fiscais do condomínio rural, apresentados para o ano 2006, não estão em acordo com a legislação vigente e, portanto, não podem ser considerados provas legais, hábeis e idôneas a favor do contribuinte. Os critérios de agir da autoridade fiscal são vinculados à legislação e é possível que a escrituração fiscal/tributária/contábil já estivesse regularizada no ano 2008. Transcrevo a seguir a análise dos livros do condomínio rural para o ano sob análise (2006), conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) . TVF efl. 6559 Porém, o Livro Caixa que nos foi apresentado não se enquadra nos termos estabelecidos pela Lei 9.250/95. Tratase de uma espécie de relatório mensal que apresenta resumidamente receitas e despesas de custeio, ajustes não devidamente discriminados, investimentos e demais valores que integram a atividade, bem como a participação proporcional de cada condômino. Os critérios determinados para escrituração do Livro Caixa não se encontram presentes nos referidos relatórios mensais, pois não é possível a visualização das operações ocorridas diariamente, por propriedade rural, bem como no material apresentado não consta em seu inicio e encerramento anotações em forma de "termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do livro, impedindo que se tenha uma visão em ordem cronológica de dia, mês e ano da atividade rural desenvolvida. Fl. 8002DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 8.002 13 Dessa forma, concluímos que os relatórios mensais apresentados pelo contribuinte, por ele denominados de Livro Caixa, não cumpriram as formalidades estabelecidas na Lei 9.250/95, prejudicando seu valor probante a favor do contribuinte, portanto, não foram considerados como documentação hábil e idônea a comprovar a origem de créditos ocorridos em contas bancárias de sua titularidade. ... efl. 6561 Da análise do Livro Diário referente ao anocalendário de 2006 (n° 03 e n° 03A), apresentado em 09/12/2009, verificamos que em seus termos de abertura e encerramento não consta autenticação prevista no artigo 1181 da Lei 10.406/02, ou mesmo autenticação junto ao Cartório de Registro de Títulos e Documentos, de modo que o Livro em questão não se presta a fazer prova a favor do contribuinte. Da análise dos lançamentos contábeis: escriturados no Livro Diário e no Livro Razão, apresentados pelo contribuinte, verificamos que os mesmos não apresentam alguns dos requisitos previstos no artigo 1184 da Lei 10.406/02, como deve ocorrer num sistema de escrituração contábil, mesmo que simplificado. ... efl. 6563 Dessa forma, constatamos que os lançamentos contábeis escriturados pelo contribuinte nos Livros Diário e Razão não cumpriram formalidades extrínsecas e intrínsecas estabelecidas na Lei 10.406/02, respectivamente falta de autenticação do Livro Diário (formalidade extrínseca) e falta de clareza e caracterização do documento respectivo (formalidade intrínseca), prejudicando seu valor probante a favor do contribuinte. ... efl. 6489 Dessa forma, não consideramos a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte bem como seus Livros e demonstrativos, como documentação hábil e idônea a comprovar a origem de créditos ocorridos em contas bancárias de sua titularidade. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal justifica a desqualificação da escrituração do contribuinte devido à inexistência de indicativo de documentação de suporte para os lançamentos a crédito/débito em comparação com os depósitos bancários. O contribuinte teve várias oportunidades para apresentar documentação comprobatória que justificasse a origem dos depósitos em suas contas correntes. Ainda, muito embora o par. 4, art. 16 do Decreto 70235/1972(a seguir transcrito) tenha definido o prazo para apresentação das provas até a impugnação, todos os documentos anexados ao processo pelo contribuinte até a interposição do recurso voluntário foram objeto de análise para o julgamento da lide. Dec. 70235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: ... Fl. 8003DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 8.003 14 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) Dado o exposto, entendo que a conversão do julgamento em diligência dilata injustificadamente o prazo para apresentação de documentos por parte do contribuinte, além do previsto no dispositivo legal antes mencionado. Entretanto, considerando a decisão do colegiado pela diligência, registro o voto desta relatora para afastar as preliminares e dar provimento em parte ao recurso para exonerar do montante tributável a quantia de R$ 1.992.000,00, tendo em vista que o recorrente comprovou com documentação hábil e idônea a efetivação do empréstimo alegado. Maria Cleci Coti Martins