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Numero do processo: 10280.903720/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITOS DA COFINS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve negado.
Numero da decisão: 3301-004.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO É do contribuinte o ônus de comprovar a legitimidade do crédito que alega deter. Dada a ausência de provas, o direito ao crédito deve negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 37 20 /2 01 2- 25 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10280.903720/201225 Acórdão n.º 3301004.952 S3C3T1 Fl. 61 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS não cumulativa exportação, no valor de R$ 408.927,68, referente ao 4º trimestre de 2005. Intimada (fls. 11/12) a transmitir os arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração acima indicado, a empresa não atendeu. Através do Despacho Decisório, fl. 13, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA indeferiu totalmente o pedido de ressarcimento, nos seguintes termos “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado.” Inconformada com a decisão, a empresa interessada apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 15/19, em 20/12/2012, alegando que: a) O Auditor Fiscal, em momento algum, afirma não existir o crédito pleiteado pela contribuinte, mas apenas limitouse a indeferir o pedido de restituição, sustentando que a contribuinte não entregou seus arquivos digitais, documentos indispensáveis para apuração do referido crédito. b) Em 03/10/2011 foi encaminhado ofício SEORT/DRF/BEL n. 7.162/2011 intimandoa apresentar por meio magnético, cópia das notas fiscais de entrada que originaram os direitos creditórios de PIS e COFINS nos anos de 2005 a 2010 e planilha em Excel com os direitos creditórios apurados mensalmente no período de 2005 a 2010. c) Impossibilitada de apresentar tais documentos de forma digital, a contribuinte procurou o Auditor Fiscal responsável à época, (...), que informou que deveria entregar as notas fiscais em cópias físicas, bastando acompanhálas de um CD com arquivo em Excel informando todas as notas entregues. Não trouxe provas. d) Diante disso, a intimação realizada por meio do ofício SEORT/DRF/BEL/n° 7.162/2011 foi integralmente cumprida, conforme pode ser observado por meio dos documentos ora anexados. e) Importante ressaltar que, o próprio Auditor Fiscal, (...) determinou em despacho de próprio punho que a empresa não tinha a necessidade de apresentar os documentos referentes a 2005 e 2006." A DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0129.120, de 29 de abril de 2014, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10280.903720/201225 Acórdão n.º 3301004.952 S3C3T1 Fl. 62 3 PEDIDO DE RESSARCIMENTO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS. INDEFERIMENTO. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros, elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, estão obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receitas Federal do Brasil, os respectivos dados eletrônicos. Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos no recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente protocolizou Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da COFINS do 4° trimestre de 2005. O PER foi indeferido (fl. 13), pois não atendeu à intimação (fls. 11/12) para apresentar os correspondentes arquivos previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, alterado pelo ADE Cofins nº 25/2010. Em ambas as peças de defesa, alegou que a DRF não afirmou que não existia o crédito, limitandose a negar o pedido, em razão da não apresentação de arquivos digitais. Adicionalmente, informou que compareceu à DRF, para comunicar que não tinha condições de apresentar tais documentos. Na ocasião, foi solicitado, alternativamente, que entregasse cópias das notas fiscais e CD, com arquivo em Excel, informando as notas fiscais entregues. É ônus do contribuinte comprovar o direito que alega deter (art. 373 do Código Processo Civil). Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10280.903720/201225 Acórdão n.º 3301004.952 S3C3T1 Fl. 63 4 E, como nos autos, não há qualquer documento que possa comprovar a existência e legitimidade dos créditos da COFINS pleiteados, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000809/2008-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER das preliminares de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Aílton Neves da Silva votou pelas conclusões relativamente às matérias decadência e cerceamento de defesa.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considera-se preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verifica-se a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitando-se a supressão de alguma destas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Matéria que não tenha sido indicada ao debate via impugnação ou manifestação de inconformidade, excetuada a de ordem pública, representa inovação recursal e considerase preclusa, não se admitindo apreciação em grau de recurso, nos termos do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72. Verificase a preclusão consumativa, com efeitos que incluem a preservação das instâncias do processo administrativo fiscal, evitandose a supressão de alguma destas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER das preliminares de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Aílton Neves da Silva votou pelas conclusões relativamente às matérias decadência e cerceamento de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 08 09 /2 00 8- 12 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 232 2 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) mediante o Acórdão n.º 0645.031, de 30/01/2014 (efls. 201 a 206). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo das seguintes declarações de compensação, com utilização de direito creditório oriundo de saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2002: . declaração de compensação em papel apresentada em 12/05/2003, relativa à compensação dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL dos meses de janeiro (R$ 2.884,22 e R$ 2.593,19, respectivamente), fevereiro (R$ 3.336,72 e R$ 2.881,11) e março/2003 (R$ 4.704,36 e R$ 3.567,73), com utilização da parcela de R$ 10.925,30 do crédito de saldo negativo de IRPJ (R$ 42.445,52) e da parcela de R$ 9.042,03 do saldo negativo de CSLL (R$ 38.365,48) do anocalendário de 2002. . PER/DCOMP nº 34754.96016.270906.1.7.036240 (fls. 6475), retificador do PER/DCOMP nº 09323.76981.160704.1.3.034220 (fls. 8082), relativo à compensação dos débitos de estimativa de CSLL dos meses de janeiro (R$ 2.593,19), fevereiro (R$ 2.881,11), março (R$ 3.567,73), abril (R$ 6.086,42), maio (R$ 3.934,40), junho (R$ 3.449,76), julho (R$ 4.059,37), agosto (R$ 3.622,30), setembro (R$ 4.267,41), outubro (R$ 5.419,36) e novembro/2003 (R$ 829,11), com utilização da parcela de R$ 34.908,39 do direito creditório de R$ 35.027,39 de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002. 2. A DRF/Lages por meio do Despacho Decisório DRF/LAG nº 115, de 8 de maio de 2008 (fls. 7678), não homologou a compensação declarada com crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 em face da impossibilidade de confirmação do direito creditório, porquanto, mesmo intimada, a contribuinte deixou Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 233 3 de informar como foram liquidadas as estimativas utilizadas na composição do crédito. 3. Regularmente cientificada por via postal em 12/05/2008 (fl. 65), a reclamante apresentou, em 06/06/2008, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 9198, instruída com os documentos de fls. 99180, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argui que optou pela tributação com base no lucro real e o lucro reajustado nos exercícios de 2001 a 2006 nunca ultrapassou 2% da receita bruta operacional; b) exemplifica o cálculo dos valores devidos por estimativas com base na receita bruta e acréscimos e em balanço ou balancete de suspensão ou redução; c) afirma que as estimativas de CSLL do anocalendário de 2002 foram devidamente contabilizadas, conforme cópia do livro Diário nº 16; que tais estimativas foram apuradas com base na receita bruta e acréscimos e tiveram seu valor compensado com exercícios anteriores; que complementase aos valores compensados que formam saldo negativo para o exercício de 2003 o valor de R$ 3.337,80 que é saldo remanescente e não compensado no exercício de 2002 originário de 2001, bem como correção pela taxa Selic que soma R$ 2.270,79, calculada no exercício de execução da compensação (2003); d) que não possui capacidade contributiva para pagar os débitos no montante de R$ 40.710,16, acrescidos de multa e juros de mora, cuja compensação não foi homologada; que não apresentou resposta à intimação para comprovação do crédito porquanto entendeu que a retificação da DIPJ seria suficiente para tal comprovação; e) aduz que diante da cópia dos livros da escrituração contábil e da DIPJ, não há como se negar a homologação de um direito creditório reconhecidamente legítimo da impugnante, sob pena de a União estar fazendo uma injustiça fiscal irreparável; que a Administração, além de guardar relação com os aparatos da lei, deve também se nortear pela responsabilidade que tem perante os contribuintes; f) agindo como no caso presente, sob o argumento de não existir créditos, torna no mínimo temerária a atuação fiscal, que deve sempre buscar o equilíbrio social, sob pena de transfigurarse em ente que tem apenas o fim de buscar vantagens econômicas, sem levar em conta os demais dados que norteiam a relação tributária; g) que o presente processo contou com praticamente quase cinco anos de trâmite, fato que acaba por criar um sério problema para a impugnante; por ineficiência e inoperância do Sistema Tributário, em especial da Receita Federal do Brasil, ficará sujeita a todos os encargos deste período, por uma inércia que não é sua; h) ao final requer a reforma do despacho decisório, para reconhecer o direito aos créditos citados, nos termos das razões apresentadas. [...] Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 234 4 Inconformado com a decisão da DRJ/CTA, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/03/2014, no qual, além de indicar no pedido, de forma geral, a reiteração das razões expostas na manifestação de inconformidade, alega, em síntese, a) ter havido decadência tributária, b) cerceamento de defesa, c) estar provada a liquidez e certeza do crédito alegado na PER/DCOMP, e d) ônus probatório da Fazenda Pública quanto à existência de quitação das parcelas utilizadas por ele para compensar seus débitos. Traz no corpo do recurso trechos de doutrina e jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, exceto quanto ao atendimento ao art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, como será visto. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal observandose efetiva sucumbência do contribuinte, o recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contrafluxo, existe fato extintivo relativo à preclusão consumativa que se operou quanto a matérias não apresentadas na primeira oportunidade, isto é, na manifestação de inconformidade e que foram trazidas pela primeira vez para discussão por ocasião do recurso voluntário, quais sejam, as alegações de decadência e de cerceamento de defesa. Tais matérias constituem inovação aposta no recurso voluntário. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 235 5 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. Antes de analisar as matérias devolvidas para reexame na segunda instância de julgamento, tem cabimento verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento. A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutadas. De modo geral, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. O recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. Com exceção da avaliação de uma ⃰objeção, por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento, em regra o efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As razões recursais que se fundarem em inovação à lide não se contrapõem aos termos previstos no ato de Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 236 6 deliberação que se pretende reformar, ficando evidente a violação princípio da dialeticidade 1, e caracterizada a supressão de instância. Na peça impugnatória, constam somente argumentos ligados à construção do Saldo Negativo apurado pelo contribuinte ao final do ano calendário 2002, aos registros contábeis correspondentes, e à capacidade contributiva do sujeito passivo. Diferentemente, na fase recursal foram apresentadas contestações pertinentes a decadência e a cerceamento do direito de defesa. Por esta razão, exceto as *objeções, não se toma conhecimento das demais questões alegadas pela primeira vez em sede de recurso voluntário, porque foram alcançadas pela preclusão. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estaríamos diante de evidente supressão de instância. O efeito translativo que permite ao juízo ad quem apreciar matérias de ordem pública deve ser dimensionado com prudência, a fim de que se evite a lesão prática à razoável duração do processo — e, simultaneamente, ao devido processo legal —, restringindose sua amplitude efetivamente aos recursos nos quais se possa constatar inegavelmente contextualizadas as matérias de ordem pública, não se prestando para, sem que haja qualquer evidência de existência destas, justificar e qualificar como obrigatória a apreciação de arrazoados e alegações sem conteúdo cujo caráter seja incontestável/inequívoco, aos quais a defesa pretenda atribuir interesse público, adstrito ao regular andamento processual, que ultrapasse o interesse das partes. Noutro ângulo, refutemse as críticas que se baseiam no entendimento de que o duplo grau de jurisdição é garantia inserida na Carta Constitucional, e seria desrespeitado caso não admitidas em recurso voluntário as alegações às quais sejam associadas matérias de ordem pública. Primeiro, é preciso dizer que tal condição não existe expressamente no texto constitucional, e a análise conjunta dos dispositivos constitucionais aponta para um previsão de duplo grau de jurisdição, e não para uma garantia taxativa. Segundo, tratase de comando dirigido ao Poder Judiciário, com impacto na organização judiciária e na elaboração de sua estrutura através de seus regimentos, não dirigido originalmente aos órgãos julgadores administrativos — embora não haja impeditivo para este fim. O duplo grau é de jurisdição. Terceiro, Havendo no processo administrativo tributário impugnação e recurso voluntário à disposição do contribuinte, fica configurada a oportunidade para que seja a defesa exercida em duas esferas decisórias. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor do Acórdão n.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como de precedentes desta Colenda 2.ª Turma 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 27, art. 37 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 237 7 Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos: Acórdãos n.ºs 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Logo, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário. Já suficiente e definida a razão de decidir na qual me amparo, acima, para não conhecer do recurso voluntário no tocante às arguições de decadência e cerceamento de defesa, com caráter meramente ilustrativo seguem considerações a respeito, ainda que pareça contraditório comentar tais considerações neste voto, uma vez que nos parágrafos anteriores já se demonstrou que as matérias não devem ser conhecidas, por preclusão. Explico: tratase de enfrentar com respeito e deferência o esforço argumentativo da defesa, repetindose, entretanto, que o fundamento deste voto, no tocante às argumentações de decadência e cerceamento de defesa, relacionase rigorosamente apenas com o que foi analisado até aqui, e atrelase à conclusão pelo não conhecimento desses temas. Ainda que conhecido fosse o recurso voluntário sob o aspecto de ter havido decadência tributária e cerceamento de defesa, não haveria razão a ser observada para sustentar a pretensão do recorrente. Vejamse as considerações a seguir, descritas nos itens 2.1 e 2.2 (subitem de 2.Preliminares). 