Fl. 8004DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 8.004 15 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Redator Designado Iniciado os debates, pedi visto do presente processo para melhor examinar as milhares de páginas de documentos acostados pelo recorrente que, segundo o próprio, comprovariam e justificariam cada uma das operações realizadas em sua contacorrente e tidas, pela fiscalização, como movimentação bancária sem comprovação. No presente caso, temos que o contribuinte autuado, pessoa física, é administrador de um condomínio rural e realizava a movimentação financeira do referido condomínio em sua conta bancária pessoal. Tratase de fato incontroverso, reconhecido, inclusive, pela autoridade fiscal e pela própria relatora no voto acima. Muitos dos documentos apresentados, conjugados com as alegações do recorrente, apresentam fortes indícios que, de fato, comprovam a movimentação financeira. Ademais, muitos foram apresentados e desconsiderados pela autoridade fiscal. Assim, entendo que deve ser realizada uma diligência para o fim de serem confrontados os documentos apresentados pelo recorrente (documentos estes que, em sua grande maioria, foram entregues ainda no curso da fiscalização) com a movimentação financeira do recorrente. Portanto, deve ser realizada a diligência para que a autoridade fiscal atenda os seguintes pontos: a) Verifique se as Notas Fiscais de venda realizadas à Norfil, apresentadas pelo contribuinte, estão albergadas no montante de R$ 2.941.000,00 indicado como adiantamentos recebidos por conta de compra de algodão pela NORFIL INDÚSTRIA TÊXTIL; b) Que seja o contribuinte intimado para comprovar, ante a documentação acostada aos autos, de forma pormenorizada e com eventuais outras e novas provas que se façam possível, o efetivo elo entre valores depositados na conta bancária do recorrente e o retorno de benesses fiscais repassadas pelas cooperativas que realizaram a comercialização da produção rural do condomínio rural, informando a Autoridade Fiscal acerca dos valores já tenham sido considerados e excluídos do lançamento no curso da fiscalização; c) Que seja o contribuinte intimado para a apresentação das notas fiscais de venda de caroço de algodão que permitam concluir que o montante de R$ 2.414.000,00 apurado como omissão de receita sejam, de fato, receitas referentes à venda de produção agrícola (caroço de algodão) mediante notas fiscais que assim permitam concluir e, primordialmente, que não tenham servido anteriormente de lastro para justificativa de quaisquer dos questionamentos apresentados nos itens "a)" e "b)" acima; d) Que seja o contribuinte intimado para apresentar as notas fiscais que dêem lastro aos valores depositados pelas referidas cooperativas Coproeste, Copavante e Fitec na conta corrente do recorrente, de modo a se comprovar ou não se tratar de receitas do condomínio decorrentes da comercialização da produção rural, cotejandose as notas fiscais Fl. 8005DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19515.000108/201019 Resolução nº 2401000.502 S2C4T1 Fl. 8.005 16 apresentadas e os valores depositados e, ainda, verificando se referidas notas já não serviram para lastrear outros valores já mencionados nos itens "a)", "b)" e "c)"; e) Que seja o contribuinte intimado para comprovar a efetividade e a justificativa da operação de empréstimo de R$ 2.594.820,19 realizada junto a empresa Franor. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 8006DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 29/07 /2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 15165.001157/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/11/2008
ÔNUS DA PROVA. MEIOS DE PROVA. QUADRO INDICIÁRIO. PRESUNÇÃO. FORÇA PROBANTE. FORMAÇÃO DE CONVICÇÃO.
Todos os meio de prova lícitos são aptos à comprovação dos fatos acusados pela Fiscalização Federal. Uma vez que seja apresentado um quadro indiciário suficientemente robusto, representado por relações de interdependência e confusão societária, é perfeitamente possível que o julgador se sinta convencido da ocorrência da fraude, do dolo, da simulação ou da má-fé do agente, ainda mais quando as sobejas evidências coligidas pela Fiscalização não são sequer arranhadas pelos argumentos de defesa.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 12/11/2008
TRIBUTOS ADUANEIROS. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. VALOR DA TRANSAÇÃO.
Constatada a fraude, a sonegação ou o conluio, a determinação da base de cálculo dos tributos aduaneiros obedece a legislação nacional, que prevê o arbitramento, ou o verdadeiro preço efetivamente praticado na importação.
IMPORTAÇÃO. DOLO. PREÇOS ARTIFICIALMENTE REDUZIDOS. PENALIDADES.