2. Preliminares. 2.1. Decadência. De início, vale destacar alguns trechos do recurso voluntário, a seguir: [...] A exigência do suposto crédito tributário de CSLL, está relacionado com a compensação realizada no período de outubro, novembro e dezembro, oriundo de saldo negativo apurado no anocalendário de 2002, cuja cientificação só ocorreu em maio de 2008. (sic). No transcorrer da instrução processual, se demonstrou que o crédito tributário só foi constituído na data da cientificação do despacho administrativo que negou o direito a compensação, que ocorreu somente em maio de 2008. (sic). [...] Ora, se a autoridade fiscal, no exercício de seu mister, não homologa a atividade apuratória da compensação no prazo estabelecido (decurso de tempo) ato de lançamento forçoso é concluir que a partir daí oportuniza o advento do prazo decadencial, levando à extinção do crédito tributário, após o decurso do prazo estabelecido no artigo 150, §4° do CTN. [...] Excelências, esse argumento não se sustenta, pois a própria autoridade fiscal que reconhece que a origem da dívida está consignada nos lançamentos realizados livros fiscais e contábeis da empresa recorrente. Ora, se há lançamentos fiscais e contábeis, é porque as operações existiram e foram informadas ao fisco via DCTFs e submetidas a tributação em tempo e modo próprios. A contabilização dos encargos se constitui em fortes Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 238 8 indícios da idoneidade das operações, cuja contraprova o fisco tem em seus registros (vide sistema da RFB). Excelências, a verdade é uma só e não há como tergiversar: houve sim recolhimento de imposto, tanto é verdade que a autoridade fiscal reconhece a existência dos registros contábeis que apontam nessa direção. A afirmação do fisco se basta por si como nela se contém e declara. É a prova viva de que houve pagamento, aliás, realizado em perfeita sintonia com os lançamentos contábeis insertos nos Livros diário/razão. [...] Excelências, o que está sendo exigido não é o pagamento integral da CSLL devida nas operações tributárias, mas apenas e tão só as 'DIFERENÇAS' da contribuição apropriadas nas PER/DCOMPs, estas alcançadas pela decadência. [...] (grifei). Algumas observações são importantes: 1) O recorrente fala em "exigência de crédito tributário", contudo, o que é questionado nos autos é a existência ou não de direito creditório alegado em pedido de compensação. Direito creditório este que, se admitido, provada sua liquidez e certeza, se presta a compensar débitos já constituídos e confessados pelo recorrente nos próprios PER/DCOMP (incluídos os retificadores entregues nos anos calendário 2004 e 2006). A cientificação da decisão de 1.ª instância não constituiu crédito tributário algum — nem poderia, pois os débitos já estavam confessados e não há previsão legal para tal —, somente posicionouse pela não efetividade do direito creditório alegado. 2) Decadência tributária é a perda do direito de a Fazenda Pública lançar, não fazendo sentido algum falarse em decadência tributária com relação a débitos já confessados pelo contribuinte (PER/DCOMP retificador entregue em 27/09/2006), aptos a serem cobrados, não mais sujeitos a lançamento. 3) Em nenhum momento "a própria autoridade fiscal (...) reconhece que a origem da dívida está consignada nos lançamentos realizados livros fiscais e contábeis da empresa recorrente", como afirma o recorrente. O que o texto da decisão recorrida diz é que apesar de haver escrituração contábil referente às apropriações dos tributos, nenhuma comprovação da quitação destes foi apresentada, o que não permitiu atestar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Portanto, argumentar que "A afirmação do fisco (...) É a prova viva de que houve pagamento (...)" é incorrer em equívoco de fácil percepção: premissa falsa que conduz a conclusão ilógica. 4) Em linha parecida, no sentido da ausência de elemento probante capaz e da argumentação restrita à demonstração do desejo do recorrente acerca da suficiência de suas razões, seguemse os excertos contidos no recurso voluntário: "se há lançamentos fiscais e contábeis, é porque as operações existiram e foram informadas ao fisco via DCTFs e submetidas a tributação em tempo e modo próprios" e "cuja contraprova o fisco tem em seus registros". O registro contábil não dispensa a prova da existência do fato escriturado, e a intimação para apresentação da prova de quitação das estimativas só existiu por não haver nos sistemas da Receita Federal do Brasil os registros que a dispensariam, evidentemente. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 239 9 5) Ainda no campo das alegações sem amparo probatório, consta do recurso também a afirmação de que "houve sim recolhimento de imposto, tanto é verdade que a autoridade fiscal reconhece a existência dos registros contábeis (...)", o que já foi demonstrado sem conteúdo, itens acima. Não foi provado o recolhimento dos valores que integram o direito creditório pleiteado, ainda que tenha havido registro contábil das obrigações e pagamentos. 6) As "diferenças" que o recorrente entende alcançadas pela decadência tributária são débitos já confessados, para os quais não se faz mais necessária a constituição do crédito tributário, logo, não cabe mais falar em decadência do direito de lançar. O recorrente manobra a ideia de que o caso concreto submetese à regência do art. 150, § 4.º, do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172/66 – CTN). Nada mais equivocado, como se verá adiante. O texto do recurso voluntário trata a verificação acerca da existência ou não do seu direito creditório, pela RFB, como sendo revisão de lançamento, o qual se sujeita à homologação tácita disposta no § 4.º do art. 150 do CTN. O recorrente confunde o prazo para homologação da compensação, previsto no art. 74, § 5.º, da Lei n.º 9.430/96, com o prazo para homologação do lançamento de que trata o § 4.º do art. 150 do CTN. O prazo para homologação da compensação se inicia na data da entrega da declaração de compensação, original ou última retificadora. Transcorridos 5 anos dessa entrega, a compensação se dá de pleno direito, homologada tacitamente. Ou seja, o crédito tributário relativo ao tributo que era devido e que se pretendia quitar com crédito do contribuinte considerase, a partir daí, inexigível, extinto por compensação. Em nenhum momento o art. 74 da Lei n.º 9.430/96 veda a investigação da composição do direito creditório que o contribuinte pretenda usar para compensar seus débitos, ou lhe atribui submissão a qualquer prazo derrogatório. Muito ao contrário, dada a relevância da constatação da efetividade e da exatidão do crédito com o qual se pretende compensar débitos tributários, a lei privilegia as verificações necessárias para sua comprovação: Lei n.º 5.172/66 (CTN): (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) (grifei). Então se percebe que o exame da "construção" de um direito creditório alegado, seja ele consequência de saldo negativo ou de outro tipo, não importa revisão de lançamento efetuado. Particularmente no caso de saldo negativo, cabe, entre outras medidas, verificar o imposto devido durante o ano e as quitações correspondentes, para, com foco no final do ano calendário, identificar se houve ou não excesso de pagamentos/compensações em relação ao imposto devido. Até aqui não há o que falar a respeito de lançamento tributário ou de sua revisão. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 240 10 A atividade de auditoria dessa formação do crédito visa à confirmação da sua liquidez e certeza, não havendo entre os elementos sob exame algum que possa associarse ao instituto da homologação tácita regulado pelo art. 150, § 4.º, do CTN — voltado para o lançamento por homologação. O cenário muda somente em relação a possível inversão do saldo negativo apurado ao final do ano calendário sob análise: Se após os levantamentos apropriados resultasse imposto a pagar ao fim do ano calendário, em lugar do saldo negativo declarado em DIPJ, aí sim surgiria valor sujeito a lançamento, de ofício, sob o alcance do prazo para homologação tácita mencionado no art. 150, § 4.º, do CTN. Quanto à jurisprudência colacionada pelo recorrente, cabe apontar que todas, sem exceção, se referem a lançamentos por homologação, ao direito de constituir crédito tributário decorrente de revisão de lançamento, e ao prazo decadencial ligado a este tipo de lançamento (por homologação). Nada disso tem relação com o direito/dever de a administração tributária buscar a comprovação do direito creditório postulado em declaração de compensação, que é o caso concreto sob exame neste processo administrativo. Logo, se somente é possível compensar débitos tributários com créditos líquidos e certos, a averiguação dessa certeza e liquidez sofre limitação temporal apenas pela observação do art. 74, § 5.º, da Lei n.º 9.430/96, uma vez que decorridos os cinco anos a partir da data de entrega da declaração de compensação (PER/DCOMP original ou último retificador) não mais é possível ao Fisco verificar o crédito alegado, pois a compensação já teria sido homologada. O prazo decadencial a que se refere o § 4.º do art. 150 do CTN é dispositivo alienígena relativamente ao caso concreto tratado nestes autos. 2.2. Cerceamento de defesa. Como preliminar, a interessada argui também que fora impossibilitada de apresentar as provas de pagamento das estimativas porque teriam transcorrido sete anos entre o pedido de compensação e a decisão da DRJ/CTA. Acrescenta que teria solicitado à DRF em Lages/SC tais provas dos pagamentos efetuados, sem contundo, trazer qualquer comprovação de que ocorreram formalmente estes pedidos. Alega cerceamento de seu direito de defesa. Da análise dos autos verificase que na data de 14/11/2007 a interessada foi intimada a apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal a documentação comprobatória dos créditos a serem apropriados em procedimento de compensação. Tal situação evidencia a iniciativa da autoridade local no sentido de oferecer à interessada a oportunidade de apresentar documentos e provas relacionados à sua pretensão consubstanciada em Declaração de Compensação. É oportuno informar que a intimação diz respeito a dados contidos no PER/DCOMP n.º 34754.96016.270906.1.7.036240 (efls. 64 a 75), transmitido em 27/09/06, que retificou o PER/DCOMP n.º 09323.76981.160704.1.3.034220 (efls. 80 a 82), transmitido em 16/07/04 (que já havia retificado o Pedido de Compensação de efls. 2 e 3). Ou seja, no ano seguinte ao do envio eletrônico do PER/DCOMP retificador foi analisado o direito creditório pleiteado, mesmo sem que o contribuinte tivesse apresentado qualquer documentação solicitada na intimação que lhe fora entregue em 2007, o que, de fato, colaborou para a demora na análise, uma vez que o tempo anterior à decisão denegatória lhe franqueava o caráter tempestivo ainda para a entrega do que lhe fora pedido pelo Fisco no intento de que fosse comprovada a certeza e liquidez do crédito alegado, e fora desperdiçado na esfera deste objetivo. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 241 11 De outra parte, verificase que a decisão denegatória da compensação pretendida, às efls. 76 a 78, foi devidamente fundamentada, constando claramente os fundamentos de fato e de direito, bem como o enquadramento legal. A matéria, assim como o motivo para o não reconhecimento do direito creditório, estão identificados, não existindo portanto qualquer violação ao princípio do contraditório. A defesa interposta em 06/06/2008 (efls. 91 a 98) demonstra pleno conhecimento das razões da decisão denegatória. Notese que mesmo na peça de defesa de 06/06/2008 não foram trazidos aos autos os elementos de prova a respeito da quitação das estimativas que consubstanciariam o saldo negativo alegado. Concluise portanto, que os fatos que motivaram a autuação fiscal estão descritos na peça vestibular, e permitiram à impugnante uma farta e robusta defesa quanto às irregularidades a ela imputadas. A exposição das razões para negar as compensações pretendidas foi feita de modo a demonstrar com clareza os motivos em que se fundaram, e o enquadramento legal está apontado. A completude da peça impugnatória (manifestação de inconformidade), a qual busca elidir inequívoca e criteriosamente todos os pontos do Despacho Decisório, afasta de vez a possibilidade de ter havido prejuízo ao direito de defesa. A última PER/DCOMP retificadora foi transmitida em 2006, a intimação para apresentação de comprovação dos pagamentos das estimativas ocorreu em 2007, e o Despacho Decisório que não acolheu a compensação foi lavrado em 2008 (mesmo ano em que houve a manifestação de inconformidade), logo, o hiato de 7 anos bradado no recurso voluntário como elemento que caracterizaria responsabilização do próprio Fisco pela dificuldade do contribuinte em buscar as provas de que necessita, não existiu. Dado que somente a partir da ciência do Despacho Decisório é que se pode instaurar ou não o litígio entre fisco e contribuinte, inexiste cerceamento do direito de defesa quando, na fase de manifestação de inconformidade foi concedida oportunidade ao contribuinte de apresentar documentos e esclarecimentos. 3. Mérito. 3.1. Prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01/10/2002 a compensação passou a ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Os pedidos de compensação de que trata este processo encontramse em efls. 2 e 3, 64 a 75, e 80 a 82, e datam respectivamente de 12/05/03, 27/09/06 e 16/07/04. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13984.000809/200812 Acórdão n.º 1002000.380 S1C0T2 Fl. 242 12 A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IR ou a CSLL pagos como estimativas sobre as receitas brutas mensais. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os pagamentos ou quitações de outra espécie que efetuaram no anocalendário anterior. O pedido de compensação pressupõe que o contribuinte disponha do material que faça prova de seu direito creditório. Não se trata de imposição acusatória do Fisco contra a qual o pleiteante à compensação possa se defender alegando ausência de provas, pois estas são de produção obrigatória dele, indispensáveis para a determinação da certeza e liquidez do crédito alegado. E o que se vê no presente processo é que tais provas não foram apresentadas, embora tenha sido o recorrente oportunamente intimado para tal, e que, sequer foram juntadas às peças de defesa administrativa impetradas. Vale reiterar que cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações4. Por fim, deve restar consignado que a jurisprudência colacionada no recurso voluntário referese a contexto fático diverso do que se discute nestes autos, e que não se identifica com as decisões de observância obrigatória pelo CARF de que trata o § 2.º do art. 62, do Anexo II, da Potaria MF N.º 343/2015 (RICARF). Mencionese ainda o impedimento legal de apreciação pelas instâncias julgadoras administrativas da possibilidade ou não da capacidade contributiva/econômica do contribuinte para quitar os débitos que efetivamente confessou, dada a vinculação à lei a que se submete a atividade julgadora em sede administrativa. Por tudo analisado, voto por pelo conhecimento parcial do recurso, não conhecimento das prejudiciais de decadência e cerceamento de defesa, por preclusão, e, no mérito, pelo não provimento do recurso voluntário, posicionandome pela manutenção integral da decisão da DRJ/CTA. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º e art. 9º, § 3.º, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: § 1.º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000302/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. SÚMULA CARF Nº 99. MATERIA NÃO SUJEITA AO REEXAME NECESSÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. ARTIGO 27, INC. §6º, DA LEI Nº 10.522/02.
A súmula vinculante declara inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário e havendo pagamento, ainda que parcial, às contribuições previdenciárias aplica-se o prazo decadencial previsto no Art. 150, §4º do CTN. Outrossim, tal matéria não esta sujeita ao reexame necessário nos temos do artigo 27, inc. §6º, da Lei nº 10.522/02.
RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO
O lançamento pode ser revisto quando for constatada matéria de fato que altere a natureza quantitativa do crédito.
Numero da decisão: 2402-006.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso de ofício, para na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. SÚMULA CARF Nº 99. MATERIA NÃO SUJEITA AO REEXAME NECESSÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. ARTIGO 27, INC. §6º, DA LEI Nº 10.522/02. A súmula vinculante declara inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário e havendo pagamento, ainda que parcial, às contribuições previdenciárias aplicase o prazo decadencial previsto no Art. 150, §4º do CTN. Outrossim, tal matéria não esta sujeita ao reexame necessário nos temos do artigo 27, inc. §6º, da Lei nº 10.522/02. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO O lançamento pode ser revisto quando for constatada matéria de fato que altere a natureza quantitativa do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 03 02 /2 00 7- 47 Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 355 2 Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso de ofício, para na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Mario Pereira de Pinho Filho. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 356 3 Relatório Os autos são apresentados para julgamento de Recurso de Oficio interposto nos seguintes termos: Submetese a presente decisão à apreciação do Egrégio 2o Conselho de Contribuintes, por força de reexame necessário, em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada fixado na Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008, em conformidade com o art. 366, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado peto Decreto n° 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n° 6.224/2007. A decisão recorrida obteve o seguinte Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, NFLD DEBCAD 37.005.7350, ACORDAM os membros da 11 a Turma de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o LANÇAMENTO, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 1.455.192,34, consolidado em 25/10/2006, conforme o DADR Discriminativo Analítico de Débito Retificado de fls. 225/238, que será acrescido de multa e juros a serem calculados na época da liquidação do crédito. Consta dos autos manifestação expressa do Contribuinte GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA quanto a "desistência do manejo de qualquer recurso" conforme petição de folha nº 331, portanto a lide se limita ao julgamento do Recurso de Ofício. Com relação às matérias relacionadas ao Recurso de Oficio, a evidenciar o que vem a julgamento, transcreveremos a ementa do julgado, seguida da adoção do relatório da própria decisão recorrida. Vejamos: EMENTA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS. O PAGAMENTO DE PRÊMIOS INTEGRA O CONCEITO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida a contribuição sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, ainda que pagos na forma de crédito em cartão eletrônico, administrado por empresa interposta. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 357 4 Os prêmios pagos a título de produtividade ou esforço são parcelas de natureza retributiva e têm natureza jurídica salarial, compõem a remuneração e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 22, I e 28, I da Lei n° 8.212/91, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do § 9o do art. 28 da Lei 8.212./91 DECADÊNCIA PARCIAL. SÚMULA VINCULANTE A súmula vinculante declara inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5o do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O julgador do processo administrativo fiscal deve obedecer ao enunciado da súmula vinculante a partir da sua publicação, nos termos do art. 103A da CRFB/88 c/c art. 2o da Lei n° 11.417/06. SUPERVENIENCIA DE PARECER. O Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar n° 73/1993). PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando esta se mostra prescindível. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO O lançamento pode ser revisto quando for constatada matéria de fato que altere a natureza quantitativa do crédito. O Relatório da decisão Recorrida por sua vez estava assim lançado: "Trata o presente de crédito tributário de contribuições previdenciárias NFLD n° 37.005.7350, relativas à parte da empresa, parte devida pelos seguradosx(não objeto de retenção por parte da empresa), a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT e a Terceiros ( INCRA E SEBRAE) nas competências 01/1999, 03/199 a 01/2005, 03/2005 a 12/2005. O valor do presente lançamento é de R$ 3.004.870,99 (três milhões, quatro mil, oitocentos e setenta reais e noventa e nove centavos) que acrescido de multa e juros da o montante de R$ 5.853.235,14 (cinco milhões, oitocentos e cinquenta e três mil, duzentos e trinta e cinco reais e quatorze centavos), consolidado em 25/10/2006. • 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 88/90, o valor tributável foi apurado com base nos valores nominais das notas fiscais/faturas de serviços emitidas pela empresa Incentive House S/A ~CNPJ n° 00.416.126/000141, Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 358 5 constantes nos arquivos magnéticos entregues pelo contribuinte e extraídos da conta fornecedores, uma vez que embora notificada duas vezes, deixou de apresentar a documentação que deu origem aos lançamentos contábeis relativos a esta rubrica, que motivou a emissão do Auto de Infração n° 37.005.7260. , 3. Acrescenta que a base de cálculo do presente lançamento foi obtida com a aplicação de critérios matemáticos, multiplicando se os valores brutos das notas fiscais contabilizados por 100 e dividindose o produto por 109, uma vez que nas_notas fiscais apresentadas, que serviram de base de cálculo dos levantamentos FP1, FP2, FP3 e FP4 (lançados em outras NFLD) consta como comissão à contratada Incentive House o coeficiente de 9% sobre o valor das rubricas Top Prêmio, carga e recarga de cartões prêmio card, programa de estímulo à produtividade, postas nas citadas notas. 4. Informa que os fatos geradores dos tributos ora lançados foram os valores pagos aos segurados empregados através do cartão de premiação denominado TP (TOP PREMIO), Carga e recarga de cartões prêmio card, programa de estímulo à produtividade, nas modalidades de promoção de vendas, conclusão que se tira a partir das descrições contidas nas notas fiscais apresentadas, que deram origem aos levantamentos NFLD n° 37.005.7309 e 37.005.7317, extraídas do mesmo arquivo magnético da conta fornecedores. 5. Acrescenta que as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados foram aferidas pela alíquota mínima, uma vez que o sujeito passivo, embora devidamente intimado, não apresentou arquivos magnéticos que contivessem a relação de beneficiários, impossibilitando, assim, a apuração real. Foi emitido o Auto de Infração n° 37.005.7279, no código 35, por deixar de prestar informações. 6. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, a empresa efetua os recolhimentos referentes ao Salário Educação, SENAI e SESI diretamente aos órgãos pois possui convênios com os mesmos. . IMPUGNAÇÃO 7. Inconformada a Impugnante apresenta a defesa de fls. 115/119 e anexos de fls. 120/174, em 21/11/2006, alegando, em síntese: 7.1 Improcede em todos os seus termos a presente NFLD " ... por contrariar manifestamente não só a realidade dos fatos ocorridos, como igualmente ao próprio direito." 7.2 Esclareçase que a GLAXO WELLCOME S/A fundiuse com a SMITHKLINE BEECHAM LABORATÓRIO S/A, que havia incorporado a STTAFFORD MILLER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, que juntas deram origem à atual GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA. 7.3 As supramencionadas sucedidas mantinham contratos de Prestação de Serviço com a empresa INCENTIVE HOUSE S/A, Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 359 6 em cujas cláusulas estabeleciam que cabia a INCENTIVE HOUSE, sempre que solicitada, planejar, desenvolver e gerenciar programas de motivação e incentivo para aumento de produtividade, destinados a eventuais promoções e lançamentos de produtos, inclusive coordenar eventos e convenções. 7.4 Também cabia a Incentive House pagar qs prêmios indicados pela defendente para os _seus funcionários, ou para os próprios clientes que tivessem alcançado as metas de vendas previamente estabelecidas através dos bônus (TOP PREMIUM E TOP PREMIUM TRAVEL) e cartões eletrônicos (TOP PREMIUM ELETRONIC E FLEXCARD). 7.5 Em relação aqs^funcionários da defendente, tendo os mesmos alcançado as metas estipuladas em determinada campanha ou promoção, a INCENTIVE HOUSE fornecia um esporádico prêmio, cujo montante era igualmente reembolsado para a mesma pela defendente, acrescida da comissão contratual com a apresentação da respectiva fatura. As notas fiscais foram juntadas na impugnação apresentada no Auto de Infração n° 37.005.7287. 7.6 Ressalta que tais bônus e cartões eletrônicos adquiridos pela defendente não se destinavam tão somente a seus funcionários, mas também para premiar os clientes, pessoas jurídicas, compradores de seus produtos. Além disso, a empresa INCENTIVE HOUSE prestava outros serviços diversos, que não tinha a haver com o pagamento de prêmios, tais como organização e realização de convenções e reuniões, cujas despesas dos eventos, tais como stands, hotéis, aluguéis de salão, etc, eram custeadas por ela e posteriormente reembolsadas pela defendente, mediante a nota fiscal correspondente. 7.7 No entanto, em que pese tais circunstâncias, o Ilustre Sr. Fiscal não distinguiu entre as notas fiscais de serviços e faturas que arrolou na dita Planilha em apenso, considerando assim os valores de todas, indistintamente, como se pagamento de prêmios para os funcionários da defendente tivessem efetivamente sido. 7.8 De toda sorte, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciárias sobre qualquer um dos valores consignados nas referidas notas fiscais uma vez que não houve a ocorrência do fato gerador. Os eventuais prêmios pagos para os funcionários da defendente através da INCENTIVE HOUSE S/A tratamse de meras e irrelevantes bonificações esporádicas e incentivadoras não ajustadas, sem natureza salarial, constituindo, simples liberalidade patronal, inclusive poderiam ser pagos ou não. Foram instituídos liberalmente para recompensar a forma pela qual o trabalhador cumpriu as suas obrigações (já remuneradas pelo salário ajustado) e não como contraprestação habitual pelo trabalho executado. 7.9 Como se verifica das notas fiscais juntadas na citada defesa oferecida no Auto de Infração n° 37.005.7287, conexo a esta NFLD, apenas aquelas com os títulos TOP PREMIUM EQUIPE Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 360 7 ou EQUIPE VENDAS, ou então, PRODUTIVIDADE e INCENTIVOS, referemse efetivamente aos prêmios pagos pela defendente para os seus funcionários através da INCENTIVE HOUSE, cujos valores, no entanto, integrados também pela comissão paga a ultima, nem por ficção poderiam sofrer incidência da contribuição previdenciária. 7.10 Além do mais, as contribuições dos empregados, ainda que pela alíquota mínima, em hipótese alguma poderão ser agasalhadas, pois como se constata dos comprovantes juntados na defesa oferecida no AI já citado, todos já contribuem pelo teto máximo. 7.11 Espera que a defesa seja conhecida, por tempestiva, sendo no mérito acolhida de modo a ser tornada sem efeito por insubsistente a presente NFLD, mas se assim, eventualmente, não for adotado, que seja somente considerado na base de cálculo, as contribuições patronais e seus consectarios legais, limitada, no entanto, aos valores efetivamente pagos para os funcionários da defendente. 7.12 Protesta não só pela juntada posterior de documentos, ainda que nesta citados, como também o empréstimo daqueles já carreados nos Autos de Infração n° 37.005.7260, 37.005.7279, 37.005.7287 e nas NFLD's 37.005.7309, 37.005.7325, 37.005.7333, 37.005.7341 e 37.005.7350, além da produção da prova pericial. DILIGÊNCIA 8. Considerando os argumentos apresentados na defesa, bem como a documentação anexada nos autos do processo AI n° 37.005.7287, o presente foi encaminhado em diligência para apreciação do Auditor Fiscal notificante. 9. O Auditor Fiscal se pronuncia às fls. 189/214, onde presta as seguintes informações: 9.1 Dois dias após ter sido notificada, a empresa entregou, através do seu chefe de administração de pessoal, Sr. Marco Antonio Borges, um disquete contendo a relação das notas fiscais emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE S/A, cujos valores encontravamse rateados por centro de custos relacionados com os medicamentos de maior relevância em termos de sua participação na receita operacional. 9.2 A planilha a qual a defendente se refere no item 12 da defesa por ela impetrada, às fls. 117, foi extraída do disquete por ela apresentado, preparada com algumas alterações, tais como eliminação das colunas desnecessárias e marcação com um X nas notas fiscais que a fiscalização já havia tido acesso. As notas fiscais não marcadas foram objeto de termo de intimação para que o contribuinte as apresentassem, uma vez que, ao contrário do alegado pela impugnante, a contratada INCENTIVE HOUSE não entregou qualquer documento para dar suporte aos trabalhos realizados nas dependências da defendente. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 361 8 9.3 O contribuinte entregou à fiscalização aproximadamente 10 % do total de notas fiscais emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE, sendo a maioria delas referentes a pagamento de TOP PREMIUM, programa de estímulo à produtividade, carga e recarga de cartões Flexcard, as quais foram utilizadas como modelo para o restante das notas fiscais não apresentadas. 9.4 No mencionado disquete, bem como na conta fornecedores, as informações vieram desprovidas de históricos que permitissem identificar a natureza das operações. O contribuinte, apesar de intimado por duas vezes, nos dias 07/08/2006 e 16/10/2006, não apresentou as notas fiscais correspondentes, motivo pelo qual foi autuado através do AI n° 37.005.7260. Tal fato impossibilitou a fiscalização a proceder a separação das rubricas incluídas nos referidos documentos. 9.5 O fato gerador se concretizou com o pagamento das rubricas, as quais estão inseridas no rol das classificadas corno base de incidência de contribuições previdenciárias, para quitar transações que ocorreram sem interrupção. 9.6 As contribuições de segurados foram calculadas de forma indireta, aplicandose o percentual de 8%, porque a defendente deixou de apresentar a relação mensal com o nome dos funcionários beneficiados contendo também as remunerações de cada um deles, que serviriam de base para o cálculo das contribuições patronais e das respectivas retenções do INSS sobre folhas de salário. 9.7 Na defesa do AI n° 37.005.7287 a impugnante juntou cópias das folhas de pagamento e das GFIP, visando instruir esse auto e os demais. Contudo, de nada adiantou, porque o pagamento dos aludidos prêmios não constam nos referidos documentos e nem foram incluídos nas bases de cálculo das contribuições. 9.8 Juntou, também, cópias das notas fiscais emitidas pela contratada INCENTIVE HOUSE, através das quais foi possível identificar as rubricas legalmente classificadas como fato gerador das contribuições previdenciárias, possibilitando, assim, a exclusão das demais, o que acarretou uma significativa redução em cada um dos lançamentos. 9.9 Acrescenta que desde o início da ação fiscal o contribuinte vem sendo intimado a apresentar planilha com a relação dos beneficiados no pagamento das rubricas contendo os valores pagos bem como as remunerações por eles recebidas através das folhas de pagamento, o que possibilitaria identificar quem já recolhia sobre o teto máximo. Mesmo agora na diligência, a defendente foi intimada a apresentar tal relação, conforme TIAD's de fls. 128/131, e não o fez. Dessa forma, as contribuições relativas à parte dos segurados devem ser mantidas em 8% sobre o valor da base de cálculo ora retificada. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 362 9 9.10 As importâncias lançadas em algumas competências sofreram significativas reduções, acarretadas por três fatores a saber: a) escrituração das notas fiscais com base nas datas de pagamento, muitas vezes sem observar o regime de competência; b) exclusão das notas fiscais que não representam fatos geradores das contribuições e c) valores em duplicidade, na ocasião do rateio por centro de custo. 