Nos casos em que for constatada a redução intencional dos preços declarados na operação de importação, aplica-se a multa de 100% (cem por cento) sobra diferença entre o preço efetivamente praticado ou arbitrado e o preço declarado e multa de 150% sobre a diferença entre o valor do imposto ou contribuição recolhidos e os efetivamente devidos.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 27/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 27/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
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DE MAT. P/COMUNICAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/11/2008 ÔNUS DA PROVA. MEIOS DE PROVA. QUADRO INDICIÁRIO. PRESUNÇÃO. FORÇA PROBANTE. FORMAÇÃO DE CONVICÇÃO. Todos os meio de prova lícitos são aptos à comprovação dos fatos acusados pela Fiscalização Federal. Uma vez que seja apresentado um quadro indiciário suficientemente robusto, representado por relações de interdependência e confusão societária, é perfeitamente possível que o julgador se sinta convencido da ocorrência da fraude, do dolo, da simulação ou da máfé do agente, ainda mais quando as sobejas evidências coligidas pela Fiscalização não são sequer arranhadas pelos argumentos de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/11/2008 TRIBUTOS ADUANEIROS. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. VALOR DA TRANSAÇÃO. Constatada a fraude, a sonegação ou o conluio, a determinação da base de cálculo dos tributos aduaneiros obedece a legislação nacional, que prevê o arbitramento, ou o verdadeiro preço efetivamente praticado na importação. IMPORTAÇÃO. DOLO. PREÇOS ARTIFICIALMENTE REDUZIDOS. PENALIDADES. Nos casos em que for constatada a redução intencional dos preços declarados na operação de importação, aplicase a multa de 100% (cem por cento) sobra diferença entre o preço efetivamente praticado ou arbitrado e o preço declarado e multa de 150% sobre a diferença entre o valor do imposto ou contribuição recolhidos e os efetivamente devidos. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 11 57 /2 00 9- 93 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 27/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Contra a empresa CASASIGN DO BRASIL COM. DE MAT. P/COMUNICAÇÃO LTDA, ora Impugnante, já devidamente qualificada nos autos, foi lavrado Auto de Infração (AI) por AFRFB em exercício na Inspetoria da Receita Federal em Curitiba PR, em procedimento de conferência aduaneira da declaração de importação nº 08/17976978 (fls. 33 a 37), tendo em vista indícios de subfaturamento no valor declarado à operação, através do qual restou apurado o arbitramento do valor aduaneiro, com cobrança da diferença de imposto apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado acompanhada de seus consectários legais (II, IPI, PIS/PASEP e COFINS Juros Moratórios e Multa de Ofício de 150% exasperada em face do disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 c/c os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964), da Multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado (art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001), num montante total do lançamento de R$ 304.328,94. Em síntese, alega a autoridade autuante: 1. Que, em diligência realizada no estabelecimento da Impugnante, encontrou a fatura proforma NF 80320, emitida por NEXFIL CO.,LTD (mesmo exportador da declaração de importação objeto da ação fiscal) para o importador Pelefilm Comércio de Películas de Controle Solar Ltda, “com preços dez (10) vezes maiores que os declarados na DI aqui analisada”; 2. Que existe “ligação entre as empresas Casasign do Brasil Com. de Mat. Para Comunicação Ltda, Casafilm do Brasil Ltda e Pelefilm Comércio de películas de Controle Solar Ltda, visto que o quadro societário das mesmas conta com pessoas com laços de parentesco, como é o caso de Otília Vieira Carneiro, sócia da última que é mãe de Rubens Vieira Carneiro e casada com Paulo César Rigotti, sócios da primeira. Sendo ainda de se notar que todos os que compõem os quadros societários da empresas aqui mencionadas possuem o sobrenome Carneiro, à exceção de Maria Auxiliadora Bezerra Alexandre, sócia da Casasign do Brasil”; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.001157/200993 Acórdão n.º 3102003.176 S3C1T2 Fl. 3 3 3. Que “a mencionada fatura apresenta a mesma maneira de descrição dos produtos quando comparada à fatura que ampara o despacho aqui analisado. Com isso, quer dizer que o formato do documento é idêntico ao verificado nas duas faturas no que se refere à ordem das colunas e abreviações, somente se diferenciando no campo relativo ao preço unitário, quando então se percebe que o mesmo foi dividido por 10. Assim, um preço unitário que em uma apresentase como 90, noutra, para o mesmo produto, temse o registro de 9”; 4. Que da “análise dos fatos surge a presunção de que tais mercadorias são negociadas por valor maior do que os que se apresentam para o fisco, visando assim diminuir a carga tributária incidente nas operações”; 5. Que, em pesquisa efetuada nos sistemas da RFB, a fatura proforma acima citada “tem número que guarda relação com a Declaração de Importação registrada pela Pelefilm em Junho de 2008”, na qual a fatura informada “tem o número 80.3201 e apresenta como mercadorias despachadas as mesmas quantidades e descrições observadas na proforma, com uma única diferença: o preço unitário e por consequente o preço total”, dividido por dez, que “como se nota e se comprova pelo acima exposto, esse é o modo de ação da empresas envolvidas na importação das mercadorias subfaturadas (sic)”; 6. Que, considerando as disposições da MP 215835/01, “temos o que se segue como arbitramento do preço a ser obedecido no despacho aqui analisado”; 7. Que a fatura “proforma obtida no estabelecimento do importador considerada base no tocante ao arbitramento dos preços que compõem a importação”, muito embora “nem todos os itens (descritos na declaração de importação objeto desta ação fiscal) tenham sido encontrados na proforma que embasou a valoração aqui desenvolvida”, tendo sido considerado o arbitramento para tais itens a mesma “forma que a própria empresa utilizou para reduzir o valor”, ou seja, por dez vezes o valor declarado; 8. Que, tendo o Impugnante trilhado “pelos caminhos já percorridos anteriormente em suas declarações de importações, qual seja: modificar os valores efetivamente apontados pelo exportador e efetivamente praticados na operação, intentando nada mais que a redução dos valores a serem recolhidos a título de tributos”, claro “está que ao reiterar tal conduta: divisão dos valores reais por 10 (dez) enseja a aplicação do agravamento da multa, na forma do art. 44, §1° da Lei 9.430/66, combinado com os artigos 71,72 e 73 da Lei 4.502/64 (sic)”; 9. Por fim, esclarece “que recebeu e analisou resposta elaborada pela interessada à Intimação n° 322/2008, resultando ao final na desconsideração das alegações ali existentes em função de tudo que aqui já consta evidenciando o conluio com o exportador, somado ao fato de que existe significativa diferença entre a assinatura aposta na fatura apresentada na Declaração de importação e a que foi submetida a certificação notarial no país do fabricante (sic)”, conforme cópia 1 que destacou. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela Impugnante são resumidamente as abaixo descritas (fls. 62 a 110). A) Que a empresa não admite nem tampouco reconhece ou aceita os valores arbitrariamente lançados no auto de infração; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 B) Que a autoridade autuante solicitou a realização de laudo técnico buscando identificar o custo da matéria prima e demais componentes do preço do produto para aferir sua compatibilidade com os valores declarados na fatura comercial, não tendo assim, porém, como configurar subfaturamento aos produtos, haja vista a vasta variedade de produtos similares no mercado, com características muito peculiares quanto a custo de produção, qualidade, durabilidade e modalidade de industrialização que direta ou indiretamente influenciam no preço final do produto; C) Que para descaracterizar o valor aduaneiro declarado pela Impugnante, a Autoridade Fiscal utilizouse de comparação com aqueles preços mencionados numa fatura proforma emitida pelo seu mesmo exportador, referida a possível negociação entre este e outra empresa, apenas localizada nas instalações da Impugnante, mas sem nenhum vínculo com despacho de importação da mesma; D) Que seriam estes os fatos que levaram a Autoridade Fiscal a concluir pela existência de conluio entre a Impugnante e o exportador, para fins de redução do valor aduaneiro na mesma proporção da relação de valores ali encontrados com aqueles declarados na declaração de importação objeto da ação fiscal; E) Que o cotejo analítico da situação leva a concluir pela ausência de pressuposto para fixação de novo valor aduaneiro pelo arbitramento, haja vista a inexistência de documento forjado ou adulterado (sic), mas de uma “constatação de uma diferença de preços em documentos distintos, que envolve empresas distintas cujos elementos indicativos dão conta da possibilidade de divergência entre os valores declarados”; F) Que para o arbitramento de novo valor aduaneiro assim como procedeu, fundado no art. 88, da MP 2.15835/2001, a Autoridade Fiscal deve, obrigatoriamente, provar a ocorrência do “conluio”, que por sua vez, não pode ser meramente presumido (sic); G) Que, antes do arbitramento do novo valor aduaneiro, fazse necessário obedecer rigorosamente os critérios sequencias dos métodos de apuração