9.11 Foi elaborada nova planilha (fls. 192/213) com os valores originários e as alterações sofridas, esclarecendo que só foram mantidas as rubricas que sofrem incidência das contribuições, como TOP PREMIUM e Programa de Estímulo à Produtividade, já excluídos os 10% cobrados pela contratada a título de taxa de serviço. 10. A defendente foi intimada do resultado da diligência em 20/02/2009, conforme AR de fls.216 e apresentou as razões de fls.217/224. NOVA MANIFESTAÇÃO DA IMPUGNANTE 11. A Impugnante se manifesta apresentando as seguintes alegações: 11.1 A decisão do Sr. Fiscal autuante foi de compor as bases de cálculo apenas com as rubricas Top Prêmio, Programa de Estímulo à Produtividade, carga e recarga de cartões Flexcard , etc..., com expurgo exclusivamente das despesas correspondentes a taxa de serviço na base de 10% (dez por cento), cobrados pela empresa prestadora de serviços Incentive House. 11.2 A tese perfilhada na defesa foi acolhida, mas somente em parte, uma vez que exclui da base de cálculo unicamente a taxa de serviço cobrada pela Incentive House, deixando de serem consideradas as despesas comprovadas pelas cópias das notas fiscais juntadas no Auto de Infração 37.005.7287 e também lançadas no Livro Razão, referentes aos eventos promovidos pela defendente, tais como montagens de stands, hospedagens, aluguéis de salão, etc 11.2 Não se admite que o disquete traditado pelo Sr. Auditor, juntamente com as referidas centenas de notasfiscais apensadas ao outro AI já mencionado correspondessem apenas a 10% (dez por cento) do total delas. 11.3 Além dos elementos fornecidos pela defendente na ocasião da diligência para convencimento do Sr. Auditor também invoca se o Livro Razão igualmente lhe exibido, onde constam expressa e individualmente nas contas fornecedores os lançamentos de todas as notas fiscais das retroindicadas despesas com os eventos, da mesma forma que àquelas emitidas pela Incentive House, com a discriminação dos funcionários laureados com os prêmios. 11.4 Pelo exame do citado Livro Razão foi possível ao Sr. Auditor identificar os funcionários beneficiários dos prêmios, com inteiro êxito em confeccionar todos os Autos. 11.5 Considerando as informações prestadas nos itens 8 e 8.1 da diligência fiscal, indaga o que mais se tornava necessário juntar se aos autos além das cópias das folhas de pagamento, GFIP's e notas fiscais dos reembolsos de despesas e dos honorários para a Incentive House e para as demais prestadoras de serviço, o Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 363 10 Livro Razão lhe exibido, para identificar as rubricas que legalmente poderiam ser classificadas como fato gerador das contribuições. 11.6 "Na verdade, bastava, isto sim, que o ilustre Sr. Auditor Fiscal autuante procedesse ao real e necessário exame de tais abundantes e suficientes documentos, cuja diligência se impunha, a qual, também com toda certeza, traria nova e substancial redução em cada um dos lançamentos feitos. " 11.7 O fato é que o Auditor Fiscal não examinou, muito menos considerou os documentos juntados no Auto de Infração n° 37.005.7287 e nem o registrado no Livro Razão, como, aliás, a Impugnante protestou na defesa, falta que tornou a prestação administrativa incompleta e trouxe quebra aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa. Esses documentos são imprescindíveis e se examinados ensejariam novas e maiores exclusões das bases de cálculo. 11.8 Ressalta que houve contradição por parte do Auditor Fiscal, pois foi possível a ele confeccionar a planilha cuja cópia entregou para a defendente juntamente com o TIAD de 16/10/2006, onde relaciona fiel e integralmente todas as notas fiscais de serviço emitidas pela Incentive House e com base nelas e também nos demais documentos lhe fornecidos, inclusive o Livro Razão, lavrar os Autos de Infração de n° 37.005.7309, 37.005.7317, 37.005.7325, 37.005.7333, 37.005.7341. 11.9 Também foram juntadas na defesa do Auto de Infração 37.005.7287 as notas fiscais referentes aos gastos com as empresas: DE LUCA PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA, SET TV CINE PRODUÇÕES LTDA, MP PRODUÇÕES LTDA, BROADSIDE SERVIÇOS GRÁFICOS E EDITORA LTDA, ELEGANCE GRAFICA E SERIGRAFIA LTDA, FUHAN AUDIO, VÍDEO E PROJEÇÕES LTDA, MERCEARIA MEI JO LTDA, DIPLOMATA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA, as quais igualmente não foram levadas em conta para os efeitos de exclusão dos seus valores da base de cálculo, de modo a reduzir ainda mais os lançamentos inicialmente feitos. 11.10 Em vista da omissão e das próprias e injustificadas dificuldades criadas pelo Auditor reiterese a realização de perícia. Da exclusão da alíquota de 8% relativa a parte dos empregados 11.11 Cabe a exclusão nos lançamentos feitos da parte do empregado correspondente a 8% (oito por cento) mesmo que inindentificado, porque em nenhuma circunstância poderseá imputar o encargo à empresa. Da inexistência do prêmio e falta do imprescindível fato gerador 11.12 Repete a argumentação da defesa em relação à esta matéria. Do limite de contribuição 11.13 Todos os empregados já contribuem sobre o teto máximo, conforme se comprova pelas Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 364 11 folhas de pagamento juntadas no Auto de Infração n° 37.005.7287. Da penalidade arbitrariamente aplicada à empresa pela não exibição dos documentos solicitados 11.14 Contesta as autuações feitas pela fiscalização, AI n° 37.005.7260 e n° 37.005.7279, alegando que seria "bis in idem". 11.15 Repete, como conclusão, o requerido na impugnação, acrescentando que devem ser excluídas, em qualquer caso, as contribuições referentes aos empregados, de 8 %, não só por não ser de encargo deles, como o relevante, que todos comprovadamente já contribuem sobre o teto máximo." É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 365 12 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Tratase de Recurso de Ofício manejado, por força de reexame necessário, em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada fixado na Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008, em conformidade com o art. 366, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n° 6.224/2007. A lide originária trata de crédito tributário de contribuições previdenciárias NFLD n° 37.005.7350 relativas à parte da empresa, parte devida pelos segurados (não objeto de retenção por parte da empresa), a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT e a Terceiros (INCRA E SEBRAE) nas competências 01/1999, 03/199 a 01/2005, 03/2005 a 12/2005. O valor do presente lançamento é de R$ 3.004.870,99 (três milhões, quatro mil, oitocentos e setenta reais e noventa e nove centavos) que, acrescido de multa e juros, resulta no montante de R$ 5.853.235,14 (cinco milhões, oitocentos e cinquenta e três mil, duzentos e trinta e cinco reais e quatorze centavos), consolidado em 25/10/2006. A Decisão recorrida encontrase às fls. nº 296 a 317 tendo o colegiado acordado por dar parcial provimento ao recurso, no sentido de reconhecer, em razão da decadência, nos termos do art. 150 do CTN, a perda do direito de constituição dos créditos lançados sobre fatos geradores ocorridos no período de 01/1999 a 10/2001, mantendose, no entanto, o período remanescente, qual seja, 11/2001 a 12/2005. Em valores originais, os créditos anulados em razão da decadência, estavam assim lançados, conforme Discriminativo Sintético de Débito (Fls. 27/30): Competência Principal Juros Multa de mora Valor total jan/99 R$ 12.820,50 R$ 17.343,57 R$ 1.923,08 R$ 32.087,15 mar/99 R$ 6.899,20 R$ 8.941,36 R$ 1.034,88 R$ 16.875,44 abr/99 R$ 6.067,60 R$ 7.741,04 R$ 910,14 R$ 14.718,78 mai/99 R$ 13.922,09 R$ 17.529,30 R$ 2.088,31 R$ 33.539,70 jun/99 R$ 7.915,60 R$ 9.835,13 R$ 1.187,34 R$ 18.938,07 jul/99 R$ 6.837,60 R$ 8.388,37 R$ 1.025,64 R$ 16.251,61 ago/99 R$ 10.448,28 R$ 12.662,27 R$ 1.567,24 R$ 24.677,79 set/99 R$ 10.903,20 R$ 13.063,12 R$ 1.635,48 R$ 25.601,80 out/99 R$ 9.125,84 R$ 10.806,82 R$ 1.368,88 R$ 21.301,54 nov/99 R$ 18.634,00 R$ 21.768,24 R$ 5.590,20 R$ 45.992,44 dez/99 R$ 11.195,37 R$ 12.914,98 R$ 3.358,61 R$ 27.468,96 jan/00 R$ 16.903,70 R$ 19.255,00 R$ 5.071,11 R$ 41.229,81 fev/00 R$ 19.296,25 R$ 20.700,56 R$ 5.788,88 R$ 45.785,69 mar/00 R$ 6.252,72 R$ 6.950,52 R$ 1.875,82 R$ 15.079,06 abr/00 R$ 18,48 R$ 20,27 R$ 5,54 R$ 44,29 mai/00 R$ 5.005,00 R$ 5.419,41 R$ 1.501,50 R$ 11.925,91 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 366 13 jun/00 R$ 12.117,88 R$ 12.962,50 R$ 3.635,36 R$ 28.715,74 jul/00 R$ 42.388,95 R$ 44.745,78 R$ 12.716,69 R$ 99.851,42 ago/00 R$ 9.895,57 R$ 10.325,04 R$ 2.968,67 R$ 23.189,28 set/00 R$ 9.296,52 R$ 9.580,06 R$ 2.788,96 R$ 21.665,54 out/00 R$ 39.040,42 R$ 39.754,86 R$ 11.712,13 R$ 90.507,41 nov/00 R$ 26.144,68 R$ 26.309,39 R$ 7.843,40 R$ 60.297,47 dez/00 R$ 25.260,17 R$ 25.098,50 R$ 7.578,05 R$ 57.936,72 jan/01 R$ 24.307,15 R$ 23.903,65 R$ 7.292,15 R$ 55.502,95 fev/01 R$ 11.242,00 R$ 10.913,73 R$ 3.372,60 R$ 25.528,33 mar/01 R$ 35.793,41 R$ 34.322,30 R$ 10.738,02 R$ 80.853,73 abr/01 R$ 34.244,67 R$ 32.378,34 R$ 10.273,40 R$ 76.896,41 mai/01 R$ 29.778,07 R$ 27.776,98 R$ 8.933,42 R$ 66.488,47 jun/01 R$ 15.696,77 R$ 14.406,50 R$ 4.709,03 R$ 34.812,30 jul/01 R$ 128.099,24 R$ 115.519,89 R$ 38.429,77 R$ 282.048,90 ago/01 R$ 54.570,81 R$ 48.491,62 R$ 16.371,24 R$ 119.433,67 set/01 R$ 42.517,13 R$ 37.130,21 R$ 12.755,14 R$ 92.402,48 out/01 R$ 76.270,41 R$ 65.546,79 R$ 22.881,12 R$ 164.698,32 Total R$ 778.909,28 R$ 772.506,10 R$ 220.931,80 R$ 1.772.347,18 Assim, em razão da decadência, foram excluídos créditos no valor originário de R$ 778.909,28 que, somados aos encargos de multa, totalizam R$ 999.841,08. Quanto a parcela do crédito não alcançada pela decadência, em razão de documentos apresentados por ordem da impugnação, a própria fiscalização promoveu ajustes na base de cálculo adotada para realização do presente lançamento, excluindo aquilo que não se amoldava a hipótese de incidência legal adotada pela fiscalização (fls. 282/295). Em razão da retificação promovida pela própria autoridade lançadora em que promoveu a exclusão total de créditos verificados nas competências 02/1999 a 10/2001 e exclusão parcial, bem como majoração de alguns dos créditos relativos as competências 11/2001 a 12/2005. Em respeito ao princípio da reformatio in pejus, a decisão recorrida negou a possibilidade de majoração daquilo que já estava lançado e acatou a retificação promovida pela própria fiscalização, ficando o crédito retificado reduzido de R$ 3.004.870,99 para R$ 1,455.192,34. Postos os cálculos, verificase que o valor total do crédito referente a tributos e encargos de multa exonerados pela decisão recorrida foi de R$ 2.549.519,73, portanto superior ao limite de dispensa previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de Fevereiro de 2017, impondo o reexamente necessário, razão pela qual voto por conhecer do Recurso de Ofício. Consta dos autos manifestação expressa do Contribuinte GLAXOSMITHKLINE BRASIL LTDA quanto a "desistência do manejo de qualquer recurso" conforme petição de folha nº 331, portanto, a lide se limita ao julgamento do Recurso de Ofício. 1.2. DO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO A DECADÊNCIA. O crédito tributário foi constituído em 25/10/2006, com ciência do contribuinte em 07/11/2006, relativo aos fatos geradores do período de 01/1999 a 12/2005. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 367 14 A jurisprudência resta consolidada, de modo vinculante, quanto ao entendimento de que as normas relativas à prescrição e à decadência tributárias têm natureza de normas gerais de direito tributário, cuja disciplina é reservada a Lei Complementar, em alinhamento ao disposto tanto na Constituição pretérita (art. 18, § 1º, da CF/1967/1969) quanto sob a Constituição atual (art. 146, b, III, da CF/1988). Tal entendimento preserva a força normativa da Constituição ao determinar alinhamento sistêmico no tocante a prescrição, decadência, obrigação e crédito tributários, no sentido de prevalência da regra geral contida no Codex Tributário (Lei 5.172/1966), promulgado como Lei Ordinária e recepcionado como Lei Complementar pelas Constituições de 1967/1969 e 1988. Assim sendo, deixase de aplicar o prazo decadencial previsto na Lei 8.215/91 para adotar aquele disposto no CTN, em conformidade com o que dispõe a Súmula Vinculante STF nº 08, in verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. O CTN, por sua vez, no que tange a decadência, apresenta regramento quanto ao termo inicial de contagem de tal prazo em seus artigos 150, §4º ou 173, I. Em se tratando de lançamento apurado mediante a sistemática de homologação, não se conformando hipótese de sonegação, simulação, fraude e outros ilícitos, havendo pagamento, ainda que parcial, aplicase o disposto no Art. 150, §4º. Não havendo pagamento ou identificado ilícito, aplicase o disposto no Art. 173, I. Tal entendimento restou consolidado no âmbito do CARF de modo vinculante, conforme dispõe a Súmula CARF nº 99, in verbis: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No período objeto do lançamento, consta dos autos a existência de recolhimento parcial, restando conformada as condições de aplicação do Art. 150, §4º do CTN, levando a extinção os créditos lançados em decorrência de fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 01/1999 a 10/2001, mantendose, no entanto, o período remanescente, qual seja, 11/2001 a 12/2005. Para além do que fora exposto, tal matéria não sujeita a reexame necessário, nos termos do artigo 27, inc. §6º, da Lei nº 10.522/02, razão pela qual voto por não conhecer do Recurso de Oficio nesta parte. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11330.000302/200747 Acórdão n.º 2402006.524 S2C4T2 Fl. 368 15 2. MÉRITO. 2.1. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. O Dadr Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 282 a 292), registra que o Agente Fiscal, em decorrência de documentos juntados pelo contribuinte por ordem de sua impugnação, entendeu ser necessário excluir, no todo ou em parte, operações que, comprovadamente, não se amoldavam a hipótese de incidência que fundamentou o presente lançamento. A DRJ acatou parcialmente tal correção, porém, evitando a reforma em prejuízo, negou o aumento da base de cálculo em algumas competências, retificando os valores lançados ficando o crédito retificado reduzido de R$ 3.004.870,99 para R$ 1.455.192,34. Este relator não vislumbra qualquer hipótese apta a alterar o entendimento manifestado pela DRJ e pela própria fiscalização quanto aquilo que restou exonerado, portanto, neste ponto também voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. CONCLUSÃO. Por todo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso de Oficio para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Fl. 358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722915/2013-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-000.616