fixados no art. 88 da citada MP, sob pena de violação da forma prescrita em lei e prejuízos à ampla defesa e contraditório, maculando assim de completa nulidade o lançamento; H) Que o auto em questão não descreve qual das circunstâncias previstas no art. 88 foi violada para arbitramento do valor, e quais os critérios substitutivos e sequenciais foram descartados ou aplicados para alcançar o novo valor aduaneiro; I) Que a ocorrência de subfaturamento não pode ser presumida. Há de estar o fato satisfatório e concretamente comprovado, através da instauração do respectivo processo administrativo específico de valoração aduaneira; J) Que o arbitramento de novo valor aduaneiro deve ser precedido de motivação específica, decorrente da comprovação de fraude, sonegação, conluio ou descumprimento das condições previstas nas alíneas ‘a’ a ‘d’ do item 1, do art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira, pautado em dois procedimentos específicos: a descaracterização do valor de transação declarado pelo importador, mediante prova; e a determinação do correto valor aduaneiro, nos termos dos Decretos nº 92.930/86 e 1.355/94; K) Que eventual crédito tributário deve ser precedido da necessária instauração do EXAME CONCLUSIVO DO VALOR ADUANEIRO, condição “sine qua non” para a apuração de novo valor, procedimento não realizado no presente auto, tornando o lançamento de crédito insubsistente, por assim não atender a forma prescrita em lei; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.001157/200993 Acórdão n.º 3102003.176 S3C1T2 Fl. 4 5 L) Que à motivação do arbitramento não é suficiente a simples comparação de preços praticados no mercado por outras empresas, na forma prevista na Opinião Consultiva 2.1 da IN 17/98, e que sua apuração deve respeitar os princípios constitucionais e legais vigentes, conforme doutrina que destaca; Ao final, requer que seja reconhecida a improcedência do lançamento pelos motivos destacados, protestando pela juntada posterior de documentos que julgar necessários para o melhor esclarecimento do presente processo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/11/2008 PROVA INDICIÁRIA. JUÍZO DE INFERÊNCIA. Para que o juízo de inferência resulte em verdade convincente é necessário que a base indiciária, plenamente reconhecida mediante prova direta, seja constituída por uma pluralidade de indícios, interrelacionados, de modo a que se reforcem mutuamente, que não percam força creditória pela presença de outros possíveis contra indícios que neutralizem a sua eficácia probatória, e que a argumentação sobre que assente a conclusão probatória resulte inteiramente razoável em face de critérios lógicos do discernimento humano. VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBFATURAMENTO. VALOR DE TRANSAÇÃO PERFEITAMENTE IDENTIFICÁVEL Mesmo na constatação de uma das hipóteses previstas no caput do art. 88 da MP 2.15735/2001, encontrandose o valor da transação perfeitamente identificável por meios e provas próprios do processo, a metodologia de arbitramento prevista na citada disposição legal tornase dispensável, uma vez a possibilidade de exata apuração do valor real, na forma prevista em seu caput. IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. Aplicase a multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o novo preço apurado, na ocorrência de infração administrativa ao controle das importações, nos termos do artigo 88, parágrafo único da MP nº 2.15835, de 2001. VALORAÇÃO ADUANEIRA EM CASO DE FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. No caso de constatação de fraude em despacho aduaneiro, o valor aduaneiro é determinado para fins de cálculo do imposto e multas com base no que dispõe a MP nº 215835/2001, artigo 88, e IN SRF nº 327/2003, artigo 38. A multa de ofício é agravada para 150% na hipótese prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, nos termos do artigo 44, inciso I, combinado com § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação da Lei nº 11.488/2007. Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Acrescenta pedido de reconhecimento da prescrição intercorrente em face do tempo transcorrido até que fosse tomada a decisão de primeira instância. Também que o Acórdão recorrido "não se ateve ao disposto no art. 88 da MP nº 2.15835/2001, porque passou a considerar no caso em apreço que a 'infração de subfaturamento' restou caracterizada com base nas 'provas indiciárias', e desta feita, não haveria necessidade do arbitramento", razão pela qual, sempre segundo entende, o Acórdão defendeu a utilização da IN 327/03. Contudo, a IN 327/03 estabelece expressamente em quais circunstâncias deve o AuditorFiscal afastar o primeiro método de valoração, assim como define os critérios de emprego dos métodos substitutivos, o que não foi observado pela Fiscalização Federal no momento da autuação. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A instrução processual e os fatos narrados são de fácil assimilação. Tratase de acusação de subfaturamento1 do preço praticado na importação. A infração foi comprovada pela Fiscalização Federal com base em uma fatura proforma localizada no estabelecimento da autuada, mas emitida em nome de uma outra empresa, cujo quadro societário apresenta fortes vínculos familiares com o da Recorrente. A proforma continha estrutura e especificações muito semelhantes às da fatura que instruiu a declaração de importação revisada, só que com valores dez vezes superiores aos declarados. A defesa da Recorrente concentrase quase que exclusivamente na falta de observação do método preconizado na legislação de regência no caso de revisão do preço declarado pelo importador. O parágrafo que segue, último parágrafo do Recurso Voluntário antes do "Pedido", é elucidativo a respeito do ponto contra o qual a empresa se insurge. PORTANTO, no caso concreto, a "infração aduaneira" está sendo aplicada com base em presunção de que as mercadorias teriam sido negociadas junto ao Exportador, a preços superiores àqueles efetivamente praticados, porque teria sido encontrado uma ProForma, (sic), vinculada a uma outra empresa, cujos sócios teriam grau de parentesco com os sócios da empresa Recorrente, e desta feita, esta circunstância estaria amparando a aplicação direta da fixação do novo valor aduaneiro SEM QUE TAL PROCEDIMENTO FOSSE SUBMETIDO ÀS REGRAS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. E, no que se refere às regras da legislação para o procedimento de revisão do valor declarado, afirma. 18 Ainda que a Autoridade Aduaneira entendesse por desconsiderar os valores declarados pela empresa Recorrente, deveria proceder com a análise SUBSTITUTIVA E SEQUENCIAL DE TODOS OS MÉTODOS previstos na legislação, apresentando relatório pormenorizado dos motivos que conduziram a 1 Utilizo a designação genérica de subfaturamento do preço, ainda que se saiba que a infração por declarar, na importação, dolosamente, preço inferior ao praticado, ganhou, a partir de um determinado momento, outra tipificação. O fato, contudo, não traz qualquer consequência à solução da vertente lide. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.001157/200993 Acórdão n.º 3102003.176 S3C1T2 Fl. 5 7 descartar um método pelo anterior, sob pena de restar violada a forma prescrita em LEI, maculando todo o lançamento fiscal. Devo dizer que a linha de defesa apresentada pela Recorrente até dispõe de uma relativa consistência técnica na abordagem do assunto Valoração Aduaneira; contudo, como adiante se verá, incorre em dois importantes equívocos. Primeiro, não me parece que seja caso de se falar em arbitramento do preço. Segundo se depreende das informações contidas nos autos, a Fiscalização considerou que os valores efetivamente praticados foram aqueles identificados na fatura encontrada nas dependências do contribuinte. Tratarseia, assim, de aplicação do primeiro método de valoração O Valor da Transação. Mas mesmo que assim não fosse, o arbitramento do preço, como se sabe, é possível quando comprovado o intuito doloso. Observese, uma vez mais, a base legal que dá amparo a esse procedimento MP 2.15835/01 (com grifos acrescidos). Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. E que se diga que a legislação pátria está de acordo com o entendimento do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, de que não será exigido dos EstadosMembro a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira nos casos em que se constate a ocorrência de fraude (lato sensu), conforme Opiniões Consultivas a seguir transcritas. OPINIÃO CONSULTIVA 10.1 TRATAMENTO APLICÁVEL AOS DOCUMENTOS FRAUDULENTOS 1. O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e O parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Conseqüentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. (grifo meus) OPINIÃO CONSULTIVA 18.1 IMPLICAÇÃO DO ARTIGO 13 DO ACORDO O Artigo 13 não tem o propósito de alcançar os casos de infração à legislação aduaneira ou de fraude; nessas situações, o desembaraço das mercadorias ou a prestação de garantia, relacionada com multas ou outras penalidades estariam sujeitos às disposições da legislação nacional de regência." A falha na abordagem ocorre precisamente porque o contribuinte reclama a aplicação sequencial dos métodos de valoração aduaneira, partindo da premissa de que não houve fraude, sonegação ou conluio, esquecendose, contudo, que o que se está discutindo nos autos é exatamente isso. Ou seja, a premissa tomada como absolutamente verdadeira pelo contribuinte é justamente a controvérsia central da lide, qual seja, a comprovação ou não de sua máfé nos atos que praticou. De fato, a reclamação acerca da aplicação dos métodos sequenciais de valoração aduaneira só seria pertinente se o Fisco, mesmo considerando não ter ocorrido fraude, sonegação ou conluio, tivesse arbitrado o preço. Aí sim, teria cometido um grave erro de aplicação da legislação de regência, mas não é o caso. Basta observar que a multa por declaração inexata/falta de pagamento foi agravada para o percentual de 150%, o que só se admite no caso de da ocorrência de circunstâncias agravantes e estas, como se sabe, tem o elemento volitivo como uma condição essencial à sua materialização. Os valores consignados no auto de infração retratam o agravamento da multa. Por exemplo, valor do Imposto de Importação é de R$ 23.280,48, o valor da multa correspondente é de R$ 34.920,72. Isto posto, necessário que se examinem as provas de subfaturamento coligidas aos autos. Pra começar, fazse uma breve introdução da questão atinente ao ônus da prova. A comprovação do fato, com se sabe, é ônus de quem alega. A Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa nestes termos a responsabilidade pela instrução probatória. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.001157/200993 Acórdão n.º 3102003.176 S3C1T2 Fl. 6 9 No entanto, entendo que a relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, não se amolda tão bem a essa máxima, pelo menos não para o efeito que, por vezes, parece que se lhe pretende atribuir. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. De fato, nem mesmo se pode falar em constituição formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação contábil e fiscal o obriga a produzir e manter ou relate sua ocorrência em declaração prestada à autoridade fazendária. Por outro lado, a acusação de subfaturamento do preço não se confunde com os demais casos revisão do valor aduaneiro declarado, seja a revisão decorrente da rejeição do primeiro método, seja da recomposição da base de cálculo, com a inclusão de valores que, embora não integrem o preço, devem ser acrescentados à base de cálculo dos tributos aduaneiros. No subfaturamento, é preciso que seja provado que o preço ou valor praticado naquela operação não foi o informado pelo importador na declaração de importação. Ao contrário, a rejeição do primeiro método ou recomposição do valor requer apenas o enquadramento do fato nas condições definidas na legislação de regência como aptas a um desses dois procedimentos. No caso específico de subfaturamento, desnecessário dizer que a forma como está estruturada a relação fiscocontrbibuinte, no que se refere à obtenção de provas, não favorece a comprovação do ilícito. O contribuinte, por óbvio, não vai apresentar espontaneamente documentos que testemunhem negociação em valor superior ao informado. Também a contabilidade formal e os documentos correspondentes não conterão informações sobre a prática da irregularidade. Com efeito, será necessário que o Fisco obtenha as provas em procedimentos de exceção, tal como busca e apreensão no estabelecimento do contribuinte ou encontroos em situações peculiares, como durante a conferência física das mercadorias ou mesmo em diligência realizada nas dependências do contribuinte, que foi o que aconteceu no caso concreto. Contudo, não é sensato esperar que isso ocorra mais do que uma vez e nem mesmo que a Fiscalização localize sempre elementos exatos. No caso dos autos, a Fiscalização Federal, em procedimento de diligência realizada nas dependências da empresa autuada, encontrou uma fatura proforma com referência NF 80320, emitida por Nexfil CO. LTD, contra a empresa Pelefilm Comércio de Peliculas de Controle Solar Ltda, com preços dez vezes maiores que os declarados na Declaração de Importação em análise. Nexfil CO. LTD é o mesmo exportador das mercadorias objeto dos autos. Segundo consta no Relatório Fiscal, existem claros vínculos entre a autuada e a empresa Pelefilm. Transcrevo a seguir relato dos AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento a respeito do assunto. Existe ligação entre as empresas Casasign do Brasil Com. de Mat. Para Comunicação Ltda., Casafilm do Brasil Ltda e Pelefilm Comércio de películas de Controle Solar Ltda, visto que o quadro societário das mesmas conta com pessoas com laços de parentesco, como é o caso de Otilia Vieira Carneiro, sócia da última que é mãe de Rubens Vieira Carneiro e casada com Paulo César Rigotti, sócios da Fl. 215DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 primeira. Sendo ainda de se notar que todos os que compõem os quadros societários das empresas aqui mencionadas possuem o sobrenome Carneiro à exceção de Maria Auxiliadora Bezerra Alexandre, sócia da Casasign do Brasil. Por outro lado, o Fisco esclarece que a fatura proforma possui a mesma forma de descrição dos produtos que a fatura que amparou a importação