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 107 1 106 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.722915/201364 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.616 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente FRANCISCO MANGO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 29 15 /2 01 3- 64 Fl. 107DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 20.507,41, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2011. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão da inocorrência de dissolução da sociedade conjugal. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à manutenção do casamento e do convívio familiar inclusive sob o mesmo teto, em desacordo com a legislação, mesmo que o acordo tenha sido homologado em decisão judicial, nos termos que segue: Tratase de lançamento referente à infração de dedução indevida de pensão alimentícia. O contribuinte, em sua defesa, afirma que a pensão alimentícia é decorrente de ação de oferta de alimentos devidamente homologada pelo Poder Judiciário. Anexa aos autos acordo homologação judicialmente em ação de ofertas de alimentos, onde consta que pagará pensão a sua esposa e filhos no percentual de 72% de seus rendimentos. Também anexa aos autos demonstrativo de pagamento de salário contendo desconto de pensão alimentícia. O caput do art. 78 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) permite a dedução da importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, que não se configura no valor pago pelo contribuinte a sua esposa e filhos. Segundo o disposto na Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil, o casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges (art. 1.511), sendo que homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família (art. 1.565). Valendo, ainda em relação ao que dispõe a mencionada lei, ressaltar que, segundo o constante no art. 1566, são deveres de ambos os cônjuges: fidelidade recíproca; vida em comum; no domicílio conjugal; mútua assistência; sustento, guarda e educação dos filhos; respeito e consideração mútuos. E mais, a direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos (art. 1.567), sendo que os cônjuges são obrigados a concorrer, na proporção de seus bens e dos rendimentos do trabalho, para o sustento da família e Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10840.722915/201364 Acórdão n.º 2001000.616 S2C0T1 Fl. 108 3 a educação dos filhos, qualquer que seja o regime patrimonial (art. 1.568). Assim, percebese, diante das regras contidas na Constituição Federal, de 1988, bem como no Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), os dispositivos reforçam claramente os parâmetros matrizes dos deveres na sociedade conjugal em direção à coresponsabilidade, seja ela em relação ao próprio casal – mútua assistência, seja no tocante à prole – sustento e guarda dos filhos. A diretriz tributária leva em consideração, por vezes, o fato de a sociedade conjugal representar célula única, acabando por permitir mecanismos normativos envolvendo declaração em conjunto, relação de dependência e guarda de menores. Tal postura normativa vai justamente ao encontro dos preceitos aqui citados constantes da Constituição Federal e do Código Civil, em especial a que se refere à mútua assistência. De modo totalmente transverso, tal diretriz, no caso de dissolução da sociedade conjugal, encara tal fato como se fosse uma divisão da unidade da célula familiar, de forma a promover previsão normativa que envolve regramento inerente a tal fim, tanto para aquele que paga a pensão alimentícia, quanto ao que recebe. Nesse sentido, percebese presentes disposições normativas como a que trata da possibilidade de dedução da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública. E ainda, a que dispõe a respeito da pensão alimentícia recebida de pessoa física, determinando, neste caso, a tributação efetuada sob a forma de carnêleão recolhimento mensal obrigatório. (...) Diante dos fundamentos até aqui apresentados, entendese que, para fins da dedução da base de cálculo do IRPF, de que tratam os arts. 4º, inciso II, e 8º, inciso II, alínea “f”, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, e, tendo em vista o disciplinamento contido a Instrução Normativa nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, vigente à época, bem como na Solução de Consulta Interna vinculante acima transcrita, tratandose de sociedade conjugal, a dedução somente se aplica quando o provimento de alimentos a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia for decorrente da dissolução daquela sociedade que não restou comprovado no presente caso. Dessa forma, é de se concluir que pensão alimentícia paga dentro da sociedade conjugal, como no presente caso, não é passível de dedução na declaração de ajuste anual, devendo ser mantida a glosa. Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 109DF CARF MF 4 Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 20.507,41, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) No que pertine a dedução indevida de Pensão Alimentícia, veementemente enfocada no v. Acórdão (fls. 39/43), esta merece ser totalmente revista, uma vez eu é de conhecimento deste Órgão que o Recorrente paga pensão alimentícia, mensalmente, inclusive, esta é descontada diretamente pela sua Fonte Pagadora, consoante comprovado nos demonstrativos de pagamento, já inserido nos autos, bem como e principalmente o Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte, cujo documento ora se anexa (Doc. II); O r. Acórdão por sua vez insiste em rebater que: Diante dos fundamentos até aqui apresentados, entendese que, para fins da dedução da base de cálculo do IRPF, de que tratam os arts. 4º, inciso II, e 8º, inciso II, alínea “f”, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, e tendo em vista o disciplinamento contido a Instrução Normativa nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, vigente à época, bem como a Solução de Consulta Interna vinculante acima transcrita, tratandose de sociedade conjugal, a dedução somente se aplica quando o provimento de alimentos a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia for decorrente da dissolução daquela sociedade que não restou comprovado no presente caso. (sic) Insta ressaltar mais uma vez a legalidade no tocante a Ação de Oferta de Alimentos, visto que a mesma fora peticionada, atendendo ao preceito do Artigo 282, do Código de Processo Civil, assinada por profissional de direito, distribuída e homologada por autoridade competente, ou seja um Juiz de direito, portanto, da maneira mais transparente possível e dentro das Normas de Direito, inclusive com a determinação judicial para expedição de Ofício à Fonte Pagadora do mesmo (Doc. III); Assim, consoante demonstram os documentos acima citados, existe no caso em apreço uma decisão judicial, ou seja, um acordo homologado judicialmente, e não um acordo particular entre as partes consoante erroneamente declinado no respeitável Acórdão, sendo certo que a pensão ficou estipulada no montante de 72% dos rendimentos líquidos do Alimentante, sendo dividida em três partes, ou seja: para a esposa, Sra. ANDRÉA CARLA ROSSI MANGO, (36%) E para os filhos: RENAN ROSSI MANGO (18%) e ANDREI ROSSI MANGO (18%); Nesse diapasão, no caso em apreço, não existe qualquer deliberação pessoal, e sim determinação judicial, e o Ofício nº 2246/2003. Datado de 12/08/2003, não deixa qualquer dúvida a respeito do aqui tratado, lembrando ainda que, para pagar alimento não existe nenhuma regra que o casal deva estar separado para tal fim, viva ou não sob o mesmo teto. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10840.722915/201364 Acórdão n.º 2001000.616 S2C0T1 Fl. 109 5 (...) Observase que a Lei cuidou de estabelecer as despesas com instrução dos alimentos, quando arcadas pelo Alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitandose o limite anual individual correspondente. No mais, limitouse a determinar que estava tratando das pensões pagas em face das normas de Direito de Família e condicionar à existência de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial; Portanto, no caso, deve ser considerada a existência de acordo homologado judicialmente estabelecendo a obrigação do contribuinte de pagar alimentos à esposa e aos filhos, perfeitamente compatível com as normas do Direito de Família. A pensão foi paga por meio de desconto em folhas de pagamentos e, diferentemente do que entendeu a autoridade lançadora, não restou comprovado que o interessado pudesse se desobrigar de tal encargo, eis que, se a hospedagem aos alimentados é incontroversa, não o é o cumprimento simultâneo de sustento; Entretanto, o caso tem uma peculiaridade. Os pais efetivamente não entraram na justiça com uma ação de separação, de sorte que não há nenhuma determinação judicial acerca da guarda dos filhos, sendo ambos os pais responsáveis por eles; Desta forma, era facultado a qualquer um dos cônjuges incluir os filhos como dependentes no ajuste anual, consoante Lei nº 9.250, de 1995, artigo 35, Inciso III, § 2º e 3º a seguir transcrito; (...) No caso em apreço o Recorrente optou por elaborar as declarações de Imposto de Renda em separado, ou seja: os três beneficiários da citada Pensão Alimentícia, Sra. ANDREA CARLA ROSSI MANGO, RENAN ROSSI MANGO e ANDREI ROSSI MANGO, hoje em dia elaboram INDIVIDUALMENTE as suas Declarações d Renda, inclusive com recolhimento do Carnê Leão, sendo que na época era elaborada uma única declaração em nome do Recorrente, consoante comprova o documento ora anexado, o que por si só demonstra ser incabível a presente cobrança (Doc. IV/X); (...) Além do acima exaustivamente demonstrado, frisase nesta oportunidade que o Recorrente encaixase perfeitamente “nos casos raros” mencionados no acórdão, ou seja, pela profissão e cargo que exerce, possui um regime diferenciado de trabalho – Regime Especial de Trabalho Policial – destinados aos ocupantes dos cargos, funções, posto e graduações indicados na Lei nº 10.291, de 26 de novembro de 1968 e Lei Complementar nº 1.188, de 27 de novembro de 2012 (Doc. XII e XIII); Acompanhado o item precedente, o Recorrente tratase de um Oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, e trabalha à frente do Comando do 43º Batalhão, localizado na cidade e Comarca de Fl. 111DF CARF MF 6 Sertãozinho/SP, e é diuturnamente chamado em horas de folga, sábados, domingos, feriados e muitas vezes à noite deslocase para o local do ocorrido, tendo que permanecer até a solução do problema, sendo que muitas vezes priva o convívio familiar pelo profissional, tendo em vista a profissão que almejou, só este fato basta para que tenha alguém para cuidar e resolver o melhor para a família. Por derradeiro, cumpre esclarecer, que pelo acima amplamente demonstrado, tanto legal quanto documental, concluise que o demandado, nada deve a Receita Federal, consoante erroneamente inserido na exordial, vez que a pensão fora fixada em juízo, inclusive com expedição de Ofício a sua Empregadora, lembrando, ainda, que por se tratar de AÇÃO JUDICIAL somente o juiz da Vara que foi homologada a Ação, pode, se provocado, alterar tal situação; Finalmente, além do acima transcrito, referente a matéria sob judice anexase, neste oportunidade, dois documentos referentes à matéria aqui guerreada, os quais, igualmente, ampara o direito de ofertar alimentos e ter seus respectivos valores deduzidos, junto a Receita Federal (Doc. XIV e XV); Ante o exposto, restou sobejamente provada a INSUBSISTÊNCIA E IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO FISCAL, motivo pelo qual, aguardase o ACOLHIMENTO DO PRESENTE RECURSO para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado (Demonstrativo de Débito Intimação nº 155/2015 e cálculo de fls. 40), arquivandose os autos. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA A divergência no presente processo para decisão colegiada de segundo grau administrativo se refere à pensão alimentícia judicial paga a esposa e aos dois filhos do Recorrente, no anocalendário de 2011. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação fiscal restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do Contribuinte de ver enquadrada legalmente a pensão alimentícia como dedutível do imposto sobre a renda. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10840.722915/201364 Acórdão n.º 2001000.616 S2C0T1 Fl. 110 7 Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99. Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. Fl. 113DF CARF MF 8 Lei nº 5.478/68. Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que deixar a residência comum por motivo, que não necessitará declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, para comparecer à audiência de conciliação e julgamento destinada à fixação dos alimentos a que está obrigado. (grifei) A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor das pensões alimentícias da esposa e dos filhos do Recorrente em razão de seu procedimento estar em desacordo com a legislação que rege a matéria, considerando o disposto no art. 24 da Lei 5.478/68, especialmente no que se refere ao fato de o Recorrente não ter deixado a residência comum do casal, dando prosseguimento à vida conjugal e familiar. Salientese que o único dispositivo da legislação que desce ao detalhe da manutenção do convívio conjugal é exatamente o disposto no art. 24 da referida lei que trata especificamente sobre ação alimentar e dá as providências para o tratamento das questões pertinentes ao caso em debate. A análise do presente caso deve cercar o texto e a interpretação do que diz o art. 24 da Lei nº 5.478/68, até mesmo porque a iniciativa do Recorrente em propor o acordo para homologação judicial partiu da indicação desta referência legal para a fixação da pensão alimentícia aos, até então, classificados como dependentes do Contribuinte, pelo que se observa da propositura inicial ao Juiz, como segue: FRANCISCO MANGO NETO, brasileiro, casado, policial militar, portador do RG nº 10.406.506 SSP/SP e do CIC nº 054.105.06804, residente e domiciliado à Av. Gal. Álvaro de Góis Valeriani, 1021, Jd. Aeroporto, Porto Ferreira – SP, por seu advogado subscrito, vem respeitosamente à presença de V.Exa., com fundamento no artigo 24 e seguintes da Lei 5478/68, ajuizar a presente... AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. (grifei) Em sequência o Recorrente informa o status da condição matrimonial e diz da concordância dos cônjuges na iniciativa e nas condições definidas para a estipulação da pensão alimentícia, nos seguintes textos: Os requerentes FRANSCISCO MANGO NETO E ANDREA CARLA ROSSI MANGO, são casados pelo regime de comunhão parcial de bens, desde, conforme se demonstra pela inclusa certidão de casamento em anexo, o casal possui dois filhos, já qualificados acima. Nesta oportunidade, concordando com os termos da oferta proposta nesta ação a requerente ANDREA CARLA ROSSI MANGO, por si e representando seus filhos menores impúberes, assina a presente petição pugnando em conjunto com o requerente FRANCISCO MANGO NETO pela homologação do acordo firmado. Ao final da petição consta um item que dá caráter temporário, sem data fim, ao acordo da oferta de alimentos, bastando para seu término apenas uma comunicação unilateral do varão do lar do casal, para sua exoneração, segundo se interpreta, sem sequer demandar da manifestação judicial para tanto, nos seguintes termos: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10840.722915/201364 Acórdão n.º 2001000.616 S2C0T1 Fl. 111 9 As partes acordam ainda que, cessados os motivos do afastamento do cônjuge varão do lar do casal, cessam os alimentos, bastando apenas uma comunicação unilateral para sua exoneração. Quando da homologação judicial o despacho do Juiz fez constar no ofício à fonte pagadora que a cessação do acordo para efeito de descontos, farseia mediante petição conjunta dos cônjuges, diretamente a unidade pagadora, confirmando o caráter excepcional e temporário da vontade do Recorrente em fazer com que o crédito do valor acordado fosse diretamente para a conta corrente da esposa, denominandoo de pensão alimentícia, embora a eventualidade das características do caso. DESPACHO DO JUIZ Consigne no ofício que a cessação dos descontos das pensões alimentícias se fará mediante petição conjunta subscrita por ambos Requerentes. Resta evidente o caráter temporário por motivos de afastamentos do varão, seja em razão de cursos em outra localidade como por motivo de deslocamentos motivados pelas peculiaridades de seu trabalho. Contudo, a petição de homologação de acordo judicial para pagamento do que denominou de pensão alimentícia foi formalizada com base no art. 24, da Lei nº 5.478/68, cujos termos define como pressuposto a condição de afastamento do lar, o que se entende razoável, por motivos de rompimento de convivência, do contrário, motivo não há para a separação de recursos destinados a manutenção das necessidades familiares por via judicial. É de se ter claro que o oferecimento de pensão alimentícia ou sua determinação por decisão judicial tem como pressuposto o sustendo de parte da família em razão de rompimento do convívio no lar, e em princípio sob o mesmo teto. O distanciamento dos cônjuges fazse elemento motivador para a separação de recursos administrados na manutenção das despesas domésticas. Ao contrário, se ambos vivem juntos desnecessário o divisionismo financeiro e muito menos por decisão judicial. Se conflito de convivência sob o mesmo teto não há, motivo não também não existe para a procura de mediador judicial para definição de quantitativo financeiro sob administração de um ou outro cônjuge. Inconfundível a classificação denominada “obrigação de prestação alimentar” com os “deveres familiares de sustento da família”. Estes não cessam enquanto persistir a instituição do casamento ou união conjugal. De outro lado a pensão alimentícia só nasce quando o conflito conjugal se estabelece e o convívio familiar fica dificultado pela ausência de um ou de outro de forma a impossibilitar a administração conjunta das necessidades de sustento familiar. Assim que, o genitor que deixar de conviver com seus dependentes deve fornecer as condições financeiras para seus sustentos na forma de prestação de alimentos, a fim de garantirlhes a subsistência, nas condições antes oferecidas como provedor do sustento familiar. Fato que não corresponde a realidade deste caso vez que a convivência familiar sob o mesmo teto ficou mantida conforme admitido pelo Contribuinte ao longo de sua defesa recursal. O Recorrente manteve a sociedade conjugal e distribuiu generosamente a sua renda de forma que para a esposa caberia 36% e 18% para cada um dos dois filhos, de forma que lhe restasse 28% de seu rendimento líquido. Na verdade sua renda ficou dividida Fl. 115DF CARF MF 10 em quatro partes e assim oferecida à tributação, de forma favorecida, de vez que submetida à incidência mas observado o limite de isenção individual e/ou escalonamento de alíquotas em razão do partilhamento remuneratório, visto que para cada um foi apresentado uma declaração individualizada por dependente e, na sua declaração a dedução como pensão alimentícia do total de 72% de seus rendimentos. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou propositura ao judiciário para o pagamento de pensão alimentícia aos seus dependentes com base no disposto no art. 24 da Lei nº 5.478/68 e, não tendo satisfeito as condições para utilização daquele dispositivo, especialmente porque o Contribuinte não deixou o lar e o convívio familiar, e ainda porque afastamentos temporários não se enquadram em tal hipótese, motivos que o impede da utilização do benefício da dedução do imposto por prestação de alimentos nos termos da legislação pertinente. Ressaltese que os dependentes mantiveram essa condição, expresso inclusive nos termos da defesa recursal, embora a formalização de individualização mediante apresentação de DAA em separado da esposa e filhos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendose o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901245/2013-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 45 /2 01 3- 89 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10073.901245/201389 Acórdão n.º 1301003.337 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10073.901245/201389 Acórdão n.º 1301003.337 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.326, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10073.901241/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/08/2011. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente ao período de apuração de 30/09/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.326): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10073.901245/201389 Acórdão n.º 1301003.337 S1C3T1 Fl. 5 4 O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10073.901245/201389 Acórdão n.º 1301003.337 S1C3T1 Fl. 6 5 pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.914517/2016-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
DIREITO CREDITÓRIO - COMPENSAÇÃO - PROVA
O direito creditório somente pode ser reconhecido se devidamente comprovado pelo contribuinte a origem de seu direito através de documentação hábil e suficiente.
Numero da decisão: 1401-002.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 45 17 /2 01 6- 51 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10480.914517/201651 Acórdão n.º 1401002.801 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2013, no valor de R$ 31.410,31, transmitida através do PER/Dcomp nº 10950.10388.200716.1.3.043750. A DRF Recife não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico [...], já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado [...], o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade [...]para alegar que o crédito teria origem no recolhimento a maior de CSLL, incidente em 06/2013. Juntou recibos de entrega da DCTF e DIPJ do anocalendário 2013, bem como do envio da ECD e ECF retificadas, cópia do DARF recolhido em 31/07/2013, cópia do balanço dos meses 12/2013, 12/2014 e 06/2015 e planilha de apuração do IRPJ e da CSLL. Quando do julgamento da DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/06/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão da DRJ, interpôs a recorrente, o competente recurso voluntário, repetindo as mesmas razões de sua manifestação de inconformidade. É o relatório do essencial. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10480.914517/201651 Acórdão n.º 1401002.801 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.797, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.914513/2016 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.797): "O recurso é tempestivo e dele conheço. Tendo em vista que as razões são as mesmas expostas na impugnação, invoco o Regimento Interno desse Conselho art. 57, § 3 e transcrevo a decisão de primeira instância: O contribuinte se insurge contra a não homologação de compensação e alega que o crédito teria origem em recolhimento a maior de CSLL. Na DCTF entregue em 20/08/2013, original e ainda ativa, pois foi a única entregue no período, o débito de CSLL foi declarado no mesmo valor que o pagamento, R$ 215.547,35, motivo pelo qual não foi encontrado saldo disponível para compensação. O contribuinte não retificou a DCTF e o único documento apresentado para demonstrar a suposta existência do crédito é a planilha constante à fl. 37, a qual só teria valor probatório se acompanhada da documentação contábil e fiscal. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Assim, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10480.914517/201651 Acórdão n.º 1401002.801 S1C4T1 Fl. 5 4 No presente, o interessado limitouse a alegar que teria recolhido tributo a maior, sem apresentar documentação comprobatória que lastreasse tal argumento. Resta impedida, portanto, a análise da liquidez e certeza do crédito. Mesmo tendo sido juntado novamente documentação que teoricamente seria capaz de comprovar o alegado crédito, não restou demonstrado o direito do recorrente. Ante o exposto, por falta de comprovação do direito creditório, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.903338/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.637
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, comprovação esta que é ônus do contribuinte, sendo incabível a transferência da responsabilidade ao Fisco. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
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Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 38 /2 01 2- 45 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, insurgiuse contra o caráter confiscatório da multa exigida, bem como contra a taxa Selic. A Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 10 048.991. Cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, a impugnante ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que: ü A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento; ü A decisão elaborada não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que, como visto, carente de fundamentação; ü Não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte; ü Pelo exposto, resta claro o prejuízo aos direitos da Contribuinte ao exercício de sua defesa, vez que impossibilitada de defenderse da forma apregoada no Texto Magno. Neste contexto, não pairam quaisquer dúvidas quanto ao direito dos administrados à ampla defesa Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 4 3 no processo administrativo, sendo este verdadeiro critério de validação dos atos e processos administrativos; ü A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova; ü O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei ou melhor, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte; ü A inaplicabilidade da TAXA SELIC aos supostos débitos como juros de mora e a limitação dos juros de mora dada pelo código tributário nacional; ü A possibilidade do enfrentamento pelo tribunal administrativo do argumento de inconstitucionalidade de norma legal. DO PEDIDO Pelo exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a consequente reforma do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.615, de 23 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.903279/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.615): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA foi cientificada Acórdão n° 1049.299, em 15/04/2014, via Aviso de Recebimento, às folhas 76 do processo digital. A empresa MECÂNICA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/05/2014, às folhas 78 do processo digital. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos; A decisão elaborada é carente de fundamentação; Ausência der diligência por parte da Fiscalização; A inexistência de crédito e o ônus da prova; O valor lançado a título de multa fere o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; A inaplicabilidade da TAXA SELIC; O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. Das preliminares. Não respeito aos princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos É alegado às folhas 03 do Recurso Voluntário: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 6 5 A Decisão ora atacada deve ser de plano anulada por esta Colenda Câmara, uma vez que não respeitou os mais basilares princípios administrativos e constitucionais que norteiam os Atos Administrativos, pois ainda que levantados tais pontos na manifestação, os mesmos não foram devidamente apreciados, razão pela qual se impõe sejam eles devidamente analisados nesta instância de julgamento. Assim, de forma mais pormenorizada, passaremos em seguida a expor que a decisão que não homologou as compensações pretendidas pela ora Recorrente deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios também constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. Sem razão a Recorrente. O Acórdão n° 1049.299, ora guerreado, de pronto explicita o motivo pelo qual a Administração não homologou a compensação: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, a fiscalização aponta um fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Reafirmando a própria argumentação do Voto exarado no Acórdão n° 1049.299, a fundamentação fática a pouco transcrita explicita o indeferimento do pleito, não necessitando de esclarecimento adicional, uma vez que os controles de conta corrente exercido pela autoridade administrativa indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível pela interessada. De outra sorte, a Recorrente não explicita o porquê que os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal foram desrespeitados. Assim sendo, por ora, tomase essa argumentação como mera retórica. A decisão elaborada é carente de fundamentação. É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: Ora, Nobres Julgadores, como pode afirmar a Fiscalização que é inexistente o crédito que a Contribuinte pretende compensar se sequer possui meios de determinar qual seria a natureza deste crédito e sua origem??? Ademais, em atenção ao princípio processual administrativo da verdade material, o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, bem como seu fundamento de validade. Isto porque não pode a Administração ‘presumir’ a inexistência de crédito e de plano não homologar as compensações declaradas pela Contribuinte. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 7 6 Todavia, este foi o nefasto procedimento da Administração que, desta maneira, emitiu decisão desprovida da necessária fundamentação que deve conter o Ato Administrativo. Digase ainda que a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. A argumentação esposada não guarda sintonia com o texto do Acórdão n° 1049.299, a começar pela motivação presente no Voto do Acórdão n° 10 49.299: os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. Portanto, o Acórdão n° 1049.299 contém uma fundamentação explicita que inaugura o próprio voto. No mais, depreendese da própria fundamentação transcrita que os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Quanto à alegação de que o procedimento correto da Fiscalização, no caso em tela, seria intimar a Contribuinte para que prestasse informações sobre qual a origem do crédito postulado, digase, em tempo, que esse é o propósito tanto da Manifestação de Inconformidade como do próprio Recurso Voluntário e em ambos os casos a empresa MECÂNICA COMERCIAL se limitou a se valer de retórica, sem trazer fatos concretos que suportassem sua argumentação e/ou desabonassem a fundamentação trazida no Voto do Acórdão n° 1049.299. Em tempo, há que se diga, que o Voto do Acórdão n° 1049.299 já faz essa advertência ao então impugnante, empresa MECÂNICA COMERCIAL, ao citar e transcrever os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. Ausência de diligência por parte da Fiscalização. É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Frisase novamente que não houve qualquer diligência por parte da Fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado, sendo seu proceder tão somente na injustificada negativa do crédito pretendido e na retórica imposição do ônus da prova do crédito à Contribuinte. Desta maneira, resta prejudicado o contraditório administrativo e, consequentemente, o devido processo legal e, ainda, a ampla e irrestrita defesa da Contribuinte. A decisão da DRJ deveria exprimir o entendimento Fiscal quanto ao crédito postulado pelo Contribuinte, deixando claro qual o Juízo de Valor utilizado para sua não aceitação. Não houve qualquer diligência nesse sentido, porque a Delegacia Regional de Julgamento se convenceu da existência de fato preciso, certo e determinado que fulmina as pretensões da então impugnante. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 8 7 E como o Recurso Voluntário é árido em trazer elementos de prova que desabonem esse entendimento, não se percebe a necessidade de qualquer diligência, tomando essa demanda como uma tentativa de procrastinar o presente processo. Do mérito. A inexistência de crédito e o ônus da prova É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: A decisão recorrida, como visto, teve como fundamento a inexistência de crédito, porquanto o ônus da prova, quanto ao crédito, seria da Contribuinte. Nada mais equivocado, uma vez que, como veremos, o processo administrativo pautase pela verdade material ou verdade real, não havendo espaço para presunções legais ou mesmo de ‘verdades’ processuais decorrentes de eventual distribuição do ônus da prova. Neste sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil, invocado pelo Juízo administrativo a quo, é manifestamente inaplicável ao procedimento administrativo. A comprovação dos fatos é o próprio objeto do processo administrativo, não havendo que se distribuir o ônus probatório entre as partes. (Negrito próprio) Como já mencionado em questão enfrentada alhures: os créditos apontados pela empresa MECÂNICA COMERCIAL existem! Tanto é que já se encontram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, e por esse motivo não se prestam a atender a pretensão pleiteada. Por esse motivo, não paira para a fiscalização qualquer dúvida quanto à existência, qualidade, valor e destinação do crédito, não havendo motivos para a realização de diligência. Quanto à solicitação de perícia, o artigo 36 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim explicita: Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 9 8 complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. A Lei 9.874 que se aplica subsidiariamente ao Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, assim dispõe: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A relevância do fato é caracterizada por haver correspondência entre este e a situação enfocada no processo, bem como por seu reconhecimento desencadear efeitos jurídicos peculiares. A pertinência, por sua, vez, diz respeito ao relacionamento entre o fato e a lide instalada. O mesmo se pode dizer da concludência, entendida como a possibilidade de conduzir o julgador à conclusão acerca dos fatos discorridos no processo. Fato concludente, nessa concepção, não significa o enunciado que, por si só, seja suficiente para formar a convicção do julgador, mas todo fato que, ao lado de outros, possa atuar como argumento para a procedência ou improcedência da demanda, em nada se distinguindo do chamado fato pertinente. Considerado fato inconcludente aquele que leva ao convencimento da ocorrência ou inocorrência de situações não envolvidas na discussão processual (fato impertinente), sua prova seria totalmente inócua. Nesse ponto, notase o intrínseco relacionamento entre os requisitos do fato susceptível de ser objeto de prova e a função que a prova assume no sistema jurídico: sendo destinada ao convencimento do julgador, só tem cabimento a realização de enunciação probatória relativa a fatos que possam levar a essa persuasão. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Das penalidades. Da arguição de confisco e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 10 9 Quanto ao princípio do nãoconfisco, e por conseguinte o princípio da razoabilidade – proporcionalidade, agasalhase o entendimento o de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se podendo dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. A inaplicabilidade da TAXA SELIC Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 11 10 Todavia, ainda que nos fosse possível enveredar por tais caminhos, cumpririanos lembrar que a jurisprudência do STJ já há muito se consolidou no sentido da legitimidade da aplicação da SELIC nos créditos tributários, como é possível depreender dos julgados abaixo: AgRg no Ag 932732 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 18/12/2008: “1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade.(...)” REsp 1028724 PRIMEIRA TURMA – Julgado em 06/05/2008: “(...) 10. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários.(...)” REsp 1086308 SEGUNDA TURMA – Julgado em 09/12/2008: “(...) 2. É legítima a utilização da taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(...)” Diante da mais recente jurisprudência, não haveria como considerar de outra forma. E, como argumento de reforço no sentido da aplicação justa, vale observar que o STJ posicionase no sentido da aplicação da SELIC tanto a favor da Fazenda Pública, quanto a favor dos contribuintes, como se depreende do julgado abaixo: AgRg no Ag 599960 – SEGUNDA TURMA – Julgado em 07/12/2004: “(...)A Primeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, na assentada de 14.05.2003, consolidou o entendimento no sentido da aplicação da Taxa SELIC, na restituição/compensação de tributos, a partir da data da entrada em vigor da lei que determinou sua incidência no campo tributário, conforme dispõe o artigo 39 da Lei n. 9.250/95.(...)” Também não merece prosperar a alegação de que o CTN, no art. 161 §1o, estabelece taxa de 1% e que uma norma com força de lei complementar não poderia ser contrariada ou modificada por uma lei ordinária, pois que o próprio texto do código já excepciona sua aplicabilidade: CTN Art. 161 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifo nosso) Passando à questão da revogação dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91 pela MP 449/08, temos que, inicialmente, estabelecer a natureza dos juros de mora ora revogados. Há de se explicitar que os juros de mora não têm caráter punitivo, mas sim, de compensação pela falta de disponibilidade dos recursos por parte da Fazenda. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 12 11 Destarte, no que tange a retroatividade, as regras de aplicação da legislação tributária previstas art. 106 inciso II do CTN não alcançam os juros de mora, fazendo valer a regra geral de aplicação temporal das leis tributárias prevista no art. 144 do mesmo diploma legal: CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o fato de a mudança trazida pela nova legislação ser muito pouco significante (diferença de apenas 1% aplicável no mês do recolhimento) tal mudança não se opera retroativamente, continuando a valer a metodologia vigente à época do fato gerador. Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. O enfrentamento do argumento de inconstitucionalidade. A presente questão relacionase com as hipóteses de aplicação, pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de norma declarada inconstitucional pelo STF em controle difuso, quando não há resolução do Senado Federal ou ato do Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF), dispensando a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional. No Brasil, em regra, o controle de constitucionalidade de leis e atos normativos compete ao Poder Judiciário e pode realizarse por duas vias distintas: a concentrada (controle abstrato) e a difusa (controle concreto). Na via concentrada, a constitucionalidade da norma é examinada em tese e o que se busca é expelir do sistema jurídico o ato inconstitucional. Não se cuida do julgamento de uma relação concreta, mas sim da validade de uma norma em abstrato frente à Constituição. É por isso que, nesse âmbito, a declaração de inconstitucionalidade tem eficácia objetiva (erga omnes), o que impossibilita a aplicação da norma viciada pelos órgãos de julgamento administrativo. Por outro lado, no controle difuso, o autor da ação não procura a tutela do Poder Judiciário preocupado com a inconstitucionalidade da lei em tese. Seu objetivo é a efetivação de determinado direito subjetivo concreto, exigível em face de alguém. A questão constitucional é apreciada apenas de forma acessória, incidental, a fim de que o Poder Judiciário possa decidir o mérito da causa, reconhecendo ou não o direito subjetivo do autor. Disso se extrai que, na via difusa, a declaração de inconstitucionalidade de ato normativo proferida no bojo de decisão judicial definitiva só alcança as partes do processo (eficácia inter partes) e, por consequência, não vincula objetivamente os órgãos de julgamento administrativo – a não ser na hipótese prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal (resolução do Senado Federal), ou, no caso das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, na hipótese prevista no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Essa última exceção merece maior detalhamento, pois se relaciona diretamente com a questão apresentada. O art. 77 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, autorizou o Poder Executivo a disciplinar as hipóteses em que a Administração Tributária federal Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 13 12 pode afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional por decisão definitiva do STF: Art. 77. Fica o Poder Executivo autorizado a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, possa: I absterse de constituílos; II retificar o seu valor ou declarálos extintos, de ofício, quando houverem sido constituídos anteriormente, ainda que inscritos em dívida ativa; III formular desistência de ações de execução fiscal já ajuizadas, bem como deixar de interpor recursos de decisões judiciais. A regulamentação de tal dispositivo legal veio com o referido Decreto nº 2.346/1997, que, em seu art. 4º, estabeleceu o seguinte: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, na hipótese de o Secretário da Receita Federal do Brasil determinar o afastamento da aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, os julgadores das DRJs ficam vinculados a essa determinação. Tratase aqui de interpretação do parágrafo único do dispositivo à vista do caput. No entanto, a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, retirando a vedação antes existente de afastamento de aplicação de acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, somente para os casos em que a norma já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 14 13 Tal alteração gerou divergência de entendimento acerca da possibilidade de extensão dos efeitos subjetivos de declaração de inconstitucionalidade aos processos administrativos em curso na RFB nas hipóteses em que não se verificam as mencionadas vinculações objetivas, ou seja, fora dos casos previstos no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, e no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/1997. De um lado, estão os que defendem que sim, que, em determinados casos, os julgadores das DRJs podem afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Fundamentamse, para tanto, na interpretação do §6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009): Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Entendem, portanto, que tal dispositivo, por ser posterior ao Decreto nº 2.346/1997, tacitamente revogou o seu art. 4º, que exigia a edição de ato do Secretário da RFB que autorizasse a não aplicação de norma declarada inconstitucional, com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Argumentam também que persistir na aplicação de dispositivos legais cuja inconstitucionalidade vem sendo reiteradamente declarada incidentalmente pelo STF traria prejuízos futuros à Fazenda Pública, em razão de eventuais ônus sucumbenciais. A rigor, o caput do artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. No entanto, o inciso I do §6º desse mesmo artigo, dispõe que tal vedação não se aplica a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF”. A par disso, para a primeira corrente temse que é perfeitamente cabível o entendimento de que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 estaria circunscrito às decisões tomadas em controle concreto ou difuso de constitucionalidade. Não se vislumbra possível interpretar a vedação de que trata o caput do artigo 26A no sentido de que estaria se referindo às decisões proferidas em controle abstrato ou concentrado de constitucionalidade, porquanto isso significaria esvaziálo de conteúdo, em afronta ao postulado hermenêutico de que não se deve interpretar uma norma de modo a negarlhe aplicabilidade. Afinal, não se pode perder de vista que as declarações de inconstitucionalidade em abstrato excluem a norma viciada do mundo jurídico (em regra, com efeitos ex tunc). Nesse sentido, referida norma não poderia mais ser aplicada pelos órgãos de julgamento administrativo, independentemente do disposto no inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 Ademais, importa salientar que não se quer dizer que o inciso I do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 determina que os órgãos de julgamento Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 15 14 administrativo neguem aplicação a ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. O que ele faz é afastar a vedação prevista no caput do artigo. Assim, concluindo, para esta corrente o inciso I do §6º permite que os órgãos de julgamento administrativo deixem de aplicar ato normativo “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF” em controle difuso. Por outro lado, tem os que são contrários à possibilidade de os julgadores das DRJs afastarem a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. Defendem que, em face do princípio da legalidade, nenhuma autoridade administrativa pode negar aplicação a norma vigente; que, para tal negativa, fazse necessário que referida norma seja devidamente excluída do ordenamento jurídico – quer por sua revogação, quer por declaração de inconstitucionalidade na via concentrada, quer ainda na hipótes2e do art. 52, inciso X, da Constituição Federal –, ou que seja ela objeto do ato do Secretário da RFB previsto no art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Em reforço, os adeptos dessa segunda corrente mencionam a Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 03 de março de 2009, que consigna em seu parágrafo 17 e 18: 17. Diante desse fato, a Administração Tributária Federal deve reconhecer que, uma vez declarada a inconstitucionalidade das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mesmo que em decisão de controle difuso pelo STF, também está prejudicado o comando previsto no art. 10 do Decreto nº 4.524, de 2002, na parte em que define o faturamento (receita bruta) como sendo a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, em relação às pessoas jurídicas detentoras de declaração de inconstitucionalidade prolatada pelo Poder Judiciário, por ser o mencionado Decreto norma de caráter apenas regulamentar. 18. Entretanto, as pessoas jurídicas enquadradas no regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que não possuam quaisquer medidas judiciais declaratórias da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, continuam obrigadas aos recolhimentos mensais das referidas contribuições, tendo como base de cálculo o montante do faturamento (receita bruta) entendido como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida e a classificação contábil adota para as receitas. (o grifo é do original) É de se registrar que, recentemente, foram aprovados pelo Ministro da Fazenda os Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010, de 22 de março de 2010, e o Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011. O primeiro concluiu no sentido de que a PGFN: (i) não mais apresente recursos, ordinários ou extremos, contra as decisões judiciais, desfavoráveis à Fazenda Nacional, que se mostrarem consentâneas com precedente judicial formado sob a nova sistemática de julgamento prevista nos arts. 543B e 543C do CPC; (ii) não mais interponha RESP/RE contra acórdãos proferidos em consonância com jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ); (iii) não mais interponha agravo regimental contra decisões monocráticas de Relator (dos TRF´s, do STJ ou do Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 16 15 STF) que, com respaldo em jurisprudência reiterada e pacífica daqueles Tribunais Superiores (indicada em lista elaborada e divulgada, periodicamente, pela CASTF/CRJ), também adotada pela respectiva Turma, neguem seguimento a recursos, nos termos do art. 557 do CPC; (iv) não mais apresente impugnação/contestação contra pedido(s) formulado(s) com respaldo em precedente judicial oriundo de julgamento submetido à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do CPC. Por seu turno, o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, estabeleceu orientações a serem observadas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos do Ministério da Fazenda, quando caracterizada hipótese de dispensa de contestação e recursos, bem como desistência dos já interpostos, de que trata a Portaria PGFN nº 294/ 2010. Em resumo, como conseqüência da aprovação dos referidos Pareceres pelo MF, a Receita Federal do Brasil passa a estar vinculada às decisões do STJ e STF nas causas repetitivas julgadas na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, quando não houver ressalvas por parte da PGFN. No entanto, discutese, ainda, se essa vinculação ocorre para as atividades de julgamento, considerandose que o Parecer PGFN/CDA nº 2.025/2011 trata de aplicação às atividades de constituição e cobrança de créditos no âmbito da RFB, nada mencionando sobre a hipótese de julgamento administrativo. Observase que, até a edição da Lei nº 11.941/2009, que introduziu o § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, a posição majoritária na Primeira Instância do contencioso administrativo era no sentido de não afastar a aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso. A partir dessa alteração legal, essa tendência já não se confirma, uma vez que são identificadas várias decisões que defendem o afastamento da aplicação de ato normativo quando o caso se subsume ao disposto no § 6º, I, do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Decisões favoráveis ao não afastamento aplicação de ato normativo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso: Trecho de ementa: CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. A decisão do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide; para que essa decisão tenha efeitos erga omnes deve haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional, ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que a inconstitucionalidade seja declarada em controle concentrado ou que o STF edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. (Acórdão DRJ/CTA nº 06 34.502, 24/11/2011) Trecho de ementa: EFEITOS DE DECISÕES JUDICIAIS. INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. SÚMULA VINCULANTE. As decisões judiciais produzem efeitos somente às partes envolvidas. A declaração incidental de inconstitucionalidade possui efeito erga omnes quando advinda de Resolução do Senado Federal ou mediante Súmula Vinculante Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903338/201245 Acórdão n.º 3302005.637 S3C3T2 Fl. 17 16 do Supremo Tribunal Federal. (Acórdão DRJ/FNS nº 0726.431, de 27/10/2011) Trecho de ementa: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. (Acórdão DRJ/FNS n° 07 19.634, de 23/04/2010) Trecho de ementa: COISA JULGADA MATERIAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. SEGURANÇA JURÍDICA. INAFASTABILIDADE. A segurança jurídica, como direito fundamental, é limite que não permite a anulação do julgado, sobretudo na esfera administrativa, ainda que a norma legal que serviu de pressuposto à decisão judicial tenha sido posteriormente acoimada de inconstitucionalidade, em decisão do STF. (Acórdão DRJ/CTA nº 0615.022, 15/08/2007) Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.954298/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2000
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.
Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.094
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 98 /2 00 8- 21 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.954298/200821 Acórdão n.º 3201004.094 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que os créditos compensados eram decorrentes de Levantamento Fiscal lastreado em Demonstrativos de Apuração elaborados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em que se apuraram débitos referentes a cálculos e recolhimentos a menor da contribuição, bem como créditos relativos a recolhimentos a maior, que resultaram na compensação declarada. Informou, ainda, que a DCTF havia sido retificada para constar a apuração correta do débito, conforme planilha de apuração fiscal e demonstrativo contendo a descrição da base de cálculo apurada e o valor do imposto devido. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 16033.422, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório não era hábil a alterar a decisão proferida e que qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF devia vir acompanhada de documentação hábil e suficiente que o comprovasse. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, repisando os mesmos argumentos de defesa e alegando que procedera à retificação da DCTF de forma a fazer constar o valor do crédito pendente de reconhecimento e que, mesmo tendo sido apresentada após a ciência do despacho decisório, a declaração retificadora cumprira com os requisitos para a homologação da compensação, devendo prevalecer a verdade real. Sustentou, ainda, com fundamento no art. 147, § 2º, do CTN, que a falta da DCTF retificadora não era suficiente para negar ou impedir a homologação, uma vez que a DCTF original deveria ter sido retificada pela própria Receita Federal. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.954298/200821 Acórdão n.º 3201004.094 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.079, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.954277/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.079): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. Preliminarmente registro que a recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Citese jurisprudência do CARF sobre este ponto: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). O entendimento deste órgão para admitir a comprovação do direito creditório em momento posterior ao despacho decisório está fundamentado no §1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.954298/200821 Acórdão n.º 3201004.094 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. De acordo com tal dispositivo legal, cabe a recorrente comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O fato é que o princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que a ela competia trazer aos autos. Ainda que fosse na segunda instância, se juntasse as provas no recurso voluntário, certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. Ocorre que a recorrente não reúne provas na forma de documentação complementar, insistindo erroneamente em argumentar que o Demonstrativo de Apuração, elaborado pela Receita Federal seria suficiente. Sobre tal argumento, a DRJ se pronunciou alegando que o Demonstrativo de Apuração informa a inexistência de saldo. (efls. 122123) É improcedente a afirmação do contribuinte, pois o crédito compensado neste PER/DCOMP, no montante originário de R$3.135,41, relativo ao suposto pagamento, indevido ou a maior de contribuição do PIS/PASEP (Código de Receita 8109), recolhida em 15/10/1999, não decorre do Levantamento Fiscal noticiado, eis que o DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA juntado à Manifestação de Inconformidade (fls. 68/75) informa a INEXISTÊNCIA DE SALDO APURADO, fato confirmado na análise dos valores declarados pelo próprio Interessado na DCTF entregue à Receita Federal do Brasil, conforme telas de consulta que juntamos a estes autos (fls. 114/117) De fato, mesmo com boa vontade, o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, as efls. 68 75 dos autos, não deixa claro a existência de saldo creditório. Ao contrário, tratase de documento com anotações manuscritas, que necessitam de documentação complementar para tornar o crédito líquido e certo. Mesmo se o Demonstrativo fosse claro, ainda assim, não seria suficiente para garantir o direito. Faltaria a comprovação de erro por parte da recorrente no preenchimento da DCTF. No caso em exame, a recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, quando da manifestação de inconformidade e agora em fase de recurso voluntário, qualquer prova documental para demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF. Em grau de recurso não cabe fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Finalmente, observo que à autoridade julgadora administrativa é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.954298/200821 Acórdão n.º 3201004.094 S3C2T1 Fl. 6 5 apreciar as alegações de ofensa a princípios constitucionais. Nesse sentido, citase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.912034/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.771
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 03 4/ 20 11 -0 7 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13839.912034/201107 Resolução nº 3301000.771 S3C3T1 Fl. 3 2 Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, juntando documentos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: O recolhimento a maior no período de apuração decorre de uma revisão de seus lançamentos, onde identificou um crédito de tributo em virtude da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, antes da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Em razão da consolidação do entendimento do STF pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, afirma que a Administração Pública tem o dever de devolver o que restou recolhido indevidamente, em obediência aos princípios garantidos na Constituição Federal (art. 37). Transcreveu o art. 1º do Decreto nº 2346/1997, e sustentou que cabe aos órgãos administrativos aplicar o entendimento firmado pelo STF, no exercício de sua competência de apreciar a constitucionalidade das leis. Requer a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual dispõe expressamente sobre a obrigação de seus julgadores afastarem a aplicação de lei julgada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo Plenário do STF. Quanto ao crédito, argumentou que no mês de apuração em foco, considerando a original vigência da Lei nº 9.718, de 1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo, conforme comprova a sua DIPJ do período, anexada aos autos. Apresenta relatórios contábeis detalhando o crédito pleiteado, afirmando que decorre exclusivamente das receitas financeiras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no controle difuso somente obriga a Administração Tributária em relação aos autores das ações em que foram prolatadas e não em relação aos demais contribuintes, mesmo nos casos, como o do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em que a inconstitucionalidade foi reconhecida pela Suprema Corte inclusive sob o rito do art. 543B, do CPC (RE nº 585.235), que trata da repercussão geral de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Não foi expedido o ato da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, e, além disto, as decisões proferidas pelo STF sobre a questão não têm efeitos erga omnes. O Despacho Decisório em exame não homologou a compensação pretendida, mediante a justificativa de inexistência de saldo disponível em favor do contribuinte, uma vez Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13839.912034/201107 Resolução nº 3301000.771 S3C3T1 Fl. 4 3 que o recolhimento da contribuição, ora examinado, está integralmente vinculado a débitos do contribuinte. Quando da interposição da manifestação de inconformidade, o contribuinte tem o dever de apresentar as provas em torno da pertinência da restituição, total ou parcial, do pagamento espontaneamente efetuado. A DIPJ e o demonstrativo de cálculo da composição da referida receita, denominado "Referência Contábil", elaborado pelo próprio contribuinte, não é meio legítimo, por si só e independentemente dos necessários elementos comprobatórios, para justificar o direito à restituição. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em março de 2010 a Portaria nº 294/2010, autorizando os Procuradores da Fazenda Nacional a não apresentar contestação e não interpor recursos, bem como desistir dos já interpostos, para os casos em que se discute o alargamento da base de cálculo perpretada pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista a decisão do Plenário do STF, no julgamento do RE nº 585.235, julgado sob o rito da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, que reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo. Ainda, para demonstrar a liquidez do crédito, junta aos autos balancetes contábeis para complementar os demonstrativos contábeis (memória de cálculo) e a DIPJ trazidos com a manifestação de inconformidade. Invocando a verdade material, requer a realização de diligência para verificação das receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência para fins de constatar o crédito pleiteado pela Recorrente. É a síntese do necessário VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.768, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.768): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13839.912034/201107 Resolução nº 3301000.771 S3C3T1 Fl. 5 4 informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos; iii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 12/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13839.912034/201107 Resolução nº 3301000.771 S3C3T1 Fl. 6 5 O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13839.912034/201107 Resolução nº 3301000.771 S3C3T1 Fl. 7 6 (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Análise a ser realizada a seguir. II) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (12/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. Para demonstrar o montante de crédito a que tem direito, juntou aos autos a sua DIPJ do exercício 2001 (fls. 68201), onde se constata em fls. 90, na ficha 19A, correspondente ao cálculo da contribuição ao PIS, a informação presente no tem 02 o montante de R$ 1.665.065,93 a título de receitas de variações cambiais, que corresponde exatamente ao montante de R$ 10.822,93 se aplicada a alíquota de 0,65% sobre esta base de cálculo. Também juntou em fls. 67 um demonstrativo contábil referente ao mês de dezembro/2000, onde consta este mesmo montante discriminado como "receitas financeiras líquidas". A r. decisão proferida pela d. DRJ afirmou que tais documentos são meramente informativos, não sendo capazes de informar a origem e veracidade do crédito. No entanto, a DIPJ, por ser uma obrigação acessória exigida pela legislação, constitui sim importante elemento de prova, com forte indício de veracidade das informações ali constantes. Em que pese a d. DRJ não ter aceitado a DIPJ como prova suficiente para dar liquidez e certeza ao crédito pleiteado pela Recorrente, é de se observar que as informações constantes nesta mesma DIPJ foram, na época, utilizadas para formar a base de cálculo da contribuição ao PIS e calcular o montante de imposto devido para ser informado na DCTF. Depreendese de fls. 90 (DIPJ) a informação contida no item 15, informandose o montante total das receitas auferidas no período, somandose o faturamento com as receitas financeiras, correspondendo à base de cálculo da contribuição. Sobre este montante total de R$ 83.720,52, incluindose as receitas financiras, foi declarado em DCTF e pago o montante de PIS respectivo via guia DARF (fls. 56). Assim, estas informações prestaram para subsidiar a declaração acerca do montante de tributo devido, mas, segundo a DRF, não se prestam a informar o montante de tributo recolhido a maior. Não faz sentido. As informações presentes na DIPJ, é verdade, possui caráter meramente informativo, assim como qualquer outra prova. A declaração prestada neste documento revela uma presunção de que os valores nela prestados corresponderiam ao fato gerador materializado. A Recorrente apresentou, com seu Recurso Ordinário, balancetes do exercício do ano 2000 para trazer mais elementos de prova a fim de subsidiar a liquidez e certeza do crédito pleiteado (fls. 265277). No entanto, o valor informado a título de receitas financeiras na DIPJ (fls. 90) é maior do que o valor informado no balancete de dezembro/2000 (fls. 274). Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13839.912034/201107 Resolução nº 3301000.771 S3C3T1 Fl. 8 7 Na DIPJ resta informado um total de R$ 1.665.065,93 a título de receita financeira, o que representa o valor de R$ 10.822,93 de PIS, valor este pleiteado no PER/DCOMP. Por sua vez, tanto no demonstrativo de cálculo apresentado nas razões do Recurso Voluntário (fls. 218219), quanto nos balancetes referidos, a Recorrente afirma que o valor das receitas financeiras auferidas é de R$ 1.572.443,97, cujo montante de contribuição ao PIS representa R$ 10.220,89. Em outros termos, o montante de crédito decorrente do pagamento de PIS a maior sobre suas receitas financeiras demonstrado no recurso voluntário é um pouco inferior ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Não restam dúvidas, portanto, da existência de recolhimento de PIS sobre receitas financeiras no período em análise. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, acolho os balancetes juntados com o Recurso Voluntário para fins de complementação do acervo probatório. III) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria. E esta conduta já é adotada mesmo antes da decisão da d. DRJ proferida nestes autos, inobstante a afirmação lá contida no sentido de que não existia ato oficial da PGFN. Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado em Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13839.912034/201107 Resolução nº 3301000.771 S3C3T1 Fl. 9 8 repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/193, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) este caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 12/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.718/1998. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, como os balancetes foram juntados com o recurso voluntário e, ainda, os valores demonstrados nestas provas são inferiores aos valores pleiteados no PER/DCOMP e informados na DIPJ, tendo em vista, ainda, sua possibilidade de influência no julgamento da causa, submeto estes documentos para apreciação da Recorrida, em diligência para confirmação dos créditos, para posterior retorno para julgamento. Isto posto, uma vez comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, e uma vez comprovada a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. No entanto, a liquidez e certeza do crédito ainda não está clara, diante da divergência entre os valores informados no PER/DCOMP e DIPJ e os valores Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13839.912034/201107 Resolução nº 3301000.771 S3C3T1 Fl. 10 9 informados nos balancetes a título de receitas financeiras auferiras. Por isso, é necessária a conversão do feito em diligência pra fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontandoos com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontando os com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS/COFINS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.917783/2012-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 17 78 3/ 20 12 -8 8 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11080.917783/201288 Resolução nº 3401001.482 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 17295.37097.231210.1.3.043023 a compensação dos seguintes débitos: COFINS (cód.2172) do período de apuração 04/2010 no valor de R$ 13.475,60 acrescido de multa e juros, totalizando R$ 16.980,60; PIS/PASEP (cód.8109) do período de apuração 09/2010 no valor de R$ 3.740,84 acrescido de multa e juros, totalizando R$ 4.536,88; com crédito de COFINS (cód.2172) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 418.706,93 do período de apuração 03/2010, arrecadado na data de 23/04/2010. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 20.155,00. Do Despacho Decisório A DRF de Porto Alegre/RS em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 041970733 (efls.56), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da COFINS do Período de Apuração 31/03/2010. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), solicitando que seja revisado seu pedido porque ocorreu um erro no preenchimento da DCTF do mês de março de 2010, sendo retificada para ajustarse a contabilidade e a PER/DCOMP deste processo. Entende que o crédito existe, pois se trata de uma falha no cumprimento de obrigação acessória, devidamente comprovada e sanada. Faz juntada das declarações, original e retificadora e demonstrativos contábeis e fiscais. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/REC, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em sessão de 19 de fevereiro de 2016, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a restituição ou compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. Mantémse o despacho decisório que não homologou compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.134) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que o indébito tributário não pode ser considerado como receita da Fazenda Pública, pois não há lei que o determine; (b) que o erro Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11080.917783/201288 Resolução nº 3401001.482 S3C4T1 Fl. 4 3 material ficou comprovado nos autos, pela apresentação de DCTF Retificadora e também, pelos próprios livros contábeis da recorrente. Que o DACON, na época, revestiase de mero instrumento auxiliar e que atualmente não é mais exigível; (c) que os atos normativos da administração tributária , bem como a jurisprudência de nossos tribunais administrativos, reconhecem o direito à compensação mesmo que a DCTF Retificadora tenha ocorrido após o Despacho Decisório. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte demonstrou via DCTF retificadora, suportada por seus registros contábeis, que o débito declarado de COFINS para o mês 03/2010 estava incorreto e tratou de corrigilo, porém, o fez em data posterior a cientificação do Despacho Decisório, sendo essa a principal razão da não homologação da compensação pleiteada. O valor efetivo do débito de COFINS para o mês 03/2010 era de R$ 398.551,93 e não o valor pago de R$ 418.706,93 o que resultou no crédito pleiteado de R$ 20.155,00. Do voto que instruiu a decisão recorrida, ficou assentado que o débito declarado em DCTF constitui confissão de dívida, “exvi do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015” e que a contribuinte, embora tenha efetivamente retificado sua DCTF, não retificou o DACON, hipótese que não há como lhe reconhecer o direito creditório. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (INRFB nº 1.110/2010). Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da declaração de compensação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11080.917783/201288 Resolução nº 3401001.482 S3C4T1 Fl. 5 4 poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O CARF não é órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008, bem como das IN que a sucederam: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, como exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303 005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11080.917783/201288 Resolução nº 3401001.482 S3C4T1 Fl. 6 5 PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