revisada. O formato do documento, a ordem das colunas e abreviações são idênticas folhas 47 e 48. Em pesquisa realizada nos Sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, constatouse que, na Declaração de Importação 08/08459842, registrada pela Pelefilm no ano de 2008, foi informada a fatura nº 80.3201, quase idêntico ao número da Proforma 80320. A fatura da DI continha as mesmas mercadorias, nas mesmas quantidades e descrições da proforma, só que com o preço unitário dez vezes inferior. E, para concluir, os Auditores acrescentam que existe significativa diferença entre a assinatura aposta na fatura apresentada na Declaração de Importação e a que foi submetida a certificação notarial no pais do fabricante folha 43. É preciso que se diga que os fatos narrados pela Fiscalização são contundentes. Como dito alhures, dificilmente a infração por subfaturamento do preço na importação poderá ser comprovada com provas cabais e definitivas. Quase sempre, o que se coloca à disposição são elementos indiciários, que terminam por constituir um quadro que, quando observado, levanta a questão acerca da razão pela qual identifiquemse tão grande número de evidências, se não pelo exato motivo que é apontado pelo Fisco, qual seja, que as empresas de propriedade das pessoas arroladas tinham um modus operandi e praticavam deliberadamente o subfaturamento na importação. Fato é que, quando possível identificar determinada conduta do contribuinte, que, em sucessivas operações, revelase idêntica, não há como imaginar algo diferente, se não que a infração que ocorreu em outro momento, tornou a ocorrer neste, a menos que o acusado possa desconstituir essa lógica. A respeito das provas apresentadas pela Fiscalização, o Recurso Voluntário faz as seguintes considerações. 7 É importante mencionar, por oportuno, que o AuditorFiscal interrompeu o curso do despacho aduaneiro, solicitando a realização de LAUDO TÉCNICO buscando com isto, identificar o custo da matéria prima e demais componentes do produto para formar ou aferir o seu valor final, bem como, comparar a eventual compatibilidade ou não, com os valores declarados na Fatura Comercial. 8 Ocorre que, mesmo após o LAUDO TÉCNICO, não foi possível atribuir "subfaturamento" aos produtos importado, na medida em que há no mercado mundial uma vasta variedade de produtos similares, com características muito peculiares quanto ao custo de produção, qualidade, durabilidade e modalidades de industrialização, que direta ou indiretamente influenciam no preço final do produto. (...) 20 O cotejo analítico do v. Acórdão, nos leva a concluir pela ausência de pressuposto legal para prosperar a fixação do novo valor aduaneiro da forma como foi efetuado. Ressaltase, o Auto de Infração não está tratando, pois, de documento forjado ou adulterado, mas da 'constatação de uma diferença de preços em documentos distintos daqueles que envolve a empresa Recorrente, cujos Fl. 216DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15165.001157/200993 Acórdão n.º 3102003.176 S3C1T2 Fl. 7 11 elementos indicativos dão conta da possibilidade concreta de divergência entre os diversos valores praticados no mercado, conforme apurou o LAUDO TÉCNICO. Primeiro, que se diga que a autuação não se baseou e o processo não está instruído com nenhum laudo técnico. Toda a argumentação da Recorrente baseado no suposto Laudo tornase imprestável à demonstração do que pretende, a uma, porque não desconstitui os elementos e prova carreados pela Fiscalização, a respeito dos quais a empresa deveria terse ocupado. A duas, se não há Laudo algum nos autos, não há como comprovar a veracidade das informações prestadas. Segundo, ao contrário do que assevera, pelo menos as assinaturas apostas as faturas dão conta, sim, de documento forjado. E, de fato, o que se extrai dos fragmentos do Recurso Voluntário, acima transcritos, os únicos que falam do assunto provas, em nada explicam por que os preços declarados em 2008 por uma empresa gerida por pessoas muito próximas eram dez vezes menores do que os preços identificados em uma fatura proforma, praticamente com a mesma numeração, mesmos materiais, quantidades etc e por que esses preços aviltantemente inferiores são os mesmos preços praticados na operação objeto desta lide. A contestação do valor probante da robustez do quadro indiciário apresentado pela Fiscalização Federal, requer uma demonstração veemente de cada um de seus elementos constitutivos. Os parcos argumentos apresentados pelo contribuinte não me convencem de que os preços não foram efetivamente subfaturados. Finalmente, no que se refere à prescrição intercorrente, que se diga que trata se de matéria sumulada no âmbito deste Conselho. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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